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Hoje Macau 29 SETEMBRO 2021 #4862

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Nº 4863 RÓMULO SANTOS

QUARTA-FEIRA 29-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

RÓMULO SANTOS

MOP$10

PME’S

DEIXEM-NOS RESPIRAR GRANDE PLANO

CHINA | ONU

De mal a pior www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

DESEJOS DE RACIONALIDADE

hoje macau

PÁGINA 8

PATRIMÓNIO

COZINHA MACAENSE

MARTA MADUREIRA

CENTRAIS

A MÃO NO ROSTO JOÃO PAULO COTRIM

O número de seguranças infectados com covid-19 não pára de aumentar. Ontem, durante a tarde, foram anunciados mais três situações de funcionários do Golden Crown infectados e, já ao fim do dia, chegou a notícia de outra infecção num segurança, desta vez no Treasure Hotel. Com o anúncio dos novos casos, foram decretadas mais zonas amarelas que restrigem a circulação da população. PÁGINA 4


2 grande plano

29.9.2021 quarta-feira

RÓMULO SANTOS

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COVID-19 PME SUFOCADAS COM POLÍTICA DO “ABRE E FECHA”

Falta de ar

Uma empresa do sector da educação, um ginásio e um bar. O HM ouviu relatos de proprietários que sofrem na pele a política de encerrar espaços de lazer, desporto ou educacionais cada vez que se registam casos de covid-19 na comunidade.Além disso, pedem regulamentação das medidas restritivas

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UANDO fundou a FORMAC, pouco antes do início da pandemia, Susana Diniz não imaginava as dificuldades que iria passar nos meses seguintes. A empresa, que disponibiliza explicações e aulas de línguas para crianças e adultos, fechou durante cinco meses em 2020. A actual política do Executivo de encerrar alguns negócios cada vez que surgem casos de covid-19 no território está a obrigar a microempresária a reestruturar planos todos os meses. “Não é economicamente aceitável, nem sustentável, que tenhamos de fechar uma semana aqui ou três semanas acolá. Se fechar perco alguns clientes pelo caminho”, adiantou ao HM. Susana Diniz diz sentir o “sufoco” de quem já não consegue fazer planos, nem sequer, a médio prazo. “Estou ligada ao ensino, as escolas e os centros de explicações fecham, e eu vou pelo caminho. Há cerca de

três meses criei um clube de leitura para divulgar o português e para ajudar os miúdos que temos. O projecto estava a correr bem, mas este mês já não vamos conseguir fazer.” “Gostava de acreditar que o Governo vai terminar com esta

Com uma clientela essencialmente local, Gabriel Yung descreve um círculo vicioso comum a muitos negócios locais. Macau sem turistas é sinónimo de menos dinheiro na economia, afectando os salários dos residentes, o que significa menos patacas na máquina registadora do Che Che

INSTITUTO PARA OS ASSUNTOS MUNICIPAIS CONSELHEIRO CULPA SEGURANÇAS POR SURTO

C

HAN Pou San, membro do Conselho Consultivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), considera que o último surto de covid-19 “só ocorreu porque os dois seguranças falharam no cumprimento das medidas

rigorosas de prevenção”. As declarações de Chan, que defendeu a remoção de nomes “colonialistas” das ruas, foram publicadas ontem no jornal Cheng Pou. Entre sexta-feira e sábado foram revelados três casos de

covid-19 em Macau. O primeiro atingiu um residente em quarentena, mas espalhou-se a dois seguranças nepaleses do hotel onde o primeiro paciente estava em observação médica. De acordo com os Serviços de Saúde, os dois trabalhadores

terão sido infectados por não terem utilizado correctamente as máscaras. “Foi devido a erros elementares que houve o surto, que estão a afectar não só Macau e Cantão, mas a espalhar-se por todo o país”, apontou.

Segundo o também vice-presidente da Associação dos Conterrâneos de Jiangmen, este comportamento mostra que é preciso “persistir” nas medidas de segurança, mesmo que as pessoas se sinta cansadas de dois anos de pandemia. Em

relação às consequências do surto mais recente em Macau, Chan Pou San indicou ter causado “impactos sérios no tecido social, negócio do turismo, manutenção dos empregos e na possibilidade de os estudantes frequentarem as aulas”.


quarta-feira 29.9.2021

grande plano 3

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“Se cada vez que houver casos na comunidade fecharmos tudo, as PME vão sofrer muito e terão de fechar portas. Não dá para manter o pagamento de rendas e funcionários.”

Caçar com gato Economistas defendem política de “zero casos” e apontam para mais apoios às empresas

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Para Nuno Fernandes, o Governo deveria “regulamentar regras como a lotação máxima de pessoas num espaço, o uso de máscara, a medição da temperatura à porta e o uso dos códigos de saúde. Se houvesse fiscalização dos espaços abertos o impacto nas PME seria menor”, frisou.

NUNO FERNANDES GYMNASTICS CLUB

política de encerramentos cada vez que é registado um caso. Não esperava que, com apenas dois casos, a solução fosse esta”, apontou. A fundadora da FORMAC questiona porque é que são sempre as Pequenas e Médias Empresas (PME) a “pagar” esta crise. “Porque é que é sempre o mesmo sector, o da educação? São medidas arbitrárias.” Ao contrário de Agosto, quando foram detectados na comunidade quatro casos de covid-19, ligados a uma só família, e em que fecharam escolas, espaços nocturnos, bem como outros espaços de lazer, incluindo ginásios, desta vez o Governo mandou encerrar apenas escolas, instalações culturais e desportivas.

portas, mas apenas por “cooperação com as medidas do Governo”, para evitar aglomerações de pessoas. “Parece-me que agora houve um cuidado [com a política de encerramentos], mas é sempre difícil quando temos de gerir um espaço e nos vemos privados da sua essência, que é a participação dos clientes. Não conseguimos ainda recuperar dos prejuízos”, disse.

Perdas de 50 mil patacas

Nuno Fernandes, fundador do Gymnastics Club, virado também para o desporto infantil, foi obrigado a fechar portas emAgosto e perdeu cerca de 50 mil patacas. Desta vez fechou

“Gostava de acreditar que o Governo vai terminar com esta política de encerramentos cada vez que é registado um caso. Não esperava que, com apenas dois casos, a solução fosse esta.” SUSANA DINIZ FORMAC

Na visão do fundador do Gymnastics Club, o cartão de consumo ajudou a situação socioeconómica, mas não deu apoio directo às PME. “Se cada vez que houver casos na comunidade fecharmos tudo, as PME vão sofrer muito e terão de fechar portas. Não dá para manter o pagamento de rendas e funcionários. Se houvesse medidas como nos restaurantes, com o controlo da lotação, seria mais justo”, considerou. Gabriel Yung, proprietário do bar Che Che, situado fora dos empreendimentos de jogo, contou que os últimos meses têm sido financeiramente difíceis. “Tentamos cortar nos custos, mas na verdade não sabemos o que podemos fazer.” Com uma clientela essencialmente residente, Gabriel Yung descreve um círculo vicioso comum a muitos negócios locais. Macau sem turistas é sinónimo de menos dinheiro a circular na economia, afectando os salários dos residentes, o que significa menos patacas na máquina registadora do Che Che. “No ano passado tivemos o apoio do Governo, que ajudou bastante os negócios locais, mas desta vez não tivemos. O Governo poderia considerar abrir as fronteiras, é tempo de deixar vir as pessoas. Mas tudo depende de como as coisas são feitas”, defendeu. Andreia Sofia Silva

Restauração Associação pede mais apoios para o sector Fong Kin Fu, vice-presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, quer que o Governo apoie o sector com subsídios para empregados qualificados, funcionários em regime freelance e comerciantes, bem como empréstimos sem juros a Pequenas e Médias Empresas. Segundo o jornal Ou Mun, Fong Kin Fu argumenta que os grandes restaurantes, com mais de cem funcionários,

sofreram maior impacto com a pandemia. Como exemplo, o dirigente associativo falou do caso de um restaurante que recebeu um pedido de cancelamento de duas mil mesas nos últimos dois meses, incluindo um banquete de celebração da vitória nas eleições legislativas, mas também casamentos e eventos associativos. Com menos receitas, os proprietários de restaurantes têm optado pelo regime de licença sem vencimento para os seus funcionários.

