Skip to main content

Hoje Macau 05 MAIO 2021 #4761

Page 1

Portugal com um golpe de asa

ELEIÇÕES

Si Ka Lon e Song Pek Kei numa só lista

hoje macau Nº 4761

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

PÁGINA 5

Português pelo mundo Hoje é dia de celebrar a Língua Portuguesa. Apesar de não ser (ainda) um idioma oficial da ONU, o Português tem, desde 2019, um dia mundial consagrado pela UNESCO. Com 260 milhões de falantes em todos os continentes, estima-se que em 2050 este número suba para 400 milhões. Por Macau, há quem saliente o trabalho sólido e de qualidade efectuado ao longo do tempo, mas também quem critique a falta de uma verdadeira política da língua no território. GRANDE PLANO

JULIÃO SARMENTO (1948-2021) ÚLTIMA

HOSPITAL CONDE DE SÃO JANUÁRIO

TAXA DE VACINAÇÃO EM ALTA PÁGINAS 6-7

SILÊNCIO DE DEUS NUNO MIGUEL GUEDES

ESTREMECE O VENTO JOÃO PAULO COTRIM

ENRIQUECIMENTO XUNZI

NASA | APOLLO 11

LITERATURA

FICÇÃO CIENTÍFICA NA FRC EVENTOS

MOP$10

JOÃO PORFÍRIO | OBSERVADOR

QUARTA-FEIRA 5-5-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

5.5.2021 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

LÍNGUA PORTUGUESA DO “INVESTIMENTO NOTÁVEL” AOS AVISOS SOBRE O FUTURO

Sucesso agridoce

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Língua Portuguesa e, em Macau, vários especialistas afirmam que o idioma está de pedra e cal no território, tanto ao nível do ensino como dos apoios institucionais. No entanto, deixam avisos e apontam falhas: há uma necessidade de mudança e de reinvenção, pois a China pode tornar-se autosuficiente no ensino e investigação da língua dentro de poucos anos. Rui Rocha diz que não há uma política linguística efectiva

O

Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado hoje, constitui o mote para se traçar um retrato do estado do idioma em Macau, onde o português é língua oficial até 2049. Em declarações à agência Lusa, o director do Instituto Português do Oriente (IPOR) defendeu que as autoridades de Macau estão a fazer um “investimento notável” no seu ensino. “Por parte da Direção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude [DSEDJ] está a ser feito um investimento notável. E se olharmos especificamente para o trabalho do Centro de Difusão de Línguas [CDL] da DSEDJ, acho que esse trabalho está a ser desenvolvido não só em quantidade, mas também em qualidade”, sustentou Joaquim Coelho Ramos. “Não só o ensino da língua portuguesa em escolas oficiais e particulares do ensino não superior tem vindo a crescer, mas também em qualidade, e tem sido colocada à disposição das escolas actividades complementares que ajudam este processo de ensino de aprendizagem”, sublinhou. A justificação pode estar no papel que Pequim atribuiu ao antigo território administrado por Portugal até 1999, para se assumir como plataforma para a cooperação comercial entre a China e os países lusófonos e como base de formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português. O director do IPOR salientou que “isso pode estar ligado ao de-

senvolvimento da visão da língua portuguesa como língua global e do interesse que existe, prático, do trabalho, através da língua portuguesa, de colaboração, cooperação com os países que a têm como língua oficial”. O interesse tem-se traduzido no acréscimo de solicitações junto do IPOR, acrescentou Joaquim Coelho Ramos: “Também notamos algumas instituições que vêm pedindo ao IPOR cursos de formação em língua portuguesa para os seus funcionários, com a intenção de melhor servir a população que fala português, mas também com a intenção de fazerem investimentos exteriores”. Ou seja, concluiu, “quer numa dimensão lúdica, quer numa dimensão pedagógica, quer numa dimensão pragmática ligada à economia, (…) há um desenvolvimento muito sério e muito bem feito, estrategicamente bem orientado para a língua portuguesa aqui [em Macau]”.

ENTREGA DE LIVROS O IPOR promove hoje, no Consulado de Portugal, pelas 18h30, a doação de uma colecção de livros em língua portuguesa com vista a enriquecer os acervos das bibliotecas das escolas locais, de todos os níveis de educativos, que ensinam o Português. A cerimónia contará com a presença dos representantes consulares dos países de língua portuguesa em Macau, bem como com os directores das escolas da RAEM que ensinam Português, informa o IPOR em comunicado.


quarta-feira 5.5.2021

RUI ROCHA EX-DIRECTOR DO IPOR

olhar sempre com esperança para o futuro da língua portuguesa no território.” Sendo um idioma que nunca foi falado na rua, uma vez que a população de Macau sempre foi, na sua maioria, falante de cantonês, Carlos André recorda que essa característica faz com que encare a evolução da língua “com o maior optimismo”. “Há um legado histórico e é uma língua que continua a

Os avisos

No final de 2019, números enviados à Lusa pelo Governo de Macau indicavam que o ensino do português tinha crescido em Macau, nas escolas, em alunos e professores, nos últimos 20 anos sob administração chinesa. Os mesmos números apontavam para um aumento dos estudantes locais em cursos leccionados em português no ensino superior e para um crescimento dos alunos em mobilidade em Portugal. Em declarações ao HM, Carlos André, anterior director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM, fala de uma língua que continua “muito pujante” em Macau. “É um veículo de afirmação de um passado de que Macau se orgulha muito, num exemplo universal de diálogo entre culturas, e temos de

GONÇALO LOBO PINHEIRO

ter esta força, o que é surpreendente e não muito natural." No entanto, deixa um aviso: as instituições académicas e institucionais têm de reinventar o papel que Macau desempenha nesta área, sob pena de o território ficar para trás. “Não pode distrair-se porque é muito importante para esse desenvolvimento [do idioma na China], mas se não der importância a isso vai ser descartado, porque com tantos doutorados na China vão podendo dispensar o apoio de Macau. Há o risco de Macau perder a importância que tem para o interior da China quanto ao ensino do português. As universidades chinesas tornam-se auto-suficientes com o seu corpo docente”, frisou. Hoje em dia, na China, há mais de cinco mil estudantes, mais de 200 professores e cerca de 50 universidades a ensinar o idioma. “A China é um case study”, aponta Carlos André. Também Rui Lourido, presidente do Observatório da China e coordenador cultural da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), diz que “há sempre imensas coisas a valorizar”, esperando que os apoios oficiais ao idioma continuem. “Num território onde a percentagem dos falantes de português é diminuta, o grande desafio é que, com o apoio das autoridades, os jornais continuem a ser impressos em português e que se faça a difusão do português.” Para o responsável, “é muito claro o apreço que o Governo de Macau e o Governo Central [em Pequim] fazem da presença da língua portuguesa e do interesse em desenvolver essa presença, apoiando e pagando uma série de jornais em português, e apoiando o idioma como língua oficial e no apoio, através do Instituto Cultural, de actividades em língua portuguesa. Temos o desenvolvimento da EPM, que tem um papel importantíssimo.”

Carlos André, anterior director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM, fala de uma língua que continua “muito pujante” em Macau determinam qual é o estatuto da língua portuguesa e chinesa.” Para o responsável, a tradução e interpretação é um dos nichos mais importantes do português, a par do Direito e da Administração pública. “Há um discurso oficial sobre o número de pessoas que estão interessadas na aprendizagem da língua portuguesa. Mas uma coisa são os números, que não são tão relevantes assim. Confunde-se um bocadinho o valor do investimento em língua portuguesa com aquilo que é o seu resultado efectivo. SOFIA MARGARIDA MOTA

CARMO CORREIA

“Não há efectivamente uma política linguística, porque se houvesse as línguas oficiais estariam vertidas no sistema educativo e as pessoas eram obrigadas a estudar as duas línguas oficiais.”

SOFIA MARGARIDA MOTA

No último ano lectivo, o curso de português realizado pelas escolas públicas subordinadas à DSEDJ contabilizava um total de 136 turmas, com 2.409 estudantes, e 27 turmas de actividades extracurriculares, com 429 alunos participantes, segundo dados oficiais. Também em 2019/2020, um total de 43 escolas particulares leccionaram o curso de português, que envolveu 5.591 alunos. Desde 2007 que a mesma entidade encarregou a Escola Portuguesa de Macau (EPM) de promover o curso intensivo de língua portuguesa, em horário após as aulas, para estudantes, com a DSEDJ a proporcionar ainda, gratuitamente, às escolas primárias e secundárias, uma plataforma de leitura ‘online’ de português. Isto além da atribuição de bolsas extraordinárias dedicada a formar quadros qualificados em cursos nas áreas de língua portuguesa ou tradução chinês-português, bem como para apoiar licenciaturas em Portugal frequentadas por residentes de Macau. Ainda no último ano, segundo a DSEDJ, 4.598 residentes foram subsidiados para participarem em cursos de português. Instituições como o Instituto Politécnico de Macau têm desenvolvido parcerias com universidades de países lusófonos na formação de docentes, intercâmbio de alunos e cooperação nos cursos de pós-graduação. Em declarações à Lusa, no final de 2020, o novo coordenador do Centro Internacional Português de Formação do IPM, Joaquim Ramos de Carvalho, assumiu a existência de um caderno de encargos para responder a crescentes exigências que vão da integração na China à criação de redes sino-lusófonas e de cooperação internacional.

grande plano 3

www.hojemacau.com.mo

Erros na avaliação

Ausência de política

“Num território onde a percentagem dos falantes de português é diminuta, o grande desafio é que, com o apoio das autoridades, os jornais continuem a ser impressos em português e que se faça a difusão do português.” RUI LOURIDO PRESIDENTE DO OBSERVATÓRIO DA CHINA E COORDENADOR CULTURAL DA UCCLA

Para Rui Rocha, ex-director do IPOR e do departamento de língua portuguesa da Universidade Cidade de Macau, há ainda muito a fazer na área da tradução. "Macau tinha a obrigação de ter melhores intérpretes-tradutores português-chinês e chinês-português, e deixo ao critério das pessoas para avaliar a qualidade da tradução.” “Os bons intérpretes-tradutores vêm da China. A qualidade daquilo que nós vemos, por exemplo, nas placas das ruas e anúncios privados, a forma como o português está escrito… Isto significa que não há uma política linguística a partir da Lei Básica e das leis que

Portanto há muita ficção à volta daquilo que é a língua portuguesa. Esta não pode ser, em Macau, uma língua de divulgação massiva.” Rui Rocha diz que nestes três nichos “não se investe muito”, pelo que “não faz grande sentido dizermos que o português está em franca expansão”. E dá exemplos. "Na China, por exemplo, deve haver cerca de cinco ou seis mil alunos a aprender português. Ora o investimento não é grande, tendo em conta que há cerca de 45 mil a aprender espanhol, 50 mil a aprender francês, ou 800 mil a aprender inglês. Na China isto não acontece porque não se quer, pois as escolas de línguas ensinam uma multiplicidade de idiomas, incluindo não só o português, mas também o francês, o inglês, o russo, o coreano, japonês, tailandês. Há quotas para cada língua.” No caso de Macau “é uma língua que não é tratada como oficial”. “Para ser tratada como tal, o sistema educativo tinha que reflectir a função e o estatuto das línguas oficiais num sistema educativo. Como não reflecte, há um défice de aprendizagem da língua portuguesa.” O responsável fala da lei quadro publicada em 1991, sobre o sistema educativo não superior, que referia que as línguas obrigatórias de ensino eram o português e o chinês. “O português nunca foi de facto e em 2006 retira-se completamente a obrigatoriedade do ensino português como segunda língua oficial”, destaca. Para o ex-director do IPOR, “não há efectivamente uma política linguística, porque se houvesse as línguas oficiais estariam vertidas no sistema educativo e as pessoas eram obrigadas a estudar as duas línguas oficiais”.

“Quer numa dimensão lúdica, quer numa dimensão pedagógica, quer numa dimensão pragmática ligada à economia, (…) há um desenvolvimento muito sério e estrategicamente bem orientado para a língua portuguesa aqui [em Macau].” JOAQUIM COELHO RAMOS DIRECTOR DO IPOR

Rui Rocha não deixa de apontar o dedo ao sistema de avaliação, desde “os resultados efectivos dos alunos à própria avaliação dos professores”. “Esta é uma questão que me preocupa bastante. Não há uma avaliação daquilo que é produzido em termos de ensino, ou seja, os resultados em termos de aprendizagem.” A DSEDJ “dá muito dinheiro para as escolas”, que não implementam “um ensino estruturado mas sim um bocado aleatório e errático”. “No ensino superior era importante haver uma avaliação dos resultados finais daquilo que é ensinado, quer numa licenciatura, quer numa disciplina que seja curricular. Isso não é feito, porque nós não sabemos qual é a qualidade real daquilo que sai”, rematou. Andreia Sofia Silva e Pedro Arede


4 política

5.5.2021 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

TRABALHO ILEGAL GOVERNO QUER RESPONSABILIZAR APENAS QUEM CONHECE CASOS

Quando uma empresa contratar um trabalhador ilegal, só quem tiver conhecimento do caso é responsabilizado a nível penal. A pena é agravada se a prestação de trabalho acontecer em condições abusivas ou degradantes

O

Governo pretende que no caso de uma empresa empregar trabalhadores ilegais, o patrão não seja punido se desconhecer a situação da contratação, ficando a responsabilidade a cargo do subordinado que contratou a pessoa em causa. O esclarecimento foi dado à 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa durante a discussão da proposta de Lei sobre o regime jurídico do controlo de migração e das autorizações de permanência e residência na RAEM. “Tem a ver com quem está a aceitar a prestação de trabalho de um [indivíduo] ilegal. Por exemplo, [se] um empresário, o responsável máximo de uma empresa, não tiver conhecimento do caso e for um subordinado que contratou o ilegal, segundo a explicação que foi dada pelo Governo, esse patrão ou dono da empresa vai ser investigado. Mas se for apurado que não teve conhecimento ou não esteve relacionado com essa contratação de ilegal não vai ter de assumir responsabilidade penal”, explicou Vong Hin Fai, presidente da comissão. A proposta prevê que o emprego irregular seja punido com pena de prisão até dois anos, ou de dois a oito anos em caso de reincidência. Em causa, está quem receber a prestação de trabalho de pessoas ilegais, para interesse próprio ou da empresa que pague algum tipo de remuneração ou contrapartida.

