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IPM/curso fórum macau não emitiu opinião
Sem parecer ´ cr tico A nova licenciatura do IPM teve na sua génese apreciações de seis entidades a quem foi pedido um parecer. Seis, e não sete, porque da parte do Fórum Macau, na altura com Rita Santos como secretária-geral adjunta, nenhuma resposta che-
‘‘
gou ao instituto. O curso de Relações Comerciais China-PLP recebeu no entanto duras críticas da ex-secretária-geral alegando que Macau era “sempre esquecido”, algo rebatido pelo IPM que garante o ensino de matérias ligadas à RAEM.
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francisco josé viegas
Somos aquilo que lemos
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Agência Comercial Pico • 28721006
hojemacau
q u i n ta - f e i r a 2 6 d e m a r ç o d e 2 0 1 5 • ANO X I V • N º 3 2 9 9 pub
Director carlos morais josé
terrenos
Dá cá mais cinco lotes política Página
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enfermeiros
Os exames da discórdia sociedade Página
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ctm
Compras com telemóvel sociedade Página
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entrevista
hoje macau quinta-feira 26.3.2015
Francisco José Viegas escritor
O jornalista e escritor português Francisco José Viegas lança em Outubro o próximo livro de uma colecção policial, que se passa em Macau. O também editor, que defende o exercício de uma leitura frequente, volta à região para a 4ª edição do Festival Rota das Letras e fala de vazios literários e vagas para novos escritores
“A generalidade das pessoas tem sempre opinião sobre tudo... Eu não tenho opinião sobre Macau. Não quero fazer nenhum julgamento sobre Macau, até porque seria ridículo, tendo vindo cá duas vezes”
Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Tendo estado em Macau já no âmbito do Rota das Letras, o que é que realça desta segunda participação no Festival? Para mim, foi muito importante porque houve contacto com autores chineses. Nós [portugueses] não temos grande contacto em Portugal e, no meu caso, tinha uma grande curiosidade em conhecer. Foi importante, principalmente pela ponte que o Rota das Letras estabelece. É isso que faz deste festival único... Primeiro, porque nos obriga a reconhecer uma herança histórica em Macau e, em segundo lugar, por ser uma espécie de plataforma para o encontro entre a Língua Portuguesa e o Oriente. Neste caso, interessa-me a questão particular do contacto com os autores chineses. Notou algumas mudanças particulares na cidade desde a última vez que cá esteve? O destino de Macau está traçado e sabemos que há coisas que vão ter que ser de certa forma. Para mim, a cidade tem o mesmo enigma e o mesmo mistério, riqueza e encanto de antes. Aquilo que me interessa em Macau, como observador e escritor, já cá estava, portanto não altera em nada a cidade. Espero que as mudanças que surjam alterem, para melhor, a vida de quem cá está. A colecção policial que conta com o Inspector Jaime Ramos tem sempre passagem pelas chamadas antigas colónias portuguesas... Prepara-se para lançar o próximo livro policial em Outubro e este passa pelo território. Macau teria inevitavelmente que aparecer numa das suas obras? Sim, de alguma maneira o que acontece é que, apesar do nosso destino europeu e da escolha da Europa, só há 40 anos é que todas as ex-colónias passaram a ser países independentes. É normal que a nossa memória actual ainda tenha esse rasto genético. Interessa-me particularmente essa herança e essa marca que é não só histórica, como genética. Não há família em Portugal que não tenha uma relação, por mais longínqua que seja, com territórios em África, Brasil... Isso está inscrito no nosso código, até porque ser europeu não é estar fechado na Europa, é estar aberto para o mundo. O Jaime Ramos teve, porque eu quis, sempre uma ponte com África ou com o Brasil.
Ele próprio fez a Guerra Colonial, muitos casos que tratou passaram por lá...
hoje macau
“Na Literatura há um horror ao vazio Como surgiu a ideia? Sempre tive alguma curiosidade sobre Macau. Era uma coisa que para mim ficava fora do mundo e isto acontece para muitos portugueses. Havia Macau, que era um território que tinha tido uma presença portuguesa e tinha casinos e dinheiro a circular, juntamente com corrupção e casos políticos... Sabia-se muito pouco sobre Macau. Para muitos portugueses, a realidade de Macau só foi presente na altura da transição [de soberania], quando as pessoas disseram: “Afinal ainda havia Macau”. A transferência de soberania é focada na obra? Não propriamente. Fala-se disso, mas não é um livro com investigação histórica sobre a região. Neste caso, é entendido como um lugar de refúgio. O último lugar. A generalidade das pessoas tem sempre opinião sobre tudo... Eu não tenho opinião sobre Macau. Não quero fazer nenhum julgamento sobre Macau, até porque seria ridículo, tendo vindo cá duas vezes e ter andado simplesmente a passear e a ler, ter uma opinião sobre a região. Limito-me a falar do que consegui apurar, porque para mim é um território enigmático. As pessoas podem esperar que se faça referência aos casinos, ao jogo e ao crime que vem nos jornais, mas não. Não me interessa muito para este livro, explicar os meandros desses casos. Macau vai ser então cenário para a sensação de mistério e refúgio? Vai ser exactamente isso. Sobre Macau sabe muito mais o meu personagem do que eu, até porque não me interessa chamar a atenção para Macau no sentido de termos sido uma potência administrante do território. A relação dos portugueses com as ex-colónias ainda não é totalmente pacífica. Em que sentido é que não é pacífica? Primeiro, porque ainda há pessoas de uma primeira geração – os retornados – que guardam uma espécie de censura e não sentem que podem falar abertamente sobre tudo aquilo que viveram e sobre as suas memórias. Lembro-me de quando publiquei o “Lourenço Marques”, várias pessoas me vieram agradecer por ter escrito aquilo que sentiam, mas nunca tinham tido
coragem de dizer. No entanto, acho que já chegámos a um momento, em relação a África sobretudo, em que podemos explicar as coisas. Existe aquela tendência para esconder e esquecer? Sim, mas houve pessoas que foram felizes em África, tal como noutras partes do mundo. Mas os portugueses estiveram sempre em todo o lado. Não há país na Europa para quem o conceito de “diáspora” tenha tanto significado. Não temos remédio e vamos ser sempre assim. Hoje, em Portugal, fala-se muito da crise da emigração, mas vivemos assim desde o século XV. Vivemos sempre emigrados e não é uma situação nova... Tem que ver com a nossa própria natureza e com a repetição de más condições no país. Como profissional da área cultural, como vê a organização de mais iniciativas como é este Festival Literário? Acho que a nossa memória de Macau só pode perpetuar-se através de coisas como a Literatura e o Cinema, que são coisa que
“Os portugueses estiveram sempre em todo o lado. Não há país na Europa para quem o conceito de “diáspora” tenha tanto significado. Não temos remédio e vamos ser sempre assim” prolongam a vida. Quando queremos saber coisas procuramos nos livros e, às vezes, no Cinema. Acho que é muito importante chamar a atenção destas duas áreas para o território. À parte do destino de Macau, que está ligado ao Jogo e aos casinos, há mais coisas para lá disso e acho que a literatura aqui joga um papel decisivo. Da mesma forma que fui tentado a estudar um bocadinho as coisas de Macau, haverá certamente outros autores com essa vontade. Era
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e os lugares vão-se ocupando” literatura latino-americana – Vargas Ilosa, Borges, García Márquez –, foi preciso muito trabalho. No entanto, agora o mundo tornou-se muito igual. A globalização, que é um fenómeno positivo, acabou por resultar nesta unificação da língua inglesa. Mas isso é uma consequência negativa? Não, é útil até porque potencia contactos. Temos esta língua franca, mas no caso da literatura, perdem-se muitas coisas... Quantos autores fantásticos existirão noutras línguas e que nós não conhecemos?
bom que houvesse outros autores que também possam ter os seus próprios livros sobre Macau. É uma pena se isso não acontecer. Pessoalmente, acho que tudo isto é uma cena de Cinema. Se fosse realizador, acho que faria um filme. O que é que a nova obra diz sobre a região? Como autor, não quero interpretar nem conhecer a História de Macau. É simplesmente um cenário e quero chamar a atenção para a existência deste território, de aqui ainda se falar português e de ser uma língua oficial e para o facto de que, para uma determinada personagem que criei, Macau ser essa plataforma de refúgio. A obra já tem título? Ainda não, só no final. O enredo começa com duas mãos algemadas encontradas no café Caravela. Como é que tudo parte desse ponto? Há um diálogo sobre a disposição do cadáver, sim. É um artifício, até porque sabemos que este é
preciso num livro. Num policial, terá sempre que haver uma morte. Referia-se à importância do contacto com os autores chineses, no Festival. Essa relação que se estabelece resulta numa troca de ideias muito díspares ou, pelo contrário, que convergem? A vida dos autores, leitores e editores é feita de conhecimentos mútuos e contactos. Gostei muito de conhecer o Murong [Xuecun] e aqui não há a realização de um projecto específico, mas sim a curiosidade, até porque acho que uma pessoa sem ela não vale nada. Como editor em Portugal, tenho publicado algumas coisas sobre a China e por um lado isso não tem um propósito omisso que não o de despertar a curiosidade das pessoas. Vivemos num mundo que, infelizmente, é unilingue, com o inglês que acaba por dominar tudo. Isto, no mundo da edição, é terrível para os autores que não falem língua inglesa. Sabe-se que hoje, só se tem sucesso se se chegar ao público global em inglês. Isto acaba por prejudicar muito as chamadas literaturas periféricas. Até ser conhecida a existência de uma
Isso também abarca escritores chineses? Aquele monstro [China] produziu o quê? A memória da República Popular, o Jogo em Macau, as grandes multinacionais? Não, produziu mais e parte disso são grandes autores e daí a minha curiosidade. Sou fascinado pela poesia chinesa. Acho que a poesia clássica chinesa – para a qual temos bons tradutores – influenciou muito a maneira como eu próprio escrevo. A China, para Portugal, é uma coisa simpática e não é, ao mesmo tempo, mas porque não a compreendemos. Mas acho que devemos fazer um esforço... Acho que todos temos direito a ter preconceitos, até porque uma pessoa sem preconceitos não é nada (risos), mas convém sabermos qual é a natureza disso mesmo e tentarmos perceber ‘o outro’. Em que sentido? Como é que é possível que, em Portugal se lide actualmente com uma presença mais intensa da China e a maioria das pessoas não saber quem são os chineses? Como é que trabalham, quais os hábitos alimentares, as suas maneiras de ver o mundo, regras de etiqueta... Acho que é importante conhecermos essas coisas e infelizmente, hoje em dia o preconceito ainda está muito à frente da disponibilidade para estudar o outro. No que diz respeito à tradução de literatura chinesa... Há relativamente pouca coisa traduzida da língua chinesa para Português. Essa questão tem que ver um bocadinho com a nossa posição “eurocêntrica”, em que vivemos muito com a ideia de que a Europa é o centro de tudo e acabamos por ignorar um bocado o resto, incluindo a Ásia. Este conceito é errado, porque esta fatia do mundo há-de
“Aquele monstro [China] produziu o quê? A memória da República Popular, o Jogo em Macau, as grandes multinacionais? Não, produziu mais e parte disso são grandes autores e daí a minha curiosidade. Sou fascinado pela poesia chinesa” ser o centro para grande parte da população [mundial] e convém compreender e conhecer. No que diz respeito a jovens escritores. Tem-se visto crescer muito, em Portugal, a chamada “vaga de novos escritores”, que vencem prémios e publicam vários livros. Considera que há verdadeiramente bons escritores jovens? Nunca passa a época dos bons escritores e as gerações substituem-se umas às outras. As novas gerações têm uma forma diferente de lidar com as coisas, até mesmo com a literatura. Não me parece que estejamos diante do fim da literatura. Contrariamente, acho até que há bons novos escritores, como Valério Romão, Bruno Vieira Amaral... São novas vozes da literatura portuguesa aos quais é preciso estar atento. Tivemos a sorte de, nos anos 80, ter havido autores como Saramago
“Vivemos muito com a ideia de que a Europa é o centro de tudo e acabamos por ignorar um bocado o resto, incluindo a Ásia. Este conceito é errado, porque esta fatia do mundo há-de ser o centro para grande parte da população [mundial] e convém compreender e conhecer”
ou Lobo Antunes, que abriram as portas para o mundo lá fora. Isso permitiu que, hoje, pessoas como Gonçalo M. Tavares ou Valter Hugo Mãe pudessem caminhar mais facilmente, independentemente daquilo que pensemos da obra deles. Na literatura, há um horror ao vazio e os lugares vão-se ocupando. Devemos estar disponíveis para ouvir as histórias que têm para contar. As novas gerações vêm dizer coisas novas. Se não fosse assim, ainda agora estaríamos a dizer que devíamos limitar-nos a ler o Eça [de Queirós] e o Camilo [Castelo Branco]. Acredita que a escrita é sempre uma reinvenção ou, por outro lado, existe uma literatura verdadeiramente original? É a reinvenção de tudo, até porque tudo é reinventado. Se pensarmos bem, quase todas as histórias já foram contadas, desde “A Ilíada”, à “Bíblia”, às narrativas medievais, Shakespeare, “D. Quixote”, passando pelo romance clássico... Temos esse património e hoje em dia é impossível alguém escrever uma história sem ter em conta isso mesmo, que é a literatura de todos os tempos. Até a nossa maneira de olhar para a Literatura tem que ver com as leituras que fazemos. Costumo dizer que há uma diferença abismal entre as pessoas que leram “Orgulho e Preconceito” e aquelas que não leram. Costumo brincar a dizer que nós não somos influenciados, nós copiamos. É uma brincadeira, mas a verdade é que, muitas vezes, já olhamos para as pessoas e para as coisas de acordo com aquilo que lemos. Acredito que a originalidade é um valor, mas não é um valor absoluto só por si. Nós somos aquilo que lemos. Como é que essa “cópia” acaba por se materializar? Digo que copiamos tudo no sentido em que aquilo que lemos acaba por estar presente no que escrevemos. Para mim foi decisivo ter vivido no Brasil alguns anos e ter escrito ‘Longe de Manaus’, que tinha ortografia portuguesa e brasileira. A certa altura, percebi foi que quando estava a usar a ortografia brasileira, não estava só a escrever, mas sim a pensar de outra maneira. Com outra leveza e era até capaz de pensar e dizer outras coisas. Nós somos um bocadinho a nossa passagem pelo mundo e por isso acho que a originalidade em si é um valor a seguir, mas não é absoluto. Por exemplo, uma pessoa que lê Shakespeare nunca mais é o mesmo.
