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hojemacau
Q U I N TA - F E I R A 3 1 D E J U L H O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 1 4 3
REFERENDO
Quando o juiz não decide POLÍTICA PÁGINA
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RAEM DESCE NA CLASSIFICAÇÃO DAS MELHORES CIDADES CHINESAS
A BELA E OS MONSTROS ANTÓNIO FALCÃO
O charme de Macau vai-se esbatendo à medida que a poluição e as rendas ganham terreno. Mudanças precisam-se.
FUNDAÇÃO MACAU
Para onde vai o dinheiro PUB
Os subsídios atribuídos pela FM no segundo trimestre deste ano atingiram mais de 500 milhões de patacas. A MUST lidera a lista dos maiores beneficiados. SOCIEDADE PÁGINA 6
PÁGINAS 2 E 3
EXPOSICÃO ´ no Albergue Kristina Mar
A MOSTRA da artista há vários anos radicada na Ásia, inspirada no livro de Fernanda Dias, “Yi Jing - O Sol, a Lua e a Via do Fio de Seda”, pode ser vista até ao fim de Agosto no Bairro de São Lázaro.
EVENTOS PÁGINA
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REPORTAGEM
hoje macau quinta-feira 31.7.2014
HOJE MACAU
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MACAU HABITAÇÃO E POLUIÇÃO JUSTIFICAM QUEDA NO ‘RANKING’ DAS MELHORES CIDADES PARA VIVER NA CHINA
A esperança é a última a morrer De um ano para o outro, a RAEM perdeu dois lugares cimeiros no que diz respeito às melhores cidades chinesas para viver e às com melhor ambiente ecológico. Especialistas e residentes apontam a habitação e a poluição como as principais responsáveis, a par de falhas políticas, mas alertam: ainda há esperança para Macau
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
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ODOS os anos, a situação económica, comercial, habitacional, ecológica e sustentável de 294 cidades chinesas é analisada. Em 2013, Macau ficou em primeiro lugar no ‘ranking’ da “Competitividade das Cidades Ecológicas”, tendo arrecadado a segunda posição no top das “Cidades Chinesas Adequadas para Viver”. Os resultados são parte de um estudo – o “Relatório da Competitividade das Cidades Chinesas” – publicado pela Faculdade de Ciências Sociais da China e pela Imprensa Académica de Ciências Sociais. Mas, um ano depois, a situação da RAEM mudou: o relatório de 2014 mostra uma queda de Macau do topo das melhores. O território caiu para 12º. lugar na lista das “Cidades Chinesas Adequadas para Viver” e para terceiro lugar no que à “Competitividade das Cidades Ecológicas” diz respeito. O que mudou? Para Imfan, jovem licenciada da Universidade de Macau, a situação da habitação e da polui-
ção não merecem colocar Macau num lugar cimeiro. “Adquirir ou arrendar uma casa em Macau é demasiado caro, ocupa a maior parte dos rendimentos de uma pessoa”, começa por dizer Imfan ao HM. Os preços das casas têm aumentado exponencialmente e a diferença entre 2013 e 2014 é notória e pode ser uma das explicações para a queda de lugares: nos primeiros quatro meses deste ano o preço do metro quadrado encareceu 24,45% face ao mesmo período do ano passado, segundo registos da Direcção dos Serviços de Finanças. Mas, a situação da habitação não é a única a preocupar a jovem. “Em Macau, a densidade populacional é alta e muitos casinos e prédios estão em construção, o que faz com que o ar esteja cada vez mais com pior qualidade”, disse Imfan. A jovem admite que considera o clima de Macau adequado para viver – por não ser “nem muito quente” no Verão, “nem muito frio” no Inverno. “Como Macau é uma cidade pequena, é muito conveniente para conseguir che-
gar a um destino, tanto andando a pé ou de transportes públicos, até porque existem carreiras de autocarros de 24 horas todos os dias. Para fazer compras ou comer também é muito acessível”, diz-nos, apontando o que de melhor, na sua opinião, Macau tem. Mas, será que a habitação e a poluição foram as únicas responsáveis pela queda de Macau nos ‘rankings’? Além dos dados das classificações, como é que os especialistas e a população em geral vêem Macau? Para o director da Associação Económica de Macau, Joey Lao, se compararmos os rendimentos e o preço dos imóveis de Macau com outras cidades chinesas, vemos que “os preços são altos e é difícil serem aliviados a curto-prazo, no mercado imobiliário privado”. O responsável explica ao HM que “os residentes de Macau não têm dificuldades em estudar e trabalhar, mas sofrem grande pressão quando chega a hora de comprar uma casa”. Entretanto, acrescenta, a população continua à espera que as políticas de habitação pública possam melhorar o ambiente ha-
bitacional. Ainda não aconteceu e, por isso, conclui, é possível que este factor tenha feito Macau retroceder no que diz respeito às “Cidades Adequadas para Viver”.
FALHAS SOCIAIS E POLÍTICAS
Quando se considera a cidade como adequada para viver, analisa-se a coordenação dos aspectos da economia, sociedade, cultura, ambiente e condições de habitação, a par da satisfação das necessidades materiais e mentais e, claro, de trabalho. Esta análise é, aliás, aquilo a que se dedica o grupo responsável pelo estudo. O Governo assumiu que criar uma cidade com “condições ideais de vida” é um principais objectivos para se chegar à posição de Centro Mundial de Turismo e Lazer. No relatório das Linhas de Acção Governativa para 2014, uma das prioridades da acção governativa é tentar fazer isso mesmo. “Considerando que é desejo comum da população de Macau ter um ambiente agradável para viver, iremos criar, com o mais profundo sentido de responsabilidade e em colaboração com a população de Macau, uma
reportagem 3
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cidade segura, civilizada, saudável, tolerante e harmoniosa”, pode ler-se no documento apresentado por Chui Sai On, Chefe do Executivo, e pelos Secretários das várias tutelas na Assembleia Legislativa. Apesar disso, nas classificações de “cidade adequada” e de “cidade ecológica”, Macau não tem vindo a marcar pontos. Do ponto de vista do deputado Mak Soi Kun, apesar da grande riqueza de Macau, há ainda muitas falhas da sociedade e na política, que fazem com que Macau esteja longe de uma cidade adequada para viver. “Macau é uma cidade rica, como os dados mostram. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau é o quarto maior de todo o mundo, mas, vale a pena pensar: uma cidade rica é uma cidade adequada para viver?”, começa por indagar. Foi este ano que a RAEM ultrapassou a Suíça como o quarto local do mundo com mais PIB per capita, de 87.306 dólares norte-americanos em 2013, de acordo com dados dos Serviços de Economia. Em 2012, Macau figurava no sexto posto da lista, a seguir às Bermudas e à Suíça, mas agora só é ultrapassado pelo Luxemburgo, Noruega e Qatar.
MACAU OU VIENA
“Podemos comparar Macau com Viena, que é a cidade mais adequada para viver de acordo com um inquérito feito por uma companhia de consultadoria de investimento que comparou mais de 200 cidades mundiais”, continua a analisar Mak Soi Kun. “O PIB per capita de Viena ainda é mais baixo do que o de Macau, ou seja não é um local mais rico, mas é uma cidade mais confortável para viver, até porque não é uma primeira escolha para os turistas europeus. A cidade não tem problemas [relacionados com isto], como por exemplo a capacidade de receber turistas.” Mas, além disto, para o deputado Mak Soi Kun há outros vários aspectos e problemas que fazem com que Macau não possa ser um local adequado para viver. E as justificações prendem-se sobretudo com alguns índices que fazem parte da avaliação no que diz respeito à adequação da cidade: a sociedade e a política. “O sistema político e legislativo não está atrasado? Podemos ver a revisão e elaboração das leis sobre a violência doméstica, sobre a protecção dos animais... Tudo isso surge sempre nas notícias. Estão a ser discutidas há muito tempo, mas ainda não saíram”, aponta Mak Soi Kun. “Também o problema da habitação. O Governo nunca satisfaz as necessidades da população no quer diz respeito à habitação pública, aos [preços dos] imóveis privados... As rendas têm sido altas e nem a compra é
suportável para os residentes em geral”, frisa Mak Soi Kun. Carla Fellini concorda. Brasileira a viver em Macau há mais de 13 anos, Carla considera Macau uma cidade adorável, mas acha que o crescimento está a deixar a RAEM uma cidade muito cara. “Em 13 anos que vivo aqui, muita coisa mudou. A começar pelas rendas de casa, esta é realmente uma coisa preocupante. Não sei onde vamos parar. Temos que trabalhar só para pagar a renda. A qualidade de vida está a diminuir com isso”, diz ao HM. Mas há mais. “Também tudo aumenta de preço: as comidas, os restaurantes, passamos a pagar tudo muito mais caro. Os automóveis não têm mais lugar para estacionar, os auto-silos ficam lotados... este também é um problema grande. Não houve um controlo para tudo isso e, agora, só temos que ‘sobreviver’ aqui.”
“A indústria do jogo, que faz esta cidade rica, mas o rendimento da população que não aumenta. Os residentes que não conseguem determinados recursos ou sequer compartilhar os resultados da prosperidade [económica]”
mos ver também que as toneladas [destes peixes] têm tendência a aumentar. No ano passado, foram menos de 10 toneladas de peixes mortos, mas este ano, já passou mais de metade desse número”, diz Ho Wai Tim.
BEN LIO
LUZ AO FUNDO DO TÚNEL
peremptório: as áreas verdes em Macau não são muito grandes. “No ano passado, foram [plantadas] mais 264 árvores em toda a cidade, ou seja, nem uma por dia. O IACM disse que está a envidar grandes recursos na plantação de árvores, mas porque é que as áreas verdes não são muitas? Porque observámos que muitas outras
árvores foram destruídas e os trabalhos do IACM não bastam para minimizar [essa] destruição.” Mas, o presidente da Associação de Ecologia de Macau não se esquece do problema da poluição do mar. “Podemos ver peixes mortos no [Canal dos Patos] no Fai Chi Kei, que é um problema que existe continuamente. Pode-
IRRESPIRÁVEL
Mak Soi Kun, como outros deputados, tem apresentado várias interpelações ao Governo onde pede algumas mudanças ao que está mal em Macau. Para o legislador, há outros grandes problemas que podem justificar a queda da RAEM dos lugares de topo: o sistema de transporte em Macau não é agradável, os residentes sofrem com o engarrafamento no trânsito todos os dias, os autocarros estão cheios, há irregularidades no serviço de táxis, as telecomunicações são caras, mas os serviços atrasados e a lista continua. “Combinando tudo isso, como é possível, para mim, achar que Macau é adequada para viver?”, questiona Mak Soi Kun. Mas, não é apenas neste âmbito que Macau retrocede. Também no que diz respeito a cidade ecológica, a RAEM desceu do primeiro para o terceiro lugar. Ainda que se mantenha no top três das cidades chinesas melhores face ao ambiente, há aspectos que podem até fazer com que Macau caia ainda mais. E Ho Wai Tim, presidente da Associação de Ecologia de Macau, frisa isso mesmo. O responsável refere ao HM que a principal causa da diminuição nos lugares é a poluição atmosférica, como por exemplo, os índices excessivos de partículas, de dióxido de carbono e o tratamento de águas residuais. “Em 2012, houve 24 dias em que o índice de [partículas] foi excessivo. Mas em 2013, houve 61 dias com este índice alto. Por aqui, já podemos ver a tendência da poluição atmosférica, que deriva das emissões dos veículos, barcos e aviões, mas especialmente dos veículos, cuja quantidade é cada vez maior. O Governo deve controlar esta situação e melhorar a qualidade do ar”, frisou Ho Wai Tim. Questionado sobre o ambiente “verde” em Macau, Ho Wai Tim é
“O sistema político e legislativo não está atrasado? Podemos ver a revisão e elaboração das leis sobre a violência doméstica, sobre a protecção dos animais... Tudo isso surge sempre nas notícias. Estão a ser discutidas há muito tempo, mas ainda não saíram” MAK SOI KUN
Todos os factores descritos por Ho Wai Tim não só contribuem, na sua opinião, para a queda de Macau no top das “Competitividade das Cidades Ecológicas”, como também ajudaram na classificação de Macau como 12ª cidade na lista das “Cidades Adequadas para Viver”. Ho Wai Tim considera que, se se quiser manter Macau como uma cidade adequada para viver, as diferenças entre os rendimentos dos residentes e o preço dos imóveis não devem ser demasiado grandes. A única melhoria possível para fazer isso, diz, é fazer com que o Governo ofereça mais habitação pública, o que vai trazer a diminuição do preço dos imóveis do mercado privado. Já para Mak Soi Kun, o Governo tem de ter uma direcção para tornar a cidade adequada. “Macau deve ser uma cidade ‘pequena mas completa’, diz o deputado, que acrescenta que, como Macau já tem riqueza suficiente, o esforço agora deve ser noutros aspectos. Mas, alerta o deputado, não se pode ter apenas em conta os dados, os números “frios”, mas também os sentimentos dos residentes. Na realidade, o que é que os residentes pensam desta cidade? À semelhança de Imfan, Ben Lio, jovem residente, a densidade populacional de Macau é um dos problemas que fazem com que a cidade não seja “muito adequada para viver”. Os sentimentos de que fala Mak Soi Kun são, de resto, partilhados pelas pessoas que cá vivem. Imfan, Carla e Ben apontam todos os mesmos problemas: o trânsito, o aumento no número de veículos, a falta de lugares de estacionamento. A habitação. “As obras constantes, a falta de planeamento”, recorda também Ben Lio. “A indústria do jogo, que faz esta cidade rica, mas o rendimento da população que não aumenta. Os residentes que não conseguem determinados recursos ou sequer compartilhar os resultados da prosperidade [económica]”. Se tudo isto fosse resolvido, contudo, Macau poderia ser diferente e talvez até segurar os lugares cimeiros em ‘rankings’ referentes às cidades chinesas e até da Ásia em geral. Porque, se há algo que Ben Lio nota, à semelhança de Carla Fellini, é que Macau até é facilmente adorável. “O carinho entre as pessoas não muda e isso é o que eu gosto mais.”
