hoje macau
Nº 4755 SEGUNDA-FEIRA 26-4-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
DEBATE “UM PAÍS, DOIS SISTEMAS”
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS GRANDE PLANO
O MÚSICO SOLITÁRIO DE WEN BOREN PAULO MAIA E CARMO
500 ANOS DA MORTE DE FERNÃO DE MAGALHÃES JOSÉ SIMÕES MORAIS
PEARL HORIZON
TEMPO DE ESCOLHER PÁGINA 4
CHINA-EUA
DEMOCRACIA E COCA-COLA PÁGINA 10
MARIONETAS
CIRCO LUSO EVENTOS
SÓ RESTAM 10 TRABALHADORES NA MASTV
Perto do fim Um escritório vazio, credores a baterem à porta, rendas, contas gerais e salários por pagar e administração em parte incerta. Assim têm sido os dias dos poucos trabalhadores que restam
da MASTV em Macau, depois da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais ter revogado as quotas da empresa para contratar trabalhadores não residentes. PÁGINA 6
2 grande plano
26.4.2021 segunda-feira
www.hojemacau.com.mo
“UM PAÍS, DOIS SISTEMAS” SALES MARQUES CONSIDERA QUE AS LEIS
Numa conferência sobre o princípio “um país, dois sistemas”, foram divergentes as posições de Sales Marques e Carlos Monjardino, que ainda não aceitou o fim do colonialismo ocidental
J
OSÉ Luís Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM), sublinhou que as Leis Básicas de Macau e Hong Kong existem para prosseguir interesses nacionais, como a sua integração nas dinâmicas políticas do país, na sua intervenção na videoconferência "China/Macau: Um país, dois sistemas", organizada pelo Instituto do Oriente. "As Leis Básicas de Macau ou de Hong Kong são leis da RPC e existem para prosseguir interesses nacionais”, não só os da unificação e da soberania, mas também os da integração das regiões administrativas especiais “nas dinâmicas políticas, sociais e económicas da nação chinesa”, afirmou Sales Marques, que preside também ao Conselho da comunidade macaense. “E esse é um processo que não vai acontecer só quando chegarmos ao final de 50 anos [do período de transição]. Acontece desde o primeiro dia que as regiões administrativas especiais existem e que se vai acentuar ao longo do tempo”, sublinhou na sua intervenção. Na conferência, o responsável recordou que este princípio foi criado com o objectivo de permitir a reunificação da China, há 40 anos, com "particular destaque para a situação de Taiwan”. “Mas por razões históricas as situações de Hong Kong e Macau surgiram primeiro, com percursos negociais profundamente distintos".
Para o presidente do IEEM, as leis básicas das duas regiões têm algumas diferenças, mas no essencial são similares. Assim, “por muito que se tenha dito acerca de ‘um país, dois sistemas’, nomeadamente no que diz respeito à autonomia das regiões administrativas especiais, essa autonomia nunca foi nem pode ser dissociada dos princípios “inabaláveis, dois verdadeiros pilares do sistema de governança” construído sobre este princípio, que são a soberania chinesa e a unificação da nação chinesa. "Estes são os limites para o elevado grau de autonomia das regiões administrativas especiais", frisou.
China “tem respeitado” Lei Básica
"A China tem respeitado a Lei Básica e tem procurado manter a estabilidade e prosperidade de Macau, e isso é conseguido através de medidas de estímulo económico que o Governo central criou”, disse o professor. Mas "há as outras componentes, que têm a ver com a integração da população de Macau no próprio processo chinês, a começar pelo político, económico e social e pelo reforço de conceitos de nacionalismos chinês ou do amor à pátria e reforço de uma narrativa nacional, também para Macau, sobretudo dirigida aos chineses de Macau", sublinhou. Por outro lado, considerou que “há questões” que não devem ser esquecidas e que, pelo contrário,
GONÇALO LOBO PINHEIRO
Objectividade devem ser analisadas com objectividade. “Em primeiro lugar, existem factores externos que hoje estão muito mais acentuados. A China é colocada como um adversário maior no contexto internacional. E o reflexo dessa situação faz-se sentir no dia-a-dia aqui”, afirmou. Em segundo lugar, “há questões que ocorrem em Hong Kong e aquilo que acontece de mau em Hong Kong reflecte-se em Macau", admitiu. Apesar disso, assegurou, que a situação em Macau “mantém-se estável” e referiu que representava uma parte da comunidade de Macau, que “esteve e está sempre e estará de futuro ligada” ao território.
Monjardino desligado da realidade
Noutro tom, o presidente da Fundação Oriente (FO), Carlos
“A China tem respeitado a Lei Básica e tem procurado manter a estabilidade e prosperidade de Macau, e isso é conseguido através de medidas de estímulo económico que o Governo central criou.” JOSÉ LUÍS SALES MARQUES
Monjardino, disse na quinta-feira que existe um novo ciclo de 'sinofobia' a nível europeu e internacional e defendeu que no actual contexto "é indispensável" avaliar a evolução de Hong Kong e de Macau “no momento presente”. Para o presidente da FO, o último
ano, dominado pela pandemia de covid-19, "assinala uma viragem radical da imagem da China no conjunto dos Estados europeus, incluindo Portugal". "A origem da epidemia, a relação da China como uma grande potência, a demonstração de poder e repressão em Hong Kong conjugaram-se para mudar a opinião pública europeia. E uma maioria significativa passou a ter uma percepção negativa da China, vista agora como um factor de instabilidade internacional", sublinhou, alinhando pela actual propaganda norte-americana. Por último, as sondagens de opinião demonstram isso mesmo e "marcam o fim de um ciclo longo de 'sinofilia" e com toda a probabilidade o início de um ciclo longo de 'sinofobia' na política europeia", sublinhou. Essa alternância, porém, de ciclos face à China é "clássica na história
segunda-feira 26.4.2021
grande plano 3
www.hojemacau.com.mo
ou barbárie LUSA
BÁSICAS EXISTEM PARA PROSSEGUIR INTERESSES NACIONAIS
europeia", considerou, adiantando a que a sua própria geração conheceu "um período intenso de sinofobia", que precedeu um ciclo de 'sinofilia' exuberante desde o fim do século passado. Porém, para o gestor da FO, esses ciclos "não têm de mudar a natureza dos interesses nacionais", mas "determinam as condições políticas em que podem evoluir as relações internacionais, nomeadamente com a China, que todos reconhecem ser um factor estratégico decisivo à escala global”.
Assuntos “inseparáveis”
Quanto às questões de Macau e Hong Kong, Monjardino defendeu que “são inseparáveis da alternância dos ciclos” acima descritos, lembrando que a declaração conjunta sobre Hong Kong, em 1984, tal como a declaração conjunta sobre Macau,
“Não pode ser ignorado na análise e evolução do princípio um país dois sistemas, que foi sempre apresentado como uma forma de transição.” CARLOS MONJARDINO
em 1987, só foram possíveis "num quadro de abertura externa e de reforma interna da República Popular da China (RPC)”. Assim, sublinhando a importância de Portugal manter as suas relações diplomáticas com a China e o empenho em relação a Macau, Carlos Monjardino considerou ser "indispensável avaliar a evolução de Hong Kong e de Macau no momento presente".
"Durante vinte anos o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ pôde gerar, no essencial, um quadro de autonomia política e institucional das duas Regiões Administrativas Especiais", mas as "circunstâncias externas mudaram significativamente (...) nesse período, desde logo mudou a balança entre Hong Kong e Macau”. Por outro lado, "mudou a importância única de Hong Kong para a integração internacional da economia chinesa, designadamente com o desenvolvimento de Xangai como um centro financeiro alternativo". Por último, "mudou o estatuto internacional da China e essa mudança condiciona a política de unificação pacífica com Taiwan”, enumerou o responsável. Assim, “em termos formais a RPC continua a defender o princípio ‘um país, dois sistemas’, que devem por a Pequim o respeito pela auto-
nomia de Hong Kong e de Macau e deixar a porta aberta à unificação com Taiwan”. Mas, sublinhou: “a interpretação oficial chinesa” sobre esse mesmo princípio "é hoje certamente diferente da interpretação que é feita pela oposição democrática de Hong Kong e do princípio defendido pelas duas partes. Tanto mais que este é invocado para limitar os direitos políticos da antiga colónia britânica", sublinhou. Além disso, as autoridades de Taiwan anunciaram a sua solidariedade política com a oposição democrática em Hong Kong e, nesse sentido, recusam qualquer passo significativo com vista à unificação com a RPC, recordou. "Esse impasse é intolerável para uma grande potência e a China não exclui a possibilidade de recorrer à força para forçar a unificação com a Taiwan”, frisou Monjardino.
Para Carlos Monjardino, não há grandes dúvidas que a questão de Taiwan está no centro da escalada de tensões entre a RPC e os EUA, continuando este último país "duplamente vinculado" à defesa daquele território. Portanto, está também no centro “do pior dos cenários de conflito internacional que opõe Washington e Pequim, as duas maiores potências marítimas que são também ambas potências nucleares”. Assim, defendeu que este contexto estratégico "não pode ser ignorado na análise e evolução do princípio 'um país, dois sistemas', que foi sempre apresentado como uma forma de transição". Além disso, sublinhou que tanto a declaração sino-portuguesa como a sino-britânica "indicam um prazo de 50 anos para a transição, findo o qual as regiões administrativas especiais deixam de existir e se completa a integração de Hong Kong e de Macau na RPC". "No novo ciclo de ‘sinofobia’, a China volta a ser representada como um império cuja expansão pode ameaçar a estabilidade internacional", afirmou. Além disso, "o seu comportamento em Hong Kong, a tendência nacionalista e as demonstrações de poder confirmam essa percepção", considerou. Porém, alertou, que o futuro da mais antiga das civilizações deve "ser tratado com a maior prudência" e concluiu que as relações de Portugal com a China “não começaram ontem nem terminam amanhã, e hoje tal como no passado têm de ser salvaguardadas da alternância dos ciclos”. A videoconferência contou ainda com as intervenções do embaixador Duarte de Jesus, que é também investigador da Universidade de Lisboa e do presidente do Conselho Científico do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Heitor Romana. Raquel Vaz-Pinto, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, foi outro dos oradores. Hoje Macau
4 política
26.4.2021 segunda-feira
www.hojemacau.com.mo
PEARL HORIZON COMPRADORES SELECCIONAM FRACÇÕES EM MAIO
Grande Baía Ho Iat Seng participa em reunião de líderes em Cantão
Ho Iat Seng, Chefe do Executivo, participou na última quinta-feira, em Cantão, na reunião do Grupo de Líderes para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Segundo um comunicado, o encontro serviu para debater as instruções apresentadas pelo membro do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China, vice-primeiro-ministro e chefe do referido Grupo, Han Zheng, sobre o principal trabalho de desenvolvimento da Grande Baía. No seu discurso, Ho Iat Seng que o desenvolvimento do projecto da Grande Baía “é a tarefa de prioridade mais elevada para o Governo, razão pela qual todas as decisões inerentes a esta matéria serão concretizadas com enorme seriedade”. O governante disse que o Executivo aguarda a publicação oficial do “Projecto geral da zona de cooperação aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.
