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Hoje Macau 30 SETEMBRO 2021 #4863

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TEATRO D. PEDRO V

DONOS DO DESTINO GRANDE PLANO

Nº 4864 QUINTA-FEIRA 30-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

PUB.

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RÓMULO SANTOS

MOP$10

SONG PEK KEI

AAM

PÁGINA 4

PÁGINA 5

TROPA MÉDICA RECURSO DE DIREITO

EVERGRANDE

GOTA NO OCEANO PÁGINA 10

hoje macau

MEA CULPA Ho Iat Seng assumiu a culpa pelos surtos de covid-19 dos últimos dias e apelou à não incriminação dos seguranças infectados. O líder do Governo sublinhou que a população tem a responsabilidade de se vacinar, mas não garantiu plena abertura de fronteiras, mesmo com 100% de taxa de vacinação. PÁGINAS 6-7


2 grande plano

30.9.2021 quinta-feira

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TEATRO D. PEDRO V

DESCENDENTES DE FUNDADORES NEGAM LEGITIMIDADE DE PRESIDENTE

Ao som das pancadas de Molière Um grupo de descendentes dos fundadores do Teatro D. Pedro V levanta dúvidas sobre a legalidade das mudanças de estatutos feitas à sua margem. Por sua vez, o presidente da associação dos proprietários do teatro, Ma Lin Chong, defende-se e diz que tudo foi executado de forma legal. O caso está em tribunal

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M grupo de descendentes dos fundadores do Teatro D. Pedro V contesta a legitimidade de Ma Lin Chong como presidente da Direcção da Associação dos Proprietários do Theatro D. Pedro V. Ao HM, Henrique Nolasco da Silva e José Gonçalo Basto da Silva, em nome de um grupo de seis descendentes, questionam a entrada de Ma na associação. Além disso, contestam as alterações estatutárias levadas a cabo, das quais se dizem afastados de forma ilegítima e que conduziram à perda de controlo dos destinos do teatro. Um dos receios prende-se com a possibilidade da actual direcção tentar vender o espaço.

Fundada em 1896, a Associação dos Proprietários do Theatro D. Pedro V tornou-se formalmente proprietária do teatro em 1912. De acordo com os estatutos originais, os sócios eram detentores de acções, que lhes permitiam participar nas decisões sobre o futuro da associação e do teatro. Segundo as versões ouvidas pelo HM, as acções da associação eram transmissíveis de forma livre apenas entre os membros e para os descendentes dos fundadores, em caso de morte. Porém, para haver transmissão para um terceiro, ou seja, uma pessoa que estivesse fora da associação, a mudança das acções tinha de ser aprovada pela

direcção. Se a direcção chumbasse o processo, o interessado podia recorrer para a assembleia-geral, que tinha a última palavra. A transmissão podia ser vetada. Era este o modelo estatutário da associação em vigor em 2004, quando foi assinado com o Instituto Cultural o protocolo de recuperação e gestão do teatro, que ainda está em vigor.

Alterações surpresa

O acordo que garante que o IC gere o espaço tem a assinatura de João Souza Sales, como representante da associação. Foi também a partir dessa data e até 2016 que terá sido feita a alteração dos estatutos que

apanhou de surpresa o grupo de descendentes e alterou as condições para o controlo da entrada de associados. A situação foi relatada por Henrique Nolasco da Silva, ao HM.

“Temos informação de que entre essas pessoas [que entraram para a associação] estarão a mulher e os dois filhos dele [Ma Lin Chong].” HENRIQUE NOLASCO DA SILVA DESCENDENTE DOS FUNDADORES

“O grupo de descendentes dos fundadores acolheu no seu seio o Sr. João Sales, essencialmente por motivo de amizade com um deles, o meu pai, Frederico Nolasco da Silva, que era reconhecido como o presidente da direcção. Quando o meu pai se retirou para Portugal, o Sr. João Sales ficou com uma procuração que lhe conferia poderes específicos para lidar com os assuntos do teatro”, contou o descendente. “O Sr. João Sales assumiu-se como presidente interino e, por morte do meu pai, passou a autointitular-se presidente. Pedimos-lhe que convocasse eleições e ele foi dizendo que tratava disso assim que pudesse. Esta era a situação quando fizemos o Protocolo com o IC”, indicou. Com o protocolo em vigor, o grupo de fundadores apercebeu-se em 2016 que os estatutos tinham sido alterados à sua margem, com uma alegada tentativa de venda do teatro ao Instituto Cultural. A tentativa de venda do teatro foi relatada, ao HM, em duas ocasiões diferentes, não só pelo grupo de fundadores, mas também por João Novikoff Sales, descendente de João Souza Sales.

A nova presidência

A tentativa de venda fez com que os fundadores voltassem a focar as atenções nas questões do teatro. Foi nessa altura que se aperceberam da entrada na associação de Ma Li Chong, que não conheciam. “Não sabemos como é que entraram o Sr. Ma Lin Chong e as outras pessoas. Aliás, temos informação de que entre essas pessoas [que entraram para a associação] estarão a mulher e os dois filhos dele”, explicou Henrique Nolasco da Silva. Estas mudanças levantaram várias questões, que os descendentes dizem que ainda hoje não têm resposta. “Quem decidiu a admissão do Sr. Ma e dos outros? Não sabemos. Entraram todos ao mesmo tempo ou em vagas sucessivas? Não sabemos. Quanto são? Não sabemos. Chamaram direcção ou membros da direcção às pessoas que possivelmente se reuniram para decidir sobre essa admissão? Não sabemos. Há actas ou outros papéis a relatar isso? Não sabemos. Onde estão os livros de actas que ficaram à guarda do Sr. João Sales? Não sabemos. Desapareceram? Não sabemos”, questiona Henrique Nolasco da Silva. Em declarações ao HM, João Novikoff Sales, descendente de João Souza Sales e herdeiro das acções deste, questionou igualmente a legitimidade de Ma à frente da associação. Novikoff Sales admite que terá sido o pai a colocar Ma dentro da associação, mas desconhece os moldes e levanta dúvidas sobre as alterações dos estatutos. O pintor confirmou também que os associados tinham de ser


quinta-feira 30.9.2021

O gosto pelas artes

TIAGO ALCÂNTARA

descendentes dos fundadores ou aprovados pelos outros membros da direcção.

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Além da entrada para a presidência de Ma, a alteração dos estatutos passou a permitir que qualquer pessoa seja membro da Associação dos Proprietários do Theatro D. Pedro V. A admissão de associados deixou assim de ser controlada, como no passado. “Agora, para se ser sócio, basta escrever a dizer que se quer ver o teatro conservado e se gosta de cultura, música, artes e teatro para se entrar, desde que o Sr. Ma e outras pessoas que aparecem no registo dos Serviços de Identificação como elementos da direcção digam que sim”, relatou Henrique Nolasco.

“Não estamos de braços cruzados. Há um procedimento judicial em curso sobre o qual não nos podemos alongar porque está em segredo de justiça.” JOSÉ BASTO DA SILVA DESCENDENTE DOS FUNDADORES

O HM questionou Ma Lin Chong, que se assume como presidente da associação, sobre as acusações de falta de legitimidade. Contudo, o presidente mostrou-se perplexo com a posição do grupo de descendentes. “É difícil reagir porque ninguém me acusou [cara a cara] [...] Também não sei quem me está a acusar [de falta de legitimidade]. Para ser honesto, todos os procedimentos foram feitos

de forma legítima pelo Governo”, afirmou Ma. O nosso jornal tentou igualmente perceber junto de Ma em que ano tinha sido eleito pela primeira vez presidente e os moldes da relação com João Sales Marques. Na resposta, Ma Lin Chong indicou ter problemas de memória: “Já não me lembro, porque tenho uma idade avançada, tenho demência, não sei essas coisas de forma clara.”

