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Hoje Macau 29 OUT 2018 #4161

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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 29 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4162

Um dia de respostas PÁGINA 5

ANDRÉ COUTO

A BRILHAR EM XANGAI

PÁGINA 17

FACEBOOK

ASSEMBLEIA

RÓMULO SANTOS

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Os idiotas úteis h VALÉRIO ROMÃO

Mulher de papelão OPINIÃO JOÃO LUZ

hojemacau

HOJE MACAU

PUB

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Era uma vez três Suspensos do desempenho de funções públicas e proibidos de sair de Macau. São estas as medidas de coacção aplicadas aos três funcionários do IPIM, na sequência de uma investigação do CCAC. O presidente do conselho de administração, um vogal executivo e um ex-director-adjunto terão alegadamente cometido crimes funcionais na apreciação de pedidos de fixação de residência. GRANDE PLANO

SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA

PROPÓSITOS ELEITORAIS PÁGINA 6

PEARL HORIZON

Pormenores bem escondidos

PÁGINA 8


2 grande plano

29.10.2018 segunda-feira

IPIM

AO CONTA QUE caso estalou na sexta-feira com o anúncio do CCAC de que o presidente do conselho de administração, um vogal executivo e um ex-director-adjunto do gabinete jurídico e de fixação de residência do IPIM estão a ser investigados judicialmente por terem alegadamente praticado crimes funcionais na apreciação de pedidos de fixação de residência. O CCAC não especifica os delitos nem identifica os funcionários mas, segundo a imprensa chinesa, além do ‘número um’ do IPIM, Jackson Chang, os outros dois implicados serão Glória Batalha e Ian Iat Chun. O HM tentou contactar a vogal executiva do IPIM, mas sem sucesso. Foi num breve comunicado que o CCAC revelou que, na sequência da investigação, os três foram encaminhados na quinta-feira para o órgão judicial competente “por terem alegadamente praticado crimes funcionais na apreciação e autorização dos pedidos de ‘imigração por investimentos em imóveis’, ‘imigração por investimentos relevantes’e ‘imigração por fixação de residência dos técnicos especializados’”. Suspensão do desempenho de funções públicas e proibição de saída da RAEM foram as medidas de coacção aplicadas, adiantou o organismo liderado por André Cheong, sem facultar mais detalhes, comprometendo-se apenas a divulgar mais informações quando se verificarem “novos desenvolvimentos” relativamente ao caso.

TIAGO ALCÂNTARA

Três funcionários do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) foram suspensos do desempenho de funções públicas por suspeita da prática de “crimes funcionais” na apreciação de pedidos de fixação de residência. Além de Jackson Chang, presidente do conselho de administração, estarão em causa Glória Batalha e Ian Iat Chun, segundo a imprensa chinesa

SUSPENSOS TRÊS FUNCIONÁRIOS, INCLUINDO PRESIDENTE, POR SUSPEITA DE CRIMES FUNCIONAIS

OS IMPLICADOS

Jackson Chang, como também é conhecido Cheong Chou Weng, assumiu a presidência do IPIM no dia 1 de Fevereiro de 2010, na sequência da exoneração do cargo do seu antecessor. Lee Peng Hong foi afastado após dez anos em funções na sequência de uma decisão, nunca clarificada, tomada pelo então secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam. Já Glória Batalha Ung, que integra os quadros do IPIM desde 1995, foi nomeada em Março de 2015 para vogal executiva do IPIM – função também desempenhada por Irene Lau, Luiz Jacinto e Agostinho Vong Vai Lon. Em Maio último, Glória Batalha foi igualmente escolhida para desempenhar o cargo de secretária-geral adjunta do Se-

cretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau), substituindo Echo Chan, que renunciou a essa posição. O terceiro implicado é – segundo indicou o CCAC – um

Suspensão do desempenho de funções públicas e proibição de saída da RAEM foram as medidas de coacção aplicadas

ex-director-adjunto do gabinete jurídico e de fixação de residência do IPIM, actualmente a exercer funções de chefe de departamento no Fundo de Pensões. Segundo a imprensa chinesa, trata-se de Ian Iat Chun que é, desde 2012, chefe


grande plano 3

segunda-feira 29.10.2018

O CCAC FEZ

do Departamento do Regime de Aposentação e Sobrevivência do Fundo de Pensões.

PROCESSOS DISCIPLINARES

O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, reagiu no mesmo dia ao caso, dando

conta de que vão ser abertos processos disciplinares na sequência da investigação do CCAC, uma vez obtida anuência do Chefe do Executivo para contratar um instrutor independente. Em comunicado, Lionel Leong diz atribuir “elevada importância ao

O INÍCIO DE TUDO

Tudo começou com uma investigação do CCAC sobre a apreciação pelo IPIM dos pedidos de imigração por investimentos relevantes e de imigração por fixação de residência dos técnicos especializados, levada a cabo na sequência de uma série

Jackson Chang

Governo promete “tolerância zero para com quaisquer actos corruptos”

Glória Batalha Ung

de denúncias apresentadas ao longo dos anos. No relatório, publicado em Julho, o CCAC detectou problemas relacionados com a falta de rigor na apreciação e verificação dos pedidos de imigração por investimentos relevantes – com valores demasiado baixos ou com demasiada enfâse em investimentos em imóveis – e nos de imigração por fixação de residência de técnicos especializados. O organismo liderado por

Secretário para a Economia e Finanças anuncia abertura de processos disciplinares GCS

caso”, prometendo “tolerância zero para com quaisquer actos corruptos”. Na mesma nota, o secretário para a Economia e Finanças avançou que vai apresentar, “com maior brevidade possível”, o relatório de investigação ordenado pelo Chefe do Executivo, do qual devem constar sugestões para a revisão dos diplomas relativos à “imigração por investimentos” e à “imigração por fixação de residência dos técnicos especializados”. “Com base nos trabalhos de curto, médio e longo prazo ora em curso, irá ser aperfeiçoada a construção dos regimes de apreciação e de verificação desses pedidos, colmatando as lacunas existentes”, sublinhou Lionel Leong. O secretário para a Economia e Finanças realçou ainda que, no início do mês, deu instruções ao IPIM para proceder, o mais cedo possível, a uma revisão global do regime disciplinar previsto no Estatuto Privativo do Pessoal do IPIM e à introdução de alterações conforme o Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, “no sentido de reforçar o rigor do regime disciplinar aplicável ao pessoal dessa instituição”. Trabalhos que, segundo declarou, se encontram na “recta final” e devem ser concluídos “num curto espaço de tempo”. A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, também se pronunciou, reiterando que os assessores jurídicos estão a analisar o Estatuto Privativo do Pessoal do IPIM, para se proceder ao devido acompanhamento do caso, em particular no tocante ao funcionário que actualmente exerce funções no Fundo de Pensões. Uma tarefa que, a avaliar pela estimativa de Sónia Chan, deve ter sido entretanto concluída, dado que antecipou na passada sexta-feira que seriam precisos “um a dois dias” para o efeito.

André Cheong apontou a ausência prolongada dos requerentes de Macau e situações de obtenção de autorização de residência temporária através da simulação de contratação, entre outros. No início do mês, em declarações aos jornalistas, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, tinha afirmado, porém, que com base no resultado das averiguações desencadeadas ao regime de apreciação de residência temporária, não tinham sido detectadas quaisquer acções ilícitas por parte do pessoal do IPIM. De acordo com dados do IPIM, entre 2008 e 2017, foram recebidos 574 pedidos no âmbito da imigração por investimentos relevantes, dos quais 186 foram autorizados, tendo sido autorizada residência temporária na RAEM a 410 pessoas. Já os pedidos no âmbito da imigração por fixação de residência dos técnicos especializados ascenderam a 5.039 durante o mesmo período, dos quais 3.296 receberam luz verde, tendo sido autorizada residência temporária na RAEM a universo de 5.376 pessoas.

Na sequência do relatório do CCAC, o IPIM anunciou uma série de medidas para melhorar o processo de apreciação e autorização de pedidos de fixação de residência. Do pacote delineado para curto prazo – para aplicação até ao final do ano – constava a revisão das autorizações de residência temporária prestes a completar sete anos e a inspecção ‘in loco’ dos projectos relativos à imigração por investimentos relevantes. Até ao final de Setembro, tinham sido examinados mais de 20 projectos, segundo o IPIM. Outras medidas incluíam a introdução de um mecanismo de confirmação final pelo IPIM de que o requerente, antes de se qualificar para a obtenção de residência permanente, continuou a investir em Macau e que a respectiva empresa se mantinha em funcionamento e a contratar trabalhadores locais; bem como o reforço do limiar do investimento mínimo para 15 milhões de patacas. Isto é, dez vezes mais do que o valor de alguns investimentos na base dos primeiros pedidos de residência temporária que obtiveram luz verde por parte do IPIM, segundo o relatório do CCAC. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


4 política

29.10.2018 segunda-feira

LAG ÁRVORE DE OPINIÕES NA SEDE DO GOVERNO

O

fim de semana, preenchido com a abertura da Sede do Governo à população, foi marcado pela presença do Chefe do Executivo, sábado, no evento. Chui Sai On aproveitou o momento para falar com os visitantes que ali se dirigiram, refere um comunicado oficial. Durante os dois dias de abertura ao público, a Sede do Governo recebeu um total de 17 405 visitantes. Este foi ainda o momento em que as pessoas podiam deixar bilhetes ao Executivo com sugestões para as próximas Linhas de Acção Governativa. No edifício do palácio foi erguida uma “árvore dos desejos”, uma estrutura para receber as ideias dos residentes. O tema da habitação parece ser o que mais preenche os desejos da população. “Desejo que o Governo construa casas

IAM ASSOCIAÇÃO DE NG E AU VAI PROPOR CINCO MEMBROS PARA CONSELHO CONSULTIVO

Quinteto comunitário

A

dias do fim do prazo para a apresentação de candidaturas para o Conselho Consultivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), o futuro órgão municipal sem poder político que substitui o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) a partir de Janeiro, a Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau (IDCM) revelou que vai recomendar um total de cinco membros. Segundo o “All About Macau”, o presidente e a vice-presidente da IDCM, respectivamente, Jeremy Lei e Cloee Chao, bem como Lao Meng Fai, Wu Wa In e Lam Weng Ioi vão ser os candidatos da associação, da qual fazem parte os deputados pró-democratas Ng Kuok Cheong e Au Kam San, ao novo organismo. As candidaturas ao Conselho Consultivo do IACM, abertas desde dia 3, terminam na próxima quinta-feira.

De acordo com a mesma publicação em língua chinesa, os cinco candidatos da IDCM defendem a constituição dos órgãos municipais por via do sufrágio universal e a sua responsabilização perante a população. O quinteto entende que os futuros membros devem estar atentos nomeadamente à renovação urbana e às responsabilidades sociais por parte das operadoras de jogo.

