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Hoje Macau 3 JUNHO 2021 #4781

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LITERATURA

DO FASCISMO AO 25 DE ABRIL

ADVOGADOS

ORDEM E PROTOCOLO PÁGINA 6

QUINTA-FEIRA 3-6-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

hoje macau

Chuva de críticas

As queixas dos deputados sobre a actuação do Governo face à intempérie que se abateu sobre Macau nesta última terça-feira não se fizeram esperar. Agnes Lam, Sulu Sou e Angela Leong fo-

ram os mais críticos, afirmando que o Governo podia e deveria ter feito mais para minimizar os danos provocados pela maior chuvada registada em Macau desde 1952. PÁGINA 5

CARTÕES DE CRÉDITO

A BURLA CONTINUA PÁGINA 7

OPINIÃO

O ESTADO DO CLIMA

TIAGO ALCÂNTARA

OLAVO RASQUINHO

ESCOLA PORTUGUESA

ONDE PÁRA A VERDADE? ÚLTIMA

GUIA FEST

TOCA A EXPERIMENTAR EVENTOS

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ENTREVISTA

Nº 4781


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3.6.2021 quinta-feira

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ANA SALDANHA AUTORA DE “LITERATURA, ARTE E SOCIEDADE EM PORTUGAL”

“Há falta de perspectiva para compreender o passado”

O novo livro de Ana Saldanha, apresentado hoje na Fundação Rui Cunha, dá a conhecer as manifestações literárias e artísticas no Portugal contemporâneo entre o Golpe de Estado de 1926, a instauração do fascismo e a Revolução do 25 de Abril de 1974. A docente do Instituto Politécnico de Macau analisa movimentos e autores que não se dissociam do seu tempo Como surgiu a possibilidade de editar este livro, que traça um olhar transversal à sociedade portuguesa entre 1926 e 1974? Trabalho com literatura portuguesa desde o meu doutoramento e tenho trabalhado bastante com a literatura produzida durante o fascismo, nomeadamente a literatura neo-realista. Tenho trabalhado também com a literatura do pós-25 de Abril das décadas de 70 e 80. Tenho feito também trabalho com a arte muralista, com a literatura feita por autoras mulheres, e este livro partiu da ideia de juntar tudo isto e fazer uma obra que se dedicasse ao período do fascismo e do 25 de Abril de um ponto de vista da sociologia da literatura. Temos então um olhar transversal sobre tudo o que se fez na área da cultura neste período de tempo. Não considero que a literatura se deva desligar dos movimentos da sociedade e de outras manifestações artísticas. Temos de ter uma visão de conjunto para compreender a literatura, arte e aspectos socio-políticos. É nesse sentido que construo este livro: compreender a literatura não apenas fechada no seu próprio universo mas algo que

comunica com todos os outros aspectos da sociedade, com a canção, a arte e o cinema. Entre 1926 e 1974 acontece muita coisa na sociedade portuguesa. Olhando para as representações artísticas de 1926, consegue fazer uma comparação face a períodos posteriores relativamente ao papel que tiveram? A questão será mais a inversa, pois a partir do golpe militar de 1926 instala-se uma nova situação socio-política em Portugal. Portanto, todas as manifestações artísticas das décadas de 20 e de 30 não se podem desligar desse contexto, e não é por acaso que o neo-realismo vai depois surgir na década de 40. Não considero que possamos ler as manifestações artísticas sem ter uma compreensão prévia do contexto socio-histórico. Temos de fazer uma leitura dialéctica. Foram-se construindo passos para, em 1974, dar lugar a outras manifestações, como a música de intervenção no período do 25 de Abril. Em 1926 não haveria outro tipo de expressões ao nível da música, haveria outras. Sim. Ainda que a música de intervenção surja de uma certa linha

contestatária que já vinha de antes do 25 de Abril. Mas mais uma vez não a podemos compreender sem compreender também o contexto socio-histórico. Em relação à literatura, como diz Eduardo Lourenço, nos anos que imediatamente se seguiram ao 25 de Abril, de facto não há uma grande produção literária. Esta só surge no final da década de 70. Mas durante esse período em que não há

“Este livro partiu da ideia de juntar tudo isto e fazer uma obra que se dedicasse ao período do fascismo e do 25 de Abril de um ponto de vista da sociologia da literatura.” uma grande produção literária temos, por exemplo, a arte que se manifesta de uma outra forma, que sai das galerias e que vai para as ruas, tal como a música. E a música de intervenção vem um pouco no sentido da arte, porque deixa de estar escondida. A música torna-se na palavra do povo

português, ela é apropriada pelo povo. De uma certa forma é uma manifestação artística, em que há um autor, quem a cante, mas há também um movimento colectivo em volta disto, inclusivamente com a arte muralista. Esta interligação entre o colectivo e o individual também é bastante interessante como fenómeno socio-estético depois do 25 de Abril. Naturalmente que a literatura, depois de um período de censura, com o 25 de Abril e a ideia de construção de uma sociedade diferente, seguiu depois os seus caminhos próprios, ainda que nas décadas de 70 e 80 esteja extremamente ligada ao passado recente português. A arte muralista foi algo muito específico, de um certo período de tempo. Depois da Revolução deixou de se pintar murais, pelo menos com a mesma força. Há aqui uma questão do facto de a arte ser apenas acessível a uma elite. E antes do 25 de Abril para se ver arte era necessário ir a uma galeria e a um museu. O 25 de Abril veio trazer a possibilidade de todos terem acesso à arte. Esse processo foi muito importante no Brasil, mas ao contrário. Durante a Ditadura Militar traz-se a arte para a rua como forma de consciencialização através de outras

expressões artísticas, como a impressão em notas de um real da questão “Quem matou Herzog” [referência ao assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975]. Em Portugal é assim também, com ligação a um terceiro elemento, bastante peculiar, que é o facto de podermos participar nessa construção da obra de arte. Muitos dos murais foram pintados pelas pessoas que eram orientadas por alguém. Todos podiam participar na construção de uma obra de arte. Havia uma espécie de reciprocidade e isso tem a ver com o contexto revolucionário.


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Dificilmente poderíamos compreender a literatura do Lobo Antunes sem compreender o que foi a guerra colonial, ainda que a vivesse como médico. Mas a guerra colonial surge também em obras de autores como Manuel Alegre, Olga Gonçalves ou Mário de Carvalho.

“É nesse sentido que construo este livro: compreender a literatura não apenas fechada no seu próprio universo mas algo que comunica com todos os outros aspectos da sociedade, com a canção, a arte e o cinema.” Depois do 25 de Abril surgem autores como José Saramago, Prémio Nobel, Fernando Namora, José Cardoso Pires. Como caracteriza esta literatura portuguesa do pós-25 de Abril, já com algum distanciamento? Mesmo que a matéria revolucionária e os acontecimentos históricos pareçam estar ausentes, é sempre uma literatura que não pode ser entendida sem que se faça uma compreensão do 25 deAbril. É esta a ideia que defendo neste livro. Estas obras só surgem porque houve o 25 de Abril, e é como se a matéria socio-histórica estivesse sempre presente. Há uma geração de autores que fazem a reflexão a partir daquilo que escrevem é feita a partir de um contexto revolucionário ou pós-revolucionário.

Dedica também um capítulo às antigas colónias neste livro. Macau, ainda que não fosse uma colónia, olhava com algum distanciamento sobre estas manifestações que iam acontecendo na então metrópole? Não me debruço sobre Macau e não faço essa ligação. O contexto das colónias interessa aqui para compreender a Guerra Colonial, a razão da formação do MFA [Movimento das Forças Armadas], a ligação que tem depois com todo o processo de guerra. Interessa-me como um contexto socio-histórico

“Depois do 25 de Abril foram anos extremamente traumáticos e passou a haver uma literatura que, reflectindo sobre o passado recente português e a censura, tinha também de reflectir sobre este processo.”

e não tanto como produção. Não falo da produção literária que é feita a partir da situação colonial, o que me interessa é, na literatura produzida depois do 25 de Abril, a forma como a situação colonial e a guerra é tratada pelos autores.

“Não há nenhuma obra deste tipo em Macau e, para mais, com esta perspectiva sociológica da literatura.”

E como foi tratada? Depende. O que acontece é que a guerra colonial passa a ser parte da matéria literária. Depois do 25 de Abril foram anos extremamente traumáticos e passou a haver uma literatura que, reflectindo sobre o passado recente português e a

censura, tinha também de reflectir sobre este processo. Este período, de tão traumático que foi, era difícil que não entrasse na matéria literária. Temos o António Lobo Antunes, o escritor onde talvez a guerra colonial esteja mais presente na sua literatura.

Esta obra dedica-se ao público no geral, mas os alunos que a folhearem vão ter, no fundo, acesso a uma compilação de dados sobre o Portugal contemporâneo. Sim. Não há nenhuma obra deste tipo em Macau e, para mais, com esta perspectiva sociológica da literatura. Havendo uma ausência de produção do ponto de vista teórico, mas também nesta tentativa de conjugação da matéria literária com o contexto social e histórico, e para mais com este contexto que é tão importante, como é o da Revolução de Abril, e todo o período do fascismo português, achei que seria necessário ocupar este espaço. Além disso, aqui no IPM há várias disciplinas ligadas à literatura portuguesa onde penso que este livro se pode inserir. Há também uma falta de perspectiva, quer historiográfica quer social e estética que permita reunir e compreender o passado recente português, interligando todos os movimentos da vida e da história. Andreia Sofia Silva


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ELEIÇÕES PODERES DO PENSAMENTO POLÍTICO APRESENTA COMISSÃO DE CANDIDATURA

A aquecer os motores Visita Chefe do Executivo em Xangai

HOJE MACAU

As questões da habitação, da função pública e das concessões do jogo são alguns dos aspectos que os membros da associação esperam abordar durante o período de campanha

Ho Iat Seng vai estar em Xangai entre hoje e domingo para participar na Primeira Reunião de Cooperação entre Macau e a cidade do Interior. A informação foi divulgada ontem numa nota de imprensa do Gabinete de Comunicação Social. Além da participação na reunião, a deslocação vai servir para negociar o “reforço da cooperação com dirigentes locais” e comparecer na cerimónia de abertura da Semana de Macau em Xangai, uma iniciativa que tem como objectivo promover a RAEM como destino. A visita inclui ainda uma paragem a “projectos de desenvolvimento industrial de Xangia”. Durante a ausência de Ho Iat Seng, será o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, a exercer, interinamente, as funções de Chefe do Executivo.

Questões e concessões

Na agenda da candidatura consta igualmente a situação das concessões do jogo, principal sector da economia, que terminam a meio do próximo ano. Neste aspecto, Nelson Kot admite que existe a preocupação pela falta de informação sobre o assunto.