RÓMULO SANTOS

O melhor é não saber

A

A actual Lei da Imigração Ilegal e da Expulsão já determina que quem criar uma relação de trabalho com indivíduos sem os documentos legais exigidos pode ser punido com pena de prisão. A mudança presente na nova proposta prende-se antes com o foco da regra. “Em vez da relação de trabalho, é a remuneração ou contrapartida o enfoque”, disse Vong Hin Fai. Além disso, quando essa situação de trabalho ilegal envolver condições “particularmente abusivas ou degradantes”, a pena é agravada num terço.

Contexto alargado

A Comissão não afasta a possibilidade de haver associações ou organizações a contratar trabalhadores ilegais. “O Governo também considerou que aqui o âmbito é bastante restrito e aceitou alterar esse termo de empresa, para incluir outras associações, organizações ou outras entidades”, observou Vong Hin Fai. À semelhança da lei actual, a proposta também presume que existe trabalho quando um indivíduo é encontrado em estaleiro ou obras de construção civil a executar “actividades próprias dos mesmos”. “Trata-se de uma situação bastante comum ou recorrente a descoberta de trabalhadores ilegais nos estaleiros de obras”, referiu o deputado. Na reunião de ontem entre a Comissão e o Governo foram também discutidas as responsabilidades dos operadores de

“Se for apurado que não teve conhecimento ou não esteve relacionado com essa contratação de ilegal não vai ter de assumir responsabilidade penal.” VONG HIN FAI DEPUTADO

transportes, nomeadamente por ficarem encarregues do retorno de pessoas cuja entrada na RAEM seja recusada, para o ponto de partida ou o local onde foi emitido o documento de viagem com que se deslocou. “E porque há esse rigor de responsabilidade de retorno de pessoa? O Governo disse que

EMPREGADAS DOMÉSTICAS WONG KIT CHENG PEDE MAIS MEDIDAS

é uma prática internacional”, declarou o presidente da Comissão. Vong Hin Fai explicou também que o operador de transportes fica responsável pelas despesas de alojamento, alimentação e cuidados de saúde enquanto a pessoa permanecer na RAEM antes do seu retorno. Salomé Fernandes

TRAVÉS de uma interpelação escrita, Wong Kit Cheng quer que o Governo implemente mais medidas para facilitar a entrada de empregadas domésticas estrangeiras em Macau. Para a deputada, o Executivo deve, o quanto antes, criar medidas para reduzir o “transtorno” causado pela possibilidade de os trabalhadores estrangeiros vacinados terem de vir a cumprir um período de autogestão de sete dias depois de cumprir uma quarentena de 21 dias à entrada do território, período esse que já de si também traz custos. Já sobre a ideia anteriormente avançada pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, de permitir que as trabalhadoras domésticas que pretendam entrar em Macau possam fazê-lo mediante a toma de duas doses de vacinas contra a covid-19 e a realização de quatro testes de ácido nucleico no exterior, Wong Kit Cheng quer saber quando é que a medida poderá entrar em vigor.Adicionalmente, é sugerido que o Governo de Macau entre em contacto com as regiões emissoras de trabalhadores domésticos para incentivar que essas mesmas medidas preventivas possam ser realizadas antes de as pessoas rumarem a Macau. Por último, a deputada pede ainda que os serviços de migração implementem restrições destinadas aos trabalhadores estrangeiros inoculados com a vacina da Sinopharm que estão autorizados a sair de Macau para obter uma autorização de trabalho no regresso ao território. Isto para evitar, segundo a deputada, que os trabalhadores procurem trabalhos noutras áreas ou outros empregadores. P.A. e N.W.

INTEGRAÇÃO REGIONAL CRIADA NOVA COMISSÃO DE TRABALHO LIDERADA POR HO IAT SENG

O

Governo decidiu criar uma nova comissão de trabalho para lidar com os dossiers relacionados com o processo de integração nacional e de participação nas políticas de Pequim. A criação da Comissão de Trabalho para a Integração no Desenvolvimento Nacional tem por objectivo “coordenar os planos gerais e trabalhos preparatórios de curto, médio e longo prazos de par-

ticipação e contribuição da RAEM na construção de Uma Faixa, Uma Rota e da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. O despacho que cria oficialmente esta Comissão foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) e determina que esta tem ainda como competências “promover a realização de estudos e planeamento com vista à formulação das respectivas estratégias políticas”.

À Comissão cabe ainda “estudar e definir políticas, estratégias e medidas de implementação da RAEM no âmbito da promoção da construção de Um Centro (Centro Mundial de Turismo e Lazer), Uma Plataforma (Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa), Uma Base (Base de Intercâmbio e Cooperação para a Promoção da Coexistência

Multicultural, com Predominância da Cultura Chinesa)”. Deve ser ainda elaborado “um programa anual de trabalhos”, bem como ser feito uma supervisão da sua implementação. O Chefe do Executivo preside a esta Comissão, que será composta pelos secretários das cinco tutelas do Governo, bem como pelo comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários,

pelo director-geral dos Serviços de Alfândega e pelo director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional. Desta entidade fazem também parte um representante do Gabinete do Chefe do Executivo, um representante de cada Secretaria do Governo e um representante da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional.


quarta-feira 5.5.2021

SAFP Conta única de acesso é cada vez mais popular A utilização da conta única de acesso comum está cada vez mais generalizada e o Governo está a pensar em novas formas de fornecer mais informação aos cidadãos de forma centralizada. A intenção foi revelada pelo director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Kou Peng Kuan, em resposta a uma interpelação do deputado Lam Lon Wai. “À medida que se encontram acessíveis cada vez mais serviços electrónicos na conta única de acesso comum, a sua utilização está a generalizar-se pelos cidadãos e a

fomentar consultas e uma progressiva apresentação de opiniões sobre os mesmos”, afirmou Kou. “Os SAFP [...] darão continuidade ao estudo e à promoção de mais meios de informação, convenientes e céleres, de modo a permitir, aos cidadãos, a consulta e a obtenção directa de informações do Governo ou a apresentação de opiniões”, é acrescentado. A conta única de acesso comum foi uma política implementada em 2019, que permitir aceder a vários serviços electrónicos do governo com o mesmo nome de utilizador e password.

FAOM Wushu e Dança doA Dragão para os 100 anos do PCC Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) vai organizar dois eventos para celebrar o centenário do Partido Comunista Chinês (PCC), que se acontece em Julho deste ano. Os eventos de Wushu e de Dança do Dragão acontecem este sábado, dia 8 de Maio, no Campo dos Operários. Un Oi Mou, presidente da comissão organizadora do evento, disse, segundo o jornal Ou Mun, que um total de 54 associações desportivas de Wushu vão participar, incluindo 95 atletas que vão fazer demonstrações das modalidades de Tai Chi, Wing Chun, Shaolin e artes marciais mistas, entre outras. “Organizamos estas actividades de forma voluntária para representarmos o espírito de cooperação e de amor à Pátria e a Macau”, disse o responsável.

ELEIÇÕES DEPUTADOS SI KA LON E SONG PEK KEI NUMA LISTA ÚNICA

Mudança de rumo

Aliança de Povo de Instituição de Macau vai a jogo com uma única lista que deverá ter como principais candidatos Si Ka Lon e Song Pek Kei. A ordem ainda não está definida, mas a estratégia para formar a lista com o nome Associação dos Cidadãos Unidos de Macau foi revelada ao jornal All About Macau desde 2013. “Sem que haja um número de pessoas suficiente para formar a comissão de candidatura não faz sentido falar sobre os lugares na lista, certo?”, respondeu à publicação All About Macau. “Primeiro, vamos tratar da comissão de candidatura, depois vamos determinar a ordem na lista”, acrescentou. “A ordem ainda não está determinada”, vincou.

RÓMULO SANTOS

S

I Ka Lon e Song Pek Kei vão participar fazer parte de uma lista única nas eleições de Setembro para a Assembleia Legislativa. A informação foi avançada pelo jornal All About Macau, que cita uma conversa telefónica com a deputada. A participação numa lista única representa a adopção de uma estratégia diferente face a 2017, quando os deputados ligados à associação Aliança de Povo de Instituição de Macau partiram para as eleições em duas listas diferentes. A lista encabeçada por Si Ka Lon teve como nome Associação dos Cidadãos Unidos de Macau e a liderada por Song Pek Kei concorreu com a denominação de Associação dos Cidadãos para o Desenvolvimento de Macau. A lista para as eleições de 2021 vai chamar-se Associação dos Cidadãos Unidos de Macau e, segundo Song Pek Kei, a prioridade passa por garantir o apoio dos 300 cidadãos necessários para constituir a comissão de candidatura. “Todos os candidatos vão ser escolhidos pela Associação dos Cidadãos Unidos de Macau, não haverá outras listas, e a ordem vai ser apresentada com a lista”, afirmou Song. Adeputada recusou igualmente falar sobre a ordem da lista, que deverá ter nos dois primeiros lugares Si Ka Lon e Song Pek Kei, deputados

política 5

www.hojemacau.com.mo

Mais competição

Quanto ao acto eleitoral em si, Song Pek Kei acredita

“Este ano, acredito que a competição vai ser muito apertada. Acredito que haverá mais listas do que na edição anterior.”

que a competição será maior do que em 2017, quando participaram 25 listas pelo sufrágio directo. “Este ano, acredito que a competição vai ser muito apertada. Acredito que haverá mais listas do que na edição anterior”, considerou. “Até um certo ponto, acho que vai haver uma maior divisão dos votos, o que vai fazer com que haja uma pressão maior. A divisão não é apenas na comunidade de Fujian, mas vai haver mais listas de representação de diferentes grupos da sociedade”, complementou. Com uma lista única, Song Pek Kei e Si Ka Lon apostam numa estratégia diferente em comparação com 2017. Nas últimas eleições, as listas apoiadas pelo empresário Chan Meng Kam reuniram 14.879 votos e 10.103 votos. Como consequência foram eleitos dois deputados, Song Pek Kei e Si Ka Lon. Porém, 2017 não deixou de ser uma derrota para as listas da associação Aliança de Povo de Instituição de Macau, que tem por base a comunidade de Fujian. Isto porque em 2013, a lista liderada então por Chan Meng Kam, e que também era integrada pelos dois legisladores, tinha conseguido eleger três deputados, após contabilizar 25.146 votos.

João Santos Filipe

SONG PEK KEI DEPUTADA

DIA DA JUVENTUDE FU ZIYING DIZ QUE O VALOR DO AMOR PATRIÓTICO É FIRME EM MACAU

P

OR ocasião de uma palestra dedicada ao espírito do 4 de Maio, data em que se comemora o Dia da Juventude, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Fu Ziying, considerou que, ao contrário de Hong Kong, os valores do amor à pátria e a Macau são firmes no território e que,

por isso mesmo, não deverá haver necessidade de criar um Escritório para a Salvaguarda da Segurança Nacional, como aconteceu no território vizinho. De acordo com o canal chinês da TDM-Rádio Macau, durante o discurso que teve lugar ontem na Universidade de Macau (UM) e perante

cerca de 100 participantes, Fu Ziying apontou que no cumprimento do princípio “um país, dois sistemas” Hong Kong foi exposto “em demasia” às intervenções dos países ocidentais. Questionado sobre a melhor forma de divulgar o espírito do 4 de Maio, o responsável afirmou que isso

deve passar pela promoção do sentimento de pertença, de identidade e confiança no país. Segundo a mesma fonte, rumo à diversificação económica, Fu Ziying exaltou ainda a necessidade de, a longo prazo, Macau estabelecer um maior intercâmbio com outras regiões como o Interior da China e Hong Kong.


6 sociedade

suas responsabilidades e que há “uma certa barreira imunológica”. Quanto ao terço do pessoal médico por vacinar, Tai apontou que houve pessoas que não foram vacinadas devido a gravidez, precaução face a reacções alérgicas e outras condições que levaram ao aconselhamento da não vacinação nesta fase. Até ontem, tinham sido administradas 109.255 doses da vacina a 71.719 pessoas. Entre estas, 37.674 tinham sido inoculadas com as duas doses e 34.045 com apenas com a primeira dose. Tai Wa Hou revelou ainda que diariamente entre seis e 10 por cento de quem faz marcação para ser vacinado não comparece nas consultas.

Sem 21 dias de quarentena

Também ontem, foi anunciado que a partir da meia noite de hoje os estrangeiros que não tenham o estatuto de residente passam a poder entrar na RAEM, desde que se encontrem no Interior e tenham sido autorizados pelos Serviços de Saúde de Macau, devido a motivos familiares. Com as alterações, os não-residentes deixam de ter de cumprir

TABACO CONSUMO BAIXOU 5% EM 9 ANOS

O

S Serviços de Saúde de Macau (SSM) afirmam que a taxa geral do uso de tabaco pela população com mais de 15 anos tem vindo a baixar desde a entrada em vigor do regime de prevenção e controlo do tabagismo, ou seja, há nove anos. Segundo um comunicado, essa taxa era de 16,9 por cento em 2011, ano em que a nova lei entrou em vigor, tendo baixado para 11,2 por cento em 2019.AOrganização Mundial de Saúde (OMS) estima que existam oito milhões de pessoas que todos os anos morrem devido ao consumo de

tabaco. O Dia Mundial Sem Tabaco celebra-se no próximo dia 31 de Maio e, nesse sentido, os SSM vão desenvolver uma série de actividades para marcar a efeméride, como a criação do Posto Consultivo do Malefício Provocado pelo Tabagismo. Durante este mês e no próximo, este Posto estará a funcionar em nove áreas do território, tal como o Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen, Jardim de Luís de Camões, Zona de Lazer da Rua Norte do Patane, Jardim da Flora, Jardim do Mercado do Iao Hon, Zona de Lazer do Edifício Lok Yeung Fa Yuen (Rua do General Ivens Ferraz), Praça daAmizade, Largo Eduardo Marques do Coloane, Jardim da Cidade das Flores na Taipa e espaço lateral. Neste local, será medida a pressão arterial dos interessados, que podem também colocar perguntas sobre o tabaco e os seus malefícios.

Tai Wa Hou, médico “Apelo a quem ainda não foi vacinado que adira ao plano de vacinação.”

