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Hoje Macau 30 OUT 2015 #3444

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Director carlos morais josé

isabel castro andré ritchie

autocarros

Motoristas em fim de carreira

página 6

opiniões de...

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

s e x ta - f e i r a 3 0 d e o u t u b r o d e 2 0 1 5 • A N O X v • N º 3 4 4 4

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O fim dos Song do Sul

Litania. Oásis da monotonia

josé simões morais

anabela canas

à conversa com antónio conceição júnior

hojemacau

Kristina Mar

O barro e o sopro Páginas 14-15

funcione sem as devidas licenças. Perante a situação, o Governo diz haver poucas hipóteses de legalizar o serviço tendo já multado a companhia. Esta, recorrendo a agências de viagem para actuar, diz haver muitos mal entendidos nesta questão.

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reportagem

família

à espera dos filhos maiores política

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A polémica está lançada. De um lado, os residentes que se queixam das dificuldades em apanhar um táxi e que, apesar do preço mais elevado, preferem o serviço da Uber acima de todos. Do outro, os taxistas que rejeitam que a operadora privada

Agência Comercial Pico • 28721006

Uber ala!

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transportes taxistas rejeitam concorrência. residentes querem alternativa

Ter para ler


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reportagem

A operar no território há cerca de uma semana, o serviço da Uber já está a gerar polémica, à semelhança do que tem acontecido em todos os países onde a app funciona. Em Macau, os taxistas nem querem ouvir falar de um serviço que consideram ilegal. Quem já experimentou gostou, mas queixa-se dos preços elevados

hoje macau sexta-feira 30.10.2015

Taxistas rejeitam Uber. Residentes aprovam, apesar do preço

“Mesmo que seja ilegal,

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Governo diz que é ilegal, os taxistas temem uma concorrência que também acusam de ser ilegal. Só os residentes parecem satisfeitos: finalmente têm acesso a um meio de transporte à distância de uma aplicação de telemóvel, nos momentos em que não conseguem apanhar um táxi, ainda que o preço esteja longe de ser o ideal. Dou Lam, de 30 anos, experimentou a Uber no início desta semana. “Eram nove horas da noite, o meu bebé de um ano estava com febre e queríamos apanhar um táxi para o hospital Kiang Wu. Moro na zona norte e durante meia hora não consegui apanhar nenhum. Assim que procurei a Uber, o condutor chegou ao fim de dez minutos e até me ajudou a colocar a cadeira do bebé. Foi muito simpático”, contou ao HM. Dou Lam elogia a chegada da Uber, por ser um serviço que pode ser usado por mulheres grávidas ou idosos, quando

os taxistas se recusam a transportar estes passageiros. Contudo, destaca o elevado preço, bem acima das tarifas cobradas pelos táxis. Já Íris Chan (nome fictício) é residente em Macau, mas vive em Zhuhai. Na passada quarta-feira, teve de voltar a casa num ápice, tendo chamado a Uber para o transporte entre a Doca dos Pescadores e as Portas do Cerco. Pagou 70 patacas. “Foi um pouco caro mas vale a pena, porque o transporte é muito

“Se os cidadãos de Macau conseguissem apanhar um táxi facilmente, a Uber não teria optado por operar aqui”, Íris Chan (Nome fictício), utilizadora da Uber

Parcerias com agências de viagens, multas e mal entendidos

confortável e seguro, o condutor até saiu do carro para me abrir a porta. Mesmo que seja ilegal, apoio o serviço. Se os cidadãos de Macau conseguissem apanhar um táxi facilmente, a Uber não teria optado por operar aqui”, disse Íris Chan. Inês Dias apenas conhece a experiência da irmã com a Uber, que usou a aplicação num momento em que precisava desesperadamente de transporte. “O senhor era muito simpático, falava um Inglês impecável e ela teve direito a uma garrafa de água no fim. Mas de facto chegaram mais tarde do que era suposto. Ela usou o serviço e usaria de novo, mas é bastante mais caro do que os táxis normais”, contou ao HM. Inês Dias não duvida: num território onde as deslocações são cada vez mais difíceis, a Uber torna-se numa opção a seguir. “Não ando muito de táxi, mas se tivesse alguma aflição, e foi o caso

“Ficámos surpreendidos com a polícia” P arapoder operar no território, a Uber recorreu a agências de viagens, cujo serviço de transporte está legalizado e reconhecido pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Ontem, a Polícia de Segurança Pública (PSP), juntamente com a DST e os Serviços de Tráfego (DSAT), anunciaram três multadas passadas a carros de “transporte ilegal através de chamadas ao serviço ‘pedir transporte’ de aplicações móveis”. Em comunicado enviado ao HM, Harold Li, porta-voz da Uber para Macau, rejeita as acusações. “Devido ao facto de estarmos a trabalhar com as mesmas agências de viagens e condutores que têm vindo a providenciar transporte aos residentes de Macau e visitantes, bem como aos hotéis e casinos, e uma vez que há disposições legais claras para esses serviços, ficamos surpreendidos e desapontados pela forma como a polícia tem tentado evitar que os condutores providenciem este tipo de serviços. Vamos continuar a trabalhar com conselheiros legais para resolver o que consideramos ser um mal entendido.”

Balanço positivo

O balanço de quase duas semanas de operações é positivo. “A

Uber mantém-se com agências de viagens como parceiras e vamos continuar a trabalhar com elas para providenciar percursos seguros e de confiança para as pessoas de Macau. Estamos estupefactos pela quantidade tremenda de respostas positivas que temos recebido do público de Macau desde o lançamento e vamos continuar a trabalhar arduamente para responder às suas necessidades de transporte”, apontou. Chon, trabalhador numa agência de viagens, é condutor da Uber há uma semana e confirma a cooperação entre a Uber e as agências de viagens. “A agência pode ser vista como a empreiteira do serviço da Uber, porque fornece os automóveis e condutores. Mas agora há carência de condutores, a Uber tem apenas quatro automóveis e da nossa parte só há três. Vou precisar de ir conduzir para a Uber dez horas por dia a partir da próxima segunda-feira”, frisou. Recusando as acusações feitas pela polícia e Governo, Chon explica que os serviços são pagos cara a cara e que os condutores são recrutados pela agência. “A

forma é igual à que é utilizada no transporte dos clientes para os hotéis. Só que agora há mais uma aplicação que pode ser usada pelos cidadãos”, defendeu. Manuel Wu, dono da agência de viagens Macau Explorer, considera que a chegada da Uber a Macau pode ter efeitos positivos. “Pode melhorar o serviço de transportes públicos, porque traz uma competição positiva”, disse o responsável, pedindo ao Executivo que legalize o serviço. “As leis de Macau devem avançar de acordo com o tempo e o mercado. Não se devem apenas permitir rádio-táxis mas também se deve considerar introduzir o modelo da Uber. Os actuais contratos dos transportes públicos são sempre atrasados e uma cópia [uns dos outros]. O Executivo precisa de pensar mais no ângulo dos candidatos e dos concessionários”, disse Manuel Wu. Contudo, o responsável defende que “é preciso regulamentar o preço, os condutores e os automóveis. Caso não pertençam a agências de viagens, são totalmente ilegais. O seguro é outro ponto importante”, remata. A.S.S./F.F.

“As tarifas cobradas pela Uber são transparentes e são anunciadas aos passageiros antes de começarem a sua viagem” Harold Li Porta-voz da Uber

dela, que não conseguia apanhar táxi, aí irei chamar a Uber. Não há táxis, chamamos o serviço e estamos à espera uns 15 minutos, por que não? Mas não seria uma coisa que iria usar sempre, porque parece-me bastante mais caro do que os táxis.” Em comunicado enviado ao HM, a Uber, através do seu porta-


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hoje macau sexta-feira 30.10.2015

“O Governo de Zhuhai combate os serviços de transporte da Uber e o de Macau também deve combater. O Governo já disse à população que é ilegal, e quando houver problema as pessoas não podem queixar-se ao Governo,devem assumir os seus próprios problemas”

-voz, Harold Li, assume que os preços são previamente anunciados aos passageiros. “As tarifas cobradas pela Uber são transparentes e são anunciadas aos passageiros antes de começarem a sua viagem, por forma a eliminar essas incertezas. Se os passageiros tiverem algum tipo de dúvida, o nosso serviço de apoio ao cliente está disponível.”

hoje macau

apoio o serviço” “Não queremos”

Tony Kuok Presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi

especiais de táxi e acredito que aí os cidadãos dão as boas-vindas. Mas usar o serviço sem a devida autorização pode dar origem a acusações. Se não acontecerem hoje, acontecem amanhã”, apontou Tony Kuok.

O presidente da Associação que representa o maior número de taxistas pede a atenção dos residentes para “não arriscarem” a pagar o serviço com cartão de crédito, sem a devida legalização. “O Governo de Zhuhai combate os serviços de transporte da Uber e o de Macau também deve combater. O Governo já disse à população que é ilegal, e quando houver problema as pessoas não podem queixar-se ao Governo, devem assumir os seus próprios problemas.” O HM falou com mais quatro taxistas. Ip, com mais de 50 anos de idade, não sabia que a Uber já estava a operar em Macau, considerando que o serviço não vai sobreviver. “Há muitos engarrafamentos e acho que [os condutores da Uber] não vão querer trabalhar neste ambiente. Mas esperamos que a Uber não ofereça este serviço ilegal, concordo que o Governo combata a [empresa].” Para Chan, taxista de cerca de 40 anos, o serviço de transporte privado pode afectar o negócio dos taxistas, mas não muito. “Se calhar os residentes de Macau não gostam de pedir transporte dessa forma, estão habituados a chamar táxis na rua.” A taxista concorda com a medida do Governo contra a Uber. “Em Hong Kong e no interior da China a Uber também é ilegal, esse serviço de transporte privado não deve afectar os serviços de transporte público. É tarde se o Governo só combater [o serviço] quando surgirem problemas. “A Uber vai prejudicar o nosso negócio, é uma competição”, disse Tse, taxista de 50 anos. “Os táxis são regulamentados pela lei, mas eles não. Os táxis amarelos não conseguem sobreviver, como é que

eles conseguem? Os táxis pretos têm também serviço de chamada via telefone, mas também não há sucesso, não conseguimos uma chamada por dia”, acrescentou. Chan é um taxista bem mais jovem, com 30 anos de idade, mas também ele rejeita a Uber. “Não há regulamentação suficiente para esse serviço porque parece que os automóveis podem transportar clientes à vontade e ganhar dinheiro. Essa aplicação quer legalizar o transporte ilegal.” Mas Chan não acredita que o serviço da Uber influencie largamente o negócio de taxistas. “Os utentes desse serviço podem ser apenas cidadãos de Macau, os turistas continuam a apanhar táxis na rua”, afirmou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

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ptou por não experimentar a Uber por ser presidente da Associação dos Passageiros de Táxi, mas Andrew Scott não deixa de olhar para o serviço com curiosidade. E avisa: a violência entre motoristas de táxi e da Uber pode acontecer, à semelhança do que aconteceu noutros países. “É muito possível. A indústria dos táxis em Macau está muito cimentada e há certos elementos do sector que já mostraram ter tendência para a violência: veja-se os casos no lobby do Venetian contra clientes, situações algo perigosas.” “Trazer competição ao mercado é bom, fazer o Governo olhar para o sector é bom. O conceito da aplicação é óptimo, já que permite às pessoas terem acesso ao transporte segundo uma solução do século XXI. O Governo tem de encarar a necessidade de aprovar a lei que já foi discutida bastantes vezes. Não diria criar leis para acomodar a Uber no mercado, mas o que o Governo deveria fazer era tentar melhorar o sector dos táxis em Macau, fazendo aprovar a nova lei”, apontou. Andrew Scott defende ainda a criação de parcerias público-privadas na atribuição das licenças de táxi. “O actual problema é que as tarifas são muito baixas para que haja um bom serviço, criam um mau serviço. E é por isso que eles procuram clientes, dizem que sem isso não conseguem sobreviver. As tarifas deviam aumentar para o dobro ou o triplo.” A.S.S./F.F.

Hipótese de legalização “não é grande”

O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, garantiu ontem que a hipótese de legalizar o serviço da Uber em Macau não é grande. “Mais de metade dos países do mundo não legalizaram o funcionamento da Uber, mas o Executivo vai considerar as opiniões da população e de diferentes sectores. Mas como é difícil regulamentar as tarifas, o que pode fazer com que o abuso das tarifas pelos taxistas se torne mais comum e racional.” gcs

Do lado de quem conduz um táxi diariamente, as reacções em relação à Uber são negativas. Tony Kuok, presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi, diz que a declaração do Governo sobre o factor ilegalidade faz todo o sentido, defendendo que o Executivo “não deve permitir a sua sobrevivência em Macau”. “Se a Uber quer ser legalizada, pode-se candidatar às licenças

Andrew Scott Violência pode acontecer


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política

hoje macau sexta-feira 30.10.2015

DICJ Paulo Chan novo director. Governo quer alguém “forte no Direito”

Guerreiro pronto para desafios De procurador a substituto de Manuel das Neves. Paulo Chan deverá ocupar o lugar do antigo director da DICJ, ainda que o Governo não tenha confirmado a nomeação

O

magistrado Paulo Martins Chan vai ser o substituto de Manuel das Neves na liderança da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), avançou ontem a TDM. O actual procurador-geral adjunto deverá subir ao cargo, mas o Governo diz estar ainda a escolher a pessoa. “O Governo está, actualmente, a proceder à escolha da pessoa adequada para o cargo”, começou por dizer Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças. “Caso não se consiga encontrar a pessoa certa até à data de cessação de funções do actual director, o subdirector Leong Man Ion exercerá as funções de director substituto, mas a passagem de pasta irá decorrer dentro da normalidade.” Manuel Joaquim das Neves deixa o cargo no dia 25 de Novembro, depois de ter pedido a aposentação. O Governo diz estar a tentar encontrar, o mais rápido possível, a pessoa ideal para o cargo e frisa que não existe ainda qualquer decisão final, mas

admite que tem determinadas exigências para o cargo de liderança da DICJ.

Cautelas e desafios

“O novo director vai enfrentar vários desafios, incluindo a avaliação intercalar do sector do

“O novo director vai enfrentar vários desafios, incluindo a avaliação intercalar do sector do jogo e o aperfeiçoamento dos diplomas e legislação com o objectivo de se conseguir uma melhor regulação do funcionamento do sector” Comunicado de Lionel Leong Secretário para a Economia e Finanças

jogo e o aperfeiçoamento dos diplomas e legislação com o objectivo de se conseguir uma melhor regulação do funcionamento do sector. Devido ao facto da economia estar a entrar numa fase de ajustamento, o trabalho terá de ser ainda mais cauteloso para responder às reivindicações da sociedade”, pode ler-se num comunicado que cita o Secretário. O Governo quer alguém “particularmente forte no conhecimento jurídico e capacidade linguística”. Paulo Chan, nomeado para o Ministério Público por Edmund Ho, é licenciado em Direito pela Universidade de Macau, numa formação em Língua Portuguesa, e tem ainda um mestrado em Direito Criminal pela Universidade de Ciência e Tecnologia. Conforme avança a TDM, fala Português de forma fluente e fontes do sector jurídico consideram que tem o perfil adequado para assumir as funções de líder do organismo. A TDM diz ainda que “Paulo Chan é apontado como próximo do actual secretário para a Economia e Finanças”. J.F.

