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Hoje Macau 4 DEZ 2014 #3228

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

Q U I N TA - F E I R A 4 D E D E Z E M B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 2 2 8

hojemacau KIANG WU MAIS 200 MILHÕES RECEBIDOS NO TERCEIRO TRIMESTRE

Saúde de ouro

Apesar das recentes declarações do novo director do Kiang Wu afirmando que o Governo “não financia o hospital”, os números indicam o contrário: entre Julho e Setembro a unidade de saúde privada recebeu 201 milhões de apoio financeiro, o que corresponde a cerca de metade do total distribuído pelos SS a mais de uma centena de instituições.

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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PÁGINA 9

SIN FONG GARDEN

ERMIDA DA GUIA

JUNKET

Sem consenso Preservar o futuro Cobranças nem fim à vista restaurar o passado impossíveis REPORTAGEM PÁGINAS

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SOCIEDADE PÁGINA

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SOCIEDADE PÁGINA

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REPORTAGEM

Dois anos depois da evacuação, o caso do prédio Sin Fong Garden continua sem grandes avanços. A atribuição do subsídio aos ex-moradores acaba este mês e não parece haver fim à vista para a resolução do problema

hoje macau quinta-feira 4.12.2014

SIN FONG GARDEN PONTO DA SITUAÇÃO DE UM PROBLEMA AINDA SEM SOLUÇÃO

Quando o futuro é uma incógnita

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

LEONOR SÁ MACHADO leonor.machado@hojemacau.com

J

Á lá vão dois anos desde que os moradores do prédio Sin Fong, na avenida Marginal do Patane, foram evacuados, devido ao perigo de derrocada. Neste momento, a grande maioria encontra-se a receber subsídios do Governo que rondam as seis mil patacas. Seria de esperar, no entanto, que houvesse já uma solução em moção, mas ainda nada foi feito para resolver os problemas dos ex-moradores que actualmente lutam contra rendas elevadas e têm vontade de voltar para aquilo que outrora foi o seu lar. De acordo com resposta do Instituto de Acção Social ao HM, o gabinete assegurou estar a “coordenar esforços com o grupo interdepartamental” para fornecer alojamento provisórios aos proprietários. Contudo, o IAS deixou em branco respostas a perguntas sobre as actuais condições de vida dos moradores e da reconstrução do prédio. Em declarações ao HM, dois dos antigos moradores do edifício em aparente ruína referiram que querem voltar ao conforto de suas casas, ao invés de serem forçados a ocupar locais que nunca escolheram. Um dos porta-vozes do grupo e ex-morador do prédio, Chao Ka Cheong, disse ao HM que o Governo falhou na resolução dos problemas. “O nosso Governo falhou e o problema é simples:

trata-se da vida da população que não tem resolução porque o que as pessoas querem é voltar para as suas próprias casas”, explicou Chao ao HM. De acordo com os números por si referidos, há ainda 50 pedidos por alojamento provisório, sendo que foi aceite o pedido de 30 famílias. “Os requisitos para o pedido de uma casa, ao Instituto de Acção Social, são demasiado exigentes”, adiantou o responsável.

NO PRÉDIO BAMBO

Para 97% dos moradores e de acordo com inquéritos feitos, a solução mais viável passa pela demolição e posterior construção do prédio, ainda que tal acarrete dinheiros que as pessoas não dispõem. Existe, contudo, um problema: é que a decisão só pode passar da teoria à prática caso todos os condóminos concordem, mas há quem não partilhe da mesma vontade. É o caso de um dos sócios de uma loja do rés-do-chão do prédio, que considera a sua propriedade

“O nosso Governo falhou e o problema é simples: trata-se da vida da população que não tem resolução porque o que as pessoas querem é voltar para as suas próprias casas” CHAO KA CHEONG Ex-morador

“a mais valiosa do Sin Fong”. O sócio, de apelido Hoi, é um dos 3% que discorda da demolição e reconstrução do prédio. Faltou, inclusive, a assembleias-gerais dos condóminos, juntamente com outro morador de um apartamento. Recorde-se que esta solução só pode seguir em frente caso todos os proprietários aprovem a medida. “Já pedimos à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), mas ainda não tivemos resposta. Os proprietários não apresentaram opiniões porque acham que o Governo nunca lhes ofereceu nenhum subsídio devido à utilização do espaço ser comercial”, assegurou Chao, o porta-voz do grupo. O também morador acrescentou ainda que “ninguém pode convencer” os dois outros proprietários a mudar de ideias, uma vez que se trata de uma reacção à decisão do Executivo de não atribuir subsídio aos donos da loja.

NÃO HÁ CASAS GRÁTIS

Por um lado, os moradores consideram que a oferta de alojamento provisório chegou tarde e a más horas, sendo um processo iniciado apenas este ano, ainda que o pedido tenha chegado às mãos do Executivo em 2012. As soluções em cima da mesa passaram pela atribuição de casas a título não permanente,

“O IAS prestará serviços de alojamento provisório antes de meados do próximo ano aos condóminos do Edifício Sin Fong Garden com verdadeiras necessidades, por forma a substituir a actual atribuição mensal de subsídio especial” COMUNICADO DAS OBRAS PÚBLICAS

ou de subsídios de ajuda para que as pessoas pudessem arranjar outra casa. A atribuição das casas provisórias não é, contudo, uma medida sem consequências. É que os moradores que requererem este sistema são obrigados a pagar ao Executivo, que espera que os moradores possam cobrir este montante com o dinheiro das indemnizações, resultantes das acções judiciais.

De acordo com o IAS, a atribuição de subsídios tem fim previsto para este ano, já que o processo de acções judiciais contra os responsáveis pela danificação do prédio deverá arrancar em 2015. Este deverá, contudo, ser substituído pela atribuição de alojamento provisório. “O IAS prestará serviços de alojamento provisório antes de meados do próximo ano aos condóminos do Edifício Sin Fong Garden com verdadeiras necessidades, por forma a substituir a actual atribuição mensal de subsídio especial”, frisam as Obras Públicas em comunicado.

PARA SEMPRE ATENTOS

O futuro do Sin Fong tem sido um dos assuntos mais mediáticos e que mais se tem arrastado na imprensa local. São vários os deputados que se mostraram preocupados com as soluções arranjadas para aquela construção. Há mesmo quem diga


reportagem 3

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“A maioria dos evacuados não sabe porque é que, não obstante terem apresentado previamente várias queixas junto dos oficiais sublinhando a questão da segurança do edifício, nada foi feito pelas autoridades” PEREIRA COUTINHO Deputado

que os problemas não surgiram apenas no momento em que a evacuação dos moradores foi anunciada. Foi há cerca de dois anos que, durante uma reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL), oito deputados discutiram as razões e consequências de evacuação do Sin Fong para os agora ex-moradores. Wong Kuok Fai é um dos moradores a quem o Governo já atribuiu um alojamento provisório, pelo que actualmente reside num apartamento na zona de Mong Há. “Se os proprietários do Sin Fong detêm outras propriedades, deixam de poder pedir alojamento provisório. Mas na verdade, quem é que tem outras casas e quer morar numa habitação social? É claro que não vão pedir”, destacou o proprietário. Wong não compreende quais os critérios do Executivo para atribuir casas a determinadas pessoas e a outras não. A conclusão de dois estudos realizados para apurar o estado actual do prédio classificou a infra-estrutura como não perigosa, o que não obriga à sua demolição. Wong Kuok Fai frisou que se o Executivo classificasse o edifício como “perigoso” não seria necessário que todos os condóminos concordassem com a decisão de reconstruir. “O Governo tem vindo a rejeitar a classificação do edifício como perigoso, porque os dois estudos mostraram que este pode ser reparado mas não justificaram a conclusão e isso é inaceitável. Até porque se não é perigoso, porque é que não nos deixa ir viver nas nossas casas?”, questionou o proprietário, em declarações ao HM. Além disso, Wong acrescentou ainda que, caso a classificação tivesse sido diferente, talvez o caso já estivesse resolvido.

EM ÁGUAS DE GOVERNAÇÃO

Wong reuniu-se pela última vez com o grupo especializado interdepartamental há cerca de três meses. Neste momento, é a relação de comunicação entre a DSSOPT e os moradores que mais importa, pois só assim considera ser possível resolver o problema. “A mudança de pessoal no Governo faz com que o assunto fique parado porque a opinião dos dirigentes novos pode não ser igual à dos anteriores”, explicou o morador. Embora o então director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Jaime Carion tenha assegurado que houve apenas uma queixa de um morador

referente ao barulho proveniente do estaleiro vizinho, os deputados Chan Meng Kam e José Pereira Coutinho discordam. “Desde o ano passado que os proprietários afirmam que apresentaram sucessivas queixas sobre o tremor produzido pelo estaleiro vizinho e chegaram mesmo a participar à polícia o desprendimento de parte da fachada do edifício”, frisou Chan Meng Kam, durante o plenário. O mesmo foi questionado por Pereira Coutinho, que acusou o Governo de “inércia” e perguntou porque é que nada foi feito na altura em que os moradores apresentaram as queixas. “A maioria dos evacuados não sabe porque é que, não obstante terem apresentado previamente várias queixas junto dos oficiais sublinhando a questão da segurança do edifício, nada foi feito pelas autoridades”, acusou o deputado.

PAGAR PARA RECONSTRUIR

Que demolir e voltar a construir o Sin Fong Garden é a decisão mais favorável já se sabe, mas quem vai

ficar responsável por cobrir as despesas de tal construção? De acordo com um comunicado recente da DSSOPT, são duas associações e alguns particulares que contribuem para a efectivação desta solução. “Alguns indivíduos e associações têm de um modo entusiástico, demonstrado a sua vontade em apoiar financeiramente os condóminos em relação à reconstrução”, sublinha o documento. AAssociação dos Conterrâneos de Kong Mun comprometeu-se a cobrir 60% das despesas de reconstrução, que por sua vez terá apoio técnico por parte da Macau Empresa Social, Limitada de forma gratuita. O mesmo comunicado assegura ainda que todas as obras ficarão a cargo dos condóminos do Sin Fong, pelo que o Governo não tem poder para decidir o futuro deste edifício. “Neste momento estamos perante um momento fulcral para a reconstrução do edifício, esperando-se que os condóminos do Edifício ‘Sin Fong Garden’ possam chegar a um consenso,

TODOS JUNTOS A evacuação obrigatória do prédio Sin Fong Garden fez com que várias vozes se levantassem em defesa dos moradores, que nessa altura ficaram sem sítio para onde ir. Inicialmente, encontravam-se alojados em quartos de hotel, mas rapidamente houve necessidade de se mudarem para uma casa própria, com ou sem ajuda do Governo. Chegou mesmo a ser criado um grupo de pessoas para ajudar os moradores e que inclui os deputados Ng Kuok Cheong, Au Kam San, José Pereira Coutinho e Ho Ion Sang. Também o advogado e deputado Leonel Alves esteve na linha da frente, disponibilizando-se para defender os moradores em qualquer questão judicial que tivessem.

de forma a dar-se início à obra de reconstrução com a mais depressa possível sob os apoios do Governo da RAEM e dos todos os sectores sociais, podendo assim regressar às suas casas mais cedo”, lê-se num comunicado da DSSOPT do passado mês de Outubro. Dois anos depois, a DSSOPT tem em mãos uma das soluções alegadamente mais viáveis, mas a falta de consenso entre os proprietários não permite que a ideia passe à realidade. É, no entanto, apenas através da remodelação ou reconstrução do edifício que o Governo vai permitir o retorno das

“Neste momento estamos perante um momento fulcral para a reconstrução do edifício, esperando-se que os condóminos do Edifício ‘Sin Fong Garden’ possam chegar a um consenso” COMUNICADO DA DSSOPT EM OUTUBRO

pessoas às suas casas. Agora resta apenas encontrar a melhor solução para todos os moradores e sócios de lojas, até porque tal como disse Hoi, “neste momento não há que concordar ou discordar porque há vários factores envolvidos como tempo e dinheiro”. Até agora, os moradores receberam ajuda da Associação de Conterrâneos de Jiangmen e da Associação de Beneficência Tung Sin Tong, liderada por António Ferreira. De acordo com o presidente, foi-lhes oferecido um “empréstimo sem juros” no valor de 50 milhões de patacas. Neste momento, são a primeira associação e os próprios moradores do prédio que vão acarretar com os custos da reconstrução. De acordo com um estudo feito pelo Governo no final de 2013, o custo da reconstrução poderá ir até aos 130 milhões de patacas, mas uma estimativa mais recente de uma empresa local de construção atira o preço para mais do dobro, ou seja, 270 milhões.

