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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau MOP$10
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Ter para ler
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 26 DE AGOSTO DE 2011 • ANO X • Nº 2441
TEMPO POUCO NUBLADO MIN 26 MAX 33 HUMIDADE 50-85% • CÂMBIOS EURO 11.6 BAHT 0.3 YUAN 1.3
TV Cabo vs. Anteneiros
DSAJ chamada a cooperar mais
GOVERNO É O GRANDE CULPADO PELO CONFLITO DE UMA DÉCADA
PRODUÇÃO CENTRALIZADA DE LEIS É O MELHOR PARA A ASSEMBLEIA
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Falta de mão-de-obra competente não dá espaço para melhores salários
Dinheiro cada vez mais curto
A taxa de inflação está prestes a ultrapassar os 6% sem que o Governo possa fazer muito. Melhorar a formação dos trabalhadores locais e elevar a competitividade seria a melhor solução a longo prazo - os salários sobem e o poder de compra aumenta. O economista Joey Lao, em entrevista ao Hoje Macau, acredita que os investimentos na Ilha da Montanha não vão ser a tábua de salvação da RAEM. > PÁGINAS 6 E 7
Visitantes preferem ver casinos
PATRIMÓNIO HISTÓRICO NÃO INTERESSA TURISTAS EM MACAU • PÁGINA 8
Moda em Macau
EVENTO QUER JUNTAR TALENTOS LUSÓFONOS NO ALBERGUE • PÁGINA 12
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A
China acusou ontem os Estados Unidos de “ingerência” na sequência da publicação do relatório anual do Pentágono, segundo o qual Pequim procura reforçar o seu arsenal nuclear e expandir o seu poder naval. “O relatório de 94 páginas, como é hábito, interfere em assuntos internos da China com comentários (...) sobre a situação no estreito de Taiwan”, escreve a agência oficial chinesa Xinhua. O relatório do Pentágono “distorce os factos” e inclui “especulações sem fundamento”, acrescenta a agência. O Pentágono alerta para os progressos na modernização das forças armadas chinesas e a crescente superioridade militar da China em relação a Taiwan, salientando no relatório que Pequim reforçou os seus meios de ataque no estreito de Taiwan e “está a modernizar o seu arsenal nuclear”, adquirindo novas armas. “Aevolução dos interesses
ACTUAL China acusa EUA de “ingerência” em assuntos internos
Pentágono sob ataque
económicos e geoestratégicos alterou fundamentalmente a posição da China sobre o seu poder naval”, acrescenta o documento ao considerar que os avanços militares de Pequim poderão desestabilizar
o equilíbrio militar regional e gerar novas tensões, apesar de alguns dos novos projectos ainda demorarem anos até entrarem em funcionamento. O relatório do Pentágono surge depois de a China
ter lançado o seu primeiro porta-aviões, que adquiriu à Ucrânia em 1998 e que realizou este mês os primeiros testes em mar aberto. O Pentágono considera que Pequim poderá preten-
der apostar na produção local de porta-aviões, mas considera que esses navios não deverão estar prontos antes de 2015. Em 2010, a China desenvolveu os primeiros mísseis
balísticos antinavais, cuja função, segundo o Pentágono, será evitar que um porta-aviões norte-americano se aproxime caso ocorra um conflito no estreito de Taiwan, concluiu o protótipo do seu primeiro avião espia, melhorou os sistemas de radar, aumentou a frota de submarinos de ataque e de navios de guerra. Para os EUA, o reforço da capacidade militar de Pequim poderá elevar as probabilidades de a China recorrer à força para fazer valer os seus interesses e resolver disputas. O relatório do Pentágono faz ainda referência aos ciberataques registados em 2010 contra computadores do Governo americano e que alegadamente tiveram origem na China com o objectivo de obter informação. A Xinhua acusa o Pentágono de não ter em conta a “política de defesa pacífica” da China, tendo reconhecido que em 2010 as relações entre os exércitos chinês e americano tinham melhorado.
DESMANTELADA A MAIOR REDE DE PORNOGRAFIA NA INTERNET
CONCORRENTES DA APPLE COM FORTES VALORIZAÇÕES
Um ponto de consenso com os EUA
Steve Jobs ajuda rivais asiáticos
A
S forças de segurança da China, com o apoio das homólogas norte-americanas, desmantelaram a maior rede de pornografia na Internet em língua chinesa, que incluía conteúdos pedófilos, depois de meses de trabalho conjunto. De acordo com a agência oficial chinesa Xinhua, que cita um comunicado do Ministério chinês da Segurança Pública, que trabalhou nesta operação com o FBI, o fundador da rede, Wang Yong, foi detido a 23 de Junho nos EUA e outros dez suspeitos foram presos na China. Wang, natural da província de Fujian, iniciou alegadamente as suas actividades relacionadas com a pornografia em 2002 ao
criar nos EUA um portal na Internet intitulado “Pornografia 99”, que deu depois origem a uma rede com 48 sítios em língua chinesa, com mais de 10 milhões de membros registados, designada “União do Sol e Entretenimento”. Alguns desses sítios ofereciam conteúdos com menores e suspeita-se que poderão ter ligações com redes de prostituição infantil. Esta foi a primeira vez que as autoridades chinesa e americana trabalharam juntas numa operação de combate à pornografia. A China, onde a pornografia é proibida, é o país com mais internautas do mundo e também um dos que mais restringe o acesso à informação na rede.
A
S acções dos concorrentes da Apple fecharam ontem em alta nas praças asiáticas, após o anúncio de que o patrão e co-fundador da Apple, Steve Jobs, se demitiu da presidência executiva da empresa. A sul-coreana Samsung Electronics, que comercializa o ‘smartphone’ Galaxy S e o ‘tablette’ Galaxy Tab, concorrentes do iPhone e do iPad da Apple, viu as suas acções subirem 3% ontem, enquanto a LG Electronics cresceu quatro por cento. Já os títulos da Sony valorizaram-se 2,6% em Tóquio, enquanto a HTC avançou 2,7% em Taipé. O gigante informático chinês Lenovo, que lança os seus próprios ‘tabletes’ e telemóveis para o mercado doméstico, ganhou 1,82% na bolsa de valores de Hong Kong. “Para os fabricantes de telemóveis é um alívio” a reforma de Steve Jobs, disse Francis Lun, director de serviços financeiros da Lyncean Holdings, em Hong Kong, citado pela agência de notícias France Presse. Na madrugada passada, foi conhecido que o patrão e co-fundador da Apple, Steve Jobs, de 56 anos, se demitiu da presidência executiva da empresa e será substituído pelo número dois da empresa, Tim Cook. Jobs continuará na empresa como presidente, mas sem funções executivas, anunciou a Apple.
A liberdade é um belo conceito mas não pela sua simplicidade. O que se passa nas nossas vidas: posso realmente escolher ou devo-me limitar ao que me é apresentado como possível? Tenho liberdade para jogar mas tenho de me submeter às regras do jogos, ainda que as considere iníquas. Existirá outro tipo de liberdade? Que nos permita intervir na estrutura das coisas e não escolher unicamente no seu seio? Carlos Morais José P. 19
Governo propõe lei para prevenir confissões sob tortura
Feitiço contra feiticeiro
O
principal órgão legislativo da China iniciou ontem a tramitação de uma emenda ao Código Penal para que os juízes rejeitem confissões obtidas mediante tortura ou violência, uma prática difundida no país asiático pelos relatórios da ONU e de grupos de direitos humanos. A agência oficial de notícias Xinhua informou que a emenda foi apresentada diante do comité permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP), principal órgão de aprovação de leis. Pela minuta, “os promotores deverão investigar as acusações da obtenção de evidências por meio de métodos ilegais”, ou garantir que os interrogatórios ocorram em centros de detenção, entre outras medidas, caso contrário os responsáveis “serão processados como criminosos”. O documento propõe ainda que os interrogatórios sejam gravados em vídeo devido aos graves delitos penais cometidos nos país, uma medida proposta por membros do plenário da ANP em 2006, meses depois que um relator da ONU contra a tortura dissesse após uma visita à China que esta prática era “frequente”. A agência estatal assinala o caso de Zhao Zuohai, da província central de Henan, que foi liberado após cumprir uma condenação de dez anos à espera de execução pelo assassinato de uma suposta
vítima que apareceu viva, o que revelou que a polícia havia obtido sua confissão sob tortura. A nova lei prevê o direito do detido de reunir-se com seu advogado no prazo de 48 horas e sem vigilância, uma postura que na teria consta na Lei de Advogados da China, mas nunca foi cumprido. Outra novidade é a possibilidade de os familiares testemunharem no julgamento e que declinem a obrigatoriedade de declararem testemunharem contra o advogado. Segundo Chen Weidong, académico da Universidade Popular da China, estes aspectos “estão em linha com a convenção internacional de direitos civis e políticos. Também aplica o princípio de ‘’presunção de inocência’’ que observa a mesma teoria legal”. China, que se intitula um Estado de Direito, assinou o convénio em 1998, mas não o ratificou, o que exigiria do regime do Partido Comunista responsabilidades em suas violações dos direitos fundamentais. A emenda cobre 99 artigos sobre obtenção de provas, medidas forçadas, sistema de defesa, métodos de investigação e procedimentos especiais. A China é o país que mais sentenças de morte emitem ao ano, ao menos 5000, conforme relatório da organização Amnistia Internacional (AI). Neste ano, no entanto,
reduziu o número de crimes susceptíveis a essa punição de 68 para 55. Apesar das medidas, a tortura e outras violações de direitos dos detidos marcaram a campanha de detenções que Pequim realiza desde Fevereiro para travar uma possível “Primavera Árabe” em seu território, classificada como a mais grave em décadas. A campanha teve ataques, detenções e torturas de centenas de dissidentes, advogados, intelectuais e artistas, entre eles o famoso expoente de arte conceitual Ai Weiwei, cuja família denunciou torturas psicológicas durante sua detenção de três meses. Além de Ai Weiwei e, segundo o último relatório da ONG Chinese Human Rights Defenders (CHRD), um dos advogados detidos nesta campanha, Liu Shihui, de Cantão, confessou em Junho após sua libertação ter sofrido torturas. O escritor Hu Di está detido actualmente em um centro psiquiátrico. Entre outros renomados activistas que denunciaram torturas durante as suas detenções está o advogado de direitos humanos Gao Zhisheng, candidato ao Prémio Nobel da Paz e desaparecido há mais de dois anos, e a também candidata ao prémio, Rebiya Kadeer, nesta quarta-feira exilada, que explica em sua autobiografia como a obrigavam a escutar os gritos de outros presos enquanto eram torturados.
CHINA PREPARA-SE PARA LANÇAR PROTÓTIPO DE LABORATÓRIO ESPACIAL PRÓPRIO
O primeiro passo de um grande desafio A
China lançará no início de Setembro o módulo não tripulado Tiangong I, um protótipo de laboratório espacial que será o primeiro passo do país asiático para a criação de uma estação própria de pesquisas no espaço, informou ontem o jornal “Global Times”. O protótipo e seu foguete propulsor já estão a ser preparados no centro de lançamento de Jiuquan, no noroeste do país, à espera de condições meteorológicas favoráveis para o lançamento em poucos dias, embora a data exacta não seja divulgada até a última hora. O Tiangong (“Palácio Celestial”, em mandarim) é um protótipo de oito toneladas que ficará em órbita durante dois anos. Naves do modelo Shenzhou lançadas durante
esse período realizarão, junto a este protótipo, os primeiros acoplamentos do programa espacial chinês (primeiro com veículos não tripulados e mais tarde com astronautas). Segundo o programa espacial chinês, desenvolver as complicadas técnicas de aco-
plamento espacial é um passo vital para o sucesso da primeira estação espacial da China, que o país deseja ter em funcionamento até 2020 - uma resposta à rejeição de outros países a que Pequim se envolva mais na Estação Espacial Internacional (ISS). Na semana passada, um
satélite de última geração chinês foi perdido ao não entrar na órbita designada, o que semeou dúvidas sobre o futuro de todos esses projectos, mas responsáveis do programa espacial garantiram que o lançamento do Tiangong e as futuras Shenzhou seguirão os planos previstos.
