DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
SEXTA-FEIRA 28 DE ABRIL DE 2017 • ANO XVI • Nº 3802
Preso pelos miguelistas
JOSÉ SIMÕES MORAIS
Modo de perguntar
PAULO JOSÉ MIRANDA
MÚSICA EM MOVIMENTO
hojemacau
PAUL B.GOODE
FAM
h
EVENTOS
Curto circuito
Alexis Tam não deixa margem para dúvidas. Ung Vai Meng, Leung Hio Ming e Chan Peng Fai vão enfrentar procedimentos disciplinares na sequência do relatório do Comis-
EUA | COREIA DO SUL
Exercícios de risco PÁGINA 13
sariado Contra a Corrupção que deu conta de várias irregularidades na contratação de trabalhadores. Entre 2000 e 2015, mais de 90 pessoas foram admitidas de forma ilegal.
OPINIÃO
Sudoku ISABEL CASTRO
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SAÚDE
iSTOCK
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IC ALTOS CARGOS ALVO DE PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
Menores e vacinados
RELATÓRIO
Recados europeus
GRANDE PLANO
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PRIMEIRO DE MAIO
MAGROS PROTESTOS
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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PÁGINA 7
2 GRANDE PLANO
A grande maioria das crianças do território está vacinada. Nos últimos 29 anos, houve apenas um caso de sarampo. Há várias maleitas que, na última década e meia, foram tidas como erradicadas pela Organização Mundial de Saúde. Macau sai bem no retrato mundial da prevenção das doenças transmissíveis
212.262 pessoas foram vacinadas em Macau em 2016
VACINAÇÃO TAXA EM MACAU RONDA OS 94 POR CENTO
PELA NOSSA SA P
ORTUGAL tinha, à hora de fecho desta edição, 25 pessoas infectadas com sarampo, uma doença que tinha sido erradicada em 2016 depois de um longo período em que os únicos casos detectados tinham sido contraídos no estrangeiro. Só este ano, contaram-se já 95 doentes com o vírus. O país não é caso único: há um surto na Europa que atinge, pelo menos, outros 18 Estados. A morte de uma jovem portuguesa de 17 anos, na semana passada, com complicações originadas pelo facto de ter sarampo, reacendeu uma polémica que, para a grande maioria, não faz qualquer sentido: há quem opte por não vacinar os filhos, temendo os efeitos secundários da administração de vacinas. Outros fazem-no por convicção de natureza religiosa. No caso da adolescente que morreu, as notícias dão conta de que não tinha sido vacinada por motivos de saúde. A comunidade médica internacional não tem dúvidas sobre as vantagens das vacinas, desde que haja condições clínicas para a sua administração. Foi a aposta na prevenção que permitiu diminuir drasticamente o número de casos de sarampo, de tosse convulsa ou da devastadora poliomielite. Ainda assim – e à semelhança do que acontece com a administração de antibióticos e de outros medicamentos –, há quem ofereça resistência às vacinas que os governos disponibilizam. Nos Estados Unidos, a questão é muito discutida. A taxa global de vacinação do país ronda os 90 por cento. Nalguns Estados, são obrigatórias, mas há excepções para quem alega questões religiosas. Em Macau, também há casos de pessoas que preferem não vacinar os filhos. Mas são poucos aqueles que Jorge Humberto, pediatra no território desde 1982, encontrou ao longo da sua vida profissional. “Tive um ou outro caso de um pai ou de uma mãe que mostraram desinteresse em vacinar os filhos, mas não uma verdadeira aversão”, conta ao HM. As reticências
resolveram-se com uma conversa, “conseguiu-se que as crianças fossem vacinadas”. Isabel Marreiros, educadora de infância e directora da Santa Casa da Misericórdia, tem a mesma
experiência do pediatra. “Normalmente, em Macau, os pais são conscienciosos”, atesta. Esta consciência em relação à importância da prevenção tem tradução numérica: de acordo
com dados facultados ao HM pelos Serviços de Saúde de Macau (SSM), a taxa de vacinação das crianças do território anda perto dos 94 por cento, o que significa que “já atingiu o
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UDE ´
factor mobilidade: alguns recém-nascidos que não são residentes locais regressam ao local de origem dos pais após o nascimento. Não se vacinam em Macau, mas mesmo assim estão incluídos no grupo de naturais da cidade, entrando directamente para as estatísticas.
OBSTÁCULOS DO PASSADO
Quando Jorge Humberto chegou a Macau, para vir trabalhar para o hospital público, já havia muitas das vacinas que hoje existem, mas faltava “uma determinação superior” em relação à matéria. “Houve até algumas vacinas que foram iniciadas nessa altura, que não faziam parte do programa, e que foram entrando, pouco a pouco, no que é hoje o plano actual.” Os registos históricos sobre a matéria permitem perceber que a população do território – ou parte dela – começou a ser vacinada em 1840. A prática da imunização começou, na medicina ocidental, no final do séc. XVIII, com a invenção da vacina contra a varíola, que terá chegado aqui também. O programa de vacinação mais completo, explicam os SSM, data de 1982.
“Tive um ou outro caso de um pai ou de uma mãe que mostraram desinteresse em vacinar os filhos, mas não uma verdadeira aversão.” JORGE HUMBERTO PEDIATRA
nível de vacinação estabelecido pela Organização Mundial de Saúde”. Ainda assim, o Governo entende que a taxa deveria ser maior. Acontece, porém, que existe o
Jorge Humberto recorda, dos primeiros tempos de actividade profissional em Macau, certos obstáculos à inovação. “Tivemos alguns problemas da parte da direcção do hospital quando começámos a querer introduzir a vacina para a hepatite B. Tive algumas ‘pegas’ com o director do hospital para o convencer que era necessário institucionalizar a introdução desta vacina”, diz o pediatra, que conheceu muitas crianças com a doença. O médico conseguiu ver a sua pretensão concretizada. “A partir de certa altura, tornou-se oficial e passámos a dar a vacina da hepatite B a todos os recém-nascidos, da mesma maneira que se dá a BCG contra a tuberculose.” Os dados oficiais explicam que, neste momento, a taxa de vacinação dos recém-nascidos é de 99,7 por cento. “Guerrinhas houve sempre na aplicação das vacinas mas, pouco a pouco, as instituições foram to-
A taxa de vacinação das crianças do território anda perto dos 94 por cento, o que significa que “já atingiu o nível de vacinação estabelecido pela Organização Mundial de Saúde.” mando uma posição, assim como a própria população acaba por aceitar”, constata Jorge Humberto. “De vez em quando aparece um ou outro que se arma em valente, ‘eu não quero dar vacinas ao meu filho’. Mas isto tudo acaba por se vencer.”
DOENÇAS ERRADICADAS
Médico desde 1974, o pediatra lembra-se bem do tempo em que havia muitos casos de papeira, de tosse convulsa, de tuberculose – que “atacava meio mundo” –, de poliomielite também. “Depois foram desaparecendo de circulação. Não vejo uma poliomielite ou uma tuberculose porque as crianças estão vacinadas.” No que toca ao sarampo, os SSM contabilizaram um caso nos últimos 29 anos. “Quanto mais a medicina puder fazer no sentido de evitar esta ou aquela doença, melhor para a criança, melhor para o médico, melhor para todos nós”, afirma Jorge Humberto. Macau obteve a certificação da erradicação da poliomielite, pela OMS, em 2000. Oito anos depois, foi emitida a acreditação de controlo da hepatite B em crianças, já que a taxa de infecção era inferior a um por cento entre a população com idade igual ou superior a cinco anos. Em 2014, a RAEM obteve a certificação da erradicação do sarampo. Em 2001, “foi feito um reforço dos cuidados primários de saúde com a criação do Centro de Prevenção e Controlo da Doença”, indicam os SSM. É esta a entidade responsável pela prevenção de doenças transmissíveis e do planeamento do programa de vacinação, em articulação com os centros de saúde. No ano passado, o programa de vacinação da RAEM resultou na administração de vacinas a 212.262 pessoas. O programa de vacinação antigripal de 2016 a 2017 chegou a 98.040 pessoas. Isabel Castro
isabelcorreiadecastro@gmail.com
“Ao nível dos mais avançados”
Serviços de Saúde dizem que plano é abrangente
A
S vacinas no território são gratuitas para as crianças residentes. As que têm de pagar para poderem ir ao encontro do que está definido no plano de vacinação são em “número muito reduzido”, garantem os Serviços de Saúde de Macau (SSM). “As pessoas que não sendo residentes ou sejam apenas visitantes de Macau podem aceder, por conta própria, à administração de vacinas”, esclarecem em declarações ao HM. De acordo com as explicações do SSM, o programa de vacinação da RAEM “está no nível dos países mais avançados”. Na comparação com as regiões vizinhas, “verifica-se que os tipos de vacinas existentes em Macau são em maior número, além de que a cobertura, a título gratuito, é também mais abrangente”. Neste momento, o programa de vacinação de Macau inclui 13 tipos de vacinas. Entre elas encontram-se as mais comuns – tuberculose, hepatite B, tosse convulsa, tétano, difteria, poliomielite, sarampo, rubéola e papeira –, e também vacinas para prevenir doenças como “streptococcus pneumoniae, haemophilus influenzae bacilos (que causa meningite infantil), varicela e cancro do colo do útero”. As crianças que frequentam creches e estabelecimentos de ensino em Macau devem cumprir este plano de vacinação – à excepção daquelas que, por razões de saúde, não podem ser imunizadas. Isabel Marreiros, directora da Creche da Santa Casa da Misericórdia, explica que “existem instruções, através dos SSM, para que as crianças tenham o quadro vacinal em dia para poderem começar a frequentar a creche”. Ainstituição recebe bebés com apenas seis meses de idade que “têm um quadro vacinal diferente de uma criança que entra com dois anos”. É aqui que adquire relevância a questão da imunidade de grupo: ao meio ano de vida, ainda não foi possível tomar uma série de vacinas que já terão sido administradas a crianças mais velhas. Quanto maior for a imunidade de grupo, mais garantias se oferece a quem ainda, por uma questão de idade, não pôde ser vacinado. “Temos enfermeiras na creche que vão acompanhando a
actualização do quadro vacinal da criança. No momento em que se detecta uma falha, avisamos os pais para a colmatarem”, acrescenta Isabel Marreiros, que não se tem deparado com casos em que os pais não cumpram as regras. Segundo as explicações dos SSM, desde 2014 que os centros de saúde enviam anualmente às escolas técnicos que procedem à administração das vacinas. Mais recentemente, começaram a ser administradas vacinas contra o cancro do colo do útero às alunas do 12.o ano de escolaridade, sendo que a taxa de vacinação é de 92 por cento.
AS NOVAS MALEITAS
Com uma vasta experiência no ensino, a trabalhar há quase 40 anos, Isabel Marreiros observa uma significativa evolução no cenário das doenças infecto-contagiosas que, por força da vacinação, foram desaparecendo. Apesar de haver falhas quando o programa de vacinação foi criado e de nem todas elas serem gratuitas, havia muitos pais que estavam dispostos a pagar precisamente por causa da saúde das crianças. Nos primeiros anos de trabalho da educadora de infância, a dimensão da população ajudava a que o controlo fosse mais fácil. Hoje em dia, a situação é mais complicada, pelo que a vacinação adquire ainda uma maior importância. É que há todo um outro conjunto de doenças transmissíveis que ainda não é possível prevenir. “As crianças vão de férias, trazem bactérias e vírus que ainda não se manifestaram, chegam à creche e transmitem-nos, proliferam de uma maneira incrível, porque não é controlável. Nestas doenças, o que acontece é que, logo no primeiro caso, avisamos imediatamente os pais, fazemos uma desinfecção total da sala, para não dar azo a que evolua mais”, refere. Quanto ao que já é possível evitar, os Serviços de Saúde garantem que é para continuar a cumprir “o compromisso com a sociedade para a prestação de um serviço completo e de alta qualidade no âmbito da vacinação pública”, para que não regressem os fantasmas de doenças que, no passado, “eram muito comuns”, como a poliomielite, a difteria e a tosse convulsa. I.C.
4 hoje macau sexta-feira 28.4.2017
O relatório anual da União Europeia para Macau fala de um aumento da autocensura por parte dos media chineses, alertando para o elevado número de pessoas de Hong Kong que foram proibidas de entrar no território. A UE recomenda ainda ao Governo o debate sobre o sufrágio universal
UE RELATÓRIO FALA DE AUMENTO DA AUTOCENSURA NOS MEDIA
Também tu, Brutus ANTÓNIO FALCÃO
POLÍTICA
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relatório da UE aponta o dedo ao Executivo por causa a falta de criação de um órgão independente para o tratamento de casos de tortura. “O Governo manteve a sua oposição face a uma proposta da Convenção contra a Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU), que aponta para a necessidade de implementar um órgão independente ao nível dos direitos humanos. [O Governo] argumentou que esta recomendação não é aplicável a Macau por ser uma região administrativa especial da China”, lê-se. Em relação aos casos de tráfico humano, a UE aponta que o Executivo “fez esforços substanciais para combater o crime transfronteiriço, sobretudo ao nível do tráfico humano”. Contudo, “apesar do grande número de queixas, o número de acusações e condenações continua a ser baixo”.
