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Hoje Macau 3 SETEMBRO 2021 #4846

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PALCO PARA TODA A “OBRA”

CALÇADA PORTUGUESA

DE FAZER CHORAR AS PEDRAS

ARTE MACAU

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HOJE MACAU

TEATRO D. PEDRO V

PONTO DE ENCONTRO

20 PÁGINA 11

Nº 4846

SEXTA-FEIRA 3-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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MOP$10

PÁGINA 9

EVENTOS

hoje macau Há vinte anos, em tempos incertos, nascia este jornal. Hoje, a incerteza mantém-se, assim como os princípios que sempre nortearam o Hoje Macau ESPECIAL ANIVERSÁRIO

ENSINO

O pesoPÁGINA do 10estudo TRIGO D’ OURO

A boa PÁGINA sementeira 12 CHINA

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RegrasPÁGINAS e investimento 18-19


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ANOS

2001. Ano da Serpente. No dia 5 de Setembro nascia o Hoje Macau. Não eram tempos fáceis os primeiros anos da RAEM, sobretudo para a comunidade portuguesa remanescente. Muitos esqueceram, outros ainda se lembram. Da sensação de orfandade e da incerteza reinantes, se bem que habitadas por uma réstia de esperança misturada com amor à terra, que nos levara a ficar. Não sabíamos o que poderia acontecer, apesar dos discursos oficiais, ou como a população reagiria à nossa presença. Ouviam-se, por vezes, algumas vozes antiportuguesas, embora nunca tenham feito um coro suficientemente forte para apagar as palavras reconfortantes e securizantes que o então Chefe do Executivo Edmund Ho esporadicamente emitia. Eram tempos incertos quando o Hoje Macau nasceu. Tempos de luta e afirmação, de recolocação de pessoas em diferentes lugares, de emergência de novas elites, de conflitos dentro da própria comunicação social, de sedimentação de projectos em contexto de mudança extrema. Todos apalpávamos o terreno, na posse de poucas certezas. Nós, o Governo e a população. Lá fora, nesse mundo próximo e distante, seis dias depois de ter saído o primeiro número do Hoje Macau, acontecia o 11 de Setembro. (É agora tempo, vinte anos depois, de homenagear e agradecer a João Severino, proprietário e director do Macau Hoje, publicação que este jornal veio substituir. Foi graças a ele que o Hoje Macau nasceu e deu os primeiros passos, ainda amparado pela sua mão generosa. Durante o largo período que permaneceu em Macau, João Severino deixou uma marca indelével no jornalismo local que grande parte dos leitores lembra com saudade e que a História recordará.) Foi somente em 2003, depois do Governo Central ter designado Macau como ponte entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), que a nossa comunidade entendeu ter aqui uma plataforma de trabalho e a possibilidade de um contributo real para o crescimento e desenvolvimento da RAEM. Com estas directivas, Macau reafirmava a sua identidade única no contexto da nação chinesa, identidade que obrigatoriamente passava pela língua portuguesa e pela existência de relações de raízes seculares. A comunidade portuguesa poderia agora assumir um papel relevante na construção dos pilares e do tabuleiro das pontes que Pequim encarregava a RAEM de estabelecer. Por outras palavras, o Governo Central dava-nos argumentos para justificar a nossa presença. Ou, resumindo, a criação do Fórum Macau e a constante afirmação da RAEM como ponte para a Lusofonia fez-nos exalar um enorme e sincero suspiro de alívio. Nos anos seguintes, Macau entrou num processo desenfreado de crescimento que viria a durar cerca de década e meia. A liberalização do Jogo mudou o panorama da cidade em numerosos e profundos aspectos. Novos casinos e novas lojas mudaram o centro da cidade, o COTAI nasceu. Milhares de empregos bem remunerados elevaram de forma radical o nível de vida da população. Nem sempre o crescimento foi acompanhado por um desenvolvimento ecologicamente sustentado ou sequer preocupado com a qualidade de vida da população, mas

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O jornal e o elefante Carlos Morais José

Macau conheceu uma prosperidade fabulosa, que adveio do facto de se transformar na mais lucrativa praça de casinos do mundo. Entretanto, em 2008, estalava mais uma crise global. Nada que por aqui nos preocupasse. Mas Portugal entrou em profunda recessão, o que motivou uma emigração em massa, parte da qual aterrou em Macau onde, de uma forma geral, foi bem acolhida e encontrou meios para sobreviver. Eram pessoas diferentes das que por aqui haviam ficado, mais novas, com outros saberes e outros fazeres. A chegada de mais duas mil pessoas reforçou de forma significativa a nossa comunidade e foi motivo de regozijo generalizado, sobretudo para quem considera importante manter a inopinada presença lusófona, idosa de 500 anos, nesta pequena cidade do sul da China. Durante todo este período, a imprensa em língua portuguesa, ao contrário do que havia sido previsto, prosperou e consolidou-se. Três jornais diários, um semanário católico, outro bilingue, uma estação de rádio e outra de televisão, compõem o ramalhete de órgãos de comunicação social em língua portuguesa existente em Macau. O Hoje Macau foi lendo a realidade circundante, reflectindo sobre o seu papel e adoptando a forma que entendemos ser mais conveniente, útil aos nossos leitores e que nos agrada produzir. Assim, focámos a nossa atenção basicamente em assuntos locais, sejam eles de política, sociedade, desporto ou cultura. Se damos menos atenção a notícias internacionais ou de Portugal é porque sabemos terem os nossos leitores acesso a essa informação através de outros media melhor qualificados para o efeito. Assim, se exceptuarmos as notícias locais, o Hoje Macau preocupa-se em dar notícias da China e da Ásia, na medida em que são escassas no mundo de língua portuguesa, e em publicar artigos ou entrevistas cujo conteúdo ultrapassa a mera informação local e procuram, outrossim, estabelecer padrões éticos e políticos de comportamentos, de acordo com a nossa linha editorial, expressa desde o nosso primeiro número. Por outro lado, criámos a secção h, de artes, letras e ideias, na qual já contribuíram e contribuem escritores, artistas, pensadores e poetas relevantes da Lusofonia, fazendo assim com que o nome de Macau continuamente ressoe nos círculos literários e filosóficos dos PLP. Nesta mesma secção, promovemos ao longo dos anos a tradução sistemática de clássicos da poesia e do pensamento chinês, além de artigos sobre História de Macau e cultura chinesa de uma forma geral. Como diria Jacques de La Palice, tudo corria bem até começar a correr mal. Desde o início que sabíamos existirem em Hong Kong forças (estrangeiras, de Taiwan ou locais) que cuidavam poder fazer da RAEHK uma plataforma para atacar o Governo Central e o próprio país, ao abrigo da liberdade de expressão garantida pelo princípio “um país, dois sistemas”. Esses ataques foram tomando várias formas e exibindo variados pretextos mas alcançaram um ponto de viragem importante após 2016 e as

mudanças operadas no contexto internacional, nomeadamente a postura muito mais agressiva dos Estados Unidos face à China, explanada em diversas campanhas internacionais e as acções de ONG’s patrocinadas pela CIA, o Congresso americano ou seus derivados. Hong Kong era o terreno ideal para lançar sombras sobre as esperadas acções do Governo chinês. Ideias de mais autonomia e até independência começaram a ser veiculadas em vários níveis comunicacionais mas que tinham sempre como alvo preferencial a juventude. Os 1000 (!) funcionários do consulado dos EUA em Hong Kong não ficaram inactivos e de mãos a abanar. Na óptica chinesa, as garantias e os direitos vigentes no segundo sistema não podiam de modo nenhum ser utilizados para atacar o país ou o seu Governo. Pequim compreendeu a situação e exigiu “patriotismo” aos candidatos a Chefe do Executivo nas eleições de 2017. A rua explodiu, o Governo local estremeceu e as eleições nunca chegaram a acontecer.

para obter visibilidade, apoio e sanções contra a RAEHK e o país, portanto, tudo indicava estarmos perante esquemas bem planeados e preparados para manter o caos vivo nas ruas da cidade. E, durante meses, assim aconteceu. Hong Kong manteve-se paralisada e o seu Governo mostrou-se impotente para resolver o problema. Do lado dos activistas e, sobretudo, dos seus títeres, anunciavam-se tanques e tropas do outro lado da fronteira, rezava-se por uma intervenção militar que reavivasse os fantasmas de Tiananmen. Mas Pequim não mandou tropas, mandou uma lei. Chamou-lhe “de segurança nacional”. E com isto deixou todos com as calças na mão e a caminho do tribunal. Do resto rezará a História, conforme quem a contar.

O pretexto seguinte foi uma “casca de banana” chamada lei da extradição, na qual o Governo de Hong Kong escorregou sem pensar duas vezes. Pedida pela justiça de Taiwan para obter a extradição de um cidadão de Hong Kong, que alegadamente assassinara uma jovem na Formosa, o Governo entendeu, obviamente, que a lei não podia ignorar também a extradição para o Interior da China. E nestes termos a elaborou. Mal deu entrada no Conselho Legislativo, a rua explodiu. O governo recuou mas parte da rua, parte dos dois milhões que se manifestara contra a lei, recusou voltar para casa e entendeu pedir tudo o que sabia ser impossível de obter. Contudo, desta vez, as coisas estavam muito mais bem montadas. Nas manifestações surgiam kits especialmente preparados, enveredava-se pela violência, dividia-se a cidade em dois (azuis e amarelos), os principais activistas desdobravam-se em viagens internacionais

ro lugar, a referida lei de segurança nacional foi dotada de extraterritorialidade, o que significa que pode ser aplicada fora de Hong Kong, isto é, por exemplo, em Macau. Mas, em segundo lugar, a lei é um aspecto da questão e o ano de 2021 foi fértil em mostrar-nos outros aspectos, talvez mais sombrios, quiçá mais preocupantes, que a mera extensão de uma lei, aliás desnecessária na RAEM, quer em termos jurídicos, quer em termos político-sociais. Antes de mais, teremos de referir os dois acontecimentos que mais ondas levantaram durante este ano: o caso TDM e a exclusão de candidatos às eleições para a Assembleia Legislativa. Claramente, o caso TDM, que se refere aos canais em língua portuguesa, está relacionado com a cobertura noticiosa que os canais efectuaram dos conflitos em Hong Kong, bem como do tom empregue em certas notícias claramente

Poderia Macau passar incólume face aos problemas da ex-colónia britânica? Sabemos que não. Nunca assim foi, desde 1848, data da fundação de Hong Kong, e nunca assim será. Em primei-


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contrárias às posições do Governo chinês, que reproduziam a narrativa dos EUA e dos seus aliados sobre questões como Taiwan, Tibete ou o Xinjiang. Sendo a TDM um órgão de comunicação social que pertence, maioritariamente, ao Governo da RAEM, podemos imaginar que tipo de reacções terão existido da parte de um Gabinete de Ligação do Governo Central e de um Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros cada vez mais atentos e bem equipados com pessoal capaz de ler e entender português, ao ver que um canal de televisão de um governo local exprimia posições e opiniões, na sua maioria, contrárias à narrativa nacional. Ora, se até certa altura o que era publicado em língua portuguesa parecia não afectar as autoridades chinesas, a partir dos eventos de Hong Kong operou-se uma mudança significativa, na medida em que a China considera, provavelmente com razão, que se encontra sob um ataque “frio” do Ocidente e de modo nenhum quer admitir no seu território um espaço que apoie, abrigue ou fomente esse ataque. Obviamente, a recém-nomeada administração da TDM vinha com a missão de regular o estado do sítio. Não o conseguiu, contudo, fazer sem levantar ondas, de forma pacífica e harmoniosa. Ao sublinhar perante a redacção constituída por jornalistas portugueses que o patriotismo era um valor a respeitar, entre outras afirmações lost in translation, levou a uma série de demissões e rectificações na cadeia de comando da emissora. A administração da TDM pretendia uma linha editorial mais de acordo com as orientações nacionais, sobretudo em temas não relacionados com Macau mas com o país. Muito então se questionou e berrou que a liberdade de imprensa tinha acabado em Macau, que o segundo sistema já era. O que não é verdade, porque além da TDM, os outros media não foram chamados, não foram avisados, condicionados ou censurados prévia ou posteriormente no sentido de estabelecer esta ou aquela narrativa sobre este ou aquele acontecimento. É certo que são mantidas (e ainda bem) numerosas conversas e contactos com as autoridades, que se esforçam, como em qualquer lugar do mundo, por passar a sua versão dos factos. Cabe aos jornalistas fazer o rastreio final e assim temos feito no nosso jornal sem problemas. O que de algum modo se estranha é a surpresa que estes eventos causaram nalguns, como se não fosse prática comum dos governos em geral intervir nos media que controlam. Talvez, por inocência ou ignorância, julgassem que Macau é uma terra utópica onde as práticas banais de controlo por parte do poder não existem, que a TDM é uma cooperativa de jornalistas e que o segundo sistema (ou seja, a manutenção, em termos largos, do mesmo regime que existia antes da transferência de soberania) garante uma terra de leite e mel, onde a liberdade jorra abundante das fontes como nunca jorrou em local conhecido do Homem. Não se lembram, por exemplo, do férreo controlo noticioso nos mesmos canais da TDM durante a vigência da administração portuguesa, que incluiu censura, despedimentos e um total servilismo ao governo, “a bem da nação” e por “patriotismo”. Isto para não falar da censura exercida sobre o canal chinês da mesma empresa. Há muita gente esquecida (ou ignorante) nesta terra... Mas o que estava para vir não tinha a ver com jornalismo. Era pior e mais preocupante do que os acontecimentos na TDM.