Tribunais e venda

“Já não me lembro [da eleição e relação com João Souza Sales], porque tenho uma idade avançada, tenho demência, não sei as coisas de forma clara.”

MA LIN CHONG PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS DO THEATRO D. PEDRO V

Enquanto as dúvidas sobre os procedimentos dentro da associação persistem, o grupo de descendentes dos fundadores decidiu levar a questão para tribunal. Foi o que relatou ao HM José Basto da Silva, também descendente dos fundadores. “Não estamos de braços cruzados. Há um procedimento judicial em curso sobre o qual não nos podemos alongar porque está em segredo de justiça. Esperamos que os desenvolvimentos desse procedimento nos ajudem a encontrar o caminho”, afirmou. No entanto, e num momento em que os descendentes estão afastados das decisões sobre o teatro, existe o receio que possa haver uma tentativa de venda. “O que impulsionou essa [primeira] tentativa [de venda] foi uma perspectiva de fazer dinheiro. Não temos qualquer razão para acreditar que se desistiu da ideia. Pelo contrário, na nossa análise, a ambição está viva, à espera duma oportunidade para se concretizar”, sustentou José Basto da Silva.

Caso surja um interessado privado na compra do teatro, a RAEM tem direito de preferência, pelo que pode adquirir o espaço, se igualar a proposta privada. Ao HM, Ma diz que a associação não comenta uma potencial venda: “Não temos qualquer opinião [sobre esse assunto]”, respondeu.

A entrega à RAEM

Com a gestão do teatro entregue ao IC até 2024, o grupo de descendentes considera que a melhor solução para o futuro seria manter o espaço sob a alçada da RAEM. Este objectivo é encarado pelo grupo como prioritário, não afastando mesmo uma doa-

ção ao IC. “Não queremos e nunca quisemos fazer dinheiro com o teatro e achamos que ele tem de continuar confiado à RAEM, mas sem sobressaltos e com interlocutores legítimos e responsáveis”, disse José Basto da Silva. “Qual é o caminho para chegar lá, vamos ver”, acrescentou. O descendente sublinhou ainda que, como património da Humanidade, o teatro “é uma questão de interesse público” e que a reflexão sobre os seus destinos “cabe também às entidades competentes e aos amigos da cultura de todos os quadrantes”. Mesmo no cenário em que propriedade se mantenha com a associação é defendida a renovação

do protocolo do IC: “Os motivos que nos levaram a propor o Protocolo que, aliás, até fomos nós que minutámos, embora depois a minuta tenha sido trabalhada pelo IC, continuam actuais”, afirmou Nolasco da Silva. “Nós não temos condições financeiras para manter o teatro. É o IC quem tem os recursos, o saber e a experiência de dinamização cultural que são necessários”, completou. Também João Novikoff Sales afirmou ao HM que considera viável a hipótese de doação ao Instituto Cultural. Porém, no seu caso diz que devido à situação financeira pessoal tem necessidade de uma compensação. Ao HM, diz que aceita transferir o teatro a troco de o arrendamento de uma habitação pública, ou seja, uma casa com renda acessível. No entanto, para o presidente da Associação dos Proprietários do Theatro D. Pedro V o futuro do protocolo ainda não está a ser equacionado nem se compromete com a renovação. “Nunca pensei neste assunto [do futuro do protocolo]”, respondeu. “Não sabemos como vão ser as coisas no futuro, sobretudo nesta fase de pandemia, em que é difícil cuidar de muitas coisas. Não estamos a pensar no dia de amanhã, mas a viver um dia de cada vez”, sublinhou. “Se calhar nesse próximo dia até eu estarei morto, quem sabe?”, concluiu. João Santos Filipe e Nunu Wu

O Grupo de Descendentes dos Fundadores é constituído por Henrique Nolasco da Silva, Francisco Sales da Silva, José Gonçalo Basto da Silva, João d’Assumpção, Nuno Senna Fernandes Jr. e Catarina Canavarro Ramos (ordem da esquerda para a direita)


4 política

30.9.2021 quinta-feira

COVID-19 SONG PEK KEI QUER “MILITARIZAÇÃO” DE NORMAS NOS HOTÉIS DE QUARENTENA

Como na tropa

RÓMULO SANTOS

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PME ELLA LEI PEDE APOIOS FINANCEIROS PARA EMPRESAS

A

deputada Ella Lei, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), perguntou ao Executivo se tem planos para lançar novos apoios sociais, face ao forte impacto da pandemia na actividade económica.Aquestão foi colocada numa interpelação escrita, divulgada ontem, em que a legisladora se mostra preocupada com o desemprego. De acordo com a deputada, o surto mais recente levou a que “a recuperação económica fosse revertida, as reservas dos hotéis canceladas, e que os restaurantes ficassem impedidos de receber grandes banquetes”. Ella Lei considera que as restrições fazem com que “todos os negócios tenham uma vida muito difícil”, e que as empresas, impedidas de aumentar as receitas, apenas pensem em “reduzir custos” para sobreviverem. No entanto, teme que a contenção de custos leve a desemprego e lay-offs. “Muitas empresas, especialmente as Pequenas e Médias Empresas (PME) e os seus empregados, estão a enfrentar grandes dificuldades. Além disso, é difícil encontrar emprego nesta conjuntura. Será que o Governo vai lançar um novo pacote de medidas de assistência financeira?”, questionou. Entre as medidas, a deputada pergunta se há intenções de lançar mais uma ronda do cartão de consumo no valor de 8 mil patacas. Por outro lado, a deputada afirma que as empresas têm cooperado com o Governo para controlar a pandemia, mas que o preço é muito elevado, a nível dos negócios e nível de vida. Nesse sentido, Ella Lei pergunta se o Governo vai ter um mecanismo de apoio aos negócios que foram obrigados a suspender a actividade. J. S. F.

Após considerar que o novo surto de covid-19 teve por base “negligência grave” do Governo, Song Pek Kei defende a introdução de normas de gestão militares nos hotéis de quarentena. A deputada pede ainda a revisão dos mecanismos de prevenção baseada nas práticas do Interior da China

RÓMULO SANTOS

prevenção do Interior da China. “Actualmente, as cidades do Interior da China têm regras de isolamento rígidas dedicadas aos hotéis de observação médica e toda a cadeia de gestão é fechada. Através da implementação de critérios militares, paramilitares e de gestão quase hospitalar, é aplicada um sistema completo de gestão em circuito fechado, nomeadamente quanto ao regime de turnos, evitando que os trabalhadores circulem livremente pela comunidade”, pode ler-se numa interpelação escrita da deputada. Reforçando a ideia, Song Pek Kei sublinha ainda que, em Macau, os trabalhadores dos hotéis de quarentena colocam em risco a população porque “não têm conhecimentos básicos sobre as medidas de prevenção da pandemia”. “O sistema de quarentenas em Macau carece de consciência de risco e aumenta a probabilidade do surgimento de potenciais surtos comunitários. O Governo vai considerar rever o sistema de gestão

dos hotéis de quarentena, alinhando-o assim com as normas nacionais e assegurando o risco de novos surtos de covid-19?”, questionou a deputada.

E a tecnologia?

À luz do novo surto, que resultou, até ao momento, na confirmação de sete novos casos, entre os quais seis seguranças dos hotéis, e no encerramento de várias zonas da cidade, Song Pek Kei quer ainda saber qual o andamento da aplicação de telemóvel que está a ser desenvolvida pelo Governo, com o intuito de registar o paradeiro de residentes para controlar um eventual surto de covid-19. Para a deputada, os novos surtos demonstraram que existe “um certo atraso” na identificação de contactos próximos e secundários relacionados com os casos confirmados, e que a introdução deste tipo de tecnologia iria facilitar o rastreamento de potenciais infectados e o anúncio de novas medidas. Pedro Arede com N.W.

