Skip to main content

Hoje Macau 27 AGO 2018 #4121

Page 1

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 27 DE AGOSTO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4122

hojemacau SI KA LON

OLEAR A MÁQUINA PÁGINA 4

MANIFESTAÇÕES

EXCEPÇÃO SULU SOU

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

PÁGINA 5

SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS

IMPACTO POR ESTUDAR

os alunos gays e lésbicas deveriam ser encaminhados para diagonóstico clínico enganou-se pois queria antes referir disforia de género. Leong Vai Kei sublinha que a discriminação não tem lugar nas escolas.

GRANDE PLANO

h PAULO MAIA E CARMO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

A subdirectora da DSEJ, Leong Vai Kei, continua a alimentar polémicas. Além de entender que deve ser dito aos alunos que o sexo durante a adolescência pode resultar em prisão, esclarece que quando disse que

ZHANG DAQIAN PUB

O silêncio vale ouro

PAULO MAIA E CARMO

PÁGINA 7


2 grande plano

A subdirectora dos Serviços de Educação e Juventude continua a proferir declarações polémicas. Leong Vai Kei falou a menores de idade da imputabilidade de crimes sexuais, mesmo em relações consentidas. O jurista António Katchi considera as afirmações da subdirectora “incorrectas”

L

EONG Vai Kei, subdirectora dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) , defendeu na sexta-feira que as escolas têm a obrigação de advertir os alunos, mesmo que sejam menores de idade, para a possibilidade de se cometerem crimes se tiverem relações sexuais, ainda que consentidas. “Em Macau, os jovens de 16 anos podem ser responsabilizados criminalmente. Portanto, temos de ensinar aos nossos alunos a responsabilidade legal se tiverem sexo, seja consentido ou não. Independentemente disso, têm responsabilidade legal [e] podem ir para a prisão”, afirmou Leong Vai Kei. Questionada sobre o que sucede, por exemplo, se estiver em causa uma situação em que dois jovens de 15 anos mantém relações sexuais consentidas, Leong Vai Kei respondeu: “Eu não sei se vão os dois para a prisão mas, enquanto educadores, temos de transmitir aos nossos alunos as suas responsabilidades”.

27.8.2018 segunda-feira

DSEJ

SUBDIRECTORA ADVERTE MENORES PARA A POSSIBILIDADE DE SEXO PODER DAR PRISÃO

CAVAR AINDA MAIS FUNDO

No entanto, a posição da subdirectora não tem cabimento legal, como explicou o jurista António Katchi na passada sexta-feira, em entrevista no telejornal da TDM. “Completamente incorrecto” disse o jurista, até porque “nem faz sentido”. “A partir dos 16 anos, quem praticar um facto ilícito, qualificado pela lei como crime considera-se imputável”, começou por explicar.

Ou seja, aos 16 anos as pessoas são consideradas criminalmente responsáveis. Mas o crime, quando se trata de uma relação sexual entre duas pessoas maiores de 16 anos, só acontece no caso de não ser uma relação consentida, como num caso de violação, pelo que “para este crime, como para qualquer outro, só é imputável quem tiver pelo menos 16 anos”, explicou o jurista.

Quanto aos jovens menores de 16 anos, mesmo que pratiquem um acto que a lei defina como crime, são inimputáveis, logo não são punidos. No entanto, António Katchi adverte que a subdirectora não falou de violação. “Quando se trata de uma relação em que haja consentimento, e vamos pressupor que este consentimento é livre e esclarecido, ou seja, a pessoa não

consentiu por estar intoxicada por exemplo, não há violação.

OS MENORES DE 16

No entanto, podem existir outro tipo de crimes com adolescentes entre os 14 e 15 anos, “mas não exactamente nos termos em que ela [Leong Vai Kei] se refere a este assunto”, diz. Neste sentido, há que distinguir duas situações: se estão em causa relações sexuais com um menor


grande plano 3

segunda-feira 27.8.2018

Quanto aos menores de 16 anos, mesmo que pratiquem um acto que a lei defina como crime são inimputáveis, logo não são punidos

de 14 anos ou entre os 14 e os 15 anos de idade. No primeiro caso, “qualquer outra pessoa [maior de 16] que tenha relação com ela [menor de 14], estaria a praticar um facto que, nos termos da lei, seria qualificável como abuso sexual de crianças. Mas “se ambas tiverem menos de 14 anos são inimputáveis e obviamente que não respondem criminalmente. O mesmo se passa se ambas foram menores de 16 anos”, ou seja, com 14 e 15 anos”, refere. Aos maiores de 16 anos pode ser aplicada pena de prisão, no entanto os menores, apesar de inimputáveis criminalmente, podem ser alvo de outros tipos de medidas. “Ao dizer que as crianças em causa não podem ser punidas, refiro-me apenas à aplicação de sanções penais, "máxime" a prisão, pois era esse o "fantasma" agitado pela sudirectora da DSEJ. Mas existe ainda o regime tutelar educativo dos jovens infractores, que oferece uma alternativa de reeducação em lugar da punição”, esclarece o jurista ao HM.

PONTOS NO IS

De forma a ilustrar os contornos legais que escaparam à subdirectora da DSEJ, António Katchi exemplifica. “Vamos supor que uma pessoa tinha 16 anos e a outra tinha 13, como uma das pessoas já é criminalmente responsável, logo imputável, “responderia pelo crime

de abuso sexual de crianças porque a outra teria menos de 14”. Há ainda a situação em que nenhum dos envolvidos é menor de 14 anos e em que ambos têm 14 ou 15 anos. Aqui “nenhuma delas responde criminalmente porque são inimputáveis”, aponta. No entanto, “na pior das hipóteses” estes jovens podem ser sujeitos ao regime tutelar educativo dos jovens infractores, “um desfecho legalmente permitido, nunca a pena de prisão, como afirmou a subdirectora da DSEJ”, reitera o jurista ao HM. “Mas esta solução só seria admissível se um dos jovens abusasse da inexperiência do outro (isto, na hipótese de o outro também ter 15 anos, porque, se tivesse menos de 14, o primeiro poderia ser sujeito ao regime tutelar educativo dos jovens infractores independentemente de ter abusado da inexperiência do outro)”, acrescenta.

“Se um aluno de 12, 13 ou 15 anos diz que é homossexual não acredito que realmente signifique que seja. O estudante está numa fase de desenvolvimento.” LEONG VAI KEI SUBDIRECTORA DA DSEJ

O abuso de inexperiência está previsto legalmente para este tipo de casos em que “a lei já não atenta apenas na idade mas também na experiência e exige que haja abuso de inexperiência para preencher este tipo legal de crime”, esclarece. Atentando às declarações de Leong Vai Kei, acrescenta António Katchi, a partir dos 16 anos já nem se aplicam estas regras, à excepção do caso de violação, em que a relação sexual não é consentida. Para o jurista e professor universitário, também não cabe aos serviços de educação ditarem a idade a partir da qual os jovens podem ou não ter relações sexuais. "[A DSEJ] pode dar as informações necessárias sobre o que diz a lei e aí convém dar as informações correctas. Quanto ao resto pode dizer que os professores vão ensinar aquilo que seja correcto do ponto de vista científico ou pedagógico. Mas, evidentemente, que não cabe à DSEJ, como organismo público, estar a ditar regras morais”, remata. O tema foi abordado com a subdirectora da DSEJ num encontro com os meios de comunicação social em língua portuguesa, depois de Leong Vai Kei ter afirmado que a DSEJ não recomenda o sexo antes do casamento, cuja idade legal é aos 18 anos.

PROBLEMA DE EXPRESSÃO

Nenhum aluno é encaminhado para diagnóstico clínico por causa da sua

orientação sexual. A garantia foi dada na sexta-feira por Leong Vai Kei, num encontro exclusivo com os meios de comunicação social em língua portuguesa para esclarecer mal-entendidos gerados pelas declarações que proferiu recentemente sobre a homossexualidade. “Penso que houve uma falha de interpretação da minha parte. Eu estava a pensar em disforia do género [quando falei no diagnóstico clínico]. Cometi um erro nas minhas declarações. Peço desculpa por ter causado esse mal-entendido”, afirmou Leong Vai Kei. “O meu ponto é: se [a perturbação de] um estudante, por causa de ansiedade, insónia ou alterações no apetite, ou talvez por pensar que está a ser alvo de discriminação chegar a um nível em que realmente afecta os estudos, o sono, o apetite, a comunicação com os colegas e a relação com a família então acho que isso é muito importante. Se chegar a um ponto em que os nossos agentes de aconselhamento não conseguem lidar, então talvez precisemos de ajuda profissional como de psicólogos clínicos”, explicou a ‘número dois’ da DSEJ.

