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Hoje Macau 28 DEZ 2018 #4200

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SHUTTERSTOCK

MOP$10

SEXTA-FEIRA 28 DE DEZEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4201

hojemacau

HOJE MACAU

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

PONTE SAI VAN

O TÚNEL DA DISCÓRDIA

PÁGINA 4

POLÍCIA TURÍSTICA

PÁGINA 5

GRANDE BAÍA

As más relações entre a China e o Canadá, por causa da prisão da directora da Huawei, faz com que os canadianos cada vez se sintam menos à vontade para entrar no País do Meio. Em Macau, tudo bem. GRANDE PLANO

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PÁGINA 7

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O risco de ser canadiano na China

ADVOGADO TEM DE JURAR AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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ELES ANDAM POR AÍ


2 grande plano

28.12.2018 sexta-feira

TENSÃO CHINA-CANADÁ

A TRANQUILIDADE

A

detenção da vice-presidente da Huawei, Sabrina Meng Wanzhou, por parte do Canadá resultou num incidente diplomático com a China. A prisão foi feita a pedido dos Estados Unidos da América (EUA), que acusam a gigante das telecomunicações de não ter respeitado as sanções impostas pelos norte-americanos ao Irão. O caso fez com que a China respondesse com a exigência da libertação imediata de Sabrina Meng, que não foi atendido. Após esta situação, as autoridades chinesas procederam à detenção de dois cidadãos canadianos a viver no país, entre eles um diplomata. Mais tarde foi detido um outro cidadão, acusado do crime de tráfico de droga, que vai ser julgado no Sábado.

Se no Interior da China cresce o sentimento de incerteza e insegurança por parte dos cidadãos canadianos, o mesmo não se pode dizer que esteja a acontecer em Macau. Segundo os membros da comunidade canadiana ouvidos pelo HM, existe um clima de normalidade, apesar dos naturais lamentos causados pela tensão existente entre dos países. “O nosso sentimento é que em Macau não houve mudanças face à comunidade canadiana. Não sentimos que haja qualquer risco para os cidadãos no seu dia-a-dia ou que haja qualquer atitude negativa devido aos incidentes”, contou Howard Stribbell, canadiano a viver em Macau, ao HM. Apesar de ser director da Escola Internacional de Macau (TIS, na sigla inglesa)

A ACOMPANHAR A SITUAÇÃO

S

egundo Howard Stribbell, presidente da Câmara do Comércio do Canadá em Macau e director da Escola Internacional de Macau (TIS), que segue o programa escolar do Canadá, a situação está a ser “acompanhada de muita perto” pelas instituições. Contudo é negada qualquer tomada de posição face a este assunto: “não nos envolvemos na vertente política”, justificou. No que diz respeito à Câmara do Comércio do Canadá em Macau, a associação conta como Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, como um dos membros. O presidente da Melco completou os estudos no Canadá.

TIAGO ALCÂNTARA

Canadianos a residir no território dizem que tensão entre os dois países está longe de afectar a vida quotidiana. Contudo, é deixado o desejo de que a reconciliação seja rápida e que as relações saiam reforçadas

COMUNIDADE CANADIANA SENTE-SE SEGURA EM MACAU

e presidente da Câmara do Comércio do Canadá em Macau, Stribbell fez questão de vincar que declarações foram feitas em nome pessoal, sem ligação às instituições [ver caixa]. “Temos noção que é um tema muito presente a nível das notícias internacionais, mas a comunidade não está a sofrer qualquer consequência negativa em Macau. E acho que mesmo no Interior da China não se pode dizer que o cidadão normal canadiano esteja a sofrer consequências negativas”, apontou. “Temos de perceber que este tipo de incidentes ocorrem ao nível de instituições muito próximas do poder e longe do cidadão comum”, justificou. Também ao nível do trabalho por parte de vizi-

nhos e de amigos, Howard Stribbell diz não haver diferença. “Eu sei que estou em Macau, que é parte da

China, e cumpro sempre as leis locais. Por isso, também não sofri qualquer consequência deste

“Temos noção que é um tema muito presente a nível das notícias internacionais, mas a comunidade não está a sofrer qualquer consequência negativa em Macau.” HOWARD STRIBBELL DIRECTOR DA ESCOLA INTERNACIONAL

caso. Mesmo ao nível de tratamento dos vizinhos ou pessoas com quem me relaciono, não experienciei qualquer diferença”, frisa.

VISITA ADIADA

Esta é uma visão partilhada igualmente por François Girouard, professor de música a viver em Macau. “Até ao momento não senti qualquer efeito neste momento de

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DO DIFERENDO DIPLOMÁTICO CANADÁ-CHINA • 1 DE DEZEMBRO A directora financeira da gigante tecnológica chinesa Huawei, Sabrina Meng Wanzhou, é detida no Canadá a pedido dos Estados Unidos por suspeitas de violação das sanções impostas por Washington ao Irão

• 6 DE DEZEMBRO Detenção é tornada pública e China exige saber a razão e pede libertação “imediata” da executiva • 11 DE DEZEMBRO Confirmada detenção na China de antigo diplomata canadiano Michael

Kovrig, que trabalha actualmente para a organização não-governamental International Crisis Group • 12 DE DEZEMBRO – Confirmada detenção na China do empresário canadiano Michael Spavor – Meng Wanzhou é libertada sob


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sexta-feira 28.12.2018

DO COSTUME Mas se Girouard se sente seguro em Macau, o mesmo não acontece em relação às visitas ao Interior da China. Devido a toda a situação e à detenção de três canadianos, o músico optou mesmo por cancelar uma viagem que tinha planeada. “Na semana passada tinha planeada uma viagem de curta duração ao Interior da China. Mas acabei por não ir porque não quis estar a atravessara fronteira, devido às detenções”, admitiu Girouard. “Acredito que não teria qualquer problema na deslocação, mas preferi não arriscar. Estamos na altura do Natal e não quero estar a envolver-me, nem à minha família, em problemas. Preferi não arriscar”, justificou.

TENSÃO SURPREENDENTE

maior tensão nas relações entre os dois países. Leio as notícias, como venho da parte francesa do Canadá, leio as notícias em francês, vejo que o assunto é frequentemente mencionado, mas a verdade é que não me afectou minimamente.” disse Girouard. “Posso dizer com toda a certeza que não sinto qualquer ameaça em Macau”, destacou.

O mesmo acontece nas relações do dia-a-dia, em que Girouard afirma nunca ter sido abordado por ninguém sobre o assunto, pelo menos fora do círculo dos amigos mais próximos. “No meu dia-a-dia não posso dizer que os chineses de Macau estão ocorrentes da situação. Nunca ninguém me disse nada nem nunca fui abordado sobre a situação”, comentou.

fiança de 7,4 milhões de dólares, mas fica com pulseira electrónica. Tribunal marcou nova sessão para 6 de Fevereiro

• 22 DE DEZEMBRO Otava exige a Pequim que liberte imediatamente canadianos detidos arbitrariamente

• 20 DE DEZEMBRO Confirmada detenção na China de professora canadiana Sarah McIver

• 24 DE DEZEMBRO China acusa União Europeia e Reino Unido de hipocrisia por expressa-

No que diz respeito às relações entre os dois países, os dois membros da comunidade local revelaram-se surpreendidos com rápida escalada da tensão, até pelas relações comerciais existentes. “Pelo que acompanho das situações, e admito que poderia estar mais bem informado, até achava que o Canadá e a China estava numa boa fase das relações, até porque são parceiros comerciais. Por isso fiquei surpreendido, mas pode ter sido porque tenho pouco conhecimento sobre o assunto”, afirmou Girouard. “Claro que gos-

rem preocupação relativamente à detenção de canadianos na China, lamentando a existência de ‘dois pesos e duas medidas’, por não terem feito referência à executiva chinesa detida no Canadá

“Na semana passada tinha planeada uma viagem de curta duração ao Interior da China. Mas acabei por não ir porque não quis estar a atravessar a fronteira, devido às detenções.” FRANÇOIS GIROUARD PROFESSOR DE MÚSICA

tava de ver as relações normalizadas e os países voltarem à normalidade. As tensões nunca são positivas”, acrescentou. Este é um desejo comum a Howard Stribbell, que espera que os dois países saiam de forma positiva, dentro do espírito das leis aplicáveis. “O meu desejo era que a situação fosse resolvida

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dentro das leis aplicáveis e com respeito pelas soberanias de cada nação envolvida. Ao mesmo tempo, era importante que os dois países saíssem do caso a valorizar ainda mais as relações entre ambos”, afirmou Stribbell. “Com base na minha experiência, a relação com a China é muito valorizada

no Canadá e acredito que depois deste incidente vai haver uma reconciliação rápida. Já houve incidentes no passado, mas nos últimos anos tanto a China como o Canadá sempre trabalharam para melhorar as relações”, opinou. “Os canadianos valorizam muito as relações tanto com os EUA como com a China, mas às vezes acontecem estes incidentes [diplomáticos]. Fazem parte das relações entre países”, considerou. Stribbell admitiu ainda estar “surpreendido” com a forma como a tensão escalou. “Fiquei surpreendido por ver as coisas desencadearem-se de uma forma tão rápida”, disse. “Mas também tenho noção que nós, que estamos de fora, não temos toda a informação sobre o caso. Há muita coisa que se passa nestas relações entre os países que nós não sabemos”, concluiu. João Santos Filipe (Com D.M.) info@hojemacau.com.mo


4 política

28.12.2018 sexta-feira

TRÂNSITO LEONG SUN IOK QUER TÚNEL DA PONTE DE SAI VAN ABERTO

Último recurso HOJE MACAU

Deputado defende abertura do tabuleiro inferior da Ponte de Sai Van à circulação, como medido temporária para as horas de ponta, congestionamentos e como resposta à Ponte HKZM

L

EONG Sun Iok, deputado ligado aos Operários, defende que o túnel do tabuleiro inferior da Ponte de Sai Van deveria ser aberto ao trânsito durante as alturas de maior congestionamento e em casos excepcionais. Esta é uma solução temporária apresentada na sequência no congestionamento de 15 de Dezembro, quando até a Ponte Governador Nobre de Carvalho teve de ser aberta ao público, na sequência das longas filas de trânsito. “Actualmente o tabuleiro inferior da Ponte de Sai Van só é aberto durante a passagem de tufões. Será que o Governo vai estudar a possibilidade de melhorar as condições de ventilação e de passagem da infra-estrutura tabuleiro para aumentar a frequência da abertura ao público? Além disso, será que o tabuleiro pode ser aberto durante situações de congestionamento e horas de ponta?”, questiona Leong Sun Iok. “Será que não é possível criar um mecanismo temporário de circulação?”, acrescenta. Segundo o legislador, há necessidade de melhorar as ligações entre Macau e Taipa, devido ao aumento dos veículos em circulação, abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e ainda aos novos aterros, que vão ter capacidade para acomodar 100 mil pessoas. Ao mesmo tempo, Leong aponta que existe urgência na definição da quinta ligação entre Macau e Taipa, que deverá ser um túnel situado ao lado da Ponte Gover-

“O Governo tem a obrigação de fazer um planeamento antecipado das necessidades e ligações para aliviar a situação do trânsito [nas pontes].” LEONG SUN IOK DEPUTADO

O

deputado José Pereira Coutinho exige ao Governo uma revisão do concurso público para a realização da empreitada de construção das estruturas principais do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. Para o deputado é “inadmissível” que estas estruturas de grande dimensão venham a ser adjudicadas a um só empreiteiro e nas condições em que se apresentam, ou seja com um prazo máximo de execução de 1150 dias de trabalho que na prática, afirma pereira Coutinho, corresponde a mais de cinco anos, sem contar com as

Serviço exclusivo

Pereira Coutinho quer novo concurso para adjudicação de empreitada do Hospital das Ilhas

“habituais derrapagens de prazos de execução, completamente inócuas para o empreiteiro”. Em interpelação escrita o deputado recorda ainda que, somam a estes cinco anos o tempo que vão demorar as obras que não contam deste concurso, onde se incluem “acabamentos e equipamentos”. A solução, afirma Pereira Coutinho, passa pela abertura

de um novo concurso público que divida a construção das principais estruturas do hospital em várias empreitadas de modo a acelerar a sua concretização. “Não se encontra justificação plausível para que uma obra complexa, que irá custar muitos milhões de patacas ao erário público, não possa ser dividida em diversas empreitadas, conseguindo-se assim, encurtar os prazos de execução”, sublinha.

