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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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Ter para ler
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 30 DE AGOSTO DE 2013 • ANO XII • Nº 2926
ENSINO APOIOS DO GOVERNO AOS BOLSEIROS TRIPLICARAM EM DEZ ANOS
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• CASO DE POLÍCIA
JAPONÊS FICOU PRESO 12 HORAS SEM SABER PORQUÊ PÁGINA 6
• GABINETE DE TAIWAN NA RAEM
PROMESSA DE AUMENTOS PARA FUNCIONÁRIOS ÚLTIMA
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Hospital Conde de São Januário alvo de inquérito
Compressas da discórdia
Insólito, no mínimo. Uma mulher, que teve um filho recentemente no hospital público, publicou uma foto no Facebook onde mostrava compressas ensaguentadas que, segundo afirma, ficaram retidas dentro do seu organismo. A mulher, de nome Bobo, foi mais longe e critica severamente os dois hospitais do território: “Do Kiang Wu sai-se sem dinheiro, do São Januário sai-se sem vida.” Os Serviços de Saúde abriram, entretanto, uma investigação interna para apurar responsabilidades. PÁGINA 7
• METRO LIGEIRO
Conflito com Top Builders não será empecilho PÁGINA 4
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• CASA DE PORTUGAL
Sem alternativa, Lvsitanvs abandona casa amarela PÁGINA 5
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POLÍTICA
hoje macau sexta-feira 30.8.2013
ETAR JULGAMENTO CONEXO AO DE AO MAN LONG RECOMEÇA COM SESSÃO RELÂMPAGO
Arguido “dedicado e preocupado” JOANA FREITAS
TRIBUNAL VAI PEDIR NOVOS DOCUMENTOS SOBRE REGISTOS DE FRONTEIRAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
F
UNG Chun Yau, director-executivo da ATAL Engineering, a empresa que venceu o concurso internacional para a manutenção e operação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Parque Industrial Transfronteiriço e da segunda fase de Coloane em conjunto com a Waterleau, era uma pessoa “dedicada” e “preocupada com a qualidade dos trabalhos”. Quem o diz é Yu Wai Lee, a testemunha ouvida ontem em mais uma sessão do julgamento das ETAR, onde Pedro Chiang é o principal arguido. No dia em que recomeçaram as audiências, bastou menos de uma hora para ouvir o depoimento da única testemunha marcada para ontem. A testemunha abonatória – apontada pela defesa de Fung Chun Yau – foi aluno do director-executivo, que vem acusado de corrupção activa e branqueamento de capitais, com quem estagiou e trabalhou. “Conheci-o em 2004. Ele era uma pessoa muito dedicada, estava sempre
a par de tudo o que se passava [com as obras] e ia ao estaleiro ver como estavam a decorrer os trabalhos”, confirmou perante o Tribunal Judicial de Base (TJB). “Preocupava-se muito com a qualidade dos trabalhos, verificava até aos detalhes.” O empresário é acusado pelo Ministério Público de ter pago subornos a Ao Man Long, ex-secretário para as Obras Públicas
e Transportes condenado por corrupção, para ganhar o concurso para as operações das ETAR. A testemunha de ontem garantiu que, em 2006, de duas em duas semanas Fong ia ver as obras da ETAR e, depois, informava os empregados sobre o ponto dos trabalhos. Nada mais foi questionado à testemunha. A próxima sessão está marcada para o dia 9 de Setembro.
AL CHEANG CHI KEONG FAZ BALANÇO DA IV LEGISLATURA
Mário Silvestre, presidente do colectivo de juízes do Tribunal Judicial de Base (TJB), considerou ontem ser necessário pedir novos documentos sobre as entradas e saídas de Ao Man Long do território. Depois da confusão em torno dos registos – já que o MP apresentava uns que referiam que o ex-secretário se teria encontrado com Steven Lo, Joseph Lau e Kevin Lau em dias que a defesa garante que Ao não estaria em Macau -, o juiz pediu mais informações sobre isto. “É importante apurar com segurança os registos, daí que pedimos [os registos] desde Janeiro de 2004 a Dezembro de 2006. Isto dá vantagem não só à acusação,
mas também à defesa.” Na sessão de ontem, Rui Sousa – defensor de Steven Lo, acusado no âmbito do caso La Scala – pediu ao tribunal que emita “as diligências necessárias”, para que se perceba onde anda a carta rogatória de Castanheira Lourenço, ex-coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento de InfraEstruturas, que foi arrolado como testemunha e já foi ouvido em Portugal em Janeiro deste ano. A carta chegou primeiramente a Macau, depois de bastante tempo, mas sem o CD com o depoimento. Agora, depois de terem pedido novamente a carta, ainda não chegou a Macau.
O HOJE MACAU ERROU Na edição de ontem sobre o julgamento do caso La Scala, dizia-se que a testemunha ouvida hoje seria um investigador do Comissariado contra a Corrupção, quando na realidade foi apenas uma testemunha abonatória. Aos leitores e visados, as nossas desculpas pelo lapso.
DEPUTADO PEDE RESPONSABILIZAÇÃO DE ALTOS CARGOS
Qualidade das habitações Centro de produção económicas satisfaz legislativa precisa-se O O ZHOU XUEFEI
info@hojemacau.com.mo
deputado e presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), Cheang Chi Keong, fez ontem um balanço dos seus quatro anos no hemiciclo. Ao jornal Ou Mun, o deputado eleito pelo sufrágio indirecto defendeu o Executivo. Cheang Chi Keong enfatizou o “efeito positivo” que considera que a IV legislatura da AL teve na vida dos cidadãos, mas também apontou a existência de problemas, propondo ao Governo que estabeleça um regime centralizado para a legislação – que já tem vindo a ser pedido - para melhorar “tanto a qualidade”, como “a eficiência da legislação”. O deputado considera que o desenvolvimento da socie-
dade é a principal causa para que as legislações não consigam acompanhá-la. Por isso, Cheang Chi Keong pretende que a AL crie mais comissões para acompanhar a execução das legislações. O deputado referiu ainda que a AL deve realizar mais debates, até porque “debater é uma maneira de fiscalizar o Executivo”. Nos últimos dias, vários deputados criticaram o plano legislativo do Governo, que acusam de ter falta de rigor. Mas Cheang Chi Keong tem uma opinião diferente. “O Governo tem vontade de fazer mais esforços e formular mais leis, mas é preciso ter uma ordem e considerar a sustentabilidade da AL”, começou por dizer, acrescentando que “conforme a situação actual da RAEM, também é necessário um mecanismo de legislação unificado.” Com isto, o deputado
quer dizer que discorda com o facto de os departamentos que executam as leis poderem também formulá-las. “Afecta a qualidade por carência de profissionalismo, um mecanismo de legislação unificado é o que faz mais falta e agora é o tempo mais oportuno para o seu estabelecimento.” Cheang Chi Keong mostrou-se satisfeito com trabalho que tem feito nos últimos quatro anos, destacando a Lei de Salvaguarda de Património Cultural, o Regime Jurídico da Reserva Financeira e a Lei da Habitação Económica como as melhores. O deputado classificou as críticas como injustas, nomeadamente face à qualidade dos edifícios. “Por um lado, o Governo não tem experiência, por outro lado, o Instituto de Habitação precisa de tempo para se adaptar às mudanças, acredito que vai melhorar com o tempo.”
deputado Chan Meng Kam fez ontem um balanço sobre os últimos quatro anos como deputado, apontando que o departamento responsável pela coordenação de legislações, associado à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ), não está a cumprir bem os seus deveres nem a promover a responsabilização de altos cargos. O deputado referiu que a formulação de projectos de legislação, que é da responsabilidade do Governo, demora sempre muito e raramente envolve questões mais cruciais. Algumas leis que estão intimamente ligadas à vida dos cidadãos, não entraram no processo de legislação como todos esperavam. O deputado acha que o trabalho de coordenação não
está bem feito, até porque quem formula projectos de lei ainda são os respectivos departamentos. Por isso, Chan Meng Kam sugere organizar um centro de produção legislativa encabeçada por um departamento jurídico para tratar das leis que envolvem o interesse público. O empresário apontou ainda que o Governo é hoje “mais eficiente a responder às interpelações dos deputados” mas “a qualidade de respostas não melhorou”. “As autoridades aceitam opiniões mas insistem na sua atitude e método, o que nos indica que há responsáveis governativos que não fazem nada de jeito, o que impede o estabelecimento e aperfeiçoamento de novos regimes”, contou, dizendo que a responsabilização de altos cargos é a única
solução para mudar esta situação.
INSISTÊNCIA NUM CASINO PÚBLICO
Chan Meng Kam também mencionou medidas para melhorar a qualidade da vida do público. O deputado referiu que muitas pessoas de classe social mais baixa já lhe reflectiram que sentem a qualidade de vida a piorar embora a economia não pare de crescer. “Afinal de contas, o mecanismo de distribuição de riqueza social está com problemas”, realçou o deputado, aconselhando o Governo a fundar uma empresa de fundo para investir em vários sectores nomeadamente no sector de jogos e atribuir acções a todos os cidadãos. “Assim, os residentes terão bem-estar social mais estável e mais diversificado”, resumiu.
política 3
hoje macau sexta-feira 30.8.2013
ENSINO HOJE, OS BOLSEIROS ULTRAPASSAM A FASQUIA DOS SEIS MIL
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
M
AIS do que uma reviravolta nos conteúdos académicos, o ensino superior em Macau levou uma mudança ao nível dos apoios financeiros cedidos pelo Governo aos alunos nos últimos dez anos. Os dados disponibilizados pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), na sua página oficial na internet, revelam um panorama positivo, com tendência para continuar: recentemente a DSEJ revelou um orçamento de 200 milhões de patacas só para apoiar quem quer continuar os seus estudos depois do ensino secundário. Se no ano lectivo 2001/2002 havia apenas 3060 alunos com bolsa (2591 com bolsa de empréstimo, 354 com bolsas de mérito e 90 com bolsas especiais), esse valor passou para mais de sete mil bolseiros dez anos depois, com 6210 a ganharem uma bolsa empréstimo. Quanto às áreas de estudo, têm vindo a predominar a economia, gestão, engenharia, ciências médicas, ciências sociais e a área da educação. Se há dez anos havia 756 bolsas para cursos de economia, em 2010/2011
TIAGO ALCÂNTARA
Em dez anos o apoio escolar triplicou
O ESSENCIAL De 2001 a 2010 o número de alunos com bolsa de estudo do Governo passou de 3000 para 7166, o orçamento mais do que duplicou e até as bolsas de estudo para cursos de português passaram de uns tímidos nove para 35 bolseiros. Teresa Vong, directora do Centro de Pesquisa Educacional da Universidade de Macau analisa os números e pede mais políticas de coordenação.
o número aumentou para quase 3 mil. A área das artes é a menos procurada pelos alunos, encontrando-se no
fim da tabela: de 24 cursos financiados passou-se a 103. Quanto ao orçamento, passou de mais de 59 milhões de patacas para uns simpáticos
200 milhões, sem esquecer que o Governo já prometeu uma actualização constante face à inflação. O HM contactou a académica Teresa Vong, directora do Centro de Pesquisa Educacional da Universidade de Macau (UMAC), que viu nos números uma tendência positiva, mas não esqueceu o que ainda falta fazer em termos de políticas educativas. “O aumento do apoio financeiro é sempre bem-vindo pelos cidadãos. Contudo, penso que deveria ser conduzido um estudo mais compreensivo e aprofundado para compreender os efeitos deste apoio”, explica por e-mail. “É demasiado cedo para ver resultados imediatos. Por exemplo, em que tipo de empregos é que esses licenciados estão neste momento a trabalhar? Será que estão satisfeitos com os seus trabalhos?” Sobre o facto das áreas das ciências económicas e empresariais dominarem a concessão de bolsas, Teresa Vong defende que não existe “uma clara evidência” de que a “distribuição das bolsas e as escolhas sejam suportadas por uma política do Governo, e deveriam sê-lo”. “O que é precisamos para fazer de Macau uma cidade internacional virada para o turismo e transformá-
-la numa região cultural? Estes dados mostram que a política da RAEM deveria ser desenvolvida com base em padrões, que não existem, e que há falta de dialogo entre os diferentes sectores (no domínio económico, cultural e educacional).”
O PORTUGUÊS AUMENTOU, E MUITO
O ano lectivo de 2001/2002 marca também um período de viragem na história política e social de Macau, pois a transferência de soberania tinha acontecido apenas em 1999. O receio da manutenção da língua portuguesa era ainda uma realidade, e nesse ano foram concedidas apenas nove bolsas para cursos de língua e cultura portuguesa. Há dois anos, o número de bolsas foi 35. “Depois do regresso à China, especulei que mais pessoas iriam querer aprender mandarim em vez de português, devido a questões politicas e pelo sentido de nacionalidade”, disse Teresa Vong, que aponta o dedo ao Governo local. “Penso que o Governo não considerou que a língua portuguesa seria a nossa vantagem em relação a outras regiões da Ásia. O Governo só compreendeu essa importância quando o Governo Central anunciou que Macau seria uma plataforma para o comércio sino-português.
Penso que o Governo deveria desenvolver uma política da língua para Macau.”
BOLSEIROS DE MACAU SÃO SÓ 30%
Um número que não aumentou muito nos últimos dez anos foi o da percentagem de alunos de Macau a usufruir do apoio do Governo. Dentro da totalidade de alunos do ensino superior, a fasquia nunca foi além dos 30%. Em 2001/2001 os alunos locais eram 25.81%, em 2010/2011 eram 29.20%. Números que não assustam Teresa Vong. “Não são maus números. Isto acontece porque as bolsas só são dadas a quem tem de facto bons resultados académicos. Contudo, penso que o Governo deveria pensar em mais medidas para encorajar os estudos com ou sem dificuldades financeiras a continuarem os seus estudos.” Contudo, de entre o grupo de alunos com bolsa, Macau tem estado sempre em primeiro lugar: 1524 alunos em 2001/2002, quase quatro mil há dois anos. Em segundo lugar surge a China Continental com 1193 alunos contra os 1020 alunos de há dez anos atrás. Já Taiwan teve 452 alunos, em 2010/2011 tinha quase 1700. Hong Kong, Portugal, Austrália e Estados Unidos surgem nos lugares abaixo da tabela.