JOGO DAS RECOMENDAÇÕES

Em conferência de imprensa, realizada na sexta-feira, o deputado Ng Kuok Cheong recordou que, ao longo dos tempos, tem sido adoptada a

forma de nomeação na escolha dos membros nos conselhos consultivos, pelo que a população desconhecia como recomendar residentes para o futuro órgão. Até 1 de Novembro, o Governo está a receber candidaturas por auto-recomendação das pessoas que reúnam as condições e aceita recomendação por terceiros através da apresentação de nota curricular ao Chefe do Executivo. Os membros do Conselho de Administração e do Conselho Consultivo do IAM vão ser nomeados pelo Chefe do Executivo, algo que foi objecto de fortes críticas por parte dos

Au Kam San insistiu estar “desiludido” com o método que acabou por vingar e apontou que, face à ausência de democracia, o mecanismo de recomendação não passa de um jogo

Gabinete de Ligação Comunicado defende honestidade de Zheng Xiaosong Um homem “honesto”. Foi assim que o ex-director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Zheng Xiaosong, foi descrito num comunicado divulgado ontem pelo organismo a que presidia, oito dias depois de ter sido encontrado

morto. O texto tece rasgados elogios ao profissionalismo e à personalidade do homem que morreu depois de ter caído do apartamento onde vivia em Macau. No comunicado, Zheng é caracterizado como “um membro excepcional do Partido Comunista

Chinês” e um profissional talentoso nas áreas diplomáticas e financeiras, com trabalho feito na província de Fujian, em Hong Kong e em Macau. A nota do organismo a que presidiu enaltece o “forte sentido de profissionalismo e responsabili-

deputados pró-democratas, que defendem a eleição pela população. Apesar de entender que pode não ser uma forma “aberta e clara”, Ng Kuok Cheong considera que pode pelo menos servir para dar a conhecer à sociedade quem são os candidatos e quem defende o sufrágio universal para a escolha dos membros dos órgãos municipais. Já Au Kam San insistiu estar “desiludido” com o método que acabou por vingar e apontou que, face à ausência de democracia, o mecanismo de recomendação não passa de um jogo. No entanto, com o objectivo de fomentar o desenvolvimento comunitário e de fazer com que mais residentes estejam atentos aos assuntos sociais, a associação acabou por decidir tentar participar, avançando com candidaturas, sublinhou o deputado. Vítor Ng

info@hojemacau.com.mo

dade” e a entrega que empregava no trabalho. O comunicado refere ainda que o corpo será cremado e as cinzas depositadas no Cemitério Revolucionário de Babaoshan, em Pequim, de acordo com a vontade da família Zheng Xiaosong.

HOJE MACAU

A Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau vai recomendar cinco membros, incluindo Cloee Chao, para o Conselho Consultivo do futuro Instituto para os Assuntos Municipais (IAM)

económicas e abra um novo processo de candidaturas”, “desejo que os preços das casas sejam reduzidos de modo a que os trabalhadores comuns possam ter acesso” e “que toda a gente tenha uma casa para viver quer seja rico ou pobre” são alguns exemplos que constam nesta “árvore”. A resolução de problemas de trânsito e de estacionamento também são mencionadas várias vezes com bilhetes a sublinhar que “são necessários mais lugares de estacionamento”, e que “é preciso resolver o congestionamento de tráfego”. Há ainda quem deseje melhores condições laborais pedindo ao Governo “o pagamento de horas extra” e quem apele a mais regalias para os trabalhadores. Com alguma inocência há quem peça ao Governo de Macau a paz no mundo. S.M.M. com V.N.


política 5

Representantes do Governo deslocam-se hoje ao hemiciclo para responder a 20 interpelações orais. O funcionamento de fundos e de empresas de capitais públicos figura entre os principais temas em discussão

RÓMULO SANTOS

segunda-feira 29.10.2018

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STÁ marcada para hoje a primeira ronda de interpelações orais da nova sessão legislativa que, a avaliar pelo número, deve estender-se até amanhã. No total, contam-se 20, submetidas por 19 deputados. A tutela dos Transportes e Obras Públicas aparece entre as mais visadas, desde logo por causa do Metro Ligeiro, terrenos, habitação pública e inundações, seguindo-se a da Economia e Finanças com o funcionamento dos fundos e de empresas de capitais públicos à cabeça, mas também com problemas do foro laboral. O caso da Viva Macau, à qual foram concedidos empréstimos aparentemente irrecuperáveis de 212 milhões de patacas, serve de ponto de partida para a interpelação oral de Ella Lei que coloca em causa a “flexibilidade” de que gozam fundos públicos. “O funcionamento, regime de apreciação e fiscalização dos fundos têm suscitado muitas dúvidas”, sublinha. Neste âmbito, a deputada dá o exemplo da Parafuturo de Macau, constituída com um capital social de 400 milhões, subscritos pelo Governo, Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FDIC) e Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM). A Parafuturo de Macau recebeu, no primeiro trimestre do ano, mais de 12 milhões para despesas operacionais do Centro de Incubação de Negócios para os Jovens, “o financiamento mais elevado concedido nos primeiros três meses do ano”. “Esse montante é razoável? Como se fiscaliza tudo isto?”, questiona a deputada, exigindo maior transparência nas informações sobre as entidades requerentes e os respectivos projectos. Na mesma linha, Leong Sun Iok critica os “montantes gigantescos do erário público” injectados nas empresas de capitais públicos, entendendo ser “inadiável” a criação de diplomas para uma “fiscalização eficaz” das mesmas. “A legislação

Leong Sun Iok “A legislação de Macau não dispõe de normas sobre as empresas de capitais públicos (...), daí que seja fácil manipulá-las e transformá-las em ferramentas para o tráfico de influências.”

AL RONDA DE INTERPELAÇÕES ORAIS MARCADA PARA HOJE

Na ordem do dia de Macau não dispõe de normas sobre as empresas de capitais públicos em diversas matérias”, daí que “seja fácil manipulá-las e transformá-las em ferramentas para o tráfico de influências”, observou, falando dos “prejuízos significativos” nomeadamente do caso da Tai Lei Loi, empresa em que o Governo injectou 417,12 milhões em 1995 na sua constituição, que declarou subitamente falência há dois anos. “O Governo deve definir critérios rigorosos de avaliação e mecanismos de fiscalização e responsabilização”, defendeu o também membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), indagando como tal vai ser feito. Agnes Lam também se debruça sobre os empréstimos dos fundos públicos, tocando igualmente na ‘ferida’ da Viva Macau para pedir “indicadores mais claros” na apreciação e autorização de elevados apoios financeiros. “Que mecanismo é que o Governo vai

seguir no futuro com vista a assegurar rigorosamente a apreciação e autorização, eliminando a possibilidade de tráfico de influências?”, pergunta a deputada.

O PESO DO METRO

O Metro Ligeiro surge também como denominador comum a duas interpelações orais. Pereira Coutinho quer saber quem vai assumir a responsabilidade pelo “grosseiro” erro cometido pela comissão de avaliação das propostas da empreitada do Parque de Materiais e Oficina do Metro Ligeiro e de que forma. Isto porque, segundo o Tribunal de Última Instância (TUI), a obra deveria ter sido adjudicada à China Road and Bridge Corporation e não à Companhia de Engenharia e de Construção da China que acabou contemplada, por erros de cálculo na pontuação, com a empreitada avaliada em 1,06 mil milhões de patacas. Apesar da decisão do TUI obrigar à revisão do resultado do concurso, o Executivo recusou executá-la, invocando “causa legítima de inexe-

cução” por considerar que implicaria “graves prejuízos para o interesse público”, uma vez que a empreitada está “praticamente concluída”. “A decisão desajustada e imponderada tomada pelo Governo irá, por certo, obrigar a que a Administração tenha de vir a indemnizar o empreiteiro recorrente em muitos milhões de patacas à custa do erário público”, observou o deputado. Chui Sai Peng, por seu turno, debruça-se sobre os custos crescentes do Metro Ligeiro e refere que o Governo tem “a responsabilidade inevitável” de responder às questões do público e divulgar “de forma clara” os principais pormenores da obra, incluindo justificações para cada reforço orçamental.

DO TRABALHO

Já Lei Chan U aborda o salário mínimo para os trabalhadores de limpeza e segurança na actividade de administração predial, cujo valor nunca foi revisto desde que

foi criado há três anos, pedindo esclarecimentos para o facto de não se ter cumprido o que estipula a lei. A falta de actualização é também razão de queixa para Lam Lon Wai, desta feita no que toca aos limites máximos das indemnizações por morte e incapacidade absoluta permanente para o trabalho decorrentes de acidentes laborais ou de doença profissional a pagar pela seguradora que, como lamenta, não sofrem mexidas há seis anos. Sulu Sou assina duas interpelações orais: uma sobre casos investigados pelo Comissariado Contra a Corrupção que “caíram em saco roto”, como o do terreno da Fábrica de Panchões e o projecto do Alto de Coloane; e outra sobre a “falta de garantias ao nível da profissão e da aposentação” com que se deparam os docentes das escolas particulares. A habitação pública, a ausência de medidas contra inundações e as políticas para idosos também dão mote a interpelações orais, cuja ronda arranca com perguntas sobre o posicionamento de Macau no contexto da Grande Baía pela mão da deputada Angela Leong. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


6 sociedade

29.10.2018 segunda-feira

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EONEL Alves foi um dos cerca de 200 subscritores da recandidatura de Jorge Neto Valente à presidência da Associação dos Advogados de Macau (AAM). A revelação foi feita pelo causídico, na sexta-feira, à saída do tribunal. “Fui um dos subscritores da lista do Dr. Jorge Neto Valente”, afirmou. “Conheço o Dr. Neto Valente há 30 ou 40 anos e teve sempre como orientação o bem-servir da comunidade”, frisou. O ex-deputado e membro do Conselho do Executivo pensa que o actual

AAM SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA DEFENDE MAIOR IGUALDADE ENTRE AS LÍNGUAS

Pontos de partida

Regulamentação das sociedades de advogados, preparação da revisão dos estatutos do advogado e da associação, maior diálogo com tribunais e magistraturas e reforço da cooperação com as autoridades do Governo Central. Estes são alguns dos pontos do programa eleitoral de Sérgio de Almeida Correia na corrida à presidência da Associação dos Advogados de Macau na gaveta, não obstante o trabalho que deu a alguns colegas. É hora de retomar esse projecto e avançar com a regulamentação das sociedades de advogados,

promessa antiga e jamais cumprida.”