“[A DSEJ] pode dar as informações sobre o que diz a lei e aí convém dar as informações correctas. Mas, evidentemente, que não cabe à DSEJ, como organismo público, estar a ditar regras morais.” ANTÓNIO KATCHI JURISTA

A disforia de género, anteriormente designada de transtorno de identidade de género, tem lugar quando a identidade sexual ou de género se encontra em contradição e conflito com o sexo biológico e genético, gerando uma manifesta insatisfação e inconformidade com a anatomia sexual de nascimento e o papel social que dela se espera. A mesma responsável ressalvou, porém, que o facto de um aluno ser encaminhado para diagnóstico clínico “não significa que tem uma doença”: “Se tiver obstáculos na aprendizagem, por exemplo, enviamo-lo para diagnóstico clínico para ver qual é a sua necessidade real para

procurar dar-lhe o melhor serviço”. Os agentes de aconselhamento escolares têm como missão prestar apoio aos alunos, encaminhando os casos para profissionais quando ultrapassam o seu raio de acção, como para um médico se em causa estiverem eventuais problemas de saúde, insistiu. No ano lectivo de 2017/2018 existiam 220 agentes de aconselhamento (116 psicólogos e 104 assistentes sociais) de um total de nove instituições subsidiadas pela DSEJ. Segundo Leong Vai Kei, 13 estudantes procuraram voluntariamente aconselhamento devido a distúrbios emocionais relacionados com questões sexuais, ou seja, mais um do que no ano lectivo 2016/2017. A subdirectora da DSEJ sublinhou ainda que o organismo promove valores como o amor e o respeito pelo outro, garantindo desconhecer a existência de um problema de discriminação nas escolas: “Ajudamos os alunos a não discriminarem ninguém, seja por causa do género, da aparência ou da inteligência. Toda a gente é única”. “Trabalhamos mesmo muito para ajudar os estudantes a aceitarem-se e a amarem-se uns aos outros sem discriminação. Penso que Macau é um sítio onde vivemos em harmonia”, complementou. “Não vamos mudar o estudante [se ele for homossexual]. Sabemos que isto é algo que não podemos mudar. É quem a pessoa é. É muito óbvio no nosso currículo e na educação sexual que não há discriminação”, realçou a Leong Vai Kei. Segundo dados facultados na mesma conferência de imprensa pelo director do Centro de Educação Moral da DSEJ, Chan Ngai Hong, esses valores são incutidos nomeadamente através de materiais didácticos para todos os níveis de escolaridade, adoptados por um universo de 70 escolas. Ou seja, sensivelmente 90 por cento, existindo no caso do ensino secundário complementar “um tema sobre a homossexualidade”.

MUITO NOVOS PARA DISCERNIR

A subdirectora da DSEJ manteve, porém, a ideia de que os alunos em idade escolar não têm faculdades para discernir se são ou não homossexuais. “Estamos a falar de estudantes. Se um aluno de 12, 13 ou 15 anos diz que é homossexual não acredito que realmente signifique que seja. O estudante está numa fase de desenvolvimento, está à procura da sua identidade. Não apenas género, mas tudo. Todos em algum momento fomos adolescentes. Quando crescemos, abrimos os olhos e o horizonte, sabemos mais sobre nós”, apontou. Leong Vai Kei deu um exemplo: “Mesmo os jovens do ensino secundário quando escolhem a faculdade, às vezes mudam [de opinião] porque ainda são muito novos para decidir”. Sofia Margarida Mota com Diana do Mar info@hojemacau.com.mo


4 política

27.8.2018 segunda-feira

RÓMULO SANTOS

FUNÇÃO PÚBLICA MAK SOI KUN EXIGE HORAS EXTRA PARA INTERPELAÇÕES

O

PROCESSO ADMINISTRATIVO SI KA LON PEDE REVISÃO LEGAL

Partilhar o fardo O deputado Si Ka Lon defende uma revisão ao Código do Procedimento Administrativo para que haja maior flexibilidade no trabalho dos secretários e também para que as chefias possam ter mais competências

O

Governo vai ter de ir à Assembleia Legislativa (AL) responder a uma interpelação oral assinada pelo deputado Si Ka Lon que defende a revisão do “obsoleto” Código do Procedimento Administrativo. Na visão do membro do hemiciclo, eleito pela segunda vez nas eleições de Setembro, a revisão do diploma deve acontecer “com vista a elevar a eficácia das políticas, evitando o grande volume de trabalho dos secretários e directores de serviços, que depois não têm tempo para resolver os problemas e às vezes os arrastam”. Desta forma, Si Ka Lon defende que “a Administração deve alterar o obsoleto Código do Procedimento Administrativo e as directrizes dos serviços públicos, aumentando as competências das chefias, com vista a que os subordinados dos

secretários e directores possam promover o desenvolvimento dos assuntos da Administração Pública”. O deputado pediu ainda a criação de um mecanismo que elimine da máquina administrativa as “más chefias”. Na opnião de Si Ka Lon, o pedido de revisão deste diploma de base justifica-se pela necessidade de aumentar a flexibilidade para resolver problemas que se arrastam desde o período da transferência de soberania. “O Governo deve ser eficiente e habilidoso. No entanto, existem deficiências na Administração Pública, que resultam em muitos entraves nos serviços públicos e, consequentemente, numa baixa eficiência na aplicação das políticas.”

FERIDAS ABERTAS

O deputado entende que os cinco secretários que compõem o Executivo de Chui Sai On têm

um grande volume de trabalho, o que faz com que muitos dossiers acabem por se arrastar. “Os actuais secretários e directores têm muitas funções e responsabilidades, têm de estar presentes em muitas reuniões, têm um grande volume de trabalho e o tempo que resta

“Muitos não querem ‘tocar na ferida’ e, quando se deparam com os problemas, preferem ‘dar a volta’. Assim, muitos problemas não são resolvidos, pois os dirigentes limitam-se a esquivar-se.” SI KA LON DEPUTADO

serve para tratar de questões complexas referentes à sua tutela. Portanto, muitas vezes nem com horas extras conseguem acabar o trabalho.” O parceiro político de Song Pek Kei alerta para o facto dos directores de serviços ou chefes de departamento não terem autonomia para tomar decisões. “As chefias não têm, normalmente, competência para decidir, e muitos procedimentos têm de ser autorizados pelos secretários e directores. Assim, os documentos ficam pendentes a aguardar decisão e passam por várias etapas, por isso é que a eficácia é baixa.” Por essa razão, o membro do hemiciclo diz que é necessário implementar “um mecanismo de incentivo na Administração Pública, porque muitos dirigentes não querem ‘tocar na ferida’ e, quando se deparam com os problemas, preferem ‘dar a volta’. Assim, muitos problemas não são resolvidos, pois os dirigentes limitam-se a esquivar-se”, referiu. Para Si Ka Lon, a manutenção do “desenvolvimento estável de Macau” está em causa, uma vez que o território “depende do aumento da capacidade da Administração Pública. Portanto, o Governo deve detectar as insuficiências dos regimes, ter coragem e aproveitar as experiências do país sobre a implementação de reformas na governação”. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

deputado Mak Soi Kun pede ao Executivo que coloque os seus funcionários a fazer mais horas extra. O objectivo é que sejam dadas respostas mais rápidas às interpelações dos legisladores. Em interpelação escrita, Mak Soi Kun recorda que, de acordo com os regulamentos, o Governo deve avançar com uma resposta a cada interpelação escrita dos deputados num espaço de 30 dias após a sua entrega ao Chefe do Executivo. No entanto, na primeira legislatura de Chui Sai On, foram contabilizadas um total de 533 interpelações e 30 por cento das missivas não tiveram resposta no período previsto. Das restantes, 64 por cento foram respondidas dentro dos prazos e seis por cento continuam sem resposta. O legislador nota que, apesar da eficiência do Governo na resposta às interpelações ser cada vez mais elevada, “algumas interpelações continuam sem resposta após o prazo ter sido excedido por mais de cem dias”, lê-se. O atraso nas respostas mostra que o Governo não pensa atempadamente nas questões dos cidadãos, considera para Mak Soi Kun. De modo a resolver o problema, o deputado sugere que os funcionários do Governo façam horas extrardinárias para que seja respeitado o prazo de entrega de respostas. V.N.

NADADORES-SALVADORES SULU SOU QUER MAIOR FISCALIZAÇÃO À EMPRESA SURF HONG

O

deputado Sulu Sou protesta contra a falta de fiscalização, por parte do Governo, aos serviços de nadadores-salvadores adjudicados à Surf Hong. Em interpelação escrita o deputado denuncia a situação dos 24 trabalhadores que têm exercido funções apesar das falhas contratuais e do alegado incumprimento da lei das relações laborais. A situação levou os funcionários a não trabalharem durante dois dias, situação que forçou o encerramento de duas piscinas. Apesar da situação actualmente estar normalizada, e da Surf Hong ter prometido compensar os nadadores-salvadores, “o Governo precisa de assumir a sua responsabilidade em termos fiscalização”, lê-se na interpelação dirigida ao Executivo. De acordo com Sulu Sou, este não é o primeiro caso que envolve a Surf Hong e o deputado recorda que “há uns anos morreu um nadador-salvador desta empresa numa piscina da Taipa”, pelo que questiona se a companhia reúne condições para manter os serviços. No caso recente, o deputado exige ainda ao Governo que defina e divulgue o calendário para o fim da investigação que está a ser feita à empresa no âmbito de incumprimento das relações laborais e quais são as sanções que vão ser aplicadas. V.N.


política 5

segunda-feira 27.8.2018

D

MANIFESTAÇÕES SULU SOU RECORRE DO CHUMBO DE HO IAT SENG SOBRE REVISÃO

A excepção à regra

O presidente da Assembleia Legislativa rejeitou a proposta de revisão da Lei de Reunião e Manifestação apresentada por Sulu Sou por considerar que este deveria pedir autorização ao Chefe do Executivo para o fazer. O deputado recorreu junto da Mesa do hemiciclo e lembra uma proposta semelhante feita por nove deputados há dez anos

RÓMULO SANTOS

EPOIS de ter dito, em plenário, que a sociedade de Macau se está a transformar, aos poucos, numa sociedade semelhante à descrita no livro “1984”, de George Orwell, Sulu Sou entregou uma proposta de revisão da Lei de Reunião e Manifestação no final do passado mês de Julho. Contudo, a proposta foi rejeitada pelo presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, que considerou tratar-se de uma matéria do foro das políticas implementadas pelo Executivo, pelo que Sulu Sou teria de pedir autorização prévia ao Chefe do Executivo para apresentar no hemiciclo a proposta de revisão. O deputado revelou ontem que decidiu recorrer da decisão de Ho Iat Seng junto da Mesa da AL, lembrando que tem o direito de apresentar uma proposta de revisão na qualidade de deputados e que o mesmo foi feito, e aceite, em 2008. Há dez anos atrás, a presidência da AL aceitou o pedido de alteração à Lei de Reunião e Manifestação apresentado pelos deputados Leonel Alves, Kou Hoi In, Philip Xavier, Chui Sai Cheong, Fong Chi Keong, Chan Meng Kam, Iong Weng Ian, Leong Iok Wa e Chan Chak Mo. Num comunicado enviado ontem às redacções, Sulu Sou defendeu que, com base na Lei Básica, no Regimento da própria AL e em “muitos outros casos precedentes” não necessita, “como deputado, de permissão do Chefe do Executivo para propor a revisão de um diploma”. “A lei em questão foi revista em 2008 por uma proposta de lei submetida por vários e bem conhecidos deputados sem qualquer autorização do Chefe do Executivo. Porque teria de ser diferente desta vez? Temos de ser consistentes com a aplicação da lei. Além disso, deveria ser indiscutível que a AL tem autoridade legislativa em matérias relacionadas com

os direitos fundamentais”, defendeu Sulu Sou. O deputado considera ainda que é necessário re-

forçar o papel que a AL tem como órgão legislativo. “A Lei Básica determina que a AL tem competência exclu-

