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Hoje Macau 27 MAI 2019 # 4296

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

TIAGO ALCÂNTARA

HOJE MACAU

SEGUNDA-FEIRA 27 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4296

MOP$10

hojemacau

EUROPEIAS | MACAU

URNAS CONCORRIDAS PÁGINA 5

PLANOS SEM PLANO ALL ABOUT MACAU

PÁGINA 7

CRIME

O CASO DAS FICHAS ROUBADAS HOJE MACAU

PÁGINA 9

LITERATURA

DEIXA-ME RIR

Melancia agridoce

Apesar da satisfação de olhar hoje para Macau e ver que a Administração chinesa mantém a identidade portuguesa em questões como a língua, o Direito ou o património, Carlos Melancia afirma que gostaria de ter feito muito mais. O ex-Governador fala do Caso do Fax, do segundo hospital que nunca andou para a frente e diz ainda que sempre tratámos mal a comunidade macaense.

EVENTOS

ENTREVISTA

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CARLOS MELANCIA EX-GOVERNADOR DE MACAU

“Gostava de ter feito mais” Aos 91 anos de idade, Carlos Melancia vive em Castelo de Vide numa casa cuja vista alcança o Alentejo inteiro. Na sala repousam fotografias e livros sobre Macau, lugar que lhe deu “chatices”. O caso do Fax de Macau foi uma delas, considerada pelo ex-Governador a mais difícil, que lhe afectou a reputação. Melancia fala do projecto do segundo hospital público que nunca avançou e defende que Hengqin deveria pertencer ao território

Deixou Macau em 1991, o que tem feito desde então? Já tinha esta casa e sempre disse que viria a servir para quando me reformasse. Em primeiro lugar não vinha muito contente de Macau, e em segundo lugar já não estava para aturar mais chatices. Acabei por mudar-me de Lisboa para aqui (Castelo de Vide). Juntei uns trocos e tentei arrancar com uma sociedade e iniciar um hotel. O hotel ainda existe mas as coisas não correram lá muito bem. Depois ainda me meti a fazer um campo de golfe que temos aqui perto da fronteira (com Espanha), começamos com o envolvimento de pessoas daqui, mas depois de três ou quatro anos a Câmara, que também fazia parte da sociedade, desistiu. Também estive ligado a uma fábrica de cortiça, que já fechou. A última coisa em que me meti foi a Ammaia. A fundação ligada ao património situada em Marvão. Como surgiu essa ligação? É simples. Sempre tive uma certa obsessão pelo património, porque acho que é um dos motores do turismo cultural. Quando cheguei a Macau fiquei mais ligado ao património. Constatei que, desde 1948, estavam classificadas umas ruínas de uma cidade romana como monumento nacional e nunca ninguém tinha feito nada. Acabei por apresentar um projecto à Câmara Municipal de Marvão e mais umas entidades para ver se se conseguia fazer alguma coisa. Criou-se então uma fundação, embora aquele património seja do Estado. Tem-se revelado uma coisa fora de série e neste momento estou à espera dos resultados de uma candidatura que nós fizemos. Se tudo correr bem não me preocupo mais com o futuro da fundação. Mas o património é sempre tratado como parente pobre, é considerado uma despesa em vez de um investimento, em termos estratégicos. Relativamente a Macau, há quem afirme que no tempo da Administração portuguesa o património não foi devidamente protegido. Concorda? Uma das primeiras coisas que se pretendeu fazer foi restaurar de raiz os edifícios de origem arquitectónica portuguesa, como o Leal Senado, para que fosse possível candidatar esses edifícios a património mundial da UNESCO. É óbvio que nunca me

passou pela cabeça que fossemos nós (a arrancar com o processo), quando estávamos a preparar a transferência de soberania de Macau e sobretudo devido ao grande volume de património chinês que havia. A China propôs depois a classificação desses edifícios. Mas quando fui a Macau da última vez, e já foi há quatro anos, percebi que há problemas com a UNESCO no que diz respeito à manutenção dos edifícios. E isso é a China que tem de resolver. Esse património é um dos factores que distingue Macau face a Hong Kong e China.

“Em primeiro lugar não vinha muito contente de Macau, e em segundo lugar já não estava para aturar mais chatices.” Ficou contente com o que viu no centro histórico? Fiquei. Mas os portugueses não foram capazes de se lembrar (e eu não sou nenhuma excepção), e lamento que tenha sido assim, daquilo que hoje os números do jogo e dos turistas representam para Macau. Era previsível que tudo iria ficar submerso. Macau, qualquer dia, não tem espaço para respirar. No tempo da Grande Guerra os japoneses ocuparam as ilhas à volta de Macau, uma delas a Ilha da Montanha, com o objectivo de que, por essa via, controlar Hong Kong e Macau, sem prejudicar as actividades recorrentes, pois as ilhas estavam praticamente desabitadas. Na perspectiva da filosofia da expansão da autonomia do território, achava que aquelas ilhas deveriam ser de novo integradas no território de Macau.

conhecer a intenção do Governo Central de fazer um campus universitário daquela dimensão, recordei-me daquilo que ele me tinha dito, de que não se esquecia da minha preocupação. Acha então que a construção do campus da Universidade de Macau foi uma resposta da China a essa questão territorial? Acho que sim e é um dos factores que mostra que a China fez um esforço sério para cumprir aquilo que estava programado. Não foi só o facto de não querer misturar o assunto de Macau com o das ex-colónias (portuguesas).

Falemos novamente do tempo em que foi Governador. Disse que quando deixou Macau não queria mais chatices. O caso do Fax de Macau foi o mais difícil? Em termos pessoais foi. As pessoas gostam muito de levantar problemas, mas depois quando eles se resolvem, para o bem e para o mal, não querem saber. Se lhe perguntarem como é que esse caso acabou, talvez não saiba.

A Ilha da Montanha? Sim. A zona de Hengqin, onde está o campus universitário.

Foi considerado inocente. Apesar disso, foi um caso que manchou o seu nome e credibilidade? Manchou. Há duas coisas que para mim são muito importantes. O facto de ter sido absolvido na primeira instância não significa que o Ministério Público não tenha recorrido para repetir o julgamento. Na prática a sentença transitou em julgado até ao Supremo e durante esse tempo confirmou-se a sentença. Mas há outra coisa que é importante dizer, uma vez que, na prática, houve um grupo de pessoas que foi julgado em paralelo sobre este assunto e que foi condenado. Essas pessoas devolveram os 50 mil contos à Wideplan e confessaram que tinham tido a iniciativa e com que intenções. Houve condenações mas juridicamente a sentença não foi executada, mas disso ninguém

Chegou a fazer alguma proposta concreta nesse sentido? Fiz uma proposta concreta ao primeiro-ministro sobre isto. Ele disse-me que tinha muita pena, e que se se tivessem lembrado disso na hora de negociar, ele seria o primeiro a pensar nisso seriamente, mas que já era tarde. Isto aquando da assinatura da Declaração Conjunta. Quando se começou a

“É capaz de haver gente a mais, o território foi atropelado pelo turismo. Mas a população está satisfeita e não creio que haja dificuldades.”

fala. Isso poderia ter aparecido nos jornais da mesma maneira, e não apareceu. Considera que foi vítima de uma injustiça pela maneira como foi tratado, na praça pública? Sim, e até mais do que isso. O principal visado não era eu, mas sim o Presidente da República (Mário Soares), pois havia eleições.

Sei que chegou a haver a iniciativa, durante o seu Governo, da construção de um segundo hospital público na Taipa. Como explica o facto de nunca ter sido construído? Houve esse projecto, mas no meu mandato queria acabar primeiro as obras do Centro Hospitalar Conde de São Januário, que já tinham dez anos, e também do hospital Kiang Wu. Eu pretendia que, logo que os dois estivessem construídos, houvesse um novo hospital. Foi o Rocha Vieira que depois seguiu os planos que já estavam pensados. Este não pôs em causa a estratégia global de se construir o aeroporto, e fizeram-se outras coisas em simultâneo, como o Porto de Ka-Hó e a universidade. E aqui não se colocava apenas o problema da falta de uma universidade. Portugal teve uma responsabilidade e conseguiu que a língua portuguesa ficasse na RAEM durante 50 anos, bem como o Direito de matriz portuguesa. Nessa perspectiva, era indispensável ter um curso de Direito apoiado por universidades portuguesas. Mas esse projecto do segundo hospital foi Rocha Vieira que não lhe deu seguimento. Houve aí interesses privados para o projecto não avançar? A situação de hoje não é comparada com a situação desse tempo. E não apenas devido ao turismo. A Taipa, nessa altura, tinha quatro gatos pingados, e Coloane ainda menos. Não estive nesse processo até ao fim, não posso dizer mais nada. Mas é uma falha não haver um segundo hospital público? É. Mas o crescimento de Macau face ao crescimento que vemos na Europa é uma coisa impensável. Ainda sobre a UM. Disse na entrevista à Lusa que negociou o processo para a sua criação, mas foi o Governador Garcia Leandro que deu início às negociações.

HOJE MACAU

ENTREVISTA


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Eu sei, é verdade. O que o Garcia Leandro fez foi negociar o financiamento do edifício. O meu objectivo era ter o curso de Direito em português apoiado por universidades portuguesas. Há aqui uma diferença qualitativa que se caracteriza pela diferença temporal, pois no tempo do Garcia Leandro havia a preocupação de aprovar um estatuto (Estatuto Orgânico de Macau). Não tinha recursos para fazer muito mais.Auniversidade de raiz portuguesa em termos científicos era uma coisa nova e justificava, perante os chineses, que, por nossa iniciativa, a Declaração Conjunta ia até mais longe do que aquilo que lá estava, pois não constava a obrigação de criar uma universidade. Não se deve misturar alhos com bugalhos. Admiti que ir mais longe politicamente era fazer o curso de Direito dentro do quadro das obrigações não expressas na Declaração Conjunta, por iniciativa do Governo português.

Saiu de Macau com a sensação de dever cumprido? Gostava de ter feito mais, de ter concluído as coisas em termos formais. Quem concluiu o aeroporto foi o Rocha Vieira, o terminal marítimo também, porque a lei das coisas era assim. Pudemos fazer mais coisas que fossem de interesse comum das pessoas nos primeiros anos do que nos últimos. O facto de ter lançado essas coisas todas não foi porque tinha a mania das grandezas, mas sim porque queríamos fazer um programa a 12 anos. Sei que correu bem porque o Rocha Vieira completou em 90 por cento o que estava programado. Macau começou a desenvolver-se no pós-25 de Abril, houve reformas no tempo de Garcia Leandro e concluíram-se depois os planos previstos na Declaração Conjunta no tempo de Rocha Vieira.

“Na prática tratámos sempre mal (a comunidade macaense), pois nunca houve um Governador que fosse natural de Macau.” Macau atrasou-se por ter sido tudo feito em tão pouco tempo? É o outro lado da moeda. Reconheço que algumas coisas importantes foram feitas mas não na totalidade, porque 12 anos é pouco tempo para uma tarefa dessas. Mas acho que o saldo é capaz de ser positivo. Hoje é legítimo olhar para Macau e ver que a Administração chinesa manteve ou tem mantido algumas componentes identitárias, como a língua, o Direito e o património.

Fala-se do projecto da Grande Baía, e da questão da integração regional. Fala-se disso mais cedo do que se deveria falar? Estive três vezes com o primeiro-ministro chinês Li Peng. E devo dizer que o Li Peng sempre me tratou como se eu fosse o presidente da França ou algo do género. Durante aquele período sempre resolveu os problemas que eu lhe apresentava de uma maneira positiva. Fazia-me questões que reconheço que um simples Governador de Macau não tinha importância, dentro da escala hierárquica, para as receber. E uma delas foi essa, sobre os 50 anos (da existência da RAEM). Ele perguntou-me que justificação é que eu achava que o Governo chinês tinha apresentado para ter conseguido um acordo com 50 anos. E não mais cedo, ou mais tarde. Sim. Eu disse que havia muito para

se fazer em termos formais, e que se aquilo que fizéssemos em 12 anos fosse satisfatório, coisa que o Governo chinês admitiu, a priori, que ia acontecer, valia a pena ter mais 50 anos sem perder de vista o que era o passado de Macau. Ele disse-me que não era só isso, e que, na prática, a China não podia prescindir de uma estratégia mundial. Não andavam a brincar às coisas para depois passados dois ou três anos voltarem para trás. Isto para mostrar o que era a sua filosofia externa no que diz respeito à durabilidade e manutenção. Não traz muito de novo, mas acho que tem significado ele ter perguntado isso. Poderia não o ter feito. Poderia. Na altura em que apareceu Gorbachev, ele perguntou-me o que Continua na página seguinte


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HOJE MACAU

eu achava dele. Era uma pergunta delicada e complicada, sobretudo para um europeu, que considera ambos os regimes (da China e da antiga URSS) discutíveis. Disse que não sabia, que politicamente não conhecia o suficiente sobre a política russa, mas disse que tudo evoluía, tal como iria acontecer na China e em Portugal, e que achava que Gorbachev tinha alguma hipótese de colmatar algumas das dificuldades que a URSS tinha. Ele disse-me: “Já vi que não me quer responder”. E era verdade (risos). Ele disse-me: “É fácil. O senhor tem razão em relação à evolução e às revoluções políticas mas há uma coisa que lhe posso garantir: não há exemplo nenhum de uma revolução ter sucesso quando a população tem fome. E neste momento os russos nem pão têm para comer.”

