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Hoje Macau 30 MARÇO 2022 #4979

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SOFIA MARGARIDA MOTA

CAMINHO DAS HORTAS

AS ÁRVORES MORREM DE PÉ

ANTÓNIO CAEIRO

UMA SAGA LUSITANA ENTREVISTA

PÁGINA 7

OBSERVATÓRIO DA CHINA

COVID-19

LIGAÇÕES PROVEITOSAS

BECOS SEM SAÍDA

PÁGINA 4

PÁGINAS 10-11

HOJE MACAU Nº 4980

MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Saber amar

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TIAGO ALCÂNTARA

QUARTA-FEIRA 30-3-2022

O patriotismo continua na ordem do dia. Em jeito de balanço, os Serviços de Educação e Juventude preparam agora novos inquéritos para aferirem do grau de conhecimento dos jovens sobre “a pátria, os seus planos essenciais e os desígnios nacionais estabelecidos”, com vista a darem o melhor seguimento à política de educação do amor pela pátria. PÁGINA 6


2 entrevista

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ANTÓNIO CAEIRO

30.3.2022 quarta-feira

“Este livro é uma AUTOR DE “OS RETORNADOS DE XANGAI”


quarta-feira 30.3.2022

entrevista 3

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saga humana” A comunidade portuguesa em Xangai começou a formar-se em meados do século XIX e chegou a ser a segunda mais importante na cidade. Com o estalar do conflito entre comunistas e nacionalistas, muitas famílias foram para Macau, dando depois origem à diáspora macaense espalhada pelo mundo. O livro “Os retornados de Xangai Histórias de portugueses do Oriente”, do jornalista e autor António Caeiro, conta as suas vidas

Como chegou a este projecto de reunir os testemunhos daquele que é considerado o primeiro grupo de retornados para Portugal? Desde muito cedo, quando fui para a China, ouvi falar da existência de uma comunidade portuguesa em Xangai numerosa e completamente desconhecida do grande público. Além disso, havia a particularidade de se saber quando tinha começado e acabado, entre meados do século XIX até meados do século XX. Existiu num determinado local, à margem de diversos impérios, como o português, britânico ou chinês (Império do Meio), e que não só se estabeleceu durante várias gerações como foi durante muito tempo uma das principais comunidades estrangeiras de Xangai. Sabia-se muito pouco sobre isso e à medida que fui investigando, em arquivos e ouvindo pessoas… Falou com descendentes dessa comunidade também. Sim. Essa comunidade, maioritariamente de Macau, acabou por se dispersar pelo resto do mundo. Só uma pequena parte é que foi para Portugal, pois a maioria foi para o Brasil, Austrália, Canadá, EUA… achei que valia a pena conhecer mais figuras e histórias, e à medida que fui fazendo este trabalho mais surpreendente se revelou a história desta comunidade. Uma das histórias que o livro conta é a de Art Carneiro, músico e antepassado de Roberto Carneiro, presidente do conselho de administração da Escola Portuguesa de Macau. Há várias personagens absolutamente surpreendentes e deslumbrantes. O pai de Roberto Carneiro, com o nome artístico deArt Carneiro, é sem dúvida uma figura que atravessa todo o livro. Ele nasceu em 1904 e iniciou a carreira musical em Xangai. Mais tarde veio a ser um dos pioneiros do jazz em Portugal, participou na primeira jam session organizada em Lisboa, em 1948, cerca de um ano depois de ter regressado a Portugal. Art Carneiro tocou com uma das melhores orquestras dos anos 20 e 30 em Xangai, que tinha na altura centenas de salões de baile e cabarés. Tinha a vida nocturna mais animada de toda a Ásia, era também a capital do jazz. Era uma das cidades mais cosmopolitas do mundo. Mas desde

“Todos contam que falavam inglês entre eles, e só os mais velhos é que falavam algum português.” que o livro foi impresso que me cruzei com outras histórias e pormenores que, se soubesse, tinha incluído no livro, pois cada pessoa tem a sua história. Macau surge aqui como um território fundamental neste elo de ligação entre Portugal e a China. Sim, porque os portugueses estabeleceram-se em Macau no século XVI e quando se dá a Guerra do Ópio, em meados do século XIX, os ingleses vencem o conflito e uma das consequências foi a anexação de Hong Kong e a obrigatoriedade, exigida aos chineses, de abrir cinco portos ao comércio internacional. Um deles era Xangai. Quando os ingleses se estabeleceram aí, os primeiros estrangeiros a estabelecerem-se na cidade foram os portugueses de Macau que já lá estavam há várias gerações e conheciam bem a cultura local. Estavam ambientados, misturados e com um nível de instrução capazes de serem quadros das empresas que os ingleses e americanos estavam a fundar em Xangai. Macau era um território pequeno e com poucas oportunidades de trabalho, mas Xangai era uma economia em expansão. Praticamente não havia nenhuma família de Macau que não tivesse alguém em Xangai.

“Houve uma altura em que era a segunda comunidade de estrangeiros mais importante, a seguir aos ingleses.”

Era uma comunidade importante… Chegaram a ser três mil portugueses. Nos anos 30, registados no Consulado [português em Xangai] estavam dois mil portugueses. A Guerra do Ópio é um episódio traumático na história da China, pois os chineses dizem que foi promovida pela Grã-Bretanha para desenvolver o seu comércio do ópio, que era proibido na China. A seguir, deu-se a tal abertura forçada dos portos chineses e a entrada em força dos estrangeiros e do capitalismo, do comércio internacional. Isso mudou muito a China e Xangai foi, de certa forma, o berço da modernização da China, e foi aí que apareceu o próprio Partido Comunista. Em todos esses portos

“Temos uma ideia de que existiu esta comunidade, mas quase todas as pessoas com quem falei me disseram que não faziam ideia da sua dimensão.” havia portugueses. É curioso que as tipografias eram, em grande parte, dominadas por tipógrafos portugueses formados em Macau. Estes iam trabalhar para Hong Kong e depois iam para vários portos. Imprimiam jornais e toda a informação que era difundida nesse novo mundo marcado pelo comércio internacional. Esta comunidade passou por várias fases da história da China. Mas o grande motivo para o seu regresso foi o conflito entre nacionalistas e comunistas? Houve uma altura em que era a segunda comunidade de estrangeiros mais importante, a seguir aos ingleses, e que depois foram ultrapassados pelos japoneses. Depois houve uma grande vaga de emigração russa a seguir à revolução comunista na Rússia, em 1917, que passou a ser a segunda comunidade. O primeiro êxodo dá-se com a invasão japonesa, em 1937. Muitas famílias estrangeiras deixam Xangai, uma grande parte vai para Hong Kong onde tinha familiares e outra vai para Macau. Depois acabaram por regressar a Xangai. Finalizada a II Guerra,

“Xangai tinha na altura centenas de salões de baile e cabarés. Tinha a vida nocturna mais animada de toda a Ásia, era também a capital do jazz.” começa a guerra civil na China, e com a aproximação do exército comunista e tomada do poder pelo Partido Comunista, muitas empresas estrangeiras começaram a sair. Com isso desapareceram muitos dos postos de trabalho ocupados pelos portugueses. Graças ao trabalho de um grande investigador, Jorge Forjaz, consegue-se saber quem foi o último português a sair, já nos anos 60. Mas o livro refere que em 1953 terá saído a última família portuguesa de Xangai. Era uma família de apelido Collaço. Já havia muito poucas, a maioria foi para Macau, que se tornou num centro de refugiados, mas a maioria não ficou no território, tendo partido para outros sítios. Foi o início de uma nova diáspora. Para Portugal foram muito poucos porque não tinham muitas raízes. Veio a família de Roberto Carneiro, por exemplo. As casas de Macau espalhadas por esse mundo fora foram criadas por estas pessoas. Uma das características desta comunidade é que o regresso a Portugal não foi fácil, pois não havia essa ligação forte ao país e à língua. Todos contam que falavam inglês entre eles, e só os mais velhos é que falavam algum português. Havia uma ligação mítica a Portugal, muitos nunca tinham visitado o país, tinham apenas alguns familiares. Muitos falavam francês e algum chinês. Depois Xangai era muito cosmopolita e Portugal nos anos 40 era um país pobre e cinzento. Acima de tudo encaro este livro como uma saga humana, que envolveu portugueses, e isso toca-nos muito. Temos uma ideia de que existiu esta comunidade, mas quase todas as pessoas com quem falei me disseram que não faziam ideia da sua dimensão. Andreia Sofia Silva


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Parque Oceanis Ella Lei pergunta por planos para terreno Ella Lei quer saber que planos estão reservados para os terrenos recuperados do Parque Oceanis, na Taipa, após o projecto nunca ter avançado. A pergunta faz parte de uma interpelação escrita, em que a legisladora recorda a existência de vários planos para aproveitar os terrenos, como a criação de uma pista para bicicletas, parques à beira rio ou

O

Grande parceiro

Referindo-se a África, o historiador lembrou que a China é já o quarto investidor e um dos maiores parceiros comerciais do continente e o principal parceiro de países como África do Sul ou Angola.

espaços para as famílias. Além disso, a Ella Lei fala ainda de um plano para ligar uma eventual pista para bicicletas à marginal da Taipa. Ainda sobre a Taipa, a deputada dos Operários quer saber qual o plano para a nova zona comercial marginal no norte, assim como para a situação do trânsito, que afirmou ser cada vez mais complicada.