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GOOGLE EM NOVA INFRACÇÃO O Ministério do Comércio da China afirmou não ter recebido nenhum pedido de aprovação por parte do Google quanto aos planos para adquirir a Motorola Mobility por 12,5 mil milhões de dólares. De acordo com as leis chinesas, empresas que possuem negócios naquele país e têm receita anual de 10 mil milhões de yuans globalmente e de 400 milhões de yuans na China devem ter aprovação governamental para realizar uma aquisição. “O ministério ainda não recebeu nenhum pedido de análise”, disse Shen Danyang, porta-voz do Ministério do Comércio da China, sobre o acordo. O Google reiterou nesta quarta-feira que o acordo está sujeito a aprovação nos Estados Unidos, na União Europeia e em outras regiões. 26 DESAPARECIDOS EM MINA DE CARVÃO Vinte e seis mineiros estão presos há dois dias numa mina de carvão inundada na sequência de uma ruptura num poço, no nordeste da China. De acordo com o jornal “China Daily”, as equipas de salvamento estiveram ontem a bombear a água da mina em Qitaihe, na província de Heilongjiang, apesar de não terem ainda estabelecido o contacto com os mineiros. A mina de carvão ter-se-á enchido de água na terçafeira quando os trabalhadores romperam um poço adjacente durante a actividade. Outros dezanove mineiros regressaram, entretanto, à superfície conseguindo escapar. Relatórios indicam que a mina de carvão está a ser operada ilegalmente, uma vez que era suposto ter sido integrada num complexo mineiro maior antes de a actividade de produção ser retomada. MORTE COM MORTE SE PAGA Um camionista foi executado na China por ter atropelado fatalmente um pastor mongol, um caso que provocou os maiores protestos dos últimos 20 anos na Mongólia Interior. De acordo com a agência oficial chinesa Xinhua, Li Lindong, de etnia han, foi sentenciado com a pena de morte em Junho, após um julgamento de seis horas, tendo sido executado no passado dia 18. Lu Xiangdong, que estava sentado no camião ao lado do motorista foi condenado a pena de prisão perpétua por homicídio e duas outras pessoas, Wu Xiaowei e Li Minggang, foram condenadas a uma pena de três anos de cadeia por obstrução à justiça por terem bloqueado a polícia que chegou ao local, permitindo que Li Lindong e Lu Xiangdong se colocassem em fuga. O pastor mongol foi atropelado no dia 10 de Maio quando bloqueava, com um grupo de aldeões, uma estrada na sua vila em protesto contra a poluição causada pela passagem dos camiões carregados de carvão pelas pastagens. Este incidente e a morte de outro mongol em confrontos com mineiros geraram protestos de grande dimensão em prol de justiça e maior protecção da cultura mongol e do seu estilo de vida nómada que, segundo a Amnistia Internacional, “mobilizaram milhares de pessoas durante cinco dias”. A migração em massa para a região da Mongólia Interior de membros da etnia Han, maioritária na China, e o crescimento da indústria mineira colocaram as tradições mongóis sob pressão e causaram confrontos com empresas mineiras sobre os direitos de uso da terra por parte das famílias locais. A Mongólia Interior – uma região 13 vezes maior que Portugal, situada entre a China e a República da Mongólia – tem apenas cerca de 25 milhões de habitantes, a esmagadora maioria dos quais han, a principal etnia chinesa. A China é o país que mais aplica a pena capital, estimando-se que sejam executadas anualmente mais pessoas do que em todo o resto do mundo, embora o número seja segredo de Estado.
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POLÍTICA
Lau Cheok Va sugere produção de leis centralizada e mais participação dos SAJ
Demasiados serviços para a mesma coisa joana.freitas@hojemacau.com.mo
U
M mecanismo centralizado de produção legislativa e mais participação da Direcção dos Serviços da Administração e Justiça (DSAJ) era o suficiente para que a aprovação das propostas de lei na Assembleia Legislativa (AL) tivesse mais sucesso. Esta é, pelo menos, a opinião de Lau Cheok Va. O presidente da AL, que fez ontem um balanço das actividades da 2.ª sessão da IV legislatura, acredita que este poderia ser um passo para elevar a qualidade das leis da RAEM. “Centralizar a produção legislativa, em vez de esta estar dispersa por diversos serviços, pode ser a aposta futura da AL. Isso iria permitir mais qualidade e compatibilidade entre as leis”, frisou o presidente. Lau Cheok Va pede ainda uma maior intervenção da DSAJ, que, na sua opinião, deveria participar no processo de apresentação e análise das propostas da lei, para evitar, por exemplo, que os diplomas sejam aprovados na generalidade e depois retirados pelo Governo. “Isso já aconteceu, por exemplo, com a lei da imputabilidade criminal”, referiu Lau Cheok Va. Em 2009, depois de ter sido apresentada e aprovada na generalidade, em Fevereiro, o Executivo mandou retirar este projecto de lei por considerar que alteração ao regime da imputabilidade criminal implicava uma alteração profunda à política criminal e porque a posição da sociedade relativamente à matéria era em muito divergente à da AL. O relatório que requer a retirada, assinado por
N
ESTA sessão legislativa houve mais interpelações dos deputados, mas isso não significa mais qualidade. No balanço de dez meses de actividades legislativas, o presidente da Assembleia Legislativa (AL), Lau Cheok Va, frisou a necessidade de existirem mais debates e melhores interpelações orais antes da ordem do dia, mesmo que o número delas tenha aumentado. “Não é que a qualidade não seja elevada, mas há margem para melhorias”, disse Lau Cheok Va, que diz ainda ser “preciso mais diálogo entre deputados e Governo para resolver as questões, ao invés de andarmos a passar a bola”. As melhorias das interpelações passam, por exemplo, por especificar um único tema para questionar o Executivo.
Edmund Ho, diz ainda “que a questão não é um mero ajustamento técnico-legislativo mas sim uma profunda alteração, em termos de política, ao regime penal”. Em Macau, ao contrário do que acontece no continente e em Hong Kong, não existe um Gabinete de Produção Legislativa. No território, é o Gabinete de Reforma Jurídica (GDRJ) o responsável pela definição e concretização de um planeamento legislativo, conforme explicou Lau Cheok Va, mas este GONÇALO LOBO PINHEIRO
Joana Freitas
CRÍTICA AO INSUCESSO
O presidente da AL considera que nem todos “os trabalhos planeados foram totalmente concretizados”. Para Lau Cheok Va, os resultados não foram satisfatórios, por exemplo, quando se esperava terem sido aprovados 15 projectos de lei e só foram aprovados 12 e devido a terem sido inseridas mais sete propostas que não estavam inicialmente no plano das linhas de acção legislativa. “A legislação é dinâmica, há que ter em conta as necessidades reais da população, a necessidade de existir um processo de auscultação prolongado, e também ter flexibilidade para lidar com imprevistos”, frisou o presidente referindo-se aos sete diplomas que chegaram tarde a plenário. Entre eles estavam, por exemplo, a Alteração ao Orçamento e a aprovação ao Imposto de Selo Especial. O presidente chama a atenção ao Governo, pedindo melhor planeamento aquando da apresentação das propostas e avisa mesmo que, caso os nove projectos de lei que transitaram da 2.ª sessão da IV legislatura para a 3.ª não vejam solução até ao fim desta legislatura, ficam sem validade. Lau Cheok Va diz que “os trabalhos das quatro sessões seriam concluídos sem sobressaltos caso houvesse mais diálogo e melhor planeamento da apresentação das propostas”. Desde Novembro do ano passado, por exemplo, está congelado o projecto de lei sobre os direitos de autor. Depois de ter sido aprovado na generalidade, o Governo disse querer apresentar uma 2.ª versão do diploma devido a divergências sobre a matéria. Até agora, o projecto não avançou mais porque, diz Lau Cheok Va, “o Governo está com atrasos, porque o assunto envolve vários serviços públicos”. Essa é precisamente uma das melhorias que o presidente da AL pede – a centralização da produção legislativa.
não tem, no entanto, “a competência para verificar política e tecnicamente as propostas de lei”. Segundo a Lei Básica, a AL é o órgão legislativo, mas só o Governo é que produz as leis. E para criar mais confusão, é necessária a participação de diversos serviços públicos na produção legislativa. O modelo de apreciação das propostas de lei pode ser melhorado, segundo o presidente da AL, que diz ainda que o diálogo entre deputados e Governo deve ser mais amplo. “O modelo de cooperação deve ser reforçado. Existe falta de regimes instituídos para a apreciação das propostas, daí que quando apresentadas na AL, mesmo com a nota justificativa, os projectos de lei não estão muito detalhados acerca da opção política do Governo e da utilidade da lei para a sociedade. Isso não facilita a apreciação por parte da AL”, explica Lau Cheok Va. Antigamente, quando as propostas eram remetidas ao escrutínio dos deputados, passavam primeiro pela análise de uma comissão, que elaborava o parecer acerca do diploma e só posteriormente a proposta passava à aprovação na generalidade. Agora o mecanismo é outro e o projecto vai directamente para votação na generalidade. “Algumas propostas finais apresentam-se mais alargadas ou restritas do que a inicial, o que afecta a dignidade do próprio projecto. Se houvesse já um texto aperfeiçoado não iria diferir muito do aprovado”, frisa Lau Cheok Va. O regimento que regula este processo tem mais de dez anos e, para o presidente da AL, está na hora de estudar o que pode ser alterado.
É PRECISO MELHORAR TRABALHOS DOS DEPUTADOS E A COMUNICAÇÃO COM O GOVERNO
Quantidade não é qualidade A apresentação de assuntos variados - como acontece com a maioria das intervenções, em que os membros da AL questionam assuntos ligados à sociedade, economia e direito no mesmo período -, envolve obrigatoriamente vários secretários, o que impede que todas as respostas sejam cumpridas. “Se nos concentrássemos apenas no mesmo tema, mesmo com vários pontos, e não em questões diversas, haveria mais concretização”, salienta Lau Cheok Va. Ainda que tenha sido mais alta a participação dos deputados, pelo menos em interven-
ções, presenças e interpelações escritas, o presidente da AL considera que deveria ser maior o número de debates em plenário. “Muitas políticas têm de ser objecto de debate, e isso iria permitir mais reacção da sociedade”, disse. Algumas alterações técnicas estão ainda a ser pensadas para a próxima sessão legislativa, como, por exemplo, a diminuição do tempo de antena nas intervenções da ordem do dia. Actualmente, os deputados gozam de dez minutos para falarem, mas esse tempo pode descer para os seis minutos.
A Comissão de Regimentos e Mandatos já enviou inclusive uma carta aos deputados para saber se é necessário proceder a esta e outras alterações. Aquestão dos debates, que são propostos pela AL e têm de ser aprovados em plenário, não tem um regulamento próprio, algo que Lau Cheok Va considera uma matéria a ser estudada, de forma a que possam ser convocados especialistas para discutirem determinadas matérias, um direito que está presente na Lei Básica. Lau Cehok Va considerou
ter existido autonomia e fiscalização da parte dos membros da AL através de diversas acções, como foi o caso da aprovação da alteração ao orçamento deste ano. Questionado sobre a quase nula apresentação de projectos de lei pela parte dos deputados –todos os 20 projectos de lei remetidos a assembleia foram propostos pelo Governo -, Lau Cheok Va explicou: “tudo que envolve estrutura política não pode ser iniciativa dos deputados e, caso estes queiram apresentar projectos, têm de ser precedidos do consentimento do Chefe do
Executivo. Mas os deputados podem, auscultando a opinião pública, manifestar a sua opinião. Esta também é uma forma de participação”, frisa o presidente da AL. Esta sessão legislativa, a Comissão de Acompanhamentos para os Assuntos da Administração e Finanças não mostrou trabalho, ao contrário da Comissão de Acompanhamento dos Assuntos de Terra. Segundo Lau Cheok Va, isto deve-se a não existirem questões por resolver no que diz respeito às finanças e administração da RAEM. - J.F.
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IPM RESPONDE PELA SEGUNDA VEZ A INTERPELAÇÃO COM DIFERENTES JUSTIFICAÇÕES
A seguir os alertas Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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OI o Instituto Politécnico de Macau (IPM) que convidou o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) a ajudar a melhorar os seus regimes de funcionamento. O convite chegou depois de ambas as entidades terem assinado um acordo em Abril sobre um plano de gestão de integridade. Por isso mesmo, o IPM garante que está a tomar as medidas necessárias para melhorar: foi criado um grupo de trabalho especializado para acompanhar as mudanças na estrutura da entidade, já foi revista a composição do Conselho Técnico e Científico e da Comissão Pedagógica, foram definidos o regime de comunicação interna e os regulamentos internos. Quem garante é a presidente em exercício do IPM, Yin Lei, que responde a mais uma interpelação de José Pereira Coutinho. O deputado voltou a questionar a entidade, que acusa de abuso de poder, violações aos estatutos, aplicação desadequada de fundos e criação de comissões exteriores à legalidade. Desde Setembro de 2009 que Pereira Coutinho vem acusando a instituição de ensino, devido a ter recebido várias queixas no seu gabi-
nete de atendimento da Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM), da qual é presidente. Os principais apontamentos do deputado versam sobre a cobrança de 10% de taxa sobre o ordenado dos professores que mantenham actividades externas ao IPM. Apesar de esse imposto não ter qualquer fundamento legal, como refere Pereira Coutinho, a realidade é que o IPM garante que “não há queixas da parte dos docentes”. Ainda assim, são várias as justificações para a cobrança de tal taxa e elas variam consoante as diferentes respostas às interpelações do deputado. O IPM alega que o dinheiro serve para “evitar que os docentes se dediquem demasiado às actividades que não sejam do IPM”, “para cumprir uma missão perante a sociedade [que é a e servir um serviço burocrático] no que diz respeito à troca de correspondência e a preenchimento de formulários” e “para compensar o investimento feito pelo IPM na formação de actualização científica dos professores”. Mas o IPM vai ainda mais longe e dá mais uma razão para o pagamento: os professores exercem essas actividades em nome pessoal e em representação do IPM. Pereira Coutinho chama isto
“de contradição lógica”, já que se o docente vai em nome próprio não vai em representação de ninguém. O deputado ainda questionou o facto de documentos internos serem redigidos preferencialmente em inglês ou chinês e que o português, sendo língua oficial da RAEM, estaria esquecido, o que vai contra a Lei Básica do território. Inicialmente, a reacção de Yin Lei foi dizer que “até nas universidades portuguesas a língua inglesa é recorrente no processo de acreditação” e que o “uso da língua inglesa se deve ao facto de corresponder à necessidade de internacionalização do IPM”. Contudo, na resposta de ontem, a presidente em exercício do IPM já disse que a instituição dava muita relevância na divulgação da Língua Portuguesa e que, “para cumprir a lei, a maior parte dos regulamentos era feito em chinês e português”. Yin Lei fez questão de dizer que a instituição é dotada de autonomia administrativa e financeira e afirmou ainda ter uma postura aberta perante a sociedade e o CCAC. O IPM vai agora ter de redigir um relatório sobre as melhorias ao CCAC, devido às recentes alterações na lei desta entidade, que obrigam os visados a responder às correcções em 90 dias.