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Ora, em Hong Kong, juntamente com a lei de segurança nacional, emergiu no discurso político de forma radical, como resposta a expressões de maior autonomia ou independência, o conceito de “patriotismo”. Portanto, Hong Kong deixa de ser governado “pelas suas gentes” e passa a ser governado pelas suas gentes sim, mas desde que sejam “patriotas”. Neste sentido, foi nomeada uma comissão para avaliar o patriotismo dos candidatos às eleições e excluir os que não satisfaziam os critérios ou tinham um historial criticável para evitar que elementos anti-China ou anti-Governo Central chegassem a lugares de poder, como acontecera nas eleições anteriores. (É fácil de perceber, por quem se interessa por História, que o conceito de “hai guo” [à letra, amar o país; patriotismo] encontra reverberações na alma chinesa distintas das que se verificam nas suas congéneres ocidentais. Isto porque, além do que as autoridades classificam como “século de humilhação” e que vai da Guerra do Ópio (1848) até à fundação da República Popular em 1949, a China esteve submetida, desde o século XIII, ao domínio mongol e depois manchu, com um breve intervalo de três séculos de dinastia Ming. Durante o “século da humilhação”, o País do Meio, esta civilização de cinco mil anos, viu-se repartido, invadido e espoliado por potências estrangeiras. É por isso muito natural que o conceito de “patriotismo” cale fundo na alma chinesa contemporânea, agora que o país recuperou a sua grandeza e lugar de destaque no contexto global.) Se em Hong Kong o Governo Central poderá entender que pulula gente anti-patriótica, a soldo de interesses estrangeiros, sustentado por ONG’s duvidosas e com meios para convocar manifestações violentas e garantir excelentes resultados eleitorais, tal caso não se verifica, nem se verificou, em Macau. Nesta cidade, por motivos demográficos, entre outros, existe uma população na qual não se detecta a desconfiança e animosidade contra a China e o Partido Comunista que encontramos em Hong Kong. Nem os membros das chamadas “associações democráticas”, de uma forma geral, jamais tiveram um comportamento anti-patriótico que pusesse em questão, por exemplo, a pertença de Macau à China ou a legitimidade do Partido Comunista. Talvez tal tenha acontecido mas disso não temos memória. A sua acção, embora pecando por escassa, limitou-se a um útil papel de vigilância de acções governativas que em nada questionaram os valores essenciais da RAEM. Só a realização das vigílias do 4 de Junho e um esporádico, quase ritual, pedido de eleições directas para o Chefe do Executivo (que, aliás, felizmente não vêm consagradas na Lei Básica), marcaram de outro modo as acções dos ditos “democratas”. Seriam razões suficientes para os excluir das próximas eleições, importando de Hong Kong a “prova de patriotismo”? Não estará Macau a navegar sobre escusadas ondas e a criar uma desnecessária desarmonia? Por outro lado, não estará o círculo de poder na RAEM cada vez mais restrito aos poderosos que logo se apressam a exibir fulgente o seu “patriotismo”, até porque este lhes permite afastar vozes inconvenientes não para os interesses do país ou da população de Macau, mas para os seus próprios interesses.

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Esta limitação de candidatos às eleições para a Assembleia Legislativa leva-nos a pedir o que sempre pedimos às autoridades da RAEM. Não é mais democracia, nem mais liberdade, mas sim mais transparência governativa. É nossa vontade confiar plenamente no Governo e nas autoridades judiciais. Por isso, urgia compreender as razões, os critérios, os pecados, que levaram às exclusões. Para termos todos a certeza de que vivemos no primado da lei. Entretanto, as coisas são o que são e não outra coisa. O senhor Jacques continua a acompanhar este texto. E neste momento, como há vinte anos, vivemos tempos incertos. A pandemia deixou-nos financeiramente de rastos e não se entrevê uma luz segura no fundo deste túnel. A comunidade portuguesa enfrenta este tempo de pandemia sem uma aberta há quase dois anos para visitar o seu país ou, simplesmente, passar umas férias que não seja na China. O que não pode garantir muita saúde mental. A verdade é que a saída de jornalistas, pelo seu pé, da TDM e as acções desenvolvidas junto da Assembleia da República em Lisboa, bem como a publicação de artigos de opinião e reportagens nos jornais em Portugal, críticos da situação de Macau, alvoraçaram o ambiente no seio da comunidade portuguesa, provocando intensos debates, questionamentos e até desistências. Liberdade para frente, direitos para trás, segurança para um lado, bem-estar para o outro, etc. & tal, e mais alguma coisa. Vozes ultrajadas, olhos arregalados de conjuntivite, pularam bravas em defesa da Declaração Conjunta, da Lei Básica, do derrube dos comunistas e, na onda, talvez do governo socialista de António Costa. Sem se preocuparem com o elefante. Felizmente, tanto o governo português como a Assembleia da República, entenderam que, campanhas internacionais aparte e delírios egóicos esgotados, o problema era outro, precisamente o elefante; o que está no meio desta sala, a quem alguns unicamente sentem a cauda, outros a tromba, sem realmente compreenderem que se trata de um elefante e que importa mantê-lo vivo: a nossa comunidade. É que, na rugosidade do actual contexto internacional e regional, de modo nenhum, a comunidade portuguesa de Macau poderia ser vista por Pequim como um ponta-de-lança local de interesses estrangeiros. De modo nenhum, a comunidade portuguesa de Macau, com uma presença de 500 anos, poderia ser tomada por “inimiga” e, aos poucos, convidada a procurar outras paragens. Ora, também para este jornal, a manutenção da comunidade portuguesa em Macau é um dos nossos principais desideratos e responsabilidade (esta sim, patriótica). Neste sentido, entendemos que não nos cabe a nós, comunidade portuguesa de Macau, como nunca coube, por aqui derrubar ou prejudicar dinastias ou regimes. Demo-nos com os Ming, depois com os Qing, a seguir com as duas repúblicas, e aqui continuamos em paz para cooperar e viver neste grande país, independentemente das atribulações políticas nacionais ou internacionais. O nosso objectivo é criar laços, ligar e construir, do modo que for mais conveniente ao desenvolvimento da RAEM, nomeadamente através da divulgação da civilização e da cultura chinesas em língua portuguesa. É isso que o Hoje Macau, a par com um jornalismo independente e rigoroso, ao serviço da população, aqui faz há vinte anos. E, com a vossa ajuda, se propõe fazer por muitos mais, nesta quinta era do mundo.

Estatuto Editorial 1. O jornal Hoje Macau é independente de qualquer poder político ou económico, assumindo como sua missão o dever de informar a população da Região Administrativa Especial de Macau, bem como de espelhar as suas opiniões e anseios, no mais estrito respeito pela deontologia da imprensa e pela ética profissional dos jornalistas. 2. Assim, consideramos impensável qualquer intromissão na vida privada dos cidadãos, titulares ou não de cargos públicos, não abdicando, porém da defesa intransigente da liberdade de expressão e informação, tal como vem consagrada na Lei Básica de Macau. 3. Por sermos um jornal escrito em português pugnaremos pela sua defesa, enquanto língua oficial da RAEM, procurando proporcionar aos leitores um contacto diário de qualidade com a língua de Camões, hoje falada em todo o mundo por mais de duzentos milhões de pessoas, 4. De igual modo, assumimos como nossos os valores da liberdade, da solidariedade, da equidade e da luta contra a injustiça social, porque acreditamos ser possível dar a nossa modesta contribuição para a construção de um mundo mais justo e solidário. 5. Temos consciência do nosso papel histórico enquanto portugueses residentes em Macau, na senda de muitos outros que, nos últimos quinhentos anos, aqui nesta cidade viveram, trabalharam a estabeleceram as suas famílias, contribuindo decisivamente, com o seu esforço e dedicação, para a prosperidade de que hoje ela usufrui. 6. Por tudo isto, consideramos ter o direito e o dever de exercer um papel crítico e interventivo, dentro dos limites referidos, mas não deixando de claramente exprimir as nossas opiniões sobre os temas que considerarmos importantes para alargar e estimular o debate de ideias entre os nossos leitores, para quem estarão sempre abertas as páginas deste jornal.


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Em busca N do tempo perdido HOJE MACAU

EDIÇÕES INICIAIS MOSTRAM PRIMEIROS PASSOS DA RAEM E HISTÓRIA CIRCULAR

Volvidas duas décadas sobre o nascimento do Hoje Macau, olhámos para as primeiras edições do jornal que testemunham os passos inaugurais da RAEM e notícias que atestam a natureza cíclica da história. Macau preparava-se para as primeiras eleições desde a transferência de soberania, os Censos tinham sido um sucesso e, enquanto se caminhava para a liberalização do jogo, o Hoje Macau esclarecia a natureza da concessão do antigo Hotel Bela Vista

O dia 5 de Setembro de 2001 era publicada a edição inaugural do Hoje Macau, com a capa a incidir sobre a polémica questão da titularidade do antigo Hotel Bela Vista, que passou a ser a residência consular de Portugal em Macau, uma entrevista a Ng Kuok Cheong e a notícia do encerramento de websites “críticos à adesão de capitalistas ao Partido Comunista Chinês”. Numa altura em que a Região Administrativa Especial de Macau tinha pouco mais de um ano e meio de idade, a actualidade local vivia dos primordiais passos institucionais e económicos, com destaque para as primeiras eleições para a Assembleia Legislativa desde a transferência e o aceleramento do processo de liberalização do jogo. Lá fora, a Europa preparava-se para a revolução cambial da chegada do Euro, António Guterres, longe dos horizontes internacionais da ONU, visitava as obras da Barragem do Alqueva na condição de primeiro-ministro e o mundo estava prestes a ser abalado pelo ataque terrorista que derrubou as Torres Gémeas em Nova Iorque. No Afeganistão, os talibãs governavam, como uma espécie de testemunho do tempo. Numa altura de ressaca do êxodo de parte da comunidade portuguesa pós-1999, a manchete inaugural do Hoje Macau trazia claridade a um assunto que agigantava boatos e sentimentos crispados. A questão da propriedade do edifício do antigo Hotel Bela Vista abria chagas emocionais entre as comunidades, nos primeiros tempos em que a

presença oficial portuguesa no território passava para o âmbito diplomático. O HM publicou o documento da Conservatória do Registo Predial que atesta que o edifício da residência do cônsul de Portugal em Macau não era propriedade do Estado português, mas uma concessão gratuita, com o prazo de arrendamento até 19 de Dezembro de 2042. O documento especifica que o edifício é “afecto às instalações do Consulado-Geral da República Portuguesa em Macau, nomeadamente como residências do Cônsul-Geral e de outros membros do Consulado-Geral”. Na segunda edição do HM, é acrescentada a voz do cônsul-geral da altura, Carlos Frota, confessando pensar que a publicidade à situação jurídica do edifício teria ficado resolvida com a publicação em Boletim Oficial, a 10 de Dezembro de 1997, do acordo alcançado sobre as instalações consulares. No dia seguinte, 7 de Setembro, o assunto ainda mexia, mas apenas no formato leve de uma breve opinativa que comentava o facto de o jornal Ou Mun ter publicado a “não novidade” de que o antigo Hotel Bela Vista não pertencia ao Estado português.

Voto na matéria

Também em destaque no número um do HM, esteve a entrevista a Ng Kuok Cheong, candidato que viria a ser o mais votado nas eleições que se avizinhavam. Em discurso directo, o histórico deputado dava voz a algumas das reivindicações que marcaram a sua carreira na vida política. Afastando radicalismos, Ng Kuok Cheong gostava que em 2009 o Chefe do Executivo fosse eleito por sufrágio directo, desejo que seria usado, 20 anos depois, para o desqualificar das eleições. De resto, o deputado almejava à abertura das comissões da Assembleia Legislativa, criticava a falta de eficácia da fiscalização do poder legislativo e defendia que a língua portuguesa devia continuar a ser oficial. Dois


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dias depois, o HM colocava Ng Kuok Cheong “em alta” na “bolsa de valores”, uma coluna de opinião, como um político “mais crescido, mais lúcido, menos radical” e com uma visão “correcta e desassombrada da comunidade portuguesa”. No capítulo das eleições, a comissão eleitoral já se pautava pela confusa regulamentação e vigilância do que era permitido e proibido durante a campanha. O HM citou mesmo uma fonte que dava conta da “fobia regulamentadora da comissão”, que “acabou por ter um resultado castrador nas acções de propaganda das listas, mesmo em pleno período de campanha eleitoral”. Ainda assim, nem tudo era cinzento na actuação da comissão eleitoral em 2021, como demonstra a notícia de 7 de Setembro onde se refere que a entidade teria chegado a acordo com as companhias de transportes públicos para não se pagar bilhete entre as 09h e as 20h do dia das eleições.

Coisas da política e da terra

Na terceira página do segundo número do HM, o assunto de um pequeno artigo viria a mudar para sempre a face de Macau. O texto versava sobre o aceleramento do processo de liberalização do jogo, uma semana depois da aprovação da lei que permitiria transformar Macau na capital mundial do jogo. O secretário para a Economia e Finanças da altura, Francis Tam, anunciava que estavam em curso “trabalhos para a respectiva regulamentação e para a criação de um grupo coordenador para o efeito”. Fora dos assuntos eleitorais e das questões locais, Macau abraçava e era abraçado pela China e projectava-se no plano global enquanto RAEM. O HM noticiava no dia 10, na sua primeira edição de segunda-feira, a visita de Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça a Pequim para participar no Fórum Internacional “A China e o Mundo no século XXI”. A reunião teria a participação de figuras internacionais como Helmut Kohl, Jacques

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Santer, Boutros Ghali e Henry Kissinger. Voltando à natureza cíclica da história, há 20 anos, as autoridades agradeciam à população a colaboração nos Censos 2001. No plano desportivo, a grande notícia local era a ausência do piloto português André Couto do Grande Prémio de Macau 2001, depois da participação vitoriosa no ano anterior.

Entre notícias sobre novos métodos usados no Matadouro, o desejo da Casa de Portugal em Macau em conseguir voos charters para fazer viagens entre Lisboa e Macau no Natal de 2001, ou uma burla com água mineralizada importada de Zhuhai que afinal era da torneira, o HM surge num momento de ruptura da cena internacional.

