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Hoje Macau 27 JANEIRO 2022 #4938

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RTP

HELENA CABEÇADAS

A GEOGRAFIA DOS AFECTOS ENTREVISTA

hoje macau

Nº 4939 QUINTA-FEIRA 27-1-2022 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

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Uma nova escala

José Drummond, agora radicado em Xangai, apresenta dois projectos, em duas cidades chinesas: “The Dream of the Red Chamber”, em Changsha, e uma instalação de grandes dimensões em Foshan. “Tenho inúmeros projectos diferentes e todos eles são instalações com uma escala considerável”, diz o artista português. EVENTOS IC | DSEDJ

SANGUE NOVO PÁGINA 4

CASO CONEXO HO CHIO MENG

JULGAMENTO ADIADO PÁGINA 6

FUNDAÇÃO MACAU

PARA ONDE VAI O DINHEIRO PÁGINA 5

HONG KONG

FECHADOS ATÉ QUANDO? PÁGINA 10


2 entrevista

27.1.2022 quinta-feira

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HELENA CABEÇADAS

“Macau é uma cidade

Diz que este livro faz parte da sua geografia afectiva. Como surgiu este projecto? Este livro nasceu a partir de um conjunto de três livros que eu tinha escrito, e que considero como a minha biografia afectiva. Foram as cidades onde vivi, que me marcaram profundamente e alteraram a minha visão do mundo. O primeiro livro que escrevi foi sobre Bruxelas, onde vivi no final da minha adolescência. Estive exilada lá dos meus 17 aos 27 anos. Depois escrevi o livro sobre a minha infância em Moçambique, onde vivi dos oito aos dez anos, numa sociedade colonial. O terceiro livro foi sobre Filadélfia,

RTP

Sobrinha neta do Almirante Mendes Cabeçadas, Helena Cabeçadas, autora de “Macau - Uma Cidade Improvável”, viveu em Macau na década de 80, onde trabalhou nas áreas da toxicodependência e da saúde mental. Foi amiga do arquitecto Manuel Vicente e recorda um território onde a beleza e a repulsa andavam lado a lado. As memórias e as experiências são agora contadas no livro “Macau - Uma Cidade Improvável”, lançado em finais de Dezembro do ano passado

AUTORA

onde trabalhei na área da droga e da toxicodependência, e em que me confrontei com uma cidade em decomposição, onde o racismo era muito forte. Foi também um choque cultural muito forte, que me marcou bastante. E depois Macau, onde vivi uns cinco anos e onde me confrontei com uma cultura completamente diferente que me marcou. Macau e a China foram um desafio para mim. Porque foi para Macau? Sempre me seduziu muito o Extremo Oriente. Em Bruxelas tinha procurado estudar o chinês e as religiões, e a hipótese de ir para Macau dava-me a possibilidade de

desbravar esse mundo. Em 1983 fui requisitada pelo Governo de Macau e o meu marido foi trabalhar para a TDM. Não foi sempre fácil do ponto de vista profissional, o mundo da toxicodependência era

“No meio de tantas situações dramáticas que a cidade atravessou, Macau foi um centro de apoio a refugiados importante. Teve essa generosidade e gentileza.”

muito fechado e muito masculino. Era pesado e dificilmente penetrável para um olhar ocidental e feminino. Quais eram os principais perfis de consumidores à época? Eram sobretudo consumidores de heroína, que era barata e de boa qualidade. O acesso era fácil. Por outro lado, havia uma tradição das casas de ópio, que só se tornaram ilegais em 1946. Ainda era uma tradição relativamente recente. Os mais velhos ainda estavam ligados ao ópio. Muitas vezes a iniciação dos mais novos ainda se fazia pelo ópio e depois partia para a heroína. Foi

uma época em que a heroína se propagou muito na Ásia. As mulheres eram pouco consumidoras, e havia poucas mulheres terapeutas? Era um mundo muito masculino, e havia um registo mais prisional do que terapêutico, o que contrastava com aquilo que eu conhecia em Portugal e nos EUA. Éramos poucos terapeutas e funcionava como um grupo de guardas prisionais. Incomodava-me esse registo porque não estava de acordo com a minha visão [de abordar o problema], pois defendia a reabilitação. Em Hong Kong, em contrapartida, tinha contactos muito interessantes


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sedutora”

Europa e até em Macau e Hong Kong. As raparigas tinham as fardas à Mao, mas já usavam saltos altos e batom, era o início de uma sociedade de consumo. Não senti miséria, mas havia pobreza. Essas viagens na China eram sempre mal vistas pelo poder, o país não gostava que os estrangeiros estivessem soltos, fora de uma excursão, sem guias. Macau era uma espécie de bolha, tínhamos a comunidade portuguesa, mas era uma sociedade cosmopolita. Muitas vezes tinha um pesadelo, o de estar fechada rodeada de guardas vermelhos que não me deixavam sair. Naquela altura ainda estávamos muito perto da Revolução Cultural, e a memória das pessoas ainda era muito forte em relação a esse período, que foi vivido de uma forma dramática em Macau, com o 1,2,3. Como era trabalhar na Administração portuguesa à época? Também dei aulas na Escola Superior de Enfermagem, foi engraçado porque tive contacto com jovens. Dava aulas de sociologia e antropologia, tive a oportunidade de organizar o curso, também na área da saúde mental. Tinha liberdade para organizar essa formação no Centro Hospitalar Conde de São Januário. Se no centro de recuperação de toxicodependentes tinha dificuldades e pouca liberdade para fazer o que queria, no hospital tive essa liberdade. Fiz um estudo preliminar sobre a criação de um centro de saúde no Fai Chi Kei e isso fez-me contactar com os Kaifong, os Operários. Isso ajudou-me a mergulhar no pensamento chinês e nas questões de saúde mental.

do ponto de vista profissional, porque fazia-se ali um trabalho que tinha mais a ver com a minha maneira de encarar esses problemas. A barreira da língua e da cultura também era muito grande, e o facto de ser mulher tornava as coisas mais difíceis.

Fugiu do regime quando foi para Bruxelas. Sim. Fui expulsa de todas as escolas do país. Fui presa com 16 anos e tive depois um processo disciplinar. Fazer o curso em Bruxelas permitiu-me contactar

De todos os sítios onde esteve, Macau marcou-a mais, ou menos, e porquê? É uma pergunta difícil porque são idades diferentes. Em Moçambique era uma criança e em Bruxelas estava a descobrir o mundo, a Europa. Portugal era um mundo muito fechado, era o mundo do Estado Novo.

“Como é que no sul da China surgiu aquela cidade, longe de tudo? Como é que conseguiu afirmar-se, começar a existir e aguentar-se ao longo dos séculos?”

com outro mundo, tive colegas de todo o mundo. A Universidade Livre de Bruxelas era muito aberta e tolerante. Foi um desvendar de mundos. Quando fui para Macau, ou mesmo para Filadélfia, já era adulta. Em Macau foi-me lançado o desafio da cultura chinesa, de tentar decifrar aquele mundo. O que é muito difícil. A própria China estava a abrir-se ao mundo. Fui à China, onde as pessoas ainda se vestiam à Mao [tse-tung], não havia carros nem publicidade, só bicicletas, aos milhões. Era engraçado porque era um mundo muito diferente daquele que conhecíamos na

Como era o panorama nessa altura em matéria de saúde mental? Ainda hoje é um assunto tabu no seio da comunidade chinesa. Na altura era mais difícil. Era complicado de abordar o problema, era como se não existisse. Mas nessa altura alguns psiquiatras portugueses procuraram também alterar a maneira de encarar essa questão e tentámos discuti-la com as pessoas. Contribuiu para abrir aquele mundo. De todos os elementos de Macau que estão no livro, qual foi o que mais a fascinou? Que experiência foi mais marcante? Acho que a própria existência da cidade é fascinante. É uma cidade improvável. Como é que no sul da China surgiu aquela cidade, longe de tudo? Como é que conseguiu afirmar-se, começar a existir e aguentar-se ao longo dos séculos? Houve um lado que também achei interessante, que é o facto de, no meio de tantas situações dramáticas que a cidade atravessou, Macau

ter sido um importante centro de apoio a refugiados. Teve essa generosidade e gentileza, e isso torna-a numa cidade sedutora. Penso que é exemplar para os tempos que vivemos hoje em dia na Europa, com essa capacidade de absorver e receber apesar de estar fechada de tudo. Mas Macau oscilava entre o fascínio e a repulsa, havia uma grande beleza, como na Baía da Praia Grande, cheia de juncos, com uma vida intensíssima, e depois os cheiros nauseabundos, os ratos, as baratas. Depois havia o mundo macaense, mais próximo de nós, mas também complexo, um pouco impenetrável.

“Macau oscilava entre o fascínio e a repulsa, havia uma grande beleza, como na Baía da Praia Grande, cheia de juncos, com uma vida intensíssima, e depois os cheiros nauseabundos, os ratos, as baratas.” Foi amiga do arquitecto Manuel Vicente, uma figura muito importante para Macau. Sim, foi padrinho da minha filha. Tenho muitas saudades dele, uma das pessoas mais fascinantes que conheci em Macau. Conhecia a região muito bem, tinha um humor extraordinário, contava histórias delirantes, inclusivamente sobre os diferentes governadores e as gafes que eles cometiam. A casa dele era um espaço de liberdade. Encerra-se, com Macau, os capítulos da sua geografia afectiva. Lisboa também faz parte disso, mas é uma cidade demasiado próxima e faz demasiado parte de mim. Não tenho um olhar distanciado que tinha em relação a Macau, Bruxelas ou Filadélfia. Tenho mais dificuldade em escrever sobre Lisboa. Andreia Sofia Silva


4 política

NOMEAÇÕES IC E DSEDJ COM NOVA PRESIDENTE E NOVO DIRECTOR

Caras não muito novas Leong Wai Man é a senhora que se segue ao leme do Instituto Cultural, sucedendo a Mok Ian Ian. Governo anunciou ainda que Kong Chi Meng é o novo director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, depois de Lou Pak Sang se ter demitido

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dia de ontem começou com o anúncio da nomeação de novos líderes do Instituto Cultural (IC) e da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Depois da saída de Mok Ian Ian da presidência do IC para o conselho de administração do Centro de Ciência de Macau, o lugar vago foi ontem atribuído por nomeação à anterior vice-presidente Leong Wai Man, segundo despacho publicado ontem em Boletim Oficial. A nomeação para o cargo de presidente do IC tem um período de um ano, a partir de 1 de Fevereiro. A responsável “possui competência profissional e aptidão para o exercício do cargo de presidente do Instituto Cultural, que se demonstra pelo curriculum vitae”, lê-se no despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Licenciatura em Arquitectura pela Tunghai University e pós-graduada na mesma área

Leong Wai Man

pela University College London, Leong Wai Man entrou no IC em 2009 como técnica superior.