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Como vê a China hoje? Diz-se que Xi Jinping poderá ser um novo Mao Zedong. Acho que já faltou mais para que ele seja o novo Mao. Não é normal nas instâncias políticas ter um mandato sem prazo. Mas temos de levar em consideração que não se pode governar um país com um bilião de habitantes como um país com 100 milhões. Já que falamos de sistemas políticos. A questão do sufrágio universal rebentou em Hong Kong mas não chegou a Macau com a mesma dimensão. Como olha para isso? O peso político de Portugal em relação a Macau, comparado com o peso político de Inglaterra face a Hong Kong, é completamente diferente. Os ingleses sempre consideraram aquilo 100 por cento uma colónia e com interesses materiais a sério, porque era uma praça financeira a nível mundial. Na prática há coisas que se podem fazer em Hong Kong que eu não vejo serem possíveis de fazer em Macau. Mas estou convencido que o Governo chinês é suficientemente hábil para contornar o modo de ser dos ingleses que eu tenho alguma dificuldade em perceber. Os ingleses são muito mais conservadores e insurgentes do que a maior parte dos europeus. A única coisa que Portugal faz são cortesias e não tem a mesma escala. Então na hora de negociar falta perspicácia aos portugueses? Sim, e também determinação. No caso de Macau também faltou perspicácia? Portugal não defendeu bem os seus interesses? Criticar é muito fácil. Também fez parte do processo... Sim. Tudo o que aconteceu à volta do 25 de Abril deveria ter sido feito 100 anos antes. Nas chamadas províncias ultramarinas os líderes eram todos formados em

Coimbra e nós não fomos capazes de ter perspicácia suficiente para perceber que não éramos os únicos no mundo a ter um império. Estou convencido de que se não fosse a iniciativa da China para negociar directamente e criar um estatuto próprio para o território, o problema de Macau tinha passado por piores dias. Nenhuma das outras colónias teve essa possibilidade. O português iria ficar ao abandono e a população de Macau iria sofrer consequências negativas, sem a nacionalidade portuguesa. No processo de negociação a comunidade macaense foi pouco ouvida? Na prática tratámos sempre mal (a comunidade), pois nunca houve um Governador que fosse natural de Macau. Recorria-se sistematicamente a militares como solução única. Não que eu tenha alguma coisa contra eles, mas é a prova de uma falta de visão e de descentralização. O Carlos D'Assumpçao foi dos poucos que me lembro que foi chamado a pronunciar-se e não o quis fazer sem a autorização do Presidente da República. De resto, houve mais duas ou três pessoas. Isso pode também ser resultado de algum servilismo ou da nossa falta de iniciativa para envolver mais as pessoas de uma etnia diferente, a milhões de quilómetros de distancia. Estava previsto um crescimento tão grande na área do jogo? Nunca esteve. A esta escala não. Quando saí de Macau havia apenas sete casinos.

Falava-se da liberalização, ou era uma questão longínqua? Era longínqua. Se Macau tem a exclusividade do regime do jogo em relação ao resto da China, é a China que tem de decidir, e o dia em que decide cai lá tudo. O peso face a essa decisão é duas vezes mais importante do que o nosso.

“Estou convencido de que se não fosse a iniciativa da China para negociar directamente e criar um estatuto próprio para o território, o problema de Macau tinha passado por piores dias.” 20 anos depois, gosta da Macau de hoje? É capaz de haver gente a mais, o território foi atropelado pelo turismo. Mas a população está satisfeita e não creio que haja dificuldades. Há meses uma jornalista ligou-me para comentar o problema das pessoas que não tinham documentos e estavam clandestinos em Macau. Constatei, quando era Governador, que havia clandestinos com dez anos de Macau e tinham os filhos na escolas, alguns na escola portuguesa. Todos os dias as crianças fugiam da escola para não serem apanhados pela polícia. Eu achava isto uma coisa execrável.

Isso foi antes de Mário Soares pegar numa criança ao colo, num momento célebre, e prometer a nacionalidade portuguesa a todos os chineses sem documentos. Sim. Por razões que não conheci bem, interpretaram a ideia que eu tinha regularizado a situação de um dia para o outro. E na fronteira apareceram milhares de pessoas com miúdos para os regularizar. O Soares chegou nesse dia, e quando chegou foi informado de que estavam pessoas à porta do palácio do Governador. E ele disse: “Eu resolvo!”, à Soares. Ele resolvia as coisas assim, com essa proximidade? Sim. E logo a seguir foi engraxar os sapatos, a falar com o homem sem perceber nada, fazia gestos. A vossa relação funcionava? A minha maior dificuldade eram as relações que existiam entre o primeiro-ministro e o Mário Soares. Quando vinha a Portugal nunca deixei de fazer o ponto de situação com o primeiro-ministro que tinha assinado a Declaração Conjunta, mas sempre tiveram dificuldades um com o outro. Às vezes não era prático. Foi notícia há pouco tempo devido ao valor da sua reforma vitalícia, que é uma das mais altas do país (9 mil euros). Isso incomodou-o? Incomodou, e ainda por cima estive para aí três anos sem receber um tostão. Esse tipo de reforma está suspenso desde 2005, mas os primeiros têm direito a receber. Acho muito bem que a Assembleia da República

pense em mudar, mas não pode é andar para trás. Mas a situação da burocracia já está resolvida. Mas deixe-me contar mais uma história. Diga. O Governador de Hong Kong, que era um tipo que tinha 18 anos de experiência, telefonou-me a dar as boas vindas no dia a seguir a ter chegado. E disse-me que eu tinha um programa grande, que lhes ia bater o pé. Perguntou-me quem era o meu homem do Fung Soi para que me assegurasse que o aeroporto iria ser um êxito. Disse-me que tinha três mestres de Fung Soi, e eu perguntei se ele me queria ceder um. Nos bastidores, em Portugal, disseram-me logo que era uma subserviência, mas eu sempre disse que no sítio com uma civilização diferente o que temos de fazer é adaptar-nos às circunstâncias. O mestre disse-me que a Taipa era o sítio certo para o aeroporto, mas alertou-me: “O senhor vai ter de acompanhar a evolução das obras do aeroporto de dia e de noite”. E disse para eu por à porta do palácio uma carpa em pedra que iria vigiar as obras. E a carpa continua lá e ninguém sabe porquê. É a prova em como as pessoas têm de se adaptar a condições excepcionais, mas diziam-me que era bruxedo. A verdade é que tudo correu bem com a obra do aeroporto. Sim. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


política 5

segunda-feira 27.5.2019

Apesar da chuva que se fez sentir em força durante todo o período da manhã, a afluência às urnas triplicou, face a 2014, com 664 eleitores locais a marcarem presença no Consulado

ELEIÇÕES UE ADESÃO DE ELEITORES LOCAIS TRIPLICOU EM RELAÇÃO A 2014

Chuva de votos o Cônsul-Geral de Portugal para Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, que acompanhou de perto todo o acto eleitoral.

ELEITORES DE FORA

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TIAGO ALCÂNTARA

INDA sem resultados definitivos quanto aos votos de Macau para o Parlamento Europeu em 2019, a afluência às urnas neste fim-de-semana rendeu 664 votos, mais do que na última eleição europeia de 2014, em que apenas 222 boletins foram inseridos nas urnas locais. Até ao encerramento da edição deste jornal, apenas eram conhecidos os resultados de uma secção de voto em Macau, com o PS à frente com 56 votos, o PSD com 48 e o BE com 21. Os eleitores portugueses recenseados no território puderam votar no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, durante o fim-de-semana, entre 8h e as 19h de sábado ou de domingo. No final do primeiro dia tinham votado 280 eleitores, os restantes 384 optaram por exercer o seu dever cívico ontem. Na manhã de domingo, que começou com forte temporal, apenas 84 pessoas haviam votado até à hora do almoço (12h30). O período de maior afluência dos portugueses às urnas aconteceu durante a tarde, quando o tempo melhorou, comparecendo então mais três centenas de eleitores. Estes não são, todavia, os números definitivos, hoje será conhecida apenas a soma das secções de voto 1 e 2, que correspondem à quase maioria dos eleitores locais. A secção 3, que conta com votos locais e votos vindos de outras regiões asiáticas, ainda está por fechar, devendo os resultados ser conhecidos a meio desta semana. “O apuramento da secção 3 não vai ser realizado hoje [ontem], porque inclui votos de outras secções de voto noutros países”, nomeadamente os votos da Coreia do Sul, já que “a secção de voto que temos na Embaixada de Portugal em Seul tem menos de cem eleitores e, nessa medida, por lei não pode fazer uma contagem autónoma dos votos, que têm que ser enviados aqui para Macau, por correio registado. Portanto, só na segunda ou terça estarão cá, devendo ser divulgados na quarta-feira”, afirmou ontem

uas dezenas de eleitores de Macau não puderam votar nestas Eleições Europeias, por problemas na inscrição dos cadernos eleitorais, situação que foi ontem reconhecida pelo Cônsul-Geral português, Paulo Cunha Alves, segundo noticiaram os canais de rádio e de televisão da TDM em língua portuguesa. “Cerca de 18 a 20 pessoas, estamos a avaliar quantas, apresentaram-se para votação e os nomes não constavam nos cadernos eleitorais. Ainda não tenho razões concretas que expliquem o que aconteceu, temos algumas suposições como, por exemplo, eventuais alterações de morada no Cartão de Cidadão (...). Vamos fazer uma listagem, o mais completa possível, e enviá-la para a Comissão de Recenseamento de Portugueses no Estrangeiro, em Lisboa, pedindo que nos informem sobre as razões [do sucedido], de forma a que possamos comunicá-las aos eleitores em questão, para que a situação seja normalizada até às próximas eleições de Outubro”, informou o responsável.

Com um universo de 71 mil eleitores locais inscritos para ir ontem às urnas, por oposição aos 11 mil recenseados em 2014, que se devem às novas regras de recenseamento automático do cartão de cidadão, o número de portugueses que se deslocaram ao local de voto em 2019 foi, por comparação, de mais quase quatro centenas e meia. Várias gerações exerceram o seu direito, contando também com portugueses de etnia chinesa, a maioria dos quais preferiu não fazer declarações à imprensa, “por causa do meu português não ser muito bom”. Já o Cônsul-Geral destaca o interesse manifestado pelas questões europeias, mesmo estando noutro continente. “Pelo que tenho percebido, apesar de estarmos geograficamente distantes da Europa, as pessoas estão atentas ao que se passa na Europa e lêem artigos nos jornais e online. Hoje em dia não se pode dizer que, por se estar longe, não se tem informação. As pessoas quando querem têm informação e, prova disso, é que nestas eleições têm aparecido aqui para votar pessoas com nacionalidade portuguesa, mas de etnia chinesa, o que eu acho interessante. Significa que, mesmo aqui em Macau,

começa a haver um certo interesse pelas questões europeias e pela participação cívica”. As actuais preocupações com a instabilidade política do velho continente e o aumento dos movimentos extremistas têm sido também seguido pelos cidadãos locais. “A Europa está num momento de viragem, com acontecimentos importantes, como o Brexit, que está a decorrer há três anos e nunca mais é concluído. Todos nós esperamos que venha a ser concluído, com um acordo, de forma a que as condições sejam devidamente estabelecidas e possam ser cumpridas depois desse acordo. Com a demissão da Primeira Ministra britânica [anteontem], julgo que isso ainda vem chamar mais a atenção dos eleitores para as questões europeias”, comentou também o diplomata.

À HORA DE ALMOÇO

O economista Albano Martins, há décadas radicado no território, cumpriu ontem o acto eleitoral ao fim da manhã, algo que devia ser para todos uma prioridade, “nem que seja apenas para votar em branco”. “Nós defendemos a democracia e não as ditaduras, por alguma razão. Neste momento, a única base para a existência

de democracias é toda a gente poder ter o direito, e o dever, de dizer sim ou não ao que se está a passar. Se abdicarmos desse nosso dever – eu coloco dever primeiro e direito depois! – estamos a criar uma democracia que acaba por ser uma tirania, como qualquer outra ditadura. Por isso é que os populismos baratos conseguem proliferar, aqueles que vivem à custa de se aproveitarem da miséria do povo. Tudo isto é preocupante, sobretudo numa Europa que já esteve envolvida em duas Grandes Guerras”, comentou.

Nestas eleições têm aparecido aqui para votar pessoas com nacionalidade portuguesa, mas de etnia chinesa, o que eu acho interessante. Significa que, mesmo em Macau, começa a haver um certo interesse pelas questões europeias e pela participação cívica.” PAULO CUNHA ALVES CÔNSUL

Também para Teresa Mousinho, há vinte e cinco anos a residir no território, “as eleições para o Parlamento Europeu são de uma importância extrema”. O caminho que a Europa está a tomar é inquietante, “talvez porque não haja tanta participação para se poder impedir esses extremismos. De qualquer forma, temos que aceitar o sentido dos votos, e tentar melhorar participando cada vez mais, para que haja um equilíbrio maior. O que estamos a assistir nesta altura, no mundo inteiro, diz-nos que temos que fazer alguma coisa, dar o nosso contributo”. A geração mais jovem também passou pelo Consulado Geral. Ricardo Mota, que ao todo está em Macau há 15 anos, com interrupções, veio com a família “porque é importante participar, mesmo estando do outro lado do mundo, somos portugueses”. Quanto ao projecto europeu, “toda a Europa está um bocado sem rumo. Ou com rumo, mas sem perspectivas. E isto é a diferença que um voto faz. Por isso viemos votar e também trouxemos a [filha] mais nova, para aprender a votar e a participar. Com sol ou com chuva!”, contou à saída das urnas. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com


6 política

27.5.2019 segunda-feira

ATFPM DIRIGENTES FORAM PEDIR CASAS E AUMENTOS A SÓNIA CHAN

Tenha a bondade

José Pereira Coutinho liderou a comissão da associação de trabalhadores da função pública que esteve reunida com a secretária da Administração e Justiça. A questão da habitação e dos salários dominou o encontro, mas o controlo dos funcionários através de videovigilância também não foi esquecido

função pública de índice 195 que passarão a assumir um índice de 260. Segundo a informação da ATFPM, os funcionários que actualmente recebem 17.160 patacas por mês vão passar a auferir de 22.880 patacas. “A titular do principal cargo da Administração e Justiça anunciou que será apresentada ainda este ano uma proposta legislativa para a junção das categorias 195 e 260”, foi revelado. Em relação a este aspecto das categorias da Função Pública, a ATFPM pretendia que a carreira actualmente com 350 pontos, ou seja com um salário que ronda os 30.800 patacas fosse eliminada e que esses profissionais assumissem um índice de 430, ou seja 37.840 patacas. Neste capítulo a ATFPM disse não haver novidades.

