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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
GONÇALO LOBO PINHEIRO
ESCOLA PORTUGUESA
˜ VOTACAO ADIADA ´
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MOP$10
QUARTA-FEIRA 30 DE NOVEMBRO DE 2016 • ANO XVI • Nº 3707
hojemacau
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
h PÁGINA 7
Fidel e a China Cheira a tinta JULIE O’YANG
JOÃO PAULO COUTRIM
LAG 2017
Bem-amado Secretário PÁGINA 4
JOSÉ LUÍS SALES MARQUES
Conselho` da ˜ renovacao Reeleito para liderar o Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses por mais três anos, Sales Marques diz que há muito trabalho a fazer e que a renovação é fundamental. ENTREVISTA
CHINA
Aperto de contas PÁGINA 12
SHEE WA
O HOMEM E OS ESPÍRITOS
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EVENTOS
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JOSÉ LUÍS SALES MARQUES PRESIDENTE DO CONSELHO PERMANENTE DO CONSELHO DAS COMUNIDADES MACAENSES
São mais três anos a liderar o Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses, um mandato renovado esta semana. José Luís Sales Marques defende que as Casas de Macau têm de começar a pensar no futuro. É ainda necessária uma nova abordagem às estruturas da diáspora, para que possam ser projectos sustentados
“A ligação [às Casas de Macau] não tem de ser necessariamente de passaporte ou apenas de família – pode ser, na minha opinião, uma ligação afectiva.”
“Há muito trabalho pela frente” Tem mais um mandato pela frente, depois das eleições desta semana que aconteceram durante o Encontro das Comunidades Macaenses. O que poderão ser os próximos três anos à frente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses? Espero que os próximos três anos sejam de algum avanço relativamente ao que estamos a fazer, e de alguma consolidação também do Conselho das Comunidades Macaenses e do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelas Casas de Macau. É claro que, quando falo em consolidação, não quero com isto dizer uma paragem no tempo porque, de facto, para mim consolidar significa andar para a frente. Todos nós temos muito trabalho pela frente. Ainda somos organizações com alguma fragilidade, que resultam de realidades que temos de enfrentar. O grupo tradicional que constitui as casas de Macau é um grupo com uma idade avançada. Por exemplo, este ano, a Casa de Macau em Lisboa celebrou 50 anos. O Club Lusitano de Hong Kong vai celebrar 150 anos de existência a 17 de Dezembro deste ano. É preciso que haja então uma renovação dos membros. A renovação dos membros é fundamental e é importante também uma certa abertura. Por exemplo, em relação ao Club Lusitano de Hong Kong, tive oportunidade de ouvir a história pela parte dos seus dirigentes: tem vindo a renovar-se, o que é muito importante. Renova-se a partir de uma maior abertura e flexibilidade naquilo que os dirigentes consideram ser os possíveis sócios do Club Lusitano. Algumas casas optam por critérios que passam por uma relação talvez um pouco restrita no que diz respeito a Macau, outras têm associado a isso a questão da
“Os programas é que precisam de ser capazes de atrair a participação de gente mais jovem.” nacionalidade portuguesa. Há várias situações, todas elas diferentes, há vários critérios, mas penso que, fundamentalmente, a questão mais importante é a autenticidade na ligação a Macau. Agora, essa ligação não tem de ser necessariamente de passaporte ou apenas de família – pode ser, na minha opinião, uma ligação afectiva. Com isto quero dizer que, provavelmente, se formos explorar os diversos caminhos da renovação há outras possibilidades não só de atrair mais gente jovem, como de ser um projecto sustentado. As casas – e o próprio Conselho das Comunidades Macaenses – vivem sempre com uma certa penúria de fundos. O Conselho das Comunidades funciona sem quota dos seus associados, obviamente, porque os associados são organizações que, depois, têm de viver com os seus próprios fundos. Se houver um maior número de sócios, haverá formas de procurar melhorar a situação operacional das casas – para isso é preciso algum dinheiro, são necessárias outras condições, é preciso também muitas ideias. Há aqui muito trabalho a fazer, é preciso olhar para o futuro, procurar os meios para garantir a sustentabilidade destas organizações. Em que outros aspectos é que poderá haver renovação? A renovação tem de ser física, desde já, com elementos mais jovens. Isso já está a acontecer nalgumas casas, no que diz respeito
SOFIA MOTA
ENTREVISTA
a novos sócios, mas terá de ser feito também ao nível das próprias direcções. As equipas dirigentes vão ter de procurar integrar elementos jovens. Haverá um período de transição, mas isso será sempre inevitável. Corre-se o risco de algumas casas de Macau poderem conhecer, em breve, um vazio ao nível das direcções? Não necessariamente. Mas todos nós temos de nos preparar para o futuro. Ninguém é eterno. Deve ser uma questão de projecto: as casas devem ter como objectivo a sua própria renovação, que é fundamental. Em Macau, temos visto a Associação de Jovens Macaenses, que é uma coisa boa; outras casas terão outros esquemas de integração de jovens. Fundamentalmente, os programas é que precisam de ser capazes de atrair a participação de gente mais jovem. Muitas vezes, são programas muito tradicionais, ligados aos aspectos mais óbvios da cultura macaense – a gastronomia, algumas celebrações e tradições. Deve haver uma variedade de programas quer ao nível cultural – que é onde as casas se sentem mais à vontade e que seria a sua vocação inicial –, quer noutros programas que podem até vir a ter alguma componente económica. As casas são uma rede de nódulos, cada casa é um nódulo, e as casas são constituídas por pessoas, nalguns sítios particularmente, com muito boas ligações com a sociedade. Se calhar, há oportunidades que podem ser criadas. Dou um exemplo: uma casa do Canadá, que costuma vir à Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla inglesa), sugeriu que se pensasse na possibilidade de mais casas participarem na MIF ou noutros eventos do género aqui no território. No fundo, é a vontade de alargar o âmbito de actividade para as questões económicas.
Em que medida é que o Conselho Permanente pode ajudar a desenvolver novos programas? O Conselho tem de ter um papel mais activo na coordenação e na troca de informações. É uma ne-
“Este mandato vem com uma mensagem clara:é necessário melhorar a intercomunicação entre as casas.”
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cessidade e espero poder cumprir isso. Este mandato vem com uma mensagem clara: é necessário melhorar a intercomunicação entre as casas e o conselho terá esse papel, até para a partilha de experiências e a identificação de oportunidades para projectos unificadores, em que a maior parte das casas possam estar envolvidas. Não é necessário que sejam todas mas, pelo menos, uma parte delas. É um pouco aquela ideia da União Europeia, da cooperação reforçada. Não é preciso que toda a gente ande no mesmo caminho, mas se houver um grupo com interesse para o fazer, deve ser apoiado. Esse é um papel do Conselho das Comunidades. Outro é procurar servir de
elo de ligação com as autoridades de Macau, particularmente com a Fundação Macau (FM). Em várias oportunidades, tivemos conversas com a FM que se mostra disponível, mas quer também alguma segurança de que efectivamente aquilo que está a apoiar tem que ver com os objectivos e com os projectos do Conselho das Comunidades. Portanto, o Conselho pode e deve ter esse papel de facilitação junto das autoridades locais – quem diz a FM, que é o parceiro mais óbvio, poderia dizer outros departamentos, como o Instituto Cultural e o Turismo. Falou-se muito – e já não é a primeira vez que acontece – que as casas de Macau poderiam ser úteis
“Muitas das Casas de Macau têm sedes em edifícios que podem ser usados para exposições e apresentações [do Turismo]. Seria uma sinergia interessante.” para a divulgação do turismo do território, por razões várias. Muitas delas têm sedes em edifícios que podem ser usados para exposições
e apresentações. Seria uma sinergia interessante. A Casa de Macau em Lisboa, por exemplo, tem umas boas instalações; o mesmo acontece em São Paulo. Estamos na semana do Encontro das Comunidades Macaenses. Como é que está a correr a edição deste ano? Tem corrido muito bem. Obviamente, há sempre surpresas, umas mais agradáveis, outras menos, porque as pessoas estão habituadas a uma certa ideia de Macau e a cidade que hoje se apresenta é diferente. Essa é a primeira reacção – uma reacção de uma certa estranheza mas, como se diz, primeiro estranha-se e depois
entranha-se. No essencial, está a correr bem. O que queremos é que, independentemente daquilo que seria a sua percepção anterior à chegada, com esta vinda seja proporcionada às pessoas uma oportunidade para conhecerem melhor a Macau do presente e do futuro próximo. Há pessoas que não vinham cá há muitos anos. Algumas sim. Há pessoas que não vinham cá há 40 anos – é muito tempo. Outras têm vindo com mais frequência, mas basta não vir a Macau um ano ou seis meses para parecer diferente. Isabel Castro
isabelcorreiadecastro@gmail.com
4 POLÍTICA
hoje macau quarta-feira 30.11.2016
JOGO O FANTASMA DO CASO DORE
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Governo admitiu ontem na Assembleia Legislativa que a concessão de créditos no âmbito das salas VIP dos casinos continua a ser o maior problema do sector do jogo. “Quando falamos do crédito concedido por junkets não está reconhecido pela legislação local. É um problema
que não se resolve apenas em Macau, e Paulo Chan [director dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos] admitiu que não é de fácil resolução. Este é o principal problema que enfrentamos na indústria do jogo, tal como cárcere privado e usura. Como podemos melhorar as acções de combate?
Isso tem de ser mais bem estudado”, afirmou Wong Sio Chak, Secretário para a Segurança. A questão tinha sido levantada pelo deputado Gabriel Tong, que quis saber mais informações sobre o combate ao branqueamento de capitais. Wong Sio Chak lembrou a revisão do diploma datado
de 2006, que já está no hemiciclo para ser votada e analisada. “Estamos a rever a legislação neste momen-
to. Este é um trabalho que deve ser visto de forma geral. O Gabinete de Informação Financeira recolhe as informações e trabalha em conjunto com a Polícia Judiciária e com o Ministério Público.”Ainda assim, o governante não avançou dados recentes sobre o número de casos de lavagem de dinheiro. A.S.S.
