DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
STARTUPS
CORREDORES DO NEGÓCIO GRANDE PLANO
Parque dos ensejos PÁGINA 9
OPINIÃO
70 ANOS
hojemacau
Estacionar por aí Mais de 60 % dos intervenientes da consulta pública para a revisão da lei do trânsito está contra o aumento das multas sobre o estacionamento ilegal. Por outro lado, os dados apresentados ontem pelos Serviços
para os Assuntos de Tráfego indicam que a esmagadora maioria dos inquiridos é a favor do endurecimento das penas para quem conduz com excesso de velocidade ou sob o efeito de álcool ou drogas.
PÁGINA 7
JORGE RODRIGUES SIMÃO
CRIME
Abusos na carrinha ÚLTIMA
h
A VERDADE SUPERIOR ANTØNIO FALCÃO
FORMIGUEIROS LUÍS CARMELO
AVA GARDNER ANTÓNIO CABRITA
CHINA
Aquela máquina PÁGINA 12
MOP$10
ZHUHAI | O JOGO É OUTRO PÁGINA 8
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MEDICINA TRADICIONAL
QUINTA-FEIRA 26 DE SETEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4381
2 grande plano
Meia centena de empresas de Macau já passaram pelos corredores da Fábrica de Startups, em Portugal, onde têm acesso privilegiado ao modelo de negócios português. Mas da parceria com a Direcção dos Serviços de Economia deverão nascer novos projectos, disse ao HM o CEO da Fábrica de Startups, António Lucena de Faria. Quanto ao projecto da Grande Baía, faltam informações concretas fora da China, defende
26.9.2019 quinta-feira
OS BONS P EMPREENDEDORISMO
A
Fábrica de Startups, localizada em Portugal, esteve recentemente no território no âmbito da participação na Macau International Start-up Week, que decorreu no início do mês. Mas a plataforma portuguesa ligada ao empreendedorismo, e que ajuda empresas a potenciarem os seus negócios, esteve também em quatro cidades que fazem parte do projecto Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Das três empresas portuguesas que acompanharam a Fábrica de Startups nesta viagem, duas tiveram especial sucesso. Uma é a Citycheck, que desenvolveu uma aplicação de viagens destinada a crianças que viajam com os seus pais, e que lhes permite saber tudo, de forma lúdica, sobre o local que estão a visitar. Outra, a SEAentia, projecto na área da aquacultura, que também despertou a atenção de investidores chineses, conforme disse ao HM António Lucena de Faria. “Começámos com apresentações em Macau, e penso que esse
CEO DA FÁBRICA DE STARTUPS DESTACA MAIORES RELAÇÕES COM DSE
evento foi muito interessante e um excelente esforço, com excelentes resultados. Esta iniciativa começou pequenina mas está a crescer, sendo algo muito importante para Macau e os seus empreendedores”, apontou. Nas quatro cidades chinesas, houve um contacto mais directo e diário com centros de inovação. “Estou convencido de que os empreendedores de Portugal terão muitos benefícios no âmbito destas relações e no desenvolvimento dos seus projectos nessa zona, e vice-versa. Os empreendedores da região também podem conhecer melhor a Europa através de Portugal ou a América Latina através da Fábrica de Startups no Brasil”, apontou.
“A maior parte das pessoas aqui não tem consciência do que se passa na Grande Baía.” ANTÓNIO LUCENA DE FARIA SOBRE A MACAU INTERNATIONAL START-UP WEEK
Apesar de reconhecer que as empresas de Macau são mais privilegiadas face às startups portuguesas e europeias, por dominarem a língua e por estarem próximas do mercado chinês, António Lucena de Faria acredita que é necessário apostar nas parcerias exteriores. “Não há muitas startups em Macau e é preciso continuar a desenvolver (esse aspecto). Uma das formas para acelerar esse processo seria através de parcerias entre startups de Macau e empreendedores vindos de outras partes do mundo. Isto para que não sejam apenas os empreendedores de Macau, que não são muitos, a explorar as oportunidades neste grande mercado que é a China, mas sim também outros empreendedores”, frisou o CEO da Fábrica de Startups.
PARCERIA COM A DSE
A visita realizada a Macau este mês parte de uma parceria entre a Fábrica de Startups e a Direcção dos Serviços de Economia (DSE), que já promoveu a ida de 50 empresas do território a Portugal
para terem acesso a novos modelos de negócio, a fim de expandirem as suas ideias. “Temos sempre empreendedores para estar aqui connosco e fazemos uma explicação de como os modelos de negócio se podem adaptar a esta realidade. Em Portugal temos mecanismos de financiamento que estão abertos a empresas de Macau, estas apenas têm de ter alguma actividade significativa em Portugal, nem precisam de ter cá a sede”, exemplificou. Em Maio, no âmbito da visita do Chefe do Executivo, Chui Sai On, a Portugal, a Fábrica de Startups recebeu a visita da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, e de membros do Conselho Executivo. Para António Lucena de Faria, esta visita serviu para reforçar a cooperação. “O programa com a DSE está a avançar e temos tido até um incremento da actividade. Isso foi o que de mais significativo aconteceu com a visita, pois temos mais pessoas connosco e fomos a Macau duas vezes nos últimos
grande plano 3
quinta-feira 26.9.2019
PARCEIROS “Começámos com apresentações em Macau, e penso que esse evento foi muito interessante e um excelente esforço, com excelentes resultados.” ANTÓNIO LUCENA DE FARIA SOBRE A MACAU INTERNATIONAL START-UP WEEK
meses. Temos outros planos, outras ideias, e a breve trecho vão aparecer outras iniciativas, porque há uma oportunidade enorme.” Esta segunda-feira chegaram à Fábrica de Startups quatro empreendedores de Macau. “Temos tido projectos surpreendentes ao nível da tecnologia. Temos aqui dois jovens de Macau que nos trouxeram um projecto na área da realidade virtual aumentada, projectos na área dos têxteis que deram origem a parcerias com fábricas do norte para fazer
depois o lançamento na China. Temos trabalhado muito na área do turismo”, adiantou António Lucena de Faria. Os projectos que vão de Macau para Portugal neste âmbito apresentam uma enorme diversidade, aponta a directora de marketing da Fábrica de Startups, Marta Silva. “Temos recebido um pouco de tudo, de diversas indústrias e em diferentes fases de desenvolvimento. Recebemos projectos numa fase inicial onde o objectivo é perceber como dar os primeiros passos na criação de um negócio. Mas também já temos recebido projectos mais avançados com a clara estratégia de internacionalização e crescimento.” Empresas como a Zlogyo apresentam um “carácter inovador” e uma “tecnologia que se destacava da concorrência que encontrou em Portugal”. “As empresas destacam-se ainda pelo potencial de crescimento, como a DianDian, que pretende garantir a gestão de clientes de pequenas e médias empresas. Quanto ao potencial de
internacionalização destacamos a Le Maison de Marriage, cujo destino de Portugal é muito aliciante ou a goddessArmour, que explorar a possibilidade de aproveitar a qualidade das matérias primas portuguesas.” A responsável pela área do marketing da Fábrica de Startups
“O programa com a DSE está a avançar e temos tido até um incremento da actividade. Isso foi o que de mais significativo aconteceu com a visita, pois temos mais pessoas connosco e fomos a Macau duas vezes nos últimos meses.” ANTÓNIO LUCENA DE FARIA SOBRE A MACAU INTERNATIONAL START-UP WEEK
destaca também “o sector das artes, que tem vindo a receber muita atenção de empreendedores”, sem esquecer áreas como a dança, realização de filmes ou música electrónica.
EM BUSCA DO DESCONHECIDO
Apesar de destacar o enorme potencial que a zona da Grande Baía possui para empresas ocidentais, António Lucena de Faria assume que há ainda uma grande falta de informação sobre a essência deste projecto de Pequim, que muitos consideram vir a ser semelhante à zona de Silicon Valley, nos Estados Unidos. “Esse é um grande desafio, de dar a conhecer e partilhar o que está a acontecer. Nós, que andamos neste ecossistema do empreendedorismo já há alguns anos, e que conhecemos bem o que são os grandes ecossistemas que existem no mundo inteiro, e não apenas nos EUA, a verdade é que ficamos surpreendidos com o que vimos aí. Mas a informação é muito pouca fora da China e de
Macau. A maior parte das pessoas aqui não tem consciência do que se passa na Grande Baía”, apontou. Para António Lucena de Faria, trata-se de um “projecto embrionário com uma grande ambição, que é a de ter as condições que já existem na zona de Silicon Valley. Para mim faz todo o sentido que isso se continue a desenvolver e nós aqui em Portugal começamos a olhar com mais atenção para esse plano. Vejo (o projecto da Grande Baía), com muito interesse, há ideias extraordinárias, grandes investimentos, mas ficamos com essa ideia de que é ainda um plano recente.” “O tempo vai consolidando estas iniciativas e transformar a Grande Baía numa zona atractiva, não só para as empresas portuguesas mas outras que queiram aproveitar essas condições únicas e desenvolver os seus negócios”, rematou António Lucena de Faria. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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26.9.2019 quinta-feira
AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rua Norte do Canal das Hortas, n.ºs 52 a 88, Travessa do Canal das Hortas, n.ºs 8 a 40 e Travessa dos Currais, n.ºs 65 a 83, em Macau, (Edifício Macau Torre A – Torre B); - Avenida Leste do Hipódromo, n.ºs 173A a 185, Rua do Mercado de Iao Hon, n.ºs 206 a 216, Rua do Progresso, n.ºs 9 a 35 e Rua dos Hortelãos, n.ºs 514 a 566, em Macau, (Edifício Mei Lin); - Avenida da Amizade, n.ºs 243 a 281, em Macau, (Edifício Kam Pou Kok, Kam Pek Kok, Kam Wa Kok e Kam Fai Kok); - Pátio da guia, n.ºs 7 a 11, em Macau; - Avenida da Praia Grande, n.º 968, em Macau; - Estrada Governador Albano de Oliveira, n.º 279, na Ilha da Taipa (Edifício Posto de Abastecimento Combustível Shell); - Rua da Felicidade, n.º 74, na Ilha da Taipa (Edifício Vodatel). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.
Aos, 30 de Agosto de 2019. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong
EDITAL
Edital n.º :62/E-BC/2019 Processo n.º :1078/BC/2010/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Avenida de Venceslau de Morais n.º 231, Edf. Industrial Nam Fong (Bloco I), parte do terraço sobrejacente à fracção 15.º andar C, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados os interessados do local acima indicado, 黃月群 e 梁彭敏, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Obra Infracção ao RSCI e motivo da demolição Construção de um compartimento com cobertura me- Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º e n.º 3 do artigo 29.º, obstru1.1 tálica, chapas metálicas e portão metálico na parte do ção do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio. terraço sobrejacente à fracção 15.º andar C. 2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 24 de Agosto de 2018, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição da obra não autorizada acima indicada. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservarse permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. O terraço acima referido é considerado como piso de refúgio, em caso de incêndio, não sendo permitida a sua ocupação ilícita com elementos construtivos, de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 29.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI, por despacho de 15 de Fevereiro de 2019 exarado sobre a informação n.º 00246/DURDEP/2019, ordena ao dono da obra ou seu mandatário que proceda, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à respectiva demolição e à reposição do local afectado, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos nele existentes e à sua desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição da obra ilegal, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição da obra acima mencionada. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M de 11 de Outubro, notifica ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos respectivos trabalhos, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas e de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. Além disso, nos termos do n.º 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no n.º 3 do artigo 29.º é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas.. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 19 de Setembro de 2019 O Director dos Serviços Li Canfeng
Anúncio﹝71/2019﹞ Venda em hasta pública
1. Objecto Venda, em hasta pública, dos bens considerados disponíveis para abate, pelo Instituto de Habitação, adiante designado por IH. 2. Processo da hasta pública Os concorrentes interessados podem consultar e obter cópia das respectivas condições de venda da hasta pública na recepção do IH, sito na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, r/c L, Macau, até às 12H00 de 8 de Outubro de 2019, durante as horas de expediente. Caso queiram obter cópia do documento acima mencionado, devem pagar, em numerário, o montante de MOP100,00 (cem patacas), relativo ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao seu download na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). 3. Visualização dos bens em venda 3.1 Os concorrentes interessados poderão proceder à visualização dos bens em venda da presente hasta pública, sendo o local de concentração na Delegação da Ilha Verde do IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, no dia 30 de Setembro de 2019 às 15H00. 3.2 Os concorrentes interessados que pretendam participar na visualização local, devem dirigir-se pessoalmente à recepção do IH, sito na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, r/c L, Macau ou através do telefone n.º 28594875, durante as horas de expediente, antes das 12H00 do dia 30 de Setembro de 2019, para proceder à marcação prévia da visita ao local. 4. Inscrição para participação na hasta pública Os interessados em licitar na hasta pública ou os seus representantes, devem dirigir-se à recepção do IH, sito na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, r/c L, Macau, desde o dia de 25 de Setembro de 2019 até às 12H00 do dia 8 de Outubro de 2019, para apresentarem os seguintes documentos: (a) Boletim de inscrição para hasta pública; (b) Cópia do documento de identificação do concorrente ou do seu representante legal; (c) Documento comprovativo da prestação da caução. 5. Sessão da hasta pública A hasta pública realizar-se-á às 15H00, do dia 9 de Outubro de 2019, na sala de reuniões do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 158, Edifício Cheng Chong, r/c H, Macau, perante a comissão de venda. 6. Outros assuntos: Os pormenores e as observações à presente hasta pública encontram-se disponíveis nas condições de venda. A actualização das informações à presente hasta pública será publicada na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). Instituto de Habitação, aos 19 de Setembro de 2019. A Presidente,Subst.ª, Kuoc Vai Han
política 5
quinta-feira 26.9.2019
EDIFÍCIO JUBILEU DE PRATA RECUSADA OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA PELOS SAFP
O futuro não mora aqui
Ambiente Mak Soi Kun apoia Greta Thunberg
As obras no edifício no antigo Campus da Universidade de Macau devem arrancar brevemente e por isso este não vai ser alvo de uma ocupação temporária por parte dos SAFP
O
director da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), Iong Kong Leong, recusou a possibilidade do Edifício do Jubileu de Prata – situado no antigo Campus da Universidade de Macau – ser utilizado de forma temporária. A questão tinha sido levantada pela deputada Song Pek Kei, ligada ao empresário e ex-legislador Chan Meng Kam, na sequência de um plano dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), que acabou por ser abandonado. Numa interpelação escrita, Song defendeu a utilização de forma provisória do edifício, devido à falta de espaços em Macau. Porém, a possibilidade foi rejeitada e o director da DSF apontou que os trabalhos de remodelação de todo o edifício estão “prestes a começar” pelo que não faz sentido gastar recursos para uma solução com uma vida útil tão curta. Ainda de acordo com Iong Kong Leong, os SAFP equacionaram a hipótese de ocupar temporariamente o espaço, mas “após a inspecção ao edifício” chegaram à conclusão de que “muitos dos equipamentos precisavam de ser reparados ou substituídos”. Assim, segundo Iong, “o plano de aproveitamento temporário não se justifica à luz do investimento económico necessário” para uma solução que teria sempre uma vida curta.