N
uma altura em que o ex-procurador da RAEM responde em tribunal, em mais um escândalo de corrupção a envolver uma figura de topo do sistema, a UE lembra que “medidas anticorrupção mais robustas continuam por implementar, apesar de terem ocorrido casos de relevo”. Além disso, Macau “continua vulnerável ao crime de branqueamento de capitais”, refere a UE, uma vez que “os casinos continuam a ter vários caminhos para a passagem de dinheiro que vem da China”. Apesar disso, o relatório destaca as últimas medidas adoptadas pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos.
inalterado. (...) Os deputados pró-democratas apontaram para a perda de oportunidade em termos de progresso democrático e falaram da necessidade de mais reformas, incluindo a discussão sobre a introdução do sufrágio universal”, pode ler-se. Por essa razão, a UE recomenda que “as autoridades de Macau tenham em consideração as formas de promover um maior envolvimento da população nas eleições para o Chefe do Executivo, de modo a reforçar a legitimidade dessa posição e a contribuir para uma boa governação”. O relatório da UE fala ainda de mais um chumbo do projecto de lei sindical, alertando para o facto de os trabalhadores verem reconhecido o direito de associação, embora “não estejam a salvo de retaliações”. Tal acontece pela ausência de legalização dos sindicatos.
Á liberdade, mas também há mordaças. É esta a conclusão dos especialistas da União Europeia (UE) no mais recente relatório anual sobre Macau. No documento defende-se que “os direitos fundamentais e a liberdade dos cidadãos continuarem a ser respeitados”. Contudo, a UE considera que a autocensura no seio dos meios de comunicação social de língua chinesa tem aumentado. “Os media de Macau continuaram a expressar uma variedade de opiniões, apesar de algumas preo-
MACAU CONTINUA A IGNORAR ONU O
MAIS PARA O COMBATE À CORRUPÇÃO
• Relatório da União Europeia “Não é a primeira vez que jornalistas e membros de grupos políticos de Hong Kong vêem a sua entrada recusada.”
cupações sobre o aumento da autocensura. Parece haver um aumento da autocensura, particularmente no seio dos media chineses quando noticiam assuntos da China”, lê-se no relatório. A UE baseia-se em relatos feitos pela Associação de Jornalistas de Macau sobre alegados constrangimentos de que terão sido alvo os jornalistas, aquando da cobertura de um protesto dos pequenos investidores do Pearl Horizon, no dia do aniversário da transferência de administração, em 2016. “A associação disse estar muito preocupada com facto de alguns repórteres terem sido insultados e empurrados. (...) Trata-se de um comportamento que viola a liberdade de imprensa”, lê-se. A mesma associação falou ainda da proibição de entrada em Macau de um jornalista do Apple Daily, título em chinês publicado
em Hong Kong. “Não é a primeira vez que jornalistas e membros de grupos políticos de Hong Kong vêem a sua entrada recusada”,
ALERTA PARA DISCRIMINAÇÃO SEXUAL O
s especialistas da UE lembram que os casais do mesmo sexo continuam a não estar contemplados na lei de combate à violência doméstica, apontando que, em Macau, “persiste uma preocupação quanto à discriminação com base na orientação sexual e na identidade de género, particularmente em termos de emprego, educação e saúde”. “É necessária mais legislação para promover a igualdade de género, tal como na área do assédio sexual”, refere o relatório.
afirmam ainda os responsáveis pelo relatório.
ELEIÇÕES COM REGRAS
Numa altura em que o território se prepara para receber mais um acto eleitoral para aAssembleia Legislativa (AL), o relatório da UE lembra que as campanhas eleitorais têm agora de obedecer a regras mais restritas. “A 9 deAgosto, os deputados aprovaram a revisão da lei eleitoral, que tem como objectivo o estabelecimento de regras mais apertadas para a campanha eleitoral”, aponta o documento. A UE salienta, porém, que o Governo não aproveitou esta oportunidade para aumentar o número de deputados na AL eleitos pela via directa, bem como para começar o debate sobre o sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo. “O número de assentos eleitos pela via directa permaneceu
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
MODERNIZAÇÃO NO SECTOR LABORAL PRECISA-SE C
om a falta de recursos humanos no território e os discursos que vão contra a importação de trabalhadores não residentes, a UE lembra que “Macau continua a sofrer com a falta de trabalhadores”, recomendando ao Governo que seja “mais moderno e eficiente”, e que implemente novas reformas administrativas. “Como Macau sofre com a falta de trabalhadores, sobretudo qualificados, as empresas europeias têm de recorrer aos expatriados e trabalhadores estrangeiros, ainda que obter autorizações de trabalho se tenha tornado difícil”, alerta o relatório no capítulo referente às relações entre Macau e a UE.
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O
antigo presidente do Instituto Cultural (IC) Ung Vai Meng e os actuais presidente, Leung Hio Meng, e vice-presidente, Chan Peng Fai, vão ser alvo de um “procedimento disciplinar” por irregularidades no recrutamento. O gabinete do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, decidiu “instaurar um procedimento disciplinar aos membros da direcção do Instituto Cultural à época dos factos, a saber: Ung Vai Meng, Leung Hio Ming e Chan Peng Fai” por “indícios de violação de deveres gerais e específicos legais”, indica um comunicado oficial. No mês passado, um relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) indicou que o Instituto Cultural (IC) “recorreu ao modelo da aquisição de serviços para contornar sistematicamente o regime legal de recrutamento centralizado e concurso público”, sem a autorização do secretário Alexis Tam. Na segunda-feira, em conferência de imprensa, Leung Hio Ming, antigo vice-presidente do organismo e presidente desde Fevereiro, sucedendo no cargo a Ung Vai Meng, afirmou não ter existido “qualquer tipo de corrupção”, mas reconheceu os “erros cometidos” no período entre 2010 e 2015. Chan Peng Fai é desde 2014 vice-presidente do IC, desempenhando antes disso, desde 2010, as funções de chefe do Departamento de Promoção das Indústrias Culturais e Criativas. Leung Hio Ming apontou o dedo ao antecessor: “As chefias não aceitaram os pareceres jurídicos” dados sobre o assunto. O presidente do IC sublinhou que o anterior dirigente foi “responsável pela área de recursos humanos”. O IC elaborou um relatório sobre a questão do recrutamento dos trabalhadores em regime de aquisição de serviços, que entregou a Alexis Tam que, por sua vez, “deu dele conhecimento ao CCAC”. “O estudo realizado pelo grupo de trabalho do IC não encontrou qualquer tipo de corrupção, de troca de bens e interesses”, declarou Leung Hio Ming, na conferência de segunda-feira. O presidente do IC sublinhou que o mesmo grupo de trabalho
O
deputado José Pereira Coutinho entregou uma carta ao presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, onde exige que seja feito um rápido agendamento do debate sobre os dois projectos de lei da sua autoria. “Espero que os meus dois projectos de lei sejam agendados no plenário com
POLÍTICA
GCS
hoje macau sexta-feira 28.4.2017
Alexis Tam
IC PRINCIPAIS CHEFIAS ALVO DE PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
O murro na mesa
É para acabar com as dúvidas. Alexis Tam vai instaurar um procedimento disciplinar aos três homens que, aquando da contratação irregular de trabalhadores, mandavam no Instituto Cultural. O actual presidente diz que não teve nada que ver com o assunto, mas não escapa à decisão do secretário não “descobriu qualquer chefia ou dirigente que tenha cometido ilegalidades”, ao mesmo tempo que reconheceu e lamentou os “erros cometidos” devidos a “uma má interpretação e aplicação da lei”. Entre 2010 e 2015, 94 pessoas foram admitidas irregularmente em regime de aquisição de serviços. Vão deixar de trabalhar no IC mas, para não haver repercussões no modo de funcionamento do instituto, Leung Hio Ming sugeriu à tutela a celebração de contratos individuais de trabalho a título temporário. Alexis Tam vai apresentar esta solução aos Serviços de Administração e Função Pública, para que
estes emitam um parecer, “por forma a garantir o respeito pelos princípios de legalidade e segurança jurídica no recrutamento público de pessoal”, acrescentou.
NÃO FOI COM ELE
Na segunda-feira, Leung defendeu também a criação de um mecanismo de fiscalização permanente e a valorização dos pareceres jurídicos, lamentando que “a negligência na aplicação da lei tenha levado a uma situação caótica no IC”. “O IC tem uma grande responsabilidade e o CCAC fez avisos em relação à situação entre 2012 e 2014, mas esta situação já se
verifica desde que eu entrei para o Instituto, em 1995”, continuou o presidente, que recusou ter qualquer responsabilidade em relação ao assunto, apesar de ocupar, à data dos factos, o cargo da vice-presidência. “Sempre estive mais
O procedimento disciplinar é justificado com “indícios de violação de deveres gerais e específicos legais”
ligado à área das artes performativas e não estava directamente ligado ao recrutamento. Não tinha grandes conhecimentos sobre esta lei [regime de aquisição de bens e serviços]”, alegou. No relatório, o CCAC refere que o IC “recrutou, por iniciativa própria, um grande número de trabalhadores em regime de aquisição de serviços sem a realização de concurso”. “Além disso, o IC adoptou só a análise curricular e a entrevista na selecção dos candidatos, sem obter a necessária autorização daquele secretário para a dispensa das provas de conhecimentos”, o que constituiu “uma usurpação do poder do órgão superior no âmbito da gestão de pessoal”, acrescentou o documento do CCAC. Na sexta-feira da passada semana, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, tinha garantido aos deputados que vai deixar de autorizar a nomeação de pessoas sem experiência ou qualificações para cargos de direcção e chefia no Governo. A tomada de posição de Chui Sai On surgiu depois de, no relatório do CCAC, ter sido tornado público que o líder do Governo autorizou a nomeação de duas chefias do IC sem experiência de trabalho.
O tempo é que marca a hora Pereira Coutinho exige rapidez no debate sobre projectos de lei
a maior brevidade possível, evitando demoras como as que aconteceram com a minha anterior proposta [relativa à protecção ambiental em Coloane], que demorou cinco meses [a agendar], sem que tenha
obtido qualquer explicação sobre o atraso”, pode ler-se. Para o deputado, esse tipo de acções “prejudica a imagem exterior da AL em Macau”. A carta entregue a Ho Iat Seng exige ainda um processo mais rápido de
tradução das interpelações dos deputados por parte da AL. “Tenho recebido muitas queixas dos cidadãos que apenas dominam a língua portuguesa, informando que muitas informações e documentos que estão no website
da AL demoram muito tempo a ter as versões portuguesas”, aponta Coutinho. O membro do hemiciclo que garante ainda que nove
interpelações escritas da sua autoria continuam sem respostas em português. Perante estes problemas, o deputado propõe “a contratação de tradutores, a fim de acelerar a divulgação de informações no website e aumentar a eficiência da AL, com o intuito de garantir a oportunidade das respectivas informações divulgadas aos cidadãos”. A.S.S.
6 POLÍTICA
hoje macau sexta-feira 28.4.2017
Os portadores de deficiência têm agora maior flexibilidade no processo de candidatura ao subsídio complementar de rendimentos do trabalho. Para obterem o apoio basta apenas que trabalhem 128 horas por mês, sendo que os candidatos podem ter menos de 40 anos
O
Conselho Executivo já concluiu as alterações ao regulamento administrativo sobre o subsídio complementar aos rendimentos do trabalho. O novo diploma prevê uma flexibilização das condições de candidatura para os portadores de PUB
Pela porta grande
Há cerca de sete mil portadores de deficiência que necessitam de apoio financeiro, por auferirem baixos salários
Deficientes obtêm maior acesso ao subsídio de rendimentos
deficiência, que até agora estavam em pé de igualdade em relação aos restantes trabalhadores. As novas regras determinam que um portador de deficiência pode ser candidato com apenas 128 horas mensais de trabalho. O candidato pode ainda ter menos de 40 anos. De resto, as condições de acesso mantêm-se inalteradas para todos os que estão abrangidos por esta medida. Os pedidos terão ser feitos entre os meses de Maio, Julho e Outubro deste ano, bem como até ao final de Janeiro do próximo ano, “referindo-se cada um deles ao período de trabalho do trimestre anterior”. Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, explicou que o Governo necessitou de algum tempo para estudar as alterações necessárias. “O facto de termos feito o estudo [levou-nos] a adiar o projecto. Vamos tentar fazer uma melhor articulação em relação ao tempo”, disse. O porta-voz acrescentou ainda que, actualmente, há cerca de sete
mil portadores de deficiência que necessitam de apoio financeiro, por auferirem baixos salários. “Achamos que seria melhor alargar o âmbito [do regulamento administrativo] aos portadores de deficiência. Há 70 empresas que contratam quase 290 deficientes. Esta é uma boa medida [a implementar] neste momento”, acrescentou Leong Heng Teng.