Por outro lado, o facto de se entregar esta obra a um só empreiteiro prejudica a própria industria do sector da construção civil local, que “conta com competentes construtores”.

BARALHA E VOLTA A DAR

O deputado apela à realização de um novo concurso para as obras em causa de modo a distribuir trabalho e acelerar a construção do Hospital das Ilhas, até porque, os sucessivos atrasos que a construção da estrutura tem sofrido estão a “prejudicar gravemente os interesses dos cidadãos, es-

nador Nobre de Carvalho. Além das actuais pontes, está também a ser ainda preparada uma quarta ligação, que será uma ponte entre a Zona A e a Zona E1 dos Aterros.

CRÍTICAS AO EXECUTIVO

Na interpelação do deputado, que tem a data de ontem, foram também feitas críticas ao Executivo devido ao congestionamento recente. Leong Sun Iok recordou que a situação do dia 15 de Dezembro fez com que os condutores considerassem a resposta do Governo “lenta e desadequada”, pelo tempo que se demorou a abrir a Ponte Governador Nobre de Carvalho ao trânsito. “Muitos condutores e residentes queixaram-se e criticaram o Governo por ter uma resposta confusa e lenta ao caso”, apontou. “As autoridades explicaram toda a situação com três factores: os trabalhos de manutenção da Ponte de Sai Van, os vários acidentes na Ponte da Amizade e ainda a realização de um concerto no Cotai, que aumento o número de travessias dos condutores”, acrescentou. Porém, o deputado traça um cenário bem mais caótico das ligações: “O trânsito diário nas pontes da Amizade e de Sai Van é enorme e a capacidade das duas infra-estruturas está muito próxima do limite. Por isso, sempre que há um acidente o trânsito entre qualquer área afectada e a Península de Macau ficar logo caótico”, indica. “Apesar dos factores temporários utilizados pela Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), a verdade é que as pontes estão saturadas e é muito difícil haver mais capacidade para as necessidades crescentes. Com a abertura da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau a pressão no trânsito tornou-se ainda maior [...] O Governo tem a obrigação de fazer um planeamento antecipado das necessidades e ligações para aliviar a situação do trânsito”, defendeu. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

pecialmente idosos jovens e crianças”, aponta. A terminar a interpelação dirigida ao Executivo, Pereira Coutinho pede a divulgação de uma data “credível” para a conclusão de todo o complexo hospitalar e para a sua entrada em funcionamento. Recorde-se que no passado dia 12 foi publicado em Boletim Oficial o anúncio relativo ao concurso público para a realização da empreitada de construção das estruturas principais do Hospital das Ilhas. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo


política 5

sexta-feira 28.12.2018

SEGURANÇA ELLA LEI QUER SABER RESULTADOS DA AVALIAÇÃO À POLÍCIA TURÍSTICA

Hora de fazer contas TURISMO LAM LON WAI PEDE DISTRIBUIÇÃO DE VISITANTES

O

deputado Lam Lon Wai interpela o Governo para que crie alternativas para a entrada e circulação dos turistas em Macau. Em causa está o número crescente de visitantes no território. “De acordo com o Serviço de Estatística e Censos, a entrada de passageiros em Macau tem aumentado tendo atingido os 3,26 milhões de turistas em Novembro”, refere o deputado em interpelação escrita. O tribuno recorda ainda que nos primeiros 11 meses deste ano, entraram em Macau 32,2 milhões de pessoas, número que representa um aumento de 9,1 por cento em termos anuais. Às complicações causadas pelo elevado número de visitantes soma-se a fraca oferta de postos fronteiriços, sendo as Portas do Cerco a travessia mais escolhida pelos turistas. No entanto, os problemas aumentam com a entrada em funcionamento da Ponte HKZM na medida em que permite a travessia de um maior número de pessoas por terra. “O elevado numero de turistas que pode entrar no território por terra traz vários problemas: complicações nos postos aduaneiros, pressão no tráfego da cidade e nas instalações dedicadas ao turismo”, diz o deputado. A resolução desta situação passa, considera, Lam Lon Wai, por uma melhor distribuição dos turistas por outros postos fronteiriços, pelo que é urgente que o Governo encontre alternativas. O deputado com ligações à FAOM sugere assim que o Executivo tenha em conta uma distribuição dos visitantes pelos postos fronteiriços Qingmao e do Porto Hengqin. No entanto estas estruturas estão em obras, que devem ser concluídas o mais rápido possível, até porque o ano novo chinês está à porta prevendo-se mais um recorde de entradas no território, remata Lam Lon Wai. S.M.M.

O ramo do Corpo de Polícia de Segurança Pública destinado ao turismo está quase a fazer dois anos. A deputada dos Operários defende a necessidade de aumentar o número de agentes, devido ao aumento dos turistas

A

deputada Ella Lei, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), quer saber se o Governo tem planos para aumentar o número de agentes da Polícia Turística e se há planos para fazer uma avaliação a estes agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Em causa está o crescente número de visitantes ao território, que deverá chegar pela primeira vez este ano ao 35 milhões de turistas. As questões foram enviadas ao Governo através de um interpelação escrita, com a data de 21 de Dezembro, que foi divulgada ontem. No documento as principais preocupações da deputada prendem-se com o facto dos turistas aumentarem a um ritmo muito rápido. “Nos anos mais recentes, o número de turistas nunca parou de crescer. Em 2017 o número de turistas que entraram no território excedeu os 32,16 milhões, o que foi um aumento de 5,4 por cento, face a 2016, quando entraram 30,95 milhões de visitantes”, começa por realçar Ella Lei. “Nos primeiros dez meses do ano, o número de visitantes já registava um aumento de 8,4 por cento, em comparação com o mesmo período do ano passado”, é acrescentado. Com esta tendência, a membro da Assembleia Legislativa questiona o Governo se o número de cerca de 60 agentes da Polícia Turística é suficiente para manter a ordem na RAEM. “O número de visitantes para o ano vai alcançar um novo recorde. Mas o número de agentes desta polícia apenas foi aumentado

de 40 para os actuais cerca de 60 agentes. Existem dúvidas sobre se este número é suficiente para lidar com o aumento do número de visitantes”, frisa Ella Lei. Por este motivo, a deputada faz a seguinte questão: “Será que o número de agentes da Polícia Turística consegue actuar de forma eficaz face ao crescimento no número de turistas?”, pergunta. “E será que no futuro as autoridades vão continuar a aumentar o número de agentes?”, acrescenta.

REORGANIZAÇÃO INTERNA

A Polícia Turística, que faz parte do CPSP foi criada em Maio do ano passado. Na altura houve o destacamento de 30 agentes para os lugares mais populares da Pe-

“Nestes quase dois anos de operações, já foi feita alguma avaliação às operações da Polícia Turística?” ELLA LEI DEPUTADA

nínsula de Macau, como Ruínas de São Paulo, Troço das Antigas Muralhas de Defesa, Largo de Santo Agostinho, entre outros. Na Taipa, foram colocados 10 agentes, entre Rua do Cunha, Rua do Regedor, e Estrada do Istmo. Com o passar do tempo o número de agentes foi aumentado, mas Ella Lei quer saber se também houve um

ajustamento dos lugares patrulhados. Por exemplo, a Ella Lei diz que faz sentido questionar se não é necessário ter estacionados agentes na Ponte Hong Kong- Zhuhai-Macau, uma vez que a infra-estrutura se pode transformar num dos principais pontos de entrada de turistas. Além destas questões, Ella Lei questiona ainda as autoridades sobre se houve uma avaliação da eficácia e áreas que necessitam de ser melhoradas em relação a esta polícia. “Nestes quase dois anos de operações, já foi feita alguma avaliação às operações da Polícia Turística? E quais são os principais benefícios e áreas que precisam de ser melhoradas?”, pergunta. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


6 política

JOGO NG KUOK CHEONG QUER LIMITE DE 30 POR CENTO DE TRABALHADORES ESTRANGEIROS

A

S operadoras de jogo não devem ter mais de 30 por cento de trabalhadores estrangeiros. A exigência é deixada pelo deputado Ng Kuok Cheong em interpelação escrita onde relembra intenção do Governo, em 2011, de não autorizar mais de 20 por cento de funcionários estrangeiros a trabalhar no sector. No entanto, de acordo com o deputado pró-democrata, a meta dos 20 por cento de cargos destinados a estrangeiros não está a ser cumprido estando as operadoras neste momento a empregar mais de 30 por cento de mão de obra vinda de fora. Neste sentido, o deputado apela ao Governo que tome medidas de modo a manter o limite em pelo menos 30 por cento. Para o deputado trata-se de uma forma de garantir aos residentes o seu lugar na maior indústria do território.

28.12.2018 sexta-feira

A

deputada Ella Lei quer saber quando é que o Governo tenciona proceder à revisão legislativa de modo a acelerar os processos de pagamento de salários em atraso e de indeminizações em caso de acidentes de trabalho, no sector da construção civil. Para a deputada, trata-se de uma medida urgente dado o elevado número de queixas que tem recebido. Em interpelação escrita, Ella Lei cita os dados da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) relativos ao ano passado em que aquela entidade recebeu 302 casos de queixas por falta de pagamento de salários envolvendo 668 trabalhadores. Por outro lado, a deputada afirma que há muitas situações que não chegam aos organismos oficiais porque os trabalhadores receiam vir a ser mítimas de represálias por parte das entidades empregadoras. Acresce ainda o facto de depois das queixas feitas, o processo para entrega dos montantes dos ordenados em atraso aos trabalhadores é complexo e moroso. Entretanto, os lesados, considera Lei, enfrentem “fortes ameaças à sua subsistência”.

COMBATE NA FONTE

Como tal o problema tem que ser combatido na sua raiz. Em causa

Depressa que se faz tarde Ella Lei pede revisão legislativa para acelerar pagamento de salários em atraso

está o facto de grande parte das contratações de trabalhadores da construção civil para as obras locais, essencialmente as de grande dimensão, ser feita através da contratação por subempreiteiros. Além disso, “não há normas de supervisão claras o que causa os atrasos repetidos de salários e a dificuldade de recuperação”, diz. Para resolver o problema a deputada dá como exemplo o que já é praticado na região. Em Hong Kong, a responsabilidade

do pagamento de ordenados em atraso cabe ao empreiteiro geral e sendo que se alonga por mais de dois meses e é feita em forma de adiantamento. Lei recorda ainda que “há dois anos, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, afirmou que o projecto de revisão legislativa deveria entrar no processo legislativo no início de 2016, mas ainda não foi introduzido” o que, considera ser lamentável. Por estes motivos a deputada com ligações à FAOM quer que o

Governo avance com um agenda concreta para uma revisão legislativa a este respeito. Lei quer ainda saber em que termos pode ser feita de modo a garantir o pagamento atempado de salários em atraso e questiona se o Governo vai ter em conta o explode Hong Kong ou se já estudou outro tipo de medidas. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 46/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 27 de Novembro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Um Sistema Automático de Inspecção e Verificação de Medicamentos aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 27 de Dezembro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 37,00 (trinta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Centro Hospitalar Conde de São Januário – Farmácia Hospitalar da Divisão de Farmácia, no dia 31 de Dezembro de 2018, às 10,00 horas, para visita de estudo ao local da instalação do equipamento a que se destina o objecto deste concurso.

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 47/P/18

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 23 de Janeiro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 24 de Janeiro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP16.000,00 (dezasseis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 17 de Dezembro de 2018 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 27 de Novembro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Arquivos Deslizantes Modulares», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 27 de Dezembro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 39,00 (trinta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm. gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 31 de Dezembro de 2018, às 10,00 horas, para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 28 de Janeiro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Janeiro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP55.000,00 (cinquenta e cinco mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 17 de Dezembro de 2018 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 48/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Novembro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Substituição e Testes de onze (11) Unidades de Tratamento Primário do AR (P.A.U.) da Unidade de Internamento do Edifício da Clínica Médico-Cirúrgica», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 27 de Dezembro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP40,00 (quarenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 31 de Dezembro de 2018, às 10,00 horas para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 29 de Janeiro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 30 de Janeiro de 2019 pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP130 000,00 (cento e trinta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 17 de Dezembro de 2018 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

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sociedade 7

sexta-feira 28.12.2018

A

Associação dos Advogados de Guangdong vai elaborar uma base de dados que pretende reunir “advogados qualificados” de Macau e de Hong Kong. Quem pretender ver o seu nome inscrito tem de observar um conjunto de seis condições, incluindo ter “amor pelo país e por Macau”. A informação consta de uma circular, divulgada este mês, pela Associação dos Advogados de Macau (AAM), que dá conta da intenção da entidade congénere de Guangdong de elaborar uma “base de advogados qualificados” de Macau e de Hong Kong, no âmbito da construção do projecto da Grande Baía e da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. Os interessados em integrar a futura base de dados têm então de preencher seis requisitos, incluindo “ter amor pelo país e por Macau”, o segundo da lista, logo a seguir à condição ‘número um’: ser advogado, titular do Bilhete de

Identidade de Residente Permanente da RAEM e estar efectivamente registado na AAM. Ter pelo menos cinco anos de actividade em Macau ou em Hong Kong (até 1 de Agosto de 2017) e não ter sido punido criminalmente ou por infracção ao código deontológico ou à disciplina que regula o exercício da actividade de advocacia são outros dos requisitos. Manifestar competências de alto nível nas áreas de especialidade a que se candidata (cada profissional pode declarar no máximo duas) e ter tratado pelo menos dez casos de Direito em cada uma das áreas de especialidade ou ter publicado uma ou mais obras sobre as mesmas completam o rol de condições.

