HO CHIO MENG
REPETIÇÕES A CAMINHO ÚLTIMA
Nº 4820 QUINTA-FEIRA 29-7-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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JOSH APPEL
MOP$10
SEGURANÇA
ÚLTIMOS RECURSOS PÁGINA 3
HASTA PÚBLICA
EM BUSCA DE PECHINCHAS PÁGINA 5
FESTIVAL BOK
GANHAR HORIZONTES ENTREVISTA
hoje macau
Dias felizes Universidade de Macau, MUST e associações tradicionais, entre outras, voltaram a ter razões para sorrir. A Fundação Macau (FM) distribuiu no segundo trimestre deste ano um total de 464,5 milhões de patacas, um valor que representa mais de o dobro das ajudas concedidas pela FM, no mesmo período, em 2020. PÁGINA 2
2 política
Depois da quebra vertiginosa dos apoios prestados pela Fundação Macau no 2.º trimestre de 2020, no mesmo período deste ano o valor das prestações mais que duplicou para um total de 464,5 milhões de patacas. A Universidade de Macau, MUST e associações tradicionais ficaram com as maiores fatias do bolo
29.7.2021 quinta-feira
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FM APOIOS DO 2.º TRIMESTRE DUPLICAM FACE A 2020
subsidiada em 24,4 milhões de patacas, enquanto a União Geral das Associações dos Moradores de Macau recebeu 18,5 milhões de patacas. Logo depois, surgem as associações ligadas a Fujian, com a Aliança de Povo de Instituição de Macau a ser subsidiada em 12,4 milhões de patacas e a Associação de Conterrâneos de Fukien a receber 4,9 milhões, e a Associação Geral das Mulheres de Macau com 13 milhões de patacas. As entidades ligadas a Jiangmen foram financiadas num total de 5,15 milhões de patacas.
Maré a subir
Contas macaenses
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IM de Julho é sinónimo de anúncio dos apoios da Fundação Macau (FM) do segundo trimestre do ano. Foi ontem publicada a lista, que estabelece um montante de subsídios de 464,5 milhões de patacas, o que representa uma subida de 112 por cento, em relação aos 218,8 milhões atribuídos no mesmo período do ano passado. Como é habitual, a Universidade de Macau (UM) e a Fundação da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) receberam a maior parcela das contribuições, com 103,9 milhões e 90,3 milhões, respectivamente. O apoio recebido pela UM destina-se a cobrir as despesas da segunda prestação do projecto de reconstrução do Edifício-auditório da Escola Anexa à universidade. A Universidade de São José recebeu no total 22,8 milhões
IPOR Coelho Ramos na direcção até final do ano
Joaquim Coelho Ramos, director do Instituto Português do Oriente (IPOR), deverá manter-se nessas funções até ao final deste ano. Segundo a TDM Rádio Macau, esta decisão foi tomada na assembleia-geral do IPOR que se realizou dia 20 em Lisboa. O novo director irá tomar posse em Janeiro de 2022, sendo que até ao final deste ano os associados do IPOR deverão tomar uma decisão sobre a figura que irá substituir Joaquim Coelho Ramos, cujo mandato terminaria no final do próximo mês. A assembleia-geral aprovou também um relatório com dados sobre o trabalho desenvolvido pelo IPOR no ano passado na área do ensino e formação em língua portuguesa.
de patacas, através da Fundação Católica de Ensino Superior Universitário. Quanto aos apoios à MUST, para o segundo trimestre, os subsídios para o hospital universitário e para o laboratório para a ciência espacial, totalizam 90,3 milhões de patacas. Contas feitas, estas duas instituições captam 41,8 por cento
dos apoios da Fundação Macau, no período em apreço. De seguida, as associações tradicionais representam a segunda
maior fatia do bolo de subsídios, com Moradores e Operários em destaque. A Federação das Associações dos Operários de Macau foi
A Universidade de Macau e a MUST captam 41,8 por cento dos apoios da Fundação Macau no segundo trimestre do ano, no total de 194,2 milhões de patacas
A Fundação Macau atribuiu também apoios a algumas entidades de matriz portuguesa. Neste capítulo, destaque para a Casa de Portugal de Macau que recebe 3,6 milhões de patacas, enquanto o Instituto Português do Oriente garante 53 mil patacas. A Associação dos Macaenses foi contemplada com 882 mil patacas, enquanto a Conselho das Comunidades Macaenses recebe 518 mil patacas. No plano laboral, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) foi subsidiada em 1,154 milhões de patacas, enquanto a Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) recebe quase 2 milhões de patacas e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses 15 mil patacas. Já no campo das instituições de cariz solidário, destaque para a atribuição à Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau de 4,6 milhões de patacas, em parte para custear o plano de actividades de 2020 do Albergue. A Caritas de Macau foi subsidiada com 6,65 milhões de patacas, a ANIMA com 2 milhões de patacas, a Obra das Mães será contemplada com 5,9 milhões de patacas, o Instituto Ricci de Macau foi subsidiado em 458 mil patacas, enquanto a Diocese de Macau recebe 453 mil patacas no segundo trimestre deste ano. João Luz
SUBSÍDIOS ESCOLA PORTUGUESA RECEBEU MAIS DE 13 MILHÕES NO 2.º TRIMESTRE
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NTRE Abril e Junho de 2021, a Escola Portuguesa de Macau (EPM) recebeu, juntamento com a Fundação EPM, 13,64 milhões de patacas em subsídios concedidos pelos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e pela Fundação Macau. Detalhando, a descrição referente aos apoios financeiros concedidos a particulares e a instituições particulares pela DSEDJ publicada ontem no Boletim Oficial, revela que a
EPM recebeu 10,44 milhões de patacas distribuídos por subsídios às propinas do ano lectivo 2020/2021 (7,52 milhões de patacas), subsídios para o ensino integrado (1,51 milhões), subsídio para as propinas do curso intensivo de língua portuguesa (756 mil patacas), e ainda subsídios para a prestação de serviços de aconselhamento aos alunos (344 mil patacas). As restantes verbas são destinadas a apoiar campeonatos escolares de badminton, judo, futebol, voleibol e bolinha.
Já a Fundação da EPM, recebeu da Fundação Macau 3,2 milhões de patacas destinadas a custear as despesas do plano anual do estabelecimento de ensino. Por seu turno, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes recebeu cerca de 832 mil patacas em subsídios concedidos pela DSEDJ distribuídos por apoios à prestação de serviços de aconselhamento aos alunos (344 mil patacas) e subsídios para o ensino integrado (283 mil e 182 mil patacas).
O estabelecimento de ensino que mais apoio recebeu foi a escola Pui Ching, a quem foram concedidos subsídios no valor total de 38,44 milhões de patacas. Da lista de escolas mais apoiadas fazem ainda parte a Escola Internacional de Macau (13,30 milhões) e a Escola das Nações (8,19 milhões). De apontar ainda que, no segundo trimestre de 2021, foram concedidos apoios a sete escolas no valor de 972.051 patacas destinados a subsidiar viagens de finalistas. P.A.
quinta-feira 29.7.2021
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FORÇAS DE SEGURANÇA ARMAS USADAS EM ÚLTIMO RECURSO
De passo em passo O Governo garante que os agentes das forças de segurança usam armas de fogo apenas em último recurso e que existem vários níveis para o uso da força. No parecer da Assembleia Legislativa que analisou o novo estatuto das forças de segurança na especialidade, o Executivo esclarece ainda que o valor da vida está sempre presente
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S forças de segurança têm critérios para o uso de meios coercivos e armamento e os seus agentes só podem recorrer a armas de fogo em último recurso. Estas são garantias do Governo constantes no parecer da comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) que analisou o novo estatuto das forças de segurança de Macau (FSM) na especialidade. “Os representantes do Governo esclareceram que cada unidade das forças e serviços de segurança têm as suas instruções. Os meios coercivos são o uso da força física, do spray de gás pimenta, do bastão e da arma de fogo. Isto é: só em último recurso é que se usa a arma de fogo”, pode ler-se. No que diz respeito ao recurso à força, há também “uma ordem de prioridade”, em primeiro lugar “utiliza-se a força mínima, tendo em conta a auto-protecção e a protecção da segurança de terceiros”. Segundo os esclarecimentos do Governo, “o uso da força tem como função
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principal a defesa, a manutenção da ordem pública e a segurança dos bens mais importantes, assim como controlar o opositor, mas sem nunca lhe tirar a vida”.
