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Os trabalhos e os dias manuel afonso costa
China
Uma injecção de confiança Página 12
opinião Vá-se lá entender...
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Ter para ler
Agora Nós O mistério em torno da candidatura de Pereira Coutinho às Legislativas portuguesas está desfeito. O deputado de Macau vai concorrer nas listas do Nós, Cidadãos!. No entanto, as reuniões com outros partidos sucedemse o que deixa ainda alguma margem de manobra para o futuro. Por cá, o PSD local diz reconhecer que esta é uma candidatura “de peso”.
Impunidade na Guiné rui flores
Páginas 17 e 19
IAS
foto antónio falcão
Dois meses para pôr ordem na casa pub
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AR | eleições a lista de coutinho
leocardo
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q u i n ta - f e i r a 2 7 d e a g o s t o d e 2 0 1 5 • ANO X i v • N º 3 4 0 3
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diário de bordo
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ontem macau
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
O exército búlgaro foi destacado para reforçar as operações de vigilância na fronteira sudoeste com a Macedónia, país que não integra a União Europeia e que nos últimos dias viu um fluxo sem precedentes de refugiados chegarem da Grécia, na sua maioria dirigindo-se para a Hungria
horah
“Todos os membros da AL estão a tentar mudar a sua imagem (no hemiciclo), a fazer mais perguntas e a levantarem novas questões. Especialmente no segundo mandato, Chui Sai On está a colocar mais questões, sobre o orçamento ou assuntos relacionados com a população, está a tentar criar uma imagem de que o Governo é mais transparente” Larry So • Académico e politólogo, sobre os trabalhos da 2ª legislatura da AL
“(As conclusões do CA) não me surpreendem porque há uma série de políticas, decretos-lei ou diplomas que vêm do passado. Isto nunca foi alterado e o IAS tem feito a gestão e atribuição de subsídios sempre à luz desses diplomas que já estão fora do tempo” António José de Freitas • Provedor da Santa Casa da Misericórdia, sobre o relatório do CA sobre o IAS
“Falámos com várias famílias de classes sociais mais baixas, que não conseguem corresponder aos requisitos para ganhar subsídios, então precisam do dinheiro dos cheques para suportar as necessidades básicas” Stephen Lau • Presidente da assembleia-geral da Associação Power of the Macao Gambling, sobre a atribuição no próximo ano dos cheques pecuniários
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“ É imperativo inserir alterações nos critérios de apreciação e autorização de subsídios, respectivos mecanismos de verificação e critérios de gestão e controlo dos subsídios atribuídos em numerário” Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, sobre as irregularidades cometidas pelo Instituto de Acção Social (IAS) na atribuição de subsídios | P. 5
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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hoje macau quinta-feira 27.8.2015
A União Internacional de Engenheiros do Nevada pediu à Comissão Central para a Inspecção de Disciplina que investigue duas empresas “controladas por membros da família” do empresário Cheung Chi Tai, ligado ao universo junket em Macau e preso em Junho por branqueamento de capitais
grande plano
IUOE pede à China para investigar empresas de Cheung Chi Tai
Laços que não se quebram tas duas empresas. “A estrutura reguladora existente em Macau está mal equipada para controlar e regular adequadamente estas parcerias e acordos financeiros exteriores”, lê-se. Por isso, a entidade norte-americana defende que “pode ser de interesse estratégico para o Governo da RPC e organismos como a Comissão controlar este tipo de empresas financeiras”. “Encorajamos as suas equipas de pesquisa e investigação a explorar quaisquer empresas baseadas na RPC estabelecidas pelos operadores junket de Macau e as suas redes, particularmente com foco nas cidades transfronteiriças de Zhuhai e Shenzen”, defende o sindicato.
“Encorajamos as suas equipas de pesquisa e investigação [da RPC] a explorar quaisquer empresas baseadas na RPC estabelecidas pelos operadores junket de Macau e as suas redes, particularmente com foco nas cidades transfronteiriças de Zhuhai e Shenzen”
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heung Chi Tai, poderosa figura ligada ao universo dos operadores junket de Macau, através do Grupo Neptuno, foi notícia em Junho por ter sido preso em Hong Kong, acusado do crime de branqueamento de capitais. Dois meses depois, a União Internacional dos Engenheiros Operacionais do Nevada (IUOE), nos Estados Unidos, volta a falar do empresário. O sindicato enviou uma carta a Wang Qishan, chefe da Comissão Central para a Inspecção de Disciplina, na China, a pedir uma investigação a duas empresas que, segundo a IUOE, estarão a ser controladas por familiares de Cheung Chi Tai e que afirmam ser “parceiros estratégicos” do Grupo Neptuno. Com base em documentos, a IUOE pede que a China investigue a Royal Bullion Limited, com sede em Hong Kong, e a Goldman Sachs (Shenzen) Financial Leasing, com sede em Shenzen, por considerar que estas mantém ligações ao grupo Neptuno.
“A estrutura reguladora existente em Macau está mal equipada para controlar e regular adequadamente estas parcerias e acordos financeiros exteriores”
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“As empresas financeiras relacionadas e estabelecidas pela família Cheung, uma de cada lado da fronteira Hong Kong-RPC (República Popular da China), abertamente destacam parcerias de negócios com operações junket VIP de Macau e aparecem bem posicionadas para servir como uma das entidades financeiras auxiliares para junkets de Macau, que apontamos na nossa carta anterior”, escreve o porta-voz do IUOE, Jeffrey Fiedler. Estas duas empresas “estão ainda posicionadas como mais um ponto de acesso para a família Cheung nas operações de jogo “Neptune” em Macau”.
A “Royal Bullion Limited”, com sede em Hong Kong e criada em 2009, é uma empresa de metais preciosos, detida em 72% por Cheung Chun Pong, o qual é apontado como sendo “membro da família e parceiro de negócios de Cheung Chi Tai” e Ng Chor Yam, o qual também terá “laços familiares com a família Cheung”. Em 2013, a Royal Bullion Limited estabeleceu na cidade de Shenzen uma subsidiária, a Goldman Sachs (Shenzen) Financial Leasing Co, a qual não terá qualquer ligação ao banco
Goldam Sachs, aponta a IUOE. Com um capital social de 200 milhões de dólares de Hong Kong, a empresa tem em Cheung Chun Pong o seu representante legal e diz ser “a maior empresa financeira estrangeira de leasing em Shenzen”, funcionando como “um fornecedor de serviços financeiros integrados”, escreve Jeffrey Fiedler, com base em informações do website da empresa.
Macau sem capacidade
A IUOE considera que as autoridades locais não têm capacidade para proceder à investigação des-
Anteriormente a IUOE já tinha enviado uma carta à mesma entidade chinesa a denunciar os “laços multi-facetados” não só dos familiares de Cheung Chi Tai como do próprio empresário ao Grupo Neptuno. Com base numa investigação do Wall Street Journal, o empresário tem sido um dos maiores accionistas do grupo Neptuno, com interesse em 15 espaços de jogo VIP no território. Detido em Junho, Cheung Chi Tai está acusado de três crimes de branqueamento de capitais, no valor de 1,8 mil milhões de dólares de Hong Kong, no âmbito de uma investigação levada a cabo pelas autoridades da RAEHK. O empresário saiu da prisão pagando uma caução de 200 mil dólares de Hong Kong, aguardando o julgamento, o qual está marcado para o dia 24 de Setembro. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
política
O mistério terminou. José Pereira Coutinho cumpriu aquilo que disse e tem de facto uma lista para concorrer às eleições legislativas: Nós, Cidadãos!. Ainda assim, as reuniões com os partidos continuam, deixando o futuro em aberto
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
Legislativas Coutinho já tem lista. Tudo ainda em aberto
No papel principal António Falcão
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De Macau a Portugal
N
ão é o Partido Social Democrata (PSD) nem o Partido Socialista (PS) muito menos o Bloco de Esquerda (BE). É a Nós, Cidadãos!, a lista que o deputado da Assembleia Legislativa (AL), José Pereira Coutinho, encabeça pelo círculo Fora da Europa para as eleições legislativas já no próximo mês de Outubro. Depois de tornadas públicas as listas, afixadas no tribunal da comarca de Lisboa na passada segunda-feira, o mistério levado a cabo pelo agora candidato desvaneceu-se. “Ainda não é o momento oportuno para comentarmos esta formação política. Faremos assim que for oportuno”, disse ao HM, Gilberto Camacho, o número dois de Pereira Coutinho na corrida para as legislativas. Os candidatos, concorrendo como independentes, têm como seus suplentes a empresária Lídia Lourenço e Maria Timóteo, aposentada.
Um candidato de peso
Em reacções, Miguel Bailote, líder do PSD Macau caracterizou o candidato Pereira Coutinho como um peso pesado para as legislativas no círculo em causa. “É preciso reconhecer que a candidatura do Pereira Coutinho é uma candidatura de peso e a ter em conta”, afirma. Mas tudo ainda poderá estar em aberto. Segundo fonte do HM, os encontros de Pereira Coutinho e representantes de outros partidos continuam a acontecer, pelo menos até amanhã. Na terça-feira, Pereira Coutinho marcou presença na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, para partilha de informações. O argumento do “dou-me bem com todos os partidos” tem sido uma máxima sempre defendida pelo deputado, e isso torna-se claro, numa análise à agenda de Pereira Coutinho na sua viagem a Portugal.
perder a maioria dos votos do círculo Fora da Europa – maioritariamente conseguida pelo candidato do Brasil em 2011, Carlos Alberto Gonçalves, Miguel Bailote não se mostra preocupado devido ao aumento do número de eleitores. “Temos de ver o contexto, alterado com este novo recenseamento que houve com mais de 60 mil eleitores. (...) [Coutinho] é um adversário de respeito”, argumenta Bailote. Quanto a uma possibilidade de coligação, o representante democrata prefere não comentar. “Não posso comentar, teremos de ver as eleições e que sairá”, remata.