CCPPC Governo Central atento a bem-estar de Macau

O Governo Central acompanha sempre com atenção o bem-estar da população de Hong Kong e Macau, e promete esforçar-se para melhorar a situação de governação, economia e melhoramento da vida da população. As garantias partiram de Wang Yang, presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, durante uma conferência de imprensa no Grande Salão do Povo sobre o dia nacional chinês. Ao mesmo tempo, citado pela agência estatal Xinhua, Wang Yang afirmou que o Governo está determinado em “concretizar firmemente” o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, bem como o princípio de Hong Kong e Macau governadas por patriotas.

“O sistema de quarentenas em Macau carece de consciência de crise e aumenta a probabilidade do surgimento de potenciais riscos comunitários.” SONG PEK KEI DEPUTADA

Jiangmen Exigido mais apoio económico Lo Choi In, futura deputada eleita pela lista de Jiangmen, exige ao Governo mais uma ronda das medidas de apoio económico, como a isenção do pagamento de água e luz, ou a distribuição de mais um cheque pecuniário e cupões de consumo. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, em que a futura deputada defendeu que as Pequenas e Médias Empresas precisam de me-

didas urgentes porque são a pedra basilar da economia, ao assegurarem 80 por cento dos empregos locais. Por outro lado, Lo Choi In também sugeriu que o Executivo subsidie os empregados que vivem entre Macau e Zhuhai, uma vez que estas pessoas sofrem com as medidas transfronteiriças devido à pandemia, gastando dinheiro com rendas de quartos e apartamentos.

RÓMULO SANTOS

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O rescaldo das falhas nos hotéis de quarentena que deram origem ao novo surto de covid-19, Song Pek Kei, quer que o Governo introduza regras mais rígidas nos locais de isolamento, que tenham por base critérios de gestão militares e paramilitares. Para a deputada reeleita, o facto de, entre sexta-feira e sábado, dois seguranças do Golden Crown China Hotel terem sido diagnosticados com covid-19 após utilizarem incorrectamente máscaras ao contactar um paciente em observação médica, constitui uma “negligência grave” dos trabalhos de prevenção “na fonte”, por parte do Governo. Com o objectivo de conter a pandemia de forma eficaz e assegurar a recuperação estável da economia de Macau, aponta Song Pek Kei, “deve ser feita uma revisão global das insuficiências identificadas” e dos mecanismos de trabalho, tendo como referência as “sólidas” práticas de


quinta-feira 30.9.2021

sociedade 5

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Habitações Económicas Propostas até 1,42 mil milhões de patacas

O Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas recebeu 14 propostas para realizar a obra de concepção e construção de habitação pública no lote A12 da Nova Zona de Aterro A. Os valores das propostas variam entre 1,28 mil milhões de patacas e 1,42 mil milhões de patacas, de acordo com um comunicado emitido ontem pela entidade. Ao mesmo tempo, o prazo de execução das propostas varia entre 1.125 e 1.130 dias, ou seja, períodos superiores a três anos. Uma das propostas foi aceite de forma condicional, mas, e apesar dos procedimentos de abertura das propostas ter acontecido na terça-feira, ontem ainda não era possível saber os autores das mesmas, porque o documento não tinha sido carregado no portal do GDI. O empreendimento localiza-se na Nova Zona de Aterro A, com uma área de 14 266 metros quadrados, incluindo cerca de 954 fracções habitacionais, auto-silo público e instalações comerciais e sociais.

AAM TSI rejeita recurso interposto por advogado JUSTIÇA AAM RECORRE DE DECISÃO QUE DECRETOU PROCESSO DISCIPLINAR À DIRECÇÃO

Ou vai ou racha A Associação de Advogados de Macau vai recorrer da decisão do Tribunal Administrativo que decretou ao Conselho Superior de Advocacia a abertura de um processo disciplinar para apurar eventuais responsabilidades na suspensão de um estágio de advocacia

O

Tribunal Administrativo (TA) decidiu, no passado dia 3 de Setembro, que o Conselho Superior de Advocacia (CSA) deveria abrir um processo disciplinar à direcção da Associação dos Advogados de Macau (AAM) por alegados atrasos na execução de uma sentença, relativa à suspensão de um estágio de advocacia. No entanto, segundo apurou o HM, a direcção da AAM recorreu da sentença. O advogado estagiário, que voltou a estagiar e cujo patrono é João Soares, não vai, para já, interpor novo processo a pedir indemnização de 60 mil patacas

por danos patrimoniais e não patrimoniais, optando por esperar pela decisão judicial do recurso. O HM tentou obter reacção da direcção da AAM, presidida por Jorge Neto Valente, mas até ao fecho desta edição não recebeu resposta. Recorde-se que a sentença do TA determinava a extracção “da certidão para remeter ao CSA de-

pois do trânsito em julgado desta decisão”, com base no Código do Processo Administrativo Contencioso, pelo facto de se suspeitar que a direcção da AAM não executou a sentença dentro do prazo, atrasando formalidades no regresso do advogado ao seu estágio. Segundo o acórdão do TA, a direcção da AAM “fundamentou o atraso na sua execução com a fal-

O advogado estagiário não vai, para já, interpor novo processo a pedir indemnização de 60 mil patacas por danos patrimoniais e não patrimoniais, optando por esperar pela decisão judicial do recurso

ta de pessoal (…) além das funções administrativas da AAM”, e que teria feito também acompanhado vários processos judiciais”.

Caso de Fevereiro

O caso remonta a 3 de Fevereiro deste ano, quando a AAM suspendeu a inscrição do advogado estagiário que tem João Soares como patrono, tendo comunicado a decisão no dia 8 desse mês aos tribunais e à Comissão de Apoio Judiciário. A AAM foi também informada deste acto através de circular interna. O advogado estagiário decidiu colocar a direcção da AAM em tribunal e ganhou a acção a 15 de Março. No dia 18 do mesmo mês, a AAM “informou o advogado estagiário para se apresentar de modo a realizar as provas escritas ao 29º exame final de estágio marcadas para os dias 20 e 27 do mesmo mês”. O advogado estagiário colocaria a direcção da AAM novamente em tribunal, a 20 de Abril, alegando “a falta do cumprimento espontâneo da decisão judicial”, que incluía a informação, a diversas entidades judiciais, do fim da suspensão do estágio. Só no dia 30 de Abril a AAM informou os associados e a 4 de Maio os organismos públicos e judiciais. Andreia Sofia Silva

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) recusou o recurso apresentado por um advogado que havia sido nomeado oficiosamente, como mandatário, pela Associação dos Advogados de Macau (AAM), e que recusou essa função. Segundo o acórdão do TSI ontem divulgado, a nomeação foi para um processo de juízo cível do Tribunal Judicial de Base (TJB). Um dos argumentos apresentados pelo TSI é que o advogado “tem o dever legal de assegurar o patrocínio oficioso nomeado”, com base no código deontológico da profissão, “e só pode requerer a respectiva escusa a quem fez a nomeação ou perante o juiz da causa e com motivo justificado”, não devendo recorrer da nomeação para os tribunais.

Hotéis Taxa de ocupação cai 37,6 por cento em Agosto

A taxa de ocupação média hoteleira desceu 37,6 por cento em Agosto, quando comparada com a do mês anterior, anunciou ontem a Direção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os hotéis e pensões hospedaram 697 mil pessoas em Julho e em Agosto o número desceu para 435 mil. A taxa de ocupação média (…) foi de 38,4 por cento, mais 25,1 pontos percentuais, em termos anuais, contudo, diminuiu 25,3 pontos percentuais, face à de Julho”, indicou a DSEC. As autoridades explicam a descida com o “reforço da inspeção exigida para a entrada e saída” do território, no âmbito das políticas de prevenção face à pandemia de covid-19. Entre Janeiro e Agosto, a taxa de ocupação média foi de pouco mais de metade.

