hoje macau
Nº 4738 SEGUNDA-FEIRA 29-3-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
HOJE MACAU
MOP$10
APOIO ECONÓMICO MANIFESTAÇÃO CANCELADA POR DECISÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE
PANDEMIA PARA QUE TE QUERO
Poucas horas antes da sua realização, uma manifestação foi cancelada por decisão dos Serviços de Saúde, invocando o risco pandémico. Os organizadores avisaram os participantes mas, ainda assim, alguns surgiram no Tap Siac. A polícia levou 12 pessoas até à esquadra. Contudo, ninguém ficou detido. PÁGINAS 4-5 E EDITORIAL
JOGO
APOSTAR ONLINE GRANDE PLANO
NG KUOK CHEONG SOBRE TDM
PERGUNTAR NÃO OFENDE PÁGINA 6
CONSULTA PÚBLICA
MENORES NÃO BEBEM PÁGINA 7
CINEMATECA PAIXÃO
PELÍCULAS VERDES EVENTOS
2 grande plano
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29.3.2021 segunda-feira
“Macau está a ficar para trás” ZHENG ZHONGLU PROFESSOR DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE MACAU
O professor do Centro Pedagógico e Científico nas Áreas do Jogo e do Turismo do Instituto Politécnico de Macau, Zheng Zhonglu defendeu que as autoridades locais deveriam apostar na legalização do jogo online sob pena de atrasar-se face a outros mercados. O académico sugere a aposta na área da inteligência artificial e afirma que adiar o concurso público para as novas licenças de jogo pode afectar o investimento
O
especialista em turismo e jogo Zeng Zhonglu disse, em entrevista à agência Lusa, que Macau deve pensar em legalizar o jogo ‘online’ e apostar na importação de talentos que desenvolvem Inteligência Artificial (IA) na China. O professor do Centro Pedagógico e Científico nas Áreas do Jogo e do Turismo do Instituto Politécnico de Macau (IPM) defendeu que “a única forma de Macau desenvolver a tecnologia de IA na indústria do jogo é de recrutar talentos da China continental”. “A IA é muito importante para o jogo ‘online’. Até ao momento, Macau não tem uma indústria de jogo ‘online’. No futuro, Macau devia considerar legalizar o jogo ‘online’, caso contrário vai atrasar-se, porque outros territórios, outros países, estão a desenvolver esta área muito rapidamente”, avisou, para concluir que, nesta área, “Macau está a ficar para trás”. Ainda que Macau consiga oferecer casinos e hotéis de luxo, os melhores da Ásia, frisou o académico, hoje o jogo ‘online’ é “uma ameaça potencial para o negócio” para a capital mundial do jogo. “A competição entre destinos, tornou-se cada vez mais feroz, cada vez mais intensa” e, por isso, “Macau deve distinguir-se (…), deve encontrar um novo caminho”, advertiu o académico, uma vez que os casinos reais de Macau podem começar a ser preteridos. O docente do IPM sublinhou que um pouco por todo o mundo os jogos ‘online’ “estão a desenvolver-se mui-
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“O adiamento, de uma forma geral, não é bom para a indústria por causa da incerteza. Não é bom para fazer investimentos e para se tomarem decisões.” to rapidamente, especialmente durante a covid-19”, e que em muitos países, as receitas dos jogos de azar na Internet duplicaram. Por outro lado, sustentou, o território “deve convidar algumas empresas de tecnologia de ponta, especialmente no sector dos jogos, empresas de ‘software’”, em especial dos Estados Unidos e Austrália, para virem a Macau e utilizarem o conhecimento [sobre o consumidor] de Macau (…) para fazerem produtos únicos”. Em Macau “as empresas de jogo têm um contacto próximo com os clientes para que possam conhecer os comportamentos ou preferências dos clientes muito melhor do que outros locais”, explicou. Por isso, o território “deve utilizar estes conhecimentos para desenvolver jogos, ‘slot machines’ ou alguns outros produtos de jogo” para o mercado asiático, que conhece bem, afirmou. Finalmente, Zeng Zhonglu assinalou que Macau tem ainda de encontrar novas formas de atrair turistas, uma vez que as promotoras de jogo já não podem ir à China angariar grandes apostadores, devido a uma
“Macau tem mais de 400 anos de cultura mista de portugueses e chineses. Esta cultura é única. É diferente. [O território] tem, naturalmente, muitos edifícios de arquitectura em estilo português, mas isto não é suficiente.”
mudança legislativa imposta por Pequim.
A questão do concurso
Na mesma entrevista, Zeng Zhonglu disse que o Governo deve manter o concurso de concessão de licenças para casinos em 2022 porque um adiamento pode trazer incerteza e afastar o investimento. Contudo, “se a pandemia continuar este ano e no próximo, o Governo deve ponderar adiar o concurso para as novas licenças”, defendeu o professor. Ainda assim, sublinhou, “se a pandemia acabar rapidamente, talvez no fim deste ano, acho que o Governo deve seguir o plano inicial” e manter o calendário de 2022 para realizar o concurso para as licenças de jogo.
“A IA é muito importante para o jogo ‘online’. Até ao momento, Macau não tem uma indústria de jogo ‘online’. No futuro, Macau devia considerar legalizar o jogo ‘online’.” A razão é simples, justificou: “O adiamento, de uma forma geral, não é bom para a indústria [do jogo] por causa da incerteza”, que “não é boa para fazer investimentos e para se tomarem decisões”. Isto porque “Macau é um mercado muito importante que [as operadoras de casinos] não querem perder”, acrescentou. O sector do jogo tem enfrentado uma crise devido às restrições nas fronteiras e à falta de turistas. Em 2019, os casinos obtiveram receitas de 292,4 mil milhões de patacas, mas, no ano passado, devido ao impacto causado pela pandemia, a indústria terminou 2020 com receitas de 60,4 mil milhões de patacas, uma quebra de 79,3 por cento em relação ao ano anterior. No ano anterior à pandemia, o território atraiu quase 40 milhões de visitantes.
Legado português já não chega
O especialista em turismo frisou também que o legado português não chega para
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“A competição entre destinos, tornou-se cada vez mais feroz, cada vez mais intensa. Macau deve distinguir-se (…), deve encontrar um novo caminho.” ‘vender’ Macau aos turistas e que o território tem de descobrir outras narrativas históricas para promover produtos turísticos e reforçar a sua singularidade. “Macau tem mais de 400 anos de cultura mista de portugueses e chineses. Esta cultura é única. É diferente”, começou por afirmar o académico. “Macau tem, naturalmente, muitos edifícios de arquitectura em estilo português, mas isto não é suficiente”, sublinhou. A RAEM “deve estudar os 400 anos de história e encontrar mais histórias (…) para que possa desenvolver mais produtos” turísticos, explicou. E Zeng Zhonglu dá PUB.
um exemplo: “Durante 400 anos, para muitos chineses Macau foi a única saída para países estrangeiros em toda a China. Naquela época, durante os 400 anos, muitos chineses famosos partiram de Macau para outros países. (…) Macau tem de desenterrar histórias”.
A ideia é criar valor acrescentado aos produtos turísticos: “Se o produto turístico tem uma história por detrás, o valor é bastante diferente na mente dos visitantes, por isso Macau deve encontrar os significados destes produtos e descobrir as formas eficazes de comu-
nicar esses significados aos visitantes, para que Macau possa atrair os turistas da cultura a partir dos produtos artísticos, em vez de apenas comida, bebida e compras”.
HM • 1ª vez • 29-3-21
ANÚNCIO EXECUÇÃO ORDINÁRIA nº
CV3-17-0192-CEO
BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. Executada: IEONG CHI CHIN, casada com LAO IOK PANG no regime de separação de bens, residente em Macau, na Rua do Almirante Costa Cabral 136, Edifício Kuong Lei, 10º andar E. *** ---- FAZ-SE SABER que, no próximo dia 26 de Abril de 2021, pelas 10.00 horas, neste Juízo, nos autos acima identificados, vai ser vendido, por meio de propostas em carta fechada, o seguinte bem: -----------------IMÓVEL A VENDER ---- Denominação: Fracção autónoma designada por “G5”, do 5º andar G. --------------------------------------------------------------------------------------- Situação: Na Freguesia Nossa Senhora do Carmo (Taipa), nºs 395 a 451 da Rua de Viseu. ----------------------------------------------------------------- Fim: Para habitação. ------------------------------------------------------------- Número de matriz: 040765. ----------------------------------------------------Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 19363, a fls. 52, do Livro B40. -------------------------------------------------------------- Número de inscrição na Conservatória do Registo Predial: 307457G.------------------------------------------------------------------------------ O valor base da venda: MOP5.275.900,00 (Cinco milhões, duzentas e setenta e cinco mil, novecentas patacas). -----------------------------------*** ---- São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar na Secretaria deste Tribunal, as suas propostas, até ao dia 26 de Exequente:
3º Juízo Cível
Abril de 2021, pelas 10.00 horas, sendo que, o preço das propostas deve ser superior ao valor acima indicado devendo; o envelope da proposta conter a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA”, bem como o “NÚMERO DO PROCESSO: CV3-17-0192-CEO”.------------- A abertura das propostas realizar-se-á neste Tribunal na data e hora acima mencionadas, podendo os proponentes assistir ao acto. ---------------- É fiel depositária a Sra. Chong Im Wa, com domicílio profissional em Macau, na Avenida da Amizade, Edifício Landmark, Torre do Banco ICBC – 18º andar, que está obrigada, durante o prazo dos editais e anúncio, a mostrar o bem a quem pretenda examiná-lo, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. -------------------------- Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do imóvel supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite. ------------------------- RAEM, aos 24 de Março de 2021. ----------------------------------------***
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CUPÕES ELECTRÓNICOS AU KAM SAN CONSIDERA DECISÃO DE CANCELAR MANIFESTAÇÃO “RIDÍCULA”
Uma desculpa viral
Depois da “luz verde” do Governo, a manifestação contra os cupões electrónicos de consumo agendada para ontem acabou cancelada horas antes do seu início. O deputado e promotor do evento Au Kam San considera que os argumentos apresentados pelos Serviços de Saúde sobre a impossibilidade de cumprir as orientações de prevenção epidémica são “ridículos” e têm teor político. Ainda assim, 12 pessoas foram levadas à esquadra para investigação após comparecerem no Tap Siac
O
deputado e promotor da manifestação agendada para ontem contra os cupões electrónicos de consumo, Au Kam San, considerou “ridícula” a decisão anunciada a menos de 24 horas antes do início do evento com início agendado para as 16h00 de ontem na praça do Tap Siac. Para o deputado, que reuniu no sábado com os responsáveis dos Serviços de Saúde (SS), o facto de o organismo ter considerado que a organização não seria capaz de garantir as orientações de prevenção pandémica é uma “não
é razoável” e “tem motivações políticas”. “É uma decisão ridícula. Os SS exigiram a manutenção de uma distância de um metro entre os participantes e a garantia de que não iria haver concentração de curiosos, mas isso são pedidos impossíveis de concretizar. Além disso basta ir, por exemplo, ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, que é um espaço interior, para ver como os pacientes estão sentados entre si com intervalos inferiores a um metro. É incompreensível que nos obriguem a manter essa distância estando no
exterior”, começou por dizer Au Kam San ao HM. “Apesar de ser ridículo, temos de cumprir a decisão dos SS. É uma decisão pouco inteligente, que não é razoável e que deve ter motivações políticas. Mas temos de a cumprir”, acrescentou.