RENOVAÇÃO A ARRANCAR
No que diz respeito aos trabalhos de renovação, os SAFP começaram a elaborar os planos para o futuro do edifício logo depois de receberem de “forma oficial” o edifício da DSF. Os trabalhos estão actualmente em curso e após
“Muito bem dito, menina! A protecção ambiente é mesmo urgente”, foi desta forma que o deputado Mak Soi Kun, através de um post do Facebook, reagiu ao discurso da activista Greta Thunberg, que discursou na 74.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas. Durante a sua intervenção, a jovem sueca de 16 acusou os políticos de colocarem os lucros à frente do meio ambiente e de terem colocado em perigo o futuro das gerações mais novas. Greta Thunberg afirmou ainda que teve de abdicar da sua infância e que em vez de estar a discursar devia estar na escola.
Patriotismo Carnaval com 70 associações acontece este sábado
a conclusão da do projecto será lançado o concurso público para escolher a construtora responsável pela realização das obras. Segundo a DSF, existe a expectativa de que as obras possam começar tão depressa quanto possível, embora ainda não haja uma data concreta.
Após a conclusão destes trabalhos, o Edifício do Jubileu de Prata vai servir como local para a “formação e selecção de funcionários públicos”. Entre as questões levantadas pela deputada Song Pek Kei na interpelação escrita, estava o critério da DSF para a distribuição pelos serviços
Após a inspecção ao edifício, os [SAFP] chegaram à conclusão que “muitos dos equipamentos precisavam de ser reparados ou substituídos”
públicos dos edifícios que lhes são devolvidos. Iong Kong Leong explicou que o número de edifícios devolvidos é muito limitado, mas que são sempre adoptados critérios como a finalidade, a localização ou a área disponível. Já sobre a manutenção e reparação dos espaços do Governo, o director da DSF apontou que compete aos diferentes serviços que ocupam os edifícios procederem aos trabalhos e conservação dos espaços.
A directora do Centro de Serviços da Zona Norte da Federação das Associações dos Operários, Anita Chio Lan Ieng, disse, em conferência de imprensa realizada ontem, que mais de 70 associações de Macau, incluindo a União Geral das Associações de Moradores de Macau ou a Aliança do Povo de Instituição de Macau, entre outros, vão participar num carnaval que visa celebrar o 70º aniversário da República Popular da China. Anita Chio Lan Ieng disse esperar que, através desta actividade, se possam reforçar as informações sobre a consciência pública em prol da defesa da segurança nacional e as grandes conquistas no desenvolvimento da pátria. Além disso, o objectivo é também promover a participação do público em geral na construção da Grande Baía. O evento será realizado das 15h às 17h30 e inclui a realização de oito jogos de tendas e exposições temáticas, entre outras actividades.
Juana Ng Cen
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PONTE HKZM PEREIRA COUTINHO REITERA APELO A LIVRE CIRCULAÇÃO DE PESSOAS E BENS
J
OSÉ Pereira Coutinho pretende que a Ponte HKZM ou “Ponte Fantasma”, como lhe chama, sirva melhor a população. Este é o mote de uma interpelação escrita que assina, reiterando o apelo para que sejam “levantados os entraves e eliminadas as burocracias para a livre circulação de
pessoas, bens e mercadorias na ‘Ponte Fantasma’”. Não é a primeira vez que o deputado solicita o Executivo a agir neste sentido, mas como não obteve qualquer resposta voltou à carga dando o exemplo europeu como referência. “Na União Europeia composta por 28 países soberanos foi há longos anos
adoptada uma política de comunicabilidade de circulação e de facilitação da vida de 28 povos”, escreve antes de perguntar porque não se consegue a livre circulação de pessoas, bens e mercadorias na Ponte HKZM. Pereira Coutinho acusa ainda a Direcção dos Serviços para os Assuntos de
Tráfego de “enriquecimento sem justa causa” devido às licenças para circular na ponte. “Vai o Governo devolver as 29 mil patacas cobradas anteriormente aos proprietários dos veículos autorizados pela primeira vez a circular na referida ponte por neste momento serem somente cobradas
mil patacas?”, questiona. Outro assunto abordado por Pereira Coutinho na interpelação escrita é um “déjà vu” de outra interpelação assinada em 22 de Julho: a utilização dos parques de estacionamento junto ao Posto Fronteiriço da Ponte, construídas “a custo do erário público”. O deputado
refere o “contínuo desperdício na utilização dos 6089 parques de estacionamento” e o “abandono e desuso do megaparque”, apelando a que seja destinado aos residentes da zona norte de Macau, “incluindo os que pretendem estacionar os seus veículos para deslocarem a Zhuhai”. J.L.
6 sociedade
26.9.2019 quinta-feira
PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS ÍNDICE DE CONFIANÇA E VOLUME DE NEGÓCIOS EM QUEDA NO TERCEIRO TRIMESTRE
Verão do descontentamento ça no factor externo é de 70,7, estado de negócio é de 58,8, e trabalhadores 55,9. A confiança no investimento atingiu 55,6, e foi o capítulo onde se registou a maior queda, 43 pontos, em relação ao ano passado, segundo informação do jornal do Cidadão. Ma Chi Ngai, director da comissão de pesquisa estratégica da ACM, considera que o índice reflecte uma diminuição ligeira em comparação com o mesmo
trimestre do ano passado, algo que faz com que esteja optimista, mas cauteloso. O dirigente associativo aponta a guerra comercial, a turbulência política em Hong Kong e o decréscimo das receitas do jogo como os principais factores de impacto negativo para as PME locais.
POUCA PATACA
Entretanto, Ma Chi Ngai elencou uma série de elementos que podem
restaurar a confiança das empresas, como a eleição do novo Chefe do Executivo. Portanto, apesar de haver influências por causa da situação económica circundante, as PME mostram uma tendência positiva e estável, frisou. Quanto ao interesse no investimento na Grande Baía, e em “Uma Faixa, Uma Rota”, é, respectivamente, de 65,7 e 57,7 pontos, registando uma ligeira subida face ao mesmo período do
TIAGO ALCÂNTARA
Segundo um estudo da Associação Comercial de Macau o índice de confiança das pequenas e médias empresas locais desceu no terceiro trimestre do ano, apesar de se manter em terreno positivo. Por outro lado, metade das PME tiveram uma quebra no volume de negócios durante o Verão
MUITOS MPAGAM
E
m relação à situação de pagamento electrónico, o director dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip, afirmou ontem no programa “Fórum de Macau” que, actualmente, 70 por cento das PME aceitam pagamento electrónico, e que há um total de 33 mil instrumentos e código QR para o efeito. Acrescentou ainda que o número de transacções apenas em Agosto ultrapassou o total registado no ano passado.
A
Associação Comercial de Macau (ACM), divulgou esta terça-feira o resultado do “índice de confiança das pequenas e médias empresas de Macau” referente ao terceiro trimestre de 2019, que revela uma quebra de confiança. Os parâmetros vão de 0 a 100 com, naturalmente, o ponto neutro nos 50 e o estudo avalia quatro itens: factores externos, estado de negócios, empregados e confiança no investimento. O resultado do inquérito teve a pontuação final de 60,2, ou seja, positivo apesar de se verificar uma descida de 0,8 em comparação com o resultado de 61 no mesmo período do ano passado. Os quatro elementos mostram, respectivamente, que a confian-
Ainda assim, Tai Kin Ip referiu que as PME com negócios localizados nos centros históricos têm beneficiado da actual conjuntura, ao contrário dos negócios em grandes centros comerciais. Juana Ng Cen
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As quebras nos volumes de negócios, entre os 7 e 10%, são um reflexo da conjuntura económica mundial e do novo perfil de turistas que visitam Macau
Hato Fraude com subsídios rende 200 mil patacas A proprietária de uma loja foi detida e é suspeita da prática de falsificação de documentos e burla no valor de 195 mil patacas, por solicitar duas vezes acesso à linha de apoios financeiros criada após a passagem do Tufão Hato. De acordo com a Polícia Judiciária, citada pelo canal chinês da Rádio Macau, a detida, de 30 anos de idade, era proprietária de uma loja take away situada na Rua de São Lourenço. Com a passagem do Hato, em Agosto de
ano anterior. Ma Chi Ngai referiu que este resultado indica que o interesse no investimento e cooperação das PME no Continente permanece positivo, mostrando que as empresas locais têm a vontade de “sair de Macau”. Por outro lado, perto de 50 por cento das PME tiveram quebras nos volumes de negócios durante o Verão. A revelação foi feita ontem por Tai Kin Ip, director dos Serviços de Economia, no programa Fórum Macau da Ou Mun Tin Toi e citado pela TDM – Rádio Macau. As quebras nos volumes de negócios situam-se entre os 7 e 10 por cento e são um reflexo da conjuntura económica mundial e do novo perfil de turistas que visitam Macau.
2017, o comerciante que explorava o espaço sofreu grandes perdas e optou por fechar o negócio. Com a loja fechada, a mulher decidiu registar-se como exploradora do negócio anteriormente existente e pediu, em duas ocasiões, apoios que lhe foram cedidos no valor de 195 mil patacas. No entanto, o caso acabou por ser descoberto e dar origem a uma investigação, que está agora a ser analisada pelo Ministério Público.
DSEC REGISTADOS MENOS 20 ESTABELECIMENTOS FACE A 2017
D
ADOS oficiais da Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, ano passado, havia um total de 913 estabelecimentos industriais ligados a indústrias transformadoras e à produção e distribuição de electricidade, gás e água, menos 20 empresas face às que existiam em 2017. O pessoal ao serviço era composto por 12.313 indivíduos, menos 190, em termos anuais. O comunicado da DSEC dá ainda conta que as receitas
e despesas desses estabelecimentos cifraram-se em 11,07 mil milhões e 7,96 mil milhões de patacas em 2018, respectivamente, ou seja, menos 4,1 e 4,0 por cento, respectivamente, em termos anuais. No que diz respeito aos estabelecimentos ligados à área das indústrias transformadoras, as receitas das indústrias alimentares e das bebidas fixaram-se em 2,63 mil milhões de patacas, mais 7,6 por cento face a 2017.
Em relação às receitas do fabrico de cimento e betão pronto diminuíram durante quatro anos consecutivos, cifrando-se no ano 2018 em 1,21 mil milhões de patacas, menos 16,5 por cento em termos anuais. A DSEC aponta que esses números se devem ao “abrandamento contínuo da procura de cimento e betão pronto, originado pelo decréscimo de empreendimentos de construção local de grande envergadura”.