“A lei em questão foi revista em 2008 por uma proposta de lei submetida por vários e bem conhecidos deputados sem qualquer autorização do Chefe do Executivo. Porque teria de ser diferente desta vez?” SULU SOU DEPUTADO

siva para aprovar leis. O poder de rejeitar leis propostas pelo Governo inclui o poder de as rever, à excepção de circunstâncias excepcionais. Esta lei não é uma excepção, como evidencia a revisão de 2008. Deveríamos respeitar e realçar a autoridade da AL como órgão legislativo.”

SEM MOTIVOS

Na carta que fundamenta o recurso e a reclamação, Sulu Sou argumenta que

Ho Iat Seng deveria ter explicado os motivos para a recusa do pedido de revisão. “O despacho de vossa excelência carece de fundamentação. Vossa excelência refere que a proposta de lei incide sobre matéria de política do Governo, mas não refere porque motivos entende que se trata de matéria de política do Governo. Aplica uma norma sem expressar porque motivo

entende que a norma é aplicável”, lê-se. Para Sulu Sou, “o dever de fundamentação é, como se sabe, entendido como derivando do próprio conceito de Estado de Direito, princípio fundamental do sistema político e jurídico da RAEM, que cabe em particular à AL assegurar e promover”. De acordo com a carta enviada a Ho Iat Seng, terá sido evocada a Lei Básica quanto ao facto de todas as propostas de lei entregues no hemiciclo terem de ser analisadas previamente pelos membros do Conselho Executivo. “No despacho no qual se revela a razão da rejeição, sublinha-se que a proposta de lei foi antecedida de consulta ao Conselho Executivo. Com o devido respeito, o artigo 58 da Lei Básica determina que a consulta [a esse órgão] é obrigatória relativa a toda e qualquer proposta de lei. Assim sendo, este facto é irrelevante para a conclusão se esta proposta de lei incide sobre matéria de política do Governo (ou não).” Isto porque, continua Sulu Sou, “todas as propostas de lei – sejam ou não sobre política do Governo – impõem a prévia consulta ao Conselho Executivo”. “Por outras palavras, o facto de ter sido consultado o Conselho Executivo não aponta num sentido ou noutro”, acrescenta o deputado do campo pró-democrata. A proposta de revisão da Lei de Reunião e Manifestação elaborada por Sulu Sou visa que o pedido de reunião ou manifestação seja feito junto do gabinete do Chefe do Executivo e não da Polícia de Segurança Pública, pois “estamos a lidar com a garantia do exercício de um direito fundamental”. É de frisar que esta lei foi alvo de alterações recentemente, fruto de uma proposta apresentada pelo próprio Governo. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


6 sociedade

Crescimento económico de Macau abrandou face aos primeiros três meses do ano

27.8.2018 segunda-feira

ECONOMIA PIB CRESCEU 6 POR CENTO NO SEGUNDO TRIMESTRE

Travar na subida

O

Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6 por cento em termos reais no segundo trimestre, mas ficou aquém do desempenho dos primeiros três meses do ano, em que registou uma subida de 9,2 por cento. Os dados foram divulgados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) que atribui o abrandamento à desaceleração das exportações de serviços e à diminuição acentuada do investimento. Segundo a DSEC, a procura externa manteve-se em alta, com um acréscimo anual de 13 por cento nas exportações de serviços, a principal força motriz do crescimento económico, apesar da contracção da subida (menos 3 por cento face ao trimestre anterior). Na alavanca esteve o desempenho da indústria do jogo e do turismo: as exportações de serviços do jogo subiram 13,7 por cento, enquanto as de outros serviços turísticos aumentaram 13 por cento. Já a procura interna sofreu um descida ténue, arrastada essencialmente por uma contracção anual de 11,9 por cento no investimento. A despesa de consumo privado registou um crescimento estável (de 5,3 por cento), atribuída à situação favorável do emprego, com subida no número total de empregados e dos rendimentos. Segundo a DSEC, a despesa de consumo final das famílias também aumentou: 4,9 por cento no mercado local e 3,3 por cento no exterior. O deflactor implícito do PIB, que mede a variação global de preços, registou um crescimento anual de 3,5 por cento. A despesa de consumo final do Governo também esteve em alta: subiu 5,1 por cento em termos anuais, acima do primeiro trimestre (2,2 por cento). Nesta rubrica, destacam-se

O

INVESTIMENTO PÚBLICO EM ALTA

O investimento privado diminuiu, com o agravamento do decréscimo do investimento global em activos fixos que desceu 11,9 por cento em termos anuais, uma queda muito acentuada em comparação com a registada no trimestre precedente (menos 1,9 por cento). O investimento em activos fixos do sector privado também desceu substancialmente (18,9 por cento), cenário justificado com a conclusão sucessiva de obras de grandes empreendimentos turísticos e de entretenimento, bem como de edifícios residenciais. Segundo a DSEC, o investimento em construção recuou 22 por cento no segundo trimestre, amortizado pelo aumento de 7,4 por cento do investimento em equipamento.

Deflactor implícito do PIB, que mede a variação global de preços, registou um crescimento anual de 3,5 por cento Já o investimento do sector público subiu, com diversos projectos de infra-estrutura a impulsionarem um crescimento anual de 28,9 por cento no investimento em activos fixos. Destacam-se os aumentos em obras públicas (mais 21,8 por cento) e em equipamento (mais 154,7 por cento). A DSEC assinala ainda o crescimento significativo do comércio externo de mercadorias: as exportações aumentaram 30 por cento, enquanto as importações subiram 10, em termos anuais, acima das subidas do primeiro trimestre. No primeiro semestre do ano, a economia registou um crescimento homólogo de 7,6 por cento em termos reais, atingindo 212.271 milhões de patacas. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

COMÉRCIO VOLUME DE NEGÓCIOS A RETALHO ATINGIU OS 18 MIL MILHÕES volume de negócios do comércio a retalho de Macau atingiu 18 mil milhões de patacas no segundo trimestre, mais 23,7 por cento face ao período homólogo do ano passado, indicam dados oficiais. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), entre Abril e Junho, o volume de negócios de relógios e joalharia representou 21,1 por cento do total, seguindo-se os volumes de negócios

acréscimos nas remunerações dos empregados e nas aquisições líquidas de bens e serviços, respectivamente, de 3,3 e de 8,8 por cento.

de mercadorias de armazéns e quinquilharias (15,8 por cento), artigos de couro (13,4 por cento) e vestuário para adultos (12,4 por cento). Contudo, em comparação com os três primewiros meses do ano, o volume de negócios do comércio a retalho do território caiu 13,4 por cento no segundo trimestre. No segundo trimestre, comparando com o mesmo período do ano passado, registaram-se

subidas significativas nos volumes de negócios dos principais tipos de comércio a retalho: artigos de comunicação (+65,3 por cento); artigos de couro (+36,9 por cento); mercadorias de armazéns e quinquilharias (+34,2 por cento); vestuário para adultos (+26,7 por cento) e automóveis (+24,7 por cento), de acordo com a DSEC. Por outro lado, nos meses de Abril a Junho em comparação com os três primeiros meses

do ano, o volume de negócios de artigos de comunicação caiu 43,2 por cento, o vestuário para adultos sofreu uma queda de 23,2 por cento, bem como relógios e joalharia (-13,4 por cento). Já nos primeiros seis meses do ano, o volume de negócios do comércio a retalho atingiu 38,79 mil milhões de patacas, mais 24,9 por cento face ao período homólogo do ano passado.

Melco Divulgados benefícios para funcionários

Após os protestos liderados por Cloee Chau a exigir detalhes sobre o plano de benefícios dos trabalhadores da Melco Resorts, a empresa revelou que vai proceder às contribuições fiscais dos seus empregados no valor de 5 por cento do salário base e oferecer um bónus anual no final do mês de Outubro. À Macau News Agency, Cloee Chau mostrou-se satisfeita com as medidas, no entanto recordou que a Melco tinha prometido contribuições na ordem dos sete por cento. A Melco vai ainda introduzir mais medidas de apoio aos seus funcionários entre as quais novas políticas de licença por doença e o reconhecimento pela qualidade de trabalho.


sociedade 7

segunda-feira 27.8.2018

Ponte Y Divulgados preços das portagens

Foram divulgados os preços das portagem para os veículos que passam pela ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. De acordo com a conta oficial do Wechat de divulgação de informação sobre a ponte, os preços afixados foram aprovados pelo Governo da província de Guangdong e fixam-se nos 150 renminbis para os automóveis ligeiros e para os táxis, 200 para os autocarros, 300 para shuttle-bus, 60 para camiões sem reboque e 115 para os camiões com reboque. O comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Ma Io Kun, afirmou ainda que não há data para a entrada em funcionamento da ponte. Entretanto, a fronteira entre Macau e Zhuhai já se encontra pronta, acrescentou Ma Io Kun, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau.

