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Hoje Macau 28 MAI 2019 # 4297

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TERÇA-FEIRA 28 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4297 GCS

MOP$10

JUSTIÇA

A LÍNGUA É CRUEL PÁGINAS 6-7

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GCS

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MACAU-GUANGDONG

OS NOVE PROTOCOLOS PÁGINA 5

CINEMATECA

NEGRA PAIXÃO EVENTOS

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A fazer história

As europeias de 2019 ficam marcadas por factos inéditos, a começar pela vitória do PS em Macau, com 126 votos. Em Portugal, a abstenção bateu recordes negativos com 68,69%, tal como o PSD e o CDS que se ficaram pelos 21,94% e 6,19%, respectivamente, enquanto o PAN elegia um deputado. No Parlamento Europeu, o bipartidarismo caiu por terra com a ascensão de liberais, nacionalistas e verdes. ESPECIAL EUROPEIAS

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SANTA MARIA AMÉLIA VIEIRA

O BACALHAU PAULO JOSÉ MIRANDA

HÄNDEL MICHEL REIS


2 especial europeias

MACAU

UMA ESPECIE T RESULTADOS AINDA PROVISÓRIOS DÃO VITÓRIA HISTÓRICA AO PS

RATANDO-SE de um território onde habitualmente sempre se votou à direita, Macau mostrou ontem uma ligeira viragem à esquerda no que diz respeito às eleições para o Parlamento Europeu. Acompanhando a tendência em Portugal, os portugueses em Macau votaram mais no Partido Socialista (PS), de acordo com resultados já apurados, mas que ainda não são finais. O PS recebeu um total de 126 votos, sendo que o PPD/ PSD foi a segunda força política, com 99 votos, enquanto o Bloco de Esquerda (BE) contou com 55 votos. Em quarto lugar ficou o CDS-PP, com 37 votos, seguindo-se o Nós! Cidadãos, com 31 votos. Seguiu-se o PAN – Partido Animais Natureza com 29 votos e o Livre, do historiador Rui Tavares, com 28 votos. Em declarações ao HM, Tiago Pereira, ex-coordenador da secção do PS em Macau, mostrou-se surpreendido com estes resultados históricos. “A confirmar-se, julgo que é a primeira vez que o PS vence eleições em Macau. É um marco importante e significativo, que naturalmente deixou todos os socialistas de Macau muito satisfeitos. Também de assinalar que o número de votos cresceu muito em comparação com 2014. Foram resultados muito positivos.” Ana Catarina Mendes, número dois do PS, falou no domingo quando as sondagens já davam conta da vitória do partido, tendo destacado os votos no partido por parte das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. “É uma clara vitória do PS e uma clara derrota da direita. Isso diz bem da campanha que o PS fez ao longo destes seis meses e daquilo que são as nossas respostas para a Europa e da confiança que os portugueses têm hoje no PS”, apontou. O HM tentou chegar à fala com José Rocha Diniz, actual coordenador da secção do PS em Macau, mas não foi possível estabelecer contacto. Também foi feita uma tentativa de contacto com Vitório Rosário Cardoso, coordenador da secção do PSD

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TIAGO ALCÂNTARA

Dados ainda provisórios mostram que os portugueses em Macau votaram mais no Partido Socialista nas eleições para o Parlamento Europeu, um resultado que se verificou também na China. Tiago Pereira, ex-coordenador da secção do partido no território, mostra-se surpreendido com o resultado inédito. Ana Catarina Mendes, número dois do PS, falou dos votos representativos das comunidades portuguesas

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em Macau, mas este recusou comentar os resultados das eleições. “Em matérias políticas internas de Portugal só lidamos

“A confirmar-se, julgo que é a primeira vez que o PS vence eleições em Macau. É um marco importante e significativo, que naturalmente deixou todos os socialistas de Macau muito satisfeitos.” TIAGO PEREIRA EX-COORDENADOR DA SECÇÃO DO PS EM MACAU

com os meios de comunicação portugueses”, disse apenas. Apesar do bom resultado do PS no território, Arnaldo Gonçalves, residente em Macau há vários anos e militante do PSD, afasta o cenário de uma mudança de tendência. “Dos 664 que votaram, 19 por cento votaram PS, acompanha a tendência nacional, e 20 por cento votaram no PSD e CDS. A esquerda mais radical representada pelo PAN, BE e Livre tiveram 16 por cento. PS e PSD-CDS afirmaram-se como os blocos políticos que alternam na preferência dos eleitores de Macau.” Contudo, “o voto maioritário no PS é idêntico ao que teve Mário Soares nas presidenciais de 1986 e 1991 e ao que creio - cito de memória - voto em José Sócrates nas eleições legislativas de 2005.

Ou seja, o eleitorado de Macau tem votado tradicionalmente no centro-direita, salvo aquelas excepções. Será uma mudança significativa nessa tendência? Não creio”, acrescentou.

ABSTENÇÃO EM GRANDE

O que mais saltou à vista nestas eleições foi a elevada abstenção.

“Os debates eleitorais andam muito à volta das tricas políticas, os partidos estão demasiado longe do eleitorado.” AMÉLIA ANTÓNIO PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL EM MACAU


especial europeias 3

terça-feira 28.5.2019

DE VIRAGEM Em Portugal rondou os 70 por cento, uma das mais elevadas da União Europeia, e que marcou os discursos políticos da vitória e da derrota. Em Macau, onde a absten-

ção sempre foi elevada, o cenário não se alterou. De um universo de 71.142 pessoas recenseadas votaram apenas 664 eleitores, o que mostra que a taxa de partici-

pação foi inferior a um por cento, ou seja, uma abstenção acima de 99 por cento. Para Arnaldo Gonçalves, “os eleitores não se sentiram mobili-

zados por uma eleição que crêem não ter impacto na sua vida”. O analista político prefere fazer as contas sem os portadores de passaporte português que apenas são falantes de chinês. “A taxa de abstenção foi de 99 por cento em termos numéricos pelas razões da majoração do número de votantes em razão dos eleitores chineses que constam dos cadernos eleitorais e têm dupla nacionalidade. Mas se fizermos um exercício de redução do número de eleitores aos de cultura e língua portuguesa teremos ainda assim uma percentagem de 91.75 por cento de abstenção. O que quer dizer um desinteresse significativo dos residentes portugueses em Macau pelas eleições em Portugal, o que diz muito do distanciamento da comunidade ao país de origem.” Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM) diz que o maior número de jovens no território poderá ter contribuído para um maior número de votos, mas não ignorou o facto da abstenção ter continuado elevada. “Aqui a abstenção será inevitavelmente muito alta, sempre. Porque temos muitos recenseados de língua materna chinesa que não estão vocacionados nem esclarecidos para votar.” Ainda assim, Amélia António nota um desinteresse natural pela política portuguesa, uma vez que, em Macau, “há muita gente que não lê os jornais e não vê televisão, e nem se lembrava que havia eleições”. Além disso, o sistema tem vindo a causar um profundo

desinteresse das pessoas pela política portuguesa, notou. “Os debates eleitorais andam muito à volta das tricas políticas, os partidos estão demasiado longe do eleitorado. Não me parece que seja com grandes comícios (que o cenário muda). As pessoas precisam de sentir que aqueles vão eleger ou que elegeram se preocupam com os problemas reais, e isso acontece muito pouco”, frisou.

“Dos 664 que votaram, 19 por cento votaram PS, acompanha a tendência nacional, e 20 por cento votaram no PSD e CDS. A esquerda mais radical representada pelo PAN, BE e Livre tiveram 16 por cento. PS e PSD-CDS afirmaram-se como os blocos políticos que alternam na preferência dos eleitores de Macau.” ARNALDO GONÇALVES MILITANTE DO PSD

Para a presidente da CPM, o problema começa logo na formação das listas de candidatos. “Os partidos organizam as listas que lhes dá jeito, mas na maioria dos casos essas pessoas não têm ligação nenhuma com o eleitorado que os elege. Os deputados da Assembleia da República, em Portugal, são eleitos pelos círculos mas não têm ligação nenhuma a esses locais e não se interessam pelos problemas dessas pessoas. E há queixas sistemáticas. Acho que foi havendo uma degradação muito grande da vida política que leva a esta abstenção. As pessoas reagem virando as costas.” Andreia Sofia Silva com SMM andreia.silva@hojemacau.com.mo

ÁSIA SOCIALISTAS VENCEM NA CHINA, MAS FICAM SEM QUALQUER VOTO NA TAILÂNDIA

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A China, onde, à hora do fecho deste jornal, já existiam dados finais, confirmaram-se os resultados registados em Portugal: o PS venceu com 37,5 por cento dos votos, sendo que apenas nove pessoas votaram neste partido, enquanto que o PPD/PSD ficou como segunda força política, com 25 por cento e apenas

seis votos. O BE ficou em terceiro lugar com 12,5 por cento e três votos, enquanto que o CDS-PP registou 8,33 por cento dos votos. Em Pequim, o PS também ficou à frente com 28,5 por cento dos votos, mas o BE roubou o segundo lugar ao PSD, ao conseguir 21,4 por cento dos votos. O CDS-PP ficou em ter-

ceiro lugar com 14,29 por cento. No caso de Xangai, os votos encaminharam-se apenas para o PS e PSD, sendo que o primeiro ficou à frente com 50 por cento. Cada partido ganhou cinco votos, sendo que não houve mais votos para os restantes candidatos. No que diz respeito aos restantes países da Ásia,

houve oscilações entre o PS e PSD, apesar de ainda não estarem contabilizados os votos da Coreia do Sul. No Japão, o PSD e PS empataram com 25 por cento dos votos, tendo o BE sido a terceira força política, com 16,6 por cento. Na Indonésia votaram apenas três pessoas de um total de 102 recenseados, sen-

do que o PAN, PSD e PS ganharam os votos. Na Tailândia, onde votaram apenas dez pessoas, o PS não recebeu qualquer voto, tendo o PSD ficado à frente com 30 por cento, o CDS-PP em segundo lugar com 20 por cento e o Aliança, de Pedro Santana Lopes, com dez por cento e um voto, tal como o PAN e o BE.

Em Timor-Leste o PSD ficou à frente com 31,37 por cento dos votos, seguindo-se o PS com 29,4 por cento. O CDS-PP foi a terceira força política com 9,8 por cento. No total, votaram 51 pessoas no país. Em Singapura votaram 76 eleitores, que deram a vitória ao PSD, que registou 21 por cento dos votos.


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PORTUGAL PS VENCEU, ABSTENÇÃO MARCOU ACTO ELEITORAL

Um tiro ao lado Os distritos portugueses ficaram cor-de-rosa este domingo aquando da ida dos eleitores às urnas para eleger os deputados ao Parlamento Europeu, mas a abstenção, uma das mais elevadas dentro da União Europeia, trouxe um travo agridoce a todos os partidos

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fim do domínio pelos dois principais grupos políticos europeus de centro-direita e centro-esquerda, com uma subida expressiva dos ambientalistas e ganhos, embora menores do que o esperado, dos nacionalistas, marcaram as eleições europeias de domingo. As duas grandes famílias políticas do Parlamento Europeu (PE), o Partido Popular Europeu (PPE) e os Socialistas & Democratas (S&D), perderam a maioria que detinham há décadas no parlamento europeu. O PPE mantém-se como a principal força política europeia, com 178 eurodeputados, mas perde 39 lugares no hemiciclo, e o S&D continua a ser a segunda,

clara do PSD e do CDS. Têm sido raras as vezes que o partido que está no Governo vence europeias”, lembrou. No caso do PSD, Paulo Rangel, cabeça de lista às

europeias, vai para Estrasburgo, mas diz que o partido falhou os seus objectivos, pois não elegeu mais um eurodeputado além dos já existentes.

