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Foi para muitos o ponto de viragem na relação entre o Governo e os cidadãos. Mais de 20 mil sairam à rua para protestar contra uma lei que garantia subvenções mensais para os titulares de altos cargos quando estes largassem as pastas. O Regime de Garantias continua na gaveta, um ano depois, sem data para regressar. reportagem páginas 2-3
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Manifestação contra o Regime de Garantias - um ano depois Foi o maior protesto desde a transferência de soberania, que mobilizou desde Ieng Hoi, de 24 anos, foi uma jovens a adultos: das participantes da manifestação. a manifestação Esta empregada de escritório ainda se lembra bem da experiência. contra o Regime Soube que o Regime de Garantias poderia oferecer milhões e milhões de Garantias, que de patacas para os ex-políticos e pensou tratar-se de “dinheiro a fez o Governo mais, para quem já tem salários recuar. Deputados, altos”. Decidiu juntar-se a duas amigas, que pela primeira vez académicos e participaram numa iniciativa deste residentes recordam género. “Ao princípio senti vergonha quando cheguei ao Tap Seac e um ore analisam um ganizador até me sugeriu que deixasprotesto sobre uma se de jogar no telemóvel e ajudasse a slogans num cartaz.” Mais lei que não tem data escrever tarde, a vergonha passaria e a jovem uma de muitos a empunhar um para regressar, mas seria dos muitos sinais onde se podia ler “Retirem a proposta” ou “Ali Baba que ainda merece e os 40 Ladrões”. a concordância “Estava um dia soalheiro, com muito calor”, relembra Ieng Hoi, de alguns. Muitos que não esquece o momento em que, apesar do suor, as pessoas são os que, agora, continuaram até aos Nam Van a apontam falhas gritar “Retirem a proposta!”, “Chui Sai On, saia!” ou “Os titulares dos não analisadas principais cargos estão loucos e querem corrupção”. antes e que “Pareceu um dia de exercício intenso porque suei muito, mas a pedem mudanças rádio macau
O protesto que serviu de
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dia de 25 de Maio de 2014 vai ficar na memória de muitos como o dia em que a população saiu à rua como nunca antes o tinha feito. O grupo Macau Consciência e a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) conseguiram atrair, através das redes sociais, cerca de 20 mil pessoas para as ruas. Números que diferem, com as autoridades a apontarem oito mil manifestantes. O rastilho para tão grande protesto, o maior desde 1999, foi o Regime de Garantias dos Titulares do Cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos. Uma lei que, à data, estava a ser analisada na Assembleia Legislativa (AL) e, caso fosse aprovada na especialidade, iria permitir que o titular do Chefe do Executivo pudesse receber uma subvenção mensal de 70% do salário que auferia no cargo, enquanto que os titulares dos restantes cargos poderiam receber 14% do salário. Compensações que seriam atribuídas antes da tomada de posse do cargo e depois da saída. Além da imunidade garantida ao Chefe do Executivo, caso este cometesse crimes enquanto no cargo.
diferença é que foi algo significativo, sobretudo quando soube que cerca de 20 mil pessoas estavam nas ruas, incluindo jovens como eu. Só por isso já valeu muito a pena”, contou ao HM. Ieng Hoi diz não esquecer a emoção que sentiu quando soube da decisão de última hora quanto à retirada da proposta de lei da AL. “Foi muito comovente e acho que todos os participantes sentiram isso, porque percebemos que fizemos sucesso e que íamos fazer parte da história de Macau.”
“Uma lição para o Governo”
Um ano depois, não há sequer um calendário para o regresso da proposta de lei. Chui Sai On já referiu, durante uma visita oficial
“Foi muito comovente e acho que todos os participantes sentiram isso, porque percebemos que fizemos sucesso e que íamos fazer parte da história de Macau” Ieng Hoi Empregada de escritório
Ao continente, que ainda não há condições para mexer no diploma e tirá-lo da gaveta. O HM contactou também o Gabinete da Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, que confirmou não existir um calendário para a proposta. E, caso regresse, será alvo de uma consulta pública antes, adiantou ainda. Mas, além da retirada da proposta, o que representa esta manifestação? Para o deputado José Pereira Coutinho, a manifestação de há um ano representou “uma lição para o Governo”. “O Governo achou que os residentes seriam sempre frágeis e obedientes, mas hoje em dia, com a facilidade de comunicação nas redes sociais, a sociedade já está muito diferente em relação há uns anos. Os 20 mil manifestantes alteraram a história e a manifestação foi um ponto de viragem: agora os residentes dão mais atenção às políticas do Executivo”, acrescentou o deputado. O também presidente da ATFPM, que co-organizou o protesto, assume ainda que “já não existem condições para que o Governo volte a apresentar a proposta”, justificando que, nos últimos 15 anos, os Secretários
não só fizeram mal o seu trabalho, como a sua responsabilização face aos erros não foi equacionada. “Como é podem existir condições para a obtenção de garantias após a cessação dos cargos? Será que os funcionários públicos têm garantias quando entram na reforma? Quase nenhumas. E a sua qualidade de vida diminui muito aquando da reforma, só podem sobreviver, pois não têm subsídios de antiguidade ou habitação. Prevejo que essa desigualdade possa levar as pessoas a saírem novamente para a rua, incluindo os funcionários públicos. E já este ano”, disse o deputado ao HM.
“Os 20 mil manifestantes alteraram a história e a manifestação foi um ponto de viragem: agora os residentes dão mais atenção às políticas do Executivo” Pereira Coutinho Deputado
Agnes Lam, docente de Comunicação da Universidade de Macau (UM) e ex-candidata a deputada, acredita que o Regime de Garantias se desviou do nível das mesmas relativamente aos funcionários públicos em geral. A ex-candidata às eleições legislativas defende que deve haver um sistema de garantias para os políticos que deixam os seus cargos e regressam ao sector privado, mas pede limites. “É mais justo assim e até pode ser um pouco melhor do que o regime de previdência em geral, porque há uma tendência para que estes titulares deixem os seus cargos quando ainda não estão numa idade avançada e não podem trabalhar em empresas privadas”, começa por explicar. “[Mas] o pagamento de uma subvenção mensal equivalente a 70% do salário [do Chefe do Executivo ou de um Secretário] é demais e é um valor assustador. Diz-se que a percentagem foi decidida de acordo com os níveis das empresas privadas, mas eles são funcionários públicos, com o objectivo de servir a sociedade, por isso não deve ser assim.”
Danos e influências
Para Agnes Lam, o Governo não explicou os objectivos do diploma,
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lição?
nem ouviu as opiniões da população. Se 20 mil pessoas foram necessárias para que o Governo apresente propostas com mais cautela? Sim, mas só um pouco. “Se tivermos como exemplo o projecto do edifício da Doca dos Pescadores, [o Executivo] nunca fez caso, em primeiro lugar, sobre a maioria das consultas públicas. Só posso dizer que depois desta experiência, o Governo deverá ter mais receio quando apresentar uma proposta, pensando mais na necessidade de consultas públicas. Mas o efeito prático [das manifestações] é limitado, sendo
“Só posso dizer que depois desta experiência, o Governo deverá ter mais receio quando apresentar uma proposta, pensando mais na necessidade de consultas públicas” Agnes Lam Docente de Comunicação da UM
que o seu maior feito foi apenas o de obrigar o Executivo retirar a proposta. Não funciona para uma melhor governação.” A ex-candidata diz inclusive que nem sequer houve uma boa recuperação da imagem do Governo face à população, após os protestos. “Alguém foi inapropriado na Administração? Houve alguma investigação sobre os problemas surgidos no Regime? Não vi nada sobre isso.” Ng Kuok Cheong foca-se nos manifestantes jovens, quando é questionado sobre a manifestação de 25 de Maio. O deputado da ala democrática considera que foram despertadas consciências e potencialidades nos mais novos. Mas, se isso se deve, diz, à educação mais aberta, a verdade é que influências exteriores também tiveram o seu peso. “Na altura, havia o movimento estudantil de Taiwan, Sunflower, os protestos contra a educação patriótica em Hong Kong e preparava-se ainda o movimento Occupy Central. Isso causou uma grande vontade aos jovens de Macau de apresentarem opiniões”, diz Ng Kuok Cheong, que acredita que os jovens só sem à rua “quando é mesmo necessário” ou quando influenciados pelas duas regiões vizinhas. “Como o Occupy Central falhou, os movimentos sociais de Macau estão em baixo.” Agnes Lam concorda também que o protesto contra o Regime de Garantias é “um caso muito especial, porque os jovens não se queixavam e aguentavam” o que lhes era oferecido.
Mudanças a meio
Enquanto 20 mil se manifestavam nas ruas, cerca de mil optaram por protestar a favor do Regime de Garantias. Tratou-se da Associação dos Conterrâneos de Kong Mun de Macau, que defendia uma lei “necessária e analisada em tempo oportuno”. “Caso não se ofereçam boas condições salariais, como é que se conseguem atrair talentos para o Governo e servir a sociedade?”, questionou, na altura, Leong Pak Chon, presidente da Associação. Um ano depois, o HM tentou contactar Zheng Anting, deputado directo à AL e vice-presidente desta Associação, o qual votou a favor do Regime de Garantias. Contudo, até ao fecho desta edição, o deputado disse estar ocupado, não tendo sido possível obter um comentário. Kwan Tsui Hang, deputada da Federação das Associações dos
Operários de Macau (FAOM) que também votou a favor, na generalidade, disse “entender” que os protestos olhem para os benefícios dos ex-políticos, tendo admitido contudo que a subvenção mensal de 70% era “alta demais”, recordando as análises feitas no seio da Comissão. “Quando o regime foi aprovado na generalidade, os critérios não eram assim. O pagamento de 14% era certo, porque não se poderiam oferecer garantias de reforma. Depois, durante a discussão na Comissão, o valor foi revisto para 30% e achei isso inaceitável. Mostrei-me contra e sempre achei que isso não era justo”, referiu ao HM. Apesar disso, acabou por se abster na votação da deliberação que pedia a retirada do regime, apresentada pelo deputado Ng Kuok Cheong.
“Acredito que o Governo aprendeu com esta experiência, serviu de alerta. Não deve dar sinais de imaturidade como antes” Kwan Tsui Hang Deputada
Kwan Tsui Hang acredita que, caso queira um regresso do Regime de Garantias, o Governo deve explicar bem os objectivos e promover uma discussão aberta para que todos aceitem a lei. “[O novo regime] deve abranger deveres e direitos e deve determinar claramente o que são garantias e quais as responsabilidades”, frisou. Gabriel Tong, deputado nomeado, e Song Pek Kei, directa, também votaram a favor. Gabriel Tong referiu ao HM que ninguém quis criar um regime para beneficiar só um grupo de pessoas”, defendendo, contudo, que se a sociedade considerou que as subvenções seriam altas demais, foi impossível que se teimasse em continuar com a aprovação da proposta. “Todos os regimes políticos e sociais necessitam de ser mais aperfeiçoados e devemos ter paciência, sem qualquer pressa”, defende. Já Song Pek Kei defende que a ausência de um regime ou regulamento de garantias para o Chefe do Executivo e Secretários pode “causar um problema”. Considera, contudo, que é preciso obter consenso e uma aceitação de todos para que o regime regresse. O deputado Ng Kuok Cheong defende que os titulares dos principais cargos deveriam participar no regime de previdência, fazendo
descontos mensais para o Fundo de Segurança Social (FSS), como todos os residentes. Caso não o possam fazer, o Governo deve disponibilizar subsídios, defende.