Empregadas domésticas Deputado pede plano de contratação Ngan Iek Hang quer saber se o Governo vai criar um programa para importar empregadas domésticas. A questão faz parte de uma interpelação oral que vai ser levantada na Assembleia Legislativa na sexta-feira, e que foi partilhada ontem pelo deputado. “Tendo em conta

a imprevisibilidade do desenvolvimento da epidemia, o Governo vai definir um plano prospectivo para a importação de empregadas domésticas estrangeiras?”, perguntou. Como parte deste plano, o deputado sugere que o transporte seja feito através de voos fretados pelo Governo

LUSOFONIA OBSERVATÓRIO DA CHINA DEFENDE RELAÇÕES APROFUNDADAS

Laços do outro mundo Foi no Centro Científico e Cultural de Macau que o presidente do Observatório da China, Rui Lourido, destacou a importância da China para o comércio mundial, e indicou que todos ganham quando reforçam as ligações com o gigante económico SOFIA MARGARIDA MOTA

presidente do Observatório da China defendeu ontem que os países de língua portuguesa devem aprofundar o seu relacionamento com a China, rejeitando a ideia de que Pequim deixe os países em que investe presos a dívidas. “Diz-se que a China tem a trapaça de deixar os países presos a dívida, (…) mas as importações de África foram, desde 2020, de 1,2 triliões, enquanto as exportações para África foram de 1,27, portanto valores equilibrados”, disse Rui Lourido, numa conferência sobre a China que decorre no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa. Em declarações à Lusa à margem da conferência, o historiador reiterou que “não há essa perspectiva de os países ficarem presos na armadilha da dívida, até porque a China perdoou a grande parte das dívidas acumuladas dos países, não só de língua portuguesa como de outros em África”. Na sua intervenção, o responsável começou por defender a necessidade de “desmistificar a campanha, a retórica anti-China que tem assoberbado” os ‘media’. “Desde a sua entrada na Organização Mundial do Comércio, a China contribui com cerca de 30 por cento do crescimento mundial e o mundo estaria em recessão, não fosse o actual desenvolvimento da China. Vimos que, na pandemia, a própria China sustentou que o mundo desenvolvido não entrasse em descalabro”, disse Lourido, para quem a presença chinesa no comércio mundial “beneficiou milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento”, mas também no mundo desenvolvido.

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local, para fazer face à falta de mão-de-obra, que resulta da proibição de entrada de estrangeiros em Macau. “O Governo deve ponderar transportar, através de voo fretado e de forma centralizada, as empregadas domésticas estrangeiras que pretendam vir trabalhar”, indicou.

empregos em África”, mas Pequim “não impõe a sua visão política (…) como fazem os Estados Unidos e a União Europeia”. O investigador defendeu que todos os países lusófonos têm relações privilegiadas com Pequim, lembrando que entre 2014 e 2021 todos fizeram acordos económicos significativos com a China, alguns deles, como Portugal, parcerias estratégicas. Para o responsável, os Estados lusófonos “devem aproveitar o desenvolvimento económico da China para a sua autonomia no contexto de África e, porque não, no contexto europeu”.

Todos ganham

O responsável começou por defender a necessidade de “desmistificar a campanha, a retórica anti-China que tem assoberbado” os ‘media’

“O volume de comércio da China em África subiu cerca de 38 por cento nos primeiros três quartos de 2021. O investimento directo na indústria africana cresceu

cerca de 10 por cento e o valor dos novos contratos assinados também aumentou cerca de 22 por cento”, exemplificou. Lourido sublinhou que Pequim “não se interessa só por

tirar matérias-primas”, mas também pelo desenvolvimento dos países, investindo em “infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento do futuro económico desses países”,

como a ferrovia, a energia, as telecomunicações ou mesmo escolas e unidades de saúde. Além disso, os investimentos chineses criaram “mais de 4,5 milhões de

Entre os países de língua portuguesa, o Brasil é actualmente o principal parceiro da China, imediatamente seguido por Angola, sendo que a balança comercial com estes dois países “é desvantajosa para a China”. O terceiro país lusófono nas relações com a China é Portugal, seguido de Moçambique e Timor-Leste e, depois Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, disse o investigador. Questionado sobre se os países lusófonos devem ter alguns cuidados nas suas relações económicas com a China, Rui Lourido lembrou que Pequim, nas suas relações internacionais, “tem a política do ganha-ganha, ou seja, ganho mútuo. Admitiu que países como Moçambique ou Angola devem ter preocupações com a sustentabilidade, no sentido de evitar a poluição e o desmatamento, mas sublinhou que isso ocorre com outros investidores também. “O capitalismo é igual em todos os países”, afirmou, alertando, no entanto, que os próprios países de língua portuguesa “são responsáveis e têm de exigir uma negociação, não só em pé de igualdade com a China, mas tendo em atenção ao comércio marginal que se aproveita disso”. Lusa


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política 5

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ELEVADORES EMPRESAS OBRIGADAS A COMUNICAR FIM DOS CONTRATOS

As ligações verticais Com 30 funcionários, a entidade pública responsável pela fiscalização da manutenção de elevadores vai contar com os técnicos e empresas do sector para comunicarem os fins dos contratos com os proprietários

O

S elevadores que fiquem 30 dias sem manutenção são impedidos de funcionar. A estipulação consta da nova lei dos ascensores, a ser discutida na Assembleia Legislativa, e a comunicação à Administração Pública do fim dos contratos de manutenção é uma obrigação que compete às empresas e aos técnicos. “A questão mais importante, e que interessa a todos, é que no caso de um elevador ficar sem manutenção, está previsto que ao fim de 30 dias o funcionamento fique suspenso”, afirmou Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas. “Normalmente, a manutenção vai ser feita todos os meses. Mas se, por algum problema, houver uma quebra do contrato de manutenção entre o condomínio ou a administração do prédio e a empresa responsável pela manutenção, há um prazo de 30 dias para procurar uma outra empresa para fazer manutenção”, justificou. O secretário reuniu ontem com os deputados da 1.ª Comissão Permanente para debater a lei. Um dos aspectos discutidos, é o facto de o departamento governamental responsável que fiscaliza os contratos de manutenção ter cerca de 30 funcionários. Apesar do número limitado, o secretário acredita que será possível fiscalizar uma vez que as empresas e os seus responsáveis ficam obrigados por lei a comunicar o momento em que

deixam de prestar os serviços de manutenção. “Todas as empresas de manutenção têm um engenheiro, que é responsável perante as Obras Públicas. É o director técnico da empresa. Vamos ter dois canais de comunicação. Um é o director técnico, que tem uma responsabilidade directa, e em caso de falha na comunicação do fim de um contrato ele tem em causa o seu futuro profissional”, explicou Raimundo do Rosário. “Quanto à empresa, admito que é uma entidade mais abstracta, mas também tem a obrigação de comunicação”, acrescentou.

Diário de Bordo

Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas “No caso de um elevador ficar sem manutenção, está previsto que ao fim de 30 dias o funcionamento fique suspenso.”

DIRECTORES REVELADOS HOJE Os nomes dos directores dos Serviços de Solos e Construção Urbana e Serviços de Obras Públicas vão ser revelados esta manhã, no Boletim Oficial. A promessa foi deixada ontem por Raimundo do Rosário. “Primeiro foram publicados os estatutos dos novos serviços. Os nomes virão a seguir. O Boletim Oficial sai às segundas e às quartas. Vejam amanhã. O portal é actualizado pelas 8h30”, respondeu sobre a identidade dos escolhidos.

A relação entre proprietários dos elevadores e empresas foi também abordada pela presidente da 1.ª Comissão Permanente, a deputada Ella Lei. Um dos assuntos que esteve ontem em cima da mesa é a possibilidade de as empresas de manutenção recomendarem acções de reparação ou manutenção, que os proprietários não querem fazer, devido aos custos. Para salvaguardar as empresas e perceber-se as responsabilidades das diferentes partes vai ser criado um “diário de bordo”. “Se houver riscos, e as empresas comunicarem aos proprietários que é necessário fazer reparações, e os proprietários não concordarem, todas as comunicações têm de ficar registadas por escrito”, revelou. Actualmente, existem cerca de 40 empresas no território com capacidade para fornecer serviços de manutenção de elevadores. João Santos Filipe

Lógica da batata

Residentes de Macau queixam-se de exigências rigorosas com testes em Zhuhai

V

ÁRIOS residentes de Macau queixaram-se de terem sido obrigados a fazer testes de ácido nucleico em Zhuhai para poderem entrar em hospitais. A notícia foi relatada pelo Jornal Ou Mun, com os residentes a considerarem que os critérios são demasiado exigentes. Segundo a explicação do jornal, os residentes de Macau podem entrar em Zhuhai com um teste feito na RAEM com validade de sete dias. Contudo, para poderem frequentar hospitais são obrigados a fazer um teste em Zhuhai, com a validade de 24 horas. A exigência é aplicada, mesmo nos casos em que o teste foi feito em Macau há menos de 24 horas. Caso os pacientes precisem de voltar aos hospitais nas 48 horas seguintes à primeira consulta, têm de voltar a fazer mais um teste à covid-19. De acordo com um dos queixosos, as exigências são inexplicáveis e demasiado rigorosas, até porque, por exemplo, no Hospital de Medicina Tradicional Chinesa de Zhuhai os pacientes só são autorizados a entrar se o teste for realizado na cidade vizinha. Além da pessoa ouvida, o jornal diz ter recebido

muito mais queixas de residentes que sofrem inconvenientes ao recorrem a unidades hospitalares da cidade do Interior.

A posição oficial

Em resposta aos casos, o Departamento de Saúde de Zhuhai realçou que a cidade reconhece os resultados do teste do ácido nucleico feitos em Macau, mas o Comando de Prevenção e Controlo Epidémico de Zhuhai requer que os visitantes do exterior façam um teste do ácido nucleico em Zhuhai, antes de entrarem em hospitais. Segundo a mesma explicação, em casos muito urgentes as pessoas podem entrar, para ser tratadas, e só depois são testadas. Outra possibilidade, passa pelos residentes de Macau pagarem mais quando fazem o teste, e assim obter resultados mais depressa. Por seu turno, o Hospital de Medicina Chinesa Tradicional de Zhuhai justificou que aplica os critérios do Comando de Prevenção e Controlo Epidémico de Zhuhai. De acordo com estas instruções, os visitantes têm de fazer um teste do ácido nucleico nas 24 horas após a entrada em Zhuhai e voltar a ser testados depois de mais 48 horas. N.W. / J.S.F.


