IRA IDENTITÁRIA
PESTANAS, CARAMELOS, NUVENS
ANTÓNIO CABRITA
GONÇALO M. TAVARES
GRANDE PLANO
AMÉLIA VIEIRA
DA CERTEZA VALÉRIO ROMÃO
Retoma | Ho Iat Seng optimista
ABORTO
hoje macau Nº 4737
SEXTA-FEIRA 26-3-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
PAULA REGO
Governo não vai rever a lei
GATOS E CRONISTAS
MOP$10
CAEAL ESTICA A CORDA, JORNALISTAS SOBEM O TOM
A Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa, entre outros desmandos, ousou comparar notícias a propaganda eleitoral e a Associação de Jornalistas de Macau entendeu (e bem) que foi passada uma linha vermelha. Numa carta aberta, os jornalistas consideram-se “insultados”, falam de “terror branco” e comparam as medidas da comissão às que são usadas em “estados totalitários”. A desarmonia impera agora na comunicação social em Macau. PÁGINAS 4- 5
RESIDENTES
RETIDOS NA ÍNDIA XANGAI
EXPATRIADOS RECEBEM VACINA PÁGINA 13
SABRINA KUAN
PÁGINA 7
ANTIGA LEPROSARIA
A LUZ QUE NÃO SE APAGA EVENTOS
FILIPINAS
TENSÃO NO MAR DO SUL DA CHINA PUB.
ÚLTIMA
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Linha vermelha
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26.3.2021 sexta-feira
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Os Serviços de Saúde de Macau garantem “não possuir planos” para a alteração do regime jurídico de interrupção voluntária da gravidez, de 2004, em prol de uma total despenalização do aborto. Várias personalidades garantem que este é ainda um assunto tabu na sociedade e que será difícil ir contra as posições da igreja católica e de muitas entidades do território. A China, onde o aborto é legal, é uma escolha acessível para muitas mulheres
D
ESPENALIZAR na totalidade o aborto continua a não estar nos planos do Governo. Tudo indica que o decreto-lei de 1995, que sofreu uma revisão em 2004, deverá manter-se inalterado nos próximos tempos, segundo uma resposta dos Serviços de Saúde de Macau (SSM) ao HM. “Actualmente os Serviços de Saúde não possuem planos para alteração da respectiva lei. Em relação à questão de alteração do Decreto-Lei n.º 59/95/M, de 27 de Novembro, que regula a in-
terrupção voluntária da gravidez, deve-se em primeiro lugar realizar a discussão pública de forma ampla e rigorosa quanto aos eventuais procedimentos de dispensa da pena”, lê-se na resposta. A lei em vigor prevê três situações em que realizar um aborto não é crime. Uma delas é se a gravidez pode levar ao risco de morte ou lesão grave e duradoura no corpo, ou se constituir um perigo para a saúde física e psíquica da mulher. No entanto, isto só é válido se o aborto for realizado nas primeiras 24 sema-
nas de gestação. O aborto não é crime se houver provas de que o nascituro poderá sofrer de doença ou de malformação grave ou se ficar provado que a gravidez foi consequência de um crime contra a liberdade ou autodeterminação sexual, mas sempre se for realizado nas primeiras 24 semanas de gestação. Agnes Lam, deputada, confessa que trazer este assunto para a agenda mediática e política será difícil porque continua a ser um tabu. “A sociedade não está pronta e em Macau esse não é um assunto porque na China é legal fazer um aborto. A Igreja Católica não iria aprovar esta matéria e penso que é um tema sensível na sociedade, as pessoas não querem falar sobre ele. E depois há o lado prático de se poder fazer um aborto na China legalmente”, disse ao HM. Para a deputada e professora universitária, não existe sequer uma noção clara da penalização ou despenalização do aborto, porque é legal fazer uma interrupção voluntária da gravidez do outro lado da fronteira e o acesso por parte das mulheres de Macau é fácil. “É do conhecimento público que não se faz um aborto em Macau”, adiantou Agnes Lam. Mas o facto de as mulheres irem a Zhuhai realizar um aborto faz com que não haja estatísticas ou conhecimento de eventuais problemas de saúde que sejam uma consequência dessa intervenção. “Na teoria deveria haver políticas para proteger as mulheres no caso de haver problemas de saúde, mas se vamos criar essas políticas temos de
Tabu
compreender toda a situação. Temos de saber o número de abortos que temos em Macau e na China, para sabermos o panorama em geral. Mas as pessoas não falam sequer sobre isso, não há dados oficiais. Podemos ter alguns dados de abortos feitos em contexto de violações, por exemplo. HOJE MACAU
PAULA REGO, ABORTO CLANDESTINO
DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO GOVERNO SEM PLANOS PARA REVER A LEI
“Nunca se chegou a um ponto em que se considerasse a despenalização. A posição da Igreja católica é muito forte.” MELODY LU DOCENTE UNIVERSITÁRIA
Mas não temos noção se o problema é sério ou não.”
Debate nunca começou
Melody Lu, professora da Universidade de Macau (UM), também disse ao HM que a posição da Igreja católica sobre esta matéria será sempre uma forte influência para as autoridades assumirem uma política. “O Governo de Macau não vai iniciar este processo de consulta porque vai encontrar uma oposição muito forte por parte da Igreja católica mas também das escolas. [As coisas podem ser diferentes] se a Igreja mudar de postura, porque este é um princípio fundamental. Não espero uma mudança nesta matéria para os próximos anos.” Também a professora universitária acredita que deveriam ser garantidas medidas de apoio à saúde destas mulheres que vão a Zhuhai abortar. “Sem dúvida que há falta de políticas, mas nunca se chegou a um ponto em que se considera a despenalização.
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incontornável Centro do Bom Pastor é contra
Contactada pelo HM, Debbie Lai, directora do Centro do Bom Pastor, é o espelho desta posição contrária da igreja. “Com base na nossa perspectiva, a vida é algo muito precioso. Acreditamos que uma vida é a coisa mais válida no mundo, esse é o mote do nosso centro.”
“A lei de Macau dá prioridade à vida da criança, pelo que não há necessidade de mudar esta lei.” DEBBIE LAI CENTRO DO BOM PASTOR
mães solteiras. Encorajamos sempre para que tenham as crianças, e também as ajudamos a encontrar recursos de apoios. Então aí elas acabam por aceitar ter o filho.” A directora do Centro do Bom Pastor acredita que o aborto “pode magoar a mãe” e trazer consequências a nível físico e psicológico para a vida inteira. “A lei de Macau dá prioridade à vida da criança, pelo que não há necessidade de mudar esta lei. As mulheres que decidem fazer um aborto podem também sofrer traumas como insónia, ansiedade e depressão, além de que o aborto pode causar infertilidade”, frisou. A posição do Centro do Bom Pastor vai também contra a prática de relações sexuais antes do casamento. “Estas mulheres não estão prontas para serem mães e podem decidir abortar devido a pressões da vida e financeiras. Encorajamos o planeamento e a preparação para o casamento”, rematou.
Para Paul Pun, secretário-geral da Caritas, nem está em causa a questão religiosa, apesar de se assumir como católico. “Não encorajo a prática do aborto porque acho que os direitos da criança, do feto, devem ser protegidos.” “O feto tem o direito a nascer, à criaSOFIA MARGARIDA MOTA
Debbie Lai acrescentou ainda que muitas das mulheres que são acolhidas e acompanhadas pelo centro acabam por ter os seus filhos. “Elas acreditam que a vida dos bebés é também algo valioso, especialmente os fetos. Damos assistência para as adolescentes ou GONÇALO LOBO PINHEIRO
A posição da Igreja católica é muito forte e, nos últimos anos, não vi ninguém iniciar esse debate.” Melody Lu garante que, para na comunidade chinesa, a ideia geral é que “é muito mais fácil ir fazer um aborto a Zhuhai do que começar uma batalha em Macau”. “Os cuidados de saúde do outro lado da fronteira são muito comuns. Sei que as mulheres da comunidade chinesa vão a Zhuhai, porque é muito conveniente. E mesmo se o aborto fosse legalizado as mulheres iriam continuar a ir a Zhuhai, porque não havia o registo aqui. Existe ainda o estigma”, acrescentou.
“Não encorajo a prática do aborto porque acho que os direitos da criança, do feto, devem ser protegidos.” PAUL PUN CARITAS
ção. Mas há casos de adolescentes que escolhem fazer um aborto na China. Ontem tive uma conversa com adolescentes e parecia-me que tendiam a escolher a opção do aborto. Pareciam não ter qualquer ideia de educação sexual e de como se podiam proteger a elas próprias”, contou. Nesse sentido, o secretário-geral da Caritas pede um reforço da educação sexual. “Penso que deveríamos fazer mais para educar os adolescentes e ensinar-lhes como se devem proteger. As coisas são diferentes de quando eu era estudante, há 40 anos, os adolescentes não falavam disto. [Hoje os jovens] conhecem pessoas nas redes sociais e estabelecem relacionamentos com estranhos”, rematou. O HM contactou ainda a Diocese de Macau no sentido de saber a sua posição oficial sobre esta matéria, mas até ao fecho desta edição não foi obtida uma resposta. Andreia Sofia Silva
4 política
Associação de Jornalistas de Macau divulgou ontem uma “carta aberta” a apelar à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) para voltar atrás naquilo que a organização que representa jornalistas de língua chinesa no território entende ser uma “interpretação errada que confunde jornalismo e propaganda eleitoral”. A associação sublinha a gravidade de CAEAL ser dirigida por um magistrado, Tong Hio Fong, e de ainda assim ser capaz de interpretar a lei eleitoral ao ponto de a deturpar, criar terror branco, ou seja, um clima de intimidação, impondo restrições à liberdade de imprensa e “misturar alhos com bugalhos”. “A tentativa da CAEAL de fazer dos meios de comunicação social um instrumento de propaganda de campanha é não só um mal-entendido do jornalismo, mas também um insulto aos jornalistas”, é afirmado pela associação. Recorde-se que a CAEAL afirmou que os órgãos de comunicação social devem ocultar artigos online, além da publicação de actualidade, artigos que incidam sobre candidatos na véspera e no dia das eleições, inclusive artigos ou entrevistas publicadas em anos anteriores. “Aqueles
conteúdos que têm uma natureza de propaganda e que influenciem a intenção de voto… Essas informações e reportagens pelo menos terão de ser ocultadas ou retiradas nos prazos estipulados pela lei”, afirmou Tong Hio Fong, a 10 de Março. “A liberdade de imprensa está consagrada na Lei Básica e na Lei Eleitoral, mas temos que chamar a atenção ao seguinte […] se as informações, directa ou indirectamente, por exemplo, estão a apelar ou a chamar um cidadão para votar, isto já ultrapassa a permissão da lei”, acrescentou o magistrado, não especificando de que forma este critério é aplicável. Assim sendo, a Associação de Jornalistas de Macau “apela à CAEAL para volte atrás publicamente nestas declarações, de forma clara, para não prejudicar a credibilidade do Governo da RAEM”.
Posto no papel
A lei eleitoral define propaganda eleitoral como actividade realizada “por qualquer meio” que dirija “a atenção do público para um ou mais candidatos” e que “sugere, de forma expressa ou implícita, que os eleitores votem ou deixem de votar nesse candidato ou candidatos”. A associação refere que não existe nenhum artigo na lei eleitoral que estipule que a imprensa tem de
GCS “INDEPENDÊNCIA EDITORIAL NA TDM” Inês Chan, directora do Gabinete de Comunicação Social (GCS), declarou ontem que há independência editorial dos meios de comunicação locais, quando questionada sobre a demissão de jornalistas do departamento português da TDM – Teledifusão de Macau. Vários jornalistas da TDM apresentaram demissão na sequência de uma directiva que exigia uma linha editorial patriótica. De acordo com o departamento chinês da TDM Rádio Macau, Inês Chan disse que é o conselho de administração da TDM que define a direcção de desenvolvimento da empresa e que todos os meios de comunicação são independentes a nível editorial, acrescentando que as operações diárias e decisões de recursos humanos são da responsabilidade da Comissão Executiva.
