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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • TERÇA-FEIRA 31 DE JANEIRO DE 2012 • ANO XI • Nº 2539
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Carlos Marreiros arrasador com ausência de instituições lusófonas do festival Rota das Letras
APOSENTADOS PORTUGUESES DA FUNÇÃO PÚBLICA
Subsídio de residência nem pensar PÁGINA 4
NOVO REGULAMENTO NA EDUCAÇÃO
Escolas só vão mudar em 2015 PÁGINA 5
ANALISTA PROPÕE
China ao lado da Rússia para vencer EUA PÁGINA 6
“Queixam-se,
mas depois é isto” Ex-presidente do Instituto Cultural, em palestra do primeiro festival literário lusófono em Macau, perguntou onde andavam Instituto Português do Oriente, universidades e outras instituições lusas. O Hoje Macau foi saber e ouviu desculpas esfarrapadas. Rui Rocha, presidente do IPOR, assume falha: “é um problema embaraçoso para nós”. PÁGINA 15
política
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terça-feira 31.1.2012
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Três interpelações escritas sobre a reforma do sistema eleitoral
A política é um espectáculo Virginia Leung
virginia.leung@hojemacau.com.mo
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deputado Paul Chan Wai Chi criticou a forma como está a ser feita a consulta de opinião sobre a reforma do sistema político, acusando o Governo de estar apenas a “fazer espectáculo”. Outro dos deputados à Assembleia Legislativa, Ng Kuok Cheong, declarou que os deputados eleitos indirectamente deveriam participar com o Governo nas decisões a tomar após as consultas, enquanto Au Kam San pediu que o Executivo fornecesse o enquadramento legal para a criação de Câmaras Municipais. Paul Chan Wai Chi apontou as falhas no processo de consulta, criticando a atitude do Governo, que classificou de inaceitável, sugerindo que estava apenas a montar um espectáculo. O deputado instigou ainda o Executivo a rever o sistema de consultas inicial, de forma a mostrar mais respeito pela opinião pública e a não cometer os mesmos erros na próxima fase. Segundo Paul Chan Wai Chi, a falta de transparência do processo de inscrição para discursar e a pouca clareza das comunicações levaram à falta de candidatos, acrescentando que é fácil ser usado para “criar intencionalmente um resultado”.
Por operadores de média livres e justos
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CONSULTAS E CÂMARAS
Ng Kuok Cheong reivindicou a participação dos deputados eleitos indirectamente nas decisões a tomar após as consultas, apelando à criação de um mecanismo de eleição directa para funções especiais. Au Kam San, por seu lado, pediu ao Governo que resolvesse a questão das câmaras municipais. O deputado salientou que o Apêndice 1 da Lei Básica de Macau regulamenta que
Governo pressionado a explicar mudanças na Lei de Imprensa
Paul Chan Wai Chi
deve haver representantes das câmaras municipais na Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo. No entanto, acrescentou, uma vez que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais reformulou
as câmaras municipais originais, tal representação não pode ser feita. Au Kam San perguntou ainda se o Governo iria corrigir o erro e repor as câmaras originais, salientando que estas são instituições democráticas muito diferentes dos departamentos governamentais. PUB
O Director dos Serviços, João Manuel Costa Antunes
diam criar um mecanismo de controlo que protegesse os funcionários administrativos, que segundo eles eram alvo de ataques violentos dos media da altura. O que se passou, segundo o deputado, é que os portugueses liam muitas das vezes más traduções do jornais chineses o que davam aos factos uma dimensão exagerada.
DESCOBERTA TARDIA
Passados 20 anos, diz Ng Kuok Cheong, alguns funcionários administrativos descobriram que não havia qualquer Comissão de Imprensa ou Comissão de Radiodifusão e logo o Gabinete de Comunicação decidiu activar emendas às leis de imprensa e do audiovisual. Embora o Governo declare que não tem “segundas intenções”, o deputado critica o facto da criação destas comissões de controlo, de forma unilateral, por parte do Executivo. Ng Kuok Cheong sublinha que o Governo, em vez de estar a gastar dinheiro do erário público em comissões que não levam a lado algum, devia antes despender verbas de modo a proteger eficazmente a liberdade de imprensa e a promover um sistema de radiodifusão livre e justo. - V.L.
Juventude Dinâmica critica ausência de representatividade da população
Falta de espaço
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.°7/AI/2012
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora OBEDOZA ERLINDA C. que, na sequência do Auto de Notícia n.º 91/DI-AI/2010, de 06.12.2010, levantado pela DST e por despacho do signatário de 20.01.2012, exarado no Relatório n.º 7/DI/2012, de 04.01.2012, foi desencadeado procedimento sancionatório, com vista ao seu alojamento na fracção autónoma situada na Rua do Guimarães N° 365, Edf. Kin On Hoi Keng, 4° andar A e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.--------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 da artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo. ----------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.º da Lei n.° 3/2010, que dispõe: “a actividade de prestação de alojamento ao público, sem possuir a licença para exploração de estabelecimentos hoteleiros, em prédio ou fracção autónoma não destinado a fins de actividade hoteleira e similar, cujo ocupante é não residente da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), ao qual não foi concedida autorização especial de permanência ou autorização de permanência de trabalhador não residente”. Tal facto é punível nos termos no n°. 1 do artigo 10.º da Lei n.° 3/2010 – : “Quem prestar ilegalmente alojamento ou controlar por qualquer forma prédio ou fracção autónoma utilizado para a prestação ilegal de alojamento é punido com multa de 200.000,00 a 800.000,00 patacas”.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção nºs 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18° andar, Macau-----Direcção dos Serviços de Turismo, em Macau, aos 20 de Janeiro de 2012.
G Kuok Cheong escreveu num blog, a 29 de Janeiro, que a intenção do Governo em criar uma Comissão de Imprensa e uma Comissão de Radiodifusão de modo a controlar os média tem provocado grande controvérsia. Alguns funcionários administrativos anunciaram, segundo Ng Kuok Cheong, que a criação destas comissões não esconde “segundas intenções” e apenas estão de acordo com o sistema legal que promove a pesquisa e a investigação. Temos então de investigar o sistema legal em vigor, diz o deputado, explicando que esta legislação começou a ser implementada em 1989 e 1990, aquando da publicação da Lei da Rádio e do Audiovisual e da Lei de Imprensa, para o período de transição. Esta implementação, que recebeu grande atenção por parte dos media na altura, protege de modo geral a liberdade de imprensa, embora algumas das considerações estejam mal redigidas, nomeadamente as recomendações de evitar ofensas a membros do Governo. Ng Kuok Cheong diz que isso se deveu ao facto de os portugueses, por um lado, quererem defender a liberdade de imprensa, mas, por outro, também preten-
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Juventude Dinâmica de Macau comentou a reforma do sistema político, salientando que a Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo é formada por quatro categorias que englobam 300 pessoas, que no entender desta Associação não representam os interesses do público em geral. A falta de representatividade da população na Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo é um dos aspectos que influenciam negativamente a implementação de políticas por parte
do Chefe do Executivo, disse a JDM. A Juventude Dinâmica acrescentou que é muito injusto para a grande parte dos residentes que não pertence a Associações não poder participar nas consultas. Ainda segundo esta associação, o direito de apresentação de propostas na Assembleia Legislativa depois da aprovação da “Lei Básica” e do “Regimento da Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau” tem vindo a diminuir para níveis mais baixos do que aquando da transição. – V.L.
terça-feira 31.1.2012
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MA reforma política por etapas é o que melhor assenta em Macau. É o que defendem 12 membros do Colégio Eleitoral do Chefe do Executivo, onde se inserem David Chow e Jorge Fão. Num comunicado enviado por este último, ex-deputado, à imprensa, os responsáveis pela escolha do líder máximo do Governo consideram imprescindível saber o passado do território. “Creio que, antes de se avançar com qualquer sugestão quanto à reforma do órgão legislativo, há que, primeiramente, fazer uma retrospectiva sobre a sua criação antes da transferência de soberania, ou seja, nos tempos da Administração portuguesa e a sua evolução.” Numa retrospectiva, Jorge Fão dá conta do progresso político de Macau. Em 1976, a Assembleia Legislativa (AL) começa a ter efectivos poderes legislativos, assim que é promulgado o Estatuto Orgânico de Macau. A partir de 1992, o hemiciclo passa a contar com 23 membros, mais seis do que anteriormente. “Constata-se, por isso, que o âmbito da representatividade da AL se alargou com o aumento dos assentos, mantendo-se aquele número de deputados até à transferência de soberania, ou seja, até 1999. Foi esta, portanto, a composição do órgão legislativo herdada pela RAEM, no sentido de haver uma representatividade, tanto mais alargada quanto possível.” Após a transferência de soberania, em 1999, 22 deputados da AL da Administração portuguesa (à excepção do deputado Chan Kai Kit) transitaram “sem sobressaltos” para a AL da RAEM. “Na altura, a população de Macau ascendia a cerca de 429.600 pessoas e o número de eleitores era de 116.445 pessoas, ou seja, havia um deputado por 18.678 residentes.” Em 2001, esse número desceu para um deputado por 16.159 habitantes. Em 2009, aquando da eleição da IV Legislatura da AL, o rácio do número de deputados face ao número de residentes era de um por 18.700.” “É precisamente pelo facto de ser um órgão de representação das diversas sensibilidades da sociedade que a função da AL se resume a tomar posições, através da recolha das opiniões
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Membros do Colégio Eleitoral falam sobre reforma política
“Aumentar só assentos por via directa criará situação de impasse” ANTÓNIO FALCÃO
Joana Freitas
política
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que melhor sirvam toda a população e, se bem que os assentos da AL tivessem sido alargados para vinte e nove, na III e IV Legislaturas, o certo é que a população também aumentou”, explica Jorge Fão. “Em resultado, o ratio de representatividade, em vez de crescer, conheceu um decréscimo, facto que, para além de significar que o alargamento do âmbito da representatividade da AL não conseguiu alcançar os resultados que se previam, contribuiu ainda para agravar, inevitavelmente, a pressão exercida sobre os deputados, na medida em que passou, cada um, a representar e a servir, em média, perto de 19.000 residentes.” O ex-deputado junta-se, assim, a muitas outras vozes que sugerem um aumento dos assentos na AL como o curso natural a seguir, ditado pelo crescimento da popula-
ção. Mais quatro lugares é o pedido feito.
HONG KONG COMO REFERÊNCIA
Em 29 de Dezembro de 2007, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional autorizou a Hong Kong a alteração às metodologias para a escolha do Chefe do Executivo e do Conselho Legislativo para este ano. Foi alargado o número de membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, dando mais oportunidades às individualidades dos diversos sectores. O número de membros passou de 800 para 1200. Em Macau, o Colégio Eleitoral é composto por 300 pessoas e esse é um número que, diz Jorge Fão, fica aquém da representatividade. “No que concerne ao alargamento da Comissão Eleitoral do
Chefe do Executivo de Macau, pode a experiência de Hong Kong ser tomada como referência.” Na Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo de Hong Kong houve um aumento de 50%, havendo um aumento de 100 membros por sector. “Macau devia passar a ter 450 membros.”
O PAPEL DA AL
“O nível e a eficácia do órgão legislativo dependem das qualidades dos seus membros”, defende o ex-deputado. Jorge Fão considera que estes devem ser eleitos pelos cidadãos para os representar, através do voto para assim poderem exercer, por via indirecta, o seu direito democrático. No caso de Macau, os 12 deputados eleitos por sufrágio directo, diz Jorge Fão, devem exercer o papel
de porta-vozes da opinião pública e de construírem a imagem da AL. “Embora haja ainda margem para melhorar a qualidade das eleições directas, o certo é que os deputados eleitos por via directa têm sabido defender os direitos e interesses dos eleitores, fiscalizando o funcionamento do Governo e reflectindo a opinião pública.” O problema maior reside nos deputados eleitos indirectamente e que representam sectores da sociedade. “O que se verifica é que, face ao desenvolvimento social que se regista, coloca-se o problema de saber como serão distribuídos os lugares representativos dos diversos sectores que melhor reflictam a estrutura social e respondam às necessidades impostas por aquele desenvolvimento.” Jorge Fão defende, por isso, que perante o crescimento da classe média e o desenvolvimento das classes profissionais, o regime de sufrágio indirecto deve sofrer algumas alterações. “Devem ajustar-se os requisitos exigidos para a participação nas eleições, o regime de apresentação de candidaturas - levantamento de algumas das restrições impostas - e a distribuição das associações por sectores.”