6 sociedade

30.3.2022 quarta-feira

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DSEDJ NOVOS INQUÉRITOS SOBRE PATRIOTISMO A CAMINHO. SAÚDE MENTAL PREOCUPA

Fazer o ponto de situação Para concretizar os desígnios da Política de Juventude de Macau até 2030, os serviços de educação estão a preparar inquéritos para avaliar o interesse e os conhecimentos dos jovens sobre o patriotismo, a cultura chinesa e o desenvolvimento do país. Pressão familiar a mando das dificuldades económicas geradas pela pandemia, na base dos problemas de saúde mental dos alunos

P

OR ocasião de mais uma reunião plenária do Conselho da Juventude, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) revelou ontem que irá promover inquéritos sobre patriotismo destinado aos jovens de Macau. O objectivo, explicou Cheong Man Fai, Chefe do Departamento de Juventude da DSEDJ, é avaliar o nível de conhecimento e interesse dos jovens sobre a identidade e a cultura da China e os desígnios do país. Isto, quando o reforço da edu-

Io Iok Fong, DSEDJ “Vamos dar mais atenção ao conhecimento que os jovens têm sobre a pátria e se reconhecem essa identidade, essa cultura e quais são os seus interesses.”

cação e dos sentimentos patrióticos estão entre os objectivos definidos na Política de Juventude de Macau entre 2021-2030. “A Política de Juventude de Macau até 2030 inclui agora uma área sobre patriotismo. Como se trata de um novo factor e ainda não temos qualquer balanço feito, no futuro, vamos promover inquéritos [aos jovens de Macau]. Estes inquéritos irão centrar-se nos conhecimentos e na educação do amor pela pátria”, começou por apontar Cheong Man Fai. “Nas questões dos inquéritos, vamos dar mais atenção ao conhecimento que os jovens têm sobre a pátria e se reconhecem essa identidade, essa cultura e quais são os seus interesses. Queremos também saber se os jovens estão cientes do posicionamento e dos planos essenciais da pátria e quais os desígnios nacionais estabelecidos”, acrescentou, por seu turno, Io Iok Fong, também do Departamento da Juventude. Recorde-se que a Política da Juventude prevê o reforço dos conhecimentos dos jovens sobre a “cultura, a história, as montanhas,

os rios, a terra, os hábitos e costumes populares da nação chinesa”. Além disso, está também previsto o reforço do ensino patriótico nas escolas, através da optimização curricular, publicação de materiais didáticos, organização de actividades extracurriculares e a formação de professores.

Ondas de choque

Após a reunião de ontem, a DSEDJ mostrou ainda preocupação com o estado da saúde mental dos estudantes de Macau, no decurso do aumento da pressão familiar gerada pela pandemia, mais concretamente pelo crescimento do desemprego e das dificuldades económicas. Por isso mesmo, o organismo promete reforçar a educação e sensibilização das famílias. “Temos vindo a desenvolver trabalho destinado a cuidar da saúde mental dos jovens e da harmonia familiar. O inquérito que realizámos demonstra que os estudantes (…) estão pressionados pela vida familiar e, no futuro, (…) iremos prestar mais atenção à educação familiar”, vincou Cheong Man Fai.

Covid-19 Registado mais um caso importado Macau registou ontem mais caso importado de infecção assintomática, de uma residente, proveniente de Hong Kong. A infecção foi detectada depois da mulher de 21 anos ter feito o teste de ácido nucleico. A residente tinha recebido duas doses da vacina Pfizer-BioNtech em Setembro e Outubro de 2021, mas à chegada a Macau foi classificada como caso assintomático. Também um residente, proveniente de Hong Kong, teve resultado positivo no

teste de ácido nucleico, tendo sido classificado como caso de recaída, não sendo por isso incluído nos dados estatísticos. O jovem tem 18 anos e tenha recebido duas doses da vacina Pfizer-BioNtech em Junho e Julho do ano passado. Este residente foi classificado como caso confirmado em Fevereiro do corrente ano. Até ontem tinham sido registados em Macau 82 casos confirmados de covid-19 e 65 casos de infecção assintomática.

Segundo a responsável, perante os “sentimentos negativos” gerados pela pandemia de covid-19 é fulcral envolver vários departamentos e associações e, através do acompanhamento psicológico providenciado nas escolas, “estar a par das atitudes e dos problemas que os alunos possam ter”. O objectivo, acrescentou, é transmitir essas informações com eficácia aos encarregados de educação, dado que, actualmente, “as famílias estão a enfrentar muitas dificuldades económicas e ao nível do emprego”. Depois de anunciar que em 2021 a DSEDJ lançou mais de 400 programas de promoção da Política de Juventude, a Chefe de Departamento de Juventude, Cheong Man Fai, revelou ainda que foram acrescentados “novos indicadores” para avaliar o actual rumo da política traçada. O objectivo dos novos indicadores passa por facilitar o conhecimento sobre “a relação entre pais e filhos, a competitividade dos jovens, a cooperação regional e a inclusão diversificada”. Após o ajustamento, o sistema passou a abranger 80 indicadores de 11 áreas distintas. Pedro Arede

HOTÉIS OCUPAÇÃO MÉDIA FIXA-SE EM 48,7% EM FEVEREIRO

A

ocupação hoteleira em Fevereiro fixou-se em 48,7 por cento, um aumento de 10,3 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, anunciou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Detalhando, no mês passado, os 119 hotéis e pensões do território, com um total de 39 mil quartos, hospedaram 493 mil pessoas, representando um acréscimo de 29,3 por cento em comparação com o período homólogo do ano passado, indicou o organismo em comunicado. A taxa de ocupação média dos hotéis de 3 estrelas “foi a mais elevada", refere aquela direcção, que não inclui nas estatísticas, os estabelecimentos hoteleiros reservados pelas autoridades para a quarentena. O número de hóspedes oriundos do Interior da China, 396 mil, aumentou 30,9 por cento em termos anuais, enquanto o número de hóspedes locais, 68 mil, subiu 25,1 por cento, pode ler-se no comunicado. Nos dois primeiros meses do ano, a taxa de ocupação média hoteleira foi de 46,2 por cento, mais 6,8 pontos percentuais, face ao mesmo período do ano anterior, ainda segundo a nota, que refere que os hotéis e pensões de Macau receberam 1.007.000 hóspedes, mais 20,9 por cento relativamente aos dois primeiros meses de 2021. “Em Fevereiro de 2022, o número de visitantes que participou em excursões locais foi de 6.600 e o de residentes de Macau que adquiriram nas agências de viagens, serviços para viajarem ao exterior (tais como, serviços de transportes, de alojamento, de visitas aos pontos turísticos, etc.) correspondeu a 3.600”, acrescentou.

Casinos Sala VIP Golden fecha hoje portas A empresa VIP Golden, que opera salas de jogo VIP em casinos como o Grand Lisboa, Casa Real Hotel e Casino Lisboa, entre outros, fecha hoje portas. A informação consta num comunicado da empresa divulgado nas redes sociais, onde se lê que os contratos dos trabalhadores também chegam hoje ao fim. A empresa explica que o encerramento é

“uma decisão prudente” e que os trabalhadores serão indemnizados dentro de nove dias úteis. O portal Allin Media deu conta de que estarão envolvidos 200 trabalhadores. A mesma fonte, refere que a empresa admitia uma mudança de nome e a possibilidade de continuar a gerir salas VIP. No entanto, esse cenário não se verificou.


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DSPA Abertas inscrições para ver pássaros

As inscrições para as actividades de Abril da Direcção de Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) ficam disponíveis a partir de hoje. O anúncio foi feito ontem pela DSPA, através de um comunicado, em que as autoridades apelam ao público que respeite as medidas de controlo da pandemia. A primeira actividade é o Dia Aberto ao Público, tem 100 vagas, é realizada a 9 e 23 de Abril e permite entrar nas zonas ecológicas, onde é possível ver colhereiros-de-cara-preta ou colhereiro-europeu. Também no dia 9 de Abril (às 10 horas e às 15 horas), vão ser organizadas duas sessões do Workshop Actividade Educativa sobre a Natureza, com 10 vagas para crianças acompanhadas por adultos. Nos workshops vai falar-se da ecologia e orientar as crianças para fazerem desenhos de folhas recolhidas no local. Além disso, vai ainda ser realizado, pela última vez o passeio de Observação de Pássaros nas Zonas Húmidas, que tem lugar a 23 de Abril, às 9h30 e às 14h30.

Terras Governo recupera dois terrenos na Taipa

O Governo recuperou ontem um terreno situado na Rua da Harmonia, junto ao Pac On, na Taipa, tendo em conta o plano de abertura de novas vias rodoviárias nesta zona. O local estava ocupado com contentores, máquinas, materiais de construção e veículos, tendo sido esvaziado com a ajuda de vários serviços públicos. O Governo realizou também recentemente uma acção conjunta interdepartamental para desocupar e recuperar um terreno do Estado, com uma área aproximada de 34 metros quadrados, localizado na Rua da Barra, n.º 22, edifício Hoi On. Segundo uma nota de imprensa, “antes da sua desocupação havia no local uma obra clandestina em ruínas, composta por paredes de tijolos e uma cobertura metálica, bem como uma grande quantidade de lixo que punha em causa a salubridade pública”.

Desporto Pedidas novas infraestuturas na Zona A

A União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) sugeriu que o Governo construa novos espaços e instalações desportivas na Zona A dos novos aterros. O pedido surge após um inquérito promovido pelos Kaifong ter revelado que cerca de 31 por cento dos entrevistados considera que Macau não tem espaços desportivos em número suficiente para todos os que querem manter uma actividade física regular. De acordo com os Kaifong, o estudo revelou ainda que cerca de 50 por cento dos inquiridos revelou desconhecer que Macau vai coorganizar os Jogos Nacionais em 2025.

Jogo Morgan Stanley prevê menos 30% de receitas

O banco Morgan Stanley prevê que as receitas do jogo de massas deverão cair cerca de 30 por cento este ano, face a 2021, segundo uma nota citada pelo portal GGRAsia. Estes números devem-se ao facto de o território se encontrar “num longo caminho desértico sem vislumbre de saída” no que diz respeito à recuperação do mercado. Desta forma, as previsões apontam para receitas anuais de 11 mil milhões de dólares americanos, o que representa ainda cerca de 30 por cento do total de receitas obtidas em 2019, ano de pré-pandemia. Os analistas Praveen Choudhary, Gareth Leung e Thomas Allen defendem que, sem uma recuperação “significativa” do volume de visitantes, incluindo um “alívio das políticas de viagem” por parte das autoridades da China e Hong Kong, e um aumento das receitas do jogo de massas, as operadoras de jogo “vão manter um nível negativo em termos de um fluxo de caixa, um maior valor de dívida líquida e um menor valor contabilístico”.