“Ainda muita coisa está em jogo. Se os partidos percebem que Pereira Coutinho é uma fonte de votos ficam interessados”, defende a fonte. Assim, não será
de estranhar que Pereira Coutinho consiga ultrapassar o número de votos atingidos pelo Brasil em 2011, 4368 votos num total de 8323, garantindo pelo menos um
candidato eleito e a negociação de uma possível coligação com o PSD. Questionado sobre a possibilidade do Partido Social Democrata
“Como residente e português a residir na RAEM acho sempre positivo que Macau se possa afirmar no mapa político português das comunidades. Como adversário tenho de respeitar o Pereira Coutinho e reconhecer que ele é uma candidatura de peso e um adversário que nos merece respeito” Miguel Bailote Líder do PSD Macau
Caso Pereira Coutinho consiga o lugar na Assembleia da República, será o primeiro deputado a conseguir voar de AL para a AR. E o plano está decorrer. Segundo o próprio deputado há um interesse enorme em comprar uma casa em Portugal, apontado Palmela como zona preferencial. E as visitas aos imóveis têm acontecido, segundo apurou o HM, em várias zonas de Lisboa. Para Miguel Bailote – independentemente de Coutinho conseguir atingir os votos necessários para eleger pelo menos um candidato – Macau ganhará um papel no mundo dos eleitores. “Se o Pereira Coutinho conseguir nestas eleições meter a máquina eleitoral dele a funcionar e tiver o resultado que espera, pelo menos maior que Macau tem tido nos últimos tempos, parece que à primeira vista Macau poderá entrar no mapa político das comunidades com uma posição de relevo”, defende. Claro é, mesmo com o número de eleitores do Brasil, Venezuela e África do Sul – locais com maior número de recenseados – que Macau irá “assumir um peso geopolítico em termos de comunidades”. “Como residente e português a residir na RAEM acho sempre positivo que Macau se possa afirmar no mapa político português das comunidades. Como adversário tenho de respeitar o Pereira Coutinho e reconhecer que ele é uma candidatura de peso e um adversário que nos merece respeito”, remata. Inegável é o cenário incomum que o também cabeça de lista para as eleições dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas (CCP) trouxe com a sua candidatura. “Só vejo como algo positivo que Macau possa pela primeira vez estar representado no círculo [fora da Europa]”, assina Bailote. O que poderá surgir depois disto é a criação de uma “dinâmica para que Macau tenha realmente um papel mais relevante em termos das comunidades”. Filipa Araújo
Filipa.araujo@hojemacau.com.mo
política 5
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
IAS tem 60 dias para adoptar orientações de Alexis Tam
Correr atrás do tempo
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ias depois do Comissariado de Auditoria (CA) ter revelado irregularidades cometidas pelo Instituto de Acção Social (IAS) na atribuição de subsídios, eis que Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, reagiu ontem, prometendo mudanças. Segundo um comunicado oficial, Alexis Tam “determinou o prazo de 60 dias para o cumprimento das orientações, terminado o qual deve ser elaborado um relatório no qual constem medidas adoptadas e os resultados da sua execução, incluindo as medidas de curto e longo prazo”. Para Alexis Tam, é “imperativo inserir alterações nos critérios de apreciação e autorização de pub
tiago alcântara
O Secretário Alexis Tam decretou um prazo de 60 dias para o Instituto de Acção Social adoptar novas directrizes na atribuição de subsídios, com a elaboração de um relatório. O presidente do IAS admitiu não ter actualizado instruções
subsídios, respectivos mecanismos de verificação e critérios de gestão e controlo dos subsídios atribuídos em numerário”. O IAS deve “adoptar critérios uniformes de apreciação e autorização por forma a garantir a igualdade e a justiça na aprecia-
ção e autorização de subsídios, assegurando que candidatos da mesma natureza sejam tratados de igual forma”.
Mea culpa
Ontem o presidente do IAS, Ion Kuong Io, participou no programa
“Macau Talk” do canal chinês da Rádio Macau e admitiu que não actualizou as instruções dos trabalhos, o que causou a adopção de diferentes critérios nos cinco centros do IAS, acusação feita pelo relatório do CA. Iong Kuong Io disse já ter emitido novas instruções dos trabalhos para os cinco centros, as quais já começaram no mês passado. O presidente prometeu ainda dar mais formação aos funcionários, para que façam apreciações dos pedidos mais justas. No que toca ao envelhecimento da população, o presidente do IAS disse no programa de rádio que existem 400 idosos à espera de vaga em lares, tendo previsto que todos poderão arranjar lugar daqui a um ano. Iong Kuong Io prometeu que até 2018 serão criadas 2400 vagas. Um ouvinte sugeriu que os idosos podem fazer a hipoteca das suas casas junto dos bancos para suportarem as despesas da velhice. Choi Sio Un, chefe do departamento de solidariedade do IAS, referiu que já foi feita uma comunicação com os bancos, mas que os idosos preferem deixar as suas casas aos filhos. Apesar disso, o IAS prometeu comunicar com a Autoridade Monetária e Cambial para estudarem essa possibilidade.
(O IAS) “ Deve adoptar critérios uniformes de apreciação e autorização por forma a garantir a igualdade e a justiça na apreciação e autorização de subsídios, assegurando que candidatos da mesma natureza sejam tratados de igual forma” Alexis Tam Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura
Já o chefe da medicina interna dos Serviços de Saúde (SS), Ng Hou, citou um estudo feito pelo hospital Kiang Wu, que mostra que 5% dos idosos sofrem de demência precoce. Os SS querem criar mais instituições especializadas para este tipo de doença. Flora Fong (com A.S.S.)
flora.fong@hojemacau.com.mo
6 política
tiago alcântara
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
Construção Ella Lei volta a criticar percentagem elevada de TNR
Finda a obra e labora o mesmo Ella Lei volta a pedir que o Governo reveja o processo de quotas que permitem um certo número de TNR por trabalhador local. A deputada alega, com base em dados do Gabinete de Recursos Humanos, que nalgumas empresas, 90% dos trabalhadores são de fora
A
deputada Ella Lei assegura que em parte das grandes empresas de construção do território, 90% dos trabalhadores são TNR, justificando que se trata de uma percentagem muito elevada. Ella Lei criticou a fraca integração dos trabalhadores locais nesta área, acrescentando que a selecção dos TNR, na hora da contratação, não é rigorosa. Segundo
as estatísticas publicadas pelo Gabinete de Recursos Humanos (GRH), até Março passado, estavam empregados no sector da construção civil do território, mais de 47 mil TNR contra os cerca de 21 mil locais. Os dados afirmam que estes foram contratados por cerca de duas mil empresas.
Maioria absoluta
As mesmas estatísticas avançam que os TNR com-
pletam 90% da proporção laboral de várias empresas de grande dimensão, como são a Companhia de Construção e Engenharia Civil HCCG, na qual apenas 90 dos 7000 funcionários são locais. Situação semelhante acontece na Companhia de Construção e Engenharia Civil Omas, na Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa, na a Leighton Contractors e
na Companhia de Engenharias e de Construção da China (Macau). “‘Priorizar a empregabilidade de trabalhadores locais’ é uma promessa do Governo, mas no sector da construção ainda não se conseguiu ver isso”, disse Ella Lei ao jornal Ou Mun. A deputada lembra que o sector era regulamentado pela política de ‘50-50’, no qual metade das contratações era feita
SAFP Serviços electrónicos alargados dentro de dois anos
Aplicações a caminho A
Direcção dos Serviços para a Administração e Função Pública (SAFP) afirmou que o Plano Geral de Serviços Electrónicos de 2015-2019 já entrou em consulta interna e já está prevista a criação de uma aplicação para os telemóveis que irá distribui automaticamente informações do Executivo. Numa interpelação escrita, em Junho, apresentada pelo deputado Si Ka Lon, o deputado questionou se existia um calendário para as consultas e a apresentação dos serviços electrónicos do Governo. O deputado quis ainda saber se existiam planos em termos de aplicações informáticas para corresponder à
tendência de desenvolvimento dos hábitos das pessoas no que respeita à internet.
Consenso geral
Na resposta dada recentemente pelo director substituto da SAFP, Kou Peng Kuan, é revelado que entre Junho e Julho deste ano foi feita uma consulta interna do Governo sobre o plano geral. O momento permitiu que os departamentos apresentassem as opiniões e sugestões, tentando encontrar consenso para atingir a meta. Kou explicou que o Governo vai continuar a auscultar opiniões da sociedade através de diferentes maneiras, exemplificando que vai
apresentar um site especializado, a curto prazo, para publicar as últimas informações sobre o plano geral. Assim, o Governo pode ajustar e melhorar o conteúdo do plano de acordo com as opiniões, de forma adequada. Além disso, o director substituto afirmou que além de várias aplicações criadas por vários departamentos públicos, como os Serviços de Saúde e o Conselho dos Consumidores, o Governo espera apresentar uma aplicação única onde distribui todas as informações do Governo, assim como alargar as funções do site “Portal Governo da RAEM” para não todos os tipos de dispositivos, até 2017. F.F.
localmente e a outra, lá fora. No entanto, este lema acabou por nunca ser aplicado e isto cria uma problema de abuso que, de acordo com a deputada, “ultrapassou o inimaginável”. “O sector de construção depende, maioritariamente, dos ordenados baixos oferecidos aos TNR e isto começou a afectar a taxa de empregabilidade de trabalhadores locais.
Além disso, sabe-se que os TNR conseguem arranjar trabalhos mais estáveis do que os locais, que têm muitos trabalhos instáveis”, exclamou. Ella Lei acrescentou que os empreiteiros preferem ter TNR nas obras do que residentes locais, pois estes têm que começar a procurar uma próxima empreitada antes de finalizar o trabalho. “Os TNR servem como complemento à mão-de-obra local, não percebo porque é que os trabalhadores locais se tornam numa segunda escolha e a prioridade da empregabilidade é hoje em dia apenas um slogan”, lamentou. A deputada sugere ao Governo que sejam novamente revistos os critérios e limites no que diz respeito à proporção dos TNR. Flora Fong
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sociedade
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
Um grupo de funcionários da operadora Melco Crown, acompanhados por associações, reuniram-se com os Serviços para os Assuntos Laborais queixando-se de ausência de regalias prometidas. Governo diz que vai negociar com empresa
DSAL promete negociar regalias com Melco Crown
O seu a seu dono
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epois de terem entregue uma carta ao departamento de recursos humanos, os funcionários da Melco Crown voltaram a queixar-se da falta de promoções e outras regalias junto do Governo. Ontem seis funcionários reuniram-se com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) juntamente com o líder da Forefront of Macau Gaming, Ieong Man Teng, a directora da Associação dos Direitos dos Funcionários do Jogo, Cloee Chao, e o líder do grupo “Novo Poder da Melco Crown”, Ronald Lou. Segundo Cloee Chao, a DSAL “mostrou vontade” em servir de entidade intermediária entre os trabalhadores e a operadora de jogo para resolver o conflito laboral, tendo prometido contactar a Melco Crown para analisar em detalhe se a Lei das Relações Laborais está a ser cumprida. Conforme o HM já noticiou, os trabalhadores
Turismo Macau recebeu menos 3,8% de visitantes que em 2014
O número de visitantes que Macau recebeu em Julho foi 3,8% inferior ao registado no mesmo mês de 2014, fixandose em 2,65 milhões, de acordo com dados oficiais ontem divulgados. Em termos mensais regista-se, no entanto, uma subida de 17,8% - em Junho a cidade recebeu o valor mais baixo desde Setembro de 2012, segundo dados dos Serviços de Estatística e Censos. A maioria dos visitantes (51%) eram excursionistas que apenas ficaram algumas horas no território (0,2 dias). A média de permanência do total dos visitantes fixou-se nos 1,2 dias. Em Julho, entraram em Macau 1,75 visitantes da China (que representam 66% do total), menos 6,1% em termos anuais. Os visitantes da Coreia do Sul (37.050) diminuíram 22,5% em termos anuais, enquanto os de Hong Kong (586.136) e os de Taiwan (93.443) aumentaram 5,7 e 0,1% respectivamente. Nos sete primeiros meses do ano entraram no território 17,40 milhões de visitantes, menos 3,5% em termos anuais, dos quais 9,49 milhões eram excursionistas, menos 1,5%, e 7,91 milhões eram turistas, menos 5,7%.
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Sal a de jogo VIP no Wynn fechada O grupo Forefront of Macau Gaming recebeu ontem a notícia do fecho de uma das duas salas VIP “Man Shui” do casino Wynn, no final deste mês, o que resulta no despedimento de 13 pessoas. Segundo Ieong Man Teng a operadora prometeu pagar 200 patacas por dia como indemnização aos trabalhadores, o que causou insatisfação, estando previsto o pedido de apoio junto da DSAL em breve.