Lembra-te como foi

A

10 de Outubro de 2012, os moradores do prédio Sin Fong foram evacuados devido ao perigo de derrocada que, segundo a DSSOPT, se deveu à “danificação dos pilares estruturais” do edifício da zona do Patane. O Governo tem vindo a mostrar preocupação com a resolução do problema, incluindo a atribuição de subsídios e realojamento das pessoas que ficaram sem as suas casas. Decorridos dois anos, foram também várias as manifestações e protestos por parte dos agora ex-moradores, que pretendem voltar para os seus domicílios. O mais recente teve lugar no dia 10 de Outubro deste ano, com os residentes daquele edifício a quererem mostrar à população local que o assunto continua por resolver. O mesmo foi feito há cerca de um ano, numa iniciativa de 50 moradores que mostraram vontade em voltar para as suas habitações. Actualmente, o processo encontra-se relativamente parado, embora a grande maioria dos residentes concorde com a demolição e reconstrução do prédio, tendo as Obras Públicas já confirmado que, em termos técnicos, tudo está pronto para os trabalhos de reconstrução terem início. Existe, inclusive, uma empresa pública envolvida no projecto, que deverá manter a mesma figura do edifício original.


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POLÍTICA

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LEI BÁSICA MACAU NÃO PODE COPIAR SISTEMAS POLÍTICOS, DIZ MEMBRO DA ANP

Cada qual no seu canto TIAGO ALCÂNTARA

Li Fei, vice-secretário da Assembleia Nacional Popular, alertou ontem para o facto de que Macau “não consegue sofrer grandes mudanças” e que, por isso, não deve seguir outros sistemas políticos. O responsável deixou ainda a sugestão de que se crie uma Lei do Orçamento o mais rápido possível

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Associação de Promoção à Lei Básica de Macau organizou ontem uma palestra na Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST) onde esteve presente Li Fei, vice secretário-geral do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN). Questionado sobre os movimentos pró-democratas em Hong Kong, Li Fei referiu que Macau não pode fazer uma cópia dos sistemas políticos de outras regiões. Li Fei deixou o aviso de que é necessário estar atento à tendência de cópia de um modelo político praticado em outros países ou regiões, por forma a evitar conflitos políticos “infinitos”. O mesmo responsável disse que muitos residentes culpam o Governo local e o sistema político em vigor pelos problemas sociais existentes. Contudo, Li Fei citou a questão histórica de Administração portuguesa. “Macau é um lugar pequeno e não consegue sofrer grandes mudanças. Cada reforma precisa de ter uma ordem e de se realizar gradualmente. Qualquer reforma, e especialmente a do desenvolvimento, que interessa a todas as partes da sociedade, deve ter um amplo consenso. Se houver uma obrigatoriedade na promoção dessa reforma, isso poderá causar grandes conflitos e uma separação na sociedade, o que causa riscos à harmonia social”, defendeu.

“Macau é um lugar pequeno e não consegue sofrer grandes mudanças. Cada reforma precisa de ter uma ordem e de se realizar gradualmente” LI FEI Vice-secretário da Assembleia Nacional Popular

O vice secretário-geral da APN referiu ainda que a situação em Hong Kong fez com que os seus habitantes tenham ficado com uma melhor ideia de qual o caminho que deve ser tomado no desenvolvimento do sistema democrático. Li Fei considera que, depois do movimento protagonizado pelo grupo “Occupy Central”, a maioria dos residentes vão apreciar mais a Lei Básica e um sistema democrático regulado pela mini-constituição.

LB PODE SER ALTERADA, MAS...

JOGO NÃO DEVE DOMINAR Li Fei defendeu ainda que o sector do Jogo não deve ser dominante na economia local e que não se deve apenas olhar para o desenvolvimento da economia e aumento dos impostos. Li Fei disse que é também importante ter em conta a segurança, estabilidade e o desenvolvimento com base nos interesses da sociedade.

CRIAR LEI DO ORÇAMENTO A antiga presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou, e outros deputados falaram já da necessidade da criação de uma lei orçamental, tendo referido que durante o seu mandato de dez anos nunca conseguiu criar essa legislação e que, por esse motivo, a maioria das obras públicas ultrapassa o orçamento inicial. Li Fei ouviu e deixou o recado: o Governo não deve “supervisionar como quiser”, devendo criar a lei “o mais depressa possível”. Li Fei disse ainda esperar que o Chefe do Executivo e o actual presidente da AL (Ho Iat Seng) possam cooperar nesse projecto legislativo.

Gabinete de Estudos das Políticas já iniciou 13º Plano Quinquenal Macau já começou a debater as linhas mestras do 13º Plano Quinquenal da China para o próximo ano, tendo sido realizadas cinco reuniões com diversos sectores promovidas pelo Gabinete de Estudos de Políticas. Segundo um comunicado, as opiniões centraram-se na manutenção do desenvolvimento

de Macau como um “Centro Mundial de Turismo e Lazer” e uma plataforma de ligação aos países de língua portuguesa. Foi ainda defendido o desenvolvimento do projecto de inserir Macau na “Rota Marítima da Seda para o século XXI”, ideia já avançada no Fórum Económico de Turismo Global.

Li Fei comparou a Lei Básica aos alicerces de uma casa, como algo que servirá de base ao desenvolvimento de democracia. “Para garantir um equilíbrio é preciso que o sistema político e a democracia se respeitem um ao outro, seguindo com rigor a Lei Básica, os regulamentos e leis”. Ainda assim, o responsável referiu que “não é impossível alterar a Lei Básica”, mas que tal acções deve ser feita de forma “séria” e, claro, deve ter sempre o aval do Governo Central. Recorde-se que a Lei Básica de Macau não inclui qualquer calendário para que haja sufrágio universal, ao contrário da de Hong Kong. A situação de um voto por cada residente para o Chefe do Executivo não é sequer contemplada pela mini-constituição do território.


política 5

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RECRUTAMENTO CENTRALIZADO DEPUTADOS SUGEREM ALTERAÇÕES Deputados pedem menos tempo e burocracia e provas com mais qualidade no Regime de pedem alterações ao Regime no mais recente relatório que fazem Recrutamento ao Executivo. Centralizado. “Existem muitos problemas em relação a este Regime, mas O relatório consideramos que é necessário”, esclareceu o presidente da Comisfoi feito pela são, Chan Meng Kam, ontem aos jornalistas. Comissão de Mostrando o apoio total da CoAcompanhamento missão, o presidente disse considerar que o Regime serve “para evidenciar para os Assuntos sobretudo a justiça, imparcialidade e transparência no recrutamento de da Administração pessoal para os serviços públicos” e, por outro, “evita o surgimento do Pública, que fenómeno de nepotismo no processo concorda com o de recrutamento”. Apresentando a lista de probleRegime, mas diz mas que o Regime contém, a Comissão considerou que várias aspectos que já serviu para devem ser tidos em conta para a “levantar obstáculos melhoria deste: “nomeadamente o encurtamento do prazo de todo ao normal o processo de Recrutamento Centralizado, a elevação da eficiência funcionamento” do mesmo processo, a melhoria da das provas e a elevação de serviços públicos concepção da sua cientificidade e o tratamento

“Apesar dos prazos [dos concursos] terem sido encurtados, o certo é que continuou a verificar-se excessiva morosidade por causa das questões dos procedimentos”

TIAGO ALCÂNTARA

Mais depressa e melhor

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

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PESAR da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública concordar com o Regime de Recrutamento Centralizado, ainda há alterações a fazer. É o que dizem os deputados da Comissão, que

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

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deputado Si Ka Lon está confuso com os trabalhos do Governo no que diz respeito ao Plano Conceptual de Intervenção Urbanística da Zona do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e Envolventes, implementado há dois anos pelo Governo. O deputado diz entender que a ideia do Executivo pretende criar um posto fronteiriço digno de uma cidade moderna, com uma ligação de transportes aperfeiçoada, mas frisa que, até ao momento, nada foi avançado sobre as consultas públicas à população, apesar de continuar a existir a necessidade de haver mudanças nas instalações do local. Numa interpelação escrita, Si Ka Lon recordou que

adequado da relação entre o Recrutamento Centralizado e o efectuado pelos próprios serviços públicos”.

TEMPO ESTRAGA

Recorde-se que, de acordo com o Governo, desde Agosto de 2012 foram realizadas de forma sucessiva “um total de cinco concursos centralizados de ingresso para as vagas nas carreiras de adjunto-técnico, técnico superior informático,

técnico superior de 2ª classe de área jurídica, técnico superior assessor da área jurídica e técnico superior da área a psicologia”. No relatório entregue ao Governo, a Comissão explica ainda, que “apesar dos prazos [dos concursos]

terem sido encurtados, o certo é que continuou a verificar-se excessiva morosidade por causa das questões dos procedimentos”. Na visão da Comissão, “esta situação não só impediu os serviços públicos de obterem em tempo oportuno os

RELATÓRIO DA COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO PARA OS ASSUNTOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

recursos humanos de que necessitavam como, em consequência, levantou obstáculos ao normal funcionamento dos referidos serviços”.

À ESPERA ENTRETIDOS

Chan Meng Kam explicou ainda que a Comissão irá esperar que os novos Secretários tomem posse para avançar com novas reuniões sobre o Regime em causa. Portanto, qualquer alteração só acontecerá depois de 20 de Dezembro. No entretanto, a Comissão explicou que se irá dedicar a outros assuntos carentes de soluções. “Provavelmente vamos dar acompanhamento a questões relacionadas com o uso de capacetes dos ciclistas ou até a condução sobre a influencia de álcool ou drogas, bem com o tempo para uma consulta médica no hospital, perceber se esta demora está ou não relacionada com a falta de recursos humanos. Também queremos dar acompanhamento à questão das obras nas vias públicas”, esclareceu o presidente.

PORTAS DO CERCO CRÍTICAS A ATRASOS NO PLANO DA FRONTEIRA

Uma espera interminável o Governo, respondendo a uma outra interpelação, afirmou que era “necessário ponderar e estudar a viabilidade nas mudanças das instalações e na reconstrução do posto fronteiriço das Portas do Cerco”. Agora, o deputado questiona quais os trabalhos até agora realizados.

QUESTÕES MÚLTIPLAS

Em relação ao planeamento de criação de uma linha que una a Zona A dos novos aterros às Portas do Cerco, a nova via entre Macau e Guangdong e o Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau - o qual foi apresentado pelo Executivo

e vai interessar ao desenvolvimento dos próximos anos - o deputado quer saber se o Executivo já elaborou esse mesmo planeamento. Por último, questiona o deputado, se o Governo já tem uma calendarização para a entrega do projecto ao Conselho de Planeamento Urbanístico para se dar início à discussão. A ideia do Governo com o plano é tornar a fronteira das Portas do Cerco num pórtico urbano mais moderno e que permita também optimizar o aspecto funcional da zona das Portas do Cerco como central modal de transportes. O âmbito do estudo está

divido em duas partes, numa área de aproximadamente 170 mil m2, sendo a sul do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e a norte da zona envolvente da Praça das Portas do Cerco, incluindo a Praça das Portas do Cerco e os acessos viários do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, o Edf. Comandante Pinto Ribeiro, o Comando da UTIP, o Campo dos Operários das Portas do Cerco e a zona para paragem e estacionamento dos autocarros dos empreendimentos hoteleiros, que serão considerados como âmbito fulcral da concepção. E a zona envolvente da Praça das Portas do Cerco, Avenida da Longevidade, Rua da Tribuna, Rua Marginal do Canal das Hortas e Rua dos Currais serão considerados como âmbito do plano de estudo.


6 política

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CORRUPÇÃO REGIME DE PREVENÇÃO NO COMÉRCIO EXTERNO VOTADO DIA 17

Macau vai ser avaliado pela ONU no que diz respeito à corrupção e, por isso mesmo, quer tentar apressar a votação na especialidade da proposta de lei que vai permitir reprimir actos de corrupção no comércio externo ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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EPUTADOS e Governo pretendem votar na especialidade daqui a duas semanas o Regime de Prevenção e Repressão dos Actos de Corrupção no Comércio Externo, estando prevista a assinatura do parecer já no próximo dia 12. Segundo confirmou o deputado Chan Chak Mo,

presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), é essencial acelerar os trabalhos por forma a responder às regras traçadas pela Convenção contra a Corrupção da Organização das Nações Unidas (ONU), ratificada pela RAEM. “Foi-nos informado que Macau vai ser submetido a uma avaliação por parte da ONU e vamos ver se podemos ter o parecer pronto até

ao dia 12 de Dezembro, para termos uma reunião plenária no dia 17 para apreciação desta proposta de lei na especialidade. [A ideia] é termos o diploma aprovado a tempo dessa avaliação”, explicou o deputado e presidente.