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Joey Lao, presidente da Associação de Ciências Económicas e docente da UMAC
O pior ainda está por vir. Sem melhores recursos humanos e competividade, a RAEM vai enfrentar salários pequenos e uma inflação bastante alta. Joey Lao Chi Ngai, presidente da Associação de Ciências Económicas e docente no Departamento de Economia da Universidade de Macau, diz que o Governo não pode fazer grande coisa para travar a alta de preços. Incentivar uma melhor formação dos residentes pode ser uma maneira de fazer os salários subirem e as pressões com a subida do custo de vida ficarem mais suaves
HOJE MACAU
“Macau está uma cidade cara, mas vai
Virginia Leung
virginia.leung@hojemacau.com.mo
O
que pode ser feito para controlar a inflação em Macau? Há muitos factores que têm contribuído para o aumento dos preços no território – o desenvolvimento económico é o principal motivo, já que leva ao aumento da demanda interna e estimula a subida dos preços. Outro impulso vem de fora, ou seja, importamos produtos e com eles a inflação. Tudo se torna mais caro e, nesse embalo, sobem também as rendas das casas e os seus preços de venda. Sem contar com o facto da desvalorização da pataca – o dólar norte-americano, ao qual estamos indirectamente indexados, está mais fraco. Por outro lado, o yuan está mais forte. Compramos sobretudo mercadorias à China, mas com um dinheiro que está a perder terreno. A inflação é, na verdade, um “pacote” de medidas.
Há quem defenda que a pataca deveria ser indexada directamente ao yuan ou a um cabaz de moedas. Essas podem ser soluções? A discussão desse assunto, tanto por parte do Governo como por parte da sociedade, tem sido intensa. Mas, a meu ver, é impossível neste momento desligarmo-nos do dólar de Hong Kong e do norte-americano. Seria um risco desnecessário. Apesar do dólar dos EUA estar agora a desvalorizar-se e o país estar à beira de uma crise, o dólar norteamericano continua mais forte que o yuan, por ser uma moeda internacional. Não podemos mudar o câmbio quando estamos mais em baixa. Não temos razões para mudar para o yuan agora. No futuro, contudo, pode haver essa possibilidade devido aos nossos investimentos ou a reserva financeira, mas é preciso ser uma decisão muito ponderada.
Um dos efeitos mais perversos da inflação é aumentar o fosso entre ricos e pobres? Os dados indicam justamente isso. Mas também sentimos que estamos a perder poder de compra. Continuamos a ganhar o mesmo e a gastar mais para viver. Os grupos mais carenciados são os que mais sofrem. O Governo, entretanto, tem anunciado medidas antiinflação, especialmente para ajudar os mais carenciados. Essa política resulta? É apenas um alívio passageiro. Para uma família que só consegue ganhar umas poucas patacas por mês, o dinheiro ajuda no imediato a lidar com o aumento dos preços. Apesar dos dados oficiais indicarem que a inflação está nos 5,96%, na vida corriqueira vemos que as coisas subiram muito mais do que isso. As carnes, os peixes e os legumes frescos estão cada vez mais caros. Alguns produtos estão agora
50% mais caros. Antes eram precisas quatro patacas para comprar um ramo de hortaliças, agora oito não chegam. A somar todos os avos, no fim do mês as famílias vêem que o dinheiro foi embora mais rápido. Em Hong Kong, a inflação em Julho chegou quase aos 8%. Macau vai pelo mesmo caminho? Possivelmente. O que temos de ter em mente agora é que a inflação não está de acordo com o nosso crescimento económico, ou seja, tem mais espaço para subir. A taxa actual é um milagre. O PIB de Macau é demasiado elevado e será impossível manter a taxa no nível actual. Hong Kong, com um PIB menor que o nosso, chegou a um aumento de 7,9%. A RAEM vai sofrer ainda muito mais. Considera que o Executivo tem gasto o dinheiro nas áreas certas? Macau atravessa um momento muito saudável financeiramente.
COMÉRCIO DA CHINA COM LUSOFONIA AUMENTA 25%
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As trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa aumentaram 25% no primeiro semestre face ao período homólogo de 2010 para 52,2 mil milhões de dólares. De acordo com as estatísticas dos Serviços de Alfândega da China divulgadas pelo Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum Macau, entre Janeiro e Junho, a China comprou aos oito países de língua portuguesa produtos no valor de 34,7 mil milhões de dólares, número que representa um acréscimo de 19,7% relativamente ao período homólogo de 2010.
ficar ainda mais” A reserva média per capita para cada residente chega às 500 mil patacas. É um número impressionante. O Governo, contudo, não está a conseguir lidar bem com a inflação – tudo parece estar fora de controlo. O Executivo não pode exigir aos proprietários para baixar as rendas ou preço de venda dos imóveis. Quanto mais gente vem para Macau, mais os preços das casas sobem. É um ciclo vicioso. O Governo não pode simplesmente andar a distribuir subsídios. A inflação vai continuar a subir e pode não haver dinheiro a sobrar para apoiar toda a população. É o mesmo que dar um paracetamol a um paciente que diz que tem dores. Enquanto o paciente sentir dor, toma o medicamento, mas o problema não está a ser mesmo investigado e tratado. As
dinheiro que sobra deve ser investido de forma ponderada. Do ponto de vista económico, não há juros se simplesmente mantivermos o dinheiro num banco. Se tem 100 mil patacas no banco, no próximo ano vai ter, na verdade, 94 mil para gastar devido ao conceito da taxa de juros negativa, que reduz o poder de compra. O Governo deve, portanto, ter uma reserva financeira segura e fiável, que renda. É claro que os gastos públicos dispararam desde a transferência, mas ainda assim temos 200 mil milhões poupados pelos residentes. Em países da Europa, nos EUA ou na Austrália, há um débito per capita. A criação da Reserva Financeira colabora para uma maior folga financeira da RAEM? É ainda preciso resolver dois
“Se compararmos as estatísticas de antes e depois do estabelecimento da RAEM, notamos que hoje vivemos melhor em termos de segurança, apesar da concentração massiva de casinos. Antes havia bombas por todos os lados, pessoas assassinadas nas ruas, instabilidade económica...” autoridades locais precisam de medidas a longo prazo. E como é que isso se faz? É necessário elevar a qualidade dos recursos humanos, o que faz subir a competitividade – quanto melhores são as pessoas, mais se movem entre um emprego e outro, aumentando o nível dos salários. Muitos residentes passam a vida sem serem promovidos, a ganhar o mesmo sempre. É preciso motivá-los a estudar, a serem melhores. É algo difícil, mas vale a pena tentar. Há anos que o salário médio não sai das 9500 patacas, mesmo com a inflação a crescer. Sem bons recursos humanos, é difícil dar o salto. Acha que o Governo gasta demais? As autoridades estão basicamente a estourar o dinheiro. Com a inflação a subir, o poder de compra da Administração também se reduz ano após ano. Temos sorte que a receita proveniente do jogo continue a subir e o
problemas – a má gestão do erário acumulado nos últimos anos e os abusos nas despesas. Se estes pontos fracos estiverem sanados, a Reserva Financeira vai ser muito benéfica. O Hoje Macau denunciou recentemente que a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) não aplicou o erário público da melhor maneira, levando a um prejuízo de milhões no acumulado. O que aconteceu? É claro que gerir os investimentos do Executivo através do Fundo de Reservas de Moeda Estrangeira é um risco. O dinheiro aplicado não rendeu o esperado – esteve à volta de 2 ou 3%. Se tivesse sido aplicado num banco, o retorno seria inferior a 1%. Como a inflação ronda agora os 6%, pôr o dinheiro num fundo que só valoriza 3% não é uma boa alternativa. Macau está totalmente dependente da indústria do jogo. O Chefe do Executivo fala em diversificar a economia através do turismo. O que
se pode fazer numa terra tão pequena? Qualquer região tão pequena como Macau depende, geralmente, de um único sector da economia. É difícil pensar em diversificação. Por outro lado, depender do turismo não é tão diferente de depender do jogo. Uma coisa puxa a outra e não há muito a fazer. O Governo Central não pediu a Macau para ter vários pilares, mas sim uma diversificação “apropriada”, não tão dependente dos casinos. Mas um dia a licença dos casinos vai expirar. Há riscos de uma debandada em série desta galinha de ovos de ouro? Não vejo com grande preocupação essa questão. Ainda falta muito tempo para que isso aconteça, temos quase dez anos pela frente. Ninguém sabe o que será da RAEM no futuro. É o mesmo que se passa com o conceito “um país, dois sistemas”. Quando chegar 2049, ainda seremos assim? É muito difícil de prever. Especialistas apontam que o rápido desenvolvimento económico está a trazer problemas sociais a Macau, como uma maior criminalidade. Este é o lado negro do progresso? Se compararmos as estatísticas de antes e depois do estabelecimento da RAEM, notamos que hoje vivemos melhor em termos de segurança, apesar da concentração massiva de casinos. Antes havia bombas por todos os lados, pessoas assassinadas nas ruas, instabilidade económica... Apesar da abertura ao jogo, estamos mais seguros agora, porque há mais recursos, a renda está melhor distribuída e há mais regulações para a actividade dos agiotas e ‘junkets’. Isso quer dizer que a abertura ao jogo foi mais positiva do que negativa em todos os aspectos? Não podemos dizer que a indústria do jogo é responsável pelo aumento da inflação, mas não deixa de ter uma ligação. Numa avaliação geral, no entanto, a abertura foi muito mais benéfica que prejudicial. Trouxe-nos desenvolvimento económico, mais visitantes
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7 e negócios que sustentem a vertente do turismo. Isso gerou muitos empregos. Não nos podemos esquecer que o jogo é a locomotiva do comboio que puxa a nossa economia. Tudo o resto são meras carruagens, que não precisavam de ali estar, mas estão. São complementares a todo o trabalho dos casinos – são preciso hotéis, opções de entretenimento, restaurantes, pontos turísticos. Contudo, não deixa de ser uma indústria concentrada e os visitantes vêem Macau como a “cidade do jogo”. Isso não será fácil de mudar. Além da inflação, os residentes sentem o dinheiro a escaparlhes das mãos com a cobrança de muitos produtos e serviços em dólares de Hong Kong. Isso significa que a pataca não vale nada nem cá dentro? A pataca não é uma moeda internacional, como o dinheiro da região vizinha. Não se pode usar patacas em Singapura ou na Malásia, mas é possível trocar dólares de Hong Kong lá. Macau não tem como competir com o vizinho, até porque as nossas reservas têm mais dólares do que patacas. O nosso dinheiro não tem grande credibilidade. Se os preços estiverem apenas fixados em dólares de Hong Kong, trata-
“Seria mais eficaz, por exemplo, transformar a zona do lago Nam Vam num ponto de entretenimento nocturno – como é destacado nas Linhas de Acção Governativa deste ano – do que incentivar a instalação de pequenas e médias empresas em Hengqin”
se de uma medida ilegal, porque não se está a dar a possibilidade de usarmos o nosso próprio dinheiro. Mas é completamente legal ter o preço em duas moedas – o que é o caso do território. Macau já não é uma cidade barata. O que se passou? Dinheiro puxa dinheiro e esse é o preço que estamos a pagar pelo progresso económico. Não produzimos nada e importamos tudo – ou da China ou de Hong Kong. E importar desses lugares agora é bastante caro. Macau está cara e deve ficar ainda mais. Os acordos assinados entre a RAEM e Guangdong relacionados com a Ilha da Montanha vão trazer a tão ansiada diversificação? Depende de como o Governo local aproveitar esta oportunidade e qual será o grau de participação nos projectos. A maior parte dos pontos está decidida, mas pode haver diferenças na sua implementação no decorrer do tempo. O grande objectivo é e será a diversificação de Macau, que já não tem para onde crescer em termos físicos. Macau vai ter de lutar pela oportunidade. O Executivo fala sempre em “oportunidades” e “desafios”. Quais são eles? A principal oportunidade é, sem dúvida, terra, o principal problema de Macau. Além desde benefício, os residentes vão ter a entrada facilitada em Hengqin. Com o nosso tamanho actual, não seríamos capazes, por exemplo, de ter um grande parque aquático e de diversões. Mas ali ao lado isso é possível e vai possivelmente trazer um novo género de turistas. Para crescer noutro sector, como o do turismo, Macau precisa de espaço, mas o desafio principal é o facto de sabermos que aquilo não nos pertence, está-nos emprestado. As grandes multinacionais não se importariam de investir milhões da Ilha da Montanha, mas Macau não tiraria grande proveito disso. Seria mais eficaz, por exemplo, transformar a zona do lago Nam Vam num ponto de entretenimento nocturno – como é destacado nas Linhas de Acção Governativa deste ano – do que incentivar a instalação de pequenas e médias empresas em Hengqin. Não nos podemos esquecer que a legislação que irá vigorar na ilha não é a de Macau. Não podemos ver a Ilha da Montanha como a nossa tábua de salvação.