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POLÍTICA
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
Tribunal de Última Instância (TUI) decidiu não se pronunciar relativamente ao recurso interposto na passada sexta-feira por Jason Chao – na qualidade de presidente da Sociedade Aberta de Macau –, justificando que “não tem competência” para avaliar a questão. O recurso foi entregue por Chao ao TUI como tentativa de obter o aval do tribunal para a realização de actividades relativas ao referendo civil, algo que não foi autorizado pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Depois do tribunal se ter recusado a analisar o caso, é a vontade do IACM que prevalece, ou seja, a não autorização da realização das actividades relacionadas com o ‘referendo’ e propostas pela Sociedade Aberta de Macau, pela Macau Consciência e pela Juventude Dinâmica de Macau. O TUI não considerou a iniciativa ilegal, dizendo que as actividades servem para apoiar a recolha de opiniões por parte da população, mas ressalva que a iniciativa se deve chamar ‘sondagem’ e não ‘referendo’.
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REFERENDO TUI NÃO SE PRONUNCIA SOBRE RECURSO DE JASON CHAO
O juiz não decide
O Tribunal de Última Instância decidiu não analisar o recurso sobre o ‘referendo civil’ entregue por Jason Chao, da Sociedade Aberta de Macau. A juíza principal e presidente da CAECE, Song Man Lei, justificou o facto com a falta de competência do órgão judicial para tratar do caso que, aos olhos da lei, é apenas uma “sondagem”
“O que se pretende, e também efectivamente se pode alcançar, com o alegado ‘referendo civil’ não é mais do que uma sondagem sobre opiniões dos cidadãos” ACÓRDÃO DO TUI
Ao HM, Jason Chao adiantou apenas que “o tribunal não tem nenhuma decisão sobre o recurso e as coisas devem manter-se como estão”, sem clarificar como ficou a situação, no que diz respeito à realização das oito actividades sobre o ‘referendo’ civil. A juíza principal do processo, Song Man Lei – que é também presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do
Executivo – considera que, tecnicamente, “as respectivas actividades que se destinam a fazer propaganda para o ‘referendo civil 2014 sobre a eleição do Chefe do Executivo’”, não podem ser vistas como reuniões, sendo que nem a própria iniciativa deverá ter a nomenclatura de ‘referendo’ civil, mas sim de sondagem. “O que se pretende, e também efectivamente se pode alcançar, com o alegado ‘referendo civil’ não é mais do que uma sondagem sobre opiniões dos cidadãos”, lê-se no acórdão. De acordo com as informações publicadas no documento do TUI, o tribunal apenas teria competência para se pronunciar sobre esta matéria caso partisse do princípio que o evento englobava reuniões ou manifestações num sentido literal, pois são actividades consagradas na Lei Básica como direitos civis, apenas por isso podendo ser levadas a tribunal. Por outro lado - e entendendo o TUI que os eventos relativos ao ‘referendo’ civil apenas funcionam para efeitos de sondagem -, encontram-se fora do âmbito de decisão do organismo judicial e apenas servem para “chamar a atenção das pessoas para participar na sondagem a realizar sobre a eleição do Chefe do Executivo”. A realização do ‘referendo’ civil tem sido uma das questões mais debatidas nas últimas semanas, tendo vários membros do Governo considerado que a iniciativa era “ilegal” e outros afirmando que não teria validade legal, ou seja, que os resultados obtidos não poderiam ser levados em conta. Resta apenas saber qual a solução para a realização das actividades, uma vez que estas não podem ser feitas na rua. Já anteriormente, Jason Chao tinha referido que a decisão do IACM não invalida a elaboração do referendo civil.
Ciências e Tecnologia Frederico Ma presidente do Fundo para o Desenvolvimento
O
membro da Comissão de Desenvolvimento de Talentos e antigo presidente da Federação da Juventude de Macau, Frederico Ma, é o novo presidente do Conselho de Administração do Fundo
para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. Em despacho publicado ontem em Boletim Oficial, pelo Chefe do Executivo, pode ler-se que o mandato de Ma é de dois anos. O também
membro do Conselho vai começar a exercer funções em Setembro deste ano. Frederico Ma substitui Tong Chi Kin, a quem Chui Sai On manifestou sinceros agradecimentos pela
contribuição para a generalização e desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico de Macau. Frederico Ma tem-se envolvido em várias actividades no território, tendo sido um
dos organizadores do Fórum Sino-Português de Jovens para a Cooperação Económica de 2011, que se realizou em Macau e contou com a presença de empresários lusos e provenientes da China.
Além disso, Frederico Ma é ainda presidente da Associação para a Protecção Ambiental de Macau, posição que lhe permitiu exigir a criação de um sistema ambiental “o mais rápido possível”. - L.S.M.
política 5
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FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
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ABRIEL Tong, deputado nomeado, considera que uma eventual mudança na estrutura do Governo não trará problemas, mesmo se for para ter mais departamentos. Em declarações ao HM, o deputado diz não saber se as secretarias do Executivo vão ser alteradas – várias personalidades
NOVO GOVERNO GABRIEL TONG ACEITA AJUSTAMENTO “RAZOÁVEL” ÀS SECRETARIAS
Transparência sem inchaço TIAGO ALCÂNTARA
A discussão sobre os benefícios e prejuízos do aumento de secretarias do próximo Governo está na ordem do dia. Gabriel Tong não vê qualquer problema nas possíveis alterações governamentais mas pede que o novo Executivo seja mais transparente
têm vindo a público mostrar-se contra um aumento de cinco para seis Secretários no Governo -, mas diz que também não vê qualquer problema e que essa mudança é normal e aceitável, se houver condições para tal. “A RAEM funciona há 15 anos, já tem experiência consegue fazer os trabalhos. Se este ajustamento for autorizado também pela Lei Básica, vale a pena tentar. Chefe [do Executivo] só há um, mas se o ajustar da
A
Wong Kit Cheng quer mais direitos para mulheres grávidas
A deputada Wong Kit Cheng pediu uma mais rápida revisão da Lei das Relações de Trabalho, a fim de assegurar os direitos das mulheres. Wong apontou que em Macau há 56 dias de licença de maternidade, montante “longe do nível internacional”. Na China há 14 semanas e em Hong Kong há 10 semanas. Além disso, a deputada apontou que em Macau faltam regulamentos que assegurem os direitos das mulheres grávidas no trabalho, o que causa “pressão” ao nível da carreira, mas também familiar. Wong recorda que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) referiu que já tinha aberto trabalhos de revisão da lei, onde se inclui o regime de licença de maternidade, mas não referiu nenhum calendário para a entrega do novo diploma. Wong Kit Cheng questiona, por isso, qual o andamento do processo. - F.F
Associação Novo Macau (ANM) entregou ontem uma carta na sede de candidatura de Chui Sai On, único candidato ao cargo de Chefe do Executivo. Sou Ka Hou, presidente da ANM, referiu que Chui Sai On, caso seja eleito, deverá no próximo ano iniciar o processo de consulta pública sobre a reforma política, para que, em 2019, se implemente o sufrágio universal para a escolha do Chefe do Executivo. Na carta é referido que 99% da população não tem acesso à participação na eleição do líder da RAEM, o que é “uma pena”. “A abertura à reforma política e a implementação do sufrágio universal são os objectivos para Macau, porque envolve os direitos civis e o aumento da eficácia da Administração”, pode ler-se. O mesmo documento refere que a transferência de soberania aconteceu há 15 anos e que não houve
estrutura do Governo depender de razões científicas, acredito que apenas mais uma direcção não fará o Governo ficar mais inchado. O mais importante é a distribuição de trabalhos de cada direcção”, frisa ao HM. Acredito que a população aceita mais um Secretário. Acho que o mais importante é a distribuição dos trabalhos.” Seja como for, Gabriel Tong também concorda se houver diminuição ou combinação de
“Se o ajustar da estrutura do Governo depender de razões científicas, acredito que apenas mais uma direcção não fará o Governo ficar mais inchado” GABRIEL TONG Deputado
departamentos, desde que isso seja “útil para a estrutura administrativa”. Questionado sobre o desempenho do Chefe do Executivo e dos Secretários nos cinco anos passados, Gabriel Tong considera que, de forma integral, a economia de Macau se desenvolveu bem e a sociedade está estável. Contudo, o deputado diz esperar que o Governo faça melhor, “aprendendo com a experiência”, e que seja mais transparente. “Chui Sai On agora é o único candidato ao [lugar] de Chefe do Executivo e suporto obviamente a recandidatura de Chui, como ele já fez discursos onde fala do ajustamento de funcionários e de novos desempenhos. Sendo um deputado, espero que o novo Governo tenha planos melhores para toda a sociedade de Macau e espero ter um Governo ainda mais transparente, que considere mais a vida e as necessidades da população, para resolver os problemas de transporte, da habitação, do mercado de mão-de-obra e da segurança social, que são temas preocupantes a longo prazo.”
SUFRÁGIO UNIVERSAL NOVO MACAU PEDE CONSULTA PÚBLICA EM 2015
À espera de resposta qualquer avanço em prol da democracia, sendo que a população “ainda não pode efectuar o seu direito político de forma justa”. Tal faz com que o “Chefe do Executivo e os titulares dos principais cargos ignorem os estatutos e códigos referentes aos cargos principais [do Governo]”, considera a associação, frisando que ainda não existe o regime de responsabilização para os titulares dos principais cargos. Sou Ka Hou disse ainda esperar que Chui Sai On responda directamente à carta da ANM antes do próximo dia 10 de Agosto sobre a possibilidade de apresentar o projecto de consulta pública ao Governo Central. A ANM espera ainda que o Executivo possa elaborar um plano e um
calendário para a implementação do sufrágio universal não apenas para o chefe do Governo mas também para os deputados do hemiciclo. “Estamos aqui com uma postura de abertura, esperamos obter o respeito e opinião da população e uma resposta directa do Chefe do Executivo. Se Chui Sai On não responder às nossas perguntas, é possível que venhamos aqui mais uma vez e façamos mais actividades”, explicou o presidente da ANM. Sou Ka Hou disse ainda que a ANM vai instalar caixas para a entrega de sugestões em cada bairro de Macau por forma a promover a importância do sufrágio universal, estando ainda a planear mais actividades até ao dia 31 de Agosto, dia das eleições. - F.F
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SOCIEDADE
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A MUST continua, FUNDAÇÃO MACAU ENTIDADES DIRIGIDAS POR MEMBROS COM SUBSÍDIOS MAIS ALTOS como sempre, a liderar a lista de apoios atribuídos pela Fundação A lista soma e segue, com a sas com a criação do Centro de de 910 mil patacas pela utilização Associação de Beneficência do Macau. Os subsídios Formação da Cirurgia Robótica da de um espaço onde começou a Hospital Kiang Wu – uma das que, China da Faculdade das Ciências funcionar o Posto de Urgência das são decididos por geralmente, se situa na lista das Ilhas, cujo terreno é cedido pelo milhões de patacas. Subsídios de Saúde. mais beneficiadas -, a receber 25 A MUST, recorde-se, é uma Governo. da Fundação Macau no segundo um Conselho de milhões de patacas para a aquisiNa lista dos mais beneficiados instituição privada presidida por trimestre deste ano ção de sistemas informáticos. Na segue-se a Universidade de São Liu Chak Wan. Este empresário Curadores que tem não só é membro do Conselho Exe- José (USJ), que recebeu – entre presidência da associação está o deputado nomeado Fong Chi como membros dois cutivo e da Conferência Consultiva Abril e Junho deste ano – a 3ª. Política do Povo Chinês, como é prestação relativa às obras do Destes, 45 milhões correspondem Keong. dos presidentes das precisamente um dos membros do novo campus da instituição na à prestação do novo campus, já A Federação das Associações aprovada em 2007 e a segunda dos Operários (FAOM) – lideraConselho de Curadores da Funda- Ilha Verde. entidades que mais ção Macau. De um total de mais de 500 neste ano, e cinco milhões foram da por deputados - recebeu 20,5 É este Conselho que atribui os milhões de patacas atribuídos pela dirigidos para o plano de activida- milhões de patacas para o plano dinheiro receberam apoios anual, ainda que para dividir com financeiros, que seguem, Fundação Macau (FM), a USJ des da instituição. A Universidade Cidade de Ma- mais de 50 das suas entidades. No geralmente, em larga escala para – através da Fundação Católica no segundo a instituição. Além de receber para o Ensino Superior, dirigida cau (UCM) é outras das beneficia- mesmo período, a FAOM recebeu trimestre deste ano. dinheiro da FM, a universidade pelo Bispo D. José Lai – recebeu das neste segundo trimestre, tendo também ajuda do Instituto de recebe ainda uma renda mensal um total de 50 milhões de patacas. recebido cerca de 7,25% do total Acção Social, no valor de cinco A USJ também já dos apoios. Foram 37 milhões que milhões. Na mesma situação estão a instituição – dirigida por Chan a União Geral dos Moradores de recebeu mais uma Meng Kam – recebeu, através da Macau (UGAMM), a quem foram Fundação da universidade. Deste atribuídos 14 milhões de patacas prestação para o montante, 10 milhões foram para através da FM e seis milhões atranovo campus “assuntos académicos e adminis- vés do IAS.