ARTICULAR MELHORIAS

A proposta de lei foi, entretanto, alvo de algumas modificações. “Segundo nos foi dito pelo Governo, o texto do diploma vai ser alterado em certos pontos para melhoria e a nossa assessoria colocou certas questões a respeito do texto, no sentido de melhorar o seu articulado”, acrescentou Chan Chak Mo. Os assessores da AL estão sobretudo preocupados com o facto de poder existir sobreposição de diplomas no futuro. “Em relação ao âmbito de aplicação, esta proposta de lei está relacio-

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CHAN CHAK MO Presidente da 2.ª Comissão Permanente da AL

nada com vários diplomas na área da corrupção e, no caso de aplicação futura, a nossa assessoria mostrou-se preocupada com a possibilidade de haver uma aplicação em relação aos diplomas que estão em vigor. Estamos à

espera de uma versão alternativa”, disse o deputado indirecto. Os membros da 2.ª Comissão Permanente desejam ainda saber com mais detalhe qual será a parte do Código Penal a aplicar neste tipo de

casos. Em relação ao conceito de funcionário público de jurisdições exteriores, que está incluído nesta lei, foi também deixada uma sugestão feita pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC) - o diploma também irá abranger funcionários públicos da China, de Hong Kong e de Taiwan.

MOVIMENTO 123 CELEBRARAM-SE ONTEM 48 ANOS

No centro da história F

Aviso Publicação da lista de resultados das candidaturas às Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados do ano lectivo 2014/2015 A lista de resultados das candidaturas às Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados do ano lectivo 2014/2015 está afixada no Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.os 614A-640, Edifício Long Cheng, 5.o andar) e no Centro dos Estudantes do Ensino Superior do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida n.º 68-B, Edifício Va Cheong, R/C B, Macau, ou seja, em frente da paragem de autocarro do Jardim Lou Lim Ieoc), a mesma lista pode ainda ser consultada na página electrónica da Comissão Técnica de Atribuição de Bolsas para Estudos Pós-Graduados (www.gaes.gov.mo/ctabe). Os seleccionados para as Bolsas de Mérito para Estudos Pós-Graduados do ano lectivo 2014/2015 podem dirigir-se ao Centro dos Estudantes do Ensino Superior, a partir de hoje até ao dia 15 de Dezembro do corrente ano, no horário de atendimento, para o tratamento das formalidades. As informações pormenorizadas podem ser consultadas na página electrónica da Comissão Técnica de Atribuição de Bolsas para Estudos Pós-Graduados (www.gaes.gov.mo/ctabe). Aos 4 de Dezembro de 2014.

HOJE MACAU

Por respeito às Nações Unidas

“Foi-nos informado que Macau vai ser submetido a uma avaliação por parte da ONU e vamos ver se podemos ter o parecer pronto até ao dia 12 de Dezembro, para termos uma reunião plenária no dia 17”

O Presidente, Sou Chio Fai

OI em 1966 que a Revolução Cultural Chinesa se estendeu até Macau e com ela o primeiro protesto de chineses contra portugueses. Estava iniciado o movimento ‘123’ – mês 12, dia 3. Tal como Jorge Pinheiro escreveu na obra “Há Biscoitos no Armário”, onde fala sobre a vida de Maria Manuel Pimenta de Castro Machado, uma professora que viveu em Macau, os portugueses “caíram na armadilha”. Fez ontem 48 anos que os portugueses caíram nessa armadilha. A3 de Dezembro de 1966, por volta do meio-dia, as manifestações começaram. “As escolas estavam mobilizadas. Estudantes e professores invadiram o Largo do Leal Senado e as ruas circundantes. Uma camioneta carregada de pedregulhos avança pela rua onde se situava o Comando da Polícia. Atrás, protegidos pelo camião, manifestantes entoavam canções revolucionárias e gritavam palavras de ordem, empunhando o Livro Vermelho”, lê-se na obra.

“E o futuro de Macau nunca mais seria o mesmo”, escreve, assinalando que “a tensão, no entanto, continuou a crescer. Várias famílias portuguesas começaram a preparar-se para abandonar Macau”. Oito mortos e 200 feridos foi o resultado da mini-revolução que mudou Macau para sempre. Os desacordos entre chineses e portugueses mantiveram-se por algum tempo.

NÃO, NÃO E NÃO

“No dia 16 de Janeiro, a comunidade chinesa adoptou a ‘política dos três nãos’, não entregar impostos, não prestar serviços ao Governo (incluindo abastecimento de água e electricidade) e não vender produtos portugueses”, escreve Jorge Pinheiro. “Finalmente, a 29 de Janeiro, o Governo de Macau e as autoridades da República Popular da China chegaram a um acordo, assinado na sede da Associação Comercial. Para Portugal, tudo foi humilhante naquele acordo. O local, o conteúdo, a forma.

O Governo pediu desculpas à comunidade chinesa. (...) Ficou claramente marcada a posição da China. Portugal apenas estaria em Macau enquanto a China quisesse”, remata. Se para os portugueses foi humilhante, como descreve Pinheiro, também há quem diga que, antes do movimento, a situação dos chineses também o era. É o caso de António Cambeta, que falou ontem à Rádio Macau e que explica que a comunidade chinesa foi muito maltratada pelos portugueses. O testemunho de quem viveu o ‘123’ e o descreve. “Quando entrei para o autocarro, a revisora disse que me deixava entrar desta vez, mas quando eu quisesse usar novamente os autocarros já não podia porque era português”, descreve António Cambeta à rádio. Na altura, trabalhava numa agência no Leal Senado. O também ex-militar explica ainda que lhe foi negada a compra de tabaco, porque não se vendia tabaco aos portugueses.


SOCIEDADE

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‘JUNKET’ QUEIXAS DE DÍVIDAS DE MAIS DE QUATRO MIL MILHÕES

Impossível de cobrar A campanha anti-corrupção e a falta de uma lei que ajude a cobrar dividas no continente está a deixar os ‘junkets’ preocupados

Recentemente, a Reuters dava conta da dificuldade dos ‘junket’ em recuperar o dinheiro em dívida nos casinos de Macau. A agência de notícias dava inclusive conta de que este facto poderia causar problemas ao sistema de ‘junket’ de Macau e até paralisar as salas VIP dos casinos, onde estes actuam. Em declarações à Reuters, ‘junket’ davam conta que as dívidas ascendiam a “dezenas de milhões de dívidas”. Mas há quem fale em mais.

A FUNDO PERDIDO CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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4.520.298.800 de dólares de Hong Kong por pagar a ‘junket’

OCDE Rácio de enfermeiros diminui

O mais recente relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), citado pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM), revela que o rácio de enfermeiros por cada mil habitantes continua abaixo da média da OCDE. Os dados mostram que, ao invés de aumentar, o número de enfermeiros até diminuiu: se há três anos a média era de 2,9 enfermeiros, o ano passado baixou para 2,8, quando, para a OCDE, as contas são de 8,7 enfermeiros. Macau fica também no limiar da Ásia-Pacífico, cuja média é de 2,8. Em relação aos médicos, a RAEM tem 1,2 médicos por mil habitantes, sendo que a média da OCDE é de 3,2.

UM Doutoramento sobre Estudos de Macau

Hao Yufan, director da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau (UM), disse ontem que a universidade tem vindo a estudar a possibilidade de criar um curso de doutoramento na área de Estudos de Macau. Actualmente, a UM já ministra um mestrado na mesma área, tendo recrutado os primeiros alunos em Setembro deste ano. O director da faculdade considera que o doutoramento, a ser criado, “tem muito valor”, uma vez que vai mostrar as especificidades de Macau que têm “um significado a nível mundial” e que pode levar mais académicos a fazer estudos sobre o território.

S ‘junket’ em Macau queixam-se de muitas dificuldades em cobrar dívidas a jogadores do continente. O facto deve-se, dizem, à saída destes do território antes de pagarem o que devem, facto que se alia à cada vez mais difícil entrada dos jogadores na RAEM. Ao que o HM conseguiu apurar, até ao momento, há cerca de 4,520,298,800 de dólares de Hong Kong ainda por receber da parte de casinos e ‘junket’ de Macau. E este valor é somente o que é reconhecido publicamente e dado a conhecer ao site ‘Wonderful World’, especificamente utilizado para recuperar as dívidas. Os valores, disse o responsável do site ao HM, contabilizam apenas as dívidas até Novembro.

Ontem, a imprensa chinesa citava mais informações de um analista que dizia que os empréstimos dos promotores de jogo aos clientes atingia “centenas de milhões de dólares”. Dinheiro que se acaba por perder, não só pela política anti-corrupção na China, mas também pela dificuldade que quem empresta dinheiro tem em o voltar a receber. Um analista diz à imprensa chinesa que, actualmente – e ao contrário do que acontecia antes – os ‘junkets’ já não conseguem acompanhar os clientes na entrada em Macau, devido às políticas de combate à entrada ilegal de chineses do continente apenas com passaporte que lhes permite cá estar em trânsito. Ora, estas medidas, “causam dificuldades” aos promotores de jogo em recupera a dívida, algo que é já por si difícil no continente.

De acordo com a Reuters, no geral, é quase impossível que a dívida seja recuperada. E esta dívida, como relembra um consultor de promotores de jogo, Tony Tong, cresce 3% mensalmente assim que passarem 30 dias de ser paga.

À BEIRA DA RUÍNA

Se a campanha anti-corrupção já está a dificultar o negócio – sendo que alguns ‘junket’ estão inclusive a mudar para o sudeste asiático – a demora na obtenção do dinheiro faz com que as salas VIP e o negócio dos promotores de jogo esteja perto do colapso, porque estes também não podem pedir créditos ao banco. Segundo a Reuters, aos chineses com uma posição mais importante na sociedade e algum poder é ainda mais difícil ser cobrado o dinheiro. Lv Zhonglou, um dos patrões das minas de carvão na China, é um exemplo desses. Segundo os credores e os média, o empresário chinês tem uma dívida de 3,5 mil milhões de dólares de Hong Kong em casinos. E este valor é apenas o que se sabe existir. “Como é que pode pressionar a estas pessoas? Às vezes apenas temos que cancelar as suas dívida”, diz um dirigente de Total Credit and Risk Management Group. Além disso, como a cobrança da dívida não é protegida por lei no continente, quando os ‘junkets’ tentam pressionar os devedores, raramente obtêm sucesso.

ERMIDA DA GUIA IC ENCOMENDA ESTUDO PARA RESTAURO DE PINTURAS

Preservar o que é nosso JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Instituto Cultural (IC) vai encomendar um estudo para perceber se há necessidade de restaurar as pinturas murais da Ermida de Nossa Senhora da Guia. O anúncio foi ontem publicado em Boletim Oficial, com o IC a dizer ao HM que a ideia é perceber em que condições estão estas pinturas e se precisam de restauro. “O restauro das pinturas murais da Nossa Senhora da Guia foi concluído em 2001 e as pinturas murais estão a ser mostradas ao público já há mais de 10 anos”, começa por explicar ao HM o IC. “Considerando que as pinturas da Capela estão no exterior a longo-prazo, [ao ar], a sofrer variações de temperatura e a receber [uma grande quantidade] de visitantes, é possível que estas venham a

sofrer um certo grau de influências do ambiente.” Por esta razão, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, delegou no director do IC, Guilherme Ung Vai Meng, a assinatura de um contrato de prestação de serviços para um estudo que vai servir para perceber se é necessário fazer retoques nas pinturas. A empresa que vai ajudar nisto está já escolhida.

SALVAGUARDAR O FUTURO

“O estudo sobre a situação arquitectónica, prospecção e diagnóstico de patologias construtivas, supervisão e avaliação de condições existentes e melhoramento do plano de concepção da Ermida de Nossa Senhora da Guia [vai ser] celebrado com a Companhia de Materiais e Engenharia

Sunglow, Limitada”, pode ler-se no Boletim Oficial. Ao HM, o IC diz esperar que “através de métodos científicos” possam ser elaboradas medidas de salvaguarda e gestão das pinturas a longo prazo. Os trabalhos incluem o registo da “prospecção do ambiente actual da Capela de Nossa

Senhora da Guia, o estudo e diagnóstico de patologias construtivas que é provável acontecer nas pinturas murais, a realização de fiscalização regular, a recolha de dados para avaliação e a elaboração de um plano de melhoria a longo-prazo”, entre outros. A Ermida da Nossa Senhora da Guia está classificada como património, sendo que foi em 1966, aquando da realização de trabalhos de restauro e manutenção, que foram descobertos frescos no seu interior. Alguns deles têm mais de 300 anos. De 1998 a 2001 foi efectuado o restauro destas pinturas murais, que se acredita terem sido pintados por artistas locais. De acordo com o que o HM conseguiu apurar, as imagens representam cenas da liturgia ocidental cristã e cenas mitológicas tipicamente orientais.


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ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

É

uma medida que, para muitos, faz lembrar a década de 60 e a Revolução Cultural imposta por Mao Tse-Tung. Segundo a agência noticiosa Xinhua, o presidente chinês Xi Jinping deverá enviar para o campo todos os artistas, incluindo cineastas e profissionais de televisão e rádio, para aprenderem os valores do Socialismo. Segundo a Xinhua, a decisão “vai dar um grande impulso aos artistas, ajudá-los a ter uma visão correcta da arte e a criarem mais obras-primas”. Alice Kok, uma das directoras do projecto Art for All Society (AFA), que nasceu em Macau e que actualmente também tem presença em Pequim, revela-se “chocada” com a decisão.