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O I ontem publicado o relatório da consulta pública relativa à revisão da lei do transito rodoviário, realizada entre 29 de Janeiro e 29 de Março, e os resultados prometem não facilitar a vida à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) face a um possível aumento das multas. Isto porque mais de metade dos inquiridos está contra o aumento dos valores aplicados pelas autoridades em caso de estacionamento ou paragem ilegal de veículos e motociclos. Foram, aliás, as críticas face à vontade do Governo de aumentar as multas que levaram a um adiamento da consulta pública em 2018. O relatório revela que 61,48 por cento dos inquiridos mostra-se “desfavorável” ao aumento das multas a infracções administrativas, como é o caso de estacionamento ilegal em passeios e zonas pedonais, com apenas 38,28 por cento das pessoas a dizer concordar com um aumento. No que diz respeito às multas por estacionamento por linha contínua ou no passeio junto a esta, 60,52 por cento mostra-se contra. Cerca de 64 por cento dos inquiridos está contra o aumento das multas por estacionamento e paragem ilegal (regra geral). Face ao estacionamento ilegal em lugares tarifados da via pública ou que exceda o período autorizado, 63,59 por cento dos inquiridos também está contra. No que diz respeito aos motociclos, a percentagem dos que se mostram desfavoráveis a um aumento é de 62,39 por cento. Pelo contrário, 53,83 por cento dos participantes está a favor de um aumento de multas para os condutores dos veículos que usam o corredor exclusivo para autocarros. Para os que estacionam na área demarcada para a paragem de autocarro, 59,78 por cento concorda que a multa deve aumentar.
HOJE MACAU
quinta-feira 26.9.2019
TRÂNSITO MAIS DE 60% CONTRA AUMENTO DE MULTAS DE ESTACIONAMENTO
Rodas desalinhadas
Mais de metade dos participantes na consulta pública sobre a revisão da lei do trânsito rodoviário está contra o aumento de multas por estacionamento ilegal de veículos e motociclos na via pública. Perante estes resultados, o Governo promete ser “prudente” face a um eventual aumento de valores Perante estes dados, a DSAT adopta uma posição prudente face a eventuais aumentos. “Uma parte maior do público assume uma posição desfavorável à revisão do valor das multas aplicadas a infracções administrativas”, pelo que “a lei do trânsito rodoviário nas
O relatório revela que 61,48 por cento dos inquiridos mostra-se “desfavorável” ao aumento das multas a infracções administrativas, como é o caso de estacionamento ilegal em passeios e zonas pedonais, com apenas 38,28 por cento das pessoas a concordar com um aumento
respectivas disposições deve ser levada em consideração de forma prudente”.
MÃO AINDA MAIS PESADA
A posição dos participantes da consulta pública, que registou um total de 1.498 textos de opinião, altera-se por completo no que diz respeito ao aumento de sanções para casos de condução por excesso de velocidade, consumo de álcool ou drogas. Nestes casos, 84,75 por cento dos inquiridos mostra-se favorável ao aumento das molduras penais, enquanto que 76,60 por cento também está a favor do aumento de sanções em contravenções, como é o caso de não cedên-
cia de passagem a peões nas passadeiras. “As opiniões prevalecentes são favoráveis à moldura penal proposta pelo documento de consulta para os infractores primários e reincidentes de condução em estado de embriaguez e sob influência de droga, e à aplicação da pena de prisão, multa ou inibição de condução como sanção penal a estes crimes”, aponta o relatório. A actual legislação, em vigor desde 2007, prevê que a condução em estado de embriaguez ou sob influência de drogas possa levar à aplicação de uma pena de prisão no máximo de um ano, ou à proibição
de condução por um período de três anos. A DSAT vem agora propor que a moldura penal passe a ser de dois anos de prisão, ou pagamento de multa até 90 mil patacas, ou ainda inibição de condução
até quatro anos. Caso o condutor seja reincidente, a pena de prisão pode ir até três anos e a multa até às 150 mil patacas. Quanto à proibição de condução, está a ser equacionada a possibilidade de ir até aos cinco anos. O relatório ontem divulgado dá ainda conta do facto de 82,34 por cento dos inquiridos estar a favor da proibição do uso de “kit mãos livres” para condutores de veículos pesados, enquanto que 88,66 por cento mostra-se favorável ao uso de cinto de segurança nos bancos da frente e de trás. No geral, mais de 65 por cento dos participantes é favorável às posições da DSAT neste domínio. Andreia Sofia Silva
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Portas do Cerco Mulher de 87 anos atropelada
Uma mulher de 87 anos foi ontem atropelada por um autocarro, quando atravessava a estrada na zona das Portas do Cerco. Segundo a informação do canal chinês da Rádio Macau, a mulher acabou transportada para o Hospital Conde São Januário, onde chegou consciente, apesar de ter os dois pés partidos. As lesões terão sido causadas pelo facto dos pés terem ficado debaixo de uma das rodas do autocarro. Segundo o condutor de 61 anos, na origem do acidente terá estado o facto da idosa ter atravessado a estrada numa zona onde não havia passadeira. O motorista realizou o teste do balão e não acusou consumo de álcool.
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26.9.2019 quinta-feira
Taipa Governo recupera terrenos
O Governo recuperou ontem dois terrenos na Taipa, nos arredores da Avenida de Kwong Tung e da Rua de Chaves com uma área total de 21 000 metros quadrados. As concessões tinham sido declaradas caducadas anteriormente, mas como não foram desocupadas, o Governo foi obrigado a intervir e proceder à desocupação. Porém, os terrenos ao lado dos mencionados acabaram igualmente por ser ocupados, neste caso de forma ilegal, e também foram desocupados. Segundo uma nota de imprensa do Executivo, os terrenos ocupados de forma ilegal tinham barracas, contentores, veículos e plantas.
O HOJE ERROU No artigo de ontem com o título “Daqui não saio” a Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) foi citada erradamente como a responsável pela publicação do estudo sobre as perspectivas dos finalistas. Porém, a publicação foi da responsabilidade da Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES). Aos leitores e visados o HM endereça um pedido de desculpas.
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Notificação edital (28/FGCL/2019) Nº de pedido: 8/2019
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do pedido acima referido, “Engenharia (Andaime Metalico) Wei Pang Sociedade Unipessoal Limitada”, com sede na Avenida do Hipódromo No.173A, Edf. Mei Lin, 9 andar J, Macau, o seguinte: Relativamente ao 1 ex-trabalhador (Hong Chon San), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 20 de Setembro de 2019, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos em causa ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $39 600,00 (trinta e nove mil e seiscentas patacas). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 23 de Setembro de 2019 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
ZHUHAI ANUNCIADA CONSTRUÇÃO DE CENTRO DE HOTELARIA JUNTO À PONTE HKZM
Resposta do outro lado A cidade vizinha de Zhuhai vai leiloar mais de 220 quilómetros quadrados de terra para construir um centro hoteleiro dedicado ao turismo de negócios junto à Ponte HKZM. O projecto destina-se à construção de unidades hoteleiras, que possam competir com os preços praticados em Macau, e com os centros de convenções
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leilão começa com uma licitação inicial de 5,64 mil milhões de yuans para os 226 quilómetros quadrados de terra onde as autoridades de Zhuhai pretendem ver construído um centro de turismo de negócios. Para se ter um grau de comparação, Macau tem pouco mais de 115,3 quilómetros quadrados. A proximidade do terreno com a ponte HKZM é estratégica e demonstra o propósito de aposta no segmento das viagens de negócios dentro da área da Grande Baía. O terreno em questão fica a norte do porto de Zhuhai, que será inaugurado daqui a duas semanas, e será leiloado no próximo dia 18 de Outubro. O preço base do metro quadrado será de 5.828 yuans, segundo noticiado pelo jornal South China Morning Post. A “jogada” segue a intenção do Governo da cidade vizinha em se tornar numa capital do turismo de negócios, objecti-
vo que tem sido colocado em causa pela oferta de hoteleira de Macau. Porém, analistas do sector consideram que face aos preços praticados em Macau, e à ausência de unidades abaixo das cinco estrelas a preço competitivo, Zhuhai pode preencher essa lacuna. Além disso, as autoridades da cidade vizinha apostam as suas fichas no crescimento do sector do turismo de negócios com o desenvolvimento do projecto da Grande Baía.
NOMES QUE CHAMAM
Uma das condições impostas pelo Governo do distrito de Xiangzhou é que o licitador que ganhe o leilão apresente documentos que indiciem o compromisso com, pelo menos, uma marca internacional de resorts, como a Intercontinental ou o Ritz-Carlton. Além disso,
O terreno em questão fica a norte do porto de Zhuhai, que será inaugurado daqui a duas semanas, e será leiloado no próximo dia 18 de Outubro. O preço base do metro quadrado será de 5.828 yuans
deve garantir num prazo de três anos a fixação no local de, pelo menos, 20 empresas estrangeiras e construir, pelo menos, dois grandes hotéis. O director de investigação da consultora Tospur, Zhang Hongwei, destaca as dificuldades das condições exigidas às em-
presas interessadas no projecto, assim como o preço pedido pelo terreno. “Ainda para mais nesta altura, em que o acesso a capital está apertado”, aponta Zhang citado pelo South China Morning Post. O analista considera que o terreno pode ser atractivo para investidores estrangeiros, incluindo de Hong Kong. O director da Vincorn Consulting and Appraisal, Vincent Cheung, avança, também citado pelo jornal de Hong Kong, que New World Development and Sun Hung Kai Properties podem entrar na corrida. “São empresas que têm estado muito activas no Interior da China. Ambas têm as suas próprias marcas hoteleiras”, comenta o analista, acrescentando ser provável licitações por um grupo que reúna várias empresas. João Luz
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quinta-feira 26.9.2019
MEDICINA TRADICIONAL LIONEL LEONG NA ABERTURA DO FÓRUM DE COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
“Nova era de desenvolvimento”
O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, disse ontem na abertura do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional que o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação Guangdong–Macau está “numa nova fase de desenvolvimento”. Enquanto isso, os países de língua oficial portuguesa esperam novas oportunidades nesta área
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EVE ontem início mais uma edição do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional, que reúne em Macau uma série de personalidades ligadas à medicina tradicional chinesa. No seu discurso, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, destacou o facto de o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação Guangdong–Macau estar “numa nova fase de desenvolvimento”. “Com a realização ordenada dos trabalhos, o Parque já entrou numa nova etapa de desenvolvimento”, disse o governante, que lembrou a aposta em projectos como a construção de uma Base Internacional de Controlo de Qualidade de Medicina Tradicional Chinesa e a Plataforma Internacional de Intercâmbio da Indústria de Saúde. Na visão de Lionel Leong, o Parque, entre muitos outros objectivos, pretende “promover a entrada dos produtos e tecnologias
de qualidade de Macau e do Interior da China nos mercados dos principais países dos países de língua portuguesa e da União Europeia”. No que diz respeito à medicina tradicional chinesa, Lionel Leong adiantou que a sua “industrialização e a internacionalização do desenvolvimento são altamente valorizados pelo Governo da RAEM”. Macau tem, assim, uma “nova missão histórica e uma responsabilidade para a nova era que trazem à indústria de medicina tradicional chinesa de Macau oportunidades de desenvolvimento que não existiam antes, bem como novas exigências”, frisou o secretário.
INVESTIMENTO AFRICANO
Além das oportunidades para o sector local da medicina tradicional chinesa, os países falantes de português também buscam novas oportunidades. É o caso de Angola, uma vez que o secretário para a Saúde Pública de Angola disse à Lusa que pretende juntar médicos e farmacêuticos para se definir
um plano de acção que promova o desenvolvimento da medicina tradicional africana no país. O governante afirmou que, depois do que viu em Macau, nomeadamente o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa, está a pensar em juntar “a Ordem dos Médicos com a associação dos médicos tradicionais (…), e mesmo a Ordem dos Farmacêuticos”. “Poderíamos tentar elaborar um plano de ação, com um cronograma bem definido, das acções que vamos de ter de realizar no sentido de desenvolvermos a medicina tradicional angolana e ver que tipo de cooperação podemos vir a ter com
a medicina tradicional chinesa”, explicou o secretário de Estado. No caso de Cabo Verde, o ministro da Saúde e da Segurança Social de Cabo Verde disse também à Lusa que o Governo está disponível para construir no país um centro africano de Medicina Tradicional Chinesa. Arlindo do Nascimento do Rosário afirmou que a criação deste centro seria “uma mais-valia para o país, não apenas no sector da saúde, mas também (…) em relação ao turismo”. Também São Tomé e Príncipe quer reforçar o desenvolvimento da medicina tradicional para potenciar o turismo de saúde, disse à Lusa o ministro da Saúde, Edgar Neves.