QUATRO DEPUTADOS
Jorge Fão propõe o aumento de dois assentos por via directa e dois assentos para o sector profissional por via indirecta. Sem mexer no número de nomeados. “Trata-se de uma solução que cria mais oportunidades às individualidades dos diversos sectores sociais de Macau. Aumentar de uma forma cega e brusca todos os assentos ou apenas os assentos por via directa só poderá criar uma situação de impasse que vai estorvar o desenvolvimento sustentável de Macau.” Também com o aumento de mais quatro assentos, o rácio de deputado/número de habitantes passará a ser de 1:16.700, logo, havendo uma redução do rácio actual de cerca de 14%. Para a via indirecta, o ex-deputado defende mais dois
assentos para o sector profissional, não só pela função cada vez mais específica dos profissionais na sociedade, mas também pelo seu papel cada vez mais influente. “Os profissionais de direito, engenharia, educação, medicina, enfermagem, farmácia, contabilidade, jogo, turismo, finanças, intermediação imobiliária, logística, comunicação, imprensa, serviços sociais, gestão, exposições e convenções e indústrias culturais e criativas são, em si, uma forma de expressão da diversificação económica.” Ainda assim, considera necessário rever o regime de eleição indirecta para que seja reforçada a concorrência leal. O ex-deputado sugere evitar a participação de apenas um candidato de um determinado sector de interesse para se tornar de imediato como deputado eleito, bem como ajustar, os métodos de avaliação da capacidade eleitoral das associações, o regime de apresentação de candidaturas e a classificação das associações por grupos de interesses.
UMA POLÍTICA ASSOCIATIVA
Jorge Fão caracteriza a política de Macau como uma cultura tradicional de política associativa. “Em Macau, praticamente qualquer pessoa faz parte de uma ou mais associações, por isso, a participação em actividades organizadas pelas associações é uma relevante parte da vida dos residentes.” Por isso mesmo, defende, deve dar-se continuidade à cultura política associativa de Macau, no sentido de manter o sufrágio indirecto, diz o ex-deputado. Para os membros do Colégio Eleitoral que assinam a carta, a reforma do sistema político é algo irreversível no sentido em que influencia a economia, a vida e até mesmo o futuro rumo do desenvolvimento de Macau. O caminho, dizem, deve ser adequado. “O desenvolvimento da democracia, aliado a uma reforma política multi-etápica, é a solução que garante a estabilidade, o progresso e o desenvolvimento harmonioso da sociedade.”
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sociedade
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Máfia chinesa no roubo do cobre A GNR apanhou 300 das 500 toneladas de fio furtadas em 2011, em Portugal. A China foi destino de 200 toneladas avançou ontem o Correio da Manhã. A investigação dá conta de dez mil ataques no ano passado contra três mil em 2010. Foram roubadas 500 toneladas de cobre em Portugal no ano passado, 300 das quais a GNR conseguiu recuperar nos principais receptadores - os sucateiros. Destes, apenas 90 em 700 estão legalizados. E, dos outros, muitos negoceiam directamente com as redes chinesas - que têm elementos em Portugal a assegurar as transacções para o seu país, principal destino do cobre.
Casinos começam 2012 e Ano do Dragão em grande Os casinos de Macau vão encerrar Janeiro com receitas brutas superiores a 23 mil milhões de patacas, o que vai traduzir um crescimento de cerca de 25% face ao mesmo mês de 2011. Dados recolhidos pela agência Lusa junto dos operadores de Macau indicam que as perspectivas das empresas variam entre os 23 mil milhões e os 24 mil milhões de patacas com um operador mais optimista potenciando as receitas acima destes valores. “Sentimos uma enorme afluência de pessoas a seguir aos feriados do Ano Novo Lunar e em termos de receita podemos dizer que foram significativas”, disse uma fonte da Sociedade de Jogos de Macau, ao salientar que Janeiro “apesar de não ser excelente, é um bom começo de 2012 e do ano lunar do dragão”.
Má notícia para aposentados da função pública que voltaram a Portugal
Sem subsídio de residência Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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S funcionários públicos que deixaram Macau na altura da transferência não vão receber subsídio de residência do Governo da RAEM. A decisão já foi tomada, disse ontem José Chu. “Os que já têm direito ao subsídio e reúnem as condições, vão manter esse direito”, explicou o director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). “Quem nunca teve, não vai ter agora este direito.” Recorde-se que a polémica em
torno da atribuição de subsídios de residência a funcionários públicos foi levantada pela Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC). A entidade contestou aquilo a que chamou de decisão ilegal do Governo, depois de este ter recusado o subsídio de residência a funcionários públicos aposentados que regressaram a Portugal, na altura da transferência. A posição do Executivo afectou cerca de 170 pensionistas e a APOMAC vai recorrer judicialmente para reverter a decisão. José Chu explica que os fun-
cionários públicos reformados que não recebem o subsídio actualmente não vão poder fazê-lo pelo facto de terem optado por receber o pagamento de despesas com bilhetes de avião e contentor, antes da transferência de soberania para regressar a Portugal. “Segundo a lei, têm de ser obedecidos certos requisitos e quem já transferiu a sua residência de Macau, pediu o pagamento da passagem de volta a Portugal e fixou-se fora de Macau, já não vai receber.” Face à questão de terem sido emitidos dois pareceres contradi-
tórios pelos SAFP – um que definia direito aos subsídios e outro que afirmava que quem exercesse o direito de transporte por conta da RAEM deixava de reunir os pressupostos desse direito -, José Chu defende-se explicando que um deles definia o contexto geral e o outro seria dedicado a determinadas especificidades. Ontem, o director dos SAFP garantiu que nada vai mudar: “o Governo já tomou uma posição”. E essa opta pela não atribuição de subsídio aos que optaram por regressar a Portugal com as despesas pagas pela RAEM.
Comissão de Deliberação das Remunerações da função pública reúne pela primeira vez
Aumentos sem calendário
Sete casos de hipotermia em Macau O Centro Hospitalar Conde de São Januário foi notificado de sete casos de hipotermia durante os 4.º e 7.º dia do Ano Novo Lunar. Todos os doentes são adultos e o seu estado é estável, não havendo a registar qualquer situação grave após tratamento. De acordo com a previsão meteorológica, nos próximos dias, a temperatura de Macau vai descer significativamente e os Serviços de Saúde apelam aos residentes, especialmente aos idosos e às pessoas portadoras de doenças crónicas, para se prevenirem contra o frio.
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A próxima reunião pode sair uma proposta “mais concreta” sobre o aumento salarial dos funcionários públicos, mas essa ainda não está marcada. “Logo que possamos reunir, reunimos, será para breve”, garantiu José Chu. O director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) não adiantou, no entanto, se a próxima reunião será ainda no primeiro trimestre. Depois de ter sido criada a semana passada, a Comissão de Deliberação das Remunerações dos Trabalhadores da Função Pública reuniu ontem pela primeira vez. Do encontro, saiu um
consenso: é preciso estudar determinados factores para que os funcionários da Administração possam ver os seus ordenados subir. A situação financeira do Governo, a inflação e a tendência de mercado são três do pontos merecedores de estudo. Também a opinião dos sectores laborais na sociedade estará incluída nos aspectos que constituem a proposta da comissão. “Não temos ainda uma proposta decisiva, até porque temos de ponderar diversos factores e analisar dados e não decidir de qualquer maneira como será feito o aumento”, explicou José Chu. Não há, portanto, qual-
quer data limite para a apresentação da proposta de cálculo do aumento dos ordenados da Administração. Recorde-se que, na semana passada, José Pereira Coutinho mostrou-se esperançado em ter novidades já em Fevereiro e com retroactivos a 1 de Janeiro.
RETROACTIVOS NÃO FALADOS
Os retroactivos não foram abordados na reunião de ontem, que optou apenas por determinar os passos a curto-prazo para decidir o ajustamento para este ano. “É preciso estudos pormenorizados para sa-
ber quais são os impactos trazidos com este aumento para o Governo”, frisou Eddie Kou. O sub-director dos SAFP diz que o facto de não existir qualquer estudo que reflicta a situação de mercado, implica que tenham de ser feitas investigações e análises, assim como ouvir a opinião dos diversos sectores da sociedade.
Sem data certa, recorde-se que a proposta reúne apenas as deliberações dos membros da comissão, tendo de ser obrigatoriamente submetida a análise de Florinda Chan – secretária para a Administração e Justiça – e ao Conselho Executivo antes de ser entregue à análise e aprovação da Assembleia Legislativa. - J.F.
Magistrados de fora Apesar de, aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG), ter sido dito que os magistrados estariam incluídos no aumento para os funcionários da função pública, José Chu descarta essa possibilidade. O director dos SAFP e da comissão assegura que esta não é uma responsabilidade deste grupo.
terça-feira 31.1.2012
Mais autonomia na hora de programar aulas, uma “avaliação integral” do aluno e um novo diploma que fundamenta as suas competências básicas são as medidas que o Governo quer implementar nas escolas. Contudo, resultados práticos só daqui a três anos.
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Novo regulamento na Educação vai demorar
Escolas só mudam em 2015 Nas palavras da responsável, a medida pretende tornar o sistema educativo mais competitivo. “O currículo implica ensinar o quê e como. Se Macau não quer falhar na competição no contexto mundial deve-se preocupar com esta reforma.”
O QUE TEM O ALUNO DE SABER?
Na resposta enviada ao Hoje Macau, a DSEJ explicou que “as exigências das competências básicas são requisitos básicos de qualidade que os alunos devem ter, incluindo conhecimentos, capacidades, emoções, atitudes e valores”. Para Kuok Sio Lei, tal ponto é crucial no ensino. “Depois de terminar o nível infantil, que capacidades é que o aluno deve ter? Essas qualidades são a base para formarmos quadros qualificados no futuro. Não são os níveis máximos, pois quando as definimos colocamos a hipótese do aluno progredir.” Dentro do leque daquilo que os estudantes precisam de saber na passagem de cada ano lectivo, há português, chinês, inglês e matemática, disciplinas consideradas essenciais. Mas há outras. “Queremos reforçar as artes, o desporto e a educação moral e cívica”, explicou Kuok Sio Lei.
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
S mudanças curriculares que a Direcção para os Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) quer implementar nas escolas do ensino infantil, primário, básico e secundário só começarão a ter efeitos práticos em 2015. A garantia foi dada ao Hoje Macau pela própria entidade, confirmando que este ano lectivo o projecto-piloto irá começar no ensino primário. Até ao momento, sete escolas do ensino infantil fizeram parte do plano, que pretende analisar o impacto da reforma educativa nas escolas. Na calha estão também mudanças na legislação que sustenta os conhecimentos que os alunos devem ter, à medida que vão passando níveis de ensino. Apesar de já existir uma referência às “competências básicas” na Lei de Bases do Sistema Educativo Não Superior, a ideia é criar um regulamento administrativo para o Quadro da Organização Curricular da Educação Regular, que deverá juntar os dois decretos-lei actualmente em vigor. “O estabelecimento das exigências básicas vai ser estipulado num diploma de lei”, referiu Kuok Sio Lei, sub-directora da DSEJ, por ocasião de uma apresentação deste projecto feita este mês. “Este é um ponto diferente das reformas anteriores. O objectivo é a construção de currículos de qualidade, através da exigência das competências básicas e do desenvolvimento integral dos alunos.”
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MUDANÇA COM AUTONOMIA
Escolas definem regulamentos de avaliação
Uma ajuda da China
Actualmente em discussão, o “Quadro geral do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior” prevê que sejam as próprias escolas a definir os regulamentos com que avaliam os professores. Depois de aprovado, esse regulamento deverá ser entregue à DSEJ. “As escolas devem avaliar os professores de acordo com os respectivos regulamentos”, disse a entidade.
No âmbito do programa-piloto, as escolas do ensino infantil de Macau participaram num intercâmbio de professores do interior da China, “tendo conseguido tornar, de forma eficaz, as exigências das competências académicas básicas”. Kuok Sio Lei garantiu que o apoio do Governo chinês é “uma base importante para a construção e o desenvolvimento da equipa docente”.
Dentro das mudanças curriculares previstas, as escolas deverão ter toda a autonomia para organizarem as aulas e os programas consoante as necessidades. “Regulamos certas coisas mas damos flexibilidade”, afirmou Kuok Sio Lei. Dos habituais 180 dias lectivos, os alunos vão passar para 190, embora haja uma redução da carga horária por semana. Estas mudanças serão “reajustadas para os diferentes níveis de ensino”. Será estabelecido um tempo para cada disciplina, e a escola deverá organizar os conteúdos consoante o horário. Tudo para que as instituições de ensino possam fazer “a organização das horas de aulas em cada ano, as disciplinas e os cursos de opção”.
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nacional
terça-feira 31.1.2012
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Rússia e China deveriam formar aliança na Eurásia, diz analista chinês
A santa aliança... mas ao contrário Perante a ameaça ocidental em países como a Síria e o Irão, analista propõe uma aliança sino-russa. Para começar
Os EUA irão fazer todos os possíveis para cercar e dividir a região da Eurásia. Dai Xu propõe, que Pequim e Moscovo trabalhem em conjunto para combater a acção norte americana, de forma a manter a paz e a estabilidade na zona e que continuem a auxiliar países como o Irão e a Síria.
O
analista chinês especialista em questões militares, Dai Xu, sugeriu num artigo publicado no Global Times, uma aliança entre a Rússia e a China para combater os Estados Unidos. O analista defende que os dois países podem ser um contrapeso às recentes manifestações de força do Ocidente. Dai declarou que os exercícios militares que os Estados Unidos efectuaram com as Filipinas no Mar do Sul da China foram uma provocação a Pequim.