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política
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Fronteiras Governo não dá números sobre impedidos de entrar
tiago alcântara
Demasiado sensível
O Governo recusa dizer quantas pessoas estão impedidas de entrar em Macau e as razões por que tal acontece. Ainda assim, garante não existir qualquer lista negra Flora Fong*
flora.fong@hojemacau.com.mo
A
chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança, Cheong Ioc Ieng, rejeitou revelar o número de pessoas que foram impedidas de entrar em Macau o ano passado, bem como os factos imputados a essas pessoas para a proibição de passar a fronteira. O pedido tinha sido feito pelo deputado Ng Kuok Cheong, à semelhança do HM, a quem também foi rejeitada a resposta. Para o deputado da bancada democrata, a necessidade de se divulgar essas informações é premente, de forma a que a população possa perceber porque é que certas pessoas que não terão, até agora, cometido crimes foram impedidas de entrar.
“Não convém fornecer essas informações” Cheong Ioc Ieng Chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança
Numa interpelação escrita, Ng Kuok Cheong pediu informações a Wong Sio Chak sobre a quantidade de impedidos de entrar e dos factos criminosos em que estão envolvidos, mas a chefe do Gabinete do Secretário para a Segurança considera que os dados são “sensíveis” e evoca questões de privacidade para não revelar a lista. “Não convém fornecer essas informações”, frisa numa resposta escrita. Já anteriormente, o HM tinha pedido as mesmas informações
Obras Públicas Pedidos registos negativos de empresas nos concursos
Avaliação até ao último ponto É
mais uma deputada a sugerir que haja um regime de supervisão mais forte face às empresas encarregues de obras públicas. Desta vez é Ella Lei quem apela ao Governo que aperfeiçoe o sistema e que considere tornar os registos negativos das empresas de construção como um dos factores mais importantes na avaliação aquando dos concursos públicos.
Numa interpelação escrita, a deputada relembra que os critérios de avaliação nos concurso para as obras públicas contam 60% face ao preço apresentado, 10% face ao planeamento do projecto, 18% no que à experiência e qualidade diz respeito e 12% face a envolvimentos prévios em corrupção ou outros problemas semelhantes, o que é apelidado de “honestidade”. No entanto, caso os
construtores recrutem trabalhadores ilegais ou tenham atrasado o pagamento de salários ou das obras, “entre outros registos negativos”, o Governo deveria poder diminuir a avaliação destes construtores, algo que não acontece agora. A deputada critica que o Executivo nunca tenha publicado a proporção concreta desses registos negativos que não são considerados factores
importantes de avaliação. “Nem sabemos se a prorrogação, a falta de qualidade e os excessos de despesas são considerados na avaliação”, frisa Ella Lei. A deputada questiona qual é a proporção que esses registos negativos ocupam nos critérios de avaliação para o concurso público e ainda se o Governo pensa em adicionar a prorrogação de projecto,
a falta de qualidade, o excesso de despesas, entre outros registos nas avaliações futuras. Ella Lei apela ainda às autoridades que impeçam os construtores com falhas mais graves de participar em concursos públicos. O Governo, recorde-se, comprometeu-se a rever a situação depois de derrapagens nas obras do metro e do Pac On. - F.F.
ao Executivo, que disse também não poder responder. Em ambas as respostas, o Governo assegura, contudo, que Macau não tem uma “lista negra”, ainda que existam nomes que são, de facto, impedidos de entrar na RAEM sempre que o tentam, sem que nenhuma justificação lhes seja dada.
De tudo um pouco
“Ao longo do tempo, foram vários os académicos estrangeiros, deputados, religiosos e jornalistas que foram impedidos de passar nas fronteiras em Macau, de acordo com a Lei de Bases da Segurança Interna”, começa por relembrar Ng Kuok Cheong. “Em meados de Dezembro do ano passado, as autoridades até executaram a lei a um nível ‘louco’, quando até um bebé de um ano foi impedido de entrar por ser acusado de ameaças à segurança de Macau. Para evitar que mais incidentes destes aconteçam é preciso [que o Governo] explique quantas pessoas estão impedidas de entrar e que crimes cometeram.” As autoridades já tinham referido que iriam analisar a questão do bebé, sendo que estaria a ser feita uma investigação para detectar as falhas nesse caso, que não foi o único, já que mais duas pessoas com nomes semelhantes aos de impedidos de entrar – e que constam, então, numa lista – foram também enviadas de novo para Hong Kong. Ng Kuok Cheong pediu, por isso, que o relatório de investigação sobre o incidente seja tornado público. Não obteve, contudo, qualquer resposta. - *com
Joana Freitas
António Costa em visita à China
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, confirmou ao jornal económico luso-chinês Diário de Todos uma viagem à China já no próximo mês de Abril. Costa afirmou que, apesar da visita acontecer já no próximo mês, o programa ainda não está definido, sendo apenas a visita à capital chinesa a única certeza. Questionado pelo HM, o Gabinete de Assessoria de António Costa confirmou a sua viagem, mas não adiantou qualquer informação extra. Macau não parece estar, contudo, nos planos do autarca.
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Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
E
stá quase terminado o primeiro mês desde a implementação do Acordo Entre o Interior da China e Macau sobre a Concretização Básica da Liberalização do Comércio de Serviços em Guangdong, no âmbito do Acordo CEPA e, no total, foram liberalizados 153 sectores de serviços de Guangdong. Quem o confirmou foi o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, durante a sessão de divulgação e de esclarecimento sobre as políticas no âmbito do Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macau (CEPA), que decorreu ontem. Os números representam, assim, 95,6% dos 160 sectores classificados segundo os critérios da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Conforme o acordo, 58 serviços gozam de tratamento nacional, incluindo diversos sectores de Macau detentores de vantagens no desenvolvimento, nomeadamente os serviços de publicidade, serviço de reuniões, serviços de hotelaria e restauração, serviços de guia turístico, serviços de transporte rodoviário de mercadorias”, enumerou o Secretário no discurso de abertura. Com este novo acordo, assinado em Dezembro do ano passado, são proporcionadas melhores e mais favoráveis condições de acesso ao mercado às empresas e residentes de Macau, tais como ao nível dos procedimentos administrativos “mais convenientes e céleres”, permitindo ainda a liberalização de “mais investimentos na área do comércio de serviços na província de Guangdong”.
CEPA Mais de cem sectores liberalizados num mês
Benesses comerciais Mais de uma centena de sectores de Guangdong foram liberalizados, após o primeiro mês de implementação do acordo sobre a Concretização Básica da Liberalização do Comércio de Serviços entre a China e Macau. Empenho, novas mudanças e facilidades e ainda mais três zonas de comércio livre foram pontos mencionados por Lionel Leong simplificação burocrática e outras melhorias do acordo em causa. A vice-governadora mostrou estar atenta à postura de empenho do Governo de Macau, para uma cooperação evidente entre as zonas.
Lionel Leong mostrou-se ainda satisfeito “por saber que o Conselho de Estado promulgou”, este mês, a decisão sobre o ajustamento provisório das medidas de gestão especial de apreciação adminis-
trativa e de acesso aplicadas aos prestadores de Serviços de Hong Kong e Macau. Diz o Secretário que assim é possível alargar a “liberalização do sector de serviços e, complementando o enquadra-
mento jurídico e administrativos para a implementação do acordo”.
Novos espaços
Esta semana foram aprovadas mais três zonas de comércio livre (ver página 13). A decisão foi apreciada e aprovada pelo politburo do Partido Comunista, liderado pelo Presidente Xi Jinping, e foram aprovadas zonas de comércio livre nas províncias de Guangdong e Fujian e na cidade de Tianjin.Azona de Fujian vai focar-se em Taiwan e a de Tianjin pretende servir de impulso para uma melhor integração da cidade com Pequim e a província de Hebei. Para Lionel Leong, tanto o acordo, como o aprovação da Zona de Livre Comércio de Guangdong reflectem “plenamente, o apoio e a preocupação quanto ao desenvolvimento de Macau, por parte do Governo Central, das autoridades relevantes e província de Guangdong”.