CAEAL ASSOCIAÇÃO EXIGE QUE NÃO SE CONFUNDA JORNALISMO
A rolha e o
apagar notícias na véspera e no dia das eleições. Aorganização profissional aponta mesmo que a legislação eleitoral vai no sentido inverso de clara protecção da liberdade de imprensa,
HOJE MACAU
AAssociação de Jornalistas de Macau, que representa os profissionais de língua chinesa, exige que a comissão eleitoral volte atrás nas declarações que equiparam peças jornalísticas a propaganda eleitoral. A associação entende que a obrigação de tirar artigos online na véspera e no dia das eleições é terror branco e uma atitude totalitária
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“Um Governo nunca pede à comunicação social para se abster de fazer jornalismo a esta escala, excepto em estados totalitários. Por isso, apelamos ao Executivo para dar a devida atenção a este assunto.” ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE MACAU
assegurando que o direito a informar não é sujeito a pressão política. Além disso, explica que peças jornalísticas não são instrumentos de propaganda política e que a CAEAL alargou arbitrariamente a amplitude de definições legais, como propaganda eleitoral, ao ponto de não só os meios de informação, como o público em geral podem ser afectados. Assim sendo, a associação de jornalistas pergunta de uma pessoa que tenha partilhado uma notícia nas redes sociais estará a infringir a lei. “Um Governo nunca pede à comunicação social para se abster de fazer jornalismo a esta escala, excepto em estados totalitários. Por isso, apelamos ao Executivo para dar a devida atenção a este assunto”, afirma a associação, em comunicado. João Luz
DUPLA MATRÍCULA LEONG SUN IOK PEDE AUMENTO DE QUOTAS E VALIDADE
O
deputado Leong Sun Iok apresentou uma interpelação oral ao Executivo onde fala da possibilidade de se aumentar o número de quotas, bem como o seu prazo de validade, para os veículos de Macau circularem em Hong Kong. “Tendo em conta a expectativa dos residentes quanto ao aumento das
quotas e ao prolongamento ou cancelamento do prazo de validade, as autoridades vão estudar e dialogar com Hong Kong sobre matéria, a fim de criar condições mais convenientes para os veículos de Macau entrarem em Hong Kong?”, questionou. Leong Sun Iok lembrou que “o número de autorizações é limitado” para a
entrada de veículos de Macau na região vizinha. "Embora o Governo tenha aumentado mais 2 mil quotas no ano passado, a procura é maior do que a oferta. Quanto ao prazo de validade da quota, após um estudo realizado pelos governos de Hong Kong e Macau, ambas as partes concordaram, em 2019, estender o prazo de 1 para 3 anos.
Como o actual processo de tratamento das formalidades é complicado e a probabilidade de se ser sorteado não é alta, há vozes que defendem o prolongamento ou cancelamento do prazo de validade para facilitar aos residentes a condução de veículos até Hong Kong”, explicou. A interpelação oral do deputado fala também da
circulação de veículos de Macau no interior da China. “Neste momento a sociedade está atenta aos pormenores e à calendarização da circulação dos veículos de Macau no interior da China. As autoridades devem fazer uma apresentação sobre o projecto apresentado por Macau.” Leong Sun Iok quer também saber “quais
os objectivos a longo prazo do Governo para a política de entrada de veículos de Macau em Hong Kong?”, além de defender a implementação de “políticas e melhorar as medidas complementares, bem como os mecanismos de transporte, serviços alfandegários e tratamento de formalidades”. A.S.S.
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COM PROPAGANDA
garrafão
Sorrir e acenar
Comissão não levanta oposição a aumento dos valores em aquisições de bens
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S preocupações com a fiscalização perante o projecto de alteração ao Regime das despesas com obras e aquisição de bens e serviços mantêm-se. No entanto, o Governo acredita que há consenso na principal mudança sugerida, indicou ontem o presidente da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a discutir o diploma na especialidade. A proposta aumenta em seis vezes os valores para a realização de um concurso público ou ajuste directo, quer seja para obras públicas ou para a compra de bens e serviços por parte do Executivo. “Segundo o Governo, este aumento em seis vezes dos valores limites pretende acompanhar o desenvolvimento sócio-económico, e é consensual e viável na prática. A Comissão também não se opõe a este aumento”, disse ontem Ho Ion Sang. A votação da proposta na generalidade contou com quatro votos contra e duas abstenções, sendo que dois dos deputados com votos neste sentido integram esta Comissão. Com as alterações, o concurso público passa a ser obrigatório para obras de pelo menos 15 milhões de patacas, ou aquisições de bens e serviços no valor igual ou superior a 4,5 milhões. O ajuste directo pode ser feito com montantes de 900 mil patacas em obras, ou 90 mil para bens e serviços. De acordo com Ho Ion Sang, o Governo explicou que a decisão de aumentar seis vezes os valores limites teve em conta “o PIB, as receitas e despesas das finanças públicas, a taxa de inflação, o salário dos operadores e preços de materiais de construção”. O Governo realiza anualmente oito grandes concursos para aquisições de bens, como produtos de limpeza. De acordo com Ho Ion Sang, alguns membros da Comissão perguntaram se
é possível incluir nos concursos centralizados produtos informáticos. Mas a ideia foi descartada pelo Executivo, que argumentou que nesse campo os serviços têm “diferentes exigências”.
Garantias do passado
Perante a dúvida de como vai ser reforçada a fiscalização interna, o Executivo apontou para mecanismos já existentes. “Segundo o Governo, independentemente da forma de aquisição, ou seja, realizar concurso público ou ajuste directo, antes de criar o projecto e de emitir autorização das despesas, os serviços públicos têm de seguir a Lei do enquadramento orçamental”, disse Ho Ion Sang. Observou-se ainda a necessidade de os serviços públicos cumprirem normas legais como instruções sobre aquisições emitidas pelo Comissariado contra a Corrupção, o Código de Processo Administrativo. “Além disso os funcionários também têm, nos termos do CPP (Código de Processo Penal), de denunciar as notícias do crime de que tomarem conhecimento durante o exercício do seu trabalho”, observou. Por outro lado, o Governo apontou que “para aumentar a transparência” já foram tomadas medidas em 2017 e 2018 para divulgar informações das aquisições dos serviços da tutela da Economia e Finanças, bem como uma base de dados experimental de fornecedores. S.F.
LICENÇA SEM VENCIMENTO DSAL DEFENDE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPREGADORES E TRABALHADORES
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ONG Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) defende que a licença sem vencimento deve ser gerida por concordo entre as partes laboral e patronal. Em resposta a uma interpelação escrita do deputado Sulu Sou sobre supervisão na licença sem vencimento, indicou que os funcionários
que considerem que os seus direitos laborais são prejudicados podem denunciar o caso à DSAL. A urgência em colmatar a falha de um sistema de protecção legal para licença sem vencimento no contexto da epidemia era a preocupação central de Sulu Sou, que explicou que “um elevado número de residentes não
tem alternativa senão aceitar licenças sem vencimento de longo prazo para assegurar os seus empregos”. O deputado queria saber porque não há necessidade de as empresas notificarem as autoridades destas licenças, questionando também se a Lei das relações laborais será revista para se impor um limite mensal ou anual
para o número de férias sem vencimento. Na resposta, Wong Chi Hong aponta que se os empregadores despedirem
os funcionários por não concordarem com a licença sem vencimento, isso consiste em despedimento sem justa causa, pelo que os empregadores têm que pagar uma remuneração. Além disso, o director da DSAL garante que se situações em que a importação de trabalhadores não residentes possa resultar no
despedimento de residentes que ocupam o mesmo cargo sem justa causa ou em que os seus direitos são prejudicados, devem ser tratadas “seriamente, segundo as leis”. Wong Chi Hong apelou também às partes laborais e patronais para se “compreenderem e respeitarem mutuamente” durante o período de dificuldades.
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26.3.2021 sexta-feira
Consumo FAOM diz que apoio pode ser adaptado a diferentes grupos
Gabinete de Ligação Sub-director defende mais inovação em Macau
Yao Jian, sub-director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, defendeu, numa palestra, que Macau deve levar a cabo uma transformação das suas indústrias através da inovação tecnológica. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Yao Jian disse também que deve ser impulsionada a criação de um centro internacional de inovação científica e tecnológica na Grande Baía. No seu discurso, proferido na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa), Yao Jian lembrou que Macau apresenta vantagens em áreas como a electrónica, medicina tradicional chinesa, exploração especial e Internet das coisas.
A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) encontrou-se ontem com o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, para discutir o plano de apoio ao consumo, noticiou ontem o canal chinês da TDM Rádio Macau. O vice-presidente da FAOM, Choi Kam Fu, disse que no futuro os programas de apoio ao consumo podem assumir a forma de descontos imediatos, e que vão ser criados métodos de pagamento electrónico e cartões físicos para dar resposta a diferentes grupos da sociedade.
GCS
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Terrenos Ella Lei questiona planos do Governo para projectos habitacionais
A deputada Ella Lei interpelou o Governo sobre os planos e o ponto de situação para diversos projectos habitacionais em curso que dependem da política de aproveitamento de terrenos. “O Governo tem sublinhado que os novos aterros urbanos e os terrenos recuperados vão ser destinados à resolução das dificuldades habitacionais. Então, além dos planos existentes e da zona A, qual é o ponto de situação dos terrenos reservados para construir, nos próximos cinco anos, habitação pública, para a classe sanduíche e residências para idosos?”, questionou. Ella Lei pretende também saber quando estará concluído o relatório de consulta pública sobre a habitação para a classe sanduíche e qual o plano “geral em termos do número de fracções e localização”. Ella Lei pretende também ter respostas quanto à abertura de mais canais de comunicação com a população sobre o planeamento de residências para idosos. PUB.
Anúncio Assunto: Inscrições no curso especial sobre auditoria De acordo com a deliberação de 17 de Março de 2021 da comissão de provas da Comissão Profissional dos Contabilistas e nos termos do n.° 6 do artigo 97.º e dos n.°s 6 e 7 do artigo 98.º da Lei n.º 20/2020 (Regime de qualificação e exercício da profissão de contabilista), bem como do n.° 3 do artigo 12.° do Regulamento Administrativo n.° 42/2020 (Comissão Profissional dos Contabilistas), vai ser realizado de 24 de Abril a 3 de Julho de 2021 (aos Sábados, das 14:00 às 18:00), o primeiro curso especial sobre auditoria, estando previsto que este curso seja realizado três vezes por ano. Os interessados podem inscrever-se, mediante o boletim de inscrição do curso a descarregar do website da Direcção dos Serviços de Finanças – “Comissão Profissional dos Contabilistas”, bem preenchido e entregado juntamente com os relevantes documentos, durante o prazo de 25 de Março a 8 de Abril de 2021, para a “Comissão Profissional dos Contabilistas”, sita na Rua da Sé, n.° 30, Centro de Recursos da Direcção dos Serviços de Finanças, 1.° andar, Macau. Para esclarecimento de qualquer dúvida, é favor proceder à consulta através do telefone n.º 8599 5343 ou n.º 8599 5344, durante o horário de expediente. Aos 25 de Março de 2021. O Presidente da CPC Iong Kong Leong
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 241/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor KUAN KUOK LEONG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 51025xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 243/DIAI/2018 levantado pela DST a 07.12.2018, e por despacho da signatária de 19.11.2020, exarado no Relatório n.° 904/DI/2020, de 05.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Estrada Nordeste da Taipa n.° 312, Pearl On The Lough, Bloco 1, 9.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 09 de Março de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
COVID-19 HO IAT SENG PREVÊ REGRESSO GRADUAL DA SOCIEDADE E DA ECONOMIA À NORMALIDADE
Em busca do tempo perdido
O Chefe do Executivo acha que a sociedade e economia vão gradualmente voltar à normalidade, à medida que se generaliza a vacinação. Ho Iat Seng deixou a esperançada mensagem na cerimónia de aniversário da União Geral das Associações dos Moradores
A
O S poucos vamos lá. Pode ser resumido desta forma a mensagem proferida ontem pelo Chefe do Executivo na cerimónia do 37º aniversário da fundação da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kaifong). “Com a generalização do programa de vacinação contra o novo tipo de coronavírus, as nossas acções de prevenção e controlo da pandemia entraram numa nova fase, e a firme promoção de diversas medidas e acções permitirá à sociedade e à economia local recuperar gradualmente a normalidade”, afirmou ontem Ho Iat Seng. O líder do Governo lembrou que no ano passado, a pandemia colocou severos testes e desafios, mas com o forte apoio e “orientação do Governo Central, a sociedade de Macau manteve-se unida no combate às dificuldades, debelando eficazmente a propagação
da pandemia”. O Chefe do Executivo destacou que a RAEM alcançou resultados positivos, que não foram fáceis de atingir, e manter a estabilidade da conjuntura socioeconómica”. Foram também recordados e elogiados os contributos da sociedade civil, nomeadamente dos Kaifong. “Ao longo do combate epidémico, a União Geral, enraizada na camada social de base e ao serviço das diversas comunidades, tem vindo a manter a união entre os moradores dos bairros e a colaborar empenhadamente com o Governo da RAEM na implementação das acções de prevenção epidémica, especialmente na prestação de diversos serviços comunitários, com repercussões benéficas na sociedade, o que lhe tem granjeado o reconhecimento e elogio da sociedade”, destacou o Chefe do Executivo.