Para além disso, o analista diz que os EUA e outras potências europeias também enviaram porta-aviões para o Golfo Pérsico, num movimento contra o Irão, país com o qual a China conti-
nua a efectuar trocas comerciais. A Rússia, acrescenta o analista, tem mantido uma posição dura contra os Estados Unidos, como testemunha a venda de aviões de combate e de mísseis à Síria e ao
Irão. Como tal, Dai acredita que a China e a Rússia partilham de momento uma causa comum. Segundo o especialista, os EUA irão fazer todos os possíveis para cercar e dividir a região
da Eurásia. Dai Xu propõe, que Pequim e Moscovo trabalhem em conjunto para combater a acção norte americana, de forma a manter a paz e a estabilidade na zona e que continuem a auxiliar países como o Irão e a Síria, que segundo ele, estão a ser oprimidos por Washington. Dai defende ainda que, se os dois países formarem uma aliança euro asiática, terão recursos económicos suficientes para reduzir a sua dependência dos EUA e da Europa. A China e a Rússia são duas potências militares com uma área territorial enorme, o que impossibilita os EUA e a NATO de entrar na Eurásia, acrescenta Dai, sublinhando o facto de ambos os países possuírem armas nucleares e que deviam convidar outras nações como o Irão e o Paquistão a juntarem-se a esta aliança. O analista também acredita que está na altura da China rever a sua posição tradicional de não estabelecer alianças, uma vez que , segundo ele, o cenário que hoje se apresenta é completamente diferente do que existiu no período da Guerra Fria.
Não vai haver mudanças na política entre China e Sudão
O
Amigos para sempre
presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Jia Qinglin, declarou ontem quando da sua reunião em Adis Abeba, capital da Etiópia, com o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, que a China não vai mudar a sua política de desenvolver relações de cooperação amistosa com o Sudão. Jia afirmou que o governo chinês desde sempre apoiou o país africano nos seus esforços para garantir a estabilidade nacional e desenvolver a economia. Segundo Omar al-Bashir, o Sudão dá muita importância às relações
com a China e espera manter os intercâmbios bilaterais em todos os níveis, incluindo nas áreas petrolífera, de exploração de minério e na agricultura. Bashir declarou que o país africano dá boas vindas às empresas chinesas que queiram investir no país e vai adoptar medidas práticas para as beneficiar.
EXÉRCITO LIBERTA 14 CHINESES
Entretanto, catorze trabalhadores chineses, sequestrados por rebeldes no Estado sudanês de Cordofão do Sul, foram libertados pelo exército,
anunciou nesta segunda-feira a agência Suna. “Forças do Exército sudanês conseguiram libertar 14 funcionários chineses”, declarou a agência, citando o governador do Estado, Ahmad Arun. A Suna acrescentou que os chineses “estavam bem” e foram levados a El Obeid, no vizinho Estado de Cordofão do Norte. Por enquanto não se sabe o destino dos outros funcionários chineses que também foram sequestrados. Rebeldes de Cordofão do Sul, que enfrentam desde Junho o exérci-
to sudanês nesta região fronteiriça do Sudão do Sul que Cartum tenta controlar, asseguraram no domingo terem capturado 29 trabalhadores chineses depois de confrontos com as forças governamentais. Segundo Arnu Ngutulu Lodi, um porta-voz do braço do norte do Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM, ex-rebeldes sulistas), nove membros das forças sudanesas também foram sequestrados. A operação ocorreu no sábado, quando os rebeldes atacaram um comboio militar sudanês entre as cidades de Rashad e Al Abbasiya, no noroeste da província, onde ocorrem confrontos com regularidade desde Junho. Loid explicou que os chineses trabalhavam na construção de uma estrada nesta região e foram levados para as montanhas Nuba. A China confirmou no domingo o “desaparecimento” de vários cidadãos e a embaixada em Cartum disse que seriam mais de vinte.
Vice-MNE vai para embaixador no Brasil
Nomeação tropical
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China nomeou um vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Li Jinzhang, para embaixador no Brasil, anunciou no domingo a agência noticiosa oficial chinesa. Li Jinzhang, de 57 anos, já esteve colocado em vários países sul-americanos e ao longo da sua carreira foi também director do Departamento de Assuntos Latino-Americanos do MNE chinês. “Brasília é, desde 2009, uma das poucas capitais onde o posto de embaixador da China é ocu-
pado por um funcionário com a categoria de vice-ministro”, realçou uma fonte diplomática à agência Lusa em Pequim. A China, entretanto, tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos, e os dois países mantêm estreito contacto político no G-20 e no bloco de economias emergentes BRICS, que reúne também e Índia, Rússia e África do Sul. Na hierarquia do MNE chinês, Li Jinzhang era o segundo dos sete vice-ministros.
terça-feira 31.1.2012
Europa e EUA poderão ser as principais vítimas das sanções que pretendem impor ao Irão. A opinião é veiculada pela Xinhua
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nacional
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Irão Sanções ocidentais vão ter impacto negativo na economia global. É o aviso de Pequim
De carrascos a vítimas
agência de notícias chinesa Xinhua publicou ontem um editorial, considerando que a vítima das sanções contra o Irão não será só o país, mas também a economia global. Segundo o artigo, como maior importador de petróleo no mundo, os Estados Unidos não podem escapar à influência negativa da alta do preço do produto. Se a sanção causar a subida dos preços, os norte-americanos vão enfrentar novas dificuldades na sua recuperação económica. Além disso, a União Europeia, que sofre com a crise da dívida soberana, poderá tornar-se na maior vítima das sanções, sugeridas por si própria. Se os países europeus pararem de importar petróleo do Irão, a carência do combustível vai gerar novos problemas na sua economia que já atravessas graves dificuldades. O editorial diz ainda que a região do Médio Oriente é a base mais importante de energia do mundo e que os países ocidentais devem evitar provocar uma calamidade económica mundial por causa das sanções contra o Irão.
contra o embargo europeu ao crude iraniano, anunciou a comissão parlamentar de energia. «Não foi elaborada qualquer lei nem foi apresentada ao parlamento» disse o porta-voz da comissão, Emad Hosseini, citado pela agência Mehr. Trata-se de «uma ideia dos deputados» que ainda tem de ser estudada pela comissão antes de ser transformada em lei, disse, adiantando esperar que estes trabalhos fiquem terminados até à próxima sexta-feira. O presidente do parlamento iraniano defendeu que a actual visita da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) ao país permitirá testar a vontade daquele organismo de «corrigir a sua atitude», que Teerão considera tendenciosa contra o Irão. «Esperamos da AIEA que corrija a sua atitude (...) e faça um trabalho técnico», disse Ali Larijani, citado no site da televisão estatal. O líder do parlamento considerou que a visita, que começou ontem, permitirá testar «se a agência e os seus inspectores adoptam uma atitude racional, técnica e profissional», mas alertou que, se a visita se transformar num instrumento político dos países ocidentais, «a República islâmica será obrigada a refletir sobre as suas relações com a agência».
IRÃO ADIA DECISÕES
Entretanto, o parlamento iraniano adiou ontem a decisão proibir as exportações de petróleo para a União Europeia, numa retaliação
Islamismo controlado China enviará milhares de polícias para patrulhar vilas na província de Xinjiang devido à preocupação com o extremismo religioso na região, localizada no noroeste do país e habitada maioritariamente por muçulmanos da etnia uigur, informou nesta segunda-feira a agência Xinhua.
De acordo com a agência, oito mil oficiais serão recrutados para que cada aldeia da província tenha pelo menos um polícia como vigia. A medida ainda ajudará a controlar a migração e a acabar com as actividades religiosas não autorizadas, acrescentou a agência.
A região mostrou ser um verdadeiro desafio para as autoridades chinesas nos últimos anos devido à crescente e comum violência entre os uigures e indivíduos da etnia han, predominante no país. Os uigures, muçulmanos, frequentemente criticam o governo de Pequim que
Pequim garante que a dívida pública está controlada A dívida pública da China está sob controlo, garantiu o primeiroministro chinês, Wen Jiabao, citado nesta segunda-feira pela imprensa do país. “No actual estado das coisas, a nossa dívida pública está segura e sob controlo”, declarou Wen ao Diário do Povo, órgão do Partido Comunista. “Tratamos com grande atenção a questão da gestão da dívida pública local. Graças aos saneamentos e regulações, subjugámos com eficiência a tendência dos investimentos (públicos) a exponenciar a inflação”, explicou o chefe de governo. Na China, o estado central está pouco endividado, mas as províncias e municípios pedem crédito para construir estradas, aeroportos e hospitais, e muitas são insolventes, segundo os analistas.
Jackie Chan será embaixador da Embraer na China
China amplia policiamento no Xinjiang
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acusam de fomentar políticas de exclusão. O governo chinês, porém, responde com o aumento da presença policial e, nalguns momentos, restringindo a prática do islamismo, tornando Xinjiang uma região extremamente volátil.
Famoso em Hollywood por diversos filmes de ação, o actor chinês Jackie Chan irá fechar parceria com a Embraer para se tornar embaixador da empresa brasileira na China. No dia 3 de fevereiro, visitará a fábrica da Embraer em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Na ocasião, receberá um jacto Legacy 650. Sendo um dos líderes mundiais no segmento de aviação executiva, a Embraer pretende ampliar a presença na China. Para tanto, está a finalizar com o governo da China negociações para produzir no país o Legacy 650. A Embraer espera que o acordo com o actor Jackie Chan ajude na estratégia de crescimento da marca na China, país que tem a segunda maior economia do mundo e que nos próximos dez anos prevê movimentar US$ 21 bilhões no sector de aviação executiva.
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nacional
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Rede social já pode condicionar conteúdos por país. Tailândia agradece
Twitter com censura
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Twitter Inc. anunciou que passou a poder seleccionar o conteúdo disponível para os utilizadores do seu serviço de acordo com o local onde estão, e planeia usar esse recurso para entrar em países com “ideias diferentes” sobre a liberdade de expressão como um direito humano. O comunicado, publicado no blog oficial do site de microblogs, informou que o Twitter pode agora impedir que utilizadores de um país específico tenham acesso a um determinado conteúdo, mas permite que a informação continue disponível para o resto do mundo. O Twitter informou também, que vai notificar os utilizadores quando tiver de censurar. “Se e quando formos obrigados a censurar um texto num país específico, tentaremos avisar o utilizador, e vamos deixar bem claro quando, e porque é que o conteúdo foi bloqueado”, A empresa não informou em que países planeia usar o novo recurso, mas afirmou que pode ser uma solução que não agrade a todos. Alguns países “diferem tanto das nossas ideias que não temos maneira de lá existirmos”, afirmou a Twitter, numa referência implícita a países como a China, que baniram o serviço.
GOOGLE FORA
A gigante da internet Google Inc., que operou quatro anos na China a cooperar com as exigências da censura, tomou há dois anos a
polémica decisão de acabar com essa cooperação e transferiu o seu site de buscas em chinês para Hong Kong. A decisão foi motivo de muita discórdia dentro e fora da empresa, e até entre os defensores da liberdade na internet, com alguns a afirmar que qualquer censura é antiética, e outros a aceitar ter uma presença na China, mesmo
que censurada, que acabaria por ajudar a liberalizar o fluxo de informação no país. Há dois anos que o Twitter é bloqueado na China por tecnologias de filtragem. Alguns utilizadores mais leais usam ferramentas para fugir à censura e ter acesso ao site, mas a maioria dos cibernautas da China usa hoje
em dia serviços locais, como o da Sina Corp. e da Tencent Holdings Ltd.
UM PAÍS SATISFEITO
Entretanto, o governo tailandês congratulou-se com a decisão do Twitter de auto-censurar os seus conteúdos e anunciou ir trabalhar com o portal social para bloquear
China com “boom” de bebés no novo ano. Salas de parto vão escassear
Dragão está cheio de ovos
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S maternidades na China preparam-se para receber um novo “boom” de bebés durante o ano do dragão, animal que, segundo o calendário lunar, abençoa os nascidos sob este signo com sabedoria, coragem e um futuro promissor. Por causa desta superstição, milhares de chineses decidiram ter filhos durante 2012, e, como aconteceu no ano do porco (2007), que prevê riqueza e prosperidade, os nascidos terão que enfrentar a escassez de salas de parto. Segundo dados do site “China.org”, em Hong Kong os médicos esperam
um aumento de 5% nos nascimentos, enquanto que em Xangai as autoridades de saúde prevêem um “boom” de cerca de 180 mil bebés. Um hospital de Xangai informou que houve mais de 40 nascimentos durante os primeiros cinco dias do ano novo
lunar, e que os médicos foram obrigados a colocar camas extra para acomodar as mães e os recém-nascidos. Em Pequim, todas as camas de uma das maternidades já estão reservadas até Agosto, como medida para limitar em mil o número de ges-
tantes por mês e assegurar espaço suficiente nas salas de parto.
BRUCE LEE E BILL GATES
Dong Mei, de 30 anos, disse à Agência Efe, que embora esteja grávida de apenas dois meses, os seus familiares já recomendaram que reserve com antecipação uma sala de parto. “O meu marido e eu gostamos do dragão porque é o animal que traz fortuna e é o maior do calendário, por isso escolhemos ter o nosso filho este ano. O problema é que muitas pessoas também têm este desejo e no futuro isso poderá ser um tipo de pressão para nossas crianças.”
