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Hoje Macau 27 MAR 2014 #3059

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Q U I N TA - F E I R A 2 7 D E M A R Ç O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 5 9

hojemacau

A afirmação pertence a HELDER MACEDO. O poeta defende que o português é “inteligível” por toda a gente que o fala “mas as coordenadas são diferentes”. Seja como for, uma certeza: “A Língua Portuguesa vai ser preservada por razões culturais e políticas”. E a China terá um papel fulcral nisso. ENTREVISTA PGS 2 E 3

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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NÃO GOSTO DO TERMO LUSÓFONO

IAS REVELA NÃO EXISTIREM PEDIDOS DE CASAS SOCIAIS SIN FONG GARDEN PÁGINA PUB

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

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GOVERNO TEM COMPRADOR MAS PEDE MAIS TEMPO VENDA DA REOLIAN PÁGINA

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ENTREVISTA

HELDER MACEDO, POETA, ESCRITOR, ENSAÍSTA, CRÍTICO E INVESTIGADOR PORTUGUÊS

hoje macau quinta-feira 27.3.2014

Não gosta do termo lusofonia, mas é precisamente sobre o que hoje conhecemos como isso de que nos fala Helder Macedo. Sobre a literatura lusófona, que analisa na nossa conversa, explica que é inteligível por toda a gente que fala português, mas que varia consoante a cultura que a escreve. Já dizia Camões que todo o mundo é composto por mudança e isso mesmo afirma também este poeta sobre a nossa língua – há ainda muito a descobrir sobre a lusofonia e a China pode dar uma ajuda nisso JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

É-nos apresentado como sendo um dos grandes pensadores português, além claro de escritor e poeta. Como analisa isto? Meu Deus! Exagero ou ironia. (risos) Como toda a gente, procuro entender as coisas na medida do possível. Por isso, tenho muitas actividades. Por um lado sou académico, sou universitário, escrevo ensaios. Por outro lado, sou escritor, romancista e poeta. Aliás, comecei precisamente com poesia. Mas, quando se vive muito tempo como eu, até agora, vai-se fazendo algumas coisas assim... o que é importante é tentarmos relacionar as coisas umas com as outras. E é fácil esse relacionamento de papéis? Depende. A pessoa nem pensa muitas vezes que está a fazer a relação, mas está automaticamente a fazê-la. Você, todos, faz isso também na sua vida. Sente que, pelo seu currículo e conhecimento, está, muitas vezes, confinado à literatura lusófona ou à lusofonia? Não. O que acontece é que todos nós usamos áreas diferentes de nós próprios para as diversas actividades. Quando procuro pensar na

obra de um escritor que admiro, procuro entender as coordenadas do que está lá escrito e tentar entender o pensamento do escritor. Quando estou a escrever - uma ficção, por exemplo -, aí procuro imaginar mundos possíveis, coisas alternativas. Nunca escrevo realmente sobre o que me acontece, mas invento situações e personagens. É, no fundo, um mundo de fantasia que a pessoa [que escreve] tenta dar uma aparência de um certo rigor. Poesia é, no fundo, a coisa mais misteriosa, porque vem de zonas interiores. Aí, há um momento de magia que é melhor deixar acontecer. Podemos dizer que tem uma certa inspiração no mundo real para as suas obras de ficção, mas não para a poesia? Excepto que também tem. Mas não é uma resposta tão imediata, é mais filtrada por dentro. É mais um processo interior. Há a tendência de caracterizar tudo o que seja literatura proveniente de países falantes do português como literatura lusófona. Podemos categorizar a literatura lusófona desta forma? Só na medida em que a língua é comum. Mas, são coordenadas diferentes. A Língua Portuguesa é inte-

LUÍSA FERREIRA

“A Língua Portuguesa vai ser preservada


entrevista 3

hoje macau quinta-feira 27.3.2014

por razões culturais e políticas” ligível por toda a gente que fala português - seja em Manaus, seja em Luanda -, mas as coordenadas são diferentes. Nessa medida, tenho uma certa hesitação ao pensar nisso... para já, não gosto nada do termo lusófono. É horrível. Contudo, até agora, ninguém inventou nada melhor e temos de usar isso. O que acontece é que não há donos da língua e o que é fascinante numa língua como a portuguesa é que pode veicular experiências e culturas totalmente diferentes umas das outras. Há um substrato comum, evidentemente - todos nos podemos ler uns aos outros. Quem pensar em termos literários, pensará, sei lá, num Camões, quer no Brasil, quer em Angola, quer em Moçambique, como alguém que conseguiu, de facto, ter uma visão do mundo extraordinária, escrevendo em Língua Portuguesa. Mas, na realidade, há uma grande diversidade. Quando falam em literaturas africanas de expressão portuguesa, acho que é ainda um rescaldo, uns restos, uma ressaca colonialista. Angola é muito diferente de Moçambique. Sim senhor, há o elemento português comum, mas, se formos ver em termos históricos, até ao século XVIII, a capital de Moçambique era Goa e, no século XIX, Angola era controlada pelo Brasil. Portanto, as coordenadas são diferentes. As raízes que dão origem à literatura escrita por esses países é, portanto, diferente? É diferente. Lógico que é diferente, havendo, contudo, esse elemento comum. Aliás, isso acontece também na língua inglesa. Há indianos que escrevem em inglês, nigerianos que escreve em inglês... mas, isso são culturas diferentes, veiculadas pela mesma língua, por essa

língua. Esse é um aspecto fascinante das línguas – e da Língua Portuguesa especialmente, porque é uma língua extremamente rica nisto -, que consegue veicular culturas e experiências totalmente diferentes umas das outras.

Quando um país como a China adoptar como um dos seus instrumentos de expansão económica e cultural a Língua Portuguesa, isso vai dar uma outra dimensão [à língua e cultura portuguesas] Tinha precisamente essa questão sobre o termo lusofonia de que falou há pouco. Podemos ver esse termo, hoje em dia, como um produto que é vendido? Como analisa isso? É. Para já, tem que se dar um nome qualquer a esse facto comum da língua e as pessoas não querem usar “a portuguesa”, para não parecer ser uma afirmação de Portugal sobre o Brasil, a Angola, Moçambique, etc. O que é absurdo, porque a língua é portuguesa. A partir daí, a coisa ramificou-se. Se usarmos, mais uma vez, o exemplo dos ingleses, podemos ver que a língua que é falada é a língua inglesa – ‘the english language’ – e aceita-se como tal. Mas, os portugueses preocupam-se muito com essa ideia de que

falei e, então, vão buscar esse patético termo ‘luso’ – que mitologicamente, até era simpático, porque Luso era o protegido ou filho de Baco, de modo que era óptimo para ir para os copos -, mas é um termo absurdo, que ninguém entende realmente o que significa. É um termo. E se pudesse dar-lhe outro nome? Já pensou nisso? Já tentei pensar nisso, mas ainda não consegui, sinceramente. Teria que ser Língua Portuguesa. É a primeira vez que está em Macau. Já teve tempo para “analisar”a cidade? Dei um passeio maravilhoso hoje [segunda-feira]. Andei pelo centro da cidade, fui ver as coisas habituais. Apercebeu-se do uso da Língua Portuguesa? Sim, sim. Bom, o que acho extraordinário é que todas as ruas têm os nomes em português e, depois, parece que algumas, quando é transliterado para chinês, reproduzem o som. Os edifícios públicos têm todos também as legendas em português, mas ninguém fala português na rua. Vinha com essa esperança, de ouvir falar português, uma vez que é a ideia que ainda se tem de Macau? Não. Sabia que pouca gente falava português, mas pensei, por exemplo, que os funcionários da alfândega, dos passaportes, falassem algum português. Mas, não. É-lhes mais fácil falar inglês do que português. Vem a Macau dar uma palestra sobre ‘Portugal e Cultura Lusófona no mundo contemporâneo’. Podemos dizer que há uma perda de identidade da literatura e da cultura portuguesa e lusófona nestes tempos mais modernos?

Todas as culturas – sobretudo as europeias – têm inter-penetrações de toda a ordem. Uma coisa que acontece que é perigoso para culturas como a portuguesa é que há o domínio das culturas anglo-saxónicas. O que acontece é que a importância cultural vai-se deparar com a importância económica e a política. Há a criação de uma espécie de mesmismo universal, em que toda a gente – mais ou menos – tem coordenadas anglo-saxónicas e pode perder as suas coordenadas nacionais ou, pelo menos, deixá-las ficar um bocado diluídas. Ora, isso é perigosíssimo porque é a especificidade das culturas. Nós, de Língua Portuguesa, de maneira geral, temos a vantagem de conseguir compreender outras línguas. Ler inglês ou francês... os de língua inglesa, não. De modo que, para eles, o universo acontece em inglês e perdem a noção da diferença e da variedade. Curiosamente, as culturas como a portuguesa enriquecem-se com a globalização cultural. Mas, as culturas dominantes da globalização empobrecem, porque não notam a diferença. Podemos dizer que há um país lusófono, falante do português, que preserve melhor a Língua Portuguesa, entre todos os existentes? Não se pode generalizar. Bem, o país em que mais se fala português é o Brasil, mas as diferenças – tanto de léxico, como de pronúncia – dentro do Brasil são imensas, enormes. Entre o português que se fala no Rio Grande do Sul e o que se fala em Pernambuco, por exemplo, é uma diferença maior do que o português que se fala em Lisboa e São Paulo. Portanto, há essa imensa diversidade. Há áreas do Brasil onde se fala um português muito bom.

As línguas evoluem. Não há pureza de língua. O que a pessoa tem é de entender a especificidade das línguas, ter consciência das raízes linguísticas, mas não usar essas coisas como coletes-de-forças. As línguas têm de evoluir e têm de mudar. Isso não faz com que se possa perder a lusofonia? Não, de forma nenhuma.

O que a pessoa tem de entender é a especificidade das línguas, ter consciência das raízes linguísticas, mas não usar essas coisas como coletes-de-forças. As línguas têm de evoluir e têm de mudar Até devido, precisamente, ao poder económico que o Brasil tem cada vez mais. De momento, é através do Brasil que o português se está a tornar numa língua universal. Tempo houve, que foi através de Portugal, devido ao seu passado colonial. Actualmente, em termos diferentes porque são termos económicos, o Brasil é dominante. E, sei lá, se Angola e Moçambique vierem a ter o futuro que a gente deseja, a língua vai ser preservada também por razões culturais e políticas através dos africanos. Ainda há muito a descobrir sobre a lusofonia e a cultura lusófona? Imenso a descobrir. Por exemplo, o que vai acontecer quando a China desenvolver o seu programa de cultura portuguesa. Os chineses estão a investir imenso na Língua Portuguesa por causa do Brasil, de África, da globalização. Mas, por outro lado, no estilo muito rigoroso que parece que têm, querem aprender a norma

HELDER MACEDO EM MACAU A CONVITE DO CENTRO PEDAGÓGICO E CIENTÍFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA DO IPM Helder Macedo nasceu na África do Sul em 1935 e, além de escritor e poeta, é tido como um dos grandes pensadores portugueses. Passou a infância em Moçambique e, 1948, foi para Lisboa, onde estudou Direito. Devido à sua

oposição ao regime, exilou-se em Londres onde, entre 1960 e 1971, foi colaborador regular da BBC. Após o 25 de Abril regressou a Portugal tendo Secretário de Estado da Cultura. Regressou a Inglaterra, onde foi professor titular da

cátedra Camões, função que acumulou com a de director do departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros, do King’s College, até 1991. A convite do Instituto Politécnico de Macau e do Centro Pedagógico e Científico da

europeia, essencialmente. Quando um país como a China adoptar como um dos seus instrumentos de expansão económica e cultural a Língua Portuguesa, isso vai dar uma outra dimensão [à língua e cultura portuguesas]. Será extremamente interessante, porque, como o chinês não é tão acessível, em termos de mercados, como o inglês é, eles terão de diversificar as suas abordagens e isso é uma coisa fascinante e que contrasta, para mim, com o que acontece na Índia. Os indianos adoptaram como língua nacional a língua colonial inglesa, que não era a deles,

Língua Portuguesa da instituição, Helder Macedo esteve em Macau para dar uma palestra sobre “O Português e a Cultura Lusófona no Mundo Contemporâneo”. Participou ainda como júri do concurso de declamação de poesia do IPM.

e baniram, por exemplo em Goa, o uso do português. O que é uma coisa idiótica. Por um lado, andam a chular a herança cultural portuguesa – as igrejas, aquelas coisas todas – e não investem na Língua Portuguesa. E a China está a fazer esse investimento. Está a fazer o oposto, sim. O que é, quanto a mim, muito mais inteligente e muito mais interessante. Em Inglaterra, onde ensinava, dava aulas sobre a lusofonia? Sim. Fui o professor catedrático – com o título Camões Professor - no departamento de estudos portugueses do King’s College. Como é que a língua inglesa reage a esta cultura portuguesa? Depende. As pessoas mais cultas têm uma certa noção de algumas coisas. Mas os ingleses lêem muito pouco autores de outras línguas. Eles publicam nigerianos, paquistaneses, americanos... tudo em inglês. Traduz-se muito pouco para inglês. Portanto, só os ingleses mais cultos é que têm noção de outras literaturas existentes noutras culturas. Alguns autores, sim, como Fernando Pessoa – muito -, o José Saramago – mesmo antes do Nobel – era muito lido, mas há uma pequena, muito pequena, penetração.


