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segunda-feira 27 de Junho de 2016 • ANO Xv • Nº 3600 pub
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Director carlos morais josé
Pró-democratas
Pela saúde do regime UM Yao Jingming novo director do departamento de português
Novos contos da montanha A partir do próximo mês de Setembro o comando do departamento de português da universidade de Macau vai mudar de mãos. Sai Fernanda
Gil Costa e entra Yao Jingming. Segundo os alunos, esta pode ser uma mudança que torna o ensino deste departamento “mais oriental”.
Página 14
páginas 8 - 9
Amarga Saída BRexit
Grande plano
Metro
Prémios exemplares página 7
h A grande Mensagem Guo Xi
Arte em Hong Kong Michel Reis
IPM
Futebol
Jogo Cínico Euro 2016
Seres bilingues entrevista
opinião Direito ao sossego David Chan
2 entrevista
Lei Heong Iok
“Cada vez mais escolas pedem docentes de português” O ensino bilingue é uma das “meninas dos olhos” de Lei Heong Iok. O presidente do Politécnico de Macau acredita na RAEM enquanto plataforma de trocas comerciais e culturais e lidera uma instituição que acompanha os tempos e as mudanças
“Há cada vez menos pessoas que falam português interessadas em ingressar na função pública”
Para o Instituto Politécnico (IPM) quais as mais-valias da Lei do Ensino Superior? Para o IPM o aspecto mais importante é, com certeza, o poder vir a abrir os graus de mestrado e doutoramento. Esta abertura é de grande importância para o ensino superior até porque até agora, não podíamos abrir estes graus e com a futura lei do ensino superior o IPM poderá ter este poder académico. Mas já têm parcerias com o grau de mestrado... Sim. Os nossos colegas dos politécnicos portugueses já oferecem essa possibilidade. Desta forma estabelecemos parcerias nomeadamente com Instituto Politécnico de Leiria e temos cursos de mestrado abertos, sendo que o diploma é dado pela instituição portuguesa, mesmo que a formação também seja dada em Macau. Com esta abertura, que áreas de mestrado ou doutoramento poderão abrir? Até hoje os nossos licenciados pedem estes cursos porque não podendo continuar os estudos no IPM têm que procurar outras instituições, tanto em Macau e mesmo no estrangeiro. Por exemplo o curso tradução e interpretação português | mandarim, será uma prioridade. O governo já definiu e iniciou a pratica da construção de uma plataforma de comércio entre a China e os Países de Expressão portuguesa e por isso precisa de técnicos bilingues qualificados. Como nós não temos podido abrir mestrados e doutoramento podemos pensar que há aqui uma contradição. Os alunos já pedem a abertura nas áreas de cultura e língua portuguesa com prosseguição de estudos em mestrado e até de doutoramento. É essa então a primeira aposta, a abertura de graus superiores no ensino bilingue?
Sim. Não só é esse o nosso desejo como já iniciámos os preparativos para que isso aconteça. Falando em bilinguismo, O IPM tem esta licenciatura em tradução. Faz sentido ter uma licenciatura deste género sem antes ter formação específica na língua em si? Sendo a especialização em tradução talvez uma área para os tais mestrados? Isso faz sentido se pensarmos na qualidade. Essa pode ser uma solução que poderemos adoptar para quando se chegar à altura de fazer traduções e interpretações já exista o domínio das duas línguas. Realmente é necessário muito tempo para que se consiga fazer tradução . Mas temos que procurar uma solução equilibrada conforme as necessidades por parte dos alunos e mesmo dos pais que podem querer ou não investir tanto tempo ou dinheiro. Estamos a falar que havendo primeiro língua e depois mestrado, de um período de seis anos de estudos. Naturalmente que ficaria garantida uma melhor qualidade mas implica mais investimentos. Não será a qualidade a prioridade? Quatro anos em muitas áreas de estudo, não são efectivamente suficientes. Daí e mais uma vez, a necessidade de abertura de mestrados e doutoramentos. O IPM também está a pensar seriamente nessa lógica para os cursos que possam ser seguidos de graus superiores. Já sabíamos disso também há muito e por isso tratámos de antemão de estabelecer parcerias com politécnicos e universidades portuguesas e já conseguimos com Leiria ou Lisboa . Sabemos que temos ali fontes onde beber esse conhecimento. Para o grau de doutoramento já estabelecemos uma parceria com a Universidade de Lisboa. Gostaria de referir outro aspecto : hoje em dia, com o uso
Sofia Mota
Presidente do Instituto Politécnico de Macau
da tecnologia em particular na área da tradução, na chamada “machine translation”, temos estado especialmente atentos. Neste momento temos com Leiria e Coimbra , em andamento um projecto para a criação de um laboratório de tradução automática assistida por computador. Já falámos com o presidente do IPL e com alguns professores de Coimbra. Neste momento esta uma delegação do IPM em Coimbra , com especialistas na área de informática para darmos andamento ao projecto. Estão a criar um sistema informático capaz de fazer traduções com qualidade? Exactamente! Hoje em dia está na moda e já há programas com alguma qualidade neste tipo de tradução nomeadamente do inglês para o chinês ou vice versa. Dadas as especificidades do chinês, acha que é possível conseguir qualidade? É muito difícil mas acho que é possível e que vale a pena tentar. E o futuro dos tradutores que estão a formar ? Acho que o Homem é sempre necessário para controlar a máquina. Há alunos provindos da China continental que se licenciam em Macau, nomeadamente na área da tradução e interpretação, e depois não são absorvidos pelo mercado local por dificuldades relativas à residência. Qual a sua opinião? Isso é uma área que não me compete, mas eu sou da opinião de que estando nós a formar tradutores de qualidade se devem abrir as portas de ambos os lados: quer a chineses do continente quer a portugueses que aprenderam o mandarim. Macau como plataforma deve não só atrair estas pessoas como ainda criar condições para que elas trabalhem cá de modo a aproveitar
da melhor maneira esses recursos. Penso que é muito importante criar boas condições para a construção desta plataforma. O Governo, defendo eu, deve aproveitar. Pelo que sei, há vários serviços do Governo onde fazem falta bons tradutores e intérpretes. Por que não aproveitar melhor os alunos que passam por Macau? Acho que se devem criar condições para facilitar os pedidos de residência para esses profissionais. O IPM está também a abrir novos cursos e a integrar estudantes de mais países....
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“Cada vez mais escolas primárias e secundárias pedem docentes de português, mesmo na China continental. Mas há que garantir a qualidade” “A criação de um exame conjunto entre várias instituições é feito no sentido de facilitar aos alunos” cedidos pelo Governo que também ajudarão a albergar estes novos alunos e a partir do próximo ano lectivo já poderemos receber mais estudantes. Como é que estes cursos vão ser financiados? Com certeza que haverá estudantes com dificuldades financeiras pelo que tentaremos facilitar dentro do possível esses alunos com bolsas de estudo, ou mesmos estadia nas residências. Poderemos ainda ponderar a atribuição de outros subsídios como à alimentação.
Sim, abrimos um novo curso de língua chinesa para pessoas dos países de expressão portuguesa. Este é o primeiro ano deste curso de licenciatura em língua e cultura chinesa. Qual a especificidade deste curso? A abertura deste curso é especialmente preparada para pessoas que falem português e que queiram aprender mais chinês, não só a nível de língua como da cultura chinesa. Estamos a abrir este curso enquanto licenciatura e quem sabe, no futuro, ter outros graus. Já
estabelecemos algumas parcerias e com a coordenação de vários politécnicos, para que tenhamos mais estudantes portugueses acabados de sair do secundário e que vêm directamente para o IPM, fazendo cá a licenciatura. E não serão só de Portugal. Teremos alunos de Cabo verde, Angola e mesmo do Brasil. No primeiro ano já vamos começar com quatro estudantes brasileiros e virá também uma turma de Cabo Verde que frequentará cursos nas áreas de jogos. De Portugal ainda não tenho o número de alunos, mas saberemos que irá aumentar. Já temos mais edifícios na Taipa
Na área do português, o IPM tem ainda o curso de Administração Pública que tem vindo a ter cada vez menos alunos. Porquê? Macau foi entregue à China já há quase 18 anos e por isso o número de portugueses na administração pública tem também vindo a diminuir. As pessoas que falam português começam a não ver utilidade em tirar este curso. Por outro lado, há cada vez menos pessoas que falam português interessadas em ingressar na função pública. No entanto, se construirmos uma plataforma também aberta a mais países de expressão portuguesa, acreditamos que este curso poderá renascer e voltar a crescer. Actualmente também não o podemos abrir a estudantes da China ou outros estrangeiros, mas tendo outros cursos abertos a estudantes de língua portuguesa, esses alunos posteriormente poderão sentir interesse e querer integrar este, de Administração Pública. Acho que no futuro não voltaremos a sentir a falta de alunos. Por outro lado,
também criámos a formação em relações económicas e comerciais e assim conseguir ter mais alunos e dar mais aulas aos nossos professores. Enquanto plataforma, como tem dito, em que mais se tem destacado o IPM? O IPM muda com o tempo e com as circunstâncias. Depois de ler uma recente entrevista do presidente Marcelo Rebelo de Sousa e sendo que Portugal pretende também ser um ponto estratégico da “Rota da Seda”, o IPM pode contribuir mais e melhor. Assim, por exemplo, e na sempre referida falta de técnicos bilingues, nomeadamente em áreas como a lei, finanças ou tecnologia, porque não pensar no futuro no domínio da área ferroviária, por exemplo. Estamos também a criar condições para abrir formação da docência do português. Por quê a docência do português? Cada vez mais escolas primária e secundárias pedem docentes de português, mesmo na China continental. Mas há que garantir a qualidade e o IPM com as parcerias que tem, pode assumir isso mesmo. Relativamente aos estágios e à remuneração ou não dos mesmos. O que acha? É difícil responder a isso devido à lei do trabalho em vigor. Podemos é utilizar a chamada “ajuda aos estudantes”, com alguns subsídios de incentivo Penso que o Governo também nesse sentido deveria abrir mais possibilidades. Falamos actualmente das duplas licenciaturas que poderão vir a ser administradas. Considera uma medida positiva para o ensino superior? Num futuro próximo o IPM não vai aderir às duplas licenciaturas. Pensamos mais na qualidade. Acha que vão interferir nessa qualidade? Há pessoas que são capazes de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Há outras que não o podem fazer, nem querem. Mas quem faz duas coisas ao mesmo tempo, na minha opinião, tem sempre mais dificuldade e a qualidade do resultado será aquém do esperado. Os novos exames unificados aos quais o IPM aderiu, constituem uma medida facilitadora para quem? Penso que a criação de um exame conjunto entre várias instituições é feito no sentido de facilitar aos alunos. Com resultados já obtidos
nas diversas áreas, os alunos podem concorrer em simultâneo a várias instituições. Mas se correr mal não tem mais hipótese de repetir... Tem razão nesse sentido, mas não há rosas sem espinhos. Nós vemos mais vantagem do que desvantagens. Acho que facilita muito. Na época de exames, coitados dos estudantes que se queiram candidatar a por exemplo dez instituições, têm que fazer dez exames, um para cada uma. É um período terrível para os estudantes. Agora fazendo este exame que depende das instituições que aderem, só têm que fazer um para essas mesmas instituições. Qual a sua opinião quando ao financiamento por parte do Governo do ensino superior privado? Não me quero pronunciar quanto a essa política do Governo. A UM encerrou algumas turmas de português. Qual a sua opinião? cancelamento de turmas de português pela UM? Eu só li o que foi publicado na imprensa portuguesa. De qualquer forma acho que quer o governo ou o IPM investem muito mais na área do português. O gabinete do ensino superior e Alexis Tam o nosso secretário, também dão muita importância ao ensino da língua e cultura portuguesa e apoia-nos muito nesse sentido. O que tem a dizer acerca da recente descida de dez lugares da UM no ranking asiático? Não meto o nariz na área dos outros. Interessa-me mais a minha instituição. Avaliação do ensino superior... Acho que os novos sistemas de avaliação são importantes. O IPM por exemplo contrata delegações de avaliação portuguesas para avaliação do nosso curso na língua. Ainda não saiu o resultado mas a delegação já enviou uma nota com uma avaliação positiva o que é muito bom ara nós e nos dá também um grande estímulo. Para outros cursos também convidamos agências especialistas em cada uma das áreas. No inglês convidamos Nova Zelândia e na informática convidámos agências de Inglaterra. É importante aceder à qualidade segundo os critérios internacionais. Se Macau quer ser internacionalmente reconhecido tem que ter instituições cuja qualidade esteja de acordo com os critérios internacionais, e para isso não pode recorre a avaliação local. Sofia Mota
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4 grande plano
Brexit Futuro ainda é incerto para estudantes de Macau
O gosto amargo O Reino Unido decidiu a saída da União Europeia e para já é incerto o futuro dos estudantes de Macau com nacionalidade portuguesa. Só sabem que temem dificuldades de permanência no país. Jason Chao aconselha-os a “apressarem-se”
Despachem-se!