Com laivos premonitórios, a quinta edição do HM dava conta de um surto de cólera em Hong Kong, a um ano do grande pavor em que a SARS mergulhou a região, lançando alertas que chegaram rapidamente a Macau. Ainda assim, à altura, sem confirmação de casos pelos

Serviços de Saúde, uma fonte do HM garantia que Macau não tinha “condições técnicas e de monitorização para fazer face a um hipotético surto de cólera com maiores dimensões”. Este artigo foi publicado no dia 11 de Setembro. No dia seguinte, Osama Bin Laden tornava-se no homem mais procurado do mundo.

Planeta de ontem

Quanto a notícias sobre Portugal, o futebol era um dos maiores elos de ligação, o cordão umbilical desportivo, com notícias que relatavam as lesões de Mantorras, os voos goleadores de Jardel e os desaires da selecção nacional orientada por António Oliveira. No plano político, o primeiro HM divulgava o aparato de segurança que implicava a chegada do euro a Portugal. O artigo não era sobre o campeonato europeu de futebol, mas sobre a revolução económica, política e cambial do fim da moeda escudo e o início do euro. A operação implicou a chegada de aviões carregados de dinheiro, destinado ao Banco de Portugal e à banca privada, à Base Aérea de Alcochete, com supervisão militar e de grupos privados. Na segunda edição, este jornal noticiava a visita do Engenheiro António Guterres, enquanto primeiro-ministro, às obras da barragem do Alqueva. Porém, o mundo estava prestes a ser abalado por um sismo geopolítico com epicentro em Manhattan. No dia 12 de Setembro, a sexta edição do HM, na capa lia-se “Terror na América – Milhares de Mortos”, com a manchete “Apocalypse Now” e a ilustração mostrava três momentos, desde os embates dos aviões nas Torres Gémeas à derrocada. O mundo mudava, atirando estilhaços que ainda hoje se sentem, moldando a nova configuração da geopolítica e da forma como é concebida a política internacional. Uma mudança de viragem de século, que o HM testemunhou, como tantas outras que foram passando pelas nossas páginas nos últimos 20 anos. João Luz

ANOS

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O IPIM FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 20.º ANIVERSÁRIO


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Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo

A ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS, REFORMADOS E PENSIONISTAS DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 20.º ANIVERSÁRIO

Curso de formação

I.

Destinatários: Os profissionais não inscritos ou inscritos há menos de um ano na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), e outros profissionais inscritos, nos termos do disposto no artigo 20.º e no n.º 3 do artigo 67.º da Lei n.º 1/2015 de 5 de Janeiro que aprova o Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo e no artigo 36.º do Regulamento Administrativo n.º 12/2015 de 10 de Agosto de 2015 que aprova a Regulamentação do regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo.

II.

Local de realização da formação: Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5.º andar, Macau

III.

Prazo de inscrição: 6 a 17 de Setembro de 2021

IV.

Local de inscrição: Os interessados devem entregar durante o horário de expediente na Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, situada no rés-do-chão da Estrada de D. Maria II, n.º 33, em Macau, o boletim de inscrição devidamente preenchido, juntamente com a fotocópia do bilhete de identidade de residente da RAEM.

V.

Levantamento do boletim: O boletim de inscrição está disponível na página electrónica da DSSOPT (http://www. dssopt.gov.mo) ou pode ser levantado pessoalmente no endereço da DSSOPT acima referido.

VI.

Horário do curso: Datas 9 e 16 de Outubro de 2021 (Sábado)

Horário

Língua veicular

9:15-12:15, 14:30-17:00

Cantonês

Observações: No curso serão disponibilizados os materiais didácticos em língua chinesa e portuguesa

A COMPANHIA DE SISTEMAS DE RESÍDUOS DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 20.º ANIVERSÁRIO

VII.

Propina: Gratuita

VIII.

Admissão: Devido ao número limitado de vagas, os candidatos inscritos serão admitidos de acordo com a seguinte prioridade: - Profissionais inscritos há menos de um ano, à data da entrada em vigor da Lei n.º 1/2015, de 5 de Janeiro; - Profissionais não inscritos anteriormente à data de entrada em vigor da referida lei mas que exerciam funções na RAEM; - Profissionais inscritos há menos de 10 anos na DSSOPT; - Outros profissionais, segundo a ordem de recepção dos pedidos de inscrição no curso.

IX.

Certificado de frequência: Aos formandos que tenham assistido a 100% das aulas do curso, serão atribuídos um certificado de frequência emitido pela DSSOPT.

X.

Observações: (1) Os boletins de inscrição entregues fora do prazo de admissão serão considerados prioritariamente no próximo curso de formação a organizar pela DSSOPT; (2) Não serão aceites os candidatos que frequentaram cursos de formação organizados pela DSSOPT relativos ao “Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo”; (3) Tendo em conta que não se aplica aos trabalhadores da Administração Pública o disposto no n.º 1 do artigo 18.º da Lei n.º 1/2015 de 5 de Janeiro relativo ao pedido de inscrição na DSSOPT para exercer funções de elaboração de projectos, direcção ou fiscalização de obras, as suas candidaturas não serão aceites; (4) Em articulação com os trabalhos de prevenção e controlo da epidemia realizados pelo Governo da RAEM e tendo em conta a sua evolução, proceder-se-á, caso necessário, aos devidos ajustamentos. (5) A DSSOPT reserva-se o direito de decisão final em caso de litígio ou em caso de cancelamento de turmas devido à insuficiência de inscrições; (6) Para mais informações sobre o curso ou sobre o andamento dos pedidos, queiram contactar o Centro de Informações da DSSOPT através do telefone n.º 8590 3800 ou consultar a nossa página electrónica (http://www.dssopt.gov.mo).


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PATRIMÓNIO GOVERNO RETIRA CALÇADA E ASFALTA RUA DE EDUARDO MARQUES

Sem apelo nem agravo A Sociedade de Engenharia Soi Kun, ligada ao deputado Mak Soi Kun, pediu 220,5 mil patacas para fazer as obras de instalação de mastros para bandeiras no Museu das Comunicações. No entanto, a obra acabou por se adjudicada à empresa Companhia de Construção Vantagem, que tinha apresentado um orçamento de 57 mil patacas e um período de 24 dias, contra os 30 dias da Soi Kun, para fazer os trabalhos. A Sociedade de Engenharia Soi Kun apresentou o valor mais elevado das quatro participantes, como viria a acontecer em Agosto deste ano, para a realização dos mesmos trabalhos no Centro Desportivo Lin Fong. Este último contrato ainda não foi atribuído, mas a empresa pediu 155 mil patacas. Todas as outras companhias consultadas apresentaram preços abaixo das 100 mil patacas.

União Macau-Guangdong Zheng Anting confiante na eleição de dois deputados

RÓMULO SANTOS

O candidato principal da lista União de Macau-Guangdong, Zheng Anting acredita na eleição de dois deputados para a Assembleia Legislativa no próximo dia 12 de Setembro. A acontecer, seria uma repetição dos resultados alcançadas há quatro anos. “Com a desqualificação de alguns deputados e o aumento de novos eleitores inscritos, nesta nova situação, esperamos manter dois lugares nas eleições”, disse Zheng Anting, segundo a TDM-Rádio Macau. Durante uma acção de campanha, realizada na quarta-feira no Iao Hon, o cabeça de lista admitiu ainda que as consequências económicas resultantes da pandemia podem vir a ter reflexos na participação da população no dia das eleições. “O encerramento de empresas em diferentes sectores de actividade devido à pandemia e o desemprego entre os residentes poderão afectar a intenção de voto da população”, apontou Zheng Anting.

O

Governo mandou retirar a calçada portuguesa da Rua de Eduardo Marques e asfaltar a artéria situada na zona de Protecção do Centro Histórico de Macau. Nas últimas semanas, quem passava na zona podia ver a calçada ser retirada e trocada pelo asfalto, mas, na quarta-feira, foi confirmado que a calçada já não volta. Segundo as explicações avançadas pelo Executivo, durante uma reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, a escolha prendeu-se com a opção de privilegiar a “segurança” em vez de um troço que não é visto como património. No final da reunião, Lei Chong In, membro do conselho, relatou o conteúdo do encontro e explicou que a preocupação das autoridades prende-se com as chuvas e o facto de a calçada ser considerada escorregadia para os motociclos, que na opinião das autoridades, tem sido responsável por vários acidentes. Em Maio de 2020, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), através de José Tavares, já tinha afirmado que pretendia remover a calçada por esse motivo. Porém, no mês seguinte, em Junho de 2020, segundo o jornal Cheng Pou, Tavares voltou atrás e prometeu que as características portuguesas das ruas iam ser mantidas. Um ano passou, e o presidente do IAM actuou contra o prometido. Segundo Lei Chong In, o Instituto Cultural, liderado por Mok Ian Ian, aprovou a remoção da calçada, por considerar que não ia ter impacto na zona, que é de Protecção do Centro Histórico. Já durante a noite de ontem, o IC fez saber que a retirada da calçada tinha a ver precisamente com o objectivo de evitar acidentes (ver caixa). Por sua vez, outro membro do conselho consultivo, Chang

PISO ESCORREGADIO

HOJE MACAU

Bandeiras Mak Soi Kun pediu mais de 220 mil patacas por mastro

A opção é justificada com a segurança de quem anda de moto na zona e não foi afastada a possibilidade de a calçada deixar de existir em mais zonas da cidade para proteger os motociclistas. A medida gerou críticas entre a população e candidatos eleitorais

Em Junho de 2020, segundo o jornal Cheng Pou, José Tavares tinha prometido que as características portuguesas das ruas iam ser mantidas.

O Instituto Cultural (IC) justifica a aprovação da remoção da calçada portuguesa na Rua de Eduardo Marques com a necessidade de evitar os acidentes na área devido ao piso escorregadio, sem que daí decorra qualquer impacto negativo sobre o património em causa. Em comunicado, o IC diz que “relativamente às obras de melhoramento da Rua de Eduardo Marques, desenvolvidas pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que tem causado vários acidentes de viação e incidentes de segurança de peões, especialmente em dias de chuva, a situação torna-se mais grave, pelo que o IAM pretende proceder à substituição do pavimento da via, a fim de reduzir os acidentes de viação e pedonais causados por condições escorregadias e húmidas. Tendo em conta que, em diferentes épocas, foram utilizados diferentes materiais de pavimentação naquela rua, sendo o revestimento de calçada portuguesa foi colocado nas obras de repavimentação posteriormente, e que as respectivas obras de optimização não tiveram impacto negativo sobre os bens imóveis classificados nas imediações, e têm ainda um efeito positivo na segurança pedonal e rodoviária, pelo que o IC não se opôs à obra em causa.”

isso não resolve o problema. O que se devia ter feito era encontrar alternativas para que o paciente ficasse com o dente, neste caso a calçada”, vincou. O candidato mostrou-se preocupado com a facilidade com que se muda o ambiente da cidade. “Todo o ambiente onde está inserido esta calçada vai ficar modificado. As ruas não vão ser as mesmas. E isso é muito prejudicial para Macau, que pretende ser uma cidade internacional com características próximas da cultura portuguesa”, afirmou. Pong Chio Fai, presidente da Associação para a Reinvenção de Estudos do Património Cultural de Macau, também se mostrou incomodado com as alterações. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, Pong conside-

rou que as mudanças tiveram um impacto negativo para o ambiente “tradicional” da Freguesia São Lázaro. Por isso, o representante da associação deixou o desejo que antes de fazer alterações tão profundas o Executivo oiça a população. As críticas sobre as alterações não passaram à margem das redes sociais, onde vários comentários sobre o assunto se tornaram virais. Por exemplo, o deputado Sulu Sou aproveitou para fazer uma sondagem sobre as opiniões contra ou a favor de remover a calçada portuguesa, com recurso aos diferentes tipos de “gostos”. Às 18H, além de quase 500 comentários ao posto, houve 1700 pessoas a expressarem-se contra a remoção da calçada e 480 a favor. João Santos Filipe

Ka Wa afirmou que o Governo confirmou que a substituição da calçada pode não ficar por aqui, e há a possibilidade de ser estendida para outras zonas inclinadas da cidade.

Chuva de críticas

Na opinião de José Pereira Coutinho, deputado e candidato da Lista Nova Esperança, deviam ter sido equacionadas outras alternativas para reforçar a segurança: “Hoje em dia existem outras formas de garantir a segurança neste tipo de superfície, para evitar que seja tão escorregadia”, indicou. Coutinho fez ainda uma analogia entre a solução e um paciente que vai ao dentista para arranjar um dente: “Tomaram a opção de arrancar o dente [do paciente], mas


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A Já chega de TPC ENSINO SULU SOU PEDE ALÍVIO DO EXCESSO DE TRABALHO

RÓMULO SANTOS

O deputado Sulu Sou quer mais medidas para aliviar a pressão que recai sobre os alunos do ensino não superior, como a redução dos trabalhos de casa e testes, após um caso de suicídio de uma aluna

ID PAVILHÃO DE MONG HÁ ABRE NO “CURTO PRAZO”

elevada carga horária de aulas e de trabalhos de casa de que são alvo os alunos do ensino não superior levaram o deputado Sulu Sou a questionar o Governo sobre a necessidade de implementar novas medidas que reduzam a pressão sentida pelos alunos.Ainterpelação escrita, surge depois de um caso de suicídio de uma aluna de 16 anos, divulgado pelas autoridades esta quarta-feira. Sulu Sou lembrou que, recentemente, a China lançou uma política para aliviar o volume de trabalho dos alunos, como a redução de trabalhos de casa e testes, questionando a posição do Governo sobre este assunto. O deputado recordou que já havia uma proposta para reduzir o número de trabalhos de casa e de testes consoante o nível de ensino. O legislador pretende saber como é que a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) vai supervisionar a forma como cada escola implementa estas novas medidas, bem como o novo sistema de avaliação dos alunos que entrou em vigor este ano lectivo.