A questão da imunidade penal
O Regime de Garantias trouxe ainda outra questão polémica, ao referir que “o procedimento penal não é aplicável ao Chefe do Executivo durante o seu mandato”. Agnes Lam continua a dizer “não”. “É impossível ter a imunidade penal e tudo deve funcionar de acordo com os regulamentos da Função Pública. Caso o Chefe do Executivo viole a lei, então o crime será ainda mais grave”, apontou. Kwan Tsui Hang disse aceitar “todos os tipos de imunidade para o Chefe do Executivo, excepto a penal”. “De facto o regime não foi aplicado com muita clareza, e quando surgiram dúvidas, o Governo devia ter explicado. Mas na altura o ambiente que se vivia na sociedade não o permitiu”, referiu. Para a deputada da FAOM, a nova versão do Regime de Garantias deve ser precedido de uma consulta pública. “Acredito que o Governo aprendeu com esta experiência, serviu de alerta. Não deve dar sinais de imaturidade como antes”, concluiu. Flora Fong
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política
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Livros de Sou Ka Hou confiscados. Activista apresenta trechos e lança versão online
“Retirem a proposta, lembram-se?”
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presidente da Associação Novo Macau (ANM), Sou Ka Hou, organizou ontem uma acção de distribuição de panfletos e exposição de fotografias contidas no livro “Retirem a Proposta, lembram-se”, sobre a manifestação contra o Regime de Garantias. A decisão do também activista surge depois do livro, que deveria ter sido oficialmente apresentado ontem, ter sido alegadamente confiscado pelas autoridades chinesas. Vários trechos do livro foram também distribuídos aos jornalistas. Apesar das autoridades de Zhuhai já terem negado a apreensão do livro devido ao seu conteúdo, Sou Ka Hou mantém as acusações e diz que foi a empresa a quem foi encomendada a encadernação da obra, no continente, quem o alertou. “Aquilo que se passou é muito claro. Temos facturas, recibos e, mesmo em relação ao confisco do livro, tudo está numa declaração escrita, por parte da gráfica”, disse Sou à TDM. “Em todo o processo, a Alfândega do continente negou, mas temos os documentos que o provam. A gráfica está inocente.” O livro recorda a maior manifestação ocorrida em Macau desde 1999 e os momentos principais da apresentação da proposta de lei na Assembleia Legislativa (AL) e a sua retirada do hemiciclo. Ao HM, Sou Ka Hou, autor do livro, explicou que a obra é composta por quatro partes, sendo que a primeira parte compila artigos sobre a manifestação, incluindo comentários de deputados e académicos de Macau e Hong Kong. Há ainda entrevistas realizadas durante esse período a professores e participantes no protesto, incluindo funcionários públicos e trabalhadores do Jogo. “As histórias deles podem ajudar a construir as imagens da manifestação e revelar as sensações vividas um ano depois”, contou o presidente da ANM. Uma outra parte do livro traça uma perspectiva sobre o que poderemos esperar depois do Regime de Garantias, contendo ainda uma parte com opiniões a favor da proposta de lei, consideradas “ridículas” por Sou Ka Hou. São, na sua maioria, de membros do
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Os livros de Sou Ka Hou sobre a manifestação do Regime de Garantias terão sido apreendidos pelas autoridades da China devido “ao conteúdo sensível”. O activista, que ia apresentar o livro ontem, optou por distribuir gratuitamente trechos da obra, sendo que deverá ser feita uma nova impressão, para Junho, e ainda uma versão online
“Nunca pensei que o conteúdo do livro fosse sensível, porque o protesto contra o Regime de Garantias foi legal. A apreensão do livro é injusta. Se calhar tem a ver com o facto de se falar do Governo Central e do facto da introdução do livro ter sido escrita por Joshua Wong, um activista de Hong Kong. Não consigo pensar em mais razões para que os livros tenham sido apreendidos.”
Sem rasto
No passado sábado, as autoridades de Zhuhai confirmaram ao canal chinês da rádio que não descobriram qualquer apreensão de livros nos postos fronteiriços. Sou Ka Hou reiterou que o facto foi referido pela empresa de impressão, mas como a empresa não quis responder mais, e para a proteger, não foram dadas facturas ou outras provas de apreensão. Sou Ka Hou assegura que “os livros desapareceram”. Depois do Chefe do Executivo ter referido que este não é o momento ideal para a apresentação de uma nova proposta de lei, considerando que há questões mais urgentes por resolver, Sou Ka Hou duvida destas declarações. “No ano passado também não haveria mais propostas ou questões com mais urgência?”. “A única diferença é que no ano passado a maioria dos titulares dos principais cargos estavam prestes a deixar o Governo e por isso foi urgente. Este ano, os Secretários acabaram de tomar posse e não têm pressa em obter garantias”, concluiu o presidente da ANM.
“Nunca pensei que o conteúdo do livro fosse sensível, porque o protesto contra o Regime de Garantias foi legal. A apreensão do livro é injusta. Se calhar tem a ver com o facto de se falar do Governo Central e do facto da introdução do livro ter sido escrita por Joshua Wong, um activista de Hong Kong” Governo ou de deputados que votaram a favor do diploma. Ontem era a data apontada para a apresentação oficial do livro, por se celebrar um ano depois de ter ocorrido o protesto. Sou Ka Hou afirma ter recebido no dia 22 deste mês um aviso de uma fábrica de Macau, que referia que os mil exemplares seriam encadernados no interior da China, devido à falta de mão-de-obra e de tecnologia para o efeito.
Sou Ka Hou conta que estes foram, então, depois apreendidos por um oficial da alfândega devido ao seu “conteúdo sensível”, quando o transporte estava a ser efectuado pela fronteira. Depois deste episódio, Sou Ka Hou pondera mandar imprimir os livros em Hong Kong, com data de lançamento prevista para Junho. Há ainda a hipótese de publicação da obra online.
Sou Ka Hou Presidente da Associação Novo Macau
Segundo o colega da Associação e também activista Jason Chao são mil as cópias confiscadas, que têm um valor estimado em 30 mil patacas e que são parte de um contentor avaliado em cem mil patacas, “totalmente apreendido pelas autoridades”. Flora Fong
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odas as empresas da área da construção civil que estejam registadas podem continuar a concorrer a concursos públicos, mesmo no caso de terem falhado em obras anteriores deste tipo. Isso mesmo confirmou o director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng, à deputada Ella Lei. Numa resposta escrita a uma interpelação de Lei, onde a deputada questionava o Governo sobre a eventual criação de medidas para que se evitassem atrasos respeitantes a obras e outros problemas que se registam em Macau, Li Canfeng não mostrou intenções de alterar qualquer política actual. O responsável afirmou que o organismo mantém o princípio da justiça quando cria concursos para obras públicas, pelo que, até no caso de empresas responsáveis por projectos onde já aconteceram problemas de prorrogação ou qualidade se candidatarem a outras obras, o organismo aceita-as. Esta aceitação só está, portanto, dependente de uma eventual condenação em tribunal da empresa. Só depois de ser alvo de uma pena acessória de impedimento é que a empresa não pode entrar em concursos públicos. “Os concursos públicos são elaborados uma comissão de apreciação de propostas e os critérios incluem quatro partes: 60% do preço do projecto, 10% do plano de trabalho, 18% da experiência e qualidade de obras, enquanto 12% de honestidade”, referiu Li Canfeng na resposta. Ella Lei queria saber se problemas causados pelas empresas integravam a avaliação da companhia, como por exemplo a contratação de trabalhadores ilegais, entre outros. “Ao longo dos anos, registaram-se problemas no âmbito das obras
Obras Públicas Empresas que falham podem continuar a concorrer
Até que o tribunal as separe tiago alcântara
A DSSOPT não mostra intenções de alterar a forma como é feita a avaliação às empresas responsáveis por obras públicas, mantendo que a decisão de não lhes permitir que estejam novamente à frente dos destinos das obras do Governo é do tribunal
públicas, nomeadamente atrasos graves, excesso de despesas, falta de garantia de qualidade, etc, mas o Governo não adopta medidas efectivas de melhoria”, aponta a deputada.
Da seriedade
Li Canfeng assegura que o capítulo “honestidade” inclui o registo de trabalhadores ilegais, mas quanto ao resto não há qualquer avaliação. Algo que tem vindo a ser contestado por muitos deputados. O director defendeu que os critérios de avaliação e apreciação estão expressamente escritos na proposta de concursos e diz que, segundo os respectivos regula-
mentos, se as companhias forem condenados com pena acessória, ou seja, a supressão de direito de participação em concurso de obras públicas, é que a autoridade não aceita a sua candidatura. Caos contrário, afirmou, “todas as unidades
do sector da construção têm direito em participar nos concursos.” Exemplo disso mesmo é a Sociedade de Investimentos e Fomento Imobiliário Chon Tit. A empresa precisou apenas de provar que não estava impedida pelo tribunal de
“Os concursos públicos são elaborados uma comissão de apreciação de propostas e os critérios incluem quatro partes: 60% do preço do projecto, 10% do plano de trabalho, 18% da experiência e qualidade de obras, enquanto 12% de honestidade” Li Canfeng Director da DSSOPT
participar em concursos públicos para voltar a concorrer à gestão da Ponte de Sai Van. Recorde-se que o tribunal deu como provado, em 2008, que a gestão da Ponte de Sai Van por esta empresa foi conseguida em troca de subornos pagos ao ex-Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Ao Man Long, Esta empresa é também a responsável pelas obras do Parque Central da Taipa, estando ainda, de acordo com a imprensa local, envolvida nas obras do metro da Taipa. Joana Freitas
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Flora Fong
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Susana Chou critica “altos cargos arrogantes, AL impotente e falta de eficiência”
Gasta-se dinheiro para quê?
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usana Chou voltou a criticar o Governo no seu blogue, apontando o dedo ao que diz ser falta de consciência sobre o risco. A ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) acusa ainda o Executivo de não ter conseguido aproveitar bem a situação financeira estável para promover a diversificação económica.
Chou diz que “parte dos titulares de cargos principais fez o que quis, sem ouvirem sequer opiniões úteis”, além de que, avança, “gastaram milhões e milhões do cofre público”, ainda que “a eficiência de trabalhos tenha diminuído”. A ex-presidente da AL diz também que o hemiciclo se tem mostrado cada vez mais “impotente”, tal como, aliás, acontecia no seu tempo. “Embora existam opiniões e criticas públicas em relação a erros cometidos por funcionários ou gastos de dinheiro público ‘à vontade’, como a AL não tem ferramentas para supervisionar a governação, já me sentia impotente quando era presidente e durante os dez anos [que ocupei o cargo]”.
Falta de capacidade
Mas a mensagem é também dirigida a quem já ocupou as cinco secretarias. “Nos 15 anos que passaram surgiram falhas na governação, que causaram grandes
impactos negativos na sociedade e uma das maiores razões foi a de que os titulares dos cargos principais não desempenharam como deviam as suas funções ou trabalharam mal”, aponta. Chou acrescenta que uma parte desses titulares tem baixas capacidades e nem sequer mostrava boa qualidade profissional, ou experiência na governação. No entanto, diz, quando tiveram autoridade nas suas mãos, “eles fizeram o que quiseram, não ouviram opiniões úteis, só gostavam de funcionários que os lisonjeavam, ainda que não tivessem capacidades, nem soubessem o que a população em geral quer”. Quanto às obras públicas, a ex-presidente da AL criticou que as despesas públicas tenham aumentado muito nestes 15 anos, ao passo que a eficiência de trabalho não só não aumentou de forma adequada, diz, mas “pelo contrário, diminuiu”. F.F.