“Vai dar um grande impulso aos artistas, ajudá-los a ter uma visão correcta da arte e a criarem mais obras-primas” XINHUA

hoje macau quinta-feira 4.12.2014

CHINA XI JINPING QUER MANDAR ARTISTAS PARA O CAMPO. AFA “CHOCADA”

A lembrar o Maoísmo

Pequim quer mandar artistas chineses para o campo para que possam aprender mais sobre os ideais do Socialismo. Alice Kok, um dos membros da direcção da Art for All Society que existe em Macau e Pequim, mostra-se “chocada” com a decisão “Parece uma medida do tempo da Revolução Cultural. Penso que não são boas notícias para os artistas e para os activistas culturais e as razões são óbvias. Estou preocupada, não sei quando é que esta medida vai ser implementada. É uma forma de limitar algumas áreas que sejam de oposição ao Governo”, disse a artista ao HM. O HM tentou ainda contactar James Chu e José Drummond, director e artista membro da AFA, mas os mesmos não se mostraram disponíveis para prestar declarações. Em relação ao futuro da AFA, que alberga 60 artistas, Alice Kok nada consegue prever para já. “Ainda não sabemos até que ponto esta medida é mesmo para cumprir e que passos vão ser dados e também como é que vão definir aqueles que

Aeroporto Número de passageiros sobe 9,5%

O Aeroporto Internacional de Macau foi utilizado, em Novembro, por 450 mil passageiros. Trata-se de uma subida de 9,5%, segundo a informação avançada pela Sociedade do Aeroporto (CAM). No mês passado, o movimento de aviões registou um acréscimo de 11,5%. Ao longo do ano, segundo a CAM, o número de passageiros aumentou de forma constante, sendo que só de Janeiro a Novembro foram registados cerca de cinco milhões de passageiros. O Sudeste Asiático representa 39% do mercado, seguindo-se da China com 34%. Taiwan representa 27%.

Tempo Temperatura vai descer

As temperaturas em Macau vão descer até aos 11ºC e 12ºC já a partir desta madrugada, de acordo com a previsão da Direcção dos Serviços Metereológicos e Geofísicos. Por isso mesmo, o Governo anunciou que está aberto desde ontem o Centro de Abrigo de Inverno do Instituto de Acção Social (IAS), na Ilha Verde. O espaço vai estar aberto até voltar a subir a temperatura para acolhimento das pessoas necessitadas, a quem serão fornecidas edredões, bebidas e alimentos.

têm de ser enviados para os campos. Não sabemos ainda qual será o impacto junto da comunidade artística. Penso que os que são verdadeiramente influentes serão os

primeiros a ser afectados por esta medida”, apontou.

REBELDES POSTOS EM CAUSA

Questionada sobre o futuro do distrito cultural 798, um dos

pontos obrigatórios da cena cultural em Pequim, Alice Kok considera que o projecto não vai acabar. “Segundo o artigo que li no South China Morning Post (SCMP), a

“Parece uma medida do tempo da Revolução Cultural. Penso que não são boas notícias para os artistas e para os activistas culturais e as razões são óbvias” ALICE KOK Membro da direcção da AFA

medida vai visar os mais rebeldes ou os que criticam mais abertamente o Governo, como Ai WeiWei, um dos ícones do activismo cultural. Em relação ao distrito cultural 798, hoje em dia está muito concentrado em actividades comerciais, então penso que não será um espaço muito controverso em termos políticos”, frisou. Aartista não tem dúvida de que esta medida surge numa tentativa de Xi Jinping querer marcar uma posição no seu mandato como presidente. “É claramente uma medida com teor político”, concluiu. Caberá à agência Xinhua a organização de grupos de artistas que, nas zonas mais rurais da China, irão conhecer “as bases, as comunidades, as aldeias e zonas mineiras” por forma a “realizarem trabalho de campo e terem experiência de vida”. No total, as pessoas do meio artístico ficarão 30 dias em “comunidades de minorias étnicas das zonas de fronteira e noutras zonas que tenham sido determinantes para a vitória na guerra revolucionária”. Ao jornal SCMP, Joseph Cheng, docente de Ciência Política em Hong Kong, referiu que Xi Jinping “está debaixo de uma grande pressão devido à sua campanha anti-corrupção que prejudicou muitos interesses. Estamos outra vez a assistir a um período de tácticas de pressão sobre os intelectuais e os críticos”.

USJ 150 OPERÁRIOS DO NOVO CAMPUS COM SALÁRIOS EM ATRASO

Mais de seis milhões pendurados C ERCA de 150 operários que trabalham nas obras de construção do novo campus da Universidade de São José (USJ), na Ilha Verde, reuniram-se ontem com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para reivindicar mais de seis milhões de patacas em salários em atraso. De acordo com a rádio chinesa, os trabalhadores não recebem salários desde Setembro, uma situação que a instituição de ensino diz ser da responsabilidade do empreiteiro. A reunião deu-se no próprio local das obras, onde foi necessária a intervenção da polícia e do empreiteiro. A DSAL explica que o caso envolve cerca de 150 trabalhadores do continente, a quem não foram pagos os salários dos meses de Outubro

e Novembro, sendo que a cada um são devidas ente 30 a 40 mil patacas. Mas as queixas não terminam por aqui: houve ainda 21 operários da China que foram despedidos

PAGAR ATÉ SEXTA-FEIRA

A DSAL assegurou que o empreiteiro – que não se sabe quem é – vai efectuar os pagamentos em dívida antes de sexta-feira, sendo que uma eventual sanção ao construtor está ainda dependente deste pagamento no prazo prometido. O empreiteiro disse ainda que vai recrutar novamente 16 dos operários despedidos e vai pagar a compensação aos outros cinco. De acordo com a agência Lusa, a USJ já lamentou a disputa laboral, mas garante que “sempre cumpriu as obrigações do contrato com a

empresa de construção e nunca se atrasou no pagamento de fundos relevantes para a empresa”. A construção do novo campus da universidade na Ilha Verde foi iniciada em

Maio do ano passado. O projecto estava previsto para começar em 2009 mas acabou por sofrer uma série de atrasos que impediram que estivesse pronto em que isso acontecesse. - C.L.


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Não só recebeu quase metade da totalidade do dinheiro atribuído pelos Serviços de Saúde no terceiro trimestre deste ano, como viu aumentar os valores face ao mesmo período de anos anteriores. O Kiang Wu voltou a liderar o topo da lista de apoio concedidos, arrecadando mais de 200 milhões de patacas em três meses JOANA FREITAS

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

novo director do Hospital Kiang Wu disse, recentemente, que o Governo “não financia” o hospital, mas dados publica-

KIANG WU DE VOLTA À LIDERANÇA DOS DINHEIROS RECEBIDOS

Vira o trimestre e toca ao mesmo

dos de tempos a tempos no Boletim Oficial mostram precisamente o contrário: o hospital privado não só recebe apoio financeiro, como recebe quase sempre a maior fatia deste dinheiro. De Julho a Setembro deste ano, os dados não mudam. O Kiang Wu recebeu um total de 201,677,702 patacas, o que equivale a 46% do total de financiamento atribuído pelos Serviços de Saúde (SS) no terceiro trimestre do ano a mais de uma centena de instituições. Ao hospital privado chegaram 201,7 milhões de patacas, divididos entre sete propósitos. A maior percentagem deste dinheiro – cerca

de 120 milhões – é justificada como sendo um subsídio protocolar para a prestação de internamento de doentes, relativo aos meses de Dezembro de 2012 e de 2013 e de Março a Julho de 2014. Seguem-se 28 milhões que dizem respeito a um “subsídio de investimento e desenvolvimento”. O Boletim Oficial diz que este montante é relativo à 3.ª prestação, mas não explica de que investimento se está a falar.

A lista prossegue com 22 milhões a serem alocados nos subsídio protocolares para financiamento das “despesas médicas de doentes do foro cardíaco não transferidos pelo hospital público”, 15 milhões para subsídios protocolares com consultas externas e serviços de urgência, nove milhões para a “realização de análises clínicas” e sete milhões para apoiar o Centro Hong Ling, também do hospital. O Instituto de Enfermagem do Kiang Wu não ficou de fora e recebeu 60 mil patacas para despesas com prémios aos melhores alunos deste ano lectivo que passou.

RICO TRIMESTRE

O montante mostra que o 3º trimestre do ano foi mais bondoso para o Kiang Wu, que recebeu mais dinheiro do que no mesmo período do ano passado. Em 2013,

201,677,702 patacas, valor recebido entre Julho a Setembro

SIDA AUTORIDADES QUEREM MAIOR CONTACTO COM ASSOCIAÇÕES HOMOSSEXUAIS

A ajuda que vem da escola A

S autoridades querem aumentar o contacto com associações homossexuais devido à infecção por VIH, apesar de admitirem que, desde 2005 – data em que a Comissão de Luta Contra a SIDA foi criada – “obteve-se bons resultados nos trabalhos de controlo” da doença. Responsáveis deste grupo de trabalho estão também confiantes que a inclusão de Educação Sexual nos currículos escolares vai ajudar a diminuir o número de casos que surgem em Macau. Actualmente, o território tem mais de uma centena de pessoas infectadas com SIDA que recebem tratamento no Centro Hospitalar do Conde de São Januário, como mostram dados da Comissão, que teve a sua reunião anual na segunda-feira. O grupo explica que a maioria das 143 pessoas in-

fectadas comparece regularmente nas consultas de acompanhamento e coopera com os serviços na administração de medicamentos. A Comissão diz que “o resultado de terapia é satisfatório”, mas admite que há mais trabalho a fazer. Para a Directora do Centro de Educação Moral dos Serviços de Educação e Juventude, Leong I

FIM À VISTA? De acordo com o Serviços de Planeamento de SIDA das Nações Unidas, o número de novos casos de SIDA registados no ano passado foi o menor deste século, enquanto o número de mortes diminuiu também. A ONU diz que, se esta tendência se mantiver, prevê-se que a epidemia da SIDA possa ser erradicada no ano de 2030.

On, o facto de ter sido estabelecida a criação obrigatória de aulas de Educação Moral e Cívica e de se estar a desenvolver o Programa de Apoio à Educação Sexual Escolar de 2014 ajuda a que venham a existir menos casos de infecção no território. Além disto, diz a Comissão, está a ser reforçada “gradualmente” a promoção de prevenção de abuso de drogas e a educação sexual a jovens. “A educação sexual vai ser incluída nos cursos regulares, o que vai favorecer as políticas públicas de prevenção e controlo da SIDA.”

HOMOSSEXUAIS NA MIRA

Há um grupo que, agora, chama mais a atenção da Comissão. De acordo com dados recentes dos Serviços de Saúde, aumentaram os casos de infecção por via e contacto homossexual e bissexual: 12 casos

deste género foram registados este ano, 50% do total. Por isso mesmo, a Comissão de Luta contra a SIDA admite que vai precisar de ajuda de associações. “Na sequência da situação mais actualizada em Macau [mostrar que] os contactos homossexuais e bissexuais [são] a via de transmissão principal nos novos casos detectados no corrente ano, todos os membros concordaram em reforçar a colaboração com as associações de homossexuais, para desenvolver os trabalhos de prevenção e controlo da SIDA.” - J.F.

de Julho a Setembro, o hospital privado arrecadou 52,8 milhões de patacas. Já em 2012, no mesmo período em análise, recebeu 86,2 milhões de patacas. Na lista de apoios, destaque especial para a Federação das Associações de Operários (FAOM), da qual fazem parte diversos deputados, que recebeu 7,6 milhões de patacas em apoios – cerca de 2% do total distribuído pelos SS, sendo a maior fatia dedicada à Clínica dos Operários e a segunda ao Centro de Recuperação da FAOM. Segue-se a Associação de Beneficência Tung Sin Tong, que recebeu 4,8 milhões de patacas para serviços de consulta externa e estomatologia de crianças, e 3,6 milhões de patacas que foram gastas em apoios financeiros a estudantes de Medicina. Entre este valor, estão 740 mil patacas para subsídios para um curso de iniciação pré-profissional, 2,3 milhões de patacas para apoios a alunos do segundo curso de medicina avançada e 600 mil patacas para propinas em cursos de apoio clínico.

ADN Académica alerta que não tem valor de prova

Vera Lúcia Raposo, docente da Universidade de Macau (UM), alertou numa palestra para o facto de o ADN não poder ser utilizado como prova em tribunal, devido à ausência de uma lei específica em Macau que o permita. Em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, Vera Lúcia Raposo explicou que “as provas genéticas podem ser recolhidas, mas não podem ser analisadas, nem consideradas em tribunal”. Apesar das autoridades utilizarem o ADN em investigações, a académica disse, desta vez ao jornal Ponto Final, que estudou o caso e chegou à conclusão que esta prova não é utilizada. “A prova de ADN poderia ser uma arma muito interessante”, frisou, explicitando que Macau é um território onde existe muita circulação de dinheiro e de pessoas e que a ausência desta lei não permite que haja regulação no uso de amostras de ADN.