Filhos maiores Idosos acampados no Senado. Manifestação no horizonte

Encontro continua em Novembro C

acontecer. Agora marcámos uma reunião para dia 6 de Novembro, mas o Gabinete do Chefe do Executivo disse que há possibilidades de alteração”, explicou. A directora avisou ainda que caso não seja realizada a reunião, os encarregados de educação dos

filhos maiores “vão manifestar-se à Sede do Governo até a questão estar resolvida”. Alguns dos filhos foram autorizados através de uma medida especial a vir para Macau e a requerer a residência, depois dos pais serem admitidos a viver na RAEM. Mas a outros foi barrada

O

deputado José Pereira Coutinho quer saber onde estão os resultados das várias conferências, palestras, discursos e outros momentos que levam muitas vezes as entidades oficiais de Macau a deslocarem-se a outras regiões e países, “sempre à custa do erário público”. O deputado acusa o Governo de não apresentar resultados suficientes que justifiquem essas mesmas deslocações. “A maioria da população e os ‘estudiosos’ das causas públicas, nomeadamente os professores universitários, desconhecem os resultados práticos das referidas deslocações devido à quase inexistência da publicação dos seus discursos, palestras e divulgações feitas, à excepção das notícias normalmente pouco elucidativas provenientes dos órgãos de comunicação social quer públicos quer privados”, argumenta, numa interpelação escrita. Os deputados querem, por isso saber, se o Governo irá tomar medidas no sentido de publicar os resultados e até os discursos dessas mesmas intervenções e comunicações externas das entidades aquando das múltiplas deslocações ao interior do continente. Reforçando a necessidade de modernização administrativa e implementação do Governo electrónico, o deputado perguntou se “vai o Governo reforçar a transparência governativa introduzindo informações, comunicações relevantes e relacionadas com interesse público e questões sociais”. F.A.

Sónia Chan analisa mais de 700 diplomas da era portuguesa

hoje macau

erca de cem membros da Associação da União Familiar estão desde o dia 22 acampados na praça do Leal Senado, para reivindicar a autorização da fixação de residência em Macau dos filhos, cidadãos do interior da China, chamados de “filhos maiores”. A Associação pede ainda doações voluntárias dos residentes e turistas que por ali passam. A directora da Associação, Lei Iok Lan, afirmou ao HM que o “acampamento” foi permitido até dia 15 de Novembro, justificando ainda que o pedido de doação voluntária é para uso das despesas do funcionamento da Associação. “Existe uma parte dos residentes que suporta a nossa união” , indicou. Lei recordou ainda que o Chefe do Executivo, Chui Sai On, prometeu durante a campanha eleitoral, do ano passado, solicitar a vinda dos mais de 1200 filhos maiores existentes ao Governo Central. No entanto, até ao momento não existe qualquer novidade. “Já pedi muitas vezes um encontro directo com Chui Sai On mas nunca chegou a

Erário Público Pereira Coutinho pede resultados de visitas oficiais

A

a entrada, continuando assim a política. Os idosos afirmam que a situação é ridícula, uma vez que os filhos, alguns deles formados, poderiam ser uma ajuda para colmatar a falta de recursos humanos. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, indicou ontem que vai analisar cerca de 700 leis e decretos-leis publicados antes da transferência da soberania e ainda vigentes. Conforme indica um comunicado à imprensa, a Secretária salientou ainda que necessita de mais algum tempo para que estes sejam analisados e divididos em diferentes áreas, o que torna a tarefa ainda mais difícil de concluir a curto prazo. Em relação às leis e à legislação publicada, após o regresso de Macau à pátria Sónia Chan referiu que levará igualmente algum tempo para verificar todos os dados mas que publicará o calendário no momento oportuno. A Secretária diz que, face aos pareceres da Comissão Contra a Corrupção (CCAC) sobre a revisão dos regulamentos municipais, o Governo já concluiu a proposta e as partes em causa serão revistas em tempo breve. Admitindo a antiguidade dos regulamentos municipais, a Secretária concorda que estes devem ser avaliados e revistos na sua globalidade, adiantando já que poderá ser um processo moroso pois é uma “tarefa bastante volumosa”. Sónia Chan indicou ainda que poderão existir artigos que serão revogados por não mais fazerem sentido. F.A.


política 5

hoje macau sexta-feira 30.10.2015

Governo executou quase metade do PIDDA em 2014 Do orçamento de 14,8 mil milhões de patacas destinado ao PIDDA para o ano passado, o Governo para esse fim. Segundo o relatório da execução orçamental de 2014, gastou 49%. A já entregue na Assembleia LegisSecretaria para as lativa (AL), o Governo executou 49% do Plano de Investimentos e Obras Públicas e Despesas de Desenvolvimento da (PIDDA), ou seja, Transportes continua Administração pouco mais de sete milhões de a liderar nos gastos, patacas. O orçamento destinado ao PIDDA foi de 14,8 mil milhões tendo executado de patacas. A Secretaria para as Obras Pú54,1% do orçamento. blicas e Transportes lidera nos gastos, tendo executado 54,1% de um O documento já orçamento de 11,2 mil milhões de patacas, seguindo-se a Secretaria está na Assembleia para os Assuntos Sociais e Cultura, Legislativa com 2,3 mil milhões de patacas e a Secretaria para a Segurança, com para análise 563,278 milhares de patacas.

Obras de Santa Engrácia

O

Governo continua a gastar grande parte do seu orçamento em grandes projectos de obras públicas e no sistema de transportes públicos, mas desta vez conseguiu executar quase metade do montante destinado

Actualmente a área das Obras Públicas e Transportes tem 19 programas de investimento, tendo o projecto “Obra de instalações públicas” liderou em termos de despesas pagas, 43,6%, ou seja, 1,3 mil milhões de patacas. Em segundo lugar, surge o “Programa do Sistema de Transportes Colectivos Urbanos de Macau”, com 1,3

mil milhões de patacas pagas, o que representa uma execução orçamental de 46,5%. Este montante destinou-se à compra do “Sistema e Material Circulante para a 1ª

Crimes Sexuais Código Penal tem “caminho a percorrer”

Passo a passo se faz a reforma O Código Penal de Macau tem “ainda algum caminho a percorrer” no que respeita aos crimes sexuais. Quem o diz é Vera Lúcia Raposo, docente assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Macau e da Faculdade da Direito da Universidade de Coimbra, que marcou presença no primeiro dia de colóquios, organizados pela UM e a Fundação Rui Cunha, subordinados ao tema “As reformas Jurídicas de Macau no Contexto Global – O Direito e a Sexualidade”. A docente concluiu que “o capítulo dedicado aos crimes

funciona como um barómetro das percepções de cada sociedade em relação ao sexo, à liberdade, à religião e à igualdade de género”. A esta luz, diz, o actual Código Penal português traduz “uma das mais bem conseguidas” legislações criminais, ao passo que o Código Penal de Macau “tem ainda algum caminho a percorrer”. Durante a sua apresentação, a docente defendeu que a matéria relativa a crimes sexuais é uma das mais representativas do estádio de evolução civilizacional de uma sociedade à luz de dois pontos

fortes: a tensão entre o Direito e a moralidade e a igualdade de género.

Deve e haver

Tendo em conta a conexão do Código Penal de Macau com o de Portugal, a oradora assinalou que “tudo levaria a pensar” que também em Macau o regime se pautasse pelas mesmas “notas de absoluto respeito pelas ideias de liberdade pessoal e igualdade de género, em substituição dos cânones clássicos da moralidade, pudor e recato”. “Porém, o Código Penal de Macau não seguiu esta tendência em toda a linha, revelando-se ainda em parte devedor de uma concepção tradicionalista da sexualidade, que não se compagina com a cultura jurídica da qual é devedor”, argumentou. Apresentando várias diferenças entre os Códigos analisados, tais como a gravidade do ataque, o tipo de violação, a oradora não afasta o aparecimento de situações “caricatas”, também no Código Penal de Portugal. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Fase do Sistema do Metro Ligeiro de Macau”. Ao nível da habitação pública, o Governo executou 50,3% do orçamento, situado em mais

do que 1,7 milhões de patacas. Olhando para outros projectos, destaca-se ainda uma execução orçamental de 81,2% para a operação e controlo do tratamento de águas residuais e resíduos, bem como de 96,3% para a Zona A dos Novos Aterros, com custos de 730 milhões de patacas. Quanto ao novo hospital, foi gasto 68,9% de um orçamento situado apenas nos 188 milhões de patacas.

Mais saúde

Em relação a outros investimentos, destaca-se o aumento das despesas na área da saúde. Em 2014 o Governo gastou 5,1 milhões de patacas, mais 709 milhares face a 2013. Segundo o relatório, este aumento “deveu-se ao aumento das despesas com os materiais de consumo clínico, produtos farmacêuticos, medicamentos e vacinas, resultantes do crescimento da necessidade dos serviços prestados”. Na educação, foi gasto 84,5% do orçamento, tendo-se registado também um aumento da despesa em pouco mais de 400 mil patacas. Quanto aos subsídios concedidos pelo Instituto de Acção Social (IAS) a associações, o orçamento diminuiu em 11,5 milhares de patacas face a 2013. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Função Pública Ng Kuok Cheong critica aumentos dos salários

O

deputado Ng Kuok Cheong considera que o aumento dos salários dos funcionários públicos pode provocar indignação no seio da população, numa altura em que o Governo optou por implementar algumas medidas de austeridade. Numa interpelação escrita, Ng Kuok Cheong põe em causa a confirmação da Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, da existência de um plano para ajustar os salários da Função Pública, quando, por outro lado, o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, declarou o corte de despesas dos serviços públicos, sem resolver o problema de que “os cargos

mais superiores ganham cada vez mais e os inferiores continuam ganhar menos”. “Qual é o resultado do estudo sobre a medida de ajustamentos dos salários dos funcionários públicos pela classificação de cargos, depois de negociações com as associações da Função Pública ao longo dos vários anos?”, indagou o deputado. Ainda assim, em conclusão, o pró-democrata sugere que o Governo, de facto, aumente os salários mas sem ultrapassar o nível de inflação. Ng Kuok Cheong considera que o ajustamento da remuneração deve permitir a melhoria da situação dos funcionários públicos de classes mais baixas. F.F.

Chefe do Executivo lança aplicação móvel

Foi lançada ontem uma aplicação para telemóveis dedicada às Linhas de Acção Governativa (LAG), onde os utilizadores poderão ter acesso às notícias, fotografias, vídeos e informações. “O lançamento da aplicação para telemóvel aproveita as tecnologias de informação para, de modo mais concentrado, oferecer notícias em tempo real no que respeita ao Chefe do Executivo, ao seu Gabinete e ao Governo da RAEM”, indicou um comunicado do gabinete do líder do Executivo. A aplicação para telemóvel possui diversas opções estritamente vocacionadas para satisfazer as novas tendências das redes sociais, inclusive funções como “meus favoritos”, “partilhar”, etc. O utilizador poderá partilhar as notícias, através de meios como o correio electrónico, o Facebook, o WeChat, o WhatsApp e o Twitter. A aplicação “Gabinete do Chefe do Executivo” está disponível nos sistemas iOS e Android.


Sociedade

hoje macau sexta-feira 30.10.2015

tiago alcântara

Autocarros com menos motoristas daqui a dez anos

Operadoras sem rodas A falta de motoristas foi o tema abordado na sessão de ontem do Conselho Consultivo do Trânsito. As três operadoras falam da saída de recursos humanos devido a reforma, mas nem assim se põe a hipótese de contratar trabalhadores de fora

O

cenário é negro e não há sinais de que possa melhorar. A falta de recursos humanos sentida pelas três operadoras de autocarros deverá piorar nos próximos dez anos, devido ao facto de muitos motoristas atingirem a idade da reforma. Só a Transmac, que actualmente tem 300 motoristas, deverá perder cerca de cem na próxima década. O assunto foi discutido na sessão de ontem do Conselho Con-

sultivo do Trânsito, mas segundo Kuok Keng Man, representante da entidade, não se chegou ainda a conclusões. “Nos próximos dez anos estima-se que vão aposentar-se mais de cem motoristas e, por isso, a situação é grave. Todos os membros do Conselho esperam que se possa resolver esta questão”, disse Kuok Keng Man aos jornalistas após a reunião. “Temos mais de 800 autocarros e o número de motoristas eventualmente não é suficiente. Segundo as companhias, convém ter mais de uma centena de motoristas para colmatar essa escassez, mas é uma estimativa. É necessário ver as condições de trabalho, o salário, para ver se é suficiente e se dá para atrair mais jovens para começarem a trabalhar como motoristas”, explicou o responsável. Além disso, chegou a ser proposto o aumento da idade da reforma, mas segundo Kuok Keng Man, “isso pode afectar a segurança dos passageiros, porque devido à idade avançada podem mais facilmente cometer-se erros”.

Lá fora nem pensar

Um dos membros do Conselho Consultivo falou da necessidade de contratar motoristas ao exterior, mas trata-se de uma classe profissional na qual, segundo a lei, só os portadores de bilhete de identidade de residente podem trabalhar. “É necessário contratar recursos humanos do exterior, mas não chegámos a um consenso

sobre essa questão. Esperamos dar mais prioridade aos recursos humanos locais. Neste momento não estamos a considerar recrutar mão-de-obra de fora, o Executivo não está a considerar”, explicou Kuok Keng Man.

“Nos próximos dez anos estima-se que vão aposentarse mais de cem motoristas e, por isso, a situação é grave. Todos os membros do Conselho esperam que se possa resolver esta questão” Kuok Keng Man Representante do Conselho Consultivo do Trânsito

Para já, o Conselho Consultivo estar ainda a analisar possíveis medidas para resolver um problema que, afirma, pode piorar com a abertura de mais empreendimentos turísticos no Cotai e a necessidade de motoristas para os autocarros dos casinos. “Os membros consideram que não é uma questão que só o Conselho pode resolver ou discutir, é um tema que é necessário dar

a conhecer a toda a sociedade. Nós estamos a ver os dados dos motoristas, mas a situação é difícil e com a abertura e entrada em funcionamento dos novos hotéis vai ficar mais difícil.” Quanto ao sistema de transportes públicos, o Governo parece estar disposto a aumentar a frequência “de alguns itinerários”, tendo as companhias alertado para a baixa velocidade dos autocarros. “As três companhias também relataram a dificuldade na dis-

Habitação Pública assegurada construção de mais de duas mil fracções

Uma casa em cada canto O Governo assegura estar a preparar-se para a construção de 2600 fracções de habitação pública, depois de ter recuperado ou estar ainda em processo de recuperação de alguns terrenos. De acordo com um documento do website da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), a Companhia de Electricidade de Macau (CEM) está já a demolir a central térmica que está construída na Areia Preta para que sejam edificadas mil fracções habitacionais. “A CEM já deu início às obras de demolição e dos

trabalhos preliminares para a realização da avaliação do impacto ambiental”, atenta a tabela publicada online. A elaboração do projecto, refere o documento, “somente poderá ter início” depois de serem apuradas as consequências ambientais e emitida a Planta de Condições Urbanísticas (PCU). Já em dois terrenos da Doca do Lam Mau, cuja recuperação foi anunciada no início deste mês por representantes do Instituto de Habitação e da DSSOPT, no programa Macau Talk da TDM, estão já a ser feitos os trabalhos de geo-sondagem.

O concurso para o projecto deverá ser aberto em breve. “[Está agora] em curso a realização dos trabalhos de geo-sondagem e dos preparativos do concurso de concepção para a elaboração do projecto”, informa a DSSOPT. O lote A foi já revertido, mas o F encontrava-se, a 16 deste mês, em fase de despejo. Aqui serão construídas 200 casas.