O

Chefe do Chefe do Departamento de Administração de Instalações Desportivas do Instituto do Desporto, Ho Wa, prometeu ontem que o Pavilhão Desportivo de Mong Há vai abrir no “curto prazo”. Segundo declarações citadas pela Rádio Macau, Ho Wa indicou que a abertura vai ser feita por fases e que o número de entradas vai ser limitado, por causa das medidas de controlo da pandemia. Esta é uma forma de responder à necessidade de instalações desportivas, cuja procura o Governo diz ter aumentado com as restrições pandémicas e as dificuldades criadas à circulação de pessoas. Actualmente, o Pavilhão Desportivo de Mong Há está a ser utilizado como centro de vacinação, mas depois da abertura total vai disponibilizar pavilhões de futebol, de squash, basquetebol e de voleibol. No topo da infra-estrutura, foi construída uma pista de caminhada com 130 metros de distância. O Governo respondeu assim ontem ao inquérito realizado pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau que indicava que 54 por cento dos jovens considera existir falta de instalações para a prática desportiva. Segundo a apresentação feita por Chan Ngoi Chon, secretário-geral da associação, a maioria dos jovens de Macau praticantes de desporto recorre a instalações públicas. Como parte da solução para a falta de campos, a Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau defende a criação de mais pavilhões temporários com uma cobertura insuflável, como acontece no Interior.

Que felicidade?

O deputado questionou quais as medidas concretas adoptadas pelos grupos de trabalho da DSEDJ focadas nas questões da saúde mental e física dos jovens, a fim de reduzir a ansiedade dos estudantes sobre o número de trabalhos a realizar fora da sala de aula

Em declarações à TDM-Rádio Macau, o antigo deputado Chan Meng Kam admitiu ontem numa acção de campanha da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau, que não fecha a porta a uma eventual candidatura às próximas eleições legislativas, em 2025. De acordo com a mesma fonte, na acção propriamente dita, a

candidatura encabeçada pelos actuais deputados Si Ka Lon e Song Pek Kei defendeu ainda que o Governo deve reservar para os jovens, 25 por cento das 20 mil unidades de habitação económica que vai construir na zona A dos novos aterros. “Damos mais atenção à questão da habitação para os jovens e esperamos que

[o Executivo] dedique 5.000 fracções de habitação económica (…) e que também crie opções, como o arrendamento antes da compra. O Governo deve manter a regularidade da oferta tanto da habitação social como da habitação económica”, disse ontem Si Ka Lon no largo dos Três Candeeiros.

DSEDJ Pandemia e patriotismo marcam novo ano lectivo

Sofia Silva e Nunu Wu

HOJE MACAU

Eleições Chan Meng Kam admite candidatar-se em 2025

Na mesma interpelação escrita, Sulu Sou questionou quais as medidas concretas adoptadas pelos grupos de trabalho da DSEDJ focadas nas questões da saúde mental e física dos jovens, a fim de reduzir a ansiedade dos estudantes sobre o número de trabalhos a realizar fora da sala de aula. Em relação ao novo regime do ensino especial, que entrou em vigor este ano lectivo, o deputado pretende saber como é que o Governo vai acompanhar a implementação desta nova legislação e se será criado um regime de avaliação apropriado para as necessidades de cada aluno. As autoridades informaram que a estudante de 16 anos cometeu suicídio naquele que seria o seu primeiro dia de aulas de um novo ano lectivo. Inicialmente, as autoridades pensaram tratar-se de uma queda. Uma investigação preliminar por parte da Polícia Judiciária afastou quaisquer indícios de crime, tendo sido encontrada uma nota no apartamento da família da jovem. Andreia

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) fez ontem, em comunicado, um resumo das medidas para o ano novo lectivo, entre as quais se destacam o “cumprimento rigoroso da prevenção e do combate à pandemia” e as medidas patrióticas. Em relação ao primeiro aspecto, foram destacados os planos de orientação e instruções para garantir “um ambiente” seguro para os anos e as medidas a adoptar para garantir a redução dos riscos relacionados com a pandemia. No capítulo do patriotismo, a DSEDJ destacou as novas orientações ligadas às leis sobre a bandeira e hino nacionais, a nova disciplina de história e o ensino da “cultura de etiqueta chinesa”. Segundo o comunicado, as medidas adoptadas visam promover o Amor à Pátria, entre os mais jovens. A DSEJ informa ainda que no ano lectivo de 2021/2022 há 10 instituições de ensino superior a operar, 77 escolas com 120 unidades escolares, das quais 112 pertencem à educação regular e 107 estão integradas no sistema escolar de escolaridade gratuita.


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IAS Segundo subsídio regular distribuído hoje O Instituto de Acção Social (IAS) começa hoje a atribuir, numa única prestação, um subsídio equivalente ao valor total do subsídio regular. Segundo um comunicado da entidade, estão abrangidas pelo apoio 2.537 famílias em situação vulnerável, prevendo-se um investimento total de 15,52 milhões de patacas. Desta forma, uma família composta por

apenas uma pessoa recebe 4.350 patacas, enquanto que um agregado familiar constituído por quatro pessoas recebe 13.390 patacas. O montante máximo que o IAS irá atribuir é de 20.270, caso se trate de uma família numerosa de oito ou mais pessoas. Os beneficiários vão receber o dinheiro por transferência bancária através de oito bancos locais.

Educação Livraria quer materiais didáticos mais cedo O director da livraria Plaza Cultural, Chan U Ion, defende que os livros escolares sejam entregues mais cedo no próximo ano lectivo. De acordo com o jornal Ou Mun, Chan U Ion apontou que, dado que a maioria das escolas adopta os mesmos manuais escolares, não há razão para chegarem aos estabelecimentos

a poucos dias do início das aulas, provocando grande concentração de pessoas. O proprietário sugeriu ainda que o Governo agilize melhor a cooperação entre o sector livreiro e as escolas, de forma a que os manuais sejam entregues directamente nas escolas, evitando assim que os pais se desloquem às livrarias.

PATRIMÓNIO DESCENDENTES DE FUNDADORES DO TEATRO D. PEDRO V CRITICAM UTILIZAÇÃO DO ESPAÇO

Porcos, misses e bonecada

Exposições com porcos de peluches, ornamentos com desenhos animados japoneses e misses do Vietname. A utilização do Teatro D. Pedro V está a ser criticada por falta de elementos que respeitem o seu passado cultural. No entanto, um representante da associação de proprietários diz que estas actividades são “expressões da cultura chinesa”

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ESCENDENTES dos fundadores do Teatro D. Pedro V criticam a forma como o espaço está a ser utilizado, principalmente devido a exposições e ornamentos que não respeitam o que consideram ser a sua tradição artística. Em causa está uma exposição organizada em 2019, com peluches de porcos e fotografias de misses (alguns dos materiais ainda estão no espaço), assim como desenhos animados japoneses e outras decorações, que adornam o teatro construído em 1860. Ao HM, Henrique Nolasco da Silva, bisneto de um dos fundadores e filho de antigo presidente da Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, aponta que a decoração desprestigia o espaço. “Essas exposições nada têm a ver com o património cultural de Macau, considerando que se trata de um edifício classificado como tendo valor cultural, não só para a RAEM como também para a Humanidade”, começou por considerar Nolasco da Silva. “Nenhum daqueles temas tem alguma relação, próxima ou remota, com Macau. São realizações que desprestigiam o imóvel, desvirtuam o fim para que ele foi construído e subvertem os pressupostos da sua classificação pela UNESCO”, acrescentou. Questionado sobre se o espaço tem ignorado as comunidades portuguesa e macaense, Henrique Nolasco da Silva aceitou a hipótese e promete acompanhar o caso: “Completamente [ignoradas]. As exposições e actividades que ali estão a ser realizadas são legítimas, mas noutro local, não ali. Os porcos de peluche cor-de-rosa, por exemplo, podem ficar enquadrados numa feira de domingo no Tap

Henrique Nolasco da Silva, bisneto de um dos fundadores “Os porcos de peluche cor-de-rosa, por exemplo, podem ficar enquadrados numa feira de domingo no Tap Seac, mas não ali [no Teatro D. Pedro V]”

Seac, mas não ali”, disse. “Esta questão do Teatro D. Pedro V deve ser objecto de uma reflexão colectiva, pelo que o grupo de descendentes dos fundadores e dirigentes históricos do Teatro vai continuar a dedicar-lhe particular atenção”, prometeu.

Elogios ao Instituto Cultural

Também Catarina Canavarro Ramos, neta de outros dos fundadores, afirmou estar preocupada com a utilização do espaço. “A preser-

vação física do imóvel está bem feita, mérito do Instituto Cultural e a sua utilização pelo IC respeita a história do Teatro, mas a utilização feita pela suposta Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V é, como já foi dito, absolutamente imprópria, só possível por parte de quem não faça ideia do passado do Teatro”, apontou a descendente. “O indivíduo que se apresenta como Presidente da Direcção tentou vendê-lo ao IC. Não é por

acaso. Deve referir-se que essa má utilização pode estar a ser feita com o apoio ou, pelo menos, a inércia do Clube Macau que ocupava uma parte do edifício”, acrescentou. “Portanto, o espaço, embora preservado fisicamente, é culturalmente abusado por essas pessoas e, nessa medida, não está a ser preservado”, concluiu.

Responsabilidades alheias

Confrontado com as críticas, Ma Lin Chong, representante

da Direcção da Associação dos Proprietários do Teatro D. Pedro V, explicou que o conteúdo das exposições é dos organizadores, a quem o espaço é disponibilizado sem qualquer custo. “A exposição já foi um evento de 2019, o espaço serve principalmente a finalidade para emprestar. Se pergunta se os conteúdos da exposição são correctos ou não, se pergunta se as pessoas se queixam ou não, cada um tem sua opinião”, afirmou Ma. “Os membros da associação de proprietários têm autonomia para decidir, e a nossa prática é deixar o público utilizar o espaço para qualquer actividade, desde que não violem as leis”, acrescentou. Nas declarações prestadas ao HM, em momento alguns os descendentes dos fundadores do Teatro D. Pedro V questionaram actividades ligadas à cultura chinesa, como as estátuas taoistas, símbolos nacionais ou a realização de ópera cantonesa. A postura demonstrada foi de aceitação da expressão artística das várias comunidades de Macau. Porém, Ma Lin Chong considera que o problema dos fundadores é de promoção dos valores chineses, como diz ter acontecido na exposição com fotografias de misses do Vietname: “A escultura em bambu [com misses do Vietname e porcos de peluche] é uma das artes da China. Acho que estas queixas são 100 por cento injustas. Na verdade, a soberania de Macau já foi transferida [para a China], e a divulgação da cultura chinesa corresponde à tendência corrente”, respondeu. João Santos Filipe (com

Nunu Wu)


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são importados de Portugal. A opção tem por base os conhecimentos e experiência de Vânia Vieira, que fez carreira no sector da restauração e geriu a cadeia de saladas Vitaminas. “Os nossos produtos são ultracongelados e importados de Portugal, depois são cozinhados nas nossas cozinhas. Acreditamos que com a importação a qualidade é superior”, afirmou a proprietária. “Nem sempre é fácil encontrar em Macau os ingredientes necessários, e às vezes basta a água ser diferente para alterar o produto. Com a importação queremos manter a consistência, se vier comer hoje um palmier recheado e amanhã a qualidade é igual”, justificou.

Café ao balcão

COMÉRCIO TRIGO D’OURO NASCEU NA PANDEMIA PARA TRAZER O SABOR DE PORTUGAL ATÉ MACAU

Uma rica seara Aberta desde Setembro de 2020 em Seac Pai Van, a pastelaria Trigo d’Ouro expandiu-se em Julho para a Península. Nos dias que correm, a Trigo d’Ouro é exemplo de um negócio que tem crescido, apesar do contexto de crise generalizada

E

M tempo de pandemia, um passeio pelas zonas mais turísticas da cidade revela várias lojas fechadas e espaços para arrendar. Mas, no meio das dificuldades, há quem esteja em contraciclo e encontre oportunidades para montar negócio e fazê-lo crescer. É o caso da pastelaria e padaria de produtos portugueses Trigo d’Ouro, que em Setembro de 2020 abriu em Seac Pai Van e em Julho expandiu para a Península, na Avenida Comercial de Macau, perto da AIA Tower. A proprietária Vânia Vieira, em parceria com o marido

Diogo Vieira, explicou ao HM a aposta em contraciclo com as condições da comunidade portuguesa, que devido a quarentenas se encontra, em muitos

“As pessoas quando vêm à Trigo d’Ouro esperam ter a experiência verdadeira da pastelaria portuguesa.” VÂNIA VIEIRA PROPRIETÁRIA

casos, impossibilitada de viajar para Portugal. “Claro que houve algum receio abrir um negócio na altura da pandemia. Só que achámos que como a comunidade não pode sair de Macau, seria uma boa aposta levar às pessoas a proximidade de Portugal. Sentimos que seria benéfico”, afirmou Vânia Vieira, que reside em Macau há seis anos. “Muitas pessoas estão presas em Macau, não podem sair, e este negócio foi feito a pensar na comunidade. Felizmente, tem corrido bem”, acrescentou. Também os produtos vendidos, e para garantir a qualidade,

Com a comunidade em mente, a pastelaria Trigo d’Ouro faz questão de permitir que as pessoas bebam o café ao balcão. “É uma forma muito portuguesa de beber o café e temos disponível nos dois espaços. Em Macau, os clientes podem mesmo ficar nas mesas, no piso de cima. Em Seac Pai Van, o conceito é diferente, mais virado para o takeaway ou só para o consumo ao balcão”, informou Vânia Vieira. Se, por um lado, a comunidade portuguesa foi a principal aposta, por outro, as outras comunidades locais também não foram ignoradas. E apesar do receito que os produtos fossem muito doces para os consumidores chineses, a Trigo d’Ouro tem clientes de todas as origens. “As pessoas quando vêm à Trigo d’Ouro esperam ter a experiência verdadeira da pastelaria portuguesa. Por isso, o feedback tem sido bom. Os nossos clientes são 50/50, e eles gostam dos produtos, até as tendências de consumo são as mesmas”, indicou. “No início, os clientes chineses escolhem produtos que já conhecem, mas depois acabam por experimentar outras coisas, como palmiers, bolos de coco. Na verdade, também esperava que a comunidade chinesa pudesse achar os bolos muito doces, mas até agora a resposta tem sido positiva”, reconheceu. João Santos Filipe

RANKING UNIVERSITÁRIO UNIVERSIDADE DE MACAU SOBE E ESTÁ À FRENTE DA MUST

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Universidade de Macau (UM) subiu algumas posições no ranking da Times Higher Education 2022 e está à frente da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). Segundo os dados divulgados ontem, a UM deixou o grupo

das 301-350 melhores universidades do mundo para ocupar o das 201 a 250 melhores instituições para estudar. Além disso, a UM ocupa o 37º lugar no Asia University Ranking. Enquanto isso, a MUST mantém-se no grupo das 251 a 300 melhores

universidades do mundo para realizar estudos superiores, posição obtida o ano passado. O ranking destaca ainda o facto de a UM possuir “um dos maiores e mais complexos sistemas colegiais com dez colégios residenciais geridos pelos

mais distintos académicos”. É também referido que a UM disponibiliza mais de 130 programas para mais de dez mil alunos, alguns reconhecidos internacionalmente. Os três laboratórios chave de referência são também referidos pelo ranking.