DEPUTADA KWAN TSUI HANG CRITICA FORMA DE PRODUÇÃO DE LEIS
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
deputada Kwan Tsui Hang deu uma entrevista ao Jornal do Cidadão onde criticou a baixa qualidade das legislações aprovadas pela Assembleia Legislativa (AL), como resultado da forma errada de elaboração dos projectos-lei. Estes são feitos “por cada departamento do Governo, mas os especialistas da área jurídica seguem o pensamento do Governo e pensam que a lei tem que ser um benefício para eles e não para os cidadãos”. Kwan Tsui Hang exortou ainda a uma mudança. “Se o projecto de lei
tiver o ponto de vista do Governo, mesmo que haja consulta pública o Executivo nunca aceita as opiniões do público. O Conselho Executivo depois também avalia a posição política da lei. Quando a proposta de lei final é entregue na AL, só há modificações substanciais.” Como tal a deputada eleita pelo sector dos operários pede uma unificação na avaliação dos diplomas, por forma a garantir que se realizem as necessidades da sociedade e não apenas os interesses do Governo. “Os juristas também precisam de se actualizar quanto ao pensamento sobre as leis, porque muitos conceitos ultrapassados influenciam a qualidade da lei.”
TIAGO ALCÂNTARA
“Departamentos pensam nos seus interesses” À semelhança do que defendeu o presidente cessante da AL, Lau Cheok Va, também Kwan Tsui Hang pede urgência numa nova lei do orçamento. A candidata às eleições disse que o Governo não poupa dinheiro nas grandes obras públicas devido à boa saúde financeira dos cofres. “Na altura das eleições para o Chefe do Executivo tem que se pensar na revolução da estrutura administrativa. Muitas vezes o trabalho da legislação é mais difícil porque o Governo não vê, ele próprio, dificuldades no mecanismo existente. Com uma nova Lei do Enquadramento Orçamental pelo menos a AL pode regular com mais detalhe o orçamento público.”
4 política
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CONFLITO COM TOP BUILDERS NÃO VAI PREJUDICAR OBRAS DO METRO LIGEIRO, DIZ LAU SI IO
RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
O
conflito que opõe o Governo, proprietário da obra do Metro Ligeiro, e uma das empreiteiras a quem foi adjudicado parte do troço da Taipa, a Top Builders, pode chegar a tribunal. A ideia é deixada por Lau Si Io, secretário das Obras Públicas e Transportes, que ainda assim prefere pensar que tudo será resolvido de forma pacífica e descarta, tal como já o fizeram os responsáveis do Gabinete de Infra-estruturas e Transportes (GIT), que o atraso na primeira fase de construção desta obra seja alargado. “O atraso no andamento da obras do Metro Ligeiro deve-se a pequenos problemas”, começou por adiantar o responsável. “Quanto ao local das obras em frente ao Jockey Club é um caso especial e não vai prejudicar as obras em geral do metro ligeiro mas, de
qualquer modo, solicitámos ao sector para melhorar o problema. Se não consegue resolvê-lo vai ter de o fazer através de um procedimento jurídico”, frisou Lau, à saída da reunião da Comissão para o Desenvolvimento do Sector Logístico. “Não podemos deixar que um item do projecto cause grande impacto à obra geral, por isso, temos de pedir aos respectivos empreiteiros para garantir o prazo das obras, a qualidade das obras e tentar resolver os conflitos.” Recorde-se que a Top Builders, responsável pela obras do centro Modal de Transportes da Estrada Governador Albano de Oliveira, junto ao Jockey Club, diz ter dificuldades em começar a obra enquanto o Governo não entregar parte da rua e tentar mudar a via para outro lado. A seu cargo a empresa tem ainda a empreitada da Superstrutura do Parque de Materiais e Oficina, que diz ter apenas adiantada em um
HOJE MACAU
Sem resolução, via judicial é o caminho
por cento, o que se reflecte num atraso do prazo final até três anos. A responsabilização, acusou já, é do Governo pelas elevadas exigências ao nível dos materiais de construção, nomeadamente
ao tipo de cimento, que não constava do caderno de encargos inicial. Por esta razão, na semana passada deixou claro que quer pedir ao Governo uma rectificação do orçamento em 20 milhões de patacas pelo aumento
de custos na aquisição dos materiais e pagamentos aos trabalhadores. Lau Si Io diz esperar pelo relatório do CCAC para um decisão sobre a atribuição de novos orçamentos às empreiteiras. “Mais tarde,
PONTE HK-MACAU-ZUHAI LIGAÇÃO ENTRE ILHA ARTIFICIAL E AEROPORTO É POSSIBILIDADE
Aliviar custos no transporte de cargas A
ilha artificial em construção junto às Portas do Cerco, que vai servir de plataforma na travessia que liga Macau, Hong Kong e Zhuhai, pode vir não só a estar ligada à zona A dos novos aterros urbanos como ao Aeroporto Internacional de Macau. A possibilidade foi ontem discutida entre os membros da Comissão para o Desenvolvimento do Sector Logístico, segundo explica Wong Wan, secretário-geral do organismo, e não é mal acolhida pelo governante. “Esta ligação directa pode ser mais conveniente para transportar as cargas - não seria necessário transportar as cargas para Hong Kong e de Hong Kong para outros lugares - e assim pode-se reduzir os custos. Podemos dizer que esta ligação directa é uma oportunidade muito importante para Macau”, adianta Wong. A equação poderá vir no seguinte do que já está definido para a outra ilha artificial,
construída junto à região administrativa especial vizinha, com uma zona de cerca de 150 hectares, já que estará ligada a uma ponte entre Tuen Mun e Chek Lap Kok, onde se localiza o aeroporto internacional de Hong Kong. Nas ilhas ficarão instalados serviços de alfândega e de imi-
gração mas a Comissão para o Desenvolvimento do Sector Logístico pondera também a hipótese de circulação de transporte de cargas e de depósito na ilha artificial junto a Macau. “Reservamos um espaço na ilha artificial para reduzir o custo para transporte de cargas o que levará ao desenvolvimento do sector logístico, que é um pilar muito importante para suportar outros sectores. Portanto, temos de melhorar o seu desenvolvimento para elevar o crescimento de Macau, aumentando a sua competitividade”, explica Wong Wan, numa conferência de imprensa ontem à tarde depois da reunião, que contou com representantes, por exemplo, do Instituto de Promoção de Comércio e Investimento de Macau (IPIM), da Associação Comercial de Macau e de Nansha. Outra dos temas discutidos é a formação de peritos locais no apoio à empreitada. Ainda assim, Wong entende que esta
questão terá de ficar relegada para o 8º Congresso para a Cooperação e Desenvolvimento do Sector Logístico entre a China, Taiwan, Hong Kong e Macau, com lugar entre 15 e 17 de Outubro. “Vamos discutir alguns pontos especiais como organizar algumas formações para formar peritos e especialistas, além disso temos uma cooperação com o Centro de Produtividade e Tecnologia de Macau e com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL)” A ponte terá 29,6 quilómetros de extensão e um total de seis pistas, três em cada sentido. O túnel submerso, com cerca de 6,7 quilómetros de extensão, começa e termina nas ilhas artificiais. A ligação entre a ilha artificial e Macau será feita em terra firme por meio do futuro metro ligeiro e de um terminal de autocarros, enquanto que o acesso a Zhuhai será por túnel com ramificações a Gongbei e Wanchai. - R.M.R.
depois de obtermos um relatório do CCAC, vamos fazer análises e dar algumas informações ao público depois de tomarmos uma decisão”, disse à comunicação social. O responsável reiterou diversas vezes que o Governo vai fazer tudo para “garantir o prazo das obras” em 2015, intenção que André Ritchie, coordenador-adjunto do GIT, diz ser possível de cumprir, apontando um atraso máximo de seis meses. Em seu entender a derrapagem orçamental na obra do Metro Ligeiro também está controlada, com custos que não deverão ascender os 5%, devido sobretudo à inflação, já constante dos contratos com os empreiteiros. O secretário para os Transportes e Obras Públicas reforça que “vai ser feito um planeamento de controlo e fiscalização”. Sobre o troço de Macau, não há ainda datas concretas. As informações ao público, afiançou, serão dadas tão breve quanto possível.
Wong Man quer rectificar o regime de táxis
H
OJE será discutido em reunião da Comissão Consultiva dos Transportes a questão da desregulação dos táxis. Factores como a falta de segurança na circulação em dia de tufão oito, quando não há transportes públicos a circular, e a possibilidade de multas passadas pela polícia poderão ser discutidos. “Sobre a cobrança ilegal dos taxistas é necessário aplicar multas e actualmente estamos a tentar rectificar o regime de táxis e discutir com diferentes departamentos do Governo e amanhã [hoje] durante a reunião também discutiremos este assunto sobre a rectificação do regime de táxis”, revela o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. Apesar de Chui Sai On ter já recomendado em Assembleia Legislativa, depois da passagem do tufão Utor, este mês, que os táxis não deveriam circular a verdade é que “de acordo com a legislação e regulação vigente em Macau os veículos privados podem circular à vontade”, diz Wong Wan, o problema é se há acidentes de tráfego. “Essa é a grande questão? Quem paga o seguro? Temos de discutir com a sociedade. Hoje se têm um acidente de viação pode conseguir o dinheiro do seguro mas se houver tufão é outra questão.” Wong explica ainda que espera chegar a alguns consensos para primordialmente “manter a imagem do turismo de Macau e garantir a segurança do cidadão”.
SOCIEDADE
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TURISMO PROPÔS SOLUÇÃO CONJUNTA PARA AS ENTIDADES
Lvsitanvs vai deixar a casa amarela O Governo informou ontem as entidades presentes no edifício amarelo junto às Ruínas de São Paulo que vão mesmo ter de deixar o espaço até ao final do ano. Em resposta ao HM, Governo garante que houve negociações, sem resultados ter de sair até ao dia 31 de Dezembro.” Foi ainda colocada a hipótese de venda junto do Governo, sem sucesso. “A resposta que obtivemos que não se pode comprar o que não está à venda.” Pedro Lobo disse ainda que na reunião foi referida a “postura intransigente” da Future Bright Holdings, que expressou claramente a intenção de ter novos inquilinos no seu relatório enviado à bolsa de valores de Hong Kong. O Turismo disponibilizou-se a “ajudar e a encontrar uma possível solução e um espaço” para todas as entidades que actualmente estão na casa amarela. “Ficámos de procurar uma solução até dentro das opções de edifícios da tutela do Turismo, que seja minimamente compatível”, disse Pedro Lobo.
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
É
oficial. O restaurante Lvsitanvs, projecto da Casa de Portugal em Macau (CPM), vai mesmo deixar de ser vizinho das Ruínas de São Paulo. A garantia foi dada depois da reunião de ontem entre a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e as entidades que se encontram no edifício amarelo, como é o caso da CPM. Ao HM, Pedro Lobo, da direcção da CPM, disse que não há hipótese do proprietário, a Future Bright Holdings, do deputado Chan Chak Mo, recuar na sua decisão de arrendar o espaço a outras empresas. “Infelizmente fomos confrontados com o facto de que todas as entidades que estão na casa amarela vão
É
certo que o prazo de candidaturas só termina no último dia do ano, mas a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) já receberam, até ao passado dia 20 de Agosto, 166 candidaturas para o plano de pagamento de juros do crédito para os estudos para o ano lectivo 2013/2014. O projecto, criado entre 2008 e 2009, é financiado pelo Executivo através do Fundo de Acção Social Escolar (FASE), em colaboração com entidades bancárias do território. Segundo dados enviados ao HM, desde essa data já beneficiaram do programa um total de 1856 alunos, sendo que o total acumulado de requerentes foi superior a 1900. A DSEJ estima que, a cada ano lectivo, haja um total acumulado de 300 a 400 pedidos. Um aluno que peça empréstimo ao banco cooperante com o Governo pode ter os juros do seu crédito pagos pelo Governo em 70% durante a frequência do curso. Terminado o curso, e com base em documentos comprovativos da sua conclusão, o aluno pode pedir ao FASE que financie os restantes 30% dos juros.
“A vontade é mesmo de abarcar todas as entidades, porque é um projecto único em Macau”, garantiu ainda.
HOUVE NEGOCIAÇÕES
Em resposta ao HM, os Serviços de Turismo lembram que o contrato do edifício para a instalação do Centro de Actividades Turísticas e Culturais (CATC) foi assinado em 2010, sendo que “a cooperação da DST com as entidades instaladas no interior do CATC tinha uma data limite de duração prevista até Maio, Setembro e Dezembro de 2013.” O diálogo com a Future Bright Holdings terá sido intenso, mas sem frutos. “Antes do final do termo de contrato de aluguer, a DST procurou activamente negociar com o proprietário do edifício a prorrogação do contrato. No entanto, em meados deste
QUASE DOIS MIL JÁ BENEFICIARAM DO PROGRAMA DA DSEJ
166 alunos correm ao crédito O HM tentou saber se há casos de irregularidades ou não pagamento dos empréstimos em questão, mas a DSEJ afirma não ter conhecimentos dos dados. “O
beneficiário do plano deve reembolsar o empréstimo ao banco conforme o acordo do empréstimo estabelecido entre eles. O FASE concede apoio aos juros do emprés-
timo do beneficiário durante o seu período de frequência do curso, e como o reembolso do empréstimo está sujeito ao acordo estabelecido entre o beneficiário e o banco, por
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ano, o proprietário informou formalmente a DST que não iria renovar o contrato. Após ter tido conhecimento da informação, a DST informou imediatamente as entidades instaladas no local, e reuniu com as mesmas para dar a conhecer a situação.” O HM tentou contactar o deputado Chan Chak Mo, mas não conseguiu obter nenhuns esclarecimentos até ao fecho da edição.
LVSITANVS VAI VOLTAR A TER FADO
Segundo Pedro Lobo, a mudança de espaço é apenas um entrave que não vai encerrar os projectos da CPM. “Quero deixar bem claro que o projecto do Lvsitanvs não é para morrer. Aliás, vamos começar a ter noite de fado a partir da primeira quinzena de Setembro e jantares de grupo com turistas.” O responsável disse ainda que virá de Portugal uma fadista para se dedicar a tempo inteiro a este projecto. “É algo que está a ser preparado há cerca de dois ou três meses e não vamos agora dizer à fadista para não vir para Macau.” O HM sabe que o projecto vai manter-se com os músicos Paulo Valentim e Paulo Pereira, que já antes animavam os jantares do restaurante tipicamente português.
isso, não é o FASE que determina o prazo do reembolso do empréstimo ao beneficiário.”
