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Hoje Macau 5 MAR 2021 #4722

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FRONTEIRA

SULU SOU CONTRA A ANSIEDADE

VIA VERDE PARA VACINADOS?

PÁGINA 5

PÁGINAS 6-7

LUCIANO HO

PUB.

GCS RÓMULO SANTOS

ENSINO

EMOÇÃO E EXAUSTÃO EVENTOS

hoje macau 3,5 OPINIÃO

Nº 4722 SEXTA-FEIRA 5-3-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

MIL MILHÕES

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RÓMULO SANTOS

PAUL CHAN WAI CHI

JUN LIU REITOR DA UNIVERSIDADE CIDADE DE MACAU

‘‘

Queremos encorajar as pessoas a fazerem-se ouvir ENTREVISTA

BANALIDADES STEWART HOME

DO CÉU E DA TERRA GONÇALO M. TAVARES

ENRIQUECIMENTO DO ESTADO XUNZI

DEPOIS DE MORRER SARA F. COSTA


2 entrevista

5.3.2021 sexta-feira

“O nosso objectivo é servir os estudantes de Macau”

RÓMULO SANTOS

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JUN LIU

NOVO REITOR DA UNIVERSIDADE CIDADE DE MACAU

Desde o início do mês aos comandos da instituição, Jun Liu pretende fazer crescer o número de alunos além dos actuais 6 mil, nos próximos anos, e o caminho passa pela aposta na Grande Baía, vista como uma grande oportunidade. O novo reitor promete também reforçar a aposta no português Assumiu a posição no início deste mês, após quase 30 anos nos Estados Unidos. Como se está a adaptar? Cheguei a Macau há menos de duas semanas e estou a instalar-me. Já tinha estado por cá muitas vezes no passado, por isso não é um lugar estranho. Estou a sentir-me bastante bem. Que motivos o levaram a aceitar o convite da universidade e vir para Macau? Sinto que é um momento entusiasmante para regressar à China com o projecto da Grande Baía. Escolhi regressar por Macau porque é um local muito característico, não é igual ao Interior e não é Hong Kong, é Macau. É um misto único das culturas portuguesa e chinesa, cantonesa entre outras. Mas não veio para uma posição qualquer... É uma posição muito apelativa, porque me permite liderar uma universidade que tem por bases as Letras e as Humanidades. Na minha perspectiva é a altura perfeita para a posição perfeita. Vou poder usar o que aprendi e vivi e, num contexto

mais amplo, contribuir para Macau, a Grande Baía e a China. Quais vão ser as prioridades da Universidade Cidade de Macau para os próximos anos? As áreas que vão ser mais desenvolvidas são as Humanidades e as Ciências Sociais, apoiadas pela vertente tecnológica, porque são as fundações desta universidade, ao contrário do que acontece com outras instituições. Por exemplo, a Universidade de Macau é mais abrangente, a Universidade de Ciência e Tecnologia é mais focada as Ciências e Medicina.AUniversidade Cidade de Macau tem raízes nas Humanidades, Ciências Sociais e na comunicação intercultural, como com Portugal, os países de língua portuguesa, ou com os Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e até a América do Sul, como é o caso do Brasil. Queremos aproveitar estas bases para desenvolver novas disciplinas e formar os quadros necessários para Macau e o mercado para os próximos 5 a 10 anos. Que posições são essas? Acreditamos que as profissões do futuro, dos próximos 10 anos, ainda não foram criadas. Por isso, preci-

“Vamos ter discussões abertas sobre os assuntos controversos e vamos respeitar as pessoas e ouvir as ideias com que podem contribuir para a sociedade.”

samos de analisar bem o que vai ser necessário e começar a estudar antes do tempo, para que daqui a 5 a 10 anos, os alunos formados na Universidade Cidade de Macau tenham sempre muitas ofertas de trabalho e sejam procurados pelo mercado. Falou das ligações com os países de língua portuguesa.Ainstituição

oferece cursos nessa área. O futuro passa por uma expansão? O multiculturalismo é um valor essencial para desenvolver os novos cursos, por isso esperamos aproveitar as vantagens culturais de Macau e trabalhar com os países de língua portuguesa. Neste momento, temos um instituto de investigação para os países de língua portuguesa. E queremos não só consolidar esse


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entrevista 3

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CHAN MENG KAM? “FAZEMOS UMA EQUIPA MUITO BOA” instituto mas colaborar com os próprios países, não só a nível da investigação, mas também em termos das oportunidades de mercado para os quadros formados. Quer isso dizer que vai haver um reforço na aposta destes cursos? O caminho passa não só consolidar, mas reforçar a aposta na língua portuguesa, aproveitando as vantagens da cultura de Macau. Vamos também estudar muito bem as possibilidades desta vantagem. Os nossos cursos não se limitam a estudar a língua, são compreensivos, multidisciplinares, e é isso que vai ser uma vantagem para nós. Também nesse sentido, sinto que uma das coisas que quero fazer é visitar Portugal e os países de língua portuguesa. Qual é o impacto da covid-19 nas finanças da universidade? Somos uma universidade sustentável. Sabemos que temos de diversificar as fontes das nossas receitas, o que queremos fazer com o aumento das parcerias a nível empresarial e esperamos continuar a contar com o apoio do subsídio do Governo. Não encaro as finanças como uma preocupação, porque se a qualidade do ensino estiver presente a universidade vai sempre atrair alunos e isso garante que não há essas preocupações. Por isso, o nosso caminho passa por expandir e fazer crescer o número de estudantes. Temos 6 mil estudantes e esperamos expandir para 8 mil ou 10 mil. E o crescimento dos alunos vai ser feito com alunos do Interior e do estrangeiro? O nosso objectivo principal é servir os estudantes de Macau, que têm várias escolhas no território. Mas, Macau tem uma limitação relacionada com a dimensão da população, por isso a nossa segunda prioridade vai ser o Interior. E não ficamos por aqui, gostávamos de aumentar também o número de alunos fora da China. O que é preciso para atrair mais alunos internacionais? A única forma de atrai-los é, de forma gradual, melhorar os nosso cursos que são leccionados em inglês, porque de outra forma é demasiado difícil para os alunos internacionais aprenderem. Tenho um percurso como líder no sector da educação na língua inglesa e por isso quero desenvolver um ambiente onde todos os alunos vão ter oportunidades para melhorar, falar e compreender o inglês como língua global. Nesse esforço vai também haver maior aposta na qualidade do ensino e investigação? Precisamos de aumentar o número de investigadores e criar novos cursos. Vamos pensar em outras formas de tornar a universidade

A Universidade Cidade de Macau tem como presidente o empresário e político Chan Meng Kam, e Jun Liu admite que esta foi umas das razões que o levaram a aceitar o cargo de reitor na instituição. “Chan Meng Kam foi uma das razões que fizeram com que aceitasse esta posição. Sinto que ele tem uma grande paixão pelo sector da educação”, começou por explicar Liu. “Ele é um

empresário e não finge que sabe muito sobre educação. Foi uma pessoa muito honesta e directa, disse-me que apesar de não perceber muito sobre o sector da educação, que é uma área pela qual tem uma grande paixão. Gostei muito desta honestidade”, revelou. “Senti que apesar da juventude dele não ter sido muito ligada ao ensino, ele tem como objectivo fazer com que as próximas gerações

mais atractiva, como bolsas de estudo e investigação, criação de melhores condições para que os professores consigam apoios e possam contratar alunos como assistentes, que é uma forma de aprendizagem pela experiência. Todas estas formas diferentes vão fazer da instituição mais atraente para os estudantes.

“O patriotismo faz parte da natureza das pessoas e acredito que é um valor essencial.” Tem como objectivo aumentar o número de estudantes dos países de língua portuguesa? Sim, queremos atrair mais estudantes internacionais. Mas, para tornar a universidade verdadeiramente internacional temos de nos focar na língua. Estamos abertos a rece-

PERFIL

possam beneficiar do ensino. É algo nobre”, acrescentou. Para que o convite de regressar dos Estados Unidos e liderar a Cidade Universidade de Macau fosse aceite, Jun Liu garantiu igualmente apoio do influente empresário, que no passado fez parte do Conselho do Executivo escolhido por Chui Sai On e é o responsável pela eleição de dois dos deputados do hemiciclo. “Ele mostrou que

ber estudantes de todo o mundo, e particularmente de Portugal e da Europa. Neste momento temos estudantes de África. Como pensa fazer o número de alunos crescer e quantos pretendem de fora de Macau e do Interior? O nosso objectivo prioritário é servir os estudantes de Macau, que têm várias escolhas. Uma delas é a universidade pública, a Universidade de Macau, que tem uma certa percentagem de alunos de Macau. Mas Macau tem uma limitação no número de população, por isso vamos olhar para o Interior, como segunda prioridade. Mas além dos estudantes de Macau e do Interior, quero uma maior representatividade de regiões e continentes. Quando os alunos escolhem as universidades a que se querem candidatar é inegável que os rankings mundiais têm sempre uma influência no processo. Há o

CARGOS ANTERIORES

Stony Brook University • Vice-Presidente e Vice-director para os Assuntos Globais • Reitor dos Cursos Internacionais e Serviços • Director-Fundador do Centro da China Georgia State University • Vice-director para Iniciativas Internacionais • Director do Instituto Confúcio University of Arizona • Vice-Presidente • Chefe do Departamento de Inglês DOUTORAMENTO • Educação em Línguas Estrangeiras e Secundárias na Ohio State University (Fonte: Cidade Universidade de Macau)

me apoia muito para que eu possa tomar certas decisões. Esse apoio é fundamental. Por isso, acho que esta parceria se traduz numa situação com ganhos mútuos”, sustentou. “Tenho um grande respeito por ele e sei que ele conhece Macau muito bem e é muito respeitado e ouvido. É um aspecto importante e considero que fazemos uma equipa muito boa”, sublinhou.

objectivo de dar maior destaque à Universidade Cidade de Macau? Concordo que os rankings influenciam o número de candidaturas às universidades. E tendo trabalhado mais de 20 anos nos Estados Unidos, em diferentes institutos de investigação, tenho consciência da importância dos rankings. As escolas da Liga Ivy estão sempre entre os cinco ou dez primeiros lugares dos rankings mundiais, na China destacam-se a Universidade de Tsinghua e a Universidade de Pequim, mesmo na Grande Baía a Universidade de Hong Kong é uma referência. Considero que os rankings são importantes, mas

“Escolhi regressar [à China] por Macau porque é um local muito característico, não é ao igual Interior e não é Hong Kong, é Macau.”

não é o único aspecto que vamos considerar. Isso quer dizer... Pode olhar-se para os critérios dos rankings, que até variam de ranking para ranking, e trabalhar-se especificamente para satisfazer os critérios e ir subindo na classificação. Só que essa estratégia ignora outras vertentes da educação que são muito importante. Os lugares no ranking têm de ser o resultado do esforço na melhoria do ensino e da investigação. É formado nas Ciências Sociais, por isso, pergunto-lhe como encara a liberdade académica? É um assunto muito importante e queremos encorajar as pessoas a fazerem-se ouvir. Vamos ter discussões abertas sobre os assuntos controversos e vamos respeitar as pessoas e ouvir as ideias com que podem contribuir para a sociedade. Mas, como uma universidade vamos guiar os académicos em certos assuntos para terem discussões mais eficazes, vamos orientar as nossas discussões para a resolução de problemas. O patriotismo é um valor chave da Cidade Universidade de Macau? Sim, o patriotismo e a lealdade à comunidade local. O patriotismo faz parte da natureza das pessoas e acredito que é um valor essencial.

João Santos Filipe


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CASO FONG SOI KUN RAIMUNDO DO ROSÁRIO REJEITA COMENTAR DECISÃO DO TUI

FUNÇÃO PÚBLICA PEREIRA COUTINHO ALERTA PARA DISCRIMINAÇÃO DE TRABALHADORES

Raimundo do Rosário afirmou ontem que respeita as decisões judiciárias, recusando comentar o resultado do caso do ex-director dos SMG, Fong Soi Kun. O secretário para os Transportes e Obras Públicas afirmou ainda que o aumento das obras públicas deverá evitar desemprego de trabalhadores da construção

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O

secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, rejeitou comentar o desfecho do caso do ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), Fong Soi Kun. “Ao longo dos seis anos, nunca comentei qualquer processo ou decisão dos tribunais. Também não penso em alterar esta prática, porque respeito o processo e decisão judiciários”, disse ontem.