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POLÍTICA Já há interessados para ocupar o lugar da Reolian, mas o Governo precisa de mais três meses para conseguir resolver o problema tempo que só o tribunal pode dar

Pensões ilegais Combate é prioridade para deputados

Os deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública querem dar prioridade à Lei de Combate às Pensões Ilegais. Depois de uma reunião, ontem, Chan Meng Kam, deputado que preside a comissão, disse aos jornalistas que o grupo quer discutir a lei – implementada há três anos – e analisar a sua eficácia. Segundo dados apresentados por Chan Meng Kam, menos de 10% das sanções aplicadas às pensões ilegais foram pagas. “Descobrimos mais de 150 pensões ilegais, mas apenas 27 pagaram a multa. E, entre os 27, dez tiveram de ser obrigados a pagar através do tribunal.”

Si Ka Lon Dúvidas sobre o orçamento do fundo de reparação predial

O deputado Si Ka Lon disse ontem numa interpelação escrita que o orçamento do fundo de reparação predial tem tido um aumento substancial nos últimos anos, algo que não faz sentido para o deputado, tendo em conta que o número dos pedidos é cada vez menor. “Com que bases é que o Governo faz este orçamento?” O deputado mencionou um estudo encomendado pelo Governo à Universidade de Macau sobre a avaliação dos benefícios do fundo de reparação predial em 2012, para referir que ainda não se sabem quaisquer resultados sobre o relatório. “Segundo as conclusões e recomendações deste estudo, o que é que as autoridades vão melhorar ao nível do trabalho no futuro?”, questiona Si Ka Lon.

Wong Kit Cheng Pais querem creches o dia todo

A deputada Wong Kit Cheng pediu novamente numa interpelação escrita ao Governo que este dê mais atenção ao problema das creches que apenas funcionam meio dia. A deputada refere que o Instituto de Acção Social (IAS) tem estado a expandir as creches que prestam serviços apenas durante meio dia, mas, na verdade, as creches normais – o dia todo – ainda são as preferidas da maioria dos pais. A deputada cita dados do IAS que mostram que reduzir as vagas das creches normais e aumentar as vagas de serviço durante meio dia é contra os desejos dos pais. Wong Kit Cheng insta o Governo a aumentar os serviços de tempo inteiro, ao mesmo tempo, garantindo que as novos creches que vão entrar em funcionamento este ano, o fazem a tempo.

hoje macau quinta-feira 27.3.2014

REOLIAN GOVERNO EM NEGOCIAÇÕES COM EMPRESA PRIVADA, MAS PRECISA DE MAIS TRÊS MESES

À espera do tribunal

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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AU Si Io revelou ontem aos jornalistas existir uma operadora privada interessada em continuar os serviços prestados anteriormente pela companhia de autocarros verdes – que declarou falência no ano passado. Contudo, explica o secretário para as Obras Públicas, o Governo ainda está em negociações com a empresa e essas negociações não conseguem estar concluídas antes do dia 1 de Abril. Foi esta a data dada pelo tribunal para que o Governo arranjasse uma solução, sendo que, por agora, é o Governo quem tem a seu cargo as despesas operacionais da Reolian. Lau Si Io disse não poder adiantar muito – não pode, por exemplo, dizer quem é a empresa interessada em adquirir os autocarros -, e explica que está agora nas mãos do tribunal decidir se o Governo pode ter ou não mais 90 dias. “Precisamos de mais tempo para tratar do caso e estamos a pedir uma extensão de três meses ao tribunal

para continuarmos a operar as rotas da empresa. Mas temos de esperar pela decisão do tribunal”, referiu o responsável. A nova empresa precisa de utilizar não só os autocarros que pertenciam à Reolian, como os equipamentos e os recursos humanos, algo que influencia a

necessidade de mais tempo da parte do Governo. “Entretanto, precisamos de fazer várias análises e negociações, como por exemplo, a utilização dos autocarros que, agora, estão já a ficar velhos.” O Governo garante que haverá o funcionamento normal

do serviço de autocarros, mas assume também estar optimista sobre esta mudança. Lau Si Io diz que há uma “muito pequena” possibilidade de ser criada uma empresa do Governo para liderar as operações da Reolian, ainda que não descarte qualquer possibilidade.

CONSTRUÇÃO CIVIL DEPUTADOS QUEREM FISCALIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO APERTADAS NO REGIME DA ACREDITAÇÃO

Governo introduz sociedades na lei O S deputados da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa – encarregues de analisar na especialidade o Regime Jurídico de Acreditação nas Áreas da Construção Civil e do Urbanismo – querem regras mais claras para que, tanto profissionais individuais, como sociedades sejam responsabilizados pelos seus actos. “A comissão espera que o Governo possa densificar o seu conteúdo, reforçando, sobretudo, a parte da fiscalização e responsabilização. Todos os membros [da Comissão] estão preocupados com a responsabilização destas sociedades, se ocorrer algo”, explicou aos jornalistas Kwan Tsui Hang, presidente da comissão.

O regime tem como objectivo acreditar os profissionais do sector da construção civil, mas o Governo decidiu introduzir ainda sociedades comerciais que sejam responsáveis pela elaboração e fiscalização de obras na lei - apenas estas. Estas sociedades estão já reguladas pelo Regulamento Geral da Construção Civil, mas o Executivo pretende que passem a estar abrangidas por este regime. “Segundo o Governo, as normas vão ser revogadas e passam a ser reguladas por esta proposta de lei.” Para Kwan Tsui Hang, no entanto, o que interessa mais é a fiscalização e a responsabilização de quem ficar abrangido pelo novo regime, até porque, diz, “em causa está o interesse público”. - J.F.


política 5

hoje macau quinta-feira 27.3.2014

Lei da concorrência Ho Ion Sang quer criar articulado

O deputado Ho Ion Sang escreveu na sua mais recente interpelação escrita que os moradores se queixam que há um monopólio na venda de produtos do dia-a-dia, com sectores a combinarem preços. Por essa razão, Ho Ion Sang pede a criação de uma lei da concorrência, para proteger os interesses e danos dos consumidores. Com apenas um código comercial para regular as regras da concorrência entre as empresas, o deputado chama a atenção para o facto de situações de monopólio e preços combinados não poderem ser reguladas. “Os residentes não conseguem obter benefícios com o resultado da concorrência dos serviços comerciais, como preços baixos e alta qualidade. Pelo contrário, há danos directos ao interesse dos consumidores. Em Hong Kong e Taiwan já foi ultrapassada situações de monopólio e existem situações de comércio justo. O Governo da RAEM não pode sempre falar em nome do mercado livre e ignorar comportamentos anticompetitividade.”

Direito Song Pek Kei questiona exames de recrutamento A deputada Song Pek Kei escreve na sua mais recente interpelação que já recebeu muitas queixas dos residentes que participaram nos exames para o acesso ao cargo de técnico superior na área jurídica. As queixas incidem sobre atrasos na hora de realização dos exames e outras exigências feitas pelos examinadores. Segundo a deputada, há ainda queixas sobre conteúdos repetidos nos exames. Song Pek Kei pede uma revisão destes problemas e diz que a quantidade de exames para o recrutamento na área jurídica é maior do que noutras áreas, o que faz com que os residentes não consigam terminar os mesmos a tempo. “Como é que os responsáveis do Governo vão avaliar esta situação? Para a escolha dos talentos na área jurídica, como é que o Governo decide o conteúdo dos exames?”

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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STÃO escolhidos os membros da Comissão de Desenvolvimento de Talentos. De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, será o vice-presidente do grupo, que é liderado pelo próprio Chefe do Executivo, Chui Sai On. A Comissão conta ainda com Alexis Tam, chefe de gabinete do Chefe do Executivo, Sou Chio Fai, director do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior, que exerce as funções de secretário-geral, e Lau Pun Lap, coordenador do Gabinete de Estudo das Políticas do Governo. Mas não só. As instituições públicas de ensino superior estão todas representadas, sendo que Zhao Wei, reitor da Universidade de Macau, Lei Heong Iok, presidente do Instituto Politécnico de Macau e Fanny Vong, do Instituto de Formação Turística, foram também nomeados para o grupo, a

COMISSÃO DE TALENTOS REPRESENTANTES DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DE ENSINO SUPERIOR COM LUGAR RESERVADO

O futuro nas mãos O Governo quer fazer dos talentos bandeira para os próximos anos. Para isso, já escolheu os membros que vão compor Comissão de Desenvolvimento de Talentos, liderada por Chui Sai On par de Leong Lai, directora dos Serviços de Educação e Juventude. O ex-deputado Ung Choi Kun e a actual deputada Melinda Chan foram escolhidos por Chui Sai On, tal como Frederico Ma, presidente da Associação para a Protecção Ambiental de Macau, e o macaense José Manuel de Oliveira Rodrigues, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses.

MECANISMO A LONGO PRAZO

A Comissão de Desenvolvimento de Talentos foi criada

em Janeiro, depois de Chui Sai On ter anunciado na Assembleia Legislativa que uma das políticas principais para este ano seria a construção de um mecanismo eficiente de longo prazo para a formação de talentos locais. A ideia é que a comissão “defina, planeie e coordene uma estratégia de formação de talentos da RAEM”, algo que, até agora, ainda não se sabe muito bem como se poderá fazer. Também em Janeiro, numa conferência de imprensa, Alexis Tam, chefe

de gabinete do Chefe do Executivo, explicou que o Governo ainda precisa de tempo para estudar o assunto, não tendo adiantado muito aos jornalistas. Para já, sabe-se que o Governo tem três planos na manga: o programa da formação de elites, o programa de estímulo aos quadros qualificados e especializados e o programa de incentivo aos quadros técnico-profissionais. Não há prioridade para determinadas áreas, mas haverá para os locais e para os cidadãos de Macau

que trabalham no exterior, de forma a trazê-los de volta a Macau. A missão da Comissão de Desenvolvimento de Talentos é, por isso, perceber que tipo de talentos precisa Macau ou quais as áreas de aposta, bem como “conceber e garantir a implementação de medidas e políticas de curto, médio e longo prazo destinadas à formação de talentos”, pode ler-se num comunicado enviado ontem às redacções. De acordo com a nota, o grupo vai poder constituir grupos especializados para o estudo, elaboração e acompanhamento de propostas e medidas respeitantes à formação destes talentos e podem ainda ser convidados para participar nas reuniões plenárias da Comissão representantes de serviços públicos, de entidades públicas ou privadas ou membros de organismos sectoriais e outras individualidades “cuja audição ou contributo seja relevante”. O mandato tem a duração de dois anos.


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SOCIEDADE

hoje macau quinta-feira 27.3.2014

ILHA DA MONTANHA PRIMEIRA PEDRA DA “PRAÇA DA AMIZADE” LANÇADA AMANHÃ

David Chow sela acordo financeiro A praça de estilo manuelino na Ilha da Montanha deverá custar 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong, mas a Lai Ieng Investment, em conjunto com uma entidade bancária, vão injectar já 500 milhões na primeira fase do projecto de David Chow ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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ERÁ uma praça portuguesa, com certeza. Foi esta a garantia dada pelo empresário e ex-deputado David Chow, que anunciou ontem uma parceria com a empresa Lai Ieng Investment e uma entidade bancária para o financiamento da “Praça da Amizade”, que vai nascer na Ilha da Montanha.

No ano novo chinês poderemos ter muitas pessoas a celebrar, essa é a minha ideia. Mas será uma praça com cultura DAVID CHOW

espaço pudesse ser transformado num espaço de Macau para residentes de Macau poderem investir. Um espaço comercial para que os residentes pudessem investir, só assim será transparente, especular não é bom.”

UMA PRAÇA PARA CELEBRAR

O acordo, assinado no espaço Landmark, prevê a injecção de 500 milhões de dólares de Hong Kong para a primeira fase do projecto, que custará 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong. A primeira pedra é lançada amanhã, em Hengqin. Tal como já tinha sido anunciado, a “Praça da Amizade” terá o estilo manuelino, sendo o arquitecto Carlos Marreiros responsável pela concepção do projecto. Cer-

ca de 400 empresas deverão estar presentes, operando na área do retalho, restauração e lazer. Aos jornalistas, David Chow disse que a praça ao estilo manuelino deverá estar concluída em 2016. Quanto ao retorno do investimento, deverá acontecer dentro de sete a dez anos. “Trata-se de uma grande construção, com três pisos inferiores e mais de mil lugares de estacionamento.

A parte mais difícil será a do subsolo, mas penso que o Governo de Guangdong vai coordenar os trabalhos comigo”, disse o empresário, que não quis adiantar qual o valor de renda que irá cobrar. “Todas as lojas vão ser alugadas e também vamos ter receitas dos lugares de estacionamento. O preço do aluguer é variável e agora é difícil avançar um número sobre o retorno do investimento.”