GOVERNO SOLICITA “APOIO” A PEQUIM PARA RELAÇÕES COM LUSOFONIA
SEXTA-FEIRA 26.8.2011
O Chefe do Executivo recebeu na quarta-feira o novo comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hu Zhengyue, a quem pediu “apoio” para o estreitamento de laços com o exterior, nomeadamente com a lusofonia. O Executivo “mantém-se empenhado no incremento do intercâmbio e cooperação com os países de Língua Portuguesa, União Europeia e países latinos e necessitará do apoio do Comissariado”, afirmou Chui Sai On. Hu Zhengyue garantiu que “o empenho conjunto do Governo e da população contribuiu para o grande desenvolvimento de Macau”, salientando que “o Comissariado vai continuar a implementar o princípio ‘um país, dois sistemas’”, bem como “apoiar o território no desempenho de suas potencialidades e no alargamento de contactos, intercâmbio e cooperação com o exterior”.
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SOCIEDADE
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Maioria dos visitantes quer apenas visitar casinos
Quem são os turistas
Quem é o turista que vem a Macau? Virginia Leung
virginia.leung@hojemacau.com.mo
A
Universidade de Macau (UMAC) divulgou ontem os resultados de um estudo sobre o perfil dos visitantes da região, que reúne dados compilados durante o primeiro semestre deste ano. A RAEM ainda não é conhecida pelo seu património histórico e cultural, nem pela gastronomia própria. O principal motivo que traz
MACAU
são a principal atracção
55,3% dizem que não
tinham interesse em jogar
2713 patacas é quanto gastam em média
10,6% interessam-se pelo património local
pessoas a pôr cá os pés continua a ser o jogo e os convívios entre amigos e familiares. Para a pesquisa foram entrevistados mais de 3800 pessoas com mais de 18 anos. O resultado reflectiu que Macau é um destino ideal para viagens curtas com grande potencial para desenvolver um turismo multi-destino. Davis Fong, que chefiou o estudo e ontem revelou as descobertas, afirmou que Macau tem de reforçar as relações
Participação dos turistas no jogo
44,5% dizem que os casinos
LAS VEGAS
Visitantes 14,7% 9% Jogadores 48,4% 80%
com as regiões à volta para ser reconhecida como um centro mundial de turismo e lazer, “bem como ter preocupação com a imagem que passa, que é fundamental para mudar o mercado futuro”.
O relatório revela que 44,5% dos visitantes entrevistados consideram os casinos os principais pólos de atracção do território. Por outro lado, 19,2% afirmam que preferem os centros comerciais de grandes
INVESTIMENTO DA BANCA NOS MERCADOS INTERNACIONAIS SOBE 38,7%
marcas, e uma minoria (10,6%) deixou-se seduzir pelo património cultural de Macau. Do universo de entrevistados, 8,9% eram membros de casinos e 8,3% levou a cabo actividades de jogo durante a estadia na RAEM. Fong, que é também director do Instituto para o Estudo do Jogo Comercial da UMAC, referiu que os dados indicam que o número de visitantes aumentou. O responsável sublinhou ainda que a média de visitas à região foi 3,6 vezes maior comparativamente com Las Vegas. A actividade dos visitantes também foi alvo de estudo. O director divulgou em conferência de imprensa que 17,1 horas foram dispensadas a visitar familiares e amigos e cerca de seis horas foram gastas a jogar. As despesas per capita dos turistas foi de 2713 patacas. Não são muitos o que pernoitam na região, sendo que a maioria dos entrevistados alega ser “mais conveniente voltar para casa”.
Sem nenhum sinal de crise A
S aplicações financeiras do sector bancário de Macau nos mercados internacionais aumentaram 38,7% no segundo trimestre face ao período homólogo de 2010, para 539,6 mil milhões de patacas. Dados revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) indicam que a quota das aplicações financeiras nos mercados internacionais no activo total do sistema bancário foi de 86,9% no final de Junho, mantendo-se igual à registada no final do primeiro trimestre, enquanto a referente às responsabilidades externas no passivo total subiu de 79,7% para 80,4%. Entre Abril e Junho, o dólar de Hong Kong possuía um peso de 41,8 e de 45,8%, respectivamente, no total do activo e do passivo financeiro internacional e as outras moedas estrangeiras um peso de 58% e de 50,5%, respectivamente. Já a pataca ocupava uma quota de apenas 0,2 e 3,7% no total do activo e do passivo financeiro internacional, respectivamente. No final do segundo trimestre, as disponibilidades sobre o exterior correspondiam a 411,3 mil milhões de patacas, mais 35,1%, e os
activos em moeda externa a 128,3 mil milhões de patacas, valor que reflecte um acréscimo de 51,6% face ao segundo trimestre de 2010. Os empréstimos e os depósitos no exterior constituíram o principal componente dos activos internacionais que, no segundo trimestre do ano, cresceram 38,4% face a igual período do ano passado para 388,6 mil milhões de patacas. O total das responsabilidades internacionais do sector bancário local alcançou 499,2 mil milhões de patacas, registando uma subida de 7,6% face ao primeiro trimestre e de 39,1% em termos anuais. As responsabilidades perante o exterior e as internas em moeda estrangeira cifraram-se em 275,6 mil milhões de patacas e 223,6 mil milhões de patacas, respectivamente, aumentando 50,9 e 26,9% face a igual período de 2010. Também os depósitos em moedas estrangeiras dos residentes nos bancos locais – a maior componente no total das responsabilidades internacionais – registaram, no fim do segundo trimestre do ano, uma subida de 23,6%, ao alcançarem 207,5 mil milhões de patacas.
A actividade bancária internacional de Macau distribuiu-se principalmente pela Ásia e Europa, sendo que, no final de Junho, as quotas das disponibilidades do sistema bancário de Macau nos créditos sobre Hong Kong e o interior da China eram de 37,1 e 18,2%, respectivamente. Em relação a Portugal, esse crédito era de 11,9% no total de activo exterior. Quanto ao passivo sobre o exterior, registaram-se quotas de 44,8 e de 25,8% para Hong Kong e interior da China, respectivamente.
Investimentos ao pormenor 86,9% quota das aplicações financeiras
nos mercados internacionais
45,8% peso do dólar de Hong Kong no
passivo internacional
11,9% crédito sobre Portugal 0,2% quota da pataca no activo financeiro internacional
As actividades do jogo seduzem ainda uma grande parte dos visitantes, com 48,4% a afirmar que pretendem jogar durante a estadia, enquanto que a maioria (55,3%) respondeu que não tinha “nenhum interesse” nos jogos de azar. Já 17,4% alegaram a falta de tempo. No entanto, entre 871 visitantes que responderam sobre a questão do orçamento do jogo per capita, descobriu-se foram gastas 11.901 patacas, numa média de 5000 patacas por 60,8% dos entrevistados.
SUSPEITO DE ABUSO SEXUAL EM PRISÃO PREVENTIVA
SEXTA-FEIRA 26.8.2011
Um jovem de 18 anos foi detido por alegado abuso sexual a uma menor. A vítima tem 12 anos e o crime ter-se-á consumado duas vezes. No dia 2 deste mês, a adolescente terá pedido para dormir em casa do suspeito, depois de ter bebido demais. A investigação preliminar do Ministério Público concluiu que existem fortes indícios de prática de crime sexual. De apelido Wong, o suspeito está agora em prisão preventiva a aguardar julgamento.
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SOCIEDADE
TRIBUNAL INDEFERE RECURSO A TV CABO MAS ACÓRDÃO VIRA-SE CONTRA ANTENEIROS
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
Decisão dois em um
A
ideia era interpor um recurso contra toda a actividade ilegal dos anteneiros, mas a TV Cabo de Macau viu o pedido ser indeferido. Ainda assim, as conclusões escritas pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI) valeram, em muito, para provar que as empresas que transmitem programas televisivos não praticam mais do que uma “actividade ilegal”. A TV Cabo quis tentar interromper a emissão por parte dos anteneiros, mas o TSI não pôde aceitar o recurso por uma razão independente à veracidade dos factos: é que a pretensão deveria ser dirigida directamente ao Governo, que “é quem se afigura a ter o dever de cumprir aquilo a que se obrigou nos termos do contrato de concessão”, e não aos anteneiros. A questão que opõe a empresa de cabo e as companhias de anteneiros do território já se arrasta há, pelo menos, uma década e resume-se essencialmente ao facto de ser
apenas a primeira quem tem direito a transmitir sinais de televisão. Por isso mesmo, frisa o acórdão do TSI, deveria ser o Executivo a garantir o direito de exclusividade à concessionária. O tribunal frisa que a TV Cabo
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é obrigada a cumprir o plano de investimentos acordado no contrato de concessão, independentemente da sua incapacidade em penetrar no mercado e que faz 12 anos que “as coisas se mantêm no mesmo estado sem nada se fazer e, entretanto, termina o contrato de 15 anos [com o Governo] sem que se tenha posto cobro a um estado de coisas manifestamente ruinoso e prejudicial à concessionária”. Para o colectivo de juízes que assinou a decisão do acórdão, há ainda outros pontos de destaque: os anteneiros violam e continuarão a violar diariamente os direitos exclusivos da TV Cabo, essa actividade é “ilegal, viola o contrato de concessão entre a empresa e a RAEM”, não tem qualquer autorização governamental e a sua actividade não se resume à instalação de antenas a clientes.
Principais acusações do TSI • Os anteneiros fazem uso de uma concorrência desleal • A Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT) não tomou nenhuma medida concreta para impedir o exercício da actividade ilegal dos anteneiros, o que demonstra violação às obrigações do contrato de concessão • Os anteneiros violam as normas legais vigentes do ordenamento jurídico • Os anteneiros não pagam impostos, custos fixos de equipamento ou taxas de licenciamento • Os anteneiros angariam clientes que, de outra forma, apenas poderiam receber os sinais por via da TV Cabo de Macau ou por si próprios
Recebem ainda sinais televisivos captados por antenas e recebem os rendimentos pelo fornecimento desses sinais. A TV Cabo pediu neste recurso que 12 das empresas de anteneiros fossem obrigadas a terminar a emissão de qualquer sinal e
desinstalassem todos os cabos e equipamentos por si instalados, mas sem sucesso. O TSI dedica, contudo, cerca de uma dezena de páginas do acórdão a demonstrar os actos ilegais que já prejudicaram a empresa em 193 milhões de patacas em dez anos.
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ENTREVISTA
Roberval Teixeira e Silva, professor da Universidade de Macau e coordenador do III SIMEL
“Este é um simpósio a falar todos os sotaques HOJE MACAU
C
OMEÇA na terça-feira no território, com o apoio da Universidade de Macau (UMAC), a terceira edição do Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa (SIMELP). Em parceria com universidades de vários países do mundo, bem como outras instituições de difusão cultural, serão três dias de debates e apresentações de trabalhos específicos, onde o grande tema, como pano de fundo, é a “Formação de Novas Gerações de Falantes de Português no Mundo”. A Universidade de Macau participa desde o início nestes simpósios mundiais, cabendo-lhe agora ser a anfitriã de algumas centenas de participantes interessados objectivamente no ensino da Língua Portuguesa. Roberval Teixeira e Silva, há cerca de seis anos professor de Língua Portuguesa na Universidade de Macau (UMAC), é o coordenador deste III SIMELP e membro do conselho científico da iniciativa, que teve a sua primeira
“É preciso que também se re algo formais, mas com maior pre de conexões entre as pessoas qu África, no Brasil, nos Estados Uni nem falam português como língu realização em São Paulo, no Brasil. A segunda edição aconteceu na cidade portuguesa de Évora, e agora em Macau. Para este académico, o objectivo maior do Simpósio é “aproximar pesquisadores, professores, estudantes de Língua Portuguesa, congregar pessoas e vontades de modo a que, através de interesses comuns nas mais variadas formas de expressão da língua, se efectuem parcerias, interacções académicas, se criem projectos inovadores, tendo em vista alcançar sempre novos e melhores métodos eficientes para o trabalho pedagógico. Segundo ele, “achámos boa a ideia de trazer o simpósio até Macau, criando assim novos canais de informação sobre projectos, por exemplo aquele que chamamos ‘Gramática Comunicativa da Língua Portuguesa’”. “Estamos com muito entusiasmo a dar forma a este projecto que tem como ideia base ‘O Português no Mundo’. Os trabalhos para a futura ‘gramática’ têm a coordenação específica da professora Liliane Santos, da Universidade Charles-de-Gaulle, em
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com Helder Fernando
LP
es da Língua Portuguesa” Lille”, diz o professor, acrescentando que o trabalho conta ainda com a colaboração dos professores Ruben Rodrigues, Rosane Amado Maria Célia Lima-Hernandez e dele próprio. Para Roberval, é “extremamente útil e pedagogicamente importante a presença de destacados profissionais de muitas partes do mundo, reunidos nesta atmosfera de Macau, partilhando experiências, impulsionando e fortalecendo cada vez mais a grande e sempre crescente importância da língua portuguesa no cenário mundial”. Sobre a mencionada “Gramática Comunicativa da Língua Portuguesa”, não existe ainda um prazo marcado para terminar a sua feitura - “estamos discutindo, a partir de 2009, as bases, ou seja para quem vamos fazer essa gramática, se para professores exclusivamente ou se para alunos”, refere o coordenador do III SIMELP. “Não ser este não o único nem o mais ambicioso projecto nascido no seio da organização
ealizem outros géneros de reuniões, eocupação na construção de redes, ue estudam português na Ásia, na nidos, etc., ou em outros países que ua oficial” destes simpósios”, justifica. Existem outros - diz o professor - “por exemplo, o Ensino de Português no Brasil e em Portugal, que é uma junção de brasileiros e portugueses, sendo que a revista do projecto será lançada em Macau durante o Simpósio; e ainda o ensino da língua portuguesa, bases epistemológicas, objectivos e conteúdos”. Tido como importante, é o facto de estarem em agenda pequenas reuniões de negócios com o objectivo de surgirem novos projectos envolvendo a Ásia e outras regiões do mundo. Este professor assume que “este não é um encontro elitista, apesar de considerar que os encontros académicos de tipo elitista também são importantes, cada um no seu jeito e com a sua ideia. Só que é preciso que também se realizem outros géneros de reuniões, algo formais, mas com maior preocupação na construção de redes, de conexões entre as pessoas que estudam português na Ásia, na África, no Brasil, nos Estados Unidos, etc., ou em outros países que nem falam português como língua oficial.