Grupo dos quatro

O mesmo documento fala ainda de quatro outros terrenos. O lote onde agora fica o Conselho Consultivo para o Reordenamento dos Bairros Antigos, no Iao Hon, já está

a ser objecto da redacção da PCU, de modo a que as obras possam começar. Está prevista a construção de outras 200 casas para este espaço. A leste da Piscina Olímpica da Taipa está um outro terreno que, de acordo com a DSSOPT, tem capacidade para albergar mil apartamentos. É ainda preciso elaborar a PCU e relocalizar “as instalações do respectivo serviço público que actualmente ocupa o local”. Na mesma situação está um terreno na zona central da Taipa, mas neste serão apenas construídos 200 apartamentos. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

posição dos autocarros e a sua emissão, de modo a aumentar a frequência, para satisfazer as necessidades dos passageiros. Espera-se que haja um melhor conhecimento por parte da população, já que os passageiros vêm autocarros a dizer “reservado” mas são apenas ajustamentos na disposição dos veículos e isso gera mal entendidos”, rematou Kuok Keng Man. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Lusa

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Terreno do Studio City tornou-se definitivo

O Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, afirmou que o terreno onde se situa o Studio City Macau já foi transformado numa concessão definitiva, depois de ser considerado um dos 16 lotes cuja declaração de caducidade não foi concretizada por falhas imputadas à Administração. O anúncio foi feito por Raimundo do Rosário depois da reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL) na quarta-feira, tendo o Secretário revelado ainda que o empreendimento já tem licença de habitabilidade, algo que lhe dá direito – como a todos os projectos – pertencer aos terrenos com concessões definitivos. Recorde-se que os 16 terrenos estão ainda a ser investigados pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC) para apurar as responsabilidades das falhas. O Comissário, André Cheong, já revelou que a investigação pode ser concluída em meados do próximo mês.


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Direcção dos Serviços de Regulamentação de Telecomunicações (DSRT) está a estudar a hipótese de publicar, de forma periódica, os desempenhos das operadoras de telecomunicações, além de supervisionar a sua qualidade. A ideia surge com o intuito de facilitar aos cidadãos a compreensão e escolha de serviços mais apropriados. Depois do deputado Chan Meng Kam criticar, numa interpelação, os preços altos das tarifas de telecomunicação em Macau, citando um relatório da DSRT que aponta que os preços de Macau “são os mais baratos do mundo”, e questionar os critérios da cobrança de tarifas e os testes de velocidade das redes, o organismo vem assegurar que está atento. O director substituto da DSRT, Leong San Io, respondeu que a cobrança de tarifas é considerada consoante o rendimento nacional bruto per capita. O responsável defende que, através do mecanismo de competição do mercado e a supervisão da rede, o Governo irá promover tarifas mais razoáveis. Leong San Io disse ainda que o organismo quer publicar

Telecomunicações DSRT quer publicar acção das operadoras

Tarifas (não) razoáveis

Sangue Português mantém-se como dador principal

Paulo Rosa Rodrigues voltou a ser o principal dador de sangue da RAEM este ano, depois de, no ano passado, ter sido homenageado. O português está entre a lista dos Serviços de Saúde que integra outros portugueses e, todos os anos os SS, efectuam uma cerimónia que distingue os dadores de sangue, tal como ontem aconteceu. Paulo Rosa Rodrigues foi novamente o principal dador de sangue, com 118 dádivas efectuadas até agora.

Taxa de desemprego situa-se nos 1,9%

periodicamente o desempenho das redes de cada operadora, além de já ter um mecanismo contínuo para inspeccionar os índices principais de desempe-

nho, a fim de aumentar o nível da transparência. “Temos intenção de pedir a uma instituição para fazer um estudo profundo para avaliar de forma siste-

mática e científica toda a qualidade dos serviços e das redes de comunicação de Macau”, indicou. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

A taxa de desemprego no terceiro trimestre do ano situou-se nos 1,9%, o que revela uma subida ligeira em relação aos três meses anteriores e ao mesmo período de 2014, segundo dados oficiais ontem divulgados. No trimestre anterior, a taxa de desemprego na região havia sido de 1,8% enquanto que no período homólogo tinha-se situado nos 1,7%. Segundo os mesmos dados, a mediana do rendimento mensal em Macau no terceiro trimestre (Julho a Setembro) manteve-se nas 15 mil patacas, tal como aconteceu nos três meses anteriores. No entanto, este valor reflecte um aumento de duas mil patacas em relação ao mesmo trimestre de 2014.

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O número de entradas de portugueses em Macau diminuiu, mas o território é o terceiro local no mundo onde a entrada de portugueses mais tem impacto entre todos os estrangeiros que cá chegam. O crescimento tem sido gradual e contínuo, mostrando-se actualmente num movimento mais orientado do que noutros tempos

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Emigração Menos portugueses em Macau. Território é o 19º local mais apetecido

Ser menos mas com mais impacto F oram menos 1,1% os emigrantes portugueses que deram entrada em Macau em 2014, comparativamente ao ano de 2013.Apesar da ligeira queda, o território é o terceiro local do mundo onde entram mais portugueses, quando comparado com outras nacionalidades. O dados são do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e constam do Relatório de Emigração do ano passado. “Em 2014, o número de entradas de portugueses em Macau totaliza 262, menos 1,1% do que em 2013”, cita o documento. Em 2007 vieram 146 portugueses para Macau. “Durante este período o aumento de portugueses foi progressivo, tendo havido uma ligeira diminuição de 2013 para 2014. Em 2014 as entradas de portugueses representaram 11,5% das

Em termos relativos, lê-se que os portugueses são uma minoria entre os nascidos no estrangeiro a residir em Macau, representando apenas 0,6%, em 2011, o único ano avaliado. Apesar da diminuição, o número de portugueses a residir neste país continua a situar-se acima dos mil, sendo Macau o 19º país do mundo onde residem mais portugueses emigrados.

Uma fuga entradas totais em Macau”, pode ler-se. Feitas as contas, Macau atingiu, durante o ano passado, o terceiro lugar na tabela de países do mundo onde a entrada de portugueses mais tem impacto no âmbito da entrada de estrangeiros no país de destino. Uma análise aos dados indica que a entrada de portu-

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gueses em Macau tem vindo a apresentar um aumento gradual de ano para ano, oscilando apenas na percentagem de crescimento. Em 2012, a percentagem das entradas de estrangeiros portugueses em Macau foi de 9,1%, atingindo os 216 emigrantes. Ainda assim, foi no ano anterior, 2011, que se sentiu a maior taxa de crescimento anual, ultrapassando os 38%.

Sou daqui

Relativamente ao residentes nascidos em Portugal mas residentes em Macau, os números explicam que a RAEM tem um total de 1835 de portugueses aqui emigrados e a residir, em 2011, ou seja, mais 39% do que em 2006. “Nos três anos disponíveis para análise, denota-se que o número de portugueses emigrados em Macau diminuiu ligeiramente em 2001 para 2006, tendo voltado a aumentar em 2006 para 2011, passando de 1616, em 2001, para 1835, em 2011”, indica o relatório.

Macau atingiu, durante o ano passado, o terceiro lugar na tabela de países do mundo onde a entrada de portugueses mais tem impacto no âmbito da entrada de estrangeiros no país de destino

A estagnação do crescimento económico de Portugal, depois da entrada do Euro, a pressão sobre o investimento público e o crescente aumento do desemprego são algumas das razões apresentadas, pelo Gabinete, para o aumento da emigração nas duas primeiras décadas do século XXI. “Hoje Portugal é, sobretudo, de novo, um país de emigração”, indica o relatório. O Gabinete estima que neste momento existam, no mundo, cerca de 2,3 milhões de portugueses emigrados, isto é, “de pessoas nascidas em Portugal a residir no estrangeiro há mais de um ano”. O país que mais entradas de portugueses, a nível mundial, recebeu foi o Reino Unido, com mais de 30.500 entradas, seguindo-se a Suíça, com 20 mil entradas. França atinge o terceiro lugar com 18 mil entradas, terminando o pódio com a Alemanha, pouco passando das dez mil entradas. Em conclusão, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, indica que existe uma “relativa estabilização ao fluxo migratório de cidadãos nacionais no ano de 2014, não deixando porém de se tratar de um fenómeno com uma enorme dimensão e um grande complexo social”.

Uma chegada consciente

A entrada dos portugueses, diz Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, actualmente acontece de forma mais calma e orientada. Em declarações à Rádio Macau, a presidente indicou que “houve um período, talvez na altura pior da crise, em que as pessoas estavam mais

“Temos gente jovem muito qualificada e Macau precisa dessas pessoas. É mais fácil um português chegar a Macau e adaptar-se e prestar um bom serviço a Macau do que, muitas vezes, gente vinda de outros universos em que as dificuldades de adaptação são maiores” Amélia António Presidente da Casa de Portugal em Macau

à procura de soluções para as suas vidas e que apareceram aqui [algumas] que vinham ver o que conseguiam fazer, na expectativa, porque lhes diziam que era fácil ter trabalho em Macau”. Tendência que tem vindo a mudar ao longo dos anos. “Nos últimos dois anos essa situação não se tem verificado tanto. Tirando casos muito excepcionais, as pessoas vêm orientadas”, explicou à rádio. Futuramente, a presidente espera que a entrada de portugueses se mantenha estável, sendo que o território, diz, vai continuar a sentir necessidade de os acolher. “Com o crescimento de Macau é natural que a tendência se mantenha dentro de um fluxo estável. Temos gente jovem muito qualificada e Macau precisa dessas pessoas. É mais fácil um português chegar a Macau e adaptar-se e prestar um bom serviço a Macau do que, muitas vezes, gente vinda de outros universos em que as dificuldades de adaptação são maiores. Portanto, acho que faz todo o sentido que continue a haver alguma procura e oferta para esse mercado que é muito especial”, rematou. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


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UM atribui grau honoris causa a cinco personalidades

ctm

DSSOPT Obra ilegal com 40 anos não é prioridade

Tudo sob controlo CTM Wifi e pagamento pelo telemóvel nos autocarros

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s viagens nos autocarros públicos tornam-se agora mais convenientes, uma vez que passam a disponibilizar pagamento online e serviço wifi. Através de uma parceria entre a Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), a MOME e a Macau Pass, os passageiros podem agora usufruir destes dois serviços, cujo lançamento foi ontem anunciado pela CTM. O M.wallet+ é uma aplicação nova no território e “representa a melhoria da qualidade de vida através do pagamento por telemóvel”, na qual o serviço será incorporado no já usado Macau Pass. Esta “carteira virtual” armazena pontos que podem ser trocados

por bens de consumo e permite consultar contas da CTM. “A tecnologia de encriptação de padrão internacional, adoptada na M.wallet, garante transacções com um alto grau de segurança”, escreve a CTM em comunicado. O segundo novo serviço pretende estender o hotspot de wifi da CTM aos transportes públicos. Chama-se WiFi Bus+ e numa primeira fase estará disponível em 330 autocarros da Transmac. O processo é simples: depois de se registarem no SSID do seu telemóvel “Bus-Free-WiFi”, os passageiros receberão uma mensagem com um código de activação que dá acesso a meia hora de acesso gratuito. L.S.M.

Venetian Funcionários sem obrigação de andar com dinheiro

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Venetian revelou ontem, numa resposta ao HM, que ainda não se decidiu sobre a medida de obrigar os seus funcionários a transportarem consigo dinheiro para facilitar o pagamento aos apostadores nas slot-machines. “A empresa está de momento a ouvir a opinião e feedback dos seus valiosos membros de equipa para optimizar o processo de trabalho, com o intuito de reduzir o tempo de esperar e melhorar a experiência dos consumidores”, esclarece a Venetian na resposta. Ontem, dava-se conta da implementação de uma alegada medida da

operadora para com os seus funcionários em que estes teriam que andar sempre com 250 mil patacas em dinheiro para pagar, com mais facilidade, a quem ganha nas slot machines. A empresa sublinha ainda que “lamenta profundamente” o facto daquilo que considera serem “informações confidenciais da empresa” terem sido tornadas públicas. “A Venetian lamenta profundamente que alguém esteja a aproveitar-se da sua posição de insider para revelar informações confidenciais da empresa que mantêm o negocio competitivo”, escreve. L.S.M/F.F.

Não é perigoso, logo não é prioridade. A obra ilegal de um prédio foi denunciada há três anos, existe há 40 e ainda se vai manter

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Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) confirmou a recepção de queixas sobre um edifício, na zona norte, onde está construída uma obra ilegal há mais de 40 anos. No entanto, a DSSOPT não inclui este problema na sua lista de projectos prioritários. O caso deste edifício habitacional, localizado na Avenida Ouvidor Arriaga, foi denunciado pelo Jornal Exmoo e avançado pelo HM em meados deste mês. Há um espaço no prédio que foi construído ilegalmente há mais de 40 anos e se encontra trancado, sem que alguém tenha acesso. O espaço chegou até a ser arrendado a uma empresa de construção para depósito de materiais. Os moradores do edifício já se queixaram à DSSOPT mas, de acordo com os residentes, nada foi ainda feito.

Pode esperar

Numa resposta ao HM, a DSSOPT garante já ter recebido queixas sobre o caso em 2012, altura em que enviou funcionários para fazer inspecções e recolher provas. A investigação confirmou que o espaço comum foi ocupado de forma inapropriada. Embora o

organismo já tenha recebido as queixas há três anos, explica que esta obra não faz parte da sua lista de prioridades. “Como o processo sobre o espaço já foi iniciado, vamos acompanhar de acordo com a ordem de prioridades”, esclarece na resposta. A DSSOPT relembra que já criou um “grupo permanente de demolição de obras ilegais” para resolver o problema, mas estas continuam

de pé.As obras que prejudiquem a segurança da estrutura de edifícios e de incêndio e que causem infiltração de águas têm prioridade. O organismo apela ainda a que os cidadãos não ocupem os espaços públicos que não pertençam à sua propriedade, atentando à questão de higiene e ambiente. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

A Universidade de Macau (UM) vai atribuir o grau de doutoramento honoris causa a cinco personalidades de diferentes áreas do saber, um deles de Macau. São elas Mario Capecchi, Ma Iao Lai, Pai Hsien-yung, Tsui Lap-Chee e Zhong Nanshan. Capecchi e Zhong vão receber o grau de doutorado de Ciências, enquanto Ma Iao Lai, da RAEM, recebe o de Administração Empresarial, Pai Hsienyung é reconhecido na área das Letras e Tsui Lap-Chee é galardoado com o grau honoris causa em Educação. Ma Iao Lai, “renomado” empresário do território, fez a sua licenciatura de Economia na Universidade China de Hong Kong em 1971 e fundou a Associação de Beneficência Meng Tak, há dez anos. “Participou numa série de programas de solidariedade em Macau e na China para reduzir a pobreza, ajudar as crianças a frequentar a escola e apoiar órfãos, cuidar dos mais velhos e das mulheres com necessidades especiais. Ma é também membro do Conselho Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e director do subcomité dos compatriotas chineses de Taiwan, Hong Kong e Macau da China.

Casinos Operadoras obrigadas a explicar planos para sector não-Jogo

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Governo quer obrigar as seis operadoras de Jogo locais a apresentar dados sobre os planos que têm para a diversificação da economia, especificamente do sector não-Jogo. Até final deste ano, a fim de “promover o desenvolvimento saudável do sector de Jogo e não Jogo do território”, as operadoras terão que dar a conhecer ao Executivo os planos dos empreendimentos já existentes e daqueles ainda por construir. A medida surge depois de outra que obriga à apresentação das contas dos

promotores de jogo. Depois de Chan Meng Kam ter, numa interpelação escrita, questionado o Executivo sobre como irá intervir no desenvolvimento da indústria destes elementos nos casinos, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) garante que já existe um sistema de monitorização. O director da DSAL, Wong Chi Hong, afirmou que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) já tem um sistema que monitora o investimento dos factores não Jogo das concessionárias.