IC Vice-presidente com contrato para mais um ano

“Queremos que o Governo tenha atenção [...] as licenças são muito importantes para Macau e para o futuro do território.”

Cheong Lai San, vice-presidente do Instituto Cultural, viu a comissão de serviço para o cargo renovada pelo período de um ano. O novo mandato da vice do IC inicia-se desta forma a 1 de Julho de 2021, de acordo com o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, assinado por Mok Ian Ian, presidente do IC. A renovação da comissão de serviço foi explicada com o facto de ser considerado que Cheong Lai San possui “capacidade de gestão e experiência profissional adequadas”.

Fórum Macau Mok Iun Lei mais um ano à frente do Gabinete de Apoio

Mok Iun Lei, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, viu a comissão de serviços renovada, de acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial pelo Gabinete do secretário para a Economia e Finanças. A coordenadora do Gabinete de Apoio ao Fórum Macau vai assim manter-se em funções até 4 de Junho de 2022, por “possuir capacidade de gestão e experiência profissional adequadas para o exercício das suas funções”.

Este é um processo que Nelson Kot considerou estar a ser adiado há demasiado tempo. “O Governo tem levado muito tempo a reformar o regime da função pública, estão a ser demasiado lentos. O nosso regime foi estabelecido antes de 1999, tem quase trinta e tal anos. E nas carreiras especiais não tem havido alterações, o que causa insatisfação aos funcionários”, vincou. Kot afirma que faz sentido nesta fase actualizar os salários a nível das carreiras especiais para que haja uma maior diferenciação entre a remuneração dos assessores e dos chefes de departamentos e divisões. “Os salários dos chefes são muito semelhantes aos salários dos assessores. Isso faz com que as pessoas não tenham interesse em subir na carreira e assumir cargos com mais responsabilidades”, explicou. “Tem de haver uma maior diferenciação para haver uma maior motivação”, atirou.

NELSON KOT PODERES DO PENSAMENTO POLÍTICO

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M A candidatura que se vai focar nas questões da habitação, função pública e das concessões do jogo. A promessa foi deixada ontem por Nelson Kot, membro da Comissão de Candidatura com o nome Poderes do Pensamento Político, que apresentou o processo para validação na terça-feira. Ao HM, o ex-candidato às eleições de 2017 e ex-funcionário da Direcção de Inspecção e Coordena-

ção dos Jogos, explicou que a ordem da lista apenas vai ser apresentada após o processo de validação dos 350 membros pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. Contudo, Nelson Kot adiantou que entre as prioridades para a campanha está o problema de habitação. “O Governo criou muitos sistemas para a atribuição de habitação, o que nos faz prever que o futuro terá menos problemas”, reconhece Kot. “Mas, ac-

tualmente, ninguém sabe a quantidade de casas que vai ser disponibilizada para habitação neste ano, no próximo ano e até 2024. E essa informação é muito importante. O Governo tem de revelar mais informações sobre este assunto, que vai merecer a nossa atenção”, acrescentou. Na questão da Função Pública, a comissão Poderes do Pensamento Político acredita que existe a necessidade de reformar o regime de carreiras da administração pública.

“Há muitas dúvidas sobre os contratos e o Governo não tem disponibilizado informação. Queremos que o Executivo explique se vai haver um prolongamento das concessões ou se vai abrir o concurso público. Eles ainda não disseram nada, apenas sabemos que vai haver a consulta pública na segunda metade do ano...”, revelou. “Queremos que o Governo tenha atenção a este aspecto. As licenças são muito importantes para Macau e para o futuro do território”, alertou. Nelson Kot foi o cabeça de lista também com o nome Poderes do Pensamento Político, em 2017. Na altura, a lista reuniu 672 votos, ou seja, ficou a 7.676 votos do último deputado eleito. João Santos Filipe


quinta-feira 3.6.2021

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INUNDAÇÕES DEPUTADOS CRITICAM RESPOSTA DO GOVERNO À INTEMPÉRIE

Melhor é possível

Apesar da imprevisibilidade associada à chuva intensa, Agnes Lam, Sulu Sou e Angela Leong consideram que podia ter sido feito mais na prevenção daquele que foi o dia mais chuvoso desde 1952 e esperam que o Governo melhore os mecanismos e infraestruturas de combate às inundações RÓMULO SANTOS

O rescaldo das chuvas intensas registadas ao longo da passada terça-feira e que provocaram estragos e apreensão um pouco por toda a cidade, foram vários os deputados a apontar que, tanto os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) como os restantes organismos do Governo responsáveis pelos mecanismos de prevenção de inundações, podiam ter feito mais. Através de um comunicado, Agnes Lam sublinhou que a bomba de drenagem de água do norte do Porto Interior revelou ser “pouco eficaz” durante a fase crítica do período de chuva intensa a partir das 5h00 de terça-feira, quando foi emitido o sinal preto. Para a deputada, as autoridades competentes deviam assumir, à partida, que a capacidade de drenagem de Macau é “baixa” e que, por isso, a situação de cheias deve ser prevenida e não “normalizada”, averiguando a possibilidade de aumentar a capacidade da bomba. Recorde-se que durante o período de chuva intensa foram registados até às 16h00 da passada terça-feira, segundo o Corpo de Bombeiros, 33 casos de cheias, quatro deslizamentos de terras e 10 acidentes de viação, com 11 feridos nas estradas locais. Sobre a emissão de avisos perante o aproximar de uma iminente situação de chuva intensa, Agnes Lam, referiu, fazendo alusão ao tufão Hato, que, apesar de os SMG terem alertado na semana passada para a ocorrência de aguaceiros no decorrer desta semana, a população foi “apanhada desprevenida” pelas cheias e as trovoadas que se verificaram ao raiar do dia, não tendo sido dado tempo para responder adequadamente à situação e colocando-se, muitas vezes, em “situações

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cado, o facto de a maioria da população ter demonstrado preocupação quanto à “inutilidade” da “Box-Culvert”, que se encontra ainda em fase experimental. Para a deputada, “as autoridades devem concluir, o quanto antes, as obras relacionadas com a prevenção e redução de catástrofes” e implementar, em situações semelhantes à da passada terça-feira ou durante a passagem de tufões, “programas de intervenção em pontos específicos de inundação” de forma a reduzir situações problemáticas. Recorde-se que, ao ser questionado sobre as obras realizadas no Porto Interior para evitar inundações, o Chefe do Executivo disse

Agnes Lam, referiu, fazendo alusão ao tufão Hato, que (…) a população foi “apanhada desprevenida” (…) colocandose, muitas vezes, em “situações perigosas”

perigosas” para tentar salvar bens e património.

Caixa negra

Por seu turno, através de uma interpelação escrita, Sulu

Sou questionou o Governo sobre que melhorias estão a ser ponderadas para aumentar a eficácia dos mecanismos de alerta em caso de chuvas intensas. Além disso, o de-

putado pró-democrata pediu esclarecimentos adicionais sobre o facto da “Box-Culvert” da Estação Elevatória de Águas Pluviais do Norte do Porto Interior, inaugurada

no mês passado, não ter ajudado a evitar inundações em locais como a Rua Cinco de Outubro ou a Rua do Patane. Também Angela Leong abordou ontem, em comuni-

que serão feitos ajustes. “É uma infraestrutura nova e ainda não foi bem ajustada. Em chuvas normais é possível resolver os problemas, só que esta manhã foram chuvas intensas, portanto os serviços competentes já estão a ajustar”, disse. Na interpelação apresentada por Sulu Sou, o deputado pediu ainda explicações sobre o facto de também terem sido afectadas zonas em áreas altas da cidade como a Estrada Marginal da Ilha Verde, a Rua do Almirante Lacerda e alguns locais na Taipa. Pedro Arede

DRENAGEM CONSELHEIROS QUESTIONAM ESCOAMENTO DE ÁGUAS

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capacidade do sistema de drenagem do território marcou a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários do Centro, realizada ontem. As opiniões dos membros foram apresentadas, depois de, na terça-feira, várias zonas terem ficado inundadas, após a maior chuvada desde que há registos no território. Um dos membros preocupado com o assunto foi Ho Weng Hong,

considerando que as inundações mostraram que o sistema em várias zonas da cidade não tem capacidade para lidar com chuvas intensas. Ho alertou também para que os departamentos do Governo devem começar a estudar tão cedo quanto possível o sistema de drenagem e realizar as operações necessárias para aumentar a capacidade nas zonas mais afectadas. Por outro lado, o membro do conselho

consultivo apelou às autoridades para fiscalizarem de forma mais activa os despejos ilegais na rede de esgotos e aplicarem as respectivas multas. Por sua vez, Chui Oi Lei, membro ligada à Associação das Mulheres, perguntou se não teria sido possível emitir o sinal de alerta mais cedo e levantou questões sobre o falhanço da box-culvert da Estação Elevatória de Águas Pluviais do Norte do Porto

Interior. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a reunião serviu ainda para se falar da habitação para idosos e Luo Ping defendeu que as rendas cobradas aos membros devem ter por base os rendimentos de cada um. Sobre este assunto, Wu Hang San abordou o envelhecimento da população, e alertou o Executivo para a necessidade de aumentar anualmente e gradualmente o número de habitações para os mais velhos.


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ADVOCACIA ORDEM QUER REACTIVAR PROTOCOLO COM AAM NO INÍCIO DO PRÓXIMO ANO

Luz ao fundo do túnel A Ordem dos Advogados assegura que o Protocolo com a Associação dos Advogados de Macau poderá ser retomado no início do próximo ano, ultrapassado o impasse causado pela pandemia da covid-19. O Bastonário, Luís Menezes Leitão, assegura que “a principal questão” nas negociações prende-se “com a exigência de formação complementar para exercer a advocacia”

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ODE estar para breve a reactivação do Protocolo entre a Ordem dos Advogados (OA) em Portugal e a Associação dos Advogados de Macau (AAM). Depois de meses de negociações, a OA aponta como prazo para a entrada em vigor o início do próximo ano. “Desde o início que manifestamos concordância com a recuperação do Protocolo, havendo apenas que ultimar as questões que se colocam para efeitos de reciprocidade. A pandemia prejudicou, no

entanto, o decorrer das negociações. Temos esperança que, estando tudo resolvido, no início do próximo ano o mesmo possa ser reactivado”, confirmou ao HM Luís Menezes Leitão, Bastonário da OA. A exigência de formação complementar além da licenciatura em advocacia é, para já, o tema que continua a ser discutido. Esta formação é exigida para exercer a profissão no território e ter “o conhecimento da lei local, que é cada vez mais diferente em Portugal e Macau”. “Teremos que acertar em condições de reciprocidade

“Teremos que acertar em condições de reciprocidade qual a formação exigida para o exercício da advocacia em cada uma das jurisdições.” LUÍS MENEZES LEITÃO BASTONÁRIO DA OA

qual a formação exigida para o exercício da advocacia em cada uma das jurisdições”, adiantou o Bastonário. Esta formação prende-se com a necessidade de aprendizagem do Direito de Macau.