INFLAÇÃO TIDA EM CONTA
Face a possíveis aumentos do montante, o Governo garante que vai continuar a olhar para factores como a inflação. “O actual montante máximo do empréstimo do apoio ao pagamento dos juros foi determinado tendo em consideração os custos dos estudos dos cursos do ensino superior nos diferentes países e regiões, o encargo de reembolso do empréstimo dos alunos beneficiados, a situação económica mundial e as taxas dos câmbios internacionais, entre outros factores. No futuro, continuaremos a ter em atenção as alterações da inflação, resultantes do desenvolvimento económico, para estudar as necessidades de ajustamento.” Recorde-se que os valores máximos do empréstimo são de 150 mil patacas para Macau e continente, sendo que para os cursos de Taiwan o valor pode ir até às 200 mil patacas. Para Hong Kong o valor limite é de 400 mil patacas, enquanto que para outras regiões ou países é de 600 mil patacas. - A.S.S.
6 sociedade
hoje macau sexta-feira 30.8.2013
DETENÇÃO POR QUEIXA NÃO CONFIRMADA DE UM TAXISTA DEIXA JAPONÊS PRESO POR MAIS DE 10 HORAS
“Disseram que era o sistema de Macau” JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
A
história começou na madrugada de dia 28 de Agosto, por volta da uma da manhã. O homem – que prefere não ser identificado com receio de sofrer consequências – acompanhava um amigo também do Japão, que tinha chegado nesse mesmo dia a Macau para uma visita. “Apanhámos um táxi no Wan Chiu [NAPE] para regressarmos a casa e eu disse ao taxista para nos levar à San Ma Lou.”, começou por explicar ao HM. “Ele realmente levou-nos lá, mas há uma paragem em frente ao Largo do Senado e [ele ia parar lá], mas a minha casa é por trás do banco Tai Fung e, por isso, queria que ele parasse mais à frente e pedi-lhe ‘siu, siu, go ahead please’ [mais um bocadinho, por favor].” O motorista do táxi, continua a dizer ao HM, terá dito algo em chinês, que os japoneses não perceberam por não dominarem a língua. “Talvez ele tenha dito que ali já era a San Ma Lou, mas não sei. Então disse outra vez ‘não, um bocadinho mais por favor’, acompanhado de um gesto para a frente, mas ele continuava a dizer algo em chinês e parecia estar a ficar irritado. Começámos a falar um com o outro, mas ele continuava cada vez mais zangado e, por isso, dei-lhe então 30 patacas para pagar, apesar de a tarifa ser de apenas 25 patacas.” Foi aqui que começaram os problemas. “Saímos do
Rixa entre cliente e taxista
Segundo o jornal Exmoo News, ontem à uma de manhã, um taxista de 31 anos rejeitou apanhar um cliente na Rua Nova do Patane, apesar de estar livre. O taxista, diz o jornal, irritou o cliente (de 54 anos), sendo que este puxou o motorista para fora do carro e bateu-lhe “até ele cair ao chão”. Um residente no local chamou a polícia, que deteve o agressor e transferiu o taxista para o hospital.
táxi e fechámos a porta e, de repente, o taxista saiu do carro e gritou para mim que eu tinha dado um pontapé na porta. Mas não fizemos nada. Fiquei tão confuso que disse ‘o quê? Não fiz nada. Olhe para a porta do seu carro.’A porta não tinha nada, obviamente, mas ele continuou a gritar em chinês e muito zangado e disse que ia chamar a polícia. Eu não me importei, afinal não tínhamos feito nada.”
já tinham feito na primeira esquadra. Pedi para telefonar para a empresa [onde trabalho] para explicar por que não ia trabalhar, mas eles não me deixaram. Fiquei lá até às 10h30.”
O BLUECARD
A PRIMEIRA ESQUADRA
Aquando da chegada da polícia, o agente pediu que o japonês o acompanhasse à estação da polícia “para fazer um relatório”, tendo dito, segundo o que contou o morador do território ao HM, para que este não se preocupasse, uma vez que seria para fazer apenas um relatório do incidente. O japonês foi levado para a esquadra perto da San Ma Lou, onde os agentes lhe terão feito questões e pedido que preenchesse documentos com o nome, a data de nascimento, morada e contactos telefónicos, entre outros. “Pensei que seria apenas uma hora, mas, depois de estarmos sentados num banco durante cerca de duas horas, comecei a perguntar quando podia ir para casa. Eu continuei a dizer que não tinha feito nada, mas se eles tinham algum problema comigo, então, queria ligar para a embaixada japonesa.” Sem obter resposta, foi informado que teria de ir para uma outra esquadra da polícia. “Tive que pedir desculpa ao meu amigo do Japão, que só tinha chegado a Macau nesse dia. Pedi-lhe que voltasse para minha casa.” Os dois envolvidos no conflito – o japonês e o taxista – foram levados para uma segunda esquadra (que o residente não sabe identificar), onde assinaram um papel. “O documento deveria dizer que eu tinha dado um pontapé na porta e que eu disse que não...
algo assim. Eu pedi uma cópia daquilo, porque assinei, mas o agente disse que não ma podia dar.” O papel – conforme mostrado ao HM – estava redigido apenas em língua portuguesa e chinesa, apesar de “uma pessoa” lhe ter explicado o que estava escrito e ele ter dito que não fez nada, o agente disse para assinar na mesma. E o japonês assim fez, explicando que “pensei que, estando fora do Japão, se assinasse o que eles pediam sem dizer nada, sairia mais rápido de lá”.
“LEI DE MACAU”?
De acordo com o que foi relatado ao HM, o agente da polícia terá dito ao japonês que não o podia deixar ir embora. O motivo? “Ele disse que a Lei de Macau não permite que se trabalhe nestes casos [de conflitos] depois da meia-noite e que eu tinha de esperar até de manhã. Fiquei [surpreendido] e disse que não percebia porque tinha de lá ficar, mas como não me deixavam sair e eu trabalhava de manhã, perguntei se me podiam dei-
xar descansar. Dirigiram-me a uma sala, apenas com uma cadeira de plástico e chão de cimento. Entrei e o polícia trancou a porta.” Confuso, o japonês terá questionado o agente sobre o motivo de estar preso dentro de um quarto e pediu, diz, que não o deixassem lá trancado. “Não sou um criminoso. Mas, desisti. Queria descansar e então apaguei a luz, mas uma mulher polícia entrou na sala e voltou a liga-la. Não consegui dormir até às seis da manhã e, a essa hora, um outro agente da polícia começou a interrogar-me numa outra sala. Assinei o mesmo documento que já
tinha assinado na outra esquadra e ele disse que teria de ir para outra esquadra. De novo.” Não havendo veículo da polícia para transportar o japonês, teve de esperar até às 7h30 antes de ser levado para uma terceira esquadra. Aqui – já sem o taxista que foi mandado embora ainda antes da segunda esquadra -, os agentes obrigaram-no a colocar todos os seus pertences dentro de um saco. “Esperei num quarto trancado outra vez. Sem telemóvel, sem relógio. Devem ter passado umas duas ou três horas. Durante esse tempo, eles tinham-me tirado uma fotografia e as minhas impressões digitais – conforme
O ESSENCIAL Um cidadão japonês que vive em Macau foi detido durante mais de dez horas pelas autoridades, por “alegadamente” ter dado um pontapé numa porta de um táxi. O homem – portador de BlueCard – assegura não ter feito nada ao taxista e diz que não percebeu o que aconteceu. Visitou quatro esquadras e foi detido até de manhã porque a polícia lhe disse que “a lei de Macau não permite que se tratem casos destes durante a noite”. Saiu quase 12 horas depois sem qualquer acusação
Mas a história estava longe de terminar. O homem foi levado para uma quarta esquadra – na Taipa. Aqui voltou a repetir tudo, diz ao HM. “Disse-lhes que estava mesmo confuso que não percebi nada. Não tinha feito nada e tive de ficar detido mais de dez horas. Perguntei novamente quando podia ir para casa e disse que, caso tivessem algum problema comigo, para me deixarem ligar para a embaixada japonesa ou para um advogado.” Nenhum dos pedidos foi concedido. O japonês garante que, depois disto, um outro agente o levou ao departamento de imigração, onde investigaram o seu BlueCard. “Entre trinta a quarenta minutos depois, deixaram-me sair. Por volta das 13h do dia 28 de Agosto.” Ou seja, cerca de 12 horas depois de ter sido mandado para a primeira esquadra. O cidadão – que reside em Macau desde Novembro de 2011, para onde veio depois do acidente em Fukushima – foi solto sem ter qualquer acusação contra si. Da mesma forma, a polícia não lhe explicou qual a razão para ter sido detido. “Apenas disseram que era o sistema de Macau. Ninguém me explicou nada.” O HM tentou obter esclarecimentos da PSP sobre o sucedido, mas após várias tentativas não foi possível conseguir qualquer reacção, uma vez que “o assunto requer respostas de diversos departamentos”, disse um porta-voz ao HM.
sociedade 7
hoje macau sexta-feira 30.8.2013
ESQUECIMENTO DE COMPRESSAS DENTRO DE PACIENTE NO SÃO JANUÁRIO LEVA A INVESTIGAÇÃO INTERNA
“O São Januário mata, agora acredito” JOANA FREITAS*
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
S Serviços de Saúde (SS) instauraram ontem uma investigação interna para apurar um incidente com uma mulher que teve um filho no Hospital Conde de São Januário. A mulher, de nome Bobo na sua página no Facebook, publicou nesta rede social uma fotografia com compressas ensanguentadas que, diz, ficaram dentro do seu organismo depois de ter tido um bebé de parto natural no hospital público. Acompanhada da foto, uma legenda explicava o desconforto da mulher e o tratamento que não foi dado no São Januário. “Dei à luz às 8h26 no dia 24 e, desde aí, andava indisposta, mas pensava que era por causa da ferida. No dia 26 de manhã, saí do hospital, voltei para casa maldisposta e sentia dores ao urinar e defecar. Voltei ao hospital outra vez e o médico disse que não existia qualquer problema. Receitou-me um antibiótico e um medicamento para as hemorróidas”, começa por dizer. Durante a madrugada, contudo, por volta das 3h00, ao ir à casa de banho, a mulher sentiu algo a sair-lhe pela vagina. “Eram compressas gigantes, com um cheiro horrível. Desde que expeli aquilo, comecei a sentir-me bem. As compressas sujas ficaram no meu corpo tanto tempo, que me impediam de urinar e defecar e fez-me ficar com uma inflamação. Estou muito desiludida com o Hospital São Januário.” Já no início do comentário, a mulher tinha dito que começava a dar mais credibilidade ao que se diz sobre os hospitais de Macau – “Do Kiang Wu sai-se sem dinheiro, do São Januário sai-se sem vida” -,
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
concessão de um terreno de 11 mil metros quadrados a um grupo católico para a construção de um mosteiro causou muita discussão na sociedade na última semana. Sobre o caso, o ambientalista Joe Chan apenas tem a dizer que apoia o projecto do mosteiro em Ká Hó, porque considera que é um edifício amigo do ambiente, uma vez que alberga pouca gente, pelo que compensa ao nível ecológico. Em entrevista ao jornal
dizendo “o hospital São Januário mata, agora acredito”. O HM tentou chegar à fala com Bobo, mas tal não foi possível até à hora do fecho desta edição. Em declarações ao HM, um advogado assegurou que a mulher pode pedir uma indemnização por negligência
médica, não só devido ao esquecimento das compressas, mas também pelo facto de o objecto não ter sido detectado quando voltou para fazer exames, após sentir o desconforto. Em comunicado, os SS asseguram que contactaram com a senhora e que esta concordou com
“Do Kiang Wu saise sem dinheiro, do São Januário sai-se sem vida” BOBO paciente do Hospital Conde de São Januário
um exame físico detalhado, “para analisar a situação”. O organismo assegura ainda que já deu início a uma investigação interna para “verificar a verdadeira causa” do incidente. Não se sabe ainda se a mulher apresentou oficialmente uma queixa. - *com Zhou Xuefei
AMBIENTALISTA DIZ QUE MOSTEIRO EM KÁ HÓ PODE SER BENÉFICO PARA AMBIENTE
Dar um espaço verde aos residentes do Cidadão, Joe Chan diz que “tendo em consideração o fluxo de pessoas, o tráfego e a poluição, o projecto é um bom exemplo para os edifícios verdes em Macau, uma vez que ajuda no ensino ambiental”. “Acredito que não terá muito impacto no meio ambiente, por isso não me oponho à construção do projecto.” Contudo, Joe
Chan admitiu que como o mosteiro não vai ser aberto para toda a gente, deverão ser dados alguns períodos de tempo para que também os cidadãos possam aproveitar este local verde. “Se o Governo alugar o local a longo-prazo tem o direito de discutir como se deve usar os recursos de terrenos. Abrir regularmente o mosteiro aos grupos sem
fins lucrativos, escolas ou organizações de juventude, pode ser uma das hipóteses.” Segundo o mesmo jornal, o responsável pelo projecto já apresentou a sua proposta em 2009, mas o Governo recusou-a devido aos danos que poderia vir a provocar à montanha. Em 2010, a proposta actualizada voltou a ser apresentada.
Ho Ion Sang, deputado e candidato à Assembleia Legislativa (AL), considera que, embora a concessão possa ser legal, ainda é melhor atribuir o terreno depois de a nova lei entrar em vigor, no próximo ano. Além disso, o deputado comparado o projecto de mosteiro com o projecto de casamata. “Os dois projectos envolvem a altura da
construção e danos da montanha, por isso é preciso que os residentes participem nas reuniões de consultas.” Ho Ion Sang acusa o Governo de favorecer o empresário do no caso do projecto junto da casamata. Na quarta-feira, a Direcção de Serviços dos Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) lançaram um comunicado onde defendem que as regras para a concessão de terrenos estão a ser cumpridas. “O Governo reafirmou dar atenção ao verde, à protecção do ambiente e à paisagem natural.”
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CHINA
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O
filho adolescente de um famoso cantor chinês, que foi acusado de estar envolvido num caso de estupro, foi julgado esta quarta-feira num tribunal distrital da capital chinesa. A história remonta a Fevereiro, quando cinco pessoas foram detidas depois que uma mulher de sobrenome Yang ter informado a polícia que foi levada a um hotel e sofreu um estupro colectivo, após ter estado num bar a 17 de Fevereiro. Fontes ouvidas, que se recusaram a dar nomes, referiram que o filho de Li Shuangjiang, decano da Faculdade de Música da Academia de Artes do Exército de Libertação Popular, estava entre os cinco detidos. A Procuradoria Popular do Distrito de Haidian de Pequim apresentou em 8 de Julho acusações de estupro contra os suspeitos. Durante as duas reuniões organizadas antes do julgamento, os advogados dos cinco suspeitos e da vítima discordaram sobre a definição do caso, estupro colectivo ou prostituição. A mãe de Li, Meng Ge, chegou ao tribunal às 9h de quarta-feira, mas não respondeu às perguntas dos jornalistas. Meng solicitou
Li Shuangjiang e o filho
CRIME FILHO DE FAMOSO TENOR CHINÊS É JULGADO POR ESTUPRO
Nem com reformatório anteriormente uma audiência pública do julgamento, no entanto, a sua intenção foi recusada pelo tribunal. Como o caso envolve
jovens, e a sua privacidade é protegida pela lei, o julgamento será feito em sessões privadas, de acordo com o tribunal.