Organizadores cancelaram
Numa nota publicada na rede social Facebook, citada pela agência Lusa, após saber da decisão, o deputado que estava a organizar a manifestação em conjunto com Ng Kuok Cheong e a Associação de Direitos dos Trabalhadores de Jogo de Ma-
cau deixaram um apelo à população para não se reunir no local onde estava prevista a manifestação, de forma a evitarem mal-entendidos e que alguém seja acusado pela polícia de reunião ilegal. De acordo com o comunicado do divulgado pelos SS, o organismo dá conta que devido à “imprevisibilidade e incerteza” do número de pessoas no desfile, o promotor “alterou de 150 pessoas (originais) para 500 pessoas”, não conseguindo “garantir que as actividades cumpram os requisitos de prevenção epidémica previamente emitidos”.
Na mesma nota, pode ainda ler-se que os infractores podem “ser acusados da prática de um crime de desobediência”. Recorde-se que a principal motivação da manifestação, que acabou cancelada, passava por mostrar ao Governo que a esmagadora maioria da população está contra o “Plano de garantia de emprego, estabilização da economia e asseguramento da qualidade de vida da população 2021”, anunciado no dia 15 de Março e que pretende o regresso dos cartões de consumo. Os promotores do evento entendiam que o plano de apoio ao
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editorial
PANG CHUAN QUER PRAGMATISMO
de apoios à população, alargando a consulta a mais residentes, tal como idosos, portadores de deficiência e empresários de pequenas e médias empresas, para que esta medida possa ser conhecida por todos. Pang Chuan disse respeitar a vontade de alguns residentes em se manifestar mas deseja que as pessoas escolham formas mais pragmáticas de levar o Governo a servir melhor os residentes.
O
uvido pelo jornal Ou Mun, o deputado Pang Chuan, nomeado, disse esperar que o Governo divulgue mais detalhes sobre o novo programa
KAIFONG VALORIZAM PREVENÇÃO
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g Sio Lai, presidente da direcção da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), defendeu, segundo o canal chinês da Rádio Macau, que devem ser valorizados os trabalhos de prevenção da pandemia, uma vez que continua a registar uma volatilidade nas regiões vizinhas ou no exterior.
FAOM CONCORDA COM SSM
consumo, que contemplava cupões electrónicos de desconto, não respondia às necessidades dos mais idosos e das pessoas com menos recursos económicos. Para usufruir do programa de cupões de consumo, os residentes, trabalhadores não-residentes e estudantes do Interior em Macau poderiam acumular um máximo de 4.800 patacas em vales, caso gastem, entre Maio e Dezembro, 14.400 patacas.
Vamos ali à esquadra?
Apesar da suspensão da manifestação, foram várias as pessoas que se reuniram nas redondezas da Praça do Tap Siac. De acordo com um comunicado emitido ontem ao final da tarde pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), 12 pessoas acabaram por ser levadas para a esquadra “para investigação”, após se terem recusado a abandonar o local, de acordo com as explicações dos agentes da polícia. “A Polícia enviou forças policiais adequadas para o redor da Praça do Tap Siac para controlar o fluxo de pessoas conforme a situação no local. Por volta das 14h45 e 16h00, muitas pessoas reuniram-se naquela zona, e os agentes policiais explicaram imediatamente aos respectivos indivíduos que a manifestação tinha sido cancelada e aconselharam-nas a deixar o local, mas uma parte deles recusou-se a sair e ainda exibiram ‘slogans’”, pode ler-se no comunicado. Contas feitas, seis homens e seis mulheres foram levadas pela
polícia, sendo que até ao momento “não foram feitas acusações contra qualquer pessoa”. Segundo o CPSP, 11 dos 12 indivíduos saíram da esquadra pelo seu próprio pé, por volta das 17h00, sendo que uma mulher acabou por ser levada para o hospital “por má-disposição resultante de emoção violenta”. Pedidas mais explicações sobre o sucedido, o CPSP apontou ao HM que a mulher “estava emotiva e não se estava a sentir bem e que, por isso, precisava de ir para de ir para o hospital”. Questionado sobre que consequências haveria para aqueles que se recusassem a ir para a esquadra, o CPSP vincou apenas que as pessoas “não foram detidas”, mas sim “levadas para investigação”.
Em busca de lógica
Através de um comunicado, também a Associação Novo Macau (ANM) mostrou a sua preocupação com o facto de os critérios de prevenção da pandemia estarem uma vez mais a ser usados para impedir o livre exercício dos direitos de reunião e manifestação. Sobretudo, quando há eventos de grande envergadura que decorreram sem restrições de maior. “No passado, o CPSP e os Serviços de Saúde usaram repetidamente a prevenção epidémica como desculpa para obstruir os cidadãos de exercerem legalmente a os seus direitos de reunião e manifestação, já de si precários. No entanto, ao mesmo tempo, alguns eventos de grande escala
L
ee Chong Cheng, ex-deputado e presidente da direcção da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), disse que as medidas a adoptar relativamente à manifestação foram tidas em conta pelos SSM, pelo que os promotores da manifestação devem cumprir as orientações de prevenção da pandemia. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Lee Chong Cheng espera que a população possa acompanhar os esforços da recuperação da economia de Macau.
MULHERES DESTACAM PRUDÊNCIA
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hong Leng Leng, secretária-geral da Associação Geral das Mulheres de Macau, disse que o Governo fez uma avaliação prudente e completa da situação, tendo também ouvido as opiniões da população para esta decisão. A responsável adiantou que os pedidos feitos pelas várias partes são diversos e que houve razões técnicas analisadas pelo Executivo, além de ter sido considerada a situação financeira e a sustentabilidade do Governo.
decorreram como habitualmente, tais como o Grande Prémio, maratonas, feiras de caridade, festival de gastronomia, etc.”, pode ler-se no documento. Na mesma nota, a ANM diz-se ainda “profundamente insatisfeita com a dualidade de critérios do Governo de Macau sobre a prevenção da pandemia”, sobretudo porque inclui requisitos “que nem o próprio Governo é capaz de garantir”, infringindo “arbitrariamente” e “sem justificação suficiente” os direitos e liberdades dos cidadãos.
Mais que uma miragem
Numa nota divulgada no sábado, o Secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong assegurou que, após a recolha de opiniões sobre o plano de benefícios ao consumo por meios electrónicos, o programa original receberá melhoramentos para ir mais ao encontro
do modelo de utilização do cartão de consumo. “O Governo da RAEM teve conhecimento de que a maioria dos residentes prefere o modelo da utilização do cartão de consumo adoptado no ano anterior, assim sendo, será procedido um melhoramento ao projecto original do plano rumo a este aspecto, facilitando os residentes no usufruto dos respectivos benefícios”, pode ler-se na nota. Segundo o secretário, o projecto de melhoramento será divulgado “o mais breve possível”. Questionado sobre a promessa feita pelo Governo, Au Kam San admitiu, caso a terceira ronda do cartão de consumo venha a ser uma realidade “os objetivos da manifestação de ontem foram cumpridos”. No entanto, caso o Governo não cumpra o que foi dito não exclui a possibilidade de organizar uma nova manifestação. Pedro Arede com N.W. e S.F.