153
sectores de serviços de Guangdong liberalizados no âmbito do Acordo CEPA
“Neste sentido, é proporcionado um melhor ambiente de mercado para as empresas e residentes de Macau, em matérias de investimento e de emprego no interior da China, criando novas oportunidades para a elevação da capacidade e da qualidade no sector de serviços das micro-empresas, pequenas e médias empresas (PME), talentos profissionais e jovens de Macau, dinamizando o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau”, defendeu Lionel Leong. Durante o seu discurso, Zhao Yutang, vice-governadora da província de Guangdong, concordou com o Secretário enaltecendo a
O
presidente da Aliança do Povo de Instituição de Macau, Chan Tak Seng, não concorda com o alargamento do financiamento do Fundo de Reparação Predial para edifícios industriais, uma medida anunciada por Chui Sai On aquando da apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para este ano. Segundo o Jornal Hou Kong, Chan Tak Seng aponta discordar da política, uma vez que os edifícios industriais não são habitações e, por isso, “os proprietários têm as
Críticas ao financiamento para reparar edifícios industriais
O seu a seu dono suas próprias responsabilidades”. O responsável afirma que, na sua opinião, “o Governo não deve pagar essas despesas através do cofre público”. Recorde-se que, nas LAG, foi avançada a vontade de alargar o âmbito do financiamento do Fundo de Reparação Predial para obras de reparação e manutenção de higie-
ne ambiental nas partes públicas dos edifícios industriais. A ideia parece, então, não agradar a todos. “A maioria de edifícios industriais em Macau é usada para armazém ou escritório e muitos desses edifícios têm comissão de condomínios. Os donos têm a responsabilidade de gerir os imóveis. Não concordo que o Governo
assuma toda essa responsabilidade, ou seja, que utilize o dinheiro público para apoiar a reparação de edifícios industriais”, começa por dizer. “Caso contrário, os clubes privados e os edifícios comerciais podem também começar a pedir subsídios ao Governo, causando desperdício de dinheiros públicos”, defendeu. - F.F.
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Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Governo está a tentar recuperar cinco terrenos que viram a sua concessão caducar. Dois dias depois de Chui Sai On, Chefe do Executivo, ter mencionado que ia ser publicada em Boletim Oficial a caducidade de cerca de 22 terrenos que o Governo tem como objectivo reaver, eis que ontem cinco dos lotes são apresentados em despachos do Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário. No total, são cinco as empresas envolvidas, sendo que os terrenos em causa ficam na Taipa e totalizam mais de 18 mil metros quadrados de lotes desaproveitados. No caso da Empresa Fountain (Macau) Limitada — Bebidas, por exemplo, o espaço em causa é um lote com uma área de 2505 m2, situado na Taipa, junto à Estrada Lou Lim Ieok. Ia ser aproveitado para a construção de um edifício industrial de dois pisos, mas
Terrenos Anunciada caducidade de cinco lotes na Taipa
Dá cá o que não queres A falta de cumprimento do prazo de aproveitamento deu o mote ao Governo para a recuperação de cinco terrenos na ilha da Taipa. Todos foram concedidos por arrendamento nos anos 1980 e 1990 e todos ficaram por aproveitar
desde 1988 até agora nada lá surgiu. “A concessionária não cumpriu com a obrigação
de realizar o aproveitamento do terreno no prazo estipulado. Considerando que as razões justificativas pub
expostas pela concessionária na resposta à audiência escrita não lograram alterar o sentido da decisão de declarar a caducidade da concessão por falta de realização do aproveitamento do terreno”, estão reunidos os pressupostos para a declaração de caducidade, pode ler-se no despacho do BO.
Mais do mesmo
Aviso
Programa de Devolução do Imposto Profissional do Ano de 2013 Nos termos do artigo 18º da Lei n.º 9/2014, a Direcção dos Serviços de Finanças vai devolver 60% da colecta do imposto profissional, até ao limite de 12.000,00 patacas, pago pelos contribuintes que, em 31 de Dezembro de 2013, sejam titulares do bilhete de identidade de residentes da Região Administrativa Especial de Macau, e que pagaram o imposto profissional referente ao ano de 2013 não se procedendo, no entanto, à devolução do imposto de valor inferior a 50,00 patacas. O montante da devolução é pago por cheque cruzado, por transferência bancária e por título de pagamento M/7. A Direcção dos Serviços de Finanças vai proceder em Março e Abril do corrente ano, à devolução do imposto aos contribuintes que reúnem os requisitos para o efeito, por: - Transferência bancária: trabalhadores que exercem funções nos serviços da Administração Pública (incluindo os organismos autónomos) e por eles recebam remunerações; trabalhadores de estabelecimento de ensino que recebam o subsídio directo, e pessoal docente que receba o subsídio para o desenvolvimento profissional, previstos nos Despachos do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura n.ºs 66/2004 e 76/2012; e aos contribuintes que trataram das formalidades junto dos bancos visados para receber o montante da devolução, por transferência bancária. - Cheque cruzado a enviar por via postal: contribuintes cujo montante da devolução não seja efectuado por transferência bancária.
Os casos sucedem-se: a Tak Heng Sing — Companhia de Construção e Fomento Predial, Limitada, que era titular de um terreno com a área de 2196 m2, situado nos aterros do Pac On, na Taipa,
2)
3) 4)
Os utilizadores do “Serviço Electrónico” dos Serviços de Finanças podem consultar detalhadamente os dados de devolução, através do respectivo sistema; Consulta sumária, através da página electrónica dos Serviços de Finanças, no campo “Consulta do Programa de Devolução do Imposto Profissional; Nos quiosques da Direcção dos Serviços de Finanças instalados nos diversos locais de atendimento, ou nos mais de 40 quiosques da Direcção dos Serviços de Identificação instalados nos Serviços Públicos, sendo necessário para o efeito o BIR; Podem dirigir-se aos seguintes locais: Núcleo de Informações Fiscais / Núcleo do Imposto Profissional, sitos no Edifício Finanças, r/c e sobreloja, respectivamente; Centro de Atendimento Taipa; ou Centro de Serviços da RAEM.
Caso não tenham recebido o cheque cruzado até 21/04/2015, os contribuintes podem solicitar a emissão de 2ª via do mesmo, mediante apresentação do “Pedido de emissão de 2ª via do cheque do Programa de Devolução do Imposto Profissional do Ano de 2013”, durante as horas de expediente, nos seguintes locais: Núcleo de Informação Fiscais, sito no Edifício “Finanças”, r/c; Centro de Atendimento Taipa; ou Centro de Serviços da RAEM. Aos 24 de Março de 2015. A Directora, Vitória da Conceição
também viu o lotes entregues em 1998 e que seriam dedicados à instalação de unidades industriais e armazéns a ser reavidos pelo Governo.
IPIM Glória Batalha assume cargo de Echo Chan
Os dados relativos à devolução podem ser obtidos da seguinte forma: 1)
Os terrenos em causa ficam na Taipa e totalizam mais de 18 mil metros quadrados de lotes desaproveitados
O mesmo fim teve um terreno com mais de quatro mil metros quadrados, também no Pac On, pertencente à Fábrica de Isqueiros Chong Loi (Macau), Limitada, que iria construir um prédio industrial de quatro pisos. Outro terreno, com a área de 2732 m2, situado na Rua de Viseu, na Taipa, deverá regressar à posse do Governo, depois de a Pacífico Infortécnica — Computadores e Serviços de Gestão, Limitada não o ter aproveitado. O mesmo destino terá o lote que, em 1988, foi entregue à Metalminer (Pacific) — Indústria de Materiais de Precisão S.A. Com uma área de 6406 m2, no Pac On, o local ia ser aproveitado para a construção de um edifício industrial de seis pisos. Os despachos assinados por Raimundo do Rosário entram em vigor imediatamente, ainda que a decisão de rever os terrenos não seja final. É que o Governo pode ver-se a braços com acções judiciais, caso as concessionarias não concordem com a opinião do Executivo. “Do acto de declaração de caducidade cabe recurso contencioso para o Tribunal de Segunda Instância, no prazo de 30 dias, contado a partir da publicação do presente despacho. A concessionária pode ainda reclamar para o autor do acto, Chefe do Executivo, no prazo de 15 dias”, realça o despacho. Nenhuma das concessionárias terá direito a indemnizações.
Sector logístico liderado por Tsui Wai Kwan
Tsui Wai Kwan vai exercer o cargo de vice-presidente da Comissão para o Desenvolvimento do Sector Logístico, seguindo uma nomeação ontem publicada em Boletim Oficial. O também deputado já está a exercer funções desde o passado dia 11 de Março e foi nomeado pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário.
Glória Batalha assume o cargo deixado vago por Echo Chan no Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). Glória Batalha é nomeada, segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, para o cargo de vogal executiva do Conselho de Administração do IPIM, por um período de um ano, a partir de 16 de Março de 2015. Glória Batalha era, desde 2004, directora do Centro de Apoio Empresarial e do Núcleo de Serviço às Pequenas e Médias Empresas do IPIM.
Obras Públicas Chan Pou Ha deixa cargo de subdirectora
Chan Pou Ha já não é subdirectora dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, já que, segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, Chan Pou Ha cessou funções. De acordo com a informação, assinada pelo Secretário da tutela, Raimundo do Rosário, a exsubdirectora deixou o cargo já a 16 de Fevereiro de 2015, “regressando ao lugar de origem como técnica superior assessora principal”.
sociedade
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Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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o dia em que é apresentada oficialmente a nova licenciatura do Instituto Politécnico de Macau (IPM), denominada “Relações Comerciais China-Países de Língua Portuguesa”, o HM revela-lhe os bastidores da preparação de um programa curricular, que data de 2011. Segundo documentos aos quais tivemos acesso, uma comissão de docentes do IPM, encarregue de preparar as disciplinas, pediu pareceres a sete entidades ou personalidades, tais como a Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, o Gabinete de Ligação de Pequim na RAEM, a Universidade de Cabo Verde, Universidade de Lisboa e até a Universidade Sun Yat-Sen. O Secretariado Permanente do Fórum Macau, à data com Rita Santos como secretária-geral adjunta, também foi contactado, mas foi a única entidade a dar resposta, ainda que a responsável se tenha queixado do conteúdo do curso quando lhe foi pedido que o comentasse. Estas informações constam no relatório feito com base nos pareceres enviados ao IPM. “Foram
Curso do IPM Fórum Macau foi único a não dar parecer
O parceiro ausente tiago alcântara
Para elaborar o programa curricular da licenciatura em Relações Comerciais China-Países de Língua Portuguesa, o Instituto Politécnico de Macau pediu opiniões a sete entidades. O Fórum Macau, à data com Rita Santos como secretária-geral adjunta, foi o único a não responder, ainda que a responsável tenha tecido duras críticas ao curso. Do lado do IPM, é garantido o ensino de questões ligadas à RAEM
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“Foram recebidos os pareceres de todas as entidades e personalidades a quem foram solicitados, com excepção do Secretariado Permanente do Fórum Macau, que não respondeu” relatório do IPM
história administrativa de Macau (…) pretende-se igualmente que os alunos tomem contacto com a literatura de Macau em línguas chinesa, portuguesa e patuá, da cultura de Macau e da interculturalidade que a caracteriza”, lê-se. A criação desta disciplina surgiu depois da opinião dada pelo docente Choi Wai Hao, director da Escola de Línguas e Tradução do IPM. Luciano Almeida, também da mesma escola e um dos membros da comissão de docentes, frisa: “a história de Macau foi sempre pensada desde o início”.
recebidos os pareceres de todas as entidades e personalidades a quem foram solicitados, com excepção do Secretariado Permanente do Fórum Macau, que não respondeu”, pode ler-se. Recorde-se que, a 17 de Março, data em que o novo curso foi publicado em Boletim Oficial (BO), Rita Santos, actualmente aposentada do cargo que desempenhava, disse ao HM discordar do programa curri-
cular, por não conter disciplinas focadas na Economia, História e Política de Macau, bem como no seu papel de plataforma. “O que entristece é que, quando criam estas coisas (cursos), esquecem-se sempre de Macau”, disse, na altura. O HM sabe ainda que foram enviados emails a Rita Santos em Julho de 2013 com o pedido de uma audiência com a secretária-geral
Novos docentes e manuais no futuro A nova licenciatura, apresentada hoje pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, começa hoje a receber inscrições para cerca de 30 vagas. Os alunos vão deslocar-se a Portugal no segundo ano por forma a aprofundar a Língua Portuguesa, prevendo-se o alojamento em famílias. No começo, o curso contará com docentes do curso de Línguas e Tradução, mas segundo disse Aurélia Almeida ao HM, prevê-se, a médio prazo, não só a contratação de mais docentes para as áreas da Economia ou Direito, por exemplo, como a elaboração de manuais próprios, por se tratar de um curso abrangente e virado para o panorama das relações entre China e PALOP.