Esta semana foi conhecido que o Tribunal de Última Instância deu razão ao ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), Fong Soi Kun, na batalha jurídica contra o anterior Chefe do Executivo, Chui Sai On. Recorde-se que na sequência de um processo disciplinar instaurado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, antecedido por um relatório do Comissariado Contra a Corrupção, o então líder do Governo decidiu aplicar a sanção de despedimento a Fong Soi Kun. Como este já se tinha demitido, a penalização transformou-se antes em quatro anos sem receber reforma, o equivalente a quatro milhões de patacas.

GCS

Sem mais comentários

Quotas de residentes afastadas

Raimundo do Rosário falou à margem da tomada de posse da nova direcção da Associação de Engenharia e Construção de Macau, comentando por outro lado que perante o aumento do investimento em obras públicas não deverá haver desemprego no sector. “O PIDDA deste ano é superior ao do ano passado e mais dinheiro significa mais obras, por isso o emprego do sector de construção não deverá ser um problema”, comentou o secretário.

Na terça-feira, dezenas de trabalhadores da construção civil deslocaram-se à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) à procura de uma solução para a sua situação de desemprego. Raimundo do Rosário afirmou que não há medidas específicas de apoio aos desempregados da área, justificando que o Governo não interfere com o recrutamento feito pelas empresas

RECICLAR ÁGUA NOS NOVOS ATERROS Em declarações aos jornalistas, o secretário para os Transportes e Obras Públicas afirmou ontem que o resultado de um estudo sobre a construção de um sistema de reciclagem de água na Zona A dos Novos Aterros está previsto para o segundo trimestre deste ano. “É certo que neste ano haverá uma conclusão”, lançou. Além disso, adiantou que em Abril ou Maio o Governo vai emitir o relatório sobre a barragem de marés no Porto Interior para prevenir inundações, altura em que vai ser tomada uma decisão sobre a viabilidade da sua construção.

Na simulação está a solução

“Jovem” diz que Governo pode estudar trânsito com recurso a jogo “SimCity”

A

abertura da fronteira de Qingmao e o impacto no trânsito e nos transportes foi um dos grandes temas debatidos na reunião de ontem do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte. Neste sentido, Chan Kam Pui, membro da Federação de Juventude de Macau, afirmou que o Governo pode recorrer a simuladores de cidades,

nomeadamente ao popular jogo SimCity. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Chan afirmou que o Governo precisa de simular como vai ficar o trânsito naquela zona com a abertura da fronteira, para evitar impactos negativos para os moradores. Por isso, o “jovem” aconselhou o recurso a programas electrónicos de simulação, e utilizou como exemplo o jogo Simcity.

O Simcity foi lançado em 1989 e teve várias sequelas, a mais recente de 2014. O jogador é desafiado a assumir o cargo de arquitecto/ governante de uma cidade e tem de desenhar as áreas residenciais, definir estradas, construir as redes de esgotos, entre outras tarefas para desenvolver uma cidade saudável. Os desafios são vários, e, por exemplo, uma excessiva concentra-

a quem são adjudicadas as obras. E declarou que nunca houve cláusulas contratuais a regular que uma percentagem dos trabalhadores tem de ser destinada a residentes. No entanto, frisou que “este ano deve haver obras suficientes”. Neste âmbito, Lo Chi Cheong, presidente da direcção da Associação de Engenharia e Construção de Macau, apontou haver cada vez menos trabalhadores técnicos no sector da construção, apelando à Federação das Associações dos Operários de Macau e à DSAL para organizarem mais formações. Lo Chi Cheong defendeu que apesar de faltarem trabalhadores, há ainda assim “muitos residentes desempregados”. N.W. e S.F.

deputado José Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre a existência de casos de discriminação de tratamento existente nos serviços públicos sem autonomia administrativa e financeira em relação às entidades autónomas com estatutos privativos. Segundo a interpelação, estes trabalhadores, após cumprirem a comissão de serviço num cargo de chefia, “ficam sujeitos ao período experimental de seis meses de trabalho com contratos administrativos de provimento sem termo certo, como se tivessem sido recrutados pela primeira vez no exterior”. Segundo o deputado, que também preside à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), estes trabalhadores são depois “contratados através de um contrato administrativo de provimento a termo certo, com a duração de um ano, e sujeitos ao período experimental de seis meses, como se fossem novos trabalhadores”. Esta situação acontece “apesar de existirem muitos pareceres jurídicos dos serviços a que pertencem que defendem o oposto”. Além disso, “no meio desta confusão entra a Direcção dos Serviços de Finanças que recusa autorizar o pagamento do salário a estes trabalhadores, com fundamento no parecer dos Serviços de Administração e Função Pública”. Desta forma, o deputado questiona “quando vai o Governo resolver o imbróglio” e quais as medidas a implementar “para não afectar a moral dos trabalhadores perante colegas de trabalho que são obrigados a voltar a um período experimental, não obstante terem dezenas de anos em cargos de chefia”.

ção de edifícios e estradas resulta em zonas altamente poluídas. Foi este o jogo sugerido por Chan Kam Pui para simular o trânsito.

Ligações danosas

Ainda no que diz respeito à nova fronteira, a membro Wong Sio San mostrou-se preocupada com a falta de ligações com boa qualidade para aquela zona da cidade. Por isso, Wong, que é apoiada pelos Operários, diz que existem receios de que os transportes com a abertura da fronteira não tenham capacidade para tantas pessoas

e que isso tenha impacto para a qualidade de vida das pessoas daquela zona. A abertura da fronteira só deverá acontecer na segunda metade do ano, mas

Wong Sio San defende que é preciso começar a fazer as ligações. Este foi um ponto de vista apoiado por Lo Weng Sam. A representante dos Moradores da comissão defendeu que uma boa rede de transportes é essencial para os cidadãos e que por esse motivo o Governo precisa de começar a optimizar as ligações dos autocarros aquele ponto, além de estudar se são necessárias mais paragens e de melhorar as zonas para circular a pé. J.S.F.


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RÓMULO SANTOS

Encontro Liu Xianfa reuniu com Chui Sai On

O novo comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Liu Xianfa, visitou ontem Chui Sai On, anterior Chefe do Executivo da RAEM. Durante o encontro, de acordo com o jornal Ou Mun, Liu sublinhou que nos 20 anos que se seguiram à transição Macau deu um salto em frente e que houve uma boa situação, que permitiu manter a estabilidade e alcançar a prosperidade. O governante do Interior agradeceu o contributo de Chui Sai On para os feitos alcançados e prometeu implementar de forma absoluta as instruções do Presidente Xi Jinping, nomeadamente ao nível de segurança nacional e na protecção dos interesses nacionais. Por sua vez, Chui Sai On elogiou o papel de Macau que contribuiu para passar uma imagem positiva da China ao mundo. Ambos defenderam a necessidade de implementar com sucesso o princípio “Um País, Dois Sistemas”.

TÁXIS GOVERNO EXIGE CONSTANTE FISCALIZAÇÃO DO SISTEMA

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Sulu Sou, deputado “As escolas, em geral, continuam a concentrar-se na reprodução mecânica, na recitação e nos testes com caneta e em papel, acumulando cada vez mais trabalhos de casa e testes com um grau de dificuldade inadequado.”

ENSINO SULU SOU QUER MECANISMOS PARA REDUZIR ANSIEDADE DOS ALUNOS

Toca a aliviar a pressão Com críticas ao prejuízo que a ansiedade ligada aos estudos tem na auto-confiança dos alunos e ao tempo de reforma da avaliação diversificada, o deputado Sulu Sou pede uma reflexão da sociedade para a criação de uma rede de protecção da saúde dos jovens

O

deputado Sulu Sou considera que a pressão dos quadros curriculares e métodos de avaliação como o exame unificado local, lançados nos últimos anos, contribuíram para aumentar a ansiedade dos alunos e, consecutivamente, “enfraquecer” a sua auto-confiança. A ideia foi defendida numa interpelação oral em que o deputado apela ao Governo, escolas e famílias para se construir uma “rede de protecção da saúde e segurança dos jovens”, no seguimento de casos de suicídios de estudantes. No entender do democrata, a educação forçada faz “com que os alunos tenham mais dificuldade

em cultivar o interesse pelos estudos e não consigam encontrar um equilíbrio entre estes e o lazer”. Apesar de reconhecer que a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude criou grupos de trabalho associados à felicidade e à saúde mental física dos jovens, Sulu Sou questiona o Governo sobre o andamento dos trabalhos desenvolvidos e quais os objectivos a atingir. O deputado lamenta a falta de indicadores quantificáveis para aumentar o índice de felicidade, e pergunta se estes vão ser definidos para as diferentes fases do “Planeamento a médio e longo prazo do ensino não superior (2021-2030)”, como forma de “ajudar gradualmente os alunos a aliviar os seus encargos

e pressão em excesso decorrentes da aprendizagem”. “As escolas, em geral, continuam a concentrar-se na reprodução mecânica, na recitação e nos testes com caneta e em papel, acumulando cada vez mais trabalhos de casa e testes com um grau de dificuldade inadequado”, apontou Sulu Sou.

Reforma lenta

As críticas do deputado alargaram-se ao processo de reforma de avaliação diversificada, que classificou como “muito lento”, bem como à “classificação em alunos bons e maus” com base em comparação de rankings, descrevendo que o ambiente educativo tem

uma “concorrência nefasta” que piora a pressão sobre os alunos, levando-os a “sentirem-se muitas vezes frustrados e desamparados”. A saúde física dos alunos também recebeu atenção, com Sulu Sou a apontar que a recomendação dada em Macau para o peso da mochila não exceder 15 por cento do peso do aluno é superior ao que é proposto em Hong Kong (10 por cento) e Taiwan (12,5 por cento). O deputado frisou ainda que ainda se verifica excesso de peso do material escolar nas inspecções periódicas, questionando “que medidas existem para incentivar as escolas e os encarregados de educação a ajudar os alunos a aliviarem o peso das mochilas”. Salomé Fernandes

M resposta a uma interpelação escrita do deputado Lam Lon Wai, os Serviços de Administração e Função pública (SAFP) garantem que vão melhorar a gestão e medidas de contingência para responderem “de forma mais eficaz” a avarias em equipamentos informáticos no futuro. “O Governo da RAEM tem prestado grande atenção e acompanhado a avaria recentemente ocorrida nos equipamentos informáticos que afectou o funcionamento dos serviços”, afirmou o director dos SAFP, Kou Peng Kuan. Em relação às falhas do sistema de terminal inteligente de táxi, Kou Peng Kuan afirma que a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego exigiu à empresa de gestão fiscalização do sistema por técnicos durante 24 horas. A DSAT apelou também à adopção de medidas para evitar avarias semelhantes, nomeadamente para “elevar a estabilidade e segurança na transmissão de dados”. Além disso, o director explicou que em caso de avaria grave do serviço de sistema inteligente do táxi, o terminal do veículo tem capacidade para funcionar de modo independente sem que o cálculo da tarifa seja afectado, podendo armazenar os dados de GPS durante três dias.


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5.3.2021 sexta-feira

Motivacão ´ CCPPC VONG HIN FAI DEFENDE LEGISLAÇÃO SOBRE COMÉRCIO ELECTRÓNICO TRANSFRONTEIRIÇO

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ONG Hin Fai, deputado à Assembleia Legislativa e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, defendeu que o Governo de Macau deve implementar em breve legislação sobre sectores económicos emergentes como é o caso do comércio electrónico transfronteiriço e a inovação tecnológica, a fim de criar um contexto legal

que fomente a diversificação económica. Como membro da CCPPC, Vong Hin Fai referiu ainda, segundo a imprensa chinesa, que Macau pode desempenhar um papel importante em várias áreas do sector financeiro, aproveitando a dupla circulação da pataca e do renmimbi. A advogada Paula Ling, delegada de Macau à Assembleia

Popular Nacional (APN), cuja sessão anual arranca hoje, defendeu que o território pode estudar e avançar já em quatro áreas relacionadas com o desenvolvimento do país, tal como a prevenção da pandemia e a vacinação, a fim de atrair mais visitantes, mercadorias e capital da China. Para Paula Ling, o território pode também aproveitar a dupla circulação de capital e servir de

plataforma, além de participar no desenvolvimento da política da Grande Baía. A advogada referiu ainda que a inovação tecnológica pode ser um passo para a diversificação das indústrias de Macau e para a participação do território no circuito protagonizado por cidades como Cantão, Shenzhen e Hong Kong. Já Mao Iao Lai, delegado à APN, lembrou que a ilha de

Hengqin é a primeira porta de entrada para Macau participar no projecto da Grande Baía e no desenvolvimento nacional. Ma Iao Lai acredita que são necessárias medidas específicas por parte do Governo Central para o desenvolvimento de Hengqin, em prol de uma maior circulação de capital entre fronteiras e uma generalização do acesso a meios digitais.

