MOP$10
SEXTA-FEIRA 27 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3924
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau
GCS
MEDLEY PHOTO
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
PALAVRAS PARA QUÊ?
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ANABELA CANAS
AUSCULTAÇÕES | GRANDE PLANO
IDEIAS DE VER A DEUS h ANABELA CANAS
DEIXEM-NOS TRABALHAR
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DEFICIÊNCIA | PÁGINA 7
Eles vêm aí GOVERNO COM PLANO PARA RECONHECIMENTO DAS CARTAS DE CONDUÇÃO DO INTERIOR DA CHINA. PÁGINA 8
2 grande plano
27.10.2017 sexta-feira
Além das associações, o Governo lembra que “tem estado a reunir impressões dos moradores”. O académico Larry So considera que o Chefe do Executivo tem ouvido todos os sectores. “Todas estas associações, nas suas diferentes categorias, incluindo os pró-democratas, são ouvidos. A Associação Novo Macau não foi, mas José Pereira Coutinho (na qualidade de presidente da ATFPM), foi”, exemplificou. O que falha é o facto das LAG já estarem, há muito, definidas, o que faz com que estes encontros acabem por não mudar o que já foi estabelecido, defendeu Larry So, que considera este processo uma espécie de “proforma”. “Vejo as coisas desta maneira: o que esteve a ser feito agora, durante este mês, é uma forma suplementar de ter acesso a estas opiniões. Neste momento as LAG já estão delineadas e mesmo escritas, e não é com o que
CORRER AS C PERÍODO DE AUSCULTAÇÕES CHEGOU AO FIM. SERÁ ESTE O MELHOR MODELO?
estão a ouvir agora que vão fazer alterações ao que já está estipulado”, acrescentou o académico. Isto porque “a recolha de opiniões para as LAG tem de estar feita muito antes desta altura, pelo menos alguns meses”, frisou. Para Larry So, “com esta recolha de opiniões o Governo está a vender a ideia de que está mais perto
MAIS DE DUAS MIL OPINIÕES
N
em só de associações se faz a recolha de opiniões para as LAG. Segundo um comunicado ontem difundido, o Governo terá recebido mais de duas mil opiniões entre os dias 11 e 25 de Outubro, pelo que o processo de recolha de opiniões “obteve resposta positiva por parte de todos os sectores da sociedade”. “Do rol de opiniões positivas apresentadas em relação ao Relatório das LAG, muitas incluem opiniões e sugestões que se centram na habitação, transporte, assistência médica, educação, segurança social e diversos tipos de medidas benéficas à população.”
da comunidade. Pode ter [as opiniões] em conta para o futuro, mas não para as LAG deste ano”. Jorge Fão, membro da direcção da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), que todos os anos é ouvida, acredita que estas reuniões não são uma mera formalidade. “Não é bem assim. No passado não tem sido assim. Algumas propostas feitas pela APOMAC foram atendidas. Podem não vir a ser atendidas as propostas de todos.”
COMO ESCOLHER?
Jorge Fão considera difícil definir que novas associações poderiam ser ouvidas. “Existem cerca de oito mil associações em Macau.
“Neste momento as LAG já estão delineadas e mesmo escritas, e não é com o que estão a ouvir agora que vão fazer alterações ao que já está estipulado.” LARRY SO ACADÉMICO HOJE MACAU
C
HAMA-SE Linhas de Acção Governativa (LAG) e não é mais do que o principal pacotes de medidas que o Governo se propõe implementar num ano, pelas cinco tutelas. Antes de anunciar o plano governativo, o Chefe do Executivo reúne-se com um grupo de associações, na sua maioria ligadas aos sectores mais tradicionais de Macau, sem esquecer as associações que representam os trabalhadores da Função Pública. As LAG para 2018 serão apresentadas no próximo dia 14 de Novembro e a ronda de auscultações terminou esta semana. Das inúmeras associações que existem em Macau, Chui Sai On optou por reunir-se com nove delas (ver texto secundário). O HM questionou o gabinete do Chefe do Executivo para saber se haverá margem de mudança relativamente ao modelo existente, com a inclusão de mais e novas entidades associativas. O Executivo considera, no entanto, que este processo de auscultação funciona e é abrangente. “No dia-a-dia o Chefe do Executivo e a sua equipa acolhem opiniões da sociedade como um todo, para além de um amplo leque de associações. O Governo da RAEM recolhe percepções do público normalmente, até mesmo fora de um calendário regular.”
LAG
GCS
Terminou esta semana a ronda de reuniões do Chefe do Executivo com associações para a preparação das Linhas de Acção Governativa para 2018. Analistas consideram que este modelo de auscultação de opiniões para a abordagem das principais políticas do território funciona, ainda que já quase tudo esteja definido à partida
Quais deveriam ser escutadas? É sempre uma questão discutível. É difícil fazer uma opção, agrada a uns e não agrada a outros. As associações que foram ouvidas já o foram no passado, e o Governo naturalmente entendeu que são as mais representativas para aquilo que deseja saber. Podem aparecer outras, mas essas vieram depois, porque aqui nascem associações como cogumelos.” O antigo deputado à Assembleia Legislativa considera até que a política de associativismo actualmente existente “limita, de alguma forma, a actuação do Governo”. “O facto de existirem muitas vozes a falar acaba por condicionar a acção do Governo. Não há uma
grande plano 3
sexta-feira 27.10.2017
CAPELINHAS
ASSOCIAÇÕES OUVIDAS União das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM, ou Kaifong) Associação Comercial de Macau (ACM) Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) Federação da Juventude da China (FJC) Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) Associação dos Técnicos de Administração Pública de Macau (ATAPM) Associação dos Trabalhadores de Origem Chinesa de Macau (ATFOPC) Associação Geral das Mulheres de Macau (AGM) Associação dos Aposentados, Reformas e Pensionistas de Macau (APOMAC) Paul Pun, secretário-geral da Caritas de Macau
O QUE FAZ FALTA • Aperfeiçoamento do sistema jurídico (UGAMM) • Facilitar as condições de deslocação dos cidadãos (UGAMM) • Resolver o problema das inundações e aperfeiçoamento do mecanismo de resposta a catástrofes (UGAMM) • Aceleramento dos trabalhos de ordenamento do terminal de autocarros das Portas do Cerco (UGAMM) • Ajustamento salarial dos trabalhadores da Função Pública (ATFPM, ATFPOC e ATAPM) • Criação de um prémio de excelência para os funcionários públicos que participaram nos trabalhos de socorro do tufão Hato (ATFPOC) • Reforço da formação de quadros bilingues (ATFPM) • Uniformização interna do regime do pessoal do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (ATFPM) • Criação de uma entidade de formação no seio da Administração pública (ATAPM) • Reforço do ensino de prevenção de catástrofes junto de escolas (APOMAC)
GABINETE DO CHEFE DO EXECUTIVO
regra que limite a criação de associações. Ninguém sabe se funcionam, se têm sede. Há muitas associações fantasma. Têm os seus interesses ou os interesses dos seus grupos. E pergunto: o Governo consegue satisfazer os interesses de toda a gente? Ponho um ponto de interrogação.”
Jorge Fão dá até o exemplo das associações de croupiers, que se formaram nos anos recentes e que têm sido socialmente, e até politicamente, activas, tendo algumas delas reunido pontualmente com Chui Sai On. “Vamos supor que as associações que já se formaram, ligadas aos croupiers, decidem fazer uma greve geral. O que vai acontecer? Vai derrubar o sector [do jogo]. A Lei Básica não proíbe manifestações e o exercício do direito à greve. Vamos imaginar que essas associações, movidas por interesses não sei de quem, [faziam essas exigências]. Poderia haver uma destruição das nossas receitas.” “Amanhã [o Chefe do Executivo] até pode enten-
“O facto de existirem muitas vozes a falar acaba por condicionar a acção do Governo. Não há uma regra que limite a criação de associações. Ninguém sabe se funcionam, se têm sede.” JORGE FÃO MEMBRO DA DIRECÇÃO DA APOMAC SOFIA MARGARIDA MOTA
“O Governo da RAEM recolhe percepções do público normalmente, até mesmo fora de um calendário regular.”
der que já não tem intenções de ouvir a APOMAC, por mim tudo bem. Só tenho de aceitar”, rematou Jorge Fão. Nestas reuniões o Chefe do Executivo faz-se sempre acompanhar, estando muitas vezes presente a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, ou a sua chefe de gabinete, O Lam. Mediante o assunto em causa, Chui Sai On é acompanhado por outros secretários. Os encontros decorrem à porta fechada e não são divulgados previamente junto da imprensa, existindo apenas um comunicado oficial sobre os assuntos debatidos nessas reuniões, divulgado posteriormente. Andreia Sofia Silva (com S.M.M.) andreia.silva@hojemacau.com.mo
• Revisão do regime de pensão de sobrevivência e elevação do montante da pensão de idosos (APOMAC) • Reforço do ensino da história e cultura (FJC) • Mais estágios e intercâmbios com base na cooperação entre o Governo e o grupo Alibaba (FJC) • Criação de subsídios a rendas de lojas (FJC) • Revogar as limitações de importação a motoristas profissionais (ACM) • Assegurar a sobrevivência das PME após o tufão (ACM) • Fiscalização do mercado dos trabalhadores domésticos, através de legislação, nomeadamente da definição das responsabilidades das agências de emprego (AGM) • Melhoria da rede de transportes urbano para facilitar a deslocação dos cidadãos (AGM) • Promoção de um sistema de partilha de transporte (Paul Pun)
4 política
27.10.2017 sexta-feira
GABINETES DE LIGAÇÃO DIRECTORES NO COMITÉ CENTRAL PODE INDICAR APERTO A HONG KONG
autocontrolo, mas em termos económicos Macau pode precisar de ajuda, incentivo e direcção do Governo Central”. António Katchi entende que o controlo do PCC sobre as regiões administrativas especiais “já é imenso e salta à vista desarmada a submissão dos seus governantes à casta dirigente do PCC”. Por outro lado, o jurista acha que “os Governos de Macau e de Hong Kong não aproveitam plenamente a margem de autonomia que as Leis Básicas lhes concedem”.
Pequim aqui tão perto
Com a entrada dos directores dos Gabinetes de Ligação de Macau e Hong Kong para o Comité Central do Partido Comunista Chinês a atenção de Pequim sobre as duas regiões especiais vai aumentar. Por cá, prevê-se que se intensifique o controlo económico, enquanto que na região vizinha o foco será político
PERÍODO DE TRANSIÇÃO NICOLAS ASFOURI/GETTY IMAGES
A
deputada ligada à Federação das Associações dos Moradores de Macau (FAOM), Ella Lei, exige que o Governo tome medidas activas de combate aos condutores não-residentes de veículos pesados que abusam do sistema de licenças especiais. É este o conteúdo de uma interpelação escrita enviada ao Executivo pela deputada. No documento a legisladora justifica que devido a “normas ambíguas” e falta de um mecanismo de acompanhamento das licenças especiais, que nunca foi instituído, os condutores
antigo director do organismo do território vizinho. Os vários analistas da região compreendem esta medida como uma forma de aproximação de Pequim numa perspectiva de desenvolvimento da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau. Para Larry So a entrada dos directores no seio do partido tem duas vertentes diferentes para as duas regiões, mas trará uma realidade conjunta: “haverá mais direc-
tivas concretas a vir directamente do Governo Central”. Porém, o académico entende que em Hong Kong, devido ao maior potencial de turbulência política, Pequim terá
António Katchi entende que o controlo do PCC sobre as regiões administrativas especiais “já é imenso e salta à vista desarmada a submissão dos seus governantes à casta dirigente do PCC”
Sinal vermelho
Ella Lei queixa-se de falta de acção contra condutores ilegais
não-residentes acabam por prestar serviços de forma ilegal no território. “De acordo com a lei, os não-residentes não podem trabalhar como motoristas em Macau. Contudo, devido a várias falhas na lei e uma supervisão deficiente, os condutores não-residentes abusam do sistema de licenças especiais”, começa por apontar Ella Lei.
“Será que a administração já tomou medidas claras para que não haja abusos nas licenças especiais?”, questiona a deputada
CASO ÚNICO
um controlo de natureza ideológica mais apertado. Larry So acha que por cá “não há esse problema, uma vez que o território já tem um grande
Informa também Ella Lei, que em resposta a uma interpelação anterior, a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) revelou que en-
tre Janeiro e Julho foram conduzidas 327 operações de inspecção a condutores de veículos pesados. Essas operações resultaram na detenção de um trabalhador ilegal e na detecção de 35 infracções. Porém, os números não convenceram a deputada, que refere que estes dados não reflectem a realidade do território. Na interpelação, Ella Lei questiona também quando é que o Governo vai fazer uma revisão da lei que define as autorizações especiais para condução de veículos pesados por parte de não-residentes e
SOFIA MARGARIDA MOTA
O
anúncio no final do Congresso do Partido Comunista Central (PCC) dos membros que vão integrar o Comité Central indica um fortalecimento dos elos entre Pequim e as regiões administrativas especiais. Entre os 204 membros vão estar os directores dos gabinetes de ligação do Governo Central de Macau e Hong Kong, Zheng Xiaosong e Wang Zhimin, assim como o
Teme-se que esta inclusão no Comité Central seja mais uma manifestação da erosão dos segundos sistemas. No entanto, Larry So acha que essa possibilidade só poderá acontecer “se algo de muito severo ocorrer, um acontecimento incontrolável como aconteceu com a questão da Catalunha”. Além disso, há um factor cultural a ter em conta neste aspecto: perder a face, ou manchar a reputação. “Em termos internacionais voltar atrás neste compromisso e encurtar o período de transição seria o equivalente a perder a face”, teoriza o académico. António Katchi vê a questão da perspectiva jurídica. “A China está internacionalmente vinculada a manter o estatuto de Hong Kong e de Macau como regiões administrativas especiais até ao último minuto dos dias 30 de Junho de 2047 e 19 de Dezembro de 2049”, comenta. A revogação unilateral dos acordos teria à luz do direito internacional licitude duvidosa. No entanto, o jurista não coloca as mãos no fogo, tanto mais que “a China não ratificou a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, a qual define em termos bastante limitativos as possibilidades de denúncia”. João Luz
info@hojemacau.com.mo
AL Lei sindical votada hoje na generalidade
recorda que a intenção de “aperfeiçoar” o estatuto foi anunciada há oito anos pelo Governo para combater a escalada deste fenómeno, mas que até agora a proposta ainda não foi apresentada.