Beethoven, Bill Gates, Paul McCartney e o “dragão das artes marciais” Bruce Lee são algumas das mais famosas personalidades nascidas em anos do dragão, pessoas com muita energia, coragem e inovadoras. Em 2008, ano no qual a China organizou os Jogos Olímpicos, muitos chineses também escolheram ter filhos, não apenas pela euforia desportiva, mas porque a cultura chinesa considera o número oito como de boa fortuna. Nesse ano, muitos casais tentaram ser pais no oitavo mês (Agosto) e no oitavo dia, data do início dos Jogos de Pequim de 2008.
as mensagens que atentem contra as leis tailandesas, revelou a imprensa. O ministro da Informação e Comunicação, Jeerawan Boopern, classificou de “avanço útil” a nova política do Twitter. Na Tailândia existem leis restritivas contra os conteúdos considerados ofensivos à monarquia, assim como para limitar a liberdade de expressão na Internet, prevendo-se penas até 20 anos para os infractores. Jeerawan Boopern explicou que o Governo já coopera com outros portais como o Facebook e o Google para garantir o cumprimento da legislação nacional. A McFiva, uma agência contratada pela Twitter na Tailândia, afirmou que o novo sistema permite filtrar de forma automática as mensagens que atentem contra as leis, quando antes era necessária uma solicitação prévia dos Governos. Nos últimos anos, as autoridades tailandesas utilizaram a lei dos meios electrónicos para bloquear dezenas de milhar de páginas pornográficas na Internet e outras consideradas atentatórias à monarquia, apesar de activistas e organizações não governamentais também acusarem o Executivo de usar a legislação para afastar opositores. O fórum de presos políticos na Tailândia estima que cerca de 300 pessoas estejam detidas depois de condenadas pelos tribunais por “difamar, ofender ou ameaçar o rei, a rainha ou o herdeiro do trono”. Centenas de pessoas, incluindo escritores, activistas, professores universitários e mesmo jornalistas estrangeiros foram acusados nos últimos anos de delitos contra a monarquia, um mecanismo que na década de 1990 tinha sido apenas utilizado numa dezena de casos.
Shandong foi a província chinesa que mais contribuiu para a emigração A província chinesa de Shandong foi a que em 2011 mais contribuiu para emigração chinesa, ano em que 50.000 pessoas saíram da região, 8.147 das quais eram qualificadas, revelou o departamento do Comércio da zona. Os projectos no exterior de Shandong, estimados em cerca de MOP 35 milhões em 2011, alimentaram a emigração de mão-de-obra chinesa especialmente para a construção de casas, centrais hidroeléctricas e indústrias petroquímicas, que totalizavam 88% do total das obras. Mais de 19.000 trabalhadores de Shandong deslocaram-se para o Japão, o seu principal destino laboral no exterior; outros 18.000 para África Central e do Sul, Médio Oriente e Sudeste Asiático. A emigração de trabalhadores da província oriental chinesa teve início nos anos 80 do século passado.
terça-feira 31.1.2012
O
região
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secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente, Mari Alkatiri, disse ontem que a Missão Integrada da ONU (UNMIT) tem de estar atenta ao país até ao final do ano. “Não durante as eleições nem no processo de campanha, mas depois. Se se conseguir estabilizar tudo até Dezembro deste ano, então naturalmente o país já está estável, mas vamos deixar passar até Dezembro desde ano. A UNMIT deve estar atenta até Dezembro deste ano.” O secretário-geral da Fretilin falava aos jornalistas no final de um encontro com uma delegação da ONU, que se encontra no país com objectivo de se informar sobre a situação em Timor-Leste e do apoio que as autoridades pretendem após o final da UNMIT, previsto para Dezembro deste ano. “Fui muito frontal, muito directo. Disse claramente que num país como o nosso em que há uma certa dependência psicológica em relação à comunidade internacional no domínio da defesa e segurança. Períodos eleitorais são sempre muito sensíveis, por isso é preciso estar atento.” Segundo Mari Alkatiri, depois de Dezembro se tudo estiver estável o país precisa de uma “missão política” para acompanhar o desenvolvimento de áreas cruciais para o país. “Se tudo estiver estável precisamos de uma missão política
Em Timor-Leste, Alkatiri diz que Unmit tem de estar atenta ao país. Pelo menos até Dezembro
ONU não vás embora capaz de acompanhar o desenvolvimento da área de defesa e segurança, respeito dos direitos, da justiça e naturalmente o desenvolvimento das capacidades humanas na administração pública.”
DOIS PARA O TANGO
Para o secretário-geral da Fretilin, consolidar a paz e a estabilidade passa pelo desenvolvimento económico e social, criação de emprego, e pela capacidade dos timorenses de desenvolverem o seu próprio país. Mari Alkatiri disse também que parcerias incluem duas partes no mínimo e que da parte dos timorenses têm de ser apresentados programas, projectos e planos. “Se nós não tivermos a capacidade de apresentar programas sérios, exequíveis, viáveis, então não haverá cooperação ou parceria.” A delegação da ONU, que chegou na quinta-feira, vai estar no país até 2 de Fevereiro, para fazer uma avaliação que irá contribuir para o planeamento da retirada da UNMIT. No passado
mês de Setembro, as autoridades timorenses e a ONU assinaram um Plano de Transição, que prevê uma retirada gradual do país após o período eleitoral de 2012.
TRANSIÇÕES
Os timorenses vão escolher um novo Presidente a 17 de Março
e novos representantes para o parlamento em Junho. O Plano de Transição está baseado em quatro premissas relacionadas com os acontecimentos previstos para 2012, nomeadamente a continuação da estabilidade, um período eleitoral que decorra de acordo
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com os padrões internacionais, a tomada de posse de um novo Governo com base nos resultados eleitorais e que a oposição política tenha espaço para actuar de acordo com princípios democráticos internacionais. O documento determina também o plano de transição ao longo de sete áreas consideradas prioritárias e acções que devem ser tomadas até Dezembro de 2012. As áreas abrangidas são a polícia e segurança, Estado de Direito, justiça e direitos humanos, governação democrática, desenvolvimento socioeconómico, apoio à missão e logística, formação e impacto na economia local. O Plano Conjunto de Transição define também quatro modelos possíveis para depois das eleições de 2012, três dos quais baseados na experiência da ONU noutros países e um sugerido pelo Governo timorense - uma missão política à medida das necessidades específicas do país. Os restantes modelos são um escritório político chefiado pelo representante do secretário-geral, com uma equipa separada da ONU chefiada por um coordenador residente, um gabinete integrado da ONU chefiado por um representante executivo do secretário-geral que também seria coordenador residente ou apenas um gabinete residente de coordenação das actividades da organização.
Indonésia com perdas nos milhares de milhões
Corrupção nos píncaros
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corrupção custou à Indonésia no ano passado mais de mil milhões de MOP, revela um estudo ontem divulgado pela imprensa local. Danang Widoyoko, coordenador da organização “Indonesia Corruption Watch”, entidade que realizou o estudo,
indicou que o desfalque de fundos públicos causou as maiores perdas e que o investimento público é o sector estatal mais afectado. Mais de metade das perdas decorreu do desfalque de fundos públicos, o método mais utilizado após
a aprovação de projectos fantasma e sobrevalorização de custos. Danang considera que o governo indonésio deveria ter impedido a ocorrência dos casos de corrupção, já que, alega, os seus métodos são “bastante primitivos e, portanto, fáceis de vigiar”.
Coreia do Norte prepara desfile militar por Kim Il-sung
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Dinheiro nas paradas
Coreia do Norte está a preparar um grande desfile militar para assinalar o centenário do nascimento do fundador e primeiro líder do país, Kim Il-sung, revelou a agência sul-coreana Yonhap. O regime norte coreano “tem estado a ensaiar um desfile militar com tropas e equipamento na base aérea de Mirim, nos arredores de Pyongyang”, disse, sob ano-
nimato, um alto funcionário de Seul. A fonte revelou que o regime comunista iniciou os preparativos do evento antes da morte de Kim Jong-il - a 17 de Dezembro aos 69 anos -, ao qual sucedeu no poder o seu filho mais novo Kim Jong-un. A autoridade sul-coreana explicou à Yonhap que os ensaios poderiam conduzir
a um grande desfile militar a 15 de Abril, a data de nascimento do “líder eterno” Kim Il-sung. No entanto, acrescentou a fonte, a parada militar poderá também ocorrer a 25 de Abril, data que assinala os 80 anos das Forças Armadas norte coreanas, mas descartou a possibilidade dos preparativos estarem relacionados com o aniversário de Kim Jong-il.
Troca de tiros na Tailândia
Escaramuça mata quatro A
polícia tailandesa revelou que militares mataram quatro homens que abriram fogo quando o veículo onde seguiam foi parado, num controlo de estrada na zona sul do país, num incidente que provocou ainda quatro feridos. A polícia explicou que os soldados instalaram um posto de controlo domingo no distrito de Nong Chik na tentativa de identificar os autores do lançamento de granadas para uma base militar que feriu um soldado.
Os militares acabaram por ser atacados pelo grupo de nove homens que seguiam numa carrinha e que atacaram os soldados quando estes mandaram parar o veículo, mas não está ainda estabelecida a ligação entre o grupo e os ataques à base militar. Cerca de 5.000 pessoas já foram mortas desde 2004 quando a região sul da Tailândia viu ressurgir o separatismo islâmico.
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viagens
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Fotografias de “Something About” retratam pedaços de cidades europeias
A Grécia rica e outras cores alegres Fotógrafo freelancer, Wong Kei Cheong não gosta de imagens “normais”. Por isso, a viagem que realizou pela Europa, há dois anos, ficou retratada com os efeitos e as cores de uma máquina única.
Dificuldades de publicação Regressado da Europa, o fotógrafo fez uma primeira tentativa de publicação do livro, em Taiwan, mas sentiu dificuldades. “Sendo um fotógrafo em início de carreira, não me ajudaram a publicar o livro, porque o mercado comercial não está muito aberto aos novos artistas.” Contudo, Wong Kei Cheong acabou por participar num projecto da editora, e publicou um livro que ensina a fotografar com uma “lomo”. O projecto ficou pendente mas nunca saiu da cabeça do artista. Em Macau, pôde finalmente concretizá-lo, mas sentiu dificuldades na hora de chegar aos apoios governamentais. “Tenho muitos amigos que trabalham na área das artes, e pude falar com eles para contactar o Governo. O apoio financeiro que me deram não foi suficiente. É preciso mais para apoiar os artistas.” Wong Kei Cheong confessou que numa região que quer ter uma posição importante na área das Indústrias Criativas, o apoio acaba por chegar a quem já tem nome no mercado. “Para eles é mais fácil conseguirem o dinheiro para os projectos. Mas para quem está a começar o Governo dá apenas uma parte, e não é fácil chegar a estes apoios, é preciso contactar com imensas pessoas e é um processo muito longo, com várias fases.”
31.1.2012
viagens
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Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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QUI, a Grécia da crise económica e das manifestações não existe. À medida que folheamos “Something about”, as ilhas de Santorini e Mykonos surgem-nos como pedaços de um sonho. Foi precisamente essa a sensação vivida pelo fotógrafo Wong Kei Cheong. Nascido em Macau, Wong juntou-se a Crystal Chan e juntos descobriram pedaços da cultura europeia, para lá da Grécia, em cidades como Roma, Veneza, Praga ou Barcelona. As imagens, registadas com uma máquina compacta “lomo”, foram agora reunidas em livro. Este é o primeiro projecto de Wong Kei Cheong, fotógrafo freelancer que confessou ser um fã da lomografia. E por isso as suas fotografias revelam a presença da cor e dos efeitos especiais próprios destas câmaras. “Quis sobretudo tirar fotografias que mostrassem os meus sentimentos. Não gosto de fotografias normais, são chatas. Usei esta câmara especial, porque gosto das cores, são poderosas.” “Something about” contém também textos, escritos a quatro mãos. “Este livro não foi apenas feito por mim. Teve a ajuda de Crystal Chiang, e sem ela teria sido difícil fazer tudo sozinho. Ela tirou algumas fotografias, e muitos dos textos também foram escritos com ela.” Os registos fotográficos deste livro podem ser vistos numa exposição inaugurada na passada sexta-feira, e que nos próximos dois meses estará patente no “The
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Stage”. Para Wong Kei Cheong, é um projecto “espectacular”.