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EVENTOS

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FRC LIVRO DE JOAQUIM MAGALHÃES DE CASTRO APRESENTADO HOJE

No trilho de Fernão Mendes Pinto No ano em que se celebram os 400 anos do lançamento de “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto, a obra “Na senda de Fernão Mendes Pinto” é lançada em Macau. O seu autor, Joaquim Magalhães de Castro, pretende chamar a atenção para um livro com “valor universal”

a viagem utilizando as tuas experiências? E foi o que fiz”, explicou. Em cada capítulo podem ser lidos textos que já tinham sido escritos por Joaquim Magalhães de Castro em alguns locais. “Percorro mais ou menos a viagem de Fernão Mendes Pinto por ordem geográfica. Faço uma pequena introdução à viagem e depois conto a minha experiência ali”, explica.

Não esqueçamos que a Peregrinação não é apenas um marco da literatura portuguesa, mas também da literatura universal

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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Á 400 anos, Fernão Mendes Pinto terá pisado a terra de Macau pela primeira vez, ainda antes de se chamar Macau. Pisou o Japão, a Índia, a Etiópia. Em 2013, Joaquim Magalhães de Castro voltou aos mesmos lugares e escreveu aquilo que sentiu, acompanhando as imagens que já tinha retratado em meados de 2001. Depois do lançamento oficial em Portugal, a obra “Na senda de Fernão Mendes Pinto” é hoje apresentada em Macau na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC), num evento onde estarão Carlos Marreiros e Victor Teixeira. Ao HM, o autor, Joaquim Magalhães de Castro, fala mais da iniciativa que pretende celebrar os 400 anos do lançamento da obra histórica. “Este livro foi lançado em Portugal o ano passado e nunca tinha tido a oportunidade de o

apresentar aqui em Macau. Faço-o este ano para assinalar a efeméride. O livro vai servir para falarmos da Peregrinação, é isso que quero fazer com o público. Quero que seja uma coisa divertida e não tanto académica”, disse. O livro é da chancela da editora Parsifal e foi o editor de Joaquim Magalhães de Castro que lhe propôs uma nova edição de “Na senda de Fernão Mendes Pinto”.

NA PRIMEIRA PESSOA

“Em 2001 recriei a viagem de Fernão Mendes Pinto através de

fotografias, para provar que aquilo que ele escreveu ainda hoje é possível visitar. Entretanto o meu editor disse-me: porque não recriar

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA TIGRES SOB UM CÉU VERMELHO • Liza Klaussmann

Nick e a sua prima, Helena, cresceram a compartilhar os quentes verões em Tiger House, propriedade da família. Como a Segunda Guerra Mundial entretanto termina e elas estão à chegar à idade adulta, preparam-se para partir à conquista do mundo. Nenhuma delas encontra a vida que tinha imaginado e, com o passar dos anos, as viagens até Tiger House assumem uma nova complexidade. Então, à beira da década de 1960, a filha de Nick e o filho de Helena fazem uma descoberta sinistra que faz mergulhar numa sombra profunda o calor daquela ilha outrora brilhante. Magnificamente contado a partir de cinco perspectivas, Tigres Sob Um Céu Vermelho é um romance latente de violência traição, paixão e segredo por trás de uma fachada pura e delicada.

Joaquim Magalhães de Castro não deixa de tecer elogios à Peregrinação, obra que, como disse ao HM, já leu mais do que uma vez. “Não esqueçamos que a Peregrinação não é apenas um marco da literatura portuguesa, mas também da literatura universal. É importante realçar isso, porque muitas vezes temos excesso de humildade. Inicia o género literário de literatura de viagens, onde eu me movo.” Joaquim Magalhães de Castro recomenda, por isso, a leitura do livro publicado há 400 anos, quando viajar representava uma verdadeira odisseia. “Há ainda muitas ideias feitas e apesar de ter havido muitos estudos, até a nível internacional, ainda continua a haver um desconhecimento, não só em Portugal mas sobretudo junto do grande público. As pessoas conhecem o Marco Pólo, mas o Fernão Mendes Pinto continua a ser muito desconhecido, tendo em conta o valor que tem”, conclui.

Som e Imagem Curtas vencedoras no MAM

Está marcada para hoje, às 19h00, a cerimónia de atribuição de prémios do Sound & Image Challenge 2014, organizado pela Creative Macau. O evento terá lugar no Museu de Arte de Macau (MAM) e vai permitir aos interessados visualizar duas dezenas de curtas-metragens de países diferentes: Austrália, Brasil, Canadá, Chile, França, Grécia, Hong Kong, Índia, Irão, Israel, Itália, Macau, entre outros. As sessões estão marcadas para hoje, das 11h00 às 13h30 e das 14h00 às 16h30. Os filmes que foram a concurso estão divididos em categorias diferentes, desde a ficção à animação, do documentário à publicidade. A entrada é livre.

Mio Pang Fei Documentário estreia hoje no Galaxy

O documentário “Mio Pang Fei”, centrado na vida e obra do importante artista plástico de Macau, estreia hoje nos cinemas do Galaxy. Este é o primeiro filme de Pedro Cardeira, residente cofundador da produtora ‘Inner Harbour Filmes’. O documentário foi seleccionado para a edição de 2014 do Festival de Cinema português DocLisboa e regressa agora a Macau, onde tem estreia nos cinemas do território, às 19h00. Mio Pang Fei nasceu em Xangai, mas é considerado um artista de Macau – um dos mais conceituados na arte plástica. Foi por cá que aquele que é também conhecido como sendo “uma referência da arte contemporânea chinesa” se refugiou e onde desenvolve “um estilo novo baseado no cruzamento das técnicas artísticas ocidentais com o espírito cultural chinês, a que chamou Neo-Orientalismo”, como explica o comunicado de imprensa da organização.

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SENHOR COMANDANTE • Romain Slocombe

Escritor e académico na Paris pré-guerra, Paul-Jean Husson retirou-se para uma pequena vila da Normandia com o intuito de se dedicar à sua obra, marcada por um anti-semitismo “patriótico”. Quando a guerra rebenta e o seu filho Olivier é obrigado a partir, toma a seu cargo a protecção da nora, Ilse, uma alemã de traços arianos e luminosos. A sua beleza faz surgir nele uma atracção que vai contra todos os seus valores, uma vez que descobre que ela é de origem judaica. Pouco a pouco, o universo confortável do grande escritor pétainista, modelo do bom burguês, começa a vacilar. Apenas uma carta dirigida ao comandante da Kreiskommandantur pode permitir a Husson salvar a sua honra.


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NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º 82/14 (Trabalho ilegal – pagamento das multas) Considerando que se revela ser impossível notificar, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68.º e do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, WU HUAZHEN (titular do passaporte da República Popular da China), LIU JIANYING (titular do passaporte da República Popular da China), ZHOU XUE (titular do passaporte da República Popular da China), JIANG SHUNDA (titular de Salvo Conduto para Hong Kong e Macau da República Popular da China), BASA ALAN ALVARADO (titular do notificação dos Serviços de Migração), LIU WEI (titular do passaporte da República Popular da China), BARLETA RICHARD PANTE (titular do passaporte da República das Filipinas), SHAO JUN (titular do título de identificação de trabalhador não-residente), LI JUAN (titular de Salvo Conduto para Hong Kong e Macau da República Popular da China), ZENG XIAOJUAN (titular do passaporte da República Popular da China), XIONG YANLING (titular do passaporte da República Popular da China), DENG JUN (titular do passaporte da República Popular da China), ZHANG ZHIQIANG (titular do passaporte da República Popular da China), HONG ZHEN (titular do passaporte da República Popular da China), e XIAO HONGHUI (titular de Salvo Conduto para Hong Kong e Macau da República Popular da China), pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre a matéria acusada pela infracção do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, de 14 de Junho, e para o efeito do regime de procedimento da aplicação da respectiva multa, Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), notifica, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do CPA, os aludidos infractores, do teor da decisão sancionatória em causa, no seguinte: 1. Dado exposto por ter comprovado a acção de WU HUAZHEN, LIU JIANYING, ZHOU XUE, JIANG SHUNDA, BASA ALAN ALVARADO, LIU WEI, BARLETA RICHARD PANTE, SHAO JUN, LI JUAN, ZENG XIAOJUAN, XIONG YANLING, DENG JUN, ZHANG ZHIQIANG, HONG ZHEN e XIAO HONGHUI, bem como a culpa dos infractores, ao abrigo do artigo 3.º do Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do mesmo regulamento administrativo foi aplicada a cada infractor, a pena de multa de MOP$20.000,00; 2. Informa-se ainda que, nos termos do n.º 2 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com as alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 145.º e os artigos 149.º e 155.º do CPA, os actos administrativos em causa podem ser impugnados, no seguinte: a) Mediante reclamação para a autora do acto (A Chefe do DIT), no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação; ou b) Mediante recurso hierárquico necessário para o superior hierárquico da autora do acto (Director da DSAL), no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação edital. Por outro lado, nos termos do n.º 4 do artigo 150.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 156.º do CPA, o direito acima referido é exercido por meio de requerimento, no qual devem ser expostos os fundamentos (de facto e de direito), juntando os documentos considerados convenientes, não sendo o acto acima mencionado susceptível de recurso contencioso. 3. Mais ficam notificados que, nos termos do artigo 12.º do Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal, e da alínea e) do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, conjugado com os n.ºs 1 e 2 do artigo 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, os aludidos infractores devem, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da presente notificação edital, comparecer na DSAL para o levantamento da guia de pagamento da multa e proceder ao seu pagamento na Repartição de Finanças de Macau da Direcção dos Serviços de Finanças. Ficam ainda notificados que, nos 5 (cinco) dias subsequentes aos do prazo acima referido deverão entregar nestes serviços, o documento comprovativo desse pagamento, sob pena das cópias de todos os documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva serem remetidos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para ser efectuada a cobrança coerciva nos termos legais. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 25 de Novembro de 2014. A Chefe do DIT Lurdes Maria Sales

NOTIFICAÇÃO EDITAL Nº 83/2014 (Solicitação de Comparência do Trabalhador) Nos termos das alíneas b) e c) do nº 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notificam-se os trabalhadores abaixo indicados: 1. O Sr. LIU, YUZHENG, trabalhador não-residente então autorizado a prestar trabalho para a sociedade “COMPANHIA DE CONSTRUÇÃO DE OBRAS PORTUÁRIAS ZHEN HWA, LIMITADA” (Processo n.º 7470/2012); 2. O Sr. XIE, CHAOGUANG, trabalhador não-residente então autorizado a prestar trabalho para a “SOCIEDADE DE TRANSPORTES PÚBLICOS REOLIAN, S.A.” (Processo n.º 9310/2012); 3. O Sr. YANG, WEIMING, trabalhador não-residente então autorizado a prestar trabalho para a sociedade “FÁBRICA DE GELO SHIU PONG HAP SENG (MACAU), LIMITADA” (Processo n.º 2280/2013); 4. O Sr. CHAN, HONG IEONG, então trabalhador residente da sociedade “權興土木裝修工程” (romanizado em KUN HENG TOU MOK JONG SAO CONG CHENG) (Processo n.º 8111/2013); 5. A Sra. TANG NGOC PHUONG, trabalhadora não-residente então autorizada a prestar trabalho para a sociedade “VENETIAN COTAI-GESTÃO HOTELEIRA, LIMITADA” (Processo n.º 10383/2013); 6. O Sr. LICON, MICHAELITO AQUINO, trabalhador não-residente autorizado a prestar trabalho para a sociedade “COMPANHIA DE CORRIDAS DE CAVALOS DE MACAU S.A.R.L.” (Processo n.º 10869/2013); 7. A Sra. LEE, MARIBETH RAMOS, trabalhadora não-residente então autorizada a prestar trabalho para o Sr. CHENG, CHEUK KEE (Processo n.º 4215/2014); 8. O Sr. WU, JIACHENG, então trabalhador residente da sociedade “G2000 (MACAU) LIMITADA” (Processo n.º 6562/2014). Para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação do presente édito, comparecerem no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestarem as respectivas declarações dos processos instaurados relativamente ao acidente de trabalho em que os notificados foram vítimas. Mais se comunica que nos termos da alínea a) do n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código do Procedimento Administrativo, o procedimento é extinto quando por causa imputável aos notificados estes estejam parados por mais de seis meses. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 19 de Novembro de 2014. A Chefe de Departamento, Subst.ª Lam Pui Heng