ADVOGADOS AMOR POR MACAU E PELA CHINA ENTRE REQUISITOS PARA INSCRIÇÃO EM BASE DE DADOS NO ÂMBITO DA GRANDE BAÍA

Classe patriota

Está a ser preparada uma base de dados para agrupar “advogados qualificados” de Macau e de Hong Kong. Os interessados em fazer parte da iniciativa, que surge no contexto da Grande Baía, têm de preencher uma série de requisitos, tais como ter amor pela China e por Macau

SEM ATESTADO

Desconhece-se, porém, como pode ser atestado o “amor pelo país e por Macau”, dado que, segundo o apurou o HM, não é pedido aos candidatos qualquer tipo de documento relativamente

“Amor pelo país e por Macau” é um dos requisitos para inscrição na base de dados de advogados de Macau e de Hong Kong, a elaborar pela Associação dos Advogados de Guangdong

ao cumprimento deste requisito em particular. Segundo a circular, atribui-se prioridade na inscrição da futura base de dados “aos advogados que façam parte de escritórios coligados de advocacia ou aos representantes na delegação de escritórios de advocacia junto da província de Guangdong”. “Com a elaboração desta base de dados pretende-se ainda optimizar as vantagens dos advogados de Hong Kong e de Macau, reforçar a cooperação e a comunicação entre os profissionais da advocacia, bem como aprofundar o conhecimento das especialidades profissionais de cada advogado destas zonas por parte de outros advogados ou interessados”, lê-se na circular, disponibilizada no portal da AAM. O boletim de candidatura e os comprovativos dos requisitos devem ser remetidos à AAM por correio electrónico, não estando fixada actualmente uma data limite para o efeito. A lista final será publicada no portal da Associação dos Advogados de Guangdong, sendo que os admitidos serão informados, explica ainda a mesma circular da AAM. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

FUNÇÃO PÚBLICA FREQUÊNCIA DE MESTRADO EXIGE RECOMENDAÇÃO SUPERIOR

COOPERAÇÃO IPM ASSINA ACORDO COM ASSOCIAÇÃO DE EMPRESÁRIOS LUSÓFONOS

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MA carta de recomendação elaborada pelo superior hierárquico directo figura como um dos requisitos para os funcionários públicos que pretendam frequentar o novo curso de mestrado em Administração Pública. Segundo as regras de participação, publicadas ontem em Boletim Oficial, o candidato tem ainda de ser detentor de grau académico equivalente ao grau de licenciatura da China ou de habilitações equiparadas, bem como possuir três anos de exercício consecutivo de funções públicas na RAEM. O curso, que se destina ao pessoal de direcção, chefia ou equiparado, a técnicos e a quem integra as carreiras superiores das Forças de Segurança, tem

como objectivo “formar os trabalhadores que sejam recomendados pelos respectivos serviços ou entidades públicas e tenham potencial e melhor desempenho, para serem quadros qualificados de gestão pública do Governo”, diz o regulamento da participação dos trabalhadores dos serviços públicos no curso. Os participantes têm direito nomeadamente ao pagamento das propinas e despesas de inscrição, da viagem de ida e volta entre a RAEM e os locais de aprendizagem e ao alojamento fora do território e a uma bolsa diária. Além disso, após a obtenção do grau de mestre, podem ser recomendados para participar “em projectos de formação de

quadros qualificados e/ou respectivo programa de estágio ou intercâmbio, desde que sejam avaliados como excelentes no desempenho de aprendizagem e tenham potencial para exercer cargos de gestão”. Já os deveres incluem, por exemplo, prestar serviço ao Governo da RAEM por um período de cinco anos consecutivos a contar do dia seguinte à emissão do certificado do grau académico. O primeiro curso de mestrado em Administração Pública foi lançado em 2009, resultando de uma colaboração entre o Instituto Nacional de Administração, a Universidade de Pequim, o Instituto Politécnico de Macau e os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). D.M.

Instituto Politécnico de Macau (IPM) assinou um acordo de cooperação com a Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos (ACMIL) para reforçar o papel do território enquanto plataforma económica e comercial sino-lusófona, indicou ontem o IPM em comunicado. O protocolo pretende apoiar a concretização da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e o projecto da Grande Baía, realça o IPM, dando conta de que, no futuro, vão organizar conjuntamente “projectos de formação multidisciplinares, relacionados com línguas, cultura, arte, comércio”, bem como “actividades práticas e de investigação de curto prazo, com vista a aprofundar o conhecimento dos mercados dos países de língua portuguesa por parte dos alunos”. “O IPM tem envidado continuamente esforços na formação de talentos bilingues chinês-português” e desen-

volvido projectos “para aperfeiçoar a qualidade pedagógica e do ensino a um nível multifacetado”, lembrou o presidente do IPM, Im Sio Kei, na cerimónia de assinatura do protocolo, destacando, por outro lado, que a ACMIL tem promovido, ao longo dos anos, “de forma incansável, as trocas comerciais entre os mercados da China e dos países de língua portuguesa, figurando como um membro impreterível”. Já o presidente da comissão executiva da ACMIL, Eduardo Ambrósio, prometeu “que, em 2019, além de continuar a apoiar as PME que estão a desenvolver a sua actividade nos mercados dos países de língua portuguesa”, a associação também irá incentivar a aposta “no palco internacional para criarem novas oportunidades de negócio”, acreditando que “esta relação de cooperação com o IPM trará inúmeros benefícios”.


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28.12.2018 sexta-feira

AVISO

﹝N.º 87/2018﹞ Avisam-se os herdeiros dos arrendatários abaixo mencionados que os objectos existentes nas fracções abaixo mencionadas foram, temporáriamente, guardados pelo Instituto de Habitação: LAM WENG HIM – Estrada Nordeste da Taipa, Habitação Social da Taipa - Edifício Iat Seng, Bloco 1, 15.º andar C; LAM YEUNG SING – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, Edifício D. Julieta Nobre de Carvalho, Bloco C, 9.º andar, sala n.º 906, Macau; NG, IAU FRANCISCA – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, Edifício D. Julieta Nobre de Carvalho, Bloco B, 5.º andar, sala n.º 517, Macau; LEI SAO KAM – Rua da Saúde, Edifício Hon Lok San Chun, Bloco 3, Edifício Lok Hon, 2.º andar AX(O), Macau; LAM IAO FAN – Avenida do Hipódromo, Sun Star Plaza, Bloco 2, 8.º andar, sala 07(G) quarto A, Macau; LAM I KUN – Estrada Nova da Ilha Verde, Habitação Social da Ilha Verde- Edifício Cheng Nga, 6.º andar L, Macau; CHAN NGAN NOI – Rua da Fábrica, Vai In Garden, 2.º andar, B, Macau; HO SHU LAM – Rua de Fai Chi Kei, Habitação Social - Edifício Fai Fu, 19.º andar U, Macau; LEUNG MAN LEUNG – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van- Edifício Lok Kuan, Bloco 5, 16.º andar W, Coloane. Caso queiram reclamar os referidos objectos, deverão dirigir-se à Divisão de Fiscalização de Habitação Pública do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, R/C L, Macau, no prazo de 30 dias, a contar da publicação do presente aviso. Se não reclamarem os objectos acima mencionados dentro do prazo estabelecido, o IH tratará, como melhor entender, os mesmos. Instituto de Habitação, aos 21 de Dezembro de 2018 O Presidente, Arnaldo Santos


sociedade 9

sexta-feira 28.12.2018

PSICOTERAPIA MULHERES E KAIFONG COM UM MILHÃO DE PATACAS POR SERVIÇOS “INSUFICIENTES”

O preço da qualidade

Fundação Macau Ng Fok deixa Conselho de Curadores

As duas instituições que prestam serviços de psicoterapia comunitária, que foram recentemente colocados em causa pelos Serviços de Saúde por estarem aquém do desejado, receberam quase um milhão de patacas nos primeiros sete meses do ano

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S Serviços de Saúde reconheceram recentemente que os serviços de psicoterapia comunitária prestados por duas instituições subsidiadas são “insuficientes”, ao falhar designadamente em encaminhar os pacientes para a especialidade em tempo útil. Em causa figuram a Associação Geral das Mulheres e a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kaifong) que, nos primeiros sete meses do ano, receberam um total de 906.675 patacas. Os dados constam das listas de apoios financeiros atribuídos pelos Serviços de Saúde, publicadas em Boletim Oficial. Dos dois gigantes tradicionais, a Associação Geral das Mulheres recebeu 826.100 patacas até Julho, enquanto os Kaifong 80.575, ambas para a prestação do serviço de psicoterapia comunitária. Um serviço cuja qualidade foi posta em causa pelos Serviços de Saúde que, em meados do mês, admitiram que ambas falharam em cumprir o papel de detectar e encaminhar os casos problemáticos para tratamento oportuno nos ser-

Ng Fok vai deixar o Conselho de Curadores da Fundação Macau. A informação surge num despacho do Chefe do Executivo, publicada ontem em Boletim Oficial, que dá conta de que o empresário cessou, a seu pedido, o mandato como membro, função que exercia desde 2001. A saída do empresário produz efeitos a partir de 1 de Janeiro. O Conselho de Curadores da Fundação Macau, presidido pelo Chefe do Executivo, conta com 18 personalidades.

Jogo Lotarias chinesas por mais um ano

Mulheres e Kaifong receberam 906.675 patacas até Julho para a prestação de serviços de psicoterapia cuja qualidade foi colocada em causa

viços especializados. Isto porque, segundo os dados facultados pelas mesmas, nos primeiros dez meses do ano, 111 de 644 utentes necessitaram de ser encaminhados, mas a taxa de encaminhamento foi inferior a 1 por cento, quando deveria ter correspondido então a 17,2 por cento. Um cenário que – apontaram os Serviços de Saúde – “reflecte os problemas relacionados com

a falta de experiência clinica e a diferença na qualidade dos serviços dos psicólogos nas instituições relevantes”. Não obstante, os Serviços de Saúde ressalvaram, porém, que não suspenderam nem reduziram os subsídios dos serviços de psicoterapia comunitária nem os das actividades promocionais para o próximo ano. Falaram antes de “uma nova redis-

tribuição e ajustamento das quotas e objectos dos serviços prestados pelas instituições subsidiadas, a fim de proporcionar tratamentos precisos a grupos específicos e de qualidade clínica”. Diana do Mar

Dianadomar@hojemacau.com.mo

O contrato de concessão com a Sociedade de Lotarias Wing Hing para a exploração de lotarias chinesas vai ser prorrogado até 31 de Dezembro de 2019. A informação consta de uma ordem executiva, publicada ontem em Boletim Oficial, que delega no secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, os poderes necessários para, em nome da RAEM, outorgar na escritura pública de prorrogação do prazo até 31 de Dezembro de 2019, e alteração do contrato de concessão celebrado com a Sociedade de Lotarias Wing Hing3. As lotarias chinesas geraram, no ano passado, receitas de 10 milhões de patacas, detendo o segundo pior desempenho entre todos os tipos de jogos a seguir às lotarias instantâneas, de acordo com dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).