Um ano de negociações

As negociações para que este Protocolo seja reacti-

RENOVAÇÃO URBANA CONTRATOS MILIONÁRIOS PARA EMPRESAS ESTATAIS

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empresa Macau Renovação Urbana assinou ontem dois memorandos de entendimento para as obras no Lote P da Areia Preta, que vão garantir a empresas estatais quase 5 mil milhões de patacas. Em relação à obra mais cara, que envolve a construção das habitações para troca com os lesados do empreendimento Pearl Horizon, os trabalhos vão ser conduzidos pela empresa China Construction Engineering (Macau) a troco de 4,068 mil milhões de patacas. A informação foi divulgada ontem num comunicado da empresa, que apenas comunica em chinês e inglês.

A outra obra implica a construção de habitação para troca, ou seja, as casas que poderão ser utilizadas como forma de compensar os proprietários que participarem no programa do Governo de renovação urbana. Os trabalhos implicam um custo de 878,6 milhões de patacas e foram atribuídos ao consórcio constituídos pelas empresas China Road and Bridge Corporation, Coneer Engineering Limited e Top Design Consultants Company Limited. Por outro lado, a empresa avançou também que o concurso público para a construção de mais habitações temporárias está em curso e

maioria, seguramente 70 por cento, eram de língua materna portuguesa”, recordou. “Neste momento, eu diria que 70 por cento [dos inscritos] são de língua materna chinesa”, num universo de “436 advogados e 127 estagiários”, apontou o presidente da AAM em declarações à Lusa.

deve chegar ao fim no final deste mês. Segundo a Macau Renovação Urbana, as obras no Lote P vão criar mais de três mil oportunidades de emprego. A empresa diz ainda estar empenhada em coordenar os diferentes trabalhos de escavação, de forma a evitar ao máximo os condicionamentos no trânsito. As obras de construção no terreno da Areia Preta, onde ia ser erigido o empreendimento de luxo Pearl Horizon, devem ficar concluídas no final de 2024.

vado duram há cerca de um ano. Numa entrevista ao HM, Luís Menezes Leitão falou da importância do documento para a OA. “É uma forma de mantermos a nossa ligação em termos jurídicos com Macau onde neste momento existe ainda um grande património jurídico comum. Achamos que

ambas as advocacias podem trabalhar em conjunto.” Jorge Neto Valente, presidente da AAM, referiu recentemente que o número de advogados portugueses que vêm para Macau trabalhar é cada vez menor. Em 1999 “havia 87 advogados de pleno direito e 13 estagiários, e a esmagadora

“Há muito poucos [causídicos], porque, além da questão da pandemia, os advogados de Portugal não podem chegar aqui, bater à porta e dizer ‘estou cá'”, disse. Antes de poderem exercer no território, têm de obter autorização de residência e de trabalho, “o que não é fácil”, e “fazer um curso de adaptação ao Direito de Macau”. “Ou então têm de começar pelo estágio, e a maior parte dos advogados não quer ter de fazer estágio outra vez”, explicou Jorge Neto Valente. Andreia Sofia Silva

GRANDE BAÍA SECRETÁRIA DESAFIA IFT A MANTER POSIÇÃO DE “LIDERANÇA”

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secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, desafiou ontem o Instituto de Formação Turística a manter a posição de liderança na Grande Baía, ao nível da formação de quadros qualificados. A “esperança” foi deixada durante o discurso da cerimónia de licenciatura deste ano dos estudantes do IFT. “Espera-se que o IFTM acompanhe, de perto, as necessidades de Macau e da Grande Baía, desempenhando ainda mais o seu papel de liderança nos serviços de formação e educação nas áreas de turismo e lazer, no sentido de contribuir para o

desenvolvimento contínuo da sociedade”, afirmou. Asecretária apelou ainda à coragem dos alunos para que arrisquem e participem na Grande Baía. “Para abraçar o futuro, não só temos de ter grande coragem, como temos de alargar os nossos horizontes e manter as nossas mentes abertas. A Grande Baía está intimamente ligada à nossa vida, e as oportunidades de desenvolvimento na Grande Baía são únicas para nós”, afirmou. “Os alunos devem aproveitar estas boas oportunidades, atrevendo-se a tentar coisas novas e desenvolvendo as suas potencialidades”, recomendou.

Além do desafio, Elsie Ao Ieong U elogiou o contributo da instituição para a integração de Macau na Grande Baía, através da “base”. “A Base de Ensino e Formação em Turismo para a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, estabelecida pelo IFTM, depois de menos de dois anos de desenvolvimento, já tem acções de cooperação estendidas a Zhuhai, Guangzhou e Shunde, em Foshan, assim concretizando gradualmente o conceito de exportar recursos de formação turística de qualidade para o ‘círculo de formação acessível em uma hora’”, reconheceu.


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CARTÕES DE CRÉDITO SEIS LESADOS EM 127 MIL PATACAS

Iao Hon Autocarro atropela duas crianças

Um autocarro atropelou ontem duas crianças no cruzamento da Rua da Serenidade com a Rua do Tribuna, na zona do Iao Hon. De acordo com a informação da Rádio Macau, o atropelamento aconteceu quando as crianças de seis e nove anos atravessavam a passadeira e os ferimentos foram ligeiros. As crianças foram depois levadas para o hospital e encontram-se em situação estável. O momento em que um dos rapazes saiu debaixo do autocarro foi captado por uma câmara e tornou-se viral, mais tarde, nas redes sociais. No vídeo, é possível ver os encarregados de educação das crianças a baterem no vidro da viatura a pedir ao condutor que pare, enquanto uma criança ainda se encontra debaixo do autocarro da empresa Transportes Colectivos de Macau (TCM).

Telemóveis Três detidos em esquema de venda

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) deteve no passado sábado três homens por suspeitas da prática dos crimes de “emprego” e “infracções”. De acordo com o porta-voz do CPSP, dois homens oriundos do Interior da China e um residente de Hong Kong foram detidos na sequência de uma denúncia apresentada pelo segurança de um parque de estacionamento localizado no bairro do Iao Hon, onde os três estariam a tratar de um negócio relacionado com o transporte de 94 telemóveis em segunda mão, destinados a ser vendidos em Zhuhai. Um dos envolvidos, detentor de bluecard, recebia 150 patacas pelo fornecimento de cada conjunto de 12 dispositivos, revelou o CPSP. Dois outros suspeitos estão a monte. Os três detidos foram encaminhados para o Ministério Público na segunda-feira, acusados dos crimes de “emprego” e “infracções” , maioritariamente relacionados com infracções relativas à prestação ilegal de trabalho e autorizações de visto.

Burla Enganada por falso serviço de encomendas

Uma mulher de 20 anos, natural do Interior da China, que se encontra a estudar em Macau foi desfalcada em mais de 4.000 renminbis por um homem que se fez passar por funcionário de uma distribuidora de correio rápido. Segundo revelou ontem o porta-voz da Polícia Judiciária (PJ) em conferência de imprensa, o burlão, tendo conhecimento que a estudante esperava uma encomenda, ligou-lhe a comunicar que a mesma se encontrava perdida, devido a incompatibilidades relacionadas com a transacção de verbas efectuada pela sua entidade bancária. A pedido do homem, a vítima forneceu todos os dados pessoais solicitados, concordando ainda transferir todo o montante que tinha na sua conta, cerca de 4.000 patacas, para outra conta no Interior da China, como forma de resolver o problema.

Soma e segue

A Polícia Judiciária reportou ontem mais seis casos relacionados com o uso ilícito de cartões de crédito em compras online. No total, cada uma das vítimas foi lesada num montante situado entre as 2.722 e as 74.000 patacas. Segundo a PJ, desde Outubro de 2020 que a tendência tem vindo a aumentar, sendo que, só no primeiro trimestre de 2021, foram detectados 264 casos

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Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem, em conferência de imprensa, seis novos casos relacionados com o furto de dados de cartões de crédito para a realização de compras online não autorizadas. Ao todo, nos últimos dias, seis residentes de Macau acabaram lesados em cerca de 127 mil patacas. Em todos os casos divulgados ontem, as vítimas foram surpreendidas pelos desfalques, situados entre as 2.722 e as 74.000 patacas, tendo sido alertadas apenas ao receber uma ou várias mensagens sequenciais

emitidas pelas entidades bancárias a reportar os respectivos montantes extraídos da conta à qual estava associado o seu cartão de crédito. Ao aperceber-se do desfalque, as vítimas ligaram para as respectivas instituições bancárias, que prontamente as informou do

facto de estarem perante transacções não autorizadas efectuadas online. Adicionalmente, foi sugerido que apresentassem queixa junto das autoridades. Segundo o porta-voz da PJ, as vítimas terão garantido ainda que “não emprestaram, nem perderam” em nenhum momento os respectivos cartões de crédito. De acordo com dados enviados pela PJ ao HM, a tendência é crescente, sendo que, desde Outubro de 2020 “o número de casos relacionado com o furto de cartões de crédito tem sido de cerca de 90 por mês”. Além disso, entre Janeiro de Março de

2021, foram registados, no total, 264 casos de compras online não autorizadas relacionadas com o roubo de dados de cartões de crédito. Os 264 casos detectados em Macau no primeiro trimestre, envolveram a utilização de 267 cartões de crédito, apontou ainda a PJ. Recorde-se que no passado dia 25 de Maio, a PJ divulgou um comunicado a dar conta que, durante “vários dias sucessivos”, recebeu denúncias de residentes relacionadas com a utilização ilícita de cartões de crédito para fazer compras online, tendo o prejuízo total ascendido a mais de 590 mil patacas. “A PJ deu grande importância aos referidos casos tendo sido iniciada uma investigação pela competente subunidade de investigação criminal”, disse na altura o organismo.

Aposta na prevenção

Na mesma nota, a PJ apelou ainda para que os cidadãos reforcem o seu “sentido de prevenção”, aquando da utilização de cartões de crédito. Nomeadamente, ao efectuar compras online, deve ser dada primazia a “sites ou plataformas de lojas online com boa reputação e seguras”.