“A nossa prioridade é assegurar a eleição do candidato do PS europeu para presidente da Comissão Europeia.” ANTÓNIO COSTA PRIMEIRO-MINISTRO

na sociedade portuguesa quanto ao Governo actual”. O PS “não só ganhou, como o fez com uma grande margem. Infelizmente as campanhas não se centraram naquilo que estava em discussão: a União Europeia. É um problema antigo. Dizer que o PS venceu

MIGUEL A. LOPES/LUSA

ELA terceira vez, um partido político português que está no Governo conseguiu vencer umas eleições europeias. Este domingo, o Partido Socialista (PS) obteve 33,4 por cento dos votos face aos 21,9 por cento do PPD/PSD, estando previsto que o partido vencedor deverá colocar nove deputados no Parlamento Europeu. A grande novidade da noite eleitoral foi o Bloco de Esquerda (BE), que ficou em terceiro lugar nas escolhas de voto dos portugueses, com 9,8 por cento. “A nossa prioridade é assegurar a eleição do candidato do PS europeu para presidente da Comissão Europeia”, disse António Costa, primeiro-ministro português e secretário-geral do partido. “Estas eleições significam um voto de confiança no PS. É evidente que houve uma derrota muito

“A criação de novos partidos e alguma turbulência interna” foram os motivos apontados por Rangel para o desaire eleitoral. “O PSD manterá a sua representação no PE, aumentou o seu peso eleitoral mas isso não se traduziu na eleição de mais um eurodeputado”, acrescentou, referindo a diferença de dez pontos percentuais face ao PS. “É uma diferença grande e por isso disse que não cumpri os objectivos”, adiantou em conferência de imprensa na noite de domingo. Marisa Matias, cabeça de lista do BE às europeias, falou de uma derrota da direita e de um aumento da força política do partido no país. Tiago Pereira, ex-coordenador do PS em Macau, defendeu que “a vitória do PS é indicativa de um consenso

O fim do bipartidarismo

Partidos tradicionais perdem terreno. Nacionalistas e verdes crescem

com 152 deputados, menos 35 que na actual legislatura, segundo uma projecção do PE baseada em resultados oficiais e provisórios em 22 países e em estimativas nos restantes seis. AAliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE) torna-se, de forma destacada, a terceira força política no PE, com 108 eurodeputados, um crescimento de 40 eurodeputados que passa pela integração do francês En Marche, enquanto os Verdes europeus ganham 15 assentos, para ser o quarto grupo político, com um total de

67 representantes. Segundo dados ainda provisórios, os eurocépticos deverão somar 172 eurodeputados, mais 17 que na actual assembleia, mas distribuídos por três grupos políticos diferentes.

VITÓRIA DE LE PEN

A União Nacional, partido de Marine Le Pen, voltou a vencer as europeias em França. Já Matteo Salvini, segundo as sondagens à boca das urnas, ficou aquém do esperado, embora se afirme claramente como principal partido de Itália. No Reino Unido realizou-se uma eleição “a con-

tra-gosto” por incapacidade para concluir o processo do ‘Brexit’, tendo ocorrido uma vitória expressiva do Partido Brexit, de Nigel Farage, o enfraquecimento dos Trabalhistas e o quase desaparecimento dos Conservadores, relegados para quinto lugar. Também a Alemanha, onde os eleitores castigaram os partidos da grande coligação – a União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel e o Partido Social-Democrata (SPD) -, fazendo os Verdes duplicar a sua votação, para 20 por cento, e subir a segundo

partido mais votado e mantendo a extrema-direita eurocéptica da Alternativa para a Alemanha (AfD) com uma votação de cerca de 10 por cento. Tiago Pereira destaca o facto de “os partidos populistas e eurocépticos terem tido resultados abaixo do que se esperava”, além do fim desse posicionamento do PPE e do PSE. “O parlamento está mais fragmentado, mas não deixa de existir uma maioria liberal. Isso obrigará a um esforço maior de diálogo entre as diferentes cores políticas. Estes resultados também mostram que questões como as alterações climáticas serão cada vez mais importantes. No global, os resultados foram positivos”, disse ao HM. A.S.S.

por causa das ideias e da sua visão para o futuro do projecto europeu seria pura ilusão. De assinalar também o bom desempenho do Bloco de Esquerda nestas eleições”, acrescentou. O CDS-PP teve um dos seus piores resultados e ficou atrás do BE e do PCP, mas leva Nuno Melo para Estrasburgo. O PAN – PartidoAnimais Natureza, foi a grande surpresa da noite ao conseguiu eleger, pela primeira vez, um deputado. A Coligação PCP-PEV acabou afinal por eleger um segundo deputado.

AI A ABSTENÇÃO

Vitórias à parte, a participação nas eleições europeias de domingo em Portugal ficou pelos 31,01 por cento, sendo a sexta pior taxa da UE e bastante abaixo da média comunitária, que foi de 50,82 por cento, a maior em 20 anos. Segundo dados provisórios relativos à participação por país divulgados ontem de manhã pelo Parlamento Europeu, a pior taxa dos 28 Estados-membros registou-se na Eslováquia (22,74%), seguindo-se a Eslovénia (28,29%) e a República Checa (28,72%). Assunção Cristas, líder do CDS-PP, falou da abstenção como “o maior obstáculo” a uma possível vitória, enquanto que Rangel defendeu a reflexão de todos. “É de lamentar a abstenção maciça e que nos obriga a todos, media, cidadãos e responsáveis políticos a fazer uma reflexão”, concluiu. “Com os resultados de inscritos e votantes já disponíveis (177.356 inscritos e 1.447 votantes) dos consulados que têm suspenso o apuramento por estarem a aguardar, para apuramento, os votos de mesas com menos de 100 eleitores, é possível concluir pela certeza da distribuição dos mandatos a atribuir na plataforma às candidaturas: PS-Partido Socialista: 9 (nove) mandatos; PPD/PSD - Partido Social Democrata 6 (seis) mandatos; B.E. - Bloco de Esquerda 2 (dois) mandatos; PCP-PEV - CDU Coligação Democrática Unitária 2 (dois) mandatos CDS/PP - CDS-Partido Popular 1 (um) mandato; PAN-PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA 1 (um) mandato”, lê-se no portal do Ministério da Administração Interna que acompanha os dados do escrutínio. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

terça-feira 28.5.2019

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ORAM nove os protocolos ontem assinados entre os Governos de Macau e de Guangdong com o objectivo de “impulsionar a cooperação entre as duas regiões” dentro do projecto de cooperação inter-regional da Grande Baía. Do encontro presidido pelo Chefe do Executivo local, Chui Sai On, e o Governador da província de Guangdong, Ma Xingrui, entre os acordos assinados

CALENDÁRIO

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novo posto fronteiriço de Qingmao, na Ilha Verde, pode entrar em funcionamento para a circulação de pessoas ainda este ano. A ideia foi deixada ontem pelo Director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, Mi Jian, no final do encontro entre Macau e Guangdong para discutir questões de cooperação entre as regiões. “Estamos a fazer esforços para que o posto fronteiriço possa deixar passar pessoas até ao final do ano. Só pessoas”, apontou o responsável. Já no que respeita à circulação de veículos e mercadorias, o calendário ainda não está definido, acrescentou Mi Jian.

GRANDE BAÍA ASSINADOS NOVE PROTOCOLOS DE COOPERAÇÃO COM GUANGDONG

De caneta em punho GCS

Acelerar o trabalho de cooperação entre Macau e a província de Guangdong foi o objectivo da assinatura, ontem, de nove acordos entre as duas regiões. Macau e Guangdong vão colaborar em aspectos como a defesa da propriedade intelectual e a construção das comportas do Porto Interior

disse. A razão, apontou o responsável, deve-se à tecnicidade do projecto.

ACORDOS VARIADOS

Da reunião resultou ainda a assinatura de acordos que abrangem a promoção da diversificação económica do território, o acelerar das construção do polo da Grande Baía constituído por Macau e Zhuhai através da colaboração destas regiões na construção do parque de inovação tecnológica na Ilha da Montanha, o financiamento mútuo de projectos de investigação e o reforço na área florestal entre as duas regiões com a promoção da plantação de árvores e construção de espaços verdes. A promoção da higiene sanitária está presente num acordo que envolve os Serviços de Saúde e que pretende “elevar as resposta dos serviços médicos” nesta área. Houve ainda espaço para o reforço do intercâmbio entre os jovens das duas regiões e para a cooperação entre os serviços de estatísticas a pensar nos censos do próximo ano. Sofia Margarida Mota

destaca-se a cooperação na questão dos direitos de propriedade intelectual. O objectivo é “atingir uma melhor protecção da propriedade intelectual , bem como uma maior partilha de recursos”, aponta uma nota à comunicação social. Acerca desta matéria, o Director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, Mi Jian, admitiu que se trata de um assunto complexo, salvaguardando que o trabalho realizado em Macau tem sido feito em conformidade com as normas internacionais. “O Governo da RAEM tem prestado muita atenção aos problemas que envolvem a propriedade intelectual. Macau e as cidades da Grande Baía vão trabalhar no sentido de se articularem com os padrões internacionais e em Macau já temos padrões idênticos aos exigidos internacionalmente”, disse aos jornalistas no final do encontro de ontem. Por outro lado, e dentro do quadro da Grande Baía, “este é também um dos aspectos que temos de desenvolver e promover”, apontou.

COMPORTAS TÉCNICAS

Já o projecto de construção de comportas no Porto Interior, a Barragem das Marés, também teve direito a um acordo no quadro de

cooperação entre Macau e Guangdong, com promessas de reforço na comunicação e coordenação de trabalhos. No entanto, as obras que podem dar origem à estrutura de prevenção de cheias nesta zona de Macau não têm ainda qualquer calendarização. “Temos os acordos assinados mas em relação a calendário estamos à espera que os serviços competentes divulguem informação”,

“O Governo da RAEM tem prestado muita atenção aos problemas que envolvem a propriedade intelectual. Macau e as cidades da Grande Baía vão trabalhar no sentido de se articularem com os padrões internacionais.” MI JIAN DIRECTOR DOS SERVIÇOS DE ESTUDO DE POLÍTICAS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

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6 assembleia legislativa

28.5.2019 terça-feira

A crua realidade

GCS

TRIBUNAIS SÓNIA CHAN SEM SOLUÇÃO PARA PESSOAS NOTIFICADAS EM LÍNGUA QUE NÃO DOMINAM

IPIM REVISTOS 1.200 PROCESSOS DE RESIDÊNCIA

ZHUHAI MAK SOI KUN NÃO CONSEGUE ESTACIONAR

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Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) fez uma revisão de cerca de 1.208 processos de autorização de residência temporária até meados deste mês. A revelação foi feita ontem pela presidente da IPIM, Irene Lau. “A fim de reforçar o trabalho de supervisão, o IPIM destacou internamente funcionários para realizar uma revisão e inspecção abrangente de todos os processos de autorização de residência temporária e, até meados de Maio, foram revistos mais de 1.200 processos”, disse a responsável. Entre estes

casos, Irene Lau apontou que “alguns não tinham qualquer irregularidade” pelo que os pedidos foram renovados. Em relação aos futuros processo de residência temporária, a presidente do IPIM avisou que Macau precisa de ter em consideração o facto de ser uma região virada para a gastronomia e de estar integrada no projecto da Grande Baía e que as futuras aprovações deverão ter em conta estas políticas. Neste sentido, não está afastada a possibilidade de nos critérios de aprovação as qualificações académicas perderem importância.

Aquando da discussão da mesma interpelação de Ella Lei foi igualmente abordada a questão da importação de trabalhadores não-residentes. Em relação a este aspecto, as respostas foram dadas por Ng Wai Han, directora substituta da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). De acordo com a responsável, foram investigados 30 casos de abuso da importação de trabalhadores não-residentes que resultaram em 107 quotas de TNR canceladas, em espaços como hotéis e restaurantes.

vencedor das legislativas em 2017 vive um dilema quando viaja de carro de Macau para o Interior da China. A situação foi relatada na primeira pessoa pelo deputado, ontem, na Assembleia Legislativa. Em causa estão os parquímetros em Zhuhai que só aceitam o pagamento electrónico. A situação é tão dramática para o legislador, que só aceita deslocar-se na sua viatura ao Interior quando sabe que há estacionamento que pode ser pago com moedas nas imediações do destino. “Eu fui no automóvel, atravessei a fronteira e encontrei um lugar para estacionar.

Mas quando ia meter moedas no parquímetro, apareceu um agente a explicar-me que o pagamento tinha de ser electrónico”, recordou Mak, ligado à associação da província de Jiangmen. “Eu assim não consigo estacionar. Se for a um restaurante com lugares disponíveis ou a outro em que possa pagar com moedas não há problema. Mas se for convidado para um local, tenho sempre de saber se o sítio tem um lugar para estacionar. Caso contrário não vou”, acrescentou. Mak Soi Kun afirmou ainda que o problema de não poderem ser utilizados pagamentos

electrónicos no Interior da China associados a contas bancárias de Macau é um desafio para a Grande Baía. No entanto, na resposta, Benjamin Chan, o presidente do Conselho da Administração da Autoridade Monetária de Macua (AMCM) explicou que actualmente já há pelo menos uma aplicação que permite que com uma conta de Macau se façam pagamentos electrónicos no Interior do Pais. Porém, o responsável admitiu que o objectivo passa por fazer com que o número de entidades a fornecer este serviço seja alargado, para que se torne mais frequente.