Decorre hoje mais uma sessão plenária na Assembleia Legislativa que vai servir para apresentar e votar, na generalidade, o projecto de lei do deputado José Pereira Coutinho relativo à lei sindical. Na agenda está ainda incluída a apresentação e votação, também na generalidade, dos diplomas relativos ao novo estatuto dos militarizados e o “regime jurídico de garantias dos direitos e interesses dos idosos”. Este é o primeiro plenário em que serão votadas leis desde que os novos deputados tomaram posse após as eleições.
política 5
sexta-feira 27.10.2017
O deputado José Pereira Coutinho entregou duas cartas para que a terceira e a segunda comissão permanente da Assembleia Legislativa passem a ter reuniões abertas, uma hipótese já levantada pelo presidente Ho Iat Seng
H
Á muito que se fala na necessidade de tornar públicas as reuniões das comissões permanentes da Assembleia Legislativa (AL), além das informações que são transmitidas aos jornalistas no final de cada encontro. Depois do presidente do hemiciclo, Ho Iat Seng, ter dito que o fim das reuniões à porta fechada poderiam ser uma PUB
Não feches a porta Coutinho entrega cartas a exigir reuniões abertas das comissões
realidade, mediante a iniciativa dos presidentes das comissões, o deputado José Pereira Coutinho decidiu avançar. “Enviámos duas cartas para o presidente da segunda e terceira comissões permanentes (Chan Chak Mo e Wong In Fai) solicitando a abertura das comissões”, disse ontem o deputado, e membro da terceira comissão, à margem de uma conferência de imprensa. Coutinho garantiu que o facto de integrar apenas a terceira comissão não o impede de pedir a abertura de portas das reuniões da comissão presidida por Chan Chak Mo. “[Chan Chak Mo] Não recebeu nenhum pedido e decidi mandar [a carta]. Sendo a AL a casa do povo deve estar disponível para toda a população. Não tenho nenhum impedimento, em termos de Regimento, para fazer pedidos pelas comissões das quais não faço parte”, frisou. José Pereira Coutinho fez o mesmo pedido para a comissão
José Pereira Coutinho, deputado “Sendo a Assembleia Legislativa a casa do povo deve estar disponível para toda a população. Não tenho nenhum impedimento, em termos de Regimento, para fazer pedidos pelas comissões das quais não faço parte.”
de acompanhamento dos assuntos de administração pública, a que pertence, e que é presidida por Si Ka Lon.
“Sei que o deputado Si Ka Lon está aberto [a essa questão], mas vamos esperar”, acrescentou o deputado, cuja carta também faz
referência às reuniões da comissão de acompanhamento dos assuntos de finanças públicas.
APOIOS À LEI SINDICAL
É hoje apresentada, pela décima vez, a proposta de lei sindical no plenário da AL. José Pereira Coutinho mostra-se expectante quanto aos apoios que poderá obter. “Falei com os democratas, acho que vão votar a favor, e os chamados tradicionais também. Vamos ver qual será o comportamento dos chamados liberais, como Agnes Lam. Os deputados de Fujian não apoiam, vamos ver qual será a atitude dos nomeados. Veremos se são académicos ou se são apoiantes de determinados sectores”, adiantou. Coutinho assegurou ainda que “não gosta de perder tempo”. “Vamos ver se aquilo que disseram na campanha eleitoral corresponde à realidade”, frisou. O deputado deu ontem uma conferência de imprensa na qualidade de presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), onde anunciou que esta entidade vai estar representada no Congresso da Internacional dos Serviços Públicos (Public Services International). Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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27.10.2017 sexta-feira
Notificação n.º 004/SS/GPCT/2017
Notificação n.º 005/SS/GPCT/2017
Considerando que não é possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, via telefónica, nem por outro meio, nos termos do artigo 68.º, do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, bem como dos respectivos procedimentos sancionatórios regulados no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, de acordo com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, os infractores, constantes da tabela desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Em conformidade com o artigo 25.º da Lei n.º 5/2011 (Regime de prevenção e controlo do tabagismo), e tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas, a existência de culpa e não existência de qualquer circunstância agravante confirmada, o Director dos Serviços de Saúde determina que: 1. Foram aplicadas aos infractores, constantes da Tabela I em anexo, as multas previstas no artigo 23.º da Lei n.º 5/2011, no valor de 400 patacas (MOP 400,00) (cada infracção): Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no artigo 4.º, porquanto resultam da prática de actos de “fumar em locais proibidos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I) 2. Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios junto do autor do acto, no prazo de quinze (15) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos do artigo 145.º, do n.º 1 do artigo 148.º e do artigo 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido Código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo Código, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto, salvo disposição legal em contrário. 3. Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, junto do Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 27.º do referido Código. 4. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos das disposições do n.º 7 do artigo 29.º da Lei n.º 5/2011, os infractores deverão efectuar a liquidação das multas aplicadas, dentro do prazo de trinta (30) dias, a partir da data de publicação desta notificação, no Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, sito na Avenida da Amizade, N.o 918, “World Trade Center Building”, 15.o andar, Macau. Caso contrário, os Serviços de Saúde submeterão o processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para efeitos da cobrança coerciva, de acordo com o artigo 29.º do Decreto-Lei n.º 30/99/M e o artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M. 5. Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes da tabela anexa tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. 6. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 2855 6789 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo.
Considerando que não é possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, via telefónica, nem por outro meio, nos termos do artigo 68.º, do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, bem como dos respectivos procedimentos sancionatórios regulados no artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, de acordo com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, os infractores, constantes da tabela desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Em conformidade com o artigo 25.º da Lei n.º 5/2011 (Regime de prevenção e controlo do tabagismo), e tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas, a existência de culpa e não existência de qualquer circunstância agravante confirmada, o Director dos Serviços de Saúde determina que: 1. Foram aplicadas aos infractores, constantes da Tabela I em anexo, as multas previstas no artigo 23.º da Lei n.º 5/2011, no valor de 400 patacas (MOP 400,00) (cada infracção): Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no artigo 4.º, porquanto resultam da prática de actos de “fumar em locais proibidos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I) 2. Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios junto do autor do acto, no prazo de quinze (15) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos do artigo 145.º, do n.º 1 do artigo 148.º e do artigo 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido Código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo Código, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto, salvo disposição legal em contrário. 3. Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, junto do Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 27.º do referido Código. 4. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos das disposições do n.º 7 do artigo 29.º da Lei n.º 5/2011, os infractores deverão efectuar a liquidação das multas aplicadas, dentro do prazo de trinta (30) dias, a partir da data de publicação desta notificação, no Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, sito na Avenida da Amizade, N.o 918, “World Trade Center Building”, 15.o andar, Macau. Caso contrário, os Serviços de Saúde submeterão o processo à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para efeitos da cobrança coerciva, de acordo com o artigo 29.º do Decreto-Lei n.º 30/99/M e o artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M. 5. Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes da tabela anexa tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. 6. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 2855 6789 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo. 26 de 09 de 2017.
26 de 09 de 2017.
Tabela I
Tabela I
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 28 39
Nome
Sexo
ZHANG JIANWEI CHOI LO KEONG LUO CHAO LIU JUN LUO BAILIN XIE FEN LO NANG KIT LIU SIZE JIANG XIAOTING DU BAO YI CHEN ZHE HUANG XU LEI, MUI YANG MAOFA DENG JIAN FAN LINGHAI SI IOK CHUN LIANG JINKAI HUANG, ZHIJIAN YAU KWONG PANG PAN XIAO HUA XU GUOQIANG WANG YINGHUANG ZENG DECHENG HONG IOK KUN GAO GUOXIONG ZHANG XIAOBO WANG PING LU TUO CHEANG KAM WAN RONG MINSHENG KIM ROSE LYN WANG JINBAI PENG PINGJIAN LIANG HANG LI GUANG ZHI LIU CHAO ZHANG SHUANGYUE XU SHAOLIN
M M M M M F M M M M M M F M M M M M M M M M M M M M M M M M M F M M M M M M M
Nota﹕ (*1) (*2) (*3) (*4) (*5)
O Director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion
O Director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion
Tipo e n.º do documento de identificação
N.º da acusação
Data da infracção
(*2) (*1) (*2) (*2) (*3) (*2) (*1) (*2) (*2) (*3) (*2) (*2) (*1) (*3) (*2) (*3) (*1) (*2) (*3) (*4) (*3) (*3) (*3) (*3) (*1) (*2) (*3) (*2) (*3) (*1) (*2) (*5) (*3) (*2) (*3) (*2) (*2) (*3) (*2)
100064547 100265056 100314382 100314500 100382872 100382884 100314607 100314671 100314899 100315451 100315522 100315534 100314017 100315198 100315605 100315596 100382967 100510998 100508545 100383903 100460171 100466058 100466072 100312760 100383953 100312988 100269745 100466105 100160777 100377380 100313071 100313095 100313104 100313116 100313249 100464896 100464905 100465254 100465301
2016/01/23 2016/12/17 2017/01/01 2017/01/02 2017/01/04 2017/01/04 2017/01/05 2017/01/06 2017/01/12 2017/01/20 2017/01/22 2017/01/22 2017/01/24 2017/01/25 2017/01/25 2017/01/25 2017/01/27 2017/02/02 2017/02/05 2017/02/06 2017/02/07 2017/02/08 2017/02/10 2017/02/11 2017/02/17 2017/02/18 2017/02/22 2017/02/23 2017/02/24 2017/02/25 2017/02/25 2017/02/26 2017/02/26 2017/02/27 2017/03/03 2017/03/05 2017/03/05 2017/03/08 2017/03/09
W57548XXX 52014XX(X) C47413XXX W92169XXX E02298XXX C50742XXX 74085XX(X) W79409XXX W68870XXX G36381XXX C49730XXX W91482XXX 51934XX(X) E91386XXX W69870XXX G58488XXX 51140XX(X) C13008XXX E55456XXX E2943XX(X) E29255XXX G40590XXX G45880XXX E70012XXX 73830XX(X) C33444XXX E89900XXX W80996XXX G41760XXX 73546XX(X) C03944XXX MB530XXX E76328XXX C43200XXX E92918XXX C57386XXX C45584XXX G43547XXX C50249XXX
Data em que foram exarados os despachos de aplicação das multas 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26 2017/09/26
Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Macau Salvo-conduto de residente da República Popular da China para deslocação a Hong Kong e Macau Passaporte da República Popular da China Bilhete de Identidade da Região Administrativa Especial de Hong Kong Passaporte da República da União de Myanmar
Nome 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36
ZHANG GUOQIANG LIN WEI WEI CHAN KAM CHI PAN QINGCHU SUN JIANJUN OU, LIANBIN LIANG ZUOWEI LI YIJIE LIN SIRONG WU, HONGHUA KANG HUA KADEL KHATRI BINOD LIANG YONGGUANG ZHANG JINGUO HAN, ZECHOU WONG IONG PO 趙武 RAO TIANSHE CHEN FENGMING CHAN KENG WA DONG, XINGCHUN ZHAO, DAWANG HO, KIN LING YEUNG KAM MING MAI, QIXIANG BARREDO,NINO ESCOTO HON, HUNG KWONG TANG, YUET WO JI TENGFEI 曹楊 WU DA HENG ZHOU YUE QIU FU, HAIJIANG LIU, CHUNLI ZHOU GUANGAN PUREVSUREN MUNKHBAATAR
do documento de Sexo Tipo e n.º identificação M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M
N.º da acusação
100465349 (*3) G47103XXX (*3) E41388XXX 100465351 (*1) 50967XX(X) 100465460 (*3) E90073XXX 100492316 (*2) C40971XXX 100492354 (*3) E36456XXX 100011273 (*2) W66566XXX 100011285 (*3) E44831XXX 100465531 (*2) C56631XXX 100492124 (*3) E57026XXX 100449381 (*3) E03718XXX 100382666 (*8) 07169XXX 100383119 (*3) G50387XXX 100313948 (*3) E91015XXX 100383171 (*2) C06341XXX 100466418 (*1) 73293XX(X) 100466373 (*2) C56311XXX 100147268 (*3) E77726XXX 100466482 (*3) E03159XXX 100531451 (*1) 73855XX(X) 100466494 (*2) C59985XXX 100466515 (*2) C59987XXX 100466527 (*4) C4513XX(X) 100519374 (*4) H1520XX(X) 100495225 (*4) R4368XX(X) 100495213 (*6) 23410XXX 100377053 (*4) V0864XX(X) 100331324 (*4) C5196XX(X) 100537217 (*3) E06041XXX 100466565 (*5) 342901198608285XXX 100052952 (*2) C05786XXX 100205604 (*6) 23399XXX 100504579 (*2) C65376XXX 100466721 (*3) E68212XXX 100348187 (*7) T27925XXX 100466771 (*9) E1157XXX 100467044
Data em que foram Data da exarados os despachos infracção de aplicação das multas 2017/03/09 2017/09/26 2017/03/09 2017/09/26 2017/03/10 2017/09/26 2017/03/11 2017/09/26 2017/03/11 2017/09/26 2017/03/11 2017/09/26 2017/03/11 2017/09/26 2017/03/13 2017/09/26 2017/03/18 2017/09/26 2017/03/20 2017/09/26 2017/03/26 2017/09/26 2017/03/27 2017/09/26 2017/03/30 2017/09/26 2017/04/03 2017/09/26 2017/04/05 2017/09/26 2017/04/11 2017/09/26 2017/04/12 2017/09/26 2017/05/04 2017/09/26 2017/05/04 2017/09/26 2017/05/08 2017/09/26 2017/05/10 2017/09/26 2017/05/10 2017/09/26 2017/05/15 2017/09/26 2017/05/16 2017/09/26 2017/05/16 2017/09/26 2017/05/20 2017/09/26 2017/05/21 2017/09/26 2017/05/23 2017/09/26 2017/05/24 2017/09/26 2017/05/27 2017/09/26 2017/05/28 2017/09/26 2017/06/02 2017/09/26 2017/06/07 2017/09/26 2017/06/22 2017/09/26 2017/06/29 2017/09/26 2017/06/30 2017/09/26
Nota﹕ (*1) (*2) (*3) (*4) (*5) (*6) (*7) (*8) (*9)
Bilhete de Identidade de Residente da Região Administrativa Especial de Macau Salvo-conduto de residente da República Popular da China para deslocação a Hong Kong e Macau Passaporte da República Popular da China Bilhete de Identidade da Região Administrativa Especial de Hong Kong Bilhete de identidade de residente da República Popular da China Título de Identificação de Trabalhador Não-residente Salvo-conduto para a Deslocação à Região de Taiwan Passaporte da República Democrática Federal do Nepal Passaporte da Mongólia
política 7
sexta-feira 27.10.2017
Mais formação e interacção para portadores de deficiência é o pedido de Ho Ion Sang. O deputado considera que o Governo não tem investido esforços suficientes neste sector. Há acções oficiais a decorrer, que, contudo , não atingem objectivos reais. Ho Ion Sang quer ainda mais profissionais a prestar serviço no ensino especial
DEFICIÊNCIA HO ION SANG PEDE MEDIDAS EFICAZES DE INCLUSÃO
Trabalho adaptado
É PRECISO ACÇÃO
Para resolver a situação, o tribuno questiona o Executivo acerca das medidas concretas a desenvolver neste sector dado que se trata de uma questão, além de carácter social, de justiça. “A justiça na educação e no emprego é a base para garantir a plena participação das pessoas com deficiência na sociedade e capaz de promover os seus interesses vitais”, pelo que, questiona, se o Executivo tem na agenda algumas medidas políticas capazes de promover a formação e empregabilidade nesta faixa.