“A DICJ já exigiu oficialmente às operadoras de Jogo que entreguem dados e informações a título trimestral, a fim de criar um mecanismo de supervisão. De acordo com um calendário estabelecido, as empresas de Jogo precisam de entregar, antes do fim deste ano, os dados sobre factores não Jogo criados em 2014 e na primeira metade de 2015. O organismo vai fazer uma análise e a integração dos dados logo depois de os receber”, afirmou. F.F.


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China “está preparada para evitar a armadilha do rendimento médio nos próximos cinco a dez anos, através da inovação e ajustamentos estruturais”, defendeu ontem o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC). A expressão diz respeito aos países cujo crescimento económico estagnou após atingirem um Produto Interno Bruto (PIB) ‘per capita’ superior a 5.000 dólares.

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Diário do Povo alerta para “armadilha do rendimento médio”

Inovar para não estagnar

“O sector dos serviços deve ser aprimorado e muito trabalho terá que ser feito para o tornar mais forte e competitivo”

Linhas de acção

O Comité Central do PCC terminou ontem uma reunião à porta fechada onde devem ser delineadas as prioridades do 13.º plano quinquenal, uma reminiscência da ortodoxia maoista que antecedeu a política de “Reforma e

Abertura ao Exterior”, adoptada em 1979. É o primeiro plano do género desde a ascensão ao poder do Presidente Xi Jinping e será depois enviado ao plenário da Assembleia Nacional Popular, o órgão legislativo, que deverá aprovar as decisões em Março de 2016. Para os próximos cinco anos espera-se uma transição no modelo de crescimento do país, com o

consumo doméstico e a inovação a substituir as exportações e o investimento em grandes obras públicas como principais motores de desenvolvimento. “O sector dos serviços deve ser aprimorado e muito trabalho terá que ser feito para o tornar mais forte e competitivo”, escreveu o Diário do Povo, citando um professor da Nankai University, do município de Tianjin.

Taiwan pede à China e EUA para evitarem tensões

T

aiwan instou ontem todas as partes com interesses no Mar do Sul da China, incluindo China e Estados Unidos, a evitarem acções que aumentem a tensão e a adoptarem medidas que contribuam para a paz e estabilidade regional. Taiwan está disponível para dialogar com todas as partes interessadas em pé de igualdade e sob o critério do benefício mútuo, com o objectivo de converter aquela área num “mar de paz e cooperação” disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A direcção do Partido Comunista Chinês (PCC) decidiu abolir totalmente a política de “um casal, um filho”, permitindo a todos os casais ter um segundo filho, anunciou ontem a agência oficial noticiosa chinesa Xinhua. A decisão foi anunciada após uma reunião de quatro dias à porta fechada entre o Comité Central do PCC, a cúpula do poder na China, e que serviu para delinear as prioridades do 13.º plano quinquenal (2016-2020). Em 2013, a direcção do Partido Comunista Chinês decidiu aliviar a política de “um casal, um filho”, permitindo aos casais em que ambos os cônjuges são filhos únicos ter um segundo filho. A China tem actualmente 1.370 milhões de habitantes.

Aliado do ex-chefe de Segurança acusado de corrupção

Diário do Povo Citando um professor da Nankai University

Em 2014, o PIB ‘per capita’ chinês alcançou os 7.575 dólares e, segundo estimativas do Governo, em 2020, deverá atingir os 10 mil dólares - cerca de metade do actual PIB ‘per capita’ português. Segundo estimativas do Banco Mundial, desde a década de 1960, apenas 13 dos 101 países e regiões que alcançaram os 5.000 dólares de PIB ‘per capita’ conseguiram escapar à “armadilha do rendimento médio”.

Abolida política de filho único

O presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, propôs que se coloque de lado a disputa pela soberania e que as partes cooperem na exploração conjunta dos recursos, enquanto se conduzem negociações pacíficas. Face à proximidade das eleições presidenciais de Taiwan, em Janeiro de 2016, os candidatos expuseram ontem a sua postura, com Eric Chu a não se alinhar com os EUA e a opositora, Tsai Ing-wen, a mostrar-se mais em linha com Washington. Um contratorpedeiro da Marinha dos Estados Unidos navegou terça-feira dentro do limite de 12 milhas náuticas das ilhas artificiais no Mar do Sul da China, entrando nas águas territoriais de pelo menos uma delas. A decisão norte-americana provocou fortes reacções do lado chinês, que recomendou os EUA a pensar duas vezes antes de agir.

A economia chinesa registou no terceiro trimestre deste ano o mais baixo crescimento desde o pico da crise financeira internacional (6,9%), mas dentro da meta do governo chinês para 2015, “cerca de 7%”. Desde o início do século XXI, e até 2011, a economia chinesa cresceu sempre acima dos 8% ao ano e em 2007 atingiu os 13%.

O Supremo Tribunal Popular da China acusou ontem um antigo aliado do ex-chefe de Segurança do país Zhou Yongkang, que foi condenado a prisão perpétua em Junho, de ter aceitado subornos, informou a agência chinesa Xinhua. Zhou Benshan, que foi o responsável máximo do Partido Comunista Chinês (PCC) em Hebei, província vizinha de Pequim, foi expulso do partido no início deste mês, devido a suspeitas de corrupção. Zhou Benshan foi subsecretário geral do Comité de Leis e Ciência Política do Comité Central do PCC entre 2003 e 2008, período que coincide com a tutela de Zhou Yongkang do aparelho de segurança da China, incluindo polícias, tribunais e serviços de informação.

Número recorde de fusões e aquisições até Setembro

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s empresas chinesas fecharam um número recorde de 257 fusões e aquisições durante os primeiros nove meses do ano, valor que supera o total de 2014, segundo um relatório da PriceWaterhouseCoopers (PWC) citado ontem pelo jornal Shanghai Daily. Isto significa que nos três primeiros trimestres do ano o número de acordos do tipo disparou cerca

de 46% em termos anuais homólogos, embora o aumento em valor tenha sido de apenas 5%, até ao equivalente a 45.100 milhões de dólares. A PWC atribuiu esta tendência à crescente facilitação por parte de Pequim relativamente ao investimento chinês no estrangeiro, e às condições do mercado favoráveis a este tipo de manobras empresariais. “Do ponto de vista financeiro, a flexibilização das políticas monetárias, as baixas taxas de juro e de coeficiente de reserva (exigido às entidades bancárias, o que estimula o crédito), e a importante subida dos mercados de valores da China na primeira metade de 2015 favoreceram os acordos”, referiu a consultora citada pelo jornal oficial. O director de serviços de consultadoria da PWC para a China, Andrew Li, destacou como 62% dos acordos foi levado a cabo por empresas cotadas no mercado bolsista. O protagonismo foi também para as empresas de propriedade privada, que selaram 167 destes 257 acordos, apesar de as estatais terem também aumentado a sua actividade neste sentido face ao ano passado.


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Merkel volta a Pequim para assinar acordos

Angela vezes oito A

chanceler alemã, Angela Merkel, chegou ontem à China para uma visita e dois dias com uma forte componente económica, após o escândalo da Volkswagen e numa altura em que a segunda economia mundial está em abrandamento. Merkel, que foi recebida em Pequim pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, segundo a televisão estatal CCTV, iniciou ontem a visita oficial – a oitava que realiza ao país asiático – durante a qual se prevê a assinatura de uma série de acordos de cariz económico. A chanceler alemã, que viaja acompanhada por uma comitiva de empresários, incluindo o novo presidente da Volkswagen, Matthias Müller, reuniu-se ontem com o Presidente chinês, Xi Jinping. Em cima da mesa vão estar assuntos bilaterais, bem como a questão dos direitos humanos na China ou temas de âmbito inter-

nacional como a tensão desencadeada pelo conflito territorial nos mares da Ásia-Pacífico ou a Ucrânia, de acordo com o governo alemão. Mas, acima de tudo, Berlim vai tentar aproveitar a viagem para aprofundar a já forte relação económica entre os dois países, numa altura em que o abrandamento da segunda economia mundial tem afectado as exportações alemãs para a China. Merkel vai tentar fortalecer os interesses das empresas alemãs depois da crise provocada pelo escândalo da Volkswagen e após os múltiplos acordos firmados por Xi Jinping na sua recente visita ao Reino Unido.

Airbus encomendados

A chanceler alemã e o primeiro-ministro chinês assistiram em Pequim, à assinatura de um acordo para a compra de 130 aviões Airbus pelo valor de 17.000 milhões de dólares,

Merkel vai tentar fortalecer os interesses das empresas alemãs depois da crise provocada pelo escândalo da Volkswagen e após os múltiplos acordos firmados por Xi Jinping na sua recente visita ao Reino Unido

uma das maiores encomendas da China ao fabricante europeu. O acordo, de 15.500 milhões de euros, segundo a paridade monetária actual, assinado no Grande Palácio do Povo de Pequim durante o primeiro de dois dias de visita de Angela Merkel à China, prevê a aquisição de 100 aviões Airbus A320 e outros 30 A330. A transacção ocorreu numa altura em que as companhias aéreas chinesas estão a alargar as suas frotas e à espera de que o número de passageiros de voos nacionais e internacionais triplique nos próximos 20 anos. Além disso, o fabricante aeronáutico europeu acordou, em Julho último, construir um centro para acabamentos do A330 em Tianjin, cidade industrial portuária no nordeste da China, onde existe uma linha de montagem de A320, vendidos sobretudo às transportadoras chinesas. Merkel e o chefe do Governo de Pequim, Li Keqiang, presidiram ainda à assinatura de outros 12 acordos, incluindo o da Nokia com a operadora China Mobile para o fornecimento de tecnologia móvel, software e serviços, e entre a Volkswagen AG e um dos quatro principais bancos da segunda economia mundial, o ICBC.

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EVENTOS

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e cabeça erguida ou baixa, a paisagem será sempre a mesma: uma hora de almoço mal chega para saborear a refeição, quando mais apreciar a cidade em que vivemos. É a pensar na percepção visual que as pessoas têm das suas cidades que Willi Dorner, coreógrafo e artista austríaco, desenhou e deu vida ao projecto Bodies in Urban Spaces. A ideia é que o comum transeunte vá acompanhando um roteiro preparado pela equipa e que vá captando as mais estranhas formas de caber por cima de uma porta, na fresta de um corrimão e uma parede ou entre dois prédios. A assistente de Dorner, Esther Steinkogler, está no território para apresentar e coordenar os dois espectáculos da companhia. Estes têm lugar já amanhã: o primeiro acontece às 10h00 e o segundo, às 19h00. Steinkogler estudou Dança em Salzburgo e a sua participação no projecto começou depois de ter sido escolhida pelo coreógrafo para fazer parte da equipa. A ideia destes espectáculos é não só criar arte em espaços exteriores, mas também alterar a percepção das pessoas do ambiente que normalmente as circunda. Outro dos objectivos é “mostrar aos habitantes as restrições” das cidades.

Espaços desconhecidos

Na hora de escolher os melhores locais para se empilharem, escalarem, equilibrarem ou trancarem, Steinkogler menciona que tudo é bem-vindo, desde zonas industriais aos bairros mais antigos, passando pelas áreas modernas. As áreas negligenciadas da cidade também entram nesta equação, porque há vontade de “conduzir a percepção das pessoas para zonas [da cidade] que geralmente não seriam visitadas”. Mas de que forma é isto feito? Steinkogler explica: “medimos o espaço com o corpo humano”, ou seja, ao invés do produto ser criado em função dos seus consumidores, este projecto explora a forma como o ser humano pode fundir-se com os objectos já existentes. A ideia, continua, é despertar mentalidades e olhares de quem por cá vive há algum tempo e deixa de vislumbrar os pormenores da sua cidade para

Bodies in Urban Spaces Projecto de Willi Dorner encaixa artistas pela cidade

“Aqui tudo é megalómano”

Bodies in Urban Spaces, do coreógrafo austríaco Willi Dorner, chega a Macau amanhã. A população vai ver, de manhã e ao final da tarde, pessoas encaixadas, dobradas, empoleiradas e empilhadas, a escalar e a esconderem-se pelos prédios, passeios e degraus da cidade a ver apenas como um labirinto de roteiros. “Como trabalhamos muito em função do ambiente que nos circunda, o que fazemos é sempre diferente”, disse.

É de proporção humana

A adaptação do projecto a Macau caracteriza-se como desafiante. “Aqui, tudo é megalómano, tirando determinadas zonas da cidade. Para preencher a porta de um casino, por exemplo, precisaria de umas 50 pessoas e isso é impossível”, justifica a coreógrafa. Bodies in Urban Spaces partiu da genialidade de Dorner, quando decidiu passar a trabalhar com a cidade e não dentro de um estúdio. Interessado por Arquitectura e Estética, tem um hábito pouco comum: altera, várias vezes, a disposição dos móveis em casa para “se manter alerta”. Partindo desta estratégia, foi

fácil desenvolver o resto. Primeiro, entre estantes e sofás, depois, na rua. O projecto conta com uma equipa de um ou dois coreógrafos – que levam a ideia de Dorner ao local da performance – e artistas locais. “Uma das características é trabalhar com pessoal local, para que haja um intercâmbio”, explica a jovem. Steinkogler tem estado presente em todos os espectáculos. Até agora, foram executados espectáculos na Áustria, França, Alemanha, Austrália, Japão e vários outros países.

Interesse acima da obediência

A jovem conta alguns episódios peculiares que espelham as características de cada sociedade. É que a reacção da população na Alemanha, Áustria, Reino Unido ou EUA é bastante diferente daquela captada por estes lados. “Não há um senso de obediência tão forte como na Alemanha, por

Descubra a história que levou à invasão de Portugal pelas forças de Napoleão. Esta é a saga de dois gigantes da velha Europa: Wellington e Napoleão. Nos finais do século XVIII a Europa era um caldeirão de guerras e rebeliões um pouco por todo o lado. O jovemArthur Wesley (mais tarde conhecido por Lord Wellington) e Napoleão Bonaparte crescem em mundos muito diferentes mas ambos numa cultura onde a carreira militar é a escolha óbvia para homens de ambição. Enquanto Wellington tem as suas primeiras aventuras na Irlanda e em Flandres, Napoleão vê-se envolvido nos dramas da Revolução Francesa e na guerra com a Prússia. Mas nada disto é suficiente para distrair Wellington da paixão por Kitty, nem Napoleão da loucura pela sensual Josefina, pois estes dois homens atiram-se a todos os aspectos da vida como se estivessem num campo de batalha.

exemplo”, explica. Segundo a co-fundadora da BABEL, Margarida Saraiva, o feedback “tem sido positivo” e tem despertado a atenção de quem passa ou mesmo de quem está em casa e de repente se depara com uma pessoa pendurada na sua janela. No final do primeiro ensaio do grupo, as performances já tinham sido difundidas em mais de mil partilhas no WeChat. “As pessoas estavam curiosas para saber o que era e houve mesmo quem pensasse que uma das performances – um dos dançarinos com a cabeça dentro de uma caixa da CTM – fosse um manifesto contra a lentidão da internet”, conta Margarida, entre risos. O interesse da BABEL em ter o projecto no território é a necessidade de cor nesta cidade. “Macau é uma cidade cinzenta e dourada. Precisamos de cor”, disse.