Quase metade dos alunos querem inscrever-se O HM teve também acesso a um inquérito interno realizado pelo IPM aos alunos sobre a nova licenciatura. E os resultados são sinónimo de sucesso para um curso que acaba de ser criado. Se 51% dos alunos consideram que o curso é “importante”, 46% pretende matricular-se na licenciatura mal acabe o curso que frequenta actualmente. Mais: 48% dos alunos recomendariam o curso de “Relações Comerciais China-Países Língua Portuguesa” aos colegas.
adjunta do Fórum, onde o projecto do curso foi revelado. Contudo, o parecer nunca chegaria a ser enviado à comissão responsável pela elaboração do programa curricular. O HM confrontou novamente Rita Santos sobre este facto, mas a ex-responsável não quis fazer mais comentários. “Não me quero debruçar mais sobre esse assunto, uma vez que agora há uma nova coordenadora (Echo Chan)”, apontou.
Curso ligado a Macau
Contactada pelo HM, Aurélia Almeida, directora da Escola Superior de Administração Pública do IPM, afirmou discordar das declarações de Rita Santos e garantiu a total ligação do novo curso a Macau. “Foi uma coisa tão estudada... Só a título de exemplo, a disciplina de História concisa de Portugal e das relações China e os Países de Língua Portuguesa tem conteúdos sobre Macau. O importante é olhar para os objectivos de cada disciplina”, explicou a directora. Um olhar sobre o relatório final do curso permite ver que essa disciplina “visa que os alunos adquiram os conhecimentos básicos da História de Macau, nas perspectivas chinesa e portuguesa, bem como da
“Foi uma coisa tão estudada... Só a título de exemplo, a disciplina de História concisa de Portugal e das relações China e os Países de Língua Portuguesa tem conteúdos sobre Macau. O importante é olhar para os objectivos de cada disciplina” Aurélia Almeida Directora da Escola Superior de Administração Pública do IPM
O relatório feito com base nos pareceres apresentados, elaborado em Novembro de 2013, revela que “a criação da licenciatura foi considerada muito importante pelas entidades e personalidades externas consultadas e o plano de estudos adequado aos objectivos fixados para o curso”. Analisando os diversos pareceres, as críticas são positivas, chamando a atenção para um “plano de estudos diversificado, exigente e progressivo na sua estrutura”, “muito bem conseguido e organizado”.
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hoje macau quinta-feira 26.3.2015
CTM Criado serviço de pagamentos com telemóvel
Facilidade na ponta dos dedos A CTM vai lançar, em parceria com a Macau Pass, um sistema que possibilita o pagamento de compras e viagens de autocarro através da simples passagem do telemóvel na máquina de débito da empresa local. A par disso, a empresa de telecomunicações prepara-se para expandir a cobertura de 3G e 4G, fibra óptica e rede wireless Leonor Sá Machado leonor.machado@gmail.com.mo
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Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) vai, ainda este ano e em parceria com a Macau Pass, criar um serviço que permite o pagamento de compras e transportes públicos com o telemóvel. Tudo isto será possível graças a uma combinação de tecnologias, não sendo ainda certo como é que o processo vai acontecer. As possibilidades integram a eventual vinculação do Macau Pass a uma conta CTM que, por sua vez, estará ligado ao cartão SIM do cliente. Este funciona então como cartão que vai descontando dinheiro sempre que for encostado à máquina da Macau Pass. “Isto vai alterar o estilo de vida dos cidadãos”, explicou o director-executivo da empresa, Vandy Poon. Este método vai, assim, permitir a eventual abolição do uso do cartão da empresa local, fazendo com que apenas o telemóvel seja necessário. O anúncio teve lugar ontem, numa conferência de imprensa à margem do almoço de Primavera. Outra das novidades tem que ver com a rede de fibra óptica, que está já a ser implementada passo a passo. Este ano e após a aprovação do plano pelo Governo – entre Abril e Maio –, este serviço deverá começar a ser expandido. O responsável da empresa espera que quase 100% do território fique coberto pela fibra óptica. O objectivo passa por oferecer uma rapidez duas vezes maior do que o 3G.
Uma nova estirpe
Questionado sobre um recente incidente de ‘hacking’ à rede da CTM, Vandy Poon esclareceu que o
problema foi resolvido e que a privacidade dos clientes foi preservada, já que as redes de protecção anti-vírus “cumpriram a sua função”. De acordo com o dirigente, as investigações – ainda em curso – demonstram que o vírus é de uma “nova estirpe”, considerada rara. “É preciso desenvolver uma espécie de ‘nova vacina’ para este tipo de vírus e acho que temos capacidade para isso”, assegurou Poon. Embora o director-executivo da CTM tenha confirmado que é já conhecida a fonte do problema, preferiu não revelar para já, antes da investigação estar finalizada.
Dezoito pessoas tiveram de ser assistidas no Hospital Conde de São Januário depois de um acidente de viação que envolveu um shuttle-bus do Venetian. Os feridos são 12 homens e seis mulheres, incluindo cinco residentes de Macau e 13 do interior da China, com idades compreendidas entre os 21 e os 56 anos. Após a avaliação médica apenas duas pessoas necessitaram de ficar internadas para serem submetidas a TAC para exames mais pormenorizados. Os demais passageiros após diagnóstico e tratamento das escoriações, contusões, entre outras feridas ligeiras tiveram alta. O acidente decorreu na noite de terçafeira, no acesso ao Terminal Marítimo de Macau, na Ponte da Amizade, quando o autocarro bateu numa das barreiras. O condutor não tinha álcool no sangue e o excesso de velocidade não terá sido também a causa do acidente.
Mais um barco para aeroporto de HK e de Sheung Wan
A Cotai Water Jet adicionou mais um barco que sai da Taipa para o Aeroporto Internacional de Hong Kong e um que vem de Sheung Wan para a Taipa. De acordo com um comunicado da empresa, a partir de 3 de Abril, às sextas-feiras e sábados, um ferry sai do Pac On em direcção ao aeroporto pelas 17h55 e outro sai de Sheung Wan para a Taipa nos mesmos dias às 22h30. A companhia instalou recentemente wifi nos barcos que saem diariamente de Macau e que chegam a Macau e anunciou ainda mais promoções. A partir de hoje e até 31 de Dezembro, os condutores que apresentarem o recibo do parque de estacionamento do Terminal do Pac On obtêm um desconto de 30 patacas no bilhete de ferry, o equivalente a dez horas gratuitas no parque.
800
milhões de patacas, previsão de investimento na implementação do 3G e 4G, em 2015
Depois da entrega de um relatório às autoridades policiais, o próximo passo é, de acordo com o mesmo responsável, tornar todas as informações públicas para que os clientes e restante público tenha acesso. O único efeito negativo do incidente foi, de acordo com declarações do dirigente, um abrandamento provisório da internet.
Intoxicação Crianças tiveram alta
4G vai dominar
A implementação da rede wifi em quase 100% do território é o objectivo da empresa, de acordo com declarações de Vandy Poon. A par disto, a CTM vai ainda proceder à instalação do sistema 4G. A ideia é potenciar uma maior rapidez à linha de internet já oferecida pela empresa. Poon diz mesmo que existirá tendência para que este substitua, com o tempo, a rede actualmente em uso, 3G. “Acre-
Acidente com shuttle-bus leva 18 ao hospital
dito que a tendência das pessoas será mudar do 3G para o 4G e o último vai ser dominante”, explicou. Para este ano, Poon espera um investimento 800 milhões de patacas na implementação da 3G e 4G, ficando reservados
200 milhões para a primeira e 600 milhões de patacas para a segunda. No ano passado, a CTM fez um investimento total de 519 milhões de patacas, tendo os lucros ficado em cerca de 1112 milhões de patacas.
Todos os alunos que estavam hospitalizados após terem sofrido intoxicação por monóxido de carbono tiveram alta. De acordo com os Serviços de Saúde, as crianças – estudantes da Escola das Nações – foram alvo de tratamento e saíram já do Hospital Conde de São Januário. Recorde-se que os estudantes estavam a fazer pão numa panificadora da Barra, numa experiência proporcionada por um professor. Os SS suspeitam que a causa de inalação de monóxido de carbono se deveu a uma fuga de gás no forno da panificadora.
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hoje macau quinta-feira 26.3.2015
Saúde Enfermeiros não querem exame para regime de qualificação
Queixas contra clínicas privadas
Avaliação para quê?
O deputado Si Ka Lon considera negativo o facto de os médicos de clínicas privadas poderem optar por não mencionar os nomes dos medicamentos que dão aos pacientes, nem de terem de passar receitas. O deputado diz que isto não protege o direito à informação dos pacientes, já que estes tomam medicamentos que lhes são dados, sem saberem o que estão a tomar. O regime de licenciamento para o exercício da actividade privada de prestação de cuidados de saúde não regulamenta concretamente estes actos e, por isso, o deputado pede aos SS que elaborem instruções o mais rápido possível.
Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
V
ários enfermeiros mostraram-se ontem desagradados com a eventual obrigatoriedade de realização de um exame que servirá de avaliação no regime de qualificação para profissionais médicos. As opiniões surgiram no âmbito de um seminário, onde os Serviços de Saúde (SS) estão a ouvir a opinião de profissionais sobre o Regime de Qualificação Profissional e Inscrição para o Exercício de Funções Médicas. Alguns dos enfermeiros questionaram a necessidade de um exame como forma de aprovação, com um professor de um Instituto de Enfermagem, que não se identificou, a apontar que os actuais cursos dos dois institutos de Enfermagem existentes em Macau já obtiveram a acreditação e supervisão do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES). O profissional questiona, por isso, porque se põe em causa a aceitação de estudantes provenientes desses institutos. Para a secretária-geral do Conselho para os Assuntos Médicos, Leong Pui San, caso os enfermeiros não entrem através de exames, os residentes podem duvidar da sua qualidade. A responsável salientou ainda que apenas a aprovação no exame mostra o nível de exercício das capacidades dos profissionais. Outro dos intervenientes, um estudante de uma escola de enfermagem, considera que a obriga-
IFT Mais de dois milhões para mãe de aluno falecido
Alguns dos enfermeiros questionaram a necessidade de um exame como forma de aprovação, com um professor de um Instituto de Enfermagem, (...) a apontar que os actuais cursos dos dois institutos de Enfermagem (...) já obtiveram a acreditação e supervisão do GAES toriedade de realização do exame pode ser uma barreira para jovens enfermeiros que queiram entrar no mercado. A assessora do mesmo conselho, Ma Man In, discorda desta opinião, referindo que o facto dos candidatos não corresponderem aos critérios exigidos pelo exame deve ser factor determinante para
O Instituto de Formação Turística (IFT) conseguiu reunir mais de dois milhões de patacas para ajudar a família do estudante que perdeu a vida num acidente de viação, no início do mês. O IFT iniciou uma campanha de doações, na qual participaram estudantes, funcionários, professores e também residentes. O dinheiro foi entregue à mãe do estudante, que tinha 23 anos.
que estes não trabalhem na área até estarem devidamente preparados.