O Times Higher Education 2022 é liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, seguindo-se o California Institute of Technology, a Universidade de Harvard e a Universidade de Stanford, ambas nos EUA. A.S.S.

TURISMO DESPORTO ELECTRÓNICO É APOSTA PARA ATRAIR VISITANTES

A

Direcção dos Serviços de Turismo (DST) decidiu incluir o desporto electrónico no “Plano de Apoio ao Turismo”. Em resposta a uma interpelação escrita de Ho Ian Sang, o director substituto da DST, Cheng Wai Tong, apontou que o objectivo de incluir o desporto electrónico no âmbito do turismo desportivo passa por “atrair mais grupos estrangeiros ou turistas” a Macau, através da sua participação em eventos desta natureza. Por escrito, a DST dá também nota de que o desporto electrónico é uma área em franca ascensão, sendo que, entre 2017 e 2019, a DST financiou a organização de actividades relacionadas que contaram com mais de 17.000 participantes, “atraindo atletas nacionais e estrangeiros de desporto electrónico para os concursos e intercâmbios em Macau”. Sobre o turismo de saúde, a DST revela que existem actualmente três projectos “em fase de conclusão” pensados para o “Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong e Macau”. “Após a sua entrada em funcionamento, os projectos (…) tais como, os cuidados de saúde, as exposições da cultura da medicina tradicional chinesa e o turismo de saúde, podem ser combinados com os elementos existentes no sector do turismo, cuidados de saúde na medicina tradicional chinesa, convenções e exposições, entre outros”, referiu Cheng Wai Tong. P.A.

Banco da China Alerta para burlas em nome da sucursal de Macau

A Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) alertou ontem para a ocorrência, nos últimos dias, de burlas telefónicas associadas à sucursal de Macau do Banco da China. Segundo uma nota de imprensa, têm ocorrido “burlas telefónicas [de pessoas] que fingem ser deste banco e que procuram recolher ilicitamente informações pessoais dos cidadãos”. A AMCM pede que as pessoas tenham atenção a chamadas iniciadas com o indicativo “00” “que aparentam ser provenientes dos bancos”, a fim de “evitar situações de burla e prejuízos desnecessários”.


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sociedade 13

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Semana Dourada Lao Pun Lap prevê receitas de 10 mil milhões

O presidente da Associação Económica de Macau, Lao Pun Lap, prevê que as receitas do jogo vão atingir 10 mil milhões de patacas durante a Semana Dourada. Contudo, para atingir a meta, Lao admite que o Interior vai ter de levantar restrições fronteiriças. Em declaração ao jornal Exmoo, o presidente da associação afirma manter o optimismo porque vê sinais que as restrições turísticas vão ser relaxadas gradualmente. No entanto, afirmou que as receitas do jogo em Setembro devem ser baixas, porque diz ser tradicionalmente um mês com resultados mais baixos, apontando o número de 7 mil milhões de patacas como estimativa de receitas. Por outro lado, Lao Pun Lap indicou ter ficado surpreendido com os 4,4 mil milhões de patacas registado em Agosto e considerou o número elevado, tendo em conta os quatro casos de covid-19 e a exigência de testes com validades de 12 horas para atravessar a fronteira.

Transportes Retomadas ligações com Shenzhen Shekou

As ligações marítimas entre o Terminal do Porto Exterior e do Terminal da Taipa para o Porto Shenzhen Shekou vão ser retomadas hoje, de acordo com a informação publicada ontem no jornal Cheng Pou. Segundo a mesma informação vão circular entre dois a quatro barcos por dia e os horários regulados pela procura e situação diária. As ligações foram interrompidas a 5 de Agosto, depois do surto que infectou quatro pessoas e que tinha sido importado do Interior.

Air Macau Testes de ácido nucleico grátis com bilhetes de avião

A Air Macau está a oferecer um teste de ácido nucleico com a compra de um bilhete de avião. A promoção está em vigor e abrange os bilhetes comprados através do portal da Air Macau, aplicação móvel, conta de Wechat, agências de viagens autorizadas, entre outras. De acordo com a companhia, esta é mais uma forma da Air Macau mostrar que está em sintomia plena com o Governo de Macau e que promove as melhores práticas de prevenção da pandemia da covid-19.

Qingmao Multa para viaturas que ficarem mais de 10 minutos

As viaturas que ultrapassem 10 minutos de permanência na zona de tomada e largada de passageiros no Posto Fronteiriço Qingmao vão ser multadas. O aviso foi deixado ontem pela Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego, que afirma ter definido, em coordenação com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, um limite de 10 minutos. A zona de tomada e largada de passageiros situa-se no Edifício do Posto Fronteiriço, junto à Estrada do Canal dos Patos, ao lado da entrada e saída do Auto-Silo do Posto Fronteiriço Qingmao.

COVID-19 AUTORIDADES CHINESAS CRITICAM BAIXA VACINAÇÃO DE MACAU

Os recados do Interior Macau recebeu uma visita de quatro dias da delegação da Comissão Nacional de Saúde da China, que deixou recomendações sobre a baixa taxa de vacinação no território, por comparação ao elevado número de doses administradas no Interior do país

A

baixa taxa de vacinação em Macau foi um dos pontos criticados pelas autoridades chinesas no final de uma visita de quatro dias, que começou a 28 de Agosto e terminou ontem. Na habitual conferência de imprensa do Centro de Coordenação e de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, Tai Wa Hou, coordenador do programa de vacinação, explicou que, na opinião do grupo de oito especialistas, “Macau está ainda muito distante do [nível atingido] pelo Interior da China”, tendo em conta que, nesta região do país, já foram administradas 2.040 milhões de doses de vacinas. Além disso, os especialistas defenderam “medidas mais pró-activas para promover a vacinação”, e que passam por “conseguir

a inoculação de um maior número possível de pessoas e procurar saber as razões pelas quais alguns grupos de pessoas não querem ser vacinados”. Tai Wa Hou adiantou apenas que “há experiências que podemos aproveitar”, sendo que agora será feito um relatório escrito e balanço sobre a visita.

Uma volta por Macau

A visita dos especialistas da Comissão Nacional de Saúde da China foi feita a convite da RAEM e incluiu também a passagem por vários locais onde se realizam testes e acções de monitorização da pandemia. “Falaram de assuntos como os testes de ácido nucleico e foram feitas sugestões ao pessoal dos postos fronteiriços, instituições médicas e todos os que asseguram

a logística e a entrega de bens”, referiu o responsável. Na opinião dos especialistas, poder-se-ia equacionar a possibilidade de classificar as pessoas envolvidas nestes trabalhos para definir o número de testes de despistagem à covid-19 a realizar,

Na opinião do grupo de especialistas, “Macau está ainda muito distante do [nível atingido] pelo Interior da China”, tendo em conta que já foram administradas 2.040 milhões de doses de vacinas”

“consoante se o nível de risco [de infecção] é alto ou baixo”. Relativamente ao início de um novo ano lectivo, foi adiantado que, até ontem, 11 mil alunos e docentes estavam inscrito para o teste de ácido nucleico antes do arranque das aulas. Em relação às eleições, foram anunciadas regras de votação para residentes que se encontram em quarentena. “Os eleitores devem fazer o teste antes da eleição e depois seguem do seu quarto, um a um, para votar, evitando o contacto próximo uns com os outros. Exige-se o uso de máscara quando saírem do quarto e devem usar luvas e álcool-gel. Os trabalhadores das assembleias de voto, incluindo os trabalhadores que vão contar os votos, devem vestir os fatos de protecção”, disse a médica Leong Iek Hou. Andreia Sofia Silva


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ARTE MACAU PINTURA E ESCULTURA GIGANTES EM EXIBIÇÃO NA PRACETA DO CENTRO CULTURAL

Passa por mim no CCM Uma pintura alusiva a Macau com 26 metros de comprimento criada pelo estúdio de Pequim “Drawing Architecture Studio” e uma escultura em bronze de Su Xinping já podem ser vistas na Praceta da Arte do Centro Cultural de Macau

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NTEGRADA na Bienal Internacional de Artes de Macau 2021, já se encontram expostas na Praceta da Arte do Centro Cultural de Macau (CCM), duas obras de Arte Pública de grandes dimensões que prometem proporcionar uma experiência visual “única” a quem passa. Desenvolvida pelo estúdio de Pequim “Drawing Architecture Studio”, a pintura de grandes dimensões “Aprender com Macau” promete, tirando partido dos seus 26 metros de comprimento e 13 metros de altura, retratar marcos locais de Macau através de cores vivas e linhas simples. “Esta pintura combina linhas simples e cores ricas, para, com base na arquitectura e nas observações da rotina diária de Macau,

FRC FOTOGRAFIA AÉREA EM EXPOSIÇÃO A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA

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M conjunto com a Associação de Fotografia Aérea de Macau, a Fundação Rui Cunha (FRC) organiza a partir da próxima segunda-feira uma mostra fotográfica dedicada a imagens captadas por drones, pelos céus de Macau e outras cidades da Região da Grande Baía. A iniciativa conta, no total, com 36 fotografias captadas por 17 membros amadores da associação que enveredaram por este tipo de imagens para promover o “desenvolvimento da arte e tecnologia da fotografia aérea”. “O desafio é promover o desenvolvimento da arte e tecnologia da fotografia aérea, e criar

uma plataforma de comunicação e de intercâmbio artístico e cultural para a impulsionar um interesse crescente nesta actividade”, pode ler-se na nota oficial da exposição. Também na segunda-feira, pelas 16h00, será realizada uma palestra em cantonês, sobre o tema “Como fazer fotografia aérea popular e segura”. O evento conta com os oradores Andre Hong e Eric Ho e pretende ser uma plataforma de partilha de experiências e conhecimentos, não só sobre as técnicas de fotografia aérea, mas também os regulamentos em vigor em Macau e nos territórios vizinhos afectos à utilização de drones.

“Macau é uma plataforma de intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente. É também membro da Região da Grande Baía, onde muitos entusiastas de fotografia aérea costumam morar e viajar. Esperamos que, por meio desta exposição, mais cidadãos e turistas possam entender e vivenciar as características e belezas de cada uma destas cidades”, revela a Associação Fotografia Aérea de Macau. A exposição pode ser vista na FRC até ao próximo dia 14 de Setembro. A entrada é livre. P.A.


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esboçar um panorama totalmente original da região, retratando diversos marcos locais de características únicas e, sobretudo, a imagem de uma cidade vivaz e dinâmica, em homenagem à sua cultura local”, pode ler-se numa nota do Instituto Cultural. Inspirada no impacto que a indústria do jogo tem vindo a ter no desenvolvimento da arquitectura e paisagem de Macau e na vida diária dos seus habitantes, a obra pretende também ensaiar “novas ideias para a concepção urbana do século XXI”. Na pintura, que acaba por ser um “mega panorama” da cidade, é possível ver vários edifícios icónicos, como o Grand Lisboa, projectados na tela, recorrendo ao que o IC designa por “linguagem representativa da axonometria arquitectónica icónica”. A pintura “Aprender com Macau” pode ser apreciada até 30 de Novembro na parede exterior de Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau.

Mãos do infinito

A poucos metros de distância, no centro da Praceta de Arte do CCM, duas gigantescas mãos encontram-se, num aperto que tende a parecer infinito. “Encontro” é uma escultura de bronze da autoria do artista da

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China, Su Xinping, que assume a forma de um par de mãos gigantes, procurando criar a imagem da “monumentalidade da montanha” e explorar a sensação de infinidade.