Parabéns a você
Além de destacar a importância estrutural para Macau
do 14º plano quinquenal do país, o Chefe do Executivo prometeu dar atenção ao desenvolvimento dos bairros e ao bem-estar da população, nas áreas da habitação, emprego, assistência médica e educação. Prometeu também empenho na salvaguarda da harmonia e da estabilidade social de Macau. Ho Iat Seng deixou também palavras de apreço aos Kaifong, associação que, “criada em 1983, tem desde sempre persistido na tradição do amor pela Pátria e por Macau e na defesa do princípio «um País, dois sistemas», dando contributos históricos para o retorno bem-sucedido de Macau à Pátria. “Paralelamente, a União Geral tem contribuído incansavelmente para a formação de quadros qualificados, orientados pelo amor pela Pátria e por Macau, e para a sua participação nos assuntos políticos a nível local e nacional”, afirmou Ho Iat Seng, citado num comunicado do Gabinete de Comunicação Social. João Luz
sexta-feira 26.3.2021
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FRONTEIRAS RESIDENTES COM DIFICULDADES EM REGRESSAR DA ÍNDIA E DO NEPAL
Para lá dos Himalaias
Um grupo de 13 residentes de Macau está neste momento na Índia à procura de soluções para voltar ao território. Segundo Aruna Jha, porta-voz do grupo, há pessoas sem possibilidades financeiras de pagar uma quarentena em Hong Kong. O Governo garantiu ao deputado José Pereira Coutinho que um novo corredor especial continua fora da agenda
O
fecho das fronteiras entre Macau e Hong Kong continua a gerar problemas aos residentes que ainda se encontram no estrangeiro. Neste momento, um grupo de 13 residentes encontra-se na Índia à procura de soluções para voltar a Macau, adiantou ao HM Aruna Jha, porta-voz do grupo. Aruna Jha viajou para Bombaim a 18 de Dezembro do ano passado por motivos familiares, mas as restantes pessoas estão no país há cerca de um ano, correndo o risco de perderem os seus empregos em Macau. Além disso, há situações de dificuldades financeiras que os impedem de pagar uma quarentena em Hong Kong. Aruna Jha disse que está a ser analisada a possibilidade de viajarem de Bombaim para Hong Kong no dia 18 de Abril, embora haja muita burocracia associada. “Ainda não comprámos os bilhetes e estamos a ver todas as possibilidades. Temos de ver se conseguimos um autocarro que nos leve de Hong Kong para Macau, porque não queremos fazer a quarentena [em Hong Kong]”, adiantou. Voar pela China também não é a opção mais viável, confessou Aruna Jha, uma vez que é preciso coordenar questões como a quarentena e o voo que levará o grupo depois para Macau. “Vou contactar a embaixada chinesa na Índia e tentar perceber as condições antes de dar este passo. Não queremos fazer quarentena na China, queremos ver se podemos apanhar um voo de Nova Deli através de Xangai ou Pequim, temos de ver também se há a possibilidade de um voo directo para Macau.” Este grupo pediu apoio ao deputado José Pereira Coutinho, que fez um pedido de apoio urgente junto da Direcção dos Serviços de Turismo (DST). O Governo disse não existirem “planos para a abertura de um novo ‘corredor especial’ entre
Turismo Semana de Macau em Hangzhou arranca hoje
Começa hoje a Semana de Macau em Hangzhou e, neste âmbito, decorreu ontem um seminário com representantes da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) em conjunto com operadores turísticos e do sector de convenções e exposições de Macau. Este evento teve como objectivo “reforçar o conhecimento dos operadores turísticos de Hangzhou sobre a situação actual do turismo e do sector das convenções e exposições de Macau”, além de “promover o intercâmbio e a cooperação entre os operadores turísticos das duas cidades” e “impulsionar a integração intersectorial do “turismo + convenções e exposições”, transmitindo a mensagem que “Macau é um destino saudável, seguro e apropriado para visitar”. No total, participaram 180 operadores dos sectores do turismo e de convenções e exposições de Hangzhou e Macau.
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Aviso de pedido para junção de restos mortais em sepultura perpétua
Resposta da Direcção dos Serviços de Turismo “Não existem planos para a abertura de um novo ‘corredor especial’ entre a RAEM e o aeroporto internacional de Hong Kong.”
a RAEM e o aeroporto internacional de Hong Kong”. “Neste momento as opções para os residentes da RAEM regressarem a Macau estão dependentes da disponibilidade dos voos, bem como do tipo de documentação que os residentes tenham na sua posse”, adiantou a DST, que aconselha
os residentes a contactarem as agências de viagem.
Regressar do Nepal
Segundo adiantou o deputado José Pereira Coutinho ao HM, há também um outro grupo de residentes que estão a tentar regressar do Nepal para o território e que enfrentam dificulda-
des semelhantes. A DST disse ainda, na resposta ao deputado, que “não é possível prever o que poderá acontecer nos próximos dias, semanas ou meses, na medida em que poderão ser implementadas ou alteradas as restrições de entrada ou trânsito em qualquer país ou destino”. Andreia Sofia Silva
Eu, Artur dos Santos Robarts (羅道 新), nos termos da alínea 5) do n.º 1 e dos n.ºs 2 a 4 do artigo 26.º -A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, apresento o pedido relativo à junção das cinzas de Mario Aureliano Robarts, que era cônjuge de Maria de Lourdes Garcia dos Santos Robarts, inumada na sepultura n.º SM-1-0363 do Cemitério de S. Miguel Arcanjo, nessa sepultura. Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.º -A do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito ao IAM no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos relativos a cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito no prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos, 26 de Março de 2021. Artur dos Santos Robarts
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Teste positivo para anticorpos contra a covid-19 em três residentes
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RÊS pessoas que chegaram a Macau na quarta-feira via Taipé, apresentaram resultados positivos para o teste de anticorpos contra a covid-19. O veredicto revela que os três residentes já estiveram infectados com o vírus, antes de vir para Macau. De acordo com um comunicado divulgado pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, os três residentes partiram de diferentes proveniências da Europa e dos Estados Unidos no dia 7 de Março integrados num grupo de 15 pessoas, tendo sido submetidos a um teste de ácido nucleico à chegada a Macau, cujo resultado foi negativo para todo o grupo Contudo, após conhecidos os resultados dos testes de anticorpos realizados no dia 15 de Março, as três pessoas que testaram positivo foram enviadas para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, de modo a realizar exames adicionais para esclarecer o seu estado de saúde e verificar o estado da infecção. “De um modo geral, após ser infectado, o corpo humano revela, em primeiro lugar, anticorpos IgM específicos na fase inicial da doença e anticorpos IgG específicos nas fases intermédia e final da doença. Os anticorpos IgM gradualmente desaparecem. Ou seja, estas três pessoas já tinham sido infectadas”, explica o cen-
tro de coordenação, que dá ainda nota para o facto de “por negligência de um trabalhador” as amostras de sangue recolhidas no fim de semana não terem sido “testadas a tempo”.
Fora do normal
O teste de anticorpos contra a covid-19 de um residente que veio das Filipinas na quarta-feira revelou “valores anormais” contra a doença, comunicou ontem o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. O teste de ácido nucleico que fez à chegada a Macau deu resultado negativo. O indivíduo partiu de Manila na quarta-feira com destino a Macau, através de Tóquio e Taipei, tendo chegado no mesmo dia. Perante os resultados dos testes, os Serviços de Saúde encaminharam o homem para observação médica no Centro Clínico de Saúde Pública de Coloane, onde vai ser sujeito a um novo teste de ácido nucleico e outro teste para verificar se possui anticorpos. “Este indivíduo não manifesta qualquer indisposição e declarou que não administrou a vacina contra a COVID-19, mas não confirmou se tinha sido anteriormente infectado”, diz a nota. Entretanto, após a 47ª paciente infectada com covid-19 ter recebido alta, Macau volta novamente a estar livre de casos activos. P.A. e S.F.
No gelo DROGA CASAL DETIDO POR POSSE E TRÁFICO DE ICE NO VALOR DE
POLÍCIA JUDICIÁRIA
Ataque ao vírus
26.3.2021 sexta-feira
FUGA EM CASINO PROVOCA QUEDA, FRACTURA E... INDEMNIZAÇÃO
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Tribunal de Segunda Instância (TSI) negou o recurso apresentado por um homem, condenado pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) ao pagamento de uma indemnização patrimonial superior a 177 mil renmimbis e uma indemnização não patrimonial acima das 500 mil patacas por causar, com a sua fuga num casino e de
forma indirecta, uma fractura grave num outro homem. O TJB entendeu, no entanto, absolver este homem do crime de ofensa à integridade física por negligência de que estava acusado. O TSI rejeitou também um outro recurso apresentado pelo homem que sofreu a fractura, que visava o pagamento solidário de
uma indemnização civil por parte do homem que fugiu, o segurança do casino que foi empurrado por este e a concessionária de jogo onde o incidente aconteceu. O caso remonta a Outubro de 2016, quando se deu a fuga de um jogador que subtraiu fichas de jogo de outros. Segundo o acórdão, “o caso foi detectado por um guarda
sexta-feira 26.3.2021
do lar 31 MIL PATACAS
Um casal de namorados foi detido após um dos elementos ter sido apanhado pela PJ a vender doses de ice à porta de casa, na zona do Porto Interior. No total, foram apreendidos 8,77 gramas do estupefaciente. Um comprador foi também detido
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Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada quarta-feira três pessoas, um casal de namorados e um comprador, todos de nacionalidade filipina, por suspeita da prática dos crimes de tráfico e consumo ilícito de estupefacientes, mais precisamente de ice. Feitas as contas, foram apreendidos mais de 9,0 gramas do produto, no valor de 31 mil patacas.
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De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa pela PJ, após seguir algumas pistas que indiciavam suspeitas sobre um caso de venda de droga na zona do Porto Interior, foi iniciada uma operação junto a um edifício situado na Rua do Almirante Sérgio. Assim, por volta das 21h30, os agentes destacados para o local suspeitaram das movimentações de um homem que, após entrar
no edifício, dele acabou por sair passados apenas dois minutos. Após seguir o homem durante algum tempo, a polícia viria a interceptá-lo, acabando este por confessar, justamente, que tinha comprado ice no interior do prédio de onde saira momentos antes. Na sua posse, estava um pacote de ice com 0,29 gramas, que tinha sido adquirido por 300 patacas. No encalce da detenção do comprador, a PJ dirigiu-se ao edifício da Almirante Sérgio e logo encontrou uma mulher à porta da sua residência, segurando num pacote de ice com a mesma quantidade de produto. Ao entrar na residência do casal, a PJ deteve de imediato o homem e iniciou as buscas ao local, tendo encontrado 22 pacotes de ice, com o peso total de 8,77 gramas e um valor de mercado situado nas 31 mil patacas.
Adicionalmente, foram descobertos 2 pacotes de “outro estupefaciente não identificado” na forma de pó branco, com o peso total de 8,47 gramas Adicionalmente, foram descobertos dois pacotes de “outro estupefaciente não identificado” na forma de pó branco, com o peso total de 8,47 gramas. Segundo o
porta-voz da PJ, estão ainda a decorrer investigações para apurar de que estupefaciante se trata. Foram ainda apreendidos utensílios para embalar droga, balanças, equipamento para consumo e também 1.200 dólares de Hong Kong e 2.100 patacas.
