Skip to main content

Hoje Macau • 2010.11.26 #2259

Page 1

pub

pub

pub

Agência Comercial Pico • 28721006

pyongyang tem tudo a postos para começar ataque páginas 2 e 3

tempo pouco nublado min 15 max 23 humidade 35-75% câmbios euro 10.7 baht 0.26 yuan 1.21

hojemacau Mop$10 Director carlos morais josé • sexta-feira 26 de novembro de 2010 • ANO X • Nº 2259

Air Queixas

Air Macau enfrenta dezenas de processos laborais

Mais de 70 queixas e processos por parte de pilotos da Air Macau estão a entupir os tribunais e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Os profissionais da única companhia aérea local acusam a empresa de negligência, de estar a pôr os voos em risco e de violar direitos laborais. Pilotos até já falam em partir em debandada, deitando por terra a continuidade das operações. >Páginas 6 e 7 pub

Herança portuguesa

Neto Valente aponta discriminação • P. 8

Encontro

Macau fica mais cheia de macaenses a partir de amanhã • Centrais

Assembleia Legislativa

Mão-de-obra importada aquece debate • P. 4


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

2

actual

Pyongyang está pronta a atacar de novo Seul

Norte em posição de ataque A Coreia do Norte declarou-se ontem pronta a atacar de novo a Coreia do Sul, e voltou a acusar o país vizinho de ter aberto as hostilidades. Em comunicado, a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), designação oficial do país, justificou que respondeu a um exercício militar organizado pela Coreia do Sul numa zona disputada no Mar Amarelo. “A RPDC, que preza muito a paz e a estabilidade na Península Coreana, está a dar provas de um autocontrolo sobre-humano, mas a artilharia das forças armadas da RPDC, que defende a justiça, continua pronta a disparar”, lê-se na nota oficial. O Governo norte-coreano voltou a afirmar ter efectuado disparos de “autodefesa”, que visaram a ilha sul-coreana de Yeonpyeong. Sul aumenta tropas

A Coreia do Sul revelou, em resposta, que vai aumentar significativamente a presença militar nas cinco ilhas do seu território que ficam na zona

marítima de fronteira com a Coreia do Norte, depois do ataque de artilharia feito por Pyongyang há dois dias que causou quatro mortos. O Governo de Seul anunciou também que vai rever a sua política de uso da força, face a uma barragem de críticas internas de que se tornou “demasiado passivo” perante as constantes “provocações” da desavinda vizinha a norte. A Marinha sul-coreana tentava ontem, de resto, defender a decisão tomada na terça-feira, quando as suas forças se mantiveram em guarda sob uma “chuva de fogo” durante dez minutos antes de retaliar às centenas de obuses disparados pela Coreia do Norte sobre a pequena ilha de Yeonpyeong, situada a apenas três quilómetros da disputada Linha de Demarcação do Norte, no Mar Amarelo, sobre cuja exacta localização Seul e Pyongyang não se entendem. Deputados da oposição e até alguns que pertencem ao partido do presidente,

Lee Myung-bak, acusaram as forças militares de terem agido de forma demasiado fraca e de terem demorado tempo demais a responder. Dois marinheiros e dois civis morreram no ataque nortecoreano, e dezenas de casas na ilha ficaram destruídas. Um dos responsáveis da Marinha, o tenente-general Joo Jong-hwa, ontem em visita a Yeonpyeong, sustentou que a demora foi de dez minutos e não de 15 minutos como antes tinha sido reportado. “Os soldados não fugiram e debaixo daquela chuva de fogo puseram o alvo em mira e começaram a disparar, o que nunca acontecera antes. Eles comportaram-se muito bem”, avaliou. O regime de Pyongyang sustenta, por seu lado, que estava a responder a tiros feitos pela Coreia do Sul nas suas águas territoriais, depois de ter já feito um aviso, por via telefónica, para Seul não avançar com um exercício naval e aéreo naquela zona nessa manhã. E avisou, entretanto, que tomará mais acções

bélicas caso a Coreia do Sul opte por prosseguir no que descreveu como “um rumo de provocação militar”, é relatado pela agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA.

Metade da população, o dobro das tropas

As forças armadas norte-coreanas dispõem quase do dobro dos efectivos do Sul, apesar do país ter cerca de metade da população. Numa rara descrição do poder militar na tensa e dividida península coreana,

um jornal chinês indicou que a Coreia do Norte dispõe de um exército com 1,19 milhões de efectivos e a Coreia do Sul apenas 655 mil. No número de reservistas, a desproporção é ainda maior: 7,7 milhões no Norte e três milhões no Sul, disse o China Daily. Segundo o mesmo jornal, na Coreia do Norte há 52 soldados por mil habitantes, enquanto que no Sul a relação é de 13 por mil. Relativamente a tanques, navios de guerra e subma-

Até onde vai a influência de Pequim sobre Pyongyang

China com a faca e o queijo na mão O ataque da Coreia do Norte pôs Pequim no centro da atenção da comunidade internacional. O incidente é histórico: foi o mais grave desde o final da guerra da Coreia (1950-53). Paul Stares, especialista do Council on Foreign Relations (CFR), considera que a China se encontra em posição privilegiada e que a influência de Pequim sobre Pyongyang - que pode travar os ataques à Coreia do Sul - possa servir de trunfo para reforçar o processo de aproximação diplomática e comercial aos países do Ocidente (que é já uma aposta clara de Pequim).

“A China pode usar o poder económico e recuar no fornecimento de matérias-primas e combustíveis à Coreia do Norte se o país não ceder, o que levará a um choque económico muito grave” avalia ao jornal “i” o especialista do CFR, Paul Stares, acrescentando: “Se a Coreia do Norte não ceder às pressões da China, em última instância, o país entra em colapso. E a China não quer ter refugiados a passar a fronteira nem instabilidade violenta.” Considerando a guerra cambial que a China trava neste momento com os EUA, o seu envolvimento no ataque de terça-feira era apontado como eventual pressão ao Ocidente. Os analistas discordam: “Não acredito que a China tenha estado envolvida. São consequências de outros acontecimentos, mas atribuir as culpas à China é, do meu

ponto de vista, levar uma teoria da conspiração longe de mais”, explica Julian Borger, jornalista do diário britânico “The Guardian”. Pequim recusa ter tomado qualquer partido no conflito peninsular. “A China espera que as partes relevantes façam mais para contribuírem para a paz e para a estabilidade da região [...] É imperativo relançar as conversações rapidamente”, disse ontem Hong Lei, porta-voz chinês dos Assuntos Exteriores, numa opinião que é partilhada por Stephen Bosworth, enviado especial de Washington para as negociações com Pyongyang: “Pedimos a todos os membros da comunidade internacional que condenem os actos da Coreia do Norte e que deixem claro que esperam que o país pare com todas as provocações e ponha

em prática os seus compromissos de desnuclearização.” Apesar de Pequim negar o envolvimento, o primeiro-ministro do Japão apelou à China para que use a “influência significativa sobre a Coreia do Norte” para reduzir a tensão na região. Também o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, alertou para o “perigo colossal” de que o primeiro ataque se possa alastrar nos próximos tempos e tome maiores proporções. “Os mercados internacionais estão sempre preocupados com a instabilidade nas fronteiras, e, por isso, a bolsa ressentiu-se imediatamente”, explica Paul Stares, referindo-se à queda dos mercados logo depois dos ataques. Além do reflexo nos mercados, Stares acredita que os ataques vêm também fragilizar o

rinos, a correlação de forças também é largamente favorável à Coreia do Norte. Quanto à força aérea, o China Daily indica que a Coreia do Sul dispõe de 490 aviões de combate, mas desconhece o arsenal norte-coreano, que possuirá sobretudo os antigos Mig de fabrico soviético. A outra grande incógnita norte-coreana diz respeito ao seu polémico programa nuclear. De acordo com o China Daily, a Coreia Norte já terá conseguido produzir cerca de 50 quilogramas de plutónio, quantidade considerada suficiente para fabricar seis a oito armas nucleares.ACoreia do Sul conta, por outro lado, com o permanente apoio dos Estados Unidos, que há mais de meio século tem cerca de 30 mil soldados estacionados no país. Ocupada pelo Japão em 1910 e dividida no final da segunda guerra mundial entre os Estados Unidos e a então União Soviética, a península coreana, no nordeste da Ásia, tem cerca de 220.500 quilómetros quadrados e quase 75 milhões de habitantes. Cerca de 50 milhões vivem na Coreia do Sul, que é hoje uma das 20 maiores economias do mundo, com um PIB per capita de 17 mil dólares – nove vezes mais que a Coreia do Norte.

processo de conversações que tem sido lento e moroso entre Pyongyang e o Ocidente. “Estes conflitos travam qualquer oportunidade de novas conversações. Tornam mais difícil qualquer oportunidade de negociação”, analisa. Manobras dos EUA preocupam

A China manifestou-se ontem “preocupada” com as manobras militares planeadas pelos Estados Unidos e a Coreia do Sul a partir de domingo. “Opomo-nos a qualquer acção que prejudique a paz e estabilidade na península coreana”, disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hong Lei. Segundo fontes norte-americanas, os exercícios navais conjuntos com as forças sul-coreanas já estavam programados antes dos confrontos de há dois dias, mas a coincidência é vista em Pequim como um factor susceptível de agravar a tensão na região.


sexta-feira 26.11.2010

Muitos deputados eleitos por via indirecta ou por nomeação, no conteúdo dos seus discursos, a maior parte das vezes, criticam as opiniões expressas pelos deputados eleitos pela via directa. Parece que esses deputados (eleitos por via indirecta ou nomeação) estão a falar em nome dos funcionários do Governo. Paul Chan Wai Chi, P. 23

Embora estejam incomodados com o comportamento errático da Coreia do Norte, os países que integram o Conselho de Segurança da ONU não prevêem uma reunião a curto prazo depois do bombardeio norte-coreano à Coreia do Sul. A prudência dos membros permanentes - Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha - reflecte a ausência imediata de uma resposta adequada ao bombardeio de terça-feira, destacam fontes diplomáticas. “Ninguém quer se lançar numa reunião sem estar preparado. Todos querem esperar. Os chineses estão a ganhar tempo, é verdade, mas todos os países querem esperar e reflectir”, disse um embaixador à agência AFP, a pedir anonimato. “Temos a impressão de ter utilizado todos os recursos e não sabemos como lidar com a Coreia do Norte. Todos dizem: reflictamos, tomemos o nosso tempo”, acrescentou. Na terça-feira, uma fonte diplomática francesa disse, em Paris, que faria uma reunião de urgência do Conselho de Segurança, mas nada do tipo aconteceu. Nenhum país pediu até ao momento uma reunião

3

Conselho de Segurança não tem prevista reunião sobre a Coreia do Norte

Ninguém quer dar palpite

do Conselho de Segurança sobre o bombardeio da Coreia do Norte. Funcionários internacionais entrevistados em Nova Iorque dizem temer que uma condenação do

Conselho de Segurança seja interpretada como uma forma de deitas achas à fogueira. “A China hesita e é normal. Divide 2000 quilómetros de fronteira com a Coreia do Norte

Conselho de Segurança sirva para algo e não que agrave a situação”, disse. “Há uma grande prudência de todas as partes, inclusive dos Estados Unidos.”

e não quer problemas com este país. Teme que a Coreia do Norte reaja de forma exagerada”, disse um dos diplomatas consultados.”Até os sulcoreanos ponderam. Querem que o

Situação “preocupante” mas sem alterações nas ruas da capital do sul

Seul não altera rotina com tensão A atmosfera nas ruas de Seul parecia ontem igual à dos outros dias, apesar de as Forças Armadas estarem “num grau de alerta muito elevado”, disse o embaixador de Portugal na Coreia do Sul, Henrique Silveira Borges. Contactado telefonicamente pela agência Lusa em Seul, o diplomata salientou que “não se vê qualquer alteração da vida normal” e “a própria Bolsa, que na terça-feira caiu, já recuperou”. “A população (sulcoreana) já interiorizou esta situação”, disse o embaixador português, colocado em Seul há quase quatro anos e que está também acreditado na Coreia do Norte. O embaixador português considerou que o perfil deste último incidente “é preocupante” e “muito difícil de explicar”, mas escusou antecipar a evolução. “É imprevisível. Tudo o que se possa dizer hoje pode ser desmentido amanhã”, afirmou.

www.hojemacau.com.mo

Portugal abriu a embaixada na Coreia do Sul por ocasião dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, e desde há alguns anos, o chefe da missão está também acreditado na Coreia do Norte. Henrique Silveira Borges apresentou as suas credenciais em Pyongyang

há dois anos, ao presidente da Assembleia Nacional Popular norte-coreana, Kim Yong-nam. 70 no sul, nenhum no norte

Cerca de 70 portugueses, a maioria quadros de grandes empresas, vivem na Coreia do Sul, mas não há nenhum na Coreia do Norte, revelou Silveira Borges. “É uma comunidade pequena, mas nos últimos anos triplicou e tem um ní-

vel de qualificação bastante elevado”, disse. Entre os portugueses residentes em Seul figura o treinador de futebol Nelo Vingada. “Também temos aqui um professor de Português, uma curadora de museu, uma investigadora científica e três padres”, referiu. Segundo disse, já houve um português a viver na capital norte-coreana, integrado num organismo da ONU, mas “agora, que se saiba, não há nenhum”.

pub

ASSEMBLEIA GERAL CONVOCATÓRIA Nos termos do Artº 34º, nº 1, al. b) dos Estatutos em vigor, convoco a Assembleia Geral Ordinária para reunir na sua sede, sita na Avenida Doutor Mário Soares, nº 25, 3º andar (4º piso) do Edifício “Montepio”, no próximo dia 17 de Dezembro de 2010, pelas 17H15, com a seguinte ordem de trabalhos: 1ª - Discussão e aprovação do Orçamento do Montepio Geral de Macau para 2011; e 2ª - Outros assuntos de interesse da Associação. No caso de não comparecer nesse dia e hora indicados, o número de associados mencionado no nº 1 do Artº 36º, considera-se desde já convocada nova reunião, que se realizará nos termos do seu nº 2 no mesmo local decorrida uma hora, com qualquer número de associados.

Montepio Geral de Macau, aos 19 de Novembro de 2010.