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assembleia legislativa 7

terça-feira 28.5.2019

José Pereira Coutinho perguntou à secretária com a pasta da Justiça se havia intenção de actualizar as leis vigentes para que os tribunais notifiquem as pessoas na língua oficial pedida. Na resposta, Sónia Chan afirmou que mudar a lei é fácil, já a realidade...

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deputado José Pereira Coutinho questionou ontem a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, sobre os casos das pessoas que pedem aos tribunais para ser notificadas numa das línguas oficiais, mas recebem respostas no outro idioma, que não dominam. Segundo o legislador, que abordou a secretária durante o Plenário na Assembleia Legislativa, esta questão faz com que as defesas fiquem prejudicadas quando apenas têm 10 dias para apresentar um recurso. Na resposta, Sónia Chan não avançou com nenhuma solução para o problema e admitiu que não sabia o que iria acontecer caso houve alterações ao decreto-lei 101/99/M, que coloca em igualdade as duas línguas oficiais. “Quanto à língua utilizada nos tribunais, que eu saiba a língua utilizada nas sentenças depende da escolha do juiz. Acredito que há alguns que utilizam a língua portuguesa e outros a língua chinesa”, começou por realçar. “Eu acredito que depois de haver uma sentença que essa vai ser traduzida para a outra língua e temos de perceber que isso leva algum tempo. Por isso, eu até posso dialogar com os tribunais e alterar a lei actual. Não é difícil. Mas na verdade e na prática se fizermos a alteração, o que vai acontecer depois?”, questionou.

FALTA DE RESPEITO

Face à ausência de uma resposta mais elaborada, José Pereira Coutinho não insistiu. Mas quando falou na primeira vez no assunto afirmou que os tribunais não respeitam o Decreto-Lei 101/99/M. O legislador disse ainda que o Governo tem a responsabilidade de corrigir a situação com uma mudança do decreto-lei.

“A defesa pode ter muitas dificuldades nos tribunais quando tem de apresentar um recurso dentro de 10 dias. Apesar da lei 101/99 definir que uma pessoa pode escolher a língua oficial em que é notificada, no sistema judicial este decreto-lei não é assim tão respeitado, porque nem todos obedecem ou respeitam o que lá consta”, acusou. “Quando é apresentado um recurso em língua chinesa, as respostas são recebidas em português e vice-versa. Há toda uma necessidade de rever este decreto-lei”, acrescentou.

“Eu até posso dialogar com os tribunais e alterar a lei actual. Não é difícil. Mas na verdade e na prática se fizermos a alteração, o que vai acontecer depois?” SÓNIA CHAN SECRETÁRIA PARA A ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA

Foi depois de apontar esta situação que Coutinho pediu acção ao Executivo e perguntou se havia planos para fazer alterações à lei. “O Governo da RAEM tem a responsabilidade e obrigação de responder às pessoas. O que pensa deste decreto-lei e vai ou não fazer alguma coisa para responder aos pedidos das pessoas [para serem notificadas na língua que dominam]?”, questionou. A questão não é nova e no passado já houve queixas de advogados e de arguidos sobre esta situação. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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deputado Sulu Sou confrontou o director-geral do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), Shuen Ka Hung, com o recuo face às críticas do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). Após um primeiro do relatório do CCAC, o CPTTM foi acusado de ter 16 trabalhadores com ligações familiares de primeiro grau. No entanto, Shuen Ka Hung, num primeiro momento, negou a acusação. O CCAC respondeu com uma actualização da investigação, aumentou o número de familiares contratados de 16

para 21 e criticou a falta de transparência na contratação por parte da entidade com capitais públicos. À segunda, Shuen elogiou o trabalho do organismo liderado por André Cheong. O mais jovem legislador sublinhou que num primeiro momento, Shuen dizia que os 16 casos “não envolviam irregularidades” e questionou se o director-geral do CPTTM tinha mentido: “Depois do primeiro relatório, o CPTTM mentiu ou não na posição tomada? Depois da segunda divulgação já concorda com as afirmações do CCAC?”, questionou o legislador ligado

à Novo Macau. “Parece que levou uma bofetada na cara”, acrescentou. Na resposta, Sheun apontou em tom de brincadeira que com ele “não havia relações familiares”, mas que não podia garantir que fosse a situação com todos, o que motivou risos de muitos deputados. Seguidamente, afirmou que o relatório do CCAC foi “bom” e que é um “exemplo” para ser seguido. Shuen prometeu ainda que o CPTTM vai começar a publicar online o manual de contratação e que a instituição segue os princípios de Sulu Sou imparcialidade e justiça.

Polícia quer colocar videovigilância própria nos casinos

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S autoridades estão a considerar instalar câmaras de segurança públicas dentro dos casinos com os novos contratos de concessão do jogos. O cenário foi admitido pelo Adjunto do Comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, Mui San Meng, depois de ter sido interpelado pelos deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) para o aumento da criminalidade nos casinos. “Em relação às câmaras com reconhecimento facial, como o secretário recentemente disse, a lei da videovigilância só permite a instalação em espaços públicos. Dificilmente podemos instalar câmaras em lugares privados”, começou por sublinhar Mui San Meng. “Mas na nova ronda de atribuição das concessões podemos considerar introduzir nas exigências condições para este efeito”, acrescentou. Ainda em relação à videovigilância, Mui San Meng revelou que até 2023 vão ser instaladas mais 980 câmaras de CCTV, no âmbito do Sistema “Olhos no Céu”. Este número vai fazer com que nesse ano o número de câmaras no território chegue às

RÓMULO SANTOS

SULU SOU SHUEN KA HUNG LEVOU BOFETADA DO CCAC

Febre da câmara

2.600 o que vai fazer com exista uma câmara para cada 258 habitantes, segundo os números da população no primeiro trimestre deste ano. Entre estas, 820 já estão instaladas e dizem respeito às primeiras três fases do programa. Outras 800 estão actualmente a ser montadas e dizem respeito à 4.ª fase, que deverá ficar concluída até Março de 2020.

CUSTOS TABU

A 5.ª fase, que ainda está a ser planeada, deve comportar a instalação de 300 câmaras “em locais de grande concentração”, como zonas circundantes a escolas e paragens de táxis. Finalmente a 6.ª fase envolve 680 câmaras e visa estender os olhos das autoridades às zonas circundantes das instalações recreativas e desportivas ou estabelecimentos públicos com grande concentração de pessoas. Estas são as fases mais recentes anunciadas e devem ficar concluídas em 2022 e 2023. Mui San Meng, que esteve a representar a secretaria para a Segurança, foi ainda questionado sobre o orçamento do sistema, mas em relação a esse assunto não disse uma única palavra.

Código Processo Civil Revisão chega ainda este ano

A proposta de revisão do Código de Processo Civil deverá entrar na Assembleia Legislativa até ao final do ano e um dos objectivos é acelerar o funcionamento dos tribunais. A previsão foi deixada ontem por Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, na AL. “O Governo da RAEM está activamente empenhado nos trabalho de revisão global do Código de Processo Civil, incluindo a revisão dos prazos de actos processuais, da tramitação processual e das situações que provocam o atraso processual”, afirmou a secretária. “Até agora, o Governo da RAEM já elaborou o projecto da respectiva proposta de lei, que abrange cerca de 300 artigos, e irá concluir o procedimento legislativo interno com a maior brevidade possível, estando previsto apresentar a proposta de lei à Assembleia Legislativa para apreciação ainda este ano”, acrescentou.


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28.5.2019 terça-feira

ECONOMIA ANGOLA, TIMOR-LESTE E SÃO TOMÉ DEBATEM INVESTIMENTOS CHINESES

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S Governos de Angola, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe vão estar representados num fórum em Macau para debater investimentos chineses, a 30 e 31 de Maio, anunciou ontem a organização em conferência de imprensa. A edição deste ano do Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF) vai contar com mais de dois mil empresários, académicos e políticos, dos quais mais de 50 governantes oriundos de 40 países e regiões, num evento cujo orçamento está estimado em 39 milhões de patacas e que é promovido sob a orientação do Ministério do Comércio da República Popular da China e do Governo de Macau. O IIICF inclui 36 fóruns paralelos, exposições, seminários de promoção de projectos e bolsas de contacto, entre outras actividades de negociação comercial, para operacionalizar a cooperação entre os países envolvidos na estratégia adoptada pelo Governo chinês “Uma Faixa, Uma Rota”, que visa o desenvolvimento de infraestruturas e investimentos em países europeus, asiáticos e africanos. Na conferência de imprensa, o vogal executivo do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Sam Lei, destacou a realização, em paralelo, da 5.ª Conferência dos Governadores dos Bancos Centrais e dos Quadros da Área Financeira e de um outro fórum que terá como tema “Maximizando o Papel das Finanças para Motivar a Cooperação Prática entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Autocarros Pagamento electrónico a 7 de Junho

A partir de 7 de Junho as pessoas vão poder utilizar o pagamento electrónico nos autocarros públicos, segundo a informação publicada pelo Chefe do Executivo no Boletim Oficial. “Embora Macau apresente formas de pagamento em dinheiro e cartão porta-moeda, a evolução tecnológica e o desenvolvimento de Macau nos últimos anos, exigem que os procedimentos se actualizem”, é explicado. O pagamento é feito através de um código QR, com recurso à aplicação Mpay, e os preços são iguais aos praticados quando o pagamento é feito com Macau Pass, ou seja com uma tarifa de 3 patacas nas carreiras normais. A aplicação está apenas disponível em chinês e inglês.

IMOBILIÁRIO PROJECTO QUE USOU IMAGEM DO CE OFICIALMENTE FALIDO

Mau Feng Chui O Supremo Tribunal Popular da China declarou a empresa Jiangmen Teda Real Estate Development falida e começou a aceitar os pedidos de recuperação dos investimentos dos credores. Em Macau há cerca de 70 compradores de fracções no projecto Guang Bo Hui (GBH)

O

Supremo Tribunal Popular da China aceitou o pedido de falência da empresa proprietária do empreendimento Guang Bo Hui (GBH), a Jiangmen Teda Real Estate Development. Segundo a informação que fez a manchete do Ou Mun Iat Pou, desde

o dia 15 deste mês que o tribunal começou a aceitar as queixas dos lesados. Para 26 de Agosto, ficou agendada a primeira conferência em tribunal entre os credores. As obras do projecto GBH estavam paradas há cerca de dois anos e entre os lesados contam-se cerca de 70 residentes de Macau que, de acordo com os deputados Ella Lei e Leong Sun Iok, investiram 20 milhões de patacas para adquirir lojas e habitações no empreendimento GBH. No entanto, para os legisladores o número poderá ultrapassar os 300 lesados. Ainda de acordo com a informação de ontem do jornal Ou Mun, as dívidas aos bancos e a outros credores privados superam os 889 milhões de yuan. Foi este montante que levou ao pedido do processo de falência para os credores poderem recuperar o dinheiro emprestado. Além deste problema estrutural, juntaram-se outros como demoras na construção, pagamentos atrasados a fornecedores e várias disputas laborais.