Pequim pede acordo “rápido” entre UE e Londres
A
China apelou sexta-feira à União Europeia (UE) para que chegue “rapidamente” a acordo com o Reino Unido, após a vitória da “saída” no referendo, e reiterou o seu respeito pela decisão do povo britânico. “Esperamos que as duas partes iniciem conversações e cheguem rapidamente a um acordo”, sobre a forma como se conduzirá a saída britânica, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying. Hua disse, na conferência de imprensa de rotina que mantém com os jornalistas estrangeiros, que a China “respeita” o resultado do referendo e a decisão
do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que já anunciou a intensão de se demitir. A porta-voz esclareceu, no entanto, que a China manterá os acordos de cooperação financeira com o Reino Unido. Um dos mais importantes diz respeito à escolha da “city” para lançar emissões de títulos denominados na moeda chinesa, o yuan. Hua indicou ainda que a UE e os seus membros vão necessitar de “algum tempo” para estabelecer os termos da saída. A porta-voz acrescentou que Pequim manterá a sua cooperação com o Reino Unido e a UE, insistindo que “uma Europa forte e estável favorece os interesses da China”.
B
árbara vive no Reino Unido há 12 anos, é macaense e ainda não sabe o que o futuro lhe reserva após os resultados do Brexit, referendo que decretou a saída do país da União Europeia. Como portadora de passaporte português Bárbara tem acesso a regalias sociais e a propinas mais baixas, mas o futuro avizinha-se hoje mais difícil. “Estou um pouco assustada,não sei o que vai acontecer, porque, apesar de viver lá há 12 anos, vai ser mais difícil com o Brexit provar que sou residente e que vivo sozinha. Vai ser mais difícil conseguir trabalhar e viver lá e ter um suporte financeiro”, contou a estudante ao HM. “Pago as mesmas propinas do que um estudante do Reino Unido, mas neste momento não tenho a certeza do que vai acontecer, porque cobram propinas mais altas aos estudantes internacionais. Com o Brexit vamos ser considerados estudantes internacionais e isso pode afectar a nossa ida, porque não teremos as mesmas capacidades financeiras para estudar lá”, acrescentou Bárbara. Jason Chao, dirigente da Associação Novo Macau (ANM) que assistiu ao referendo em Londres, pede aos estudantes que estão a pensar seguir os seus cursos universitários no Reino Unido para se “apressarem” antes que mudem as regras do jogo. “Os estudantes de Macau e os seus pais escolhem as universidades do Reino Unido pela sua reputação, a posição no ranking e para poderem melhorar o inglês. Encorajo os residentes de Macau com passaporte português a se apressarem para apanhar o último comboio se querem as actuais facilidades de acesso às instituições de ensino superior do Reino Unido. Mas tudo vai depender das negociações. Se o direito de liberdade de movimentos se mantiver, creio que virtualmente não haverá qualquer impacto”, defendeu ao HM. “O pior cenário que pode acontecer é que todos os europeus a residir, trabalhar e estudar no Reino Unido terão de pedir vistos de permanência, os quais serão aprovados caso a caso. David Cameron demitiu-se do cargo de primeiro-ministro e isso deixa as coisas pouco claras quanto às futuras negociações”, referiu ainda Jason Chao. Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair da União Europeia, depois de o ‘Brexit’ ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
“Estou um pouco assustada, não sei o que vai acontecer, porque, apesar de viver lá há 12 anos, vai ser mais difícil com o Brexit provar que sou residente e que vivo sozinha” Bárbara estudante macaense
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do rosbife
Hong Kong Saída empurra bolsa mais de 5% para baixo
Na sexta feira, a Bolsa de Hong Kong caiu mais de 5% lançando o pânico nos mercados asiáticos após o anúncio do voto dos britânicos no referendo favorável ao ‘Brexit’, saída do Reino Unido da União Europeia. O índice composto de Hang Seng perdeu 1,067.34 pontos para os 19,801.00 pontos. Os ‘gigantes’ bancários HSBC e Standard Chartered foram duramente atingidos por esta onda de pânico, perdendo mais de 10 e 11%, respectivamente.
Coreia do Sul quer rever acordo de livre comércio com UE
O Governo da Coreia do Sul disse ontem que vai rever o tratado de livre comércio com a União Europeia para reflectir o resultado do referendo britânico, que ditou a saída do Reino Unido da UE (‘brexit’). “A eficácia do Tratado de Livre Comércio Coreia do Sul - UE no Reino Unido tornar-se-á nulo (...). É necessário uma revisão do tratado para reflectir esta situação”, diz o Governo de Seul, num comunicado. O tratado foi assinado em 2009 e entrou em vigor em 2011. O Governo sulcoreano acrescenta que vai analisar a situação com a União Europeia e negociará com Bruxelas as mudanças necessárias, excluindo Londres do processo. Seul vai ponderar a possibilidade de negociar outro tratado comercial com Londres para resolver “incertezas legais”, acrescenta o comunicado. A “prioridade” é minimizar o impacto do ‘brexit’ nas empresas da Coreia do Sul, que é a quarta economia asiática.
Governo activa resposta a possíveis consequências
O
Governo de Macau afirmou que a saída do Reino Unido da União Europeia terá um impacto “relativamente limitado” no território, mas criou “uma plataforma de resposta” às consequências que podem advir no plano económico e financeiro. Apesar das “implicações” do resultado do referendo nas tendências económicas internacionais e nos mercados financeiros “serem muito profundas”, prevê-se que o impacto em Macau “deva ser relativamente limitado”, refere um comunicado do gabinete do Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. Por um lado, a percentagem dos activos denominados em libras esterlinas, detidas pela reserva cambial de Macau, é muito reduzida e, por outro, o volume de comércio com o Reino Unido também é pequeno e Macau não dispõe de mercado de capitais de acções. Em paralelo, o Executivo reitera que dispõe de “capacidade suficiente para fazer face às flutuações eventuais do mercado financeiro”.O Secretário da tutela deslocou-se à Autoridade Monetária de Macau (AMCM) para um reunião de trabalho, organismo que “já definiu uma plataforma de resposta às consequências” que possam advir do resultado do referendo e desencadeou os respectivos “mecanismos de supervisão e de resposta ao incidente”.No comunicado, a tutela explica ainda que os fundos da reserva cambial são denominados principalmente em activos em dólares norte-americanos e em dólares de Hong Kong, com os em libras a representarem apenas 0,35%. Em paralelo, a reserva financeira de Macau não dispõe de activos em libras esterlinas. Já no sistema bancário local, no capítulo dos activos estrangeiros, a proporção de crédito sobre a Grã-Bretanha cifra-se em apenas 2,1%, correspondendo a cerca de 17,8 mil milhões de patacas. “Apesar de se constatar um aumento dos investimentos realizados pelos residentes de Macau, nos títulos emitidos pelas entidades britânicas, que ascenderam, no ano passado, a 11,7 mil milhões de patacas, o peso de tais investimentos representou menos de 3% em títulos emitidos no exterior”, detalha. LUSA/HM
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7 POLÍTICA
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S
Metro Deputados dizem que prémio pode ser exemplo no futuro
Prenda no sapato
Um prémio aos bem comportados. É a ideia lançada, na passada semana, por Raimundo do Rosário, a atribuir à empresa que cumprir os prazos definidos na obra do metro ligeiro. Em reacções, vários deputados idealizam a medida para todas as obras públicas, mas é preciso ter atenção HOJE MACAU
ão 8%, do valor total da obra, que serão atribuídos à empresa que cumprir os calendários de trabalho na construção do segmento da Taipa do metro ligeiro. Prémio decidido pelo gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, e tornado público na semana passada. As reacções já chegaram e para vários deputados esta é uma boa ideia, que poderá funcionar não só na obra do metro ligeiro mas em todas as obras públicas. Em declarações ao Jornal de Cidadão, o deputado Au Kam San aplaudiu a ideia do Governo, afirmando que é uma iniciativa indicada para o território. A deputada Kwan Tsui Hang junta-se ao pró democrata e acredita que a medida pode vir solucionar o problema de atrasos nas obras públicas. No entanto, a deputada Ella Lei apesar de não discordar com a ideia, acha que os atrasos são um problema dos construtores e que os mesmos devem assumir as responsabilidades quando não cumprem o calendário de trabalho. Já José Pereira Coutinho, deputado, não concorda com a ideia, nem com a atribuição das funções do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) a uma empresa privada. Para o também presidente da Associação dos Trabalhadores para a Função Pública de Macau (ATFPM) esta substituição de funções vem tirar clareza às funções. “Transferir para uma empresa privada, vai fazer com que os donos da empresa não sejam obrigados a participar na Assembleia Legislativa para responder a interpelações”, explica. Maiores dificuldades na fiscalização das obras e das operações são também consequências futuras apontadas pelo deputado.
“Com os atrasos que têm existido os montantes gastos têm sido muito altos. O tempo perdido não é calculável por dinheiro, e portanto este novo sistema pode vir resolver este problema dos atrasos constantes. O Governo pode perceber qual o efeito desta medida e a médio e longo prazo implementá-la em outras obras”, explicou a deputada. Mencionando outro ponto, a deputada considera que o Governo deve recrutar profissionais do estrangeiro, especializados em matérias ligadas à construção do metro ligeiro. Isto porque, segundo a Kwan Tsui Hang, os funcionários do GIT não têm experiência profissional suficiente para tratar da obra.
Bom e vilão
Au Kam San acha ainda que embora exista um prémio o Governo não se pode esquecer das punições, apesar do Executivo já ter admitido que não existe uma cultura de punição. “Podemos ter os dois sistemas a funcionar ao mesmo tempo, um de punição e um de prémio. É preciso punir quem não cumpre, e premiar quem cumpre, sempre tendo como base a lei”, apontou.
Voz contrária
Apesar de Ella Lei não se mostrar contra, para a deputada cumprir calendários é uma responsabilidade e isso tem de ser cumprido. Antigamente, relembrou a deputada, em caso de atrasos os empreiteiros tinha de entregar um relatório a dar explicações. Algo que não acontece agora. É preciso exigir isso, apontou a deputada, e pedir profissionalismo às empresas. Tomás Chio (revisto por F.A.) info@hojemacau.com.mo
Prémio gordo
O valor (8%) é para o deputado pró-democrata Au Kam San um “montante chorudo”, mas, aponta, feitas as contas talvez o Governo
“Este novo sistema pode vir resolver este problema dos atrasos constantes. O Governo pode perceber qual o efeito desta medida e a médio e longo prazo implementá-la em outras obras” Kwan Tsui Hang deputada
Xu Yingzhen é nova secretária-geral de Fórum Macau
consiga poupar mais assim do que se com as derrapagens nos orçamentos devido aos atrasos. Se assim for, o deputado apoia a aplicação de um prémio em todas as obras públicas, fazendo com que para além de cumprirem o calendário, o Governo poupa erário público. “Percebo que seja difícil introduzir nova idéias em Macau, principalmente por causa das
“Podemos ter os dois sistemas a funcionar ao mesmo tempo, um de punição e um de prémio” Au Kam San deputadO
burocracias, mas pelo menos o Secretário está a tentar isso, quebrando a tradição de Macau, portanto, só posso apoiar esta medida”, explicou o deputado à publicação chinesa. A questão da poupança é também referida por Kwan Tsui Hang que diz-se acreditar que o Governo poderá deixar de gastar “grandes montantes dos cofres públicos” com esta medida.
Xu Yingzhen é o nome escolhido para substituir Chang Hexi, secretário geral do Fórum Macau. A substituição foi avançada pelo jornal “O Clarim”, na sexta-feira passada, sendo que terá sido anunciada numa reunião entre o ministro chinês do Comércio, os embaixadores dos países de língua portuguesa acreditados, em Pequim, e a delegação do Forum Macau. Xu Yingzhen é funcionária do ministério do Comércio chinês e ocupava, até agora, o cargo de chefe de departamento para a América Latina. A substituição no Fórum deverá acontecer em Novembro durante a quinta conferência ministerial.
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Plano Quinquenal
Os deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San apresentaram as suas ideias no âmbito do Plano de Desenvolvimento Quinquenal, o qual, acusam, foge à questão da implementação do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo. A proposta contém novas ideias para a avaliação do Governo
Participação de 500 residentes
A
sessão de consulta pública destinada ao público, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Quinquenal, decorreu na sexta-feira e contou com a presença de 500 residentes. Segundo um comunicado oficial, foram apresentadas sugestões nas áreas do urbanismo, saúde e educação, com destaque para a “atenção ao desenvolvimento e preservação de recursos dos solos de Coloane”, bem como a “definição das políticas de protecção ambiental mais transparentes”. Foi ainda pedido a “intensificação de ordenamento do porto interior e o melhoramento do aspecto da Rua de Bocage nas proximidades da Praça de Ponte e Horta”. Houve ainda “quem sugerisse o lançamento de políticas favoráveis à família, a atenção às camadas que não têm possibilidade de adquirir habitação no mercado privado, mas que, ao mesmo tempo, não preenchem os requisitos de habitação pública”. Os participantes defenderam ainda a “apresentação da calendarização relacionada com a construção de habitação pública e renovação urbana, bem como o delineamento de um bom plano de habitação pública na zona A”.