Vira o disco e toca aos mesmos
TIAGO ALCÂNTARA
510,5
trativos da universidade” e os restantes para actividades académicas e bolsas de estudo. À semelhança da MUST, também a UCM tem como presidente um membro do Conselho de Curadores da Fundação Macau: o deputado e empresário Chan Meng Kam. AAssociação de Apoio à Escola Hou Kong, cuja vice-presidente é a também deputada Chan Hong, recebeu 33,6 milhões de patacas para obras na instituição de ensino.
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
A
Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST) continua na liderança dos beneficiados pelo dinheiro da Fundação Macau (FM). Só no segundo trimestre do ano, a MUST recebeu a maior fatia de apoios financeiros – 28,3% - num valor que chega aos 144,6 milhões de patacas. De acordo com dados ontem publicados em Boletim Oficial, a universidade recebeu ajuda no valor de 100 milhões para a construção de mais uma residência de estudantes e para a aquisição de equipamentos. Esta é já a quinta residência para alunos da MUST, que, no entanto, mostra uma quebra ligeira de estudantes no ano de 2012/2013, quando comparado com o ano lectivo anterior. De acordo com dados dos relatórios de actividades da instituição, em 2011 eram 10.393 os alunos da universidade – sendo que 4800 eram de fora de Macau -, em 2012, este número desceu para 10.365 – não há referência aos estudantes não-locais. Parte do dinheiro atribuído à MUST - cerca de 44 milhões de patacas – foi alocado em despesas com o plano anual de 2013 das instituições subordinadas à Fundação da universidade: a instituição em si, o Hospital Universitário, a Escola Internacional de Macau e o Centro de Formação Médica para o Desenvolvimento Profissional da Faculdade das Ciências de Saúde da Universidade, a par de despe-
MAIS DE OITO MILHÕES PARA ENTIDADES MACAENSES
Dinheiro “não chega para tudo” ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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ORAM ontem publicados em Boletim Oficial (BO) os valores pagos pela Fundação Macau (FM) no segundo trimestre deste ano a associações. Só para as entidades ligadas à comunidade macaense foram pagos mais de oito milhões de patacas. A Associação dos Macaenses (ADM) recebeu um milhão de patacas, dinheiro que servirá para custear parte do novo colóquio sobre a comunidade e a publicação de um livro. Contudo, o presidente, Miguel de Senna Fernandes, adverte que o fundo da FM é insuficiente para isto. “É um subsídio que não dá para muito mais coisas, se não o funcionamento mínimo de uma associação.
A FM não procura saber como funciona a ADM. Espero que, no futuro, o subsídio possa abarcar integralmente as actividades a que se propõe a associação”, aponta o responsável ao HM. Luís Machado, presidente da direcção da Confraria da Gastronomia Macaense (CGM) - que recebeu da FM 310 mil patacas -, tem a mesma crítica. “É evidente que é um apoio muito logístico, principalmente para as despesas com deslocações. É uma ajuda muito boa, mas não cobre a totalidade das despesas, as pessoas ainda têm de pagar do seu bolso”, disse ao HM. Com o dinheiro recebido, a CGM vai custear a sua participação no próximo Conselho Europeu das Confrarias Enogastronómicas (CEUCO), a realizar-
-se na Bélgica. “Estaremos presentes com um grupo de 26 pessoas e é um projecto bastante significativo, onde inclui viagens e deslocações a hotéis”, disse Luís Machado. Dentro das associações macaenses, o Conselho das Comunidades Macaenses recebeu da FM 480 mil patacas, enquanto a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) recebeu 1650 milhões de patacas para as prestações do ano escolar do jardim de infância Dom José da Costa Nunes. A Associação dos Jovens Macaenses recebeu 241 mil patacas.
COLÓQUIO “SERÁ DIFÍCIL”
Pensado para Outubro, o novo colóquio organizado pela ADM vai focar-se sobre a juventude
Na lista, também a União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau. Liderada pelo deputado Chan Chak Mo, a entidade recebeu mais de 13 milhões de patacas relacionadas com várias edições do projecto de apoio à preservação das características dos estabelecimentos de comidas de Macau. No total, a FM atribuiu 510,5 milhões de patacas no segundo trimestre deste ano.
macaense. Miguel de Senna Fernandes assume que ainda não tem uma data concreta e diz que a realização não vai ser fácil, devido às diferentes “nuances” das associações macaenses. Outro projecto a curto prazo será a publicação de um livro com as apresentações feitas nos últimos dois colóquios, onde já se debateu o estado da comunidade e da diáspora. “Naquela altura ainda não estavam reunidas condições para uma publicação. Estamos a pensar avançar com a publicação das intervenções que foram feitas. Tenho dúvidas de que seja publicado este ano, até porque não sabemos como será este colóquio que vai acontecer”, frisou o presidente da ADM. Já a CGM pretende organizar o habitual Chá Gordo no Natal e está prevista a realização de aulas de culinária macaense, em Novembro. À semelhança do que aconteceu o ano passado, deverá também voltar o mês da gastronomia macaense.
sociedade 7
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UM FIGURAS POLÍTICAS NO CONSELHO E ASSEMBLEIA DA INSTITUIÇÃO
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Os suspeitos do costume
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Os novos Conselho e Assembleia da Universidade de Macau estão repletos de nomes que pertencem ao Conselho Executivo ou que estão na Assembleia Legislativa, como é o caso do seu presidente, Ho Iat Seng. O bispo D. José Lai, presidente da Fundação que gere a Universidade de São José, também foi nomeado TIAGO ALCÂNTARA
SE Chi Wai está de saída da presidência do Conselho da Universidade de Macau (UM), por aposentação, depois de 13 anos no cargo. A mudança, conhecida ontem através do despacho publicado em Boletim Oficial (BO), mereceu mesmo um comunicado por parte de Chui Sai On. No documento, o Chefe do Executivo manifesta “o seu sincero agradecimento pelo contributo [de Tse Chi Wai] dado à UM e ao ensino superior de Macau”. “O Chefe do Executivo está convicto que todo o pessoal da UM irá continuar a formar pessoas qualificadas nas mais diversas áreas e acredita que o doutor Tse Chi Wai irá continuar a dar as suas opiniões e sugestões para promover o desenvolvimento da UM e do ensino superior de Macau”, pode ainda ler-se no comunicado. A partir do dia 1 de Agosto, cabe a Peter Lam assumir as funções de presidente deste conselho. Membro do Conselho Executivo, Peter Lam, de 65 anos de idade, é também uma figura próxima de Pequim, sendo membro do Comité Nacional da Conferência
Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). A UM manifestou-se quanto a esta nomeação, afirmando que Peter Lam tem vindo a contribuir para o desenvolvimento económico, cultural e do ensino superior.
“É de realçar que, ao longo dos últimos anos, na qualidade de presidente da Comissão do Desenvolvimento do novo campus [da UM], subordinada ao Conselho da Universidade, o doutor Lam tem vindo a
desempenhar um papel de liderança na construção do novo campus e, graças à sua experiência, de vários anos, na área da construção civil e nos cargos de gestão, conseguiu resolver muitas dificuldades que surgiram neste projecto”, pode ainda ler-se no comunicado da UM. Também Tse Chi Wai merece agradecimentos da parte da instituição académica, ao nível das sugestões e do trabalho feito em prol do novo campus. E Peter Lam não é o único nome com poder político a figurar nesta lista. Dentro do Conselho da UM estão ainda Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, Ho Iat Seng, presidente da Assembleia
Legislativa (AL), José Chui Sai Peng, deputado e primo de Chui Sai On, e ainda Vong Hin Fai, deputado nomeado e mandatário da candidatura de Chui Sai On às eleições. Anabela Ritchie, ex-presidente da AL, também foi nomeada membro do Conselho, composto, no total, por 15 pessoas.
O BISPO TAMBÉM LÁ ESTÁ
Os nomes próximos do poder político ou ligados ao meio empresarial continuam na lista de nomeações para a Assembleia da UM, composta por 22 membros. Leong Vai Tac, empresário e também membro do Conselho Executivo, foi um dos nomeados, tal como Ma Iao Lai, também pertencente
IAS APOIOS FINANCEIROS DE ABRIL A JUNHO ULTRAPASSAM OS 180 MILHÕES
Sociedade em necessidade F
OI ontem divulgada a lista de apoios concedidos pelo Instituto de Acção Social (IAS) no 2º trimestre deste ano, sendo que a Cruz Vermelha é a entidade que mais recebeu - mais de oito milhões de patacas, um total de 4,4% dos apoios que ultrapassam os 180 milhões de patacas. Este valor está divido em duas parcelas, uma referente ao apoio atribuído no 2º trimestre de cada ano, e a outra, com um valor de quase dois milhões, que se refere ao serviço de transladação médica da organização.
Como tem sido habitual, de entre centenas de instituições, as que mais recebem são, as mais conhecidas da sociedade. Caso disso é a União Geral dos Moradores de Macau (UGAMM) que, dividida entre comemorações de dias temáticos e actividades lúdicas, arrecadou mais de seis milhões de patacas, 3,4% do bolo. Perto do mesmo valor ficou a Associação das Mulheres, que viu os apoios distribuídos pelas diversas creches e centros de apoio. O Complexo de Serviços de Apoio ao Cidadão Sénior “Pou
Tai”, da responsabilidade do IAS, foi a segunda associação que mais recebeu, 4,2%, ultrapassando os sete milhões e meio de patacas. O valor foi atribuído através de diferentes subsídios, onde, por exemplo, mais de dois milhões se referem à aquisição de uma cama de enfermagem eléctrica e armários de cabeceira. A Federação
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milhões de patacas, valor recebido pela Cruz Vermelha
dos Operários (FAOM), também com lugar cativo, recebeu cinco milhões de patacas, ou seja, 2,7% do valor total. Os apoios atribuídos foram divididos por diversas associações, instituições, creches e lares das organizações, sendo direccionados maioritariamente para cursos de formação, em múltiplas áreas, tais como, arte, fotografia e voluntariado. Outros subsídios referem-se à promoção das próprias organizações, aquisição de novos equipamentos e manutenção das instalações já existentes. - HM
ao Conselho Executivo e presidente da Associação Comercial de Macau. Susana Chou, ex-presidente da AL, também foi nomeada, juntamente com o actual presidente, Ho Iat Seng. Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM) é um dos outros escolhidos, ao lado dos empresários Stanley Ho e Ng Fok. Maria Edith Silva, membro da Comissão Eleitoral e ex-presidente da Escola Portuguesa de Macau (EPM), também foi nomeada. Outro dos nomes que figura na nova composição da assembleia da UM é o do bispo D. José Lai, que preside à Fundação Católica para o Ensino Superior (FCES). A FCES é a entidade principal na gestão da Universidade de São José e foi recentemente acusada de intervenção no processo de despedimento do docente Eric Sautedé pelo próprio académico. Sobre as novas nomeações, a UM considera que podem levar a que a instituição “atinja o seu objectivo, a longo prazo, de se tornar uma universidade de ponta, a nível internacional, promovendo, assim, o ensino superior em Macau, na China e no mundo inteiro”.
Governo presta condolências à morte da cantora Ng Wing-Mui O falecimento da herdeira das Naamyam Cantonenses de Macau, Ng Wing-Mui, mereceu as condolências do Instituto Cultural (IC). “A sua persistência, esforços incansáveis e sentimento sublime pelas Naamyam Cantonenses merecem reverência. O IC lamenta profundamente o falecimento da cantora. O seu empenho na promoção e contributo para as canções narrativas serão para sempre retidos na nossa memória”, pode ler-se em comunicado. Desde 2009 que as Naamyam Cantonenses figuram na lista do património cultural intangível da RAEM, sendo que a cantora Ng Wing-Mui, nascida em 1927, estava na lista dos herdeiros representativos do património cultural intangível.
8 sociedade
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EDITAL Edital no :22/E-BC/2014 Assunto :Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Processo no Locais Data da investigação Estrada de Seac Pai Van S/N, Edf. Koi Nga (Bloco VII Edf. Crisântemo), fracções 11.º andar 473/BC/2013/F 09/08/2013 BK (CRP:BK11) e 24.º andar BK(CRP:BK24), Coloane. Estrada de Seac Pai Van S/N, Edf. Koi Nga 492/BC/2013/F (Bloco I Edf. Narciso), fracção 26.º andar A 23/08/2013 (CRP:A26), Coloane. Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 003/SOTDIR/2013, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2013, faz saber por este meio aos donos da obra e aos proprietários, cujas identidades se desconhecem, das obras existentes nos locais acima indicados, o seguinte: 1.