COM DEDO LOCAL

O lançamento do projecto contou com a presença de Chui Sai On, naquele que foi um empreendimento aproveitado para promover o investimento de capitais de Macau no Interior da China. Contudo, a imagem do Chefe do Governo

acabaria por ser utilizada por alguns agentes para promover as vendas, segundo a versão de alguns compradores. Chui Sai On sempre negou qualquer envolvimento com o projecto, porém não é conhecido nenhum processo judicial iniciado pelo Governo no Interior da China. Recorde-se que a empresa Jiangmen Teda Real Estate Development, responsável pelo empreendimento Guang Bo Hui (GBH), iniciou o procedimento de falência a 25 de Janeiro deste ano, segundo o Supremo Tribunal Popular da China. De acordo com a informação divulgada na altura, a empresa tem um capital social de 88 milhões de dólares norte-americanos, activos avaliados em 1,68 mil milhões de yuan e

O lançamento do projecto contou com a presença de Chui Sai On, naquele que foi um empreendimento aproveitado para promover o investimento de capitais de Macau no Interior da China

COM FÉ NO CONTINENTE A

falência da Jiangmen Teda Real Estate Development, proprietária do projecto Guang Bo Hui (GBH) não vai afectar as relações de cooperação entre Macau e Guangdong. A ideia foi deixada ontem pelo director dos Serviços de Estudos de Políticas e Desenvolvimento Regional, Mi Jian, após a reunião em que foram assinados nove protolocos de cooperação entre as duas regiões (ver página 5). Mi Jian destacou ainda as relações próximas entre Macau e Jiangmen, enfatizando que o caso em questão é “individual e específico”, pelo que cabe aos investidores de Macau manterem a “confiança” e serem “corajosos” nos investimentos no continente.

uma dívida acumulada de 236 milhões de yuan. A Jiangmen Teda Real Estate Development conta com capitais de Macau e tem como principal accionista Chan Hac Kim. O empresário nasceu no território, mas mudou-se posteriormente para Jiangmen [Kong Mun, em cantonês]. Contudo, mantém ligações a Macau, com destaque para os cargos de presidente honorário daAssociação Geral do Sector Imobiliário de Macau e vice-presidente daAssociação dos Conterrâneos de Kong Mun de Macau, de acordo com os portais de ambas as associações. João Santos Filipe com S.M.M. info@hojemacau.com.mo


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terça-feira 28.5.2019

Videovigilância UM com câmaras em todas as salas de aula

Todas as salas de aula da Universidade de Macau (UM) vão estar equipadas com câmaras de videogilância. A notícia foi avançada ontem pela Rádio Macau e confirmada pela instituição de ensino superior após a abertura de um concurso público para o fornecimento e instalação de

A

cirurgia de Lao Mong Ieng, vítima de violência doméstica que ficou praticamente cega e desfigurada depois de um ataque com óleo, foi adiada. A operação que lhe poderá devolver parcialmente a visão estava prevista para o mês de Maio, no Reino Unido, mas na sequência da alteração da data de julgamento do agressor, de 18 de Março para 17 de Junho, Lao optou por também protelar a operação pois faz questão de depor, apontou a deputada Agnés Lam, que tem acompanhado o caso, ao HM. A intervenção deverá acontecer em Junho, após o depoimento da vítima em tribunal. O agressor enfrenta uma acusação pela prática do crime de ofensa qualificada à integridade física. Recorde-se que Lao Mong Ieng, escolheu ser

A operação que lhe poderá devolver parcialmente a visão estava prevista para o mês de Maio, no Reino Unido, mas na sequência da alteração da data de julgamento do agressor, de 18 de Março para 17 de Junho, Lao optou por também protelar a operação pois faz questão de depor

sistemas de vigilância em circuito fechado de televisão. O objectivo é “proteger a segurança de funcionários e alunos” e “garantir os bens e instalações da Universidade de Macau”. De acordo com a instituição, o Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP) autorizou a medida após uma consulta em

Saúde Kiang Wu vai ser reconstruído

2016. A única exigência imposta à UM foi que tivesse em conta os procedimentos legais. Actualmente, a UM já tem 19 salas de aula equipadas com câmaras, sendo um requisito exigido para exames de certificação em inglês, que têm lugar duas vezes por ano: em Junho e em Dezembro.

A maior parte do Hospital Kiang Wu vai sofrer obras de reconstrução, revelou no domingo à noite o Canal Macau. Os trabalhos de reconstrução deverão começar dentro de um ano e quase todos os edifícios vão ser reconstruídos, à

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA VÍTIMA ADIA CIRURGIA PARA DEPOR EM JULGAMENTO

Uma visão adiada

Lao Mong Ian optou por se submeter a uma osteo-odonto-queratoprótese no mês de Maio, no Reino Unido, no entanto, adiou a intervenção para Junho. O adiamento prende-se com a alteração do julgamento do marido, acusado da agressão que deixou a vítima praticamente sem visão, de 18 de Março para 17 de Junho. Lao faz questão de depor em tribunal contra o agressor

operada para tentar reconstruir parcialmente a vista, no Reino Unido. A mulher, de 31 anos, sofreu queimaduras graves em mais de 40 por cento do corpo, em Julho do ano passado, quando foi atacada pelo marido. O caso

de violência doméstica foi registado depois de Lao ter pedido o divórcio. Na sequência do ataque, a vítima foi encaminhada pelo CHCSJ para tratamento no Hospital Prince of Wales, em Hong Kong. Foi também

neste hospital que a equipa médica aconselhou a deslocação ao Reino Unido para que Lao fosse submetida à osteo-odonto-queratoprótese, uma cirurgia que pode restabelecer parcialmente a visão. De acordo com o

centro hospitalar de Hong Kong, este tipo de intervenção cirúrgica tem uma taxa de sucesso de 80 por cento.

SERVIÇOS DE SAÚDE CONTRA

A opção pela osteo-odonto-queratoprótese foi con-

excepção do Edifício do Centro de Médicos Especialistas Dr. Henry Fo e o Edifício de Internamento. O projecto já terá sido entregue às Obras Públicas e os responsáveis pelo hospital estão à espera da aprovação.

trária às recomendações dos Serviços de Saúde de Macau que em Fevereiro admitiram que não existe nenhuma alternativa de tratamento para recuperar a visão da vítima de violência doméstica, Lao Mong Ieng, além da referida intervenção cirúrgica. Ainda assim, mantiveram o parecer desfavorável, uma hipótese que deixa em aberto o restabelecimento parcial da visão. “Não podemos ser perfeccionistas. Se fizermos uma cirurgia de alto risco, isso pode fazer com que a paciente perca a sensibilidade à luz”, apontou na altura o director do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), Kuok Cheong U, em conferência de imprensa. No entender dos SSM, a solução passa pela mudança de estilo de vida da paciente, que se deve conformar com o facto de não conseguir ver. “Recomendamos que a paciente se adapte a uma nova forma de vida. Também pode ajudar outras vítimas de violência doméstica e dar o seu contributo à sociedade”, acrescentou o responsável. No entanto, a família mostrou-se sempre favorável à opção de tentar uma cirurgia de reconstrução parcial da vista, no Reino Unido, e com esse propósito foi feita uma campanha de recolha de fundos, através do Centro do Bom Pastor tendo sido amealhados 1,3 milhões de patacas. Uma vez que a opção é contrária à dos Serviços de Saúde, o tratamento não vai ter apoio do Governo. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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28.5.2019 terça-feira

Chamaleon Street

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Cinemateca Paixão inaugura o ciclo de cinema afro-americano “Black is Beautiful”, que decorre de 7 a 20 de Junho em Macau, com festa, filmes e conversas sobre a cultura e a sociedade negra dos Estados Unidos da América. São 10 títulos de excelência que prestam tributo à crescente popularidade do cinema feito por cineastas de etnia africana, com filmes de referência, clássicos e actuais, premiados nos mais importantes festivais da especialidade. “Já era altura”, explicou a directora da Cinemateca, Rita Wong, “de reunirmos um conjunto de filmes de importantes realizadores afro-americanos, num ciclo temático que representasse a qualidade das produções que têm sido feitas nos últimos anos”. A vontade vem desde há dois anos atrás, quando o filme “Moonlight” (2016), de Barry Jenkins, venceu o Óscar de Melhor Filme da Academia, ao mesmo tempo que o documentário “I’m Not Your Negro” (2016), de Raoul Peck, sobre a vida

Magia negra CINEMA CICLO AFRO-AMERICANO NA CINEMATECA PAIXÃO EM JUNHO

Os últimos filmes de Spike Lee e de Barry Jenkins, dois nomes de destaque do cinema afro-americano, vão estar na mostra “Black is Beautiful” que inaugura sexta-feira na Cinemateca Paixão. Cinema de excelência é no mês de Junho

do escritor e activista James Baldwin, também nomeado para Melhor Documentário aos Óscares da 89ª Cerimónia da Academia de Cinema e vencedor na mesma categoria dos Prémio BAFTA, ambos anteriormente exibidos na Cinemateca. O projecto “Black is Beautiful” é assinado pelo curador Francisco Lo, “com quem temos trabalhado já em diversas ocasiões, nomeadamente no ciclo que fizemos no ano passado sobre o Novo Cinema Americano, com diversas produções independentes norte-americanas. Ele tem estudado e trabalhado muitos anos como crítico de

cinema nos EUA, por isso está bem familiarizado com este cinema de cultura negra, que é hoje uma tendência que desperta enorme interessante, um cinema maduro e experiente, que achámos que merecia uma maior atenção do nosso público em Macau”, sublinhou Rita Wong. O ciclo é especial e começa logo em clima de festa, com a presença dos DJs convidados de Hong Kong, Kong Matt Force e Fotan Laiki, que são prova de que a cultura pop urbana, como o rap e o hip-hop, evoluíram desde as raízes negras do Bronx até se tornarem num fenómeno global. “Na mostra também


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terça-feira 28.5.2019

BlacKKKlansman

Sorry to Bother You

a na tela vamos conhecer melhor esta cultura, de dentro para fora. Quando escolhemos os filmes, procurámos cobrir diferentes áreas, como a música, os movimentos artísticos, a literatura, a vida em sociedade, todos dirigidos por realizadores afro-americanos, homens e mulheres”, segundo revelou.

O filme de abertura é o mais recente do realizador Spike Lee, “BlacKKKlansman” (2018), que venceu o Grande Prémio de Cannes em 2918 e o Melhor Argumento Adaptado nos Óscares de 2019, baseado na história verídica de um detective policial negro que se infiltra com

“Já era altura de reunirmos um conjunto de filmes de importantes realizadores afro-americanos, num ciclo temático que representasse a qualidade das produções que têm sido feitas nos últimos ano.” RITA WONG CINEMATECA PAIXÃO

sucesso, por via telefónica, na Klu Klux Klan. O cineasta volta a bisar nesta mostra com “Do The Right Thing” (1989), sobre o crescendo de tensão e violência, entre negros, brancos, porto-riquenhos e coreanos, num dia demasiado quente em Brooklyn. Exibido três décadas antes, o filme, nomeado em várias categorias aos Óscares e Golden Globes, sairia das passadeiras vermelhas de mãos abanar.

AOS PARES

Pela longa e extraordinária carreira de 40 anos, como realizador, produtor, argumentista e actor, Spike Lee tem nesta mostra lugar de destaque,

contador por excelência de histórias de conflitos raciais, pesando nas consciências de Hollywood com os temas incómodos do seu país. Os dois filmes, antigo e recente, integram o primeiro dos cinco pares de títulos em que esta mostra está organizada: Um clássico e um Vencedor, Rebelião de L.A., Afro-Futurismo, Estranhos Companheiros de Cama, e Vencidos Pela Lei. “O curador teve esta ideia interessante, de colocar cada par de filmes numa espécie de confronto, como se fosse um jogo de basquetebol da NBA, muito característico da cultura norte-americana. Os pares têm, cada um, uma unidade temática, que os relaciona por razões de semelhança ou contraste, em comparações destinadas a criar uma certa química entre eles”, explicou a directora. Pela ordem acima descrita, o segundo par em confronto é “Killer of Sheep” (1978), de Charles Burnett, sobre os altos e baixos de um trabalhador de matadouro que luta com a família pela sobrevivência num bairro de Los Angeles, e “Daughters of the Dust” (1991), de Julie Dash, sobre uma comunidade descendente de escravos das Sea Islands, na costa da Carolina do Sul, que tenta resistir e preservar a sua cultura e património. O terceiro par opõe “An Oversimplification of Her Beauty” (2012), de Terence Nance, sobre a sensação de se ficar pendurado num encontro, com a divagação fantasiosa que daí resulta, a “Sorry to Bother You” (2018), de Boots Riley, em que o protagonista, cansado de maus empregos, aprende a usar a sua “voz branca” ao telefone para ascender ao lugar de vendedor de topo. O quarto par junta “Losing Ground” (1982), de Kathleen Collins, sobre uma mulher negra culta, contadora de histórias de humor e reflexão social, numa interessante comédia cerebral, e “Chameleon Street” (1990), de Wendell Harris Jr, baseado na história de vida de um embusteiro que, entre outras coisas, se fez passar por repórter, cirurgião e advogado, até a lei o apanhar. Foi vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival Sundance de 1990. O quinto par une os filmes “Fruitvale Station” (2014), de Ryan Coogler, sobre um jovem negro que é abatido por um agente policial numa estação ferroviária de Oakland,

um problema de brutalidade e preconceito racial tão comum na América, e “If Beale Street Could Talk” (2018), de Barry Jenkins, a mais recente obra do realizador do oscarizado “Moonlight”, que conta uma história de amor intimista, passada nos anos 70, antes de sofrer uma grande reviravolta em busca do triunfo contra o ódio e a injustiça. O argumento é adaptado do romance homónimo de James Baldwin.