Consumo interno
Interrogado pelas autoridades, o casal confessou a prática do crime, acrescentando que a venda de estupefacientes era exclusivamente destinada a pessoas de nacionalidade filipina. Quanto à origem da droga, os dois terão recusado revelar qualquer tipo de informação. Realizados os exames para detectar a presença de substâncias ilícitas no organismo, tanto o comprador como o namorado testaram positivo, ao passo que a mulher testou negativo. Os três foram presentes ontem ao Ministério Público (MP). O comprador, de 28 anos, irá responder pela prática do crime de consumo ilícito de estupefacientes, pelo qual poderá vir a ser punido com pena de prisão de três meses a um ano ou com pena de multa de 60 a 240 dias. Já a namorada, de 34 anos, irá responder pela prática do crime de tráfico ilícito de estupefacientes, pondendo vir a ser punida com pena de prisão entre cinco a 15 anos. Por fim, o namorado irá responder pela prática dos dois crimes, ou seja, tráfico e consumo ilícito de estupefacientes. Pedro Arede
DSPA MAIS DE DOIS MILHÕES DE ENVELOPES DE LAI SI RECOLHIDOS de segurança que estava presente no casino”. O homem "entregou as referidas fichas a esse guarda e fugiu”. "Em seguida, o oficial de segurança reparou na situação e começou logo a perseguir A [o homem que subtraiu as fichas]. No decurso, foi empurrado por A e perdeu o equilíbrio, colidindo com o ofendido C. Por seu turno, C caiu no chão, ficando com lesões na perna inferior e no joelho do lado esquerdo. C foi diagnosticado com fractura cominutiva da plataforma da tíbia esquerda e com fractura do perónio proximal esquerdo, ficando 9 meses de convalescença”, lê-se ainda.
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Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) recolheu 2,2 milhões de envelopes de lai si usados por ocasião do Ano Novo Lunar deste ano. Destes, após feita a triagem, 410 mil envelopes (cerca de 1,2 toneladas) estão em condições de ser reutilizados no próximo ano. Segundo um comunicado divulgado ontem pela DSPA, a iniciativa intitulada “É muito fácil recolher envelopes de lai si”, que decorreu até 6 de Março, irá evitar o corte de 86 árvores e contou, apesar da pandemia, “com um maior apoio e participação por parte dos
cidadãos e dos diferentes sectores da sociedade”. Para materializar a actividade, foram colocados mais de 840 pontos de recolha em diversas zonas de Macau. A DSPA aponta ainda que os envelopes de lai si disponíveis para reutilização serão distribuídos pelo público antes do Ano Novo Lunar do próximo ano, com a colaboração das associações e instituições. Alguns envelopes de lai si serão ainda usados em actividades ou workshops ambientais. Quanto aos envelopes que não podem ser reciclados, serão reencaminhados para a reciclagem.
IPM Protocolo com Centro Certificação da China para Tradutores
O Instituto Politécnico de Macau (IPM) assinou ontem um protocolo de cooperação com o Centro de Gestão do Exame de Certificação da China para Tradutores e Intérpretes (CATTI), da Administração de Publicações em Línguas Estrangeira. Com a parceria será criado no IPM o primeiro local de aplicação de exames do CATTI nas regiões de Hong Kong e Macau. O primeiro exame de certificação para tradutores e intérpretes em português e inglês está marcado já para Junho deste ano, marcando a estreia do CATTI na língua de Camões. O director do centro, Wang Ji Yu, a escolha de Macau para fazer exames representa uma medida concreta para a implementação das “Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.
Secundário Alunos querem continuar estudos em Macau
Este ano haverá cerca de 4.200 alunos a completar o ensino secundário e o subdirector dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) estima que muitos deles tenham mais vontade de prosseguir para o ensino superior em Macau, devido à pandemia. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Teng Sio Hong reiterou que as instituições de ensino superior do território têm vagas suficientes para garantir oportunidades de estudo aos alunos locais. Teng Sio Hong indicou ainda que desde a pandemia já houve transferências de alunos do exterior para universidades de Macau, assegurando que a DSESJ mantém contacto constante com os estudantes no exterior e os seus familiares.
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FOTOGRAFIA ANTIGA LEPROSARIA ACOLHE EXPOSIÇÃO “LIGHT OF HOPE”
A luz do fim
A casa da antiga leprosaria de Ká-Hó transformada recentemente em galeria de arte recebe a partir de amanhã a exposição fotográfica “Light of Hope”. Ao todo, será possível apreciar uma selecção de 45 trabalhos, cuja curadoria ficou a cargo de Alice Kok. Segundo a artista, para além de explorar novas visões do local que é visto por muitos como “o fim de Macau”, o objectivo da iniciativa passa por angariar fundos para a ARTM
galeria de arte operada pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) numa das casas da antiga leprosaria da Vila de Nossa Senhora de Ká-Hó acolhe a partir de amanhã, a exposição fotográfica “Light of Hope”. A iniciativa, que reúne 45 trabalhos, resulta de uma selecção a cargo de Alice Kok, feita a partir de um total de 180 obras enviadas por entusiastas da fotografia. “Queria combinar a ideia de organizar uma iniciativa que permitisse a todos os fotógrafos enviar boas imagens de Ká-Hó e, simultaneamente, fazer uma exposição de fotografia destinada a angariar fundos para a ARTM. Ao todo, recebemos mais de 180 fotografias enviadas por 36 fotógrafos. Como a galeria é pequena por estar albergada numa pequena casa, fizemos uma selecção de apenas 45 trabalhos”, explicou a curadora da exposição ao HM. Questionada sobre a existência de um tema inerente a todas as fotografias que seriviu de base da selecção feita, Alice Kok aponta que a ideia passa sobretudo por compreender “o que é que estes entusiastas da fotografia vêem quando vêm aqui a Ká-Hó”, até porque se trata de um lugar posto à margem e praticamente destinado a acolher o que a cidade não quer. Segundo a curadora, o próprio facto de Vila de Nossa Senhora de Ká-Hó ter uma história “muito especial” por ter acolhido noutros tempos uma leprosaria e de, nas suas redondezas existir um farol que marca, para muitos “o fim de Macau”, contribui para o sentimento de partir em busca de esperança, mesmo nos lugares mais remotos. “Todo o local corresponde à própria ideia de ser posto à margem e Ká-Hó é lugar mais longínquo de Macau, em Macau. Além da vila, há um sítio a que as pessoas chama ‘o fim de Macau’, que alberga um farol. Acho este ponto muito interessante. O que é possível encontrar no fim de Macau? O próprio nome da exposição “Lights of Hope”, traduz o sentimento de encontrar alguma esperança, mesmo que estejamos no lugar onde Macau acaba”, acrescentou.
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Recorde-se que, desde o dia 19 de Dezembro de 2020, através do projecto “Hold On To Hope”, a ARTM reabriu duas casas da antiga leprosaria de Ká-Hó, para albergar uma galeria de arte e uma cafetaria operada por pacientes em reabilitação. O objectivo passa por permitir aos pacientes da associação o desempenho de funções que facilitem a sua reintegração futura no mercado de trabalho.
Ajudar a ajudar
Apesar de todas as fotografias enviadas serem de “grande qualidade”, Alice Kok sublinhou ainda que a selecção foi feita tendo por base, não só a sua composição, cores e atributos técnicos, mas também “a forma com as fotografias funcionam em conjunto”. Além disso, por não haver restrições a nível temporal, foram aceites todas as fotografias de Ká-Hó, independentemente do ano em que foram captadas.
“[O] nome da exposição “Lights of Hope”, traduz o sentimento de encontrar alguma esperança, mesmo que estejamos no lugar onde Macau acaba.” ALICE KOK CURADORA
Há retratos, paisagens, caminhos perdidos, perspectivas curiosas da antiga leprosaria e da igreja, mas acima de tudo “generosidade”, aponta Alice Kok. Até porque, para verem os seu trabalho exposto, os fotógrafos tiveram de assegurar os custos de impressão. “O objectivo principal passa mesmo por ajudar a ARTM a angariar fundos para continuar a prestar apoio às pessoas em reabilitação e que se pretende que sejam reintegradas na sociedade”, vincou. As obras expostas poderão ser adquiridas por 500 patacas, sendo que a totalidade das receitas reverte a favor da ARTM. A exposição “Light of Hope” pode ser visitada até ao próximo dia 24 de Abril. Pedro Arede
Festival de Artes Marcação online para compra de bilhetes
OS bilhetes para o 31º Festival de Artes de Macau (FAM), organizado pelo Instituto Cultural (IC), começam às 10h de domingo. O IC alertou que quem pretender comprar bilhetes pessoalmente deve fazer previamente o registo online. “A fim de prevenir e controlar a pandemia, reduzir a aglomeração de multidões no local e proteger a saúde do público, este ano foi lançado um Sistema de Reservas Online para o dia de abertura das bilheteiras”, explicou o organismo. O tema desta edição do FAM é “Reiniciar”, e arranca com o espetáculo “Cobra Branca”, do Estúdio de Teatro Lin Zhaohua, de Beijing, que redesenha os personagens de um conto popular chinês. Já o espectáculo de encerramento, intitulado “Tirando Licença”, é uma produção adaptada apresentada pelo Teatro Nacional da China, que explora em palco a história de um actor experiente que se aproxima do fim da sua vida, “vagueando frequentemente entre o mundo real e o delírio, a fim de testemunhar com o público a fragilidade e a eternidade da vida”. Além de espetáculos, o festival inclui atividades em vários bairros de Macau. A primeira sessão é “O Festival de Artes Percorre a Cidade”, que decorre dia 28 pelas 15h30, no Anim’Arte Nam Van.
Tap Siac Abertas inscrições para workshops de artesanato
Abrem hoje as inscrições para os workshops de artesanato criativo que decorrem na Feira de Artesanato do Tap Siac, de 16 a 18 e de 23 a 25 de Abril. Os 36 workshops incluem oito sessões destinadas a famílias. De acordo com um comunicado do Instituto Cultural, cada pessoa pode inscrever-se no máximo em dois workshops, sendo os participantes selecionados por sorteio informático. Quem for escolhido recebe uma notificação no dia 8 de Abril e deve confirmar a sua participação através do pagamento da taxa de inscrição, que é de 50 patacas.
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H&M DEIXA DE APARECER EM PLATAFORMAS DE COMÉRCIO ELECTRÓNICO
Algodão amargo e doce V ÁRIAS plataformas de comércio eletrónico na China deixaram ontem de mostrar a loja digital da marca de vestuário sueca H&M, meses depois de a empresa ter anunciado a suspensão da utilização do algodão de Xinjiang. A decisão da marca deveu-se à alegada utilização de trabalho forçado no sector naquela província autónoma do noroeste da China. De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, as pesquisas da marca sueca nas plataformas JD.com, Taobao, Tmall e Pinduoduo não produziram quaisquer resultados. Na quarta-feira, o Comité Central da Liga Comunista da Juventude chinesa publicou uma mensagem, na rede social Weibo na qual perguntava: “Querias ganhar dinheiro na China enquanto espalhas boatos para boicotar o algodão de Xinjiang? Querias!”. O texto estava acompanhado pelo comunicado da H&M, na qual a marca afirmava proibir “qualquer tipo de trabalho forçado” na sua cadeia de produção “independentemente do país ou região”. A empresa indicou também que ia pôr fim à relação de trabalho com um fornecedor chinês até que fossem esclarecidas as alegações contidas um relatório, segundo o qual 82 firmas chinesas e estrangeiras tinham beneficiado da deslocalização forçada de membros da minoria uigure. Até às 11:30, a mensagem da Liga Comunista da Juventude tinha já mais de 40 mil partilhas e mais de 411 mil “gostos” e 16 mil comentários, muitos deles a favor da expulsão da marca do país. Outras empresas, como a norte-americana Nike, que no ano passado emitiu uma declaração semelhante à da H&M, também foram afectadas por apelos ao boicote de alguns utilizadores chineses da internet,
o que levou o actor Wang Yibo a rescindir o contrato publicitário com a Nike.