DSEDJ Duzentos alunos conhecem “êxitos aeroespaciais da China”
O “Dia do Espaço da China” foi celebrado no sábado num evento organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) no qual participaram 200 alunos. O objectivo foi dar a conhecer a indústria aeroespacial chinesa e “aumentar o sentido de missão perante a pátria”. O director da DSEDJ, Lou Pak Sang, relembrou o sucesso da primeira missão lunar e da sonda que captou imagens de alta definição de Marte. Mais uma vez, o objectivo da palestra foi “reforçar o espírito de amor pela pátria e por Macau, e o sentimento de orgulho pela nação chinesa, aprendendo e desenvolvendo, continuamente, o espírito de investigação e de coragem na busca dos seus sonhos”. Segundo a DSEDJ, os alunos adquiriram “muitos conhecimentos, além dos contidos nos materiais didácticos, dando-lhes a conhecer os êxitos da China na indústria aeroespacial e o desenvolvimento infinito no futuro”.
DST Ajustamento de carreiras será divulgado “em tempo oportuno”
Lam Hin San, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), garantiu, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Lei Chan U, que “em tempo oportuno será divulgada a próxima fase do plano de ajustamento das carreiras” dos autocarros. “Esta direcção de serviços irá ponderar a necessidade de um ajustamento tendo em conta toda a rede de carreiras de autocarros. De momento decorre a revisão ao ajustamento das carreiras de autocarros e avaliação da sua eficácia após a entrada em vigor do novo contrato”, lê-se ainda na resposta. Lam Hin San adiantou ainda que o Governo “continuará a melhorar o serviço de autocarros sem alterar o número total de carreiras”, estando atento “às necessidades de serviço de autocarros da população, ao tempo de espera, de viagem e às horas contínuas de condução dos motoristas de autocarros”. Nesse sentido, “será melhorado o número de paragens e o ambiente de espera nas mesmas durante o ajustamento das carreiras ou conforme as necessidades reais”.
Agora escolha A partir do próximo mês, os lesados do Pearl Horizon começam a escolher a habitação para troca. De acordo com a Macau Renovação Urbana S.A., foram aceites 1.902 pedidos de fracções e não há necessidade de fazer pagamentos nesta fase
O
p r o c e s s o de selecção da habitação para troca que vai ser construída pela Macau Renovação Urbana S.A. no Lote P da Areia Preta arranca no próximo mês. A empresa comunicou que vai notificar os candidatos para participarem numa reunião e informá-los da data, hora e procedimento para a selecção do apartamento através de email. Até sexta-feira, registavam-se 1.932 candidaturas para habitação para troca por parte dos antigos proprietários do Pearl Horizon, tendo sido aceites 1.902. Das restantes, 30 estão suspensas e foram rejeitadas 12 porque os candidatos não tinham registado as respectivas propriedades. “A construção das unidades de habitação para troca vai ficar concluída em 2024. Os candidatos elegíveis não precisam de fazer qualquer pagamento nesta fase”, diz o comunicado. Durante o próximo mês, a empresa vai organizar sessões a explicar o processo de escolha dos apartamentos e o tipo de fracções disponíveis. Os compradores vão
“Os candidatos elegíveis não precisam de fazer qualquer pagamento nesta fase.” MACAU RENOVAÇÃO URBANA S.A.
ter de assinar uma carta de intenção a confirmar a selecção da casa. Quem faltar – nem nomear alguém para o representar – passa para baixo na lista para escolher a casa.
Mantido o estilo
O planeamento do terreno prevê a edificação de seis torres resi-
A
obra do activista Joshua Wong intitulada “Não Sou uma Criança”, em chinês, continua sem poder ser requisitada nas Bibliotecas Públicas de Macau. A TDM Rádio Macau noticiou que o livro continua em fase de apreciação e não há previsão de quando regressa às estantes. “O livro voltou para a fase de apreciação, onde ainda permanece. A fase de apreciação é feita por seis a sete membros, e todos eles têm que ler os livros na íntegra para darem a sua opinião independente. Isso leva algum tempo”, disse Loi Chi Pang, chefe de departamento de gestão de bibliotecas do Instituto Cultural (IC), citado pela rádio. O responsável apontou que há outros livros sob revisão, por conteúdos pornográficos ou violentos.
denciais para habitação para troca no lote A, com cerca de duas mil unidades destinadas a lesados do empreendimento do Pearl Horizon, que nunca chegou a ser construído. A Macau Renovação Urbana S.A. refere que o empreendimento original teria mais de dez tipos de fracções e que as unidades de habitação para troca foram desenhadas tendo por referência o tamanho e design do projecto original. Além disso, a nota refere que todas as casas estão dentro de um intervalo de cinco por cento da área da unidade original. Um despacho publicado no mês passado em Boletim Oficial atribuiu mais de 47 mil metros quadrados de terreno no lote P à Macau Renovação Urbana S.A. para a habitação para troca, habitação para alojamento temporário e equipamento colectivo público. A concessão tem um valor atribuído de 8,9 mil milhões de patacas e é válida por 25 anos. A área de 22.888 metros quadrados do lote A destina-se às fracções para troca, comércio, estacionamento e piscina. Salomé Fernandes
Selecção natural Livro de Joshua Wong sem data para regressar às bibliotecas
De acordo com o Canal Macau da TDM, o responsável afirmou tratar-se de um procedimento normal. Depois de os livros serem comprados podem ser retirados para revisão se os leitores apresentarem opiniões críticas. Podem ser inspecionadas anualmente dezenas ou centenas de livros e revistas. “É uma selecção normal, como acabei de referir não é uma censura”, comentou.
Esperar sentado
Loi Chi Pang apontou que os resultados são demorados porque os
membros do conselho que inspecionam as obras têm de ler entre dez a vinte livros. A retirada do livro foi confirmada pelo IC em Julho do ano passado, ao HM. Na altura, o organismo público disse que por estar a ser analisado não havia “condições para aceder” à obra. A actuação foi defendida com a necessidade de manter “o equilíbrio das opiniões de conteúdos” e o IC garantia terem sido adoptados os princípios da “Política de Desenvolvimento de Colecções”, que foi criada com base no Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas.
segunda-feira 26.4.2021
política 5
www.hojemacau.com.mo
Economia AMCM garante que Macau mantém independência financeira
Em resposta à interpelação escrita de Sulu Sou, a Autoridade Monetária de Macau(AMCM) garante que Macau mantém a independência financeira. O presidente da AMCM, Chan Sau San apontou que Macau tem um regime fiscal independente e elabora as suas políticas cambiais, mantendo o papel financeiro estabelecido na Lei Básica. Chan Sau San ainda apontou que o relatório da Organização Mundial do Comércio, publicado em Dezembro do ano passado, elogiou a liberdade comercial e regime de políticas de investimento de Macau. Chan destacou também o reconhecimento do Fundo Monetário Internacional que em 2014, 2016 e 2019 elogiou a RAEM em termos de gestão financeira, em material cambial e no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. O líder da AMCM destacou ainda o reconhecimento que as agências de notação internacionais deram a Macau através do ranking AA, que reconhece a transparência e internacionalização de Macau.
CAEAL Forças de Segurança devem manter “neutralidade política”
A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) afirma que o pessoal das Forças de Segurança de Macau (FSM) tem “o dever de neutralidade política”, tendo em conta os “deveres expressamente definidos no Estatuto dos Militarizados das Forças de Segurança de Macau”. A conclusão consta de uma consulta apresentada recentemente por uma associação de funcionários públicos “sobre o cumprimento do dever de neutralidade dos agentes das Forças de Segurança”. Segundo a resposta das FSM, é dito que os seus dirigentes “nunca avisaram ou indicaram, de forma alguma, que os seus subordinados não poderiam subscrever os ‘Pedidos de Reconhecimento de Constituição da Comissão de Candidatura’, nem que não poderiam participar nas actividades de campanha eleitoral ou apresentar comentários sobre as candidaturas nas redes sociais”. A CAEAL alertou ainda que “os trabalhadores dos serviços e entidades públicos têm de manter neutralidade no exercício das suas funções, tratando-se esta de uma disposição geral”.
O manifesto em causa, aprovado em 1949 e revisto em 1994, define que “as colecções e os serviços devem ser isentos de qualquer forma de censura ideológica, política ou religiosa e de pressões comerciais”. Além disso, descreve que “a participação construtiva e o desenvolvimento da democracia dependem tanto de uma educação satisfatória, como de um acesso livre e sem limites ao conhecimento, ao pensamento, à cultura e à informação”. Recorde-se que deixaram de estar disponíveis livros de Joshua Wong e de outros autores em várias bibliotecas de Hong Kong, depois da entrada em vigor da lei da segurança nacional.
HENGQIN PIB DA ZONA DE COMÉRCIO LIVRE TRIPLICOU EM SEIS ANOS
O
Produto Interno Bruto (PIB) da zona de comércio livre de Hengqin passou de 12.68 mil milhões para 40.7 mil milhões de yuan desde a sua criação, em 2015, noticiaram ontem as autoridades de Zhuhai. Actualmente a zona de comércio livre de Hengqin tem mais de quatro mil empresas de Macau registadas com um capital social de 130 mil milhões de yuan, sendo que o ano passado foram registadas 1,395 empresas, um aumento de 67,47 por cento face a 2019. Até à data, 30 empresas de Macau do sector da construção civil estão registadas para o exercício de actividade transfronteiriça,
com um total de 125 profissionais. No caso de Hong Kong são 17 as empresas registadas, com um total de 93 profissionais. A cooperação na Zona Franca de Hengqin não se faz apenas a nível empresarial, uma vez que, segundo dados de final de 2020, mais de mil residentes de Macau estavam abrangidos pelo seguro médico de Hengqin. Os hospitais da região disponibilizam serviços médicos a cerca de 58 mil pessoas, sendo que o centro de serviços em Hengqin, implementado pela União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), disponibilizou serviços a mais de 20 mil residentes de Macau.
6 sociedade
O Governo cortou as quotas de bluecards da MASTV, agudizando a situação de quem fica e revelando uma empresa à deriva. Entre 2019 e Março deste ano, a DSAL recebeu 178 queixas de funcionários da estação e abriu 29 processos devido à falta de pagamento de salários. Destes processos, 18 seguiram para tribunal
U
26.4.2021 segunda-feira
www.hojemacau.com.mo
M escritório vazio, credores a bater à porta, rendas, contas gerais e salários por pagar e a administração em parte incerta. Assim têm sido os dias dos poucos trabalhadores que restam da MASTV em Macau, menos de 10, depois da Direcção dos Serviços para osAssuntos Laborais (DSAL) ter revogado as quotas da empresa para contratar trabalhadores não residentes. A informação avançada por uma ex-funcionária da MASTV, num artigo publicado no All About Macau, revela que desde 2019 até Março deste ano, a DSAL recebeu 178 queixas de trabalhadores com salários em atraso, resultando na abertura de 29 processos. Destes, seis casos foram resolvidos, cinco continuam em investigação, enquanto os restantes 18 foram encaminhados para tribunal. Mais de uma centena de trabalhadores queixam-se de dívidas
MASTV ENTREGUE A MENOS DE 10 TRABALHADORES
Barco à deriva
num valor, descrito como uma “estimativa conservadora”, que ronda as dezenas de milhões de patacas. Entre os queixosos contam-se trabalhadores que deram mais de 10 ano de trabalho à MASTV. Segundo o artigo publicado no All About Macau, há algum tempo que a renda do espaço que a MASTV ocupa no Edifício Comercial First National não é paga e que os estacionamentos reservados para a empresa deixaram de estar disponíveis. Aliás, os funcionários que continuam a trabalhar no local dão conta da frequente “visita” de credores ao escritório, de telefonemas de pessoas que exigem pagamentos, face ao desapareci-
mento de responsáveis da direcção e administração.