Tian Canjun, advogado da vítima, disse à Xinhua anteriormente que Yang estava sob grande pressão psicológica e estava hospitalizada
pelo que não participará no julgamento. Li Shuangjiang, de 74 anos, é conhecido principalmente pelas suas interpreta-
ções de canções patrióticas. No entanto, o seu filho gerou controvérsia nos últimos anos por causa do seu comportamento rebelde. Há dois anos, o adolescente de 17 anos e um amigo atacaram um casal que supostamente bloqueava a entrada da sua porta de casa em Pequim. Posteriormente, foi enviado para um reformatório do Governo durante um ano.
SATISFAÇÃO PELOS LAÇOS QUE O MYANMAR DESENVOLVE COM OUTROS PAÍSES
ESPAÇO SONDA NA LUA ATÉ FINAL DO ANO
ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, manteve conversas em Pequim na quarta-feira com seu homólogo do Myanmar, U Wunna Maung Lwin, e afirmou que a China está satisfeita por ver que o Myanmar tem estabelecido e desenvolvido laços com outros países do mundo. Wang disse que acredita que o caminho do desenvolvimento de Myanmar corresponde à sua própria situação e interesse nacional. O alto cargo chinês afirmou ainda que os dois países podem intensificar cooperação em maiores projectos económicos e comerciais, promover a inter-conectividade e explorar a construção do programa de corredor económico Bangladesh-China-Índia. Como o Myanmar assumirá a presidência rotativa da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano, Wang espera que os dois países façam esforços conjuntos para promover os laços China-ASEAN. Por seu lado, U Wunna Maung Lwin referiu que o Myanmar apreciou o apoio a longo-prazo da China e está disposto a fortalecer a cooperação nos principais projectos, inter-conectividade e estabilidade fronteiriça. O Myanmar trabalhará para facilitar as relações China-ASEAN, acrescentou.
China vai enviar, até final do ano, a primeira sonda espacial destinada a pousar na Lua, anunciou ontem a agência noticiosa oficial Nova China, citando uma agência governamental. As fases de elaboração e de construção para a missão não-tripulada “Chang’e-3” estão terminadas e a missão “entrou oficialmente na fase de lançamento”, anunciou a administração estatal para a Ciência, Tecnologia e Indústria. O primeiro engenho chinês para pousar no solo lunar será lançado “no final deste ano”, a partir do centro espacial de lançamento de satélites Xichang, precisou a Nova China, citada pela agência noticiosa francesa AFP. Na mitologia chinesa, ‘Chang’e’ é o nome de uma mulher que vivia permanentemente na Lua, num palácio de
Promover a inter-conectividade O
Pousar é preciso A
jade. A China já tinha dado este nome a duas sondas espaciais de observação da Lua, lançadas em 2007 e 2010. Aconquista espacial é vista na China como um símbolo do novo poder do país e das ambições do Partido Comunista (PCC). Em Julho, a China concluiu com êxito a mais longa missão tripulada no espaço, a “Shenzhou X”, que Pequim considerou “uma importante vitória na etapa” para a construção de uma estação espacial permanente chinesa, em 2020.
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SÍRIA “NINGUÉM DEVE INTERFERIR” NA INVESTIGAÇÃO DA ONU, DIZ MNE CHINÊS
É preciso calma e contenção O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, apelou ontem à “calma e contenção” acerca da Síria, defendendo que “ninguém deve interferir” na investigação da ONU sobre o uso de armas químicas naquele país. “Uma solução política é sempre o único meio realista de resolver a questão síria”, afirmou Wang Yi à agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. Na mesma declaração, o ministro chinês sustenta que uma intervenção militar externa na Síria “entrará em conflito com a Carta das Nações Unidas e exacerbará a tensão no Médio Oriente”, disse a Xinhua. Wang Yi manifestou “total oposição da China a qualquer uso de armas químicas” e defendeu “uma investigação independente, objectiva, imparcial e profissional da ONU” acerca da situação na Síria. O China Daily, entretanto, condenou um eventual ataque ocidental à Síria. Os Estados Unidos e os seus aliados “estão a agir como juízes, júri e executantes”, diz o jornal num editorial intitulado “Não há desculpas para atacar (a Síria)”.
Escola de línguas usa professoras seminuas nas aulas
Uma escola de línguas de Hong Kong que dá aulas online está a causar polémica na China por causa de uma nova metodologia de ensino. A instituição recruta modelos para estas ensinar seminuas. O método tornouse uma sensação na Internet, depois do projecto piloto da Sexy Mandarim acumular mais de 800 mil visualizações no YouTube, avança o Huffingtonpost. Agora, a escola está a seleccionar modelos sexys para dar continuidade à iniciativa. Uma arquitecta e modelo, que apareceu nas primeiras gravações, elogiou a proposta. “Se você seguir o método tradicional do livro, todos esses caracteres chineses só vão deixá-lo intimidado (...) Se você começar de uma forma coloquial, com os clipes sensuais a história é diferente”. A escola, que tem como lema “ensinar mandarim de uma forma não convencional”, tem sido criticada por feministas chinesas, que afirmam que os vídeos transformam as mulheres em objectos.
Pequim pode implementar imposto sobre bens de luxo
A China planeia impor uma taxa sobre o consumo de bens de luxo e itens que causam “poluição ambiental grave” e exploração excessiva de recursos, disse a agência estatal de notícias Xinhua nesta quarta-feira, citando o ministro das Finanças, Lou Jiwei. Um imposto existente de recursos será estendido ao carvão com base nos preços, em vez de volume de vendas, disse ainda Lou, segundo a agência. Lou também reiterou a intenção do Governo de expandir um imposto sobre imóveis, actualmente em análise nas cidades de Xangai e Chongqing.
OPERAÇÃO POLICIAL MATA 23
9,3 MIL MILHÕES DE PATACAS PARA FINANCIAR O ORÇAMENTO NACIONAL
Ainda Xinjiang Equador recebe empréstimo V O
INTE e dois uigures e um polícia morreram na região noroeste da China durante uma operação policial, anunciou a emissora Radio Free Asia (RFA). A operação aconteceu na região de Yilkiqi, perto do deserto, segundo a RFA, uma rádio subsidiada pelo Governo dos Estados Unidos. “O polícia faleceu depois de um confronto com um grupo terrorista violento na região de Xinjiang”, informa o jornal Global Times, sem citar outras vítimas. O Diário de Kashgar, jornal oficial da região de
Xinjiang, informou que o polícia Yan Xiaofei “morreu de forma heróica” em 20 de Agosto. A região de Xinjiang é cenário frequente de distúrbios violentos, uma consequência da forte tensão entre os han (etnia majoritária na China) e os uigures (muçulmanos de língua turca). As autoridades acusam os militantes uigures de “terrorismo”. No dia 12 de Agosto dois uigures de Xinjiang foram condenados à morte. O Congresso Mundial Uigur, uma organização no exílio, denunciou o carácter político das condenações.
Equador anunciou que recebeu da China um empréstimo de 9,3 mil milhões de patacas, que será utilizado numa “transacção comercial” com a estatal Petroecuador e para ajudar
a financiar o orçamento nacional, afirmou o Ministério das Finanças do país. “Esse montante chegou em 12 de Agosto como parte do financiamento para o orçamento nacional anunciado pelo ministro das Finanças”, disse
um funcionário, que pediu para não ser identificado. A transferência do dinheiro gerou um aumento de 45,3% no total de reservas internacionais do Equador, para 41,4 mil milhões de patacas.
Em ocasiões anteriores, o Equador obteve financiamento na China, como parte dos acordos de pré-venda do petróleo. Nenhum porta-voz da Petroecuador esteva disponível para comentar o assunto.
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COSMOS
M 1980, Carl Sagan dizia: “A água parece convidativa.” O astrofísico e famoso divulgador de ciência, falecido em 1996 com 62 anos, referia-se ao Universo, no primeiro episódio da série Cosmos: Uma viagem pessoal. Os 13 episódios que passaram na televisão, onde Sagan explicava o início do Universo, o aparecimento da vida, a importância da ciência ou por que é que a humanidade tinha o dever de manter a paz, marcaram para sempre a divulgação da ciência. Sagan, a mente por trás da série, pedia ao espectador para olhar para as estrelas e convidava-o a sonhar com futuras viagens interestelares. Poucos anos depois de se ter caminhado na Lua e quando já se enviava robôs para outros planetas, o cientista desejava que a espécie humana - pó das estrelas tornado consciente - mergulhasse neste mar gigante que é o cosmos. Mas mais de 30 anos depois, as missões propostas por Carl Sagan parecem postas de lado. O financiamento científico está contraído em muitos países e os voos que a agência espacial NASA ambiciona são mais baixos. Para contrariar esta tendência, Ann Druyan, a terceira e última mulher de Carl Sagan, que esteve envolvida na série original, voltou a esta viagem inventada pelo marido. Cosmos vem aí, com 13 novos episódios a estrear na Primavera de 2014. “Demos tantos saltos na década de 1960. Havia uma certa audácia e confiança, e tivemos entretanto uma falta de confiança”, afirmou Ann Druyan na convenção Comic-Con Internacional, que teve lugar em Julho, em San Diego, nos Estados Unidos. “Parte dessa falta traduz-se num retrocesso em direcção ao medo, à ignorância, à superstição, ao pensamento mágico. A nível cultural existem ciclos, onde as pessoas estão prontas para se abrirem [ao conhecimento] e andarem para a frente, e ciclos em que regridem. Acho que estamos prontos para voltar ao caminho, essa é a mensagem de Cosmos.” Druyan falou depois da apresentação na convenção do trailer da nova série chamada Cosmos: A Spacetime Odyssey. Ao seu lado estava Neil deGrasse Tyson - famoso astrofísico e divulgador de ciência norte-americano que vai ser o protagonista da série, ou seja, estará no lugar de Carl Sagan - e Brannon Braga, director executivo da rede televisiva Fox, que está a produzir os novos episódios juntamente com o canal National Geographic. Brannon Braga, que nasceu nos Estados Unidos, mas tem origem portuguesa, foi produtor executivo e guionista das séries 24, Flashforward, Treshold, além de ser o criativo de centenas de episódios de diferentes séries televisivas do universo Star Trek. Outra estrela envolvida na produção da novo Cosmos é Seth MacFarlane, criador das séries animadas da Fox para adultos Family
hoje macau sexta
TREZE NOVOS EPISÓDIOS SERÃO APRESENTADOS PELO ASTROFÍSICO NEIL DEGRASSE T
Série mítica volta em 2
Carl Sagan
Somos nós que nos responsabilizamos pela Terra. Devemos a nossa obrigação de sobreviver não só a nós próprios, mas ao cosmos, vasto e antigo, de onde despontámos CARL SAGAN
Guy, American Dad! e The Cleveland Show, que diz ser um fã do Cosmos. Sabe-se pouco sobre a nova série. O trailer, de três minutos e 24 segundos, mostra Neil deGrasse Tyson numa nave espacial que, de acordo com o astrofísico, pode viajar para o passado e para o futuro consoante o seu pensamento. A nave é a nova versão do veículo onde Sagan se movia na série original. Vêem-se ainda planetas, estrelas, uma descida a Marte, mas também o oceano terrestre, uma seara e uma
Neil deGrasse Tyson
árvore. Há imagens que parecem mostrar a fisiologia humana e os microrganismos. Os efeitos especiais saltam à vista e são intercalados com desenhos animados sobre a evolução humana com cenas de caça dos nossos antepassados ou de um auto-de-fé. Na convenção Comic-Con, Brannon Braga explicou esta inovação. Nas passagens da série sobre o passado, os criadores resolveram recorrer a desenhos animados com o estilo dos graphic novel da banda desenhada.
Não queremos esperar mais de uma geração para contar de novo a história de quem somos e onde queremos ir neste Universo NEIL DEGRASSE TYSON
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TYSON
2014 No trailer aparece ainda Tyson a caminhar sobre uma versão melhorada e tridimensional do calendário cósmico, um conceito que Carl Sagan utilizou primeiro no seu livro Os Dragões do Eden e que depois levou para a série. O calendário cósmico divide em 12 meses o tempo desde o Big Bang, ocorrido há 13.800 milhões de anos, e hoje, e ajuda a ter uma perspectiva dos períodos de tempo que separam os grandes acontecimentos do Universo e da Terra. Assim, se o Big Bang aconteceu a 1 de Janeiro, a origem da nossa galáxia, a Via Láctea, ocorreu a 1 de Maio. O nosso sistema solar apareceu a 9 de Setembro e a Terra nasceu cinco dias depois. A origem da vida terá sido por volta de 25 de Setembro e os primeiros vertebrados surgiram a 19 de Dezembro. Os dinossauros extinguiram-se a 28 de Dezembro e, finalmente, os primeiros seres humanos apareceram às 22h30 do último dia do ano.
SÉRIE CONTINUA ACTUAL
“Esta série é sobre o mesmo, mas contamos uma data de novas histórias, estabelecendo coordenadas de base, para depois saltar mais longe a partir delas”, resumiu Ann Druyan, autora e produtora executiva. O Cosmos foi um fenómeno. Quando se estreou na PBS, uma televisão pública norte-americana, tornou-se a série mais vista de sempre nos Estados Unidos, e manteve esse estatuto até 1990, quando foi destronada por A Guerra Civil. Ganhou três Emmy e um Peabody. Desde então já foi vista por 750 milhões de pessoas em 175 países. Hoje está disponível no YouTube. Por trás deste sucesso esteve um guião bem feito - que, além de Sagan, contou com Ann Druyan e Steven Soter, astrofísico também envolvido no novo projecto -, bem como uma produção de três anos com 150 pessoas. Houve filmagens em 40 lugares espalhados por 12 países, o uso inovador de efeitos especiais e o génio de Carl Sagan. “O grande êxito de Cosmos deve-se à personalidade de Carl Sagan, que tem uma capacidade de persuasão incrível”, sublinha ao jornal Público o físico Carlos Fiolhais, da Universidade de Coimbra e actual editor da colecção Ciência Aberta da editora Gradiva, onde foram publicados os livros de Carl Sagan, incluindo o Cosmos, uma versão escrita da série, editada no mesmo ano. “Pôs a sua inteligência ao serviço da comunicação e passou essa
inteligência para nós. Sentimo-nos inteligentes ao ler o Cosmos”, refere o físico, que ainda hoje mostra partes da série aos jovens quando faz divulgação de ciência. “Fixa-lhes a atenção. Continua actual e fresco.” As primeiras palavras de Carl Sagan na série ainda ressoam em nós: “O cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá.” Durante 13 episódios, o cientista, numa linguagem simples mas cientificamente correcta, fala sobre estrelas, planetas, galáxias, evolução, ADN ou moléculas orgânicas. Visita a Grécia Antiga e vai até Marte, explica as raízes do método científico e aborda temas que lhe eram caros, como a possibilidade da existência de vida noutros planetas ou a capacidade destrutiva do homem, tão presente durante a Guerra Fria, quando, muitas vezes, parecia estar iminente um conflito nuclear. “Somos nós que nos responsabilizamos pela Terra. Devemos a nossa obrigação de sobreviver não só a nós próprios, mas ao cosmos, vasto e antigo, de onde despontámos”, defende Carl Sagan, encerrando o último capítulo.