O COMPLEMENTO NECESSÁRIO
O subsídio complementar aos rendimentos do trabalho é atribuído aos trabalhadores que tenham o bilhete de identidade de residente e que aufiram baixos salários. Este ano, o subsídio vai permitir que os candidatos recebam até cinco mil patacas mensais. No ano passado, o número de pedidos para este subsídio registou uma descida drástica, tendo sido entregues apenas 329 candidaturas por trimestre. Em 2015, houve um total de 1119 candidaturas no mesmo período de tempo. Para Leong Heng Teng, tal cenário deve-se à entrada em vigor do salário mínimo para os seguran-
ças dos edifícios e empregadas de limpeza. Uma vez que o Governo deseja implementar o salário mínimo universal daqui a dois anos, o porta-voz do Conselho Executivo admite que o subsídio complementar de rendimentos poderá acabar, mas não agora. “Conforme o desenvolvimento económico da sociedade é possível que possamos, no futuro, cancelar estas medidas provisórias. Mas em 2016 verificou-se que ainda há um grupo de pessoas que necessita des-
te apoio. Também achamos melhor alargar o âmbito aos portadores de deficiência”, concluiu Leong Heng Teng. A conferência de imprensa de ontem serviu ainda para apresentar as alterações feitas à organização e funcionamento dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), que passam a ter um comandante-geral e três adjuntos. Tal alteração surge no âmbito da lei que determina a integração dos serviços de protecção civil nos SPU, e que foi recentemente aprovada na Assembleia Legislativa. Foram ainda aprovadas as normas de funcionamento do Conselho de Segurança, que passa a contar com o apoio administrativo e técnico dos SPU. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
7 SOCIEDADE
hoje macau sexta-feira 28.4.2017
A
1º de Maio PROTESTOS ACONTECEM COM ALGUMAS BAIXAS
Ruas silenciosas
Os protestos deste ano do Dia do Trabalhador vão ter uma menor participação, pelo menos no que toca às organizações que chamam a população à rua. De fora ficam a ATFPM e a Juventude Dinâmica, que são presença habitual todos os anos. A associação Poder do Povo e os deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San vão estar presentes
ser ano de eleições legislativas, é mais difícil realizar um protesto. “Este é o ano de eleições e a situação política fica complicada”, defendeu. “Muitos membros da nossa associação não estão em Macau e o Governo não dá importância às queixas que são feitas nos
protestos, então decidimos que não vamos fazer uma manifestação este ano”, disse ao HM. Scott Chiang, presidente da Associação Novo Macau (ANM), mostrou-se surpreendido quando foi contactado pelo HM sobre este assunto. “Estamos ligados à
Dia do trabalhador de férias Serviços de Turismo preparam-se para enchente de visitantes
O
esforços para melhor acomodar o fluxo de visitantes estendem-se até 7 de Maio. A antecipar a chegada dos turistas durante os feriados foi elaborado um guia de estabelecimentos de restauração e bebidas, o reforço dos pontos de informações e das actividades culturais que prometem agitar a cidade. Neste sentido, é de realçar que a página de Internet da DST disponibiliza uma tabela TIAGO ALCÂNTARA
S feriados que celebram o 1.º de Maio estão à porta e isso significa um aumento do fluxo de turistas oriundos do Interior da China. Os Serviços de Turismo de Macau reforçam os apoios prestados a quem entra no território. A partir de amanhã e até segunda-feira, os trabalhadores da China Continental gozam um período de miniférias. Como tal, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) prepara-se para receber uma enchente de turistas chineses, tendo encetado reforços em várias frentes para lidar com o afluxo de visitantes. As medidas incluem o reforço de fiscalização, assim como o envio de recomendações para operadores turísticos sobre os principais aspectos a ter em consideração para o período que se avizinha. Os
de preços das várias categorias de quartos de hotel e pensões de Macau. Uma das sugestões principais dos serviços turísticos é a reserva antecipada de quartos de forma a melhor planear a chegada e permanência no território. Este período terá um reforço de fiscalização no que diz respeito à prestação ilegal de alojamento. O pessoal dos balcões de informações turísticas será
Juventude Dinâmica e gostaríamos de os apoiar, mas não tenho informações sobre pedidos de protestos que estejam pendentes.” “Provavelmente [não vão haver protestos na segunda-feira] porque, à semelhança do ano passado, já deveriam ter anunciado a lista
alargado, assim como a Linha Aberta para o Turismo que se manterá em funcionamento 24 horas.
APLICAÇÕES TURÍSTICAS
“What’s On, Macau” é a app disponibilizada aos visitantes para que os turistas conheçam o que se passa na cidade durante os feriados que estão à porta. Além de ter informações sobre os principais locais turísticos de Macau, a aplicação elenca o cardápio de festividades, eventos, espectáculos e exposições a acontecer no território. Os turistas podem também descarregar as aplicações “Experience Macau” e “Step Out, Macau” para estarem perfeitamente informados do que fazer. Quem visitar o território poderá ainda assistir a várias iniciativas no âmbito do “Anim´Arte Nam Van”, assim como aos espectáculos nas Casas da Taipa, que decorrem até dia 7 de Maio.
dos participantes”, acrescentou o presidente da ANM.
PODER NA RUA
TIAGO ALCÂNTARA
realização dos habituais protestos do 1.º de Maio, que se celebra na próxima segunda-feira, conta este ano com uma diminuição de participações. Só a associação Poder do Povo garantiu, até agora, que vai sair à ruas e explicou o que reivindica. Segundo o que o HM conseguiu apurar, ficam de fora muitas associações que todos os anos são presença habitual. É o caso da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), presidida pelo também deputado José Pereira Coutinho. “Temos actividades desportivas e culturais este ano. Todos os anos temos as nossas actividades do 1.º de Maio, na área desportiva, que engloba futebol, corrida, ténis de mesa. Temos o jantar comemorativo do 1.º de Maio, em que participam mais de mil pessoas”, resumiu. Para o responsável, “o Dia do Trabalhador é todos os dias, e podemo-nos manifestar, não tem de ser só no 1º de Maio”. O presidente da ATFPM garante que uma menor participação de associações não está relacionada com o acto eleitoral agendado para Setembro. “Não tem nada quer ver com o facto de ser ano de eleições. Se todos se manifestarem no dia 1 de Maio, o impacto será menor. Se me manifestar num dia em que mais ninguém se manifesta, o impacto será maior”, defendeu. Por sua vez, Lei Kuok Keong, coordenador da Juventude Dinâmica de Macau, entende que, por
Aassociação Poder do Povo foi a única que, até ao momento, deixou a sua posição sobre a matéria bem vincada. “No ano passado, houve 14 grupos que realizaram o protesto e, como este ano não vejo nenhum grupo a fazer isso, decidi que vamos fazer a manifestação”, disse Cheang Weng Fat, vice-presidente da associação. A Poder do Povo sai à rua para pedir uma fiscalização “rigorosa” em termos de importação de trabalhadores estrangeiros, exigindo ainda o planeamento da zona A dos novos aterros. A associação vai ainda reivindicar a implementação do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo e dos deputados à Assembleia Legislativa. Ao HM, o deputado Ng Kuok Cheong também falou da sua presença, a título individual, juntamente com o seu colega de bancada Au Kam San. “Provavelmente outras associações irão participar e vou tentar juntar-me [ao protesto]. Vou participar, com o meu colega Au Kam San, mas apoiando outros grupos”, concluiu. Até ao fecho desta edição, a Polícia de Segurança Pública (PSP) não tinha ainda divulgado a lista dos grupos participantes e dos percursos a realizar, como é habitual. O HM contactou a PSP e foi prometida a divulgação de um comunicado, mas não foi possível obter os dados até à hora de fecho desta edição. Andreia Sofia Silva (com Vítor Ng) info@hojemacau.com.mo
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Governo da Região Administrativa Especial de Macau Serviços de Saúde
Aviso Para a comemoração do Dia Internacional do Enfermeiro 2017, Serviços de Saúde da RAEM, tem a honra de convidar todos os enfermeiros, alunos de enfermagem e enfermeiros reformados do território para o jantar de comemoração que se realizará no dia 5 de Maio, pelas 19:00H, no Restaurante “Plaza”. Contamos com a vossa presença. Local: Restaurante “Plaza” Data: 05/05/2017 (6a Feira) Hora: 19:00 (a partir das 15 horas a sala estará disponível para convívio). Programa: Jantar, sorteio, espectáculo de variedades, atribuição de prémio para os enfermeiros com 20 e 30 anos de serviço em prol do território Prazo de inscrição: até o dia 02/05/2017 (Inscrição esgota-se com o preenchimento dos lugares disponíveis) Inscrição e Contactos: - Os enfermeiros podem fazer as inscrições nas instituições que pertencem aos Serviços de Saúde, Hospital Kiang Wu, Hospital Universitário de Ciência e Tecnologia de Macau e Instituto Politécnico de Macau - Outras instituições : e-mail heidi@ssm.gov.mo - Os enfermeiros reformados podem contactar a enfermeira-chefe Lam Fong Ieng, nas horas de serviço 9h-13h, 14h30-17h (Tel: 63009297) Serviços de Saúde
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hoje macau sexta-feira 28.4.2017
Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 2ª vez do ano 2017 (1)
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Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institu tos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para ac tividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com ac tividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM.
Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Alínea (2) do número anterior
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Forma do Pedido
II.
Local de realização da formação: Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5.º andar, Macau
III.
Prazo de inscrição: De 18 de Abril a 5 de Maio de 2017
IV.
Local de inscrição: Os interessados devem entregar durante o horário de expediente na Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, situada no rés-do-chão da Estrada de D. Maria II, n.º 33, em Macau, o boletim de inscrição devidamente preenchido, juntamente com a fotocópia do bilhete de identidade de residente da RAEM.
V.
Levantamento do boletim: O boletim de inscrição está disponível na página electrónica da DSSOPT (http://www.dssopt. gov.mo) ou pode ser levantado pessoalmente no endereço da DSSOPT acima referido.
VI.
Horário do curso:
Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o 《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》. O Presidente do C. A. do FDCT, Ma Chi Ngai 2017 / 4 / 28
Turmas
Datas
A
20 de Maio de 2017
9:15-12:15, 15:00-17:00
27 de Maio de 2017
9:15-12:30, 14:30-17:30
Horário
10 de Junho de 2017 9:15-12:15, 15:00-17:00
Língua veicular
Cantonês (com interpretação simultânea em língua portuguesa)
B
24 de Junho de 2017 9:15-12:30, 14:30-17:30
Observações: 1. Os candidatos devem indicar no boletim de inscrição, por ordem de preferência, as turmas em que se pretendem inscrever. 2. Os candidatos devem indicar a língua veicular pretendida (cantonês ou português).
VII.
Propina: Gratuita
VIII.
Admissão: Devido ao número limitado de vagas, os candidatos inscritos serão admitidos de acordo com a seguinte prioridade: - Profissionais inscritos há menos de um ano, à data da entrada em vigor da Lei n.º 1/2015, de 5 de Janeiro; - Profissionais não inscritos anteriormente mas que à data de entrada em vigor da referida lei exerciam funções na RAEM; - Profissionais inscritos há menos de 10 anos na DSSOPT; - Outros profissionais, segundo a ordem de recepção dos pedidos de inscrição no curso.
IX.
Certificado de frequência: Aos formandos que tenham assistido a 100% das aulas de curso, será atribuído um certificado de frequência emitido pela DSSOPT.
X.
Observações: (1) Os boletins de inscrição entregues fora do prazo de admissão serão considerados prioritariamente no próximo curso de formação a organizar pela DSSOPT; (2) Não serão aceites os candidatos que frequentaram cursos de formação especial organizados pela DSSOPT; (3) Tendo em conta que não se aplica aos trabalhadores de Administração Pública o disposto no n.º 1 do art. 18.º da Lei n.º 1/2015 de 5 de Janeiro relativo ao pedido de inscrição na DSSOPT para exercer funções de elaboração de projectos, direcção ou fiscalização de obras, as suas candidaturas não serão aceites; (4) A DSSOPT reserva-se o direito de decisão final em caso de litígio ou em caso de cancelamento de turmas devido à insuficiência de inscrições; (5) Para mais informações sobre o curso ou sobre o andamento dos pedidos, queiram contactar o Centro de Informações da DSSOPT através do telefone n.º 8590 3800 ou consultar a nossa página electrónica (http://www.dssopt.gov.mo).