Queda em desgraça
Depois de um período áureo, com uma equipa com cerca de 150 funcionários, a programação da MASTV depende hoje em dia de repetições de programas, de transmissões das conferências de imprensa sobre a pandemia e do trabalho das dele-
gações de Hong Kong e Zhuhai. Neste aspecto, o All About Macau salienta que no ano passado não foram renovados bluecards a cerca de uma dezena de trabalhadores, que passaram a trabalhar em Zhuhai a troco de 40 por cento do salário que auferiam anteriormente. Um ex-funcionário da MASTV, que não se identificou ao All About Macau, afirma que também a actuali-
Em 2005, a PetroChina e Sinopec compraram participações da MASTV, transferindo-as gradualmente para várias empresas com sede social nas Ilhas Virgens Britânicas
PROTECÇÃO CIVIL “PEIXE DE CRISTAL” CONTOU COM 371 VOLUNTÁRIOS
A
estrutura de Protecção Civil foi mobilizada no sábado para o exercício “Peixe de Cristal 2021”, para avaliar os planos de contingência em caso da passagem de tufões por Macau. O exercício simulou cerca de 60 incidentes e contou com a participação de 2700 pessoas, das quais 371 eram voluntários. De acordo com um comunicado dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), o secretá-
rio para a Segurança, Wong Sio Chak, concluiu que o exercício teve “sucesso”. O simulacro incluiu envolveu a evacuação de mais de duas mil famílias. Realizaram-se operações de evacuação com recurso ao sistema de difusão sonora, a abertura ao público dos seis centros de acolhimento e dos locais de encontro para pessoas com necessidades especiais, o encerramento dos auto-silos nas zonas
baixas e a divulgação da suspensão temporárias de electricidade. Os SPU indicam ainda que existe um novo sistema de verificação e evacuação nas zonas baixas, que permite a transmissão de dados associados
aos planos de evacuação de forma “visual” para o centro de operações da Protecção Civil. Uma adição que pretende responder a alterações no “ritmo de ocorrência de incidentes súbitos de natureza pública”, ao aumento
do risco das catástrofes naturais e ao impacto das mudanças climáticas. Entre os pontos de melhoria apresentados por Wong Sio Chak incluem-se a “atenção aos rumores divulgados na internet de forma a esclarecer atempadamente e evitar pânico desnecessário” e os membros da estrutura transmitirem informação “com precisão” para a direcção e o comando serem “mais eficazes e específico”.
zação do equipamento foi esquecida, como câmaras, tripés, computadores, mas que foi funcionando graças aos esforços e reparações constantes da equipa técnica, que, entretanto, foi também despedida. Além disso, conta ter conhecimento da entrada 3 milhões de patacas nos cofres da empresa devido a transmissões relativas ao Hong Kong Jockey Club e salienta que mesmo com os subsídios da Fundação Macau, a MASTV só pagava aos trabalhadores depois de obrigada pela DSAL e mesmo no limite do prazo, antes do processo dar entrada em tribunal. “Mesmo que o dono da empresa tenha perdido muito dinheiros noutros negócios, isso não tem nada a ver connosco. Porque é que os trabalhadores da MASTV têm se pagar por isso?”, questiona o ex-trabalhador. O Boletim Oficial mostra que a Fundação Macau subsidiou vários programas da MASTV, em especial conteúdos históricos, como “Comovendo Macau” e “Compromisso de Felicidade” sobre o aniversário do retorno à pátria e divulgação da Lei Básica, respectivamente. Tudo somado, entre 2015 e 2020, foram aprovados mais de 38,8 milhões de patacas em subsídios para produção de conteúdos, aos quais se juntaram 8 milhões de patacas em 2019 e 2020. Quantias que, segundo os funcionários, não se materializaram em salários. A MASTV foi registada em Macau em 2001, ano em que foram aprovadas licenças para serviços de radiodifusão televisiva por satélite. A estação tinha um lugar muito particular no mercado, sendo a única televisão de Macau a transmitir para o Interior da China. De acordo com o registo comercial, o investidor principal é o empresário Lin Nan, o maior accionista da Polyard Petroleum, empresa listada no Mercado de Empresas em Crescimento da Bolsa de Hong Kong. Em 2005, a PetroChina e Sinopec compraram participações da MASTV, transferindo-as gradualmente para várias empresas com sede social nas Ilhas Virgens Britânicas. João Luz com Nunu Wu
Ensino Primário Manuais com conteúdos de Macau
Kong Chi Meng, subdirector da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), adiantou que estão a ser elaborados materiais didácticos com conteúdos sobre Macau destinados ao ensino primário. Segundo o jornal Ou Mun, Kong Chi Meng disse que os livros podem começar a ser usados nas escolas no próximo ano lectivo. O responsável explicou que, nos últimos anos, as escolas têm tido autonomia na escolha dos manuais escolares, mas que os mesmos, adquiridos no exterior, não contém muitas informações sobre Macau. No actual ano lectivo foram lançados alguns materiais didácticos de forma experimental.
segunda-feira 26.4.2021
sociedade 7
www.hojemacau.com.mo
IAM AFASTADA ZONA PEDONAL ENTRE PORTAS DO CERCO E BARRA
J ROTEIROS DE TURISMO INTERNO REGISTARAM MAIS DE 17 MIL INSCRIÇÕES
Tirar os pés da terra
A Direcção dos Serviços de Turismo considera que o programa de turismo interno está a registar uma “boa procura”. A maioria das inscrições foi na experiência de viagem de helicóptero e fotografia num iate, enquanto a estadia em hotéis já vendeu 1.569 pacotes
A
S seis primeiras excursões do programa “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau” arrancaram ontem de manhã, com um total de 230 participantes. Os seis roteitos da primeira fase, que decorre entre Abril e Junho, incluem a visita aos edifícios antigos da Vila de Nossa Senhora de Ká-Hó, ao Museu de Cera de Celebridades e experiências musicais. Mas o principal interesse dos cidadãos é sair de terra. “Entre os passeios, a ‘Viagem de helicóptero e fotografia em iate’ é particularmente popular, atraindo um total de 15.552 inscrições de residentes de Macau”, comunicou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). Os restantes cinco roteiros registaram 2.209 inscrições até sábado. A DST considera que o programa está a “registar boa procura”. A
iniciativa lançada pelo Governo subsidia a participação de residentes em excursões num valor até 280 patacas e dormidas em hotéis no montante de 200 patacas. O objectivo passa por injectar cerca de 120 milhões no sector do turismo. Para a experiência de estadia em hotéis foram vendidos 1.569 pacotes, o que representa a participação de 3.936 residentes. De acordo com a nota, a directora da DST mostrou-se “satisfeita pelo interesse dos residentes” na iniciativa e considera que vai ajudar “a aumentar o conhecimento dos residentes sobre os recursos turís-
ticos”, além de “apoiar a indústria turística” e “impulsionar o consumo comunitário”. De acordo com o canal chinês da TDM Rádio Macau, Helena de Senna Fernandes disse que a próxima fase está prevista para as férias de verão, passando a incluir elementos como viagens marítimas e workshops de gastronomia. Espera-se que o número de participantes aumente nos meses de Julho e Agosto.
Aumento da frequência
As excursões decorrem até 31 de Dezembro, mas a frequência vai
“Entre os passeios, a ‘Viagem de helicóptero e fotografia em iate’ é particularmente popular, atraindo um total de 15.552 inscrições de residentes de Macau.” DST
aumentar na altura do verão. Nos meses de Abril a Junho, e de Setembro a Dezembro, decorrem aos fins-de-semana e feriados, prevendo-se que passem a ser diárias em Julho e Agosto. A iniciativa conta com a participação de 69 hotéis e pensões, 160 agências de viagens, e mais de 800 profissionais de turismo. Com a adesão da indústria ficam também avisos para as regras serem seguidas. “ADST responsabiliza-se pela divulgação e supervisão de todo o programa, providenciando pessoal para proceder à fiscalização no terreno, à avaliação da eficácia do programa, entre outros trabalhos, com o objectivo de racionalizar o uso do erário público e evitar a ocorrência de irregularidades”, observou o organismo. Salomé Fernandes
PROSTITUIÇÃO REDE DESMANTELADA NA RUA DA TERCENA
O
Corpo de Polícia de Segurança Pública desmantelou uma alegada sede da prostituição em operação num apartamento na Rua da Tercena, depois de receber uma denúncia. Segundo o jornal Ou Mun, as autoridades visitaram o local no dia 12 de Abril, onde encontrou três mulheres, com idades compreendidas entre 39 e 41 anos, portadoras do visto
turístico do Interior da China. Foram também encontrados toalhas e preservativos Segundo as mulheres, a angariação e gestão do negócio estaria a cargo de um indivíduo de Hong Kong, de apelido Chan, que garantia remuneração entre 200 e 400 patacas por cada serviço. Chan receberia das mulheres 300 patacas para a di-
vulgação do “negócio” na internet, 200 patacas para comprar um cartão telefónico, bem como 600 patacas de renda de quarto por dia. A investigação policial descobriu que a cópia do Bilhete de Identidade Residente (BIR) usado para pagar a renda do apartamento é falsificada. Chan acabaria por ser encontrado pelas autoridades na
passada quarta-feira, admitindo que desde 2016 auxiliou mulheres do Interior da China a dedicar-se à prostituição em Macau, e que lucrou cerca de 85 mil patacas. Chan foi encaminhado para o Ministério Público acusado pelos crimes de falsificação de documento e exploração de prostituição. Entretanto, as mulheres voltaram à China. N. W.