Economia Académico prevê mais desemprego

O presidente do Instituto de Gestão de Macau, Samuel Tong Kai Chung, estima um aumento do desemprego, caso a pandemia se mantenha. Ao jornal Ou Mun, Samuel Tong apontou que os últimos casos de covid-19 aconteceram antes da semana dourada e vão ter um grande impacto no sector do turismo e outros sectores, que empregam grande parte da população. Assim, Samuel Tong indicou que a taxa de actividade vai cair e o desemprego e subemprego vão continua a subir. Por isso, o gestor sugeriu ao Governo estender as medidas de apoio correntes às Pequenas e Médias Empresas (PME), dar formação profissional aos mais velhos e criar um plano de emergência para quando a taxa de desemprego subir.


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HO IAT SENG ELEVADA TAXA DE VACINAÇÃO NÃO GARANTE ABERTURA DE FRONTEIRAS

Testes Resultados da segunda ronda são todos negativos

Os resultados das amostras recolhidas por durante o segundo plano de testagem em massa da população deram todos negativo. De acordo com o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus entre as 15h de 24 de Setembro e as 15h horas de 25 de Setembro foram recolhidas, no total, 689.766 amostras, das quais 44.536 dizem respeito a testes de ácido nucleico pagos. “O Centro de Coordenação (…) manifesta agradecimento pela cooperação e apoio dos residentes de Macau. Agradece ainda em particular aos 2.500 participantes dos vários serviços públicos e profissionais de saúde de instituições médicas, 100 voluntários no âmbito de medicina, bem como aproximadamente 2.000 pessoas das escolas e jovens voluntários”, pode ler-se em comunicado.

Patane Desbloqueadas zonas de código amarelo

Após os testes de ácido nucleico realizados aos moradores da Rua do Visconde Paço de Arcos n.º 333, Rua e Travessa da Palmeira, Travessa da Corda, e do Edifício Fu Heng, terem dado negativo, estas zonas de código amarelo foram desbloqueadas. Em comunicado, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus deixou um apelo, para que as pessoas que ainda têm o seu código de saúde a amarelo, sejam submetidos aos testes de ácido nucleico consoante as indicações das autoridades.

A insustentável

O

Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, lamentou ontem que Macau tenha a taxa de vacinação mais baixa da China e pediu que a população assuma “as suas responsabilidades”. Isto, partindo do pressuposto que a economia do território só pode recuperar se forem aliviadas as restrições fronteiriças e que, para isso, é necessário criar uma barreira imunológica contra a covid-19 através da vacinação. No entanto, Ho Iat Seng apontou que, mesmo com barreira imunológica e taxa de vacinação de 100 por cento, não é garantido que Macau abra ao exterior. Segundo o Chefe do Executivo, a primeira etapa é alcançar uma taxa de vacinação de “pelo menos” 80 por cento, para discutir com o Governo Central o retorno das excursões e dos pedidos de visto electrónico a partir do Interior da China.

“Quando me perguntam sobre a taxa de vacinação de Macau, não tenho resposta para dar porque é a mais baixa da China.” HO IAT SENG

“Não existe um padrão fixo [para criar a barreira imunológica]. A taxa de vacinação de 100 por cento é o ideal (…) mas tem de ser de, pelo menos, 80 por cento para eu começar a discutir medidas [com o Governo Central]. Só com uma taxa de 80 por cento temos fundamentos e base para discutir com as respectivas entidades (…) e, passo a passo, voltar ao normal. Actualmente, quando me perguntam sobre a taxa de vacinação de Macau, não tenho resposta para dar porque é a mais baixa da China”, começou por dizer ontem Ho Iat Seng em conferência de imprensa. “Será que depois de vacinar toda a população podemos levantar as restrições de entrada? É muito difícil dizer, porque sabemos que mesmo que as pessoas estejam vacinadas (…) há a possibilidade de serem infectadas. Corremos esse risco. Nesta fase, sabemos apenas que a gravidade da infecção é menor após a vacinação. Por isso

GCS

Apelando à população que assuma responsabilidades, o Chefe do Executivo afirmou que só quando a vacinação chegar aos 80 por cento serão iniciadas negociações com o Governo Central. No entanto, mesmo com taxa de 100 por cento, não é certo que Macau abra ao exterior. Se não houver novos casos, a quarentena para entrar em Zhuhai será cancelada amanhã

temos de estudar, nomeadamente a variante Delta, que é uma estirpe muito forte”, acrescentou.

A parte pelo todo

Ho Iat Seng sublinhou que a taxa de vacinação de Macau é de cerca de 50 por cento e referiu Portugal como bom exemplo em termos de esforço de vacinação contra a covid-19. Contudo, questionado se estão previstas novas medidas

DE GUARDA O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou ontem que irá fiscalizar os hotéis usados para quarentena. Caso sejam detectadas irregularidades, os agentes destacados irão relatar o caso ao Ministério Público (MP) ou exigir o cumprimento das normas. “Se vamos trabalhar nos hotéis é para fiscalizar se estão a respeitar as instruções dos Serviços de Saúde. [Se verificarem infracções], os policias vão denunciar o caso ao MP. O CPSP vai também fiscalizar se os agentes de segurança e os trabalhadores estão a seguir essas instruções. Caso contrário, vamos fazer essa exigência”, anunciou ontem o CPSP.

de incentivo à vacinação como a imposição de restrições a não vacinados, o Chefe do Executivo disse que é preciso encontrar uma forma “equilibrada” de promover a vacinação, mas que, ao mesmo tempo, não obrigue os residentes a ser inoculados. Por isso, apontando à recuperação económica, Ho Iat Seng pediu aos residentes de Macau que assumam as suas responsabilidades, de forma a “ajudar o Governo e a si próprios”. “Não posso dizer ao Governo Central que a nossa taxa de vacinação é de apenas 50 ou 60 por cento. Somos uma cidade turística e queremos atrair mais turistas. Entretanto, os cidadãos não estão a assumir as suas responsabilidades. Quando vamos ao exterior é muito difícil divulgar Macau. Por exemplo, na Europa e em Portugal, a taxa de vacinação é muito elevada, por isso já poucas pessoas estão nos cuidados intensivos”, referiu Ho Iat Seng. Relativamente à reabertura de fronteiras com Zhuhai, Ho Iat Seng admitiu que, caso não sejam diagnosticados novos casos de covid-19 nos próximos dias, a quarentena de

14 dias para quem entra no território vizinho será cancelada.

A culpa é minha

Questionado sobre as falhas ocorridas num hotel destinado a quarentenas, na origem do contágio de seis seguranças, o Chefe do Executivo garantiu o reforço das medidas de fiscalização daqueles espaços [ver caixa] e sublinhou que não é hora de apontar o dedo aos funcionários que

“Caso pensem que é preciso culpar alguém sempre que surjam incidentes, culpem-me a mim. Temos de ter sentido de responsabilidade. Não é preciso atirar a culpa para determinado director ou para os seguranças.” HO IAT SENG


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dureza de ser

ultimamente têm estado debaixo de fogo. Ho vai mais longe e diz mesmo que, seguindo esse raciocínio, no limite, a culpa é dele. “Caso pensem que é preciso culpar alguém sempre que surjam

U

M total de 746 residentes continua sem realizar o teste à covid-19 no âmbito da medida de testagem em massa após a ocorrência de novos casos no território. Número reduzido face às 10.190 pessoas, na maioria turistas e trabalhadores não residentes (TNR), que também não foram testadas. “Muitos dos TNR e turistas já saíram de Macau”, disse a médica Leong Iek Hou, coordenadora do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus. “Uma pequena parte continua a recusar fazer o teste e estamos a acompanhar estes

incidentes, culpem-me a mim. Há certamente uma falha, mas primeiro temos de ter sentido de responsabilidade. Isso não quer dizer que é preciso atirar a culpa para determinado director ou para os seguranças.