CAMINHO DAS HORTAS DEFENDIDA PRESERVAÇÃO DE ÁRVORES CENTENÁRIAS

Uma memória natural

A associação Greenfriends Macau lançou uma petição em prol da preservação de dez árvores centenárias situadas na vila de Cheok Ka, na povoação de Caminho das Hortas, na Taipa. Instituto Cultural aguarda notificação dos serviços de obras públicas sobre o arranque das árvores e promete avaliar o caso

T

ÊM entre 120 e 150 anos de existência e estão situadas na vila de Cheok Ka, na povoação de Caminho das Hortas, na Taipa. O conjunto de dez árvores Mock Bodh é raro no mundo e a Direcção dos Serviços de Obras Públicas pretende removê-las para a realização de obras viárias. A associação Greenfriends Macau lançou há dias uma petição, que conta já com mais de duas mil assinaturas, em defesa da protecção das árvores, sugerindo que as obras se realizem em outras zonas da avenida de Guimarães. A petição adianta ainda que há muitos animais cuja sobrevivência depende destas árvores, como pássaros, insectos ou borboletas, além de que as suas raízes “estão integradas numa só, o que forma uma rede simbiótica que por si só forma um ecossistema”. Ao HM, Ling Tong, uma das responsáveis pela associação,

adiantou que é importante preservar as memórias que este lugar acarreta. “São árvores antigas e vitais para o ecossistema do local. Não só dão sombra, mas também são importantes para várias espécies de animais. Além disso, é também importante a preservação destas árvores da perspectiva da história da comunidade. Trata-se de património, porque muitos moradores cresceram com estas árvores”. Até ao momento, “a maior parte dos signatários deixou algumas palavras que me deixaram comovida”. “Muitos moradores guardam memórias de infância daquelas árvores, outros culpam

as autoridades e dizem que o Governo deveria ter outro plano ao invés de cortá-las. Defendem que deve haver um equilíbrio entre o desenvolvimento da zona e a preservação do ecossistema. Muita gente chegou mesmo a escrever poemas sobre as árvores.” A ideia é, após a recolha das assinaturas, entregá-las ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, adiantou Ling Tong.

IC à espera

À margem da apresentação do programa da edição deste ano do Festival de Artes de Macau, a presidente do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, disse

“São árvores antigas e vitais para o ecossistema do local. Não só dão sombra, mas também são importantes para várias espécies de animais.” LING TONG DIRIGENTE DA ASSOCIAÇÃO GREENFRIENDS MACAU

que ainda não receberam uma notificação oficial para a retirada das árvores. “Em colaboração com os proprietários e serviços das obras públicas vamos avaliar em conjunto a situação. Também precisamos de ouvir a posição do Instituto para os Assuntos Municipais. Em relação às árvores antigas temos uma lista de avaliação e classificação, e o nosso trabalho inclui a sua preservação. Outros serviços vão fazer uma avaliação também e podem solicitar a nossa opinião.” Questionada sobre o interesse público que está em causa para a retirada das árvores, a dirigente disse que tal “é objecto de avaliação dos serviços que propuseram” esta acção. “Precisamos ainda de esperar pela resposta dos outros serviços. Não há um procedimento fixo [para esta situação]”, frisou Leong Wai Man. Andreia Sofia Silva com Pedro Arede


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30.3.2022 quarta-feira

IPIM ABERTAS CANDIDATURAS À EXPOSIÇÃO DE IMPORTAÇÃO NA CHINA

De portas abertas

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau aceita, até ao dia 15 de Abril, candidaturas de empresas para a quinta edição da Exposição Internacional de Importação da China, que decorre em Xangai

A Esperam-se ainda candidaturas de “agentes de produtos alimentares e bebidas dos países de língua portuguesa e fornecedores de serviços profissionais, como serviços jurídicos, contabilísticos, de tradução, entre outros, para os mercados dos países de língua portuguesa”

S empresas de Macau que estejam interessadas em expandir os seus negócios além-fronteiras podem candidatar-se, até ao dia 15 de Abril, para estarem presentes na quinta edição da Exposição Internacional de Importação da China, que decorre entre os dias 5 e 10 de Novembro em Xangai. As candidaturas devem ser feitas junto do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que pretende instalar dois pavilhões neste evento, na Zona de Exposição de Produtos Alimentares e Agrícolas e na Zona de Exposição do Comércio de Serviços. O objectivo da iniciativa é “ajudar, de forma contínua, as empresas locais a explorar as

ÓSCARES WILL SMITH PEDE DESCULPA, MAS ACADEMIA ANALISA AGRESSÃO

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Academia de Cinema dos Estados Unidos condenou na segunda-feira a agressão do actor Will Smith ao humorista Chris Rock, na cerimónia dos Óscares, no domingo, e revelou que irá analisar o caso e tirar daí as consequências. “Iniciámos oficialmente uma análise sobre o incidente e iremos considerar possíveis acções e consequências, de acordo com os nossos regulamentos, padrões de conduta e segundo a lei da Califórnia”, afirmou a academia em comunicado citado pela imprensa norte-americana. O incidente aconteceu durante a cerimónia dos Óscares quando o humorista Chris Rock, que ia apresentar o Óscar de Melhor Documentário,

iniciou a sua intervenção com um número de comédia, durante o qual comparou a mulher de Smith, a actriz Jada Pinkett-Smith - que não tem cabelo, por sofrer de uma doença auto-

-imune -, à tenente O'Neil, "GI Jane", do filme de Ridley Scott. Will Smith levantou-se, subiu a palco deu uma bofetada em Chris Rock e regressou ao lugar, de onde continuou a gritar: "Mantém o nome da minha mulher fora da tua 'fucking mouth'". Ontem foi emitido um comunicado onde Will Smith pede desculpa a Chris Rock. “A violência, em todas as suas formas, é venenosa e destrutiva. O meu comportamento na passada noite dos Óscares foi inaceitável e indesculpável. Uma piada sobre a situação médica de Jada foi demasiado para eu aguentar e reagi de forma emocional. Gostaria de, publicamente, pedir-te desculpa, Chris”, pode ler-se.

Feira de Artesanato Inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para os workshops da Feira de Artesanato do Tap Siac, evento que irá decorrer ao longo de dois fins-de-semana, entre 21 e 24 de Abril e entre 28 de Abril e 1 de Maio. De acordo com uma nota divulgada ontem pelo Instituto Cultural (IC), o evento irá contar, no total, com 40 workshops dedicados ao “artesanato criativo” e ainda oito sessões destinadas a famílias. Mediante o pagamento de 50 patacas, os interessados poderão inscrever-se nas actividades através da página electrónica da Feira de Artesanato do Tap Siac até ao próximo dia 4 de Abril. A fim de permitir que mais residentes desfrutem das actividades, cada candidato poderá inscrever-se, no máximo, em dois workshops, com apenas uma inscrição aceite para cada sessão. Os candidatos serão seleccionados por sorteio informático e notificados por mensagem no dia 7 de Abril.


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oportunidades de negócios”, nomeadamente na área da produção de alimentos e bebidas. Esperam-se ainda candidaturas de “agentes de produtos alimentares e bebidas dos países de língua portuguesa e fornecedores de serviços profissionais, como serviços jurídicos, contabilísticos, de tradução, entre outros, para os mercados dos países de língua portuguesa”. As empresas participantes devem ser pessoas colectivas registadas legalmente em Macau. Devem, ainda, ser empresas de produtos fabricados em Macau, ou ser agentes de produtos alimentares e bebidas dos países de língua portuguesa, ou fornecedores de serviços profissionais para os mercados dos países de língua portuguesa.

46 empresas participaram

No ano passado, o IPIM levou 46 empresas de Macau à quarta edição da Exposição Internacional de Importação da China, que no total juntou mais de 2.900 empresas participantes provenientes dos 127 países e regiões. Foi também criada uma área de exposição com cerca de 366 mil metros quadrados, tendo sido exibidos 422 novos produtos, tecnologias e PUB.

No ano passado, o IPIM levou 46 empresas de Macau à quarta edição da Exposição Internacional de Importação da China, que no total juntou mais de 2.900 empresas participantes provenientes dos 127 países e regiões serviços, e que representaram um volume de negócios acumulado de 70,72 mil milhões de dólares americanos numa base anual. Um total de 281 corporações listadas em Fortune Global 500 e empresas líderes no sector participaram na edição anterior. A quarta edição do evento contou com seis zonas de exposição, tendo sido realizada, pela primeira vez, uma exposição online com mais de 58 milhões de visitas.

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organização não-governamental Europa Nostra, dedicada a proteger o património cultural, declarou a totalidade do património da Ucrânia como o mais ameaçado da Europa, anunciou aquela entidade, que revelou ontem os sete locais mais em risco do continente. No anúncio dos sete espaços mais ameaçados, que decorreu ‘online’, a Europa Nostra reiterou a sua solidariedade com a Ucrânia e lembrou a campanha de angariação de fundos, com o Fundo Global do Património, que pretende apoiar o país, tendo o presidente executivo da organização, Hermann Parzinger, afirmado que a cerimónia “ocorre num contexto alarmante e profundamente perturbador”. Num momento que seria “inimaginável” há pouco tempo, Parzinger realçou que a Europa Nostra está em contacto com organizações como

Cultura em risco Património da Ucrânia declarado como o mais ameaçado do continente europeu

a UNESCO, o ICOMOS, a Blue Shield ou outras instituições da sociedade civil que estejam a actuar na Ucrânia. “A Europa Nostra vai distribuir os fundos angariados a organizações e indivíduos na Ucrânia, directamente ou através dos nossos membros e parceiros na Polónia, Roménia ou noutro local da Europa. Estas verbas vão fornecer assistência de emergência a responsáveis pelo património que estejam a tentar salvar tesouros culturais

ameaçados na Ucrânia, bem como ajudar profissionais do património”, pode ler-se no comunicado da organização sobre a angariação de fundos.