José Sales Marques

O

economista José Sales Marques e o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, consideram os recentes surtos de covid-19 em Macau estão a ter um impacto profundo na economia do território e que a prioridade continua a ser a segurança sanitária da população. Para minimizar os riscos, o Governo deve ponderar o lançamento de mais medidas de apoio. Contactado pelo HM, apesar das consequências negativa dos surtos recentes para os negócios, o economista José Sales Marques considera que “não há muitas saídas”, senão prosseguir a actual política de “zero casos” que está a ser praticada pelo Governo de Macau. Isto, tendo em conta, para além da baixa taxa de vacinação, as “vulnerabilidades” estruturais de Macau do ponto de vista económico e ao nível de equipamentos de saúde. “Teorias há muitas, mas na prática como se vai resolver as questões? É melhor resolver as coisas de uma forma realista e com aquilo que se tem. Não com aquilo que se esperava ou desejava ter. Acho que não há muitas outras saídas senão prosseguir nesta política. Ou seja, a política do Governo de Macau de controlar a situação do ponto de vista sanitário e da saúde pública e apelar à população para se vacinar rapidamente. Isto para chegarmos a um ponto em que possamos estar mais à vontade”, começou por dizer Sales Marques. Sobre as incertezas que assolam os empresários e as PME, o economista, também ele gestor, admite que “há muitas dificul-

dades em fazer planos”, mas que no actual contexto é preciso continuar a olhar para a frente e a jogar com as probabilidades. “Qualquer gestor tem muitas dificuldades em fazer planos. Mas temos que fazer planos porque temos de trabalhar para a frente e não para trás. Não podemos estar a chorar sobre o leite derramado. Temos de ser pro-activos e jogar com as probabilidades e, nesta fase, a probabilidade de as coisas não acontecerem é relativamente elevada”, partilhou. Acerca do impacto imediato do último surto em Macau, José Sales Marques considera que este teve o condão de “retirar qualquer esperança” que próxima semana “fosse efectivamente dourada” e de afectar eventuais perspectivas de melhoria até ao final do ano. “O impacto é grande e havia uma certa expectativa de que a recuperação económica continuasse em velocidade de cruzeiro até ao final do ano e isso não vai ser possível”. José Sales Marques aponta ainda ser “provável” que apareçam, por parte das PME e pequenos negócios, mais pedidos de apoio económico ao Governo.

Bolsos vazios

Também o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, considera que o Governo deve sondar os anseios da população e o impacto do novo surto de covid-19, para avaliar a necessidade de avançar com uma nova ronda de apoios económicos. Citado pelo jornal Ou Mun, o antigo deputado sublinha que, apesar de o “plano de benefícios do consumo por meio electrónico” estar ainda em vigor, “o saldo de muitos residentes é de zero patacas”. Por isso mesmo, apontou Lap, o Governo deve tirar ilações para tomar decisões focadas no “bem-estar económico futuro”, dando especial atenção às PME. Com as esperanças depositadas na Semana Dourada a sairem goradas e os cancelamentos das reservas nos hotéis a aumentar, Lau Pun Lap mostra-se preocupado com o facto de “muitas PME correrem o sério risco de fechar portas”. Nesse sentido, o ex-deputado sugere que o Governo esteja “muito atento” às consequências dos novos surtos em Macau e que introduza medidas para estabilizar a confiança do mercado. P.A.


4 sociedade

COVID-19 MAIS QUATRO SEGURANÇAS INFECTADOS

ao facto de os infectados já estarem de quarentena desde a semana passada, o que faz com que não tenham estado em contacto com a comunidade. Sobre o impacto do caso 71 para a definição de novas zonas de controlo, não foram avançadas informações até ao fecho da edição.

E vai meia-dúzia

E as responsabilidades?

GCS

Os Serviços de Saúde vão transferir mais de 150 pessoas em quarentena para outros hotéis. O surto surgiu no Hotel China Golden Crown, mas Alvis Lo deixou uma mensagem: “não pensem em apurar responsabilidades”

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O

Governo confirmou ontem a existência de mais quatro pessoas infectadas com covid-19 no território, três são seguranças do Hotel China Golden Crown e um é segurança no Treasure Hotel. Os três primeiros casos foram revelados ontem em conferência de imprensa, e, de acordo com os Serviços de Saúde (SSM), estiveram em contacto com o 64.º infectado, também ele segurança no hotel China Golden Crown. “Temos mais três casos adicionais [de infecção]. Estão relacionados com agentes de segurança do hotel. Há uma relação com o caso 64, e foi por isso, que anteriormente e atendendo a estas circunstâncias, enviámos todos os empregados de limpeza e outros trabalhadores para quarentena”, revelou Alvis Lo, director dos SSM. “O mais importante é que os seguranças já estavam em quarentena desde 24 e 25 de Setembro. Os primeiros dois testes que lhes realizámos foram negativos só o terceiro foi positivo. Mas, como estavam em quarentena, o risco para a comunidade é relativamente baixo”, acrescentou. Por seu turno, aquele que viria a ser o quarto caso do dia e o 71.º da contagem total, é um homem de 38 anos, vacinado contra a covid-19, que partilhava o balneário com os seguranças do hotel Golden Crown e efectuou o mesmo trajecto dos casos 65 e 66.

Na sequência dos novos casos, o Governo vai transferir mais de 150 pessoas em quarentena no Hotel China Golden Crown para outros hotéis, mesmo admitindo que poderá haver riscos no transporte. “Temos de reparar que houve cinco casos neste hotel. Se estivessem no lugar das pessoas em quarentena não queriam sair deste hotel? Nós temos de pensar nisso...”, afirmou Alvis Lo. “Não estamos a dizer que estas pessoas estão numa situação de risco elevado. Mas elas estão preocupadas por ter havido cinco casos no hotel. Por isso, vamos tomar medidas rigorosas para

“Se estivermos a apurar as responsabilidades quem vai fazer o trabalho [de quarentena] no futuro?” ALVIS LO SSM

Aliança do Povo Associação pede maior controlo e responsabilização

No seguimento do novo surto de covid-19 em Macau, a vice-presidente da Associação Aliança de Povo de Instituição de Macau, Chan Peng Peng, quer que o Governo seja mais rigoroso na implementação de medidas de prevenção epidémica. Isto, quando na base do novo surto, esteve a alegada má utilização de máscaras por parte dos seguranças do Golden Crown China Hotel, estabelecimento destinado a quarentenas. De acordo com o jornal Ou Mun, Chan Peng Peng considerou que o sucedido revela a existência de “grandes lacunas” em termos de supervisão e que o Governo deve tomar como referência as práticas do Interior da China para evitar “erros básicos” e responsabilizar os serviços envolvidos.

minimizar os riscos durante o transporte”, sublinhou. A medida não implica o pessoal trabalhador do hotel China Golden Crown que vai ficar em quarentena no próprio hotel, numa lógica de circuito fechado, ou seja, sem contacto com o exterior.

Mais zonas amarelas

Com os novos casos foram decretadas mais zonas amarelas, que vão obrigar os residentes a fazerem um teste de ácido nucleico com resultado negativo, antes de poderem circular. As zonas foram delineadas com base na zona de residência dos novos infectados. As ruas afectadas são os edifícios Man Wa, Hao Chon, Chan Chan, Vai Fai, Veng Fat, Lei Son e Man Fok na Travessa da Palmeira, Rua da Palmeira e Travessa do Enleio. Na Rua da Erva, Travessa da Corda, e Beco do Cavalo ficam ainda sujeitos a código amarelo os

residentes dos edifícios Kam Fong, Yuen Kei, Fu Heng e Si Chon. Ao contrário do que tem sido habitual, desta feita não foram delimitadas zonas vermelhas, que obrigam quem vive nesses espaços a fazer quarentena. Segundo a explicação de Alvis Lo, tal deveu-se

À PROCURA DE 10 MIL O Governo vai entrar em contacto com cerca de 10 mil cidadãos que não foram testados durante os três dias de testes em massa. Os números foram revelados por Tai Wa Hou, médico responsável pelo programa de vacinação. De acordo com a informação disponibilizada às 22h de ontem, e após o fim o período de testagem, no total foram recolhidas amostras de 689.766 pessoas, e todos os resultados deram negativo. Assim sendo, Alvis Lo acredita que não é preciso fazer uma terceira ronda de testes em massa.

O facto de ter surgido um surto num nos espaços reservados a quarentena levou a que os representantes do Governo fossem confrontados com várias questões sobre a atribuição de responsabilidades. Um dos aspectos mais abordados, foi a supervisão das medidas de segurança nos hotéis de segurança pela Direcção de Serviços de Turismo (DST) e dos Serviços de Saúde (SSM). No início do surto mais recente, o Governo tinha responsabilizado dois seguranças por não terem utilizado a máscara correctamente, durante o trabalho, o que terá feito com que fosse infectados. No entanto, Liz Lam, representante da DST, afirmou até ontem não ter informações sobre as irregularidades cometidas. “Os hotéis têm de cumprir as recomendações. Fazemos inspecções e durante as visitas, se verificarmos irregularidades e o não cumprimento das exigências vamos pedir imediatamente aos hotéis para procederem aos trabalhos de melhoramento”, afirmou Liz. “Neste momento, não tenho qualquer informação sobre casos irregulares nos hotéis”, completou. Ainda assim, a representante da DST garantiu que este organismo segue “as orientações dos Serviços de Saúde”. Por sua vez, o director dos SSM, Alvis Lo, decidiu partilhar “um pensamento pessoal” a pedir às pessoas que não se foquem nas responsabilidades pelo surto. “Não pensem em apurar as responsabilidades, mas antes no funcionamento e execução destas funções no futuro. Desta vez, foram [afectados] os funcionários e os hotéis, que estão a desempenhar um papel muito importante. Por isso, não podemos apurar sempre as responsabilidades”, desabafou Lo. “Se estivermos a apurar as responsabilidades quem vai fazer o trabalho [de quarentena] no futuro?”, questionou. João Santos Filipe

DSEDJ NEGADA SUSPENSÃO DE AULAS ATÉ 15 DE OUTUBRO

N

O seguimento da notícia avançada ontem através da comunicação social sobre o prolongamento da suspensão das aulas presenciais até ao dia 15 de Outubro, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) esclareceu que ainda

não foi tomada uma “decisão final” e que, para já, a interrupção vigora até ao próximo domingo. “A DSEDJ esclarece que as aulas do ensino não superior estão suspensas até ao dia 3 de Outubro, e as instituições do ensino superior suspenderam

as suas actividades pedagógicas presenciais. Neste momento, a DSEDJ ainda está a estudar e a avaliar, de forma dinâmica, a evolução da epidemia, não havendo ainda uma decisão final”, pode ler-se no comunicado. A notícia avançada ontem, que acabaria por

não ser confirmada pela DSEDJ, dava conta que, entre os dias 5 e 15 de Outubro, as aulas do ensino não superior seriam ministradas online, prolongando assim o cancelamento das actividades presenciais, decretado à luz do mais recente surto de covid-19 em Macau.


quarta-feira 29.9.2021

TIAGO ALCÂNTARA

Acidente Atingido por reboco hospitalizado

sociedade 5

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Um homem de 35 anos teve ontem de ser transportado para o Hospital Kiang Wu, após ter sido atingido por reboco, quando passava nas imediações do edifício Kak Cheong. O incidente ocorreu de manhã e terá atingido o residente local no pulso. De acordo com a informação do Corpo de Bombeiros, quando foi transportada para o hospital a vítima estava consciente e numa condição estável. Ainda de acordo com as autoridades, o fragmento de reboco que se desprendeu tinha um comprimento de 10 centímetros e uma largura de 5 centímetros.