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hoje macau terรงa-feira 26.5.2015
SOCIEDADE
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Hospital das Ilhas pode não entrar em funcionamento no prazo estipulado pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, mas a confirmação só chegará em Agosto. A justificação, que é dada pelo director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, reside no facto deste complexo vir a ser, afinal, maior do que o previsto. “Foi considerado aumentar consideravelmente os espaços do Complexo de Cuidados de Saúde. (...) Eventualmente será necessário estender o prazo da construção de obra”, confirmam os SS num comunicado da passada sexta-feira. O prazo a que se refere o responsável diz respeito à primeira fase, que iria ficar concluída em 2017, sendo que está previsto o complexo abrir completamente em 2019.
Saúde Hospital das Ilhas maior mas não deve abrir em 2017
Com mais delongas
“Novos ajustamentos” é a justificação dos responsáveis da saúde para o atraso do novo hospital. O novo prazo só deverá ser conhecido em Agosto
“Foi considerado aumentar consideravelmente os espaços do Complexo de Cuidados de Saúde. (...) Eventualmente será necessário estender o prazo da construção de obra” Comunicado dos SS
A confirmação no atraso da inauguração do hospital só deve chegar daqui a três meses, quando o projecto estiver completamente concluído. “Estamos ainda a melhorar o projecto arquitectónico e esse plano deverá estar pronto em Agosto”, disse Lei, durante a sua participação no programa Fórum Macau, do canal chinês da TDM. “Vamos tentar [que esteja pronto dentro das datas previstas], mas podemos precisar de mais tempo
Médicos Concurso para clínicos gerais só abre em Junho O processo de contratação de médicos de clínica geral só deve começar no início do próximo mês. “O concurso de clínicos gerais exige que os candidatos concluam um curso, para depois apresentar a candidatura. Por isso, este concurso vai ser aberto
mais tarde”, anunciou o director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion, à Rádio Macau. O mesmo responsável acrescentou que os SS têm verificado “um grande aperfeiçoamento nos serviços médicos e noutros serviços” de saúde.
devido a ajustamentos”, acrescentou o director dos SS. Lei Chin Ion referia-se à decisão de aumentar o espaço do novo complexo hospitalar. Espera-se um aumento de 30% do número de camas de internamento, de 50% de blocos cirúrgicos e 100% do número de camas disponíveis para a quimioterapia no Centro de Terapia Oncológica.
De fora para trabalhar
Além disso, o subdirector dos SS, Kuok Cheong U, assegurou que a contratação de novos funcionários dos serviços está já a decorrer. Findo este processo, o responsável estima que 70% do total de recursos humanos requisitados sejam funcionários de saúde. Das quase 530 contratações previstas, grande parte são médicos, farmacêuticos e técnicos superiores de saúde para os 20 concursos públicos que vão abrir. Macau vai receber 24 médicos, dos quais 19 são especialistas. Nove destes vêm do continente, quatro de Portugal, cinco são locais e um é originário dos EUA. Os SS publicaram ainda dados sobre o número de sugestões e queixas deixadas pelos utentes dos serviços locais de saúde, totalizando mais de 290 reclamações. A esmagadora maioria dizia respeito a “comportamentos no atendimento, procedimentos clínicos, taxas e justificações”, não estando relacionadas com conflitos médicos. Apenas 10% destas se referiam a incidentes médicos. Já no que diz respeito à resolução de litígios médicos, os SS lembram que os cidadãos lesados terão oportunidade de requerer indemnizações caso lhes seja dada razão num processo tratado pelo Centro de Avaliação das Queixas relativas a Actividades de Prestação de Cuidados de Saúde. Foi até mesmo já estabelecido um protótipo de audiência médica, ou seja, de um processo que serve para investigar e analisar casos internos “efectuados por especialistas”. Leonor Sá Machado
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Fórum Macau Integração da Guiné Equatorial em estudo
Operadoras não pediram mais mesas
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Guiné Equatorial quer juntar-se ao Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, estando essa intenção actualmente a ser estudada pelos países integrantes do Fórum. A informação, avançada na edição de sexta-feira do jornal Macau Daily Times citando uma “fonte diplomática”, foi confirmada pela agência Lusa. O diário em língua inglesa diz ainda que a formalização da entrada da Guiné Equatorial deverá acontecer no terceiro trimestre deste ano, quando for realizada a próxima conferência ministerial, em Macau.
Contactado pela Lusa, o cônsul-geral em Macau e representante de Portugal no Fórum Macau, Vítor Sereno, não quis comentar. Não foi também possível obter uma confirmação junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em Julho de 2014, a Guiné Equatorial integrou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como membro de pleno direito. Na altura, os membros da CPLP reiteraram o apoio às autoridades no cumprimento dos estatutos, nomeadamente quanto à “adopção da moratória da pena de morte, até à sua abolição”. A decisão foi amplamente criticada pelas organizações de
defesa dos direitos humanos, designadamente a Human Rights Watch (HRW). “Este é mais um exemplo dos esforços do presidente Obiang [Nguema] para obter reconhecimento na cena internacional fazendo promessas de direitos humanos que nunca cumpre”, comentou na altura Lisa Misol, investigadora da HRW à agência Lusa. Ao aceitar a adesão da Guiné Equatorial, acrescentou, “os líderes dos países de língua portuguesa estão a correr um enorme risco” e sugere que seja imposta uma “avaliação independente” do regime em termos de direitos humanos. LUSA/HM
Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, confirmou que o Governo “não recebeu nenhum pedido das outras operadoras de Jogo em relação ao aumento do número de mesas”, numa altura em que a Galaxy acaba de ver atribuídas 150 mesas. Em comunicado, Lionel Leong referiu que “o número de mesas de Jogo adicionadas não ultrapassa o limite determinado pelo Governo, pelo que a operadora pode ajustar as mesas de Jogo conforme a situação real de funcionamento”. Lionel Leong considerou ainda que o novo hotel
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da operadora, como integra PME locais, vem “enriquecer” os factores turísticos do território. Segundo o mesmo comunicado, o Secretário da tutela afirma que o Executivo “tem trabalhado para que se consiga uma redução dos preços dos produtos”, tendo garantido que a taxa de inflação, incluindo os preços dos legumes, baixaram. O responsável garantiu ainda “continuar atento à mudança dos preços influenciados pelo ajustamento do lucro bruto do sector de jogo, a fim de iniciar os trabalhos de controlo dos mesmos e de reduzir os encargos da população”.
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TNR Lionel Leong quer limitar tempo de permanência
Horas contadas
Permitir que os TNR da área da construção civil estejam presentes até à conclusão das obras é o que Lionel Leong quer. Nem mais, nem menos. A limitação, diz o Secretário, tem cariz social. Assim, os TNR “não serão uma má influência para a sociedade” e não podem entrar em situações de ilegalidade. As declarações acontecem depois de manifestações de trabalhadores do estaleiro de obras do Parisian, que dizem ter sido despedidos sem justa causa GCS
ionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, afirmou que pretende limitar o tempo de permanência dos trabalhadores não residentes (TNR), no território, pelo menos nos que aos da construção civil diz respeito. A ideia é que estes tenham de sair de Macau um mês depois das obras onde trabalham terminarem. “Imaginando que dávamos autorização de permanência por um ano, mas não sabemos quando é que o projecto vai ficar concluído. Se ficasse concluído em três meses, sobravam nove meses de permanência em Macau. Há a possibilidade de não saírem logo do território, podendo causar alguma má influência à sociedade”, disse o Secretário à TDM. Isto, diz Lionel Leong, “não pode acontecer”. “Se soubermos que o projecto vai ficar concluído em três meses não renovamos automaticamente a permanência todos os anos. Eu não o farei”, garantiu, sublinhando que apenas dará “autorização para três meses e com um período máximo de um mês para resolver as questões salariais e todos os procedimentos necessários para a conclusão do contrato”.
Protestos na Sands
As declarações aconteceram depois de um fim-de-semana marcado pelos protestos de TNR da obra do Parisian, do grupo Sands China, no Cotai. Em causa estão mais de 200 trabalhadores que alegam terem sido despedidos sem aviso prévio e sem justa causa pela empresa de engenharia Hsin Chong, de Hong Kong. “Reivindicamos justiça e o dinheiro. Despediram-me sem razão. Não me deram compensação”, avançou ao canal televisivo um dos trabalhadores. Segundo os protestantes apenas lhes foram pagos 15 dias de compensação quando o suposto são 30 dias. “Foi só isso que pagaram”, rematou o funcionário.
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HELDON Adelson vai mesmo ser julgado no Nevada sobre o caso que o opõe ao ex-director da Sands China, Steve Jacobs. As acusações de que o magnata teria corrompido oficiais de Pequim, entre outras, vão ser ouvidas nos EUA, de acordo com a imprensa norte-americana. O caso começou com o que Jacobs diz ter sido um
“Se soubermos que o projecto vai ficar concluído em três meses não renovamos automaticamente a permanência todos os anos. Eu não o farei” Lionel Leong Secretário para a Economia e Finanças
Em frente ao Gabinete de Ligação Central, na sexta-feira e no sábado, estiveram cerca de 60 TNR. Para Lionel Leong, independentemente do motivo dos TNR terem sido demitidos, “a entidade patronal necessita de efectuar as indemnizações de acordo com a lei”. De acordo com um comunicado à imprensa, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), explica que, juntamente com o Gabinete para os Recursos Humanos (GRH), tem “efectuado uma promoção de leis”, assumindo que estes trabalhos têm que ser reforçados, “para que os TNR possam obter da melhor forma informações e proteger os seus direitos”. Lionel Leong reforçou ainda a necessidade de aperfeiçoar e “concretizar o mecanismo de substituição” destes trabalhadores, sendo que é necessário que o Governo comece os “trabalhos trans-departamentais” e certificar-se que a DSAL e o GRH mantêm uma comunicação estreita, inclusive com os serviços que estão sob tutela do Secretário para
Sands China Sheldon Adelson vai ser julgado no Nevada despedimento sem justa causa da direcção da Sands China. O ex-responsável meteu Adelson em tribunal, acusando-o não só do facto, mas também de ligações a tríades, de permitir a prostituição nos seus casinos e de corrupção. Envolvido no caso, está também o nome de
Leonel Alves, que Jacobs diz ter sido o meio de pagamento a Pequim para a obtenção da licença de jogo da operadora. Ainda que os advogados de Sheldon Adelson preferissem o julgamento em Macau, uma vez que os factos se reportam a acusações locais, o tribunal norte-americano teve
outro entendimento, considerando que reunia capacidades de julgar a questão. Segundo a imprensa dos EUA, a decisão da juíza aconteceu depois dos advogados de Adelson terem dito que o milionário teria muita influência na supervisão dos seus casinos a partir de Las Vegas.
os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, de forma a evitar estes casos. O director da DSAL, Wong Chi Hong, explicou que hoje irá mediar a reunião entre os TNR despedidos e a empresa responsável pelo seu despedimentos. “Os trabalhadores vieram até à DSAL apresentar queixa e o nosso pessoal esclareceu-os, explicando que em caso de despedimento têm de ter compensados, contando com prazo do termo do contrato é um mês e três dias. Alguns não estão satisfeitos com este cálculo. Mais tarde voltámos a contactá-los e [hoje] vamos mais uma vez falar com os trabalhadores, o empregador e os membros da agência de emprego para negociar como vai ser resolvido o procedimento para que os trabalhadores deixem as suas funções”, adiantou em declarações à Rádio Macau, sublinhando que deseja que a entidade patronal em causa pague as indemnizações em questão.