MÉDICOS E ENFERMEIROS

Ainda no que diz respeito aos salários da Função Pública, a ATFPM diz que os índices remuneratórios do pessoal da linha da frente, como fiscais, condutores e auxiliares, vão ser revistos. Porém, a direcção liderada por José Pereira Coutinho defende que também os médicos de clínica geral e os enfermeiros deveriam ter os ordenados revistos em alta.

Sónia Chan terá explicado que já foi concluído um estudo sobre as habitações para os funcionários públicos e que os resultados foram apresentados ao Chefe do Executivo

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construção de habitação para os funcionários públicos foi a principal prioridade da direcção da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), durante o encontro de sexta-feira com a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan. Depois de José Pereira Coutinho ter sido eleito para mais um mandato à frente da ATFPM, que se vai prolongar até 2021, o

também deputado esteve reunido com a representante do Governo e voltou a insistir na necessidade de serem construídas casas para os funcionários públicos. No âmbito desta reunião, Sónia Chan terá explicado aos dirigentes da associação que já foi concluído um estudo sobre as habitações para os funcionários públicos e que os resultados foram inclusivamente apresentados ao Chefe do Executivo, Chui Sai On.

No final do encontro, a ATFPM emitiu um comunicado assinado pelo dirigente máximo da direcção, a apelar para que os trabalhos arranquem o mais depressa possível: “O Presidente da Direcção [José Pereira Coutinho] espera que o Senhora Chefe do Executivo tome uma decisão o mais rápido possível para se iniciar os procedimentos necessários à construção das habitações”, foi escrito. Outra das questões abordadas foi a eliminação das carreiras da

Além destes assuntos, no encontro foi igualmente discutida a contratação de trabalhadores não-residentes para exercerem funções dentro dos serviços públicos, a injecção de capital no Fundo de Pensões para assegurar a sustentabilidade e o controlo dos trabalhadores dos serviços através das câmaras de videovigilância colocadas nos edifícios.

Motociclistas Sulu Sou pede acções de sensibilização

O deputado Sulu Sou está preocupado com o número e as consequências dos acidentes de motos e pede ao Governo que tome medidas para aumentar a sensibilização dos motociclistas. Numa interpelação sobre trânsito, o pró-democrata frisou que os motociclistas são uma das partes mais frágeis do trânsito e que é necessário haver uma promoção do respeito pelas regras do código da estrada de maneira a que certos acidentes possam ser evitados. Segundo o deputado só mesmo com uma mudança de comportamentos nas estradas é que vai ser possível melhorar a qualidade da condução local e a segurança.

Veículos pesados Mak Soi Kun questiona exames a condutores

O deputado enviou um interpelação ao Governo a pedir que seja feita uma reavaliação das aulas de condução e formações para os condutores veículos pesados de passageiros. O deputado que venceu as legislativas de 2017 está preocupado com os acidentes recentes com este tipo de veículos, incluindo o autocarro de turistas que chocou contra o Café Rosa, e questiona qual é a razão de haver tantos acidentes deste género. O legislador ligado à comunidade de Jianmen questiona assim para quando a criação de um regime especial de acreditação deste tipo de condutores e o que vai ser feito pelo Executivo para reforçar a formação destes profissionais.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

OLHOS NO CÉU AGNES LAM ELOGIA RESULTADOS DO PROGRAMA DE VIDEOVIGILÂNCIA

A

deputada Agnes Lam defende os resultados alcançados pelo programa Olhos no Céu, que envolve instalação de câmaras de videovigilância ao longo da ruas da cidade, e quer saber quando é que as autoridades finalizam o projecto para as fases números cinco e seis.

Actualmente o Governo está a trabalhar na quarta fase do programa e no futuro anunciou a vontade de ter uma quinta e sexta. “Enquanto um meio importante do policiamento inteligente, o sistema Olhos no Céu alcançou resultados assinaláveis no auxílio da prevenção e

combate à criminalidade” afirmou Agnes Lam. “Quando é que o Governo vai fazer as avaliações necessárias sobre o planeamento, eficácia e supervisão do sistema Olhos no Céu?”, questiona. Na mesma interpelação, a legisladora alerta também para que apesar do ambiente

ao nível da criminalidade continuar estável, hsver mais desafios do anteriormente devido ao desenvolvimento de novas tecnologias. Ao mesmo tempo, Agnes Lam chama a atenção para a entrada de mais turistas com a abertura da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e dá

como exemplo o caso do polícia que teve de disparar uma arma de fogo para o ar, depois de ser atacado por turistas que fumavam numa área proibida. “O aumento recente do número de casos criminais e o recente episódio com disparos, preocupam a opinião pública, as

comunidades e até a indústria do turismo. A imagem de Macau como centro de turismo sofreu com isso”, sublinha. “O que é que a polícia pode fazer para reforçar os seus meios de execução da lei e investigação, que vão ser desafios a longo prazo?”, questiona.


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consulta pública de impacto ambiental já está feita, o projecto já tem uma maquete, mas não há ainda qualquer agenda nem para a divulgação de dados de viabilidade, nem para o início de obras. A ideia foi deixada, na sexta-feira, pelo presidente do Conselho de Planeamento Urbanístico, Li Canfeng, após a apresentação da maquete da Barragem de Marés do Porto Interior de Macau aos membros do organismo. “Não há ainda qualquer data para o início da construção disse”, acrescentando que os estudos de viabilidade que estão a decorrer também não têm agenda. “Estamos à espera dos resultados dos pareceres especializados que são feitos com entidades do Governo Central”, justificou. No entanto, é desejo de Li Canfeng que as obras tenham início ainda este ano. A barragem localiza-se na foz do canal de Wanzai que separa a Península de Macau e a cidade de Zhuhai. O padrão da concepção do projecto consiste na prevenção de inundações nos próximos 200 anos face a marés altas que possam atingir até 3,87m. A estrutura terá uma largura de 300m e as respectivas instalações consistem em comportas de escoamento, comportas de navegação, estações elevatórias, comportas de embarcações de emergência e áreas de gestão. No total, a barragem terá 300 metros de largura, que se dividem em 180 metros para as comportas de escoamento e 120 metros para as comportas de navegação. As estações elevatórias vão ter uma capacidade de drenagem de 43 metros cúbicos por segundo e vão consumir 2 520 quilowatts de energia eléctrica. A estrutura deve assegurar a navegação de embarcações de categoria de mil toneladas.

A aprovação de uma planta para a Ilha Verde sem a existência de um Plano Director Municipal foi alvo de polémica na última reunião plenária do Conselho de Planeamento Urbanístico. Chan Tak Seng defendia uma paragem no processo de aprovação enquanto outros membros argumentavam que a espera por um Plano Director representa um atraso no desenvolvimento local

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ausência de Plano Director Municipal para o planeamento de Macau esteve, na passada sexta-feira, no centro da discussão na 3ª reunião plenária do Conselho de Planeamento Urbanístico (CPU). A questão foi levantada pelo membro Chan Tak Seng na apresentação de uma planta que prevê a construção

“Não havendo um plano director não podemos ficar de braços cruzados senão nos próximos anos não temos qualquer desenvolvimento.” PAULO TSÉ MEMBRO DO CPU

CPU APROVAÇÃO DE PLANTAS SEM PLANO DIRECTOR CAUSA POLÉMICA

Esperar sentado GCS

Porto Interior Barragem de Marés dependente de pareceres especializados

de um edifício com 50 metros de altura num terreno na área da colina da Ilha Verde. Apesar da maioria dos membros concordar com a planta, Chan mostrou o seu desagrado em relação à altura do edifício, defendendo que este tipo de projectos não deveriam ser aprovados enquanto não existir o Plano Director Municipal. “Ainda não temos um plano director pelo que questiono se há condições para aprovar a planta. Acho que não se deve fazer este tipo de preservação”, disse, referindo-se ao parecer vinculativo do Instituto Cultural (IC) que aprova o projecto desde que sejam preservados os elementos de património presentes no terreno – um posto militar e um muro que fez parte de uma antiga fábrica de cimento. Em resposta, o presidente do CPU, Li Canfeng, argumentou que se não houvesse condições para discutir o planeamento urbano de Macau sem um Plano Director, então todas as outras plantas aprovadas seriam em vão. “Se não temos condições para discutir esta planta de condições por falta de Plano Director, então também não temos condições para discutir as

outras”, disse após terem sido aprovadas mais de dez plantas até ao momento desta discussão. Paulo Tsé sublinhou os inconvenientes da suspensão da aprovação de plantas enquanto não existir um Plano Director. “Não havendo um plano director não podemos ficar de braços cruzados senão nos próximos anos não temos qualquer desenvolvimento. Não falamos só de economia, mas para o bem da população, para o desenvolvimento geral. Esta planta está de acordo com as

regras e não vale a pena continuar com obstáculos para parar este projecto”, disse.

HORIZONTE EM QUESTÃO

Chan Tak Seng apoiou a defesa do património existente no terreno imposta pelo IC, mas questionou a obstrução da paisagem com o edifício de 50 metros de altura. “Têm que preservar o património, mas como vai ser o horizonte com o edifício de 50 metros? Acho que se deve baixar a altura máxima permitida para o edifício. A colina tem 54 metros, isto é razoável?”, insistiu.

A vice-presidente do IC, Leong Wai Man, apontou que o organismo considerou o espaço de forma a que a colina da Ilha Verde continue a integrar a paisagem daquela zona, nomeadamente no que respeita “ao corredor visual a partir da parte norte do Fai Chi Kei”. Já Li Canfeng, salientou que “não se pode fazer uma protecção de toda a linha do horizonte em 360 graus”, sendo que há o cuidado de proteger ângulos com maior visibilidade”. Para o deputado e membro do CPU, Wu Chou Kit, mais importante do que debater a altura deste edifício e a planta do terreno a que pertence, é saber como conjugar este projecto com a área envolvente tendo em conta a abertura prevista para este ano do posto fronteiriço de Qing Mao. “Temos de pensar aquando da concepção, como podemos conjugar o projecto com as instalações à volta”, começou por referir. “Prevejo que o posto fronteiriço de Qing Mao abra uma nova fase de desenvolvimento de Macau naquela zona e este projecto também tem de ser pensado e ponderado de acordo com o futuro desenvolvimento daquela área e a protecção do património”, acrescentou referindo-se à salvaguarda do posto militar que ocupa o terreno e do muro que faz menção a uma das primeiras fábricas de cimento do território. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

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Direcção dos Serviços de Identificação AVISO Assunto: Alteração do estado civil e dos dados de contacto Nos termos da lei, por mudança do estado civil, os residentes de Macau devem actualizar essa informação na DSI no prazo de 60 dias. Para além disso, deve ser procedida a actualização dos dados de contacto (ex: morada, telefone, etc), sempre que se verifique a alteração dessas informações. Para pormenores, queira visitar o site da DSI: www.dsi.gov.mo ou ligar para a linha de informação: 28370777.


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27.5.2019 segunda-feira

São Januário Alvis Lo novo director clínico

O médico Alvis Lo Iek Leong vai ser o novo Director de Clínico do Centro Hospitalar Conde de São Januário, sucedendo a Mário Évora. A informação foi revelada pelo Canal Macau na sexta-feira e surge na sequência da aposentação de Mário Évora da posição. O novo director não quis comentar a situação, ficando a aguardar uma publicação oficial sobre o assunto. Alvis Lo Iek Leong é actualmente coordenador do Centro de Avaliação e Tratamento da Demência e pelo Centro de Geriatria. Desempenha igualmente funções como assessor do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. Já Mário Évora vai continuar a desempenhar as funções de médico cardiologista.

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A influenza e a infecção por enterovírus foram responsáveis pelo aumento de 30 por cento dos casos declarados nos serviços de Saúde, em 2018. 5 984 foram de influenza representando um crescimento na ordem dos 45,6 por cento, em relação a 2017, seguida pela infecção por enterovírus com 4 246

BNU PRESIDENTE APOSTA NAS PME, JOVENS E NA MAIOR ENVOLVÊNCIA BANCÁRIA

Em busca do futuro

Numa entrevista concedida à agência Lusa, o presidente do Banco Nacional Ultramarino, Carlos Álvares, falou das oportunidades que o projecto da Grande Baía representa e fala das iniciativas do banco para os próximos anos “Temos de estar mais próximo dos jovens, temos quotas de mercado muito interessantes nas pessoas acima dos 40 anos, mas muito baixas nas pessoas abaixo de 25 anos, o que quer dizer que temos de ir

bater à porta dos pais e dos avós dos miúdos a dizer que há aqui uma casa fantástica”, concluiu o banqueiro.