“Há uma nova missão histórica e uma responsabilidade para a nova era que trazem à indústria de medicina tradicional chinesa de Macau oportunidades de desenvolvimento que não existiam antes, bem como novas exigências” LIONEL LEONG SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS
O governante valorizou a relação entre a medicina tradicional e a economia, nomeadamente o turismo, “uma das fontes futuras do desenvolvimento” do país, que pode ser potenciada através da cooperação chinesa. Esta aposta vai estar reflectida na preparação do Orçamento Geral do Estado para 2020 e “será uma rubrica importante para (…) alavancar definitivamente a medicina tradicional em São Tomé e Príncipe”, afirmou. A estratégia de ‘exportação’ da medicina tradicional chinesa para os países lusófonos, utilizando também Portugal como porta de entrada para a Europa, é encarada como um dos eixos centrais de actuação para 2019 pelas autoridades de Macau. A aposta tem sido marcada por algum sucesso nos países africanos de língua portuguesa, sobretudo na formação de médicos e terapeutas, com Macau a definir um plano até ao final de 2019 que abrange a obtenção de licenças de comercialização de medicamentos. A.S.S.
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26.9.2019 quinta-feira
Doca dos Pescadores Festival de Comida arranca sexta-feira O Festival Internacional de Comida e Cultura arranca na sexta-feira, na Doca dos Pescadores, e durante 10 dias vai ter 115 barracas disponíveis. O evento foi apresentado ontem em conferência de imprensa e vai ter uma duração de 10 dias. Segundo os organizadores o evento, que vai na 10.ª edição, deverá ter mais de
200 mil visitantes, o número do ano passado, uma vez que se espera que o tempo tenha condições mais convidativas para os interessados. Em relação ao volume de vendas, a marca dos 7 milhões de patacas foi atingida no ano passado e espera-se que o montante seja semelhante este ano.
MÚSICA MÁRIO LAGINHA E JOÃO MONGE NOMEADOS PARA GRAMMY LATINO
A
canção “Sem palavras”, escrita por Mário Laginha e João Monge para o músico António Zambujo, está indicada para os Grammy Latinos, de acordo com a lista de nomeados ontem divulgada. Nomeada para “Melhor canção em língua portuguesa”, “Sem palavras” foi composta pelo pianista Mário Laginha para uma letra de João Monge e interpretada por António Zambujo no álbum “Do avesso”, que editou no final do ano passado. É a única canção portuguesa nomeada nesta categoria, ao lado de quatro outras músicas, todas elas de artistas brasileiros: Mestrinho, Tiago
Iorc, Criolo e Claudia Brant com Arnaldo Antunes. “Sem palavras” foi o primeiro tema revelado de “Do avesso”, o álbum que António Zambujo editou em Novembro, produzido por Filipe Melo, Nuno Rafael e João Moreira, com selo da Universal Music. Além de Mário Laginha e João Monge, o disco conta com a participação de autores como Luísa Sobral, Miguel Araújo, Márcia, Arnaldo Antunes, Cézar Mendes, Pedro da Silva Martins e Aldina Duarte. Neste disco, em alguns dos temas, António Zambujo é acompanhado pela Sinfonietta de Lisboa, sob
Verde e am
FÓRUM MACAU BRASIL ESTRELA DA SEMANA CULTURAL ENTRE CHIN
a direção do maestro Vasco Pearce de Azevedo, com arranjos musicais e orquestração de Filipe Melo. António Zambujo volta a ser nomeado, ainda que indirectamente, para os Grammy Latinos, depois de ter sido indicado em 2017 para “Melhor álbum de música popular brasileira” com “Até pensei que fosse minha”, um disco de tributo a Chico Buarque. Acerimónia dos Grammy Latinos está marcada para 14 de Novembro em Las Vegas, nos Estados Unidos. Nesta edição, o músico português José Cid receberá um Grammy de Excelência Musical, já anunciado em Agosto. PUB
O Brasil é o país em destaque da 11.ª semana cultural entre a China e os países lusófonos em Macau, que reúne, entre 12 e 18 de Outubro, vários artistas do espaço lusófono na região
M
ÚSICA, dança, teatro, exposições, artesanato e gastronomia reafirmam-se como as “actividades centrais” de um certame que este ano abre portas ao cinema brasileiro e onde a Índia está também representada, através de Goa, Damão e Diu, indicou ontem o secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Rodrigo Brum, em conferência de imprensa. Com forte presença no cartaz e por ocasião do terceiro festival de cinema brasileiro na China, que decorre em Novembro e passa, pela primeira vez, a integrar Macau na sua rota, o Brasil é o “primeiro convidado de honra” desta semana cultural, a que se seguirão outros países nas próximas edições, afirmou o responsável. De Portugal, viaja até Macau o grupo originário de Coimbra “Anaquim”, que em 2018 lançou o seu quarto álbum de originais, a artesã Andreia Marques, cujo trabalho se foca no uso de técnicas ancestrais de tecelagem, e o colectivo artístico Primeira Pedra. O cartaz de música e dança inclui, além dos portugueses, artistas de Angola (Lino Cerqueira Fialho), Brasil (DJ Dolores), Cabo Verde (DJODJE), China
De Portugal, viaja até Macau o grupo originário de Coimbra “Anaquim”, a arte de técnicas ancestrais de tecelagem, e o colectivo artístico Primeira Pedra
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marelo
NA E PAÍSES LUSÓFONOS
esã Andreia Marques, cujo trabalho se foca no uso
(circo de acrobacias da província de Hebei), Guiné-Bissau (José Manuel, Karina Gomes, Miss Bity e Eric Dario), Moçambique (Grupo RM), São Tomé e Príncipe (Leguelá) e Timor-Leste (Voz of Crocodile).
OLHARES E HORIZONTES
No campo das artes plásticas, destaque para o brasileiro Rodrigo Braga, com a mostra “Horizontes deslizantes”, e para o guineense António Ferreira Seguy (“Chipi”), com “Outros Olhares”, ambas patentes na Doca dos Pescadores. Em paralelo, a galeria da residência consular de Portugal em Macau irá apresentar obras de 20 jovens de Macau. A 11.ª semana cultural integra ainda uma mostra de artesanato, com a participação de artistas da China, Portugal e de todo o bloco lusófono, e de gastronomia, com chefes de cozinha provenientes de Angola, Brasil, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau, anunciou a organização. Uma das novidades deste ano é o “desfasamento da semana cultural”, já que a mostra de teatro decorre “na semana imediatamente a seguir”, uma decisão estratégica com a qual a organização espera atrair mais visitantes. Esta última mostra integra, além do colectivo “Primeira Pedra”, companhias de Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau. Sob o tema “Uma Faixa e uma Rota Cultural”, numa alusão à iniciativa chinesa lançada em 2013, o evento tem em 2019 um orçamento de cerca de nove milhões de patacas, precisou a coordenadora do gabinete de apoio ao secretariado permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), Mok Iun Lei. A responsável salientou que o evento assinala, com “mais elementos culturais”, o 20.º aniversário do regresso de Macau à China, em 1999, e os 40 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e Portugal, em 1979.
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China deverá apresentar novos mísseis balísticos, com uma potência “sem precedentes”, durante a parada militar em celebração do 70.º aniversário do regime comunista, segundo um relatório divulgado ontem e baseado em imagens de satélite. “Vão ser exibidas capacidades balísticas convencionais e nucleares sem precedentes (...), que demonstram a modernização quantitativa e qualitativa do arsenal balístico da China”, prevê um relatório divulgado pela Fundação para Pesquisa Estratégica, com sede em Paris. O chefe de Estado chinês, Xi Jinping, presidirá, em Pequim, na próxima terça-feira, ao evento que marca a fundação da República Popular da China, em 1949. O relatório revela que armas extremamente rápidas deverão ser reveladas, “indicando que a China está, em alguns segmentos, na vanguarda da inovação global”, lê-se no relatório. Entre os principais equipamentos que deverão ser exibidos na avenida da Paz Celestial, a principal artéria de Pequim, mesmo ao lado do Grande Palácio do Povo, o parlamento chinês, da Cidade Proibida e da praça de Tiananmen, está o míssil DF-41, já pronto a ser usado, mas que nunca foi apresentado ao público.
26.9.2019 quinta-feira
PARADA NOVO MÍSSIL SERÁ EXIBIDO NOS 70 ANOS DA REVOLUÇÃO
Mostra o que vales
(...) num segmento em que russos e norte-americanos estão atrasados”, observa o relatório. A análise baseia-se em fotos registadas nas ruas de Pequim, durante os ensaios para a parada militar, e imagens de satélite tiradas numa base do exército pela empresa Geo4i.
OUTRAS MÁQUINAS
O DF-41 pode “ser armado com um número relativamente grande de ogivas, até um máximo de 10 cabeças (nucleares) contra as três” dos modelos anteriores, detalha o estudo. Descrito por alguns especialistas como tendo um alcance de
entre 12.000 e 14.000 quilómetros, aquele míssil de longo alcance poderia “atingir qualquer parte do território dos EUA”. Outra arma que deve ser apresentada é o DF-17, o primeiro míssil capaz de transportar um PUB
veículo hipersónico, que pode ser equipado com armas convencionais ou nucleares, e que é capaz de ultrapassar sistemas antimísseis. “Um sistema deste tipo significaria um impacto considerável, destacando o progresso da China
Também foram alcançados progressos no fabrico de veículos aéreos não tripulados (drones), principalmente o WZ-8, uma máquina de reconhecimento supersónico, que poderia ser usada para identificar alvos antes de um ataque. O Lijian, outro veículo aéreo não tripulado que pode ser usado em apoio a operações navais, também deve ser apresentado. Todas estas novas armas devem “aumentar drasticamente a capacidade convencional de dissuasão da China”, segundo o FRS. AChina afirma regularmente que nunca usará armas nucleares primeiro, mas sempre em resposta, face a um ataque atómico por outro país. O exército chinês disse ontem que não pretende “mostrar os músculos” com a parada militar da próxima semana.
AVIAÇÃO COMERCIAL PEQUIM INAUGURA NOVO AEROPORTO E MAIOR TERMINAL DO MUNDO
O
Presidente chinês, Xi Jinping, presidiu ontem à inauguração do segundo aeroporto internacional de Pequim, que inclui o maior terminal do mundo e cujo custo de construção se fixou em 120 mil milhões de yuan. A abertura ocorre nas vésperas da celebração do 70.º aniversário da fundação da República Popular da China. O primeiro voo teve como destino Cantão, capital da província de Guangdong, segundo a imprensa local. Erguido no extremo sul da cidade, o Aeroporto Internacional de Pequim Daxing foi construído em menos de cinco anos e está projectado para receber 72 milhões de passageiros por ano. O investimento total, que inclui terminal, estação de alta velocidade, vias rodoviárias e infraestruturas em torno do aeroporto, ascende a 400.000 milhões de yuans. O principal aeroporto da capital chinesa, situado no norte da cidade, é o segundo mais movimentado
do mundo e o volume de passageiros está próximo do seu limite de capacidade. Em 2018, pela primeira vez, excedeu os 100 milhões de passageiros anuais. Com cinco andares e uma área conjunta de 103 quilómetros quadrados, o Aeroporto de Daxing é também o primeiro a incorporar dois andares dedicados exclusivamente à chegada de passageiros - um para
voos domésticos e outro para voos internacionais -, e outros dois para partidas. É também o primeiro aeroporto do mundo a abrigar uma estação ferroviária de alta velocidade abaixo da sua superfície. A falecida arquitecta iraquiana britânica Zaha Hadid projectou o aeroporto, que tem a forma de uma fénix. O aeroporto fica a cerca de 45 quilómetros do centro de Pequim.