TNR queixam-se de falta de indemnização Ontem, à porta das instalações da DSAL, dois Trabalhadores Não Residentes (TNR), com os nomes de Xu Huafeng e Wong Haixao, protestaram alegando terem sido despedidos sem indemnização. A empresa acusada é a Companhia de Construção Zhen Hwa Harbour e terá despedido os trabalhadores há mais de um ano, depois de estarem na obra do novo terminal marítima do Pac On. Contudo, como ainda não receberam os subsídios de habitação e outras regalias, os trabalhadores queixaram-se à DSAL, tendo sido ameaçados de despedimento o que veio a acontecer em Maio sem receberam as 40 mil patacas a que terão direito.
queixam-se das diferenças na posição de HD Dealer nos casinos Altira e City of Dreams. A posição está equiparada ao cargo de estagiário, na qual o trabalhador assume responsabilidades de croupier ou supervisor, existindo uma grande mobilidade de funções consoante
A DSAL “mostrou vontade” em servir de entidade intermediária entre os trabalhadores e a operadora de jogo para resolver o conflito laboral, tendo prometido contactar a Melco Crown para analisar em detalhe se a Lei das Relações Laborais está a ser cumprida
o dia de trabalho. Para além disso, a diferença salarial entre um HD Dealer e um supervisor pode ser de milhares de patacas. O líder do grupo “Novo Poder da Melco Crown” disse que existem cerca de mil funcionários nesta situação, sendo que a 25% destes a empresa terá prometido a possibilidade de promoção, mas apenas 10% terão recebido a regalia. Os restantes funcionários estarão a trabalhar há cerca de três a cinco anos sem terem recebido nenhuma promoção. Os trabalhadores queixaram-se ainda à DSAL de continuarem a receber gorjetas e salários em separado, pedindo ainda pagamentos mensais à empresa, em vez de salários a cada 14 dias. Cloee Chao explicou que essas questões já foram alteradas nas restantes operadoras, excepto na Melco Crown. Com esta mudança, os funcionários esperam que a junção de montantes possam levar ao aumento do dinheiro poupado no regime de previdência, temendo que o actual sistema os faça perder regalias. Flora Fong
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Hospital das Ilhas Fundações podem custar 880 milhões
A construção das fundações do Hospital das Ilhas, no Cotai, vai custar entre 682,9 e 879,8 mil milhões de patacas ao Governo, que recebeu ontem 11 propostas e promete empregar aproximadamente 500 pessoas na obra. De acordo com o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), a empresa escolhida fica responsável por, em cerca de um ano e meio, criar as fundações para a empreitada do hospital, que deverá ocupar um terreno de 11 mil metros quadrados naquela zona. A obra deve ter início ainda este ano e ser a base para a posterior edificação do próprio hospital. Este vai contar com dois pisos de cave e quatro de pódio, ao qual se junta o edifício de apoio logístico, com 12 pisos, dois deles subterrâneos.
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hoje macau quinta-feira 27.8.2015
Prestação dos serviços de limpeza do Instituto Politécnico de Macau (incluindo as instalações da sede e fora do campus do Instituto) CONCURSO PÚBLICO N.º 02/DOA/2015 Faz-se ao público que, de acordo com o despacho de 6 de Agosto de 2015, do Exm.º Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a “Prestação dos serviços de limpeza do Instituto Politécnico de Macau (incluindo as instalações da sede e fora do campus do Instituto)”. 1.
Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau.
2.
Modalidade de concurso: Concurso Público.
3. Objecto do Concurso: Prestação dos serviços de limpeza do Instituto Politécnico de Macau (incluindo as instalações da sede e fora do campus do Instituto) (01/01/2016 31/12/2017). 4. Período: 1 de Janeiro de 2016 a 31 de Dezembro de 2017. 5.
Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas.
6.
Garantia provisória: $480 000,00 (quatrocentas e oitenta mil patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau.
7.
Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato).
8.
Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso.
9. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 31 de Agosto de 2015, pelas 10H00. 10: Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras de Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 15 de Setembro de 2015, antes das 17H45. 11: Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Anfiteatro II, 1.º andar do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 16 de Setembro de 2015, pelas 10H00. 12. Local, preço e hora para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua Luís Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP$100,00 (cem patacas). Hora: de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes 13. critérios: - Preço Razoável (50%) - Qualidade do Serviço (50%): (a) Propostas pormenorizadas para a execução dos serviços de limpeza ao Instituto Politécnico de Macau (por exemplo: sugestões favoráveis ao mapa de caracterização) (20%); (b) Equipamentos e produtos de limpeza (8%); (c) Curriculum Vitae e competências do concorrente (10%); (d) Experiência e declarações abonatórias prestadas pelas entidades utilizadoras dos serviços de limpeza do concorrente (só dados dos anos 2013 e 2014) (5%); (e) Esclarecimentos na reunião (as questões profissionais levantadas por Instituto Politécnico de Macau sobre a prestação do serviço da limpeza) (7%).
Macau, aos 17 de Agosto de 2015 Presidente do Instituto, Lei Heong Iok
sociedade 9
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
UM recebe quatro milhões de yuan para projectos científicos
A
Universidade de Macau (UM) recebeu, da Fundação Nacional de Ciência da China (NSFC na sigla inglesa), quatro milhões de yuan para dez novos projectos científicos que ficarão à responsabilidade do Instituto de Investigação de Zhuhai da UM. A publicação do montante, feita pela Fundação, surge na sequência da atribuição das bolsas para este ano. A UM requereu à NSFC financiamento para 38 projectos de investigação, tendo sido aprovadas 26% dos pedidos. Os dez projectos são da responsabilidade de professores e investigadores da Faculdade de Ciência e Tecnologia, nomeadamente das áreas de engenharia informática, sistemas de prevenção de doenças e física. Cinco destes integram ainda a lista de Programas Gerais, para a qual os critérios de entrada são elevados. Os restantes foram reconhecidos como especiais por estarem a ser desenvolvidos por académicos com menos de 35 anos. O NSFC pretende encorajar, de acordo com comunicado da UM, “investigação científica inovadora e desenvolvimento equilibrado e sustentável de uma séries de disciplinas académicas. LSM
Exigidos limites à criação de novos aterros
Há mar e mar
Inevitabilidades
O responsável acha que será “inevitável” que as obras dos novos aterros venham a influenciar o ambiente envolvente e a ecologia marinha, apontando que não foi analisada a sobrecarga que os novos aterros vão provocar na canalização da zona. Wei Hanyan referiu ainda o relatório de impacto ambiental da Direcção dos Serviços de Solos, Obras
Domésticas Pedida revisão das leis para evitar ilegalidades
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deputada Wong Kit Cheng volta a insistir num pedido de revisão da Lei de Contratação de Trabalhadores não Residentes de forma a evitar a existências de empregadas domésticas com identidade de turista em Macau e regulamentando as agências de trabalho.
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Associação CrossBorder Environment Concern defende que as obras de construção dos novos aterros em Macau pioraram o ambiente e o estado da ecologia marinha, esperando que o Governo limite os espaços que podem vir a ser conquistados ao mar. Wei Hanyan, dirigente da associação, disse ao Jornal do Cidadão que o plano dos novos aterros vai conquistar ao mar 350 hectares de terrenos, uma área maior face a toda a dimensão do território de Macau. Para controlar as consequências negativas para o ambiente, o fundador da associação sugere que sejam elaborado o limite das áreas que podem ser roubadas ao mar, tendo defendido que a proporção não deve ser superior a 10% da área marítima.
Depois do encontro entre aAssociação Geral das Mulheres de Macau e a Direcção dos Serviços para Assuntos Laborais (DSAL), na semana passada, foi solicitado ao Governo a regulamentação das agências e dos serviços de migração para que exista um registo criminal das empregadas
domésticas antes das mesmas virem trabalhar para Macau. Em cima da mesa esteve também a propostas de criação de uma base de dados dessas mesmas empregadas. A também vice-presidente da associação, Wong Kit Cheng voltou a solicitar atenção do Governo sobre a questão.
Numa interpelação escrita, Wong apontou que a base dos problemas é a possibilidade destas mulheres entrarem no território como turistas e depois assumirem funções de empregadas domésticas, sem que para isso respeitem e cumpram os requisitos rigorosos das agências de trabalho. A deputada recordou que o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, prometeu em 2014, que ia rever a Lei de Contratação de Trabalhadores não Residentes e o Regime do Licenciamento das Agências de Emprego para impedir as falhas das leis. No entanto, a deputada criticou que até ao momento ainda nada está feito. Wong questiona se a DSAL pode efectivamente rever as leis, a curto prazo, para impedir que as turistas se tornem empregadas domésticas. F.F.
As obras dos novos aterros ficam apenas a 10 quilómetros de distância da zona nacional de protecção natural dos golfinhos brancos chineses Públicas e Transportes (DSSOPT), que não mencionou o fluxo da água e do ar, bem como o ambiente marítimo antes e depois da conquista ao mar dos terrenos. O responsável preocupa-se que a qualidade da água da zona do Delta do Rio das Pérolas possa ficar prejudicada. Wei Hanyan acrescentou que as obras dos novos aterros ficam apenas a 10 quilómetros de distância da zona nacional de protecção natural dos golfinhos brancos chineses, sendo que as obras poderão destruir o ambiente ecológico dessa zona, o que levará à morte dos golfinhos. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Fumo em terminal de autocarros prejudica a saúde
O deputado Zheng Anting voltou chamar a atenção do Governo para as falhas no sistema de ventilação no terminal dos autocarros junto às Portas do Cerco. A falta de circulação de ar, os fumos dos autocarros têm prejudicado a saúde dos utilizadores, principalmente dos mais idosos. O deputado, argumenta que mesmo depois do Governo ter admitido, em Maio, a existência de um problema naquele terminal, nada foi feito. Zheng Anting perguntou ao Governo se já foi efectuado um estudo sobre a viabilidade da melhoria das instalações daquele terminal, e quando é que serão implementadas as medidas, apresentadas durante as Linhas de Acção Governativa, relativamente à circulação de autocarros eléctricos.
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hoje macau quinta
New Art Wave Expo este fim-de-semana no Venetian
Inaugura amanhã no Venetian a primeira New Art Wave Expo, a qual decorre até domingo, 30 de Agosto. O evento não só traz uma centena de artistas de 44 institutos de 14 países diferentes, como também vão decorrer cinco seminários. Na feira vão estar presentes trabalhos “com diferentes estilos, géneros e técnicas”. Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural, vai estar presente na cerimónia de inauguração.
Yogaloft António Conceição Júnior é novo instrutor de defesa pessoal
António Conceição Júnior vai ser o novo instrutor de Defesa Pessoal do espaço Yoga Loft, fundado por Rita Gonçalves. “Aprender a cair, conhecer as zonas fortes e frágeis do corpo, e explorar os movimentos básicos dos braços, bacia, pernas e pés são algumas das técnicas que vão ser adquiridas pelos participantes”, explica a organização em comunicado. A reabertura do espaço de aulas vai ser apresentada já este domingo e conta com a presença dos novos professores, incluindo Fátima Hung, instrutora de Pilates formada em motricidade humana. Ao Yoga Loft traz aulas de Pilates com Roller. “Excelente para melhorar a postura e estrutura muscular das costas, nestas aulas os participantes deitam-se sobre um rolo de espuma e põem à prova a coordenação e força num equilíbrio desafiante”, esclarece a organização. O dia aberto tem início às 15h00 e inclui a projecção do documentário Kumare, às 18h00.
Broadway organiza festa “Back to School” e premeia mascarados
A Broadway vai organizar uma festa dedicada aos tempos antigos, sob o mote “Back to School”. O certame realiza-se às 21h30 do próximo sábado, no novo complexo de entretenimento do Galaxy. De acordo com a organização, será oferecido um prémio de 1000 patacas aos mascarados com conjuntos mais originais e, claro, terão que estar relacionados com jovens estudantes. A actuar estarão DJ locais, com direito a um desfile no local, concertos ao vivo e entrega de prémios. A festa prolonga-se até às 00h00. “Esta festa de rua divertida e fashion promete trazer o espírito do começo das aulas de forma fresca”, disse. A decisão dos melhores fatos vai ter como base a criatividade, o tema, a atenção ao detalhe e o estilo geral. Os primeiros 500 a chegar terão, assegura a organização, um set de festa gratuito, sem esquecer uma selecção de bebidas especiais entre as 18h00 e as 20h00.