A GRANDE BAÍA

No que diz respeito à área da integração regional,

Carlos Álvares vincou que o projecto da Grande Baía “é um mar de oportunidades para quem quiser vir para Macau; um dos pilares é Macau ser o centro mundial de lazer, e o segundo é ser uma plataforma de negócios

entre a China e os países de língua portuguesa”. Nesse sentido, “o BNU pode ser um congregador de esforços e um potenciador de negócios entre Portugal e Macau e a China, e estamos investir bastante

TIAGO PETINGA/LUSA

presidente do BNU em Macau disse à Lusa que as suas prioridades são a aposta nas Pequenas e Médias Empresas (PME), nos jovens e tornar-se o principal banco para mais clientes. Carlos Álvares frisou também que o BNU “tem 240 mil clientes”, mas é o principal banco para 25 ou 30 mil clientes, “o que significa que a operação pode ser bem mais rentável”, já que o principal banco de cada cliente “congrega 70 por cento dos movimentos”. Na entrevista na sede do BNU, o banqueiro disse ainda que outra das prioridades para o resto do mandato passa por estar mais próximo das PME: “Há sete mil empresas que trabalham connosco do lado dos depósitos, mas temos de estar mais próximos do lado do crédito, o que não é fácil porque os nossos padrões são os europeus e portugueses”. Em causa está a diferença que é feita na avaliação financeira das empresas na Europa e em Macau: “Os padrões europeus [de análise de risco das empresas] estão muito baseados no fluxo de caixa e aqui há uma tendência para o crédito ser baseado nas garantias reais, há um planeamento fiscal bastante forte por parte das micro e médias empresas e isso não reflecte nos seus números a boa realidade que têm, o que é limitador da capacidade de receberem crédito”. Para Carlos Álvares, o facto de haver esta diferença “é uma pena, porque essas pequenas empresas podiam transformar-se em médias e as médias em grandes se pudessem aproveitar o facto de ter mais crédito, que seria baseado em números e não em hipotecas”. Outra das grandes apostas para os próximos trimestres passa pela aproximação ao mercado dos jovens.

Saúde Doenças de declaração obrigatória subiram 30 por cento no ano passado

Carlos Álvares presidente do BNU “Infelizmente, conta-se pelos dedos as empresas portuguesas na China, mas uma coisa é ir para a China, que é um mundo, e outra coisa é vir para a Grande Baía, que é uma zona com 70 milhões de habitantes”

casos – num aumento de 25 por cento, em termos anuais. Também em altas estiveram os casos da varicela que subiram de 697 em 2017 para 745 em 2018. No ano passado foram registados 37 novos casos de HIV, mais quatro do que no ano anterior, somando um total de 667 pessoas infectadas até ao final de 2018.

nisso; para além da proximidade que temos com o Fórum Macau, estamos a tentar fazer o mesmo com a AICEP e a agência de captação de investimento de língua portuguesa, para mostrar as oportunidades de negócio na Grande Baía”, acrescentou o responsável. “A Grande Baía inclui cinco por cento da população chinesa, mas vale 11 ou 12% do PIB e um terço das exportações chinesas”, vincou o banqueiro, acrescentando que, como o BNU é detido a 100% pela Caixa Geral de Depósitos, está em todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, com uma quota de mercado significativa. “Infelizmente, conta-se pelos dedos as empresas portuguesas na China, mas uma coisa é ir para a China, que é um mundo, e outra coisa é vir para a Grande Baía, que é uma zona com 70 milhões de habitantes com um potencial de compra muito grande e que pode ser geradora de uma miríade de negócios”, salientou o antigo presidente do Banco Popular. Macau, concluiu, “poderia ser uma boa porta de entrada, até porque um dos pilares de desenvolvimento de Macau é ser uma plataforma de negócios entre Portugal e os países de língua portuguesa, e a China” e, neste contexto, “o BNU pode ser uma ajuda preciosa para essas empresas se instalarem aqui, tendo a facilidade da língua, fazendo o banco a ponte entre o Ocidente e o Oriente de forma bastante simplificada”. Na entrevista, Carlos Álvares referiu ainda que a campanha de recolha de donativos para ajudar as vítimas do ciclone Idai em Moçambique reuniu 300 mil patacas.


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ALL ABOUT MACAU

PJ e é alegadamente a namorada de um dos principais ladrões e teria como missão trocar as fichas por dinheiro, que seria depois repartido. Já o outro homem viu-se envolvido por também ter guardado algumas das fichas do assalto, uma vez que estava no hotel com a mulher. Segundo o jornal Ou Mun, o caso já foi reencaminhado para o Ministério Público, e os dois principais suspeitos vão responder pela prática dos crimes de roubo, cuja penalização pode ir de 1 a 10 anos de prisão, pelo crime de armas proibidas e substâncias explosivas, castigado com pena de prisão de 2 a 8 anos, e ainda por ofensa grave à integridade física, punido com 2 a 10 anos de prisão. Já a mulher e o terceiro homem terão de responder por estar na posse do dinheiro roubado, o que constitui o crime de receptação e é punido com uma pena que pode chegar aos 5 anos.

SEGURANÇA REFORÇADA

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OIS homens roubaram na sexta-feira, por volta das 4h22 da manhã, 3,1 milhões de dólares de Hong Kong em fichas de jogo do casino Plaza no Hotel Four Seasons. A façanha foi alcançada com recurso a spray pimenta e terá demorado entre três a cinco minutos. Contudo, os homens acabaram detidos no dia seguinte, já em Zhuhai. Além disso, foram igualmente presos uma mulher e outro homem, em Macau, por terem guardado as fichas do assalto, que foram totalmente recuperadas. O caso aconteceu na sexta-feira quando os dois homens atacaram com spray pimenta um segurança e um croupier, no segundo andar do casino numa zona de apostas de valor elevado, e conseguiram fugir com 31 fichas de jogo, cada uma com o valor de 100 mil dólares de Hong Kong. Os homens saíram depois do Four Seasons e apanharam dois táxis diferentes, sem terem deixado rasto. Houve seguranças do espaço gerido pela Sands China que ainda correram atrás dos indivíduos, mas quando

Os envolvidos são todos provenientes do Interior da China e dois já tinham atravessado a fronteira, tendo sido presos pelas autoridades de Zhuhai

FOUR SEASONS DOIS HOMENS ROUBAM 3,1 MILHÕES EM 5 MINUTOS

Sabor a pimenta

No dia anterior ao assalto, um dos homens tinha estado na área de jogo vestido de mulher a estudar a melhor estratégia para o golpe. Na sequência do assalto, foram detidas quatro pessoas, todas do Interior da China chegaram à rua só tiverem tempo de observá-los a deixar o casino. O alerta às autoridades foi dado pouco depois, passados 10 minutos do roubo, mas já não houve tempo para se montar uma perseguição imediata. Foi já no sábado, pouco depois da meia-noite, que a Polícia Judiciária (PJ) marcou uma conferência de imprensa para anunciar a detenção de quatro pessoas ligadas ao caso. Os envolvidos são todos do Interior da China e dois já tinham atravessado a fronteira, tendo sido presos pelas autoridades de Zhuhai.

VESTIDO DE MULHER

Segundo a informação revelada pela PJ, a operação do duo tinha começado a ser planeada ainda na quinta-feira. Nessa altura, um dos suspeitos vestiu-se de mulher e andou pela zona de jogo daquele casino a estudar a possibilidade de

levar as fichas e fugir com sucesso. Quanto ao gás pimenta ainda está a ser investigada a proveniência. As autoridades revelaram que após a fuga, os indivíduos estiveram durante algumas horas em Macau e aproveitaram para trocar de roupas e a andar em diferentes transportes públicos, com o objectivo de despistar a polícia, caso fossem seguidos

pelas imagens de videovigilância. Só depois é que atravessaram com sucesso a fronteira para Zhuhai, onde acabariam detidos. Enquanto estavam no território os principais criminosos conseguiram ainda entregar as fichas roubadas a uma mulher, que tinha arrendado um hotel no Cotai. Esta cúmplice foi detida em Macau pela

O caso ganhou especial relevância uma vez que aconteceu dois dias depois de responsáveis da PJ, Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) e a equipa de segurança da Sands China ter estado reunida. Na altura ficou acordada a criação de um mecanismo mais eficaz de comunicação e colaboração aquando a prática de crimes. Esta tinha sido uma forma de responder aos eventos do fim-de-semana anterior, quando um homem foi encontrado morto debaixo de uma passagem aérea exterior do Four Seasons, depois de uma rixa que resultou no esfaqueamento de quatro homens. Por isso, logo na sexta-feira a DICJ voltou a marcar uma nova reunião com as operadoras para transmitir a mensagem sobre “a necessidade de assegurar boas condições de segurança nos casinos”, nomeadamente no que diz respeito “à verificação integral das medidas de segurança implementadas, bem como prestando activa colaboração com os agentes policiais”. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Homicídio Autoridades detiveram dois suspeitos

A Polícia Judiciária (PJ) revelou a detenção de dois indivíduos que alegadamente estiverem envolvidos nos esfaqueamentos de 18 de Maio, que resultaram numa vítima mortal e em mais três feridos. As detenções foram feitas pelas autoridades de Zhuhai e anunciadas no sábado. Além dos dois detidos, existem outro dois suspeitos identificados que se encontram em fuga. Entre os detidos estará o principal suspeito do homicídio. Segundo a explicação oficial na origem dos desacatos que terminaram em esfaqueamento está uma disputa relacionada com dois grupos ligados à prostituição. A arma do crime tinha uma lâmina com cerca de 8 centímetros.


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PARA NÃO DESAPARECER

Depois do falecimento de Adé e de Leopoldo Danilo Barreiros,

HOJE MACAU

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literatura macaense dos primórdios do século XX está marcada por uma fina ironia daquilo que é ser macaense, com laivos fortes da cultura portuguesa e um total afastamento face ao que é chinês. João Oliveira, mestre pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), apresentou, esta semana, uma palestra dedicada ao humor presente nas obras de autores como Leopoldo Danilo Barreiros ou José dos Santos Ferreira, também conhecido por Adé. Dentro da contemporaneidade, João Oliveira não esqueceu o trabalho desenvolvido pelo grupo teatral Dóci Papiaçam di Macau, dirigido por Miguel de Senna Fernandes. Em entrevista ao HM, o académico diz ter encontrado nos textos literários de Barreiros e Adé uma auto-crítica face ao que é ser macaense, mas de uma forma não ofensiva. “Na altura existia auto-humor, digamos assim. Os macaenses brincavam sobretudo com eles próprios, com a sua cultura, muitas das vezes diminuindo-se de uma forma que, para quem lê, não é verdadeiramente para inferiorizar.” Neste sentido, a língua portuguesa surge como um idioma elegante e formal, ao contrário do patuá. “Os macaenses brincam muito com eles próprios e com o elemento português, que muitas vezes é visto como o elemento supra cultural. As personagens, tal como a própria língua portuguesa, são representadas com alguma hiperformalidade, pois vista como uma língua muito formal e pouco natural no dia-a-dia, enquanto que a língua e as personagens de Macau são identificadas de forma contrária.” Para João Oliveira, “o crioulo macaense é visto como uma língua muito coloquial”, e nas obras literárias “as personagens são pouco sofisticadas e isso aparece sobretudo nas personagens mais velhas”. “Embora haja uma falta de cultura, ao mesmo tempo há um certo saudosismo por um Macau passado que se perdeu sobretudo nas últimas décadas, com o crescimento económico e a globalização”, acrescentou o académico. Se o português era a língua de excelência e o patuá caía para segundo plano, o chinês nem tinha direito a referência nas obras humorísticas em crioulo de Macau. “Parece-me que o elemento chinês é bastante ignorado, talvez como uma tentativa de resistência e de demarcação. Há um sentido humorístico até um pouco insultuoso, pois a maior parte das vezes os termos chineses estão ligados a insultos ou a nomes que poderiam ser entendidos como tal.”

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Riso como auto-r LITERATURA JOÃO OLIVEIRA ESTUDOU O HUMOR NA LITERATURA MACAENSE

João Oliveira apresentou esta semana, em Lisboa, a palestra “Humor e Macau”, resultado da sua tese de mestrado. O autor estudou a obra de Leopoldo Danilo Barreiros, sem esquecer o trabalho do grupo teatral D mico encontrou muita auto-crítica à condição macaense e uma demarca


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reflexão

e língua na literatura em crioulo de e José dos Santos Ferreira (Adé) e Dóci Papiaçam di Macau. O acadéação daquilo que é chinês

não se voltou a escrever humor em Macau da mesma maneira, pelo menos em patuá. João Oliveira não tem dúvidas de que, se não fosse o trabalho de Miguel de Senna Fernandes com os Dóci Papiaçam di Macau, o humor em crioulo já teria desaparecido. “Talvez como resposta à globalização que se torna cada vez mais evidente, parece-me que os Dóci surgem porque o humor e a cultura literária macaense estava e está em declínio. Como vivemos numa altura em que parece haver uma cada vez maior homogeneização da cultura, acho que os Dóci surgem para tentar que esta minoria não seja engolida pela modernidade e pela China.”

João Oliveira não tem dúvidas de que, se não fosse o trabalho de Miguel de Senna Fernandes com os Dóci Papiaçam di Macau, o humor em crioulo já teria desaparecido Os Dóci Papiaçam Di Macau acabam por se inspirar nestes textos do século XX, mas com as devidas mudanças impostas pelo tempo. “Há uma grande continuidade das obras mais antigas que falei. Parece-me evidente que Miguel de Senna Fernandes, quando começa por estudar os textos já existentes não faz uma quebra brutal mas sim algumas adaptações mais modernas.” Este modernismo também se nota nos vídeos produzidos, nota o académico. Em nome da modernidade, os textos de Miguel de Senna Fernandes já abordam mais o universo chinês. “Nos textos literários surge muito mais o universo português referenciado, e as personagens chinesas, que na altura seriam muitas em Macau, são ignoradas. Surgem mesmo nos textos denominações de origem chinesa, de pessoas, para insultar uma criança, um rapaz de rua, ou para insultar uma mulher vã, por exemplo. Essa presença não vemos nos vídeos dos Dóci.” Neles “existe uma maior presença do elemento chinês que estava completamente ausente dos textos literários e que começa a aparecer nos vídeos, não num sentido tão negativo”, concluiu João Oliveira. Para o académico, “Miguel de Senna Fernandes é, além de um artista, um académico que estuda o crioulo de Macau e que tenta preservá-lo”.