Algodão de Xinjiang não chega para o país
Como maior consumidor mundial e segundo maior produtor de algodão, a China, com uma produção de cerca de 5,95 milhões de toneladas em 2020/2021, teve de responder à procura total
de 7,8 milhões de toneladas. A produção de algodão de Xinjiang correspondeu a 5,2 milhões de toneladas, representando cerca de 87% da produção nacional e cerca de 67% do consumo interno. O algodão de fibra longa de Xinjiang, um dos que apresenta melhor qualidade no mundo, não satisfaz a procura há vários anos. A fim de atender à procura
doméstica, a China precisa de importar cerca de 2 milhões de toneladas de algodão por ano. Nos últimos anos, a China expandiu activamente os seus canais de importação para garantir a estabilidade da cadeia de abastecimento. Foi também estabelecido um sistema de reserva de algodão para defender os interesses dos cotonicultores nacionais.
EMBAIXADOR CHINÊS EM ROMA CONVIDA DEPUTADOS A VISITAREM XINJIANG O embaixador chinês em Roma convidou ontem os deputados italianos a visitarem pessoalmente a região de Xinjiang, na China, para verificar se a minoria muçulmana de uigures é realmente vítima de “genocídio”. “Convido-vos pessoalmente a irem a Xinjiang (...) para verem a realidade e averiguarem se realmente existe um ge-
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nocídio, se os uigures realmente sofreram um genocídio nos últimos 20 anos”, disse o embaixador Li Junhua, dirigindo-se ao comité de Negócios Estrangeiros do Parlamento italiano. “Se quiserem ir, avisem-me. Digam à embaixada, para que possamos organizar (a viagem)”, acrescentou Li. Desde 2019, a China insiste em que
convida diplomatas estrangeiros para visitar Xinjiang, mas uma delegação da UE disse, nesse mesmo ano, que as pessoas com quem tinham contactado estavam controladas e liam a partir de textos que tinham sido preparados pelas autoridades chinesas. Uma outra viagem, destinada a embaixadores de países da UE, foi este mês
cancelada. Perante o comité de deputados italianos, o embaixador Li Junhua defendeu que a China foi “compelida a reagir” a uma acção hostil. “Será que é apenas a UE que pode impor sanções à China? A China não pode fazer o mesmo? Teremos, assim, uma relação justa e igual?”, questionou o embaixador chinês em Roma.
ANGOLA EMPRESÁRIOS PREOCUPADOS COM “MUDANÇAS NA POLÍTICA E ECONOMIA”
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Câmara de Comércio de Taizhou em Angola contratou um escritório chinês de advogados para “melhor proteger os direitos e interesses dos seus membros” devido às “mudanças na política e economia locais”. Segundo o Departamento de Justiça da Província de Jiangsu, adjacente a Xangai, a Jiangsu Guanqian Law Firm vai ajudar a “proteger melhor os direitos legais e interesses” dos membros da Câmara de Comércio. A associação tem um papel “fulcral” na economia angolana e tem servido de “ponte de amizade” entre a China e Angola, mas enfrenta actualmente “uma situação mais complexa”, sublinhou um comunicado. Zhu Xingya, diretor executivo da Jiangsu Guanqian, prometeu ultrapassar as dificuldades culturais e linguísticas para ajudar a associação a lidar com “disputas legais no estrangeiro”. O escritório de advogados quer usar Angola como trampolim para mais tarde alargar a cobertura legal a outros países, acrescentou Zhu Xingya. Em Dezembro, o embaixador da China em Angola, Gong Tao, tinha aconselhado os empresários chineses a reforçar o investimento em segurança devido à “recente deterioração do ambiente de segurança pública”. A Câmara de Comércio de Taizhou em Angola reúne empresários com ligações à cidade de Taizhou, na província de Jiangsu. A empresa Jiangsu Jiangzhou Agricultural Science and Technology Development Co., Ltd investiu 12 milhões de dólares no projecto agrícola Jiangzhou Agriculture, na província do Huambo. O projecto gerou 180 postos de trabalho no cultivo de vegetais, fruta e cereais e na criação de gado bovino numa área de 2.544 hectares no município da Chicala-Cholohanga. Uma delegação das autoridades de Taizhou visitou o Huambo em Dezembro de 2019, tendo ficado marcada para maio de 2020 a visita de um grupo de empresários da província angolana à China. A iniciativa foi cancelada devido à pandemia de covid-19.
Taiwan 13 marinheiros detidos por pesca ilegal
A Guarda Costeira de Taiwan anunciou ontem que deteve 13 marinheiros chineses e apreendeu o seu navio, por pesca ilegal dentro das águas territoriais taiwanesas. O navio de pesca chinesa foi detectado na terça-feira a cerca de 26 quilómetros do ilhéu de Pengjia, a norte da ilha de Taiwan, e tentou escapar quando abordado pela Guarda Costeira, acabando por ser intercetado. Segundo a agência CNA, a Guarda Costeira taiwanesa encontrou a bordo cerca de 2 toneladas de peixe vivo, que foi devolvido ao mar, e escoltou o navio para porto em Keelung, onde a tripulação do navio chinês se encontra agora detida.
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Ásia COREIA DO NORTE JAPÃO CONDENA NOVO LANÇAMENTO DE MÍSSEIS BALÍSTICOS
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Protecção para todos Nova regra permite a expatriados de Xangai acederem à vacina
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ANGAI, a metrópole com a maior comunidade de expatriados na China, anunciou que em breve incluirá residentes estrangeiros no seu programa de vacinação contra a Covid-19. A partir de 29 de Março, expatriados com idade adequada poderão candidatar-se às vacinas, segundo as autoridades municipais. A medida, anunciada na noite de terça-feira, fez de Xangai a segunda cidade da China a divulgar os planos de vacinação de Covid-19 para estrangeiros devido aos esforços do país para popularizar as vacinas entre os seus residentes. Residentes expatriados com idades entre 18 e 59 anos em Wuhan, na província de Hubei, também se podem inscrever para vacinação a partir deste mês. Trabalhadores de algumas comunidades residenciais de Xangai com uma grande proporção de residentes estrangeiros disseram na quarta-feira que receberam perguntas
de residentes expatriados sobre como reservar as vacinas. “Em resposta às suas preocupações, traduziremos o comunicado oficial do governo municipal com etapas detalhadas sobre como marcar a vacinação e quais materiais fornecer. Pretendemos publicar um artigo bilingue sobre o assunto em breve na conta WeChat do bairro”, disse Tang Jia, funcionário do bairro no Yanlord Garden, na área financeira de Lujiazui, distrito de Pudong. “Também partilharemos o artigo no nosso grupo de WeChat de 270 membros que são expatriados ou têm familiares expatriados”, disse. Outro funcionário do bairro, de sobrenome Zhao, disse que o distrito está a considerar abrir o seu quarto centro de inoculação de vacinas de Covid-19 em Lujiazui por motivos de conveniência para os residentes locais e estrangeiros. Os expatriados abrangidos pelo seguro médico do país terão direito ao mesmo tratamento que os cidadãos chineses segurados, enquanto os que não
têm pagarão 100 yuans por dose. Giuseppe Bigatti, um médico da Itália e actualmente diretor do centro de histeroscopia do Hospital Renji em Xangai, disse que completou a vacinação de duas doses em fevereiro, quando os funcionários do hospital foram vacinados voluntariamente, e que gostaria que a sua esposa, uma professora italiana, se vacinasse em breve. “Acredito que essa é a única solução para voltar a viajar quando for retomado o trânsito internacional”, afirmou. Abdurasulov Safar, do Uzbequistão, estudante de graduação na Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, saudou a decisão de incluir expatriados no programa de vacinação e disse que marcaria uma consulta em breve. Safar disse que se sentiria muito mais seguro para voltar ao seu país natal, onde a epidemia ainda persiste, neste verão, se fosse vacinado. “A notícia chegou na hora certa para mim e dormi muito bem depois de ver as informações”, disse.
primeiro-ministro japonês condenou ontem o lançamento pela Coreia do Norte de dois mísseis balísticos, cujo disparo é uma violação das resoluções da ONU. Yoshihide Suga disse aos jornalistas que o primeiro míssil foi lançado pouco depois das 7:00 e o segundo passados cerca de 20 minutos, tendo ambos os projécteis voado entre 420 e 430 quilómetros antes de cair nas águas do mar do Japão. Por seu lado, Seul manifestou “profunda preocupação” pelo lançamento de dois mísseis balísticos, horas antes, pela Coreia do Norte e o exército sul-coreano indicou que o lançamento foi realizado a partir da província de Hamgyong do Sul, na costa oriental norte-coreana. O primeiro-ministro japonês condenou esta acção, que sublinhou tratar-se de uma violação das resoluções do Conselho de Segurança
da ONU de proibição da Coreia do Norte de disparar mísseis balísticos. O ensaio de hoje “ameaça a paz e a segurança do Japão e da região circundante”, salientou Suga. Tóquio apresentou uma queixa formal contra Pyongyang, através da embaixada nipónica em Pequim, disse um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês à agência de notícias japonesa Kyodo. O protesto deve seguir estes trâmites uma vez que os dois países não mantêm relações diplomáticas. Depois do lançamento, Suga convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança japonês em Tóquio, no final da qual disse aos meios de comunicação social que o Japão “vai cooperar estreitamente com os Estados Unidos, a Coreia do Sul e com outros países para proteger com firmeza a vida pacífica dos cidadãos”. A última vez que a Coreia do Norte testou
projéteis deste tipo foi em 29 de março do ano passado, quando realizou um ensaio do chamado sistema KN-25, a partir da costa oriental. Este é o segundo teste de mísseis efetuado por Pyongyang numa semana. No domingo passado, o regime do líder norte-coreano, Kim Jung-un, disparou dois mísseis de cruzeiro, num momento marcado pelas pressões da Coreia do Norte para retomar o diálogo sobre desnuclearização, enquanto Washington está a rever a estratégia para lidar com Pyongyang. O ensaio de domingo só foi divulgado na quarta-feira, com Seul e Washington a minimizarem a operação, uma vez que as resoluções da ONU não sancionam os lançamentos de mísseis de cruzeiro norte-coreanos, o que indica um aparente plano coordenado para facilitar o reinício do diálogo, suspenso desde 2019.
COVID ÍNDIA COM 50 MIL CASOS E NOVA VARIANTE
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Índia diagnosticou 53.476 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, o pior registo dos últimos cinco meses, informaram as autoridades, um dia depois de uma nova variante do coronavírus ter sido anunciada no país. Este é o sexto dia consecutivo em que o país contabiliza mais de 40 mil infecções diárias, confirmando a curva ascendente da pandemia, e ultrapassando pela primeira vez os 50 mil casos diários desde 23 de outubro de 2020. Na quarta-feira, as autoridades indianas informaram que foi detectada uma nova variante do coronavírus SARS-CoV-2 no país, mas recusaram que esta seja responsável pelo aumento de casos. A nova variante tem duas mutações na proteína ‘Spike’ (que o vírus utiliza para entrar nas células), que podem facilitar a transmissão, disse o director do Centro de Biologia Celular e Molecular, Rakesh Mishra. As mutações foram detectadas em 15% a 20% das amostras no estado de Maharashtra, o mais afectado
pela nova vaga da doença, informou o Consórcio sobre Genoma (INSACOG, no original), formado pelo Ministério da Saúde indiano e dez laboratórios nacionais. O organismo precisou que as mutações “não coincidem com nenhuma das variantes preocupantes catalogadas anteriormente”, como as detectadas no Reino Unido, Brasil e África do Sul. Apesar disso, o INSACOG considerou que a nova variante “não foi detetada em número suficiente para estabelecer, relacionar ou explicar o rápido aumento em alguns estados”. O aumento das infecções verificou-se, sobretudo, em seis estados: além de Maharashtra, o mais atingido, com mais de metade dos casos nas últimas semanas, também Punjab, Karnataka, Kerala, Chhattisgarh e Gujarat. Juntos, representam 81% das infecções nas últimas 24 horas, de acordo com o Ministério da Saúde indiano. Nas últimas 24 horas, o país registou ainda 251 mortes provocadas pela doença.
A Índia tinha conseguido travar a progressão da pandemia, depois de atingir o pico de infecções em meados de Setembro de 2020, quando foram diagnosticados 97.894 casos num só dia, mas as infecções voltaram a aumentar no último mês. Desde o início da pandemia, a Índia contabilizou mais de 11,7 milhões de casos de covid-19 (11.787.534), sendo o terceiro país do mundo com mais infeções, atrás dos Estados Unidos e do Brasil. A Índia é o quarto país do mundo com mais óbitos (160.692 mortes), a seguir aos Estados Unidos, Brasil e México, de acordo com a contagem independente da Universidade Johns Hopkins (EUA). Com uma população de 1,3 mil milhões de habitantes, a Índia começou a campanha de vacinação em 16 de Janeiro, tendo até agora vacinado mais de 53 milhões de pessoas (53.145.709), de acordo com os números actualizados diariamente pelo Ministério da Saúde indiano.