DSF MAIS 68 TRANSACÇÕES NA PRIMEIRA METADE DE ABRIL

O

número de transacções de imóveis cresceu 44 por cento na primeira metade de Abril face ao período homólogo. Segundo os dados publicados no portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF), na primeira metade do mês transacto houve 222 imóveis negociados, mais 68 em comparação com Abril de 2020, quando tinha sido transaccionados 154 imóveis. O maior número de transacções ocorreu na Península de Macau, com 165 imóveis a trocarem de proprietário. A Taipa foi o segundo mercado mais movimentado, com 48 transacções, seguido por Coloane, onde foram feitos nove negócios. Por sua vez, o preço por metro quadrado dos imóveis registou

uma redução de 151 patacas por metro quadrado, de 98.414 patacas na primeira metade de Abril de 2020 para 98.263 patacas nos primeiros quinze dias do mês passado. Em relação aos preços por metro quadrado, o espaço de um ano mostra uma tendência diferente. Em Abril de 2020, as casas mais caras tinham sido TIAGO ALCÂNTARA

A

taxa de vacinação entre os trabalhadores do Hospital Conde São Januário é de dois terços. O número foi revelado ontem por Tai Wa Hou, médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde São Januário, que considerou esta taxa elevada, quando comparada com a restante população. “A taxa de vacinação é de 66 por cento, dois terços, o que é número relativamente alto comparando com a restante população”, afirmou Tai Wa Hou. “Temos obrigação, melhor dizendo o dever de sermos vacinados, porque é uma profissão com alta exposição. Por isso, apelo a quem ainda não foi vacinado que adira ao plano de vacinação”, acrescentou. O também responsável pelo plano de vacinação defendeu ainda que o pessoal médico entende as

Medicina COVID-19 DOIS TERÇOS DO PESSOAL MÉDICO DO SÃO JANUÁRIO VACINADOS

REUTERS

Segundo os dados do Governo, entre seis e 10 por cento das pessoas que fazem marcações para ser vacinadas não comparecem na altura da inoculação

5.5.2021 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

negociadas na Península de Macau, com um preço médio de 95.128 patacas por metro quadrado. Como no mesmo período apenas houve uma transacção em Coloane, o preço não está disponível, mas mesmo assim, e ao contrário do que costuma acontecer, em Abril de 2020 os preços na Península superaram os praticados na Taipa. A tendência foi revertida na primeira metade de Abril de 2021, em que a Taipa supera Macau, com os preços por metro quadrado a serem de 103.149 patacas e 95.128 patacas, respectivamente. Em Coloane o preço foi o mais elevado, onde foram completadas nove transacções com um preço médio de 116.135 patacas por metro quadrado.


quarta-feira 5.5.2021

sociedade 7

www.hojemacau.com.mo

interna

um período de 21 dias no Interior, antes de poderem entrar em Macau. Contudo, não ficam dispensados da autorização dos SSM, nem de provar que a entrada se deve a motivos familiares. Foi ainda apresentado um novo formato do portal/aplicação móvel que permite entregar os pedidos de autorização junto das entidades competentes. “É uma medida para facilitar a circulação de pessoas entre Macau e o Interior”, explicou Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância de Doença.

CCTV nos quartos

Na conferência de imprensa das autoridades de saúde, foi confirmado que quem cumpre o isolamento no Centro de Saúde do Alto de Coloane está sujeito a videovigilância 24 horas por dia. O único sítio onde não se é vigiado é dentro das casas-de-banho dos quartos. Segundo o Governo, a videovigilância serve dois propósitos. Para evitar a entrada do pessoal médico dentro dos quartos, que exige procedimentos como vestir um fato especial, e ainda proteger a saúde das pessoas em observação. “Não queremos vigiar as pessoas, mas queremos diminuir a e entrada do pessoal médico, que precisa de vestir um fato especial para a entrada nos quartos. A CCTV permite acompanhar a condição das pessoas, sem ter de se entrar nos quartos”, disse Leong Iek Hou. Por sua vez, Tai Wa Hou destacou que as pessoas no Alto de Coloane estão em condições especificas, como em recuperação de fases terminais de cancro ou de operações, que exigem uma monitorização permanente. Os SSM admitem ainda que as pessoas podem pedir para desligar a CCTV, mas que a última decisão é sempre do Governo. João

NEWAY FALÊNCIA EM HONG KONG SEM IMPACTO EM MACAU

A

Neway Music Limited, empresa ligada ao grupo Neway Group Holdings Limited, está em processo de insolvência devido à crise causada pela pandemia da covid-19. Segundo o jornal StandNews, de Hong Kong, o processo judicial relacionado com a liquidação e encerramento está agendado para o dia 28 de Julho deste ano. Em Macau, a empresa possui duas salas de karaoke, no Centro Comercial Chong Fok e Hotel Beverly Plaza, mas segundo disse ao HM o gestor, de apelido

Chan, a falência em Hong Kong não afecta o negócio. “As salas têm funcionado e não temos mais informações a dar. Se houver, penso que a empresa as vai anunciar. As salas em Macau têm gerado lucros e acredito que não haverá problemas.” Chan adiantou que em Macau trabalham para o grupo Neway entre 80 a 100 funcionários. Uma delas também disse ao HM que, para já, não se prevêem mudanças. “Não há impacto em Macau. O nosso gestor disse-nos esta manhã que o

negócio em Macau não será influenciado." A 25 de Março do ano passado oito funcionários da cadeia de retalho Marks&Spencer, em Hong Kong, foram a uma sala de karaoke do grupo Neway, sendo que quatro deles foram diagnosticados com covid-19. A 1 de Abril as autoridades de Hong Kong determinaram o encerramento temporário das salas. Depois de terem aberto e fechado portas por diversas vezes, em virtude da evolução da pandemia no território, as salas da Newway voltaram a

funcionar a 29 de Abril deste ano. Vários meios de comunicação social de Hong Kong têm noticiado as dificuldades que a empresa tem tido no pagamento dos salários, sendo que muitos funcionários declararam não ter recebido qualquer justificação por parte dos gestores das salas sobre a falta de pagamento. Um porta-voz da empresa disse aos jornalistas que cerca de 500 funcionários poderão ficar sem emprego. A.S.S. / N.W.

APPLE DAILY

Santos Filipe

Creches Lista de admissão publicada

As creches subsidiadas começaram ontem a publicar a lista de crianças admitidas para o ano de 2021, pelo que os encarregados de educação podem aceder através do portal www.childcare.ias.gov.mo à Rede de Informação de Serviços de Cuidados à Criança na RAEM para recolher informações. Ainda de acordo com o comunicado do Instituto (IAS), a “maioria das creches subsidiadas irá organizar, entre os dias 11 e 13 de Maio, a inscrição para as crianças da lista efectiva”. A mesma fonte recorda ainda que “se os encarregados de educação pretenderem mudar a criança já colocada na creche para uma outra creche, é necessário proceder ao cancelamento junto da creche onde a criança se encontra colocada”. Só depois se devem dirigir à nova creche., A partir de Junho, a cada duas semanas, o IAS vai publicar a lista com as informações mais actualizadas.

Construção civil Salário médio dos residentes cresce mais que o dos TNR

O salário médio dos residentes que trabalham na construção civil registou um aumento de 1,5 por cento no primeiro trimestre deste ano. Já o aumento registado nos salários médios pagos aos trabalhadores não residentes (TNR) foi de 0,9 por cento. Em média, por dia, um residente ganha, na construção civil, 953 patacas, enquanto que um TNR recebe 626 patacas. Em termos gerais, os salários nesta área aumentaram 1 por cento em termos trimestrais. No entanto, sem o efeito da inflação, o índice do salário real dos trabalhadores da construção civil foi de 91,7 nos primeiros três meses do ano, uma ligeira redução de 0,1 por cento. No caso dos trabalhadores da construção civil residentes, esse índice foi de 90,4, registando uma quebra de 1,5 por cento. Os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam ainda que o salário diário médio é o do carpinteiro de cofragem (829 Patacas).

Obra das Mães 40 idosos solitários levados a passear

O Centro de Convívio da Obra das Mães organizou um passeio ao ar livre para que contou com a participação de 40 idosos que vivem sozinhos. A iniciativa contou com o apoio do Instituto de Acção Social e, segundo os organizadores, permitiu que os idosos pudessem “apreciar a arquitectura de estilo europeu da Doca dos Pescadores”. Além disso, o programa do passeio incluiu a visita a uma exposição de dispositivos de assistência a idosos. Após a conclusão do programa de actividades, o Centro de Convívio da Obra das Mães deixou o desejo de “poder continuar a organizar estas actividades para os idosos, promovendo assim a compreensão da sociedade sobre este escalão etário, enriquecendo a vida na velhice”.


8 publicidade

5.5.2021 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

Relatório e Parecer do Conselho Fiscal Exmos. Senhores Accionistas, O Conselho Fiscal, no uso das competências que lhe são conferidas pelo artigo 27.º dos Estatutos da sociedade “CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, S.A.R.L.” (doravante “a Sociedade”) e em estreita colaboração com o Conselho de Administração da Sociedade, procedeu à fiscalização da administração e do desenvolvimento da actividade da Sociedade. O Conselho Fiscal examinou o relatório referente ao exercício de 2020 e a proposta de aplicação de resultados, apresentados pelo Conselho de Administração, bem como o balanço, a conta de ganhos e perdas, a demonstração de alterações no capital próprio, a demonstração dos fluxos de caixa e outros documentos contabilísticos auditados pela sociedade de auditoria “PricewaterhouseCoopers”. Após análise dos documentos supra indicados, o presente Conselho Fiscal é da opinião que quer o Relatório quer as demonstrações financeiras apresentados pelo Conselho de Administração reflectem fidedignamente a actividade desenvolvida pela Sociedade ao longo do exercício, bem como a sua situação financeira e patrimonial até 31 de Dezembro de 2020, concordando com a proposta de aplicação de resultados apresentada. Assim, e em face do supra exposto, o Conselho Fiscal propõe a aprovação pela Assembleia Geral do relatório anual e das contas relativos ao exercício de 2020 apresentados pelo Conselho de Administração, bem como apreciação pela Assembleia Geral da proposta de aplicação dos resultados do referido Conselho. Ademais, o Conselho Fiscal propôs à Sociedade a elaboração de um plano financeiro de cinco anos para os accionistas, a fim de avaliar a viabilidade das opções relativas aos futuros investimentos em infra-estruturas e aumentos das despesas operacionais, à remição das acções preferenciais em 2022, e ao reembolso dos empréstimos do accionista. Macau, Março de 2021 O Conselho Fiscal Senhor Iong Kong Leong Senhor Vong Man Kit Senhora Lui Wai Man Mimi CAM — SOCIEDADE DO AEROPORTO INTERNACIONAL DE MACAU, S.A.R.L. Demonstrações Financeiras Resumidas Exercício findo em 31 de dezembro de 2020 RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTE SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS PARA OS ACCIONISTAS DA CAM — SOCIEDADE DO AEROPORTO INTERNACIONAL DE MACAU, S.A.R.L. constituída em Macau como sociedade anónima de responsabilidade limitada As demonstrações financeiras resumidas anexas da CAM — Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, S.A.R.L. (Sociedade) referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2020 resultam das demonstrações financeiras auditadas e dos registos contabilísticos da Sociedade referentes ao exercício findo naquela data. Estas demonstrações financeiras resumidas, as quais compreendem o balanço em 31 de dezembro de 2020 e a demonstração dos resultados do exercício findo naquela data, são da responsabilidade do Conselho de Administração. A nossa responsabilidade consiste em expressar uma opinião, unicamente dirigida a V. Exas. enquanto Accionistas, sobre se as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sociedade, e sem qualquer outra finalidade. Não assumimos responsabilidade nem aceitamos obrigações perante terceiros pelo conteúdo deste relatório. Auditámos as demonstrações financeiras da Sociedade referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2020 de acordo com as Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria emitidas pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau, e expressámos a nossa opinião sem reservas sobre estas demonstrações financeiras, no relatório de 15 de março de 2021. As demonstrações financeiras auditadas compreendem o balanço em 31 de dezembro de 2020, a demonstração dos resultados, a demonstração de alterações no capital próprio e a demonstração dos fluxos de caixa do exercício findo naquela data, e um resumo das principais políticas contabilísticas. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sociedade. Para uma melhor compreensão da posição financeira da Sociedade, dos resultados das suas operações e do âmbito da nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas em anexo devem ser lidas em conjunto com as demonstrações financeiras auditadas e com o respectivo relatório do auditor independente. Li Ching Lap Bernard Contabilista Habilitado a Exercer a Profissão PricewaterhouseCoopers Macau, 15 de Março de 2021.

Mensagem do Presidente 2020 foi o ano em que o novo coronavírus (COVID-19) assolou o mundo, causando perdas incalculáveis nas actividades económicas de vários países. A indústria do transporte aéreo também foi e tem sido fortemente afectada. A implementação de medidas de quarentena e restrição de viagens por parte da maioria das regiões e cidades do mundo (incluindo Macau) afectou a indústria global da aviação e reduziu significativamente o tráfego aéreo e o número de viagens de passageiros. De acordo com a revisão do relatório da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgado em Novembro de 2020, sobre o desempenho da indústria do transporte aéreo global, é esperado um prejuízo líquido de 118,5 bilhões de dólares americanos em 2020. Após o início da epidemia, o número de voos e o fluxo de passageiros no Aeroporto Internacional de Macau (doravante designado por "Aeroporto") diminuíram drasticamente. Ao longo do ano 2020, a actividade geral de tráfego aéreo no Aeroporto Internacional de Macau diminuiu, com 16.962 descolagens e aterragens de aeronaves, traduzindo-se num decréscimo de 78% em relação ao período homólogo; o número de passageiros foi de 1.173.230, representando uma redução de 88% face ao período homólogo; e o volume de carga transportada foi de 33.347 toneladas, representando uma redução de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita operacional total dos principais operadores no Aeroporto Internacional de Macau (incluindo a CAM) está estimada em cerca de 1,46 bilhões de patacas, demonstrando um decréscimo de 77% em relação ao período homólogo. Apesar do ambiente económico desfavorável em que vivemos, a CAM-Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau S.A.R.L.