USJ FINALISTAS DE COMUNICAÇÃO E MEDIA MOSTRAM TRABALHOS

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HAMA-se “Emotion” e é o nome da nova exposição dos alunos finalistas do curso de licenciatura em Comunicação e Media da Universidade de São José (USJ). De acordo com um comunicado, a exposição visa mostrar trabalhos multimédia e será inaugurada no próximo dia 29, pelas 18 horas, na Galeria de Exposições Kent Wong, situada na USJ. A secção de vídeos será apresentada no Auditório Nossa Senhora de Fátima, na USJ, a partir das 19 horas do mesmo dia. “Emotion” tenta abranger o tema dos sentimentos intuitivos interpretados pela fotografia e produção de vídeo. A exibição

vai estar patente até ao dia 10 de Junho de 2019. Os principais temas das obras centram-se no desejo, morte, representações abstractas da vida e conexões humanas, entre outros. “A exposição de fotografia mostra a visão criativa dos alunos na captação de imagens, adicionando mais profundidade aos seus trabalhos através da manipulação de fotos e tratamento técnico”, considera a USJ, enquanto que “a instalação de vídeos mostrará uma série de documentários de curta metragem que abordam assuntos envolvendo a psique humana, incluindo a interacção interpessoal com a comunidade e as novas tecnologias”.

CANNES “PARASITE” COM OURO

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ARASITE”, do realizador sul-coreano Bong Joon-ho, conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes, e os cineastas brasileiros Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles partilham o Prémio do Júri, com o francês Ladj Ly. Na competição oficial, os filmes “Les Misèrables”, do realizador francês Ladj Ly, e “Bacurau”, dos realizadores brasileiros Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, protagonizado por Sónia Braga, conquistaram ex-aequo o prémio do Júri de Cannes. O Grande Prémio do Festival foi para a realizadora franco-senegalesa Mati Diop, pelo filme “Atlantique”. O prémio de melhor realização foi para os irmãos belgas Jean-

-Pierre e Luc Dardenne, pela longa-metragem “Le jeune Ahmed”. O actor espanhol Antonio Banderas recebeu o prémio de interpretação masculina pelo desempenho no filme de Pedro Almodovar “Dor e Glória”, e a britânica Emily Beecham, o prémio de melhor actriz, pelo papel em “Little Joe”, de Jessica Hausner. “Parasite”, um drama familiar, aborda o problema das desigualdades sociais. Do mesmo realizador sul-coreano teve estreia em Portugal, em 2014, o filme “O Expresso do Amanhã”. O prémio de melhor argumento foi para “Portrait de la jeune fille en feu”, da francesa Céline Sciamma, conhecida por “Maria Rapaz” e pelo argumento de “A Minha Vida de Courgette”. Houve ainda uma menção especial do júri para “It must be heaven”, do palestiniano Elia Suleiman, o realizador de “O Tempo Que Resta” que, no filme levado a Cannes, viaja por diferentes cidades do mundo, estabelecendo paralelos com a Palestina natal.

CCM “A Menina da Cidade Proibida” em Junho

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O Centro Cultural de Macau (CCM) apresenta nos dias 5 e 6 de Junho a peça de teatro infantil “A Menina na Cidade Proibida”, da autoria da companhia teatral Poly, de Pequim. De acordo com um

comunicado do Instituto Cultural (IC), a peça “conta a aventura de uma menina que vai visitar o avô, que é restaurador na Cidade Proibida”, sendo que “ao usar uma grande lupa que o velhinho lhe oferece, a menina é subitamente transportada para um mundo desconhecido”. A banda sonora é da autoria do cantor Cai Guoqing e do seu filho, além de que este espectáculo foi escrito em colaboração com uma equipa de historiadores especializados na Cidade Proibida, um dos monumentos mais conhecidos de Pequim. Interpretada em mandarim e legendada em chinês, a peça acontece às 19h30 no grande auditório do CCM. Os bilhetes, que variam entre as 100 e 180 patacas, já se encontram à venda.


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P resident e chinês, Xi Jinping, afirmou sexta-feira que tanto a China quanto o Brasil, os maiores países em desenvolvimento do oriente e do ocidente, são “duas importantes forças no processo de multipolarização mundial”. O líder chinês falava no final de um encontro com o vice-Presidente do Brasil, Hamilton Mourão, que se encontra em visita oficial à China desde a passada quarta-feira, dia 22 de Maio, precisamente numa altura em que em que assume particular relevância o momento de tensão, económica, entre Pequim e Washington, representante, segundo o gigante asiático, de um mundo unipolar. “O respeito, a confiança e o apoio mútuo servirão para converter a relação entre a China e o Brasil num modelo de solidariedade e cooperação entre os dois países em desenvolvimento, e numa força importante para promover a paz e o desenvolvimento mundiais”, considerou Xi Jinping, citado, segundo a Efe, pela televisão estatal CCTV. Para Xi Jinping, ambos os países “são importantes mercados emergentes” com “um grande potencial para o desenvolvimento”, pelo que o chefe de Estado chinês convidou o Brasil a participar na

VISITA BRASIL É PARCEIRO NO PROCESSO DE MULTIPOLARIZAÇÃO MUNDIAL

A força dos emergentes iniciativa chinesa de construção de infraestruturas, denominada “Nova rota da seda”. Hamilton Mourão afirmou, em relação a este tema, que “o Brasil está disposto a promover a convergência dos seus planos de associação em matéria de investimentos com a iniciativa [da Nova rota da seda]”, assim como a alargá-los à cooperação em matéria de comércio, ciência e tecnologia e inovação. O vice-Presidente brasileiro sublinhou o que, na sua opinião, é uma “importante contribuição da China para a promoção do crescimento económico mundial”, ao mesmo tempo que considerou o país asiático como “um parceiro estratégico fiável e de confiança” e convidou Pequim a aumentar o investimento direto no Brasil, um dos objectivos da visita oficial que terminou sexta-feira.

PESOS NA BALANÇA

A visita de Hamilton Mourão serviu ainda para preparar a des-

locação oficial à China do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, no segundo semestre deste ano. Antes de ser recebido por Xi Jinping, Mourão reuniu-se com vários PUB

EUA Taiwan vai mudar o nome da embaixada não oficial Taiwan anunciou sábado que vai mudar o nome da sua embaixada não oficial nos Estados Unidos, numa altura em que as relações entre Washington e a ilha parecem estar no seu ponto mais alto em décadas. A decisão foi avançada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros taiwanês, na rede social Twitter, numa publicação em que

se lê: “os tempos estão a mudar”. Washington rompeu relações diplomáticas com Taipei em 1979 para reconhecer Pequim, mas continua a ser o aliado mais poderoso da ilha e o seu principal fornecedor de armas. A embaixada não oficial dos Estados Unidos em Taipé, o Instituto Americano em Taiwan, mudou-se recentemente para um complexo

substancialmente maior, construído para fins específicos num subúrbio da capital. Desde 2016, após as eleições da Presidente Tsai Ing-wen, do Partido Progressista Democrático (DPP), pró-independência, em Taiwan, e de Donald Trump, nos EUA, Washington tem tomado várias medidas para apoiar Taiwan nos campos político e militar.

Sichuan Raro panda albino avistado em reserva natural Um raro panda albino foi avistado em Abril numa reserva natural na província de Sichuan, no sudoeste da China, noticiou ontem a imprensa local. “A julgar pelas fotografias, é um panda albino com um ou dois anos”, disse o investigador da Universidade de Pequim Li Sheng, citado pela agência oficial de notícias Xinhua. As imagens do animal foram captadas por uma câmara

infravermelha a cerca de 2.000 metros acima do nível do mar. O panda foi avistado a passear na Reserva Natural de Wolong, conhecida como a casa dos pandas gigantes, espécie ameaçada que tem sido alvo de vários programas de preservação nos últimos anos. Este panda, sem manchas no corpo e com os olhos aparentemente vermelhos, prova que “os genes do albinis-

mo existem na população de pandas gigantes selvagens em Wolong”, indicou o especialista. “O panda parecia forte e os seus passos eram estáveis, um sinal de que a mutação genética” não impediu o seu desenvolvimento, disse Li. Os pandas gigantes selvagens vivem em zonas isoladas e montanhosas e são vistos muito poucas vezes no ‘habitat’ natural.

empresários chineses, entre os quais o vice-presidente e engenheiro-chefe da China Communication and Construction Company (CCCC), Sun Ziyu, e o presidente do conselho

de supervisão e do conselho fiscal da empresa da gigante tecnológica Huawei, Li Jie. A visita de Mourão permitiu a Pequim reforçar garantias às suas alianças com as economias emergentes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), num momento de desencontro com os Estados Unidos. Neste contexto, um enviado de alto nível de Xi Jinping assistiu sábado, em Pretória, à tomada de posse do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e prevê-se que o próprio chefe de Estado chinês visite o Brasil em Novembro, data em que decorrerá a cimeira dos BRICS em Brasília. A China é desde 2009 o principal parceiro comercial do Brasil, O volume de negócios na balança comercial entre ambos os países alcançou os 98.900 milhões de dólares no ano passado, de acordo com dados oficiais.


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Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

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Ficar, só a pensar em partir

O poeta que viu o rio gelado de Zhao Gan

J

AN Gossaert (1478antes de 1536), mais conhecido como Mabuse, do nome da sua cidade natal de Maubeuge, na França actual, foi um rigoroso pintor cortesão que trabalhou para os mais altos e poderosos príncipes da Europa, incluindo o patrono e colecionador imperador Carlos V. Quando fez a pintura a óleo sobre madeira de «Adão e Eva» de c. 1510, que está no Museo Thyssen-Bornemisza em Madrid, já conhecia os segredos do modelado da figura humana que ali estão bem patentes. No entanto, é igualmente notável a paisagem onde se situam as personagens que é um inédito lugar significante. Uma rara possibilidade de inovar que mostra o bom acolhimento de que disfrutava, mesmo se o pintor se dedicou mais às figuras humanas, como aconteceu quase sempre no período áureo da pintura europeia. Aqui a mítica macieira, que une em três linhas verticais os dois protagonistas, tem um destaque muito superior a outras árvores do jardim, que por outro lado inclui, ao contrário de outras imagens do mesmo período, nomeadamente as modelares gravuras de Durer, um caminho de saída do Éden. Se notarmos as amoreiras atrás de Adão e os corais em frente de Eva, conhecidos como antídotos ao veneno da serpente, tudo contribui para que estejamos perante mais do que a ilustração da narrativa bíblica de Gn. 2. Aqui está já ideia da redenção de Cristo, simbolizado na aquilégia branca em frente da figura de Adão. A paisagem como

lugar cultural, montanhas para as emoções, um rio para pensar, era uma premissa essencial da forma de pintura que se estava a desenvolver durante o período das Cinco Dinastias (907-960). Zhao Gan (activo no século X), o pintor de Jiangsu, é o autor de uma dessas pinturas sobre seda cujo título é a descrição da cena representada: «Primeiras neves sobre o rio», que está no Palace Museum, em Taipé. Trata-se de um rolo que se desenrola e na sua extensão (25,9 x 376,5 cm) vai mostrando uma época do ano, o início do Inverno denunciado por alguns pontos de tinta branca, os primeiros flocos de neve; uma paisagem da área de Jiangnan, a área a sul do rio Yangzi; diferenças sociais: viajantes de roupas quentes, alguns sentados em burros, contrastam com pobres pescadores mal vestidos cumprindo as suas esforçadas tarefas. Muita da estima de que goza a pintura deve-se à caligrafia do título inscrito numa coluna vertical de onze caracteres do lado direito, portanto no início do rolo, da mão de Li Yu (Li Houzhu), o último rei dos Tang do Sul e um dos mais aclamados poetas da China. Mais do que a semelhança formal, que será mais óbvia com os pintores impressionistas da Europa, o que descobrimos na história da pintura de Zhao Gan ao lado da de Mabuse, é a importância que tem um olhar atento e cuidadoso, a questão da hospitalidade de um lugar ou de Alguém, aquela que se colocava aos primeiros humanos, Adão e Eva.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 27.5.2019

José Simões Morais

Zheng Zhilong colabora com Macau

C

OM a chegada da Dinastia Qing ao trono da China, Macau apoiou militarmente as forças de resistência Ming, mas em Beijing, junto ao manchu Imperador Chunzhi, tinha os jesuítas, pertencentes ao Padroado português, como um forte aliado a interceder por ela. Tal facto permitiu aos portugueses a manutenção de Macau, servindo para manter aberto ao exterior o comércio da China, pois este estava controlado pelos piratas, pretendentes a restaurar a deposta Dinastia Ming, que varriam toda a costa chinesa. Era o caso de Zheng Sen (162483), nascido no Japão em 1624 de mãe japonesa e conhecido pelos europeus por Koxinga. O seu pai, Zheng Zhilong (1604-61) nascido a 16 de Abril de 1604 era natural de Nanan, Quanzhou em Fujian e com 18 anos veio para Macau onde foi convertido e baptizado católico com o nome de Nicolau Gaspar, apesar de nos Arquivos de Macau aparecer Gaspar Nicolau. Reconhecendo o bom dinheiro que se fazia no comercializar, Nicolau regressou a Fujian e colocou-se ao serviço de Li Han, um rico comerciante chinês com negócios no Japão, China e Taiwan. No Japão juntou-se a uma japonesa de apelido Tagawa e dessa relação nasceram o filho Zheng Sen (nome que em 1645 mudou para Zheng Chenggong) e a filha Úrsula de Vargas. Em 1624 os holandeses tomaram o Sul de Taiwan e Iquan, nome dado por estes a Zheng Zhilong, por saber português, na altura a língua do trato, foi aí colocado pelo seu chefe como intérprete a trabalhar na Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC). Para Taiwan mudou os seus negócios e juntou-se ao pirata Yan Siqi quando a VOC começou a colocar fora da ilha quem lhe fazia frente. Os holandeses tentaram ainda usá-lo para lutar contra os espanhóis em Manila, mas ele em 1625 abandonou o trabalho de tradutor após a morte do seu chefe Li Han. Em Agosto desse mesmo ano herdou os navios e a riqueza deste e assim engrossando o grupo, tornou-o independente e fundou o Shi Ba Zhi. Dotado de grande coragem e ambicionando mais riquezas, o temido pirata comandava 400 juncos, passando a só reconhecer o nome de Zheng Zhilong. Para base usou Taiwan entre 1626 e 1628 de onde atacava as costas de Guangdong e Fujian, colocando aí grandes problemas à dinastia Ming. “Engrossada a sua armada acabaria por controlar todo o comércio estrangeiro