Burlas Chamadas de falsos serviços públicos

A Polícia Judiciária (PJ) alertou ontem para a existência de burlas telefónicas perpetradas em nome de serviços públicos inexistentes na estrutura da administração pública de Macau. Segundo uma nota oficial, a PJ dá nota de ter sido informada sobre uma chamada da “Direcção dos Serviços de Administração de Comunicações” em cantonês, onde era reportado que o telemóvel da vítima tinha uma anomalia e que, por isso, era necessário suspender o serviço. Além disso, a na mesma gravação era dito que, para obter mais informações, o interlocutor podia digitar a tecla “2”. “Segundo a investigação, apurou-se que o número do telemóvel reportado não existe, nem existe aquela entidade pública na estrutura administrativa pública de Macau”, apontam as autoridades. “A PJ apela novamente aos cidadãos para estarem muito atentos à prevenção das burlas. Quando receberem chamadas telefónicas deste género, devem desligar imediatamente para não dar qualquer oportunidade aos burlões de actuar”, pode ler-se na mesma nota.

Espectáculos Cancelamentos e suspensões anunciados

O Instituto Cultural anunciou o cancelamento de várias actividades, entre as quais os eventos de comemoração do dia da Implantação da República Popular da China. Em causa está a impossibilidade de os artistas se deslocarem a Macau devido ao recente surto de covid-19. As actividades canceladas são o Concerto para Amigos Jovens da Orquestra de Macau “Expresso Clássico – Ritmo do Tango” (agendado para amanhã) e o Espectáculo Acrobático Contemporâneo “Os Amantes das Borboletas” (1 de Outubro). O reembolso do preço dos bilhetes pode ser reclamado entre 29 de Setembro e 30 de Novembro junto da Bilheteira de Macau. Além disso, os espectáculos “Caixa Enigma” e “Viagem por Recantos Musicais” foram adiados para datas indeterminadas.

ECONOMIA DESEMPREGO BAIXOU 0,2 POR CENTO ENTRE JUNHO E AGOSTO

No melhor dos mundos

Entre Junho e Agosto, a taxa de desemprego fixou-se em 2,8 por cento. Olhando em detalhe, a taxa de desemprego de residentes foi de 3,7 por cento nesse período, menos 0,2 pontos em relação ao período entre Maio e Julho. Já a taxa de subemprego variou na direcção oposta, com a subida de 0,2 pontos percentuais

O

desemprego é um dos indicadores estatísticos que reflecte mais directamente a condição socioeconómica de uma comunidade. Capítulo que parece estar a melhorar na RAEM, pelo menos, de acordo com os dados revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O organismo anunciou ontem que entre Junho e Agosto deste ano a taxa de desemprego fixou-se em 2,8 por cento e que no segmento de residentes a taxa foi de 3,7 por cento, valores que representam descidas de 0,1 e 0,2 pontos percentuais em relação ao trimestre compreendido entre Maio e Julho.

Em relação ao subemprego, as autoridades dão conta de um aumento de 0,2 pontos percentuais para uma taxa de 3,7 por cento.

Quantos somos

Durante o período em análise, a população activa que vivia em Macau totalizava 387.000 pessoas, o que corresponde à taxa de actividade de 68,5 por cento. A população empregada foi composta por um universo

de 376.300 trabalhadores, 279.600 deles residentes, o que representou subidas de 3.400 e 4.600 pessoas, respectivamente, em comparação com o período precedente. Jogo e restauração foram os sectores mais beneficiados com a flutuação da taxa de desemprego entre Junho e Agosto, ao contrário do sector do comércio por grosso e a retalho que registou mais desemprego.

Quanto aos jovens que procuraram o primeiro emprego, a DSEC indicou que constituíram 12,5 por cento da população desempregada, valor que demonstra uma subida de 3,3 por cento

No período analisado, a DSEC totalizou 10.600 desempregados, menos 400 em relação ao período transacto. Entre quem procurou novo emprego, a maioria era de trabalhadores do sector do jogo, incluindo junkets, e da construção civil. Quanto aos jovens que procuraram o primeiro emprego, a DSEC indicou que constituíram 12,5 por cento da população desempregada, valor que demonstra uma subida de 3,3 por cento em relação ao período transacto. As autoridades justificaram a flutuação com a entrada no mercado de trabalho de recém-graduados. João Luz


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A origem da cozinha M

(Primeir

Ritchie Lek Chi, Chan

FIG.1

--- Rota de navegação portuguesa --- Rota da Seda Terrestre ­­­--- Rota da Seda Marítima

Uma importante fonte de comércio de especiarias

FIG.2 FIG.3

Em 2017, o Governo da Região Administrativa Especial de Macau lançou o trabalho de inclusão da candidatura de Macau como a "Cidade da Gastronomia", na esperança de atrair mais turistas e aumentar a popularidade de Macau através da promoção da gastronomia de Macau, de modo a transformar Macau numa típica cidade turística de lazer. Aproveitando a popularidade, muitos livros chineses e portugueses sobre "Cozinha Macaense" ou "As habilidades culinárias dos Macaenses em Macau" foram lançados no mercado, e muitos artigos publicados em jornais. Hoje, este clima quente acalmou um pouco, e vamos falar sobre a história de fundo da cozinha Macaense de Macau por outro ângulo. Quando todos apreciam os pratos nativos, quantas pessoas sabem que por detrás destas iguarias está a longa história de Macau, mas também o pano de fundo histórico da navegação portuguesa. Quando descobrimos um mapa náutico português, podemos verdadeiramente compreender a origem da cultura alimentar Macaense (Figura 1). Por outras palavras, a cultura Macaense inclui o surgimento da “Cozinha Macaense”, que pode traçar as trocas culturais e os encontros culturais provocados pelas viagens portuguesas através do mar ao mundo oriental. Li vários livros ou artigos chineses e portugueses, publicados em Macau, sobre as origens históricas da cozinha Macaense. O conteúdo menciona que durante o período do "Grande Descobrimento Geográfico", as rotas dos portugueses para o Oriente incluíram África, Índia, Península Indochina, Tailândia,

Malásia e Timor, etc. Mas quase não há menções de desembarques de portugueses na Indonésia e da procura de especiarias preciosas neste país. No entanto, verifiquei outros livros em língua estrangeira ou páginas da web relacionadas, especialmente depois que a literatura indonésia afirmou mais claramente que os portugueses se estabeleceram em Malaca, e logo se dirigiram para a Indonésia ao sul ou sudeste. Em 1511, uma frota portuguesa desembarcou com sucesso na ilha indonésia de Molucas (Maluku), conhecida como "Ilhas das Especiarias". Desde então, a Ilha Maluku. e as ilhas vizinhas, tornaram-se uma importante fonte de produção no comércio de especiarias de Portugal, e introduziram cravo e noz-moscada na culinária indonésia e na europeia. (figura 2 e 3) (Nota 1)

Cravo (figura 2) e noz-moscada (figura 3) secando na Indonésia

A Terra das Especiarias e a vitória dos Portugueses

Sob a orientação de dois professores de história e geografia, três alunos do ensino médio da Escola Secundária Chengyuan de Tai-

pei City escreveram um artigo "A Guerra das Especiarias e a História do Desenvolvimento Comercial do Poder Marítimo da Europa Ocidental". O artigo foi extraído da “Especiarias" (Les épices), escrito por Lucien Guyot, professor da Escola Nacional Superior de Agricultura de Grinnon em Paris, França (L'Institut national agronomique Paris-Grignon, France ), e acadêmico da Academia Francesa de Agricultura (L'académie D'agriculture de France). Esta passagem afirmava que o sucesso dos portugueses desta vez "não só acabou com o monopólio dos venezianos no comércio europeu de especiarias, mas também abriu a corrida às especiarias pelos próximos duzentos anos e mesmo o prelúdio da expansão colonial" (Nota 1). Além disso, o Padre Manuel Teixeira, historiador português e residente em Macau várias décadas, escreveu "A Diocese Portuguesa de Malaca". O capítulo 8 descreve especificamente as actividades dos jesuítas na Ilha das Molucas para compreender a importância que os portugueses atribuem à ilha. Portanto, de acordo com todas as afirmações anteriores, quando falamos da origem da comida macaense, a cultura alimentar indonésia é também um dos elementos essenciais. Vale a pena referir que a maior parte dos países por onde passaram portugueses eram considerados "terras das especiarias", locais ricos com uma grande variedade de especiarias, o que permitiu aos portugueses obter lucros avultados no futuro comércio, que alcançou o seu pico em 1513-1919. (Nota 2). Outras potências europeias perceberam isso e, mais tarde, ingressaram no negócio de comércio de especiarias de forma preventiva. Até que "a normalização do comércio de especiarias orientais e o retorno aos princípios morais foram promovidos por franceses e britânicos posteriormente entre o século XIX e a primeira metade do século XX (Nota 3)."