“Aprender com Macau” promete, tirando partido dos seus 26 metros de comprimento e 13 metros de altura, retratar marcos locais de Macau através de cores vivas e linhas simples

Para tal, a obra socorre-se de uma “representação expressiva com dimensões surreais” e “uma observação em perspectiva sugerida de baixo para cima”. “Com esta obra, a intenção do artista passa por proporcionar aos espectadores, por meio de uma experiência visual única, uma sensação de infinito que se estende a partir do artefacto e assimilar um encontro com o mundo espiritual extraído da realidade mundana”, aponta o IC. Até atingir o seu estado final, “Encontro” evoluiu a partir de uma série de esboços que foram gradualmente ganhando tridimen-

sionalidade e que se assumem como uma representação de “um mundo em constante fractura e reunião”, potenciado por uma noção temporal e espacial “deslocada”. A escultura “Encontro” pode ser vista Praceta de Arte do CCM até ao dia 29 de Novembro. Aproveitando o balanço, de recordar que, não muito longe dali, quem apreciar as duas obras de rua, pode aproveitar a ocasião para visitar, no interior do CCM até 17 de Outubro, a terceira secção da Exposição Principal da Arte Macau. Sob o tema “Avanços e Recuos da Globalização”, a exposição inclui obras de vários artistas que idealizam “cenários de desafio, dilema, hesitação, ilusão e ansiedade”, que a Humanidade tem vindo a enfrentar à medida que tendência da globalização se adensa, em conluio com o “tempo de desespero” provocado pela pandemia de covid-19. Aeroportos, globos terrestres, sistemas de navegação, satélites, imagens aéreas e mensagens partilhadas nas redes sociais durante o período pandémico, são alguns dos tópicos que deram o mote para a exploração artística da exposição.

Zonas Ecológicas Abertas inscrições para actividades

Começam hoje as inscrições para as actividade nas Zonas Ecológicas no mês de Setembro, promovidas pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Fazem parte destas actividades, a iniciativa “Dia Aberto ao Público”, que decorre nos dias 11 e 25 de Setembro, às 10h e 15h, e tem um total de 100 vagas. Também a 11 de Setembro, é organizado o workshop Actividade Educativa sobre a Natureza, com 10 vagas para 20 pessoas, uma vez que os participantes são organizados aos pares. Finalmente, no dia 25 de Setembro, é realizado o workshop “Conhecer mais sobre Peixes”, com duas sessões, às 9h30 e 14h30, com um total de 50 vagas para participantes. Os interessados podem inscrever-se através da linha verde da DSPA (2876 2626) ou da página electrónica e estão sujeitos a cumprir as medidas de prevenção da pandemia.

Pedro Arede

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A WELFARE PRINTING LIMITED FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 20.º ANIVERSÁRIO


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MEDIDAS ANTI-MONOPÓLIO NÃO AFASTAM GRANDES INVESTIDORES ESTRANGEIROS

Regras fundamentais As principais empresas de investimento globais estão a aderir à China, apesar das medidas anti-monopólio do Governo que, a Goldman Sachs calcula, retiraram três biliões de dólares do valor de mercado às maiores empresas do país. Há mesmo quem diga terem demorado tempo demais a chegar

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O contrário do que se poderia esperar, quando as autoridades chinesas implementam novas medidas de regulação do mercado e alguns dos seus principais actores levam gigantescas talhadas em multas, alguns dos maiores nomes mundiais na gestão de activos dizem que ainda é uma boa altura para investir no País do Meio. Aliás, segundo disseram à CNN, as recentes medidas reguladoras foram “necessárias e atrasadas”, e que a história de crescimento da China se mantém “atractiva”. “O caso da China a longo prazo está intacto”, afirma Luca Paolini, estratega-chefe da Pictet Asset Management. A empresa é um braço do banco privado suíço Pictet Group, que tem activos sob gestão no valor de 746 mil milhões de dólares. O Pictet não está sozinho. Muitos dos maiores nomes de Wall Street, incluindo BlackRock (BLK), o maior gestor de activos do mundo, Fidelity e Goldman Sachs (GS), continuam a aconselhar os clientes a continuarem a comprar, embora cautelosamente. A “intensidade” das medidas “irá flutuar”, escreveram os estrategas da BlackRock, numa nota de investigação publicada em Agosto. “As autoridades chinesas irão provavelmente equilibrar a sua agenda regulamentar com um desejo de estabilidade económica, e a intensidade da repressão regulamentar poderá abrandar em meio a um crescimento mais lento e volatilidade do mercado”.

Alguns reticentes

A repressão ao longo do ano passado abalou muitas empresas e pode também estar a agir como um obstáculo ao crescimento económico. O sector dos serviços contraiu-se em Agosto pela primeira vez em 18 meses. A empresa de tecnologia financeira Ant Group valerá metade do que valia antes de uma oferta pública ter sido arquivada em No-

vembro passado e foi forçada a reformular o seu negócio. As acções da empresa Didi não conseguiram aproximar-se do seu preço de IPO depois de a empresa ter começado a ser investigada no início deste Verão. E as regras abrangentes reveladas em Julho encerraram essencialmente o sector de tutoria com fins lucrativos da China, no valor de 120 mil milhões de dólares. O índice MSCI China, que rastreia empresas chinesas de grande e média capitalização, caiu mais de 13% este ano. Pelo contrário, o Índice Mundial MSCI aumentou mais de 16%. Alguns grandes proponentes do investimento chinês - incluindo a fundadora do SoftBank (SFTBF) Masayoshi Son - avisaram que terão de aguardar os regulamentos antes de decidirem comprar mais agressivamente novamente. Outros, incluindo o Bank of America (BAC), recomendaram o abandono total das acções tecnológicas chinesas para oportunidades na Austrália, Japão, Índia e outras partes da Ásia. “Embora tenhamos defendido durante anos as impressionantes vantagens e realizações tecnológicas da China à escala global ... pensamos que é pouco provável que o balanço regulamentar se dissipe em breve”, escreveram os analistas do Bank of America em Julho.

Alguns dos maiores nomes mundiais na gestão de activos dizem que ainda é uma boa altura para investir no País do Meio. Aliás, segundo disseram à CNN, as recentes medidas reguladoras foram “necessárias e atrasadas”, e que a história de crescimento da China se mantém “atractiva”

“Os investidores estrangeiros que optam por investir na China têm uma dificuldade notável em reconhecer estes riscos”, escreveu o investidor bilionário George Soros esta semana no Financial Times. “A China de Xi não é a China que eles [investidores] conhecem”. Segundo Soros, a versão de Xi do Partido Comunista agiu como uma “versão actualizada” da que foi liderada por Mao. “Nenhum investidor tem qualquer experiência dessa China porque não existiam bolsas de valores no tempo de Mao”.

Um modelo a seguir?

Paolini, no entanto, não está preocupado. Por um lado, a repressão é uma “resposta tardia” ao ritmo acelerado a que muitas empresas chinesas têm crescido e inovado.

O investidor prevê que o resto do mundo irá também criar regulamentos rigorosos sobre a utilização de dados e o domínio da Big Tech. “O risco regulamentar aumentou, mas agora o preço é agora em grande parte - sobre as nossas medidas”, disse Paolini, acrescentando que a China é o terceiro mercado “maior” de acções mais barato e “de longe o mais vendido”. Os estrategas da BlackRock fizeram eco dessa lógica, escrevendo que a liderança chinesa vê as medidas como “necessárias para controlar as indústrias que têm vindo a crescer rapidamente e a ser pouco regulamentadas”. “Mantemos a nossa preferência estratégica pelos activos chineses”, acrescentaram. Até a Goldman Sachs - que recentemente estimou que a repressão tinha eliminado 3,1


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e tardias

biliões de dólares em valor de mercado para as empresas chinesas em todo o mundo, metade dos quais provenientes apenas de empresas tecnológicas - permaneceu em alta. Os estrategas do banco de investimento escreveram na semana passada que o “ambiente comercial incerto” não era susceptível de prejudicar demasiado o caso da compra de acções chinesas, pelo menos não no continente. As empresas que constam da lista no estrangeiro podem estar a passar um mau bocado, uma vez que tanto os reguladores americanos como chineses têm estado a espremer as empresas que constam da lista em Nova Iorque. Mesmo assim, os analistas do Goldman apontaram para um “valor a longo prazo” para essas empresas - eles

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apenas querem “esperar por mais clareza na regulamentação” primeiro. A China tem “um forte potencial de crescimento económico e de ganhos num contexto global”, escreveram os estrategas. O banco reconheceu numa nota de pesquisa de Julho que as acções sofreram um impacto significativo com a repressão, acrescentando que alguns dos seus clientes até perguntaram se os mercados chineses se tinham tornado “invejáveis”. Mas disseram acreditar que é improvável que “regulamentações extremas” se espalhem a todos os sectores. O governo tem apoiado o desenvolvimento de “tecnologias fundamentais”, tais como energias renováveis e redes 5G, e “seria pragmático ao estabelecer um equilíbrio entre objectivos sociais/ideológicos e mercados de capitais em indústrias não sensíveis do ponto de vista social ao longo do tempo”. A venda “indiscriminada” também criou alguns bons investimentos para os que pensam a longo prazo, de acordo com Victoria Mio, directora de Acções Asiáticas da Fidelity International. “Apesar dos ventos contrários em alguns sectores, a China ainda está no bom caminho para um crescimento decente do PIB na próxima década”, afirmou, apontando para o aumento do poder de compra da classe média. Algumas empresas também tocaram no valor de outros activos chineses. Paolini salientou que o yuan teve um desempenho melhor do que outras moedas principais este ano, mais 1% em relação ao dólar americano. As obrigações do governo chinês também têm um desempenho superior, retornando 3,5% em comparação com uma perda de 1,1% no índice global de obrigações do governo do JP Morgan, uma referência rastreada pelos investidores em obrigações. “Claramente, a China continua a ser totalmente ‘investível’ para os investidores estrangeiros”, acrescentou ele. “É difícil prever a direcção futura das mudanças políticas, mas evitar stocks e sectores onde as avaliações são ricas e ... as expectativas [são elevadas] pode ajudar a mitigar esta incerteza”, disse Catherine Yeung, directora de investimentos da Fidelity International. “Os investidores deixaram as acções da Internet e da educação, investindo em vestuário desportivo e em energias renováveis, entre outras indústrias. Sempre houve desequilíbrios sociais e económicos, e a pandemia trouxe-os ainda mais à luz”, acrescentou. “As recentes mudanças políticas/regulamentares da China são criadas para abordar estes desequilíbrios com enfoque na segurança, autonomia e justiça”.

Rédeas socialistas no mercado Governo reforça medidas anti-monopólio e concorrência desleal

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China encetou decisivamente uma luta contra práticas monopolistas e concorrência desleal, no sentido de regular o mercado e evitar a proliferação de práticas consideradas nocivas e injustas. Esta semana, o presidente chinês Xi Jinping presidiu à 21ª reunião do Comité Central “para o aprofundamento da reforma global”, que analisou e aprovou uma série de orientações, incluindo as relativas à regulamentação anti-monopólio e à promoção da concorrência leal. Li Keqiang, Wang Huning e Han Zheng, todos os membros do Comité Permanente do Comité Central do CPC e os chefes adjuntos do Comité Central para o aprofundamento da reforma global, participaram na reunião. “A implementação de regulamentos e políticas anti-monopólio que promovam a concorrência leal é um requisito intrínseco para melhorar o sistema económico de mercado socialista”, disse Xi, sublinhando os esforços para “promover a igualdade de condições, criar um amplo espaço de desenvolvimento para todos os tipos de entidades de mercado e proteger melhor os direitos e interesses dos consumidores de acordo com a visão estratégica de promover um novo paradigma de desenvolvimento, e promover um desenvolvimento de alta qualidade e prosperidade comum”. “Desde o 18º Congresso Nacional do CPC em 2012, foi tomada uma série de decisões importantes em matéria de anti-monopólio e de concorrência desleal para melhorar o sistema de concorrência leal e promover um sistema unificado e de mercado aberto com uma concorrência ordenada”, concluiu um comunicado emitido após a reunião.

Medidas e orientações:

• Supervisão anti-monopólio, investigação e punição de empresas com comportamentos de monopólio e concorrência desleal de acordo com a lei, tendo sido registados progressos iniciais na prevenção da expansão desordenada do capital e a melhoria constante da concorrência leal no mercado. • Equilibrar desenvolvimento e segurança, eficiência e igualdade, vitalidade e ordem, bem como mercados domésticos e internacionais. • Avançar mais rapidamente para melhorar o sistema de acesso ao mercado, o mecanismo de revisão da concorrência leal, o sistema de regulação da concorrência leal na economia digital, e o sistema para prevenir e restringir o abuso do poder administrativo para excluir e restringir a concorrência. • Promover a interacção sólida e o desenvolvimento coordenado de grandes, médias e pequenas empresas.

• Protecção dos direitos de propriedade e dos direitos de propriedade intelectual, e o reforço da transparência e da previsibilidade das políticas. • Reforço da consciência das empresas sobre a concorrência leal e a orientação de toda a sociedade para formar um ambiente de mercado que defenda, proteja e promova a concorrência leal. • Melhorar o mecanismo de ajustamento do mercado para reservas estratégicas, reforçar a capacidade de reservar e ajustar mercadorias a granel e fazer com que as reservas estratégicas desempenhem um papel melhor na estabilização do mercado. • Sob a liderança do Partido Comunista, tomar medidas para orientar as empresas a servir os interesses gerais do desenvolvimento económico e social. PUB.

EDITAL Edital n.º : 59/E-BC/2021 Processo n.º : 339/BC/2020/F Assunto : Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Rua de Leôncio Ferreira n.º 14, Edf. Weng Meng, parte do terraço sobrejacente à fracção 4.º andar (identificada como 4.º andar B no local), Macau. Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2021, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 33, II Série, de 18 de Agosto de 2021, faz saber que ficam notificados o dono das obras e o proprietário do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Infracção ao RSCI e motivo Obra da demolição 1.1 Construção não autorizada de Infracção ao n.º 4 do artigo um compartimento de um piso 10.º, obstrução do caminho com paredes em alvenaria de de evacuação. tijolo, gaiola metálica, cobertura metálica e janelas de vidro. 1.2 Construção não autorizada no Infracção ao n.º 4 do artigo mesmo compartimento do se- 10.º, obstrução do caminho gundo piso com cobertura me- de evacuação. tálica, paredes em alvenaria de tijolo e gradeamento metálico. 2. Sendo o terraço do edifício considerado caminho de evacuação, deve o mesmo conservar-se permanentemente desobstruído e desimpedido, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 25 de Agosto de 2021 Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong


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Os Palácios Imponderáveis de Xia Yong PAULO MAIA E CARMO

texto e ilustração

«O longo rio Changiang leva uma tonalidade triste e lânguida,/ Saudades de casa, a tantos li de distância - tenho que voltar./ Para mais o dia termina e lá no alto, o vento de Outono vai puxando,/ Por montanhas e montanhas esvoaçam das árvores folhas amarelas.»