Carlos Morais José
A rua anda perigosa
Proibir manifestações em Macau por causa da pandemia soa a falso. Pode ser legal, pode ser já costume, mas soa a falso. Compreende-se que o Governo tenha medo de manifestações depois dos “anos loucos” de Hong Kong e as queira evitar a todo o custo, servindo-se para isso de argumentos legais mas de difícil credibilidade. Afinal, há um ano que não existem casos de covid nesta cidade. Além disso, Macau não é a ex-colónia britânica e a população de Macau também não é igual aos seus vizinhos do outro lado do Rio das Pérolas. Duvido muito que aqui surgissem reivindicações absurdas como as que surgiram nas manifestações de Hong Kong. Pelo contrário, o que estava em questão nesta manifestação é uma preocupação social e legítima da população. Ou seja, pede-se uma simplificação dos métodos de apoio económico que o Governo desenvolveu para este ano. E convenhamos: os manifestantes teriam razão. De tal modo que o próprio Governo já anunciou que vai rever o processo. Uma coisa é certa: o Executivo não quer manifestações. Seja por isso ou por aquilo, simplesmente não está para aí virado. E, sabendo que se trata de um direito expresso e garantido pela Lei Básica, vai-se servindo de vários argumentos legais para as proibir. O covid pode até ter vindo a calhar mas não pega. Claramente o Governo prefere resolver os problemas sem o uso de megafones, através de conversações, de consensos, de diálogo à porta semi-fechada. Contudo, talvez fosse bom pensarem também que, para manter a harmonia, são necessários escapes através dos quais o descontentamento popular possa ser expressado. E manifestações deste tipo não parecem apresentar perigo por aí além para a ordem social da cidade. Quem as organiza seria também melhor que demonstrasse alguma compreensão e não as convocasse por tudo e por nada e só o fizesse quando se torna claro não existir possibilidade de diálogo, que as decisões estão rigidamente tomadas e vão para a frente. O que nem era o caso. Ultimamente, entende-se por aqui, a rua anda perigosa.
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TDM NG KUOK CHEONG PEDE REINTEGRAÇÃO DE JORNALISTAS DEMISSIONÁRIOS
Meter água na fervura
M
OSTRANDO consternação com os recentes desenvolvimentos na Teledifusão de Macau (TDM) que terão levado à demissão de pelo menos cinco jornalistas, Ng Kuok Cheong quer saber se o Governo já deu instruções à TDM para rever ou retirar as orientações editoriais “controversas” transmitidas aos jornalistas e procurar colaborar “de boa-fé” com os jornalistas demissionários, procurando reintegrá-los na empresa. “O Governo da RAEM pediu aos responsáveis da TDM para que procedam imediatamente à retirada ou revisão das orientações editoriais controversas e procurem colaborar de boa-fé, com os jornalistas que optaram por abandonar os seus postos de trabalho, para os reintegrar e salvaguardar os seus direitos?”, pode ler-se numa interpelação escrita enviada às redações. Além disso, lembrando que os recentes acontecimentos tiveram também eco em
RÓMULO SANTOS
O deputado quer saber se o Governo sugeriu à TDM a revisão ou abandono das instruções editoriais “controversas” transmitidas aos jornalistas da estação. Ng Kuok Cheong pede ainda entendimento que torne possível a reintegração dos profissionais que se demitiram. Tudo isto para que o Executivo reconheça as responsabilidades que tem na garantia da liberdade imprensa e para não passar uma imagem negativa para o exterior
Ng Kuok Cheong, deputado “O Governo da RAEM pediu aos responsáveis da TDM para que procedam imediatamente à retirada ou revisão das orientações editoriais controversas?”
associações internacionais de jornalistas, como os Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Ng Kuok Cheong quer que o Governo reconheça a responsabilidade que tem na garantia da liberdade de imprensa na estação pública do território e perante os direitos fundamentais da população.
Isto, com o objectivo de evitar repercussões negativas na imagem de Macau a nível internacional. “Será que o Governo da RAEM reconhece que tem a responsabilidade de proteger e garantir a liberdade de imprensa no funcionamento do serviço público
CAEAL PROFESSOR LIGADO À FAOM SUSPEITO DE APELAR À RECOLHA DE ASSINATURAS
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M professor da escola Choi Nong Chi Tai, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), terá apelado a encarregados de educação para assinarem documentos das comissões de candidatura para as eleições legislativas deste ano, segundo avançou o All About Macau. A informação foi divulgada nas redes sociais, tendo sido também partilhadas imagens dos documentos que referem que a FAOM vai continuar a participar nas eleições e que tem por objectivo “manter a oportunidade de serviços os operários e a população”. Segundo o jornal em língua chinesa, um grupo de encarregados de educação
terá sido convidado a assinarem pessoalmente os documentos das comissões de candidatura de forma presencial, nas instalações da escola, antes do dia 24 de Abril. Lou Pak Sang, director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), assegurou que, após tomar conhecimento da situação, comunicou com a escola, tendo encaminhado o caso para a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). Lou Pak Sang disse não ter recebido queixas de pais dos alunos, mas que se estes considerarem que foram forçados a assinar qualquer documento podem fazer queixa à CAEAL ou DSEDJ.
de radiodifusão, a fim de salvaguardar os direitos fundamentais dos residentes e evitar influências negativas para a imagem da RAEM perante a comunidade internacional?”, questiona. Fazendo referência às demissões na TDM e à tomada de posição do Governo
português, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que afirmou esperar que a China cumpra a Lei Básica de Macau, Ng Kuok Cheong quer ainda confirmação oficial do Executivo sobre se, durante a reunião que terá acontecido entre jornalistas
e a direcção de informação, foram ou não transmitidas novas directrizes editoriais. “É verdade que a Comissão Executiva da TDM emitiu nove novas disposições no início de Março relacionadas com a liberdade de imprensa e que, por causa disso, alguns trabalhadores apresentaram a sua demissão?”, questionou o deputado.
Sem pressão
Recorde-se que na passada terça-feira, Ho Iat Seng garantiu que o Governo não pressionou a TDM e que os meios de comunicação social de Macau são patrióticos. “O Governo não apertou o controlo dos meios de comunicação social. A TDM é uma empresa pública e um meio de comunicação local, acho que todos os meios de comunicação social amam a pátria e Macau, de certeza. Não foram dadas novas indicações”, disse Ho Iat Seng durante a recepção do novo comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China em Macau, Liu Xianfa. Pedro Arede
JORGE SILVA NOMEADO Jorge Silva foi nomeado pela Comissão Executiva da TDM como Coordenador do Departamento de Informação Portuguesa da televisão. Contactado pelo HM, o jornalista declinou fazer comentários. João Pedro Marques cessou funções de chefe do Departamento de Informação Portuguesa da televisão, a seu pedido, regressando ao seu local de origem da carreira profissional.
DEFESA WONG SIO CHAK APONTA SEGURANÇA NACIONAL COMO PRIORIDADE
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OM a celebração este ano do 100º aniversário da fundação do Partido Comunista da China e as eleições para a Assembleia Legislativa em Macau, o secretário para a Segurança aponta a defesa da segurança nacional e a estabilidade de segurança da sociedade como “os trabalhos de maior prioridade”. O “caminho a seguir” foi apontado por Wong Sio Chak num encontro entre os serviços de segurança da Província de Guangdong e de Macau, em Zhangjiang. Em comunicado, o gabinete do secretário para a Segurança indicou que Wong Sio Chak “deseja que as respectivas autoridades policiais continuem a intensificar a cooperação, a empenhar-se no combate à criminalidade transfronteiriça,
a efectuar bem o trabalho de segurança e a esforçar-se em conjunto” para permitir “o sucesso destes grandes eventos”. A nota descreve ainda que ambas as partes concordaram que face ao 14º plano quinquenal e objectivos até 2035, bem como o desenvolvimento da Grande Baía, “a cooperação entre as polícias dos dois lados vai entrar numa fase de desenvolvimento mais abrangente e com melhor qualidade”. Por sua vez, o vice-presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Provincial de Guangdong, Li Chunsheng, afirmou que no ano passado se alcançaram “progressos importantes” no combate aos crimes graves a nível transfronteiriço.
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ÁLCOOL CONSULTA PÚBLICA CONFIRMA PROIBIÇÃO DE VENDA A MENORES
Vacinas Investigação da BioNTech deverá terminar numa semana
Estima-se que a investigação da Fosun Pharma e da BioNTech para averiguar se os lotes de vacinas com defeitos na embalagem podem continuar a ser usados com segurança “possa estar concluída dentro de uma semana”. A informação foi avançada pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. Até ao momento, não foi identificado nenhum factor sistémico que resulte em defeitos de embalagem no processo de produção, mas não foi descartada a “possibilidade de a situação ser causada por factores ambientais no decurso do transporte de longa distância”.
Hospital das Ilhas Lei Chin Ion promete colaborar na construção
Lei Chin Ion, que irá reformar-se do cargo de director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), promete continuar a colaborar na construção do Hospital das Ilhas, noticiou o jornal Ou Mun. Lei Chin Ion disse ainda ter muita confiança no médico Alvis Lo para ocupar o seu lugar, por ter muitos anos de experiência em gestão hospitalar e na área da saúde pública. Além disso, destaca a importância de o médico ser bastante conhecido devido à presença nas conferências de imprensa sobre a pandemia da covid-19. O futuro ex-director dos SSM disse ainda que começou a acusar cansaço, o que o levou a pedir a reforma antes de renovar o contrato de trabalho.
Saúde Planeada “via verde” para apoio a alunos
Os Serviços de Saúde vão disponibilizar uma “via verde” para o encaminhamento directo da saúde mental e física de jovens, referiu uma nota da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Além disso, o Governo pretende “reforçar o papel dos professores e orientadores escolares no acompanhamento do crescimento dos jovens”, apostar na divulgação da “linha aberta para a vida” e no serviço de aconselhamento online.