A Presidente da Assembleia Geral, Rita Botelho dos Santos


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

política

kahon chan

4

Questão da importação de mão-de-obra acende debate entre deputados

A trabalheira dos imigrantes Kahon Chan

info@hojemacau.com.mo

O secretário para a Economia e Finanças foi anfitrião no terceiro dia do debate sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG), que incidiu sobre a sua pasta, mas os deputados mostraram-se muito mais envolvidos na discussão do que Francis Tam. Ng Kuok Cheong sugeriu um “top-ten” dos trabalhadores imigrantes na indústria da hospitalidade, Fong Chi Keong propôs que as associações sindicais dirigissem a sua própria empresa de construção para provar um pouco do desafio, enquanto Kwan Tsui Hang disse que o público tem sido enganado para não dar importância às falhas do Governo em política de importação de mãode-obra. A deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) também pediu a Francis Tam que aprendesse com Singapura na promoção do jogo responsável. Quando o tema de debate recaiu sobre a política laboral, a Assembleia Legislativa (AL) revisitou a divisão vivida durante a leitura da Lei das relações de trabalho. O promotor Lau Veng Seng e o empresário da restauração Chan Chak Mo sublinharam ambos o desafio das pequenas empresas para conseguirem trabalhadores

imigrantes, sugerindo que a taxa de desemprego tem aumentado por causa de muitos candidatos a emprego que recusam oferta atrás de oferta, na sua busca incessante por melhores empregos. Lau criticou também o Gabinete de Recursos Humanos pela lentidão na aprovação de quotas de importação, mas o empreiteiro Mak Soi Kin alega que o gabinete tem agilizado o processo ultimamente. Todos solicitaram uma atribuição de quotas de importação de trabalho mais rápida e razoável para as pequenas e médias empresas (PME) em Macau. Em resposta, Francis Tam garantiu que o Gabinete de Recursos Humanos iria notificar os candidatos sobre as aprovações dentro de um período máximo de dois meses. Do outro lado, os deputados da FAOM e da Associação Novo Macau Democrático não deixaram cair a sua luta pela defesa da protecção dos postos de trabalho para os trabalhadores locais. Ng Kuok Cheong apresentou uma lista dos “dez hotéis com mais trabalhadores imigrantes” na sua mesa em frente a Francis Tam e perguntou porque é que a indústria hoteleira ainda tinha de continuar a recrutar estrangeiros para dobrar lençóis quando Tam sabe muito bem que existe equipamento para ajudar os trabalhadores locais a realizarem a mesma tarefa. Tam revelou então

a sua visão sobre o negócio da hospitalidade, ao pedir aos empregadores que maximizassem o potencial da mão-de-obra local e tratassem bem os trabalhadores locais antes de pedirem quotas de estrangeiros. Considerando a disputa sobre o problema do trabalho “interminá-

afirmou, levantando a questão: “Quando se trata de aprovar ou não, são os procedimentos lentos que causam o arrastar do processo, mas não sei porque é que algumas pessoas culpam as objecções das associações sindicais por isso. Se rejeitarmos isso, não haverá mais do que 70 mil trabalhadores migran-

Ng Kuok Cheong apresentou uma lista dos “dez hotéis com mais trabalhadores imigrantes” na sua mesa em frente a Francis Tam e perguntou porque é que a indústria hoteleira ainda tinha de continuar a recrutar estrangeiros para dobrar lençóis quando Tam sabe muito bem que existe equipamento para ajudar os trabalhadores locais a realizarem a mesma tarefa vel e sem resultados” e que “afecta a harmonia social”, Fong Chi Keong chegou mesmo a exigir do Governo que providenciasse um fundo para que os que “insistem em criticar” pudessem dirigir a sua própria empresa de construção, para que percebessem como é difícil manter uma firma de pé. Kwan Tsui Hang, da FAOM, quis que os deputados mantivessem a discussão apontada para o mesmo tema. “Espero que nos possamos acalmar para que o debate encontre a raiz do problema”,

tes. Não somos anti-estrangeiros”. Kwan esteve a ponto de revelar um caso de abuso de trabalhadores imigrantes por um fornecedor de alimentos no mês passado, incidente que terá sido encoberto pelo Governo, mas exigiu ao Executivo que identificasse e punisse os empregadores que desrespeitassem as leis do Governo. Jogo responsável no combate ao vício

Mas o primeiro problema levantado por Kwan foi o do jogo res-

ponsável, uma vez que cada vez mais trabalhadores dos casinos são afectados pelo vício do jogo, devido controlo ineficaz entre os operadores de casinos, enquanto a promoção aos casinos tem pressionado cada vez mais os residentes locais, havendo por outro lado a falta de uma base de dados partilhada de jogadores problemáticos para um programa efectivo de auto-exclusão. A deputada considera que o Governo deveria fazer leis mais rígidas para mudar as coisas. “Vamos falar de Singapura, onde as leis são feitas para regular o jogo. Eles limitaram a entrada dos locais nos casinos e estabeleceram uma ordem de auto-exclusão. Estamos em branco nessa matéria”. E continuou: “Singapura também recruta muitos trabalhadores migrantes, mas haverá lá assim tantos problemas? Secretário, recomendo que leve a sua equipa numa excursão a Singapura para aprender sobre regulação do jogo comercial e sobre importação de trabalho.” A opinião de Kwan foi partilhada por um director do City of Dreams, que foi orador num seminário sobre jogo responsável em Agosto e alertou: até que isso se torne lei em Macau, será pouco prático para os operadores de casinos lançarem medidas efectivas para travar o jogo problemático.


Discriminação a contratar trabalhadores pode levar a multa de 50 mil patacas A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) está a promover um campanha para sensibilizar os patrões a não importes barreiras na contratação de funcionários devido a questões discriminatórias, como a idade. Segundo o organismo, a Lei das Relações Laborais de 2008 prevê que tratar um candidato ou trabalhador de forma discriminatória pode ser punido com multas que vão de 20 mil a 50 mil patacas. A DSAL alerta que a discriminação pode apenas ser aplicada na ausência de um requisito justificável, como a falta de formação para determinadas funções. O Governo também pediu que sejam os média a fiscalizar, em parte, o bom cumprimento da lei: “Chamem a atenção dos clientes que pretendam publicar anúncios de recrutamento fixando limite de idade para os candidatos a emprego”.

O lado poético de Francis Tam Kahon Chan

info@hojemacau.com.mo

Fong Chi Keong e Au Kam San não costumam concordam mutas vezes, mas ontem ambos encontraram um ponto em comum: transformar Macau num destino internacional do turismo de lazer. Fong questionou o que falta ao território para torná-lo um paraíso na terra, enquanto Au exortou o Governo a fornecer planos concretos para incentivar os investidores a darem um passo mais largo em frente. Houve ainda preocupação sobre a construção de blocos da indústria cultural, mas Francis Tam defendeu-se a dizer que não era da sua tutela, já que esse é um assunto com o carimbo da Cultura. Macau está classificado como um destino turístico de topo no que toca o lazer no plano no plano de desenvolvimento da Região do

Delta do Rio das Pérolas, publicado pelo Governo central no final de 2008. Mas o empresário e o representante da Associação Novo Macau não conseguiram perceber as razões que levaram a ideia saltar para último plano no relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2011. “Como o secretário entende o posicionamento? Por que Macau está no topo da lista de destinos turísticos de todo o mundo? Estamos a perder a nossa direcção no trabalho se os nossos objectivos não estão claros”, apontou Fong Chi Keong. Au Kam San considerou que era compreensivo que o Governo de Fernando Chui Sai On deixasse essa lacuna nas suas primeiras LAG. Mas não tolera que o ponto tenha sido ignorado uma vez mais, facto que considera “alarmante”. “Analisar o que deveria estar expresso neste objecto é importante,

porque precisamos de assinalar as nossas vantagens e deficiências. Sem esta reflexão, a meta imprensa nesta último relatório das LAG não passa de um slogan.” O democrata realçou ainda que é para o bem do território encontrar o que está em falta e pode ser aperfeiçoado. Além disso, segundo explicou, haveria o benefício de reunir esforços não governamentais e investimento estrangeiro para tapar os buracos. O secretário para a Economia e Finanças passou à poesia e referiu que Macau está “localizada num espaço geograficamente privilegiado, banhada pelas bonitas paisagens entoadas por montanhas e rios que a rodeiam com um clima agradável e ainda com a herança de uma longa história marcada pela convivência das culturas oriental e ocidental”. Para Francis Tam, essas são as condições básicas que levam

pub

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

N.º 330/2010

Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se PHAN THI MY HANH ex-trabalhadora nãoresidente da sociedade “Melco Crown Hospitalidade e Serviços, Limitada”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 4145/2010, proveniente do acidente de trabalho em que a notificada foi vítima. Mais se comunica que nos termos da alínea a), n.º 2 do artigo 103.º do aludido Código, o procedimento é extinto quando por causa imputável ao notificando este esteja parado por mais de seis meses. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 17 de Novembro de 2010. O Chefe do Departamento, Raimundo Vizeu Bento

www.hojemacau.com.mo

5 Kahon Chan

Deputados questionam definição de destino turístico de topo

sexta-feira 26.11.2010

o território a ser um destino turístico de eleição, a somar à indústria do jogo. O responsável pela pasta da Economia e Finanças reconheceu, no entanto, que o território ainda precisa de factores “atraentes, diversificados, diferentes e de nível”, pontos que ainda devem ser melhores explorados para promover a essência cultural. Indústrias culturais

Fong Chi Keong levantou ainda dúvidas sobre a capacidade da região em transformar a cultura e a criatividade numa indústria. “Há o hábito em Macau das pes-

soas nunca fazerem perguntas e apressarem-se para fazer tudo. Se o Governo oferece financiamento, tenho receio de que os ignorantes lancem-se em negócios ‘criativos’ para apanhar o barco”, constatou. O deputado acredita que o Executivo deve definir as regras do jogo o quanto antes, aperfeiçoando o conceito de indústria cultural, definição “vital” para este processo. Francis Tam não quis dedicarse ao tema e remeteu a questão para Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, que na semana que vem irá à Assembleia Legislativa para a sessão de perguntas.


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

6

sociedade

Pilotos da Air Macau têm processos na DSAL e em tribunal contra a companhia aérea

Asas do descontentamento Conflitos laborais entre a Air Macau e os seus pilotos têm colocado em risco a segurança dos voos. Os profissionais queixam-se de abusos, que vão desde o não pagamento de feriados à privação do descanso mínimo. Mais de 70 queixas estão neste momento nas mãos dos tribunais e da DSAL Gonçalo Lobo Pinheiro info@hojemacau.com.mo

‘Wet-leasing’, feriados, descanso mínimo, insegurança e salários não competitivos. São estas as principais preocupações dos pilotos da Air Macau que têm bombardeado os tribunais e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) com processos e queixas contra a companhia aérea e prometem continuar. “A paciência está a esgotar-se caso a situação não se altere”, revelam, sob anonimato. Segundo o Hoje Macau apurou, existem cerca de 20 casos a decorrer em tribunal e outras 50 queixas já deram entrada na DSAL – alguns deles concluídos sem resultados práticos. Fonte conhecedora destes processos garante ao nosso jornal que esta é uma questão muito complexa. “Estamos perante um caso de esclavagismo moderno que relembra o caso STDM. Descanso, feriados e férias é mentira na Air Macau”, diz. “O problema da Air Macau é o problema de muitas empresas de Macau que pensam estar acima da lei em relação aos seus trabalhadores. Em Macau, não se cultiva o valor da pessoa humana e a Air Macau é pródiga em fazer asneira”, relata a fonte. Os pilotos andam descontentes e desiludidos com aquilo que consideram ser infracções aos direitos laborais, principalmente nos últimos dez anos. “Parece-me que a Air Macau não está a ver muito bem as coisas. Lembrou-se de poupar dinheiro com o sector mais sensível da companhia”, diz um dos pilotos ouvidos pelo Hoje Macau. “É preciso ir ao cerne da questão. A RAEM tem um grave problema que é a falta de profissionais qualificados. E nós, pilotos, somos pessoas qualificadas e com muitos anos de experiência. Tanto o Gover-

no como a Air Macau não estão a lidar bem a situação. Adivinha-se uma factura muito cara para a companhia”, afirma. As reivindicações são muitas. Primeiro o ‘wet-leasing’ contratualizado com a Air China para Pequim. Na aviação, ‘wet-lease’ é um contrato em que uma companhia aérea disponibiliza o avião e os pilotos, efectua a manutenção e suporta o seguro da aeronave (ACMI - Aircraft, Crew, Maintenance and Insurance), recebendo, em contrapartida, o pagamento pelas horas efectuadas por parte da companhia operadora. Este processo acontece na Air Macau como acontece noutras companhias espalhadas pelo mundo. Até aqui tudo bem. O problema, dizem os pilotos, é a forma como o contrato está celebrado. “Este ‘wet-lease’ é uma vergonha e é a principal causa do abandono dos pilotos. A Air Macau não se pode esquecer que antes da Air China existe um contrato de exclusividade com o Governo de Macau, que obriga que os aviões fiquem no

Morte anunciada Em Abril deste ano, a empresa Viva Macau ficou proibida de voar depois do Governo ter cancelado a licença de operador e dos seus dois aviões terem regressado à empresa de leasing com que trabalhava. O fim mais que anunciado da companhia ‘low cost’ aconteceu quando da sua dissolução em Setembro. A gestão da Viva Macau disse, na altura, estar a ser vítima de um “acontecimento sem precedentes na aviação internacional”. Além da dívida ao Governo de 200 milhões de patacas, a Viva Macau enfrenta ainda uma dívida de 16 milhões de patacas à Air Macau e outra de 15 milhões de patacas ao fornecedor de combustível. Enquanto o processo por parte dos credores ainda decorre em tribunal, a Air Macau aguarda, actualmente, propostas de investidores que queiram retomar a licença de operador retirada à companhia ‘low cost’.

território para servir a população e isso não está a acontecer.” Além disso, como denunciam os pilotos, o contrato celebrado com a Air China – numa primeira fase por um ano mas já se contam três – obriga os pilotos locais a ficarem 11 dias em Pequim com gozo de folga lá, longe das suas famílias. “Há interesse da Air China na Air Macau, mas daí a atropelar direitos das pessoas vai um grande passo. A Air Macau tem obrigações cívicas e morais. Servir a população e dar condições aos seus trabalhadores. É inadmissível que se dê uma diária a um piloto no valor de 340 yuans que quase nem serve para comer uma refeição no hotel que ficamos”, confidencia um dos pilotos ouvidos. Os pilotos, de acordo com o que o Hoje Macau apurou, voam cerca de dez a 12 horas quando estão ao serviço do ‘wet-lease’. “Estamos a trabalhar como se fossemos longo curso e isso afecta a segurança dos voos. A companhia está ao serviço dos interesses financeiros de alguns ‘share-holders’”, acusa a mesma fonte. E se de segurança falamos agora, fonte conhecedora do processo revela que há aviões, que além de velhos, têm graves problemas de ferrugem nas suas fuselagens, o

que contraria gravemente um das missões da companhia macaense publicitada na sua página oficial na Internet - a “Air Macau deve alcançar os mais elevados padrões

“Estamos a trabalhar como se fossemos longo curso e isso afecta a segurança dos voos. A companhia está ao serviço dos interesses financeiros de alguns ‘shareholders’”, acusa um piloto da Air Macau de segurança e fiabilidade”. “Ninguém quer saber. Esquecem-se que o aeroporto fica perto do mar e que os aparelhos ficam com salitre. Não lavam nem mantêm os aviões. AAir Macau está sempre a pisar a linha no que às regras de aeronáutica diz respeito”, atira um outro piloto. Uma panóplia de queixas

Os pilotos enumeram dezenas de situações que a Air Macau

negligencia. O Manual de Operações de Voo, instrumento legal de operação da companhia, não é actualizado desde 1999. “Há erros que contrariam os Regulamentos de Navegação Aérea de Macau”, diz um piloto. Apontam também que “não existem critérios de recrutamento ou de promoção” e, amiúde, a empresa quer aviões no ar “a todo custo com pilotos novatos e em altura de tufões”. Outra queixa prende-se com o facto de serem abertos, de forma indiscriminada, na versão dos profissionais, de procedimentos disciplinares sempre que há alguma queixa. “O ridículo desta questão aconteceu quando um piloto da companhia quis fazer fotocópias de um manual de aperfeiçoamento técnico e teve um processo disciplinar que deu quase em despedimento”, conta uma fonte ligada a alguns processos. São queixas atrás de queixas. “A Air Macau tem de entender que tem uma massa de pilotos com muita experiência, mas infelizmente o pessoal está a ir embora porque não houve, entre muitas coisas, um regime de reforma pensado em nós. Aos 60 anos vou receber 1800 patacas por mês e, por isso, aos 50 anos alguns pilotos vão para a Europa para poderem ganhar mais e queriam cá ficar”, desabafa um dos pilotos ouvidos.