Mao Zedong (1893-1976) com a sua distinta e expressiva caligrafia transcreveu duas frases do célebre «Prefácio» de Wang Bo (650-676) celebrando o Pavilhão do Príncipe Teng em Nanchang que hoje estão, numa placa de aço inoxidável, colocadas sobre uma das portas desse palácio. A inscrição pode ser assim traduzida: «A neve caindo e os patos solitários voam da mesma forma, águas do Outono e o céu infinito, uma única tonalidade.» Uma ideia semelhante pode ser lida em dois versos de oito caracteres de Li Bai (701-762) celebrando uma outra torre, em Yueyang bebendo contra o vento, junto do seu estimado Lago Dongting: «As águas e o céu, uma única tonalidade, Amada beleza sem limites» (Shuitian yise, fengyue wubian). Dir-se-ia que lugares assim revestidos pelas palavras de prestigiados poetas não precisavam de outra atenção artística. Mas durante a dinastia Yuan, a complexidade da projecção de poder por uma casa imperial estrangeira que reconhecia a profundidade da cultura presente, poderá ter criado as condições para o acolhimento favorável de pinturas que mostravam essas construções exemplares. O pintor de Qiantang (actual Hangzhou, Zhejiang) Xia Yong (activo nos meados do século XIV) faria com extraordinária minúcia o retrato dessas imponderáveis arquitecturas debruçadas sobre as águas. Num estilo desprezado pelos literatos que lhe deram o nome de jiehua, o que se pode traduzir por «pintura atada por nós» mas

também «congelada» que Guo Ruoxu no século XVIII, e depois reproduzida no Jardim do grão de mostarda, descreveria como um dos defeitos a evitar: «todo o elán, toda a expansão fica travada, como se um obstáculo bloqueasse o movimento, impossível obter uma expressividade desembaraçada num fôlego.» Mas o pintor teve a preocupação de transcrever as palavras de poetas que imortalizaram as torres. Xia Yong, em Torre de Yueyang (folha de álbum, 26,3 x 27 cm, tinta sobre seda) que está no Smithonian, reproduziu o Memorial da torre de Yueyang, no Hunan, onde consta a famosa frase de Fan Zhongyan (989-1052): «Preocupar-se antes do povo comum, alegrar-se depois do povo se alegrar.» E na pintura de cerca de 1350, Torre Amarela (folha de álbum, 20,6 x 26,7 cm, tinta sobre seda) que está no Metmuseum, trascreveu numa exacta miniatura a Rapsódia no pavilhão amarelo, de Su Che (1039-1112) o irmão do poeta Su Dongpo, que explica a razão por que a torre é dedicada ao seu irmão. Um pormenor de irrealidade porém quebra o realismo da representação do pavilhão: um imortal vai passeando no céu, montado no dorso de um grou. Na sua representação do Pavilhão do Príncipe Teng, que está no Museu de Belas Artes de Boston ocorre uma outra audácia que é só do domínio da pintura: vê-se o palácio mas em frente uma embarcação é vista na perspectiva de quem está lá dentro; o céu e o rio sem limites- uma só tonalidade.


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GONÇALO M. TAVARES

Legendas sem Fotografias (2)

A blusa, ficar quieto

RECORDAÇÕES DE E.

1. Isto é no rio da Várzea de Sintra, depois de um almoço Domingueiro. Estão os meus pais e eu a simular uma queda, por isso eles estão a rir. E estão a rir porque estão com medo. O riso é isso: eles estão com medo de que eu um dia caia a sério. Tinha 16 anos, foi a primeira vez que calcei sapatos de salto alto. A blusa fui eu que a fiz. Também a minha vida foi eu que a fiz. Com as mãos, com os pés, com a cabeça. Gostava que tivesse ficado tão bem terminada como aquela blusa, mas a vida depende de muitas outras pessoas, de muito material que não dominamos. É muito confusa. Às vezes apeteceu-me dizer: façam vocês a minha vida, eu já estou farta. E já não sei fazer isso. Estou velha demais para decidir qualquer coisa. É estranho, não é? A pessoa sentir que já não sabe fazer uma blusa é uma coisa, sentir que já não sabe decidir o mais importante na vida, isso é bem mais grave. Mas é bom ver estas imagens: sabia nesta altura fazer uma blusa. Isso é muito impressionante, não é? 2. – Deve ter sido em 1943, eu tinha para aí 4 anos, a minha mãe mandou fazer este vestido. As lojas do meu pai eram muito perto, ali na Baixa, e a minha mãe levou-me ao meu pai e ele gostou tanto de me ver que pegou em mim e me levou logo ao fotógrafo. Começamos desde muito novas a querer ficar bem na fotografia. Eu não sabia que esta imagem ia resistir até hoje. Eu, nessa idade, de 4 anos, sabia muito pouco. Mas sabia que naquele momento tinha de ficar bem quieta. E isso era muito sério. Estar muito quieta quando se tem quatro anos não é para qualquer um. Estar sempre a mexer-se de um lado para o outro é bem mais fácil. Em frente à máquina ou mesmo na vida. Viver sem se mexer muito do lugar não é assim tão fácil. Para mim não foi.

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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

entre oriente e ocidente

Família, infância

ARTES, LETRAS E IDEIAS

a partir da Natureza Fantasma de Marco Martins e Companhia Maior

ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES


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retrovisor

LUÍS CARMELO

Lembrava-se de ter levado a mulher para as imediações da falésia de xisto escuro. Lembrava-se de descer de jipe até às águas escurecidas da barragem. lembrava-se de ver a silhueta da imensa calote esférica perdida entre arames farpados, vigias e um rebordo infindável de amieiros e pinheiros mansos. Laurentino lembrava-se que havia festa e fogo de artifício na aldeia e que a banda tocava música cigana húngara sob sombras avermelhadas de poeira. Laurentino lembrava-se de ter levado a mulher para dentro do átrio onde se erguia o antigo armazém da fundição. Laurentino lembravase de ter passado a correr com a mulher pelo cedro libanês que tinha ramos de bruxa e pela alfarrobeira imobilizada num repto da natureza. Laurentino lembrava-se de que tinham os dois passado pelas ruínas da vagoneta e do torno, para depois entrarem finalmente no armazém. O portão deslizou sobre carris negros e ouviu-se um som metálico e seco, um bramido pálido e oco. A mulher sentou-se no chão a um canto e tentou respirar fundo. Chorou depois compulsivamente e apenas dizia e repetia: “Eu sei coisas a mais. Eu sei coisas a mais. Eles vão matar-me. Ou uns ou outros. Ou uns ou os outros”. Lembrava-se de ter saído até ao cais, enquanto a mulher dormia no interior de um vestíbulo abandonado da fundição como se estivesse calafetada e defendida pela escuridão. Laurentino lembrava-se de ver dois carros pretos a estacionarem ao pé do cais de onde saíram vários homens de cabelo rapado que telecomunicavam entre si. A banda tocava com vivacidade meteórica e os chapéus dos músicos pareciam tendas de linho expostas à poeira avermelhada do Negueve. A pequena multidão acercava-se das barracas de comes e bebes, dos cachorros de peluche, dos ursos de focinho branco, dos palhaços ruidosos, das tendas de tiro, das tabernas improvisadas e do homemestátua que mais parecia um bobo convulsivo esboroado em aguarela ocre e azulada. E, nessa altura, mais por intuição do que por temor, Laurentino regressou subitamente à fundição atravessando um caminho secreto e remoto que conhecia do tempo das brincadeiras de criança. Tudo havia sido preparado. Lembrava-se, por fim, de ter colocado a mulher dentro de um tapete turco. Por cima do rolo improvisado, encheu o jipe de latas, restos de cadeiras, dossiês comidos pelo bicho, hastes de candeeiro, jarros, molduras de fotografia, zincogravuras, cortinados, roldanas, ferramentas carregadas de ácido e um ou outro varão de cobre. Vestiu um fato de macaco a cheirar a podre e saiu da aldeia em direcção às alturas. Lembrava-se agora de circundar mais uma vez estas estradas muito íngremes. Levava o coração a ribombar, a tremer e revia assim a vertigem dos vales fendidos pela corrosão dos glaciares. Por trás, nada. Nem viatura, nem vivalma, nem sinal de perseguição. A fuga parecia perfeita. A mulher mal conseguia respirar e o tempo passava, lento e perigoso, como leme de veleiro no meio de súbita tempestade. Laurentino lembrava-se de ter andado quatro dias e quatro noites sem parar, a não ser para

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A memória de Yokohama – II

comprar gasóleo, água e bolachas de água e sal. E foi já num país que parecia Espanha, num descampado tipo aragonês, que Laurentino se lembra de ter livrado o carro de tanta porcaria. A mulher, completamente tonta e inundada por ansiolíticos, sentou-se a seu lado e não disse água vai água vem durante várias horas. Lembrava-se de ter chegado a uma terra cheia de praias onde não havia mais estradas por onde seguir para poente. Apenas o mar e nada mais. Uma terra de fins onde quase toda a gente se conhecia. Uma terra de toldos brancos, uma terra de linhas de comboio entre canaviais e marquises de alumínio, uma terra de areais e alicerces esventrados e balaustradas opulentas entre bustos de leão em cerâmica clara. Uma bela

“TUDO LEVA A CRER QUE UM ATAQUE TERRORISTA FEZ EXPLODIR A MAIOR CENTRAL NUCLEAR DA EUROPA”, DIZIASE NA TELEVISÃO COM VOZ POUCO CONVICTA. QUASE AO MESMO TEMPO, LAURENTINO ABRIU A VIDRAÇA DAS JANELAS E VIU A POLÍCIA ESPECIAL POR TODO O LADO

terra cheia de fadários e oliveiras. E ao fim dessa longa tarde, por fim, entrou no hotel que era uma dourada Fortaleza no Guincho. O hotel mais ocidental da Europa. E cada um dormiu onze horas bem contadas. Lembrava-se de ter acordado às duas da tarde desse décimo primeiro dia de Junho. Quando regressou ao quarto, já a mulher tinha saído do longo banho de imersão. E foi nessa altura que ela, com a toalha em jeito de turbante na cabeça, premiu o botão da televisão. Segundos depois, não mais do que isso, a programação normal era interrompida e as imagens mostravam a imensa bola de fogo que irrompia pelos vales e falésias de xisto escuro onde Laurentino tinha nascido. “Tudo leva a crer que um ataque terrorista fez explodir a maior central nuclear da Europa”, dizia-se na televisão com voz pouco convicta. Quase ao mesmo tempo, Laurentino abriu a vidraça das janelas e viu a polícia especial por todo o lado. Pareciam astronautas munidos de bastões eléctricos e viseiras violetas escuras. Avançavam pelas escarpas ou pela falésia que desce sobre o mar em plano inclinado, cercavam as dunas e as duas praias. Entravam nas varandas e subiam já ao terraço. As sirenes dispararam por todo o lado e, sem que nada o fizesse prever, envolveram a tranquilíssima fortaleza do Guincho. Ouviu-se nessa altura um disparo e Laurentino não se lembra de mais nada. (continua)


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2 5 1 6 T5E M P 9O 4 P O U C O7 1N U B2L A D O 4 1 8 6 3 0 9 5 0 8 5 2 3 6 43

S6 7 U1 0D8 5O9 2K4 3U 3 3 2 0 4 1 4 2 8 8 7 9 6 5 1

6 48 9 2 1 3 7 0 5 3 1 8 4 2 7

47

2 3 8 8 9 6 4 9 3 7 1 0 7 5

8 6 9 2 3 5 1 7 5 6 4 0 3

6 1 3 8 7 7 9 5 2 9 3 4 6

1 8 4 0 6 7 2 3 0 5 7 1 9 4 2

2 4 3 5 4 9 9 7 1 0 6 0 8 8 7

7 0 6 3 5 2 6 4 8 5 2 1 3

3 8 9 8 4 6 2 7 1 2 5 6 0

4 5 7 6 1 8 2 0 6 2 9 3 3 4

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8 5 2 7 3 1 4 0 9 6

2 3 9 1 6 5 8 7 4 0

0 0 7 5 4 1 5 3 1 9 8 6 6

5 6 7 8 8 2 6 9 9 1 0 0 3

5 0 3 9 8 3 1 8 6 7 2 9 0 7 4 5

0 7 4 8 9 3 1 6 2 6 5 5 8 2

9 1 7 5 1 2 0 8 0 4 7 3 4 6

4 7 8 5 0 2 6 9 1 3

6 0 3 4 7 9 5 2 8 1

1 8 7 0 2 6 3 4 5 9

9 9 8 1 6 6 0 7 2 3 4 5 5 7 0 8 2 4 6 5 6 3 7 5 2 9 0 4 1

PUB.