Sete em perigo

Apesar de sublinhar que o património de toda a Ucrânia é o mais ameaçado do continente, a Europa Nostra anunciou a sua lista deste ano dos sete locais em risco: a ponte Zogu, na Albânia, o Convento Récollets, na Bélgica, a cidade-jardim La Butte

Rouge, perto de Paris, em França, o centro histórico de Stolberg, na Alemanha, os Banhos Neptuno, na Roménia, o Palácio de Orléans-Borbón, em Espanha, e a Fortaleza Crèvecoeur, nos Países Baixos. Gerido pela Europa Nostra com o Banco Europeu de Investimento, com o apoio da Europa Criativa, o programa dos Sete Locais Mais Ameaçados da Europa vai na sétima edição e já elencou 51 monumentos ou sítios de 28 países. Equipas de peritos da Europa Nostra e do Banco Europeu de Investimento vão agora reunir-se com responsáveis pelos locais escolhidos e providenciar “aconselhamento, identificar possíveis fontes de financiamento e ajudar a mobilizar apoio generalizado para salvar estes marcos patrimoniais”.Anomeação inclui também uma bolsa de 10 mil euros por cada local.


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ILHAS SALOMÃO GOVERNO REJEITA PREOCUPAÇÕES SOBRE ACORDO DE SEGURANÇA COM CHINA

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primeiro-ministro das Ilhas Salomão, Manasseh Sogavare, rejeitou ontem as alegações de que a segurança regional pode ser prejudicada por um possível tratado de segurança entre o seu país e a China. Os Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia estão entre as nações que manifestaram apreensão sobre o esboço do acordo bilateral, que foi tornado público, na semana passada. Sogavare confirmou ao parlamento da nação insular, situada no Pacífico Sul, que as negociações foram concluídas, mas o tratado não foi ainda assinado. “Somos sensíveis à infeliz percepção de muitos líderes, de que a segurança da região está a ser ameaçada pela presença da China”, apontou o primeiro-ministro. “Isso é um absurdo total. Acho muito insultuoso (...) ser rotulado como incapaz de administrar os nossos assuntos soberanos”, afirmou. No documento, indica-se que a China poderá aumentar a presença militar nas Ilhas Salomão, inclusive através de visitas de navios de guerra. Sogavare frisou que o documento é apenas um esboço, mas não revelou detalhes sobre o texto final. O Departamento de Estado dos EUA expressou preocupação e afirmou não acreditar que as forças e métodos de segurança da China precisem de ser exportados. Austrália e Nova Zelândia expressaram na segunda-feira também apreensão sobre a potencial presença militar chinesa nas Ilhas Salomão. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, rejeitou aquelas preocupações. “A cooperação entre a China e as Ilhas Salomão foi calorosamente recebida pelo governo e pelo povo das Salomão”, disse. “Nenhuma tentativa de interromper e minar a cooperação mutuamente benéfica entre a China e os países insulares do Pacífico vai ter sucesso”, frisou. As Ilhas Salomão, onde vivem cerca de 700.000 pessoas, romperam, em 2019, os laços diplomáticos com Taiwan, passando a reconhecer Pequim como o único governo legítimo de toda a China.

ESTUDO BLOQUEIOS CONTINUAM FACE A BAIXA TAXA DE VACINAÇÃO DE IDOSOS

Velho problema Com apenas 20 por cento da população com 80 anos ou mais a ter recebido as três doses da vacina contra a covid-19, as autoridades continuam relutantes em alterar a política de ‘zero casos’

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campanha de vacinação da China contra a covid-19 deixou metade da sua população idosa susceptível a maiores riscos de doença grave, forçando o país a manter uma política rígida de prevenção, apontam analistas. Mais de 130 milhões de chineses com 60 anos ou mais não foram vacinados, ou receberam menos de três doses, colocando-

-os em maior risco de desenvolver sintomas graves ou morrer, em caso de infecção, segundo um estudo da Universidade de Hong Kong (HKU). O mesmo estudo apurou que a vacina da Sinovac, desenvolvida pela China, é menos eficaz na prevenção da morte por covid-19 entre os idosos do que a inoculação com a vacina da BioNTech/Pfizer, a menos que sejam dadas três doses.

A grande maioria da população chinesa foi vacinada com as inoculações da Sinovac ou Sinopharm, que também requer três doses para manter um alto nível de eficácia. O estudo da HKU, publicado na semana passada, apurou que três doses da Sinovac asseguram 98 por cento de eficácia na prevenção de doenças graves em pessoas com mais de 60 anos – uma taxa semelhante à vacina da BioNTech. Mas duas doses revelaram apenas 72 por cento e 77 por cento de eficácia, na prevenção de casos graves e morte, respectivamente. A vasta escala da população idosa susceptível de doença grave ou morte na China força as autoridades a aplicar medidas de bloqueio, para acabar com surtos que se alastraram

a várias cidades. Apenas 20 por cento da população com 80 anos ou mais recebeu três doses.

Por fases

Xangai, a ‘capital’ económica da China, iniciou na segunda-feira um bloqueio, organizado em duas fases, e que abrangerá todos os

“Até que os custos excedam os benefícios, o Governo não tem escolha a não ser manter a política de ‘zero casos.’” YANZHONG HUANG ESPECIALISTA


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Mar de oportunidades Atlântico sul “é fundamental” na relação entre Brasil e China

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seus 26 milhões de moradores, para combater uma vaga de casos que rapidamente se multiplicou na comunidade. Na província de Jilin, no nordeste do país, todos os seus 24 milhões de habitantes estão sob quarentena há quase um mês. Foi a primeira vez que a China restringiu uma província inteira desde o bloqueio de Hubei, cuja capital, Wuhan, foi o epicentro original do novo coronavírus. Noutras partes do país, dezenas de milhões de pessoas enfrentam medidas de confinamento, mais ou menos rígidas. Pequim aumentou os esforços para administrar uma terceira de inoculação aos idosos, no final de 2021.

Falsa segurança

Mas especialistas consideram que o sucesso do país em conter o vírus, em conjunto com a desconfiança da população mais velha em relação à vacina, prejudicou a campanha de inoculação. “O sucesso inicial da política de ‘zero casos’ criou uma falsa sensação de segurança entre os idosos”, escreveu Yanzhong Huang, especialista em políticas de saúde pública do Conselho de Relações Externas, um ‘think tank’ com sede em Nova Iorque. “Muitas pessoas mais velhas pensaram: ‘não há vírus, por que

devemos preocupar em vacinar-nos e correr o risco de sofrer os efeitos colaterais”, acrescentou. Huang considerou que a hesitação face às vacinas é ainda mais prevalente nas áreas rurais, que são as mais vulneráveis no caso de um surto descontrolado, devido à escassez de hospitais e médicos. A taxa de vacinação na China continental é melhor do que em Hong Kong, onde 69 por cento dos residentes com 80 anos ou mais não estavam vacinados no início de Fevereiro. Desde então, a variante Ómicron dilacerou a população idosa não vacinada, deixando o território com o maior número de mortes do mundo por milhão de habitantes. A China registou mais de 65.900 caos nas últimas semanas, forçando várias cidades a implementar bloqueios localizados. Estas medidas parecem ter protegido os mais vulneráveis: o país teve apenas duas mortes por covid-19 este mês, segundo estatísticas oficiais. “Até que os custos excedam os benefícios, o Governo [chinês] não tem escolha a não ser manter a política de ‘zero casos’”, frisou Huang.

professor catedrático Daniel Cardoso defendeu esta segunda-feira que o Atlântico Sul “é fundamental” nas relações entre o Brasil e a China, mas pode ser factor de competição que, com os Estados Unidos da América (EUA) pelo meio, será “perigoso”. Por vários motivos, um dos “mais relevantes” os recursos petrolíferos, mas também as trocas comerciais, o Atlântico Sul “é fundamental” na relação entre o Brasil e a China, mas também pode ser factor gerador de competição, se a China prosseguir o seu caminho para se tornar numa potência marítima, e com os EUA pelo meio será até “perigoso”, disse Daniel Cardoso. O catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa falava na 2.ª sessão das Conferências de Primavera 2022, que decorreram na Casa de Macau, em Lisboa, em que foi orador no painel sobre “Atlântico Sul nas relações entre China e Brasil: Competição, cooperação e desafios”. “O Atlântico Sul é uma área que necessariamente é considerada estratégica pelo Brasil”, afirmou Cardoso. O Brasil “tem ambições de projectar o seu poder político, militar e económico para além do Atlântico Sul, chegando à África e à Antártica”. Por isso, esta zona é “fundamental para a política externa brasileira e também para a sua política comercial e para a sua estratégia militar”, sublinhou. Na opinião de Daniel Cardoso “há razões muito fortes para que as autoridades brasileiras considerem este espaço geopolítico muito importante”. O Brasil é já “um importante produtor e exportador de petróleo e grande parte do petróleo que extrai é desta região [Atlântico Sul], mais especificamente de uma área conhecida como o pré-sal”. Um petróleo extraído a grande profundidade que requer “sofisticação tecnológica muito grande”, e que a Petrobras, empresa brasileira de petróleo, tem vindo a conseguir através de consór-

cios com empresas estrangeiras, “a maioria chinesas”, realçou, salientando que a China não só investiu como também financiou estes projectos, através do seu Banco de Desenvolvimento.