Governo acusado de fugir à questão democrática
Iniciativas
N
o dia em que Chui Sai On, Chefe do Executivo, ouviu a população sobre o Plano de Desenvolvimento Quinquenal, os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong decidiram apresentar as suas ideias sobre o mesmo Plano, através da Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau (IDCM), associação que lideram. Os dois membros do hemiciclo acusam o Governo de fugir à questão da democracia e do sufrágio universal no Plano de Desenvolvimento Quinquenal. Para Au Kam San e Ng Kuok Cheong, é fundamental apostar na construção de um “regime político saudável” que possa atrair a participação de todos os cidadãos. Os deputados defenderam que a eleição por sufrágio indirecto para a AL tem sido sempre controlada por uma minoria, sem nenhuma competitividade ou transparência, exigindo mais assentos por sufrágio directo. Para Au Kam San e Ng Kuok Cheong, só assim haverá uma verdadeira representatividade da população nos diversos órgãos consultivos e no hemiciclo.
Novas avaliações
O IDCM defende uma avaliação ao desempenho governativo através de várias vertentes. Uma delas prende-se com a avaliação feita pelos cidadãos através de inquéritos, os quais seriam feitos por universidades. Os funcionários públicos iriam realizar avaliações anónimas dos seus directores, enquanto que os secretários das cinco tutelas iriam avaliar os directores. A proposta
sugere uma publicação anual de todas estas avaliações, com a devida definição das punições.
Tiago alcântara
Política
Longe de Pequim
A proposta apresentada pela IDCM está dividida em nove partes, as quais serão o resultado dos vários seminários organizados e opiniões recolhidas junto da população. Questões como os transportes públicos ou o sector do Jogo também foram abordadas, bem como a necessidade de uma maior avaliação do desempenho do Governo, a construção de mais habitação pública e um melhor sistema de segurança social. “O Plano de Desenvolvimento Quinquenal foi elaborado e promovido pelo Gabinete de Estudo das Políticas, o qual não possuir o direito de planeamento. Este é apenas um material de propaganda do Governo e só junta os trabalhos que já estão a ser feitos. Isto é para mostrarmos que aprendemos a fazer as coisas como Pequim faz, mas as diferenças entre os dois planos quinquenais são óbvias”, disse o deputado Ng Kuok Cheong. “O Plano Quinquenal da China apresenta responsabilidades políticas, e ao fim de cinco anos analisam-se as falhas e o que correu bem. Mas em Macau quando se concluir o Plano de Desenvolvimento Quinquenal já terá havido uma mudança de Governo. O novo Governo vai dizer que foi o anterior que falhou e isso tem a ver com a ausência de responsabilização”, defendeu ainda o deputado. Angela Ka (revisto por A.S.S.) info@hojemacau.com.mo
“Isto é para mostrarmos que aprendemos a fazer as coisas como Pequim faz, mas as diferenças entre os dois planos quinquenais são óbvias” Ng Kuok Cheong deputado
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comunitárias Candidatura à AL em silêncio
Para Au Kam San e Ng Kuok Cheong, é fundamental apostar na construção de um “regime político saudável” que possa atrair a participação de todos os cidadãos
A
u Kam San e Ng Kuok Cheong não quiseram prestar declarações sobre as eleições legislativas do próximo ano, não tendo referido se vão ou não candidatar-se a assentos na AL.
As outras ideias Croupiers, aterros e transportes
“A
Zona A dos novos aterros é o único terreno onde o Governo tem total autonomia para o seu planeamento”, referiu Au Kam San. A proposta sugere que no primeiro e segundo ano de implementação do Plano Quinquenal o Governo conclua o planeamento da Zona A, sendo que no terceiro ano deverá estar concluída a concepção das cerca de 28 mil habitações públicas que lá serão construídas, para que estejam prontas até ao final do Plano. Os deputados defendem ainda uma maior proporção da habitação económica em relação à habitação social, sem esquecer a “classe da sanduíche”, ou seja, os residentes que não estão aptos a uma candidatura à habitação económica nem conseguem comprar casa.
Tudo na mesma Tiago alcântara
Sobre os dois sectores económicos mais importantes de Macau, a proposta defende que sejam criados mais elementos turísticos.
Os deputados referiram que deve ser mantida a lei que proíbe os trabalhadores não residentes de serem croupiers nos casinos. Au Kam San e Ng Kuok Cheong garantem que a maneira mais eficaz de garantir o emprego aos locais é aumentar os custos de recrutamento dos não residentes. “Sem garantias, por mais promessas que o Governo faça, vamos ter sempre truques que enganam os trabalhadores”, referiram. Sobre os transportes públicos, os deputados defendem a instalação de corredores exclusivos para autocarros nas principais vias, à semelhança do que tem sido feito na zona da Barra. Os deputados voltaram a pedir uma transferência dos ganhos do jogo da Fundação Macau para o Fundo de Segurança Social, bem como a construção de mais lares e centros para idosos, mais cursos de formação e mais serviços médicos. Angela Ka (revisto por A.S.S.) info@hojemacau.com.mo
10 Política
hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Wong Sio Chak sobre as pessoas impedidas de entrar em Macau
“Não sei se existe uma lista negra” Tiago Alcântara
Um trabalho contínuo no combate à exploração da prostituição e à má imagem criada pelo serviço de táxis foram algumas das ideias defendidas por Wong Sio Chak numa entrevista televisionada. Satisfeito com o trabalho realizado, o Secretário admite ser preciso fazer mais.
que levou – segundo os organizadores – mais de três mil pessoas para a rua, tornando Scott Chiang, presidente da ANM, suspeito por desobediência, Wong Sio Chak mostra-se de acordo com as autoridades. “Houve um grupo que não obedeceu à ordem policial, nem à sentença dada pelo Tribunal de Última Instância (TUI) e ocupou uma parte da estrada. O passeio para peões naquela zona é suficiente para os manifestantes passarem. Alguns manifestantes ou organizadores entraram intencionalmente na estrada e evitaram o passeio de peões. Depois de vários avisos da Polícia, não obedeceram às indicações e, segundo a respectiva lei, este acto constitui um crime de desobediência qualificada”, justificou, frisando que os manifestantes se reuniram “ilegalmente sem informar previamente a polícia”. “Este acto é também contra a lei”, rematou.
Tolerância zero
E
m entrevista à TDM, o Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak mostrou-se satisfeito com o trabalho realizado desde a sua tomada de posse, em Dezembro de 2014. Táxis, prostituição e corrupção foram os temas quentes, tendo o próprio Secretário admitido que apesar do trabalho até agora feito no combate às infracções dos taxistas, é necessário melhorar ainda mais. “Esta situação, mesmo com mais combate, continua
a existir. Embora esteja a baixar, o número continua a ser gigante. Não podemos estar satisfeitos com este resultado”, disse, frisando que a atitude dos taxistas continua a prejudicar a imagem de Macau. “As infracções dos táxis afectam a imagem da cidade turística que é Macau e afecta o seu desenvolvimento a longo prazo. A imagem de Macau tem ficado muito afectada”, admitiu. Ainda assim, dados revelados por Wong Sio Chak indicam uma baixa no número de infracções, pas-
sando de 1724, no primeiro trimestre de 2015, para 1277 no trimestre deste ano.
Um problema de sempre
Relativamente aos casos de prostituição em Macau, o Secretário reconhece que o trabalho de combate tem sido prioritário desde sempre, mesmo antes de assumir as actuais funções. “Acho que o trabalho de combate à exploração de prostituição ou ao controlo de prostituição não foi só desenvolvido após ter assumido o cargo de secretário”,
apontou. As autoridades envolvidas, garantiu, “têm efectuado uma constante prevenção e combate a este tipo de crime”. Sobre o caso que envolveu Alan Ho numa rede de prostituição, Wong Chio Chak não quis comentar a sentença do tribunal, garantindo apenas que a investigação já tinha começado antes do ter iniciado funções.
Do lado de lá
Em reacções à polémica instalada depois da manifestação no dia 15 de Junho,
Durante a entrevista, o Secretário para a Segurança prometeu tolerância zero para eventuais casos de corrupção nas Forças de Segurança, dizendo que não se pode “aceitar qualquer tipo de crime no seio da equipa policial”. Quanto ao caso da antiga responsável pelos Serviços de Alfândega, considera que as autoridades cumpriram as regras e que “não há qualquer vestígio para alterar” a causa da morte (suicídio). “A PJ faz todos os dias este tipo de divulgação, quer seja suicídio ou não. Se for o caso de suicídio, a sua causa será investigada. Para outros casos de morte, se o caso for suspeito, ou a sua causa for suspeita, é preciso uma investigação profunda. Na realidade a PJ faz isso todos os dias, a divulgação é sempre feita depois de uma ou duas horas. Por isso não estou a ver qualquer diferença entre este e outros casos”, disse. A Polícia Judiciária, acrescentou, “tem um mecanismo estabelecido para fazer investigação deste tipo
de casos. A experiência do pessoal também é suficiente. O resultado da investigação foi confirmado pelo Ministério Público. Por isso, não estou a ver qualquer coisa suspeita ou não razoável”.
Fronteiras difíceis
O governante disse ainda que as autoridades têm cumprido a lei no que concerne à entrada de pessoas em Macau. “Segundo a experiência da execução da lei durante muitos anos, acho que não há qualquer defeito ou falha da Polícia de Macau a referir”, afirmou. “Cada indivíduo cuja entrada em Macau foi rejeitada tem o direito de recorrer ou resolver o problema através do tribunal. Mas durante anos não vi nenhum caso que tenha conseguido opor-se à medida policial”, acrescentou, sem confirmar a existência de uma lista negra. “Neste momento não sei se existe uma lista negra. A Polícia vai continuar a recolher informações e quando verificar haver indivíduos que possam causar risco à segurança de Macau não irá permitir a sua entrada em Macau. A Polícia executa este trabalho com o julgamento e critérios profissionais”, apontou. Questionado sobre uma possível candidatura a Chefe do Executivo, Wong Sio Chak diz não considerar. O objectivo “é fazer o trabalho na área da Segurança o melhor possível”, terminou.
Coloane Coutinho reapresenta projecto de lei
O deputado José Pereira Coutinho voltou a apresentar na Assembleia Legislativa (AL) um projecto de lei referente a uma norma interpretativa de um decreto-lei de 1983, sobre a necessidade de legislar a manutenção de uma área destinada à reserva ecológica de Coloane. Este projecto já foi chumbado pelos deputados várias vezes no hemiciclo.
11 hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Pequim suspende comunicações com Taiwan
Quando o telefone não toca Como a Presidente de Taiwan ainda não reconheceu o “consenso de 1992”, (onde as partes reconhecem apenas uma China), Pequim ‘desligou o telefone’. Tsai Ing-wen, que anda de visita às Américas, ainda respondeu
O
Governo chinês anunciou ontem que suspendeu todas as comunicações com Taiwan por entender que o novo Governo da ilha não respeita o designado “consenso de 1992”, que guiou as relações bilaterais nos últimos anos. O Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Governo chinês afirma, num comunicado difundido pela agência oficial Xinhua, que tomou esta decisão porque a Presidente taiwanesa, a independentista Tsai Ing-wen, não reconheceu o “consenso de 1992” desde que tomou posse, a 20 de Maio. No seu primeiro discurso no cargo, Tsai reconheceu que o encontro entre China e Taiwan em 1992 foi um “feito histórico”,
mas não admitiu que tenha sido alcançado naquele momento um consenso ou que Taiwan faça parte da China, como exigia Pequim. Ao abrigo do “consenso de 1992”, as duas partes reconhecem que existe apenas uma China, mas cada um dos lados faz a sua própria interpretação desse princípio. Depois da guerra civil chinesa ter acabado, em 1949, com a vitória do Partido Comunista da China (PCC), o antigo governo nacionalista (Kuomintang) refugiou-se na ilha de Taiwan, onde continua
a identificar-se como governante de toda a China.
Taiwan é nossa
Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a “reunificação pacífica”, segundo a mesma fórmula adoptada para Hong Kong e Macau (“Um país, dois sistemas”). Porém, ameaça “usar a força” se a ilha declarar independência. A posição de Pequim surge depois de na sexta-feira o Camboja ter extraditado para a China 25 taiwaneses acusados de fraude, apesar dos
Proximidade estratégica Putin e Xi Jinping estreitam vínculos
O
Presidente chinês, Xi Jinping, e o seu homólogo russo Vladimir Putin, de visita a Pequim, evidenciaram ontem os pontos de ligação e de cooperação entre os dois países, actualmente envolvidos num clima de tensão com o Ocidente. “A Rússia e a China têm pontos de vista muito próximos ou praticamente idênticos sobre o cenário internacional”, declarou Putin, que
está a realizar a quarta visita a Pequim desde que Xi Jinping chegou ao poder em 2013. O líder do Kremlin acrescentou que discutiu com o seu homólogo chinês “o fortalecimento da luta global contra o terrorismo internacional”, a questão do programa nuclear da Coreia do Norte, a situação na Síria e no Mar do Sul da China. “O Presidente Putin e eu concordamos que perante um contexto internacional cada vez mais complexo e em mutação que devemos redobrar os esforços para manter o espírito de parceria e de cooperação estratégica sino-russa”, afirmou Xi Jinping. Moscovo e Pequim
partilham interesses geopolíticos comuns, nomeadamente a oposição crescente em relação aos Estados Unidos, e votam juntos muitas vezes no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os dois países são membros permanentes deste órgão que detém poder de veto.