Todo o ano A partir do dia 2 até 16 de Maio de 2017 (O próximo pedido será realizado no dia 1 ao 14 de Setembro de 2017)
Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》, publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n° 411-417, Edf. “Dynasty Plaza” 9° andar, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo.
Destinatários: Os profissionais não inscritos ou inscritos há menos de um ano na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), e outros profissionais inscritos, nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 67.º da Lei n.º 1/2015 de 5 de Janeiro, que aprova o Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo e no artigo 36.º do Regulamento Administrativo n.º 12/2015 de 10 de Agosto de 2015 que aprova a Regulamentação do regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo.
Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do con hecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitivi dade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propí cios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, con siderados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.
(5)
(7)
I.
Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.
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Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo Curso de formação
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2% TAXA DE DESEMPREGO ENTRE JANEIRO E MARÇO
A taxa de desemprego entre Janeiro e Março deste ano fixou-se em dois por cento, ligeiramente acima dos 1,9 por cento registados no mesmo trimestre de 2016. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, a taxa de desemprego entre os residentes foi mais elevada, 2,8 por cento, o que representa igualmente uma subida de 0,1 pontos percentuais em termos anuais. Do total dos quase 645 mil habitantes, 7900 pessoas estavam desempregadas no primeiro trimestre. Destas, 9,7 por cento procuravam o primeiro emprego. A mediana do rendimento mensal fixou-se em 15 mil patacas, igual ao período homólogo de 2016, sendo superior para os residentes de Macau, 19 mil patacas, o que representa um aumento anual de mil patacas. No sector das lotarias, outros jogos de aposta e actividades de promoção de jogos, a mediana do rendimento mensal foi de 20 mil patacas.
O Governo recebeu 11 propostas no âmbito do concurso público para a construção de habitação pública na zona de Toi San. O projecto foi alterado por causa da natureza do terreno. As obras arrancam no fim deste ano
Toi San CONSTRUÇÃO DA HABITAÇÃO PÚBLICA ARRANCA ESTE ANO
O fim da espera
O
projecto de habitação pública no Bairro de Toi San, localizado na zona norte, vai finalmente avançar. Segundo um comunicado emitido pelo Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), foram entregues 11 propostas de empresas candidatas ao concurso público para a construção do edifício. As obras têm arranque previsto até ao final do ano, após um longo período de suspensão do projecto. O GDI explica que o plano de concepção do edifício teve de ser alterado devido à natureza do terreno onde vai ser construído. “Na sequência de nova prospecção geotécnica e avaliação realizadas por uma terceira entidade em 2015, decidiu-se pela alteração do projecto, com a não construção
da cave, de forma a avançar de novo com a empreitada de construção de habitação pública na Rua de Toi San”, lê-se no comunicado. O parque de estacionamento, que terá capacidade para 220 lugares, e que iria ser construído na zona da cave, será transferido para o pódio do prédio. O futuro edifício de habitação pública em Toi San servirá, sobretudo, para providenciar “habitação social
SIN FONG GARDEN MAK SOI KUN PEDE SOLUÇÃO
O
Sin Fong Garden é um problema sem resolução à vista. Nesse sentido, Mak Soi Kun pede ao Governo uma resposta sobre os trabalhos de reconstrução do prédio em questão. O deputado recorda que o incidente que houve com pilares danificados ocorreu há já mais de quatro anos, deixando aproximadamente 200 proprietários lesados à espera de resolução para o problema. O prédio foi evacuado em 2012 por se encontrar em risco de derrocada, tendo sido muito discutida a questão dos meios de financiamento da recons-
SOCIEDADE
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trução do imóvel. Foram abertos concursos públicos para o efeito mas, devido a processos a correr em tribunal, os trabalhos foram interrompidos. O deputado recordou que, no momento, em que foram pedidas as licenças de obras, o Executivo parou a reconstrução para se procederem à recolha de provas por razões processuais. O deputado considera que esta questão já deveria estar resolvida. Mak Soi Kun mostra-se ainda preocupado com os proprietários lesados, em particular os idosos que, até hoje, vivem fora da sua casa.
Outra preocupação prende-se com a aproximação das épocas das chuvas e tufões. O estado da construção, neste contexto meteorológico, é um foco de inquietação para o deputado, uma vez que pode representar perigo para a segurança pública. Nesse sentido, Mak Soi Kun interpela o Governo a agir com celeridade, a avançar com um calendário para demolição e posterior reconstrução do Sin Fong Garden, de forma a garantir que não ocorram incidentes, e a acudir à situação complicada vivida pelos proprietários. V.N.
a idosos, equipamentos sociais e parque de estacionamento público”, aponta o comunicado. Com um total de 34 pisos, o edifício terá 510 apartamentos, sendo que 230 fracções terão a tipologia T1, enquanto as restantes serão construídas segundo um “modelo aberto”.
PRAZOS PARA CUMPRIR
de três anos para a finalização da empreitada, uma vez que as previsões iniciais apontavam para a inauguração do edifício em 2013. “Foram estabelecidas metas obrigatórias de execução, com o objectivo de garantir o andamento dos trabalhos, sendo que o prazo máximo para conclusão do suporte periférico e melhoramento de solos é de 400 dias”, lê-se no comunicado. Quanto aos prazos para a conclusão dos trabalhos de “betonagem das fundações por estacas até à laje do pavimento e da estrutura do pavimento até à estrutura da laje de cobertura são de 334 e 316 dias de trabalho”. Após um longo período de espera, o Governo conseguiu cumprir o calendário a que se propôs para a abertura deste concurso público. Isto porque, no ano passado, numa resposta a uma interpelação escrita do deputado Chan Meng Kam, o Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) garantiu que as obras começariam no final do terceiro trimestre deste ano. A.S.S.
No comunicado, o GDI afirma querer cumprir o calendário de cerca
TELECOMUNICAÇÕES GOVERNO PROMETE MELHORAR RENOVAÇÃO DAS LICENÇAS
D
ERBIE Lau, directora dos Serviços de Correios e Telecomunicações de Macau (DSCT), em resposta a uma interpelação do deputado Chan Meng Kam, garantiu que o Governo vai melhorar a aplicação das leis e o planeamento do trabalho de renovação das licenças e contratos com as concessionárias da área das telecomunicações. Segundo a responsável, esses trabalhos serão feitos com base na realidade do território e no desenvolvimento do próprio sector. Derbie Lau adiantou ainda
que serão garantidas as instruções para garantir a qualidade dos serviços. Nesta fase, a DSCT está a rever o regime de fiscalização das operadoras, sendo que, nesse processo, a aplicação de sanções também será tida em conta. Derbie Lau disse ainda que a DSCT vai implementar e aperfeiçoar as várias instruções para a operacionalização das empresas. Quanto às taxas cobradas pelo sector, Derbie Lau afirma que a Companhia de Telecomunicações de
Macau (CTM) reduziu, no ano passado, as taxas para serviços de banda larga da Internet e serviços das linhas alugadas. No entanto, a responsável garante que o Governo vai continuar a adoptar diferentes medidas, de modo a que as taxas dos serviços sejam racionais. Quanto às mudanças nas taxas de roaming para chamadas efectuadas no estrangeiro, Derbie Lau frisou que tudo depende do consenso e da negociação com as concessionárias. HM
10 FAM COMPANHIA DE BILL T. JONES PELA PRIMEIRA VEZ EM MACAU
EVENTOS
ORQUESTRA DE MACAU SOPROS EM SÃO DOMINGOS
O naipe de sopros de Orquestra de Macau interpreta amanhã Dvorák e Vaughan Williams. Do compositor checo, o repertório inclui a “Serenata para Sopros em Ré Menor”, enquanto das pautas do britânico será tocada a “Sinfonia N.o 5 em Ré Maior”. A batuta está na mão do maestro Gordon Hunt que, de acordo com a organização, é uma referência internacional no que respeita a instrumentos de sopro e a música clássica inglesa.
LMA DIA INTERNACIONAL DO JAZZ ASSINALADO
O Dia Internacional do Jazz, que tem lugar no próximo domingo, vai ser celebrado no Live Music Association (LMA). À semelhança do que acontece todos os domingos, a noite é dedicada ao jazz naquele espaço, numa iniciativa de três amigos que contam com o apoio do Clube de Jazz de Macau. Esta semana, além do concerto da banda local “The Bridge” e de modo a assinalar a data, o palco do LMA conta com a participação dos “The New Nice Guys”. A noite promete terminar com uma sessão de improviso onde todos podem participar.
DANCA EM DOSE TRIPLA `
O 29.º Festival das Artes de Macau começa hoje. O palco do Centro Cultural de Macau vai acolher a companhia Bill T. Jones/Arnie Zane numa coreografia dupla. Promete-se uma noite de música e movimento a abrir mais uma edição do evento
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O TUBARÃO NA BANHEIRA • David Machado Ilustrações de Paulo Galindro
Com um ilustrador diferente em cada novo livro, David Machado apresenta um estilo ecléctico, diversificado e original. De história em história, a imaginação vai mais além e agora é tão inusitada que imagine-se, um dos protagonistas é um tubarão que entra dentro de casa e dorme numa banheira. Mas este tubarão mais ou menos bem comportado também anda de carro e vai à escola. Parece mentira? Só para quem não acredita no poder dos pensamentos.
P
“
LAY and Play” é o espectáculo que marca a abertura da edição deste ano do Festival da Artes de Macau (FAM). É com o espectáculo de estreia que, pela primeira vez, a companhia nova-iorquina Bill T. Jones/ Arnie Zane pisa um palco do território.
O espectáculo vai mostrar ao público, num mesmo serão, duas peças em que os compositores escolhidos foram Ravel e Schubert. À semelhança do que é habitual nos trabalhos da companhia nova-iorquina, trata-se de uma coreografia em que a música é interpretada ao vivo e os instrumentistas são convidados locais. Neste caso, sobe ao palco um quarteto com músicos da Orquestra de Macau. A ideia é trocar sinergias com as pessoas dos locais por onde os espectáculos vão passando. “Play and Play” foi escolhido por ser um título capaz de dar às peças uma interpretação mais abrangente, “uma espécie de guarda-chuva que abarca vários trabalhos que fizemos a pensar no seu acompanhamento ao vivo com música de câmara”, explicou ontem a directora artística associada, Janet Wong. Os bailarinos da Bill T. Jones/Arnie Zane vão dançar a peça de Maurice Ravel, “Quarteto de Cordas em Fá Maior”, sendo que o espectáculo de dança tem como nome “Paisagem ou Retrato”. “O tema é composto por quatro movimentos com dinâmicas, sentimentos cores e vida própria, e a coreografia é o seu acompanhamento e interlocutor”, apontou a responsável. O conceito do espectáculo é, de uma forma geral, a capacidade do repensar um trabalho feito. “Por detrás do ‘Play and Play’ há o conceito de ter alguma coisa, fazer alguma coisa com isso e depois fazer algo de novo mais uma vez”, referiu. Para conseguir alcançar o objectivo, a companhia foi à procura de material que já tinha produzido, sujeitou-o a uma nova análise e fez uma nova contextualização.
SCHUBERT E JOHN CAGE
A história da segunda peça, “Story”, que conta com a música de Schubert, saiu de uma outra feita muito antes, tendo sido refeita com base na inspiração de um trabalho de John Cage. A dança, a forma de contar a história, a iluminação e os próprios adereços foram todos feitos de raiz.
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O COLECIONADOR DE ERVA • Francisco José Viegas
Jaime Ramos, o investigador protagonista dos livros de Francisco José Viegas, vê-se a braços com duas investigações paralelas: a do assassínio de dois imigrantes russos (antigos militares soviéticos), cujos corpos são encontrados no interior de um carro semicarbonizado, nos arredores do Porto, e o desaparecimento de uma jovem de vinte anos, oriunda de uma família tradicional do Minho. Se uma das investigações o transporta às suas memórias de militante comunista e a uma velha paixão pela literatura russa, a outra leva-o a um mundo onde coabitam velhas famílias do Minho ou do Porto, sexo, marijuana, espionagem a políticos, venda de armas, negócios em Angola e as memórias de um país que vive entre ruínas (as do império e as das fortunas recentes e antigas), corrupção e luta pelo poder – e que guarda os seus loucos no armário, para não parecer mal.
11 hoje macau sexta-feira 28.4.2017
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“‘Play and Play’ é uma espécie de guarda-chuva que abarca vários trabalhos que fizemos a pensar no seu acompanhamento ao vivo com música de câmara.”