LAG 2017 WONG SIO CHAK EXORTADO A AGIR NO CASO PEARL HORIZON
O Secretário comandante
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No segundo dia de debate das Linhas de Acção Governativa na área da Segurança, os elogios a Wong Sio Chak foram tantos que até culminaram num pedido feito por Zheng Anting: que o Secretário interceda em prol de uma revisão da Lei de Terras, por ser um dirigente “com capacidades” TIAGO ALCÂNTARA
ALTA debater apenas as Linhas de Acção Governativa (LAG) de duas tutelas, mas quase que se pode concluir que Wong Sio Chak, Secretário para a Segurança, tem sido o dirigente mais elogiado por parte dos deputados da Assembleia Legislativa (AL) no processo de discussão do relatório. Pelo segundo dia consecutivo, os elogios foram feitos de forma directa, tendo culminado num pedido em prol dos proprietários do Pearl Horizon, de resto um assunto abordado em quase todos os debates. “Peço ao Secretário para ter uma reunião com os restantes Secretários, incluindo Lau Si Io (ex-Secretário para os Transportes e Obras Públicas) e deputados para estudar o princípio legislativo da Lei de Terras”, reiterou ontem ZhengAnting no hemiciclo. “Peço que interceda junto de directores de serviços e do antigo Secretário para revermos a situação. O Secretário é uma pessoa com capacidades, e mesmo que o terreno seja reavido isso não impede que possa investigar”, defendeu o número dois de Mak Soi Kun. Wong Sio Chak disse pouco ou nada poder fazer neste momento. “Não podemos encontrar uma solução para já e até o Chefe do Executivo já falou sobre o assunto. Disse que não devemos agir de forma insensível aos proprietários do Pearl Horizon. Tenho capacidade mas isso não quer dizer que tenha o poder. Todos estão cá, todos podem fazer, porque é que eu tenho de fazer? É uma questão de lógica, e eu acho que não tem lógica”, acrescentou o Secretário para a Segurança.
Wong Sio Chak disse ainda que, no último protesto dos compradores de fracções do Pearl Horizon, chegou a haver agressões contra um agente da autoridade. “Os manifestantes do dia 20 de Outubro espancaram um dos nossos efectivos, mas não fizemos nada.” Ainda assim, “não vamos usar a força e sabemos que esta é a única forma que têm para se manifestar”, frisou Wong Sio Chak. “Temos de ter pena da sua situação, mas neste momento de-
“Tenho capacidade, mas isso não quer dizer que tenha o poder. Todos estão cá, todos podem fazer, porque é que eu tenho de fazer?” WONG SIO CHAK SECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA
corre uma acção judicial. Temos pena desses proprietários.”
UMA QUESTÃO DE DIPLOMACIA
Também a deputada Song Pek Kei elogiou o trabalho do Secretário, tendo até deixado no ar a ideia de que Wong Sio Chak tem vindo a ser considerado um meio estratégico para atingir objectivos. “A população tem elogiado os trabalhos desenvolvidos pelos seus colegas, por isso é que têm pedido ao Secretário para servir de diplomata. Mas quando reúne as condições e competências, após assumir as funções, tem de se empenhar para adquirir os conhecimentos que faltam.” Nesse sentido, Song Pek Kei alertou para a necessidade de apostar na formação dos polícias. “Nas LAG da sua área afirma que vai ter em conta os riscos, por isso vai ser uma das prioridades. Parece que há uma ideia geral de que tudo tem que ver com a polícia: a Uber, as pensões ilegais, a aplicação da lei da violência doméstica. Se isso é verdade ou não, a pressão não deve ser pouca. É preciso que os polícias tenham conhecimentos, até de Direito”, rematou a número três da bancada de Chan Meng Kam. Durante o debate, Wong Sio Chak deixou ainda claro que a transparência é o seu objectivo. “Tentamos sempre elaborar novos planos para fazer face às transformações. Mesmo quando estava na Polícia Judiciária [foi director] envidava esforços para trabalhar e ultrapassar os obstáculos. Já me perguntaram por que venho várias vezes à AL falar das leis. Apenas queremos ser mais transparentes e este é o único método”, concluiu. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
GOVERNO AFASTA PATRULHAMENTO COM HELICÓPTEROS
O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, afastou ontem a possibilidade de o Corpo de Bombeiros vir a realizar patrulhamento com recurso a helicópteros, proposta feita pelo deputado José Pereira Coutinho. “Temos de ter a cooperação com as autoridades de Hong Kong e da China para prestar apoio no salvamento, mas até agora não houve necessidade disso. Temos de saber que é elevada a manutenção de um helicóptero. Quando compramos um carro temos de ter em conta a sua manutenção. Do ponto de vista económico e financeiro temos de ver essas considerações”, defendeu o governante.
TRÁFICO DE PESSOAS EUA FIZERAM “AVALIAÇÃO ERRADA”
O Governo considera que os Estados Unidos têm vindo a fazer uma “avaliação errada” nos seus mais recentes relatórios sobre o panorama do tráfico humano em Macau. “Obtivemos alguns resultados notórios no tráfico de pessoas, com a redução do número de casos. No ano passado tivemos quatro processos, três dos quais identificados pelo Ministério Público como sendo de tráfico de pessoas. Outro caso dizia respeito a suspeitas de lenocínio. Os EUA fazem, unilateralmente e todos os anos, relatórios sobre diferentes regiões e países. Macau adoptou uma série de medidas e os EUA fizeram uma avaliação errada”, disse no hemiciclo Cheong Ioc Ieng, chefe do gabinete do Secretário para a Segurança. Referiu ainda que a Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico de Pessoas, criada em 2007, tem vindo a realizar “diferentes trabalhos, com acções de formação aos agentes de segurança”.
QUASE 200 CASOS DE CASAMENTO FICTÍCIO PARA O MP
Leong Man Cheong, director da Polícia de Segurança Pública, confirmou ontem no hemiciclo que em dez meses foram detectados 204 casos de suspeitas de casamento fictício, tendo sido entregues ao Ministério Público um total de 187 casos. Foram autuadas 268 pessoas, sendo que apenas 32 casos foram arquivados pelas autoridades.
POSTO MÓVEL DA POLÍCIA TURÍSTICA CRIADO EM 2017
É já no próximo ano que será instalado o posto de controlo móvel da polícia turística, confirmou ontem Leong Man Cheong, comandante da PSP, no hemiciclo. Este posto será “especializado no tratamento de queixas, para que possamos elevar a nossa capacidade de resposta”. Os deputados ficaram ainda a saber as cores do equipamento da nova polícia, tendo sido escolhidas as cores azul escura e azul clara. As carrinhas terão cor branca. “A unidade de polícia turística vai ter uma actuação regular daqui por diante. Vamos ter um equipamento mais ligeiro e mais adequado à actividade, que vai ser alargada às ilhas, à Rua do Cunha e outras zonas da Taipa.”
5 POLÍTICA
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LAG 2017 GOVERNO NÃO REVELA NOVO ORÇAMENTO E CALENDÁRIO PARA PRISÃO
Dentro das grades
mil milhões de patacas e uma duração de 900 dias. No passado mês de Maio, o subempreiteiro da primeira fase acusou o Governo de falta de pagamento, referindo que o design da obra sofreu múltiplas alterações durante a construção.
TIAGO ALCÂNTARA
O andamento das obras do novo Estabelecimento Prisional de Macau foi ontem abordado na Assembleia Legislativa, mas Cheng Fong Meng, director dos Serviços Correccionais, não conseguiu avançar qual o novo orçamento do projecto e quando é que estará pronto
ESCOLA NA PRISÃO?
Em relação à actual prisão, até 31 de Dezembro o EPM registava uma ocupação de 82,1 por cento, num total de 1565 reclusos. “A nossa direcção vai continuar a acompanhar a situação dos reclusos e queremos aumentar o número de camas”, rematou Cheng Fong Meng.
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“Os atrasos estiveram relacionados com as condições geológicas do local e não se conseguiu articular com a instalação de grandes equipamentos.”
OUVEumaverbaavançada para as quatro fases do projecto”, referiu apenas Cheng Fong Meng, director dos Serviços Correccionais. “Vamos acelerar o trabalho para que o Estabelecimento Prisional de Macau possa ficar concluído o mais depressa possível”, acrescentou. As quatro fases de construção arrancaram há seis anos, mas a segunda fase só começou em Março deste ano. As razões foram apontadas por Cheng Fong Meng. “Os atrasos estiveram relacionados com as condições geológicas do local e não se conseguiu articular com a instalação de grandes equipamentos, além da falta de recursos humanos. Em 2001 houve vários tufões e as áreas adjacentes sofreram algumas obras.” Quanto à terceira fase do projecto, o Governo “está a proceder a alterações para depois fazer o concurso público”. A obra teve início em 2011 e a primeira fase ficou concluída apenas este ano, tendo custado 150 milhões de patacas. A segunda fase começou em Março com previsões de custos de
CHENG FONG MENG DIRECTOR DOS SERVIÇOS CORRECCIONAIS O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, deixou ainda no ar a possibilidade de as actuais instalações, em Coloane, poderem vir a albergar a escola das Forças de Segurança de Macau (FSM). A falta de espaço na actual instituição de ensino tem sido muito abordada. “As actuais instalações do EPM poderão ser destinadas à FSM, mas isso carece de um planeamento por parte do Governo. O essencial agora é criar um novo estabelecimento prisional.” Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
ILEGAIS SECRETÁRIO CONVIDA AU KAM SAN A APRESENTAR PROVAS
WONG SIO CHAK FUNCIONAMENTO DO INSTITUTO DE MENORES MELHOROU
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O primeiro dia de debate sobre as Linhas deAcção Governativa (LAG) sobre a sua tutela, Wong Sio Chak admitiu que poderiam existir fugas de informação antes da realização de rusgas nos estaleiros da construção civil. Ontem, no segundo dia, o Secretário para a Segurança exigiu provas ao deputado Au Kam San quando este voltou a abordar o assunto. “O que disse é grave, e se tem provas faça o favor de nos dizer, podemos encontrar-nos a qualquer momento. Se faz afirmações a dizer que não é possível encontrar casos ilícitos por encobrimento, está a denegrir as Forças de Segurança de Macau sem fundamento.” O deputado Vong Hin Fai garantiu que a maior parte das informações sobre imigrantes ilegais
chegam às autoridades através das queixas. “Há boatos sobre fuga de informação, mas acho que são meramente boatos, porque não nos podemos aproveitar disso para criticar o nosso Governo, caso contrário somos injustos. Quais as fontes para obterem essas informações? São as queixas dos que trabalham nos estaleiros. Não concordo com alguns dos meus colegas que disseram que os locais não se atrevem a participar e a apresentar queixa junto da polícia. Sei que vai tratar dessas queixas de maneira muito rigorosa.” Também Tsui Wai Kwan deixou um apelo: “Isso deve tratar-se de um rumor, e se tiver provas ou indícios que os apresente ao Governo”. A.S.S.