Por isso, neste simpósio participarão pessoas de todos so lados desde o continente americano até aos outros. Serão falados e ouvidos todos os sotaques da língua portuguesa”.
LÍNGUA INTERNACIONAL
Tendo como tema geral “A Formação de Novas Gerações de Falantes de Português no Mundo”, este III Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa é congregador duma perspectiva essencial, assim explicada por Roberval Teixeira e Silva: “A perspectiva de que a língua portuguesa precisa de ser cada vez mais encarada como idioma internacional, pois tem de ser realmente assumida como uma língua que política, social, cultural e identitariamente abrange muitíssimas crianças e jovens que a aprendem e estudam, precisando de a aprender e estudar como língua materna e não materna tanto em países como regiões que a têm como língua oficial, como é o caso de Macau, como também onde a língua não é oficial”. Uma das grandes realidades da Língua Portuguesa é a sua abrangência, o seu internacionalismo, algo também da sua expansão, pois nos chamados quatro cantos do planeta o português como língua está presente, muitas vezes com pujança, outras nem tanto. “Também por isso devemos sublinhar a assumpção das diferenças culturais, dos sotaques, dos diferentes falares, com diferentes normas”, lembra o académico, acrescentando: “O português, como língua de cultura de vários países e regiões, nestes tempo pós-colonias ou pós-neocoloniais, necessita de ser uma língua considerada com as suas marcas locais, históricas, ideológicas, formais, identitárias. Tal como precisa de ser encarada com as suas diferenças. Desse jeito é que estaremos considerando o contexto do outro, valorizando-o, de modo a podermos interagir no sentido de construir novas matizes socioculturais, contribuindo, assim, para a boa manutenção da pluralidade linguística e cultural do mundo”. À pergunta sobre se o simpósio em Macau seria diferente dos anteriormente realizados em São Paulo e em Évora, o coordenador-geral do evento responde: “Em Macau será diferente por uma série de razões. Primeiro porque, talvez muitas pessoas não saibam, mas Macau virou um pouco moda em
alguns sectores do Brasil, nomeadamente entre as pessoas um pouco mais bem informadas e, claro, no mundo universitário. Começaram a descobrir ou redescobrir esta região, este espaço também de língua portuguesa extremamente interessante. Através de várias iniciativas como este Simpósio e várias outras anteriormente, através também de intercâmbio de professores, de estudantes, de intelectuais, ganha cada vez mais importância o interesse por Macau. Eu mesmo, depois de vir para cá, fui falando nos meios
“O português, como língua de cultura de vários países e regiões, nestes tempo pós-colonias ou pósneocoloniais, necessita de ser uma língua considerada com as suas marcas locais, históricas, ideológicas, formais, identitárias. Tal como precisa de ser encarada com as suas diferenças. Desse jeito é que estaremos considerando o contexto do outro, valorizando-o, de modo a podermos interagir no sentido de construir novas matizes socioculturais, contribuindo, assim, para a boa manutenção da pluralidade linguística e cultural do mundo”
universitários brasileiros e não só, desta realidade local, o que suscitou logo bastante interesse. Dos primeiros interessados, posso destacar um grupo de pessoas que trabalham em matéria como ‘Aquisição da Linguagem’, uma área da psicolinguística. Quando lhes falei de Macau, ficaram extremamente interessados e me pediram para recolher dados sobre vários assuntos como crianças, normalmente chinesas, que não são de língua materna portuguesa, mas que aprendem português; tal como famílias cujo pai ou mãe são portugueses ou que adoptam uma criança chinesa, isso é frequente em Macau, como se sabe. Tenho recolhido certos materiais sobre estas realidades e enviado para esses estudiosos. Devagarinho, os contactos efectuados pela Universidade de Macau com outras instituições brasileiras, tem despertado muito interesse”. Exemplificando, Roberval fala de uma comunicação levada ao primeiro SIMELP, em S. Paulo, que era sobre “O português de Macau”, e a curiosidade enorme que o tema suscitou, “as possibilidades de estudos culturais, históricos e linguísticos aqui em Macau. A partir daí, temos mantido uma série de projectos, inclusive, o já referido da “Gramática Comunicativa”, de quem também faço parte”. Confrontado com a questão de ser possível ou não, influenciar os decisores dos programas de ensino a terem em consideração as análises e projectos tornados realidade através da realização destes SIMELP, o professor Roberval Teixeira e Silva, falando especificamente do projecto “Gramática Comunicativa da Língua Portuguesa”, começa por considerar que existe “um corte, um buraco imenso entre o que é a universidade, os estudos que a universidade produz e a realidade das escolas. Por conta desse buraco, há uma série de pesquisas, no âmbito do ensino de português como língua não materna, que apontam novas adequações para o ensino da língua; ora essas informações não chegam às escolas, elas continuam fazendo a mesma coisa ano após ano. Isto é mau, mesmo tendo nós consciência que os ensinamentos chegam mais devagar do que a velocidade em que são produzidos. O que se deseja é um repensar nestas matérias, de como se aprende uma língua, que vai muito além do memorizar de listas de vocabulários e da gramática, sendo óbvio que é necessário aprender, mas com enquadramento de novos e mais eficazes métodos.” Para tudo isto funcionar é preciso estabelecer uma série de relacionamentos com empresas, com governos. “No simpósio em Macau estarão vários responsáveis, decisores, oficiais e do sector privado, tivemos essa
11 preocupação de os convidar para a mensagem ser bem recebida por eles, pois somente com as suas decisões os projectos ganham viabilidade. Daí, a última mesa do Simpósio ser dedicada a “Projectos Locais e Internacionais do Ensino, Pesquisa e Difusão do Português.” Nessa mesa estarão envolvidos responsáveis de instituições de Macau, como o IPOR, IPM, Universidade de S. José, o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, com sede em Cabo Verde e que pertence à CPLP e a Associação Internacional de Linguística do Português, bem como, claro a UMAC.
AMPLO LEQUE DE ACADÉMICOS
Este III SIMELP, realiza-se em dois palcos de Macau. Nas instalações da UMAC, a maioria dos trabalhos, e na Escola Portuguesa (apenas 4ª feira dia 31, dia em que também haverá um passeio pelo chamado centro histórico até à Fundação Oriente). Convidadas figuras do mundo intelectual e académico de variados espaços do universo da língua portuguesa, como os Professores Jorge Flores, do Instituto Universitário Europeu, em Florença; Claudio Cezar Henriques, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Inocência Mata, Maria José Grosso e Malaca Casteleiro, da Universidade de Lisboa; Marcos Bagno, da Universidade de Brasília; Maria Helena Ança, da Universidade de Aveiro; Luis Paulo da Moita Lopes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro; João Costa, da Universidade de Lisboa; Maria Célia Lima-Hernandez e Simone Caputo Gomes, da Universidade de S. Paulo; Perpétua Gonçalves, da Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique; Catarina Xu, da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai; Alan Baxter, da Universidade Federal da Bahia, ou Gilvan Mueller de Oliveira do Instituto Internacional de Língua Portuguesa. Naturalmente que estarão presentes neste III SIMELP académicos residentes em Macau, como Maria Antónia Espadinha, Roberval Teixeira e Silva, Ana Margarida Nunes, Custódio Martins, Márcia Schmaltz, Ana Varani Leal, Maria Pinharanda Nunes, Yao Jing Ming, todos da UMAC e envolvidos na estrutura organizadora do Simpósio. Como também Ana Paula Cleto, IPOR; e Choi Wai Hao, IPM. Os apoios localmente recebidos para o Simpósio, foram dados pela própria Universidade de Macau, pela Fundação Macau, Escola Portuguesa de Macau, Fundação Oriente, Universidade de Évora, Universidade de São Paulo, Direcção dos Serviços de Turismo, Fórum Macau e Associação Internacional de Linguística do Português.
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CULTURA
Macau Fashion Link testa plataforma criativa da lusofonia
Albergue ‘goes pop’ Carlos Picassinos info@hojemacau.com.mo
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INO Alves, um dos designers de moda português de maior reconhecimento internacional, vai estar presente em Macau no próximo mês de Novembro para participar no “L Show”, um dos eventos previstos para a primeira edição do Macau Fashion Link. Trata-se de uma organização do Albergue, presidido por Carlos Marreiros, que a 25 e 26 de Novembro vai concentrar, naquele espaço de São Lázaro, além do “L Show”, outro evento chave: o Macau Cover Girl. Dois momentos que pretendem transformar o MFL numa iniciativa única na RAEM, disse ontem Carlos Marreiros, em conferência de imprensa. “Macau Fashion Link é uma iniciativa única que visa promover e encorajar o talento e a indústria locais, de modo a que possam desenvolver o seu potencial e aproveitar as oportunidades
em Macau, e ao longo do delta do Rio das Pérolas, em especial na Ilha da Montanha, e nos diversos países e regiões de língua oficial portuguesa.” Uma fórmula que Marreiros designa de “três em um” na medida em que reúne, no mesmo chapéu-de-chuva, três objectivos: promover as indústrias criativas locais, reforçar a cooperação de Macau com a província de Guangdong e promover as ligações com outros países de Língua Portuguesa. Daqui a presença em Macau, além de Dino Alves, de Portugal, das criações de estilistas lusófonos como Cynthia Hayashi, do Brasil, ou de Nadir Tati, de Angola. No “L Show”, do dia 26, vão ainda desfilar trabalhos de criadores locais como Bárbara Diaz, San Lee e da Lines Lab. Clara Brito, designer de moda, deverá apresentar a colecção para a Primavera/Verão 2012, utilizando como ícone do conjunto materiais contrastantes como a seda tradicional chinesa, pro-
duzida segundo métodos mais arcaicos, e o ‘tyvek’, um material tecnologicamente mais complexo de uso recorrente na arquitectura.
NEGÓCIOS E TAMBÉM CULTURA
A designer é também um dos curadores do Macau Fashion Link. A designação do evento, afirma, pretende assinalar essa intenção de construir em Macau uma plataforma de dimensão cultural associada ao mundo lusófono, à semelhança do que acontece já em domínios mais estritamente ligados ao negócios, como é o caso, exemplifica ainda, de instituições como o Fórum para Cooperação Económica entre a China e os Países da Lusofonia. “Uma plataforma que possa reunir, em Macau, criativos locais mas também de outros países de língua oficial portuguesa, e neste caso da primeira edição, criativos de Macau, Portugal, Brasil e Angola”, disse ao Hoje Macau. Também Manuel Correia da Silva, director criativo do Lines
Lab, e outro dos curadores deste projecto não deixa de assinalar o carácter lusófono do projecto e a importância de criar uma rede social e informal de contactos entre os artistas e criadores dos vários continentes onde se fala o português. “Nossa tarefa principal é a de curadores procurando designers de moda únicos e contemporâneos do mundo lusófono e combinando-os com os talentos de Macau,” explicou. Os dois vão estar a trabalhar ao lado do produtor português Paulo Gomes, com experiência de vários anos na
Carlos Marreiros diz que o Macau Fashion Link pretende encorajar o talento e a indústria locais, de modo a que possam desenvolver o seu potencial e aproveitar as oportunidades em Macau
organização de eventos de moda e ex-director artístico da “Moda Lisboa”. Sobre o segundo grande evento do Macau Fashion Link, o Macau Cover Girl, a directora, Guiomar Pedruco, referiu ontem que este evento pretende apoiar talentos locais, encorajar a participação dos adolescentes de Macau no mundo da moda e promover as empresas locais. A Macau Cover Girls foi lançada, em 2009, à boleia do crescimento económico de Macau e da vontade política do Executivo de apostar nas indústrias culturais. Foi um evento transmitido pela TV Cabo de Macau e pela TDM com cobertura em quase todo o território da China continental. Além de apoios públicos do Governo, o Macau Fashion Link conta com patrocínios privados, como é o caso do Windsor Arch, cujo director executivo, William Kuan, se manifestou honrado pela associação da sua empresa a este evento. Também a revista “Macau Closer” decidiu apoiar e co-organizar o MFL. “Desde que a ‘Macau Closer’ foi lançada há quase cinco anos, temos sempre focado a nossa atenção e apoio às actividades criativas”, considera o director da publicação, Ricardo Pinto. “A moda”, acrescentou, “é parte integrante da natureza e filosofia da nossa revista”.