O empresário, proprietário dos espaços Landmark e Doca dos Pescadores, não sabe ainda quantos recursos humanos serão necessários. “Vamos ter muito emprego, mas depende do que os restaurantes necessitem, entre dez a 15 pessoas. Talvez na área de retalho não sejam necessárias tantas pessoas. Vamos ter um número quando tivermos tudo terminado.” “Gostaria que aquele

MACAU IMPORTOU MAIS DE 80 TRABALHADORES POR DIA NO INTERVALO DE UM ANO

Eles vão chegando e vêm para ficar M

ACAU importou, num intervalo de um ano, mais 30.476 trabalhadores, ou uma média diária de 83, com o universo de mão-de-obra importada a atingir um 143.752 pessoas no final de Fevereiro, indicam dados oficiais. De acordo com dados da Polícia de Segurança Pública publicados no portal do Gabinete para os Recursos Humanos, a mão-de-obra importada representava mais de um quinto da população (23,6%), estimada, no final de 2013, em 607.500 habitantes.

No espaço de um mês, Macau “ganhou” 2.987 trabalhadores não residentes. O número de trabalhadores não residentes superou a ‘barreira psicológica’ dos 100.000 pela primeira vez na breve história da Região Administrativa Especial chinesa em Setembro de 2008. O interior da China continua a figurar como a principal fonte de mão-de-obra do exterior (90.704 ou 63%) sobretudo nos sectores da construção, hotelaria e comércio, enquanto as Filipinas (19.566 tra-

balhadores) e o Vietname (12.647) se mantêm no segundo e terceiro lugares da lista, respectivamente. Os trabalhadores não residentes são autorizados a permanecer no território enquanto vigorar o seu contrato de trabalho. Com o desemprego em níveis historicamente baixos - a oscilar entre as 6.000 e as 7.000 pessoas - a importação de mão-de-obra é o único recurso das empresas locais para fazerem face às necessidades de quadros qualificados ou indiferenciados, principalmente desde a

abertura dos novos espaços de turismo e lazer criados pelos operadores de jogo em casino. Para os próximos dois anos está prevista a abertura de novos complexos de grandes dimensões ligados ao sector do jogo que vão exigir milhares de novos trabalhadores. Só a Sociedade de Jogos de Macau, por exemplo, precisa de cerca de 10.000 novos funcionários para o seu Lisboa Palace, um complexo em construção nos aterros entre as ilhas da Taipa e de Coloane. - Lusa

David Chow imagina agora a futura “Praça da Amizade” como uma Times Square. “No ano novo chinês poderemos ter muitas pessoas a celebrar, essa é a minha ideia. Mas será uma praça com cultura.” A ideia é que os turistas vindos do continente conheçam um pouco de Macau quando cheguem a Hengqin. “Sei tudo, apesar de ser chinês adoro a cultura portuguesa. Antes de chegar a Macau vão sentir que há uma cultura portuguesa, e depois vão para a península onde há todo o património, em vez de ficarem pelo Cotai a jogar.

UE Inscrições abertas para visita de universitários de Macau

Uma delegação de estudantes do ensino superior de Macau vai realizar em Junho uma visita de intercâmbio à União Europeia (UE), podendo os interessados inscreverem- -se desde ontem, anunciou o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES). O prazo de inscrições termina a 11 de Abril, estando disponíveis um total de 20 vagas, indicou o GAES, que volta a organizar a iniciativa. A visita da delegação de estudantes, “com desempenho excelente”, à Bélgica decorre entre 21 e 27 de Junho.


sociedade 7

hoje macau quinta-feira 27.3.2014

Emprego DSAL ensina estudantes universitários

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Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais realizou seminários sobre emprego para alunos de diversas instituições do ensino superior. Os temas principais dos seminários deste ano foram o planeamento de carreiras profissionais e técnicas para entrevistas. Foram feitas explicações sobre factores importantes no planeamento da carreira profissional, desde a descoberta da personalidade individual até ao

SIN FONG GARDEN IAS DIZ QUE NÃO HÁ PEDIDOS PARA CASAS SOCIAIS

conhecimento e desenvolvimento de interesses profissionais, orientando os alunos no planeamento de uma carreira profissional adequada a si próprios. Durante os seminários foram ainda divulgados filmes curtos com casos concretos ocorridos nas entrevistas profissionais, tendo sido analisadas as dificuldades que os candidatos enfrentam em geral e também as técnicas de resposta, permitindo-lhes ter conhecimento dos aspectos mais importantes nas entrevistas. A DSAL providenciou ainda a possibilidade de que os alunos participassem num workshop, para que pudessem experimentar “a realidade de uma entrevista profissional aplicando as técnicas de resposta aprendidas”. Em tendas em na UMAC e no IPM, a DSAL apresentou ainda aos alunos serviços de colocação profissional.

IAS aumenta subsídio para instituições de serviços sociais

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Instituto de Acção Social (IAS) irá ajustar, em Abril, o montante do subsídio regular atribuído às instituições particulares de serviços sociais. O aumento será de 7% e tem como objectivo ajudar “a estabilizar os recursos humanos e a aperfeiçoar as condições dos serviços”. A subida implicará um aumento de cerca de 30 milhões de patacas às despesas deste ano, mas o instituto acredita que esta medida poderá ajudar as instituições particulares a aliviarem a pressão de financiamento resultante do impacto da inflação, a aumentarem o salário do seu pessoal, a estabilizarem a equipa de trabalhadores e a melhorarem as condições do trabalho, no sentido de prestarem me-

Casas sem influência para outros candidatos

São 80 as casas que o Governo prometeu disponibilizar como residência temporária para os moradores do edifício Sin Fong Garden. Seja como for, o IAS garantiu ontem que ainda não foi entregue qualquer pedido CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Governo prometeu disponibilizar 80 fracções de habitação social como residência temporária para os moradores do edifício Sin Fong Garden, mas ontem o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Iong Kong Io garantiu que ainda não foi entregue nenhum pedido por parte dos moradores do edifício em risco de ruína. Iong Kong Io sublinhou que o Governo sempre teve casas de reserva para uma situação de emergência. E garantiu que “estas 80 fracções destinadas aos

moradores do Sin Fong Garden não vão influenciar os candidatos que estão em lista de espera”. Estando as 80 fracções divididas em diferentes áreas no projecto de habitação pública, os moradores não terão de pagar renda mas necessitam de suportar os custos de água, luz e condomínio. Contudo, os moradores não vão continuar a receber o subsídio de residência para ajudas de custo no arrendamento. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Iong Kong Io disse que a proposta do IAS se mantém desde Outubro de 2012. Até à reunião do grupo interdepartamental, no ano passado, os responsáveis

lhores serviços aos utentes. Ontem, em comunicado, o IAS anunciou ainda que está a efectuar um estudo sobre o regime do apoio financeiro atribuído às instituições particulares de serviço social, no sentido de melhor apoiar essas instituições no desenvolvimento de diversos serviços e elevar assim o nível de vida da população de Macau.

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO Nº. 2/P/14

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 3 de Março de 2014, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento de Produtos de Limpeza Específicos para Máquinas Industriais de Lavar Roupa para a Secção de Tratamento de Roupas e de Limpeza dos Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 26 de Março de 2014, todos os dias úteis , das 9,00 ás 13,00 e das 14,30 ás 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, nº. 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos a pagamento de $ 49,00 (quarenta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 22 de Abril de 2014. O acto público deste concurso terá lugar no dia 23 de Abril de 2014, pelas 10,00 horas, na sala do “Auditório” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $ 42.200,00 (quarenta e duas mil e duzentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária / Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 17 de Março de 2014

O Director dos Serviços, Lei Chin Ion

mudança obrigatória do Sin Fong Garden, tendo sido apresentada novamente a medida das fracções de habitação social.

PL ANEADA INTRODUÇÃO DE 40 TERAPEUTAS PROFISSIONAIS Iong Kong Io disse ainda aos jornalistas que há o projecto de criação de 50 instalações sociais, incluindo creches, lar para pessoas com deficiência e centros de reabilitação profissional. Segundo o presidente do IAS, o ano passado já foram concluídas as obras para dez instalações, estando prevista a conclusão, este ano, de 17 infra-estruturas. 2017 é o ano previsto para a conclusão de todos os projectos. O IAS pretende ainda recrutar 1200 funcionários, sendo que a maior necessidade ao nível de recursos humanos será de enfermeiros. Iong Kong Io disse que o IAS está a planear recrutar três tipos de terapeutas, na área da terapia ocupacional e da fala, e cerca de 40 profissionais não residentes no segundo semestre. O director do IAS disse ainda que não há cursos suficientes para formar este tipo de terapeutas em Macau, por isso considera que os alunos deveriam estudar fora do território. A longo prazo, o IAS poderá colaborar com os Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) para a atribuição de bolsas de estudo.

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tinham conhecimento de que os proprietários estariam a sofrer aumentos de renda nas casas onde estavam alojados e que havia a necessidade de


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CHINA

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POLUIÇÃO MAIS UMA CIDADE LIMITA A COMPRA DE AUTOMÓVEIS

Travão bem a fundo M Enquanto que sobe o número de cidades poluídas na China, a região adjacente de Zhuhai foi considerada como uma das mais limpas

Meios rurais Governo aumenta volume de investimento

O governo central da China vai aumentar este ano o valor do investimento dedicado às zonas rurais, revelou esta quarta-feira a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma do país. Segundo informações reveladas numa entrevista à imprensa, o governo central irá destinar mais de 70 mil milhões de patacas no reforço da construção de infra-estruturas agrícolas, sobretudo nas obras hidráulicas; aumentar os investimentos em projectos relacionados com a qualidade de vida da população rural, entre os quais se destacam a construção de redes de água potável, electricidade, transporte e telecomunicações e concluir a restauração de casas deterioradas de um total de dois milhões e 600 mil famílias rurais, são alguns dos objectivos do governo, informa a rádio China. Em 2013, o orçamento de investimento do governo central nos meios rurais ultrapassou as cerca de 220 mil milhões de patacas, representando 50,6% da totalidade.

Voo MH370 Localizados mais objectos que podem ser do avião desaparecido

O governo da Malásia disse esta quarta-feira que imagens de um satélite francês localizaram 122 objectos no Oceano Índico que podem ser do voo desaparecido da Malaysia Airlines. O ministro de Defesa, Hishammuddin Hussen, disse que estes possíveis destroços foram encontrados perto das outras peças detectadas na localidade de Perth, na Austrália. Segundo Hishammuddin, as imagens foram capturadas no domingo e transmitidas pela base francesa de Defesa e Espaço da Airbus. Os destroços têm diferentes comprimentos: de um metro até 23 metros. As buscas no mar continuaram ontem e as condições do tempo melhoraram na região do Oceano Índico. Nos próximos dias, a Austrália planeia enviar a primeira equipa de especialistas em investigação de acidentes aéreos para o mar, na tentativa de intensificar os trabalhos.

AIS uma cidade chinesa, Hangzhou, decidiu limitar a compra de automóveis, um luxo até há pouco tempo inacessível, mas que nos últimos três anos se tornou uma grande fonte de poluição e um quebra-cabeças urbano. A medida está em vigor desde ontem, para tentar melhorar a qualidade do ar e aliviar o trânsito. O governo municipal de Hangzhou restringiu para 80.000 o número de automóveis que podem ser vendidos anualmente na cidade, uma das mais turísticas do país. Oitenta por cento das novas matrículas serão sorteadas e as restantes vão a leilão, com uma base de licitação de cerca de 12.000 patacas.

Capital da próspera província de Zhejiang, na costa leste da China, e sede de um município com cerca de oito milhões de habitantes, Hangzhou é a sexta cidade chinesa a limitar a venda de automóveis, depois de Pequim, Xangai, Cantão, Guiyang e Tianjin. As autoridades ambientais de Hangzhou estimam que as emissões dos automóveis sejam responsáveis por 39,5% da densidade das partículas PM2.5 que minam a qualidade do ar na cidade. Até há pouco mais de duas décadas, a bicicleta era o único meio de transporte privado a que a esmagadora maioria das famílias chinesas podia aspirar. Em 2009, a China tornou-se o maior merca-

do automóvel do mundo, ultrapassando os Estados Unidos da América, mas a densidade de veículos - estimada em cerca de 100 por cada mil habitantes - continua a ser muito inferior aos valores dos países mais desenvolvidos. Apesar das crescentes restrições, em 2013, as vendas de veículos aumentaram 14% e todos os meses, em média, há mais de um milhão de novos automóveis nas estradas chinesas.

ATMOSFERA DE ZHUHAI É DAS MAIS LIMPAS

Entretanto, a Zona Económica Especial adjacente a Macau, Zhuhai, foi uma das dez cidades chinesas com a atmosfera mais limpa em Fevereiro, indica

um relatório do Ministério chinês da Protecção Ambiental citado ontem na imprensa oficial. Duas outras zonas económicas especiais Shenzhen, junto a Hong Kong, e Xiamen, na província de Fujian - fazem parte do mesmo grupo, juntamente com Haikou, Zhoushan, Lhasa, Fuzhou, Huizhou, Lishui e Guiyang. Pequim, pelo contrário, está rodeada por algumas das mais poluídas cidades do país. Ontem de manhã, às 10h (hora local), a qualidade do ar em Pequim estava de novo “gravemente poluída”, com a densidade de partículas PM2.5 dez vezes superior ao nível máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Dois acidentes de trânsito fazem 20 mortos e dezenas de feridos

Ex-responsável de imprensa pede outra atitude dos EUA

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INTE pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em dois acidentes de trânsito distintos no sudoeste da China, informaram ontem as autoridades chinesas. Quinze pessoas morreram e 56 ficaram feridas num choque em cadeia esta terça-feira numa auto-estrada no Município de Chongqing. O acidente ocorreu logo após a meia-noite quando um camião embateu num autocarro que tinha capotado tendo os veículos que vinham atrás colidido com a traseira do camião numa secção da auto-estrada Baotou-Maoming.