Fazer escola

Se a substituição de Mok Ian Ian no pelouro da cultura era uma certeza, a nomeação de

um novo director da DSEDJ já foi mais surpreendente. O despacho fundamenta a nomeação de Kong Chi Meng na liderança da pasta da educação com “vacatura do cargo”, devido à apresentação de demissão do seu antecessor.

“Lou Pak Sang cessa, a seu pedido, a comissão de serviço no termo do seu prazo, como director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude.” BOLETIM OFICIAL

Uma declaração, também publicada ontem no Boletim Oficial, refere que “Lou Pak Sang cessa, a seu pedido, a comissão de serviço no termo do seu prazo, como director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude”. Importa referir que no dia 23 de Dezembro o Comissariado contra a Corrupção divulgou o “Relatório de sindicância sobre a concessão de subsídios do Plano de Desenvolvimento das Escolas pelo Fundo de Desenvolvimento Educativo”, que apontou várias lacunas no “Regulamento de acesso ao financiamento do Plano de Desenvolvimento das Escolas” elaborado pelo Fundo de Desenvolvimento Educativo (FDE). Lou Pak Sang era o presidente do conselho de administração do FDE e, em resposta ao relatório afirmou que iria assumir as suas responsabilidades.

João Luz

ENSINO ESPECIAL GOVERNO DIZ QUE NÚMERO DE DOCENTES É SUFICIENTE

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ONG Chi Meng, director substituto da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), garantiu, em resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang, que o número de licenciados em ensino especial que estudaram ao abrigo de bolsas de estudo ou outros apoios atribuídos pelo Executivo dá resposta à procura de docentes. “Com o regresso dos graduados desses cursos a Macau tem sido possível satisfazer a procura dos alunos com necessidades educativas de ensino especial. No futuro, a DSEDJ manterá uma comunicação estreita com as instituições de ensino superior de Macau, partilhando

e trocando informações sobre a situação mais recente da formação de quadros qualificados”, pode ler-se. Na mesma resposta, a DSEDJ explica que, desde Setembro que começou a forne-

cer o serviço de avaliação de sobredotados, “aceitando primeiro os pedidos de avaliação nas áreas da inteligência e criatividade e implementando a avaliação dos sobredotados nas outras áreas”. Além disso, esta entidade promete “desenvolver, de forma gradual, as ferramentas de avaliação dos sobredotados em diferentes áreas e organizar a formação dos grupos de peritos responsáveis por essa avaliação”. Sobre o futuro, “a DSEDJ irá reforçar a cooperação com escolas, instituições de ensino superior ou entidades profissionais para fornecerem, em conjunto, um ambiente de aprendizagem adequado aos alunos sobredotados”.

Dúvidas existenciais Questionada existência de recursos humanos na lei dos elevadores

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S deputados da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa querem saber se existem em Macau recursos humanos suficientes que permitam cumprir a futura lei de segurança dos elevadores. A questão esteve ontem a ser discutida na especialidade, e visa a obrigação de os elevadores serem mantidos por uma empresa e fiscalizados por outra companhia, o exige que o técnico responsável pelas duas operações não seja o mesmo. “Vamos perguntar ao Governo se após a entrada em vigor da lei há técnicos especializados que possam fazer as duas tarefas para empresas diferentes, uma vez que não pode ser a mesma pessoa. Vamos perguntar se há pessoas suficientes ou se vão dar mais formações”, explicou Ella Lei, presidente da Comissão, após a reunião de ontem. Actualmente, os elevadores já têm de ser mantidos por uma empresa. Contudo, com a nova lei, surge a obrigatoriedade de haver inspecção por uma entidade diferente. Este aspecto, tem sido um dos pontos mais debatidos pelos deputados, mesmo na generalidade, uma vez que se teme a mão-de-obra.

Aumento de custos

Outra das preocupações, prende-se com o aumento dos custos de funcionamento dos elevadores. “Vamos ter uma empresa para a manutenção contratada pelos proprietários dos edifícios. Depois, além da fiscalização pelo Governo ainda há uma outra empresa a fiscalizar. Mas será que é razoável impor estes encargos?”, questionou. O novo regime para os ascensores da RAEM deixa de fora algumas classes de elevadores, como elevadores em edifícios residenciais com alturas baixas e médias, definidos como de classe B e M, mas também outros equipamentos técnicos, como “elevadores eléctricos para veículos”, ou elevadores de cargas. Uma vez que o diploma tem como objectivo garantir a segurança dos equipamentos, os legisladores querem saber se há regulamentos para as excepções previstas. A possível falta de segurança para estes equipamentos é vista como preocupante. Também ontem, os deputados chegaram à conclusão de que precisam de discutir com o Executivo o âmbito de aplicação da lei. O texto define que a regulação se aplica à manutenção e inspecção. Contudo, a segurança começa com a instalação e métodos de utilização. Os deputados acreditam que é necessário alterar esta parte do diploma, para torná-la mais abrangente. João Santos Filipe


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política 5

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CÓDIGO TRIBUTÁRIO PEDIDAS RESPOSTAS A VÁRIAS OMISSÕES

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S deputados querem perceber porque é que a proposta do novo Código Tributário não prevê que uma dívida à RAEM possa ser extinta devido a prescrição, ou seja, quando passam 20 anos desde a altura em que foi contraída. A prática é corrente, aceite, mas não consta no Código Tributário, no capítulo que aborda as causas de extinção de dívidas. “O código só apresenta três situações para a extinção das dívidas tributárias. Mas, há uma quarta situação. Quando passam 20 anos, uma dívida tributária é extinta por prescrição” afirmou Vong Hin Fai. “Só que esta situação não consta na proposta do Código Tributário. Temos de pedir esclarecimentos ao proponente sobre esta situação”, reconheceu o deputado e presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa”. Outro dos assuntos a merecer a atenção dos deputados que discutem a proposta de lei na especialidade, é a penhora de habitações económicas. Este é um tipo de habitação construída pelo Governo e vendida aos residentes a “preços abaixo dos praticados no mercado”. Contudo, não há certezas de que estes bem possam ser penhorados para pagar as dívidas à RAEM. “Temos de perceber o que acontece quando o objecto penhorado é uma habitação económica. Será que de acordo com o regime da habitação económica se pode penhorar uma habitação destas para pagar a dívida?”, questionou Vong Hin Fai. “Temos de ver se a venda é possível e como se vai coordenar todo o processo”, justificou.

Macau Pass Che Sai Wang questiona legalidade de registo

RÓMULO SANTOS

O deputado Che Sai Wang questiona a legalidade da medida do registo do Macau Pass. Numa interpelação escrita, o deputado ligado á ATFPM questiona a legitimidade de uma empresa privada ficar com dados “sensíveis” e quer saber se houve algum parecer do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais, antes da medida ser aplicada. Para o deputado, o registo do cartão é ainda incompreensível, uma vez que actualmente as pessoas têm de registar o percurso, além de haver câmaras que permitem identificar os passageiros dos autocarros. “Porque razão é que, mesmo assim, o Governo da RAEM ainda permite às empresas , que não são serviços públicos, a recolha de numerosos dados pessoais dos residentes?”, perguntou.

FM SANTA CASA RECEBEU MAIS DE 6 MILHÕES NO 4.º TRIMESTRE

Cabaz de Inverno Das entidades de matriz portuguesa e macaense contempladas com os apoios da Fundação Macau, a irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau surge em primeiro lugar, com mais de seis milhões de patacas atribuídos. Segue-se a Fundação da Escola Portuguesa de Macau, com quatro milhões

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irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCMM) foi, do grupo de entidades de matriz portuguesa e macaense subsidiadas pela Fundação Macau (FM), a que mais dinheiro recebeu no quatro trimestre do ano passado. Os dados, divulgados ontem em Boletim Oficial (BO), apontam para a atribuição de mais de seis milhões de patacas, em três tranches de 3,8 milhões, 2,3 milhões e 537 mil patacas. Estes montantes foram atribuídos para apoiar o plano de actividades anual da SCMM, que inclui também uma parceria com a associação Bambu Artístico. Em segundo lugar, surge a Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM), que recebeu quatro milhões de patacas para custear o plano de actividades relativo ao ano lectivo de 2021/2022. No caso da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), que gere o

jardim de infância D. José da Costa Nunes, o apoio foi, aproximadamente, de um milhão de patacas. Ainda no rol das entidades portuguesas e macaenses, destaca-se o apoio de 183 mil patacas atribuído à Casa de Portugal em Macau e o subsídio superior a dois milhões de patacas dado ao Instituto Internacional de Macau, pago também em três tranches de 1,9 milhões, 121 mil e 150 mil patacas. No quarto trimestre do ano passado, a Associação dos Macaenses recebeu 6.460 patacas e o Instituto Português do Oriente 152 mil patacas. Destaque também para o apoio de 63.270 mil atribuído à Associação dos Jovens Macaenses ou de 79 mil patacas para o Centro de Arquitectura e Urbanismo, fundado e dirigido pelo arquitecto Nuno Soares.