“Os problemas existentes em matéria de protecção e emprego das pessoas com deficiência são, sem dúvida, ignorados.”
O
deputado Ho Ion Sang pede mais integração laboral para os portadores de deficiência. A ideia é deixada em interpelação escrita onde o deputado acusa o Governo de não adoptar medidas efectivas para favorecer a integração de deficientes. Para o tribuno, “os problemas existentes em matéria de protecção e emprego das pessoas com deficiência são, sem dúvida, ignorados”, lê-se no documento. Mais grave é, considera, quando se trata de uma faixa que já representa cerca de dois por cento da população, sendo que os dados estatísticos apontam para a existência de mais de 11 mil casos no território. As políticas que têm sido adoptadas relativamente à integração dos deficientes não estão em consonância com o desenvolvimento económico local, que Macau “tem registado depois da transferência de administração”, refere. Ho Ion Sang lamenta que a situação dos portadores de deficiência seja “mais relevante que nunca”.
EMPREGO DIGNO
O emprego surge como o meio mais eficaz para garantir a integração. No entanto a contratação desta faixa da população que apresenta
deficientes. A razão aponta, é a falta de profissionais na área do ensino especial. Neste sentido, o deputado apela ao Executivo a um maior investimento para que possam ser contratados especialistas. “Além disso, a falta de formação profissional em Macau também afecta directamente a empregabilidade e a escolha profissional de pessoas com deficiência”, acrescenta.
HO ION SANG DEPUTADO
condições para trabalhar é ainda muito precária e os maiores problemas residem na instabilidade dos empregos e no facto de as suas funções serem “muito simples”. Com base nos dados estatísticos, e apesar das medidas que têm sido adoptadas, os números de trabalhadores portadores de deficiência, entre 2010 e 2016, indicavam a contratação de 288 pessoas. No que respeita aos programas de integração escolar, no ano passado o registo apontou apenas para 58 alunos que conseguiram emprego através do programa levado a cabo pelo Executivo. Os dados revelam que só metade dos alunos inscritos conseguiram ter trabalho através da iniciativa do Governo.
SERVIÇOS DESCOMPROMETIDOS
A função pública, enquanto uma das maiores entidades empregado-
ras locais deveria dar o exemplo, no entanto, diz Ho Ion Sang, “há cerca de 70 pessoas portadoras de deficiência nos serviços públicos o que representa 0,23 por cento dos funcionários”. Apesar de se tratar de uma população que apresenta limitações, esta
não pode ser uma justificação para a situação de precariedade local. As escolas devem ser o primeiro lugar onde a exclusão deve ser combatida. E o deputado manifesta o seu desagrado perante o facto de existirem ainda estabelecimentos de ensino a não acolherem mais
Por outro lado, para Ho Ion Sang, é ainda importante ter em conta questões particulares a este assunto. O deputado apela ainda a melhorias nas condições de mobilidade capazes de favorecer a deslocação para os locais de trabalho daqueles que sofrem de deficiência. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
Economia Lionel Leong na reunião Guangxi-Macau Decorreu ontem a reunião conjunta de cooperação Guangxi-Macau, que contou com a presença do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, e o vice-presidente da Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi, Zhang Xiaoqin. Segundo um comunicado oficial, “as duas partes reconheceram os progressos já conseguidos nos domínios prioritários da cooperação entre as duas jurisdições, pretendendo, através desta reunião, proceder a discussões sobre o aprofundamento contínuo da cooperação entre as duas regiões”. Foram discutidas possibilidades de cooperação em áreas como o turismo, o sector de convenções e exposições, cultura e protecção ambiental, entre outros.
8 sociedade
27.10.2017 sexta-feira
O Executivo está a negociar um plano de reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e o Interior da China, que vai permitir a todas as pessoas do Continente conduzirem no território
CONDUÇÃO GOVERNO QUER RECONHECER CARTAS DO CONTINENTE
TIAGO ALCÂNTARA
Livres de guiar
O número de pessoas que se propôs a exame de condução no Interior foi de seis mil, ou seja menos de um por cento da população
O
S cidadãos do Interior da China vão passar a ter a carta de condução para veículos ligeiros reconhecida em Macau, o que os vai habilitar a conduzir no território. É esta a intenção do Governo, que está a negociar com as autoridades do Continente um plano para o reconhecimento mútuo de cartas de condução. A medida vai igualmente ser aplicada aos residentes permanentes que queiram conduzir no outro lado da fronteira e foi anunciada, ontem, por Lam Hin San, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Trânsito, no final do Conselho Consultivo de Trânsito. De acordo com o director da DSAT, a medida visa ajudar os residentes de Macau que querem ter a sua carta reconhecida no Interior da China. O número de
pessoas que se propôs a exame de condução no Interior foi de seis mil, ou seja menos de um por cento da população. “Vai ser uma medida muito benéfica para os jovens de Macau que no futuro vão poder conduzir na zona da Grande Baía”, começou
PARQUES FECHAM COM SINAL N.º 3
O
s parques de estacionamento públicos subterrâneos vão passar a encerrar quando for içado o sinal número 3 de tufão ou for lançado o aviso de “storm surge” número dois. Segundo um estudo do Governo, existem 13 parques que podem ser afectados por tufão ou chuvas intensas, pelo que o Conselho Consultivo de Trânsito concorda que os espaços sejam encerrados para evitar que as pessoas fiquem presas. As instalações de retenção de águas destes parques vão igualmente ser aumentados até 1,5 metros. As obras de melhoria devem ficar concluídas até meados do próximo ano.
A
concessionária Sands China vai transformar o Sands Cotai Central num hotel inspirado em Londres, que vai ter como nome Londoner, ou seja Londrino, em português. A revelação foi feita na madrugada de ontem, com a apresentação dos resultados das empresa durante o terceiro trimestre. A empresa desvendou um plano para investir 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos na renovação de alguns dos espaços que
Por outro lado, Lam Hin San apontou o exemplo de Hong Kong, que já aplicou esta a medida há cerca de três anos: “Tomámos Hong Kong como referência e nos três anos e não vemos grandes problemas. Para nós este exemplo é a prova de que não vai haver problemas”, frisou.
por argumentar Lam Hin San. “As pessoas até vão poder conduzir em Pequim e Xangai”, acrescentou. O director da DSAT rejeitou ainda qualquer ameaça à segurança na estrada, pelo facto de haver mais pessoas do Interior a conduzir em Macau. Segundo o responsável, o Governo estima que os acidentes aumentem menos de um por cento: “Toda a gente ama a sua vida, ninguém é maluco!”, sublinhou sobre a cautela do Governo com as questões de segurança.
o aval à decisão. O responsável sublinhou ainda que os exames de condução no Interior estão cada vez mais rigorosos. “Os dois membros estão preocupados com o aumento do número de acidentes se vierem os residentes do Interior”, contou.
ARGUMENTOS NÃO CONVENCEM
No entanto, o argumento não convenceu dois dos membros do Conselho Consultivo de Trânsito, que recusaram, por agora, dar
Londrino em Macau
Atracções inglesas vão inspirar renovação de Sands Cotai Central
controla em Macau, nos próximos três anos. Desse valor, cerca de 700 milhões vão ser utilizados na criação do Londoner. A concessionária aposta em desenvolver mais um hotel inspirado em cidades europeias, depois de já ter construído o Venetian e o Parisian, à imagem de Veneza e Paris.
“Com três hotéis icónicos inspirados em destinos turísticos europeus vamos reforçar o nosso serviços aos clientes e a capacidade de promoção ao nível de marketing. Acreditamos que desta forma nos vamos posicionar para crescer mais depressa do que o mercado em Macau”, afirmou Sheldon Adelson, presidente da empresa.
Entre o investimento de 1,1 milhões consta igualmente um plano para expandir o Hotel Four Seasons com a criação de mais 295 quartos de hotel, numa torre separada. Esta operação terá um custo aproximado de 250 milhões de dólares. Segundo as informações avançadas na apresentação dos resultados por
A medida não se aplica a cartas para veículos pesados nem vai permitir a entrada de carros do Interior da China, sem matrícula dupla, em Macau. Por agora, os pormenores sobre as formalidades são escassos, uma vez que, explicou Lam Hin San, as negociações com as autoridades do Interior ainda estão a decorrer. Também ontem no Conselho Consultivo de Trânsito foi discutida a introdução de um mecanismo nos autocarros que vai permitir contar o número de pessoas dentro dos veículos. O objectivo da proposta passa por ajudar o Governo a perceber se é necessário reforçar as rotas. Ao mesmo tempo, as pessoas também vão ter acesso à informação, através dos dispositivos móveis, para saberem se o autocarro que querem apanhar está cheio. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
CONDUTOR PÁRA E ATACA CARRO
U
m condutor parou o carro bruscamente em cima de uma passadeira e atirou-se, a pé juntos, contra o capot de outra viatura, na zona do Patane. O caso foi revelado ontem nas redes sociais, através de um vídeo captado pela pessoa que conduzia a viatura atacada. Depois do ataque, o agressor deslocou-se aos gritos para a porta do condutor da viatura atacada, altura em que o vídeo acaba. Segundo a data que consta nas imagens, o caso terá acontecido ontem de manhã, por volta das 8h00.
Sheldon Adelson, as obras vão começar no segundo trimestre do próximo ano e vão durar entre um ano e meio e dois anos para serem finalizadas.
LUCROS A SUBIR
Em relação aos lucros no terceiro trimestre do ano, a Sands China, empresa detém a licença de jogo para Macau, viu os lucros crescerem 24,4 por cento para os 403 milhões de dólares-norte americanos. Um valor que tinha sido
de 324 milhões no mesmo período do ano passado. No comunicado de ontem à Bolsa de Hong Kong, Sheldon Adelson definiu o trimestre entre Julho e Setembro deste ano como o melhor desde 2014. O magnata do jogo de 84 anos explicou igualmente que face ao ano passado número de visitantes aos hotéis e casinos da operadora cresceu 26 por cento. J.S.F.
sociedade 9
sexta-feira 27.10.2017
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Dinheiro criativo Mais de metade das empresas financiadas pelo FIC sem lucros
M
AIS de 60 por cento dos projectos financiados pelo Fundo das Indústrias Criativas (FIC) ainda não está a obter lucros. A informação foi deixada ontem por um membro do fundo, Davina Chu num encontro com a comunicação social. “Neste momento só temos os relatórios de 70 projectos e destes mais de 60 por cento mostram que as empresas não têm tido lucros”, afirmou a responsável. São 70 empresas ligadas às indústrias criativas, de entre os 133 projectos, que receberam financiamento desde 2013 do fundo criado para ajudar no desenvolvimento das indústrias culturais, de acordo com a política ligada à diversificação da economia. A justificação para a falta de lucros dada por Davina Chu tem que ver com o facto de as empresas terem iniciado a actividade ainda “há pouco tempo”. Os projectos que já apresentam resultados positivos são aqueles que “iniciaram actividade há mais tempo, por exemplo há dois anos, ou que já estavam activos antes mesmo de pedir apoio ao FIC”, referiu.