Isto não é para meninos
A proposta do Governo de proibir a venda de álcool a menores de 18 anos teve a aprovação da maioria dos participantes na consulta pública sobre a questão. Os Serviços de Saúde vão analisar se é necessário regular alimentos com ingredientes alcoólicos
A
maioria dos participantes na consulta pública do regime de prevenção e controlo do consumo de bebidas alcoólicas por menores concordou com a proibição da venda de álcool a menores de 18 anos. Algumas opiniões recomendaram 20 ou 21 anos como idade mínima para o consumo de álcool, mas o Governo afastou a possibilidade. “Os 18 anos de idade constituem um período completo de desenvolvimento físico e psicológico, devendo os indivíduos de 18 anos responsabilizar-se pelas suas condutas. Em Macau a idade de imputação, na parte jurídica, é de 18 anos. O aumento da idade dos destinatários possibilitará ampliar a população alvo a proteger, mas tomando em consideração que a fixação do limite de idade possa ser muito elevado, poderá existir uma redução do cumprimento, por isso, actualmente serão fixados os 18 anos de idade e posteriormente efectuar-se-á a revisão quanto à limitação da idade”, lê-se no relatório final da consulta pública. Mais de 89 por cento dos participantes mostrou-se a favor da proibição em “facultar, vender ou disponibilizar bebidas alcoólicas em locais públicos e em locais abertos ao público a quem não tenha completado 18 anos de
idade”. O Governo explica ainda que os comerciantes podem recusar vender bebidas alcoólicas a quem não mostrar o documento de identificação para verificação da idade. Por outro lado, 7,1 por cento não concorda que menores de 18 anos possam vender bebidas alcoólicas. O relatório revela que o sector considera que a medida “terá um certo impacto” em eventos como o Festival de Gastronomia de Macau ou o Oktoberfest Macau, que empregam menores a tempo parcial, com mais de 16 anos.
“Se são os adultos a entregar ou partilhar álcool com menores, ou seja, induzem os menores a beber, os restaurantes não são punidos”, esclarece o documento. Os Serviços de Saúde entendem que a entrega e partilha de álcool a menores pode ser prevenidas através do ensino.
O calor do licor
As bebidas em causa são as que têm uma percentagem de álcool superior a 1,2 por cento, definição com que concordaram 78,6 por cento dos participantes. No entan-
to, alguns defendem a extensão do regime a alimentos como “geleia, gelados, bombons de chocolate e frango bêbado que são produzidos com bebidas espirituosas”. A hipótese vai ser avaliada pelo Governo, apesar de apontar que os alimentos com ingredientes alcoólicos não estão incluídos por geralmente não terem um teor de álcool elevado. “No entanto, considerando que alguns alimentos que utilizam bebidas espirituosas como matéria-prima, como geleia de espirituosos, o teor de álcool pode não ser baixo. Do ponto de vista da protecção de menores, os Serviços de Saúde vão considerar cuidadosamente a necessidade e operacionalidade da regulamentação dos alimentos derivados do álcool”, aponta o documento. A consulta pública contou com a participação de 366 residentes. Um dos pontos que gerou maior divisão foi a possibilidade de os agentes de fiscalização encerrarem um estabelecimento comercial até 12 horas quando isso for “indispensável para a recolha de elementos de prova”: 67,9 por cento mostraram-se a favor e 14,3 por cento contra. No caso da prática reiterada das infracções, mais de 80 por cento são a favor da sanção assessória de interdição do exercício da actividade até dois anos.
COVID-19 DOIS RESIDENTES DE MACAU COM TESTE DE ÁCIDO NUCLEICO POSITIVO
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OIS residentes de Macau, diagnosticados no exterior como infectados por covid-19, testaram no positivo nos testes de ácido nucleico, depois de entrarem na RAEM a 7 de Março. Em comunicado, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus explicou que até sábado os casos não
apresentaram sintomas do vírus. “Tendo em consideração os vários testes anteriormente realizados, após o regresso a Macau, cujos resultados foram todos negativos, estes casos são classificados como casos de reinfecção de casos confirmados no exterior. Não são classificados como casos importados de Macau”, diz a nota.
As residentes são uma mulher e uma criança. A mulher foi diagnosticada como infectada com covid-19 no Reino Unidos, onde estudava, em Janeiro deste ano, ficando em isolamento em casa. Testes realizados entre 25 de Fevereiro e 3 de Março deram resultado negativo. Entretanto, regressou a Macau no início do mês e ficou em
quarentena num hotel. Depois de vários testes negativos, foi encaminhada para o Centro Clínico da Saúde Pública em Coloane por lhe terem sido detectados anticorpos IgG no dia 24 de Março. Dois dias depois o teste de ácido nucleico passou a positivo. A situação foi idêntica para uma criança que morou nos EUA e cujo
teste de revisão deu positivo para covid-19 na sexta-feira, enquanto a mãe realizou vários testes em Macau e os resultados foram todos negativos. “A possibilidade de infecção destas pessoas é baixa, dada a baixa concentração do gene no teste de ácido nucleico de covid-19”, apontou o Centro de Coordenação.
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29.3.2021 segunda-feira
Caminhos interiores Cem artistas lusófonos vão traçar Mapas do Confinamento
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ERCA de 100 artistas lusófonos, como escritores, fotógrafos ou ilustradores, aceitaram contribuir para os Mapas do Confinamento, uma página de Internet lançada por dois autores portugueses residentes no estrangeiro que pretende servir de memória futura sobre a covid-19. Gabriela Ruivo Trindade disse à agência Lusa que este projecto poderá ajudar a perceber “de que forma, material e imaterial, objectiva e subjectiva, a pandemia afectou e afecta a criação dos vários artistas envolvidos, e como isso transparece na sua própria criação”. Foi das frequentes conversas à distância, por telefone, que Trindade e Nuno Gomes Garcia, residentes em Londres e Paris, respectivamente, que surgiu a ideia de reunir testemunhos em língua portuguesa sobre a experiência da pandemia. Os dois perceberam que, mesmo estando a viver em países com realidades e abordagens diferentes, as palavras usadas eram idênticas para escrever sentimentos sobre confinamentos sucessivos, isolamento ou preocupações com a desigualdade e a pobreza. “Foi durante essas conversas que nos perguntámos como seria nos outros países que falam português. Se, apesar das realidades totalmente distintas onde vivemos, um lusófono que vive na Europa utilizaria as mesmas palavras que um lusófono a viver no Brasil, em Angola ou em Moçambique para exprimir esses sentimentos provocados pelo confinamento”, explicou a escritora, vencedora em 2013 do prémio LeYa com o primeiro romance, “Uma Outra Voz”.
Resistir criando
A página [https://www.mapasdoconfinamento.com/] pretende,
explicou, “criar uma plataforma de união entre vários artistas de língua portuguesa, ou ligados à língua portuguesa”, mobilizando escritores, poetas, ilustradores, artistas plásticos, fotógrafos ou actores, e “superar os obstáculos causados pela pandemia à criação artística”. O projecto pretende também ser um “acto de resistência” ao expor a “realidade já de si catastrófica” de falta de apoios à cultura que os respectivos profissionais sentiram nos últimos meses. A página foi lançada este mês, coincidindo com o primeiro aniversário da pandemia da covid-19, declarada oficialmente pela Organização Mundial da Saúde em 11 de Março de 2020. Os portugueses Afonso Cruz, Ana Luísa Amaral, Ana Cristina Silva e Rui Zink, os brasileiros Nara Vidal, João Anzanello Carrascoza, Ronaldo Cagiano, Marcela Dantés, os angolanos Ondjaki e Lopito Feijóo, os moçambicanos Hirondina Joshua e Mélio Tinga e o guineense Emílio Tavares Lima são alguns dos contribuidores. A rede de colaboradores estende-se ao Reino Unido, França e Holanda, onde estão vários dos tradutores, já que o site também terá versões dos textos em inglês e francês. Gabriela Ruivo Trindade vive em Londres, onde dirige a livraria online Miúda Books, dedicada à literatura infantil de língua portuguesa, e Nuno Gomes Garcia, finalista do Prémio LeYa em 2014, publicou este ano o romance “Zalatune”, encontrando-se a trabalhar na capital francesa como consultor editorial.
CINEMATECA PAIXÃO AMBIENTE SERVE DE MOTE A NOVO CICLO DE CINE
Em Abril, fitas
A Cinemateca Paixão apresenta, em Abril, um novo ciclo de c questões ambientais. A iniciativa “Uma mostra cinematográfica g e crise da sustentabilidade” apresenta 26 obras, entre curtas e long como documentários e filmes de animação. Em simultâneo, está Junho, a exposição “Mulheres nos cinemas – O mundo Extraordin
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cinema dedicado às global do ambiente gas-metragens, bem á patente, até 11 de nário das Cineastas”
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GASTRONOMIA SABORES MACAENSES PROMOVIDOS EM HANGZHOU
programação de Abril da Cinemateca Paixão tem como destaque um novo festival de cinema, intitulado “Uma mostra cinematográfica global do ambiente e crise da sustentabilidade”. Tal como o nome indica, o ciclo está centrado em temas relativos ao meio ambiente, alterações climáticas e o desenvolvimento sustentável do planeta, apresentando um total de 26 produções cinematográficas que chamam a atenção para estas questões. Um dos filmes exibidos no âmbito deste festival será “Spread Your Wings”, de Christian Moullec, activista dos direitos dos animais e meteorologista. Para esta produção, Moullec baseou-se em eventos e personagens verídicos ao longo de mais de 20 anos de experiência, revelando o seu conhecimento enquanto guia para a migração dos gansos selvagens. Outro destaque do cartaz é “Omelia Contadina”, um documentário do artista francês JR e da realizadora Alice Rohrwacher que regista o processo funerário da agricultura tradicional realizado por um grupo de agricultores, com o intuito de questionar o impacto da urbanização sobre as tradições rurais. O filme ganhou projecção internacional e foi exibido no ano passado em alguns festivais de cinema europeus. “Chicken of the Dead” é o nome de uma outra curta-metragem que integra este programa. O filme “tenta apresentar uma reflexão sobre o impacto da avicultura no ambiente social”. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), “o conjunto de trabalhos seleccionados não só permitem ao público local apreciar filmes sobre temas ambientais de elevada qualidade provenientes de todo o mundo, como ainda suscitar a sua preocupação sobre a protecção ambiental”. Além do ciclo de cinema, os interessados poderão visitar, até 11 de Junho, a exposição “Mulheres nos cinemas - o mundo extraordinário dos cineastas”, patente no terceiro piso do edifício da Cinemateca, na Travessa da Paixão. A mostra “retrata a evolução do papel das figuras femininas, tornando-se cada vez mais importante no sector cinematográfico ao longo do último século”.