Secretário para a Segurança referiu ontem que foram registados bons resultados com a fusão da Direcção dos Serviços Correccionais com o Instituto de Menores (IM), medida adoptada há um ano. “Após a fusão desloquei-me ao local para saber o ponto de situação e as dificuldades. Foram accionados equipamentos e recursos para o IM, porque antes não estavam aperfeiçoados. Muitos recursos humanos tinham-se perdido, e tentámos colmatar [a falha].” Para
Wong Sio Chak, “o funcionamento do IM é bom, sem sobressaltos, e isso deve-se a uma cooperação mútua. O mais importante é aperfeiçoar alguns mecanismos e regimes para que os dois modelos possam funcionar de forma independente e autónoma.” A questão foi ontem levantada pelo deputado José Chui Sai Peng. “O IM e os serviços correccionais são duas vertentes completamente diferentes. Queria saber como estão as coisas após um ano de funcionamento.”
6 POLÍTICA
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STÁ concluída a análise em sede de especialidade do diploma que revê a chamada lei da droga. De acordo com a Rádio Macau, a Assembleia Legislativa (AL) arrasou a proposta do Governo, no parecer ontem assinado. Os deputados criticam o que dizem ser uma “postura do século passado” e vincam que há 50 anos que “não há em Macau uma pena de prisão tão elevada para o crime de consumo” de estupefacientes como aquela que é proposta pelo Executivo. A 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa está contra o que entende ser um “fortíssimo agravamento” das penas para consumo, por considerar que se volta a tratar o consumidor como um criminoso e não como uma vítima. O diploma prevê que quem consome estupefacientes pode ser punido com um ano de cadeia, uma pena quatro vezes superior à actual. Os deputados entendem ainda que a proposta está em “claríssimo contraciclo”, sem que as explicações do Governo tenham
1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) concluiu ontem a apreciação da proposta de Orçamento para 2017. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Kwan Tsui Hang, presidente da 1ª Comissão, disse que a proposta não gerou qualquer polémica, sendo que o parecer com as opiniões será elaborado o mais depressa possível, para que possa ser aprovada na especialidade já no próximo dia 16. Para Kwan, o orçamento do próximo ano é “prudente” e “tem como princípio a poupança”, prevendo-se um excedente de 5,56 mil milhões de patacas. Tendo em consideração a sucessiva conclusão de vários empreendimentos de grande escala na Cotai no próximo ano, o Governo pretende investir mais nas obras públicas para impulsionar o desenvolvimento económico. “O sector de construção vai ter um maior impacto no próximo ano, por isso, a montante das despesas das obras vai aumentar para impulsionar a economia. Achamos que o mais essencial
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GCS
Deputados contra penas pesadas no consumo de droga
Os deputados entendem que a proposta está em “claríssimo contraciclo” sido consideradas “plenamente satisfatórias”, sendo que apontam que os crimes de consumo estão a baixar e a tendência é a descriminalização do consumidor. Ainda de acordo com a emissora, o parecer permite perceber
que o Executivo não acatou várias sugestões deixadas pela AL, desde logo a criação de um regime de desintoxicação obrigatório. Os deputados pretendiam ainda que o abandono de seringas fosse considerado crime, nalguns casos, hipótese que também não acolhida pelo proponente. De igual modo, o Governo não vai aumentar as penas para os casos de tráfico transfronteiriço, fenómeno que tinha sido, de resto, utilizado para a revisão da lei.
A
TIAGO ALCÂNTARA
Lei do século passado
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA CONCLUÍDA ANÁLISE AO ORÇAMENTO DE 2017
é atribuir importância à taxa de execução das obras.” O rendimento previsto pelo Governo para o orçamento do próximo ano é de 102,94 mil milhões e as despesas são de 95,72 mil milhões, em que três mil milhões são para a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Há também 36 obras públicas cujos orçamentos ultrapassam os cem milhões de patacas.
7 ENTENA OBRAS EM EDIFÍCIO DANIFICADO PRONTAS ESTE ANO
SOCIEDADE
TIAGO ALCÂNTARA
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A
garantia é dada pelas Obras Públicas: as obras de reparação do edifício Wa Keong, na Rua da Entena, estão a decorrer dentro da normalidade e com a colaboração dos proprietários, pelo que os trabalhos ficarão concluídos até ao final do ano. O edifício Wa Keong ficou seriamente danificado depois de, no passado mês de Agosto, um autocarro de turismo ter batido no prédio. O proprietário da loja no rés-do-chão ficou com o estabelecimento destruído e o choque provocou danos na estrutura, com consequências para os residentes do edifício, que tiveram de sair do local e serem alojados pelo Instituto de Acção Social. O acidente fez ainda vários feridos, todos eles turistas da China Continental, e gerou um aceso debate sobre a circulação de autocarros de turismo na zona, entre as Ruínas de São Paulo e o Hospital Kiang Wu. Ontem, em comunicado à imprensa, as Obras Públicas lembram que as obras na Rua da Entena começaram a 26 de Setembro. Depois do acidente, recorda-se ainda na nota, foram tomadas medidas de urgência. A obra que está a ser feita consiste sobretudo “na remoção do pilar e da parede lateral em alvenaria e dos tijolo danificados, no rés-do-chão, a reconstrução de um novo pilar e de uma nova parede em betão armado e o restauro das partes danificadas” em várias zonas do edifício. As Obras Públicas garantem que “a resistência do novo pilar não será inferior à do existente antes da ocorrência” do acidente.
AMBROSE SO CONCLUÍDA CONCEPÇÃO DO PARQUE TEMÁTICO
O
director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Ambrose So, explicou ontem que a concepção do futuro parque temático da operadora já foi concluída. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o Lisboa Palace deverá ficar localizado ao lado do parque temático, sendo que Ambrose So defende que os dois empreendimentos poderão levar à criação de sinergias. “O parque temático já está na fase de planeamento e já está a ser implementado o plano de construção”, confirmou. Ambrose So referiu ainda que as obras do casino Jai Alai poderão ficar concluídas até ao final deste ano, sendo que ainda é necessário aguardar pela aprovação e atribuição da licença de operação junto do Governo. O director-executivo da SJM disse também esperar receitas do jogo na ordem dos 200 mil milhões de patacas este ano, defendendo um período de observação quanto a uma possível recuperação do sector.
EPM ELEIÇÕES IMPUGNADAS. ADIAMENTO PARA DIA 6
Votos foram ao ar Manuel Gouveia, candidato à presidência da associação de pais da Escola Portuguesa de Macau pela Lista B, resolveu impugnar as eleições por não ter tido acesso aos cadernos eleitorais. Dois membros abandonaram a lista. O novo acto eleitoral está agendado para a próxima terça-feira
A
INDA não foi desta que os pais escolheram o seu representante para a associação de pais da Escola Portuguesa de Macau (APEP). Manuel Gouveia, líder da Lista B, uma das duas candidatas ao acto eleitoral de ontem, resolveu pedir a anulação das eleições por não terem sido concedidos os cadernos eleitorais por parte da Lista A. O documento, enviado ao HM, deixa claro que Manuel Gouveia se mostrou incomodado com o facto de nunca ter recebido informações sobre os cadernos eleitorais e os associados com capacidade de voto. Nas suas palavras, tal situação “afigura-se insólita, incompreensível e inaceitável, em manifesta contravenção dos princípios da boa-fé e igualdade, que distorcem de forma irremediável o processo eleitoral em curso, eivando-o do vício da anulabilidade”. “O acto silente de todos e cada um dos órgãos da APEP é
significativo da postura dos respectivos membros em funções que primam pelo facto consumado”, lê-se ainda. “Não é essa a nossa maneira de estar e não podemos compactuar com este tipo de práticas que viciam de forma incontornável o acto eleitoral ao não dar a possibilidade
“O acto silente de todos e cada um dos órgãos da APEP é significativo da postura dos respectivos membros em funções que primam pelo facto consumado.” MANUEL GOUVEIA CANDIDATO PELA LISTA B
que a Lista A teve de contactar directamente aqueles a quem o mesmo se destina: os associados que constam do caderno eleitoral e do ficheiro de associados activo da APEP.”