Mistura de culturas produz cozinha Macaense

Macau é uma cidade pequena, com muita comida deliciosa, e uma população migrante que tem aumentando nas últimas décadas, trazendo diferentes culturas e diversificando a cultura alimentar

de Macau. Entre os muitos pratos deliciosos, embora a cozinha cantonense possa representar os pratos autênticos de Macau, a única que pode verdadeiramente mostrar o intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente é a "cozinha macaense" ou a "comida macaense". Durante mais de quatrocentos anos, os intercâmbios culturais em Macau não se limitaram à cultura chinesa Lingnan e à cultura portuguesa. Também penetraram nas culturas africana, indiana e do sudeste asiático trazidas pelos portugueses durante o período de navegação na Idade Média. Este intercâmbio cultural multifacetado deu origem a dois importantes produtos mistos: "Patuá" e a " Arte da Culinária Macaense". Patuá é baseado no português e mistura de vocabulário malaio, indonésio e cantonês, língua esta que foi diminuindo gradualmente e está prestes a desaparecer. A razão é que na sociedade chinesa dominada pelos dialectos cantoneses em Macau, a nova geração macaense recebe o português ortodoxo na escola e o cantonês é o principal meio de comunicação em casa ou fora da escola. Portanto, no ambiente linguístico é difícil para o Patuá continuar a circular e manter um espaço de “sobrevivência”. No entanto, a cultura da cozinha e comida ma-

caense é facilmente aceite. Nos últimos anos, com a vigorosa conservação e promoção do Governo e da organização cívica, a cozinha macaense continua a espalhar-se até hoje. Além disso, tornou-se um símbolo e destaque da cultura alimentar de Macau e um importante traço histórico das trocas culturais "chinesas e ocidentais" de Macau. A cozinha e a gastronomia macaense em Macau revelam um fenómeno de mistura cultural. De facto, este fenómeno não ocorre apenas em Macau, mas também em qualquer parte do mundo, enquanto houver nacionalidades estrangeiras ou raças diferentes a viverem juntas por muito tempo, haverá trocas mútuas de cultura e costumes de vida, criando uma nova cultura. Aqui estão alguns exemplos:

Indonésia, Malaca e Goa

Ao longo da história nos últimos quinhentos anos, tanto governantes estrangeiros como imigrantes que chegaram à Indonésia trouxeram cultura e costumes do seu próprio país. Em particular, na capital Jacarta que é ponto de encontro das civilizações oriental e ocidental. Harmonia com a cultura indiana, Médio Oriente, europeia e chinesa, formando um sistema cultural rico e complexo. Escrevi um artigo no Diário de Macau para apresen-


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património 7

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Macaense em Macau

ra Parte)

(Figura 8). Existe também a receita de caranguejos com caril (origem de Índia ou Malásia) conhecida em Macau. FIG.7

Sorpotel FIG.8

Vindaloo

FIG.4

parecesse ter adicionado uma cultura mais exótica. Em Ujong Pasir, uma aldeia de etnia luso-malaia, Chinatown, e Chetti, uma aldeia de etnia luso-indiana, os residentes falam malaio ou uma língua mista, mas mantêm os costumes e rituais de sua terra natal. A cultura alimentar assenta principalmente em pratos malaios e indonésios, mais com elementos portugueses, indianos, britânicos e chineses. Desde os tempos antigos, a Ilha de Java e Sumatra da Indonésia têm uma relação estreita e trocas frequentes com Malaca. As culturas dos dois lugares, incluindo a cultura alimentar, também se trocam e se influenciam. Na vila portuguesa, existem muitos restaurantes que servem cozinha luso-malaia, semelhantes aos da cozinha macaense de Macau (Figuras 5 e 6).

FIG.6

tar uma "Aldeia Tugu" em Jacarta onde vivem pessoas de ascendência portuguesa, indonésia e malaia, cuja comida reflecte o fenómeno da mistura de culturas (Nota 4) (Figura 4), bem como as zonas onde vivem os chineses em Jacarta, etc., o que pode evidenciar a óbvia cultura mista. Também na área onde vivem chineses, lugar onde se destaca a cultura mista, a comida que cozinham diariamente é uma mistura de características chinesa e indonésia.

FIG.5

Malaca é uma cidade multicultural, tal como Jacarta. Antes da chegada dos portugueses, já os chineses tinham desembarcado na pequena cidade junto à rota de Zheng He. Os portugueses trouxeram não só a cultura ocidental, mas também a cultura de outras colónias portuguesas. Posteriormente, Grã-Bretanha e Holanda ocuparam a cidade, fazendo com que Malaca

Além disso, nos restaurantes chineses na Chinatown os clientes podem comer a comida da "Nyonya" (Nota 5), esta é uma mistura de pratos cantonenses, fujianenses, hakka e malaios. Os cidadãos de Macau também conhecem a comida da "Nyonya", o “Laksa” e “Belacan”. Chetti, uma aldeia indígena em Malaca, é habitada por uma população que mistura as descendências malaia, indiana, portuguesa e britânica. Esta aldeia é mais complexa e diversa culturalmente e um lugar onde se come caril. Aliás, o ar da vila está repleto do sabor do caril indiano, que pode ser considerado um paraíso para quem gosta da especiaria. Portugal governou Goa cerca de 450 anos desde 1510. Os portugueses tiveram um impacto sig-

nificativo na cultura, gastronomia e arquitectura de Goa. Naquela época, as autoridades incentivaram os portugueses a casarem com mulheres goenses e a estabelecerem-se como agricultores, vendedores ou artesãos locais. Estes portugueses ​​tornaram-se rapidamente uma classe privilegiada, passando a existir em Goa uma considerável população euro-asiática. Alguns alimentos também começaram a misturar características de Portugal e da Índia, incluindo o porco com vinagre e picante "Sorpotel" e o porco com vinho e vinagre "Sarapatel" que os portugueses estão habituados a cozinhar para a época do Natal (Figura 7). E também outra receita de porco com vinho tinto e alho, "Vinha d'alhos" da cozinha portuguesa, mudando para “Vindaloo ou Vindalho" porco de caril

Os três exemplos anteriores mostram que o intercâmbio cultural tem origem em por estrangeiros que trazem novas culturas, ou originado por diferentes grupos étnicos vivendo juntos. As trocas culturais entre a China e o Ocidente em Macau contêm exactamente esses dois factores. Anotação: 1. “A guerra das especiarias e a história do desenvolvimento comercial dos países com poder marítimo da Europa Ocidental”, autores: Zhu Peiyu, Nie Jiajun, Huang Pinhua, Supervisores: Kang Shiyun, Cai Liqing, página 4. http://www.shs.edu.tw › works › essay › 2018/11 2. "Revista de Cultura" do Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, edição chinesa, número 99, 2016. Página 26, terceira linha do primeiro parágrafo. 3. “Les épices”, de Lucien Guyot, traduzido por Liu Deng, p. 65. 4. "Arte e Cultura Alimentar na Mesma Linha", autor: Ritchie Lek Chi Chan, Macau Daily News, 7 de Fevereiro de 2021. Edição "Rua de Macau". 5. "Nyonya" (Nonya) geralmente se refere à senhora e esposa. Essas mulheres de status elevado são mulheres de etnia chinesa e malaia mistas, ou mulheres chinesas que viveram na Malásia, Indonésia e Singapura por várias gerações e não falam chinês.


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ONU CHINA PEDE AOS EUA QUE ADOPTEM POLÍTICA “RACIONAL”

Da teoria à prática Wang Yi reuniu-se por videoconferência com o secretário-geral da ONU, António Guterres e com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg. O MNE chinês rejeitou a ideia de uma guerra fria com os Estados Unidos e apelou à cooperação da comunidade internacional face aos novos desafios como as alterações climáticas

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ministro chinês dos Negócios Estrangeiros disse ontem que os Estados Unidos precisam de “transformar as palavras em acções” e retornar a sua política para a China a um “caminho racional e pragmático”. Wang Yi, que reuniu, via videoconferência, com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que “Washington indicou recentemente que não quer um confronto ou guerra fria com a China”. “Mas a chave para isso é transformar as palavras em actos concretos e colocar a sua política em relação à China de volta a um caminho racional e pragmático”, descreveu, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. As relações entre Washington e Pequim deterioraram-se, nos últimos anos, marcadas por disputas no comércio, tecnologia ou Direitos Humanos. No entanto, na semana passada, o retorno à China da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, após um acordo com as autoridades dos EUA para suspender o seu pedido de extradição - estava detida no Canadá - e um processo judicial por fraude, constituiu um raro desenvolvimento positivo na relação entre os dois países. Após a sua libertação, a China também libertou os canadianos Michael Spavor e Michael Kovrig, que foram detidos numa aparente reta-

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“Pequim está aberta ao diálogo”, numa altura em que a “comunidade internacional precisa de se unir e cooperar”, (..) “China não almeja hegemonia ou expansão e quer dividir os seus dividendos com outros países”

liação pela prisão de Meng no Canadá.