APOIOS AOS MILHÕES
De Janeiro a Outubro deste ano, o FIC avaliou um total de 62 projectos candidatos a financiamento em que 53 foram aprovados, obtendo, no total, um apoio de 124 milhões de patacas. Deste montante, 76 milhões foram concedidos enquanto sub-
sídio a fundo perdido e 47 milhões como empréstimos sem juros. As áreas mais apoiadas pelo FIC, este ano, foram as do design criativo e media digital, e grande parte dos projectos aprovados é de empresas criadas recentemente, muitas delas no último ano. De acordo com Davina Chu, “há cada vez mais empresas a recorrer ao financiamento disponibilizado pelo FIC o que mostra um interesse cada vez maior no investimento das industrias criativas locais”. Desde que começou com o programa de apoios à indústrias culturais, o FIC apoiou um total de 133 projectos tendo disponibilizado 263 milhões de patacas. Destes apoios, mais de metade foi a fundo perdido e o restante em empréstimos sem juros. O FIC não detectou até agora nenhuma falha nos compromissos assumidos
“Há cada vez mais empresas a recorrer ao financiamento disponibilizado pelo FIC o que mostra um interesse cada vez maior no investimento das indústrias criativas locais” DAVINA CHU MEMBRO DO FUNDO DAS INDÚSTRIAS CRIATIVAS
pelas empresas ou irregularidades no cumprimento das suas obrigações. No entanto, salientou a representante do Fundo, “caso venham a ser registadas situações que não estejam em conformidade com as regras do financiamento, o apoio é imediatamente cancelado e os valores adiantados têm de ser devolvidos”. Davina Chu esclareceu ainda que o FIC tem um processo de fiscalização que acompanha os trabalhos das empresas que financia. O FIC tem um orçamento anual de 200 milhões de patacas e o financiamento a cada empresa tem um tecto máximo de nove milhões de patacas.
FUTURO INTEGRADO
Para 2018, o Fundo pretende apoiar projectos mais específicos e as apostas são direccionadas a empresas com iniciativas comunitárias para “encorajar as empresas nos bairros a aperfeiçoar os programas culturais”. Outra das prioridades é o apoio na constituição de marcas locais, nomeadamente nos sectores do design de moda, exposições e espectáculos culturais ao mesmo tempo em que incentiva as empresas a adaptarem os seus produtos às políticas “Uma Faixa , Uma Rota”, e “A Grande Baía Guandong-Hong Kong-Macau”. De acordo com Davina Chu, a ideia é promover planos de apoio às empresas “que reúnam as condições para executarem projectos de cooperação”. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
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27.10.2017 sexta-feira
AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.
Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - - - - - - - - - - - - - -
Avenida Dr. Mário Soares, n.ºs 81 a 113, Avenida do Infante D. Henrique, n.ºs 43 a 53 A e Rua do Dr. Pedro José Lobo, n.ºs 2 a 16A, em Macau, (Edifício The Macau Square); Avenida da Praia Grande, n.º 926 e Travessa do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 1 a 3A, em Macau, (Edifício Jardim S. Francisco); Avenida do Infante D. Henrique, n.ºs 12 a 50, Avenida de D. João IV, n.ºs 24 a 48, Rua do Dr. Pedro José Lobo, n.ºs 18 a 30A, Rua do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 1 a 27 e Pátio do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 2 a 102, em Macau, (Edifício Kam Loi); Rua do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 2 a 20, em Macau, (Edifício Vong Kam); Rua do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 22 a 30, em Macau, (Edifício Associação Empregados S.T.D.M.); Rua Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 32 a 36, Rua do Dr. Pedro José Lobo, n.ºs 34 a 38 e Travessa da Praia Grande, n.ºs 11 a 19, em Macau, (Edifício Associação Industrial de Macau); Travessa da Praia Grande, n.º 1 e Avenida de D. João IV, n.ºs 16 a 18, em Macau; Travessa da Praia Grande, n.º 3, em Macau, (Edifício Pensão Nam Un); Travessa da Praia Grande, n.º 5 , em Macau; Travessa da Praia Grande, n.ºs 7 a 7B, em Macau, (Edifício Ka Wai Kock); Travessa da Praia Grande, n.º 9, em Macau; Rua da Escola Comercial, n.ºs 21 a 21L e Travessa do Comandante Mata e Oliveira, n.ºs 13 a 13C, em Macau, (Edifício Tak Keng); Rua de Jorge Álvares, n.ºs 3 a 3D e Rua do Almirante Costa Cabral, n.º 105, em Macau, (Edifício Pak Fok); Avenida do Coronel Mesquita, n.ºs 9M a 11AD e Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, n.ºs 125 a 131, em Macau, (Edifício Kou Kio).
2.
Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento.
3.
Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 16 de Outubro de 2017.
O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong
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sexta-feira 27.10.2017
PARTIDO COMUNISTA CHINÊS EXALTA PRESIDENTE COMO GRANDE PENSADOR
O elogio do Marxismo
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Partido Comunista Chinês (PCC) elogiou ontem Xi Jinping como um “pensador marxista”, parte da intensa propaganda em torno da imagem do Presidente da China difundida pelo regime no arranque do seu segundo mandato. O partido acrescentou o nome de Xi à constituição da formação política esta semana, numa decisão que o porta-voz do PCC Wang Xiaohui justificou pela sua “enorme contribuição” para a ideologia da organização. A propaganda oficial tem promovido a imagem pessoal de Xi com uma intensidade inédita desde Mao Zedong, o fundador da República Popular, levando alguns analistas a sugerir que Xi está a construir um culto de personalidade ao estilo de Mao. Wang rejeitou essa possibilidade, afirmando que Xi é o núcleo de uma liderança colectiva, e não um homem-forte isolado. Xi Jinping, 64 anos, tornou-se esta semana no terceiro líder a acrescentar o seu nome à constituição do PCC, depois de Mao e Deng Xiaoping, o arquitecto-chefe das reformas económicas que transformaram a China. A referência à Teoria de Deng Xiaoping foi acrescentada apenas após a sua morte. Antes de Xi, apenas Mao teve o seu nome inserido na constituição do partido ainda em vida. “Usar os nomes de líderes do partido para teoria ou orientação ideológica é uma prática comum no movimento comunista internacional. Por exemplo, Marxismo, Leninismo, ou no nosso país o Pensamento de Mao Zedong ou a Teoria de Deng Xiaoping”,
disse Wang Xiaohui, numa conferência difundida pela televisão.
NOME DO SABER
“O ‘socialismo com características chinesas numa nova era’ é a cristalização da sabedoria do partido e das massas”, acrescentou. Wang lembrou que “[Xi] fez uma contribuição significativa para a criação desta teoria” e que, “por isso, o uso do seu nome é merecido”. Termos associados aos antecessores de Xi - Jiang Zemin e Hu Jintao - foram acrescentados
à constituição do partido, mas nenhum teve o seu nome mencionado. Xi é o secretário-geral, Presidente e comandante-chefe das forças armadas chinesas, sendo o líder chinês que mais poderes acumulou desde Deng.
“Xi é o núcleo de uma liderança colectiva, e não um home-forte isolado.” WANG XIAOHUI PORTA-VOZ DO PCC
A sua campanha anticorrupção puniu 1,5 milhões de membros do partido, incluindo altas patentes do exército e um antigo membro do Comité Permanente do Politburo, afastando rivais políticos e possíveis sucessores. O segundo mandato permitirá a Xi governar até 2022, mas a ausência de um sucessor óbvio entre a nova cúpula do regime leva observadores a apontarem que este tentará ficar no poder além dessa data, algo inédito na China nos últimos vinte anos.
IKEA PEDE DESCULPA POR ANÚNCIO EM QUE FAZ TROÇA DE SOLTEIRAS
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filial na China da empresa sueca de mobiliário Ikea pediu desculpa por um anúncio televisivo que causou indignação nas redes sociais do país asiático por fazer troça das mulheres solteiras. O anúncio de 29 segundos começa com uma mãe a dizer à filha: “não me chames mãe até trazeres um namorado para casa”. A filha surge de semblante triste até que o seu namorado bate à porta, trazendo-lhe flores.
O ambiente muda então e, subitamente, o cenário surge repleto de móveis do Ikea, com um jantar de boas vindas ao namorado, que faz a família e vizinhos rejubilar.
O anúncio, difundido através da plataforma Sina Weibo - equivalente chinês ao Twitter - teve em poucas horas mais de 21 milhões de visitas, e levou a comentários de indignação, apontando-o como “totalmente inapropriado”, por alimentar o estigma contra mulheres solteiras. A empresa retirou, entretanto, o anúncio e publicou um comunicado no Weibo em que pede “sinceras” desculpas por dar “uma percepção errada”.
Segundo o jornal chinês Global Times, o Ikea pediu já a todas as plataformas que difundiram o anúncio que o retirem. A pressão social em torno do casamento continua a ser grande na China, onde a rápida modernização não abalou alguns costumes tradicionais. Segundo dados do Ministério chinês dos Assuntos Civis, os solteiros do país passaram de 6% da população, desde 1990, para 15%, em 2016 - equivalente a 200 milhões de pessoas.
PUTIN, MERKEL E TRUMP DÃO OS PARABÉNS A XI JINPING
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NGELA Merkel, Vladimir Putin e Donald Trump felicitaram ontem o Presidente chinês, Xi Jinping, pela sua reeleição como secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC). O Presidente russo, Vladimir Putin, disse num comunicado que “os resultados da votação confirmaram plenamente a autoridade política de Xi Jinping e o amplo apoio à sua política de desenvolvimento socioeconómico da China e de fortalecimento das suas posições internacionais”. A chanceler alemã, Angela Merkel, numa carta enviada a Xi Jinping, considerou que “os grandes desafios internacionais exigem” que as potências cooperem “de forma construtiva nas instituições globais” e que trabalhem “pela paz e pela estabilidade”. Já o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou por telemóvel com Xi Jinping, disse um responsável dos Estados Unidos. Trump tem “excelentes relações de trabalho com Xi Jinping”, afirmou a fonte, acrescentando que o líder norte-americano “quer continuar a construir sobre o que ele chama de uma relação construtiva voltada para a busca de avanços concretos”.
Pyongyang Kim Jong-un felicita homólogo chinês
O líder da Coreia do Norte felicitou o Presidente chinês pela reeleição como secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC) e desejou-lhe sucesso, informou a agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA. Kim Jong-un transmitiu as suas “sinceras felicitações” a Xi Jinping pelo “êxito” do XIX Congresso do PCC, numa mensagem enviada na quarta-feira, na qual desejou ao líder chinês “um grande sucesso” na concretização dos objectivos que estabeleceu. Em comunicado, o líder norte-coreano afirmou que o povo chinês iniciou a construção de um socialismo com características próprias, “numa nova era, sob as directrizes do Comité Central do PCC, com Xi Jinping no centro”. Kim, que lidera o Partido dos Trabalhadores, partido único da Coreia do Norte, afirmou ainda que “as relações entre os dois partidos e os dois países se desenvolverão de acordo com os interesses dos povos de ambas as nações”.
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27.10.2017 sexta-feira
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sexta-feira 27.10.2017
CINEMA EXTENSÃO DE MACAU DO DOCLISBOA ARRANCA NA SEGUNDA-FEIRA
Documentários aos molhos
IC JÁ SÃO A grande festa lisboeta do cinema documental chega a Macau pela quinta vez. De 30 de Outubro a 4 CONHECIDAS de Novembro serão exibidas nove películas de realizadores portugueses apresentadas na 14ª edição AS BOLSAS DE do DocLisboa, assim como quatro filmes produzidos localmente INVESTIGAÇÃO
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ROJECTOS de investigação ligados à música, linguística, literatura comparada, escultura e design de habitação social são as temáticas dos cinco projectos de investigação que vão contar com o apoio do Instituto Cultural (IC). A iniciativa, refere o comunicado oficial, tem o objectivo de “estimular o desenvolvimento de estudos académicos originais sobre a cultura de Macau e sobre o intercâmbio entre o território, o Interior da China e outros países”. “Bolsas de Investigação Académica” seleccionou cinco dos 36 projectos candidatos a apoio, baseada na análise de um painel de especialistas através de uma avaliação anónima. A comissão de selecção foi composta pelo vice-presidente do Instituto Cultural, Chan Peng Fai, o reitor da Universidade da Cidade de Macau, Zhang Shuguang, o vice-reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Pang Chuan, o director da Escola de Artes da Universidade de Pequim, Wang Yi Chuan e o Chefe da Divisão de Estudos e Publicações Wong Man Fai.
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S amantes do cinema documental têm motivos para estarem contentes com a semana que se aproxima. Segunda-feira começa a extensão de Macau do festival DocLisboa, uma parceria que já vai na quinta edição e que conta com um cartaz com projecções até sábado dia 4 de Novembro. O evento organizado pelo IPOR, e que se realiza na Sala Dr. Stanley Ho, no Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, contará com nove obras de realizadores portugueses que já apresentaram as suas obras no XIV Festival Internacional de Cinema DocLisboa. Serão igualmente apresentados qua-
Segunda-feira começa a extensão de Macau do festival DocLisboa, uma parceria que já vai na quinta edição e que conta com um cartaz com projecções até sábado dia 4 de Novembro
tro filmes produzidos em Macau no âmbito da colaboração com o Programa Académico da União Europeia em Macau, a Creative Macau e a Inner Harbour. A sessão que marca o arranque do festival tem no cartaz o filme “Crash” de Hong Heng Fai, “Outlander” de Lam Sin Tong, Jiang Minling, Kwok Fu Wa, “The Real Beauty Be Yourself”, de Cory Chio, Sandra Mo, Tania Tan, Betty Tam “Layla e Lancelot”, da portuguesa Joana Linda. Na próxima terça-feira será a vez do multipremiado filme “Ama-San” de Cláudia Varejão, que arrebatou o melhor filme da Secção de Competição Portuguesa do Doclisboa.Apelícula mostra a visão da cineasta sobre a vida de três mulheres que fazem pesca de mergulho em conjunto há três décadas na vila piscatória da Península de Shima, no Japão.