Noutro acidente, um outro autocarro com 29 passageiros a bordo caiu numa ravina de 60 metros de profundidade às 19h42 de segunda-feira, no distrito de Huize, Província de Yunnan. O veículo levava os convidados de um casamento de volta a casa quando saiu da estrada, informou o governo distrital. Do acidente resultaram cinco mortos e 24 feridos, dos quais quatro estão em estado grave. O veículo podia levar apenas 19 pessoas. As causas dos dois acidente estão sob investigação.

ex-director do gabinete de imprensa do Conselho de Estado chinês, Zhao Qizheng, afirmou esta terça-feira em Boston, nos EUA, que Pequim e Washington só podem desenvolver o respeito mútuo e cooperação que beneficie ambos com base no princípio da “não-confrontação”. Zhao espera que a Casa Branca adopte uma atitude justa nas questões chinesas. Segundo o ex-director, Pequim respeita o papel construtivo dos EUA nos assuntos asiáticos e quer reforçar a confiança mútua com Washington a fim de criar

uma interacção positiva entre as duas partes. Zhao deu ainda como exemplo as questões de soberania territorial e interesse marítimo no Mar do Leste e Mar do Sul da China. Estas são questões bilaterais entre a China e os países vizinhos, alertou. Em relação à cooperação sino-norte-americana, Zhao disse que Pequim e Washington têm uma forte complementaridade económica. A China e os EUA podem cooperar em áreas como o combate ao terrorismo, pela não-proliferação nuclear e contra os crimes transnacionais e a pirataria.


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A visita do presidente chinês à França integra as comemorações do aniversário de 50 anos das relações diplomáticas franco-chinesas, estabelecidas em 27 de Janeiro de 1964

DIPLOMACIA PRESIDENTE CHINÊS CHEGA A FRANÇA COM ECONOMIA A DOMINAR A AGENDA

Grandes expectativas no bolso

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presidente chinês, Xi Jinping, chegou esta terça-feira a França para uma visita de Estado de três dias que integra as comemorações dos 50 anos de relações diplomáticas entre Paris e Pequim. Antes de desembarcar Xi declarou que espera aprofundar as relações históricas entre os dois países. Xi Jinping iniciou a visita a França por Lyon, onde activistas pró-Tibete o aguardavam com uma manifestação em defesa dos direitos humanos. “Esta visita será a ocasião para fazer o balanço do passado, celebrar a amizade entre os dois países e incrementar nossa relação”, afirmou o líder chinês num artigo publicado terça-feira no jornal Le Figaro. “Espero aprofundar o diálogo com as autoridades francesas e amigos de vários sectores para encontrar um caminho onde todos possamos ganhar ”, escreveu Xi Jinping. A visita do presidente chinês à França integra as comemorações do aniversário de 50 anos das relações diplomáticas franco-chinesas, estabelecidas em 27 de Janeiro

de 1964. Em plena Guerra Fria, a França do general de Gaulle foi o primeiro país ocidental a reconhecer a China comunista.

RECEBIDO COM TAPETE VERMELHO

François Hollande foi o primeiro chefe de Estado europeu a ser recebido por Xi Jinping, após sua nomeação em Abril de 2013, e promete uma recepção excepcional ao presidente chinês. Xi Jinping encontra-se com o presidente François Hollande no Palácio do Eliseu.

Durante a reunião será assinada a parceria estratégica confirmando a entrada da fabricante chinesa Dongfeng e do Estado francês no capital da francesa PSA Peugeot-Citroën. Espera-se também o anúncio de compras de aviões da Airbus pela China e a assinatura de uma “parceria industrial reforçada” com a Airbus Helicópteros. No sector nuclear, acordos importantes podem ser anunciados entre Pequim e o grupo Areva. A grande expectativa de Paris

em relação à visita de Xi Jinping é económica e o governo francês vai tentar melhorar as relações comerciais com a China, para diminuir o deficit do comércio externo. Mas outros assuntos de ordem diplomática, como os casos do Irão, da Síria, da Coreia do Norte e, sobretudo, da Ucrânia, serão também abordados pelos dois dirigentes. Xi Jinping visitará ainda esta quinta-feira, o Palácio de Versalhes. A França é a segunda etapa

do giro europeu do líder chinês, iniciado na Holanda. De seguida Xi rumará a Berlim e Bruxelas.

MOMENTO POLÍTICO DELICADO PARA HOLLANDE

Avisita do líder chinês acontece num momento tenso para o presidente francês, entre as duas rondas das eleições municipais e os péssimos resultados dos socialistas na primeira fase. A imprensa especula que Hollande estará a fazer consultas para uma reforma ministerial.

REGIÃO COREIA DO SUL HOMENAGEM AOS 46 SOLDADOS MORTOS NO NAVIO CHEONAN

Familiares recordam tragédia A

Coreia do Sul prestou ontem homenagem aos 46 soldados mortos no ataque ao navio Cheonan, que os sul-coreanos e a comunidade internacional atribuem à Coreia do Norte. No quarto aniversário do ataque de 26 de Março de 2010 quando uma explosão afundou o navio de 1.200 toneladas quando este se encontrava no Mar Amarelo, familiares dos mortos e

sobreviventes da tripulação recordaram as vítimas numa cerimónia no Cemitério Nacional, nos arredores da capital. Park Geun-hye, a Presidente sul-coreana, esteve ausente por se encontrar em Haia, mas enviou uma mensagem de elogio ao “sacrifício das vidas dos nobres patriotas caídos”. Apesar de não coincidir com a cerimónia, o dia ficou

também marcado pelo lançamento por parte da Coreia do Norte de mísseis de médio alcance, a primeira acção do género em cinco anos e que foi alvo de uma reacção por parte do primeiro-ministro da Coreia do Sul, Chung Hong-won. “O Governo manterá a sua firme vontade de não tolerar provocações que qualquer género da Coreia do Norte e continuará a desenvolver as suas capacidades defensivas”,

afirmou Chung Hong-won depois de instar Pyongyang a “converter-se num membro responsável da comunidade internacional”. Também ontem e a propósito do lançamento dos mísseis da Coreia do Norte, o Japão condenou a atitude de Pyongyang, sublinhou que se trata de uma violação das resoluções da ONU e sustentou que tais ameaças não podem ser toleradas.

Coreia do Norte Lançados dois mísseis de médio alcance para o Mar do Japão

A Coreia do Norte lançou esta quarta-feira dois mísseis balísticos de médio alcance ao Mar do Japão, no primeiro teste deste tipo após os realizados nas últimas semanas com projécteis de curto alcance, informou o Estado-Maior Conjunto sul-coreano. Os mísseis foram disparados às 2h35 e às 2h45 locais da região de Sukchon, ao norte de Pyongyang, segundo as autoridades sul-coreanas. O Ministério da Defesa de Seul confirmou que os mísseis balísticos eram do modelo Rodong, com alcance de 1,3 mil quilómetros, e que voaram 650 quilómetros antes de caírem no mar. “Este lançamento pode ser considerado algo de mais sério, já que os mísseis desta categoria podem alcançar o Japão, a China e a Rússia”, disse um porta-voz sul-coreano do Ministério da Defesa em declarações à Agência Efe.


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EVENTOS

hoje macau quinta

Festival de Artes de Macau com espectáculos adicionais

Devido à grande procura de bilhetes o XXV Festival de Artes de Macau (FAM) abriu actuações adicionais para os programas mais procurados, nomeadamente “Os Venezianos Querem Ter uma Casa”, “Dançando ao Som das Naamyam”, “Animare”, “A Importância de Se Chamar Ernesto”, ‘Criaturas Especiais”, “Imagine Toi”, “Assassinato em San Jose” e “Chuva de Pedra, Canção do Mar”. Os bilhetes estão disponíveis a partir das 10h de 29 de Março. A venda de bilhetes para os espectáculos infantis adicionais é limitada a quatro bilhetes por actuação e por pessoa.

Fadista portuguesa canta ao vivo na BBC

A cantora Cláudia Aurora está a causar sensação no Reino Unido, depois de ter sido convidada, pela BBC, para um concerto ao vivo que foi transmitido, na sexta-feira passada, pela estação de rádio pública britânica. Durante as duas últimas semanas de Março, a BBC Radio 3 lançou um programa especial que consiste numa emissão ao vivo, a partir de um estúdio improvisado Royal Festival Hall, na zona de Southbank. Durante estes dias, o estúdio emite 24 horas a partir de Southbank e qualquer pessoa pode passar pelo local e contribuir para a emissão. Na sextafeira passada, a convidada especial desta emissão do programa “World on 3”, com uma audiência superior a 100.000 ouvintes, foi a fadista Cláudia Aurora que interpretou, ao vivo, cinco temas: “Mariquinha”, “Desejo do Mar”, “Promessa”, “Lua” e “Cigana”, um tema de inspiração flamenca que fala de um amor proibido.

Chen Wei (China) JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

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exposição “Proximidade eAdaptação – Projecto de Intercâmbio Artístico entre as Quatro Regiões do Estreito 2014”, inaugurou ontem, pelas 18h30, no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania. Com organização do Museu de Arte de Macau do IACM, Museu deArte He Xiangning de Shenzhen, Museu de Arte Pingtung de Taiwan e Museu de Arte Pingtung de Taiwan e Arte Universitária da Universidade de Hong Kong, a mostra apresenta os mais recentes trabalhos de 13 artistas de Macau, Taiwan, China e Hong Kong. Macau será o primeiro local da exposição itinerante que poderá ser visitada no território até ao próximo dia 27 de Abril e que tem como principal curador Feng Boyi. As quatro regiões do Estreito apresentam curadoria de Noah Ng Fong Chao (Macau), Hsu Woan Jen (Taiwan), Gou Xianxu (Shenzhen) e Sarah Ng Sau

Otto Li Tin Lun (Hong Kong)

EXPOSIÇÃO NOVAS OBRAS DE ARTISTAS DE MACAU, TAIWAN, CHINA E HONG KONG NO MUSEU DAS OFERTAS SOBRE A TRANSFERÊNCIA DE SOBERANIA

Relações estreitas Wah (Hong Kong) para os trabalhos dos 13 artistas presentes: Carol Kwok, Bonnie Leong Mou Cheng, Kitty Leung Mou Kit, Eric Fok; Lee Ken Tsai, Kuo Hui Chan, Zhao Liu; Ma Yongfeng, Zhang Wenchao, Chen Wei; Otto Li, Keith Lam e Hung Keung. Segundo o comunicado de imprensa da organização, as obras irão não só mostrar a forma como os artistas compreendem

Bonnie Leong Kitty Leung (Macau)

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA EXCALIBUR • Bernard Cornwell

Artur esmagou a revolta de Lancelote, mas o preço foi elevado. A traição de Guinevere deixou-o fragilizado e os seus inimigos saxões pretendem aproveitar-se dessa vulnerabilidade. O caos ameaça dominar a Bretanha. Mas Artur já deu provas do seu génio militar e, à medida que a próxima batalha se aproxima, prepara-se para abrir caminho até à vitória em Monte Badon e reconquistar a mulher que perdeu. Mas quais serão as consequências das intrigas de Mordred, agora o herdeiro ao trono da Bretanha, e da magia da sacerdotisa Nimue, que querem exterminar Artur? Não perca a conclusão da trilogia dos Senhores de Guerra, a saga em que Cornwell dá nova vida ao mito arturiano, combinando com perícia a lenda e os factos históricos.

e reconhecem as quatro regiões mas também, reflectir os ajustamentos e conflitos das diferentes estruturas e valores sociais modernos que advêm das diferenças históricas. As obras de arte contemporânea incluem instalações artísticas, vídeo, pintura e fotografia. O evento, que teve início em 2008 sob a tutela do Museu de Arte He Xiangning de Shenzhen,

comemora nesta edição o seu 6º aniversário. Desde a sua criação, o Projecto de Intercâmbio Artístico entre as Quatro Regiões do Estreito contou já com a participação de cerca de 100 artistas oriundos da China Continental, Macau, Taiwan e Hong Kong, acrescenta a nota de imprensa. Esta edição, subordinada ao tema “Proximidade e Adaptação” irá utilizar um novo tipo de exposição

com o intuito de compreender e expor a relação de intercâmbio entre as partes. As obras de arte vão ser exibidas de forma itinerante nas quatro regiões do Estreito, com os artistas participantes a criar e a exibir os seus trabalhos na primeira paragem da exposição, em Macau. Quando os artistas viajarem até à próxima paragem, Taiwan, irão ampliar e adicionar elementos às suas obras, processo este que terá continuidade quando os artistas viajarem para Shenzhen e Hong Kong. As criações dos artistas só estarão completas depois da paragem da exposição nas quatro regiões do Estreito. Para cada criação e ampliação, é exigido que as obras dos artistas tenham em conta e compreendam o habitat cultural e as circunstâncias locais da região, finaliza a nota de imprensa. A mostra, que encerra à segunda-feira, pode ser vista em Macau de 27 de Março a 27 de Abril entre as 10 e as 19h. A entrada é livre.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

O MERCADOR DE LIVROS MALDITOS • Marcello Simoni

Não é comum um livro reunir o consenso da crítica e dos leitores, mas O Mercador de Livros Malditos conquistou uns e outros. Mais: ambos afirmam que se trata de uma das mais interessantes estreias dos últimos anos. O Mercador de Livros Malditos é uma história envolvente, marcada por intrigas, segredos ocultos durante séculos e mistérios que vão para lá do conhecimento de sábios e de alquimistas. Ao longo das suas páginas o leitor viaja por Itália, França e Espanha no rasto do Uter Ventorum, um livro raro, desmembrado em quatro partes e protegido por intrincados enigmas que, uma vez resolvidos, permitem evocar os anjos e a sua divina sabedoria. Um romance enigmático como O Nome da Rosa e empolgante como Os Pilares da Terra, vencedor dos prémios literários mais prestigiados de Itália: Prémio Bancarella 2012 e Prémio Literário Emilio Salgari.