A PALAVRA DE NEIL
Para Neil deGrasse Tyson, estamos numa altura óptima para voltar à
viagem inventada por Carl Sagan. “Não queremos esperar mais de uma geração para contar de novo a história de quem somos e onde queremos ir neste Universo”, disse o astrofísico na Comic-Con. Tyson é um reconhecido divulgador de ciência, já ganhou vários prémios, além de ser o director do Planetário Hayden do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque. O seu estilo é completamente diferente do de Carl Sagan - é fisicamente possante, mistura humor e gesticulação com um toque de pregador e tem grande facilidade em lançar sound bites no discurso. “É talvez uma das maiores figuras da divulgação de ciência de hoje”, diz Carlos Fiolhais. “Mas tem a sombra de Sagan por trás.” O norte-americano é um acérrimo defensor do cepticismo, da procura do erro, do papel da razão na ciência. Mas, tal como Sagan, não deixa de ser um sonhador. “Hoje em dia ninguém anda a sonhar com o futuro. A NASA sabe como é que se sonha com o futuro”, disse em 2010 numa conferência na Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, onde defendeu que haja mais dinheiro para a agência espacial dos Estados Unidos. Todavia, há um lado pragmático quanto à escolha do seu
público, quando está a divulgar ciência. “Os adultos sempre foram o meu objectivo. Porque não há nada mais perigoso do que um adulto no poder com iliteracia científica”, referiu em Julho em San Diego. Pode, por isso, antecipar-se o carácter universal do próximo Cosmos. Simples, informativo, ambicioso, científico e sonhador. Afinal, somos uma espécie inteligente - a única que, para já, conhecemos -, a viver à volta de uma estrela de meia-idade, num braço da Via Láctea. O que queremos fazer com o futuro, para onde queremos olhar e como podemos tornar o mundo melhor? “O século começou com a queda das Torres Gémeas [em Nova Iorque] e instalou-se uma nova confusão nos assuntos humanos que impediu de olhar para as estrelas”, avalia Carlos Fiolhais. “Há muitas coisas a dividir as pessoas neste planeta, mas a ciência é um assunto que une.” O físico português espera ver tratados na série os novos temas que se tornaram importantes nos últimos 30 anos na física, como a energia negra e a matéria negra: “Tenho uma enorme curiosidade.” O cosmos continua a chamar por nós. só a nós próprios, mas ao cosmos, vasto e antigo, de onde despontámos”, defende Carl Sagan, encerrando o último capítulo. Para Neil deGrasse Tyson, estamos numa altura óptima para voltar à viagem inventada por Carl Sagan. “Não queremos esperar mais de uma geração para contar de novo
a história de quem somos e onde queremos ir neste Universo”, disse o astrofísico na Comic-Con. Tyson é um reconhecido divulgador de ciência, já ganhou vários prémios, além de ser o director do Planetário Hayden do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque. O seu estilo é completamente diferente do de Carl Sagan - é fisicamente possante, mistura humor e gesticulação com um toque de pregador e tem grande facilidade em lançar sound bites no discurso. “É talvez uma das maiores figuras da divulgação de ciência de hoje”, diz Carlos Fiolhais. “Mas tem a sombra de Sagan por trás.” O norte-americano é um acérrimo defensor do cepticismo, da procura do erro, do papel da razão na ciência. Mas, tal como Sagan, não deixa de ser um sonhador. “Hoje em
dia ninguém anda a sonhar com o futuro. A NASA sabe como é que se sonha com o futuro”, disse em 2010 numa conferência na Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, onde defendeu que haja mais dinheiro para a agência espacial dos Estados Unidos. Todavia, há um lado pragmático quanto à escolha do seu público, quando está a divulgar ciência. “Os adultos sempre foram o meu objectivo. Porque não há nada mais perigoso do que um adulto no poder com iliteracia científica”, referiu em Julho em San Diego. Pode, por isso, antecipar-se o carácter universal do próximo Cosmos. Simples, informativo, ambicioso, científico e sonhador. Afinal, somos uma espécie inteligente - a única que, para já, conhecemos -, a viver à volta de uma estrela de meia-idade, num braço da Via Láctea. O que queremos fazer com o futuro, para onde queremos olhar e como podemos tornar o mundo melhor? “O século começou com a queda das Torres Gémeas [em Nova Iorque] e instalou-se uma nova confusão nos assuntos humanos que impediu de olhar para as estrelas”, avalia Carlos Fiolhais. “Há muitas coisas a dividir as pessoas neste planeta, mas a ciência é um assunto que une.” O físico português espera ver tratados na série os novos temas que se tornaram importantes nos últimos 30 anos na física, como a energia negra e a matéria negra: “Tenho uma enorme curiosidade.” O cosmos continua a chamar por nós.
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AVISO De acordo com o artigo 17o do“Regulamento dos Apoios a Conceder pelo IACM”, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo no 83/2004, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais passa, a partir da presente data, a receber requerimentos para a atribuição de subsídios de funcionamento ou de subsídios para planos de actividades anuais referentes ao ano 2014. As associações, eventualmente interessadas em apresentar os referidos requerimentos, devem preencher os respectivos boletins, anexar os documentos necessários e fazer a sua entrega ao IACM. O prazo-limite para a apresentação de requerimentos termina no dia 31 de Outubro deste ano. Locais para a obtenção e entrega dos impressos de requerimento:
Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 3ª vez do ano 2013
(1)
• Divisão de Apoio e Promoção Associativa do Gabinete do Cidadão Av. da Praia Grande, Nº 517, Edf. Comercial “Nam Tung”, 4º andar, Macau. • Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Norte Rua Nova da Areia Preta, no. 52, Centro de Serviços da RAEM, Macau • Centro de Prestação de Serviços ao Público da Zona Central Rotunda de Carlos da Maia, Nos .5 e 7 , Complexo da Rotunda de Carlos da Maia, 3º andar • Centro de Prestação de Serviços ao Público das Ilhas Rua da Ponte Negra, Bairro Social da Taipa, No.75K, Taipa.
(2)
• Posto de Atendimento e Informação Central Avenida da Praia Grande No.762-804, Edf. China Plaza, 2o andar, Macau. • Posto de Atendimento e Informação de Tói Sán Avenida de Artur Tamagnini Barbosa No.127, Edf. D. Julieta Nobre de Carvalho, bloco“B”, r/c, Macau. • Posto de Atendimento e Informação de S. Lourenço Rua de João Lecaros, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço, 4º andar, Macau Os impressos podem, ainda, ser obtidos através do Website do IACM (http://www.iacm.gov.mo). Em caso de dúvida, queira contactar através do telefone No 2833 7676, Linha do Cidadão do IACM.
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Macau, aos 12 de Agosto de 2013. O Presidente do Conselho da Administração,substo. Vong Iao Lek WWW. IACM.GOV.MO
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Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM. Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes. Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Alínea (2) do número anterior
Todo o ano A partir do dia 2 – Set. – 2013 até 1 – Nov. – 2013 (O próximo pedido será realizado no dia 2 –Jan. – 2014 ao 3 –Mar. – 2014)
Forma do Pedido Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n° 411-417, Edf. “Dynasty Plaza” 9° andar, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo. Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o 《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》. O Presidente do C. A. do FDCT, Tong Chi Kin 29 / 8 / 2013
VIDA
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DSPA QUER “GARANTIR QUALIDADE DO MEIO AMBIENTE” NA AREIA PRETA
Libertação de gases vai ser controlada RITA MARQUES RAMOS
“P
a libertação do H2S. No entanto, segundo informações recolhidas online, a concentração deste gás não deve exceder as oito partes por milhão (ppm) na atmosfera local. Segundo explica a DSPA, o sistema automático de recolha de resíduos sólidos, instalado no Bairro da Areia Preta, é composto pela boca de depósito de resíduos, tubos de transporte de resíduos subterrâneo e estação de recolha central e tem como principal objectivo recolher resíduos domésticos produzidos pelos habitantes do bairro na vida quotidiana. “Os resíduos sólidos são transportados directamente pelos tubos até à estação de recolha
O ESSENCIAL
rita.ramos@hojemacau.com.mo
ARA controlar melhor e de modo contínuo o funcionamento do sistema de tratamento de odores existente no interior do sistema automático de recolha de resíduos sólidos e garantir a qualidade do ar do meio circundante, a DSPA decidiu instalar, no recinto da estação, o sistema de monitorização online de sulfureto de hidrogénio, a fim de recolher, de modo contínuo, científico e atempado, os dados referentes aos gases emitidos”, justificou o organismo tutelado por Cheang Sio Kei, em resposta ao HM sobre a adjudicação de um contrato de instalação e operação de monitorização online de H2S à AECOM esta semana, no valor de mais de quatro milhões de patacas. “Atendendo ao facto de que o trabalho exige um determinado nível de profissionalismo, a DSPA teve necessidade de contratar uma em-
O Governo contratou esta semana a empresa de consultadoria AECOM para monitorizar os níveis de sulfureto de hidrogénio emitidos pela Central de Recolha do Sistema Automático de Resíduos Sólidos. Ao HM, a DSPA garante que o mecanismo é de prevenção para “garantir a qualidade do meio ambiente” na Areia Preta, sem dar conta se os níveis de libertação do gás actualmente são prejudiciais.
presa de consultadoria que tenha capacidade técnica correspondente e com experiência para proceder à instalação do sistema de monitorização do sulfureto de hidrogénio, à recolha de amostras e à análise de dados”, adianta ainda a DSPA. O organismo não adianta, no entanto, se há excesso de níveis de libertação deste gás mas apenas
que a ideia é “garantir a qualidade do meio ambiente” até porque “os gases, pó e odor existentes nos tubos são filtrados e tratados por meio de três grupos de filtros, seguindo-se o tratamento pelo sistema de tratamento de ar com água antes de serem finalmente libertados”, explica, sem avançar também do padrão máximo autorizado para
HAC SÁ TUFÕES TIRAM AREIA DA PRAIA, MAS ROCHAS NÃO SÃO DE OBRAS DIZ IACM
Já não há areia, só pedras ZHUO XUEFEI
info@hojemacau.com.mo
U
MA das duas únicas praias de Macau, a de Hac Sá, tornou-se agora ainda mais rochosa, com pouca areia. O culpado, diz o jornal Ou Mun, é o Tufão Utor, que passou pela região há duas semanas e fez diminuir a areia da praia de Hac Sá. O jornal compara a praia a um canteiro de obras, porque turistas oriundos do continente disseram que vieram a Macau especificamente pela praia, mas ficaram desiludidos com o que encontraram. Em redor da zona mais gravemente atacada pelo tufão, existem cercas instaladas pelo Governo e avisos para os turistas terem mais cuidado e não entrarem na zona, a fim de evitar que se magoem. Contudo, há ainda turistas que optam por não ligar ao aviso. Cidadãos apontaram ao Ou Mun que, nos últimos
anos, o ambiente da praia de Hac Sá está cada vez mais prejudicado e que há cada vez menos areia. Por isso, os cidadãos apelam ao Governo para investigar a causa e limpar as rochas e o lixo que também tem vindo a ser visto na praia. ADirecção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) admitiu que foi a responsável por instalar as cercas, dizendo ao Ou Mun que, há cerca de dez dias, precisou de o fazer por uma questão de segurança.
Além disso, já informou os “departamentos relevantes” para limpar a praia. A DSAMA estima que as areias levadas pelo tufão Utor voltarão à praia no próximo mês de forma natural e, dentro de três ou quatro meses, a praia de Hac Sá recuperará a paisagem. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) referiu que já não é a primeira vez que a praia fica assim. Em 2008, o Tufão Hagubit - de sinal 8 - atacou Macau e “levou muitas pedras para o mar”. O IACM tem até uma explicação para o facto de a praia estar rochosa. “Desta vez, estas pedras foram trazidas do mar pelo Utor, criando uma praia rochosa, o que pode acalmar as dúvidas sobre se as pedras são resíduos da construção que o IACM está a avançar à beira mar.” A empresa responsável pela construção do aterro está, no entanto, a ajudar a DSAMA na limpeza das pedras.
PUB
central, onde os resíduos e gases são separados. Os resíduos sólidos são transportados através de tubos até ao sistema de compressão, onde serão comprimidos, empacotados e enviados através de um veículo especial para serem tratados na Central de Incineração de Macau”, avança a DSPA sobre o processo de recolha e selecção de materiais para tratamento. A capacidade de recolha diária varia entre as 35 e 40 toneladas, abrangendo cerca de 15800 residências, ou seja, mais de 50 mil habitantes. Actualmente, o sistema pode recolher mensalmente 650 toneladas de resíduos.
Governo não aceita monopólio para água reciclada
O Governo rejeitou a hipótese de conceder o monopólio da água reciclada à Macau Water. De acordo com a edição de ontem do jornal Macau Business Daily, o Governo respondeu a Felix Fan Xiaojun, director-executivo da empresa, que disse que apenas uma entidade deveria fornecer esse tipo de água. “Um concurso público poderia sugerir mais justiça, que poderia corresponder ao interesse público, mas eu acho que a conveniência e o profissionalismo são ainda mais do interesse público”, referiu. O Governo rejeita a hipótese de monopólio para a água reciclada que começará a ser fornecida em 2015.