Centro de Design de Macau homenageia Gian Luca Loddo com dança e teatro
O Centro de Design de Macau apresenta Loddo, um espectáculo de dança, teatro e música desenvolvido por artistas estrangeiros em regime voluntário, maioritariamente integrados no House of Dancing Water, no City Of Dreams (COD). O evento tem lugar às 21h00 de 2 de Setembro e serve para homenagear Gian Luca Loddo, artista do espectáculo do COD que faleceu. “Um grupo de artistas talentosos junta-se para celebrar a sua vida da melhor forma que conhecem: dando um espectáculo intimista e de alta qualidade solidário”, descreve a organização. O evento tem entrada gratuita, mas também uma componente de recolha de donativos aos Samaritanos, entidade não governamental que fornece apoio emocional aos mais necessitados.
“Rich Life” comemora os 12 anos da Creative Macau
“Queremos sempre fazer co Mais de 20 arquitectos, pintores ou designers juntaram os seus trabalhos para a exposição que este fimde-semana comemora os 12 anos de existência do espaço Creative Macau. “Rich Life” mostra as várias expressões em que Macau se tornou, com riqueza, mas também com sufoco
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á pouco mais de uma década os turistas eram poucos e as ruas não se preenchiam de rostos com sacos de compras. Há 12 anos, os casinos eram menos e toda a economia era diferente. O crescimento exponencial que Macau tem vindo a registar nos últimos anos é o mote da exposição “Rich Life”, que inaugura amanhã na Creative Macau. “Temos participantes de diferentes áreas, alguns são
arquitectos, pintores e designers. Pensámos na situação actual de Macau, com vidas faustosas, em que a qualidade de vida melhorou para as pessoas locais e para aqueles que chegam com o objectivo de trabalhar e melhorar a própria vida, e com muita gente à volta dos casinos. Queremos entrar no ponto de vista de quem é residente, que são estes membros (da Creative Macau), para que mostrem o que pensam sobre o assunto”,
explicou Lúcia Lemos, coordenadora da Creative Macau, ao HM. No total serão 23 os participantes que irão revelar a sua visão de um território em constante crescimento. “Há algumas propostas figurativas, com pinturas, escultura, instalação. Há representações com o amarelo e o ouro, outros representam o estrangulamento da cidade, das pessoas. Há outros que mostram o ambiente dos casinos e das mudanças a nível urbanístico”, explicou Lúcia Lemos. Um dos participantes é o arquitecto Adalberto Tenreiro, que parte da Colina da Penha para estabelecer um ponto de comparação com o património de Itália. Ao HM, o arquitecto disse tentar reproduzir as diferentes noções de preservação do património através de desenhos que já foram publicados num jornal. “Tratam-se de desenhos feitos em Itália, para comparar o património dito de Itália
“A cidade cresce a grande velocidade, mas nós não. Tentamos sempre desenvolver-nos de forma suave, porque não há outra maneira.(...)Queremos passar a imagem que estamos aqui para promover os locais e que somos um vínculo dessa comunicação” Lúcia Lemos Coordenadora da Creative Macau
e que é visitado por muitos turistas da Europa e o de Macau, que começou a ser mais visitado nos finais do século XX, e que tem muitas expressões. Itália já está habituada a estas expressões e já toma conta do património desde o século XVIII.” Lúcia Lemos, ela própria fotógrafa, decidiu não participar na exposição que celebra o aniversário da entidade que coordena desde 2003. “Ainda fiz um trabalho, mas não atingiu a qualidade que queria e achei que não devia participar. Não queria participar por participar.”
Duas velocidades
Mais do que mostrar aquilo em que Macau se tornou, a “Rich Life” simboliza também o crescimento de uma entidade fortemente ligada às indústrias culturais e criativas. Tal como Macau, a Creative Macau tem crescido, mas não tão rápido. “A cidade cresce a grande velocidade, mas nós não. Tentamos sempre desenvolver-nos de forma suave, porque não há outra maneira. Não há capacidade financeira ou disponibilidade, e as pessoas também têm pouco tempo para criar. Queremos passar a imagem que estamos aqui
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a-feira 27.8.2015
Macau celebra 66º aniversário da RPC com acrobacias de Dalian
Da Rússia para a China O
oisas novas” para promover os locais e que somos um vínculo dessa comunicação. E tem corrido tudo bem”, explicou Lúcia Lemos. Em doze anos, foram muitas as tentativas de fazer diferente e inovar. Como tal, a coordenadora fala do concurso de vídeo criado em 2010, o “Sound and Image Challenge Festival”. “Também nos desafiamos a nós próprios e queremos sempre fazer coisas novas, para atrair mais pessoas. Temos de ter uma certa dinâmica se não fica tudo muito aborrecido. Quando estabilizamos, depois de um determinado projecto, queremos outro e às
vezes mudamos de direcção”, rematou Lúcia Lemos. A cerimónia de abertura da mostra terá lugar esta sexta-feira, pelas 18;00 horas na Creative Macau e contará com a actuação ao vivo da banda Concrete Lotus. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
66º aniversário do estabelecimento da República Popular da China vai ser celebrado com um espectáculo que reinterpreta a peça “O Quebra-Nozes”, da autoria do Clube Acrobático de Dalian, uma cidade do continente. O grupo tem já o seu valor reconhecido mundialmente, tendo já executado mais de 500 sessões desde 2008. O colectivo foi formado em 1951 e tem actuado numa série de locais, ocupando o palco do Fórum Macau nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro. No espaço cabem 3000 pessoas em cada uma das sessões, custando os bilhetes 200 patacas. No entanto, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, que aponta sábado para a abertura da bilheteira, tem entradas a 50 patacas para portadores de deficiências e seniores. “O Quebra-Nozes” ficou mundial conhecido com a peça de ballet do russo Tchaikovsky. Entre adaptações teatrais, cinematográficas e musicais, o grupo de Dalian, que conta com seis centenas de artistas, vem dar a conhecer uma nova reinterpretação da história. Contudo, o próprio Tchaikovsky readaptou a sua peça do conto original de Ernst Hoffman, “O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos”, escrita no século XVIII. Desta feita, é entre saltos, cambalhotas e outros malabarismos que os membros da companhia trazem a Macau a história de uma menina que quer, como presente de Natal, um quebra-nozes com aparência humana e vestido
À venda na Livraria Portuguesa Rashomon e Outras Histórias • Ryunosuke Akutagawa Um dos escritores mais importantes da literatura japonesa finalmente traduzido e editado em Portugal. As suas histórias, de leitura obrigatória nas escolas japonesas, influenciaram gerações de escritores, como Haruki Murakami, e inspiraram filmes de culto, a exemplo do famoso filme de Akira Kurosowa: “Rashomon — às portas do Inferno”. O presente volume colige as 18 mais significativas histórias deste autor em quatro períodos da história do Japão, servindo igualmente de guia ao leitor numa viagem fascinante pela história do país e da sua cultura: do Japão medieval, habitado por xoguns, camponeses e missionários cristãos portugueses até à sociedade moderna de início do século XX, que vive as consequências da guerra contra a China e a Rússia e a pré-euforia imperialista.
de soldado. As aventuras são infinitas nesta peça e quem já conhece o trabalho de Tchaikovsky poderá esperar uma banda sonora de excelência ao nível da música clássica e do suspense.
Arte em movimento
Numa entrevista à Rádio Internacional da China, a responsável pelo colectivo, Xu Juan refere que os shows de acrobacia têm tido uma grande expansão recentemente, devido à falta de espectáculos ao vivo. “Diversos espectadores não assistiam pessoalmente shows de acrobacia há muitos anos, vendo apenas apresentações pela TV. Estas pessoas não sabiam bem a tendência de desenvolvimento desta arte”, começou por dizer. “Os programas actuais de acrobacia são bem diferentes dos programas tradicionais, com formas de apresentação mais modernas e elaboradas”, continuou. Já Deng Baojin, vice-presidente da Associação de Acrobatas da China referiu que esta é uma arte que precisa de ser divulgada. “Agora, a acrobacia chinesa já reconheceu a importância da publicidade, mas ainda não investiu muito na área. Eles costumam fazer a divulgação após o espectáculo, ao passo que os grupos estrangeiros são divulgados logo na montagem do show”, justificou Deng. A diferença entre dar um espectáculo antes de o divulgar e de fazer a publicidade é, esclarece, ter, ou não, casa cheia. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
O Estranho Caso da Rapariga Raptada • Spencer Quinn O Estranho Caso da Rapariga Raptada apresenta uma das mais originais duplas de detectives do romance contemporâneo. Bernie é o anti-herói, divorciado, sem um tostão no bolso e que se bate pela custódia do filho. Chet é o narrador canino, que tenta sem muito sucesso compreender os bizarros costumes humanos. Juntos oferecem uma história onde não falta nada: humor, ritmo, uma intriga inteligente e um suspense arrepiante. E, sobretudo, uma visão tocante da relação ancestral entre o homem e o seu cão. “Spencer Quinn fala duas línguas fluentemente – a dos cães e a do suspense. Por vezes revela-se hilariante, noutras tocante e aqui e ali chega a ser assustador. O meu sincero conselho é que corram para a livraria mais próxima e agarrem este romance único”, diz Stephen King.
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china
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
PM Metas vão ser cumpridas apesar da crise bolsista
Confiança de gigante O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, afirmou estar confiante de que a segunda economia mundial vai cumprir as metas que o Governo fixou para este ano, apesar de reconhecer o impacto da crise bolsista, informaram ontem os ‘media’. “A China tem confiança para alcançar os seus principais objectivos de desenvolvimento para este ano sob adequadas medidas de reforma para estabilizar e reestruturar a economia”, afirmou Li Keqiang, em declarações reproduzidas hoje pelo jornal oficial China Daily. As palavras do primeiro-ministro chinês chegam numa altura em que a crise bolsista obrigou o banco central a intervir, esta terça-feira, nomeadamente com um corte nas taxas de juro para acalmar os mercados.
“Ainda temos margem para aplicar mais políticas macroeconómicas e a China tem um mercado interno enorme” Li Keqiang Primeiro-ministro chinês
Li Keqiang reconheceu que a economia chinesa se tem visto afectada pela turbulência nos mercados globais, mas defendeu que os seus pilares se mantêm “estáveis” e que o gigante asiático vai manter um ritmo de crescimento “razoável”. “Ainda temos margem para aplicar mais políticas macroeconómicas e a China tem um mercado interno enorme”, recordou.