(doravante designada por "CAM") mantém a sua gestão controlada, graças a uma base sólida que estabeleceu em 25 anos de experiência e a uma equipa profissional dedicada. Com calma, a administração da CAM tomou deliberadamente uma série de medidas de contingência e cooperou activamente com as directrizes do governo para implementar medidas de prevenção da epidemia. A fim de manter o funcionamento do Aeroporto Internacional de Macau, foram alocados recursos de forma activa e prudente, incluindo a introdução de produtos anti-epidémicos e a implementação de mecanismos de separação para responder às necessidades de funcionários e passageiros, assim como o reforço da capacidade geral do aeroporto para prevenção e combate à epidemia e, desta forma, garantir a segurança e estabilidade. Em consonância com esta fase de superação conjunta das dificuldades em que vivemos, a CAM realizou uma análise cuidada e tomou a iniciativa de adoptar políticas de redução e isenção para aliviar a situação difícil das operadoras e ajudar as empresas de transporte aéreo a sobreviverem a este período atípico. Para além disso, a CAM também apostou na formação dos funcionários, no sentido de melhorar os seus conhecimentos e capacidades profissionais, e também fortalecer a consciencialização sobre a prevenção e protecção contra epidemia. Foram também economizados e controlados os custos para reter o fundo de maneio e as reservas. Perante a queda acentuada na procura no mercado do transporte aéreo, mesmo com as medidas de apoio à indústria e ainda sob a influência de uma série de medidas adoptadas de combate à epidemia tempestivamente, a CAM teve uma queda nas receitas de 2020, gerando meses consecutivos de perdas. Entre as perdas, cerca de metade reporta-se a depreciação não monetária; no

entanto, como a CAM tem implementado o princípio da gestão prudente do fluxo de caixa, neste ano fiscal, as condições operacionais da actividade não tiveram impacto significativo no fluxo de caixa, e o fluxo de caixa é suficiente para atender às necessidades de negócios actuais. O total das receitas da CAM no ano fiscal foi de cerca de 462 milhões de patacas, traduzindo-se numa redução de 75% em relação ao período homólogo. O prejuízo antes dos dividendos foi de 555 milhões de patacas. Havendo lucros acumulados, a CAM deve fazer a provisão anual de dividendos preferenciais, e o prejuízo líquido após a provisão e após impostos é de 652 milhões de patacas. Durante 2020, a CAM ainda cumpriu o seu compromisso com os accionistas, e pagou aos accionistas a sexta prestação do reembolso dos empréstimos históricos e os dividendos preferenciais do ano anterior (2019); a CAM, com os recursos internos gerados através das operações ao longo dos anos, desde 2015 até 2020, pagou um total de 1,292 bilhões de patacas aos accionistas. Em 2021, a CAM continuará a aproveitar activamente as suas próprias vantagens, irá concluir o plano de desenvolvimento estabelecido, continuará a optimizar os serviços e trabalhará em conjunto com a indústria para implementar planos para revitalizar o tráfego aéreo, integrar-se no desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macao e ampliar os seus horizontes internacionais. Embora a situação do surto de COVID-19 ainda esteja em evolução, a administração da CAM tem monitorizado e avaliado de perto o impacto do desenvolvimento da epidemia de novo coronavírus nas operações e condições financeiras da empresa, e continuará a tomar medidas em resposta às mudanças.

A CAM propõe-se a utilizar recursos internos, melhorar a estrutura de pessoal e de custos, simplificar processos e promover a automatização do trabalho, para aumentar a eficiência operacional, para manter o desenvolvimento a longo prazo do Aeroporto Internacional de Macau, e liderar nesta fase difícil. Em nome do Conselho de Administração da CAM, gostaria de expressar o meu grande respeito a todos os funcionários, parceiros e ao governo da Região Administrativa Especial de Macau, e agradecer a vossa sincera cooperação. Mantenham-se firmes, vamos trabalhar juntos para combater a epidemia. Esperamos que todos os funcionários continuem a defender o princípio operacional da empresa de "Segurança, Eficiência e Eficácia", visualizem as oportunidades e aproveitem-nas, cooperem com a região para promover a política de desenvolvimento económico da "dupla circulação - interna e externa", com base em Macau, apoiando a Pátria-Mãe e enfrentando o mundo para, orgulhosamente, tornar o Aeroporto Internacional de Macau numa porta de entrada internacional na área da Grande Baía.

Macau, Março de 2021 Presidente do Conselho de Administração Sr. Ma Iao Hang


quarta-feira 5.5.2021

sociedade 9

www.hojemacau.com.mo

CARTÕES DE CRÉDITO AUTORIDADES DETIVERAM 16 PESSOAS EM CONJUNTO COM HK

A

Polícia Judiciária (PJ) realizou uma operação conjunta com a polícia de Hong Kong para combater o roubo de detalhes de cartões de crédito. Ao HM, a PJ indicou que foram detidas 16 pessoas suspeitas de pertencer a duas associações criminosas, entre Abril e o início de Maio. Foram detidos cinco homens e uma mulher por alegadamente roubarem informações de cartões de crédito que usaram para comprarem pontos de jogos online. Os homens

em causa admitiram que trabalhavam para a mesma associação criminosa e que eram recompensados com 30 renminbis por transação. De acordo com as autoridades, foram roubados cinco cartões de crédito locais, envolvendo um montante de 53 mil patacas. Os indivíduos envolvidos foram encaminhados para o Ministério Público por suspeitas de burla informática. Já no final do mês passado, as autoridades de Hong Kong detiveram

DROGA RESIDENTE DETIDO POR COMPRAR ANSIOLÍTICOS

Insónias na prisão

Um homem de 35 anos foi detido por tráfico e consumo de estupefacientes, após ter sido detido na posse de 100 comprimidos de triazolam, uma substância da família das benzodiazepinas usada para combater ansiedade e insónias. O suspeito garante que os ansiolíticos foram adquiridos para consumo próprio

A

Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada segunda-feira um residente de Macau de 35 anos, por suspeitas de praticar os crimes de tráfico e consumo ilícito de estupefacientes e substâncias psicotrópicas. Na base do caso está a aquisição de comprimidos ansiolíticos de triazolam, uma substância da família das benzodiazepinas cujo uso é proibido em Macau, habitualmente utilizada para combater a ansiedade e insónias. A compra de 100 comprimidos foi efectuada online e chegou a Macau por correio. Segundo revelou ontem o porta-voz da PJ em conferência de imprensa, o mote para o início da investigação que acabaria na detenção do residente de Macau, foi dado pelo Departamento de Segurança Pública do Interior da China, uma vez que havia conhecimento da existência de criminosos que enviavam substâncias psicotrópicas por correio com destino a Macau, a partir do Continente.

Em colaboração com os Serviços de Alfândega, a PJ identificou os dados do local de levantamento e do destinatário, de uma encomenda considerada suspeita, montando uma operação na manhã de segunda-feira nas proximidades de um posto de levantamento situado no centro de Macau. Por volta das 12h00, após levantar a encomenda, o suspeito viria a ser interceptado pelos agentes destacados no local. Dentro da encomenda foram

encontrados 100 comprimidos de triazolam. Na sequência da detenção, o suspeito terá revelado que os 100 comprimidos foram adquiridos por 6.000 renminbi, garantindo, contudo, não ser viciado em droga e que as substâncias eram para consumo próprio. Confessando ter conhecimento de que o triazolam é uma substância proibida em Macau, o suspeito justificou a compra por sofrer de insónias. Segundo a PJ, esta terá

nove pessoas por suspeitas de possuírem cartões de crédito roubados que utilizaram para fazer compras no valor de 95 mil dólares de Hong Kong. Note-se que entre Fevereiro e Março, a PJ recebeu queixas sobre o roubo de cartões, com 25 deles a envolverem no total uma perda de 150 mil patacas. As autoridades indicam que já identificaram os responsáveis pelo grupo que alegadamente cometia as burlas online. Em Maio, a PJ convocou um homem

que será membro do grupo, que foi posteriormente encaminhado para o Ministério Público por suspeitas de burla informática e roubo. Segundo as autoridades, o indivíduo usou cartões de crédito para comprar mais de 400 itens de luxo online, enviando-os para um apartamento arrendado. Os bens seriam posteriormente vendidos na China. Em causa estava um montante de seis milhões de patacas, e estima-se que tenha lucrado em cerca de 450 mil patacas.

sido a segunda vez que o suspeito encomenda comprimidos de triazolam do Interior da China, através da internet. A primeira compra da substância interdita aconteceu em Abril, altura em que adquiriu 20 comprimidos por 2.100 renminbis.

Tudo para mim

Nas buscas feitas no interior da residência do suspeito, foram encontrados dois comprimidos da mesma substância, tendo o homem assegurado tratar-se das sobras da primeira encomenda efectuada e da qual afirma ter consumido 18 comprimidos. As análises para confirmar a presença de estupefacientes no organismo do supeito já foram feitas, aguardando-se ainda pelos resultados. De acordo com o porta-voz da PJ, cada comprimido de triazolam pode ser vendido no mercado negro por 100 patacas. O triazolam faz parte da tabela IV da lei relativa à proibição da produção, do tráfico e do consumo ilícitos de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. A tabela em questão agrega os “barbitúricos de acção lenta que possuam comprovados efeitos antipiréticos e as substâncias de tipo ansiolítico, que, pela sua composição quantitativa e qualitativa e modalidade do respectivo uso, apresentem risco de abuso”. O caso foi entregue ontem ao Ministério Público (MP), onde o suspeito irá responder pelos crimes tráfico e consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. A confirmar-se, o residente de Macau pode ser punido com pena de prisão de 6 a 16 anos, pelo tráfico, e com pena de prisão de 3 meses a 1 ano ou pena de multa de 60 a 240 dias, pelo consumo. Pedro Arede

Assalto Dois suspeitos encaminhados para o MP

Depois de alegadamente estrangularem e levarem o dinheiro de um homem que fazia ilegalmente câmbio nos casinos perto do Cotai, dois homens suspeitos de assalto foram encaminhados para o Ministério Público. O caso foi transferido para a Polícia Judiciária (PJ) pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública. A vítima conheceu um homem interessado em trocar 200 mil dólares de Hong Kong e foi ao seu quarto de hotel, onde se encontrava um outro indivíduo. O primeiro suspeito exigiu à vítima que os deixasse contar os dólares de Hong Kong e prometeu transferir o equivalente em renminbis quando saíssem do quarto. Quando os três homens saíram, o primeiro suspeito arrancou de imediato e a alegada vítima tentou pará-lo, mas foi estrangulada pelo segundo suspeito. A situação atraiu a atenção da segurança do hotel e a polícia foi informada, tendo o dinheiro sido encontrado na mala de mão do primeiro suspeito.

Bullying Vídeo era trabalho para a escola

Nos últimos dias circulou um vídeo através das redes sociais em que era possível ver alunos vestidos com o uniforme do Instituto Salesiano a praticar bullying contra um colega. Após a divulgação das imagens, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) procedeu a uma investigação e chegou à conclusão que as imagens fazem parte de um trabalho de grupo escolar sobre o bullying. O esclarecimento foi publicado ontem. O Instituto Salesiano também emitiu um comunicado e negou que tivesse havido prática de bullying, esclarecendo que se tratava de um trabalho para promover o alerta contra este tipo de comportamentos.


10 eventos

DSPA INSCRIÇÕES ABERTAS PARA DUAS ACTIVIDADES ECOLÓGICAS

A

BRIRAM hoje as inscrições para as actividades ecológicas de Maio, organizadas pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Desta feita, terá lugar no dia 15 de Maio (às 10h00 e às 15h00) o Workshop “Actividade educativa sobre a natureza”. Durante esta primeira actividade, com duração estimada de duas horas, serão transmitidos conhecimentos relativos à ecologia e orientações para as crianças fazerem desenhos de folhas recolhidas no espaço. Para o Workshop “Actividade educativa sobre a natureza” existem 10 vagas para cada sessão, sendo que é considerada uma “vaga” um par composto por uma criança

5.5.2021 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

acompanhada de um adulto. Já no dia 29 de Maio, haverá lugar para o workshop “Conhecer mais sobre Peixes". De acordo com um comunicado divulgado ontem pela DSPA, durante esta visita de duas horas e meia, os participantes, poderão entrar nas Zonas Ecológicas para efectuar a medição de peixes comuns, fazer desenhos, conhecer as espécies de peixes através da aplicação móvel da DSPA e ainda completar a tabela de medição para adquirir mais conhecimento sobre os peixes que habitam nas zonas ecológicas. Para esta actividade existem 50 vagas para cada uma das sessões a realizar às 9h30 e às 14h30.

“Um género

FUNDAÇÃO RUI CUNHA LITERATURA DE FICÇ

Blade Runner, 1982

MGM Enófilos organizam experiência gourmet

A Confraria dos Enófilos de Macau, em parceria com DOC DMC Macau e a concessionária MGM, está a organizar uma experiência gourmet no Hotel MGM Cotai, que vai decorrer no próximo dia 15. Os participantes vão poder experimenta r um misto de comidas e vinhos franceses, entre as 18h e as 22h. Os diferentes produtos vinícolas têm origem em regiões icónicas de França como Bordéus, Borgonha, Champanhe e Languedoc-Roussillon. O menu foi preparado pelo Chefe Jerome Deconinck, que recentemente reabriu o restaurante Aux Beaux Arts no Hotel MGM. Após a degustação, os interessados podem participar numa “after-party”, que começa as 22h e decorre até as 02h. Na pista de dança, os participantes vão poder ouvir música dance das décadas de 1980, 1990 e 2000. As entradas custam 500 patacas.