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8 mil visitantes desde Setembro
A Cinemateca Paixão reabriu portas em Setembro do ano passado com uma nova empresa responsável pela gestão do espaço. Desde então, a cinemateca foi visitada por cerca de oito mil pessoas, com a taxa de venda de bilhetes se situa nos 70 por cento, adianta o IC. É intenção da entidade liderada por Mok Ian Ian é “educar e expandir o nicho de apreciadores de cinema através da exibição de filmes artísticos e independentes ou géneros cinematográficos com menos contacto com o público em geral”. Além dos filmes e do espaço dedicado às exposições, a Cinemateca Paixão tem ainda o projecto de visitas guiadas intitulado “Um Passeio pela
“O conjunto de trabalhos seleccionados não só permitem ao público apreciar filmes sobre temas ambientais de elevada qualidade provenientes de todo o mundo, como ainda suscitar a sua preocupação sobre a protecção ambiental.” INSTITUTO CULTURAL
Cinemateca Paixão”, destinado a escolas e associações. Além da apresentação feita por um guia especializado sobre a origem e a história do cinema, o funcionamento de uma sala de cinema e a evolução do sector, ainda são exibidos vídeos de curta duração localmente produzidos, com o objectivo de consolidar os conhecimentos dos visitantes sobre o sector da projecção cinematográfica de Macau e sobre a própria Cinemateca Paixão. Segundo o IC, “a iniciativa tem tido ampla adesão de escolas e associações desde o seu lançamento”.
NTONIETA Manhão e Rita Cabral, chefes de gastronomia macaense, participam em acções de promoção em Hangzhou, China, até 11 deAbril, no âmbito da iniciativa “Sabores de Macau - Promoção de Gastronomia”, promovida pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) em parceria com a Confraria da Gastronomia Macaense.Aacção de promoção decorre no Grand Café do Hotel Grand Hyatt Hangzhou, onde as duas chefes ensinam as características da gastronomia macaense a chefes de Hangzhou na preparação, em conjunto, de pratos macaenses. Segundo um comunicado da DST, Antonieta Manhão e Rita Cabral “têm não só transmitido aos chefes de Hangzhou as técnicas culinárias, que aprenderam de geração em geração, como também partilhado a forma como introduziram elementos inovadores nas técnicas culinárias tradicionais”. Entre os pratos confeccionados destaque para a tarte de sardinha, capa de caranguejo recheado, tostinha de queijo, salada de camarão, caldo verde, capela, galinha à Macau, arroz de pato, camarão com rabanete curry, serradura, gelatina agar-agar de xarope de figo e pastéis de nata. Com esta promoção, a DST “espera que os visitantes de Hangzhou e do Interior da China conheçam as tradições gastronómicas macaenses e a cultura gastronómica de Macau, reflectindo elementos de relevo desenvolvidos por Macau enquanto Cidade Criativa da Gastronomia - transmissão, inovação e intercâmbio”. Sobre a distinção que Macau possui na qualidade de Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO, a DST adianta que vai apresentar “este ano o primeiro relatório de trabalho de quatro anos enquanto Cidade Criativa de Gastronomia”. “Tendo em conta que o Governo adoptou uma série de medidas eficazes de prevenção contra pandemia e a segurança alimentar destinadas ao sector da restauração, também será proposta a inclusão desta matéria no relatório”, lê-se no mesmo comunicado.
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Irão e a China assinaram, em Teerão, um acordo de cooperação estratégica e comercial para 25 anos e em análise há vários anos, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano. Este "roteiro completo", que contém "cláusulas políticas, estratégicas e económicas", foi concluído durante a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, desde sexta-feira à noite em Teerão, acrescentou Said Khatibzadeh, em declarações à televisão estatal iraniana. "Este documento pode ser muito eficaz para aprofundar" as relações sino-iranianas, indicou o porta-voz, ao lembrar que o projecto foi iniciado por ocasião da visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Teerão, em Janeiro de 2016. Na altura, Xi e o homólogo iraniano Hassan Rohani decidiram reforçar os laços entre os dois países. Teerão e Pequim comprometeram-se "a realizar negociações para a assinatura de um acordo de cooperação alargada para 25 anos" e "cooperar e desenvolver investimentos recíprocos em diferentes domínios, nomeadamente, transportes, portos, energia, indústria e serviços", de acordo com um comunicado publicado por ocasião da visita. “Não importa como a situação mundial mude, a vontade da China de desenvolver as relações China-Irão não mudará”, disse no sábado o Conselheiro de Estado chinês e Ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi durante o seu encontro com o Presidente iraniano Hassan Rouhani.
29.3.2021 segunda-feira
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IRÃO E CHINA ASSINAM ACORDO DE COOPERAÇÃO
Felizes juntos
Notando que este ano marca o 50º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, Wang disse que o documento de cooperação global assinado pelas duas partes no sábado irá traçar um plano global para impulsionar a parceria estratégica global China-Irão, que não só beneficiará os dois povos, mas também fará contribuições China-Irão para a manutenção da paz regional e mundial. “A China”, referiu Wang, “apoia firmemente o Irão na defesa da sua soberania e dignidade nacional, e na salvaguarda da sua via de desenvolvimento escolhida. Não importa no passado, no presente ou no futuro, a China é coerente em opor-se às sanções unilaterais pouco razoáveis impostas ao Irão por outros países, porque estas violam o direito in-
ternacional, especialmente as baseadas em mentiras e informações falsas, que são imorais e impopulares e constituem uma afronta à consciência humana”. “A China está pronta a trabalhar com o Irão e outros países para se oporem conjuntamente aos actos de intimidação por parte dos poderes, defender a equidade e a justiça internacionais e defender as normas básicas das relações internacionais”, disse o diplomata chinês. Wang salientou ainda que é tempo de reflectir seriamente sobre as más consequências infligidas à região por interferências externas, e trabalhar em conjunto para explorar formas eficazes de manter a segurança e a estabilidade regionais a longo prazo. Peor seu lado, Rouhani pediu a Wang que transmiPUB.
- CONVOCATÓRIA A fim de reunir em sessão ordinária, é convocada a Assembleia Geral do Centro de Comércio Mundial Macau, S.A., para o dia 12 de Abril de 2021, pelas 11:30 horas, a realizar no 16º andar do Edifício World Trade Center, na Avenida da Amizade, No. 918, com a seguinte ordem de trabalho: 1.
Apreciar o relatório de 2020; Apreciar o programa de actividades de 2021; Apreciar e votar o balanço e as contas de 2020; Escutar o parecer do Conselho Fiscal, relativo ao exercício de 2020;
2.
Re-eleição dos membros do Conselho Fiscal;
3.
Outros assuntos de interesse social.
Macau, aos 29 de Março de 2021. Presidente da Assembleia Geral Liu Chak Wan
tisse as suas “sinceras saudações e os seus melhores votos” ao Presidente Xi e “que todos os sectores da vida no seu país consideram a China como o parceiro mais importante do Irão”. Recordando a “bem sucedida” visita de Xi ao Irão em 2016, Rouhani disse que “promoveu o notável desenvolvimento das relações Irão-China”. “A assinatura
do documento de cooperação entre os dois países irá clarificar ainda mais o roteiro para a futura cooperação “, disse Rouhani. “O Irão”, disse, “espera reforçar a sua cooperação com a China na luta contra a pandemia da COVID-19, aprofundar a cooperação mutuamente benéfica em vários campos, e reforçar a cooperação anti-terrorismo”. Notando que o Irão e a China partilham as mesmas posições ou posições semelhantes sobre questões regionais e globais, o presidente iraniano disse que o Irão defende a resolução de problemas através do diálogo e espera reforçar ainda mais a sua coordenação com a China na manutenção da segurança regional. Para Rouhani, “o Plano de Acção Global Conjunto (JCPOA) é um acordo multilateral, e os Estados Unidos não deveriam impor quaisquer condições prévias para retomar a sua implementação do acordo nuclear e deveriam tomar medidas primeiro”. “O Irão aprecia o importante papel da China na manutenção do acordo e está pronto a reforçar a sua comunicação e coordenação
com a China sobre este assunto”, acrescentou. Sobre o acordo nuclear, Wang disse que foi “uma importante e duramente conquistada conquista do multilateralismo” e que “a retirada unilateral da antiga administração dos EUA do acordo estabeleceu um mau precedente de não cumprimento dos acordos internacionais e foi condenada unanimemente pela comunidade internacional”. “A China congratula-se com o desejo do novo governo dos EUA de regressar ao acordo”, disse Wang, acrescentando que a China “acredita que a salvaguarda do acordo significa defender o multilateralismo e a autoridade do Conselho de Segurança da ONU”. O Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês apelou a Washington para reflectir sobre os danos causados pela sua retirada do acordo para a paz regional e a estabilidade internacional, bem como sobre as perdas causadas aos países relevantes. “As sanções unilaterais contra o Irão e as medidas de longo prazo da jurisdição contra outros países, incluindo a China, deveriam ser levantadas o mais rapidamente possível”, afirmou.