TURISTAS MAIS DE 600 MIL EM APENAS CINCO DIAS

DSAT LUÍS GAGEIRO APOSENTOU-SE

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AIS de 600 mil turistas visitaram Macau em apenas cinco dias este Natal, um aumento de 15,23% em relação ao mesmo período do ano passado, informaram hoje as autoridades. O número total de turistas entre 22 e 26 de Dezembro foi de 607.524, com as autoridades a registarem a maioria das entradas nas Portas do Cerco, no norte da península de Macau, na fronteira terrestre com a China continental. Já na ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, inaugurada no final de Outubro, processaram-se 126 mil entradas. A 21 de dezembro, as autoridades do território anunciaram que mais de 32 milhões de pessoas visitaram Macau nos primeiros 11 meses do ano, um aumento de 9,1% em relação ao período homólogo de 2017. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), o número de turistas (16.751.684) e de excursionis-

tas (15.482.154) cresceu 7,2% e 11,1%, respectivamente, totalizando 32.233.838 visitantes em Macau de Janeiro a Novembro de 2018. Por visitante entende-se qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um termo que se divide em turista (que passa pelo menos uma noite) e excursionista (que não pernoita). Segundo a DSEC, a maioria dos visitantes é proveniente do interior da China (22.811.627), tendo-se registado uma subida de 13,3% face a igual período do ano passado. Só em Novembro foram contabilizados 3.266.283 visitantes, o que representou um aumento de 15,3% em termos anuais e um acréscimo de 3,6% em relação a Outubro. A DSEC justificou este acréscimo com a entrada em funcionamento da mega ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, através da qual 436.660 visitantes entraram na região admi-

nistrativa especial chinesa de Macau. Em 2017, chegaram ao território 32,61 milhões de visitantes, mais 5,4% do que em 2016.

UÍS Gageiro, que trabalhava na Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) desde que foi criada, há dez anos, e onde exercia desde 2016 o cargo de subdirector, aposentou-se, no dia 15. Segundo uma declaração, do director da DSAT, Lam Hin San, publicada ontem em Boletim Oficial, Luís Gageiro “foi desligado do serviço para efeitos de aposentação obrigatória por ter atingido o limite de idade”. Luís Gageiro era desde Fevereiro de 2016, ‘número dois’ da DSAT, em regime de comissão de serviço, apesar de ter exercido funções de subdirector substituto em 2015. Luís Gageiro ingressou na DSAT em 2008, aquando da criação daquele organis-

mo, onde serviu inicialmente como chefe do Departamento de Assuntos de Veículos e Condutores. Licenciado em Teologia pelo Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra, Luís Gageiro ingressou na função pública em 1989 como adjunto-técnico na Imprensa Oficial. Passou depois para técnico do então Leal Senado, onde assumiu diversas funções, até transitar, após a transferência do exercício de soberania, para a Câmara Municipal de Macau Provisória e, por fim, para o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, onde ocupou o cargo de chefe dos Serviços de Viação e Transportes até à mudança para a DSAT. D.M.


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Kirin Kiki, a actriz japonesa que morreu no passado mês de Setembro, aos 75 anos, vítima de cancro, é homenageada pela Cinemateca Paixão no ciclo de cinema que vai abrir 2019. Já a partir de dia 1 vão ser exibidos quatro filmes em que Kiki é protagonista e entre eles está o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes deste ano, “Larápios”

28.12.2018 sexta-feira

Ventos do

CINEMA INÍCIO DE 2019 CELEBRADO COM TRIBUTO À ACTRIZ JAPONESA KIRIN KIKI

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ano de 2019 abre na cinemateca paixão com um programa especial de dicado à actriz japonesa Kirin Kiki, falecida no passado mês de Setembro e uma das protagonistas do grande vencedor de Cannes deste ano “Larápios”. A homenagem tem início logo no dia 1, pelas 19h30 com a exibição de “An”, um filme de 2015 realizado por Naomi Kawase. Uma presença assídua em Cannes, Naomi Kawase abriu o evento “Un Certain Regard”

em 2015 com este drama gastronómico que conta a história de Sentaro. O protagonista vive uma vida tranquila cozinhando dorayaki – um pastel com recheio doce de pasta de feijão vermelho – de qualidade medíocre numa pequena pastelaria suburbana. Um dia, uma simpática idosa chamada Tokue (Kirin Kiki) começa a trabalhar na loja de Sentaro. Consigo, Tokue traz uma receita caseira do mesmo pastel. A dupla improvável acaba por estabelecer uma parceria de sucesso e por dar um novo sentido à vida de cada um. De

Hirokazu Kore-eda, realizador acerca de “Larápios” “Existem formas variadas de formação familiar que não passam por laços de sangue, mas que envolvem algum ideal de honra.”

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CINEMA NOVA IORQUE PREMEIA JOAQUIM PAVÃO

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filme “Antes que a noite venha – Falas de Antígona”, que Joaquim Pavão realizou durante o “Creative Film Workshops”, do Festival Internacional de Cinema AVANCA, conquistou quatro galardões nos “Red Carpet Film Awards”, em Nova Iorque. Segundo um comunicado do Cine-Clube de Avanca, o filme foi distinguido neste evento norte-americano com os prémios melhor actriz (Isabel Fernandes Pinto) e melhor cinematografia (José Oliveira). Ambos os prémios foram atribuídos na categoria de curta metragem. Este foi o segundo prémio que Isabel Fernandes Pinto

recebeu como protagonista deste filme. No passado mês de Setembro, foi distinguida com o prémio melhor actriz nos “3rd European Cinematography Awards (ECA)”, que decorreram em Warsaw, na Polónia. Nestes prémios, o filme “Antes que a noite venha – Falas de Antígona” foi ainda distinguido como melhor desenho de som e melhor música. O director de fotografia José Oliveira, vencedor com este filme dos prémios “AIP Cinema 2018” para melhor direcção de fotografia de curta metragem, foi igualmente nomeado para o prémio melhor fotografia,

nos prémios americanos do “AltFF Alternative Film Festival 2018”, tendo sido o vencedor na sua categoria, nos prémios ingleses “Falcon International Film Festival”. Neste evento, o filme de Joaquim Pavão foi ainda vencedor do prémio melhor curta metragem e melhor realizador. Anteriormente o filme tinha sido nomeado para os prémios Sophia na categoria de curta metragem de ficção. Baseado na obra “Antes que a noite venha” de Eduarda Dionísio, o filme foi objecto de adaptação por Isabel Fernandes Pinto e Rui Pena, que protagonizam a película conjuntamente com o coreógrafo Claudinei Garcia. O realizador Joaquim Pavão é também autor da música e montagem, com produção de António Costa Valente. Entretanto, Joaquim Pavão está a rodar um novo filme com curadoria de Álvaro Moreira e no contexto do Museu Internacional de Escultura de Santo Tirso.


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sexta-feira 28.12.2018

Japão

acordo com a apresentação da Cinemateca Paixão “An” “é um gentil drama humanista, apresentando poeticamente as visões de Naomi sobre a vida e o mundo”. A An segue-se, no dia 4 pelas 19h30, um dos filmes de referência de Hirokazu Kore-eda, “Depois de tempestade”. Nomeado para o Prémio “Un Certain Regard” no Festival de Cannes 2016, para o Melhor Cinematógrafo no Prémios de Cinema Asiático 2017 e para Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Chicago 2016, a PUB

An de Hirokazu Kore-eda

película traz a Macau mais um drama familiar. Ryota, um escritor de renome e falido que se sustenta a ele e ao filho com um trabalho paralelo enquanto detective privado, após a morte do pai, consegue reconciliar-se com a sua mãe e com a ex-mulher. No apartamento onde vivia em criança, redescobre o passado da família e procura as suas origens. Kirin Kiki, é a matriarca Yoshiko, uma mulher idosa conhecida pelas tiradas sarcásticas e pelo olhar crítico ao mundo.

LADRÕES PREMIADOS

O dia seguinte é o momento para ver o filme galardoado em Cannes este ano com a Palma de ouro e a última obra do realizador Hirokazu Kore-eda “Larápios”. Mais um drama familiar de Kore-eda que conta a história de uma família que sobrevive à conta de pequenos roubos. No entanto, após uma das suas sessões de furto, Osamu e o filho encontram uma menina, abandonada ao frio. De início relutante em dar abrigo à rapariga, a esposa de Osamu e

Crónica da Minha Mãe de Masto Harada

matriarca da família concorda em tomar conta dela. Apesar de pobres, mal conseguindo o sustento com os furtos que fazem, parecem viver felizes e com a nova presença em casa começam a ser desvendados os elos que podem unir as pessoas, sendo ou não de sangue. De acordo com o realizador quando recebeu o prémio em Cannes, “existem formas variadas de formação familiar que não passam por laços de sangue, mas que envolvem algum ideal de honra”, disse Kore-eda. “Existe intolerância demais neste mundo. Eu quis filmar a caridade”, apontou.

A fechar a homenagem à actriz japonesa, fica a exibição de “Crónica da Minha Mãe” de Masto Harada. Em 1975, o escritor Inoue Yasushi compilou três contos autobiográficos num único romance que segue a sua relação, por vezes tensa, com a mãe que sofre de demência, durante os últimos anos da sua vida. O filme é uma adaptação do romance que traz temas como o abandono, o ressentimento e o declínio, e em que Kirin Kiki interpreta a idosa que se debate com a lenta perda das memórias que amava. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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28.12.2018 sexta-feira

DIÁLOGO COM OS EUA SOBRE COMÉRCIO EM JANEIRO

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Governo chinês anunciou ontem que acertou com Washington a realização, em Janeiro, de um diálogo frente-a-frente, visando pôr termo às disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Um porta-voz do ministério chinês do Comércio revelou que os dois lados têm mantido negociações “intensas” por telefone, e que já marcaram conversas “frente-a-frente” para o próximo mês, sem avançar com mais detalhes. Os presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping, respectivamente, acordaram um ‘armistício’ de 90 dias, em 1 de Dezembro passado, para tentar pôr fim à guerra comercial entre os dois países. Desde então, a China baixou as taxas alfandegárias sobre veículos importados dos EUA

e recomeçou a comprar soja do país. Trump suspendeu o aumento, de 10% para 25%, nas taxas alfandegárias sobre 200.000 milhões de dólares de bens chineses. Em causa está a política de Pequim para o sector tecnológico, nomeadamente o plano “Made in China 2025”, que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da concorrência externa.

TAIWAN “COLETES AMARELOS” CHEGAM ÀS RUAS DE TAIPÉ

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ILHARES de manifestantes vestidos com coletes amarelos, inspirados nos recentes protestos em França e replicados em Portugal, ocuparam ontem as ruas de Taiwan para exigirem menos impostos, na sua terceira mobilização em menos de uma semana. De acordo com agências noticiosas, milhares de manifestantes mobilizaram-se até à sede do Ministério das Finanças, em Taipé, empunhando bandeiras e gritando palavras de ordem contra a política fiscal na ilha. “Isto é pelo nosso futuro”, disse uma estudante de 23 anos Joanna Tai, citada pela agência Associated Press (AP). “Olhamos para os salários em Hong Kong e no interior da China. Queremos saber por que há tanta diferença em relação a Taiwan”, acrescentou. O grupo activista “Tax & Legal Reform League” convocou o protesto depois

de já ter mobilizado 20 mil pessoas, há uma semana, em frente à sede do Governo, e outras 10 mil no sábado, de acordo com a imprensa local. Os organizadores dizem-se inspirados pelo sucesso dos recentes protestos franceses. Há mais de um mês, o movimento inédito “coletes amarelos”, nascido nas redes sociais, espalhou-se por toda a França, dando azo a cenários de conflito em Paris e obrigando o Governo a adoptar medidas sociais estimadas em dez mil milhões de euros. Ao contrário de Paris, o movimento não paralisou nenhuma cidade portuguesa, no passado dia 21 de Dezembro. As manifestações, com pouca adesão, provocaram apenas alguns condicionamentos de trânsito, tendo a polícia identificado 24 pessoas e detido quatro manifestantes, na sequência de desacatos.