NOTIFICAÇÃO EDITAL Nº 84/2014 (Exercício do direito de defesa) Considerando que não se revela possível notificar, nos termos dos artigos 10.º e 58.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, a sociedade “GOLDEN CANTON SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA”, sita na Avenida da Amizade, Edifício Casino Sands, Golden Canton Vip Club, 3.º andar - A, em Macau, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, manda notificar, nos termos do n.º 2 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, conjugado com o artigo 94.º do mesmo código, a referida sociedade, para no prazo de 15 (quinze) dias, exercer os seus direitos de audiência e de defesa por escrito quanto à seguinte eventual infração ou de rectificação exclusiva do abaixo indicada: A referida sociedade não ter entregue os recibos do pagamento de remuneração referente ao período de 1/2012 a 4/2013 à trabalhadora Zhan MiaoLing, infringindo assim o n.º 6 do artigo 63.º da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho. Do facto acima referido, nos termos da alínea 9) do n.º 1 do artigo 88.º da aludida Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho, a supracitada infracção é punida com multa de MOP$5.000,00 a MOP$10.000,00 (com multa de MOP$5.000,00 a MOP$10.000,00 por cada trabalhador em relação ao qual se verifica a infracção). Assim, pode exercer do seu direito de defesa por escrito no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte ao da publicação do presente edital. A notificação da acusação em causa pode ser levantada no DIT, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, dentro das horas de expediente, sendo também permitida a consulta do respectivo processo n.º 5149/2013. A falta da apresentação da defesa escrita pelo notificado, dentro do prazo acima referido, é aplicada a multa. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, aos 26 de Novembro de 2014. O Chefe de Departamento Lurdes Maria Sales


CHINA

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S três líderes do movimento ‘Occupy Central’ que se entregaram ontem às autoridades saíram em liberdade uma hora depois de terem entrado voluntariamente na esquadra da polícia para assumirem as consequências pelos protestos pró-democracia. “Não fomos presos, deixaram-nos sair sem restrições à liberdade”, disse à imprensa, Benny Tai, um dos três líderes do movimento iniciado há mais de dois meses, co-fundado pelo reverendo Chu Yiu-ming e pelo académico Chan Kin-man. Benny Tai explicou que lhes pediram para preencher um formulário específico sobre as actividades do “Occupy Central”, no qual deviam responder sobre a participação em iniciativas como assembleias não autorizadas, incitação ao delito ou danos criminais. “Penso que o assunto não fica arrumado hoje, mais tarde podem prender-nos e acusar-nos de crimes graves. Temos de esperar para ver”, acrescentou. O professor universitário disse que o movimento ‘Occupy Central’ia assumir uma nova abordagem para promover a causa do sufrágio universal, incluindo através da educação e de uma nova carta social. “O nosso plano é voltar à comunidade, não é regressar a Admiralty (zona de protestos) nesta altura. Só se os grupos decidirem pôr fim à ocupação é que vamos para lá para lhes prestar toda a ajuda de que necessitem”, disse, em declarações à agência espanhola Efe. Conhecido pelas suas posições críticas contra a China, o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, juntou-se ao trio do ‘Occupy Central’ e também se entregou às autoridades. Aos 82 anos, o antigo líder da Igreja Católica em Hong Kong é um apoiante declarado do movimento pró-democracia.

FILA SOLIDÁRIA

Outros cidadãos concentrados no exterior da esquadra da polícia de Central, perto

‘OCCUPY’ LÍDERES EM LIBERDADE. ESTUDANTES EM GREVE DE FOME

Novas formas de luta

Os criadores do movimento de ocupação das ruas da ex-colónia britânica saíram em liberdade uma hora depois de se terem entregue às autoridades. No entanto, segundo Benny Tai, o caso não está encerrado e poderão a qualquer momento ser detidos. Entretanto, vários jovens estudantes continuam em greve de fome de Sheung Wan, também fizeram fila para preencher os formulários e entregar-se às autoridades. Entre a meia centena de apoiantes do movimento havia membros do Partido Democrático e elementos de outros grupos cívicos. Algumas músicas de gospel foram cantadas no local, segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). Outras dezenas de opositores das manifestações pró-democracia, incluindo do movimento Justiça e Aliança de Hong Kong, liderado por Leticia Lee, promoveram um protesto no local, afirmando que os três co-fundadores do ‘Occupy Central’ prejudicaram Hong Kong. Ambos os grupos foram separados por uma forte presença policial no local.

“Penso que o assunto não fica arrumado hoje, mais tarde podem prender-nos e acusar-nos de crimes graves. Temos de esperar para ver” BENNY TAI Líder do movimento “Occupy”

O Governo central de Pequim autorizou o sufrágio universal para as próximas eleições para o chefe do executivo em Hong Kong, em 2017, mas sob o pressuposto de que os candidatos sejam seleccionados por um comité eleitoral, uma condição rejeitada pelos manifestantes pró-democracia, que desde o final de Setembro ocupam várias artérias na antiga colónia britânica.

Hong Kong a retomar o diálogo com os manifestantes sobre o sufrágio universal para as próximas eleições

para o chefe do Executivo, a realizar em 2017. “Não estamos a dizer que vamos fazer greve de

“Queremos que as pessoas saibam que a greve de fome que estamos a fazer é séria. Queremos atrair a atenção da população novamente para o “movimento dos guarda-chuvas” JOSHUA WONG

fome até conseguirmos o sufrágio universal. Só (queremos) reiniciar o diálogo”, sublinhou o jovem líder estudantil, de 18 anos. Tanto Wong como as duas jovens em greve de fome disseram que vão manter essa forma de protesto, apesar de já terem começado a ter sintomas de cansaço e vómitos. Uma das estudantes, Prince Wong Ji-yuet, de 17 anos, vomitou hoje duas vezes no espaço de uma hora. “A equipa médica disse-me que talvez ainda não me tenha habituado”, afirmou. Joshua Wong adiantou que só vão beber água ou alguma solução de glicose em caso de recomendação dos médicos. “Queremos que as pessoas saibam que a greve de fome que estamos a fazer é séria. Queremos atrair a atenção da população novamente para o “movimento dos guarda-chuvas”, disse.

ESTUDANTES EM JEJUM

Entretanto, três estudantes em greve de fome enviaram uma carta aberta ao líder do Governo para pedir a retoma do diálogo sobre a reforma política. A carta aberta foi endereçada ao chefe do executivo, CY Leung, pelo líder do movimento Scholarism, Joshua Wong, e por outras duas estudantes que estão há mais de 40 horas em jejum, noticiou a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong. Joshua Wong disse ontem em conferência de imprensa que mais jovens estão a pensar fazer greve de fome para pressionar o governo de

MANUEL ALEXANDRE CARDOSO Agradecimento A família enlutada de Cardoso vem dolorosamente comunicar o falecimento do seu esposo, pai, irmão e cunhado MANUEL ALEXANDRE CARDOSO, ocorrido no passado dia 2 de dezembro. Deixa viúva, Ca Tin Ip Cardoso, filhos, vitório, noel, vitória, irmãos, cunhados e cunhadas. As cerimónias fúnebres realizar-se-ão no dia 4 de Dezembro de 2014 (5ª. feira), pelas 20h00 na casa mortuária da Diocese de Macau, com missa de corpo presente, e o enterro, no dia 5 de dezembro (6ª. feira), pelas 11h00 na capela do Cemitério São Miguel Arcanjo. A família enlutada agradece a presença dos seus amigos nestes piedosos actos.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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MUDANÇA OCEÂNICA, A OUTRA GRANDE AMEAÇA AMBIENTAL Poluição, pesca industrial predatória e acidificação estão a devastar a vida marinha. Há saída: deixar de ver oceanos como “terra de ninguém”, sujeita à exploração dos mais fortes

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M 21 de Setembro de 2014, centenas de milhares de pessoas mobilizaram-se em 158 países numa “Marcha dos povos pelo clima”. Convocado para dois dias antes do início dos trabalhos da Cimeira sobre o Clima da ONU, em Nova Iorque, este foi o maior evento pela justiça climática já organizado no mundo. Integrantes deste poderoso movimento irão expandir as suas actividades ao longo dos próximos meses, até à organização, em Paris, entre 30 de Novembro e 11 de Dezembro de 2015, da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Cop21).

Agora, a questão das mudanças climáticas entrou – finalmente – na agenda política e dos media global. Talvez tarde demais, mas enfim… Em torno deste tema crucial, espalha-se, nas nossas sociedades, um amplo e saudável debate sobre a espinhosa questão do nosso modelo de desenvolvimento. Mas uma outra ameaça, infelizmente menos percebida, paira perigosamente sobre o planeta: a mudança oceânica. Lembremo-nos, os oceanos produzem metade do oxigénio que respiramos, graças especialmente aos fitoplânctons. Eles absorvem mais de um quarto do dióxido de carbono que emitimos na atmosfera. Em 2013, essas emissões de CO² atingiram um novo e trágico recorde. Três mil milhões de pessoas dependem, para a sua existência, dos mares, e 350 milhões de postos de trabalho estão directamente ligados a eles. Os litorais são os nossos principais centros populacionais e abrigam a maior parte da infra-estrutura necessária às actividades humanas. Mais de um terço do petróleo consumido pela humanidade, e um quarto do gás natural, provêm das zonas submarinas. Como lembra um relatório recente publicado pela Comissão Oceânica Mundial (Global Ocean Comission), intitulado “Do declínio à restauração – Um

plano de resgate para o oceano mundial”1, “não é exagero afirmar que todas as formas de vida sobre a Terra, aí compreendida a nossa própria sobrevivência, dependem do bom estado e das riquezas do oceano. A diversidade biológica que ele contém é praticamente inestimável. Assim, somos milhares de milhões a necessitar dele como fonte de alimento, oxigénio, estabilidade climática, chuvas e água potável, de transporte e energia, de lazer e meio de subsistência. “A nossa dívida vital para com o oceano é enorme. Mas o nosso maior ecossistema – os oceanos cobrem cerca de três quartos do globo – corre agora um grande risco. Num artigo de título eloquente – “Sea Change: The Ecological Disaster That Nobody Sees” (“Mudança oceânica: o

AGORA, A QUESTÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS ENTROU – FINALMENTE – NA AGENDA POLÍTICA E DOS MEDIA GLOBAL. TALVEZ TARDE DEMAIS, MAS ENFIM…

desastre ecológico que ninguém vê”) 2, o jornalista norte-americano Richard Schiffman observa que “mantemo-nos muito bem informados sobre o facto de que a nossa civilização industrial desestabiliza o clima terrestre, mas pouco se sabe sobre a existência de outro desastre ambiental em curso: a crise mundial dos oceanos”. Baseando-se também nas conclusões alarmantes do relatório da Comissão Mundial do Oceano, ele soa o alarme: “Especialistas dizem que já estamos diante de um processo de extinção de espécies nos oceanos que poderia rivalizar com o da “Grande extinção” do Permiano (há 250 milhões de anos), quando 95% das espécies marinhas desapareceram devido aos efeitos combinados de elevação da temperatura, acidificação, perda de oxigénio e destruição do habitat – todas elas condições que enfrentamos hoje”. A situação é grave. Mas desta vez, algumas décadas de actividade humana serão suficientes para nos conduzir em directo ao abismo. Como sublinha a Comissão, “o nosso oceano está em declínio. A destruição dos habitats, a perda da biodiversidade, a sobrepesca, a poluição, as mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos levam o sistema oceânico à ruína. A governança é total-


artes, letras e ideias 15

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Christophe Ventura

in Esquerda.net

MAIS DE UM TERÇO DO PETRÓLEO CONSUMIDO PELA HUMANIDADE, E UM QUARTO DO GÁS NATURAL, PROVÊM DAS ZONAS SUBMARINAS mente inadequada e, em alto mar, a anarquia reina sobre as ondas.” Acrescenta-se: “O progresso tecnológico e a regulação inexistente alargam o fosso entre ricos e pobres: certos países são capazes de explorar os recursos, que diminuem, enquanto os que não têm meios sofrem as consequências. A estabilidade regional, a segurança alimentar, a resiliência climática e o futuro dos nossos filhos encontram-se todos em risco.” O documento identifica cinco factores principais que, agindo de modo combinado, prometem, pelo andar da carruagem, colocar o oceano mundial em declínio irreversível. Trata-se de: a) explosão da procura de recursos; b) desenvolvimento de meios técnicos de operação e exploração que são usados numa lógica exclusivamente movida pela busca de lucro sem limites; c) redução dos stocks de peixes; d) alterações climáticas e e) falta de regulamentação das zonas de alto mar, que representam 64% da superfície marítima do mundo. Mantido fora de todas as jurisdições nacionais, esse espaço – que “desempenha (…) função essencial à manutenção da vida em áreas localizadas dentro dos limites da jurisdição nacional dos Estados costeiros” – está sujeita a todo tipo de

saque: excesso de extração de recursos, sobrepesca 4, poluição – particularmente pelos plásticos 5 – etc. Conforme os autores do relatório, “se o princípio da ‘liberdade no alto mar’ evocou noutros tempos imagens de aventura e oportunidade, ele hoje transmite a imagem da implacável ‘tragédia dos bens comuns’ caracterizada pela destruição dos stocks de peixes e outros preciosos recursos marinhos. A liberdade é explorada por aqueles que têm os meios financeiros e oportunidade, protagonizando a falta de prestação de contas e de justiça social”. Nesse contexto, as mudanças climáticas produzem fenómenos perigosos e incontroláveis. Elas estimulam um processo de acidificação das águas. A elevação dos níveis de CO² na atmosfera intensifica a sua presença no mar, mecanicamente, para em consequência modificar, pouco a pouco, o equilíbrio do carbono. Esta acidificação, cuja taxa nunca foi tão elevada em 300 milhões de anos, já afecta o equilíbrio vital de grande quantidade de espécies vivas (corais, moluscos e plânctons que produzem o nosso oxigénio), destruindo os seus esqueletos e conchas, constituídos de carbonato de cálcio. Eventualmente, uma grande elevação da temperatura global devastará a vida marinha. Assim, segundo a Comissão, “é a própria vida do oceano mundial, do menor fitoplâncton às grandes baleias, que é afectada” por essas “mudanças sem precedentes nas condições químicas e físicas [que] já afectam a distribuição e abundância de organismos e ecossistemas marinhos”. E Richard Schiffman resume, criteriosa-

mente: “Menos plâncton significa menos oxigénio e mais dióxido de carbono na atmosfera, o que reforça o ‘ciclo vicioso das mudanças climáticas’”. O aquecimento da atmosfera acelera, igualmente, o aquecimento dos oceanos. Tendo armazenado cerca de 90% da energia devida ao aquecimento da temperatura terrestre no decorrer das últimas décadas, eles viram a temperatura média da sua superfície aumentar 0,7°C num século. Estima-se que, em algumas áreas, este aumento atingirá mais de 3° C até o final do século 21. Este fenómeno perturba directamente o equilíbrio alimentar nas profundezas do oceano e afectará gravemente a segurança alimentar proveniente da pesca. Para a Comissão “isso tem (…) consequências alarmantes sobre a vida dos oceanos e constitui, provavelmente, o maior desastre ambiental invisível do nosso tempo.”