ENTRE A BANCA E A FOTOGRAFIA
Fotografar a Europa foi a ponte para Wong Kei Cheong descobrir outro mundo. “Nesse altura queria apenas encontrar-me a mim mesmo. Quando terminei a escola secundária, os meus pais queriam que eu trabalhasse num casino. Antes disso trabalhei algum tempo num banco, e nessa altura não sabia muito bem o que deveria fazer.” O fotógrafo considera-se um “sortudo” por não ter trabalhado junto das mesas de poker. “Podemos ver pelas pessoas na rua e pelos funcionários dos casinos, têm um ar cansado, doente. É um trabalho chato, e não sabem o que fazem.” Wong Kei Cheong considera que Macau “é um lugar doente, onde é muito fácil as pessoas desistirem, porque não existe pressão”, e nesse sentido há que desenvolver ainda mais o meio artístico. O fotógrafo assume que o seu estilo não é comercial e que trabalha num alvo de mercado que ainda é pequeno, mas os projectos não param. No próximo mês parte para a Índia, onde pretende desenvolver um projecto fotográfico ligado ao “couchsurfing”. “Tenho imensas ideias. Da última vez que estive na Europa uma das coisas que conheci foi o couchsurfing. É algo que me interessa bastante, porque as pessoas conhecem-se umas às outras, e com isso podemos conhecer as suas casas e os moradores. Gostaria de fazer um projecto com fotografias de um couchsurfer.”
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vida
terça-feira 31.1.2012
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Procura asiática do chifre faz caça ao rinoceronte bater recordes em África
Não cura, mas vale mais que ouro
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STÃO ameaçados, mas os números da caça ao rinoceronte não param de aumentar. A extracção dos chifres do animal são a causa principal e, de um ano para o outro, a caça subiu mais de 20%.
O ano passado cerca de 450 rinocerontes – entre os quais 19 eram rinocerontes pretos, uma espécie em vias de extinção grave -, foram mortos. Metade dessas capturas ocorreu no Parque Nacional Kruger.
O valor de mercado dos chifres de rinoceronte disparou para cerca de 65 mil dólares por quilo, o que torna este produto mais valioso que o ouro, a platina e, em muitos casos, a cocaína. O motivo? A crença que se espalhou nos últimos anos na Ásia - embora
Click ecológico
sem fundamento científico - de que a ingestão do pó de chifre pode curar ou prevenir o cancro. O chifre de rinoceronte moído aparece há séculos nas receitas da medicina chinesa, para o combate a males como reumatismo, gota, febre e até possessão por espíritos malignos. Nos últimos anos, o material ganhou também a reputação de ser afrodisíaco. “Nada é mais trágico do que ver esse assassinato totalmente desnecessário e brutal de um animal pelo seu chifre, que, por sua vez, tem zero valor medicinal”, explica Pelham Jones, líder da Associação de Proprietários Particulares de Rinocerontes da África do Sul. Mas a crença asiática faz com que o preço do chifre do rinoceronte se tenha já multiplicado por cem nos últimos cinco anos. Nos mercados semi-clandestinos de Singapura, Taiwan e Hong Kong, o quilo de chifre transformado em pó alcança milhares de dólares.
QUANTIDADES ASSUSTADORAS
Mais de 20 mil rinocerontes vivem na África do Sul. Há uma década,
apenas cerca de 15 animais morriam por ano. Mas por volta de 2007 a caça passou a aumentar drasticamente, por causa do aumento do poder de compra de parte das populações de países como Vietname e a Tailândia. Agora, o número de rinocerontes abatidos legal ou ilegalmente chegou a um ponto que ameaça levar ao declínio populacional. Cerca de metade das mortes acontece no Parque Nacional Kruger, o mais visitado da África do Sul. Soldados e aviões têm sido mobilizados nos últimos meses para vigiar o parque, que tem uma área equivalente à metade de Israel. Em 2011, as autoridades sul-africanas prenderam 232 responsáveis pela caça furtiva destes animais. As sentenças impostas por este tipo de crime também têm vindo a aumentar de ano para ano, com penas que já chegaram aos 16 anos de prisão. No Zimbabue, até há pouco tido como um dos derradeiros lugares seguros para essa espécie, em média um rinoceronte é abatido todos os dias a tiros de fuzil. Há duas décadas, ainda existiam 60 mil rinocerontes-pretos livres, fora de reservas e parques zoológicos. Actualmente, não devem restar mais de três mil. Os caçadores de rinocerontes são capazes de arrancar os chifres em menos de 45 segundos, depois de abater o animal. Muitos caçadores foram treinados pela polícia e pelas Forças Armadas de Moçambique, e agora vivem na região fronteiriça próxima ao Parque Kruger, segundo os investigadores sul-africanos.
CORTAR O MAL PELA RAÍZ
Morné du Plesis, responsável pela World Wild Life (WWF) na África do Sul referiu num comunicado a existência de contrabando para o continente asiático. “Os caçadores furtivos de rinocerontes têm sido conduzidos por organizações criminosas internacionais, que realizam contrabando para a Ásia”, escreve. “Não é necessário prender o pequeno caçador, os investigadores precisam de prender os grandes líderes que organizam este tipo de operações. Os Governos em África e Ásia necessitam de trabalhar em conjunto, além fronteiras, para parar este tipo de comércio ilegal.”
Sabia que... POLUIÇÃO A BELO • Um fotógrafo retrata a poluição com imagens bonitas. Na foto, pode ver as sobras de cinzas de uma usina a carvão na Louisiana (EUA)
... a temperatura nas cidades é, em média, 2 a 3°C mais
alta do que no campo devido ao consumo de energia?
terça-feira 31.1.2012
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Pele de lince-ibérico na internet
Ameaçado e à venda U
M anúncio de “Antigo mas em muito bom estado”, levou a que as autoridades espanholas confiscassem um casaco para homem de lince-ibérico. A venda foi posta na internet, no valor de três mil euros, por um cidadão de Barcelona. “Foi uma prenda que recebi há 30 anos e agora precisava de dinheiro”, disse por telefone ao jornal espanhol El País. O lince-ibérico está classificado como criticamente em perigo pela
UICN (União Mundial da Conservação da Natureza) e pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. A espécie é protegida pela lei em Portugal e em Espanha. A população mundial deste animal está estimada entre os 84 e os 143 animais adultos, distribuídos em apenas duas populações. O homem foi contactado pelas autoridades catalãs e disse que não sabia que era proibido ter ou vender o artigo. O comércio relacionado
com o lince-ibérico está abrangido pelas regras da Convenção CITES (Convenção Internacional de espécies ameaçadas de fauna e flora selvagens). O comércio apenas é permitido em circunstâncias excepcionais. Portugal e Espanha têm a decorrer estratégias de reprodução em cativeiro e recuperação de habitats para posteriores reintroduções, incluindo a promoção das populações de coelho-bravo, principal presa do lince.
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Ajude-nos a acabar com a tortura a animais, assine a petição! Uma artista plástica está a chocar a opinião pública holandesa, após colocar 100 hamsters fechados em bolas de plástico, numa mostra cultural. Este é mais um dos episódios macabros de Katinka Simonse, que até transformou o próprio gato numa pochete.
A declarada artista utiliza animais vivos para fazer as suas obras. Duas petições online decorrem neste momento contra Simonse, exigindo que não só pare com os rituais de tortura, como seja levada perante a Justiça holandesa. Já foram assinadas por mais de 60 mil pessoas em todo o mundo. Há alguns anos que a holandesa se mostra imune às críticas e aos apelos, para que não continue aquilo que ela própria classifica de expressão artística. Sem pudor, já explicou detalhadamente num dos canais televisivos daquele país o que tinha feito com o seu próprio gato, de três anos: perante a recusa do veterinário em acabar com a vida do animal, ela própria se encarregou de o fazer, partindo-lhe o pescoço, tirou-lhe a pele e, de seguida, colocoulhe um fecho zipper. Simonse ainda estropia cães, para fazer deles peluches reais, e perfura pintos, como uma forma de criticar a criação de animais em capoeira. As imagens são chocantes e, por isso, optamos por mostrar apenas a menos cruel.
PODE ASSINAR A PETIÇÃO EM: • http://www.change.org/petitions/bring-animal-killing-artist-katinka-simonse-to-justice • http://www.change.org/petitions/bring-to-justice-torch-gallery-and-katinka-simonse
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ROTA DAS LETRAS
Debate sobre dois mundos modernos
“Os chineses não são colonizadores” O Ocidente continua a sustentar estereótipos sobre a sociedade oriental, mas há vozes a defender o crescimento da modernidade na China com a evolução dos centros urbanos. Rita Marques Ramos info@hojemacau.com.mo
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2ª conferência do “Festival Literário de Macau - Rota das Letras” trouxe ao palco do auditório do Instituto Politécnico de Macau um painel de oradores de identidades distintas. Xu Xi e Lolita Hu, escritoras chinesas, Paulo Aido e Miguel Gonçalves Mendes, escritor e realizador, enquadrados no mercado criativo português, discutiram o tema “Oriente e Ocidente: Imaginários que se atraem?”. Contrapor as mentalidades literárias dos países de língua portuguesa e da China provou ser o propósito desta iniciativa. A modernidade foi o conceito mais falado, suscitando questões subjectivas entre os oradores, que se moldaram aos desafios lançados pela moderadora Xu Xi.
Como dizerem o que pensam da actual República Popular da China. Paulo Aido não pôde deixar de referir a passagem por Macau, há 20 anos, altura em que fundou o jornal Ponto Final, apontando, com surpresa, a evolução e expansão do território a nível urbano. Rapidamente, porém, pegou numa obra sua, recém-lançada, para expor as diferenças entre Ocidente e Oriente. “A primeira derrota de Salazar”, assim se chama o livro, que descreve os dramas de todos os portugueses que passaram em Goa aquando da invasão do Estado português da Índia. Apesar de Aido nunca ter estado em Goa antes de escrever o livro, vestiu um “papel oriental” e calcorreou os lugares, que, garante, foram depois reconhecidos nas memórias de quem lá viveu e hoje leu o livro.
PROSTITUTA NA CIDADE
A escritora taiwanesa Lolita Hu, que publicou livros em chinês sobre diferentes cidades globais, sobretudo do mundo ocidental, falou em seguida. Acredita que o mundo oriental acaba por ser mais fechado dentro da sua própria zona de conforto, escolhendo extrair o melhor do mundo ocidental. “Os ocidentais vêm ver-nos, por isso é que nós não vamos até lá. Porque os ocidentais vêm conhecer-nos e dar-se a conhecer.” Algo reiterado pela escritora Xi Xu, de Hong Kong. “Os chineses não
O QUE PODE VER HOJE? 11h – Instituto Politécnico de Macau
“A ESCRITA AINDA PODE SER POLÍTICA?” O discurso narrativo e a sua utilização.
14h30 – Instituto Politécnico de Macau
“A TRADUÇÃO: LIMITES E POSSIBILIDADES” Podem obras ser revertidas para outras línguas sem perder o essencial?
16h – Instituto Politécnico (anfiteatro B)
“PORQUÊ AQUI? HISTÓRIAS DE CHINESES EM ÁFRICA”, de Yara Costa “VAI COM O VENTO”, de Ivo Ferreira *com a presença dos realizadores
21h –
Universidade de Macau Concerto da fadista Aldina Duarte
são colonizadores. Se assim fosse, talvez hoje falássemos todos chinês.” Hu acredita ver e transcrever o mundo com os olhos de um ocidental - pelo facto de ter estudado literatura estrangeira - e afirma que isso lhe dá um estatuto de igualdade face aos ocidentais. “A única maneira que temos de nos igualarmos é escrever sobre isto, sobre sermos parecidos.” No entanto, sente-se preterida a nível internacional por não escrever em inglês e não falar de temas fracturantes (que pudessem ser traduzi-
dos), como “a opressão da mulher ou a típica personagem que veio da pequena vila pobre e se tornou prostituta na cidade”. Hu realça que a globalização literária está talhada a passar estas mensagens cruas de um país com esse estereotipo lá fora.
“MEDO DE CRITICAR”
Lolita Hu diz também que a modernidade é uma noção definida pelas mentalidades urbanas do ocidente. “Os centros urbanos começam a crescer com a sua própria identidade em diversos locais da China.” Por
essa razão escreveu o livro “The Sentimentalist”, um dicionário que redefine alguns conceitos como inveja, sexo ou moralidade, que podem ser reflectidos por alguém com mentalidade asiática, aberta e moderna. Foi ainda mais longe ao caracterizar a passividade dos criadores de hoje, que “estão com medo de criticar”, quando comparados com escritores como Jane Austen, romancista inglesa do século XVIII, sempre incisiva nos seus livros e na descrição dos seus personagens. Hu exemplificou com a caracterização de Pilar del Río no documentário “José & Pilar” de Miguel Gonçalves Mendes, exibido no domingo no Centro Cultural de Macau. “Pilar is a bitch”, atira a escritora de “My Generation”, num inglês que dispensa tradução. Identifica a mulher de Saramago como controversa e chocante, mas ainda assim fascinante, que ninguém se atreveu a caracterizar sem fugir a uma fasquia politicamente correcta. O realizador, ao lado, reagiu logo dizendo que não pautou o documentário com base num julgamento moral dos personagens. Miguel Gonçalves Mendes adiantou também que não existem mundos melhores e piores, concordando, porém, que há um conhecimento muito superficial do Ocidente face ao Oriente, baseado sobretudo em estereótipos.