Cooperação e competição

Nas relações entre a China e o Brasil no Atlântico Sul, o professor não tem dúvidas em afirmar que o factor mais relevante “é o petróleo”. Mas em segundo lugar, vem o comércio. “Os dados são muito significativos, 99 por cento (...) das exportações do Brasil para a China vão por mar”, referiu. Até porque além das importações de soja, a China já é também o maior importador de petróleo brasileiro. “Para enquadrarmos estes interesses da China noAtlântico Sul não se pode deixar de falar do grande projecto da Rota da Seda, que tem também uma dimensão marítima. Dos três corredores marítimos da nova Rota da Seda aquele que mais interessa ao Brasil é o que atravessa o Índico e pode ir para o Atlântico Sul, ou pode passar pelo Atlântico Norte e chegar ao país da América do Sul”, frisou. Na opinião, de Daniel Cardoso, entre o Brasil e a China, hoje “há cooperação, mas também há espaço para competição” e, essa tem sido uma tendência. “A competição pode-se materializar em primeiro lugar no que respeita à presença em África”, e em segundo lugar no que respeita

á Antártica, regiões em relação aos quais os interesses dos dois países não estão alinhados, considerou. Mas, para além disso, pode nascer ainda um novo factor de competição entre o Brasil e a China. “Se a China se quer tornar numa potência marítima vai ter de apostar no seu desenvolvimento tecnológico, e o Brasil, com a larga costa que tem e com o empenho que tem na sua industrialização, este desenvolvimento tecnológico pode ser também um dos objectivos dos governos brasileiros. Por isso,(…) pode vir a haver mais competição do que propriamente cooperação entre os dois países” neste domínio, considerou Daniel Cardoso. Neste cenário, o professor realçou que é preciso não esquecer o factor Estados Unidos, que são um país “importantíssimo” naquela área, considerando o Atlântico Sul “como teoricamente a sua área de influência”. Por isso, uma forte presença chinesa no Atlântico Sul, em cooperação ou em competição com o Brasil, “vai sempre suscitar alguma atenção e cautela da administração norte-americana”, sublinhou. “O perigo é que à medida que a competição entre os EUA e China aumenta, essa competição em várias plataformas do mundo, pode ser projectada também para o Atlântico Sul”, concluiu.

Huawei Lucros sobem 75,9% em 2021 para 16.280 milhões de euros A tecnológica chinesa Huawei revelou segunda-feira que o seu lucro aumentou 75,9 por cento no ano passado, para 113.700 milhões de yuans, face ao ano anterior. A empresa, que não está cotada em bolsa, adiantou ainda em comunicado que a facturação recuou 28,5 por cento no ano passado, para 91.190 milhões de euros. A directora financeira da empresa, Meng Wanzhou, afirmou na conferência virtual de apresentação dos resultados, na cidade de Shenzhen, no sul da China, onde a Huawei

tem a sua sede, que, “apesar da faturação ter caído em 2021, a capacidade [da empresa] gerar lucros e gerar fluxo de caixa tem vindo a crescer”. E prosseguiu: “Agora podemos lidar com todas as incertezas que deveremos enfrentar”. No último trimestre de 2020, a Huawei saiu, pela primeira vez em seis anos, da lista das cinco maiores empresas globais que fabricam equipamentos móveis para redes de telecomunicações, nomeadamente ‘smartphones’.


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XUNZI

Xunzi continuou: “Um verdadeiro rei pode ordenar execuções, mas não terá de batalhar. Não atacará cidades que se encontram fortemente fortificadas. Não atacará forças militares que se encontrem bem posicionadas. Se, entre o inimigo, os superiores e inferiores se apreciam mutuamente, então congratula-os por isso. Não massacrará cidades. Não põe o seu exército de emboscada. Não prepara ocupações em massa. As suas campanhas não duram mais do que uma estação. Por isso, as gentes que vivem em estados caóticos se regozijam quando se lança na guerra, pois não estão satisfeitas com os seus líderes e desejam a sua chegada”. O Lorde Linwu exclamou, “Bem-dito!” Chen Xiao [um seu estudante] perguntou a Xunzi: “Ao discutir questões militares tomais sempre ren [humanidade] e yi [justiça] como aquilo que é fundamental. Aqueles que são ren preocupam-se com os outros e aqueles que são yi seguem a boa ordem. Se assim é, então de que serve ter forças militares? A razão de ter forças militares é para a luta e a contenda”. Xunzi disse: “As coisas não são como as entendes. De facto, a pessoa de ren preocupase com os outros, mas precisamente por isso detesta que lhes façam mal. De facto, a pessoa de yi segue a boa ordem, mas precisamente por isso detesta que esta seja lançada no caos. De facto, as forças militares são aquilo com o qual se proíbe a violência e se elimina o que causa dano. Não são para a luta e a contenda. Assim, onde residem as forças militares de uma pessoa de ren, esse lugar desfruta de uma

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30.3.2022 quarta-feira

ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

Um Debate Sobre Questões Militares

PARTE IX

tranquilidade semelhante à do espírito. Por onde quer que passem, esse lugar se transforma, tal como quando cai uma gentil chuva, e todos nelas regozijam. Foi assim que Yao atacou os Huan Dou e Shun atacou aqueles que controlavam os Miao; Yu atacou os Gong Gong e Tang atacou quem controlava os Xia1; o Rei Wen atacou Chong e o Rei Wu atacou o tirano Zhòu. Estes quatro imperadores e dois reis usaram de uma abordagem militar baseada em ren e yi na condução das suas campanhas pelo mundo. E, assim, os que estavam perto se aproximaram da sua bondade e as regiões distantes admiravam a sua virtude. As lâminas das suas armas não se mancharam de sangue, mas as gentes de perto e de longe a elas se submeteram. Tal era a abundância da sua virtude que os seus efeitos se estendiam até aos limites das quatro direcções. As Odes dizem: Quanto ao nobre e à pessoa exemplar, O seu padrão não erra nem se desvia. O seu padrão não erra nem se desvia. Em cada um dos quatro lados corrigem cada estado. Isto exprime o que quero dizer.” 1 - A respeito desta lista, as fontes mais antigas dão informação diversa e por vezes contraditória sobre os Huan Dou, os Miao e os Gong Gong. Alguns textos retratam-nos como tribos ou regiões que se opunham aos reis-sage.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


quarta-feira 30.3.2022

diário de próspero

ANTÓNIO CABRITA

28/03/22 Hoje percebemos como o século XX foi o rio das utopias sanguinárias (do fascismo e das revoluções comunistas às vanguardas artísticas) e da ignomínia programada – o resto é a lactescência das margens. Nessas margens leitosas rumorejavam as bolhas da paz, a fraternidade da música e a magna ilusão do cinema, assim como o sonho da educação para todos, prendadas remanescências do progresso, sob as saias da Ilustração. Bolhas que se revelariam frágeis, face a três investidas, que correspondem às três Virgens anunciadas certamente no Quarto Segredo de Fátima: a primeira, a Virgem do pós-colonialismo e do “politicamente correcto”, que fez cair as malhas na meia do universalismo; a Virgem do neoliberalismo que abriu brechas no ideal democrático ao preterir aos valores a economia (daí ter-se abolido as minissaias da minha juventude); e a paradoxal investida das redes sociais que sob a face risonha (que também têm) mostrou ter duas faces e mostrou ao espelho o aspecto de uma Virgem Negra de uma comunicação sem ética (- a piada de Chris Rock e a estalada de Will Smith: duas faces da mesma moeda, no “vale tudo” sem comedimento). Se quisermos parafrasear o célebre mandamento de Lenine, segundo o qual «o socialismo é igual aos sovietes + a eletricidade», «esta invasão da Ucrânia é igual à violação das três virgens + a bondade com que o Putin nos quer livrar do fascismo». Tendo ido o ano passado à Beira dar uma formação para professores (da primária ao sétimo ano), saí de lá deveras apreensivo: a maior parte dos docentes não sabia, literalmente, o que era um “ponto de vista”. Portanto, os professores não logravam alcançar o reconhecimento de si que supõe a escolha de um “ponto de vista”, o que pouco campo lhes deixava para a generosidade da empatia; além disto simplesmente minar qualquer habilitação para o exercício democrático. A ignorância pode ser inocente? Lembremos, com Deleuze, que perverso é aquele que vive num mundo sem o outro. Alertado, fui detectando em graus diversos este mesmo estado ante-Gulliveriano por todo o lado e como alastrava pelas redes sociais e o Facebook: aí, a um

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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La vache qui rit

estado de deficiência cognitiva generalizado junta-se a “tirania do indivíduo”. Um dos sinais de intolerância e de inadaptabilidade argumentativa é a efervescência com que se procura acima de tudo ter razão e a última palavra, numa postura heliocêntrica. A mim não me incomoda nada, rigorosamente nada, estar equivocado sobre algo, ou iludido, por me faltar qualquer informação que me fará contemplar outra perspectiva – é-me evidente, não vemos como as trilobites em 360%. Posso ser veemente na forma como armo a argumentação lógica, não confundo a (minha) opinião com o conhecimento. Procurando ser persuasivo, isso faz parte do jogo da comunicação, mantenho em aberto a possibilidade do erro e não invisto cegamente na validação narcísica. Tal como perder ao jogo não me muda

a disposição. Fico inclusive contente se me apontam um ponto de vista de que não me apercebera. O que não me abstém de ficar abismado com algumas reacções, mais do que enérgicas, inflamadas, como se quem me interpela jogasse ali a vida. Já me aconteceu, se é amigo, recordar à criatura que o argumento que exponho é fruto dessa “terça-feira”, que na quinta-feira, fazendo jus à afirmação de Picabia de que temos a cabeça redonda para permitir às ideias mudar de direcção, poderei pensar diversamente. Sem que isso me roube um centímetro na defesa de algumas causas por que estas são o resultado de um pensamento sedimentado no imenso laboratório que a vida e a idade nos faculta; havendo, portanto, ideias que, como os rins e