Palavras e mais palavras
Recorde-se que esta semana foi anunciado que está concluído o texto legal do Regime Legal da Qualificação e Inscrição para o exercício da actividade dos profissionais de Saúde,
Meteorologia Assinada cooperação com Zhuhai
O Projecto – 2015 da Cooperação entre Zhuhai e Macau da Criação da Rede de Observação Meteorológica no Estuário do Rio das Pérolas foi assinado ontem pelas entidades meteorológicas das duas regiões. Assim, com a assinatura do projecto, vai arrancar a construção da segunda estação do projecto cooperativo na ilha de Hebao do porto de Zhuhai, sendo que ao mesmo tempo irá continuar com a implementação dos equipamentos da primeira estação na ilha Dongao. Com a construção da ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau e o aumento da movimentação das pessoas e mercadorias no Delta do Rio das Pérolas a exigência de serviços meteorológicos vai aumentar, defendem as autoridades competentes. Por isso foi planeado que, entre 2014 e 2016, seja construída uma rede de detecção meteorológica nas ilhas do Estuário do Rio das Pérolas para uma recolha de informações mais completa e segura.
sendo que, agora, o Governo quer ouvir as opiniões dos profissionais. Estão mais de mil inscritos para falar. Actualmente, os profissionais de saúde do sector privado estão sujeitos ao regime de registo através da verificação e à regularização pelo regime da carreira especial, ou seja, não existe uma lei que unifique o
IPOR reforça laços
Num encontro entre o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e o director do Instituto Português do Oriente (IPOR), João Laurentino Neves, foram reforçados os trabalhos no ensino do Português. Alexis Tam voltou a referir a importância nos incentivos para a formação da Língua Portuguesa, tendo em conta que a língua, diz, “contribui para a aproximação dos povos”. O Secretário elogiou o trabalho que o IPOR tem levado a cabo e admitiu que há espaço para que o Instituto e a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude possam aprofundar a sua parceria, nomeadamente na criação de ferramentas digitais para os fornecedores de Língua Portuguesa.
exercício da actividade aplicável aos profissionais de saúde dos sectores público e privado em Macau. No novo regime foi, então, introduzido o regime de exame de qualificação e estágio, das poucas coisas que, segundo um comunicado dos SS, parece não agradar aos profissionais. “Os participantes manifestaram o seu agrado perante a proposta, nomeadamente sobre os requisitos relativos ao respeito de créditos de desenvolvimento profissional contínuo e à aquisição de um seguro de responsabilidade civil que deve ser efectuado pelos profissionais de saúde. A par disso, os participantes também queriam saber se os finalistas locais podem ou não podem dispensar o exame de qualificação profissional e avaliação de estágio.” O novo regime prevê ainda a elaboração de um Código deontológico dos profissionais de saúde e um regime disciplinar. A auscultação continua até dia 2 de Abril.
Património IFT já formou 123 pessoas
O programa de Certificação e Treino de especialização em Guia de Património Cultural do Instituto de Formação Turística (IFT) já formou, desde 2005, 123 profissionais especializados na herança cultural e patrimonial local. De acordo com comunicado do IFT, este programa foi galardoado com medalha de ouro em 2007, pela Associação de Viagens ÁsiaPacífico (PATA) na categoria de Educação e Formação. O IFT tem vindo a desenvolver uma série de trabalhos de consultoria para países e regiões como o Butão, Índia, Sri Lanka, Filipinas, Tailândia, Nepal, Vietname, Indonésia ou China continental. O IFT referiu ainda que alguns representantes do sector de desenvolvimento turístico do gabinete do Primeiro-Ministro tailandês estiveram no território recentemente para saber mais sobre o programa de certificação e formação oferecido por esta instituição de ensino superior.
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eventos
hoje macau quinta
Inglaterra Fadista português candidato a “Best Artist”
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fadista Ricardo Ribeiro é um dos quatro candidatos ao prémio de “Best Artist” (“Melhor Artista) de 2015 atribuído pela revista de música britânica Songlines. O músico português foi escolhido pelos leitores da publicação, que foram responsáveis pela selecção dos finalistas das quatro categorias a concurso. Ricardo Ribeiro foi nomeado pelo seu álbum “Largo da Memória”, editado em 2013 pela Parlaphoe, e que foi avaliado com quatro estrelas (num máximo de cinco) pela revista britânica, que todos os anos distingue o melhor artista, o melhor grupo, a melhor colaboração intercultural e o melhor “estreante” do mundo da ‘world music’. “Estou muito emocionado, quase sem palavras. Vocês fizeram acontecer. Sou um dos finalistas para o prémio de Melhor Artista 2015 da revista britânica Songlines”, escreveu o fapub
CCM Aulas de representação em projecto com HK
Talentos preci O
dista na sua página oficial do Facebook a propósito da nomeação anunciada a semana passada. “Quero agradecer profundamente a todas as pessoas que votaram, aos leitores da Songlines e ao público em geral. Obrigado por estarem comigo! Viva o Fado!”, acrescentou Ricardo Ribeiro. O português vai disputar o prémio de melhor artista do
ano com três outros nomeados: Tony Allen (pelo álbum “Film of Life “), Julie Fowlis (por “Gach Sgeul: Every Story”) e Seth Lakeman (pelo disco “Word of Mouth”). Os vencedores vão ser escolhidos pela equipa editorial da Songlines e os seus nomes serão conhecidos na edição de Junho da “Songlines”, que estará à venda no Reino Unido a partir de 1 de Maio.
Centro Cultural de Macau (CCM) está a recrutar actores locais para um projecto de intercâmbio com a região vizinha de Hong Kong. A ideia do CCM, incluída numa série de projectos já feitos anteriormente, é realizar workshops e uma audição final, onde serão escolhidos os melhores para subirem ao palco do CCM.
“Estamos à procura de talentos para integrarem uma série dedicada ao monólogo, especialmente concebida para actores”, explica a organização. “Após a residência de quatro semanas de intercâmbio a tempo inteiro, os actores seleccionados
“Após a residência de quatro semanas de intercâmbio a tempo inteiro, os actores seleccionados regressam a Macau para o espectáculo final, agendado para subir ao palco no final de Novembro”
eventos 11
a-feira 26.3.2015
Moda Marca de Macau pela primeira vez na China
cisam-se regressam a Macau para o espectáculo final, agendado para subir ao palco no final de Novembro.” A iniciativa arranca em Junho, com uma série de workshops que se seguem com uma audição. Em Outubro, os candidatos seleccionados passam a residir nas instalações do teatro Chung Ying, uma das companhias mais antigas de Hong Kong. Esta é a primeira fase de um projecto de um monólogo teatral, sendo que os interessados podem enviar as inscrições até 18 de Maio, 2015.
Estratégia abrangente
Os intercâmbios promovidos pelo CCM têm incluído pro-
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jectos como o intercâmbio de coreografia “Dançar até Nova Iorque”, em 2008, o intercâmbio com a Coreia, intitulado de “Fisicamente Falando”, em 2009, e o “Espaços: Programa de Intercâmbio com a Dinamarca (Site-specific)”, orientado por Kitt Johnson, em 2012. “Estes projectos fazem parte de uma estratégia contínua de apoio aos artistas para orientar e inspirar os nossos talentos, desenvolvendo uma dinâmica de interacção com outros domínios culturais”, realça o organismo.
À venda na Livraria Portuguesa Fernado Pessoa por João Villaret e Mário Viegas (audiobook) • Fernando Pessoa
Audiobook ditado pela Companhia Nacional de Música sendo que a primeira parte – Álvaro de Campos, Fernando Pessoa (Ortónimo), Ricardo Reis (4 odes), Alberto Caeiro (Três poemas de “O Guardador de Rebanhos”) – é recitada por João Villaret e a segunda – Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos; Alguns «Poemas Inconjuntos” – por Mário Viegas.
pub
ma marca de roupa, original de Macau, foi convidada a participar num desfile de moda na China continental. A “Character Creation” apareceu pela primeira vez em desfiles de moda na cidade de Shenzhen, da província de Guangdong. Segundo o Jornal Ou Mun, o Centro Incubador de Marcas de Macau organizou uma delegação para participar em vários desfiles de moda em Shenzhen na segunda-feira passada, onde se incluía a marca de roupa original “Character Creation”. Esta foi a única marca original de Macau a
participar no desfile, sendo que a organização do Centro Incubador de Marcas de Macau consideram que isto poderá aumentar a imagem não só da própria marca, como do território. Ao mesmo jornal, o responsável da marca referiu
que os desfiles de moda têm criado oportunidades para entrar no mercado do interior da China, o que faz com que o sector e os consumidores passem a saber mais sobre a cultura e o design da roupa de Macau. Actualmente, a “Character Creation” já abriu lojas em várias cidades, como Zhuhai, Cantão e Huizhou. O Centro Incubador de Marcas de Macau prevê ainda que seja implementado pela primeira vez este ano o “Pavilhão de Macau”, numa feira de negócios de marcas de roupas que acontece em Julho, também em Shenzhen.
Bullying Be Cool organiza workshops para pais
Subordinado ao tema “Bullying”, a associação Be Cool Project irá organizar um novo workshop para os pais de adolescentes. O evento tem lugar esta sexta-feira, dia 27, às 19h00, tendo a duração de uma hora e meia. Será nas instalações da associação, na Taipa. O workshop é patrocinado pelo Instituto de Acção Social (IAS) e será conduzido pela docente Gertina Van Schalwyk, do departamento de Psicologia da Universidade de Macau.
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
1937 - O Atentado a Salazar • João Madeira
Esta é a extraordinária história, quase cinematográfica, do único atentado contra a vida de António de Oliveira Salazar, que o historiador João Madeira nos conta ao longo destas páginas. Por pura sorte, António de Oliveira Salazar escaparia sem um arranhão deste atentado. No final, enquanto uns lhe pediam repouso, mantendo a pose bem afivelada, sorriu e respondeu: «Como fiquei vivo terei de continuar a trabalhar». Reconstituindo factos, o livro segue a investigação policial que imediatamente foi montada com exames, inspeções, denúncias e teses contraditórias e se torna numa verdadeira caça ao homem. É preciso encontrar culpados, a todo o custo. E é então que surge o fantástico «grupo terrorista» do Alto do Pina.
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china
hoje macau quinta-feira 26.3.2015
BC chinês sustenta yuan contra a desvalorização da moeda
se valorizou de forma expressiva contra quase todas as outras moedas do mundo. Isto tornou ainda mais difícil para o governo afrouxar sua política monetária para estimular a economia — uma moeda mais forte torna as exportações chinesas mais caras e os produtos estrangeiros mais baratos.
Manobras de Março
Aceitam-se apostas
O
yuan registou entre 16 e 21 de Março a sua melhor semana dos últimos sete anos depois do governo chinês intervir nos mercados para sustentar a moeda e contrapor-se a investidores que apostavam numa desvalorização. O yuan subiu 0,9% face ao dólar comparado com a semana anterior, uma subida expressiva dado que a moeda chinesa recuou 2,5% em relação à americana em 2014. Esta foi somente a terceira vez em 20 anos que o yuan apresentou uma oscilação semanal desta magnitude. O ganho repentino serve como um sinal que o governo chinês ainda exerce um controlo rígido sobre a moeda e não permitirá grandes desvalorizações ou especulações de um lado só. O capital também está a deixar a China este ano à medida que o yuan perde força — o que afasta investidores em busca de retornos maiores. Ao mesmo tempo, persistem os receios de que novas desvalorizações do yuan possam exacerbar a fuga de capital e desestabilizar o já frágil sistema financeiro do país. “Está claro que o banco central não quer que o mercado construa expectativas únicas para o yuan e quer gerar flutuações dos dois lados”, diz Chaoping Zhu, economista do UOB Kay Hian Holdings em Xangai.
Essa valorização recente do yuan sinaliza que a China pode não estar com pressa de se juntar a outros bancos centrais no mundo, como os do Japão e Europa, que estão a enfraquecer as suas moedas numa aposta para elevar as exportações ao tornar os seus produtos mais baratos no mercado internacional. Afinal, uma queda expressiva do yuan afectaria o objectivo da China de reequilibrar sua economia reduzindo a dependência das exportações e dar prioridade ao mercado doméstico.
“Está claro que o banco central não quer que o mercado construa expectativas únicas para o yuan e quer gerar flutuações dos dois lados” Chaoping Zhu Economista do UOB Kay Hian Holdings em Xangai
Uma moeda volátil e à mercê de especuladores também poderia comprometer os esforços do governo para tornar o yuan uma moeda mais internacional.