MEMBROS SAÍRAM
As eleições começariam ontem às 18h, tendo tido uma grande adesão por parte dos encarregados de educação, soube o HM. Carlos Simões, membro da Lista A e presidente da mesa da assembleia-geral, acabaria por coordenar a votação do novo dia das eleições, tendo estas sido reagendadas para a próxima terça-feira, dia 6. O HM sabe ainda que dois elementos resolveram abandonar a Lista B por não se reverem nas palavras de Manuel Gouveia. Este terá assinado a sua presença e saído nas instalações da EPM, tendo cabido a outro membro da lista a tarefa de ler o documento que pedia a impugnação das eleições. Manuel Gouveia remeteu mais esclarecimentos para Carlos Simões, com o qual não foi possível chegar a contacto até ao fecho desta edição. Também não foi possível chegar à fala com Valéria Koob, candidata à presidência da APEP pela Lista A. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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hoje macau quarta-feira 30.11.2016
Aviso O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, doravante designado por IACM, publica, nos termos da alínea 2) do n.° 3 do artigo 11.° e do n.° 3 do artigo 13.° da Lei n.° 4/2016 “Lei de Protecção dos Animais”, o seguinte: De acordo com o n.° 3 do artigo 11.° da referida Lei, o dono, ao passear seu cão em espaços públicos ou em partes comuns de condomínios, deve conduzi-lo, munido da marca de identificação definida na licença, por uma trela ou transportá-lo em gaiola ou em outro meio adequado para o seu transporte. Além do mais, o cão que seja considerado perigoso pelo IACM, deve ser acompanhado por adulto, usar açaime ou coleira de cone e estar, ainda, sujeito aos meios de protecção adequados indicados pelo IACM na respectiva licença. Considerando que, por Despacho do Chefe do Executivo n.º 335/2016, de 11 de Outubro, é proibida a aquisição, criação, reprodução ou importação de certas raças de cães, o IACM declara que são considerados perigosos os cães a seguir discriminados: (1) Mastiff tibetano; (2) Cão de fila brasileiro e os seus híbridos; (3) Dogue argentino e os seus híbridos; (4) Pit bull terrier e os seus híbridos; (5) Tosa inu e os seus híbridos; (6) Cão que possua cadastro por lesões causadas a pessoas ou a animais, anotado na respectiva licença. Mais, o IACM define, nos termos do n.° 3 do artigo 13.° da Lei n.° 4/2016, as seguintes regras especiais para a criação dos animais proibidos pelo Despacho do Chefe do Executivo supracitado: O dono, ao passear qualquer cão das raças enunciadas no n.° 1 do Despacho do Chefe do Executivo n.º 335/2016, e que reúna os requisitos de criação estipulados no n.° 2 do mesmo Despacho, em espaços públicos ou em partes comuns de condomínios, além de cumprir as disposições da alínea 2) do n.° 3 do artigo 11.° da Lei n.° 4/2016, deve, ainda, conduzi-lo por uma trela de comprimento não superior a 1,5 metros. O presente aviso entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação. Aos 28 de Novembro de 2016.
O Presidente do Conselho de Administração José Tavares
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Anúncio Concurso Público para “Prestação de Serviço de Vigilância e Segurança das Instalações e Equipamentos da Responsabilidade da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes” 1. Entidade que procede o processo do concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). 2. Modalidade do concurso: concurso público. 3. Local da prestação de serviços: instalações da DSSOPT (edifício situado na Estrada de D. Maria II, n.º 33) e armazém do Edifício do Lago, situado na Estrada Coronel Nicolau de Mesquita, na Taipa. 4. Objecto da prestação de serviços: prestação de serviço de vigilância e segurança das instalações da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, adiante designada por DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, (12.º andar DINF, 13.º andar ao 21.º andar) e do armazém no Edifício do Lago 1.º andar A, em Taipa. 5. Período da prestação de serviços: de 1 de Abril de 2017 a 31 de Março de 2019 (24 meses). 6. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa do concurso. 7. Modo de retribuição ao adjudicatário: a prestação de serviço é por preço global. 8. Caução provisória: $ 80 000,00(oitenta mil patacas), a prestar por depósito em dinheiro ou mediante garantia bancária aprovada nos termos legais. 9. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação. 10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: Ser empresário comercial, pessoa singular, sociedade commercial ou consórcio que exerça a actividade de serviços de vigilância e segurança, quer na totalidade quer parcialmente, que comprove que reúne os requisitos para participar no concurso público, conforme previsto na Lei n.º 4/2007 (Lei da actividade de segurança privada) e no Regulamento Administrativo n.º 20/2007; 12. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, r/c; Data e hora limite: dia 3 de Janeiro de 2017, terça-feira, até às 12:00 horas. 13. Local, data e hora do acto público do concurso: Local: sala polivalente da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5.º andar. Data e hora: dia 4 de Janeiro de 2017, quarta-feira, pelas 9:30 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Local, hora e preço para exame e obtenção da cópia do processo: Local: Departamento Administrativo e Financeiro da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 13.º andar. Hora: horário de expediente. Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso ao preço de $50,00 (cinquenta patacas) por exemplar ou ainda mediante transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica da DSSOPT (http://www.dssopt. gov.mo). 15. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total: 50%. - Experiência na prestação de serviço de vigilância e segurança: 30%. - Curriculum Vitae da Empresa, plano de actividades, as medidas relativas à gestão interna e Curriculum Vitae da respectiva equipa: 20%. 16. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento Administrativo e Financeiro da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 13.º andar, Macau, a partir de 12 de Dezembro de 2016, inclusive, até à data limite para entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, 23 de Novembro de 2016. O Director dos Serviços Li Canfeng
9 hoje macau quarta-feira 30.11.2016
Foi ontem inaugurada a nova escola no âmbito do projecto “Obra de Céu Azul”, da Associação Geral das Mulheres de Macau. Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, disse que ainda há terrenos ocupados e já pensados para retirar as escolas dos pódios dos edifícios
Educação INAUGURADA ESCOLA DO PROJECTO “OBRA DE CÉU AZUL”
A primeira placa de Alexis
espaços ao ar livre para as escolas. Prevê-se que o projecto fique concluído daqui a 15 a 20 anos. O novo campus da Escola da Associação Geral das Mulheres já está operacional desde Setembro, podendo proporcionar mais de mil vagas para o ensino infantil e primário, sendo que neste momento possui cerca de 800 alunos.
A escola, fundada em 1955, localizava-se desde os anos 90 no edifício da Associação das Senhoras na Rua do Campo. Havia queixas sobre a falta de espaço para actividades ao ar livre, existindo limitações em termos de actividades curriculares e ambiente de aprendizagem. Tina Ho, presidente da direcção da escola, referiu que a escola já havia pedido um terreno
A biblioteca e o campo desportivo vão ser abertos ao público, para que seja alcançada a meta da “integração das escolas na comunidade” ao Governo em 2005. Só em 2011 foi aprovado o terreno na zona da Areia Preta para a construção do novo campus.
O edifício escolar, com doze pisos e dois pisos subterrâneos, está equipado com campo desportivo, bi-
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Associação Geral das Mulheres de Macau inaugurou ontem as novas instalações da sua escola na Areia Preta, tornando-se o primeiro estabelecimento de ensino a sair do pódio de um edifício e a integrar o projecto “Obra de Céu Azul”, uma ideia proposta pelo Governo no relatório das Linhas da Acção Governativa de 2016 e que visa proporcionar mais
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Hotel de Zaha Hadid foi baptizado ontem. Portas abrem em 2018
M dos últimos projectos da arquitecta Zaha Hadid, que morreu em Março, é em Macau e foi ontem baptizado: chama-se Morpheus e é o primeiro hotel ‘free form’ com um exosqueleto, ou seja, suportado pela estrutura exterior. O novo hotel da Melco Crown só vai abrir portas em 2018, mas pormenores do projecto foram ontem revelados, depois de, em 2014, a imagem do exterior da torre ter sido divulgada. “É uma peça muito transparente e porosa. Isto não poderia ter sido construído há dez anos, é muito
blioteca, salão e várias salas de aula multifuncionais. Tina Ho afirmou no seu discurso que a biblioteca e o campo desportivo vão ser abertos ao público, para que seja alcançada a meta da “integração das escolas na comunidade”. Terrenos ainda ocupados O projecto “Obra de Céu Azul” prevê a ajuda a curto prazo a mais três escolas, além da instituição de ensino da Associação Geral das Mulheres. Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, confirmou que será concedido um terreno à escola Hoi Fai na zona do Fai Chi Kei. O governante adiantou que há terrenos previstos para o projecto, mas que ainda estão ocupados, estando neste momento a decorrer negociações entre o Governo e os concessionários. “Os terrenos retirados pelo Governo, além de servirem para a construção de habitação pública, ainda vão ser utilizados para a construção das instalações escolares,” afirmou. Angela Ka (revisto por A.S.S.)
Morpheus é um exosqueleto no Cotai
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SOCIEDADE
difícil”, disse Patrik Schumacher, sucessor da primeira mulher vencedora do prémio Pritzker, considerado o Nobel da arquitectura, em 2004. Schumacher refere-se à estrutura particular de Morpheus – nome do deus dos sonhos, já que o hotel faz parte do complexo da Melco, City of Dreams –, que quase não tem colunas e é antes suportado por um esqueleto que envolve o edifício. As vigas de metal e cimento curvilíneas, assinatura de Hadid, conhecida como a ‘Rainha das Curvas’, cobrem a estrutura de vidro, criando um efeito de rede.
No centro do paralelepípedo há três buracos, aquilo a que os arquitectos chamam a zona “free form”, já que não obedecem a nenhuma forma geométrica. Lawrence Ho, presidente executivo da Melco Crown, uma das seis operadoras de jogo em Macau, sublinhou que o edifício, com um orçamento de mil milhões de dólares, é “extremamente difícil de construir”, mas que espera tornar-se “um novo ícone em Macau”. Os 39 andares já foram erguidos e, por fora, a estrutura já se assemelha ao projectado, mas por dentro o edifício futurista – que
será em grande parte composto por vidro, painéis de alumínio e uma “estética que faz lembrar cristais”, como definiu Schumacher – é ainda cimento e ferro. As duas torres serão ligadas por duas pontes, e entre as principais atracções estará uma ‘piscina infinita’ a 130 metros de altura, elevadores panorâmicos, além de lojas e restaurantes. O hotel inclui 780 quartos, além de ‘villas’. Os quartos estão localizados na zona geométrica das torres, mas aqueles que ficam nas pontas, perto da área ‘free form’ foram especialmente desenhados por Zaha Hadid e aproveitam o formato
“estranho” do espaço para oferecer uma experiência que os arquitectos prometem ser “muito especial”. A zona central, de onde se poderá ver, através do vidro, os buracos entre os edifícios, será para espaços comuns, como restaurantes e átrios. O Morpheus terá zona de jogo, no primeiro andar, mas não um casino próprio. Segundo Lawrence Ho, algumas mesas de jogo serão transferidas de outros casinos, e serão maioritariamente direccionadas para o sector VIP e Premium. Ho disse não saber ainda quantas mesas serão deslocadas para o hotel, mas garantiu que será “uma pequena área”.