REVISÃO DOS ESTATUTOS

Outra da questões que remonta a 2012 é a actua-

lização dos estatutos do Advogado e da Associação. Neste sentido, a candidatura de Sérgio de Almeida Correia compromete-se a preparar até ao final do

mandato os documentos necessários às revisões. É deixada a garantia que a revisão não deve “beliscar o respectiva estatuto de associação pública e a au-

HOJE MACAU

AIOR igualdade entre as línguas chinesa e portuguesa nos tribunais da RAEM. Este é um dos 18 pontos do programa eleitoral da candidatura de Sérgio de Almeida Correia à presidência da Associação dos Advogados de Macau (AAM), divulgado na semana passada. Na base do objectivo está a necessidade de fazer com que a Justiça seja imediatamente acessível a todos os que dominam uma das línguas oficiais. “Qualquer que seja a língua em que uma decisão seja produzida, é essencial que os seus destinatários, sejam os advogados ou as próprias partes, possam inteirar-se de imediato do seu conteúdo na língua que dominam”, é defendido. A ausência de traduções, por parte dos tribunais, de sentenças em português para chinês e de chinês para português tem sido uma críticas recorrentes da classe quanto ao funcionamento dos tribunais. Sérgio de Almeida Correia acredita que existem meios suficientes para disponibilizar a tradução: “A RAEM tem vastos recursos em matéria económica e financeira que lhe permitem suportar os custos da tradução de sentenças e despachos judiciais”, aponta. Num programa que teve como um dos principais critérios as “garantias de exequibilidade”, contam algumas questões debatidas anteriormente, mas que ainda não foram concretizada. Como, por exemplo, a regulação das Sociedade de Advogados, que esteve em discussão pelo menos desde 2012. “Estamos em 2018 e o projecto [para remeter ao Governo] continua

tonomia e auto-regulação da profissão”. No que diz respeito ao diálogo com os tribunais e magistraturas, é apontado o “aumento da conflitualidade verbal” entre a AAM e os tribunais, pelo que a candidatura defende a “construção de um clima saudável” entre os diferentes agentes. “A AAM tem um papel fundamental na administração da justiça. Para que este papel possa ser devidamente cumprido afigura-se necessário que haja uma mudança de interlocutores. A AAM precisa de ter interlocutores que sejam escutados pelos seus destinatários, e que o diálogo estabelecido com as instituições judiciárias não tenha somente natureza formal, nem se destine apenas a cumprir calendários”, defende o candidato. Já sobre a relação com as autoridades do Interior da China é defendida uma cooperação permanente, com respeito pelo princípio um país, dois sistemas, e o primado da lei. “A sensibilização para a necessidade da preservação do “princípio um país, dois sistemas” e de todas as garantias do ‘rule of law’ insere-se no pensamento do Presidente Xi Jinping, não representando uma qualquer bizarria da RAEM”, é sublinhado. Outro dos pontos do programa incide sobre a informatização dos tribunais e a eliminação do papel, o levantamento da situação dos estagiários, para perceber as principais dificuldades, a melhor definição das questões da deontologia, a redução dos conflitos entre a classe, e ainda o repensar das celebrações do Dia do Advogado. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Leonel Alves apoia Neto Valente

Ex-deputado diz que actual presidente sempre teve como orientação “o bem-servir da comunidade”

presidente da AAM está a fazer um sacrifício em prol do serviço à comunidade, tal como ele fez, quando assumiu as funções de deputado durante 33 anos. “É um sacrifício, como também foi para mim, durante os 33 anos que fui deputado. Estamos a falar do desempenho de uma função pública que tem grande impacto na sociedade e acaba por ser

um misto de prazer e desprazer. É um prazer porque dá a oportunidade de servir, mas é um desprazer quando é durante um longo prazo, como também foi no meu caso”, considerou. Leonel Alves revelou ainda que está a ponderar retirar-se da profissão de advogado, após ter sido questionado se tinha equacionado candidatar-se à

presidência da AAM: “Estou a pensar retirar-me da profissão”, respondeu.

ALTERNATIVA POUCO MADURA

Sobre a eventual existência de uma lista encabeçada por Sérgio de Almeida Correia, que ainda não formalizou a candidatura, o ex-deputado elogiou a oportunidade para o debate de ideias. “É sempre bom haver trocas

de opiniões, haver propostas diferentes, um diálogo constante, dentro do âmbito do máximo de civismo e pugnando todos para a realização de um objectivo comum, que é o interesse público e a existência de uma boa advocacia em Macau e uma boa Justiça”, realçou. Ainda sobre a lista alternativa ao actual presidente

da AAM, Leonel Alves considerou que deveria ter sido planeada mais cedo. “Para um projecto desta natureza devia ter iniciado o processo há bastante mais tempo. Isto é como nas eleições para a Assembleia Legislativa, não se preparam as eleições para ganhar apenas com dois meses de antecedência”, indicou. O prazo para apresentação de candidaturas à presidência da AAM termina no dia 31 de Outubro. O acto eleitoral está agendado para Dezembro. J.S.F.


sociedade 7

segunda-feira 29.10.2018

S

ÃO poucas as informações avançadas pelo Governo quanto à renovação das concessões de jogo, mas para o advogado Nuno Sardinha da Mata deveria ser realizado um único concurso público para a renovação das seis concessões. Isto porque a concessão da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), e da sua subconcessionária MGM, termina em 2020, mais cedo do que as restantes. “Um dos problemas que se põe agora é saber o que é que o Governo vai fazer com o novo concurso. Vai fazer um para a SJM e MGM e depois outro para as outras? Valerá a pena, será prático, fazer dois concursos? Parece-me que não”, defendeu ao HM à margem da 11ª Conferência internacional sobre as reformas jurídicas de Macau em contexto global, que terminou sexta-feira na Universidade de Macau. A solução apontada pelo advogado passa pela realização de um “concurso para tudo”, uma vez que “está previsto na lei um prolongamento do prazo da concessão da SJM e MGM para que cheguem ao mesmo prazo que as outras concessionárias”. “Haveria vantagem que as coisas fossem niveladas com a mesma data”, frisou. Relativamente às subconcessões, o advogado não considera que estas sejam ilegais por não constarem na lei. Contudo, aquando da revisão das concessões, deve haver uma alteração. “Num novo modelo, e a assumir que os actuais concessionários e subconcessionários continuarão, fará todo o sentido que sejam todos concessionários. Uma das coisas que fará sentido é definir quantas são e se são todas concessões. O Governo é que terá de fazer essa escolha, que é política.”

QUANTO PAGAMOS?

Na sua apresentação, intitulada “O enigma da esfinge e o futuro do Direito do jogo de Macau”, Nuno Sardinha da Mata, partner no escritório de advocacia fundado

JOGO DEFENDIDO CONCURSO PÚBLICO PARA TODAS AS CONCESSIONÁRIAS

Afinação geral

A concessão da Sociedade de Jogos de Macau e da sua subconcessionária MGM termina mais cedo que as restantes. Para o advogado Nuno Sardinha da Mata, o Governo deve estender o prazo desta concessão para que não se realizem dois concursos públicos diferentes. O causídico defende ainda que se deve repensar a percentagem de imposto a pagar pelas concessionárias

jogo. Novos mercados, como os do Japão, Vietname, Singapura e Filipinas, deverão ser tidos em conta, não somente em futuras estratégias de captação de mercado mas, sobretudo, na definição das condições dadas pelo Governo aos futuros operadores, tal como o valor da tributação aplicada e as contrapartidas exigidas aos novos concessionários”, apontou. Na sua apresentação, e do ponto de vista académico, Nuno Sardinha da Mata colocou a hipótese do Executivo vir a adoptar o modelo das licenças ao invés das concessões, tal como existe em Las Vegas, Estados Unidos. Mas ao HM garantiu que o modelo das concessões deve continuar no território. “Não é uma boa solução, porque a tradição de Macau não é essa. Creio que as concessões, relativamente à forma e formalidades legais que estão criadas, são uma melhor solução para Macau do que as licenças. Contudo, com o estabelecimento de um novo concurso, todas as hipóteses são possíveis.”

EFEITOS DA GUERRA

por Rui Cunha, também defende que o Executivo deve repensar a percentagem de impostos que as actuais concessionárias pagam. “É mais uma solução política que o Governo tem de tomar. Por um lado, pode deixar tudo na mesma e as pessoas já sabem com o que contam. Por outro lado, o Governo tem de ter em consideração que esta é uma indústria importante para o território. Interessa-lhe proteger a sua indústria principal, e não lhe interessa carregar os operadores

ADVOGADO APOIA CANDIDATURA DE NETO VALENTE

N

uno Sardinha da Mata adiantou ao HM que foi um dos 200 subscritores da recandidatura de Jorge Neto Valente à presidência da Associação de Advogados de Macau, mas não quis fazer mais comentários sobre o processo eleitoral que arranca em Dezembro.

de jogo de impostos para que, ou a exploração do jogo fique desinteressante, ou ela represente um encargo de tal forma que seja mais vantajoso operar noutras jurisdições que estão agora a operar. É importante que isso seja ponderado.” Na visão do advogado, o desenvolvimento do jogo em países como Singapura, Japão ou Filipinas pode obrigar a uma mudança de paradigma. “Macau passou da condição de exclusividade para mais um mercado de oferta de

Para Nuno Sardinha da Mata, temos ouvido poucas informações da parte do Governo quanto às futuras decisões neste campo, o que põe em causa a preparação de possíveis candidatos num concurso internacional. O advogado recorda que é necessário traçar bem um rumo tendo em conta o panorama da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. “Numa altura em que a República Popular da China é um dos principais líderes do comércio mundial, e num tempo em que a guerra comercial assume dimensões nunca antes vistas, urge perceber se este complicado xadrez internacional não poderá constituir um móbil para a China diminuir a presença dos investidores estrangeiros no território, privilegiando uma estratégia mais proteccionista no seio de uma indústria altamente lucrativa”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

TRÂNSITO PONTE HKZM ASSUSTA MOTORISTAS DE MERCADORIAS

A

abertura de Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau está a preocupar a classe dos motoristas de mercadoria, que receiam que condutores não-locais possam trabalhar neste sector no território. Por esse motivo, Lam Lon Wai, deputado da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM), pergunta numa interpelação escrita que medidas vão ser tomadas para proteger o emprego dos residentes. “A abertura da

Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e o reconhecimento das cartas de condução entre as diferentes regiões são um aspecto que preocupam muito os motoristas profissionais. Existe ainda a preocupação que haja um aumento do número de motoristas ilegais e que esse facto dificulte as condições de trabalho no sector. Há ainda o medo que o Governo abra o sector a não-residentes”, começa por descrever Lam Lon Wai.

“Será que a Administração vai manter-se firme na política de não permitir a importação de trabalhadores não-locais e proteger os interesses dos residentes?”, questiona o legislador. Lam exige também multas mais pesada para os empregadores que contratam trabalhadores não-residentes para o transportes de mercadorias. “A opinião que existe é que as penalizações para os infractores

são demasiado leves. Este é um assunto que o Executivo diz estar a estudar há muitos anos. Quando é que vão alterar a lei para endurecer as multas, principalmente para os patrões que contratam trabalhadores ilegais?”, escreve. Finalmente, o deputado da FAOM pede ao Governo que aumente os meios e as operações de combate à contratação de motoristas ilegais em Macau.


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29.10.2018 segunda-feira

Mercado Vermelho Requalificação não vai afectar fachada A vice-presidente do Instituto Cultural (IC), Leong Wai Man, garantiu que a requalificação do Mercado Vermelho não vai afectar a fachada nem as características importantes do edifício, integrado na lista de bens imóveis classificados pelo IC. Em declarações reproduzidas ontem pelo jornal Ou Mun, a mesma responsável assegurou

que o IC, que tem parecer vinculativo no caso, mantém boa comunicação com o IACM e com a DSSOPT. O Mercado Vermelho vai ser alvo de intervenção, segundo o portal do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) que está a recolher, até ao próximo dia 6, opiniões sobre a respectiva Planta de Condições Urbanísticas.

EPM Filipe Figueiredo eleito para a Associação de Pais Filipe Figueiredo foi eleito presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação de Alunos da Escola Portuguesa de Macau, na passada quinta-feira. O mandato tem a duração de dois anos e o novo presidente sucede a Valéria Koob,

que ocupou o cargo entre 2016 e 2018. A lista encabeçada por Filipe Figueiredo foi a única a ir a votos. Ricardo Porto foi novamente eleito vice-presidente, posição que também ocupava na direcção de Valéria Koob.

PEARL HORIZON VENDEDORES SÓ DIZIAM DATA DO FIM DA CONCESSÃO QUANDO LHES ERA PERGUNTADO

antes do projecto”, apontou. “Nunca tivemos antecedentes na falha de entrega de fracções. Por isso, falar de burla é ofensivo. Nunca houve intenção de enganar as pessoas” sublinhou.