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diário de próspero
ANTÓNIO CABRITA
Há livros clarividentes que constituem um antídoto contra esta maleita mas as hordas fazem alvorecer os equívocos. Devia ser obrigatório ler “As Identidades Assassinas”, do Amin Maalouf, ou o magnífico “A Identidade Cultural não Existe”, do François Jullien. Mas não foram escritos por africanos... e hoje a inteligência e a memória são rejeitadas como elementos espúrios, em não tendo um selo étnico. Na semana passada evoquei a irreparável ofensa que constituiu a deficiência cognitiva programada pelo colonialismo, comentarei agora a abominável “perda de realidade” e a perversão dos valores que os regimes pós-coloniais imprimem na percepção das novas gerações, praticadas em nome da “identidade”. Há uma jovem do Malawi, cujos livros estoiraram em todo o mundo. Chama-se Upile Chisala e foi publicada na Leya/Brasil. Lilhe o primeiro livro, “Eu destilo melanina e mel”. Que tal é? Cite-se: «Eu gosto de pensar que Deus sorri/ quando uma mulher negra é corajosa o suficiente/ para amar a si mesma.»// «Diga a ela que há deusas nos seus ossos/ E histórias de triunfo na sua pele./ E que essa negritude não é um pecado». Sobressaem no livro três temas: a cor da pele, a necessidade de auto-estima e o difícil respeito mútuo no amor. Upile cresceu no Malawi, entre negros, fez o curso universitário nos EUA, e depois voltou a casa e agora vive na África do Sul, maioritariamente negra, e, em entrevista, diz pretender ser a voz, não de todas as mulheres, mas, “das negras”, contra a discriminação que as vexa. Fico baralhado quanto aos alvos e em que “lugar” ela localiza o racismo e a discriminação: afinal, não vive em África? Talvez Upile sofra do mesmo problema que um jovem “filósofo” moçambicano que nas suas palestras excita a plateia com as mesmas histórias e argumentos históricofilosóficos, que conduzem invariavelmente ao despertar para a consciência do homem negro, no bairro de Harlém, em 1920 – à terceira vez que ouvi o mesmo discurso, perguntei-lhe se ele já havia dado conta de que vivia em Maputo, terra libertada, em 2019. Até hoje não despertou para a sua realidade e papagueia o seu discurso antiesclavagista, evitando pronunciar-se contra os erros grosseiros do poder actual que conduziram a Cabo Delgado e à decapitação de crianças. Outros poemas do livro: «Você/ e eu/ e todos os nossos vícios.»//«Meu amor,/ você não acreditaria em todos os lugares/ em que achei que encontraria você.»// «Milhares de poemas vêm dançando no meu peito/ desde a primeira vez que você me beijou.»//«Tenha cuidado com a maneira como você ama as pessoas./ Não as destrua./ Não se destrua». Isto tem consistência como poesia? Até como auto-ajuda é medíocre. Porquê o
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26.3.2021 sexta-feira
Da ira identitária II
sucesso? É simples, é uma mulher negra num mundo polarizado, não importa a vulgaridade do que diga. Coitadas das poetas de outras latitutudes e raças: têm de estudar todos os poetas da sua tradição, dois mil anos de poesia, antes de se atreverem a escrever uma linha que seja consistente. Esta crónica vai ser lida como racista quando é o contrário disso: apela a que os africanos readquiram a sua dignidade trabalhando mais e melhor e autoguetizando-se menos. Uma moçambicana passou-me o manuscrito de “uma novela”. Como novela era pífia; salvei umas frases no meio da hulha, que montei, o que resultou num poema unitário de 20 páginas. Ela publicou o poema. Vejo-a depois entrevistada pela RTP África onde, com desfrute e vaidade, se ufanava de ser estudada nas universidades do Brasil. Em que farsa me meti eu, interroguei. De
outra vez, deram-me um manuscrito de trezentas páginas para ler, sem estrutura, martelado na sintaxe com que se acomodarão os alimentos no bandulho de um pangolim. Estruturei-o e reduzi-o a cento e dez páginas. Pensei, isto, claramente, ainda precisa de ir às oitenta mas não quero assustá-lo de antemão. O tipo, radiante, meteu imediatamente o livro na tipografia antes de eu conseguir enxugá-lo devidamente. Nunca mais privou comigo ou voltou a escrever outro livro. Ou antes, contactou-me dez anos depois para que eu exercesse de novo as minhas habilidades de alfaiate, mas disse-lhe que não. Recebi agora um daqueles livros colectivos, emanados dos Departamentos de Estudos Africanos: lá vinha um aperaltado estudo académico sobre a famigerada “obra-prima”. Ao qual se segue outro artigo “científico” sobre uma poeta que não consegue, literalmente, no domínio da língua, fazer coincidir um botão com a sua casa. Assim se produzem teses, de fora, sobre “o cânone” literário, ancoradas num paternalismo estupidificante. (Não distorçam, existem bons escritores, ainda esta semana escrevi o prefácio para um jovem novelista, falo antes dos “efeitos da mentira” alimentados pelo duplo critério da complacência, que impedem a autonomia e o crescimento). O predomínio da cultura oral é patente, explicando a dificuldade de grande parte dos estudantes africanos que vão estudar para fora com bolsa. Não estão habituados a uma tal exigência de ritmo de leitura e de pressão. Em casa, os trabalhos nunca visavam a excelência e nas avaliações prevalece um critério de mitigação: “Dado o contexto, não é mau...”. “Subtilezas” enquadradas num proselitismo auto-desculpabilizador e avesso à crítica. Neste contexto, a cultura instalada - de cultivar o discurso vitimista em detrimento do esforço e da produção, quer de conhecimento, quer de modos de vinculação ao presente -, é um erro programado que politicamente beneficia a alguns. O que gera tensões e leva a que os comportamentos se polarizem entre a baixa estima e a auto-indulgência como desporto nacional, num desvanecimento colectivo que tem como mecanismos principais a busca de bodes expiatórios e a catarse hedonista. Por isso são sociedades essencialmente consumistas, destinadas a estar em pane: orgulhosamente, querem ter “a autoria” sem trabalhar o suficiente para aprender os processos. Eis a contradição, gritam por soberania ancorados em sistemas de vida que os engaja na dependência. Houve um inquérito de uma rádio à boca da universidade sobre se era prioritário fazer o curso universitário ou pertencer ao Partido. Adivinhe-se.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO
entre oriente e ocidente
GONÇALO M. TAVARES
PESTANAS, CARAMELOS, NUVENS Haidée diz que a única coisa interessante que tem no rosto são as pestanas longas. Helena fala da lei da oferta e da procura e diz que quando tudo isto passar vai encontrar um namorado barato. Henoch está a ouvir Jimmy Hendrix e a tocar guitarra com as mãos na barriga. Hélene olha para a unha do dedo mindinho e pensa que tem de cortá-la antes de a mãe chegar. Henriqua toca no piano uma música infantil, mas as mãos de setenta anos já tremem. Hannah começou a escrever um diário e na primeira página escreveu: quero morrer. Helga está com dores de barriga. Heráclida diz que é preciso manter o futuro fora das conversas de família. Haydée dá nome aos caracóis do jardim antes de os pisar. Helia tem sangue na urina pelo terceiro mês consecutivo. Herendiaria está a olhar para os pés e a pensar que não tem para onde ir. Hebe bebe uma cerveja e finge gostar. Heliana dá aulas de música e diz aos alunos que têm de transformar os sons desagraveis em sons agradáveis e que isso inclui as palavras. Herlinda está a chorar porque o pai lhe tirou os caramelos. Hedda está a pensar em Carlo enquanto Januario diz que a ama. Heliodora começa aos berros em frente ao espelho para perder energia até ao marido chegar. Hermelinda olha para a radiografia e diz que aquele osso largo da bacia não é o seu. Hedy está a treinar salto em altura, mas o que ela queria era que o pai não tivesse morrido. Heloisa tem uma voz estridente que até irrita os pais. Hermenegilda tem algo escondido nas mãos. Heidi está a inventar novas palavras com Jeanette. Uma delas é: cabrahumana, tudo junto. Helvecia não sabe mexer nos comandos da televisão. Hermia diz que a imundície está agora até nas nuvens. Heladia está a correr para chegar a tempo ao almoço gratuito dos sem-abrigo. Helvia está à janela a chamar nomes a uma pessoa que não conhece.
ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES
Mulheres de Itália (23)
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h
AMÉLIA VIEIRA
É sem dúvida um distintivo a que não podemos fugir este dom da representatividade felina nas mais altas instâncias da língua, e não há dúvida nenhuma que a nossa obra mais arranhada se intitula «Os Gatos» de um igualmente “assanhadíssimo” Fialho de Almeida. Ora a razão para tal título encontra-se nos fascículos editados entre 1889 e 1894, crónicas jornalísticas, que não pode ser mais fidedigna perante o seu anunciado. Obra fragmentada como veio a ser interpretada, parece-nos que o autor devido a um mau estar crónico lhe escapara a serenidade de espírito para a rotina, o conciso e continuado, mas aquilo que aos olhos de uns foi uma falha, analisando melhor, creio ter sido a sua força. Bastante além do criticismo mordaz ele encontrase num delírio fascinante de intolerância social e ambiental com operativo desassombro e espírito sagaz. E entremos pelos «Gatos»! Um verdadeiro saco de gatos nos espera nestas epístolas aos vindouros que parecem não desmerecerem os cento e vinte anos que as separa de hoje: conservar as feridas em chaga e atirá-las com a força do arremesso, assim se queria que fosse a composição estrita destas crónicas. Vem-nos à ideia o mais próximo da saga, Vasco Pulido Valente, mas em maior estado de desolação, o que para o autor aqui presente nem sempre acontecia, consumido por estranhos ardores de repelências várias, há um colorido que não escapa ao olho de lince que devemos adoptar para lhe captarmos tanto desaforo e assombro. Fialho, era paradoxalmente um esteta, franzino mais bonito homem, com certo olhar alucinado, não carregando tanto na lunática emanação do nosso querido e contemporâneo outro cronista, o seu ser, possuía ainda viva compaixão pelos desfavorecidos e por todas aquelas almas votadas ao abandono, por vezes exacerba-se tanto que nos inquieta com as ideias do porquê da fealdade pátria, falando, portanto, aquilo que muitos pensam mas não ousam dizer, quanto mais escrever. E é dele, nesta disposição, que nós gostamos. É bastante claro que um homem assim, movido por um estado
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26.3.2021 sexta-feira
Gatos e cronistas
de enervamento sistémico não teria capacidade metódica para reunir os papéis ou novelar as lãs para os seus gatos que por ordem natural das coisas os amaria porventura mais se fossem famélicos, vira-latas, pondo-se aí perfeitamente ao lado do não menos brilhante e intragável Ezra Pound, que levava os bolsos cheios de comida para os alimentar nas noites frias. Nem o Escárnio e Maldizer todo orientado para
PARA FIALHO “DEUS FEZ O HOMEM À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, E FEZ O CRÍTICO À SEMELHANÇA DO GATO... ARTISTA ATÉ AO REQUINTE... SARCASTA ATÉ À TORTURA....”
as investidas criticistas mais intensas atinge esta soberba individualidade nascida de si como uma consciência de alarme e praguejar continuado. Nada do nativo canalha se lhe atravessa nas odes, nem recorre ao escatológico martírio da verve grosseira, é dele que emana o enxofre, e nem por isso deixa de ser um distintivo muito belo. Atravessava o impacto dos Vencidos da Vida em rota de colisão para o Decadentismo, e interpreta com zelo o que é um homem com falta de paciência, e com desajustes constantes diante de tudo, não vendo nas mais altas patentes do génio pátrio mais que as inusitadas análises que fazia, que contrariavam qualquer ajuste com a paz no reconhecimento dos seus pares. Estou em crer que todos o abandonaram, excepto o António Sardinha, que desejando fazerlhe um louvor lhe saiu também uma sibilina interpretação. Mau grado tudo isto, estamos em
presença de raridade humana com grande empenho social e lisura que nos espanta e seduz. Em 1880 tinha já fundado uma revista «A Crónica» e o nosso cronista vai então dizer de si o porquê das afiadas garras porque intitula «Os Gatos»; desde que o nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o burro, o cão e o gato- isto é, o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasiaporque não escolheremos nós o travesti do último? Aquele que nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro. Razão porque nos acharás aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca». E nem Ramalho Ortigão levantou a sua farpa para tais gáudios na corrosiva acção, parecendo apenas concertada de trás, refinando na tendência, e exultando no desânimo. Arrumados que andam no fundo das estantes estes autores, hoje existem os “trococriticos” de uma moleza que dá vontade de ouvir tangos, e ainda arranjaram formas opressivas de demolição sentada pondose ao nível das trituradoras de frutas. A urgência deste “encavalgamento estilístico” está-lhes presa aos cachaços no vitupério das suas urdiduras. E dizia ainda o inesquecível Jorge Brun do Canto: “ nariz de gato e rabo de mulher queremse frios” única maneira de saber que estavam ambos de boa saúde. - Agora com seus cachorros fiéis e muitos “boys” os primeiros puxados por trelas para desconfinar, quem pode imaginar um critico apanhando as sobras do seu amigo pelo chão nas ruas desertas?! Ninguém. Que para Fialho “Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato... artista até ao requinte... sarcasta até à tortura....”. Foram homens reunidos à volta da Imprensa e com ela forjaram os seus ideais numa época de viragem e grande vontade de mudança, exercendo este labor com afinco e prodigalidade, Fialho, não gostava ainda de Fradique Mendes, e entre jornais as suas questões eram o melhor testemunho da riqueza vibrante das ideias, fazendo da língua um legado tamanho que não há mais que ser lembrado.