As vítimas foram surpreendidas pelos desfalques, situados entre as 2.722 e as 74.000 patacas Já ao efectuar compras em lojas físicas, os utilizadores dos cartões de crédito são aconselhados a “ficar atentos à operação da passagem do cartão no terminal feita pelo lojista e fazer o possível de observar todo o processo desse pagamento para evitar que alguém aproveite a oportunidade para furtar informações do cartão de crédito”. Por último, para efeitos de prevenção, aconselha a PJ, deve ser evitado, a todo o custo, guardar dados do cartão de crédito em dispositivos electrónicos pessoais, como o número do cartão, a data de validade e o código de segurança (CVV). Pedro Arede


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GUIA FEST PRIMEIRA EDIÇÃO ARRANCA NO DOMINGO EM VÁRIOS LOCAIS DA CIDADE

Fazer o que ainda não foi f O cartaz da primeira edição do Guia Fest não é feito apenas de música experimental, mas é essencialmente sobre ela. Os organizadores apostam na realização de workshops para que os participantes possam criar as suas próprias sonoridades. O festival termina a 20 de Junho e acontece em quatro locais diferentes de Macau

A

primeira edição do Guia Fest começa este domingo e, até ao dia 20 deste mês, promete juntar músicos e público para que, em conjunto, explorem os meandros da música experimental. A ideia é criar “uma nova experiência sonora” e reúne “vários músicos de Macau, de diferentes géneros musicais”, como o DJ japonês AKI. O objectivo é “experimentar a música e o som além da nossa imaginação em diferentes formatos”. Este domingo, acontece o workshop de sintetizadores modulares na zona do Tap Siac, um equipamento que se tem tornado cada vez mais popular nos últimos anos “mas que só agora está a surgir em Macau”. O sintetizador modular é usado para criar sonoridades de raiz e, neste workshop, “vários músicos vão mostrar a diversidade [deste equipamento] e a forma como misturam estes instrumentos”. O workshop será apenas em cantonês, sem direito a tradução. A 12 de Junho, tem lugar o workshop sobre design de som, focado num programa de computador intitulado “Supercollider”, criado por James McCartney em 1996. Este workshop será administrado por Daniel Maszkowicz, um músico oriundo da Suíça que “vai ensinar os princípios e técnicas” deste programa através de um tutorial online. Já no domingo, 13 de Junho, ocorre o evento “Sound and Cocktail” [Som e Cocktail], no bar Two Moons, onde se pretende fazer uma “fusão experimental do álcool

com o som”, uma vez que “o som e o álcool sempre fizeram parte da vida urbana, e a cidade sempre esteve repleta de álcool e som”. O público é convidado a testemunhar “com os olhos, ouvidos e pupilas degustativas um cocktail sonoro feito à medida”. O Guia Fest termina no dia 20 de Junho com o concerto “Guia Live!”, no espaço Live Music Association, onde “uma variedade de músicos locais vão sair da sua zona de conforto para trazer toda uma nova experiência numa performance sem precedentes ao nível dos estilos e formatos”. Neste concerto participam AKI com KaWaiNg, Ellison, membro da banda local Whyoceans e os INFLUUT, um duo de jazz electroacústico da Suíça.

A novidade é o foco

Ao HM, Matthew Ho e Steven Ng, organizadores do festival e membros do grupo Guia Expe-

“O nosso conceito de música experimental não passa apenas pelos instrumentos. É também fazer algo que nunca se fez, uma experiência totalmente nova que não esteja no mercado neste momento.” MATTHEW HO ORGANIZADOR DO FESTIVAL E MEMBRO DO GRUPO GUIA EXPERIMENTAL

rimental, explicaram que, inicialmente, a ideia era realizar uma série de workshops “sobre música feita com sintetizadores modulares”. “Tínhamos muitas ideias na área da música experimental. Então optámos por organizar um festival”, apontou Matthew Ho.

Os amantes da música experimental no território constituem ainda “uma comunidade muito pequena”, mas, na hora de convidar os músicos a participar, a ideia é que estes toquem “músicas que nunca experimentaram antes”. “Faz-se muita música comercial,

com bandas, música de dança ou hip-hop, mas queremos que os músicos explorem outras sonoridades para marcarem a diferença, para que haja algo de novo”, frisou Matthew. “O nosso conceito de música experimental não passa apenas pelos instrumentos. É

também fazer algo que nunca se fez, uma experiência totalmente nova que não esteja no mercado neste momento. O que é experimental para mim pode não ser para ti, mas pelo menos estou a fazer algo novo sem pensar no mercado ou no público”, defendeu o


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feito

organizador. A ideia de realizar os workshops é de levar as pessoas a explorarem novos territórios musicais. “Nos anos 60 e 70 estes instrumentos eram usados para fazer sons. Nessa altura, em Hollywood e em alguns anúncios publicitários usavam-se estes sons e equipamentos, mas não como usamos hoje. Decidimos então fazer um workshop para que os participantes façam os seus próprios sons sem recorrer a software, pois tem as sonoridades pré-definidas. Queremos que as pessoas comecem do nada para criar os seus próprios sons”, frisou Matthew Ho.

Olhar para a história

O mentor do Guia Fest explicou que a música experimental era uma realidade em Macau na década de 90, feita por alguns membros da comunidade portuguesa. Depois de um interregno entre 2000 e 2010, começou a surgir novamente. Eric Chan, membro da banda Forget the G, foi um dos grandes impulsionadores do movimento. “Nunca esperamos que o público adore a música experimental, mas esperamos que possa conhecer mais sobre o facto de esse género musical existir no mundo e em Macau”, disse Matthew Ho. Em 2018, teve lugar no território um festival de música experimental e industrial [noise music], mas, devido à pandemia, o seu curador ficou retido em Taiwan. Desta forma, explicou Steve Ng, optou-se por fazer um festival totalmente novo e apenas dedicado à música experimental. Também em 2018, foi criado o grupo Guia Experimental. “Na altura um artista da Suíça pediu-nos para fazermos a curadoria de um espectáculo dele, pois estava a fazer uma tour pela Ásia. Queriam que Macau fosse um dos locais de paragem e foi aí que decidimos criar este grupo. Continuamos a organizar espectáculos depois disso”, adiantou Matthew. Andreia Sofia Silva

O Jogo das Escondidas

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um folhetim por Fernando

Sobral

ALHA acariciou os braços da firme cadeira de madeira, cerejeira segundo parecia, como se ela fizesse parte dele. - Sabe de onde veio esta cadeira, tenente? - Não imagino. - Pertenceu a um director da VOC, a companhia das Índias holandesa e, depois, a um director da East India Company. Tem cerca de 150 anos. Sempre foi muito cuidada. Não é só confortável. É um símbolo de poder. Esta madeira influencia-nos na forma como exercemos as nossas acções. Temos de saber como nos sentamos nela, precem dizer-me os seus antigos proprietários. E eu esforço-me para merecer essa confiança. O seu olhar era malicioso. Continuou: - Temos um novo governador, o doutor Rodrigo Rodrigues. Ele vai precisar de homens que o ajudem a compreender o mundo em que vivemos. Homens como ele precisam de outros como o tenente. Para os protegerem do mundo. Acha que essa é a sua missão, tenente? Palha parou um pouco. Virou a ampulheta, mostrando que tinha tempo. Continuou a falar: - Eu acredito nesta cidade. E se há alguém capaz de a tornar melhor é você. Disse-me uma vez que a força de um homem vê-se no momento em que ele se confronta consigo próprio. Em que ouve vozes na sua cabeça, argumentando que está certo, porque alguém está errado. Saber a diferença, nesse momento, é o que faz um oficial. O que faz um homem. Sinto que sabe fazer essa escolha. A certa, é claro. Olhou fixamente para o tenente. Este sabia o que Palha estava a querer dizer. Mais do que aconselhar o novo governador, queria que o convencesse das ideias do comerciante para o território. - Eu sei que será o homem certo para essa missão. Como foi capaz de fazer tudo para proteger a sua amiga Ding Ling durante os tumultos do ano passado. O seu olhar era amistoso, mas as palavras soavam como lâminas. E o tenente sentiu um arrepio na espinha. Porque sabia o que queria que ele recordasse. Palha chantageava-o com um fantasma que nunca iria repousar ou dormir. Uma ferida que nunca poderia cicatrizar. (continua)

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As vozes e as A China pretende mudar a narrativa predominante nos media internacionais sobre o país. E responder à letra ao que considera “uma guerra de estigmatização e propaganda lançada pelos EUA”. Este é um problema que, segundo o presidente Xi, a China quer resolver

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Presidente chinês Xi Jinping disse, numa sessão de estudo sobre o reforço da capacidade de comunicação internacional da China na segunda-feira, que o país precisa "de desenvolver uma voz no discurso internacional que corresponda à força nacional abrangente e ao estatuto internacional da China". Na sessão, alguns peritos disseram que a China não se deve calar face a "uma guerra de estigmatização e propaganda lançada pelos EUA e seus aliados", e que a China tem a confiança necessária para moldar uma imagem mais "fiável, admirável e respeitável", informou a Xinhua. Segundo Zhang Weiwei, director do Instituto da China da Universidade de Fudan em Xangai, "a pandemia COVID-19 trouxe uma mudança dramática nos campos da opinião pública dentro e fora da China, uma vez que os chineses estão mais confiantes no seu próprio sistema político e governação, enquanto os ocidentais estão cada vez mais pessimistas e preocupados, e mais hostis contra a China à medida que descobrem que o seu sistema político tem muitas falhas graves e que a sua imagem moral está a desmoronar-se".

Zhang, que também serviu como intérprete de inglês a Deng Xiaoping e tem larga experência internacional, disse que "quando a China está a controlar com sucesso a situação epidémica e a dar enormes contribuições para reforçar a luta global contra a pandemia, o fraco desempenho do Ocidente e a tomada de decisões egoístas parecem muito embaraçosos em comparação". As potências narrativas chinesa e ocidental estão agora a viver "um período de transição", disse Zhang.

AP

XI JINPING CHINA PRECISA DE UMA VOZ QUE CORRESPONDA À SUA FORÇA NACIONAL E ESTATUTO INTERNACIONAL

Por que ainda é fraca a voz da China?