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FOTOGRAFIA UM DIA NO MOSTEIRO DA BATALHA PARA DIVULGAR MONUMENTO EM FRANÇA

Novas perspectivas

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OVE fotógrafos vão passar um dia no Mosteiro da Batalha para captar “novas perspectivas” que integrarão uma exposição em França para divulgar o monumento que este ano assinala o 30.º aniversário de Património Mundial da Humanidade. “A visão clássica do postal ilustrado todos temos. O que espero é novas perspectivas, a perspectiva de alguém que chega e que, em determinado contexto, poderá

ver algo de novo e é essa a imagem que queremos que ressalte deste trabalho”, disse à agência Lusa o director do mosteiro, Joaquim Ruivo. O responsável considerou este um “repto interessante” para os fotógrafos da região seleccionados para a iniciativa, que decorre em Abril e é realizada em parceria com a Association France-Portugal, que será responsável pela sua itinerância naquele país,

na região de Pau, Bordéus e Paris. “Em colaboração com a associação foi decidido fazer a exposição, aproveitando o contexto das comunidades luso-francesas que estão bem implementadas e estão a fazer um trabalho cultural que ainda é desconhecido”, declarou Joaquim Ruivo. Aos fotógrafos será atribuído, por sorteio, um espaço do mosteiro: os terraços, a igreja, a Capela do Fundador, as Capelas Imperfeitas, os claustros, o exterior ou a envolvência com a vila, adiantou o responsável. “Cada fotógrafo selecciona duas fotografias que depois serão objecto da exposição que a associação vai realizar por vários espaços culturais em Maio”, adiantou o responsável. A iniciativa integra as celebrações dos 30 anos de classificação do Mosteiro de Santa Maria da Vitória como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

INSTITUTO DA LÍNGUA PORTUGUESA DE TIMOR-LESTE INAUGURADO DURANTE CIMEIRA DA CPLP

Apadrinhado por Instituto Camões O reitor da Universidade Nacional de Timor-Leste, Aurélio Guterres, disse ontem que o Instituto de Língua Portuguesa em Díli vai ser inaugurado durante a cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a realizar-se em Julho. “Estamos a planear o lançamento no âmbito da cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa quando estiverem cá todos os líderes da Comunidade”, afirmou à agência Lusa Aurélio Guterres, à margem da cerimónia de entrega de livros pela União Europeia àquele estabelecimento de ensino superior. A cimeira de chefes de estado e de governo da CPLP deverá realizar-se em Díli entre 20 e 25 de Julho,

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CINEMA TSAI MING-LIANG BEM MENOS SECRETO

Íntimo e solitário A

obra de um realizador — nascido na Malásia — que foi um dos principais renovadores do cinema taiwanês está em destaque em Bruxelas, onde até Maio a sala Galeries Cinéma se junta ao Kunsten Festival para apresentar uma retrospectiva dedicada a Tsai Ming-liang, Observador dos modos de resiliência de pessoas comuns frente a uma sociedade em ruptura, Tsai Ming-liang vai ora escavando o silêncio (como em Não Quero Dormir Sozinho, de 2006), ora fazendo explodir convenções e símbolos (O Sabor da Melancia, de 2005). É de um cinema “tão íntimo e solitário como pudico e cru” que se fala, classifica a Cinémathèque Française, que lhe dedica paralelamente, e até ao próximo dia 30, uma

outra retrospectiva, ampliando a ressonância de um cinema secreto. Ainda para Bruxelas, e por encomenda do Kunsten, Tsai Ming-liang criou também Walker, instalação que estará no cinema Galeries até fim de Maio. Mas o ponto alto da presença do cineasta na capital belga é um acontecimento teatral: a estreia, a 4 de Maio, nas ruínas do antigo cinema Marivaux (actualmente reconvertidas em parque de estacionamento), de The Monk from Tang Dynasty. A história do monge Xuan Zang, que percorreu a Rota da Seda até à Índia e no regresso introduziu na China os ensinamentos budistas, transforma-se, assim, numa viagem ao universo de um autor que transforma o corpo em matéria transitória.

altura em que Timor-Leste assume pela primeira vez a presidência da organização. Segundo o reitor da Universidade Nacional de Timor-Leste, até ao final de Março, devem chegar dez professores portugueses para apoiar a equipa responsável pela criação do Instituto de Língua Portuguesa, liderada pelo antigo reitor daquela universidade Benjamim Côrte-Real. Aurélio Guterres disse também que após a criação do Instituto de Língua Portuguesa vão ser abertos centros de língua nos distritos, sub-distritos e sucos do país. “Vamos também dar formação em língua portuguesa às instituições timorenses”, acrescentou. O memorando de entendimento para a criação

do Instituto de Língua Portuguesa em Timor-Leste foi assinado em Janeiro em Lisboa entre Aurélio Guterres e a presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, Ana Paula Laborinho.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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SCREVER sobre uma época, sobre um período da vida, da existência, seja qual for a distância a que já se encontre no passado e qualquer que tenha sido a sua duração, é um aglomerado de centenas e de milhares e de milhões de falsificações e deturpações, que aquele que descreve e escreve tem por verdades e unicamente verdades. A memória segue exactamente os acontecimentos e segue a cronologia exacta, mas o que resulta é algo completamente diferente do que efectivamente aconteceu.” (pág. 154) Isto escreve o austríaco Thomas Bernhard (1931-1986) em A Cave – uma retirada, o segundo dos cinco romances autobiográficos (originalmente publicados entre 1975 e 1982) agora por cá editados num só volume, Autobiografia. São cinco textos ficcionais em que o austríaco dá a conhecer episódios marcantes da sua infância e juventude, episódios decisivos para a construção da sua personalidade, e que se tornaram parte do magma fervilhante que alimentou a sua singularíssima obra literária. A vida como uma sucessão de catástrofes: orfandade, humilhação, pobreza, guerra, doença e provação, as paisagens bernhardianas de aniquilamento espiritual e físico dos seus primeiros vinte anos de idade, onde a morte pareceu exercitar-se em continuo nas suas mais diferentes variantes, até a personagem se transformar num “herói do espírito”. Para o tradutor José Palma Caetano, professor e membro de associações internacionais que se dedicam ao estudo da obra de Bernhard, Autobiografia é da maior importância para se compreender não só a personalidade do autor, mas também o seu percurso de escritor e tudo o que está por detrás da obra e que a explica, ou pelo menos lhe serve de base. “Isto apesar de os cinco volumes que hoje compõem a obra com este nome – o próprio autor nunca os reuniu num livro nem assim os designou – abrangerem apenas o período da infância e juventude. Trata-se, porém, do período que marcou a sua vida e o lançou no caminho que o levaria ao culto da escrita e à carreira em que se notabilizou.” Ficção e biografia quase sempre andaram juntas em Bernhard, como se ambas participassem do grande cenário da sua escrita enquanto arte. Essa relação íntima continuou depois nos romances que se seguiram a este “ciclo autobiográfico”: Derrubar Árvores, Antigos Mestres, O Sobrinho de Wittgenstein, e ainda a sua obra-prima, Extinção. Há sempre um regresso cíclico à memória, à lembrança dos acontecimentos, regresso sempre disfarçado

José Riço Direitinho

IN ÍPSILON

A VERDADE

DA MENTIRA

FICÇÃO E BIOGRAFIA SEMPRE ANDARAM JUNTAS NAS NARRATIVAS DE THOMAS BERNHARD, COMO SE AMBAS PARTICIPASSEM DA GRANDE ENCENAÇÃO DA SUA ESCRITA ENQUANTO ARTE. EM AUTOBIOGRAFIA, O AUSTRÍACO USA O BIOGRÁFICO COMO MATERIAL REINVENTADO PARA COMPREENDER O MUNDO. UMA MISTURA EXPLOSIVA DE RESSENTIMENTO E EXCLUSÃO, DE ABANDONO E DE PRIVAÇÃO, ALIMENTA ESTAS GENIAIS NARRATIVAS DAS ORIGENS

de ficção e que assim lhe permite encenar magistralmente a sua arte. A ideia de desvendar uma existência é para Bernhard um acto sempre condenado ao fracasso. A memória pode ser fiel à cronologia dos acontecimentos, pode até corresponder ao desejo da verdade, as lembranças da noite antiga, mas aquilo que se escreve é já por si, e de maneira sempre inevitável, algo diferente daquilo que efectivamente aconteceu, e por isso um “aglomerado de deturpações e de mentiras”. A vida inteira foi uma prolongada tentativa em que ele nunca desistiu de transmitir a verdade, mas a verdade, para Bernhard, é intransmissível, e somos no fim forçados a aceitar que as descrições que fazemos de objectos e de acontecimentos reais não são a verdade, não se diz tudo, não é possível dizer tudo. O que Bernhard descreve em Autobiografia “é a verdade e, no entanto, não é a verdade, porque nada escrito pode ser a verdade”. Para o germa-


artes, letras e ideias 13

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Ao escolher a autobiografia como material de ficção Bernhard coloca-se no centro da sua arte. Para a germanista Teresa Seruya “muita da literatura austríaca tem esse pendor auto-reflexivo muito marcado, lembre-se Hugo von Hofmannsthal e a sua Carta de Lord Chandos. Thomas Bernhard cultivou, revolucionou e elevou este traço à perfeição. Esta radicalidade estendeu-se à crítica política e social impiedosa, como nenhum outro autor do seu tempo”. Para Barrento, a obra do escritor é uma construção comparável à que já servia a Goethe para definir a forma, então nova, da “novela”: “a partir de um centro que é ‘um acontecimento insólito’ e obsessivo (ele próprio, Bernhard), vão-se desenvolvendo ondas concêntricas, semelhantes, mas de amplitude e intensidade diversas, num eterno ciclo da diferença na repetição. Ler Thomas Bernhard é descobrir esse núcleo central e seguir os círculos que dele nascem e constituem a matéria do romance – ou da autobiografia, que, deste ponto de vista, não é mais nem menos importante do que o romance propriamente dito.”

AS ORIGENS

nista João Barrento, a obra de Bernhard é inequivocamente “a sua vida genialmente transfigurada”, como o é também, lembra, em Maria Gabriela Llansol. “A ficção é autobiografia deslocada e amplificada, e a autobiografia é necessariamente ficcionada, isto é, transfigurada para servir quer os mitos pessoais do autor, quer a sua vontade de dar a ler a História na experiência subjectiva”, diz Barrento. “Esconde-se aqui um paradoxo central da escrita de Bernhard: o eu, empolado até ao limite do insuportavelmente reconhecível, é, afinal, o momento menos importante dessa escrita. É ela, a própria escrita, que verdadeiramente conta, na sua radicalidade e singularidade.” O biográfico enquanto material reinventado, em particular neste volume autobiográfico assumido como ficção, “é o equivalente do seu estilo enquanto linguagem redundante, que é espelho de uma ‘historicidade imanente’, como Adorno dizia de Samuel Beckett.”

