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Hoje Macau 31 JAN 2019 #4222

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUINTA-FEIRA 31 DE JANEIRO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4223

TERRENOS

GCS

A rota de Marcelo

GRANDE PLANO

É oficial. O Presidente da Républica, Marcelo Rebelo de Sousa, vem a Macau depois de visitar Pequim, o que deverá acontecer após as celebrações do 25 de Abril em Portugal. Para Fevereiro, está marcada uma deslocação à China em preparação da visita oficial.

LEI SINDICAL

SECRETÁRIO AUSENTE HOJE MACAU

PÁGINA 5

CASO JOHN MO

VOGAL EM QUEDA PÁGINA 6

RÓMULO SANTOS

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hojemacau

CERCO AOS LESADOS

TÁXIS

O REI DOS ABUSOS PÁGINA 9

PÁGINA 7


2 grande plano

Ficou sem a casa que adquiriu em regime de pré-venda, comprou outra mais barata ao Governo, mas não o pode pôr em tribunal para pedir indemnização, caso seja declarada nula a concessão do terreno onde queria morar. É este o cenário que um promitente comprador de uma casa terá de enfrentar caso a proposta do Governo e CCAC avance no hemiciclo. Alguns deputados estão contra “Acho surpreendente o facto de esta ideia ter vindo da parte do comissário adjunto do CCAC, que tem a obrigação e o dever de zelar pela independência e direitos fundamentais constantes na Lei Básica.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO

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O JUIZ NAO TERRENOS

L

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CCAC QUER IMPEDIR LESADOS DE INTENTAR ACÇÕES JUDICIAIS CONTRA O GOVERNO

AM Chi Long, comissário adjunto do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), propôs ontem na Assembleia Legislativa (AL) que os promitentes compradores de casas em regime de pré-venda, ou seja, ainda em construção em terrenos concessionados, não possam interpor acção judicial contra o Executivo depois de comprarem uma habitação à empresa pública de renovação urbana. Isto porque, de acordo com os argumentos apresentados na reunião de ontem, o promitente comprador pode beneficiar da compra de uma casa a um preço mais baixo do que no mercado privado, e ainda de uma indemnização, caso o tribunal decida a seu favor, numa situação em que a concessão do terreno seja declarada nula por falta de aproveitamento por parte do Executivo. A medida foi apresentada numa reunião de análise na especialidade do regime jurídico de habitação para alojamento temporário e de habitação para troca no âmbito da renovação urbana, proposta de lei que está em análise na especialidade. As explicações foram dadas por Vong Hin Fai, presidente da 3ª Comissão Permanente da AL, que está encarregue de analisar a proposta de lei. “[Lê-se na proposta de lei que] a entidade responsável pelo processo de renovação urbana vai vender as fracções aos promitentes compradores das casas que sejam afectadas pelo processo de declaração de nulidade da concessão dos terrenos. Em termos gerais, o preço da casa [aquando da assinatura do contrato de compra e venda] seria inferior ao preço do mercado. Os cofres da RAEM vão suportar essa diferença”, explicou ao HM. Vong Hin Fai adiantou ainda que “há casos em que os promitentes compradores aproveitam esta norma legal para adquirir a fracção a um preço inferior do mercado, e ao mesmo tempo interpõem uma acção contra o Governo a pedir uma indemnização, na sequência da declaração de caducidade do terreno. Os tribunais são independentes,

e se [o promitente comprador] ganhar a acção, terá direito a outro valor de indemnização”. O deputado, que é também advogado, quando questionado pelo HM não quis dar a sua opinião sobre o assunto. “Por enquanto, ainda não demonstrei a minha posição. O Governo disse que irá estudar uma solução. Vou estudar esta questão e depois haverá uma nova versão de trabalho [da proposta de lei]”, frisou.

“PARECEM ARTIMANHAS”

O HM falou com dois deputados e Leonel Alves, ex-deputado e advogado, e todos se mostraram contra a medida proposta, por a considerarem contrária à Lei Básica. Na lei fundamental pode ler-se no Artigo 36.º que “os residentes de Macau têm o direito de intentar acções judiciais contra actos dos serviços do órgão executivo e do seu pessoal”. Além disso, a Lei Básica determina que os residentes podem sempre recorrer aos tribunais para defesa “dos seus legítimos direitos e interesses, bem como à obtenção de reparações por via judicial”. É precisamente este o ponto destacado por Leonel Alves. “A Lei Básica diz que, aquele que se sentir lesado, e seja quem for o causador dessa lesão, um particular ou uma entidade pública, a Lei Básica garante o direito a obter uma reparação através dos tribunais.” Como tal, Leonel Alves questiona “como é que uma lei ordinária pode resolver uma situação particular subvertendo estes princípios basilares do sistema?”. “Isso é o mais confrangedor”, acrescenta. Recorde-se que Alves é também advogado da Polytex, antiga concessionária do terreno onde iria nascer o edifício habitacional Pearl Horizon. Os lesados que aqui desejavam morar viram-se sem casa quando o Executivo recuperou o terreno por falta de aproveitamento, e estão abrangidos por esta proposta de lei, sendo-lhes permitida a aquisição de habitação para troca. “Percebo o que se pretende com esta inovação legislativa. Mas


grande plano 3

quinta-feira 31.1.2019

DECIDE

como residente, jurista e alguém que gosta de ver o ordenamento jurídico de Macau o mais perfeito possível, e o mais perfeito é em sintonia com os parâmetros da Lei Básica, o que me constrange é que uma medida desta natureza, de impedir o acesso ao tribunal e o direito a uma reparação, fica um bocado de fora dos cânones supremos de Macau.” Questionado sobre a possibilidade de o Governo querer evitar um segundo caso semelhante ao do Pearl Horizon, Leonel Alves diz que está em causa a presunção de culpa da RAEM no caso dos promitentes compradores.

deixou chocado. “Acho surpreendente o facto de esta ideia ter vindo da parte do comissário adjunto do CCAC, que tem a obrigação e o dever de zelar pela independência e direitos fundamentais constantes na Lei Básica. Chocou-me”, revelou. Além disso, Pereira Coutinho lança críticas à postura de Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, nas reuniões com os deputados. “O comissário adjunto do CCAC é que está a apresentar esta lei, não é a secretária. Ela parecia a adjunta do comissário na apresentação quando ela é que deveria apresentar a proposta da lei, pois é a número um da Administração.” “Em qualquer Estado de Direito e democrático não se pode proibir o cidadão do direito de acesso aos tribunais”, frisou.

COMPRAS COM CONDIÇÕES

“Impedir alguém de ir a tribunal é muito grave. O tribunal pode intervir se achar que o pedido é ilegal, ou se estiver em causa o enriquecimento [do promitente comprador]. [A proposta] Impede que se discuta o assunto, o que faz presumir que há responsabilidade da parte da RAEM neste processo todo do Pearl Horizon. Se o Governo achar que não tem responsabilidade, porque é que vem com estas artimanhas de impedir o acesso ao tribunal? Parece que são artimanhas, dá essa ideia.”

Au Kam San explicou ao HM que a proposta inicial do Executivo era fazer com que os promitentes compradores pudessem “adquirissem a habitação para troca se não tivessem intentado um processo contra o Governo a pedir indemnização”. “Vários deputados apontaram que esta medida não é razoável e agora o Governo disse que vai ter isto em consideração”, acrescentou. Até à data, os únicos processos interpostos em tribunal por lesados do Pearl Horizon foram contra a própria Polytex e não contra o Executivo, sendo que antes deste caso não houve outro semelhante. “O Governo também concordou que não estão envolvidos conflitos com lesados, pois os promitentes compradores têm conflitos com o promotor [do terreno]. Por isso não deve existir a ideia de que ‘se me acusam, não vos vendo as habitações para troca’, não há consenso sobre isto na comissão”, adiantou o deputado da ala pró-democrata. Au Kam San considera que não se coloca um cenário de duplos benefícios. “Primeiro, não é possível obter uma indemnização apenas através de uma acção contra o Governo, porque cabe ao tribunal decidir. Por isso, a ideia de proibir a compra da habitação para troca, caso recebam a indemnização, não faz sentido, porque significa que o Governo perde o processo, mas pune os lesados de outra maneira.” Além disso, “mesmo que os lesados obtenham uma indemnização, do promotor ou do Governo, é sempre pelo atraso na atribuição de casas”.

DEPUTADOS ESTÃO CONTRA

EVITAR UM SEGUNDO PEARL HORIZON

“Se o Governo achar que não tem responsabilidade, porque é que vem com estas artimanhas de impedir o acesso ao tribunal?” LEONEL ALVES ADVOGADO

Vong Hin Fai recusou adiantar aos jornalistas quantos deputados se mostraram contra o diploma, mas o HM sabe que José Pereira Coutinho e Au Kam San são dois deles. José Pereira Coutinho, membro da 3ª Comissão Permanente, explicou que o facto de a proposta em questão ter partido do próprio comissário adjunto do CCAC o

Se Leonel Alves fala de “artimanhas” e alegados “medos”, Au Kam San vai mais longe e diz mesmo que a proposta “foca-se no caso Pearl Horizon, e eu não vejo a possibilidade de isso voltar a acontecer”. E explica porquê. “O caso do Pearl Horizon aconteceu porque, na altura [antes de 2013], não havia uma lei que regulamentasse a

Kou Meng Pok “Se nos pagarem 10 milhões, não queremos habitação para troca”

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OU Meng Pok, porta-voz dos promitentes compradores do Pearl Horizon e ex-candidato às eleições legislativas, disse ao HM ter dúvidas sobre o avanço desta proposta de lei. Caso os lesados não tenham acesso à compra de habitações para troca, preferem uma avultada compensação. “Se nos pagarem uma indemnização no valor máximo de 10 milhões de patacas para comprarmos uma casa perto do local onde ia ser construído o Pearl Horizon, fica tudo bem e não queremos adquirir a habitação para troca. Aliás, não sabemos se esta proposta de lei vai ser mesmo finalizada.” Para Kou Meng Pok, “não existem benefícios duplos”. “Se perdermos a habitação para troca, caso decidamos avançar com um processo contra o Governo a exigir uma indemnização, prefiro o processo. Não nos estamos a aproveitar de nada, não queremos duplos benefícios, é apenas uma ideia do Governo”, acrescentou. venda de fracções em construção, e a Lei de Terras não era executada de forma rigorosa. Caso o terreno não seja aproveitado no prazo definido no contrato de concessão, será recuperado, pelo que isso não vai voltar a acontecer no futuro.”

“Vários deputados apontaram que esta medida não é razoável e agora o Governo disse que vai ter isto em consideração.” AU KAM SAN DEPUTADO

O regime jurídico de habitação para alojamento temporário e de habitação para troca no âmbito da renovação urbana tem duas vertentes. Não só procura dar resposta às centenas de lesados do Pearl Horizon que ficaram sem casa e com um empréstimo por pagar, vendendo habitações para troca através de uma entidade pública, como apresenta também uma solução para quem mora em zonas degradadas. Neste caso, as pessoas podem residir temporariamente no alojamento temporário até voltar às suas casas antigas, já renovadas. Andreia Sofia Silva (com V.N. e J.L.)

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31.1.2019 quinta-feira

Imobiliário Mais de 14 mil casas devolutas

GDI

GOVERNO NOVO EDIFÍCIO VAI PERMITIR POUPAR 21 MILHÕES DE PATACAS POR ANO

Uma gota no oceano

Até Junho do ano passado, existiam em Macau 14.134 casas devolutas: 10.175 privadas e 3.400 públicas. Os dados foram revelados ontem pela subdirectora dos Serviços de Finanças, em resposta a uma interpelação oral de Agnes Lam. Segundo Chong Seng Sam, as casas privadas que se encontravam devolutas representavam de 5,7 por cento do total (187.101), enquanto as fracções públicas que estavam vazias equivaliam a 8,9 por cento (38.356). Metade das fracções devolutas tinham licença de utilização anterior ao ano 2000 (5.711). Entende-se por fracções autónomas devolutas as que têm licença de utilização sem contador de electricidade ou com um consumo de energia muito reduzido e que foram confirmadas como estando desocupadas.

O novo edifício multifuncional, nos aterros do Pac On, vai permitir ao Governo poupar 21 milhões de patacas em rendas, uma ínfima parcela do valor que gasta anualmente na ordem dos mil milhões de patacas

A

transferência de serviços públicos para o novo edifício multifuncional do Governo, no Pac On, vai permitir ao Executivo abater anualmente 21 milhões de patacas nas despesas com o arrendamento de imóveis que, no ano passado, ascendeu a 960 milhões de patacas. O anúncio foi feito ontem pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, na Assembleia Legislativa, em resposta a uma interpelação oral de Ella Lei, que criticou o “elevadíssimo valor” que anualmente sai dos cofres públicos para pagar o arrendamento de imóveis privados. “Está previsto que o Governo da RAEM possa poupar anualmente despesas com rendas no valor de cerca de 21 milhões de patacas – não incluindo as novas despesas com rendas derivadas de novos arrendamentos no mercado devido ao primeiro pedido, por parte dos serviços, de utilização de espaços de armazenamento”, estimou Alexis Tam, citando pareceres do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) e da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Isto, ressalvou, “no caso de correr bem a proposta da distribuição do edifício e de os serviços conseguirem, também, devolver parte dos bens imóveis arrendados”. “Vão ser

precisos 30 anos para compensar”, atirou Au Kam San. A empreitada do edifício multifuncional, adjudicada à Companhia de Engenharia e de Construção da China (CECC) por 291 milhões de patacas, o equivalente, a 6.300 patacas por metro quadrado, foi concluída no Verão passado e entregue, em Novembro, ao Governo. “Actualmente, a DSF está a acompanhar os trabalhos da ocupação do edifício – incluindo os procedimentos subsequentes de decoração das divisões, etc.”, complementou o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, sem adiantar, porém, quando vai a nova valência entrar em funcionamento. Localizado no Lote O1 dos aterros do Pac On, o edifício multifuncional tem uma área total de 4.392 metros quadrados.