Ensino superior em exposição este fim-de-semana O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) abre hoje, pelas 15h, a “Exposição sobre o Ensino Superior de Macau 2010”, na Praça da Amizade, com o objectivo de mostrar aos alunos do secundário mais informações sobre a educação universitária do território. No total, dez instituições locais expõem os conteúdos dos seus cursos, as suas instalações e as iniciativas das associações de estudantes. Em simultâneo, o GAES irá proporcionar serviços de marcação de consultas sobre a orientação de prosseguimento de estudos. Durante o evento, serão distribuídas gratuitamente o “Guia de Macau para a admissão universitária, 2011/2012” que inclui as informações detalhadas sobre as configurações curriculares, as condições de acesso e as propinas das instituições de ensino superior de Macau.

Air Macau à lupa Frota

Quantidade Descrição

A321 Air Bus

7

Passageiros

A320 Air Bus

2

Passageiros

A319 Air Bus

5

Passageiros

A300-600R Freighter

2

Carga

•

Fundada a 13 de Setembro de 1994

•

Cria o programa de passageiro frequente a 1 de Fevereiro de 2005

• • •

Começa a voar comercialmente a 9 de Novembro de 1995

Conclui todas as certificações de ISO9001:2000 em 23 de Dezembro de 2005 Completa a IATA Operational Safety Audit (IOSA) em 30 de Março de 2009

Os profissionais no comando dos aviões também não conseguem perceber o porquê de descontos no salário para uma taxa profissional. “Para que serve? Tiram-nos do ordenado entre quatro a cinco mil patacas sem que saibamos para que serve esse dinheiro. É só para engordar os já gordos cofres do Governo?”, questiona um piloto. Cada vez mais a Ásia é um mercado apetecível para os pilotos. As companhias asiáticas querem mão-de-obra experiente para entrada imediata nos quadros e a Air Macau, segundo os pilotos, está a ignorar essa particularidade. “Todos os países asiáticos estão a precisar de pilotos. Somos um mercado apetecível. Há companhias em Pequim desesperadas que, por exemplo, pagam 20 mil dólares americanos por mês, isentos de impostos e com seis semanas ‘in’ e duas semanas ‘off’. Por cá, o Governo não quer saber de nós. Dá-nos um BIR e um cheque pecuniário, que agora até desceu o valor”, ataca um dos pilotos da Air Macau.

Os queixosos argumentam que o território está a deitar por terra os seus talentos dos céus. “A RAEM está a desperdiçar os recursos humanos na aviação. Nunca houve diligências para estabilizar as pessoas, mas a culpa não é só do Governo. A maior culpada é a companhia. Os problemas são gritantes entre os recursos humanos”, acusa um piloto. Salários desajustados é outra das preocupações. “Os pilotos de Macau recebem bem menos do que se paga no mercado da aviação. Sempre prescindimos de algumas regalias em prol da companhia porque gostamos de Macau e gostamos de servir a Air Macau, mas nestas condições não.” Este ano, a empresa prevê lucros superiores a 100 milhões de patacas. A situação desafogada, no

entanto, não dá alento aos pilotos. “Não recebemos nada, apesar dos lucros. A par disso, a maior parte dos contratos não é permanente. Assinam-se contratos atrás de contratos e só agora a situação parece estar a mudar com a entrada de algumas pessoas nos quadros”, afirma ainda outro piloto. Feriados com retroactivos

Ao contrário dos pessoal de terra, pilotos e tripulantes, não têm direito aos 16 dias de feriados oficiais decretados pelo Governo. Segundo um documento a que o Hoje Macau teve acesso, os feriados dados pela companhia “destinam-se apenas ao pessoal de terra”. “Na melhor das hipóteses conseguimos gozar alguns, mas o problema reside no facto de a Air Macau não pagar os feriados que se trabalham. É justo? Tentaram, por diversas vezes, fazer com que os pilotos prescindissem dos feriados a que têm direito. Neste momento, em vez dos 16 dias a companhia está a pagar apenas dez. Não queremos estas condições. O pessoal de terra é mais importante do que nós? Acho que todos têm direito por igual”, critica um piloto. “As pessoas perderam o medo e estão realmente a mexer-se. A Air Macau engana-se se pensa que andamos a dormir”, acrescenta.

“Todos os países asiáticos estão a precisar de pilotos. Somos um mercado apetecível. Há companhias em Pequim desesperadas que, por exemplo, pagam 20 mil dólares americanos por mês, isentos de impostos e com seis semanas ‘in’ e duas semanas ‘off’. Por cá, o Governo não quer saber de nós. Dá-nos um BIR e um cheque pecuniário, que agora até desceu o valor”, ataca um profissional As relações entre pilotos e companhia sempre viveram momentos conturbados. Contudo, a paciência dos trabalhadores está a ponto de esgotar-se. “Não há comunicação possível entre nós e a administração. Aliás, desde 2008 que as chefias não se reúnem com os pilotos e, segundo sabemos, o actual director de operações de voo, que nunca se preocupou connosco, está à procura de novo emprego”, confidencia um piloto. A Air Macau estará a levar a cabo uma política do “menor esforço” no que a contratação de recursos humanos diz respeito, numa atitude que os pilotos mais experientes consideram uma verdadeira afronta. “Andam a brincar com vidas humanas. Estão a meter pilotos com 200 e 500 horas de voo que anteriormente pilotavam hidroaviões. Depois metem nos cockpit’s duplas de pilotagem que têm um comandante sem experiência e um co-piloto igualmente na mesma situação, quando o recomendado é fazer o equilíbrio. Estamos a bater no fundo.”

sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

7 Os trabalhadores denunciam colegas no comando de aviões sem qualificações suficientes. “O último comandante promovido chumbou duas vezes no simulador e, recentemente, num voo para Pequim onde o presidente da companhia estava a bordo, os restantes passageiros negaramse a viajar com o comandante”, acrescenta a fonte. O caso Jara

Francisco Jara Carvalho é um ex-piloto que, depois de não ver renovado o seu contrato de trabalho, deu a cara com a pretensa de pôr cobro à “negligência” e “prepotência” por parte das chefias. Corria o ano de 2003 quando Jara classificou de “fraca e opressiva” a gestão de pessoal administrada pelo então director de operações de voo (DOV), o comandante Vicente Serafim. Jara Carvalho, com sete anos dedicados à companhia, quis denunciar a situação e, na altura, chegou a escrever uma carta ao Governo no sentido que este pusesse cobro ao clima de desconfiança que na Air Macau se vivia. O ex-funcionário lembrou, na carta que escreveu ao Executivo, que foi um dos pilotos durante a crise da gripe das aves a assinar uma carta a abrir mão do 13.º mês de salário. “Raramente dei parte de doente, três dias em sete anos. Nunca tive um atraso e nunca houve uma única queixa sobre o meu desempenho como piloto”, referiu na altura. O piloto, à data, questionou também alguns dos procedimentos da empresa. “Será que é benéfico para a companhia perder pilotos experientes? Todos estes pilotos estão agora em boas posições tais como instrutores, pilotos de testes , comandantes. Quanto custam estas atitudes, não só em custos directos de treino de novo pessoal, mas também na diminuição do nível de experiência, ficando os pilotos sujeitos a voarem com novatos, numa zona aérea afectada por vários fenómenos meteorológicos entre os quais tufões?”, escreveu. Aparentemente, e segundo os pilotos que o Hoje Macau ouviu, a situação mantêm-se. “Afinal no tempo dos portugueses era bem melhor. Os chineses queixavam-se mas vieram fazer igual ou pior”, confirmam vários pilotos. O Hoje Macau tentou por diversas vezes e por vários meios obter comentários da Air Macau à situação, mas a empresa nunca se mostrou disponível para tecer quaisquer tipos de explicações.


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

sociedade

8

Emissão de cartões de crédito cresce 5% em três meses Dados ontem divulgados pela Autoridade Monetária de Macau indicam que o número de cartões de crédito emitidos até ao final de Setembro de 2010 chegou a 402.715, registando um acréscimo de 5,08% relativamente ao trimestre anterior. Comparados com o ano anterior, os cartões de crédito em yuans registaram um acréscimo de 60,54%. O plafond total foi de 7,31 mil milhões de patacas, registando um aumento de 6,19% relativamente ao final de Junho de 2010. O crédito usado no período é de 2000 mil milhões e cresceu 12,50% relativamente ao trimestre anterior.

Neto Valente preocupado com as “forças” que querem destruir herança portuguesa

“A realidade não é feita do apagamento da história” António Falcão

info@hojemacau.com.mo

O advogado Jorge Neto Valente passa o aviso de que há forças na RAEM que querem destruir o equilíbrio instituído, que detém na sua génese a geminação portuguesa, tanto nas estruturas administrativas, como na orgânica de todo o território. À margem da inauguração da exposição comemorativa do 10.º aniversário da RAEM, “O Sucesso da RAEM, A Nova Imagem, Uma Herança do Passado”, no que era uma breve tomada de impressões, o presidente da Associação de Advogados de Macau aproveitou, para mais uma vez, colocar o dedo na ferida. O presidente da Associação de Advogados de Macau dá a conhecer as suas preocupações quanto ao futuro estável de certos pilares que têm regulado o rumo da RAEM nos últimos anos. Um futuro que não se vislumbra à grande distância, mas que surge no fôlego do quotidiano e que se enfrenta dia após dia como quem caminha numa corda sobre um abismo. Não foram referidos nomes, nem instituições. Neto Valente usa a terceira pessoa do plural. Há cerca de um mês, na abertura do ano judiciário, o advogado apontava as suas baterias à ineficiência do sistema judiciário e ao modo como se tem vindo a verificar “o aparecimento incontornável da nova cultura jurídica”, criticando no mesmo teor a Faculdade de Direito de Macau e a valência dos tribunais. Por sua vez, na mesma ocasião, Ho Chio Meng, o procurador da RAEM, usava o termo “sistemas vazios transplantados” aludindo à questão da “localização das leis” e “ao espírito e conteúdo próprios da cul-

tura jurídica de Macau”. Pegando nas palavras de Neto Valente, “temos de ir vendo como é que as coisas se passam”. Para si qual foi o momento mais marcante da curta história de dez anos da Região Administrativa Especial de Macau? Não me lembro de um momento só, houve muitos momentos importantes nos últimos dez anos. Naturalmente o estabelecimento da RAEM foi um momento muito importante. Do ponto de vista prático, do ponto de vista emocional, foi um momento muito marcante. Depois alguns receios que vieram a seguir ao estabelecimento da RAEM, nos dois primeiros anos. Houve aí alguma má vontade contra os portugueses que se sentiam discriminados, mas depois tudo isso foi abrandando. É difícil de fazer marcos, porque a maior parte das coisas passa-se com naturalidade e as coisas negativas também não aparecem de repente. Não há desastres, não há eventos que sejam marcantes negativamente. Agora, há ondas, mas isto faz parte da vida de Macau. Do crescimento... Sim, há ondas. Momentaneamente mais favoráveis, mais desfavoráveis. Penso que há alguns sinais de preocupação neste momento, e alguns sinais de discriminação, porque nem sempre aquilo que se diz coincide com o que se está a passar, embora haja das pessoas mais responsáveis uma preocupação de não fazer discriminações. Há na sociedade alguns

indícios que há pessoas, infelizmente algumas com relevo na sociedade, mas com pouca preparação, com pouca instrução com muita ignorância, pessoas que não conhecem nada de Macau e que talvez devessem ver esta exposição. Só lhes fazia bem, para ver se aprendiam alguma coisa com a história de Macau e com o passado, mesmo com o passado recente, e verem que Macau progride porque é especial e não é mais uma cidade no sul da China. E nesse aspecto acho que esta exposição pode ter alguma coisa a ensinar. A grande diferença sempre

é a presença portuguesa visível no território de Macau. A presença portuguesa, a presença da cultura portuguesa mas não só, porque os portugueses não têm só cultura portuguesa, é esta multiculturalidade que faz a diferença de Macau, que só não vê quem não quer ver. Muitas vezes porque pensam que os portugueses estão aí a tirar lugares a alguém. O que não é verdade. Até porque hoje em dia os portugueses têm um pequeníssimo relevo na administração, um relevo insignificante, e é visível para quem trabalha e para quem conhece Macau que os portugueses

que estão a trabalhar cá são muito úteis a Macau, e são úteis a toda a gente. Não estão cá só a trabalhar para si próprios. Refere-se em particular à área da Justiça? Não, refiro-me a todas. Onde oiço com muita preocupação algumas pessoas e eu atribuo isso à ignorância, dizer que é preciso mudar tudo, que está tudo mal, porque está desactualizado. Essas pessoas que dizem isso só mostram que nem sabem o que é que existe, não têm conhecimento nenhum da realidade de Macau, nem da situação ao nível das estruturas da administração. Da

“Muitas vezes porque pensam que os portugueses estão aí a tirar lugares a alguém. O que não é verdade. Até porque hoje em dia os portugueses têm um pequeníssimo relevo na administração, um relevo insignificante, e é visível para quem trabalha e para quem conhece Macau que os portugueses que estão a trabalhar cá são muito úteis a Macau, e são úteis a toda a gente. Não estão cá só a trabalhar para si próprios”

estrutura política, da estrutura feita pelas leis que estão em vigor e que eles não conhecem, mas que se sentem autorizados a denegrir e a dizer que não prestam porque são baseadas no passado. Deviam olhar para Hong Kong e ver que aí há muito mais cuidado em preservar o passado do que em Macau. O passado não são só os edifícios, os monumentos e o património histórico classificado pela UNESCO. Há muito mais do que isso e o facto de haver preocupação de dar continuidade significa que as pessoas têm em conta a realidade e a realidade não é feita do apagamento da história. O apagamento da história não deu bons resultados em lado nenhum, é sempre negativo. Como perspectiva a próxima década na RAEM? Não perspectivo. Vamos ver. Cada dia é um dia, temos de ir vendo como é que as coisas se passam. Como disse, há ondas. Há alturas em que as coisas parecem estar melhor outras em que parecem estar pior. E, portanto, temos de ver como se fazem esses equilíbrios e se há ou não há equilíbrios - e se há ou não vontade de manter esses equilíbrios. Ou se vencem as forças que querem destruir e não vêem que, quando destruírem a diferença de Macau, não fazem nenhum bem ao território nem à sua sociedade. São forças interiores ou exteriores? Forças interiores! Não há forças exteriores, no sentido de que o Governo central e os seus responsáveis sabem muito bem qual é a especificidade de Macau e o que é que faz falta e como desenvolver Macau. E nós, nem é sequer ao nível dos responsáveis máximos do executivo da RAEM, que também sabem, mas há muita gente em lugares onde não têm competência para estar, mas que se acham qualificados para dizerem tudo e nem vêem que o que dizem são grandes disparates.