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VALÉRIO ROMÃO Não fomos programados para nos descobrirmos enganados acerca de qualquer coisa. Platão descreve a filosofia e o acto de filosofar como um «apego indespedível à verdade». Para o ponto de vista humano, a verdade é o oxigénio que permite toda a amplitude dos nossos registos, desde o mais quotidiano e aborrecido ao mais épico e inusitado. A verdade é o chão, a cor, o que sentimos e como o sentimos, a luz do amanhecer, as fórmulas matemáticas da infância tragadas à colherada, o preço das coisas, o princípio, o meio e o fim. Estar equivocado comporta graus de insuportabilidade distintos, dependendo do quão fulcral na constituição da identidade do sujeito – coisa que dificilmente sabemos e ainda mais dificilmente podemos prever – é aquilo sobre o qual nos encontramos «três pontos ao lado», para trazer novamente Platão à conversa. Pelo que percebo perfeitamente as pessoas que se agarram às suas crenças como se elas constituíssem o chão sobre o qual caminham; na verdade, é isso mesmo que sucede com as «proposições empíricas fossilizadas» como lhes chamava Wittgenstein, naquele opúsculo tardio «Da Certeza», escrito sobretudo como resposta ao «A Defense of Common Sense», um ensaio assaz estúpido de Morre, publicado em 1925. As mais diversas crenças, a maior parte delas absolutamente inconspícuas – por fazerem parte do ponto de vista, tal como as lentes dos óculos «fazem parte» do olhar – são o fulcro do sentido que constituímos diacronicamente e o diapasão da certeza pela qual nos guiamos, das tarefas mais elementares às mais complexas. A tensão indespedível que nos liga a essas crenças é fundamental para a sobrevivência. Imagine-se um tipo a duvidar da firmeza do chão, da salubridade da água da identidade diacrónica daqueles que ama? Não obstante, há que evitar confundir a necessidade absoluta dessa tensão para a verdade (pela certeza) com qualquer tipo de critério capaz de aferir a lógica do mundo. O facto de eu me sentir absolutamente convencido de que X é verdade ou certo não torna X um ou outro. Esta modalidade de certeza é, aliás, do domínio do operacional: constitui e mapeia o mundo sem se preocupar em inquiri-lo do ponto de vista filosófico (o que levantaria
ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Da Certeza YAN PEI MING
ofício dos ossos
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ao ponto de vista natural problemas capazes de entravar o quotidiano constituído que este tão arduamente defende). O senso comum, como bem aponta Wittgenstein, não precisa de defesa: ele é desde sempre o seu melhor e mais abrangente amparo. Tecer uma defesa do senso comum sem procurar determinar a sua constituição, âmbito e função dentro do ponto de vista é aportar uma solução para algo que, dentro do ponto de vista do senso comum, nunca foi um problema. É uma tolice. Moore 0 – Wittgenstein 1. O que não se percebe de todo é a razão pela qual uma panóplia de criaturas descendentes do
bas-fond das ideias dos anos setenta (os newagers encravados entre o regresso de uma Índia em regime de pousada na praia e a incapacidade de dissiparem os efeitos do excesso de drogaria psicadélica consumida) se convence de que o amor (em forma de apego indespedível, como enunciado) que sentem por determinada tolice converte automaticamente essa tolice em algo com valor epistemológico. Não, o tarô não tem qualquer valor de verdade; a homeopatia não é uma alternativa à medicina (o que esta pandemia demonstrou amplamente, para quem ainda tinha dúvidas); os cristais são
NÃO ÉS ESPECIAL. QUASE NINGUÉM O É. RESPIRA E ABRE MÃO DAS TOLICES EM QUE ENCONTRASTE REFÚGIO OU, PELO MENOS, ADMITE A SUA NATUREZA EPISTEMOLÓGICA: NO MELHOR DOS CASOS, SÃO APENAS UM JOGO ONDE TE DISTRAIS E VAIS ALIVIANDO O PESO DOS DIAS. NÃO CURAM NINGUÉM, NUNCA O FIZERAM
apenas composições da natureza e não portais para qualquer tipo de realidade vibrando ao lado da nossa; o teu interesse por medicina tradicional chinesa não te converte em médico de porra nenhuma – quando estiveres doente a sério nada do que estudaste te ajudará; não há conspiração 5G para te infectar o cérebro com o que quer que seja – para além de já toda a gente que quer saber por onde e o que fazes o saber, por conta do telemóvel através do qual lutas todos os dias contra o capitalismo e a opressão – ninguém quer saber do teu cérebro ou de ti. És apenas um átomo na constelação de big data através da qual o marketing poderá caminhar uns degraus em direcção ao panteão das ciências exactas. Não és especial. Quase ninguém o é. Respira e abre mão das tolices em que encontraste refúgio ou, pelo menos, admite a sua natureza epistemológica: no melhor dos casos, são apenas um jogo onde te distrais e vais aliviando o peso dos dias. Não curam ninguém, nunca o fizeram. Deixa-te de merdas.
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PUB.
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 57
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PROBLEMA 58
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MAX
GODZILLA VS. KONG [B]
FALADO EM JAPONÊS LENGEDADO EM CHINÊS Um filme de: Adam Wingard Com: Alexander Skarsgard, Millie Bobby Brown, Shun Oguri 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
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6 8 7 4 2 0 9 6 1 3 4 5 5 2 6 0 0 5 1 2 4 7 8 9 7 9 3 1 3www. 4 2 7 8 1 0 3 hojemacau. com.mo 9 6 5 8
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HUM
C I N E M A
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6 4 7 2 1 8 2 1 7 9 9 0 3 1 4 5 9 2 4 8 STIGMATIZED PROPERTIES [C] FALADO EM JAPONÊS 1 EM7CHINÊS5 9 0 LEGENDADO Um filme de: Hideo Nakata Com: Kazuya Kameenashi, Nao, Koji Seto 0 8 6 3 5 14.30, 21.30 LOOKING [B] 2FOR3MAGICAL 4 DOREMI 8 7 FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS 1 Sato,0Haruka6Kamatani 3 Um filme7 de: Junichi 16.45 3 5 9 0 6 4 6 8 5 2 SALA 1
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0 8 9 5 3 5 3 0 6 4 6 5 7 8 2 OUR 3 FRIEND 7 [B] 6 0 1 Um filme de: Gabriel Cowperthwaite Com: Jason Segel, Dakota Johnson, 6 Affleck3 4 8 2 Casey 14.30, 21.30 4 1 2 7 9 RAYA AND THE LAST DRAGON [B] FALADO EM CANTONÊS 9 0 EM5CHINÊS1 6 LEGENDADO Um filme de: Don Hall, 8 2 Carlos4Lopéz9Estrada5 16.45, 19.30 1 4 8 2 7 7 9 1 3 0 SOUL [A]
60-90% ´
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BAHT
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UM DISCO HOJE
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SLIFT | UMMON
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Pete Docter 19.30
SALA 3
Isto não é uma sugestão, é uma ordem. “Ummon”, do trio francês Slift, foi o disco que me agarrou com mais firmeza nos últimos tempos, foi quase um abraço desde o primeiro riff. Lançado no ano passado, este rolo compressor de rock psicadélico e
kraut espacial merece volume no máximo e acções determinadas, pescoços a abanar vigorosamente, pedradas no charco, revoluções mil, corações ao alto, facas nos flancos dos porcos. Riffs de guitarra poderosos e viagens fantásticas, nebulosas de
mantras sónicos que se repetem como ecos, tudo tão bem conjurado, são alguns dos elementos que fazem de “Ummon” um dos melhores álbuns de rock na madrugada desta maldita segunda década do século. Quem disse que o rock ‘n rol morreu? João Luz
9 1 3 0 5 2 7 8 5 3 1 4 2 0 7 6 9 8 1 RAYA 9 4AND THE 8 LAST 3 DRAGON 7 3 6 8 7 4 9 5 3 2 1 0 6 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; 8 4 6 5 2 0 Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo 6 5M.Tavares; 0 9 Gonçalo 8 1Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 4 7 9 2Paul6Chan5Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Olavo Rasquinho; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 0 2Morada 1 Pátio 4 da7Sé,3n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare 2 3 4 8 0 7 6 9 5 1
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confeitaria
opinião 19
João Romão
SAKURA POUCO SOBROU das nossas rotinas habituais com a pandemia deste tempo histórico que nos calhou viver: actos aparentemente banais como ir ao supermercado, tomar um café, cumprimentar pessoas, conversar ou trabalhar assumiram de súbito formas radicalmente diferentes, desconhecidas, sistematicamente obrigadas a uma contenção que jamais tínhamos experimentado e que julgávamos impossível e irrealista fora dos cenários da ficção científica. Actos menos previsíveis, mais propensos a que se deixe correr o acaso, como viajar, passear sem destino muito definido, abrir o espaço necessário ao encontro com pessoas que não conhecemos ou deixar fluir os instintos e as seduções ficaram subitamente fora do campo das normais possibilidades quotidianas. Teremos sempre a natureza e os seus ciclos, no entanto, para nos lembrar que nem tudo se transformou e que há ainda sinais de uma certa estabilidade, de uma resiliente permanência, que nos asseguram algum horizonte de esperança para o que nos falta viver. Onde estou, são as flores brancas a brotar subitamente das cerejeiras que assinalam na sua brusca erupção a continuidade da vida e dos seus ciclos num planeta assolado, aprisionado e entorpecido. Apesar de tudo, a beleza destas flores irrompe implacável na cidade e nos campos a assinalar mais um ciclo, um recomeço, enfim, a sagração de mais uma primavera, que desta vez se segue a um inverso particularmente frio nos afectos e solitário nas vivências. Este sinal da emergência de um novo ciclo é efusivamente celebrado no Japão, com os rituais associados à “sakura”, de ancestral tradição na cultura do país. Este tributo à natureza inclui deslocações a locais com privilegiadas vistas para as flores, com abundante informação disponível sobre os lugares com melhores vistas, os dias mais privilegiados, que a temporada é curta, ou até as decorrentes informações de trânsito e outras necessidades turísticas. O país tem ainda uma particular configuração geográfica, com a ilha de Okinawa, a sul, já próximo do Trópico de Câncer, e a ilha de Hokkaido, a norte, em frente a Vladivostok, separadas por cerca de 20 graus de latitude, o que impõe ritmos específicos para cada região: em Okinawa a “sakura” acontece logo em Janeiro, como as algarvias amendoeiras em flor, mas em Hokkaido as flores das cerejeiras só mostram o seu branco esplendor em Junho, já no início do Verão. Em todo o caso, a cidade onde vivo tem uma “sakura” primaveril por excelência e estou a vivê-la nesta época precisa. É uma cidade onde confluem vários rios, em cujas margens se foram implementando passeios pedonais ajardinados, devidamente suportados por ciclovias, bancos que convidam ao descanso e à conversa ou parques infantis
que promovem o convívio familiar e o entretenimento da criançada. Estão agora devidamente ornamentados de branco todos estes percursos ribeirinhos, ainda mais magníficos do que habitualmente. Na realidade, foi assim que encontrei a cidade quando cá cheguei, faz exactamente um ano. A “sakura” estava instalada para me receber, acolhedora e magnífica, a oferecer algum conforto numa situação
familiares e muito mais trabalhosos, e a nossa filha acabaria por chegar poucos meses depois, já sem “sakura”, mas com o verão a rebentar. Foi um ano difícil, portanto, e formidável, sobretudo, mas também imprevisível a cada momento: haverá mais ou menos restrições à mobilidade na próxima semana? Voltaremos a aulas em sala e terei finalmente oportunidade de conhecer as minhas alunas? Como
de inusitada incerteza: vinha para começar nova actividade profissional, numa cidade onde só tinha estado durante um dia e meio, para a entrevista de emprego, que desconhecia completamente e onde não tinha qualquer amizade. Viviam-se tempos de grande intensidade pandémica, sobretudo na cidade de onde vinha, mas também naquela onde me começava a instalar. Com as limitações inevitáveis para deslocações e contactos, os preparativos foram mínimos e os cuidados máximos, com uma companheira grávida e tudo por organizar num universo desconhecido. Instalámo-nos num apartamento escolhido sem visitar num bairro que não conhecíamos, a “sakura” tornou a cidade mais acolhedora nesses dias, o novo trabalho complicou-se significativamente na medida da aceleração da propagação local do covid-19, com as inerentes implicações sobre métodos lectivos à distância, menos
se vive no nosso bairro? Será também assim sem covid? E a vida na cidade, como será depois da pandemia? A todas as incertezas, imprevisibilidades e maravilhas por descobrir na pequena criatura que se juntou a nós, tivemos outras incertezas em quase todos os domínios da nossa existência durante este último e inusitado ano. E, no entanto, ela cá está outra vez, a “sakura”, a assinalar a passagem regular dos ciclos, a persistência, a presença da natureza e da terra. Lembra-me que passou um ano e que tudo o que podia ter corrido mal afinal correu bem. E que há outro ciclo a começar: um novo ano lectivo, agora em salas de aula, mas com as desconfianças necessárias, uma cidade que vamos conhecendo aos poucos, uma miúda que nos enche os mundos para lá dos nossos limitados horizontes. Cá estaremos para mais uma volta. A “sakura” também estará, isso é certo, por pouco previsíveis que continuem a ser os dias.