Todos nós temos de assumir a nossa responsabilidade”, referiu. Ho Iat Seng considerou ainda os seguranças “inocentes”, argumentando que estes “também não queriam ser contaminados” e que

Com polícia à porta Mais de 700 residentes não participaram na testagem em massa

casos. Daremos um prazo de tolerância, mas se até às 21h horas de amanhã [hoje] não realizarem o teste a polícia irá a casa exigi-lo. Caso contrário, terão de fazer uma quarentena de 14 dias”, apontou a responsável. Relativamente à transferência das mais de 150 pessoas em quarentena nos hotéis onde foram registadas as infecções, 132 foram para o hotel Sheraton, enquanto que os restantes irão

para o hotel Treasure. Será ainda feita uma desinfecção geral ao hotel China Golden Crown. “Até agora a transmissão é apenas entre os agentes de segurança, não há um meio de transmissão com as pessoas que estão no hotel. Apenas queremos transferi-los para satisfazer as suas necessidades psicológicas”, foi referido. Entretanto, cerca de 600 pessoas, na maioria TNR do Interior

tem dúvidas “se algum residente de Macau quer assumir a tarefa”. “O trabalho deles não é fácil. Têm de utilizar fatos de protecção e há mais de um ano que fazem este trabalho”, rematou. Pedro Arede

da China, estão no centro de acolhimento da Ilha Verde por estarem retidas no território.

Faltas justificadas

Relativamente a quem tem de realizar quarentena em hotéis devido a contacto próximo com os novos casos de infecção, Leong Iek Hou garantiu que a lei os protege de eventuais despedimentos. “Os Serviços de Saúde vão emitir um certificado para estas pessoas que estão em quarentena. As empresas privadas podem ter regras diferentes, mas segundo a lei [Lei de prevenção, controlo e tratamento

de doenças transmissíveis], não podem despedir as pessoas por causa da quarentena.” Ontem foram também revelados dados sobre o caso de infecção número 71, relativo a um homem de 38 anos, oriundo de Zhongshan. O indivíduo, que não reside em Macau e foi vacinado, partilhou balneário com os seguranças do hotel Golden Crown e efectuou o mesmo trajecto dos casos 65 e 66. O Centro de Coordenação partilhou as suas informações com as autoridades de Zhongshan. “O risco de transmissão é baixo porque no dia 24

PME GOVERNO ESTUDA APOIOS E AFASTA NOVO CARTÃO DE CONSUMO

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Chefe do Executivo admitiu ontem que estão a ser estudadas novas medidas de apoio às pequenas e médias empresas (PME), no seguimento do mais recente surto de covid-19 em Macau. Isto, quando as restrições impostas para conter os novos casos levaram muitos visitantes a cancelar a sua entrada em Macau por ocasião da Semana Dourada do Dia Nacional. “Sabemos que as PME estão a viver um momento muito árduo. Quando estava no exterior, pedi ao secretário Lei Wai Nong para estudar as medidas de apoio”, referiu Ho, acrescentando que, para já, é preciso avaliar a actual taxa de desemprego e o impacto para as empresas. Sobre a atribuição de um novo cartão de consumo, o Chefe do Executivo apontou que está em vigor, até ao final do ano, uma ronda de apoios população, e sublinhou que as verbas do Governo devem ser gastas com critério. “Em comparação com outros locais, as nossas bases tributárias são fracas. Ainda não sabemos quando vai acabar a pandemia. Três anos, quatro anos? Neste momento, não sabemos quanto dinheiro mais podemos distribuir. Se este ano distribuirmos o dinheiro, no futuro, como vai ser?”. Ho Iat Seng confirmou ainda que o orçamento será revisto, tendo em conta o impacto dos novos surtos nas receitas do jogo. P.A.

[o homem] fez um teste negativo, mas estava em isolamento, e só no dia 28 teve resultado positivo.” Sobre o facto de os seguranças terem partilhado o mesmo balneário, foram dadas explicações adicionais. “Estes dois hotéis trabalham com a mesma empresa de segurança, mas nesse vestiário quem tinha tarefas de alto risco frequentou um espaço, e quem tinha tarefas com menos riscos ia para outros espaços. Vamos rever se estas medidas são boas ou más, dependendo dos recursos disponibilizados por cada hotel”, explicou Leong Iek Hou. A.S.S.


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TAP ANTIGO ACCIONISTA PLANEIA LIQUIDAR 40% DA SUA DÍVIDA

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conglomerado chinês HNA Group, antigo accionista da TAP, propôs ontem um plano para liquidar 40 por cento do equivalente a 52 mil milhões de euros em títulos de dívida vendidos a milhares de credores. A HNA, cujo principal negócio é o sector da aviação, alertou em comunicado que enfrenta possível liquidação devido à “má gestão e desordem nos investimentos”. Na sexta-feira, o grupo disse que o seu presidente, Chen Feng, e o director-executivo, Tan Xiangdong, foram detidos pela polícia por “suspeita de crime”, sem avançar com mais detalhes. A empresa, que opera a Hainan Airlines e outras companhias aéreas, comprou hotéis, uma participação no banco alemão Deutschebank AG e outros activos no exterior, a partir de 2014, financiados por empréstimos bancários e vendas de títulos de dívida. Esta enfrentava já dificuldades financeiras, até que a paralisação das viagens a nível global, no

ano passado, devido à pandemia da covid-19, devastou o seu negócio de aviação. O governo da província de Hainan assumiu o controlo da empresa em Fevereiro de 2020. O plano de reembolso, divulgado pela subsidiária de capital aberto Hainan Airlines Holding Co., refere que um administrador pediu a um tribunal para confirmar que a empresa é obrigada a pagar 161,2 mil milhões de yuans, ou cerca de 40 por cento dos 397,2 mil milhões de yuans, reclamados por 4.915 credores. Os credores receberiam acções da Hainan Airlines e não mais do que 100.000 yuans, em dinheiro, para liquidar um terço da dívida, segundo o plano. O HNA Group e empresas relacionadas vão ser responsáveis por liquidar dois terços da restante dívida. O grupo vendeu vários dos seus activos, nos últimos dois anos, incluindo a participação que detinha na TAP, através da Atlantic Gateway, num negócio avaliado em 48,6 milhões de euros.