Outras águas

Wang Yi disse ainda, durante outro encontro via videoconferência com o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, que a “região da Ásia - Pacífico não precisa de um novo bloco militar, nem deve ser motivo de confronto”. “Pequim está aberta ao diálogo”, numa altura em que a “comunidade internacional precisa de se unir e cooperar”, apontou Wang, acrescentando que a “China não almeja hegemonia ou ex-

pansão e quer dividir os seus dividendos com outros países”. Stoltenberg “saudou a expansão do diálogo entre a NATO e a China” e destacou o “potencial para maior cooperação em desafios comuns, como as alterações climáticas”, segundo um comunicado da NATO. Mas a mesma fonte apontou também as “preocupações da NATO sobre as políticas coercivas da China, a expansão do arsenal nuclear e a falta de transparência sobre a modernização militar” do país. Na última cimeira da NATO, realizada em Junho passado, os aliados voltaram as suas atenções para a China

Imobiliário Banco central promete “desenvolvimento saudável” do sector O Banco Popular da China (banco central) estabeleceu ontem como objectivo manter o “desenvolvimento saudável” do mercado imobiliário, num momento de incerteza para o sector, face à crise de dívida da construtora Evergrande. Em comunicado, o banco central chinês reviu as questões que foram debatidas durante uma reunião

sobre política monetária e fez uma breve referência àquele objectivo, embora sem citar diretamente a Evergrande ou os problemas que o setor enfrenta. “Vamos manter o desenvolvimento saudável do mercado imobiliário e proteger os legítimos direitos e interesses dos compradores de imobiliário”, referiu o banco.

e no comunicado final indicaram que viam oportunidades de cooperação com Pequim, em questões como controlo de armas ou alterações climáticas, mas alertaram para a crescente influência e a política externa do país que representam desafios para a segurança da Aliança. Wang também tem ainda agendado um encontro com o Alto Representante para a Política Externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, no quadro da 11.ª ronda do diálogo estratégico de alto nível entre a China e a UE.

Asas em Zhuhai

Pequim exibe armamento da Força Aérea

A

China apresentou ontem novo equipamento da Força Aérea, que inclui veículos aéreos não tripulados (“drones”) de vigilância ou ataque e aviões de guerra electrónica, numa altura de crescentes tensões com os Estados Unidos. A apresentação do armamento, durante a maior exibição aeroespacial da China, a “AirShow China”, que decorre em Zhuhai, ocorre numa altura em que Pequim avança com o programa de modernização do exército, que espera concluir até 2035. A China continua longe de ter o poderio militar dos Estados Unidos, que tem um orçamento de Defesa três vezes maior, mas está, aos poucos, a diminuir a lacuna, segundo observadores. Entre as principais novidades exibidas em Zhuhai está o drone WZ-7, com 14 metros de comprimento e destinado a missões de reconhecimento e patrulha marítima. O país apresentou ainda o J-16D, um caça dedicado à “guerra electrónica” - a detecção e destruição de transmissões de rádio e sistemas de comunicação. Segundo especialistas citados pela imprensa chinesa, este avião pode atacar instalações de radar ou sistemas de detecção e comando aerotransportados. Ambos os aparelhos estão já a ser utilizados pelo exército chinês e “desempenharão um papel importante no Estreito de Taiwan e no Mar do Sul da China”, afirmou o analista militar chinês Song Zhongping, citado pela agência France Presse.

Outras amostras

Outra máquina apresentada ontem foi um protótipo do versátil “drone” de reconhecimento e ataque CH-6. Com 15 metros de comprimento e uma envergadura de mais de 20 metros, o veículo aéreo não tripulado deve realizar voos de teste em 2023. Os construtores do “drone” estimam que

possa operar a grande altitude (10.000 metros) e em alta velocidade (500700 quilómetros por hora), durante 20 horas. O aparelho pode transportar radares, sistemas de reconhecimento, mísseis ou mesmo bombas ar - terra. Estes novos veículos aéreos permitem que as forças armadas chinesas observem e conduzam ataques em locais antes inacessíveis. Perante a relutância dos países ocidentais em vender “drones” mais avançados a países que não sejam os aliados mais próximos, a China também se posiciona como um “fornecedor alternativo”, a preços acessíveis, apontou Kelvin Wong, da empresa britânica Janes, especializada em assuntos de Defesa. “Drones” chineses já são usados por vários exércitos estrangeiros, incluindo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. O caça J-16D demonstra uma “melhoria geral” nas capacidades de combate da China, segundo James Char, especialista da Universidade Tecnológica de Nanyang, de Singapura. “Podemos falar de um avanço significativo, porque dá aos militares chineses uma vantagem em termos de guerra electrónica aérea, contra alvos que têm capacidade de defesa aérea significativa”, descreveu. Além de fabricantes de equipamentos militares, a exposição de Zhuhai reúne os principais grupos da aviação civil chinesa e mundial, como as construtoras Boeing e Airbus. Originalmente agendada para o final de 2020, a reunião, que se realiza a cada dois anos, foi adiada devido à pandemia.


quarta-feira 29.9.2021

diário de um editor

JOÃO PAULO COTRIM

www.torpor.abysmo.pt

SANTA BÁRBARA, LISBOA, QUINTA, 16 SETEMBRO Andamos nisto, a disparar em todas as direcções assoberbados com estampas e retratos, talvez auto, à velocidade do absurdo. A Festa da Ilustração explode lá para o início do outonal mês e o José Teófilo [Duarte], à queima-roupa, sem apelo nem agravo, pede-me reflexão escrita em torno do labor de misturas da Marta [Madureira]. Travo a fundo as urgências e fecho-me para vaguear nos seus rostos, lado visível de dilectas geometrias: «A colagem tem sido

A mão no rosto o seu território. O corpo a sua matéria, o seu assunto, a borracha ilimitada com que estica as histórias, ainda que de outros. E nessa estrutura de tronco e membros, a peça principal tornouse a cabeça. Ou melhor: o rosto.» Amo mãos, a sua dança na atmosfera, a deliciosa relação que estabelecem com a face respectiva. Do gesto nascem caras (algures na página, exemplo virtuoso). Nisto, a colagem a imitar estes dias, feitos disto e aquilo, sobras e princípios sobre uma qualquer folha suja (de calendário). «A Marta desde sempre integrou na sua linguagem fragmentos do mundo, que deixam de lhe pertencer mal pousam sobre a página tornando-se cor, textura, sinal. Uma mola reproduzida tal e qual não prende nada, do mesmo modo que as esferas metálicas se podem tornar olhos de bicho. E até foi fazendo mais, acrescentando dimensões ao plano, ou vestindo de penas e tecidos certos corpos. Um pouco mais de vida em naturezas mortas.» HORTA SECA, LISBOA, SEXTA, 17 SETEMBRO Na escala evolutiva, um livro em pdf ou afim, por útil e facilitador

que seja, não consegue ainda andar como um livro. O texto, longe dos nossos olhos, combina-se com as imagens, de modos que só a geometria descritiva explicará, e explode em objecto de capa e espada, perdão, página. Dá-se, então, o mistério. Doravante não será mais meu, ou do Tiago [Albuquerque], que o enriqueceu com visões, este «Jean Moulin – A sombra não apaga a cor». Serão as vidas a terra de onde brotam as histórias? Basta discorrer um percurso para prender leitores a ponto de ignorarem a vida? Esta biografia aventurosa e por um triz banal deu filmes e romances, mas deu sobretudo um rosto, aqui tintado a negro e sombreado de azul. Ecoa ininterrupta a bela frase de Malraux, à beira do Panteão, com o que este contém de abysmo: «Hoje, juventude, pudesses tu invocar este homem de modo a tocar com as tuas mãos a sua pobre face naquele seu último dia, tocando os lábios que não falaram, naquele dia ele foi o rosto da França.» ARTUR BUAL, LISBOA, DOMINGO, 19 SETEMBRO Surge-me estranha, a praça, talvez

MARTA MADUREIRA

SANTA BÁRBARA, LISBOA, SEGUNDA, 13 SETEMBRO Conhecia este texto, que dança nas profundezas, da Inês [Fonseca Santos], fruto da deliciosa prática da partilha – toma que está maduro, ajuda-me a descascá-lo. Desconhecia o quanto de solar dele extraiu o Mantraste – olha como o cubismo nos permite fazer do fragmento corpo inteiro. E depois ao ser impresso o raio do texto ganha outros tons – será rosto maquilhado? «António Variações – Fora de tom» (ed. Pato Lógico/ Imprensa Nacional), esguio de formas, como todos os da colecção Grandes Vidas Portuguesas, está cantarolando pelas estantes, nas minhas mãos. Os bem-pensantes, que os há sob cada pedra em todos os quadrantes, insistem no erro de que os livros de putos apenas a eles se destinam e dispensam leituras aos entretanto crescidos. Neste pequeno volume, a Inês e o Bruno dizem tanto sobre a vida de cada um, as vidas dos outros, o peso das palavras, o modo como elas nos abrem ou fecham os dias, falam do que somos se o soubermos ser! Sem condescendências, sem medo de se apaixonar pelo tema, brincando invariavelmente às construções, das caras e dos versos. «Não é em linha reta, o humano», mas há geometrias ocultas, linhas de terra. A fortíssima face do António Variações atravessa o livro por completo, faz-se paisagem e cadeira, dança e ternura, microfone e enxada. Perto, tão perto, passeiam-se as mãos, enormes. Notável a subtileza com que o Bruno insere elementos de uma ruralidade identitária que só o Variações soube tornar cosmopolita – raiz e antena. As convenções, se podem ser casa, tendem a tornar-se prisão. António Variações não deixou ainda de rasgar cantando a liberdade.