As autoridades do Banco Popular da China não quiseram comentar.
Acção central
Na sexta-feira, a cotação do dólar na China caiu para o menor nível em três meses, 6,2046 yuans, reflectindo o fortalecimento da moeda chinesa. O banco central da China fixa uma paridade diária para a moeda e permite que esta seja negociada numa banda de 2% acima ou abaixo da referência. O BPC elevou essa taxa de referência quase todos os dias da semana passada e os operadores dizem que os bancos estatais chineses também estavam a comprar a moeda para elevar o seu valor. A intervenção repentina foi o oposto do que ocorreu no ano passado, quando o banco central orquestrou uma subida inesperada do yuan, forçando a reversão de milhões de dólares em apostas altamente alavancadas na valorização da moeda. Naquele momento, o governo temia que o capital estrangeiro estivesse a inundar a economia da China e a contribuir para a apreciação dos activos, como os preços dos imóveis. “É um tipo de déjà vu. A única diferença é que o BPC agora está a comprar yuan”, diz o chefe de operações cambiais de um banco chinês em Xangai.
“Depender simplesmente da desvalorização cambial não vai reavivar as exportações chinesas porque as dificuldades actuais resultam de uma confluência de factores, incluindo a fraca procura externa [e] o aumento dos custos de mão-de-obra e das matérias-primas” Liu Dongliang Analista do China Merchants Bank
Com o dólar a valorizar-se nos mercados globais e o Federal Reserve, o banco central americano, a planear apertar a política monetária, a decisão de Pequim de cortar os juros duas vezes desde Novembro para ajudar a estimular o crescimento tornou o yuan ainda menos atraente para investidores à procura de retornos mais elevados. A moeda chinesa efectivamente acompanha o dólar, então também
Investidores tinham apostado que a China permitiria que o yuan se desvalorizasse para estimular o crescimento. No acumulado do ano, a moeda tinha caído 0,9% face ao dólar até o início da semana passada. Os investidores predominantemente venderam yuans quase todos os dias do ano, empurrando a moeda para o extremo inferior da banda de variação. Mas a China também está a enfrentar uma debandada de recursos do país; US$ 150 mil milhões saíram nos primeiros dois meses do ano, diz Huw McKay, estratega do Westpac WBK -0.19% Bank. As empresas chinesas vêm hesitando em reter yuans com medo de uma desvalorização, o que provoca uma pressão adicional sobre a cotação da moeda. Este fluxo para fora do país tornou o crédito mais escasso no sistema financeiro chinês, criando mais obstáculos num momento em que o crescimento económico desacelera de forma significativa. Permitir uma desvalorização substancial também tornaria mais difícil para as empresas chinesas pagar os milhões em dívidas em dólares que acumularam nos últimos anos. “Depender simplesmente da desvalorização cambial não vai reavivar as exportações chinesas porque as dificuldades actuais resultam de uma confluência de factores, incluindo a fraca procura externa [e] o aumento dos custos de mão-de-obra e das matérias-primas”, diz Liu Dongliang, analista do China Merchants Bank. Muitos especialistas acreditam que a China tomará novas medidas para estimular sua economia, como reduzir o volume de reservas que os bancos são obrigados a manter para permitir que emprestem mais, ou ainda cortar os juros pela terceira vez. O sentimento em relação ao yuan tornou-se cada vez mais baixo nos últimos meses, devido, em parte, às preocupações com a desaceleração da economia. Desse modo, se o objectivo do BPC foi desencorajar especuladores, a actual manobra de sustentação do yuan pode não durar muito. “Acho que terá vida curta. Os fracos fundamentos económicos da China dificultam o fortalecimento do yuan”, diz Zhu, prevendo que o yuan encerrará o ano com uma queda de 3% face ao dólar. - W.S.J.
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hoje macau quinta-feira 26.3.2015
Cinco anos de prisão para brasileiro por vender vistos ilegais
O falsificador que veio do sul U m cidadão brasileiro foi condenado a cinco anos de prisão na China por vender vistos ilegais a outros estrangeiros, disse à agência Efe o consulado geral do Brasil em Xangai. Na terça-feira, a imprensa local noticiou a condenação mas não revelou a nacionalidade do homem. O consulado confirmou que “o cidadão sul-americano mencionado no [diário oficial] Shanghai Daily é o cidadão brasileiro Pedro Godoi”, que recebe assistência consular do Brasil “desde a sua detenção no ano passado, de acordo com
a Convenção de Viena sobre Relações Consulares”. Godoi foi condenado em Fevereiro pelo Tribunal Popular do Distrito de Zhabei, onde estavam os escritórios da sua empresa, Godoi Consulting, segundo é indicado no portal da sua empresa, ainda que a notícia só agora tenha sido revelada. Apesar de já se terem verificado vários casos semelhantes em Xangai nos últimos anos, este foi o primeiro a envolver um cidadão estrangeiro, segundo a polícia. De acordo com informações das autoridades publicadas pela imprensa local, Godoi geria uma empresa
de comércio internacional e, entre os seus serviços, oferecia ajuda a outros estrangeiros para obterem autorizações de residência no
Pedro Godoi geria uma empresa de comércio internacional e, entre os seus serviços, oferecia ajuda a outros estrangeiros para obterem autorizações de residência no país, mediante selos falsos pub
país, mediante selos falsos e, entre outros documentos, contratos de trabalho assinados com o seu sócio chinês. A polícia não revelou quantos estrangeiros solicitaram autorizações de residência através de Godoi, nem qual é a sua situação actual, mas precisou que o brasileiro cobrou mais de 50.000 yuan por este tipo de serviços.
Mais três zonas de comércio livre
A China deu luz verde a mais três zonas de comércio livre, noticiou ontem a imprensa oficial. Num encontro do politburo do Partido Comunista, liderado pelo Presidente Xi Jinping na terça-feira, foram aprovadas zonas de comércio livre nas províncias de Guangdong e Fujian e na cidade de Tianjin, de acordo com a agência Xinhua. O Ministério do Comércio já tinha anunciado em Dezembro que as três novas zonas seriam nestas localizações.
Cimeira com líderes de 15 países
L
íderes de 15 países, cinco dos quais europeus, participam na Conferência anual do Forum Boao, considerado uma espécie de “Davos asiático”, que decorre esta semana na ilha tropical de Hainan, sul da China. Aconferência, de quatro dias, começa na quinta-feira sob o lema “Novo Futuro da Ásia: Rumo a uma Comunidade de destino comum”. Além do Presidente e do primeiro-ministro da China, participarão líderes da Arménia, Áustria, Cazaquistão, Holanda, Indonésia, Malásia, Nepal, Qatar, Rússia, Sri Lanka, Suécia, Tailândia, Uganda e Zâmbia. O Forum Boao, que se assume como uma organiza-
ção não-governamental, foi lançado no final da década de 1990 por vários estadistas asiáticos para “promover a solidariedade e a integração económica” da região. Trata-se do continente mais populoso do mundo, com cerca de 4.500 milhões de habitantes, e um dos que regista maior crescimento económico. Em 2014, o Produto Interno Bruto da China e de sete outros países asiáticos cresceu acima dos 7%. À semelhança do World Economic Forum, que decorre anualmente em Davos, na Suíça, o Forum Boao propõe-se servir como “uma plataforma de diálogo” entre agentes políticos, empresários e académicos.
h artes, letras e ideias
14
C
onfesso que o Anjo Ancorado de José Cardoso Pires me provoca um sentimento de perplexidade. O que é ou afinal o que é que significa esta curta, breve e inconsequente história. Ela situa-se num registo tendencialmente inclassificável. Não é novela, não é conto e romance muito menos. Enfim, é considerada uma novela, mas não convence. Será talvez como uma parábola ou uma fábula como sugere António Tabucchi. Uma parábola de quê? Da solidão e da infelicidade como sugere o escritor ítalo-português? Talvez, mas eu seria antes levado a sugerir o vazio, mais do que a solidão. O mais evidente no Anjo Ancorado, e talvez que esta ancoragem seja para levar a sério e o título evidencie desde logo uma antinomia paradoxal, é o facto de na história nada acontecer. É verdade que acontecem coisas, mas a lógica da narrativa não as exige. Os factos não evoluem segundo uma relação de causa-consequência. Como se a vida tal como o anjo estivessem ancorados, isto é imobilizados, algures num sítio que não podemos investigar ou simplesmente ver. A história do peixe estacionado literalmente no fundo do mar é o paradigma homólogo desta história e a designação de anjo ancorado procura estabelecer um nexo eterno entre o alto e o baixo, o supralunar e o sublunar, mas sobretudo enquanto metáfora do ser e do nada. Todas as personagens são pletóricas de ser no seu universo privado e puros nadas relativamente aos outros. Voltemos ao anjo: Nada mais estranho que um anjo que não voa, que um anjo que resta ancorado, preso a um fundo. É estranho, mas eu enquanto leitor permaneci também preso, durante a leitura da “novela” à espera de que qualquer coisa viesse redimir as personagens, dar um sentido às suas vidas, mas nada, tudo permanece desligado e sem conexão. Todas as personagens possuem uma característica, nada as liga a nada, a começar pelo casal que de carro atravessa a grande velocidade aquela aldeia, mas não se sabe nem se percebe para quê. Tudo é redundante, aliás inexplicável, incompreensível. O leitor assiste a tudo de longe e permanece até ao fim toldado por uma bruma onde precisa de fazer esforço para se aperceber dos factos, não dos
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fichas de leitura*
Manuel Afonso Costa
O ser e o nada Cardoso Pires, José, O Anjo Ancorado, Moraes Editores, Lisboa, s.d. Descritores: Literatura, Vazio, Solidão, Infelicidade, Portugal, Miséria. Frustração. 218 p.:19 cm
A 2 de Outubro de 1925, nasceu José Cardoso Pires em São João do Peso, no concelho de Vila de Rei, na parte beirã do Pinhal. Frequentou o Liceu Camões e a Faculdade de Ciências onde, porém, nunca se viria a formar em Matemáticas. Em 1945 alistou-se na Marinha Mercante, mas também não foi muito bem sucedido nesta actividade tendo acabado por se tornar jornalista. A dada altura tornou-se director das Edições Artísticas Fólio onde promoveu alguns escritores nacionais e estrangeiros que marcaram a literatura do século XX. O Delfim, é geralmente considerado a sua obra-prima. Faleceu em 1998 e repousa no Cemitério dos Prazeres em Lisboa. Do conjunto da sua obra destaco a novela O Anjo Ancorado de 1958, o ensaio de 1960 intitulado A Cartilha do Marialva, O romance O Hóspede de Job de 1963, em homenagem ao irmão falecido em acidente de aviação militar, o livro de crónicas na antecâmara da morte De Profundis, Valsa Lenta e finalmente o aclamado romance A Balada da Praia dos Cães de1982.
factos em si mesmo mas do sentido desses factos e desses acontecimentos. É verdade que Cardoso Pires explora, de uma forma contudo pouco retórica, e ainda bem, contrastes profundos, entre a miséria da população do lugar e aquelas duas personagens que parecem não ter nada a ver com eles. De facto não têm, mas a duas personagens citadinas também possuem pouco, pois o que possuem são apenas os confortos próprios da sua classe e estatuto. Apetece glosar aqui uma expressão já tornada popular: são afinal muito pobres pois apenas possuem muito dinheiro. São afinal todos pobres, as personagens deste texto, donos porém de pobrezas distintas e muito diferentes. Tendo em conta o inferno social em que vive a população de S. Romão, poder-se-ia falar através daquela travessia do carro luxuoso até ao mar, numa simbólica descida aos infernos, mas convenhamos, é uma descida aos infernos muito suave e sem drama. A não ser que o drama, e seria mais um elemento ideológico a ter em conta, de grande modernidade neste caso, quer dizer o inferno, seja verdadeiramente o outro, a sua indigência, acoplada, porém, ao vazio do mesmo. Finalmente, se há tensão social e romanesca, e há, ela é da ordem da frustração, do não concretizado, do que se deveria dizer e não se diz, do que deveria acontecer e não chega a acontecer, enfim de um universo de intrigas potenciais e de desenlaces, contudo inviabilizados pela indolência, pela incompletude ou até pelo esquecimento. Começa-se mas não se acaba, uma conversa, um objectivo, uma intenção, pois outras coisas incompletas, outras ideias interrompidas vêm à tona da água para se afogarem rapidamente também. São tão inesperados os aparecimentos, como os desaparecimentos, as vontades expressas como a desistência delas. Nada faz sentido, nada possui um telos, um escopo, ou sequer uma direcção. Neste sentido o Anjo Ancorado é de uma inesperada modernidade, e, confesso, chega a ser perturbador. *No quadro da colaboração de Manuel Afonso Costa com a Biblioteca Central de Macau-Instituto Cultural, que consiste entre outras actividades no levantamento do espólio bibliográfico da biblioteca e na sua divulgação sistemática, temos o prazer de acolher estas “Fichas de Leitura” que, todas as quintas-feiras, poderão incentivar quem lê em Português.
artes, letras e ideias 15
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António Graça de Abreu
Poemas de Du Fu 旅夜書懷
Pensamentos de uma noite em viagem
細草微風岸
Nas ervas da margem, a carícia suave da brisa,
危檣獨夜舟
a barca solitária, o mastro alto na noite,
星垂平野闊
caem estrelas na vastidão da terra,
月湧大江流
nasce a lua, corre o grande rio.