OSÉ Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), garantiu ao deputado Leong Sun Iok que “não estão temporariamente reunidas as condições para ser construída a pista para correr entre o sul das Portas do Cerco e a costa da Barra”, uma vez que “existem diferenças no grau de desenvolvimento das diferentes zonas de Macau”. Em resposta à interpelação escrita do deputado, José Tavares frisou também que “o IAM já melhorou o ambiente ribeirinho da Baía Sul e do norte do Fai Chi Kei, construindo zonas de lazer e instalações recreativas”. O ano passado o IAM começou a construção do corredor marginal verde do sul da península de Macau, entre o Centro de Ciência e a Barra, sendo que, numa primeira fase, “será construída a zona costeira de lazer de Dr. Sun Yat Sen, a qual se estenderá desde o Centro de Ciência até à Estátua da Deusa Kun Iam”. Segundo José Tavares, esta zona terá “pistas para correr, ciclovias e outras infra-estruturas desportivas ao ar livre, de modo a proporcionar à população tempos livres de qualidade”. O deputado Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), questionou também o IAM sobre o desnivelamento dos pavimentos causado pelo crescimento das raízes das árvores nos passeios circundantes do lago Nam Van. O IAM promete "avaliar a situação e adoptar medidas para proteger essas árvores enquanto decorrem obras de melhoria, procurando um equilíbrio entre um ambiente pedonal seguro e agradável e a protecção das árvores”. Relativamente ao Centro Desportivo Lin Fong, situado na zona do antigo Canídromo, foram prolongados os horários de funcionamento do campo de relva natural e da pista de atletismo. “Tendo em consideração a revisão do planeamento urbano do Canídromo, o IAM irá reforçar a gestão das instalações desportivas existentes, a fim de garantir as condições higiénicas das instalações”, explicou José Tavares ao deputado. A.S.S.
8 eventos
www.hojemacau.com.mo
26.4.2021 segunda-feira
FESTIVAL DE ARTES DE MACAU CASA DE PORTUGAL APRESENTA ESPECTÁCULO DE MARIONETAS EM MAIO
Vamos todos ao
Bailarinas, palhaços e outras figuras ligadas ao mundo circense compõem o novo espectácul da Casa de Portugal em Macau (CPM), intitulado “O Circo”, e que se insere no cartaz do Festi Macau. Entretanto Elisa Vilaça continua a apresentar, aos fins-de-semana, os espectáculos “O Arraial”, com os tradicionais Robertos portugueses
Em “O Circo” conta-se a história numa barraca “em que as cenas se vão passando sucessivamente, com malabaristas, palhaços e bailarinas, num enredo que constitui o ambiente circense”
E
LISA Vilaça, da Casa de Portugal em Macau (CPM), apresenta em Maio um novo espectáculo de marionetas que poderá ser visto na nova edição do Festival de Artes de Macau (FAM). O espectáculo intitula-se “O Circo” e destina-se a revelar o mundo circense aos mais pequenos e acontece
no jardim do bairro do Iao Hon, entre os dias 14 e 16 de Maio. “São bonecos construídos por mim, bem como todo o enredo, a selecção de músicas e do espectáculo. Tenho duas pessoas a trabalhar na ajuda da manipulação [dos bonecos], o Sérgio Feiteira e José Nyogeri. São bonecos feitos com técnicas
diferentes, temos bonecos manipulados com fios, com manipulação directa, bonecos de luva. E temos um conjunto de figuras referentes ao circo”, contou ao HM. Elisa Vilaça explicou que “O Circo” não terá um texto propriamente dito, mas também não será feito com base no improviso. A ideia é que a mensagem
chegue mais facilmente a várias comunidades, falantes de várias línguas. “As histórias são sempre criadas para cada espectáculo e as figuras são todas construídas de raiz. Não há texto, porque são espectáculos de rua e a maior parte da comunidade em Macau fala a língua chinesa e queremos criar um tipo de espectáculos
que seja acessível a toda a todas as comunidades. Temos movimento e uma música de base, sempre.” Em “O Circo” conta-se a história numa barraca “em que as cenas se vão passando sucessivamente, com malabaristas, palhaços e bailarinas, num enredo que constitui o ambiente circense”. O espectáculo é, no fundo,
segunda-feira 26.4.2021
circo
lo de marionetas ival das Artes de O Barbeiro” e “O
composto por várias sequências, de três minutos cada, em que cada uma tem uma banda sonora específica.
Os materiais reciclados
Em “O Circo”, “há sempre uma interacção com o público”, descreve Elisa Vilaça. “Temos um boneco num monociclo que desce numa
plataforma, um cão que anda na estrada, que salta obstáculos e brinca com os miúdos.” Com estes projectos de marionetas, a CPM pretende apostar também na protecção do meio ambiente. “Amaior parte destes bonecos são construídos a partir de materiais reciclados, porque a preservação ambiental é também importante para nós e é uma coisa que tentamos divulgar. Temos uma bailarina feita com guarda-chuvas, outros que são feitos com restos de madeira que temos, pasta modelar. Há também um pequeno alerta na forma de construir os bonecos de reciclar materiais, que é extremamente importante”, disse Elisa Vilaça. “A Mostra de Espectáculos ao Ar Livre” do FAM, onde se integra “O Circo”, conta também com a participação de grupos culturais locais como a Associação de Dança Ieng Chi, a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira de Macau e a Banda da Escola Secundária Hou Kong, entre outros. Entretanto, Elisa Vilaça começou a apresentar novamente os espectáculos “O Arraial” e “O Barbeiro”, no âmbito de uma iniciativa do Instituto Cultural (IC) que visa promover espectáculos de rua ao fim-de-semana, também durante o mês de Maio, em zonas como o Porto Interior, as Casas Museu e a Feira do Carmo, na Taipa. No caso de “O Barbeiro”, trata-se de “uma reprodução de uma das histórias mais tradicionais dos Robertos portugueses”. “Os bonecos são manipulados todos por uma única pessoa dentro de uma barraca e falam de ‘palheta’, uma técnica usada pela maioria dos roberteiros e que consiste na introdução na boca de uma pequena palheta que fica junto ao céu da boca. Quando falam, o som é mais estridente”, acrescentou. Já “O Arraial” é uma história, também criada por Elisa Vilaça, “baseada nas festas típicas e populares portuguesas”, e que também se passa dentro de uma barraca, também com os tradicionais Robertos. “A história começa de uma forma teatral, com três pessoas que depois de entrarem na barraca se transformam em figuras pequenas. No final do espectáculo essas mesmas personagens voltam a sair da barraca em forma de actores. Não temos texto, só música”, rematou. Andreia Sofia Silva
eventos 9
www.hojemacau.com.mo
LIVRO “MACAU. NOVAS LEITURAS” APRESENTADO AMANHÃ
A
obra “Macau.Novas Leituras”, editado pela Tinta da China em Portugal, será apresentada amanhã na Livraria Portuguesa entre as 18h30 e as 20h. A sessão será transmitida online em simultâneo em Portugal, no horário entre as 11h30 e as 13h, via Facebook. A moderação estará a cargo de Ricardo Pinto, gestor
da Livraria Portuguesa, e Marta Pacheco Pinto. A sessão conta ainda com as participações de Ana Paula Laborinho, co-organizadora da obra, Inês Hugon, da Tinta da China e Gonçalo Cordeiro, outro co-organizador do livro. Seguem-se apresentações de personalidades como Fernanda Gil Costa, Dora Nunes Gago, Maria
do Carmo Piçarra e Carlos André. Serão feitas também algumas leituras de autores como Carlos Morais José, Yao Jingming e Joe Tang. “Macau. Novas Leituras” é um livro que “assinala os 20 anos da transferência da administração portuguesa de Macau para a República Popular da China, celebrados em 2019 e também
eles marcando o fim do ciclo colonial português”. Com esta edição “propõe-se uma reflexão abrangente sobre alguma da produção literária e cultural mais relevante dedicada a Macau desde a transferência, privilegiando a escrita em língua portuguesa, mas sem descurar outras vozes e tradições literárias”.
Óscares, o pontapé de saída “Nomadland”, de Chloé Zhao, com várias nomeações
A
9 3 . ª edição dos Óscares, adiada de Fevereiro para este mês devido à pandemia, acontece no Dolby Theatre, com audiência, no edifício da estação de comboios Union Station, em Los Angeles (Califórnia), e noutros “locais internacionais via satélite”, como anunciou a academia norte-americana. A cerimónia decorreu na madrugada deste domingo [hora europeia]. Nas contas para esta edição, o filme “Mank”, de David Fincher, soma dez nomeações, mas o favoritismo – a avaliar pelo rol de prémios já conquistados – é apontado para “Nomadland – Sobreviver na América”, de Chloé Zhao, indicado para sete estatuetas, que, na passada sexta-feira, culminando o percurso de sucesso dos últimos meses, arrecadou quatro prémios Spirit, os chamados ‘óscares’ do cinema independente: melhor filme, melhor realização, melhor montagem e melhor fotografia. Protagonizado por Frances McDdormand, o filme conta a história de uma mulher que viaja pela América como nómada, vivendo numa caravana, trabalhando em empregos temporários e sobrevivendo na estrada, na sequência de uma crise económica. Embora o filme seja uma ficção, assenta em testemunhos reais de norte-americanos que vivem na estrada, sempre em trânsito, numa comunidade nómada mais envelhecida e nas margens da sociedade. Chloé Zhao, sino-americana, é a primeira mulher asiática nomeada para os Óscares, mas se vencer não deverá ser aplaudida na China. Numa entrevista em 2013, a realizadora declarou que na China “há mentiras por todo o lado”. O comentário foi recuperado recentemente nas redes sociais, com internautas nacionalistas a acusarem de traição.
O lugar de “Mank”
Quanto aos Óscares, “Mank”, produzido pela Netflix e ignorado nos
Globos de Ouro, onde era o mais nomeado, está agora indicado em categorias como Melhor Filme, Realização, Direcção de Fotografia, Actor Principal (Gary Oldman) e Actriz Secundária (Amanda Seyfried). Para o Óscar de Melhor Realização, apenas David Fincher é repetente. Todos os outros estão nomeados nesta pela primeira vez: Thomas Vinterberg (“Mais uma rodada”), Lee Isaac Chung (“Minari”), Chloé Zhao (“Nomadland – Sobreviver na América”) e Emerald Fennell (“Uma miúda com potencial”). É a primeira vez que duas mulheres competem nesta categoria. E em mais de 90 anos de história dos Óscares, apenas cinco outras mulheres estiveram indicadas e somente uma venceu o prémio de melhor realização; Kathryn Bigelow, em 2010, com “Estado de guerra”. Para o Óscar de melhor filme estão nomeados “Mank”, “Nomadland” e “Uma miúda com potencial”, “O Pai”, “Judas and the Black Messiah”, “Minari”, “Sound of Metal” e “Os 7 de Chicago”. Para o Óscar de Melhor Actriz estão nomeadas Carey Mulligan (“Uma miúda com potencial”), Frances McDormand (“Nomadland”), Vio-
la Davis (“Ma Rainey: A mãe dos blues”), Vanessa Kirby (“Pieces of a Woman”) e Andra Day (“The United States vs. Billie Holiday”). Na representação masculina estão indicados Chadwick Boseman (a título póstumo por “Ma Rainey: A mãe dos blues”), Riz Ahmed (“Sound of Metal”), Anthony Hopkins (“O Pai”), Gary Oldman (“Mank”) e Steven Yeun (“Minari”). Para Melhor Filme Internacional, foram seleccionados “Quo Vadis, Aida?” (Bósnia Herzegovina), “Mais uma rodada” (Dinamarca), “Better Days” (Hong Kong), “The Man Who Sold His Skin” (Tunísia) e “Collective” (Roménia). “Bora lá”, “Para além da lua”, “Soul – Uma aventura com alma”, “Wolfwalkers” e “Ovelha Choné: A quinta contra-ataca” competem pelo Óscar de Melhor Filme de Animação. No anúncio dos vencedores, está confirmada a presença de nomes como os do realizador Bong Joon Ho, premiado nos Óscares em 2020 com “Parasitas”, das actrizes Laura Dern e Zendaya e dos actores Harrison Ford, Joaquin Phoenix e Brad Pitt.