CARTAZ DE PESO
Entre os nomes dos cineastas que apresentam as suas obras em Macau destaque para Luciana Fina, Marília Rocha, Bruno Ferreira, Celso Rosa, Kate Saragaço-Gomes e Ana Isabel Freitas. O festival encerrará com chave de ouro com o filme “O Espectador Espantado”
Efeméride Clube Militar homenageia Manuel da Silva Mendes
De forma a assinalar os 150 anos do nascimento de Manuel da Silva Mendes, um dos marcos da Cultura e da História de Macau, a Direcção do Clube Militar organiza uma conferência de homenagem que tem como orador António Conceição Júnior. O evento realiza-se no Salão Stanley Ho na sede do Clube Militar no próximo dia 9 de Novembro, pelas 18h30. António Conceição Júnior é um profundo conhecedor, conservador e divulgador da colecção de arte de Manuel da Silva Mendes.
de Edgar Pêra, uma película que inverte a lógica da visualização audiovisual virando a lente para quem vê um filme. A obra do conhecido realizador
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é uma espécie de manifesto ou ensaio de investigação sobre a natureza do espectador de cinema nas suas diferentes formas.
Na sessão de fecho será exibido também um filme local, “Macau, Música é Diferença”, de Catarina Cortesão Terra e Tomé Quadros. A película é um retrato da atmosfera cultural da cidade. Em comunicado, o director do IPOR, João Neves, destaca o caminho e o carácter da extensão da conhecida mostra de cinema documental. É também dado destaque à forma como a criação documental portuguesa, local e do Interior da China se misturam num cartaz heterogéneo de qualidade. João Luz
info@hojemacau.com.mo
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27.10.2017 sexta-feira
ARTES, LETRAS E IDEIAS
Ver as coisas até ao fundo... E se as coisas não tiverem fundo? tonalidades António de Castro Caeiro
Caminhos tomados. Percursos feitos
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Alex Cross (Morgan Freeman): Tu fazes o que és, Jezzie. Jezzie Flannigan (Monica Potter): Queres dizer tu és o que fazes. Alex Cross: Não. Eu quero dizer que tu fazes o que tu és, se nasceste com um dom. De outro modo, tornas-te boa em qualquer coisa ao longo da vida. E aquilo em que tu fores boa, não podes tomar como garantido. Não o trais. Jezzie Flannigan: E se tu traíres o teu dom? Alex Cross: Então, trais-te a ti própria. É triste. In A Conspiração da Aranha (Along Came a Spider, 2001)
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OMOS o que fazemos. É inexorável. “Fazer” tem múltiplos sentidos. “Fazer” pode ser exercer uma profissão, executar tarefas, desempenhar funções. Tem um sentido eminentemente pragmático. “Fazer” pode querer dizer “agir”. “Agir” é “pôr em prática”, mas também “omitir”. É dizer palavras da boca para fora ou cheias de significado. Ou calar-se. “Fazer” exprime acções aparentemente incompreensíveis. É quando se pergunta o que alguém está a fazer. É o que sempre fazemos e temos feito. Fazemos também nada ou tudo e mais alguma coisa. Há uma razão para reduzirmos “ser” a “fazer”. O que é feito tem conteúdos e diversos, tem diversas camadas. Fazer enquanto trabalhar, produzir, agir, actuar, deixar estar tem o seu próprio sujeito. Somos o que fazemos em múltiplas frentes. O registo é biográfico. O seu espectro tão amplo quanto pode ser amplo tudo o que fazemos. Os interesses que temos, os nossos gostos, preferências, inclinações. O que fazemos resulta numa expressão de nós próprios. Fazer exprime o nosso ser. A nossa biblioteca de livros lidos, a discoteca com a banda sonora da nossa vida, os amigos que temos, toda a nossa produção profissional, consoante as profissões. Fazer é ser em acção. Mas pode ser também todas as palavras que pronunciamos e as que nem percebemos como nos vieram à cabeça. O que é feito, o que se faz, tem um conteúdo específico. Pode ser altamente especializado. Pode ser banal, como o café da manhã. Quando somos o que fazemos, num sentido mais radical, não queremos dizer que somos o conteúdo do que fazemos. Não é o trabalho feito, independentemente das mais diversas profissões. Há profissões quase que exclusivamente remetidas para os outros e percebe-se que não somos os pacientes curados, os alunos formados, os clientes satisfeitos, os cidadãos felizes. Todas as profissões e trabalhos têm o outro como pano de fundo,
mas directamente podem não estar ao serviço do público. Há quem trabalhe no escritório, portanto, indirectamente com o público e quem atenda ao público. Fazer implica sempre um conteúdo e tempo, muito ou pouco. Pode fazer-se sempre a mesma coisa e pode fazer-se uma coisa uma vez na vida. O que se faz ou tem feito depende assim da vida que se leva. O próprio conteúdo da vida, fixo em diários, agendas e biografias, com o seu ritmo e o seu tempo- é o que fazemos. O que fazemos não é assim apenas o que produzimos, o resultado do trabalho, pensamento, palavras, actos e omissões. É também o tempo do lazer, quando não fazemos nada, desanuviamos, espraiamos, vamos apanhar ar. Há quem não faça nada a vida inteira. Há quem esteja sempre a fazer coisas. Ainda assim, oscilamos entre as horas em que fazemos o que fazemos e as horas em que não fazemos nada. Estamos sempre a fazer alguma coisa, então. A vida que temos é a vida que levamos. Todas as nossas acções resultam de escolhas. As escolhas implicam acções. Mas se somos o que fazemos, parece que reduzimos todo o nosso ser, a vida
A vida pode ser o nada que é feito por não ter havido nada para ser. E, contudo, estamos continuamente forçados a ser, a ter de ser. Mesmo sem nunca termos sido nós próprios, até quando nunca pudemos fazer nada. Somos nada, quando nada fizemos. Somos nada, tendo tudo feito? que levamos e temos, à ponta de um Iceberg. É, sem dúvida, a nossa realidade. Não podemos negar que fazemos o que fazemos, porque é esse o conteúdo das nossas vidas. O que fazemos expressa como conteúdo a nossa vida. E, contudo, há um elemento casual, acidental, no que fazemos. Os outros que encontramos influenciam as nossas escolhas. Seguimos rumos numa direcção e não noutras. Retomamos possibilidades abandonadas no caminho. Outras rejeitamos para sempre. Podemos fazer o que somos? Pode o fundo do nosso ser acontecer-nos prima-
riamente e só depois pôr em prática o que quer que isso seja? Podemos ocupar-nos e todos temos de trabalhar, podemos fazer a vida inteira tudo sem termos sido nós próprios? A saudade de um talento nunca tido, a possibilidade de um dom nunca reconhecido, a oportunidade de uma abertura nunca havida. A vida pode ser o nada que é feito por não ter havido nada para ser. E, contudo, estamos continuamente forçados a ser, a ter de ser. Mesmo sem nunca termos sido nós próprios, até quando nunca pudemos fazer nada. Somos nada, quando nada fizemos. Somos nada, tendo tudo feito?
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DEUS é uma palavra tão em desuso. Fico aqui a pensar, agora que me sento finalmente aqui, junto às palavras. Elas a brincar em redor, umas, a seduzir-me, outras, a fugir, uma boa parte delas. E submersas, aquelas outras. Como a parte maior, mergulhada fundo e a desconhecer. Dos icebergues. A não deixar, como estes, começar a perder a sua natureza e mudar toda a outra. Degelar por toda a terra e mar a subir. E que estas palavras eram para ser um pouco outras, logo no início. Tantas vezes acontece. Como as cerejas que sempre trazem outras alegremente agarradas. A fazer força para acompanhar as que partem levadas por mão amante, ou para ficar como se todas ou nenhuma. Fossem sempre as palavras tão belas e saborosas como cerejas. Quando são boas. E quando são boas, são - santo deus - tão boas. Sentei-me aqui a pensar em deus. Em Deus, talvez. A pensar como e quando penso em deus, porque será que penso. Andei a pensar nisto ao longo do dia. Como penso ao longo de outros dias. Aos pedaços, entremeando tantos outros pensamentos e tantas outras coisas que coladas fizeram o dia. E sempre a pensar e sem conseguir distingui-lo com a maiúscula inicial. E sempre sem ter a certeza de que o pensava em minúsculas. E, repentinamente, salta como uma suave intrusa esta outra palavra cuja ligação à ideia que trazia – eu me distrai – ela - no pensar que talvez dizer adeus seja, por defeito, dizer até sempre. Ligando essa ilusão de eternidade com que a ideia de deus anda a par - e com que se beija à despedida aqueles de quem gostamos muito e para os quais queremos existir sempre e para sempre – a um instante de ausência eminente. Porque dizer adeus parece uma expressão carregada de inexistência a vir, maculada de uma tonalidade definitiva e talvez mesmo por isso tão menos usada hoje. Em que mundo se corre como se não houvesse distância, em que o éter do espaço cibernético nos traz vozes longínquas a qualquer momento como se no quarto ao lado e em que tudo parece tão transitório que nada se sabe sobre o devir de uma palavra de despedida. E depois penso, que todas as palavras em momentos importantes, deveriam ser como as roupas de ver a deus. As melhores as mais límpidas e reservadas para nos apresentarmos sem mácula, no nosso melhor. Como antigamente se guardava o melhor fato para ir à missa. Ou, numa acepção mais ampla, para os domingos. Talvez os dias, então, das coisas maiores da vida. E aí, sem fingimentos, sem teatralização de nenhum sentir, as pessoas apresentavam-se, por vezes, como nunca nos outros dias. Algumas com os únicos sapatos menos castigados pelo tempo e o trabalho, e, mesmo velhos de anos, engraxados a brilhar como estrelas. A camisa branca de casamentos e funerais, imaculada. Mesmo se puída nos punhos e colarinhos. E uma alma, capaz de confessar todos os pecados e começar de novo. A semana. Ver a deus. Essa possibilidade de transcendência da insignificância que se sente ser. Talvez. De esperança. Que não tenho. Às vezes tenho pena. Uma pena enorme de não o sentir. Mas é uma imagem pejada de monstruosidades egocêntricas. Formulada pela natureza humana à sua imagem e semelhança. Ameaçadora de uma natureza vigilante e castigadora. Num sistema de trocas. Tudo o que me faz detestar uma ideia que faz jus á escala humana. O humano na tentativa de formular o transcendente. De o enquadrar numa moldura reconhecível em
que a pintura não é bela. Mas há outras ideias soltas e possíveis. Para quem tenha uma fé, não reduzida a essa imagem. Ideias possíveis, que talvez um dia envolvam um espectador desprevenido num conforto etéreo e acalentador. Parece-me uma paisagem possível de vir à mente e se instalar como tantas outras igualmente fugidias ao tacto. Não penso que me venha a acontecer. Não espero. Não desejo. Mas é possível. Não posso dizer que quando penso nele, ou Nele, procure um sentido qualquer que me falte. Ou mesmo que esse me falte, ou quando me falta, para além da profunda certeza de que a vida em si basta para se justificar a si própria em continuidade. É, na verdade um pensamento de que se me entretém a alma, sobretudo em momentos de alguma serenidade. O que explica que não me observo num interesse por um fenómeno que, se em si me intriga, o seja por razões de procura nesse lugar conceptual, que algo me acuda. À angústia, ao medo, ao desassossego ou ao desespero. A minha perplexidade é por pensar nele. E pensar se, só em si, esse não é um dos fundamentos de uma existência, que ao ser negada, se baseia numa outra expectativa, fórmula, imagem ou fantasia, em que – nessa - se diz e digo não se acreditar. Não sei porque penso nele. Sei que não acredito que acredite nele. Mas não me atormenta o assunto. Só não sei porque penso nele. E é isso que me faz reflectir. Que entre a comunidade científica muitos há que deixam em aberto a hipótese da existência, e que alguns, mesmo, fundamentem a inevitabilidade dessa, é um facto. Muitos filósofos encontram também argumentos e fundamentos para tal. Mas o que sempre me atormenta, é reconhecer em todos aqueles que mais reflectem neste assunto e muito mais sabem do que eu, a mesma e limitada contingência que me tolhe. Uma estrutura de pensamento que não pode transcender as fronteiras da razão culturalmente baseada na linguagem. Formuladas nas suas bases fundadoras por nós e para nós. Num circuito fechado de humanidade. Na impossibilidade de encontrar termos novos para o que é tão difícil de explicar senão à imagem do que se conhece. E ele, a ele, não se conhece. Ou a matemática. Esse outro mistério de abstracção cuja ligação ao real é tão difícil de absorver. Padrões, leis, equações complicadas como uma língua estranha a demonstrar modelos do universo. Uma noção do tempo e do espaço, que a nossa ínfima dimensão e experiência torna limítrofe. Como nos subúrbios de uma cidade maior. Haverá qualquer coisa de inexplicável com os curtos artefactos com que lidamos. Mais além. Para lá do abismo. À beira do qual ficamos a tentar alcançar com os sentidos, a explicar com as palavras que servem os rios mas não o sentido dos rios e o tempo antes dos rios. E bastaria pensar no tempo. Ficamos à beira. Talvez de deus. Sem alcançar. No fundo, não me importa por hoje, avaliar a consistência do que não é demonstrável, mas possível, para além da capacidade conceptual com que tentamos entender todo este enorme fenómeno que é o universo. Essa enormidade basta para preencher a minha perplexidade, de abismais perguntas que não tenho dimensão para entender. A própria vida, exige respostas sem claramente formular as perguntas. Todos os dias. Deus, é só um ponto eventual e longínquo, mais atrás no antes do tempo. E que, a ser assim, ficará para muito depois, no depois do tempo. E que me intriga. Mas tão longe.