Ásia-Pacífico China prevê zona de livre comércio até fim de 2021
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Ministério do Comércio chinês afirmou que a ratificação do Acordo Regional de Parceria Económica com a região Ásia-Pacífico, que estabelecerá a maior zona de livre comércio do mundo, estará concluída até final de 2021. “Para a China, aderir ao RCEP (sigla em inglês do Acordo de Parceria) e fazer com que o RCEP entre em vigor o mais rápido possível abrirá ainda mais a economia chinesa ao mundo exterior e permitirá que as empresas chinesas se adaptem mais a uma concorrência de mercado mais ampla”, disse o vice-ministro Wang Shouwen. “A entrada em vigor do RCEP é muito benéfica para o desenvolvimento da cadeia de aprovisionamento industrial regional e é propícia para a resposta da região a possíveis choques externos à cadeia industrial”, adiantou o governante chinês.
O acordo, cuja negociação foi concluída em novembro de 2020, junta a China a 15 países da região Ásia-Pacífico, incluindo Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, e ainda os 10 membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). No seu conjunto, estas economias representam cerca de um terço da população e 30 por cento da economia global. Negociações para um acordo semelhante entre os Estados Unidos e os países Ásia-Pacífico - a Parceria Trans-Pacífico (TPP) - foram abandonadas pela Administração norte-americana em 2017. “A China assumiu a liderança na ratificação do RCEP, sublinhando a grande importância e total apoio do Governo chinês para a implementação antecipada do acordo”, disse Wang. O RCEP entrará em vigor após a ratificação por pelo menos 6 países ASEAN e 3 não-ASEAN.
segunda-feira 29.3.2021
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Fernão de Magalhães em Goa e Malaca JOSÉ SIMÕES MORAIS A nomeação do estratega e génio militar Afonso de Albuquerque para Governador da Índia permitiu assentar, ente 1509 e 1515, supremacia política, militar e comercial portuguesa no Índico, mais à base das armas e não como o seu antecessor, por diálogo e tratados de cooperação comercial. As reprimendas que o Vice-Rei D. Francisco de Almeida lhe dera quando ainda estava sob o seu comando, levaram-no como Governador a temperar o carácter e agressividade. Devido à escassez de portugueses, surgiu-lhe a ideia de criar um sistema em rede formando um império por portos com feitorias e fortalezas espalhados estrategicamente pelo Oceano Índico e tornar vassalos os soberanos, dividindo com eles os lucros. Para minimizar a pouca população portuguesa necessária para ocupar esses lugares, Albuquerque fomentou o casamento dos seus homens com nativas locais. Já o sistema de Cartaz provinha de 1502 e o mare clausum, que, “segundo parece, já vigorava antes da hegemonia portuguesa naquele oceano, impedia o trânsito de qualquer embarcação não cristã que não fosse portadora de um salvo-conduto, passado e autenticado pelas autoridades portuguesas”, refere Joaquim Candeias Silva. Escapando de Malaca, Fernão de Magalhães e Francisco Serrão chegaram a Cochim, já o Governador Afonso de Albuquerque tomara posse a 29 de Outubro de 1509 e preparavase para ir conquistar Goa aos muçulmanos de Bijapur. Ambos participaram nessa expedição e o êxito inicial em Fevereiro de 1510 só foi total a 25 de Novembro, dia de Santa Catarina, padroeira dos marinheiros. Goa era a primeira conquista territorial na Índia feita pelos portugueses e logo se tornou a capital do Estado Português do Oriente. Após Goa tomada, seguiram os dois amigos na armada de Albuquerque com seiscentos portugueses para Malaca, onde, resgatados os companheiros aprisionados desde 1509 e recebido o pagamento das compensações, dizimaram os navios ali ancorados, conquistando o porto de Malaca a 10 de Agosto de 1511. Afonso de Albuquerque aí mandou erguer o forte ‘A Famosa’, deixando nele trezentos portugueses. Em Malaca, Magalhães comprou o escravo Henrique (o malaio Panglima Awang, que traduzido significa chefe dos moços, segundo Luís Filipe Thomaz), com quem passou a viajar, seguindo ambos com Albuquerque para a Índia, pretendendo regressar ao reino. AS MALUCO Em 1511, o Oceano Pacífico abria-se assim aos portugueses pelo Estreito de Malaca e se a atracção material no comércio seria ir à China, mais importante era realizar uma “expedição destinada ao descobrimento das Molucas, ou ilhas da especiaria. António de Abreu, que a comandava [partiu em Dezembro de 1511 de Malaca com Francisco Serrão], esteve primeiro num porto de Java, depois em Amboina, e visitou
pela contracosta, tocando em vários dos seus portos.” Era o reconhecimento do Mar de Bengala, no Oceano Índico. Com lugar comprado num junco de mercadores chineses em Pegu (hoje em Myanmar, na costa do Mar de Bengala), o feitor Jorge Álvares saiu de Malaca em Junho de 1513 para os mares da China até Lin Tin, ilha no delta do Rio das Pérolas. Do outro lado do Oceano Pacífico, no já baptizado continente Americano, a imensidão de água foi visualizada a 25 de Setembro desse ano por Nuñez de Balboa ao subir ao cume de uma montanha em terras do actual Panamá. Dias depois molhava os pés nessas águas que baptizou de Mar do Sul. Faltava encontrar a passagem marítima a ligá-lo ao Atlântico. INVEJAS E CALÚNIAS em seguida as ilhas de Banda, donde regressou a Malaca. O seu companheiro Francisco Serrão foi mandado prosseguir na mesma empresa; naufragou numa das ilhas do arquipélago de Banda; tendo salvo, porém, as armas, conseguiu intimidar os naturais, e fazendo-se à vela numa embarcação indígena, chegou finalmente a Ternati e a Tidor, das Molucas propriamente ditas, onde pouco depois os Portugueses se estabeleceram”, segundo António Sérgio. Já C. R. Boxer refere, a exploração que os portugueses “souberam fazer da inimizade endémica entre os sultões de Ternate e de Tidore lhes permitiu alcançar uma posição dominante no comércio de cravo-da-índia das Molucas.” Maluco, como na altura os portugueses chamavam às Molucas, era a fonte do cravo e da noz-moscada e em Ternate, uma das suas cinco ilhas principais, Francisco Serrão fez residência e tornou-se feitor. Daí enviava missivas ao amigo Magalhães dizendo ser esta uma viagem de muitos proveitos. Adiantava, pelos seus cálculos, estarem estas ilhas das Especiarias na parte de Castela. António Sérgio complementa, “Das viagens contínuas entre Malaca e as Molucas, resultou o conhecimento de numerosas ilhas. Foram assim conhecidas Bornéu, Celebes, (Gomes de Sequeira, 1518), e Papuásia (D. Jorge de Meneses, 1527). Em 1518 mandou o Governador da Índia a D. João da Silveira que visitasse a costa de Coromandel, seguindo para o Norte, chegou às bocas do Rio Ganges; de aí desceu
“ESCAPANDO DE MALACA, FERNÃO DE MAGALHÃES E FRANCISCO SERRÃO CHEGARAM A COCHIM, JÁ O GOVERNADOR AFONSO DE ALBUQUERQUE TOMARA POSSE A 29 DE OUTUBRO DE 1509 E PREPARAVA-SE PARA IR CONQUISTAR GOA AOS MUÇULMANOS DE BIJAPUR.”
Fernão de Magalhães recebia mil réis por mês como escudeiro de D. Manuel antes de embarcar para o Oriente, onde entre 1505 e 1512 se revelara um valente soldado e marinheiro exemplar, e “regressado à metrópole, conquistou um lugar na corte, <andando no livro dos moradores da casa de El-Rei [D. Manuel] com bons foros>”, segundo António Sérgio. Pouco depois de chegar a Portugal, alistou-se na armada do IV Duque de Bragança D. Jaime, que pretendia no Norte de África conquistar Azamor e custeava a expedição para se penitenciar de em 1512, num acesso de ciúmes, ter apunhalado a esposa Dona Leonor de Gusmão. Para ser representada à partida, Gil Vicente escreveu a tragicomédia Exortação da Guerra e a batalha ocorreu a 3 de Setembro de 1513, saindo vitoriosos os portugueses que aí construíram uma fortaleza. Em Marrocos, numa das constantes e diárias escaramuças, Magalhães foi ferido numa perna, ficando coxo para o resto da vida. Nomeado quadrilheiro-mor, caiu em desgraça devido à distribuição em Março de 1514 de despojos, sendo acusado de se apropriar de parte do gado e o vender aos mouros. Regressou a Portugal e apresentou-se em 1515 a D. Manuel, acompanhado por o escravo malaio Henrique, pedindo um aumento da pensão por os serviços prestados. Na audiência, o rei, rodeado por delatores a espalhar falsidades sobre o íntegro e leal soldado marinheiro, tratou-o mal, sem consideração alguma e despediu-o do serviço de Portugal. Sem reconhecimento e despeitado por D. Manuel e sua corte, Fernão de Magalhães a 20 de Outubro de 1517 chegou a Castela zangado e magoado com o seu país. Após anos ao serviço na Índia Portuguesa, vinha oferecer a sua experiência e conhecimento a Espanha com o projecto de navegar pelo Oeste até às ilhas das Especiarias. Era regente de Castela o Cardeal Jiménez de Cisneros, cuja idade e sabedoria o colocaram à frente dos assuntos de Espanha. Fernão de Magalhães resumia a sua vida até então com duas frases: <desde miúdo andei perto de corvos com plumagem de pomba> e <Sempre tive ao meu lado a honra e a miséria, mais que a desonra e o luxo>.