Preocupação inocente

Steinkogler explica a diferença: “em alguns países europeus, somos várias

À venda na Livraria Portuguesa Jovens Lobos • Simon Scarrow

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vezes abordados com raspanetes e advertências de possível ilegalidade, mas aqui as pessoas mostraram-se curiosas e algumas até preocupadas com o nosso bem-estar”. O único telefonema que um cidadão quis fazer para a polícia foi a pensar na segurança dos artistas. “Queria ligar porque pensou que alguém estava magoado”, confessou a coreógrafa. Estas reacções são, decerto, curiosas e surpreendentes, pensando-se em Macau como uma cidade cinzenta, caótica e cujos passeios estão constantemente lotados. O ponto de encontro para os interessados está disponível na página do evento, que pode ser acedida através da BABEL. As sessões são, naturalmente, gratuitas e exigem algum fôlego para seguir os artistas Macau adentro. Para os mais preguiçosos, aqui fica o ponto de encontro: zona coberta frente aos Lagos Nam Van. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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Os Caçadores de Livros • Raphaël Jérusalmy

Um thriller histórico sobre a luta das potências europeias para salvar uns livros e destruir outros. A importância do domínio do Conhecimento para mudar o mundo e colocar fim à idade das trevas. No final da Idade Média, pouco depois da invenção da prensa de Gutenberg, uma misteriosa conspiração tenta vencer o obscurantismo da Igreja Católica, difundir a liberdade de pensamento e contrariar os limites da Inquisição. «Os caçadores de livros é um romance inteligente sobre uma missão clandestina contra o Vaticano com o objectivo de preservar manuscritos antigos.» –The New York Times.

Mulheres • Charles Bukowski

Escritor marginal e alcoólico inveterado, Henry Chinaski é um sobrevivente. Aos 50 anos, após décadas de biscates mal pagos e sem futuro, a estourar dinheiro com mulheres e copos, a sua carreira como poeta lança-o finalmente para o estrelato. Romance semi-autobiográfico, Mulheres é um relato brutalmente humano e honesto de noites intoxicadas e mulheres perdidas.


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entrevista

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as artes do fogo, a cerâmica, o vidro, a joalharia e a cutelaria, a primeira transporta uma carga eivada a ocidente de uma ancestralidade que remonta ao Livro do Génesis e ao sopro divino. Marta Cristina Carvalho nasceu em Coimbra, em 1964. Entre 1986 e 87 obtém um diploma de moldes para a indústria da cerâmica. No ano seguinte trabalhou na indústria cerâmica portuguesa. Entre 1988 e 1990 frequentou o curso de escultura da Escola Superior de Belas Artes do Porto. Em 1990 lançou-se à aventura e veio para a Ásia por onde deambulou até poisar em Macau e aqui trabalhar como designer gráfica. Em 1993 levanta âncora e viaja para o Japão onde trabalha com ceramistas nipónicos. Em 1994-94 torna-se ceramista residente no Parque Cultural de Cerâmica de Shigaraki. Em 1995-96, em parttime, torna-se professora convidada assistente do Departamento de Cerâmica da Universidade de Arte e Design de Kyoto. Em 1996, apenas três anos depois de chegar a Kyoto, na região de Kansai, tornase ceramista independente, viajando frequentemente para Macau para expor e ensinar.

Da leitura da sua resumida biografia e curriculum nota-se uma grande irrequietude até chegar ao Japão, onde já reside há 22 anos. O que é que a prendeu à prática da cerâmica no Japão? A prática da cerâmica no Japão quase foi como uma consequência natural de me encontrar na Ásia precisamente na altura em que, como artista, procurava o meu próprio caminho e expressão estética. A cerâmica sempre foi uma constante presença na minha vida, por ter nascido numa família com ligações a essa indústria. O meu pai, como geólogo, encontrou muitos dos existentes jazigos de matéria prima para a indústria

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Marta Cristina Carvalho ceramista

O barro e o sopro cerâmica portuguesa e muitas vezes levava-me a trabalho de campo, onde sempre havia descobertas de muitos minerais, muitas vezes quartzos raros e outros de origem muito específica daquela zona atlântica. Desde adolescente que passava os tempos livres a trabalhar com esse lado da minha família, que possuía ateliers de cerâmica artística também. Quando abandonei um curso de Geologia para Escultura, iniciei a cerâmica paralelamente com um curso técnico, mas sem qualquer intenção profissional. Era-me natural poder trabalhar em algum ramo da cerâmica para poder financiar por alguns anos a universidade onde estudava, no Porto. Acontece que, quando na Ásia, tocou-me novamente a curiosidade de conhecer novas técnicas , materiais e outras maneiras de ver a cerâmica. E [isso] levou-me ao Japão, [país] pelo qual tinha um especial interesse. Sendo portuguesa, e com curso de moldes de cerâmica, frequência em cerâmica industrial e curso de escultura na ESBAP, existe algum vestígio ocidental na cerâmica que faz desde que chegou ao Japão? Começo por dizer que nunca acabei o curso da ESBAP, pois na altura algo do ambiente académico não me satisfez como artista e senti naquela altura particular que tudo o que tinha para ‘’estudar’’, ou procurar , como artista não precisava de ser numa coisa chamada escola. Quanto a influências culturais acho que é impossível nos livrarmos da nossa cultura e das influências estéticas e emocionais do sítio que nos fez crescer. Como tal, e mesmo já vivendo no Japão quase há tantos anos como os que vivi em Portugal, em grande parte do meu trabalho tenho que admitir que possuo uma visão bastante ocidental, apesar de tudo. Quero dizer que, mesmo nas minhas peças de uso utilitário, a componente artesanal e tecnologia de materiais, bem como a visão filosófica que os japoneses têm re-

lativamente aos materiais usados na cerâmica, apesar de ser importante, não toma no meu caso um papel relevante ou fundamental. De uma maneira simplista diria que os japoneses vêem qualquer que sejam as ‘arts and crafts’ no sentido “matéria-forma-estética” e o ocidente no sentido “estética-forma-matéria”. O shintoísmo - religião primordial no Japão tem muito a ver com este fenómeno. É importante a técnica na feitura de cerâmicas? Sendo a cerâmica tão vasta e complexa em termos de técnicas, materiais e possibilidades desses minerais serem transformados em algo pela mão do homem, artista ou artesão, acabei por perceber que não seria nunca um potter ou oleiro. Isso no sentido em que a busca de técnicas para conseguir milhares de efeitos derivados de diferentes barros, cores ou certos resultados nas queimas consome por assim dizer toda a energia e tempo disponível na vida inteira de um ceramista. Aperfeiçoar técnicas exaustivamente a todos esses níveis nunca foi no meu trabalho o mais importante. Na realidade, a busca na cerâmica, para mim, é mais centrada em encontrar uma verdade, uma expressão própria e inerente quase que universal em qualquer ma-

terial, como também a madeira terá ou o metal e, por assim dizer, todos os materiais. Então consegui ultrapassar finalmente o factor ‘’os materiais’’. Ou seja, o que acontece no meu trabalho muitas vezes até no mais ‘’utilitário’’ - é quase um paradoxo. Na realidade os materiais são tão essenciais quanto pouca relevância têm. Pode ser um qualquer, mesmo plástico... apenas emergem, este ou aquele, pela necessidade de encontrar uma mais perfeita composição, cor, equilíbrio ou expressão.

Exposição e Workshop em Novembro Kristina Mar, nome artístico de Marta Cristina Carvalho, apresenta a 3 de Novembro, na Fundação Rui Cunha, uma exposição do seu trabalho, pelas 18h30. “Ceramic for Life” é o nome da exposição, que estará patente até 10 de Novembro. Além disso, Kristina Mar dá ainda um workshop de técnica ‘’Kintsugi’’, a arte japonesa de emendar e restaurar objectos com laca natural e ouro ou prata. O workshop terá lugar no Centro de Design de Macau nos dias 7 e 8 de Novembro, das 16h às 20h e das 16h às 19h, respectivamente. Todos os materiais estão incluídos, devendo os participantes levar uma peça quebrada, ou apenas para retocar ou alterar visualmente, em cerâmica, vidro ou madeira. Há ainda tempo para uma apresentação sobre a técnica e aplicações desta por novos designers e artistas contemporâneos, no sábado, pelo que o workshop será direccionado no sentido de incentivar novas aplicações desta técnica de mais de 400 anos, personalizando assim, cada objecto restaurado. As inscrições podem ser feitas através de www. facebook.com/macaudesigncentre ou por email para kristinamar8@mac. com, ou telefone 28520335 / 66534838. O curso tem um número limitado de participantes pelo que será dada prioridade pela ordem de inscrição.

A cerâmica japonesa é altamente apreciada pelos japoneses e, por ser utilitária, não deixa de ser menos artística. Esta atitude e visão contradiz de certo modo aquele paradigma ocidental que diz que a arte, para o ser, não pode ter uma utilidade? Esta questão é complexa e só pode ser vista à luz de um conceito de beleza muito próprio e inato aos japoneses. Na realidade até na cerimónia do chá, que é onde se atinge o auge deste conceito, por estranho que pareça, ia buscar tigelas com várias outras funções e objectos que não eram feitos por japoneses. Muitas tigelas e escolas de chá usaram e apreciaram tigelas e utensílios até de diferentes eras na história, encontrados na China e Coreia. Isto apenas prova que não são as técnicas ou tradições de um artesanato japonês, e o seu aperfeiçoamento ate à exaustão que podem levar a que um objecto seja tido como de grande valor artístico para satisfazer o conceito de beleza nos Japoneses. A existência do conceito wabi sabi, ou os três iis, imperfeito, impermanente, incompleto, derivado de ensinamentos budistas e associado a outras influências shintoístas como


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a assimetria, simplicidade, austeridade e sentido de economia de meios na concepção dos objectos e uso de imagem, cria uma sensação de intimidade profunda com a natureza. E é assim que esses objectos, de uma ingenuidade íntegra, criam um muito particular conceito de estética, pelo que objectos de uso diário, podem também ser elevados por tal, ao mais alto sentido artístico. Além do barro, que outros materiais utiliza para as suas peças? Considera-se pioneira na utilização dos diversos materiais e na sua combinação? Há muitos artistas que combinam materiais, mas sim cada um encontra o seu caminho e expressão e nesse sentido todo o artista é pioneiro em algo. Uso muito o

“Encontrei Macau numa fase importante de mudança da minha vida e, como tal, voltar, ver as diferenças e, se puder, fazer algo por Macau com alguma exposição ou algum workshop em que possa ajudar com novos conhecimentos e ideias estará sempre nos meus planos e será sempre um prazer”

fundação rui cunha

“A busca na cerâmica, para mim, é mais centrada em encontrar uma verdade, uma expressão própria e inerente quase que universal em qualquer material, como também a madeira terá ou o metal e, por assim dizer, todos os materiais”

fundação rui cunha

à conversa com António Conceição Júnior

gesso, que é considerado um material menos nobre na cerâmica e escultura, pelas suas características de pouca durabilidade, mas que para mim é um material rico e infinito de possibilidades técnicas e expressivas. Também uso metal e madeira e vidro fundido, não uso vidro soprado, esse só muito esporadicamente. Combino, para além disso, técnicas de gravura e serigrafia em todos esses materiais, sejam essas impressões feitas depois cozidas a alta temperatura ou não. Como é a vida cultural no Japão e como se consegue expor em galerias no Japão? Acho como um pouco em todo lado, ou se entra num círculo de galerias comerciais, depois de se apresentar ou ser apresentado, que fazem contratos com os artistas e os representam, ou se apresenta o trabalho a galerias para exposições esporádicas e as que gostam convidam para expor. No entanto, no Japão há uma grande quantidade de galerias que são alugadas e artistas que querem estar independentes de horários e restrições de vária índole por parte das galerias de convite, acabam por uma ou duas vezes por ano alugar e pagar

as suas próprias galerias. No entanto, todas as vendas são na mesma divididas pelo artista e galerista, independentemente de serem ou não alugadas pelos artistas. No caso de trabalho mais artesanal e funcional há uma grande variedade de lojas/galerias que vendem à comissão fazendo exposição individual por uma semana ou duas e que depois têm sempre algum stock em exposição permanente na loja de trabalhos dos artistas que vão expondo ao longo do ano. Mas estas embora sejam em maior número são no fundo lojas mais dedicadas a peças de artesanato e uso mais comum, pois faz parte da vida quotidiana dos japoneses usarem louça feita à mão, por razões de tradição, noção de conforto, noções de estética, etc . Há depois galerias , no mundo da cultura à volta da cerimónia do chá, que são bastante estanques do resto das galerias de arte e mesmo artesanato. Todos os instrumentos usados na cerimónia do chá são tidos como peças fundamentais de todo um ritual e filosofia onde a tigela de chá, por exemplo, é mais um item, a par de chaleira em metal, colheres em bambu, instrumentos de queimar incenso ou preparar cinzas para ferver a água etc. etc.

A tigela de chá em cerâmica na cerimónia do chá não é tida como artesanato, terá de ser sem dúvida um objecto de contemplação já elevado a um outro nível a que o artesanato por si só não satisfaz, mais perto de um objecto de arte, que tem tanto valor artístico por si só como a capacidade de criar um ambiente ou um espaço emocional, mais perto de um conceito existente na escultura e mesmo em muita da pintura. Continua ligada a Macau. Por quê? Em Macau continuam amigos queridos e, às vezes sinto, que existe também um pouco de Portugal aqui à mão de semear. Para além disso encontrei Macau numa fase importante de mudança da minha vida e, como tal, voltar, ver as diferenças e, se puder, fazer algo por Macau com alguma exposição ou algum workshop em que possa ajudar com novos conhecimentos e ideias estará sempre nos meus planos e será sempre um prazer.