ACAU continua sem ter uma lei sindical, mas há agentes das FSM que pertencem a associações com natureza laboral, pelo que podem estar a violar o actual estatuto das FSM. Esta questão foi levantada por alguns deputados da comissão, mas o Governo admitiu que os critérios quanto a este aspecto
“Há instruções para tudo isto”, garantiu o Executivo. Sobre os “vários níveis do uso da força física”, o primeiro diz respeito “ao controlo por meio verbal”,
sendo que “dentro deste nível ainda está dividido em recomendação, advertência, aviso e ordem”, representando um aumento gradual. Além disso, o “uso da força
física divide-se em força moderada e forte”. Sempre que "o uso da força não conseguir resolver a situação então utiliza-se, de forma gradual, o spray de gás pimenta, o bastão e por último a arma de fogo”, adiantou o Governo aos deputados da comissão. Alguns deputados questionaram se estes critérios são do conhecimento da sociedade, mas o Executivo frisou que “os princípios gerais das instruções sobre o uso dos meios coercivos e de armamento são do conhecimento geral”, tendo em conta o respeito pela vida humana, a dignidade humana.
Subsídio é possibilidade
No mesmo parecer, assinado pelos deputados da 3ª comissão, é feita referência
à sugestão, apresentada por um deputado, quanto à criação de um subsídio de disponibilidade para os agentes da FSM que corresponda a cerca de 30 por cento do vencimento base. No entanto, o Governo preferiu adiar esta possibilidade.
“Os meios coercivos são o uso da força física, do spray de gás pimenta, do bastão e da arma de fogo. Isto é: só em último recurso é que se usa a arma de fogo” - parecer da 3ª comissão permanente “Os representantes do Governo referiram que, à partida, existe sempre a disponibilidade para analisar a situação de mais subsídios aos agentes, mas é preciso considerar os princípios gerais, a situação económica e a realidade das remunerações. Se for necessário, por exemplo, 70 ou 80 horas de trabalho por semana, além do subsídio de 100 pontos, poder-se-á criar um regime de compensação com um determinado número de horas de trabalho.” O Governo admitiu que “esta solução pode ser explorada no futuro, mas, no presente momento, a duração média de trabalho é de cerca de 44 a 48 horas semanais, ou seja, menos de 50 horas”. Andreia Sofia Silva
Uma lacuna legal Governo admite falta de rigor nos critérios do estatuto das FSM
não têm sido rigorosos. “De acordo com representantes do Governo, se o respeito pelas disposições do EMFSM [estatuto], que está em vigor, fosse controlado com um critério de máximo rigor, alguns agentes das FSM teriam violado essa disposição. Mas como ainda não existe uma lei sindical, o controlo do respeito por essa disposição tem sido feito com outros critérios. Apenas se exige uma
declaração do agente a informar da sua participação nas associações.” Sempre que houver casos que passem para a justiça, cabe aos juízes recorrerem a disposições no Código Civil, ao direito internacional ou comparado, é dito no parecer. “O Governo acrescentou que a interpretação que vem sendo feita do artigo do estatuto tem como base a noção geral de associação sindical a nível internacional, pelo que nada tem de
censurável. O facto de a RAEM não dispor de uma lei sindical ou de uma definição legal de associação sindical não significa que o Governo fique dispensado de aplicar o estatuto”, acrescenta-se.
Discussão travada
Segundo o Governo, se uma associação “lutar por benefícios laborais, por exemplo, é um assunto com natureza sindical”, considerando “o grupo como associação de natureza sindical”. Nas reuniões da comissão foi ainda referido um exemplo de um diálogo travado pelo facto de não existir uma lei sindical em Macau.
“No passado houve um caso em que um grupo discutiu sobre o bem-estar do pessoal das FSM com alguns agentes, a fim de lutar pelos seus direitos. O Governo pôs fim a essa discussão porque a lei não permite.” Desta forma, “se um agente quer lutar por melhores condições laborais pode apresentar aos seus superiores as suas propostas e opiniões sempre a título individual”. Portanto, “tal não pode ser feito de forma colectiva ou através de uma associação”. O novo estatuto determina que um agente das FSM “deve abster-se” de pertencer a associações de “natureza política ou sindical”. A.S.S.
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SAÚDE CANCRO, DIABETES, DOENÇAS RESPIRATÓRIAS E DE CORAÇÃO MATAM MAIS
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UMORES malignos, doenças cardiovasculares, diabetes e doenças respiratórias crónicas representaram, em 2018, 71,1 por cento do total de mortes em Macau, sendo que 40,7 por cento foi de mortes prematuras. Estes dados foram discutidos terça-feira na reunião da comissão de prevenção e controlo das doenças crónicas (CP-
CDC), cujo presidente substituto é Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM). Segundo um comunicado dos SSM, o facto de estas doenças constituírem mais de 70 por cento das mortes “é semelhante aos valores internacionais”, uma vez que, segundo a Organização Mundial de Saúde, “cerca de 41 milhões
de mortes resultam de doenças não transmissíveis, representando cerca de 71 por cento do total”. A reunião serviu ainda para analisar os trabalhos desenvolvidos nos anos anteriores e para apresentar o plano de trabalho deste ano. Constituída em 2009, a comissão tem-se focado na “intervenção em doenças graves e de
risco e enfatizado a detecção precoce de doenças crónicas”, além de realizar trabalhos educacionais. O mesmo comunicado dá conta que “os pacientes com doenças crónicas apresentam um maior risco de morte ou hospitalização após a infecção pela covid-19, razão pela qual devem ser vacinados o mais rápido possível”.
ICE DETIDO POR TRÁFICO NO VALOR DE 135 MIL PATACAS
Português Curso de Verão da UM recebeu 123 alunos Um total de 123 alunos participaram na 35.ª edição do curso de Verão de língua portuguesa da Universidade de Macau, oriundos de países como o Japão, Myanmar, China e Singapura, entre outros. Segundo um comunicado, “cerca de 60 por cento frequentou os cursos de língua nos níveis intermédio e avançado”. Esta edição realizou-se online devido à pandemia, tendo os estudantes trabalhado com docentes e investigadores de Macau e de instituições internacionais, bem como com autores de manuais e com textos que são uma referência no ensino do idioma. Os cursos tiveram um total de 45 horas.
SMG Tempo instável e possíveis inundações nos próximos dias
A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiu ontem um comunicado, onde alerta para a possibilidade da ocorrência de aguaceiros e trovoadas frequentes nos próximos dias. O tempo instável que se fará sentir em Macau resulta de uma corrente de ar de sudoeste. Os SMG aconselham a população a tomar precauções contra possíveis inundações causadas por fortes chuvas.