Aposta na educação

Olhando para a lista ontem divulgada, conclui-se que o dinheiro

da FM foi aplicado sobretudo nas áreas da educação e turismo. Em termos gerais, a entidade mais subsidiada foi a Sociedade Anónima do Centro de Ciência de Macau, que recebeu mais de 122 milhões para aquisição de equipamentos e obras no interior do Centro de Ciência de Macau em 2021 e no corrente ano. A FM deu ainda um grande apoio às instituições do ensino superior, como é o caso da ajuda superior a 73 milhões de patacas

Em segundo lugar surge a Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM), que recebeu quatro milhões de patacas para custear o plano de actividades relativo ao ano lectivo de 2021/2022

dada à Fundação da Universidade da Cidade de Macau para despesas com actividades académicas, equipamentos e apoios escolares e plano de subsídio a estudantes ao ano lectivo 2020/2021. Já a Fundação Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, recebeu um total de 12.500.000 de patacas para o plano anual de 2018/2019 da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Hospital Universitário, Escola Internacional de Macau e Faculdade das Ciências de Saúde da Universidade. A Fundação Católica de Ensino Superior Universitário, que gere a Universidade de São José, recebeu quase cinco milhões de patacas, enquanto que a Universidade de Jinan, em Cantão, obteve mais de 6,3 milhões de patacas para as obras de construção de uma nova ala académica do campus do sul e edifício base de formação de quadros qualificados em direito de propriedade intelectual. Relativamente ao sector do turismo, a FM atribuiu 44.683.000 patacas para o programa “Passeios, Gastronomia e Estadia para Residentes de Macau”. Este subsídio foi pago em duas tranches, de mais de 23 milhões para a Associação das Agências de Viagens de Macau e de 21 milhões para a Associação das Agências de Turismo de Macau. Outra das entidades mais contempladas, foi a Associação de Beneficiência do Hospital Kiang Wu, que recebeu mais de 20 milhões de patacas para aquisição de equipamentos hospitalares. Andreia Sofia Silva


6 sociedade

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SSM Número de suicídios caiu 21,2% no ano passado

No ano passado, Macau registou um total de 60 suicídios, um número que representa uma redução de 21,1 por cento em relação a 2020, de acordo com dados divulgados ontem pelos Serviços de Saúde (SSM). Em termos trimestrais, nos últimos três meses de 2021 suicidaram-se 22 pessoas em Macau, das quais 21 eram residentes (95,5 por cento), e um não residente (4,5 por cento). Os Serviços de Saúde apelam a todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados e desesperados para ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do n.º 28525222 de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.

JUSTIÇA ADIADO JULGAMENTO DO CASO CONEXO AO DE HO CHIO MENG

Até ao Ano do Tigre

Quase cinco anos depois da primeira decisão, a maior parte dos arguidos faltou ontem à audiência da repetição de parte do julgamento ligado ao ex-Procurador da RAEM. A audiência foi marcada para o fim de Março TIAGO ALCÂNTARA

repetição de parte do julgamento do caso conexo ao de Ho Chio Meng foi adiada porque maior parte dos arguidos não compareceu ontem no Tribunal Judicial de Base (TJB).A sessão estava agendada para as 14h45, começou por volta das 15h40 e 15 minutos depois já tinha terminado. A audiência foi adiada para 30 de Março, “para assegurar o direito de defesa” e dar tempo para o envio de novas notificações. Entre os arguidos, os empresários Wong Kuok Wai, Mak Im Tai, Ho Chio Sun, irmão de Ho Chio Meng, e Alex Lam faltaram à sessão. Apenas António Lai, antigo chefe de gabinete de Ho Chio Meng, e o Lei Kuan Pun compareceram à sessão. Apesar das ausências, os arguidos terão sido notificados. Segundo a informação transmitida pela juíza, Ho Chio Sun, irmão do ex-Procurador da RAEM, terá sido notificado através de correio registado para Taiwan. A carta foi recebida. No primeiro julgamento, concluído emAgosto de 2017, o irmão de Ho Chio Meng foi condenado a 13 anos de prisão, mas também não compareceu a qualquer sessão. Ausentes estiveram igualmente os empresários Wong Kuok Wai e Mak Im Tai. À juíza, Pedro Leal, advogado dos dois arguidos, admitiu desconhecer o paradeiro dos clientes. “Acredito que os dois arguidos se tenham ausentado de Macau. Estive

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reunido com eles há cerca de 20 dias, e presumo que se tenham ausentado”, respondeu, quando questionado pelo tribunal. “Não tenho qualquer justificação para as ausências”, acrescentou. Wong Kuok Wai e Mak Im Tai tinham sido condenados a 14 anos e 12 anos de prisão, respectivamente, mas foram colocadas em liberdade, após cumprirem dois anos de prisão preventiva. Por sua vez, Alex Lam foi ilibado de todas as acusações no primeiro julgamento, e a notificação para comparecer em tribunal terá sido enviada para o Interior da China.

Segunda tentativa

Pedro Leal, advogado “Acredito que os dois arguidos se tenham ausentado de Macau. Estive reunido com eles há cerca de 20 dias, e presumo que se tenham ausentado.”

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Polícia Judiciária (PJ) e as autoridades do Interior desmantelaram uma associação de agiotagem e prenderam mais de 60 membros do grupo criminoso. Segundo o jornal Ou Mun, os resultados de ontem foram obtidos com base na informação recolhida durante outra operação, feita no ano passado, e que na altura levou à detenção de 16 pessoas, cinco das quais condenadas com penas de prisão. No âmbito da primeira operação, a PJ detectou outros 14 crimes de agiotagem praticados em Macau. Através das práticas ilegais e empréstimos de valores até 4,2 milhões de dólares de Hong Kong, os alegados criminosos geraram ganhos ilegais de um milhão

Tudo bons rapazes Desmantelamento de rede de agiotagem resulta na detenção de 60 pessoas

de dólares de Hong Kong. Esta informação levou a PJ a formar uma equipa de investigação, em coordenação com as autoridades do Interior, para aprofundar investigações. No dia 26 de Dezembro do ano passado foi desencadeada uma nova operação, tanto no Interior como em Macau. Na RAEM, a PJ deteve quatro suspeitos do Interior, que se encontravam em hotéis. Além destes, mais dois residentes de Macau foram detidos no posto fronteiriço das Portas do Cerco. Os seis indivíduos foram encaminhados para o Ministério

Público e estão indiciados pelos crimes de usura, de branqueamento de capitais e de associação criminosa.

No lado de lá

Ao mesmo tempo, mas no outro lado da fronteira, as autoridades do Interior desencadearam buscas e detenções em onze províncias, entre as quais Guangdong, Guangxi, Fujian, Pequim, Sichuan e Hubei. No total, foram detidos 40 membros, incluindo o cabecilha. Segundo a PJ, a associação criminosa desmantelada ontem actuava desde Janeiro do ano passado nos

casinos da RAEM, a fazer empréstimos a jogadores que variavam de 80 mil a 300 mil dólares de Hong Kong. Em troca cobravam juros entre cinco a dez por cento. No entanto, se o jogador ganhasse uma mão com dinheiro emprestado pelos agiotas recebiam outra comissão de 10 a 20 por cento. O dinheiro era

Sobre a repetição de parte do julgamento, e como este apenas visa os “contratos de serviços” atribuídos pelo Ministério Público, a juíza pediu que os requerimentos dos advogados fossem feitos por escrito. “Os doutores podem fazer requerimentos orais, mas se por escrito há mais tempo para o tribunal fazer a análise e responder”, foi justificado. O tribunal solicitou ainda a Paulino Comandante, advogado de António Lai, que fosse mais selecto nas testemunhas que pretende ouvir, uma vez que a causa da nova acção em tribunal apenas visa contratos de serviços atribuídos pelo MP, durante o período liderado por Ho Chio Meng. Na primeira decisão, António Lai foi absolvido de todas as acusações. João Santos Filipe

movimentado através de dez contas em duas salas VIP em casinos locais. Quando os jogadores eram incapazes de pagar os empréstimos, o grupo raptava e colocava-os em um dos cinco apartamentos no centro da cidade que tinha para o efeito. Os membros da associação guardavam por turnos os espaços e bloqueavam as janelas e porta para impedir a fuga dos devedores. Além disso, faziam vídeos dos devedores a serem agredidos, fotografados nus e a serem torturados, ao beberem água suja, para enviarem aos familiares as imagens e conseguirem cobrar as dívidas. N.W.

e J.S.F.


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sociedade 7

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ECONOMIA UM PREVÊ CRESCIMENTO ENTRE 3,6 E 37,9 POR CENTO

Dados Pessoais Mais de 12 milhões em multas a salões de beleza

Desde 2017, o Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP) abriu 175 investigações a 32 entidades privadas e 1 pessoa singular, que resultaram em sete acções judiciais. No total, onze entidades privadas e uma pessoa singular foram sancionadas com multas acumuladas de 12,741 milhões de patacas. A entidade, cuja actividade mais visível incide principalmente sobre telemarketing e salões de beleza, indicou que “foram ordenadas censuras públicas e aplicadas sanções acessórias de notificação do apagamento e da destruição dos dados pessoais”. Além disso, o GPDP anunciou ontem ter ordenado a censura pública à empresa Jingsheng Enterprises Limited (景盛企業有限公司) e aplicado multa de 560 mil patacas, e uma sanção acessória de “proibição temporária ou definitiva do tratamento, bloqueio, apagamento ou destruição total ou parcial dos dados”.

Cenários amplos

A Universidade de Macau estima que a economia do território cresça em 2022 entre 3,6 e 37,9 por cento, consoante o número de visitantes e a evolução da pandemia. Desta forma, são traçados quatro cenários possíveis. Os analistas sugerem ainda uma aceleração do processo de vacinação

DST Parada de Ano Novo Chinês garantida

A Directora dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, garante que a Parada do Ano Novo Lunar está pronta e será mesmo realizada. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, a directora da DST explicou que os trabalhos de decoração dos carros para o corso estão praticamente concluídos e que as medidas de prevenção da pandemia vão ser muito rigorosas, incluindo a leitura do código de local. Além disso, a responsável indicou também que os artistas precisam fazer teste do ácido nucleico para participar na Parada. Senna Fernandes comentou também o facto de as excursões locais não incluírem as viagens de helicóptero. Segundo a responsável, apesar da iniciativa ter sido muito popular e ter gerado um interesse muito maior que a oferta, o Governo não quis repetir as actividades de anos anteriores. A Parada de Ano Novo começa a 3 de Fevereiro e prolonga-se até 24 de Fevereiro.

TIAGO ALCÂNTARA

Vacinas precisam-se

Depois da contracção económica “severa” em 2020, e de uma breve recuperação no ano passado, os analistas consideram que as empresas locais têm de enfrentar ainda muitos desafios. “O Governo da RAEM implementou várias políticas, especialmente para as pequenas e médias empresas, para as ajudar a combater a crise. Contudo, estas empresas enfrentam ainda uma falta de procura, e sem uma base estável de visitantes, não serão capazes de gerar ganhos estáveis.” Desta forma, o Centro de Estudos de Macau e o Departamento de Economia da Universidade de Macau concluem que as autoridades têm ainda de pensar como “acelerar o processo de vacinação em Macau”, para que as restrições transfronteiriças reduzam, possibilitando o regresso dos turistas a números pré-pandemia.