ANABELA CANAS
Ideias de ver a deus
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iluminacão artificial Anabela Canas
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José Simões Morais
Xian Xing Hai ao serviço da Revolução
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génio de Xian Xing Hai (冼 星海), como músico e compositor, contrasta com as grandes privações e dificuldades materiais por que passou durante toda a vida e a sua luta quotidiana, levada pela vontade de aprender e de aperfeiçoamento, transmitiu-a pela acção política, aliando-a com a sua obra artística. No artigo da semana passada, escrevemos sobre a sua vida, desde 1905, quando nasceu em Macau, onde passou os primeiros seis anos, até regressar com trinta anos a Xangai, após os estudos feitos em Singapura, Cantão e Pequim e entre 1929 e 1935 em Paris. As criações durante a estadia em França marcaram a primeira das suas quatro fases musicais e “inclinam-se para o recital, o canto e a música de câmara”, como refere Wang Ci Zhao no artigo ‘A Vida e a Obra do Compositor Xian Xing Hai’ (R.C. n.º 26, II Série), de onde retiramos as citações. Já em Xangai, no Verão de 1935 começou a trabalhar no manuscrito que viria a ser a sua primeira sinfonia, terminando dois anos depois o esboço inicial da partitura da obra ‘Emancipação Nacional’, ou ‘Libertação do Povo’. Em 1936, “com o apoio de amigos conseguiu colocação na Companhia de Discos Bai Dai e na Companhia Cinematográfica Xin Hua, como compositor”, segundo Wang Ci Zhao, que adita, “Quando começou a guerra de resistência contra o Japão, em 1937, participou na ‘Associação de Canto para a Salvação Nacional’ de Xangai, como funcionário dos Assuntos Gerais. Deixou Xangai com o ‘II Grupo Ambulante de Teatro no Tempo da Guerra’ e passou por Suzhou, Nanjing, Kaifeng e Luoyang, para chegar em Outubro a Wuhan, centro da resistência”. Veiga Jardim no artigo ‘Três Compositores de Macau’, na Revista Macau de Fevereiro 1994, refere, “Nessa época turbulenta, a sua arma foi a música, através da qual retratava os anseios de liberdade da nação chinesa. Compõe neste período a obra que o tornaria imortal: a Cantata do Rio Amarelo, mais tarde transformada, por membros da Sociedade Filarmónica Central da China, no Concerto para piano do mesmo nome. Após um breve período a trabalhar em estúdios de cinema, em 1938 é apontado director da Academia de Música da cidade de Lu Hsun (Yanan).” Já Wang Ci Zhao diz, “Em Abril de 1938, ingressou na III Repartição do Departamento de Política do Conselho Militar do
ta) e a 20 Julho de 1938 celebraram o noivado, tendo Zhou Enlai patrocinado a viagem de lua-de-mel. Assim partiram de Wuhan para Xian e encontrava-se já casado quando chegou a Yanan. “Em Novembro de 1938 aceitou o convite do recém-criado Instituto de Artes de Lu Xun, de Yanan, para onde se deslocou com a mulher para desempenhar as funções de professor do Departamento de Música, assumindo a responsabilidade pedagógica dos cursos principais, nas áreas de Teoria da Composição, História da Música e Direcção de Orquestra”, segundo Wang Ci Zhao.
A SITUAÇÃO NA CHINA
Governo Nacionalista, dirigida por Guo Moruo [que em conjunto com Lu Xun, pseudónimo literário de Zhou Shuren, entre 1927 e 1928 tinham desencadeado o movimento literário revolucionário] e assumiu, juntamente com Zhang Chu, as responsabilidades do Trabalho Musical da Guerra de Resistência, ao mesmo tempo que se dedica às actividades de criação musical”. Nesta segunda fase, “As criações realizadas durante a estadia em Xangai e Wuhan, de 1935 a 1938, são principalmente adaptações musicais para o cinema progressista e canções de salvação nacional. O estilo é claramente influenciado pela nova música da China, cujo autor mais representativo é Nie Er. O seu conteúdo reflecte o ardor patriótico e as exigências anti-monárquicas e anti-feudalistas”, Wang Ci Zhao. Em Wuhan, conheceu Qian Yun Ling (钱韵玲), filha de Qian Yi Shi (um conhecido membro do Partido Comunis-
Desde a morte de Sun Yat-Sen em 1925, na China vivia-se tempos difíceis, ocorrendo a luta interna no Guomintang, liderado por Chiang Kai-shek (18871975), que em 1927 expulsou os comunistas do Partido Nacionalista. A 18 de Setembro de 1931 o exército japonês invadiu Shenyang, ocupando em quatro meses todo o Nordeste chinês (Liaoning, Jilin e Heilongjiang), cometendo graves atrocidades contra o povo chinês. Depois criaram o Estado do Manchukuo (1932-1945), com a capital em Changchun, na província de Jilin e colocaram o antigo imperador manchu Pu Yi, destronado em 1912 pela República de Sun Yat-sen, de novo como imperador, agora da Manchúria. Wang Ming (1905-1974), chefe do Partido Comunista entre 1931 a 1935, era um dirigente pró-soviético e encontrava-se quase sempre em Moscovo. Por isso, em Janeiro de 1935 Mao Zedong ficou como líder do Partido Comunista e do Exército Vermelho. Tal deveu-se aos muitos erros estratégicos de comando em Outubro de 1934, quando o Exército Vermelho teve de retirar-se das provín-
“Em Novembro de 1938 aceitou o convite do recémcriado Instituto de Artes de Lu Xun, de Yanan, para onde se deslocou com a mulher para desempenhar as funções de professor do Departamento de Música, assumindo a responsabilidade pedagógica dos cursos principais, nas áreas de Teoria da Composição, História da Música e Direcção de Orquestra.” WANG CI ZHAO
cias de Fujian e Jiangxi, dando-se início à Longa Marcha, que ocorreu até 1936 e durante a qual os comunistas, liderados por Mao Zedong, conseguiram evitar ser aniquilados pelas tropas de Chiang Kai-shek. Dos iniciais 130 mil participantes sobreviveram 30 mil, com quem Mao montou o seu exército. Esperava-se que a Guerra Civil travada na China entre o Partido Nacionalista (GMT) e o Comunista (PCC) fosse suspensa para combater os invasores japoneses, mas tal não aconteceu. Os estudantes, descontentes com a política do Guomintang de não resistência à ocupação japonesa e virado apenas para o combate contra o PCC, a 9 de Dezembro de 1935 saíram em protesto à rua em Beiping (Beijing). Conhecido por Movimento de 9 de Dezembro de 1935, este movimento estudantil, que se estendeu a outras cidades, procurou colocar o foco na resistência à invasão japonesa. Também a tentativa do Partido Comunista, em conjunto com muitos dos líderes do GMT, para terminar com a guerra civil e combaterem juntos os japoneses, foi minada por Chiang Kai-shek. Este, tirando partido dessa aliança, tentou derrotar as forças comunistas em 31 de Outubro de 1936, quando deu ordens aos seus exércitos para atacarem o dividido Exército Vermelho, que em conjunto com as tropas do GMT combatiam os japoneses. Valeu ao Exército Vermelho os generais Zhang Xueliang e Yang Hucheng, à frente do exército nacionalista da região centro, não acatarem as ordens e assim conseguiu sair incólume do episódio conhecido por Incidente de Xian. Em 12 de Dezembro 1936, com a prisão de Chiang Kai-shek (libertado uma semana depois) e outros 12 comandantes, terminou a guerra civil, passando-se então a combater os japoneses. Mas era já demasiado tarde! A 7 de Julho de 1937 os japoneses invadiram Beijing (Pequim) e depois atacaram o resto do país. Em 12 de Novembro de 1937 conquistaram Shanghai (Xangai), tendo morrido 60 mil pessoas e daí dirigiram-se para a capital da China, Nanjing, onde o Guomintang estabelecera a sua capital em 1928. Após um cerco, a 13 de Dezembro a cidade cedeu e deu-se o massacre de Nanjing. Os japoneses ocuparam grande parte da China até ao fim da II Guerra Mundial, quando o Japão se rendeu incondicionalmente em 1945, ano em que faleceu Xian Xing Hai.
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sexta-feira 27.10.2017
FUTEBOL DE SETE DESPERDÍCIO LEONINO COLOCA MEIAS-FINAIS EM RISCO O Sporting de Macau mostrou-se muito perdulário diante do Ka I e com uma derrota por 2-1 ao Benfica, em jogo que ainda O Samoel ainda teve depois uma do encontro, considerando que a fica a precisar de não tem data definida. Já o Ka I jogada em que perdeu a bola que equipa teve o melhor desempenho ganhar ao Benfica conseguiu o triunfo que lhe permite permitiu o empate, mas redimiu- do torneio. novamente em posição de -se com o golo da vitória”, disse A equipa trabalhou bem e está para sonhar com as estar apuramento para as “meias”. Josecler, ao HM. de parabéns. Soube perceber o jogo, Na quarta-feira à noite, Samoel “Foi um bom jogo e acredito soube dominar, mas faltou marcar meias do Torneio Ramosoeu foi o atleta em maior que a vitória foi merecida. Era um mais. Fomos infelizes, porque dedestaque, mas nem sempre pelos jogo que precisávamos de ganhar pois em situações em que devíamos de Futebol de Sete
Leão castigado
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Ka I derrotou o Sporting por 2-1 e está a um “pequeno” passo de garantir a presença nas meias-finais do Torneio de Futebol de Sete. Na quarta-feira, no Canídromo, os comandados por Josecler não facilitaram, principalmente na altura de concretizar, e levaram de vencida os leões, numa partida equilibrada e bem disputada. Para o Sporting o encontro era o primeiro de dois match-points para garantir o apuramento. Com a derrota, os jogadores treinados por Nuno Capela precisam de ganhar
A
lista de inscritos da 10ª edição da Taça GT Macau e 3ª edição da Taça do Mundo FIA de GT é uma das mais fortes, talvez mesmo a mais forte, do programa da 64ª edição do Grande Prémio de Macau. Contudo, há uma ausência que se destaca entre tantos nomes sonantes, o de António Félix da Costa. Com dois triunfos no Grande Prémio de Fórmula 3, o piloto português era uma opção evidente para a BMW para a prova de
melhores motivos. O jogador apontou dois golos, mas foi também o responsável pela perda de bola que permitiu a Cissé marcar para o Sporting. Apesar dos leões terem entrado melhor na partida, foi Ramosoeu que inaugurou o marcador, aos 16 minutos, colocando na altura o Ka I a vencer por 1-0. Já no segundo tempo, Cissé respondeu, aos 24 minutos, mas Ramosoeu emendou o erro, e aos 27 minutos fez o golo da vitória. “O Sporting teve duas oportunidades muito claras de golo, creio que através de Fabrício. Mas por felicidade não sofremos golo, e depois conseguimos fazer o 1-0.
para nos apurarmos e conseguimos. Pode haver outras leituras, mas acho que controlámos bem o jogo e agora que temos de ganhar à Polícia”, acrescentou. Também o técnico do Sporting, Nuno Capela, reclamou o domínio
No Grupo A, Cheng Fung e Kei Lun já garantiram o apuramento, depois de na quarta-feira, o Cheng Fung ter batido a Polícia B por 1-0
ter sido mais agressivos a lutar pela bola sofremos dois golos”, explicou Nuno Capela, ao HM. “Temos mais uma oportunidade diante do Benfica e acredito que depois desta exibição contra o Ka I, que a equipa sente que é capaz de jogar de igual para igual com qualquer equipa”, acrescentou. Nos restantes encontros de quarta-feira referentes ao Grupo B, o Benfica superiorizou-se à Polícia A, com golos, ainda na primeira parte, de Carlos Leonel, aos 10 minutos, e Nikki Torrão, aos 16.
CHENG FUNG E KEI LUN APURADOS
BMW tinha outros planos para Félix da Costa
Motorsport, mas está consciente que o construtor germânico tem outras prioridades delineadas para si. “Infelizmente este ano não vou correr em Macau, pois é um evento muito especial ao qual adoraria regressar nos GTs”, revelou o piloto da linha de Cascais ao HM, explicando que “temos compromissos de Fórmula E nessa altura e o cam-
João Santos Filipe
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Antes dos jogos de hoje, Ka I, Sporting e Benfica estão na frente
Valor mais alto se levantou Grande Turismo do território, mas o construtor de Munique acabou por apostar no brasileiro Augusto Farfus Jr, no alemão Marco Wittmann e no australiano Chaz Mostert para conduzirem os BMW M6 GT3 oficiais, ou semi-oficiais, nas ruas do território. Félix da Costa ficou obviamente desapontado com a escolha da BMW
com seis pontos, seguidos por Polícia e Chiba, com um ponto, cada. Hoje, entram em acção no Canídromo, a partir das 18h30, Polícia A e Ka I, e às 19h30, Benfica e Chiba. Caso Ka I e Benfica ganhem os respectivos encontros, o jogo em atraso entre águias e leões torna-se decisivo para escolher a equipa que se junta ao Ka I nas meias-finais. No Grupo A, Cheng Fung e Kei Lun já garantiram o apuramento, depois de na quarta-feira, o Cheng Fung ter batido a Polícia B por 1-0, com um golo de Chao Long Hong, e selou o apuramento das duas formações. No outro encontro, Monte Carlo e Lam Pak empataram a uma bola. Nesta altura, o Cheng Fung lidera o grupo com nove pontos, seguido de Kei Lun com seis pontos. Polícia B e Lam Pak estão nas posições seguintes, com dois pontos, sendo que os últimos lugares do grupo são ocupados por Sub-23 e Monte Carlo, com um ponto. Hoje o Kei Lun defronta os Sub-23, e o Lam Pak tem pela frente o Cheng Fung.
peonato começa logo no fim-de-semana seguinte, pelo que a BMW optou por outros pilotos, de forma a que eu me possa concentrar na Fórmula E!” Félix da Costa renovou com a MS&AD Andretti, a equipa oficial da BMW Motorsport na competição de carros eléctricos cuja quarta temporada arranca no fim-de-semana de 2 e 3 de
Dezembro aqui ao lado nas ruas de Hong Kong.