Contudo, o tempo teve um papel importante: há anos que o processo está na justiça, pelo que a juíza Eli-
Filipa Araújo
Filipa.araujo@hojemacau.com.mo
Salários a baixar no mundo do Jogo A DSAL avançou ainda, à rádio Macau, que tem recebido várias queixas dos trabalhadores dos casinos por causa de supostas reduções nos salários. Apesar de não avançar qualquer número, o director explica que já se conseguiram atingir alguns entendimentos. “Em termos de redução salarial ou de condições de trabalho, os empregadores e empregados têm de assinar um acordo e depois apresentá-lo à DSAL num prazo de dez dias para ter efeito”, explicou Wong Chi Hong, salientando que, assim, “não é necessário iniciar qualquer processo”.
zabeth Gonzalez considera que se perderiam muitos recursos se o processo fosse transferido para outra jurisdição. A decisão é tida, para a imprensa norte-americana, como algo que vai levantar muitas questões difíceis de responder por Adelson. A Las Vegas Sands deverá interpor recurso da decisão de Gonzalez. J.F.
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O
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Luís Amorim “Processo completamente perdido” em primeira instância
Ainda não vai ser desta
na roupa, conclui-se, deveram-se à prestação de assistência médica.
tiago alcântara
processo por negligência na investigação da morte de Luís Amorim, o jovem português de 17 anos encontrado sem vida em 2007, está “totalmente perdido” na Primeira Instância, anunciou a semana passada o advogado dos pais. Isto, porque o Tribunal Administrativo deu como não provada a maioria dos factos, o que levou o advogado Pedro Redinha a afirmar que pouco há para argumentar em matéria de Direito, estando o caso perdido. Promete, no entanto, um recurso para a Segunda Instância. “A causa em Primeira Instância está totalmente perdida mas vamos recolocar as questões na Segunda Instância”, disse o advogado, após o tribunal ter apresentado as suas decisões quanto às matérias de facto. A morte de Luís Amorim, em Setembro de 2007, esteve desde o início envolta em controvérsia. O jovem foi encontrado de madrugada debaixo da ponte Nobre de Carvalho apresentando lesões graves. As autoridades concluíram que se tratou de um suicídio, mas os pais sempre negaram essa possibilidade e suspeitam que o filho tenha sido vítima de homicídio. Em 2010, a família pediu uma segunda autópsia, por exumação do corpo, em Portugal, que concluiu que as lesões do jovem eram
Crença e surpresa
compatíveis com uma agressão, ao contrário das autoridades de Macau que as consideram indiciadoras de queda. Testemunhas do Instituto
de Medicina Legal de Portugal indicam que o jovem foi agredido, mas o tribunal entendeu que Luís Amorim não foi encontrado morto,
“A causa em Primeira Instância está totalmente perdida mas vamos recolocar as questões na Segunda Instância” Pedro Redinha Advogado da família de Luís Amorim
que o caso não foi rotulado de suicídio pelas autoridades de Macau e que as investigações não foram orientadas por esse pressuposto, nem condicionadas por ele, como alegava a defesa da família do jovem português. Segundo a Rádio Macau, sobre as lesões no corpo do menor, o tribunal entendeu que resultaram de uma queda de sítio elevado. Quanto à ausência de botões e os rasgões
O advogado diz manter a confiança na independência dos tribunais de Macau, mas admite ter ficado surpreendido com este desfecho por considerar ter “extensamente provados os factos imputados às autoridades”, escreve a Lusa. O processo ainda não chegou ao fim, faltando agora as alegações sobre matéria de Direito, mas ainda não se sabe quando é a sentença, que deverá “demorar alguns meses”. Pedro Redinha disse aos jornalistas que, nos oito anos em que trabalhou no caso, apenas recebeu cem patacas da família Amorim e adiantou que a família nunca teve intenções de ficar com “uma pataca” da eventual indemnização que viesse a receber, como avança a rádio Macau. Para o advogado, as conclusões do tribunal são sinónimo de que “que podemos continuar a morrer confiadamente em Macau”. “O que quero dizer com isto é que é preferível ir morrer noutro sítio”, lamentou. HM/LUSA
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MAM “De Lorient ao Oriente” inaugurada sexta-feira
Viagem a todos os portos É já esta sexta-feira que o Instituto Cultural (IC) inaugura mais uma exposição no Museu de Arte de Macau (MAM), intitulada “De Lorient ao Oriente – Cidades Portuárias da China e da França na Rota Marítima da Seda do Século XVIII”. A exposição estará patente até 30 de Agosto e insere-se no programa do XXVI Festival de Artes de Macau, bem como do festival Le French May. A mostra contará com peças do MAM e de vários museus de França, cedidas a título de empréstimo. “As peças, que incluem têxteis,
peças de vestuário, pinturas a óleo, gravuras, porcelanas e moldes, vão dar a conhecer a história do desenvolvimento de Lorient e da Rota Marítima da Seda entre a China e a França”. No sábado, dia 30, serão apresentadas duas palestras, que contarão com a presença de Brigitte Nicolas, directora do Museu da Companhia das Índias de Lorient (Musée de la Compagnie des Indes de Lorient, em francês), que irá falar sobre a “Companhia Francesa das Índias Orientais e o Comércio com a China”. O debate contará também com
a presença de Esclarmonde Monteil, directora do Musée de la Toile de Jouy, que irá falar sobre “O Padrão Chinês em Toile de Jouy’.
Intercâmbio cultural
Lorient é um porto situado na costa atlântica do noroeste da França. Durante o século XVI e XVII, têxteis e porcelanas eram exportadas para a Europa em grande quantidades e no século XVII, o rei Luís XIV da França criou a Companhia Francesa das Índias Orientais para reforçar a capacidade competitiva da França perante outros países europeus no mercado do comércio. O desempenho da Companhia Francesa das Índias Orientais foi decepcionante antes de 1713, data a partir da qual a companhia deu uma reviravolta e começou a desenvolver-se rapidamente. As suas rotas comerciais chegaram a estender-se até às principais cidades costeiras chinesas que exportavam seda, chá e porcelana. A prosperidade do comércio marítimo euro-asiático resultou numa forte influência mútua entre o oriente e o ocidente em termos de cultura, arte, religião e da vida. Ao mesmo tempo a Chinoiserie tornou-se popular na Europa, influenciando em muito a arte francesa e os produtos diários, que se tornaram produtos do intercâmbio cultural entre o oriente e o ocidente.
‘Who Cares’ é o nome da próxima exposição do Armazém do Boi, que apresenta um conjunto de obras de artistas locais sobre os problemas sociais da Macau actual. Aberta ao pública até 28 de Julho, a mostra representa uma sátira à sociedade local
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o próximo sábado, às 16h00, o Armazém do Boi estreia-se com uma mostra peculiar: uma sátira aos problemas sociais mais emergentes da sociedade revisitados por artistas locais. Com recurso à fotografia, artes performativas, pintura, instalações e outros métodos de representação artística, 20 criadores fazem uso do seu talento para transpor aquilo que consideram ser as mais importantes questões sociais de Macau e que incluem referências ao trabalho desempenhado por TNR e paisagens da cidade. “Enquanto membros da sociedade, os artistas têm a responsabilidade e o dever de cuidar desta”, refere a organização em comunicado. A mostra, patrocinada pelo Instituto pelos Assuntos Cívicos e Municipais, encontra-se em exposição desde o dia 30 deste mês até 28 de Julho e tem entrada livre. Entre os artistas convidados estão Penny Kuan, Ha Tin Cheong, Au Chon Hin, Lao Chon Hong,
Entre os artistas convidados estão Penny Kuan, Ha Tin Cheong, Au Chon Hin, Lao Chon Hong, Eric Fok, Simon Leung e Ao Ieong Weng Fong
À venda na Livraria Portuguesa O Luto de Elias Gro • João Tordo
Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais. “O Luto de Elias Gro” é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso.
O Enigma de Sagres • Jorge M. Fazenda
Armazém do Boi A
Uma
Eric Fok, Simon Leung e Ao Ieong Weng Fong.
Irrespirável e intransitável
Para esta exposição, uma das convidadas, Catherine Wa, criou uma peça de vídeo intitulada “Preocupa-te com o lixo”, que alude ao facto da cidade estar cada vez mais poluída. A ideia passa por sensibilizar os visitantes para este problema, através da imagem de alguém a atirar lixo ao espectador. “O visitante poderá entrar em pânico e agir de forma impulsiva”, refere a autora do projecto no comunicado. Trata-se de uma alusão, na sua perspectiva, àquilo que diariamente acontece nas ruas desta cidade. Catherine licenciou-se no Instituto Politécnico de Macau em Design Gráfico, tendo frequentado um curso de Artes Visuais na província francesa de Toulon. Já Van Pou Lon descreve-se como “uma pessoa que se parece com um panda” pelo facto de na sua obra – feita a partir de vários materiais – comparar a partida “inesperada” do panda gigante de Coloane com a forma como o Governo trata a sociedade. Já Ieong Weng Fong preferiu focar-se numa instalação de vídeo que representa um programa fictício e inovador, criado com o objectivo de trazer paz e segurança aos residentes locais, afastando-se de problemas como o trânsito ou a falta de habitação. ‘Janela 2.0’ apresenta-se como um produto que custa 109,7 mil
patacas, mas que pode ter um desconto de 43% para residentes permanentes. O ‘Homem fácil de esquecer’ apresenta assim um projecto
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
Vencedor do concurso literário Book.it Sagres, 1940 Eduardo retirou-se da marinha. Vive agora em Sagres, é lá que refaz a vida, como guardião do farol. A Europa está em guerra, mas Portugal insiste em ser neutral. E, naquele canto do mundo, nada parece importunar a sua paz… Até ao dia em que, mesmo à frente dos seus olhos, ao largo do Forte de Beliche, vê a torre negra de um submarino. E, pintada no metal, inequívoca, a cruz suástica dos nazis. Na Marinha todos tentam abafar o caso. Mas Eduardo é tão teimoso como desconfiado. Suspeita que talvez Salazar esteja a fazer um jogo duplo, e a trair a aliança histórica com os ingleses. E decide investigar, mesmo correndo o risco de pôr em perigo a mulher que ama…
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Artistas locais denunciam problemas sociais
a sátira para todos
Paulo de Senna Fernandes na direcção do “World Fashion Council”
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presidente da Associação de Moda de Macau, Paulo de Senna Fernandes, acaba de ser convidado para integrar a direcção do “World Fashion Council”, da World Fashion Organization (WFO). Segundo Paulo de Senna Fernandes, já há planos para desenvolver a indústria e o estilista pretende “trazer as melhores coisas para Macau”. “A WFO poderá certificar oficialmente as lojas de moda e empresas que estejam qualificados pela WFO. Vou exigir à WFO para se deslocar a Macau para que se possam desenvolver neste belo território hotéis, centros comerciais, um museu e uma universidade ligadas ao mundo da moda, porque penso que Macau poderia ser uma Macau Fashion City”, por forma a atrair mais turistas, diz. Segundo o estilista, as futuras parcerias entre o território e a WFO deverão ser estudadas, por se tratar de um exemplo de transformação urbana por via da moda. “Acredito que é um exemplo que deve ser analisado
porque a indústria da moda poderia vir a ultrapassar a indústria do jogo. Poderíamos transformar Macau numa Fashion City para atrair mais turistas e também para captar o interesse do público”, considerou. Paulo de Senna Fernandes pede, por isso, apoio das entidades oficiais, como é o caso do Governo Central e do Governo de Macau. “Espero que venha a ser um dos membros do Conselho das Indústrias Culturais para que consiga mostrar as minhas ideias, pois acho que é o momento certo para avançar com os meus projectos”, disse ainda.