Covid-19 Onze novos casos locais

As autoridades chinesas identificaram ontem 25 novos casos de covid-19, dos quais 11 por contágio local, diagnosticados nas províncias de Fujian e Heilongjiang. Fujian e Heilongjiang somaram três e oito casos, respectivamente. Os restantes 14 casos positivos foram diagnosticados em viajantes oriundos do exterior no município de Shanghai e nas províncias de Yunnan, Guangdong, Fujian e Jiangsu. A Comissão de Saúde da China indicou que, até à meia-noite local de ontem, 58 pacientes tiveram alta, com o número total de infectados activos na China continental a fixar-se em 949, incluindo cinco em estado grave. A mesma fonte adiantou que o país somou 96.106 casos e 4.636 mortos desde o início da pandemia. A covid-19 provocou pelo menos 4.752.875 mortes em todo o mundo, entre 232,27 milhões infecções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

EVERGRANDE VENDIDA PARTICIPAÇÃO EM BANCO COMERCIAL A GRUPO ESTATAL

Retenção de líquidos

A construtora Evergrande anunciou ontem a venda de 19,93 por cento das acções do banco comercial Shengjing Bank a um conglomerado estatal, por 9.993 milhões de yuans, numa altura em que regista falta de liquidez

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g r u p o Evergrande vendeu 19,93 por cento das acções do banco comercial Shengjing Bank a um conglomerado de empresas estatais por 9.993 milhões de yuans. Em comunicado, enviado ontem à Bolsa de Valores de Hong Kong, a Evergrande indicou que, após a transacção, a sua participação no Shengjing Bank caiu de 34,5 por cento para 14,57 por cento. A Evergrande vai transferir 1.753 milhões de acções um preço unitário de 5,7 yuans. O dinheiro provavelmente não vai para a tesouraria da construtora, já que o Shengjing Bank exigiu que o lucro líquido que a Evergrande obtiver com a operação pague as dívidas que tem com o banco. O conglomerado que adquiriu a participação é identificado

no documento como Shenyang Shengjing Finance Investment Group, um grupo estatal, formado por diferentes instituições da cidade de Shenyang - onde o banco tem sede - e da província de Liaoning. O motivo dado para a transacção são os “problemas de liquidez” da Evergrande, que

O dinheiro provavelmente não vai para a tesouraria da construtora, já que o Shengjing Bank exigiu que o lucro líquido que a Evergrande obtiver com a operação pague as dívidas que tem com o banco

“afectaram material e adversamente o Shengjing Bank”. Em Maio, o portal de notícias económicas Caixin informou que os reguladores bancários chineses estavam a investigar mais de 100 mil milhões de yuans em transacções entre a Evergrande e o Shengjing Bank, que detém “grande quantia” de títulos da, até agora, sua principal accionista. Embora a Evergrande tenha assegurado que todas as operações com o Banco Shengjing cumpriram os regulamentos estabelecidos, o vice-presidente da câmara de Shenyang pediu às empresas públicas da região que aumentassem “gradualmente” a sua participação na entidade, para “acelerar a sua conversão para um bom banco”.

Pequeno alívio

No comunicado emitido ontem de manhã, a Evergrande garantiu

que a entrada do grupo estatal vai “ajudar a estabilizar as operações do banco” e “aumentar e manter o valor” da participação que a imobiliária manteve. A notícia foi bem recebida pelos investidores na Bolsa de Valores de Hong Kong, com as acções da Evergrande a subir mais de 13,1 por cento, na sessão da manhã. A Evergrande, com um passivo total de cerca de 256.000 milhões de euros, vê-se em apuros para pagar 47,5 milhões de dólares de juros sobre obrigações emitidas fora da China. Na passada quinta-feira, terminou o prazo para o pagamento de 84 milhões de dólares de obrigações também emitidas no estrangeiro.


quinta-feira 30.9.2021

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S autoridades chinesas afirmaram ontem que vão bloquear o pedido de Taiwan para aderir a um importante acordo comercial internacional, citando como motivo a recusa da ilha em admitir que é parte da República Popular da China. O Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês disse ontem que a participação de Taipé na cooperação regional, no âmbito do comércio, tem como base o princípio “Uma só China”. “Opomo-nos à participação da região de Taiwan em quaisquer acordos comerciais de natureza oficial”, disse o porta-voz Zhu Fenglian, em conferência de imprensa. Taiwan anunciou, em 23 de Setembro, que se candidatou ao Acordo Progressivo e Abrangente para a Parceria Transpacífica (CPTPP), uma semana depois de a China apresentar também um pedido de adesão. O CPTPP abrange 11 nações e entrou em vigor em 2018. Este inclui acordos sobre acesso ao

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Uma posição firme Pequim promete bloquear adesão de Taiwan a acordo comercial

mercado, movimentação de mão-de-obra e compras governamentais. Entre os membros constam a Austrália, Canadá, Japão, México, Peru, Singapura e Nova Zelândia. O Reino Unido também começou a negociar a sua adesão depois de sair da União Europeia. O tratado é uma versão actualizada da Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), assinada em 4 de Fevereiro

“Opomo-nos à participação da região de Taiwan em quaisquer acordos comerciais de natureza oficial.” ZHU FENGLIAN PORTA-VOZ DO GABINETE PARA OS ASSUNTOS DE TAIWAN DO CONSELHO DE ESTADO

de 2016, mas que entrou em crise depois do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump retirar o seu país, em 2017.

Oficial e cavalheiro

Os comentários de Zhu seguem observações anteriores do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Zhao Lijian, de que a China se opõe “firmemente a qualquer contacto oficial entre Taiwan e outros países, bem como a adesão de Taiwan a quaisquer acordos ou organizações de natureza oficial”. O governo de Taiwan, que esperava já que a China tentasse bloquear a sua adesão, diz que o seu estatuto de democracia e economia de mercado deve jogar a seu favor. “Taiwan e China seguem sistemas de organização diferentes. Somos uma economia de mercado completa”, disse John Deng, responsável pelo Comércio de Taiwan, em conferência de imprensa, na semana passada.

Região Japão Fumio Kishida ganha primárias e torna-se primeiro-ministro

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa japonês Fumio Kishida venceu ontem as primárias do Partido Liberal Democrático (LDP) do Japão e será nomeado primeiro-ministro e candidato às eleições gerais nos próximos meses. Kishida, de 64 anos, venceu Taro Kono, o actual ministro da Reforma Administrativa e Regulamentar no gabinete do primeiro-ministro cessante Yoshihide Suga, por 257 votos contra 170, num segundo turno em que o apoio dos deputados do LDP foi decisivo. Ambos atingiram a segunda ronda depois de registarem margens estreitas de 256 (Kishida) e 255 (Kono) na primeira ronda, onde nenhum dos dois teve uma maioria suficiente. Os outros dois candidatos que participaram nas eleições internas, Sanae Takaichi e Seiko Noda, obtiveram 188 e 63 votos. Como novo líder do Partido Liberal Democrático, Kishida deverá ser eleito o próximo primeiro-ministro na segunda-feira no parlamento, onde o seu partido e parceiro de coligação têm maioria.

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A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA FELICITA A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA PELA PASSAGEM DO SEU 72.º ANIVERSÁRIO

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 30/P/21 OBRA DE REMODELAÇÃO DO 2.º ANDAR DO EDIFÍCIO DYNASTY PLAZA 1. Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. 2. Modalidade de concurso: Concurso Público. 3. Local de execução da obra: 2.º andar do Edifício Dynasty Plaza. 4. Objecto da Empreitada: Realização da obra de remodelação do 2.º andar do Edifício Dynasty Plaza. 5. Prazo máximo de execução: 150 (cento e cinquenta) dias de trabalho (para efeitos de contagem do prazo de execução da empreitada, somente domingos e feriados não são considerados como dias de trabalho). 6. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 (noventa) dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. 7. Tipo de empreitada: A empreitada é por série de preços. 8. Caução provisória: MOP449.650,00 (quatrocentas e quarenta e nove mil, seiscentas e cinquenta patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, aprovado nos termos legais. 9. Caução definitiva: 5% (cinco por cento) do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% (cinco por cento) para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço Base: Não há. 11. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. As pessoas, singulares ou colectivas, por si ou sob forma de consórcio, só podem submeter uma única proposta. As sociedades e as suas filiações são consideradas como sendo uma única entidade, devendo submeter apenas uma única proposta, por si ou sob forma de consórcio com outras pessoas. As pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, devem ter no máximo até três (3) membros, não sendo necessário existir entre os membros qualquer modalidade jurídica de associação. As entidades que participam no consórcio não podem apresentar outra proposta em nome individual ou participar noutro consórcio. Se for adjudicado, a pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, antes da assinatura do contrato de adjudicação, são obrigados a proceder às formalidades, em modalidade de consórcio externo, nos termos das disposições referidas no Livro III do Código Comercial aprovado pelo Decreto n.º 40/99/M, de 3 de Agosto. 12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 29 de Outubro de 2021 (Sexta-feira), até às 17:30 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. 13. Local, dia e hora do acto público: Local: Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Dia e hora: Dia 1 de Novembro de 2021 (Segunda-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer na sessão de esclarecimentos no dia 5 de Outubro de 2021 (Terça-feira), às 10:00 horas, no 2.º andar do Edifício Dynasty Plaza. 15. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP144,00 (cento e quarenta e quatro patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário. 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: A Preço 65% B Experiência em execução das obras 10% Plano de trabalhos C1 Programa de execução das obras - Plano de trabalho de execução das obras - 2.4% 6% - Técnicas de execução das obras - 1.8% - Investimento em recursos de execução das obras - 1.8% C 12% C2 Programa de trabalhos / Cronograma de execução da obra - Progresso da obra - 3% 6% - Fases da obra - 1.5% - Operabilidade - 1.5% D Prazo de execução da obra 13% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, a partir de 29 de Setembro de 2021 (Quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 21 de Setembro de 2021 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long