À moda do Chef
Um cozinheiro de 21 anos foi detido na Rua do Campo na posse de mais de 11 gramas de ice. Apesar de pouco cooperante com as autoridades, o suspeito admitiu ter começado a vender estupefacientes há cerca de um mês a conterrâneos oriundos da Indonésia. No total, a droga apreendida foi avaliada em 135 mil patacas
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A passada terça-feira, a Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de 21 anos que trabalhava como cozinheiro, por suspeitas da prática do crime de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. De acordo com as informações avançadas ontem em conferência de imprensa pela PJ, o homem de nacionalidade indonésia foi interceptado na Rua do Campo na posse de 10 pacotes de ice, alegadamente para serem vendidos. A operação foi iniciada no seguimento de a PJ ter recebido informações a atestar que um “homem asiático” tinha por hábito passear-se frequentemente naquela zona da cidade, aproveitando a oportunidade, não só para consumir, mas também para vender estupefacientes.
Seguindo essa pista, na passada terça-feira a PJ destacou, pelas 19h00, um contingente para patrulhar a zona da Rua do Campo e as redondezas, acabando por localizar o homem quatro horas mais tarde. Na revista efectuada no local da detenção, a PJ encontrou 10 doses de ice com 11,15 gramas, escondidos no interior de uma caixa de máscaras cirúrgicas. Dirigindo-se a casa do cozinheiro, localizada no bairro de San Kio, a polícia iniciou uma busca que resultou na apreensão de mais um pacote de ice com 0,3 gramas, balanças electrónicas e algumas centenas de patacas em dinheiro. Durante o interrogatório, o homem demonstrou ser pouco cooperante, já que se recusou a revelar o local de proveniência da droga ou que lucros obteve pelo tráfico. O cozinheiro admitiu, porém, que começou a traficar ice há cerca de um mês a pedido de terceiros.
Contas feitas, a PJ apreendeu 11 pacotes de ice com o peso total de 11,45 gramas, avaliados em 135 mil patacas.
Só um aperitivo
O caso seguiu ontem para o Ministério Público (MP), onde o cozinheiro irá responder pelo crime de tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, pelo qual pode vir a ser punido com uma pena de prisão entre 5 e 15 anos. No entanto, na sequência de os testes à urina terem acusado positivo para a presença de estupefacientes, o suspeito pode vir ainda a responder pelo crime de consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, pelo qual pode ser punido com uma pena com uma pena adicional de 3 meses a 1 ano de prisão ou com pena de multa de 60 a 240 dias. Pedro Arede Contas feitas, a PJ apreendeu 11 pacotes de ice com o peso total de 11,45 gramas, avaliados em 135 mil patacas
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FINANÇAS HASTA PÚBLICA RENDEU À RAEM 2,89 MILHÕES
Comércio Lusofonia exporta menos 4% para Macau no 1º semestre
As exportações dos países lusófonos para Macau desceram 4 por cento no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020, indicam dados oficiais ontem divulgados. O valor exportado pelos países de língua portuguesa fixou-se em 331 milhões de patacas, de acordo com Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) de Macau. Já o montante importado de mercadorias caiu 59,5 por cento, ficando-se pelos quatro milhões de patacas. A DSEC informou ainda que o défice da balança comercial de Macau no primeiro semestre fixou-se em 67,26 mil milhões de patacas, mais 42,88 mil milhões de patacas, em comparação com o período homólogo do ano passado.
Quem dá mais?
Relógio da marca Girard Perregaux foi a venda mais cara e fez entrar nos cofres da RAEM 421 mil patacas, depois de ter sido colocado no leilão com um preço de licitação de 191,67 mil patacas. A hasta contou ainda com a venda de carros de bombeiros, gruas e um Porsche Cayenne
Motoristas Candidatos às eleições exigem controle de horários
Ron Lam e Ella Lei, candidatos às eleições legislativas, querem que a carga horária e as condições de trabalho dos motoristas de autocarros sejam fiscalizadas, sobretudo depois da morte de dois condutores da Transmac que faziam o horário de trabalho “4+4”. Segundo o Jornal do Cidadão, Ron Lam quer debater a possível alteração das normas de descanso na lei laboral relativamente aos motoristas de autocarro, por questões de segurança. O candidato disse que o horário “4+4” está de acordo com os requisitos básicos da lei, mas que não há ainda um limite máximo de horário de trabalho para condutores, à semelhança das legislações da China e de Taiwan. Ella Lei, deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, pediu quer apurar até que ponto os motoristas optam de livre vontade pelo polémico horário e exige maior comunicação entre Governo, operadoras e motoristas.
O investidor anónimo
Tauqeer, residente “Durante a pandemia não há muito para fazer. Como trabalho numa sucata acho que vou conseguir reciclar o lote que comprei.”
CAM Volume de passageiros recupera 17% em relação a 2019
De acordo com dados da Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM), na primeira metade de 2021, o aeroporto recebeu mais de 670 mil passageiros relativamente aos primeiros seis meses de 2019, quando a pandemia ainda não se fazia sentir, representando uma recuperação de 16,8 por cento. Citada pelo jornal Ou Mun, a CAM aponta que, na base da recuperação, está a reabertura de 21 rotas aéreas com o Interior da China, havendo ainda em perspectiva a reabertura de outros circuitos. Quanto aos principais destinos, a CAM apontou que 70 por cento dos visitantes escolheram viajar para regiões como Xangai, Hangzhou e Xiamen. Exemplo disso é a rota Macau-Xangai que voltou a ter uma frequência de 12 voos diários nos meses de Julho e Agosto, sendo um registo próximo do período pré-pandemia.
Tauqeer, residente local, foi um dos participantes no leilão e também levou um dos lotes de sucata para casa. Ao HM, explicou que vai utilizar os materiais adquiridos como passatempo. “Durante a pandemia não há muito para fazer. Como trabalho numa sucata acho que vou conseguir reciclar o lote que comprei, também como uma forma de passar tempo”, afirmou. “Sei que comprei lixo, mas vou ter algo para fazer. Quando receber o lote vou perceber melhor o que comprei e ver se há possibilidade de vender parte dos materiais”, acrescentou. Sobre a possibilidade de obter lucro com a compra, Tauqeer mostrou-se reticente: “Diria que há uma hipótese de 50/50 de obter lucro. Depende muito do que estiver no lote. O objectivo é mesmo passar tempo, se conseguir obter lucro, melhor”, concluiu.
O
S Serviços de Finanças realizaram ontem uma hasta pública para vender carros, sucata e joias tendo arrecadado 2,89 milhões de patacas, em menos de três horas. Entre os bens vendidos, constava um camião dos bombeiros, um Porsche Cayenne de 2010, uma grua e vários relógios e joias.
O leilão contou com cerca de 50 participantes e o produto que mais rendeu aos cofres da RAEM foi um relógio da marca suíça Girard Perregaux. O produto de luxou começou a ser licitado por 191,67 mil patacas, e depois de um leilão com muitos participantes acabou por ser vendido por 421 mil patacas.
A segunda venda mais proveitosa foi um lote de ferro velho com 613 motociclos, vendidos, depois de serem amontoados, por 314 mil patacas. Entre os veículos que faziam parte do lote constam motos da marca Yamaha, Honda, Suzuki ou Kymco, e nenhuma pode voltar a circular nas estradas da RAEM.