Pelos ajustes
Li Keqiang também defendeu as recentes desvalorizações do yuan – adoptadas pub
HM-1ª vez 27-8-15 Proc. Falência n.º
Anúncio CV3-14-0001-CF1
3º Juízo Cível
REQUERENTE: MELCO CROWN (MACAU), S.A., com sede em Macau, na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção, nºs 411-417, Edifício Dynasty Plaza, 15º andar O, P, registado na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau, sob o nº 24325 (SO).---------------------------------------------REQUERIDO: LAM PAK KEI, com último domicílio conhecido em Macau, na Estrada Nordeste da Taipa 86, Edifício Hoi Wan Garden, 12º andar M, Taipa.-------***** FAZ SABER que, pelo Juízo e Tribunal acima identificados, correm éditos de Trinta (30) dias, contados da data da segunda e última publicação do respectivo anúncio, NOTIFICANDO, por esta forma, a Sociedade abaixo identificada, de que por sentença proferida em 22 de Janeiro de 2015, nos autos à margem identificados, foi ordenada a apreensão a seguinte quota.---------------- Uma Quota com no valor nominal de MOP$12,500.00, de que é titular o Requerido Lam Pak Kei, na Watches Square Limitada, matriculada na C.R. Comercial e de Bens Moveis de Macau, sob o n.º 43141 (SO), ora ausente em parte incerta, com última sede conhecida em Macau, na Avenida da Praia Grande, nº 613 a 639, Edf. Comercial Si Toi, 7º andar L, ficando apreendida à ordem dos autos acima referenciados.-------------------------------------------------------------------- No prazo de 10 dias, que começa a correr depois de findos os éditos, pode fazer as declarações que entender por conveniente.------------------------------------- Consigna-se que foi nomeado administrador da falência o Sr. Dr. João Nogueira Marques, com domicílio profissional em Macau, na Avenida da Praia Grande, nº 759, 3º andar, tel:28372623.----------------------------------------RAEM, 16 de Julho de 2015
este mês pelo banco central chinês – que se fizeram acompanhar de uma reforma no sistema cambial, ao garantir que depois dessas “melhorias” a taxa de câmbio da moeda chinesa se ajusta mais em relação ao seu valor de mercado. Após esta correcção, acrescentou, não há base para uma contínua depreciação do yuan. “Esse ajustamento também foi realizado como parte dos esforços reformistas que a China está a levar a cabo”, assinalou, insistindo que as depreciações foram consequência do desenvolvimento dos mercados financeiros internacionais. A segunda economia mundial manteve um crescimento de 7% no segundo trimestre de 2015, excedendo
Xangai encerrou em baixa de 1,2%
várias previsões internacionais, e confirmando a “nova normalidade” defendida pelo governo chinês. Aquele valor (7%), que coincide com a meta apontada pelo governo chinês, excede também a previsão do Fundo Monetário Inter-
A bolsa de Xangai encerrou ontem em terreno negativo, com o anúncio das medidas por parte do banco central chinês a atenuarem as pesadas perdas que marcaram o arranque da semana, mas a revelarem-se insuficientes para inverter a tendência. O Índice Composite de Xangai fechou a cair 37,68 (1,27%), cotando-se nos 2,927.29 pontos, numa sessão muito volátil, iniciada em alta ligeira (0,53%), em que chegou a valorizar até 4,29% e a descer até 3,85%. O principal indicador da bolsa de Shenzhen, a segunda praça financeira da China, caiu 3,05% no encerramento, até aos 1,695.76 pontos.
nacional acerca do crescimento económico da China em 2015 (6,8%). Comparando com igual período do ano anterior, o crescimento da economia chinesa no primeiro semestre de 2015 abrandou 0,4 pontos percentuais.
Se aquele valor (7%) se mantiver ao longo do ano, será o mais baixo do último quarto de século. Na última década, a economia chinesa cresceu em média 9,9% ao ano e em 2010 tornou-se a segunda maior do mundo, à frente do Japão e da Alemanha.
Cinco empresas de corretagem investigadas
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s autoridades chinesas estão a investigar cinco empresas de corretagem, incluindo uma de um banco estatal, por eventuais irregularidades durante as recentes quedas das bolsas na segunda maior economia mundial. Quatro das companhias anunciaram, na terça-feira, terem recebido notificações da Comissão Reguladora de Valores da China, dando conta da abertura de uma investigação pelas suspeitas de que não verificaram adequadamente a identidade dos seus clientes. Além disso, a agência oficial chinesa Xinhua informou que oito funcionários da Citic Securities, parte do conglomerado financeiro estatal Citic, também se encontram sob investigação por suspeita de implicação na compra e venda ilegal de valores mobiliários. Contudo, o organismo oficial de supervisão dos mercados financeiros não emitiu qualquer informação sobre a investigação. Entre as empresas investigadas figura a Huatai Securities, a maior empresa de corretagem da China em termos de volume de negócio. Estas investigações surgem no contexto das pesadas perdas sofridas pelas bolsas chinesas.
As autoridades colocaram sob supervisão o trabalho das corretoras no início de Julho, na crise registada nos mercados bolsistas da China durante quatro semanas, sendo que, na altura, o ponto de viragem deu-se precisamente quando foi anunciada a abertura de uma investigação sobre as práticas especulativas.
região
hoje macau quinta-feira 27.8.2015
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Tailândia destruiu ontem mais de duas toneladas de marfim, uma vitória para os grupos de defesa dos animais que lutam contra o comércio ilegal de presas que tem vindo a empurrar os animais para a extinção. O acto, em que um triturador industrial destruiu 2.155 quilogramas de marfim antes da incineração, foi presidido pelo líder da junta militar Prayu Chan-O-Cha. Foi a primeira vez que Banguecoque adoptou medidas para destruir parte do seu arsenal. “Isto é para mostrar a forte determinação do governo tailandês na oposição ao tráfico de marfim e que a Tailândia vai cumprir com as regras internacionais”, afirmou, durante a cerimónia. Os defensores dos direitos dos animais acusam há muito tempo os sucessivos governos da Tailândia – civis e militares – de fechar os olhos ao lucrativo negócio. Os activistas têm vindo a pressionar Banguecoque para destruir o seu ‘stock’, como prova da sua determinação em eliminar o risco de o marfim que é apreendido pelas autoridades voltar a entrar no mercado negro por via de funcionários corruptos. O aumento da procura de marfim na Ásia é apontado como estando na origem da subida do
Tailândia destrói mais de duas toneladas de marfim
Elefantes agradecem
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“Isto é para mostrar a forte determinação do governo tailandês na oposição ao tráfico de marfim e que a Tailândia vai cumprir com as regras internacionais” Prayu Chan-O-Cha Líder da junta militar
número de elefantes mortos em África, dado que as autoridades não conseguem desmantelar as redes de contrabando.
Presas apreendidas
A imprensa estatal do Vietname também noticiou ontem que, nos últimos dias, foram feitas duas grandes apreensões de presas de
elefante importadas ilegalmente para o país. Na mais recente foi apreendida uma “grande quantidade”, não especificada, de presas escondidas em sacos de feijão vermelho num contentor procedente da Malásia, isto depois de, na semana passada, terem sido apreendidas duas toneladas oriundas da Nigéria.
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Anúncio Concurso Público n.º 8/2015 Equipamento de Rede destinado ao Centro de Dados do Governo De acordo com o disposto no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho e, ainda, de acordo com o Despacho da Exma. Senhora Secretária para a Administração e Justiça, de 14 de Agosto de 2015, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública vem, em representação do adjudicante, proceder a concurso público para o fornecimento de Equipamento de Rede destinado ao Centro de Dados do Governo. 1. Adjudicante: Secretária para a Administração e Justiça. 2. Serviço responsável pela realização do processo de concurso: Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP). Modalidade do concurso: concurso público. 3. 4. Objecto do concurso: fornecimento aos SAFP de “Equipamento de Rede destinado ao Centro de Dados do Governo”. 5. Prazo de validade das propostas: Noventa dias, a contar da data do acto público do concurso. 6. Caução provisória: a caução provisória é de MOP 300 000,00 (trezentas mil patacas), e deve ser prestada por meio de depósito bancário ou por garantia bancária legal a favor do Governo da Região Administrativa Especial de Macau - Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. 7. Caução definitiva: valor correspondente a 4% (quatro por cento) do preço global da adjudicação. 8. Condições de admissão: podem candidatar-se ao presente concurso as empresas que tenham sede ou escritórios na RAEM, tenham no âmbito das actividades, total ou parcial, o fornecimento de equipamentos de informação, sistemas e serviços e, comprovem ter cumprido as obrigações fiscais. Todas as dúvidas sobre o Programa do Concurso e o Caderno de Encargos deste concurso público podem ser apresentadas de 9. acordo com o determinado no mesmo Programa do Concurso. 10. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, edifício Administração Pública, n.o 162, r/c, Macau. Data e hora limite: Até às 17:30 horas do dia 18 de Setembro de 2015 (não sendo aceites propostas fora do prazo). 11. Local, data e hora do acto público: Local: Sala Polivalente do 4.o andar do Edifício Vicky Plaza, sito na Rua do Campo, n.ºs 188-198, Macau. Data e hora: 11:00 horas do dia 21 de Setembro de 2015. (De acordo com o disposto no artigo 27.o do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, os concorrentes ou seus representantes legais devem estar presentes no acto público, munidos do termo de nomeação (vide ponto 8.3 do programa do concurso), para esclarecimento de eventuais dúvidas que venham a surgir nos documentos da proposta entregue). 12. Local, data e hora para consulta do processo e obtenção da cópia do processo: Local: Balcão de atendimento dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.o 162, edifício Administração Pública, r/c, Macau. Data e hora: A partir da data da publicação do presente anúncio até à data limite para a entrega das propostas, durante as horas de expediente. Preço da cópia do processo: MOP 200,00 (duzentas patacas). 13. Critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação: a) Preço (40%) b) Exigências técnicas (45%) c) Prazo de entrega (10%) Background e experiências profissionais da empresa (5%) d) 14. Esclarecimentos adicionais: A partir da data da publicação do presente anúncio até à data limite para a entrega das propostas, os concorrentes podem, durante as horas de expediente, dirigir-se ao balcão dos SAFP, sito na Rua do Campo, n.o 162, edifício Administração Pública, r/c, Macau, para obterem quaisq uer eventuais esclarecimentos adicionais. Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, 20 de Agosto de 2015. O Director, substituto, Kou Peng Kuan
Em meados deste mês, as alfândegas do Vietname apreenderam 735 quilos de marfim e cornos de rinoceronte no porto de Tien Sa, na cidade de Da Nang, provenientes de Moçambique. Segundo o diário vietnamita Tuoi Tre News, que citou um comunicado oficial, o marfim e os cornos de rinoceronte estavam
escondidos dentro de blocos de mármore falso, depois de terem sido desembarcados em dois contentores transportados num navio. Vários cidadãos do Vietname têm sido detidos nos últimos anos em Moçambique, na posse de dentes de marfim e cornos de rinoceronte, contrabandeados para aquele país asiático, onde se acredita que os mesmos têm propriedades terapêuticas. O marfim e cornos de rinocerontes contrabandeados em Moçambique são extraídos de animais abatidos na caça furtiva no país, mas principalmente na África do Sul, onde as autoridades locais destacaram o exército para o combate ao abate ilegal de elefantes e rinocerontes.