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retrovisor

LUÍS CARMELO

Existe nas casas uma certa conformidade. Aqueles dois sofás sempre ali estiveram encostados um ao outro. O espaço que ocupam foi o mesmo em muitas casas, dando a ver os seus braços metálicos recurvados sobre a ondulação suave da pele onde recebiam os corpos. Reentras na sala e observa-los agora completamente nus, sem o resfolegar das molas que é próprio dos animais sem couraça, nem cascos. São dois deuses inertes que prefiguram na tua frente o cansaço, a repetição do cansaço. Estás de pé em cima do tapete, no momento em que desvias o olhar para a varanda e, logo a seguir, para o ajardinado. Sobre a relva, evitando as roseiras que caem pelas traves de madeira, vês um homem e uma mulher. Estão ao longe, mas desarmam os gestos e as palavras com relativa facilidade. Dois seres físicos que recebem centelhas de luz, moléculas que lhes sulcam os ouvidos e as extremidades dos membros. Respondem espalhando círculos de ar que se entranham na paisagem, geometrias flutuantes que sobem lá de baixo até à varanda onde já te encostaste, de costas para os dois sofás. Ela relembra a roupa demasiadamente branca da cama naquele verão. Ele diz que há sentimentos que não são captados pela acção da consciência. Como que provêm de uma atmosfera longínqua e, de um momento para o outro, habitam-nos sem pedir qualquer licença. Ficas combalido ao olhar para os teus dois sofás. O que eles sabem excede-te. Muitas gerações e talvez provações. E, no entanto, silenciam tudo na sua forma cristalina, igual a si mesma. Os objectos percorrem a alma do mundo e atam-se aos factos em bruto que são parte íntima do tempo irreversível. Lembras-te do dia de Setembro em que foi pela primeira vez. O tapete é azul, um azul vulcânico saído do mar. Uma frase arrastada pela lava nocturna que acende nos teus olhos a impaciência de não esquecer. Voltas a encarar o homem e a mulher. Eles sabem que não é o desejo que os explica, talvez a tristeza, talvez a grande música. As roseiras que pendem sobre o cenário são também elas secretas como o rumor que vem do fundo da voz dela. Avisa que o amor é apenas uma palavra, uma palavra

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As escarpas EUGENE DELACROIX

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que não tem parte de trás. Ele discorda e imita as asas de um avião sem mexer uma única parte do seu corpo. Fica imóvel, mas a voar. Ela adoraria penetrar nessa turbulência, embora o faça sem dar por isso. Quando sorriem revêem a sonoridade dos sinos da igreja que agita esta área ascendente da cidade. Nessa altura dão as mãos, ainda que se toquem apenas no olhar para que aquilo que se esconde possa aparecer. Tudo é qualquer coisa antes de uma palavra. Apesar de o pronome indefinido não ser rigorosamente sinónimo de amor. Os objectos da casa interrompem o dia-a-dia. Não é o caso apenas do tapete e dos sofás. São as mesas, as cristaleiras, os candeeiros, os armários, a ventoinha, os espelhos, as fotografias, as estantes e os livros. Sim, os livros. Todo o recheio entre paredes parece conspirar contra ti nessa manhã

“TUDO É QUALQUER COISA ANTES DE UMA PALAVRA. APESAR DE O PRONOME INDEFINIDO NÃO SER RIGOROSAMENTE SINÓNIMO DE AMOR.”

de início de Outono. Continuas de pé sem saber se já é hora para sair de casa. O relógio é um daqueles livros fechados, impenetrável. Um bálsamo secreto. Nada na vida é imune a interrupções, sabelo bem. No famoso Banquete de Platão, entre as intervenções de Pausânias e do médico Erixímaco, Aristófanes tem um ataque soluços e interrompe toda a discussão sobre o Eros que estava em curso. A sua intervenção - que colocará no debate a espécie dos andróginos - é adiada. Por que motivo terá Platão interrompido a narrativa com o registo de um simples ataque de soluços? Ninguém sabe. Lá fora, o recheio é construído por canteiros geométricos, uma fonte minúscula, vestígios de um parque infantil. E rosas, muitas rosas que interrompem toda a superfície do dia. Ele ama-a no fundo dos seus rios mais duradouros. Ama-a desesperadamente, tal como ela o ama. Continuam a perguntar por aquele verão de que ela relembrara a roupa demasiadamente branca. Uma única flor é qualquer coisa antes de todas as palavras. Apenas tu os observas como quem admira duas ilhas geladas muito ao longe, no meio da densidade negra do oceano. A esperança vive nas camadas mais finas daquelas escarpas.


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ANTÓNIO CABRITA

não se pode querer vitrificar uma paisagem e crer que ela esteja viva!», e julgo que a imagem se apropria. 29/09/2021 O meu amigo Filipe Branquinho, artista e fotógrafo moçambicano, participou numa grande exposição interacional em Basileia, a Art Basel (fechou a semana passada), e escrevi para ele um texto de que divulgo um excerto: «(...) A forma do anjo foi a última tentativa encontrar no corpo do homem uma medida que fosse articuladamente universal. (...) S. Jorge e o Dragão mais não simboliza que o combate para conter em si, em cada um de nós, a ameaça da poliformia. O monstro é o que é incontrolável no desejo em sermos outro, em fundirmo-nos num corpo estranho, e emerge como um sintoma da patologia do infinito. (...) O classicismo ainda tentou contrariar de novo

essas energias arcanas. Mas o romantismo reforçou-as e um século mais tarde a descoberta do inconsciente, como continente psíquico, revestiu por dentro as manifestações polifórmicas que a pintura havia figurado por fora: os bestiários de seres imaginários passam a ser um espelho do homem, que desde então é Pi, a partilhar o mesmo bote que a fera. Também a fotografia, duzentos anos depois de Joseph Niépce, parece ter esgotado a missão aristotélica com que devolvia ao real o que nele parecia escondido. O realismo mais não seguia que o príncipio da arte que Elias Canetti definiu como poucos: encontrar mais que foi perdido. Ao depararmos com esta nova linha de trabalho de Filipe Branquinho encontramos algo que a arte já sondara mas agora num novo formato e expondo uma inquietação latente, que aviva com claridade a tensão do observador com a obra.