EXPOSIÇÕES E PRÉMIOS • Mostras individuais

• Colectivas

Casa de Portugal, MACAU

OPEN AIR CLAY WORK IN KYOTO ‘94

Galeria ESPRIT NOVEAU, OKAYAMA Galeria MARONIE, KYOTO

1ª. BIENAL DE MACAU, MACAU, YAMAGAZAKI

Galeria AKANE, KYOTO

WAVE*WAVE SHIGARAKI

fundação rui cunha

TAKASHIMAYA DEP. STORE, KYOTO

TACHIBANA gallery,TOKYO

Galeria NISHIKAWA, KYOTO

2 ARTITS SHOW, SpaceTRY, TOKYO

Galeria HAKU, OSAKA

SELECTED ITEMS, SpaceTRY, TOKYO

Museu de Arte de Macau, MACAU INAX Gallery, TOKYO

2 ARTISTS SHOW, Embaixada de Portugal , TOKYO

Galeria KITANOZAKA,KOBE

OSAKA DAIMARU Dep. Store, OSAKA

Galeria RERUN, TAKARAZUKA

Galeria SUKI, NAGOYA

Galeria JIKU22, KAWANISHI

INAX gallery, TOKONAME

Galeria BONTON, KOBE, Galeria YUYUBON,KYOTO

Galeria UTSUWAKAN, KYOTO NIKKI galeria SATSU , TOKYO

Albergue SCM, MACAU

Galeria BERTIN POIRE, PARIS Galeria KITANOZAKA, KOBE Galeria CLAUDIA BOLLAG, SUIÇA Espaço GYRE, Omotesando, TOKYO

• PRÉMIOS E CONCURSOS 1a. Exposição de artistas do Porto. Prémio de têxteis Bienal Internacional de Arte de Cerveira, Portugal Prémio na Exposição de Artesanato da Asahi ‘94, Japão Prémio SHINCHIYUMEIKAI,MIHO MUSEUM, SHIGARAKI,1999 3/4 PORCELAINE IZUSHI TRIENAL, IZUSHI 52 FAENZA CONTEMPORARY CERAMIC ART COMPETITION, ITALIA 2000/2, 5/6MINO INTERNATIONAL CERAMIC COMPETITION,JAPAN Medalha de Bronze2004, 7MINO INTERNATIONAL CERAMIC COMPETITION 2008, ANDENNE INT.CERAMIC BIENNAL, BELGIQUE


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artes, letras e ideias

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O Fim da dinastia Song do Sul

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A fuga da corte Song do Sul Em 1274, uma força mongol de duzentos mil homens, comandada por Bayan, entrou por terra e pelas águas do Grande Canal no território Song do Sul. No ano seguinte, após a Batalha de Wuhu, as forças Song do Sul comandadas por Jia Sidao foram vencidas. Em 1276, os mongóis marchavam sobre Lin’an, a capital dos Song do Sul e ocuparam-na. Zhao Xian, que em 1274 se tornara com cinco anos o Imperador Gong, foi em 1276 levado como prisioneiro para Norte, onde entrando num mosteiro se tornou monge. O que restava da realeza Song do Sul, Duan Zong e o seu irmão mais novo Zhao Bing acompanhados pela Imperatriz Yang conseguiram escapar e acompanhados por pessoas da corte, militares, oficiais e civis fugiram para Sul, em direcção a Fujian, tendo como destino final a Ilha de Hainan. O inicial grupo ao longo do caminho foi engrossando com os familiares dos mandarins

e com muitos dos que trabalhavam ao serviço dos Song do Sul, cujo território se estendia pelo Sudeste, pelas actuais províncias de Fujiam, Guangdong e Hainan. Também receando as represálias dos mongóis, na passagem por Fujian, muitos oficiais naturais desta província e suas famílias, se juntaram à corte fugitiva. Assim o grupo atingiu o meio milhão de pessoas. Em Fuzhou, Duan Zong com sete anos tornou-se o Imperador Zhao Shi (1276-1278). Por aí devem ter passado mais de um ano já que as datas só nos falam desta corte fugitiva no ano de 1278. Chegados a Quanzhou, tentaram alugar barcos para continuarem viagem, agora por mar até Leizhou, junto à Ilha de Hainan e onde se preparavam para estabelecer a corte. No entanto, o muçulmano árabe mercador Pu Shou® José Simões Morais

a Batalha Naval de Yamen, na embocadura de um dos ramos do Rio Oeste, próximo de Macau, foi onde a dinastia Song do Sul teve o seu fim, corria o dia 19 de Março de 1279. Os duzentos e cinquenta sobreviventes partindo por terra, foram-se refugiando nas aldeias próximas e o que restou desse grupo chegou a Haojing, onde se estabeleceu. Em 1206, surgiu Tai Zu no trono da tribo dos mongóis, que deu o nome ao povo. Tai Zu subordinou todas as outras tribos e através duma assembleia do povo, tornou-se Gengis-Khan. Começou em 1211 a invasão da China, conseguindo atravessar a muralha em 1213, conquistando Beijing dois anos mais tarde. Os mongóis usavam uma táctica de guerra revolucionária (estudada mais tarde por Napoleão) e que consistia em ataques aos flancos, centralização e fuga fingida, o que originava massacres. Após terminarem com a dinastia Jin em 1234, passam no ano seguinte a atacar os Song do Sul, que era uma dinastia virada para as artes e letras e que dava reduzida atenção e importância à parte militar. A dinastia Song do Sul durou até à conquista dos mongóis em 1279, apesar da sua capital Lin’an ter caído em 1276. Lin’an, a actual cidade de Hangzhou, capital da província de Zhejiang foi durante 149 anos a capital da dinastia Song do Sul (1127-1279).

geng, muito provavelmente nativo da China, que era também o oficial que administrava os barcos naquele porto, percebendo que cairia em desgraça perante os mongóis, que já se preparavam para ocupar os destinos da China, ou porque aqueles barcos lhe faziam falta para as suas marítimas viagens comerciais, não os cedeu. Por isso, os navios foram tomados pela força. No mar, já em frente da província de Guangdong, foram apanhados por um tufão e apesar de muitos naufragarem, outros conseguiram chegar a porto seguro. O imperador que tinha sobrevivido, foi em terra acometido de uma doença súbita e morreu no Delta do Rio das Pérolas, em Lantou (hoje território da Região Administrativa Especial de Hong Kong e onde foi construído o novo aeroporto). Assim, com

cinco anos Zhao Bing em 1278 subiu ao trono da dinastia nómada dos Song do Sul, tornando-se o nono e último imperador da dinastia Song do Sul, como Bing Di (1278-1279). Com os barcos que sobraram, o novo imperador acompanhado pelos seus tutores e oficiais zarparam para um local mais seguro. De novo navegando pelo mar, chegavam ao Sul do actual concelho de Xinhui, no distrito de Jiangmen (porta do rio) província de Guangdong, quando viram a enorme armada mongol que vinha no seu encalço. Para se esconderem, entraram por um dos ramos do Rio Xi (Oeste) e encontravam-se na foz do afluente Rio Tan, em frente ao Forte de Yamen, quando foram alcançados pela armada mongol. O Forte de Yamen está situado a Leste do Monte Ya e com o Monte Tangping a


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José Simões Morais

Quando os portugueses chegaram à península de Haojing e colocaram as suas mercadorias a secar, encontraram na zona de Mong Há, um dos dois povoados existentes. Eram os descendentes da dinastia Song do Sul, que aproximadamente há 250 anos aqui viviam Oeste formam como que uma entrada e por isso o nome de Yamen (Entrada dos Penhascos). Foi o forte construído ao nível da água, entre os anos de 1131 e 1162, durante a dinastia Song e reconstruído em 1809, tendo na I Guerra do Ópio albergado as tropas de Lin Zexu. Os barcos que transportavam o restante da corte nómada foram apanha-

dos pela armada mongol na baía em frente ao Forte Yamen e aí se desenrolou a batalha naval, que durou vinte e dois dias e envolveu mil barcos.

A Batalha de Yamen Após quase três anos passados e mais de metade dos que tinham fugido de Lin’an terem morrido, as forças navais mongóis partem em perseguição da nómada corte Song do Sul. O General Zhang Hongfan, um antigo oficial Song que se tinha colocado ao serviço dos mongóis, comandava um exército de vinte mil homens, enquanto o oficial Song Zhang Shijie se encontrava à frente de duzentas mil pessoas, sem alguma disciplina, nem treino militar ou marítimo. Por não possuir grande experiência em combates navais, Zhang Shijie, o comandante da dinastia Song do Sul, saindo do mar entrou pelo Rio Tan e foi alcançado em frente à povoação de Yamen. Sem espaço de manobra, co-

locou a sua frota de maneira a que os barcos dos mongóis os cercaram e sem possibilidade de desembarcarem para terra, nem fugirem, estavam a ser rapidamente derrotados. Zhang Shijie retirou-se com dez barcos, para os conseguir posicionar e manter o poder de combate, mas já era tarde. Vendo a derrota iminente, o oficial superior Lu Xiufu pegou no Imperador Zhao Bing e saltou para a água, fugindo assim de serem capturados pelos mongóis, preferindo a morte por afogamento, tal como fez a Imperatriz Yang. Em 19 de Março de 1279 as forças dos Song do Sul estavam aniquiladas. Zhang Shijie, ao regressar ao grupo dos seus barcos, já derrotados, encontrou o corpo da mãe do imperador a boiar na água, já sem vida. Mais tarde, Zhang foi apanhado por uma tempestade e morreu também afogado. A área desta batalha situa-se entre a aldeia Guanchong e o Norte do Lago Yinzhou, a Sul do Monte Yamen. Aí, se encontra o túmulo da mãe do Imperador Bing e uma pedra, cuja lenda diz marcar o local onde Lu Xiufu e o imperador saltaram para a água. Visitámos o templo em 2005 e nessa altura encontrava-se em profundo restauro. O altar, com a estátua da imperatriz-mãe e o túmulo, estava coberto por um plástico para a tinta com que se decorava os tectos nele não pingasse. O recinto do templo, que até aí tinha sido de pequenas dimensões, estava a ser ampliado e arranjado para receber grande quantidade de turistas. Visitado o templo, vamos à procura de um rochedo cuja lenda diz marcar o local onde Lu Xiufu e o imperador saltaram para a água e onde o comandante da armada mongol, o general Zhang Hongfan mandou gravar algumas palavras sobre a vitória das forças de Kublai-Khan. Perguntando o local dessa pedra, que assinala o fim da dinastia Song do Sul, indicam-nos a uma distância de cinco quilómetros do forte e a dois do templo, mas como as estradas se bifurcam é difícil encontrar o local. Estamos perto, quando a estrada dá para um portão. Guardado por soldados, não nos deixaram entrar no recinto onde a rocha se encontra, por ser

A dinastia Song do Sul durou até à conquista dos mongóis em 1279, apesar da sua capital Lin’an ter caído em 1276. Lin’an, a actual cidade de Hangzhou, capital da província de Zhejiang foi durante 149 anos a capital da dinastia Song do Sul (1127-1279) uma base naval da marinha chinesa, logo vedada ao público. Assim seguimos para a visita do Museu comemorativo desta batalha, situado na outra margem do rio. Depois da Batalha de Yamen, que marcou o fim da dinastia Song do Sul, o que sobrou desse grupo, cerca de duzentas e cinquenta pessoas, daí fugiu e foi-se escondendo, criando aldeias, sendo uma delas Haojing, nome talvez proveniente de haver muitas vieiras (hao, 蠔) nas límpidas águas que refletiam como espelho (jin, 鏡), era como na altura se chamava Macau. Assim, em 1279 esse grupo estabeleceu-se na parte Norte da península de Haojing e dedicou-se à agricultura, construindo as suas casas na encosta Sul da colina de Mong-Há (que significa olhar para baixo). Conta-nos Ana Maria Amaro, que os fundadores de Mong-há-tchún deram ao lugar o nome de Monte Dourado, devido ao local ser de rochas graníticas. Os primeiros habitantes da zona foram indivíduos de apelido Kái, Lou, Pou, Tin, Hó e Sam, seguidos pelos Hói, Tcheong, Lam e Tchan, o que corresponde a serem provenientes de diferentes famílias e algumas da província de Fuquiam, o que poderá confirmar a história anterior. A península era seguramente ponto de passagem e de encontro para pescadores e mareantes e aí existia, não se sabe desde quando, uma pequena povoação de pescadores e mareantes na parte Sul junto ao Templo da Barra e dedicado à deusa Mãe A-Má. Podia ser a família Kái, que vivia afastada do Monte Mong Há e se dedicava à pesca. As suas casas, situadas na parte Oeste da Colina da Penha, ficavam assim abrigadas das intempéries. Assim, quando os portugueses chegaram à península de Haojing e colocaram as suas mercadorias a secar, encontraram na zona de Mong Há, um dos dois povoados existentes. Eram os descendentes da dinastia Song do Sul, que aproximadamente há 250 anos aqui viviam.


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Litania. Oásis de monotonia

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ma palavra bonita, litania. Como ladainha. Gosto de ladainhas e nem seria preciso dizer. Já lengalenga, da vox populi, lembra-me coisas de uma dolência entediada, de cadências lenganhosas. Lesmas e outras imagens empasteladas. Encadeados de palavras entorpecentes, músicas repetitivas, mesmo as do minimalismo. Isso sim. Outras como chicote. Também. E os ritmos cardíacos. Os da respiração. Os mais secretos das células que reorganizam o seu destino e que pode ser pavoroso, prefiro ignorar. Isso ou a eternidade. Há que escolher. Ilusões. Conduzia de janela aberta. Uma pena leve poisou-me no casaco. Muito pequena. Pensei, Lá está ele. A brincar. É que às vezes tenho a sensação de que o meu anjo anda por aí. Eu deitava-a pela janela, por nada, que não me fazia mal, e ela voltava leve e teimosa. Lembro sempre a expressão de desagrado da minha avó: “Penas”… Ela pensava, pesares. Mas era mais uma pequena penugem, daquelas por debaixo das outras penas, e que servem para manter a temperatura. Faz sentido porque já sopra aquela aragem fresca que arrasta as folhas e anuncia dias piores. Se fosse uma pena não distinguiria se era da asa ou do coração. O anjo mais sorumbático, ensimesmado, macambúzio. Sempre cabisbaixo e embezerrado. Acabrunhado. Mas ao seu modo, com o gosto de brincar. Não há nada mais irresistível do que um ser cuja alma brinca por detrás de um fácies soturno. Supondo que os anjos tenham alma. Isto dos anjos precisava de ser mais bem explicado. Mas é uma coisa de mais de trinta anos, também não o vai ser por agora. Lá atrás, professores de pintura entenderam a questão plástica, o vôo, a elevação das ogivas em flecha, os movimentos, os ritmos e pesos da questão. Plástica. Depois caíram. Os meus anjos. Vieram como tinha que ser. Já um filósofo, amigo do meu amor à época, heideggeriano daqueles sempre de mão na cabeça a suster reflexões demasiado pesadas, dizia reflectirem a minha necessidade de salvação, personificada nele – o meu amor à época Que parvoíce medonha, foi o que pensei. Do amor uma pessoa não quer ser salva, quer a possibilidade de se perder e não menos de se encontrar. Ou é a mesma coisa. Mas isso ficou para pensar mais tarde e ainda não chegou a altura. Suponho.

Tenho vários anjos. O que ficou para sempre naquela idade logo a seguir à infância em que nunca o conheci, o que ficou para sempre naquela idade de idoso, que foi a idade de sempre, em que sempre o conheci. Curiosamente talvez a idade que tenho hoje ou menos ainda. E por isso me sinto estranha. Com o que em mim cresceu e com o que em mim não cresceu. Dois escuros e um luminoso. Nos olhos, quero dizer. Dois, escuridão e um, claridade, de um verde transparente e sonhador. O mais sóbrio deles, afinal. Estão ali quando consigo invoca-los. Ou o permitem. Mais nada. Aqueles cujo olhar gosto de imaginar que me acompanha. Por aí. De longe, acho. Vindo em continuidade do passado e passando por mim a mostrar não o caminho, mas que há caminho. Construção minha. Que existam como tal e mesmo assim. Que quero deles, nada. Minto. Que me embalem. Porque das pessoas quereria sempre se calhar demais. Mas é um work in progress. E não quero deles nada para não os comparar com elas. Gostar de litanias. Orações no culto cristão. Formas de rezar em que se responde com uma invocação breve e repetida, às preces que desfia quem dirige a oração. A repetição, a insistência, a súplica veemente. Na Liturgia das Horas, salmos e cânticos com esta forma na sua estrutura. Embaladora. A todas as horas do dia. Das Laudes às Completas. Para não desfocar. Ladainhas, com um poder hipnótico que induz ou agudiza a fé. Com palavras que não falam comigo. Mas o rogo e a súplica, assumidas em abstrato sem se as dirigir a ninguém, a nenhuma entidade, são talvez um desabafo de tonalidade possível. Como dizer Meu Deus, sem necessariamente invocar o possivelmente inexistente. Ou sinónimos daquilo que é repetitivo e enfadonho. De ramerrame. Da vontade de cair em letargia. Do que embala em forma de música, do que embala e repetidamente se ouve em segredo por tão excessivo. Do embalo das palavras. De conduzir sempre pelos mesmos caminhos mesmo que mais longos. Só pelo hábito e pelo conforto. De resistir à mudança. Alvin Toffler refere-o na Terceira vaga. Demasiada aceleração. Demasiados dados em confronto. Demasiadas mudanças, demasiada necessidade de adaptação. A alma reage como pode. Aquele há-