EM MACAU PARA ENSINAR
Apesar de não ter responsabilidades ao volante de 16 a 19 de Novembro, o piloto luso deverá estar presente no evento, numa função bastante diferente, mas igualmente importante. “É quase certo que esteja em Macau, mas do lado de fora, com outras funções”, disse ainda Félix da Costa ao HM. Dada a sua rapidez e experiência neste circuito singular aos comandos dos Dallara de
Fórmula 3, o piloto luso tem sido requisitado por vários pilotos e equipas para exercer a posição de “driver coach”. Além do envolvimento no Campeonato FIA de Fórmula E, Félix da Costa também exerce um papel preponderante no novo programa desportivo da BMW Motorsport no Campeonato do Mundo FIA de Endurance, sendo um dos pilotos de testes do novo BMW M8 GTE. Sérgio Fonseca
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20 opinião
27.10.2017 sexta-feira
“China’s rising power is chipping away at the unipolar structure of the world. The power gap between China and the United States continues to shrink. China’s rise will challenge the U.S policy of maintaining the balance of power in Asia. President Obama’s “pivot” to Asia is an effort to rebalance the distribution of power in the region. Most Asian nations prefer to have the United States as an offshore balancer, an option that they did not have in their pre-modern history. A security dilemma is operating in U.S.-China relations, causing a deepening strategic distrust between the two countries”. Managing Hegemony in East Asia: China’s Rise in Historical Perspective Yuan-kang Wang
YANG WANMIN
A China e a liderança
A
China foi o poder dominante na Ásia Oriental durante séculos antes da chegada do imperialismo ocidental no século XIX. Após quase trinta anos de crescimento económico espectacular, a China está novamente preparada para retomar o seu lugar, como poder hegemónico regional. O argumento advém do facto da China, apesar das suas aspirações a um novo domínio na Ásia Oriental, ainda não estar em condições de desafiar a preponderância militar dos Estados Unidos no Pacífico Ocidental. Fazendo uso da epistemologia objectiva do neorrealismo e das ferramentas teóricas do realismo ofensivo, damo-nos conta das razões que motivam a China a querer ser o poder regional dominante. O desejo de hegemonia levou a acções contudentes nos mares do Leste e do Sul da China, bem como a um crescimento do nacionalismo chinês, o que conduziu alguns países da região a reforçar os seus laços com os Estados Unidos, aumentando as probabilidades da tentativa de formação de uma coligação de equilibrio, para conter a ideia da China de domínio regional. Todavia, é reconhecido que o crescimento aparentemente imparável da economia chinesa, em conjunto com o aumento dos gastos com a defesa, pode ser uma força irresistível a longo prazo, o que pode levar a uma situação, em que a maioria dos actores regionais concilie a necessidade económica, bem como a realidade militar, e aceite a primazia chinesa no Leste Asiático, conjuntamente com o aumento das despesas de defesa. A definição proeminente de hegemonia tem subjacente a ideia neo-gramsciana do consentimento, o que significa a aceitação do pensamento de hegemonia a liderar as forças sociais dentro de um determinado Estado. O termo mais correcto, é o proposto pelo cientista político americano, John Mearsheimer, que claramente o define no texto “The Gathering Storm: China’s Challenge to US Power in Asia” de 2010, desenvolvido
no seu livro “The Tragedy of Great Power Politics”, e que desde 2001, data em que lançou a primeira versão da sua teoria sobre o realismo ofensivo, defende que a hegemonia é o facto de um país ser tão poderoso que domina todos os outros, ou seja, nenhum
outro país tem os recursos militares para o enfrentar em um conflito sério. É de considerar que em essência, uma hegemonia é o único grande poder no sistema, pois de acordo com a teoria do realismo ofensivo, é natural que uma grande
potência como a China procure a hegemonia regional, que é uma posição que os Estados Unidos actualmente detém no Hemisfério Ocidental. Ainda, considerando um sistema internacional anárquico, sem autoridade principal para recorrer, a sobrevivência é o
opinião 21
sexta-feira 27.10.2017
perspectivas
na Ásia Oriental
principal objectivo, uma vez que os países nunca podem ter a certeza das intenções de outros actores. Assim, em um mundo de auto-ajuda, a China ganha por ser o poder mais seguro, económico e militar. Chegar à posição de ser
JORGE RODRIGUES SIMÃO
(I)
uma hegemonia regional sem concorrentes de igual peso, dar-lhe-ia a capacidade de alterar o equilíbrio de poder em outras regiões do mundo. O neorrealismo, alternadamente chamado de realismo defensivo, difere nesta matéria do realismo ofensivo. O americano, neo-realista ou realista estrutural, cientista de relações internacionais, Kenneth Waltz, argumenta que um poder excessivo pode induzir outros países a aumentar os seus aliados e a agrupar os esforços e segundo essa visão, podem formar uma “coligação de equilíbrio” para evitar o aumento de um poder dominante. Tendo em conta essas premissas, seria bastante racional para a China não antagonizar os seus vizinhos construindo um predomínio de poder que juntamente com os Estados Unidos, levem a formar uma aliança contra si. Os realistas ofensivos, no entanto, argumentam que a hegemonia regional é a única forma segura de manter a sobrevivência. Os actores estatais, portanto, devem estar sempre atentos a momentos oportunos para maximizar o seu poder. Talvez, tenha sido a perda da hegemonia regional da China, em meados do século XIX e o subsequente “século de humilhação”, que ilustra perfeitamente esta situação. Por mais de dois mil anos, a China e a civilização sínica foram a força política e cultural dominante na Ásia Oriental. A sua hegemonia sobre a região foi demonstrada pelo sistema de tributo institucionalizado, após o qual as nações estrangeiras reconheciam o seu estatuto inferior em comparação com os chineses. Uma das formas como o faziam era enviando missões diplomáticas ao imperador chinês. Essas missões levaram consigo presentes caros e incluíam elaborados procedimentos de subserviência ao imperador, que deveriam ser conduzidos por embaixadores estrangeiros para que as relações comerciais se iniciassem. É de referir que esse sistema esteve activo, e impediu que as guerras interestaduais se estendessem e até mesmo restringissem o comportamento chinês, em relação aos seus vizinhos mais fracos. Mas essa ideia de um sistema regional pacífico sob hegemonia chinesa é negada pela estimativa de que os estados chineses lutaram em três mil e setecentas e cinquenta e seis guerras desde de 770 aC até 1912, com uma média de 1.4 guerras por ano. O sistema de tributo ainda era uma ordem internacional de natureza anárquica, mas com um arranjo hierárquico que tinha a China como o poder predominante, e que por força desse poder e recursos esmagadores, desenvolveu um conjunto de regras e instituições para governar as ligações entre si e os outros actores políticos. A China desenvolveu relações externas dentros dos seus canônes, o que sem dúvida, poderia explicar a razão pela qual a Ásia Oriental era pacífica, sob o domínio chinês, não sendo tão consensual quanto submissa diante de uma poderosa hegemonia. A predominância de poder da China, em termos neorrealistas, era
o garante da paz, pois nenhuma combinação de actores regionais poderia coligar-se contra si. Todavia, nas áreas onde estavam em desvantagem militar, como, por exemplo, contra as tribos nómadas do norte, que tinham um excelente conhecimento táctico da guerra de cavalaria, o conflito não foi evitado, porque os nómadas se recusaram a aceitar a superioridade chinesa. O problema psicológico que o sistema de tributo pode ter causado, foi de que a China não se apercebeu do quanto dominante era, tendo ficado em situação de negligência com a sua primazia regional. Assim, quando o imperialismo ocidental chegou à Ásia Oriental no século XIX, o pensamento chinês era muito intuitivo para poder enfrentar o desafio da superioridade tecnológica do Ocidente.
A China ainda não atingiu o poderio suficiente para ser poder hegemónico na Ásia Oriental, mas acabará por sê-lo a seu tempo Os acontecimentos do passado foram demonstrados pela humilhação da China ao ser derrotada pela Grã-Bretanha na Primeira Guerra do Ópio de 1840 a 1842, tendo nas décadas subsequentes produzido a abertura do país pelos europeus e americanos, em uma série de tratados desiguais. Talvez, a lição mais importante que os chineses tenham aprendido sobre a necessidade de acumular o máximo de poder possível, foi a da ocupação humilhante que o Império japonês lhes infligiu, após o incidente da Ponte Marco Polo, em 1937. Os fortes sentimentos negativos da ocupação japonesam, estão na memória dos chineses, e foi demonstrado pelos tumultos anti-japoneses de 2005. Tal, ocorreu depois do Japão introduzir um livro escolar em que os crimes de guerra japoneses cometidos na China, estavam amenizados. O nacionalismo está em ascensão na China em paralelo com o seu ressurgimento como potência regional e mundial. É a ferramenta usada para legitimar a regra do Partido Comunista Chinês, embora, até à década de 2000, a China ainda estivesse a seguir a estratégia de Deng Xiaoping para facilitar o seu crescimento, traduzido na máxima de observar com calma; assegurar a posição do país; lidar com os assuntos tranquilamente; esconder as capacidades e aguardar pelo melhor tempo; manter um baixo perfil e nunca reivindicar a liderança. A China é uma potência muito mais forte do que há três décadas e, até 2010, graças às reformas económicas de Deng em 1978, é a segunda maior economia do mundo. A conquista do crescimento económico tem sido tremenda, sendo o PIB da China em 1979 de apenas 10 por cento do Japão. O seu PIB, actualmente, é duas vezes e meia maior que o do Japão. Alguns intelectuais
chineses pediram uma nova ordem internacional hierárquica inspirada no termo relativo ao antigo conceito cultural chinês, denominado de “Sob o céu” ou “Tianxia”, que conota o mundo geográfico ou o reino metafísico dos mortais, e mais tarde foi associado à soberania política e que teria melhor capacidade de resolver os conflitos do mundo que a ONU, podendo ajudar a criar uma utopia pacífica mundial. O mais provável, é que “Tianxia” não é mais que uma nova hegemonia que reproduz o império hierárquico da China para o século XXI. Todavia, existe indubitavelmente um desejo na China de mudar a ordem internacional dominada pelo Ocidente. O enfraquecimento percebido dos Estados Unidos após a crise financeira de 2008, tornou a China mais confiante em afirmar os seus interesses na Ásia Oriental e sabemos que no início da década e milénio, o país era muito mais conciliador para com os seus vizinhos e quando se juntou ao Tratado de Amizade e Cooperação (TAC) da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN na sigla em inglês), em 2003, parecia estar a aceitar um mundo de instituições multilaterais sob o domínio americano. A China, entretanto, tornou-se mais poderosa e desenvolveu uma posição cada vez mais forte em relação aos seus vizinhos, podendo-se afirmar que segue na direcção da teoria do realismo ofensivo. À medida que ganha mais poder, bem como interesses globais, é provável que deseje dominar a sua região para garantir a sua segurança, começando por tentar resolver as disputas territoriais segundo as suas regras. Os três principais conflitos que a China tem são com o Japão no Mar da China Oriental e com as Filipinas e o Vietname no Mar da China Meridional. As relações sino-japonesas, foram as mais amargas e contenciosas por vários motivos históricos. A China em 2004, foi oficialmente considerada como uma ameaça à segurança pelo Japão. A China considera fortemente a reivindicação do Japão às Ilhas Diaoyu/ Senkaku, alegando que só foram entregues, após a guerra sino-japonesa de 1894-1895 e deveriam ter sido devolvidas à China, após a II Guerra Mundial. As reivindicações de reservas de petróleo na área variam entre os sessenta e cem milhões de barris calculados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e mais de cem mil milhões de barris calculados pela China. O nacionalismo também tem sido um factor igualmente importante na disputa, não estando nenhum dos lados disposto a mostrar qualquer fraqueza. No entanto, a falta de vontade da China de impulsionar a sua reivindicação fora dos limites do direito internacional, mostra o respeito pelas Forças de Autodefesa do Japão, e uma cautela quanto à estreita aliança do Japão com os Estados Unidos, sendo um exemplo de como a China ainda não atingiu o poderio suficiente para ser poder hegemónico na Ásia Oriental, mas acabará por sê-lo a seu tempo.
22 (f)utilidades TEMPO
POUCO
27.10.2017 sexta-feira
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
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FIMM | CONCERTO DE LUKAS GENIUSAS CCM | 20h00
Sábado FIMM | GUIMARÃES STRING QUARTET Teatro D.Pedro V | 20h00
O CARTOON STEPH
FIMM | THE GOLDEN PEAK CCM | 20h00
Diariamente EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM | Até 12/11 “MACAU X BARCELONA - ART OF ILLUSTRATION” Fundação Rui Cunha | Até Sábado SOLUÇÃO DO PROBLEMA 148
C I N E M A
PROBLEMA 149
UM LIVRO HOJE
SUDOKU
DE
FIMM | CONCERTO DE JAZZMEIA HORN Fortaleza do Monte | 20h00
Cineteatro
1.17
JUIZ JURÁSSICO
KINO – FESTIVAL DE CINEMA ALEMÃO | TONI ERDMANN Cinemateca Paixão | 20h00
Domingo
YUAN
PÊLO DO CÃO
EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “O TEMPO MEMORÁVEL – AS INDÚSTRIAS TRADICIONAIS DE MACAU” MAM
FIMM | WILLIAM SO AND THE MACAO CHINESE ORCHESTRA Venetian Theatre | 20h00
0.23
Uma coisa é a javardice correr desbragada num sítio onde se pode cuspir para o chão e palitar os dentes entre um copo de tinto e um courato. Outra é um acórdão judicial de um tribunal superior, onde se representa o Estado, onde a justiça é ministrada em nome de todos os cidadãos. A justiça deve ser cega, mas não burra. Este tipo de barbarismo argumentativo raramente é tão bem apetrechado lexicalmente. Normalmente é cuspido entre atropelos à língua por seres que nos fazem pensar se a influência dos neandertais não se fará ainda sentir no nosso património genético. O acórdão judicial que anda nas bocas do povo surpreende até certo ponto. Sabemos que esta escroqueria existe, mas é sempre doloroso assistir ao regresso de um século anterior à descoberta da penicilina. É de salientar que este é o tipo de pessoas que retrata todos os muçulmanos como bárbaros que equiparam o papel da mulher na sociedade ao de uma galinha. Irónico no mínimo.Arrisco-me a especular sobre a razão pela qual o magistrado se fixa no “adultério feminino”. Cheira-me que existe ali um trauma, uma razão em forma de apêndice ósseo exteriorizada em acórdão vingativo. É lógico que uma sala de audiência não é lugar para tal personagem e retiro também a tasca para destino apropriado por ser um ambiente pelo qual nutro um particular carinho. O lugar mais acertado para este senhor exercer o seu argumentário jurássico é a caverna onde a maior sofisticação é o fogo. Aí já se pode queimar à vontade sem nos arrastar a todos para a lama. João Luz
A CORRUPÇÃO POLÍTICA VISTA POR JORNALISTAS E POLÍTICOS | FERRIN, SERRANO E FIGUEIRA
Este livro recente é resultado de um projecto de investigação desenvolvido pelos académicos portugueses Isabel Ferrin, Estrela Serrano e João Figueira. Editado pelo LabCom, plataforma de investigação da Universidade da Beira Interior, é de acesso gratuito e fala de um assunto que tem preenchido as páginas dos jornais nos últimos tempos. Tem entrevistas a vários directores e grandes repórteres portugueses que falam sobre esta temática tão actual.