quinta-feira 26.9.2019
Irás sozinho vida dentro
roupa suja Antønio Falcão
Q
A verdade superior
UANDO regressei ao jornal depois de umas semanas afastado, sem dar qualquer tipo de explicação aos leitores ou aos colegas, tinha bem visível na minha secretária uma indicação para ir falar com o chefe. Já sabia o que me esperava. Começou por dizer que apreciava muito o meu trabalho, que sempre acreditara em mim e no que era capaz de provocar, tanto na ira como na exaltação dos leitores. Mas não conseguia gerir as minhas ausências, que desaparecia por semanas sem dizer água vai, e isso irritava-o sobremaneira, não podia controlar o exaspero que se assolava dele, por vezes, capaz de esmurrar alguém. Logo agora que ele tentava adoptar uma filosofia ancestral de bem-estar, incentivando a arte da quietude. Para além disso, dava erros, deixava frases incompletas, ideias difusas difíceis de compreender, metia os pés pelas mãos e escrevia com as unhas ainda por cortar, como as garras de um animal faminto. E a seguir, o inevitável, o usual. Sim, já não era a primeira vez, mais cedo ou mais tarde acontecia: “Estás despedido!”. E eu: “Espere”, nestas alturas formais não havia a camaradagem do trato por tu, “isto é capaz de dar uma boa história”, e fui buscar um caderninho para tomar notas, na esperança de que ele dissesse algo surpreendente. Mas não disse. Notificou-me apenas. “Arruma as tuas coisas, podes ir embora, não precisamos mais de ti.” Mas ainda assim, apontei o que ele disse. Sem deixar nada de fora. “O que estás para aí a escrever, não te disse para ires embora?” E quando redigi o último ponto de ex-
clamação passei-lhe o bloco para a mão. Quando o leu, olhou para mim de relance, já com qualquer coisa a querer sair-lhe do nariz. Mas antes que isso acontecesse a curiosidade levou-o de novo para o que tinha entre as mãos, e tomou a atenção nos seus dedos que começavam a folhear aquelas folhas cosidas e encadernadas entre uma capa grossa e preta. Fez uma pausa para respirar, como se os ensinamentos que tinha vindo a aplicar o tivessem alertado de que era necessário estancar o veneno que se soltava dentro dele, levando-o à meditação e à perscrutação do seu eu a qualquer momento do dia. Indagava e seguia o âmago do seu lado primata sem sensação exterior e só consciência. À minha frente, via-o cerrar os olhos suavemente, inspirando o ar que nos rodeava e exalando ainda mais devagar. Fez isto uma ou duas vezes, como se estivesse sozinho e rodeado de floresta
Naquela altura só me queria ir embora. Já estava com os olhos lá fora, no futuro. Na mesa que ia abandonar, no computador que me feria os olhos e deixaria de me apoquentar
densa, onde o pipilar de aves exóticas e o doce escorrer da chuva tropical fizessem parte do cenário. As pálpebras que caiam sem pressa e o levavam para a frondosa natureza que desabrochava dentro de si. Já nas nuvens espessas do seu ser, recitava naquele instante o título do Sutra do Lótus em sânscrito, fazia-o de modo continuado para eliminar as energias negativas acumuladas. Seguia os ensinamentos do monge budista Nichiren, que no 28.º dia do quarto mês lunar de 1253 elaborara esse mantra, o Daimoku. Deixava entrar o místico da inimaginável profundidade da vida que transcende a compreensão humana. Idealizava a flor de lótus, a flor e a semente que germinam ao mesmo tempo. A causa e efeito em simultâneo, numa só vereda, a abreviarem-lhe o entendimento. Sem dar por mim ou pelo caderno. Ou pelo facto de me ter despedido segundos antes. Desde que entrara nesta completude de espírito, sentia um fascínio pleno pelo conceito de Darma, um termo que encerra toda a compreensão do universo num grão de areia. Sentia-se glorificado por tê-lo descoberto. A Lei, era assim que o considerava quando a ele se referia. O fio por onde tudo se delineava e seguia de modo ajustado. Como se todos os remoinhos do cosmos se tivessem integrado numa plena gota de água e daí irrigassem toda a criação em redor, gerando rios, mares e a essência da vida. Tanto que escutava essa harmonia e tão grato estava por ter encontrado essa verdade superior. Em tudo isto, no ir e vir, consegui ainda abrir e fechar os olhos e acalmar-me
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também. Dando azo às sensações auditivas, não entrando dentro de mim, mas fora, encostando-me ao que poderia estar a passar-se do outro lado da parede quando pegasse nas minhas coisas e saísse dali, para todo o sempre, estava em crer. Não que sentisse o desapego dos meus colegas ou a troça a afunilar-se. Embora não privasse muito com eles, eram cúmplices de requestos e vontades comuns. Estávamos no mesmo comprimento de onda. Em suma, iríamos ficar tristes e, possivelmente, com saudades. Mas nada que o tempo não curasse. Não, apesar da sintonia, não existia ali grande afecto. O caderno estava cheio de rabiscos e ideias avulso. Pensamentos tresmalhados que me saltavam da tampa e que tinha de apontar, como fiz com o encanto daquela hora de despedida. Depois perguntou-me o que era aquilo. E eu disse-lhe: “Nada!” Sim, não era nada, eram apenas fantasmas soltos que me davam insónias e passava para o papel durante a noite. Mas era realmente mato denso e havia ali muita coisa que nem eu sabia e que nunca pegara com o intuito de ler com a atenção de um averiguador. Já não me lembrava o que lá estava, e estava agora a observar a primeira pessoa que estava a entrar naquele pipilar de pássaros. As gotas a escorrer nas folhas densas de amazónia milenar. A torrente feita nascente. O desdito nexo. E o autoclismo do espírito a fazer-se soar. Estancou particularmente na personagem do irmão do Governador, que tinha sido inspirado no degredo que eu era, e que de tempos a tempos ia desenvolvendo. “Que é isto?”, e leu em voz alta: “Há medos, quase certezas do desfecho. O diário completa. O irmão que lhe veste a pele e prossegue.” E eu respondi que eram ideias para um romance que queria escrever sobre o território. “Agora que vou ficar sem trabalho talvez tenha tempo para o desenvolver”, como se aquilo fosse uma frase feita que me acompanhava a vida inteira, e o tempo perdido não fosse uma constante da minha existência. e fiz tensões de me levantar para me ir embora, esticando o braço para ele me devolver o caderno e um aperto de mão. Mas ele não o fez. “Espera”, disse finalmente, aquilo soava quase como uma ordem e para quem tinha acabado de ser despedido não soava nada bem. Para além disso, voltáramos a tratar-nos por tu. “Tens aqui coisas muito boas.” Mas não queria saber, naquela altura só me queria ir embora. Já estava com os olhos lá fora, no futuro. Na mesa que ia abandonar, no computador que me feria os olhos e deixaria de me apoquentar. Os calções de banho que já tinha por baixo, a pensar onde tinha ficado a toalha. O guarda-sol, os chinelos. O comboio a gasóleo que tinha de apanhar, que me daria muito tempo para pensar, e o encontro com o que tinha ficado à minha espera, estendido ao sol. O meu Darma. “Fique com ele”, disse-lhe, “talvez tenha sido escrito por um monge budista.” E quando deu por isso, já os meus ex-colegas estavam com um aperto no coração.
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retrovisor Luís Carmelo
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26.9.2019 quinta-feira
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Perlaborar os formigueiros
INHA vinte e poucos anos quando assisti a uma conferência de António José Saraiva. Retive na ocasião a ideia de que “os humanos não são formigas” e que, portanto, se não ousarem mudar radicalmente aquilo que são (ou julgam ser) ao longo da vida, mal vai a volta. Pelo meu lado, tenho praticado esse anti-dogma várias vezes no correr do tempo. Razão por que abandonei muitas vezes os rituais de grupo em que me vi (ou vejo ainda) envolvido. Alguns amigos meus - a maior parte mais novos do que eu - adora fazer provas de coerência e nem creio que dêem por isso. Talvez assim seja porque vivemos em tempos adversos a esse tipo de profissões de fé. Ou então porque os seus heróis-filósofos os satisfazem e lhes emprestam certezas inabaláveis, ou ainda porque o delírio hedonista os desenha numa (quase sempre protegida) fuga para a frente.
Por estar na moda desancar nos ‘franciunzes’ - por vezes também alinho nessa ‘gouttière’ -, passo a evocar um caso de curiosa metamorfose ligado a um senhor nascido em Versailles, meses depois do meu pai: Jean-François Lyotard. Nove anos após ter publicado A Condição Pós-Moderna (1979) - um livro que varreu muita conversa nas duas décadas seguintes -, o autor adoptou, em O Inumano, a modalidade “reescrever a modernidade” em prejuízo do chavão “pós-moderno”, de que, aliás, se tornou bastante crítico. Nesse ensaio, justificou-se com dois argumentos para a mudança: o primeiro ligado à impossibilidade de imobilizar o tempo e o segundo ligado ao facto de não existirem narrativas plenamente relatadas. A primeira vantagem sublinhava a futilidade de qualquer periodização da história cultural em termos de “pré” e de “pós”, e de “antes” e de “depois”, pelo simples facto de não resolver a posição
Embora Lyotard tivesse desfeito o pacto esquemático (e ultrapassado) – ‘moderno vs pós-moderno’ –, a verdade é que a sua postulação é, também ela, uma
longa história que está longe de estar contada
do agora (do presente), a partir do qual é suposto adoptar-se uma perspectiva sobre os decursos cronológicos. Já a segunda das vantagens, baseada no conceito de Sigmund Freud “perlaboração” (durcharbeitung), colocava em evidência o facto de uma narrativa nunca poder traduzir-se na plenitude, na medida em que existe sempre algo ‘não dito’ (ou “escondido”) num acontecimento, fazendo isso parte da sua própria constituição. A perlaboração diz-nos que no mundo tudo está sempre a ser contado e que não existe uma única narrativa integralmente consumada. É natural que a tentação de desenterrar um dos aspectos dessa narrativa para lhe tentar descortinar a ‘essência’ - se é que isso existe - e a possível completude faça parte dos desígnios (ou das fantasias, dir-se-á) dos humanos. Lyotard dá o exemplo de Marx e de Nietzsche, o primeiro, ao ter detectado por inefável sortilégio - o juízo é meu - “o funcionamento escondido do capitalismo”, aspecto que desenlaçaria todos os demais sentidos da história; o segundo, ao ter considerado que “não existe nenhum princípio primeiro e original” (um “ground” ou uma referência de fundo) a partir do qual uma narrativa pudesse ser pensada (caso da ‘criação do mundo’ e do ‘eschatón’ para as religiões axiais, do ‘bem’ para Platão ou do “princípio da razão suficiente” para Leibniz). A modernidade seria, portanto, nesta acepção, um espaço de ilimitadas redescobertas e não o resultado de um desencantamento. A atitude de “rescrever” um período que se evidenciou pelas suas características próprias tornou-se, para Jean-François Lyotard, em poucos anos, numa óbvia alternativa ao conceito “pós”. E o autor foi mesmo mais longe, ao afirmar que “o pós-moderno está já compreendido no moderno pelo facto de a modernidade” (...) “comportar em si o impulso para se exceder num estado que não é o seu”. A este dado, acrescentou ainda: “(O) que realmente se oporia à modernidade seria a idade clássica. Esta comporta um estado do tempo, digamos: um estatuto de temporalidade onde o “advir” e o “partir”, o futuro e o passado são tratados como se, em conjunto, englobassem a totalidade da vida numa mesma unidade de sentido.”. Embora Lyotard tivesse desfeito o pacto esquemático (e ultrapassado) – ‘moderno vs pós-moderno’ –, a verdade é que a sua postulação é, também ela, uma longa história que está longe de estar contada. Mas isso ficará para uma outra crónica a acompanhar com material menos dietético e cauteloso. Jean-François Lyotard. A Condição Pós-Moderna. Lisboa: Gradiva, 1989. Id. O Inumano: Considerações sobre o Tempo. Lisboa: Estampa, 1990.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quinta-feira 26.9.2019
diário de Próspero
António Cabrita
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Á vos contei a minha noite com a Ava Gardner? Foi na noite de fim de ano na praia da Macaneta em que arrombámos seis garrafas de champanhe, depois de cinco garrafas de vinho. Normalmente, quando bebo muito não recordo os sonhos, mas daquela vez não foi assim. E mesmo tendo dormido apenas entre as duas e trinta da manhã e as seis da manhã, mas foi o suficiente, para que acontecesse. Actuei sob disfarce, embora ela soubesse que era eu – os algoritmos nos sonhos são transparentes como água. Peço condescendência e compreensão: a beleza de Ava Gardner galvanizou entre os deuses um desejo de antropomorfização e carregava consigo, além do temperamento de Lillith, o desbocamento de Pandora; para além disso, ela havia-me confiado sobre o Sinatra, “tinha um pinto com a solidez de uma igreja românica” (não sei porquê, as legendas dos meus sonhos são muitas vezes brasileiras) e denegrido o John Kennedy deste modo: “Nunca me deitei com ele porque era um homem ordinário e prepotente que estendia ao mundo e às mulheres o seu olhar de putanheiro” - perceberão as reticências em mostrar-lhe o meu fuste e a minha técnica de artesão. Desde miúdo que ela me obceca. Tenho em casa uma estante onde só se arrumam os filmes que ela protagonizou, os livros sobre ela ou aqueles em que é mencionada, que, diga-se, são inúmeros, sempre a renovarem-se. A Eva – habituei-me a chamar-lhe Eva, como se eu próprio fosse um Adão putativo - ocupa-me todos os pedaços que a minha vida tem livres. É mais do que um hobby, e já me divorciei uma vez por causa disso, juro. Ela excita-me de um modo incondensável, ponto, desejo-a com a urgência que materializam as viagens num transatlântico (quem já viajou assim sabe), mas receava que depois de consumado o acto ela fosse pôr o morrão noutros cinzeiros de mármore,