Caso Macau receba este ano 9,9 milhões de turistas, a economia pode crescer apenas 3,6 por cento, se receber 13,8 milhões turistas anualmente, pode registar-se um crescimento de 15,3 por cento

Construção Civil Trabalhadores despedidos foram à DSAL

Ontem de manhã, um grupo de 20 trabalhadores de construção civil foi à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) pedir auxílio depois de uma vaga de despedimentos no sector, que pode atingir 400 pessoas. Segundo o relato feito pelo jornal Exmoo, um dos trabalhadores indicou que foi despedido a 25 de Janeiro e que a compensação prometida ficou longe de um valor satisfatório. De acordo com o trabalhador, os cálculos para o despedimento tiveram em conta a data do trabalho até 25 de Janeiro, quando no seu entender deviam ter tido em conta Julho deste ano. Sobre a resposta da DSAL, o homem indicou que apenas se limitou a pedir esclarecimentos. Por outro lado, reconheceu que dificilmente vai encontrar emprego curto prazo. Os cerca de 400 trabalhadores despedidos faziam parte de uma obra que está a decorrer no Cotai e que está praticamente concluída.

tes poderá variar entre os 3,5 e os 3,9 por cento. Sobre as receitas da Administração, com a exclusão das transferências da Reserva Financeira, os responsáveis da UM falam em valores que variam entre as 51,2 mil milhões e as 65,9 mil milhões de patacas.

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S analistas do Centro de Estudos de Macau e do departamento de Economia da Universidade de Macau (UM) estimam que a economia local cresça este ano entre 3,6 e 37,9 por cento. A diferença dos valores de previsão tem como base quatro cenários macroeconómicos que variam consoante o número de visitantes que

Macau receber nos próximos meses. Assim, o Modelo Estrutural Macroeconómico de Macau considerou estes quatro cenários que traçam uma recuperação económica a “várias velocidades”. Caso Macau receba este ano 9,9 milhões de turistas, a economia pode crescer apenas 3,6 por cento, se receber 13,8 milhões turistas anualmente, pode registar-se

um crescimento de 15,3 por cento. O terceiro cenário tem em conta a entrada de 17,7 milhões de passageiros, que poderá traduzir-se num crescimento económico de 26,2 por cento. Por fim, o quarto cenário aponta para um crescimento de 37,9 por cento caso Macau receba 21,7 milhões de pessoas. Relativamente às exportações, podem crescer

entre 5,8 por cento e 64,7 por cento, também com base nestes quatro cenários. Face ao consumo interno o crescimento pode ser de apenas um por cento com base nas quatro previsões. As previsões da UM face ao desemprego apontam uma taxa variável entre 2,6 e 3 por cento. Sem incluir os trabalhadores não residentes, a taxa de desemprego dos residen-

O Modelo Estrutural Macroeconómico de Macau foi fundado por James Mirrlees, prémio Nobel em ciências económicas e doutor honorário em ciências sociais da UM.Académicos como Chan Chi Shing, Ho Wai Hong e Kwan Fung também colaboraram na elaboração destas previsões. Andreia Sofia Silva


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Com uma laboriosa produção criativa, mesmo durante a clausura pandémica, os trabalhos de José Drummond saíram do estúdio numa escala maior do que a habitual, mas mantendo as tensões e dicotomias que caracterizam o seu trabalho. O HM falou com o artista português radicado em Xangai, que tem trabalhos expostos em Foshan e Changsha, conquistando cada vez mais um espaço único no mundo artístico da imensa China Actualmente, tem dois projectos expostos em duas cidades, Foshan, na província de Guangdong e Changsha, na província de Hunan. Pode fazer-nos uma breve apresentação destes trabalhos? As duas instalações têm características formais relativamente diferentes. Uma está inserida num espaço interior, outra num espaço público exterior. Uma é uma caixa preta de um espaço museológico, e que funciona um pouco de uma forma transgressiva porque propõe a existência de um espaço dentro de um outro espaço. Vamos por partes. Como caracteriza a obra exposta no Xie Zilong Museum, em Changsha, “The Dream Of The Red Chamber”? Tenho trabalhado bastante com luz e com néons e para este espaço a minha proposta andou à volta de um sentido algo híbrido. O néon principal, que é uma espécie de um labirinto fechado tem uma imagem que faz lembrar motivos chineses e microchips de computador. A peça tem uma série de ambivalências ligadas entre si, em reflexo ao néon central na parede principal. Existe também um LED preto e vermelho, muito característico de restaurantes e lojas chinesas. Em geral, servem para vender um produto qualquer e aquilo que eu

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JOSÉ DRUMMOND ARTISTA

Arte em grande fiz é algo de disruptivo. O produto que estou a vender ali é uma citação do livro que dá o título à peça: “The Dream of the Red Chamber”, um dos quatro clássicos chineses. A citação, que aparece em chinês, traduzida seria algo como "a verdade torna-se ficção, quando a ficção é verdade e o real torna-se irreal quando o irreal se torna real".

Uma dicotomia quase existencialista. São coisas que trabalho há bastante tempo, estas bipolaridades, estes binómios de opostos. Para completar a instalação existe uma frequência sonora, que inunda o espaço e acaba por envolver os visitantes. Essa frequência sonora é a chamada Ressonância Schumann, que corresponde à frequência do planeta Terra, à frequência mais intensa e interior, uma frequência de 7,83 Hz. Curiosamente corresponde também à frequência que o nosso cérebro emite quando sonhamos. Porquê introduzir um elemento sonoro? Foi importante inserir este elemento, porque acredito que está tudo ligado, o mundo não é composto por partes diferentes. Nesse sentido, esta correspondência entre o cérebro humano e o coração da Terra fez todo o sentido. Também permite ao visitante, dentro da instalação, entrar num sentido mais hipnótico de labirinto fechado, neste binómio entre a verdade e a ficção, entre o real e o irreal. Tudo isso acaba por compor, no final, uma espécie de espaço que não é só de contemplação, mas também uma mediação entre o presente e uma realidade alternativa, que surge quando temos a possibilidade de parar e sentir coisas. Tenho usado muito a expressão “templo pós-humano” para caracterizar este caminho que os meus trabalhos têm seguido mais recentemente. Esse conceito especulativo é algo curioso. Podia alargar esse conceito? Os meus trabalhos sempre foram um pouco existencialistas num sentido beckettiano, com algum absurdismo. Mas recentemente tenho-me interessado mais por um certo lado do budismo, é algo que tem tomado mais forma. Existe aqui qualquer coisa, qualquer sugestão. O meu trabalho não se livra de referências ao mundo da arte, especialmente em instalação, aí é ainda mais óbvio. Estas referências existem para criar algum

The Dream of the Red Chamber

“Para completar a instalação existe uma frequência sonora, que inunda o espaço e acaba por envolver os visitantes. Essa frequência sonora é a chamada Ressonância Schumann, que corresponde à frequência do planeta (...) e à frequência que o nosso cérebro emite quando sonhamos.”

desafio, alguma disrupção, até porque acredito que os trabalhos devem ser autossuficientes. Ou resultam ou não, não precisam necessariamente de trazer muitas coisas atrás. Mas voltando a esse ponto do templo pós-humano. Penso que estamos a atingir um momento muito interessante na nossa civilização, em que começamos cada vez mais a funcionar por meios digitais. Temos inteligência artificial a simular muitas coisas. Apesar de o meu trabalho ser contemporâneo, e ter estas referências todas do passado da arte contemporânea ligada ao conceptualismo e ao minimalismo, inclui elementos que o levam para um lado retro-futurista, ciberpunk, porque é especulativo, tem uma ambição que

já ultrapassa a própria vivência neste tempo presente. O nosso tempo de vida, enquanto espécie. Fala-se muito das alterações climáticas e do ambiente. Obviamente que é preocupante, todos deveríamos tentar fazer mais neste capítulo, mas se olharmos para a história do planeta Terra, para o que aconteceu nos últimos 50 anos, isto na história do planeta são duas horas na nossa vida. Não significa muito. Encontro aqui paradigmas que são interessantes para mim. É uma existência irrelevante quando encaramos no big picture. Possivelmente, aquilo que as alterações climáticas vão potenciar cada vez mais é exactamente


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e escala

sistema político, que é extremamente organizado e funciona, na maior parte das vezes, como um monólito, e o círculo, as pedras onde podemos passear, que podem ser as pessoas. Mas, essencialmente, a intenção foi criar um espaço de contemplação, de meditação, um espaço para parar e esquecer, momentaneamente, o presente.

“A escala no meu trabalho mudou com estas duas instalações, era algo que já tinha a tentação de experimentar, e que finalmente tive a oportunidade de fazer. Uma escala maior permite criar este tipo de narrativa sobre espaços.” Apesar da rigidez geométrica, o monólito reflecte pessoas no espaço público. No fundo, interessava-me que esta instalação fosse um objecto que dentro do seu minimalismo pudesse criar a ilusão entre invisível e visível. A questão de se olhar para uma paisagem, mas depois ter um elemento que interfere e reflecte a sua parte.Assim como, tornar visível aquilo que é invisível ao olhar, ao mesmo tempo omitir aquilo que está por trás dessa linha visual que existe.