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CULTURA
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ÁLBUM COM GRAVAÇÕES PODE SER EDITADO EM NOVEMBRO
Discografia dos Beatles está prestes a aumentar A discografia dos Beatles está prestes a aumentar, depois do anúncio de que um álbum com novas gravações dos Beatles para a BBC vai chegar às lojas em Novembro. A novidade foi dada na página do Facebook MCA Music, editora das Filipinas que pertence à Universal, detentora do catálogo dos britânicos. Esta notícia não foi no entanto ainda confirmada pela Universal, ainda não houve comentários da editora no Reino Unido nem nos Estados Unidos. No entanto, é muito provável que a informação esteja correcta, uma vez que a BBC já tinha pedido a todos os fãs que tivessem gravações dos Beatles feitas para a emissora para entrarem em contacto com eles. Em causa estão músicas que nunca chegaram a ser editadas e que a banda gravou para a rádio na década de 1960. A BBC pediu que lhes fizessem chegar este material porque na altura apagavam
algumas fitas depois destas irem para o ar. A acontecer este lançamento, será assim o segundo álbum dos Beatles ao vivo na BBC, depois
de em 1994 ter sido editado o CD duplo Live at The BBC com 56 músicas. A colectânea chegou ao número um do top de vendas no Reino Unido.
Segundo o The Guardian, apesar destes concertos terem sido transmitidos para todo o país, o material dos Beatles na BBC é raro, uma vez que até ao final dos anos 1970 o canal não dispunha de um arquivo. No WogBlog, um blogue de fãs dedicado em exclusivo aos Fab Four, há ainda uma explicação sobre a foto que poderá ser a capa do novo álbum. Foi aliás a partir deste blogue que a notícia se espalhou pelos meios de comunicação e redes sociais. Lê-se no blogue que a foto é de Dezo Hoffmann, fotógrafo que acompanhou a banda nos primeiros anos de formação e na primeira digressão aos Estados Unidos. A foto original é a preto e branco mas para a capa deste álbum ganhou novas cores. Esta notícia ganha ainda mais força se se tiver em conta que a 10 de Outubro a BBC Books vai publicar um novo livro de Kevin Howlett exactamente sobre isto: The Beatles – The BBC Archives: 1962-1970. Neste livro vão ser contadas todas as idas da banda de Liverpoool à BBC, com fotos, algumas até agora desconhecidas, desses momentos, e conversas transcritas. Também em Outubro chegará às lojas um livro infantil assinado pelo baterista Ringo Starr, cuja história se baseia na música dos Beatles Octopus’s Garden, do álbum Abbey Road. A NME avança esta quarta-feira que juntamente com o livro será editada uma versão nunca ouvida da música.
Grupo de DJs de Macau apresenta ‘I-Robots’ pela primeira vez no território
Este sábado, o Flipside – grupo de DJs de Macau – traz ao território ‘I-Robots’, - ou Gianluca Pandullo -, um dos mais famosos djs internacionais. A realizarse no Golden Bar, no Kam Pek Casino, o evento junta músicos locais com ‘I-Robots’. Pandulloco começou a sua carreira no início dos anos 80, tocando vários géneros musicais onde se inclui o Funk e Disco, que serviram de influência aos seus ‘sets’ electrónicos. Pela primeira vez em Macau, o italiano – fundador da editora Opilec – tem estado na senda da música electrónica por quase 30 anos, tendo produzido álbuns com estrelas como Giorgio Moroder (“o génio por trás dos êxitos de Donna Summer”) e com os Daft Punk, no seu mais recente CD Random Access Memories. No cartaz, está ainda marcada a presença do fundador do Flipside, Devin Wilhelm – ou Dj Devlar -, DJ Gordon e Dj Beto, todos caras conhecidos da cena musical de Macau. Os bilhetes custam 120 patacas, com direito a uma bebida e a festa tem início às 21 horas.
LITERATURA LÍDIA JORGE ESTAVA ENTRE OS FINALISTAS DO PRÉMIO PASSO FUNDO ZAFFARI & BOURBON
Brasileira Ana Maria Machado é a vencedora A
escritora brasileira Ana Maria Machado é a vencedora da 8.ª edição do Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura com o romance Infâmia . O anúncio foi feito no Brasil, na terça-feira à noite, na abertura da 15.ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo. O prémio no valor de 150 mil reais (470 mil patacas) é atribuído de dois em dois anos ao melhor romance em língua portuguesa publicado no Brasil nesse período. Atribuído pela Universidade de Passo Fundo, no estado do Rio Grande do Sul, é um dos prémios literários com mais notoriedade no Brasil, existe desde 1999 e o vencedor da última edição foi João Almino, com o romance Cidade livre. Entre os finalistas candidatos ao prémio este
ano estavam a portuguesa Lídia Jorge (A noite das mulheres cantoras, Leya) e os brasileiros Daniel Galera (Barba ensopada de sangue, Companhia das Letras); Luiz Ruffato (Domingos sem Deus, Record); Paulo Scott (Habitante irreal, Alfaguara); Alberto Martins (Lívia e o cemitério africano, editora 34); Ricardo Lísias (O céu dos suicidas, Alfaguara); Noemi Jaffe (O que os cegos estão sonhando?, editora 34); João Gilberto Noll (Solidão continental, Record) e Eliane Brum (Uma duas, Leya). Ana Maria Machado nasceu em 1941 e é autora de livros para crianças e adultos. Infâmia (editado no Brasil pela Alfaguara) tem duas histórias paralelas: a de um embaixador na reforma, Manuel Serafim Soares de Vilhena, que vê a sua vida
alterada depois do desaparecimento de uns documentos antigos; e de Jorge, o fisioterapeuta do embaixador. As narrativas dos dois protagonistas baseiam-se em factos reais. Este livro já tinha estado entre os finalistas da edição do Prémio Jabuti do ano passado. O Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon, criado pela Prefeitura Municipal de Passo Fundo, está ligado às Jornadas Literárias que se realizam há mais de 32 anos numa parceria entre a autarquia e a universidade. A 15.ª edição, coordenada pela professora Tania Rösing, tem como tema Leituras jovens do mundo e começou terça-feira à noite. Até terminar, a 31 de Agosto, vai levar a Passo Fundo 101 escritores e intelectuais de 11 nacionalidades. Entre eles está o português
José Afonso Furtado, o ex-director da Biblioteca Calouste Gulbenkian, que participa quinta-feira numa conferência a quatro vozes que tem por tema Convergência das
mídias. Tem por companheiros de palco o espanhol Cesar Coll, professor de Psicologia Evolutiva e da Educação da Universidade de Barcelona; Massimo Canevacci, professor de Antropologia Cultural e de Arte e Culturas Digitais na Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Roma, e o brasileiro Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia.
SEMINÁRIO PARALELO
Ana Maria Machado
Paralelamente a estas jornadas decorre o 12.º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Património Cultural, onde participam também portugueses. Albano Figueiredo, da Universidade de Coimbra, fará na sexta-feira a conferência Leituras em intercâmbio novos (e velhos) desafios,
a que se segue uma discussão que volta a contar com José Afonso Furtado, autor dos livros Uma cultura da informação para o universo digital (ed. Fundação Francisco Manuel de Melo) e Os livros e as leituras (ed. Livros e leituras). Nesse dia, Furtado vai dividir o palco com a académica brasileira especialista em literatura comparada Betina Ribeiro Rodrigues da Cunha, o romancista brasileiro e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa Miguel Sanches Neto, e o espanhol José Antonio Cordón García, da Universidade de Salamanca, numa discussão à volta do tema A leitura e os jovens, trânsitos culturais. Os escritores brasileiros Ignácio de Loyola Brandão, José Castello e Marcelino Freire estão entre os convidados destas jornadas.
cultura 15
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FESTIVAL DE VENEZA 70 FUTURE RELOADED É A ENCOMENDA PARA CELEBRAR A 70ª EDIÇÃO
Muitos realizadores, outros leões de ouro O canadiano Atom Egoyan, naquela forma que tem de dar sensações ao ensaio intelectual, propõe a libertação de uma borboleta. Tem demasiadas imagens e vídeos na memória do seu telemóvel, é forçoso deitar algumas para o lixo. A gravação da sua passagem por uma exposição de fotos de Anton Corbijn? Não vai ser por isso que o diálogo pessoal de Egoyan com as fotografias de Corbjin se vai interromper. Mas o que acontecerá ao som dos seus passos a visitar a exposição, que memória ficará disso? Assim: filmando essas imagens que o telemóvel já filmara, libertando-as como uma borboleta que esvoaça em direcção ao espectador, e logo a seguir delete no telemóvel... Essa borboleta é o contributo de Egoyan para 70 Future Reloaded, a encomenda do festival a 70 realizadores para ser celebrado o número redondo, a 70.ª edição, e assim falar-se do “futuro do cinema”. Não haverá muitas borboletas, como é de esperar da heterogeneidade de um produto-mosaico. Em que está claro que há PUB
cineastas que não têm medo da vida das imagens e outros que apenas as aprisionam, em que a composição do cast deve muito a contingência e a protocolos (excesso de italianos, era de prever…). Em que, a bem dizer, cada um faz
o seu filme e em que alguns cumprem sem fulgor a quota da actualidade mais ou menos recente (a maratona de Boston; a Síria…) e não resistem ao requiem serôdio pelo que desapareceu (onde tanto caem, para sermos justos, Michele Placido, que vai até
ao Observatório de LosAngeles onde James Dean foi Rebelde sem Causa, como Abbas Kiarostami). É por isso que é solitário e marcante o contributo de Bernardo Bertolucci, por coincidência o presidente do júri da secção competitiva: Red Shoes chama-se o seu filmezinho, e vermelhos são os sapatos de um homem que avança com a cadeira de rodas pelas dificuldades dos pavimentos — esse homem é o próprio Bertolucci, que falando da sua condição mostra uma propriedade selvagem das imagens que deveria ser sempre o seu presente. Catherine Breillat escapa como poucos ao funeral do cinema por via da imperial pomposidade do seu discurso (que é, claro, fulminante), falando do cinema como refém hoje não do fulgor de mecenas mas do “hermafrodita” dinheiro, que quer reproduzir mais dinheiro. Fala também o português João Pedro Rodrigues, mas como ele costuma, sem palavras, com o hieratismo dos enquadramentos: do túmulo de Mizoguchi para os
restos mortais de Paulo Rocha, está dito. Teresa Villaverde coloca a voz e um poema de Pablo Neruda sobre as imagens do seu actor Alexandre Pinto, e a “colagem” faz jorrar de novo o “sangue de meninos” no cinema de Teresa. Paul Schrader e Ulrich Seidl inquietam-se. O primeiro pela possibilidade de a permanente revolução tecnológica obrigar o cinema à insustentável leveza da flutuação, de forma e conteúdo — logo a seguir ao ofegante burlesco de Schrader, aparecem os rapazes negros de Ulrich Seidl, como se ainda estivéssemos no primeiro tomo da trilogia Paraíso (o Amor, em cenário de turismo sexual em África); eles cantam Akuna Matata, a dizer que “não há problema, está tudo bem”, e a inquietação reforça-se. James Franco, actor e realizador, começa a tornar-se insuportável por exclamar a palavra “arte” por todos os lados — começa também a perceber-se que não tem unhas para essa guitarra. Hong Sang Soo não move um milímetro da sua terminal malícia e, num filme-mosaico em que por duas vezes se ouve Doris Day a cantar Que Sera, Sera, dizendo que “The future’s not ours, to see”, é isso que fazem Benoit Jacquot ou Monte Hellman: para quê o futuro, quando já é monumental um rosto humano?
DESPORTO
MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
F
UTEBOL Clube do Porto e Grupo Desportivo Lam Pak protagonizaram ao início da noite de ontem um dos desafios mais intensos da edição de 2013 do Campeonato de Futebol de Sete da I Divisão. As duas formações foram responsáveis por uma partida imprópria para cardíacos, não só pela sucessão de golos que se marcaram, mas também pelas oportunidades desperdiçadas de parte a parte. Disputado a ritmo meteórico, o desafio terminou empatado a três bolas mas o triunfo muito facilmente poderia ter sorrido a qualquer uma das formações. De regresso ao activo, os dragões do território entraram melhor no desafio e viram Leandro Fernandes inaugurar o marcador na recta inicial da partida, fruto de um início frenético de desafio. A resposta do Lam Pak, agora orientado por Lam Ka Koi e por Che Chi Man, não demorou a materializar-se, com Ho Man Hou a repor a igualdade, coroando um período de intenso fulgor ofensivo por parte da formação azul e branca. O Futebol Clube do
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BOLINHA PORTO E LAM PAK EMPATAM A TRÊS BOLAS
Dragão ressuscitado Porto, que ontem alinhou com equipamento alternativo, não se deixou abalar pela igualdade e voltou a chamar a si a iniciativa de jogo. Durante a recta final da primeira parte, os dragões
do território controlaram o meio-campo e tentaram sair para o ataque em investidas cautelosas, asfixiadas sem grande dificuldade pela defensiva adversária. À formação de matriz portuguesa
pertenceu, ainda assim, a última grande oportunidade da primeira parte, com o franco-angolano Áureo Neto forte ao lado do último reduto do Lam Pak. A igualdade a um golo
GONÇALO LOBO PINHEIRO
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AGORA TU, AGORA EU
A resposta determinada do Lam Pak surgiu menos de três minutos depois, com o sete azul e branco a marcar e a ver o lance inviabilizado pelo trio de arbitragem, antes de festejar na jogada imediata o golo do empate,
MARATONA INTERNACIONAL DE MACAU PROVA DISTRIBUI 1,5 MILHÕES DE PATACAS EM PRÉMIOS E MUITA EMOÇÃO
Na estrada a 1 de Dezembro A 32ª edição da Maratona Internacional de Macau foi ontem apresentada oficialmente, mas a apresentação do certame não se fez acompanhar por grandes novidades. A principal prova do calendário de atletismo do território conheceu ao longo da última década um crescimento exponencial, nomeadamente no que toca ao número de participantes envolvidos nas corridas que integram o cartaz competitivo do certame, mas a aposta do Instituto do Desporto parece ser a de refrear a expansão do evento. A edição de 2013 da Maratona Internacional de Macau sai
que se registava ao intervalo não agradava à dupla Lam Ka Koi/Che Chi Man e foi ao Lam Pak que pertenceu a iniciativa de jogo durante os primeiros minutos da segunda parte. O conjunto azul e branco entrou na etapa complementar a pressionar e Hou Man Hou obrigou o guarda-redes João Guedes a uma defesa apertada ao fim de três minutos de jogo. A resposta tímida do Porto surgiu pelo pés de Alison Brito, mas o dianteiro cabo-verdiano foi facilmente desarmado pela defesa contrário. O avançado esteve pouco depois na origem do segundo golo dos dragões, ao ser derrubado em falta no interior da área do Lam Pak. O árbitro apontou para a marca de grande penalidade e o brasileiro Alex Sampaio encarregou-se de cobrar o lance, propulsionando de novo o Futebol Clube do Porto para a frente do marcador.
para a estrada a 1 de Dezembro e distribui prémios no valor de um milhão e quinhentas mil patacas, uma quantia que iguala os valores atribuídos pela organização na última edição da prova. O montante será distribuído pelos atletas que chamarem a si as melhores prestações no certame, independentemente do tempo por eles alcançado. A Maratona Internacional de Macau ficou por várias vezes marcada por pequenas polémicas, com vários atletas a colocarem em causa a decisão da organização de não atribuir prémios a atletas que não cumpriram a distância dentro de um determinado limite de tempo.