Jogada de cinquenta mil milhões
Alvo de sanções norte-americanas, mas também por parte da União Europeia (o seu principal comprador de petróleo), devido ao processo de anexação da península da Crimeia e ao envolvimento no conflito no leste da Ucrânia, a Rússia tem procurado novas soluções nos mercados na
protestos de Taipé. Em Abril tinham já ocorrido episódios similares, quando o Quénia e a Malásia deportaram para a China 32 e 45 taiwaneses, respectivamente, elevando a tensão entre Pequim e Taipé, que chegou a considerar estarem causa “sequestros” de cidadãos da ilha. A Presidente de Taiwan está fora da Formosa, por ter iniciado na sexta-feira uma viagem oficial ao Panamá, Paraguai e Estados Unidos da América. Apenas 22 países têm relações diplomáticas com Taiwan.
Ásia, principalmente com a China, com quem assinou em 2014 um importante contrato de gás. Ontem, os dois países assinaram 30 acordos de cooperação, nomeadamente nas áreas do comércio e da energia. Um desses acordos envolve um projecto de uma estrutura petroquímica no leste da Sibéria. Segundo Putin, 58 contratos estão em discussão num valor global de cerca de 50 mil milhões de dólares, incluindo um acordo para a construção de uma linha de comboio de alta velocidade na Rússia. Xi Jinping também garantiu uma maior cooperação entre os meios de comunicação social russos e chineses, de forma “a reforçar a influência” destes órgãos na opinião pública mundial.
china
“Longa Marcha” para o espaço
A
China lançou ontem o seu primeiro “Longa Marcha-7”, um foguetão de nova geração, a partir da nova plataforma de lançamento de Wenchang, segundo a agência oficial chinesa Xinhua. O foguetão de dois andares, que deve tornar-se o principal veículo chinês de lançamento de satélites, pode colocar em órbita até 13,5 toneladas de carga útil, uma vez e meia mais do que o equipamento anterior. “O sucesso do lançamento do “Longa Marcha-7” vai reforçar as capacidades da China no espaço e dará ao país um grande impulso para vencer no espaço”, disse à agência noticiosa chinesa Xinhua, o desenhador chefe do foguetão, Zhonghui Ma. O módulo transportado pelo foguetão deve regressar à Terra no domingo, no deserto da Mongólia Interior, depois de 13 órbitas. O lançamento serviu também para inaugurar a nova plataforma de Wenchang, na província de Hainan. Concluída em 2014, é a quarta plataforma de lançamento chinesa e Pequim planeia usá-la ainda em 2016 para lançar o seu maior foguetão, o “Longa Marcha-5”, disse um funcionário do programa espacial. A China enviou o seu primeiro homem para o espaço em 2003 e espera inaugurar sua própria estação espacial por volta de 2022, de acordo com a Xinhua. Pequim quer recuperar o atraso em relação aos Estados Unidos e à Europa, mas também à Índia, e tornou-se em 2014 no primeiro país asiático a chegar a Marte, colocando uma sonda na órbita do planeta vermelho.
12 hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Bola a italiana Portugal avança para os quartos
Faz lembrar a Itália. Especialmente a de 82 quando passou à segunda fase apenas com empates mas acabaria campeã do mundo após um jogo épico em que bateu o melhor Brasil dos últimos 40 anos nas meias finais. Cínica e calculista, estará a equipa portuguesa a seguir o mesmo caminho?
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m golo de Ricardo Quaresma, perto do final do prolongamento, garantiu ontem de madrugada a Portugal um lugar nos quartos de final do Euro2016 de futebol, no triunfo por 1-0 sobre a Croácia, num jogo em que teve ‘estrelinha’. Depois do ‘nulo’ registado no tempo regulamentar, Quaresma decidiu o duelo dos ‘oitavos’ na recarga a uma defesa incompleta de Subasic, aos 117 minutos, naquela que foi a única situação de verdadeiro perigo que a selecção nacional criou em toda a partida. Instantes antes, a Croácia tinha acertado no poste da baliza de Rui Patrício e estava em ‘cima’de Portugal, que nessa altura já tinha assumido o desejo de chegar às grandes penalidades, quando o seleccionador Fernando Santos juntou Danilo Pereira e William Carvalho no meio, aos 108 minutos. Em Lens, as duas equipas não conseguiram fugir ao medo da eliminação e acabaram por realizar uma partida sem grandes situações de perigo. Rui Patrício e Subasic foram praticamente espectadores com lugar privilegiado no relvado. O guarda-redes português não fez qualquer defesa em toda a partida, enquanto o croata, na única vez que interveio, parou com dificuldade um remate de Ronaldo, acabando a bola por sobrar para Quaresma, no lance que decidiu o jogo. Antes, mesmo sem acertar no alvo, a Croácia acabou por ser a equi-
pa que mais perto esteve de marcar e em quase todas as situações pelo defesa Vida, que já nos segundos finais esteve perto de levar a decisão para os penáltis. Portugal foi praticamente inofensivo no ataque (Cristiano Ronaldo esteve demasiado preso aos centrais), mas melhorou e muito no funcionamento do seu meio campo, primeiro com a entrada de Adrien para o ‘onze’, mas sobretudo quando Renato Sanches foi lançado no arranque da segunda parte, para o lugar de André Gomes, que mais uma vez foi a unidade em mais baixo rendimento na equipa lusa.
Do banco saiu uma estrela
Renato Sanches, considerado pela UEFA o melhor em campo, ‘obrigou’ Fernando Santos a desistir do disfuncional 4-4-2 e mudar para um 4-3-3, dando outra consistência e alegria ao jogo de Portugal. O médio que vai transitar do Benfica para o Bayern foi também determinante no golo, na forma rápida que transportou a bola mais de 30 metros até à área da Croácia e, certamente por isso, acabou sendo considerado o “homem do jogo”. Mesmo sem ‘poder de fogo’, algo que terá que solucionar com alguma urgência, a selecção nacional acabou por fazer, principalmente durante a segunda parte, o seu melhor jogo no Euro2016 e, mesmo com alguma ‘estrelinha’, carimbou um lugar nos ‘quartos’, em que vai encontrar a Polónia, em Marselha. Com apenas dois dias de descanso, Fernando Santos foi obrigado a refrescar a equipa, fazendo não só entrar Adrien, mas também Cédric, para o lugar de lateral direito, José Fonte, para o centro da defesa (grande jogo do central do Southampton), e Raphael Guerreiro, ao lado esquerdo da defesa, como previsto. De fora, ficaram Vieirinha, Ricardo Carvalho, Eliseu e João Moutinho.
Jogo autista
Desde de muito cedo se percebeu que Croácia e Portugal entraram em
campo sem autorização para arriscar, com a bola a passar demasiado tempo a meio campo, numas fases mais nos pé dos croatas, noutras nos portugueses. Aos 25 minutos, Pepe atirou por cima em boa posição e, aos 30, Perisic atirou às malhas laterais da baliza de Patrício, nos dois únicos lances de registo na primeira parte., em que André Gomes acabou por ser o mais ‘desastrado’ em campo. O médio do Valência, que não parece bem fisicamente, ainda teve alguns minutos para convencer Fernando Santos no arranque da segunda parte, mas o seleccionador nacional perdeu a paciência logo à primeira bola perdida e foi ‘obrigado’ a colocar Renato Sanches. A partir dai, Portugal passou a actuar com João Mário e Nani bem abertos nas alas, e Ronaldo no meio, enquanto Sanches e Adrien fecharam o meio, à frente de William.
Penálti não assinalado
Portugal melhorou, trocou bem melhor a bola, mas, dentro do futebol temeroso das equipas, foi a Croácia que podia ter marcado, primeiro por Brozovic e depois por Vida. Ambos falharam a baliza em boa posição. Depois de Nani ter sofrido uma grande penalidade clara (mesmo em frente do árbitro de baliza), e com o passar dos minutos, Portugal e Croácia fecharam ainda mais as suas linhas, praticamente abdicando de colocar mais unidades na frente. Durante o tempo regulamentar, destaque ainda para a entrada de Quaresma, aos 87 minutos, para o lugar de João Mário. No arranque do prolongamento, Kalinic ainda assustou Rui Patrício, mas o jogo foi-se mantendo na mesma toada, sem grandes aventuras por parte das duas equipas. Com a entrada de Danilo e a saída de Adrien, aos 108 minutos, Portugal deu mostras de querer levar
a decisão para os penáltis e a Croácia cresceu um pouco na partida. Vida, com a baliza aberta, atirou por cima, e Perisic acertou no ‘ferro’. Praticamente na jogada seguinte, com os croatas subidos no terreno, Renato Sanches conduziu a bola mais de 30 metros, deixou em Nani, que com um centro rasteiro assistiu Cristiano Ronaldo na área. O ‘capitão’ da selecção nacional obrigou Subasic a grande defesa, mas, na recarga, Quaresma só teve que encostar a confirmou o triunfo.
13 hoje macau segunda-feira 27.6.2016
NÓS •Fernando Santos: ão há revoluções na equipa, há transformações. Foi um jogo muito táctico. Portugal tentou assumir o jogo, mas a Croácia não deixou. A Croácia também tentou assumir o jogo, mas não conseguiu, porque Portugal não deixou. Defrontámos uma excelente equipa, umas das equipas que melhor tinha jogado na fase de grupos. Preparámos a equipa para controlar os pontos mais fortes da equipa da Croácia e para aproveitar algumas debilidades. Em termos de organização defensiva, não permitimos contra-ataques à Croácia e estivemos muito bem. Em termos ofensivos, tivemos alguma qualidade algumas vezes, mas temos coisas a melhorar. A Polónia é uma equipa fortíssima (...) Conheço-a bem porque defrontei-a no Campeonato da Europa de 2012. Tem excelentes jogadores, com destaque para o Lewandowski. Vai ser um jogo muito forte, entre duas equipas que vão querer vencer.
“N
•Renato Sanches (“homem do jogo”): “Estou muito contente por estar a desfrutar deste grande momento. Já estava muito contente pela chamada ao Europeu, mas fico ainda mais contente por estar aqui com estes grandes jogadores.”.
ELES •Ante Cacic (seleccionador): orreu tudo lindamente, mas faltou marcar. Jogámos muito bem durante 120 minutos, controlámos o jogo, não concedemos qualquer oportunidade a Portugal, tirando a última. Cometemos um erro e fomos castigados. Acontece muitas vezes a melhor equipa não vencer e este foi um desses casos. Ambas as equipas fizeram um bom jogo. Estivemos por cima, tivemos um jogo ofensivo, mas Portugal teve uma atitude muito disciplinada na defesa, defenderam muito bem. Marcaram aos 117 minutos e resta-me dar-lhes os parabéns. (...) Portugal tem muita qualidade e jogadores muito experientes. É um claro favorito à vitória”.
“C
•Danijel Subasic (guarda-redes): “É uma grande decepção, pois penso que merecíamos muito mais. Fizemos um bom jogo, mas, quando não se marca, fica-se à mercê de um golo que nos pode eliminar. A melhor equipa não ganhou. Fizemos muito mais do que Portugal, que não teve uma única oportunidade, excepto o golo. Não stressámos e jogámos melhor do que Portugal, mas a vida é assim mesmo”.
14 hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Gonçalo Lobo Pinheiro
Sociedade
UM Yao Jingming novo director do departamento de português
À moda de cá
Yao Jingming vai substituir Fernanda Gil Costa na direcção do departamento de português da Universidade de Macau. Toma posse em Setembro e não comenta as causas da mudança. Alunos justificam mudança para “ensino mais oriental”
A
direcção do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM) terá, já no próximo Setembro, uma nova cara: Yao Jingming. “Sim, posso confirmar isso. Mas só tomo posse a 1 de Setembro”, confirmou o actual coordenador de mestrados de Tradução. Sem prestar qualquer esclarecimento adicional, Yao Jingming irá substituir a actual directora, Fernanda Gil Costa,
que até ao fecho desta edição não foi possível contactar.
Entre culturas
Numa tentativa de justificar a mudança o HM falou com alguns alunos do departamento de português que não estranham a mudança, até porque os alunos preferem um “ensino mais oriental”. Um aluno finalista, que preferiu manter o anonimato, explicou que o “ensino ocidental do departamento da UM promove um estudo
autónomo, aplicando uma disciplina muito livre”. Sendo que “os estudantes locais, em geral, não são muito trabalhadores” e se não forem “obrigados a estudar nunca serão bons profissionais”. As diferenças, conta, entre alunos oriundos do interior da China e os locais são evidentes. “Os alunos que vêm do interior da China, habituados ao ensino oriental, são muito diferentes de nós e normalmente aprendem melhor do que os
locais”, explicou, indicando que o ensino ocidental não impõe ao aluno a responsabilidade de ser bom aluno. “Mas claro que também há bons alunos locais”, explica, frisando que a Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim é muito “mais exigente” que a UM, mesmo na área de Língua Portuguesa. “Se comparamos a UM, de um modo geral, às universidades da China, percebemos que o ensino é pior. Se quisermos trabalhar na
área de português, depois de nos graduarmos, precisamos de saber muito, é muito importante aprender bem os conhecimentos básicos, gramática, o léxico, tudo. E nisso Pequim é melhor por ter o ensino ocidental”, acrescenta.