da China, hábil intermédio, os seus interesses findariam por servir igualmente os nossos e os dos outros estrangeiros, desde os espanhóis das Filipinas aos holandeses da Batávia”, segundo Almerindo Lessa. Apenas roubava e raptava governantes e ricos negociantes, mas tratava bem o resto da população, ajudando mesmo os mais carenciados, levando as pessoas a acreditarem mais nele do que no Governo Ming. Em fins de 1627 a frota contava já com mais de mil barcos, tendo-se apoderado de Amoy (mais tarde chamada Xiamen) de onde dominava a costa desde o Changjiang (Rio Longo, ou Yangtzé) a Zhujiang (Rio da Pérola). Com um mar infestado de piratas, o Imperador Chongzhen (1628-44) percebendo a força naval de Zhilong, não tendo como combatê-la, resolveu em 1628 nomeá-lo mandarim, tornando-o general comandante da frota imperial na costa de Fujian. Ficou com a função de limpar os mares de outros piratas, o que aceitou, estabelecendo em Amoy o quartel-general. Quando no Japão em 1639 os cristãos portugueses foram expulsos, a sua filha aí nascida e baptizada, com eles fugiu para Macau e ao saber de tal, Zheng Zhilong enviou recado aos portugueses para lha mandarem. Mas estes não aten-

deram às pretensões e nem mesmo as terríveis ameaças lançadas sobre cercar Macau com a sua esquadra demoveram os portugueses da decisão. Em Macau, Úrsula de Vargas casou-se em 1642 com o macaense António Rodrigues, filho de Manuel Belo, e foram depois todos viver para Anhai (Amoy) muito devido à grande fome que grassava em Macau e aos distúrbios provocados pelas decisões do capitão da cidade, D. Sebastião Lobo da Silveira, que levaram à revolta dos habitantes divididos quanto à prisão dos espanhóis. Na cidade de Anhai, o mandarim Zheng Zhilong tinha uma companhia de 300 soldados negros, cristãos com suas mulheres e filhos que recolheu de Macau e outras partes, sendo capitão um negro de bom talento e razão chamado Luís de Matos e uma vez por ano contavam com a vinda do jesuíta Pedro Canavari para tratar das coisas do espírito. A 12 de Julho de 1644, numa assembleia do Senado os comerciantes de Macau desesperados sem cabedais, pois estavam há anos impedidos de ir ao Japão vender as suas mercadorias, aproveitaram as fazendas que desde 1641 tinham armazenadas a degradar-se e resolveram confiá-las a Zheng Zhilong, para este corsário amigo as ir vender no Japão. As-

Quando a nómada Dinastia Ming do Sul se deslocou para Fujian em 1645, Zheng Zhilong, em conjunto com Huang Daozhou, ajudou Zhu Yujian, o Príncipe de Tang, a tornar-se o Imperador Long Wu

sim foram transportadas para Nagasáqui à consignação as fazendas dos macaenses, voltando a prata a entrar em Macau, repetindo-se a viagem no ano seguinte. Gonçalo Mesquitela refere, “O contrato feito com os macaenses para esta ida ao Japão, foi cobrando os fretes a estes. Deus foi servido que a nau foi e voltou, tão rica que prosperou Macau em grande parte. A viagem repetiu-se nos anos seguintes e sempre com bons resultados. Iquan cumpriu sempre a sua parte nos contratos, mantendo-se temido corsário e poderoso aliado dos macaenses.” Quando a nómada Dinastia Ming do Sul se deslocou para Fujian em 1645, Zheng Zhilong, em conjunto com Huang Daozhou, ajudou Zhu Yujian, o Príncipe de Tang, a tornar-se o Imperador Long Wu. Mas no Verão de 1646, o exército Qing atacou e Zheng Zhilong rendeu-se. Long Wu refugiou-se em Tingzhou, onde a 6 de Outubro foi capturado e executado. Os manchus compraram com um cargo Zheng Zhilong e “para se livrar da sua formidável frota, os manchus lisonjearam-no com a promessa de o tornarem rei de Foquien (Fujian) e Kung-tung (Guangdong). A sua ambição, no entanto era maior: Ching Chi Lung aspirava ao trono dos Mings, o que significava passar por cima dos próprios manchus. Mas, em vez de os suplantar em astúcia, foi ele próprio ludibriado, tendo sido atraído a Pequim onde o imperador manchu o mandou atirar numa masmorra”, segundo Montalto de Jesus. O Padre Manuel Teixeira adita, ter seguido com ele Manuel Belo, pai de António Rodrigues, que aí ficou dois anos, mas refere ter sido Zhilong “preso traiçoeiramente pelos manchus em Amoy. Os escravos opuseram tenaz resistência, sendo mortos uns cem no combate e os restantes colocaram-se ao serviço dos manchus em Cantão, onde muito se distinguiram no cerco de 1647.” Levado a ferros para Beijing com a família, onde o mantiveram preso, procuraram atrair o filho, Zheng Chenggong, que recusou abandonar os Ming e com outros que o seguiram do grupo do pai desde 1646 governava as costas de Fujian. Este, derrotado no estuário do Rio Yangtzé em 1659, voltou a Fujian e à frente de 25 mil pessoas partiu para Taiwan, onde após um cerco de nove meses tomou em Abril de 1661 a ilha aos holandeses. Zheng Zhilong foi morto em Beijing em 1661 ou 1662.


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27.5.2019 segunda-feira

BANCO TAI FUNG, S.A. BALANÇO ANUAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 2018 ACTIVO

MENOS-VALIAS

887.132.384,69

-

887.132.384,69

1.875.753.695,84

-

1.875.753.695,84

CAIXA DEPÓSITOS NA AMCM

RELATÓRIO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO O Conselho de Administração apresenta o relatório e as contas auditadas em 31 de Dezembro de 2018.

MOP ACTIVO LÍQUIDO

PROVISÕES, AMORTIZAÇÕES E

ACTIVO BRUTO

VALORES A COBRAR DEPÓSITOS À ORDEM NOUTRAS INSTITUIÇÕES

-

-

-

108.406.176,79

-

108.406.176,79

DE CRÉDITO NO TERRITÓRIO

137.584.940,24

-

137.584.940,24

OURO E PRATA

31.973.652,75

-

31.973.652,75

OUTROS VALORES

99.855.786,65

-

99.855.786,65

95.790.617.171,17

18.760.000,00

95.771.857.171,17

DEPÓSITOS À ORDEM NO EXTERIOR

CRÉDITO CONCEDIDO APLICAÇÕES EM INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO

9.017.388.986,02

-

9.017.388.986,02

16.301.794.475,26

-

16.301.794.475,26

23.094.666.642,38

142.204.787,07

22.952.461.855,31

NO TERRITÓRIO DEPÓSITOS COM PRÉ-AVISO E A PRAZO NO EXTERIOR ACÇÕES, OBRIGAÇÕES E QUOTAS APLICAÇÕES DE RECURSOS CONSIGNADOS DEVEDORES

-

-

-

568.370.605,75

-

568.370.605,75

OUTRAS APLICAÇÕES

2.997.043.737,57

-

2.997.043.737,57

PARTICIPAÇÕES FINANCEIRAS

6.102.358.180,38

34.155.425,34

6.068.202.755,04

IMÓVEIS

4.251.112.499,99

-

4.251.112.499,99

747.529.164,46

640.510.596,93

107.018.567,53

CUSTOS PLURIENAIS

-

-

-

DESPESAS DE INSTALAÇÃO

-

-

-

IMOBILIZAÇÕES EM CURSO

-

-

-

OUTROS VALORES IMOBILIZADOS

-

-

-

936.497.580,65

-

936.497.580,65

162.948.085.680,59

835.630.809,34

162.112.454.871,25

EQUIPAMENTO

CONTAS INTERNAS E DE REGULARIZAÇÃO TOTAIS

MOP PASSIVO

SUB-TOTAIS

TOTAIS

27.664.105.008,65

DEPÓSITOS À ORDEM

89.764.919,15

DEPÓSITOS C / PRÉ-AVISO

70.655.347.353,69

DEPÓSITOS À PRAZO

SÍNTESE DO RELATÓRIO DE ACTIVIDADE Em 2018, os indicadores mostram que o ambiente externo sofreu profundas mudanças. Por um lado, os eventos globais do “Black Swan Events” ocorreram com frequência, tanto nos domínios políticos como económicos, e fizeram prolongar o período da desaceleração do investimento e do comércio internacionais. Por outro lado, as pressões económicas enfrentadas pelo País e Macau causaram dificuldades para o devido desenvolvimento da macroeconomia. Toda a estrutura do Banco Tai Fung está empenhada em implementar as várias estratégias delineadas pelo Conselho de Administração no início do ano. Obtivémos resultados significativos para responder adequadamente aos riscos, mediante o reforço das estratégias implementadas e tirando o melhor proveito das habilidades de gestão de negócios. No final de 2018, os lucros do Banco antes dos impostos totalizaram 2,318 mil milhões de patacas (MOP, a moeda mencionada doravante), correspondente a um crescimento de 18,92% face a 2017. Os activos totais de 162,1 mil milhões, aliados a um crescimento homólogo de 12,50%. ajudaram-nos a obter um desenvolvimento assinalável em vários outros negócios. Em termos de lucros depois dos impostos, a média da taxa de rendimentos do capital próprio (ROE) foi de 10,97% e a média da taxa de rentabilidade dos activos (ROA) foi de 1,32%. O rácio de adequação dos fundos próprios (CAR) situou-se em 14,95%, e o rácio de crédito mal parado (NPL) em 0,13%. A qualidade dos activos e as realizações no domínio operacional ajudaram-nos a garantir um lugar na faixa superior do sector bancário. O sucesso valoriza sempre o trabalho árduo. Em 2018, o Banco alcançou resultados satisfatórios graças à aplicação de um estilo de gestão estável aliada à criação de uma cultura proactiva. No corrente ano, o Banco participou activamente no desenvolvimento do País e de Macau, apoiando a construção, em Macau, de “Um Centro e Uma Plataforma”, e as estratégias delineadas para a Região da Grande Baía (Guangdong-Hong Kong-Macau). Graças a esse planeamento, foi reforçada a nossa capacidade de serviços no domínio da macroeconomia. No corrente ano, o Banco demonstrou o seu valor no processo de constante desenvolvimento de negócios, tendo alcançado um salto histórico no desenvolvimento global, transformando o Banco, já de escala considerável, para uma escala mais vantajosa, e continuando a garantir um lugar no topo do sector bancário. No ano em curso, o Banco demonstrou o estilo “Tai Fung” na transformação da inovação tecnológica financeira. Na sequência do primeiro aplicativo móvel criado pelo Banco, denominada “Tai Fung Pay” no início do ano, o Banco instalou oficialmente o primeiro balcão inteligente em meados do ano, visando promover, de forma sustentável, a vitalidade e a criatividade das tecnologias financeiras. O ano de 2019 assinala não apenas o 20.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, sendo também um ano de grande relevância para tornarmos o Banco topo de gama na Região da Grande Baía. Esse novo ponto de partida histórico é acompanhado por novas oportunidades de desenvolvimento, com a definição de metas para reforçar a política de reforma e de abertura ao exterior da China, e a integração de Guangdong, Hong Kong e Macau, o que demonstra a nossa firme determinação no sentido de estabelecer e reforçar a garantia institucional e a motivação económica do Banco.O Banco Tai Fung levará em conta o planeamento e a implementação de um novo conjunto de estratégias como guia para elevar e construir a competitividade global e as vantagens do Banco nas suas principais áreas de negócio, elevando todas as suas actividades bancárias para um novo patamar, no sentido de apresentar um excelente desempenho, como oferta para celebrar o 70.º aniversário do estabelecimento da China e o 20.º aniversário do retorno de soberania de Macau à Mãe-Pátria. Em nome do Conselho de Administração, gostaria de expressar os nossos maiores agradecimentos aos accionistas, clientes e aos nossos parceiros de negócios pela confiança e apoio ao Banco, ao longo dos anos.