名豈文章著
Serei um dia famoso entre os poetas?
官應老病休
Velho e doente, o mandarim afasta-se,
飄飄何所似
vogando, vogando ao sabor do vento,
天地一沙鷗
uma gaivota na areia, entre céu e terra.
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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 8/P/15 - Obra de Remodelação da Unidade de Cuidados Intensivos
AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.
Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.
2.
Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento.
3.
Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.
Localização dos terrenos: - Avenida de Guimarães, n.ºs 95 a 179, Rua de Seng Tou n.ºs 281 a 559, Avenida de Kwong Tung, n.ºs 490 a 550 e Rua de Bragança n.ºs 208 a 500, na Ilha da Taipa (Edifício Urbanização da Nova Taipa – Fase 1).
Aos, 6 de Março de 2015. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição
Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 6/P/15 para o «Fornecimento e Instalação de um Sistema de Mamografia Digital aos Serviços de Saúde», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 9, II Série, de 4 de Março de 2015, foram efectuadas rectificações às “Especificações Técnicas” e prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 3.º do programa do concurso, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e rectificações encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente, na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar, e também estão disponíveis no
website dos S.S. (www.ssm.gov.mo) e que foram juntos ao respectivo processo. O prazo para entrega das propostas no âmbito deste concurso público, foi alterado das 17,45 horas do dia 2 de Abril de 2015 para as 17,45 horas do dia 9 de Abril de 2015. A data de abertura das propostas foi alterada para o dia 10 de Abril de 2015, pelas 10,00 horas, na sala do «Auditório» situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto ao C.H.C.S.J. Serviços de Saúde, aos 20 de Março de 2015.
Assine-o Telefone 28752401 | Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo
www.hojemacau.com.mo
O Director dos Serviços Lei Chin Ion
1. Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. 2. Modalidade de concurso: Concurso Público. 3. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. 4. Objecto da Empreitada: Realização da Obra de Remodelação da Unidade de Cuidados Intensivos. 5. Prazo máximo de execução: 140 (cento e quarenta) dias. 6. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 (noventa) dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. 7. Tipo de empreitada: A empreitada é por Série de Preços. 8. Caução provisória: MOP 222 000,00 (duzentas e vinte e duas mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, aprovado nos termos legais. 9. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço Base: Não há. 11. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. 12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 4 de Maio de 2015 (Segunda-feira), até às 17:45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. 13. Local, dia e hora do acto público: Local: Sala do «Auditório» situada junto ao Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora: Dia 5 de Maio de 2015 (Terça-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 27 de Março de 2015 (Sexta-feira), às 15:00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. 15. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP 118,00 (cento e dezoito patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: Preço razoável Qualidade do equipamento Programa de execução da obra Programa de trabalhos Prazo para execução da obra Experiência em execução das obras Integridade e honestidade
45% 10% 15% 5% 5% 15% 5%
17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.o andar, a partir de 25 de Março de 2015 (Quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 18 de Março de 2015 O Director Lei Chin Ion
(f)utilidades
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tempo
períodos
de
c h u va
Cineteatro
Cinema
min
17
max
20
hum
70
-98%
•
euro
8.7
baht
0.2
cinderella [a]
Filme de: Kenneth Branagh Com: Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Hoje
the divergent series: insurgent [c]
Rota das Letras – Rota das Escolas, com Xi Chuan Colégio Anglicano de Macau, 10h00
Sala 3
lost and love [a]
(Falado em mandarim) (com legenda em chinês e inglês) Filme de: Peng Sanyuan Com: Andy Lau Tak-wah, Jing Boran, Sandra Ng Kwan Yue 14.30, 16.30, 21.30
Filme de: Robert Schwente Com: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet 14.30, 16.45, 21.30
the divergent series: insurgent [3d] [c]
1.2
Rota das Letras – Sessão de Cinema “No divã” e “A poética de António Victorino D’Almeida”, com Miguel Costa Auditório do Consulado Geral de Portugal, 18h00
run all night[c]
Filme de: Robert Schwente Com: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet 19.15
?
yuan
O que fazer esta semana
Sala 1
Sala 2
17
Filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson,Joel Kinnaman, Common Ed Harris 19.30
Apresentação da obra “Macau no Quartel de Oitocentos”, de Jorge Arrimar Sede da Casa de Portugal em Macau, 18h30 Entrada livre Exposição de Fotografia de Erwin Olaf (até 8/05) Casa Garden, 18h00 Entrada livre
Amanhã
Rota das Letras – Rota das Escolas, com Wang Anyi e Wong Bik-wan Colégio Santa Rosa de Lima, 10h00 Rota das Letras – “Escrever para o New York Times: a voz de Murong Xuecun nos EUA” Edifício do Antigo Tribunal, 18h00 Apresentação de livros: Prémios Novela de Macau Edifício do Antigo Tribunal, 19h30 Apresentação da obra “Macau no Quartel de Oitocentos”, de Jorge Arrimar Sede da Casa de Portugal em Macau, 18h00 Entrada livre
Aconteceu Hoje
Concerto da Orquestra de Macau “Obcecado com Beethoven” Teatro D. Pedro V, 20h00 Bilhetes entre as 80 e as 100 patacas
26 de março
Entra em vigor o Tratado de Schengen • A 26 de Março de 1995, entra em vigor o Tratado de Schengen, uma convenção entre países europeus que estabelece a livre circulação de pessoas e mercadorias no espaço geográfico da Europa, sem obrigatoriedade de apresentação de passaporte. Também neste dia recorda-se Beethoven, compositor alemão que morreu a 26 de Março de 1827. O acordo original que deu origem ao tratado foi rubricado no dia 14 de Junho de 1985, por cinco países: Bélgica, França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda. O tratado adoptou o nome de Schengen porque foi rubricado bordo do barco Princesse Marie-Astrid, próximo de Schengen – localidade luxemburguesa que se situa na fronteira entre França e Alemanha. Estes dois países, juntamente com Itália e Dinamarca, estão precisamente na primeira linha da revisão do tratado, que entrou em vigor a 26 de Março de 1995. A imigração em massa, por parte de pessoas provenientes do Norte de África, suscitou a revisão do acordo de Schengen, tendo em vista a reposição de fronteiras em condições excepcionais. Assinala-se neste dia a chegada dos primeiros prisioneiros femininos a Auschwitz, na Polónia, em 1942, durante a II Guerra Mundial. A 26 de Março de 1953, Jonas Salk anuncia a criação da vacina contra a poliomielite e também neste dia, em 1991, rubrica-se o Tratado de Assunção, que cria o Mercosul. A 26 de Março de 2000, Vladimir Putin é eleito Presidente da Rússia, exactamente no mesmo dia em que o Papa João Paulo II visita o Muro das Lamentações, em Jerusalém.
João Corvo
Sábado
h oje h á f i l m e whiplash Damien Chazelle (2014) “Whiplash”. Título da música que abre o filme de nome homónimo, esse gigante do cinema que acaba de vencer 3 Óscares para o Melhor Actor Secundário – com J. K. Simmons a desempenhar o papel de um professor histericamente dedicado e com métodos de ensino duvidosos –, Melhor Edição de Filme e Melhor Edição Musical. Miles Teller é Andrew, que por sua vez é uma das personagens mais bem construídas em termos de expressões faciais e vontade. Os sons transportam-nos ora para um cenário musical de jazz do mais mágico que há, ora nos mandam contra a parede do descontentamento e do falhanço. O som que as baquetas, a bater levemente e sem querer nos pratos, emitem. O bater da sola dos sapatos no chão de um palco de teatro. Aquele momento em que a primeira gota de suor cai ruidosamente no chão. Tudo isto e muito mais é exacerbado e levado ao expoente máximo. Se é o primeiro que narra a história de um músico? Claramente que não. No entanto é, na minha opinião, inédito em termos de forma, seja pela mudança acelerada dos planos da câmara ou pelo facto de ser simplesmente viciante. Isso ou eu só gosto mesmo muito de jazz. Por essa razão, deixo aqui aquela que é uma das melhores músicas do género jamais criadas. - Leonor Sá Machado
fonte da inveja
Gosto da expressão “estou vivo” porque diz tudo.