Moda Louis Vuitton premeia dupla de estilistas portugueses
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totalmente novo e fictício, cuja publicidade é mais um mecanismo de sátira social do que uma estratégia de marketing para vender.
“Após dez anos de pesquisa, a nossa empresa lança a Janela 2.0, o produto doméstico mais na moda e que fornece as melhores soluções cénicas
e para colmatar problemas como a poluição do ar e dos transportes, a poluição sonora e das construções, para que toda a gente possa apreciar
Música Violinista Sara Chang em Macau em Julho
A violinista Sarah Chang irá marcar presença no Concerto de Encerramento da Temporada 2014-2015 da Orquestra de Macau. O momento acontece no dia 26 de Julho, pela 22h00 no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), sendo que já é possível comprar os bilhetes. Sarah Chang vai actuar a solo, num programa que inclui o “Concerto para Violino e Orquestra em Ré menor, Op. 47” do compositor finlandês Jean Sibelius. “Este concerto celebra o 150.º aniversário do nascimento de Jean Sibelius, pelo que a Orquestra de Macau irá interpretar ainda as suas obras Finlândia, Op. 26 e a Sinfonia N.º 5 em Mi bemol Maior, Op. 82”, explica em comunicado o CCM. Foi em 2010 que Sarah Chang subiu aos palcos de Macau pela primeira vez, sendo que já é um costume cooperar com orquestras e maestros de todo o mundo.
um ambiente refrescantes no lar”, explica Ieong na sua nota de apresentação. O artista tem um vasto repertório na área da Fotografia e do Cinema.
dupla de estilistas portugueses Marques’Almeida acaba de conquistar o prestigiado LVMH Prize, prémio internacional no valor de 300 mil euros atribuído, anualmente, a jovens ‘designers’ de moda pela Fundação Louis Vuitton. A vitória foi anunciada na última sexta-feira durante uma cerimónia que decorreu na capital francesa, Paris, tendo a escolha dos vencedores ficado a cargo de um júri recheado de “estrelas” do mundo da alta costura como Karl Lagerfeld, Marc Jacobs, Raf Simons ou Nicholas Ghesquière. “[O júri] escolheu uma marca que se destaca pela muita criatividade e por um produto que vende”, afirmou Delphine Arnaud, responsável executiva do LMVH Prize e filha de Bernard Arnaud, o principal nome por detrás do grupo Louis Vuitton, acrescentando que este é “o melhor painel de jurados do mundo”. Para Marta Marques, de 28 anos, e Paulo Almeida,
de 29, portugueses que se mudaram para Londres, em Inglaterra, onde, em 2011, lançaram a sua primeira colecção, esta conquista é “um ponto de viragem” nas suas carreiras. “É uma enorme honra [sermos distinguidos] por este painel de jurados”, admitiu Marta Marques por ocasião da entrega do prémio. “Estas são as pessoas que sempre nos inspiraram e é muito especial saber que nos escolheram”, confessou a jovem estilista portuguesa, citada pelo jornal norte-americano Wall Street Journal. Além do prémio no valor de 300.000 euros, a dupla Marques’Almeida, escolhida entre oito finalistas de todo o mundo, terá direito, durante um ano, a aprender com os melhores do grupo LVMH, bem como a hipótese de receber treino especializado e de ter acesso às cadeias de produção e distribuição e aos especialistas financeiros da Louis Vuitton.
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china
hoje macau terça-feira 26.5.2015
capital chinesa também vai ter um Clube Português
O que faz falta é juntar a malta uma empresa especializada na atracção de investimento chinês para Portugal. A acta inaugural do novo Clube Português de Xangai será assinada na segunda-feira à tarde no Consulado-Geral de Portugal, com a presença do Secretário de Estado das Comunidades. “O objectivo fundamental é agregar a comunidade, através de iniciativas culturais e desportivas, e ajudar os portugueses que chegam a Xangai”, disse à agência Lusa Gonçalo Almeida Garrett, um dos promotores do clube. O número de portugueses residentes em Xangai e nas vizinhas províncias de Zhejiang e Jiangsu, na sua maioria quadros entre 30 e 40 anos, entre as quais dezenas de arquitectos, rondará os 300.
Tendências naturais
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gueses que vivem em Pequim têm uma vida muito local, mas todos teríamos a ganhar se nos juntássemos mais”, disse Inês Cunha e Silva, 27 anos, radicada na China desde 2010. “A ideia de criar aqui um clube já estava a ser falada entre algumas pessoas do grupo (“portugueses em Pequim”). Espero que seja o começo de uma nova era”, acrescentou. Inês Cunha e Silva concluiu o ano passado um mestrado na prestigiada universidade Qinghua, em Pequim, e a seguir criou
secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, exortou no domingo os portugueses de Pequim a replicar o novo Clube Português de Xangai, a primeira associação cultural e recreativa portuguesa criada na China continental em mais de meio século. “Estas associações são fundamentais para aproximar as comunidades de Portugal e para chegar aos públicos locais, contribuindo assim para a promoção dos nossos produtos e da imagem do país”, disse José Cesário à agência Lusa. “As muitas dezenas de associações portuguesas existentes pelo mundo fora complementam a acção desenvolvida pela nossa rede diplomática e consular”, acrescentou. José Cesário falava após um almoço no único restaurante de Pequim dirigido por um ‘chef’ português, o “Camões”, que
juntou à mesa o embaixador de Portugal na China, Jorge Torres-Pereira, e a iniciadora da rede social “portugueses em Pequim”, Inês Cunha e Silva Lançada por ocasião do 40.º da Revolução do 25 de Abril, em 2014, aquele rede social tem 76 pessoas, o que corresponde a cerca de metade dos membros da comunidade portuguesa registados na Embaixada de Pequim.
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Vistos Gold Pedidos diminuem 20%
número de pedidos de ‘Vistos Gold’ da China diminuiu 20% desde o caso de corrupção descoberto em Novembro passado, mas foi compensado pelo aumento da procura de outros países, disse o secretário de Estado das Comunidades. “Ninguém gostou do que se passou, evidentemente, mas estamos todos muito empenhados no sucesso do programa, salvaguardando ao máximo os
Nova era
“Faz falta um clube como o que foi criado em Xangai. Os portu-
“Faz falta um clube como o que foi criado em Xangai. Os portugueses que vivem em Pequim têm uma vida muito local, mas todos teríamos a ganhar se nos juntássemos mais” Inês Cunha e Silva Portuguesa radicada na China
interesse do país e do investidor”, disse José Cesário. O governante, que tutela os serviços consulares da rede diplomática, realçou que o programa de ‘Vistos Gold’, lançado pelo Governo português no final de 2012 com o nome de ‘Autorização de Residência para Investimento’, “tem tido bastante sucesso”.
“Houve uma redução de 20% [dos pedidos] na China [nos últimos meses], mas que tem sido compensada por um aumento significativo noutras origens, nomeadamente Brasil”, afirmou José Cesário. Onze pessoas, entre as quais o director-geral do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e o presidente do Instituto de Registos e Notariados,
José Cesário termina em Xangai um périplo de uma semana pela China, iniciado na terça-feira em Macau. Foi o quarto governante português a deslocar-se a Pequim em menos de um mês, depois dos secretários de Estado das Finanças, Economia e Alimentação, Manuel Rodrigues, Leonardo Mathias e Nuno Vieira e Brito, respectivamente A China tornou-se nos últimos anos um mercado de crescente importância para as exportações portuguesas e um dos principais investidores em Portugal, sobretudo nas áreas da energia, seguros, saúde e banca. “É uma tendência natural e não é mais do que aquilo que se passa noutros países. O investimento chinês é desejado e incentivado nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Alemanha”, comentou José Cesário. “Durante muito tempo, ignorámos pura e simplesmente este lado do mundo, e particularmente a China. Já se fez muito (para corrigir isso), mas há ainda muitíssimo a fazer”, acrescentou.
foram detidos em Novembro no âmbito de uma investigação policial sobre corrupção no processo de atribuição dos ‘Vistos Gold’. “Ninguém sabe exactamente o que se passou. Aguardamos as averiguações da Justiça”, comentou José Cesário.Até ao final de Março passado, já tinham sido atribuídos cerca de 3.500, mais de dois terços dos quais a cidadãos chineses, representando no conjunto um investimento de quase 1.400 milhões de euros.
Dirigentes nas prisões como aviso contra a corrupção
Os dirigentes chineses foram levados em ‘tours’ a prisões para visitar reclusos, incluindo antigos colegas, como um aviso contra a corrupção, escreve ontem a imprensa oficial. Mais de 70 dirigentes e seus cônjuges, da província de Hubei, passaram um dia, este mês, na prisão local, numa iniciativa descrita como “um aviso educacional”, escreveu ontem o jornal oficial China Daily. A viagem permitiu aos dirigentes conhecerem 15 antigos funcionários do Governo que estão agora a cumprir penas de prisão. O Partido Comunista Chinês lançou uma intensa campanha anti-corrupção que já resultou numa longa lista de detenções. O jornal citou a comissão de disciplina do partido, que garante que estas visitas foram organizadas por todo o país, servindo como “alerta contra quaisquer erros envolvendo corrupção”.
Pelo menos 35 mortos e 13 desaparecidos devido a inundações
Pelo menos 35 pessoas morreram e outras 13 desapareceram devido a inundações provocadas pelas chuvas intensas que afectaram vastas zonas do sul da China nos últimos dias. Segundo dados do Governo chinês, citados sexta-feira pela agência oficial Xinhua, a província de Guizhou, na qual perderam a vida 11 pessoas, é a mais atingida pelas tempestades. Na província de Jiangxi morreram sete pessoas, em Fujian faleceram cinco, e as restantes vítimas mortais foram registadas em Hunan e Guangdong, assim como na região autónoma de Guangxi, indicou o Ministério do Interior. As chuvas intensas registadas nos últimos dias no sul da China provocaram o transbordo de rios, destruição e casas e apagões eléctricos, inundações de estradas e cancelamentos de voos. Segundo informações divulgadas na quartafeira pelas autoridades provinciais, havia mais de um milhão de pessoas afectadas pelas inundações.