98.409.217.281,49

RESULTADO E DISTRIBUIÇÃO

23.464.057.958,07

DEPÓSITOS DE SECTOR PÚBLICO

13.695.123.303,49

RECURSOS DE INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO NO TERRITÓRIO

MOP

-

RECURSOS DE OUTRAS ENTIDADES LOCAIS EMPRÉSTIMOS EM MOEDAS EXTERNAS

2.226.799.802,82

EMPRÉSTIMOS POR OBRIGAÇÕES

1.998.200.000,00 281.483.664,04

CREDORES POR RECURSOS CONSIGNADOS CHEQUES E ORDENS A PAGAR

20.142.012,46

CREDORES

474.600.362,76

EXIGIBILIDADES DIVERSAS

18.696.349.145,57 1.525.691.329,98

CONTAS INTERNAS E DE REGULARIZAÇÃO

1.117.573.355,34

PROVISÕES PARA RISCOS DIVERSOS

1.500.000.000,00 1.420.500.000,00

CAPITAL RESERVA LEGAL

Lucro de exploração antes do imposto………………………………………………………………………………….. Dotações para imposto complementar………………………………………………………………………………….. Resultado de exercício…………………………………………………………………………………………… Lucros relativos a exercícios anteriores……………………………………………………………………………… Total disponível………………………………………………………………………………………………… O Conselho de Administração propôs a seguinte distribuição: Para reservas………………………………………………………………………………………………………… Para dividendos (acções ordinárias)……………………………………………………………………………………… Para dividendos (acções preferenciais)……………………………………………………………………………………… A transportar para o próximo ano………………………………………………………………………………………………

2.318.482.120,45 302.090.131,72 2.016.391.988,73 5.557.582.108,64 7.573.974.097,37 79.500.000,00 201.639.198,87 324.750.000,00 6.968.084.898,50 7.573.974.097,37

-

RESERVA ESTATUTARIA OUTRAS RESERVAS

8.405.091.703,43

RESULTADOS TRANSITADOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES

5.557.582.108,64

RESULTADO DO EXERCÍCIO

2.016.391.988,73

11.325.591.703,43 7.573.974.097,37

ACCIONISTAS QUALIFICADOS De acordo com os registos do LIVRO DOS ACCIONISTAS DO BANCO, os accionistas, detentores de participações de valor igual ou superior a 10% do capital de acções ordinárias do Banco, em 31 de Dezembro de 2018 eram os seguintes:

162.112.454.871,25

TOTAIS

BANCO DA CHINA, LIMITADA FAMÍLIA DE HO YIN MOP CONTAS EXTRAPATRIMONIAIS

TITULARES DOS ÓRGÃOS SOCIAIS

MONTANTE

VALORES RECEBIDOS EM DEPÓSITO

22.028.914.841,59

VALORES RECEBIDOS PARA COBRANÇA

243.677.879,07

VALORES RECEBIDOS EM CAUÇÃO

225.613.327.045,35

GARANTIAS E AVALES PRESTÀDOS

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL: Presidente: Vice-Presidente: Secretário:

Ho Hao Veng Banco da China, Limitada So Kwok Wah

1.480.323.575,44

CRÉDITOS ABERTOS

20.402.056,77

ACEITES EM CIRCULAÇÃO

3.689.460,00 -

VALORES DADOS EM CAUÇÃO COMPRAS A PRAZO

364.673.379,31

VENDAS A PRAZO

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO: Presidente: Vice-Presidente: Administradores Permanentes:

364.673.379,31

OUTRAS CONTAS EXTRAPATRIMONIAIS

18.880.068.920,16

Administradores:

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO DE 2018 CONTA DE EXPLORAÇÃO

DÉBITO CUSTOS DE OPERAÇÕES PASSIVAS CUSTOS COM PESSOAL: REMUNERAÇÕES DOS ÓRGÃOS

MOP

MONTANTE CRÉDITO 1.940.535.402,68 PROVEITOS DE OPERAÇÕES ACTIVAS

MONTANTE 4.657.470.450,11

- PROVEITOS DE SERVIÇOS BANCÁRIOS 2.285.000,00 PROVEITOS DE OUTRAS OPERAÇÕES

157.986.221,82

DE GESTÃO E FISCALIZAÇÃO

CONSELHO FISCAL:

141.056.366,22

Presidente: Membros:

BANCÁRIAS

435.005.056,07

REMUNERAÇÕES DE EMPREGADOS

225.810.729,73

RENDIMENTOS DE TÍTULOS DE CRÉDITO

21.627.841,65 E DE PARTICIPAÇÕES FINANCEIRAS 80.745.382,89 OUTROS PROVEITOS BANCÁRIOS

ENCARGOS SOCIAIS OUTROS CUSTOS COM O PESSOAL

110.617.016,08 1.604.400,00

17.215.674,35 PROVEITOS INORGÂNICOS

FORNECIMENTOS DE TERCEIROS

121.893.055,85 PREJUÍZOS DE EXPLORAÇÃO 38.292.068,30

SERVIÇOS DE TERCEIROS OUTROS CUSTOS BANCÁRIOS

Ho Hao Tong Li Guang Howard H.H.Ho Zhou Peng Chui Kai Cheong Fu Hau Chak Ip Sio Kai Ho Kevin King Lun Au Ieong Iu Kong Ho King Man Justin Cai Qiusheng Dang Pengjun Ho, Carlos

SECRETÁRIO DA SOCIEDADE:

-

Macau, 20 de Fevereiro de 2019

Iong Weng Ian Jiang Yidao He Qiuping So Kwok Wah O Presidente do Conselho de Administração HO HAO TONG

3.235.590,20

IMPOSTOS

1.223.328,42

CUSTOS INORGÂNICOS DOTAÇÕES PARA AMORTIZAÇÕES

180.187.900,59

DOTAÇÕES PARA PROVISÕES

139.160.550,23 2.313.138.332,73

LUCRO DA EXPLORAÇÃO

TOTAIS

5.294.545.183,96

TOTAIS

MOP

CONTA DE LUCROS E PERDAS MONTANTE CRÉDITO

DÉBITO

5.294.545.183,96

MONTANTE 2.313.138.332,73

- LUCRO DE EXPLORAÇÃO

PREJUÍZO DE EXPLORAÇÃO

1.177.400,01 LUCROS RELATIVOS A EXERCÍCIOS

PERDAS RELATIVAS A EXERCÍCIOS ANTERIORES

6.557.222,65

Macau, 26 de Fevereiro de 2019

ANTERIORES

37.334,92 LUCROS EXCEPCIONAIS 302.090.131,72 PROVISÕES UTILIZADAS

PERDAS EXCEPCIONAIS DOTAÇÕES PARA IMPOSTOS SOBRE LUCROS DO EXERCÍCIO

-

2.016.391.988,73

(SE NEGATIVO)

(SE POSITIVO)

TOTAIS

2.319.696.855,38

TOTAIS

O PRESIDENTE

O CHEFE DA CONTABILIDADE

ZHOU PENG

CHAN CHUNG WAI TERENCE

2.319.696.855,38

Macau, 20 de Fevereiro de 2019

Lista das empresas em cuja capital social o nosso Banco tem uma participação superior a 5%: Sociedade de Fomento Predial Tak Kei, Limitada Companhia de Investimento Predial Triumph, Limitada Companhia de Seguros Luen Fung Hang, S.A.R.L. Companhia de Seguros Luen Fung Hang-Vida, S.A. Tai Fung (Hong Kong) Finance Company Limited Companhia de Locação Financeira Internacional Land Tai Fung (Macau), S.A.

A Presidente do Conselho Fiscal IONG WENG IAN

1.300,00

RESULTADO DO EXERCÍCIO

RESULTADO DO EXERCÍCIO

PARECER DO CONSELHO FISCAL Nos termos da lei e dos Estatutos do Banco Tai Fung, S.A., compete ao Conselho Fiscal fiscalizar as actividades e a administração do Banco e emitir parecer sobre as contas, proposta de distribuição de dividendos e o relatório financeiro de cada exercício, apresentados pelo Conselho de Administração. No exercício de 2018, o Conselho Fiscal no uso das suas competências procedeu ao que considerava necessário e examinou as contas do Banco auditadas pela Ernst & Young, sobre as quais esta Sociedade expressou as suas opiniões sem reservas. Este Conselho é de parecer que as contas examinadas demonstram, nitidamente e com rigor, a real situação financeira do Banco em 31 de Dezembro de 2018 e o resultado do exercício findo em 31 de Dezembro de 2018, sendo as demonstrações financeiras referentes ao exercício, a proposta para a distribuição de dividendos e o relatório financeiro apresentados pelo Conselho de Administração apropriados para serem submetidos à aprovação dos accionistas na Assembleia Geral.

98,00% 76,66% 38,10% 28,58% 35,00% 11,82%

RELATORIO DE AUDITOR INDEPENDENTE SOBRE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS PARA OS ACCIONISTAS DA BANCO TAI FUNG, S.A. (SOCIEDADE POR ACÇÕES DE RESPONSABILIDADE LIMITADA, REGISTADA EM MACAU) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da Banco Tai Fung, S.A. relativas ao ano de 2018, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 20 de Fevereiro de 2019, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2018, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações no capital próprio e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas. Para a melhor compreensão da posição financeira da Banco Tai Fung, S.A. e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria.

Macau, aos 20 de Fevereiro de 2019

Auditor de Contas Ernst & Young - Auditores BAO, KING TO


desporto 17

segunda-feira 27.5.2019

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AIS de 20 mil adeptos do Sporting acorreram na noite de sábado ao Estádio José de Alvalade para festejar com a equipa de futebol a conquista da 17.ª Taça de Portugal . Antes de as portas abriram pelas 22:00, já uma fila com centenas de adeptos, junto à porta 04, esperava pela ordem para entrar na ‘casa do leão’ depois da vitória sobre o FC Porto, por 5-4, no desempate por grandes penalidades, após o 2-2 registado no final do prolongamento. No relvado um palco estava montado. De um lado, um pedestal com a Taça da Liga, conquistada esta temporada também perante FC Porto e igualmente nos penáltis), do outro, um lugar vazio aguardava pelo troféu conquistado. Por trás, estava a mesa de mistura para a actuação do DJ Mastiksoul, conhecido sportinguista. No fundo, na bancada uma tarja com os rostos de Peyroteo e do Visconde deAlvalade, primeiro presidente do Sporting, Alfredo Holtreman. Lia-se “até ao fim”.

Via verde Estádio José Alvalade abriu portas para receber festa da Taça

“Foi um ano muito difícil para todos. Conseguimos conquistar duas taças. Isso não nos satisfaz. Vocês querem mais e nós também queremos mais. Para o ano vamos tentar fazer melhor.” MARCEL KEIZER TREINADOR DO SPORTING

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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 7 de Maio de 2019 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para “Angariação de patrocínio para o 30.º Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, encontrando-se o referido processo igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação Montante (patrocínio monetário) Plano adicional de apoio  As actividades do CIFAM  As actividades de extensão do CIFAM

Factores de ponderação 80% 20%

Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 17 de Junho de 2019, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês. O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 18 de Junho de 2019. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Maio de 2019. A Directora Maria Helena de Senna Fernandes

Em ambiente de festa, a música ia soando pelas colunas do estádio, com compassos das buzinas a gás à medida que o primeiro anel se ia enchendo. Os adeptos agitavam as bandeiras e os cachecóis ao ritmo da música e deram como sua a voz de Freddie Mercury com da canção dos Queen ‘We are the champions’, bem como a de Tim quando se fez ouvir ‘A minha casinha’ dos Xutos & Pontapés. A equipa chegou pelas 23:45 horas e foi recebida de forma apoteótica. Na memória de todos estaria o desaire da época passada frente ao Desportivo das Aves (2-1) só desfeito sábado com o pontapé de Luiz Phellype na conversão do penálti que resolveu o jogo no Estádio do Jamor e deu o triunfo ao Sporting, desta feita frente ao FC Porto. Tiago Ilori foi o primeiro a pisar o relvado do Estádio de Alvalade. Um a um, os jogadores, e todo o staff da equipa principal, muitos acompanhados pelos filhos, foram entrando à medida que os seus nomes eram anun-

DE SAÍDA?

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runo Fernandes voltou a dizer que não sabe se vai permanecer no Sporting, contudo garantiu que ficando irá “fazer de tudo” para ajudar os ‘leões’ a sagrarem-se campeões nacionais de futebol na próxima temporada. “Nunca chega, um jogador quer sempre mais, independentemente de sair ou não. Preferia ter ganho mais, preferia ter dado alegria aos adeptos de ganhar o campeonato que tanto ambicionam, não sei o que vai acontecer daqui para a frente. Se aqui ficar tudo vou fazer para dar esse tão desejado campeonato”, declarou o internacional português, depois do Sporting ter conquistado a Taça de Portugal, batendo o FC Porto.

ciados e, após contornarem o centro do relvado, subiram para o palco. O troféu chegou nas mãos do capitão Bruno Fernandes, passavam 10 minutos da meia noite. O ruído foi ensurdecedor quando a 17.ª Taça de Portugal da história do Sporting foi erguida, ao ritmo da Marcha do Sporting, de Maria José Valério. O treinador Marcel Keizer foi o primeiro a dirigir-se aos adeptos e aproveitou para agradecer a presença de todos. Coube a Bruno Fernandes encerrar a festa, onde prometeu mais e melhor para a temporada 2019/20. “Foi um ano muito difícil para todos. Conseguimos conquistar duas taças. Isso não nos satisfaz. Vocês querem mais e nós também queremos mais. Para o ano vamos tentar fazer melhor”, concluiu. Antes da saída, tempo ainda para a derradeira volta ao relvado ostentando a Taça de Portugal, que escapava ao Sporting desde 2014/15.


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Diariamente 3 | “BELEZA NA NOVA ERA: EXPOSIÇÃO

OBRAS-PRIMAS 6 1 4DA COLECÇÃO 5 7 3 8 9 DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” 0 2 3 9 4 5 1 7 MAM

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 6

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UM LIVRO HOJE

ALADDIN SALA 1

SALA 2

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 14.30, 16.30, 19.30

Um filme de: Jonathan Levine Com: Charlize Theron, Seth Rogen, Alexander Skarsgard, Andy Serkis 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B]

SALA 3

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 21.30

FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Guy Ritchie Com: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Cott, Marwan Kenzari 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Publicado quatro anos após o fim da Primeira Grande Guerra, pelo inglês Aubrey Smith, que combateu na frente ocidental entre 1914 e 1918, este livro faz um relato da primeira pessoa da vida de um soldado, não só nas trincheiras mas também nas linhas de abastecimento e transportes. Apesar da escrita ser num registo neutro, é uma obra muito importante para compreender o ambiente vivido na altura assim como o optimismo desmedido, no início dos confrontos, que acaba por dar lugar a uma vontade permanente de regressar a casa. João Santos Filipe

POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B] LONG SHOT [C]

www. hojemacau. com.mo

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assegurou a ida de uma delegação a Oslo na próxima semana. "Agradeço ao Governo norueguês os esforços para avançar nos diálogos para a paz e estabilidade na Venezuela. A nossa delegação parte para Oslo com a disposição de avançar na construção de bons acordos", escreveu o chefe de Estado na rede social twitter.