“Um director chinês vai certamente trazer mudanças positivas para o departamento”
Missão cumprida
Felipe estudante
Para um actual aluno Fernanda Gil Costa cumpriu as suas funções de forma muito correcta. “A mudança de cargo já anda a correr os corredores da UM. Embora não tenha sido aluno da professora Fernanda Costa, acho que sempre assumiu as suas responsabilidades de forma muito correcta, gentil e soube unir as pessoas”, aponta. No entanto “o programa do departamento de português e o seu método pedagógico tende a ser mais académico”, algo que para o aluno não está direccionado para os alunos chineses e locais, e se estivesse, frisa, talvez os resultados do ensino fossem um pouco melhores. Felipe, actual estudante do departamento, acredita que “um director chinês vai certamente trazer mudanças positivas para o departamento”. “Ele deve conhecer melhor o que os alunos querem e trabalhar num modelo pedagógico mais apropriado”, explicou, ao HM. “Na verdade, não quero comparar o modelo ocidental e oriental de aprendizagem de línguas, pois ambos devem possuir as suas próprias vantagens e desvantagens. O que é mais importante é saber o que os alunos querem e ajustar o programa. Estive alguns meses em Portugal a fazer intercâmbio e lá há muitos bons professores portugueses e gostei muito das aulas. Se calhar os professores aqui devem prestar mais atenção ao ensino.As teorias de ensino de português aqui desenvolvidas não são muito adequadas aos alunos de Macau e devem ser ajustadas conforme o resultado de práticas. Em suma, acho que o departamento vai ser melhor”, remata.
Maior comunicação
O aluno finalista não esconde que existem problemas no programa de português. “Uma das características do nosso departamento é que não existe comunicação entre os professores, levando a que existam repetições nos conteúdos do ensino de cada professor. Acho que o método chinês para a fase inicial de aprendizagem é claramente
mais útil porque exige que os alunos aprendam muito bem a base da língua”, argumenta. O aluno chega mesmo a dizer que, de forma geral, o departamento de português não consegue adaptar-se aos alunos. “Os professores da UM, são maioritariamente professores estrangeiros, tratam-nos como alunos que falam uma língua materna estrangeira, levando a que os alunos não se consigam adaptar às diferenças do ensino ocidental e oriental. Acho que os professores do departamento não possuem muita experiência de ensinar português aos estudantes estrangeiros”, argumenta. Uma combinação entre os dois tipos de ensino é a solução apresentada pelo ex aluno. “Acho que tanto o ensino ocidental como o oriental têm as suas vantagens. É melhor combinar os pontos positivos de cada um para alcançar um resultado melhor. Na primeira etapa, é melhor utilizar a maneira oriental para obrigar os estudantes a aprender, mas nas etapas seguintes o ensino ocidental orienta os estudantes a abordar a língua e a aprofundar o interesse deles à língua, até que os alunos possam realmente amar a língua . Nós temos recursos para fazer isso, porque temos professores chineses e portugueses”, frisou. Para o aluno a escolha de Yao Jingming foi bastante acertada, apesar de nunca ter sido seu professor. “Para mim, não me importo se é um professor chinês ou uma professora estrangeira que vai assumir o cargo do director do departamento. O mais importante é o director perceber bem a necessidade dos alunos, e ter experiência suficiente para ensinar os alunos de língua materna chinesa. Nunca fui ensinado pelo professor Yao, mas acho que o departamento deve fazer uma reforma, acho que o professor Yao conhece melhor os estudantes chineses e talvez venha trazer um impacto positivo”, remata. Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
Angela Ká
info@hojemacau.com.mo
15 hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Sam Yuk Pais suspeitam que escola engana DSEJ
Professora papão Uma ex-directora da Sam Yuk foi suspensa por abuso de poder mas, segundo a comissão de pais, a escola ainda não o comunicou à DSEJ pelo que os subsídios continuam a pingar. Para além disso, a comissão espanta-se com o facto de a ex-directora ser acusada de burla e agressões e nunca ter sido punida
do aos estudantes que lessem três livros e fizessem um ensaio sobre cada um. Caso não cumprissem, eram obrigados a ir uma semana para a biblioteca ou mesmo suspensos de entrarem na escola” disse a presidente.
Abusos sem punição
Apesar da petição ter sido assinada em Dezembro do ano passado, e entregue ao Governo, Choi lamenta que apenas agora a suspensão tenha sido decidida. Para além das acusações de abuso de autoridade, a representante dos pais diz que estes estranharam ainda o facto de a professora Wai Sze Man ter sido acusada de burla ao pedir uma contribuição a cada aluno no valor de 4,500 patacas. Esta verba, alegava a directora, seria a necessária para cobrir uma actividade anual dos alunos que era normalmente subsidiada pela DSEJ, mas nesse ano a verba teria sido cortada.
“Quando entrou na escola, em 2014, tinha mais de cem alunos na secção chinesa, mas recentemente, tinha apenas 30” Choi presidente da comissão dos pais da Escola Sam Yuk
A
comissão de pais dos estudantes da Escola Sam Yuk acusa a direcção de burla pois, apesar de ter suspenso a directora este mês, ainda não deu nota do facto à DSEJ continuando a receber os respectivos subsídios do Governo. A senhora Choi, presidente da comissão dos pais da Escola Sam Yuk (secção inglesa) contou ao HM que a escola suspendeu Wai Sze Man, uma das directoras do estabelecimento, no início deste mês mas disso ainda não avisou a Direcção
dos Serviços da Educação e Juventude (DSEJ). Ou seja, a professora continua a receber do Governo os subsídios destinados aos professores, apesar de não estar em actividade. Segundo a representante dos pais, a directora foi suspensa por abuso de autoridade. “Quando entrou na escola, em 2014, tinha mais de cem alunos na secção chinesa, mas recentemente, tinha apenas 30”, afirma Choi. A maioria dos alunos foram expulsos ou transferidos por ela para outras escolas por faltas que Choi considera meno-
res como “chegarem atrasados às aulas ou nelas dormirem”. Segundo a representante dos pais, “não é normal tantos alunos expulsos em tão pouco de tempo”. Questionada porque razão é esta comissão (da secção inglesa) e não a dos pais dos alunos da secção chinesa a apresentar queixa, a presidente disse que aqueles “têm medo que os seus filhos sofram mais pressão na escola ou que venham a ser expulsos” e adianta ainda mais casos: “Como a escola tem um programa de leitura, foi exigi-
Informada a DSEJ, veio a provar-se que nada disso era verdade tendo obrigado a Escola Sam Yuk a devolver o dinheiro aos pais. Além disso, a presidente indicou ainda outros factos da conduta irregular da ex-directora, como o caso de uma agressão a outro professor da secção inglesa da escola e ao filho deste. Todavia, para espanto da presente da Associação de Pais a ex-directora nunca foi punida, ou formalmente acusada, nem pela burla, nem pelas agressões. Tomás Chio (revisto por MN) info@hojemacau.com.mo
Sociedade
Falsas feiras emprego DSAL diz que não recebeu denúncias
C
han Un Tong, sub-director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), confirmou ao canal chinês da Rádio Macau que o organismo não recebeu quaisquer queixas ou denúncias sobre falsos anúncios de emprego para trabalhadores não residentes (TNR), tendo garantido que há medidas rigorosas para o recrutamento de trabalhadores. “No caso de recebermos alguma denúncia sobre recrutamentos falsificados, a DSAL irá acompanhar e investigar os casos”, disse. As declarações surgem após várias associações terem falado da existência de feiras de emprego com anúncios falsos, em que vários locais se candidatam a várias vagas mas nunca recebem resposta. A DSAL afirma, assim, nunca ter recebido este tipo de casos. O responsável confirmou ainda que se verifica uma mudança no mercado laboral e que sempre foi exigida uma grande quantidade de documentos para que as empresas comprovem que, de facto, necessitam dos trabalhadores. Em resposta à deputada Ella Lei, a DSAL confirmou que o número de locais a ocupar chefias nos casinos tem vindo a aumentar entre 5 a 7% em algumas áreas. Para este organismo os dados são uma prova de que o Governo tem vindo a dar atenção às oportunidades de promoção dos trabalhadores locais nas grandes empresas. A deputada indirecta, que no hemiciclo representa a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), havia questionado o Governo sobre a necessidade de estabelecer critérios temporais para a saída de TNR, por forma a promover mais locais a lugares de chefia. T. C. (revisto por A.S.S.) info@hojemacau.com.mo
Chefe de polícia embriagado causa acidente
Segundo o Jornal Ou Mun, no passado sábado, o chefe do Departamento de Apoio Técnico da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança (DSFSM) causou um acidente na Taipa por conduzir embriagado. O polícia trabalhava no Departamento de Trânsito da Polícia de Segurança Pública (PSP) e o acidente aconteceu na Estrada Almirante Marques Esparteiro às duas horas da madrugada. Segundo o relato, o carro embateu no passeio casando a projecção de um dos pneus. O indivíduo ficou bloqueado dentro da viatura e apresentava ferimentos na cabeça, braços e pernas, tendo sido enviado para o hospital pela equipa de socorro. A DSFSM confirmou ter já iniciado uma investigação sobre a ocorrência e garantiu ir tratar o caso com a máxima isenção e rigor.
16 SOCIEDADE
hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Violência doméstica IAS detecta 14 casos que envolvem crianças
tar de cuidar de crianças mas apenas gostam do trabalho que fazem. Deveriam ter mais formação para saber os desafios que vão enfrentar. Hoje em dia as empregadas domésticas não têm horários de trabalho fixos e têm elevada pressão, e isso pode despoletar casos de violência. Deveria haver um caso de estudo por parte do Governo relativamente a este aspecto. Do que observo a maior parte tem capacidade para cuidar de crianças mas necessita de formação”, disse. Paul Pun defende ainda a implementação do salário mínimo universal para que as empregadas domésticas tenham melhores condições de trabalho, por forma a evitar que a pressão psicológica resulte em violência.
Que tristes números
Só nos primeiros quatro meses do ano foram detectados 14 casos de violência doméstica envolvendo crianças. Paul Pun, secretário-geral da Caritas, coloca o ónus da questão nas empregadas domésticas e pede estudos e melhores salários
“Temos de saber em que condições estão as crianças e o que lhes aconteceu” Lei Cheuk Fai IAS
O
Instituto de Acção Social (IAS) registou um total de 14 casos de violência doméstica com crianças, valor que é igual ao registado em todo o ano de 2015. Segundo o canal inglês da TDM, Lei
Cheuk Fai, do IAS, referiu que o maior número de casos se deve à maior abertura que a população tem para denunciar os casos, desde que a lei da violência doméstica entrou em vigor. O IAS garante que vai analisar caso a caso. “Temos
de saber em que condições estão as crianças e o que lhes aconteceu. Vamos procurar algumas cooperações com diversos departamentos para analisar os casos”, disse Lei Cheuk Fai à margem de um evento. Uma associação que lida com casos de violência
infantil confirmou ainda à TDM que o ano passado recebeu um total de 50 casos, números bem superiores aos do Governo.
Mais vale prevenir
Ouvido pelo HM, o secretário-geral da Caritas, Paul
Pun, defende que o Governo deve dar mais atenção ao trabalho das empregadas domésticas, por serem parte integrante de muitas famílias. “É importante fazer um trabalho de prevenção junto das empregadas domésticas. Muitas delas podem não gos-
“O Governo pode olhar para o sistema do salário mínimo, porque salários melhores pode ajudar a que sejam melhores empregadas. Estudar quanto recebem agora, em média. O Governo deveria analisar todos os contratos de trabalho e ver quantas horas trabalham”, rematou. Até ao fim deste mês decorrem acções de formação com agentes policiais, organizadas pelo IAS no âmbito da nova lei. Segundo um comunicado, cerca de mil polícias estão inscritos para esta formação. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Lisboa Palace Conflito de empresas afecta obra
Inaugurada Casa de Educação de Vida Sadia
A
O
Companhia de Construção e Engenharia Shing Lung, envolvida na construção do projecto Lisboa Palace no Cotai, publicou uma declaração no jornal Ou Mun onde acusa outra empresa de construção de provocar problemas de forma intencional no projecto da Sociedade de Jogos de Macau (SJM). A Shing Lung acusa a empresa, sem referir o seu nome, de enviar algumas pessoas para a obra, as quais terão causado problemas no fornecimento de água e electricidade, acções que a Shing Lung considera “ilegais”. O caso já estará nas mãos da Polícia de Segurança
Pública (PSP). O HM tentou contactar a empresa Shing Lung, mas até ao fecho desta edição não foi possível estabelecer contacto.
Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, inaugurou ontem a Casa de Educação de Vida Sadia, a qual visa o tratamento e prevenção na área da droga e ficará sob alçada do Instituto de Acção Social (IAS). Alexis Tam referiu no seu discurso que “face aos desafios decorrentes, nomeadamente, do surgimento de novas drogas, do consumo de drogas em espaços privados e do consumo e tráfico transfronteiriço de drogas, o Governo da RAEM, através da Comissão de Luta contra a Droga, conjuga os esfor-
ços dos diversos serviços envolvidos no combate à droga, das escolas, da família e da comunidade, no sentido de executar plenamente, no âmbito de combate à droga, as políticas relativas ao controlo da oferta, à redução da procura e à minimização de danos”. O objectivo do Governo é que a Casa de Educação de Vida Sadia possa “estender os seus serviços para os jovens e os encarregados de educação, no sentido de aumentar a consciencialização das diversas camadas da população sobre o combate à droga”.
17 hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Filme de jovem cineasta de Macau aplaudido em Paris
Procura de identidade Belonging é a produção que revelou um jovem da RAEM no panorama cinematográfico. O destaque em Paris abre portas a um futuro promissor do jovem cineasta
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elonging é a história de George, um jovem sírio em busca da sua identidade depois de deixar o país e ir para Paris. George acaba por evocar as suas memórias enquanto escuteiro e assim redescobrir a sua pertença a uma comunidade. O filme está já seleccionado para inúmeros festivais incluindo o PLURAL+ Film Fest apoiado pelas Nações Unidas e teve também a sua passagem pela RAEM no Macau Short Sound and Image Challage. Foram estas nomeações que trouxeram a Pierre Ieong, produtor e realizador, a confiança para o futuro. O filme é de alguma forma uma procura de identidade que o realizador também viveu. Nasceu e cresceu em Macau, passou por Hong Kong e agora, aos 18 anos, está em Paris a terminar o ensino secundário com distinção governamental enquanto se aventura como freelancer na produção de fotografia e vídeo. Belonging foi a primeira produção de Pierre Ieong e o sucesso que a acompanhou trouxe o interesse do público e da indústria do cinema que está agora de olhos postos no jovem realizador. Apesar do sucesso do filme, a sua produção foi “relâmpago” diz Pierre Ieong ao HM. O realizador teve conhecimento do “dead line” de candidaturas ao Plural+ 15 dias antes da mesma. Foram duas semanas de produção que incluíram a concepção do guião, casting e construção de equipa de produção. As filmagens ocuparam quatro dias e a edição e montagem, “20 horas sem parar” para que o filme desse entrada a cinco minutos do fim de prazo que lhe veio a valer o reconhecimento, afirma o realizador. Belonging abriu as portas a financiamentos que, para Pierre Ieong já têm destino: novas produções baseadas em questões socioculturais, não deixando de
Peter Greenaway em Lisboa para escola de Verão
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realizador britânico Peter Greenaway e o artista visual português Daniel Blaufuks estão entre os convidados de uma escola de Verão sobre cultura visual da Universidade Católica, que começa na segunda-feira em vários espaços de Lisboa. Esta será a sexta edição da Lisbon Summer School, para estudantes de doutoramento de ciências sociais, portugueses e estrangeiros, e que inclui apresentação de reflexões, estudos, masterclasses e exibição de filmes ao longo de uma semana. “É um momento de ter contacto com bibliografia ao vivo, com alguns dos nomes mais relevantes da produção do conhecimento científico sobre cultura visual”, explicou Isabel Capeloa Gil, directora do programa e vice-reitora da UCP, à agência Lusa. Esta escola de Verão, que contará com a participação de quase uma centena de estudantes
e investigadores de mais de vinte países, é dedicada ao tema da “transvisualidade”. “Ou seja, é sobre a forma como as imagens circulam e têm impacto sobre a construção do social”, explicou a docente. Entre os trabalhos académicos que foram submetidos a concurso há reflexões sobre a percepção do real, sobre a relação entre imagem e questões de género e também sobre migrações e a construção de uma narrativa visual sobre conflitos. Nesta sexta edição, entre os convidados estão o cineasta Peter Greenaway, que nos últimos anos tem participado em encontros internacionais para falar sobre novas linguagens e desafios da prática cinematográfica, o artista visual Daniel Blaufuks, o professor brasileiro Norval Baitello Junior, o teórico norte-americano Nicholas Mirzoeff, da Universidade de Nova Iorque, e Claudia Benthien, da Universidade de Hamburgo.
FRC Camilo Pessanha em debate
frisar a sua esperança de que um dia possa fazer um filme sobre Macau.
Da RAEM para o Mundo
Pierre Ieong com apenas 18 anos já vê o seu nome nos ecrãs de cinema com produções e realizações próprias. Actualmente vive em Paris onde está a acabar o liceu tendo passado a infância na RAEM. Para além dos livros já abraça a profissão de fotógrafo e cineasta. O bichinho do cinema remonta a 2010 quando foi protagonista no Pavilhão de Macau na expo Xangai. Pierre relembra esta altura como o início do fascínio pela sétima arte. Refere a experiência como fonte de inspiração para começar a fazer os seus próprios filmes. Foi com 16 anos, e com a chegada a Paris que conheceu “mais pessoas com a mesma paixão pelo cinema” tendo-se voluntariado para participar na série juvenil Tatane. Para o realizador, apesar de considerar Macau um território próspero e emergente , é ainda um espaço onde faltam as oportunidades para jovens artistas e
Pierre Ieong com apenas 18 anos já vê o seu nome nos ecrãs de cinema com produções e realizações próprias criadores. Pierre Ieong alerta ainda para a necessidade de dar mais apoio a actividades culturais de modo a encorajar os mais novos, ao mesmo tempo que defende que o envolvimento dos jovens em actividades culturais é “essencial para o crescimento mental”. Para Macau, deseja que enquanto centro de convergência entre várias culturas seja reconhecido internacionalmente, ao mesmo tempo que deixa o recado para os artistas locais: “empenho na aprendizagem com coragem porque os anos de juventude são aqueles em que há mais tempo, energia e vontade”. Estes são os motes para sair da zona de conforto e partir para o desconhecido onde se pode crescer e aprender, remata.
EVENTOS
“Conversas sobre o livro” é a rubrica promovida pela Associação Amigos do Livro em Macau que propõe, pontualmente, um debate entre o público e um orador à volta de um autor e da sua obra. Desta feita, tem lugar na próxima quarta-feira uma conversa informal em que o antropólogo e escritor Carlos Morais José falará das edições de 1920 e 1945 da “Clepsidra”, do “Caderno Negro” e da “Centauro” (as últimas emendas) e de como publicar Camilo Pessanha. Ao longo do ano de 2016 serão promovidas mais três “Conversas sobre o Livro” reflectindo sobre questões da literatura de Macau e da China. A organização adianta ainda que todas as sessões têm tradução simultânea para cantonês. A iniciativa tem lugar na Fundação Rui Cunha pelas 18h30 e conta com entrada livre.
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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 324/AI/2016 EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local
: 72/E-BC/2016 :53/BC/2010/F :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Rua de Marques de Oliveira n.º 64, Edf. Kuong Fok, terraço sobrejacente à fracção 5.º andar B, Macau.
Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que ficam notificados o(s) dono(s) da obra ou seu(s) mandatário(s) e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1.
Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra 1.1
Infracção ao RSCI e motivo da demolição
Construção de um compartimento composto por cobertura metálica e Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do chapa metálica no terraço sobrejacente à fracção 5.º andar B. caminho de evacuação.
2.
De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 19 de Fevereiro de 2016, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram a resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada.
3.
Sendo os terraços do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, e por meu despacho de 22 de Junho de 2016 exarado sobre a informação n.º 03889/ DURDEP/2016, ordeno ao(s) dono(s) da obra ou seu(s) mandatário(s) que proceda(m), por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição da obra acima indicada e à reposição do local afectado, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido da demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação e aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos aí existentes e à desocupação do local acima referido. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria.
4.
Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro.
5.
6.
Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício.
Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 22 de Junho de 2016 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora WANG FANG, portadora do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° W44873xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 11/DI-AI/2014 levantado pela DST a 21.01.2014, e por despacho da signatária de 10.06.2016, exarado no Relatório n.° 383/ DI/2016, de 26.05.2016, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção n.° 636, King Xiu Garden 7.° andar B, Macau onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 10 de Junho de 2016. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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h artes, letras e ideias
hoje macau segunda-feira 27.6.2016
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
guo xi «Depois da pesca atraco o meu solitário barco entre juncos, E abro uma nova garrafa de vinho e desato o embrulho de peixe seco. Desde que me tornei pescador nas margens do Jiang e do Che, Durante vinte e mais anos as minhas mãos nunca se dobraram para saudações.»
Anónimo.
«Para sul da minha casa, para norte da minha casa, a Primavera está em dilúvio; Dia após dia só tenho visto gaivotas…1
Por Du Fu.
«Atravessando o ribeiro, a minha mula coxa endireita as orelhas; Evitando o vento, o meu pobre criado levanta os ombros.»
Por Lu Xue.
«Caminharei até aonde termina o rio E sentar-me-ei a ver as nuvens a formarem-se.»
Por Wang Moqi.
«No sexto mês com uma bengala chego a um desfiladeiro pedregoso; Na sombra da onda do meio-dia, escuto o murmúrio do ribeiro.»
Por Wang Qiefu.
1 - Traduzimos o poema de Du Fu (712770), tal e como está na versão do tratado de Guo Xi de Shio Sakanishi que vimos seguindo e do qual apenas constam os dois primeiros versos. No entanto, porque se trata de um poema sobre a hospitalidade, e neste contexto ela pode ser declinada de tantas formas; o papel que recebe a pintura, o poema que convida a pintar etc., e pela sua importância e melhor compreensão ensaiamos a transcriação do poema completo. Sublinhe-se que o poema começa com águas e termina com vinho, que o convívio é entre três, como ocorre em Li Bai: «Levanto o copo e convido o luar,/ com a minha sombra somos três» (traduzido por A. G. de Abreu), que diz de várias precariedades e em que se varre um caminho de flores para
acolher um convidado. Pode ser acedido online na sua versão original e em traduções para outras línguas, nomeadamente a inglesa em «chinese-poems.com»: «Chega o Convidado: Águas de primavera para sul da minha choupana, para norte da minha choupana,/ A cada dia só vejo bandos de gaivotas./ O caminho onde caem as flores nunca tinha sido varrido por causa de um convidado,/ Hoje, pela primeira vez, a porta rústica abre-se para um visitante./ Longe do mercado, só tenho comida de sabores simples,/ Minha pobre morada só pode oferecer um vinho velho e vulgar./ Se não te importares beberemos com o velhote do meu vizinho,/ Vou chamá-lo por cima da cerca e depois terminaremos juntos as nossas taças.»
«Linquan Gaozhi»
A Grande Mensagem Sobre Florestas e Nascentes
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h O panorama artístico actual de Hong Kong
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ÃO uma mas duas feiras de arte tiveram lugar recentemente em Hong Kong, a venerável Art Basel e a sua ousada congénere com apenas dois anos, Art Central. Foram preenchidas por um calendário superlotado de exibições em galerias como a Simon Lee e 10 Chancery Lane e espaços de exposição experimental como Para Site e Spring Workshop. O mundo da arte coroou definitivamente Hong Kong como o epicentro da arte na Ásia. E há mais no horizonte: duas importantes instituições novas – Tai Kwun no recinto da recentemente restaurada Esquadra de Polícia de Central e o M+ museum, praticamente concluídos, e mais galerias que se instalam ao longo das ruas inclinadas de Hong
Kong todos os meses, contando-se entre as mais recentes a Massimo di Carlo e Sprüth Magers. Hong Kong fez progressos notáveis no estabelecimento de um mercado de arte rentável e de um cenário artístico cada vez mais vibrante, na sua maior parte conseguido em menos de uma década. Mas conseguirá a cidade sustentar a sua classe criativa para alcançar a mistura de mercado e execução que impele a máquina de arte de Nova Iorque e Londres? Conseguirá saciar as exigências culturais não apenas de coleccionadores caprichosos, mas também de cerca de sete milhões de indivíduos que chama a Hong Kong a sua casa? Muito antes das primeiras incarnações das agora estabelecidas feiras de arte, as leiloeiras fizeram o trabalho de
sapa do vibrante mercado de arte da cidade. A Christie’s escolheu a Hong Kong de antes da transferência de soberania como catalista da sua subsequente expansão asiática, abrindo aí um escritório em 1984. Mais de 30 anos mais tarde, a empresa tem cerca de 180 funcionários nas suas instalações de 4800 m2. Em 1991, a Christie’s Hong Kong tornou-se a primeira leiloeira internacional a realizar um leilão inteiramente dedicado à pintura chinesa a óleo contemporânea, com vendas a somar 1.1 milhões de dólares americanos. Foi um momento decisivo, precursor do mercado para a arte contemporânea chinesa hoje, no qual obras individuais por pintores de Wu Guanzhong a Zao Wou-Ki frequentemente alcançam aquele montante no leilão – quando não 20 vezes esse valor.