O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou no local acima identificado a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte: Infracção ao Situação Processo no Fracção Andar Obra RSCI e motivo da da obra demolição Fechamento da varanda da fracção com Infracção ao nº 12 do janela de vidro e graartigo 8º, obstrução 1.1 BK 11 deamento metálico Concluída do acesso aos pontos junto à varanda da de penetração no fracção na parede exedifício. terior do edifício. 473/BC/2013/F Fechamento da varanda da fracção com Infracção ao nº 12 do janela de vidro e graartigo 8º, obstrução 1.2 BK 24 deamento metálico Concluída do acesso aos pontos junto à varanda da de penetração no fracção na parede exedifício. terior do edifício. Fechamento da vaInfracção ao nº 12 do randa da fracção com artigo 8º, obstrução janela de vidro junto Construção 1.3 492/BC/2013/F A 26 do acesso aos pontos à varanda da fracção nova de penetração no na parede exterior do edifício. edifício.
2.
Sendo as janelas e varandas das fracções consideradas como pontos de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não pode ser obstruídos com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.), de acordo com o disposto no nº 12 do artigo 8º, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto pontos de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.
3.
Nos termos do no 7 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 12 do artigo 8o, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas.
4.
Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95o do RSCI.
5.
O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, no 33, 15o andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227).
Aos 16 de Julho de 2014 Pelo Director dos Serviços A Subdirectora Eng Chan Pou Ha a
IACM NÃO DETECTA CARNE ESTRAGADA NOUTROS RESTAURANTES
Comida rápida livre de perigo
O IACM e Serviços de Saúde analisaram 144 restaurantes de cadeias de comida rápida e não detectaram produtos da empresa Husi Foods, onde foi encontrada carne estragada. Apenas a Mcdonald’s importou produtos, já destruídos ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O
escândalo da descoberta de carne estragada, detectada na empresa do continente Husi Foods, parece estar controlado em Macau. Isto porque o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e os Serviços de Saúde (SS) não detectaram a presença dos produtos desta empresa noutros restaurantes de comida rápida além do Mcdonald’s. Em conferência de imprensa, realizada ontem, os serviços garantiram ter analisado cerca de 144 restaurantes das cadeias Starbucks, Pizza Hut, 7 Eleven ou KFC, nada tendo sido registado. “Para além destes restaurantes [da Mcdonald’s], o IACM enviou pessoal aos restaurantes possivelmente afectados para verificar a situação de armazenamento. Alguns resultados das amostras já estão concluídos
e não se verificaram anomalias”, garantiu Alex Vong, presidente do Conselho de Administração do IACM. “De acordo com a comunicação feita com o sector e fiscalização às lojas de venda a retalho e cadeia de lojas de Macau, o IACM constatou não haver registos a nível do armazenamento e venda de produtos dessa companhia”, disse ainda Alex Vong. Da parte do Mcdonald’s, já foram destruídos de forma voluntária cerca de 3700 quilos de produtos importados. A Husi Foods, sediada em Xangai, forneceu carne de frango estragada, enquanto que a mesma empresa, localizada em Hebei, forneceu outro tipo de produtos. Ambos foram já destruídos. O IACM garantiu que,
3700
quilos de produtos da Husi destruídos pela Mcdonald’s
para já, a importação destes produtos junto da Husi Foods vai depender dos resultados laboratoriais que estão a ser efectuados no interior da China. “Quanto à possibilidade do caso presente envolver mais alimentos, o IACM tenciona manter contactos estreitos com os respectivos departamentos do interior da China, para acompanhamento dos resultados da investigação”, disse ainda o mesmo responsável. No passado dia 25, a Macdonald’s em Macau garantiu à agência Lusa que ia deixar de ter o fornecimento por parte da Husi Foods e que ia passar a importar alimentos de empresas da China e da Tailândia. “Os nossos restaurantes deixaram completamente de usar produtos fornecidos pela Husi China. A maioria dos derivados de carne usados nos estabelecimentos de Macau são fornecidos pela Mckey Shenzhen, na China, e Cargill Meats, na Tailândia, por conseguinte não afectados”, confirmou a cadeia de restaurantes. “Desde as notícias sobre a fábrica Husi em Xangai, o IACM suspendeu a importação de todos os produtos da Husi China até novo aviso. Actualmente não estamos a servir quaisquer ingredientes fornecidos pela Husi China”, garantiu ainda a empresa à Lusa. A última importação feita pela Mcdonald’s Macau a esta empresa data de 17 de Junho. O escândalo alimentar foi descoberto pela Dragon TV, em que se verificou que funcionários da Husi Foods utilizavam carne estragada misturada com carne fresca. A mesma fábrica de Xangai fornecia outras cadeias de comida rápida.
CHINA
hoje macau quinta-feira 31.7.2014
O
ataque registado na segunda-feira em Xinjiang provocou “uma centena” de mortos e feridos, segundo um grupo de defesa dos uigures, a principal etnia daquela região muçulmana do noroeste da China. Um grupo de homens “armados com facas” atacou na segunda-feira de manhã uma esquadra da polícia e prédios públicos na região de Shache, referiu a agência oficial chinesa, citando a polícia local. “Polícias mataram dezenas de membros do grupo armado”, de acordo com a agência oficial, acrescentando que as investigações iniciais indicaram que o ataque foi premeditado. “Os tumultos causaram uma centena de mortos e feridos”, afirmou ontem Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigure, organização de defesa dos uigures, com sede em Munique (Alemanha), citando fontes locais. Na terça-feira, a agência Xinhua indicou que “dezenas de uigures (minoria muçulmana) e hans (etnia maioritária na China) foram mortos e feridos. A China tem experimentado, nos últimos meses, uma série de ataques san-
XINJIANG “UMA CENTENA” DE MORTOS E FERIDOS
Terror à solta
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REGIÃO
A região onde vivem cerca de nove milhões de uigures - muçulmanos de língua turca - continua a ser assolada por tumultos grentos em sítios públicos, em Xinjiang e outros locais, atribuídos pelas autoridades aos uigures islâmicos. Um atentado suicida, cometido
em Maio, no mercado de Urumqi, capital de Xinjiang, fez 43 mortos - incluindo quatro agressores - e uma centena de feridos.
Em reacção, Pequim anunciou uma vasta campanha de luta antiterrorista, que se traduz em dezenas de prisões, condenações massivas, exibições públicas dos “terroristas” e execuções após julgamentos sumários. Xinjiang tem nove milhões de uigures - muçulmanos de língua turca -, sendo uma parte de radicais que, segundo as autoridades chinesas, vem realizando ataques mortais nos últimos meses. Os grupos de direitos humanos acreditam que a política repressiva da China contra a cultura e religião dos uigures alimenta as tensões e violência na região. Muitos uigures, hostis ao domínio chinês da região, dizem-se vítimas de discriminação e de exclusão de investimentos em Xinjiang. - Lusa
Pyongyang suspende exercícios com MiG-19 após queda de três aparelhos
A
Coreia do Norte suspendeu os seus exercícios de voo com aviões de combate soviéticos MiG-19 depois de três deles se terem despenhado este ano, afirmaram ontem autoridades militares sul-coreanas. “Despenharam-se em missões de treino pelo menos três dos MiG-19 norte-coreanos, um no início deste ano e outros dois no mês passado e início deste mês, respectivamente”, disse uma força das Forças Ar-
madas da Coreia do Sul à agência Yonhap. A fonte afirmou que a causa dos acidentes poderia ser a “avançada idade” dos aparelhos. O MiG-19 soviético, cuja produção foi iniciada em 1953, foi o primeiro caça supersónico do mundo juntamente com o F-100 norte-americano. Calcula-se que o exército norte-coreano detenha cerca de 400 aparelhos MiG, aproximadamente metade do total dos seus aviões de combate. - Lusa
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PEQUIM MICROSOFT SOB INVESTIGAÇÃO ÀS PRÁTICAS COMERCIAIS
Luta contra o monopólio A
Microsoft afirmou estar a “cumprir a lei chinesa”, depois de Pequim ter anunciado, na terça-feira, uma investigação às práticas comerciais do gigante tecnológico norte-americano na China. “A Microsoft está em conformidade com as leis e regulamentos de cada mercado em que actua em todo o mundo, e aplica mecanismos de monitorização e fiscalização do sector para garantir isso”, indica um comunicado. A Microsoft já tinha confirmado esta semana estar a ser objecto de uma investigação da China.
“As nossas práticas de negócio na China são projectadas para serem compatíveis com a lei chinesa”, adianta o comunicado. A Administração Estatal para a Indústria e Comércio chinesa informou na terça-feira estar a investigar a Microsoft por alegadas “práticas monopolistas” relacionadas com os sistemas operativos Windows e Office. Na segunda-feira, cerca de uma centena de funcionários da Administração Estatal para a Indústria e Comércio da China visitaram escritórios da Microsoft em Pequim, Xangai, Guangzhou e
Chengdu, e apreenderam computadores e ficheiros digitais, e fizeram cópias de contratos e informações financeiras. A Administração Estatal para a Indústria e Comércio é uma das agências governamentais chinesas responsáveis por investigações anti-monopólio. A agência explicou que tinha recebido reclamações de empresas que reportavam “problemas de compatibilidade” do Windows e Office, e denunciaram que a Microsoft as obrigava a comprar um pacote de vários produtos (sistemas Windows e operacionais) ao mesmo tempo. Em Maio, a China também proibiu o uso de sistema operativo Windows 8, da Microsoft, em todos os novos computadores do governo, por alegadas questões de segurança. A Administração Estatal para a Indústria e Comércio da China disse que a investigação à Microsoft iria continuar. As autoridades chinesas lançaram no ano passado uma série de inquéritos visando as práticas comerciais de grupos estrangeiros, incluindo os sectores farmacêutico e agro-alimentar. - Lusa
ANÚNCIO
HM- 2.ª VEZ 31-7-14 Divisão de coisa comum n.º
CV1-13-0188-CPE
1º Juízo
Requerente: HO KA LOK, solteiro, maior, titular do BIRM nº 511xxx9(6), residente na Ilha da Taipa, R.A.E.M., na Avenida Dr. Sun Yat Sen, nº 623, Edifício Hoi Yee Garden, 12º andar “L”. Requeridos: AO SOK FONG, solteira, maior, titular do BIRM nº 514xxx4(7), residente em Macau, na Rua da Prainha, Edifício Man Heng, 5º, andar “B”; e BANCO WENG HANG, S.A., com sede em Macau, na Avenida de Almeida Ribeiro, nº 221 a 241, R/C. *** FAZ-SE SABER que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos dos réus para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem sobre que tenha garantia real e que é o seguinte: Imóvel Denominação: EDIFÍCIO “HOI YEE FA YUEN”, 12º ANDAR MORADIA L12. Localização: TAIPA, RUA DE HONG CHAU NºS 52 – 82; RUA DE LAGOS NºS 51 – 91; AVENIDA DR. SUN YAT SEM (TAIPA) NºS 583 – 659. Finalidade: HABITAÇÃO Número de matriz: 40701 Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 21875 a fls.105 do Livro B-120A. Número de inscrição da propriedade horizontal: --*** R.A.E.M., 26 de Junho de 2014.
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hoje macau quinta
EVENTOS
a-feira 31.7.2014
A artista portuguesa Kristina Mar inaugurou ontem uma exposição de cerâmica no Albergue SCM, inspirada no livro de Fernanda Dias “Yi Jing - O Sol, a Lua e a Via do Fio de Seda”. A mostra, intitulada “Jin Hexagrama 5”, está patente ao público até dia 30 de Agosto RICARDO BORGES info@hojemacau.com.mo
A exposição que traz ao território é inspirada no livro de Fernanda Dias “Uma leitura do Yi Jing”. Como é que encontrou o livro? A Fernanda [Dias] começou a trabalhar neste livro quando ainda estava em Macau e falávamos muito sobre ele. Era um trabalho fascinante e absorvente. Depois de sair de Macau, passados mais de 10 anos de trabalho, finalmente ela publicou [o livro] e, aí, li então os poemas todos compilados e pela ordem que ela usou, visto que há várias ordens na sua sequência, consoante as diferentes interpretações dos textos antigos. O que a inspirou na obra? O que me inspira é o trabalho árduo, a beleza e a arte. Esta, é o que mais perto está da matemática pura. A obra da Fernanda [Dias] sempre me inspirou e acompanhou desde os tempos de Macau e este livro particularmente, porque a autora, ao transformar em poesia estes antigos textos, transcende esse intuito e revela de uma forma bela a condição humana em uníssono com o som do universo. Cada texto corresponde a cada hexagrama, para muitos tido como de adivinhação.
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ENTREVISTA KRISTINA MAR EXPÕE NO ALBERGUE SCM
Cerâmica ocidental no Oriente Este hexagrama foi escolhido, abrindo [o livro] - como faço normalmente - ao “acaso’’, na altura em que precisava de escolher um título para esta exposição. Queria um dos poemas como título para esta particular situação de expor em Macau, que me foi gentilmente oferecida pelo arquitecto Carlos Marreiros, director do Albergue. Jin significa avanço. O hexagrama Jin 5 fala da imagem do nascer do sol a partir da terra, como um girassol crescente, seguindo o seu brilho. É constituído por dois trigramas como todos os hexagramas - um superior e outro inferior - que determinam as relações e situações dos vários factores que fazem evoluir a particular ‘‘história’’ de cada texto. No hexagrama 5, o trigrama Li representa o sol e a bondade de um rei, enquanto Kun significa a ideia de submissão às leis naturais.