10 china
26.4.2021 segunda-feira
www.hojemacau.com.mo
WANG YI AVISA ESTADOS UNIDOS
Democracia não é Coca-Cola Nem todos têm o mesmo conceito de democracia, com sabor idêntico, explicou o MNE chinês
N
A noite de 23 de abril, o conselheiro de Estado e Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, realizou uma videoconferência com o Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Wang disse que foi traçada a direcção geral para desenvolver laços entre os dois países. No entanto, “a política dos EUA em relação à China ainda não superou seu mal-entendido sobre a China, e o país não encontrou o caminho certo para lidar com a China”, referiu Wang Yi. O MNE chinês apresentou cinco sugestões aos Estados Unidos sobre como tratar as relações China-EUA de uma perspectiva estratégica. Em primeiro lugar, os Estados Unidos devem compreender e encarar o desenvolvimento da China de forma objectiva e racional. Em segundo lugar, os Estados Unidos devem trabalhar com a China num novo caminho de coexistência pacífica e cooperação de benefício mútuo. Em terceiro lugar, os Estados Unidos devem respeitar e tolerar o caminho e o
sistema que a China escolheu de forma independente. Em quarto lugar, os Estados Unidos devem praticar o multilateralismo no verdadeiro sentido da palavra. Em quinto lugar, os Estados Unidos
não devem interferir nos assuntos internos da China. Para Wang, “o futuro das relações China-EUA depende da aceitação da ascensão pacífica da China por parte dos Estados Uni-
RAEHK E RAEM COM VICE-PRIMEIRO-MINISTRO
CLIMA XI JINPING PEDE RESPEITO POR "RESPONSABILIDADE DIFERENCIADA"
O
Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu que o combate às alterações climáticas deve seguir os princípios do "multilateralismo e do direito internacional" e que os países devem assumir "responsabilidades diferenciadas" conforme a sua prosperidade económica. Intervindo na cimeira climática de líderes promovida pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, Xi Jinping afirmou que a China quer "trabalhar em conjunto com a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos". Afirmou que o seu país está "comprometido com o multilateralismo" e defende que o trabalho de combate às alterações climáticas se deve basear "no direito internacional" e a colaboração entre os países ser feita no âmbito das Nações Unidas, seguindo a sua convenção-quadro para as
alterações climáticas e o Acordo de Paris dela decorrente, bem como os objectivos de desenvolvimento sustentável definidos para 2030. Manifestou também o compromisso chinês com o princípio de "responsabilidade comum, mas diferenciada, com reconhecimento pleno da contribuição dos países em desenvolvimento, respeitando as suas dificuldades e preocupações específicas". Os países desenvolvidos devem "aumentar as suas ambições climáticas e ajudar os países em desenvolvimento a acelerar as suas transições" para modelos económicos que não estejam assentes na exploração de combustíveis fósseis, acrescentou. Recordou que a China se comprometeu a começar a reduzir as suas emissões de gases de efeito de estufa ainda durante esta década e que
dos e do reconhecimento de que o povo chinês tem o direito de lutar uma vida melhor”. Frisando que “a democracia não é a Coca-Cola, que promete o mesmo sabor em todo o mundo”, Wang disse
que os Estados Unidos devem respeitar o caminho e o sistema escolhidos independentemente pela China. Relativamente a Taiwan, Wang enfatizou que jogar a "carta de Taiwan" é "brincar com fogo", exortando os Estados Unidos a cumprir estritamente o princípio de uma só China e honrar seus compromissos sob os três Comunicados Conjuntos Sino-EUA. Wang descreveu o "genocídio" e os "trabalhos forçados" em Xinjiang como mentiras inventadas por motivos políticos. Em resposta aos mais recentes desenvolvimentos em Hong Kong, ele disse que os EUA devem respeitar os esforços do governo chinês para implementar o princípio de "um país, dois sistemas". “A China nunca se envolve em coerção e opõe à coerção de outros países”, acrescentou Wang. Richard Haass, presidente do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, foi o anfitrião da videoconferência, que reuniu quase 500 participantes nos Estados Unidos.
O
pretende atingir a neutralidade carbónica antes de 2050, "num espaço de tempo muito mais reduzido do que conseguiria a maior parte dos países desenvolvidos". Para isso, nos planos quinquenais que orientam a governação do país, estão previstas medidas como a limitação do consumo de carvão para produção de energia. Xi Jinping afirmou que "proteger o ambiente é proteger e aumentar a produtividade".
vice-primeiro-ministro chinês, Han Zheng, reuniu-se na tarde de quinta-feira com a chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK), Carrie Lam, e com o chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Ho Iat Seng, em Cantão. Lam e Ho viajaram até Cantão, capital da província de Guangdong, para assistir a uma reunião para o desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Han elogiou o trabalho das duas regiões administrativas especiais. Han pediu que a RAEHK intensifique a legislação local relacionada com a reforma eleitoral e garanta que as eleições locais em 2021 e 2022 sejam organizadas adequadamente e tam-
bém pediu que a RAEM faça os máximos esforços para organizar a eleição de sua sétima Assembleia Legislativa. “Ambas as regiões administrativas especiais devem priorizar a prevenção e o controle da COVID-19 durante a reactivação das suas economias e melhorar as condições de vida da sua população”, disse Han, acrescentando que o
governo central continuará a oferecer o seu “pleno apoio como sempre”. O vice-primeiro-ministro pediu esforços conjuntos para desenvolver a área da Grande Baía e manter a prosperidade e estabilidade de longo prazo da RAEHK e RAEM, impulsionando assim a prática sustentada e bem-sucedida de "um país, dois sistemas".
segunda-feira 26.4.2021
china 11
www.hojemacau.com.mo
HK EXPLOSIVOS CONDENAM ACTIVISTA A 12 ANOS
A cerimónia de abertura do Dia Espacial da China foi realizada no sábado em Nanjing, província de Jiangsu, no leste da China. Ali foi apresentado o primeiro “rover” de Marte, nomeado "Zhu Rong". Zhu Rong é reverenciado como o deus do fogo mais antigo na cultura tradicional chinesa, o qual pode “orientar” os seres humanos para continuar a exploração no vasto universo. O veículo tem uma altura de 1,85 metros e um peso de cerca de 240 kg. A primeira missão de exploração de Marte da China "Tianwen-1", foi lançada com sucesso em órbita em 23 de julho de 2020. Actualmente, a aquisição de dados de imagem em alta definição da área de pouso pré-seleccionada foi concluída por meio de imagens múltiplas, e o trabalho de acompanhamento será realizado conforme planeado, preparando para o desembarque do módulo de pouso do Tianwen-1 e do Zhurong em meados de Maio.
M tribunal de Hong Kong condenou na sexta-feira um membro da Frente Nacional de Hong Kong, uma organização que defende a "independência de Hong Kong", a 12 anos de prisão por estar na posse de explosivos. Louis Lo Yat-sun foi condenado pelo Supremo Tribunal da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) por posse ilegal de explosivos com a intenção de pôr em perigo vidas ou bens. O homem foi preso em Julho de 2019, juntamente com duas outras pessoas, com armas e produtos químicos perigosos, incluindo 1,5 kg de TATP, cocktails Molotov, facas longas e ácidos, que foram apreendidos num armazém que alugou dentro de um edifício de Tsuen Wan. O Juiz Andrew Chan Hing-wai disse que Lo provou ser o cabecilha do caso e pretende subverter o governo da RAEHK e pregar "a independência de Hong Kong". A polícia congratulou-se com a sentença, esperando que envie
uma mensagem clara ao público de que a violência não pode ser aceite ou tolerada. Especialistas disseram que a TATP é ainda mais perigosa do que a conhecida bomba TNT, sendo assim utilizada por terroristas de todo o mundo para causar pesadas baixas.
A Frente Nacional de Hong Kong foi dissolvida em 2020 antes da lei de segurança nacional na RAEHK ter entrado em vigor.
Jornalista também condenada
Entretanto, uma jornalista de Hong Kong foi condenada a pa-
SAM TSANG | SCMP
Marte China apresenta primeiro “rover”
Muito lá de casa U
gar multas de 6.000 dólares de Hong Kong por aceder a dados oficiais para um documentário sobre agressões a manifestantes nos protestos pró-democracia de 2019, tendo o tribunal considerado que o fez fora do permitido na lei. A repórter Bao Choy Yuk-ling, de 37 anos, produtora independente da estação pública de televisão RTHK, foi considerada culpada de duas acusações de declarações falsas para obter os dados do proprietário de um veículo, através da base de dados oficial do governo, tendo sido condenada. De acordo com o tribunal, tais informações só podem ser pedidas por razões relacionadas com o trânsito, a compra de veículos ou motivos legais, apesar de no passado os jornalistas de Hong Kong terem acedido a este tipo de dados governamentais para realizarem trabalhos de investigação, sem enfrentarem acusações. No pedido de informação online, a jornalista assinalou que utilizaria a informação para "outros assuntos relacionados com o trânsito e o transporte", num formulário que não oferece uma opção para investigação jornalística. Choy declarou-se inocente em relação às acusações, pelas quais arriscava até seis meses de prisão, acabando por ser condenada a pagar duas multas de 3.000 dólares de Hong Kong.
Região II GUERRA ESCRAVAS SEXUAIS RECUSAM DECISÃO FAVORÁVEL A JAPÃO
A
SSOCIAÇÕES sul-coreanas defensoras dos direitos de mulheres “escravas sexuais” das tropas invasoras do Japão durante a 2ª Guerra Mundial vão recorrer de uma decisão judicial recusando uma indemnização do governo japonês. Em sentido contrário a anterior decisão judicial relativa a um outro grupo de vítimas - conhecidas pelo eufemismo “mulheres de conforto” - esta semana o juiz Min Seong-cheol, do Tribunal Distrital Central de Seul, recusou um pedido de indemnização ao Governo do Japão, alegando que este dispõe de imunidade estatal.