The More You Try to Forget

a não existência de humanos, porque o planeta vai continuar a existir. Sabemos que tudo isto é cíclico. Até quando estará patente este trabalho em Changsha? Esta instalação está aberta ao público até 19 de Fevereiro. Passando para a instalação patente num parque público no distrito de Nan Hai, em Foshan. Até quando pode ser visitada? E como surgiu este projecto? A instalação vai estar no parque até 16 de Abril. Em termos de referências, há quem mencione o Dan Graham e no “2001, Odisseia no Espaço”. Mas a ideia para o projecto nasceu

“Apesar de o meu trabalho ser contemporâneo, inclui elementos que o levam para um lado retrofuturista, ciberpunk, porque é especulativo, tem uma ambição que já ultrapassa a própria vivência neste tempo presente.”

de uma coisa mínima, uma moeda antiga chinesa. Estas moedas têm em si duas formas infinitas, o quadrado e o círculo. Foi a partir daí que, entretanto, surgiu esse trabalho. Do meio do círculo sai o monólito. O círculo poderá ter mais a ver com land art, com o Richard Long, por exemplo. Na realidade, a ideia de criar o monólito em espelho vive comigo desde meio dos anos 90, mas nunca tive oportunidade de o fazer, e agora, por alguma razão, voltou quando me lançaram o desafio de participar nesta exposição de arte pública. Obviamente, o “2001” contém a ideia de pós-humano, de um espaço de mediação entre a ilusão e a realidade, é uma referência que tem a ver, claro. Não foi, no entanto, o

ponto de partida. O começo partiu do espaço entre culturas e as antigas moedas chinesas. Como foi a produção deste projecto? Este trabalho deu-me bastante gozo a preparar, levou seis meses até ser concluído. Combina o conceito de monólito, uma estrutura muito rígida, enquanto que o círculo que está na sua base tem uma estrutura mais orgânica e flexível. Só combinar esse monólito com a ideia do jardim budista com pedras, onde as pessoas podem passear, interessou-me também como uma metáfora entre sistemas organizados e com sistemas flexíveis, apesar de o trabalho não ser sobre isso. Nomeadamente, o

Podemos afirmar que sai da pandemia, colocando a constante emergência sanitária no passado, em pleno de vigor criativo. O período da pandemia foi de acumulação de trabalhos? Durante a pandemia não parei de trabalhar no estúdio. Mas há aqui um factor interessante, porque me perguntou sobre vigor, que tem a ver com a escala. Estes dois trabalhos, especialmente o último com cinco metros de altura, têm uma escala considerável. A escala no meu trabalho mudou com estas duas instalações, era algo que já tinha a tentação de experimentar, e que finalmente tive a oportunidade de fazer. Uma escala maior permite criar este tipo de narrativa sobre espaços, sobre os templos pós-humanos, estes espaços de mediação entre o tempo e o humano, entre o tempo presente e o tempo do sonho. Tudo isso não existe quando estamos a falar de uma fotografia, ou de uma coisa bidimensional. O aumento de dimensões é algo que já entrou no seu processo criativo? Tenho inúmeros projectos diferentes e todos eles são instalações com uma escala considerável. Apesar de a maior parte estar ainda em fase de projecto, se tiver oportunidade para continuar a fazer coisas, esta será provavelmente a área que me interessa mais prosseguir neste momento. João Luz


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COVID-19 DETECTADOS 44 NOVOS CASOS ENTRE TERÇA E QUARTA-FEIRA

Comissão Nacional de Saúde da China anunciou ontem a detecção de 44 novos casos de covid-19 entre terça e quarta-feira, 24 dos quais por contágio local.AChina mantém uma política de “zero casos”, que envolve a imposição de restrições nas entradas no país, com quarentenas de até três semanas, e testes em massa e medidas de confinamento selectivas quando um surto é detectado. Os casos locais, anun-

ciados ontem, foram diagnosticados no município de Pequim (14), nas províncias de Heilongjiang (quatro), Hebei (um), Liaoning (um), Henan (um) e Guangdong (um) e na região de Xinjiang (dois). Entre os 20 casos “importados”, 10 foram diagnosticados no município de Xangai, uma das principais portas de entrada na China. O país mantém as fronteiras encerradas desde Março de 2020. As autoridades de saúde também informaram ontem sobre a detecção de 64 casos de pessoas assintomáticas, entre os quais 20 locais e os restantes “importados”, embora Pequim não os contabilize como casos confirmados, a menosquemanifestem sintomas. PUB.

Aviso sobre pedido de junção de restos mortais em sepultura perpétua Eu, Lam Kuan Pui(林坤培), nos termos da alínea 4) do n.º 1 e dos n.os 2 a 4 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, apresento um pedido da junção das ossadas de Chan Meng Chu(陳明珠), na sepultura n.º CN-1-E-0302 do Cemitério Municipal de Coloane. A defunta cujos restos mortais se pretende juntar era nora do falecido já ali depositado, o primeiro inumado, 林東和. Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.ºA do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso, ao IAM. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos de cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito dentro do prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos 27 de Janeiro de 2022 Lam Kuan Pui

HK CONFINAMENTO PODE IR ATÉ 2024, DIZ CÂMARA EUROPEIA DE COMÉRCIO

Em circuito fechado

A política de isolamento pode levar à saída massiva de estrangeiros, afectando dramaticamente a economia do território numa altura em que Hong Kong está a impor medidas de quase confinamento e com restrições de voos provenientes de oito locais, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, para conter a propagação da variante Ómicron.

MAY TSE | SCMP

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Agarrar talentos

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Câmara Europeia de Comércio em Hong Kong considera que a abordagem das autoridades locais à pandemia de covid-19 pode manter o território isolado até 2024 e potenciar uma saída em massa dos expatriados. De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, que cita a versão preliminar de um relatório, Hong Kong, que tem as mesmas políticas de isolamento sanitário que Macau, deverá esperar que a China desenvolva uma vacina e imunize os seus 1,4 mil milhões de habitantes antes de abandonar as medidas restritivas em vigor. A reabertura pode acontecer no próximo ano ou no princípio

de 2024, segundo o documento, que aponta que as empresas devem preparar-se para Hong Kong continuar "semifechado" às viagens internacionais. "Antecipamos uma saída de estrangeiros, provavelmente a maior que Hong Kong alguma vez viu, e uma das maiores, em termos absolutos, de qualquer cidade na região" na história recente, lê-se no relatório interno citado pela Bloomberg.

De acordo com a Câmara, isso tornaria Hong Kong menos diversa e menos apelativa para as empresas internacionais, o que acabaria por limitar o contributo para o crescimento da economia chinesa, que recomenda que as multinacionais se preparem para ter escritórios regionais noutras cidades asiáticas em vez de na antiga colónia britânica. O aviso dos empresários europeus surge

“Antecipamos uma saída de estrangeiros, provavelmente a maior que Hong Kong alguma vez viu, e uma das maiores, em termos absolutos, de qualquer cidade na região.” CÂMARA EUROPEIA DE COMÉRCIO EM HONG KONG

O território tem uma tolerância zero para os casos de covid-19, mesmo quando o número é baixo em relação aos padrões globais, e divergindo face ao ajustamento que o resto do mundo tem feito para viver com o vírus com um elevado nível de vacinação da população. Hong Kong obriga a que os viajantes fiquem 21 dias em quarentena ao chegar ao território, o que dificulta a entrada dos executivos na cidade e torna mais difícil a contratação dos melhores profissionais, segundo a Bloomberg. O relatório, que explora vários cenários, foi criado para ajudar as empresas internacionais a prepararem-se para o futuro em Hong Kong, já que, como as restrições às viagens deverão durar pelo menos um a três anos, os negócios precisam de decidir como manter os talentos e os trabalhadores mais talentosos. O número total de pacientes activos na China continental é de 2.487, entre os quais oito em estado grave. Desde o início da pandemia, 105.749 pessoas foram infectadas no país e 4.636 morreram.

PEQUIM 2022 CHINA SAÚDA APELO DA ONU PARA TRÉGUA OLÍMPICA

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China dá as boas-vindas e apoia o apelo do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para que as nações observem a Trégua Olímpica face aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022, disse esta terça-feira um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Guterres divulgou um comunicado na segunda-feira pedindo ao

mundo que "construa uma cultura de paz" através do poder do desporto. O secretário-geral convidou todas as partes a observarem um cessar-fogo durante os próximos Jogos Olímpicos de Inverno. A Trégua Olímpica tem uma longa história, que incorpora a busca da humanidade pela paz e assistência mútua. Também está de acordo com a missão original

da ONU de manter a paz e a segurança internacionais, observou Zhao Lijian, o porta-voz do MNE. A 76.ª Sessão da Assembleia Geral da ONU adoptou por consenso a resolução sobre a Trégua Olímpica para Pequim 2022, que demonstra a confiança da comunidade internacional na realização do evento pela China e reúne a força da aspiração de pessoas

de todo o mundo, disse Zhao. A China sempre assumiu um compromisso para com a paz e o multilateralismo e apoiou a causa da ONU. A China convida todos os países a tomarem Pequim 2022 como uma oportunidade para resolver as diferenças através do diálogo, substituir o confronto pela cooperação, aumentar o entendimento mútuo e promover a paz

e o desenvolvimento mundial, disse ainda Zhao. O país está confiante de que pode trabalhar com outras partes para seguir o espírito olímpico de maior unicidade e aproveitar os Jogos como uma oportunidade para avançar em direção a um futuro melhor e pacífico.


quinta-feira 27.1.2022

CORRUPÇÃO ALTOS QUADROS EXPULSOS DO PARTIDO

He Xingxiang

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antigo vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da China He Xingxiang e o ex-secretário do Partido Comunista Chinês na cidade de Hangzhou Zhou Jiangyong foram expulsos do partido, anunciou ontem o órgão anticorrupção do PCC. A Comissão Central de Inspeção Disciplinar anunciou, em dois comunicados, a expulsão de Zhou e He também de todos os cargos públicos. Ambos “violaram gravemente as leis e a disciplina do Partido Comunista", segundo a comissão. Durante a sua estada em Hangzhou, capital da

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província de Zhejiang, no leste da China, Zhou participou de “banquetes que podiam afectar o uso imparcial do seu poder”, além de “aceitar presentes e grandes somas de dinheiro em colaboração com os seus familiares”. De acordo com a comissão, Zhou “aproveitou as suas posições para beneficiar outros”, fingiu “seguir as directrizes” do Comité Central do PCC, quando na verdade “agiu contra estas”, e envolveu-se em “actividades supersticiosas”. He Xingxiang “perdeu os seus ideais e convicções” e “traiu a sua missão original”, acusou a agência anticorrupção. Além de “aceitar subornos”, em forma de dinheiro e presentes, He concedeu empréstimos “ilegalmente”, comportamentos que causaram “grandes danos à nação” e “significativos riscos financeiros”.

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China considerou ontem o seu desempenho económico “notável”, após o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter afirmado que a política de “zero casos” de covid-19 representa um risco para a recuperação da economia mundial. Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que o país continua a servir como um “motor da recuperação económica global”. A China “alcançou resultados notáveis, que promoveram a recuperação”, disse Zhao Lijian, em conferência de imprensa. O responsável considerou as medidas atuais necessárias para “proteger” a saúde dos seus cidadãos. “A China sempre adoptou uma abordagem científica, abrangente e sólida para a prevenção e controlo” do vírus, afirmou. A China mantém uma política de “zero casos”, que envolve a imposição de restrições nas entradas no país, com quarentenas de até três semanas, e testes em massa e medidas de confinamento seletivas quando um surto é detectado. Estas medidas permitiram ao país asiático conter o vírus a partir da Primavera de 2020 e retornar a uma vida quase normal. Mas agora pesam muito na actividade económica.