Quarenta por cento dos alunos de Macau têm excesso de peso

sexta-feira 26.11.2010

Uma investigação sobre a alimentação escolar e o estado de nutrição dos alunos concluiu que 40% dos estudantes estão acima do peso, o que representa, segundo os Serviços de Saúde (SS), um problema de saúde pública. Para tentar minimizar o problema, o organismo lança, a partir de hoje e até 31 de Janeiro de 2011, um questionário online sobre a alimentação e a actividade física para crianças, de forma a que os pais possam fornecer orientações aos filhos. Os participantes que tiverem dez respostas correctas, participam num sorteio de vales com produtos infantis no valo de mil patacas.

www.hojemacau.com.mo

sociedade

Kahon Chan

9

Jon Lei, director do colégio

IAS tenta convencer pais da Areia Preta de que toxicodependentes são inofensivos

Cães que chutam e não mordem Kahon Chan

info@hojemacau.com.mo

Os pais dos alunos do Colégio Baptista da Areia Preta organizaram uma manifestação durante todo o dia de ontem contra a implantação de um centro de tratamento e administração de metadona a toxicodependentes em recuperação, mesmo do outro lado da rua em frente à escola. Sem manifestar a mínima intenção de atender ao apelo dos pais inconformados, o Instituto de Acção Social (IAS) sublinhou a necessidade de Macau em operar um centro de metadona e disse acreditar que os pais acabariam por se convencer de que os consumidores de drogas em tratamento com metadona eram inofensivos. A acção em que foi apresentada uma petição organizada pelos pais começou ontem de manhã, por volta das 07h00, com a intenção de só acabar antes de madrugada. A senhora Tang, mãe de duas alunas da escola secundária, mostrava-se preocupada com a perturbação que os consumidores de drogas podiam representar e defendia que o centro deveria ser instalado antes numa área mais afastada dos edifícios habitacionais. Mark Lee, estudante de 13 anos que assinou o seu nome no enorme pano branco exibido no protesto, contou que a escola havia informado os alunos de como a

metadona era usada para substituir as drogas nos tratamentos de toxicodependentes e mostrou-se também preocupado com o possível assédio por parte dos pacientes em reabilitação. Uma mulher entrevistada pela TDM sugeriu haver riscos causados pelos drogados que deambulam pelo parque adjacente ao proposto centro de metadona. Entusiasmo

Antes do fim das aulas da manhã, um anúncio público por parte da escola incitou os alunos a apoiarem a petição e a resposta foi entusiástica. Jon Lei, director do Colégio Baptista de Macau, declarou que a instituição de ensino apoiava a petição porque, com base na experiência de Hong Kong, era de prever que encontrar seringas passasse a ser comum entre as crianças do bairro, que se podiam magoar com as agulhas. A rejeição dos toxicodependentes até pode parecer uma contradição com o lema da escola – “Fé, esperança, amor” – mas Lei defendeu que a prioridade da escola era assegurar a segurança dos estudantes. “Na verdade, compreendemos que cada um tem as suas necessidades, mas há muita preocupação por parte dos pais. Precisamos encontrar um equilíbrio, mas há riscos quando um aluno pega uma seringa, por isso temos de fazer uma escolha”, afirmou o responsável, acrescen-

tando que a escola recomendou ao Governo que reabrisse o centro no Hospital São Januário, onde um projecto de remodelação forçou ao encerramento do centro ali existente, ou que implementasse um ponto de distribuição móvel numa camioneta, como a da biblioteca móvel. E ainda que, na pior das hipóteses, os pais e alunos do colégio tenham mesmo de aceitar a introdução do centro na vizinhança, Lei disse que seria necessário algum tempo para apresentar uma resposta de “contingência” para os estudantes, mas ao invés disso os moradores foram confrontados com a notícia sem qualquer consulta prévia. Explicações oficiais

Em comunicado, o IAS sublinhou haver 21 clínicas de metadona em Hong Kong e que não há suficientes em Macau. E que havia uma “opinião geral” de que uma clínica de metadona deveria situar-se dentro de um centro de saúde, para eliminar o efeito de rotulagem das pessoas e encorajar os viciados a se submeterem ao tratamento. “O IAS preocupa-se com as mesmas coisas que as pessoas [...]. A taxa de criminalidade caiu muito em Hong Kong, em vez de crescer. Por isso, o Governo de Macau irá levar a cabo a gestão efectiva necessária para reduzir a preocupação”, afirma o comunicado. “A maior parte

das pessoas e das associações de especialistas sabem da importância dos serviços de reabilitação de toxicodependentes, mas há um mal-entendido e o IAS irá continuar a educação pública para eliminar a preocupação.” O comunicado informa também que a entrada especial para a clínica de metadona estaria sempre vigiada por guardas de segurança e que a polícia reforçaria o patrulhamento. Apenas os toxicodependentes do bairro seriam encaminhados para ali tomar metadona, num processo que levaria cerca de um minuto, o que impediria os pacientes de andarem a deambular pelas redondezas. Durante a fase de testes, a clínica apenas estaria aberta em curtos períodos do dia. Em conferência de imprensa realizada ontem, o chefe do Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência do IAS, Hon Wai, sugeriu que seria injusto apenas consultar os residentes da zona, ou em contraste, todos os residentes que vivem longe da clínica estariam de acordo com a localização. Abordagem polémica

Autilização de metadona, enquanto substância de substituição para a heroína, é uma abordagem que continua a levantar algum debate uma vez que não garante a cura, mas sim um incentivo para que os toxicodependentes restabeleçam a

sua vida normal e aceitem posteriores terapias de reabilitação. Afastálos da heroína também mantém os viciados longe dos traficantes e de actividades criminosas para comprar drogas. O encorajamento, contudo, é muitas vezes considerado uma mera substituição por outra substância mais barata. Hong Kong lançou o programa em 1972 e taxa de criminalidade caiu nos primeiros dois anos de funcionamento – mas um estudo oficial apresentado ao Conselho Legislativo em 1996 sustentava que a relação era mera coincidência. Um estudo de avaliação em 2000 considerou que o programa de metadona tinha sido bem sucedido porque era a abordagem de reabilitação mais acessível e conveniente, apesar de também tornar o acompanhamento mais difícil. Tudo indica, no entanto, uma maior necessidade de estudos complementares para provar a relação entre a diminuição da criminalidade e o tratamento com metadona. A crescente popularidade das drogas psicotrópicas no início de 2000 mudou o padrão que se verificava no consumo de drogas e, em 2008, uma comissão de auditoria em Hong Kong sugeria que estava a ser gasto demasiado do erário público nos viciados em heroína, sendo que os jovens toxicodependentes já não estavam a consumir essa droga.


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

10 Marco Carvalho

info@hojemacau.com.mo

É a mais conceituada atleta macaense da actualidade e ontem não deixou créditos por mãos alheias, conquistando para as cores de Macau a quinta medalha no âmbito da edição de 2010 dos Jogos Asiáticos. Quatro anos depois de ter brilhado em Doha, na 15.ª edição do certame, Paula Carion voltou a somar bons resultados na segunda maior competição multi-desportiva do planeta, ao arrecadar a medalha no torneio de karaté, categoria de mais de 68 quilos. A lutadora, de 28 anos, derrotou a cazaque Gaukhar Chaikuzova por 7:4, no segundo combate que realizou em Cantão. Paula Carion estreou-se na 16.ª edição dos Jogos Asiáticos ao início da manhã, num combate que poderia ter valido à atleta macaense a presença na final da competição. Frente à malaia

desporto

Jogos Asiáticos | Macau conquista terceira medalha no karaté

Carion de bronze

Paula Carion

pub

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Reparação coerciva)

N.º 331/2010

Raimundo Vizeu Bento, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, manda que se proceda, nos termos do n.º 3 do artigo 9.º e do artigo 11.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho conjugados com os artigos 58.º, 72.º n.º 2 e 136.º n.º 2 do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, à notificação do transgressor do Auto n.º 309/0708/2010, de 12 de Outubro de 2010, o sr. JIN CHANGXIN, proprietário do estabelecimento de comidas “FOK TONG PAK IAN”, sito na Rua do Campo, n.º 153 a 157, edifício “NGAN FAI”, loja E, r/c e sobreloja, em Macau, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte ao da publicação dos presentes éditos, proceder ao pagamento do cúmulo material da pena de multa aplicada no aludido auto, no valor de Mop$60.000,00 (sessenta mil patacas), por prática das transgressões laborais previstas nas alíneas 1), 2) e 3) do n.º 1 do artigo 28.º, e punidas na alínea 3) do n.º 1 do artigo 85.º da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho, de 18 de Agosto, devendo ainda, nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do atrás citado prazo, fazer prova do pagamento efectuado. A cópia do auto, a notificação para pagamento das multas aplicadas e a guia de depósito deverão ser levantados, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo facultada a consulta do processo em causa, instruído por este Serviços. Decorridos os prazos, sem que tenha sido dado cumprimento à presente notificação, seguir-se-á a tramitação judicial, com a remessa do auto de notícia a Juízo. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 19 de Novembro de 2010. O Chefe do Departamento, Raimundo Vizeu Bento

Jamallia Jamaludin, faltaram argumentos a Carion para contrariar o favoritismo da adversária. O duelo entre ambas as atletas foi, ainda assim, equilibrado, acabando Jamaludin por vencer pelo magro parcial de 1:0. Ao final da manhã, a performance da atleta macaense transfigurou-se. Perante uma adversária não tão conceituada, Paula Carion quase só teve de saber gerir a ousadia da rival, impondo-se com alguma facilidade sobre Chaikuzova, num combate que valeu à lutadora do território a segunda medalha de bronze em outras tantas edições consecutivas dos Jogos Asiáticos. As posições mais elevadas do pódio na categoria em que Carion combateu ficaram nas mãos de Jamallia Jamaludin e da jordana Shath Manar. A atleta do Médio Oriente surpreendeu tudo e todos e levou a melhor sobre a malaia na final da categoria de mais de 68 quilos, depois de ter eliminado nas meias-finais

uma das principais favoritas ao ouro, a chinesa Tang Lingling. No tira-teimas com Jamallia Jamaludinfoi mais forte, derrotando a adversária malaia por 5:2. Com a subida ao degrau menos elevado do pódio e a conquista do bronze que lhe é inerente, Paula Carion igualou o feito conseguido anteontem por Pui Si Cheung e por Kuong Cheong Lei. Pui grangeou a terceira posição do pódio no certame feminino de kata. Kuong, por seu lado, brilhou na categoria masculina de + de 84 quilogramas, ao conseguir conquistar um lugar no pódio, depois de ter derrotado o chinês Li Peng no combate de atribuição do terceiro e do quarto lugares. Cinco medalhas para Macau

Depois do wushu, o karaté é a segunda modalidade a garantir retorno à delegação que representa as cores da RAEM na vizinha cidade continental de Cantão. Às três medalhas de bronze

conquistadas, Lao Un Ieng poderia ter juntado uma quarta na categoria feminina de atletas de menos 55 quilos caso tivesse levado a melhor sobre a sul-coreana Ahn Tae Eun no desafio que apontava ao lugar fundeiro do pódio. Lao não conseguiu evitar uma derrota pelo parcial de 4:2, deixando escapar o que poderia ter sido a maior distinção da sua carreira desportiva. O ouro foi ganho pela vietnamita Le Bich Phuong, que se superiorizou à japonesa Miki Kobayashi no desafio decisivo da competição. Em destaque nas piscinas de Cantão esteve também Choi Sut Kuan, que disputou a final feminina de saltos para a água a partir da prancha de dez metros. Apesar de ser uma das mais conceituadas atletas do território, Choi não conseguiu fugir ao último lugar da série, numa prova dominada pela República Popular da China e ganha por Hu Yadan. A delegação do país anfitrião continua, de resto, a dominar a 16.ª edição dos Jogos Asiáticos. A China já ultrapassou há muito a barreira das trezentas medalhas conquistadas, somando um total de 375 galardões, sendo que 180 são de ouro, 104 são de prata e 91 são de bronze.

Sul-americanos apoiam candidatura ibérica

Uma mãozinha com tempero A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) vai apoiar a candidatura conjunta de Portugal e Espanha à organização do Mundial de Futebol de 2018/2022. “Os 10 países da confederação estão de acordo em dar o voto à candidatura ibérica”, afirmou o secretário-geral do organismo, Eduardo Deluca, citado pela EFE, após uma reunião da comissão executiva realizada em Assunção, no Paraguai. A Conmebol vai estar representada na reunião do Comité Executivo, na qual será decidida a candidatura vencedora, pelo paraguaio Nicolás Leoz, pelo argentino Júlio Grondona e pelo brasileiro Ricardo Teixeira. “Temos a prioridade e o compromisso com Espanha de votar na candidatura ibérica para 2018”, referiu Deluca. O apoio sul-americano à candidatura foi solicitado pessoalmente em Março, pelo presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Angel Maria Villar.

Ao Mundial de 2018 concorrem as candidaturas conjuntas de Espanha e Portugal e da Bélgica e da Holanda, além da Inglaterra e da Rússia. A Comissão Executiva da FIFA anuncia às 15h de Lisboa de 2 de Dezembro, em Zurique, a atribuição da organização dos Mundiais de 2018 e de 2022, depois de as várias candidaturas fazerem a última apresentação na véspera e na manhã do dia decisivo.


Jogos Asiáticos | Um segundo lutador uzebeque acusa doping O lutador uzebeque de greco-romana Jakhongir Muminov foi o segundo atleta a acusar um controlo antidoping positivo nos Jogos Asiáticos de 2010, que decorrem em Cantão até amanhã. Mani Jegathesan, responsável pelo comité médico, confirmou que a despistagem realizada a Jakhongir Muminov, de 23 anos, revelou a substância proibida de metilexanamina, um produto frequentemente usado como descongestionante nasal. O uzebeque, que tinha sido eliminado nos quartos de final da categoria de -84 kg, foi desqualificado, tendo sucedido o mesmo na sexta-feira ao compatriota Shokir Muminov, de 27 anos, que foi obrigado a devolver a medalha de bronze conquistada por ter acusado a mesma substância.

Benfica | Goleada de 3-0 em Israel coloca em causa lugar do treinador

Adeus Liga dos Campeões, adeus Jorge Jesus Alguns membros da direcção não entendem opções e planeamento da temporada. E até no balneário há contestação O Benfica está fora da Liga dos Campeões depois de perder na noite de quarta-feira por 3-0 para o Hapoel. A viagem a Israel começou com o sonho da qualificação aos oitavos-de-final e terminou em pesadelo com a eliminação da Liga dos Campeões. O Benfica repetiu o que havia feito em seis ocasiões anteriores (1992, 1999, 2004, 2005, 2007 e 2008) e deixou fugir a hipótese de imitar os dois anos em que conseguiu atingir os quartos-definal (1995 e 2006). Pior: a derrota pesada em Telavive ante o Hapoel por 3-0, deixa os “encarnados” em risco de falhar a Liga Europa, luta pub

essa que será feita precisamente no ombro-a-ombro com os israelitas na derradeira jornada — na Luz com o Schalke. A equipa está em vantagem perante o Hapoel para a Liga Europa, mas só na última jornada, quando receberem o Schalke 04 em casa, se decidirá o futuro dos encarnados nas competições europeias. Uma péssima exibição coloca não só em causa o lugar dos campeões nacionais na UEFA como também o de Jorge Jesus à frente das águias. É que até no balneário há já quem discuta as opções do treinador que na temporada passada foi campeão nacional. O planeamento da temporada, os reforços (nomeadamente aqueles que entraram para fazer face às transferência de Ramires e Di María) e as opções em determinadas partidas, como na pesada derrota no Dragão (5-0), já foram

discutidas, quer no balneário quer mesmo em reuniões da direcção encarnada - exemplo disso mesmo a ausência do onze, no Dragão, de Saviola, que ontem, surpreendentemente, também foi sacrificado ao intervalo.

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, continua a manifestar o seu apoio ao treinador que se sagrou campeão nacional, mas a verdade é que também ele tem sido questionado sobre as opções de Jorge Jesus.

sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

11 Esses dirigentes que criticam Jesus entendiam, também, que a Champions poderia ser a tábua de salvação da temporada. Agora, com o afastamento, a continuidade do técnico está mesmo em causa. As águias, no entanto, também sabem que para despedir Jesus terão de desembolsar mais de cinco milhões de euros. E esse valor poderá travar as intenções da grande maioria da direcção. No final da partida, Jorge Jesus era a imagem da desilusão, considerando que a sorte não quis nada do Benfica em Israel: “Como temos mais de 20 cantos, cinco ou seis oportunidades de golo e perdemos 3-0? Construímos oportunidades atrás de oportunidades, mas não fomos compensados pela nossa ousadia e carácter. Fomos penalizados quando não merecíamos.” Os encarnados têm até ao momento 28 jogos oficiais e apenas dez vitórias, totalizando também oito derrotas. E aquela equipa da temporada passada, goleadora e muito forte a defender, também está longe da desta temporada: 28 golos marcados e 24 sofridos.