CONVERSAS À PARTE

Haverá ainda tempo para uma conversa, no dia 15 (sábado) às 16h30, com o curador Francisco Lo e Derek Lam, da Universidade de Hong Kong, que tencionam apresentar o tema “Essa Cena É Minha! – Porque a Arte Negra Importa” e debater com o público sobre o futuro do cinema afro-americano e as implicações

sociais, políticas e artísticas na sociedade americana e não só. A entrada da palestra é livre, mas os lugares estão sujeitos a reserva antecipada por telefone. Quem não pretende perder um fotograma deste festival é a própria directora, Rita Wong, que não elege favoritos, mas confessou que “vou estar muito atenta ao filme do dia 8 de Maio, “If Beale Street Could Talk”, porque gosto muito do realizador e tenho grandes expectativas em relação ao filme, que ainda não vi. Nesse dia vou reservar o melhor lugar da sala para mim...”, gracejou. Todos os títulos serão exibidos duas vezes durante o festival (ver quadro). Os bilhetes já se encontram à venda, ao preço de 60 patacas. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com

FILMES EM CARTAZ “BLACKKKLANSMAN” (O INFILTRADO, 2018) de Spike Lee • 7 Junho 16H00 | 11 Junho 19h30 “DO THE RIGHT THING” (NÃO DÊS BRONCA, 1989) de Spike Lee • 7 Junho 19h00 | 16 Junho 21h30 “LOSING GROUND” (PERDENDO TERRENO, 1982) de Kathleen Collins • 8 Junho 16h30 | 12 Junho 19h30 “IF BEALE STREET COULD TALK” (SE ESTA RUA FALASSE, 2018) de Barry Jenkins • 8 Junho 21h30 | 13 Junho 19h30 “KILLER OF SHEEP” (O MATADOR DE OVELHAS, 1978) de Charles Burnett • 9 Junho 16h30 | 15 Junho 19h30 “DAUGHTERS OF THE DUST” (FILHAS DO PÓ, 1991) de Julie Dash • 9 Junho 21h30 | 16 Junho 14h30 “FRUITVALE STATION” (A ÚLTIMA PARAGEM, 2014) de Ryan Coogler • 14 Junho 19h30 | 18 Junho 19h30 “AN OVERSIMPLIFICATION OF HER BEAUTY” (UMA SIMPLIFICAÇÃO EXCESSIVA DA SUA BELEZA, 2012) de Terence Nance • 15 Junho 14h30 | 20 Junho 21h30 “CHAMELEON STREET” (STREET, O CAMALEÃO, 1990) de Wendell Harris Jr • 15 Junho 21h30 | 20 Junho 19h30 “SORRY TO BOTHER YOU” (DESCULPE INCOMODAR, 2018) de Boots Riley • 16 Junho 17h00 | 19 Junho 19h30


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28.5.2019 terça-feira

COMÉRCIO PRESIDENTE AMERICANO OPTIMISTA SOBRE POSSÍVEL ACORDO COM A CHINA

À espera do final feliz

FENÓMENO COREANOS

Donald Trump cumpre o último dia da sua viagem ao Japão. Depois de várias reuniões com o primeiro-ministro nipónico, Shinzo Abe, e de ser o primeiro estrangeiro a ser recebido pelo novo imperador Naruhito, O Presidente americano mostra confiança num acordo comercial a breve prazo entre os EUA e a China

O

Presidente dos Estados Unidos mostrou-se ontem optimista quanto à assinatura "em breve" de um acordo comercial com a República Popular da China, apesar do impasse negocial entre os dois países. Donald Trump encontra-se no Japão e disse ontem numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe que espera um acordo comercial com Pequim. “Eu penso que, a qualquer momento, a China e os Estados Unidos vão concluir um acordo comercial formidável. Aguardamos esse momento com entusiasmo”, disse o Presidente dos Estados Unidos. Questionado pelos jornalistas sobre os temas da actualidade, Trump afirmou que os Estados Unidos não procuraram uma "mudança de regime" no Irão. A declaração do chefe de Estado norte-americano ocorre numa altura em que se agravam as relações entre Washington e Teerão. “Nós não estamos à procura de uma mudança de regime no Irão, o que nós queremos é o desaparecimento das armas nucleares”, disse Trump numa altura em que os Estados Unidos projectam forças militares na região do Golfo Pérsico.

A

China condenou ontem a realização da primeira reunião entre os chefes da segurança nacional dos Estados Unidos e de Taiwan desde 1979 e exigiu que Washington cesse o contacto entre ambas as partes. O assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, encontrou-se no sábado com o secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, David Lee, durante a sua visita ao país norte-americano, anunciou o ministério dos negócios estrangeiros de Taiwan.

Mesmo assim, Trump disse que estima poder alcançar um acordo com Teerão. Na mesma conferência de imprensa que decorreu em Tóquio, o presidente dos Estados Unidos referiu-se à Coreia do Norte considerando o líder Kim Jong-un um “homem muito inteligente” consciente da necessidade de renunciar às armas nucleares para que o país se possa desenvolver. “Ele sabe que com o nuclear apenas coisas más podem acontecer. É um homem muito inteligente e compreende isto muito bem”, afirmou Trump acrescentando que a Coreia do Norte tem um potencial económico que classificou como “fenomenal”. Sobre a mesma questão, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que tem “apoio total” do Presidente dos Estados Unidos para se encontrar com o dirigente norte-coreano Kim Jong-un. “Eu sinto que tenho de me encontrar com o Presidente Kim, sem pré-condições e que é necessário trocar pontos de vista (…) o Presidente Trump disse-me que concorda e que me apoia”, disse Shinzo Abe na conferência de imprensa ontem em Tóquio. O Presidente dos Estados Unidos foi o primeiro governante estrangeiro a ser recebido em audiência pelo novo imperador do Japão, Naruhito, no trono desde 1 de Maio, dia em que o pai abdicou formalmente. Trump está no Japão desde sábado onde cumpre um programa oficial que se vai prolongar até esta terça-feira. Além do encontro com o novo imperador que se prolongou durante meia hora, o Presidente dos Estados Unidos já realizou uma série de reuniões com o primeiro-ministro Shinzo Abe.

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos “Eu penso que, a qualquer momento, a China e os Estados Unidos vão concluir um acordo comercial formidável. Aguardamos esse momento com entusiasmo.”

Más companhias

Condenada reunião entre chefes de segurança dos Estados Unidos e de Taiwan

Durante aquela que foi a primeira reunião entre os dois países desde 1979, Lee “abordou assuntos comuns de segurança com académicos e funcionários governamentais norte-americanos” e reiterou o seu compromisso com um Indo-Pacífico “livre e aberto”, segundo a fonte. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang, protestou contra o encontro

e negou que Bolton se tivesse encontrado com o seu homólogo, uma vez que Washington reconhece Pequim e não Taipei como representante internacional da China. “Nós estamos firmemente contra qualquer tipo de contacto oficial entre os Estados Unidos e Taiwan e a qualquer tentativa de formar uma China e uma Taiwan (independente)”, disse Kang

na conferência de imprensa diária do porta-voz. “Exigimos que o Governo dos Estados Unidos se ajuste ao princípio de uma única China (…) e que páre com qualquer tipo de contacto ou troca oficial entre ambas as partes, para evitar influenciar os nossos laços bilaterais e a

importante cooperação global”, avisou Kang.

ALTA ACTIVIDADE

Nos últimos anos, Washington aprovou várias leis favoráveis a Taiwan sob o comando da actual presidente Tsai Ing-Wen, no qual foi possível elevar o nível dos

Lu Kang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês

contactos oficiais, acelerar as vendas de armas e intensificar os contactos militares, entre outros pontos. As constantes patrulhas americanas no mar da China indicam uma crescente actividade do país na zona, que os especialistas taiwaneses interpretam como uma reacção à intensificação da presença militar chinesa na região. No ano passado, pela primeira vez na história, os Estados Unidos declararam a sua oposição aos aliados diplomáticos de Taiwan que romperam as suas ligações com a ilha e ameaçaram retaliações.


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terça-feira 28.5.2019

Malucos à solta

Coreia do Norte descreve Bolton como “maníaco da guerra”

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Coreia do Norte acusou ontem o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, de ser "maníaco da guerra" por afirmar que Pyongyang violou as sanções da ONU após o lançamento de mísseis de curto alcance. Numa nota da agência de notícias estatal KCNA, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano descreveu Bolton como "maníaco da guerra" após o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA admitir numa conferência de imprensa no sábado, em Tóquio, que "não há dúvidas" de que os recentes testes com mísseis da Coreia do Norte violaram as resoluções da ONU. "No que diz respeito às resoluções do Conselho de Segurança da ONU, como já dissemos, representam uma negação escandalosa e total do nosso direito à sobrevivência e ao desenvolvimento. Nunca as reconhecemos nem permitimos que nos restrinjam", indicou o porta-voz. A Coreia do Norte lançou vários mísseis de curto alcance em 4 PUB

e em 9 de Maio, em testes supervisionados pelo líder norte-coreano. Para alguns países, incluindo o Japão, as manobras violaram as resoluções da ONU. "Os nossos exercícios não tinham ninguém como alvo, mas Bolton certamente tem uma mentalidade diferente das pessoas comuns ao insistir que são uma

violação das resoluções", refere a nota da KCNA.

FALA DONALD

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou ontem, em Tóquio, que entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte existe um "grande respeito" mútuo, apesar do impasse nas negociações e dos recentes lançamentos de mísseis por Pyongyang. "Muitas coisas boas vão acontecer com a Coreia do Norte (...) já percorremos um longo caminho", disse Donald Trump.

John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA

“Os nossos exercícios não tinham ninguém como alvo, mas Bolton certamente tem uma mentalidade diferente das pessoas comuns ao insistir que são uma violação das resoluções.” MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS NORTE-COREANO

"Um bom respeito foi construído e sem dúvida existe um grande respeito entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte", insistiu. No início da visita oficial ao Japão, no sábado, o Presidente norte-americano tinha voltado a minimizar os recentes lançamentos de mísseis por Pyongyang, reiterando confiança no líder norte-coreano, Kim Jong-un. "A Coreia do Norte disparou algumas armas pequenas, o que perturbou algumas pessoas da minha equipa, mas não a mim", escreveu na rede social Twitter o Presidente norte-americano, que efectua uma visita oficial ao Japão até esta terça-feira. "Estou confiante que Kim irá manter a promessa que me fez", acrescentou Trump.

Japão Trump anuncia venda de 105 caças

O Presidente norte-americano anunciou ontem, após uma reunião formal em Tóquio com o primeiro-ministro nipónico, que o Japão vai comprar aos Estados Unidos 105 caças F-35. "Os Estados Unidos apoiam os esforços do Japão para melhorar as suas capacidades de defesa e, nos últimos meses, enviámos uma grande quantidade de equipamentos militares", disse Donald Trump durante uma conferência de imprensa em Tóquio. “O Japão tenciona comprar 105 novos F-35”, disse. Tóquio, que já havia anunciado no final de 2011 a compra de 42 F-35, é, com este novo pedido, o primeiro cliente internacional norte-americano para este tipo de caças de quinta geração.