As recordações estão sempre presentes em Bernhard como uma chaga. A memória parece ser como uma doença mortal, uma omnipresença maligna que o “condena para sempre à extinção e à infâmia”. O autor é refém de um passado doloroso que nunca conseguiu abandonar. Há coisas que se tornam graves mesmo quando não pensamos nelas. Cicatrizes que num momento se transformam em chagas. Todo o radicalismo violento que o caracteriza foi fruto de uma dura experiência vivencial que teve início com o nascimento num asilo para “raparigas perdidas”, em Heerlen, Holanda, para onde a mãe se mudara para trabalhar como empregada doméstica e dar à luz um “filho ilegítimo”. O facto de o pai nunca o ter reconhecido, e de a mãe o tratar com desprezo – como um empecilho que lhe estragara a vida – marca-lhe toda a obra. Em Uma Criança, o último dos cinco romances de Autobiografia, refere-se por várias vezes à relação com a mãe (que apenas se tornaria afectuosa um ano antes de ela morrer, tinha ele 18 anos). O facto de a mãe ter sido “vítima de um vigarista”, e de ele ter nascido, alterando para sempre a vida da progenitora, pesava sempre entre os dois. “Com palavras infernais ela atingia o seu objectivo de ter sossego, mas, por outro lado, lançava-me sempre no mais horroroso de todos os abismos, do qual a vida inteira nunca mais saí. Tu eras só o que me faltava! Tu és a minha morte! Ainda hoje nos sonhos isso me martiriza. Ela não tinha conhecimento desse efeito devastador. E tinha de desabafar. O filho

era um monstro, que ela não suportava, uma criança cheia de artimanhas, uma criança do demónio. Ela nunca foi capaz de compreender o meu vício mórbido das sensações.” (pág. 461) Desta relação tumultuosa com a mãe, e de um pai que não o reconheceu como filho (só anos mais tarde e apenas por via judicial), resultaram outros factos que o levaram a ter problemas de incontinência e a ser humilhado no “inferno da escola” (e também em casa – a mãe pendurava no estendal o lençol manchado da cama) e que o levaram (com a idade de nove ou dez anos) a passar uns tempos internado numa instituição nacional-socialista, “um lar para crianças de educação difícil”, longe de casa, na Turíngia. O tradutor Palma Caetano não concorda com a ideia de a obra do autor dar grande importância às “origens”. Prefere salientar “a sua visão do mundo, uma visão crítica da banalidade e da incoerência do ser humano, e a procura dos sentimentos que dominam o homem e fazem muitas vezes da realidade um absurdo revoltante e insuportável”. Já para Barrento as “origens” são importantes “porque é o regresso a elas, sob a forma de ficção, que melhor lhe permite compreender o mundo, igual na sua essência ontem como hoje, já que, como lemos em A Cave – uma retirada [segundo romance de Autobiografia], é pela encenação literária das origens próprias que melhor se pode realizar um dos pressupostos centrais desta obra: a ideia de que ‘o importante, afinal, é o conteúdo de verdade da mentira’. Como o próprio Bernhard escreve num dos seus romances (Betão), andamos sempre ‘às voltas com os mortos’. O que quer dizer que somos reféns de passados, o próprio e os alheios.” Já quanto ao tema freudiano da “morte do pai”, Barrento é da opinião de que no caso de Bernhard ele se desloca para um espaço mais amplo, o de todos os grandes pais (e mães) que moldam e condicionam o Homem: “na Autobiografia, esse ‘pai’ odiado é o próprio Estado (o nazi e o austríaco anexado e todos os outros), origem de todos os males, pessoais e históricos. É este composto explosivo de ressentimento e exclusão, de abandono e opressão, que alimenta toda essa narrativa das origens que é a Autobiografia (nisto idêntica a muitas outras obras do autor), estruturada em cinco partes que trazem nomes que são ao mesmo tempo ‘alusão’ a uma ‘causa’ (‘raiz’? ‘origem’?) de onde tudo nasce (a Guerra e o que se lhe segue, e esse lugar real-simbólico da morte, de seu nome Salzburgo), um ‘isolamento’ e uma ‘retirada’, até à ‘decisão’ de pôr meia vida em escrita”.

SALZBURGO

Num pequeno lugar na Baviera, um rapaz com oito anos monta uma velha bicicle-

ta militar, pertença do seu tutor (que na altura estava com o exército alemão a invadir a Polónia), dá umas voltas na praça central e, de um momento para o outro, decide ir visitar uma tia que vivia perto de Salzburgo, a dezenas de quilómetros de distância. Uma “tentação que só podia ter um fim extremamente horrível”, recordará ele anos depois em Uma Criança. Atravessou alguns lugares com o maior dos entusiasmos, o caminho alongava-se, mas de repente a corrente partiu-se e enrolou-se de maneira impiedosa nos raios da roda de trás. Começou a escurecer e um temporal ameaçava transformar a região num inferno. Sentiu que a chuva lhe levava tudo, mesmo os sapatos, deixando-lhe apenas a miséria. Umas horas depois encontrou uma hospedaria, pediu ajuda e dois rapazes prometeram levá-lo a casa depois da meia-noite. Teve medo da reacção da mãe e não entrou. Caminhou na noite mais uns quilómetros até à casa do avô (o escritor Johannes Freumbichler), que ele “amava mais do que tudo no mundo”, porque só ele o compreenderia. Esta história é uma das mais antigas lembranças que Bernhard associa à cidade de Salzburgo, esse lugar simbólico da “morte espiritual” e que se tornará na sua obra uma estranha espécie de Gólgota, um calvário da morte mas também de redenção, num claro sentimento de amor-ódio. “A cidade onde eu cresci é na realidade uma doença mortal, na qual os seus habitantes nascem e vão viver, se não a abandonarem no momento decisivo, ou cometem, directa ou indirectamente (…) súbito suicídio ou são aniquilados, directa ou indirectamente, de forma miserável, neste solo de morte arquitectónico-arquiepiscopal-estúpido-nacional-socialista-católico, no fundo inteiramente inimigo das pessoas. A cidade é, para aquele que a conhece e aos seus habitantes, um cemitério de fantasias e desejos, belo à superfície, mas sob essa superfície efectivamente horroroso.” (pág. 24) Para o germanista João Barrento, Bernhard é o perfeito relativista de uma ironia dissolvente que não poupa nada nem ninguém, a começar por si próprio, ao ver-se como exímio autor de “fracassos de escrita”. “O grande paradoxo desta escrita que parece estar sempre de dedo em riste, é que ela não se faz a partir de um ‘lugar de sentido’ claro e unívoco, muito menos com pretensões de validade universal.” Depois do escândalo provocado em 1972 pela representação da sua peça O Ignorante e o Louco no festival de teatro de Salzburgo, ao mesmo tempo que sentia ser uma falsidade o que o dramaturgo alemão Carl Zuckmayer (1896-1977) dis(Continua na página seguinte)


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h

sera em Henndorfer Pastorale sobre a sua infância, Thomas Bernhard decidiu escrever sobre esse período marcante da sua vida. Foi a maneira como em Salzburgo fora então tratado que o motivou a começar esse projecto autobiográfico com uma diatribe contra a cidade e os seus habitantes. Salzburgo é a cidade para onde fora enviado aos treze anos pela mãe e pelo avô para estudar num internato nacional-socialista, e onde desde os primeiros dias a “ideia de suicídio lhe andou na cabeça”, sobretudo quando se fechava para estudar violino (esse “precioso instrumento de melancolia”) no escuro “compartimento do calçado”. A sensação de abandono, o sentimento de ter sido enjeitado pela mãe e pelo avô e entregue à disciplina estatal, no “ambiente brutal, rigoroso e infame” do internato, tirou-lhe o sono e o repouso durante meses. Nesse escuro “compartimento do calçado” fez ele várias tentativas para se suicidar mas nunca as levou “demasiado longe”. Foi enquanto aluno desse internato que viveu esse “tempo horrível” dos bombardeamentos aéreos a Salzburgo e se refugiou com os outros alunos nos abrigos insalubres onde as pessoas morriam de asfixia e de medo. Passada a guerra voltou ao mesmo internato, agora já não nacional-socialista mas católico. A “chamada sala de dia” tinha sido transformada em capela, e a fotografia de Hitler fora substituída pelo crucifixo, tudo o resto continuava igual. Esta aparente ligação entre nacional-socialismo e catolicismo, de que Bernhard acusa a mentalidade austríaca, marca muitas das suas obras, e afirma: “tanto o nacional-socialismo como o catolicismo são

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doenças contagiosas, doenças mentais e nada mais do que isso”. Para Bernhard, com o seu habitual exagero, o liceu nada mais era do que “uma instituição de aniquilamento do espírito”. E por isso uma manhã, em vez de ir para o liceu foi “na direcção oposta”, para o serviço de emprego, onde lhe arranjaram um lugar num estabelecimento de géneros alimentícios no “horroroso” bairro de Scherzhauserfeld, como conta em A Cave – uma retirada. É lá que adoece com uma pleurisia purulenta que o leva ao internamento hospitalar, onde chega a estar na enfermaria dos moribundos, experiência que conta em A Respiração – uma decisão (terceiro livro de Autobiografia). No livro seguinte, O Frio – um isolamento, narra a sua estada de recuperação no sanatório de Grafenhof, de onde saiu um mês antes de completar 20 anos. Foram muitos os escândalos que provocou na Áustria, quer com a publicação de alguns livros, quer com discursos de “agradecimento” aquando da atribuição de prémios, autênticas diatribes contra a Áustria e os austríacos. Chegou a deixar lavrada em testamento a proibição da publicação e representação das suas peças em território austríaco até que caíssem no domínio público. Mas aos poucos foi passando de “escritor maldito” e controverso a escritor “nacional austríaco” (expressão que odiaria). Hoje

a sua obra é “vista na Áustria como uma expressão literária do mais alto nível” – quem o afirma é o tradutor Palma Caetano, que vive em Viena. “Verificou-se realmente uma mudança de atitude após a morte de Bernhard, mudança que não foi súbita, mas que hoje é evidente. E pode-se dizer que só os velhos conservadores ignorantes mantêm ainda talvez alguma aversão ao escritor.”

A MÚSICA

Para Bernhard, escrever é como compor música, criar uma estrutura musical em que as sucessivas repetições de palavras e variações de expressões funcionam como temas e trechos. Ele próprio declarou: ”Eu sou realmente uma pessoa musical. E escrever prosa tem sempre a ver com musicalidade.” Para o tradutor Palma Caetano, os textos trazem sempre essa dificuldade acrescida, uma tarefa complicada e por vezes mesmo desesperante, pois “o texto é como uma partitura em que as notas são naturalmente os sons da língua alemã. Mas esses sons são símbolos que formam uma ‘estrutura semântica’, isto é, que se articulam num significado bem definido, que produzem uma história. Traduzir esse texto será, portanto, criar uma outra partitura com as ‘notas’ da língua de chegada, mas em que a ‘estrutura semântica’ se aproxime o mais possível da da língua de partida.” Mas as dificuldades de tradução não se ficam por aqui: “as repetições, as tautologias, as redundâncias, a imagética, em especial as metáforas, os jogos de palavras, a criação de novas formas vocabulares, em especial palavras compostas (um processo fácil no alemão, mas em geral muito difícil ou impossível no português) e mesmo o tipo de linguagem, nuns casos violenta e agressiva e noutros repleta de sensibilidade e poesia, e, por outro lado, os períodos por vezes extremamente longos (em Correcção [Fim de Século, 2007] chegam a atingir três pági-

nas), os tempos dos verbos, que Bernhard emprega de uma forma muito própria, o uso frequente do particípio substantivado (sem correspondência no português), as súbitas mudanças de perspectiva do narrador.” Thomas Bernhard fez estudos de canto, violino e musicologia, e como um músico entregava-se à minúcia da escrita com claros propósitos estilísticos, como se se transformasse em instrumento para repetir uma palavra as vezes que fossem necessárias para “lacerar o mundo”, que achava insofrível. O músico António Pinho Vargas compôs em 2009 uma peça intitulada Um discurso de Thomas Bernhard para narrador e orquestra, que foi apresentada num festival austríaco, baseado num famoso “discurso de agradecimento” na entrega de um prémio. Para Vargas as repetições de Bernhard, como as da poesia de Paul Celan, correspondem a uma das ideias básicas da música, repetir entidades temáticas e trabalhar esses materiais. “Trata-se de um jogo com a memória. Nesse sentido a identificação dos elementos e o pouco tempo disponível que o público – e o leitor – dispõe, quando não há gravações, torna esse factor decisivo no acto de compor: apresentar à percepção com a máxima clareza o jogo entre os vários elementos.” A germanista Teresa Seruya confessa que a fonte do fascínio que tem por Bernhard é a revolução que ele provocou com a desconstrução radical da narrativa, da sua artificialidade exposta, da auto-reflexão quanto à própria arte de narrar. “A estrutura progressiva de um princípio, meio e fim, é agora substituída pela repetição, frases enroladas umas nas outras, cascatas de pensamentos, associação de ideias, citação de outros, sugerindo que o cérebro e o pensamento são imparáveis na sua dinâmica, mas não num sentido de progressividade e novidade, antes recorrendo ao princípio da repetição que, tal como o mar, o fogo ou a música de Bach nunca é repetitiva porque, de frase para frase, há sempre uma alteração.” Ler Thomas Bernhard hoje, a esta distância, continua a levantar-nos questões, pois o mais importante na sua obra não é o próprio nem a Áustria, mas a genialidade da sua linguagem límpida “que engole o outro, o social, a História, para o vomitar no papel, que destila veneno sobre o mundo, mas mais não pretende do que, à maneira de Samuel Beckett e do seu “realismo” também agónico, ler o mundo a partir do seu centro”, diz João Barrento. “Em Bernhard, como em Beckett ou ainda em Llansol, do tecido subjectivo, objectivado e obsessivo do texto evolam-se os vapores da grande História do século e do mundo.”


artes, letras e ideias 15

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Alexandra Prado Coelho

IN ÍPSILON

A

S bicicletas são coisa de raparigas – este poderia ser outro título para O Sonho de Wadjda, da realizadora saudita Haifaa al Mansour. Wadjda, a rapariga que dá nome ao filme, está a viver aqueles que, para quem nasce mulher na Arábia Saudita, podem ser os últimos dias de liberdade, os últimos em que pode andar na rua de cabeça descoberta, e falar com o seu amigo Abdullah. E o desejo de liberdade de Wadjda tem uma forma muito concreta: uma bicicleta. Bicicletas não são coisa de raparigas, dizem-lhe. Mas ela não pensa assim. Poderá um concurso de recitação do Corão ajudá-la? O filme é também a história da mãe de Wadjda, do seu esforço para viver numa sociedade que impõe às mulheres inúmeras restrições – sobretudo na liberdade de movimentos –, das desgastantes negociações com o motorista que a transporta para o trabalho, e do drama de não conseguir ter o filho que o marido quer (e que a sociedade os pressiona para terem). O que mais nos surpreende em O Sonho de Wadjda é ter sido possível fazer um filme como este na Arábia Saudita. “Também fiquei surpreendida por o ter conseguido fazer”, confessa Haifaa al Mansour ao Ípsilon, numa conversa telefónica. “Mas a Arábia Saudita está a atravessar grandes mudanças, há muita coisa a acontecer sob a superfície, e há neste momento uma maior abertura em relação aos direitos das mulheres e à arte”.