REDUZIR AS EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA NÃO É, PORTANTO, APENAS UM IMPERATIVO PARA O CLIMA. É TAMBÉM URGENTE PARA SALVAR O PRINCIPAL ECOSSISTEMA, INDISSOLUVELMENTE LIGADO ÀS CONDIÇÕES DA NOSSA PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA

Um segundo relatório, este publicado pela Organização Metereológica Mundial (OMM) 6, confirma as sombrias previsões da Comissão Oceânica Mundial. Ele também afirma que “é provável que o aquecimento do oceano tenha efeitos directos sobre a fisiologia dos organismos marítimos”, e aponta uma terceira consequência negativa do aquecimento global: a desoxigenação dos oceanos. O efeito combinado de elevação da temperatura e acidificação altera a presença do oxigénio na água. A sua quantidade deveria, assim, conforme o lugar, baixar de 1% a 7% no decorrer do século. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa não é, portanto, apenas um imperativo para o clima. É também urgente para salvar o principal ecossistema, indissoluvelmente ligado às condições da nossa própria sobrevivência. Para preservar os oceanos, devemos ao mesmo tempo lutar contra o aquecimento global, a poluição, a superexploração selvagem dos seus imensos recursos, regulamentar a pesca mundial, as zonas de alto mar etc. Mas, sobretudo, pode-se dizer algo, tanto em relação aos oceanos quanto ao clima. Para salvá-los, e fazer deles “a nova fronteira da humanidade”, necessária a um desenvolvimento futuro, num contexto de expansão planeada, e “uma roda motriz para a recuperação das [suas] actividades” 7, há apenas uma solução: mudar o sistema. Artigo de Christophe Ventura, publicado em Mémoire des luttes. Tradução de Inês Castilho, para Outras Palavras


DESPORTO

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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relvado do Campo da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau acolhe ao final da tarde de hoje a segunda mão da edição de 2014 do Interport de Futebol entre a selecção de Macau e a sua congénere de Guangdong.Aprimeira mão da competição disputou-se no sábado na vizinha província continental, com a formação orientada por Leung Sui Wing a perder por três bolas a uma. O desafio pautou a estreia de Filipe Duarte com a camisola da selecção do Lótus. O influente jogador, nascido em Portugal, desvaloriza a derrota e louva a juventude e o espírito de entrega da selecção do território: “Foi um jogo difícil porque Cantão tinha uma boa equipa. Nós também temos uma equipa combativa, com muitos jovens jogadores de qualidade e acredito que se dermos tempo ao tempo, a equipa vai melhorar muito. Precisamos de mais jogos, de competir mais para melhorar”, acredita o mais recente internacional de Macau. Aos 29 anos, o defesa central da Casa do Sport Lisboa e Benfica aceitou o repto de representar o território a título internacional, depois de ter jogado com a camisola da selecção portuguesa em

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FILIPE DUARTE ESTREOU-SE NO SÁBADO COM A CAMISOLA DO LÓTUS

Só a vitória interessa na recepção a Guangdong todos os escalões de formação. O atleta encarnado, que actuou por seis vezes nos Sub-20 lusos, está confiante num triunfo esta noite, no encontro da segunda mão do Interport Macau-Cantão: “No relvado da Universidade de Ciência e Tecnologia, o jogo vai ser diferente. O grupo de trabalho parte para a partida com um único pensamento, a vitória. É para vencer que vou jogar, caso mereça a confiança do treinador e os meus colegas também é o triunfo que têm em mente. Ninguém pensa em ganhar ou empatar”, garantiu o habitual capitão do Benfica em declarações à Ou Mun Tin Si Toi, o canal em língua chinesa da TDM.

território. O defesa central do Benfica de Macau diz que pode, sobretudo, transmitir experiência ao colectivo às ordens de Leung Sui Wing: “Sou provavelmente o jogador mais velho que integra esta selecção e acho que posso contribuir para a equipa sobretudo com alguma experiência. Penso que este grupo daqui a três, quatro anos pode tornar-se muito forte”, sustenta o atleta. A segunda mão do Interport entre Macau e Cantão está agendada para as sete da tarde e a selecção do território tem pela frente uma tarefa titânica, ao ter que dar a volta a uma desvantagem de três bolas a uma para garantir o triunfo na competição. O avançado Nicolas Torrão, companheiro de equipa de Filipe Duarte na Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau, marcou no sábado o único golo da formação do Lótus.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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EXPERIÊNCIA PARA OFERECER

Filipe Duarte diz-se honrado por ter sido chamado ao grupo de trabalho da selecção do

Diego não resistiu. Na mais profunda solidão, abandonado, o avançado paraguaio de 32 anos cedeu ao avanço de uma infecção incontrolável. Foi há dois anos, a 3 de Dezembro de 2012, na Indonésia. A história de Diego Mendieta merece ser contada e recontada as vezes necessárias. Acaba de forma trágica, profundamente triste, mas deve funcionar de aviso para todos os que, de uma ou de outra forma, decidem tentar a sorte num país desconhecido. Sem espaço nem expectativas no futebol paraguaio, Mendieta partiu para o futebol indonésio no verão de 2012. No currículo levava passagens por clubes modestos: River Plate de Assunção, Pettirossi e Sportivo Iteño.

Diego Mendieta O avançado que morreu sozinho Instalou-se na cidade de Solo, a 50 quilómetros da capital Jacarta, e assinou pelo Persis. Para trás deixou a esposa e dois filhos, de um e três anos. Quando se despediu da família, fê-lo pela última vez. O campeonato da Indonésia atravessou momentos caóticos nesse mesmo ano. Vários clubes afastaram-se da liga profissional e formaram um campeonato privado. O Persis Solo, de Diego Mendieta, foi um deles. A anarquia gerou discussão e a discussão apressou a insalubridade financeira. Os clubes rebeldes deixaram de cumprir os seus compro-

missos. No dia em que os sintomas da doença atacaram Diego, o jogador de 32 anos não recebia há quatro meses. «Ele foi hospitalizado três vezes, disseram-lhe que tinha febre tifóide. Mas ele não tinha dinheiro para pagar a medicação. Enviei-lhe 500 dólares uma semana antes de saber que ele tinha morrido», contou a viúva, Valéria Álvarez, à BBC. A doença era perfeitamente tratável na fase inicial. Bastava a Diego ter tomado os remédios adequados. O seu clube ficou a dever-lhe 15 mil dólares (cerca de 12 mil euros) e isso fez toda a diferença.

Cristiano Ronaldo “Falta-me um título pela Selecção”

Com uma carreira recheada de títulos, Cristiano Ronaldo espera ainda conquistar um troféu com a camisola da Selecção Nacional. «Todos os anos tenho a oportunidade de ganhar títulos e, enquanto jogar futebol, quero ganhar o máximo possível. Faltame um título importante pela selecção. Tivemos uma oportunidade em 2004 mas perdemos na final. Oxalá tenha mais uma oportunidade», disse o avançado do Real Madrid em declarações ao jornal AS. Sobre a Bola de Ouro, prémio que distingue o melhor jogador do ano que recebeu em Janeiro para o qual volta a estar entre os três finalistas: «Os prémios são o reconhecimento de um colectivo que funcionou bem, por isso, obviamente, gostava de ganhar.»

SLB Jara pode servir de moeda de troca por Correa

Joaquín Correa, argentino de 20 anos do Estudiantes, continua na órbita dos encarnados e prosseguem os contactos entre a SAD do Benfica e o clube de La Plata tendo em vista uma possível transferência, conforme noticia A BOLA. O Benfica estará interessado em colocar no processo o avançado Franco Jara, muito apreciado na Argentina, em particular no Estudiantes, e que esta temporada praticamente não tem recebido minutos por parte de Jorge Jesus. Nas próximas semanas, o presidente do Estudiantes, Juan Sebástian Verón, poderá mesmo deslocarse a Lisboa para tentar abrir oficialmente uma frente negocial.

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Owing to continued growth, we are seeking English speaking, qualified and experienced teachers of Cambridge IGCSE, AS and A level subjects for the 2015/2016 school year: - English language and English Literature - Mathematics - Physical Education - History - Geography - Art - Music Candidates must have degrees specific to the subject and full teaching qualifications. 2. We are also seeking kindergarten and primary fully qualified teachers including a primary ICT Specialist and a primary Music teacher. MAC is an English medium school which offers an attractive salary package including a housing allowance for non-Macau residents, small class sizes and a multicultural Christian ethos. Send cover letter, CV, documents and contactable referees to cissychan@acm.edu.mo or fax 85328850022. In your application letter, kindly state how you meet all the above requirements. Include the names of two contactable referees.

Anúncio Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico e Apoio pecuniário para o ano de 2011

1.

1.

O prazo limite para a apresentação do pedido de atribuição do Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico e do Apoio pecuniário para o ano de 2011 é fixado em 31 de Dezembro do corrente ano.

2.

Os indivíduos que satisfaçam os requisitos de atribuição, mas não tenham ainda formulado o pedido, devem dirigir-se até ao termo do prazo supracitado ao Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, n.ºs 762-804, Edifício “China Plaza”, 2.º andar, Macau, para efeitos de tratamento das respectivas formalidades.

3.

Por último, solicita-se que os cheques ainda não sacados sejam apresentados, com a maior brevidade, junto de qualquer instituição bancária de Macau. Macau, ao 01 de Dezembro de 2014.


( F ) UTILIDADES

hoje macau quinta-feira 4.12.2014

TEMPO

PERÍODOS

DE

C H U VA

Cineteatro

CINEMA

MIN

11

MAX

14

HUM

75-95%

•

EURO

9.8

BAHT

0.2

ESTREIA DE DOCUMENTÁRIO SOBRE MIO PANG FEI Cinemas UA Galaxy, 19h00

Com: Sammo Hung, Eddie Peng, Zhang Jin, Angelababy 14.15, 21.30

Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 14.30, 21.00

THE THEORY OF EVERYTHING [B]

VISUALIZAÇÃO DAS CURTAS DO SOUND & IMAGE CHALLENGE DA CREATIVE MACAU Museu de Arte de Macau, 11h00 – 13h30 e 14h00 – 16h00 Entrada livre

Um filme de: James Marsh Com: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Emily Watson, Charlie Cox 16.45, 19.15

EXODUS: GODS AND KINGS [3D] [C] Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 18.00

SALA 3

THE BEST OF ME [B]

Um filme de: Michael Hoffman Com: Michelle Monaghan, James Marsden, Luke Bracey 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA 2

RISE OF THE LEGEND [C] (FALADO EM MANDARIM, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS)

Um filme de: Chow Hin Yeung

ACONTECEU HOJE

1.2

O QUE FAZER ESTA SEMANA

EXODUS: GODS AND KINGS EXODUS: GODS AND KINGS [C]

?