Comparações:

sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

12

cultura

IPOR lança concurso para a “nova” Livraria Portugu

São sete pontos que definem o aguardado convite do Instituto Português do Oriente para a “man sados na nova concessão da Livraria Portuguesa, encontrando um parceiro para o desenvolvim portuguesa e da leitura na região. Os princípios orientadores do acordo definem a atribuição da cialmente na área do livro, durante um período de cinco anos. Uma série de alíneas regem as obri é hoje publicado na imprensa portuguesa local.

Presidente do Conselho das Comunidades Macaenses levanta a cortina para o Encontro que une as comun

António Falcão

info@hojemacau.com.mo

Temos o novo Encontro das Comunidades Macaenses à porta, que se inicia amanhã informalmente na Escola Portuguesa num acto de boas vindas. As expectativas para este acontecimento que traz a Macau a sua diáspora são de continuidade, para um evento que se realiza pela quarta vez na era RAEM. Fizemos uma viagem com José Manuel Rodrigues, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses e do Conselho das Comunidades Macaenses, aos pontos de maior relevância para a comunidade local que tem bem patente a mistura da terra nas suas veias. A postura de José Manuel Rodrigues é de solenidade perante os desígnios de Macau e do seu Executivo. “Este é o 4.º Encontro sob os auspícios da RAEM com o apoio inequívoco do seu Governo”, avança. Inicialmente pensada para o Macau Dome a sessão inaugural vai pisar o ballroom do Hotel Venetian na tarde de domingo, acolhendo as cerca de 1500 pessoas que vão chegar de vários pontos do globo para abraçar a sua cidade natal. Não há ainda um valor para o orçamento total que tem como apoio maioritário o Executivo e algumas instituições privadas. Este é um evento “que atingiu a maioridade”, destaca José Manuel Rodrigues. “Quatro encontros em dez anos é qualquer coisa que tem muita importância junto da comunidade, atendendo que a realização é feita com um número reduzido de pessoas, mas extremamente empenhadas e com muito sacrifício.” Mais do que uma reunião

O acontecimento é mais do que uma necessidade para Macau e para as pessoas que deixaram o território e extravasa o desejo de reunião. É também uma vontade de voltar para ficar. “O interesse tem sido crescente e julgamos que será cada vez mais.” O fluxo de macaenses a abandonar o seu território reverteu-se e agora são mais aqueles quer procuram aqui um futuro. “As novas gerações têm manifestado interesse e têm vindo a regressar à terra dos seus antepassados, à procura de um emprego e de uma vida melhor”, relata o presidente da APIM, concluindo que “muitos querem regressar e muitos já regressaram”. Na verdade, é um processo sem

António Falcão | bloomland.cn

“Há que trabalhar para atrair as gera

restrição de idades, que “acontece em várias faixas etárias”. A diáspora foi-se fazendo ao longo dos anos em vários períodos distintos e para vários pontos do planeta. Hong Kong, Xangai, Portugal ou os continentes americanos. As guerras, os períodos de instabilidade e as condições económicas deram o impulso. “Foram fazer o serviço militar e também

durante a turbulência no período da revolução cultural”, aponta o responsável pela estrutura organizativa do Encontro, que se iniciou ainda na época do antigo governador Rocha Vieira, em 1993, e progrediu com mais fulgor para 1996. No entanto, tudo aconteceu muito antes das primeiras reuniões surgiram com as chamadas “Romagens de

A um dia do Encontro Confirmada está a presença do General Rocha Vieira, as questões do passado estão arrumadas e, pela primeira vez, a comissão organizadora endereçou um convite ao último governador português. “É uma presença que muito nos honra”, afiança José Manuel Rodriques, que dá também as boas-vindas a todos os participantes, não esquecendo o apoio dado pela RAEM. “Há duas figuras incontornáveis, uma é o Dr. Edmund Ho, sempre foi um homem que contribuiu imenso para o bemestar e se preocupou com a comunidade. Foi umas das pessoas que apoiou a consolidação deste encontro desde de que foi criada a RAEM. O actual Chefe do Executivo tem-nos apadrinhado desde a primeira hora.”

saudade”, de Macau para Portugal e de Portugal para Macau, que teve o seu auge nos anos 60. “Havia alguma intercâmbio periódico de macaenses de Portugal que por diversas razões tinham saudades do território e vice-versa”, recorda José Manuel Rodrigues. Apesar da transferência de soberania, o Executivo continuou o processo iniciado pelo último governador de Macau e não deixou de apoiar estas “romarias”. O que resultou da junção das pessoas e dos encontros realizados, agora ampliados com a integração do Conselho das Comunidades Macaenses, foi um fluxo de amizades “congregando as pessoas, criando um espírito de solidariedade pelo território entre as diversas comunidades macaenses espalhadas pelo mundo e esclarecendo-as sobre o que é de facto a Região Administrativa Especial de Macau”. Rodrigues não deixa escapar o resto da lição. “Macau neste momento é governado pelas suas gentes e temos o nosso próprio sistema que culmina com o desígnio “um país dois sistemas”. Nessas gentes que seguram o leme, os macaenses não deixam de estar em evidência. “Temos representantes ao mais alto nível nos órgãos políticos em Macau”, refere o presidente da APIM apontando alguns nomes: “o dr. Leonel Alves, deputado e membro Conselho Consultivo, o dr. Pereira Coutinho, deputado eleito por via directa”. Um facto que quer dizer “que temos gente competente e temos efectivamente pessoas que têm tido afirmação e apoio da população ou parte da população”. Hoje, e como sempre, a comunidade está espalhada pelos pontos fulcrais da sociedade, quer “no contexto politico como nas múltiplas áreas profissionais e culturais”. O interlocutor diz que “estamos representados em todas as áreas da actividade aqui em Macau”. É uma comunidade que nem sempre esteve unida, muitas vezes quando se discute ou quando se procura pessoas que possam comandar o som de uma só voz, como aconteceu durante as últimas eleições legislativas, durante as quais não foi encontrada uma solução consensual. “Há que trabalhar melhor”, diz José Manuel Rodrigues, explicando que “como em qualquer parte do mundo, quer em comunidades pelo mundo fora, quer a nível de partidos políticos, há sempre diferentes sensibilidades”. “O que é preciso é trabalhar para

que essas entidades não se choquem quando estão em causa questões essenciais. Isso temos de estar de acordo, temos de procurar alcançar um consenso.” Na divergência muitos são levados a pensar que não existe uma comunidade macaense, mas sim uma comunidade de macaenses, que engloba as várias facções. Velha questão

“Hoje em dia não podemos estar a classificar a comunidade ou identificar o que é ‘o macaense’ no contexto da RAEM”, exalta José Manuel Rodrigues. “Está fora de questão e é algo que não se coloca.” Referindo que qualquer um é livre de ter a sua opinião, caracterizando esse perfil, mas criar um padrão “é algo que não existe”. E voltamos à velha questão, a da identidade, que muitos se interrogam: o que é o macaense, afinal? Não é português, não é chinês e vive no confluir dessas duas correntes. Talvez essa a verdadeira razão da diáspora, Macau formou um cidadania mundial. O presidente do APIM não entra por essa porta. “Estamos em época de festa. O fundamental é termos abertura suficiente para estar solidários”. O macaense une-se também à volta de uma língua, que depois se transformou nos idiomas dos ritos da sua passagem. “A língua e a religião são duas características fundamentais”, salienta o entrevistado. Durante o impulso da história, a língua foi também um handicap. Aterrados na RAEM muitos dos macaenses não têm a compreensão plena dos dialectos chineses vigentes, e, sobretudo, da sua escrita, para as coisas do dia-a-dia. Há sempre uma saída. “Temos


uesa

nifestação de interesses” aos potenciais interesmento de estratégias para a projecção da língua a exploração da LP a empresas locais, preferenigações do futuro concessionário. O documento

sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

13

nidades espalhadas pelo mundo

ações novas”

de aprender”, continua José Manuel Rodrigues. “Já estamos há dez anos no contexto da RAEM, depois de 12 anos de transição, já são 22. São muitos anos”, exclama. E esta é uma questão fundamental para a continuidade da comunidade para o seu “contributo válido e útil em Macau depois do estabelecimento da RAEM”. Papel educativo e cultural

Realçando o seu “envolvimento no que se passa na sociedade”, a APIM nomeia o seu papel neste sector, com objectivos definidos e que se centram na educação e na cultura, participando de modo efectivo na Fundação da Escola Portuguesa e no ensino pré-escolar, onde em ambos os estabelecimentos já se deu “a iniciação da aprendizagem da língua

“O patuá é fundamental, não é a sua preservação, mas salvá-lo da sua extinção. Neste momento o alarme é grande, há o perigo eminente que dentro de cinco a dez anos possa desaparecer de vez”

(...) para dotarmos as novas gerações com uma formação já bilingue”. Às vozes críticas que enunciam que a APIM não é muito visível e que deveria fazer mais, a resposta é simples. “Fazemos o que é possível dentro do orçamento que temos, que como qualquer associação vive da generosidade do subsídio a ser atribuído pela RAEM. Questões importantes para esta associação, no apoio e defesa da sua cultura, são os desígnios da gastronomia e da nossa língua maquista.” “O patuá é fundamental, não é a sua preservação, mas salvá-lo da sua extinção. Neste momento o alarme é grande, há o perigo eminente que dentro de cinco a dez anos possa desaparecer de vez.” Este é o alerta que já toda a gente conhece. A solução passa pelo estímulo e dinâmica por parte das entidades responsáveis. Para José Manuel Rodrigues, tudo passa por uma sensibilização a nível internacional na tão falada designação como património intangível universal dentro da UNESCO. Condições que, segundo o seu responsável, a APIM apoia desde a primeira hora. Mas há mais planos na manga e várias vozes. Associação para o crioulo

Mais uma vez é preciso sincronizar as sensibilidades “com a maior urgência”. Já em plano avançado está a criação de uma associação que trate de todas as questões do crioulo “maquista chapado”. O projecto esteve para ser outorgado durante a semana do Encontro, mas foi adiado para “recolher mais opiniões e ter mais consenso”. A essência é que a associação possa representar num só clamor todos os discordes existentes. É também necessário haver pessoas que a falem, se não há pessoas que falem o patuá a língua morre. “Na nossa diáspora ainda há muita gente que fala bem”, aponta José Manuel Rodrigues. “Há que trabalhar para sensibilizar e poder de alguma forma atrair as gerações novas.” Esta é uma língua que passou por ser uma necessidade e que durante um longo período foi uma língua maldita, “proibida no Estado Novo”. Hoje em dia tornou-se a língua querida do território e “é um dos pilares da nossa entidade cultural”, conclui o presidente da APIM, prevenindo que não basta a boa vontade apenas, mas o fundo para trabalhar.

pub


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

14

ideias l u z de i n ver n o Boi Luxo

Tora no o o fumu otokotachi (The Men Who Tread on the Tiger’s Tail), 1945

Kurosawa, Akira

Este pequeno filme é baseado numa lenda que opõe militarmente dois irmãos, vítimas de intrigas palacianas: Yoritomo e Yoshitsune Este será certamente o mais famoso dos filmes menos conhecidos de Kurosawa. Deste lugar obscuro chega-nos, no entanto, uma luz intensa e simples. Penetra-se neste seu quarto filme sem ostentação e sem desejos de pompa e até talvez com uma hesitação que com o desenrolar do filme se dissipa com uma imensa doçura. Desenganem-se aqueles que pensam estar em presença de um objecto menor. Impedido de prosseguir um outro projecto mais ambicioso, que só retomará muito mais tarde, em 1980, com Kagemusha, simplesmente porque nesta altura do fim da segunda grande guerra se tornara impossível encontrar os cavalos necessários para uma cena de batalha, Kurosawa dirige a sua atenção para uma pequena peça de câmara, aparentemente inocente mas, afinal, cheia de significado. Este pequeno filme é baseado numa lenda que opõe militarmente dois irmãos, vítimas de intrigas palacianas: Yoritomo e Yoshitsune. Aqui tudo roda em torno de um breve momento de tensão. Sete membros de um clã, disfarçados de monges, precisam de passar uma barreira fortemente guardada por forças inimigas – como se pisassem a cauda de um tigre – para alcançar uma zona do país onde possam viver em segurança. Um dos monges é Yoshitsune, o irmão fugitivo, aquele a quem a lenda acabou por transformar numa figura de injustiçado e sobre o qual o público japonês, familiarizado com a lenda, dispensa uma infinita simpatia. Se nesta versão da estória o herói não é claramente capturado, o nosso conhecimento da lenda obriga-nos a olhar para o filme com uma dolorosa espectativa. Para nós, mesmo que no filme tal se não desvende, Yoshitsune, que pouco aparece, exibe a nobreza do injustiçado derrotado. É tudo feito de um modo certíssimo. Não queria que aqui o superlativo subtilíssimo

retirasse a esta peça o seu sopro trágico e simples. Quem conhecer melhor os filmes de Kurosawa não deixará de lembrar que esta propensão para retratar heróis sobre os quais se vem instalar uma sombra crepuscular se desenha em muitos outros dos seus filmes. Exemplos brilhantes serão Os Sete Samurais ou Yojimbo, ambos sobre o fim da era samurai ou ronin, Trono de Sangue (já aqui objecto de comovida atenção) ou os dois filmes que relançaram definitivamente o trabalho de Kurosawa para o reconhecimento internacional: Kagemusha e Ran. Em todos eles nos é dado a provar, cerimoniosamente, o sabor amargo do fim. O que neste filme provoca uma dor particular é precisamente a sua curtíssima duração e a sua concentração espacial - uma circunstância que o banha de uma imensa intimidade. Curioso que ele tenha nascido da impossibilidade de acabar um outro projecto que se esperava grandioso e pleno de estridências marciais, pleno dos movimentos e ruído que associamos a alguns dos filmes mais conhecidos do Kurosawa guerreiro e ventoso. Aqui não há estandartes ao vento, o galope dos cavalos sobre a terra molhada e macia ou, tão pouco, o zunido frio das flechas. Abra-se aqui um pequeno espaço para dizer que o filme foi concluído em 1945 mas, por razões várias que aqui não interessam, apenas foi exibido em 1952. A sua rodagem coincide com um momento nuclear da história do Japão moderno, a imagem perfeita do crepúsculo, a do anúncio radiofónico da rendição do país pelo imperador que deixou de ser deus. As cenas em que o grupo do irmão fugitivo (através especialmente das convincentes artes de Benkei, um dos seus vassalos), tenta

ultrapassar a barreira que Yoritomo instalara para o capturar é um conjunto de teatrais subentendidos. É este o núcleo do filme e a parte de que se desprende de modo mais simpático a sua impecável poesia. É nesta mais teatral das suas partes que se desvanece qualquer das nossas indecisões. É quase como a cena de amor no prado junto ao rio, em Ugetsu Monogatari, de Mizoguchi, um quadro que nos leva a sofrer aquilo que no fundo, porventura, procuramos em alguns filmes: uma total deslocação. O Comandante da guarnição, Togashi, belo e bom, carrega no seu olhar a benevolência com que nós próprios olhamos para o filme. Togashi deixa finalmente passar o grupo para imediatamente se instalar outra suspeita por parte de um lacaio de Yoritomo - a de que um dos monges é, de facto, o próprio Yoshitsune. Mesmo que a estória seja conhecida percorre os espectadores um desconfortável calafrio. Não apenas pela instalação desta suspeita mas porque para que esta se desvaneça Benkei resolve-se a um acto de última barbaridade, contrário a toda a propriedade feudal: atreve-se a agredir repetidamente o seu Senhor. A partir daqui nada de bom pode vir a acontecer, a partir daqui resta deixarmo-nos arrastar pela embriaguez e pela incredulidade. Chegamos, como tantas vezes em Kurosawa, a um ermo ventoso. Pouco interessará se esta estória é sobre a fidelidade que os vassalos devem aos seus senhores feudais ou a actualidade que um voto dessa natureza possa ter hoje em dia (ou ao tempo a que o filme foi realizado). Interessará talvez mais perceber que passados 65 anos este filme mantém (o mesmo não acontece com outros filmes deste autor) uma fibra impecável. Parte da perenidade da sua elegância provirá do que ele vai buscar

ao teatro. A falha de expressão facial que encontramos em vários membros do grupo que acompanha Yoshitsune, assim como em outras figuras, é um traço da peça Kabuki que representa esta estória (uma peça chamada Kanjincho, por sua vez baseada numa peça Noh chamada Ataka). Essa imposição de silêncio é que dá a esta pequena representação parte do seu peso. É um lugar onde a forte emotividade que percorre estas cenas não nos é transmitida através dos rostos e dos gestos e onde a recusa da sua exibição ainda mais fortemente no-la faz pressentir. É a anulação da expressividade num lugar carregado de emoção que mais fortemente a transmite. A par deste silêncio acresce o silêncio e o apagamento quase total daquela que é a figura central deste pedaço da história, Yoshitsune. Junta-se a este rigor, no entanto, e num efeito de total contraste, a histrionice do carregador que acompanha o grupo fugitivo, aqui interpretado por um conhecido actor cómico cujo estilo é o resultado da fusão de variadíssimas influências (inclusivamente ocidentais) e cuja presença alivia o filme de uma propensão excessiva para a inexpressividade. A esta combinação entre o tom de uma peça que se quer grave e o tom popular para que aponta a interpretação do carregador, não serão estranhas tendências que o cinema japonês exibe desde muito cedo e que se têm mantido até hoje como são a do nonsense (nansensu mono) e a do slapstick. Aqui funciona na perfeição e esta dimensão cómica nada retira à severidade com que se deve seguir esta estória. Este é um dos primeiros sopros vitais deste realizador incompreendido a quem se regressa sempre, e este é um daqueles filmes em que uma subtil sugestão cerimoniosa se insinua de modo cada vez mais forte sempre que a ele se volta.