Novos riscos

Citada pela agência France Presse, a vice-directora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath, afirmou que

Manter o rumo Rejeitadas críticas do FMI à política de “zero casos”

“A China sempre adoptou uma abordagem científica, abrangente e sólida para a prevenção e controlo do vírus.” ZHAO LIJIAN MNE CHINÊS

a China deve “reajustar” a sua estratégia actual de combate à covid-19. Com a variante Ómicron, que é muito mais contagiosa, mas menos perigosa, Gopinath estimou que mais confinamentos na China podem ter um “impacto negativo na economia”. “Isto cria o risco não apenas de desacelerar o crescimento, mas também terá consequências muito significativas para as cadeias de fornecimento globais”. Em Agosto de 2021, a China fechou parcialmente um dos portos mais importantes do mundo, perto da cidade de Xangai, devido a um surto de covid-19, numa altura em que as interrupções no transporte logístico já pesavam fortemente nas cadeias de abastecimento. O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa na terça-feira a previsão de crescimento para a China, este ano, para 4,8 por cento, de 5,6 por cento em Outubro. A nível global, o FMI espera um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,4 por cento.

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AVISO N.° 3/AI/2022

AVISO N.° 4/AI/2022

AVISO N.° 5/AI/2022

AVISO N.° 6/AI/2022

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------1. Mandado de Notificação n.° 1017/AI/2021:HE SICUI, portadora do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° CB8897xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 78/DI-AI/2020, levantado pela DST a 26.07.2020, e por despacho da signatária de 09.12.2021, exarado no Relatório n.° 1111/DI/2021, de 24.11.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Caminho das Hortas n.° 565, Iau Lei Garden, Bloco 3, 11.° andar B onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 1049/AI/2021:SU YINFEI, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° CB3028xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 351.1/DI-AI/2019, levantado pela DST a 29.11.2019, e por despacho da signatária de 26.10.2021, exarado no Relatório n.° 977/DI/2021, de 29.09.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade de Sintra n.° 422, Praça Wong Chio, 12° andar V.-----------------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 1038/AI/2021:DENG SHIPING, portador do Bilhete de Identidade de Residente não Permanente da RAEM n.º 16032xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 371/DI-AI/2019 levantado pela DST a 11.12.2019, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 17.12.2021, exarado no Relatório n.° 1132/ DI/2021, de 30.11.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Rua de Bragança n.° 442, Urbanização da Nova Taipa-Fase I, Bloco 30, 10.° andar M onde se prestava alojamento ilegal.--------- 2. Mandado de Notificação n.° 7/AI/2022:DUAN DANFENG, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 15412xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 12/DI-AI/2020 levantado pela DST a 09.01.2020, e por despacho da signatária de 05.01.2022, exarado no Relatório n.° 7/DI/2022, de 04.01.2022, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Rua de Viseu n.os 70 - 110, Nam Kuai, Bloco 1, 19.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335341, Edifício Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.----

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se as infractoras abaixo discriminados:------------------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 15/AI/2022:NI YONGZHEN, portadora do Passaporte da RPC n.° ED7394xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 8/DI-AI/2020 levantado pela DST a 08.01.2020, e por despacho da signatária de 07.01.2022, exarado no Relatório n.° 17/DI/2022, de 06.01.2022, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Rotunda do Estadio n.° 61, Mei Keng Fa Un, 15.° andar K onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 21/AI/2022:WANG XIAOREN, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C60092xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 77/DIAI/2020 levantado pela DST a 28.04.2020, e por despacho da signatária de 10.01.2022, exarado no Relatório n.° 26/DI/2022, de 06.01.2022, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida 24 de Junho n.° 118, The Paragon (Finalidade Habitacional) 17.° andar C onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode as infractoras, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335341, Edifício Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.----

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 17/AI/2022:LUO YUNLONG, portador do passaporte da RPC n.° E69315xxx e do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C29572xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 34/DI-AI/2020 levantado pela DST a 19.01.2020, e por despacho da signatária de 11.01.2022, exarado no Relatório n.° 21/ DI/2022, de 06.01.2022, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Onze Bairro Tamagnini Barbosa n.° S/N, Jardim Cidade Nova, Bloco 7, 2.° andar D, Macau onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 29/AI/2022:HONG YAO, portadora do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C14542xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 22/DI-AI/2020 levantado pela DST a 13.01.2020, e por despacho da signatária de 12.01.2022, exarado no Relatório n.° 37/DI/2022, de 10.01.2022, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida Sir Anders Ljungstedt n.° 28, Vista Magnifica Court, Bloco 3, 5.° andar N, Macau onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335341, Edifício Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.----

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Janeiro de 2022.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Janeiro de 2022.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Janeiro de 2022.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 19 de Janeiro de 2022.

A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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diário de próspero

ANTÓNIO CABRITA

Afirma Plotino, preto no branco, que nunca o olho lograria ver o sol se não contivesse, de certo modo, ele mesmo o sol. É um conceito mágico de identificação do sujeito e do objecto, de coincidentia oppositorum. A óptica confirmou este facto. Mas, antes, a Grécia mitológica registou dois momentos em que, pelo contrário, se tramou um recuo do olhar em relação ao objecto, instaurando, uma disjunção, quer por encapsulamento onírico, quer como vinco naturalista. O primeiro corte ocorre no episódio em que Hermes, com melífluos acordes de flauta, devolve ao sonho a última pálpebra de Argos. Argos é decapitado em virtude de a música ter produzido um curtocircuito entre a sua vontade (programada para tudo ver) e o desfrute contemplativo a que a melodia o arrastava - que, com notas e harmonias imprevistas, pregueava a suposta lisibilidade do visível. Argos não estava preparado para a abertura ao desejo, ao devaneio, e o seu olhar, enublado pelo apreço às volutas da música, começa a sentir como um estorvo a sua missão… e desata a querer descolar do que «vê» reconduzidas as suas visões apriorísticas ao sonho. O segundo caso teve lugar quando Perseu, pelo reflexo no escudo, surpreende Medusa de olhos fechados. Perseu, atónito por não ter sido imediatamente transformado em pedra teve um momento de dúvida e quase embarca no desvelo da promessa de harmonia que as pálpebras cerradas de Medusa desenhavam. Reagiu a tempo e antes que ela abrisse as pálpebras cortou-lhe a cabeça. A Górgone não acolhia o olhar do outro - sem admitir o contágio, a afectação recíproca, tatuava de uma vez na retina alheia a sua cartografia para a memória. Górgone é o símbolo das imagens cristalizadas num repertório auto-centrado, imune a variações: «Na face de Górgone opera-se um efeito de desdobramento. O voyeur é arrancado de si mesmo, destituído do seu próprio olhar, investido e como que

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Plotino e a bibliotecária

invadido pelo da figura que o encara; (...) o que a máscara de Górgone nos permite ver, quando exerce sobre nós o seu fascínio, somos nós mesmos no além (...) a verdade do nosso próprio rosto» diz-nos JeanPierre Vernant. No além: no núcleo mesmo de uma radical ausência a si mesmo. Apelo da pedra, poder de morte.

E, CONTUDO, APESAR DE AVISADO, CEGUEI, LOGO AO PRIMEIRO ENCONTRO, NAS BADANAS DO LABIRÍNTICO DESEJO DA BIBLIOTECÁRIA DE OLHOS VERDES A QUEM CALHOU IR PERGUNTAR QUE EDIÇÕES HAVERIA DE PLOTINO E EM QUE LÍNGUAS Górgone representava a Hollywood do seu tempo, uma máquina de converter paisagens em moldes de produção e em receita. Nos sonhos da Idade Média cabia ao corpo inteiro ser o próprio olho do Diabo, embora o optimista Pedro Damião acreditasse que em cada um dos

cinco sentidos havia uma porta que o decoro e uma vontade férrea para rejeitar os impulsos hedonísticos podiam fechar (tempos infelizes, aqueles). Inúmeros são também os olhos que a mãe de Dante, com susto, atribui ao filho. Segundo um sonho de grávida, relatado por Boccacio, Bella vê o filho metamorfosear-se num pavão real e abrir a cauda com os seus mil olhos. O Renascimento, ao invés, projecta-se como uma alba compadecida e avulsa, à parte de qualquer diabolização: o corpo devém senhor da imagem e a perspectiva espacial inscrevese na medida (anatómica) do gesto. A partir daí o olho vê o que o corpo mede. Essa transparência, na inocência que a neutralidade da perspectiva encena, anuncia o écran cinematográfico. O século XX abriu uma nova fenda na visão pois começou por tratar a figura pelo excedente que a sua relação com outras figuras introduz. Um corpo isolado passa a ser um perjúrio. Era a reacção da pintura contra os moldes realistas e a imobilidade calcária da fotografia, atraída pelo enlace da narrativa e a inter-relação dos movimentos. Entretanto, a “arte do raccord” reforçava a suspeita sobre a identidade unívoca das figuras, fazendo prevalecer sobre os gestos

o intervalo rítmico entre eles: assim se capturaram, escondidas na ambivalência das imagens, algumas insuspeitas invariantes, uma intencionalidade não declarada. Um filme de Tarkovski é uma rede que erra em busca do Peixe do Invisível e o tempo mana nele como as turbulências num rio ou as dobras nos panejamentos de Leonardo. Por outro lado, a publicidade entreteve-se século XX adentro a alternar variações para a máscara de Baubó: um sexo dissimulado de rosto, ou, antes, um rosto reduzido ao gracejo de sexo, sem dar conta de que se ia favorecendo a ferocidade dos animais que se entredevoram e que com isso se aboliam as leis da hospitalidade. Talvez se prenda aqui a razão para Blanchot nos prevenir de que todos os dias há uma coisa para não ver. No visionamento de um filme catalão permeado pelo trabalho do luto ocorreu-me esta possibilidade: imaginemos um povo sem palavras, mas cujo olhar ritualístico, intencional, de cada geração por alguns objectos e totens, restitui, com a atenção que os seus progenitores já haviam escrutinado, a temperatura das coisas que permitem o apelo da memória, que o mundo se torne sustentável. Só a plena vigência do olhar, confirmando o detalhe, a invisível pulsação das nervuras ou da sua geometria, na árvore ou nas pedras, as descongelaria do seu estreme esquecimento. E, contudo, apesar de avisado, ceguei, logo ao primeiro encontro, nas badanas do labiríntico desejo da bibliotecária de olhos verdes a quem calhou ir perguntar que edições haveria de Plotino e em que línguas; grácil e voluptuosa bibliotecária que, nos meses seguintes, se revelou uma amante de um pródigo desregramento como talvez só da Cleópatro haja registo. O meu olho está embutido na sua carne como o ar molda as vagas que se sucedem na oceânica pélvis de Deus. Coincidentia oppositorum. A óptica confirmou este facto.