TIAGO ALCÂNTARA

GCS

FRONTEIRAS MAK SOI KUN QUER FIM DOS TESTES PARA QUEM ESTIVER VACINADO


sexta-feira 5.3.2021

extra “não entendem” a necessidade de apresentar um teste negativo nas fronteiras entre Macau e Zhuhai, considerando que Macau não regista transmissões comunitárias de covid-19 há mais de 337 dias, já se passaram 23 dias sem a detecção de novos casos e

Numa altura em que a vontade dos residentes para ser vacinados contra a covid-19 é baixa, Mak Soi Kun defende que o Governo deve sondar as autoridades de Guangdong para que deixe de ser obrigatório apresentar o resultado negativo de ácido nucleico entre Macau e Zhuhai

a ponderar dispensar a apresentação de testes nas fronteiras. “Quando o número de pessoas vacinadas atingir um determinado nível, o Governo vai iniciar negociações com as autoridades da província de Guangdong, para que os residentes que já tenham sido vacinados contra a covid-19 sejam dispensados de apresentar um resultado negativo ao teste de ácido nucleico e assim circular livremente entre Zhuhai e Macau?”, questionou Mak Soi Kun. Por escrito, o deputado questiona ainda se o Governo pondera, assim que situação da pandemia seja a ideal, alargar a mesma isenção às outras cidades da Grande Baía, com o objectivo de “revitalizar a economia regional”.

Mais de 17 mil vacinados

“O Governo vai iniciar negociações com as autoridades da província de Guangdong, para que os residentes que já tenham sido vacinados (…) [possam] circular livremente entre Zhuhai e Macau?” MAK SOI KUN DEPUTADO

China Membros do CPPCC querem flexibilizar entrada de estrangeiros Seis membros de Macau que participaram na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CPPCC) apresentaram ontem uma proposta conjunta onde defendem que os estrangeiros, quer sejam portadores de BIR ou bluecard, possam entrar no Interior da China, depois de permanecerem mais de 28 dias consecutivos em Macau e mediante a apresentação de um resultado negativo à covid-19, válido por sete dias. De acordo com informações avançadas ontem pelo

para circular entre as outras cidades da Grande Baía já não é obrigatória a apresentação do teste de ácido nucleico. Perante este cenário, o deputado quer saber se, alcançado o nível desejado de imunidade de grupo no território, o Governo está

RÓMULO SANTOS

C

OM o objectivo de acelerar a revitalização económica de Macau, Mak Soi Kun entende que o facto de começar a haver cada vez mais pessoas vacinadas contra a covid-19, tanto dentro de portas como no Interior da China, deve motivar a isenção de apresentar um resultado de negativo do teste de ácido nucleico ao cruzar a fronteira entre Macau e Zhuhai. Através de uma interpelação escrita, o deputado argumenta que, a juntar ao facto de, desde quarta-feira, ter deixado de ser obrigatório apresentar um teste à covid-19 para entrar nos casinos de Macau, o mesmo deveria acontecer para quem pretende entrar e sair do território a partir, ou para, Zhuhai. “Com o aumento da população vacinada nos dois territórios e o anúncio de que a entrada nos casinos não depende da apresentação de teste de ácido nucleico (…) Macau deve planear com a maior brevidade possível, as medidas de prevenção adequadas à revitalização da economia de Macau”. Até porque, acrescenta Mak Soi Kun, os residentes

política 7

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canal chinês da TDM-Rádio Macau, entre os membros responsáveis pela proposta estão Leonel Alves, Wan Nang Hon, Tina Ho, Wong Yue Kai, Chong Sio Kin e Ung Pui Kun. Adicionalmente, O Lam, também ela membro da CPPCC, defendeu a criação de um comité conjunto de inspecção sanitária entre as autoridades de Guangdong, Hong Kong e Macau com o objectivo de criar um ambiente empresarial mais atractivo para a realização de negócios.

Recorde-se que até às 18h00 da passada quarta-feira tinham sido inoculadas com a primeira dose da vacina contra a covid-19 em Macau, 17.071 pessoas, existindo, no total, 41.110 agendamentos para vacinação. Segundo um comunicado oficial divulgado no mesmo dia, o Centro de

Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus deixou um apelo a “todos os residentes” para tomarem a vacina, de modo a protegerem-se e protegerem os membros da sua família, “até criar uma barreira imunológica para proteger a sociedade de Macau”. Recordando que, apesar de “a vontade dos cidadãos de vacinação (...) não ser muito elevada”, os Servi-

ços de Saúde (SS) estão a organizar vários serviços governamentais, escolas, instituições de serviços sociais “para a vacinação colectiva”. De acordo com a mesma fonte, em termos de ocorrências, desde que foram disponibilizadas as vacinas em Macau foram registados nove “eventos adversos menores” tais como dor no local da inoculação, dor de cabeça e febre. Pedro Arede

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HM • 1ª vez • 5-3-21

ANÚNCIO Execução Ordinária

CV3-20-0105-CEO

3º Juízo Cível

- EXEQUENTE: LEI CHOI HONG, residente na Avenida Panorâmica do Lago Nam van, Edifício Lake View Mansion, Bloco I, 8º M em Macau.------------------------------------------------------ EXECUTADO: LAI, KA U, solteiro, residente na Rua de Luís João Baptista, 2-A, Edifício Yan Weng, r/c B em Macau. ----------------FAZ-SE SABER QUE por este Juízo, correm éditos de VINTE DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando os Credores Desconhecidos do executado, para no prazo de QUINZE DIAS, decorrido que seja o dos éditos, reclamarem o pagamento dos respectivos créditos pelo produto do direito de aquisição penhorado ao executado sobre que tenham garantia real. --------------------------------------------------------------------------------- Direito de aquisição da fracção autónoma designada por E18, do 18º andar E, para habitação, omisso na matriz, Freguesia de Nossa Senhora do Carmo (Taipa), do prédio descrito na Conservatória do Registo Predial sob o número 22792-I e pertencente ao executado LAI, KA U, conforme inscrição número 365372G. -----------------------------------------------------------------------RAEM, 24 de Fevereiro de 2021


8 sociedade

M

ACAU foi retirada do índice de liberdade económica da Heritage Foundation, uma medida justificada com a perda de autonomia face à China Continental. O “think tank” americano fez a mesma opção em relação a Hong Kong, indicando que a avaliação foi apenas feita em locais cujos governos detêm o controlo das políticas económicas.

HERITAGE FOUNDATION RAEM E HK EXCLUÍDAS DE ÍNDICE DE LIBERDADE ECONÓMICA

A perspectiva americana

Hong Kong já reagiu à exclusão. De acordo com o South China Morning Post, o secretário para as Finanças de Hong Kong disse que a mudança não se justifica e que a decisão foi afectada por “tendência ideológica” e “preconceito político”. “Não concordo que a nossa política económica tenha sido assumida pelo Governo Central”, afirmou Paul Chan Mo-po, que defendeu que a cidade ainda tem competitividade económica ao abrigo do princípio “um país, dois sistemas”.

TIAGO ALCÂNTARA

Apesar de reconhecer mais liberdade económica aos cidadãos de Macau e Hong Kong, a conservadora norteamericana Heritage Foundation decidiu retirar as duas regiões do índice de 2021 por entender que as suas políticas são controladas por Pequim. Singapura foi novamente classificada como a região com melhores resultados. Hong Kong já reagiu à classificação acusando a análise de estar minada de “preconceito político”

Singapura na liderança

O secretário para as Finanças de Hong Kong disse que a mudança não se justifica e que a decisão foi afectada por “tendência ideológica” e “preconceito político”

“Não há dúvida de que tanto Hong Kong como Macau, como Regiões Administrativas Especiais, desfrutam de políticas económicas que em muitos aspectos oferecem aos seus cidadãos mais liberdade económica do que a que está disponível ao cidadão comum da China, mas desenvolvimentos em anos recentes demonstraram inequivocamente que essas políticas são em última instância

DSSOPT QUATRO PROPOSTAS PARA OBRAS EM PASSAGEM SUPERIOR

A

Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transporte (DSSOPT) aceitou quatro propostas para as obras da passagem superior na Rua Sul Do Patane, que têm como objectivo melhorar a acessibilidade para pessoas com problemas de mobilidade. As propostas variam entre os valores de 4,8 milhões e 6,4 milhões de patacas, enquanto os prazos para a conclusão dos trabalhos prolongam-se entre 210 dias e 220 dias. A Companhia de Construção e Fomento Predial Lek Pou Wai apresentou o valor mais baixo para as obras, assim como o prazo,

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mas a proposta foi aceite de forma condicional.Aempresa precisa de apresentar “o curriculum vitae e fotocópias dos certificados de formação do pessoal responsável pela segurança do local da obra”. As restantes são da Sociedade de Construção e Engenharia Long Chon, Companhia de Construção e Engenharia Kwong Yu e do consócio Companhia de Construção Tin Jun e Companhia de Construção Urbana J & T. A Companhia de Construção Imobiliária Resoma viu a participação no concurso recusada, por ter deixado passar a hora limite.

controladas através de Pequim”, lê-se no documento. No ano passado, o “think tank” considerou Macau como uma região “maioritariamente livre”, ocupando a 35.ª posição do índice mundial. Na altura, a classificação do território desceu 0.7 pontos para 70.3, devido a um declínio da liberdade monetária, apontando deficiências no combate à corrupção e a “ausência de uma reforma regulatória séria” como

factores que impediam um maior crescimento e liberdade económica. A Heritage Foundation descreve que no futuro os desenvolvimentos em Macau e Hong Kong que forem relevantes para a liberdade económica vão ser tidos em conta no contexto da avaliação da China. No relatório de 2021, a China aparece na 107.ª posição (58.4 pontos) e ainda integrada na categoria “maioritariamente sem liberdade”.

A saída de Macau e Hong Kong do índice motivou uma descida da pontuação da liberdade económica da Ásia-Pacífico, já que ambas as regiões anteriormente tinham ficado classificadas acima da média. Singapura manteve-se no topo da tabela, com uma avaliação de 89.7, seguindo-se a Nova Zelândia e a Austrália. A sexta posição dos locais com maior liberdade económica é ocupada por Taiwan. A análise do “think tank” americano tem em consideração 12 factores: direitos de propriedade, eficiência judicial, integridade governamental, carga tributária, despesas governamentais, saúde fiscal, liberdades de negócio, trabalho, monetária, trocas comerciais, investimento e financeira. Note-se que a Heritage Foundation é da ala conservadora, e indica na sua página online que promove a defesa nacional e valores tradicionais americanos, enumerando princípios do conservadorismo como o direito à posse de armas. Salomé Fernandes

AMCM GOVPAY MOVIMENTOU CERCA DE 390 MILHÕES DE PATACAS EM 2020

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ADOS fornecidos pela Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) ao deputado Lam Lon Wai revelam que a plataforma GovPay movimentou, em 2020, cerca de 390 milhões de patacas, em resultado de 180 mil transacções. Um total de 26 serviços e organismos públicos recorreram a esta plataforma promovida pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). A resposta à interpelação escrita do deputado, assinada pelo presidente da AMCM, Chan Sau San, diz ainda que a DSF “vai continuar a promover a utilização do GovPay em diferentes serviços e organismos do Governo, além de negociar com

os diferentes operadores de instrumentos de pagamento”, a fim de “introduzir mais Instrumentos destes na plataforma do GovPay, incluindo os códigos bidimensionais aceites na plataforma SimplePay”. Quanto aos “requisitos relativos à supervisão de actividades de pagamento agregado”, no início de Fevereiro deste ano foi implementada a primeira fase do “pagamento agregado através da apresentação do QR Code do consumidor”, com o objectivo de "testar a capacidade do mercado e do sistema”. Este mês será lançado o “pagamento agregado efectuado através do scan do QR Code da empresa”, constituindo a segunda fase do sistema.


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IAS Mais de 9 mil pessoas com prova de vida por fazer

Até ao início do mês, 9.259 pessoas que vivem fora de Macau e recebem pensões os outros apoios sociais do Instituto de Acção Social (IAS) ainda não tinham feito a prova de vida. A informação foi divulgada ontem pelo IAS e entre as pessoas que ainda não realizaram a prova, 1.367 recebem subsídios ou apoios por invalidez. Já 7.892 são pessoas que se encontram a viver fora da RAEM. Segundo os dados divulgados, este ano há um total de 32.901 cidadãos que precisa de fazer prova de vida, entre os quais 14.637 recebem subsídios ou apoios por invalidez e 18.264 são pensionistas a viver fora da RAEM.