O lote em que constavam duas viaturas dos bombeiros foi vendido por 180 mil patacas. Os carros não vão poder voltar à estrada. O mesmo acontece com o Porsche Cayenne de 2010, que fez parte de um lote com outras 20 viaturas, vendido por 111.600 patacas. No entanto, foram as joias que atraíram a maior atenção e o maior número de participantes nos leilões. Foi o caso de Kong, residente com 38 anos que tentou obter um dos relógios. Ao HM, Kong confessou não ter conseguido o objectivo, uma vez que os preços subiram depressa de mais e ele apenas pretendia guardar um dos relógios de luxo, que afirmou admirar particularmente. A participação no leilão foi feita com um grupo de amigos. Também uma outra residente, uma mulher com cerca de 30 anos, saiu do leilão frustrada. Apesar de não querer ser identificada, a residente explicou ao HM que o objectivo da participação passava por comprar os bens a um preço acessível e depois vendê-los para obter lucro.Apesar de não trabalhar para nenhuma loja de penhores ou no negócio de joias, a interessada tinha feito o trabalho online e entrou no leilão para licitar por vários relógios e joias com o objectivo de poder ganhar algum dinheiro. A participação foi feita com o parceiro, que também entrou na licitação, mas os esforços dos dois não foi suficiente para saírem satisfeitos. No final, a residente encarou a “derrota” com naturalidade: “Faz parte, se há pessoas dispostas a pagar mais, não há muito que possa fazer”, concluiu. Entre os lotes colocados à venda apenas um carro eléctrico, da marca Smart, ficou por vender. João Santos Filipe
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29.7.2021 quinta-feira
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“O teatro faz as pess PAL LOK E JOHNNY TAM, CURADORES DO FESTIVAL BOK
Sobe aos palcos desde 2013 e assume-se como um projecto independente. Em ano de pandemia, o festival BOK focase nos artistas locais e do continente asiático e traz o teatro às ruas, para abrir horizontes. Pal Lok e Johnny Tam assumem que o mais importante é divertirem-se e querem partilhar essa felicidade com o público
Realizam esta edição do festival BOK em plena pandemia, com restrições de convites a artistas de fora. Quais os nomes que gostariam de ter convidado e que ficaram de fora? Pal Lok (PL) - De facto este ano tivemos de nos focar na Ásia, com artistas locais e também oriundos de Pequim e Xangai. Johnny Tam (JT) - Temos interesse em diferentes culturas. Já tivemos artistas da Áustria, por exemplo. Normalmente os artistas gostam de viajar pelo mundo, coleccionar diferentes experiências e reunir com outras pessoas. É este tipo de artistas que gostamos de convidar para virem até Macau. Este ano vamos transmitir espectáculos online e o nosso objectivo é partilhar esses espectáculos com outros produtores para que nos possam dar o seu feedback. PL - Queremos desenvolver, com este festival, bons contactos na área do teatro e das artes performativas. Daí termos planeados estas transmissões de espectáculos em directo, online. Existe uma característica comum a todos os espectáculos que compõem o cartaz deste ano? PL - “BOK” remete para o caracter chinês que significa conexão, expe-
riência. Esse é o espírito do nosso festival, e pegamos nisso, num certo sentido de aventura, para explorar novas coisas. O cartaz deste ano tem como slogan “Demo for Mary”, e todos os seis grandes espectáculos estão ligados pela música, é esse o ponto chave desta edição.
“Queremos continuar a criar conteúdos interessantes e espero poder levar estes projectos a outros lugares. Talvez possamos actuar em Portugal, por exemplo.”
Se tivessem de destacar um espectáculo, qual seria? JT - Recomendo o “Mirror-24 relationships” [de Cindy Ng, Yaya Lam e Hon Chong Chan]. Ela é uma pintora contemporânea e vive em Pequim. O ano passado, quando a convidei para fazer um espectáculo, ela já queria fazer algo que estabelecesse uma conexão com as pessoas, queria retirar lições do público. Recomendei-lhe que fizesse um encontro com o público primeiro. Por isso[nesta iniciativa] falamos sobre 24 diferentes tipos de relações e contactamos primeiro o público antes do espectáculo, perto do mar, por exemplo, ou junto a uma igreja. Depois de todos estes encontros será feita uma performance de pintura em palco para esse mesmo público.
cipais do BOK? Sem este festival seria mais difícil às associações apresentarem os seus projectos? PL - Há diferentes festivais de arte em Macau e a maior parte deles são apoiados ou organizados pelo Governo. O mais importante para nós na organização de um festival que não está ligado ao Governo é que os artistas possam explorar mais plataformas. Esse é o espírito do festival BOK, tentar coisas diferentes e não recear as falhas. Damos esse espaço para que eles possam experimentar. Essa é a grande diferença em relação aos festivais ditos oficiais.
Dar mais espaço e um novo ambiente a projectos de teatro locais é também um dos objectivos prin-
A independência é algo bastante importante para o projecto. PL - Sim, sem dúvida.
PAL LOK
Mas isso implica não ter apoio financeiro. Como é organizar este festival sem esse apoio? PL - Para nós a independência não tem apenas esse significado financeiro. Claro que ajuda, porque este festival tem alguma dimensão e precisamos de ter diferentes apoios, seja de entidades independentes seja do Governo, mesmo que seja só através concessão de espaços para a apresentação de espectáculos. O mais importante são os contactos e as apresentações, uma vez que não estamos limitados a grandes espectáculos, podemos ter mais facilidades nesse aspecto. A primeira edição deste festival aconteceu em 2013. Desde então têm contribuído para a criação de uma maior relação do teatro com a população local? PL - Há muitas pessoas aqui a esforçarem-se por fazerem bons espectáculos. Não posso dizer que é apenas por causa do festival BOK que as pessoas têm maior ligação ao teatro. Mas certamente que o nosso festival deu um contributo. JT - Nos últimos anos temos tentado fazer uma combinação entre um festival de artes e um festival também ligado ao entretenimento. Porque acredito que nem todas as
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soas conectarem-se” CARTAZ PLURAL
É entre o dia 31 de Julho e 8 de Agosto que acontece a nova edição do festival BOK organizado pelas associações Own Theatre, Macau Experimental Theatre e MyLand Culture. As iniciativas decorrem no bairro de São Lázaro e no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais N.º 2. Uma das duas partes do programa intitula-se “BOK Movement” e inclui seis espectáculos onde a multidisciplinariedade assume um papel principal. Um deles intitula-se “There is no day as usual”, de Iat U Hong, Akitsugu Fukushima e Ivan Wing, e acontece no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais n.º 2 nos dias 4 e 5 de Agosto, às 19h30. No mesmo local, mas às 21h30, acontece “There is no day as usual” seguindo-se uma “After Party”, uma mistura de Djset e espectáculo de multimédia. Por sua vez, o bairro de São Lázaro, nomeadamente em locais como a Calçada da Igreja de São Lázaro, o Albergue SCM e o Armazém do Boi recebem as 100 actividades programadas, numa tentativa de juntar o teatro às pessoas que, por norma, não têm com ele qualquer ligação. O Albergue SCM recebe, entre sábado e 3 de Agosto, das 11h às 22h, a instalação multimédia “Or Bit”, estando também agendada a iniciativa “M Mode 24”.