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artes, letras e ideias
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fichas de leitura*
Manuel Afonso Costa
OS TRABALHOS E OS DIAS
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embro-me das aulas de António José Saraiva, naquela fase tardia em que ele já não ouvia bem e também não tinha a frescura de outros tempos mas mantinha ainda uma ínsita capacidade para desestabilizar os padrões consensuais e provocar ainda admiração através de efeitos surpreendentes. Uma das provocações de António José Saraiva consistia no facto de que considerava apenas três obras fundamentais na Cultura Portuguesa, vou citar de cor, Os Lusíadas, A História do Cerco de Lisboa de Fernão Lopes e a História de Portugal de Oliveira Martins. Provocava sobretudo espanto a inclusão nesta trilogia da História de Portugal de Oliveira Martins. Se faço esta alusão memorial aos meus tempos de estudante é apenas como caução justificativa para uma atitude minha que de modo indirecto e quiçá oblíquo se relaciona com o que acabei de rememorar. Para mim se me fosse dado escolher três obras fundamentais da Cultura Portuguesa eu incluiria inapelavelmente o Portugal, Mediterrâneo e Atlântico de Orlando Ribeiro. Será que eu me atreveria a considerá-lo, se por acaso não tivesse na pessoa de António José Saraiva um exemplo aparentado, não sei, talvez, pois a impressão que esta obra me deixou foi tão viva e tão viva continuou através dos anos que de facto me atrevo a dizer que devo mais a este livro na minha aproximação ao conhecimento de Portugal e da sua gente, incluindo a sua cultura, que a qualquer outra obra. Talvez por tudo isto não seja fácil falar ou escrever sobre este livro de Orlando Ribeiro, mas também porque se trata de um texto intenso da primeira à última página. Sendo uma obra científica lê-se como se fosse um romance e em muitos momentos há pedaços de prosa tão emocionantes e melódicos que se pode reivindicar o estatuto de prosa poética. Estou a pensar na descrição da serra da Arrábida ou das cidades mediterrânicas por exemplo. Em boa verdade toda a obra é de uma qualidade literária rara em textos desta natureza. O autor pretende para lá da caracterização rigorosa de Portugal, do ponto de vista geográfico, demonstrar ainda que este país é partilhado de forma complexa por duas realidades bem distintas, e distintas não só no plano geográfico mas também nos planos étnico,
Ribeiro, Orlando, Portugal Mediterrâneo e Atlântico, Sá da Costa, Lisboa, 1987. Descritores: Portugal, Orografia, Vegetação, Fauna, Habitação, Climatologia, Migrações, 188 p.: 21 cm, ISBN: 9789725693209
cultural e civilizacional entre outros, ou seja por uma personalidade ao mesmo tempo mediterrânica e atlântica. Mas o autor pretende mais, pretende mostrar que a Europa possui essa dupla marca e que é em Portugal que se passa de uma realidade para outra. É notável o texto que em síntese assinala essa transição. Repare-se: “ (…) Além do estreito de Gibraltar, é ao longo da costa portuguesa que, por transições cuidadosamente graduadas, se passa da última terra plenamente mediterrânea – a Arrábida para as primeiras terras atlânticas - a Beira Litoral e o Minho: lugares banhados já numa luz que a humidade toma menos crua, abertos aos ventos oceânicos e expostos às suas chuvas fecundantes”. (Página 35) E para levar a água ao seu moinho o autor passa em revista todos os elementos que tipificam um determinado paradigma geográfico, ou seja a flora, a fauna, as actividades económicas, o regime de propriedade, os modos de vida, as formas de urbanização, etc., quer dizer, “Os Trabalhos e os Dias” Assim, depois de analisar cientificamente a flora mediterrânica e atlântica descobre para a sua argumentação esta pérola argumentativa que assenta no reconhecimento de uma modalidade muito particular de Quercus. Este tipo
de carvalho tem uma característica quase de encomenda para mostrar o quanto no clima português se pode assistir, in vitro, à transição, que acabámos de referir, pois se o que caracteriza a flora dos lugares com clima mediterrânico são as árvores de folha perene e o que caracteriza a fauna do Norte da Europa assim como da Europa Média são as árvores de folha caduca, então em Portugal, enquanto lugar de transição, deveríamos poder encontrar alguma coisa que pudesse personificar a ambivalência da transição. E de facto encontramos no nosso país uma forma de vegetação em que as folhas se perdem muito tarde e se recuperam muito cedo; assim como se a árvore fosse quase de folha perene e quase de folha caduca ao mesmo tempo. Um verdadeiro achado, enfim: “Uma Quercus própria à Península e a Marrocos estabelece a transição entre as espécies sempre verdes mediterrâneas e as de folha caduca da Europa média: o chamado
Orlando Ribeiro nasceu em Lisboa em 1911 e licenciou-se em HistóricoGeográficas em 1932, tendo-se doutorado logo em 1935 pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com a tese A Arrábida, Esboço Geográfico. Faleceu em 1997. É considerado unanimemente o geógrafo português do século XX com maior projecção a nível internacional, tendo dedicado toda a sua vida ao ensino e à investigação em Geografia. É, por isso, considerado também e a justo título diga-se, o renovador da Geografia em Portugal. Em 1943 fundou o Centro de Estudos Geográficos. E em 1966, o Centro de Estudos Geográficos começou a publicar a revista Finisterra, que foi e continua a ser a principal publicação da Geografia portuguesa, com projecção internacional. Foi casado com a também geógrafa Suzanne Daveau. Da sua obra em livro destaco: Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico; Finisterra; A Arrábida. Esboço Geográfico; A Ilha de Fogo e as Suas Erupções; Portugal; Mediterrâneo. Ambiente e Tradição; A Formação de Portugal; Introduções Geográficas à História de Portugal, entre muitos outros livros.
carvalho português ou cerquinho (Quercus lusitânica, hoje designado por Quercus faginea), que perde as folhas tarde e as recupera cedo. Distribui-se nos vales orientais do Douro e entre o Mondego e o Tejo, sendo especialmente abundante nos relevos da orla atlântica, ligado como anda a moderado grau de humidade e a solos calcários. No Maciço Calcário Estremenho e nos barrancos, também calcários, do norte da Arrábida, forma ainda pequenas mas belas manchas de bosque”. Eu costumo enfatizar o sortilégio dessa singularidade vegetal dizendo que se por acaso fechássemos os olhos uma fracção de tempo não daríamos conta do fenómeno. Antes de os fecharmos as folhas ainda lá estão e quando abríssemos os olhos as folhas já lá estariam de novo. A natureza não podia oferecer nada de melhor à vontade probativa do cientista, parece-me. Porém, ainda assim, o melhor índice do clima português e da sua componente mediterrânica é dado por uma planta de civilização, a Oliveira: “… Espontânea no Mediterrâneo e hoje cultivada em toda a sua bacia (…) até onde ela chega, ou melhor, até onde o homem a pode fazer chegar, chegam também as condições de temperatura e de humidade que esta árvore tão bem consegue exprimir”. Mas para melhor poder evidenciar a importância que Portugal representa, do ponto de vista de um verdadeiro laboratório da dicotomia geográfica da Europa, Orlando Ribeiro faz referência à Serra da Arrábida para nos dizer que após o desaparecimento da antiga floresta mediterrânica e da fuga das suas espécies para África, para a qual foi necessário que fizessem a travessia do Mar Mediterrâneo, numa espécie de êxodo bíblico, o autor oferece-nos a descrição do que na Europa sobra de um tempo anterior a esse êxodo. É um dos parágrafos mais belos do livro de Orlando Ribeiro, que cito por inteiro: “O mais precioso resto de uma mata mediterrânea primitiva existe na encosta da Serra da Arrábida, no recôncavo de uma baía de águas serenas como num mar in-
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terior, em exposição meridional tão perfeita que o relevo intercepta as influências do oeste e do norte, com seus ventos chuvosos ou refrescantes. A temperatura de Inverno é notavelmente elevada (13° a 15°), constituindo-se assim um clima mediterrâneo quente que só no Algarve tem paralelo, como a existência da palmeira -das -vassouras claramente deixa ver. A mata é propriamente uma brenha de arbustos de folhas sempre verdes, que aqui tomam formas gigantescas. As árvores são poucas e esparsas: sobreiro, azinheira, alfarrobeira, e um único carvalho de folha dura e fugazmente caduca: o cerquinho ou português. Dominam espécies arbustivas: medronheiro, aroeira, aderno, murta, folhado, zambujeiro e algumas urzes arbóreas. (Erica arbórea, Erica lusitânica); mas muitas tomam o porte das árvores, elevando-se a 6 m e 8 m. Existem medronheiros enormes e adernos com troncos de meio metro de diâmetro. O maciço vegetal é impenetrável: as copas tocam-se, os troncos entrelaçam-se; os arbustos prendem-se uns nos outros, as trepadeiras e silvas enleiam-se; de tal forma que há plantas mortas e desenraizadas, com o tronco a apodrecer, que se conservam de pé por não terem espaço para onde cair. Reina um silêncio profundo e uma luz amortecida. Na camada de húmus, abrigados pela sombra da folhagem, medram alguns fetos. Tudo isto evoca a ideia de floresta primária, sob clima mais rico de calor e humidade em outras zonas ou em épocas mais remotas da história do Globo. «A Serra da Arrábida parece-nos ter conservado um dos últimos, senão o último vestígio de uma mata pré-glaciária do Sul da Europa”. Poderíamos e eu gostaria de proceder à citação de tudo o que na obra de Orlando Ribeiro é exemplar do ponto de vista do geógrafo mas também do ponto de vista literário. Mas a natureza desta ficha de leitura obriga-me a respigar apenas. Assim, passemos a outro ponto. Orlando Ribeiro trata os modos de povoamento de uma forma exemplar
E deste modo o autor prepara já o assunto para o Portugal Atlântico, indissociável do povoamento disperso e do chamado Campo-Prado, do gado estabulado e da elevada densidade populacional e claro desse cereal de regadio, que é o milho. Ao trazer os modos de povoamento à discussão, assim como as casas, as cidades e as aldeias, estabelecendo uma articulação complexa mas lógica entre os trabalhos e os dias, as tradições, a história e a cultura, oferece-nos este texto de antologia sobre as cidades mediterrâneas. E por aqui me fico, pois este livro deve ler-se e descobrir-se de fio a pavio.
pois os articula com o clima, com os modos particulares de ocupação do solo, com as tradições agro-pecuárias e inevitavelmente com a própria história. Repare-se: “A forma de povoamento mais comum no Mediterrâneo é a aglomeração. A explicação clássica da concentração das habitações à roda das raras nascentes, se muitas vezes não é válida, é sempre insuficiente. A exploração extensiva, o uso do afolhamento, não serão estranhos à aglomeração. Todavia, ela traduz, sobretudo, um longo passado de insegurança: a coesão das habitações fez-se por motivos de defesa, contra os piratas do litoral, as hordas de salteadores, os pastores da montanha. Esta mesma razão presidiu à escolha do sítio: grande número de povoações antigas ergue-se no alto de montes, em cabeços fáceis de defender, donde se dominam os campos e os caminhos. Aí as
casas apinham-se, separadas pelas ruas estreitas e íngremes, sombrias, como convém ao clima, soalheiro, animadas pela vizinhança, fermento da vida urbana, que aqui se desenvolverá primeiro do que no resto da Europa. Sem pretender que estes sítios alcandorados são exclusivos do Mediterrâneo, eles encontram-se aqui com mais frequência e significado que em quaisquer outros lugares. Indicam-no os próprios nomes, grego e latim, acropolis e oppidum. A disseminação anda ligada à fertilidade da terra e à cultura intensiva, a uma Intimidade maior da casa com o campo. Desde a Idade Média, mas, sobretudo, em data muito recente, a colonização das terras ganhas para a cultura fez-se sempre por meio das habitações dispersas, que progridem ao longo dos caminhos animados pelo trânsito, enquanto, no cimo dos montes, as povoações velhas decaem e se arruínam”.
“Ao contrário do maior número das cidades da Europa Central e Setentrional, de planta regularmente desenvolvida em terras planas, que também se encontra nas cidades «coloniais», fundadas adrede, de gregos e romanos, aqui são frequentes as ruas íngremes e tortuosas, às vezes em escadaria, estreitas, para aproveitar espaço e escapar à ardência da canícula. A amenidade do clima convida à vida na rua, onde se passeia e fala nos intervalos do trabalho. Ao longo da fieira das casas, debaixo de arcadas, de toldos, de andares de ressalto, que abrigam do sol sem tirarem a frescura da brisa litoral, abancados às mesas de refrescos, os homens conversam e ficam até tarde nas noites calmas de Verão. Cria-se assim um ambiente de convívio aberto à troca de ideias, uma sociabilidade fácil, que temperam o arcaísmo bisonho do camponês e do pastor. Os cidadãos das democracias antigas, que passavam o dia em discussões sobre os negócios da cidade, em debates públicos, ao ar livre, escutando o orador de momento, passeando no forum, não se poderiam conceber no clima húmido e enevoado de Londres ou de Hamburgo, que, pelo contrário, favorece a vida de interior, no clube e no lar”. *No quadro da colaboração de Manuel Afonso Costa com a Biblioteca Central de Macau-Instituto Cultural, que consiste entre outras actividades no levantamento do espólio bibliográfico da biblioteca e na sua divulgação sistemática, temos o prazer de acolher estas “Fichas de Leitura” que, todas as quintas-feiras, poderão incentivar quem lê em Português.