Na sessão, Xi salientou a necessidade de um maior esforço para construir o próprio discurso e narrativa da China, interpretando as suas práticas pelas suas próprias teorias. "As declarações de Xi mostram que a China está a fazer a construção da sua própria narrativa e encoraja mais pessoas da sociedade a participar na comunicação com o mundo exterior", disse Steven Dong, professor e reitor da Escola de Governo e Assuntos Públicos da Universidade de Comunicação da China, observando que novas instituições ou mecanismos podem promover esse trabalho. Analistas disseram que devido à "tradição cultural de humildade da nação chinesa, a China não é um país que adora promover-se junto de outras nações e prefere tratar os outros com gentileza". Esta será a razão principal pela qual a voz da China no campo da opinião pública mundial, dominado pelo Ocidente, ainda não está à altura da sua força e influência nacional. "A nossa nação acredita que enquanto as obras tiverem sido bem feitas, as palavras seriam desnecessárias, e então os sinceros elogios dos outros surgirão automaticamente", disse Zheng Ruolin, um profissional dos media e especialista em estudos europeus, sediado em França. "A China não está interessada em tornar-se hegemónica, pelo que não tem um plano claro para formar uma hegemonia mediática para competir com o Ocidente, e costumava acreditar que enquanto a China mantiver uma imagem

discreta e pacífica, e tiver uma cooperação vantajosa para ambas as partes com o Ocidente, então o Ocidente será amigo da China, mas os factos provam que este tipo de pensamento era ingénuo", disse Zheng Ruolin. "A hostilidade crescente dos EUA contra a China nos últimos anos prova que não se preocupam com as intenções chinesas, mas apenas com a capacidade da China".

“Precisamos de estabelecer regras para que os americanos aprendam o que acontecerá se não forem respeitosos. Para falar com um povo arrogante e ignorante, temos de ser directos, caso contrário eles não compreendem.”

Um perito em relações internacionais baseado em Pequim, que solicitou o anonimato, disse que "seria fácil para a China melhorar imediatamente os laços China-EUA. Se a China anunciasse que desiste da tecnologia 5G, da exploração espacial, de todas as armas avançadas e do desenvolvimento económico, todas os conflitos entre a China e os EUA desapareceriam. Permanecer fraco e obedecer, e aceitar a hegemonia da narrativa ocidental no campo internacional da opinião pública é a chave para que um país não ocidental mantenha laços amigáveis com os EUA. Nunca se trata de democracia e liberdade; trata-se de força e autonomia".

Hegemonia ocidental no discurso

"Quando os EUA e os seus aliados se aperceberam de que não podem intimidar a China a submeter-se através de uma guerra comercial e pressão militar, e falharam na competição com a China no desempenho do tratamento da

pandemia da COVID-19, seleccionaram o campo de batalha da opinião pública, onde ainda têm vantagens claras devido à hegemonia dos meios de comunicação social há muito existentes, propriedade do Ocidente", disseram peritos chineses. Embora os meios de comunicação e os diplomatas façam sempre esforços para "introduzir a verdade e refutar as mentiras, as suas vozes dificilmente são ouvidas, uma vez que o Ocidente controla quase todas as principais plataformas internacionais de meios de comunicação, e é assim que a hegemonia dos meios de comunicação funciona quando o Ocidente quer reprimir os seus concorrentes", disse Zheng. "O Ocidente está a usar a sua vantagem hegemónica na batalha da opinião pública para lançar a estigmatização contra a China e forjar uma narrativa negativa. Isto tem prejudicado o ambiente da opinião pública externa face ao desenvolvimento da China. Assim, para realizar o rejuvenes-


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China e a força espiritual por detrás das histórias. Sobre a publicidade do PCC, Xi exortou a um maior esforço "para ajudar o público estrangeiro a compreender o que o Partido está a procurar, nada mais é do que o bem-estar do povo chinês". Xi também enfatizou o esforço para introduzir a cultura chinesa no estrangeiro e esforçar-se por moldar uma imagem" fiável, admirável e respeitável da China". No entanto, "a crescente confiança e firmeza da China na defesa dos seus interesses em ocasiões internacionais tem sido descrita por alguns meios de comunicação social ocidentais como 'wolf diplomacy'. Precisamos de fazer com que o Ocidente se habitue a isto e precisamos de estabelecer regras para que os americanos aprendam o que acontecerá se não forem respeitosos. Para falar com um povo arrogante e ignorante, temos de ser directos, caso contrário eles não compreendem", concluiu Zhang Weiwei.

“Se a China anunciasse que desiste da tecnologia 5G, da exploração espacial, de todas as armas avançadas e do desenvolvimento económico, todas os conflitos entre a China e os EUA desapareceriam.”

“As vozes favoráveis em relação à China são agora indesejáveis entre os meios de comunicação social ocidentais e os meios de comunicação tradicionais, uma vez que o sentimento antiChina está a tornar-se um ‘politicamente correcto’ do Ocidente.”

"mas felizmente, os países ocidentais, em termos de população, não representam a maioria do mundo". "Entre os países do terceiro mundo, a imagem da China é muito mais positiva, e as elites políticas de muitos países e pessoas em regiões como África, Sudeste Asiático e Médio Oriente defendem ou apoiam a posição e imagem da China na arena internacional. Esta é uma tendência optimista para a China", afirmou. "É impossível para a China convencer todos os países e tornar todos os países ocidentais amigos, mas é possível ganhar o apoio da maioria da comunidade internacional, pelo que não é necessário concentrar-se apenas na opinião dos meios de comunicação social ocidentais, mas prestar mais atenção à opinião pública no terceiro mundo", disseram alguns analistas na sessão.

A imagem da China no futuro

Xi apelou à utilização de novos conceitos, domínios e expressões para melhor contar as histórias da

Jin Canrong, reitor associado da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Renmin, disse que "algumas pessoas têm medo de ofender o Ocidente. Não se atrevem a criticar mesmo quando o Ocidente comete erros. Por que não podem os EUA ser criticados?" "A China, como único e maior país em desenvolvimento nos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, não fala apenas por si, mas também por 80% da população mundial, que são os países em desenvolvimento, portanto, se a China se calar quando o Ocidente comete erros, quem mais poderá falar?", perguntou Jin. "Para além de firmes refutações de rumores e difamações contra a China, as narrativas chinesas para a comunicação internacional devem ser diversas e flexíveis", disse Dong, acrescentando que "a futura imagem internacional da China deverá respeitável e gentil, nem impositiva nem arrogante".

O algodão não engana Estudo da CoronaVac no Brasil mostra que pandemia pode ser controlada

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nozes cimento nacional, a China tem de resolver este problema", disseram os especialistas. "As vozes favoráveis em relação à China são agora indesejáveis entre os meios de comunicação social ocidentais e os meios de comunicação tradicionais, uma vez que o sentimento anti-China está a tornar-se um 'politicamente correcto' do Ocidente", disse Zheng,

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M estudo feito com a vacina CoronaVac na cidade de Serrana, no interior do estado de São Paulo, no Brasil, demonstrou que, com 75% da população vacinada, a pandemia do novo coronavírus pode ser controlada. O dado foi apresentado no dia 31 no Instituto Butantan, um dos fabricantes da vacina. “O estudo indica que com 75% da população imunizada com duas doses da vacina, a pandemia foi controlada em Serrana e isso pode ser reproduzido em todo o Brasil”, disse João Doria, governador de São Paulo. O estudo, chamado Projeto S, teve início no dia 17 de Fevereiro e o objectivo era vacinar toda a população adulta da cidade para avaliar a efectividade da CoronaVac. Serrana tem cerca de 45 mil habitantes, dos quais 38% são menores de 18 anos, que ainda não podem ser vacinados por falta de estudos clínicos para essa faixa etária. O Projeto S previa vacinar 28.380 adultos, com mais de 18 anos, que vivem na cidade. Desse total populacional, 97,7% tomaram a primeira dose do imunizante (o que corresponde a 27.722 pessoas) e 95,7% completaram seu esquema vacinal, tomando também a segunda dose (27.160 pessoas). Serrana foi escolhida porque apresentava alto índice de prevalência de infecções por Covid-19, além de estar perto de um centro universitário e ter um hospital regional. Para o estudo, a cidade foi dividida em quatro áreas, que foram vacinadas com uma semana de diferença entre elas. A primeira área a ser vacinada, definida por sorteio, foi a verde, seguida pelas áreas amarela, cinzenta e azul. Com o fim da vacinação em massa, a cidade viu reduzir em 95% o número de mortes por Covid-19. Já o número de casos sintomáticos da doença caiu

80%. A quantidade de hospitalizações teve uma queda de 86%. Além da efectividade, o estudo apresentou dados sobre segurança, ou seja, se a vacina produz efeitos adversos nas pessoas que a tomam. Segundo Marcos Borges, director do Hospital Estadual de Serrana, durante a vacinação em Serrana foram observados 67 eventos adversos graves, nenhum deles relacionado à vacina. Nesse estudo, todos os eventos adversos graves que ocorrem após a vacinação são relatados. Entre eles, Borges citou acidentes de trânsito. Após a primeira dose, foram observadas 4,4% de reacções adversas, sendo somente 0,02% considerados de grau 3, como mialgia ou cefaleia. Já após a segunda dose ocorreram 0,2% de relatos de reações adversas, nenhuma de grau 3.

Proteção dos não imunizados

A pesquisa mostrou ainda que a vacinação protege tanto os adultos imunizados quanto crianças e adolescentes que não receberam a vacina. Segundo o estudo, a imunização gerou uma espécie de cinturão imunológico em Serrana, reduzindo drasticamente a transmissão do coronavírus no município. “A redução de casos em pessoas que não receberam a vacina indica a queda da circulação do vírus. Isso reforça a vacinação como uma medida de saúde pública, e não somente individual”, destacou Ricardo Palácios, diretor de Pesquisa Clínica do Instituto Butantan. Outro efeito observado no estudo, segundo ele, foi a diminuição de casos entre os idosos não vacinados. “O efeito da vacina é tão forte que consegue proteger até aqueles que não foram vacinados, mesmo nas faixas etárias mais avançadas. E, quando acabamos a vacinação, acabaram casos de hospitalizações e óbitos entre os vacinados. E ainda conseguimos controlar também entre os casos não vacinados, não importando faixa etária. Isso nos traz esperança e alegria”, disse Palácios. Por isso, disse ele, o que o estudo deixa claro é que é importante aumentar o número de vacinados para que os idosos também tenham mais protecção contra a doença. “Temos que aumentar a escala de vacinação para oferecer aos idosos os benefícios indirectos da vacinação [em vez de aumentar doses]”, destacou Palácios.