pessoas de Macau podem entrar num teatro e ficar lá duas horas, é difícil para algumas. Mas quando dizemos a alguns amigos para virem porque vão ser apresentados espectáculos num mercado, por exemplo, tentamos transmitir a ideia de que podem usufruir da arte no dia-a-dia. É esta a ideia que queremos passar a todos. PL - Na verdade, o nosso programa tem duas partes. A primeira, inclui seis espectáculos mais focados na performance teatral propriamente dita. Mas o foco especial é que trabalhamos com artistas e fazemos algumas actuações em espaços que não são teatros, como galerias ou mesmo na rua. A segunda parte do festival, é a nossa tentativa de fazermos uma ligação com o dia-a-dia das pessoas, e aí não nos focamos
apenas em quem já tem interesse no teatro, mas sim em pessoas que à partida não estão muito interessadas em arte. Criámos a iniciativa “M Mode 24”, em São Lázaro, com vários acontecimentos ao fim-de-semana. O mais importante é que trabalhamos com proprietários de lojas e artistas dessa zona que ficaram interessados no projecto e tomaram várias iniciativas. “M24” tem a ver com o facto de Macau ser uma cidade de jogo onde as pessoas nunca dormem. Mas o “M”, pode também significar Macau e ainda “Minimal”, no sentido em que as pessoas podem definir os seus próprios projectos e personagens. É desafiante fazer teatro em Macau nos dias de hoje? Há muitas associações a desenvolverem projectos, mas continua a ser difícil fazer teatro? JT - É muito desafiante. O teatro é algo que tem muito significado para mim. Nem todos conhecem o teatro, que é um espelho, através dele as pessoas podem conhecer-se a si mesmas e também a sociedade em que estão inseridas. Diria que, neste momento, não tenho um sentido certo para onde devo ir, mas sei que fazer teatro tem um significado para mim. É difícil descrever. Penso que
“Nem todos conhecem o teatro, que é um espelho, através dele as pessoas podem conhecer-se a si mesmas e também a sociedade em que estão inseridas.” JOHNNY TAM
em qualquer lugar é difícil [fazer espectáculos]. As escolas deveriam ter mais programas dedicados ao teatro e às artes no geral? JT - O teatro está muito relacionado com o pensamento criativo, que faz com que as pessoas tenham uma mente aberta para poderem olhar para todo o mundo e nunca parar de pensar. A arte é uma parte desse pensamento criativo, mas há muitas coisas que podem levar a isso, como a educação, que é muito importante. O teatro também é uma das coisas que pode ajudar a desenvolver pensamento crítico. PL - Não estamos limitados ao teatro mas a muitos estilos artísticos e outro tipo de programas. Vejo que
as pessoas em Macau estão cada vez mais ocupadas se compararmos com há 10 ou 20 anos atrás. Devido ao desenvolvimento da cidade, e com a indústria do jogo, as pessoas estão sempre ocupadas. Quando trabalhava num hotel, não tinha muito tempo para dar atenção aos programas artísticos que aconteciam na cidade. Devíamos viver de outra forma para abrir os nossos corações a coisas interessantes. Como começou a vossa relação com o teatro? JT - Todos os anos me pergunto porque é que continuo a fazer isto. Tenho 36 anos mas não me considero um jovem. Os jovens apostam muito na experimentação e eu não sou muito desse género, mas durante este processo posso conhecer as pessoas em Macau. O teatro faz as pessoas conectarem-se, leva-as a partilharem o que pensam e o que querem, os seus desejos. Costumava ser muito reservado, mas quando comecei a fazer teatro, e a dirigir espectáculos, precisava de falar com os actores e produtores, e esse processo fez-me perceber que não estou sozinho. Poderia discutir com eles, expressar as minhas ideias. Percebi que discutir com as pessoas podia ser bom. Isso teve bastante significado para mim.
PL - Não sou apenas curadora de projectos teatrais, às vezes também trabalho na área das artes visuais. Também não me considero jovem, mas ainda sinto o poder das artes e esse toque. Quando faço o planeamento dos espectáculos gosto de dar apoio a cada projecto e de criar coisas com significado. Macau é uma cidade muito pequena e criar projectos com significado é muito importante para a vida das pessoas. Se pararmos de fazer isso as pessoas vão simplesmente continuar a trabalhar e a ter uma vida mais aborrecida. Esta é a minha motivação. Que expectativas têm para a edição deste ano do festival? PL - Queremos continuar a criar conteúdos interessantes e espero poder levar estes projectos a outros lugares. Talvez possamos actuar em Portugal, por exemplo. Também esperamos que esta seja uma boa plataforma de partilha, onde os artistas podem expressar as suas ideias, para que as pessoas possam ter um pensamento criativo mais activo. Apenas nos queremos divertir e partilhar esta felicidade. Andreia Sofia Silva
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AFEGANISTÃO NEGOCIADOR CHEFE DOS TALIBÃS REÚNE COM MNE CHINÊS
Diálogos em construção A saída das tropas norte-americanas do país abre espaço à diplomacia chinesa para encontrar soluções que levem ao fim do conflito e a construir a paz na região
A China e o Afeganistão partilham cerca de 60 quilómetros de fronteira na região semiautónoma de Xinjiang, no extremo noroeste da China, que é habitada sobretudo pela minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigure. Aproveitando a fase final da retirada das tropas
norte-americanas do Afeganistão, os talibãs conseguiram os maiores ganhos territoriais dos últimos 20 anos de guerra, controlando cerca de 125 dos 407 distritos do país. Os Estados Unidos reagiram com apoio aéreo às forças do Governo afegão, algo que os talibãs con-
ÁFRICA QUATRO PAÍSES RECEBERAM 76% DAS VACINAS PROVIDAS PELA CHINA
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distribuição de vacinas chinesas para a covid-19 em África favoreceu sobretudo quatro países, que receberam 76 por cento do total das inoculações fornecidas pela China ao continente, segundo uma consultora com sede em Pequim. De acordo com os dados da Bridge Consulting, 36 países africanos receberam já vacinas da China, através de vendas ou doações. No entanto, Marrocos, Algéria, Egito e Zimbabué compõem 76 por cento das entregas, com 32 milhões de doses. Entre os países de língua oficial portuguesa, Moçambique é o país que mais doses recebeu da China – 760 mil. Angola surge a seguir,
Paz e segurança
Um especialista em relações internacionais citado pelo jornal acredita que os talibãs são úteis para a China porque podem “conter de alguma forma outras organizações terroristas” no Afeganistão, o que é “útil para a segurança da China e da região”.
A posição de Pequim sobre o conflito é que “deve ser resolvido pelo Afeganistão” e que a situação “não deve ameaçar a segurança da China”
O
negociador chefe do movimento fundamentalista islâmico talibã,Abdul Ghani Baradar, reuniu ontem com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, informou o jornal de Hong Kong South China Morning Post. Fontes citadas pelo jornal afirmaram que o encontro ocorreu na cidade portuária de Tianjin, embora, até agora, o ministério dos Negócios Estrangeiros da China não tenha divulgado informações. Uma das fontes enfatizou que a posição de Pequim sobre o conflito é que “deve ser resolvido pelo Afeganistão” e que a situação “não deve ameaçar a segurança da China”.
nos assuntos internos de outros países, Pequim quer aproveitar a saída das tropas norte-americanas para ter um papel mais relevante na solução do conflito, apontou o South China Morning Post.