“Vão ser precisos 30 anos para compensar.” AU KAM SAN DEPUTADO

Alexis Tam facultou ainda dados sobre o outro edifício público, com uma área de 1.636 metros quadrados, a ser erigido no Lote 6K na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), junto à Avenida da Amizade. A obra, adjudicada

por sensivelmente 188 milhões de patacas, o equivalente a 14.000 patacas por metro quadrado, foi iniciada em Dezembro e deve ser concluída em Maio de 2021. “Após a conclusão do referido edifício serão fornecidas decorações básicas nos espaços públicos, tais como instalações sanitárias e corredores públicos, entre outros, sendo que as restantes partes do edifício serão objecto de obras de remodelação a serem implementadas, no futuro, pelos serviços utilizadores”, detalhou o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Já sobre a parte leste da zona B dos novos aterros, destinada a serviços administrativos e judiciais, Alexis Tam afirmou não dispor de informações: “Uma vez que as áreas previstas se encontram ainda numa fase inicial dos trabalhos de concepção não há, de momento, condições para uma estimativa dos custos de construção”.

Leong Sun Iok ou Pereira Coutinho, questionaram as “grandes discrepâncias” das rendas, incluindo entre serviços que funcionam no mesmo edifício, e os elevados montantes pagos por determinadas entidades públicas, como o Fundo de Pensões e o Gabinete do Protocolo, Relações Públicas e Assuntos Externos. Em causa os dois serviços que pagam rendas mais elevadas por metro quadrado, de acordo com o relatório, publicado no Verão passado, pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da AL. “Vinte anos depois, muitos serviços funcionam em edifícios privados, incluindo gabinetes dos secretários. Isto é um pouco estranho”, afirmou, por seu turno, Sulu Sou, defendendo que está na hora do Governo definir um plano de retirada dos serviços públicos de fracções ou prédios detidos por particulares.

DISCREPÂNCIAS VÁRIAS

Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Apesar das respostas de Alexis Tam, vários deputados, como

Património Cultural Secretário descarta criação de fundo

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura descartou ontem a possibilidade de ser criado um Fundo de Salvaguarda do Património Cultural, à semelhança do que existe na China, proposto pela deputada Wong Kit Cheng. “Não vemos necessidade”, respondeu Alexis Tam, argumentando não só que o Governo tem uma rubrica para o efeito, como tal implicaria encargos adicionais para o Governo. “Em 2019 vão ser destinados 130 milhões para a conservação do património cultural”, realçou Alexis Tam, indicando que, além da verba consignada sob uma rubrica para o efeito no orçamento do Instituto Cultural, o Fundo de Cultura “dispõe de recursos para a realização de obras de restauro urgentes”.

ENSINO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO CONTÍNUO PODE VIR A SER REGULAR

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, abriu ontem a porta à possibilidade de o programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo ganhar um carácter permanente. “Acho que deve passar a ser medida regular”,

afirmou ontem Alexis Tam, na Assembleia Legislativa, após dar conta dos resultados do programa, criado em 2011, que terá, pelo menos, uma quarta fase, após o termo da terceira, em 2019. Relativamente à possibilidade de rever em alta o mon-

tante de apoio (actualmente de 6.000 patacas), Alexis Tam foi cauteloso, afirmando que tal pode ser equacionado após “uma ponderação prudente e de uma análise do desenvolvimento socioeconómico”, enquanto o director dos Serviços de Educação e

Juventude (DSEJ) foi categórico ao defender que o valor do subsídio é “suficiente”. Isto porque, em média, foram gastas 3.000 patacas na primeira fase do programa e 4.000 na segunda e terceira, indicou Lou Pak Sang, ressalvando, no entanto, que

vão esperar pelo resultado da avaliação intercalar. Até ao momento, o programa, para o qual são elegíveis os residentes com idade igual ou superior a 15 anos, contou com 440 mil participantes, na sua maioria jovens, adiantou

Alexis Tam, indicando que no conjunto das três fases predominaram os cursos técnico-profissionais (uma média de 61 por cento), mas que foram subsidiados mais de 85 mil cursos do ensino superior e cursos e exames no exterior. D.M.


política 5

O

“

NDE está o secretário?” A pergunta foi feita por Sulu Sou e por Pereira Coutinho ao director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) que foi à Assembleia Legislativa responder a uma interpelação oral sobre a lei sindical no lugar do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, que, mais tarde, marcou presença no hemiciclo para prestar esclarecimentos relativos a uma outra interpelação oral, desta feita, sobre o jogo. “Não sei se sabe onde é que o secretário foi. Este assunto é muito importante para os cidadãos [e] está consagrado na Lei Básica. Faz parte dos direitos fundamentais”, afirmou Sulu Sou, que pretendia saber se o Governo encara ou não a regulamentação do artigo 27.º da Lei Básica como uma “responsabilidade muito importante”. “Parece que está a menosprezar o assunto”, criticou o deputado. Pereira Coutinho lamentou também a ausência de Lionel Leong. “Pode contar-nos por que razão não pode estar presente?”, questionou, apontando que “é o Governo que está sempre a dizer que cumpre rigorosamente a Lei Básica”, mas “não dá o exemplo” no que toca à lei sindical. Na réplica, e sem esclarecer a razão da ausência de Lionel Leong, o director da DSAL, Wong Chi Hong, argumentou que “existe já uma série de diplomas que garantem os direitos e interesses dos cidadãos” e que “o Governo nunca negou a possibilidade do estabelecimento da lei sindical”, embora acredite, contudo, “que tudo se processa de forma gradual”. Isto depois de, em Novembro, aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG), o próprio Chefe do Executivo ter dito que “o Governo não intenção de tomar a iniciativa para apresentar uma proposta de lei sindical”. Um ponto que nunca foi uma prioridade, como prova a ausência de qualquer menção nas LAG dos últimos nove anos. Apesar de Fernando Chui Sai On ter sido peremptório ao afirmar que não vai avançar com uma proposta de lei, falhando em cumprir uma responsabilidade prevista na Lei Básica e em pactos internacionais, o Governo aguarda o resultado do estudo para medir o pulso à sociedade sobre a lei sindical, adjudicado por mais de 800 mil patacas à Associação de Estudo de Economia Política de Macau, ligada ao empresário Kevin Ho, que, segundo revelou o director da DSAL, está atrasado. “A conclusão do estudo está prevista para o segundo trimestre”, afirmou Wong Chi Hong, justificando o adiamento com a necessidade de ajustes ao inquérito social, exigido no caderno

GCS

quinta-feira 31.1.2019

AL / LEI SINDICAL DEPUTADOS CRITICAM AUSÊNCIA DE LIONEL LEONG

“Onde está o secretário?” O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, foi criticado ontem na Assembleia Legislativa por ter enviado o director da DSAL para responder a uma interpelação oral sobre a lei sindical. Uma ausência momentânea, dado que apareceu depois para falar sobre o futuro do jogo de encargos: “Em Julho, na reunião do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS), a entidade adjudicatária descreveu o processo de estudo e apresentou o exemplar do questionário (...) que precisa de ser ajustado para assegurar que a qualidade do estudo será coerente com o seu objectivo”.

ENFRENTAR O “MONSTRO”

Os quatros deputados dos Operários juntaram-se ao coro, com Ella Lei a lamentar que a lei sindical seja “um trabalho sem fim”. “Vinte anos após a transferência a única coisa que conseguimos ter é um relatório de um estudo no segundo trimestre”, lamentou, sublinhando que as regiões vizinhas também têm diplomas que versam sobre a negociação colectiva. “Não entrem em pânico”, realçou. “Muitos empresários acham que a lei sindical é um monstro, mas não é”, afirmou, por seu turno, Leong Sun Iok, recordando que, apesar de todos os nove projectos

de lei apresentados desde o estabelecimento da RAEM terem sido chumbados, a existência de uma lei sindical é “necessária”. “Espero que o Governo não recorra a estudos com pretexto para arrastar a sua legislação”, vincou. “Os direitos dos trabalhadores não vão ser diminuídos pela falta da lei sindical”, insistiu o subdirector da DSAL, Chan Un Tong, reiterando que, após entregue o estudo, será apresentado para discussão no seio do CPCS.

INCÓGNITA DO JOGO

Em destaque no plenário de ontem esteve também a interpelação oral de Leong Sun Iok sobre a indústria

“Muitos empresários acham que a lei sindical é um monstro, mas não é.” LEONG SUN IOK

do jogo e que contou com a presença de Lionel Leong que, quando se apresentou ao hemiciclo, não esclareceu por que delegou na DSAL a resposta à interpelação oral de Sulu Sou sobre a lei sindical. Não obstante, Lionel Leong pouco ou nada adiantou sobre o futuro da principal indústria de Macau, isto quando falta pouco mais de um ano para o fim dos contratos da SJM e da MGM, que expiram em Março de 2020. “Em relação ao trabalho ligado ao futuro concurso a ser aberto na sequência do expirar dos contratos, o Governo da RAEM está a acelerar os trabalhos preparatórios preliminares e o respectivo estudo jurídico, nomeadamente a revisão das leis e regulamentos vigentes e o estudo sobre a eventual introdução de melhoramentos”, afirmou Lionel Leong, sublinhando que o Governo tem vindo a recolher opiniões da sociedade. Pang Chuan foi mais longe, questionando em concreto o secretário sobre a possibilidade de

prorrogar os contratos da SJM e da MGM por dois anos, até 2022, para que todos se alinhem e terminem no mesmo ano para se fazer o concurso público como exige a lei, um cenário dado como o mais provável por analistas. Iau Teng Pio, também deputado nomeado, insistiu: “O Governo pode, o mais tardar em Setembro, prorrogar o prazo [dos dois contratos] até ao final de 2022 e depois tratar de todas as concessões de uma só vez”. “Vamos analisar a sugestão”, respondeu Lionel Leong. À luz da lei, a duração da concessão pode, a título excepcional, ser prorrogada, mediante despacho fundamentado do Chefe do Executivo, por uma ou mais vezes, até um máximo de cinco anos, “a qualquer momento e até seis meses antes do fim da concessão”. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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deputado Si Ka Lon acredita que o tribunal vai tomar uma decisão justa e que todos os cidadãos têm de cumprir a lei. Foi desta forma que o legislador reagiu ao facto de Lei Iok Pui, candidato número seis na sua lista à Assembleia Legislativa, estar entre os três acusados do caso John Mo.

CASO JOHN MO SI KA LON SUBLINHA QUE TODOS TÊM DE CUMPRIR A LEI

Confiança na Justiça TIAGO ALCÂNTARA

O número seis da lista de Si Ka Lon é um dos arguidos no caso de violação. Antes, Lei Iok Pui tinha sido nomeado para o cargo de vogal do Conselho da Juventude, o que aconteceu, segundo Alexis Tam, por ter sido recomendado pela Federação de Juventude de Macau, onde é vice-presidente. A demissão de Lei Iok Pui foi anunciada ontem

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presentante”, explicou. O secretário abordou depois o pedido de demissão: “Ontem [terça-feira] ele pediu autorização para se demitir da posição de vogal do Conselho de Juventude e eu autorizei”, apontou. O comunicado da DSEJ explica que a renúncia ao cargo foi aceite “em respeito pela vontade pessoal do Sr. Lei Iok Pui”. Anteriormente, o arguido já tinha desempenhado o cargo de membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, posição que ocupou até 2015. No processo que decorre no Tribunal Judicial de Base (TJB), Lei Iok Pui tem como defensor o advogado Mak Heng Ip, que também constava na lista de Si Ka Lon à Assembleia Legislativa. Enquanto Lei ocupava o lugar número seis, Mak ocupava o lugar número sete.

OMISSÃO DE AUXÍLIO

“Quero salientar que todas as pessoas têm de cumprir as leis. E acredito que os tribunais vão tomar uma decisão justa”, começou por dizer Si Ka Lon, quando questionado sobre o assunto pelo HM. “Como o processo judicial ainda está a decorrer acho que não é pertinente

AL Comissão de Regimento e Mandatos com reunião sem agenda clara Os deputados foram informados de que a Comissão de Regimento e Mandatos vai reunir-se esta manhã, mas a agenda do encontro não é clara. Em causa poderá estar a discussão de duas queixas apresentadas por Sulu Sou face à conduta de Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa, na condução dos trabalhos do Plenário. Não é certo que haja conferência de imprensa no final da reunião de hoje, uma vez que, ao contrário do habitual, a reunião não consta no portal da Assembleia Legislativa.

fazer qualquer comentário. Também devo admitir que não conheço o processo nem me informei sobre o sucedido”, acrescentou. Sobre a possibilidade de poder ver a sua imagem afectada pelo processo judicial, Si Ka Lon acredita que não é líquido que tal situação se verifique. “Vai depender sempre da forma como a sociedade encarar o caso. Mas acredito que [a minha imagem] não vá ser afectada. Mesmo que o caso seja dado como provado em tribunal, estamos a falar de um comportamento individual [de Lei Iok Pui]”, apontou. “Mas não vou assumir nada até que haja uma decisão final”, frisou. Além de ter sido o número seis na lista de Si Ka Lon, Lei Iok Pui é igualmente vi-

ce-presidente da Federação de Juventude de Macau. Foi nessa condição que mereceu a confiança do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, a 30 de Maio do ano passado, quando foi nomeado vogal do Conselho de Juventude. O caso com John Mo só aconteceu semanas depois, no final de Junho. Ontem, a Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) anunciou a demissão de Lei por “motivos pessoais”.