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retrovisor

LUÍS CARMELO

Ele anda muito devagar enquanto enrola o cigarro. Nas águas desenham-se aqui e ali círculos turvos e objectos perdidos - cruzetas, sacos, jornais e até uma luva com os dedos abertos -, embora o olhar persiga a folhagem dos amieiros de fruto negro que ladeiam a rua. De repente, parte desse homem como que se dilui no papel que acolhe as onças do tabaco e uma outra parte mergulha nos frutos esféricos do amieiro. Foi como se bipartisse a desatenção e, não obstante, o corpo continua a andar, indiferente, mecânico, incólume a tudo, mas com a consciência de que a vida foi sempre a correr. Uma maratona demasiado tépida. Parar subitamente e rever-se dentro da mortalha - estranho nome, esse - e do sabor acre dos frutos que se assemelham a pequenas pinhas ovóides tornouse num verdadeiro desafio. Foi quando se virou de costas para o canal e viu a mulher. No outro lado do passeio, ela empurra o carro do bebé e guarda do homem uma imagem meramente periférica. Não o encara sequer. Cada um no seu flanco da rua e apenas o chiar das pequenas rodas suspende a presença do asfalto ainda molhado. A mulher caminha ao jeito de uma máquina de traço ocasional com pequenas mãos de bailarina. Como se ela fosse o duplo da música que lhe dá o ritmo certo à proporção das pernas e ao andar. De um momento para o outro, ela mergulha na sensação de que ouve flautas ao longe. Uma espécie de anunciação num adro vazio onde o tempo, a pouco e pouco, poderia recomeçar a partir do zero. Foi quando se virou de costas para as janelas e para as tijoleiras da fachada e viu o homem. Ele era incapaz de polir os seus sentimentos imóveis, vivia da rigidez que reavia da tristeza, mas o olhar, aquele olhar da mulher que avançava desenvolto de tanta solidão, definiu-lhe por dentro uma cratera que não ainda conhecia. A mulher tentou-o como nunca antes havia acontecido. A mulher empurrava o mundo inteiro e, no entanto, o carro do bebé estava vazio. Para ela, este caminho diário era uma floresta proibida, quase fechada, e, apesar disso, o olhar do homem como que o lavrou em profundidade, ao ponto de ter pressentido que era ele quem a impelia em movimento. Foi deste modo que se sentiu

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A fisionomia desaparecida

tentada como antes nunca tinha acontecido. Voltaram a olhar-se. O tempo. O homem e a mulher observam-se. Ainda o tempo. Com dimensões diferentes as mãos do homem e da mulher são rigorosamente iguais, todas em forma de bandeira com os dedos juntos e sem flexão. O perfil e a forma do nariz dão a ver cópias quase precisas. Os olhares traçam em simetria uma brancura prestes a ser preenchida e repetem essa intenção inicial do mesmo modo no homem e na mulher. Ela abre-se num estuário magnífico ao pau que o homem transforma em pedra. A afluência, para trás e para a frente ou levemente circular, permite

ao infinito o seu sumo de possibilidades. Ela pronuncia em voz baixa que os ombros são aquela parte que nos frutos se alarga das sépalas até à polpa. Ele responde que a bacia é o tratado que o corpo assina com a imagem secreta de um equador. Riem os dois. Ela volta a dizer que a cintura resolve em forma de golfo todas as peças da intimidade. Como se essa reentrância ditasse um ou outro verso em sânscrito. Ele abriu muito os olhos e ela imitou-o com a firmeza de uma flauta. O homem e a mulher são iguais, nada os separa. A mesma ondulação nos braços, a mesma forma do queixo, a mesma fisionomia a arquear o fim do dia.

O HOMEM E A MULHER ENCOSTAM OS LÁBIOS E TROCAM OS FRUTOS DO AMIEIRO. SÃO VISCOSOS E ALTERNAM A COR ESCURA DO CASTANHO COM O ROSA-VIOLÁCEO. O HOMEM E A MULHER SÃO IGUAIS, SERÃO IRMÃOS CERTAMENTE

Ela abre as pernas ao jeito de um compasso, levanta-as no ar e junta a sola das sandálias ao tecto onde está colado um planisfério cheio de cores. Ele está dentro dela e ela está com o corpo todo a atravessar os trópicos, depois o Ártico, depois ainda o abismo que se perde na densidade dos oceanos. O tempo naufraga e ele volta a fumar enquanto a mulher puxa o carro de bebé para junto da cama, dentro do qual permanecem os objectos que ela recolheu: cruzetas, sacos, jornais e a luva azulada com os dedos agora fechados em forma de bandeira. O homem e a mulher encostam os lábios e trocam os frutos do amieiro. São viscosos e alternam a cor escura do castanho com o rosavioláceo. O homem e a mulher são iguais, serão irmãos certamente. É a partir deles os dois que vai nascer a memória daquela parcela de uma rua que não pertence a nenhuma cidade, a nenhum planisfério, a nenhum dia. A realidade é uma fisionomia sempre desaparecida.


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diário de próspero

ANTÓNIO CABRITA

ue horas bem passadas a ler o livro de entrevistas de Jaime Gil de Biedma, Conversaciones (Austral, 2002). Não é um autor das minhas linhagens, mas ressuma inteligência em todas estas conversas, a tal ponto que até quando discordamos é com agrado que o fazemos. Veja-se este primor; diz Biedma ao entrevistador: «- A respeito disso, deixe-me contar uma anedota engraçada. Sólon, imperador de Atenas, tinha fama de sábio. A Atenas daquela época seria absolutamente provinciana, com as pessoas sentadas na soleira da porta, a observarem quem passava e com quem trocariam eventuais comentários. A Sólon havia morrido um filho de vinte anos; na altura, assim que os filhos arrebitavam iam para a guerra ou punham-se a cavar a horta... Uma coisa chata, os filhos morrerem nessa idade. E parece que Sólon, o criador da Constituição de Atenas e, na verdade, o inventor de Atenas, estava lamentoso, e então o cretino de plantão, que todos conhecemos porque, sabe-se, só a estupidez é imortal, viu ali uma oportunidade para achincalhar o sábio, e observou-lhe: “Por que o choras, se não serve para nada?” E respondeu-lhe o Sólon: “É por não servir para nada que choro!» O que é muito bom, e mostra como Sólon era realmente um sábio. - Bem, eu volto ao poema. Aquele intitulado “De vita beata”. (transcrevo-o inteiro: «Num país antigo e ineficiente/ algo parecido à Espanha entre duas guerras/ civis, num povoado à beira-mar,/ ter uma casa uma pequena renda/ e estar privado de memória. Não ler,/ não sofrer, não escrever, não pagar contas,/ e viver como um nobre arruinado/ entre as ruínas da minha inteligência.») - Ah sim. E que tem? - Você ainda o subscreve? - Imagine que não o subscrevia. Que fazer? Removo-o das edições de minhas obras? - Não. O que lhe quero perguntar é se foi o fruto de um momento determinado ou de uma concepção de vida mais duradoura. - É o fruto de um momento específico; não é o resultado de uma concepção da vida. E digolhe mais, ao poema compu-lo na cabeça enquanto nadava numa

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Armar a teia da sedução piscina. Claro que, por isso, é tão curto, o fôlego, quando estamos a nadar numa piscina, não é o mesmo. - Entre todas as entrevistas que lhe fizeram, que suponho terem sido muitas, que pergunta gostaria que lhe tivessem feito e ninguém fez? - Eu gostaria que me fizessem uma proposta desonesta. - Como desonesta? - Sim, é o que ainda se espera de uma entrevista, que nos façam uma proposta desonesta. - O que entende por desonesto? - Bem, repare, o normal numa entrevista é que te perguntem a opinião sobre a poesia e etc. e tal. Mas chegar alguém e passarme a mão no pêlo, bem, seria o que não se espera, e aí poderia tornar-se realmente divertido.» Biedma, como Auden, faz do poema uma conversa, às vezes em chave alegórica como em Eliot e Cernuda, que também permeia de ironia e ou de auto-

derrisão – e diga-se que o seu confessionalismo sinaliza mais um efeito retórico do que uma premissa psicológica. Na sua obra há vinte poemas excepcionais, os demais espelham um quotidiano hipostasiado em cultura ou uma espécie de auto-compadecimento, em pose, que me irritam um pouco e me põem sob reserva. Com a leitura deste livro entendi porquê. Biedma distingue entre poesia e poema: «a poesia é o que o leitor experimenta lendo o poema, não o que ocorre ao poeta enquanto o escreve. A poesia é o poema assumido no momento da leitura. Um poema não se faz para ser escrito mas para ser lido, inclusive pelo próprio». Ou seja, a poesia é primeiro que tudo um artefacto social, de que o poema é o epítome, não passando do seu processo desencadeador. E o que interessa sobremaneira a Biedma é o efeito do escrito sobre o seu leitor

NA SUA OBRA HÁ VINTE POEMAS EXCEPCIONAIS, OS DEMAIS ESPELHAM UM QUOTIDIANO HIPOSTASIADO EM CULTURA OU UMA ESPÉCIE DE AUTO-COMPADECIMENTO, EM POSE, QUE ME IRRITAM UM POUCO E ME PÕEM SOB RESERVA

- «o meu interesse primordial são as pessoas», diz – e menos a experiência a montante do poema. O que explica a escassez da obra (pouco mais de cem poemas) e a desmotivação que, com a idade e a perda do seu tónus físico e da eroticidade que o galvanizavam, o tomou. Com esta distinção entre o poema e a poesia Biedma imita o engenho que ecoava na boutade de Duchamp:”ce sont les regardeurs qui font les tableaux!”. Por outro lado, a importância que dá ao leitor, a obsessão com “o seu” público, realça que os seus poemas funcionavam para o poeta como simulações com endereço prévio – i, é, mais não pretendem do que “fazer espírito” e armar a teia da sedução. Fica justificado o reparo do poeta da sua geração Caballero Bonald, com quem concordo: «dificilmente a sua narratividade anulava o meu hábito de leitor, seguramente defeituoso, de desdenhar a poesia que não ocupa mais espaço que o poema, quero dizer que não ultrapassa a própria fronteira do seu argumento para se cingir à sucinta órbitra realista, sem ramificar-se noutros voos...». Atenção, levantar as saias das senhoras ou baixar as calças dos homens: motivos tão superlativos como quaisquer outros para produzir poesia. Porém isto faz com que aflorem na poesia de Biedma, sumamente inteligente como factura técnica, vários momentos pueris (frívolos, lhe chama Bonald), dado que apenas pretendia organizar um solvente catálogo de engates. Com excepção daqueles poemas em que, ao contrário, está inteiro, como em No Volveré a Ser Jovem, que o poeta declarava como o seu preferido: «Que la vida iba en serio/ uno lo empieza a comprender más tarde/ —como todos los jóvenes, yo vine/ a llevarme la vida por delante./ Dejar huella quería/ y marcharme entre aplausos/ — envejecer, morir, eran tan sólo/ las dimensiones del teatro./ Pero ha pasado el tiempo/ y la verdad desagradable asoma:/ envejecer, morir,/ es el único argumento de la obra». Neste caso também deve têlo composto a nadar, mas não é preciso mais.