com 200 mil, segundo os dados da consultora. A nível global, o continente africano surge em último lugar entre as regiões do mundo que receberam vacinas desenvolvidas por farmacêuticas chinesas. De acordo com a Bridge Consulting, a Ásia – Pacífico recebeu o maior número de vacinas chinesas, compondo mais de metade das doses entregues pela China. América Latina e Europa surgem no segundo e terceiro lugar, respectivamente. No entanto, em contraste com as outras regiões, o número de vacinas doadas pela China a África supera o número de doses vendidas. O Brasil é o maior comprador das vacinas chinesas na América Latina, segundo
os dados distribuídos pela Bridge Consulting. No total, Brasília adquiriu 100 milhões de doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica Sinovac, que realizou testes de Fase 3 no país. A distribuição de vacinas contra a covid-19 ganhou especial dimensão numa altura em que a China e vários países ocidentais lutam por influência em diferentes partes do globo. O grupo de países que compõe o G7 adoptou um plano para dar mais de mil milhões de doses de vacinas contra a covid-19 até o final de 2022, com o objectivo de erradicar a pandemia a nível mundial.
sideram uma violação dos acordos que previam a retirada das tropas norte-americanas do país em troca de os talibãs começarem a dialogar sobre uma solução política para o conflito com o Governo de Cabul. Embora a posição oficial da China seja de não interferência
Há menos de duas semanas, o Presidente chinês, Xi Jinping, expressou o seu apoio ao executivo de Cabul, durante uma conversa com o homólogo afegão, Ashraf Ghani, na qual assegurou que Pequim “vai continuar a desempenhar um papel construtivo”, e pediu para concluir as negociações sobre a paz com um “acordo político”, assinado o mais rapidamente possível. A China recebeu uma delegação talibã, em 2019, que se reuniu, em Pequim, com o então representante especial do Governo chinês para o Afeganistão, Deng Xijun.
PAQUISTÃO HOMENS ARMADOS FEREM TRABALHADOR CHINÊS
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OMENS armados, montados numa motocicleta, dispararam contra um carro que transportava dois trabalhadores chineses de uma fábrica, na cidade portuária de Karachi, no Paquistão, ferindo um deles, antes de fugirem do local, segundo a polícia local. O motivo do ataque não foi imediatamente esclarecido, e o chefe da polícia local, Javed Akbar, disse que o caso está a ser investigado. Karachi é a capital da província de Sindh, no sul do Paquistão, onde vários projectos de construção financiados pela China estão a ser desenvolvidos. O incidente ocorreu semanas depois de um autocarro que transportava
trabalhadores paquistaneses e chineses ter caído de uma ravina, no noroeste do Paquistão, matando nove chineses e quatro paquistaneses, num alegado ataque terrorista. Inicialmente, o Paquistão disse que foi apenas um acidente de viação, mas depois os investigadores concluíram que o motorista do autocarro perdeu o controlo, devido a um ataque perpetrado por um homem-bomba. O ataque ocorreu em Kohistan, um distrito da província de Khyber Pakhtunkhwa que faz fronteira com o Afeganistão. Os trabalhadores chineses são alvo de grupos terroristas e separatistas no país vizinho, devido à sua grande presença no
território, como parte do projecto Corredor Económico China -- Paquistão. O projecto multimilionário de infraestruturas, avaliado em 60.000 milhões de dólares, é financiado por Pequim e envolve a construção de autoestradas, barragens, portos e linhas ferroviárias no país vizinho. O objectivo é construir uma rota comercial que ligará a cidade de Kasghar, na província de Xinjiang, no noroeste da China, ao porto paquistanês de Gwadar, no Baluchistão, fornecendo à China uma porta de entrada para o Mar Arábico.
quinta-feira 29.7.2021
retrovisor
LUÍS CARMELO
Toda a vila se deixou cercar por arranha-céus, hematomas que rasgam as paisagens húmidas atravessadas pelo grande aqueduto. Na montra da praça, há um Cristo deitado de barriga para o ar que se mostra particularmente atento às prateleiras de cima onde as bonecas surgem alinhadas com folhos brancos, chapéus de chita e os lábios muito marcados em tons de vermelho vivo. A homeostase perfeita para uma vila com o nome de Belas. O taxista continua no seu posto sentado ao volante. Olha vagamente para as portadas azuis da casa de saúde ou para o avarandado do café. Por vezes, vira a cabeça na direcção do parque infantil que continua deserto. O locutor da rádio garante que a mudança de dígito irá dar origem, dentro de dias, a um crash global. Este Millenium Bug, tal como o designa, já foi tratado por uma revista americana com o título “banho de sangue”. O medo não tem paisagem, é um buraco onde o teatro de sombras encena as peças mais improváveis com algum selo de verdade. O taxista viu crescer o seu próprio teatro ao rubro, a ponto de se imaginar a arder numa vala comum. O dia não promete bonança, pensou. Foi quando o telefone da praça tocou e o carro partiu para mais uma breve viagem. O tempo dos clientes é um tempo proscrito. Voa como quem esvazia um balão que não pára de crescer. Até que o automóvel acaba por chamar a si as atenções e a estação de serviço interrompe todas as caminhadas. O taxista propõe-se encher o depósito como sempre, mas, desta vez, vê andar na sua direcção uma mulher de abas largas. Por trás das lentes grossas dos óculos que ostentam aros de chifre, os olhos desmaiam tons marinhos, à medida que a voz cresce naquele afã dos foguetes de arraial que falham na subida. A mulher parece ter ressuscitado no momento em que encarou de frente o taxista que mantém ainda na mão o tubo negro por onde escorre o gasóleo. Jura que o conhece há muito tempo e repete-o com um ar ao mesmo tempo vitorioso e furioso. O taxista não tem sequer tempo para insistir que se deverá tratar de um engano. Indiferente, ela continua a jorrar palavras e lembra o clima tropical, as azáfamas debaixo do calor, aquilo era outro mundo, não era? Lembro-me de o ver todas as manhãs com camisa branca a distribuir envelopes porta a porta. Por vezes parava e olhava para cima como se uma nuvem apenas feita para si lhe tivesse sido prometida. Nunca me passou pela cabeça investigar qual seria o seu emprego, mas cruzava-me sempre consigo na mesma estrada de terra batida, aquela terra barrenta cheia de sapos, lembra-se? O taxista enche o depósito e continua com a longa mangueira na mão, incomodado por ter que interromper os seus habituais gestos mecânicos. À sua frente, a mulher devora as palavras e o relato torna-se de repente tão bizarro como a própria situação
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Trevo
em que decorre. Poucas vezes o encontrava durante a tarde, mas havia aquele café entre os coqueiros do vale, isso mesmo, o Majestoso, onde o via por vezes com uma cerveja morna pela frente e o bloco-notas que ia enchendo entre um ou outro olhar na direcção da esplanada. Sempre o achei um solitário. Mas, minha senhora, eu nunca saí daqui da minha terra, está enganada com a pessoa, não sou eu certamente. É o senhor, sim, eu não me costumo confundir. Nunca. Houve uma altura em que comecei a ter sonhos estranhos consigo, tenho que lho dizer. Via-o a bater à porta da minha casa com as palmas das mãos cheias de cavalos marinhos. Via-o a atravessarse-me em frente como se levitasse diante da sacada do meu quarto. Via-o a contar-me que já vivera várias vidas, cada uma delas
BELAS ANOITECE CERCADA POR ARRANHA-CÉUS, HEMATOMAS QUE RASGAM OS MEDOS EM FUGA COMO SE CADA NOVO AQUEDUTO FOSSE UM ANIMAL GIGANTE A ATIÇAR A SUA PRÓPRIA INTEMPÉRIE