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Dois homens foram condenados a dez anos de prisão por passarem documentos secretos para o estrangeiro. Um terceiro foi também detido não se sabendo ainda o desfecho da sentença
Dois cidadãos condenados por alegada espionagem militar
Inconfidências fatais
Manto de silêncio
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China condenou a dez anos de prisão dois cidadãos por alegada espionagem militar para outros países, alegadamente recrutados através da Internet, e deteve outro indivíduo sob as mesmas acusações, informou sábado o diário Global Times. O departamento de Segurança da província de Jiangsu, no leste da China, anunciou as sentenças dos dois condenados e a detenção do terceiro indivíduo, todos eles acusados de seguir os movimentos do exército chinês e de passarem documentos secretos a agências de espionagem estrangeiras, segundo o diário. O único dos três que já tinha sido preso, com 30 anos e apelido
Wu, foi condenado por facultar mais de 120 arquivos e fotografias, incluindo 11 documentos secretos, sobre instalações de treino e bases do exército e da força aérea chinesa. Alegadamente o acusado recebeu o pagamento de 3.800 yuan pelas informações. Foi também condenado à prisão um jornalista de 53 anos, chamado Zhao, por alegada recolha de informação militar e sobre o Partido Comunista na província de Jiangsu, incluindo 11 documentos confidenciais. Em troca desses arquivos, o acusado recebeu 74.500 yuans, segundo as autoridades chinesas.
O departamento de Segurança da província de Jiangsu, no leste da China, anunciou as sentenças dos dois condenados e a detenção do terceiro indivíduo, todos eles acusados de seguir os movimentos do exército chinês e de passarem documentos secretos a agências de espionagem estrangeiras
Sobre o acusado mais jovem, conhecido como Gu e que tem 24 anos, a justiça chinesa não se pronunciou. O individuo enfrenta acusações similares aos dois outros casos por facilitar, alegadamente, 93 fotografias de instalações militares, 33 mapas e 29 relatórios, incluindo quatro documentos classificados, pelos quais terá obtido 34.460 yuans. Todos os acusados receberam as ordens de agências de espionagem estrangeiras, através da Internet, em páginas de busca de emprego, no final de 2013, de acordo com as autoridades judiciárias de Jiangsu, citadas pelo Global Times. Não foi especificado qual o país ou países para o quais foram enviadas as informações, refere a agência Efe.
Ouro Lançado fundo internacional no valor de 14.600 milhões de euros
Pequim pede aos EUA para acabar com vigilância no Mar da China Meridional
Xinjiang Autoridades desmantelaram num ano 181 grupos em operação anti-terrorismo
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China lançou um fundo internacional de ouro que pretende chegar a um valor total de 100 mil yuan, informou o diário oficial Shanghai Daily. Esta iniciativa, liderada pela Bolsa de Ouro de Shanghai (China) e em que 60 nações já investiram, irá fornecer os bancos centrais dos países membros para que aumentem as suas reservas do metal precioso em troca de acções. O fundo pretende operar no âmbito da Nova Rota da Seda, um projecto de investimento impulsionado pela China para reforçar a sua posição como centro comercial e financeiro da Ásia.
A nova entidade vai investir em projectos de mineração de ouro em países que fazem parte da Nova Rota da Seda e aumentar a exploração em países como o Afeganistão ou o Cazaquistão. O fundo será baseado na cidade chinesa de Xian, no noroeste da China, onde o seu lançamento foi anunciado durante um fórum realizado neste fim de semana. China, o maior produtor mundial do metal precioso, procura abrir o seu mercado de ouro para o exterior para que a sua moeda, o yuan, tenha mais peso no momento de fixar os preços deste activo.
China pediu sexta-feira aos Estados Unidos para acabar com as missões de vigilância nas zonas marítimas sobre as quais Pequim reclama soberania, considerando que se trata de provocações. “Sejam prudentes na tomada de decisões e não iniciem quaisquer acções provocatórias ou arriscadas”, pediu o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hong Lei numa conferência de imprensa, na sequência do aumento da tensão verificada nos últimos dias entre os dois países.
Um porta-voz do Pentágono afirmou na quinta-feira que os Estados Unidos tencionam continuar as missões de vigilância aéreas e navais nas zonas marítimas que a China reclama como territoriais, mas Washington considera serem internacionais. Este conflito tem vindo a subir de tom desde 23 de Novembro de 2014, altura em que a China estabeleceu uma nova zona unilateral de identificação de defesa aérea na costa sudeste, que inclui as ilhas Diaoyu e cuja soberania é reclamada pela China e Japão. Em Dezembro de 2014, o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, manifestou preocupação face a esse procedimento, tendo afirmado que a situação causava “significativa apreensão”, após reunião com o Presidente chinês, Xi Jinping.
S autoridades da região autónoma chinesa de Xinjiang, de maioria muçulmana uigur, desmantelaram, no espaço de um ano, 181 grupos que consideram estarem ligados a actividades terroristas. Segundo a agência oficial chinesa, Xinhua, que cita dados do comité do Partido Comunista para a região, as autoridades identificaram 96,2% desses grupos quando planeavam ataques, detendo 112 suspeitos, que se renderam à polícia. O Governo regional lançou uma campanha anti-terrorismo no ano passado, depois do atentado de 22 de Maio de 2014, quando uma bomba matou 39 pessoas num mercado em Urumqi, capital regional. A violência em Xinjiang, onde a minoria uigur convi-
ve com a etnia maioritária han, aumentou nos últimos meses, bem como o número de detenções e julgamentos de suspeitos, organizados ao estilo maoista, em estádios desportivos, com dezenas de acusados julgados de uma só vez. O regime comunista considera que a violência é causada por células terroristas com ligações a grupos de países vizinhos, que desejam a criação de um estado independente do Turquestão Oriental. Pequim afirma que estes movimentos estão mesmo, nalguns casos, ligados à Al-Qaida, mas as comunidades uigures no exílio apontam antes para a forte repressão por parte das autoridades chinesas como causadora dos conflitos e negam a existência de organizações terroristas.
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artes, letras e ideias
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Shitao
Propósitos Sobre a Pintura do Monge Abóbora Amarga Capítulo IX O Método das Rugas (Continuação)
Tal como existem diferentes denominações para as rugas, também as formas das montanhas têm tipos particulares: tais como os picos Tian Zhu, Ming Xing, Lian Hua, Xian Ren, Wu Lao, Qi Xian, Yun Tai, Tian Ma, Shizi, E Mei, Lang Ye, Jin Lun, Xiang Lu, Xiao Hua, Pi Lian, Hui Yan1: tantos são os montes que apresentam cada um, uma forma particular, e logo tantas rugas diferentes para lhes sugerir os relevos diversos. Mas seguidamente, no momento de manusear a tinta e o pincel, já não nos devemos prender às categorias pré-concebidas de montanhas e de rugas: o primeiro traço do pincel afronta o papel e todos os outros o seguem por si próprios. A partir do momento em que se compreende o princípio único, a multiplicidade dos princípios particulares deduzir se -á de si mesma. Que se examine tudo o que comporta o Traço Único do Pincel: aí está englobada a infinidade dos princípios. Trata-se de fixar as formas e estruturas da paisagem, e nisto o método das rugas permanece o mesmo, para os Antigos como para os modernos.
1 - Na origem de cada tipo de rugas encontra-se um dado natural em que as formas particulares vão ditar os diversos nomes que serão convencionalmente atribuídos a essas rugas. Do mesmo modo, a realidade das montanhas é pré existente às nomeações topográficas, e estas nomeações expressivas são ditadas por formas naturais, de modo que um mesmo nome pode ser encontrado em lugares diversos para designar picos que apresentam a mesma silhueta. As classificações não podem ser seguidas em abstracto de maneira arbitrária; é necessário estar consciente do suporte concreto de onde elas têm origem: Tian Zhu, «Pilar do Céu» designa: - um pico no maciço do monte Yandang (província de Zhejiang) - um pico do maciço de Wuyi (Zhejiang, Fujian e Jiangxi) - um pico de Hengshan (Hunan) Ming Xing, «Estrela Brilhante»: pertence ao monte Gui (Fujian) Lian Hua «Flor de Lótus»: -no maciço de Huangshan (Anhui) -no maciço de Hengshan (Hunan) -no maciço de Lushan (Jiangxi) Xian Ren «O Imortal»: -um pico do monte Xianyou (Fujian) -um pico de Huangshan (Fujian) Wu Lao «Os Cinco Velhos»: Lushan (Jiangxi) Qi Xian, «Os Sete Sábios», não localizada. Yun Tai, «Terraço das Nuvens»:
Os montes e os rios tomam forma pela pintura; o métier pictural reside na tinta; a tinta ganha vida pelo manejo do pincel, e a eficácia no maneio do pincel depende da mestria do pintor. O pintor hábil a manejar a tinta e o pincel encerra um conteúdo denso sob uma aparência vazia, estando habitado pelo Traço Único do Pincel, ele pode fazer face a todos os problemas sem erro ou desfalecimento. Pode acontecer também que seja o conteúdo que permanece vazio, enquanto a forma exterior é densa: isto produz-se assim que o método se transforme sem que o pensamento tenha tomado parte conscientemente nessa mudança, de modo que a forma exterior se descobre na sua plenitude antes de se ter ocupado de conteúdo. Também, os Antigos cumpriam uma medida justa entre o vazio e o pleno; eles combinavam harmoniosamente conteúdo e forma, variando adequadamente o seu método de pintar, sem inépcia e sem erro. Com à vontade conquistada à força de disciplina, e uma execução plena de espírito, a sua pintura podia a cada passo fazer-se direita para exprimir o direito, oblíqua para o oblíquo, e excêntrica para o excêntrico. Mas se nos encerrarmos, pelo contrário, numa cegueira estreita2, com a parcialidade da vulgaridade mundana, suspensos diante da aparência das coisas, não nos tornamos execráveis ao Criador?
-existe um monte com este nome na província de Jiangsu; -e outro na província de Sichuan. Tian Ma, «Cavalo Celeste», no monte Gui (Fujian). Shizi, «O Leão»: -no monte Gui -no maciço de Lushan E Mei «A Sobrancelha Altiva», montanha na província de Sichuan. Lang Ye, «Cornalina»: Um pico na província de Shandong; Um pico na província de Anhui, Jin Lun, «A Roda Dourada», no maciço de Lushan, Xiang Lu, «O Queimador de Perfumes»: No Lushan; Em Shaoxing (Zhejiang) Xiao Hua, «A Florzinha», no Huashan (Shanxi) Pi Lian, não localizada. Hui Yan «Que faz arrepiar caminho às gansas selvagens», no Hengshan. 2 - Literalmente: o nariz contra a parede. Expressão clássica: ver «Conversações de Confúcio» (XVII, 10): «Estudaste bem o Zu Nan e Shao Nan? Porque não conhecer a fundo estes dois livros é dar com o nariz numa parede!». Expressão que passou a provérbio designando a cegueira estreita que resulta da falta de informação e de cultura.