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deprimente no sinuoso como se apresenta, indistinta entre o que deve ser a face e a rabada. Certos bairros parecem ser, de qualquer ponto de vista, traseiras. A minha infância tardia andou por perto, mas não conhecia o lugar que meia dúzia de organizadas cadeiras encheram em momento aprazado, regras sanitárias cumpridas com escrúpulo. O evento, que rima para mim com cimento, cruza depoimentos de gente que é o bairro com poesia solta sobre a habitação. O Henrique [Manuel Bento Fialho], que me acompanha a convite do Nuno [Ramos Almeida], está visivelmente mais confortável com estas circunstâncias de campanha, as palmas ritmadas, as palavras de ordem, o entusiasmo que não sei fingir. «Já não se fabricam pistolas de brincar./ Os meninos brincam aos contabilistas com pistolas a sério,/ visões demasiado gerais, ou demasiado concretas, de uma realidade com cimento nas frestas.// Do mesmo modo, hão-de acabar com o teatro, o namoro, e todas as reinvenções da realidade.// O Porky Pig há-de acabar em chouriços e estes no cu dalgum político, cheio de sucesso e anacoretismo.» Desorientação militante. Não posso apoiar candidato maioritário e triste que foi entregando a cidade aos interesses mais venais, a ponto de continuarem a ameaçar uma das minhas colinas (a de Santana). Custa-me que seja socialista a gerir ao sabor das modas sexy. Não alinho na política cultural invisual e incapaz de perceber que nem tudo se constrói sobre nomes. Ergo, portanto, voz titubeante em favor do João Ferreira e de um partido comunista que se abra em curva sinuosa. E na passada li três poemas do Miguel [Martins], incluídos em «São Miguel da Desorientação» (ed. Macondo), por serem exemplos da boa prática da raiva. Herdeiro do desmancho exacto de bom pata negra, o poeta usa diligentemente a frase longa, que espeta da página a marcar as peles que se aproximem. Se ainda houver punk está por perto, mas em jardim. A sua afirmação vigorosa consiste em levantarse arrastando paisagens com a lentidão de quem tem necessidades a cumprir: dizer-se. «E, então, sim, poderemos progredir sem estorvos, rumo a uma sociedade cor-de-rosa// governada por antidepressivos de última geração,/ em que comer baratas já não seja uma desgraça/ mas uma oportunidade para nos conectarmos com possibilidades alternativas da nossa história comum.»


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O SILÊNCIO | INGMAR BERGMAN | 1963

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Duas irmãs estão num quarto de hotel com o filho de uma delas, num país europeu à beira de uma guerra. Mas a sua relação não é a melhor. Ester, a irmã mais velha, é tradutora de livros e tem uma doença terminal, enquanto que a irmã, Anna, negligencia o próprio filho, que vagueia pelos corredores do hotel. Ingmar Bergman criou um filme esteticamente belo e cheio de simbolismos, que na época abordou temas ousados 1 4como 7 a6masturbação 9 8 5e o incesto. Andreia Sofia Silva

YUAN

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C I N E M A

SALA 1

Mark Fattibene 16.30

Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

SALA 3

SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]

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SALA 2

DUNE [B]

Um filme de: Denis Villeneuve Com: Timotheé Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac 14.30, 18.30, 21.15

MY LITTLE PONY: A NEW GENERATION [A]

Um filme de: Rober Cullen, José L, Ucha,

ZERO TO HERO [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan Com: Sandra Ng, Louis Cheung, Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 19.30

THE CURSED: DEAD MAN’S PREY [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-wan Com: Uhm Ji-won, Jung Ji-so, Jung Moon-sung, Oh Yoon-ah 14.30, 21.30

3 9 2 5 4 1 7 0 6 3 0 2 4 12 7 07 6 8 29 3 98 5 0 5 8 2 3 6 7 4 1 9 0 56 13 39 7 9 67 45 80 2 6 2 0 4 9 1 3 7 8 5 6 8 4 9 2 5 3 1 7 0 9 8 7 3 1 2 5 0 4 6 MY LITTLE PONY: A NEW GENERATION 29 91 8 40 15 03 78 6 56 37 5 9 2 0 7 4 6 1 3 8 7 04 5 68 30 27 42 8 15 9 1 4 5 9 8 3 0 2 6 7 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José João 2 3 3 6 2 8 Nunu 0 Wu 1 Colaboradores 9 5 4 Anabela 7 Canas; António7Cabrita; 6 António 1 Editores 5de 0 8 Luz;9José3C. Mendes 2 4Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; José 4 Simões 1 73 05 5 Gonçalo 9 3M.Tavares; 8 22Gonçalo 67 4Waddington; Inês Oliveira; 8 3João6Paulo 1 Cotrim; 2 7 9 Morais; 5 0Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo www. Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 5 4 3 7 Rasquinho; 8 6 Paul 0 Chan 9 Wai 2 Chi; 1 Paula Bicho; Tânia2dos0Santos9 Grafismo 6 4Paulo5 Borges, 1 8 7 Santos 3 Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Rómulo hojemacau. Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 1 6 8 5 com.mo 9 2 6 1 Welfare 4 7Morada 5 Pátio 0 da3Sé, 8n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 4 7Macau; 3 Telefone 8 528752401 0 2Fax 28752405; 6 9 1e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 3 5 4 2 1 6 9 0

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6 2 8 7 4 9 0 3 5 1 4 3 9 5 0 1 7 2 8 6 5 1 3 6 2 8 4 CONCURSO 9 0 ANÚNCIO 7 PÚBLICO N.º 30/P/21 OBRA DE REMODELAÇÃO DO 2.º ANDAR DO EDIFÍCIO DYNASTY PLAZA 0 9 1 8 3 6 5 7 2 4 1. Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. 2. Modalidade de concurso: Concurso Público. 3. Local de7 execução 8 da obra: 0 2.º4andar do6Edifício 2 Dynasty 3 Plaza. 1 9 5 4. Objecto da Empreitada: Realização da obra de remodelação do 2.º andar do Edifício Dynasty Plaza. 5. Prazo máximo de execução: 150 (cento e cinquenta) dias de trabalho (para efeitos de contagem do prazo de execução da empreitada, somente domingos e feriados 7 como 6 dias9de trabalho). 5 4 8 0 1 3 não são2 considerados 6. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 (noventa) dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. 5 A2 1 é por7série3de preços. 6 8 4 0 7. Tipo de9 empreitada: empreitada 8. Caução provisória: MOP449.650,00 (quatrocentas e quarenta e nove mil, seiscentas e cinquenta patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, 4 5%7(cincoaprovado 0 cento)8nosdotermos 5 legais. 2da adjudicação 6 3 (das9importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais 9. Caução1 definitiva: por preço total são deduzidos 5% (cinco por cento) para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço Base: 3 Não0há. 4 2 1 7 9 5 6 8 11. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua 6 5neste último 3 caso 9 a admissão 0 1é condicionada 4 7ao deferimento 2 do pedido de inscrição ou renovação. inscrição8ou renovação, As pessoas, singulares ou colectivas, por si ou sob forma de consórcio, só podem submeter uma única proposta. As sociedades e as suas filiações são consideradas

como sendo uma única entidade, devendo submeter apenas uma única proposta, por si ou sob forma de consórcio com outras pessoas. As pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, devem ter no máximo até três (3) membros, não sendo necessário existir entre os membros qualquer modalidade jurídica de associação. As entidades que participam no consórcio não podem apresentar outra proposta em nome individual ou participar noutro consórcio. Se for adjudicado, a pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, antes da assinatura do contrato de adjudicação, são obrigados a proceder às formalidades, em modalidade de consórcio externo, nos termos das disposições referidas no Livro III do Código Comercial aprovado pelo Decreto n.º 40/99/M, de 3 de Agosto. 12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 29 de Outubro de 2021 (Sexta-feira), até às 17:30 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. 13. Local, dia e hora do acto público: Local: Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Dia e hora: Dia 1 de Novembro de 2021 (Segunda-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer na sessão de esclarecimentos no dia 5 de Outubro de 2021 (Terça-feira), às 10:00 horas, no 2.º andar do Edifício Dynasty Plaza. 15. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP144,00 (cento e quarenta e quatro patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário. 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação:

12

A B

6 5 7 4 2 8 1 9 8 1 0 3 6 4 2 7 3 9 1 0 7 6 5 8 2 7 5 9 3 0 4 6 4 8 6 2 1 7 3 5 9 0 8 5 4 1 7 2 5 4 3 8 0 9 6 1 1 2 9 7 8 3 0 4 Preço 0 6em execução 2 1das obras 9 5 8 3 Experiência Plano de trabalhos 3 de 4 6das obras 5 2 9 0 C17 Programa execução - Plano de trabalho de execução das obras - 2.4%