ESCOLHA DA DSEJ

“Na altura, ainda não sabíamos deste caso”, disse Alexis Tam, ao HM. “Eu sou o presidente do Conselho, mas foi a DSEJ que tratou da nomeação. Ele foi recomendado pela associação [Federação de Juventude

de Macau] e ficou com o lugar por recomendação, como também acontece com outras associações, que recomendam um re-

“Ele foi recomendado pela associação [Federação de Juventude de Macau] e ficou com o lugar por recomendação, como também acontece com outras associações.” ALEXIS TAM SECRETÁRIO

No processo cuja sentença vai ser lida a 15 de Fevereiro, Lei Iok Pui responde pela acusação de violação e omissão de auxílio. Em causa está o alegado ataque de John Mo, ex-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, a uma estudante numa sala de karaoke. Segundo a acusação, citada pelo Macao Daily, Lei Iok Pui terá feito um gesto “ok” a Mo para que avançasse para a alegada agressão sexual. Lei responde, desta forma, pelo crime de violação, punível com uma pena entre 3 e 12 anos, e ainda pela prática de um crime de omissão de auxílio. O último crime é punível com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias, para os casos em que o indivíduo não auxilia uma vítima. No entanto, nos casos em que a situação de ameaça à vítima tenha sido criada pelo próprio acusado que não prestou auxílio, a pena pode ir até aos 2 anos de prisão ou multa de 240 dias. João Santos Filipe (com V.N. e D.M.) info@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 31.1.2019

Marcelo Rebelo de Sousa vem a Macau depois da visita de Estado a Pequim, de acordo com fonte da Presidência da República Portuguesa

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ONFIRMA-SE o que se esperava. Marcelo Rebelo de Sousa vem a Macau depois da visita de Estado a Pequim, de acordo com fonte da Presidência da República Portuguesa. No passado dia 4 de Dezembro, na sequência da visita de Xi Jinping a Portugal, o Presidente português anunciou que iria retribuir na mesma moeda e visitar Pequim em Abril. O HM confirmou junto da Presidência da República que a partida de Marcelo Rebelo de Sousa para a capital chinesa acontecerá depois da sessão solene comemorativa dos 45 anos do 25 de Abril e Macau é a paragem que se segue. Para já, ainda não há uma data concreta e continua em

PORTUGAL PRESIDENTE DA REPÚBLICA VEM À RAEM DEPOIS DE VISITAR PEQUIM

Marcelo em Macau

O Presidente da República portuguesa tem na agenda uma visita a Macau para o final de Abril. A passagem de Marcelo Rebelo de Sousa pelo território acontece depois da visita a Pequim, onde está previsto chegar depois das comemorações do 25 de Abril em Lisboa aberto a possibilidade de uma terceira paragem, ainda igualmente desconhecida, durante a “tour” asiática de Marcelo Rebelo de Sousa. Segundo informação apurada pelo HM, está marcada para meados de Fevereiro uma viagem pre-

paratória à República Popular da China para acertar todos os detalhes logísticos e a agenda da visita oficial.

TRADIÇÃO PRESIDENCIAL

A vinda de Marcelo Rebelo de Sousa a Macau marca a continuidade de uma tradi-

ção diplomática de visitas presidenciais. Aliás, não é a primeira vez que vem ao território oficialmente, depois de ter integrado a comitiva de Mário Soares aquando da visita que começou a 27 de Fevereiro de 1989. Neste ponto, importa

referir que o PS regressaria mais duas vezes ao longo da sua presidência. Sensivelmente quatro anos antes da primeira visita de Mário Soares, Ramalho Eanes visitava a China e Macau, no final de Maio de 1985, altura em que o Chefe de Estado por-

CCPPC PROPOSTO ACESSO DE LOCAIS A SISTEMA SOCIAL DO INTERIOR

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EE Chong Cheng, membro de Macau da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) da província de Guangdong, defende que se deve equacionar a possibilidade dos residentes de Macau, Hong Kong e Taiwan poderem ter acesso ao sistema social do Interior da China. Segundo Lee, ex-deputado em Macau com ligações

à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), o facto destes residentes estarem afastados do sistema de seguros sociais faz com que não tenham garantias no interior do país. Por esta razão, Lee Chong Cheng entende que é necessária a recolha de opiniões junto das associações que tenham como foco o amor à pátria. A sugestão foi

feita durante as reuniões do 12º comité da província de Guangdong para o CCPPC. Por outro lado, Ian Soi Kun, juntamente com outros membros do CCPPC de Guangdong em Macau, inclusive Zheng Anting e Mok Chi Wai, fizeram uma proposta que pretende tornar a cidade Jiangmen numa base de inovação e criação de negócios para os jovens de

Macau ao abrigo do projecto da Grande Baía. O trio composto por Chan Wa Keong, Zheng Anting e Leong Chong In sugeriu a criação de um centro de resolução de disputas na Grande Baía, com o objectivo de integrar instituições de arbitragem.

tuguês se encontra com Deng Xiaoping para acertar agulhas sobre a futura transferência de soberania. Jorge Sampaio viria a Macau, enquanto Presidente da República, quatro vezes. A primeira em 1997. Em 1999, Jorge Sampaio passou pelo território em Março e em Dezembro para as cerimónias da transferência de soberania. A última vez foi pela ocasião da sua derradeira visita oficial à China, em Janeiro de 2005. Finalmente, Cavaco Silva visita a RAEM em Maio de 2014, data que marcaria o regresso depois de o ter feito enquanto Primeiro-Ministro em 1987, na viagem que fez para assinar em Pequim a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa sobre a Questão de Macau. João Luz

info@hojemacau.com.mo

GDI Lam Wai Hou nomeado coordenador Lam Wai Hou foi nomeado, em comissão de serviço, coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), cargo que vai ocupar até 29 de Junho. A nomeação foi publicada ontem no Boletim Oficial e tem efeitos a partir de amanhã. A decisão do Governo foi justificada com a “competência profissional e aptidão” de Lam, licen-

ciado em engenharia civil e mestrado em engenharia estrutural. Esta não é uma posição nova para Lam, que já ocupava o cargo, como substituto, desde Setembro de 2018. Antes disso, tinha sido coordenador-adjunto, entre Julho e Agosto do ano passado. Além disso, em 2013, recebeu uma Medalha de Dedicação atribuída por Chui Sai On.


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RÓMULO SANTOS

31.1.2019 quinta-feira

Droga Homem apanhado com canábis levado ao MP

A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve esta terça-feira um homem de 40 anos, natural de Hong Kong, na posse de três charros, tendo sido levado ao Ministério Público (MP), pela suspeita do crime de consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. De acordo com o jornal Ou Mun, os três charros continham 1,46 gramas de canábis, sendo que o detido assumiu perante as autoridades policiais que tinha comprado a droga em Hong Kong para consumo próprio.

Air Macau Fim da exclusividade sem impacto negativo

Chen Hong, CEO da Air Macau, disse ontem que o fim da exclusividade com a concessionária não vai trazer impactos negativos. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o responsável disse que o sector da aviação tem estado aberto, sendo que, além do facto de metade das rotas áreas serem disponibilizadas pela Air Macau, existem também outras companhias áreas a operar. Chen Hong adiantou que este ano deverão começar a operar sete novos aviões, além de se aumentar a frequência dos voos de rotas principais.

TRANSPORTES TAXISTA QUE ENFRENTA A 39.ª ACUSAÇÃO FOI SUSPENSO

Profissional exemplar À 39.ª infracção, um taxista do território foi suspenso por um Juiz de Instrução Criminal como medida de coacção. O homem vai ter de responder pelo crime de denúncia caluniosa, depois de ter acusado quatro clientes do roubo do cartão profissional e 1.000 yuan

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taxista que tentou cobrar 300 patacas por uma corrida entre o Cotai e as Portas do Cerco foi suspenso por um Juiz de Instrução Criminal para “prevenir o possível perigo de perturbar continuamente a ordem social”. A decisão sobre o caso que aconteceu no dia 25 de Janeiro foi divulgada ontem e o condutor, que conta no currículo com outras 38 infracções, viu ainda serem-lhe aplicadas também como medidas de coacção o termo de identidade e residência e apresentação periódica. O taxista está acusado da prática do crime de denúncia caluniosa, uma vez que ligou às autoridades a denunciar quatro residentes do Interior da China pelo roubo 1.000 yuan e o cartão de profissional. Esta foi uma acusação que surgiu depois dos quatro se terem negado a pagar

300 patacas pela corrida e de terem mostrado intenção de apresentar queixa contra o taxista. “Tendo em conta a gravidade dos factos participados e as circunstâncias concretas do respectivo inquérito, nomeadamente, o facto de o arguido ter já as circunstâncias de diversos registos de violação do Regulamento do Transporte de Passageiros em Táxis, no sentido de prevenir o possível perigo de perturbar continuamente a ordem social, o Juiz

O motorista já tinha no currículo outras 38 infracções, entre elas recusa de transporte de clientes e cobranças excessivas

de Instrução Criminal aceitou a promoção da Delegada do Procurador e ordenou a aplicação ao arguido das medidas de coacção do termo de identidade e residência, apresentação periódica e suspensão do exercício da profissão de taxista”, anunciou o Ministério Público, em comunicado. Segundo a informação das autoridades, antes do caso do dia 25 de Janeiro, o motorista já tinha no currículo outras 38 infracções, entre elas recusa de transporte de clientes e cobranças excessivas. Caso seja considerado culpado, o homem enfrenta uma pena de prisão que pode chegar até aos três anos.

CORRIDAS DOURADAS

O caso ocorreu quando o taxista pediu a quatro turistas que lhe pagassem 300 patacas por uma viagem entre o Cotai e as Portas do Cerco.

Como os turistas não quiseram pagar o montante exigido, o homem fez com que saíssem do carro, com a desculpa de que tinha de ir à casa-de-banho, o que acabou por fazer. Quando regressou à viatura, que não tinha ficado trancada, o taxista reparou que os indivíduos do Interior da China tinham mexido no seu cartão profissional, para apresentarem queixa sobre o que tinha acontecido. Face à situação, o condutor pegou no telefone e também ele ligou para as autoridades e acusou os quatro de terem roubado não só o cartão profissional, como também 1.000 yuan. Mais tarde, depois da polícia ter ouvido as duas versões, as autoridades chegaram à conclusão que o taxista, também devido ao seu historial, estava a mentir. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

BNU Lucros caíram 17 por cento em 2018

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) fechou 2018 com lucros de 584,9 milhões de patacas, contra 706 milhões apurados no ano anterior. De acordo com o balancete, publicado ontem em Boletim Oficial, o BNU registou proveitos de 1,71 mil milhões de patacas e custos de 1,13 mil milhões de patacas. A diminuição dos lucros em 2018 – que foi na ordem de 17 por cento – tinha sido já antecipada pelo presidente executivo do BNU, Carlos Cid Álvares, atendendo a que os resultados de 2017 foram impulsionados pela mais-valia da venda de um imóvel. Não obstante, em entrevista ao HM, em Outubro, Carlos Cid Álvares previa fechar 2018 com lucros na ordem dos 600 milhões de patacas.

Economia Lucros do BCP subiram 0,9 por cento em 2018

A sucursal em Macau do Banco Comercial Português (BCP) fechou 2018 com lucros de 109,2 milhões de patacas, contra 108,2 milhões apurados no ano anterior, traduzindo uma diminuição na ordem de 0,9 por cento. De acordo com o balancete, publicado ontem em Boletim Oficial, o BCP registou proveitos de 304 milhões de patacas e custos de 195 milhões de patacas.

Mercado Jiayuan regressa com ganhos

As acções da empresa Jiayuan International, que investiu 3,5 mil milhões de dólares de Hong Kong num terreno na Taipa para a construção de habitações de luxo, voltaram ontem ao mercado e registaram ganhos. Apesar de apenas terem sido negociadas a partir das 13h00, em três horas os títulos valorizaram 6,49 por cento para os 3,94 dólares de Hong Kong por acção. A empresa estava desde dia 21 de Janeiro com as acções congeladas, depois de ter registado perdas no valor próximas de 80 por cento.