DO INTERIOR DE UMA CARRINHA

E, no entanto, filmar continua a ser uma aventura. “Para mim o mais difícil foi mesmo conseguir fazer as filmagens na rua. Não foi um problema de autorização, porque tínhamos as autorizações. É um país em que há televisão e onde costuma haver filmagens para a televisão. Mas foi difícil lidar com a cultura conservadora que não compreende o cinema”. Haifaa arranjou uma solução para evitar problemas, sobretudo nos bairros mais conservadores, onde eram olhados com desconfiança: dirigia as filmagens, falando com os actores por walkie-talkie, a partir do interior de uma carrinha. “A Arábia Saudita é um país conservador e eu continuo a ser cuidadosa com o que digo e o que não digo, preocupo-me em respeitar a cultura, embora, ao mesmo tempo, como cineasta queira ter uma voz sobre o mundo”, explica. Não quer provocar, e é por isso que não vai para o meio da rua dirigir filmagens. “Nos bairros mais conservadores é complicado as pessoas aceitarem a presença de câmaras, não compreendem o que é o cinema”. Mas o caminho não é o do confronto directo, acredita. “Não quis transformar isto num protes-

COMO SE FAZ UM FILME SEM SAIR À RUA

to. É muito importante respeitar as leis e trabalhar dentro delas para conseguir que as coisas mudem”. Com essa atitude conseguiu terminar o filme que, diz, espera que “sirva para que as pessoas percebam melhor o que se passa na cabeça de muitas raparigas e compreendam os seus desejos e sonhos de ter uma vida normal”. E uma rapariga com o espírito rebelde de Wadjda e um olhar crítico sobre a sociedade (personagem inspirada pela sobrinha da realizadora), que futuro tem na Arábia Saudita de hoje? Será vencida e acabará por se transformar naquilo que se espera dela? Ou tem espaço para se manter fiel ao que é? “Creio que enfrentará muitos obstáculos. Não será um caminho fácil. Mas para ela e muitas raparigas da idade dela, é uma viagem de autodescoberta. As mulheres têm que acreditar nelas próprias, lutar pelos seus sonhos”. Mas, sublinha, “não lutar de uma forma zangada mas de forma assertiva e continuada, continuando sempre a forçar as fronteiras, os limites, e a avançar.” As pressões vêm de todos os lados. A família até pode ser relativamente liberal mas a escola é extremamente restritiva, sobretudo a pública. O filme mostra isso: professoras que advertem as alunas para que cubram os cabelos, que lhes ralham por falarem alto, lembrando que “a voz de uma mulher é a sua nudez”, raparigas de onze anos que mostram as fotos do casamento com um homem de vinte, ameaças de expulsão quando duas amigas apanhadas a pintar as unhas dos pés tentam esconder o que estavam a fazer e acabam sob suspeita de terem uma relação. “As escolas do governo são assim”, conta Haifaa. “Temos muito poucas escolas privadas, e as públicas são das organizações mais restritivas do reino, geralmente dirigidas por pessoas com uma interpretação muito conservadora da religião.” Muitas delas mulheres. “As

mulheres são o produto de um sistema social que as programa para pensar de determinada maneira, e muitas vezes são elas as guardiãs, as que querem manter as outras mulheres dentro do que consideram ser o certo, o que torna a sociedade pura. É uma situação triste, mas não podemos alterar isso.” O que Haifaa quer evitar é a ideia que a sociedade saudita se divide entre mulheres boas e homens maus. “Há homens extraordinários, como Abdullah [o amigo de Wadjda] ou o dono da loja de brinquedos [que vende a bicicleta], que, embora de uma forma não ostensiva, dão um grande apoio às mulheres”. E se esta é uma sociedade que pressiona as mulheres para que encaixem num determinado papel, a verdade é que faz exactamente o mesmo com os homens. “Simpatizo com a posição dos homens porque é difícil esse papel de guardião, de ter que controlar as mulheres quando elas são as mães, as filhas, as esposas, pessoas que eles amam e que têm que magoar. Não é uma situação fácil. Não é possível dizer que as mulheres são inocentes e que os homens são maus, é muito mais complicado do que isso. A única forma de construir uma relação saudável na sociedade é ir alargando um pouco esses limites, para que cada um possa ser quem realmente é.” A vantagem de um filme como O Sonho de Wadjda é ser feito por alguém que conhece profundamente, por dentro, a sociedade saudita. Só assim é possível mostrar algo de tão complexo como é a relação entre uma mulher e o seu motorista. Haifaa solta uma gargalhada. “Essa é uma das ironias da Arábia Saudita: as mulheres não podem estar com homens, mas podem andar num carro com um motorista que não é familiar delas, e isso é considerado mais seguro do que guiarem sozinhas. Tem a ver com a vontade de controlar a mobilidade delas, saber de onde vêm, para onde vão.” Com os motoristas estabelece-se então um jogo de poder. “A relação é muito engraçada porque elas acham que são as patroas, dado que pagam. Mas os motoristas sabem que elas não podem ir a lado nenhum sem eles, por isso, na prática são eles quem tem o poder. São como o Tom e Jerry, elas sempre atrasadas, eles sempre a discutir, ninguém sai vencedor”. Mas muita coisa tem vindo a mudar na Arábia Saudita – e é por isso tam-

bém que um filme como este é possível (não foi exibido no reino, porque não existem salas de cinema, mas foi visto em várias sessões privadas, e por muitos sauditas nos países vizinhos). Hoje, uma mulher que queira trabalhar tem mais alternativas. “Há mais incentivos para trabalharem em centros comerciais, por exemplo. Mas continua a haver resistência dos conservadores, que as pressionam para que tenham medo e não vão. É importante desafiar esses preconceitos. E isso já está a acontecer, há muitas raparigas que querem apenas ter uma vida normal e estão dispostas a enfrentar essas pressões. As mulheres já não se assustam tão facilmente.” O mundo começou a entrar pelo reino dentro, e isso faz muita diferença. “Cresci numa pequena cidade, onde só tinha um canal de televisão, que era o meu único acesso ao mundo exterior.” Apesar de os pais serem bastante liberais, Haifaa lembra-se de ser miúda e poder ir à loja, até ao dia em que, andava então na quarta classe, o pai lhe disse que já não podia sair à rua. “Senti-me confinada”. “Hoje os miúdos têm tanta coisa, a Internet, os satélites, viajam, têm iPads, acesso a informação, a tecnologia, estudam no Ocidente. Não é possível manter o país tão fechado e conservador como antes”. O espaço das ruas pode continuar vedado às mulheres (e mesmo os centros comerciais têm horários diferentes para os dois sexos), mas abriu-se um espaço virtual na Net “no qual homens e mulheres podem encontrar-se e trocar ideias”. “Não somos nós contra o mundo”, diz Haifaa, “somos nós a tornarmo-nos também parte do mundo”. Em 2005, quando começou a tentar fazer filmes, Haifaa recebia emails violentos e ameaçadores. Hoje isso praticamente já não acontece. O Sonho de Wadjda, uma co-produção Arábia Saudita/Alemanha, é o primeiro filme inteiramente rodado no reino. Foi aplaudido em festivais por todo o mundo, e chegou a ser seleccionado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, embora não tenha sido depois nomeado. Tal como Wadjda acredita que vai conseguir a sua bicicleta, Haifaa acreditou que ia fazer o seu filme. Mesmo que tivesse de o filmar escondida dentro de uma carrinha. Afinal, as bicicletas – tal como o cinema – são (também) coisa de raparigas.


DESPORTO

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FUTEBOL CASA DE PORTUGAL REFORÇA MEIO-CAMPO

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

V

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EIO para Macau para trabalhar nos bastidores de um novo projecto gastronómico, quis saciar a fome de bola e acabou por encontrar um clube que o acolheu de braços abertos. Marouan Madha é o novo reforço do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau. O médio marroquino, de 27 anos, pediu para treinar com a formação de matriz portuguesa e impressionou tanto Pelé que o jovem técnico são-tomense lhe abriu as portas do clube. Ainda incrédulo com a oportunidade que lhe foi concedida, o atleta magrebino promete dar o seu melhor para ajudar a Casa de Portugal a atingir o topo e a singrar na Liga de Elite. “ Esta oportunidade é algo bom para mim. Empenho-me muito no que faço e prometo dar o meu melhor, o meu coração pela Casa de Portugal. Quero trabalhar bem, quero jogar bem para que esta equipa possa atingir o topo dos topos”, sustenta o atleta Marouan Madha há muito

O cozinheiro Marouan Madha

que trocou as balizas pelos tachos e o relvado pela ervas aromáticas, mas nunca deixou morrer o bichinho do futebol. Formado nas escolas do Kawkab Marrakech, o médio marroquino nunca

jogou como profissional, mas atingiu alguma notoriedade na liga amadora dos Emirados Árabes Unidos. “Já joguei nos Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi. Para além disso joguei em Marrakech, no clube KACM Marrakech. Vim para cá e tive a oportunidade de treinar com a Casa de Portugal e com o treinador Pelé. Fiquei impressionado com a competitividade que aqui encontrei”, assume Marouan Madha. Para Pelé, a vinda de Marouan Madha para Macau foi uma bênção caída dos céus. O treinador da Casa de Portugal diz que o atleta marroquino vem suprir a lacuna aberta, há duas temporadas, pela saída de Cuco para o Benfica de Macau. O técnico sustenta que mais do que um reforço para a presente temporada, Marouan Madha é um trunfo para o assalto à Liga de Elite. “Desde que o Cuco se trans-

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 3/P/14 - Obra de Beneficiação e Ampliação do Posto de Saúde de Coloane 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16.

Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Largo do Presidente António Ramalho Eanes, em Coloane. Objecto da Empreitada: Para a Obra de Beneficiação e Ampliação do Posto de Saúde de Coloane. Prazo máximo de execução: 180 dias. Prazo de validade das proposta: o prazo de validade da proposta é de noventa dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução provisória: MOP 288 000,00 (Duzentas e oitenta e oito mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: dia 5 de Maio de 2014 (segunda-feira), até às 17:45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: sala do «Auditório» situada junto ao Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora: dia 7 de Maio de 2014 (quarta-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Visita às instalações : Largo do Presidente António Ramalho Eanes, em Coloane, no dia 2 de Abril de 2014 às 15:30 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local : Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar. Hora: horário de expediente (Das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: $514.60 (Quinhentas e catorze patacas e sessenta avos), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: Preço razoável

50%

Andamento da obra e prazo para execução da obra

18%

Plano de trabalhos

Experiência em construção Integridade e honestidade

17.

18% 10% 4%

Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar, a partir de 26 de Março de 2014 (quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 20 de Março de 2014

Director Lei Chin Ion

feriu, nunca mais tivemos um número 10. Este número 10 chegou, treinou com a equipa no último fim-de-semana e vi que ele tem todas as qualidades para ser uma mais-valia. Estou certo que ele nos vai ajudar. Além do mais, esta é uma contratação a pensar já na próxima época. Se tudo correr bem estaremos na Liga de Elite e o contributo dele será muito bem vindo”, sustenta Pelé. Com as lides do Campeonato de Futebol da II Divisão paradas, Marouan Madha deve estrear-se apenas em Abril com a camisola da equipa. A Casa de Portugal em Macau ocupa a liderança isolada da competição, numa altura em já foram disputadas oito jornadas da prova.

SPORTING DE MATOS DERROTADO

Na noite de quarta-feira, Marouan Madha foi um dos

poucos espectadores que presenciou ao vivo, nas bancadas do recinto desportivo do Colégio Dom Bosco, a estreia do Sporting de Matos na edição de 2014 da Liga Júnior, o campeonato de futebol da IV divisão. A equipa B da Casa de Portugal foi derrotada por quatro bolas a zero pelo Hang Sai, mas Pelé desvaloriza o desaire. “Os objectivos são os mesmos de sempre. É atingir pelo menos os oitavos-de-final da competição, ou os

quartos, como sucedeu há dois anos atrás. Este ano temos a equipa mais forte do que no ano passado e espero que os jogadores dêem boa conta de si. Depois é lutar jogo por jogo e procurar fazer por ter a sorte do nosso lado. Podemos ter o azar de passar e apanhar desde logo uma das equipas mais fortes e ficar pelo caminho. Se chegarmos aos oitavos ou aos quartos já será algo bom para estes jogadores”, defende o treinador são-tomense.