FRC PINTURA EM PORCELANA EM EXIBIÇÃO A PARTIR DE AMANHÃ

A

exposição de pintura em porcelana “Padrões de Vida”, de Arlinda Frota, é apresentada na Fundação Rui Cunha (FRC) a partir de amanhã, às 19h. O trabalho apresentado é constituído por 53 peças em porcelana pintada e envolve objectos como pratos, chávenas e bules, pequenas caixas de joias, cinzeiros e placas decoradas, que

assumem “formas e tonalidades de influência multicultural”, descreve um comunicado da FRC. A mostra vai estar patente até ao dia 21 de Maio e é de entrada livre. Segundo o manifesto biográfico, citado pela FRC, a artista recebeu influências variadas e Arlinda Frota “sente-se identificada com

essa pluralidade de fontes, sem qualquer pretensão de seguir uma escola ou corrente”, acrescentando que “a liberdade pessoal total impera nas suas escolhas de temas e objectos a decorar”. Desde 2014 a promover cursos de pintura em porcelana na Casa de Portugal, Arlinda Frota estudou desde o início do

seu percurso a história ligada à pintura em porcelana “com conexões óbvias no relacionamento histórico entre Portugal e a China”. Além disso, frequentou nos últimos cinco anos cursos livres e ateliers de pintura e cerâmica, desenvolvendo técnicas de pintura em acrílico e óleos, bem como a produção de azulejaria de matriz portuguesa.


quarta-feira 5.5.2021

eventos 11

www.hojemacau.com.mo

o quase invisível”

ÇÃO CIENTÍFICA DEBATIDA HOJE

A Fundação Rui Cunha acolhe hoje, às 18h30, uma palestra sobre a literatura de ficção científica, promovida pela Associação dos Amigos do Livro em Macau. Rui Rocha, presidente da associação, recorda o facto de este ser um género literário “quase invisível”

A

literatura de ficção científica será o tema do debate de hoje na Fundação Rui Cunha (FRC), inserido na iniciativa “Conversas sobre o Livro” e promovido pela Associação dos Amigos do Livro em Macau, presidida por Rui Rocha. Na sessão de hoje vão estar presentes André Antunes, cientista em Geomicrobiologia e Astrobiologia, Marta Filipa Simões, cientista em Astrobiologia e Engenharia Química e Biológica, e Pedro

2001 Odisseia no Espaço, 1968

D’Alte, professor e ensaísta de literatura. Ao HM, Rui Rocha recordou que este género literário “é relevante na Europa e nos EUA ao nível da literatura contemporânea”. No entanto, em Macau e em Portugal, “não há uma grande tradição nesse sentido, ou, pelo menos, diria que este género é quase invisível”. “A associação quis explorar esta área da ficção numa conversa informal, sobretudo para sensibilizar as pessoas do interesse e da importância da ficção científica. Não será propriamente uma palestra sobre ficção científica, mas fundamentalmente uma abordagem ampla e generalista sobre o tema”, explicou ainda. O convite a André Antunes surgiu devido ao seu trabalho na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, além do facto de ter ganho recentemente uma distinção pela revista científica Nature. Pedro D’Alte é professor de língua portuguesa “que tem escrito

uns artigos interessantes sobre a relação entre a literatura e a ficção científica”. “Falamos de um género literário que, de certa forma, é desprezado pelas elites culturais”, adiantou Rui Rocha. “A grande editora de livros de ficção científica era a Livros do Brasil, que terminou em 2006.A Editorial Caminho terminou em 2001, a Europa América publicou o último que publicou terá sido em 1998”, exemplificou.

Mais do que especulação

A palestra de hoje vai ainda versar sobre a escrita de ficção científica que se faz em Portugal e na China. “Vamos apresentar apenas quatro grandes autores da ficção científica chinesa contemporânea e conversar um pouco sobre isto, mas sem aprofundar, porque a literatura de ficção científica é tão imensa, sobretudo nos EUA e Inglaterra, que não dá apenas para uma sessão.” O presidente da associação destaca ainda a intensa relação

CASA GARDEN MOSTRA DE XILOGRAVURAS JAPONESAS ATÉ 12 DE JUNHO

C

ERCA de 60 obras japonesas, incluindo as "Trinta e seis vistas do monte Fuji", as mais famosas xilogravuras de paisagens de Hokusai Katsushika, vão estar em exposição a partir de sábado, na Casa Garden. Com o título "As impressões românticas de uma era encantadora", a exposição apresenta

a arte Ukiyo-e, xilogravuras japonesas do período Edo (1603-1867), com origem na cultura popular em Edo, a actual Tóquio, que retratavam personagens do mundo do entretenimento, como gueixas, lutadores de sumo e atores de teatro Kabuki. O Ukiyo-e tornou-se numa forma de arte muito

popular no Japão e, além de retratos, começou a incluir paisagens e cenas de natureza em trabalhos que foram especialmente influentes no desenvolvimento do movimento impressionista na Europa. Entre as obras na exposição, destaque para as "Trinta e seis vistas do monte Fuji"

de Hokusai Katsushika, que inclui a gravura icónica "A Grande Onda de Kanagawa", criada durante a década de 1820. A mostra, patente na Casa Garden até 12 de Junho, inclui ainda obras de Kitagawa Utamaro, Utagawa Hiroshige, Toshusai Sharaku e Toyohara Kunichika.

entre a ficção científica e a ciência. “O engenheiro que inventou o telemóvel diz que se inspirou no telemóvel do capitão Kirk do Star Trek. Por isso a ficção científica contribuiu para a própria ciência. Mas não foi só o caso do telemóvel. Há muitas inovações e imaginação em termos de ficção científica que são, fundo transportadas para a própria ciência.” Além disso, a ficção científica “reflecte o impacto da ciência e tecnologia na vida humana”, daí não ser “apenas uma literatura menor de histórias especulativas”. André Antunes assume-se como um apaixonado por este género literário e não consegue destacar apenas um autor ou livro preferidos. “Sou um leitor ávido de ficção científica. O Rui quis fazer uma actividade diferente para as pessoas que gostam de livros, com uma perspectiva mais literária, com pessoas desse meio e da ciência, para termos os dois lados da mesma moeda.”

“Vamos apresentar apenas quatro grandes autores da ficção científica chinesa contemporânea e conversar um pouco sobre isto, mas sem aprofundar, porque a literatura de ficção científica é imensa.” “O engenheiro que inventou o telemóvel diz que se inspirou no telemóvel do capitão Kirk do Star Trek. Por isso a ficção científica contribuiu para a própria ciência.” RUI ROCHA PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO LIVRO EM MACAU

“Há pessoas que têm a tendência a descartar a ficção científica como algo que não tem grande relevância e as coisas não são bem assim. Do ponto de vista de interacção entre ficção científica e a ciência, há um diálogo regular entre as duas áreas e não funciona só num sentido. Acontece bastante a ficção científica inspirar a ciência”, frisou o cientista da MUST. Andreia Sofia Silva e Pedro Arede


12 china

5.5.2021 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

Covid-19 Putian em alerta devido a caso positivo após quarentena

A cidade de Putian, no sudeste da China, está em alerta após um cidadão chinês regressado do Brasil ter resultado positivo no teste para o novo coronavírus, já depois do período obrigatório de quarentena. Num comunicado, as autoridades de Putian, na província de Fujian, revelaram que o homem aterrou em Xangai a 5 de Abril, tendo sido colocado em isolamento para um período obrigatório de quarentena. Após 15 dias em quarentena e tendo resultado negativo nos vários testes para o novo coronavírus responsável pela covid-19, o chinês viajou de comboio para Putian, onde deveria ficar uma semana em “autogestão de saúde”. Mas a 30 de Abril o homem teve resultado positivo num teste para o SARS-Cov-2, apesar de não ter quaisquer sintomas da covid-19. Todos os contactos próximos do paciente foram isolados e submetidos a testes para o novo coronavírus, tendo todos os resultados sido negativos. Ainda assim, 24 contactos permanecem sob observação médica.

Filipinas Duterte diz que a China é benfeitor do país apesar de conflito territorial

O Presidente das Filipinas apelidou a China de benfeitor do país, depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter denunciado “actos beligerantes” de navios militares chineses contra a guarda costeira filipina, no mar do Sul da China. “Só porque temos um conflito com a China, não significa que tenhamos de ser rudes e desrespeitosos. Temos muitas coisas a agradecer à China pela ajuda no passado”, disse Rodrigo Duterte, num discurso pronunciado na segunda-feira à noite. O Governo das Filipinas está a negociar a entrega mensal de quatro milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Sinovac, de fabrico chinês. As declarações de Duterte surgiram depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros filipino ter alegado, na segunda-feira, que navios chineses efectuaram manobras de assédio contra barcos filipinos nas águas em redor do atol de Scarborough, a cerca de 198 quilómetros a oeste da costa filipina, entre 24 e 25 de Abril.

INDONÉSIA PEQUIM COLABORA NA RECUPERAÇÃO DE SUBMARINO

N

MYANMAR EMBAIXADOR CHINÊS ADVERTE QUE VIOLÊNCIA PODE LEVAR À GUERRA CIVIL

À beira da catástrofe

Zhang Jun, que representa a China nas Nações Unidas, voltou a apelar ao diálogo entre as principais forças do país asiático, indo ao encontro da mensagem do Conselho de Segurança da ONU para que se acabe com a violência e se dê início a conversações na antiga Birmânia

O

embaixador da China na ONU pediu esforços diplomáticos mais fortes para resolver o conflito em Myanmar e avisou que mais violência pode levar “mesmo a uma guerra civil”. Se a tensão aumentar “haverá mais confrontos, e com mais confrontos haverá mais violência, e com mais violência haverá mais baixas, e então poderemos ir mais longe na direcção errada”, frisou Zhang Jun, na segunda-feira. “Pode também significar uma situação caótica em Myanmar [antiga Birmânia] e mesmo uma guerra civil”, advertiu o diplomata. Myanmar é palco de manifestações contra a junta militar, no poder desde o golpe de 1 de Fevereiro, e confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Na sexta-feira,

o Conselho de Segurança da ONU tinha apoiado os apelos das nações do Sudeste Asiático para uma cessação imediata da violência e conversações como um primeiro passo para uma solução, na sequência do golpe, que depôs a líder civil Aung San Suu Kyi e o seu partido.

A China defende “mais esforços diplomáticos” e “está a trabalhar muito de perto com os partidos relevantes” para que se abstenham “de ir ao extremo” e tentem “encontrar uma solução com diálogo”

O conselho voltou a exigir a restauração da democracia e a libertação de todos os detidos, incluindo Suu Kyi, e condenou o uso da violência contra manifestantes pacíficos e a morte de centenas de civis. Zhang, que descreveu Myanmar como “um vizinho amigo”, apoiou fortemente os esforços diplomáticos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e da enviada especial da ONU para Myanmar Christine Schraner Burgener, e manifestou a esperança de que estes produzissem resultados. Apesar de “a China não ser a favor da imposição de sanções”, disse o embaixador. “Devíamos realmente estar a criar um ambiente mais favorável para trazer o país de volta à normalidade e encontrar uma solução política através de diálogos entre os partidos políticos relevantes dentro do quadro constitucional e legal”, salientou.

Evitar males maiores

As cinco décadas de regime militar em Myanmar levaram ao isolamento e às sanções internacionais. À medida que os generais afrouxaram o controlo e permitiram a realização de eleições que levaram Suu Kyi à liderança em 2015, a comunidade internacional respondeu com o levantamento da maioria das sanções e investimento no país. O golpe de Fevereiro ocorreu depois das eleições de Novembro, ganhas pelo partido de Suu Kyi, mas que a junta militar considerou ilegais. “Os partidos políticos devem ser capazes de encontrar uma solução para esta questão” das eleições, disse Zhang. É por isso que a China defende “mais esforços diplomáticos” e “está a trabalhar muito de perto com os partidos relevantes” para que se abstenham “de ir ao extremo” e tentem “encontrar uma solução com diálogo”. Sem uma solução diplomática e com uma maior deterioração da situação “será inevitável uma catástrofe ou crise humanitária”, que é necessário evitar, afirmou.

AVIOS da Marinha de Guerra da China estão ao largo de Bali para participar nas operações de recuperação do submarino indonésio que se afundou na semana passada com 53 homens a bordo, anunciou ontem a Armada da Indonésia. Dois navios de Pequim estão na zona e aguarda-se um terceiro, acrescenta o mesmo comunicado oficial. O embaixador de Pequim em Jacarta propôs ao ministro da Defesa da Indonésia, Probowo Subianto, ajuda na recuperação do submarino. “A oferta foi aceite pelo governo da Indonésia”, disse a Marinha de Guerra de Jacarta, sublinhando que os navios chineses podem operar até 4.500 metros de profundidade. A chegada dos navios chineses à zona ocorre depois de os navios da Austrália, Singapura e da Malásia, que participaram na localização do submarino, terem abandonado a área. As autoridades estudam diversas técnicas para recuperarem o KRI Nanggala 402, que se partiu em três secções a 800 metros de profundidade. É possível que seja utilizado um robot e balões de emersão, estando oficiais dos dois países a analisar todas as informações disponíveis sobre o submarino. A Indonésia conta ainda com a presença de dois navios civis que podem colaborar nas operações. O submarino de fabrico alemão, que desapareceu no passado dia 21 de Abril é um dos cinco da frota de submarinos da Marinha de Guerra da Indonésia. O navio desapareceu dos radares depois de exercícios navais ao largo do arquipélago de Bali. Após vários dias de buscas, as Forças Armadas da Indonésia anunciaram a descoberta dos destroços do submarino, partido em três. Os 53 membros da equipa morreram. Ainda não foi explicado o motivo do desastre.


quarta-feira 5.5.2021

www.hojemacau.com.mo

PUB.

Página da Van Amersfoort Racing “Foi-nos devolvida enquanto estávamos em Portugal, na pista de Portimão, para a primeira corrida do campeonato Euroformula Open. Obrigado ao Sr Brum por trazer a parte que faltava.”

Dar a volta ao mundo Asa do acidente de Sophia Floersch em Macau desaparecida devolvida em Portugal

A

história do acidente de Sophia Floersch no Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2018 teve um dos seus últimos episódios no passado fim de semana quando a asa dianteira do Dallara F317 “desaparecida” em Macau foi finalmente devolvida à equipa Van Amersfoort Racing (VAR) em Portugal. A edição de 2018 ficará para sempre marcada pelo violentíssimo acidente da piloto alemã, que depois de um toque com Jehan Daruvala e a seguir embater em Sho Tsuboi voou em direcção ao palanque dos fotógrafos na Curva Lisboa. Para além dos ferimentos provocados em alguns fotógrafos e comissários de pista, Floersch fracturou a coluna, tendo, entretanto, todos os intervenientes recuperado das mazelas. Na altura, vários destroços do carro não foram entregues à equipa holandesa.

Para além do restritor de ar do motor, a asa da frente, que ficou separada do carro, não foi devolvida à equipa. Dias depois, esta mesma asa feita em fibra de carbono apareceu à venda num portal de leilões online sem autorização e para total espanto da equipa. A VAR conseguiu arranjar forma de apresentar queixa na Polícia em Macau e a asa foi prontamente recuperada pelas autoridades do território. No sábado, a VAR anunciou nas redes sociais que finalmente a asa chegou às mãos da equipa, com uma fotografia da mesma e com a legenda: “reunidos em Portimão, dois anos e meio depois do acidente de Sophia Floersch em Macau”.