Lolita Hu - Escritora
“A definição de ser moderno é estabelecida pelos ocidentais” Como é que os chineses vêem o mundo moderno? Todas as gerações acreditam ser mais modernas do que as anteriores, não é? Mas acredito que a questão central é que a definição de ser “moderno”, neste momento e neste século, é estabelecida pelos ocidentais. E a modernidade tem a ver com as escolhas de identidades. Uma questão de liberdade? Não se trata só da questão de liberdade, as pessoas pensam sempre na liberdade, que tem a ver com as escolhas da própria identidade, que deixa ser muitas
coisas. Vejo que o povo chinês está a trabalhar nesse sentido e uma das coisas que se pode ver é relativamente à urbanização, porque a modernidade geralmente diz respeito à questão urbana, já que as cidades permitem às pessoas ganharem diferentes identidades. Ao contrário do campo, portanto. No campo, a vida é simples, são agricultores, criam o seu sustento, vão para casa, dormem, casam-se, têm as suas rotinas. Na cidade, as pessoas tornam-se estranhos. Ninguém sabe quem
és mas quando interages com diferentes pessoas crias uma identidade diferente. Na cidade é mais fácil uma voz ouvir-se por haver abundância de meios para criar a própria identidade? Estou apenas a dizer que hoje, nos campos, a vida é mais monótona. Na cidade, vais a uma loja e tornas-te cliente; depois quando vais para a escola tornas-te um estudante; e quando casas vais para casa e tornas-te esposa; e vais para o escritório e tornas-te um patrão. Na cidade, num espaço pequeno, devido à intensidade das coisas, a identidade muda,
atravessas a estrada e tornas-te uma pessoa diferente. É por isso que as pessoas relacionam modernidade com urbanização. É isso que acontece na China? Os centros urbanos estão a ganhar terreno na China. Pela primeira vez, no ano passado, a população urbana ultrapassou a das zonas rurais. É por isso que o progresso é cultural, demasiado cultural, e está muito caótico. Mas por exemplo em Londres, no séc. XVIII, e em Paris, no séc. XIX, toda a gente teve de passar por essa revolução.
No seu penúltimo livro, “The Sentimentalist”, criou um dicionário de conceitos abstractos e variáveis conforme as sociedades. Cruzou as mentalidades ocidental e oriental para dar um significado novo a esse conceitos? Sei que sou chinesa, portanto não preciso de provar que sou chinesa, sou mulher, logo não preciso de provar que sou mulher. Portanto, o
que tento dizer é que procuro escrever como uma chinesa moderna e sobre um ambiente urbano, mas como sou taiwanesa, tenho influência de japoneses, chineses, cultura americana, cultura francesa. Combino todas estas influências, sou uma mulher chinesa a escrever na China e é por isso que tentei logo dizer que escrevo com uma perspectiva asiática.- R.M.R.
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cultura
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ROTA DAS LETRAS O Festival Literário de Macau ”Rota das Letras” prosseguiu ontem. E a polémica já começou: o arquitecto Carlos Marreiros bateu forte e feio em certas ausências.
Carlos Marreiros critica instituições lusófonas da RAEM. A ausência não é um valor
Onde estão e o que andam a fazer?
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
B
EM ao seu estilo, o arquitecto Carlos Marreiros, que já foi presidente do Instituto Cultural, criticou desassombradamente as instituições lusófonas de Macau ligadas à cultura. “Os organizadores deste festival literário esforçaram-se para trazer a Macau grandes escritores da lusofonia e da China mas não vejo aqui ninguém de instituições lusófonas locais”, referiu, durante um painel inserido no I Festival Literário de Macau, subordinado ao tema “Inspiração: Mito ou Realidade”, que decorreu no Instituto Politécnico. “Onde está a Universidade de Macau? Onde está o Departamento de Literatura Portuguesa? Onde está a Escola Portuguesa? Onde está a Universidade de São José? Onde está o IPOR?”, interrogou o arquitecto. “Queixam-se de que se passa muito pouco em Macau, mas depois é isto”, disse, apontando para uma sala que não teria mais de 20 pessoas. Carlos Marreiros, moderador do debate, confessou que não resistia a fazer estas perguntas porque considera “inadmissível” este tipo de atitudes da parte de instituições que teriam neste festival “uma opor-
“Onde está a Universidade de Macau? Onde está o Departamento de Literatura Portuguesa? Onde está a Escola Portuguesa? Onde está a Universidade de São José? Onde está o IPOR?”, interrogou o arquitecto.
todos os eventos. Vemos que muitas exposições, e não interessa quem organiza, a presença nunca é muito grande, é um problema de Macau.”
ORGANIZAÇÃO FEZ NOVOS CONTACTOS
tunidade para ouvirem escritores da lusofonia e da China, e que tanto trabalho deu aos seus organizadores”. De facto, não se vislumbrava na sala qualquer representante das referidas instituições, nem alunos, incluindo do próprio Instituto Politécnico que alberga parte do evento. O Hoje Macau contactou um professor da Universidade de Macau, que se defendeu afirmando que “não houve dispensa das aulas”, portanto seria muito difícil contar com a sua participação. Questionado sobre a possibilidade de trazerem alunos para assistir aos painéis de debate que compõem o festival, o docente mostrou-se “muito interessado”, mas referiu que nada foi “preparado nesse sentido”. Também contactado pelo Hoje Macau, Rui Rocha, presidente do Instituto Português do Oriente (IPOR), garantiu que a falta de alunos no encontro literário prende-se com motivos logísticos. “Os nossos alunos são os da noite, entram às seis da tarde, e são trabalhadores. Para eles torna-se difícil, e os nossos professores não podem porque estão a dar aulas.Até é um problema embaraçoso para nós.” Acredita, contudo, que a questão não se verifica apenas no I Festival Literário. “Tenho a impressão que é um problema geral em
Ricardo Pinto, director do encontro, assumiu ao Hoje Macau que tem havido poucas participações das entidades de língua portuguesa do território. Nesse sentido, os contactos iniciais feitos à UM e ao IPM foram renovados. “Divulgámos o programa e entendemos que este festival é claramente atractivo. Contactámos de novo a direcção ou pessoas ligadas a essas instituições para motivar os alunos das escolas. Estou convencido que vamos ter mais pessoas.” O responsável admitiu, porém, que organização poderá ter alguma culpa na divulgação. “Da nossa parte os contactos foram suficientes, mas, tratando-se do primeiro festival desta natureza, temo que não se tenha conseguido mostrar de forma imediata o potencial. Com o tempo as pessoas vão habituar-se.”
INSPIRAÇÃO EM DEBATE
Para além das polémicas, a tarde de ontem contou com intervenções de Tatiana Salem Levy, do Brasil, Yara Costa, de Moçambique, José Luís Peixoto, de Portugal, Jimmy Qi, da China, e Carlos Morais José, de Macau. Perante o tema proposto, foram debatidas as visões pessoais de cada escritor, aliás dissonantes entre elas, sobre a questão da inspiração, como fundamental ao trabalho literário e/ ou criativo. No fim, ao Hoje Macau, a também escritora Luciana Leitão, presente na sala, disse que “ficou muito satisfeita com a discussão”, que definiu como “inspiradora”. Afinal, o tema era esse.
Realizador de documentário fala sobre relação de Saramago e Pilar
“Pode-se amar alguém e haver diferenças” Rita Marques Ramos info@hojemacau.com.mo
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OSÉ e Pilar” é o documentário que traz Miguel Gonçalves Mendes ao Festival Literário de Macau – Rota das Letras. Um retrato sobre a vida do escritor português, Nobel em 1998, co-protagonizado também pela mulher, Pilar del Rio. O filme foi construído durante quatro anos intensos, em mais de 240 horas de gravação – compiladas num resultado final de 2 horas e 5 minutos, após várias versões mais longas inicialmente apresentadas pelo realizador a José Saramago.
Mais do que dar a conhecer a privacidade de duas fortes personalidades, Gonçalves Mendes quis captar a “terceira pessoa desta relação”, a união deles, dentro da azáfama diária da agenda do escritor, e das contrariedades da vida de um casal, com 28 anos de diferença, que só a morte parece querer separar. Qual foi a mais-valia que retirou destes quatro anos de filmagem? Foi um privilégio ter convivido com duas pessoas perfeitamente maravilhosas. Tenho tido a sorte na vida de me encontrar com as pessoas
que mais admiro. O filme está aí e espero que gostem do filme e o percebam. Pediu muitas opiniões a Saramago? Não tenho por hábito consultar as pessoas, mas ele gostou e demo-nos muito bem. Quando fui ter com ele, estávamos num patamar de igualdade. Embora Saramago apreciasse a minha ingenuidade e a minha insegurança. Mas eu no fundo também fazia uma coisa que o Saramago fazia muito: tratar as pessoas de igual para igual, fosse a rainha de Inglaterra ou a senhora do mercado. Saramago também esco-
lhia as pessoas por quem se afeiçoava. No documentário, vê-se que não gostava de Hillary Clinton, ao contrário da mulher, Pilar, defensora da postura política dela nos EUA. Sim, isso também é bonito. Acaba por mostrar que
pode-se perfeitamente amar alguém e haver diferenças, porque as pessoas não são cópias umas das outras. Claro que se deixam influenciar, mas no amor, sobretudo, devem ter respeito e não julgar a posição de um e outro nos seus ideais.
O audiovisual é um meio de excelência para captar este conteúdo mais emotivo? Este lado intimista é também muito universal, as pessoas relacionam-se com o que vêm, com as emoções transmitidas. Portanto, quis focar propositadamente o lado mais emocional? Sim, é muito mais emocional do que ideológico. É sobre como nós vemos a vida, sobre como é estar aqui, amar. O filme já estreou em que países? O filme esteve cinco meses em cartaz em Portugal e no Brasil, estreando também em Espanha, Itália e México. Vai agora também estrear nos Estados Unidos, o que não é nada mau para um documentário. Ah, e vai depois também estrear na Argentina e no Chile. É óptimo!
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desporto
Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo
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ENOS de três meses depois de ter recebido a elite mundial do badminton, Macau prepara-se para acolher de novo alguns dos principais nomes da modalidade, ao servir de palco à campanha asiática de apuramento para a fase final das Taças Thomas e Uber. O torneio de qualificação, que se disputa no Fórum de Macau entre 13 e 19 de Fevereiro, traz ao território atletas como os malaios Lee Chong Wei e Muhammad Hafiz Hashim, os indonésios Taufik Hidayat e Simon Santoso e os chineses Chen Long, Du Pengyu e Chen Jin. Entre os nomes com presença já confirmada na fase de qualificação para o principal certame mundial de badminton estão oito dos atletas que integram actualmente o top-10 da modalidade. No capítulo das ausências, a mais notória é a do chinês Lin Dan. O número dois da tabela da Federação Mundial de Badminton declinou participar na prova, ainda PUB
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Qualificação para Taças Thomas e Uber decide-se no território
Badminton de luxo no Fórum Macau
que os responsáveis pela federação chinesa encarem a fase de qualificação como um evento absolutamente essencial na preparação do
assalto aos Jogos Olímpicos de Londres.
CHINA POLÉMICA
A participação da República
Popular da China mereceu, de resto, críticas duras por parte das federações de países como a Indonésia, a Malásia ou o Coreia do Sul.
Na qualidade de titular do troféu, a China tem a presença na fase final da Taça Thomas garantida e participa na fase de qualificação com o intuito exlusivo de preparar caminho para as Olimpíadas do próximo Verão. Para os responsáveis pelo Instituto do Desporto do território, a participação da selecção chinesa de badminton na campanha de apuramento engrandece o certame. “Sem a presença da China, a prova ficava desfalcada”, diz José Tavares, Vice-Presidente do IDM. “Com a China entre as nações participantes podemos dizer que tanto na Taça Thomas, como na sua equivalente feminina, a Taça Uber, vamos ter no território as selecções mais fortes do mundo. De um ponto de vista organizativo é algo que nos dá algumas garantias de que o público poderá ter interesse em acompanhar mais de perto a prova.” A partir de 13 de Fevereiro, um total de 14 selecções vão lutar por quatro lugares em aberto na fase final da Taça Thomas.
Sem grandes hipóteses de garantir um lugar entre as melhores formações do mundo, Macau discute o apuramento com Indonésia, Índia e Singapura, num grupo em que os representantes indonésios partem como favoritos para a qualificação. Contas difíceis Mais complicadas são as contas de apuramento para a fase final da Taça Uber, o equivalente feminino à Taça Thomas. A campanha de qualificação abre as portas do evento a três selecções, num processo que se adivinha difícil não apenas para Macau (que terá pela frente Hong Kong e Japão, no Grupo Z), mas também para as principais candidatas à vitória no evento. China e Malásia esgrimem argumentos com a Índia no âmbito do Grupo W e a Indonésia vai discutir com as selecções da Tailândia, do Sri Lanka e do Cazaquistão o eventual apuramento para a prova. As fases finais das Taças Thomas e Uber disputam-se na cidade continental de Wuhan, entre 20 e 27 de Maio.