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quinta-feira 31.1.2019

HOTELARIA MAIS DE 14 MILHÕES DE TURISTAS NO ANO PASSADO

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AIS de 14 milhões de pessoas alojaram-se nos hotéis e pensões de Macau no ano passado, um aumento de 7,2 por cento em relação a 2017, indicaram ontem dados oficiais. De acordo com a Direção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), do total de 14,1 milhões hóspedes, o número proveniente do interior da China foi de 9,7 milhões, tendo aumentado 12,5 por cento. Em contrapartida, o número de hóspedes provenientes da Coreia do Sul (484 mil), de Hong Kong (1,5 milhões) e de Taiwan (477 mil) desceu 3,4 por cento, 5,9 por cento e 3,2 por cento, respectivamente. O período médio de permanência em Macau situou-se em 1,5 noites, sendo idêntico ao de 2017. No mesmo comunicado, a DSEC indicou que a taxa de ocupação média dos hotéis e pensões atingiu 91,1 por cento no ano passado, ou mais 3,9 pontos percentuais, em termos anuais. A taxa de ocupação média dos hotéis de cinco estrelas (92,4 por cento) foi a mais elevada, tendo subido 4,6 pontos percentuais. No final de Dezembro existiam em Macau 116 ho-

téis e pensões, mais cinco em termos anuais, num total de 39 mil quartos (mais 5,8 por cento). A oferta nos hotéis de cinco estrelas foi de 25 mil, 63,1 por cento do total, registando-se um crescimento de 9,6 por cento. De acordo com os dados da DSEC, em 2018 visitaram Macau em excursões 9,09 milhões de pessoas, o que representa um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior. Em 2018, O número de visitantes em excursões do interior da China (7,1 milhões) aumentou 2,6 por cento, da Coreia do Sul (616 mil) e de Taiwan (696 mil) subiram 28,3 por cento e 53,8 por cento, respectivamente, em relação a 2017, informaram os mesmos serviços. No ano passado, Macau registou mais de 35,8 milhões de turistas, um aumento de 9,8 por cento em relação a 2017, quando recebeu mais de 32,6 milhões. A designação de visitante refere-se a qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um termo que se divide em turista (aquele que passa pelo menos uma noite) e excursionista (aquele que não pernoita).

CRIME CANADIANO SUSPEITO DE DEFRAUDAR EMPRESA EM PRISÃO PREVENTIVA

Crime e castigo

O canadiano detido na sexta-feira pela Polícia Judiciária (PJ), após ter alegadamente tentado defraudar uma empresa de entretenimento em 249 milhões de euros, foi colocado em prisão preventiva. O ministério dos negócios estrangeiros canadiano está a tentar entrar em contacto com o sujeito e afasta a hipótese de retaliação na sequência da detenção da directora financeira da Huawei

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NCONTRA-SE emprisão preventiva o canadiano detido pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de fraude e falsificação de documentos. A informação foi revelada ao HM pelo Ministério Público (MP). Desconhecem-se, no entanto, as razões que levaram o juiz de instrução a aplicar ao suspeito a mais grave medida de coacção. A ministra dos negócios estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, não acredita que este caso esteja ligado às detenções de dois cidadãos canadianos que terão, alegadamente, resultado de retaliação contra a detenção da directora financeira da Huawei. As autoridades canadianas estão proceder a contactos diplomáticos para chegar à fala com o detido. O canadiano, de origem chinesa, de 61 anos, foi detido na sexta-feira nas Portas do Cerco, quando se preparava para deixar o território, após ter alegadamente tentado transferir 249 milhões de euros da conta bancária de uma empresa de entretenimento para a de uma empresa em Hong Kong. No

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lista de ‘junkets’encolheu pelo sexto ano consecutivo. De acordo com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), existem 100 operadores licenciados para exercer a actividade de promoção de jogos de fortuna ou azar em casino – 90 empresas 10 indivíduos –, ou seja, menos nove do que o total de angariadores de grandes apostadores autorizados a operar no ano anterior. Embora o filão dos ‘junkets’ tenha vindo a recuar, trata-se do mais baixo número registado desde 2006, ano em que eram 78, de acordo com os dados compilados pelo HM com base na lista publicada anualmente pela entidade reguladora. No ano passado, Macau contava com 109 ‘junkets’, contra 126 em 2018, 141 em 2016 e 183 em 2015 e 216 em 2014. Este foi, aliás, o ano a partir do qual o universo de promotores de jogo começou

a encolher, após ter atingido o pico (235) em 2013, quando o jogo VIP representava dois terços de toda a receita angariada pelos casinos de Macau. Em 2018, o jogo VIP continuou a deter a fatia de leão no bolo das receitas arrecadadas pelos casinos, mas o peso que ocupou diminuiu. As receitas angariadas nas salas de grandes apostas atingiram 166.097 milhões de patacas – mais 10,6 por cento face a 2017 –, contribuindo com 54,8 por cento para o total arrecadado pelos casinos, ou seja, menos 1,8 pontos percentuais comparativamente a 2017. O segmento VIP tem visto o peso que representa nas receitas totais da indústria do jogo sofrer altos e baixos nos últimos anos: em 2017 foi de 56,6 por cento; em 2016 correspondeu a 53,2 por cento e em 2015 a 55,3 por cento – isto quando em tempos idos chegou a ser superior a 70 por cento. D.M.

crimes de fraude e de falsificação de documentos, de acordo com a PJ.

CANADÁ ATENTO

O Consulado Geral do Canadá em Hong Kong afirmou, esta semana, em declarações à Lusa, estar em contacto com as autoridades de Macau, mas ressalvou que, à luz das leis de privacidade do Canadá, “informações adicionais sobre este assunto não poderão ser reveladas”. De momento, não há qualquer indício que aponte para a possibilidade de o caso estar relacionado com a crescente tensão entre Pequim e Otava. A China e o Canadá vivem uma crise diplomática desde que, em 1 de Dezembro, a directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou foi detida em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos, por suspeita de que o grupo chinês das telecomunicações tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

TIAGO ALCÂNTARA

JUNKETS EM QUEDA PELO SEXTO ANO CONSECUTIVO

dia seguinte, no sábado, o homem, de apelido Liao, foi presente ao MP, mas só ontem o MP confirmou a medida de coacção aplicada. O caso remonta ao passado dia 21, quando o sino-canadiano se dirigiu a um banco local para transferir os fundos. Uma pretensão que viu ser-lhe negada após a descoberta por parte de um funcionário que a assinatura dos documentos de autorização que apresentou não correspondia à da conta bancária da empresa de entretenimento, segundo explicou então a PJ. Na sequência do incidente, o banco contactou a empresa em causa, que garantiu não ter dado luz verde para nenhuma transferência de fundos, e na sexta-feira decidiu reportar o caso à Polícia Judiciária. Na tarde do mesmo dia, o homem acabou então por ser detido na fronteira. Segundo a investigação preliminar da PJ, o sino-canadiano terá utilizado um documento de autorização forjado para tentar defraudar a empresa (cujo nome não foi divulgado pelas autoridades), recaindo sobre ele a suspeita da prática dos

O canadiano, de origem chinesa, de 61 anos, foi detido na sexta-feira nas Portas do Cerco, quando se preparava para deixar o território, após ter alegadamente tentado transferir 249 milhões de euros da conta bancária de uma empresa de entretenimento para a de uma empresa em Hong Kong


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31.1.2019 quinta-feira

Os cinco fan HISTÓRIA DE PORTUGAL IRENE PIMENTEL TEM NOVO LIVRO SOBRE A PIDE

A historiadora portuguesa, conhecida pelo seu extenso trabalho de investigação sobre o período do Estado Novo (19331974) em Portugal, lançou esta semana um novo livro sobre a Polícia de Intervenção e Defesa do Estado, intitulado “Os Cinco Pilares da PIDE”

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R E NE Flunser Pimentel regressou à história da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) para a contar através de cinco das figuras mais marcantes da polícia política da ditadura do Estado Novo, no livro “Os Cinco Pilares da PIDE”. Colocado à venda na terça-feira pela editora portuguesa Esfera dos Livros, o livro vê a autora de “A História da PIDE” acompanhar a evolução daquela estrutura com um enfoque particular sobre o “número 2” da PIDE/DGS e “para alguns o verdadeiro chefe dessa polícia”, Agostinho Barbieri Cardoso, o director dos Serviços de Informação Álvaro Pereira de Carvalho, o “tarimbeiro” António Rosa PUB

Casaco, que atravessou vários cargos e várias eras na polícia política, o operacional Casimiro Monteiro e o director dos Serviços de Investigação José Barreto Ferraz Sacchetti Malheiro. “Acho que é fundamental falarmos das pessoas, de que forma é que elas marcaram e foram marcadas pelo seu próprio trabalho na polícia política”, disse à Lusa Irene Pimentel, lembrando as críticas de que foi alvo quando publicou, em 2008, “Biografia de um Inspector da PIDE: Fernando Gouveia e o Partido Comunista”. A historiadora classifica a obra como o seu “livro maldito” por ter havido muitas pessoas a considerarem errada a opção de publicar uma biografia de um membro da polícia política: “A argumentação era a de que alguém que cometeu actos de violência ou crimes de tortura sobre presos políticos deveria ser remetido ao total silêncio”, pode ler-se na introdução do livro que agora criou. “Fazer a biografia de alguém, com o máximo da verdade possível de ser apreendida, não ‘elogia’ o biografado, nem lhe dá imerecida importância. Pelo contrário, no caso de um perpetrador ou torturador, contribui para denunciá-lo, bem como para revelar os meios violentos que utilizou enquanto elemento de um órgão do poder ditatorial”, responde a vencedora do Prémio Pessoa em 2007.

Casimiro Monteiro

António Rosa Casaco

FALAR “ATÉ AO FINAL”

Irene Pimentel justificou a escolha dos cinco elementos com o facto de querer falar da PIDE “até ao final”, ou seja, para lá do 25 de Abril de 1974: Barbieri Cardoso por ser considerado “a principal figura da PIDE”, Sacchetti e Pereira de Carvalho por estarem à frente, respectivamente, dos serviços de Investigação e de Informação, Rosa Casaco por não só ter estado “em todos os sectores da PIDE”, mas também por ter chefiado a brigada que foi a Espanha matar o General Humberto

Álvaro Pereira de Carvalho


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quinta-feira 31.1.2019

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Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos, e Casimiro Monteiro, condenado pelo assassinato dos dois últimos e responsável pelo envio da bomba que matou o presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane, em Dar-es-Salam. Dos cinco retratados, apenas Sacchetti não está ligado às mortes de Humberto Delgado e Arajaryr Campos, pelo que foi necessário “revisitar” o crime. Como é sublinhado no livro, a PIDE/DGS foi “um instrumento central de um regime político oligárquico, longamente assente na chefia ultracentralizada de um ditador”, tratando-se de uma “polícia que sempre defendeu o regime, cujos directores funcionaram enquanto correias de transmissão de Salazar, que conhecia a sua actuação e confiava nela”.

Colocado à venda na terça-feira pela editora portuguesa Esfera dos Livros, o livro vê a autora de “A História da PIDE” acompanhar a evolução daquela estrutura com um enfoque particular sobre o “número 2” da PIDE/DGS e “para alguns o verdadeiro chefe dessa polícia” Questionada sobre a importância de trazer para o presente o conhecimento acerca de acontecimentos e figuras do Estado Novo, cada vez mais distantes no tempo, Irene Pimentel respondeu que o que pode fazer, perante “negacionismo, revisionismo e sobretudo confusões” sobre o passado, “é contribuir para diminuir as confusões e explicar através da investigação com um pouco mais de complexidade o que é que aconteceu”. “Se a história não ensina, até porque não se repete da mesma forma, ou se não ensina o que gostaríamos que ensinasse, pelo menos tenho a certeza de que será muito pior se desconhecermos o passado porque aí repetimos mesmo [os erros]”, afirmou a historiadora. Lusa Barbieri Cardoso

Cravos no papel Inéditos de José Afonso editados com livro em Abril

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OIS concertos de José Afonso, gravados em 1968 em Coimbra e em 1980 em Carreço, em Viana do Castelo, vão ser editados pela primeira vez, numa edição que inclui um vinil e um livro do jornalista Adelino Gomes. A apresentação “deste documento” - que inclui em vinil o concerto realizado em Maio de 1968, no Teatro Avenida, em Coimbra, e um livro de autoria do jornalista Adelino Gomes, que contextualiza os dois concertos – é no dia 6 de Abril, em Carreço, nos arredores de Viana do Castelo, disse à agência Lusa José Moças, editor da Tradisom, que publica o trabalho. “Carreço é o ambiente do Zeca [Afonso], e foi uma decisão da família”, disse. O concerto realizado em Carreço, a 23 de Fevereiro de 1980, no salão da Sociedade de Instrução e Recreio local, contou com a participação dos músicos Júlio Pereira, Guilherme Inês e Henrique Tabot, e concretizou-se pela “teimosia” de um fã de José Afonso, Manuel Mina. “Manuel Mina gostava muito do Zeca e queria apresentá-lo na sua terra, e antecipadamente andou pela freguesia com uma folha de papel a assentar os nomes de quem viria a um espetáculo” do criador de “Grândola, Vila Morena”, de forma a garantir bilheteira, sem sequer ter uma data. O editor discográfico José Moças disse à Lusa que “foi um acaso” ter encontrado o concerto realizado em Carreço, numa viagem com amigos, em que começaram a ouvir José Afonso, num concerto do qual não se supunha haver registo, tendo encetado em seguida

uma investigação sobre a possibilidade de haver outras gravações amadoras e encontrado uma realizada a 4 de Maio de 1968, no Teatro Avenida, em Coimbra. Moças referiu-se ao ambiente de então no teatro conimbricense como “pesado, com muitos agentes da PIDE, tendo José Afonso atuado acompanhado apenas por José Pato”. A gravação de Coimbra é em bobina, “estava em perfeitas condições”, e foi cedida pelo catedrático jubilado de Aveiro, Jorge Rino, colecionador de discos antigos e grafonolas. A escolha de Adelino Gomes deveu-se ao facto de ter sido o primeiro que entrevistou o autor de “Índios da Meia Praia” quando este regressou de Moçambique em 1967. A bobina desta entrevista ter-se-á perdido, pois não se encontra nos arquivos da ex-Emissora Nacional, na RTP. José Moças salientou “o trabalho sério de investigação sobre os dois concertos e a ligação entre eles, tendo nesse período o país evoluído muito”. Moças contactou a viúva do músico, Zélia Afonso, e os filhos dos dois, Joana e Pedro, que lhe deram “carta branca, estando tudo contratualizado”. “Quis fazer disto um documento, os dois concertos estão em CD, o de Carreço a partir das cassetes que foram gravadas, o de Coimbra decidi editar juntamente um vinil, porque era a época do vinil”, afirmou. Depois da apresentação no dia 6 de Abril em Carreço, José Moças conta fazer “várias apresentações em todos o país, há já datas, até porque este ano celebram-se os 90 anos do nascimento de José Afonso”.