A minha noite com Ava Gardner e jamais idêntico a mim mesmo eu me condenasse aos melancólicos abismos das Fossas Marianas, deprimindo. Este sonho trouxe-me uma solução de compromisso. Eu entrava com ela no Hotel Santa Cruz, em Maputo, aonde normalmente se hospedam os futebolistas na visita à cidade. Num hotel de futebolistas não se colocava o risco dela encontrar toureiros. Alugámos uma suite. Na recepção deu-se a primeira surpresa. Ao identificar-me, reparei que estendera ao recepcionista o passaporte de Liév Tolstoi. Olhei-me no espelho que se dispunha nas costas do recepcionista e confirmei: crescera dez centímetros, os meus ombros abriam-se ao mundo, majestosos, e cofiava a barba de um anarquista de resoluto brilho. Era Tolstoi. Chamar-lhe-ão cobardia, eu vejo aí uma tonicidade exaltante, a prudente identificação que Freud descortinava no mecanismo dos sonhos. O Tolstoi não
precisaria de viagras, como Kadhafi, por exemplo. Um segundo depois de me ter reconhecido como Tolstoi, o carisma e o dom do mago de Guerra e Paz manavam de mim com a energia de um tsunami ou, vá lá, com o volume de uma onda gigante da Nazaré. Estava superlativado o meu desempenho naquele pleito. E Ava mostrava-se encantada pois, entredentes, Tolstoi (moi, quem mais?) prometera-lhe o desempenho de Anne Karenine num filme. No seu olhar estava dissipado o mínimo traço do demónio ambíguo que amiúde a possui e lhe dá à pele aquele verniz que envenena. Sorria em corpo inteiro, num nexo por uma vez estável. Elipse. Enrolávamo-nos na cama, sob o dossel medieval que a suite oferecia. A cama, confesso, era a mesma em que eu passei a seco várias noites na Ilha de Moçambique – os sonhos engendram estas colagens. Mas a diva, inesperadamente inibida pela presença bruta do colosso que
Alugámos uma suite. Na recepção deu-se a primeira surpresa. Ao identificar-me, reparei que estendera ao recepcionista o passaporte de Liév Tolstoi. Olhei-me no espelho que se dispunha nas costas do recepcionista e confirmei: crescera dez centímetros, os meus ombros abriam-se ao mundo, majestosos, e cofiava a barba de um anarquista de resoluto brilho. Era Tolstoi
com ela partilhava o leito e desculpando-se com um sinal informe na coxa direita que à viva força não queria que o mestre russo contemplasse, interpusera entre os dois corpos o lençol de seda, no qual aprontara com a sua tesoura de unhas um orifício. Oferecia-se, porém com entreposto. Embora o seu desejo, maior nitidez era impossível, lhe incendiasse o olhar. Bom, há oportunidades que evocam um tempo primeiro, quando não havia oposições nem contrários, e apesar daquele intervalo de seda entre as nossas peles, a saliva enchia-me a boca. Ela ajeitava o corpo, arqueava as costas, alçando as nádegas, de modo a fazer coincidir as suas humidades com o buraco no lençol. O desejo de acertar com o buraco sugava-lhe a rata. Perdoem-me a linguagem, mas o olhar de tesão da dama pede-o. Resolvi espreitar o meu pinto, verificar quem dobraria aquele cabo, se o meu ou o de Tolstoi. Levantei uma ponta do lençol e espreitei a opulência da haste. Uau, era a do mestre russo. Que conveniente identificação se inscrevera nas metamorfoses daquele sonho. Penetrei-a com a confiança cega do pangolim. Como foi? Olhem, Helena foi a causa da guerra de Troia, ao suscitar a lascívia de Páris que arrastou milhares de nobres varões para a morte. Pois Helena merecia isso e muito mais. Literalmente, o que naquele caso estava errado era que o volúvel Páris tivesse ocupado o meu lugar. O mesmo diria com Salomé, Jezabel, ou Messalina, que encontraram homens muito mais débeis do que eu. Também a Cleópatra sofreu o desprestígio que lhe foi montado por séculos de misoginia, quando tudo na sua vida teria sido mais simples e diferente num sonho em que coincidíssemos na mesma estação de comboios. Mas imaginem todo este desejo, que acicatou a vivacidade de tantas máscaras, congelado por milénios, este fluxo canalizado para um único acto de fusão carnavalesco em que Tolstoi me veste a pele para eu finalmente gozar do esplendor de Ava Gardner com o meu brônzeo pénis de cavalo nipónico e compreender-se-á a sintonia em que o céu ficou comigo, assim como com os animais e as plantas, a terra, os metais, as estalactites ou as tempestades. E chega de indiscrições.
16 desporto
A Associação de Futebol de Hong Kong pretendia realizar o torneio anual a 12 de Outubro, mas a congénere de Macau diz não ter disponibilidade, devido a jogos do campeonato Bolinha. Segundo a AFM a recusa da ida à RAEHK não se ficou a dever às manifestações
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EPOIS da falta de comparência com Sri Lanka, em Junho, agora foi a vez da Associação de Futebol de Macau (AFM) se ter recusado a jogar no dia 12 de Outubro em Hong Kong, numa partida a contar para o Torneio Interport. A história foi avançada ontem, em Hong Kong, pelo jornal Ming Pao, sem que houvesse uma explicação oficial.
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26.9.2019 quinta-feira
FUTEBOL ASSOCIAÇÃO DE MACAU RECUSOU DATA PROPOSTA PARA INTERPORT
Calendário preenchido Mas em declarações ao HM, um porta-voz da associação local recusou por completo o cenário da rejeição se ficar a dever às manifestações contra o Governo de Carrie Lam, que se prolongam há cerca de quatro meses. Segundo a AFM, já existem outros compromissos assumidos para essa data. “O dia sugerido pela Associação de Futebol de Hong Kong foi 12 de Outubro, mas nessa data temos um compromisso e não podemos participar no Interport”, explicou um porta-voz. “Nós não recusámos participar no torneio. Estamos à espera que a Associação de Futebol de Hong Kong avance uma nova data para depois darmos uma resposta”, foi acrescentado. O mesmo porta-voz frisou ainda que a situação não tem nada que ver com as manifestações: “A questão dos protestos não foi um facto que tenha pesado na nossa decisão. Foi só uma questão de datas”, sublinhou. Sobre os encontros agendados para esse dia, a AFM explicou tratarem-se de encontros a contar para a
presença de pilotos de Macau no automobilismo local ou internacional praticamente resume-se às categorias de velocidade de carros de Turismo e GT. Contudo, há sempre excepções à regra, e Nicholas Lai Chi Hou é disso o melhor exemplo. O piloto da RAEM enveredou pelo caminho diferente, em vez das corridas de Turismo, seguiu o caminho dos monolugares. Depois de uma passagem pelo Campeonato da China de Fórmula 4, no próximo fim-de-semana, no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, Nicholas Lai estrear-se-á no Campeonato Asiático de Fórmula Renault com a equipa Asia Racing Team (ART), também ela com as suas fundações no território. O prazer de condução único proporcionado por um monolugar cativou o piloto de 32 anos à primeira, que admite que é essa a razão para ter optado por este caminho tão diferente do habitual. “O primeiro treino de condução desportiva que me foi dado, em 2014 na escola de
“A questão dos protestos não foi um facto que tenha pesado na nossa decisão. Foi só uma questão de datas.” PORTA-VOZ DA AFM
Bolinha, campeonato de futebol de sete local. Se a AFM tivesse concordado com data, este seria o primeiro encontro depois de se ter recusado a jogar no Sri Lanka, numa partida de apuramento para o Mundial de 2022. Na altura, a AFM justificou a recusa em participar no apuramento
com o facto de o país ter sofrido ataques terroristas na Páscoa.
JOGADORES ÀS ESCURAS
A decisão fez com que os jogadores ameaçassem boicotar os futuros encontros da selecção de Macau. Mas, segundo o capitão da selecção de Macau, Nicholas
Uma excepção à regra Piloto de Macau envereda pelas corridas de monolugares
condução da ART no Circuito Internacional de Zhuhai, foi um num Fórmula e aí fiquei apaixonado”, explicou Lai ao HM. Apesar de já ter experimentado carros de Turismo, tripular e competir com monolugares continua a ser o que o motiva a competir. “Realmente encontro diversão a correr com fórmulas. Não encontras a mesma sensação em nenhum outro carro de corrida. Andar nos limites, por entre lutas roda com roda, nas corridas de monolugares é o que me entusiasma.”
PRÓXIMO PASSO
A participação na prova do Campeonato Asiático de Fórmula Renault este fim-de-semana no Circuito Internacional de Sepang é mais um passo na direcção da concretização de um sonho, aquele amplamente partilhado por todos os pilotos do território.
Torrão, os atletas nem sequer foram contactados sobre a possibilidade de entrarem em campo em Hong Kong, a 12 de Outubro. “Honestamente não sei como seria a resposta dos jogadores [caso fossem questionados sobre o encontro em Hong Kong]”, começou por dizer Torrão, ao HM. “Nunca mais houve
“Estou entusiasmado por começar a minha campanha asiática com a ART na pista de Fórmula 1 de Sepang. É uma das mais icónicas equipas do desporto motorizado asiático e espero aprender muito com eles”, admite Lai que assim segue as pisadas de outros pilotos com a licença desportiva de Macau que por lá deram com sucesso os seus primeiros passos no automobilismo, como Rodolfo Ávila, Luís Sá Silva ou Charles Leong Hon Chio. “Depois de ser levado a sério nas corridas de monolugares fez de mim o que sou e o que quero ser. Tendo participado no campeonato de Fórmula 4, penso que tenho o que é que preciso para subir os degraus na carreira do automobilismo nos monolugares”, conclui Lai que este fim-de-semana fará equipa com o brasileiro Bruno Carneiro, que ainda assim não esconde “Espero correr um dia de Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau...” Sérgio Fonseca
info@hojemacau.com.mo
uma reunião [da AFM] com os jogadores e pelo que tenho falado com alguns atletas há quem não esteja disponível para representar a selecção por agora”, acrescentou. Sobre uma eventual disponibilidade dos atletas mudarem de opinião, Nicholas Torrão frisou que primeiro a AFM tem de abordar os atletas: “Penso que o melhor seria a associação falar com os jogadores. Isso seria mesmo o mais importante”, frisou. O Interport é um torneio anual rotativo disputado entre Macau e Hong Kong, que no ano passado se realizou na RAEM, com a selecção local a perder por 6-1. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
Ténis João Sousa na segunda ronda em Chengdu
O tenista português João Sousa qualificou-se ontem para a segunda ronda do torneio de Chengdu, na China, ao vencer em três ‘sets’ o sulcoreano Hyeon Chung. O vimaranense, 62.º do ‘ranking’ mundial, bateu Chung, 145.º do mundo e que recebeu um ‘wild card’ para este torneio, por 1-6, 6-3 e 6-4, em uma hora e 39 minutos. João Sousa, que na última semana chegou às meias-finais em São Petersburgo, irá defrontar na segunda ronda o canadiano Félix Auger-Aliassime, 20.º do ‘ranking’ mundial e segundo cabeça de série no torneio. Será o primeiro confronto entre João Sousa e Auger-Aliassime, de apenas 19 anos e este ano finalista vencido em Estugarda, Lyon e Rio de Janeiro.
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quinta-feira 26.9.2019
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EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS DE CHEN ZHIFO DA COLECÇÃO DO MUSEU DE NANJING” MAM | Até 17 /11
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9 1 6 4 5 2 5 7 3 8 7 9 4 0 2 5 0 1 8 9 8 7 2 6 3 AS ASTRA 1IT CHAPTER 3 9TWO [C]7 4 Andy Muschietti 6UmCom:filmeJames 2de:McAvoy, 0 1 7 Jessica Chastain, 3 Bill6Hader, Isaiah 5 Mustafa 9 0 16.15, 21.00 4BLINDED 8 BY3THE LIGHT 5 [B]6 Um filme de:Gurinder Chadha 0Com: Viveik 4Kalra,8Kulvinder2Gbir, 1 SALA 3
Meera Ganatra, Nell Williams 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
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NOBEL ALTERNATIVO 31
A jovem activista sueca Greta Thunberg, o líder indígena brasileiro Davi Kopenawa e a Hutukara Associação Yanomami, de conservação da floresta tropical da Amazónia, foram ontem distinguidos, em Estocolmo, com o "prémio Nobel Alternativo". A advogada chinesa Guo Jianmei e a defensora dos direitos humanos saraui Aminatou Haidar receberam também o galardão, que assinala este ano o 40.º aniversário.