10 EVENTOS
SHEE VA
“As comunidades não in
É apresentado hoje ao final da tarde o primeiro romance de Shee Va. Depois de um livro em que assumia a ideia de fazer a ponte entre Ocidente e Oriente, o médico recorre agora a outro género literário para descodificar, em português, uma realidade chinesa que não se vê Como é que surgiu a ideia de escrever um livro de ficção? É uma ideia que vem de há muito tempo. Os espíritos acompanham-nos e estes, à moda chinesa, acompanham-me desde criança, porque ouvi falar deles pela primeira vez – ainda por cima, a povoar Macau – por um amigo de infância. Nessa altura eu vivia em Moçambique, esse rapaz chegou de Macau e contava as histórias todas sobre os espíritos e fantasmas que habitavam as casas antigas de Macau, de modo que isso fez o meu imaginário. Entretanto, quando aqui cheguei, em 2012, conheci um médium, que me contava histórias. Foi a partir do imaginário de infância e das histórias do mestre que resolvi escrever este livro. São crenças e superstições do povo chinês. Vem na linha daquilo que pretendo transmitir com os livros: dar a conhecer ao mundo lusófono – porque escrevo em português – a cultura chinesa. No meu primeiro livro, “Uma Ponte para a China”, tinha mesmo essa intenção. Neste caso, optou por um romance para fazer passar a mensagem. Sim, e há ainda a minha faceta de médico. O espírito deste livro é o de uma criança que morreu com uma doença genética. Cinco anos depois, os pais decidem refazer a vida e terem outro filho. Procuram ajuda junto da medicina ocidental e dos espíritos, porque a mãe da criança sentiu um espectro na altura em que o filho faleceu. Guardou o segredo durante cinco anos, nunca contou nada ao marido, mas quando decidem refazer a vida revelou que viu esse espírito, pelo que quer descobrir quem é.
Macau tem uma sociedade extremamente pragmática, consumista. É uma cidade que não pára. A vivência espiritual encontra espaço aqui? Sempre. Os espíritos fazem parte da cultura chinesa, tanto que existem duas festividades chinesas relacionadas com os antepassados: uma no quarto mês lunar e outra no nono. O culto dos mortos é muito importante para os chineses. Uma das coisas que este mestre que conheci me disse – e que está também na base do livro – foi que se eu quisesse conhecer o futuro dos meus filhos poderia consultar um médium, que através da condução dos antepassados se pode prever a vida futura. Ou seja, há uma ideia na cultura chinesa de que os entes falecidos, que moram no firmamento, são espíritos bons que conduzem a nossa vida. Por isso é que, na cultura chinesa, é prestado culto a esses antepassados, para que nos protejam. Isto existe muito mesmo nesta população que é citadina e não tem que ver com o facto de haver muitos imigrantes que vêm de zonas rurais. Faz parte da educação, faz parte da cultura chinesa. Tendo vivido grande parte da vida no Ocidente – primeiro em Moçambique, depois em Portugal, com algumas passagens por Macau –, mas tendo um contexto familiar chinês, sente que está numa posição privilegiada para desdobrar este tipo de códigos culturais? Julgo que sim. Por poder fazer essa ponte é que pretendo fazer isso, mesmo que seja através de um romance. Consigo interpretar aquilo que os chineses sentem e transmitir ao mundo ocidental. Na apresentação que Beatriz [Basto da Silva] fez em Lisboa deste livro, achou interessante ter, pela primeira vez, uma pessoa chinesa a falar destes aspectos, porque normalmente os chineses são muito fechados, não se revelam muito. Eu, provavelmente sendo um aculturado, consigo revelar algumas coisas que os outros eventualmente não revelariam. Acho que posso ser essa ponte que liga o mundo ocidental ao mundo oriental. Como é que lida com o facto de ter influência de tantas culturas diferentes? A minha cultura é ocidental e a forma de pensar será ocidental. Mas não posso deixar de ter as raízes chinesas e elas chamam. Esta forma de revelar as coisas é talvez um chamamento. Tenho a necessidade de aprender – porque para mim também é uma aprendizagem – com a cultura chinesa e verificar que tem aspectos
HOJE MACAU
AUTOR DE “ESPÍRITOS”
“Há uma ideia na cultura chinesa de que os entes falecidos, que moram no firmamento, são espíritos bons que conduzem a nossa vida.”
interessantes, mesmo que sejam no oculto. Por exemplo, há aspectos da medicina tradicional chinesa que são interessantes. Enquanto médico, devo compreendê-los. Outros, provavelmente, nunca chegarei a compreender, porque são conceitos fora do parâmetro ocidental. Quando se pergunta se a medicina ocidental se poderá ligar à oriental, penso que há aspectos em que sim. Em relação à cultura, penso o mesmo. Vivendo eu com um sentir ocidental, também sinto algumas coisas da cultura chi-
“Tem muito interesse quando se lida com uma cultura diferente poder compreendê-la. Talvez seja isso que quero transmitir.”
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nteragem”
DEPOIS DE LISBOA, MACAU
O
livro de Shee Va, “Espíritos”, é apresentado hoje, às 18h30, na Fundação Rui Cunha, depois de ter sido lançado em Lisboa, no Fórum do Livro de Macau. À semelhança do que aconteceu na capital portuguesa, a sessão de hoje conta com a apresentação da historiadora Beatriz Basto da Silva. A obra é editada pela Livros do Oriente. As receitas da venda revertem integralmente para a Associação Amigos do Livro em Macau.
UMA SEMANA, DOIS LIVROS
“E
spíritos” não é o único livro da autoria de Shee Va a ser apresentado esta semana em Macau. Amanhã, ao final da tarde, também na Fundação Rui Cunha, o médico lança uma obra sobre ópera: trata-se do primeiro tomo de dois acerca das óperas que fizeram parte dos cartazes do Festival Internacional de Música ao longo dos seus 30 anos de existência. O primeiro volume aborda as óperas até 1999. O lançamento do livro encerra a última sessão do ciclo “Conversas ilustradas com música”, sob o tema “Os sete pecados mortais na ópera”. O último pecado abordado é a ira, com a “Elektra” de Richard Strauss. A sessão começa às 18h30.
viver fechadas. Uma coisa que sinto em Macau é que foi durante muito tempo – e hoje em dia também – um sítio multicultural, mas em que as comunidades não interagem. Para mim, isso é mau – podia ganhar-se muito mais com a comunicação.
nesa. Este sentir poderá ser raiz ou é genético? Isso não sei explicar. Este livro é também a procura da vida além da morte – podemos ir buscar as explicações conforme as religiões ou conforme as culturas. Talvez esta seja a minha pesquisa para o lado oriental. Acho que tem muito interesse quando se lida com uma cultura diferente poder compreendê-la. Talvez seja isso que quero transmitir. Portugal, neste momento, tem muitos chineses, o mundo inteiro tem muitos chineses. As populações não podem
É médico, é amante de música clássica e faz estas incursões pelo mundo das letras. Como é que funciona o exercício da escrita? É um hobby, tenho um prazer enorme em escrever. O trabalho é enorme, o trabalho de médico é stressante, talvez isto seja uma maneira de fugir ao stress. Para mim, o acto de escrever é muito individual, preciso de estar muito isolado para poder escrever e reflectir. É uma necessidade – é como se formasse um jardim meu e, quando estou a escrever, estou sozinho. Normalmente aproveito para escrever de madrugada, porque já descansei o suficiente: quando acordo tenho a cabeça e as ideias arrumadas. Poder-se-á dizer que o exercício da escrita é um escape, mas também é um prazer. Isabel Castro
isabelcorreiadecastro@gmail.com
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EVENTOS
12 CHINA
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ÓBITO / FIDEL XI JINPING ASSINA LIVRO DE CONDOLÊNCIAS NA EMBAIXADA DE CUBA
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CONTROLO DE INVESTIMENTOS ALÉM-FRONTEIRAS REFORÇADO
Aperto ao capital
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China vai tornar mais restrito o controlo sobre os investimentos de empresas do país além-fronteiras, segundo informações difundidas pelo Governo e imprensa, face ao rápido aumento da fuga de capitais registada nos últimos anos. As autoridades vão “combinar a facilitação do investimento no estrangeiro com a protecção face aos riscos dos investimentos”, refere em comunicado a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o organismo máximo chinês encarregado da planificação económica. Entre as medidas destaca-se a “proibição da maioria dos negócios acima dos 10.000 milhões de dólares” e “bloqueio de investimentos superiores a 1.000 milhões de dólares em sectores não relacionados com as actividades da respectiva empresa”, detalha a agência Bloomberg. Os grupos estatais passam também a estar proibidos de gastar mais de 1.000 milhões de dólares em propriedades além-fronteiras, acrescenta a agência, detalhando que as regras estarão vigentes até Setembro de 2017.
O investimento chinês além-fronteiras superou, em 2015, pela primeira vez, o valor investido por outros países na China, ao atingir os 145.000 milhões de dólares, um valor que representa um crescimento homólogo de 18%. Em Portugal, por exemplo, o país asiático tornou-se, nos últimos anos, um dos principais investidores, comprando participações importantes nas áreas da energia, dos seguros, da saúde e da banca. Os investidores chineses correspondem também a 74% dos vistos ‘gold’ emitidos desde a criação do programa, em Outubro de 2012. As restrições surgem depois de Pequim ter encorajado as empresas do país a investir além-fronteiras, como forma de assegurarem fontes confiáveis de retornos e adquirirem tecnologia avançada.
Entretanto, o aumento da fuga de capitais disparou, suscitando preocupações face à desvalorização do yuan, a moeda chinesa, que bateu no nível mais baixo comparativamente ao dólar, em mais de oito anos. A agência de ‘rating’ Fitch estima a fuga de capitais do país asiático, entre o início de 2015 e meados deste ano, em um bilião de dólares.