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em seu continente e sempre, sempre com um fim trágico, terrível. E numa dessas vidas tinha sido taxista. Não me diga que não! Abruptamente, a mulher como que crepita em estado de pânico. O silvo da voz acende-lhe o rosto. Sua de ponta a ponta com os braços arqueados no ar, cabelos desordenados, o olhar em vaga a bulir com a pontaria de um lança-chamas. O taxista, inquieto, tenta dar a cena por terminada, dirigindo-se com passo acelerado na direcção da caixa de pagamento. Gestos rápidos de ciclope. À volta, um pequeno grupo de pessoas junta-se em semi-círculo para bisbilhotar o inesperado turbilhão. A mulher grita, irada. A tarde sai das suas raízes como um relâmpago a alçar o piso molhado e escorregadio, por causa das nuvens rápidas e das manchas de óleo. O táxi parte com os pneus de trás a derraparem, enquanto a mulher, impassível, continua a vociferar, a bradar, deambulando entre as bombas de gasolina com o coração, distante do corpo e de tudo, a ribombar. Cada paisagem é uma fuga na direcção do animal que por dentro atiça a sua própria tempestade. Noite caída. O taxista entra em casa, um modesto cruzamento de duas assoalhadas. Olha obstinadamente para o relógio, abre a televisão e o pequeno móvel do bar, levanta a cortina do aquário e contempla o movimento dos cavalos marinhos. No telejornal falase do Millenium Bug, mas o taxista não é capaz de pôr de lado a imagem de Cristo deitado de costas a espiar as bonecas que o lojista carregou de batom vermelho. Com o indicador, levanta a manga da camisa e torna a fitar o relógio, impaciente. Desdobra um dos jornais da semana passada, ao mesmo tempo que assobia a tónica dos acossados que desconhecem o que é descansar ao fim do dia. Olha mais uma e outra vez para o relógio até que batem finalmente à porta. É ela. A mulher entra em silêncio. É o taxista quem reabre a sorvedouro. Ela acede de imediato, sentando-se na mesa de apoio com as pernas muito brancas a espantar os relances da casa: Ah sim, se me lembro de o ver, manhã atrás de manhã, com a camisa branca toda aberta a entregar os envelopes nas caixas de correio do pobre bairro. Desculpe, minha senhora, está mesmo enganada eu não sou essa pessoa. Ai é, é! Tantas vezes que o segui até ao Majestoso com um desejo enorme de tentar perceber o que escrevinhava nesse bloco-notas de capa azulada. Mas eu nunca… e não foi só isso, a partir de certa altura, via-o em sonhos a ameaçar-me com os seus cavalos marinhos, via-o diante da minha janela deitado sobre um tapete aos quadrados, enfim, via-o a contar-me as suas várias vidas e em todas elas eu e o senhor éramos levados a arder para mesma vala comum. Ah! Belas anoitece cercada por arranhacéus, hematomas que rasgam os medos em fuga como se cada novo aqueduto fosse um animal gigante a atiçar a sua própria intempérie.
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CINETEATRO DIABO NA CRUZ | 2014
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C I N E M A
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THE BOSS BABY: FAMILY BUSINESS [B]
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tom McGrath Com: Alec Baldwin, Jeff Goldblum, Ariana Greenblatt, Jimmy Kimmel 14.30, 16.30, 19.30
Apesar de extinta desde 2019, os peculiares acordes dos Diabo na Cruz teimam em continuar a ecoar na cabeça de muito boa gente três anos depois. Evitando pensar na morte da bezerra e sempre com memória de elefante, o terceiro álbum da banda portuguesa trouxe para a praça exemplos de uma combinação musical única capaz de misturar o rock’n’roll com a tradição oral portuguesa. “Vida de Estrada”, “Duzentas mil horas” e “Ganhar 0 7 das3 o dia”5 são1 algumas canções incontornáveis 2 8 4 1 6 do álbum. Pedro Arede
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BLACK WIDOW [B]
Um filme de: Cate Shortland Com: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour 21.30
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LUCA [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Enrico Casarosa 14.15
BUTT DETECTIVE THE MOVIE: THE CASE OF THE COURAGEOUS CURRY + MYSTERY OF THE LADYBUG RUINS [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroki Shibata 16.00
SALA 2
OLD [C]
Um filme de: Jaume Collet-Serra Com: Dwayne Johnson, Emily Blunt, Edgar Ramírez 14.15, 16.45, 19.05, 21.30
Um filme de: M.Night Shyamalan Com: Gael García Bernal, Vicky Krieps, Rufus Sewell 17.30, 19.30, 21.30
JUNGLE CRUISE [B]
9 4 2 8 6 0 5 9 7 3 8 2 7 5 4 1 1 3 2 4 5 0 JUNGLE CRUISE 4 5 6 1 0 2 2 6 1 8 9 7 Propriedade 7 8 9Fábrica 3 de6Notícias, 5 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 9 1 Gonçalo 0 6M.Tavares; 2 8Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 0 4 Paul 8 Chan 7 Wai 3 Chi; 9 Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Rasquinho; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 5 7Morada 3 Pátio 0 da1Sé, 4n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare
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in Esquerda. net
Mariana Mortágua
JÁ SE SENTIU ESPIADO PELO SEU TELEMÓVEL? PEGASUS. ASSIM se chama o software de espionagem mais invasivo do Mundo, utilizado por serviços secretos de vários países para vigiar jornalistas, organizações não governamentais, académicos, líderes religiosos e membros de governos. Ao todo, segundo a investigação divulgada pelo jornal “The Guardian”, em que participou também a Amnistia Internacional, são mais de 50 000 entidades vigiadas, muitas de forma ilegal. O método é assustadoramente simples. O Pegasus entra nos telemóveis como um vírus, passando a ter acesso a todos os movimentos do seu utilizador, a todas as horas. E não é pouco o que um telemóvel pode contar, se pensarmos no poder deste software para gravar chamadas telefónicas ou conversas tidas ao alcance do microfone do
e ameaças destinadas a desestabilizar os territórios ocupados. Sobre a desculpa esfarrapada desta empresa milionária, que diz servir o combate ao terrorismo, a Amnistia Internacional responde que a “NSO Group não pode continuar a garantir que os seus produtos só são utilizados contra delinquentes quando mais de 3500 ativistas, jornalistas, opositores políticos, políticos estrangeiros e diplomatas têm sido selecionados... não há dúvida de que o seu software espião é utilizado para exercer repressão à escala mundial: as provas são irrefutáveis”. Mas a Amnistia vai mais longe, ao denunciar a existência de um mercado de ciberespionagem fora de controlo, que opera à margem da legalidade, em violação grotesca de direitos fundamentais, ao serviço de estados,
Parece contraditório que sociedades que tanto prezam o segredo bancário e profissional, facilmente concebam a transformação de informações pessoais e políticas em produtos comerciais. A contradição é apenas aparente, já que tudo é, afinal, um negócio ao serviço dos grandes poderes
aparelho, para usar a câmara e aceder às fotografias, mas também e-mails, mensagens ou pesquisas de Internet. Na origem do dispositivo está a israelita NSO, uma das muitas startups que, sob a capa de “combate ao terrorismo”, desenvolvem os mais sofisticados dispositivos securitários. Não é por acaso que Israel, um dos estados mais militarizados do Mundo, que promove uma violenta perseguição ao povo palestiniano, acolheu muitas destas empresas. Não são novas as denúncias de obtenção ilegal de informações pessoais junto de palestinianos, que depois eram utilizadas em todo o tipo de chantagens
serviços secretos e, quem sabe, até de empresas privadas. Em Portugal, a utilização destes mecanismos é proibida. O que não impede que existam portugueses espiados pela NSO. E isto sem falar, é claro, naquela sensação estranha ao vermos no telemóvel um anúncio a um produto que já tínhamos referido em conversa... Parece contraditório que sociedades que tanto prezam o segredo bancário e profissional, facilmente concebam a transformação de informações pessoais e políticas em produtos comerciais. A contradição é apenas aparente, já que tudo é, afinal, um negócio ao serviço dos grandes poderes.