Renovação urbana “Em curso” processo legislativo para criação de empresa

O Governo iniciou o processo legislativo relativo à criação da empresa “Macau Renovação Urbana SA”, que inclui os seus estatutos. A informação consta num comunicado oficial, que explica que a empresa será responsável “pela coordenação, promoção e realização das intervenções de renovação urbana”. A entidade será “uma sociedade de capital exclusivamente público, que tem por objecto social realizar, incentivar, divulgar e promover intervenções no âmbito da renovação urbana, bem como intervir na regeneração urbana e na requalificação dos equipamentos comunitários”.

Wushu Alexis Tam encoraja atletas de Macau

O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, parabenizou Huang Junhua depois de ter conquistado uma medalha de prata nos Jogos Asiáticos em Jacarta, Indonésia, na modalidade de Wushu. De acordo com um comunicado, Alexis Tam disse encorajar “os atletas de Macau a manterem o espírito combativo e desportivo, por forma a alcançar melhores resultados”. O secretário lembrou que, durante a competição, os atletas locais encontraram “adversários fortes” mas “demostraram um extraordinário empenho para alcançar resultados muito significativos, designadamente, Li Yi, que conquistou uma medalha de prata, e vários atletas de natação que bateram recordes de Macau”.

SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS ANUNCIADO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL

Seguro morreu de velho

Depois de muitas críticas, o Governo decidiu realizar um estudo de impacto ambiental à construção do depósito e armazém de substâncias perigosas no Cotai

A

sugestão foi feita por um engenheiro durante um fórum público e o Governo decidiu aceitá-la: O plano de construção de depósito e armazém de substâncias perigosas, projectado para o Cotai, vai ser alvo de um estudo de impacto ambiental. O anúncio foi feito na sexta-feira, através de um comunicado do gabinete do porta-voz que dá conta que o Executivo “decidiu

solicitar aos serviços competentes da área das obras públicas que efectuem uma avaliação ambiental de forma a garantir uma maior segurança antes do início das obras”. A decisão foi tomada “após avaliadas as opiniões do público e as sugestões do secretário para a Segurança, a fim de assegurar ao máximo a segurança dos residentes e dos seus pertences”, diz a mesma nota. O Executivo faz, desta forma, eco das preocupações dos residentes relativamente a eventuais riscos de segurança nas obras de construção, nomeadamente pelo facto de as instalações estarem projectadas para as proximidades de uma escola e de ficarem nos arredores de condutas de transporte de gás. “O Governo da RAEM continuará atento às opiniões da sociedade para garantir, no futuro, a promoção conjunta” do plano de construção do depósito e armazém temporário de substâncias perigosas, diz a mesma nota oficial. O Executivo seleccionou dois terrenos para a construção de um depósito e armazém de substâncias

O Executivo “decidiu solicitar aos serviços competentes da área das obras públicas que efectuem uma avaliação ambiental de forma a garantir uma maior segurança antes do início das obras”

perigosas – um na Avenida Marginal Flor de Lótus e outro na Estrada do Dique Oeste –, cujas plantas de condições urbanísticas foram aprovadas, em Julho, pelo Conselho de Planeamento Urbanístico. As instalações têm, contudo, gerado controvérsia, principalmente entre os moradores da zona de Seac Pai Van que rejeitam viver junto das instalações. Além de duas petições, entregues ao Chefe do Executivo e à Assembleia Legislativa, um grupo de residentes de Seac Pai Van também organizou, em meados do

mês, uma concentração em forma de protesto.

SECRETÁRIO JÁ EXPLICOU

O projecto do depósito e armazém gerou algum debate, tendo o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, reunido com a Federação das Associações dos Operários de Macau e União Geral das Associações de Moradores de Macau para explicar que não existe qualquer perigo para a população. AAliança do Povo da Instituição de Macau também foi alvo de esclarecimentos por parte de Wong Sio Chak. Citado por um comunicado oficial, o secretário adiantou que a instalação do depósito e armazém temporário e do depósito centralizado de substâncias perigosas em Coloane é uma medida que vai “reduzir ou até resolver os riscos de segurança das substâncias perigosas dispersadas por vários locais”. Para o governante, estes depósitos garantem “a segurança das substâncias perigosas e da sua gestão”, pelo que não há nada a temer. Diana do Mar

info@hojemacau.com.mo


8 eventos

27.8.2018 segunda-feira

Fantástico CINEMATECA PAIXÃO FESTIVAL “FORA DE HORAS” A PARTIR DE SEXTA-FEIRA

O “Fora de Horas – Festival de Cinema Fantástico ao Fim da Noite” a promete mostrar “oito filmes bizarros de diversas partes do mundo”, sem

De outra galáxia Prémio Lui Che Woo distinguiu três entidades internacionais

O

prémio Lui Che Woo, presidente da concessionária de jogo Galaxy Entertainment, distinguiu este ano três entidades internacionais com trabalho na educação de crianças desfavorecidas, redução dos impactos negativos de desastres naturais e condições atmosféricas adversas e para Hans-Josef Fell, nome ligado à energia sustentável. De acordo com um comunicado, os três prémios visam trazer reconhecimento aos “seus extraordinários esforços para superar grandes problemas no mundo”. Cada premiado recebe 20 milhões de dólares de Hong Kong, um certificado e um troféu. O prémio Energia Positiva foi entregue à Pratham Education Foundation, uma organização não governamental (ONG) da Índia que visa a eliminação da iliteracia de crianças desfavorecidas. O júri que concedeu o prémio a esta instituição considera que a ONG “contribui para a realização da literacia e ajuda directamente todos os anos um milhão de crianças a ter acesso ao ensino básico da escrita e da matemática”. Trata-se da “maior ONG da Índia com foco na alta qualidade e baixos custos de intervenção em prol da redução das diferenças no sistema educativo”. “Através de modelos escalonáveis que dão grande ênfase a uma responsabilização orientada para os resultados, a Pratham consegue atingir um sucesso bastante influenciável no panorama educativo na Índia e não só, criando um modelo demonstrativo adaptável aos vários Governos”, aponta o mesmo comunicado. Rukmini Banerji, presidente desta ONG, afirmou estar “surpreendido e agradecido por ganhar o prémio”. “É uma grande honra ganhar um prémio internacional que dá um grande apoio ao trabalho que a Pratham desenvolve

na continuação da promoção da qualidade de educação de crianças com maiores necessidades”, frisou, citado por um comunicado.

TEMPO E ENERGIA

O prémio Bem-estar Social foi entregue à Organização Meteorológica Mundial (OMM), pelo facto de promover “a redução do impacto dos desastres naturais”. Na visão dos jurados, a OMM “estabelece padrões e providencia uma estrutura para a cooperação internacional ao apoio 191 Estados-membros e territórios a implementar as políticas adoptadas, em prol de uma melhor monitorização, previsão e comunicação das condições meteorológicas a uma escala global”. Para o júri do prémio, o “esforço permanente” da OMM “é fundamental para a redução da perda de vidas humanas devido a climas extremos ou outros incidentes naturais que têm ocorrido na última metade do século”. Por último, o prémio Sustentabilidade foi entregue a Hans-Josef Fell, reconhecido mundialmente como a figura que mais tem promovido o uso das energias renováveis, tendo sido pioneiro nesta área desde os anos 70. Hans-Josef Fell criou a primeira comunidade de energia de produção solar em 1994, “tendo transformado o mercado da energia renovável e, de forma bem sucedida, lutou pela adopção da Lei da Energia Renovável no parlamento alemão”, um diploma que tem sido adoptado “mais de cem vezes em todo o mundo, contribuindo para mudanças nas práticas relacionadas com a energia renovável em todo o mundo”. Os selecionados para o prémio Lui Che Woo são escolhidos apenas por convite, sendo que o período de nomeações para a edição 2019 do prémio começam em Setembro do próximo ano.

C

INEMA do outro mundo, na calada a noite, atrás das Ruínas de São Paulo? Se a proposta parece tentadora, é melhor apontar na agenda o evento que começa a partir de sexta-feira, com a chancela Cinemateca Paixão. O festival “Fora de Horas – Festival de Cinema Fantástico Ao Fim da Noite” arranca no dia 31 deste mês e promete mostrar ao público “oito filmes bizarros de diversas partes do mundo”, todos os dias até 22 de Setembro. De acordo com um comunicado da Cinemateca Paixão, este festival acontece “sob a égide do culto e do

suspense”. “Desfrutar de um filme com outros à meia noite ou depois da hora normal de ir dormir mergulha-nos numa fantástica dimensão de puro divertimento”, apontam os organizadores. O primeiro filme a ser transmitido na sala da Cinemateca Paixão intitula-se “Hereditário” e é considerado por alguma parte da crítica como “a melhor película de terror deste ano”. “Os amantes de sangue adorarão Cru, a nova obra da realizadora francesa Julia Ducournau”, acrescenta o comunicado, que fala ainda do filme “Os Rapazes Selvagens”, destinado aos “anti-tradicionalistas”, sendo uma

“elegante e pouco habitual abordagem do travestismo misturado com a história de jovens sobreviventes numa ilha deserta”. O cartaz do “Fora de Horas” inclui ainda a “comédia choque” intitulada “Female Trouble”, de John Waters, conhecido como o “Papa do Lixo”. Na visão dos organizadores

“O Grande Lebowski” estr continua a ser alvo de culto de fãs que chega mesmo a o de “dudes”, o carismático p interpretado por Jeff Bridg


eventos 9

segunda-feira 27.8.2018

o nocturno

arranca esta sexta-feira com a chancela da Cinemateca Paixão. O cartaz mpre à meia noite deste festival de cinema fantástico, Waters consegue “transformar o chamado ‘mau gosto’ em algo de tão perversamente desfrutável”, que é impossível resistir.