0 8 06 3 6 9 5 4 5 7 1 7 7 49 7 9 5 0 2 5 2 8 1 3 8 3 2 2 17 8 7 6 9 3 9 5 0 4 6 5 6 1 4 0 8 723 2 32 59 2 7 9 1 7 0 1 4 0 4 6 67 42 7 3 2 0 3 8 0 9 8 9 1 9 7 9 5 8 4 6 3 02 0 1 1 8 3 0 3 2 6 5 6 7 49 2 96 2 6 8 1 7 8 7 04 50 5 3 0 35 4 5 1 2 9 2 8 6 8 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 31
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8 23FILME 9 1 3 7 1 4HOJE 7 4 5 UM 0 5 6 8 3 4 7 1
0 5 6 1 2 92 15 4 5 6 2 8 0 9 0 7 3 Detention é um thriller psicológico 7 9 1 4que 6 1explora 0 6 3o0 3 2 8 5 período de Terror Branco 2 3em Taiwan, 7 0 com 5 a9 6 4 8 vivido implementação pelo 5 6 4 8 4 9Par02 0 7 1 tido Nacionalista da lei durante 63 07 3 8 7décadas. 0marcial 1 8 5 1 95 49 4 Numa escola ficcionada, 3 professora 7 1 e2um grupo 4 5 8 6 09 uma alunos 40 1 9 0envolvem-se 1de 7 9 3 7 2 3 82 68 6 em problemas porque se 92 8 a 2 atrevem criar 5 um 0 clube6 3 1 3 7 literário secreto onde se atrevem a ler os livros proibidos pelo regime. O filme estreou no passado dia 20 4 3tem6recebido 4em1 Taiwan, 9 72 9 2 0 5 0 críticas muito positivas e 0 5chegar 7 2Kong 3 291 964 7 8 a Hong deverá no9início de Dezembro. 7 Filipe 0 2 56 4 6 8 3 7João Santos
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S U D O K U
EXPOSIÇÃO | “HOT FLOWS – PEARL RIVER DELTA ARTS RETROSPECTIVE” Armazém do Boi | Até 13 de Outubro
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FAQUENIUS ( II )
EXPOSIÇÃO | “CONTEMPLAÇÃO DA BONDADETERNA” Museu de Arte de Macau | Até 6/10
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YUAN
VIDA DE CÃO
EXPOSIÇÃO | “JARDIM DAS DELÍCIAS TERRENAS” Wynn Macau | Até 6/10
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O número de directores de serviços que ficam presos em casas-de-banho do trabalho disparou desde 2014. Em causa está o facto de um(a) secretário(a) ter começado a fazer reuniões semanais com todos os directores, à semelhança de um conselho de ministros. O objectivo passava por coordenar melhor os trabalhos entre os diferentes departamentos, mas a “maré de azar” tem afectado os trabalhos. “Logo no início os directores mostraram-se muito agradados com a ideia e fizeram rasgados elogios ao(à) secretário(a). Mas logo à segunda ou terceira reunião as pessoas começaram a ter muitos problemas e deixaram de poder comparecer”, explicou, ao HM, fonte conhecedora do processo. “Felizmente há subdirectores e outras pessoas em posições mais baixas na hierarquia que podem substitui-los. Nunca sabemos quando podemos ficar presos numa casa-de-banho”, foi defendido pela mesma fonte. Actualmente a situação já é pacífica, mas não terá sido assim logo no início. Um dos directores terá sido ouvido a criticar a medida no serviço: “E a seguir? Começamos a respeitar as decisões dos tribunais na atribuição dos contratos públicos?”, terá dito. Porém, a fonte conhecedora do processo negou esta versão: “É muito irresponsável criar este tipo de rumores sobre directores que sacrificam horas em jantares e mesas de karaoke pelo bem de Macau”, foi sustentado. Face à situação a secretaria vai retirar as fechaduras de todas as casas-de-banho. A medida é muito bem vista no Executivo porque vai permitir poupanças na instalação de câmaras de CTTV. [Nota: Faquenius são histórias ficcionadas] João Santos Filipe
DETENTION | 2019 | JOHN HSU
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O 70.º aniversário da fundação “At present and into the future, China’s development is entering to a period when various risks and challenges are emerging together, including the economy, defense, Hong Kong and Taiwan. And it will only get more complex.” President Xi Jinping
O
dia 1 de Outubro de 2019 marca o septuagésimo aniversário da fundação da República Popular da China (RPC). As celebrações especiais e eventos comemorativos, actividades e exposições começaram e continuarão a intensificar-se até esse dia. Qual é o significado desta data? A vitória do Partido Comunista da China (PCC) na guerra civil sob a liderança do presidente Mao Tsé-Tung, assinalou o início da era moderna de um país que preservou admiravelmente uma presença contínua por milénios e enquanto o longo passado funciona como farol para a era moderna, a história da China após 1949 está entrelaçada em um rota política estável. O PCC tem sido a pedra angular do desenvolvimento mais recente do país. Os políticos e estudiosos, no entanto, muitas vezes hesitam em reconhecer o sucesso do PCC. A rivalidade ideológica entre os Estados Unidos e a União Soviética durante a Guerra Fria e a supremacia dos Estados Unidos moldaram um paradigma dominante, no qual a ordem mundial liberal se tornou uma estrutura quase exclusiva para entender a política global. Após o colapso da União Soviética, essa foi a resposta natural do Ocidente, que não leva em conta as características particulares da China como nação. O PCC apercebeu-se de forma admirável que a unidade na China pela primeira vez desde o final da era imperial esteve praticamente ausente de 1912 a 1949. A reconstrução económica após a guerra contra os invasores japoneses e a guerra civil foram tarefas hercúleas para um país que sofria de pobreza e problemas sociais graves. Então, aproximadamente três décadas após a fundação da RPC, Deng Xiaoping introduziu a sua filosofia económica, que lançou as bases para o fenómeno que continua em marcha. Actualmente, décadas depois, o processo de reforma e abertura ainda está a ser implementado e enriquecido. O conceito de democracia não é interpretado da mesma forma no Ocidente e na China. Enquanto no primeiro está associado a características do sistema político, no segundo está ligado ao empoderamento do Estado para enfrentar os desafios internos de forma mais directa.
Foi dessa forma que a RPC sobreviveu à turbulência do fim da Guerra Fria e construiu um novo modelo de confiança com os seus cidadãos, continuando o trabalho para reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida e o trabalho duro, paciência e compromisso com as metas nacionais que renderam resultados que todos aplaudem. A realização dos Jogos Olímpicos e Para olímpicos de 2008 em Pequim, demonstrou o potencial nacional de crescimento e projectou para novas perspectivas promissoras. A importância da estabilidade da China talvez se tenha tornado mais evidente nos últimos anos, com a incerteza internacional e as tendências populistas. O país serve de força para a globalização e multilateralismo e actua de maneira responsável nos assuntos económicos e políticos do mundo. É um actor previsível em crises económicas, guerras e conflitos. As políticas da China reflectem consistentemente a continuidade e o planeamento a longo prazo. Assim, o 70.º aniversário da fundação da RPC, orgulha o país pelas suas realizações, como o progresso em inovação e tecnologia, e a determinação em concluir o trabalho crucial de erradicação da pobreza. O presidente Xi Jinping inspira uma sociedade que percebe que o PCC não é tolerante à corrupção, que vê a “Iniciativa da Faixa e Rota” a transformar a China em um actor dinâmico, que contribui para a prosperidade em todo o mundo e que é sensível a mudanças importantes na vida quotidiana, da saúde aos transportes, e dos serviços a salários mais altos. A importância das muitas realizações anteriores da China gera optimismo nos próximos anos. A mistura única de autoconfiança e a infusão da globalização com características chinesas estão gradualmente a tornar o mundo mais dependente da China. A sua liderança toma decisões que terão impacto nas gerações futuras. A China conseguiu com sucesso um equilíbrio entre o crescimento económico e desafios como a protecção ambiental e a revolução tecnológica, não esperando uma crise, mas agindo “a priori” de forma independente, tomando medidas preventivas para fortalecer os seus sistemas em todas as frentes. O progresso da China e a sua evolução para um gigante económico e político são tendências irreversíveis. Tal não é uma ilusão. É o produto natural das políticas nacionais implementadas no contexto do socialismo com características chinesas. À medida que se aproxima o 70.º aniversário de 1 de Outubro de 2019, pode-se ver que o “sonho chinês” em toda a sua excelência se assemelha mais à realidade do que à imaginação. À medida que se aproxima o 70.º aniversário da RPC, as instruções do Presidente Xi Jinping encorajam muito os que trabalham em vários sectores e campos da tecnologia
da informação. Nos últimos setenta anos, sob a liderança do PCC, o povo chinês superou várias dificuldades e explorou novas formas de desenvolvimento, embarcando com sucesso em um novo caminho de industrialização com características chinesas. É importante assinalar que necessitaram de algumas décadas para concluir um processo que levou os países desenvolvidos vários séculos, o que constitui realmente um milagre na história humana. A característica proeminente do sucesso é de que a China estabeleceu um sistema industrial moderno independente com categorias completas de indústrias, e o tamanho do sector industrial chinês é o maior do mundo. Quando a RPC foi fundada, só conseguia produzir necessidades diárias simples, como chávenas e chaleiras. A China, actualmente, tornou-se o único país do mundo que possui todas as indústrias assentes na classificação da Organização das Nações Unidas. O valor agregado da indústria chinesa cresceu de doze mil milhões de yuans em 1952 para mais de trinta triliões de yuans
em 2018, registando um aumento de novecentas e setenta vezes a preços constantes, crescendo 11 por cento ao ano, e segundo o Banco Mundial o valor agregado da indústria manufactureira da China superou o dos Estados Unidos em 2010, tornando-se a China o maior fabricante do mundo depois de perder o título em meados do século XIX. Quanto à produção de aço por exemplo, dá-se conta que em 1949, a produção total de aço da China era de apenas cento e cinquenta e oito mil toneladas, representando 0,1 por cento do total mundial. Todavia, em 1958, quando o país estava a lançar a campanha do “Grande Salto em Frente”, lutou arduamente para produzir dez mil e setecentos milhões de toneladas de aço e em 2018, a produção total de aço do país ultrapassou os novecentos milhões de toneladas, aumentando cinco mil e oitocentas vezes em relação a 1949 e contribuiu durante anos para metade da produção total de aço do mundo. A China tem apresentado um aprimoramento substancial nas suas capacidades de inovação nos sectores industrial e
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perspectivas
da República Popular da China
de comunicação, em particular, após o 18.º Congresso Nacional do PCC, realizado em 2012, e com o progresso da estratégia de desenvolvimento orientada para a inovação, o país alcançou a meta estratégica de “ganhar uma posição” nos principais sectores quanto ao desenvolvimento. É de realçar um grupo de produtos, como os comboios-bala Fuxing de alta velocidade e auto-desenvolvidos e a tecnologia de reactor nuclear de terceira geração (The Hualong One que é um reactor nuclear de água pressurizada), sendo todas tecnologias líderes mundiais. Um grupo de empresas manufactureiras chinesas, incluindo a Huawei e a CRRC Corporation Limited (a maior fabricante de material circulante do mundo), também ganhou maior reconhecimento no mundo. Quanto ao sector de telecomunicações móveis, por exemplo, a China fez conquistas históricas nas últimas décadas, seguindo a tendência na era 2G, fizeram um avanço na era 3G, alcançaram um desenvolvimento sincronizado com outros países na era 4G e
lideram o mundo na era 5G. A China possui o maior número de patentes essenciais e padrão 5G do mundo. Até ao final de 2018, e em grande parte impulsionada pelo desenvolvimento de tecnologias da informação e comunicação, a economia digital da China atingiu um valor total de trinta e um triliões de yuans, representando um terço do PIB total do país. As realizações e destaques do desenvolvimento industrial da China nas últimas sete décadas foram primeiro, o “poder de manufactura número 1”. A China deu saltos históricos no seu desenvolvimento industrial desde a sua fundação, há setenta anos, e desde a reforma e abertura em particular. O valor agregado industrial do país excedeu um trilião de yuans em 1992, dez triliões de yuans em 2007, vinte triliões de yuans em 2012 e trinta triliões de yuans em 2018. O valor industrial da China, em 2018, representou mais de 28 por cento do total mundial, tornando-a um importante impulsionador do crescimento industrial global. Entre os quinhentos principais produtos industriais do mundo, a China ocupa o primeiro lugar, com mais de duzentos e vinte. O segundo foi o “sistema industrial completo”. A China valoriza muito a construção do seu sistema industrial, e distribuiu recursos limitados aos seus sectores industriais desde o início do seu primeiro plano quinquenal, estabelecendo uma base sólida para a sua subsequente industrialização. Após setenta anos de desenvolvimento, a China formou um sistema industrial moderno independente e completo, composto por quarenta e uma grandes categorias industriais, duzentas e sete categorias industriais médias e seiscentas e sessenta e sete pequenas categorias industriais. A China é o único país do mundo que possui todas as categorias industriais com base na classificação industrial da ONU. O terceiro foi o “desenvolvimento orientado à inovação”. Como um dos principais contribuintes de inovações, as empresas chinesas estão a aumentar continuamente os seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e a melhorar o seu nível de inovação tecnológica, tornando-se em uma força motriz fundamental e fonte de progresso rápido e sustentado do país. Há que realçar a extrema importância do sistema básico de seguro médico neste 70.º aniversário. É de recordar que em 1949, antes da fundação da RPC, o tempo médio de vida na China era de apenas trinta e cinco anos, sendo actualmente de setenta e sete anos, mais que duplicando em setenta anos. O salto não é apenas um avanço qualitativo na expectativa de vida das pessoas, é também um reflexo do progresso económico e social da China, o ambiente pacífico e sustentável em casa que é tão necessário para o desenvolvimento e, mais importante, uma transformação dos serviços médicos da China.