As incrições para a 32ª edição do evento abrem no domingo, 2 de Setembro e para incentivar uma maior participação de residentes do território, o Instituto do Desporto atribuí um desconto de cinquenta por cento a quem se inscrever no evento até 31 de Outubro. A edição de 2013 da Maratona Internacional de Macau tem partida e chegada no Estádio da Taipa e deverá atrair ao território maratonistas provenientes dos quatro cantos do mundo. Em 2012, a Maratona Internacional de Macau foi ganha pelos etíopes Heile Haja Gemeda e por Ehitu Reda. - M.C.
apontado pelo brasileiro William Carlos Gomes. O grupo de trabalho às ordens de Lam Ka Koi e de Che Chi Man viu exponenciadas as razões para festejar pouco depois, quando Raymond Hiu Hok Man colocou a formação de matriz chinesa em vantagem pela primeira vez. O atleta da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong surpreendeu João Guedes na baliza do Futebol Clube do Porto na cobrança de um livre directo. A quatro minutos do fim, o dragão voltou a mostrar as garras. Alison Brito concluiu com classe uma boa jogada do ataque do Futebol Clube do Porto, ao responder com um ligeiro chapéu a uma boa desmarcação de Alex Sampaio. A igualdade não contentava nem uma nem outra das formações e ambas viram os respectivos guarda-redes brilhar, ao travarem boas jogadas do ataque adversário. Nos segundos finais da partida, João Guedes vestiu a pele de herói e travou com uma intervenção instintiva um remate com selo de golo do inevitável Ho Man Hou, assegurando a divisão de pontos no relvado sintético do Colégio D. Bosco.
CAMPEÃO DE GOLFE DE TAIWAN VOLTA A COMPETIR APÓS CIRURGIA A TUMOR NO CÉREBRO
Lu Wei-chih regressa L
U Wei-chih vai regressar ao campeonato de golfe asiático no próximo mês depois de uma longa batalha contra um tumor no cérebro, que o levou a admitir abandonar a carreira. O vencedor por três vezes do Asian Tour, de 34 anos, vai fazer o regresso aguardado no campeonato Yeangder Tournament Players, em Taipé, depois de uma cirurgia realizada com sucesso. “Vou tentar seguir o meu caminho e levar as coisas sem grande pressão. Só quero fazer o meu melhor. Não vai ser fácil, mas estou preparado”, disse Lu numa declaração tornada pública pelo Asian Tour. Lu ficou fora do circuito regional mais de um ano, depois de ter
sido diagnosticado com um tumor não cancerígeno, mas, devido ao crescimento, causava tonturas, sendo operado em Agosto de 2012. “Não consegui levar uma vida normal durante muito tempo. Não me conseguia sentar direito sem me sentir tonto, já para não falar de não conseguir segurar nos tacos de golfe como deve ser. Sentia-me fraco e inquieto muito facilmente. Foi quando pensei que não conseguiria voltar a jogar golfe novamente”, explicou. Lu vai voltar agora para o seu lugar entre os melhores jogadores de Taiwan no torneio que se disputa entre 12 e 15 de Setembro, no Linkou Golf and Country Club. - Lusa
FUTILIDADES
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TEMPO
MUITO
NUBLADO
[TELE]VISÃO
MIN
26
[
MAX
32
HUM
70-95%
] C I N E M A SALA 1
TDM 13:00 13:30 14:45 18:20 19:00 19:35 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 01:00 01:30
TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) TDM Talk Show (Repetição) Vingança Telejornal Portugueses Sem Fronteiras Cenas do Casamento Caminho das Índias TDM News Portugueses Pelo Mundo Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO
RTPi 82 14:00 14:30 15:30 16:00 17:00 17:30 20:00 21:15 22:00 22:30
Telejornal Madeira A História dos Açores Madeira Rural Bom Dia Portugal CENÁRIO NATURAL Homenagem a Cesária Évora no Coliseu Jornal da Tarde O Preço Certo Ingrediente Secreto Verão Total
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THE MORTAL INSTRUMENTS: CITY OF BONES [C]
Um filme de: Harald Zwart Com: Lily Collins, Lena Headey, Robert Sheehan, Kevin Zegers 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
THE CONJURING
EURO
10.5
SALA 2
Um filme de: James Wan Com: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ron Livingston, Lili Taylor 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
40 - FOX Movies 12:10 Frankenweenie 13:40 Jesus Henry Christ 15:15 Once Upon A Time 16:05 Eve Of Destruction - Part 1 Of 2 17:35 Diary Of A Wimpy Kid 19:10 The Bounty Hunter 21:00 21 Jump Street 22:50 The Chronicles Of Riddick 00:50 Hit & Run 41 - HBO 12:00 Jack And Jill 13:30 Be Cool 15:30 Mirror Mirror 17:15 Save The Last Dance 2 18:45 Two Weeks Notice 20:30 Madagascar 3 22:00 Sherlock Holmes: A Game Of Shadows 00:10 Batman Begins 42 - Cinemax 12:00 Top Gun 14:00 Thor 16:00 The Third Day 18:15 Over The Top 20:00 The Foreigner 21:45 Epad On Max 22:00 Spartacus: War Of The Damned 23:00 Starship Troopers 00:30 The Hard Corps
YUAN
1.3
SALA 3
THE INTERNSHIP [B] Um filme de: Roland Emmerich Com: Channing Tatum, Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal, Jason Clarke 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
M A C A U [ S Ã ] A S S A D O Foto: Sónia Gonçalves
Qual o melhor sítio para fazer uma máscara de limpeza de pele e por os pezitos em cima do banco? O McDonalds, pois claro. Assim alimentamo-nos ao mesmo tempo que hidratamos a face. Cuide de si!
30 - FOX Sport 13:00 Liga Bbva 2013/14 Malaga CF vs. FC Barcelona 14:30 US Women’s Amateur Championship 2013 16:30 Liga Bbva 2013/14 La Liga World 17:00 Football Asia 2013/14 17:30 UFC On FOX SPORTS 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Liga Bbva 2013/14 Weekly Preview 20:30 Liga Bbva 2013/14 La Liga World 21:00 UFC 164 Countdown 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Liga Bbva 2013/14 Weekly Preview 23:00 Classic Boxing 31 - STAR Sports 13:00 Indian Badminton League 2013 Semifinal 2 16:00 Hot Water 2013/14 17:00 Total Rugby 17:30 2 Wheels 18:00 (LIVE) Sydney Darts Masters 2013 21:00 2 Wheels 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Football Asia 2013/14 22:30 Mobil 1 The Grid 2013 23:00 MotoGP World Championship 2013 Highlights Grand Prix Ceske Republiky
0.2
Cineteatro
THE CONJURING [C]
CUIDE DE SI
BAHT
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À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O ESPIÃO IMPROVÁVEL • Daniel Silva
«Em tempos de guerra», escreveu Winston Churchill, «a verdade é tão preciosa que deveria sempre ser acompanhada por um séquito de mentiras.» No caso das operações de contrainteligência britânicas, isto implicava encontrar um agente o mais improvável possível: um professor de História chamado Alfred Vicary, escolhido pessoalmente por Churchill para revelar um traidor extremamente perigoso, mas desconhecido. Contudo, os nazis também escolheram um agente improvável: Catherine Blake, a bela viúva de um herói de guerra, voluntária num hospital e espia nazi sob as ordens diretas de Hitler para desvendar os planos dos Aliados para o Dia D... Uma aventura alucinante na Segunda Guerra Mundial que lembra Ken Follett no seu melhor» (The Orlando Sentinel)
O LEGADO DE HUMBOLDT • Saul Bellow
Durante muitos anos, o grande poeta von Humboldt Fleisher e Carlie Citrine, um jovem inflamado pelo amor à literatura, foram os melhores amigos. No momento em que morreu, Humboldt tornara-se pobre, só e um falhado, enquanto Citrine, por seu turno, também não se encontrava numa fase da vida muito auspiciosa: deixara de progredir na carreira, debatia-se nas malhas de um divórcio litigioso, e vivia um enfatuamento por uma jovem mulher pouco recomendável envolvida com um mafioso neurótico. Eis senão quando Humbold age de alémtúmulo, concedendo a Charlie um legado inesperado, que poderá vir a mudar o rumo da sua vida. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
POR MIM FALO
Pu Yi
Diferenças de tratamento Os primeiros contornos da história não são novos. Mais um cidadão que se revolta contra a operação de taxistas, essa profissão liberal desregulada que mexe todos os dias com o quotidiano das pessoas e com o seu sistema nervoso. Desconhece-se exactamente o que se passou, e só nos é dada uma versão da história, já que é difícil chegar até ao taxista, mas um trabalhador em Macau pediu para ser transportado para uma área, que tramava o circuito e a fluidez na pegada de passageiros do taxista. Por isso, este recusou-se a aceder ao pedido. Ao sair, talvez por não ter gostado da atitude do taxista, o passageiro terá batido com força a mais a porta ao sair (versão que contraria a do próprio que diz ter, ainda assim, dado gorjeta). O dono do táxi devia estar em dia de querer arranjar confusões e chamou a polícia indicando que o passageiro tinha dado um pontapé na porta. Uma palavra contra a outra. Foram os dois levados a prestar depoimentos na esquadra. Na primeira e na segunda. Mas à terceira e quarta - num reconhecimento oficial das esquadras de Macau - já só o passageiro (agora vale a pena acrescentar, imigrante) seguiu. E nisto foram 12 horas que passou detido. Entre a 1h e as 13h. Tudo para preenchimento de um inquérito, onde nem sequer foi oficializada qualquer acusação formal. Será isto legal? É permitido que seja detido por tanto tempo num caso desta natureza? Sem direito sequer a advogado que o acompanhasse, depois de pedido? E nisto, acredita-se, deviam-no querer ali até que o serviço de imigração confirmasse os seus documentos, nomeadamente, o seu blue-card em ordem. Diria que se trata de um caso claro de discriminação. E estas coisas devem ser agilizadas porque as pessoas devem ser todas tratadas de igual forma, residentes permanentes ou não-permanentes e detentores de blue-card, afinal todos temos a mesma autorização para residir em Macau e, acima de tudo, temos direitos consagrados universalmente enquanto seres humanos. Esta actuação da polícia é injustificável e, mais ainda, sobre comportamentos que - não querendo generalizar - vemos chegaram da parte dos taxistas, que também não são fiscalizados nem por elementos da Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego nem pela Polícia de Segurança Pública.
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OPINIÃO
hoje macau sexta-feira 30.8.2013
Ricardo Pinho
disse-me um passarinho...
twitter.com/ricardo
A partir duma certa idade, há quem comece a dizer que a sua vida daria um livro.
JAMES GURNEY, A PARADA DOS DINOSSAUROS
O que diz muito do quanto viveram, e do quão pouco leram.
Dito & feito
M
José António Lima in Sol
AIS do que o Governo, o PS ou a restante oposição, mais do que a troika ou o Presidente da República – o principal e mais decisivo protagonista político dos próximos três meses vai ser o Tribunal Constitucional. Porque as deliberações que vai ser obrigado a tomar, para além da sua formalidade jurídica, terão características inegavelmente políticas. E porque se nem o Presidente nem o primeiro-ministro são poupados a críticas e reparos, também o Tribunal Constitucional não pode ser colocado acima do bem e do mal, imune a críticas legítimas à sua actividade – como, aliás, ficou bem claro na intervenção de Passos Coelho na festa do Pontal do PSD. Já nas próximas duas semanas, o TC irá decidir duas questões de elevado impacto político. Uma que determinará se a limitação a três mandatos se aplica à função ou à autar-
quia e se alguns reconhecidos ‘dinossauros’, como Menezes ou Seara, podem ou não apresentar-se às eleições de 29 de Setembro. Reconheça-se que o TC se vê obrigado a deliberar nesta matéria porque o poder político e o Parlamento, em particular o PS e o PSD,
Já nas próximas duas semanas, o TC irá decidir duas questões de elevado impacto político. Uma que determinará se a limitação a três mandatos se aplica à função ou à autarquia e se alguns reconhecidos ‘dinossauros’, como Menezes ou Seara, podem ou não apresentar-se às eleições de 29 de Setembro
recusaram deliberadamente assumir o ónus de tal esclarecimento. E resolveram atirá-lo para cima do poder judicial. A segunda questão será mais melindrosa e estrutural para o futuro do país: versará a constitucionalidade, ou não, do diploma da mobilidade dos funcionários públicos, enviada por Belém para o Palácio Ratton, e com o qual o Governo prevê cortar umas centenas de milhões de euros na despesa do Estado. A que se seguirão os diplomas das 40 horas de trabalho, da convergência/ corte das pensões da CGA e outros – que podem representar, no total, cerca de 4 mil milhões de euros nos próximos Orçamentos do Estado. Passos Coelho avisou que «qualquer decisão não afectará só o Governo, afectará o país» e que «podemos mesmo andar para trás», não se coibindo de colocar o TC como actor do jogo político. Mas é bom não esquecer que foi o próprio presidente do TC, Sousa Ribeiro, a arrastar o Tribunal do terreno jurídico para o da acção política. Com a intervenção e as ameaças que fez ao Governo no último Conselho de Estado, há três meses. Que não venha agora vitimizar-se.