Acção Social Cerca de 130 funcionários vacinados

O Instituto de Acção Social (IAS) anunciou que cerca de 130 funcionários e trabalhadores de associações de cariz social tomaram ontem a vacina contra a covid-19. A comitiva de trabalhadores do instituto foi liderada pelo presidente do IAS, Hon Wai. “O IAS vai continuar a colaborar com os Serviços de Saúde para organizar sessões de vacinação para o sector de serviço social, para conveniência dos trabalhadores do serviço social e para encorajá-los a responder ao apelo do Governo, protegendo desta forma saúde dos mesmos e a grupos vulneráveis, reforçando assim a barreira contra a epidemia de Macau”, foi prometido em comunicado.

DSAL Inscrições para planos de formação subsidiada

Entre segunda-feira e 12 de Março estão abertas as inscrições para o “Plano de formação subsidiada orientada para o aumento das competências técnicas”, comunicou a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Este programa atribui 5.000 patacas a empresas ou funcionários, dependendo da situação laboral do trabalhador, quando este terminar a formação e concluir o exame. O organismo anunciou também o período de inscrições no “Plano de formação subsidiada orientada para a empregabilidade”, que decorrem de 15 a 19 de Março. Este apoio permite aos formandos receberem até 6.656 patacas de apoio à formação. Note-se que se registaram 700 inscrições na 6.ª ronda de formação subsidiada.

CPSP HOMEM EMBRIAGADO ATROPELADO ENQUANTO DORMIA NA VIA PÚBLICA

Acordar num pesadelo

Um homem com cerca de 40 anos foi atropelado na zona envolvente ao mercado do Iao Hon por um veículo particular, enquanto dormia no chão. De acordo com o CPSP, o condutor só se terá apercebido do sucedido após sentir uma oscilação inesperada no veículo. Apesar dos ferimentos, a vítima não corre perigo de vida

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UITO provavelmente, a sensação deve ter sido ser o equivalente a acordar para a realidade de um pesadelo doloroso. Um homem com cerca de 40 anos, alegadamente alcoolizado, que se encontrava a dormir na via pública junto a um parque de estacionamento destinado a motociclos, foi atropelado na passada quarta-feira, por volta das 2h00 da madrugada, por um veículo particular ligeiro na zona envolvente ao Mercado Municipal do Iao Hon, mais precisamente na Rua das Hortas. De acordo com informações do Corpo de Polí-

cia de Segurança Pública (CPSP) avançadas ontem pelo canal chinês da TDM – Rádio Macau, o ferido, que estaria embriagado, terá partido 12 costelas como resultado do incidente. Por seu turno, o condutor, que terá mais de 20 anos só se terá apercebido de que o homem estaria a dormir deitado na via pública, após o ter atropelado involuntariamente, quando procurava sair do lugar de estacionamento.

De acordo com informações enviadas ao HM pelo CPSP sobre o caso, o condutor apenas imobilizou o veículo após “ter sentido que a roda traseira externa do lado esquerdo do veículo passou por cima de um objecto estranho”. Depois de imobilizar o veículo a poucos metros da vítima, mal saiu do veículo, o condutor viu um homem deitado no chão do lado esquerdo do carro

O condutor apenas imobilizou o veículo após “ter sentido que a roda traseira externa do lado esquerdo do veículo passou por cima de um objecto estranho”

com marcas dos pneus no corpo, apercebendo-se, por fim, que tinha acabado de atropelar um homem. Na sequência do sucedido, o condutor tratou de chamar imediatamente a polícia.

Ileso e consciente

Ao chegar ao local, os agentes do CPSP verificaram que o homem que acabara de ser atropelado se encontrava alcoolizado, tendo de seguida sido transportado para o hospital. As autoridades procederam ainda à realização de um teste de alcoolemia ao condutor do veículo que, no entanto, não viria a acusar a presença de álcool no sangue.

Segundo a mesma fonte, como resultado do incidente, e prestada a assistência médica hospitalar, o homem atropelado não corre perigo de vida, acabando os ferimentos por se materializarem em 12 costelas partidas. Adicionalmente, durante o transporte até ao hospital, o homem esteve sempre consciente, assegurou o CPSP ao HM. Questionado sobre se o condutor incorre nalgum de responsabilidade penal, o CPSPremeteu para o facto de o relatório sobre a ocorrência não fazer qualquer referência dessa natureza. Pedro Arede


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A exaustão q

ARTE LUCIANO HO, O ESCRITOR E PERFORMER QUE FALA DO CANSAÇO EXTREMO DOS PROFESSORE

Luciano Ho foi um do edição do Festival In zado pelo Armazém d músico, escritor e perf expressões artísticas u foco na área do ensino

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O chão formam-se linhas, e o corpo vai-se enchendo de folhas até não se poder mexer mais. É esse o sinal de um cansaço extremo, uma metáfora da exaustão mental que muitos docentes sentem no seu trabalho na sala de aula e fora dela e sobre o qual pouco se fala na sociedade de Macau. É assim o espectáculo protagonizado por Luciano Ho, o artista de Macau que participou na última edição do Festival Internacional de Artes Performativas, organizado pelo Armazém do Boi. Artista multifacetado, Luciano Ho é também cronista do jornal chinês All About Macau, onde escreve sobre esta noção de “emoções no trabalho” e músico. Licenciado em literatura chinesa em Taiwan, Luciano Ho chegou a dar aulas e foi aí que se deparou com um tema pouco abordado nos dias que correm, apesar de tão real.

“TÊTE-À-TÊTE” JOSÉ DRUMMOND CONVERSA ONLINE COM NICOLÁS DUMIT

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segunda edição da iniciativa “Tête-à-Tête”, promovida pelo artista José Drummond e apoiada pela associação local BABEL acontece no próximo dia 18 de Março, desta vez com o artista multidisciplinar Nicolás Dumit Estéves Raful Espejo. A conversa, que acontece via Zoom, será em inglês com tradução em chinês e as inscrições podem ser feitas através do email josedrummond. studio@gmail.com.

Esta conversa visa mostrar ao público o trabalho do artista que participa a partir do seu estúdio no Bronx, em Nova Iorque. Nicolás Dumit percorre um “caminho onde se manifesta a si próprio de uma forma performativa através de experiências criativas que ele revela através do quotidiano”. O artista já expôs no Queens Museum, MoMA e Lower Manhattan Cultural Council, entre outros locais. Nascido na República

Dominicana, é também o director e fundador do The Mangú Museum. José Drummond, artista português radicado em Xangai e com uma forte ligação a Macau, decidiu começar a promover estes encontros online onde o trabalho de outros artistas é revelado. O apoio da BABEL acontece tendo em conta a sua missão de promover “a investigação e oportunidades de aprendizagem nas áreas da arte

contemporânea, arquitectura e ambiente”. A associação considera-se como “um museu sem paredes” e visa “trabalhar entre culturais e de forma multidisciplinar”. “Para atingir os seus objectivos a BABEL estabelece parcerias regionais e internacionais com instituições com mérito cultural e educacional”, aponta um comunicado.

INSTITUTO CULTURAL NOVAS SESSÕE DE DOCUMENTÁRIO SOBRE CINEMA D

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Cinemateca Paixão vai voltar a exibir o documentário do Instituto Cultural (IC) que conta a história do cinema de Macau, intitulado “Interpretação das Imagens”. O público poderá, assim, ver ou rever o documentário entre os dias 23 de Março e 9 de Maio, em diferentes horários, uma vez que todas as sessões já estão com lotação esgotada. O documentário é dirigido por Lao Keng U e reúne vários profissionais do sector cine-

matográfico e televisivo local, retratando, através de entrevistas com historiadores e profissionais do sector, as peripécias que compõem a história centenária do sector do cinema, assim como o percurso histórico de evolução das salas de cinema da região. Cada sessão tem uma lotação máxima de 27 pessoas, sendo que os interessados podem inscrever-se online no website www.icm.gov.mo/ eform/event. Além da exibição


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que não se vê

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os artistas de Macau que participou na última nternacional de Artes Performativas, organido Boi. Cronista do jornal All About Macau, former, Luciano Ho deposita em todas as suas uma única ideia: as emoções no trabalho, com o e tendo como base a sua experiência pessoal “Nestes dois anos tenho vindo a estudar um projecto por mim próprio, tentei escrever artigos, romances e performances para deixar as pessoas conhecer o meu trabalho. Nestes dois anos tenho vindo a estudar sobre o termo emoções no trabalho, sobretudo aplicado aos professores de Macau.”

“O trabalho mental não pode ser quantificado, mas existe.” Luciano Ho considera que as gerações anteriores não entendem a exaustão mental que existe em muitos trabalhos em Macau. “A maior parte dos nossos pais têm um trabalho físico, ou tiveram, nas fábricas ou na construção civil. Os meus pais não sabiam porque é que

ES PARA EXIBIÇÃO DE MACAU do documentário, decorre em simultâneo uma exposição sobre o sector cinematográfico de Macau que combina materiais físicos e visuais nos números 9 e 11 da Travessa da Paixão. Com esta mostra, dá-se a conhecer “os indivíduos, episódios e objectos dos bastidores do cinema que impulsionaram o desenvolvimento deste sector, apresentando a história da evolução do cinema e das suas figuras incontornáveis ao longo do século passado”.

estava cansado quando era professor, porque só tinha de falar com os alunos. O trabalho mental não pode ser quantificado, mas existe.” Na opinião do artista, o conceito de emoções no trabalho “aparece em qualquer área do nosso dia-a-dia”. “Não vejo este tema nos jornais ou em qualquer outra área da nossa sociedade. Qualquer professor depois do seu trabalho sente-se muito cansado”, frisou. Luciano Ho confessou que muitos dos seus amigos se identificaram com o que viram em palco. “Alguns dos meus amigos, que são professores, viram a minha performance e sentiram aquilo que faço, compreenderam. Sentiram-se tocados por aquilo que fiz.”

Novo livro na calha

Além dos estudos na área da literatura, Luciano Ho está a frequentar um mestrado em administração pública

na Universidade de São José. Depois de escrever no All About Macau, prepara-se para publicar um novo livro de ficção, intitulado “Classes Do Not Dismiss”, cujo tema central é também as emoções no local de trabalho. “Quando comecei o meu romance não tinha nenhum plano de o vender, de o transformar em livro. Só queria publicar no All About Macau, ter uma coluna de opinião que servisse de teste ou experiência para o conceito de emoções no trabalho, para que mais pessoas tivessem conhecimento deste termo.” Luciano Ho não sabe quando vai sair o seu novo livro, mas assume que não é fácil publicar em Macau. “O mercado editorial em Macau é pequeno e é difícil vender, e também chegar ao mercado chinês. O nosso mercado é muito mais fraco do que o mercado chinês. O mercado editorial em Portugal, por exemplo, é muito diferente do nosso.” Apesar de apostar na literatura e na performance para abordar a temática da exaustão mental no trabalho, o artista promete apostar noutras formas artísticas para explorar este tema. "Estou satisfeito por poder fazer as minhas performances e talvez use outra forma para mostrar este conceito, como teste”, concluiu. Andreia Sofia Silva

BERLIM CURTA-METRAGEM "NANU TUDOR" DE OLGA LUCOVNICOVA VENCE URSO DE OURO

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filme "Nanu Tudor", da realizadora moldava Olga Lucovnicova, coproduzido pela Universidade Lusófona, venceu o Urso de Ouro de melhor curta-metragem

do Festival de Cinema de Berlim, foi ontem anunciado. "Nanu Tudor" ("O meu tio Tudor", em tradução livre) é um documentário de vinte minutos produzido no contexto académico do programa europeu de mestrado DocNomads, do qual Portugal faz parte, através da Universidade Lusófona, juntamente com a Hungria e a Bélgica. O filme, que teve estreia mundial esta semana no festival de Berlim, arrecada o prémio principal da competição

de curtas-metragens, com o júri a sublinhar a coragem e a mestria com que a realizadora Olga Lucovnicova filmou "a complexidade de um trauma de infância". Olga Lucovnicova nasceu em 1991, na Moldávia, onde estudou cinema. Recebeu depois uma bolsa de estudo para o programa de mestrado em documentário DocNomads, parceria entre Bélgica, Hungria e Portugal. A realizadora é autora de outras quatro curtas-

-metragens, que conjugam "um estilo puramente observacional com elementos poéticos, focados nas emoções humanas", lê-se na biografia apresentada pela Berlinale. Na competição de curtas-metragens do festival de Berlim estava também o filme "Luz de Presença", do realizador Diogo Costa Amarante. O realizador português voltava, assim, a ter uma obra em competição na Berlinale, quatro anos depois de ter

recebido o Urso de Ouro de melhor curta-metragem por "Cidade Pequena", em 2017. O 71.º festival de cinema de Berlim decorre esta semana, em modo virtual, com a programação a ser desvendada apenas a profissionais, estando as sessões com público adiadas para junho, por causa da pandemia da covid-19. Asegunda parte do festival, com a programação oficial a ser exibida em sala e com público, está marcada para os dias de 9 a 20 de Junho.