opinião 11
‘‘É-se sempre mais religioso do que aquilo que se pensa.’’ PALAVRA DO DIA
Marcel Jouhandeau
quinta-feira
29.7.2021 episódio 46
JULGAMENTO CASO CONEXO AO DE HO CHIO MENG VAI SER REPETIDO
De volta à estaca zero
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Tribunal de Segunda Instância (TSI) deu razão ao recurso do Ministério Público (MP) e ordenou a repetição do julgamento do caso conexo ao do ex-Procurador Ho Chio Meng. O Tribunal Judicial de Base (TJB) vai assim voltar a debruçar-se sobre a maior parte dos factos que constam na acusação, segundo apurou o HM. A primeira decisão do caso tinha sido tomada em Agosto de 2017, e, na semana passada, o TSI apresentou o veredicto sobre os diferentes recursos, que implica que a instância inferior volte a decidir sobre os factos imputados aos arguidos que terão ajudado o ex-Procurador a cometer 1.091 crimes. A condenação valeu a Ho uma pena de prisão de 21 anos, que ainda está a cumprir no Estabelecimento Prisional de Coloane. Para o Ministério Público, a decisão é uma primeira vitória e as absolvições de António Lai Kin Ian, ex-chefe do gabinete de Ho Chio Meng, Chan Ka Fai, ex-acessor do MP, e Alex Lam Hou Un, funcionário das empresas que o TUI disse serem lideradas por Ho Chio Meng, são assim anuladas. Os três arguidos arriscam-se agora a serem condenados. Por outro lado, o facto de o TSI ter aceite o recurso do MP levou a que o recurso dos empresários Wong Kuok Wai e Mak Im Tai – donos das empresas que Ho Chio Meng foi acusado de favorecer – nem fosse apreciado. Wong Kuok
Wai tinha sido condenado a uma pena de 14 anos de prisão pela prática de 1.147 crimes, entre os quais participação em associação criminosa, participação económica em negócio e branqueamento de capitais agravado. Por sua vez, Mak Im Tai tinha sido condenado com uma pena de prisão de 12 anos de prisão por 1.147 crimes, semelhantes aos de Wong Kuok Wai. Ambos estão a cumprir pena na Prisão de Coloane, mas as condenações podem ser agravadas.
Outros afectados
Para o MP, a decisão é uma primeira vitória e as absolvições de António Lai Kin Ian, ex-chefe do gabinete de Ho Chio Meng, Chan Ka Fai, ex-acessor do MP, e Alex Lam Hou Un (...) são assim anuladas. Os três arguidos arriscam-se agora a serem condenados
Covid-19 Tóquio regista novo máximo de infecções
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A capital japonesa contabilizou ontem um novo máximo de infecções de covid-19, com 3.177 novos casos, ultrapassando as três mil infecções pela primeira vez desde o começo dos Jogos Olímpicos. A contagem divulgada ontem excedeu o anterior máximo de 2.848 contágios registados na terça-feira. No total contam-se
206.745 casos de infecção por covid-19 na capital japonesa desde o início da crise sanitária. O governador de Tóquio, Yuiriko Koike, apelou aos jovens para cooperarem no cumprimento das medidas de segurança sanitária e do programa de vacinação no sentido de baixar os números relativos a novas infecções.
Também os arguidos Ho Chio Shun, irmão de Ho Chio Meng, que tinha sido condenado a 13 anos de prisão, e Lei Kuan Pun, condenado a 12 anos de prisão, voltam a ver os seus casos analisados. A decisão do TSI recusou igualmente o recurso de Lei. Segundo o HM apurou, as únicas condenadas que não vão ter os seus casos “reabertos” são Chao Sio Fun, esposa de Ho, e Wang Xiandi, amante do ex-Procurador. Chao tinha sido condenada a 2 anos de prisão, com pena suspensa, por dois crimes de inexactidão dos elementos de declaração de rendimentos e um crime de riqueza injustificada, e vai ter de devolver a riqueza injustificada. Wang não apresentou qualquer recurso, e fica com a pena de prisão de seis anos em vigor, pelos crimes de burla de valor considerado elevado. Porém, a amante encontra-se em parte incerta pelo que não deverá cumprir a pena. J.S.F.
Nissan Lucro de 881 milhões de Abril a Junho O grupo Nissan obteve lucros de 114.500 milhões de ienes (881 milhões de euros) entre Abril e Junho, contra prejuízos 2.200 milhões de euros em 2020, graças ao forte desempenho nos EUA. O segundo maior grupo automóvel japonês também anunciou ontem que entre Abril e Junho registou um resultado antes de impostos, juros,
depreciações e amortizações (EBITDA) 695 milhões de euros, contra uma perda bruta de 1.789 milhões de euros no mesmo período do ano passado. “A rentabilidade aumentou à medida que a Nissan continuou a melhorar o desempenho no mercado dos EUA”, explicou a empresa num comunicado ontem divulgado.
O Jogo das Escondidas um folhetim por Fernando
Sobral
D
EU uma pequena risada. E tentou ver a reacção que as suas palavras despoletavam na cara de Amoroso. Este manteve-se silencioso. - Esta conversa não nasceu do acaso, ou porque me apetecia vê-lo. Tenho uma uma informação útil para lhe dar. Fu Xing colocou ao serviço do alemão Max Wolf a sua rede de espiões e de marinheiros. O negócio de heroína parece-lhe ter futuro. Pelo que sei, Macau será apenas um entreposto discreto para Hong Kong. Ali é que pensam fazer dinheiro. Aqui têm já um depósito bem defendido. Max prometeu-lhe que este pode ser o início de outros negócios. Legais. E ele quer a minha colaboração. Amoroso fez um sorriso cínico e olhou-o fixamente. Seria possível ler a alma do padre Benedito? As suas motivaçõs eram obscuras e a sua história também. O tenente tinha recebido um relatorio de um dos seus novos agentes, colocado em Singapura. E percebera que o homem que tinha defronte dele tinha outras vidas. Não eram cartas que utilizaria agora, porque o jogo era outro. Mas, no futuro, nunca se saberia. Até porque ele sabia demasiado sobre o tenente. - E que vais fazer, Benedito? - Não tenho como fugir à teia de Fu Xing. Ele sabe que caminhos trilho e onde me encontrar. É um inimigo que não desejo ter. - Compreendo. Farás o seu jogo. E o meu. E, sobretudo, o teu. Será um equilíbrio difícil, senão impossível. Tu o saberás. A luz é só a outra face das trevas. - Também tem de decidir de que lado do tabuleiro está, meu caro tenente. O senhor Palha e a mulher não lhe darão tréguas. E investigar a morte do senhor Silva não lhe traz amigos. Pelo contrário. Eles cercam-no. Já descobriu mais alguma coisa? - Não. Mas há indícios. - Cuidado, tenente. Era uma despedida. Benedito acendeu outro cigarro e ficou a olhar para Amoroso, enquanto este caminhava para a saida. Cá fora, a noite conquistara o Bazar. A única luz que via era a de um candeeiro de petróleo, junto a um local onde alguém vendia comida. Ouviu vozes abafadas. Na sombra estavam homens, mulheres e crianças sentadas em pequenos bancos ou no chão a comer o que as pequenas taças que tinham na mão continham. (continua)