EX-VICE-MINISTRO CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA POR CORRUPÇÃO

Uma vida à sombra

Era um dos espiões mais poderosos da China. Agora não volta a pisar as ruas de Pequim

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ex-vice-ministro da Segurança da China Ma Jian foi ontem condenado a prisão perpétua por corrupção e uso de informação privilegiada, parte da mais ampla campanha anticorrupção da história da República Popular. O Tribunal Popular Intermédio de Dalian, no nordeste do país, condenou ainda Ma a pagar mais de 50 milhões de yuans em multas. Ma Jian admitiu ser culpado e decidiu não recorrer da sentença, detalhou a agência noticiosa oficial Xinhua. A Comissão Central de Disciplina e Inspecção do Partido Comunista Chinês anunciou, em Janeiro de 2015, que Ma tinha sido colocado sob investigação. No mês seguinte, o ex-vice-ministro da Segurança

Pública foi destituído como membro da Conferência Consultiva Política, uma espécie de senado sem poderes legislativos. Ma, que trabalhou na agência de espionagem da China durante mais de 30 anos e ocupava o cargo de vice-ministro desde 2006, terá usado a sua influência em benefício do empresário Guo Wengui, um dos homens mais ricos da China, que fugiu da China e vive agora num apartamento de 68

milhões de dólares, em Nova Iorque. Guo afirma ter várias informações comprometedoras para a liderança chinesa, incluindo sobre o vice-presidente, Wang Qishan. Após ascender ao poder, o Presidente chinês, Xi Jinping, lançou uma campanha anticorrupção, hoje considerada a mais persistente e ampla na história da China comunista, e que resultou já na punição de um milhão e meio de membros do partido. Os alvos incluíram funcionários menores, a que Xi se refere como “moscas”, mas também centenas de “tigres” - altos quadros do partido, com a categoria de vice-ministro ou superior. Os dois casos mais mediáticos envolveram a prisão do antigo chefe da Segurança Zhou Yongkang e do ex-diretor do Comité Central do PCC e adjunto do antigo presidente Hu Jintao, Ling Jihua. Além de combater a corrupção, a campanha tem tido como propósito reforçar o “controlo ideológico” e afastar rivais políticos, com as acusações a altos quadros do regime a incluírem frequentemente “excesso de ambição política” ou “conspiração”.

Descida já esperada

Lucros da indústria registam primeira queda em três anos

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S lucros da indústria na China registaram uma queda homóloga de 1,8%, em Novembro, o primeiro registo negativo desde 2015, acompanhando a tendência registada noutros indicadores económicos do país, face às disputas comerciais com Washington. Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês, os lucros ascenderam a 594.800 milhões de yuans, em Novembro, uma queda de 3,6%, face ao mês anterior. Nos primeiros onze meses do ano, os lucros totais das firmas industriais da China fixaram-se em 6,17 biliões de yuans, 11,8% mais do que no mesmo pe-

ríodo do ano passado. Entre Janeiro e Outubro, a subida dos lucros fixou-se em 13,6%, em termos homólogos. Entre os 41 sectores inquiridos pelo GNE, 29 registaram um aumento dos lucros, nos primeiros onze meses do ano, incluindo o setor do petróleo, aço, material de construção ou produtos químicos. He Ping, estatístico do GNE, atribuiu a redução dos lucros, em Novembro, à “queda nas vendas e aumento dos custos de produção”. No mesmo mês, a produção industrial, outro importante indicador da segunda maior economia mundial, aumentou 5,4%, em Novembro,

face ao mesmo mês do ano passado, depois de ter subido 5,9%, em Outubro. Foi a menor subida dos últimos dez anos. O aumento das vendas a retalho, o principal indicador do consumo privado, recuou para 8,1%, o ritmo mais lento desde Maio de 2003, depois de se ter fixado nos 8,6%, em Outubro passado. Os dados revelam que o crescimento da segunda maior economia do mundo deve abrandar no último trimestre do ano, depois de se ter fixado nos 6,5%, no terceiro trimestre, o ritmo mais baixo dos últimos dez anos. Analistas prevêem que a economia chinesa registe

um declínio acentuado, ao longo da primeira metade do próximo ano, reflectindo o pleno efeito das taxas alfandegárias impostas pelos EUA. A ascensão ao poder de Donald Trump nos EUA ditou o espoletar de disputas comerciais, com os dois países a aumentarem as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um. A liderança norte-americana teme perder o domínio industrial global, à medida que Pequim tenta transformar as firmas estatais do país em importantes atores em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.


sexta-feira 28.12.2018

É por ti que escrevo que não és musa nem deusa mas a mulher do meu horizonte

Luís Carmelo

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Dar corda ao relógio do caos

ISSE-ME um senhor em Mafra que, no princípio do mundo, só havia ratazanas albinas. Depois vieram os humanos e a sua terrível mania de contar histórias e de relatar ‘memoriais’. Tinha razão, pois, desde a mais tenra infância, que ‘contar a vida’ é o desígnio mais óbvio que nos persegue. O mundo começa a alicerçar-se quando entendemos quem foram os nossos avós e bisavós, por onde andaram, o que fizeram, que traços deixaram. Há alturas na vida em que regressamos a esses vestígios e os passamos a pente fino com aquele jeito com que os cães cheiram os interstícios da lama ou a terra dos canteiros de onde brotam rosas em flor. Um dos livros que mais associei a este tipo de afinidades (nada electivas) foi A Vida e Opiniões de Tristram Shandy de Laurence Sterne, uma obra publicada em meados do séc. XVIII. O ponto de partida é este: o biografado só é quem é (ou aparenta ser), devido ao modo como foi gerado. E a razão é elementar: nove meses antes de o biografado ter vindo ao mundo, em pleno truca truca, a futura mãe pergunta ao futuro pai se deu corda ao relógio. O homem ficou logo desarmado, o afã a murchar, o vaivém a esfriar tipo comboio a travar nos altos do desfiladeiro depois de ter soado o alarme. Os efeitos que a pergunta provocou (imagino a futura mãe a olhar para os rendilhados do tecto sem sequer encarar o rosto anquilosado do homem), foram depois decisivos para a vida de Shandy (nome que, na sua origem, significa ‘cabeça oca’, ‘maluco’ ou mesmo ‘doido’, apesar de o termo ter raízes obscuras, podendo estar ligado a uma palavra do Inglês antigo – “shanny” – que quer dizer bufão, truão ou mesmo charlatão). O facto é que Shandy fica tudo a dever ao instante preciso em que foi gerado. O livro acabará por ser uma longa digressão: um passeio por tudo e por nada, uma narrativa que fala de si mesma e que quase acaba por elidir o herói, cuja trama e desgraça foram semeadas pelo relógio da sala. O que ecoa da obra de Sterne é o nexo da linguagem, a atmosfera, o jogo sem fim. E é por isso que o livro se viria a tornar tão importante para diversos autores das ‘vanguardas’ do século XX. Das histórias que na infância chegaram até nós – acerca da vida dos nossos avós e bisavós – ecoará precisamente o mes-

DINO BUZZATTI, GATTO MAMMONE

Retrovisor

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mo: ambientes, geografias vãs, casas destelhadas, algumas anedotas e digressões inacabadas, enfim: sombreados que fascinam. Afinidades que não escolhemos, mas que nos semeiam e que desempenham o papel (da corda) do relógio da casa dos pais de Shandy. Não tenho dúvidas nenhumas de que as atmosferas, digamos as músicas

No princípio do mundo, só havia ratazanas albinas. Depois vieram os humanos e a sua terrível mania de contar histórias

de fundo, são sempre memorialmente mais importantes do que os factos ditos reais (com princípio, meio e fim). A captação dos ambientes excede sempre o tema e o diapasão concretos. Quando relembro ensaios que li, revejo sobretudo uma experiência íntima da linguagem e bem menos aquilo que pretendia ter sido comunicado (a chamada força ilocutória). O que fica repete-se interiormente como um brado que se agita e o que talvez fosse fundamental - aquilo de que se faz apologia - quase que se dilui como o óleo no mar. Quando relembro romances que li há algum tempo, acontece aparentemente o contrário: ficam situações, facetas de personagens, quebras, viragens, paisagens, palavras e expressões avulsas. A linguagem, ou o mar que faria de aquário a essas

espécies, parece desaparecer. Evaporar-se. E só renasce de cada vez que volto a abrir um desses romances e releio uma ou outra linha. Seja como for, num caso e noutro, o que fica são os sombreados que fascinam. Ainda que não cheguemos aos calcanhares das ratazanas albinas (terão elas calcanhares?), o certo é que ‘contar a vida’ não passa de uma Rayuela sem chão para pisar e para saltar. Bem sei que W. Benjamim foi pioneiro, quando alertou para o facto de a complexidade da vida moderna travar o tradicional trânsito dos legados familiares e de proximidade. Seja como for, o caos apenas respira onde não há imagens que lhe possam dar sentido. Mesmo que esse sentido resida em quebras de tesão e nos celerados ponteiros do relógio da casa dos pais de Shandy.


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Plano de corte José Navarro de Andrade

À

S nove e meia da noite do dia 14 de Novembro de 1853 a Rainha D. Maria II entrou em trabalhos do seu décimo primeiro parto. Correu tudo mal – das vascas da morte a esta propriamente dita foi o trânsito de uma madrugada. Já antes Maria tivera parições duríssimas e três dos seus nascituros vieram mortos ao mundo. Segundo algumas crónicas, num caso pelo menos houve que degolar o bebé in utero para que a mãe sobrevivesse. Por volta das duas da manhã o Teixeira, 1.º cirurgião privativo da Real Câmara, ainda augurava esperanças, mas três horas depois pediu que entrassem os restantes quatro colegas, que salvaguardavam o pudor da monarca aguardando respeitosamente à porta da sua alcova, a fina-flor da ciência médica nacional, para deliberarem o que fazer. Foi consensual diagnosticarem a situação como aflitiva e de imediato deram início à operação. Rasgado o ventre da Rainha extraíram-lhe D. Eugénio a tempo de o baptizarem antes de expirar. Ainda foram convocados mais dois médicos, entre os quais o ilustre Magalhães Coutinho, mas a causa estava perdida. Sem recursos que valessem à moribunda, que se mantinha meio consciente, os clínicos ministraram-lhe clorofórmio para lhe mitigar o sofrimento e hão-de ter procedido a uma ou outra flebotomia, o que à margem do jargão da arte se chama de sangria, em tentativas para lhe purificar o sangue e estimular a reacção do organismo. Combalida mas lúcida, D. Maria confessou-se e recebeu a extrema-unção do Patriarca, despediu-se dos íntimos e foi-se esvaindo até ao seu passamento às onze da manhã. Tinha trinta e quatro anos. As catástrofes sanitárias que assolaram a Coroa portuguesa não se ficaram por aqui. Dois anos depois da morte da Rainha consorte D. Estefânia, vítima de difteria, em 1861 e no período de um mês, o tifo haveria de dizimar o rei D. Pedro V, com 24 anos, e os príncipes D. Fernando e D. João, ambos adolescentes. Sobreviveu o irmão Luís que ganhou horror ao infecto Paço das Necessidades onde consta nunca mais ter posto os pés. Se for levado em conta que esta mortandade se abatia sobre quem habitava palácios, vivia rodeado de cuidados, comia e bebia do melhor e do mais impoluto e era zelado pela mais avançada medicina da época, com maior acuidade se percebe a urgência e o realismo que Dickens investiu no seu “Hard times” de 1854 e Victor Hugo em “Les Misérables” de 1862. Há, porém, outro aspecto que importa trazer à colação: esta mortandade ocorreu há coisa de 150 anos, uma bagatela na passagem do homo sa-

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Progresso e crença piens sapiens pelo planeta, que já dura há 200.000 anos. O séc. XX abundou em desastres e patifarias provocadas pelo ser humano, mas também em progressos assombrosos. Só a má-fé ou um espírito obtuso não ficará extasiado com o facto de a medicina ter evoluído mais em tão curto tempo do que em todos os anteriores 189.850 anos. Hoje só por grave incompetência não teria sido estancada a hemorragia que vitimou D. Maria e as epidemias de tifo, se não foram erradica-

das, estão controladas. De cada vez que fazemos o gesto simples e casual de tomar um antibiótico, há 150 anos enfrentaríamos a morte. Estamos no entanto a assistir actualmente a um fenómeno perturbante senão mesmo embaraçoso. Os habitantes das regiões mais pobres e ermas do planeta onde a medicina não chegou ou é rudimentar, ambicionam, com maior ou pior sorte, o bem-estar e a qualidade de vida que ela proporcionou aos cidadãos

dos países mais desenvolvidos. Por experiência própria, ninguém melhor do que eles entende as vantagens da aspirina ao chá de ervas a que têm de recorrer. Em contrapartida, uma parte dos principais beneficiários deste miraculosos progressos, a despeito de todas as confirmações históricas e estatísticas, deu desconsiderar a medicina e a ciência preferindo-lhes terapias – pseudo-terapias – cuja eficácia é sustentada por um atabalhoado e pedestre jargão cabalístico mas, aparentemente, muito convincente porque parece “tradicional”, “natural” e “autêntico”. Dos vários motivos que levam tanta gente a tamanho obscurantismo, dois serão preponderantes.