DESIGUALDADES
As empresas da União Europeia e Estados unidos queixam-se também pelo que consideram um “tratamento” desigual dado ao investimento no país. “Para os chineses, a Europa é um ‘buffet’ variado, onde tudo decorre com facilidade, enquanto [na China], para nós, são quatro pratos e uma sopa”, afirmou em setembro passa-
Entre as medidas destaca-se a “proibição da maioria dos negócios acima dos 10.000 milhões de dólares” e “bloqueio de investimentos superiores a 1.000 milhões de dólares em sectores não relacionados com as actividades da respectiva empresa.”
do Jorg Wuttke, o presidente da Câmara do Comércio da União Europeia (UE). Wuttke referia-se às restrições impostas por Pequim ao investimento externo no país, em áreas como telecomunicações, média, energia ou serviços financeiros e jurídicos. O investimento chinês além-fronteiras - muitas vezes financiado com recurso a crédito barato cedido por bancos estatais - terá levado Pequim a questionar também a viabilidade de alguns activos. Em Setembro passado, um representante do ministério do Comércio chinês afirmou que “algumas empresas fizeram aquisições além-fronteiras sem pensar”. “Descobrimos que algumas empresas não fizeram suficiente pesquisa sobre elementos básicos como os objectivos e a necessidade dessas operações”, disse. “Algumas firmas procuram desenfreadamente expandir-se, enquanto outras são guiadas por motivos irracionais, como apenas seguir a tendência ou o desejo de ostentar”, acrescentou. Em editorial, o jornal oficial China Daily afirmou ontem que as regras são dirigidas à “fuga de capital disfarçada de investimento”. O jornal diz que o investimento chinês fora do país é um “desenvolvimento natural”, mas ressalva que, num período de incerteza, os riscos inerentes aos investimentos podem ameaçar a estabilidade financeira.
Presidente da China, Xi Jinping, esteve ontem na embaixada de Cuba em Pequim, onde assinou o livro de condolências pela morte do histórico líder cubano Fidel Castro, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Xi descreveu Castro como “brilhante líder do povo cubano” e “grande amigo do povo chinês”. “O camarada Fidel Castro é o arquitecto do socialismo cubano, que deixou uma profunda marca na luta pela libertação nacional de Cuba”, escreveu Xi. A deslocação de líderes chineses a representações diplomáticas em Pequim, para este tipo de homenagem, é rara. Apenas a morte do ex-líder norte-coreano Kim Jong-il, em 2011, mereceu tal distinção, com o então Presidente chinês Hu Jintao a visitar a embaixada da Coreia do Norte. Xi afirmou que a sua visita serviu para “mostrar que o povo da China apoia Cuba”, revelando estar confiante de que “sob a liderança do Presidente Raúl Castro, o Partido Comunista de Cuba e o povo cubano alcançarão novos feitos pela causa nacional”. O vice-Presidente chinês, Li Yuanchao, representará a China, como “enviado especial” de Xi, nas cerimónias fúnebres marcadas para o próximo domingo, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
PLANO DE 34 MIL MILHÕES DE EUROS PARA CRIAR “MEGA METRÓPOLE”
A
China aprovou a expansão das ligações ferroviárias entre Pequim, Tianjin e a província de Hebei, num plano avaliado em 247 mil milhões de yuan, visando criar uma “mega metrópole”. O projecto consiste em nove linhas ferroviárias, com uma extensão combinada de 1.100 quilómetros, detalhou a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (NDRC), o organismo máximo chinês encarregado da planificação económica. A construção deve estar concluída até 2020. O projecto faz parte de um plano do Governo chinês para criar um centro urbano com cerca de 212 mil quilómetros quadrados - mais do dobro do território de Portugal continental - e 110 milhões de habitantes. Pequim, a cidade portuária de Tianjin e a província de Hebei, que confina com ambas, seriam assim incorporadas numa mega metrópole designada Jing-Jin-Ji. O objectivo é resolver o problema de sobrelotação da capital chinesa e criar um pólo económico que possa competir com Xangai e Guangdong,. O plano inclui ainda a construção de uma rede de auto-estradas e a expansão da rede de metropolitano de Pequim, que já é uma das mais extensas do mundo, com 18 linhas com quase 600 quilómetros - a distância de Lisboa ao Porto.
13 hoje macau quarta-feira 30.11.2016
A
cooperação entre a China e a ONU é “absolutamente essencial”, perante um “mundo perigoso”, disse ontem em Pequim António Guterres, destacando o papel que o país asiático pode desempenhar na diplomacia para a paz. O próximo secretário-geral da ONU falava em conferência de imprensa, após reunir-se com o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi. “Vivemos num mundo perigoso. Assistimos à multiplicação de novos conflitos e velhos conflitos que nunca morrem”, disse António Guterres. O antigo primeiro-ministro de Portugal lembrou que “cada vez mais pessoas sofrem”, devido às “mudanças climáticas, crescimento da população, insegurança alimentar e escassez de água”. E apontou que as desigualdades se estão a tornar “um importante factor de instabilidade no mundo”, que “o progresso económico e tecnológico não conseguiu reduzir”. “Estamos perante problemas globais, que exigem soluções globais, para as quais necessitamos de mecanismos de governação de natureza multilateral”, disse. Guterres sublinhou que “a China é hoje um pilar sólido do multilateralismo no mundo” e que pode ser um “mediador justo muito importante, tentando unir partes que estão envolvidas em conflitos”. PUB
Ligações vitais
Cooperação entre a China e ONU é “absolutamente essencial”, diz Guterres
“A China é hoje um dos maiores financiadores da ONU e das suas acções. Ao mesmo tempo, está a dar um contributo muito importante para as nossas missões de manutenção da paz e para mais iniciativas que serão anunciadas em breve.” ANTÓNIO GUTERRES
CHINA
“Isto torna a cooperação entre a China e a ONU absolutamente essencial”, realçou.
PAZ À PEQUIM
António Guterres enalteceu a “importante contribuição” do país asiático para a organização que dirigirá a partir do próximo ano. “A China é hoje um dos maiores financiadores da ONU e das suas acções. Ao mesmo tempo, está a dar um contributo muito importante para as nossas missões de manutenção da paz e para mais iniciativas que serão anunciadas em breve”, disse. E lembrou que Pequim desenvolveu “novas formas de cooperação internacional, como a iniciativa ‘uma faixa, uma rota’”, contribuindo para o sucesso das acções da ONU no mundo. Wang Yi, por seu lado, apontou que o “papel das Nações Unidas só pode ser fortalecido, e não debilitado”. “Vivemos num mundo caótico (...) Enfrentamos desafios globais. Nenhum país pode superar esses desafios sozinho”, lembrou. António Guterres vai assumir o lugar de secretário-geral das Nações Unidas, por um período de cinco anos, a partir de 01 de Janeiro de 2017. A deslocação a Pequim segue-se a uma visita a Moscovo, onde Guterres se reuniu com o Presidente russo, Vladimir Putin, parte de um périplo pelas cinco capitais dos países-membros permanentes do Conselho da Segurança da ONU.
h ARTES, LETRAS E IDEIAS
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WANG CHONG
王充
OS DISCURSOS PONDERADOS DE WANG CHONG
A ideia de que dragões de terracota poderiam provocar a chuva.
O exame dos livros – 4
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S Novos Discursos são da autoria de Lu Jia [NT – Dinastia Han]. Terão, ao que parece, exercido grande influência sobre Dong Zhongshu. Lu Jia e Dong Zhongshu abordam ambos os méritos e falhas de soberanos e ministros no processo de governação. As suas ideias são justas, praticáveis, dignas de elogio e de atenção; são obras de talentos imensos, que podemos colocar ao nível dos Clássicos e seus comentários e não ficam atrás das obras dos grandes sábios da Antiguidade. Mas, enquanto que a obra de Lu Jia é sem defeito, certas ideias de Dong Zhongshu, como aquela segundo a qual os sacrifícios para fazer chover teriam um efeito sobre o Céu, ou a ideia de que dragões de terracota poderiam provocar a chuva, são no mínimo difíceis de compreender. Será que uma seca resulta do esquecimento dos sacrifícios para fazer chover, tal como a doença do marquês de Jin se terá devido à negligência dos sacrifícios devidos aos Xia? Ou será, ao invés, devida a um desregulamento político que determina uma desordem do yin e do yang? O país de Jin tinha abandonado os sacrifícios aos Xia e o marquês de Jin adoeceu. Seguiu-se então o conselho de Zhichan de Zheng, que recomendou o retomar dos sacrifícios, tendo o marquês recuperado da sua doença. Se a questão
tivesse sido o abandono dos sacrifícios, como no caso do marquês, poderíamos acreditar na eficácia de tais práticas. Mas se a causa da seca for um desregulamento político, então, a reacção deve consistir de reformas políticas. Qual a utilidade desses sacrifícios e dragões se é a política que causa a seca? Segundo o comentário de Gongyang Gao aos Anais: “nos períodos de yang excessivo, é necessário mudar a política”. Quando o yin e o yang estão em desordem, sucedem-se secas e dilúvios, pois assim o quer a ordem das coisas: para que servem então, num tal contexto, sacrifícios e dragões de terracota? Será o fito dos sacrifícios fazer regozijar os espíritos? Porém, se o soberano não se emendar uma vez regressada a chuva, também a seca regressará: que ordem se pode esperar restabelecer com tais sacrifícios? Calor e frio excessivos, tal como a seca e as inundações, são o resultado de uma má política: os responsáveis são os homens. Por que razão, só se pede socorro no caso de uma seca, e não quando faz um calor ou frio excessivo? E não se deviam organizar, para retribuir o regresso de calor e frio normais, sacrifícios análogos àqueles que se realizam para fazer chover? Que as pessoas inteligentes e cultas mantenham sempre as suas dúvidas a respeito destas duas crenças... Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho
Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論 衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.