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Amélia Vieira

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28.5.2019 terça-feira

Fui, como ervas, e não me arrancaram

Cantigas de Santa Maria

AIO é aquele tempo que sabe a jogral pelo instante da gesta em flor que nos coloca nos cursos de água destes Cantares. Desfolhamos os de Amigo, tão nossos, tão primaveris, e sentimos uma alegria nova, um sentido de chão e cheiro a bailias, de amores, noites fecundas, e descemos até àquela Idade Média que nada tem das ditas trevas. Não devemos nomear assim tempo algum, pois que a todos subjaz a negritude, porém, nem todos nos dão esta forma sedutora. Mais treva do que a dos operários da primeira Revolução Industrial é difícil imaginar, sem recurso aos nichos da flora natural, nem aos campos em flor, morrendo jovens sem nunca ver o sol nos casebres das cidades onde jamais uma flor cresceu. E a Segunda Guerra? Jamais se vira também treva igual. As Primaveras não nasceram nesses anos, suplantadas que foram pelos gases da combustão dos cadáveres, e foi em Maio que findou. Recuemos pois até ao título polémico «La grand clarté du Moyen Âge», que terá o seu zénite em pleno século XIII, onde se desfolham todas as artes e se unem diferenças mais tarde dissonantes. E é a Afonso X, o Sábio, a quem são atribuídas as Cantigas de Santa Maria desta época remota quem nos prende

agora como os sonhos, avô de Dinis, tetravô de D.Pedro I, foi esse rei mecenas que quase poderíamos apelidar de rei da Península Ibérica nesse tempo de reconquistas e cujo extraordinário mérito foi o saber rodear-se de colaboradores muçulmanos, judeus e cristãos, uma forma laboral muito medieva, que só fez proporcionar a chegada deste legado. Em galaico-português, a estrutura recobre várias temáticas para duas vertentes, a profana e a religiosa, a religiosa é predominante, reunida em quatrocentos poemas e transforma-se assim o rei no trovador mariânico. Escutado amiúde ao som de sinos, é nas noites de Maio que refulgem ainda em nós em ritmos de encantar, e quando despertos destes momentos, todos os sons ao redor nos parecem toscos, tristes, sem aquela infinita humidade cristalina; são os efeitos de uma trança muito bem orquestrada nas três religiões, e se os vários recitativos não são bem entendidos sabemos ouvir neles todas as emanações litúrgicas em seus sons. Não raro estas Cantigas produzem pequenos milagres vibratórios como “a frescura de asa” que atribuímos sempre à manifestação, dado que as cantigas de milagre são mais expressivas que as de louvor na chamada proporção de nove

para um, os milagres não são laudatórios, e em súmula sincrética e sintética, quase equivalem aos “haikus”. O narrador está na primeira pessoa e nada interfere nesta harmonia tão estranha para

O culto da Virgem é o tema dos trovadores que misturando lendas antigas, folclore e outros elementos contribuíram para uma enorme riqueza expressiva havendo em toda esta época a prática das romarias onde os romeiros edificaram os seus altares nas terras onde ainda hoje continuam presença viva estas tradições

quem dela padece. Sempre a intertextualidade Bíblica será aqui uma menção honrosa com predomínio para o Velho Testamento, que os tradutores de Toledo, na sua maioria judeus, foram o elo imprescindível para a compilação de tais Cantigas, bem como a influência provençal tão presente e manifesta. O bestiário da obra é um elemento de verosimilhança elementar na sua estrutura, assim como uma antiga flauta de Pã ou uma harpa de Orpheu encantasse os animais que sujeitos a melodias belas tivessem o ajuste anatómico a uma celebração, esta interação é por si um elemento de extrema delicadeza dado não excluir as criaturas, e foi a elas que por este tempo um outro foi composto «O Cântico das Criaturas», de Francisco de Assis. O culto da Virgem é o tema dos trovadores que misturando lendas antigas, folclore e outros elementos contribuíram para uma enorme riqueza expressiva havendo em toda esta época a prática das romarias onde os romeiros edificaram os seus altares nas terras onde ainda hoje continuam presença viva estas tradições. As ermidas onde geralmente se tinham dado aparições foram por séculos lugares abençoados e ainda se mantêm transversais aos roteiros das viagens; o reportório de D. Afonso X é considerado o mais rico em termos de milagres narrados e daí a imensa disposição onírica dos cantares que envolve a soberania da manifesta presença a quem humildemente até um rei agradece com devoção e lealdade. A Dama. Ela está sempre presente ajudando um homem a livrar-se da sua natureza primária e dando-lhe o ensejo e a coragem de ser leal nas lutas que trava. É um tempo mariânico com toda a beleza que tal dote transporta, havendo a referência ao leite para testemunhar a divina substância da maternidade onde um seio é elevado a altar, outro dos elementos poéticos deste régio trovador. E Maio aparece cantado e metaforicamente composto na «Rosa das Rosas» ....Rosa das rosas e Flor das flores Dona das donas “Senhor das senhores” e talvez um género híbrido apareça tomando o Paço de amores pelo pacto entre a Senhora e o monarca. A língua oral encontra-se aqui, a um tempo em que a escrita era reservada, e talvez seja esta a prestação mais humano destes Cantares. A língua é materna se fecundada por poetas. Foram glosadas as três línguas poéticas de então entre os trovadores, o galaico-português, a provençal e o toscano, e por louvor a D. Afonso, em terras distantes, era na língua em que este escrevia que firmavam os seus versos. Uma melodia que convém lembrar.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 28.5.2019

Contos para normais Paulo José Miranda

C

ONHECI a Camila em Sampa, no bairro dos Jardins, num jantar em casa de uma amiga comum. Começámos a conversar depois de um dos convivas, artista plástico, acabar de dizer que sem se fazer nada não se consegue fazer coisa nenhuma. Aquela estafada ladainha do ócio criativo. Camila disfarçou o sorriso e, ao reparar que me dei conta disso, pediu-me desculpa, sem que pudesse entender a razão. Devo ter ficado com ar de perplexidade, pois sentiu-se na obrigação de me explicar que se desculpara porque é de mau tom rir-se da humanidade próxima, ainda para mais num jantar com tantos amigos. Confesso que não tinha argumentos nem a favor nem contra. Camila era uma mulher nos seus trintas, magra e alta, descendente de libaneses, e disse-me que ganhava a vida a tratar pessoas. Quase a despropósito, acrescentou que, se achava de mau tom rir-se dos outros, a qualidade que mais apreciava num homem era a capacidade de rir de si mesmo. Brindei a isso! A conversa decorreu à volta do que eu estava a achar de São Paulo e do Brasil. Perguntei-lhe se conhecia o Líbano, ao que respondeu

O bacalhau não existe

que não, mas tinha intenções de o fazer em breve. E continuamos a falar de viagens, passadas e futuras. As estafadas conversa de circunstância, como o ócio criativo. Quando viu o gosto com que comia o ceviche que tinha sido servido, perguntou-me qual era o prato que melhor representava Portugal. Respondi que talvez fosse injusto destacar um prato, até porque onde a nossa culinária se expressa com mais originalidade é na doçaria. Mas Camila insistiu: “Por exemplo, quando pensamos no Peru pensamos em ceviche; em Espanha, na paella; qual o prato que as pessoas pensam quando pensam em Portugal” Apesar de ser uma resposta manca, decidi-me pelo bacalhau, pois segundo consta temos

mais de cem modos de confeccioná-lo. Camila permaneceu em silêncio. Resolvi improvisar e dizer-lhe que não deixava de ser curioso que o prato nacional fosse algo que não tínhamos no nosso próprio país. Fazer com que o nosso prato principal derivasse de uma espécie de peixe que íamos capturar a milhares de quilómetros de Portugal, dizia muito do povo que somos. Camila riu com gosto, tocou-me com familiaridade no braço e disse: “E você sabe que o bacalhau não existe, não sabe?” Fiquei atordoado e demorei um pouco a vir ao de cima: Como assim, não existe? Sorrindo, Camila explicou: “O bacalhau é um modo de preparar inúmeras espécies de peixes; não há um peixe que se chame bacalhau. Há várias espécies de peixes que se pescam,

Enquanto enchia de novo os nossos copos, oiço-a propor um brinde: “Aos portugueses, que fizeram do que não existe o seu prato principal!” Brindei com ela e acrescentei: é a nossa especialidade! Entre elas, a invenção de um país que não existia, o Brasil

se preparam de igual modo e chegam à mesa com o nome de bacalhau. Na Amazónia também temos uma espécie com a qual se prepara bacalhau: o pirarucu.” Poderia ter dito que só algumas dessas espécies são consideradas bacalhau, pelos portugueses, mas seria indiferente. Enquanto enchia de novo os nossos copos, oiço-a propor um brinde: “Aos portugueses, que fizeram do que não existe o seu prato principal!” Brindei com ela e acrescentei: é a nossa especialidade! Entre elas, a invenção de um país que não existia, o Brasil. Ao que Camila anuiu: “Sim, antes dos portugueses aqui chegarem, o que existia eram várias tribos espalhadas por um vasto território. Provavelmente sem os portugueses este vasto território iria tornar-se inúmeros países, como o que aconteceu no resto da América Latina.” Exactamente, Camila. Quando os outros povos imigraram para cá, já os portugueses tinham inventado o que não existia. No fundo, o Brasil é uma espécie de bacalhau. Agora foi a vez dela rir e de eu fazer um brinde aos bacalhaus que não existem. Entre ela e eu, ficou tudo em águas de bacalhau, como se não existíssemos.


16

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28.5.2019 terça-feira

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Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis

Georg Friedrich Händel (1685-1759)

A apoteose do concerto grosso Concerti grossi, Op. 6, HWV 319-330

O

S Concerti Grossi, Op. 6, HWV 319-330 (ou Doze Grandes Concertos), de Georg Friedrich Händel, compostos para um trio concertino de dois violinos e violoncelo e uma orquestra de cordas ripieno em quatro partes com cravo continuo, contam-se entre os melhores exemplos no género concerto grosso barroco. Em grande parte compostos de material novo, foram publicados pela primeira vez em Londres por John Walsh em 1739, e tornaram-se, na segunda edição de 1741, a Opus 6 de Händel. Têm como modelo os antigos concerti da chiesa e os concerti grossi da camera de Arcangelo Corelli, em vez do concerto veneziano de três andamentos posterior de Antonio Vivaldi, tanto do agrado de Johann Sebastian Bach. Apesar do modelo convencional, Händel incorporou nos andamentos destes concertos toda a gama dos seus estilos composicionais, incluindo sonatas trio, árias operáticas, aberturas francesas, sinfonias italianas, árias, fugas, temas e variações e uma variedade de danças. Devido às mudanças nos gostos populares londrinos, a temporada de 1737 foi desastrosa para a empresa de Händel, a segunda Royal Academy of Music, que naquela época administrava sozinho, e

também para a sua companhia rival, a Opera of the Nobility. No final da temporada, Händel sofreu um colapso físico e mental, que resultou na paralisia dos dedos de uma mão. Persuadido por amigos, acabaria por ir para as termas de Aix-la-Chapelle (Aachen), onde experimentaria uma recuperação completa. Doravante, com excepção das óperas Giove in Argo, HWV A14 (1739), Imeneo, HWV 41 (1740) e Deidamia, HWV 42 (1741), Händel abandonaria a ópera italiana em favor do oratório inglês, um novo género musical por cuja criação foi grandemente responsável. O ano de 1739 assistiu à primeira apresentação do seu grande oratório Saul, HWV 53, da cantata Ode para o Dia de Santa Cecília, HWV 76, segundo um poema do poeta inglês John Dryden, e do renascimento da sua ópera pastoral ou serenata inglesa Acis e Galatea, HWV 49. No ano anterior,

tinha produzido o oratório bíblico Israel no Egipto e em 1740 compôs L’Allegro, il Penseroso ed il Moderato, HWV 55, uma ode pastoral baseada na poesia de John Milton. Händel compôs os Doze Grandes Concertos para a temporada de 17391740 do teatro The Lincoln’s Inn Fields, situado na Portugal Street em Londres, para serem executados nos intervalos dos seus oratórios, como um recurso para atrair público. Após o sucesso dos seus concertos para órgão Op. 4, o seu editor John Walsh encorajou-o a compor um novo conjunto de concertos para compra por assinatura sob uma Licença Real adquirida especialmente. Havia pouco mais de 100 inscritos, incluindo membros da família real, amigos, patronos, compositores, organistas e administradores de teatros. Walsh vendeu com sucesso a sua própria edi-

A composição dos Concerti grossi, Op. 6, tendo em conta o curto período de tempo sem precedentes da sua composição, de apenas pouco mais de um mês, parece ter sido um esforço consciente de Händel para produzir um conjunto de “obras-primas” orquestrais em homenagem aos sempre populares 12 Concerti Grossi, Op,. 6 de Corelli