Durante algum tempo, os leilões desfrutaram uma espécie de monopólio na compra e venda de arte em Hong Kong. Tudo isto mudou em 2008 com a estreia da ART HK, a feira de arte que estabeleceu as fundações da Art Basel de hoje em Hong Kong. A feira pode gabar-se de ter tido ao leme uma equipa de peritos: Sandy Angus (cujas incursões seguintes incluem a India Art Fair, ArtInternational de Istanbul, Art16 de Londres, Photo Shanghai e Art Central), Tim Etchells (da Art Central, Art16, e Sydney Contemporary), Will Ramsay (das PULSE e Affordable Art Fairs), e Magnus Renfrew, que mais tarde dirigiria as duas primeiras edições da feira sob os auspícios da Art Basel. Renfrew continua a ser um membro influente do
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Michel Reis
Hong Kong Arts Development Council e a dirigir o Conselho Consultivo de Para Site. Havia de facto uma lacuna no que se refere a uma feira internacional importante que pudesse introduzir, ao mesmo tempo, uma base de coleccionadores da Ásia em rápida expansão e obras de arte de alto calibre de outras partes do mundo e também apresentar a arte da Ásia a um público global. As condições singulares de Hong Kong devido à sua história de mais de 150 anos sob domínio britânico, até à transferência histórica de soberania de 1997, tornou-a a capital asiática óbvia na qual localizar tal feira. A liberdade de expressão, protegida pela Lei Básica de Hong Kong e o facto da cidade ser um porto franco, ajudaram ao crescimento impressionante da ART HK e à sua posterior aquisição pelo Grupo MCH, a companhia mãe da Art Basel. A primeira edição de ART HK em 2008 acolheu 101 galerias e mais de 19,000 visitantes. Apenas quatro anos mais tarde, em 2011, a feira acolheu 260 expositores e mais de 63,000 visitantes. Nessa altura o Grupo MCH adquiriu a sua maioria. Enquanto o mercado de arte de Hong Kong tomava forma, os artistas percorriam um caminho completamente diferente e mais modesto. Para além da escassez de opções de ensino superior para aqueles interessados nas artes, os preços notoriamente exorbitantes dos imóveis apresentavam um verdadeiro desafio aos artistas e continuam a fazê-lo. Os preços só arrefeceram um pouco no início do século, devido à recessão económica, o que fez os artistas mudarem-se para antigos espaços industriais, o que levou ao surgimento de uma comunidade criativa florescente no distrito de Fo Tan da cidade, e mais recentemente, em Wong Chuk Hang, no sul da ilha. O artista Leung Chi-wo, fundou Para Site em 1996, um dos primeiros espaços de exposição geridos por artistas da cidade, que ganhou reputação internacional como um dos mais progressistas de Hong Kong. A sua fundação, um ano depois da criação do Hong Kong Arts Development Council, que permitiu pela primeira vez a artistas e organizações independentes requererem financiamento para os seus projectos, é significativa, uma vez que os fundos recebidos do Conselho permitiram ao espaço crescer. Para Site foi o primeiro de uma rende em expansão de espaços geridos por artistas destinados a criar condições para a experimentação e criação em Hong Kong. O seu impacto na comunidade cultural da cidade continua ainda hoje a ressoar. Desde a emergência de Para Site que outros surgiram, como Spring Workshop, fundada por Mimi Brown em 2011, um local que oferece residências, programas públicos, educação
e exposições, colaborando regularmente com uma nova geração de artistas e curadores que escolheram Hong Kong para ser a sua casa. O sucesso da ART HK e, subsequentemente, da Art Basel em Hong Kong, desencadeou a chegada à cidade de uma série de galerias internacionais, como a Simon Lee, White Cube, Pearl Lam Galleries, Gallerie Perrotin, Gagosian, Ben Brown Fine Arts e da Sarthe Gallery, que liderou o assalto ao longo de vários anos, na sequência da implementação de várias estratégias pelo Governo de Hong Kong no sentido de transformar a região num fulcro de comércio, que tornaram abrir um negócio numa coisa fácil. Mas não foram apenas as galerias comerciais que capitalizaram rapidamente sobre o recente cachet comercial da cidade. Esta agitação deu origem à fundação de uma edição de Hong Kong da Affordable Art Fair em 2013. E dois anos mais tarde, a Art Central tornou-se outro actor importante, a rematar aquilo que amadureceu e se transformou numa paisagem de mercado dinâmica. A Art Basel cimentou a posição de Hong Kong como ponto central de arte da Ásia e destino global de artes. Apesar das actividades de um punhado de pioneiros como Leung e Brown, a arte criada em e para Hong Kong – e o sector artístico não lucrativo como um todo – ficou atrás do crescimento comercial da cidade e do influxo de actores internacionais. Historicamente, as oportunidades públicas de se lançar na arte têm sido reduzidas em Hong Kong e o fosso entre ricos e pobres permanece significativo. Durante algum tempo, os domínios paralelos da exposição de arte comercial e não comercial permaneceram frustrantemente separados. A chegada de galerias reputadas lançou discussões sobre a relação de Hong Kong com os artistas locais e a comunidade, que era muito desarticulada e desligada, mas tal mudou quando as comunidades artísticas internacional e regional começaram a prestar mais atenção aos artistas de Hong Kong e com a ida de Lee Kit a Veneza em 2003 e subsequentemente de Tsang Kin Wah em 2015. Não se resolveram todos os problemas mas a relação é definitivamente mais saudável hoje do que era há cinco ou seis anos. Para além das galerias comerciais, as oportunidades para a criatividade trans-sectorial estão a crescer, injectando uma dose fértil de discurso cultural no negócio rendoso da arte, como por exemplo através da plataforma de discussão Intelligence Squared, que tem feito parte da ART HK e subsequentemente da Art Basel desde 2009. Na verdade, os artistas têm beneficiado do poder de mercado aumentado de Hong Kong e não são apenas os artistas que podem beneficiar da presença de
um sector comercial robusto na Região. O mercado tem sido um motor importante para aumentar o interesse geral e a consciência artística na cidade. Mesmo as organizações não lucrativas beneficiaram disto. O Asia Art Archive, fundado em 2000, nasceu da necessidade urgente de criar e partilhar da história recente da arte na Ásia para enriquecer e complicar as narrativas artísticas e históricas, e abrir novos pontos de referência para além dos já existentes e explorados. Um recurso respeitado em Hong Kong e no estrangeiro, o arquivo tem forjado ligações de sucesso entre as galerias da cidade, feiras e indivíduos. O Arquivo sustenta-se principalmente através de um leilão anual de obras a coleccionadores, um exemplo de mecenato artístico privado ainda muito incipiente em Hong Kong, mas há muito mais formas não-tradicionais de mecenato e popularização das artes que se podem explorar. Tudo isto é louvável ainda mais que, para uma cidade com c. de sete
Hong Kong possui a energia, a intriga e crucialmente, o apoio adequado do governo para fazer as coisas acontecerem. No entanto, não deixam de existir riscos milhões de habitantes, as instituições artísticas financiadas pelo governo têm sido notoriamente e lastimavelmente poucas. Tudo isto está para mudar, contudo, visto que dois novos projectos públicos encabeçam o que muitos esperam ser uma nova era de desenvolvimento cultural em Hong Kong: Tai Kwun (mais conhecida como a Esquadra de Polícia de Central) e o museu M+. A primeira, a abrir ainda este ano, trata-se da reutilização e transformação do recinto da antiga Esquadra de Polícia de Central, num hub cultural no coração da cidade, cuja programação artística de 2.1 biliões de dólares de Hong Kong é encabeçada pelo antigo director executivo e curador de Para Site, o alemão Tobias Berger, que foi também curador de artes visuais do M+ durante quatro anos, na sua fase inicial. Irá preencher a lacuna entre os espaços não lucrativos mais pequenos e os museus, sendo um local onde os artistas contemporâneos podem produzir exposições, experimentar e onde o público pode ver arte que é relevante para um discurso contemporâneo de Hong Kong. Planeado para albergar seis a oito exposições por ano,
irá também incluir projecções de cinema, uma biblioteca, música, espectáculos e workshops. Enquanto a expectativa de abertura deste espaço é elevada, é o há muito esperado M+ que irá cimentar o estatuto de Hong Kong com um hub artístico de classe mundial com a sua abertura em 2019. A jóia da coroa do West Kowloon Cultural District - o qual, com 40 hectares, será o maior projecto cultural e artístico de Hong Kong até à data – este museu irá ficar situado no interior de um edifício concebido pelas firmas de arquitectura TFP Farrells e Herzog & de Meuron. O M+ irá apresentar uma visão muito abrangente das intersecções entre a arte, a cultura e o design de Hong Kong e da região. O impacto potencial do M+ é de grande alcance. Apesar da explosão de museus na China, que viu milhares de novas instituições a abrir nos últimos anos sem, no entanto, se assistir a um investimento na formação em gestão de museus, a segunda maior economia do mundo ainda carece de um exemplo de classe mundial para os museus mais pequenos seguirem. E apesar da história de falsas partidas e demissões do M+ - a mais recente do Director Executivo, Lars Nittve – a expectativa continua a aumentar em relação ao que é confessadamente ainda um desenvolvimento distante e há ainda muito a fazer, nomeadamente cultivar um espírito de filantropia e doações privadas. Para além do seu local físico, o M+ desempenha um papel no ecossistema mais lato de Hong Kong, actualmente através de uma série de exposições itinerantes incluindo “M+ Sigg Collection: Quatro Décadas de Arte Contemporânea Chinesa” em ArtisTree. Em Julho um portal online irá forjar novos espaços acima e para além da densidade de Hong Kong. Claramente, Hong Kong possui a energia, a intriga e crucialmente, o apoio adequado do governo para fazer as coisas acontecerem. No entanto, não deixam de existir riscos. A atitude agressiva de que Hong Kong se orgulha no passado tem sido cada vez mais testada, como se viu com o “Umbrella Movement” que dominou a cidade e champu a atenção de grande parte do mundo há pouco mais de um ano. À medida que a influência de Pequim se faz sentir na paisagem política, educacional e dos média de Hong Kong, muitos estão preocupados que a independência curatorial destas novas instituições possa também ser comprometida, seja através da auto-censura ou de uma mão externa. O tempo dirá como a cidade poderá elevar-se ainda mais para acomodar e facilitar publicamente a cultura.