O que pode o público esperar desta mostra? Estas obras aqui expostas são [fruto] do trabalho de três etapas desde que saí de Macau, ou seja há 21 anos. É trabalho em cerâmica, vidro e outros materiais como gesso e ferro. [Numa das salas] de exposições encontra-se uma obra de teor escultórico em que cada peça cria uma noção de espaço e determina relações com luz através do uso de vidro. Noutra sala, são peças com conotações e referências mais práticas, com objectos do uso diário e do quotidiano humano.
quase fácil. Na realidade, só depois de enveredar por uma carreira artística me apercebi disso. Antes de mudar para as Belas Artes estudava Engenharia Geotécnica.
O que a fez enveredar pela cerâmica? Não sei. Mas penso que ter nascido numa família que tinha relações com a industria cerâmica - e daí, desde adolescente, ir para o ateliê passar o ‘‘tempo’’ - me fez ver e manusear os materiais de uma forma natural e
Mudou-se para o Japão. O que a fez tomar essa decisão? Em Macau tentei montar um ateliê ou ensinar, mas tudo parecia naturalmente difícil e vários projectos acabaram por nunca irem muito longe. Como queria desenvolver outras técnicas cerâmicas e a cultu-
Pode desenvolver o significado de “Jin Hexagrama 5”?
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA
“O que me inspira é o trabalho árduo, a beleza e a arte. Esta, é o que mais perto está da matemática pura”
PERFIL DO CHOUPAL ATÉ À ÁSIA Kristina Mar nasceu em Coimbra em 1964. Após uma primeira formação na área de moldes de cerâmica industriais, completou de seguida um curso de escultura na Escola de Belas Artes do Porto. Em 1990 partiu para a Ásia, tendo residido em Macau até 1993, onde trabalhou como designer gráfica. Mudou-se então para o Japão, onde estudou e realizou residências com artistas locais, acabando por se fixar em Kyoto, em 1999. Na sua carreira já realizou mais de uma dúzia de exposições individuais, incluindo no Museu de Arte de Macau, e recebeu prémios em várias competições, do Japão à Europa.
ra e cerâmica do Japão sempre me fascinaram, decidi ir trabalhar com artistas japoneses que me quisessem aceitar como ‘‘deshi’’ - um termo parecido a aprendiz. Quais as maiores diferenças entre a sociedade japonesa e a macaense? Acho que a sociedade macaense tem a vantagem de ser um lugar naturalmente de trocas. Como tal, cheio de potencialidades e sempre dinâmico e com uma cultura tão rica, mas aos poucos tão esquecida pelas suas gentes. Acho que nesse aspecto, no Japão - apesar da modernidade e das novas gerações até quase esquecerem de saber escrever caracteres - o factor do respeito à sua tradição e identidade cultural, espelhada nos actos simples do quotidiano, se preserva. Que projectos tem para o futuro? Trabalhar em mais exposições individuais, pois estou sempre a produzir algo. Na área de formação gostaria de criar projectos que ajudassem a desenvolver a interdisciplinaridade, como a serigrafia na cerâmica e o uso de vários materiais que, tradicionalmente, são vistos como menos nobres, mas que na realidade são vastíssimos de possibilidades para os artistas. A formação passa mais pelos alunos se apaixonarem pela cerâmica ou outras técnicas, mais do que realmente focarmo-nos em tentar aprender tudo antes de se começar a fazer algo.
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MARINA • Carlos Ruiz Zafón
O CONFIDENTE DE HITLER • Peter Conradi
“Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro. Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca. Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.”
A incrível história de Ernst Hanfstaengl, o homem que foi confidente de Hitler e que, mais tarde, viria a colaborar com as forças norte-americanas. Com acesso a documentação até então privada, Peter Conradi consegue levar-nos ao convívio íntimo com Adolf Hitler e com os seus colaboradores mais próximos.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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António Graça de Abreu
TAIPÉ 台北 A
China é a mais antiga civilização ininterrupta do globo, quase cinco mil anos de história continuada. Naturalmente, ao longo de tantos séculos sem hiatos civilizacionais nem quedas históricas abruptas, os velhos chineses criaram os mais diversos objectos de arte admirados e guardados. Um dos primeiros grandes colecionadores de arte chinesa foi o imperador Wudi武帝 (464-550), da breve dinastia Liang梁. Para entretenimento e fruição pessoal, reuniu no seu palácio, em Nanquim, centenas e centenas de peças de arte, algumas na época já com mais de mil anos. Outros imperadores, sobretudo na dinastia Song (960-1279), foram, além de colecionadores, artistas, pintores, calígrafos, poetas. O imperador Huizong徽宗 (1082-1135), ele próprio um excelente pintor, gostava de mos-
trar os tesouros do passado guardados na sua corte. Na mesma época, a grande poetisa Li Qingzhao李清照 (10811155) e o seu marido Zhao Mingcheng possuíam uma fabulosa coleção de antiguidades que se perdeu nos conflitos bélicos que então assolaram o império mas cuja lembrança perdurou na mente culta das gerações futuras. Estávamos no século XII, num período de grande depuração da civilização chinesa, e já então possuir requintados objectos de arte dava estatuto e dignidade a quem quer que fosse, imperador, letrado, mandarim, cidadão. Próximo de nós, até Mao Zedong, uma espécie de “imperador vermelho”, gostava de se rodear de livros antigos e de pintura tradicional chinesa que usava para decorar a sua residência em Zhongnanhai, em Pequim. O francês André Malraux (1901-1976) que, como ministro da Cultura do então governo
DA ARTE CHINESA, DOS TESOUROS DO MUSEU DO PALÁCIO IMPERIAL
de Charles de Gaulle, foi recebido por Mao em Agosto de 1965, exactamente na sala anexa ao quarto onde dormia o “grande timoneiro”, impressionado com a singeleza, classicismo e a decoração do aposento, pediu que Mao lhe explicasse a contradição entre o a ostentação e o exagero do realismo socialista ao modo chinês, das bandeiras vermelhas a flutuar por tudo quanto era vento e sítio, e a serenidade clássica do interior da sua casa, de resto um edifício em arquitectura tradicional, anexo ao Palácio Imperial, construído no século XVIII. Mao Zedong respondeu-lhe mais ou menos assim: “ Essa arte que vê lá fora vai passar com o passar dos anos, aqui dentro está a China eterna.” Nesse mesmo ano de 1965, Mao disse ao americano Edgar Snow: “Daqui a mil anos Marx e Lenine devem parecer bastante ridículos.” E talvez tenha colocado um zero a mais, à direita do 1 do número 1000.
Vamos então ao encontro da China eterna no museu do Palácio Imperial, em Taipé, creio que o mais vasto conjunto de arte chinesa existente ao de cimo da terra. Mas Pequim não tem também um museu instalado no Gu Gong故宫, o Palácio Imperial das dinastias Ming e Qing? Tem, mas não é bem um museu. Funciona nas alas laterais do enorme complexo do palácio, em alguns pavilhões, com peças soltas, muitas delas valiosas, mas dispersas, não sistemática e ordenadamente expostas. A colecção do Palácio Imperial de Taipé engloba 650.000 peças, testemunho refinado de quarenta séculos de civilização e de cultura chinesa, e o museu conta com uma complexa história que passo a resumir. O velho poder imperial foi derrubado pela revolução republicana de 1911. Puyi, o último imperador, era então
artes, letras e ideias 13
hoje macau quinta-feira 31.7.2014
GIUSEPPE CASTIGLIONE, CEM CAVALOS
ainda uma criança e foi autorizado a continuar a viver no Palácio Imperial, até 1924. Com a saída do imperador, foi feito um primeiro rol dos bens do palácio e foi decidido criar um museu para o guardar as fabulosas peças de arte. Mas a China vivia então tempos difíceis. Iniciava-se a guerra entre nacionalistas e comunistas, depois, a partir de 1931, registava-se a gradual ocupação de parte do território chinês pelo Japão. Com tanta instabilidade política e militar, em 1933 a coleção do Palácio Imperial foi transferida para Xangai, mas nem aí as peças conheceram sossego, dado que em 1937 os nipónicos bombardearam Xangai, obrigando a nova mudança das centenas e centenas de caixotes com as preciosidades do Palácio agora deslocadas para o interior da China, para as províncias de Guizhou e Sichuan, onde os japoneses não chegavam. Após derrota do Japão, em 1945, com os poderes na China divididos entre nacionalistas e comunistas, reiniciou-se a guerra civil. Os tesouros do Palácio estavam nas mãos dos nacionalistas de Chiang Kai-shek que, vencidos em 1949, se refugiaram em Taiwan, a Formosa, e com eles levaram o extraordinário acervo artístico e cultural dos velhos imperadores. É este fabuloso conjunto de peças de arte chinesa, acrescentado por uns tantos legados de coleções privadas, que hoje encontramos no museu do Palácio Imperial, em Taiwan. Situa-se em Wai Shuangxi, nos arredores norte de Taipé e foi construído de raiz, como museu, em 1965, tendo posteriormente sido sujeito a obras
Pedra que se assemelha a carne de porco estufada. Peça da Dinastia Qing
de ampliação. O edifício, encostado a um monte verdejante, desenhado nos moldes da arquitectura tradicional chinesa, é sóbrio e procura a harmonia completa com o lugar. Os geomantes do feng-shui風水 foram por certo chamados para decidir quanto ao sereno equilíbrio entre vento, água, as construções e a paisagem circundante para que o próprio museu, com aberturas e reentrâncias, pudesse respirar. As coleções, predominantemente temáticas, distribuem-se por diferente pisos. Temos expostas cerca de 70.000 peças de bronze, jade, mármore, esculturas em pedra, bambu e diferentes madeiras, cerâmicas, porcelanas, frasquinhos de rapé, esmaltes e cloisonnés, lacas, sedas, livros raros, pintura, caligrafia, jóias, os mais diversos objectos de jade, ouro e prata. Os especialistas
passam dias e dias no museu do Palácio, observando, analisando cuidadosamente cada peça, tentando compreender e explicar a sua história, no encantamento contemplativo e criativo da obra de arte. No andar dedicado à pintura encontro o famoso quadro dos “Cem Cavalos” que levou quatro anos pintar pelo irmão jesuíta Giuseppe Castiglione (1688-1766), natural de Milão, que adoptou o nome chinês de Lang Shining郎世宁. Antes de partir para a China, Castiglione fez o seu noviciado no Colégio da Companhia de Jesus, em Coimbra e pintou parte da capela da hoje Sé de Coimbra. Na corte chinesa, onde chegou depois de arribar a Macau em 1715, Castiglione com a sua mestria e originalidade encantou três imperadores, Kangxi, Yongzheng e Qianlong. Usava o pincel de maneira diferente, empregava a tinta a óleo, desconhecida na China, conjuntamente com a aguarela e a tinta-da-china ao modo do país, mas com a sensibilidade e o saber ocidental, as noções de perspectiva, contornos e policromia há vários séculos utilizados na pintura europeia a sobressair nos trabalhos. Daí o entusiasmo chinês pela pintura de Giuseppe Castiglione, aliás Lang Shining. Os “Cem Cavalos” do pintor italiano foram neste ano de 2014, ano do Cavalo, objecto de comemoração especial no museu do Palácio Imperial, em Taipé, e foi feito um filme sobre a vida e obra de Castiglione, uma mega produção co-produzida pelos estúdios cinematográficos de Taipé e Nanquim.
O repolho de Jade, século XIX
Barco esculpido em pedra-oliva. 1.6 cm de altura por 3.4 cm de comprimento
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XXXV
XXXVI “Ó álcool que excelso me presides e, no silêncio das coisas, me escutas a canção”, trauteava João Junqueiro. “Ó este embaraço, ó este desconforto, este enor-
O IMPÉRIO DO FIM (X) (folhetim do fim de um império)
Carlos Morais José ANTÓNIO FALCÃO
Que o sonho não era lugar seguro já João Junqueiro sabia. Aliás, ele nunca acreditara nessa coisa do sonho, extravasada das bocas e derramada nas páginas como se fosse uma entidade inefável, interessante: um território associado, por exemplo, à liberdade e à realização dos desejos. Nada mais errado. Nos nossos sonhos particulares, fragmentados e caóticos, somos amiúde marionetas, vítimas, espectadores impotentes. Pouco conseguimos controlar. É nesse espaço sem regras aparentes que temos visões e impressões do inferno. Só a ascensão para a consciência nos liberta desses vapores letais como se emergíssemos de um lago muito escuro, habitado por soezes criaturas. Só o refrigério da razão nos acalma quando saímos extenuados de um pesadelo. O mesmo se passava com João: será que ele pretendia emergir ou preferia manter-se adormecido, perto de monstros e de fantasmas? A realidade não era um lugar seguro mas em sonhos não havia meio de conseguir escapar a si próprio. Quando João finalmente despertou, deu por si esparramado no Beco do Enleio. Era noite. Ao fundo, fulgia a luz rubra da placa do Atelier. Não chovera, as suas roupas estavam simplesmente humedecidas do vapor de água que saturava o ar. Fazia muito calor. Apalpou o seu corpo: nada lhe doía. Eram muito vagas as memórias de José António, Paulo ou Artur. Quando olhou para cima, uma velha olhava-o fixamente de uma janela. “Há quanto tempo estará a olhar para mim?”, pensou. “E quanto no seu olhar há de uma reprovação que me é familiar? Talvez vislumbre também um cintilar de compaixão... um arquear de sobrancelhas... que me levante...”. João levantou-se e sacudiu a roupa. Provavelmente bebera demais. Certamente não entrara no Atelier, não encontrara ninguém conhecido, nem fora realmente espancado. Ficara por ali, pelas tascas chinesas, à volta do Beco do Enleio, sorvendo Tsing Taos com fervor religioso e (quem sabe?) alternando com copinhos súbitos de moutai. Até advir o desmaio. João não corria nem fugia: bebia. E, ao fazer do seu corpo esse imenso depósito, transmutava-se num torvelinho de intensidades, sem passado, nem futuro, uma espécie de transparência no presente, pela qual as coisas deslizavam sem dor, sem interesse, nem cheiro particular.