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CHINA-PORTUGAL ZHAO BENTANG É O NOVO EMBAIXADOR EM LISBOA

Saudações cordiais

Com a saída de Cai Run, Zhao Bentang passou a assumir funções como embaixador da China em Portugal desde o dia 27 de Fevereiro. Esta terça-feira apresentou as credenciais a Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República portuguesa

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recém-nomeado embaixador chinês em Portugal, Zhao Bentang, apresentou as suas credenciais ao Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa esta terça-feira, noticiou o jornal Diário do Povo. Zhao Bentang assume funções como embaixador desde o passado dia 27 de Fevereiro em substituição de Cai Run. Marcelo Rebelo de Sousa pediu ao novo embaixador para transmitir suas sinceras saudações ao Presidente Xi Jinping, tendo lembrado que a amizade entre Portugal e a China tem uma longa história. Nos últimos anos a cooperação entre as duas nações saiu reforçada, com destaque para a visita de

Xi Jinping a Portugal, em 2018, e a visita de Marcelo Rebelo de Sousa à China, em 2019. O embaixador Zhao transmitiu as saudações cordiais e os melhores votos do Presidente Xi Jinping ao presidente Rebelo de Sousa, ao Governo e ao povo português. Zhao disse que nos últimos 40 anos, desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e Portugal, que as relações entre os dois países sempre mantiveram um bom ritmo de desenvolvimento.

Boas relações

Zhao Bentang promete dar o seu melhor como embaixador, além de cumprir os seus deveres para promover um maior desenvolvi-

mento das relações sino-portuguesas e uma maior cooperação, escreveu o Diário do Povo. O seu antecessor, Cai Run, assumiu funções em Agosto de 2015. No passado dia 28 de Novembro, o ex-embaixador publicou um artigo de opinião no jornal português Público onde fez as suas despedidas. “Desde que assumi a missão como embaixador da China em Portugal já passaram mais de cinco anos. Nestes anos de trabalho e de vida em Portugal tive o prazer de fazer uma amizade genuína e profunda com amigos portugueses dos mais diversos círculos”, apontou. Cai Run destacou também que, nos últimos “sob a condução e promoção

MARTE NOVAS IMAGENS DA TIANWEN-1

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Administração Espacial da China divulgou ontem novas imagens de Marte, capturadas pela sonda Tianwen-1, que entrou na órbita do planeta vermelho em Fevereiro, estando prevista a colocação de um veículo robotizado na superfície marciana em Maio. As autoridades divulgaram três fotografias, duas delas pancromáticas, capturadas com uma câmara de alta resolução, e tiradas de uma distância de entre 330 e 350 quilómetros acima da superfície de Marte, informou a cadeia televisiva estatal CCTV.As imagens mostram a superfície do planeta e a sua morfo-

logia, incluindo pequenas crateras, cristas e dunas. O diâmetro da maior cratera registada nas imagens é de cerca de 620 metros, acrescentou a agência noticiosa oficial estatal Xinhua. Uma terceira imagem a cores, também divulgada ontem, foi tirada por uma câmara de média resolução e captura a região do polo norte do planeta vermelho. A Tianwen-1, que integra um módulo de pouso e um ‘rover’, é a primeira missão de exploração da China a Marte e a primeira a combinar viagem, entrada em órbita e descida numa única missão. A China pode agora tornar-se o terceiro país a aterrar um ‘rover’ no solo de Marte, décadas depois de os Estados Unidos e da antiga União Soviética. O módulo planeia pousar em maio próximo no Utopia Planitia, no hemisfério norte de Marte, e descer um veículo para explorar aquela área durante três meses. O custo da missão está estimado em cerca de 8.000 milhões de dólares.

dos líderes dos dois países, devido aos esforços conjuntos das partes chinesa e portuguesa, e com a participação activa dos amigos dos mais diversos âmbitos dos dois países, a Parceria Estratégica Global China-Portugal vem apresentando grande vigor e vitalidade”. Além disso, “a cooperação pragmática nos mais amplos domínios entre os dois países ao abrigo de ‘Uma Faixa, Uma Rota’ tem registado resultados frutíferos”, acrescentou no artigo. Na cerimónia de terça-feira Marcelo Rebelo de Sousa recebeu também as credenciais do Embaixador da Índia, Manish Chauhan e do Embaixador da Bulgária, Ivan Anguelov Naydenov.

HK Morte não está relacionada com vacina

Especialistas médicos disseram esta quarta-feira que a morte de um homem com doença crónica não está directamente ligada à vacina contra a covid-19 que lhe foi administrada dois dias antes do seu falecimento. Segundo a Xinhua, o comité de especialistas em avaliação de eventos clínicos de Hong Kong realizou uma reunião no mesmo dia para discutir a morte do homem. Ivan Hung, coordenador do comité, disse que o painel concordou por unanimidade que a morte do homem não está directamente ligada à vacina, tendo sido causada provavelmente por doença coronária. O homem de 63 anos, que sofria de diabetes, hipertensão, hiperlipidemia e obesidade, morreu por volta das 6h00 de domingo, poucas horas depois de ter sido internado num hospital com falta de ar. Recebeu a primeira injecção da vacina na sexta-feira. Hung disse que o comité vai continuar a analisar as causas da morte do homem e irá divulgar todos os detalhes depois de receber o relatório da autópsia.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu ao novo embaixador para transmitir suas sinceras saudações ao Presidente Xi Jinping, lembrando que a amizade entre Portugal e a China tem uma longa história

CONSELHO DE ESTADO MAIS DE 12 MIL PROPOSTAS DE MEMBROS DA APN E CCPPC

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Conselho de Estado chinês recebeu, o ano passado, cerca de 12 mil propostas dos delegados da Assembleia Popular Nacional (APN) e dos membros da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Todas foram “devidamente consideradas”, disse Shou Xiaoli, porta-voz do Conselho de Estado, citada pelo Diário do Povo. “Em 2020 o Conselho de Estado da China tratou de 8.108 propostas de deputados da APN e 4.115 de conselheiros do Comité Nacional da CCPPC, respondendo por 88,3 e 84,9 por cento do total de propostas, respectivamente”, adiantou. Shou Xiaoli referiu ainda que foram adoptadas cerca de 3.700 sugestões e introduzidas cerca de 1.500 políticas e medidas de promoção do alívio da pobreza, sistemas de gestão de emergência de saúde pública foram melhorados e foram resolvidos problemas de garantia de subsistência da população. Liu

Zhao, vice-ministro de Segurança Pública da China, referiu que, em 2020, o Ministério de Segurança Pública encarregou-se de um total de 683 propostas da APN, sendo que todas serão concluídas dentro dos limites de tempo impostos. “Em 2020 o Ministério da Segurança Pública levou a cabo 153 propostas envolvendo a gestão da segurança rodoviária, respondendo por 22,5 por cento do total. Entre elas, problemas como a gestão de veículos e motoristas, gestão de bicicletas eléctricas e outros aspectos são mais concentrados”. Em relação à gestão de veículos e motoristas, por exemplo, o Ministério da Segurança Pública implementou 19 reformas em 2020, com base nas 36 medidas de reforma anteriores. O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China tratou de 1.545 propostas em 2020.


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NTES da presença habitual de pilotos provenientes de Portugal no Grande Prémio, algo que aconteceu pela primeira vez em 1986, existiam dois pilotos lusófonos que somavam vitórias nas corridas de motos do Grande Prémio: Belmiro Aguiar de Macau e Mike Silva de Hong Kong. Se o macaense cedo se dividiu entre as corridas de duas e quatro rodas, o português residente na antiga colónia britânica teve uma longa carreira no motociclismo, incluindo participações em vários grandes eventos internacionais, como Ilha de Man TT, North West 200, Grande Prémio da Malásia, Grande Prémio de Penang, para além de provas nas Filipinas, Tailândia e Hong Kong. O Grande Prémio de Macau de Motos nasceu em 1967 e quatro anos depois, em 1971, foi realizada a primeira corrida de apoio para motos, chamada de “Corrida de Motocicletas (Handicap)”. Esta tradição de ter mais que uma corrida de motos no programa durou até 2003, ou 2007 se contarmos com as cinco edições da corrida das scooters. O ano passado, quando ficou claro que as estrelas internacionais de “Road Racing” não iriam visitar Macau, a possibilidade de realizar uma corrida de motos para os pilotos da região não terá sido sequer colocada em cima da mesa. Estas corridas de suporte permitiam aos pilotos das motos locais ganharem experiência no Circuito da Guia antes de competirem com os “gigantes” no Grande Prémio de Motos. Com a regulamentação da prova a apertar, a presença dos pilotos locais das motos no evento desapareceu. Aqui e ali, ouvem-se vozes a pedir que estas corridas se voltem a realizar. Mike Silva considera que “seria bom”, mas admitiu ao HM que “é algo que não acontece há muito tempo. Penso que actualmente não haverá um número suficiente de novos e bons pilotos, de Macau e de Hong Kong, para fazer uma boa corrida”. O ex-piloto português, que corria com a licença desportiva de Hong Kong, acredita que “talvez existam bons pilotos nas provas de mini-motos de Macau - pilotos oriundos de Hong Kong, de Macau e da China - e alguns que correm em provas no circuito de Zhuhai.

GRANDE PRÉMIO EX-MOTOCLISTA MIKE SILVA É A FAVOR DE UMA ACADEMIA PARA JOVENS LOCAIS

Novos desafios

O Grande Prémio de Macau de 2020 foi o primeiro em cinquenta e três anos sem corridas de motos no programa. Para o retirado piloto local Mike Silva, que nos anos 1970s e 1980s venceu por várias ocasiões no Circuito da Guia, os tempos agora são outros e para trazer novos talentos locais para motociclismo são precisas várias iniciativas com apoio das entidades oficiais Contudo, num circuito de estrada difícil e de elevadas velocidades como o Circuito da Guia, o desafio é totalmente diferente”.

Mudam-se os tempos…

Retirado das lides, o ainda residente de Hong Kong reconhece que os tempos mudaram e o risco dos desportos motorizados é agora visto doutra forma pela sociedade. “As gerações mais novas são mais protegidas pelas suas famílias e têm

menos desportos e hobbies perigosos à sua disposição”. Por outro lado, a evolução espectacular da tecnologia, aliada aos progressos feitos em termos de segurança, trouxe consigo uma outra realidade. “O custo da preparação das motos de corridas é hoje muito mais oneroso, comparado com o que era antes”.

Academia para jovens era um bom começo

Com os critérios de selecção a serem ainda mais rigoro-

sos, desde 2012 que não há pilotos de motociclismo da RAEM no Circuito da Guia. Para contornar este cenário que não deverá sofrer alterações nos próximos anos, Mike Silva considera que é preciso implementar uma série de iniciativas com o aval do poder de decisão. “Seria necessário o apoio dos organismos oficiais, como a HKAA ou o AAMC, apoio dos importadores de motos e bons patrocinadores”, explica Mike Silva.

“Uma Academia de Corridas de Motociclismo para jovens talentos deveria ser montada. Uma classe de 300cc e organizado um troféu monomarca, similar à Asia Talent Cup, em vários e diferentes circuitos, permanentes ou citadinos”. “Uma Academia de Corridas para a nova geração de pilotos seria benéfico”, reconhece o ex-piloto do Grande Prémio de Motos de 1975 a 1985. “Deve existir um objetivo de fazer com que alguns dos melhores pilotos locais participem e ganhem em campeonatos ou séries internacionais de renome”.

Currículo invejável

Mike Silva foi uma presença habitual nas corridas de suporte de motos do Grande Prémio de Macau entre 1974 a 1989. O motociclista português venceu a Corrida de Iniciados em 1974 e depois de três subidas ao pódio na corrida dos Seniores, Mike Silva voltou a vencer no Circuito da Guia em 1981, precisamente na corrida dos Seniores. No seu currículo ainda consta um nono lugar à geral no Grande Prémio de Motos, em 1981, e um terceiro lugar na corrida de Superbikes, também conhecida por Corrida de Motociclos Senior, de 1987.