Uma parte dos principais beneficiários deste miraculosos progressos, a despeito de todas as confirmações históricas e estatísticas, deu desconsiderar a medicina e a ciência preferindo-lhes terapias 40 anos de insistência numa cultura da suspeição estão a produzir o seu efeito. Dela emerge uma forma de niilismo que vez de reparar que nunca as sociedades foram tão abertas e escrutinadas como hoje, imagina o mundo governado por um círculo secreto e fechado a conspirar no escuro contra mim. De tudo se duvida, portanto, porque sobre tudo se presumem más e obscuras intenções. Outra causa será a espécie de solidão e desalento existencial que carece dos consolos especulativos da metafísica e das verdades seguras, embora inexplicáveis, de um transcendente. Conhecer não basta, é preciso acreditar. Mas em nome de uma pretensa pureza este misticismo tem que ser exótico e original, esotérico e meândrico, porque das formas organizadas, domésticas e tradicionais, ou seja, das igrejas, desconfia-se que façam parte da conspiração. Só desdenha aquilo que tem, quem o toma como adquirido. A isto pode dar-se o nome de “alienação”. Talvez um puco de consciência histórica e, literalmente, de razão, mesmo que em doses homeopáticas fizesse bem aos insatisfeitos da boa fortuna.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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diários de próspero António Cabrita

E

de repente faço sessenta anos (sou capricórnio) e recebo a visita de um neto, antes mesmo de ter tido um béguin com a Stephanie do Mónaco. A vida é ingrata! Esta falha horroriza-me, nem sequer consegui ser guarda-costas da filha da Grace ou segurar-lhe as maças no circo. E em que zona das omoplatas me enxertaram um neto, se as minhas células continuam a regenerar à velocidade com que os supersónicos engolem nuvens de algodão doce e, por amor, me dispunha a renunciar aos princípios republicanos, de tal modo que ambos no fim tatuaríamos no peito um Leão da Tasmânia? «Estamos alegres. Nem rato/ porá a casa em desacato,» sentencia o Robin de Sonho de Uma Noite de Verão, que acabo de reler, e sinto que o desacato personificou no rapaz gentil e falador de 9 anos que me entrou em casa nestes festejos e me desviou o pensamento da estratégia de me aproximar do Mónaco para conhecer a alvorada na intimidade de uma mulher que, dizem as revistas cor de rosa, choca os seus súbditos por não aparecer maquilhada nem esconder as rugas. Tudo o que me convinha. O importante é que ela não cantasse, pois eu sou um gnomo honesto e seria incapaz de mentir-lhe. E espero que o puto não me volte a visitar antes de me apresentar à Beth Hart, a cantora de blues, e de interpretarmos os dois no duche Caught Out In The Rain, fazendo disso cicatriz do destino. Não esperem menos de mim que do Dominguín, o toureiro que foi amante de Ava Gardner e a deixou sozinha na cama às duas da manhã; respondendo, face ao espanto dela por ele sair da cama, Desculpa lá, mas agora tenho de ir ao bar contar que ando a comer a Ava Gardner, pois para mim metade do gozo está em contá-lo. Fui sempre um rapaz recatado, mas esta onda de pez em que o «politicamente correcto» nos promete naufragar dá-me uma vontade irredutível de vos anunciar como vai ser, em 2019. Na primavera rumarei à Escócia para dar uma oportunidade à Ali Smith para me conhecer. Depois proponho-lhe uma viagem no tempo, recuaremos vinte e cinco anos. Após o que talvez nos despenhemos no amor. A imaginação dela convém-me muito.

Votos para 2019 No verão, não regressarei imediatamente a Portugal depois da viagem que, está estabelecido, farei a Lisboa com a mulher e as filhas. Armarei uma estratégia para elas regressarem sem mim, e ala para a Bordéus, onde se encontra a escritora galega Luísa Castro. Do mais seria indecoroso falar, mas com certeza que a interrogarei sobre Los versos del eunuco, Los hábitos del artillero ou Una patada en el culo y otros cuentos, livros dela que me agradam muito. Em Outubro deslocar-me-ei ao Canadá para discutir alguns tópicos de Oedipal Dreams com a sua autora, Evelyn Lau. Tudo dependerá de muito, mas se averiguar que ela não teve qualquer relação com o poeta americano Charle Simic – para mim, mulher de amigo é homem -, não me farei rogado e pode sair que algo corra entre nós, por exemplo, um livro a meias e em alexandrinos. No Inverno repousarei. A filha de Bukovski tem-me escrito, quer vir fazer-me a receita favorita do pai: bifes com ervilhas. Mas resguardo-me de quaisquer encontros com os mitos, temo a sua senescência. O meu neto é que a sabe, fala como já floresceram as varandas em Verona. Nos intervalos que a visita obrigatória ao Kruger com o miúdo me deixou, li dois livros deliciosos: Retalhos do Tempo/ Um memorial de Dublin, de John Banville, absolutamente recomendável, e a comédia de Shakespeare, numa excelente tradução de Maria Cândida Zamith. O que é extraordinário, ao ler-se esta ou outra peça de Shakespeare, é pensar como era inteligente o público que fez de O Sonho duma Noite de Verão, o maior sucesso da carreira do bardo. A peça é estruturalmente enxuta e perfeita, mas a surpresa reside no

Hoje o Shakespeare não teria editor e seria aconselhado a aplainar os textos em nome da eficácia e da funcionalidade

facto do ignaro povo e maioritariamente analfabeto do período isabelino aderir ao seu teatro e à sua linguagem (que hoje nos parece elitista) sem a menor reserva e aprendendo trechos de cor. Veja-se este espantoso jogo de trocadilhos fonéticos (- que fui buscar à tradução brasileira, que li primeiro, e que é o único trecho que prefiro a esta nova tradução da Relógio D’Água): «Demétrio O rapaz que jaz é um ás da morte. Lisandro Ás que jaz é incapaz; é um zero à esquerda. Teseu Com a ajuda de um médico é capaz de se recuperar e voltar a ser um as-no» Pensar que o espectador elisabethiano acolhia entusiasmado o wit, a qualidade deste humor, e reagia na hora, no timing certo, às deixas – o que não acontece com a maioria dos meus alunos – é descoroçoador. Há uma história da recepção literária ou dramatúrgica por fazer e seria utilíssima para derrotar mitos actuais que encharcam jornalistas, agentes culturais e editores numa suficiência espasmódica e gelatinosa que os levou a interiorizar a crença de que o gosto médio não está preparado para o complexo e só compreende estruturas básicas e um nível lexical a roçar a decomposição onomatopaica, viciando completamente a literatura e o que nela é considerado aceitável e inteligível. Hoje o Shakespeare não teria editor e seria aconselhado a aplainar os textos em nome da eficácia e da funcionalidade. John Updike teria dificuldades em arranjar editor se começasse a editar vinte anos depois, pois foi sempre acusado de escrever bem demais. E agora deixo-vos com uma variante minha à última fala de Oberon, na peça: «Agora, até à alvorada,/ Vá pela casa cada foda/ A melhor noiva escolher,/ Sua cama abençoar;/ (…) Cada foda vá voando/ Cada quarto abençoando/ Neste palácio amoroso: /E o seu dono, venturoso,/ Sempre descanse feliz./ Que se faça o que se diz». São os meus votos.


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h

José Simões Morais

“T

ERRÍVEIS foram as imprecações que de todo o mundo caíram só sobre Macau, face à chocante maldade dos traficantes e especialmente em relação às muitas tragédias ocorridas no oceano, com a tremenda desumanidade e a ausência de leis de navegação que, vinte anos decorridos sobre o início do infame comércio, assegurassem justo tratamento aos cules durante a viagem. O carácter coercivo do tráfico de cules despoletou uma longa série de aterradores desastres marítimos. A desilusão desses escravos, no desengano das atraentes promessas; a dura realidade nos barracões; os preconceitos xenófobos aumentados pela sujeição e maus tratos, tudo tendeu a criar animosidades duradouras, que rebentaram em motins no alto mar, quando os cules, apertados nos porões dos barcos que sacolejavam e enlouquecidos por toda a sorte de privações, deram largas ao seu desespero. E, pior ainda, acontecia às vezes que alguns emigrantes eram piratas disfarçados, resolvidos a pilhar o barco quando naufragasse. Revoltando-se no mar, cules e piratas dominavam e matavam a tripulação, abandonando o barco à deriva e em perigo até ser salvo ou afundado. Sempre que, para defender o barco, a tripulação matava os amotinados, os diabólicos malfeitores pegavam fogo à embarcação e, enquanto a tripulação abandonava, em botes, o barco condenado, a carga humana morria num verdadeiro pandemónio, excepto quando era providencialmente salva por embarcações que passavam”, segundo Montalto de Jesus (MJ), que diz, “De 1850 a 1872, mais de trinta e quatro barcos de cules sofreram tais desastres: quinze ingleses, seis franceses, cinco italianos, três peruanos, dois americanos, um holandês, um belga e um salvadorenho. Deles, treze partiram de Macau, sendo os restantes de Hong-Kong e de portos chineses. Só depois de quinze desastres é que um atingiu um barco de cules de Macau, em 1857; mas, dali por diante, de dezoito desastres ocorridos, doze envolveram barcos de cules de Macau. É de notar que nem um único barco português figurava na lista [apesar do grande número de lorchas portuguesas registadas em Macau] – uma ausência interessante tendente a mostrar que não devia certamente ser só sobre Macau que devia cair em cheio o odioso do tráfico.” Beatriz Basto da Silva refere, “Se Hong Kong, por um lado, exibia coerência face à britânica abolição da escravatura e demais processos congéneres, por outro lado tinha que depender de Macau para continuar o tráfego de cules que não estava disposta a perder, mesmo à porta de casa.”

DEPÓSITO NA SUPERINTENDÊNCIA

Após a Convenção de 1866, o governo chinês declarava ilegal a emigração de

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Má fama de Macau no tráfico de cules cules por Macau e o Governador “Conselheiro Ponte Horta, recebia instruções para anunciar a resolução de Portugal em aderir a esse Regulamento, decidido entre franceses, ingleses e chineses, sem a nossa adesão. Este não colheu quaisquer frutos, mau grado o zelo do governo de Macau, o tráfico do nosso porto permaneceu à margem da Convenção de 1866. Prosseguiam, contudo, os esforços no sentido de sanear a situação dos emigrantes. Assim, em 2/Abril/1868, o Governador Ponte Horta nomeou uma comissão para elaborar um novo regulamento a fim de dar mais amplas garantias à fiscalização por parte das autoridades públicas. Num relatório do superintendente interino, Bernardino de Senna Fernandes, surgiam definidas duas alternativas para solucionar o problema: ou proibir completamente a emigração

chinesa, ou criar um novo regulamento capaz de reprimir energicamente os abusos, de induzir, enfim, os corretores a serem mais honestos pelo seu próprio interesse”, refere Lourenço Maria da Conceição. Andrade Corvo (AC) diz, “Em 1868, o governador de Macau formulou um novo regulamento, que aumentava a responsabilidade do governo, criando um depósito de emigrantes na superintendência e ocupando-se com demasiados cuidados dos interesses dos agentes de emigração. Por este tempo, o ministro inglês junto do governo chinês empregou sugestões e intrigas para impedir a emigração por Macau. Em virtude destas intrigas o governo chinês dirigiu ao vice-rei de Cantão uma comunicação para se opor à emigração por Macau. O vice-rei dirigiu uma comunicação ao governador da colónia portuguesa em que

dizia que mr. Wade havia feito conhecer a irregularidade dos engajamentos que se faziam <sem a devida permissão das autoridades chinesas e estrangeiras e sem garantia de que as condições do contrato sejam cumpridas> o que era mal visto pelos negociantes estrangeiros.” José Maria da Ponte e Horta deixava o cargo de Governador de Macau, sendo a 3/8/1868 substituído por António Sérgio de Sousa e a 24 de Agosto, as novas Regulamentações requeriam que todos os contratos de emigração fossem efectuados pelo delegado do governo no gabinete do superintendente, ficando o depósito de cules estabelecido na casa de superintendência.