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[ ] Cinema SALA 1
I LOVE HONG KONG 2012 [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Chin Kwok Wai Com: Stanley Fung, Teresa Mo, Eric Tsang 14.15, 19.45, 21.45, 23.45
futilidades
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Cineteatro | PUB JOURNEY 2: THE MYSTERIOUS ISLAND [3D] [B] Um filme de: Brad Peyton Com: Vanessa Hudgens, Dwayne Johnson 14.30, 18.00, 19.45, 21.30 SALA 3
KOKURIKOZAKA KARA [A]
THE MUPPETS [A]
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Gora Miyazaki 16.15, 18.00
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: James Bobin Com: Jason Segel, Amy Adams 14.15, 16.15, 20.00
SALA 2
THE DARKEST HOUR [3D] [B]
PUSS IN BOOTS [3D] [A] Um filme de: Chris Miller 14.30, 18.00
Aqui há gato
Um filme de: Chirs Gorak Com: Emily Hirsch, Olivia Thisrlby 18.15, 22.00, 23.45
VERTICAIS: 1-Fruto do abacateiro. Procedimento rápido (Interj.). 2-O último numa série de nove. Concorda, dá de si. 3-Atribuidas. Mulheres atrevidas, brejeiras (Gír.). 4-Golpe de adaga. 5-O (Ant.). Extingui, revoguei. Regimento de Artilharia (abrev.). 6-Gemido. Vamos!. Igreja patriarcal. 7-Cromo (s.q.). Anos. Nome antigo da actual nota musical dó. 8-Açúcar produzido pelas fibras musculares. 9-Caminhes. Também, apesar. 10-Titias. Abatem-se. 11-Preposição e artigo (pl.). Nome de mulher.
SOLUÇÕES DO PROBLEMA
Su doku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Nome de homem. Importuna, maçadora. 2-Benéfica. A casa de habitação. Ninho. 3-Trabalha, funciona. Abaladas. 4-Passada através de filtro. Nome de mulher. 5-Dia da semana (pl.). 6-A pessoa com quem se fala. Parte do vestuário que cinge o pescoço (pl.). Ermo, solitário. 7-Doença. 8-Desisti em favor de outrem. Ciência da moral. 9-Nome de homem. Missa anual para sufrágio (Ant.). 10-Nome de mulher. Acusado. Doei. 11-Hora de descanso. Tece, entrelaça.
[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:30 16:35 18:00 18:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:00 00:30
TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Liga Sagres: Gil Vicente - FC Porto (Repetição) That 70\’s Show (Que Loucura de Família) TDM Desporto (Repetição) Amanhecer Telejornal TDM Entrevista Linha da Frente Passione TDM News A Verde e as Cores Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM
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Monday Night Verdict - FA Cup 2011/12 Winter X Games Aspen Asean Basketball League 2012 Westports Malaysia Dragons vs. Saigon Heat Winter X Games Aspen (LIVE) Sportscenter Asia 2012 The Football Review FA Cup 2011/12 Highlights Olympic Spirit
21:30 22:00 22:30
The Medal Ceremony Sportscenter Asia 2012 FA Cup 2011/12 Watford vs. Tottenham Hotspur
STAR SPORTS 31 13:00 Australian Open 2012 Men’s Singles Final 16:00 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Seattle Sounders vs. Sporting Portugal 17:00 2012 FIM Super Enduro World Championship 18:00 Rolex FEI World Cup Jumping 2011/12 19:00 Australian Open 2011 Mens Singles Final 21:00 FINA Aquatics World 2012 21:30 (LIVE) Score Tonight 2012 22:00 Australian Open 2012 Night #13 Highlights 23:00 Australian Open 2012 Night #14 Highlights FOX MOVIES 40 11:55 Clash 13:35 You Again 15:25 Open Season 16:55 The Imaginarium Of Doctor Parnassus 19:00 Percy Jackson & The Olympians 21:00 Remember Me 22:55 Gulliver’S Travels HBO 41 12:00 15:00 17:15 18:45 20:30 22:00 23:50
Magnolia Beyond Borders Sundays At Tiffany’S Did You Hear About The Morgans? Universal Soldier Scott Pilgrim Vs. The World Stephen King’S Thinner
CINEMAX 42 12:30 14:30 16:00 17:45 20:15 22:00 23:40
Cirque Du Freak Alien Siege First Men In The Moon The Night Of The Generals Robocop After.Life Spartacus: Gods Of The Arena
HORIZONTAIS:1-ANDRE. CHATA. 2-BOA. LAR. NIO. 3-ANDA. I. IDAS. 4-COADA. INES. 5-A. SABADOS. R. 6-TU. GOLAS. SO. 7.E. MALADIA. S. 8-CEDI. ETICA. 9-ZECA. S. ANAL. 10-ADA. REU. DEI. 11-SESTA. TRAMA. VERTICAIS:1-ABACATE. ZAS. 2-NONO. U. CEDE. 3-DADAS. MECAS. 4-R. ADAGADA. T. 5-EL. ABOLI. RA. 6-AI. ALA. SE. 7-CR. IDADE. UT. 8-H. INOSITA. R. 9-ANDES. AINDA. 10-TIAS. S. CAEM. 11-AOS. ROSALIA.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O ÚNICO FINAL FELIZ PARA UMA HISTÓRIA DE AMOR É UM ACIDENTE • João Paulo Cuenca Num futuro próximo na cidade de Tóquio, Shunsuke Okuda é um jovem funcionário de uma multinacional. Conquistador inveterado, ele cria uma identidade para cada namorada que conhece nos bares do distrito de Kabukicho. Mas a sua rotina é abalada pelo aparecimento de Iulana, que é apaixonada por uma dançarina e mal fala japonês, mas nada disso impede que os dois mergulhem numa relação conturbada. Com uma estrutura caleidoscópica e narradores tão surpreendentes quanto uma melindrosa boneca insuflável, o romance apropria.-se da cultura japonesa de ontem e de hoje para narrar uma história de amor surpreendente e perturbadora, em que a vida fragmentada das metrópoles, o voyeurismo e a perversão figuram como vilões onipresentes.
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
DEIXEM PASSAR O HOMEM INVISÍVEL • Rui Cardoso Martins Durante uma grande enxurrada em Lisboa, um homem - cego desde os 8 anos, advogado - cai numa caixa de esgoto aberta, situada junto da igreja de S. Sebastião da Pedreira. Na mesma altura, um escuteiro que regressava de uma actividade na mesma igreja é também arrastado para o mesmo esgoto. É a viagem de ambos, através de uma Lisboa subterrânea, enquanto cá fora são tomadas todas as medidas para os salvarem, que o autor nos conta neste segundo livro. Mas é também a entreajuda, a cumplicidade entre o cego e a criança, naquela terrível aventura. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
UMA POUPANÇA INTELIGENTE Muitos assumem-no como uma província de Espanha e há outros que duvidam do sítio certo onde se situa no mapa. Mas a verdade é que a pequenez de Portugal contrasta com a dimensão enorme que assume no que toca ao poder da língua. Hoje percorri rapidamente o jornal e li que o senhor Passos Coelho, que tanto disparate diz e faz e que corta nas despesas públicas onde não devia, tomou, afinal, uma decisão acertada: juntou o Instituto Camões ao Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD). Voilá: ficámos com a cooperação politica e a promoção do português bem juntinhos. Entre a lei do papel e a realidade muita coisa pode mudar. É preciso garantir que o Instituto Camões pode continuar a fazer o seu papel e, mais do que isso, melhorá-lo. Mas eu, com a minha cabecinha de gato, penso que esta é uma medida que, mais do que poupar uns trocos, é inteligente porque junta duas áreas cada vez mais próximas. É tudo uma questão de matemática da vida: Portugal precisa de zelar pelas suas relações geo-estratégicas e mantém ligações com a lusofonia por questões históricas. Angola e Brasil não param de crescer. Portanto, fazendo bem as contas, a língua cada vez vai ser mais necessária para fazer negócios e ganhar dinheiro, necessitando de ser, mais do que nunca, um instrumento político. Porque com a crise que existe lá bem longe, quase noutro mundo, o que interessa é facilitar as coisas para encher os bolsos. Pu Yi
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opinião
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Pedro Correia
SEGUNDA, 23 “Não conheço nenhum brasileiro alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Fernando Pessoa na ortografia portuguesa. E também não conheço nenhum português alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Nelson Rodrigues na ortografia brasileira. Infelizmente, conheço vários brasileiros e vários portugueses alfabetizados que sentem “desconforto” por não poderem comprar, em São Paulo ou em Lisboa, as edições correntes da literatura dos dois países a preços civilizados.” São palavras - acertadíssimas - de João Pereira Coutinho na sua habitual coluna no jornal brasileiro Folha de S. Paulo. Ele - como tantos outros colunistas da imprensa portuguesa, de Vasco Graça Moura a Miguel Sousa Tavares, de Pedro Mexia a Miguel Sousa Tavares, de Pedro Lomba a Maria Filomena Mónica - está frontalmente contra o novo ‘acordo ortográfico’ e não hesita em continuar a escrever de acordo com as normas que vigoraram durante quase todo o século XX em Portugal e actuais países ou territórios que estiveram sob administração portuguesa, incluindo Macau. O problema não se circunscreve ao modo como se escreve, tendo implicações mais vastas: a ‘nova ortografia’ conduzirá fatalmente a uma nova fonética. Como acentua João Pereira Coutinho neste seu artigo, as impropriamente chamadas consoantes mudas “transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem”. A sua supressão conduzirá ao emudecimento progressivo das vogais, ampliando assim as diferenças fonéticas entre o português falado nos dois lados do Atlântico. Além disso, com o excesso de zelo típico dos cristãos-novos, aos caçadores de consoantes não basta liquidar as “mudas”: também as “sonoras” estão a ser alvo de violentos disparos. Tenho lido em despachos da agência Lusa, que foi tão lesta em alterar a ortografia, palavras como “fato” (em vez de facto) e “contato” (em vez de contacto), à revelia do estipulado no próprio “acordo ortográfico. “A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crónicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária. A intenção dos pais do acordo ortográfico era unificar a língua. Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados”, conclui Pereira Coutinho. TERÇA, 24 As redes sociais funcionam com surtos virais de pequenas e micro
indignações. Alguém sopra uma coisa via telemóvel, o sopro salta para o twitter ou o facebook - e é quanto basta para funcionar como ignição de fogo pronta a incendiar a pradaria mas que afinal se limita a chamuscar uns canteiros. Mal as chamas irrompem, logo outro foco se propaga com o mesmo grau de aparente intensidade do anterior e com a mesma duração média, que mal se prolonga por três dias úteis. E assim sucessivamente. Tudo macro indignado. Até à micro indignação seguinte. QUARTA, 25 “Há que reflectir sobre o paradigma deste futebol.” “A boa colocação das linhas virtuais permite-nos fazer a avaliação certa dos lances.” “O clube não conseguiu traduzir a intensidade do seu jogo.” “Há jogos com outra intensidade competitiva.” “Essa resignação pode ser uma projecção da falta de exigência mais acima e de uma liderança mais efectiva em termos de balneário.” “A equipa não tem níveis de coesão suficientes para introduzir um jogador tão jovem.” “Caiu numa zona de bloqueio da qual vai ter de sair.” “Tem de integrar-se na filosofia colectiva da equipa que representa.” “As grandes equipas da Europa conseguem atingir níveis exibicionais significativos.” “O conceito do treinador baseia-se numa marcação mais subida.” “Do ponto de vista do esqueleto táctico, a disposição no terreno faz sentido.” “São dois jogadores verticais que dão mais profundidade à equipa.” “O jogador X mostrou um ritmo baixo, mostrou alguns pormenores.” “Queremos contribuir para um futebol menos macrocéfalo.” “O futebol é uma lógica de conjunturas.” Perceberam? Eu também não. É uma espécie de dialecto autónomo, só praticado por alguma gente da bola e que tem como principal cultor um jornalista televisivo capaz de rivalizar em fôlego com Fidel Castro, que em 1998 falou sete horas e um quarto sem parar na Assembleia Nacional cubana, ou Hugo
O problema não se circunscreve ao modo como se escreve, tendo implicações mais vastas: a ‘nova ortografia’ conduzirá fatalmente a uma nova fonética. Como acentua João Pereira Coutinho neste seu artigo, as impropriamente chamadas consoantes mudas “transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem”. A sua supressão conduzirá ao emudecimento progressivo das vogais, ampliando assim as diferenças fonéticas entre o português falado nos dois lados do Atlântico.