Teremos sempre a natureza e os seus ciclos, no entanto, para nos lembrar que nem tudo se transformou e que há ainda sinais de uma certa estabilidade, de uma resiliente permanência, que nos asseguram algum horizonte de esperança para o que nos falta viver
“Pedi às minhas vozes que não me deixassem mentir.” PALAVRA DO DIA
Rui Cascais
Macau com apenas um restaurante entre os 50 melhores da Ásia
Macau, China, 25 mar 2021 (Lusa) Macau tem apenas um restaurante na lista dos 50 melhores asiáticos de 2021, numa lista liderada pelo “The Chairman”, de Hong Kong, de acordo com a classificação “Os 50 Melhores Restaurantes da Ásia”, divulgada ontem. O restaurante “Wing Lei Palace”, situado no casino Wynn Palace, na capital mundial do jogo, obteve o 50.º lugar, depois de ter figurado em 22.º no ano passado. Em 2020, Macau contava com mais um restaurante na lista dos 50 melhores da Ásia, o “Sichuan Moon” (23.º), também naquele casino da operadora Wynn, tendo descido este ano para o 95.º lugar. Na lista alargada aos cem melhores restaurantes asiáticos entram ainda mais três estabelecimentos de Macau: “The Eight” (68.º) e “Robuchon au Dôme” (88.º), ambos no hotel-casino Grand Lisboa, além do “Jade Dragon” (100.º), no City of Dreams. Hong Kong é a cidade asiática com mais restaurantes entre os 50 melhores, 11 no total, incluindo o primeiro lugar. Seguem-se Singapura e Tóquio, com sete cada, e Banguecoque, com seis.
Armas Biden avança com restrições
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Um dia depois de Biden ter pedido ao Senado que aprove a proibição de armas de assalto e reforce as verificações de antecedentes criminais, e ainda no rescaldo de dois tiroteios, um no Colorado e outro em Atlanta que deixaram para trás um total de 18 mortos, os constitucionalistas da Casa Branca estão agora a avaliar a possibilidade de restringir a utilização de armas, socorrendo-se apenas de ordens executivas que tenham de ser assinadas apenas por Joe Biden, revela o New York Times. Jen Psaki, assessora de imprensa da Casa Branca, lembrou, porém, que para haver mudanças definitivas e a longo prazo nesta matéria são necessários pacotes legislativos, se bem que que “uma ordem executiva é sempre um bom ponto de partida para resolver este tipo de problemas”. “Se há uma coisa que aprendemos no ano passado foi que a omissão e a inércia custam vidas”, comentou John Feinblatt, presidente da Everytown for Gun Safety, uma organização contra a violência armada. “Não tem de ser na próxima semana e muito menos no mês a seguir; se é para tomar medidas, tem de ser agora”, concluiu.
sexta-feira
26.3.2021
Rússia Lei permite mais mandatos a Putin
Duterte mostra as garras Filipinas enviam navios de guerra para zona marítima disputada
A
armada filipina ordenou ontem o envio de navios para o mar da China Meridional, em plena escalada de conflito diplomático sobre uma frota chinesa estacionada perto de um recife disputado. A China reivindica a quase totalidade deste mar rico em recursos naturais e esta semana foi acusada pelos Estados Unidos de tentar “intimidar, coagir e ameaçar outras nações” com a presença dos seus navios perto do recife de Whitsun. Manila pediu a Pequim para recolher 183 embarcações que estão estacionadas perto deste recife, localizado no arquipélago Spratley, cerca de 320 quilómetros a oeste da ilha filipina de Palawan, considerando a sua presença como uma “incursão”. Cerca de 220 barcos foram detectados pela Guarda
Costeira filipina em 7 de março, mas a sua presença não foi divulgada até ao fim de semana passado. Uma patrulha aérea militar realizada na segunda-feira sobre o recife descobriu que 183 embarcações ainda se encontravam na zona e a China alega que os barcos de pesca estão apenas a proteger-se do mau tempo. Um porta-voz das Forças Armadas das Filipinas disse que os navios da marinha que serão enviados conduzirão “patrulhas de soberania” na área. Vários países, incluindo Canadá, Austrália e Japão, expressaram preocupação com o recrudescimento das tensões na região. O Presidente filipino, Rodrigo Duterte, reuniu-se esta semana com o embaixador da China nas Filipinas e mostrou a sua preocupação com a presença das embarcações, disse o porta-voz da
presidência Harry Roque, garantindo que não houve “nenhuma polémica, desde que eles (os chineses) não insistam em ficar permanentemente”. A China afirma ter sido o primeiro país a descobrir e a nomear as ilhas do mar da China Meridional e, portanto, reivindica o controlo sobre a maioria delas. Um tribunal sediado em Haia (Holanda), o Tribunal Permanente de Arbitragem, já se pronunciou sobre esta disputa, concluindo que Pequim não tem qualquer “direito histórico” sobre esta zona estratégica. Apesar destes casos, as relações entre a China e as Filipinas melhoraram sob o mandato de Duterte, que está a tentar tirar o seu país do controlo dos Estados Unidos, em detrimento de uma maior cooperação económica com seu vizinho chinês.
ICBC CRIA CENTRO DE ESTUDOS FOCADO NA LUSOFONIA
O
Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla inglesa) anunciou hoje a criação em Macau do Centro de Estudos Sino-Luso, dedicado aos países de língua portuguesa. Num comunicado, a subsidiária em Macau do ICBC refere que o centro irá analisar a situação macroeconómica dos mercados lusófonos, contando com o apoio de instituições locais para identificar oportunidades de investimento. O banco estatal chinês acrescentou que a nova instituição irá também dar sugestões ao executivo de Macau para reforçar o papel da cidade nas relações entre a China e os países de língua portuguesa. O centro irá ainda procurar promover a expansão da iniciativa
chinesa 'Uma Faixa, Uma Rota' aos mercados lusófonos e o desenvolvimento da área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O comunicado sublinha que esta é a primeira instituição criada pela banca chinesa para analisar os países de língua portuguesa, assim como o primeiro centro de investigação criado pelo ICBC fora da China continental. A inauguração do centro, na terça-feira, decorreu de forma simultânea em Macau e na capital chinesa, Pequim, durante a conferência anual da China Modern Financial Society, um ‘think-tank’ ligado ao ICBC. A criação do Centro de Estudos Sino-Luso foi mencionada pelo ICBC em Novembro, quando o banco ajudou as autoridades de
Macau a emitir títulos de dívida no valor de 2,1 mil milhões de yuan para financiar o desenvolvimento urbano da região. Na altura o ICBC disse que a emissão fazia parte de um plano para apoiar a construção de uma indústria financeira em Macau, voltada para os serviços financeiros entre a China e os mercados lusófonos. Em Abril, o ICBC e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que faz parte do grupo financeiro português Caixa Geral de Depósitos, anunciaram uma parceria para promover os negócios entre a China e os países de língua portuguesa. O ICBC foi o primeiro banco chinês a abrir uma representação em Portugal, em 2012. No ano seguinte, criou uma subsidiária no Brasil.
Os deputados russos aprovaram uma lei que dá a Vladimir Putin o direito de se candidatar a mais dois mandatos presidenciais, abrindo caminho à sua possível continuação no Kremlin até 2036. A lei elaborada para que “a legislação eleitoral fique conforme às novas normas da Constituição”, é sequência do referendo constitucional do verão de 2020. Uma alteração polémica permite que o presidente de 68 anos permaneça no poder, quando deveria ter de renunciar no final do actual mandato em 2024. O limite dos dois mandatos consecutivos mantém-se, mas “essa restrição não se aplica aos que ocupavam o cargo de chefe de Estado antes da entrada em vigor das alterações à Constituição”, diz o texto aprovado pelos deputados, o que permite que Putin não conte os anteriores mandatos.
Inglaterra endurece sistema de asilo
A ministra do Interior britânica apresentou uma reforma do sistema de asilo no Reino Unido, o qual deixa de atribuir os mesmos direitos às pessoas que entram no país legal ou ilegalmente, um endurecimento considerado “desumano” pela Cruz Vermelha. “Se, como acontece como mais de 60% das chegadas ilegais, eles (migrantes) atravessarem um país seguro como a França para chegarem aqui, então não poderão entrar imediatamente no sistema de asilo, como é o caso”, afirmou Priti Patel, num comunicado. O endurecimento das condições de imigração foi um dos argumentos para o ‘Brexit’, que acabou com a livre circulação entre o Reino Unido e os países da União Europeia (UE). Os migrantes que entrarem ilegalmente no Reino Unido e cujo pedido de asilo for bem-sucedido receberão um novo estatuto de proteção temporário em vez de um direito automático de residência, como acontece agora, e a possibilidade de trazer a família ou o acesso a subsídios sociais serão limitados.
Brasileirão Só dois treinadores por ano
O Brasil anunciou uma medida histórica que irá ajudar a cimentar os projectos dos clubes de futebol do país. A partir da próxima época, os clubes do Brasileirão poderão ter, no máximo, dois treinadores por cada temporada. Os treinadores também só podem treinar dois clubes por época. Se um emblema despedir dois treinadores numa época, terá de promover um técnico interino ou da formação e que esteja no clube pelo menos há seis meses, já que não poderá ir ao mercado. Esta proposta apresentada pela Confederação Brasileira de Futebol teve 11 votos a favor e nove contra. A mesma tinha sido apresentada há alguns anos, mas só agora recebeu votos favoráveis para ser aprovada. O Brasileirão 2021 começa no dia 29 de maio e termina em 5 de dezembro.