BRANQUINHO

28/09/2021 Das escassas duas horas que passei na Feira do Livro de Lisboa, uma delas em “função”, fazendo de conta que alguém queria que eu assinasse o meu livro (vá lá, tive dois leitores devotados), pareceume que ao contrário do que seria espectável, as pequenas e médias editoras estão quase, quase, a engolir os grandes grupos editoriais e que estes estão condenados às fugazes leis do entretenimento, reféns dos youtubers, e de sucessos feitos por medida. Mas, fora alguns grandes nomes que mantém em carteira, o que há hoje de mais vivo nas letras não lhes pertence, o que a prazo as condena, porque a espuma momentânea não faz os catálogos. É como já não entrar sequer na Bertrand ou na FNAC, se pouco acima existe A Travessa – e nunca tal desafecto me passou pela cabeça. Leio num caderno meu (e não sei de onde tirei isto): «quis expôr as bochechas de Louis Armstrong e Gizzy Gillespic –

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Bestiário

diário de próspero

27/09/2021 Todos os dias há pequenos sinais da sua presença. Não é algo que se insinua mas algo que já lá está. Como o novo costume de numa tremura involutária derrubar a chávena, entornando a bica, o que me tem acontecido demasiado frequentemente; escaparem-seme os nomes e ter dificuldade em concentrar-me, ou sentir-me prensado num silêncio sem bordos. E o pior talvez seja a sensação de uma agonia subcutânea, que de vez em quando aflora, como se houvesse um complot da carne contra a mansuetude dos dias. A covid continua a rondar-me e dois meses e meio depois de ter alta é-me mais fácil namorar sem tibiezas nem receios do que escrever cinco páginas seguidas. Talvez por isso me tenha tocado tanto aquele poema breve de Louise Gluck: «Tal como tínhamos sido todos carne/ éramos agora névoa./ Tal como antes tínhamos sido objectos com sombras,/ éramos agora substância sem forma, como químicos destilados./ Cedo, cedo, dizia-me o tropel do coração,/ ou talvez medo, medo – era difícil de perceber.» (in Noite Virtuosa e Fiel, pág. 15)

ARTES, LETRAS E IDEIAS

“O MONSTRO É O QUE É INCONTROLÁVEL NO DESEJO EM SERMOS OUTRO, EM FUNDIRMO-NOS NUM CORPO ESTRANHO, E EMERGE COMO UM SINTOMA DA PATOLOGIA DO INFINITO. (...)”

O que se realça neste bestiário é que “os retratos” nele não parecem “montados”, encenados. Há uma unidade orgânica – sem costuras nem descontinuidades – entre os corpos, a cabeça, e a sua gestualidade. Não é tanto a memória de outras grafias corporais que nos instiga (e lembremos que o monstro era, por definição, a criatura que resultava da fusão anamórfica entre dois géneros diferentes de criaturas) como a suspeita de que estas figuras constituem o “novo normal”. A rudeza, o primitivismo de carácter destas fotos, é magnificamente contrariada pela unidade biomórfica, como a que se verifica na criatura de três faces, onde é muito nítido um inconsutíl acordo de texturas. Como prevenia Valéry: “O novo é a parte permissível das coisas. O perigo do novo é que ele cessa automaticamente de ser e que acaba em pura perda. Como a juventude e a vida” (Tel Quel, pag. 150) Permissível deve, por conseguinte, ler-se como: o que é contigente e mais facilmente se extingue. A inquietação para que estas fotos nos alertam, em época de pandemia (e devemos considerar que nenhuma imagem é inocente, no sentido em que revela sempre uma força indicial), é que talvez o humano – o antropomórfico − seja, ao contrário do que gostaríamos, a parte “périssable” das coisas, o que o mundo tem de passageiro. Daí que noutra magnífica foto desta sequência haja um monstro que tapa a cara, num gesto de vergonha, adivinha-se, pelo que ainda haja nele de homem. O Filipe Branquinho apresenta-nos as criaturas de um Novo Éden, aquelas que se prefiguram antes das palavras e da traição emocional com que a razão as emudece. Se não nos esquecermos que “a tranquilidade é um estado nãohumano porque é uma forma de instalação no tempo em que se lhe reconhecem, sem sentimentos de perda, dano ou revolta, todos os poderes” (Manuel Maria Carrilho), então só nos resta agradecer-lhe por ter rompido com a clausura das simetrias.»


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5 9 7 1 9 8 0 6 8 0 2 2 4 7 1 3 4

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 3

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4 6 7 5 7 0 8 3 1 4 2 6 8 3

PROBLEMA 4

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fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.° 576, Hung On Center, Bloco 2, 8.° andar O onde se prestava alojamento ilegal.----------- 2. Mandado de Notificação n.° 861/AI/2021:LEI MAN FAI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 51326xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 204/DIAI/2019 levantado pela DST a 29.07.2019, e por despacho da Directora dos Serviços de Turismo de 15.09.2021, exarado no Relatório n.° 945/ DI/2021, de 10.09.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Avenida de Kwong Tung n.° S/N, Edf. Nova Taipa, Fase V-Bloco 8, 35.° andar C onde se prestava alojamento ilegal.-------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------O Director dos Serviços, Subst.º, Hoi Io Meng

TIME TO DIE [B] 6NO 3 1 Um filme de: Cary Jojo Fukunaga Com: Daniel Craig, Rami Malek, 5 Léa Seydoux, Lashana0Lynch5 14.30, 18.15, 21.15 2 6 2 DUNE [B] 0Um filme de: Denis Villeneuve9 8 Com: Timotheé Chalamet, Ferguson, 5 3 Rebecca 9 Oscar Isaac 14.30, 18.30, 21.15 9 1 4 MY LITTLE PONY: A NEW [A] 7GENERATION 7 6 Um filme de: Rober Cullen, José L, Ucha, 4 8 3 Mark Fattibene 16.30 1 2 0 8 4 7

1.23

I N E M A ZERO TO HERO [B]

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mansão, onde habitam dois filhos, duas noras, três netos e uma cunhada, todos, sem excepção, tiveram oportuni5dade 2 e9 3 4para6matar 8 motivos o patriarca. Hoje Macau 3 4 6 8 7 5 9

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Setembro de 2021. Tel: 2835 5111

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3 9 2 5 4 1 7 1Baseado 7 0 no6 romance 8 2 ho3 5mónimo 1 3deAgatha 7 9 Christie, 6 4 “A Casa Torta” gira em 8torno 4 da9 morte 2 5 3 1 de Aristide Leonides, um imigrante que 9fez8fortuna 4 1em0Inglaterra, 7 6 encontrado morto em 0 5 6 3 2 4 casa 8 aos 80 anos em circunstân6cias2 duvidosas. 8 0 1A mulher, 9 5 significativamente mais 7jovem, 0 emerge 5 9 com 3 a8princi2 4pal3suspeita. 7 8No6entanto, 0 9ao longo do filme vai transpare2cendo 6 que, 1 afinal, 4 7na enorme 5 0

BAHT

4 FALADO 7 EM6CANTONÊS 9 8 5 0 LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan 8 Com:2Sandra3Ng, Louis 6 Cheung, 7 4 1 Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 0 19.304 9 1 3 7 8 7 EARWIG 3 AND 1 THE2WITCH 5 [B]0 4 FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS 2 Um 0 7 4 6 1 3 filme de: Goro Miyazaki 14.30, 19.30 5 9 8 3 0 2 6 SHANG-CHI AND THE LEGEND THE TEN 1 OF 5 0 RINGS 8 [B]9 3 2 Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, 6 1Fala Chen, 2 Meng’er 7 Zhang 4 9 5 16.30, 21.30 9 6 4 5 1 8 7 3 8 5 0 2 6 9

1 7 3 4 9 0 3 9 8 2 7 5 7 5 4 6 1 9 2 0 5 3 8 4 9 8 0 7 2 1 6 2 1 5 3 8 China 5 6 9 0 4 2 Aniversário 4 3 7 9 0 6 0 1 6 8 5 3 8 4 2 1 6 7

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Hoje Macau 30 SETEMBRO 2021 #4863 by Jornal Hoje Macau - Issuu