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2 1 7 4 9 7 1 3 4 9 5 2 3 6 MAX 8 5

9 5 7 3 6 5 9 2 6 9 1 8 1 6 6 4 www.hojemacau.com.mo 1 8 3 8 1 5 2 4 7 9 4 7 8 1 5 6 2 2 3 1 8 3 9 7 9 2 4 9 8 5 1 3 5 3 2 H U M 6 5 - 9 5 % ´• 7 3 6 2 4 6 8

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7 6 5 8 4 1 9 3 2

3 9 1 5 2 6 8 7 4

S U D O K U UM DISCO5 HOJE 3 2 PROBLEMA 42

4 2 6 3 7 8 1 9 5

3 5 7 9 1 4 2 6 8

5 4 3 7 6 2 8 1 9

2 7 8 4 9 1 5 3 6

9 6 1 8 3 5 4 7 2

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 41

41 1 8 9 2 5 6 3 4 7

1 7 9 4 2 8 3 6

42 4 5 9 1 7 3 2 6 8 9 8 2 7 4 1 6 3 5 8 9 4 www. 3 1 7 hojemacau. com.mo 5 2 6

8 9 2 1 4 6 7 5

5 1 8 6 7 9 4 3

7 4 6 5 9 3 1 8 2

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8 2 3 3 7 5 6 4 7 9 6 2 5 9 1 7 3 4 1 8 6 EURO 4 5 9

6 1 7 4 2 9 5 9 3 3 5 8 8 6 4 1 8 5 7 4 2 9.72 2 7 1

45 DELTA KREAM I THE BLACK KEYS I 2021 3 5 7 1 9 6 4 8O 9décimo 4 álbum 5 2dos7Bla-1 ck Keys presta tributo ao 6 chamado 1 2 country 3 4 blues, 8 9 5 através 7 9 de4 111 covers 3 6 que, segundo a banda 2 norte-americana, 4 6 7 8 foram 5 3 1 gravadas 8 3 sem 2 6qualquer 9 7 ensaio prévio e em ape4 nas6 108horas. 9 Ao 3 escutar 2 5 Delta Kream, mais parti7 cularmente 2 1 6temas 5 como 4 8 9 “Crawling 3 5 8 Kingsnake” 7 1 2 ou “Poor Boy a Long Way from Home” fica a 47sensação bamboleante e 6 melancólica 3 9 7 de1 divagar 8 4 ao volante e sem rumo, 7 por4 uma 5 recta 9 alcatroada 2 6 8 até ao próximo apeadeiro 2 ou1dinner 8 na3berma 4 da 5 es-7 1 trada. 2 6 Pedro 4 Arede 5 7 3

4 8 2 1 7 6 9 BAHT 3

5 7 8 2 4 6 3 1 2 6 9 5 3 8 7 9 2quinta 5 6-feira 8 1 3.6.2021 6 4 5 3 1 2 9 8 1 3 7 9 4 6 4 8 9 6 3 5 7 2 6 1 4 7 9 5 0.25 YUAN 1.25 3 5 7 8 2 1 4

CINETEATRO

8 3 5 2 1 4 7 9 6

2 6 7 CRUELLA [B] 8 9 5 1 3 4 SALA 1

C46 I N E M A

FAST AND FURIOUS 9 [C]

1 5 2 8 7 3 6 9 4

Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Helen Mirren 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS

8 9 4 5 6 7 6 9 3 2 3ENDANGERED 4 1SPECIES 8 [C]7 4 5 7 6 9 9 2 3 1 8 6 1 5 2 4 2 3 8 7 1 5 7 2 4 3 1 8 6 9 5 Um filme de: Craig Gillespie Com: Emma Stone, Emma Thompson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3

Um filme de: M.J. Bassett Com: Rebecca Romijn, Philip Winchester, Isabel Bassett, Michael Johnston 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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AVISO N.° 69/AI/2021 Edital n.º Processo n.º Assunto Local

EDITAL

: 37/E-BC/2021 : 203/BC/2016/F, 279/BC/2012/F : Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Beco da Trave n.º 6, Edf. Chuen Kei, partes do terraço sobrejacentes às fracções 6.º andar A (CRP:A5), 6.º andar B (CRP:B5), 6.º andar D (CRP:C5), e 6.º andar F (CRP:D5), Macau. Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 06/SOTDIR/2020, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 11, II Série, de 11 de Março de 2020, faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários, bem como os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Processo n.º 203/BC/2016/F. Local: Beco da Trave n.º 6, Edf. Chuen Kei, parte do terraço sobrejacente à fracção 6.º andar B (CRP:B5), Macau. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra Infracção ao RSCI e motivo da demolição 1.1 Construção de um compartimento com cobertura e suporte metálicos Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho e janelas de vidro. de evacuação. 2. Processo n.º 279/BC/2012/F. Local:Beco da Trave n.º 6, Edf. Chuen Kei, partes do terraço sobrejacentes às fracções 6.º andar A (CRP:A5), 6.º andar D (CRP:C5), e 6.º andar F (CRP:D5), Macau. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas:

3.

4. 5.

6.

Obra Infracção ao RSCI e motivo da demolição 2.1 Construção de um compartimento com cobertura e suporte metálicos e Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do janelas de vidro na parte do terraço sobrejacente à fracção 6.º andar A. caminho de evacuação. 2.2 Construção de um compartimento com cobertura e suporte metálicos e Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do janelas de vidro na parte do terraço sobrejacente à fracção 6.º andar D. caminho de evacuação. 2.3 Construção de um compartimento com cobertura e suporte metálicos e Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do janelas de vidro na parte do terraço sobrejacente à fracção 6.º andar B. caminho de evacuação. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo DecretoLei n.º 24/95/M de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas nos pontos 1 e 2 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 3 e 4 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 28 de Maio de 2021 Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------------ 1. Mandado de Notificação n.° 349/AI/2021: LU JIANXIN, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C88948xxx e portador do Passaporte da RPC n.° E95351xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 214/DI-AI/2019, levantado pela DST a 06.08.2019, e por despacho da signatária de 05.05.2021, exarado no Relatório n.° 386/DI/2021, de 29.03.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 415, Jardim Brilhantismo, 10.° andar AD onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------ 2. Mandado de Notificação n.° 358/AI/2021: WU QINGMING, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° CA5023xxx e portador do Passaporte da RPC n.° EF4127xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 306/DI-AI/2019, levantado pela DST a 09.11.2019, e por despacho da signatária de 05.05.2021, exarado no Relatório n.° 395/DI/2021, de 30.03.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Beco da Perola n.° 110-B, Caesar Fortune, 3.° andar P onde se prestava alojamento ilegal. ----- 3. Mandado de Notificação n.° 484/AI/2021: PENG XIUQIN,portadora do Passaporte da RPC n.° EB8853xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 272.1/DI-AI/2019, levantado pela DST a 11.10.2019, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 04.03.2021, exarado no Relatório n.° 70/ DI/2021, de 01.02.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210-212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 15.° andar K.-----------------------------------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Maio de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 17/P/21 Faz-se público que, por despacho da Ex.ma Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 24 de Maio de 2021, se encontra aberto o Concurso Público para a «Prestação de Serviços de Limpeza das Unidades de Saúde da Área de Cuidados de Saúde Generalizados e de Outras Unidades Subordinadas dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 2 de Junho de 2021, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP90.00 (noventa patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm. gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, no dia 7 de Junho de 2021 às 09,30 horas para uma reunião de esclarecimentos ou dúvidas referentes ao presente concurso público, seguida duma visita aos locais a que se destinam a respectiva prestação de serviços. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 2 de Julho de 2021. O acto público deste concurso terá lugar no dia 5 de Julho de 2021, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP460.000,00 (quatrocentas e sessenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 27 de Maio de 2021 O Director dos Serviços Lo Iek Long


quinta-feira 3.6.2021

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a propósito de

opinião 15

Olavo Rasquinho*

O ESTADO DO CLIMA SÃO DE TAL maneira frequentes as referências ao aquecimento global e às alterações climáticas que, por vezes, se confundem os dois conceitos. O aquecimento global refere-se ao aumento da temperatura média do ar, à escala global, enquanto que alterações climáticas se trata de um conceito mais vasto, que inclui o aquecimento global e as suas consequências, como sejam o aumento da frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos, como tempestades, degelo das calotas polares e gelo marítimo, ondas de calor, secas, etc. Pode-se afirmar que o aquecimento global é um dos muitos sintomas das alterações climáticas. Note-se que, quando se fala na temperatura do ar sem se especificar a que altitude se refere, subentende-se que é entre 1,25 a 2 dois metros de altura, medida num abrigo meteorológico sobre terreno com relva. Embora tenha sido em pleno século XIX que os cientistas começaram a dar grande importância ao facto de determinados gases na atmosfera terem a capacidade absorver calor, só nos anos oitenta do século passado foi possível antever, em termos quantitativos, o efeito que esses gases tinham no aumento da temperatura à escala global. Foi James Edward Hansen, climatologista americano, que, recorrendo a um modelo climático por si construído, em 1981, chegou a conclusões que levantaram grande celeuma no meio científico, antevendo que a temperatura média do ar poderia sofrer um aumento de 3,0 ºC a 4,5 ºC até 2100, valores muito próximos dos constantes nos relatórios do IPCC, apesar de nessa altura a capacidade dos computadores ser muito menor do que a dos atuais.