Mão portuguesa

A “desaparecida” asa dianteira foi entregue a Frits van Amersfoort, dono e fundador da equipa sediada em Zeewolde, pelas mãos de Rodrigo Brum, o ex-

-Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau e que também exerceu funções em Macau nos anos 1990. “Foi-nos devolvida enquanto estávamos em Portugal, na pista de Portimão, para a primeira corrida do campeonato Euroformula Open. Obrigado ao Sr Brum por trazer a parte que faltava”, é possível ler na rede social da equipa. Através de um contacto comum, o economista português conseguiu “resgatar” a asa dianteira perdida do monolugar de construção italiana. Visto que a VAR não regressou ao Grande Prémio em 2019 e apesar de esta peça ter valor comercial não foi requisitada com urgência, a asa dianteira acabou por viajar com Rodrigo Brum de Macau até Lisboa. No fim de semana transacto, a caravana da Euroformula Open, uma competição em tudo semelhante à Fórmula 3, esteve no Algarve, fazendo parte do programa de corridas do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1. Aproveitando a ocasião, foi devolvida ao seu dono. O acidentado Dallara F317 Mercedes de Floersch nunca foi recuperado e ainda está nas oficinas da VAR. O que lhe irá acontecer a seguir será com certeza o último capítulo desta saga. Sérgio Fonseca

desporto 13


h

14

NUNO MIGUEL GUEDES

A infância é, para cada um de nós e à medida que a vamos abandonando, um lugar estranho e distante. Por muitos, um lugar desejado, mitológico, idílico, um paraíso perdido de que fomos expulsos sem remédio nem perdão. A tal “land of lost content” de que escreve o poeta AE Housman. Para outros, em que me incluo, é diferente. Nem paradisíaca nem infernal, apenas uma etapa numa corrida que inevitavelmente irá terminar da pior maneira. Para aqueles que tiveram a sorte de a ter, a infância pode apenas ser - e agora chamo em minha defesa o meu poeta Larkin – um lugar de “forgotten boredom”. As mitificações da infância nunca me interessaram muito porque na verdade a minha utopia foi desde sempre a de ser velho, a de saber mais e poder fazer o que queria à beira da inimputabilidade. Não me levem a mal: adoro crianças e tenho gosto em ouvi-las e vê-las na sua bondade e crueldade em bruto. Mas prefiro ser o que sou agora mesmo. No entanto, e como aconteceu a muita gente, não sou exactamente quem queria ser. Ou o que queria fazer. O leitor conhece a pergunta porque ainda está a ecoar na sua memória: “O que queres ser quando fores grande?”, perguntaram-nos tantas vezes nessa altura em que mal conseguíamos sustentar a nossa personalidade titubeante. E nós respondíamos, encostados aos nossos ídolos do momento ou às profissões que julgávamos mais aventureiras. Pela minha parte, a escolha é sortida e foi evoluindo com a idade: piloto de Spitfire pela Royal Air Force em 1940 (sim, eu sei, não digam nada, obrigado), detective privado como o Philip Marlowe, vocalista de banda rock, realizador de cinema, diplomata, jornalista (esta lá consegui), escritor, dandy diletante (esta também, mais ou menos). Mas reparava que muitos dos meus amigos tinham um fascínio comum: queriam todos ser astronautas. O como e o porquê não interessavam: apenas viajar pelo espaço. Tinha cinco anos quando vi a chegada do homem à Lua e também eu fiquei siderado por aquela extraordinária conquista. Mas não me chegava. Até que há poucos anos descobri que também gostaria de ser astronauta. Corrijo: um

5.5.2021 quarta-feira

O silêncio de Deus NASA | APOLLO 11

divina comédia

www.hojemacau.com.mo

astronauta chamado Michael Collins. Este homem, que morreu a passada semana aos 90 anos, foi para mim um exemplo e motivo de inveja. Integrado na missão Apolo XI – aquela que

O SILÊNCIO DE COLLINS É O EXEMPLO MAIOR: UM SILÊNCIO DESEJADO, ACEITADO E PERFEITO PARA ESTAR EM CONDIÇÕES DE OUVIRMOS O OUTRO E A NÓS PRÓPRIOS ENQUANTO PAIRAMOS DOCEMENTE SOBRE A CACOFONIA DO NOSSO PLANETA

foi pela primeira vez à Lua – na companhia de “Buzz”Aldrin e Neil Armstrong, Collins foi o homem que ficou no Módulo de Comando orbitando a Lua enquanto os seus companheiros davam os pequenos passos para os homens e imensos para a Humanidade. Um trabalho essencial, rigoroso e discreto. Mas o que para mim é o mais sedutor: de cada vez que o Módulo de Comando orbitava a Lua o astronauta perdia o contacto com o controlo de missão em Houston durante mais de 40 minutos. Por causa disto chamaram-lhe “o homem mais solitário de sempre”, embora Collins não concordasse: ouvia música, bebia café, fazia o que queria durante aqueles minutos de “paz e sossego”, para citá-lo. Nem terá sido esquecido. A cultura popular encarregou-se disso, às vezes com uma maldade injustificada como foi ter

um tema dos Jethro Tull com o seu nome; outras de forma mais digna, como aconteceu na série The Crown. Mas a questão mais bonita é esta: quantos de nós, quantos de nós experimentaram o silêncio puro, lá onde o som não se pode propagar? Mais: quantos de nós o suportariam, ainda por cima agora, em que o ruído é a divindade que se louva e pratica? O silêncio de Collins é o exemplo maior: um silêncio desejado, aceitado e perfeito para estar em condições de ouvirmos o outro e a nós próprios enquanto pairamos docemente sobre a cacofonia do nosso planeta. Concordem comigo, amigos: poucos ou nenhum de nós serão astronautas. O silêncio, aquele silêncio, é inalcançável. Um lugar onde não existem respostas porque não existem perguntas. O silêncio de Deus.


quarta-feira 5.5.2021

JOÃO PAULO COTRIM

www.torpor.abysmo.pt

TEATRO DA RAINHA, CALDAS, TERÇA, 20 ABRIL As sessões do Diga 33, animadas pelo Henrique Dodecassílabo Fialho, são um refrigério. Um leitor que faz da inteligência uma casa onde recebe os seus convidados, no caso, a Rita [Taborda Duarte], que lhe respondeu da mesma maneira, quer dizer, expondo-se, explicando-se, dizendo-se. Sem merdas, desculpem que o diga, mas apetece. Gente de um lado e de outro, alguma que vinha já derramada de um encontro próximo e à mesa. Aconteceu por ali vida, o que não será dizer pouco. Estando nós para mais a celebrar regressos ao que não voltará a ser normal. Possa a poesia ser o corrimão destas escadas em vórtice. Possa a palavra ser mundo, que dizes, Rita? «O mundo não é feito de pessoas nem de casas nem de coisas/ menos ainda de afectos e sentidos. / O mundo é feito com palavras perfiladas/ como pedras/ sobre pedra/ em cima de outra pedra, ainda.// São de palavras de pedra as paredes do mundo:/direitas e exactas como um fio de prumo. //Se nos tiram a língua,/ as várias línguas que tem a nossa língua:/ esta língua com que te falo,/ a língua com que te beijo,/ esta mesma língua em que te digo esse nome que tu és,/ roubamnos mais mundo ao nosso mundo.» FUNDIÇÃO, OEIRAS, QUINTA, 22 ABRIL Até o mais escuro dos ateliers me aparece tomado pela luz. Assim com o esboço: mais do que revelar a ideia que desponta, o titubear antes do salto, portanto a potência, contém a mais livre e rude das espontaneidades. Se nos passos há caminho, naquela busca encontra-se logo logo horizonte. Daí que a oficina seja bastante mais do que bainha e bastidor, erro e ferramenta, suor e preguiça. É lugar de muitas subtilezas e espectáculos. «Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,/ Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,/ Olho e contentame ver». Com a mais infantil das atenções, entro, vindo do Tejo, no belíssimo atelier do Francisco [Vidal]. Correcção: no bairro do pintor. A nave, em cujo canto repousam ainda restos das bombas, portanto destruição, que por ali em tempos se fabricavam, divide-se agora em jardim e cozinha, quadra de basquetebol e palco, carpintaria e estúdio propriamente dito. Imagino que possa ainda surgir, por

ARTES, LETRAS E IDEIAS

15

Estremece o vento. Sobe a manhã. O calor abre FRANCISCO VIDAL

diário de um editor

www.hojemacau.com.mo

conveniência, loja e laboratório. Por junto e à mão de semear. A arrumação casual das guitarras e das bolas, das serras e dos pincéis, cada detalhe diz do sagrado, da relação com o espiritual. Sobre a decadência fabril e a fadiga dos materiais instala-se a cor gritante, abrindo vitrais iridescentes, atraindo a visão e pedindo paragem no tempo para que o corpo se permita ir atrás dos olhos. Exposição permanente, ainda mais essa. Encontram-se rostos da revolta e da afirmação, vítimas da violência, forma de os tirar da espuma dos dias para os instalar na memória política. Como ser negro com todas as cores, todas as letras? As grandes telas surgem compostas fragmentos e a pesquisa do Francisco está agora no cruzamento de técnicas mais pobres, a da impressão dos múltiplos, a da fotocópia dos fanzines, com o gesto dito puro da pintura. Talvez a cor não seja bem o tema, mas dividir a experiência assim é fazer logo autópsia do corpus vivo. De que falamos quando as catanas, lâmina e cabo, mão e corte, se alinham de modo fazer superfície que acolhe a imagem? No topo desalinhado, os bicos afiados e dissonantes não deixam de me perturbar, a pintura saindo do

enquadramento, como se quotidiano procurasse o seu lugar de origem e nesse movimento nos ferisse. Deve ser por ali que se encontrará a identidade. Com risco e cesura. Podia bem ter ido apenas pelo lugar, melhor, pelo encontro ali que há muito se adiava, mas havia razão prática: a capa para a «Ode Marítimu», versão em caboverdiano da brutal engenharia e celebração dos mares e portos em nós segundo Álvaro & Pessoa, ilimitado (algures na página). E no processo desencadeado me reconcilio com o papel do editor. Ignorante do seu lado cabo-verdiano, acabei despertando um entusiasmo que já partiu nas mais diversas direcções, dando nó na rosa dos ventos. Está a acontecer o reencontro do Francisco com uma das suas línguas. Partiu do texto agora reescrito pelo José Luiz [Tavares] para uma narrativa gráfica que mastiga as paisagens daquelas ilhas por junto a de uma cidade mulata. (Pode ainda dizer-te mulata sem despertar os ogres da correcção automática?) Foi-me dado ainda ver partes do processo, o modo como a feitiçaria faz a ligação entre o concreto do mundo com a prática do desenho. A pintura redefine assim os dias, nada se se pôr à parte. Por aqui não nascem museus.

Na pressa vertiginosa habitual, estava a receber as últimas correcções do poetradutor, que insistia, a cada uma, em explicar-me as razões e as raízes, quês e porquês. Exemplo seja a importância do «n», onde se esconde o eu daquela língua, ainda para mais em sonoridade escorregadia que pede ginástica da língua-orgão, para que possa acontecer a língua-sentido. O José Luiz, não sei se o disse já a propósito de Camões, vai conduzindo a nova língua para mares infindos e abissais. Contra tudo e alguns, os que insistem pouco inocentemente em chamar-lhe crioulo. «Como quase vítima de glotofagia, usuário e estudioso», diz ele, «sei bem o que está subjacente à designação ainda que se não tenha a consciência: O crioulo de Cabo Verde, língua natural dos cabo-verdianos nascidos em Cabo Verde e língua de herança de parte da grande diáspora designa-se cabo-verdiano ou língua caboverdiana. Crioulos todos são, como a língua românica de Portugal é um crioulo do latim. Crioulo de Cabo Verde, designa apenas uma família de língua, assim como a língua românica de Portugal também indica uma família de língua.»


16

h

XUNZI As terras e o campo são a origem da riqueza. Armazéns e celeiros são o destino da riqueza. Fazer com que o povo comum se harmonize com as estações, e com que o seu trabalho siga a ordem apropriada, é a fonte de onde emanam bens. Fazer estimativas, cobrar impostos e guardar [os cereais] em armazéns são os canais por onde os bens fluem. Um regente iluminado certifica-se de ser cuidadoso em alimentar a harmonia com as estações, restringindo o fluxo de bens, abrindo a sua fonte, mas dela tirando somente na altura certa. Por toda a parte faz com que todos debaixo do Céu se assegurem de ter excedentes, para que os superiores nunca tenham de se inquietar com a insuficiência. Quando as coisas são assim, os que estão em cima e os que estão em baixo são ricos em conjunto e não há para ambos onde guardar todos os bens – esta é a forma mais elevada de saber como planear o estado. Durante o tempo de Yu houve dez anos de inundações; durante o tempo de Tang houve sete anos de seca. E, durante esses tempos, não havia nada verde em parte alguma debaixo do Céu. Porém, ao fim do décimo ano, e ao fim do sétimo ano, a colheita anual de cerais amadureceu de novo e, depois de ser avaliada e empilhada, houve excedentes. A única razão para isso é a compreensão da origem e destino, da fonte e do fluxo dos bens.

www.hojemacau.com.mo

5.5.2021 quarta-feira

ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

O Enriquecimento do Estado Se os campos forem estéreis, mas estiverem cheios os celeiros do estado, se o povo comum estiver exausto, mas estiverem cheios os armazéns do estado, esse é um estado à beira do colapso. Quando um estado oblitera o ponto de origem dos bens, secando a sua fonte e colhendo-os a todos no seu ponto de destino, mas o regente e primeiro-ministro nem assim sabem que tal é mau, então é possível observar o espectáculo do derrube e destruição desse estado. Quando dispomos do estado enquanto meio de subsistência, mas tal é insuficiente para satisfazer a nossa pessoa, tal é o cúmulo da ganância. E esse é o mais tolo dos regentes. Busca riqueza, mas acaba por perder o estado. Busca lucro, mas acaba por colocar a sua pessoa em risco. Outrora, existiam dez mil estados. Hoje, restam pouco mais do que dez. A única razão para isto, a causa de todos os outros se terem perdido, é uma e a mesma. Possam os senhores dos homens ser disso cientes. Mesmo um estado com uns meros mil li é suficiente para se bastar. Em todos os casos daqueles que lançaram campanhas ofensivas, se o seu motivo não for [boa] reputação então é lucro ou, se não for por nenhuma destes motivos, é porque estão irados com aqueles que querem atacar. Ao usar o estado, uma pessoa de ren [humanidade] cultivará as suas intenções e pensamentos, corrigirá a sua pessoa e conduta, alcançará um caracter