PAUL B. GOODE
“Quando decidimos fazer esta coreografia, que inicialmente se chamava ‘Story/ Time’, decidimos tirar a parte do tempo e ir buscar o material de dança que tínhamos usado na peça inspirada pelo John Cage. Há material com mais de 37 anos e que fazia parte do nosso repertório, antes mesmo da companhia existir. [Esse repertório] inclui alguns duetos que acabaram por tornar Bill T. Jones e Arnie Zane famosos”, disse Janet Wong. Dentro da história, o público pode encontrar quase um flash retrospectivo do trabalho da Bill T. Jones/Arnie Zane, com a introdução de peças mais antigas e de outras acabadas de preparar. No entanto, e de acordo com a responsável artística, o que é feito ao nível da dança, neste espectáculo, não é o mais importante. Trata-se acima de tudo de um diálogo com a música que sustenta a parte do movimento. Na primeira noite de espectáculo, “Play and Play” promete proporcionar um serão mais “tradicional” que inclui um concerto para que as
EVENTOS
JANET WONG DA COMPANHIA BILL T. JONES/ARNIE ZANE pessoas tenham um momento de descanso e para que possam, também, olhar para o “vocabulário do movimento, para a composição, para a forma e para as pequenas sintaxes que entram e saem do próprio movimento”, sublinhou.
UM ESPECTÁCULO DIFERENTE
O segundo espectáculo da companhia tem lugar a 1 de Maio.
“A Letter to My Mathew” é, de acordo com a também bailarina, um espectáculo muito diferente do da abertura. “É muito mais desafiante. Estávamos no processo de produção de uma trilogia em que a segunda parte era sobre o sobrinho de Bill T. Jones”, conta. Do trabalho resultou uma peça em que os bailarinos assumiam várias funções, entre
elas, a de actores. “Era uma coreografia com texto e que ia além da dança”. No entanto, quando convidada a ir a Paris em 2015, a companhia teria de apresentar uma coreografia sem palavras. “Apercebemo-nos que não podíamos fazer esta parte da trilogia e decidimos usar o material que estava dentro desta peça, tirar-lhe o texto e voltar a olhar para ela sob um
outro ângulo.” As palavras deram lugar à expressão musical: “Fomos também à procura de música mais pop e mesmo do hip hop como vocabulário ao movimento”, esclareceu Janet Wong. Se, por um lado, é uma peça mais desafiante, por outro, e muito devido à música que a acompanha, a directora artística pensa que é um
espectáculo mais acessível, principalmente a um público mais jovem. É também uma referência ao trabalho homónimo de James Baldwin publicado no New Yorker, numa altura em que os direitos humanos, as questões raciais e a violência policial eram assuntos quentes, apontou. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
12 PUBLICIDADE
hoje macau sexta-feira 28.4.2017
Requerimento para a emissão do certificado de associação para efeitos das eleições para a Assembleia Legislativa – 2017 A Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) solicita a atenção das associações e organizações, que pretendam requerer o certificado de associação para efeitos das eleições para a Assembleia Legislativa – 2017, para o seguinte: 1. As associações e organizações devem formalizar, atempadamente, junto da DSI, o requerimento para a emissão do certificado de titulares dos órgãos sociais para efeitos das eleições para a Assembleia Legislativa – 2017.
NOTIFICAÇÃO EDITAL N.°43 /2017 (Solicitação de comparência da trabalhadora) Nos termos das alíneas b) e c) do n.° 1 do artigo 6.° do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.° e n.° 2 do artigo 72.° do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, notifica-se Sio, Sio Kei, ex-trabalhadora da “Gucci Macau Limitada”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte à da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.° andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.° 260/2017, proveniente da queixa apresentada nestes Serviços em 03/02/2017, e relativamente às matérias de recibo do pagamento e do contrato de trabalho. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais — Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 24 de Abril de 2017. O Chefe do Departamento, substituto, Lai Kin Lon
Aos requerimentos apresentados já com todos os documentos necessários no dia 8 de Junho de 2017 ou antes desta data, será garantida a emissão do respectivo certificado antes do dia 20 de Junho de 2017, data em que termina o prazo de entrega do referido certificado ao SAFP para o “Pedido de Reconhecimento de Constituição de Comissão de Candidatura”. 2. Caso queiram solicitar o referido certificado para ser entregue no SAFP para o reconhecimento da relação dos votantes da pessoa colectiva, as associações ou organizações devem dirigir-se, quanto antes, à DSI para formalizar o requerimento da emissão do certificado. Aos requerimentos apresentados e devidamente instruídos no dia 24 de Julho de 2017 ou antes desta data, será garantida a emissão do certificado antes do dia 3 de Agosto de 2017, data em que termina o prazo de entrega do referido certificado ao SAFP para efeitos do reconhecimento da relação dos votantes da pessoa colectiva. 3. O certificado dos titulares dos órgãos sociais poderá ser usado simultaneamente para fins indicados nos pontos n.º 1 e n.º 2, isto é, caso as associações ou organizações tenham requerido o respectivo certificado para a instrução do “Pedido de Reconhecimento de Constituição de Comissão de Candidatura”, não é necessário requerer outro certificado para o reconhecimento da relação dos votantes da pessoa colectiva. 4. Para os requerimentos apresentados depois das datas acima indicadas ou com documentação incompleta, a DSI vai acompanhá-los com o maior esforço. 5. Do certificado a emitir constará somente a relação dos titulares dos órgãos sociais em efectividade de funções em 13 de Março de 2017. Caso a acta da reunião apresentada no requerimento do certificado demonstre que os actuais titulares dos órgãos sociais da associação ou organização iniciaram as suas funções depois de 13 de Março de 2017, a respectiva acta será considerada inaplicável. 6. O pedido para emissão do certificado sobredito faz-se mediante: • O preenchimento do impresso próprio para “Pedido de Certificado de Associação” fornecido pela DSI (pode ser obtido através do website da DSI : http://www.dsi.gov.mo); • O pedido é assinado pelo presidente da assembleia geral ou da direcção da associação requerente ou pelo seu procurador, e aposto o carimbo da associação; • O pedido deve ser acompanhado dos seguintes documentos: - Acta da sessão da assembleia geral para eleições dos titulares dos órgãos sociais; - Fotocópias dos documentos de identificação dos titulares dos órgãos sociais; - Procuração, quando o pedido for assinado pelo representante designado pelo presidente da assembleia geral ou da direcção da associação requerente. Não é necessário a entrega dos documentos acima referidos se tenham já efectuado a actualização do registo dos mesmos na DSI, entretanto podem as associações ou organizações requerentes juntá-los novamente ao requerimento para evitar morosidade, caso hajam erros nos documentos anteriormente apresentados. Para mais informações sobre o requerimento do certificado de associação destinado às eleições para a Assembleia Legislativa, podem ligar para o número 83940581. Direcção dos Serviços de Identificação, a 24 de Abril de 2017.
A Directora, Ao Ieong U
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 263/AI/2017
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 267/AI/2017
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LAO, CHONG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 13768xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 45/DI-AI/2015, levantado pela DST a 27.04.2015, e por despacho da Directora dos Serviços de Turismo de 25.01.2017, exarado no Relatório n.° 9/DI/2017, de 03.01.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki n.° 80, Kam Fung Tai Ha, Bloco 1, 10.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. --------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor JIANG HONGXI, portador do Passaporte da RPC n.° E33796xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 111/DI-AI/2015, levantado pela DST a 16.09.2015, e por despacho da Directora dos Serviços de Turismo de 27.02.2017, exarado no Relatório n.° 136/DI/2017, de 09.02.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Bruxelas, n.os 168-170, Jardim Hang Kei, 15.° andar U, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Abril de 2017.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Abril de 2017. A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai
A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 275/AI/2017
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 280/AI/2017
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora WEI HUIBI, portadora do Passaporte da RPC n.° G53086xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 26/ DI-AI/2016, levantado pela DST a 26.02.2016, e por despacho da signatária de 13.04.2017, exarado no Relatório n.° 294/DI/2017, de 06.04.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Roma n.os 239-241, Jardim Hang Kei, Bloco 2, 11.° andar G onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. --------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LAM SOI KAI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 50456xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 101/DI-AI/2015, levantado pela DST a 28.08.2015, e por despacho da signatária de 18.04.2017, exarado no Relatório n.° 298/DI/2017, de 06.04.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Coelho do Amaral n.° 31, Edf. Wai Wa Kuok 2.° andar C onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. --------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 13 de Abril de 2017.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Abril de 2017. A Directora dos Serviços, Subst.ª, Tse Heng Sai
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
13 hoje macau sexta-feira 28.4.2017
PROIBIDOS VÁRIOS NOMES ISLÂMICOS EM XINJIANG
A
S autoridades de Xinjiang, noroeste da China, estão a proibir os pais de darem nomes islâmicos aos filhos, numa tentativa de diluir a influência da religião numa região habitada pela minoria muçulmana chinesa Uigur. “Muhammad,” ‘’Jihad” e “Islam” estão entre os 29 nomes banidos em Xinjiang, segundo uma lista distribuída por activistas uigures além-fronteiras. Um funcionário do gabinete de Segurança Pública em Kashgar, cidade de Xinjiang com forte tradição islâmica, disse à agência Associated Press que alguns dos nomes foram proibidos porque têm “origem religiosa”. A restrição faz parte de um esforço mais amplo de Pequim para secularizar a região, frequentemente palco de conflitos entre os Uigur e a maioria Han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional.
Altos funcionários chineses, incluindo o chefe do Partido Comunista Chinês na região, afirmaram em público que radicais islâmicos ter-se-ão infiltrado na região, através da Ásia Central, prolongando um conflito que nos últimos anos custou centenas de vidas. O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou já aos governos locais para melhor assimilar as minorias muçulmanas na cultura dos Han. A China considera os separatistas de Xinjiang responsáveis pelos conflitos na região. No entanto, peritos e grupos de defesa dos direitos humanos consideram que a política repressiva de Pequim relativamente à cultura e religião dos uigures alimenta as tensões. A lista inclui vários nomes relacionados com figuras religiosas, políticos e lugares. “Imam,” ‘’Hajj,” ‘’Turknaz,” ‘’Azhar” e “Wahhab” fazem parte, assim como “Saddam,” ‘’Arafat,” “Medina” e “Cairo.”
HONG KONG SOBE PARA 11 O NÚMERO DE ACTIVISTAS PRÓ-DEMOCRATAS DETIDOS
Pelo menos nove activistas pró-democracia de Hong Kong foram ontem detidos pelo alegado envolvimento em protestos contra a China, no ano passado. A informação foi divulgada nas páginas em redes sociais de dois partidos políticos da Região Administrativa Especial chinesa, Demosisto e Liga Social dos Democratas, cujos membros figuram entre os detidos. As detenções ocorreram da visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a 1 de Julho, para o 20.º aniversário da transferência de soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China. Na quarta-feira, a polícia tinha detido dois deputados pró-independência, que foram desqualificados na sequência de uma disputa sobre os seus juramentos. Sixtus Leung e Yau Wai-ching foram acusado de reunião ilegal e de tentativa de entrada forçada no Conselho Legislativo (LegCo) em Novembro último. Yau pertence ao partido Youngspiration.
CHINA
PEDIDO FIM DOS EXERCÍCIOS MILITARES AMERICANOS NA COREIA DO SUL
No fio da navalha
A
China voltou ontem a pedir aos Estados Unidos para pararem com os exercícios militares na Coreia do Sul, num momento em que existe um agravamento do clima de tensão entre Washington e o regime norte-coreano. “A continuação dos testes nucleares viola as resoluções da ONU, mas as manobras militares em redor da península [coreana] também não respeitam as resoluções da ONU”, declarou ontem o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, reiterando o apelo para o fim dos exercícios militares conjuntos dos exércitos americano e sul-coreano. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês falava numa conferência de imprensa em Berlim após um encontro com o seu homólogo alemão, Sigmar Gabriel. As autoridades de Seul anunciaram exercícios conjuntos com um porta-aviões americano que é aguardado em breve naquela região. Washington mobilizou o porta-aviões nuclear USS Carl Vinson e respectiva escolta para a península coreana, onde deverá chegar até ao final da semana. “O perigo que novos conflitos ecludam a qualquer momento é grande, é por essa razão que apelamos a todas as partes que mostrem sangue frio e evitem qualquer acção ou palavra que possa levar a novas provocações”, declarou Wang Yi na capital alemã. Questionado sobre os riscos de um eventual conflito armado, o ministro chinês considerou que “mesmo um risco de 1% não pode ser tolerado” porque uma guerra teria consequências “inimagináveis”.
PÁRA TUDO
Pequim tem defendido nas últimas semanas uma solução que tem por base a ideia “suspensão contra suspensão”, ou seja, o regime de Pyongyang deve interromper as suas actividades nucleares e balísticas e Washington deve parar com as manobras
militares comuns com a Coreia do Sul, exercícios anuais considerados pela ‘vizinha’ Coreia do Norte como uma provocação. Os Estados Unidos rejeitaram o plano chinês e voltaram a insistir que a China, um aliado tradicional de Pyongyang, pressione o regime norte-coreano, que tem intensificado os avisos e as ameaças a Washington. Responsáveis norte-americanos já avisaram PUB
que todas as opções, incluindo militares, estão “em cima da mesa”. Pequim, que continua a defender que a solução da mútua suspensão é “a única opção viável”, desafiou Washington a avançar com “uma melhor proposta”. Sobre a influência de Pequim sobre o regime norte-coreano, o ministro chinês afirmou em Berlim que é limitada.