ÚLTIMO DISCO DE WINEHOUSE É O MAIS VENDIDO DO SÉCULO O último disco de Amy Winehouse, “Back to Black”, tornou-se ontem o mais vendido do século no Reino Unido, depois de a cantora britânica ter morrido em Julho em Londres, aos 27 anos. O disco que Winehouse editou em 2006 vendeu no país 3,25 milhões de exemplares, à frente dos 3,24 milhões daquele que era, até agora, o grande “hit”, “Back to Bedlam”, de James Blunt, de acordo com os dados recolhidos pela empresa Official Charts Company,
“MARS” À VISTA Arqueólogos suecos anunciaram que destroços encontrados no fundo do Mar Báltico podem pertencer a “Mars”, o lendário navio sueco afundado no século XVI. “Mars” - ou “Makalos, o incomparável” como era conhecido - pertencia à frota de combate do rei sueco Henrique VXIV, e ter-se-á afundado a 30 de Maio de 1564, na batalha naval com a armada dinamarquesa, perto da costa da ilha Oland. Era considerado um dos maiores navios de guerra daquele período: pesava cerca de 1800 toneladas, estava armado com 107 canhões e transportava uma tripulação de 800 homens. A descoberta foi feita a uma profundidade de 80 metros e os mergulhadores encontraram, para além de destroços de carvalho maciço, inúmeros canhões de bronze. O navio é um dos mais estudados por historiadores e era procurado há já várias décadas. O descobrimento, anunciado na passada sexta feira, leva os especialistas a crer que os vestígios encontrados pertencem ao navio sueco. “Não temos conhecimento de outros navios que se tivessem afundado perto destas coordenadas”, afirmou Andreas Olsson, arqueólogo-chefe do Real Museu Marítimo sueco. Apesar de existir grande probabilidade dos destroços pertencerem a “Mars”, os especialistas só poderão confirmar a identidade dos vestígios quando todos os testes forem feitos. Se tal for confirmado, os historiadores consideram que este é um dos descobrimentos do século, no que à história naval diz respeito. “Se é realmente o ‘Mars’, é uma descoberta verdadeiramente importante. A descoberta pode ser vista como o ‘elo perdido no que sabemos da história da construção naval’”, explicou Olsson, citado pelo “The Local”. MIRAMAX ALUGA FILMES NO FACEBOOK Alguns filmes dos estúdios norteamericanos Miramax estão desde esta semana disponíveis para aluguer no portal da rede social Facebook, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Turquia. Para já, a aplicação disponibiliza 20 títulos para alugar por 30 créditos do Facebook (o equivalente a três dólares, ou 20 patacas) por 48 horas, mas a Miramax pretende disponibilizar os seus filmes também para venda para que os utilizadores possam armazená-los e vêlos quando quiserem. A chegada deste novo serviço, Miramax eXperience, que deverá estender-se progressivamente a outros países, permite à rede social de Mark Zuckerberg afirmar-se como um fornecedor de entretenimento, além de ser um local de troca de informação entre amigos. Uma primeira versão da aplicação permite visualizar filmes sem os descarregar, mas esta poderá evoluir em função dos comentários dos utilizadores, afirmou a Miramax, no seu blogue. “O nosso objectivo final é oferecer aos clientes a possibilidade de comprar filmes e de os conservarem» com os seus próprios meios de armazenamento, “para que possam depois aceder a eles através de qualquer ferramenta”, refere a Miramax.
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Milhares esperados para “nova chegada” de navegador
Colombo em Porto Santo
M
ILHARES de pessoas são esperadas no Porto Santo entre 15 e 17 de Setembro para assistirem a um “novo desembarque” de Cristóvão Colombo, iniciativa integrada no festival com o nome do navegador que terá vivido na ilha. “Esperamos que a ilha do Porto Santo esteja, de facto, com alguns milhares de turistas e que possam presenciar, mais uma vez, esta recriação da chegada do Colombo que é uma personagem mundial histórica incontornável”, disse à agência Lusa a secretária Regional do Turismo e Transportes. Conceição Estudante referiu que o descobridor “viveu no Porto Santo, casou com
a filha do capitão donatário, estudou os [ventos] alísios no Porto Santo”. O Festival Colombo começa dia 15 de Setembro, às 19h00 locais, com a abertura da feira quinhentista, que vai estar aberta os três dias e na qual estão assegurados artesanato, produtos locais e gastronomia. Uma hora e meia mais tarde ocorre o desembarque de Cristóvão Colombo na praia defronte da Praça do Barqueiro, momento que, para a secretária regional, é o “mais ansiado por todos aqueles que estão à espera do festival”. Após o desembarque, realiza-se o cortejo de recepção, pela cidade, mas o evento contempla outros momentos da vida do navegador, como a recepção pelo capitão donatário,
Bartolomeu Perestrelo, ou a celebração do contrato de casamento com a filha deste. Estão igualmente previstos julgamentos, arruadas, sermões, malabares, música e dança, num festival que se repete pelo 12.º ano consecutivo e que envolve cerca de 180 pessoas na encenação do ambiente medieval. “O Festival Colombo foi criado com o objectivo de alargar a estação do Porto Santo” a outros “motivos de atracção”, declarou Conceição Estudante, convicta de que a capacidade hoteleira da ilha estará “muito próxima do esgotado” nesse fim-de-semana, não apenas por portugueses, como turistas de outras nacionalidades, destacando os de Itália de onde é originário Colombo.
OBRA ROUBADA PELOS NAZIS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL REGRESSA À CASA
“Dama com Arminho” chega a Berlim O
quadro de Leonardo Da Vinci “Dama com Arminho”, roubado pelos nazis na Polónia, regressa pela primeira vez à Alemanha após ter sido restituído, no fim da Segunda Guerra Mundial, para participar numa exposição que abriu ontem em Berlim. O retrato pintado sobre madeira representará Cecilia Gallerani, a amante de Ludovic Sforza, duque de Milão, e pertencia ao museu dos príncipes Czartoryski, em Cracóvia, no sul da Polónia. Este é um dos quatro quadros
conhecidos de mulheres pintadas por Leonardo da Vinci, a par dos da Gioconda, de Ginevra de Benci e da Bella Ferroniere. A “Dama com Arminho” será uma das jóias da exposição “Rostos da Renascença - Mestres da arte do retrato italiano”, que será inaugurada quinta-feira no Bode Museum de Berlim, onde permanecerá até 20 de Novembro. A par da obra de arte de Leonardo da Vinci, estarão em exposição mais de 150 peças, entre quadros, desenhos, escul-
turas, medalhões e bustos, com o objectivo de mostrar a evolução do retrato ao longo do tempo. Depois de Berlim, a exposição viajará para Nova Iorque, para o Museu Metropolitan, entre 19 de Dezembro e 18 de Março. O quadro de Leonardo da Vinci, no entanto, seguirá para Londres, onde ficará na National Gallery para a grande exposição dedicada ao mestre italiano que abre ao público no dia 9 de Novembro. Avesso a um regresso do
quadro mais prestigioso do país, o ministro da Cultura da Polónia acabou por mudar de ideias a pedido do príncipe Adam Karol Czartoryski, presidente da fundação proprietária da pintura. Os Czartoryski adquiriram em 1800 esta obra em madeira com 54 por 39 centímetros, pintada por Leonardo da Vinci entre 1488 e 1490. A “Dama com Arminho” deverá regressar à Polónia na primavera de 2012, onde permanecerá durante a próxima década.
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IDEIAS 文子 Wen Zi
Como poderia o mundo ter leis permanentemente fixas?
CAPÍTULO 160 Lao Tzu disse: Como poderia o mundo ter leis permanentemente fixas? Lida com a tua era adequadamente, descobre padrões razoáveis de humanidade, segue o céu e a terra e compreende fantasmas e espíritos; então, te se será possível governar correctamente. Na antiguidade, os Três Augustos não tinham quaisquer regulamentos ou directivas, mas o povo seguia-os; os Cinco Senhores tinham regulamentos e directivas, mas não castigos ou penalidades. O Rei Yu da Dinastia Xia nunca faltou à sua palavra; as gentes da Dinastia Yin fizeram promessas; as gentes da Dinastia Zhou fizeram juramentos. Com a deterioração de eras posteriores, surgiu o desprezo e menosprezo
das classes inferiores, surgiu a ganância do lucro e a pouca vergonha. Assim, as leis e regulamentos devem ser ajustadas segundo a moral do povo; instrumentos e máquinas devem ser ajustados segundo a mudança dos tempos. É por isso que quem se encontra limitado por regras não pode participar no planeamento de novas realizações e, quem se apega a rituais, não pode ser levado a responder a mudança. É necessária a luz da percepção individual e a claridade do conhecimento individual antes de se atingir a mestria da Via em acção. Aqueles que conhecem a origem das leis adaptam-nas aos tempos, aqueles que desconhecem as fontes dos caminhos da ordem podem, muito bem segui-los, mas acabarão
A COMPREENSÃO DOS MISTÉRIOS
em caos. Hoje, os eruditos praticam as suas obras rotineiramente, segurando livros nas mãos e observando as leis da gramática, pretendendo criar ordem social por estes meios. Não será isto apegar-se a uma receita que não curou, ou pôr um cravo quadrado num orifício redondo? Será difícil conseguir um ajuste correcto. Sustentar o que está em perigo e trazer ordem ao caos não é possível sem sabedoria. Há muitos ignorantes capazes de falar do que lá vai e de elogiar os antigos. Por isso, os Sábios não agem segundo leis que não são úteis e não escutam palavras que não tenham provado a sua eficácia. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho
O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online.
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15 p er sp ect i va s
Que tipo de pais somos? “O que perdeu a criança que há em si é incapaz de educar os filhos dos outros.” Rabindranath Tagore
T
EMPO de início de ano lectivo. Tempo de preocupações. Tempo de sabermos que tipo de pais somos e melhorar as nossas condutas como educadores para o bom sucesso dos estudos dos nossos filhos, e melhor formação da sua personalidade, que se reflectirá fatalmente em termos societários. Se a maturidade pessoal dos pais constitui o fundamento insustentável para a promoção do menor, temos de pensar que a personalidade dos pais, com a sua influência persistente, converte-se, “ipso facto”, no factor primordial para a construção da personalidade do filho. As atitudes que habitualmente tomamos em termos de educação, permite-nos distinguir diferentes tipos de pais, ainda que o tipo se tenha de considerar sempre uma abstracção, que dificilmente se podendo realizar na realidade física da pessoa, serve-nos sem embargo, para nos aproximar ao estilo educativo de muitos pais. Podemos distinguir o tipo de pais razoáveis, cuja atitude fundamental é a compreensão e a aceitação. Exercem a sua autoridade, tendo como base a tolerância e o diálogo e concebem tais valores, mais que um meio de controlo, como um serviço em favor dos filhos, conseguindo um alto ascendente moral sobre os mesmos. Não mandam nem discutem, nem tratam de impor pela força, procuram critérios comuns de acção para si, como para os filhos. Não têm pretensões de controlar o seu comportamento, mas através de um sereno diálogo, apelar sempre à razão e coerência, ensinando-lhes a descobrir as razões do seu comportamento, evitando o capricho e a irresponsabilidade. São conscientes de que os argumentos autoritários e impositivos só servem para provocar condutas desajustadas, e criar um abismo de incompreensão entre eles e os filhos, que levará, sem dúvida, à deterioração das suas relações. Não cuidam de vencer, mas sim de convencer, deixando que se imponha a força da razão. Estão convencidos da dignidade pessoal de cada filho, do direito que têm de tomar gradualmente a direcção da sua vida com responsabilidade e autonomia. Por tal motivo, ajudam-nos a sentirem-se responsáveis pelos seus actos, sem permitir que sejam subtraídas as consequências naturais que deles emanam. Um outro tipo de pais que se pode designar como autoritários, cuja atitude fundamental é de expressa imposição. O autoritarismo é um traço da personalidade diametralmente oposto ao da compreensão. A tendência autoritária tendo como suporte a rigidez e a inflexibilidade, é um derivado da imaturidade.