DUDE FORA DE HORAS

“Miami Connection”, outra das películas que figuram no cartaz do

reou há 20 anos, mas o por parte de uma legião organizar uma convenção personagem principal, ges

festival, é um “filme culto de acção realizado pelo mestre de taekwondo Y. K. Kim”. Os organizadores da iniciativa destacam ainda “outra obra de culto a não perder”, com o nome “Uma História de Desgosto e Tristeza”, um “filme erótico sobre uma golfista realizado por Seijun Suzuki”. O “Fora de Horas” apresenta ainda a comédia “O Grande Lebowski”. O filme estreou há 20 anos mas continua a ser alvo de culto por parte de uma legião de fãs que chega mesmo a organizar uma convenção de “dudes”, o carismático personagem principal, interpretado por Jeff Bridges. A organização considera a

exibição deste clássico, realizado pelos irmãos Cohen, como “um outro ponto alto do festival”. “Teremos também uma oportunidade de ouro para apreciar no grande ecrã “A Montanha Sagrada”, realizada pelo pioneiro de culto Alejandro Jodorowsky”, acrescenta o comunicado. As sessões, sempre à meia noite, acontecem todas as sextas-feiras e sábados. Os bilhetes estão à venda desde quinta-feira, no balcão ou no website da própria Cinemateca Paixão. Cada bilhete custa 60 patacas.

CONCERTOS TRIO DO VIOLINISTA CARLOS DAMAS ACTUA NA CHINA

O

violinista Carlos Damas apresenta-se em trio, com o violoncelista Bruno Borralhinho e o pianista Artur Pizarro, em Março do próximo ano, na China, disse o músico à agência Lusa. O convite partiu do actual embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, durante a digressão que Carlos Damas realizou, em Abril passado, por sete salas chinesas, disse o violinista. “O programa dos concertos incluirá o Nocturno, de Schubert para trio com piano, o trio opus 49, de Mendelssohn, e de Tchaikovsky o trio opus 50, que são as obras mais exigentes para a formação de trio”, afirmou à Lusa Carlos Damas. O primeiro concerto, no dia 21 de Março, é em Pequim, no auditório Taihu, do Teatro Nacional, e no dia 24 o trio actua em Xangai, no Centro de Arte Oriental. Carlos Damas, de 11 a 21 de Abril último, com o pianista espanhol Rubén Lorenzo, realizou uma digressão por sete palcos chineses. O violinista português estreou-se como solista na China em 1997, onde voltou com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, da qual faz parte, de 29 de Dezembro de 2009 e 6 de Janeiro do ano seguinte.

Nascido em 1973, em Coimbra, onde iniciou os estudos musicais, Carlos Damas faz parte da Orquestra Metropolitana de Lisboa e, paralelamente, prossegue uma carreira como solista, com dez álbuns já editados, o mais recente, em 2016, com obras para violino de Jean Sibelius. Os concertos do trio, constituído por Carlos Damas, Bruno Borralhinho e Artur Pizarro, fazem parte das celebrações do 40.º aniversário do restabelecimento das relações diplomáticas entre Lisboa e Pequim.

ÓBITO DANÇARINO E COREÓGRAFO LINDSAY KEMP MORREU AOS 80 ANOS

O

influente dançarino e coreógrafo britânico Lindsay Kemp, conhecido por ensinar cantores como David Bowie e Kate Bush ao longo da sua carreira, morreu aos 80 anos. A realizadora Nendie Pinto-Duschinsky, que está a fazer um documentário chamado “A última dança de Lindsay Kemp” anunciou que Kemp morreu subitamente depois de um dia de ensaio “perfeito” com os seus alunos. Kemp estava a escrever as suas memórias e ia fazer uma digressão, acrescentou. “Lamento informar que Lindsay faleceu na noite passada... ele estava muito feliz e foi muito inesperado”, escreveu a realizadora na página de Facebook do filme. A agência de notícias italiana ANSA noticiou que o bailarino e artista de mímica morreu durante a noite na sua casa de Livorno, na Toscânia. Kemp deixou o Reino Unido em 1979 para viver em Espanha e mudou-se mais tarde para Itália. Kemp, que actuava frequentemente com a cara pintada de branco e trajes teatrais, nasceu em 1938 e formou a sua companhia de dança nos anos 60.

É reconhecido por ter ajudado a criar a personagem de Ziggy Stardust de David Bowie e por ter ensinado a cantora Kate Bush a dançar. Coreografou e actuou nos célebres concertos em que Bowie encarnou Ziggy Stardust em Londres, em 1972, e fez curta aparições em filmes como “The Wicker Man” (O Sacrifício) e “Velvet Goldmine”. Segundo a ANSA, Kemp dirigia um curso de dança no teatro Goldoni e trabalhou até recentemente num projecto de teatro social que esperava levar a Como (Itália), em Setembro.


10 china

27.8.2018 segunda-feira

DIREITOS HUMANOS EUA PREOCUPADOS COM TRATAMENTO AOS JORNALISTAS NA CHINA

Repórteres com fronteiras Os Estados Unidos estão “profundamente preocupados” com o tratamento reservado aos jornalistas na China, declarou este fim-de-semana a embaixada dos Estados Unidos, depois de Pequim ter recusado renovar o visto de uma repórter norte-americana

O

“

S Estados Unidos estão profundamente preocupados com o facto de jornalistas estrangeiros e locais na China continuarem a enfrentar restrições excessivas que impedem a sua capacidade de realizar o seu trabalho”, afirmou a embaixada dos Estados Unidos em Pequim, em resposta a uma pergunta enviada pela agência de noticias francesa AFP, sobre o caso de Megha Rajagopalan. A jornalista norte-americana, correspondente em Pequim do ‘site’ de notícias norte-americano BuzzFeed, mora na China há seis anos. Megha Rajagopalan fazia, nomeadamente, a cobertura do reforço drástico de medidas de segurança em Xinjiang, no noroeste do país, uma região

Megha Rajagopalan fazia, nomeadamente, a cobertura do reforço drástico de medidas de segurança em Xinjiang, no noroeste do país, uma região regularmente atingida por atentados

regularmente atingida por atentados. Os ataques são atribuídos pelas autoridades aos extremistas islâmicos ou “separatistas”. A embaixada também denunciou atrasos no processamento de vistos para jornalistas estrangeiros ou restrições à circulação em determinados locais considerados sensíveis pelas autoridades. Megha Rajagopalan disse numa mensagem publicada na rede social Twitter não saber claramente o motivo por trás da recusa para a renovação do seu visto.

DETALHE PROCESSUAL

Segundo a jornalista, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse-lhe que esta era uma “questão processual”. O Clube dos Correspondentes Estrangeiros na China informou, na quarta-feira, que pediu ao Ministério esclarecimentos “sobre as razões que levaram à expulsão de facto” de Megha Rajagopalan da China. Esta não é a primeira vez que jornalistas estrangeiros são obrigados a deixar o país. A ex-correspondente da revista francesa L’Obs, Úrsula Gauthier, teve de deixar a China depois de expirar o seu visto a 31 de Dezembro de 2015, já que as autoridades se recusaram renová-lo. Pequim acusou-a de defender os actos dos terroristas em Xinjiang num artigo.

DIPLOMACIA PEQUIM ACUSA TRUMP DE DECLARAÇÕES “IRRESPONSÁVEIS”

A

China considerou “irresponsáveis” as declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que justificou o cancelamento da viagem do seu secretário de Estado Mike Pompeo à Coreia do Norte com a falta de cooperação de Pequim. “As declarações americanas são falsas e irresponsáveis, estamos profundamente preocupados e

solenemente protestamos contra os Estados Unidos”, disse Lu Kang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, citado pela AFP. Donald Trump, afirmou sexta-feira ter dado indicações ao secretário de Estado para adiar uma nova visita à Coreia do Norte, devido a progressos insuficientes na desnuclearização. Na sua conta da rede

social Twitter, Trump escreveu que não acredita que a China esteja a ajudar com o esforço para conter a Coreia do Norte, por causa da crescente pressão dos Estados Unidos sobre o comércio com a China. Pompeo nomeou na quinta-feira para ser seu enviado especial à Coreia do Norte um director-executivo da Ford Motor Co., anunciando que os

dois efectuariam uma viagem àquele país na próxima semana. “Pedi a Pompeo para não ir à Coreia do Norte, nesta altura, porque sinto que não estamos a fazer progressos suficientes no que diz respeito à desnuclearização da Península Coreana”. Algumas avaliações independentes sugerem que Pyongyang tem até aumentado a sua atividade nuclear.

Taiwan Pequim pede a EUA para não interferir na relação com El Salvador

Pequim pediu no fim-desemana a Washington para não interferir na política externa de El Salvador, após a Casa Branca ter anunciado que os Estados Unidos vão rever a sua relação com Salvador, que rompeu relações diplomáticas com Taiwan. “Apenas o povo de El Salvador sabe qual é a decisão correcta e qual beneficia os seus interesses, assim esperamos que certos países respeitem o direito dos Estados soberanos de desenvolverem as suas relações internacionais, em vez de interferirem nos seus assuntos internos”, disse o portavoz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang. O dirigente chinês recordou ainda que El Salvador se juntou a outros 176 países que mantém relações oficiais com a China (e não com Taiwan, por imposição de Pequim). Países que mantêm laços diplomáticos com Pequim não podem ter ligações a Taipé e vice-versa. Taiwan conta agora com apenas 17 aliados diplomáticos no mundo, nove dos quais na América Latina e nas Caraíbas.


china 11

segunda-feira 27.8.2018

A

S autoridades chinesas continuam a investigar as causas do fogo, que começou pelas 04h36 no hotel Beilong Hotspring Leisure, onde cerca de cem bombeiros trabalharam durante mais de três horas para extinguir o fogo. Apesar de, num primeiro momento, se noticiarem 18 mortes, um dos feridos morreu no hospital, onde estavam a ser assistidas outras 23 pessoas, segundo as autoridades locais. A polícia, que abriu uma investigação para esclarecer o sucedido, deteve até ao momento o proprietário do hotel, por alegada responsabilidade no incêndio. Em imagens difundidas pela televisão estatal chinesa CCTV, pode ver-se que vários andares

INCÊNDIO DETIDO PROPRIETÁRIO DE HOTEL EM QUE MORRERAM 19 PESSOAS

Inferno Hotel A polícia deteve o proprietário do hotel onde um incêndio causou, no sábado, a morte de 19 pessoas na cidade chinesa de Harbin, no noroeste do país, anunciou ontem a agência Xinhua do complexo hoteleiro ficaram totalmente calcinados, afectando uma área de cerca de 400 metros quadrados. As equipas de emergência conseguiram resgatar vinte pessoas que ficaram presas no hotel e retiraram outras 80

que se encontravam no edifício no momento do incêndio.