A obtenção de tratamento médico é um direito básico e universal. No entanto, há setenta anos, muitas pessoas não conseguiam tratamento oportuno devido à escassez de instalações médicas e nas duas primeiras décadas após a fundação da RPC, a China devastada pela guerra, quase não tinha sistema de saúde pública. A pneumonia, malária e outras epidemias devastaram o planeta, enquanto doenças parasitárias colocaram em risco a saúde nacional e dado esse estado terrível, o governo recém-formado tomou medidas rápidas para melhorar o sistema de saúde pública, introduziu o saneamento e construiu centros de saúde e instituições de educação de saúde a vários níveis.
As políticas da China reflectem consistentemente a continuidade e o planeamento a longo prazo. Assim, o 70.º aniversário da fundação da RPC, orgulha o país pelas suas realizações, como o progresso em inovação e tecnologia, e a determinação em concluir o trabalho crucial de erradicação da pobreza Além de um sistema geral de higiene e controlo de doenças, o governo chinês também estabeleceu centros de tratamento especiais para a tuberculose e doenças de pele. Os serviços públicos de saúde eram gratuitos. A China, em 1960, basicamente erradicou a praga, endemias como a doença de Keshan, um problema cardíaco causado por deficiência alimentar, e esquistossomose, uma infecção parasitária, tendo começado a vacinação contra a poliomielite, encefalite japonesa, difteria e outras doenças. No final da década de 1970, um sistema de saúde pública abrangente tinha-se formado, melhorando os indicadores nacionais de saúde. Naquela época, a China seguia um sistema económico planeado, ridicularizado pelo Ocidente. No entanto, e em retrospecção, foi esse sistema que possibilitou à China concentrar os seus recursos muito limitados na construção de um sistema de saúde pública a nível nacional. Na Conferência Internacional sobre Saúde Pública em Almaty, Cazaquistão, em 1978, a Organização Mundial da Saúde (OMC) saudou o modelo de desenvolvimento de saúde da China, como um exemplo de atenção primária à saúde. No entanto, ainda havia uma grande lacuna entre as áreas urbanas e rurais. As despesas médicas das pessoas, nas cidades, eram todas cobertas pelo orçamento fiscal do governo e nas áreas rurais, a saúde
JORGE RODRIGUES SIMÃO
dos residentes era financiada por comunas locais, dependendo do rendimento de todos os agricultores em cada aldeia. Depois da China ter adoptado a política de reforma e abertura, a economia colectiva começou a deteriorar-se, levando ao colapso do serviço médico cooperativo rural. O sistema público de saúde começou a mudar com a transformação de uma economia planeada em uma economia de mercado. Após uma série de reformas no seguro médico e na produção e distribuição de medicamentos essenciais, quatro sistemas principais formaram-se como o sistema de serviço público de saúde, o sistema de serviço médico, o sistema de seguro médico e o sistema de provimento de medicamentos, cobrindo tanto os residentes rurais quanto os urbanos. As despesas médicas aumentaram com o abandono de serviços médicos gratuitos disponíveis no sistema económico planeado, pelo que tornar os serviços médicos acessíveis e garantir recursos médicos adequados, tornou-se um dos objectivos do sistema de saúde da China. O objectivo é construir um sistema de saúde primário que ofereça serviços seguros, eficientes, convenientes e acessíveis. O sistema de cuidado primário já cobre áreas rurais e urbanas segundo as estatísticas da Comissão Nacional de Saúde, e mais de mil e trezentos milhões de pessoas que representam 97 por cento da população estão cobertas por um sistema básico de seguro médico. A rede de assistência médica básica da China, que cobre a maior população do mundo, foi estabelecida. É de lembrar que existem mais de novecentas e noventa mil instituições de saúde e o número de médicos e profissionais de saúde atingiram doze milhões e trezentos mil médicos. Os hospitais e outras instituições de saúde da China, em 2018, receberam oito mil milhões e trezentos e dez milhões de visitas de pacientes. O sector farmacêutico também está a crescer rapidamente. Existe uma cadeia essencial de fornecimento de medicamentos, bem como um sistema de seguro e reembolso médico. Os cuidados de saúde primários estão a ser distribuídos de forma mais uniforme. A taxa de mortalidade infantil caiu para seis crianças mortas por cada mil nascimentos. A saúde pública é uma questão complexa, enquanto o serviço de saúde melhorou, a industrialização acelerada, a urbanização e o envelhecimento da população viram doenças infecciosas e crónicas aumentarem. Há maiores expectativas dos cidadãos nos serviços de saúde e médicos. Os recursos de saúde, particularmente os “premium”, ainda são escassos ou desigualmente distribuídos no país. A China ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de reforma e desenvolvimento do seu sector médico e de saúde, para que a sua população tenha acesso a melhores serviços de saúde e assistência médica e viva uma vida mais longa e saudável.
A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla. David Hume
PALAVRA DO DIA
Ataque abjecto
quinta-feira 26.9.2019
CRIME MENINA DE ONZE ANOS VÍTIMA DE ABUSOS EM INSTITUIÇÃO RELIGIOSA
EUA EMPRESAS CHINESAS SANCIONADAS POR TRANSPORTE DE PETRÓLEO IRANIANO
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PUB
S Estados Unidos impuseram ontem sanções contra as empresas chinesas China Concord Petroleum, Kunlun Shipping e Pegasus 88 e seus dirigentes acusados de “conscientemente transportarem petróleo do Irão”, violando o embargo norte-americano, disse o chefe da diplomacia, Mike Pompeo. O secretário de Estado norte-americano sublinhou, num discurso em Nova Iorque, que esta decisão ilustra o início de uma fase de endurecimento das sanções contra o Irão, anunciada terça-feira pelo Presidente Donald Trump, na Assembleia Geral das Nações Unidas. Na sua intervenção na ONU, Donald Trump pediu a unidade da comunidade internacional para travar as intenções nucleares do Irão, cujo regime apelidou de “terrorista”, e avisou que se não houver uma mudança de atitude por parte de Teerão os Estados Unidos endurecerão as sanções. Ontem, o chefe da diplomacia norte-americana explicou que os EUA “intensificarão esforços” para diminuir os riscos de as empresas sancionadas fazerem negócios com o Corpo da Guarda da Revolução do Irão. “Estamos a dizer à China e a todos os países: saibam que sancionaremos qualquer violação de sanções” impostas por Washington contra a exportação de petróleo iraniano”, disse Mike Pompeo, num discurso perante a organização Unidos Contra um Irão Nuclear, que Teerão definiu como “grupo terrorista”.
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MA menina de 11 anos, que se encontra a cargo de uma instituição religiosa de cariz social, após a mãe ter sido detida, foi vítima de abusos por parte de um motorista da instituição. O caso foi revelado, ontem, pela Polícia Judiciária (PJ) e o homem em causa tem 55 anos de idade. Segundo a PJ, os abusos aconteceram três vezes no espaço de uma semana, quando o homem transportava a criança entre a instituição de cariz religioso, em Coloane, e a escola que a menina frequentava, na Zona da Areia Preta. O condutor fazia com que as outras crianças saíssem primeiro do veículo de sete lugares e depois, quando estava sozinho com ela, aproveitava a oportunidade para cometer os abusos. Os ataques foram possíveis uma vez que as crianças da instituição frequentam escolas diferentes. Os crimes aconteceram nos dias 13, 18 e 19 deste mês e o homem obrigava a que a criança se sentasse ao seu lado, nos bancos da frente, para depois lhe tocar no peito e nos órgãos sexuais. A roupa interior da criança nunca era removida para evitar que houvesse vestígios da prática.
DETIDO E INTERROGADO
De acordo com a PJ, a situação fez com que a criança se sentisse humilhada, o que deu origem a que no dia 20, ou seja no dia
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Os abusos aconteceram três vezes no espaço de uma semana, quando o homem transportava a criança entre a instituição de cariz religioso, em Coloane, e a escola que a menina frequentava, na Zona da Areia Preta
seguinte ao do último ataque, relatasse as ocorrências a uma das responsáveis das instituição. Após a conversa, a responsável levou a criança de imediato à estação da polícia para que fosse apresentada uma queixa. A queixa foi apresentada numa sexta-feira e na segunda-feira as autoridades detiveram o homem para o interrogar. Porém, o condutor recusou cooperar com a investigação. O homem tem 55 anos, é residente local, e encontrava-se nesta profissão desde 2017. Neste momento
desconhece-se a existência de mais abusos. O homem é suspeito da prática do crime de abuso sexual de crianças, punido com uma pena de um a oito anos de prisão. Já no caso em que se prove que houve “introdução vaginal de partes do corpo ou objectos” a moldura penal vai dos três aos 10 anos de prisão. Por sua vez, a criança encontra-se ao cuidado da instituição, depois de a mãe ter sido detida. Segundo a PJ, não existiam ontem informações disponíveis sobre o pai da menina. J.S.F.
HONG KONG PEQUIM CONFIA NAS AUTORIDADES LOCAIS
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M alto quadro do Governo chinês colocado em Hong Kong expressou ontem confiança na capacidade das autoridades locais para restabelecer a ordem na cidade, que é há quatro meses palco de protestos cada vez mais violentos. Os comentários, feitos nas vésperas de a República Popular da China celebrar o seu 70.º aniversário, sugerem que Pequim não vai intervir na região semiautónoma. “Acreditamos que o Governo de Hong Kong tem capacidade
GRÉCIA DESMONTADA REDE DE TRÁFICO DE RECÉM-NASCIDOS
para acalmar a situação”, disse Song Ru’an, vice-comissário do gabinete do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros na cidade. Song considerou que era expectável que o princípio “Um País, Dois Sistemas”, sob o qual Hong Kong foi devolvido à China, em 1997, encontraria obstáculos, devido à sua natureza sem precedentes. “De facto, deparamo-nos com alguns problemas na implementação da política ‘Um País, Dois
Sistemas’ em Hong Kong, e alguns são graves e precisam de ser tidos em consideração”, afirmou, em conferência de imprensa. Song disse que o Governo chinês está a reflectir sobre os sucessos e insuficiências da política ‘Um País, Dois Sistemas’, para melhorar a sua implementação, mas que a sua missão e princípios originais permanecerão inalterados.
MA rede de traficantes de ovários e bebés recém-nascidos de mulheres com origem sobretudo na Bulgária foi ontem desmantelada em Tessalonica, no Norte da Grécia, anunciou a polícia daquele país. As mulheres búlgaras, mas também georgianas e de etnia cigana, eram levadas para clínicas particulares em Tessalonica para fazer o parto ou remover os ovários, que depois eram vendidos, explicou a polícia grega. A investigação contabilizou 22 casos de adopções ilegais e 24 de vendas de ovários no âmbito desta rede, que facturou mais de 500.000 euros desde 2016, acrescentaram as autoridades. A operação ontem realizada resultou na detenção de 12 pessoas, incluindo um médico, um advogado e dois funcionários de clínicas particulares de Tessalonica, sendo que o tráfico era gerido por um advogado e um ginecologista. A polícia suspeita, no entanto, que haja mais 66 pessoas ligadas à rede, que é também investigada por lavagem de dinheiro. “As famílias candidatas a adopções pagavam entre 25 mil e 28 mil euros por uma criança, valor que abrangia o pagamento à mãe biológica, ao advogado, os custos da hospitalização e a percentagem paga aos intermediários”, explicou o chefe da polícia de Tessalonica, Christos Dimitrakopoulos. As mulheres que faziam parte da rede recebiam, segundo a mesma fonte, entre 4.000 e 5.000 euros para fazer o parto na Grécia.