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( F ) utilidades
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tempo aguaceiros ocasionais min 26 max 31 hum 70-95% • euro 9.10 baht 0.23 yuan 1.28
Cineteatro
O que fazer esta semana Sexta-feira 12º Aniversário da Creative Macau “Rich Life”, concerto de Concrete Lotus e exposição de arte, 18h00 Creative Macau Entrada livre
Cinema
hitman: agent 47 Sala 1
hitman: agent 47 [c]
Feira de arte New Art Wave Expo, das 11h00 às 20h00 (até domingo) Hall D da Cotai Expo, Venetian Entrada livre
Filme de: Aleksander Bach Com: Rupert Friend, Hanna Ware, Thomas Kretschmann 16.05, 21.45
legendado em chinês Filme de: Chris Columbus Com: Adam Sandler, Kevin James, Michelle Monaghan 19.30
wild city [c]
Sala 3
Falado em cantonês e mandarim legendado em chinês e inglês Filme de: Ringo Lam Com: Louis Koo, Shawn Yue, Tong Liya 14.15, 17.55, 19.45 Sala 2
pixels [b]
Sábado
legendado em chinês Filme de: Chris Columbus Com: Adam Sandler, Kevin James, Michelle Monaghan 14.30, 16.30, 21.30
Concerto de Jazz de Chakseng & Friends, 21h00 Fundação Rui Cunha Entrada livre Concerto de Placido Domingo com Orquestra de Macau, 20h00 Centro Cultural de Macau Bilhetes entre as 680 e as 1880 patacas
pixels [3d] [b]
hero 2015 [b]
Falado em japonês legendado em chinês e inglês Filme de: Nikhil Advani Com: Takuya Kimura, Keiko Kitagawa 14.30, 16.45, 21.30
attack on titan [c]
Falado em japonês legendado em chinês e inglês Filme de: Shinji Higuchi Com: Haruma Miura, Kiko Mizuhara 19.30
Aconteceu Hoje
27 de agosto
Domingo Dia aberto no Yoga Loft com documentário Kumaré, a partir das 15h00 Yoga Loft Entrada livre
Diariamente Exposição de fotografiade Mo Shah (até 21/09) Galeria Fabrik, Hong Kong Entrada livre
Nasce Confúcio, o precursor da ética social
‘Blademark’, exposição de pintura de Fortes Pakeong (até 12/09) Albergue SCM Entrada livre Exposição de Fotografia de Velhos Templos de Macau Museu de Arte de Macau (até 31/12) Entrada livre Exposição “Artefactos de Excelência – Gravações de Carimbos por Luo Shuzhong” Museu de Arte de Macau, das 10h00 às 19h00 (até 28/2) Entrada livre Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro) Centro de Ciência de Macau Entrada livre Exposição “De Lorient ao Oriente - Cidades Portuárias da China e França na Rota Marítima da Seda” Museu de Macau (até 30/08) Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre
U m d i s c o h o j e Control (Milo Green, 2015) A banda de Milo Green é formada por Robbie Arnett, Graham Fink, Andrew Heringer e Marlana Sheetz e Curtis Marrero, um quinteto californiano de Los Angeles. Marrero dedica-se à percussão, enquanto os quatro membros restantes se ficam pelos outros instrumentos e voz. “Control” é, ao mesmo tempo, uma homenagem ao cinema moderno e ao folk, embora os críticos tenham referido que o novo álbum é mais positivo em maturidade. Aconselham-se Lonely Eyes e White Lies. Leonor Sá Machado
• No ano 551 antes de Cristo, a 27 de Agosto, nasce o filósofo chinês Confúcio, que desenhou os caminhos da ética. É o autor de um princípio partilhado na actualidade: “Não faças aos outros o que não gostas que façam a ti mesmo”. Confúcio foi um filósofo e pensador chinês, cujo pensamento sublinhava a moralidade, procedimentos correctos nas relações sociais, a justiça e a sinceridade. Estes valores ganharam relevo na China, perante outras doutrinas da Dinastia Han. De acordo com os princípios de Confúcio, deveriam imperar uma lealdade familiar forte (a família deveria ser a base para um governo ideal) e a veneração e respeito para com os idosos. É da autoria de Confúcio um conhecido princípio praticado na actualidade: “Não faças aos outros o que não gostas que façam a ti mesmo”. Trata-se de uma das versões mais remotas da ética da reciprocidade. A escola filosófica de Confúcio foi seguida pelos seus discípulos, que espalharam estes ideais pelos estudantes – mais tarde, funcionários em diversas cortes reais chinesas. O túmulo de Confúcio localiza-se em Qufu, província de Shandong, na China. Neste dia 27 de agosto, em 1810, explode parte da cidade de Almeida, destruindo a catedral, o castelo e as defesas da cidade. Morreram cerca de 500 soldados luso-britânicos, num evento que permitiu a invasão francesa em Portugal. Já em 1955, é lançado o Livro Guinness dos Recordes, inicialmente como brinde aos consumidores da cerveja Guinness.
João Corvo
fonte da inveja
Nem Deus, nem rei, nem amo-te.
opinião
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Leocardo
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bairro do oriente
A
falta de uma “silly season” a que fiz referência na semana passada neste espaço veio parir mais um monstro. Numa iniciativa que deverá ter tudo de original à escala global, os “patrões” vão sair à rua a protestar contra os “empregados”, ou neste caso “empregadas” – em Macau os empregadores marcaram para este domingo uma manifestação contra as suas empregadas domésticas. Não é engano, e penso que nada ficou perdido na tradução: centenas de pessoas vão protestar contra outras que colocaram a trabalhar na sua casa de forma completamente voluntária. Não sei que “slogans” e outras palavras de ordem se vão escutar nessa tal manifestação, mas suspeito que não será “não me limpem a casa”, ou “deixem os meus filhos esquecidos no infantário”, isso é que era. Este é mais um daqueles casos em que se exige “que alguém faça alguma coisa”. Quem e o quê, isso já não é problema deles, que já fizeram o que lhes competia, que é protestar. A parte do “deitar abaixo” está feita, agora que “alguém” se encarregue de fazer o resto. Esta iniciativa, que só pode ser catalogada de “absurda”, partiu de uma tal Associação de Empregadores dos Serviços Domésticos, e tem como mote um caso isolado, onde uma ajudante familiar de origem vietnamita terá maltratado uma criança pequena, que tinha a seu cargo. O bom senso diz-nos que este é um caso de polícia, e generalizar seria cair no ridículo – deviam todas as mulheres deixar os seus maridos com o pretexto de um caso de violência doméstica, por exemplo? Mas o bom senso não é para aqui chamado, e é por demais evidente que existirão outras razões que não essa para que tanta gente prestar-se a esta triste figura, que nem de “hipocrisia” se pode classificar, de tão surrealista que é. O que vai dizer um patrão que participe desta arruada à sua empregada? “Olha, no Domingo vou-te rogar mil pragas, mas isso não quer dizer que na segunda tens folga, estás a ouvir? Quero-te aqui às oito em ponto, como costume. Ah sim, é verdade: VOLTA PARA O TEU PAÍS, DESGRAÇADA!”. Nós, comunidade portuguesa, sempre na linha da frente do sentimento humanista na sua vertente “respeita os mais fracos e os oprimidos, ou levas na tromba”, fomos os primeiros a manifestar indignação por isto, que não fica muito atrás daqueles exemplos horrendos de que a História é fértil, desde cristãos a judeus, passando por ciganos, pretos, mulheres no Islão, etc, etc, etc. Não nos fica mal indignarmo-nos, não senhora, até porque não custa nada: é só falar, ou escrever, agitar o punho, chamar “selvagens” a estes, “racistas” e “xenófobos” aos outros, e lá ficamos de consciência tranquila. Deve ser a mesma coisa que sentem os participantes da manifestação do próximo domingo, no fundo: não gostam das empregadas, não
Frank Lloyd, Maid of Salem
Vá-se lá entender...
as querem cá, mas não podem passar sem elas. No fundo funciona um pouco como um acto de auto-flagelação, um processo em que se expiam os pecados, os seus, e os dos outros, e vão ficar ali a marrar na parede até que alguém repare e diga “Epá, afinal sempre é verdade, vocês estão mesmo MUITO chateados. Há coisas, como estas e muitas outras, que nunca vamos entender, pois não são para serem entendidas por nós. É a “cosadeles”, que é como a “cosanostra”, mas só que “é deles”. Aqui em Macau, onde não existe um “SOS racismo” e afins (e ainda bem, livra!), convivem no mesmo espaço vários nacionalidades e etnias, as coisas são
estruturadas desta forma, há os que são de cá, e os que vêm de fora, e isto percebe-se a olho nu. Um filipino que tenha nascido em Macau, filho de pais filipinos, mas que tenha estatuto de residente, e como tal os mesmos deveres e direitos da família Chan, Leong ou Wong, não se livra de ouvir um “volta mas é para a tua terra”, na eventualidade de “pisar a cauda” a um outro residente como ele, mas que à vista desarmada não se dá conta desse facto – e nem precisa, para quê? Afinal quantos de nós também já não se deu a dizer cobras e lagartos de um grupo de milhões, apenas porque dois ou três destes nos tramaram numa ou noutra circunstância? Se quiserem um exemplo, basta recordar que
Não sei que “slogans” e outras palavras de ordem se vão escutar nessa tal manifestação, mas suspeito que não será “não me limpem a casa”, ou “deixem os meus filhos esquecidos no infantário”, isso é que era. Este é mais um daqueles casos em que se exige “que alguém faça alguma coisa”. Quem e o quê, isso já não é problema deles
1500 milhões de pessoas em todo o mundo, um quarto da humanidade, professa a religião muçulmana – serão todos eles “gajos de quem só queremos distância”? Não concordo que os chineses em geral sejam racistas, ou que alguma vez tenham sido. São etnocêntricos, isso sim, e para eles existe a China e os chineses, e depois o resto do mundo, que é habitado pelos “estrangeiros”. Mesmo que alguém tenha nascido na China, mas com outra ancestralidade, aos olhos dos chineses nunca será um deles, e o mesmo se aplica aos mestiços, ou alguém que não tenha uma linhagem familiar completamente chinesa. Contudo não os vejo deixar de interagir com os tais “estrangeiros”, e como censurar? Eles são assim, tal como os seus pais já eram, e os pais destes, e não sabem ser outra. É muito despeito, na minha humilde opinião, querer aplicar as valências adquiridas pela nossa culturização a quem nasceu, cresceu e vive num mundo completamente à parte do nosso, e onde o valor da vida humana tem outra cotação. Achamos graça aos aspectos mais exóticos desta cultura, mas não percebemos nem queremos aceitar o reverso da medalha. E vá-se lá entender porquê...
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Rui Tavares
in Público
A geografia da crise em mudança (2) veis a opacidade, a corrupção, a falta de qualidade de vida, a degradação ambiental. Quando a perspectiva de futuro é negativa, não. Daí as três perguntas que ficaram da semana passada: qual é o impacto desta crise na globalização? qual é a sua natureza, cíclica ou “secular”? e terá ela consequências sobre o sistema internacional?