“Uma Academia de Corridas de Motociclismo para jovens talentos deveria ser montada. Uma classe de 300cc e organizado um troféu monomarca, similar à Asia Talent Cup, em vários e diferentes circuitos, permanentes ou citadinos.” MIKE SILVA PILOTO LOCAL RETIRADO

“O Circuito da Guia é o meu favorito. É a minha corrida caseira”, relembra o ex-piloto da Suzuki e Yamaha. “Todos os anos no final do Grande Prémio, não podia esperar pelo ano seguinte. Alguns anos, nem toquei na mota durante o ano todo, devido compromissos no trabalho e família, mas tão ansioso de voltar a pilotar e correr de mota em Macau que lá ia eu. Era incrível”. Sérgio Fonseca


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Banalidades de base (1985) STEWART HOME

(tradução de Emanuel Cameira) No Ocidente, o tempo sempre foi linear. Contudo, é preciso esperar até à revolução burguesa do século XVIII para que se lhe associe uma noção dinâmica de progresso. Mal a burguesia se instalou no poder, os efeitos de tal ligação fizeram sentir-se em todas as áreas da vida. Nas artes, teve isso tradução numa fetichização da “originalidade” na forma de inovação estilística. O resultado foi que o racionalismo do século XVIII tornou-se o romantismo do século XIX que, por sua vez, tornou-se o modernismo do século XX. Convém sublinhar que estas “inovações” sempre foram de estilo e nunca de conteúdo. Ou seja, foram essencialmente ocas e, sob as aparências de superfície, não houve nenhuma mudança. Tendo olhado para as categorias num sentido lato, voltaremos a nossa atenção para as subdivisões elaboradas pelos historiadores de arte, com as quais ganham a vida. A primeira subdivisão modernista com algum relevo é o futurismo, que foi essencialmente uma fusão do cubismo com o expressionismo e com as ideias de Alfred Jarry. A obsessão futurista com o choque, a originalidade e a inovação celebra o movimento como um produto típico da sociedade burguesa. Era absolutamente natural que os futuristas desenvolvessem, a partir de tais critérios, o amor pela velocidade, pelas máquinas e pela guerra. Devido à exigência burguesa de uma contínua, pseudo-mudança, o futurismo foi rapidamente superado pelo dadaísmo enquanto força artística. O dadá foi basicamente o futurismo com algo mais: mas onde o futurismo equilibrou os seus aspectos negativos com a crença no progresso tecnológico, o dadaísmo abraçou uma pespectiva totalmente niilista. A negação niilista atingiu o seu auge com o Clube Dadá, em Berlim – após o qual o seu niilismo foi negado pelos dadaístas parisienses, que o rebaptizaram de surrealismo. Os surrealistas alcançaram a sua negação do niilismo dadaísta racionalizando o irracional com fragmentos mal-digeridos do marxismo-leninismo e da psicanálise freudiana. Onde o dadá havia destruído a linguagem da alienação elaborada por Sade, Lautréamont e Rimbaud – o surrealismo ergueu esses pornógrafos da alma humana como libertadores do desejo reprimido. À medida que o surrealismo se transformou em academicismo, foi substituído por novos grupos de vanguardistas. O primeiro deles, o Movimento Letrista, foi fundado em 1946 por Isidore Isou – um romeno a viver em Paris. Os Letristas identificaram a criatividade como o impulso humano essencial e, em seguida, definiram-na apenas em termos de originalidade. Inicialmente, os seus interesses eram literários e assemelhavamse a obras menores de poesia concreta. Isou acreditava que havia substituído todas as estruturas estéticas e ressistematizado as ciências da linguagem e do signo numa única disciplina a que chamou “hipergrafologia”. Os Letristas de esquerda, liderados por Guy Debord, interromperam uma conferência

de imprensa de Charles Chaplin no Hotel Ritz de Paris, no Verão de 1952. Isou denunciouos nos jornais, o que resultou no corte da ala esquerda com o corpo principal do movimento, renomeando-se como Internacional Letrista e emitindo o seu próprio boletim “Potlatch”. As principais actividades da Internacional Letrista eram a “deriva” e a “psicogeografia”. A primeira consistia em deambular pela cidade seguindo as condições impostas pela arquitectura. Foi uma tentativa de encontrar tipos de arquitectura desejados inconscientemente. A psicogeografia era o estudo e a correlação do material obtido a partir da deriva. Foi usado para traçar novos mapas emocionais de áreas existentes e planos para cidades utópicas.

Da esquerda para a direita, os fundadores da IS em Cosio di Arroscia (Itália, 1957): Giuseppe Pinot-Gallizio, Piero Simondo, Elena Verrone, Michèle Bernstein, Guy Debord, Asger Jorn e Walter Olmo.

Embora o Movimento Letrista fosse principalmente um fenómeno literário e a Internacional Letrista se preocupasse sobretudo com o urbanismo, existiam outros grupos cuja energia se concentrava na pintura. COBRA foi um desses movimentos, formado em 1948 pelo Grupo Experimental Holandês, o grupo dinamarquês Spiralen e o belga Bureau Internationale du Surréalisme Révolutionnaire. O trabalho do COBRA foi uma reacção europeia ao Expressionismo abstracto. O movimento durou três anos e foi parcialmente reconstituído quando Asger Jorn, um ex-membro, fundou o Movimento Internacional para uma Bauhaus Imaginista, em 1953. Jorn foi apoiado na formação da Bauhaus Imaginista – que foi criada em oposição à Nova Bauhaus, de Max Bill – por Enrico Baj que, à época, era o principal farol do Movimento de Arte Nuclear. A Arte Nuclear foi fundada, em 1951, por Baj e Sergio D’Angelo. Os seus membros provinham de vários grupos italianos de vanguarda, incluindo o MAC, o T e o Grupo 58. Também incluiu como membros, ou colaboradores próximos, ex-futuristas, dadaístas e surrealistas (por exemplo, Raoul Hausmann). Entre 1953 e 1956, não parece haver uma distinção clara entre a filiação na Bauhaus Imaginista e na Arte Nuclear. E a adesão parece ser a única coisa que diferenciou a Arte Nuclear e

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os Espacialistas – um grupo milanês que, tal como o COBRA e os Artistas Nucleares, experimentava um estilo europeu de pintura abstracta. Em Setembro de 1956, realizou-se uma conferência em Alba, Itália, para reunir membros da vanguarda europeia. Na realidade, isso significava membros da Internacional Letrista, da Arte Nuclear e do Movimento Internacional para uma Bauhaus Imaginista. Antes do início da conferência, deu-se o rompimento com o representante belga Christian Dotremont, ex-surrealista e antigo membro do COBRA. Enrico Baj foi excluído no primeiro dia e a conferência confirmou a cisão com os Nuclearistas. A reunião deu azo a um acordo que serviu de base para a unificação, em 1957, da Internacional Letrista e da Bauhaus Imaginista. Os grupos amalgamados adoptaram o nome Internacional Situacionista. A Arte Nuclear, assim como o Movimento Letrista de Isou, continuaram a desenvolver as suas próprias teses e ignoraram a formação da Internacional Situacionista (IS). Na verdade, 1957 – o ano de fundação da IS – mostrou o momento alto das actividades dos Nuclearistas. Foi nessa altura que publicaram o seu manifesto Contra o Estilo, cujo signatários incluíam Piero Manzoni, Yves Klein e pelo menos um membro do Colégio de Patafísica. O manifesto postulou que toda a invenção se transforma em convenção: é imitada por razões puramente comerciais, razão pela qual devemos iniciar uma vigorosa acção anti-estilística em prol, permanentemente, da “outra” arte. Concluiu que o Impressionismo ajudou a pintura a livrar-se do tema convencional; mais tarde, o cubismo e o futurismo eliminaram a necessidade de reproduções realistas dos objectos; e a abstracção, finalmente, aboliu os últimos traços da ilusão representacional. Um novo – e derradeiro – elo completa hoje esta cadeia: nós, pintores nucleares, denunciamos, a fim de a destruir, a última convenção, o ESTILO. Em Março de 1962, a Internacional Situacionista dividiu-se em duas facções. A maioria dos Situacionistas estabelecidos na Europa do Norte – pouco mais de metade dos membros do movimento – romperam com a facção de língua francesa e formaram a Segunda Internacional Situacionista. Aqueles cujas actividades estavam centradas em Paris responderam “excluindo” do “seu” grupo os norte-europeus e tornaram-se – com efeito – uma organização periférica, à margem da extrema-esquerda francesa. Apoiando-se teoricamente em Paul Cardan, Henri Lefebvre e na Escola de Frankfurt, este agrupamento desenvolveu uma política baseada no conceito de “Espectáculo”. A ideia de que, sob o Capital, o consumidor é reduzido ao nível de um espectador passivo que observa a vida ao invés de participar nela. O Espectáculo é simultaneamente tratado como fenómeno generalizado e localizado. Ao oferecerem uma série de descrições coincidentes mas dificilmente padronizáveis, os Situacionistas Franceses foram incapazes de chegar a uma uniformização da sua construção teórica. Analisaram os vários movimentos do Espectáculo sem demonstrar qualquer relação entre eles. Felizmente, o tombo teórico daí resultante contaminou apenas uma muito pequena parte do movimento revolucionário. Tradução de: Home, Stewart (1985), “Basic Banalities”, in Home, Stewart (ed.), What is Situationism? A Reader, 1996, Edinburgh/San Francisco, AK Press, pp. 103-106.


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entre oriente e ocidente

GONÇALO M. TAVARES

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

Notícias do céu e da terra (intervalo) 1. Uma notícia terrível: “Falta de comida leva ursos a atacar túmulos na Rússia.” 2. Os ursos são animais que parecem quase peluches para meninos ingénuos quando estão deitados ou sentados em modo paxá de preguiça, mas subitamente assustam, e muito, quando se levantam mesmo que em modo meio desastrado e trôpego como quem acabou de dormir seis meses seguidos devido ao cansaço ou à pura indiferença em relação ao mundo. São, então, nessa altura, quando se levantam, os bípedes - mesmo que temporários - mais largos que existem; pelo menos na psicologia humana, porque transformam todo o seu peso de quilos em peso que ameaça dar o abraço de que tanto se sente falta nestes dias, mas não assim - um abraço de urso de onde não se regressa, quase semelhante a um abraço de despedida entre dois humanos que sabem que jamais se irão ver de novo. Com o urso a síntese é esta: ele dá um abraço a um moribundo e o moribundo és tu. 3. A largura e o comprimento não são apenas uma questão métrica e quantitativa. A largura de um urso é dez vezes maior do que a sua largura medida por fita amarela e métrica. Um urso aumento de potência e envergadura pelo susto que provoca em ti o puro pensamento nele. O tamanho da ameaça do mundo depende do teu medo, claro. O susto aumenta, portanto, a largura, o comprimento e a altura do mundo que nos amedronta. 4. Há muitas notícias, no céu e na terra. Uma do céu, para compensar: “Uma equipa de cientistas usou um pequeno foguete lançado pela NASA para estudar a natureza de um tipo indescritível de nuvens que brilham no escuro, criando uma artificialmente.” Nuvens que iluminam a noite, “nuvens mesosféricas polares” que “se formam no final da primavera e no verão nos polos norte e sul”. A natureza faz o que alguns poemas românticos anunciavam séculos atrás. Imagino uma noite em que uma nuvem ilumina os passos de alguém, luz natural e nómada que não deixa os meninos, nem os humanos desesperados, demasiadamente no escuro. De noite, as nuvens salvam.

ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES

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XUNZI

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ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

O Enriquecimento do Estado

Nos seus ensinamentos, Mozi preocupa-se declaradamente com [o problema da] insuficiência de todo o mundo. Contudo, a insuficiência não é o desastre comum que aflige o mundo. Trata-se apenas de uma preocupação pessoal de Mozi e do seu entendimento erróneo. A forma como o solo dá à luz os cinco cereais é tal que se for bem cultivado um só mu1 de terra dará vários alqueires e, no espaço de um só ano, é possível obter duas colheitas. Além destes, os melões, pêssegos, tâmaras e ameixas serão em tal quantidade que, de uma só planta, se pode contar a colheita em alqueires e selhas. Além destes, os legumes e vegetais poderão mesmo invadir os pântanos. Além destes, os seis animais domésticos e outro gado serão tão numerosos que, numa só estação, encherão todas as carruagens disponíveis. Se as tartarugas, lagartos, peixes e enguias derem à luz na altura certa, numa só estação formarão vastas populações. Além destes, as aves do ar, os patos e gansos poderão ser em tal número que parecerão como nuvens de fumo no céu. Além destes, os insectos e a miríade de outras criaturas ocuparão o restante espaço. Entre eles, os comestíveis são incontáveis. Assim, o modo como o Céu e a Terra engendram a miríade de coisas é tal que existe, originariamente, uma abundância suficiente para alimentar as pessoas. As plantas fibrosas, a seda e as penas, as peles, os dentes e as conchas dos animais são, originariamente, em abundância suficiente para vestir as pessoas. Por isso, a questão da abundância ou insuficiência não é o desastre comum que aflige o mundo. Tal não passa de uma preocupação pessoal de Mozi e do seu entendimento erróneo.