bito estranho de pessoas que se embalam, balançando o tronco para a frente e para trás. Observado em alguns portadores de autismo. Li um dia o relato de alguém com uma dessas síndromas, que explicava lucidamente a razão de ser. Demasiada sobrecarga de informação, de dados sensoriais a processar. Demasiados dados criam uma perturbação inconsciente e a necessidade de produzir uma reacção. Uma espécie de drenagem do excesso. E os outros que secretamente se embalam sentados em banquinhos baixos lendo pelas horas adiante como eu, à janela do quarto que tinha janela, porque o outro não tinha. Pelos anos fora. Quando liam, e a vida em si não era demasiada só por si, para lhe incorporar a vida de ficção. Personagens, lugares, sentimentos. Prisões alheias. Que depois deixaram de ter lugar. À janela. No banquinho azul da infância. Sem diagnóstico formado. Ou patinar de costas. Talvez por não se sentir tanto a resistência do ar. Descrever elipses vezes sem conta, em torno do rectângulo de um ringue semi-vazio, ganhar velocidade - o mais perto de voar que experimentei - até ao momento em que um grão de areia se imiscuía nos rolamentos das rodas e a queda era brutal. Mas era tão bom. Lá atrás. Melopeias, litanias, cantigas de embalar. Porque a vida me fez divergir e às vezes é demais. Gostar de ladainhas, de coisas que embalam porque existe por vezes a nostalgia do anterior à luz. Diria do útero materno se não fosse excessivo. Eventualmente a casa a que não se pode querer conscientemente voltar. O embalo da música que inconfessadamente repetimos até à intoxicação. Intoxicações várias, que podem ser de várias ordens sensitivas. Abanarmo-nos na infância como muitos continuam a fazer vida fora. Diagnosticados de autismos, síndromas várias que dificilmente entendemos porque em fuga dos padrões. Que padrões entendemos? E continuar a embalarmo-nos na juventude. Sentados em bancos pequenos que deixam o torso livre para tal, em horas de mergulho suicida na leitura. Alheamento completo do mundo. Pequena agenda, irrelevante como distúrbio. Outra espécie de retorno ao útero. Ou de mergulho para morrer temporariamente. E custar medonhamente o acordar. Coisas secretas. Porque é que algumas pessoas custam a levantar-se da cama. Porque

querem hibernar. Independentemente de amores e desamores. De objetivos a cumprir com paixão ou desafios a encarar com fervor. Dificuldades a ultrapassar ou o alívio final de chegar a algum lugar. Há pessoas que sentem tudo como demasiado difícil naquele momento de acordar, em que se pode reagir de imediato ou adiar até ao limite do possível a decisão de assumir o dia. E rotinas. A única que tenho sagrada, é uma caneca de café com leite ao acordar e quatro cigarros. Cinco, seis. Ou ser milongueira. Sempre que a vida dá. Para sempre desde que se começou e por ser a sério. As rotinas são boas ou talvez sinal de afogamento à vista. Ou de que se começa a ter uma certa idade. Dantes eu lia a tempo inteiro. Quase. O resto acontecia nos intervalos. Hoje não leio. Mas parece que escrevo a tempo inteiro. Quase. O resto arrasta-me contrafeita. Depois esqueço a contrariedade porque outros apelos se sobrepõem. E muitas vezes só por dentro. E por isso as frases dissolvem-se totalmente. Ou só uma parte. Ou misturam-se contorcidas umas nas outras no espaço limitado e labiríntico em que se movem. Umas por cima das outras. Às vezes transparentes deixando vislumbrar fragmentos das que ficaram por baixo. Para trás. E por vezes escrevo-as. Num semáforo. No caminho para apagar o fogão quando um cheiro a queimado me avisa de que me perdi por uns tempos. Sempre sabendo que não pode ser até me apetecer. Até me fartar. Eu gostava de me sentar a escrever para sempre. Nunca seria. Mas como se fosse. Portanto, dantes eu lia. Depois foram as palavras, já não vindas de baixo, do papel dos livros com cheiro a açúcar mascavado, mas de cima a escorregar à procura de um papel com o mesmo aroma. Que já não há. A tomar esse lugar no banquinho que poisado por ali, e um tanto esquecido e abandonado, ou por estar há um tempo longe da janela, e do quarto dos pais onde abria essa janela, de cortinas branco leitoso com muitos furinhos por onde entrava quase tudo o que avançava do lado de fora. Pouco espaço para palavras alheias. Mais perturbação ainda a somar às que se desprendem ininterruptamente, maçadoras insistentes, esquecidas, recuperadas, coladas provisoriamente em papelinhos. Tantas


artes, letras e ideias 19

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Anabela Canas

anabela canas

de tudo e de nada

palavras. E agora a terem que sair de novo. Não porque sejam especiais ou úteis as palavras, mas porque a vida em si é mais difícil. Dispersa, desarrumada. E elas precisam de escorrer por algum lado. Ocupam pouco espaço. Não necessitam de nada, não pedem nada. Só sair. Libertas. Finalmente silenciadas, a dar lugar a outras. Escrevê-las. Num lugar sossegado, sem horários e sem interrupções. Como se para sempre. Ou cristalizar. Se ao alcance de humanos, seria bom. E luminoso. Ou desenhar, como naquele papel de cartucho cinza claro com risquinhas vermelhas ou não, em que desenhava ou, outras vezes, recortava roupas de bone-

ca. Acho que só tive outro tipo de papel quando entrei para a escola. Aqueles cartuchos a cheirar, eles sim verdadeiramente a açúcar amarelo. E uns lápis pequeninos de bico grosso que ele me emprestava e que usava para traçar firmes e rigorosos traços na madeira. Saídos dos seus olhos transparentes e pensativos. O cheiro das raspas encaracoladas da madeira aplainada. Ofereceu-me a primeira plaina e um martelo pequeno, esguio, feitos por ele quando entrei em Belas Artes. O meu Kit de sobrevivência tomou rumos ecléticos. Escrever. Um outro culto. O das coisas. Das coisas em si e das coisas pelo sentido. Das palavras pelo sabor e

das palavras pelo sentido. Do lugar, espaço e tempo. Saber e não saber. Invasão de significados e a perturbação do excesso. Das ramificações divergentes. Exponenciais. Das demasiadas coisas em si. Dos excessivos sentidos nelas. Dos múltiplos lugares. Seres. Espaços e tempos passados e futuros. A perda de um e a perda do outro. Cada vez mais saber não saber. E querer fugir à invasão, à consternação perturbada da multiplicidade. Da complexidade revirada sobre si mesma numa confusão de interior e exterior, contínuos. Interior e logo já exterior sem transição. Interior, exterior. Uma coisa e uma outra coisa nela ou para além dela. Alternados só

pelos pontos de vista dependentes do tempo que não os pode fazer coincidir. Como Escher. A vontade de escrever as coisas todas. As pequeninas sobretudo. Contadinhas e esmiuçadas à medida que se sucedem. Na inteireza do tempo. Em tempo real. Litanias. Melopeias monótonas. Às horas. Minutos. Segundos. Agora. Aqui. O abismo do infinitamente pequeno fragmento de instante, partido e repartido a tender para o nada. O inalcançável presente. Que passou. Porque saltamos do passado- futuro, para o futuro-passado. E não estamos num nem noutro mas de passagem. Fugaz.


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( F ) utilidades

tempo

muito

?

nublado

min

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max

28

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hum

70-90%

•

euro

8.75

baht

0.22

Cineteatro

O que fazer esta semana Hoje Ópera “Fausto” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes entre as 200 e 600 patacas Exibição de filmes franceses MUST, 18h30 Entrada livre

yuan

1.25

Cinema

Bridge of spies Sala 1

14.15, 16.45,19.15, 21.45

Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Jill wong Com: Nina Paw, Helena Law, Susan Shaw, Jacquelin Chong 14.30, 21.45

Sala 3

Are you here [c]

Our times [b]

Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 16.30, 19.15

Sábado Fado com Denise Mourato e François Girouard Hotel Sheraton, piscinas, 19h00 às 21h00 Entrada livre

Sala 2

Bridge of spies [B]

Filme de: Steven Spielberg Com: Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan, Alan Alda

Ópera “Fausto” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes entre as 200 e 600 patacas

Bridge wars

Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Tony Chan Com:Angelababy, Ni Ni, Chen Xiao 14.15,17.45, 21.30

Are you here [c]

Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Jill wong Com: Nina Paw, Helena Law, Susan Shaw, Jacquelin Chong 14.30, 21.45

Goosebumps [b]

Filme de: Rob Letterman Com: Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush 16.45, 19.30

Aconteceu Hoje

Domingo

30 de outubro

“Bodies in Urban Spaces” (MAP, Babel) Lagos Nam Van, 10h00 e 19h00 Entrada livre Workshop “Flow: Yoga Dance Flow” Yogaloft Bilhetes a 300 patacas

Diariamente

Dilma Rousseff é eleita Presidente do Brasil

Exposição de Arte Contemporânea de Alex da Silva (Cabo Verde) Clube Militar (até 31/10) Entrada livre World Press Photo Casa Garden Entrada livre Exposição “Caminhada, Coração, Cidade” Residência Consular (até 8/11) Entrada livre Exposição “Funguli” Casa de exposições temporárias da Taipa (até 8/11) Exposição “Aguadas da Cidade Proibida”, de Charles Chauderlot (até 07/2016) Museu de Arte de Macau Entrada a cinco patacas

h o j e h á f i l m e “Inside Out” (Peter Docter e Ronnie Del Carmen, 2015) Já pensou como funciona o seu cérebro? Felicidade, tristeza, nojo, medo e raiva são as cinco principais formas de expressão emocional e são elas que controlam os actos e memórias de Riley, de 11 anos da idade. A menina tinha uma boa relação com os pais e amigos do hóquei, até que se mudou para outra cidade. A raiva, o nojo e o medo passaram a controlar a menina e a felicidade e a tristeza caíram num labirinto. Riley discutiu com amigos e família e queria fugir de casa e da escola. Será que a felicidade consegue voltar à sua vida? Flora Fong

• A 30 de Outubro de 2010, Dilma Rousseff é eleita a primeira mulher Presidente do Brasil. Dilma é economista e filiada no Partido dos Trabalhadores (PT), sendo ainda a actual presidente da República Federativa do Brasil. Durante o governo do ex-presidente Lula da Silva, assumiu a chefia do Ministério de Minas e Energia e posteriormente da Casa Civil. Em 2010, foi escolhida pelo PT para concorrer à eleição presidencial, cujo resultado tornou Dilma a primeira mulher a ser eleita para o posto de chefe de Estado e chefe de governo em toda a história do Brasil. A 26 de Outubro de 2014 foi reeleita. Nascida numa família de classe média alta, interessou-se pelo socialismo durante a juventude, logo após o Golpe Militar de 1964, e foi então que ingressou na luta armada de esquerda: tornou-se membro do Comando de Libertação Nacional (COLINA) e posteriormente da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) – ambas organizações que defendiam a luta armada contra o regime militar. Passou quase três anos presa (1970–1972): primeiro pelos militares da Operação Bandeirante (OBAN), onde foi torturada, e posteriormente pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Reconstruiu a sua vida no Rio Grande do Sul, onde, junto a Carlos Araújo, seu companheiro por mais de trinta anos, ajudou na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e participou em diversas campanhas eleitorais. Além de ser a primeira mulher presidente, Dilma também foi a primeira mulher a actuar como secretária da Fazenda de Porto Alegre, a primeira ministra de Minas e Energia do Brasil e a primeira chefe da Casa Civil, durante o Governo Lula.

fonte da inveja

Ética : nunca faças aos outros o que gostavas que te fizessem a ti.

João Corvo


opinião

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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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contramão

Um presunto e um galo

James Cameron, Titanic

1. Como se já não bastasse o ar que respiramos todos os dias. A Organização Mundial de Saúde veio esta semana dizer que as salsichas, o bacon e os enchidos são cancerígenos. A carne vermelha, às tantas, também faz muito mal. Mas certo, certo é que o presunto está no mesmo grupo de substâncias cancerígenas que o tabaco, o amianto e os gases de escape emitidos pelos motores a gasóleo. Quem diria. Em Hong Kong, onde se fazem as contas às pessoas que morrem por ano vítimas da poluição, também há estudos sobre os hábitos alimentares: os residentes comem três salsichas e meia e quase duas fatias de fiambre por semana. Estão condenados, os pobres coitados. Como se já não bastasse o ar que respiram todos os dias. Vivemos na era em que tudo faz mal. Comer vegetais faz mal, porque não sabemos de que é que são realmente feitos. Beber leite faz mal, porque não sei o quê. Comer carne faz mal. Comer peixe faz mal. Comer pão faz mal. E depois há ainda o glúten, a descoberta das mil e uma intolerâncias alimentares. E agora as alheiras e o salpicão e o presunto, bens essenciais que não me apetece dispensar – fazem parte do meu código genético. Fumar também faz mal, mas isso faz mesmo. Beber álcool também, embora hoje em dia o mundo científico nutra uma grande simpatia pelo vinho tinto. Em suma: viver faz mal. Quem vive em Macau – assim como aqueles que vivem em Hong Kong – sabe desde o primeiro dia que corre sérios riscos, sendo que o problema não é o presunto importado, a rara alheira de Mirandela ou o enlatado manhoso. Mesmo que seja vegan, faça 30 minutos de exercício físico por dia e a hora de meditação ao entardecer o tenha tornado completamente impávido e muito sereno, incapaz de se chatear com o trânsito, com a inflação e o mutismo selectivo de parte da população, está condenado o triste residente das regiões administrativas especiais. O problema é mesmo a inevitável respiração – sair à rua é uma coisa complicada, sobretudo por estes insalubres dias. Crianças e velhos trancados em casa, os que têm problemas respiratórios também. Os outros que tenham paciência e respirem o ar insuportável a que temos direito. Um dia destes o Governo faz um ano e começo a perder a esperança de

Há jetfoils sem cintos de segurança. A maioria tem apoios para os braços feitos de metal. Há várias embarcações com bancos velhos, desconfortáveis, com as marcas de muitos corpos transportados. Em caso de acidente, tudo isto conta. É diferente bater com a cabeça num bocado de ferro ou num pedaço de espuma que alguém se preocupe – a sério – com a poluição. Já sei que esta nuvem que nos cobre a cabeça e não é chuva vem de fora, que a culpa não é nossa, que estamos do Delta do Rio das Pérolas e por aí fora. Mas quem percorre o território diariamente não acredita na culpa externa: basta abrir os olhos e ver os autocarros velhos, as carrinhas e os camiões a desfazerem-se que andam por aí. São os tais gases de escape emitidos pelos motores a gasóleo – e frequentes vezes são gases que nem escape têm, que a viatura já deu o que tinha a dar. São salpicões sobre rodas, portanto. As autoridades não parecem estar particularmente preocupadas com a situação. Nunca vi nenhuma fumarenta carrinha ser multada. Talvez porque a polícia se preocupa mais com os veículos parados, aqueles que têm donos que se esqueceram

da moedinha no bolso, aqueles que têm donos que se esqueceram de acordar às 8 da manhã de domingo para não falharem o parquímetro que, à porta de casa, não lhes dá um dominical minuto de descanso, guardado que está por um zeloso agente das força de segurança. Quanto ao Governo, falta alguém com vontade de tornar Macau numa cidade habitável, onde se possa respirar fundo e menos fundo, que imponha técnicas de conservação energética e essas invenções modernas que, dizem os especialistas dos outros países, fazem poupar na conta da electricidade, com as devidas consequências para uma vida um bocadinho melhor. 2. A semana começou mal: mais de uma centena de pessoas feridas num acidente com um jetfoil que viajava de Macau para

Hong Kong. O barco embateu num misterioso objecto, embateu com força, e aquilo foi sangue por todos os lados. As imagens que nos chegaram são feias – e mais feias são porque podíamos ser nós. Quando a desgraça nos é próxima, torna-se mais forte. Não foi o primeiro acidente com um jetfoil. Aqui há uns anos falou-se muito na necessidade de melhorar as condições de segurança dos barcos, mas o assunto caiu no esquecimento. Há jetfoils sem cintos de segurança. A maioria tem apoios para os braços feitos de metal. Há várias embarcações com bancos velhos, desconfortáveis, com as marcas de muitos corpos transportados. Não há cintos de segurança, nem sistemas pensados para o transporte de crianças – que pagam como gente grande assim que completam um ano de idade. Em caso de acidente, tudo isto conta. É diferente bater com a cabeça num bocado de ferro ou num pedaço de espuma. Sabemos bem que o empresariado da região não se distingue por ser generoso nas actividades que desempenha profissionalmente, apesar de haver algum gosto por uma certa filantropia com fins meramente mediáticos. Mas falta a generosidade para com aqueles que sustentam os negócios: de um modo geral, o carpinteiro poupa na espessura da madeira dos armários e nas camadas de verniz, o empreiteiro economiza nos metros de fio eléctrico e de tubos, a companhia aérea da terra resolve o problema do catering com umas bolachinhas oferecidas em troca de publicidade. A Shun Tak – a proprietária do acidentado jetfoil, com fortes interesses também no imobiliário – triplicou os lucros no ano passado, em relação a 2013. Não é propriamente uma pequena e média empresa com problemas financeiros. Mas é poupadinha nas condições que oferece aos seus clientes, depois de anos de monopólio, sem concorrência no transporte entre Macau e Hong Kong. Porque o empresariado de Macau não é generoso, o Governo tem de o obrigar a ser, pelo menos, cuidadoso: talvez tenha chegado a hora de termos barcos com melhores condições, para que, da próxima vez, em vez de sangue sejam só galos na testa.