*Este artigo baseia-se num editorial da publicação Artsy, Nova Iorque, de 22 de Março de 2016, por Francis Arnold
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nebulado
O que fazer esta semana Amanhã
Filme “Philadelphia” de Jonathan Demme Casa Garden, 19h00
Quarta-feira
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Quinta-feira
Exposição “Nova linguagem pictórica” de Natália Gromicho Casa Garden, 18h30
Diariamente
o cartoon steph
Exposição “Artes Visuais de Macau” Instituto Cultural (até 07/08) Exposição “Dinossauros em carne e osso” Centro de Ciência de Macau (até 11/09) Exposição “Reminescent – Portugal Macau” Galeria Dare to Dream (até 22/07) Exposição “Cnidoscolus Quercifolius” - Alexandre Marreiros Museu de Arte de Macau (até 31/07) Exposição “ Exposição do 70º Aniversário” - Han Tianheng Centro Unesco de Macau – (até 07/08) Solução do problema 114
Exposição “Pregas e dobras 3” de Noël Dolla Galeria Tap Seac – (até 09/10)
Cineteatro
C i n e m a
INDEPENDENCE DAY:RESURGENCE Sala 1
INDEPENDENCE DAY: RESURGENCE [b] Filme de: Jon M. Chu Com: Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Lizzy Caplan 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 Sala 2
Alice through the looking glass [b] Filme de: James Bobin Com: Johnny Depp, Anne Hathaway, Mia Wasikowska 14.30, 16.30, 21.30
problema 115
Um DISCO hoje
Sudoku
de
Exposição “Color” 2016 Centro de Design de Macau
1.21
Punição e prémio
Música “Saturday Night Jazz” Fundação Rui Cunha, 21h30
Exposição “Arts Fly” Broadway Macau (até 28/06)
yuan
aqui há gato
“Breves Notas sobre a edição de Camilo Pessanha” por Carlos Morais José Fundação Rui Cunha, 18h30
Exposição “Edgar Degas – Figures in Motion” MGM Macau
0.22
Já se questionou porque é que Macau tem tantas motas? Com ruas tão estreita e tantas travessas as motas são muito mais convenientes para andar nesta terra. Nos meus passeios pela rua vejo cada vez menos lugares de estacionamento para as motas. (E também para os carros). Isto acontece, percebi aqui a ouvir os jornalistas, porque o Governo cortou nos lugares, apesar de não existirem em número suficiente. Foi o próprio Governo que admitiu que diminuiu o número de estacionamentos e que vai continuar a fazê-lo. A ideia, diz, é aumentar a eficácia dos parques de estacionamento. Ao que parece, os condutores preferem sempre estacionar na rua, sejam carros ou motas, mas que os condutores de veículos de duas rodas estão muito pouco interessados em pagar estacionamento. Daí não usarem os parques. Este é um problema sem fim à vista. É que mesmo com o aumento de impostos para todas viaturas, a fim de controlar o seu número, nada tem melhorado a situação do tráfego e estacionamento. Eu percebo a ideia do Governo, também percebo que queiram mais espaço na rua mas há coisas que continuam mal. Por exemplo, os autocarros. Será que o director da DSAT alguma vez apanhou um autocarro na Areia Preta em direcção ao lotes de obras no Cotai? Daqueles nas horas bem apertadas? Não me parece. Faz lembrar aquelas imagens de refugiados nas décadas passadas que enchiam barcos, sem espaço para respirar. (Algo que continua a acontecer nos dias de hoje). E o metro? Nada. Absolutamente nada. Diz Raimundo do Rosário que quem cumprir as datas terá um prémio? Ah? Desculpem? Isto faz sentido? Não é muito melhor punir quem não cumpre? Assim é justo, não é? Pu Yi
The waiting room (Tindersticks, 2016)
The waiting room é o último trabalho dos britânicos Tindersticks, que à semelhança dos restantes, em nada desilude. A banda que desde 91 canta uma melancolia que embala qualquer um está de volta, com um disco que não é novo nem diferente, e nem é isso que se pretende. É mais um trabalho delicioso em que Stuart Staples e os seus compinchas musicais convidam todos a uma viagem que evoca imagens entre dores e frenesins e que deixa água na boca para um espectáculo ao vivo. Sofia Mota
Alice through the looking glass [b][3d] Filme de: James Bobin Com: Johnny Depp, Anne Hathaway, Mia Wasikowska 19.30 Sala 3
KIDNAP DING DING DONG [c] Filme de: Wilson Chin Com: Ivana Wong, Alex Fong, Kabby Hui, Bill Chan 14.15, 16.00, 17.45, 21.45
NOW YOU SEE ME 2 [B] Filme de: Jon M. Chu Com: Mark Ruffalo, Jesse Eisenberg, Jesse Eisenberg, Lizzy Caplan 19:30
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23 hoje macau segunda-feira 27.6.2016
opinião
macau visto de hong kong
THE APARTMENT, BILLWILDER
N
O passado dia 11, o website “money.cnn. com” publicou um artigo sobre a proposta de um novo direito a implementar em França. Designado por “direito a desligar”, assegura que os funcionários não serão obrigados a responder a emails de serviço, durante os períodos de descanso. Se a proposta for aprovada entrará em vigor em Julho de 2017. A norma prevê que uma empresa com mais de 50 funcionários não poderá enviar emails ao pessoal fora do horário de serviço. Aos empregados é assegurado o direito a não responder. O intuito desta norma é reforçar a ideia das 35 horas de trabalho semanais que se quer levar à prática. Os franceses acham que os patrões mantêm os empregados a trabalhar para lá do horário normal através do mail. A pressão continua fora das horas de serviço. Os emails funcionam como um laço que prende os trabalhadores às preocupações laborais e invadem as suas vidas privadas. A casa deixa de se distinguir do escritório. Um dos pontos interessantes deste direito é não implicar qualquer sanção. Funciona mais como um incentivo e o governo espera que o empregador implemente a regra voluntariamente, não estando prevista qualquer penalização em caso de infracção. O “direito a desligar” confere obviamente protecção aos empregados. Mas, digamos, existem alguns princípios fundamentais que sustentam este direito. Os franceses acreditam em dois conceitos de tempo, “Chronos” e “Keiros”. Consultemos as respectivas definições na “Wikipedia”, “Chronos é a personificação do tempo na filosofia pré-socrática, sendo mencionado em obras literárias posteriores.” Keiros é outro deus grego. Representa a ocorrência de um acontecimento especial num determinado período de tempo. O “tempo K” é o tempo de produção, o tempo criativo. Por isso, quanto mais prolongado for o tempo de trabalho menor será o “tempo K”, e a capacidade de produção e criação diminuirá. Este direito permite a liberdade depois do horário laboral e garante que as pessoas deixem de ser incomodadas pelos emails dos patrões. Reforça também a ideia das 35 horas de trabalho semanal, que se quer ver respeitada em França. Mas será esta história é assim tão simples? O “direito a desligar” traz consigo algumas implicações. Em primeiro lugar, se a empresa
Direito ao sossego
david chan
for francesa e não precisar de estabelecer comunicações para outros fusos horários, não haverá consequências de maior para ninguém. Mas se a empresa for estrangeira e, ou, tiver de lidar com clientes que se encontrem noutros fusos horários, pode causar várias perturbações. A empresa terá nesse caso de indigitar os responsáveis pelas relações internacionais, sobretudo nos casos que impliquem diferença de horários. O trabalho por turnos, com horários nocturnos, poderá ser uma solução para o problema. Mas implicará certamente um aumento das despesas empresariais, na medida em que estes horários rotativos implicam um pagamento extra. Em segundo lugar, nos tempos que correm, os emails fazem parte das comunicações electrónicas. O Whatsapp, o Wechat, o Facebook e etc. são todos ferramentas de comunicação electrónica. E se a lei que regulamenta a recepção dos emails não se estender a outras plataformas de comunicação? Por exemplo, se um empregador enviar uma mensagem a um funcionário via Whatsapp, após o horário laboral, para o avisar que na manhã seguinte tem de efectuar determinada tarefa. O empregado só vai ter de se ocupar desse serviço posteriormente, dentro do seu horário de trabalho e não tem de responder à mensagem logo a seguir. Mas se o “direito
“A pressão laboral em Hong Kong é enorme. É comum receber-se emails e mensagens dos patrões fora das horas de serviço” a desligar” não cobrir outras plataformas, como por exemplo o Whatsapp, então o empregado poderá arranjar problemas, se não responder de imediato ao patrão. Neste sentido, a protecção oferecida por este direito pode não ser suficiente. Em terceiro lugar, por vezes os emails são identificados como lixo, e nesse caso, não aparecem no “Correio Recebido”. Noutros casos, por qualquer motivo, podem extraviar-se. Em ambas as situações os emails foram enviados, mas não foram recebidos. O “direito a desligar” garante ao empregado a possibilidade de não responder fora do horário de trabalho, mas se o email se perder, nunca mais poderá responder. Nesse caso quem será responsabilizado pela perda do email? É obviamente uma questão que não é abrangida por este direito, mas na nossa vida de todos os dias
a perda de emails é um problema que não conseguimos evitar. A pressão laboral em Hong Kong é enorme. É comum receber-se emails e mensagens dos patrões fora das horas de serviço. Podem ser 11.00 h da noite, sendo que a pessoa tem de estar no escritório às 9.00h da manhã, mas mesmo assim, tem de responder às mensagens do patrão, se não quiser arranjar lenha para se queimar. A injustiça nas relações laborais pode ser facilmente demonstrada. Em Macau a pressão talvez não seja tanta como em Hong Kong. Mas ainda assim não impede os patrões de enviarem mensagens às 11.00h da noite. O empregado talvez possa não responder, mas uma coisa é certa; no dia seguinte vai ter de apresentar explicações. O “direito a desligar” é uma boa ideia. Mas, na prática, levanta algumas questões. Para o concretizar será necessário encontrar respostas antecipadamente. A implementação desta norma pode assegurar que os trabalhadores de Hong Kong e Macau deixem de sofrer a interferência dos patrões fora das horas de serviço e garantir-lhes o direito ao sossego. Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção do Jazz de Macau legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
“
“Escrevo nas constelações / o espaço abolido / no flanco de um naufrágio / sem barco e sem mar, / a liberdade de uma aliança / entre mim e o reflexo / da lua a pratear / na tempestade / estrelas de bonança...”
segunda-feira 27.6.2016
Jorge Arrimar
Pequim sabe que Portugal aguarda mais investimento chinês
País das maravilhas EURO 2016 FRANÇA VENCE IRLANDA E SEGUE EM FRENTE
Um ‘bis’ de Antoine Griezmann permitiu ontem à França virar o resultado e apurar-se para os quartos de final do Euro2016 em futebol, ao vencer a República da Irlanda por 2-1, em Lyon. Os gauleses entraram na partida praticamente a perder, depois de Robbie Brady ter inaugurado o marcador logo aos dois minutos, na conversão de uma grande penalidade, tendo a França virado o marcador na segunda metade, com dois tentos de Griezmann no espaço de três minutos, aos 58 e 61. Nos quartos de final, a França vai defrontar o vencedor do encontro entre a Inglaterra e a Islândia, a disputar esta segunda-feira.
Helicóptero militar desaparece na Tailândia
Um helicóptero militar da Tailândia com três pessoas a bordo desapareceu no sábado quando sobrevoava uma zona montanhosa do país, revelou ontem a comunicação social local. O helicóptero dirigia-se a uma base militar e decorrem operações de busca desde sábado, segundo a imprensa tailandesa. As forças armadas da Tailândia tiveram vários acidentes com helicópteros nos últimos anos relacionados com problemas mecânicos nos aparelhos e falta de visibilidade. Em 2011, 17 soldados morreram quando três helicópteros caíram num período de poucos dias na região montanhosa do oeste do país. Em 2014, outros nove militares morreram num acidente com um helicóptero no norte da Tailândia.
BENFICA Princípio de acordo por Óscar Benítez
O Benfica já chegou a princípio de acordo com o Lanús para a transferência de Óscar Benítez, segundo pode ler este domingo em A BOLA. «Está fechado, ou melhor está quase fechado, pois as coisas estão muito adiantadas. Na próxima semana ou no início de Julho o jogador deverá ir para Portugal», explicou fonte muito bem colocada no processo. Óscar Benítez, um extremo de 23 anos que terminou a temporada argentina em grande, deverá custar aos cofres da Luz verba a rondar os quatro milhões de euros.
Avião da American Airlines evacuado em Londres
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Avião da American Airlines evacuado em Londres Um avião da American Airlines foi evacuado este domingo de manhã devido à presença de fumo na cabine. O aparelho estava no aeroporto de Heathrow, em Londres, quando foi dada ordem para que os passageiros saíssem do aparelho, segundo o jornal The Sun. Poucos minutos após o embarque, cerca de uma dúzia de passageiros usou os slides de emergência para sair rapidamente do Airbus A330.
O IPIM levou a Lisboa e ao Porto 30 empresários do “Grupo 9+2” (nove regiões chinesas, Macau e Hong Kong) e o resultado provável será mais investimento chinês em Portugal, país que o embaixador chinês, Cai Run, considera uma “terra de maravilhas, dotada de excelente localização geográfica”
O
G o v e r n o português “está a aguardar” a participação de empresas chinesas em diversos sectores, segundo um comunicado do Instituto da Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) ontem divulgado. O instituto levou na semana passada a Lisboa e ao Porto 30 empresários do designado “Grupo 9+2”, que engloba nove regiões chinesas, Macau e Hong Kong, que formam a Região do Pan-Delta do Rio das Pérolas, para impulsionar “o intercâmbio e a cooperação”. Na passagem por Lisboa, os empresários encontraram-se com o embaixador da China, Cai Run, que, segundo o mesmo comunicado, “sublinhou que o Governo português está a aguardar a participação das empresas chinesas nos sectores de energia, serviços financeiros, seguros, medicina, preservação da saúde, negócios marítimos, agrícola, infra-estruturas e cooperação na capacidade de produção”. O embaixador incentivou, ainda, os empresários chineses a participarem no seminário de promoção do investimento em Portugal que terá lugar em Novembro e afirmou que considera Portugal uma “terra de maravilhas, dotada de excelente localização geográfica”. Os empresários do “Grupo 9+2” estiveram num seminário com representantes de 30 empresas portuguesas e visitaram “empresas avançadas”, da área dos transportes e “negócios marinhos”, lê-se no mesmo texto. Nesse seminário, o presidente do IPIM, Jackson Chang, “observou que
“Existem boas razões para crer que foram já criadas condições para as empresas de Portugal, Macau e da Região do Pan-Delta do Rio das Pérolas colaborarem estreitamente, com vista a explorar oportunidades de negócio” Comunicado do IPIM Portugal e Macau têm profundas raízes históricas, sendo cada vez mais frequente a cooperação”, e revelou que em 2015 o comércio bilateral superou os 35 milhões de dólares norte-americanos, um aumento de 11,8%.
Oportunidades no Delta
Sempre segundo o mesmo comunicado, Jackson Chang lembrou que Pequim deu a Macau a missão de ser a ponte entre a China e os países de língua portuguesa, no âmbito da cooperação económica, e garantiu que a região está “a implementar com dinamismo” os designados “três
centros” (de serviços comerciais para as pequenas e médias empresas chinesas e lusófonas; de distribuição de produtos alimentares da lusofonia; e para convenções e exposições das partes envolvidas). “Existem boas razões para crer que foram já criadas condições para as empresas de Portugal, Macau e da Região do Pan-Delta do Rio das Pérolas colaborarem estreitamente, com vista a explorar oportunidades de negócio”, lê-se no texto. Noutro encontro, Jackson Chang convidou a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) a incentivar a organização de delegações de empresários portugueses para participarem na edição deste ano da Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês) e no conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como “Fórum Macau”, que se realiza este ano, em Macau. A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como a sua plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que foi criado o Fórum Macau, que tem um Secretariado Permanente e reúne ao nível ministerial de três em três anos.