tudo estivesse esclarecido. Se cometera ou não algum crime, se fora descoberto pelos agentes do Atelier, não sabia, não se lembrava. Em que ponto se torna uma acção criminosa, contrária à lei? Ou seria mais grave violar os interesses de um particular? Teria praticado alguma indiscrição? João não se lembrava. Algures na sua mente ouvia ainda o eco dos pontapés a ressoarem no seu corpo. Depois um abismo negro para um penoso acordar no empedrado do Beco do Enleio. O princípio do castigo, a tão temida sentença. Onde andaria Lara? É tarde. Nessa noite Lara não voltaria a casa. E ele nunca mais veria o seu corpo curvilíneo surgir subitamente numa esquina ou encostar-se provocante num umbral. No dia seguinte, João percebeu que ela não voltaria. Acto contínuo, encolheu os ombros e pensou em suicídio. Depois pegou no passaporte, saiu de casa e dirigiu-se para a fronteira. XXXVII
me peso morto a que chamo coração”, entoava sem sorrir. “Ó noites alcoólicas de antros infernais que nos sagram santos; ó solidão da mais pura embriaguez, estar só é o maior dos encantos”, declamava em surdina. João acariciava a rua, os carros encostados aos passeios, a verticalidade dos semáforos. Com a ressaca e o calor, o seu corpo retesava-se como se todo ele fosse um pénis a roçar-se, a penetrar a custo, naquela atmosfera húmida e quente. Sentia o ar quase irrespirável envolvê-lo num amplexo que o deixava num estado de catatónica excitação. Um leve cheiro a podre eleva-se das ruas, dos becos, das travessas. Todo ele se retesava e endurecia. E não lhe bastava o céu baixo e temeroso, não lhe era suficiente atravessar a cidade. Uma boneca de montra lhe bastaria, ela e o seu silêncio de manequim. Voltava a casa. Restava-lhe Lara: a
mulher que licealmente o seduzira, a rapariga que maduramente o conservava. Ela não estava. João sentou-se; depois pegou no telefone. Do outro lado, um recepcionista respondeu. Ele deixou um recado para um encontro no Hotel Bela Vista. Era para Raul Sempiterno. O pobre coitado deveria aceitar. Alguém teria de guardar alguns dos seus papéis, por algum tempo. Lara faria questão de o acompanhar. Quando voltaram do hotel, com o pretexto de um compra, ela deixou-o à porta de casa e esfumou-se entre a multidão. O tempo foi passando. Não havia mala para fazer. Onde andaria Lara? Por que estava o seu telefone desligado? Ficara sem bateria? O tempo escasseava. Atravessaria a fronteira para a China, perder-se-ia no País do Meio. Por ali, entre montanhas e rios, pagodes e casas de chá, arranjaria maneira de recomeçar. Talvez voltar a Macau, quando
Depois da transferência de soberania, muitos portugueses partiram e a comunidade viu-se reduzida e diferente. Novos arranjos, novas solidariedades, novas amizades tiveram de ser construídas, algumas inesperadas; não o suficiente para chocar alguém ou sequer surpreender: há muito que nada espantava quem vivia em Macau. Aqui ficara o inspector Lúcio Marques. Era um tipo de uma estranha afabilidade, na qual não estava ausente um tique profissional, como se a sua simpatia fosse ela própria um meio de saber a verdade, uma forma subtil e disfarçada de interrogatório. Raramente falava sobre a sua própria vida mas demonstrava sempre alguma preocupação pelos outros, pelos seus problemas, pelas suas opiniões, dando a sinistra impressão de tudo tentar memorizar, para depois, em casa ou no seu escritório da Rua Central, introduzir esses dados no computador e assim ir coleccionando informação sobre toda a cidade. O seu ar sério e grave era compensado por uns olhos perturbadoramente afáveis que desarmavam quem dele suspeitava. Aliás, esta era uma primeira impressão, portanto a predominante na cidade. Lúcio Marques iniciava uma conversa que começava por ser académica para logo descambar, com a naturalidade de quem já não teme o seu interlocutor, para alguma política local e nacional. Interessava-se pelos pequenos detalhes, pelos acontecimentos ínfimos (como a inesperada subida de cotação de uma empresa ignota ou uma linha misteriosa num artigo de opinião num jornal), proclamando na sua voz pausada: – Meu caro – dizia a um amigo – temos de reparar nos pequenos movimentos,
artes, letras e ideias 15
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Este facto decorria também de não existir entre eles uma verdadeira amizade. Muitas vezes limitavam-se a exercitar um estilo, talvez por desfastio, talvez por dele ser carente o mercado. O silêncio, entre eles, seria impossível. A situação tornar-se-ia constrangedora. Uma falta de educação. Esta ausência de silêncio, de familiaridade, era largamente compensada por longas e contínuas conver-
primeira pessoa. O amigo suspendeu a resposta por três segundos, por surpresa e malícia. – Com certeza... Está tudo bem? – Está. Então às sete. Adeus – e desligou. Quantas vezes nos arrogamos de conhecer as pessoas, sem deter os dados mínimos para perceber o que realmente perpassa pelos espíritos alheios, sem auscultarmos
ANTÓNIO FALCÃO
seguir o método dos sismólogos, compreender que uma série determinada de insignificantes tremores de terra anunciam o grande terramoto. A investigação consiste em unir pontos, aparentemente irrisórios, até se conseguir adivinhar a figura. Recusava-se a admitir diferença entre ciência e a sua prática judiciária. Em certos momentos comparava-se ao filósofo, desenvolvendo uma maiêutica muito própria, levando os outros a relatar as suas convicções, a confessar as verdades. Aprendera um chinês áspero e fortemente carregado de sotaque estrangeiro; contudo fluido e talvez algo intimidatório. Gostava de o exibir, embora o fizesse de forma natural e despreocupada, quando se encontrava rodeado de desconhecidos. Claramente, Macau não lhe proporcionava os casos que fariam jus ao seu intelecto e ambições detectivescas. Aborreciam-no os crimes insignificantes e banais como a agiotagem e a extorsão. Daí que se encerrasse num intrincado labirinto de leituras, basicamente ensaios, de temas diversos, mas submetidos ainda assim a um pendor que denunciava a sedução exercida pela imagem de Sherlock Holmes no seu próprio imaginário: agradavam-lhe as revistas científicas, da criminologia à astronomia; não dispensava a suave ostentação de uma profunda cultura musical. Sobretudo, alimentava a esperança de ter de enfrentar um grande cérebro criminoso, um doutor Moriarty, que pusesse à prova as suas faculdades e o obrigasse a deitar mão de uma gama que considerasse digna de recursos. Mantinha, sem regularidade, um pouco à mercê de algum texto, de um filme ou de um acontecimento, contacto com um amigo, limitado à circunstância de um deles achar interessante discutir com o outro. Quando assim era marcavam longos jantares de cozinha chinesa, num discreto restaurante, regado a bom vinho português, que ele fazia questão de beber em taças de champanhe. Raramente chegavam a alguma conclusão e poucas vezes discutiam profundamente os assuntos. A tal não era estranho o seu feitio reservado, que o mergulhava num silêncio encapotado de interjeições, cuja função era fazer falar, obrigar a discorrer, entre contidos acenos de aprovação e algumas palavras que asseguravam da continuidade da sua atenção. Tinham adquirido a delicadeza de se escusarem a repetir argumentos, mudando o rumo das discussões sempre que o raciocínio impelia a tiradas anteriormente rebatidas ou conclusões cujo conteúdo ético faria por certo discordar. Uma espécie de acordo tácito impedia de, como tantos fazem, sustentar toda a vida o mesmo diálogo.
sas, cuja elevação temperava alguma falta de autenticidade; a espaços, algumas irreprimíveis precauções. XXXVIII Era uma dessas tardes feitas para não serem vividas, propícias ao repouso, ao abandono do bulício exterior das ruas, dos escritórios; uma dessas tardes invernis e desagradáveis em que a generalidade das pessoas se refugia no trabalho. Foi então que Lúcio telefonou. – Boa tarde. – Boa tarde, Lúcio. – Reconheceu a minha voz. – Era o habitual interlúdio que satisfazia a sua inconfessável vaidade. – Claro. – Rogava-lhe que nos encontrássemos, hoje, às sete. Eram incomuns as palavras. Rogar não pertencia ao seu vocabulário, quando na
os seus abismos turvos? Privava com Lúcio Marques fazia mais de seis meses. Tal não lhe dava carta de alforria quando se tratava de compreender o personagem, especialmente se o seu discurso sofria uma tão inesperada inflexão. Muitos o haviam prevenido contra o seu ânimo paranóico, uma espécie de instinto que o incitava a detectar culpados e a levar à justiça fautores menores pelo prazer de regular a partir de baixo. Nunca acreditara realmente que este traço fizesse parte do seu carácter e o convívio dissipara eventuais dúvidas a esse respeito. Estava perante um homem íntegro, incapaz de usar o artifício da amizade para prejudicar os que acreditassem na sua ausência de intenções. Quando entrou no restaurante Lúcio Marques bebia chá. Na toalha verde branca, quadriculada, entre as tigelas e os pratinhos, reparou num telemóvel e numa chave de pequenas dimensões. Cortesmente, convidou-o a sentar no único lugar vago.
As outras cadeiras estavam ocupados pela sua gabardine e vários embrulhos. A atitude não diferia do habitual. Nada de extraordinário sobressaía da figura e dos modos. Os pequenos ritos não pareciam também alterados. O jantar estava encomendado e a garrafa de vinho, trazida de casa, esperava no balcão, já aberta, a minha chegada. XXXIX Foi então que ele disparou: – Vou-me embora... – Vai-se embora como?... O que quer dizer com isso? – Vou partir de Macau. – De vez? – De vez. Fez um sinal para que servissem o vinho. Precisava de uma pausa qualquer para avaliar a sua afirmação. Ele compreendeu e manteve-se em silêncio, enquanto a empregada nos enchia os copos. Provaram. Era bom. – Para Portugal? – Não. Estou a pensar no Pacífico Sul, numa peregrinação antiga. – Porra, Lúcio... desculpe.... não é isso. Não estou a falar de férias mas de para onde vai viver. – É isso mesmo. Vou começar pelo Pacífico Sul. Depois logo se vê. Sabe como é...: viver de room service. Um ano aqui, dois ali... – sorriu como se estivesse a contar uma aldrabice. – Sempre disse a mim mesmo que havia de passar seis meses na ilha da Páscoa? Uma espécie de promessa de juventude... a seguir, a seguir... talvez um ano em Veneza. – Vejo que dinheiro para si não é problema...–, ironizei. – De facto, não é. O problema é extinguir o desejo que se tem de permanecer num sítio. Normalmente, isso sucede apenas quando esse lugar nos invadiu até ao nojo e não parece então difícil de abandonar. Descobrimos ser pior. Descobrimos estar agarrados a esse espaço como a um vício mau, árduo de extirpar. Certos sítios medram dentro de nós, dotados de um forte poder hipnótico, envenenam. Por isso, de bom grado, aí nos esquecemos do mundo e nos deixamos morrer. Mudara tão habilmente de assunto que o seu amigo corou. De qualquer modo, não o sabia rico. Se o era não mostrava. – É por isso que se vai embora? – Talvez. – Disse-o prontamente demais e calou-se. Era um convite a novas perguntas. De algum modo, ele parecia conduzir, através de mim, um interrogatório a si próprio. Nem a propósito, refilou: – Mas pergunte-me sobre o dinheiro, não se acanhe. – Não, não me acanho. E o dinheiro? Meteu a mão na massa, não me diga? – Por acaso conhece uma... mulher chamada Lara? (Continua para a semana)
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DESPORTO
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“A PORTUGUESA” TOCOU POR ENGANO EM FUJI
André Couto estreou-se a vencer “Tenho vindo a correr no Japão desde há bastante tempo e Fuji é um dos meus circuitos favoritos”
SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo
A
NDRÉ Couto venceu no pretérito fim-de-semana a terceira corrida da temporada 2014 da Taça Audi R8 LMS, o seu primeiro triunfo este ano na competição monomarca da casa de Ingolstadt. No circuito de Fuji, no Japão, Couto, que fez o melhor treino na qualificação, não deu cavaco a ninguém e dominou a primeira corrida do evento nipónico de fio-a-pavio, obtendo a volta mais rápida no processo, terminando com uma confortável vantagem para o segundo classificado, ex-piloto de Fórmula 1 Alex Yoong. O piloto português de Macau subiu ao lugar mais alto do pódio e para seu grande espanto, enquanto era hasteada a bandeira da RAEM, foi brindado com “A Portugue-
ANDRÉ COUTO
sa”, em vez da “A marcha dos voluntários”, o hino da República Popular da China, como seria correcto. Protocolos à parte, com
60 quilogramas extras de “handicap” no carro para a segunda corrida, fruto da penalização regulamentar obrigatória por ter vencido a
primeira corrida, Couto, que partiu novamente da “pole-position”, rapidamente se viu ultrapassado no início da segunda corrida pelo malaio
Yoong e por Marchy Lee. Contudo, e na luta por um lugar com o piloto de Hong Kong, o Audi R8 pintado de roxo acabou danificado, levando ao abandono do português. A corrida acabou por ser ganha por Yoong, seguido pela suíça Rahel Frey e pelo coreano Kyoung-Ouk You. “Tenho vindo a correr no Japão desde há bastante tempo e Fuji é um dos meus circuitos favoritos.