Letras bem pequeninas A data do fim do prazo de concessão do Pearl Horizon estava escrita nos contratos de venda assinados entre 2011 e 2013. Porém, os vendedores só diziam aos compradores que a data limite para a construção era Dezembro de 2015, quando questionados sobre o assunto

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PESAR das vendas de fracções do Pearl Horizon terem decorrido entre 2011 e Maio 2013, antes das obras começarem, os vendedores só diziam o prazo do fim da concessão aos compradores quando questionados. A data limite era de Dezembro de 2015 e constava, depois, nos contratos. Esta versão dos acontecimentos foi partilhada por Chio Kuok Ieng, uma das vendedoras da empresa, na sessão de sexta-feira do julgamento em que a Polytec acusa Lei Kong, colaborador do jornal Son Pou, e o director da publicação, Chao Chon Peng, da prática do crime de difamação e

exige o pagamento de uma compensação de cerca de 2 milhões de patacas. “Nós não tentávamos esconder [a data do fim da concessão]. Mas não avisávamos os compradores do prazo, se eles não perguntassem. Se eles perguntassem, respondíamos”, disse Chio Kuok Ieng, empregada da Polytec e testemunha arrolada pela acusação. A vendedora, com mais de 30 anos de experiência, fez questão de sublinhar que a informação constava nos contratos assinados e que uma pesquisa permitiria aos compradores saber quando o prazo da concessão terminava. “Os detalhes estavam todos nas cláusulas dos contratos, que foram feitos com o recurso aos advogados. Com base em pesquisas, as pessoas também podiam ter acesso à informação”, relatou. A questão foi discutida em tribunal, uma vez que no contrato constava que depois de serem construídas as fundações do edifício, a empresa tinha 1200 dias, mais de dois anos, para completar as obras. Segundo as testemunhas ouvidas na sexta-feira, só as fundações podiam levar entre um e dois anos a ficarem prontas. Quando foram feitas as vendas, as obras ainda não tinham começado, o que só aconteceu mais tarde, em Janeiro de 2014.

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

No seu depoimento, Chio revelou ainda que “dezenas ou uma centena” de clientes a quem vendeu fracções eram pessoas que confiavam na empresa. “Muitos dos compradores já eram clientes da sociedade. São negócios que passam de geração em geração, até porque as pessoas querem viver

na mesma zona. [...] Essas pessoas tinham confiança”, explicou. Por este motivo, a testemunha arrolada pela acusação deixou fortes críticas aos artigos publicados pelo jornal Son Pou em que foram utilizadas expressões como “cláusulas abusivas”, ou “fraude”, para definir os negócios entre a empresa e

os compradores. “Os artigos tiveram um impacto muito negativo e afectaram bastante a confiança na empresa. Foi muito desagradável, porque o jornal não nos perguntava o que realmente se passava”, indicou. Na mesma sessão, foi ouvido um dos gestores da área financeira com o sobrenome Ieong. O funcio-

“Nós não tentávamos esconder [a data do fim da concessão]. Mas não avisávamos os compradores do prazo, se eles não perguntassem. Se eles perguntassem, respondíamos.” VENDEDORA DA POLYTEC

nário do grupo negou que as vendas de fracções em construção tenham qualquer ilegalidade, uma vez que aconteceram entre 2011, após ter sido aprovado o projecto do edifício, e foram suspensas a 31 de Maio de 2013. Ou seja, um dia antes da entrada em vigor da nova lei que passou a definir que as pré-vendas só podem ser feitas quando há uma licença de obra e estão concluídas as fundações do edifício. “Só em 2011 começaram a ser feitas vendas porque antes disso não estava aprovado o projecto. Portanto, não é verdade que tenha havido vendas

LI KA SHING DE MACAU

Ieong destacou ainda que a Polytec sempre foi vista como uma empresa credível e que era comparada ao grande grupo do homem mais rico de Hong Kong, Li Ka Shing. “A reputação da empresa era muito elevada. As pessoas chegavam a dizer que éramos como a empresa Cheong Kong, do empresário Li Ka Shing. Também os bancos nos emprestava sempre dinheiro. Se achassem que não éramos uma empresa credível, não iam emprestar”, defendeu. O gestor da área financeira admitiu depois que a reputação da empresa sofreu com o caso Pearl Horizon e que o jornal teve uma grande responsabilidade neste aspecto, por ter escrito “factos que não correspondem à verdade e deturpações”. Ieong negou ainda que a empresa tenha alterado o projecto apresentado em 2009 para ter mais área de construção e lucrar mais. Um argumento que foi defendido também pelos projectistas Lei e Leong, que apontaram que todas as alterações foram feitas para responder às exigências do Governo. Em relação a este aspecto, o tribunal enviou um pedido de informação às Obras Públicas, que recolheu o apoio do advogado da Polytec, Leonel Alves. Ao longo da sessão, o Ministério Público perguntou se alguma vez a Polytec tinha sido acusada por compradores do crime de fraude ou outras práticas, mas as testemunhas disseram não se lembrarem ou terem conhecimento sobre a questão. Na próxima sessão do julgamento, agendada para 16 de Novembro, vão ser ouvidas as testemunhas arroladas pela defesa. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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segunda-feira 29.10.2018

COOPERAÇÃO ENSINO SUPERIOR LUSÓFONO E CHINÊS ASSINAM DECLARAÇÃO CONJUNTA

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AIS de 70 entidades ligadas ao ensino superior dos países lusófonos e da China assinaram no sábado uma declaração conjunta na qual se comprometem a promover a cooperação na mobilidade e no apoio às indústrias inovadoras e criativas. A declaração conjunta marcou o encerramento da 1.ª edição do Fórum dos Reitores das Instituições do Ensino Superior da China e dos Países da Língua Portuguesa, organizada pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior de Macau, a Universidade de Macau e a Universidade de São José. No texto disponibilizado à agência Lusa no final da cerimónia de encerramento, os responsáveis acordam em “incentivar a cooperação das indústrias

inovadoras e criativas”, tanto no interior da China e nas regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong, como nos países lusófonos. A intenção, pode ler-se na declaração, passa por acelerar “os processos de cooperação comercial global entre os mercados emergentes dos países/regiões envolvidos”. Entre os países de língua portuguesa, o compromisso foi assinado por representantes de universidades e politécnicos de Portugal, Angola, Moçambique, Timor-Leste e Brasil. A declaração tem mais três pontos nos quais se define o âmbito da cooperação: promover Macau “como centro de intercâmbio cultural”, desenvolver a mobilidade de estudantes e profissionais, bem como “reforçar o planeamento conjunto, a longo prazo (…), no âmbito da iniciativa [chinesa] “Uma Faixa, Uma Rota”, de acordo com as necessidades de desenvolvimento das diversas partes envolvidas, e promover a cooperação nas áreas da educação, da cultura e do desenvolvimento económico”.

AMBIENTE GOVERNO PREOCUPADO COM PLÁSTICO MAS SEM MEDIDAS LEGISLATIVAS

Das palavras às acções

A activista ambiental Annie Lao afirmou na sexta-feira, no final de uma reunião com as autoridades, não estar confiante que o Governo avance com a proibição do plástico descartável antes de 2021 e exigiu “medidas legislativas”

SOU PRESENTE

UM Incêndio levou à evacuação de 250 pessoas

No passado sábado, um incêndio num quarto do Colégio Shiu Pong da Universidade de Macau levou à evacuação de 250 pessoas. De acordo com o Jornal Ou Mun, os bombeiros foram chamados e depois de chegarem ao local extinguiram as chamas que deflagravam no edifício. Segundo o estudante que vivia naquele quarto, a tomada que usava para ligar o secador de cabelo apresentava problemas e deitava fumo. O incêndio deixou uma cama queimada sem que se tenham registados feridos. Segundo o Corpo de Bombeiros, a causa do fogo poderá ter sido um curto-circuito.

“Plataforma inovadora” de tradução chinês/português A Universidade de Macau (UM) espera lançar, até ao final do ano, uma “plataforma inovadora” de tradução chinês/português, com a qual pretende aumentar a interacção comercial entre a China e os países lusófonos. Em comunicado, a instituição afirmou já ter concluído as fases de desenvolvimento e teste desta plataforma de “próxima geração”, cuja versão experimental deverá estar disponível ainda este ano. “Com a implementação da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, a interacção comercial e cultural entre a China e os

países de língua portuguesa tornouse mais frequente, o que gerou uma crescente procura por sistemas de tradução automática de alta qualidade”, sublinhou na quinta-feira a UM. Para aproveitar a “geografia única” de Macau e a “oferta abundante de profissionais linguísticos”, a UM tem colaborado com universidades de Portugal, do Brasil e da China para “aprofundar a investigação científica e transformar os resultados da investigação em produtos comercializáveis para os chineses”, lê-se na mesma nota.

legislativos [sobre protecção ambiental] e estabelecerá os respectivos critérios”. Annie Lao garantiu que vai continuar a recolher assinaturas até o Governo avançar com leis. “Vamos continuar com iniciativas para elevar a consciência da população, não vamos desistir”, sublinhou a activista. Lao indicou ainda que a última campanha de sensibilização dos activistas, lançada em Setembro nas redes sociais, já moveu muita gente. No grupo de Facebook “Sem plástico, por favor”, centenas de pessoas publicaram fotografias nos supermercados, onde a fruta e os legumes são envoltos em plástico, muitas vezes individualmente.

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ONCORDARAM com o que estamos a fazer, mostraram-se preocupados, o que é bom, mas não mencionaram quando vão avançar com medidas legislativas para proibir o plástico descartável, alegando que terá de ser dado ‘um passo de cada vez’”, disse à Lusa Annie Lao, no final de uma reunião com a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Lao foi um dos principais rostos de

uma petição que reuniu milhares de assinaturas contra o plástico de utilização única, entregue às autoridades de Macau no final de Agosto. Na quarta-feira, o Parlamento Europeu decidiu que em 2021 será proibida a venda

de produtos de plástico descartável. Num comunicado divulgado logo após a reunião, a DSPA afirmou que o Governo já tem lançado vários planos de reciclagem e “vai aprofundar gradualmente os respectivos trabalhos

“Mostraram-se preocupados, o que é bom, mas não mencionaram quando vão avançar com medidas legislativas para proibir o plástico descartável, alegando que terá de ser dado ‘um passo de cada vez’.” ANNIE LAO ACTIVISTA AMBIENTAL

Na reunião com a DSPA esteve presente o deputado pró-democracia Sulu Sou, membro da Associação Novo Macau Democrático (ANMD), responsável também pela petição. “A utilização excessiva de plástico está a resultar num desperdício diário de plástico, a maioria não reciclável nem biodegradável, e contém químicos tóxicos que acabam por afectar a nossa saúde, o ambiente, os rios, os oceanos, a vida marinha e o ecossistema num todo”, de acordo com a petição entregue no último dia de Agosto. De acordo com o Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2017, da responsabilidade da DSPA, a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados por dia ‘per capita’ foi de 2,16 quilogramas, um aumento de 2,9 por cento em relação a 2016. No total, em 2017, foram descartadas 510.702 toneladas de resíduos sólidos urbanos, mais 1,6 por cento que em 2016.