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31.1.2019 quinta-feira

XANGAI POLÍCIA ENCERRA CLUBE PRIVADO DE ACOMPANHANTES MASCULINOS

Não há nada para ninguém O Perfect Space operava num dos bairros mais luxuosos da capital financeira chinesa. Oferecia serviços de acompanhantes masculinos a uma clientela exclusivamente feminina. Imagens, que se tornaram virais na internet, de uma festa de aniversário de um dos acompanhantes, levaram a polícia a encerrar o local

A

polícia chinesa encerrou um clube privado para mulheres em Xangai, depois de fotos de um dos acompanhantes masculinos, com prendas de luxo, se terem tornado virais nas redes sociais, avançou ontem a imprensa local. “O clube foi encerrado pela polícia no sábado”, confirmou ontem a esquadra local, citada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. O encerramento surge depois de uma mensagem, partilhada na conta oficial do clube, designado Perfect Space, se ter tornado viral na Internet chinesa. A mensagem inclui fotos da celebração do 28.º aniversário de um dos acompanhantes, com 28 prendas, oferecidas por uma das mulheres que frequentam o clube. Entre as prendas, destaca-se um

branco”. Em inglês, o espaço chama-se Perfect Space.

JUNTA-TE À FESTA

carro da Audi, um copo em ouro e 280.000 yuans em dinheiro. A ostentação despertou a curiosidade de vários internautas, que acabaram por expor mais informações

sobre o espaço, que no portal oficial se apresenta como um “clube privado para mulheres, localizado no bairro mais próspero do centro de Xangai”. O portal detalha que o espaço tem

O portal detalha que o espaço tem 1.600 metros quadrados e 19 “quartos VIP”. “Prometemos estar ao nível do seu status”, pode ler-se na página electrónica

1.600 metros quadrados e 19 “quartos VIP”. “Prometemos estar ao nível do seu status”, pode ler-se na página electrónica. Fotos no portal mostram a palavra “amor”, escrita em luzes de néon cor-de-rosa, num dos salões do clube, com balões e buquês, e uma estátua de um cavalo branco na entrada. Em chinês, o nome do clube significa “cavalo

Os internautas revelaram ainda um anúncio de recrutamento, publicado na conta oficial do clube, em 2016, para “modelos masculinos comerciais”. O anúncio oferece 1.000 yuan em gorjetas sempre que um dos modelos “entretiver” uma mulher, para além de um salário base mensal de 80.000 yuan (10.400 euros). O salário mínimo em Xangai, a “capital” económica da China, está fixado em 2.420 yuan, o mais alto do país. Para trabalhar no Perfect Space era preciso “ter mais de 180 centímetros de altura, ser bonito, elegante, limpo e bem-disposto”. “O trabalho é fácil e relaxante, simplesmente consiste em acompanhar as convidadas a beber e conversar, sem nenhuma actividade

ilegal envolvida”, lê-se num dos anúncios, difundidos nas redes sociais chinesas. Uma foto com duas filas de homens em tronco nu, no corredor do clube, ilustra o anúncio. Uma das mulheres citadas pelo SCMP explicou que “as pessoas frequentam aqueles clubes por necessidade emocional”. “Não é algo tão flagrante como sexo”, afirmou. Registos públicos revelam que o Perfect Space foi registado com o nome Shanghai Wangzhongde Dining Services, em 2012, com um capital social de 200.000 yuan. O mesmo documento classifica o espaço como um “espaço de restauração” e para “karaoke”. O proprietário, Shen Jian, tem outras 10 empresas, incluindo um bar em Nanjing, sudeste da China, e um café na província de Shandong, no norte do país. Citado pelo jornal Beijing Youth Daily, um homem chamado Bai, que afirmou ser um ex-funcionário, revelou que aquele aniversário não foi das festas mais ostensivas que se realizaram no clube. Segundo a mesma fonte, todos os funcionários do clube eram homens e a clientela exclusivamente feminina. O Perfect Space apagou a maioria das suas mensagens divulgadas anteriormente nas redes sociais chinesas Weibo e WeChat, desde que a história se tornou pública.

EUA/CHINA WASHINGTON ESPERA PROGRESSOS SIGNIFICATIVOS NAS NEGOCIAÇÕES

ANP PROJECTO DE LEI SOBRE INVESTIMENTO ESTRANGEIRO VAI SER VOTADO EM BREVE

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secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, assegurou esta terça-feira que espera “progressos significativos” nas negociações comerciais com a China e considerou que as acusações dos Estados Unidos ao grupo tecnológico chinês Huawei estão “separadas” da disputa comercial. “Os temas fundamentais de que temos falado são: acesso ao mercado, garantir que não há obrigação de empresas conjuntas, que não há transferência forçada de tecnologia e ter um mecanismo para controlar um acordo, quando houver

um acordo”, indicou Mnuchin numa entrevista à Fox Business News. “Espero que sejam alcançados progressos significativos esta semana nesses assuntos”, assina-

lou, numa altura em que uma delegação chinesa liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He iniciou ontem dois dias de negociações com a administração norte-americana. Questionado sobre as acusações do Departamento de Justiça ao grupo chinês Huawei, Mnuchin separou o assunto. “Esse tema não faz parte das negociações comerciais (...) qualquer questão que esteja relacionada com a violação de leis dos Estados Unidos ou sanções norte-americanas segue um caminho separado”, afirmou.

Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP) aprovou ontem a votação, na próxima sessão, de um novo projecto de lei, que abolirá restrições ao investimento estrangeiro, noticiou ontem a imprensa estatal, numa altura de disputas comerciais com Washington. O novo texto foi debatido, nos últimos dois dias, pelo órgão máximo legislativo da China, e será votado pelos cerca de três mil delegados, durante a próxima sessão, em Março. Caso seja aprovado, os investidores estrangeiros passam a receber quase o

mesmo tratamento que os concorrentes chineses. As autoridades só poderão restringir o acesso ao mercado doméstico, de empresas estrangeiras, “em circunstâncias especiais” ou que envolvam o “interesse público”, indicou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. Os governos locais vão deixar também de poder confiscar propriedade estrangeira, sem que o processo passe pelas instâncias judiciais. Uma das cláusulas exige ainda ao Estado chinês que dê tratamento igual, ao dado às firmas domésticas, às empresas estrangeiras que

operem em sectores fora da lista negativa de acesso ao mercado por capital externo. E estipula igual acesso a políticas favoráveis às empresas. O novo texto inclui ainda regras para fusões e aquisições por companhias estrangeiras, no âmbito do direito da concorrência, e multas, caso as empresas falhem em detalhar as informações sobre o investimento às autoridades. O projecto de lei deverá substituir três leis para as ‘joint-ventures’ entre firmas estrangeiras e chinesas, ou empresas totalmente constituídas por capital estrangeiro.


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quinta-feira 31.1.2019

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S produtores portugueses começam ontem a exportar carne de porco para a China, através de três matadouros, um negócio que deverá movimentar 100 milhões de euros, com cerca de dez mil animais abatidos por semana. “Esta primeira encomenda é de dez contentores. Em termos anuais, estamos a falar de um volume de negócios de 100 milhões de euros e cerca de dez mil animais, por semana, abatidos e transformados”, disse à Lusa, na segunda-feira, um dos membros da direção da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), Nuno Correia. No total, através do Porto de Sines, distrito de Setúbal, os dez contentores vão transportar 270 toneladas de carne, no valor de um milhão de euros, para província chinesa de Hunan. Porém, “é muito provável que haja uma actualização destes valores, a partir de Setembro, já que a China está a dar indicações de querer antecipar os números em vista para

A grande matança

“Para já, queremos também que estes matadouros possam exportar outras partes do porco, nomeadamente, as unhas, as orelhas e as miudezas”, acrescentou. Adicionalmente, até Setembro, vai ocorrer uma nova vistoria para tentar homologar mais três matadouros em Alcanede, Montijo e Lisboa.

Venda de porcos portugueses deve atingir 100 milhões de euros

O BOM MERCADO

2020”, prevendo-se assim uma movimentação de 200 milhões de euros. Inicialmente, o arranque das exportações estava previsto para Dezembro. No entanto, o tráfego de contentores provocado pela greve dos estivadores eventuais de

Setúbal acabou por atrasar o processo. “Foi um caminho difícil, mas, finalmente, vamos dar início à exportação de carne de porco portuguesa para a China. Portugal tem que exportar para crescer e para chegar à auto-suficiência e a

China vai [contribuir] para esta estratégia de internacionalização do país”, vincou, na altura. O acordo em causa foi celebrado com o ACME Group, ficando o ICM, a Agmeat e a Montalva responsáveis pela exportação.

O início das exportações de suínos portugueses para a China vai ser assinalado numa cerimónia oficial que vai contar com a presença do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e do embaixador da China em Portugal, Cai Run. Nuno Correia adiantou ainda à Lusa que, na sequência do recente encontro entre a FPAS e o Governo de Hunan, ficou acordado que Portugal vai ter um centro de demonstração e degustação dos produtos portugueses, como o vinho, a fruta e também a carne de porco. “Tenho a certeza de que este é um passo de gigante. Dá alternativa aos produtores portugueses para venderem os seus produtos

“Em termos anuais, estamos a falar de um volume de negócios de 100 milhões de euros e cerca de dez mil animais, por semana, abatidos e transformados.” NUNO CORREIA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ASSOCIAÇÕES DE SUINICULTORES

num mercado bastante apetecível, com volume e com preços muito interessantes de venda”, afirmou. A conclusão deste centro está prevista até ao final de 2019, a partir daí, “a própria província dará todo o apoio ao desenvolvimento e promoção da entrada dos produtos portugueses”. Fundada em 1981, a FPAS é uma associação sem fins lucrativos que visa o estudo e acompanhamento dos problemas relativos à suinicultura.

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公開招標公告 Open Tender Notice “澳門國際機場客運大樓南面擴建工程監理及技術諮詢服務(RFQ-248)” 之公開招標 “Supervision and Technical Consultancy Service for Passenger Terminal Building South Extension at MIA (RFQ-248)” 1. 2. 3.

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招標實體: 澳門國際機場專營股份有限公司 Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 招標方式: 公開招標 Tendering method: Open tendering 目的: 選擇富有經驗之顧問公司,為澳門國際機場客運大樓南面擴建設計及建造 工程(RFQ-245)提供設計諮詢協調和審查服務以及監理和技術支援服務。 Objective: To seek for a fully experienced Consultant to provide design consultancy coordination and review services, and supervision and technical support services for developing Design & Build of Passenger Terminal Building South Extension at MIA (RFQ-245). 招標文件: 至截止投標日止,有意者可瀏覽CAM 官方網站 www.camacau.com 查閱 招標文件及相關資料。 有意參與投標人士應時常留意上述網站以獲取涉及招標 文件並得隨時公佈的最新附加資訊、說明或修改內容。 Release of tender documents: Tender Documents and other pertinent information are available on www.camacau.com until the deadline for submission of Bidders’ proposals. Please always check the website for additional information, clarification or modification of the Tender Documents that may be published from time to time. 遞交投標書地點、截止日期及時間: 遞交投標書地點:澳門氹仔偉龍馬路機場專營公司辦公大樓四樓接待處 截止日期及時間:2019年3月1日中午12:00前 (澳門時間) 收件人必須註明為: 執行委員會主席 恕不接納截止時間後所收到之投標書 Location and deadline for submission of Bidders’ proposals: Reception on 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 12:00 noon on 1st March 2019 (Macau Time) The addressee of the proposal shall be Chairman of the Executive Committee. The proposals received after the stipulated deadline will not be accepted. 澳門國際機場專營股份有限公司保留不表明因由而全部或部份拒絕任何投標書之 權利。 CAM reserves the right to reject any proposals in full or in part without stating any reasons. -完-END-

PRECISA-SE Colaborador/a com interesse pelas notícias de Macau e que domine as línguas portuguesa e cantonesa.