Os pais autoritários tendem compulsivamente a julgar, a simplificar ou impor os seus pontos de vista com pouca ou nenhuma sensibilidade perante os sentimentos ou a situação pessoal dos filhos. Mais que a realização e sucesso dos filhos, procuram a afirmação da sua personalidade e o domínio despótico sobre eles. A atitude impositiva não atende a razões, proíbe terminantemente pensar e trabalhar por conta própria, criando medo e ansiedade à sua volta, e inferiorizando o menor até graus insuspeitados de timidez e agressividade reprimida. O autoritarismo transmite-se de pais a filhos, como uma reacção em cadeia pois a repressão a que submetem os filhos provoca frustrações e sentimentos de inferioridade, que posteriormente são descarregados, sob a forma de agressividade transferida contra pessoas ou situações, que pouco ou nada têm que ver com a causa da frustração. Existe um outro tipo de pais que são os violentos, cuja atitude fundamental é de incontrolável agressividade destrutiva. Estes pais são o produto de profundas frustrações, provocadas pela insatisfação de necessidades e motivações fundamentais. São pais de mau carácter, porque na sua infância foram crianças difíceis. Talvez tenham vivido a sua infância e adolescência debaixo do signo do terror, submetidos à tirania de uns pais despóticos e autoritários. As raízes autoritárias do seu comportamento, convertem a sua necessidade de auto-afirmação, em bruscos modos de intransigência e dureza que chegam à violência física. Infelizmente, as estatísticas que falam de maus-tratos a crianças e jovens adolescentes, permitem afirmar que a tipologia destes pais não é uma simples abstracção teórica, mas uma terrível realidade anti-educativa. Todavia, são muitos os pais que estão de acordo com o estereótipo de um adágio, que se apresenta como falso, que é de “quanto mais te bato mais gostas de mim”. Existe uma outra fórmula em termos pedagógicos mais correctos, que é “Quem bem te quer, far-te-á feliz”. As personalidades de comportamento violento apresentam uma diversidade ampla, que vão desde o emprego da força física até aos abusos desprezíveis, passando pela agressão psíquica e omissões materiais propositadas como alimentos e roupa.As consequências negativas são evidentes, criando nos filhos muitos sentimentos contraditórios, como fortes comportamentos de rebeldia e hostilidade, e por sua vez sentimentos de culpabilidade por ter provocado a ira dos pais. O medo que estes pais violentos infundem, faz que os filhos recusem a manifestar os seus sentimentos perante estranhos. Sentem-se culpados e magoados face à actuação dos seus pais, mas continuam a desejar o seu amor. O
isolamento em que se encerram priva-os de ter amigos, apesar da necessidade que sentem de estar com eles. Um outro tipo de pais que se pode designar por legalistas, cuja atitude fundamental é o culto da conduta legal, são uma modalidade dos autoritários. Para este tipo de pais, educar significa submeter os filhos a um conjunto de regras preestabelecidas, que devem cumprir, sem explicação dos motivos de forma submissa e reverencial. Procuram a segurança na regra ou norma de conduta, e a irracionalidade da sua atitude, faz que obedeçam à norma como um tabu, de forma mágica, sem ter em conta o espírito da lei, provocando nos filhos atitudes decididamente conformistas, sinal evidente de uma mentalidade acrítica, defensiva e pouco adaptativas à alteração das circunstâncias. Enquanto a norma for algo imposto, carece de força no campo educativo, e só quando seja assumida pelo filho em liberdade atingirá o seu verdadeiro valor. Os pais permissivos são um outro tipo, cuja atitude fundamental, é o desinteresse pela educação dos filhos (lassez-faire), caracterizando-se por ser serem demissionários das suas funções de educadores e claudicam nas suas responsa-
O autoritarismo transmite-se de pais a filhos, como uma reacção em cadeia pois a repressão a que submetem os filhos provoca frustrações e sentimentos de inferioridade, que posteriormente são descarregados, sob a forma de agressividade transferida contra pessoas ou situações, que pouco ou nada têm que ver com a causa da frustração
Jorge Rodrigues Simão
bilidades como primeiros titulares do direito e dever de educar os seus filhos. Na prática não os corrigem, quando transgridem as normas mais elementares de educação e convivência; não reagem quando fazem algo errado, nem se alegram quando se comportam correctamente; permitem que os filhos façam o que lhes apetece, contanto que não sejam perturbados. Em muitas situações manifestam uma evidente falta de carácter, que os leva a confundir a benevolência com a debilidade, e cedem aos caprichos e exigências mais extravagantes dos filhos. No fundo, recusam o papel de pais, e como justificação da sua atitude recorrem a “captatio benevolentiae”, tentando converter-se em colegas e camaradas dos seus filhos. Outras vezes, refugiam-se nos seus deveres profissionais, para escapar à responsabilidade de educadores. Ao fim e ao cabo, pensam, que os educam na escola e para isso é que pagam, e quando a escola pede a sua colaboração, recusam o convite e endossam a responsabilidade para o outro cônjuge ou pai. No caso em que ambos os pais partilham esta altitude, os filhos ficam abandonados à mercê das suas motivações hedonistas, convertendo-se em pessoas desordenadas, inseguras, dispostas a seguir unicamente a lei do mínimo esforço, de fazerem o que lhes apetece, e deixar de fazer o que não lhes agrada. Quando assolados por grandes preocupações no seu trabalho, confessam não ter tempo para estar com os filhos, tratam de compensar a sua negligência educativa por meio de presentes e dinheiro, satisfazendo as vaidades do filho. As consequências mais deletérias da educação permissiva, são a falta de uma consciência que oriente o comportamento, porque o filho não foi capaz de interiorizar nenhuma norma moral. Os pais possessivos como último tipo, apresentam uma atitude fundamental, caracterizada pelo excesso de protecção dos filhos. Tentam evitar a todo custo aos filhos, angústias e dissabores que a vida impõe, preocupando-se ansiosamente que nada lhes falte, de que tenham e gozem do que nunca lhes proporcionaram. Evitam que os seus filhos se esforcem ou enfrentem as dificuldades e problemas, facilitando-lhes a vida ao máximo. Tomam as iniciativas por eles, alimentando dessa forma, sem pretender, sentimentos de inferioridade, dependência e incompetência dos filhos. Consideram os filhos como coisa e possessão sua, exagerando nas suas necessidades, economizando-lhes qualquer esforço e dando tudo de bandeja. Assim, o filho super protegido cresce, incapaz de decidir por si, e sente-se inepto, desde o ponto de vista da realização, pois seguirá esperançado que lhe façam tudo. Inseguro, não saberá como actuar, perante as situações novas que se apresentem, esperando inutilmente que alguém lhes tire as castanhas do lume. Existem tantos tipos de pais, quantos pais há. É preciso conhecer cada um na sua individualidade, se queremos ganhar a batalha da educação dos nossos filhos.
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PERFIL
SARAH POON | ESTUDANTE
Uma artista transformada em advogada Patrícia Ferreira
patricia.ferreira@hojemacau.com.mo
Sarah Poon, advogada de formação, artista por devoção, escolheu Macau para tirar um mestrado na área de Direito Criminal. O curso chegou-lhe por influência dos pais e de um cunhado ligado à área. “Os meus pais sempre me disseram para seguir a advocacia e desistir da arte. Acabei por deixar o meu sonho de lado, porque acreditava que eles tinham razão”, contou. Natural da província de Guangdong, completou os estudos primários e secundários na cidade de Zhaoqing. Em 2006 regressou à terra que a viu nascer para fazer a licenciatura em Direito. “Com o tempo comecei a gostar da ideia de ser advogada e pensei que podia ser uma boa profissão.” A racionalidade sobrepôs-se ao sonho,
mas a arte acompanha-a desde pequena. “Sempre gostei da arte, a arte faz-me sentir viva.” O desenho entrou na sua vida na escola primária e a partir daí nunca mais parou. A imaginação, uma folha e um lápis ajudam-na sempre que se sente sob pressão. “Quando me sinto muito pressionada com os estudos a única coisa que me alivia a mente é desenhar.” No ano passado decidiu vir para Macau estudar. A escolha já tinha sido feita, cinco anos antes, quando visitou o território com os amigos. “Gostei da cidade e quando cá vim, pensei de imediato que seria aqui que queria fazer mestrado”, afirma a estudante. Sarah Poon diz que a adaptação à vida na região não foi difícil e que superou as expectativas que tinha. “Criei mais laços
de amizade do que alguma vez imaginei e nunca pensei ter amigos de tantas culturas e países diferentes”, sublinhou, mostrando-se orgulhosa nos amigos que tem por cá. A jovem considera que o curso de Direito não é fácil e que às vezes a falta de paixão dá-lhe vontade de desistir. Porém, reconhece que aprendeu muito, chegando mesmo a ser homenageada no Colégio de Honra e promovida a directora do departamento de promoção para estudantes do mestrado em direito. Tem ainda a cargo a organização dos seminários realizados na Universidade de Macau, onde estuda. “Costumo dizer que o direito me escolheu e não eu que o escolhi.” Apesar dos bons resultados apresentados,
é o desenho, a arte e mais recentemente a fotografia que a fazem sonhar. “É algo que quero fazer, mas talvez num futuro distante”. Seguir uma carreira de artista, para Sarah Poon, é e sempre será um desejo, mas sabe também que nunca lhe dará a estabilidade financeira que espera ter como advogada. “Na vida temos que pensar nas responsabilidades e a arte não me dará a vida que planeio ter.” Planos de vida são muitos e um deles passa por permanecer no território após concluir os estudos, apesar de ter consciência que para os alunos do Continente não é fácil pedir residência após o término do curso superior. “Macau é uma cidade calma, tranquila e segura, gostaria muito de poder ficar, mas sei que a lei não permite.”
[f]utilidades Cineteatro | PUB SALA 1
RISE OF THE PLANET OF THE APES [B] Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 14.15, 18.00, 21.45
THE FORTUNE BUDDIES [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Chung Shu Kai Com: Eric Tsang, Cho-Iam Wong, Siu Cheung Yuen 16.15, 20.00 SALA 2
COWBOYS & ALIENS [B]
[ ] Cinema
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SALA 3
WASAO [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Yoshinari Nishikôri 14.15, 18.00, 19.45
CARS 2 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: John Lasseter 16.00
LARRY CROWNE [B] Um filme de: Tom Hanks Com: Tom Hanks, Julia Roberts 21.30
Um filme de: Jon Favreau Com: Daniel Craig, Harrison Ford 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
VERTICAIS: 1-Crina do leão (pl.). Entre (Pref.). 2-O que se faz uma só vez em cada ano. Sectário do arianismo. 3-Impedir de modo absoluto. Debaixo de. 4-Existe. Curso artificial de água. Ali. 5-Aparelho para tecer. Tempo em que há luz do Sol. 6-Empregado dos caminhosde-ferro. 7-Instrumento com que se encurvam os trilhos das linhas férreas. 8-101 (Rom.). Gordo, barrigudo. Imprima. 9-Nome de letra. Lançar. Coima, taxar. 10-Retardado. Que não é frequente. 11-Apago com a raspadeira. Rojam-se pelo chão, dando voltas sobre si mesmo.
SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-JADE. FACEAR. 2-UNISTE. INDA. 3-BAR. ERG. EIS. 4-ALICARIO. AP. 5-S. MAROMBADO. 6-AIN. V. ECO. 7-IRRADIOSO. R. 8-NI. LIADOIRO. 9-TAS. ARI. MAL . 10-ENOL. IODARA. 11-ROBALO. ERAM. VERTICAIS: 1-JUBAS. INTER. 2-ANAL. ARIANO. 3-DIRMIR. SOB. 4-ES. CANAL. LA. 5-TEAR. DIA. L. 6-FERROVIARIO. 7-A. GIM. ODIO. 8-CI. OBESO. DE. 9-ENE. ACOIMAR. 10-ADIADO. RARA. 11-RASPO. ROLAM.
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
Su doku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Pedra dura que risca o vidro e o quartzo, de cor esverdeada. Esquadriar, estar à frente ou à face. 2-Juntaste. O m. q. ainda. 3-Lugar onde se tomam bebidas. Unidade de trabalho do sistema CGS. Aqui estão! 4-Aquele que fabricava álica (bebida). Apeadeiro (abrev.). 5-Atacado de maromba (a vinha). 6-Rio de França. Toada, fama. 7-Que perdeu a faculdade de irradiar. 8-Níquel (s.q.). O m. q. liadouro. 9-Pequena bigorna de aço. Nome de homem. Nocivamente. 10-O vinho, considerado como excipiente medicinal. Cobrira com iodo. 11-Peixe pércida. Estiveram.