Vettel vence Laureus e bate Ronaldo

O alemão Sebastien Vettel, tetracampeão do mundo de Fórmula 1, venceu, esta quarta-feira, o prémio Laureus para o melhor desportista do ano. Vettel superou a concorrência de Cristiano Ronaldo (Real Madrid), o velocista jamaicano Usain Bolt, o basquetebolista norte-americano LeBron James, o atleta britânico Mo Farah e o tenista espanhol Rafael Nadal. Nos restantes prémios, de salientar que os alemães do Bayern receberam o prémio de melhor equipa do ano, tendo superado a selecção do Brasil de futebol, a selecção da Nova Zelândia de râguebi, os campeões da NBA Miami Heat, a ‘escuderia’ Red Bull da Fórmula 1 e os tenistas norte-americanos Bob e Mike Bryan.


FUTILIDADES

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NOAH SALA 1

NOAH [3D] [C]

Um filme de: Darren Aronofsky Com: Russell Crowe, Anthony Hopkins, Jennifer Connelly 14.15, 19.15

NOAH [C]

Um filme de: Darren Aronofsky Com: Russell Crowe, Anthony Hopkins, Jennifer Connelly 16.15, 21.45

SALA 2

HORSEPLAY [B]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Lee Chi Ngai Com: Tony Leung, Ekin Cheng, Kelly Chen, Eric Tang 14.30, 16.15, 21.30

KANO [B]

(FALADO EM JAPONÊS, HOKKIEN E HAKKA E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Chih-Hsiang Com: Masatoshi Nagase, Oosawa Takao, Togo Igawa 18.15 SALA 3

DIVERGENT [C]

Um filme de: Neil Burger Com: Shailene Woodley, Kate Winslet, Maggie Q, Zoe Kravitz 14.15, 16.45,21.30

NON-STOP [B]

Um filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson, Julianne Moore 19.30

Desumano

Massagista gasta fortuna para ficar parecida com boneca insuflável • Katella Dash nasceu homem. A sua primeira transformação foi a mudança de sexo, aos 23 anos. Mas a massagista de Minneapolis (EUA) não parou por aí. Ainda não estava satisfeita quando se via ao espelho. A americana de 38 anos já gastou cerca 717 mil patacas com cirurgias plásticas. O objectivo: ficar parecida com uma boneca insuflável. “Adoro ter uma aparência plástica. A maior parte das pessoas odeia a minha aparência radical, mas isso só me dá combustível para fazer mais”, disse Katella, em reportagem do “Mirror”.

Polícia interceptou cocaína dirigida ao Vaticano • O semanário “Bild am Sonntag” noticiou no passado domingo que agentes da alfândega no aeroporto de Leipzig (Alemanha) interceptaram uma carga de 337 gramas de cocaína dirigida ao Vaticano. O caso ocorreu em Janeiro. Segundo a publicação, a droga, originária da América do Sul, estava acondicionada em 14 preservativos, dentro de uma caixa com travesseiros. O destinatário era a agência de Correios do Vaticano. O Estado tem 800 habitantes. O reverendo Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, afirmou que a polícia da Santa Sé está a cooperar com autoridades alemães, mas até agora o receptor não foi identificado.

EH TORO LINDO!!! Uriel del Toro é mexicano e considerado “uno de los modelos más cotizados del México”, que é, como quem diz, que toda a gente o quer. Com apenas 18 anos, este modelo/cantor/actor inciou a sua carreira, que agora conta com as marcas Diesel, Armani, Levis, Calvin Klein e Pepe Jeans. Em 2008, foi considerado nas passarelas como o melhor modelo masculino.

fonte da inveja

Os verdadeiros seguidores de Derrida não têm por ele

deferência mas deferância.

João Corvo

A tecnologia tem o poder de nos aproximar, matar saudades de quem está longe, comunicar de forma mais fácil e com maior urgência. Mas, também vos torna – que eu sou gato – desumanos. Esta semana, infelizmente, foi finalmente descoberto o que aconteceu ao avião da Malaysia Airlines, que tinha desaparecido sem deixar rasto há mais de oito dias: o avião caiu no Oceano Índico, não há, segundo as notícias, sobreviventes. Se isto me deixou chocado, a forma como a companhia acabou com a especulação toda que se fez em torno do avião, ainda me deixou mais de pêlo eriçado. As famílias das vítimas foram avisadas por mensagem – sim, caros leitores, por SMS – que os seus entes queridos morreram e estavam algures no fundo do mar. Isto deixou-me perplexo. Depois de dias de agonia, sofrimento e falta de novidades, tudo isto acaba quando, finalmente, alguém se decide a enviarlhes uma mensagem com a notícia. Ora, onde está a humanidade e a compaixão dos responsáveis da companhia? Não há. Foi eliminada pela facilidade com que hoje lidamos com a tecnologia e pela vantagem que ela nos dá em tornar tudo mais rápido, sem termos que lidar com problemas. Não será isto desumano?


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hoje macau quinta-feira 27.3.2014


OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 27.3.2014

LEOCARDO

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bairro do oriente

Heavy mental

O

que é “heavy mental”? O cantor, actor, poeta, filósofo, agitador de massas e santo Manuel João Vieira definiu “heavy mental” como sendo “igual ao ‘heavy-metal’, só que mental”. Sendo “heavy” (pesado), e mental, causa uma sensação de peso na cabeça, impede ainda que as ideias fluam com a devida ligeireza, provoca um congestionamento no espírito que nos impede de cumprir por completo os exigentes parâmetros da modernidade, de olhar para a frente, de aceitar o outro. As notas que se tocam neste género que é o “heavy mental” são sempre as mesmas; é a banda que vai ao Domingo tocar no coreto da vila aquela música que já todos sabem de cor, e se ousam seguir uma pauta diferente, causam uma grande estranheza entre a sua audiência, que fica a perguntar: “o que é aquilo que eles estão a tocar?”. Se insistem arriscam-se a ver metade do seu público a ir embora. Se voltam ao mesmo tom de sempre, cessa de imediato o burburinho, e ficam todos a “abanar o capacete” ao som da mesma melodia de sempre. Em Macau, a grande maioria dos seus residentes é fã deste “heavy mental” – uns por opção, outros por ignorância, e outros ainda por adesão. É tão monótono que já nem dá...adiante. Aceitar certos tipos de comportamento, que em muitos casos são não mais do que uma conquista da modernidade sobre os rígidos constrangimentos do conservadorismo e dos cânones religiosos, é sempre um parto difícil. Por exemplo, e já que falamos de partos, a maternidade ou a paternidade fora do casamento são ainda consideradas tabu. A legislação de Macau protege os recém-nascidos – felizmente, diga-se de passagem – e obriga a que cada criança tenha um pai e uma mãe, independente de quem são ou de qual o seu estado civil. Apesar de não existir há várias décadas a condição de “bastardo”, é ainda com grande admiração que se fica a saber que fulano ou fulana foram pais, “sem terem casado”. Assisti pessoalmente a casos de pessoas que anunciaram terem sido pais, apesar de terem optado por ficar solteiras, e a reacção mais comum que encontraram foi: “então casaram e não disseram nada?”. É como se o casamento fosse uma espécie de licença para procriar. Uma vez assinado o papel no registo civil, ficam desbloqueados os órgãos de reprodução, e tudo lhes é permitido. É pena que existam tantas relações amorosas felizes que no fim se estragam com o casamento. E ainda falando de casamentos e derivados, no outro dia tive um conversa com

um colega, em que me lamentava pelo facto de muitas vezes certas demonstrações de afeição por colegas ou amigas do sexo oposto, mesmo que apenas completamente amigáveis, fossem mal interpretadas. Aí ele respondeu-me que “é assim mesmo, são as regras”, e quando retorqui que não existia nada de errado na amizade entre um homem e uma mulher, ele insistiu que “não, não, aqui é diferente”, com um ar muito sério. “Mesmo que ambos sejam casados com outras pessoas?” – rebati. “Sim, porque pode acontecer qualquer coisa”. Com que então “qualquer coisa”. Isto só me leva a entender que duas pessoas do sexo oposto, cada um deles comprometido com outras duas pessoas, que tenham uma conversa de dez minutos em que um deles ou ambos sorriam ou em que os olhares se eventualmente se cruzem, estão em pensar em adultério, fornicação, bacanais, rituais satânicos ou de adoração a Cali, deusa hindu da morte e da sexualidade. Quer dizer, e o burro sou eu? Mesmo assim é melhor anotar esta no meu bloco de

cartoon por Stephff

Outras manifestações de modernidade, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, são impensáveis nesta meca do “heavy mental”. Mesmo que as mentalidades fossem abertas, a política nunca nos deixaria dar esse passo sem a China o permitir, ou fazê-lo primeiro

notas e manual de sobrevivência: “mulheres e homens não podem ser amigos”. Isto já nem é “heavy mental” – é “trash mental”. Outras manifestações de modernidade, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, são impensáveis nesta Meca do “heavy mental”. Mesmo que as mentalidades fossem abertas, a política nunca nos deixaria dar esse passo sem a China o permitir, ou fazê-lo primeiro. Enquanto isso, vamos lá a ter juízo. Se Macau é, como alguns afirmam, a “Las Vegas da Ásia”, e se os americanos têm por hábito dizer “what happens in Vegas, stay in Vegas” – o que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas, em Macau temos uma variante desta máxima: “o que acontece em Macau...não aconteceu de todo”. Fecha-se os olhos e faz de conta que não está lá. Eles fizeram o quê? Eram casados? Então tudo bem. Ele era casado mas ela não? Mas ele pagou? Não faz mal; é tudo permitido. Menos o resto, que é mau. Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é “heavy-mental”.

O URSO

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@ hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 27.3.2014

IACM Alex Vong continua por mais três meses

Alex Vong vai continuar na presidência do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) por mais três meses. A nomeação de Vong foi ontem publicada em Boletim Oficial, mas já tem efeitos desde o dia 15 de Março. Alex Vong está a exercer o cargo de vice-presidente do IACM e substitui também o presidente suspenso do instituto, Raymond Tam, desde que este foi suspenso em Junho de 2013 por ser arguido num processo no âmbito do Caso das Campas, relacionado com a atribuição alegadamente ilegal de dez sepulturas perpétuas no cemitério de São Miguel Arcanjo. Alex Vong lidera o IACM em regime de exclusividade, pelo menos até acabar o processo que decorre actualmente no Tribunal Judicial de Base.

Direito Advogados de língua portuguesa reuniram em Lisboa

A União dos Advogados de Língua Portuguesa (UALP) realizou a sua assembleia-geral em Lisboa esta segunda-feira, tendo reunido com representantes da Ordem dos Advogados portuguesa. Segundo um comunicado, o encontro incidiu sobre os preparativos para o 3º Congresso Internacional dos Advogados de Língua Portuguesa, a realizar no próximo mês de Outubro no Brasil, cidade do Rio de Janeiro. No mesmo mês deverá acontecer a 25.ª Conferência Nacional dos Advogados Brasileiros. Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM) é também presidente da UALP.

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VINHOS EXPORTAÇÕES SOFREM QUEDA

A culpa é da inflação A

S exportações de vinho para Macau registaram uma quebra de 12% em 2013, uma ligeira melhoria face aos 29% registados em 2012. Segundo a Rádio Macau, também as vendas de vinho português para a RAEM desceram 12%, tendo os produtores portugueses exportado, em 2013, produtos no valor de 62 milhões de patacas, menos oito milhões do que em 2012 e 2011. Portugal mantém uma quota de mercado de 4%, sendo o quarto país do mundo que mais exporta para Macau. A França continua a ser líder, com uma quota de mercado de 77%. Pedro Lobo, da empresa Palatium Fine Wines, diz que a inflação é uma das razões para este decréscimo. “Quer na restauração, quer na hotelaria os preços têm subido, acompanhando a inflação, e isto faz com que os consumidores se retraíam no consumo. Não havendo consumo é natural que os importadores tenham maior cuidado nas encomendas que fazem.”

“Este ano senti uma queda acentuada no consumo em Macau, nomeadamente na restauração. Normalmente tinha encomendas semanais, e neste momento, passei ter a encomendas de restaurantes quinzenais e às vezes mensais. Há uma retracção bastante acentuada no consumo. E isso pode levar a que a hotelaria e a restauração repensem a maneira como fazem a

promoção do vinho e a maneira como as pessoas consomem.” Outras fontes do sector disseram à Rádio Macau que a existência de muitas marcas no mercado é outra das razões para a redução das exportações, para além da ausência de novos projectos na área do jogo. São os novos casinos que têm novos espaços de restauração, o que leva a mais compra de vinho.


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Hoje Macau 27 MAR 2014 #3059 by Jornal Hoje Macau - Issuu