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29.10.2018 segunda-feira

O festival local dedicado à arte de rua – Out Loud – tem lugar nos próximos dias 3 e 4 de Novembro no Armazém Tai Fung. É também aqui que Thomas Lo vai mostrar a sua primeira obra de grande dimensão através de uma instalação que pretende tirar o público do frenesim quotidiano

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ARTE DE RUA FESTIVAL OU

THOMAS LO

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VALE DO CÔA ARQUEÓLOGOS DESCOBREM MAIS GRAVURAS RUPESTRES

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MA equipa de arqueólogos colocou a descoberto uma nova rocha com gravuras rupestres, no sítio da Penascosa, no Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), revelou sexta-feira à agência Lusa, um dos investigadores envolvidos nas sondagens arqueológicas. "Esta descoberta revela não só a riqueza da arte rupestre de um dos sítios mais visitados do Vale Côa, como confirma a importância da continuação de trabalhos arqueológicos, mesmo em locais que se julgam muito bem estudados ou conhecidos", explicou o arqueólogo Thierry Aubry, um dos profissionais envolvidos na investigação. Segundo o especialista na "Arte do Côa", os motivos desta nova rocha apresentam um estilo que é, de facto, mais característico de fases mais recentes do Paleolítico Superior, com uma idade de 18 mil

a 12 mil anos, do que os da maioria das rochas do sítio, com 25 mil a 28 mil anos. "O sítio rupestre da Penascosa foi um dos primeiros a ser descoberto no Vale do Côa, decorria o ano de 1995. O objetivo destas sondagens foi encontrar vestígios contemporâneos das gravuras do Côa, e acabámos por encontrar uma gravura mais recente, o que demonstra o potencial arqueológico deste sítio", observou o arqueólogo da Fundação Côa Parque. A nova descoberta acaba, assim, por ser "uma surpresa", para os especialistas, por ser uma rocha gravada "num período mais recente da 'Arte do Côa'". "Este novo achado vem demonstrar a diversidade de um sítio mais clássico", do parque arqueológico, "onde há gravuras com cerca de 30 mil anos de antiguidade", indicou.


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segunda-feira 29.10.2018

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UT LOUD A 3 E 4 DE NOVEMBRO

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EALING” é a primeira obra de grande dimensão do artista local Thomas Lo e que vai estar patente ao público na próxima edição do Out Loud, festival de arte de rua. O evento decorre nos próximos dias 3 e 4 de Novembro no Armazém Tai Fung, na ponte do cais nº8. Para o artista que tem estado ligado à Gantz, a trupe local conhecida pelos murais que desenha com grafite, o festival é um marco importante na divulgação do que se faz em Macau na área da arte de rua. Com esta instalação, Thomas Lo pretende convidar o público a um momento de isolamento. O trabalho que inclui elementos em betão, iluminação e projecção de vídeos vai representar um espaço para “as pessoas estarem com elas próprias”, afirmou ao HM. “Espero que as pessoas consigam, ao verem a exposição, desligar-se da sociedade. Espero que consigam sair da sua vida quotidiana”, disse. A razão é simples. Para Lo, as pessoas estão demasiado absorvidas pelas rotinas do dia a dia e “vivem

como se fossem robots”. Por isso, considera importante ter um trabalho que possibilite sair desse estado, acrescentou. Thomas Lo admite porém que “Healing” não é um trabalho que possa ser num primeiro momento classificado como arte de rua, mas “tem elementos que a integra,” apontou. Por outro lado, é através deste tipo de diversidade de trabalhos que se pode atrair mais interessados na intervenção de rua, considera.

TERRITÓRIO FRACO

O artista lamenta os fracos progressos que esta área artística tem tido no território. Sem menosprezar o que considera ser “grandes esforços

“Espero que as pessoas consigam, ao verem a exposição, desligar-se da sociedade. Espero que consigam sair da sua vida quotidiana.” THOMAS LO ARTISTA

daqueles que estão ligados a esta expressão”, Lo sublinha que não há um interesse visível por parte dos jovens locais quando se fala de street art, sendo que “os jovens de Macau são preguiçosos e não se focam em objectivos claros”.

Como solução, Thomas Lo sugere que festivais como este em que a gama de actividades vai além do tradicional grafitti, possam vir a despertar a atenção dos mais novos. “É necessário realizar actividades diferentes para poder atrair mais gente e ter uma perspectiva diferente tanto acerca da arte de rua como de projectos apresentados sob outras formas”, apontou. Por outro lado, seria fundamental trazer artistas estrangeiros ao território para poderem trocar conhecimentos com os locais e mudar a dinâmica do que tem acontecido neste sentido, até porque, “têm estado em Macau alguns artistas importantes mas apenas para apresentarem o que fazem e sem trocarem informações com quem cá está”, disse. Enquanto expressão artística, a arte de rua podia trazer ainda algumas mais valias ao território: “Podia ajudar a mostrar às pessoas que Macau é mais do que casinos, restaurantes e lojas onde se compram produtos de luxo”, rematou. Vitor Ng (com S.M.M.) Info@hojemacau.com.mo

BELGAIS MARIA JOÃO PIRES ACTUA EM DEZEMBRO NUM RENOVADO CENTRO DE ARTES

ARGENTINA FILMES PORTUGUESES EM COMPETIÇÃO NO FESTIVAL MAR DEL PLATA

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pianista portuguesa Maria João Pires fará dois recitais em Dezembro no Centro de Artes de Belgais, um espaço cultural criado pela artista no distrito de Castelo Branco e que foi recentemente renovado e reactivado. A informação dos recitais, marcados para 14 e 15 de

Dezembro, consta da página oficial do Centro de Artes de Belgais, uma propriedade rural em Escalos de Baixo (Castelo Branco) onde anteriormente funcionou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, fundado por Maria João Pires. Criado em 1999 como um projecto educativo, pedagógico e cultural, com impacto na região e que chegou a ter o apoio do Ministério da Educação, o Centro Belgais para o Estudo das Artes encerrou em 2009 alegando na altura uma "difícil situação económico-financeira". Quase uma década depois, o projecto cultural de Maria João Pires foi renovado e reactivado como Centro de Artes de Belgais, disponibilizando-se retiros musicais, espaço para atuações e oficinas de música.

Contactado pela agência Lusa, o administrador do Centro de Artes de Belgais, Vítor Dias, explicou que em 2009 o projecto "havia encerrado devido à ocupada agenda de Maria João Pires". "Com imensos concertos por todo mundo não tinha tempo para tantas responsabilidades tendo que optar pelo encerramento temporário. Actualmente a situação permite que o Centro volte de novo ao seu pleno", referiu, sem especificar há quanto tempo o centro foi reactivado. Além dos dois recitais em Dezembro em Belgais, nos quais irá tocar composições de Mozart e Chopin para uma audiência de 125 pessoas, Maria João Pires mantém, para 2019, o concerto a 22 de fevereiro no Palau de La Musica, em Barcelona.

ILMES de Leonor Teles, Rita Azevedo Gomes e de João Salaviza com Renée Nader Messora estarão em competição no Festival de Cinema Mar del Plata, em Novembro em Buenos Aires, anunciou a organização. Da programação fazem parte nove produções e co-produções portuguesas, mas apenas três filmes foram selecionados para secções competitivas: na competição internacional estão "A portuguesa", de Rita Azevedo Gomes, e "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", de João Salaviza e Renée Nader Messora, e na secção "Estados Alterados" figura o documentário "Terra Franca", de Leonor Teles. Na competição latino-americana está "Para la guerra", do argentino Francisco Marise (Argentina/Espanha/ Portugal/Panamá). Na secção "Panorama", não competitiva, entre

os filmes selecionados estão três coproduções portuguesas: "O caderno negro", de Valeria Sarmiento, "Rei sol", de Albert Serra, e "Como Fernando Pessoa salvou Portugal", curta-metragem de Eugène Green. Em secções retrospectivas e temáticas, o festival incluiu "A morte de Louis XIV", de Albert Serra, a propósito de um ciclo dedicado ao actor Jean-Pierre Léaud, e "A ilha dos amores", de Paulo Rocha, de 1982 e recentemente restaurado. O 33.º Festival de Cinema Mar del Plata decorrerá de 10 a 17 de Novembro, com França como país convidado, e pela primeira vez a direção artística é assumida por uma mulher, a programadora argentina Cecilia Barrionuevo. O festival abrirá com "Sueño Florianópolis", de Ana Katz, e encerrará com "Roma", do mexicano Alfonso Cuarón.


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29.10.2018 segunda-feira

PEQUIM SEDUZ JORNALISTAS DE PAÍSES EMERGENTES PARA CONTRARIAR NARRATIVA OCIDENTAL

Parceiros de todo o mundo

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brasileiro Thiago Copetti é um de milhares de jornalistas estrangeiros que, nos últimos anos, participaram em “intercâmbios” na China, suportados pelo Governo chinês, num esforço para desafiar a narrativa ocidental no mundo emergente. “Eles precisam que alguém fale por eles”, explica à agência Lusa o repórter do Jornal do Comércio, com sede no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. “E somos nós, que estamos aqui, a fazê-lo”, descreve. Durante seis meses, Copetti viveu num condomínio de luxo em Pequim e viajou por toda a China, com outros sessenta jornalistas oriundos da América Latina, Ásia e África, num programa organizado pela agência noticiosa chinesa

Xinhua, cujo presidente, Cai Mingzhao, é membro do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC). Também o Diário do Povo, jornal oficial do PCC, ou as publicações estatais Global Times e China Daily, têm promovido programas do género, que, nos últimos anos, trouxeram à China milhares de jornalistas estrangeiros, sobretudo oriundos dos países em desenvolvimento. Estes “intercâmbios” são parte de uma ambição mais ampla de Pequim, que há muito se queixa que a empresa ocidental domina o discurso global e alimenta preconceitos contra a China.

MUDA A TÁCTICA

O regime chinês tem investido milhares de milhões de dólares para convencer o mundo de que o país é um sucesso político e cultural. PUB

HM • 1ª VEZ • 29-10-18

ANÚNCIO EXECUÇÃO ORDINÁRIA nº CV3-17-0192-CEO 3º Juízo Cível Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. Executada: IEONG CHI CHIN, com última residência conhecida em Macau, na Rua de Viseu, nºs 395 a 451, Edifício “Man Fai”, 5º andar “G”, Ilha da Taipa, ora ausente em parte incerta. *** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de TRINTA (30) dias, a contar da segunda e última publicação dos anúncios, citando, a executada IEONG CHI CHIN, acima identificada, para no prazo de VINTE (20) dias, decorridos que sejam os dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$4.167.577,26 (Quatro milhões, cento e sessenta e sete mil, quinhentas e setenta e sete patacas e vinte e seis avos), e demais acréscimos legais, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de, não o fazendo, ser ordenada a penhora dos bens hipotecados, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia, com a advertência de que é obrigatória a constituição de advogado, do citado diploma, caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. RAEM, aos 24 de Outubro de 2018. ***

Thiago Copetti, jornalista brasileiro

A Xinhua ou a televisão estatal CGTN contam já com centenas de delegações e estúdios no exterior e têm agressivamente procurado parcerias em todo o mundo, visando publicar conteúdo aprovado pelo PCC sob o selo de órgãos de comunicação independentes. O retorno desse investimento, no entanto, estará aquém das expectativas, face às dificuldades dos órgãos oficiais chineses em escolher ângulos e uma linguagem apelativos para audiências estrangeiras, levando a uma

nova estratégia: moldar a visão dos jornalistas estrangeiros sobre o país. Só em África, as autoridades de Pequim “treinaram”, nos últimos três anos, 3.000 profissionais de órgãos locais, incluindo dezenas de jornalistas oriundos de Angola e Moçambique. Copetti admite que a China tem um “problema” com a comunicação: “Ela fala e não é entendida ou, quando é entendida, não difunde bem”. “Mas quando nós falamos pela China, as pessoas vão ver de forma diferente, porque eu

vou falar com a dona de casa também. Não vou ser um político falando com outro político”, acrescenta. No programa em que Copetti participa, a selecção dos jornais e repórteres passa pela Xinhua e pela embaixada chinesa. “A Xinhua selecciona os veículos que acha interessantes, o veículo escolhe o repórter, que depois tem que ser aprovado pela embaixada”, descreve.