PARTE IX

exaltado e elevado, far-se-á leal e digno de confiança, alinhando-se com a boa forma e a ordem apropriada. Se alguém que só dispusesse de roupas ásperas e sandálias frustes o fizesse como acima, então, mesmo que habitasse num bairro miserável e numa cabana de telhado roto, reis e duques não conseguiriam competir consigo por boa reputação e, se para mais tivesse o apoio de todo o estado, ninguém em todo o mundo o conseguiria obnubilar. Quando a situação é assim, nem aqueles que agissem em nome da boa reputação atacariam. A pessoa de ren abre terrenos de cultivo, enche os seus celeiros e coloca provisões à mão. Então, os que estão em cima e os que estão em baixo partilham uma só visão e os três exércitos ficam unidos em poderio. Dedicar-se a uma guerra distante contra alguém assim não resultará, pois tudo quanto possui no interior das suas fronteiras está bem guardado. Quando julgar ter chegado o tempo certo, sairá ao encontro do exército inimigo e lhe tirará o general com tanta facilidade como quem tira a casca ao cereal cozido. Mesmo que o invasor seja bemsucedido, tal não bastará para curar as suas feridas e compensar as suas perdas. Tais homens protegem com denodo as suas garras e dentes e temem os seus inimigos, de modo que, numa tal situação, nem aqueles que agissem em nome do lucro atacariam

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


20

3

3 2 5 quarta feira 5.5.2021 1 2 4 3 9 7 3 9 1 5 2 6 T E M P O 5T R7O V9O A D A S1 M I N 5 1 9 6 19

S9 7U2 3D8 O 1 4K 5 6U 6 7 5 7 3 9 2 1 8 8 4 2

5 6 7 4 9 3 3 2 1 7 8 6

8 4 6 5 1 1 9 7 3 6 8 1 9 3 5 9 8 2 6 4 7 3 6

2 7 4 7 5 1 9 6 8 1

5 6 3 3 9 7 4 6 1 4 2

8 5 6 2 3 1 6 1 9 4 7 3

9 7 6 2 5 4 4 8 3 9 1 7

4 9 1 2 6 8 5 7 3

3 1 8 9 4 9 7 8 6 2 5

1 8 6 2 2 5 7 3 9 6 7

4 8 5 9 6 2 2 1 7 9 3

7 6 2 9 8 3 4 6 4 9 1

6 3 4 9 5 7 4 5 1 7 8 8 2

9 9 3 1 4 7 4 8 2 2 5

7 2 3 1 8 3 8 9 5 5 6 4

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 21

21 24 2 4 1 8 1 6 7 3 5 9

3 4 1 8 4 6 2 5 9

PROBLEMA 22

22

[f]utilidades 17

www.hojemacau.com.mo

24

MAX

29

UM20 FILME HOJE 6 9 5 7 1 7 3 8 2 6 1 2 4 9 3 4 6 1 8 5 3 7 9 4 2 8 5 2 6 9 2 4 6 5 7 5 1 7 3 8 9 8 3 1 4 22 7 4 3 5 9 6 1 8 2 9 7 1 6 2 5 8 3 4 3 1 7 www. 2 5 8 hojemacau. com.mo 4 6 9

HUM

7 0 - 9 5 % ´•

EURO

9.61

BAHT

0.25

CINETEATRO

8 4 5 3 1 7 9 6 2

3 1 7 9 6 4 8 2 5

2 9 8 7 5 1 3 4 6

4 5 6 2 8 3 1 9 7

FILADÉLFIA | JONATHAN DEMME | 1993

Um clássico do cinema que consagrou Tom Hanks como um actor multifacetado. Este interpreta o advogado Andrew Beckett, infectado com HIV, que subitamente se vê despedido da reputada firma onde trabalha em Filadélfia e onde sempre desempenhou exemplarmente as suas funções. Beckett decide levar a firma a tribunal, acusando-a de discriminação e despedimento indevido por causa da sua doença, que à época era mortal. Andreia Sofia Silva

ONCE UPON A TIME IN HONG KONG [C]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Wong Jing, Woody Hui Com: Louis Koo, Tony Leung, Francis Ng, Lam Ka Tung 14.30, 19.30, 21.30

STAND BY ME DORAEMON 2 [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Ryuichi Yagi, Takashi Yamazaki 16.45, 19.30

CHAOS WALKING [B] Um filme de: Doug Liman

1.23

C I N E M A

SALA 1

SALA 2

YUAN

Com: Tom Holland, Daisey Ridley, Mads Mikkelsen 14.30, 19.30, 21.30

DETECTIVE CONAN: THE SCARLET BULLET [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chika Nagaoka 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

DYNASTY WARRIORS [C]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Roy Chow Com: Louis Koo, Han Geng, Wang Kai 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

5 8 2 1 6 9 4 3 1 8 2 7 7 9 6 3 5 4 DYNASTY WARRIORS 3 5 4 2 8 6 9 1 8 7 4 3 2Propriedade 6 7Fábrica9de Notícias, 1 5Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 8Gonçalo4M.Tavares; 5 6Gonçalo 9 Waddington; 2 Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 6Olavo 7Rasquinho; 9 4 3 Wai1 Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Paul Chan GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 1Welfare2Morada 3 Pátio 5 da7Sé, n.º22, 8 Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo

23 24 6 2 4 7 9 5 3 8 1 3 9 2 6 5 8 7 4 1 3 8 7 4 2 1 9 5 6 1 5 7 4 2 9 8 6 3 9 1 5 8 6 3 7 4 2 6 4 8 7 3 1 9 5 2 Anúncio 2 6 1 5 O4Pedido9do Projecto 8 3de Apoio 7 Financeiro 7para1à 2ª vez9do ano 5 20218 2 6 3 4 do FDCT (1) Fins 7 3 O FDCT 9 visa2a concessão 1 8de apoio5financeiro 6 aos4diferentes projectos que contribuam 4 3 para5o reforço 9 da 6 7 de 2 1 8 capacidade investigação científica, inovação e competitividade da RAEM, no quadro dos objectivos da política de desenvolvimento das ciências e da tecnologia 5 da4RAEM. 8 6 3 7 2 1 9 2 8 6 1 4 3 5 9 7 (2) Alvos de Patrocínio de ensino 1 5 (i) 2Universidades, 3 7instituições 6 4 9superior 8 locais, seus institutos e9centros2de investigação 4 8e desenvolvimento 1 6 (I&D); 3 7 5 (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; 4 9 (iv) 3Empresários 1 8e empresas 2 comerciais, 6 7registadas 5 na RAEM, com actividades 5 de7I&D;3 2 9 4 1 8 6 (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. 8(3) Projecto 7 6de Apoio 9 Financeiro 5 4 1 2 3 8 6 1 3 7 5 4 2 9

PUB.

(i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que contribuam para a investigação e desenvolvimento, promoção e inovação do desenvolvimento industrial; (iv) Que sejam de investigação científica que contribuam para promover a transformação dos resultados da investigação e desenvolvimento; (v) Que contribuam para promover a cooperação com o exterior em ciência e tecnologia; (vi) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vii) Pedidos de patentes.

(4) Tipo de projecto candidato De acordo com a classificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os candidatos devem seleccionar o tipo de. projecto candidato a que pertence entre os seguintes: (i) Tipo de investigação fundamental: projectos desenvolvidos para obter novos conhecimentos sobre os princípios subjacentes aos fenómenos e factos observáveis. (ii) Tipo de investigação aplicada: projectos com objectivos de investigação claros e inovação, desenvolvidos para promover as descobertas da investigação básica à aplicação. (iii) Tipo de desenvolvimento experimental: projectos desenvolvidos para aplicações práticas, destinados a gerar novos produtos, materiais, dispositivos, processos, sistemas e serviços, incluindo especificamente a cooperação da indústria-universidade-investigação, investigação e desenvolvimento empresarial e investigação clínica. (5) Valor de Apoio Financeiro Projectos de montante igual ou inferior a MOP 500.000,00(quinhentas mil patacas) (6) Data do Pedido De 5 de Maio a 31 de Maio de 2021 (7) Forma do Pedido Preenchido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 64 /2021,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 18 de 4 de Maio 2021, através do sistema informático - “online” do FDCT (website: www.fdct.gov.mo). Endereço: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777. (8) Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 64 /2021, processa o 《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》. O Presidente do C. A. do FDCT, Chan Wan Hei 2021 / 05 / 04

AVISO Faz-se saber que em relação ao concurso público para empreitada de obra pública designada por « Empreitada de construção da rede viária na periferia dos pontos de partida e de chegada da quarta ponte Macau-Taipa – Ligação do posto fronteiriço na ilha artificial », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 16, II Série, de 21 de Abril de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 9.º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 29 de Abril de 2021. O Coordenador do Gabinete, Lam Wai Hou

Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 8/P/21 para o «Fornecimento de Medicamentos do Formulário Hospitalar (Grupo 2) aos Serviços de Saúde», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 13, II Série, de 31 de Março de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 29 de Abril de 2021 O Director dos Serviços Lo Iek Long


18 opinião

www.hojemacau.com.mo

perspectivas

5.5.2021 quarta-feira

Jorge Rodrigues Simão

AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A COVID-19 SÃO CRISES GLOBAIS “The ongoing COVID-19 pandemic has killed hundreds of thousands of people and infected millions while also devastating the world economy. The consequences of the pandemic, however, go much further: they threaten the fabric of national and international politics around the world.” Hal Brands and Francis J. Gavin COVID-19 and World Order: The Future of Conflict, Competition, and Cooperation

A COVID-19 e as alterações climáticas são uma ameaça para as pessoas forçadas a fugir e para os apátridas em todo o mundo. Para combater as alterações climáticas, o mundo deve aprender com a pandemia da Covid-19 e agir com urgência, sob pena de consequências mortais e de longa exposição para as pessoas que têm de escapar das suas casas no que aos refugiados concerne e que são os mais expostos e vulneráveis. O custo mais elevado será não fazer nada. Os países têm de agir em conjunto. Uma resposta unilateral simplesmente não pode ser eficaz. O mundo deve proteger os mais frágeis, mas também envolvê-los na procura de soluções. Se queremos resolver o problema das alterações climáticas, temos de colocar os mais desprotegidos no centro. O Chade e outros países do Sahel são afectados por uma das crises de migração forçada de crescimento mais rápido, e estão desproporcionadamente expostos aos efeitos negativos das alterações climáticas e das catástrofes ambientais, tais como a alteração dos padrões de pluviosidade que contribuem para inundações e secas. Os mais vulneráveis do mundo sofrem alguns dos piores efeitos das alterações climáticas. O aumento da temperatura pode elevar a insegurança alimentar, hídrica e terrestre, ao mesmo tempo que prejudica os serviços necessários para a saúde, subsistência, estabilidade e a sobrevivência. Invariavelmente, os mais afectados incluem os idosos, mulheres, crianças, deficientes e os povos indígenas. A última década tem sido a mais quente de que há registo. Em 2019, quase dois mil cataclismos se deram, a maioria deles relacionadas com o tempo, e que obrigaram vinte e cinco milhões de pessoas a abandonar as suas casas. As alterações climáticas têm continuado a acelerar à medida que o mundo luta contra a pandemia da Covid-19. Não existem vacinas, máscaras e não se podem fechar as fronteiras às alterações climáticas e daí que teremos de agir e considerar todas as soluções oferecidas pela ciência e pelo conhecimento tradicional para salvar as pessoas e o nosso planeta. A “Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR na sigla inglesa) ” nomeou um Conselheiro Especial em Acção Climática para orientar e definir a

resposta para melhorar a resistência das pessoas forçadas a fugir dos riscos climáticos e reforçar a preparação e a resiliência em situações de catástrofe. Criado em 2007, o papel do Alto-comissário é permitir a troca de opiniões entre refugiados, governos, sociedade civil, sector privado, académicos e organizações internacionais sobre os desafios emergentes em matéria de protecção humanitária. As cinco sessões digitais de 2021 concentram-se no impacto da Covid-19 sobre as pessoas forçadas a fugir e os apátridas. As medidas tomadas para mitigar a pandemia da Covid-19 têm consequências significativas para a protecção, saúde, bem-estar socioeconómico e resiliência das pessoas deslocadas à força e apátridas e das suas comunidades de acolhimento. Também afectaram as oportunidades de identificar soluções em alguns casos e decisões adiadas em outros. As acções que os Estados e outros actores tomam, poderiam moldar o que será a protecção internacional em futuras pandemias. Os esforços devem incluir uma visão no reforço das bases de protecção e na construção da resiliência, recorrendo ao regime internacional de protecção de refugiados, incluindo a Convenção sobre Refugiados de 1951; os princípios de protecção, partilha de responsabilidades e inclusão no “Pacto Global sobre Refugiados (GCR na sigla inglesa)”; e as promessas relevantes feitas no “Fórum Global de Refugiados (GRF)”, em Dezembro de 2019. A luta global contra a pandemia colocou desafios para a instituição do asilo. Em alguns casos, desencadeou medidas regressivas, e as fronteiras foram encerradas por motivos de saúde pública. Noutros casos, abordagens inovadoras permitiram o funcionamento contínuo dos sistemas de asilo, através, por exemplo, da renovação automática ou remota da documentação para os requerentes de asilo, do registo e entrevistas à distância, do tratamento acelerado dos casos de asilo, e de rastreios e quarentenas sanitárias à chegada. Tais disposições permitem aos Estados continuar a admitir aqueles que necessitam de protecção internacional, ao mesmo tempo que protegem a saúde dos seus nacionais. O “Grupo de Apoio à Capacidade de Asilo” estabelecido no GCR poderia ajudar a identificar e apoiar tais adaptações. O surto da Covid-19 também aumentou as vulnerabilidades de indivíduos com necessidades específicas de protecção, tais como indivíduos em risco acrescido de violência sexual e de género (SGBV na sigla inglesa), mulheres e raparigas, bem como homens e rapazes em situações vulneráveis, e pessoas idosas, com deficiências, ou que se encontram em detenção. No contexto da Covid-19, o Secretário-Geral das Nações Unidas, afirmou que