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31.1.2019 quinta-feira

E a Vida foi, e é assim, e não melhora. diário de Próspero

António Cabrita

27/01/2018 Uma rede de olhares mantém unido o mundo, não o deixa cair. As palavras são forcas onde aos poucos penduro a razão. Pago em goles de sangue pela respiração. Temos sede, pressa e golpeamos com o osso de uma flor na treva. O cervo vai a beber e na água aparece o reflexo de um tigre: o cervo bebe a água e a imagem e torna-se igual ao seu inimigo; só damos vida ao que odiamos. Todos os que têm pontos de referência no espírito, quero dizer de certo lado da cabeça, em zonas bem delimitadas do cérebro, todos os que dominam a sua linguagem, todos aqueles para quem as palavras têm sentido, quantos crêem que existem alturas na alma e correntes no pensamento, os que são o espírito da época e assim designaram essas correntes de pensamento, penso nos seus trabalhos precisos e nesses guinchos de autómato que a todos os ventos empresta o seu espírito - são uns porcos. Esta rede de versos e estrofes de diversos poetas que traduzi e que montei acima é a minha rede de caboclo que não deixa cair o meu mundo. Durante dois ou três anos traduzi dezenas de poetas e várias línguas, só para não me exasperar e recuperar o humor nas flutuações da minha vida em Maputo: os poemas funcionam como respiradores. Um terço deles, num volume de quase duzentas páginas, onde antologio vários dos meus poetas hispânicos, vai conhecer edição, pela Letra Livre, que agora me propôs isso. Foi um bom convite. Aqui deixo dois poemas transcriados por mim e de que gosto muito. O primeiro é de José Ángel Valente: ÚLTIMA REPRESENTAÇÃO A parlar d’ira, a ragionar di morte. Rime:CCCXXXII Os deuses/ desta Primavera/ não me foram propícios/ e cautelosamente os execro, mãe/ incógnita, blasfémia, fonte do rogo.// Dispuseram os seus praticáveis negros/ sobre o tablado./ Começa o espectáculo,/ mas só um final se representa. // Ao centro da cena, um homem/ ou a figura de um homem/ de macilentos zigomas ostenta/ uma pesada cornadura./ Por cada um dos cornos/ faz beber sujos detritos líquidos/ à sua exânime estirpe.// Excremental o homem./ Nada / com ele nem nele podia/ crescer, multiplicar-se./ Nem sequer o pranto./ Povoai a terra./ Oh deuses,/ desatino sem fim, sem fundo, o deste sonho. // Fita as lamparinas, deslumbrada,/ a mulher nua que alumia/ com uns límpidos e ofuscados olhos o nada. //

ANTONÍ TAPIÈS

A inocência e a plenitude

Começa a cair o pano./ A sombra/ ameaça cair outra vez sobre a sombra. // Só eu aplaudo, na sala apinhada/ de espectadores mortos. O segundo é de um tremendo poeta flamengo, Hugo Claus: Sexta, 14 de Novembro, aniversário de Dante,/ laureava no meu jardim, o crepúsculo estava clemente,/ e cismava em Dante. /Sou assim feito, penso em Dante sem parar./ Tenho qualquer coisa dele, acho. Em moderado.// Então chegaram os dogues voadores numa nuvem de enxofre/ penas e ganidos, mesmo aos meus pés. /Vazados, como num fragmento de Canto, / essa corja abateu-se sobre o meu relvado / e pôs-se a esgaravatar e a gralhar num chavascal /

odioso, um verdadeiro pesadelo,/ as penas espalhavam-se ao quintal dos vizinhos/ entre os seus moinhos miniatura e os seus gnomos./ Depois, de repente, eclipsaram-se. Uma verdadeira visão de Dante.// Escutem, eles deviam evidentemente ter-se contido./ Acreditem-me, uma fúria daquelas,/ aquela crepitação de garras e asas, mais a berraria / e o pivete que se entranhou por semanas no vestuário,/ não, como erudito, aquilo agradou-me pouco.// Sobretudo, e é disso que se trata, que o meu móbil / tenha passado por um momento tão indigno, que digo eu,/ eles chamaram-lhe um figo - tragaram-no.// Tinha-o construído eu mesmo, à Calder, airosa e / ingenuamente suspenso em cores primárias,/ um triângulo, um círculo e um quadrado: eis tudo,/ que era também, por acaso, o tudo/ a que eu chamava o meu

O cervo vai a beber e na água aparece o reflexo de um tigre: o cervo bebe a água e a imagem e torna-se igual ao seu inimigo; só damos vida ao que odiamos

“Universo”, /pois não simboliza o triângulo o corpo/ físico, oral e mental, / e não é o quadrado a água o ar e o fogo e a terra, / e não é o círculo, digo bem, o círculo, unicamente / a realidade terminal? / Aos três elementos, ligados por um esvoaçante fio de ferro,/ tinha-os pintado de rosa, a dar para o salmão, /com o seu quê de elegante.// Como eu disse aos polícias: «Essa bicheza / comezinha e irresponsável não apenas demoliu / e se empanturrou com uma obra onde eu in-ves-ti / anos de trabalho manual,mas também com a projecção da minha alma e da minha ética./ E quem, meus Senhores, me poderá alguma vez indemnizar?»// «Caro Senhor», disseram os polícias, «o infinito / contém em si múltiplos elementos informes».// Eles anotaram a minha queixa. Queixa /contra uma grandeza desconhecida /de digestão infinita. / Odeio a minha mulher e os meus rebentos./ Dante é a minha única consolação. 27/01/2018 Escreveu Paul Auster: «Aquilo que admiro em Perec é a rara combinação, na sua obra, de inocência e de plenitude. É raro encontrar estas duas qualidades juntas num mesmo autor. Cervantes possuía-as, Swift e Poe também; e há vislumbres delas em Dickens e Kafka. Por inocência entendo uma pureza de intenção absoluta. A plenitude traduzo-a por uma fé absoluta na imaginação. É uma literatura caracterizada pela efervescência, um riso demoníaco, a alegria. Não é a única experiência que podemos obter com os livros, mas é a experiência fundamental, aquela que rende possível todas as outras», e eis, aliás, o que eu gosto nos dois. E é o sentimento de termos logrado esta feliz combinação que pode tornar jubilosa a conclusão de um romance. Foi o que me aconteceu agora com A Porta Entornada, o romance que dei por terminado, onde pela segunda vez julgo ter conseguido criar um mundo autónomo, com personagens à altura dessa dimensão “marciana”. Estou um pouco arrombado, mas feliz.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 31.1.2019

Retrovisor Luís Carmelo

A ilusão e as asas da perdiz

A

brincadeira de excelência da minha gata tem o nome dos predadores: coloca as patas da frente em posição de recolher a presa e depois marca os dentes. Não magoa nada, mas passa o tempo nesta ribaldaria. Ela sabe quem é (e ao que vem) e raramente se ilude, mesmo quando anda atrás de um lápis e o coloca em imparável movimento sobre o soalho. Nós, humanos, somos diferentes. Gostamos mais daquilo que não somos e andamos uma vida inteira a tentar perceber quem somos. O desejo profundo de nos iludirmos, o afinco pelo ‘trompe l’oeil’, a entrega àquilo que não somos ficam-se sobretudo a dever ao facto de conhecermos a nossa condição de mortais, facto que inexoravelmente escapa à minha gatinha. Da ilusão provém quase tudo o que carregamos no nosso marsúpio existencial: deus, cinema, net, televisão, futebol, literatura, games, fantasias, meta-ocorrências e, às vezes, até as amizades. Estas astúcias que adoram misturar ‘aquilo que é’ com ‘aquilo que não é’ fazem os embriões mais profundos da nossa espécie rejubilar. Nascemos convencidos de que uma árvore pode ser uma ideia e de que o bater de asas de uma perdiz pode ser um sinal Curiosamente, no mundo pré-moderno, as sociedades viam-se ao espelho através de uma única imagem. As palavras de ordem convergiam e o altar das nações providenciava deveres estritos e claros. A ilusão gravava o rosto do imperador, a crucificação de cristo ou uma imagem da “História” muito bem cimentada e o sentido das coisas ficava assim inscrito. Todos nós provimos deste tipo de mundos. As genealogias ficam registadas na pele. Em criança foi nestas atmosferas que vivi e não foi assim há tanto tempo. Por lá habitava quase tudo o que hoje condenamos e consideramos desprezível, enquanto comunidade. Nas sociedades abertas da actualidade não há mais espaço para diagnósticos únicos. A visão que uma sociedade tem de si baseia-se em inúmeras imagens não sobreponíveis, por vezes incongruentes, e não numa uniformidade ideal. O que resultará desta liberdade é fabuloso, mas o que decorre da imprecisão remete, por vezes, para o teor da fábula (entendendose por fábula uma história possível que apenas existe na minha cabeça em estado volátil, contrapondo-se à ideia de uma narrativa bem definida que poderíamos designar por enredo). Nesta transição de mundos, a idealidade foi perdendo espaço, mas o mundo da fábula e da errância ganhou terreno (os meus alunos, em fim de licenciatura bolonhesa, mal sabem distinguir a primeira

da segunda grande guerra mundial). Em alternativa, também se poderá dizer que a idealidade foi adquirindo novas formas, transpondo-se da imagem única que antes era dada a partir do vértice (damos como exemplo a exposição do mundo português de 1940) para uma espécie de ziguezague, ou de zapping, que tenta preencher os muitos vazios deixados pelo caminho. É por isso que, nas últimas três décadas, surgiram formas de agir totalmente novas que passaram a integrar o mundo quase como uma norma (ou seja; surgiram e trouxeram consigo uma adenda de ‘dever ser’): o mundo dos ginásios, os corpos perfeitos, as utopias ecologistas, os hábitos alimentares, o culto do património, as correcções do género e dos costumes, a perdição da instantaneidade, o mito da interacção, o consumo pelo consumo, os caprichos do chamado “tempo real”, etc., etc. Neste volte-face em que se perderam referências (os media passaram a reduzir as escalas de tempo à medida dos acontecimentos frugais) e formas de dever rigorosas, ganhou-se em pluralidade e em individualidade, mas nem sempre em subjectividade, pois a formatação e o fluxo permaneceram enquanto medida. Se lermos os romances que integram a Tetralogia Lusitana de Almeida Faria, escritos entre o início dos anos sessenta e o início

O desejo profundo de nos iludirmos terá praticamente atingido o seu auge. A nossa condição de mortais, a tal condição que escapará à minha gatinha, parece hoje viver apenas na net e na televisão, lá onde têm lugar as guerras, seja noutras áreas reais do planeta real, seja sobretudo nas séries ficcionais mais aplaudidas. Como se tudo fosse feito da mesma massa

dos anos oitenta (Paixão, Cortes, Lusitânia e Cavaleiro Andante), percebemos como os grandes acontecimentos nunca saíam de cena (eram realmente referências), apesar de serem sempre desafiados pelos pequenos acontecimentos do dia-a-dia. Esta tensão, no nosso tempo, quase se eclipsou, apesar de o acesso (aparente) aos acontecimentos que escapam à nossa experiência pessoal ter aumentado imenso no último século. Em contrapartida, a natureza dos acontecimentos pouco variou em proporção. Ainda que, felizmente, as nossas sociedades tenham desistido de caminhar no sentido de um clímax ou de um ponto

ómega da “História”, o desejo profundo de nos iludirmos terá praticamente atingido o seu auge. A nossa condição de mortais, a tal condição que escapará à minha gatinha, parece hoje viver apenas na net e na televisão, lá onde têm lugar as guerras, seja noutras áreas reais do planeta real, seja sobretudo nas séries ficcionais mais aplaudidas. Como se tudo fosse feito da mesma massa. A felicidade é, muitas vezes, uma ilusão generosa que é vivida até aos limites sem que estes se dêem claramente a ver. Antes isso, pois a felicidade absoluta, tal como os gatos com asas de perdiz, é coisa que não existe. Nem nunca existirá.


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estendais Gisela Casimiro

31.1.2019 quinta-feira

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Uma gota de glitter

(continuação)

C

AREY tem sentido de humor e como tal teve gémeos, tem um alter ego, dois álbuns a lutar pelo primeiro lugar e será das artistas com maior número de colaborações de sempre, o que demonstra a sua generosidade e adaptabilidade não apenas social mas também musical. De Luther Vandross a Boyz II Men, de Skrillex a Slick Rick (a quem todo e qualquer rapper terá ido buscar alguma coisa) e Ty Dollar Sign (no mais recente e delicioso álbum, Caution) a Pharrell Williams, Sean “Puffy” Combs, Jermaine Dupri e Mobb Deep nos primórdios da sua carreira, sem esquecer a mítica e disruptiva colaboração com Ol’ Dirty Bastard, Mariah fez e cantou de tudo e com todos, destacando sempre o seu amor por Wu Tang Clan e o quanto aprendeu com Bone Thugs-n-Harmony. Anitta, a actual mandante do funk brasileiro, inspirou-se no look de Carey que agracia a capa de Rainbow para sua fantasia do Carnaval que aí vem, à guisa do que Beyoncé tem feito com as suas homenagens a Lil’ Kim ou Toni Braxton no Instagram. Beyoncé, que será talvez a única das cantoras actuais que Carey menciona em entrevistas, afirma, “Diva is a female version of a hustler”. Quando lhe perguntaram sobre Jennifer Lopez, Carey respondeu “I don’t know her”, o que ao longo do tempo se tornou uma piada e até merchandising, tomando agora a forma de “I still don’t know her”, cortesia de antigas disputas causadas por supostos roubos de ideias para canções da Columbia Records já depois da saída de Carey, e para beneficiar Lopez. A eterna rainha do Natal, talvez tudo o que Carey queira este ano seja esse reconhecimento como autora/escritora. Cantora de origens mistas, filha de um casal em que o pai era negro com raízes venezuelanas e a mãe branca, com origens irlandesas, Mariah (a terceira filha de um casamento mal visto pela sociedade da altura, cujo preconceito criaria tensões que levariam ao divórcio) nunca se considerou branca, embora tenha lidado, nem sempre bem, com essa one drop de sangue negro, e embora tivesse lutado para aceitar-se e ser aceite, quando a sua aparência branca com voz negra foi usada para mass appeal. Quando se libertou finalmente, a borboleta de Nova Iorque pôde mostrar as suas influências, que iam desde Jimmy Hendrix a Def Leppard ou à sua mãe, cantora de ópera. O que é um ídolo? Pode Mariah, a cantora que mais me ensinou sobre gangster music, que chegou a alguns número um primeiro nos tops de R&B, antes das demais tabelas, ser definida como um ídolo pop, quando tem canções para todos os sentimentos e situações possíveis, abrangendo uma miríade de géneros? Definitivamente, não.