OUTROS OLHOS

O brasileiro admite que as autoridades chinesas “sentem

ACIDENTE PELO MENOS 13 MORTOS EM MINA DE CARVÃO NO NORTE

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número de mortos num acidente numa mina de carvão no norte da China subiu para 13 informou, ontem a agência oficial Xinhua em novo balanço. O anterior balanço, na sexta-feira, apontava para 11 mortos. O acidente ocorreu no sábado passado e desde então a operação de resgate prossegue, apesar de, até ao momento, ter sido encontrado apenas um mineiro com vida. As autoridades continuam a remover as pedras e a tentar resgatar os oito mineiros que ainda se encontram presos no subsolo. As causas do acidente estão ainda a serem investigadas, mas as autoridades consideram que o acidente deveu-se ao rompimento de uma rocha, que destroçou uma

secção do túnel e bloqueou a saída a parte dos 334 trabalhadores nas minas. As equipas de resgate conseguiram evacuar 312. As minas de carvão na China, consideradas na última década as mais perigosas do mundo, registaram o ano passado 219 acidentes, dos quais resultaram 375 mortos, uma descida de 28,7% face a 2016 e 20 vezes menos do que os registados há uma década. O pior ano deste século foi 2003, quando se contabilizaram 6.990 mortes nas minas do país. O encerramento de minas ilegais, muitas delas de pequena dimensão, e o aumento das ações de fiscalização contribuíram para a queda no número de vítimas mortais. Cerca de dois terços da energia consumida na China continuam a assentar no carvão.

desgosto pelo trabalho [dos jornalistas] europeus e norte-americanos”. Três décadas de trepidante crescimento económico e modernização converteram a China numa potência capaz de disputar a liderança global com os Estados Unidos. Centenas de milhões de chineses saíram da pobreza, enquanto as cidades do país estão hoje dotadas de infraestruturas de última geração. As percepções sobre o país asiático continuam, no entanto, dominadas pela degradação ambiental, censura, desrespeito pelos direitos humanos ou produção manufatureira barata. No caso do Brasil, Copetti concorda que existe uma visão da China “completamente distorcida da realidade”. “Acha-se que é só produto ruim, que não há tecnologia, e que o trabalho ainda é escravo”, descreve. “Já não é assim: eu vejo mais classe média, e quem é pobre não é tão pobre”. Thiago Copetti observa que os esforços da imprensa estatal chinesa estão a começar a dar frutos. “Dentro da imprensa brasileira está a começar a tendência de pegar a matéria das agências norte-americanas ou europeias e fazer o contraponto com o que a Xinhua escreve”, explica. “Há pessoas da Xinhua que visitam os jornais para divulgar o trabalho da agência. A Xinhua está a tentar penetrar nos nossos jornais”, diz. João Pimenta, agência Lusa

Riqueza 55 novos multimilionários

A China registou o ano passado 55 novos multimilionários, o número mais elevado em qualquer país, e que juntamente com a Índia produziu três quartos dos novos multimilionários do mundo. De acordo com um relatório do banco suíço UBS e da consultora PwC, citado pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua, os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, registando 53 novos multimilionários em 2017. O continente asiático tem agora 637 multimilionários, mais cerca de 25% que em relação ao período homólogo do ano anterior. De acordo com o mesmo estudo, os EUA têm 563 e a Europa 342. O banco suíço UBS e consultora PwC considerarem que a riqueza da Ásia ainda é “relativamente volátil”, com um clima de rápido desenvolvimento económico que constrói fortunas rapidamente, mas que também tão desaparecem facilmente. Ao todo do mundo existem 2.158 multimilionários, cuja riqueza combinada é de 8,9 biliões de dólares, acrescentou o relatório.


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segunda-feira 29.10.2018

PEQUIM ASSINADOS DEZ ACORDOS DE COOPERAÇÃO COM JAPÃO

Nações unidas

A visita do primeiro ministro japonês ShinzoAbe a Pequim, acompanhado por uma extensa delegação de empresários, com o intuito de relançar as relações entre os dois gigantes asiáticos, resultou na assinatura de dez acordos nas áreas financeira e comercial

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China e o Japão assinaram sexta-feira, em Pequim, dez acordos nas áreas financeira e comércio, e reafirmaram o compromisso de trabalharem pela estabilidade da região, após anos de tensão em torno de disputas territoriais. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, reuniu sexta-feira com o seu homólogo chinês, Li Keqiang, no Grande Palácio do Povo, na primeira visita bilateral de

um líder japonês a Pequim em quase sete anos, no âmbito da qual os acordos foram assinados. O Banco do Povo Chinês (banco central) e o Banco do Japão assinaram um acordo para fortalecer a cooperação e melhorar a estabilidade financeira em ambos os países. O documento prevê que, até 2021, as duas instituições realizem trocas nas respectivas moedas locais, num valor máximo de 200.000 milhões de

yuan. Cerca de 500 líderes empresariais japoneses acompanham Abe na visita a Pequim, que inclui a organização de um fórum China-Japão para cooperação em terceiros países, “à luz da crescente influência internacional da China e da ida de empresas chinesas para o exterior”, segundo explicou fonte do governo japonês aos jornalistas, na passada semana, na embaixada japonesa em Pequim. Desporto, inovação ou comércio são as outras áreas

Região COREIAS MENOS 11 POSTOS DE GUARDA

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S duas Coreias acordaram sexta-feira desmantelar até ao final de Novembro 11 postos de guarda ao longo da sua fronteira comum, com o objectivo potencial de retirar mais tarde todos os outros, anunciaram altos responsáveis militares. O acordo concluído entre generais do Norte e do Sul insere-se na melhoria de relações entre os dois países que tem vindo a ocorrer desde Janeiro, após dois anos de subida de tensão devido aos programas nucleares e balísticos de Pyongyang. Durante a sua terceira cimeira, em Setembro, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o dirigente

norte-coreano, Kim Jong-un, comprometeram-se a tomar medidas para reduzir as tensões ao longo da sua fronteira. As duas Coreias estão ainda tecnicamente em guerra, dado o conflito de 1950-53 ter terminado com um armistício e não com um acordo de paz. Nas discussões de sexta-feira, os dois campos decidiram retirar todos os militares e armas de 11 postos de guarda de cada lado da fronteira e destruí-los até ao final de Novembro, segundo um comunicado divulgado pelo exército sul-coreano. A Zona de Segurança Conjunta (JSA na sigla em inglês) de Panmunjom é a única

parte da fronteira intercoreana, com 250 quilómetros, onde as tropas dos dois países estão frente a frente. No âmbito das medidas de apaziguamento, os dois lados terminaram na quinta-feira a retirada de todas as armas e postos de guarda da JSA, que passa a ser vigiada apenas por 35 funcionários não armados de cada um dos países. A melhoria de relações entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte já se traduziu na realização de três cimeiras intercoreanas, assim como num encontro histórico entre Kim Jong-un e o Presidente norte-americano, Donald Trump.

abrangidas pelos acordos agora assinados.

COREIA NUCLEAR

Os dois líderes abordaram ainda a desnuclearização da Coreia do Norte, com Li Keqiang a manifestar a disposição de Pequim para manter relações de longo prazo com Tóquio, visando manter a estabilidade regional. “Temos objectivos e responsabilidades comuns”, sublinhou Abe, por sua vez, numa conferência de imprensa conjunta com Li. O PUB

primeiro-ministro japonês assegurou ainda que o seu governo deseja “normalizar” as relações diplomáticas com Pyongyang. Abe reuniu ainda com o Presidente chinês, Xi Jinping. As visitas de alto nível entre os dois países estavam suspensas desde 2012, quando o Japão nacionalizou as ilhas Senkaku (Diaoyu para os chineses), no mar do Leste da China, levando a protestos violentos na China e a uma queda do investimento japonês no país vizinho. As relações entre Pequim e

Tóquio continuam marcadas pelo persistente ressentimento da China face à invasão e ocupação pelo Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, e uma rivalidade por influência política, militar e económica na Ásia. No entanto, as trocas comerciais entre o Japão e a China atingiram cerca de 300.000 milhões de dólares, no ano passado. Desde fabricantes de automóveis a processadores de alimentos, os grupos japoneses são importantes actores no mercado chinês.


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A quem darei todos os dias da minha vida? Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Pintores que inspiram pintores

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IEGO Rodriguez de Silva y Velásquez (1599-1660), em pleno período de espectacularidade visual característica do barroco, quando pintou a crucificação de c.1632 que está no Museu do Prado em Madrid fê-lo mostrando apenas o mais elementar da situação, um corpo despido pregado numa cruz com um rótulo no alto, abstraindo tudo o resto que se desenrolava em redor da situação descrita nos Evangelhos, como era tradicional e como se continuaria a fazer. De modo oposto, numa pintura em que uma profusão de elementos na composição se assemelharia mais ao aspecto de um quadro barroco, Velasquez faz uma pintura em que o essencial está quase de fora do espaço

vés de uma explicação, se percebe a verdade que a arte da pintura atingiu e da qual participa o conhecimento e domínio de outras artes do pincel. Guo Si recorda como muitas vezes observou o seu pai, Guo Xi (1020?1090?), recitar certos versos antes de iniciar uma pintura: «Os mais belos poemas clássicos, que o meu pai recitava habitualmente e que contêm excelentes pensamentos para a pintura.» (Linquan Gaozhi, A Grande Mensagem Sobre Florestas e Nascentes, cap. Hua I, Ideias para pinturas) Um desses poemas clássicos, «A cascata de Lushan» do poeta da dinastia Tang, Li Bai (701-762), terá inspirado o pintor Shitao (1642-1707) a realizar a pintura «A cascata do Monte Lu». Nela se observa uma grande cascata no meio

A afirmação de que a pintura é uma «coisa mental» sempre ocupou os autores de tratados de pintura chinesa. Neles está descrito o seu processo através do qual, mais do que através de uma explicação, se percebe a verdade que a arte da pintura atingiu e da qual participa o conhecimento e domínio de outras artes do pincel pintado. Em «Las Meninas» de 1656, existe uma reflexão sobre a própria ideia de pintura. Todos os elementos da representação remetem para uma infinidade de sentidos, o menor dos quais não será a presença difusa num espelho dos modelos que o pintor está trabalhando, os reis, que estão do lado onde se encontra o observador do quadro. A execução com um pincel comprido que permite dominar a técnica de aplicar gotas de tinta sobre manchas sublinha essa impressão vacilante de intimidade que no entanto só é percebida na distância. A afirmação de que a pintura é uma «coisa mental» sempre ocupou os autores de tratados de pintura chinesa. Neles está descrito o seu processo através do qual, mais do que atra-

de montanhas e no sopé um homem observando, absorto. James Cahill coloca a hipótese de se tratar não do poeta mas do próprio pintor. Na realidade o espanto do poeta perante a beleza maravilhosa da natureza é o mesmo que experimenta o pintor. E a vontade de ambos é partilharem dessa imensa energia criativa tornada visível. De modo característico, a figura humana de costas para o observador da pintura não parece estar olhando a queda de água. Aparentemente o pintor não deseja que o observador se perca na situação anedótica de um artista diante da natureza mas que se coloque ele mesmo nessa situação. O subtil convite de Shitao perduraria convertendo-o, como Velasquez, num pintor de pintores.