as pessoas e os seus direitos precisam de estar na frente e no centro da resposta, um princípio que é central para o GCR. Isto requer a avaliação das necessidades e o desenvolvimento de respostas através de uma perspectiva de idade, género e diversidade, para garantir que ninguém fique para trás. Em reconhecimento desta situação, alguns actores tomaram medidas como a libertação de indivíduos de detenção como imigrantes e a disponibilização de acesso móvel para apoiar os sobreviventes do SGBV. A pandemia está a testar a resiliência dos refugiados e das suas comunidades de acolhimento e tem consequências de grande alcance. O acesso aos serviços de saúde e educação é limitado. Muitas pessoas estão a perder os seus meios de subsistência, resultando num aumento da pobreza e levando algumas pessoas deslocadas que eram auto-suficientes a tornarem-se dependentes da ajuda. De acordo com o princípio de inclusão do GCR, muitos Estados e outros actores têm tentado tratar o impacto através de abordagens inclusivas à construção de resiliência, tanto na resposta de emergência como a médio e longo prazo. Alguns dos principais países de acolhimento de refugiados estão a incluir pessoas deslocadas à força nas respostas nacionais de emergência para construir a sua resiliência, conter a propagação da infecção, responder a crises sanitárias, e mitigar o impacto socioeconómico na comunidade em geral. Outros países e doadores têm apoiado estes esforços com contribuições financeiras, materiais, e técnicas em demonstração de solidariedade e partilha de encargos. De acordo com a abordagem de governança multipartite e de parceria estabelecida no GCR, actores-chave na linha da frente da resposta, tais como cidades, organizações lideradas por refugiados, actores religiosos, e “organizações não-governamentais (ONG)”, estão a tomar medidas inovadoras para reforçar a capacidade das comunidades para enfrentarem as crises. Por exemplo, muitos estão a envolver refugiados que são profissionais de saúde para apoiar os sistemas nacionais de saúde e para criar redes para ajudar os membros mais vulneráveis da comunidade. Tendo em vista mitigar alguns dos efeitos socioeconómicos a longo prazo sobre a resiliência, os actores do desenvolvimento, o sector privado, os doadores e as organizações internacionais estão a trabalhar com os países de acolhimento para determinar a melhor forma de assegurar que os sistemas nacionais podem abranger e preparar-se para o futuro. Alguns estão a considerar medidas imediatas para enfrentar o impacto nas pessoas

Os mais vulneráveis do mundo sofrem alguns dos piores efeitos das alterações climáticas. O aumento da temperatura pode elevar a insegurança alimentar, hídrica e terrestre, ao mesmo tempo que prejudica os serviços necessários para a saúde, subsistência, estabilidade e a sobrevivência


quarta-feira 5.5.2021

opinião 19

www.hojemacau.com.mo

TRICIA VAN OOSTVEEN

deslocadas à força e apátridas e nas suas comunidades de acolhimento, e outros estão a considerar como apoiar a construção de sistemas nacionais inclusivos de saúde, educação, e protecção social em preparação para futuras emergências. A pandemia da Covid-19 não impediu as pessoas de fugirem à guerra e à perseguição. Assegurar a protecção através da salvaguarda do acesso ao asilo e do reforço e adaptação dos sistemas de asilo continua a ser uma responsabilidade internacional crítica e que salva vidas, juntamente com a abordagem das necessidades específicas de protecção e a construção de resiliência face à pandemia. As abordagens novas e inovadoras desenvolvidas face à actual pandemia podem informar o pensamento em termos de como responder, mitigar, e preparar para os desafios de protecção e soluções, tanto agora como no futuro. A origem da Covid-19, tal como outras doenças infecciosas, são interacções entre os

seres humanos e os animais selvagens. Interacções que aumentaram nas últimas décadas e que também falam de uma crise ambiental contínua As alterações climáticas e a pandemia da Covid-19 são ambas crises globais que ameaçam a viabilidade da economia e a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a “Organização Mundial de Saúde (OMS) ”, o aquecimento global devido à emissão excessiva dos chamados gases de estufa que alteram o clima, provoca a morte de cerca de cento e cinquenta mil pessoas por ano, um número ao qual, serão acrescentadas mais duzentas e cinquenta mil pessoas por ano a partir de 2030. Algumas destas mortes são devidas a eventos climáticos extremos, tais como inundações, incêndios, ciclones ou ondas de calor semelhantes à de 2003, quando a Europa registou um aumento de 70 por cento na mortalidade. Mas as alterações climáticas também afectam muitos dos factores sociais e económicos dos quais

depende a protecção da saúde, tais como a qualidade do ar e da água e a biodiversidade, ou seja, a variedade de animais, plantas, fungos e microrganismos que compõem o nosso planeta. Ao fazê-lo, pode alterar as cadeias de transmissão de doenças infecciosas, incluindo doenças virais, tais como a Covid-19. As alterações climáticas estão a impulsionar a transmissão da Covid-19? A Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard nos Estados Unidos afirma que não existem provas directas de que as alterações climáticas estão a afectar a propagação da Covid-19, mas sabem que as alterações climáticas alteram a forma como nos relacionamos com outras espécies na Terra. O cerne da questão é precisamente este, porque sabemos que a Covid-19 tinha uma origem zoonótica (de animais), precisamente de uma estirpe típica de morcegos, embora ainda não seja claro se existiam animais intermediários na transmissão do vírus, quantos e quais eram exactamente.

Assim, na base da Covid-19, bem como de outras pandemias globais incluindo o Ébola, por exemplo, existem interacções com espécies animais selvagens. Interacções que aumentaram nas últimas décadas devido à actividade humana, tanto directamente como através de actividades como a desflorestação, que ocorre principalmente para fins agrícolas, ou mineração como indirectamente, como no caso das migrações de animais devido ao aumento das temperaturas na Terra. Mas como as interacções aumentaram, também se elevou o risco de os humanos entrarem em contacto com novos agentes patogénicos e doenças que anteriormente só envolviam outras espécies animais, tal como no caso da Covid-19. Existe alguma ligação entre a poluição e a Covid-19? Há vários estudos que mostram a existência de uma ligação entre a poluição atmosférica, tanto causa como consequência das alterações climáticas com as taxas de infecção e mortalidade relacionadas com a Covid-19, como é recordado em um estudo de Janeiro de 2021 encomendado pelo Parlamento Europeu, e ainda que se trate de uma doença relativamente recente, os dados disponíveis sejam ainda parciais e também complicados pelas medidas de bloqueio introduzidas a nível mundial, que tiveram repercussões no nível global de poluição. Em termos gerais, a relação entre poluição atmosférica e doenças respiratórias e crónicas (como a diabetes) está bem estabelecida e também sabemos que as pessoas que sofrem destas doenças estão entre as mais vulneráveis à Covid-19. Mais controversa é a questão da propagação do vírus. As regiões mais poluídas são também uma das mais afectadas pela Covid-19, pois as partículas atmosféricas não favorecem a difusão do vírus no ar. Quanto ao descongelamento do “permafrost” e o futuro das doenças infeciosas, é certo que as alterações climáticas criaram condições mais favoráveis para a propagação de algumas doenças infecciosas, tais como as transmitidas por mosquitos (malária e dengue). Os riscos não são fáceis de prever e podem também variar em função das mudanças de temperatura e níveis de precipitação, condições que afectam o aparecimento de agentes patogénicos, bem como as interacções entre humanos e animais. Outra questão é o descongelamento do “permafrost”, a camada de solo permanentemente congelada, devido ao aumento da temperatura global que poderia resultar na libertação de vírus e bactérias antigas que têm estado adormecidos durante milénios, começando com o Círculo Árctico, onde as temperaturas estão a subir cerca de três vezes mais depressa do que no resto do mundo.


quarta-feira

‘‘Talvez um dia seja bom relembrar este dia.’’ PALAVRA DO DIA

A partida de um ícone M JOÃO PORFÍRIO | OBSERVADOR

Julião Sarmento, artista plástico, faleceu ontem aos 72 anos vítima de cancro

ORREU ontem aos 72 anos, vítima de cancro, Julião Sarmento, um dos mais reputados e conhecidos artistas plásticos portugueses. Autor de uma obra multifacetada, Julião Sarmento representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza em 1997 e foi alvo de uma exposição pela Tate Modern, em Londres, em 2011. A Galeria Cristina Guerra divulgou um comunicado, no qual confirmou a morte do artista, "com enorme tristeza", apontando-o como uma "figura central da arte portuguesa desde os anos 1970”. Julião Sarmento "foi o primeiro artista da sua geração a alcançar um amplo reconhecimento internacional, expondo em inúmeros museus e eventos de prestígio", e "afirmou-se como um dos grandes interpretes e pensadores no contexto da arte, e a sua vida e obra reflectem uma dedicação total ao meio artístico e à arte contemporânea", sublinha a galeria. No seu trabalho, combinava vários suportes, desde a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, o som e a performance. A galeria acrescenta ainda que o desaparecimento do artista, nascido em Lisboa a 4 de Novembro de 1948, "deixa uma enorme dor e vazio" no meio cultural. Várias vezes distinguido, Julião Sarmento recebeu a Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 1994, a Medalha de Prata de Mérito Municipal, de Sintra, em 1997, o Prémio Universidade de Coimbra, em 2009, bem como o prémio de Artes Plásticas da Associação Internacional de Críticos

5.5.2021

Virgílio

Plano Director Relatório da consulta pública discutido hoje

Os membros do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) discutem hoje as principais conclusões do relatório da consulta pública sobre o Plano Director de Macau, naquela que será a quarta reunião ordinária deste ano. O relatório foi tornado público na última semana, dia 30 de Abril, e uma das conclusões é a posição contra a criação de uma zona habitacional no Alto de Coloane. “Não concordam com a classificação do Alto de Coloane como zona habitacional, uma vez que o mesmo é considerado como pulmão e jardim de Macau, o Governo da RAEM deve proteger as colinas de Coloane”, refere o documento. Foi também rejeitada a construção de instalações governamentais nas zonas C e D, junto ao Lago Nam Van. No total, foram recolhidas 1.265 opiniões, sendo que mais de metade versaram sobre as finalidades a atribuir aos terrenos públicos.

Elevadores Pedido que Governo assuma supervisão

de Arte – Secção Portuguesa, em 2012, e o Prémio de Artes Casino da Póvoa, em 2013.

Elogios oficiais

O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte de Julião Sarmento, considerando-o "um dos mais talentosos" artistas portugueses das últimas décadas, tendo enaltecido a "modernidade provocante" das suas obras e a sua "presença ímpar" neste tempo. Numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou "sentidas condolências" à família de Julião Sarmento, que descreve como "um dos mais talentosos,

produtivos e generosos artistas portugueses das últimas décadas". Marcelo referiu também que, "vindo da Escola de Belas-Artes, Julião Sarmento trabalhou na Secretaria de Estado da Cultura logo após a Revolução, contribuindo para a reconfiguração das práticas artísticas em Portugal, e foi um dos nomes escolhidos por Ernesto de Sousa para uma exposição que fez época, a Alternativa Zero, em 1977". "Por essa altura, já usava os mais diversos registos, sobretudo a pintura, o desenho e o vídeo, e já estava atentíssimo ao contemporâneo, a correntes, conceitos, cruzamentos, modos de produção e difusão. Nas décadas seguintes, tornar-se-ia o mais internacional

dos artistas portugueses", lê-se na mensagem. Já o primeiro-ministro português, António Costa, lamentou “profundamente" a morte de Julião Sarmento, considerando que deu um importante contributo para a internacionalização da arte portuguesa e que fez parte de uma geração que renovou a prática artística na década de 80. "Fazendo parte de uma geração cosmopolita que renovou a prática artística nos anos 1980, Sarmento deu um importante contributo para a internacionalização da arte portuguesa. As mais sentidas condolências à sua família e amigos", escreveu António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter.

Ron Lam, presidente da Associação da Sinergia de Macau, frisou que o Governo deve assumir as suas responsabilidades na supervisão dos elevadores, em vez de delegar todas as competências nas entidades privadas. Foi desta forma, em declarações ao Jornal do Cidadão, que Ron Lam reagiu à consulta pública sobre o Regime Jurídico dos Ascensores, que se encontra a decorrer. O responsável deu o exemplo de Taiwan, em que há uma taxa aleatória de supervisão exercida pelo Governo e defendeu um modelo semelhante. Por outro lado, apesar de reconhecer que haverá um certificado de supervisão, o político o questionou o facto de não serem apresentadas medidas pelo Governo para garantir que as supervisões das entidades independentes cumprem determinados critérios. Ron Lam mostrou-se ainda preocupado com a falta de entidades independentes em Macau e indicou que apenas conhece o Laboratório de Engenharia Civil de Macau e o Instituto para o Desenvolvimento e Qualidade.

SJM OPERADORA DE JOGO ANUNCIA PERDAS DE 647 MILHÕES DE DÓLARES DE HONG KONG ATÉ MARÇO

A

PUB PUB.

operadora de jogo SJM Holdings anunciou ontem prejuízos de 647 milhões de dólares de Hong Kong no primeiro trimestre do ano, uma perda superior à do mesmo período de 2020. As receitas líquidas totais diminuíram 28,8 por cento, comparativamente ao primeiro trimestre de 2020,

enquanto as receitas brutas do jogo diminuíram 32,7 por cento para 2.652 milhões de dólares de Hong Kong.

Entre Janeiro e Março, o grupo operou cerca de 177 mesas VIP e 1.066 mesas de jogo do mercado de massa. As receitas do mercado de massa foram precisamente as mais significativas, acima dos dois mil milhões, enquanto o jogo VIP representou 485 milhões.

“Recentemente, os resultados da SJM começaram a responder ao recomeço das viagens de lazer para Macau, e esperamos por mais melhorias graduais nas condições de mercado para o resto de 2021”, disse Ambrose So, CEO da SJM Holdings Limited, citado no comunicado com os resultados.

A SJM refere ainda que a taxa de ocupação do Grand Lisboa Hotel aumentou para 52,5 por cento, e a do Sofitel para 48,4 por cento. O Grand Lisboa Palace já acabou de ser construído e o projecto está a passar por inspecções finais das autoridades. De acordo com a nota, o grupo antecipa que a abertura do

resort integrado decorra durante a primeira metade de 2021. O EBITDA ajustado do grupo, que se refere aos resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações, desceu para um valor negativo de 319 milhões de dólares de Hong Kong.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 05 MAIO 2021 #4761 by Jornal Hoje Macau - Issuu