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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Uma humilhação total. Não há outra forma de olhar para os últimos dois fins-de-semana em Macau em termos da polícia nas fronteiras. Quando me 6 2sobre8se a7RAEM 4 9é segura 0 3 questionam digo sempre 4 3o mesmo: 9 5 é local 0 1mais7se- 2 guro do mundo. Não conheço outro sítio 1 saiam 3 6a qualquer 2 8hora4da 9 onde as5 pessoas noite sem realmente terem problemas ou 0 ambiente 9 1 8destes 3 em6Lisboa 5 7 medo. Um era um sonho. No entanto, estes últimos 7 8 0 4 6 2 3 1 dois fins-de-semana mostram que os 2 de7Alfândega 6 9 ou5o Corpo 4 8de 0 Serviços Polícia 9 de Segurança Pública andam 5 2 1 7 3 6 a8 marcar passo. Qualquer criminoso entra 1 4sem7problemas. 0 8 Os 5crimes 2 6 e sai de Macau graves sucedem-se e ninguém fica retido 3 0Tudo4consegue 2 1 passar 7 para 9 5 na fronteira. o outro 8 lado.6Como que é9possível 5 é3 0 1que 4 com tanta câmara e com esta obsessão securitária as pessoas consigam roubar três milhões, apanhar táxis, transportes 8 públicos e atravessar a fronteira? Cheira a incompetência o lado... 5 9 6 4 5 7por todo 4 2 8 Será 1 que a polícia já nem tenta fazer o seu 8porque 1 sabe 0 que 3 as6autoridades 4 2 7 1 trabalho5 de Zhuhai tratam do assunto? O que se 3 0 9 4 1 0 7 6 6 2 3 5 7 8 tem passado é demasiado mau. Os casos das últimas 2 semanas 7 5 podem 9 0 4 6 8 1 3 2ser isolados, 4 mas a incompetência nas fronteiras não 4 E8 1 7 3 2além6 0dos2criminosos 6 ainda 1 5 tem5sido. há 1 a questão do gás pimenta. Esta é uma 9 0 5 8 9 5 4 1 0 7 2 2 das questões mais graves em Macau e 5 3 8 6 1 6 4hipóteses: 0 ou0 8os 9 2 só há duas criminosos conseguiram passar os controlos 9 3 8 1 3 2 6 com 1 o 7spray8pimenta 4 0 9ou 4 5 alfandegários veio de0dentro da polícia de Macau. 6 2 1 9 5 8 3 7 Nenhuma das hipóteses passa uma boa 4 6 nem 5 nos 2 deixa 9 6 0 imagem7das3autoridades descansados... João Santos Filipe

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FRANCISCO LOUÇÃ in Esquerda.net

Assim tipo cenas progressistas na Europa

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EMBRAM-SE da manifestação em que alguns estudantes pediam “cenas tipo fixe”? Agora é a vez de gente muito solene prometer uma “cena tipo frente progressista”. Mas esta “frente”, que Costa terá proposto a Macron para o próximo Parlamento Europeu, é puro nevoeiro. O facto é que os arautos do “nós somos Europa” nunca esclarecem como será este imbróglio de alianças, que aliás divide a sua própria família política e que nos parece levar para terra incógnita. Uma recente insinuação pública sobre esta “frente” foi a mensagem que o primeiro-ministro português enviou a um comício eleitoral de Macron, em que sugere que “as forças progressistas (se) devem unir para permitir a mudança necessária”. A fórmula até poderia ser interpretada como um rendilhado diplomático mas, interrogado sobre o assunto, Costa enviou à Lusa uma nota em que explica que, no seu entender, “a Europa precisa de uma grande frente progressista e estou empenhado em ajudar a construir as pontes necessárias”. O encontro desta semana entre Macron e Costa, em Paris, confirma este vaivém para uma prometida convergência. Explicou o Presidente francês que “temos de construir, com outros colegas, uma coligação de progresso e futuro para o próximo Parlamento [Europeu], mas também para o próximo executivo europeu”. É um frenesim de muitas conversas em pouco tempo. Em todo o caso, ao contrário da discrição com que o assunto é tratado neste cantinho à beira-mar plantado, a imprensa francesa diz que a preparação do casamento já vai em aliança no dedo. O Partido Socialista Europeu esclareceu seraficamente que “não está incomodado” com esta iniciativa. Em França diz-se que seria um grupo parlamentar europeu que juntaria alguns dos socialistas (que tinham 185 deputados, mas estão em perda) com os eleitos de Macron e dos seus aliados (ninguém sabe quantos serão), que por sua vez prometeram integrar uma aliança com os liberais (actualmente 69 deputados) para enfrentar a direita europeia do PPE (que tem agora 216 deputados, divididos entre os merkelianos e a extrema-direita do Grupo de Visegrado). Ou então um entendimento para propor um presidente da Comissão ou do Conselho. Quem? Mistério. Ora, o projecto é duvidoso pelo menos por duas razões. A primeira é que chamar a isto “frente progressista” é um arrojo. Os liberais, que já assinaram com Macron um protocolo que curiosamente declarava “romper com o bipartidismo” entre os socialistas e a direita merkeliana, são conduzidos por Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês,

e representam o tradicional programa neoliberal da direita. Seria mais fácil vê-los numa associação com Passos Coelho do que com Costa, pelo que chamar a isto “progressista” é em qualquer caso um floreado extravagante. A segunda razão é que esta frente divide os próprios socialistas. Estes já foram destroçados em França pelo sucesso inicial de Macron e pode até admitir-se que Costa despreze os seus camaradas locais. Mas em Espanha isto é um problema, porque Macron se aliou ao Ciudadanos, e não vejo

O PS gaba-se de querer exportar a ‘geringonça’ para a Europa. Se essa exportação se resume a um acordo com o neoliberalismo, qualquer coisa não bate certo

como possa haver um grupo europeu que tenha simultaneamente o PSOE, que está no Governo, e esse partido de oposição de direita e que é aliado da extrema-direita. É uma salganhada impossível, o que significa que, se Macron leva os seus, o PSOE fica de fora, a não ser que seja tudo a fingir. Assim, a “frente progressista” pode vir a ser uma frente (juntando partidos tão diferentes mas afastando uma parte dos socialistas), mas duvido que seja progressista (os liberais defenderam arduamente sanções contra Portugal e voltarão a fazer o mesmo na primeira oportunidade) e, sobretudo, que configure uma alternativa razoável para a União Europeia. A não ser que o programa neoliberal à Rutte e Macron seja o novo oásis. Só que isso, uma União com orçamento ainda mais minguado e austeridade mais pesada, não se pode dizer em Portugal, pois não? Alguém se poderia lembrar de perguntar se esta aliança em Bruxelas não é o contrário

do que promete o Governo em Lisboa. O certo é que, em Portugal, o PS continua a repetir a promessa de um “novo contrato social europeu” e quer ser plebiscitado no meio da santa ignorância sobre estas aventuras casamenteiras. Mas isso vai ser com os liberais? Será que houve milagre da reconfiguração das almas e Macron deixou de ser o Presidente dos milionários, Rivera o nacionalista espanholista e Rutte o arauto dos mercados e dos truques financeiros? Por outro lado, o PS tem vindo a gabar-se de querer exportar a ‘geringonça’ para a Europa. Se essa exportação se resume a um acordo com os promotores do neoliberalismo, qualquer coisa não bate certo. A “frente progressista” talvez seja então, e simplesmente, a prova da incoerência dos seus inventores, reduzidos a manobrar em ziguezague por falta de um projecto apresentável. Por alguma razão a escondem meticulosamente dos eleitores em Portugal.


O que é lei hoje, não o é amanhã.

Robert Burton

Peru Forte sismo de magnitude 8,3 sentido na Colômbia

Um forte sismo de magnitude 8,3 na escala de Richter foi registado durante a madrugada de ontem no Peru, tendo sido sentido também na Colômbia, sem registo de vítimas ou danos, de acordo com o Serviço Geológico Colombiano. Um boletim preliminar do organismo indica que o sismo ocorreu às 02:40 locais e teve como epicentro um ponto no centro do Peru, tendo sido sentido com intensidade em toda a Colômbia. O Instituto Geofísico do Perú (IGP), através da plataforma ‘Twitter’, divulgou, de acordo com a agência de notícias Efe, que a essa hora foi registado um sismo de magnitude de 7,2 no Alto Amazonas peruano, a setenta quilómetros a sul do distrito de Lagunas e a uma profundidade de 141 quilómetros.

China Fuga de dióxido de carbono faz 10 mortos

Pelo menos 10 pessoas morreram e 19 ficaram feridas no sábado devido a uma fuga de dióxido de carbono do sistema de prevenção de incêndios de um navio de carga no leste da China, anunciaram ontem as autoridades chinesas. O incidente ocorreu no porto Longyan, em Weihai, na província de Shandong, afirmou o governo local na rede social chinesa Weibo. Uma investigação preliminar conclui que o acidente foi consequência do não cumprimento das regras de segurança por parte da tripulação do cargueiro da empresa Fujian Shipping Company. Os acidentes químicos não são raros na China, onde as normas de segurança nem sempre são aplicadas, escreve a agência de notícias France Presse (AFP). No mês passado, 10 pessoas morreram sufocadas num incêndio numa grande fábrica farmacêutica em Shandong e, em Março, uma explosão química na província de Jiangsu fez 78 mortos e centenas de feridos.

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Presidente do Irão, Hassan Rouhani, defendeu ontem que o país pode realizar um referendo sobre o programa nuclear, entre guerras de palavras e um agravamento das tensões com os EUA, divulgaram os meios locais. De acordo com a agência de notícias oficial IRNA, Hassan Rouhani, que foi na semana passada publicamente criticado pelo líder supremo do país, fez a sugestão numa reunião com editores das principais cadeias de notícias iranianas. Rouhani lembrou que já tinha anteriormente sugerido um referendo para líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, em 2004. Na altura, disse, Khamenei aprovou a ideia e que embora não houvesse nenhum referendo, uma votação deste género poderia ser solução “a qualquer momento", acrescentou. O líder supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, expressou na quarta-feira a sua divergência com o Presidente, Hassan Rouhani, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, quanto ao acordo nuclear com as potências internacionais. O líder supremo do Irão tem a palavra final sobre todos os assuntos de Estado. As suas observações mostram as pressões internas a que agora estão sujeitos Rouhani e Zarif, quando o país está sob sanções dos Estados Unidos da América. No início do mês, o Presidente do Irão deu 60 dias às potências mundiais para se negociar um novo acordo nuclear, caso contrário retomará o enriquecimento do urânio, e anunciou a redução de compromissos firmados no pacto de 2015. Hassan Rouhani afirmou que o país vai deixar de limitar as suas reservas de urânio e água pesada, uma decisão que contraria o acordo nuclear de 2015.

PRESSÕES E IMPASSES

O anúncio do líder iraniano foi feito num discurso à nação e teve

segunda-feira 27.5.2019

PALAVRA DO DIA

Vamos a votos PROGRAMA NUCLEAR PRESIDENTE DO IRÃO DEFENDE REFERENDO

lugar um ano após a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear e de retomar as sanções contra Teerão. Rouhani disse que o Irão quer negociar novos termos com os demais signatários do acordo, mas reconheceu que a situação era grave. O Irão enviou também ontem cartas, nas quais informa da sua decisão os líderes do Reino Unido, China, União Europeia, Rússia, França e Alemanha, todos signatários e apoiantes do acordo nuclear. "Se os cinco países se juntarem às negociações e ajudarem

o Irão a alcançar benefícios no campo petrolífero e bancário, o Irão retomará os compromissos assumidos no acordo nuclear", garantiu Rouhani. Nos termos do acordo, o Irão pode manter reservas que não podem exceder mais de 300 quilos de urânio de baixo índice de enriquecimento, um valor muito distante dos dez mil quilos de urânio enriquecido que já possuiu. A pressão sobre o sector petrolífero aumentou no mês passado, quando Washington decidiu não renovar as isenções para a compra de petróleo cru iraniano por parte

de oito países, incluindo grandes importadores, como a China, a Rússia e a Turquia. Além disso, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a imposição de novas sanções com o objectivo de restringir o programa nuclear iraniano. A Europa adoptou uma série de medidas para tentar neutralizar as sanções dos EUA, incluindo um canal de pagamento especial mas, por enquanto, sem sucesso. Os EUA consideram haver “uma ameaça credível” por parte de Teerão, que justifica a intensificação da sua presença militar na região.

HONG KONG PROTESTOS ASSINALAM 30 ANOS DOS ACONTECIMENTOS NA PRAÇA TIANAMNEN

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AIS de duas mil pessoas participaram ontem numa marcha em Hong Kong, para recordar os 30 anos do massacre na Praça de Tiananmen, em Pequim, que matou milhares de estudantes que participavam num protesto pró-democracia.

As iniciativas que assinalam o massacre são estritamente proibidas na China continental, mas, em Hong Kong, um grupo de manifestantes quis evocar os acontecimentos de 1989, para que ninguém os esqueça. Ontem, milhares manifestaram-se nas

ruas usando guarda-chuvas amarelos com o 'slogan' "Apoie a liberdade, oponha-se às leis do mal". Outros carregaram um caixão preto e houve ainda quem empurrasse cruzes brancas com rodas e os números 6 e 4, numa alusão ao

dia e mês do massacre: 4 de Junho de 1989. Entre 15 de Abril e 4 de Junho de 1989, estudantes e jovens intelectuais chineses usaram a Praça Tiananmen como palco de contestação ao governo, que consideravam demasiado repressivo

e corrupto. Os protestos terminaram a 4 de junho de 1989, depois de os líderes do Partido Comunista da China terem ordenado aos militares que retomassem a Praça Tiananmen. O ataque, ocorrido na noite de 3 para 4 de Junho

de 1989, provocou centenas a milhares de vítimas entre os manifestantes, conforme os números que foram publicados pela imprensa internacional da época, os divulgados pela Cruz Vermelha e os anunciados pelos sobreviventes.


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