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artes, letras e ideias 15
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
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h
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Vícios Estivais
A
Margarita. Uma das qualidades que me atrai para a Margarita, bebida perfeita para o Verão, é que esta é uma mistura que mantém uma qualidade razoável mesmo quando preparada por incompetentes. É muito difícil misturar, num shaker, um pouco de tequilha, Cointreau e sumo de citrino de modo a que fique intragável (se bem que haja quem o consiga fazer). É uma bebida ideal para pedir em lugares, abundantes, em que o resto da oferta é de má qualidade e para fazer em casa. Ao contrário - e este é um dos grandes mistérios da civilização ocidental - misturar mal um Martini Seco é caso quase corrente, misterioso se pensarmos que em mais pouco consiste que em gin puro. Esta bebida não se discute porque não é uma bebida estival mas persistente. A Margarita tem outras qualidades. É um modelo perfeito do cocktail clássico em que conjuga o elemento alcoólico de base, a tequilha, o elemento que lhe dá o sabor ou lhe dá cor, neste caso o Cointreau, e o agente modificador que lhe dá carácter, a lima. Compreender este princípio cria uma base útil e estável para o experimentador noviço. O sal é um brilho extraordinário mas não exclusivo. A utilização do sal em bebidas, tanto no rebordo do vasilhame como na mistura, é uma adição enriquecedora. Poucas bebidas são tão refrescantes como a mistura de soda com limas que se salgaram anteriormente - um sabor violentamente atraente depois de adquirido espalhado por vários países do sudeste asiático. Além disso, ao contrário de algumas misturas clássicas intocáveis, a Margarita permite variações pessoais fáceis na adição de elementos paralelos à lima. Proponho que se experimente, por exemplo, com malaguetas ou fruta própria. Um cansaço para com a utilização da fruta em cocktails impede-me, contudo, de me alargar sobre este tópico. O Gin Tónico, sobre o qual igualmente me não estendo porque já aqui teve página (eu faço-os pequenos, num copo old fashioned, com muito gin, gordos e saborosos), é também uma base clássica a partir da qual facilmente se experimenta ou se confirmam suspeitas. Os resultados são rapidamente compensadores.
Ao contrário de algumas misturas clássicas intocáveis, a Margarita permite variações pessoais fáceis na adição de elementos paralelos à lima. Proponho que se experimente, por exemplo, com malaguetas ou fruta própria O Highball à moda japonesa. Não passa de um whisky com soda exagerado. O leitor está em Tóquio num mês de Verão. O mês de Agosto em Tóquio é quente e húmido, muito húmido, e nos filmes japoneses que se passam no Verão os homens (as mulheres menos, impedidas pelo pudor de se queixar), as camisas brancas encharcadas em suor, repetem à exaustão que está calor e limpam-se com uma toalha. Para fazer o Highball usa-se um vaso grande, semelhante a uma caneca generosa de cerveja, que se enche de gelo. Junta-se-lhe umas duas ou três cunhas de lima e um blend qualquer barato, Famous Grouse se a intenção for mais glénica, Cutty Sark se o bebente se inclinar para nostalgias ou vastidões marítimas, um Suntory para quem sentir uma saudade avassaladora do Japão. Por fim, com energia (isto é muito importante), com sede, com um sorriso nos lábios, com arrogância juvenil contra o calor e a humidade, adiciona-se a soda. Em Macau pode usar-se ’Agua Castello, apropriadíssima a estas operações estivais pelo poder teimoso das suas bolhas grossas. No Japão o Highball é tão ubíquo que se vende em latas nos supermercados e lojas de conveniência. Vodka de Melancia. Mistura-se com facilidade e não pede ingredientes caros ou difíceis de encontrar (como qualquer das outras bebidas aqui existentes). É um pouco irritante de aspecto mas a facilidade da confecção e a quantidade larga que se consegue sem esforço, permite um ambiente de festa e o descanso do mixordeiro. 1. Corta-se cerca de 1/5 da melancia, uma tampa. 2. Retira-se o interior e bate-se num liquidificador. 3. Coa-se o sumo
de novo para dentro da melancia. 4. Junta-se o vodka e gelo. Deve beber-se sem moderação – ideal, na sua aparente inocência, para provocar inesperadas discussões de família, descarregar verdades julgadas inconfessáveis e descobrir o fundo maldoso de tias e cunhadas.
O vodka mistura bem com outras frutas, como melão ou a variedade honeydew, até mesmo com manga. Apercebo-me que o gelo continua a ser um dos grandes problemas das bebidas feitas em casa. Repita-se: o gelo deve ser feito com uma água pouco mineralizada, em cuvetes
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a revolta do emir
O candidato a mixordeiro doméstico deve manter um convívio íntimo com alguns ingredientes. Deve cheirá-los, mordê-los, entendê-los, e, se possível, cultivá-los. Entre outros o pepino, a hortelã, a malagueta, a folha de limoeiro
Uma folha de limoeiro cortada com uma tesoura age rapidamente sobre qualquer mistura. Cheire-se, manuseie-se e use-se
bem limpas e sem cheiros a plástico e, de preferência, no próprio dia ou no dia anterior. O congelador não deve ter cheiros – que o gelo absorve avidamente. Para quantidades de gelo mais largas o misturador amador deve considerar comprar um formidável instrumento, um ice pick, fazer
gelo num recipiente grande e parti-lo com vigor e com prazer de acordo com a dimensão desejada. Deve fazer-se o gelo com severidade.* O candidato a mixordeiro doméstico deve manter um convívio íntimo com alguns ingredientes. Deve cheirá-los, mordê-los, entendê-los, e, se possível, cultivá-los. Entre outros o pepino, a hortelã, a malagueta, a folha de limoeiro.** O pepino, contendo 90% de água, é um refrescante perfeito. Pode liquefazer-se ou usar-se cortado, conservando a pele. Pode usar-se em alguns gins. É muito bom com ginger ale. Em Macau existem pepinos de vários tipos e devem comprar-se firmes (rapidamente se estragam). Pode cortar-se em pequenos cubos e esmagar muito ligeiramente com um pistilo dentro do shaker e depois adicionar uma bebida branca e gelo e partir dessa base. A hortelã não serve apenas para o mojito. Use-se em experiências, em gins tónicos, até mesmo num highball este se pode tornar muito bem vindo. Ou num Mint and Cucumber Refresher – hortelã, açúcar, sumo de lima, pepino, água com gás, gelo (experimentar qual a bebida alcoólica que se lhe poderá adicionar é um exercício esclarecedor). Uma folha de limoeiro cortada com uma tesoura age rapidamente sobre qualquer mistura. Cheire-se, manuseie-se e use-se. Victoria Moore, eterna citada nesta página, sugere, entre outras bebidas de Verão, o Porto branco com água tónica, martinis de melancia ou pepino, daiquiris ou bebidas com base de rum. Não deixo nunca de pensar que das bebidas brancas de base usadas
Pedro Lystmann
para misturas - a tequilha, o rum, o vodka e o gin - duas têm origem meridional, as duas primeiras, e as outras duas exprimem uma cultura setentrional. O rum, sendo uma bebida das Caraíbas, é usado para várias misturas adaptadas aos climas quentes, como daiquiris, mojitos ou Cuba Libre, mas confesso que destas 4 bebidas de base o rum é a que menos entendo. Pensar sobre elas é uma maneira de as entender. Os brandies, os whiskys e os whiskeys pertencem a uma classe diferente. Victoria Moore sugere igualmente Sangrias e Salty Dogs. Este último faz-se com facilidade: sumo de toranja, vodka e gelo no shaker, sal na borda do copo. Nota: O Pimm’s Cup não é uma bebida de Verão, é uma bebida anunciadora da Primavera e das suas promessas. O Verão é uma estação de confirmação e imobilização, do prazer da fatigue e do ennui, uma estação cansada. Mais: Mexican Fizz – tequilha, grenadine (facílimo de comprar), ginger ale; Gin Fizz – gin, açúcar, casca de limão, gelo e água gaseificada; Leap-Frog – sumo de limão, gelo, gin, ginger ale; Velvet Cooler – sumo de ananás, cerveja branca gelada, espumante gelado num copo highball (não se devem esquecer os cocktails que misturam cerveja com vinhos ou espíritos. Este é forte). Chega.
* em certos bares a sério há uma hora da tarde destinada a aparar blocos de gelo de modo a tornálos redondos e próprios ao whisky. Nalguns usa-se uma máquina, mas noutros, como o Nocturne, em Hong Kong, a funcionária, japonesa, fá-lo à mão com uma graça feminil e cerimonial inultrapassável. ** aconselha-se a leitura de livros que contenham, para além de receitas, informação vasta sobre ingredientes. Poucos serão mais úteis que o livro Starting with Ingredients, de Aliza Green, que contém 99 generosas entradas sobre ingredientes, suas qualidades, história e seduções, tão díspares como amêndoas, vitela, queijos, pepinos, café, limões e limas ou ruibarbo.
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( F ) utilidades
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tempo aguaceiros ocasionais min 25 max 30 hum 75-98% • euro 8.76 baht 0.23 yuan 1.28
Cineteatro
O que fazer esta semana
Cinema
tomorrowland Sala 1
tomorrowland [b]
Filme de: Brad Bird Com: George Clooney, John Walker, Britt Robertson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
mad max: fury road [3d] [c]
Filme de: George Miller Com: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult 19.15 Sala 3
Sala 2
mad max: fury road [c] Filme de: George Miller Com: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult 14.30, 16.45, 21.30
tdragon ball z: resurrection “f” [b] falado em japonês legendado em chinês e inglês Filme de: Tadayoshi Yamamuro 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Sexta-feira Teatro “Trust” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes das 100 às 350 patacas Teatro “Dot” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes das 120 às 150 patacas
Aconteceu Hoje
Sábado
Nasce John Wayne
Teatro “Trust” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes das 100 às 350 patacas Teatro “Dot” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 15h00 Bilhetes das 120 às 150 patacas
Diariamente Exposição de Artes Visuais de Macau (até 2/8) Pintura e Caligrafia Chinesas Edifício do antigo tribunal, 10h00 às 20h00 Entrada livre
h o j e h á f i l m e “Shrek” (Vicky Jenson, Andrew Adamson, 2001)
Exposição “A Última Fronteira: Mistérios do Oceano Profundo” (até 31/05) Centro de Ciência de Macau Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre
26 de maio
Um conto de fadas dos dias modernos, que agrada a adultos e crianças. “Shrek” traz-nos a figura de um ogre solitário que se vê numa viagem com um burro que fala, para tentar salvar o seu pântano da invasão de pequenas criaturas dos contos de fadas. Mais tarde, Shrek vê-se a braços com a missão de salvar uma princesa, Fiona, se quer ver restaurado o seu sossego. Cheio de humor e com uma bem conhecida banda sonora, “Shrek” é o filme ideal para aqueles dias de chuva aborrecidos ou até para uma noite entre amigos ou com os filhos. Joana Freitas
fonte da inveja
• A 26 de Maio de 1907 nasce um dos cowboys do cinema mais populares, o actor e realizador americano John Wayne. Também neste dia é encontrado Kaspar Hauser, uma criança abandonada numa praça da Alemanha, no século XIX, que teria, alegadamente, ligações à família real de Baden. John Wayne era filho de um farmacêutico e o seu verdadeiro nome era Marion Michael Morrison. Wayne destacou-se no cinema em 1930 em “The Big Trail”, filme dirigido por Raoul Walsh. Depois de vários anos, Wayne torna-se Ringo Kid em “Stagecoach”, clássico de 1939 de John Ford. Além de John Ford, outros grandes realizadores da época igualmente tiveram Wayne como seu actor principal, como é o caso de Henry Hathaway, com quem fez, entre outros, o filme que lhe concedeu o Óscar de Melhor Actor: “True Grit (1969)”. Wayne casou-se três vezes. A primeira em 1932 com Josephine Saenz, que lhe deu quatro filhos. Em 1946, o segundo casamento, agora com a actriz mexicana Esperanza Baur, de quem se divorciou sete anos depois para casar-se com Pilar Palette, com quem teve mais dois filhos. Fumador desde jovem, foi-lhe diagnosticado um cancro de pulmão em 1964. Depois da remoção de um pulmão, cinco anos depois viu-se livre da doença. No final da década de 1970, Wayne envolveu-se como voluntário nos estudos de uma vacina para a cura da doença, mas veio a falecer aos 72 anos, em decorrência, justamente, de um cancro de estômago. Também neste dia Kaspar Hauser foi encontrado, na Alemanha, abandonado. A então criança tornou-se conhecida ao afirmar que havia passado toda a sua vida numa masmorra, sem contacto com humanos, sendo alimentado apenas com pão e água. O jovem, supostamente com quinze anos de idade aprendeu a falar, a ler e a comportar-se ao nível do que era socialmente aceitável e a sua fama correu a Europa, tendo ficado conhecido, à época, como o “filho da Europa”. Foi assassinado com uma facada no peito, em Dezembro de 1833.