Receamos sempre o dia em que os nossos ídolos vão deixar-nos. Tal como outros, também chorei Cohen, Bowie, Prince. Mas quando desapareceram Jackson e Houston, foi pela obsessivamente perfeccionista Carey que temi. Se estivermos vivos tempo suficiente, tudo pode, eventualmente, acontecer-nos. Carey não falhou as polémicas do playback, dos colapsos nervosos em público, dos casamentos falhados, dos dramas familiares, das cirurgias e flutuações de peso,

dos excessos que um sucesso fora de série parece sempre acarretar, numa proporção assustadora de tão directa. Mas também não falhou a redenção que We belong together ou seu aclamado papel em Precious ou lhe trouxeram. A par de Britney, com a devida salvaguarda do que as diferencia, mas que continua a ter fãs eternos e também passou por um escrutínio que quebraria o mais forte de nós, Mariah será talvez um dos poucos casos de real morte e ressurreição nesta indústria que

Haverá luta mais dura, importante e recompensadora do que a de nos conhecermos e superarmos? Talvez a humanidade e a imperfeição sejam, a par do carisma e da centelha divina das suas vozes, o que faz um ícone. Como diz o ditado, it takes one to know one e, se Houston é The Voice, Carey é The most

esquece, permite e perdoa tão mais e mais rapidamente a homens, geralmente com agravantes bem mais negros do que os que estas duas figuras alguma vez poderão ter (veja-se Chris Brown ou R. Kelly e os recentes comportamentos preocupantes de Drake em relação a menores). Falando em comparações, recordemos o que disse a saudosa Houston (com quem poderíamos fazer um paralelismo com Amy Winehouse ou Lady Gaga): “Mariah is Mariah”, e talvez isso seja a única e a melhor coisa que alguém pode esperar de si mesmo e dos outros. Haverá luta mais dura, importante e recompensadora do que a de nos conhecermos e superarmos? Talvez a humanidade e a imperfeição sejam, a par do carisma e da centelha divina das suas vozes, o que faz um ícone. Como diz o ditado, it takes one to know one e, se Houston é The Voice, Carey é The most. Agora, se me dão licença, vou voltar a João Barrento, um outro tipo de ícone, pois ainda tenho muito que aprender.


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7 7 4 0 85 38 3 2 6 19 1 3 93 9 1 62 86 8 0 47 54 5 2 2 5 9 78 67 6 1 0 43 4 0 3 4 6 1 2 8 5 7 9 T E M P O M U I T O N U B L A D O M I6N 7 1 2 41 H 427 4M5A9X0 9 8 U3M 09 0 18 31 53 75 7 24 2 6 8 68 6 93 49 74 57 5 12 01 0 5 15 71 7 0 2 9 34 63 86 8 O QUE FAZER 84 8 6 07 10 1 3 59 5 2 ESTA SEMANA 1 2 35 3 9 64 6 8 0 7

Diariamente

EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02

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EXPOSIÇÃO | JARDIM BRILHANTE Museu de Arte de Macau | Até 24/02 EXPOSIÇÃO | “REENCARNAÇÃO” DE ALLEN WONG Creative Macau EXPOSIÇÃO | “REENCARNAÇÃO” DE ALLEN WONG Creative Macau EXPOSIÇÃO | OBRAS PRIMAS DE ARTE RUSSA MAM | Até 22/4

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O CARTOON STEPH 53

1 71 7 69 6 4 03 0 58 25 2 2 5 83 8 0 46 4 7 19 8 38 53 5 9 6 2 47 14 01 27 2 4 0 1 8 3 65 6 4 0 52 85 78 97 9 1 3 9 9 6 7 1 3 0 5 2 84 5 01 70 7 2 69 36 3 8 3 3 8 46 94 19 21 2 0 57 0 89 38 3 5 14 61 6 2 46 4 21 2 7 85 8 09 0

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Cineteatro

C I N E M A

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UM LIVRO HOJE

MARY POPPINS RETURNS SALA 1

I LOVE YOU, YOU’RE PERFECT NOW CHANGE! [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Wong Cho Lam Com: Eric Tsang, Teresa Mo, Ivana Wong, Wong Cho Lam 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

MARY POPPINS RETURNS [A] Um filme de: Rob Marshall Com: Julia Andrews, Meryl Strrep,Colin Firth 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

SALA 3

MORE THAN BLUE [B]

8 8 23 5 9 9 6 1 1 02 7 47 94 0 0

71 2 43 8 37 5 0 14 59 86

PROBLEMA 54

57 6 64 2 3 0 9 31 5 8

30 43 4 57 95 39 9 8 10 4 6 95 8E U2R O 1 1 9 2 6 4 73 2 7 46 05 80 28 13 71 7 51 2 24 15 68 49 83 7 0 36 5 9 6 70 2 4 58 3 31 7

25 0 62 41 36 54 78 9 7 03 4 0 1 47 8 9 65 6 73 2

92 81 6 4 3 5 7 8 19 0 63 1 72 4 0 8 6 25 7 9

8 7 1 63 6 2 1 42 4 89 38 3 597.92 337 0 64 86 17 81 8 4 05 0 32 3 9 6 0 5 9 8 5 0 2 6 4 3 1 27

06 8 97 1 59 3 4 82 60 45

6 47 1 28 4 10 09 5 53 2 0 57 9 3 5 2 31 98 86 4

03 54 37 2 9 1 10 6 5 48 92 5 0 56 4 67 3 09 8 31

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(f)utilidades 7 5 1 3 4 6 17 8 0

5 0 9 8 0 6 2 6 3 0 5 9 8 7 6 1 4 2 7 B A H T 0 . 3 52 52 Y 7 U4A N1 8 0 9 3 8 6 2 1 4 9 0 5 VIDA DE CÃO 9 2 6 8 7 3 1 8 3 2 5 9 VISÃO CURTA 4 4 7 6 1 0 0 5 3 9 7 8 1 2 6 4 9 4 8 5 1 6 7 0 2 3

1 3 7 7 2 4 5 9 3 2 09 31 . 0 2 1 5 8 6 2 0 4 1 4 7 6 9 5 8

O Chefe do Executivo meteu o capacete e foi lançar a primeira pedra de uma obra de imobiliário em Jiangmen. Como o projecto era em grande parte financiado 2 7 de4Macau, 0 o9empreendi6 8 5 com capitais mento foi escolhido como uma espécie 6 1 3 5da 8 9 Baía. 0 2 de projecto-bandeira Grande Vários 8 anos4 depois 0 percebe-se 9 5 que 3 as1coi- 7 sas não correram bem. Neste momento, 1de 2 6 3 de 7 Macau 5 9que 4 há cerca 70 residentes se queixam de terem sido lesados em 0 8 7 2 Segundo 4 1 alguns 3 9 20 milhões de patacas. dos queixosos, só do lado da RAEM 5 3 9 6 1 2 4 o0 número de lesados poderá ser superior 9 não 1 falar 4 dos 6 lesados 8 2do 3 a 350. 7 Já para Interior da China e de Hong Kong. Como 3 5 2 8 0 7 6 1 se todo o caso não fosse suficientemente mau, a imagem 4 6 de5Chui1Sai3On, enquanto 0 7 8 Chefe do Executivo, terá sido utilizada 9 do 0 imobiliário 8 7 para 2 empolgar 4 5 6 por agentes as vendas. Este é um caso que ganha especial relevância, uma vez que o cargo de Chefe do Executivo devia estar acima de qualquer suspeita. Porém, a conduta 9 contrária 3 0 a este 5 prin1 4 de Chui7Sai6 On foi cípio. Se o Chefe do Executivo não tinha 8 que5o projecto 4 1 ia ser 2 concluído, 3 0 7 garantias nunca devia ter participada nos 0 1 5 6 9 2eventos. 8 3 Pior, fez duas visitas ao local. Sobre este 4 Sai 7 On2disse 8 que3não6realizou 9 0 caso, Chui qualquer investimento pelo que não há 2 3 6 4 5 8 7 9 um impacto para a imagem de Macau. Se é fácil 1 aceitar 9 0que7Chui8não4investiu 3 2 no projecto, o mesmo não se pode dizer 6 aos 2 impactos 3 0 para 1 a7imagem 4 5 em relação do líder9do4Governo da RAEM. Chui 8 5 7 0 6 1 Sai On só foi ao local por ser o Chefe do Executivo. 5 0 Vir 7 agora 9 6dizer 1 que 2 a8 deslocação oficial não tem impacto para 3 da8RAEM 1 2é um4sinal9incrível 5 6 a imagem de impreparação. João Santos Filipe

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A QUEDA | ALBERT CAMUS

Publicado pela primeira vez em 1956, “A Queda” é o relato em estilo confessional de um advogado parisiense, Jean-Baptiste Clamence, que ao longo de um monólogo aborda os diversos aspectos da sua existência. Os dilemas do protagonista do livro aludem à queda do Homem no Jardim do Éden e resvalam para o existencialismo, uma das correntes filosóficas em voga na França do início da segunda metade do século XX. Ao longo do monólogo, o personagem apercebe-se das várias manifestações de egoísmo que evidenciou ao longo da vida. “A Queda” é um dos livros essenciais de Albert Camus, o mestre francês do absurdismo a par de “O Estrangeiro”. João Luz

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 14.30, 16.30

A LIFETIME TREASURE [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Andrew Lam Man Chung Com: Louis Cheung, Ivana Wong, Andrew Lam Man Chung 19.30, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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“A robot can acquire thousands of pieces of information about its environment through its sensors in a second— more accurate and detailed information than you or I ever could—and it will still drive off a cliff or into a wall unless you tell it not to. Robots are not really stopping at a wall. They are stopping (if you remember to tell them to) when they sense something using a very particular sensor” Sensors and the Environment (Robotics) Ian Chow-Miller

A

quarta área-chave contende com a localização e rotulagem tendo em vista ensinar as máquinas. A IA responde à grande questão sobre os dados, que foram definidos em 2018, ou seja como transformá-los em valor. A principal prioridade de dados relacionados à IA para 2019, é integrar os sistemas de IA e de análise para obter informações de negócios a partir dos dados, o que constitui um objectivo realista. A IA pode ser usada com dados e análises para gerir melhor os riscos, ajudar os trabalhadores a tomar decisões mais eficientes e automatizar as operações dos clientes. Todavia existe uma grande dificuldade, pois as pesquisas indicam que as empresas não estão a fornecer a base que a IA precisa para ter sucesso. É de considerar que menos de um terço dos líderes empresariais afirmam que os dados de rotulagem são uma prioridade para os seus negócios em 2019. A grande questão é de saber como a IA aprende. A aprendizagem de máquina para detectar padrões significativos no presente e prever o futuro, deve passar por um processo de ensino e mostrar dados históricos suficientes sobre o comportamento do consumidor, por exemplo, se eventualmente será capaz de prever como esses consumidores se comportarão no futuro. Mas, para criar conjuntos de dados necessários para o treino é necessário rotular os dados, e um exemplo simplificado é determinar se um consumidor está satisfeito ou não. É de atender que para que esses conjuntos de dados possam ajudar a suportar a IA em toda a empresa (os consumidores podem interagir com mais de uma linha de negócios) é preciso criar padrões para rotulá-los de forma consistente. Um AI CoE pode criar e monitorizar padrões de dados, bem como desenvolver sistemas e processos que facilitam os trabalhadores a criar conjuntos de dados rotulados e úteis para uso futuro. A questão de novas ferramentas para preencher as lacunas passa pelo facto de que mesmo com uma melhor governança de dados, haverá desafios. Alguns problemas de negócios têm soluções de IA que exigem dados de treino que as empresas podem

não ter disponíveis, mas novas técnicas de aprendizagem de máquinas simples e alargadas podem permitir que a IA produza os seus próprios dados com base em algumas amostras. e também podem transferir modelos de uma tarefa com muitos dados para outra que não tenha dados. Às vezes, a IA pode sintetizar os seus dados de treino usando técnicas como aprendizagem por reforço, aprendizagem activa, redes geradoras de adversários e gémeos digitais. As simulações baseadas em probabilidades, também podem criar dados “sintéticos” que podem ser usados ​​para treinar a IA. Há que dar atenção à política, pois o cenário da política da IA ainda está a dar os primeiros passos e muitos formuladores de políticas, vêem esse momento como o início de uma corrida armamentista da IA que precisa de financiamento público e desregulamentação, enquanto outros estão a pedir directrizes abrangentes que abordem algoritmos éticos. O Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD) (UE) 2016/679, é um regulamento de direito europeu sobre a privacidade e protecção de dados pessoais, aplicável a todos os indivíduos na EU e Espaço Económico Europeu (EEE). Regulamenta também a exportação de dados pessoais para o exterior da UE e EEE. O RGPD tem como objectivo dar aos cidadãos e residentes, formas de controlar os seus dados pessoais e unificar o quadro regulamentar europeu e a Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia (CCPA na sigla em língua inglesa) são legislações diferenciadas, mas dão aos indivíduos o direito de ver e controlar como as organizações recolhem e usam os seus dados pessoais, bem como reclamarem, recorrerem ou demandarem caso sofram danos devido a violações da segurança cibernética. As empresas devem adoptar uma abordagem global para questões reguladoras, harmonizando equipas que estão a ajudar a moldar políticas em diferentes jurisdições e a abordar a conformidade, aplicando as práticas recomendadas globalmente e de acordo com o GDPR, por exemplo, mesmo que sua empresa não tenha operações na Europa, estará disposto a fazer uso de práticas do CCPA e outras regulamentações futuras. A quinta área-chave diz respeito à reinvenção, monitorizando a IA através da personalização e maior qualidade. O aumento do limite superior e inferior do conhecimento e produtividade com a IA não é um sonho distante e muitas empresas estão a usar a IA para melhorar as operações e aperfeiçoar a experiência do cliente, mas em 2019, vários deles planearão ou desenvolverão novos modelos de negócios baseados em IA e investigarão novas oportunidades de rendimento, bem como muitos cultivarão esses novos negócios em partes separadas da sua organização, distintos dos CoEs que são mais focados internamente. Os maiores ganhos da IA, ​​vêm de melhorias na produtividade, pois as empresas usam