GELO E FOGO

Harbin, capital da província de Heilongjiang, a mais a norte do país, na fronteira com a Rússia, é conhecida por albergar no Inverno o

Festival de Gelo e Neve, o maior recinto deste tipo no mundo. A cidade recebe a cada Inverno mais de um milhão de turistas, na maioria chineses, atraídos pelas colossais estátuas de água congelada e neve com forma de templos, pagodes, palácios e budas.

Os incêndios em edifícios são comuns na China, onde as regras de segurança são regularmente negligenciadas. Dezoito pessoas foram mortas e cinco ficaram feridas, em Abril, no incêndio de um espaço de karaoke no sul do país. As medidas de segurança anti-incêndio dos imóveis do país foram postas em causa em muitas ocasiões, especialmente após a morte de 19 pessoas, entre as quais oito crianças, num incêndio num edifício de vivendas no sul de Pequim, ocorrido em Dezembro. As autoridades lançaram então uma campanha de 40 dias para examinar as medidas anti-incêndio dos imóveis da capital e subúrbios, que acabou por resultar no desalojamento massivo de milhares de pessoas dos seus lares, na maioria trabalhadores migrantes.

SHENZHEN MAIS DE 50 DETIDOS POR APOIO A PROTESTO POR DIREITOS SINDICAIS

M

AIS de 50 estudantes foram detidos por apoiarem trabalhadores que se manifestam pelo direito de formar um sindicato na cidade de Shenzhen, disse à agencia noticiosa espanhola EFE uma organização não-governamental. A China Labour Bulletin (CLB), com sede em Hong Kong e que defende os direitos dos trabalhadores na China, assegurou que a maioria dos detidos são estudantes universitários que apoiam o movimento dos trabalhadores da empresa Jasic Technology. Desde Maio que os trabalhadores da Jasic Technology, com fábricas em Shenzhen e Chengdu com um total de 1.200 empregados, reivindicam os seus direitos, depois da empresa ter despedido os mais críticos. Três funcionários da empresa também foram detidos por algumas horas. “O ataque policial contra os activistas estudantis mostra que as autoridades estão muito preocupadas com o crescente apoio que os trabalhadores da Jasic estão a receber em toda a China e que estão a tentar silenciar essas vozes através da censura na Internet e da acção policial”, disse à EFE o director de comunicação da CLB, Geoffrey Crothall. “A menos que as autoridades abordem realmente o problema real, que é a falta de um sindicato legítimo que possa representar os interesses dos trabalhadores, este tipo de protestos voltará a acontecer”, alertou. Os empregados da Jasic Technology também protestam contra os baixos salários e as más condições de trabalho.

Região JAPÃO MAIS DE 10 FERIDOS E 60 VOOS CANCELADOS NA PASSAGEM DO TUFÃO CIMARON

A

passagem do tufão Cimaron provocou mais de 10 feridos e levou ao cancelamento de 60 voos no oeste do Japão, a mesma zona afectada por chuvas torrenciais, em Julho, que causaram na altura 220 mortes.

O tufão atravessou o oeste do arquipélago japonês e atingiu o Mar do Japão, tendo a sua intensidade sido reduzida, tornando-se num ciclone extratropical, segundo aAgência Meteorológica do Japão. A passagem do tufão por Osaka, Aichi e Shikoku cau-

sou fortes chuvas, inundações e ventos, além do risco de deslizamentos, o que levou as autoridades japonesas a manterem o nível de alerta nessas áreas. Treze pessoas ficaram feridas em vários incidentes relacionados com a passagem do tufão, incluindo

um acidente de trânsito numa ponte na província de Hyogo. A passagem da tempestade em algumas das áreas onde ocorreram mais vítimas, devido às fortes inundações, em Julho, levou as autoridades japonesas a exercer extrema cautela.

Em declarações obtidas pela agência de notícias japonesa Kyodo, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou que as fortes chuvas devem continuar, mesmo após a passagem do tufão, e pediu às autoridades locais para “reforçarem a

vigilância particularmente face a possíveis inundações e deslizamentos de terra”. O tufão Cimaron é o segundo a afectar o arquipélago japonês na semana passada depois de passar pelo sudoeste do território de Soulik.


12 publicidade

27.8.2018 segunda-feira

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 10 de Agosto de 2018 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de realização do Espectáculo de Lançamento de Fogo-de-Artifício no Dia da Fraternidade Universal. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, encontrando-se o referido processo igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. O limite máximo do valor global da prestação de serviço é de MOP1.300.000,00 (um milhão e trezentas mil patacas). Critérios de apreciação das propostas e percentagem: Critérios de adjudicação Preço A quantidade de disparos Criatividade - Descrição do tema do espectáculo de fogo-de-artifício - Utilização de tecnologia nova (descrição de utilização de criatividade ou produto específico, ou descrição de efeitos espectaculares) - Descrição do plano do lançamento e dos seus efeitos - Descrição do equipamento a ser utilizado Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Plano de transporte dos materiais pirotécnicos - Plano do lançamento - Plano de segurança na operação do lançamento - Mapa do traçado do local do lançamento Experiência do concorrente

Factores de ponderação 20% 20% 20%

30%

10%

Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 17 de Setembro de 2018, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais de RAEM ou em inglês, prestar a caução provisória de MOP26.000,00 (vinte e seis mil patacas), mediante 1) depósito em numerário à ordem do “Fundo de Turismo” no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque, emitidos à ordem do “Fundo de Turismo” (número da conta:8003911119). Acto público do concurso, no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 18 de Setembro de 2018. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o prazo de entrega das propostas e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Agosto de 2018. O Director dos Serviços, Subst.º Cheng Wai Tong


segunda-feira 27.8.2018

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

h

Zhang Daqian, Autor de Pinturas dos Grandes Mestres

P

ABLO Picasso (1881-1973) era já uma celebridade em 1956, vivendo no sul da França, junto ao Mediterrâneo. Pela sua mansão «La Californie», que pertencera à família Moet do célebre champanhe, passavam os famosos do seu tempo como Helena Rubinstein ou Gary Cooper. Nessa altura já protagonizara o filme «Le Mystère Picasso», de H. G. Clouzot, que acrescentaria à aura da sua lenda. É no dia 29 de Julho desse ano que chega à sua mansão um Chinês, de longas barbas brancas, vestido com uma tradicional cabaia que chega quase até aos pés. Também ele era já uma lenda, um pintor reconhecido pelos conhecedores da tradição chinesa da pintura.

alguma vez alguém fosse seguindo os gestos sucessivos da mão de um pintor de modo a criar de novo a sua pintura, a coincidência perfeita? Se alguém, esse foi possivelmente Zhang Daqian (1899-1983), o visitante de Picasso. Nascido Zhang Zhengquan em Neijiang, Sichuan, desde cedo a sua figura está envolta em factos sensacionais a que o conduziram a contingência e a vontade. A mudança para o auspicioso nome Daqian, ocorre durante a estadia de três meses num templo budista em Songjiang. Do seu percurso biográfico constam paragens sucessivas em cidades como Quioto, Tóquio, Paris, Pequim, Nanquim, Mendoza, (Argentina), S. Paulo,

Jorge Luis Borges imaginou a figura de Pierre Menard, que escreveu a obra «D. Quichote, de Cervantes», argumentou então que «O texto de Cervantes e o de Menard são verbalmente idênticos, mas o segundo é quase infinitamente mais rico «Especialistas porém, acreditam tratar-se de uma falsificação, executada por Zhang Daqian.» A espantosa advertência aparece no final da legenda da reprodução de certas pinturas importantes para a história da pintura. Dir-se-ia que não sendo originais talvez não devessem ali figurar. E no entanto, inesperadamente são pinturas a que não falta o espírito, a sensação de verdade. Pode alguém executar a obra de um outro? Jorge Luis Borges imaginou a figura de Pierre Menard, que escreveu a obra «D. Quichote, de Cervantes», argumentou então que «O texto de Cervantes e o de Menard são verbalmente idênticos, mas o segundo é quase infinitamente mais rico. (Mais ambíguo, dirão os seus detractores; mas a ambiguidade é uma riqueza.)» Seria possível que

Carmel (Califórnia), até se fixar em Taipé, tendo até uma passagem por Macau em 1949. Mas da sua vocação para a pintura ficara já, ainda na China, uma série de pinturas, recriações de pintores profundamente originais como Bada Shanren ou Shitao, que ainda hoje se podem ver em museus e galerias como se fossem originais. No final do encontro com Picasso houve uma troca de pinturas; de Zhang bambus, reafirmação simbólica da sua vontade de ser um wenren, de Picasso, um deus másculo da agricultura, da tradição espanhola pré-cristã, imagem que queria projectar de si mesmo. Mais do que isso, a ocorrência desse encontro de dois artistas possuidores das chaves de duas tradições artísticas, na sua ambiguidade, possui a sedução de um mistério.