15 hoje macau quarta-feira 30.11.2016
na ordem do dia 热风
Julie O’yang
Fidel Castro e a complexidade da relação com a China 卡斯特罗: “不到长城非好汉”
F
IDEL Castro morreu a 25 de Novembro de 2016, com 90 anos de idade. O Presidente da China, Xi Jinping, leu uma mensagem na abertura do noticiário da noite da CCTV: “O povo chinês acaba de perder um companheiro bom e leal. O Camarada Fidel viverá para sempre.” Em Janeiro de 1959 Fidel Castro, à frente da Revolução Cubana, derrubou o regime pró-americano de Batista e estabeleceu um governo revolucionário. Foi o início de uma era política que durou mais de 50 anos. O relacionamento entre a China e Cuba desenvolveu-se rapidamente desde os acordos criados em 1960, e Cuba tornou-se o primeiro país latino-americano a ter relações diplomáticas com a China. Durante o seu longo mandato Fidel teve contactos com várias gerações de líderes chineses.
EM RETROSPECTIVA:
A 2 de Setembro de 1960 Cuba proclamou a primeira Declaração de Havana. Fidel Castro reiterava o estabelecimento das relações diplomáticas com a República Popular da China. No entanto, a “profunda amizade” não se viria a concretizar e, até à morte de Mao em 1976, os dois países socialistas mantiveram-se distantes devido à ligação fechada de Cuba com a União Soviética, a “rival” da China nos anos 60. Em Novembro de 1993, quando Jiang Zemin visitou Cuba, Fidel preparou-lhe uma cerimónia muito especial e condecorou-o com a Medalha Jose Marti, a maior homenagem que o Governo cubano pode prestar a um estadista estrangeiro. A seguir à queda da União Soviética, no início dos anos 90, Cuba ficou “órfã” e a China disponibilizou-se para apoiar Fidel
1 de Dezembro de 1995. Fidel sobe à Grande Muralha da China
incondicionalmente. Nos primeiros anos da década de 90, Cuba importou 500.000 bicicletas da China. Mais tarde a China ajudou a construir várias fábricas de bicicletas na Pátria de Fidel. Nos anos que se seguiram as bicicletas tornaram-se o principal meio de transporte em Cuba. A 29 de Novembro de 1995 Fidel chegava a Pequim e foi recebido de forma muito calorosa no aeroporto. No dia seguinte, Jiang Zemin homenageou-o com uma cerimónia de boas vindas na capital. Beberam champanhe e assinaram um acordo de colaboração entre os dois governos. A 1 de Dezembro de 1995 Fidel subiu à Grande Muralha. Na altura declarou que tinha sentido pela primeira vez que “Ninguém pode ser um herói sem ter visto a Grande Muralha”, um trecho de um poema de Mao Tsé Tung. Na sua auto-biografia Fidel defendeu que Mao teria de ser lembrado como um dos maiores políticos, estrategas e líderes militares de sempre. Em 2003, com 80 anos de idade, Fidel voltou a visitar a China fazendo-se acompanhar desta vez pelo filho e pelo neto. Foram recebidos por Jiang Zemin no Grande Salão do Povo. Este gesto ajudou a incrementar a colaboração de longa data entre os dois regimes e “agradou profundamente” ao velho líder cubano. A 21 de Julho de 2014, Xi Jinping chegou a Havana para iniciar uma visita oficial a Cuba. Os dois chefes de estado tinham-se conhecido em 2011, quando Xi visitou Cuba noutra ocasião. No final desta vista de estado, Xi enviou parabéns antecipados a Fidel. No passado dia 25 de Setembro Li Keqiang visitou Castro e mantiveram uma longa conversa.
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hoje macau quarta-feira 30.11.2016
diário de um editor
João Paulo Cotrim
O leitor cheira a tinta EL CORTE INGLÉS, LISBOA, 21 NOVEMBRO Momentos há em que temos de suspender a incredulidade, que o mesmo é dizer, acreditar. Parece ficção, uma sala de cinema com 242 pessoas em fim de tarde chuvoso para ouvir António Mega Ferreira em belíssima dissertação, de quase duas horas, em torno de Cervantes e do seu Quixote, apenas interrompida por tosse esparsa e as fulgurantes leituras de Pedro Lamares. Acredite-se, então, que os ouvintes serão leitores. Aqueles que Mega coloca no centro do jogo. «O texto é de uma generosa abertura ao mundo e ao leitor, e, por isso, preserva uma margem de indeterminação (o não-dito, o indizível, o possível, o imaginável), que é o traço inaugural da narrativa moderna. Veja-se, por exemplo, o capítulo 20 da primeira parte, em que, através de um engenhoso diálogo entre D. Quixote e Sancho, se levantam questões de técnica narrativa (a suspensão e continuidade da narração, a descrição exaustiva e o poder da elipse narrativa) que hão de estar no centro da estética romanesca ocidental nos séculos seguintes. Mais: ao abrir essa margem de indefinição, Dom Quixote não dispensa a participação de quem lê para fazer valer a sua verdade, que é feita de todas as verdades que lá queiramos encontrar. Ao mesmo tempo que se inventa como romancista, Miguel de Cervantes inventa um novo tipo de leitor, o que assume o papel de cúmplice do autor, destinatário e avalista da narrativa improvável.» HORTA SECA, LISBOA, 22 NOVEMBRO A chegada de um livro abafa o resto. As urgências malditas, a inadiável pressão, o absurdo imediato, nada importa quando o cheiro a tinta nos exige febrilmente o objecto entre os olhos e as mãos. «A Minha Casa Não Tem Dentro», do António Jorge Gonçalves, veio para parar o tempo. Duas ou três linhas a abrir, negro tipográfico sobre branco, anunciam que o autor morreu e regressou à vida, em «acontecimento que atravessou espaço e tempo separando e unindo em simultâneo». Queria colocar a banda desenhada, que pela primeira vez edito, na Arranha-céus, chancela que vejo também como casa de imagens, onde está já a fotografia. Em decisão de última hora, optei pela abysmo, tal o enigma que «A Minha Casa …» contém. Mais do que narrativa, parece-me um poema gráfico, no lugar dos
de José Manuel Simões, um dos do Café Gelo, que os lessem sem os entronizarem, sem os sacralizarem, sem os imitar a destempo, aos da sua geração e a ele, que se «limitaram» a incarnar uma ética a partir do acto de recusa, de múltiplas recusas, caiu que nem tromba-d’água. E chovia mesmo. Na noite que Simões traduzia assim: «Do chão onde ontem enterrei / a noite irrompe como um garfo, / noite de hoje que eu não conheço / e todavia já / noite velha que sei de cor.»
versos imagens fortíssimas, duras, mas sobretudo oníricas, de sonho e pesadelo, que mergulham raízes no grande oceano do imaginário, dos mitos fundadores, das representações da morte, da infância, do desenho e da música, enfim, da criação. Vejo uma mão, a do cuidado e da ameaça, a que se ergue da ruína e a que faz sombra, a mão do lápis. E vejo uma menina, uma Alice que descobre, por detrás de uma cortina de sangue, o peso da mão, uma cidade que se monta e o grande circo do espectáculo. Há anjos caídos no tecto. O trabalho sobre a cor faz dela outro protagonista. O desconcertante conjunto vai explodir ou, muito provavelmente, ser ignorado, como as nuvens no céu e
na contracapa. Desafios assim têm a sua exigência e os dias não estão para isso, para que nos deixemos ficar comovidos a olhar para as nuvens. A capa, sem mais que um miúdo desenhando, não é macia, dá-se sem verniz nem plastificação, mas o miolo, tal a quantidade de tinta, ganhou um acetinado, uma segunda pele. Gosto de pensar os livros como segunda pele. BAR IRREAL, LISBOA, 23 NOVEMBRO Nesta altura em que tanto sumo-sacerdote incensa nuns e vigia noutros uma suposta pureza poético-moral, ouvir o Helder Macedo pedir como quem exige, a meio de caóticas leituras da poesia
“A chegada de um livro abafa o resto. As urgências malditas, a inadiável pressão, o absurdo imediato, nada importa quando o cheiro a tinta nos exige febrilmente o objecto entre os olhos e as mãos.”
CALDAS DA RAINHA, 25 NOVEMBRO Passo demasiado tempo à mesa, dizem-me. E logo os olhares comentam a barriga. Talvez passe demasiado tempo à mesa. Contudo, raras são as vezes em que me limito aos prazeres da dita. Não me sento para comer, entro em campo. Os gestores de topo jogam golfe. Os políticos da mediania vão ao futebol. A sociedade frequenta o ténis. Eu jogo-me à mesa. Quantos projectos acontecem de garfo na mão? Quanto de amizade estiquei, ou encolhi, já agora, de copo na mão? Não me interessa muito fazer essas e as outras contas. Mede-se demasiado nesta vida. Um editor deve cultivar a desmedida. Venha daí outra dose de lingueirão da «Casa Antero», em Caldas da Rainha, capital do meu oeste, para molhar o extraordinário pão com a Luísa, a Graça e o João. Ou de polvo à lagareiro com batatas a murro do «Cruzeiro», regado com Meandro, para saborear com o Carlos e o Jacinto. Nasceram ideias, talvez tenham morrido outras. Tenho por certo que uma refeição nos dá mais do que vida. E por aqui, onde desfearam paisagem e arquitectura, sabem prová-lo com a beleza do humor ao servirem-nos, à laia de ponto final, um pequeno falo de chocolate. BAR IRREAL, LISBOA, 25 NOVEMBRO A cidade estava toda iluminada, mas de concertos num evento musical com nome de marca e mediatizado à náusea. Na exacta lonjura do centro, os «Não Simão» concertavam «reflexos de aventura». A ausência de palco permitiu estar em intimidades lado a lado com a bateria e a sentir na nuca cada nota dos sopros. A inteligência das composições, com a sinuosa variação de ritmos desfez a noite em puro gozo. E não teve nada a ver com a inclusão de um abat-jour no percurso da precursão.