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29.3.2021 segunda-feira
O príncipe pintor Zhao Danian no seu exílio PAULO MAIA E CARMO
texto e ilustração
Huang Tingjian (1045-1105) o notável poeta e calígrafo da dinastia Song, registou a memória de um pintor a quem notou a contradição do luxo, que lhe permitia uma vida abundante mas que o tornava dele prisioneiro e a quem criticou o excessivo refinamento: «Se ele pudesse libertar-se da música, das mulheres, dos agasalhos e dos cavalos (…) Vítimas de uma existência demasiado mimada os príncipes de sangue também o são de certos interditos. Prescrições rigorosas fazem-nos prisioneiros da capital e dos seus limítrofes imediatos.» E no entanto esse pintor, chamado Zhao Danian, também conhecido pelo pseudónimo Lingrang (activo c. 1070-1100) e que fazia parte da família imperial da dinastia Song criaria uma obra impressionante, na sua singeleza, que perduraria. Palavras elogiosas foram sendo acrescentadas aos rolos onde estão guardadas as suas pinturas. Em Aldeia de rio na madrugada de Outono (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 23,7 x 104,1 cm) numa cópia feita c.1200-99, que está no Metmuseum em Nova Iorque, o pintor Zhao Mengfu (12541322) escreveu: «Danian, como aristocrata que viveu num tempo de paz e que se entretinha com o pincel e a tinta mostrou um surpreendente entendimento do sabor dos rios e dos lagos. Nesta pintura as florestas e as árvores são arcaicas e cobertas de geada e as pessoas despreocupadas vão pescando e cortando madeira. A vida mole e aborrecida deste jovem nobre é de súbito
completamente lavada. Ao abrir este rolo somos verdadeiramente esmagados pelos sentimentos despertados ao olhar para este ermitério junto ao mar. Como este rolo deve ser estimado!» Dong Qichang (1555-1636) foi um dos que apreciaram a pintura do príncipe Song e a coleccionaram com zelo. E na sua irónica exemplificação fractal da que seria, reunida numa só, a pintura ideal escreveu: «Para pintar perspectivas de planícies, deve ser tomado como modelo Zhao Danian.» Esse modelo pode ser observado em Saboreando o Verão num retiro junto a um lago (rolo horizontal a tinta e cor sobre seda, 25,9 x 694,5 cm) datado de 1100 e que está no Museu de Belas Artes de Boston. Depois de pertencer à Colecção Imperial Yuan, Dong adquiriu-a em Pequim em 1595, nela escreveu cólofones e outros preclaros pintores a possuíram, como Wang Shimin (1592-1680) até que no século dezoito ela regressa à Colecção Imperial, como atesta o carimbo do imperador Qianlong (r. 173695). A ondulante e repetitiva atmosfera brumosa que atravessa bouças e margens de pântanos, onde o olhar se espraia livre como repousando, na sua horizontalidade, opõe-se às verticais paisagens «heróicas» de Guo Xi. Uma paisagem despovoada que se inicia com modestas cabanas e onde abundam os salgueiros, símbolos da nostalgia por quem partiu, sugere um desejo de exílio utópico que é um outro luxo e que um poeta designou como beleza, calma e volúpia.a
segunda-feira 29.3.2021
AMÉLIA VIEIRA
Passamos de moda como esta casa, este casaco, nada resiste à mudança do tempo. E estas mortes todas em nosso pensamento!? São páginas de livros e não malha de ferro, e quando o vento sopra vão voando Da mesma fonte que a malha do guerreiro se contraiu no fogo estranho Rebuscamos a casa e está tudo mudado- do ciclo de outrora nem um marcoE assim os dias se fazem outros Com todos aqueles votados ao abandono Verticais como as colinas, os que se elevam partem cedo. São deles as mudanças e todas as vitórias Por eles se alcançam Desenlaçar, mudar de rumo... sede, sempre do mundo Não ter o dever de amar, que amor não há no vale profundo. No entanto, saber vingar o mal, e depois mais lúcido, não mais importar O destino inútil do sepulcro. Trajar o manto viajante, que em cada jornada o tempo muda Deixando as vozes castigadas no desaire de falar ao submundo Não há chão que a raiz não rebente, e onde há explosão Chove ternura, que o tempo frio de gastar o solo, secou, e as áridas paragens são de lume. Deixar os sentidos em paz, tomar outras dianteiras Não vestir o amor para se ter somente o reflexo de quem o nomeia Vamos embarcar! Rosários de contas não há, o destino mudou, Na telepatia das fontes
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Mudam-se os tempos Nenhum arco-íris se desfez na sua imprecisão, e as grandes coisas são ainda aquelas que nos fabricam o pão. Passamos todos de moda, passados de mão em mão, e o tempo gera memórias, mas não há certeza que dite que são a nossa história Ronda insolente o destino, que ficar na vida em espelho vestido para um tempo fechado é acto tributário, e ninguém se veste da época do seu instante banal, se a si se consentir ser divino e animal. Nesta abertura do acaso somos das modas, vencidos, que moda rege e renega as contingências dos mitos. Do amor que não há fizemos coagulações, somos derivados de enfartes, fartos das mesmas pulsões. É um chão macio este que muda- muda a seiva, muda o sítio - e não há lugar para as vestes dos fantasmas indistintos. Que as vontades mudam, desnudam, o que a moda tapara. São as conclusões douradas! Ciclos abstratos, e a nossa longa cauda de símios disfarçados. «E se o mundo é composto de mudança» toda a água se disfarça quando nos banhamos, numa luz, que em nós algures nos dança. A água gela nas veias. E não há quase minério, tão só a moda de andar de pé no cimo das ideias Bípedes a motor, consagrámos a corrida, mas ninguém nos diz da moda dos quatro membros por terra, quando forjarem a nossa saída Depois da queda do mais recente Adão, não voltaremos a colher às árvores, mas a subir a elas, nós que a moda desfez e refez em modos vários, iremos como os animais utilizar as manobras de ir ao topo dos ciclos vegetais. Talvez como os felinos E mudam-se os tempos nas feras vontades, e muda-se o estar aqui e não estar mais, e o que esquecêramos nos trará um recomeço quando muitos de nós forem arrebatados pelas vogais da Aurora.
Gastámos as línguas - litúrgicas boas-vindas - nos velhos andrajos das modas
«Do mal ficam as mágoas…» mas não na lembrança, que recordar os males é não ter esperança, e movidos e sem defeito atravessaremos as trevas só para lhes dizer adeus.
Há gente que passou o tempo de se conservar em nós como ideia, terno efeito, consciência, são os equívocos da grande teia.
Também não houve bem, nem há saudade, a missão governou o governado, e se amor bastar, é certo o lenho da nossa sua imensidade
É um país novo a Terra inteira. Passámos de moda a projectar o novo.
Não há comoção que interprete tanto desaire breve na languidez de uma era extinta de promessas. Que a liberdade é sentir de maneira vária em tons regrados, e mesmo assim não ter receio de ser vermelha e ter os lábios molhados.
ARTES, LETRAS E IDEIAS
( Camões no coração até morrer) Máquina do Mundo. Eis-te revisitada. Mudando. Mudada.