3 9 2 1 0 6 7 5 4 8

0 5 4 8 9 3 2 6 7 1

65% 10%

6% - Técnicas de execução das obras - 1.8% - Investimento em recursos de execução das obras - 1.8% 12% C2 Programa de trabalhos / Cronograma de execução da obra - Progresso da obra - 3% 6% - Fases da obra - 1.5% - Operabilidade - 1.5% D Prazo de execução da obra 13% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, a partir de 29 de Setembro de 2021 (Quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 21 de Setembro de 2021 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long C


quarta-feira 29.9.2021

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in sapo24

opinião 11

Marco Neves

QUAL É A ORIGEM DA LINGUAGEM HUMANA? A origem remota

No caso do Universo e da vida, conhecemos melhor ou pior o mecanismo que levou ao desenvolvimento de cada um dos fenómenos (a morte e nascimento das estrelas; a evolução por selecção natural), mas não conseguimos chegar ao momento 0, mesmo à origem (a criação do Universo; a criação da vida). Como vimos nos primeiros capítulos do livro, temos teorias, temos hipóteses, temos até belíssimas histórias − mas estamos longe de ter certezas. Acontece o mesmo com a linguagem. Sabemos bem como se desenvolvem as línguas, como divergem, mas não sabemos como surgiu a primeira língua na Terra. Como em tudo o que é humano, é bem provável que tenha sido um processo gradual, ao longo de milhares ou até mesmo de milhões de anos. Se andarmos para trás no tempo e chegarmos ao antepassado comum entre nós e os chimpanzés, encontraremos um animal que tem linguagem animal. Todos os animais comunicam uns com os outros. Nós também temos linguagem animal. Nós rimo-nos, nós gritamos, nós gememos, entre muitos outros sons que são partilhados por todos os humanos e estão inscritos nos genes. Fazem parte da nossa comunicação. Nós até comunicamos quando coramos, por exemplo.

A linguagem animal e a linguagem humana

Algumas espécies de animais têm, sabe-se hoje, linguagens com características de que não suspeitávamos até há pouco tempo e todas têm formas de comunicar[1] − mas não é difícil reconhecer que as línguas humanas têm características muito próprias.[2] As línguas humanas não estão inscritas nos genes. As línguas humanas são flexíveis e adaptam-se facilmente a novas realidades (há palavras a surgir todos os dias). As línguas humanas permitem falar do passado e do futuro (mesmo as línguas que não têm tempos verbais correspondentes ao nosso pretérito e ao nosso futuro permitem fazer referência ao passado e ao futuro[3]) e todas as línguas mexem directamente com a nossa imaginação. As línguas humanas, de forma mais estrita, usam aquilo que os linguistas denominam dupla articulação, em que temos um conjunto limitado de sons sem significado que se conjugam para criar unidades com significado. É um sistema bastante engenhoso − mas que foi criado ao longo do tempo, sem que ninguém o tenha imaginado de raiz.

Uma grande invenção

Como surgiu a linguagem humana? Deixo aqui uma hipótese: a partir de sons que usávamos em certas situações de forma instintiva ou na imitação de animais, passámos a conseguir desligar o símbolo do seu significado, ou seja, a criar símbolos sempre que necessário. Imaginemos um grupo de seres humanos, na savana, a caçar. Um deles vê, à frente, uma gazela. Habitualmente, usam um som dito em surdina, para que todos reparem. Com o tempo, encontram vários sons para diferentes animais. Estamos perante sinais, que vão sendo aprendidos pelas novas gerações. Estes sinais, a certa altura, começam a ser usados noutros contextos, para «conversar» sobre os animais. Nascem as palavras. Um som poderia representar um tigre,

mas também pode ter passado a significar um animal, usando-se outro som (ou uma conjugação de sons) para representar o tigre em si. Alguém, à noite, refere vários tigres, usando, provavelmente, uma duplicação dos sons usados para se referirem àquele animal. Com o tempo, ganham-se hábitos de ordenação desses símbolos sonoros − seria possível dizer «gazela» «caçar» «eu», mas nunca «eu» «caçar» «gazela».[4] Nasce a gramática. A língua é criada a partir de necessidades práticas, ganha características gramaticais particulares, que mais não são do que a cristalização de hábitos linguísticos adquiridos sem grande lógica, e conhecer essas características (essa gramática) torna-se essencial para viver na comunidade que usa essa língua. Quem falava para caçar também era capaz de falar para impressionar a vizinha − e se não fizesse, teria menos hipóteses de ter filhos com a vizinha. As línguas são sistemas simbólicos muito complexos, com base em sons ou gestos. Com esses símbolos, comunicamos e criamos pensamentos na cabeça dos outros (obrigamo-los a pensar em tigres). Trabalhamos com a imaginação dos outros. Passamos a pensar em conjunto, nem que seja para saber como caçar o tigre − ou atacar a tribo do lado. Quanto mais o cérebro aumentava, mais capacidade tínhamos para manipular símbolos. Ainvenção do símbolo é a grande invenção da humanidade. Será que o cérebro aumentou para acomodar esta invenção ou esta invenção usou um cérebro especialmente poderoso? Provavelmente, as duas hipóteses estão correctas e reforçam-se. A linguagem humana será o resultado de uma corrida ao armamento intelectual.

A corrida ao armamento intelectual

Imaginemos dois países vizinhos que são inimigos (não é difícil encontrar exemplos). Um deles

compra umas quantas armas. O outro não quer ficar atrás e compra ainda mais armas. O vizinho tem de comprar mais armas para acompanhar o que o inimigo fez − e por aí adiante. Estamos perante uma corrida ao armamento, um círculo vicioso e perigoso. Na evolução das espécies, também ocorrem corridas ao armamento. Imaginemos, por exemplo, um conjunto de arbustos que precisam de ter exposição ao sol para sobreviver. Ora, se um arbusto em particular sofre uma mutação no seu ADN que o torna ligeiramente mais alto e com mais folhas no topo, vai conseguir receber mais luz do sol e, ao mesmo tempo, vai impedir que os arbustos do lado recebam tanta luz. Vai viver mais e reproduzir-se mais. Em breve, tal como as células rapidinhas que vimos lá atrás [capítulo 2 do livro], os genes deste arbusto vão começar a espalhar-se mais do que os arbustos um pouco mais baixos. Os arbustos mais baixos passam a ter uma desvantagem que não existia antes. Os arbustos com mutações que os tornam mais altos ganham. O gene que leva a uma maior altura começa a ser preponderante − e assim surgem as árvores. Todos os arbustos viviam felizes e contentes antes desta guerra. Não há uma vantagem inerente à maior altura: a única vantagem é conseguir ganhar aos arbustos do lado. Numa espécie como a nossa, o uso dos símbolos partilhados leva a que a capacidade de viver em sociedade seja muito importante.Assim, quem sabe usar melhor estes símbolos, sobrevive mais tempo, e reproduz-se mais porque consegue perceber melhor os outros, consegue ganhar mais poder, ser bem-visto, seduzir. Estamos perante uma corrida ao armamento intelectual. Quem tem o cérebro mais adaptado ao uso destes símbolos reproduz-se mais. Se há uma mutação que aumenta ligeiramente as capacidades cognitivas do cérebro, com consequente maior facilidade em usar a linguagem, essa mutação espalha-se com facilidade. Quem não a tem começa a ter mais dificuldade em reproduzir-se. Se este processo se repetir ao longo de milhões de anos, acabamos com uma espécie muito bem adaptada à linguagem, ao seu uso em interesse próprio, à colaboração, à vida em sociedade. Somos uma espécie particularmente social − e uma espécie que consegue inventar muitas ferramentas e hábitos que transcendem aquilo que a evolução determinou. O cérebro criado pela evolução tornou-se, ele próprio, criador de mundos e invenções. A linguagem humana não é essencial para sobreviver – todas as outras espécies do mundo o provam − mas é essencial para que um ser humano sobreviva e floresça no nicho em que a nossa espécie se encaixou: sociedades complexas, baseadas em símbolos, que são também sociedades tribais e verbais, que podem estar em qualquer lugar do mundo.Aprópria complexidade da nossa vida social e cultural é o nicho ao qual estamos bem adaptados.

Um belo excesso

Como é que isto aconteceu? Como é que a linguagem se tornou essencial aos seres humanos? Há duas grandes correntes. Alguns linguistas sublinham que a linguagem é uma ferramenta cultural, inventada ao longo da nossa História. No fundo, o uso da linguagem será