“A Coreia do Norte é um Estado soberano e deve decidir por si mesmo se quer ou não parar com as suas actividades nucleares”, argumentou Wang Yi. “Naturalmente, também acreditamos que estas actividades não são do interesse da Coreia do Norte”, acrescentou o ministro, sublinhando que Pyongyang justifica as suas acções com a “ameaça americana”.
h ARTES, LETRAS E IDEIAS
14
José Simões Morais
Pedro Alexandrino da Cunha
Preso pelos miguelistas
N
O artigo da semana passada, deixamos o nosso biografado Pedro Alexandrino da Cunha, nascido em Outubro de 1801, já como alferes do Exército a trabalhar no Arquivo Militar, então com vinte anos. Encontrava-se o Rei D. João VI ainda refugiado no Brasil, quando em Portugal o movimento revolucionário de 1820 instalou as Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa a 26 de Janeiro de 1821, que veio suspender a Monarquia Absolutista, entrando o regime numa Monarquia Constitucional. Esse parlamento liberal tinha como principal tarefa elaborar uma Constituição escrita. “A revolução de 1820 aconteceu numa Europa onde a memória da Revolução Francesa de 1789 e o revivalismo religioso tinham criado um ambiente pouco propício a revoluções. As grandes potências prometiam intervir em qualquer país onde fosse ameaçado o poder das dinastias (era o <princípio da legitimidade>). Por isso, no seu manifesto à Europa, os novos governantes em Lisboa tiveram o cuidado de adoptar um ponto de vista <tradicionalista>, semelhante ao dos <liberais> espanhóis. Explicaram assim que não os movia um <filosofismo absurdo, desorganizador da humanidade>, nem sequer o <amor de uma liberdade ilimitada, inconciliável com a verdadeira felicidade do homem>. O seu único objectivo era <melhorar a forma do governo> em Portugal através da <restituição das suas antigas e salutares instituições>, embora, claro está, <corrigidas segundo as luzes do século e as circunstâncias políticas do mundo civilizado>. Desejavam o poder <limitado por leis sábias>, e repudiavam a <tirania>, fosse ela exercida <por um ou por muitos>. Daí a revolução não ter vertido <uma só gota de sangue>”, como refere Rui Ramos. Com a chegada de D. João VI a Lisboa, logo nesse dia 4 de Julho de 1821 o Rei jurou as bases da Constituição e substituiu a regência por um novo ministério. “E assim começou em Portugal o exercício efectivo da monarquia constitucional, onde o rei é chamado a desempenhar um novo papel e os cidadãos passam a poder intervir mais activamente, através dos seus representantes nas cortes”, segundo Isabel Nobre Vargues. Com a monarquia em França restaurada desde 1814, após Napoleão Bonaparte (com o título de Imperador Napoleão I, 1804-1814) ser derrotado
por uma força aliada de ingleses, russos, austríacos e prussianos, subiu ao trono o monarca Louis XVIII, da dinastia de Bourbon e preparou-se uma intervenção militar para restabelecer em Espanha o governo de Fernando VII, o que ocorreu a 7 de Abril de 1823 e a ocupação sem resistência de Madrid em 23 de Maio. Os liberais em Lisboa enviaram um regimento de Infantaria para a fronteira, mas este revoltou-se e logo em Vila Franca de Xira o infante D. Miguel a ele se juntou, incitando os portugueses a libertar o rei de umas Cortes que <em lugar dos primitivos direitos nacionais, deram-vos a sua ruína>. A 31 de Maio, o Rei D. João VI chegou a Vila Franca e demarcou-se do regime que segundo ele <tinha despedaçado o Brasil, provocado uma guerra civil e com o envio de tropas para Espanha iria levar o reino a ser invadido>. Segundo Joel Serrão, “Em 1823, a Vila-Francada põe termo, com surpreendente facilidade, à primeira fase do liberalismo português, ou seja, impede que a prática da Constituição de 1822 vá além de um breve estertor de moribundo. Regressa-se, oficialmente, ao Antigo Regime, que, aliás, não chegara a ser abalado nos seus sólidos fundamentos, mas pensa-se, pela primeira vez, na hipótese de uma carta constitucional capaz de apaziguar tensões e de evitar o pior, mediante um compromisso entre a tradição e a inovação considerada possível”. Foi então D. Miguel (1802-1866) promovido a comandante-chefe do exército.
ABRILADA
“D. João VI desconfiava de D. Carlota Joaquina [sua esposa] e de D. Miguel, muito chegado à mãe. Por isso, em Maio de 1823, tentara inicialmente manter as Cortes, e só as abandonou quando isso lhe pareceu o único meio de retirar a iniciativa ao infante. Para a Inglaterra, que não queria ver Portugal outra vez na ór-
D. João VI
bita de Madrid, e também para a França, desgostada com a dureza de Fernando VII, o infante e a sua mãe pareciam demasiado sintonizados com a corte espanhola. Finalmente, era preciso contar com todos aqueles que esperavam ainda uma reconciliação com o Brasil. Sendo o Brasil uma monarquia <liberal>, um Portugal <absolutista> poria fim a essa esperança”, segundo refere Rui Ramos. Quando D. Miguel, como comandante-chefe do exército, a 30 de Abril de 1824 levantou os regimentos de Lisboa e tomou o poder, sequestrando o pai, o Rei D. João VI, num golpe que ficou conhecido por Abrilada, encontrava-se Pedro Alexandrino da Cunha a estudar na Academia da Marinha. Por ser um convicto liberal foi nesse mesmo dia preso com outros oficiais no Forte de Peniche. Pela acção dos embaixadores, inglês e francês, foi o D. João VI, O Clemente, libertado e a bordo de um navio inglês, em 9 de Maio demitiu D. Miguel do comando do exército. Após esses nove dias
Quando D. Miguel, como comandante-chefe do exército, a 30 de Abril de 1824 levantou os regimentos de Lisboa e tomou o poder, sequestrando o pai, o Rei D. João VI, num golpe que ficou conhecido por Abrilada, encontrava-se Pedro Alexandrino da Cunha a estudar na Academia da Marinha. Por ser um convicto liberal foi nesse mesmo dia preso com outros oficiais no Forte de Peniche
na prisão, devido à perseguição miguelista, Pedro Alexandrino foi libertado e voltando à Academia, terminou o curso de Matemáticas, inscrevendo-se logo de seguida na Academia de Fortificação. Aí se encontrava quando em Julho de 1827 foi promovido a Tenente para o Regimento 13 de Infantaria. Tinha já D. João VI falecido, o que ocorrera a 10 de Março de 1826 e o sucessor, seu filho D. Pedro, no Brasil outorgou a 29 de Abril desse ano a Carta Constitucional, que seguia o modelo francês de Luís XVIII. O então Imperador do Brasil D. Pedro I abdicou do trono de Portugal a favor da sua filha D. Maria II, mas, como esta ainda só tinha oito anos, numa tentativa de reconciliação entre absolutistas e liberais, nomeou D. Miguel para lugar-tenente e Regente do Reino. No entanto, para tal acontecer teria D. Miguel de aderir ao regime constitucional, o que aceitou e assim, pôde regressar da Áustria onde se encontrava exilado. Chegou a Lisboa em 26 de Fevereiro de 1828 e teve uma estrondosa recepção, com muito povo e sobretudo pelos seus partidários. De referir que, os absolutistas controlavam as áreas rurais, sendo apoiados pela aristocracia e camponeses, enquanto os liberais tinham a sua base numa parte significativa dos militares e na classe média a viver nas cidades, sobretudo no Porto e Lisboa. D. Miguel, segundo filho de D. João VI, logo a 13 de Março de 1828 dissolveu a Câmara dos Deputados e a 3 de Maio convocou os três Estados, declarando nulo o juramento da Carta Constitucional. A eleição em Santarém dos Procuradores às Cortes ocorreu a 16 desse mês e estas, a 11 de Julho reconheciam D. Miguel como rei absoluto. A violência do regime contra os liberais levou por razões políticas a milhares de portugueses emigrarem. Segundo Joel Serrão, “De 1828 a 1832, dentro e fora do País, tudo se encaminha para a guerra civil, e ela eclode com a instalação no Porto de um pequeno exército de exilados e soldados açorianos. É então que Mouzinho da Silveira lança na fogueira da confrontação nacional os seus decretos destinados a desmontar a estrutura do Antigo Regime e a alicerçar o Portugal renovado com que sonhavam os liberais moderados que se reuniam em torno de D. Pedro: um país europeizado mediante as práticas de <deixai produzir, deixai circular>”.
15 hoje macau sexta-feira 28.4.2017
em modo de perguntar
Paulo José Miranda
Karadeniz
“A democracia também chegou ao assassínio por encomenda!” Mas então qual é realmente a diferença? O que é que faz com que o Chacal tenha sido um terrorista e não um assassino profissional?! Já te disse que o terrorista mata indiscriminadamente e, também, muitas das vezes por convicções, sejam elas políticas, religiosas ou nacionalistas. O assassino profissional mata apenas aquele por que foi pago, embora as coisas hoje já estejam muito diferentes do meu tempo!
(continuação) Não sei como é que se consegue viver bem consigo mesmo depois de se fazer mal a alguém?! Eu arrasto a culpa por males que fiz, e nada que se compare com isso… Tu não vives bem contigo, não é pelo mal que fizeste ou deixaste de fazer, Paulo! Tu não vives bem contigo, porque é essa a tua natureza. Tu e as pessoas como tu vivem num mundo paralelo: um mundo onde se julgam responsáveis pelo que acontece.
“Hoje já qualquer um é assassino profissional, tem trabalhos encomendados por dá cá aquela palha!”
E não somos todos responsáveis pelo que acontece? Não! O facto de eu ter sido um assassino profissional, aconteceu apenas porque era uma possibilidade de profissão como outra qualquer. Se ninguém pagasse tanto dinheiro pelos meus serviços, eu não teria tido a vida que tive. É o mesmo que hoje se passa com os cantores pop, as top model e os jogadores de futebol. Ainda muito antes das crianças saberem quem são, já querem vir a ser cantores ou jogadores de futebol, porque ganham muito dinheiro e são reconhecidos por toda a gente. Porque é que nunca se falou de si, como por exemplo se falou do Chacal? Muito simplesmente porque nunca cometi um erro sequer! Nunca cheguei a ser procurado, porque nunca cheguei a pisar os calos de quem não devia. O mesmo já não se pode dizer do Chacal, como sabemos. O problema dele, e que acabou por derrotá-lo, era a sua vaidade. Quando se anda nesta profissão, tem de se ter a consciência de que o mundo não pode saber de nós. Era como se tu escrevesses um livro magnífico, mas que ninguém o fosse ler; ou então um grande cantor que nunca quisesse cantar para ninguém. É portanto uma profissão ao contrário deste nosso tempo, em que toda a gente quer ser reconhecida pelo mundo, nem que seja por cantar pior do que todos os outros! Exactamente! (risos) Nessa profissão em que se tem necessariamente de ser o melhor e de não se ser reconhecido (e quanto melhor, menos
“O terrorista mata indiscriminadamente e, também, muitas das vezes por convicções, sejam elas políticas, religiosas ou nacionalistas. O assassino profissional mata apenas aquele por que foi pago, embora as coisas hoje já estejam muito diferentes do meu tempo!”
reconhecido), o Karadeniz conheceu ou soube de alguns colegas seus, cujos nomes não tenham chegado a público, ao contrário do Chacal? Claro! O melhor de todos nós era provavelmente o Jesuíta! Um belga que havia passado pela Legião Estrangeira, na sua juventude, e que falava na perfeição imensas línguas. Teve, tal como eu, uma educação privilegiada. E há que ver uma coisa, Paulo: o Chacal não era um assassino profissional, mas um terrorista, e nunca foi meu contemporâneo. Abandonei a actividade em meados dos anos 60 e ele começou no início ou em meados de 70. De qualquer modo, repito, o Chacal era um terrorista, não um profissional.