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

15 Foi por isso que foram criados líderes, para unificar o povo.

Capítulo 125 Lao Tzu disse: Em tempos antigos, aqueles que se erigiram em senhores e reis não o fizeram ao serviço dos seus próprios desejos. E, os sábios que rejeitaram estatuto, não o fizeram em nome do seu conforto pessoal. Tal sucedeu porque os fortes de entre o povo oprimiam os fracos, porque as maiorias violavam as minorias, os ardilosos enganavam os ignorantes e os poderosos invadiam os fracos. E sucedeu também porque os que dispunham de conhecimento não ensinavam e aqueles que tinham acumulado riqueza não a partilhavam. Foi por isso que foram criados líderes, para unificar o povo. E, como a consciência de uma pessoa é incapaz de dar atenção a tudo, foram criados oficiais para assistir os soberanos. Uma vez que estados diferentes, com costumes divergentes, não partilhavam os benefícios comuns, foram criados representantes para os educar. Assim, o céu, a terra e as quatro estações reagiram [em harmonia]. Os oficiais nada faziam de dissimulado e as nações não perdiam vantagens; os que tinham frio eram agasalhados, os famintos eram alimentados, os idosos e fracos eram tratados e os cansados descansavam e todas as coisas eram tidas em conta. Shen-hun era esquálido, Yao era emaciado, Shun era negro de fumo, Yu era calejado, I Yin se tornou cozinheiro para servir a nação, Lu Wang brandiu uma espada para ajudar a destronar um tirano, Pai-li Hsi foi vendido como escravo, Kuan Chung foi sujeito a restrições, Confúcio não tinha fuligem na sua chaminé, Mo Tzu nunca se sentava tempo suficiente para aquecer seu assento. Estes homens não trabalharam como trabalharam por desejarem dinheiro ou posição; quiseram trabalhar para o desenvolvimento daquilo que aproveitaria ao mundo e na eliminação daquilo que feriria o povo. Nunca ouvi falar de ninguém, de imperadores a plebeus, que tivesse esperado receber o que lhe era necessário sem ter trabalhado ou sem ter ponderado seriamente todas as coisas.

Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online em www. gutenberg.org.


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

Ideias

16 per s pecti va s Jorge Rodrigues Simão

Democracia e ambiente “World War III has already begun, according to environmental activist Dave Foreman. In this struggle of humans against the earth, he says - there are no sidelines, there are no civilians.” Environmental Justice: Creating Equity, Reclaiming Democracy Kristin Shrader-Frechette

s

erá que numa democracia elegemos pessoas que nos representam e nos podem conduzir a um futuro de progresso e desenvolvimento sustentável? Existem dois pontos a considerar quanto a esta ideia e que não constitui a defesa de regimes ditatoriais e repressivos. As verdades cantadas e declamadas por Giorgio Gaber não são ouvidas, quando existem eleições. O primeiro ponto é óbvio que os políticos não nos representam. Se o fizessem, mais de metade seriam mulheres e outros proviriam de minorias visíveis, desde trabalhadores engravatados do sector terciário, os antigamente denominados de “white collars”, construtores civis, etc., na proporção directa do seu número. Os políticos, de facto, provêm de uma forma desproporcionada, do direito e da actividade empresarial. Isto desvia as preocupações governamentais para os temas jurídicos e económicos. Vivemos num mundo em que os assuntos dominantes são a engenharia genética, informação, telecomunicações, destruição ecológica, alterações climáticas, globalização, energias alternativas, robótica, entre muitos outros, que são criados e serão resolvidos por aplicações da ciência e da tecnologia. No entanto, a maioria dos políticos, em especial os da área de humanidades e os empresários, desconhecem os termos científicos e por tal apresentam dificuldades em avaliar as recomendações científicas e tecnológicas dos seus conselheiros. Assim, é impossível sermos conduzidos para o futuro, retrocedemos ao invés. O segundo ponto, refere-se à forma como criamos subdivisões burocráticas para gerirmos os nossos assuntos, não fazendo qualquer sentido em termos ecológicos. As fronteiras nacionais dos países são em geral geométricas, que são formas que têm pouca afinidade com os limites geofísicos das bacias hidrográficas, dos lagos e dos rios, do sopé dos montes e do cume das montanhas. Não é possível orientar as águas, o ar ou os seres vivos, como se adaptassem às jurisdições humanas. O maior receptáculo de água doce do mundo, são os “Grandes Lagos”, que abastecem cerca de trinta e sete milhões de pessoas. Usamos água nos transportes, na pesca, nas

actividades de lazer, na indústria, na agricultura, no saneamento básico e para beber. As leis que regulam a água, são administradas pelos competentes serviços da Administração Pública, correspondente às utilizações humanas de cada país, que possui os seus próprios requisitos e prioridades. Assim, a água não é tratada como um simples sistema ecológico. Os Estados Unidos e o Canadá, arrebataram os “Grades Lagos”, e por isso existe uma Comissão Conjunta Internacional (International Joint Comission-IJC). Todavia, existem duas províncias canadianas e oito estados americanos que também bordeiam os “Grandes Lagos”, e dezenas de municípios, entre os quais, se contam as cidades de Chicago, Detroit e Toronto. Estes feudos burocráticos humanos, impedem a cooperação e a partilha que são necessárias a uma estratégia abrangente de protecção dos “Grandes Lagos”. Estas são apenas algumas verdades sagradas. Se quisermos combater a magnitude e a gravidade da crise ecológica global e reconhecer a necessidade de uma alteração profunda, teremos de identificar as falácias implícitas nas nossas convicções, para vermos o mundo a uma luz completamente diferente. Só então, poderemos começar a reavaliar o nosso lugar no mundo natural e a formular as melhores estratégias, para alcançar um futuro verdadeiramente sustentável. A União Europeia (UE) no âmbito do V Programa Comunitário de Acção em Matéria de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de 1992, revisto em 1998, criou novos instrumentos normativos para uma maior eficácia, tendo em vista a eliminação dos danos ambientais, como as avaliações de impacto ambiental, avaliações de ciclo de vida dos produtos, eco-auditorias para a gestão ambiental das empresas. A UE após, as primeiras revisões destas políticas e a constatação do seu fracasso parcial, estabeleceu uma nova estratégia que pretende cortar o mal pela raiz, quanto aos danos contra a saúde e o meio ambiente. As directivas comunitárias sobre veículos em fim de vida útil, resíduos eléctricos e electrónicos, ou o “Livro Verde da Comissão - Aspectos ambientais do Cloreto de Polivinila (PVC)”, seriam a sua concretização, por não apenas regularem a gestão final dos resíduos produzidos, mas também por criarem normas que obrigam a projectar e fabricar produtos, como veículos automóveis, aparelhos eléctricos e electrónicos, sem o uso de determinados componentes tóxicos e concebidos para facilitar a sua desmontagem e reciclagem.

PB

A maioria dos políticos, em especial os da área de humanidades e os empresários, desconhecem os termos científicos e por tal apresentam dificuldades em avaliar as recomendações científicas e tecnológicas dos seus conselheiros. Assim, é impossível sermos conduzidos para o futuro, retrocedemos ao invés Adentro destas estratégias mais holísticas, do tipo “berço ao túmulo”, existe a necessidade dos Estados-membros de criarem normas e procedimentos administrativos que facilitem a implementação das políticas ambientais comunitárias. Assim, conjuntamente com esta necessidade de integração, parece ser útil estimular

a transparência informativa e a plena participação dos agentes sociais, como mecanismo para a aplicação eficaz das normas e estratégias ambientais. Não existe país no mundo que aplique o princípio do poluidor-pagador de forma absoluta. A UE, Estados Unidos e Brasil, mais avançados que os demais países, encontram-se numa fase intermédia entre quem contamina paga e da contaminação evita-se, não se justifica. Nesse cenário foi aprovada a Directiva 96/61/CE, do Conselho Europeu, de 24 de Setembro de 1996, relativa à Prevenção e o Controle Integrado da Poluição (PCIP). Tratou-se do primeiro instrumento jurídico relevante da denominada legislação PCIP. O objecto e o âmbito de aplicação, conforme consta do artigo 1.º, são a prevenção e controlo integrados da poluição provenientes de um conjunto de actividades significativas (produtivas; produção e transformação de metais; indústria mineral; indústria química; actividades de gestão de resíduos, entre muitas outras), e a explicitação de um conjunto de medidas destinadas a evitar e, quando tal não seja possível, a reduzir as emissões das referidas actividades para o ar, água e solo, incluindo medidas relativas aos resíduos, de modo a alcançar um nível elevado de protecção do ambiente. Inicialmente, esta directiva só afecta uma parte das indústrias europeias (20500), e terá uma grande importância, dado prever que estas são responsáveis por 63 por cento dos danos ambientais na UE. A UE na consideração da política ambiental comum, vai progredindo com a criação de instrumentos jurídicos de protecção ambiental, muitos de difícil exequibilidade ao nível comunitário e de transposição, desenvolvimento, aplicação e cumprimento ao nível nacional. Apesar da complexidade do ordenamento jurídico comunitário, são exemplos que podem ser seguidos pelos demais países, principalmente os mais poluidores, e os cuja população não está educada e sensibilizada para as questões ambientais. Na actual crise ecológica sem precedentes é uma contribuição essencial para a nossa sobrevivência que implica a conservação do ecossistema global, o que significa que devemos conservar o melhor possível os ecossistemas naturais do mundo. Muitas espécies em particular as que pertencem aos quatro reinos não-animais, não precisam dos seres humanos para tomarem conta delas e nem sequer pestanejariam se amanhã nos extinguíssemos.


pub.

sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

17 Atribuição da exploração da Livraria Portuguesa em Macau

O Instituto Português do Oriente (IPOR), sediado em Macau é uma instituição portuguesa de cuja estrutura associativa faz parte o Estado Português, representado pelo Instituto Camões com 51%, a Fundação Oriente com 44%, estando os restantes 5% entregues a empresas da sociedade civil. O Instituto Português do Oriente (IPOR) tem, como vocação genuína e afirmação institucional, o ensino da língua portuguesa cuja articulação com a difusão da cultura portuguesa é essencial para o crescimento da presença portuguesa na Região. O IPOR é proprietário da Livraria Portuguesa (LP) que presta um serviço um serviço público de relevante interesse cultural e social sobretudo para a comunidade portuguesa de Macau e em prol da defesa da língua e cultura portuguesas na RAEM. A Livraria Portuguesa tem cumprido um importante papel de divulgação de autores portugueses e de outros países lusófonos, colaborando com as linhas de ação cultural definidas pela direção do IPOR e disponibilizando atempadamente as edições lançadas pelo IPOR, bem como edições locais. Por seu lado, o espaço da Galeria da Livraria Portuguesa tem sido utilizado para atividades culturais promovidas pelo IPOR mas também aberto à comunidade de falantes de língua portuguesa, o que resulta também numa maior divulgação das obras comercializadas. A Livraria Portuguesa tem estado concessionada à empresa AF – Amagao Publicações, Lda.. Contrato de Cessão que o IPOR dá por findo no dia 31 de dezembro de 2010, em comunicação apresentada ao cessionário a 28 de maio de 2010. Desejando manter a Livraria Portuguesa em regime semelhante, pretende o IPOR, por deliberação tomada na 50ª AssembleiaGeral, de 12 de julho de 2010 – através de uma manifestação de interesse – encontrar um parceiro que, compreendendo os objetivos da LP, não só os cumpra plenamente, como desenvolva estratégias

de projeção da língua e da leitura na Região, de acordo com os seguintes princípios orientadores: 1) A finalidade do processo consiste na atribuição da exploração da Livraria Portuguesa em Macau, sita na Rua de S. Domingos, nºs 16-18. 2) Reúnem as condições necessárias as empresas que pretendam desenvolver atividade cultural em Macau, preferencialmente na área do livro. 3) A cedência de exploração da Livraria terá a duração de cinco anos, renovável por iguais e sucessivos períodos, se nenhuma das partes o denunciar com um prévio aviso de 180 dias. 4) Constituem Obrigações do futuro cessionário, designadamente: a) Assumir o estabelecimento da LP com todos os pertences e com equipamentos e mercadorias, cujo estado, natureza e valor atribuído constam de inventário a ser disponibilizado em tempo útil. b) Manter em funções os trabalhadores atuais da Livraria, nas condições contratuais usufruídas à data da atribuição da exploração. c) Promover a divulgação do livro e da leitura em Macau, devendo apresentar propostas que se adeqúem ao objetivo. d) Promover, em especial, a divulgação dos livros e dos autores portugueses, bem como dos países de língua oficial portuguesa, devendo apresentar propostas que se adeqúem ao objetivo. e) Promover outras iniciativas culturais que potenciem o espaço da Livraria, designadamente o espaço utilizado para exposições, devendo apresentar as propostas das atividades a desenvolver ao IPOR. f) Disponibilizar, em curto período de tempo, as edições solicitadas pelos clientes da Livraria, com especial relevância para as obras de Autores Portugueses e obras de Direito. g) Assegurar, atempadamente, os livros escolares adotados pela