Tive bastante pressão, mas concentrei-me a fazer o meu melhor”, explicou o vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2000 após a primeira corrida. Sobre a colisão na segunda corrida, Couto explicou com “fair-play” o sucedido: “Eu tentei ultrapassá-lo, mas ele não me viu. Foi um acidente infeliz para os dois.” O piloto luso da equipa chinesa Brother Racing Team - que este ano também está a competir no Blancpain Endurance Series na Europa e no campeonato Super GT categoria GT300 no Japão - ocupa o sétimo lugar na classificação do campeonato, quando ainda faltam quatro provas por disputar. A Taça Audi R8 LMS volta ao activo no fim-de-semana de 16 e 17 de Agosto, na pista malaia de Sepang. Este será um evento a realizar em concomitância com a Taça Porsche Carrera Ásia, onde corre o também português de Macau Rodolfo Ávila, e com o campeonato GT Asia Series, onde este ano participa o algarvio Rui Águas, com um Ferrari 458 GT3.
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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 8 de Julho de 2014 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de realização de um Espectáculo do Lançamento de Fogo de Artifício para a Celebração do 15.º Aniversário do Estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); além disso ainda se encontra igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macautourism.gov. mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335341, Edifício Hotline, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 4 de Agosto de 2014. O limite máximo do valor global da prestação de serviço é de MOP6.000.000,00 (seis milhões patacas). Critérios de apreciação das propostas e percentagem: Critérios de adjudicação
Factores de ponderação
Preço
40%
Criatividade - Propor outros locais de lançamento diferentes do Mapa de Caracterização - Descrição do tema do espectáculo de fogo de artifício - Utilização de tecnologia nova (descrição de utilização de criatividade ou produto específico, ou descrição de efeitos espectaculares) - Descrição do plano do lançamento e dos seus efeitos
30%
Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Descrição do equipamento a ser utilizado - Plano de transporte dos materiais pirotécnicos - Plano do lançamento - Plano de segurança na operação do lançamento - Mapa do traçado do local do lançamento
20%
Experiência do concorrente
10%
Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 21 de Agosto de 2014, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais de RAEM ou em inglês, prestar a caução provisória de MOP120.000,00 (cento e vinte mil patacas), mediante 1) depósito em numerário à ordem da “Direcção dos Serviços de Turismo” no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da “Direcção de Serviços de Turismo” 4) por transferência bancária na conta da Fundo de Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. Acto publico do concurso, no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 22 de Agosto de 2014. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Julho de 2014. A Directora Maria Helena de Senna Fernandes
Anúncio 【N.º 201407-5】 Torna-se público que, nos termos do artigo 29.º do Regulamento Administrativo n.º 5/2014 (Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico), vai proceder-se à recolha de opiniões dos interessados e da população respeitantes aos projectos de Planta de Condições Urbanísticas (PCU) elaborados para os lotes abaixo indicados: ─ Processo N.º: 89A168, Rua de Pedro Nolasco da Silva nos 2A-4D e Travessa dos Anjos nos 24-34 – Macau; ─ Processo N.º: 2003A043, Pátio do Abridor no2 e Rua dos Mercadores no102 – Macau; ─ Processo N.º: 2007A069, Travessa do Goivo no 7 – Macau; ─ Processo N.º: 2014A020, Rua dos Ervanários no 27 – Macau; ─ Processo N.º: 2014A030, Rua Nova do Comércio no 9 – Macau. Para efeitos de referência, os projectos de PCU dos lotes supracitados já estão disponíveis para consulta no Departamento de Planeamento Urbanístico, situado na Estrada de D. Maria II n.º 33, 19º andar, Macau, e encontram-se afixados na Rede de Informação de Planeamento Urbanístico desta Direcção de Serviços (http:// urbanplanning.dssopt.gov.mo). O período de recolha de opiniões tem a duração de 15 dias e decorre entre 4 de Agosto de 2014 e 18 de Agosto de 2014. Os interessados e a população poderão apresentar as suas opiniões sobre os projectos de PCU referidos, mediante o preenchimento do formulário O011, o qual pode ser descarregado nos websites http://urbanplanning. dssopt.gov.mo ou www.dssopt.gov.mo, ou levantado nesta Direcção de Serviços (Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau), podendo submetê-lo no período de recolha de opiniões através dos seguintes meios: ─ Comparecendo pessoalmente: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau, durante o horário de expediente nos dias úteis ─ Correio: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau (o prazo limite de entrega é contado a partir da data de envio indicada no carimbo do correio) ─ Fax: 2834 0019 ─ Email: pcu@dssopt.gov.mo Para mais informações pode pesquisar o website http://urbanplanning.dssopt.gov.mo e para qualquer informação adicional queira contactar o Centro de Contacto desta Direcção de Serviços (8590 3800). Macau, aos 25 de Julho de 2014 A Directora dos Serviços, Substituta Chan Pou Ha
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
27
MAX
34
HUM
55-90%
•
EURO
10.7
BAHT
0.2
YUAN
17
1.3
LÍNGUA DE gATO
BREAK UP 100 SALA 1
Com: Shailene Woodley, Ansel Elgort 17.30, 21.30
BREAK UP 100 [B]
Um filme de: Lawrence Cheng Com: Ekin Cheng, Chrissie Chau 14.30, 16.30, 21,30
Pu Yi
SALA 3
DORAEMON THE MOVIE: NOBITA IN THE NEWHAUNTS OF EVIL-PEKO AND THE FIVE EXPLORERS [A]
STEP UP ALL IN [B]
Um filme de: Trish Sie Com: Alyson Stoner, Biana Evigan, Ryan Gusman, Adam G. Sevani 19.30
A política não existe durante o Verão
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Yakuwa Shinnosuke 14.30, 16.30, 19.30
SALA 2
PLANES 2: FIRE & RECUE [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Bobs Gannaway 14.15, 16.00, 19.45
THE FAULT IN OUR STARS [B] Um filme de: Josh Boone
ACONTECEU HOJE
DAWN OF THE PLANET OF THE APES [B] Um filme de: Matt Reeves Com: Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel 21.30
31 DE JULHO
Nasce J. K. Rowling, a criadora de Harry Potter • É a única escritora que se tornou multimilionária, considerada uma das pessoas mais poderosas do mundo. J. K. Rowling, que viveu em Portugal, nasceu a 31 de Julho. J. K. Rowling nasceu em Yate, Inglaterra, a 31 de Julho de 1965, é uma escritora de ficção britânica e notabilizou-se pela premiada série Harry Potter, que se tornou num fenómeno, quer na literatura, quer no cinema. Ainda criança, Joanne Rowling alimentava o vício de ler contos de aventuras. Inspirada por grandes autores, desde muito jovem que decidiu ser escritora. Ao contrário do que se possa imaginar, J. K. Rowling teve de enfrentar grandes dificuldades até atingir a fama como escritora, passando-se longos anos até que ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ fosse colocado nas livrarias. O seu agente literário Christopher Little cumpriu um papel fundamental, nesta persistente luta pelo sucesso, sendo que, desde então, Rowling escreveu os outros seis livros que a tornaram rica. Através da escrita, esta autora de reconhecido talento pôde contribuir para diversas causas: a pobreza e as discrepâncias sociais. J. K. Rowling colocou a sua riqueza ao serviço dessas lutas, que sempre foram suas. Os seus livros foram traduzidos para 64 línguas. Rowling vendeu mais de 400 milhões de cópias em todo o mundo e conseguiu uma fortuna avaliada em quase mil milhões de euros. A Forbes salientou um feito desta escritora, em 2004: foi a primeira pessoa a tornar-se multimilionária a escrever livros… J. K. Rowling tem uma ligação com Portugal, onde viveu, no Porto, quando foi contratada para dar aulas de inglês, no Encounter English. Com outras duas outras professoras, Jill Preweet e Aine Kiely, mulheres a quem foi dedicado o terceiro livro, ‘Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban’, costumava divertir-se na discoteca ‘Swing’, até que uma relação tempestuosa acaba por antecipar o regresso ao seu país.
João Corvo
H O J E H Á F I L M E WALK THE LINE (JAMES MANGOLD, 2005) É pouco provável encontrarmos alguém que não admita que Johnny Cash foi um dos mais importantes músicos de country do século XX, fazendo magia ao lado de estrelas como Elvis Presley ou Jerry Lee Lewis. É ao lado de Reese Witherspoon que Joaquin Phoenix desempenha um dos papéis mais complexos e marcantes da sua carreira de actor, na pele de apenas desse grande cantor, cuja ruína começou cedo. ‘Walk the Line’ é, a par com ‘Ray’ – filme sobre a vida e obra do músico de jazz, Ray Charles – uma das melhores películas biográficas do grande ecrã. Comovente e, por vezes, de difícil digestão, é sem dúvida, uma obra a não perder. - Leonor Sá Machado
fonte da inveja
Um desejo intenso e errado de possuir a tua alma.
Toda a gente sabe que eleições no período de Verão estão condenadas a um quase fracasso ou a um menor sucesso, com uma elevada abstenção. Pegando no exemplo da Europa, nomeadamente de Portugal, quer sejam eleições autárquicas, europeias ou legislativas, se acontecerem em Agosto há sempre o risco da malta não ir a correr para a urna porque está na praia do Algarve ou no sul de Espanha. Isto eu sei, porque sou um gato viajado. Incrivelmente, num sítio como Macau, onde o chefe do Governo não se elege por sufrágio universal, o problema do Verão também acontece. Este ano, Chui Sai On recebeu menos apoios para a sua candidatura, apesar desta ter sido oficializada: 69 pessoas não assinaram o dito papelinho de apoio. Pensamos: existem motivos políticos? Existe descontentamento com o mandato de cinco anos de Chui Sai On? Não, respondeu Vong Hin Fai, o mandatário. O que aconteceu é que muitos dos 400 membros da Comissão Eleitoral estavam de férias. Larry So, académico, disse o mesmo a este jornal. Não deixa de ser curioso que até aqui a praia se sobreponha ao dever cívico. Tal como não deixa de ser curioso que um candidato, oponente a Chui Sai On, tenha dito que foi difícil contactar os membros da Comissão Eleitoral para a obtenção de assinaturas que iriam validar a sua candidatura. Ele bem que vociferou e agitou papéis com as suas queixas, em vão. Para ele, quase todos os membros da Comissão estavam na praia. Sempre estiveram, sempre vão estar.
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OPINIÃO
hoje macau quinta-feira 31.7.2014
LEOCARDO
bairro do oriente
“Patriota: indivíduo a quem os interesses de uma parte parecem superiores aos interesses do todo. O joguete dos estadistas e a ferramenta dos conquistadores.” Ambrose Bierce
A
palavra “Pátria” tem para nós, portugueses, uma conotação que ainda faz com que se levantem muitas sobrancelhas de espanto. A culpa foi de um certo santacombadense que em tempos usou e abusou da palavra para dar consistência à sua versão muito própria de unidade, de nação, de soberania, apelando aos jovens lusos que numa ocasião por volta do inícios dos anos 60 do século passado “dessem a vida pela Pátria”, na Guerra do Ultramar. Um apelo tem por vezes o valor de uma mera sugestão, ou de um convite, mas neste caso escutava-se o chamamento da Pátria, que era assim como um daqueles apitos silenciosos que emitem uma frequência que só os cães conseguem ouvir. O que se ganhava em “dar a vida pela
CHARLIE CHAPLIN,THE GREAT DICTATOR
Os patriotas e os “scuds”
Pátria”? Logo se via. E recusar? Isso via-se logo. Era um pouco aborrecido não poder escolher o que se fazer com a vida, que é só uma, deixada assim nas mãos de uma das muitas Pátrias que há por esse mundo.
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A Pátria é um conceito abstracto, tal como a alma, a paixão, ou dando-lhe um sentido mais formal, a República, personificada amiúde por uma jovem com os seios de fora. E falando de seios e de paixão, por estas bandas ouve-se muito a expressão “amar a Pátria”, ou a sua variante “amor à Pátria”. Apesar disto nos soar um pouco a “dejá vu”, pois já sentimos na pele essa imposição da parte da Pátria, é uma coisa que parece ser bem recebida pela generalidade. Qualquer caramelo que inicie um discurso com uma referência ao “amor à Pátria”, e termine dizendo que “ama a Pátria”, é tido como um fulano às direitas – mesmo que pelo meio não tenha dito nada de jeito. Pode revelar a maior ignorância e desprezo pela inteligência de quem o escuta, indiferente às suas patrióticas introdução e conclusão, mas ai de quem fale mal dele: afinal, “ama a Pátria”.