Em reacção, o Conselho Sul-Coreano para a Justiça e Memória das Questões de Escravidão Sexual Militar do Japão, associação defensora das vítimas, emitiu uma declaração denunciando veementemente o tribunal por rejeitar o processo iniciado por 20 queixosas, incluindo vítimas sobreviventes, algumas das quais assistiram à leitura da sentença. "Condenamos veementemente a decisão anti-direitos humanos, anti-paz e anti-histórica de Min, que será lembrada como uma grande nódoa na história mundial dos direitos humanos, bem como na história
sul-coreana", disse o grupo baseado em Seul, citado pela agência Yonhap. “A fim de restaurar os direitos humanos e a honra das vítimas, manteremos contactos com as vítimas e suas famílias para apresentarmos um recurso” da decisão judicial, disse a organização. De acordo com a Amnistia Internacional, até 200.000 meninas e mulheres, grande parte delas coreanas, foram forçadas a trabalhar em bordéis administrados pelos militares japoneses antes e durante a Segunda Guerra Mundial. No caso agora indeferido, 20 queixosas exigiam
que o Governo japonês pagasse um total de 3 mil milhões de won (2,7 milhões de dólares) pelos crimes a que foram sujeitas há cerca de 70 anos. Em janeiro, um outro juiz do mesmo tribunal tinha decidido a favor de um outro grupo de mulheres, num pedido de indemnização no valor de 100 milhões de won (cerca de 85 mil euros) para cada queixosa, rejeitando o argumento de imunidade do Estado, por considerar que os direitos humanos se sobrepõem à mesma. A organização de defesa das vítimas afirma que o país ficou “chocado e decepcionado" com as diferentes de-
cisões judiciais e prometeu continuar a bater-se para que o governo japonês reconheça os crimes e compense as vítimas. O recuo face à decisão de Janeiro foi notado pela Amnistia Internacional, que lamentou o “questionamento” de “uma vitória histórica para as sobreviventes, na sequência de uma espera excessivamente longa”. “Mais de 70 anos passaram desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e não podemos exagerar a urgência de o governo japonês parar de privar esses sobreviventes dos seus direitos à reparação total e de fornecer uma compensação adequada durante as suas vi-
das”, afirmouArnold Fang, da Amnistia. Apenas quatro das 10 sobreviventes que entraram com este caso em 2016 ainda estão vivas, de acordo com a organização defensora dos direitos humanos. Após a decisão de janeiro, o próprio presidente sul-coreano, Moon Jae-in, afirmou estar "honestamente confuso", dado que o princípio da imunidade estatal tem prevalecido nesta e noutras decisões. O mesmo princípio é usado, nomeadamente, pelos Estados Unidos para garantir que os seus militares em missão no estrangeiro não possam ser alvo de acusações criminais.
12
h
www.hojemacau.com.mo
26.4.2021 segunda-feira
O músico solitário de Wen Boren PAULO MAIA E CARMO
texto e ilustração
«Uma faixa luminosa permite discernir a lua reflectida no rio do Outono,/ O salto gentil de um par de carpas prateadas muda tudo./ Bêbedo, um velho pescador entoa uma cantiga popular,/ De um pomar de pereiras um grupo repete, sem se importar com o tom certo.» GONG XIAN (1619-1689)
Yang Jijing (c. 1477- depois de 1530) um músico de qin, tornar-se-ia uma figura inspiradora entre os literatos de Suzhou durante a dinastia Ming. Na pintura de Tang Yin (1470-1524) que está na Freer Gallery, Viagem para o Sul (rolo horizontal, tinta sobre papel, 24,3 x 89,3 cm) ele é representado a caminho, sentado num burro como os grandes poetas do passado, e vem acompanhado por um criado a pé, transportando ao ombro uma sombrinha e às costas, embrulhado num pano, o instrumento dos letrados. De modo habitual a pintura, acompanhada por poemas dos seus amigos, era suscitada por um evento iminente, a partida do músico para Nanquim em 1505, e serviria tanto como um presente de despedida como modo de apresentação perante os círculos literários da capital do Sul. O pintor escreveria nela dois poemas, num deles seguia a amizade com o viandante: «Sobre o rio, brisas primaveris sopram nos choupos delicados,/ Agarro no meu qin e despeço-me de ti, as tuas vestes esvoaçando./ Se alguém que encontrares souber apreciar a tua música,/ Corta algumas canas onde estiveres e faz uma cabana para ti.» Yang Jijing não terá tido sucesso no Sul apesar do inolvidável presente dos amigos de Suzhou mas o pintor não o esqueceria. Em O tocador de qin (rolo horizontal, tinta e cor sobre papel, 29,2 x 197,5 cm) um possível retrato póstumo, o músico é representado sentado, com o seu instrumento, rodeado de uma natureza significante
para os literatos como rochas e pinheiros. Perto dele um ribeiro transmitia a informação visual de uma sonoridade refrescante e ecoava o som da música. Rodeado por três criados, objectos à sua volta ligados à vida elegante dos letrados, confirmavam a aceitação do músico entre os literatos. Wen Zhengming, o celebrado pintor de Suzhou, amigo do pai de Yang Jijing, faria uma impressiva caligrafia com um pincel largo e duro, num estilo arcaico para uma pintura de um seu sobrinho chamado Wen Boren (1502-1575) quando este tinha vinte e quatro anos. A pintura, um Retrato em miniatura de Yang Jijing (rolo horizontal, tinta e cor sobre papel, 29,1 x 23,9 cm) mostra uma figura isolada, um formato raro do seu autor, funcionaria como uma introdução nesse mundo sofisticado de Wen Boren, um pintor que faria paisagens impressionantes e serenas como Ponte tranquila num rio remoto, que está no Museu de Arte de Cleveland (rolo horizontal, tinta e cor sobre papel,26,7 x 183 cm). Mas uma personagem controversa, conhecido pelo seu temperamento irascível. Wang Shizhen (1526-90) escreveria: «Este senhor é dado a um comportamento odioso, a gritar acusações aos outros, como é possível que tenha no peito uma tão grande riqueza de paisagens maravilhosas?» A resposta pode estar naquele retrato seminal, a música de Yang Jijing talvez o tenha sempre acompanhado para ele se compreender como parte de uma grande sinfonia.
segunda-feira 26.4.2021
JOSÉ SIMÕES MORAIS
A 27 de Fevereiro de 1521 morreu Fernão de Magalhães no Arquipélago de S. Lázaro (Filipinas). Até tal ocorrer, falta relatar a etapa para a qual se realizara a viagem e nunca feita por nenhum europeu, atravessar o Pacífico. Ainda no Atlântico, a armada estava em San Julián (49º 30’ Sul) a 31 de Março de 1520 e o Inverno fazia-se já sentir, com intenso frio e vento, prognosticando dificuldades logo no início do desconhecido da viagem. Três capitães castelhanos, liderados por Gaspar de Quesada e Juan de Cartagena, revoltaram-se contra a autoridade de Fernão de Magalhães e na madrugada de 2 de Abril, após prenderem o capitão Álvaro da Mesquita, tomando a nau San Antonio, exigiram ao capitão-mor o retorno a Espanha. No final do dia os amotinados estavam controlados, Mesquita libertado e além da morte às mãos do oficial da justiça de Luís de Mendonza, capitão da Victoria, foram agrilhoados os outros dois capitães e presos quase cem tripulantes. Enquanto decidia os castigos, Magalhães a 5 de Abril voltou a entregar a Mesquita o lugar de capitão da San Antonio, passou Duarte Barbosa a capitão da Victoria e Estêvão Gomes a piloto na Concepción. Sendo os principais culpados espanhóis colocados pela Coroa na armada, o Capitão-mor estava num dilema com o julgamento. De fácil condenação por ter puxado de arma e morto um piloto, Quesada foi executado a 9 de Abril, decapitado à espada pelo seu criado, que assim salvou a própria vida. Já a Juan de Cartagena, fidalgo da corte nomeado pelo Rei, e ao padre que sempre o acompanhava, não ousou castigálos com a condenação à morte. Sentenciou abandoná-los ali com alguns mantimentos e entregues à vontade de Deus. Para poder prosseguir a viagem, Magalhães comutou as penas de traição aos amotinados tripulantes. Em prospecção para Sul, a Santiago, a mais hábil e rápida nau, capitaneada por Juan Rodriguez Serrano, explorava a costa quando naufragou perto do Rio de Santa Cruz (50º Sul) a 22 de Maio. Um homem afogou-se, conseguindo os restantes chegar à costa e enviar dois emissários a pé a avisar do ocorrido. Onze dias caminharam até San Julián, enquanto aí, os tripulantes do resto da armada se divertia com dois homens gigantes que apareceram e por amistoso inicial contacto, ganha a confiança, foram capturados afim de os levar para Espanha. Devido aos grandes pés deram-lhes o nome de Patagão e daí essas terras se chamarem Patagónia. Abandonando Cartagena e o sacerdote em San Julián, a 24 de Agosto partiam as quatro naus para Santa Cruz, onde recolheram os náufragos da afundada Santiago e o seu capitão Serrano passou a comandar a Concepción. Prosseguiam, mas um temporal obrigou a aí se resguardarem o resto do Inverno. Três dias de navegação e a 21 de Outubro de 1520 estavam no Cabo das Onze Mil Virgens (52º 22’ S). Na imensa enseada, feita a prospecção pelas costas do estuário, encontraram um estreito com águas a correr de um lado para o outro. Nessa passagem, que ficaria conhecido como Estreito de Magalhães, entrou a armada a 25 de Outubro e
www.hojemacau.com.mo
500 anos da morte de Fernão de Magalhães
após percorrer 110 léguas, a 26 de Novembro atingia o Mar do Sul. Na travessia, a 8 de Novembro a armada dividiu-se, seguindo Serrano na Concepción e Álvaro da Mesquita na San Antonio em prospecção a um braço de água surgido a bombordo. Magalhães na Trinidad e a Victoria prosseguiram ao longo da costa e contornando-a, encontraram um rio de água doce e cheio de sardinha. Aproveitaram para abastecer e enviar um batel explorar mais além, para se saber onde abria o Mar do Sul e de um alto monte se visualizou a passagem a seguir. Regressaram ao ponto de encontro a 13 de Novembro, mas faltava a nau San Antonio, a maior e a mais abastecida, que procurada não apareceu. Após desembocar do estreito patagónico, ainda nessa península a 22 de Novembro reabasteciam-se no Rio das Sardinhas e perante inúmeros canais, a 26 as três naus seguiram para Norte, entre as ilhas e a costa. ATRAVESSAR O PACÍFICO A 28 de Novembro de 1520, deixando de ter a bombordo o Cabo Deseado (52º1/3 Sul),
CRENDO-SE IMBATÍVEL COM A ARMADURA E PODER DE FOGO, IMPRUDENTE, SUBESTIMOU O ADVERSÁRIO E NAS ÁGUAS DO PACÍFICO LACERADO E CRAVEJADO DE SETAS MORRIA A 27 DE ABRIL DE 1521 FERNÃO DE MAGALHÃES
ARTES, LETRAS E IDEIAS
13
em mar calmo navegaram para Norte vinte dias ao longo da costa, protegidos por as montanhas dos fortes ventos. A 18 de Dezembro, aos 46º Sul viravam a Noroeste mar dentro e nos 110 dias, “quase 20 mil km do oceano aberto, não encontraram uma única tempestade. Iludidos por essa experiência única, chamaram-lhe o Pacífico”, segundo Daniel J. Boorstin em Os Descobridores, que adita, “Se Fernão de Magalhães não tivesse sido um mestre dos ventos, não teria conseguido atravessar o Pacífico. Ao sair do estreito, não rumou directamente a noroeste para chegar às suas desejadas ilhas das especiarias; navegou primeiro para norte ao longo da costa ocidental da América do Sul. O seu objectivo devia ser apanhar aí os ventos alísios nordestais predominantes que o levariam não para as Molucas, onde constava que os Portugueses dominavam, mas sim para outras ilhas de especiarias ainda livres para serem tomadas pelos Espanhóis.” Calculada a travessia do Pacífico em algumas semanas, julgou-se suficientes os víveres existentes para três meses, mas, com as distâncias subestimadas, revelaram-se muito parcos ao quarto mês. Os mantimentos escasseavam, a água estava podre e para comer colocavam a demolhar em água salgada durante dias o couro das vergas amolecido com serrim e pagou-se ouro por ratos, tal a falta de comida. As gengivas inchavam com o escorbuto e além do gigante patagónio, vinte tripulantes morreram de fome. Até cruzar a linha do Equador encontraram duas pequenas ilhas desabitadas, sem abastecimento. Com vento largo e correntes favoráveis chegaram a 6 de Março de 1521 a Guan, nas ilhas Marianas, ou dos Ladrões, onde, para parar com os roubos mataram sete indígenas e abastecidos de arroz, água e fruta, partiram. A 16 de Março de 1521 avistou-se a ilha de Samar, era o Arquipélago do Poente, a que Fernão de Magalhães deu o nome de São Lázaro, mas só no dia seguinte parou na ilha de Humunu (Homonhon). Seguindo para Sul, aportou na ilha Mazaguá (Massava) a 28 de Março e enviou Henrique como intérprete, que compreendeu a fala local pois baseada no seu malaio. Estabelecida grande amizade, foram lautamente banqueteados nessa Sexta-feira Santa e no Domingo de Páscoa, na praia montouse um altar e realizaram as celebrações. Os nativos, repetindo os gestos, logo se quiseram converter. Magalhães, animado ao saber estar a Norte das Molucas e perante a enorme adesão dos locais, procurou para a coroa espanhola novos territórios e fiéis. De maior importância era a ilha de Cebu, onde chegou a 7 de Abril e dez dias depois, numa grandiosa cerimónia converteu-se o Rei Humabon e todo o povo. Para mostrar o poder, numa guerra que não era sua, Magalhães vai apenas com sessenta homens à ilha de Mactán obrigar o chefe local a pagar tributo ao de Cebu. Crendo-se imbatível com a armadura e poder de fogo, imprudente, subestimou o adversário e nas águas do Pacífico lacerado e cravejado de setas morria a 27 de Abril de 1521 Fernão de Magalhães.