Diferentes, como? Para além de toda a tecnologia que existe e que não existia no meu tempo, hoje também há muita gente a matar por cinco tostões. Hoje já qualquer um é assassino profissional, tem trabalhos encomendados por dá cá aquela palha! A democracia também chegou ao assassínio por encomenda! Toda a gente, hoje, à menor dificuldade com alguém, paga para que se mate. Dantes não era assim, só se mandava matar gente importante! E isto faz com que seja muito difícil distinguir entre terroristas, arruaceiros e assassinos profissionais. Mas continua a haver os verdadeiros assassinos profissionais, como o Karadeniz? Julgo que sim! Até porque a queda do comunismo pôs muita gente especializada no desemprego, e nem todos se devem ter dedicado aos tráficos e às máfias. Por outro lado, continua a haver pessoas importantes que têm de ser mortas, sem que se corra o menor risco de ficar implicado, e não tenhamos quaisquer dúvidas que estes trabalhos só podem ser levados a cabo por quem saiba ser eficiente e discreto. (continua)
16 OPINIÃO
hoje macau sexta-feira 28.4.2017
um grito no deserto
MIKE NICHOLS, PRIMARY COLORS
A luta para passar o camelo pelo buraco da agulha
A
PÓS o Chefe do Executivo ter anunciado a data para a realização das eleições para a Assembleia Legislativa, a Comissão de Assuntos Eleitorais da AL entrou imediatamente em funções, tendo promovido recentemente uma série de sessões de esclarecimento sobre as suas funções e tarefas. Entretanto, no seguimento do início da actividade das Comissões de Candidatura, os candidatos à Assembleia têm multiplicado os esforços de propaganda para conquistarem o voto dos eleitores. Na sessão da Assembleia da semana passada, que contou com a presença do Chefe do Executivo, constava da ordem de trabalhos a resposta a questões levantadas pelos deputados. Muitos dos representantes eleitos por voto directo não deixaram fugir esta oportunidade para darem voz às inquietações das populações. O entusiasmo que demonstraram pode ter sido motivado pela proximidade do acto eleitoral. Foi uma oportunidade de ouro para poderem criticar publicamente a ineficácia e o mau funcionamento do Governo, uma forma eficiente para conquistar a simpatia do público. Sempre que estamos em ano de eleições, o Governo da RAEM podia candidatar-se ao título de maior “fábrica de votos”. Os candidatos que quiserem alinhar com o Governo, têm sem dúvida mais hipóteses de ser eleitos. Aparentemente as próximas eleições serão as mais competitivas de sempre. Os
media vão tomando partido e nos últimos meses, para não dizer nos últimos anos, têm vindo a “fabricar” notícias para promover os seus favoritos, garantindo, no entanto, que os conteúdos das “notícias” não sejam de cariz publicitário nem promocional. Embora a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa tenha repetidamente apelado à auto-disciplina dos media, os grupos de comunicação social mais poderosos não vêem nestas recomendações força de lei e por isso elas acabam por ser ineficazes. Uma cultura política evoluída tem de ter como primeiro objectivo o fim da corrupção. A última revisão da Lei Eleitoral concede poder à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa para rejeitar candidatos que provadamente não apoiem a Lei Básica, mas não lhe concede poder para rejeitar candidatos ou grupos parlamentares que provadamente se envolvam em actos de corrupção eleitoral. Estes casos são, quando muito, encaminhados para os tribunais. Nas últimas eleições para a AL alguns casos identificados de corrupção foram levados aos tribunais. No entanto as decisões do juiz não influenciaram o resultado
Perante um eleitorado dividido por interesses pessoais e um Governo incapaz de realizar uma verdadeira monitorização deste processo, ter eleições justas e independentes vai ser mais difícil do que passar um camelo pelo buraco da agulha
eleitoral, porque a corrupção nestas situações actua a diversos níveis e de forma a que seja muito difícil provar as ligações dos candidatos a estes esquemas menos limpos. Sem uma supervisão adequada, que garanta o equilíbrio, é muito difícil realizar “eleições transparentes”. Independentemente da vontade dos agentes da lei a qualidade dos eleitores é outro factor que pesa bastante. Desde o regresso de Macau à soberania chinesa, as relações entre o Governo a as diversas Associações têm vindo progressivamente a estreitar-se. Numa cidade de 600.000 habitantes, existem 7.000 Associações registadas, facto que faz de Macau a “metrópole das associações”. Refém das relações entre as várias comunidades de interesses, a Administração fica dependente da cooperação entre as diferentes associações que, por seu lado, dependem do apoio do Governo. No quadro destas relações simbióticas, torna-se difícil identificar a corrupção eleitoral. Na altura das eleições, ou o Governo reforça a vigilância, ou as acções que se desenrolam ao abrigo das áreas mais nebulosas da lei vão continuar a acontecer. A última revisão da Lei Eleitoral, enfatiza o respeito pela lei em vez de enfatizar um forte empenho na identificação da corrupção eleitoral. Perante um eleitorado dividido por interesses pessoais e um Governo incapaz de realizar uma verdadeira monitorização deste processo, ter eleições justas e independentes vai ser mais difícil do que passar um camelo pelo buraco da agulha. Mas os que acreditam num mundo melhor têm de continuar a lutar para que a cultura política de Macau possa progredir para um patamar superior. Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático
PAUL CHAN WAI CHI
17 hoje macau sexta-feira 28.4.2017
OPINIÃO
contramão
ISABEL CASTRO
O sudoku
1. Já cansa a polémica em torno do Instituto Cultural e do relatório do Comissariado contra a Corrupção que deu conta de irregularidades no método de contratação de parte dos seus funcionários. Esta semana houve mais um episódio que ficou marcado por bastante falta de jeito para a comunicação e ainda uma maior falta de pudor por parte de quem presidente ao Instituto. Ontem, a tutela abriu mais um capítulo. Mas não é isso que me leva a escrever estas linhas. Sendo defensora de iguais condições de trabalho para quem tem o mesmo trabalho, não consigo deixar de duvidar seriamente dos métodos de recrutamento centralizado que o Governo encontrou, apresentados como se tivessem apenas virtudes. Aplicam-se a todos da mesma forma e a justiça não é isso: é tratar o igual de modo igual, mas garantir que, para aquilo que é diferente, há uma solução diferente também. A Administração tentou acabar com situações de injustiça junto dos seus funcionários. Muito bem. Criou concursos, inventou normas em nome da transparência e disto e daquilo. Numa cidade em que há demasiados primos e ainda um maior número de amigos, fica bem ao Governo tentar demonstrar que não existem favorecimentos de natureza familiar ou social. Mas, ao criar regras demasiado rígidas no processo de contratação, a Administração corre o risco de não ser capaz de garantir que tem gente que dá conta do recado. O Instituto Cultural e os Serviços de Cartografia e Cadastro têm naturezas diferentes, funções diferentes e objectivos diferentes. Olhar para a função pública e achar que é tudo o mesmo é um enorme erro. O Instituto Cultural vai perder em breve quase uma centena de pessoas. Presume-se – é o que nos dizem – que são pessoas que fazem falta para o normal funcionamento da entidade. Quem manda nela queixa-se de que não tem pessoal suficiente, que o trabalho aumentou muito nos últimos anos. Vamos ver no que isto dá, mas é preciso começar a pensar que nem toda a Administração funciona das nove às seis, carimba os mesmos papéis todos os dias, lida com os mesmos assuntos todas as semanas. Há organizações dentro do edifício administrativo que não podem ser condicionadas pela burocracia extrema que alguém inventou – e muitos alimentam – em nome de um rigor que, quase sempre, não corresponde à verdade. Independentemente da razão que o Comissariado contra a Corrupção tem em relação ao método de recrutamento dos trabalhadores que, nos próximos meses, vão ser corridos, o assunto já cansa. Curiosamente, morreu mais cedo a polémica em torno das recomendações feitas ao Ministério Público pela secretária para a Administração e Justiça, numa altura em que tinha já poder na cidade. Curiosamente, o assunto foi rapidamente esquecido. Um dia saberemos porquê. 2. Ainda a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. Esta semana tivemos mais um episódio estranho protago-
KEVIN SMITH, CLERKS
isabelcorreiadecastro@gmail.com
nizado por esta estranha comissão que, em termos práticos, quer obrigar jornalistas a permanecer em silêncio durante o mês em que é proibida a propaganda eleitoral, quer obrigar os candidatos a fazerem reuniões e manifestações em surdina, quer obrigar as empresas de telecomunicações a apagarem comentários nas redes sociais que sejam entendidos como propaganda eleitoral. De cada vez que a comissão faz tentativas de esclarecimento ou profere declarações sobre o que se pode ou não fazer, aumentam as minhas dúvidas sobre o verdadeiro papel do organismo. E aumentam as minhas dúvidas sobre o que deverei fazer no mês de Agosto. Há um moralismo em quase tudo que dali vem: é o discurso ‘não é ilegal, mas não deve ser feito’. Em relação ao papel da comunicação social, deixam-se uns conselhos vagos sobre problemas concretos. Na
vida de quem escreve todos os dias num jornal, estas dicas abstractas de como se ser bem comportado não me dizem nada. Só sei ler leis, nunca tive paciência para paternalismos. A coisa será assim: dentro do período de proibição de propaganda eleitoral cabe a recta final – 15 dias – da actual legislatura. De acordo com a comissão liderada por Tong
Estas dicas abstractas de como se ser bem comportado não me dizem nada. Só sei ler leis, nunca tive paciência para paternalismos
Hio Fong, juiz de profissão, não é suposto a comunicação social dar mais destaque a um candidato do que a outro e fazer apelos implícitos ao voto. Há deputados que são candidatos, muitos deles. Há candidatos que, enquanto deputados, vão dizer na Assembleia Legislativa, de forma implícita, que eles é que são bons. Os jornais vão dar mais destaque a um deputado-candidato do que a outro deputado-candidato, porque os jornais não fazem actas dos plenários – filtram o que entendem ser mais relevante. Os jornais estão tramados. Assim sendo, resta perguntar à comissão o que prefere: que as páginas de Agosto normalmente reservadas a assuntos políticos sejam preenchidas com palavras cruzadas ou com problemas de sudoku. Sempre dá para os leitores passarem o tempo num Verão que se quer matar antes de ter nascido.