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CINETEATRO MOXIE | AMY POEHLER
Um filme de: Adam Wingard Com: Alexander Skarsgard, Millie Bobby Brown, Shun Oguri 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
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“mais obediente” a cenários sexuais. Inspirada pela mãe e por uma aluna nova que rejeita encarar com normalidade o assédio a que é sujeita por parte de um colega, Vivian decide combater o problema. A arma
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STIGMATIZED PROPERTIES [C]
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hideo Nakata Com: Kazuya Kameenashi, Nao, Koji Seto 14.30, 16.45, 21.30
SOUL [A]
FALADO EM CANTONÊS
escolhida é uma revista anónima a denunciar os problemas que vê ao seu redor, que origina um movimento pela igualdade. É acompanhada na luta por novas amizades e um aliado masculino. Salomé Fernandes
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C I N E M A
GODZILLA VS. KONG [B]
O cenário principal deste filme é uma escola secundária. A história foca-se no acordar de uma rapariga tímida de 16 anos para o sexismo que existe na sua escola, como uma lista que classifica as estudantes desde
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LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Pete Docter 19.30 SALA 3
OUR FRIEND [B]
Um filme de: Gabriel Cowperthwaite Com: Jason Segel, Dakota Johnson, Casey Affleck 14.30, 21.30
LOOKING FOR MAGICAL DOREMI [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Junichi Sato, Haruka Kamatani 16.45, 19.30
GODZILLA VS. KONG
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo M.Tavares; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo
segunda-feira 29.3.2021
opinião 15
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ai, portugal, portugal
André Namora
BARRAGENS NÃO SABEM NADAR
ANTÓNIO COSTA não tem dormido bem. As insónias são muito mais que muitas e todas sobre o mesmo assunto. É água a cair-lhe em cima, cimento a desmoronar, barragens a entornar... barragens são as insónias do primeiro-ministro. Agora veio á baila um assunto de uma seriedade gravíssima e em primeiro lugar, confirmando que António Mexia nunca deveria ter dirigido os destinos da EDP. Este homem era conhecido internacionalmente pelos especialistas em finanças pelo “cambalacheiro” e a confirmação está aí em todos os órgãos de comunicação social, nos corredores ministeriáveis e nos passos perdidos da Assembleia da República. O caso é gravíssimo porque está em causa a corrupção moral do governo, deputados e dirigentes da EDP. É muito dinheiro que está em causa, mais de 100 milhões de euros que “voaram” e que a EDP não pagou ao Estado quando “vendeu” várias barragens. Portugal está repleto de barragens e tem das electricidades ao consumo das mais caras do mundo. O ministro do Ambiente Matos Fernandes tem passados os últimos dias a perguntar-se como é que se salva desta bronca. O Bloco de Esquerda acusou o governo de ter permitido “um esquema da EDP para fugir aos impostos” da venda de barragens e chamou ao parlamento os ministros das Finanças e do
Ambiente. Esta posição refere-se ao contrato de concessão de seis centrais hidroeléctricas do Douro Internacional. O BE insistiu que que foi acrescentada uma adenda para “dar a forma de reestruturação empresarial – cisão e fusão – a um negócio que é uma venda pura e simples” da EDP aos franceses da Engie, com recurso a “uma empresa veículo”. Vejam bem que o cambalacho até meteu a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que às ordens do governo até permitiu um esquema da EDP para fugir aos impostos, ao imposto de selo no valor de 100 milhões de euros, abdicou de exercer os seus poderes de forma a proteger o interesse público. Por seu lado o ministro do Ambiente meteu os pés pelas mãos quando teve a desfaçatez de afirmar na Assembleia da República “que nem os contratos conhecia”, apesar de ser obrigação do ministro conhecer este processo de ponta a ponta. E a maior vergonha é que actualmente a concessão das seis barragens é detida por uma empresa que tem apenas um trabalhador e que é apenas um veículo no negócio. Ai, Portugal, como tua andas. Este caso é dos mais escandalosos porque a EDP arranjou um estratagema, com a conivência do governo, para não pagar impostos de mais de 100 milhões de euros. E o caso até tem enquadramento mafioso quando a EDP realizou o negócio a 17 de
“Portugal está repleto de barragens e tem das electricidades ao consumo das mais caras do mundo. O ministro do Ambiente Matos Fernandes tem passados os últimos dias a perguntar-se como é que se salva desta bronca.”
Dezembro do ano passado e no dia anterior, imagine-se, a EDP constituiu a tal nova sociedade, empresa veículo, a que chamou Camirengia Hidroeléctricos, S.A.. Lamentável foi o governo ter aceitado a trapaça da EDP como uma concessão e não como uma venda. O governo conhecia o negocia e tinha poder para alterar as condições em que este negócio foi feito, e não o fez. O negócio ainda está em curso e o governo tem a obrigação de ainda travar uma ilegalidade que só prejudica os portugueses. Para já, pelo menos, o fisco anunciou que já est´a investigar a venda das seis barragens e a questão do não pagamento de imposto de selo. Já o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, tinha que vir com uma desculpa de lana-caprina dizendo que a Agência Portuguesa do Ambiente, a inútil APA, acompanhou a operação de cedência das seis barragens nos termos das suas competências. Matos Fernandes lembrou que a avaliação de pagamento de impostos e as condições de transmissão das barragens não são da competência do Ministério do Ambiente, tirando a água do capote como não é digno num governante. É mesmo caso para dizer que as barragens não sabem nadar... *Este texto foi escrito com a antiga grafia
“A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é infeliz.” PALAVRA DO DIA
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29.3.2021
Fiodor Dostoievski
Pesca Governo deu 79 milhões de patacas em apoios desde 2007
DSEC Taxa de desemprego de 2,9% no último trimestre
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A
TIAGO ALCÂNTARA
De acordo com um órgão de comunicação social local, Myanmar Now, pelo menos 116 pessoas foram mortas no sábado, enquanto na capital, Naypyidaw, o exército birmanês assinalava o dia das forças armadas
Carne para canhão Mais de 400 mortos no Myanmar desde o início do golpe militar, segundo ONG
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M A organização não-governamental birmanesa indicou ontem que o número de mortos em Myanmar aumentou para 423, devido à violência militar e policial contra manifestantes em protesto contra o golpe de 1 de Fevereiro. O balanço anterior daAssociação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP) era de 328 mortos, mas o número de vítimas mortais subiu no sábado, na sequência da repressão de manifestações em pelo menos 40 localidades nas regiões de Rangum, Bago, Magway, Sagaing, Tanintharyi e Ayeryawady, bem como nos estados de Mon, Kachin e Shan. Em relatório, a ONG disse ter verificado a morte de pelo menos 90
pessoas, incluindo seis crianças de entre 10 e 16 anos, mas reconheceu que o número de mortos "é provavelmente muito mais elevado". De acordo com um órgão de comunicação social local, Myanmar Now, pelo menos 116 pessoas foram mortas no sábado, enquanto na capital, Naypyidaw, o exército birmanês assinalava o dia das forças armadas com um desfile militar. Num balanço anterior, o Myanmar Now tinha referido que pelo menos 91 pessoas foram mortas no sábado.
A celebração negra
Antes de o sangue correr, os principais mobilizadores do descontentamento popular recorreram
às redes sociais a apelar à participação do povo nos protestos. “Chegou novamente o momento de combater a opressão militar", declarou um dos líderes dos protestos, Ei Thinzar Maung, na rede social Facebook. "Em 27 de Março, juntemo-nos para a revolução do povo, indo para as ruas", reforçou o representante. Os militares tomaram o poder em 1 de Fevereiro por alegadas fraudes nas eleições de Novembro passado, vencidas pelo partido de Aung San Suu Kyi. A prémio Nobel da Paz foi deposta pelos militares e detida juntamente com grande parte do Governo civil. Desde o golpe, a junta militar já prendeu mais de três mil pessoas.
Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) anunciaram que a taxa de desemprego foi de 2,9 por cento no último trimestre, com o desemprego dos residentes a fixar-se em 3,9 por cento, um aumento de 0,2 pontos percentuais face ao período anterior. No período em análise, de Dezembro de 2020 a Fevereiro deste ano, “a população desempregada era composta por 11.500 pessoas, mais 600 face ao período transato”. Segundo a nota da DSEC, “o número de empregados dos hotéis e similares decresceu”, tendo, no entanto, aumentado “o de empregados das lotarias, outros jogos de aposta e actividade de promoção de jogos”. A maioria dos desempregados à procura de novo emprego “trabalhou anteriormente no ramo de actividade económica das lotarias, outros jogos de aposta e actividade de promoção de jogos, assim como no ramo da construção”, apontou a DSEC. As operadoras de casinos de Macau contrataram menos 86,6 por cento para o sector das lotarias e outros jogos de aposta, no último trimestre de 2020, devido ao impacto da pandemia, indicou a DSEC no início deste mês. TIAGO ALCÂNTARA
Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA) garantiu, em resposta a interpelação escrita de Leong Sun Iok, que foram atribuídos apoios no valor de 79 milhões de patacas ao sector da pesca desde 2007, ano em que foi criado o Fundo de Desenvolvimento de Apoio à Pesca. Estes apoios incluem “verbas destinadas à reparação das embarcações de pesca danificadas no incêndio”. Além destes apoios, a DSAMA alerta para a necessidade de as “associações do sector deverem incentivar e apoiar os proprietários das embarcações de pesca para garantir o estado das suas embarcações”. A DSAMA garantiu também que tem acompanhado o caso “do incêndio ocorrido nas embarcações de pesca do fundeadouro do Porto Interior, em princípio de Fevereiro, verificou-se que ninguém estava a bordo naquela altura.” A DSAMA chama a atenção para a importância de os próprios pescadores prestarem atenção à segurança das suas embarcações, garantindo que na zona do Porto Interior há “duas faixas corta-fogo no fundeadouro do Porto Interior que são capazes não só de dificultar a propagação do fogo em caso de incêndio nas embarcações de pesca, mas também facilitar o salvamento das embarcações das autoridades de Zhuhai e Macau”.
INDONÉSIA GOVERNO CONFIRMA QUE ATAQUE A CATEDRAL FOI ATENTADO SUICIDA
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ataque que teve como alvo a catedral de Makassar, na Indonésia, que feriu pelo menos 20 pessoas, foi um atentado suicida, afirmou ontem o ministro da Segurança, Mahfud MD. Inicialmente, foi noticiado que o ataque tinha sido
levado a cabo por apenas uma pessoa, mas o ministro indonésio disse, entretanto, que no atentado estiveram envolvidos dois bombistas suicidas, as únicas vítimas mortais registadas até ao momento. O ataque junto à catedral da cidade de Makassar, na
ilha de Celebes, provocou pelo menos 20 feridos. O atentado ocorreu quando estava a ser realizada uma celebração do Domingo de Ramos naquela igreja, que marca o início da Semana Santa para os católicos. O Presidente da Indonésia, Joko Widodo, condenou
ontem o atentado, tendo pedido à polícia para investigar “a fundo os culpados e descobrir as redes responsáveis [pelo ataque]”. O chefe da província de Celebes Sul, Merdisyam, afirmou a uma televisão local que os feridos incluem pedestres que estavam pró-
ximos da catedral, bem como fiéis que assistiam à missa. A Indonésia, onde 88 por cento dos seus 260 milhões de habitantes são muçulmanos, sofreu vários atentados nas últimas décadas, entre eles o de Bali, em 2002, que causou 202 mortos. A
tradição de tolerância da Indonésia tem sido posta à prova, nos últimos anos, por um desenvolvimento de correntes islâmicas conservadoras e muitas vezes radicais, pondo em perigo a coexistência religiosa com minorias religiosas cristãs, budistas e hindus.