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Ofício dos ossos Valério Romão

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penúltima cena do filme Sicario, de 2015, mostra um dos protagonistas da história, um advogado de acusação mexicano chamado Alejandro Gillick – protagonizado por Benicio del Toro –, a participar numa operação da CIA que culmina na invasão da mansão de Fausto Alarcón, capo de um dos carteis de droga mais sangrentos do México. Alejandro, separado da equipa da CIA que lhe permitiu descobrir o caminho para a casa de Alarcón, tem um motivo muito pessoal para não desistir da perseguição: este, quando Alejandro era um incómodo advogado de acusação, mandou matar-lhe a filha e a mulher. Quando chega à mansão de Alarcón, Alejandro encontra-o a jantar no jardim, tranquilamente, com a sua mulher e os seus dois filhos adolescentes. Fausto Alarcón, reconhecendo o antigo advogado de acusação e os motivos que o levam a estar ali, diz: “à frente dos miúdos, não”. Alejandro, como resposta, mata a mulher e os filhos de Alarcón antes de atirar sobre o capo di tutti capi. Brazil, 2018. Bolsonaro terá sido eleito chefe de Estado da República Brasileira

Os idiotas úteis ontem mesmo. Multiplicam-se as dezenas de análises políticas versando sobre as condições que levaram a que isso pudesse acontecer. Uma coisa é clara: muitos daqueles que votaram Lula e Dilma em eleições anteriores votaram agora Bolsonaro. O povo brasileiro, diz-se, ou ensandeceu ou eclodiu em fascismo. Não sendo politólogo, graças a Deus, posso avançar com o meu bitaite descomprometido de necessidade de rigor conceptual acerca do que vem acontecendo um pouco por toda a parte no mundo ocidental. Os partidos de consenso – o centrão, como sói dizer-se – têm vindo a distanciar-se cada vez mais uns dos outros e dos cidadãos. A política do possível, aquela que aproxima a von-

O bom senso deu lugar à radicalização. As razões de fundo a razões de forma. O apelo à calma ao apelo à turba

tade de partidos de eleitorados distintos e que permite a negociação de interesses opostos, foi substituída pela política de claque: confrontos hostis entre forças de esquerda e de direita fazem com que a zona de consenso tenha sido terraplanada. Ao invés de negociações e permutas, que fazem a democracia funcionar sem sobressaltos, porque se atendem a petições de sectores muito diferenciados da sociedade, temos imposições de agendas únicas: a esquerda é cada vez mais esquerda (ainda que esta esquerda de causas e de identidades não seja a esquerda de há 50 anos) e a direita cada vez mais direita. E ambas são cada vez mais surdas às necessidades de quem não lhes pertence ideologicamente. O bom senso deu lugar à radicalização. As razões de fundo a razões de forma. O apelo à calma ao apelo à turba. Há cada vez mais eleitores a não se sentirem representados por ninguém. A sentirem-se injustiçados. Há cada vez mais pessoas solidárias com o gesto aparentemente redentor de Alejandro Gillick. Frente a Fausto Alarcón, frente ao sistema que as injustiçou e que as torna mais indefesas e minúsculas que formigas à mercê

de uma bota, há cada vez mais pessoas que não têm dúvidas: antes o fascismo, antes a anarquia, antes o sangue do que isto. Do que este estado ignominioso de coisas que parece beneficiar apenas e sempre os mesmos. Os do sistema. Os votos em Trump e em Bolsonaro são votos anti-sistema. São votos anti-surdez. São votos de um profundo desencanto com o estado de decomposição a que o sistema e a política que o sustenta chegou. E não perceber isso, rotulando de doidos ou de fascistas inúmeros milhões de brasileiros e de americanos que elegem fascistas ou extremistas, é não perceber sequer porque é que o vizinho insiste em não pendurar a roupa do avesso. É estar tão intoxicado de superioridade moral que se dispensam todas e quaisquer perguntas ao outro e às suas razões. Chegamos terrivelmente a este ponto por nossas próprias mãos, quando nos convencemos de que o outro – e não estou a falar dos fachos e dos nazis, que são uma minoria – é apenas um idiota útil a quem não endereçamos perguntas, mas reprimendas, quando ele age como não esperamos ou queremos que ele aja.


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desporto 17

WTCR MONTEIRO FORA DOS PONTOS

FACEBOOK

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IAGO Monteiro terminou no domingo a terceira corrida do fim de semana no Japão da Taça do Mundo de Carros de Turismo, a WTCR, na 11.ª posição ficando a um lugar de pontuar no regresso à competição após mais de um ano de ausência. O piloto português, que tinha sido 15.º na primeira corrida da prova japonesa, no sábado, voltou a repetir o mesmo resultado na segunda, ganha pelo britânico Rob Huff (VW). Já na derradeira corrida do fim de semana, Tiago Monteiro mostrou-se mais à vontade aos comandos do Honda Civic e subiu de 15.º ao 11.º lugar final neste regresso após 415 dias de ausência da competição devido a um acidente sofrido em Setembro do ano passado, numa sessão de testes em Barcelona. O italiano Gabriele Tarquini (Hyundai) aproveitou uma penalização de cinco segundos atribuída ao compatriota Kevin Ceccon (Alfa Romeo) para vencer e assumir a liderança isolada do campeonato, com 291, mais 40 do que Yvan Muller (Hyundai), quando falta disputar apenas a décima e última prova, em Macau. A conselho médico, Tiago Monteiro, que terminou a 23,259 segundos do italiano, não vai marcar presença na prova de encerramento da temporada, para evitar qualquer embate que possa provocar um retrocesso na recuperação das lesões sofridas no acidente do ano passado. O piloto, de 42 anos, vai falhar assim, pelo segundo ano consecutivo, a participação no Grande Prémio de Macau, que tem lugar no fim de semana de 17 e 18 de Novembro, depois de ter vencido a corrida da Guia em 2016.

Moto2 Miguel Oliveira em 11.º na Austrália

O português Miguel Oliveira (KTM) terminou ontem na 11.ª posição o Grande Prémio da Austrália de Moto2 e recuperou um ponto na luta pelo título mundial. O piloto português, que se tinha qualificado na 20.ª posição, ficou imediatamente à frente do líder do campeonato, o italiano Francesco Bagnaia (Kalex), nesta que foi a 17.ª e antepenúltima prova do campeonato. Oliveira terminou a 8,675 segundos do vencedor, que foi o seu companheiro de equipa, o sul-africano Brad Binder e com 1,050 segundos de vantagem sobre Bagnaia. Com este resultado, o piloto de Almada soma agora 252 pontos, ficando a 36 do primeiro lugar, ocupado pelo italiano da Sky Kalex.

O piloto de Macau [André Couto] acabou por se destacar na 19ª volta e conquistou a vitória com uma vantagem de quatro segundos sobre o segundo lugar

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NDRÉ Couto assegurou ontem a vitória na segunda corrida da sétima etapa do Campeonato Chinês de Carros de Turismo (CTCC, na sigla em inglês) que teve lugar no circuito de Tianma, em Xangai. De acordo com o portal Touring Car Times “André Couto fez o que era necessário para ajudar a equipaDongfeng Kia Racing - na sua luta pelo título com esta vitória em Tainma”. Na corrida de abertura, realizada no sábado, o piloto de Macau tinha ficado em 10.º lugar. Na mesma prova, Rodolfo Ávila ficou na terceira posição. Na prova de ontem, Couto corria entre os Ford Focus de Andy Yan e de Josh Burdon. Burdon acabou por sair do pelotão dos três da frente deixando Yan e Couto na luta pelo primeiro lugar. O piloto de Macau acabou por se destacar na 19.ª volta e conquistou a vitória com uma vantagem de quatro segundos sobre o segundo lugar. Turkington foi o piloto mais rápido na segunda parte da corrida de on-

CTCC COUTO VENCE SÉTIMA ETAPA EM XANGAI

Vitória limpa

O piloto de Macau André Couto subiu ontem ao pódio com a conquista do primeiro lugar, na sétima etapa do Campeonato Chinês de Carros de Turismo que decorreu no circuito de Tianma, em Xangai. Já Rodolfo Ávila conseguiu apenas o 12.º lugar devido a um problema no carro no início da corrida tem, numa tentativa de diminuir a diferença com os três primeiros lugares, mas acabou por ficar na quarta posição ao volante do VW Lamando, seguido de Fontana.

ÁVILA PARA TRÁS

Já Rodolfo Ávila ficou-se por um 12.º lugar na corrida de ontem. O piloto de Macau partiu da 10.ª posição da grelha e no momento do arranque, “num episódio já visto este ano, o VW Lamando nº9 ficou imobilizado”,

lê-se no comunicado enviado à comunicação social. “Quando finalmente o meu carro arrancou já tinha perdido meia volta para todos os meus adversários. Ainda consegui recuperar até ao 12.º lugar e fazer a melhor volta da corrida”, refere Ávila. Ainda assim, com os pontos obtidos este fim-de-semana o piloto de Macau subiu à quarta posição no Campeonato de Pilotos, sendo o melhor representante da equipa.

Antes da sessão de qualificação, realizada no sábado, Ávila e a equipa SVW333 Racing tiveram conhecimento de que os resultados da equipa oficial da SAIC Volkswagen na segunda corrida em Wuhan foram repostos, sendo que os quatro Lamando GTS tinham sido desclassificados por uma alegada e infundada irregularidade nas pastilhas de travão. Na sessão de qualificação, que determina a grelha de partida para a primeira

corrida, Ávila foi o sexto mais rápido, um resultado que ficou aquém das expectativas do piloto. “A qualificação não correu como eu queria, pois tivemos um problema com o diferencial. A afinação do acelerador também não estava boa e tivemos que fazer alterações para a corrida, melhorando substancialmente o comportamento do carro”, explicou o piloto que corre com a bandeira da RAEM. Para as 17 voltas da corrida de sábado, Ávila teve “um arranque fulgurante, subindo logo à terceira posição”. Para a segunda corrida do fim-de-semana, visto que a grelha de partida foi determinada pela ordem inversa das doze primeiras posições da primeira corrida, Ávila largou da 10.ª posição, e acabou por terminar no 12.º lugar. A temporada de 2018 do CTCC termina no fim-de-semana de 24 e 25 de Novembro no Circuito Internacional de Xangai. Hoje Macau

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22 Janeiro e Setembro, a maior parte Entre das casas transaccionadas foram adquiridas por residentes, cerca de 94,4 por cento num total de 8.964 transacções. Deste número, apenas 1,3 por cento foi por não-residentes, ou seja 118 habitações. Em Macau há uma política de benefícios fiscais para os residentes que compram a primeira casa. O objectivo é fazer com que as pessoas possam viver na terra onde residem e resolver o problema da habitação. Mas, à moda do Governo de Macau, esta é mais uma medida bonita no papel, que todos sabem que não se vai aplicar. Há sempre algum residente que, a troco das patacas, dá o nome por algum investidor do Interior da China ou Hong Kong. E alguma vez ouviu falar de um caso em que estas pessoas tenham sofrido penalizações? Seria caso único. No entanto, isto não quer dizer que as situações não aconteçam. No outro dia, um casal estava à procura de uma casa na 24daAreia Preta e visitou uma habitação. zona Após alguns dias, marcaram uma segunda visita ao apartamento para dar um “sim”. Contudo, o proprietário, segundo constava no registo da propriedade, pediu desculpas e disse que a casa já não estava disponível. E qual a razão? Segundo a explicação do proprietário oficial, a casa estava em seu nome, mas pertencia a uma pessoa no Interior da China. Como a filha do proprietário verdadeiro queria vir para Macau estudar, a casa tinha saído do mercado do arrendamento. Será que neste caso houve evasão fiscal? Será que assim se resolve o problema da habitação e se melhora a vida da população? Tudo matérias menores! O importante é que os amigos de quem manda lucrem como nunca, mesmo que a população viva no lixo. E, neste aspecto, nunca faltam talentos locais. João Santos Filipe