18 (F)UTILIDADES TEMPO
MUITO
hoje macau sexta-feira 28.4.2017
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NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | 18h00
Amanhã
MIN
19
MAX
24
HUM
70-90%
•
EURO
8.70
BAHT
MACAU JAZZ SUNDAY SESSIONS Live Music Association | A partir das 20h00 FESTIVAL HUSH! Praia de Hac-Sá | A partir das 13h00 | Entrada livre
Segunda-feira
O CARTOON STEPH
EXPOSIÇÃO “I AM 038: UMA EXPOSIÇÃO DE UM ARTISTA AUTISTA” Torre de Macau | Até 14/5 INSTALAÇÃO “SEARCHING FOR SPIRITUAL HOME II”, DE YEN-HUA LEE Armazém do Boi | Até 7/5 INSTALAÇÃO “FLUXO DE TONS” DE PAN JIN LING E PAN JIN XIA Pavilhão de Chun Chou Tong | Até 7/5 EXPOSIÇÃO “VIAGEM SEM TÍTULO” Museu de Arte de Macau | Até 14/5 EXPOSIÇÃO “AD LIB” DE KONSTANTIN BESSMERTNY Museu de Arte de Macau (Até 05/2017) EXPOSIÇÃO “ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL” DE ANABELA CANAS Galeria da Livraria Portuguesa | Até 30/4
Cineteatro
C I N E M A
BRAIN ON FIRE
PROBLEMA 27
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 26
UM LIVRO HOJE
SUDOKU
DE
EXPOSIÇÃO DE AGUARELAS DE CHU JIAN & HERMAN PEKEL Fundação Rui Cunha | Até 25/5
1.16
RETORNO
Domingo
Diariamente
YUAN
AQUI HÁ GATO
DISCOVER MACAO: LOCAL INDIES REVISITED | TRANSMISSÃO DOS DOCUMENTÁRIOS “THE SECRET GARDEN” E “ERA UMA VEZ EM KA-HÓ” Cinemateca Paixão
FESTIVAL HUSH! Praia de Hac-Sá | A partir das 13h00 | Entrada livre
0.23
Não há ida sem volta, mesmo para os que desaparecem, para os que se querem perdidos em esquecimento. A vida de acordo com o dogma do ioiô, ou do boomerang, ou das elipses que se encerram em si mesmas. O sol regressa, os planetas giram num eterno retorno que é em simultâneo uma ida, as marés retornam, as estações, os investimentos, o pêlo que regressa ao interior de mim para mais tarde ser regurgitado. A impressão que dá é que todos os seres vão para virem, em todas as acepções do verbo. Da pequena morte gera-se a vida, numa cercadura que tudo encerra nasce a génese, salmões nadam estoicamente rio acima para uma fecunda desova e posterior ocaso. Vão e o retorno faz-se noutra vida, mas acontece. Regressar implica a renovação de algo que fica pelo caminho, dum lugar que fica vazio à espera de preenchimento que, inevitável, surgirá. Retornar é uma inevitabilidade animal, particularmente do ser humano. Implica a inquietude que não conhece satisfação, a ansiedade de partir e largar amarras de encontro ao mar largo. Como diria um brilhante Artur, que a nossa quilha rebente e que o mar largo nos tome, nos acolha de regresso ao útero salino, à preia-mar do passado. Como as marés regressaremos sempre, mesmo contra a nossa vontade. Vamos para vir, gatos, humanos, mesmo os patéticos cães. Pu Yi
“TWISTING MY MELON, THE AUTOBIOGRAPHY” | SHAUN RYDER
A autobiografia de Shaun Ryder, vocalista dos Happy Mondays, soa ao seu discurso directo. Uma vida descrita por pensamentos toscos e autênticos, em linguagem de rua. “Twisting my Melon” é o relato, na primeira pessoa, de episódios de profunda decadência dos anos 80 e 90 de Manchester. O livro acompanha a ascensão e queda da banda e de Ryder, com uma vida cheia de drogas, assaltos e mil e uma peripécias de um rapaz de origens humildes que chega ao estrelato musical. Um relato cândido de um sobrevivente que faz as delícias dos fãs dos Happy Mondays. João Luz
SALA 1
SHOCK WAVE [C] Filme de: Herman Yau Com: Andy Lau, Jiang Wu, Philip Keung, Ron Ng, Song Jia 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
THE BOSS BABY [B] FALADO EM CANTONENSE Fime de: Tom McGrath 17.00, 19.30 SALA 3
SALA 2
BRAIN ON FIRE [B]
Filme de: F. Gary Gray Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Dwayne Johnson 14.30, 21.15
Fime de: Gerard Barret Com: Chloe Grace Moretz, Thomas Mann, Carrie-Anne Moss 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
FAST & FURIOUS 8 [C]
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Sofia Margarida Mota Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
19 hoje macau sexta-feira 28.4.2017
PERFIL
IVO VITAL, FINALISTA DO CURSO DE TRADUÇÃO DE CHINÊS-PORTUGUÊS
“Macau é um bom sítio para começar carreira”
É
macaense e está de regresso à terra. Ivo Vital é aluno finalista do curso de Tradução de Chinês-Português e participa no programa de desenvolvimento de tradução automática do Instituto Politécnico de Macau enquanto estagiário. Saiu de Macau aos nove anos, depois do ensino primário. As recordações de infância são muitas. Lembra-se de ser bilingue e de “falar quase tão bem português, como cantonês”. A razão, aponta, era o estar muitas vezes ao cuidado da avó materna que só sabia falar chinês. Os pais trabalhavam no Centro Hospitalar Conde de São Januário. Se, para a maioria, uma instituição de saúde é um lugar a evitar, para Ivo Vital equivalia ao recreio. “Era para lá que ia muitas vezes brincar com a minha irmã, fazíamos fisioterapia e íamos para a piscina de reabilitação”, recorda. “Tínhamos uma vida pacata, tínhamos muita liberdade e até ia de autocarro para a escola”, ilustra. A saída de Macau não foi feita de ânimo leve e o agora regressado à terra não esconde a zanga que o acompanhou na juventude. “Cresci sempre com alguma raiva dentro
de mim. Foi uma decisão dos meus pais e claro que foi para o meu bem e o da minha irmã. Mas, na altura, não compreendi isso”, explica o estudante. A adaptação a Portugal não foi fácil e as diferenças que registou, e que associa ao facto de ainda ser criança, foram sentidas com intensidade. “Em Macau não me interessava, por exemplo, por marcas de roupa, em Portugal toda a gente ligava àquilo e eu não entendia. Outra coisa que me fez impressão foi o facto de se dizerem muitas asneiras, coisa a que não estava habituado.”
OS MIL OFÍCIOS
No horizonte profissional tem agora a carreira de tradução, mas os projectos foram mudando ao longo do tempo. Desde pequeno que queria seguir carreira na Marinha, “queria ser oficial”. A ideia de miúdo, recorda, começou pelo fascínio que sentia quando via imagens antigas, de militares do séc. XVIII. “Na altura gostava de ver aqueles retratos com os oficiais fardados, gostava do azul que vestiam e queria ser como eles”, diz.
Fez os testes para seguir o sonho de infância e passou com sucesso. Ingressou na Academia Militar, mas mal entrou percebeu que aquele não era o seu lugar. “Vi logo que aquilo não era para mim”, diz, sem hesitação, ao recordar o cerca de mês e meio que lá esteve. “Uma pessoa que acha que as praxes da universidade são violentas é porque não faz ideia do que acontece ali.” A desilusão foi inevitável. Aliado às tormentas do “recrutamento” estava todo um ambiente, sublinha, “marcado pelo racismo”. Acabou por desistir e entrar no curso de Protecção Civil. Ao finalista de tradução nunca faltaram objectivos ou ocupações. Ivo Vital fez carreira no atletismo profissional. “Apareceu por acaso. Sabia que era rápido, mas nunca pensei que pudesse ter algum futuro ou que viesse a ser uma actividade especial.” Começou a treinar, foi progredindo e acabou por chegar ao Benfica e integrar a selecção nacional. Depois vieram as lesões e os condicionamentos. Foi também no Benfica que passou por umas das experiências que, considera, mais o enriqueceram. “Havia um atleta invisual
que precisava de um guia, acabei por ser eu”, conta. A situação pareceu-lhe duplamente benéfica: ajudava alguém e viajava. Aliar estudos e trabalho com desporto parece nunca ter sido problema. Apesar de não se considerar um exemplo de organização, conseguiu conciliar as duas horas diárias de treino que tinha seis dias por semana. “Ocupava bastante tempo e, às vezes, só queremos descansar mas, de certa forma, era na prática desportiva que sentia que descansava: como tinha trabalhos focados mais no esforço intelectual, os treinos acabavam por representar uma espécie de relaxamento para a cabeça.” Está agora em Macau para ficar. “As oportunidades parecem muitas com a necessidade de tradutores. Macau é um bom sítio para começar uma carreira, tem bons ordenados, tenho aqui família, dá para viajar nas redondezas”, remata. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
Nunca se tira as medidas a loucos
sexta-feira 28.4.2017
Atlântido
Paninhos quentes Filipinas recusam abordar disputas territoriais na cimeira da ASEAN
PRIMEIRA DAMA CHINESA DEFENDE AVANÇOS NA IGUALDADE DE GÉNEROS
A
primeira dama chinesa, Peng Liyuan, defendeu os avanços da China em matéria de igualdade dos géneros, numa rara entrevista, difundida numa altura em que feministas chinesas asseguram serem controladas pela polícia face às suas campanhas. Peng, enviada especial da UNESCO para a promoção da educação das mulheres e das crianças, assegurou que as chinesas experimentaram “um progresso destacável”, quanto ao desenvolvimento pessoal, numa entrevista ao “Correio da Unesco”, citada ontem pela imprensa oficial chinesa. A primeira dama chinesa considerou e educação prioritária para conseguir a igualdade e enalteceu os esforços feitos pelo Governo chinês, que é presidido pelo seu marido, Xi Jinping, para garantir que todas as crianças e mulheres chinesas têm acesso à educação. As declarações de Peng surgem numa altura em que activistas feministas do país dizem ser alvos
de repressão por parte do regime. “Os esforços do Partido Comunista [Chinês] são limitados. Continuamos a retroceder em matéria de igualdade”, assegurou uma das activistas Xiao Meili, em declarações à agência EFE. Xiao disse que a polícia a pressionou a trocar de casa em repetidas ocasiões e explica que o colectivo enfrenta agora maiores restrições para publicar comentários, relatórios ou promover campanhas através da Internet ou das redes sociais. “A situação está cada vez pior”, disse. Em 2015, nas vésperas do Dia da Mulher, as autoridades detiveram cinco das mais proeminentes feministas chinesas, quando estas se preparavam para realizar uma campanha de consciencialização contra o assédio sexual. Apesar de terem sido libertadas ao fim de 37 dias, as mulheres asseguram que as autoridades continuam a controlar os seus movimentos.
O
Presidente das Filipinas afirmou ontem que não levantará o tema da disputa territorial com Pequim relativa ao Mar do Sul da China na cimeira do Sudeste Asiático, levando os seus críticos a acusá-lo de subserviência. A cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) decorre até domingo em Manila, capital das Filipinas, e contará com a presença dos chefes de Governo e de Estado de países como Birmânia (Myanmar), Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname. As Filipinas obtiveram no ano passado uma vitória num tribunal arbitral, que não reconheceu como válidas as pretensões históricas de Pequim quanto a territórios disputados no Mar do Sul da China. O Presidente Rodrigo Duterte afirmou ontem que a decisão arbitral é uma questão que apenas diz respeito às Filipinas e à China, não aos outros membros da ASEAN. Os críticos de Duterte consideram que o Presidente filipino deveria abordar o tema na cimeira, para pressionar Pequim a aceitar a decisão e a reconhecer o Estado de Direito. Vários outros membros da ASEAN - o Brunei, a Malásia e o Vietname - disputam também com a China o direito ao arquipélago Spratly, entre outras ilhas, no Mar do Sul da China. As Ilhas Spratly são muito ricas em recursos energéticos. PUB
Na agenda do encontro da ASEAN - que celebra o seu 50.º aniversário - estará a integração comercial do bloco asiático com as grandes economias do continente, como a China, o Japão e a Índia, como resposta à saída dos Estados Unidos do Acordo Transpacífico de Cooperação Económica (TPP, na sigla em inglês). Trata-se da primeira cimeira da ASEAN desde que os Estados Unidos anunciaram a retirada em definitivo do TPP, a 23 de Janeiro último. Esta sexta-feira haverá uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros e no sábado realiza-se a cimeira de chefes de Estado e de Governo.
BLOCO DE PESO
A perda de peso do TPP (ao qual pertencem o Brunei, a Malásia, Singapura e Vietname) trouxe um novo fôlego político à iniciativa chamada Associação Económica Regional Integral (RCEP), criada pela ASEAN em 2012 e apoiada pela China. Na prática, a RCEP seria um tratado de livre comércio entre a ASEAN, a Austrália,
a China, a Coreia do Sul, a Índia, o Japão e a Nova Zelândia, que juntos representam aproximadamente 40% do PIB mundial e quase metade da população do planeta. Só os dez países da ASEAN formam um bloco de 625 milhões de habitantes (mais do que os cerca de 500 milhões da União Europeia), que pretende chegar a um PIB conjunto de 4,7 mil milhões de dólares em 2020 e tornar-se na quarta potência económica mundial dentro de 15 anos. O próximo encontro dos líderes do bloco regional realiza-se em Novembro, estando prevista a presença do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As Filipinas, país no qual estão activos vários grupos terroristas e rebeldes, rodeou a cimeira da ASEAN de fortes medidas de segurança, num dispositivo que inclui 41 mil polícias e militares, bem como corte de estradas e restrições no espaço aéreo.
PRODUTOS LUSÓFONOS COM ACESSO PREFERENCIAL AO MERCADO CHINÊS
As importações para a China oriundas de quatro países de língua oficial portuguesa - Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste vão ter impostos mais baixos, ao abrigo das novas regras de tratamento preferencial das autoridades chinesas. As novas medidas, que entraram em vigor este mês, passaram a incluir bens cujos componentes ou materiais foram obtidos ou produzidos na China ou em outros países beneficiados pelo tratamento preferencial. As empresas precisam de registar os produtos nas alfândegas chinesas e provar que este é realmente oriundo de um dos países incluídos na lista - 41 no total, indicou a revista China Briefing. “Num mundo onde o comércio global se tornou mais complexo e altamente interdependente, é difícil produzir um produto apenas compostos por materiais de um único país”, explicou a publicação. Pequim concede, desde 2002, incentivos no acesso ao mercado chinês de produtos fabricados nos países em desenvolvimento da África e Ásia-Pacífico com os quais mantém relações diplomáticas. A China é o principal parceiro comercial de Angola e Moçambique e um dos principais destinos das exportações da GuinéBissau.
ENTREGOU-SE NA PJ SUSPEITO DE ATROPELAMENTO NO ESTÁDIO DA LUZ
O suspeito do atropelamento mortal na madrugada de sábado junto ao estádio da Luz entregou-se ontem na sede da Polícia Judiciária em Lisboa, acompanhado pelo seu advogado, de acordo com imagens da SIC e SIC Notícias. Está indiciado por crimes de homicídio e omissão de auxílio. Após um encontro entre claques rivais na madrugada de sábado, antes do Sporting-Benfica, um cidadão italiano, adepto do Sporting, foi atropelado mortalmente e faleceu no local, não resistindo aos ferimentos. Marco Ficini estava em Lisboa para assistir ao derby. O carro usado no incidente foi encontrado pela polícia na terça-feira, numa vivenda na Amadora, e rebocado para as instalações da Polícia Judiciária, em Lisboa, para ser sujeito a perícias.