caderno diário Chávez, que no passado dia 14 discursou igualmente sem parar durante nove horas e meia no Parlamento de Caracas. Quem não seja iniciado neste jargão muito particular dos “níveis exibicionais”, do “esqueleto táctico” e da “intensidade competitiva” mantém-se totalmente à distância. Porque o dialecto acima transcrito, ao contrário da esmagadora maioria dos restantes, não foi criado para comunicar: existe para cavar um fosso deliberado entre o seu inventor e o comum dos mortais. A razão? Incutir respeito. Ou respeitinho, mais à portuguesa. É uma receita infalível. Porque, em regra, os portugueses só respeitam o que não entendem. E aqui entre nós: quem é que entende minimamente o que significa “filosofia colectiva”, “zona de bloqueio”, “jogadores verticais” e “marcação subida”? O respeitinho é muito bonito. E conclui muito bem. QUINTA, 26 A nostalgia dá-nos uma inspiração inesgotável. Sinto isso cada vez que revejo velhas fotos familiares. Ainda hoje voltei a ver várias, do namoro e do casamento dos meus pais, na segunda metade da década de 50. Revejo avós, tios e primos - todos a preto e branco. Sou de uma família onde felizmente sempre houve muitos tios e muitos primos, com uma terra de origem que serviu de permanente ponto de encontro, mesmo de parentes residentes há muito no estrangeiro. Isto sempre me fez sentir membro de um clã. Sentir dentro de um cordão de segurança. Sensações que volto a experimentar, tantos anos depois, ao manusear novamente estas fotografias que o tempo não apagou. SEXTA, 27 Tornei-me ainda mais adepto do género epistolar desde que entrámos na era dos sms. Uma era que nos tem levado a uma rápida compressão vocabular. Fala-se cada vez mais rápido e cada vez de forma mais “económica”: bastam algumas dezenas de vocábulos para assegurar a comunicação instantânea. Tudo muito básico, muito linear. Ano após ano, centenas de palavras entram definitivamente em desuso entre nós. Para combater esta tendência, nada melhor do que regressar a páginas já antigas, algumas até de livros com páginas amarelecidas pela erosão do tempo. Regressar aos romances de Eça de Queiroz, regressar ao Livro do Desassossego de Fernando Pessoa. Regressar aos diários de Miguel Torga, à prosa diarística de Vergílio Ferreira, aos contos de José Rodrigues Miguéis e José Cardoso Pires, aos versos de Sophia de Mello Breyner Andresen, aos inflamados panfletos de Jorge de Sena. Às cartas de todos eles. SÁBADO, 28 A frase da semana: «Podes cortar todas as flores mas não podes impedir a Primavera de aparecer.» (Pablo Neruda)
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opinião
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Helder Fernando
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à flor da pele
Raios partam essas instituições motor, ou uma fábrica de criar coisas: criou o mundo (ou foi o contrário?). Creio que na Grécia antes da crise, os antigos falavam na existência de sete idades: infância, puerícia, adolescência, juventude, idade adulta, maturidade e velhice. Ao contrário de Confúcio que parece só ter acreditado em três: juventude, maturidade e velhice. O tempo obriga os nossos movimentos, provoca-os. E também os movimentos das coisas, originando as matemáticas como objectos mentais, e também a física e a química, acho que sim, não sei. Para onde vamos - se é que não ficamos à espera - o que podemos fazer e quanto tempo temos para isso?
I Atenção às palavras do chefe do executivo de Hong Kong, ditas abertamente em Davos, onde esteve presente no Fórum Económico Mundial, e onde entre outras coisas mais incompreensíveis do que compreensíveis para o cidadão comum e roubado, salta a ideia de que nenhuma economia está a salvo dos efeitos da tal crise da “dívida europeia”. Disse Donald Tsang: “Nunca estive tão assustado como agora em relação à economia global. Ninguém está imune, é preciso uma acção decisiva para inspirar confiança”. Naturalmente que são difíceis as soluções para essa crise de que os povos não têm culpa mas que são obrigados, pelos desgovernantes, a pagar. É uma maldita crise condicionada também por toda uma série de outros fenómenos gravíssimos: as revoluções árabes, os alastrantes movimentos de indignados, tantos factores. Com a comunicação social à escala planetária - entendida aqui como muito para além dos tradicionais jornais, rádio e televisão - a dinamizar-se radical e, se quisermos, em certa perspectiva, perigosamente A eurozona é um lugar perigoso de se viver. E os outros lugares? II Tema dos dias de hoje e de ontem: liberdade de expressão. Todas as ditaduras e seus arremedos, impedem essa e todas as liberdades. Mas não são apenas esses regimes, as pessoas - elas próprias – também. Mesmo em democracia e suas baixas imitações. Basta a existência de pessoas estúpidas e invejosas, ou seja mesquinhas, falsas beatas, e depois terem um poderito qualquer, aí estão elas, parvamente, a tentarem ser censores chico-espertos. Pobres diabos, esta gentinha complexada que não gosta de palavras nem de gestos, nem de música, nem daqueles e daquelas que gostam de todas estas coisas realizadas em liberdade responsável. Destes cobardolas, pobres de espírito, há em todo o lado. Há poucos dias, no estado onde se comem talvez os melhores caranguejos do Brasil, em Sergipe, um show nocturno de Rita Lee, foi interrompido por numerosos agentes policiais, alegadamente tentando contrariar alguns espectadores que davam “umas passas”. A cantora obviamente não gostou de ser interrompida, saiu em favor do público e contra os polícias. O espectáculo lá prosseguiu depois de interrompido umas 3 vezes. No final, carros da polícia interceptaram o veículo
Devemos respeitar as instituições, pois devemos. Desde que elas cumpram a obrigação de nos respeitar. As instituições são conjuntos de regras que as regem e a que se submetem os seus subordinados (muitas vezes subsumidos e submissos), e que regem outras coisas para outras pessoas. Vá lá entender, em tantas e tantas ocasiões, umas quantas instituições. E vá lá respeitar algumas.
de Rita Lee e levaram-na para a cadeia, de onde só saiu já de manhã. Que tristeza e que ridículo ainda existirem homens e autoridades como objecto censório. III Devemos respeitar as instituições, pois devemos. Desde que elas cumpram a obrigação de nos respeitar. As instituições são conjuntos de regras que as regem e a que se submetem os seus subordinados (muitas vezes subsumidos e submissos), e que regem outras coisas para outras pessoas. Vá
lá entender, em tantas e tantas ocasiões, umas quantas instituições. E vá lá respeitar algumas. Por exemplo, as que promovem a guerra, as que ampliam o desemprego e a miséria, as que engordam com lucros e apenas a isso se dedicam. As que influenciam a não pensar, a não ter opinião, a silenciar. As que descriminam, as instituições que policiam o grito genuíno dos indignados. Raios partam essas instituições. IV O tempo é mais do que uma noção, é como um
V A tolerância é um sentimento muito bonito e faz parte das regras de vivência em sociedade. Não são tolerantes os que (ou as instituições que) proíbem as mulheres de trabalharem fora de casa, andarem nas ruas sem um familiar chegado (pai, irmão ou marido), serem tratadas por médicos homens mesmo que em risco de vida ou que obriguem as mulheres a taparem-se da cabeça aos pés. Não pode haver tolerância para quem pretende transformar o mundo no seu tipo de sociedade, em que é permitido aos homens insultar e chicotear as mulheres em público e em privado, apedrejá-las e mandar outros apedrejá-las. Que tolerância é possível ter para com quem não permite que nos seus países se ergam templos religiosos ou se celebre outra fé sem ser da sua “religião” única? Que tolerância é possível ter com quem exige aos outros respeito pelo seus pontos de vista e rituais, embora radicalmente intolerantes e desrespeitadores para quem não segue os seus? Exigem sinagogas no estrangeiro, não permitem igrejas de outra religião na sua terra. Tudo isto é, provavelmente, uma grave e péssima interpretação do islamismo, já de si bem diferente de outras religiões. Islamismo não é o fundamentalismo que alastra. Cresci numa terra onde viviam e vivem muitos mais islamitas do que de outra qualquer religião. Fui colega de estudo, de prática desportiva, de paródias, de serviço militar, de trabalho, de tertúlias, de bastantes e assumidos islamitas. Pouco saberei do Islão, da sua inspiração. O Alcorão, pouco ou nada serei capaz de teorizar, mas conheci e conheço as pessoas. E essas dir-me-ão sempre muitíssimo mais do que os energúmenos assassinos fundamentalistas. A “Primavera Árabe” dará cobertura a facínoras ditos religiosos?
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Nuno G. Pereira; Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Joana Freitas; José C. Mendes; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros; Vanessa Amaro Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; Helder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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c a r t o on por Steff
O CAPITALISMO EM DAVOS
Cuba Partido único não muda
Raul Castro anunciou ontem que o sistema de partido único que vigora em Cuba não será alterado. Na primeira conferência destinada à “mudança de mentalidades”, o presidente afirmou que a limitação de mandatos ainda não é oficial e que deverá ser aplicada de forma gradual. Desde a Constituição de 1976 que o Partido Comunista de Cuba é o único legal no país.
Timor-Leste Site já está em português
O novo site da presidência de Timor-Leste já está disponível em língua portuguesa, mas, de acordo com a agência Lusa, a tradução “ainda está em andamento”. Depois da polémica sobre o facto deste meio online do Governo presidido por José Ramos Horta apenas estar disponível em inglês e tétum, a situação terá sido corrigida ainda no fim-de-semana. O site pretende “divulgar comunicados à imprensa, notícias, fotografias e vídeos sobre a Presidência e os assuntos do Palácio Presidencial”, refere a nota enviada à imprensa. Timor-Leste faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa desde 2002.
UE Grécia rejeita controlo
A cimeira que começou ontem em Bruxelas e que reúne os líderes da zona euro gerou polémica. Em causa está uma proposta da Alemanha para criar um comissário europeu para controlar o Orçamento grego, medida que a Grécia repudia. Na agenda será discutido um novo pacote de ajuda ao país no valor de 130 mil milhões de euros.
França Iva aumenta 1,6%
Nicolas Sarkozy aumentou o imposto sobre o consumo de 19,6% para 21,2%, que se traduz numa subida de 1,6%. Esta medida deverá entrar em vigor em Outubro deste ano e vem a seguir à chamada “taxa Robin dos Bosques”, aplicada sobre as transacções financeiras.
Brasil Explosão faz um morto
Uma explosão na Zona Portuária do Rio de Janeiro decorrida ontem provocou um morto e dois feridos. A explosão, ocorrida dentro de um armazém, terá sido causada por uma fuga de gás numa cisterna, segundo os bombeiros locais. Os feridos já foram transferidos para um hospital no centro da cidade, não havendo até ao momento mais nenhuma informação sobre o seu estado de saúde.
Organismo tem orçamento de 61 milhões de euros
Instituto Camões vai fundir-se com IPAD Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
S duas entidades responsáveis pela cooperação politica e promoção do português no exterior vão passar a estar unidas numa só: Camões – Instituto da Cooperação e da Língua. Isto porque o Governo português publicou ontem um decreto-lei em Diário da República que anuncia a fusão do Instituto de Camões (IC) com o Instituto Português deApoio ao Desenvolvimento (IPAD). A medida passa a funcionar a partir de amanhã. Em comunicado avançado à agencia Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) avançou que o orçamento do novo Instituto da Cooperação e da Língua, a funcionar em Lisboa, será de 61,6 milhões de euros, conseguidos através do Fundo para as Relações Internacionais. “O Governo irá promover a fusão do IC e do IPAD num novo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, que terá por
Ciclone
missão potenciar o desenvolvimento da política da cooperação internacional e a promoção da língua e cultura portuguesa no estrangeiro.” Questionado sobre o assunto, Rui Rocha, presidente do Instituto Português do Oriente (IPOR), remeteu-se ao silêncio. “Esse é um assunto da república portuguesa e nós somos uma associação privada que se rege pelas leis de Macau.”
RESPONSABILIDADE MANTÉM-SE
Segundo o decreto-lei do Diário da República, as tutelas anteriores dos dois organismos mantém-se essencialmente na mesma, com destaque para “uma melhor definição estratégica da política de cooperação através,
nomeadamente, de maior coordenação”. Pretende-se, ainda, “uma reorganização e racionalização dos serviços destes dois institutos”. O novo Camões ficará, assim, “responsável pela supervisão, direcção e coordenação da cooperação para o desenvolvimento, cabendo-lhe a condução dessa politica pública”, e ainda “pela política de promoção externa da língua e cultura portuguesas”. A decisão tomada pelo Governo vem no seguimento das “linhas gerais do Plano de Redução e Melhoria da Administração Central”, no sentido de a “tornar eficiente e racional na utilização dos recursos públicos e, por outro lado, para o cumprimento dos objectivos de redução da despesa pública a que o país está vinculado”. Criado em 2003, o IPAD desenvolvia trabalhos na área da política externa portuguesa, promovendo a cooperação com países com os quais Portugal mantinha laços geoestratégicos e económicos.
É pena uma pessoa, para poder organizar bem a sua vida, não saber o seu prazo de validade. POR FERNANDO
Irão Governo aceita missão da AIEA
O ministro das Relações Exteriores do Irão, Ali Akbar Salehi, anunciou ontem que quer continuar com a missão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). “A duração da missão é de três dias, mas, se desejarem, poderá ser prolongada”, afirmou Salehi em declarações reproduzidas pela agência IRNA. Esta missão destinase a esclarecer dúvidas sobre o programa nuclear iraniano.
Venezuela Chávez ameaça nacionalizar banca privada
Numa visita a uma propriedade agrícola, Hugo Chávez, presidente da Venezuela, ameaçou nacionalizar os bancos privados, se estes não financiarem projectos agrícolas promovidos pelo Governo. “Não tenho problema em nacionalizar os (bancos) privados que não quiserem cumprir a Constituição. Temos que fazer cumprir a Constituição e as leis desta República.”