Rota das Letras – Escritores Gourmet: Cozinha Macaense e Portuguesa em Macau Edifício do Antigo Tribunal, 15h00 Rota da Letras - Lançamento do livro “Regra de Três – III Livro de Contos e Outros Escritos do Festival Literário de Macau” Edifício do Antigo Tribunal, 16h30 Rota das Letras – Retratando Cidades: Xangai e Macau na Literatura Edifício do Antigo Tribunal, 18h00
Domingo
Rota das Letras - Sessão de Cinema: “ Filme do Desassossego”, de João Botelho Cinema Alegria, 16h00 Bilhetes a 30 patacas Rota das Letras – Sessão de Cinema: “Os Maias”, de João Botelho Cinema Alegria, 20h00 Bilhetes a 30 patacas
Diariamente
Rota das Letras - Feira do Livro (até 29/03) Edifício do Antigo Tribunal Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos MGM Macau Entrada livre Exposição “Nihonga Contemporânea”, de Arlinda Frota Fundação Rui Cunha Entrada livre Exposição de Sândalo Vermelho (até 22/03) Grande Praça, MGM Entrada livre
opinião
U
m ex-colega meu, chinês natural de Macau, falava-me de quando em vez de algumas experiências que teve durante uma estadia de seis meses em Portugal, onde tirou um curso de Língua Portuguesa através de um desses intercâmbios que por alturas da transição apareciam dia sim, dia não. Uma das coisas que mais o surpreendeu durante a estadia no nosso país (que diz ter adorado) foi a facilidade com os portugueses mandavam para trás uma “bica” que considerassem estar “mal tirada”. Não sendo ele um aficionado da nossa versão do café Expresso, ou qualquer outra, olhava para esta cena numa perspectiva económica, e ficava a matutar em como era possível que um estabelecimento comercial colocasse a satisfação do consumidor à frente do seu lucro – não generalizando, é claro, mas temos a noção de que fazer o mesmo em Macau era considerado como uma ousadia, um ultraje. “O senhor está a gozar comigo ou quê? Se quer outro, paga!”. E pouco lhes importa se acabou o primeiro que pediu, ou se não o fez por ser intragável, e a única maneira de lhe darem razão era se tiver um insecto a boiar na chávena. E ainda era olhado com desdém, possivelmente sem um “obrigado, volte sempre” na hora de pagar e sair. Pode-se dizer que para nós, portugueses, a “bica” é um bem de primeira necessidade, tanto ou mais que o pão ou o leite. De acordo com números referentes ao ano de 2012, cada português bebia em média 2,5 “bicas” por dia, o que equivale a milhões de doses diárias, portanto pouco importa que não entrem em caixa os trocados de uma ou duas delas mal tiradas. Em Portugal quando se trata da
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Leocardo
Bem tirada, faz favor Jim Jarmusch, Coffee and Cigarettes
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“bica”, o cliente tem sempre razão, mesmo que continuemos a primar pela cordialidade e pelo bom senso, preferindo não insistir quando é notório que se está a “chover no molhado”. Por isso dificilmente se vê alguém a mandar para trás duas bicas de seguida – mesmo que a segunda esteja ainda pior que a primeira. Pode ser que se confunda este comportamento com resignação, ou mesmo falta de coragem de se impor com firmeza no momento de exigir um produto com qualidade, mas aqui a situação requer uma espécie de ponderação, da racionalização daquilo que o lado mais primitivista do nosso ego poderá interpretar como uma afronta à dignidade. Após uma primeira reflexão, podemos concluir que a “bica“ mal tirada que foi posta à nossa frente e nos parece estar a chamar de “frouxo” alto e bom som, convidando a
pub
cartoon
um acto irreflectido de revolta com recurso à barbárie tem afinal uma outra razão de ser. Pode ser apenas defeito da máquina, e se for esse o problema com toda a certeza que será detectado e resolvido a tempo de salvaguardar o bom nome daquele estabelecimento. Pode ser ainda devido à inexperiência do empregado, que ainda não está habituado a tirar “bicas”, ou ainda não domina a técnica. Talvez seja músico por vocação e entenda mais de órgãos da Korg do que de máquinas de café da La Cimbali. Quem sabe se não queria estar ali a servir-nos a nós, que não conhece de lado nenhum, tratando-nos com uma deferência que não nos deve, e que nem consegue demonstrar condignamente, pois não está para aí virado. Se calhar a mãe é viúva e vive de uma pensão miserável, e está urgentemente necessitada de uma operação da
bairro do oriente qual depende a própria vida. E tantas vezes tudo que temos para lhe dizer são inanidades do tipo “ó maçarico, é assim que se tira uma bica?” ou “pedi uma italiana e trazes-me esta banheira? Olha que já tomei banho hoje”. No fim número de oportunidades que se dá um estabelecimento que desrespeite este ritual que mantém a maior parte da população activa de um país inteiro a salvo de um colapso fica ao critério de cada um, se lhe dá mais jeito em termos de localização, ou pode ser que nem se importe se a “bica” está bem ou mal tirada, e se fosse mais fácil injectá-la na veia, era isso mesmo que fazia. Tanta coisa que se pode aprender com uma simples chávena de café. Posto isto dou comigo a pensar como seria o mundo se em tudo o que fazemos usássemos os ensinamentos transmitidos pelo frequente consumo da nossa “bica” – a preocupação com a qualidade, os estímulos sensoriais, a tal ponderaçāo perante a contrariedade que é ser servido de duas “bicas” mal tiradas, tudo valências que poderiam ser aplicados noutras funções do nosso dia-a-dia. Os antigos gregos tinham a Academia, e nós temos o café da esquina, com a vantagem de que as proposições epistemológicas contidas na “bica” são literalmente absorvidas num ambiente de solitude, propício à mais profunda introspecção, ou quem sabe a produção de uma ideia que possa mudar de uma vez só o rumo das nossas vidas. Um exemplo? E que tal Fernando Pessoa, para ilustrar as possibilidades de uma simples “bica”? Só é pena que não se tenha chegado ainda ao equilíbrio ideal: mandar para trás a “bica”, e ao mesmo tempo tentar entender as razões pelas quais foi mal tirada, nascida imperfeita sem que lhe seja dada uma chance de nos poder vir a inspirar.
por Stephff
opinião 19
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Arnaldo Gonçalves
crepúsculo dos ídolos
A
s expectativas deste ano com a apresentação das Linhas de Acção Governativa eram elevadas. A fazer fé nas opiniões dos jornais e dos analistas, elas saíram frustradas já que o que se ouviu na apresentação do relatório inicial não acrescentou muito de significativo à avaliação que se conhecia da situação do território em termos económicos, sociais, políticos e conjunturais. Pelo que se percebe das entrelinhas do discurso de apresentação, o Chefe do Executivo escolheu uma postura defensiva perante a subida de expectativas que sucederam à mudança da equipa governativa que o coadjuvou, no primeiro mandato. Poderia ter optado por rasgar duas ou três linhas de mudança de estilo e de modo para o futuro, mas optou por não o fazer. Nos próximos meses iremos perceber se o fez por tactismo, se por não ter ideias concretas sobre como fazer, ou por acreditar que, daqui a um ano, terá no que chamou um ‘Plano Quinquenal da construção do Centro Mundial de Turismo e Lazer’, a chave da solução. Tem sido acentuado pelas primeiras análises críticas ao seu discurso na AL – e resumo-me à imprensa de Macau já que a ‘leitura’ da imprensa internacional é ainda desconhecida – a generalidade da abordagem, a ideia de continuidade face ao passado recente, a falta de metas concretas para aquilo que designou como as cinco prioridades para o ano de 2015: acompanhar as mudanças da conjuntura interna e externa; construir uma cidade com condições ‘ideais’ de vida e criar uma ‘vida com qualidade’; impulsionar a diversificação da economia; desenvolver medidas relativas à vida da população e à construção de uma sociedade ‘feliz’; elevar o nível de governação. É habitual nos programas de governo quantificar-se e particularizar-se, na medida do possível, as metas a atingir pelas várias medidas de política. Isso não se verifica naquilo que foi revelado. Vou deixar de lado a primeira prioridade que se afigura uma proficiência normal de quem planeia a nível de um país, cidade, ou região, para me centrar nos outros quatro pontos. Uma primeira ideia que se retira é a preocupação de justapor as principais orientações da acção do Governo às directrizes traçadas pelo Presidente Xi Jinping quando aqui esteve em Dezembro passado a empossar o Governo da RAEM. Há a mesma fraseologia grandiloquente, um estilo literário conhecido. A tónica subjacente é a ideia confucionista, presente em todos os escritos do filósofo e moralista chinês (que se sabe ser da predilecção do presidente da China), que o governo existe para trazer felicidade aos governados e estes para
Adam Ardekani and Matt DeSantis, Lemonade Stand
Macau 2015-2019: as LAG e a economia
compreender, aceitar e cumprir a acção do governo zeloso. A felicidade e a uma vida feliz são adjectivos mais próximos de uma dimensão ética da vida do que propriamente motores da acção de um governo, ainda por cima delimitado no tempo. Sobressai também a prioridade da diversificação da economia, objectivo que se tem repetido nas quinze Linhas de Acção Governativa com resultados que não são propriamente afirmativos e cujas razões têm feito a unanimidade de quem acompanha de perto a economia de Macau. No desenvolvimento da exposição, o Chefe do Executivo não deixou de salientar a relevância do sector do Jogo em termos de contributo para a economia da RAEM (350 mil milhões de patacas em 2014) e o facto de estar a assistir a um recuo significativo das receitas dele resultantes, no que Chui Sai On chamou uma tendência de ‘ajustamento e consolidação’ da indústria. Trata-se de uma questão semântica que corresponde à perda de receitas importantes advinda – como tem sido sublinhado por especialistas do sector – da deslocação de uma franja de jogadores
para outros países da Ásia, da diminuição das receitas do jogo de massas e dos efeitos da política de combate à corrupção no continente prosseguida pelo Presidente Xi Jinping no número de visitantes. Desconheço se há estudos independentes que possam dar uma previsão criteriosa da evolução das receitas dessa indústria, mas ficou-me a ideia que, apesar das novas infra-estruturas dos casinos no COTAI e do número maior de visitantes, as seis operadoras irão ter receitas mais modestas, adequadas ao que foi expectável aquando do início das concessões e subconcessões1. O que se viveu, no sector, na última década foi absolutamente anómalo e extraordinário, como todos já concordam. Não se repetirá. O saldo positivo da reserva financeira da RAEM (560 mil milhões de patacas) é importante, revela um esforço de acumular fundos para dias difíceis no futuro, mas haveria, na opinião de alguns economistas, de imprimir uma outra ginástica gestionária, para sem temeridade, rentabilizar esse fundo. Não se adiantam ideias novas nesse particular. Fica-se também com a ideia que a aproxi-
A ideia da diversificação económica é de aplaudir, em teoria, mas é de difícil aplicação na prática. Macau não tem um ambiente de inovação tecnológica que possa gerar sinergias para a atracção de novas indústrias ou negócios que aqui optem por se instalar. O arrendamento é caro, os custos de água e electricidade também, as facilidades de transporte totalmente dependentes de Hong Kong, o processo de contratação de mão-de-obra não residente moroso e dificultado por pressões políticas. O cenário é pouco menos que negro
mação entre o sector não-jogo e o sector Jogo, no capítulo das receitas, é mais uma questão de classificação orçamental do que outra coisa. Não se vê como as receitas oriundas dos hotéis e da restauração, bem como da construção civil, possam ser separáveis das receitas directamente imputáveis ao jogo, quando o fluxo dos visitantes tem um destino preferencial (os casinos) e as principais obras de construção civil foram do sector privado, logo da construção de estruturas complementares dos actuais casinos . Já quanto à diversificação industrial não se vislumbra, nas palavras do Chefe do Executivo, como a levar por diante. A primeira dificuldade é a falta de espaço disponível; a segunda a inoportunidade. A falta de terrenos tem sido identificada como impedimento para o crescimento sustentável da RAEM. Há alguma verdade nisso mas não estou certo que com novos aterros o problema fique resolvido ipso facto, o que ficará dependente da afectação sectorial dos mesmos. Quando à inoportunidade refiro-me ao facto de terem mudado significativamente os factores conjunturais externos que determinavam os cenários de desenvolvimento de Macau. A atracção de novas indústrias para Macau foi pensada quer pela administração portuguesa quer pela administração chinesa no quadro da diversificação do tecido industrial da República Popular da China, tirando partido das mudanças ali ocorridas. O que se assiste agora é à deslocação de indústrias de mão-de-obra intensiva da China para países vizinhos como a Birmânia, o Vietname ou o Laos. A razão é a perda de competitividade do factor ‘trabalho’. Mas na cauda desta migração não se tem verificado a instalação de indústrias de valor acrescentado oriundas dos Estados Unidos, da Europa ou do Japão. Elas estão, por diversas razões que será estulto aqui desenvolver, a regressar aos países de origem. Ponto final. A ideia da diversificação económica é de aplaudir, em teoria, mas é de difícil aplicação na prática. Macau não tem um ambiente de inovação tecnológica que possa gerar sinergias para a atracção de novas indústrias ou negócios que aqui optem por se instalar. O arrendamento é caro, os custos de água e electricidade também, as facilidades de transporte totalmente dependentes de Hong Kong, o processo de contratação de mão-de-obra não residente moroso e dificultado por pressões políticas. O cenário é pouco menos que negro. Veremos num próximo artigo as duas últimas prioridades: as políticas relativas à população e a melhoria do nível de governabilidade da Administração. 1 - Vide no período anterior The Economist “Macau’s Gambling Industry: a window on China’, 10.12.2011, in http://www.economist.com/node/21541417
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