como a roda: uma vez inventada, tornou-se tão útil que ninguém a dispensa. Mas não nascemos − segundo esta perspectiva − com algum tipo de mecanismo linguístico impresso no cérebro. Outros linguistas sublinham o carácter biológico da linguagem: temos aparelhos fonadores e cérebros adaptados ao uso da linguagem − as nossas gargantas seriam diferentes se não fosse a necessidade de falar. Isto, claro, não significa que as línguas não sejam artefactos culturais − mas usam um mecanismo biológico (o aparelho fonador e uma peculiar arquitectura do cérebro) partilhado por todos os humanos. Esta capacidade linguística será fruto de uma mutação genética particular, que se espalhou pela espécie. Sem pretender resolver um debate que irá continuar por muitas e boas décadas, a linguagem humana parece ser um facto cultural e biológico. Pelo menos, parece que os diferentes idiomas são transmitidos culturalmente, mas todos os seres humanos têm cérebros e bocas biologicamente preparados para falar. O corpo humano e o cérebro humano evoluíram para se adaptar a esta nova necessidade: a de saber lidar com este fenómeno colectivo que é a linguagem. Com um cérebro adaptado a usar a linguagem, a linguagem ganhou cada vez mais sofisticação e importância. A garganta e a boca também se adaptaram à nova realidade, permitindo criar mais sons, com mais clareza. O cérebro e os órgãos do aparelho fonador co-evoluíram com a linguagem.[5] Cada novo ser humano que nascia aprendia de forma fácil e rápida a falar a língua da sua tribo. Aprender a falar é tão natural, para nós, como aprender a andar. Absorvemos a língua ou as línguas que encontramos à volta.[6] Na verdade, nós ensinamos, mesmo sem querer. Temos técnicas, quase inconscientes, para ensinar a falar − e as crianças aprendem. A linguagem é um excesso criado pela extraordinária inteligência surgida de uma corrida ao armamento cerebral. É um excesso que nos dá a poesia, as histórias, a imaginação, a ciência. Esse excesso está também na música, na dança, nas pinturas, está na cultura de que a linguagem é uma das mais esplendorosas manifestações. Como no caso da criação das árvores, as guerras ao armamento, na natureza, são bem capazes de criar beleza. O texto acima é um excerto do capítulo 4 («2 000 000 a. C. | A origem das línguas») do livro História do Português desde o Big Bang (Guerra e Paz, 2021). [1] - Para um resumo do que se sabe sobre a linguagem animal e a sua comparação com a linguagem humana, veja-se o capítulo «Do animals communicate using a language?», de Stephen R. Anderson, no livro Questions about Language, organizado por Laurie Bauer e Andreea S. Calude. [2] - Talvez todas as espécies julguem o seu sistema de comunicação especial; não temos remédio que não seja fazer o mesmo. [3] - Basta pensar que, em português, não precisamos de usar o futuro para falar do futuro. Se eu disser «Amanhã falo com ele.», estou a falar do futuro sem usar o tempo verbal do futuro. Aliás, esse tempo verbal é relativamente raro na oralidade. [4] - Ou seja, essa língua primordial imaginada teria uma ordem OVS (objecto, verbo, sujeito). O português é uma língua SVO (sujeito, verbo, objecto). [5] - Um livro famoso, embora já um pouco desactualizado, em que esta co-evolução foi descrita é The Symbolic Species: The Co-Evolution of Language and the Brain, de Terrence W. Deacon. [6] - Pensemos numa criança que passa os dias entre adultos que falam. Também aprenderá a falar… Se deixarmos a mesma criança sozinha com livro, não aprende a ler sem ajuda. É um esforço diferente: a linguagem é natural ao ser humano. A escrita é uma aprendizagem diferente, um esforço consciente, que aproveita de outra maneira as capacidades linguísticas do ser humano. Havemos de lá chegar


‘‘Há quem passe pelo bosque e apenas veja lenha para a fogueira.’’ PALAVRA DO DIA

Tolstoi

quarta-feira

29.9.2021 episódio 81

ALVIS LO RESIDENTES TÊM “PROTECÇÃO MÉDICA SUFICIENTE”

O Jogo das Escondidas

U

O

director dos Serviços de Saúde Alvis Lo Iek Long, defendeu que “de um modo geral”, os residentes de Macau “têm protecção médica suficiente”. A reacção surge em resposta a uma interpelação escrita de Si Ka Lon, onde o deputado aponta que muitos residentes são “obrigados a ver a sua doença agravada”, por falta de serviços médicos especializados, insuficiência de médicos e equipamentos e os longos tempos de espera. Na resposta, Alvis Lo apontou que a população beneficia de um serviço gratuito de assistência médica comunitária e da isenção de 30 por cento no pagamento de despesas médicas de especialidade. Além disso, lembra o director dos Serviços de Saúde, a assistência médica para doenças graves como o cancro, doenças mentais e transmissíveis, é gratuita, existindo ainda um mecanismo para pedir a isenção de despesas, sempre que há “dificuldades económicas”. Sobre o desenvolvimento da “medicina inteligente”, Alvis Lo revelou que têm vindo a ser introduzidas “mais medidas de conveniência online” e que, até ao momento, foram desenvolvidos mais de 200 projectos electrónicos. “Está a ser estudada a criação de um sistema de gestão de informação de próxima geração (…) no âmbito das consultas externas, de urgência, de internamento e da administração médica (…) de forma a reforçar as fases de consulta, diagnóstico e testes laboratoriais”. P.A.

Mais nunca é demais Wong Wai Man pede apoio de 20 mil patacas para cada residente

W

ONG Wai Man, presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço, entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, onde pede que sejam dadas 20 mil patacas a cada residente. “Acredito que o Chefe do Executivo possa cumprir a promessa feita em Fevereiro do ano passado, em que disse que era necessário planear e poupar para o futuro. Se agora não usar [o erário público], quando vai usar? Agora é o tempo ideal”, referiu. O responsável aponta que o apoio financeiro é necessário tendo em conta a ocorrência de casos de covid-19 no território, pelo que era urgente entregar a carta. Wong Wai Man entende que a situação de desemprego é “crítica” e que o número de

trabalhadores não residentes (TNR) continua a aumentar, enquanto os residentes vão para o desemprego. Para o dirigente associativo, o Governo não deveria permitir a contratação de TNR para os sectores da construção civil e dos transportes. “É preciso ter em conta a situação de emprego dos residentes, o valor do BIR. Os residentes parecem ter uma boa vida, mas também sofrem as dores [da crise], sobretudo os recém-licenciados. São profissionais, mas continuam a formar-se para receber o subsídio”, apontou. O pedido surge no mesmo dia em que foram diagnosticados quatro novos casos de covid-19 em Macau, todos referentes a seguranças que trabalhavam no hotel destinado

às quarentenas, Golden Crown China Hotel.

Em prol da população

Recorde-se que Wang Wai Man foi excluído de participar nas últimas eleições pela Ajuda Mútua Grassroots por não ter conseguido constituir uma comissão de candidatura com 300 pessoas. O homem que em 2017 se destacou na campanha como o “Soldado de Mao”, por usar as roupas de soldado comunista, ainda recorreu da exclusão, mas o Tribunal de Última Instância (TUI) acabou por validar a primeira decisão da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). Na altura em que a decisão foi conhecida, Wong disse ao HM que “quem ficou a perder foi a população”. N.W.

Testes Sabedoria Colectiva quer agilização filas de espera

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A directora do think thank Centro da Política da Sabedoria Colectiva, Cheong Sok Leng, defendeu a necessidade do Governo corrigir a disparidade entre os números de espera anunciados para os centros de testagem e a realidade. Num artigo do jornal Cheng Pou, Cheong indicou que há

queixas sobre as aplicações oficiais que mostravam tempos de espera inferiores a quatro minutos em vários centros, mas quando chegavam ao local, os residentes deparavam-se com filas com mais de 100 pessoas. Face a esta ocorrência, a directora apelou às autoridades para melhorarem a

capacidade das aplicações e começarem a mostrar o número de pessoas em fila de espera em tempo real. Com as alterações, Cheong considera que o Governo podia fazer uma melhor distribuição pelos diferentes centros e acelerar o processo de testagem de toda a população.

um folhetim por Fernando

Sobral

M ligeiro ruído despertou-a. Olhou para a porta. Percebeu quem se aproximava, antes dele entrar. Benedito Augusto penetrou na sala. Aparentava estar bem disposto: - Está muito bem instalada, menina Palha. - Vou tentar. Tenho de viver. - Eu sei. E por isso decidi vir visitá-la. Sofia não disse que pressentira que ele surgiria, para vasculhar entre os despojos e as cinzas algo que fosse valioso. Ou seja, ela. - Conheço-o, padre Benedito. Sei dos seus jogos. Duplos, triplos. Jogando às escondidas com Deus e com o Diabo, na mesma mesa. Não sei como ainda não perdeu. - Há sempre um quando, não tenho dúvidas sobre isso. Mas, até lá... Ela deu uma gargalhada. Depois disse: - Somos ambos sobreviventes, não é verdade? - É verdade. E estes tendem a unir forças. - Sim, este é um tempo de tristeza. Mas também de esperança. Só que podemos partilhar muita coisa, menos... - Menos o quê? - O essencial. - Não quero o seu corpo, menina Sofia. Posso tratá-la agora assim, não? - Como preferir. Eu também não tenho o meu corpo à venda. Mas, aqui, ninguém pertence a ninguém. É bom que perceba isso, padre. - Não se iluda. Não é isso que quero partilhar. - O que quer é um quinhão dos negócios futuros. - Sim. É mais ou menos isso. Mas tenho uma proposta que a vai seduzir. E eu sei que gosta da sedução... Ela franziu as sobrancelhas: - Qual? - Uma percentagem do negócio da heroína. - Não percebo. Esse é o negócio de Max Wolf. - Ainda é. Mas não será. Neste momento o senhor Max Wolf deve estar a nadar para se salvar. Mas isso será difícil no meio do mar. - Como? - Foi o que me disseram. Os amigos de Fu Xian pensam que Wolf o traíu. E querem vingança. Sofia olhou para Benedito. Subestimara o homem que, de vez em quando, vendia informações ao seu marido. Incluindo algumas sobre os movimentos do tenente Félix Amoroso e da chinesa Ding Ling. - Resolvido esse assunto, sei quem é o representante dos senhores que dominam o negócio da heroína em Xangai. As sombras do horizonte escureciam cada vez mais. E Sofia Palha sentia-se, naquele momento, incapaz de vislumbrar o futuro. Mas sabia que não lhe agradava. (continua)


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Hoje Macau 29 SETEMBRO 2021 #4862 by Jornal Hoje Macau - Issuu