14
8 1 5 [f]utilidades 4 14 2 7 4 5 2 2 4 6 T E M P O A G U A C E I9 R O5S 8 9 3 6 9 2 13
6 4 8 7 OCASIONAIS
S7 3U6 5D1 O4 9 K2 8U 8 9 6 2 5 1 2 1 4 8 3
17 6 7 8 3 9 4 1 2 5
4 5 9 2 4 3 5 8 1 1 7
2 7 4 4 1 6 9 9 8 3 8 1
6 3 8 8 7 2 4 4 6 5 9
9 8 1 3 5 6 7 2
6
9 1 2 8 6 5 3 9 4 7
5 6 7 1 4 4 3 3 9 8 2 8 6 1
6 5 1 9 3 8 4 7 3 2
2 4 9 3 6 3 7 5 6 8 1 9
7 1 6 2 4 6 5 3 7 8 4
7 9 8 3 1 2 4 5 6 5
1 2 8 9 5 4 7 3 6 6 7 8
5 1 4 2 8 9 3 7 6
1 4 3 7 5 6 2 8 9
3 34 5 1 7 8 7 9 6
8 3 6 1 9 7 5 4 2 4
5 6 8 3 9 6 7 1 2 4 2
4 47 5 6 2 68 1 79 5 3
PUB.
4 3 5 8 2 1 9 6 7
9 2 1 6 7 5 8 3 4
7 9 2 5 6 3 4 1 8
3 8 6 4 1 7 5 9 2
2 5 7 9 3 8 6 4 1
8 6 9 1 4 2 7 5 3
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 15
15 3 18 8 4 2 6 7 1 9 3 6 7 5
1 7 2 7 8 4 9 8 6 6 5
PROBLEMA 16
16
26.4.2021 segunda-feira
www.hojemacau.com.mo
MIN
22
UM14 LIVRO HOJE 6 4 8 1 7 5 3 7 8 4 9 2 1 6 5 4 7 6 2 9 8 9 5 3 6 2 1 3 7 8 7 6 2 4 1 1 8 9 5 3 3 5 4 9 2 16 4 7 8 5 1 9 2 3 6 3 2 4 6 9 5 1 8 7 8 6 1 www. 9 5 3 hojemacau. com.mo 7 4 2 18 5 2 4 6 1 9 3 7 8
6 3 8 7 5 2 9 1 4
7 9 1 4 3 8 5 6 2
MAX
EURO
9.66
19 9 7 2 3 8 1 4 A obra 6 de 3 Ray8Bradbury 2 5apresen4 1 ta um mundo distópico em que 1são4objectos 7 6proibidos, 9 8 os 5 livros criticando o autoritarismo e a ten7 de8eliminar 5 4a imaginação 3 2 e6 tativa o pensamento crítico. Na época 3 4 1 5 9 6 2 representada, o trabalho dos bombeiros fogos8mas5 2 já6não9é apagar 1 7 antes queimar livros. Inicialmente 1 sem 2 questionar 7 9a sua4 função, 5 3 Guy Montag começa a despertar para poder3da leitura. 8o 5 6 1A partir 7 9 daí, começa a pôr-se a si próprio 9 ao6começar 8 2a guardar 3 7 em4risco
FAHRENHEIT 451 | RAY BRADBURY
BAHT
CINETEATRO
0.25
YUAN
1.23
C20I N E M A
21 22 5 2 6 1 3 9 2 5 1 8 9 3 4 6 7 7 4 3 5 8 2 1 4 7 3 6 2 8 4 6 9 5 7 1 8 3 2 5 9 6 4 3 1 8 1 8 9 5 4 7 8 7 3 2 6 4 5 9 1 1 8 2 7 9 6 3 DETECTIVE 9 5 1 8 7 6 1 4 5 3 2 9 6 7 8 9 7CONAN: 1 THE3SCARLET 5 BULLET 4 2 8 4 7 2 1 3 6 9 8 1 5 7 2 4 3 6 2 5 9 1 8 7 3 6 2Fábrica9de Notícias, 5 4Lda Director Carlos Morais 7 3José Editores 2 6João4Luz; 8 5 Redacção 9 Andreia Sofia Silva; 8 João 3 Santos 4 2 Propriedade José C.1Mendes Filipe; 6 Pedro7 Arede;9 Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 2 3M.Tavares; 4 7Gonçalo 9 Waddington; 5 6Morais; 7 Luis1Carmelo; 5 Nuno Miguel Guedes; 3 Paulo 1 José 7 Miranda; 8 4Paulo5Maia e6 Gonçalo Inês Oliveira;3 João 2 Paulo 4 Cotrim;9José8 Simões Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 7 1 8 4 6 2 5 1 7 4 3 2 9 8 6 2 5 8 6 7 9 4 Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 6 9 5 3 8 1 9 8 6 7 1 5 3 2 4 4 6 9 1 2 3 5 Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo
6 2 5 8 4 1 9 3 7
9 7 4 6 3 5 2 1 8
4 6 5 3 1 9 7 8 2
1 3 2 4 8 7 5 6 9
8 5 9 1 7 4 6 2 3
3 7 6 2 9 5 4 8 1
9 6 4 8 7 5 3 2 1
•
4 5 6 2 8 3 1 9 7
1 4 7 9 2 6 8 3 5
3 2 8 1 4 9 5 6 7
7 5´- 9 5 %
2 9 8 7 5 1 3 4 6
9 6 3 5 8 1 2 4 7
5 1 7 3 2 6 9 4 8
HUM
9STAND5BY ME7DORAEMON 1 82 [B] 3 3 8 2 6 4 1 2ALL YOU 4 NEED9IS LOVE3[C] 5 7 6 1 8 5 3 9 7 9 4 2 1 6 5 2 6 9 7 4 4 6 5 7 9 8 1 7 3 8 6 2 8 3 1 4 2 5
2 8 5 3 4 7 1 9 6
2 9 3 5 1 4 8 7 6
25
4 1 2 8 6 3 7 5 9
exemplares que devia destruir e envereda por um caminho de resistência que o obriga a fugir da cidade. Ainda está disponível nas bibliotecas de Macau. S.F.