“ O verdadeiro patriota é aquele que luta pelo melhor para si e para os seus irmãos, e nem que para isso tenha que sacudir o sistema e todos o que dele tiram partido” Eu tenho um problema lexical com isto de “amar a Pátria”, tal como o Executivo local tem andado um pouco baralhado nos últimos tempos com uma certa interpretação da palavra “referendo”. Para mim amar é uma coisa séria; posso gostar, estimar, respeitar, sentir consideração ou querer saber notícias de alguém, mas amar é outra cena, meu. O que entendo por “amar” implica o acto físico do amor. Quando oiço “amar a Pátria” e coloco a mim mesmo essa possi-
bilidade, imagino-me numa cama redonda e larga, com lençóis de seda, a beijar apaixonadamente a “Pátria”, afagando-lhe os cabelos com uma mão e explorando com a outra as suas partes pudibundas, antes de avançar determinado para aquilo que a Pátria ela própria fazia com aqueles jovens lusitanos que mandava para o Ultramar para darem por ela a vida. Mas consideremos para efeitos dramáticos (e para não acabar por aqui o artigo) que isso de “amar a Pátria” é uma coisa mesmo séria, mesmo que saindo da boca de alguns chalaceiros destas bandas dê vontade de pelo menos dar uma risadinha marota. Os que amam a Pátria são chamados de “patriotas”, e assim partilham o nome com um sistema de lançamento de mísseis, e com o próprio míssil, bastante na berra durante a primeira Guerra do Golfo – pode-se mesmo dizer que quem não ama a Pátria e não é patriota, é um “scud”. Mas quem não sente amor pela Pátria, que se “scud”, pois aqui isto tem mais valor do que um argumento com pés e cabeça, ou que uma boa ideia, com potencial para surtir efeitos práticos e positivos. Basta vir com uma besteira qualquer, e no caso de alguém discordar atirar com um “você não ama a Pátria?”, e todos os burros baixam de imediato as orelhas. De orelhas levantadas e sempre alerta, qual escoteiro, está a ex-presidente da Assembleia Legislativa, Susana Chao, que depois de deixar o cargo de moderadora no hemiciclo da RAEM, veio fazer-me companhia nas lides bloguísticas. Desconheço o nome do seu blogue, todo ele em língua chinesa, mas bem podia ser “Lavandaria Jolie”, tal é a quantidade de roupa suja que por ali passa. Um destes dias, numa das suas habituais diatribes contra os seus antigos colegas e cúmplices, chegou a sugerir que a maltósia democrata que foi fazer chinfrim para a porta da AL há dois meses “são verdadeiros patriotas”, ao contrário de outros que assumem como tal, e deu o exemplo de um tal Ao Man Long, que depois de me socorrer dos livros de História antiga, fiquei a saber que se tratava de um patriota que passou a “scud” com a mesma ligeireza com que azeda um “tao fu fa” deixado ao sol a tarde inteira. Posso achar o que Susana Chao faz no seu blogue de uma deselegância e baixeza extremas, vil, mesquinho, próprio de uma pessoa vingativa e ingrata, mas não posso deixar de concordar com ela num aspecto: o verdadeiro patriota é aquele que luta pelo melhor para si e para os seus irmãos, e nem que para isso tenha que sacudir o sistema e todos o que dele tiram partido, “à mama” da mãe Pátria – e nem chama isto “patriotismo”, mas sim “justiça”. É que por muito que os patrioteiros de trazer por casa digam cheios de bazófia que “amam a Pátria”, no fim ela acaba por confrontá-los, e de mão na cintura a cara de poucos amigos, vocifera: “Muita lábia tens tu, mas o que tens feito aqui pela Pátria, afinal?”.
opinião 19
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CARLOS MORAIS JOSÉ
editorial
Macau ao espelho
A
reportagem, que este jornal publicou na segunda-feira sobre pessoas com condições de vida miseráveis em Macau, tem uma especial acuidade por, pelo menos, duas ordens de razões. A primeira tem a ver com a obscenidade; a segunda com a esperança. A primeira prende-se com o facto da RAEM continuar a apresentar números avassaladores que a impõem como uma das regiões mais ricas do mundo. Ora como pode um território com um PIB per capita desta grandeza sustentar no seio situações de miséria como as que o Hoje Macau descreveu? É obsceno, para ser suave. É descuido, falta de compaixão, pouco sentido social, o que quiserem usar como motivo. Mas os motivos pouco interessam. De facto, o que nos choca é a ausência de interesse ou a incapacidade de agir. A RAEM dos casinos, do luxo inatingível, das superbombas
em estrada onde não podem passar dos 80, da hipocrisia das luzes, da enormidade das contas bancárias, das mil e uma transacções, do ouro exposto nas avenidas. O Governo dá uma esmola ao ceguinho porque não sabe que ao dar uma esmola ao ceguinho mantê-lo-á para sempre na rua de mão estendida. O Governo arrecada os lucros astronómicos do Jogo e investe-os na Dinamarca ou lá onde é que é; nesse país é que há barracas e não no nosso lindo Ou Mun à beira Pérolas plantado. O Governo não assobia para o lado porque não sabe assobiar. Passa com desdém e altivez, provavelmente perguntando-se porque razão tanta gente protesta na cidade, ainda que seja nas conversas de ocasião, entre dois sorvos de chao-min. Ninguém realmente fará nada porque Macau é uma terra de desiludidos, de gente que sabe muito bem o que a casa gasta e que não vai em ideais. É que desconfia dos seus resultados e talvez tenha razão para isso. Com a criminosa subida das rendas de casa, que unicamente permitiu a alguns, muitos de
fora de Macau, enriquecer antes de o diabo esfregar um olho, toda a população (elite à parte) sentiu e sente dificuldades. É normal que aqueles que se encontravam nos degraus mais baixos da pirâmide acabassem por cair numa situação degradante. Vem nos livros. Mas será que o Governo previu este fenómenos? Esperemos que não, para nos evitar necessidade de o acusar de incompetência ou maldade. A segunda ordem de razões está relacionada com o facto de vivermos um ano de eleições. Nestes períodos os políticos prometem muito. Raramente cumprem, sobretudo os que chegam ao poder, como é
O que o Governo tem de perceber é que quando depara com situações de miséria está a olhar para a sua própria alma no espelho
o caso de Chui Sai On. Contudo, atendendo às peripécias (ou falta delas) do seu primeiro mandato, queremos acreditar que o Chefe vai emendar a mão e construir a sociedade a partir de baixo e não a partir de cima. A liberalização do jogo foi para Macau um tsunami, um desastre social, uma catástrofe cultural. Só do ponto de vista financeiro trouxe realmente benefícios. Mas para que o dinheiro frutifique não pode andar a pairar em especulações financeiras ou ser erradamente distribuído, como se os pratos da balança estivessem constantemente inclinados. E qual o bem mais valioso desta terra, o seu garante de futuro? Com certeza que são as pessoas. Macau não pode ter habitantes que vivem em condições miseráveis até porque nem sequer tem tamanho para isso. O que o Governo tem de perceber é que quando depara com situações de miséria está a olhar para a sua própria alma no espelho. O Governo e todos nós. Essa gente suja e miserável, doente e mal nutrida, bem vistas as coisas, somos nós mesmos.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau quinta-feira 31.7.2014
Aterros Avaliação de impacto ambiental em curso
Arranca hoje a avaliação ao impacto de ambiente marinho relativo à 4.ª Ligação Rodoviária Marítima Macau - Taipa e ao Túnel Submarino entre as zonas de aterro “A” e “B” que será levada a cabo pelas entidades chinesas “South China Sea Marine Engineering and Environment Institute” e “China Offshore Environmental Services Ltd., Tianjin”, tal como informou ontem em comunicado o Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas (GDI). A avaliação tem como “objectivo fornecer os dados de apoio, principalmente, do ponto de vista de impacto ao ambiente marinho”, tal como explica o GDI, argumentando que “os trabalhos da avaliação de impacto ambiental incluem as justificações complexas relacionadas à análise preliminar dos dados das infra-estruturas projectadas, à investigação elementar sobre estados ambientais “in loco”, à análise de origem da poluição, bem como, a determinação dos teores dos trabalhos da avaliação de impacto ambiental e a realização de consulta pública para recolha de opiniões”.
ADM Miguel de Senna Fernandes quer novo mandato
Trânsito Cada vez mais veículos nas estradas
São 232,568 os veículos que circulam em Macau, aumentando assim em 5% o número de meios de transporte nas estradas do território. Segundo avançou a Rádio Macau, 52% são motociclos e 41% automóveis ligeiros particulares. Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que, no primeiro semestre do ano, registaram-se 9819 veículos com matrículas novas, ou seja, mais 9%. No que diz respeito ao tráfego nos postos fronteiriços entre Macau e a o interior da China, a DSEC informa que passaram mais de 2 milhões e 400 mil veículos.
A CAIXA
Protesto junto ao Parisian pelo pagamento de salários
C
METRO FUNCIONAMENTO EM PLENO SÓ EM 2022
Mais dias de consulta pública O metro ligeiro que vai ligar a península de Macau e a ilha da Taipa só deverá estar a funcionar em pleno em 2022 tendo em conta o plano de execução de obras previsto pelo gabinete responsável pelo projecto. André Ritchie, coordenador adjunto do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, explicou à agência Lusa que na ilha da Taipa, o metro ligeiro que terá uma extensão de nove quilómetros - estará concluído até ao final de 2016 num traçado que vai ligar a zona do aeroporto
internacional até à ponte Sai Van, onde, depois, será feito o prolongamento na ponte com o mesmo nome até à zona da Barra, já na península de Macau, onde está a ser construída uma das estações modais da península. Na península de Macau, o projecto só estará concluído ao longo de 2015 e, com “cinco a seis anos de obras”, só em 2022 deverá estará a funcionar em pleno, ou seja, entre a península de Macau e a ilha da Taipa. Instado a comentar o prolongamento das obras - o metro ligei-
ro é uma obra que é falada desde 2004 e deveria ter entrado em funcionamento em 2011/2012 André Ritchie salientou apenas que uma construção do género “é demorada, implica padrões de segurança complexos e não pode ser colocada em causa por questões de datas”. Relativamente à consulta pública do Segmento Norte do Metro Ligeiro, que começou no dia 1 de Julho, o Governo informou ontem que esta será prolongada até ao dia 28 de Setembro, ou seja, mais 45 dias.
JOGO FUNCIONÁRIOS ACUSAM GOVERNO DE INTROMISSÃO
Uma questão de nomenclatura E M declarações à TDM chinesa, vários funcionários do sector do jogo asseguraram que o Governo obrigou a que o grupo Sands eliminasse a função de Estagiário Chefe de Croupier e alterasse a nomenclatura do cargo de Croupier Superior para Chefe de Supervisão de Segunda Classe. O deputado Ng Kuok Cheong pediu satisfações ao Governo, questionando a veracidade das informações proferidas pelos funcionários, sobre o cancelamento da posição de estagiário. Depois dos recentes protestos dos trabalhadores do grupo Sands, terça-feira foi a vez de 500 funcionários do Galaxy entregarem, juntamente com membros da associação Forefront of the Macau Gaming, uma carta ao departamento de recursos
humanos do Galaxy a exigir mais regalias e o aumento de salários. O director da associação, Leong Man Teng, colocou a hipótese de ser feita mais uma manifestação. Lam Chi Seng, vice-presidente do grupo Galaxy, veio afirmar que sente compaixão e está preocupado com os seus funcionários. Em comunicado, Lam disse ainda manter sempre uma relação de comunicação aberta com todos os seus trabalhadores, esperando que todos eles apresentem as suas opiniões e reclamações de forma directa. Quando questionado sobre a resolução de problemas e a eventual organização de mais uma manifestação no final desta semana, o vice-presidente comentou apenas que a direcção do Galaxy espera conseguir solucionar todas as questões de forma interna.
ERCA de 33 trabalhadores protestaram ontem junto ao local de construção do Parisian Resort pelo pagamento de salários em atraso, confirmou a Polícia de Segurança Pública (PSP), utilizando camiões. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, estão em causa pagamentos em atraso no valor de 11 milhões de patacas. No local estavam cartazes que chamavam a atenção para o facto de cerca de 60 trabalhadores terem efectuado os trabalhos de escavações e criação de fundações no terreno, mas ainda não terão recebido qualquer salário. Os responsáveis da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) chegaram ao local e terão esclarecido que não existem quaisquer atrasos nos pagamentos, frisando que os salários de Junho já foram pagos. Os salários de Julho serão pagos em Agosto, explicou ainda a DSAL. O mesmo organismo garantiu que a questão dos pagamentos está dependente da forma de distribuição das empresas responsáveis pela construção do Parisian. Recorde-se que as obras do futuro resort, projecto da operadora Sands China, estão embargadas devido à falta de licença do Governo para a sua construção. - F.F. HOJE MACAU
As eleições de Novembro para os novos órgãos de gestão da Associação dos Macaenses (ADM) deverão contar com a candidatura de Miguel de Senna Fernandes. Ao HM, o actual presidente garante querer continuar o trabalho que está por concretizar. “Claro que vou [candidatar-me] porque há projectos que sucessivamente não conseguimos fazer, por falta de verba. Muitas vezes é também por falta de pessoal. Não discutimos ainda projectos para o próximo ano porque vamos para eleições no final de Novembro, vamos ter um novo mandato e veremos o que vamos fazer”, disse Miguel de Senna Fernandes.
cartoon por Stephff