Richard Brooks, Crisis
E
screver sobre a bolha da China é mais fácil hoje do que na semana passada, na primeira crónica desta série, para não falar de há sete anos, quando pela primeira vez me referi a ela. A avaliar pelos títulos de jornais de ontem (terça-feira), ninguém fala de outra coisa. O que nos deve preocupar é a possibilidade de esta ser uma crise em três vagas: a primeira, quando se iniciou, nos EUA; a segunda, a partir de 2010, com a transmissão à crise do euro; e a terceira, agora, com o retrocesso dos países emergentes. Se assim for, estaremos apenas a meio de uma crise global muito dolorosa. Muitos países em desenvolvimento carecem de regimes políticos capazes de gerir o descontentamento de sociedades populosas, jovens e agora mais exigentes perante qualquer abrandamento económico, já para não falar numa recessão mais severa ou prolongada. Quando as coisas podem correr bem a todos, são mais tolerá-
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Para que as coisas não corram mal será necessário extrair a política da cultura dominante de egoísmo e recriminação, e voltar a ter a grandeza de uma política com vocação humana, escala global e cultura cosmopolita. As ideologias actuais estão singularmente mal preparadas para o que nos espera
cartoon por Stephff
Enganam-se aqueles que acham que a globalização não é reversível. Já aconteceu antes: comparativamente, o final do século XIX era mais globalizado do que os meados do século XX. Mas também se enganam também aqueles que pensam que a globalização é reversível sem drama. A humanidade retrocedeu moralmente durante grande parte do século XX, e pagou uma vastidão de sofrimento por isso. Em tese, não é impossível propor uma globalização mais justa, mais equilibrada e ambientalmente mais sustentável: não se vê é ninguém com força moral ou margem de manobra para o fazer agora. À segunda pergunta juntam-se uma série de preocupações: o dividendo da educação e da diminuição da natalidade só se faz sentir uma vez em cada sociedade e aproximamo-nos de barreiras tecnológicas importantes nos transportes, na medicina e na automação do trabalho. Quanto mais vejo estes desenvolvimentos, mais acredito que precisaremos de um socialismo para o século XXI: não o socialismo estatista e supostamente científico do século XX, mas um socialismo da partilha e da liberdade e até precursor da ecologia como o propuseram alguns autores do século XIX (de Morris a Thoreau e Tolstoi). A terceira pergunta é a mais decisiva. Não faltam zonas de conflito, territoriais ou culturais, internas ou externas, para um mundo onde vai havendo menos pão e cada vez menos razão. Não parece que o sistema internacional, assente num certo equilíbrio de poderes e numa ONU pouco determinante, possa fazer muito se as coisas correrem mal. Para que as coisas não corram mal será necessário extrair a política da cultura dominante de egoísmo e recriminação, e voltar a ter a grandeza de uma política com vocação humana, escala global e cultura cosmopolita. As ideologias actuais estão singularmente mal preparadas para o que nos espera. Mas faltava uma quarta pergunta: que pode fazer Portugal, um país supostamente periférico, mas na crista dos movimentos de globalização desde há seiscentos anos? Bem, essa é para uma próxima crónica.
opinião 19
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Rui Flores
ruiflores.hojemacau@gmail.com
dissonâncias
A
nova crise política na Guiné-Bissau faz levantar dúvidas, uma vez mais, sobre a adequação do quadro jurídico-constitucional em vigor no país com a realidade sócio-política guineense. Esta é uma questão que tem sido levantada em tempos de confrontação política ou na sequência de mais um golpe de Estado. Desta vez, a crise colocou o Presidente da República eleito pelo PAIGC, José Mário Vaz, contra o líder do PAIGC e primeiro-ministro demitido, Domingos Simões Pereira, e a nomeação de um governo de iniciativa presidencial, chefiado por Baciro Djá, ex-ministro da Presidência do Conselho de Ministros que se incompatibilizou com o antigo secretário-executivo da CPLP. Tudo por alegada corrupção e incompetência do executivo. As crises político-securitárias têm-se repetido na Guiné-Bissau como em poucos outros países da África Ocidental. A história regista o facto de que, desde as primeiras eleições multipartidárias em 1994, não houve nenhuma legislatura que chegasse ao fim nem um Presidente da República que completasse o seu mandato. As razões para que isso tenha acontecido e continue a acontecer, 31 anos depois do primeiro acto eleitoral e 42 anos após a independência, são várias e têm sido apontadas nos últimos anos pelos mais diversos comentadores. As consequências directas são os golpes de Estado e os assassínios, mas o analfabetismo, o tribalismo, a incapacidade de diálogo entre os vários protagonistas políticos são alguns dos problemas que os diversos analistas têm identificado como causas estruturantes da instabilidade permanente que tem marcado a Guiné-Bissau pós-colonial. Uma das principais questões que enquadram o problema da recorrente instabilidade da Guiné-Bissau foi salientada pelo ex-representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas no país, José Ramos-Horta, quando há dias, nas páginas do Público, apontou o dedo a um dos mais recentes legados lusos, a influência jurídico-constitucional: “A crise resulta de uma Constituição que foi cozinhada em Portugal, sem qualquer consideração à realidade social da Guiné-Bissau, mas encomendada e absorvida na Guiné-Bissau, logo a seguir ao derrube do Presidente Amílcar Cabral. A partir desse primeiro golpe nunca mais conheceu paz.” Antevendo as dificuldades que poderiam existir entre o poder presidencial e o executivo, Ramos-Horta, diz o próprio, procurou deixar um conselho ao Presidente Vaz, quando deixou a chefia da missão da ONU na Guiné-Bissau: “Esse modelo Constitucional não desculpa tudo. A crise tem a sua génese no Palácio Presidencial, num Presidente que, mau grado as prerrogativas ou limitações dos seus poderes, devia
John Guillermin, Shaft in Africa
Da impunidade política na Guiné-Bissau
acima de tudo ser o mediador, homem de diálogo, fazedor de consensos. Foi o que aconselhei o Sr. Presidente José Mário Vaz a ser: o homem do diálogo, o apaziguador. Obviamente ele não ouviu. Ou ouviu mas sucumbiu a tentação e resvalou pelo mesmo trilho muito perigoso por onde passou outros Presidentes de triste memória.” Político experiente, Ramos-Horta sabe do que fala quando refere que o modelo jurídico-constitucional guineense não se
adapta à cultura sócio-política do país. Afinal, a Guiné-Bissau, como Timor-Leste mais de duas décadas depois, adoptou um sistema político inspirado no modelo semipresidencialista português. Tanto num caso como no outro, assessores portugueses estiveram por detrás das propostas que haveriam de ser consagradas em lei. A lógica do Presidente-mediador, apagador de fogos, proponente de compromissos é uma marca do sistema presidencialista.
O reconhecimento da diferença e das especificidades sócio-culturais de países como a Guiné-Bissau deve ser o primeiro passo para se encontrar uma estrutura jurídicopolítica que permita a estabilidade, elemento essencial do desenvolvimento
Uma marca que tem estado ausente da Guiné-Bissau de Vaz, como esteve ausente em Timor-Leste, em 2006, quatro anos depois da independência, quando Xanana Gusmão era o Presidente e o país, dividido entre dois grupos étnicos, esteve à beira de uma guerra civil. A questão constitucional está há muito identificada. Foi um dos problemas elencados, por exemplo, durante as duas dezenas de conferências organizadas pela Assembleia Nacional Popular, com o apoio do então Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, “Caminho para a Consolidação da Paz e Desenvolvimento”, que procurou fazer o diagnóstico das principais causas de conflitos na Guiné-Bissau e avançou propostas para a sua resolução. Nesse documento, os que sugeriam a introdução do presidencialismo – o modelo em vigor nos vizinhos continentais da Guiné-Bissau, quer anglófilos quer francófonos – faziam-no “como forma de evitar conflitos de competências entre os titulares dos órgãos de soberania”. A principal fonte de problemas identificada, no entanto, foi outra: uma certa cultura de impunidade, que propiciou assassínios políticos, a descredibilização do Estado, o tráfico de droga. O reconhecimento da diferença e das especificidades sócio-culturais de países como a Guiné-Bissau deve ser o primeiro passo para se encontrar uma estrutura jurídico-política que permita a estabilidade, elemento essencial do desenvolvimento. No que ao impasse constitucional diz respeito, muitos não querem ver o problema. Parte da elite guineense foi formada em Portugal e não quer sequer abrir a porta à discussão, aparentando ser imune às lições da história, que nos mostram que, também no processo de consolidação democrática de Portugal, a tensão entre o poder presidencial e o poder executivo foi motivo de instabilidade. Outros aproveitam o actual quadro para dar razão aos que proclamam que existe uma espécie de poder à africana que tem alergia ao Estado de Direito e aos direitos das minorias, em que o Presidente usa o seu poder absolutamente numa lógica de total sobreposição da pessoa do Presidente ao Estado, na qual a concepção republicana do Estado está ausente. Ao optar por isolar Simões Pereira, um político reputado – que congregou o apoio da chamada “comunidade internacional”, de quem recebeu a promessa, há apenas cinco meses, da doação de mil milhões de euros de ajuda ao desenvolvimento – vai no caminho de perpetuar a instabilidade. As pequenas conquistas do último ano, tão celebradas pelos guineenses quer na sua terra quer na diáspora, vão ser todas postas em causa. Afinal, foi só agora, nos últimos meses, que Bissau, pela primeira vez em muitos, muitos anos, passou a ter electricidade 24 horas por dia. Vaz está no lado errado da história.
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pub
Japão pede investigação a espionagem
Obama em xeque O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu ontem ao Presidente norte-americano, Barack Obama, para investigar a suposta espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) ao Governo de Tóquio e a várias entidades e empresas nipónicas. Abe transmitiu o pedido a Obama durante uma conversa ao telefone mantida ontem, informou o ministro porta-voz do Executivo japonês, Yoshihide Suga, em conferência de imprensa. O primeiro-ministro também solicitou ao Presidente dos Estados Unidos que tome “acções apropriadas” sobre a suposta espionagem, enquanto Obama manifestou as suas desculpas relativamente ao caso, disse Suga. “Se for verdade, a nossa relação de confiança pode sair danificada”, disse o ministro porta-voz em declarações reproduzidas pela agência Kyodo. No final de julho, o portal WikiLeaks publicou uma série
de documentos em que assegura que a NSA espiou o Governo e várias empresas do país asiático. Além de relatórios, o portal fundado por Julian Assange compilou uma lista de 35 alvos japoneses de “alta prioridade” para interceptar telefonicamente, da qual figuram o Governo, o Banco do Japão, vários ministérios e grandes grupos como a Mitsubishi. Segundo o Wikileaks, as escutas remontam até 2006, altura em que o actual primeiro-ministro, Shinzo Abe, governava pela primeira vez. As informações obtidas “demonstram um conhecimento pormenorizado de decisões internas do Japão sobre questões como as importações de produtos agrícolas e os diferendos comerciais, as posições japonesas no ciclo de negociações multilaterais de Doha da Organização Mundial de Comércio, sobre energia nuclear e emissões de gases com efeito de estufa”, de acordo com o Wikileaks.
EUA Dois jornalistas mortos a tiro em directo
Dois jornalistas foram mortos a tiro durante uma entrevista em directo para o canal WDBJ7, na Virgínia, EUA, noticia aquele canal de televisão. A jornalista Alison Parker, de 24 anos, e o repórter de imagem Adam Ward, de 27, encontravam-se na Bridgewater Plaza, a fazer uma entrevista quando aconteceu o ataque, cerca das 6:45. O principal suspeito de ter assassinado dois jornalistas norte-americanos suicidou-se horas depois do crime, quando confrontado pela polícia. Segundo a estação WDBJ7, que cita a polícia da Virgínia, Vester Lee Flanigan, conhecido como Bryce Williams, matou-se na autoestrada, em Faquier County.