13


37

38

6 7 1 9 5 4 8 3 2 3 2 9 7 8 1 6 4 5 4 5 3 1 9 7 2 8 6 TEMPO TROVOADAS MIN 8 1 6 5 4 2 9 7 3 7 9 2 8 3 6 4 5 1 8 7 3 1 9 5 6 4 O2 QUE 1 6 5 4FAZER 7 8 3 2 9 ESTA SEMANA 9 3 4 2 6 5 7 1 8

3 1 2 8 26 9 7 5 6 4

14 5 4(f)utilidades 8 6 2 3 1 9 7

?

43

5 7 1 6 4 9 8 6 8 3 9 2 4 5 4 9 8 7 5 3 1 1 4 6 2 7 5 9 MAX 32 HUM 2 6 5 3 8 7 4 3 5 4 1 9 2 6 8 1 2 4 3 6 7 9 2 7 5 1 8 3 7 3 9 8 6 1 2

Diariamente 39 “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA EXPOSIÇÃO

40

6 2 9 5 7 3 8 1 4 1 5 7 8 2 4 9 3 6 3 4 8 6 1 9 5 2 7 EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Até 9/93 4 6 1 8 2 7Garden 9 |5 EXPOSIÇÃO 2 6“UNIVERSO” 1 9 8 7 3 4 5 Armazém do Boi | Até 9/9 4 8 3 1 5 2 6 7 9 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” 7| Até69/9 2 3 8 4 5 1 Art9 Garden 8 1 4 7 9 5 2 6 3 “MARC CHAGALL – LUZ E COR NO SUL DE FRANÇA” MAM 5| Até326/82 4 6 1 7 9 8

6 1 5 4 3 8 9 2 7

41

O CARTOON STEPH 42

Albergue SCM | Até 21/10

EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça – MGM | Até 9/9

2 7 6 3 65-95% 1 8 9 4 5

44

8 3 2 7 6 1 4 1 4 9 8 3 5 2 6 5 7 9 2 4 3 3 9 4 5 8 6 7 • EURO 9.39 5 6 1 2 7 3 9 7 2 8 1 4 9 5 9 8 3 6 5 7 1 4 1 6 3 9 2 8 2 7 5 4 1 8 6

5 9 6 7 8 1 1 2 BAHT 4 8 3 6 2 4 7 5 9 3

45

9 4 3 1 7 2 6 5 8

8 7 2 9 5 6 4 1 3

3 2 4 6 9 5 8 7 1

7 8 6 3 1 4 5 9 2

1 5 9 8 2 7 3 6 4

4 6 7 2 8 9 1 3 5

5 3 8 7 6 1 2 4 9

2 9 1 5 4 3 7 8 6

4 7 3 9 8 1 2 5 6

6 1 9 5 2 3 8 4 7

8 2 5 6 4 7 9 3 1

7 9 6 4 3 5 1 2 8

3 8 4 1 7 2 6 9 5

1 5 2 8 6 9 4 7 3

9 3 1 2 5 6 7 8 4

2 4 7 3 1 8 5 6 9

5 6 8 7 9 4 3 1 2

4 7 6 8 9 2 5 3 1

2 5 9 3 6 1 4 8 7

7 2 5 9 4 8 1 6 3

3 9 8 1 5 6 2 7 4

1 6 4 7 2 3 8 9 5

9 4 3 2 1 7 6 5 8

6 1 7 5 8 9 3 4 2

5 8 2 6 3 4 7 1 9

7 1 5 2 4 9 8 6 3

3 8 9 6 1 5 4 7 2

6 2 4 7 8 3 5 9 1

2 3 8 9 6 4 7 1 5

4 5 7 1 2 8 6 3 9

1 9 6 3 5 7 2 8 4

9 4 1 5 7 6 3 2 8

UM DISCO HOJE C I N E M A

THE SPY WHO DUMPED ME SALA 1

Um filme de: Kazuaki Imai 14.30

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Genndy Tartakovsky 14.30, 16.30, 19.30

THE SPY WHO DUMPED ME [C]

HOTEL TRANSYLVANIA 3: A MONSTER VACATION [A]

ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C]

SALA 3

FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com: Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, 21.15

L STORM [C]

SALA 2

THE DARKEST MINDS [B]

FALADO EM CANTONENSE

Um filme de: Jennifer Yuh Nelson Com: Amandla Stenberg, Mandy Moore 19.30

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S TREASURE ISLAND [A]

Dentro de pouco mais de uma semana, “Bone Machine” celebra 25 anos de publicação. Este disco é um dos mais negros da longa discografia de Tom Waits, repleto de músicas com letras obscuras, fúnebres, com um imaginário homicida. O disco conta com a colaboração de Les Claypool dos Primus e Keith Richards dos Rollings Stones e tem uma secção de precursão que evoca o som de ossos. Um dos melhores discos de Tom Waits, de onde se retiram clássicos como “The Earth Died Screaming”, “Dirt in the Ground”, “A Little Rain (for Clyde)” e “I Don’t Wanna Grow Up”. João Luz

Um filme de: Susanna Fogel Com: Mila Kunis, Kate McKinnon 16.30, 19.15, 21.30

FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, , Kelvin Cheng, Stephy Tang 14.30, 16.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

5 6 2 8 3 1 9 4 7

8 4 2 3 67 8 4156 9 1 1 9 7 32 55 6 8 4 6 8 76 5 29 3 481 2 99 8 51 6 475 7 3 7 13 6 8 2 9 5 1 22 85 14 19753 9 6 6 37 2 4 91823 5 5 439 3 21 7 258 73 1 8 5 6 2 4 7 45

4 7 3

4 3 1 9 8 2 7 6 5

7 5 2 4 3 6 1 8 9

7 1 2 9 3 6 8 4 5

3 5 9 7 4 8 6 2 1

54 7 33 89 2 8 1 6 6 9 5 1 3 97 34 8 72 8 1 54 6 5 17 3 9 63 4 7 5 6 2 1 7 2 8 3 29 1 6 35 8 1 15 6 8 4 72 29 7 6 93 41 82 6 8 4 5 9 5 26 99 2 7 43 8 4 8 4 7 5 1 29 53 2

5 2 9 8 4 3 7 1 6

Os antigos gregos elencavam o éter como um dos elementos da natureza, a quinta essência que acrescenta complexidade aos fundamentais pilares água, fogo, ar e terra. Os egípcios chamavam a este quinto elemento o “vazio”. Não olhando para os mistérios da matéria negra e da física, parece haver, de facto, um elemento extra, pelo menos no nosso contexto: a humanidade, o homo sapiens. Básico, animalesco, sem qualquer dimensão mística ou espiritual, o pináculo circunstancial de uma escalada evolutiva assente na luta pela sobrevivência. Elemento muito mais perigoso do que a água, fogo, ar e terra, pleno de arrogância e soberba de a tudo se arrogar, de tudo querer controlar. Somos o elemento do caos, avolumamos a violência da natureza com a perigosa ilusão de domínio. Enchemos os elementos naturais 44 de componentes artificiais, da nossa criação, infectamos tudo com a nossa patogénica influência e depois culpamos os efeitos na crueldade aleatória da natureza. Somos como uma criança birrenta munida de brinquedos muitos perigosos, como um pirralho que quer fazer festinhas a um gato com um garfo e que chora depois de levar uma arranhadela. Mexemos e remexemos no frágil castelo de cartas que é o equilíbrio natural dos elementos, para depois nos vangloriarmos da magnificência da nossa resposta à derrocada. Tanto gregos como egípcios estavam correctos, sem terem antropomorfizado a coisa. Nós somos o quinto elemento, somos o éter e o vazio. João Luz

6 8 4 3 9 2 1 5 7

9 7 3 6 5 1 4 8 2

1 2 5 4 8 7 9 3 6

5 3 1 8 7 9 2 6 4

2 9 6 5 1 4 3 7 8

8 4 7 2 6 3 5 1 9

4 6 8 1 2 5 7 9 3

5 3 7 2 4 8 1 6 9

46

1 2

4 7 8

5 2 4 3 9

8 5 9 6 8 6

3 8

7 1 47

8 1 6 4 7 9 5 9 8 3 8 5 1.18 6 2 1 9 4 7 2 5 3 7 3 4 1 6 2

48

PROBLEMA 43

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 42

Cineteatro

8 7 3 4 9 2 1 5 6

47

S U D O K U

8 3 1 4 7 5 9 2 6

2 5 9 3 1 6 8 2 4 7 3 6 7 2 6 1 0.24 YUAN 9 4 5 7 8 3 1 5 VIDA DE 6 CÃO 9 4 8 5 1 2 9 ELEMENTAR 3 8 7 4 46

DE

43

27.8.2018 segunda-feira

5

2

9BONE 1 MACHINE | TOM WAITS 4 7 8 7 2 3 1 1 5 2 7 6 2 3 4 6 8 5 3 6 9 4 7 2 48

2 3 1 2 5 7 2 4 3 3 7 4 8 5 7 2 8 1 5 7 9 8 6 4 4 1 8 9 5 7 2 8 9 1 7 6 5 4 2 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 6 2 9 5 9 7 Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 1 7 5 3 Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 3 6 7 9 8 4 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

segunda-feira 27.8.2018

reencarnações

JOÃO LUZ

JACKSON POLLOCK, NUMBER 8

N

OS últimos suspiros do absolutismo, a ciência política encontrou uma fórmula de governar que não fosse tão cruel para os governados. Novos princípios iluminados apontaram independência entre os diversos poderes que regem um povo como algo fundamental para a sustentabilidade do Estado. Mesmo com diferentes fórmulas, umas mais assentes no Parlamento, outras mais centradas em torno da figura do Presidente, ou colocando o Executivo no topo da hierarquia decisória, chegou-se à conclusão que o poder absoluto corrompe absolutamente e que era tempo de arrepiar caminho dessa via. A separação de poderes, que ainda não tinha em consideração o peso que o capital tem neste xadrez, veio dar autonomia e uma missão efectiva ao poder legislativo, judicial e executivo. Se por um lado elimina o capricho do absolutismo e coloca o poder na posição de responsabilidade perante s seus actos, favorece a competência. É neste ténue equilíbrio que funcionam as democracias, apesar das relações de força e conflitos sempre latentes entre os poderes. Porém, quando o equilíbrio é afectado, passam a vigorar as leis da atracção do velho código da osmose política. Por esta altura, os “checks and balances” entram em erosão acelerada. É o que se passa em Macau. A confluência de poderes é evidente, salta à vista de todos e afecta a forma como a cidade é gerida. Tirando, talvez, uma frágil capa de independência a nível judicial. Se os casos não tiverem natureza política a disputa saudável de conflitos por intermédio da lei funciona, a Justiça é ministrada com rigor. Em todos os outros domínios, a osmose é o prato do dia. A Assembleia Legislativa é o Governo. Tirando algumas vozes dissonantes no grupo de deputados que não escreve uma única lei, a toada geral é de incondicional subserviência ao Executivo e um ideal patriótico que roça o tribalismo nacionalista que costuma prender pessoas pelo delito do pensamento contrário à norma. A Assembleia não legisla, nem fiscaliza. O que se passa no hemiciclo é irrelevante para a vida dos residentes, ninguém presta atenção, porque ninguém espera nada daquele manietado poder. Os comissariados, nomeados pelo Executivo, também não fiscalizam os seus patrões, quem lhes deu o trabalho. Quando é publicado um relatório, para apaziguar a impaciência dos residentes, o documento vem acompanhado por uma resposta prática da tutela visada para as falhas apontadas. Aceita-se com humildade, é prometida