NÃO ME CUSTA NADA CONCORDAR COM O SR. BIDEN QUANDO ELE DIZ QUE ESTA É UMA GUERRA DAS DEMOCRACIAS CONTRA AS AUTOCRACIAS, MAS GOSTARIA DE O INTERPELAR EM RELAÇÃO AO CINISMO COM QUE ELE, COMO ARAUTO DO OCIDENTE, AGORA DEPLORA O “DESPERTAR DOS CARNICEIROS” QUE USAM AS ARMAS QUE O OCIDENTE LHES FOI VENDENDO, IRRESPONSAVELMENTE, EM NOME DA ECONOMIA

pâncreas, se tornam interiores: órgãos a que não podemos renunciar. Um exemplo: não me custa nada concordar com o sr. Biden quando ele diz que esta é uma guerra das democracias contra as autocracias, mas gostaria de o interpelar em relação ao cinismo com que ele, como arauto do Ocidente, agora deplora o “despertar dos carniceiros” que usam as armas que o Ocidente lhes foi vendendo, irresponsavelmente, em nome da economia. E gostaria de o inquirir sobre a sordidez de cada míssil Javelin custar 150 000 dólares, e um carro blindado ou um tanque 2 000 000 de dólares, tendo em conta a fome no mundo e a falta de escolas, de livros e vacinas no terceiro mundo; se esse é o seu conceito de avanço democrático. Coisas tão simples como manter-se higiénico o cu de um mandril. Em querendo acreditar que a democracia é, terá de ser, a garantia de um incremento da biodiversidade que de todo não se compatibiliza com a guerra e os seus negócios. Entretanto, estando o caldo entornado, leio: «Nas duas próximas semanas, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Estados Unidos estarão juntos num exercício que simula a ameaça russa a território da Aliança. Os pilotos vão voar contra sistemas de defesa aérea de origem russa que alguns dos países da aliança operam. Quem participa quer que esta seja uma mensagem clara para o Kremlin.» E, do ponto de vista do meu sofá, que adora simulações, não sei se heide rir, se chorar! 29/03/22 QUEM FICA POR ÚLTIMO FAZ AS ACTAS DAS CIDADES DERRUÍDAS Ao fim de trinta anos de porfia/ nas fontes mais áridas e obscuras/ tendo inclusive decifrado os dísticos/ até aí secretos de Gilgamesh, na finisterra, // após trinta anos de genuflexões na água/ e de experimentar sucessivas, novas, tatuagens,/ alheio ao risco de não distinguir auto-profecia/ do que realmente cauteriza; em variações // da pedra que esposa a veia e da pedra/ sem trapaças e da pedra que escolta o silêncio/ e da pedra erudita que vai aos rins // galgar no azul e nas nuvens;/ montou finalmente a sua bicicleta/ de ouro – já não tinha era pulmão.


9 6 3 1 0 5 7 8 2 7 2 8 6 3 4 5 9 0 58 0 4 1 4 9 2 0 6 8 8 7 5 5 14 5 7[f]2utilidades 0 8 9 1 4 3 3 8 5 3 4 1 4 7 6 9 2 6 7 6 1 0 2 8 4 9 8 7 3 4 5 9 6 0 9 7 6 3 6 5 0 1 2 1 3 8 4 8 3 4 9 5 7 6 2 4 6 0 1 1 TEMPO AGUACEIROS 4 9 8 1 5 7 3 4 6 6 7 0 1 0 0 6 7 7 9 2 1 5 0 3 4 4 3 2 5 1

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BALADA DA PRAIA DOS CÃES JOSÉ FONSECA E COSTA | 1987

Um belo filme de drama e mistério, com toques de policial, baseado no romance com o mesmo nome de José Cardoso Pires. O corpo do major Luís Dantas Castro aparece morto numa praia e é descoberto por cães da polícia. Este tinha escapado à prisão após lutar contra o regime fascista em Portugal e reunia-se numa casa com Mena, a sua amante, e mais dois homens. Depressa o mistério se adensa e Mena, interpretada pela bela Assumpta Serna, torna-se na grande suspeita do crime. Uma bela obra do cinema português a não perder.

CINETEATRO

C I N E M A

SALA 1

SALA 3

Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Holland, Mark Wahlberg, 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Um filme de: Matt Reeves Com: Robert Pattinson, Andy Serkis, Jeffrey Wright, Zoe Kravitz 14.30, 20.45

UNCHARTED [B]

SALA 2

SCREAM [C]

Um filme de: Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett Com:Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Jack Quaid 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HE SHAN, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° CC3276xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 5/DI-AI/2021, levantado pela DST a 19.03.2021, e por despacho da signatária de 14.02.2022, exarado no Relatório n.° 16/DI/2022, de 05.01.2022, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Kunming n.° 92, Phoenix Garden, 8.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------No mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.--------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau. --------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Fevereiro de 2022. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

FREE! - THE FINAL STROKE - THE FIRST VOLUME [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Eisaku Kawanami 19.00

7 4 5 2 9 6 Andreia Sofia Silva 9 0 2 3 8 1 8 5 9 7 4 0 3 6 8 1 0 7 UNCHARTED 1 2 4 6 5 3 2 7 0 9 6 5 5Propriedade 1 3 Fábrica 8 2de Notícias, 9 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 0Julie3Oyang; 1 Paulo 4 Maia 7 e8Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; 6Paul8Chan7Wai0Chi; Paula 1 4Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 4Morada 9 Pátio 6 da 5 Sé,3n.º22,2Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 14/AI/2022

THE BATMAN [C]

AVISO Faz-se saber que em relação ao concurso público para empreitada de obra pública designada por « Empreitada de construção de diques no aterro para resíduos de materiais de construção », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 11, II Série, de 16 de Março de 2022, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 9.º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas, aos 23 de Março de 2022. O Coordenador do Gabinete, Lam Wai Hou

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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quarta-feira 30.3.2022

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in sapo24

opinião 15

Francisco Sena Santos

SEMELHANÇAS ENTRE O SARA OCIDENTAL E TIMOR MAS COM DESFECHO OPOSTO

O SARA Ocidental é um território grande como todo o Reino Unido, mas com apenas 600 mil pessoas. Está situado no território de deserto de areia e pedra na África logo abaixo do nosso vizinho a sul, Marrocos. O Sara Ocidental é a única colónia africana que ainda não teve direito à autodeterminação. Está cada vez mais longe de a conseguir. É no desfecho que diverge de Timor-Leste, com quem tem um processo de libertação muito semelhante. O Sara Ocidental, território rico em fosfatos, ferro, petróleo e gás, foi abandonado pela Espanha e ocupado pelo Reino de Marrocos em 1975. Foi o mesmo ano em que o território de Timor-Leste, negligenciado por Portugal, então na grande convulsão política revolucionária, foi invadido e ocupado pela Indonésia. A história anterior de Portugal com Timor era marcada pelo abandono que alguns tentam explicar através do pobre argumento da distância geográfica. Em 1942, no decurso da II Grande Guerra, tropas japonesas invadiram Timor — que era território português. A resistência portuguesa a essa invasão foi a de um punhado de generosos combatentes – como o tenente Pires, encarregado português em Baucau – que fora de qualquer enquadramento do Estado português se juntaram a patriotas timorenses e a um batalhão australiano (a Austrália sabia que Timor era o último muro antes de os japoneses lá chegarem) para travar o avanço do Japão alinhado com a Alemanha de Hitler. Isto foi em 1942. Em 1975 o território de Timor-Leste voltou a ser invadido, desta vez pela Indonésia. Djacarta ocupou o vazio deixado por Lisboa naquele tempo em que a tensão política em Portugal era de confronto máximo entre revolucionários e moderados e em que na complexa agenda da descolonização Timor pareceu uma irrelevância. De facto, naquele novembro de 75 teve início a brutal e repressiva invasão indonésia de Timor. Portugal denunciou na ONU esta agressão indonésia, mas a diplomacia portuguesa foi impotente para reverter o quadro. Nos anos 80, a questão de Timor passou a estar nos discursos internacionais dos presidentes de Portugal. Mário Soares incluiu Timor em todos os discursos perante outros chefes de Estado. Mas nada evoluía e a Indonésia continuava a tentar absorver Timor, apesar de tenaz resistência local. Em 12 de novembro de 1991 aconteceu o sangrento massacre no cemitério de Santa Cruz, em Dili. Tropas indonésias abriram fogo de alta intensidade sobre os cerca de dois mil timorenses que participavam na romagem à sepultura de Sebastião Gomes, um jovem da resistência abatido uma semana antes. Está contado que ali, em volta do cemitério, 271 timorenses foram mortos pelos disparos da tropa indonésia. Umas dezenas mais vieram a falecer nos dias seguintes. Este massacre mudou tudo para o destino de Timor.Acâmara de filmar do recém-falecido repórter Max Stahl captou e gravou tudo. Estas imagens passaram em ecrãs de todo o mundo.

Depois de 30 anos a apostar oficialmente pelo referendo de autodeterminação conforme as resoluções das Nações Unidas, Madrid deixa cair o povo saraui e passa a defender que este deve conformar-se com uma autonomia dentro de Marrocos

Toda a gente ficou a saber o que era a crueldade indonésia em Timor. Caiu o muro de silêncio que antes cobria a questão timorense. Em 96 o Nobel da Paz foi para a luta de Timor através de José Ramos Horta e do bispo Ximenes Belo. Intensificaram-se as negociações diplomáticas na sede da ONU, entre Portugal e a Indonésia, com sucessivas rondas. Na primavera de 99, Jaime Gama arrancou do indonésio Ali Alatas o acordo para consulta ao povo timorense sobre o destino que queria. Em agosto os timorenses, em referendo, votaram de modo maciço pela independência, que foi proclamada vai agora fazer 20 anos, em 20 de maio de 2002. Então o povo de Portugal mobilizou-se de modo extraordinário em apoio ao povo de Timor.