Ao invés, o desastre comum que aflige o mundo é o facto do caos o afectar. Por que não investigarmos juntos o que o torna caótico? Para mim a rejeição da música por Mozi causará caos no mundo e a sua defesa de gastos frugais causará o empobrecimento do mundo. Esta não é uma tentativa de o caluniar. Passa-se apenas que os seus ensinamentos conduzem, inevitavelmente, àqueles resultados. Se, no seu auge, Mozi tivesse dominado o mundo inteiro, ou pelo menos um só estado, teria causado desconforto às pessoas, fazendoas usar roupas ásperas e comer má comida e, mesmo que estivessem tristes, lhes teria negado a música. Assim sendo, o estado estaria faminto. Se o estado ficasse faminto, então não conseguiria satisfazer os desejos das pessoas e, não podendo satisfazer os desejos das pessoas, as recompensas deixariam de funcionar. Se, no seu auge, Mozi tivesse dominado o mundo inteiro, ou pelo menos um só estado, reduziria o pessoal e o número de oficiais. Elevaria e olharia como meritórios os trabalhos laboriosos e amargos, dividindo com igualdade o trabalho entre

PARTE V

os plebeus e fazendo iguais todos os méritos do labor. Assim sendo, o estado deixaria de inspirar temor e, não inspirando temor, os castigos não funcionariam. Quando as recompensas não funcionam, os meritórios não conseguem progredir; se os castigos não funcionam, não é possível livrar-se dos não meritórios. Se os meritórios não conseguem progredir e não é possível livrar-se dos não meritórios, então os capazes e os incapazes não poderão receber os cargos que lhes competem. Assim sendo, a miríade de coisas perderia aquilo que lhe é próprio. Em cima, perder-se-iam as estações do Céu; em baixo, perder-seiam os benefícios da Terra e, no meio, perder-se-ia a harmonia entre a humanidade. Nesse caso, o mundo inteiro pareceria como que queimado ou ardido. Então, se Mozi tentasse resolver o problema pelo uso de roupas ásperas, com uma corda por cinto, comendo apenas sopa de feijão e bebendo somente água, como faria as coisas suficientes? Na verdade, teria já ferido a raiz das coisas e secado a sua fonte, de modo a que todo o mundo fosse como carvão ardido. Por estas razões, os antigos reis não procederam assim. Perceberam que, no que respeita a ser senhor e superior aos outros, a falta de belas coisas e ornamentos deixa qualquer um incapaz de unificar o povo; a falta de riqueza e abastança deixa qualquer um incapaz de gerir os seus subordinados e que a falta de força e poder que inspirem temor deixa qualquer um incapaz de travar aqueles que são violentos e suplantar aqueles que são brutais. 1- Um mu equivale a 666.5 metros quadrados.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


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SARA F. COSTA

E depois de morrer? O que nos dizem os filósofos? Para Aristóteles a essência precede a existência, tornando simples a compreensão de uma existência imaterial do ego. Essa essência imaterial é descrita como ininterrupta, sem princípio nem fim, uma vez que não interage com o corpo perecível. Descartes concorda com Aristoteles na sua alegação de que o único ato realmente verdadeiro e que é produzido pela mente é o pensamento. Já Tomás de Aquino concebe a essência humana como uma forma simples, que não se consegue na adição de matéria e forma, existindo nela, contudo, uma estruturação de ato e potência concretizada pelo corpo. O ser estaria para a essência como o ato para a potência. A chegada do positivismo lógico e, posteriormente, da neurociência, tornam a especulação sobre estes termos um terreno enlameado para a reflexão científica, considerando a experiência espiritual primordialmente ilusória. Se quisermos espreitar o que os contemporâneos têm escrito sobre o assunto, vale a pena passar os olhos por John Hick. Hick tenta encontrar uma alternativa que não rotule a linguagem religiosa como ilógica. Hick considera a objeção da neurociência insuficiente. Argumenta que os próprios neurocientistas muitas vezes não têm a perspicácia filosófica necessária para interpretar as suas próprias descobertas científicas e que muitos filósofos estão excessivamente agarrados à racionalização, dando uma mera atenção simbólica às descobertas da neurociência, assumindo uma visão de mundo naturalista à partida. O resultado é que se assume praticamente como facto, que a neurociência provou uma visão da existência como meramente materialista quando na verdade as evidências são ambíguas. Para Hick, os seres humanos não foram concebidos num estado perfeito num ambiente idílico, mas sim num processo contínuo de criação e existência multidimensional em que o ser progride através da experiência da morte e ressurreição atravessando estados de imaturidade nas realidades inferiores, até se aperfeiçoar em

ARTES, LETRAS E IDEIAS

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E depois de morrer? GUSTAV KLIMT, DEATH AND LIFE

expectoração

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dimensões sucessoras e atingir o estatuto de moralidade perfeita. Tendo em conta a característica da potencialidade ligada à identidade passível de ser recreada noutras dimensões, Hick vai buscar uma noção de ligação corpo-mente ou corpo-espirito que se encontra em vários pontos com a concepção de Tomás de Aquino. É, no entanto, impossível não pensar nessa evolução multidimensional da alma sem pensar no que o legado do budismo no deixou. Também no budismo há uma transfiguração do ser na sua própria evolução que parte dos

chamados reinos inferiores até à iluminação. Não existe, contudo, a possibilidade da manutenção do ego. Isto é, o ego cumpre a sua função de existência concebida pelo ato mas a sua abnegação torna-se parte de um desempenho essencial para a evolução da existência não material. É precisamente neste ponto do pensamento sobre a ressurreição que me apercebo de uma particularidade: a ressurreição é “praticável”. A ressurreição não é apenas um ato automático se pensarmos que podemos contribuir ativamente através

O TRABALHO INTERIOR VALE SEMPRE A PENA MESMO QUE NÃO SAIBAMOS QUE IMPACTO PODE TER EM POSSÍVEIS VIDAS FUTURAS PORQUE, MESMO QUE NÃO RESSUSCITEMOS DEPOIS DE MORRER, PODEMOS SEMPRE ENCONTRAR ALGUÉM NOVO EM NÓS TODOS OS DIAS DESTA VIDA

da cognição e da experiência para um aperfeiçoamento do ser. A vantagem dessa prática é que esse aperfeiçoamento pode ser sentido nesta dimensão, à falta de clareza sobre a existência de outras. Estar presente e desapegar-se do ego porque perecível, é uma prática recorrente em grupos de pessoas das mais diversas áreas - da arte à ciência - que procuram viver com presença e com disciplina emocional, promovendo um maior entendimento do ato de existir e, dessa forma, facilitar a concretização de possibilidades. Esta prática da ressurreição interna torna-se assim mais concreta, um plano de trabalho, uma forma de estar. O trabalho interior vale sempre a pena mesmo que não saibamos que impacto pode ter em possíveis vidas futuras porque, mesmo que não ressuscitemos depois de morrer, podemos sempre encontrar alguém novo em nós todos os dias desta vida.


5 9 2 1 7 8 0 4 3 4 1 6 5 9 2 3 0 7 7 8 0 3 4 6 1 2 5 18 3 5[f]9utilidades 4 0 7 6 8 2 0 3 4 8 2 9 5 1 6 1 6 7 0 8 5 2 9 4 6 2 8 7 3 1 9 5 0 8 7 1 6 5 0 4 3 9 T9E M 0 P3O 2 P1E R4Í O7D O6S 8 2 4 5 9 6 3 8 7 1

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C I N E M A 16.30, 21.30

6 2 4 7 1 3 5 0 9 8 MONSTER HUNTER [B] Paul7 W. S. Anderson 98 3 56 6 47 Um 84filmeMilla0de:Jovovich, Com: 5Tony1Jaa, 29 Ron Perlman 1 83 72 06 20 16,45, 91 19.30 35 44 57 6 4 [A]8 9 2 3 SHOCK0 WAVE6 2 [C] 1 5 7 SOUL FALADO EM CANTONÊS FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS LEGENDADO EM CHINÊS 54Herman 4 Yau85 91 6 Um2filme1de:8Pete3Docter Um filme de: 7 0 70 16.30, 19.30 Com: Andy Lau, Sean Lau, Ni Ni 19.00 3 9 2 4 02 A7GIFT 6 1BOB [A]8 5 5 FROM Um filme de: Charles Martin Smith WAY DOWN [B] 7 Balagueró 0 3 51 Com: 16Luke 2Treadway, 6 Kristina 4 Tonteri9 Um filme8 de: Jaume Young, Phaldut Sharma Com: Famke Janssen, Freddie Highmore, 14.30, 21.30 Astrid Bergès-Frisbey 45 1 69 84 3 5 97 21 7 02 2 0 9 1 8 6 7 5 3 4 7 54 31 28 96 03 40 89 65 1 0 8 5 2 3 6 THE UNTOLD TALE OF THE THREE KINGDOMS 44 [B]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yuichi Fukuda Com: Oixumi Yo, Kaku Kento, Hashimoto Kanna, Yamamoto Mizuki 14.30, 16.34, 21.30

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2 6 0 1 7 3 4 5 8• 9

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3 5 6 2 8 4 1 9 1 7 3 é uma 0 5 6 Dentro do Segredo viagem na 4 primeira pessoa ao coração da 2 8 1 7 9 0 Coreia do Norte, ou pelo menos, 0 que 3 se9deixa 7 mostrar. 5 6Obri2 à parte gado a deixar o telemóvel na fron2 0 1 4 9 3 8 teira, Peixoto ruma a Pyongyang 8 assistir 7 5às comemorações 0 6 2 4 para do centenário do nascimento de Kim 7 6 4 9 3 1 5 Il-sung. Daí, em excursão, e quase 6 4acompanhado 2 8 1por guias, 0 7o sempre escritor relata sensações e 5 9 0 6 4 8pensa3 mentos durante aquela que foi uma 8 3mais5extensas 2 7que9o das1viagens governo norte-coreano autorizou nos últimos anos, tendo passado por vários pontos simbólicos do país e do regime. Por entre segre8 0há mais 9 semelhanças 5 1 6 dos,2porém, e proximidade do que 3 9 6 0 7aquilo 4 que 2 seria de imaginar. Pedro Arede

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5 1 9 4 7 8 6 2 3 7 6 0 8 9 4 2 0 5 1 3 2 0 8 1 99 .56 27 B A H T 3 4 6 0 8 3 4 5 1 2 9 7 6

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YUAN

1.23

DENTRO DO SEGREDO | JOSÉ LUIS PEIXOTO | 2012

3 5 8 2 0 4 6 1 9 3 7 4 3 6 8 4 0 9 2 9 6 5 3 1 7 0 8 4 8 1 5 3 0 5 6 1 0 4 2 9 6 8 3 7 5 7 4 1 5 3 8 9 0 2 6 4 7 9 6 8 6 3 7 1 9 5 4A GIFT0FROM 2 BOB 5 2 7 4 0 6 3 1 8 9 3 7 2 8 5 8 9 3 6 4 0 7 2 1 4 0 5 2 1 7 8 9 6 3 2 0 1 5 6 7 0 4 7 1 5 3 2 9 6 8 1 3 9 6 8 5 7 4 0 2 8 7 5 1de 9 3 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Propriedade Fábrica Notícias, 9 2 1 4 Salomé 8 7 6 5Colaboradores 3 0 Anabela Canas;0António 6 Cabrita; 8 3 9 2 4 7 5 1 António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 6 9 GonçaloFernandes 5 0 Morais; 3www. 1 8 0 7 5M.Tavares; 9 2 Gonçalo 4 6Waddington; Inês Oliveira; 8 5João2Paulo1Cotrim; 4 José 3 Simões 0 6 9Luis7Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral;5 Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 6 1 0 6 7 0 9 Olavo 4 2 1 8Paul5Chan3Wai Chi; Paula Bicho;6Tânia 7 dos3Santos 8 Grafismo 2 9 Paulo 1 Borges, 5 4Rómulo 0 Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Rasquinho; hojemacau. 6 4 8 3 GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia com.mo 4 5 2 6 Welfare 0 8Morada 3 Pátio 1 da9 Sé,7n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 9 1Macau; 4 Telefone 7 628752401 0 5Fax228752405; 3 8e-mailAssistente info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 1 3 2 7 6 0 48