YUAN

• Hoje SALA 1

17

• Sábado STANDARD & LATIN DANCE MUSIC SHOW Pavilhão desportivo do Tap Seac, 20h00 às 22h00 100 patacas

4 DE DEZEMBRO

BE THREE GRASSOPER (CONCERTO) Venetian, 20h00 Bilhetes a partir de 280 patacas REGGAE SESSION II Hot Rod Café, 22h00 Entrada livre

Morre Francisco Sá Carneiro num acidente aéreo em Lisboa • As circunstâncias da morte de Sá Carneiro, que nasceu no Porto e deu, por isso, o nome ao aeroporto, nunca foram completamente esclarecidas. O avião no qual seguia despenhou-se em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa, quando Sá Carneiro se dirigia ao Porto para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da coligação AD, o General António Soares Carneiro. Juntamente com ele faleceu o Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, bem como a sua companheira Snu Abecassis, para além de assessores, piloto e co-piloto. Sá Carneiro gravara uma mensagem de tempo de antena onde exortava ao voto no candidato apoiado pela AD, ameaçando mesmo demitir-se caso Soares Carneiro perdesse as eleições (o que viria de facto a suceder três dias mais tarde, sendo assim o General Eanes reeleito para o seu segundo mandato presidencial). A 13 de Julho de 1981, Sá Carneiro foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, a 17 de Março de 1986 com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a 20 de Dezembro de 1990 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Trinta anos depois dos acontecimentos, contudo, continuam a existir duas teses relativas à sua morte: a de acidente (eventualmente motivado por negligência na manutenção do avião), ou a de atentado. A 8 de Abril de 2012, José Esteves recebeu de Fernando Farinha Simões uma confissão com 18 páginas, que afirma que a CIA e Oliver North estavam por trás da conspiração para colocar uma bomba no avião, porque Adelino Amaro da Costa estava prestes a denunciar as manobras secretas da CIA no comércio de drogas e de armas que secretamente passavam por Portugal. Neste dia, mas em 1917, a Finlândia declara a sua independência da Rússia.

• Domingo

H O J E H Á F I L M E

COUNT BASIE ORCHESTRA AO VIVO NO VENETIAN Venetian Teathre, 19h45 Bilhetes a partir de 200 patacas

“THE ORANGES” (JULIAN FARINO, 2011) Famílias perfeitas não as há e é mesmo isso que ‘The Oranges’ mostra, ainda que lhe acrescente um toque de comédia e surrealismo. O filme, narrado por Alia Shawkat no papel de Vanessa, conta a história da relação íntima entre duas famílias cujos cônjuges são melhores amigos... Até ao dia em que descobrem que Nina, a filha pródiga da família Ostroff, está a viver um romance breve e intenso com David Walling (Hugh Laurie), marido e pai distante, descontente com a vida que leva. É a partir do dia em que Nina volta para casa – depois de vários anos a viajar pelo mundo – que tudo muda em New Jersey. A aproximação da época festiva do dia de Acção de Graças, do Natal e do Ano Novo faz com que todos os elementos das duas famílias entrem em colapso. Realizado por Julian Farino em 2011, ‘The Oranges’ mostra as diferentes reacções de filhos, pais, mães e melhores amigos face a uma desilusão provocada por uma traição comum. ‘The Oranges’ faz-nos pensar sobre a vida e aquilo que queremos dela: amor e uma cabana ou uma vida aparentemente feliz, mas vazia de paixão e vontade? - Leonor Sá Machado

João Corvo

fonte da inveja

O vinho é a alma do meu ócio.

CORO PEROSI AO VIVO Igreja de São Domingos, 20h00 Entrada livre

• Diariamente EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre EXPOSIÇÃO PÁSSAROS DE MACAU, DE JOÃO MONTEIRO (ATÉ DIA 29/12) Consulado-geral de Portugal em Macau Entrada livre WORKSHOP DE LANTERNAS TRADICIONAIS (ATÉ DIA 13/12) Albergue SCM, das 19h00 às 21h00 Entrada livre EXPOSIÇÃO “REGIÃO OBSCURA” DE HEIDI LAU Museu de Arte de Macau Entrada livre


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OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 4.12.2014

bairro do oriente

LEOCARDO

Toma lá o PIB, dá cá a face ALEXANDER MACKENDRICK, SWEET SMELL OF SUCCESS

N

A semana passada abordei o tema da “face”, esse valor quase sagrado na cultura chinesa, um dos poucos bens, senão mesmo o único, inquantificável, intransmissível e inalienável. Contas com dinheiro são uma ciência exacta, mas já as contas da “face” remetem-nos para os meandros da metafísica. Se fizer um favor a um chinês e ele quiser recompensá-lo, pode recusar uma vez, por educação, dizendo-lhe que “não tem importância”, mas se ele insistir, é melhor aceder, pois significa que ele lhe está a pedir para você “lhe dar cara” - a “face” dos outros não se guarda, e quanto mais rapidamente a devolver, melhor. E isto de “dar cara” tem muito que se lhe diga, pois até neste particular olha-se a quem antes de fazer o bem. Assim há pessoas a quem “não é preciso dar cara”, ou seja, alguém a quem é indiferente o que pensa ou o que diz de quem supostamente lhe fez perder “face”. Olhemos para nós, cá para dentro da nossa casa, e para a qualidade de vida que temos em Macau. Depois olhemos para os in-

dicadores do Banco Mundial, que nos dizem que a RAEM tem o quarto maior PIB “per capita” do mundo, à frente de países como a Suíça, a Austrália e o Canadá. Não vivemos tão bem como os suíços, os australianos ou os canadianos, longe disso, portanto onde são aplicadas as 60 mil patacas mensais que segundo o Banco Mundial cada residente produz é uma incógnita, mas não vemos quase ninguém a fazer essa pergunta. Por outro lado persiste a animosidade quanto ao número cada vez maior de trabalhadores não-residentes (TNR), cuja maioria aufere rendimentos dez, quinze ou até vinte vezes inferiores aos números do PIB “per capita”. Nem os TNR entram na equação do Banco Mundial, nem os residentes de Macau se im-

portam que se façam “contas de mercearia” na hora de distribuir a riqueza, mas ai dos filipinos, indonésias e afins se por acaso o Governo lhes atribui um subsidio extra de 100 ou 200 patacas (a serem pagas pelo empregador, lógico), que não se livram do habitual “voltem mas é para a vossa terra!”, sentença padrão do tribunal popular local. Ainda dentro desta esfera dos “forasteiros” há ainda outro fenómeno interessante: os turistas do continente, os tais que tornam a via pública impossível de circular à vontade e esgotam o estoque de leite em pó das prateleiras dos supermercados e das farmácias. São um estorvo para os residentes, mas sem eles não tínhamos o tal PIB que outras economias certamente invejarão. No fim da vindima o

A RAEM tem o quarto maior PIB “per capita” do mundo, à frente de países como a Suíça, a Austrália e o Canadá. Não vivemos tão bem como os suíços, os australianos ou os canadianos, portanto onde são aplicadas as 60 mil patacas mensais que (...) cada residente produz?

dinheiro ganha sumiço, e são os residentes quem mais sofrem com a maré de visitantes. Conclusão: a culpa é destes últimos, e o facto de existirem terceiros que lucram estupidamente com isto e não precisam de andar na rua ou comprar leite em pó é irrelevante; não se trata aqui de uma questão de milhões ou de centenas de patacas, mas de quem beneficia como se atrevem em vir de lá de não se sabe de onde para nos enganarem numa pataca que seja? É que a estes não é preciso “dar cara”. Os taxistas, uma espécie de novéis “maus da fita” cá do burgo, também conhecidos por “corsários do asfalto” pela forma despreocupada com que cobram tarifas criminosas pelas corridas, e ainda inflacionadas conforme a urgência do utente (se não passassem de uns pindéricos armados em espertalhões, eu até diria que leram Maquiavel), são um dos grupos que mais sai a ganhar neste “jogo da face”. O problema não é de todo recente, e já se falava de taxistas desonestos que “pescavam” clientes e cometiam outras trafulhices praticamente desde a inauguração dos primeiros hotéis-casinos das concessionárias norte-americanas, já lá vão quase dez anos. Acontece que a forma com que se encaram estas questões em Macau - e agora permitam-me que recorra a um pouco de (mau) humor negro - é semelhante à do doente a quem é diagnosticado um tumor maligno, e quando lhe perguntam quando deseja iniciar o tratamento ele responde: “depois do funeral” - foi a mesma coisa com a especulação imobiliária, enfim. Reparem como a única associação que tem feito alguma pressão para o Governo meter os taxistas na linha partiu da iniciativa de estrangeiros a viver no território, enquanto os locais, mesmo reconhecendo a existência do problema, encolhem os ombros. E onde estão os democratas para convocar pelas redes sociais uma manifestação de vinte mil alminhas que leve o Executivo a procurar soluções de forma convicta, em vez de andar a propor timidamente “medidas” que não passam do papel e não são mais que paninhos quentes? Mais depressa convocam uma manifestação a favor dos direitos dos animais ou dos LGBT – a comparação entre ambos é meramente acidental. Mas não se pense que os nativos de Macau, vulgo “oumunyan”, são permissivos e mansinhos. Se viajam para o continente, Tailândia ou outro país da região põem as tripas de fora a regatear dez yuan por uma camisola ou trinta baht a mais por uma viagem de táxi que convertida ao nosso câmbio e atendendo à realidade em que vivemos é tão barata que parece quase uma boleia. O que se passa é que os tais taxistas da RAEM são desonestos, mas são dos nossos, “da malta”. Lá fora é outra conversa, e é preciso dar o exemplo, bem como marcar o nosso território. É que até nestas coisas de “espremer o sumo” aos turistas, há que atender ao “pedigree”; .Não se esqueçam que afinal viemos da economia com o quarto maior PIB “per capita” do mundo. Respeitinho, meus meninos, respeitinho...


opinião 19

hoje macau quinta-feira 4.12.2014

Rui Tavares

in Público

Corrupção e corrosão

A

corrupção contribui para a corrosão, ou seja, o minar da credibilidade das instituições públicas. Mas a corrosão não se dá apenas por efeito de crimes, ou actos ilegais. Vamos voltar aqui a um dos grandes escândalos morais dos dias de hoje, emblematizado pelo caso Luxleaks. É tudo perfeitamente legal. Alguns países europeus — por acaso, entre eles aqueles que exigem austeridade aos outros para que equilibrem as contas — organizam-se com as multinacionais para, por debaixo da mesa, roubar aos outros os impostos sobre as transacções que se realizam no território das vítimas. É claro, “roubar” e “vítimas” são palavras aqui usadas com certo risco: se é tudo legal, não há roubo, e se não há roubo não há vítimas. Mas então que chamar às centenas de milhares de milhões de euros que já se comprovou que saem dos nossos países em direcção, pelo menos, ao Luxemburgo, para que não paguem impostos? Se há razão para minar a credibilidade

cartoon por Stephff

da União Europeia, é esta. Ao olhar para os números da evasão fiscal e do planeamento fiscal agressivo, facilmente entendemos que aquilo por que passámos nos últimos anos poderia ter sido, se não inteiramente evitado, pelo menos grandemente minorado. De caminho entendemos que é ridículo combater a evasão fiscal com carros sorteados por facturas de cabeleireiro, quando as multinacionais fogem com todo o dinheiro que entendem por cima das nossas cabeças — e mesmo as grandes empresas nacionais o fazem através da Holanda. Compreendemos ainda que, a este respeito, o centrão europeu está bem e recomenda-se. O homem central no escândalo Luxleaks é o novo presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro e ministro das Finanças do Luxemburgo Jean-Claude Juncker — o mesmo que enquanto presidente do Eurogrupo presidiu à invenção das troikas. Ele é agora apoiado pelo Partido Popular Europeu, pelos socialistas e pelos

É ridículo combater a evasão fiscal com carros sorteados por facturas de cabeleireiro, quando as multinacionais fogem com todo o dinheiro que entendem por cima das nossas cabeças — e mesmo as grandes empresas nacionais o fazem através da Holanda liberais. E, já agora, percebemos também que as posições sobre isto não são determinadas por lealdades nacionais: há políticos dos países do Sul a defender Juncker, tal como sempre encontrei colegas holandeses

dispostos a denunciar o seu próprio país enquanto paraíso fiscal e ladrão de impostos de empresas portuguesas. Bem, mas as coisas podem mudar agora. Se ainda escapava a justificação dos partidos do centrão europeu para não apoiar uma moção de censura contra Juncker para não dar uma vitória à extrema-direita, não se entende a nova trincheira de populares, socialistas e liberais europeus: impedir a formação de uma comissão de inquérito ao escândalo Luxleaks. Ao optarem por um mero relatório de iniciativa que pouco efeito terá, estes partidos estão a franquear a linha entre não demitir Juncker e serem objectivamente seus cúmplices, ajudando-o a livrar-se do escândalo. Isto é particularmente grave por parte dos socialistas europeus dos países-vítimas. Se o caso também o preocupa, use as ferramentas da democracia. Escreva pelo menos a todos os eurodeputados portugueses — os endereços de email são públicos — e peça-lhes para apoiarem a comissão de inquérito ao escândalo Luxleaks. Não aceite que lhe fujam com os impostos, e não aceite que lhe fujam sem uma resposta.

A LUTA CONTINUA

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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