22 opinião

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André Ritchie

sorrindo sempre

E

s távamos na segunda metade dos anos 90 e não era, naqueles tempos, vulgar questionar-se o conceito do espaço Schengen, da moeda única e, enfim, todo o projecto europeu. Era tudo cor-de-rosa, fazia tudo sentido – qual crise económica, imigrantes do Leste ou refugiados Sírios. É nesse contexto que um sábio amigo meu, numa conversa sobre o futuro de Macau, diz-me assim: “numa altura em que na Europa abolimos as fronteiras e usufruímos da livre circulação, com Macau e Hong Kong a China vai criar fronteiras dentro do seu próprio país”. Essa observação, aparentemente simplista, tinha na verdade um significado bastante profundo. Possivelmente por essa razão tenha ficado bem guardada e fechada nas gavetas do meu pensamento para que, passados quase 20 anos, pudesse ser revisitada para uma nova reflexão num cenário completamente diferente e, então, inimaginável. O que vou contar passou-se recentemente.A história em si de piada tem pouco, mas merece ser contada pela extrema absurdidade da coisa e como testemunho das bizarras situações que podem ser criadas dentro de um país que decidiu ter dois sistemas. Éramos ao todo quatro colegas de serviço, a caminho de Zhuhai para uma reunião de trabalho. Foi tudo meticulosamente planeado e discutido com antecedência, nomeadamente a agenda da reunião e a língua a utilizar, que tivemos o cuidado de solicitar desde logo que fosse o cantonense, evitando assim qualquer tipo de desvantagem que o eventual uso do mandarim nos poderia trazer. Logisticamente, a minha assistente teve o cuidado de organizar o transporte para as Portas do Cerco, definindo rigorosamente as horas de partida, de regresso e os respectivos pontos de encontro, uma vez tratando-se da fronteira com o maior movimento em toda a China. Tínhamos acabado de chegar às Portas do Cerco e, para qualquer pessoa de fora que olhasse para nós, não havia nada de invulgar no nosso grupo que se resumia a quatro sujeitos locais, todos falantes de cantonense, fisicamente orientais, com feições bastante semelhantes até, e que, por algum motivo, vão juntos à China saindo de Macau – tal como os milhares à nossa volta que, todos os dias, atravessam a fronteira de forma afogosa. Só que afinal éramos todos diferentes. Quando nos aproximamos dos balcões da migração, subitamente apercebemo-nos de algo que fomos incapazes de antecipar: cada um de nós ia, afinal, utilizar uma combinação distinta de documentos de viagem para sair de Macau e entrar na China. O John (*), chinês natural de Macau, ia registar a sua saída com o BIR da RAEM e entrar na China com o wui heong cheng. (**) O Brian, chinês de Hong Kong (aliás Hong Kong Citizen, conforme gostam de se denominar) ia com o BIR da RAEHK e o wui heong cheng, respectivamente.

Steven Spielberg, The Terminal

Um país, muitos sistemas

Eu, maquista, tinha já na mão o BIR de Macau e o passaporte português com visto para a China de entradas múltiplas e prazo de dois anos. E agora o over the top: o Albert que, apesar de ser chinês originário de Hong Kong, e tão local como qualquer um de nós, é na verdade natural de Londres, Inglaterra. Para todos os efeitos, é cidadão das terras de Sua Majestade e, como tal, para ambos os territórios ia utilizar o único documento de viagem que possui para o efeito: o passaporte da Grã-Bretanha. Com a particularidade de que, para entrar na China, ia até estrear um visto novo com direito a... duas entradas apenas! Foi assim que no meio da típica confusão do primeiro andar do posto fronteiriço das Portas do Cerco, em que por alguma razão toda a gente atravessa a fronteira a correr – porventura com receio de uma eventual aparição do Coronel Mesquita liderando as tropas rumo à tomada do Passaleão – combinámos à pressa como ponto de encontro a zona logo à saída de Gongbei. E separámo-nos. Ora, o caríssimo leitor sabe muito bem o resultado dessas combinações feitas à pressa, pois certamente leu a edição anterior desta coluna em que me debrucei sobre a nossa abusiva dependência dos telemóveis para marcar encontros banais do dia-a-dia.

“Hoje apetece-me afirmar com alguma firmeza que acredito verdadeiramente na fórmula “um país, dois sistemas”. Não me arrepia nem um pouco que dentro do mesmo país haja dois ou mais sistemas e uma grande heterogeneidade cultural entre as suas gentes”

Quando cheguei a Gongbei e ao nosso suposto ponto de encontro, estava lá apenas o John. Foi o primeiro a despachar-se por ser portador dos documentos mais vantajosos para essa viagem em particular. Se o destino fosse a Europa, eu seria certamente o primeiro a chegar. Ficámos então à espera dos outros dois que por alguma razão nunca mais apareciam. A dada altura veio um polícia que nos mandou embora, pois não podíamos permanecer ali parados à porta do posto fronteiriço de Gongbei. Pelo que descemos as escadas rolantes que dão acesso ao célebre centro comercial subterrâneo. O que aconteceu nos 20 minutos seguintes podia facilmente figurar num filme do Woody Allen. A simplicíssima tarefa de comunicar a mudança do ponto de encontro aos nossos colegas Brian e Albert acabou por se tornar num verdadeiro bicho-de-sete-cabeças. Excerto de diálogo entre o Brian e o John: John: “Olha, estamos no centro comercial à vossa espera. Onde andam vocês? Sabes do Albert?” Brian: “Eu já me despachei. O Albert, a última vez que o vi estava ainda na fila para foreigners... Centro comercial? Passei pelo centro comercial e não vos vi!” John: “Passaste pelo centro comercial e não nos viste? Desceste as escadas rolantes?” Brian: “Escadas rolantes? Não vi nenhuma escada rolante, estás na zona do tabaco duty free?” John: “Não! Isso não é o centro comercial! Mas onde estás tu afinal? Já atravessaste a fronteira?” Brian: “Estou numa praça e não vejo nenhuma escada rolante! Devo voltar para trás ou não? Passo pela migração outra vez?” John: “Fica aí onde estás! Manda-me uma foto e já te dou indicações!” Três minutos depois liga o Brian ao John: Brian: “Não consigo enviar a foto! Estou com problemas de rede! Há pouco oAlbert ligou-me, teve problemas porque preencheu mal a ficha! Mas fiquei sem perceber onde estava porque a chamada caiu!” John: “Vai ao settings do telemóvel e liga o data roaming! Já deves estar com a rede da China!

É por isso que não consegues enviar a foto!” Brian: “Roaming? Mas aqui já conta como roaming?” Depois de muitos telefonemas e finalmente reunidos, conseguimos ainda assim chegar ao local da reunião antes da hora. Pelo que decidimos ir tomar um café ao Starbucks para refrescar a cabeça e esquecer toda aquela desnecessária aventura transfronteiriça. Do nosso pedido de macchiatos, lattes e frapuccinos em que identificámos as bebidas em inglês, a funcionária ao balcão pediu-nos que repetíssemos tudo, apontando para uma lista inteiramente escrita em chinês. Pois isto de se misturar cantonense com inglês é comum em Macau e em Hong Kong, mas na China nem tanto. E ela não percebeu nada do nosso pedido. “OK... Alguém sabe como se diz frapuccino em chinês?” Naturalmente, viemos a ter a mesma dificuldade na nossa reunião. Felizmente, valeram-me os 12 anos em que trabalhei no Governo e aprendi a falar cantonense decentemente, comme il faut. Já os meus colegas não tiveram a mesma facilidade: habituados a misturar termos técnicos em inglês no meio do cantonense, em diversas ocasiões ficaram encravados. É de facto irónico, mas facilmente compreensível para quem conhece bem o nosso meio. Apesar de tudo, a reunião correu bem e entendemo-nos perfeitamente. E a chave da questão está aqui: entendemo-nos porque nos quisemos entender; e ambas as partes fizeram um esforço para se entenderem. Caríssimo leitor, raramente falo de política na minha coluna, mas hoje apetece-me afirmar com alguma firmeza que acredito verdadeiramente na fórmula “um país, dois sistemas”. Não me arrepia nem um pouco que dentro do mesmo país haja dois ou mais sistemas e uma grande heterogeneidade cultural entre as suas gentes. Não vejo de facto problema nenhum e certamente não é isso que me faz sair à rua com a bandeira do antigo Leal Senado na mão a reclamar de forma bacoca o que quer que seja. Estamos muito bem assim. E que venham outros 50 anos.

Sorrindo sempre

Tanto build-up a antecipar a tão esperada conferência de imprensa da NASA, e afinal limitaram-se a anunciar – pela enésima vez – que existe água em Marte. Só que desta feita, dizem eles, apresentam provas irrefutáveis: imagens espectaculares que mostram muita coisa. Excepto o essencial, que se calhar todos queríamos ver: a água propriamente dita. Entre outros, a NASAdemonstrou dominar a técnica do filme erótico-não-pornográfico, que mostra e não mostra. A comunidade científica ficou excitada. Eu também não. Sorrindo sempre. (*) Todos os nomes deste artigo são fictícios. (**) Salvo-conduto emitido pelas autoridades chinesas.


Perfil

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facebook

Brook Yang, jornalista

“Macau precisa de promover mais o espírito académico” S

onhou cuidar de doentes e ajudar a curar as maleitas dos outros, mas acabou a escrever em Inglês sobre a realidade de um pequeno território no sul da China. Foi uma volta de 180º aquilo que aconteceu à jovem Brook Yang. Natural da cidade de Nanyang, província de Henan, Brook Yang estudou Jornalismo em Xangai e depois acabou por escolher a RAEM para fazer os seus estudos de pós-graduação. Mas antes não foi fácil o processo de entrada no ensino superior. “Queria tirar Medicina, mas a competição no exame nacional é muita, especialmente numa província com muita população mas com poucos recursos como é a minha. Candidatei-me a um programa de Jornalismo em Xangai, que só aceitou três candidatos em toda a província, mas não sei como fui escolhida. Não tínhamos hipótese de escolher outras opções ou de sequer deixar cair uma lágrima quando víssemos os resultados das candidaturas. Mas assim que o semestre começou, descobri que o jornalismo encaixava perfeitamente e que queria ter uma voz”, disse Brook Yang ao HM. Na hora de entrar na universidade, o Inglês acabou por representar o seu

calcanhar de Aquiles, mas hoje Brook Yang olha para isso com ironia. “Ainda me lembro de como o meu pai ficou desapontado por eu ter tirado 46 pontos em 100 no meu exame de Inglês. E quando soube que na Universidade de Macau (UM) se privilegiava o ensino do Inglês, então achei atractivo. Hoje acho engraçado o facto de me ter tornado uma jornalista de língua inglesa e isso é algo que me faz sentir bem nesta pequena cidade: sem quaisquer ligações podemos ter boas oportunidades.” A escolha de Macau acabou por surgir por intermédio de um amigo dos pais. “Foi uma escolha rápida para fazer os meus estudos de pós-graduação. Nessa altura falhei nos exames para entrar em Jornalismo em Pequim, especialmente no exame de Inglês. Nunca me candidatei a estudar no estrangeiro porque seria muito caro. Um amigo dos meus pais viu um anúncio da Universidade de Macau, que dizia que o período de candidaturas terminava dentro de três dias. Candidatei-me ao único programa da minha área – Comunicação e Novos Media. Foi assim que vim para Macau”, contou ao HM. Com os estudos terminados e à procura de novos desafios profissionais, Brook Yang quer continuar a viver a vida inten-

samente e a procurar coisas novas noutros lugares. A viver no território há algum tempo, a jovem chinesa já começa a olhar para o lado menos bom de uma sociedade de pequena dimensão. “A sociedade de Macau não parece integrada, apesar de ser multicultural e de ter muitos grupos de emigrantes, de diferentes lugares. A cidade é muito familiar para os rostos estrangeiros, mas há diferentes comunidades que vivem em mundos diferentes e muitos residentes não parecem ter uma atitude de respeito. Mas esta falta de atenção não se vê só nas pessoas mas também ao nível do ambiente e natureza. Vemos preocupação no consumo, grande desperdício de recursos e falta de reciclagem.” A jovem não deixa de apontar o dedo àqueles que fazem as leis e as políticas da RAEM. “Vemos muitos locais e deputados a construir lobbies para restringir o número de trabalhadores migrantes em espaços públicos e ao nível dos recursos e vemos trabalhadores da construção civil, da hotelaria, empregadas de limpeza que vivem em condições difíceis.”

Um bom lugar

A jovem jornalista considera que o ensino superior local ainda tem muito espaço

para crescer e aponta várias sugestões. “As universidades de Macau não estão suficientemente desenvolvidas para corresponder aos recursos do território e das suas ambições, mas estão a fazer esforços para melhorar. Contudo, construir mais infra-estruturas e atrair estudantes de fora não é suficiente para fazer uma universidade crescer. Macau precisa que as suas instituições promovam mais o espírito académico e as responsabilidades sociais.” Contudo, Brook Yang continua a achar que este é um bom lugar para os jovens do continente que buscam por novas experiências. “Para os estudantes da China, Macau representa um caminho para atingirem objectivos a nível académico. Quer estejam a estudar ou a trabalhar, é definitivamente uma experiência fora do comum do outro lado da fronteira. Comparando com Hong Kong e os países ocidentais, Macau é um sítio não muito caro e menos competitivo. Quem quer viver e trabalhar aqui, Macau pode ser um pouco mais confortável com boas paisagens, melhores salários e com fáceis acessos a outros países, com mais actividades de entretenimento”, concluiu. Andreia Sofia Silva

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Hoje Macau 30 OUT 2015 #3444 by Jornal Hoje Macau - Issuu