[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 11:00 Galaxy Entertainment Finais do Grande Prémio Mundial da FIVB em Macau 2011 (Directo) 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Galaxy Entertainment Finais do Grande Prémio Mundial da FIVB em Macau 2011 (Directo) 16:00 Jornal das 24h 17:00 Galaxy Entertainment Finais do Grande Prémio Mundial da FIVB em Macau 2011 (Directo) 19:30 Galaxy Entertainment Finais do Grande Prémio Mundial da FIVB em Macau 2011 (Directo) 20:25 Acontecimentos Históricos 20:35 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:00 JK 22:40 Futuro num Canudo 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 To Gillian on her 37th Birthday (A Magia de Gillian) 01:00 Telejornal (Repetição) 01:30 Galaxy Entertainment Finais do Grande Prémio Mundial da FIVB em Macau 2011: Resumo 01:45 RTPi DIRECTO 02:45 Super Taça Europeia 2011: FC Barcelona - FC Porto (Directo) 04:45 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Especial Saúde 15:15 Um Lugar para Viver 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Grande Reportagem – SIC 17:45 Cantar Moniz Pereira 19:15 Sagrada Família – Quando o Juízo Não Tem Cabeça 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Maternidade 23:00 Verão Total: Especial “7 Maravilhas da Gastronomia” – Cacilhas (Almada) TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 09:00 CCTV News - Live 10:00 Market Update 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 CCTV News – Live 13:30 Market Update 14:00 Inside the Stock Exchange 14:03 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Sesame Street 17:00 Scooby-Doo! Mystery Incorporated 17:30 Timmy Time 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Green Challenge: Golfing World 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 The Amazing Race and Leading Brands of the World 21:30 Summer Fun: Wallace & Gromit in The Curse of the Were Rabbit 22:30 Marketplace 22:35 Summer Fun: Summer Fun: Wallace & Gromit in The Curse of the Were-Rabbit 23:20 The CEO Connection 23:25 World Market Update 23:30 News Roundup 23:45 Earth Live and Leading Brands of the World 23:50 Dolce Vita 00:20 America’s Next Top Model 01:15 State of Style 01:40 European Art at the MET 02:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 11:00 14:00 14:30 15:30
IAAF Grand Prix - Eaa Premium Meeting Total Rugby 2011 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Barcelona vs. AC Milan Mundialito De Clubes - Beach Soccer Flamengo vs. Boca Juniors
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SEXTA-FEIRA 26.8.2011 www.hojemacau.com.mo
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OPINIÃO
SEXTA-FEIRA 26.8.2011 www.hojemacau.com.mo
19 ed i t or i a l Carlos Morais José
A China surpreende-me. Não se trata já
daquela surpresa de quem contempla algo de bizarro mas, pelo contrário, o espanto de quem observa alguém já conhecido a praticar uma acção inesperada. E ainda mais quando essa acção se encontra revestida de uma inocência aparentemente deslocada. Estou a pensar nas recentes proibições de músicas estrangeiras, uma lista que inclui, entre outros, os Backstreet Boys e a Lady Gaga. Confesso que se estivéssemos perante um critério meramente estético talvez eu até concordasse com a proibição. Mas, num mundo onde o lixo cultural prolifera (e a China não é excepção), que sentido faz proibir um ou outro disparate se ao lado existe ainda outro e outro e outro de semelhante calibre? Sublinhei a palavra inocência porque não consigo encontrar outra explicação para explicar a atitude dos censores chineses. Os Backstreet Boys são uma banda de rapazes bem comportados, que falam de amores adolescentes. Em geral, os jovens começam a vomitá-los aos 15-16 anos. Já a Lady Gaga parece-me um Frankenstein contemporâneo, um pastiche de referências visuais, e essa faceta monstruosa torna-a atraente para as crianças. Como se sabe, as meninas e os meninos pelam-se por monstros. Ora por que razão embirraram com estas inocências? Só pode ter sido uma criancice dos censores. Trata-se, no entanto, de uma atitude que mancha o nome da China no contexto global e servirá de arma de arremesso no futuro próximo. Que necessidade tem este país de se expor deste modo à chacota internacional? O que adiantará realmente proibir umas cançõezecas de que ninguém se lembrará daqui a cinco anos? Existe mais conteúdo revolucionário em dois versos de “The times they are changing”, de Bob Dylan, que recentemente actuou na China, do que nas obras dos Boys e da Gaga juntos. Na verdade, este tipo de pop é extremamente conformista. Quando muito põe em questão, de forma levezinha, tabus morais e sexuais mas não tem realmente penetração nos cerebelos dos adolescentes porque esse também não é o seu objectivo. Trata-se, quando muito, de uma pseudo-irreverência (ajustada a certas fases do crescimento juvenil), ancorada num visual extravagante e que, ao fim ao cabo, conduz a um carneiral conformismo. Faz parte do circo e as actuações no Coliseu só deveriam preocupar os Césares quando começa a faltar o pão. Ao interditar estas músicas o governo chi-
GAUGIN, RAPARIGAS BAILANDO NA PONTE DE AVEN, 1888
A idade da inocência
nês dá, na minha opinião, mostra de inocência. É “um tiro no pé”, “querer tapar o sol com a peneira” ou com as peneiras de que tem poder para exercer a proibição. Estes descontrolos individualistas deveriam ser vigiados com cuidado. É o nosso humilde conselho ao Governo Central... ou não fosse melhor viver em terra de tigres do que num país sem liberdade (Confúcio). * Por falar em infantilidades. A RAEM vive ainda uma fase infantil da sua existência. Logo, todos os comportamentos absurdos que vamos detectando terão a ver com isso, com a tenra idade de uma sociedade que há bem pouco deu quase sozinha os seus primeiros passos. Daí que, amiúde, deparemos com trejeitos infantis. Daqui a trinta anos a saúde mental será outra: estaremos numa terra mais adulta, mais experiente, mais bem resolvida, sem me-
dos, talvez sem preconceitos e birras. Por aqui, somos grandes fãs do futuro ou não fossemos também inocentes, quiçá livres. * A liberdade é um belo conceito mas não pela sua simplicidade. O que se passa nas
Ao interditar estas músicas o governo chinês dá, na minha opinião, mostra de inocência. É “um tiro no pé”, “querer tapar o sol com a peneira” ou com as peneiras de que tem poder para exercer a proibição. Estes descontrolos individualistas deveriam ser vigiados com cuidado.
nossas vidas: posso realmente escolher ou devo-me limitar ao que me é apresentado como possível? Tenho liberdade para jogar mas tenho de me submeter às regras do jogos, ainda que as considere iníquas. Existirá outro tipo de liberdade? Que nos permita intervir na estrutura das coisas e não escolher unicamente no seu seio? Dificilmente. Sou livre porque é certo que digo o que quero ou será que digo o que digo o que quero na hora certa, sem disso me aperceber? Que tipo de sujeito somos nós? Seguimos valores herdados, elaborados hierarquicamente, com funcionalidades coniventes com as leis mais básicas do mercado. Este se encarregará – como o tem feito – de limar as arestas que não lhe convêm ou então absorvê-las na máquina trituradora do lucro até que qualquer qualidade se veja liminarmente reduzida a uma quantidade. Sou livre. Pois. Todos vivemos nesta brilhante idade da inocência.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
c a r t o on
ONDE PÁRA KHADAFI?
por Steff
SEXTA-FEIRA 26.8.2011 www.hojemacau.com.mo
LÍBIA REBELDES CERCAM CASAS EM TRIPOLI Um numeroso grupo de rebeldes cercou um bloco de apartamentos em Tripoli, perto do complexo fortificado de Bab al-Aziziyah, onde acreditam que Muammar Khadafi está escondido. De acordo com a Reuters, esta unidade acredita que ali se escondem o coronel e alguns dos seus filhos. “Eles estão juntos aqui. Estão escondidos num buraco. Hoje acabamos com isto. Hoje pomos-lhe um fim”, disse um dos rebeldes àquela agência noticiosa, mas sem explicar em que informações se sustenta. Na quarta-feira, as forças rebeldes líbias estiveram “muito perto” de capturar Muammar Khadafi, num raide a uma residência privada em Tripoli, uma das conhecidas “casas seguras” do já virtualmente deposto líder líbio. GOOGLE MULTAS POR ANÚNCIOS A REMÉDIOS ILEGAIS A Google aceitou pagar 500 milhões de dólares para resolver uma investigação criminal iniciada em 2009 por ter colocado no seu sistema anúncios sobre medicamentos de farmacêuticas canadianas cuja venda não estava autorizada nos EUA. De acordo com o Departamento de Justiça, que anunciou ontem este acordo, os anúncios, colocados no sistema AdWords da Google (uma das suas principais fontes de receitas), conduziram à importação de medicamentos ilegais para os Estados Unidos. O acordo alcançado permite à multinacional que detém o motor de busca mais popular do mundo evitar uma série de acusações criminais, nomeadamente por parte da FDA (Food and Drugs Administration). IKEA FUNDADOR TERÁ SIDO NAZI ACTIVO Uma investigação feita por uma jornalista da televisão sueca Sveriges revela que Ingvar Kamprad, fundador do Ikea, pertenceu a vários grupos nazis, incluindo o Partido Nacional-Socialista Alemão, e participou activamente nas suas actividades. Durante a juventude, Ingvar Kamprad, de 88 anos, terá tido um envolvimento com o nazismo maior do que o admitido antes. Elisabeth Asbrink, jornalista da televisão sueca, expõe sobretudo a ligação de Kamprad ao Partido Nacional-Socialista Alemão (NSDAP). No livro é revelada a sua participação activa nas actividades do partido, cuja principal função seria o recrutamento de novos membros.
TECNOLOGIA CARREGAR TELEMÓVEL A CAMINHAR Pesquisadores norteamericanos descobriram uma forma de transformar o movimento humano em electricidade, que pode ser utilizada para carregar vários aparelhos electrónicos, como ‘smartphones’, leitores de MP3 e computadores. Uma simples caminhada pode, em breve, ser suficiente para alimentar a bateria de um telemóvel. O mecanismo consiste em colocar um dispositivo, uma espécie de palmilha, dentro do calçado, que servirá para captar a energia de pequenas gotículas líquidas e convertê-la em correntes eléctricas.
Voleibol | China perde de novo e Japão não dá luta
Brasileiras a dominar Lia Coelho
lia.coelho@hojemacau.com.mo
A
selecção feminina brasileira de voleibol mostrou-se mais uma vez superior ao derrotar ontem a equipa nipónica por três sets a zero (25-17, 25-22 e 25-21), em apenas uma hora. A segunda rodada garante assim ao Brasil o apuramento antecipado às finais do torneio e coloca-o
no primeiro lugar do Grupo A. A disputar o primeiro lugar do pódio do Grupo B está a Sérvia, que ontem voltou a marcar pontos no jogo com a Rússia. De quatro sets, a equipa serva ganhou três, acabando o jogo com vantagem (25-20, 17-25, 21-25 e 21-25), num total de 95 pontos acumulados. As russas começaram a ganhar, mas perderam força nos três últimos tempos. No jogo mais longo, os Estados
Jogos para hoje 11h00
Itália vs Japão
13h30
Brasil vs EUA
17h00
Sérvia vs Tailândia
19h30
China vs Rússia
Unidos precisaram de 2h09 para derrotar a Itália. A equipa americana ganhou por 108 pontos contra os 101 italianos em cinco sets, em que os EUA começaram a dominar, deixando a vitória fugir na segunda parte. Num jogo equilibrado e de quatro empates, o quinto set resolveu a partida, dando a vitória à equipa das norte-americanas. Ao duelo entre China e Tailândia assistiram 2300 pessoas. O jogo contou com o maior número de pessoas nas bancadas, que assistiram à derrota da China por 3 sets a 1. Num jogo de uma hora e meia, a Tailândia entrou com o pé direito em campo e mostrou-se sempre em vantagem, a contrariar o último jogo com a Rússia. As tailandesas conseguiram acumular 94 pontos contra os 75 da equipa do chinesa.
RODOLFO ÁVILA SEGUE À FRENTE NA TAÇA PORSCHE
À conquista da Malásia Rodolfo Ávila regressa às corridas este fim-de-semana na Taça Porsche Carrera Ásia. A prova será no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia. O português foi no passado mês de Março o piloto mais rápido na pré-temporada e está à frente do troféu asiático da marca automóvel alemã. Com vitórias acumuladas, o desportista mostra-se confiante para o circuito de 5,6 quilómetros. Apesar da liderança, Rodolfo Ávila afirma que não se vai acomodar à situação e que o resultado final está longe de estar decidido até porque faltam ainda disputar cinco corridas. “Estar no primeiro lugar do campeonato é uma grande motivação para todos. Temos trabalhado no duro desde o ano passado, para sermos capazes de lutar pelo título”, sublinha o piloto de 24 anos. O português de Macau
sabe o desafio que o espera no circuito das proximidades de Kuala Lumpur. Para Ávila o facto de estar chegar à Malásia na frente da tabela de pontos não implica mais pressão. “Sepang é uma pista que conheço bem e temos uma boa afinaçãobase para o Porsche 997 GT3 Cup. Estou confiante em ter, desde início, um carro para lutar pelos lugares do pódio.” O piloto descreve o circuito como “fantástico, com curvas lentas e rápidas”, onde os pontos de travagem são decisivos. O mais difícil admite ser as temperaturas demasiado elevadas que se fazem sentir no cockpit. O evento tem início hoje, com os habituais treinos-livres, estando a única sessão de qualificação e a primeira manga marcadas amanhã. A segunda corrida está agendada para domingo à tarde.
PORTUGAL CRISE LEVA A ILEGALIDADES A lei é clara: arrendar uma casa que tenha crédito à habitação, é ilegal. Pelo menos se o banco não for avisado e não conceda autorização para outro fim que não o da habitação. Esta é uma situação cada vez mais comum e muito se deve às dificuldades económicas das famílias portuguesas. O cenário não poderia ser mais adverso: desemprego, aumento dos impostos, subida das taxas de juro e, consequentemente, a redução do poder de compra. Com o mercado imobiliário estagnado, vender uma casa, actualmente, pode demorar vários meses. Perante esta situação alguns portugueses com empréstimo à habitação estão a optar por arrendar a casa. Uma solução que, embora muitos possam não saber, é ilegal.
ÁUSTRIA VIOLAÇÕES A FILHAS DURANTE 41 ANOS A Áustria depara-se com mais um caso escabroso semelhante ao de Josef Fritzl. Desta vez, trata-se de um homem de 81 anos que manteve as duas filhas, doentes mentais, fechadas num pequeno quarto durante 41 anos. Ao longo das quatro décadas, o pai violou as filhas, que hoje têm 53 e 45 anos. A polícia austríaca afirmou que o homem violou as filhas repetidamente desde 1970 até Maio de 2011. As autoridades começaram a investigar o caso depois de uma reportagem no jornal austríaco Oberoesterreichische Nachrichten. O diário contava na sua peça que uma mulher tinha conseguido fugir do pai enquanto este t entava violar a irmã mais velha, que o deteve enquanto a mais nova escapava ao cenário de terror.