opinião 19
hoje macau sexta-feira 30.8.2013
JORGE RODRIGUES SIMÃO
perspectivas
Acusados ao tribunal do desemprego
O
Sandra Halperin Re-Envisioning Global Development
S sacrifícios aparentemente consentidos em favor da construção europeia, políticas restritivas, prioridade absoluta anteriormente dada contra a inflação, incapacidade em repartir equitativamente o peso do rigor, serão as razões fundamentais e suficientes para explicar a subida vertiginosa do desemprego na Europa? É habitual, a propósito desta crise sem precedentes, convocar vários acusados ao tribunal do desemprego. O primeiro acusado, é o que se poderia denominar de nova maquinaria. O progresso tecnológico sói dizer-se que é o co-responsável pela situação. A nova revolução industrial, e nomeadamente a revolução informática ou digital, explicariam a rarefacção do trabalho disponível nas nossas sociedades. As nossas economias ter-se-iam tornado tão produtivas que, por todo o lado, a máquina substituiria o homem e que, desse modo, o trabalho humano tornar-se-ia supérfluo. Estaríamos perante um problema crónico de sobre produção, em que as máquinas podem produzir em quantidade quase ilimitada, mas não consomem. O progresso das técnicas seria assim desfavorável ao emprego. É verdade que esta tese tem alguns pergaminhos de nobreza, pois foi codificada em 1817, pelo economista inglês, David Ricardo, no seu estudo sobre “A Questão das Máquinas”, mas com algumas cautelas, pois dizia que a utilização das máquinas podia tornar o trabalho redundante, se fossem introduzidas de forma súbita e não progressiva. Tal tese é presentemente, em ambos os lados do Atlântico, defendida de maneira muito mais afirmativa, não apenas pelo homem comum, mas também pelos políticos bem informados. É muito discutível, e se acaso não nos quisermos enganar sobre as causas do desemprego, é forçoso uma rápida observação. A análise do passado recente revela um paradoxo frequentemente esquecido, aquele em que as fases de crescimento rápido da produtividade foram a maior parte das vezes períodos de prosperidade, caracterizadas por um nível de emprego elevado. Assim, em
alguns dos países mais desenvolvidos da Europa, como por exemplo a França, a produtividade da mão-de-obra cresceu ao ritmo médio de cerca de cinco por cento por ano, de 1960 a 1975, enquanto a taxa de desemprego médio era de dois por cento. Além disso, a subida do desemprego na Europa coincidiu, contrariamente ao que se pensava, com uma inflexão significativa da produtividade, surgida no início da década de 1970, o seu ritmo diminuiu progressivamente para metade, continuando a enfraquecer, enquanto o desemprego cresceu de dois por cento para 10 por cento no começo da década de 1990, e atinge o pico máximo no decurso da presente crise do “Euro”. Existe explicação plausível para esta aparente contradição? A melhor metodologia parece ser a de adoptar uma abordagem empírica, procurando identificar em primeiro lugar, a existência de uma relação entre emprego e produtividade, tanto a longo, como a curto prazo. A produtividade do trabalho, por definição, é a relação entre produção e emprego. Logo, o emprego é igual à relação da produção com a produtividade. Tal definição, por elementar que seja, comporta uma lição útil, o das consequências de um aumento da produtividade sobre o emprego dependem do que acontece ao volume da produção. É verdade, quer ao nível mais elementar, o da oficina de uma empresa, como ao nível mais global, o da economia no seu conjunto. O crescimento da produtividade, na verdade, é assimilável a um choque positivo da oferta, que permite produzir mais com a mesma quantidade de trabalho. O facto do emprego aumentar ou diminuir depende das saídas que o mercado oferece, ou seja da procura. A ligação entre crescimento da produtividade (divisão do trabalho) tinha sido sublinhada pelo economista escocês, Adam Smith, em 1776. O entendimento segundo o qual o progresso técnico engendra desemprego equivale a pensar que a procura global não pode aumentar o suficiente para absorver o excesso de produção que permite a evolução da produtividade. A procura global é influenciada, especialmente, pelas políticas macroeconómicas e orçamentais. A tese do desemprego tecnológico consistiria em afirmar que as políticas macroeconómicas não poderiam, ou não desejariam, suscitar um aumento da procura global tal que possa manter o nível de do emprego. O que acontece efectivamente? A resposta depende, essencialmente, da reacção da procura global perante um choque de produtividade. A oferta e a procura são como as duas lâminas de uma tesoura, segundo a fórmula do economista inglês Alfred Marshall, e é particularmente difícil isolar a influência de uma sobre a outra. Além disso, é um domínio
ainda relativamente pouco desenvolvido, e dos mais controversos, da teoria económica. A existência de um ciclo da produtividade é uma realidade de todos, conhecida. É a mais bem estabelecida das realidades empíricas; a produtividade cresce em geral mais rápido que a sua tendência nas fases ascendentes do ciclo, aquelas onde o emprego sobe, e inversamente. É possível, superficialmente, deduzir a existência de uma influência positiva da produtividade sobre o emprego. É de utilizar o termo “superficialmente”, porque o sentido da causalidade entre as duas variáveis não é claro. É igualmente, possível de acontecer, que a regularidade empírica reflicta uma causalidade, indo da procura global e do emprego à produtividade. A inquietação quanto ao efeito do progresso técnico nada tem a ver com esta causalidade, pois exprime o receio de que um crescimento PIETRO LONGHI, O VENDEDOR DE ESPECIARIAS
“Economic development also requires a change in the structure of employment: workers must be assured of an increasing share in the productivity increments that take place in each sector. But privileged classes resist measures that would ensure this – such as those that enable trade unionism to develop as an effective instrument of working-class representation.”
A oferta e a procura são como as duas lâminas de uma tesoura, segundo a fórmula do economista inglês Alfred Marshall, e é particularmente difícil isolar a influência de uma sobre a outra. Além disso, é um domínio ainda relativamente pouco desenvolvido, e dos mais controversos, da teoria económica
autónomo de produtividade seja, no fim de contas, destruidor de emprego. O método possível de verificação empírica consiste em tentar desembaraçar as influências conjunturais e estudar as evoluções de longo prazo. Apesar de tudo, é possível que a tese do desemprego tecnológico se refira a períodos de tempo muito mais longos, que os que dizem respeito aos ciclos de produtividade. As séries temporais disponíveis, infelizmente, não são nem suficientemente longas nem fiáveis para permitir uma análise segura desta problemática complexa. É instrutivo, ter uma visão de conjunto das tendências a logo prazo observadas, por exemplo, em França e nos Estados Unidos, desde o final do século XIX até ao presente. A correlação entre produtividade e desemprego é negativa nos dois países, mas mais elevada no segundo que no primeiro, dado que um aumento do ritmo de crescimento da produtividade está associado a taxas de desemprego mais fracas. A ser efectuada a abstracção da década de 1930, onde é possível pensar que tenha sido a depressão a suscitar a estagnação da produtividade e não o inverso, não existe qualquer correlação entre as duas variáveis. O estudo do passado de todo, não confirma o ponto de vista pessimista sobre a possibilidade de um desemprego tecnológico persistente. A continuação da análise das correlações de curto prazo entre desemprego e crescimento da produtividade, conduz à necessidade de tentar identificar os choques autónomos da produtividade. A oferta, ao criar a procura de forma espontânea, como pensava o economista francês, Jean-Baptiste Say, ou pela mediação das reacções de política económica, as evoluções favoráveis de produtividade não teriam efeitos nefastos sobre o emprego, pois seriam acompanhadas de um crescimento das saídas de mercado. As conclusões dos estudos teóricos e empíricos realizados pelo grupo internacional de política económica do “Observatoire Français des Conjonctures Économiques (OFCE)” mostram que os efeitos do crescimento da produtividade sobre o emprego são aparentemente negligenciáveis, o que leva a pensar que a análise de curto prazo confirma, e de maneira fundamental, a intuição que decorre da observação das evoluções seculares, pelo que não existe relação entre o ritmo de crescimento da produtividade e a taxa de desemprego. As lições da teoria e os dados da observação parecem, assim convergir. O meio de reencontrar um nível elevado de emprego não consiste em renunciar ao crescimento da produtividade, mas criar as condições para que a procura global se estabeleça a nível suficiente.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau sexta-feira 30.8.2013
FMI defende corte nos salários
O FMI (Fundo Monetário Internacional) reiterou a importância do corte de salários em Portugal, considerando ser essa a solução para o combate ao desemprego no País. Segundo o «Diário Económico», será esta a proposta que o Fundo vai defender quando regressar a Lisboa, no âmbito da oitava avaliação do programa de ajustamento financeiro. A estagnação dos salários é apontada pelo FMI como um dos factores que conduz ao elevado desemprego no País, pelo que os responsáveis do fundo sediado nos Estados Unidos vão propor a redução de ordenados, incluindo o salário mínimo nacional. Segundo o «Diário Económico», entre as medidas que o FMI pretende implementar está o corte do salário pago aos jovens entre os 18 e os 24 anos e a introdução de um contrato único para novos contratados.
Rússia Reforçada armada no Mediterrâneo
A Rússia reforçou a sua armada no Mar Mediterrâneo, perante a crescente tensão na Síria e a possibilidade de intervenção da comunidade internacional. «A conhecida situação que se formou hoje no Mediterrâneo Oriental exigiu de nós determinadas correcções na constituição do grupo da Armada Naval Militar. Nos próximos dias, deverá ser completada com um grande navio de combate antisubmarino da Armada do Norte», revelou fonte do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, citado pela «Interfax». Depois, «a ele irá juntar-se o cruzador Moscovo, da Armada do Mar Negro, que está agora a terminar exercícios no Atlântico Norte e, dentro em breve, atravessará o Estreito de Gibraltar», acrescentou a mesma fonte.
Maduro comete gaffe e pede “multiplicação de pénis”
O presidente da Venezuela protagonizou uma gaffe que está as ser replicada nas redes sociais, ao trocar, num discurso, a palavra peixes por pénis. O chefe de Estado queria lembrar o milagre da multiplicação de peixes e, sem querer, pediu a multiplicação de pénis, num discurso emitido na televisão. Nicolás Maduro rectificou de imediato o engano mas o momento não passou ao lado dos telespectadores, acabando o vídeo a circular na Internet. Recorde-se a semelhança das palavras peces (peixes) e penes (pénis), em castelhano.
IPOR Acção de formação para professores
cartoon por Stephff
O TAMBOR
“Uma abordagem comunicativa ao ensino de PLE” é o nome da próxima actividade de formação de docentes com lugar nos dias 2 e 3 de Setembro, entre as 9h e as 13 horas, nas instalações do IPOR. A Macau virão Helena Bayan e Ana Maria Ferreira, docentes e autoras de manuais de português como língua estrangeira (PLE), que serão responsáveis pela formação aberta a professores de português língua não materna. A iniciativa, incluída no programa de formação de docentes que o IPOR programou para 2013, conta com o apoio da editora portuguesa IDEL.
GABINETE DE TAIWAN NA RAEM ASSEGURA QUE VAI AUMENTAR ORDENADOS DOS FUNCIONÁRIOS
“Andamos a lutar” CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
secretário do Centro Económico e Cultural de Taipei confirmou ontem ao HM que o caso denunciado sobre as alegadas más condições dos funcionários do organismo estão a ser acompanhadas. Chan Kai-Ta explicou que chegou a Macau apenas há um mês, mas afirma que já sente que o nível dos salários do centro não está adaptado ao nível de desenvolvimento económico de Macau, pelo que o centro “anda a lutar” para melhorar a condições dos seus funcionários. “Com o alto nível do desenvolvimento económico de Macau, não só o nosso escritório, mas também outros funcionários de outras empresas sentem que o seu salário pode não combater contra a inflação da sociedade. Sim, andamos a comunicar com a parte de Taiwan, para melhorar as condições dos funcionários que vivem em Macau.” Recorde-se que, recentemente, em notícia avançada pelo HM, alguns trabalhadores queixaram-se de “exploração laboral”, devido ao que dizem ser aumentos muito baixos.
breve do que se pensa, ainda antes do fim do ano. Ontem, o presidente do Conselho para os Assuntos com a China continental em Taiwan, Wong Yu Chi, referiu que o Ministério da Educação de Taiwan já aceitou os pedidos dos estudantes de Hong Kong e Macau para simplificar o processo de entrada e saída dos estudantes estrangeiros, mas ainda é preciso resolver o processo administrativo. “Não há dificuldade em alteração das disposições [legais]. Mas além deste requisito, ainda há mais disposições que precisam de ser alteradas, no total são dez para alterar. No fim deste mês, ou seja nesta semana, a proposta actualizada irá ser entregue às autoridades. Como é uma alteração
A cantora Hyon Song-wol, alegada namorada do líder norte-coreano Kim Jong-un, foi executada na Coreia do Norte juntamente um grupo de músicos acusados de gravar e vender pornografia, informou o jornal sul-coreano «Chosun Ilbo». O jornal informa ainda que a cantora foi detida dia 17 de Agosto por violar as leis norte-coreanas contra pornografia e, três dias depois, foi executada por fuzilamento em público. A alegada namorada de Kim Jong-un foi executada junto a outras 11 pessoas, muitos membros da orquestra Unhasu, assim como músicos e dançarinos do grupo Wangjaesan Light Music Band. Acredita-se que Kim Jong-un manteve há 10 anos uma relação com a cantora, embora tenha encerrado essa relação por não ter tido a aprovação de King Jong-il, pai do actual líder norte-coreano. Após a ruptura, Hyon casou-se com um soldado, enquanto Kim Jongun se casou com outra cantora, Ri Sol-ju, que também fazia parte da orquestra Unhasu.
Iraque Vários ataques fizeram 75 mortos
ESTUDANTES COM MAIS FACILIDADE NOS VISTOS
Também ontem, depois de uma reunião com cinco estudantes de Macau que estão em Taiwan, o chefe do centro em Macau, Lu Chang-Shui, adiantou que o processo simplificado de obtenção de visto poderá acontecer mais
de ordem executiva, não precisa de ser analisada pela Assembleia Legislativa, logo o tempo vai ser mais rápido. Será mais cedo do que o fim do ano”, referiu Lu Chang-Shui. O responsável frisou ainda que, quando se aprovarem as alterações, irá avisar-se também a Agência de Imigração para alterar as disposições correspondentes O porta-voz de grupo dos estudantes, Sou Ka Hou, afirmou aos jornalistas que, como as informações não eram transparentes, não sabia que a proposta tinha sido devolvida ao Ministério da Educação. “Como já disse o director do escritório, a Agência de Imigração já está preparada para a alteração.”
Ex-namorada de Kim Jong-un terá sido executada
Lu Chang-Shui
Atentados sucessivos, mais de 10, mataram ontem em Bagdade, mais de 75 pessoas e feriram mais de 200, segundo números recentes das autoridades. No total, mais de 600 pessoas foram mortas no país desde o início do mês, segundo números da France Presse. Até ao momento os ataques não foram reivindicados por nenhum grupo, que visaram sobretudo os bairros de maioria xiita de Bagdad. O primeiroministro iraquiano, Nouri al-Maliki, considerou que «os acontecimentos na Síria pesam fortemente na situação interna» do país, do ponto de vista da segurança.