De acordo com o último relatório da Agência Internacional de Energia, divulgado em 20 de abril deste ano, esta organização antevê que em 2021 ocorrerá muito provavelmente o segundo maior aumento anual de sempre de emissões de dióxido de carbono

James Edward Hansen, climatologista - um dos precursores do conceito “aquecimento global”

Já antes, nos anos setenta, Hansen havia colaborado na elaboração do Relatório Charney, no qual se alertava o governo dos EUA sobre as implicações do uso intensivo do carvão como combustível. devido às emissões de dióxido de carbono. Este relatório constitui uma base científica sólida do que se convencionou designar por aquecimento global. Em 1988, Hansen proferiu uma palestra perante o Congresso dos Estados Unidos que causou grande controvérsia, não só nos meios científicos e políticos, mas também no público mais atento aos grandes problemas da humanidade. Era tão crente das suas conclusões, que se tornou ativista e foi várias vezes preso por incitar a manifestações populares contra o uso de combustíveis fósseis, alertando para as graves consequências para o equilíbrio do sistema climático. Já passaram algumas dezenas de anos e, apesar da criação da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC) e dos 25 encontros científicos, designados por Conferências das Partes (COPs), promovidos no âmbito desta Convenção, e dos compromissos assumidos, a concentração de gases de efeito de estufa (GEE) continua a aumentar. Os termos da UNFCCC foram submetidos à apreciação dos Estados participantes na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho de 1992, tendo entrado em vigor em 21 de março de 1994. Foi numa das 25 COPs promovidas por esta Convenção que se negociou o Acordo de Paris (COP 21, 2015), que veio a substituir o Protocolo de Quioto a partir de 2020. O Acordo de Paris constitui o primeiro tratado internacional a pressionar os aderentes a executarem planos de ação para reduzirem os GEE, induzindo os países a colaborarem dentro das suas possibilidades, exigindo, no entanto, a execução das chamadas NDCs, sigla em inglês de Nationally

Determined Contributions (Contribuições Determinadas a Nível Nacional). Apesar das ações no âmbito destes tratados internacionais, promovidas sob os auspícios das Nações Unidas, para alertarem os governos sobre a necessidade do cumprimento das respetivas recomendações e decisões, as medidas tomadas até agora não têm sido de molde a reduzir as emissões dos GEE e travar as graves consequências desta inação. No último relatório sobre o estado do clima elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), designado por “State of the Global Climate 2020”, são destacadas as seguinte conclusões: 1- As concentrações dos principais gases de efeito estufa, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso (CO2, CH4 e N2O), continuaram aumentar apesar da redução temporária das emissões em 2020, devida às medidas tomadas em resposta à COVID-19. 2- 2020 foi um dos três anos mais quentes já registados. Os últimos seis anos, incluindo 2020, foram os mais quentes desde que há registos. A temperatura atingiu 38,0° C em Verkhoyansk, na Federação Russa, em 20 de junho de 2020, o valor mais alto registado a norte do Círculo Polar Ártico. 3- A tendência de subida do nível do mar está a aumentar. Além disso, o armazenamento de calor pelo oceano e a acidez estão também a aumentar, o que implica diminuição da capacidade do oceano para moderar as alterações climáticas. 4- A extensão do gelo marítimo do Ártico em setembro de 2020 foi a segunda menor registada. O recuo do gelo no Mar de Laptev, a norte da Ásia, foi o mais precocemente observado desde que há satélites meteorológicos. 5- A tendência de perda de massa de gelo na Antártida acelerou por volta de

Jule Gregory Charney – meteorologista, chefe da equipa autora do Relatório Charney

2005 e, atualmente, a Antártida perde aproximadamente entre 175 e 225 milhões de toneladas de gelo por ano. 6- A estação de 2020 dos furacões no Atlântico Norte foi excecionalmente ativa. Furacões, ondas de calor extremo, secas severas e incêndios florestais causaram prejuízos de dezenas de milhares de milhões de dólares e elevado número de mortes. 7- Durante o primeiro semestre de 2020 foram registados cerca de 9,8 milhões de migrantes, em grande parte devido a riscos e desastres hidrometeorológicos. 8- Interrupções nas atividades agrícolas devido à Covid-19 agravaram o impacto de fenómenos meteorológicos em toda a cadeia alimentar, intensificando os níveis de insegurança alimentar. De acordo com o último relatório da Agência Internacional de Energia, divulgado em 20 de abril deste ano, esta organização antevê que em 2021 ocorrerá muito provavelmente o segundo maior aumento anual de sempre de emissões de dióxido de carbono.

Central elétrica a carvão de Belchatow (Polónia) – a maior da Europa

Entretanto, o regresso dos Estados Unidos da América ao Acordo de Paris constitui uma esperança para humanidade, na medida em que, sendo o segundo maior emissor de GEE, poderá contribuir grandemente para o cumprimento deste tratado internacional. A União Europeia, apesar da renitência de alguns membros, está a elaborar a Lei Europeia do Clima, preconizada no Pacto Ecológico Europeu, com cuja implementação se pretende atingir a neutralidade carbónica em 2050. Um dos países mais renitentes é a Polónia, país em cerca de 80% da eletricidade é produzida em centrais de carvão. Portugal tem vindo a tomar algumas ações significativas no sentido da diminuição da utilização de combustíveis fósseis, encerrando a central termoelétrica de Sines, em 14 de janeiro de 2021, e programando a cessação do funcionamento da central do Pego, em novembro próximo. Com este encerramento, o carvão deixará de ser utilizado para a produção de eletricidade no nosso país. *Meteorologista. O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico


“Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro que nunca mostra a ninguém.” PALAVRA DO DIA

Mark Twain

“Sem alunos a escola não serve para nada” Pais contestam explicações sobre aumento de propinas na EPM

Decorrem até ao dia 31 de Dezembro as candidaturas para o “Plano de Pagamento dos Juros ao Crédito para os Estudos” do ano lectivo de 2021/2022, do Fundo de Acção Social Escolar (FASE), gerido pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). As vagas “são limitadas”, aponta a DSEDJ. Este plano prevê que, durante os estudos, os beneficiários possam receber do Governo 70 por cento do valor dos juros do empréstimo concedido pelo banco para a frequência de cursos, sendo que os restantes 30 por cento serão pagos após a sua conclusão. Há nove bancos que cooperam com o Governo nesta iniciativa. Quem estiver interessado em renovar este subsídio deve entregar, até ao dia 31 de Outubro, o comprovativo de frequência do novo ano lectivo ou o recibo comprovativo do pagamento das propinas.

Fringe Próxima edição em Janeiro de 2022

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O Instituto Cultural (IC) volta a organizar o Festival Fringe, cuja 21.ª edição está agendada para Janeiro do próximo ano. A apresentação de propostas por parte de associações e entidades culturais pode ser feita até ao próximo dia 9 de Julho, sendo que para esta edição foi criada uma nova categoria intitulada “Nova Centelha da Mostra de Programas”. Esta destina-se a estudantes do ensino superior de Macau e conta com um orçamento máximo, por cada programa escolhido, de 20 mil patacas. Os grupos seleccionados podem participar num workshop de produção de espectáculos e receber consultoria e apoio técnicos. Além disso, o festival irá continuar a recolher programas independentes e propostas de curadoria para o projecto “Crème de la Fringe”, no âmbito do qual os participantes deverão organizar um mini-festival associado a um bairro comunitário ou a uma comunidade, ou com um tema específico à sua escolha.

TIAGO ALCÂNTARA

F

ILIPE Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da Escola Portuguesa de Macau (APEPM), disse ao HM que não concorda com as explicações dadas por José Sales Marques, administrador da Fundação da EPM, sobre o aumento das propinas em 12 por cento. “Contesto que venha dizer que não é verdade o que nós dissemos. O aumento global da propina é de 12 por cento, mas no montante global da propina anual não corresponde ao que os pais vão pagar, mas sim [um aumento de] 34 a 46 por cento dependendo do ciclo de ensino. Ele não pode dizer que são coisas que não têm nada a ver com a fundação. Esse aumento de 12 por cento é um problema da fundação e se os pais não colocarem os filhos na escola ela não serve para nada nem a fundação.” O presidente da APEPM lamenta também que Sales Marques o tenha acusado de “desinformação por referir que houve baixas de salário”. “O que disse é que há uma diminuição no valor do orçamento da escola para o ano lectivo 2019/2020 relativamente ao pessoal docente, mas há um aumento do orçamento para o pessoal da direcção, quando o pessoal dirigente [da escola] são apenas duas pessoas [Manuel

Machado e Zélia Mieiro]. É o que consta nos documentos, pelo menos desde o ano lectivo de 2016/2017.” Além disso, Filipe Regêncio Figueiredo diz que a fundação “nunca respondeu aos nossos emails e desde ontem [terça-feira] que continuamos sem resposta nem qualquer tipo de contacto”.

Instalações diferentes

José Sales Marques referiu que existe a necessidade de

“Não sei quanto se paga nas outras escolas, porque não estou interessado. Se comparar as instalações da EPM com a Escola Internacional de Macau [TIS], comparamos o incomparável. Tem de se olhar para aquilo que a propina engloba.” FILIPE REGÊNCIO FIGUEIREDO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS DA ESCOLA PORTUGUESA DE MACAU

aumento de propinas dadas as “dificuldades” financeiras que a fundação tem enfrentado e a redução do subsídio atribuído pela Fundação Macau em 1 milhão de patacas. Afirmou ainda que a EPM é, no seio das escolas privadas, a que cobra das propinas mais baixas. No entanto, Filipe Regêncio Figueiredo diz que há outras matérias a ponderar. “Não sei quanto se paga nas outras escolas, porque não estou interessado. Se comparar as instalações da EPM com a Escola Internacional de Macau [TIS], comparamos o incomparável. Tem de se olhar para aquilo que a propina engloba.” Sales Marques admitiu analisar casos de famílias com dificuldades devido à pandemia, mas o presidente da APEP não vê como essas situações possam ser resolvidas. “Vão abrir um regime excepcional por cada aluno? No meu caso pessoal, felizmente não entro em situações de dificuldades, mas tenho três filhos na escola e para o ano vou ter quatro. São questões que têm de ser ponderadas.” Contactado pelo HM, José Sales Marques não quis prestar mais declarações. A.S.S.

3.6.2021

KUNMING AUTORIDADES TENTAM AFASTAR QUINZE ELEFANTES DE ZONAS POVOADAS

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Ensino Candidaturas para plano de pagamento de juros até Dezembro

quinta-feira

UINZE elefantes selvagens que caminharam 500 quilómetros desde uma reserva natural no sudoeste montanhoso da China aproximaram-se ontem de uma cidade com sete milhões de habitantes, enquanto as autoridades tentam mantê-los fora das áreas povoadas. As autoridades dizem não saber por que motivo os elefantes deixaram no ano passado a reserva natural, situada na região de Pu’er, conhecida pelo cultivo de chá. A manada era composta por 16 animais, mas o governo diz que dois voltaram para a reserva e um bebé nasceu durante a caminhada. As autoridades bloquearam o trânsito nas estradas enquanto os elefantes cruzavam, colocaram barreiras e usaram comida como isco para tentar mantê-los longe da cidade de Kunming e outras áreas povoadas. A manada aproximou-se ontem de Yuxi, a cerca de 20 quilómetros de Kunming, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. As imagens obtidas por veículos aéreos não tripulados (“drones”), usadas para rastrear a manada, mostram seis fêmeas e três machos adultos, três elefantes jovens e três bebés. Chen Mingyong, especialista em elefantes asiáticos citado pela Xinhua, disse que se trata da migração de elefantes selvagens de maior distância alguma vez registada na China. Chen disse que é possível que o seu líder “seja inexperiente e tenha desencaminhado todo o grupo”. Uma equipa composta por 360 pessoas, com 76 carros e nove ‘drones’, está a acompanhar os elefantes, disse a Xinhua. Na semana passada, os animais vaguearam pelas ruas da cidade de Eshan, por seis horas, depois de os moradores terem sido alertados para ficar em casa, de acordo com a Xinhua.


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Hoje Macau 3 JUNHO 2021 #4781 by Jornal Hoje Macau - Issuu