MARCADOS A FERRO

“O embaixador britânico em Portugal, desde 1869 (ou ainda mais cedo), sob as instruções do Foreign Office, informara o governo de Lisboa das crueldades da emigração chinesa a partir de Macau, como seja, o caso de 48 cules chineses serem marcados a ferro quente pelo patrão peruano, o levantamento dos cules a bordo do navio francês”, entre outras e “era desejo do governo britânico que o governo português reprimisse ou, pelo menos, regulasse a emigração por Macau que, em muitos casos, possuía todas as características cruéis do tráfico de escravos”, segundo Liu Cong e Leonor Diaz de Seabra. “Em 1871 foi nomeada uma comissão para investigar a maneira por que era regulada a emigração e propor as providências a adoptar para assegurar a liberdade dos culis e o seu bom tratamento a bordo”, AC. Em 1872, um novo regulamento foi publicado pelo Governador J. Correia de Almeida, que proibia os contratos entre os corretores e os cules e estes deviam ser matriculados, para prevenir abusos praticados localmente. Mas o problema continuava pois os cules eram enganados e coagidos na China, embora pelas leis chinesas a pena fosse a decapitação. Quando eram descobertas em Macau, “as vítimas eram entregues pelas autoridades ao cuidado dos mandarins distritais; mas, em vez de serem enviadas para casa como se requeria, voltavam a ser presas e vendidas aos engajadores e de novo levadas para Macau, a fim de serem embarcadas. Tal perversidade não contribuiu pouco para a lassidão oficial de Macau que muitas vezes neutralizava a lei, transformando a emigração num comércio de escravos revestido de horríveis consequências. É claro que tal estado de coisas serviu para uma virulenta campanha em Hong-Kong exclusivamente contra Macau. No âmbito oficial, todas as queixas ao governo de Cantão resultaram inúteis. Enganada pelas intrigas estrangeiras, a China não ajudava Macau a impedir os abusos; e como não havia ainda legação portuguesa em Pequim, Macau não tinha meios para suprimir a fonte de gritantes injustiças e destruir a causa de constantes difamações que desacreditavam a colónia por toda a parte”, MJ.


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A aposta

tonalidades

N

UM dos seus pensamentos mais conhecido, Pascal propõe uma aposta para a pergunta se Deus existe ou não. A argumentação de Pascal pode ser classificada como pragmática, porquanto se trata de apresentar as razões benéficas para se acreditar que Deus existe. Não se pode evitar a decisão. Temos de nos resolver por necessidade. O reconhecimento do “rapport” entre nós e o Senhor. É o ser a acreditar que faz a diferença vital para a vida de cada um na sua singularidade: uma “living option”. Escolher Deus implica-nos na vida no seu todo. Não há outra escolha porque “há uma meta infinita para a existência humana e que vale infinitamente a pena”. O modo de alcançar essa meta obriga a mudar de vida, a decidirmo-nos por um “modo de vida que possa levar-nos à felicidade infinita” (ibid.). Querer o vínculo é o supremo acto de liberdade, do ponto de vista humano. De que se abdica? A que se renuncia? “A tudo o que esta vida pode oferecer”. A escolha aponta à transcendência, convida-a a entrar, expõe-nos ao possibilitante. A escolha é inexorável e escatológica: Que Deus existe implica um reconhecimento de si na possibilidade mais extrema e radical que pode haver. Apenas ao reconhecer-se a si como susceptível de Deus se reconhece os outros na sua própria liberdade para Deus. É de Deus a assomar no horizonte que se potencia esta possibilidade, verdadeira modificação da imanência pela transcendência. Ao revelar-se Deus, revela-se, de algum modo, a Sua natureza na graça e a sua natureza infinita: no amor. E como se manifesta este amor? O que é ser a amar? Primeiramente, há o reconhecimento de uma renúncia. Perdemos, com certeza, na aposta, no investimento. E o ganho é incerto. Não sabemos, como nenhum jogador sabe, se ganhamos – se perdesse e soubesse que perdia sempre de antemão, jamais jogaria. É o elemento de incerteza que o faz jogar. O risco é motivador e abre um espaço de manobra que não é despiciendo. Mas a renúncia não é um comportamento negativo? Não abrimos mão de qualquer coisa, às vezes até de alguém? Ficar com qualquer coisa implica sempre, para nós, abandonar certas outras coisas. A renúncia não é, assim, apenas negativa. Ela é por mor de qualquer coisa. Só podemos ter uma hipótese, quando se dá a ocasião, o custo de oportunidade. Para ter uma coisa precisamos de abdicar de outra ou de outras. De que nos fala Pascal? “Il faut renoncer à la raison” (“É necessário renunciar à razão”). É pre-

JORGE MOLDER, JOGO DE 54 CARTAS

António de Castro Caeiro

ciso ser louco. É na loucura que se resguarda a vida. Resguardar a vida diz-nos, aqui, que a não arriscamos. Antes arriscamos a razão para nos resguardarmos na vida. O sentido desta vida é “um ganho infinito” (“gain infini”). O ganho infinito pela sua qualificação transforma o nada da perda numa perda de nada. Ao permanecer na loucura, que renuncia à razão, cria-se uma tensão em direcção ao infinito. Nessa permanência, inundada de infinito, anula-se o finito e o nada. Se somos obrigados a apostar, somos também obrigados a renunciar, a arriscar (“hasarder”). É a isto que estamos forçados: e eu não estou na liberdade, não tenho nunca um momento de sossego. No momento de renúncia da razão, ganha-se a loucura do amor de Deus. A troca não é de géneros. Não há troca por troca. O sentido desta permuta não poderá ser nunca compreendido do ponto de vista ôntico. Primeiro, porque não se sabe, na cotação de valores, que preço tem uma coisa se não há um preço para quem abdica do que abdica e para o que ganha. Depois, porque a troca, aqui, não é comercial, mas assenta no sentido

do ser do humano. Compreendemos a abdicação como o sacrifício a fazer para nos podermos dedicar a qualquer outra coisa. A recusa pode ser em vista de uma entrega. O sentido do ser é o da finitude. Este pode ser enunciado assim: não podemos ter tudo e, para termos alguma coisa, temos de abrir mão de qualquer outra coisa. Temos sempre de fazer escolhas. A dificuldade consiste nisto. Que o que quer que renunciemos estará sempre connosco. Temos sempre de ter a força para renovar os votos, temos sempre de suportar o que preterimos. Somos sempre o que es-

É pela anulação do divertimento e das paixões que podemos ter a liberdade para ser quem se é em Deus, com Deus e por Deus

colhemos ter e o que escolhemos não ter ou não pudemos escolher. Somos sempre o que escolhemos ser e o que, com essa escolha, não pudemos ter sido. A situação que Pascal cria é paradoxal: É preciso apostar: “Sim, mas eu tenho as mãos atadas e a boca muda. Forçam-me a apostar, e eu não existo na liberdade, não me soltam. E eu sou feito de uma tal maneira que eu não consigo acreditar. Que quereis vós que eu faça?” Contrariamente, “a impotência para acreditar … vem das paixões”. A situação que Pascal cria nega duplamente a liberdade. Por um lado, é-se obrigado a apostar, não temos a liberdade de não apostar, de poder não apostar. Por outro, e contrario, encontro-me na impotência de acreditar. Qual é motivo deste non possum ontológico, condicionado pela finitude constitutiva da nossa facticidade? A impossibilidade de acreditar (“impuissance à croire”) resulta das nossa paixões e do divertimento vão. Não importa aqui caracterizar exaustivamente o sentido das paixões e do divertimento em Pascal. O assunto é central no seu pensamento. Não podemos deixar, por outro lado, de caracterizar os fenómenos aqui em causa. É deles que, uma vez renunciados, resulta a possibilidade da aposta. Isto é, há uma incompatibilidade entre uma vida orientada pelo sentido que as paixões constituem e a fé. Há uma incompatibilidade entre o divertimento, que nos faz divergir e afastar de nós e de Deus em nós e da concentração no si de cada um de nós. As paixões são caracterizadas como fazendo guerra interior, intestina, na alma, à razão (29, 514), como perturbadoras, domáveis, mas que nos impelem para fora de nós (“nous poussent au-dehors”, 176), os inimigos do homem. Portanto, o que cria a incapacidade. O divertimento tem também esta orientação para fora de nós. É o divertimento que neutraliza a sensibilidade à morte (33). O que neutraliza a sensibilidade à morte é o que anula a capacidade de percebermos a finitude temporal e ontológica. A nossa própria condição finita depende da ideia da morte: que não podemos ter tudo, que não podemos ser tudo. É a ideia de morte que nos abre para a possibilidade da eternidade: cheia de sentido e salvação ou com sentido nenhum, a maldição do dia-a-dia dos condenados, a miséria do nada de nada, do para sempre em que nada acontece. É pela anulação do divertimento e das paixões que podemos ter a liberdade para ser quem se é em Deus, com Deus e por Deus.


18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

CINEMA | “GIRL” Cinemateca Paixão | 19h30

Amanhã

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55-85%

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9.18

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Domingo

CINEMA | “SORRY ANGEL” Cinemateca Paixão | 16h30 CINEMA | “GIRL” Cinemateca Paixão | 19h30

7 9 4 7 1 9 0 6 5 2 3 8 EXPOSIÇÃO | CHAPAS SÍNICAS 9 de1Ofertas 6 sobre 8 a Transferência 7 5 2de Macau 0 4| Até 7/12 3 Museu 5 4 | JARDIM 2 0BRILHANTE 3 9 1 6 8 7 EXPOSIÇÃO Museu 1 de3Arte7de Macau 4 9| Até 24/02/2019 0 8 5 6 2 2 8 0 5 6 7 3 1 9 4 7 0 9 1 4 8 6 3 2 5 8 5 3 6 2 4 9 7 1 0 3 6 5 7 8 2 4 9 0 1 0 9 4 2 1 3 7 8 5 6 2 4 0 9 8 5 1 7 Cineteatro 7 1 6 8 4 2 3 5 9 8 5 3 1 6 7 0 0 7 4 2 6 3 9 1 3 0 2 4 5 9 8 6

6 3 9 0 4 2 5 8 7 1

5 6 2 1 0 3 8 4 9 7

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1 0 5 8 2 4 9 7 6 3

0 6 7 4 8 3 2 5 9 1

6 9 1 4 3 7 8 0 2 5 0 1 9 6 4 2 5 7 3 8 9 3 2 0 6 BUMBLEBEE 4 7 5 8 1 5BUMBLEBEE 3[B]Knight 1 9 Um filme0 de: Travis Com: Hailee Steinfeld, John Cena, Jorge Lendeborg Jr 814.30, 16.30, 6 19.30,421.307 2 1RALPH2BREAKS 8 THE5INTERNET: 7 WRECK-IT RALPH 2 [A] 3FALADO4EM CANTONÊS 6 9 0

C I N E M A

35

7 8 5 4 9 1 3 5 2 1 0 6 5 4 7 0 2 9 THE GRINCH [B] 8 6 4 FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Scott Mosier 1 Cheney 3 9 Yarrow 14.30, 16.15, 18.00, 19:45 6 3 0 MORE THAN BLUE [B] FALADO EM MANDARIM 2de: Gavin 7 Lin 8 Um filme SALA 1

Com: Jasper Liu, Ivy Chen 21.30

2 3 8 9 1 6 7 0 4 5

SALA 2

SALA 3

Um filme de: Rich Moore, Phil Johnson 14.30, 16.30, 19.30, 21:30

0 5 4 9 3 2 1 8 6 7

2 6 1 0 9 7 5 3 8 4

4 7 8 5 1 0 9 6 3 2

9 8 3 6 5 4 2 7 1 0

1 3 2 7 6 8 4 0 5 9

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 32

5 4 7 2 0 3 6 1 9 8

3 1 9 8 7 5 0 2 4 6

7 0 5 4 8 6 3 9 2 1

8 9 6 3 2 1 7 4 0 5

6 2 0 1 4 9 8 5 7 3

PROBLEMA 33

S U D O K U

31

33

O CARTOON STEPH 32 DE

EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE 6 de2Arte8de Macau 3 5 1 0 4 Museu | Até 10/02/2019

1.17

ANO NOVO

CINEMA | “ASAKO I & II” Cinemateca Paixão | 16h30

EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12

YUAN

VIDA DE CÃO

CINEMA | “GIRL” Cinemateca Paixão | 16h30

Diariamente

0.24

Nesta altura do ano a palavra balanço começa a azucrinar tudo o que é ouvido ou espaço. É balanço para tudo. Balanço de contas, balanço de actos falhados (na maior parte), balanço de amores e desilusões. Nada como uma data para expiar o que não correu bem e trazer, outra vez, a esperança. A par do balanço vem o famoso “para o ano é que é”. As promessas de mudança ressurgem, os objectivos tomam, de novo, forma, os desejos são mais que as passas de uva. Tudo o que não se conseguiu fazer nos últimos dez anos volta a ser possível. “Vou deixar de fumar”. “Vou fazer dieta”. “Vou poupar mais”. “Vou dar a volta ao mundo”. Todos vão fazer tudo agora. Todos vão pelo menos pensar em tudo o que gostariam de fazer e que não tiveram coragem ou ocasião. “Mas agora é que é”. Vem aí mais um ano. Regressam as vontades cheias de força. Uma força que se tem a mais entre a última semana de Dezembro e a primeira de Janeiro. Depois, lá se vai outra vez. Arruma-se numa gaveta bem conservada, porque para o ano volta a ser precisa. Para o ano há mais. Mas, no íntimo, há aquela esperança que alguma coisa possa ser diferente. Pelo menos isso. A esperança. Sofia Margarida Mota