23 6 3 9 2 7 5 1 4 8
2 8 1 6 3 4 5 9 7
4 7 5 1 9 8 2 3 6
7 4 8 5 2 6 3 1 9
9 2 6 4 1 3 7 8 5
5 1 3 9 8 7 6 2 4
3 9 7 8 5 2 4 6 1
5 DETECTIVE 6 CONAN: THE SCARLET BULLET [B] 7 9 2 3 9 SEOBOK 1 [C] 8 7 3 4 6 8 4 2 1 5 SALA 1
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Chika Nagaoka 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
6 7 1 4 3 8 2 5 9
FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Lee Yong Zoo Com: Gong Yoo, Park Bo Gum Jo Woo Jin, Jang Young Nam 14.30, 21.30
8 5 4 3 6 1 9 7 2
1 6 2 7 4 9 8 5 3
24 3 1 6 7 4 2 9 5 8
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Ryuichi Yagi, Takashi Yamazaki 16.45, 19.30 SALA 3
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Vincent Kok Com: Louis Koo, Tony Leung, Francis Ng, Jackie Chan 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
9 5 4 1 3 8 2 7 6
2 7 8 9 5 6 4 3 1
6 4 7 5 9 1 8 2 3
5 2 3 8 6 4 1 9 7
8 9 1 2 7 3 6 4 5
7 8 9 6 2 5 3 1 4
segunda-feira 26.4.2021
www.hojemacau.com.mo
ai, portugal, portugal
opinião 15
André Namora
OS RICOS QUEREM ROUBAR A BOLA
HÁ SÉCULOS que se discute a luta de classes. É a luta entre os ricos e os pobres. Parece algo de natural, mas não o é e tem havido ao longo dos anos muitas mulheres e homens que têm lutado e perdido a vida pela causa do combate à discriminação entre os seres humanos. Então, não é que na semana passada não se falou em outra coisa do que em futebol? O pontapé na bola entrou na discussão internacional precisamente por causa dos mais ricos quererem atirar para o caixote do lixo os pobres do futebol. Os ricos, como esse mafioso espanhol Florentino Pérez, que tem enriquecido mais à custa da presidência do Real Madrid, está a apadrinhar uma Superliga com apenas dez clubes ricos. Os dirigentes da UEFA já ameaçaram com a expulsão desses clubes que querem fazer parte da Superliga, da actual Taça dos Campeões. E aqui o FC Porto, Benfica e Sporting poderiam ter a oportunidade de regressar a disputar a Taça dos Campeões. Os mesmos dirigentes ameaçaram que os jogadores que tomem parte na Superliga não poderão integrar as selecções nacionais dos seus países. A discussão tem sido feia e a maioria dos clubes rejeita frontalmente que os donos disto tudo no futebol europeu levem para a frente a criação da referida Superliga. A verdade, é que os ricos do futebol querem ainda ficar mais ricos. O balde de água fria que caiu sobre as hostes do futebol, de governos europeus e de federações provocou logo a
maior rejeição. O seleccionador português Fernando Santos e o treinador do Sporting, Ruben Amorim, criticaram severamente a ideia, e com eles de imediato os responsáveis dos clubes ingleses e italianos, excepto os da Juventus. O presidente da La Liga de Espanha, Javier Tebas, colocou logo o dedo na ferida acusando Florentino Pérez de ”andar equivocado há algum tempo, agora vejo-o perdido. Creio que é um grande empresário da construção civil, mas um desastre como presidente do Real Madrid”, disse Javier Tebas. Igualmente os presidentes da FIFA e da UEFA tomaram posição contra a ideia da Superliga sublinhando que os clubes que participarem nessa competição sofrerão consequências. Os comentadores televisivos são unânimes em adiantar que se trata de um acto de ganância por dinheiro e como nas sociedades dos humanos, no futebol os ricos querem é ser sempre ainda mais ricos. Aideia da superliga está suspensa porque só o Real Madrid e o Barcelona é que abraçaram o projecto de Florentino Pérez. Os promotores da ideia dizem que vão repensar o projecto.Apesar do abandono dos clubes ingleses, forçados a tal decisão devido á pressão exercida pelos adeptos, tudo indica que a “bomba” será um fiasco sem pernas para andar. Os promotores da ideia já vieram dizer que “dadas as circunstâncias, vamos reconsiderar os passos a dar para remodelar o projecto”. Desconfio que ficará
para as calendas. Ninguém nos dias de hoje do mundo de futebol, onde são os pequenos e pobres clubes que dinamizam a modalidade irão permitir que os Ricardos Salgados do futebol consigam levar avante um projecto ignóbil. O Manchester City, que está em primeiro lugar na liga inglesa, a caminho de ser campeão, foi o primeiro dos clubes ingleses a oficializar a saída da Superliga, seguindo-se os graúdos Arsenal, Liverpool, Manchester United, Chelsea e Tottenham. Na Itália verificou-se a saída do AC Milan e do Inter de Milão. A Juventus está a pensar. Resumindo, o fiasco está patente e só o Real Madrid e o Barcelona é que estão ao lado do empreiteiro Florentino Pérez. O absurdo deverá ir por água abaixo, até porque muitos clubes já manifestaram a sua rejeição a qualquer transmissão televisiva dessa possível Superliga. Os muito ricos do futebol pensavam que eram favas contadas e que o baú dos milhões estava atrás da porta. Enganaram-se porque, felizmente, as maiorias ainda têm uma palavra a dizer. Fernando Santos é um homem do futebol há muitos anos e quando ele referiu que não pode ser a ganância pelo dinheiro a reinar no futebol, sabia o que estava a dizer e para bem do futebol esta ideia absurda de uma Superliga deve ir por água abaixo numa das muitas catastróficas inundações que assolam presentemente o nosso globo. *Texto escrito com a antiga grafia
Ninguém nos dias de hoje do mundo de futebol, onde são os pequenos e pobres clubes que dinamizam a modalidade irão permitir que os Ricardos Salgados do futebol consigam levar avante um projecto ignóbil
“Nas crendices de todos os povos, há uma feição ingénua.” PALAVRA DO DIA
Wenceslau de Moraes
Covid-19 Pessoas vindas do Nepal e Brasil com 28 dias de quarentena
Realizaram-se ontem duas sessões do concurso de avaliação de competências integradas para quem tem licenciatura, uma primeira fase para os interessados em integrar a Função Pública no índice 430, que dá acesso, por exemplo, à posição de técnico superior. O concurso contou com mais de 16 mil candidatos, que realizaram o teste dispersos por 14 escolas. Segundo o jornal Ou Mun, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública divulgou que estavam 19.892 candidatos inscritos e a taxa de presença foi de 82 por cento. Cada sessão do exame durou uma hora e meia.
BioNTech Vacinados podem doar sangue duas semanas depois
Índia Atinge maior número de infectados no mundo
PUB PUB.
A Índia registou quase 350.000 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, um número máximo a nível mundial, tendo as autoridades locais decidido prolongar o confinamento por mais uma semana na capital do país, Nova Deli. O país registou ainda 2.767 mortes, um novo máximo nacional desde o início da pandemia. Devido a esta situação, o chefe do Governo de Nova Deli, Arvind Kejriwal, anunciou que foi decidido “prolongar o confinamento por uma semana”, sublinhando que “a devastação do coronavírus continua e que não dá descanso.” Com uma população de 20 milhões de habitantes, Nova Deli é a cidade mais afectada. A crise está mais uma vez a destacar a fragilidade do sistema de saúde da Índia e a ira das pessoas vai aumentando devido à alegada falta de preparação do Governo federal face a este surto epidémico. Nos últimos sete dias, a Índia registou mais de dois milhões de novos casos, um aumento de 58% face à semana anterior.
26.4.2021
Emprego Realizado concurso para acesso à Função Pública
Desde a meia-noite de hoje, todas as pessoas que nos 28 dias anteriores à entrada em Macau tenham estado no Nepal e Brasil passam a estar sujeitos a 28 dias de observação médica em local designado de acordo com as exigências das autoridades. O centro de coordenação de contingência do novo tipo de coronavírus afirmou ontem que após a conclusão da quarentena não há necessidade de autogestão de saúde.
O Centro de Transfusões de Sangue dos Serviços de Saúde anunciou que as pessoas a quem foram administradas vacinas inactivadas contra a covid-19, incluindo a Sinopharm e CoronaVac, podem doar sangue passadas 48 horas do dia de conclusão de cada dose. A informação foi avançada em comunicado pelos Serviços de Saúde. Por sua vez, quem recebeu vacina de RNA mensageiro, como a BioNTech e Astrazeneca, fica sujeito a um intervalo maior: só podem dar sangue passados 14 dias de cada dose. O objetivo é “garantir a quantidade e a segurança do sangue em Macau”.
segunda-feira
A saga do Sin Fong Garden Tribunal Judicial de Base condena construtores a pagar indemnização ao Governo
O
Tribunal Judicial de Base (TJB) condenou sete empresas de construção civil e técnicos ligados ao edifício Sin Fong Garden ao pagamento de indemnizações ao Governo pelas despesas feitas na manutenção e preservação do prédio em risco de ruína, bem como à restituição dos subsídios pagos pelo Instituto de Acção Social (IAS) às famílias desalojadas. Segundo o acórdão ontem divulgado, o montante da indemnização exigido é de 12.805 milhões de patacas relativas “à monitorização contínua das estruturas do edifício Sin Fong Garden e dos edifícios vizinhos Lei Cheong, Ou Va e Kwong Heng”. As empresas e entidades envolvidas neste processo são Ho Weng Pio e a Companhia de Engenharia e Construção Weng Fok, construtoras do edifício, e Joaquim Ernesto Sales, técnico responsável pela direcção de obras de estruturas e fundações deste edifício. Incluem-se ainda as
empresas Tak Nang – Sociedade de Investimento e Desenvolvimento, empresa proprietária do lote de Soho, a Companhia de Construção e Engenharia Lai Si, construtora que demoliu o velho edifício industrial Pak Tai, no lote de Soho, a Companhia de Construção e Engenharia Kin Sun (Macau), responsável pela obra de estacas moldadas no lote do Soho, e Cheong Nim Tou, técnico responsável pela direcção das obras de demolição e construção no lote do Soho. O TJB condenou também a Companhia de Seguros Delta Ásia SA, que assegurou os riscos da obra de fundações no lote de Soho, ao pagamento desta indemnização, contribuindo com um valor máximo de cinco milhões de patacas. O TJB entendeu que Ho Weng Pio, Companhia de Engenharia e Construção Weng Fok e Joaquim Ernesto Sales, três dos sete réus condenados, “não realizaram o exame de recepção de betão aplicado na construção do edifício Sin Fong Garden, nem a supervisão da sua qualidade, faltando ma-
nifestamente a cumprir o dever de diligência e prudência”. Quanto ao pedido de indemnização exigido pelo Governo à Companhia de Construção e Engenharia Lai Si, o TJB concluiu que “não se provou que esta era responsável pela obra de fundações do edifício Soho”. Foi também absolvida a Companhia de Seguros da China Taiping (Macau), responsável “pelos riscos da obra de demolição no lote de Soho”, uma vez que o TJB considerou que houve “falta de fundamento suficiente para suportar qualquer nexo de causalidade entre a obra da demolição do antigo edifício industrial Pak Tai no Lote do Edifício Soho e o incidente”.
Recuperar subsídios
O TJB condenou também Ho Weng Pio, a Companhia de Engenharia e Construção Weng Fok e Joaquim Ernesto Sales ao pagamento de 25.396 milhões de patacas que o IAS já pagou aos moradores que ficaram desalojados com o risco de queda do Sin Fong
Garden, incluindo “as quantias da mesma natureza que vierem a ser adiantados pelo IAS no futuro, entre outros”. Estes subsídios foram pagos até Julho de 2016, tratando-se de um montante que o IAS “nunca considerou como oferta atribuída conforme políticas do Governo e que pretende sempre recuperar quando se determine a pessoa do responsável pelo incidente”. Além do Governo, vários proprietários recorreram aos tribunais contra os construtores ocupados das obras no lote de Soho e os respectivos responsáveis. Também estes exigem indemnizações “pelos danos causados a seis fracções autónomas e quatro lugares de estacionamento”. De momento essa acção judicial está “pendente”, sendo que no TJB “ainda não deu entrada qualquer processo relativo às despesas com a reconstrução do edifício Sin Fong Garden”. O caso do edifício Sin Fong Garden surgiu em 2012, tendo o Governo avançado para tribunal em 2016. A.S.S.
IAM Corpo de gato descoberto no Museu de Macau
Dia 21 de Abril foi descoberto o corpo de um gato no recinto do Museu de Macau. Foi o sétimo gato morto a ser encontrado na área, depois de terem sido encontrados mais animais entre o final de Março e o início de Abril. Segundo o jornal online All About Macau, a investigação do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), revelou que o corpo já estava em estado de decomposição avançada e terá morrido há muito tempo. O IAM excluiu a possibilidade de violência ou ingestão de veneno. Indicando que a morte se pode ter devido a doença podia falecer devido à doença, o organismo vai desinfectar a zona envolvida e monitorar a situação. Além disso, explicou que por norma os gatos abandonados lutam por território ou alimentação e que ficam sujeitos a um maior risco por falta de tratamento médico das feridas e doenças.
Economia Macau entra em deflação
O índice de preços no consumidor baixou em Macau 0,09 por cento nos 12 meses terminados em Março, relativamente aos 12 meses imediatamente anteriores, levando a economia de Macau a entrar em deflação. Segundo os dados oficiais, os aumentos mais significativos foram observados nos índices “de preços das secções das comunicações (-10,41 por cento), da recreação e cultura (-7,69 por cento) e do vestuário e calçado (-6,82 por cento). Na mesma nota indica-se ainda que o primeiro trimestre de 2021 o índice de preços no consumidor diminuiu 1,04 por cento, face ao período homólogo de 2020.