Escola Portuguesa ou para ensino do Português, assim como outro material didático comummente usado em Macau. h) Promover feiras do livro, pelo menos duas vezes por ano, com descontos que sejam apelativos para a aquisição de livros. i) Garantir a informatização dos títulos existentes, bem como um sistema de pesquisa de obras editadas no exterior, com especial relevo para a atividade editorial portuguesa. j) Demonstrar, sempre que seja solicitado pelo IPOR, a formação dos preços de capa praticados. l) Apresentar ao IPOR, no final do ano económico, um relatório circunstanciado das ações desenvolvidas, bem como o relatório e contas do exercício. m) Manter em bom estado de conservação as instalações e os fundos bibliográficos da Livraria. 5) As propostas devem conter informação detalhada sobre o projecto comercial e cultural do candidato a concessionário. O IPOR reserva-se o direito de pedir esclarecimentos adicionais às candidaturas seleccionadas. 6) As propostas devem ser apresentadas em português e devem ser entregues no Instituto Português do Oriente, na Rua Pedro Nolasco da Silva, nº 45, 1º andar, em Macau, até às 18 horas do dia 27 de Dezembro de 2010. 7) O candidato seleccionado terá de apresentar, em tempo útil, os seguintes documentos: Certidão da Conservatória do Registo Comercial comprovativa de que a empresa tem sede em Macau; Caução provisória de quatrocentas mil patacas que poderá ser prestada por depósito em dinheiro ou por garantia bancária. Macau, 26 de Novembro de 2010. O Director, Rui Manuel de Sousa Rocha


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

18

entrevista

EDDIE MURPHY, MESTRE DE CAPOEIRA E MÚSICO

“A capoeira é uma excelente filosofia António Falcão | bloomland.cn

A capoeira não deve ser vista apenas como arte marcial ou como desporto. A capoeira é uma filosofia de vida. Jogo capoeira desde a hora que acordo. Eu jogo com você, não jogo contra você

Eddie Murphy, o primeiro mestre de capoeira em toda a China, um grande divulgador desta arte, deste jogo, desta filosofia de vida. Nos dias 3, 4 e 5 de Dezembro, será o 1.º baptizado de capoeira sob responsabilidade do Grupo Axé Capoeira. Se o leitor quiser, o 1.º Festival Asiático de Capoeira/Macau 2010. Entrada gratuita na Escola das Nações, na Taipa, fundamentalmente no dia 5, mais apropriado para o grande público, bastando levar alguma doação. Um brinquedo, um livro, uma peça de roupa. Nascido em São Paulo, filho de pais da Bahia, quando começou a aprender capoeira e por quê? Tinha nove anos, ainda em São Paulo. Somos seis irmãos, eu sou o mais novo, nascido de seis meses e meio. Antes da capoeira eu já jogava futebol como toda a criança, apesar de ser meio raquítico, muito magrinho. O meu pai levava-me ao médico, dava-me muita vitamina, mas o meu corpo não desenvolvia. Um dia, o meu pai levou-me para um centro desportivo com kung fu, karaté e capoeira. Como eu era magrinho pensei que essas lutas não iam dar para mim, com aquela gente a bater no meu braço tão fininho. Quando vi a capoeira com música, aquele ambiente de amizade, arte marcial, mas, ao mesmo tempo, alegria, fiquei encantado. Desde então, comecei a fazer capoeira e a mudar fisicamente a partir dos meus nove anos. Nunca mais parei, já lá vão 34 anos. Sempre “capoeirista” a tempo inteiro ou teve outras actividades? Fiz um curso de desenho publicitário e tinha uma empresa desse ramo em São Paulo. Um dia fui convidado pelo maior ginásio da América Latina para dar aula de capoeira. Foi um grande sucesso desde a primeira aula. As aulas enchiam sempre. Na capoeira há diferentes graduações, é assim? Certo. Para se tornar um mestre é necessário ter mais de 20 anos de capoeira e mais de 30 de idade. Tentei conciliar as aulas com a minha empresa de desenho publicitário, mas um ano depois, sendo convidado para uma Mostra de Cultura Brasileira em Barcelona, optei por fechar a minha empresa e viajar com a minha mulher, Fernanda “Guerreira”, para Espanha.

Na capoeira todo o mundo tem uma alcunha. A sua alcunha é Eddie Murphy. Por que? Porque na capoeira eu sempre estou alegre, a comunicar, a espalhar alegria, a fazer os outros rir. Por causa das piadas e da boa disposição deram-me o nome desse actor americano, que nos filmes também está sempre a brincar. Na capoeira eu posso fazer muita coisa, inclusive ganhar amizades, meu melhores amigos estão dentro da capoeira, por isso optei decisivamente por esta área. E depois de Espanha? Depois dos três meses em Barcelona - também fui o primeiro capoeirista a participar duma ópera, neste caso D. Quixote, em Barcelona. Daí fui convidado para as Canárias, Por Aventura e Lanzarote. A minha mulher e eu ficámos por lá seis meses. Voltei para São Paulo, em 2001, já como mestre há 12 anos filiado numa escola que se chama Grupo Axé Capoeira, a matriz, que está em 26 países. No ano seguinte convidaram-me para Hong Kong. Já era muito conhecido... Assim que me formei como professor comecei a dar aulas na periferia de São Paulo, na zona Leste, numa comunidade de gente muito carente. Fiz muito trabalho de consciencialização dos pais no seu relacionamento com as crianças. A capoeira sempre esteve ligada a essa parte social muito importante. Há revistas que falam sobre isso e também participei em programas de televisão. E assim surgiu a oportunidade para eu e a Fernanda virmos para Hong Kong. Tinha muita curiosidade... China, uma cultura tão diferente, mas adaptamo-nos bem. Não sabia que havia Macau bem pertinho, onde algumas pessoas falavam português? Sinceramente, não sabia. Durante os seis meses que estive a trabalhar em Hong Kong nunca ouvi falar de Macau. Voltámos, entretanto, para o Brasil. Alguns meses depois, uma óptima amiga em Hong Kong ligou-me a dizer que tinha trabalho para mim e para a minha mulher. Respondi que estávamos a recomeçar a vida no nosso país. Ela insistiu. Viemos. Foram quatro anos de trabalho a fazer apresentações em


sexta-feira 26.11.2010

www.hojemacau.com.mo

com Helder Fernando

de vida, uma entreajuda” Não há dúvida que através da capoeira existe uma enorme divulgação, internacional mesmo, da língua portuguesa

restaurantes brasileiros, com um sucesso crescente. Passamos por em Cantão, Dongguan, Shenzhen. Quatro anos na China e aqui bem pertinho, sem nunca ouvir falar de Macau. Quando ouviu falar de Macau pela primeira vez? Foi num consulado brasileiro, ouvi uma pessoa a falar português, um brasileiro que morava em Macau. Conversámos, trocámos cartões, ele falou-me que Macau era giro. Num dia de folga, eu e a minha mulher resolvemos dar um salto até cá. Quando entramos no ferry e ouvimos uma voz a falar “senhores passageiros”, ficámos arrepiados. Eu disse que não acreditava! Quando cheguei, vi tanta coisa em português, nomes de ruas, o Hotel Lisboa... Encontrei gente a falar a mesma língua. E pensei logo: tenho de viver aqui. Começou a trabalhar num espaço de yoga no Macau Square. Isso mesmo. Foi em 2008. Só para aulas de capoeira, cheguei a ter 50 alunos, muitas crianças. A “criançada” gosta muito, eu digo sempre que educo através da capoeira. Depois de dez meses de enorme sucesso, de bom ambiente, numa quinta-feira terminei a aula e na sexta alguns alunos ligaram-me: “Mestre, o ginásio foi

fechado pela polícia”. Tinha havido um problema qualquer com a Universal Yoga, que não me dizia respeito nenhum. O passo seguinte foi andar 15 dias meio perdido. Agradeço muito a ajuda dos meus alunos, a maioria portugueses, que me ajudaram e a quem estarei eternamente agradecido. Vou

dizer uma coisa... Nunca conheci nenhum português no Brasil, vim conhecer os portugueses aqui em Macau. Muitas das minhas grandes amizades são com portugueses. São pessoas que têm uma grande importância na minha vida. Como sempre trabalhei com apresentações, abri a minha

empresa de eventos brasileiros que trabalha para Macau e para outras partes da China e criámos a Associação de Capoeira de Macau. Consegui visto de trabalho, alugámos um espaço no Largo do Lilau juntamente com um amigo americano produtor e director de teatro e com sua a mulher francesa, ambos do Cirque du Soleil. Eles trabalham com o teatro e eu, com a capoeira. Lilau Center é o nome deste espaço de “art transformation”. A gente transforma as pessoas através da arte. Quantos alunos de capoeira? Vou graduar agora 42 alunos no festival dos dias 3, 4 e 5 de Dezembro na Escola das Nações, na Taipa. Chamamos “baptismo” Porque chamam assim? Na capoeira, o lado educacional tem muito de desportivo. Quando o mestre acha que o aluno já está apto para receber a primeira corda, são convidados outros

Mais do que uma prática, uma disciplina bem disposta A capoeira nasceu no Brasil, mas é fruto da cultura africana das senzalas e dos quilombos. Origem na resistência e revolta contra a escravatura praticada sobre o negro. Tempos terrivelmente difíceis dos governos e polícias escravocratas. Precisando de lutar - e sem armas nem outros recursos - percorria o corpo de pele mais escura daqueles bravos homens e mulheres, aquela vontade imensa de ser livre. Por isso a luta férrea apenas com o corpo ginasticado, musculado pelo trabalho, dirigindo essa força, mais tarde transformada em arte, no sentido do bem, da entreajuda, da auto-estima, no sentido da justiça. Afinal, o corpo como arma. Ao longo dos anos - dos séculos - a arte da capoeira passa por várias divisões, proibições, perseguições. Capoeiristas célebres passaram para a história por lutarem pela liberdade e pela defesa de trabalhadores contra patrões repressivos e desonestos: Nascimento Grande, Manduca da Praia Pedro Cobra ou Besouro Mangagá, entre outros. Corpo e intuição, inteligência, ritmo, música, espírito livre. Capoeira é também isto. Nos dias de hoje a capoeira, inclusive em Macau, ganha adeptos, espaço, intervenção pública, respeito. Por entre tanta perseguição no passado, a capoeira tornou-se grande, multiplicou-se. Em todos os centros onde se divulga e ensina, são aprendidos os cânticos, as músicas, as letras em português ou mesmo em português miscigenado, enriquecido, portanto. Bem como o domínio de, pelo menos, um dos instrumentos da capoeira. Foi neste contexto que, a meio desta semana, encontrei o mestre Eddie Murphy em Macau vai para dois anos. Fui vê-lo

no espaço do Grupo Axé Capoeira, no n.º 35 do Largo do Lilau. Com a sua mulher, Fernanda “Guerreira”, graduada capoeirista, apta a ensinar sob supervisão do marido, o mestre estava a dar aulas a um grupo de uma dúzia de participantes envolvidos na dança makulélé. Ali reina a disciplina bem disposta, a dedicação de todos. Várias idades, diferentes origens, variadas profissões. Algumas dezenas de alunos frequentam este espaço em diferentes horários. Aprende-se do corpo, do espírito, com música, com uma certa acrobacia, com uma certa teatralidade. E como que numa dança permanente. Em Macau os interessados em visitar, ou ter uma aula gratuita, podem ir ao local já mencionado ou enviar email para: efom@live. com. O nome verdadeiro de Eddie Murphy é Edilson, paulista, filho de baianos, homem musculado, de corpo cultivado ao pormenor, 28 anos de ensino, o primeiro mestre a dar aula de capoeira em toda a China. Já o fez em vários outros países. É também músico, enquanto a mulher é cantora. Quando visitei o local onde o Axé Capoeira funciona, vi as crianças cumprimentarem entusiasticamente o mestre sob as palavras de ordem “Amizade, força e lealdade”. Eddie Murphy, a sua fama de preservar as amizades, o seu poder de comunicabilidade, a sua reconhecida competência, o seu jeito de transmitir o tanto que sabe, é figura perfeita, tornando verdadeiro aquilo que alguém um dia escreveu sobre a capoeira: “A submissão da força ao ritmo, da violência à melodia. A sublimação dos antagonismos. O capoeirista é uma artista e um atleta, um jogador e um poeta”. - H.F.

19 mestres vindos de fora, como vai acontecer em Macau, para o dia da cerimónia de graduação. O aluno escolhe uma madrinha e a aluna escolhe um padrinho, pode ser um familiar, um amigo, não necessita de ser “capoeirista”. Nesse dia o aluno vai entrar na roda e jogar, vai mostrar aos mestres o que aprendeu. O mestre é um profissional que ganhou o quê na capoeira? Na capoeira somos como que família, um tem de ajudar o outro quando é preciso. Nesse sentido, o que eu mais ganhei, o que eu aprendi foi este sentido de família. Entreajuda, sempre. Ninguém se ri quando o outro cai, um ajuda o outro, desde as crianças até aos mais velhos. Mais magrinhos ou mais gordinhos, mais altos ou mais baixos, aqui não tem diferença, todos têm a sua qualidade e respeitamos a todos. O respeito é maravilhoso, por isso eu falo em família, porque é assim que eu me sinto com os meus alunos. Observo que tem uma atenção especial com os mais pequenos e vejo o modo respeitoso mas, ao mesmo tempo, descontraído e fraterno como eles se aproximam do mestre. Tem informações sobre a evolução escolar deles depois de estarem a aprender capoeira? Os pais falam-me nisso com muita alegria. Essa é a diferença na capoeira. Todos sabemos que a trabalhar bem o cérebro e o corpo, dentro do nosso conceito, só pode dar muito bons resultados. Além disso, o convívio é multicultural, com gente de diferentes origens. Pois é! Na capoeira não interessa se é você é branco, negro, indiano, chinês, católico ou doutra qualquer religião ou de religião nenhuma. Quem entra ali respeita e é completamente respeitado. É para vir e estar com boa cabeça, com boa energia, que é o que chamamos de “axé”. Digo aos meus alunos que lá fora temos de ser leões, tigres, estar de olho no gato e no peixe que está a fritar. Mas aqui dentro toda a gente é amiga e tem de tentar ajudar-se. A capoeira não deve ser vista apenas como arte marcial ou como desporto. A capoeira é uma filosofia de vida. Jogo capoeira desde a hora que acordo. Eu jogo com você, não jogo contra você. Já o ouvi falar que através da capoeira se faz uma grande divulgação da língua portuguesa. Não há dúvida que através da capoeira existe uma enorme divulgação, internacional mesmo, da língua portuguesa!


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

o Hoje [r]ecomenda

20

«The Album», Mastiksoul

[f]utilidades Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1 – Condições atmosféricas em dado momento e em certo lugar; nome de uma planta cujos grãos se utilizam na alimentação do homem e de alguns animais. 2 – Símbolo químico do ouro; interj. (pop) voz que exprime espanto ou resposta ao apelo do nome. 3 – Nome de letra grega correspondente ao N; aquelas. 4 – pref. Equivalente a com; alvacento; convicção, crédito na existência de um facto. 5 – Animal vertebrado, com o corpo revestido de penas; jeito; existo. 6 – Membro do corpo de um animal, que serve para voo; contracção de maior. 7 – Estar prestes; sexta nota da escala musical; símbolo químico do cério; sociedade secreta católica. 8 – Monte de areias acumuladas pelo vento no deserto à beira-mar (plural). 9 – Abreviatura de albite; lança; mulo. 10 – Nome comum dado ao barco de grande porto e para recursos reduzidos; lâmina de ouro; humilde. 11 – (pop.) Crosta escamosa que se forma na cabeça das crianças; projéctil de arma de fogo. VERTICAIS: 1 – Adorno leve de fazenda, que as mulhares e crianças usam na cabeça; desmedido. 2 – Criar ovos ou ovas; unidade de pressão megabária. 3 – Ilha do mar da Irlanda; desempenhas uma função; a unidade. 4 – Prego miúdo usado pelos sapateiros; nome de mulher. 5 – Letras de identificação internacional de automóveis do Lesoto; (TEAT.) representação teatral de feição tradicional popular, em sentido restrito, é a representação teatral de carácter religioso e até mesmo litúrgico. 6 – Grande susto; é o maior rio de África. 7 – Modulação de amplitude (em radiofonia); parte anterior da cabeça. 8 – Suster-se e mover-se no ar por meio de asas; móvel que serve para nele se comer, escrever, jogar, etc. 9 – Aqui está; que não está com outros; abreviatura de Vossa Alteza. 10 – Em lugar diverso do da residência habitual; dez vezes cem. 11 – Gancho de ferro para embarcações; torna nulo.