O referendo é o que falta ao Sara Ocidental, no paralelo com Timor-Leste. A Espanha de 1974, no ocaso de Franco e quando fervilhavam as emoções pela revolução portuguesa com a descolonização a avançar, chegou a propor um referendo no ano seguinte no Sara Ocidental. Este cenário surgiu meses depois de ter nascido a Frente Polisario a agregar os movimentos de libertação do Sara Ocidental nascidos nos anos 60. Mas o Reino de Marrocos antecipou-se à proposta espanhola de referendo. Em 1975 entrou com força militar no Sara Ocidental com a intenção de impedir o referendo. A Espanha, com o ditador Franco em agonia, ficou de braços cruzados e o rei Hassan II de Marrocos foi ainda mais longe: desencadeou a “marcha verde” de 300 mil marroquinos que entraram pelo Sara Ocidental, com unidades militares camufladas dentro dessa marcha. Em 76, a Espanha em transição democrática retirou-se da antiga colónia no Sara Ocidental e remeteu a questão para a ONU. Ao fim de 15 anos, a ONU decidiu intervir: a maioria das nações aprovou a realização de referendo no Sara Ocidental sobre a autodeterminação do território. Foi mesmo criada a MINURSO, missão militar da ONU para a realização do referendo no Sara Ocidental, que foi marcado para 1992. Estamos em 2022, passaram 30 anos. Marrocos arranjou sempre pretexto para que o referendo não se concretizasse. O que avançou foi uma guerra de escaramuças entre Marrocos e a Frente Polisário. Mas a ideia de referendo foi sempre mantida pela ONU e apoiada pela Espanha, antiga potência colonial. Porém, esta posição espanhola nunca foi muito vigorosa, com obvia intenção de não irritar o vizinho do sul em cujo território estão os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla. Marrocos apareceu com uma proposta para substituir o referendo: oferece ampla autonomia ao Sara Ocidental, mas sob soberania marro-

quina. Mas a ONU, com a Espanha, continuou a insistir no referendo. Em dezembro de 2020, Donald Trump nos últimos dias de mandato, apostado em deixar como herança a promoção da aproximação entre Israel e alguns países árabes, jogou com Marrocos: os Estados Unidos reconheceriam a soberania marroquina sobre o Sara Ocidental desde que Marrocos estabelecesse relações com Israel. Foi o que aconteceu em tempo relâmpago. Mas na ONU insistia-se em referendo no Sara Ocidental e essa era também a posição espanhola. O Reino de Marrocos passou a usar outra arma: facilitar a passagem de migrantes para Espanha, quer através do Mediterrâneo, quer para as Canárias. Criou assim forte pressão sobre o governo de Madrid. Um episódio precipitou os acontecimentos já neste março. No começo do mês, milhares de migrantes africanos abeiraram-se da fronteira de Melilla, com evidente consentimento da polícia marroquina – que antes os barrava alguns quilómetros antes. Pedro Sánchez, presidente do governo de Espanha, percebeu a advertência que Marrocos lhe dirigia. Nesses dias um enviado de Washington passou por Madrid, Argel e Rabat. Em 18 de março, a casa real de Marrocos deu a conhecer o texto de uma carta enviada pelo presidente do governo de Espanha ao rei de Marrocos em que é reconhecida a proposta marroquina de autonomia do Sara Ocidental sob soberania marroquina como “a base mais séria, credível e realista para resolução do conflito”. O presidente do governo de Espanha decidiu uma reviravolta na posição de Madrid em relação ao Sara Ocidental. Fê-lo sem consultar a oposição e até os parceiros Podemos no governo. Depois de 30 anos a apostar oficialmente pelo referendo de autodeterminação conforme as resoluções das Nações Unidas, Madrid deixa cair o povo saraui e passa a defender que este deve conformar-se com uma autonomia dentro de Marrocos. Os compromissos assumidos por sucessivos governos de Espanha com a nação frágil que tem sofrido a hegemonia autoritária de Marrocos são sepultados de modo arbitrário por interesses de circunstância. Após décadas de promessas baseadas na justa doutrina da descolonização, agora mandam os sarauis deixar a fila de espera e que esqueçam a aspiração de Estado próprio. Também sobra, para além do moralmente insustentável virar de costas ao povo do Sara Ocidental, um sério problema geopolítico: a Argélia é a primeira aliada da Frente Polisário e é rival de Marrocos. A Argélia é a origem de muito do gás natural que entra por Espanha para abastecer toda a Península Ibérica. Está para se ver se a vontade espanhola de satisfazer Marrocos não irrita a Argélia ao ponto de fazer disparar o preço na fatura ou mesmo fechar a torneira.


‘‘Quanto maior o número de leis, tanto maior o número de ladrões’’ PALAVRA DO DIA

Lao-Tsé

Mercado Provisório Visitantes apoiam mas apontam falhas

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A partir da meia-noite de 3 de Abril, as pessoas com mais de 12 anos que cheguem a Macau vindas de Hong Kong e Taiwan são obrigadas a apresentar um certificado de vacinação, informou ontem o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. O certificado deve comprovar a toma do esquema vacinal primário contra a covid-19, ou seja, a toma de duas doses há, pelo menos, 14 dias. Além disso, os maiores de idade que tenham tomado as duas doses há mais de sete meses devem apresentar um certificado que comprove que administraram, pelo menos, uma dose de reforço. Em relação às pessoas que não podem ser vacinadas por questões de saúde, a entrada em Macau obriga à apresentação de um certificado médico que comprove a condição que impede a inoculação. Estes certificados devem ser reconhecidos pelo Governo da RAEM para uso em viagens internacionais.

30.3.2022

GASTRONOMIA MACAU COM UM RESTAURANTE ENTRE OS 50 MELHORES DO CONTINENTE ASIÁTICO

Entre as 7h00 e as 11h00 daquele que foi o primeiro dia de funcionamento do Mercado Provisório Almirante Lacerda, o espaço para onde foram realocados os comerciantes do Mercado Vermelho, acolheu cerca de 2.000 visitantes. O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) diz que o primeiro dia do Mercado Provisório foi um “sucesso”. Por seu turno, alguns fregueses que fizeram questão de ir ao novo espaço para demonstrar apoio aos vendilhões do Mercado Vermelho no primeiro dia, disseram ao canal chinês da TDM-Rádio Macau que o Mercado Provisório é “difícil de encontrar”, há falta estacionamento e não sabiam da existência de transporte gratuito a partir da zona da Horta e Costa. Já uma responsável por uma banca de venda de carne, indicou que a proximidade do Mercado Provisório com o Mercado do Patane leva a que haja maior “competição” e defendeu que os autocarros gratuitos devem começar a operar antes das 9h00.

Covid-19 Vacina obrigatória para quem viaja de HK e Taiwan

quarta-feira

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O incidente de segunda-feira passada pôs fim a uma série de quase 12 anos sem acidentes aéreos graves na China, cujas autoridades anunciaram uma investigação de duas semanas “para garantir a segurança absoluta” nas operações do sector

Chorar os mortos Identificadas através de ADN as 132 vítimas mortais de acidente aéreo na China

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S 132 vítimas do acidente do voo da companhia aérea China Eastern que se despenhou há uma semana no sul da China foram identificadas através de amostras de ADN, disseram esta segunda-feira as autoridades. O avião, um Boeing 737-800 que voava entre as cidades de Kunming (sudoeste) e Cantão (sudeste), despenhou-se na região de Guangxi no dia 21 de março, às 14:38 horas locais, matando todas as pessoas a bordo – 123 passageiros e nove membros da tripulação. Desde o acidente, 632 familiares dos falecidos puderam aceder ao local do acidente em grupos, e foram prestados cuidados psicológicos a quem deles precisou, de acordo com os meios de comunicação estatais. A violência do impacto e a inclinação da zona montanhosa onde o avião se despenhou dificultaram os trabalhos de busca, que até

agora cobriram uma área superior a 40.000 metros quadrados, na qual foram encontrados restos mortais e partes do avião, incluindo as duas ‘caixas negras’ e um dos motores. A descoberta, entre quarta-feira e domingo, das duas ‘caixas negras’ do aparelho vai ajudar a determinar a causa do acidente do avião, que caiu verticalmente e desceu quase 8.000 metros em menos de três minutos, segundo o portal de rastreio de voos FlightRadar24. Embora a descodificação dos dados das caixas já tenha começado, os funcionários envolvidos na investigação disseram segunda-feira que o conteúdo por si só é insuficiente para esclarecer o que aconteceu e que estão a recolher a maior quantidade possível de destroços do aparelho, assim como vídeos do momento do acidente. O avião, que estava em serviço há quase sete anos, tinha passado todas as verificações

exigidas pelos regulamentos e o seu estado técnico era “normal e estável” durante a descolagem, de acordo com declarações de um representante da China Eastern, citadas pela imprensa local.

Dia de luto

O incidente de segunda-feira passada pôs fim a uma série de quase 12 anos sem acidentes aéreos graves na China, cujas autoridades anunciaram uma investigação de duas semanas “para garantir a segurança absoluta” nas operações do sector. Como dita a tradição chinesa, sete dias após um falecimento muitos cidadãos juntaram-se num dia de luto pelas vítimas do acidente no domingo, incluindo numa cerimónia com três minutos de silêncio no lugar onde decorrem as buscas. O Presidente chinês, Xi Jinping, também se juntou ao luto pela queda do aparelho e prestou homenagem às vítimas.

ELO segundo ano consecutivo, Macau tem apenas um restaurante entre os 50 melhores asiáticos, numa lista liderada por estabelecimentos japoneses, de acordo com a classificação “Os 50 Melhores Restaurantes da Ásia”, anunciada ontem. À semelhança do ano passado, o «Wing Lei Palace”, localizado no hotel-casino Wynn Palace, na ilha da Taipa, foi o único restaurante de Macau presente no ‘ranking’, alcançando a 47.ª posição, numa subida de três lugares em relação à edição anterior. Já há dois anos, o “Sichuan Moon”, também naquele casino da operadora Wynn, juntava-se à lista. “Dirigido pelo chefe Tam Kwok Fung, uma das principais autoridades da cozinha requintada cantonesa, o ‘Wing Lei Palace’ é um estudo de temperos, pureza e sabores”, notou a organização da 10.ª edição dos prémios, numa cerimónia ‘online’, acompanhada com eventos em Macau, Tóquio e Banguecoque. Na lista alargada aos cem melhores restaurantes asiáticos encontram-se outros três estabelecimentos da região administrativa especial: “Golden Flower” (84.º), no Wynn Macau; “Jade Dragon” (89.º), no Hotel Parisian; e o “The Eight” (97.º), no hotel-casino Grand Lisboa. Entre as regiões e países asiáticos, o Japão foi o vencedor desta edição, com 11 restaurantes entre os 50 melhores do continente, seguindo-se a Tailândia, com nove, Singapura, com sete, e Hong Kong, com seis. “Den”, em Tóquio, no Japão, ficou na primeira posição, destronando o vencedor do ano passado, “The Chairman”, de Hong Kong, que nesta edição de 2022 passou para quinto lugar. A lista dos 50 melhores restaurantes da Ásia foi lançada pela primeira vez em 2013 “para celebrar a gastronomia na região e fornecer aos clientes de todo o mundo informações locais e recomendações culinárias”, segundo uma apresentação que se pode ler no portal da organização do evento.


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Hoje Macau 30 MARÇO 2022 #4979 by Jornal Hoje Macau - Issuu