Andreia Sofia Silva
THOR: RAGNAROK SALA 1
CONCURSO VERITAS [A] 19.00
Fime de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 19.15
SALA 2
SALA 3
Fime de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 14.15, 16.45, 21.45
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Herman Yau Com: Louis Koo, Julian Cheung, Lam Ka Tung, Charlene Choi 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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sexta-feira 27.10.2017
FILIPE CHAN, INTÉRPRETE E TRADUTOR
C
“Os portugueses falam de tudo”
R E S C E U numa Macau da qual existem poucos vestígios, visíveis apenas ao olhar mais atento. Hoje em dia, Filipe Chan, com 37 anos, ainda consegue sentir alguma dessa velha cidade que o viu crescer, evocando as brincadeiras em torno do Jardim Vasco da Gama. “Aquela zona junto ao Lago Sai Van, a Avenida da República, ainda se pode sentir um bocado da antiga Macau”, conta o intérprete num exímio português. Filipe recorda-se dos tempos, antes da construção da Torre de Macau, em que a vista do lago se estendia desimpedida até ao rio. “A paisagem sem aquela torre fica na memórias das pessoas”, recorda. Cresceu, sobretudo, com crianças de origem chinesa e macaense e lembra com ternura os passeios dados nos riquexós que se encontram, ainda hoje, perto do Hotel Lisboa. Esses passeios de recreio eram algo muito familiar, hoje em dia funcionam mais como uma oportunidade para turistas tirarem selfies. O português entra na vida do tradutor através de um curso que lhe surgiu no caminho, sendo que, até à altura, a única ligação que tinha a Portugal era o padrinho
português da sua mãe. Ainda não lhe passava pela cabeça seguir uma carreira profissional baseada na língua de Camões. “Como os meus pais não dominavam o português, pensei que era bom para eles terem um filho que conhecesse a língua”, explica. O momento em que estreitou contacto com colegas lusos foi na altura em começou a estudar para o teste de português. “Não percebia muito bem, tinha muitas dúvidas e tentei entrar mais na cultura e língua para conseguir perceber as obras que tinha de estudar, como “Os Maias” e “Viagens da minha terra”. Rodear-se de dicionários não estava a resultar, faltava-lhe o poder de expressão, o entendimento. Os colegas com raízes europeias ajudaram-no a compreender melhor as subtilezas linguísticas de Eça de Queiroz e Almeida Garrett. Pode-se dizer que Filipe Chan entrou no português pela porta grande dos clássicos, tendo mais tarde dado uma guinada para manifestações de portugalidade mais populares.
GARAGEM DA VIZINHA
Mais tarde Filipe entraria a fundo naquilo que é ser português, ou seja, tornou-se um
adepto e seguidor do campeonato português de futebol. A sua primeira simpatia foi para o Futebol Clube do Porto, mas mais tarde mudaria para o Sporting. “A partir daí procurei conhecer um pouco mais de Portugal, mas nessa altura ainda não tinha lá ido nenhuma vez”, algo que faria uma mão cheia de vezes. Numa altura em que não havia tanto dinheiro para sair à noite com os amigos, saídas que não dispensa hoje em dia, Filipe ficava no sofá colado ao ecrã a vibrar com um campeonato a meio mundo de distância. “Antigamente a TDM dava dois jogos por semana”, lembra. Apesar de gostar muito de futebol, o intérprete não se deixa afectar muito, sendo-lhe difícil de compreender o exagero a que o fanatismo desportivo chega. Porém, acha curioso a forma apaixonada como os portugueses falam de futebol. “As pessoas chegam a irritar-se umas com as outras por uma questão de rivalidade clubística, ou por causa de um penálti mal marcado”, diz. Apesar de estar familiarizado com a forma como o sangue de um adepto ferrenho ferve, Filipe Chan acha incrível como é possível “pais e filhos zangarem-se ao discutir o desempenho de um árbitro, ou um lance duvidoso”.
Outra manifestação profundamente “tuga” à qual sucumbiu foi a música de Quim Barreiros, também mostrada pelo mesmo amigo que o convenceu a ser portista por uns tempos. “A primeira música que ouvi foi ‘A garagem da vizinha’, põe o carro, tira o carro, achei muito cómico e procurei mais músicas”, conta. Quando por vezes não compreendia onde estava o trocadilho, perguntava ao amigo que se prontificava a explicar-lhe. As viagens são um dos prazeres que não dispensa, em particular à Europa. Os seus países preferidos são Itália, França e, claro está, Portugal. “As pessoas são muito simpáticas, principalmente quando começo a falar português. Ficam com muita curiosidade como alguém asiático fala a sua língua”, conta. Durante as idas a Portugal, que já vão em cinco, aproveita para degustar a gastronomia lusa. “Gosto de bacalhau, lulas, polvo e, especialmente, marisco”. Na relação com “tugas” destaca a forma aberta como se relacionam com o outro. “Os portugueses falam de tudo, mesmo as coisas mais íntimas, os chineses só o fazem com amigos mais próximos”, compara. João Luz
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Chorar sobre as desgraças passadas é a maneira mais segura de atrair outras. William Shakespeare
PALAVRA DO DIA
MEDIA GRUPO LANÇA MACAU NEWS AGENCY A PARTIR DE 1 DE NOVEMBRO
A
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S seis operadoras de jogo de Macau comprometeram-se a converter 15% da sua frota de ‘shuttles’ em autocarros eléctricos, ou abastecidos por combustíveis renováveis, foi ontem anunciado. Macau, com cerca de 30 quilómetros quadrados, conta com 40 casinos, distribuídos por seis operadoras de jogo que fornecem transporte gratuito – pensado para os seus clientes, mas que pode ser usado por toda a gente – através de ‘shuttles’, que são frequentemente apontados como um dos principais causadores dos problemas de trânsito da cidade. Ontem, num comunicado conjunto, as seis operadoras de jogo – Galaxy, Melco, MGM, Sociedade de Jogos de Macau, Sands e Wynn – anunciaram a introdução de “serviços de ‘shuttle’” ecológicos e comprometeram-se, junto do Governo de Macau, que “pelo menos 15% dos autocarros de passageiros de cada operadora vão ser com novas energias/ eléctricos até Maio de 2018”. Segundo o mesmo comunicado, um projecto-piloto com estes autocarros entrou em vigor a 19 de Setembro e está a ser monitorizado. “Espera-se que o novo serviço de ‘shuttles’ com novas energias/eléctricos vá optimizar os transportes de Macau, melhorar o ambiente geral para residentes e visitantes, e apoiar o desenvolvimento de Macau numa capital mundial de turismo verde”, pode ler-se.
Notícias ao minuto
O
g rupo Project Asia Corporation lança a 1 de Novembro o projecto Macau News Agency, que pretende operar como uma agência de notícias não intermediada com “notícias ao minuto”, em inglês, confirmou ontem o empresário Paulo Azevedo. Com o projecto agora apresentado, o grupo de ‘media’ de Macau, dono das revistas Macau Business, Business Intelligence e Essencial Macau, extingue o jornal económico Business Daily e transfere os seus recursos, incluindo cinco jornalistas, para a Macau News Agency. Paulo Azevedo, que na quarta-feira apresentou o projecto ao Canal Macau da emissora pública TDM, especificou que se trata de uma agência noticiosa, apesar da particularidade de não vender conteúdo a órgãos de comunicação social. “O nosso consumidor é o leitor normal, o leitor de jornais. Tudo aquilo que vamos oferecer é gratuito, não vendemos nada, não é intermediado. Sejam as nossas histórias, sejam as que compramos a outros parceiros, nomeadamente a agências de notícias – Lusa, Reuters, Bloomberg, France
D
O I S portugueses lançaram um portal para vender experiências de lazer em Macau, com os olhos postos no mercado chinês. Desde sexta-feira quem deseje visitar Macau pode adquirir, através do portal “Follow Me Macau”, actividades que abrangem tanto experiências gastronómicas, como culturais, desportivas, de aventura ou mesmo de beleza e relaxamento. “É uma plataforma que agrupa todas as experiências de entretenimento e lazer em Macau. Vai daquelas ‘mainstream’, desde o [espectáculo] House of Dancing Water ou o salto da Torre de Macau, a outras, que podem ser um jogo de
GETTY IMAGES
CASINOS INVESTEM EM AUTOCARROS ELÉCTRICOS
Presse. Compramos, mas depois pomos na nossa linha aberta para qualquer consumidor de jornal”, explicou à Lusa.
MINI- BLOOMBERG
O empresário e jornalista diz ter sentido que havia “necessidade de avançar com um novo produto em Macau”, já que “não há uma agência de notícias” no território, apenas delegações de agências internacionais. A Macau News Agency vai manter o pendor económico de grande parte dos produtos do Project Asia Corporation, mas
pretende ser mais generalista que o jornal Macau Business Daily, passando a abranger também áreas sociais e culturais. “[Queremos ser] uma espécie de Bloomberg de tamanho sardinha muito pequenina (…) Com notícias ao minuto, quer nossas, quer globais”, comentou. Um portal agregador vai juntar todos os produtos do grupo, incluindo a MB.tv, um projecto televisivo online que passa também a contar com três jornalistas fixos. Regularmente, a Macau News Agency – que pode ser visualizada numa página independente – vai
receber contribuições de profissionais que trabalham para outros títulos do grupo. A redacção vai focar-se em produzir conteúdos de Macau, e Azevedo não receia sobreposição com os vários meios de comunicação do território. “Isso era um problema se fosse um jornal. Já há muitos. Há 14 chineses, cinco portugueses e ainda há três jornais ingleses, e isto é uma cidadezinha pequena. Mas como agência [em inglês] vamos praticamente ser os primeiros”, afirmou. “[O conteúdo] não será muito diferente [daquele que os jornais produzem]. A única diferença é que antes estávamos a trabalhar com esta mesma equipa para publicar sensivelmente a história que os outros publicam, mais vocacionada para a economia. Mas publicávamos só 24 horas depois, num jornal como todos os outros, e agora seremos praticamente os primeiros. Iremos eventualmente competir a nível de rapidez com a Lusa – mas a Lusa é em português – ou com a Rádio Macau – mas mais uma vez é em português e chinês. E eventualmente com o portal de jogo GGRAsia, mas eles são só da área de jogo”, explicou. As receitas virão exclusivamente da publicidade, já que as publicações lideradas por Paulo Azevedo não recebem subsídio do Governo, por não serem publicadas numa das duas línguas oficiais de Macau, o português e o chinês. “Se formos mal sucedidos, fechamos”, rematou.
Experiências para todos Portugueses lançam portal de turismo “Follow me Macau”
ténis, um ‘biking tour’ ou um ‘hiking’ em Coloane”, explicou à Lusa o fundador da ‘start-up’, Marco Duarte Rizzolio. Segundo o empresário, as actividades podem ainda abranger os casinos ou “experiências fornecidas por pequenas e médias empresas, como [actividades com] ‘personal trainers’ ou, por exemplo, ioga”, O “Follow Me Macau” foi lançado na passada sexta-feira durante a Feira Internacional de Macau e inspirou-se em projectos como o “A Vida é Bela” ou
“Odisseias”. A diferença é que estes produtos apenas podem ser adquiridos ‘online’, disse Rizzolio. Actualmente há 60 experiências à venda. “Mas nos próximos meses vamos chegar rapidamente a mais de 100”, sublinhou, já que estão a ser ultimados contratos com várias grandes empresas, nomeadamente operadoras de jogo. Entre as “top experiencies” estão uma refeição no restaurante giratório da Torre de Macau, um passeio num junco, um ‘bootcamp’ urbano, uma viagem de
sexta-feira 27.10.2017
limusine ou num iate, ou ‘paintball’, entre outras. O portal está disponível em inglês e em chinês tradicional e simplificado. Segundo Rizzolio, o público-alvo são os turistas chineses, já que representam a maioria do grande mercado turístico de Macau. “Se juntarmos Macau e Hong Kong temos aqui o maior ‘hub’de visitantes do mundo. É um mercado muito grande, considerando os 30 quilómetros quadrados deste território”, apontou. Além do potencial numérico, Rizzolio salientou também o facto de os
chineses terem uma nova geração que “está sempre conectada à Internet” e é adepta das compras ‘online’. Com o aumento gradual do poder de compra dos chineses, estes estão também a investir cada vez mais em lazer e entretenimento, destacou. Actualmente, o “Follow Me Macau” conta com quatro funcionários, três em Macau e um em Xangai (leste da China). A expansão do conceito para outros países, como o Brasil, é uma possibilidade, mas “numa segunda fase”. “Agora queremos é sobreviver”, disse.