17 hoje macau quarta-feira 30.11.2016
Exmos. Sr. Director do Jornal Hoje Macau, Relativamente à notícia publicada na edição de hoje (29 de Novembro de 2016) vem a Direcção da APEP, em funções, solicitar, ao abrigo do direito de resposta, a publicação nesse jornal dos seguintes esclarecimentos: 1. A Drª Valéria Koob é candidata pela Lista A ao cargo de Presidente da Direcção da APEP, não tendo quaisquer funções na Direcção cujo mandato ora termina e não podendo, como é óbvio, prestar quaisquer esclarecimentos sobre o processo eleitoral em curso - e muito menos “(...) explicar a ausência de informações cedidas à Lista B (...)” [sic]. 2. Os ficheiros dos associados da APEP que contêm a informação pessoal dos mesmos, estão protegidos nos termos da lei e não foram partilhados nem disponibilizados a qualquer uma das listas concorrentes às eleições marcadas para esta tarde, pelas 18:00 horas. 3. A actual Direcção da APEP, a solicitação de membros da Lista B, parti-
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DIREITO DE RESPOSTA
lhou por todos os associados da APEP a composição de ambas as listas e os respectivos programas ou manifestos eleitorais de modo que também se refuta, como inapropriada e sem fundamento, a alegação de “grave ofensa ao princípio da boa fé e da igualdade”. 4. Sendo necessário acrescentar que, naturalmente, alguns membros da Lista A estão envolvidos nas actividades da APEP há vários anos e conhecem profundamente a Associação, mas não existe qualquer mecanismo que permita o seu internamento compulsivo num campo de trabalhos forçados até à conclusão do acto eleitoral. 5. A Direcção da APEP deixa ainda uma nota de absoluto repúdio pela forma como alguns dos candidatos tem conduzido a respectiva campanha, com repetidas acusações feitas de forma leviana e sem fundamento, com o sistemático recurso aos media para tentar influenciar o sentido das eleições e , sobretudo, com uma retórica inflamada de ataque à EPM. Fernando Silva Presidente da APEP
18 (F)UTILIDADES TEMPO
MUITO
hoje macau quarta-feira 30.11.2016
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO “MEMÓRIAS DO TEMPO – MACAU E A LUSOFONIA” Arquivo de Macau (Até 4/12)
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NUBLADO
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HUM
55-80%
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EXPOSIÇÃO “BELIEVE IN ART” IFT Café (Até 5/12) EXPOSIÇÃO “UM AMANHÃ MELHOR” Edifício do Antigo Tribunal (Até 7/12) EXPOSIÇÃO CONJUNTA DE PINTURA DE WANG LAN E GU YUE
O CARTOON STEPH
EXPOSIÇÃO “TRINTA E TRÊS ANOS NA RÁDIO – DO LOCUTOR LEONG SONG FONG Academia Jao Tsung-I (até 02/2017)
PROBLEMA 131
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 130
C I N E M A
UM DISCO HOJE
SUDOKU
DE
Museu de Arte de Macau (até 01/2017)
Cineteatro
1.15
A CIDADE MUTANTE
Armazém do Boi (Até 4/12)
ESCULTURA “LIGAÇÃO COM ÁGUA” DE YANG XIAOHUA
YUAN
AQUI HÁ GATO
EXPOSIÇÃO “URBAN HIKES”
Fundação Rui Cunha (Até 8/12)
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Espero ansioso que a noite caia e possa finalmente dar algum descanso às minhas orelhas que não param de se agitar durante o dia. A manhã nasce submersa numa parafernália de ruídos que crescem à medida que o sol se impõe. Carros, autocarros, berbequins, buzinas, bate-estacas...o concerto da cidade repete-se invariavelmente dia após dia, faça frio ou calor, faça sol ou faça chuva. Imagino que vivo dentro de um monstro que não pára de rugir mal disposto, infeliz. Macau vive em constante mutação. O oculista dá lugar à loja de bolos, o cabeleireiro transforma-se numa florista, o restaurante num banco. Os passeios voltam a ser esventrados, as estradas a ser asfaltadas, as paredes rebocadas. A maquilhagem da cidade refaz-se diariamente num frenesim ruidoso e poeirento. Aqui pela redacção as coisas pouco mudam. O barulho das teclas é sempre o mesmo, as queixas dos jornalistas também. Lamentam as respostas que nada dizem, os discursos que se repetem ou as promessas sempre adiadas. A noite cai, a redacção vai-se esvaziando...lá fora a cidade parece querer descansar. Será que consegue? Pu Yi
PARA TODO O MAL | MESA (2008)
A música portuguesa contemporânea está bem e recomenda-se, e a prova disso é este disco dos Mesa, intitulado “Para todo o mal”. É certo que foi lançado há algum tempo e que, pelo meio, já o dueto mudou de vocalista, tendo Rita Reis substituído a voz de Mónica Ferraz. Ainda assim, é um disco a não perder, pela qualidade das letras e das composições no seu todo. Destaque para a “Estrela Carente”, com uma ponta de rock, a balada “Boca do Mundo” e a típica canção pop “Quando as palavras”. SHUT IN SALA 1
SHUT IN [C] Filme de: Farren Blackburn Com: Charlie Heaton, Naomi Watts, Jacob Tremblay 14.15, 18.00, 21.45
YOUR NAME [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Makoto Shinkai 16.00, 19.45
SALA 3
SHOW ME YOUR LOVE [B] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Ryon Lee Com: Nina Paw, Raymond Wong, Ivana Wong, Michelle Wai 14.30, 16.30, 21.30
SALA 2
FANTASTIC BEASTS & WHERE TO FIND THEM [B] [3D]
Filme de: David Yates Com: Katherine Waterston, Dan Fogler,
Filme de: David Yates Com: Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Ezra Miller 19.00
FANTASTIC BEASTS & WHERE TO FIND THEM [B]
Andreia Sofia Silva
Alison Sudol, Ezra Miller 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
www. hojemacau. com.mo
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Angela Ka; Andreia Sofia Silva; Sofia Mota Colaboradores António Cabrita; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
19 ÓCIOSNEGÓCIOS
hoje macau quarta-feira 30.11.2016
LE PETIT CHEF ANDREEA APOSTOL, FUNDADORA
“As crianças gostam de cozinhar” Deve ter gostado do meu trabalho, daí ter-me convidado para ser professora de culinária na ‘Le Petit Chef’.” Na página oficial do projecto pode ver-se que as crianças aprendem a fazer de tudo um pouco, desde pequenos queques a sanduíches ou até pratos mais elaborados. No final de um minicurso de cinco dias, a família é convidada a provar tudo aquilo que os seus rebentos prepararam. “Na última classe os nossos pequenos chefes mostram aos pais tudo o que aprenderam na escola de cozinha e preparam os pratos para eles. Terminamos uma sessão para os mais pequenos sobre fruta, enquanto os pré-adolescentes aprenderam a fazer pequenos-almoços saudáveis.”
LE PETIT CHEF
A funcionar numa creche, na Taipa, a “Le Petit Chef” pretende ensinar os mais novos a fazer comida a sério, e a preparar doces e refeições para toda a família. Há muito que Andreea Apostol desejava estabelecer o projecto em Macau, algo que só foi possível em parceria com outro estabelecimento de ensino
“Ensinar as crianças a cozinhar é uma poderosa experiência de aprendizagem e aprender a cozinhar pode ser muito divertido.”
N
UMA época em que cada mais se consome comida rápida mas, ao mesmo tempo, se tenta combater o consumo de açúcar em excesso, Andreea Apostol decidiu apostar em algo inovador. Oriunda da Roménia, a chef de cozinha investiu num negócio próprio: ensina os mais pequenos a cozinhar refeições leves, saudáveis e divertidas. A “Le Petit Chef” funciona na creche Ze Ai e tem actualmente 15 alunos, divididos por turmas que vão, no máximo, até aos 12 anos de idade. Ainda assim, esta escola de culinária está aberta a todas as idades. “Esta escola não é apenas para crianças. Se tivermos adolescentes ou adultos interessados nas nossas aulas também iremos organizar aulas para eles”, contou ao HM Andreea Apostol. A mentora da escola de cozinha em ponto pequeno conta como tudo começou. “Uma escola de cozinha não é uma ideia nova para mim. Há alguns anos no meu país, a Roménia, tive este tipo de negócio, um clube para crianças que oferecia muitas actividades. Disponibilizávamos aulas de culinária.” A ideia deste negócio passa também pela mudança de hábitos e promoção de uma melhor forma de comer. “As crianças gostam de cozinhar, porque estamos numa fase de criação de chefs, porque é altura de ignorarmos a comida rápida, porque é bom para toda a gente ter o mínimo de conhecimento sobre cozinha. Eu própria gosto de cozinhar, sou chef de cozinha, gosto de crianças e penso que essa é a
combinação perfeita para formar uma escola.”
O PROBLEMA DA RENDA
Apesar de o projecto estar há muito na sua cabeça, Andreea Apostol não o pôde concretizar de imediato. “Os problemas com as rendas nunca deixaram o meu sonho concretizar-se. Até que um dia recebi uma mensagem de Ellen Ho, gestora da creche Ze Ai, que me perguntou se estava interessada em colaborar com ela na criação de uma escola de culinária. Viu o meu trabalho no Facebook e ela própria tem um negócio de confecção de bolos em casa, intitulado ‘Macau Sweet Ideas’.
Para Andreea Apostol, aprender a cozinhar está longe de ser uma tarefa aborrecida ou antiquada. “As crianças gostam de fazer actividades de adultos, e cozinhar é uma delas. Ensinar as crianças a cozinhar é uma poderosa experiência de aprendizagem e aprender a cozinhar pode ser muito divertido. As crianças vão aprender tudo o que implica a preparação de refeições, vão aprender que a comida simplesmente não acontece do nada”, conclui. A funcionar na Rua Cidade de Braga, a “Le Petit Chef” funciona apenas aos sábados entre as 9h e as 18h, a pensar numa oferta diferenciada para a ocupação dos tempos livres dos mais novos. A escola começa agora a mostrar o seu trabalho junto da comunidade, já que, este sábado, vão ser vendidas bolachas de gengibre feitas pelos mais novos no primeiro Mercado de Natal realizado no Albergue SCM. Todos os lucros irão reverter para acções de caridade. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
LE PETIT CHEF • Rua Cidade de Braga no. 490 Aberta aos sábados, das 9h às 18h