a IA para automatizar processos e ajudam os trabalhadores a tomarem melhores decisões. A maioria do impacto económico da IA v​​ irá do lado do consumo, através de produtos e serviços de alta qualidade, mais personalizados e mais orientados a dados. A saúde, venda a retalho e indústria automobilística podem ter benefícios imediatos. A IA na saúde, por exemplo, poderá permitir novos modelos de acordos baseados na monitorização de dados de estilo de vida do paciente; diagnósticos mais rápidos e precisos de cancro e outras doenças, bem como seguro de saúde personalizado e adaptativo. Os vendedores a retalho estão a usar a IA para antecipar tendências e orientar os negócios com o fim de atingir os seus objectivos. A próxima fase é a venda a retalho hiper-personalizada, pois a IA e a automação tornam viável aos vendedores a retalho oferecer um número crescente de produtos ou serviços feitos especificamente para um indivíduo. A partir do terceiro trimestre de 2018, existiam novecentas e quarenta empresas de IA nos Estados Unidos. O investimento em capital de risco nos Estados Unidos, que é privado, abrange setecentas e noventa empresas, representando seis mil milhões e seiscentos milhões de dólares nos três primeiros trimestres de 2018, comparados com os três mil milhões e novecentos milhões de dólares no mesmo período de 2017, e nem todo esse dinheiro está a fluir da estrada arterial no oeste do Vale do Silício, Califórnia, e das empresas de capital privado, pois os valores recordes vêm de corporações, seja através de recursos de capital de risco ou investimentos directos. É de considerar que em 2018, cerca de novecentos e trinta e oito milhões de dólares foram investidos por empresas que procuram investir fora do desenvolvimento da IA. O investimento, para desenvolver a IA, é uma tendência que se prevê de aceleramento, mas não o suficiente. Apenas 8 por cento das empresas americanas estavam a fazer investimentos directos e significativos em IA e outras 52 por cento das empresas americanas procuravam aquisições ou alianças, em 2018. A sexta área-chave refere-se à convergência que combina a IA com a Inteligência Analítica e a IoT. O poder da IA c​​ resce ainda mais quando é integrado a outras tecnologias, como a Inteligência Analítica, Planeamento de Recurso Corporativo (ERP na sigla em língua inglesa), (IoT), Protocolo da Confiança e até eventualmente, Computação Quântica. Os benefícios dessa tendência de convergência não se limitam à IA, que é de onde os maiores ganhos de todas as oito tecnologias essenciais virão, sem descurar que 36 por cento dos líderes empresariais afirmam que gerir a convergência da IA com outras tecnologias é um dos principais desafios da IA para 2019, colocando-a em pé de igualdade com a reciclagem de trabalhadores, abaixo da garantia da confiança na IA. Ajudar a análise avançada, preditiva e de fluxo de média a evoluir ainda mais com IA

GOOGLE ARTIFICIAL INTELIGENCE

A confiabilidade da

é uma prioridade comum. A convergência pode tornar os novos modelos de negócios baseados em dados mais poderosos. A IoT também pode colher grandes benefícios quando combinada com a IA. Uma grande empresa pode em breve ter milhões de sensores de IoT, reunindo informações de equipamentos comerciais e dispositivos de consumo. A IA e a análise desempenharão um papel crítico na localização de padrões nessa onda de dados para suportar tudo, desde a manutenção de sistemas até à penetração de marketing. A IA incorporada contém os conjuntos de componentes electrónicos da IA directamente ligados aos dispositivos de IoT para criar inteligência local, ajudará a enfrentar esse desafio.


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perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

inteligência artificial (II)

A integração bem-sucedida da IA com ​​ outras tecnologias começa com os dados. As organizações que investiram na identificação, agregação, padronização e rotulagem de dados, com a infra-estrutura de dados e o seu armazenamento como respaldo estarão bem posicionadas para combinar IA com análises, o IoT e outras tecnologias. No entanto, para integrar a IA a outros sistemas corporativos, os especialistas terão que convergir também. Em vez de cientistas de dados concluírem um algoritmo e depois entregá-lo a um especialista em TI para codificar uma Interface de Programação de Aplicações (API na sigla em língua inglesa) ou enviá-lo para alguém da empresa que o aplicará, devem trabalhar juntos desde o início do processo.

O presente ano é o tempo de se pensar em ocupar e estabelecer a estratégia da IA. A IA precisará da sua estrutura organizacional e planos de força de trabalho; algoritmos confiáveis e​​ dados correctos para treinar esses algoritmos; um plano para reinventar o negócio e aumentar a receita e os lucros; e convergência com outras tecnologias existentes e emergente A grande parte da resposta envolve técnicas de Desenvolvimento e Operações (DevOps), que colocam equipas de desenvolvimento e operações em um ciclo de retorno da informação ou processo para colaboração constante e mudanças interactivas para novos produtos. A outra parte

envolverá a criação de novas funções para os trabalhadores servirem como tradutores e contactos entre as várias equipas. É importante considerar como é a IA integrada a tecnologias e sistemas avançados que funcionam ininterruptamente, em que os seus algoritmos precisarão de um fluxo

contínuo de novos dados para aprender. Caso contrário, os modelos de IA estarão a trabalhar com dados desactualizados, o que prejudicará o desempenho da IA. Os modelos também precisarão de testes, actualizações e substituições regulares. O presente ano é o tempo de se pensar em ocupar e estabelecer a estratégia da IA. A IA precisará da sua estrutura organizacional e planos de força de trabalho; algoritmos confiáveis ​​e dados correctos para treinar esses algoritmos; um plano para reinventar o negócio e aumentar a receita e os lucros; e convergência com outras tecnologias existentes e emergentes. É uma lista de tarefas ambiciosa. Mas as empresas que estabelecem as suas prioridades também se diferenciam.


O destino não vem do exterior para o homem, ele emerge do próprio homem. Rainer Maria Rilke

Brincar com o fogo

PALAVRA DO DIA

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NUCLEAR RÚSSIA PEDIU AOS EUA PARA RETOMAREM NEGOCIAÇÕES SOBRE DESARMAMENTO

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m i n i s t r o dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, pediu ontem aos EUA para retomarem as negociações sobre o tratado de desarmamento nuclear que Washington ameaça abandonar a partir de 2 de Fevereiro. Sergey Lavrov disse que não é a primeira vez que Moscovo propõe a Washington o retomar das negociações sobre o tratado de desarmamento nuclear (conhecido pela sigla inglesa INF – Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty) - que foi assinado em 1987 e que os EUA ameaçam abandonar por considerarem que a Rússia não o tem respeitado – e que continua de pé essa intenção. Mas Moscovo continua a dizer que a Rússia nunca desrespeitou o tratado INF e recusa as exigências de Washington, que pede o desmantelamento de algumas armas de curto e médio alcance como condição para não abandonar o tratado INF já a partir de 2 de Fevereiro. Lavrov voltou a acusar, ontem, os EUA de terem produzido uma nova ogiva nuclear para equipar mísseis intercontinentais para submarinos atómicos, que, na perspectiva de Moscovo, “aumenta o risco de uma guerra nuclear”.

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ELO menos duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas numa explosão que ocorreu numa mesquita no sul das Filipinas, três dias depois de um ataque atribuído ao grupo extremista Abu Sayyaf numa catedral, informaram ontem as autoridades. Dois homens ainda não identificados lançaram uma granada de mão na mesquita Sitio Logoy Diutay, na cidade de Zamboanga, localizada na região de maioria muçulmana, disse o porta-voz regional do exército à agência de notícias France-Presse. As vítimas, líderes religiosos de outras

SEGURANÇA NACIONAL “DOIS SISTEMAS” NÃO CONDICIONA RESPONSABILIDADE DE “UM PAÍS”

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“Nós já expressámos a nossa profunda preocupação sobre o desenvolvimento desses mísseis de curto alcance”, afirmou ontem Lavrov, acrescentando que Moscovo monitorizará de perto a reacção europeia às acções unilaterais dos EUA que “minam a estabilidade estratégica”.

POR OUTRO LADO

Ao mesmo tempo que Lavrov exprimia esta posição, os EUA acusaram a Rússia e a China de não divulgarem os seus programas nucleares, co-

locando em causa a preservação de tratados de limitação nuclear. Durante uma reunião em Pequim, que juntou os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Andrea Thomson, vice-secretária de Estado dos EUA encarregada do controlo de armas e de segurança internacional, disse existir falta de transparência por parte da China e dos EUA sobre os seus planos nucleares. Por outro lado, os EUA dizem que se a Rússia não destruir o míssil Novator - que, segundo a NATO, viola o tratado INF –

abandonam o tratado INF já a partir de 2 de Fevereiro. Mas o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Ryabkov, afirmou hoje que esta exigência dos EUA é “inaceitável”, por ter um alcance de apenas 480 quilómetros, por isso não violando o tratado INF (que se aplica a mísseis com alcance entre 500 e 5000 quilómetros). Rabkov disse ainda que a Rússia não reconhecerá a saída unilateral dos EUA do tratado INF, que terá “um valor insignificante do ponto de vista legal”.

O âmbito da defesa da segurança nacional, “a RAEM assume a sua responsabilidade de ‘um país’, não ficando este condicionada pela parte dos ‘dois sistemas’”. Foi o que afirmou o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, citando instruções do Chefe do Executivo, de acordo com um comunicado oficial. A declaração foi proferida num encontro recente, em Santa Sancha, entre Fernando Chui Sai On e o vice-ministro permanente do Ministério da Segurança Pública da China, Wang Xiaohong, em que Wong Sio Chak marcou presença, segundo uma nota do gabinete de Fernando Chui Sai On, divulgada ontem, que não especifica, porém, quando teve lugar. O secretário para a Segurança garantiu ainda que “os serviços da sua tutela vão proceder adequadamente aos trabalhos e prestar plena colaboração” no âmbito dos preparativos da “dupla celebração”, ou seja, dos 70 anos da implantação da República Popular da China e dos 20 anos da RAEM. O Chefe do Executivo realçou, por seu turno, que, além da “dupla celebração”, “torna-se indispensável o apoio do Ministério da Segurança Pública”, dado que, no final do ano, também haverá mudança de Governo. Já Wang Xiaohong mostrou-se “satisfeito” por trocar impressões com o Chefe do Executivo, segundo a mesma nota, tendo observado que a RAEM “vem alcançando grandes avanços e sucesso em todas as vertentes desde que regressou à pátria há 20 anos”. D.M.

Sangue volta a correr nas Filipinas Ataque em mesquita faz pelo menos dois mortos e quatro feridos na cidade de Zamboanga

províncias próximas que estavam de visita, estavam a dormir quando a explosão ocorreu, disse à agência de notícias Efe o chefe da polícia regional de Zamboanga, Emmanuel Licup. A polícia está a investigar o possível motivo do ataque, que pode ser uma vingança pessoal entre clãs muçulmanos ou relacionado com o ataque de Sulu no domingo que fez pelo menos 21 mortos e mais de 100 feridos.

Na segunda-feira, a polícia das Filipinas abateu a tiro um membro do grupo extremista Abu Sayyaf, precisamente em Zamboanga, tendo sido encontrados explosivos, uma granada de mão e um litro de um produto químico que ainda está a ser analisado. Segundo a polícia, Asilon era um membro conhecido do Abu Sayyaf, que jurou lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico, que reivindicou o ataque de

domingo, no qual duas bombas explodiram com quinze segundos de diferença na catedral de Jolo, capital da província de Sulu. A polícia está a investigar o possível envolvimento de Asilon com a milícia Ajang-Ajang, a facção de Abu Sayyaf em Sulu que cometeu o ataque reivindicado pelo Estado Islâmico. O grupo extremista Abu Sayyaf não está ligado ao processo de paz em curso. Especializado

em sequestros, o Abu Sayyaf também é acusado dos piores atentados no arquipélago, em particular o realizado contra um ‘ferry’ que causou mais de 100 mortos em 2004. Os especialistas consideram que o ataque de domingo, um dos mais sangrentos dos últimos anos nas Filipinas, pode contrariar anos de esforços de paz que resultaram num referendo local, na semana passada, que validou a criação de uma nova região autónoma denominada Bangsamoro.


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Hoje Macau 31 JAN 2019 #4222 by Jornal Hoje Macau - Issuu