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22 GIA | MICHAEL CRISTOFER | 1998

2 4 1 3 5 6 7 0 9Gia8 Maria 7 0 Carangi 3 1 2foi 6a 6primeira 5 3 supermodelo 4 7 0 9que8o mundo da moda conheceu, 0muito 9 2antes 6 de4 aparecerem 8 5 7 5nomes 7 8como 1 Claudia 2 9 Schiffer 0 3 ou Linda Evagelista. No 1 6 0 5 8 2 3entan4 to, os seus problemas pessoais 4levaram-na 3 9 8 ao1consumo 5 6 de 2 drogas duras que destruíram 8 2 4 7 9 3 1 5 a sua vida e carreira, pois Gia 7morreu 1 6de2Sida0 com 4 apenas 8 9 3270anos. 5 Este 9 6filme 7 conta 4 1a

sua história com base em testemunhos reais de pessoas 24que com ela trabalharam. 8Andreia 3 2 Sofia 6 7Silva5 0 9

CINETEATRO

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C I N E M A

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NO WAY HOME [B] 8SPIDER-MAN: Um filme de: Jon Watts Com: Tom Holland, Zendaya, Cumberbatch 414.30,Benedict 18.30, 21.15 1 I AM WHAT I AM [B] EM PUTONGHUA LEGENDADO 3FALADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Haipeng Sun 614.30, 19.30 WE MEET AGAIN [C] 9TILL FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO 7 0 5 2 SALA 2

EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Giddens Ko Com: Kai Ko, 16.30, 21.30 SALA 3

PIL’S ADVENTURES [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Julien Fournet 14.30, 16.30, 19.30

THE KING’S MAN [C]

Um filme de: Matthew Vaughn Com: Ralph Fiennes, Harris Dickinson, Stanley Tucci 21.30

1 1 4 22 8 5 2 6 9 4 7 3 0 6 74 9 1 45 36 0 8 29 5 0 5 9 8 2 4 1 6 3 7 0 4 3 70 5 8 92 2 6 1 1 4 7 0 9 3 6 2 5 8 3 5 4 0 27 10 7 6 8 9 7 6 1 3 0 8 4 5 9 2 PIL’S ADVENTURES 2 9 62 8 04 78 1 37 5 4 4 2 5 9 6 1 3 8 7 0 85 3 18 6 92 09 5 43 7 26 9 7 6 5 4 0 8 3 2 1 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João 6 5 3 7 4 0 7 5 Nunu 3 Wu 2 Colaboradores 6 1 9 Anabela 8 Canas; António5Cabrita; 8 António 0 1de 3 2 Luz;7José4C. Mendes 6 9Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; M.Tavares; Inês Oliveira; João Paulo 74 13 29 9 Gonçalo 81 55 3 02Gonçalo 40 Waddington; 67 2 1 3 4Cotrim; 5 José7 Simões 9 Morais, 0 8Julie6Oyang; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; www. 7Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 1 9 2 0 4 Rasquinho; 7 6 Paul 8 Chan 5 Wai 1 Chi; 3 Paula Bicho; Tânia6dos0Santos8 Grafismo 2 1Paulo9 Borges, 5 7Rómulo 4 Santos 3 Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; hojemacau. Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 7 0 4 5 com.mo 5 6 8 3 Welfare 1 4Morada 2 Pátio 9 da0Sé, 7n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 3 9Macau; 4 Telefone 7 828752401 6 2Fax 28752405; 1 0 5e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 3 9 6 7 4 2 24

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27.1.2022 quinta-feira

André Namora

A LÍNGUA PORTUGUESA É MUITO DIFÍCIL

A campanha eleitoral tem tido como rainha a ignorância das palavras faladas ou escritas

HÁ MUITOS ANOS que ouvimos dizer que a língua portuguesa ortograficamente falando é das mais difíceis do mundo. E concordamos plenamente. A língua portuguesa bem falada ou escrita tem de ser muito bem estudada e investigada. Muito pouca gente em Portugal sabe escrever. Nós próprios temos a noção que somos limitados sobre o conhecimento devido da nossa língua, apesar de termos optado por um tipo de escrita que seja da compreensão da maioria dos nossos leitores. Em Portugal temos personalidades que são autênticos literatos porque a sua escrita é de um nível muito elevado e que, por vezes, nos obriga a ir abrir o dicionário. Escrevem com elevada simplicidade, mas de uma forma eclética e de alto nível, meia dúzia de portugueses e, isso, é desolador. Escrever com alto nível é apresentar um conjunto de símbolos, sintáticos, com regras semânticas e palavras-chave que permite criar códigos com instruções para controlar

as acções adquiridas pelo conhecimento. É o que acontece ao lermos António Lobo Antunes, Luísa Costa Gomes, Isabel Rio Novo, Gonçalo M. Tavares, Mário de Carvalho, Carlos Morais José, Miguel Sousa Tavares, António Barreto, Mário Cláudio, Miguel Esteves Cardoso, Valério Romão, João Reis ou José Luís Peixoto. São génios da escrita, de uma inspiração invulgar, possuidores de um dom quase sobrenatural. Escrevem como falam. Têm um conhecimento da literatura como nós não imaginamos. Um cantor tem o dom da voz, um carpinteiro produz obras que nem ele sabe como as conseguem obter. Um conhecedor profundo da língua portuguesa oferece aos seus leitores o prazer de aprender o desconhecido. Toda esta conversa vem a propósito da campanha eleitoral que tem decorrido pelo país fora e onde nunca tínhamos ouvido tantos pontapés na gramática portuguesa. “Há meses atrás” é o habitual em ministros,

deputados, líderes políticos, comentadores televisivos e personalidades de elite quando são entrevistadas. E nunca ninguém lhes perguntou que se o caso referido foi “há meses atrás”, então, e à frente? Mas nestas eleições fica para a história da língua portuguesa o erro crasso divulgado pelo próprio líder do partido “Iniciativa Liberal (IL)”, dos jornalistas de televisão e rádio, dos comentadores das redes sociais que têm passado todo o tempo de campanha a proferir a patacoada de dizer “a” Iniciativa Liberal. No feminino. Iniciativa Liberal é um partido político. É masculino. Tem de se pronunciar “O Iniciativa Liberal”. Mas não, não há alma viva na campanha eleitoral que não diga “A Iniciativa Liberal”. O que é isto afinal? Analfabetismo, não vamos tão longe. Distracção? Indesculpável. Hábito? Hábito de quê, se o partido político tem tão pouco tempo de existência? Temos de concluir que todos os pontapés na nossa língua

representam desinteresse em valorizá-la, representam mesmo sem rodeios alguma ignorância, tantas vezes proferida ou escrita por quem vive dessa mesma escrita. Esta ignorância sobre a língua portuguesa fez-nos recordar os editoriais de um sapo que durante anos nem sabia conjugar o sujeito com o predicado. Mas falam, escrevem, candidatam-se a deputados da nação sem saberem o mínimo da língua portuguesa. Uma vez perguntámos a um deputado a razão de ao fim de tantos anos nunca ter usado da palavra no Parlamento. A resposta foi inacreditável, ao dizer-nos que ainda não tinha arranjado quem lhe escrevesse o discurso porque de português bem escrito sabia muito pouco. E era advogado. A campanha eleitoral tem tido como rainha a ignorância das palavras faladas ou escritas. Os candidatos são inúmeros. Os partidos políticos que concorrem às eleições do próximo dia 30 são tantos que nem os conhecemos a todos. Mas falam, falam por tudo o que é mercado, centro de cidade, restaurante alugado para o efeito. Entregam pelas ruas panfletos, que ao lermos alguns, logo pensamos que Camões desmaiava se visse tal desiderato. Panfletos num português que nem um aluno do segundo ciclo escreveria tão mal. Um horror. Uma tristeza confirmarmos que há muito pouca gente que apresente a língua portuguesa como ela merece, com estilo correcto, com diversidade e lógica mas com as regras devidas a serem cumpridas. A língua portuguesa está hoje em dia patente em milhares de livros, na maioria chamados “cor-de-rosa”, romances de meia tijela, folhas cheias de asneiras ortográficas onde os próprios revisores nunca frequentaram uma Faculdade onde se ensinasse Literatura. Hoje em dia, toda a fulana que vai a um programa de televisão e que sente o seu ego bater nas nuvens, vai logo escrever um livro. E o pior é que muitas editoras rejeitam grandes obras, textos maravilhosos, mas para poderem ganhar rios de dinheiro apenas optam por lançar no mercado as vedetas da televisão e dos jornais. Desistimos de acompanhar as arruadas e as declarações aos jornalistas, os noticiários que são preenchidos pelas baboseiras de certos políticos. A nossa mente que adora ler, que sente o que lê, que distingue o bom do mau, rejeita liminarmente os tais pontapés na língua portuguesa. Adorávamos saber escrever a nossa língua de uma forma que nos pudesse dar satisfação plena. Contudo, já nos damos por muito satisfeitos por conseguir enviar-vos estas crónicas, apenas com o intuito de vocês poderem acompanhar o que vai acontecendo pelo nosso Portugal. Como se aproxima aí o Novo Ano do Tigre recebam um abraço e Kung Hei Fat Choi. *Texto escrito com a antiga grafia


quinta-feira 27.1.2022

opinião 15

www.hojemacau.com.mo

sexanálise

Tânia dos Santos

COMO ESCOLHER UM VIBRADOR? PARA AS QUE QUEREM abraçar o novo ano a experimentar novas formas de obter prazer, os brinquedos sexuais são uma boa forma de o conseguir. Para quem já espreitou as lojas online ficará certamente assoberbada com a quantidade de artigos existentes no mercado. Há tudo para todos os gostos sexuais e todas as carteiras. Este é um pequeno guia para quem gostaria de comprar o primeiro brinquedo sexual, mas que nunca conseguiu decidir-se por qual. Por razões de natureza algo evidente, focar-me-ei nos brinquedos sexuais para as pessoas com vulva. A variedade é muita porque há apetites diversos, que reflectem as diferentes formas como nos relacionamos com o sexo, com o nosso corpo e de como ele se comporta. Focar-me-ei nos vibradores, esse feliz ícone da cultura pop, com a ressalva de que a variedade de brinquedos para pessoas com vulvas ou pénis - ou para diversão a dois dão uma dissertação. Os vibradores têm a incrível capacidade de estimular toda a zona da vulva, incluindo o clitóris, o órgão do prazer, ajudando a atingir o orgasmo. Um dos mais populares estimuladores clitorianos é a magic wand. Apresentado como um massajador para o corpo no final dos anos 60, aumentou em popularidade desde que a Betty Dodson, a