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8 2 LIVRO 0 6 9 HOJE 7 3 4 UM 7 3 5 1 4 2 8 6

1 5 0 9 4 0 é6 um8 marco 5 3 incontornável 9 2 7 1 “Libra” na1obra Neste 9 de2Don 7 DeLillo. 3 0 6 5 livro, 8 4 o escritor norte-americano entra na 6 1 de7Lee2Harvey 8 9Oswald, 5 3 o4su-0 cabeça posto 5 4assassino 9 3 do0presidente 1 2 7John6 F.8 Kennedy. Humaniza Oswald, mostra2 5 4 0 1 8 7 9 3 6 -o desde criança como alguém pleno 6 8não9muito 7 inteligente, 4 0 1 mas 5 2 de3falhas, com uma vontade genuína de operar 0 7 1 5 2 6 4 8 9 3 mudança, de se tornar relevante. “Li9 8mistura 3 4factos 6 5históricos 1 0 com 2 7 bra”

LIBRA | DON DELILLO

suposições imaginadas. Apresenta o assassinato como uma conspiração que 36para o torto, mas que tinha como deu objectivo 8 0 5alterar 4 a9política 7 2externa 3 1da6 administração Kennedy em relação a 1 2Mais 3 um 6 dos 7 livros 5 9em4que8De0 Cuba. Lillo 6 pega 8 4na realidade 7 2 1e a5molda 0 com 3 9 o vigor da sua brilhante escrita. H.M.

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hojemacau. com.mo

0 2 8 6 7 4 3 6 4 2 9 5 5 3 7 8 0 1 6 9 3 5 2 8 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 8 Margarida 4 0Mota;1Vitor6Ng Colaboradores 7 Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 1 Fonseca; 8 6Valério9Romão4Colunistas 3 António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph 4 de0redacção 1 e7 5 2Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

sexta-feira 28.12.2018

JOSÉ MANUEL PUREZA esquerda.net

O desafio da radicalização da direita

E

SSE estado de desagregação das direitas tradicionais resulta de dois factores. Em primeiro lugar, da profunda degradação da relação da direita com a sociedade em virtude da política de punição social posta em prática pelo passismo. A sociedade portuguesa percebeu bem que a austeridade para muitos transferiu poder e riqueza para poucos. E que isso não foi um efeito colateral, foi o objectivo pretendido. Essa punição selectiva provocou uma imensa descredibilização social das direitas tradicionais e um desgaste enorme do seu poder. O segundo factor dessa degradação da direita foram as vitórias da esquerda. Cada medida de reposição dos rendimentos e dos direitos, cada mudança positiva conseguida nas vidas concretas das pessoas concretas, cada momento de recusa frontal da asfixia das políticas de redistribuição pelos dogmas PUB

financistas simpáticos para Bruxelas, cada uma das articulações das forças da esquerda para ir mais além do que o PS propunha no seu programa, cada um destes factos tirou chão ao discurso das direitas. A desorientação e a fractura das direitas tradicionais e a libertação das pulsões populistas da extrema direita, com uma alimentação indisfarçável pelo pior das redes sociais e pelo

pior da comunicação social, são um desafio para a esquerda. Uma esquerda que se deleite com esta situação e sobre ela repouse negligentemente mais cedo do que tarde acordará confrontada com um pesadelo. O desafio é o de levar a sério a radicalização da direita. Isso supõe tirar-lhe o que explorar nas suas campanhas incendiárias. A resposta à radicalização da direita só pode ser a qualificação dos

O estado catatónico da direita orgânica deixa espaço para que a direita inorgânica se solte e para que isso alimente estratégias, por enquanto subterrâneas, de ganho de hegemonia da extrema-direita nesse campo

serviços públicos que permitam a efectividade dos direitos de todos, um combate coerente contra os mecanismos e práticas de corrupção e um escrupuloso cumprimento de regras de conduta no espaço mediático. O tempo político que vivemos é, pois, definido pela centralidade da luta contra a extrema-direita. E, sobre isso, não nos enganemos: não é por referência explícita à extrema direita que se fará essa luta – é por referência aos direitos de todos e às desigualdades na sua efectivação.

O HM ERROU No artigo publicado na página 7 da edição de ontem foi escrito, por lapso, no título que, em Novembro, chegaram a Macau 3,26 milhões de visitantes através da Ponte HKMZ. O número diz antes respeito ao total de visitantes que Macau recebeu durante aquele mês, com o universo dos que vieram através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau a corresponder a 436.660 pessoas, como, aliás, se refere no interior do texto. Aos leitores, pedimos as nossas sinceras desculpas.


O dia precedente é o mestre do dia seguinte. Píndaro

PALAVRA DO DIA

Atenas Explosão fere polícia

Um polícia ficou ferido na sequência de uma pequena explosão em frente a uma igreja no centro de Atenas, depois das forças de segurança terem sido alertadas para a existência de um objecto suspeito. A explosão ocorreu junto à igreja ortodoxa de Agios Dionysios, em Kolonaki. O polícia foi transportado para um hospital militar na capital, mas os seus ferimentos não são considerados fatais. As autoridades já se encontravam em alerta após um ataque ocorrido a 17 de Dezembro contra a estação privada de televisão Skai. A Grécia tem uma história de ataques armados nas últimas quatro décadas, a maioria realizada por grupos radicais de extrema esquerda que começaram a surgir após uma ditadura de direita que durou sete anos, até 1974. Os alvos são, habitualmente, bancos e embaixadas, bem como espaços ligados às autoridades policiais e judiciais.

Japão confirma dois enforcamentos

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Dois condenados à morte foram enforcados ontem no Japão, elevando para 15 as execuções este ano, o maior número registado desde 1993, confirmou o ministro da Justiça, Takashi Yamashita. As duas execuções de hoje somam-se às dos 13 membros da seita Verdade Suprema, responsáveis pelo ataque mortal com gás sarin em 1995 no metro de Tóquio, cuja pena de morte foi também aplicada em 2018. Os condenados Keizo Kawamura, de 60 anos, e Hiroya Suemori, de 67, estrangularam fatalmente em 1998 o proprietário de uma empresa de investimento e um empregado. As suas sentenças tinham sido confirmadas em 2004. “Eu entendo que a pena de morte é inevitável neste tipo de crimes e eu acho que não é apropriado aboli-la”, frisou Takashi Yamashita, reiterando posições já defendidas por muitos dos seus antecessores. Mais de 100 presos no corredor da morte aguardam execução nas prisões japonesas, cerca de metade dos quais há mais de dez anos, apesar de a lei especificar que os condenados à pena capital devem ser executados seis meses após a confirmação de sua sentença. No Japão, no entanto, o debate sobre a pena capital não suscita grandes discussões, com o Governo a argumentar que este não tem razão de ser uma vez que, de acordo com as sondagens, 80% da população é a favor das execuções.

sexta-feira 28.12.2018

EUA Morte de crianças imigrantes “devastadora”

Alentejo global Lusodescendente promove design de cortiça portuguesa nos Estados Unidos

A

promoção da cortiça como um “material incrível” e “muito sustentável” é uma das motivações da designer lusodescendente Melanie Abrantes, que desenha peças únicas na Califórnia com a matéria-prima importada de Portugal. A artista, que fundou a marca Melanie Abrantes Designs em Oakland, produz artigos para casa com vários tipos de cortiça que são vendidos em lojas da especialidade, como a cadeia de decoração West Elm do grupo Williams-Sonoma. “Estou a tentar mostrar às pessoas que a cortiça tem muitos formatos, utilidades e visuais, em comparação com outros materiais”, disse à Lusa a designer, que está agora a tentar criar uma linha “usando as capacidades de isolamento” da matéria-prima. Alusodescendente foi incluída na lista de 2018 dos 100 Maiores Criativos dos Estados Unidos pela revista Country Living, que a considerou uma “cork whisperer” e destacou o seu virtuosismo na arte de trabalhar a cortiça. “Os meus produtos são virados para a estética e têm um visual muito específico, mas só faço coisas úteis”, disse. “Nada

é puramente decorativo”. As características específicas da cortiça, como a sua porosidade, ajudam ao elemento funcional das peças de design. Entre os produtos em cortiça que Melanie Abrantes criou estão caixas de jóias, candeeiros de tecto, cinzeiros para canábis, castiçais e vasos para plantas. Várias criações misturam cortiça e madeira, o outro material em que a artista se especializou e sobre o qual publicou o livro “Carve”, em 2017. Os produtos são feitos com mais que um tipo de cortiça, incluindo um tipo “cortiça-mármore”, que “tem um preço mais elevado” mas leva as pessoas “a responderem bem às peças”. O custo dos artigos é um dos desafios da criadora, com etiquetas que vão até às largas centenas de dólares. “As pessoas não percebem que a cortiça é um material muito caro que ainda é retirado à mão”, argumentou, justificando com o facto de os consumidores norte-americanos estarem habituados a usar cortiça em objetos simples, como rolhas e tábuas de cozinha, cujos preços são baixos. “Tento educar as pessoas em relação ao valor da cortiça”. A artista irá mostrar o seu trabalho em maio de 2019 na

New York Design Week, como parte do grupo de designers independentes JOIN Design, e está em conversações para participar no programa televisivo da NBC “Making It”, que põe fazedores a criarem trabalhos manuais. Neta de portugueses, Melanie Abrantes visita Portugal uma vez por ano, dividindo-se entre Lisboa, onde reside a avó, e produtores de cortiça no norte. “A razão pela qual trabalho com cortiça é devido à minha herança genética”, afirmou a lusodescendente, de 28 anos. “Todas as vezes que ia a Portugal quando era mais nova via produtos diferentes feitos com cortiça e achava fascinante, porque nem sabia que se podia fazer algo com o material”, recorda. Natural de Sugar Land, perto de Houston, Texas, a artista estudou no Otis College of Art and Design em Los Angeles antes de abrir o seu estúdio em Oakland. Além de fazer dois workshops por mês sobre técnicas para trabalhar madeira e cortiça, também faz sessões em empresas. Os seus produtos estão à venda em cerca de 40 lojas nos Estados Unidos e nalgumas boutiques internacionais, incluindo Japão, França e Inglaterra.

O responsável das Alfândegas e Protecção das Fronteiras dos Estados Unidos disse ontem que as mortes recentes de duas crianças imigrantes “são uma ocorrência extraordinariamente rara” e foram “devastadoras” para a agência. O comissário Kevin McAleenan disse que, antes das duas mortes ocorridas este mês, há mais de 10 anos que não morria qualquer criança ao cuidado da agência. McAleenan adiantou que são feitos exames médicos e todos os dias há dezenas de idas aos hospitais com crianças doentes, mas que a agência tem atualmente sob sua responsabilidade mais crianças do que nunca. Um rapaz de oito anos, sob custódia da agência, morreu na segunda-feira, naquele que é o segundo caso este mês, após a morte de uma menina de sete anos. As duas crianças eram oriundas da Guatemala.

Duarte Lima cumpre três anos de cadeia

O ex-deputado social- democrata Duarte Lima perdeu o último recurso no Tribunal Constitucional e, assim, a última oportunidade de “escapar” à pena de prisão de seis anos a que foi condenado pelo caso Homeland. Em causa os crimes de burla qualificada e branqueamento de capitais. Os juízes do Constitucional alegaram que a defesa do antigo deputado passou o prazo legal para apresentar recurso. Porém, Duarte Lima só irá cumprir agora três anos e quatro meses de prisão já que serão descontados os dois anos e seis meses em que o antigo deputado do PSD esteve em prisão preventiva e domiciliária ao abrigo deste processo. Duarte Lima foi detido em Novembro de 2011, ficou em prisão preventiva que mais tarde passou a domiciliária até Abril de 2014. Ficou em liberdade até ao final do julgamento.


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Hoje Macau 28 DEZ 2018 #4200 by Jornal Hoje Macau - Issuu