7 2 1 8 5 0 9 3 6 4

3 9 0 6 8 4 2 1 7 5

0 1 6 9 4 3 7 5 2 8

9 4 5 2 1 8 0 6 3 7

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 45

45

4 5 9 0 3 8 0 6 7 3 6 1 2

PROBLEMA 46

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[f]utilidades 23

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3 5 6 2 9 1 7 3 4 2 8 1 0 3 9 7 2 0 1 4 8 7 5 0 7 6 4 9 6 4 2 8 www. 5 9 0 6 hojemacau. com.mo 1 8 3 5

48 2 3 7 5 4 1 0 8 6 9

8 9 4 2 0 3 6 5 7 1

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9 0 5 4 2 6 3 1 8 7

7 0 9 3 2 1 8 4 6 5

4 1 8 9 5 6 0 7 3 2

32

HUM

65-95% ´

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EURO

9.48

BAHT

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CINETEATRO

3 5 4 8 6 9 7 2 0 1

5 4 6 7 8 2 1 0 9 3

1 7 2 6 9 0 3 8 5 4

9 8 3 0 4 5 2 1 7 6

CHICAGO P.D. | DICK WOLF | 2014-PRESENTE

1.23

C I N E M A

SALA 1

SHANG-CHI AMD THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]

Chicago P.D. é um spin-off da série Chicago Fire, que acompanha o departamento da polícia encarregue pelo 21.º distrito da cidade americana. Através das operações do departamento de “informação”, liderado por Hank Voight (interpretado por Jason Beghe), a série destaca-se pela forma como faz um retrato da relação entre polícias e os criminosos, em que todos os dias os campos opostos se ajudam. Outros dos pontos altos desta série é a forma como mostra que nem todas as investigações são “limpas” que muitas vezes vale tudo para atrasar a chegada de um advogado antes do interrogatório... João Santos Filipe

YUAN

Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 14.15, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

THE PROTÉGÉ [C]

Um filme de: Martin Campbell Com: Samuel L.Jackson, Maggie Q, Robert Patrick 14.30, 21.30

CRAYON SHINCHAN: SCHOOL MYSTERY! THE SPLENDID TENKASU ACADEMY [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Wataru Takahashi 14.30, 19.30

FREE GUY [B]

Um filme de: Shawn Levy Com: Ryan Reynolds 14.30, 19.15, 21.30 SALA 3

SINKHOLE [B]

FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Ji-Hoon Com: Cha Seoung-won, Kim Sung-Kyun, Lee Kwang-Soo, Kim Hye-Jun 14.30, 21.30

ZERO TO HERO [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan Com: Sandra Ng, Louis Cheung, Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 16.30, 21.30

8 4 1 0 7 9 0 5 6 8 2 4 7 9 0 3 5 6 5 6 2 4 8 1 SINKHOLE 9 3 8 5 6 7 6 2 4 1 9 3 Propriedade 3 1 5Fábrica 2 de0Notícias, 8 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo 1 0M.Tavares; 7 9 Gonçalo 3 5Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 4 8 Paul 3 Chan 7 Wai 1 Chi; 2 Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Rasquinho; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 2 7Morada 9 Pátio 6 da4Sé, 0n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare 5 7 3 0 1 8 9 4 2 6

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24 opinião

3.9.2021 sexta-feira

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confeitaria

João Romão

FUTEBOL PÓS-PANDEMIA

A PANDEMIA que continuamos a atravessar por todo o mundo também redefiniu o rectângulo de jogo para a prática do futebol, pelo menos o profissional, ou o de mais alto nível, o que ocupa a atenção de todo o planeta, mais coisa menos coisa: deixou de ser relvado o tapete verde que concentra a atenção das massas e passou a ser feito de “leds”, eventualmente orgânicos, ou de outras maravilhas da tecnologia, dessas que nos trazem a casa o espectáculo total, com ainda mais brilho que o original, mais opções de personalização, temporizações, repetições e outras opções que nos permitem desfrutar do show de bola no conforto do sofá, role o esférico onde for, que há transmissões para todos os gostos e a assistência se faz cada vez mais em vídeo. Esta redefinição das quatro linhas que passaram a estar nas salas de cada pessoa em vez das aglomerações em estádios também contribuíram para redefinir poderes, ou pelo menos para reforçar tendências de concentração de poder que já se vinham desenhando, com a hegemonia da liga inglesa a tornar-se ainda maior, mesmo que tenhamos sempre Paris, gloriosa excepção que assinala aliás singular presença histórica entre os mais

reputados clubes de futebol do planeta, onde a presença francesa foi tradicionalmente escassa. E continua a ser: na realidade, é a Inglaterra que se vai tornando (ou recuperando) o centro desta redefinição do futebol enquanto espectáculo que se deslocou dos estádios de cada cidade para as televisões de todo o planeta. Foi relativamente lenta mas implacável esta deslocação: ainda há dez anos era a Liga espanhola que dominava as atenções do planeta, os astros maiores de todo mundo, as conquistas de medalhas e troféus. É território onde tradicionalmente se joga tarde, já de noite o esférico parece rolar melhor, e de dia há sestas para fazer, vermutes para tomar, ou outros afazeres de força maior, consoante a região. Essa escolha tem outras implicações, naturalmente: a essas horas já o público asiático dorme profundamente, esses potenciais milhares de milhões de pessoas que vivem o futebol europeu com proximidade e intensidade mesmo que vivam na Índia, na Indonésia, na Tailândia, na China ou no Japão. Esse público dedicado, fanático como outros, frequentemente com menor poder de compra mas sempre contado em muitos

Foi mais uma vez em direcção a Inglaterra que se deslocou a maior parte das estrelas do universo futebolístico, para os clubes onde as receitas vêm sobretudo do negócio televisivo global e que por isso foram menos vulneráveis às quebras drásticas nas vendas de bilhetes para os estádios que a pandemia de covid-19 provocou

milhões de pessoas, seria decisivo para transferir da liga espanhola para a inglesa o poder maior do futebol global, que em Inglaterra se joga mais cedo e se adaptam com zelo e dedicação os horários e calendários para facilitar a vida a fregueses distantes, com os seus dispositivos digitais e ecrãs de tamanho diverso espalhados por todo o mundo: jogada à tarde, a liga inglesa pode ser acompanhada em directo nas noites asiáticas e nas manhãs das Américas, o verdadeiro espectáculo global, acompanhado ao vivo e em simultâneo em todo o planeta. Assim se vendem assinaturas e subscrições de canais de televisão, mas também camisolas e outras mercadorias promocionais, fontes diversificadas e massivas de rendimentos. É assim também que se atraem os grandes investidores, o capital global que se vai acumulando para lá das esferas produtivas e que alimenta negócios diversos, mais ou menos obscuros, incluindo o da bola: chegam a Inglaterra vindos dos Estados Unidos (Manchester United, Liverpool ou Arsenal, só para citar os maiores), dos Emirados Árabes Unidos (Manchester City), da Rússia (Chelsea), da Tailândia (Leicester), do Egipto (Aston Villa) ou da China (Southampton e a tão portuguesa equipa do Wolverhampton). As finanças do planeta mobilizam-se para promover a liga e os clubes ingleses num espectáculo que afinal chega em directo a cada casa ou a cada café do planeta. O resultado deste jogo das finanças globais também se nota nos lances de bola parada, com os jogadores em férias mas em negócios, quando se trata das transferências, potenciais ou efectivas contratações e rescisões, empréstimos e cedências, que ocupam páginas imensas na imprensa mundial e animam universos digitais variados mesmo quando não se joga. Foi mais uma vez em direcção a Inglaterra que se deslocou a maior parte das estrelas do universo futebolístico, para os clubes onde as receitas vêm sobretudo do negócio televisivo global e que por isso foram menos vulneráveis às quebras drásticas nas vendas de bilhetes para os estádios que a pandemia de covid-19 provocou. Há a excepção parisiense, evidentemente, feita de uma situação financeira excepcional, em que as receitas publicitárias do clube são desproporcionais em relação às dos restantes competidores na liga francesa. Não deixa de ser sintomático, aliás, que tenham vindo das ligas espanhola e italiana os mais intensos apelos e iniciativas para a criação de uma “super-liga” europeia de futebol. Na realidade, é apenas uma reacção tardia e desesperada à formidável derrota que foram sofrendo nos últimos anos quando não souberam ou não quiseram adaptar as formas e os tempos de jogo a essa nova abordagem ao futebol que, sem o retirar dos estádios (pelo menos antes e depois do covid-19), o colocou sobretudo nas televisões ou outras plataformas de entretenimento digital.


sexta-feira 3.9.2021

opinião 25

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um grito no deserto

Paul Chan Wai Chi

SOOU O TIRO DE PARTIDA ESTE MÊS e em Dezembro próximo irão ter lugar eleições legislativas, respectivamente em Macau e Hong Kong. A campanha para as eleições à Assembleia Legislativa de Macau começou a 28 de Agosto, com apenas 14 listas de candidaturas a concorrerem à eleição por sufrágio directo, o menor número de listas desde o regresso de Macau à soberania chinesa. Quanto ao processo da eleição por sufrágio indirecto, regressou ao formato anterior, em que o número de candidatos é igual ou inferior ao número de lugares disponíveis no Parlamento. Já os sete deputados nomeados por despacho do Chefe do Executivo, a seu tempo se saberá se essa nomeação irá trazer surpresas ou receios à população. Se houvesse o costume de disparar um tiro de partida para assinalar o início do processo eleitoral para a Assembleia Legislativa de Macau, então essse tiro teria sido disparado a 9 de Julho. Quando a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) anunciou a exclusão de candidatos pertencentes a seis listas de candidaturas a 9 de Julho, o processo eleitoral para a sétima Assembleia Legislativa da RAEM ficou basicamente determinado. Não pretendo fazer quaisquer comentários ou análises de momento, para não influenciar a campanha eleitoral. Mas alguns jornalistas escreveram artigos sobre o quadro em que vão decorrer as próximas eleições para a Assembleia Legislativa. Afinal de contas, a CAEAL é constituída apenas por seis pessoas, que decidiram quem é elegível para concorrer às eleições, mas o resultado eleitoral é decidido por mais de 300.000 eleitores elegíveis. Esse resultado será conhecido dentro de dez dias e os factos falarão por si. Em Hong Kong, o Comité de Revisão da Elegibilidade dos Candidatos (CERC sigla em inglês) determinou que a proposta do deputado Cheng Chung-tai, para o Comité Eleitoral (CE) era inválida, pelo que foi banido do Conselho Legislativo a 26 de Agosto. Cheng Chung-tai era deputado desde 1 de Outubro de 2016. Este incidente pode ser considerado como o tiro de partida do processo eleitotal para o Conselho Legislativo de Hong Kong, mas menos sensacionalista do que o incidente da desclassificação de candidatos de Macau. E isto porque em Hong Kong já tinha havido episódios de desclassificação de candidatos ao Conselho Legislativo e demissão em massa de deputados do campo pró-democracia em 2020. Embora Cheng Chung-tai não tenha integrado o grupo de deputados demissionários e o porta-voz do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau Junto do Conselho de Estado tenha afirmado que Cheng tinha tomado uma “decisão sensata”, como a situação mudou, quem perdeu os seus cargos teve de sair.

O Congresso Nacional do Povo (CNP) aprovou a Decisão de Aperfeiçoar o Sistema Eleitoral da Região Administrativa Especial de Hong Kong em Março de

2021 e a CAEAL de Macau definiu, em Junho de 2021, os sete critérios para avaliar a eligibilidade dos candidatos à sétima Assembleia Legislativa. Estas

Um polícia não dispara uma arma ao acaso no meio da cidade, nem um caçador se põe aos tiros sempre que lhe apetece. Os governantes não têm sempre de exercer todo o poder ao seu alcance, e tal como nos exemplos anteriores, não precisam de disparar todas as balas de uma só vez Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

alterações marcam uma nova fase do princípio “um país, dois sistemas”, que regula as administrações de Hong Kong e de Macau, embora ambos os Governos das RAEs “estejam no mesmo barco”. A adopção desta estratégia está certamente relacionada com o actual clima político interno e internacional. Mas optar por medidas “impositivas” em detrimento de medidas “moderadas”, não vai ajudar a encontrar uma solução. Só quem valoriza a estabilidade acima de tudo pode apreciar medidas “impositivas”. A China conhceu muitos movimentos políticos, incluindo a Campanha Anti Direitista (1957), a Revolução Cultural (1966) o Contra-Ataque ao Vento Desviacionista de Direita (1975) e disparou o tiro de partida vezes sem conta. E o país e o seu povo sofreram sempre mais, cada vez que um desses tiros era disparado. As eleições para o Conselho Legislativo de Hong Kong terão lugar como previsto em Dezembro próximo. Mas depois de Cheng Chung-tai ter sido desclassificado, é pouco provével que o Partido Democrata e o Partido Cívico inscrevam os seus membros como candidatos às eleições para o Conselho Legislativo. O Governo de Hong Kong irá apresentar ao Parlamento a proposta de do Registo Médico 2021(Emenda à Lei) para discussão, a fim de criar uma forma de admitir médicos formados fora de Hong Kong, que sejam residentes permanentes, para poderem exercer na cidade. Esta proposta surge no sentido de colmatar o déficit de 700 médicos de diversas especialidades. Não existem estudos que indiquem se esta falta de especialistas se prende com a recente vaga de emigração de Hong Kongers. Mas as recorrentes vagas de emigração em Hong Kong nos últimos anos são um facto indesmentível. O objectivo que preside à Decisão de Aperfeiçoar o Sistema Eleitoral de Hong Kong, à Lei de Segurança Nacional de Hong Kong e à definição dos sete critérios para a avaliação da elegibilidade dos candidatos à sétima Assembleia Legislativa de Macau poderá ser uma tentativa de garantir a estabilidade da classe governante e de coartar qualquer tipo de resistência à sua liderança. No entanto, a classe governante não tomou em consideração uma questão importante, a saber: a principal causa das crises de governação ao longo de todas as Dinastias chinesas encontrou-se sempre no seio das próprias classes dominantes. Um polícia não dispara uma arma ao acaso no meio da cidade, nem um caçador se põe aos tiros sempre que lhe apetece. Os governantes não têm sempre de exercer todo o poder ao seu alcance, e tal como nos exemplos anteriores, não precisam de disparar todas as balas de uma só vez.


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3.9.2021 sexta-feira

A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 20.º ANIVERSÁRIO


sexta-feira 3.9.2021

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Hoje Macau 3 SETEMBRO 2021 #4846 by Jornal Hoje Macau - Issuu