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sexta-feira 5.3.2021

opinião 19

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um grito no deserto

Paul Chan Wai Chi

DURANTE a tarde do quinto dia do Novo ano Lunar (16 de Fevereiro), o Chefe do Executivo, depois de ter informado vários órgãos de comunicação social, visitou as Ruínas de São Paulo e o Bairro da Horta da Mitra. Fez-se acompanhar pelo secretário para a Economia e Finanças e por vários chefes de departamento. Nessa altura, estava eu na Rua das Estalagens a cumprimentar os residentes. O Novo Ano Lunar não trouxe qualquer melhoria para os comerciantes dos bairros antigos de Macau, o consumo local continua fraco e as ruas desertas estão repletas de lojas vazias. O Chefe do Executivo deve ter consciência de que as saudações que distribuiu durante a sua visita, para além de terem levado algum conforto aos comerciantes que continuam à espera de clientes, não tiveram a capacidade de melhorar os negócios dos bairros antigos, vítimas do impacto da pandemia. A previsão de que a economia de Macau seria a primeira da Ásia a recuperar acabou por não se verificar. O que importa de momento é encontrar forma de ajudar a população da cidade a ultrapassar as dificuldades económicas durante os próximos seis meses. Alguns deputados propuseram ao Governo que se começasse de imediato o debate da moção relativa à terceira ronda de medidas de apoio económico ao combate à epidemia. A moção será com certeza aprovada pela Assembleia Legislativa, e a terceira ronda de medidas de apoio económico ao combate à epidemia será certamente apresentada depois da visita do Chefe do Executivo aos bairros antigos, e apoiada por vários deputados. Com a total cooperação entre o poder legislativo e o poder administrativo, acredito que nas eleições de Setembro, os candidatos do movimento “Amar a Pátria, Amar Macau” serão claramente eleitos. A melhor altura para anunciar o lançamento da terceira ronda de medidas de apoio económico ao combate à epidemia foi Novembro último, altura em que o cartão de consumo electrónico ainda estava activo. Penso que o momento ideal para implementar a terceira ronda seja por meados deste ano, e não durante o período em que a confiança dos cidadãos e a sua capacidade de consumo estão tão em baixo. Uma mentalidade excessivamente conservadora empurrou a economia da cidade para uma situação muito complicada, e a excessiva manipulação política transformou recursos sociais em despesas eleitorais. Quem beneficia com estas políticas são sempre os mesmos, o resto da população continua a sofrer em silêncio. Na segunda fase do “plano de subsídio de consumo” (cartão de consumo electrónico), foi atribuído a cada residente um subsídio de consumo no valor de 5000 patacas, o que totalizou um montante de cerca de 3,6 mil milhões de patacas. Mas será que 3,6 mil

JOSEF WAGNER, HOHENBERG THE BILLING COINS

3,5 MIL MILHÕES DE PATACAS

milhões de patacas representam assim tanto dinheiro? Só para o projecto da Extensão da Linha do Metro Ligeiro na Ilha de Hengqin, o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas alocou 3,5 mil milhões de patacas. Quem apoia este projecto do Governo acredita que vai estar pronto num prazo de quatro anos e que vai promover o crescimento do sector do turismo. Não me oponho à construção da Linha do Metro Ligeiro na Ilha de Hengqin, mas sou de opinião que o Governo da RAEM deveria investir pelo menos 3,5 mil milhões de patacas para implementar a terceira ronda de medidas de apoio económico ao combate à epidemia nos próximos três meses, para dar aos residentes a oportunidade de encararem os meses de Verão com outro ânimo. O projecto do Metro Ligeiro de Macau foi considerado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas como tendo “zero benefícios”. Mas lembro-me que quando o Metro Ligeiro de Macau foi construído o Governo declarou que iria beneficiar 50.000 residentes por quilómetro, e que iria ter uma determinada taxa de utilização. Elogiar sempre as políticas governamentais e expressar sistematicamente apoio ao Governo não é de facto uma manifestação genuína de “Amar a Pátria, Amar Macau”. O Governo da RAE gastou 3,5 mil milhões de patacas para financiar o Grupo Nam Kwong na construção da Linha do Metro Ligeiro na Ilha de Hengqin. No entanto, quantos postos de trabalho vai criar este

Peço que o governo da RAEM aloque imediatamente pelo menos 3,5 mil milhões de patacas a fundos públicos para ajudar a população de Macau, depois de tão generosamente ter alocado 3,5 mil milhões de patacas à commissão do Grupo Nam Kwong para construir a Linha do Metro Ligeiro na Ilha de Hengqin

projecto para a população desempregada de Macau? E será que os residentes de Macau vão ter capacidade financeira para adquirir casas na Ilha de Hengqin? Se a economia da cidade continuar retraída nos próximos seis meses, terá a bela Linha do Metro Ligeiro na Ilha de Hengqin, concluída daqui a quatro anos, capacidade de proporcionar

Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

aos habitantes de Macau meios para viverem confortavelmente? A taxa de desemprego dos residentes de Macau é sempre superior à média geral. Diz-se que a importação de trabalhadores não-residentes se destina apenas a colmatar a falta de recursos humanos locais. Será uma piada? Lembro-me que durante o período da administração portuguesa, quando a taxa de desemprego local estava perto dos to 3.8%, o então secretário anunciou imediatamente que Macau deixaria de importar trabalhadores não residentes. Nessa altura, tomei parte numa acção de protesto contra a importação de trabalhadores não residentes. Mas, hoje em dia, com muitas pessoas a partilharem um sentimento de patriotismo, Macau tornou-se apenas uma das pequenas cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Estou agradecido ao Governo Central pelo forte apoio que tem dado a Macau depois do regresso à soberania chinesa, e Macau deve dar a sua contribuição à Mãe Pátria sempre que necessário. No entanto, também peço que o governo da RAEM aloque imediatamente pelo menos 3,5 mil milhões de patacas a fundos públicos para ajudar a população de Macau, depois de tão generosamente ter alocado 3,5 mil milhões de patacas à commissão do Grupo Nam Kwong para construir a Linha do Metro Ligeiro na Ilha de Hengqin. Quando os peixes vivem num lago que está a secar, morrem passados seis meses. Torna-se-lhes absolutamente impossível esperar pelas chuvas que irão cair daí a quatro anos.


sexta-feira

“Todas as mulheres sabem que os ciumentos são os primeiros a perdoar.” PALAVRA DO DIA

Myanmar Polícias birmaneses em fuga pedem refúgio na Índia

Covid-19 Alemanha autoriza vacina da AstraZeneca para maiores de 65 anos

A

polícia do estado indiano de Mizoram, no norte do país, anunciou ontem a detenção de três polícias birmaneses que entraram na Índia procurando refúgio, um mês depois do golpe de Estado militar que derrubou o Governo liderado por Aung San Suu Kyi. De acordo com o oficial da polícia indiana Lalnunzira, que apenas usou um nome, os três homens entraram na Índia dirigindo-se à povoação de Lugkawlh na quarta-feira.A localidade fica a 13 quilómetros da fronteira entre a Índia e Birmânia. “Os três polícias disseram que fugiram do país porque o Exército da Birmânia os estava a perseguir por se terem recusado a cumprir ordens”, disse o mesmo oficial indiano. A mesma fonte não detalhou a natureza das ordens que os três polícias recusaram executar e acrescentou que o grupo vestia roupas civis e que não transportavam armas de fogo. A Índia partilha com a Birmânia uma fronteira de 1.643 quilómetros. Desde o golpe de Estado, a 1 de Fevereiro, cerca de 50 pessoas perderam a vida, sobretudo manifestantes em confrontos de rua com a polícia e militares. A Índia tem acolhido alguns milhares de refugiados birmaneses ao longo dos últimos anos.

A

Portal 38 North “Os trabalhos podem fazer parte do processo de extracção de plutónio necessário para o fabrico de armas.”

Receios nucleares Especialistas admitem que a Coreia do Norte esteja a produzir plutónio

A

Coreia do Norte pode estar a tentar levar a cabo operações de extracção de plutónio para a produção de armas nucleares indicam fotos captadas por satélite, poucas semanas depois de o líder Kim Jong Un ter-se referido à expansão do arsenal bélico. O portal 38 North, especializado na investigação de assuntos relacionados com a Coreia do Norte, publicou ontem um estudo com base na observação de imagens e informações recolhidas por satélites e que alegadamente indicam que a central de carvão do complexo nuclear de Yongbyon está a operar após dois anos de inactividade. As imagens mostram fumo a sair da central, várias vezes, desde o passado mês de Fevereiro. De

acordo com o portal, o facto “sugere que os trabalhos podem fazer parte do processo de extracção de plutónio necessário para o fabrico de armas nucleares”. No entanto, o mesmo texto salvaguarda que o “funcionamento do sistema pode estar em curso para tratamento de lixo radioactivo”. No início da semana, o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, disse que alguns complexos nucleares da Coreia do Norte continuam a operar tendo nomeado os sistemas ligados aos laboratórios (rádio e químicos) de Yongbyon. Os laboratórios são usados no processo de extracção de plutónio e apoiados pela combustão de energia. “As atividades nucleares da República Democrática Popular

da Coreia (nome oficial da Coreia do Norte) são motivo de sérias preocupações. A continuação do programa nuclear é uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, considerou Grossi num documento publicado no portal oficial daAIEA. O plutónio é um dos dois componentes essenciais para a fabricação de armas nucleares, assim como o urânio enriquecido. O complexo de Yongbyon, a norte da cidade de Pyongyang, está dotado de sistemas de produção dos dois componentes. Em Janeiro, o líder da Coreia do Norte pediu o alargamento do arsenal nuclear, nomeadamente para forçar os Estados Unidos a negociar o fim de sanções contra Pyongyang.

ÍNDIA TAJ MAHAL EVACUADO DEVIDO A UM FALSO ALERTA DE BOMBA

O

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Taj Mahal, o monumento mais visitado na Índia, foi ontem evacuado após um falso alerta de bomba, informou a polícia do estado indiano de Uttar Pradesh. “De manhã cedo, uma pessoa não identificada ligou para a Polícia de Uttar Pradesh, dizendo que havia uma bomba no Taj Mahal, em Agra”, disse o diretor-geral da Polícia daquela cidade, onde fica situado o

5.3.2021

Dostoievski

monumento, classificado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. As autoridades evacuaram os turistas que visitavam o icónico mausoléu, no norte da Índia, mas o alerta veio a revelar-se falso, permitindo a reabertura do monumento aos visitantes, após a realização de buscas. “Seguimos o procedimento padrão e realizámos uma operação de busca,

mas não foi descoberta nenhuma substância explosiva”, disse Ganesh. O superintendente da Polícia de Agra, Babloo Kumar, disse aos jornalistas que as forças de segurança estão a tentar deter o homem que fez o telefonema a partir de Firozabad, perto de Agra. O homem disse que tinha colocado uma bomba no monumento em retaliação por terem cancelado a

sua incorporação no exército, segundo o agente. “A situação é agora normal e o Taj Mahal reabriu aos turistas”, concluiu Kumar. A Índia reabriu o Taj Mahal ao público em Setembro, depois de o monumento ter estado encerrado durante seis meses, devido à pandemia de covid-19. Nessa altura, as autoridades informaram que seriam admitidos diariamente apenas cinco mil

visitantes, um quarto do número habitual. Construído no século XVII no norte da Índia, em Agra, 200 quilómetros a sul de Nova Deli, o mausoléu de mármore branco foi construído em homenagem à segunda mulher do imperador Shah Janan, a princesa Mumtaz Mahal, que morreu em 1631.

Comissão de Vacinas alemã aprovou ontem a administração da vacina contra a covid-19 do laboratório AstraZeneca e a univesidade de Oxford em pessoas com mais de 65 anos, anunciou o Ministério da Saúde alemão. “A Comissão de Vacinas agora recomenda também a vacina da AstraZeneca para pessoas com mais de 65 anos. Esta é uma boa notícia para os idosos que estão a esperar por uma dose”, disse o ministro da Saúde, Jens Spahn, num comunicado. A chanceler alemã, Angela Merkel, já havia anunciado na noite de quarta-feira que o comité se preparava para emitir um parecer favorável e que o seu Governo seguiria essa recomendação. Até agora, Berlim não autorizava esta vacina para pessoas acima de 65 anos, argumentando que os dados científicos do laboratório anglo-sueco eram insuficientes para administrar o medicamento. Agora, “estudos muito recentes forneceram elementos” que permitem elevar a idade máxima para uso da vacina, explicou a chanceler na noite de quarta-feira. Desde o final de Dezembro, 2.271.784 pessoas, ou 2,7 por cento da população, foram totalmente vacinadas, tendo recebido duas doses de uma das três vacinas autorizadas na Alemanha (BioNTech/Pfizer, Moderna e AstraZeneca), de acordo com a última contagem realizada na quarta-feira. Há dois dias, o próprio Governo francês já autorizou o uso desta vacina para pessoas de 65 a 75 anos com comorbidades.


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Hoje Macau 5 MAR 2021 #4722 by Jornal Hoje Macau - Issuu