ção de 1715 dos célebres doze Concerti grossi, Op. 6, de Corelli, publicados pela primeira vez postumamente em Amesterdão, em 1714. A escolha posterior do mesmo número de opus para a segunda edição de 1741, o número de concertos e a forma musical não podem ter sido inteiramente acidentais, pois Händel, nos seus primeiros anos em Roma, havia encontrado e caído sob a influência de Corelli e da escola italiana. Os doze concertos foram produzidos num espaço de cinco semanas entre o final de Setembro e Outubro de 1739. A composição dos Concerti grossi, Op. 6, tendo em conta o curto período de tempo sem precedentes da sua composição, de apenas pouco mais de um mês, parece ter sido um esforço consciente de Händel para produzir um conjunto de “obras-primas” orquestrais em homenagem aos sempre populares 12 Concerti Grossi, Op,. 6 de Corelli, bem como um registo duradouro das suas habilidades composicionais. Apesar da convencionalidade do modelo corelliano, os concertos são extremamente diversos e em parte experimentais, tirando proveito de todos os géneros musicais possíveis e influenciados por formas musicais de toda a Europa. SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA: • G. F. Händel, Concerti grossi, Op, 6 Nos. 1-4 • The English Concert, Trevor Pinnock – DG Archiv Produktion, 1984


desporto 17

terça-feira 28.5.2019

LIGA DAS NAÇÕES PORTUGAL PREPARA FASE FINAL

A

selecção portuguesa de futebol começou ontem a preparar a fase final da Liga das Nações de futebol com o primeiro treino na Cidade do Futebol, em Oeiras, onde o seleccionador Fernando Santos terá algumas 'baixas'. Pepe e Danilo, do FC Porto, e Bruno Fernandes, do Sporting, vão falhar o arranque da preparação, devido a terem participado no sábado na final da Taça de Portugal, assim como Nelson Semedo, que no mesmo dia disputou a final da Taça do Rei de Espanha com o FC Barcelona. Cristiano Ronaldo também deverá ter direito a mais algum tempo de descanso, numa primeira semana em que Portugal vai trabalhar em regime aber-

to, com os jogadores a serem apenas obrigados a marcar presença nos treinos. Portugal, campeão europeu em título, defronta a Suíça nas meias-finais da Liga das Nações, em 5 de Junho, no Estádio do Dragão, no Porto, em jogo com início às 19:45. Um dia depois, Inglaterra e a Holanda disputam a outra meia-final, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, também às 19:45. Os vencedores disputam a final da primeira edição da Liga das Nações, em 9 de Junho, no Estádio do Dragão, em encontro com início às 19:45, enquanto os vencidos decidem no mesmo dia a atribuição dos terceiro e quarto lugares, no Estádio D. Afonso Henriques, às 15:00.

LIGA EUROPA CHELSEA E ARSENAL NA PRIMEIRA FINAL INGLESA DA ÉPOCA

O

S londrinos Chelsea e Arsenal disputam esta quarta-feira, em Baku, a final da Liga Europa de futebol, com os ‘blues’ a procurarem o quinto título europeu e os ‘gunners’ apenas o segundo. Naquela que será a terceira final europeia totalmente inglesa, as duas equipas, que em Londres têm os seus estádios separados por apenas 12 quilómetros, viajam quase 4.000 para discutir o troféu na capital do Azerbaijão, com o Arsenal a ter o aliciante extra de poder também garantir um lugar na Liga dos Campeões da próxima época, algo que o Chelsea já conseguiu via Premier League. Depois do triunfo na extinta Taça da Taças, em 1993/94, o Arsenal, que na fase de grupos foi adversário do Sporting (vitória por 1-0 emAlvalade e 0-0 em Londres), volta a ter possibilidade

de festejar um novo título continental e, desta vez, tem no banco o espanhol Unai Emery, um treinador que bem sabe o que é conquistar a Liga Europa. Ao serviço do Sevilha, Emery venceu três vezes consecutivas a competição, com o Benfica a ser uma das ‘vítimas’ numa das finais, entre 2014 e 2016. Por seu lado, o Chelsea, que sob o comando do italiano Maurizio Sarri ainda não perdeu na prova, com um registo de 11 vitórias e três empates, tem a hipótese de voltar a levantar o troféu da Liga Europa, algo que aconteceu em 2012/13, na altura à custa do Benfica. O encontro que vai decidir o próximo vencedor da Liga Europa está agendado para as 20:00 (hora de Portugal) de quarta-feira e terá arbitragem do italiano Gianluca Rocchi.

GUANGDONG PILOTOS DE MATRIZ LUSA EM EVIDÊNCIA

Primeiro round

N

O Circuito Internacional de Guangdong, nos arredores da cidade continental chinesa de Zhaoqing, realizou-se o primeiro Festival de Corridas de Macau, a manifestação de automobilismo anual organizada pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) que este ano irá apurar os pilotos locais para a “Taça de Carros de Turismo de Macau” e para a “Taça GT – Corrida da Grande Baía” da 66ª edição do Grande Prémio de Macau. Com condições climáticas instáveis, em que a chuva marcou presença com especial incidência no dia de sábado, pilotos de Macau, Hong Kong, Taiwan, Japão, Coreia do Sul e China continental lutaram por uma vaga na grande corrida do mês de Novembro. Para os pilotos macaenses, esta jornada do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCC) foi bastante positiva, com vários nomes portugueses a alcançarem resultados promissores e alguns a carimbarem já o passaporte para a prova do Circuito da Guia. Tal como em anos anteriores, os ultra-preparados

Peugeot RCZ da Suncity Racing Team ditaram as leias na categoria “AAMC Challenge 1.6 Turbo”, com Paul Poon a vencer no sábado e Alex Fung no domingo. Num circuito que conhece bem, o veterano piloto português Rui Valente esteve em pleno destaque ao ser sexto classificado na corrida de sábado, em piso molhado, onde a diferença entre o seu Mini Cooper S para os demais não é tão notória. Na corrida de domingo, Valente levou um toque, caindo para último, recuperando num pelotão de mais de duas dezenas de viaturas até ao décimo lugar final, praticamente selando o seu apuramento. Já Jerónimo Badaraco largou do sexto lugar na primeira corrida, mas deu-se mal com a chuva, terminando no 11º posto. Contudo, na segunda corrida e mesmo com problemas na bomba de água

do Chevrolet Cruze, o piloto macaense obteve um valioso quarto lugar.

VITÓRIA MACAENSE

Na classe “AAMC Challenge 1950cc ou Superior”, que hoje engloba as viaturas que davam corpo ao “Road Sport Challenge”, o favorito Leong Ian Veng triunfou tranquilamente no sábado, terminando à frente do estreante Sabino Osório Lei e de Hélder Assunção. Depois de um quarto lugar na primeira corrida, Delfim Mendonça Choi fechou o fim-de-semana com uma espectacular vitória no domingo, numa corrida em que o pódio ficou também preenchido pelos pilotos locais Lam Kam San e Chan Chi Ha. Numa corrida de sábado onde os pilotos de matriz lusa tiveram em evidência, Luciano Lameiras obteve um quinto lugar, ele que desistiu

Tal como em anos anteriores, os ultrapreparados Peugeot RCZ da Suncity Racing Team ditaram as leias na categoria “AAMC Challenge 1.6 Turbo”, com Paul Poon a vencer no sábado e Alex Fung no domingo

no segundo embate com um problema de caixa de velocidades no seu Mitsubishi. Ao volante de um Audi RS 3 TCR, Filipe Souza teve um fim-de-semana complicado na sua estreia na categoria, mas ainda assim conseguiu um lugar entre os dez primeiros na primeira corrida.

ESTREIA DOS GT

Com vinte e cinco inscritos aos comandos de viaturas de Grande Turismo (GT) num circuito tão exíguo como este, os organizadores optaram por dividir o pelotão em dois na Taça GT – Corrida da Grande Baía. Sendo assim, no Grupo A, Alex Au de Hong Kong, em Audi R8 LMS, e Kevin Tse de Macau, em Mercedes-AMG GT4, dividiram os triunfos. Já no Grupo B, David Pun de Hong Kong, em Aston Martin Vantage GT4, e o conhecido piloto do território Lei Kit Meng, em Ginetta G55 GT4, partilharam as vitórias que uma categoria que também abarca o recém-criado “AAMC GT Challenge”. Eurico de Jesus, que está a participar com um Lotus Exige ex-Taça Lotus, terminou ambas as corridas no quinto posto. O segundo Festival de Corridas de Macau, também a ser realizado no Circuito Internacional de Guangdong, está agendado para o fim-de-semana de 22 e 23 de Junho. Sérgio Fonseca

joaof@hojemacau.com.mo


18 (f)utilidades

28.5.2019 terça-feira

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TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 23 MAX 27 HUM 75-98% • EURO 9.05 BAHT 0.25 YUAN 1.17

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO | “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM

VIDA DE CÃO

É IGUAL, AQUI OU NA CHINA

EXPOSIÇÃO | “100TH ANNIVERSARY OF THE MAY FOURTH MOVEMENT IN CHINA” IFT EXPOSIÇÃO | “PHOTO-METRAGENS” DE JOÃO MIGUEL BARROS Oficinas Navais nº1 | Até 02/06 EXPOSIÇÃO | DESENHOS DA RENASCENÇA MAM | Até 30/06

8 9 5 1 6 4 2 9 0 7 6 8 3 5 7 2 2 0 3 6 4 8 9 3 7 1 4 0 5 2 8 4 1 6 0 5 Cineteatro 9 3 1 7

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C I N E M A

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SALA 2

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Suki Waterhouse 21.30

Naomi Cott, Marwan Kenzari 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

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7em que o indivíduo foi interceptado pelas autoridades.

8 3 9 2 45 14 71 7 0 4 1 7 60 86 8 32 3 9 0 5 0 1 5 3 1 73 7 9 46 4 8 6 6 8 4 29 52 5 13 1 7 2 9 2 9 4 8 4 1 70 67 56 5 0 7 5 0 6 5 6 3 4 2 4 18 91 3 2 6 2 0 8 1 0 1 9 5 74 1 0 7 0 5 3 9 8 3 2 8 62 46 5 3 4 3 87 68 6 0 9 2 9621641 4 7 5 0 3 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 7

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UM FILME HOJE

1 5 1 5 9 2 9 3 64 6 08 70 0 3 4 6 8 7 5 9 2 6 7 5 1o4filme 3 80 8 7“Capharnaüm”, 2 1 que2ganhou o prémio do júri no ano passado 8 0 2 9 6 2 1 6 4 1 4em 3 57 8 Cannes, traz ao ecrã a história de Zain, 2 um 1 7miúdo 3 0 7de5120 anos 9 5 que9se 4 6 encontra a cumprir uma pena de cinco 7ter8esfaqueado 5 0 5uma9pessoa. 2 6 É2na 1 3 por prisão que Zain levanta um processo 9 8 4os1pais. 8 A1razão: 70 3 20 2 5 contra ter nascido. os 8 pais 5pena:2proibir 7 40 4 de8ter mais 1 96 9 2Afilhos, por falta de condições. Ao 3 deste 6 8julgamento, 1 8 2o7espectador 9 7 45 4 6longo fica a conhecer a história de Zain, da 3 0pára 5 8de0crescer, 4 sua4 família 6 9 36que5não 7 8 7 21

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da irmã de onze anos que é cedida, como noiva e moeda, ao senhorio do quarto onde mora a família. Mais, ao longo do enredo, viaja-se pelo Líba0 2 4 2 pela 6 8imigração 1 8 53 95 0no7contemporâneo, ilegal, pelo sofrimento desconhecido 6de5um 6povo. 4 8Sem 7 4dramas 9 7 0e9sem0ro-3 2 1 3 mantismos, um filme a ver, mais do 3 uma 15 2 Sofia 5 Margarida 9 6 7 Mota 6 0 48 que vez.