Osmose

atenção para as situações e resolução até que o tópico se esgote. Nestas circunstância, lá terá de cair alguém, nunca um secretário ou o próprio chefe. A falta de responsabilização ao mais alto nível permite todas as derrapagens orçamentais que vemos. Permite, com total impunidade, que empresas de capital

Passam a vigorar as leis da atracção do velho código da osmose política. Por esta altura, os “checks and balances” entram em erosão acelerada. É o que se passa em Macau

público se multipliquem em companhias offshore tornando irrecuperáveis empréstimos concedidos pelo supostamente ingénuo Executivo. Se formos relacionar a osmose entre interesses privados e representantes políticos, a promiscuidade é ainda mais clara. Este ambiente é ideal para a propagação não só da corrupção mas também da incompetência. Por exemplo, um governante que aperta o Estado Coercivo numa sociedade pacificada tornando ilegal os boatos e no dia seguinte refere de passagem que existem no território forças hostis que usam Macau como trampolim para atacar a China. Lançar para o domínio público esta paranóica tese sem concretizar, sem especificar que forças são estas e o que as autoridades estão a fazer. Se isto não é a disseminação de um boato, então não sei o que será.

Este clima de irresponsabilidade torna o terreno fértil para surgirem declarações medievais de responsáveis pela educação. Podem dizer o que bem entenderem, porque no dia seguinte desdizem, sem qualquer embaraço, as enormidades que revelam a total ausência de contacto com a realidade e o presente. A osmose de poderes permite que um deputado, em pleno hemiciclo, faça promessas ao Governo enquanto responsável pela construção de uma importante infra-estrutura pública. O mesmo deputado que irá, naturalmente, defender com unhas e dentes qualquer “ataque” que pressinta contra o empregador. Esta é a cola que sustenta esta cidade, as irresistíveis forças gregárias que mantém os poderes bem juntinhos, aconchegados entre si, multiplicando facadas nas costas e saque os generosos cofres públicos.


O trabalho é o ópio do povo, e eu não quero morrer drogado. TIME

Boris Vian

segunda-feira 27.8.2018

PALAVRA DO DIA

Ambiente Qualidade do ar insalubre na Taipa e em Ká-Hó

Três das seis estações voltaram ontem a registar elevados níveis de poluição. O índice mais elevado (127) foi registado na estação Ambiental da Taipa, segundo a informação disponível pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos. A estação Berma da Estrada de Ká-Ho indicou um valor de 125. Já na estação Ambiental de Coloane o índice foi de 107. Os serviços liderados por Raymond Tam indicam que esta informação foi actualizada às 18h30 de ontem. A qualidade do ar é considerada moderada entre o índice 51 até 100. Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos já tinham alertado que o ar pode estar insalubre até amanhã.

CRIME EX-NÚNCIO ACUSA O PAPA DE CONHECIMENTO DE ABUSOS SEXUAIS

O

Steve Lost Arquivado processo de Steve Wynn contra agência Associated Press

U

M juiz do Estado do Nevada arquivou o processo de difamação do magnata do jogo Steve Wynn contra a agência noticiosa Associated Press, que divulgou relatórios policiais que denunciavam assédio sexual contra duas mulheres. O juiz do Tribunal Distrital do Condado de Clark emitiu um comunicado na quinta-feira argumentando que a divulgação dos relatórios foi uma decisão correcta por parte da Associated Press (AP). O advogado de Wynn, Lin Wood, disse na sexta-feira que vai apelar para a Suprema Corte do Nevada. Wood argumentou que informações adicionais deveriam ter sido incluídas na

reportagem da AP para permitir que os leitores chegassem às suas próprias conclusões sobre a verdade. Contudo, o juiz do Tribunal Distrital do Condado de Clark afirmou que na altura em que os relatórios foram divulgados, Fevereiro, era impossível saber a identidade das mulheres porque essa informação tinha sido ocultada pela polícia de Las Vegas que se recusou a fornecer mais detalhes. As acusações de assédio sexual por parte de Steve Wynn começaram após uma investigação do jornal norte-americano Wall Street Journal, que denunciou casos de assédio sexual a muitas mulheres. Desde então, grupos de accionistas,

bem como funcionários actuais e antigos da empresa, apresentaram acções judiciais contra o bilionário e contra o conselho de administração. Steve Wynn negou veementemente as acusações que o jornal relatou, tendo renunciado ao cargo de presidente da empresa a 6 de Fevereiro. O multimilionário que começou como proprietário de um pequeno grupo de salas de bingo no nordeste dos Estados Unidos e construiu um império do jogo com o seu nome, em que se incluem os casinos Mirage e Bellágio, em Las Vegas, e dois casinos Wynn, em Macau. O conselho de administração da Wynn Resorts nomeou Matt Maddox como novo presidente.

ex-núncio nos Estados Unidos Carlo Maria Viganò pediu a renúncia do Papa, assegurando que Francisco conhecia desde Junho de 2013 as acusações de abusos sexuais sobre o cardeal Theodore McCarrick, sancionado em Junho pelo pontífice. O arcebispo Viganò, de 77 anos, escreveu uma carta de 11 páginas publicada ontem por alguns meios de cariz conservador em vários países, na qual o prelado acusa outros membros da Curia de formarem um ‘lobby gay’ e de encobrirem as acusações contra o cardeal norte-americano. A carta baseia-se em acusações pessoais e o prelado não aponta qualquer documentação ou prova. O embaixador do Vaticano escreve que Francisco conheceu o caso a 23 de Junho de 2013, porque ele próprio o comunicou “e continuou a encobrir o cardeal ex-arcebispo de Washington, McCarrik”. Em Junho passado, McCarrik, de 88 anos, foi afastado

do colégio cardinalício e o Papa argentino “ordenou a sua suspensão do exercício de qualquer ministério público, assim como a obrigação de permanecer em casa que lhe será destinada para uma vida de oração e penitência”. Viganò explica que em 2013 foi o mesmo pontífice quem lhe perguntou: “Como é o cardeal McCarrick?, ao que o informou que aquele “corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes e que o papa Bento XVI o mandou retirar-se para uma vida de oração e penitência”. Informou também que havia informação de tudo na Congregação para os Bispos. Francisco passou 90 minutos no sábado a falar com oito vítimas de abuso, incluindo duas que foram forçadamente dadas para adopção quando nasceram, porque as mães não eram casadas. São alguns dos milhares de adoptados irlandeses, cujas mães solteiras foram forçadas a viver em casas de trabalho.

ÓBITO EX-PRESIDENTES LEMBRAM A CORAGEM DE JOHN MCCAIN

O

PUB

S ex-Presidentes dos Estados Unidos Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton consideraram o senador republicano John McCain, que morreu no sábado, um grande político, homem e patriota. "John McCain e eu fomos membros de gerações diferentes, viemos de contextos completamente diferentes e competimos no nível mais alto da política.

Mas compartilhamos uma fidelidade a algo superior: os ideais pelos quais gerações de americanos e imigrantes lutaram, combateram e se sacrificaram", afirmou Barack Obama, 44.º presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, que venceu em 2008 a corrida à Casa Branca contra McCain. "Poucos de nós foram testados da maneira que John foi, ou precisámos mostrar o tipo

de coragem que ele demonstrou, declarou Obama. Em 1967 o avião do senador do estado do Arizona foi abatido durante uma missão de bombardeamento no norte do Vietname. John McCain, gravemente ferido com fracturas nos dois braços e no joelho direito, foi detido pelas forças vietnamitas e passou mais de cinco anos como prisioneiro de guerra, até 1973.

“McCain era um homem de profunda convicção e um patriota ao mais alto nível”, declarou George W. Bush. Bill Clinton, 42º presidente dos EUA, lembrou John McCain como um homem que acreditava que “todos cidadãos têm a responsabilidade de fazer alguma coisa pelas liberdades dadas” pela Constituição norte-americana. “Frequentemente deixava de lado o

partidarismo para fazer o que achava melhor para o país”, disse Bill Clinton, que ocupou a presidência norte-americana entre 1993 e 2001. “Ficarei sempre

grato pela sua liderança durante os nossos esforços bem-sucedidos para normalizar as relações com o Vietname”, conclui. O senador republicano norte-americano John McCain morreu no sábado, vítima de um cancro no cérebro, um dia depois da sua família ter anunciado que o senador tinha decidido parar com o tratamento da doença.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 27 AGO 2018 #4121 by Jornal Hoje Macau - Issuu