educadora mais fervorosa dos orgasmos para a libertação humana, publicitou o seu uso comum na zona da vulva. Ao contrário do que muita gente pensa, a wand – que tem a forma de uma varinha e acaba com uma ponta grande e arredondada – não serve a penetração. Várias marcas já puseram no mercado a sua versão da wand, apesar do original ser da marca Hitachi que se viu surpresa ao ver o massajador muscular transformado em brinquedo sexual. Quando foi mencionado num episódio d’O Sexo e a Cidade em 2003, as fãs esgotaram o stock. Os vibradores de forma fálica já servem a penetração. Um dos mais populares tem o formato que lhe chamam de ‘coelhinho’ (bunny) por ter uma dupla forma fálica e fazer lembrar as orelhas de um coelho. Esta serve para ajudar a estimular a vagina bem como o clitóris, simultaneamente. Há outras ainda mais complexas, que até estimulam a zona do períneo ou penetram o ânus. Dependendo da sofisticação do brinquedo, ele pode vibrar e mexer-se rotativamente para o prazer garantido. Uma inovação mais recente são os estimuladores de ar que de algum modo simulam sexo oral. Estes brinquedos terminam numa forma em donut, isto é, com um buraquinho no centro onde ‘encaixam’ o clitóris. Coloco-os na categoria de vibra-

dor, porque a maior parte deles pode vibrar também. Estes podem ter dois motores, um de estimulação de ar, e outro de vibração e podem controlá-los como bem vos apetece. Para alguns destes brinquedos, este controlo pode ser tão mais sofisticado com a ajuda de uma aplicação – ao ponto de poder vibrar ao som da vossa música favorita. A marca que tem popularizado estes estimuladores de ar é a Satisfyer, com a melhor relação qualidade-preço. O seu sucesso é tão grande que a marca já descreve o objecto, tal como acontece com Chiclete, Gillette ou Tupperware. Para as que quiserem experimentar,

A variedade é muita porque há apetites diversos, que reflectem as diferentes formas como nos relacionamos com o sexo, com o nosso corpo e de como ele se comporta

existe a versão one night stand. É baratinha e tem a duração máxima de 90 minutos, sem possibilidade de trocar pilhas ou recarregar baterias. Uma proposta interessante para quem quer fazer o test-drive sem esgotar o orçamento mensal. Para as que se convertem, podem depois investir num brinquedo mais duradouro. A escolha, por isso, depende muito do que se gosta. Procuram algo para estimulação do clitóris e da zona da vulva? Querem um brinquedo para penetração? Querem um foco mais preciso no clitóris? Mantenho a ressalva que precisam de confirmar se as marcas e os fabricantes utilizam produtos seguros para as partes íntimas. Há muitas marcas com todas estas propostas que vos referi, e como devem calcular, brinquedos sexuais mais baratinhos podem não ter tanta qualidade. Felizmente que há quem se ocupe a experimentar e opinar sobre artigos sexuais, caso queiram dicas mais especificas. Estas são as sortudas que recebem nas suas caixas de correio muitos brinquedos para uma opinião honesta para mais tarde publicarem nas redes sociais. A Scarlet O’Hara é uma dessas pessoas, e recomendo o visionamento caso já tenham um brinquedo sexual em mente, e gostassem da opinião de alguém que já experimentou há volta de centenas brinquedos sexuais. É isto. Votos de Good Vibrations.


“A vida mais doce é não pensar em nada.” PALAVRA DO DIA

COVID-19 PORTUGAL DOOU VACINAS AO VIETNAME

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TDM Ma Iao Hang por mais três anos

Ma Iao Hang vai continuar a presidir à assembleia geral da TDM por mais três anos, sendo que o novo mandato tem início no dia 1 de Fevereiro. A decisão, assinada pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, foi ontem publicada em Boletim Oficial. Ma Iao Hang preside à assembleia-geral da TDM desde 2013, tendo visto os mandatos renovados em 2016 e 2019.

O fim de uma era Número de junkets caiu para quase metade num ano

O

número de licenças de promotores de jogo em Macau passou para cerca de metade no espaço de um ano, de acordo com os dados divulgados ontem pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Para este ano, foram licenciados 46 junkets, quando no ano passado tinham sido 85 os promotores de jogo licenciados. Os números apresentados ontem, mostram uma redução de 39 empresas, ou 45,9 por cento. Contudo, este dado é mais significativo quando a comparação é feita com 2013, altura em que se viviam os anos dourados das receitas de jogo. Nesse ano, a DICJ tinha licenciado 235 empresas ou empresários individuais para desempenharem funções de promoção de jogo. A indústria do jogo VIP sofreu um duro golpe em Novembro do ano passado, após a

queda do maior angariador de apostas VIP do mundo, a empresa Suncity. As autoridades de Macau, decretaram a prisão preventiva ao director executivo do grupo, Alvin Chau, dias depois de o empresário ter sido acusado no Interior de liderar uma vasta rede que captava apostadores para salas de jogo e casas de aposta ‘online’ a operar além-fronteiras. De seguida, a Suncity anunciou o fim das suas operações relacionadas com os ‘junkets’, já depois de em 30 de Novembro ter encerrado as suas salas de jogo

Para este ano, foram licenciados 46 junkets, quando no ano passado tinham sido 85 os promotores de jogo licenciados

VIP em Macau, sendo que o grupo estava presente em mais de 40 por cento dos casinos do território.

Indícios criminosos

Segundo o Ministério Público, a detenção foi feita depois de se ter verificado a existência de indícios suficientes da prática dos crimes de participação em associação criminosa, chefia de uma associação criminosa, branqueamento de capitais e de exploração ilícita do jogo. A somar a todas dificuldades vividas pelos ‘junkets’, o Governo anunciou que para os próximos cinco anos quer aumentar a proporção do jogo de massas nos casinos do território. Por fim, na proposta de revisão da lei do jogo, aprovada já na generalidade na Assembleia Legislativa, estabelece-se ainda que “cada promotor de jogo só pode exercer a actividade de promoção de jogos em uma concessionária”.

MILÃO EX-PRIMEIRO-MINISTRO SILVIO BERLUSCONI HOSPITALIZADO

O

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ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que no sábado desistiu da candidatura à Presidência de Itália, está hospitalizado em Milão devido a uma infecção, embora o seu estado de saúde não seja

27.1.2022

Nietzsche

MERCADOS CONCURSO PÚBLICO PARA ATRAIR COMERCIANTES OSÉ Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), garantiu à deputada Ella Lei que pretende apostar na renovação dos mercados através da abertura de um concurso público. Desta forma, pretende-se captar a atenção “dos interessados no arrendamento de bancas para explorar as suas actividades, o que servirá para trazer para os mercados bancas com maior diversidade de mercadorias à venda e injectar uma vitalidade renovada”. Além disso, o IAM “lançou as orientações sobre a indicação de preços nas bancas dos mercados públicos para uniformizar a forma de indicação de preços”. Com estas orientações, “os vendilhões devem utilizar uma placa de preços específica e uniformizada para indicar legivelmente a designação dos produtos e duas unidades de cálculo, incluindo a do sistema métrico”. José Tavares frisou também, em resposta à deputada, que o IAM “continua a ouvir as sugestões apresentadas pelos diversos sectores da sociedade e a manter um contacto com o próprio sector, para desenvolver em tempo oportuno um plano para o bom aproveitamento dos mercados com condições, consoante a situação real e as necessidades”.

quinta-feira

preocupante, revelaram ontem os ‘medias’ italianos. Berlusconi, de 85 anos, foi internado no domingo no hospital San Rafael, em Milão, para se submeter a exames médicos de rotina, segundo fontes do

seu partido, o conservador Forza Italia, e continuará hospitalizado por mais alguns dias devido a uma infecção, escreveu ontem o jornal italiano Corriere della Sera. Apesar de “estar bastante bem” no que diz

respeito ao seu estado de saúde, está “triste, deprimido, alternando a raiva com o desânimo”, afirmaram fontes próximas do magnata italiano, referindo que Berlusconi se sente decepcionado por ter abandonado a

corrida à Presidência italiana. Berlusconi mal atende o telefone e tem recebido muito poucas visitas, apenas de pessoas mais próximas, nomeadamente da sua filha Marina, segundo referiu o jornal italiano.

Vietname já recebeu 159.120 doses da vacina da Pfizer-BioNTech contra a covid-19, doadas por Portugal, anunciou a delegação da Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Hanói. Segundo um comunicado divulgado na terça-feira, a doação do governo português foi feita através do programa internacional de distribuição de vacinas anti-covid-19 para os países mais pobres COVAX. “Portugal vai continuar a apoiar o sector da saúde do Vietname, (…) para assegurar o acesso equitativo do povo vietnamita à vacina contra a covid-19”, referiu no comunicado Tran Kim Chung, cônsul honorário de Portugal na capital, Hanói. Só este ano, o COVAX já entregou 6,27 milhões de doses ao Vietname, doadas pela Alemanha, Reino Unido, Portugal e Luxemburgo. A representante da UNICEF no Vietname, Lesley Miller, agradeceu a contribuição “importante e em tempo útil” dos quatro países. O COVAX é coliderado pela Organização Mundial de Saúde, a Cepi (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations) e a Aliança Global para as Vacinas (GAVI, presidida por José Manuel Durão Barroso). A 3 de Dezembro, o ex-primeiro-ministro português disse à Lusa que o COVAX tinha prevista a entrega de mais de 1,2 milhões das cerca de 2,4 milhões de doses doadas por Portugal e que ainda não tinham sido encaminhadas para países receptores. O plano previa que fossem encaminhadas 931.200 doses para Angola, 165.000 doses para a Etiópia e 14.400 para Vanuatu, referiu Durão Barroso. O Vietname, que no início da pandemia adoptou com sucesso uma política de “zero casos”, alterou a estratégia, apostando na vacinação face à rápida disseminação da variante Delta.


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Hoje Macau 27 JANEIRO 2022 #4938 by Jornal Hoje Macau - Issuu