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PROBLEMA 8

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S U D O K U

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As autoridades francesas detiveram um suspeito relacionado com a explosão ocorrida em Lyon na APANHADO semana passada e que provocou ferimentos em 13 pessoas, anunciou ontem o ministro do Interior francês, Christophe Castaner. Castaner anunciou a detenção do suspeito através da rede social Twitter, mas não especificou o local

78 9 3 81 40 96 12 7 24 5

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4 0 82 3 6 5 37 58 1 9

09 1 8 56 32 84 63 5 97 0

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O título desta crónica remete para uma expressão portuguesa. Costuma-se dizer que certas coisas “são iguais, aqui ou na China”. E uma dessas coisas é a corrupção, a mesquinhez e a chico-espertice com que se tenta enganar o Estado, seja ele português ou chinês. A notícia que publicámos a semana passada sobre o caso que envolve o inspector-director das Finanças em Portugal, João Cravina Bibe, revela que não chegam organismos como o CCAC por esse mundo fora. Os tribunais portugueses conseguiram provar que Cravina Bibe cometeu o crime de peculato por uma simples viagem a Macau na ordem das dez mil patacas, uma vez que pôs o Instituto do Desporto de Portugal a pagar a viagem da mulher. Esta história é semelhante aquela em que se provou acontecer dentro do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau, uma vez que Shuen Ka Hung fez questão de contratar a família quase toda para o organismo. Mas há muitas outras dentro da Função Pública da RAEM. Em Portugal alguns vão parar a tribunal e são condenados, mas outros escapam impunes. Em Macau, fazem-se relatórios do CCAC, corrigem-se as falhas e tudo fica como estava, uma vez que despedimentos na Administração continuam a ser raros, infelizmente. A corrupção acontece porque as leis falham e porque as mentes não são cumpridoras, e aí cabe às autoridades irem investigando e penalizando. O que não pode acontecer é a secretária para a Administração e Justiça vir dizer que não se justificam mais medidas porque os casos de corrupção não foram assim tantos. Também não pode acontecer o CCAC continuar com tão pouco poder. Andreia Sofia Silva

“CAPHARNAÜM” | NADINE LABAKI

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de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

terça-feira 28.5.2019

macau visto de hong kong

Portas do Cerco em estado de sítio

VICENTE PAIVA

DAVID CHAN

N

OS últimos dias, devido às obras de manutenção e reparação das escadas rolantes, as pessoas que viajavam de Zhuhai e Macau acumularam-se no corredor das partidas das Portas do Cerco. Dia 22 deste mês, a Polícia de Segurança Pública, o Gabinete das Forças de Segurança e o Gabinete de Transportes deram uma conferência de imprensa conjunta para apresentarem o plano de emergência para lidar com a situação. As medidas incluem a abertura de 13 guichets do controlo alfandegário, para que sejam evacuadas 12.000 pessoas num espaço de quatro horas. Na medida em que a entrada do edifício de controlo de fronteiras é estreita e as escadas rolantes estão em manutenção, o risco de acidentes aumenta com a enorme concentração de pessoas. É portanto urgente fazer sair esta multidão.

Após a implementação das medidas, as pessoas só esperam cerca de 10 minutos até entrarem no edíficio da alfândega. Espera-se que abram mais dois guichets durante o fim de semana, passando assim de 13 para 15. O Gabinete de Transportes pediu às companhias transportadoras que os autocarros mudassem de rota, para que os passageiros pudessem sair junto aos portões de embarque. Os autocarros que fazem a volta dos hotéis foram reduzidos para um terço e os passageiros são encorajados a entrar e sair de Macau pela Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. A substituição das escadas rolantes do edifício da alfândega das Portas do Cerco

As obras de manutenção e reparação das escadas rolantes do átrio das Partidas do edifício alfandegário das Portas do Cerco irão demorar cerca de 60 dias. O público irá sentir os seus transtornos por igual período

causou a concentração de uma multidão, e demonstrou a capacidade de infraestrutura pública de Macau para dar resposta a incidentes. O projecto de manutenção das escadas rolantes surgiu no princípio de 2018, mas o público só foi informado no dia anterior ao início das obras. Muitos dos residentes e turistas só se aperceberam da situação quando chegaram às Portas do Cerco. Esta situação sugere que as autoridades deverão fazer um esforço para publicitar este tipo de ocorrências com maior antecedência e que haja um controlo mais apertado das entradas e saídas em Macau. Fora isso, seria possível que o Governo providenciasse no sentido de serem utilizados outros postos de controlo alfândegário, para libertar a pressão das instalações das Portas do Cerco? Como o tempo de espera para entrar e sair de Macau está a aumentar, é possível que venha a ser necessário criar condições especiais para idosos, crianças, grávidas e pessoas com incapacidades, para evitar qualquer mal estar causado pelas altas temperaturas que se fazem sentir no Verão. Mas, pior do que isso, é a possibilidade de transmissão viral, frequente em locais super-lotados. Se uma pessoa estiver doente,

facilmente muitas outras serão contagiadas e todos sabemos que se há vírus inofensivos, há infelizmente outros muito perigosos. Também é necessário alertar a população para o uso de mascáras. A presença de médicos no local e o controlo sanitário poderão ser ainda questões a considerar. As obras de manutenção e reparação das escadas rolantes do átrio das Partidas do edifício alfandegário das Portas do Cerco irão demorar cerca de 60 dias. O público irá sentir os seus transtornos por igual período. As escadas estão montadas paralelamente, em grupos de três. Devido às restrições de espaço, é possível que passem para grupos de duas, diminuindo grandemente a capacidade de transporte. Há uns tempos atrás estas escadas causaram muitos acidentes. Alguns turistas do continente forçavam manualmente a paragem das escadas e as pessoas que iam mais abaixo, como não conseguiam aguentar o impacto, perdiam o equilíbrio e caíam, fazendo cair também os que estavam atrás deles. Este foi um dos motivos que levou a separar as escadas em várias secções, de forma a diminuir os danos dos possíveis acidentes. Este aspecto deve de ser considerado na actual remodelação.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


O coração humano tem olhos de lince. Madame de Necker

METEOROLOGIA MAU TEMPO PARA HOJE E AMANHÃ

CINEMA PROJECTOS EM CONCURSO ATÉ 14 DE JUNHO

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S dias de hoje e de amanhã vão ser de mau tempo. A informação foi avançada ontem pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). Em comunicado, o organismo aponta que vão continuar a “ocorrer aguaceiros e trovoadas na região”, pelo que aconselha a população a estar atenta “às condições meteorológicas e às informações emitidas”. Enquanto que os SMG de Macau apelam à atenção, o Governo de Hong Kong, perante as mesmas circunstâncias, já solicitou às entidades empregadores flexibilidade no que respeita ao cumprimento de horários pelos trabalhadores, tendo em conta as previsões de tempestade. Recorde-se que o sinal de trovoada e chuva intensa foi emitido na manhã de ontem, em Macau, às 9h10, enquanto na região vizinha o alerta foi dado às 5h da manhã. A diferença de horário na emissão do sinal foi alvo de críticas por parte da população. Em resposta os SMG afirmam que “das 00h às 07h, a área de chuva intensa principal não tinha afectado a região, uma vez que a área de chuva intensa estava relativamente isolada”, sendo que “na altura, previu-se que nas próximas duas horas, fosse impossível a precipitação atingir padrões de emissão do sinal de chuva intensa”. No entanto, a realidade não correspondeu às previsões e a chuva intensa fez-se sentir ao longo de grande parte da manhã, tendo os SMG retirado o respectivo sinal apenas às 11h10. S.M.M.

Liga Europa Águias torcem pelos azuis de Londres

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Já são conhecidas as linhas com que se vai coser o sorteio da fase de grupos da Champions 2019/2020. O Benfica, para já, ficou colocado no pote 3, mas já conhece todas as variáveis que o poderão atirar para o pote 2, assim evitando, em teoria, equipas mais indesejáveis. Nesse sentido, a Luz fica desde já a torcer por triunfo do Chelsea sobre o Arsenal na Liga Europa, porque nesse cenário a entrada no pote 2 ficaria dependente de ou FC Porto ou Ajax ficarem pelo caminho na fase de apuramento, pela qual entrarão pela porta da 3.ª pré-eliminatória. Se for o Arsenal a vencer, Benfica precisa da eliminação dos dois para aceder ao pote 2.

terça-feira 28.5.2019

PALAVRA DO DIA

A

ARTE VÍTOR POMAR ELOGIA COMPRAS COM FUNDOS PÚBLICOS

Boas aquisições

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pintor Vítor Pomar elogiou ontem o anúncio do Governo e da Câmara de Lisboa para aquisição e preservação de obras de arte contemporânea, mas avisou que é preciso coragem na definição de critérios que presidam às escolhas. Em Macau, onde se estreia na quinta-feira com uma exposição na Ásia, o artista plástico, filho de Júlio Pomar, enalteceu a vontade de “dar um apoio aos artistas”, o que “é muito bom para a malta nova ser estimulada”, mas lembrou que para definir critérios e para se constituir acervos de valor “é preciso coragem, […] e em geral não se tem essa coragem”, sustentou o pintor a quem o Museu de Arte Contemporânea de Serralves dedicou uma exposição antológica em 2003. Para Vítor Pomar, há acervos que deixam muitos artistas de fora, até para que seja possível ter outros bem representados e que “assumir isso é muito raro”. “A arte é uma espécie de fé, não há nenhum valor instituído, válido, científico: o que faz uma coisa ser boa ou má? Há um consenso e depois interagimos com os consensos”, opinou,

destacando que “é muito difícil destrinçar essas coisas e que os agentes culturais” correspondem “muitas vezes a cargos políticos” que têm de responder sempre a um superior, assinalou.

DITO E FEITO

A 15 de Maio, o primeiro-ministro garantiu que 2019 “vai ser mesmo o ano em que o Estado vai voltar a adquirir arte contemporânea, de forma a enriquecer o seu acervo”, para promover a cultura no país. António Costa anunciou que se ia avançar com a constituição de um fundo de 300 mil euros para a aquisição de obras de arte e que o Ministério da Cultura e o Ministério das Finanças designaram o primeiro júri de aquisição das peças. A Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea para o biénio 2019/2020 será composta pela curadora Sandra Vieira Jürgens, pela professora Eduarda Neves, pelos artistas Manuel João Vieira, Sara Nunes e André Campos e por dois representantes do Ministério da Cultura. Na quinta-feira, a Câmara de Lisboa aprovou por sua vez uma proposta para a criação Banco de Arte Contemporânea Maria

da Graça Carmona e Costa, que terá como missões preservar, investigar, guardar e divulgar espólios documentais e artísticos de arte contemporânea, mas sem detalhar os recursos financeiros que lhe serão atribuídos.

POR CÁ

O Clube Militar de Macau organiza a partir de quinta-feira a exposição “Ver o Mundo como Ornamento”, de Vítor Pomar, a primeira da série anual “Pontes de Encontro”, integrada nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. A mostra de Vítor Pomar, que se prolonga até 7 de Julho, inclui um total de 29 obras originais. A produção executiva está a cargo da Associação para a Promoção de Actividades Culturais e a curadoria é da responsabilidade de Lina Ramadas e José I. Duarte. Vítor Pomar nasceu em 1949 e frequentou as Escolas Superiores de Belas Artes de Lisboa e do Porto. A sua produção artística inclui obras de pintura, fotografia, cinema e vídeo experimental e instalações.

“Feira de Investimento na Produção Cinematográfica da Grande Baía – Guangdong-Hong Kong-Macau 2019” lança a partir de hoje o repto aos membros da indústria cinematográfica do território, interessados em submeter as suas candidaturas a financiamento de projectos, entre 28 de Maio e 14 de Junho. Organizada pelo Instituto Cultural (IC), pela Administração de Cinema da Província de Guangdong, e pela CreateHK, esta feira de investimento está a receber propostas de candidatos locais, com idade igual ou superior a 18 anos, que sejam os realizadores dos projectos que apresentam, contando já com filmes de ficção previamente exibidos ao público, com pelo menos 20 minutos de duração. Um júri composto por profissionais da indústria, convidados pelo IC, seleccionará até oito propostas locais para serem objecto de recomendação e participação, numa fase posterior de selecção global das três regiões, de acordo com critérios de selecção como: criatividade do argumento, viabilidade do projecto experiência, capacidade de execução do candidato e equipa, bem como razoabilidade orçamental. A iniciativa realiza-se no território desde 2014, com o objectivo de estabelecer uma plataforma de qualidade e conveniência para o intercâmbio entre produtores e investidores na área do cinema. Nas edições anteriores participaram 111 projectos e 210 investidores das três regiões. Os formulários podem ser descarregados nas páginas electrónicas do IC e das Indústrias Culturais e Criativas de Macau.


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Hoje Macau 28 MAI 2019 # 4297 by Jornal Hoje Macau - Issuu