João Corvo
O capacete acabrunha o corpo e amolece a alma. Não é mau...
opinião
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José Baptista
A tragédia do Mediterrâneo
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pobreza e o desespero sentido pelas populações de diferentes zonas geográficas do planeta têm conduzido a um fluxo migratório incontrolável da costa do Norte de África em direcção à Europa, através do Mar Mediterrâneo. A Europa é para estas pessoas uma janela de bem-estar e esperança face ao desespero das suas vidas nos seus países de origem. As vítimas dos naufrágios do Mediterrâneo têm diferentes origens geográficas e diferem também nos motivos subjacentes às suas decisões de emigrar, na trágica lista de vítimas constam jovens desempregados do Norte de África e da África Subsariana, havendo países onde actualmente o desemprego entre os jovens atinge os 60%, constam também famílias de refugiados da guerra civil na Síria e desalojados do Bangladesh, uns em fuga dos terríveis efeitos da Guerra, os outros em êxodo devido aos efeitos negativos das alterações climáticas mundiais, etc... Para se compreender a génese da actual tragédia humanitária do Mediterrâneo, é necessário investigar as causas mais profundas do crescimento exponencial do fluxo migratório nos últimos anos. Entre as causas do crescimento do fluxo migratório encontram-se os catastróficos resultados sociais, políticos, económicos, religiosos e militares, da segunda invasão do Iraque, mas também uma parte das consequências da denominada ‘Primavera Árabe’, nomeadamente, o colapso do Estado Líbio e a guerra civil na Síria. Na Líbia, um Estado falhado, decorre actualmente uma guerra entre exércitos chefiados por ‘Senhores da Guerra’, na tentativa do controlo das populações, do território e dos recursos, essencialmente petrolíferos, sendo por este facto um campo muito fértil para o crescimento da actividade de grupos criminosos internacionais dedicados ao tráfico de armas e ao tráfico humano, entre outras actividades criminosas. Na Síria assiste-se actualmente a uma violentíssima guerra civil, com o consequente êxodo de populações e a criação de campos de refugiados facilmente permeáveis à acção das redes criminosas internacionais de tráfico humano. A desestabilização política, económica, militar, social e religiosa, causada pela segunda invasão do Iraque, saiu para fora das fronteiras do Estado iraquiano estendendo-se actualmente a outros estados da região, de que é exemplo o actual conflito no Iémen. A permanência do clima de guerra civil no Iraque e o eclodir da guerra civil no Iémen
Entre as causas do crescimento do fluxo migratório encontram-se os catastróficos resultados sociais, políticos, económicos, religiosos e militares, da segunda invasão do Iraque, mas também uma parte das consequências da denominada ‘Primavera Árabe’, nomeadamente, o colapso do Estado Líbio e a guerra civil na Síria resultam em boa parte do conflito entre a Arábia Saudita e o Irão, realizado através de terceiros, uma Arábia Saudita, sunita e árabe, encontra-se em conflito com um Irão, xiita e persa, pelo controlo político e militar da região. Dos conflitos sumariamente descritos, o que melhor descreve e prova que não é possível separar o conjunto de efeitos da segunda invasão do Iraque, dos efeitos sociais, políticos, económicos, religiosos
cartoon por Stephff
e militares, da ‘Primavera Árabe’, é a actual guerra civil da Síria, a guerra civil na Síria deflagra na sequência da ‘Primavera Árabe’ e simultaneamente consubstancia o conflito entre a Arábia Saudita sunita e o Irão xiita. A guerra civil Síria nasce dos escombros do Estado iraquiano, com a Arábia Saudita a patrocinar financeiramente e militarmente a oposição sunita ao governo chefiado pelo Presidente Bashar al-Assad, apoiado poli-
ticamente, financeiramente e militarmente por um Irão xiita e persa. Aactual crise humanitária do Mediterrâneo para além de espelhar os graves desequilíbrios do actual modelo político/económico mundial, os gravíssimos conflitos político/militares do Médio-Oriente e o poder da indústria petrolífera, veio também tornar ainda mais visíveis as diferenças de interesses estratégicos e preocupações políticas no seio do ‘projecto europeu’, a separação Norte/Sul não existe somente entre os dois hemisférios, existe também na União Europeia (UE). Na minha modesta opinião, os países do Norte da Europa não podem continuar praticamente mudos em relação ao gravíssimo problema humanitário existente no Mediterrâneo, a sua confortável posição geográfica perante a crise migratória não pode transformar-se numa inércia política, face à importância geopolítica do problema e à gravidade das suas consequências.
ilhas
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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Tailândia liberta estudantes detidos por criticarem junta militar
A
polícia tailandesa libertou 38 estudantes detidos na sexta-feira por pedirem eleições e criticarem a junta militar, no dia em que se assinalou o primeiro aniversário do golpe de Estado, informou sábado a imprensa local. A manifestação organizada no Centro de Cultura e Arte de Banguecoque decorreu com normalidade até que meia centena de polícias entrou em acção e começou a levar à força os estudantes que, sentados, reivindicavam democracia. Também foram detidos vários activistas em Banguecoque e pelo menos sete estudantes que também se manifestaram na província de Khon Kaen, no nordeste do país, informou o diário Bangkok Post. Richard Bennett, director da Amnistia Internacional para a Ásia-Pacífico, criticou a detenção de “manifestantes pacíficos”. O Conselho Nacional para a Paz e Ordem, nome oficial da junta militar, cumpriu um ano no poder na sexta-feira. O Governo anunciou um referendo constitucional e eleições gerais para 2016. Desde o fim da monarquia absoluta em 1932, a Tailândia foi palco de 19 tentativas de golpe de Estado, das quais 12 consumadas com êxito.
Râguebi Portugal termina Mundial de sub-20 em sétimo
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Portugal garantiu domingo o sétimo lugar no Mundial de râguebi de sub-20, depois de vencer Hong Kong por 47-21 (22-14 ao intervalo), no estádio do Jamor, em Oeiras. Na primeira parte, destacou-se Pedro Rosa, que marcou dois ensaios, convertidos por João Leitão. Os ensaios de Hong Kong na primeira parte foram marcados por Hugo Stiles e Raef Morrison, ambos convertidos por Liam Owens. No segundo tempo, Pedro Ferreira foi a grande figura dos jovens ‘lobos’, ao conseguir quatro ensaios, todos convertidos por João Leitão, que também conseguiu um ensaio.
China Um técnico português na “Guerra à poluição”
Na linha da frente U m consultor português na área do ambiente, Renato Roldão, está na linha da frente da “guerra à poluição” declarada pelo governo chinês. “A China é, provavelmente, o sítio mais aliciante do mundo para quem trabalha nas questões da energia, ambiente e alterações climáticas”, disse o técnico à agência Lusa. “Há muito a fazer aqui nos próximos dez, vinte, trinta anos e esse trabalho tem que ser feito com grande apoio internacional”. Renato Roldão, 36 anos, licenciado em Relações Internacionais pela Universidade do Minho, vive na China desde 2008. Especialista em alterações climáticas, Renato Roldão é o único europeu do escritório de Pequim da Inner City Fund (ICF) International, consultora norte-americana a quem a foi adjudicado um projecto de assistência técnica ao desenho e implementação do comércio de emissões de carbono da China. Trata-se de um projecto considerado “decisivo para reformar a economia chinesa”, desenvolvido com fundos da União Europeia e em colaboração com a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (NDRC), o organismo ministerial chinês encarregue do planeamento económico.
“As experiências de boas práticas acumuladas pelos Estados Unidos, a Europa ou a Austrália são úteis para a China acelerar todo o processo de transição para uma economia mais eficiente no uso dos recursos naturais”, afirma Renato Roldão. Até ao final desta década - indicou o técnico português - a China toda deverá estar integrado num mercado nacional de carbono: “A lógica é penalizar quem polui, incentivar quem inove”.
Ano de viragem
Em 2014, pela primeira vez em mais de uma década, o consumo de carvão na China diminuiu e o investimento chinês nas energias limpas, nomeadamente eólica e solar, foi superior ao de toda a Europa.
“As coisas, aqui, estão a acontecer a um ritmo bastante rápido, mas a dimensão do problema ambiental é enorme” Renato Roldão Licenciado em Relações Internacionais
“As coisas, aqui, estão a acontecer a um ritmo bastante rápido, mas a dimensão do problema ambiental é enorme”, salienta Renato Roldão. O carvão continua a assegurar 64% da energia do país. Em Pequim e outras grandes cidades, o nível da qualidade do ar está muitas vezes acima dos limites recomendados pela Organização Mundial de Saúde, fazendo da poluição uma das principais fontes de insatisfação popular na China. O novo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, reconheceu que “em algumas áreas, a poluição do ar, da água e do solo é grave”. “Iremos declarar guerra à poluição e iremos combatê-la com a mesma determinação com que lutámos contra a pobreza”, anunciou Li Keqiang no primeiro relatório que apresentou à Assembleia Nacional Popular (parlamento), em março do ano passado. Renato Roldão só começou a interessar-se pela China depois de concluir a licenciatura em Relações Internacionais, em 2001: “Na altura, as referências à China eram mínimas. Os cursos estavam muito focados nos estudos europeus”. No mestrado, feito na Universidade de Aveiro, com um corpo docente que incluía vários sinólogos estrangeiros, estudou
geografia chinesa e em 2002 esteve em Pequim a aprender chinês. A sua tese, apresentada no ano seguinte, incidiu precisamente sobre as energias renováveis na China e, desde então, continuou “ligado à China e às questões ambientais”.
Rumo ao país do meio
Há sete anos, partiu para Pequim com a mulher, Ana Magalhães, formada também em Relações Internacionais, e um filho de seis meses: “Sempre pensei trabalhar fora de Portugal, não por necessidade mas por opção”. “Queria ter uma oportunidade para desenvolver uma carreira internacional”, acrescentou. A mudança “não foi fácil”, confessa Renato Roldão. A China, no entanto, “é aliciante” e isso garante - “ajuda à integração”. Entretanto, esteve também envolvido na criação do Conselho Empresarial da Embaixada de Portugal em Pequim e no dia 10 de Junho de 2012 foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Quanto ao que sente mais falta em Pequim, Renato Roldão responde sem hesitar: “Sinto falta da praia, do mar e de alguma boa comida”. Mas o que já adquiriu, profissional e humanamente, ficará para sempre: “Mesmo que uma pessoa acabe por regressar ao seu país, a experiência internacional só pode acrescentar valor”. António Caeiro LUSA