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No romance Archangel, Robert Harris visita a Rússia pós-comunista e o sentimento de perda de um povo, nos anos que se seguiram à queda do comunismo. Criando um cenário em que Estaline afinal tinha um outro filho preparado para Governar, que tinha estado escondido numa aldeia remota, na Sibéria, o autor cria um ambiente em que a Rússia desiludida está pronta para abraçar um novo ditador comunista. João Santos Filipe

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Um filme de: Donovan Marsh Com: Gerard Butler, Gary Oldman 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Ayuko Tsukahara Com: Kasuni Arimura, Kentaro, Haru, Hiroko Yakushimaru 14.30, 19.15

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HALLOWEEN [C] Um filme de: David Gordon Green Com: Lee Curtis, Judy Greer, Will Patton, Nick Castle 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 16.45, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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reencarnações

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Mulher de papelão

MBROS arqueados num ângulo semelhante à geometria das pernas, que em tudo se assemelha à forma do carrinho que empurro pelas ruelas da cidade. O meu corpo transforma-se, adapta-se a esta tarefa que podia ser um dos doze trabalhos de Héracles. A minha fisionomia perde, diariamente, a forma e a suavidade angular a favor das arestas rectas, a minha aparência copia o desenho funcional do carrinho que empurro. Como se os meus ombros, cotovelos e costas tivessem sido soldados pela biologia de bate-chapas, como se os meus ossos fossem feitos de metal e os ligamentos, nervos e músculos fossem parafusos e juntas. Dobro-me como ferro moldado pela fornalha do tempo e dos árduos labores, o meu corpo sem o carrinho não faz sentido, fica perdido, sem função, sem matéria para impelir, sem forma. O meu esqueleto precisa de empurrar algo, é um suporte, a minha natureza é impulsionadora. Sem esse amparo mal me aguento nas pernas arqueadas em angulosa rectidão. Apanho papelão, cartão, todo o sortido de embalagens que o mundo produz em excesso e que são o refugo do consumo, tudo o que resta a todos é o meu sustento. Sou o reflexo humano das sobras de papelão que resultam do fim do comércio, o resultado do desfecho do ciclo do transporte de mercadorias que sobeja nas traseiras das grandes superfícies. Sou o desperdício que vive do desperdício. Também em tempos idos tive outros desígnios que não este. Fui mãe, filha, mulher, tia e sobrinha, fui amante, desejei e fui desejada, até resvalar para o esquecimento numa cidade demasiado egocêntrica para atentar nos que caem sem suporte. Ainda assim, não me rendo às adversidades. Pago com o corpo todas as patacas que consigo amealhar para a minha subsistência. Estou no degrau mais baixo da escala social, mas não me poupo a esforços neste duro quotidiano de catar papel. Limpo a carne que resta das ossadas que são deitadas fora após o grande banquete do retalho. Sou força motriz, aniquiladora da inércia, a resposta vigorosa perante montanhas de adversidades, sou o dínamo, a potência, a veemência, a determinação que recusa baixar os braços. Olhos postos no horizonte, apesar de cabisbaixa, galgo metros entre o trânsito e o congestionamento dos passeios. Sou a Rainha da termodinâmica, o motor do verdadeiro empreendedorismo que está a milhas de distância daquele que se multiplica nas páginas dos jornais, onde filhos de bilionários mostram onde gastam o outro papel que as

LIN GUA, PELE DE CARTÃO (PORMENOR)

JOÃO LUZ

gerações anteriores juntaram, muitas vezes às custas dos meus antepassados. Sou a negação da inércia, velocidade e massa em movimento. O equivalente humano a uma lei de Newton a empurrar matéria-prima para reciclagem San Ma Lo acima.

Sou a negação da inércia, velocidade e massa em movimento. O equivalente humano a uma lei de Newton a empurrar matéria-prima para reciclagem San Ma Lo acima

Enquanto toda a gente corre, contrai empréstimos, marca férias, é promovido, despedido, protesta contra o aumento da mensalidade do condomínio, eu respiro expiração dos escapes na esperança de ter o suficiente para um prato de arroz. A minha presença é volumosa, atabalhoada, um problema para a natural fluidez dos leitos de gentes e carros. Ainda assim, sou invisível. A minha condição oculta-me, torno-me impalpável, incorpórea, uma montanha de cartão empurrada por um fantasma. Todos me contornam como se não existisse. Mas eu continuo aqui, a empurrar o mundo todos os dias.


O homem é uma prisão em que a alma permanece livre. Victor Hugo

Arábia Saudita promete investigação completa sobre morte de Jamal Khashoggi

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Arábia Saudita prometeu uma investigação “completa” sobre o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, disse ontem o secretário da Defesa norte-americano, Jim Mattis, após uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, no Bahrein. “Conversamos (…) sobre a necessidade de transparência e uma investigação completa”, disse Mattis após deixar Manama, onde advertiu que este assassínio atribuído às autoridades sauditas coloca em risco a estabilidade da região. Mattis e Al-Jubeir estiveram no Bahrein a participar num fórum de segurança internacional. “Sem nenhuma reserva (…). Ele (ministro saudita) disse: é preciso saber o que se passou. Foi muito cooperante”, declarou o secretário da Defesa norte-americano.

A Polícia Judiciária (PJ) alertou no fim de semana para as chamadas telefónicas de menos de um minuto, recebidas nos últimos dias por parte de residentes, de um número iniciado por 882. Em comunicado, a PJ adverte que não se trata de um indicativo, mas aparentemente de um número modificado por computador, pelo que apela à população para ter cuidado, dado que pode ser um acto de burla. Recorda ainda que no caso de devolução da chamada, a companhia de telecomunicações pode tratar a mesma como uma chamada internacional e cobrar a respectiva taxa. Em caso de dúvida sobre eventual burla telefónica, a PJ tem disponível uma linha de contacto (88007777).

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TARA COPP/MILITARY TIMES

ESTADOS UNIDOS PROCURADOR QUER PENA DE MORTE PARA HOMICIDA DE PITTSBURG procurador-geral norte-americano anunciou que vai solicitar a acusação de “crime de ódio” e pedir a pena de morte para o autor do massacre numa sinagoga em Pittsburgh, Pensilvânia, no sábado, em que morreram 11 pessoas. “Estes alegados crimes são condenáveis e absolutamente repugnantes à luz dos valores da nossa nação. Portanto, o Departamento de Justiça irá pedir acusações de crime de ódio e outros contra o autor do atentado, incluindo acusações que podem levar à pena de morte “, anunciou o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, em comunicado. Rob Bowers, que foi preso após disparar de forma indiscriminada contra as pessoas que estavam na sinagoga enquanto gritava que todos os judeus deviam morrer, terá de enfrentar a pena máxima no tribunal. O procurador condenou um “acto vil que matou pessoas inocentes” e fez ainda seis feridos. “O ódio e a violência baseados na religião não têm lugar na nossa sociedade”, disse Sessions. O anúncio do Departamento de Justiça coincide com a linha marcada horas antes pelo presidente Donald Trump, que pediu o recurso a leis relacionadas com pena de morte. “Temos de traçar uma linha e dizer que aqui nunca mais”, disse o Presidente, que já anunciou que se vai deslocar à Pensilvânia.

segunda-feira 29.10.2018

A verdade anda por aí

Burla Judiciária alerta para chamadas de número iniciado por 882

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PALAVRA DO DIA

Jim Mattis falou aos jornalistas no avião, após sair de Manama com destino a Praga, onde irá participar na cerimónia do centenário da antiga Checoslováquia.

PALAVRAS DITAS

No sábado, Mattis mostrou-se mais severo do que é hábito com a Arábia Saudita quando disse no fórum internacional em Manama, na presença de dirigentes árabes, que a morte de Khashoggi “deve ser uma

“Sem nenhuma reserva (…). Ele (ministro saudita) disse: é preciso saber o que se passou. Foi muito cooperante.” JIM MATTIS SECRETÁRIO DA DEFESA NORTE AMERICANO

grande preocupação para todos”, porque que afecta a segurança na região. Al-Jubeir, também no sábado, repudiou as críticas e falou num “histerismo dos meios de comunicação” sobre a morte do jornalista saudita, acrescentando que os suspeitos do crime detidos na Arábia Saudita não serão extraditados para a Turquia. Jamal Khashoggi, jornalista saudita crítico do regime, foi morto a 2 de Outubro no consulado saudita em Istambul, na Turquia. A Arábia Saudita começou por assegurar que o jornalista tinha saído do consulado vivo, mas depois mudou de versão e admitiu que foi morto na representação diplomática numa luta que correu mal. Segundo a investigação turca, Khashoggi foi morto por um esquadrão de agentes sauditas que viajaram para Istambul com esse fim.

Ponte HKZM Tráfego aquém das expectativas

Entre 2.000 e 2.400 viaturas cruzaram diariamente a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau desde que começou a funcionar na passada quarta-feira. O número representa sensivelmente 20 por cento do tráfego que tinha sido estimado pelas autoridades em 2008, noticiou, no sábado, a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). O secretário-chefe de Hong Kong, Matthew Cheung, desvalorizou os dados, sustentando que era expectável que o volume de tráfego não atingisse o projectado nesta fase inicial. Citado pela emissora, o número dois do Executivo de Hong Kong argumentou que é preciso tempo para que as pessoas se habituem à nova forma de transporte.

SUPERLIGA VÍTOR PEREIRA SEGURA LIDERANÇA A TRÊS JORNADAS DO FIM

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Shanghai SIPG, de Vítor Pereira, manteve ontem a liderança na Superliga chinesa de futebol, ao vencer em casa o Shandong Luneng, por 4-2, com dois golos de Hulk e de Wu Lei. Frente a um adversário difícil, o Shanghai SIPG chegou ao intervalo a vencer por três golos, com um tento de Wu Lei (16 minutos) e um ‘bis’, de grande penalidade, do brasileiro Hulk, antigo jogador do FC Porto. O Shandong Luneng, terceiro, mas que ontem ficou fora da corrida ao título, ainda reduziu com um ‘bis’ do italiano Graziano Pelle (57 e 85), mas Wu Lei voltou a marcar para a equipa de Xangai, aos 88. O triunfo de ontem mantém, a três jornadas do final, o Shanghai SIPG na liderança, com mais dois pontos do que o heptacampeão Guangzhou Evergrande, que também venceu por 3-0, na visita ao último classificado, o Guizhou Zhiceng. A próxima jornada, no sábado, é muito importante para a equipa de Vítor Pereira, que visita o Guangzhou Evergrande, num jogo em que se pode distanciar e ficar a um passo do título, ou até perder a liderança na recta final. Na primeira volta a equipa de Xangai venceu o campeão por 2-1.


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Hoje Macau 29 OUT 2018 #4161 by Jornal Hoje Macau - Issuu