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-TEMPO. AVEIA. 2-AU. OI. 3-NI. AS. 4-ALVAR. FE. 5-AVE. SOM. SOU. 6-ASA. MOR. 7-IR. LA. CE. 8-DUNAS. 9-AB. ATIRA. MU. 10-NAU. OLA. VIL. 11-ERMO. BALA. VERTICAIS: 1-TOUCA. IMANE. 2-OVAR. BAR. 3-MAN. ES. 4-PUIA. ALDA. 5-AUTO. 6-PAVOR. NILO. 7-AM. CARA. 8-VOAR. MESA. 9-EIS. SO. VA. 10-FORA. MIL. 11-ARPEU. ANULA.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

O produtor português mais reconhecido no exterior sobe, legitimamente, a parada para ganhar o trono em casa mas é na relação com África que Mastiksoul descobre o ouro. Nem sempre reconhecido em Portugal, Mastiksoul é o produtor que mais impacto tem no exterior. Milhares de faixas vendidas no Beatport ou prémios internacionais tornaram-se meras trivialidades para alguém que soube traduzir as raízes africanas num som tribal que, no limite, está próximo do novo UK Funk.

[ Te l e ] v i s ã o TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24H RTPi 14:30 RTPi Directo 15:00 Debate das Linhas de Acção Governativas - Área da Economia e Finanças (Directo) 20:00 Especial Informação 20:30 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde RTPi 22:10 O Clone 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 Pulp Fiction 02:00 Telejornal - Repetição 02:30 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 América, América...Chegámos Todos Bem (Os Navegadores) 15:00 Magazine Timor Contacto 15:30 Concelhos de Portugal 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Expo Shanghai 2010 17:30 Vidas Contadas 18:00 Operação Triunfo 2010 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 Peso Certo 22:00 Magazine Timor Contacto 22:30 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg Rewind 07:30 NBC Nightly News 08:00 CCTV News – LIVE 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Sesame Street 17:00 Taste Buds 17:30 Ben 10 Alien Force 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Transworld Sport 19:00 Football Asia 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 The Amazing Race 21:30 Weekend Blockbuster: Small Soldiers 22:30 Marketplace 22:35 Weekend Blockbuster: Small Soldiers 23:50 World Market Update 23:55 News Roundup 00:05 Earth Live 00:10 Dolce Vita 00:40 Top Gear 01:40 The Pulse 02:05 European Art At The MET 02:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 Uca National All-STAR Cheerleading Championships 14:00 Cheerleading World 15:00 World Championships China - Womens 16:00 Big Ten Women’s Volleyball 2010 - 2011 Minnesota vs. Illinois 18:00 Football Asia 18:30 Castrol Football Crazy 19:00 ABL game2game 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 16 Nations - Road To Qatar Uzbekistan 20:30 Total Rugby 21:00 X Games 16 Show 8 22:00 Sportscenter Asia 22:30 16 Nations - Road To Qatar Uzbekistan

23:00 Total Rugby 23:30 Sportscenter Asia STAR SPORTS 31 13:00 Uca National All-STAR Cheerleading Championships 14:00 Cheerleading World 15:00 World Championships China - Womens 16:00 Big Ten Women’s Volleyball 2010 - 2011 Minnesota vs. Illinois 18:00 Football Asia 18:30 Castrol Football Crazy 19:00 ABL game2game 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 16 Nations - Road To Qatar Uzbekistan 20:30 Total Rugby 21:00 X Games 16 Show 8 22:00 Sportscenter Asia 22:30 16 Nations - Road To Qatar Uzbekistan 23:00 Total Rugby 23:30 Sportscenter Asia HBO 41 11:30 Valkyrie 13:35 Judge Dredd 15:15 Quantum Of Solace 17:10 A Dangerous Man 18:50 Starship Troopers 21:00 Old Dogs 22:40 Race To Witch Mountain 00:25 Quantum Of Solace CINEMAX 42 12:00 The Wild Bunch 14:20 Death Race 16:00 The Secret Life Of Ian Flemming 18:15 Mega Fault 20:00 Cyborg Conquest 21:45 Epad On Max 87 22:00 Control Factor 23:25 Tmz 374 23:45 10,000 B.C. MGM CHANNEL 43 13:00 Robot Jox

www.macaucabletv.com

14:30 Finding the Way Home 16:00 Modern Girls 17:30 Arena 19:15 Hotel Oklahoma 21:00 Double Trouble 22:30 California Casanova 00:00 Operation Lookout DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - 22,000 Foot Fall 14:00 World War II In Colour - Lightning War 15:00 Revealed: Malaysia’s Royal Rites 16:00 Surviving Mumbai 17:00 Dirty Jobs 18:00 How It’s Made 19:00 World War II In Colour - Overlord 20:00 Mythbusters 21:00 One Way Out 22:00 On The Case 23:00 Extreme Forensics 00:00 One Way Out - Human Catapult NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 Deaflympics 14:00 Apocalypse The Second World War 15:00 Shark Men - Greatest Bites 16:00 Nat Geo Amazing! 17:00 Inside The Legion 18:00 Mega Factories - Trucks 19:00 Hostage To Terror 20:00 Kaohsiung 21:00 Lethal Obsession 22:00 Extreme Cuisine 23:00 Pets 00:00 Hostage To Terror ANIMAL PLANET 52 13:00 Man-Eating Leopards 14:00 Natural World - Australia 15:00 Return Of The Pandas 16:00 The Twasapong Hills 17:00 Caught In The Moment - Thailand 18:00 Animal Cops Philadelphia - A Fresh Start 19:00 Voyage To The Bottom Of The Sea 20:00 Elephant Charge 21:00 In Search Of Maneaters 22:00 Botswana’s Wild Kingdom - Makgadigkadi 23:00 Caught In The Moment - Mongolia 00:00 Elephant Charge HISTORY CHANNEL 54 13:00 Barbarians Lair 14:00 All You Can Eat 15:00 Tigers In The Suburbs 16:00 Jack The Ripper 17:00 Trick Shot Showdown 18:00 Raptor Vs. T-Rex 19:00 Wild, Wild West 20:00 Trick Shot Showdown 21:00 If The Food Runs Out 22:00 Hidden Cities - Indonesia 23:00 The Puppet Master 00:00 Behind The Myth STAR WORLD 63 12:30 Masterchef US 13:20 True Beauty 14:10 How I Met Your Mother 14:35 Cougar Town 15:00 Rules Of Engagement 15:25 The King Of Queens 15:50 Brothers & Sisters 16:40 Ghost Whisperer 17:30 Masterchef US 18:20 True Beauty 19:10 Cougar Town 19:35 How I Met Your Mother 20:00 Castle 23:20 Brothers & Sisters 00:10 Bachelorette

(MCTV 52) Animal Planet 14:00 Natural World - Australia Informação Macau Cable TV


sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

[O]bjectiva Gonçalo Lobo Pinheiro

21 Raio [X] Andorinhas Sofia Pinto Correia Melo

José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, na Assembleia da República (Lisboa, 2010)

Para[ ]comer • Pérola 3/F, Sands, Largo de Monte Carlo, no.203 8983 82222888 3352 http://www.sands.com.mo • VINHA Alm Dr. Carlos d' Assumpção 393 r/c AC 2875 2599vinha@macau.ctm.net http://www.vinha.com.mo • FAT SIU LAU (SINCE 1903) Av.Dr.Sun Yat-Sen,Edf.Vista Magnifica Court Rua de Felicidade No.64, R/C Macau 2857 3585fsl1903@macau.ctm.net http://www.fatsiulau.com.mo

• Casa Carlos Bispo Medeiros 28D 2852 2027

• HAC SA PARK Hac Sa Park-Hac Sa Beach Coloane 2888 2297 http://www.yp.com.mo/hacsa

• António (TP) R, dos Negociantes 3 28999998

• SOL NASCENTE (TP) Av Dr Sun Yat Sen No.29-37 R/C 2883 6288 http://www.yp.com.mo/solnascente • TENIS CIVIL (LEON) Av.da República N°14 1° Macau 2830 1189 http://www.yp.com.mo/leon • Platão Trav. São Domingos No.3 2833 1818 reservation@plataomacau.com • Banza (Tp) Nam San Bl.5, GH 28821519

• Galo (Tp) Clérigos 45 2882 7318 http://www.yp.com.mo/domgalo • Riquexó Av Sid Pais 69 2856 5655

• Clube Militar Av Praia Grande 795 2871 4000 cmm@macau.ctm.net • Espaço Lisboa Lda (Col) Gaivotas 8 2888 2226 2888 1850 • Camilo Av Sir Anders Ljungsted 37 2882 5688

• Dom Galo Vista Magnifica Court 2875 1383 domgalo@yp.com.mo http://www.yp.com.mo/domgalo • O Santos (TP) R. do Cunha 28827508 • Porto Exterior Ed Chong U 2870 3276 http://www.portoext.com.mo • Restaurante Fernando (Col) Praia Hác Sá 9 2888 2264

• Ó MANEL (Tp) Fernão M Pinto 90 2882 7571

• Litoral Restaurante Lda Alm Sérgio 261 2896 7878 2896 7996 http://www.yp.com.mo/litoral

• A PETISQUEIRA (TP) S João 15A 2882 5354

• Nga Tim Café (Col) Caetano 8 2888 2086

Tacos – Cozinha internacional & Café Bar (Macau) – Rua Cidade de Braga 51 A r/c. Tel.28750151

• O Porto Interior Alm Sérgio 259B 2896 7770 • A Lorcha Alm Sérgio 289 2831 3195

• Sawasdee Thai Av Sid Pais 43AE 2857 1963 • Aquamarine Thai Café (Tp) Jardm Nova Taipa bl 21 2883 0010 • Bangkok Pochana Ferrª Amaral 31 2856 1419 • Kruatheque Henrique Macedo 11-13 2835 3555 • Restaurante Thai Abreu Nunes 27E 2855 2255

• Afonso III Central 11A 2858 6272

• LA COMEDIE CHEZ VOUS Ed Zhu Kuan S/N G (Oppsite Cultural Centre) 2875 2021

• Bar Oporto Tv Praia 17 2859 4643 • Maria’s Comida Portuguesa Patane 8A 2823 3221

• LE BISTROT (Tp) Nova Taipa Garden Block 27, G/F 2884 37392884 3994

• Restaurante Pinocchio (Tp) Regedor 181-185 2882 7128 • Canal dos Patos Parque Municipal Sun Yat Seng 2822 8166

• CHURRASCÃO Nova Taipa Garden, Block 27 G/F, Taipa 2884 37392884 3994 • Yin Alª Dr Carlos d’Assumpção 33 2872 2735

the next three days Cineteatro | PUB

• Fogo Samba VENETIAN-Grand Canal Shoppes Apt 2412 2882 8499

[ ] Cinema

Sala 1 Skyline [C] Um filme de: Collin Strause, Greg Strause Com: Eric Balfour, David Zayas, Scottie Thompson 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2 the next three days [B] Um filme de: Paul Haggis Com: Russell Crowe, Elizabeth Banks, Liam Neeson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Sala 3 the extraordinary adventures of adèle blanc-sec [c] Francês legendado em chinês e inglês Um filme de: Luc Besson Com: Louise Bourgoin, Mathieu Amalric 14.30, 16.30,21.30 Sala 3 unstoppable [B] Um filme de: Tony Scott Com: Denzel Washington,Chris Pine 19.30

Toda a minha infância tem essa luz. Fim do dia na Linha. Ensurdecedoras as andorinhas despedem-se da beira-mar. Dos portões abertos, dos banhos de mangueira, das lutas de almofadas e caroços de ginja. Despedem-se dos ramos mais altos do alpercheiro, da araucária onde ainda trepo, adulta, todos os finais de tarde. Porque a luz é a mesma. As andorinhas, como num outro lugar os pombos, ou os cavaleiros em outro lugar ainda, despedem-se do fim do dia, na luz. Esta, sem poeira nem estradas. A luz aqui é límpida. Um céu azul a anoitecer. O mar a fingir que está longe. As luzes da marginal, os palacetes recortados na luz do farol. Aqui também há crianças a atravessar Oceanos, como naquele lugar de que falei. Que lembro. Porque a luz não é a mesma, mas é a infância. Porque chega ao final do dia e o ruído ensurdecedor das andorinhas é fechado num cofre, guardado juntamente comas bonecas de vestidos traçados, os livros da Biblioteca das Raparigas, as lojas de perfume seco, as malas de viagem. Os sapatos às pintas brancas de fivela. Há ainda chapéus de flores e andorinhas embalsamadas que fingem estar longe e ensurdecedoras esvoaçam no meio de mantilhas, pregadeiras e meias de nylon. Há colares de contas que aqui não se desfiaram, toalhas de turco espesso. Toda a minha infância tem essa luz. Dos tecidos cortados, dos armários com compotas de marmelo e biscoitos comprados nas termas. De loiças brancas e vidros brilhantes, laranjadas e caixas de lata cheias de carrinhos de linha e botões. Tem o cheiro da lareira, de praias a fingir que não estão ali ao lado. De fotografias que são da minha infância e outras, outras infâncias em que os sorrisos são parecidos, que os cabelos são parecidos, os colares de contas e os sapatos às pintas brancas de fivela e meias de nylon. Esvoaçam as pintas brancas e os sorrisos em lápides de letras de bronze e granito. Flores secas, regadas em silêncio de ritual, apanhadas debaixo das árvores que trepo, adulta. Toda a minha infância tem essa luz. Todo o meu olhar sobre as coisas a terá também. Mesmo sobre a noite que cai na praia que finge estar longe daqui. Obrigada.

[Sofia é arqueogenealogista e passa todos os Verões na Costa do Sol. E os Outonos, os Invernos e as Primaveras]


www.hojemacau.com.mo

22

Q

opinião

de Andrade

O que quer, o que pode esta língua?

Inês Pedrosa In Expresso

uando se pergunta a um estudante americano de língua portuguesa o que o conduziu à nossa língua, em oitenta por cento dos casos a resposta é: a música popular brasileira - o desejo de cantar aquelas canções encantatórias. E, por causa delas, a vontade de conhecer o Brasil. Os restantes vinte por cento respondem: Fernando Pessoa - e, por causa dele, a vontade de conhecer Portugal. Aposto tudo quanto quiserem em que nenhum estudante estrangeiro dirá que optou pelo português por causa da sua ortografia supostamente simplificada - ninguém deixa de entender e adoptar a língua por causa de uma letra ou um trema a mais ou a menos. Teríamos direito a saber quanto do dinheiro que nos falta para criar e desenvolver centros culturais e de língua foi e está a ser gasto com o acordo ortográfico. Os Governos português e brasileiro deviam fazer um acordo imediato quanto ao ensino da língua e da literatura. Um princípio básico seria criar um tronco comum de autores e obras para o ensino secundário e a universidade: os estudan-

ca r t o o n por Steff

Eça

Pessoa

sexta-feira 26.11.2010

Machado s e õ m a CDrummond de Assis

Os Governos português e brasileiro deviam fazer um acordo imediato quanto ao ensino da língua e da literatura. Um princípio básico seria criar um tronco comum de autores e obras para o ensino secundário e a universidade: os estudantes de ambos os países estudariam Eça de Queirós e Machado de Assis, Drummond de Andrade e Fernando Pessoa - além de Camões e do Padre António Vieira, que anda cada vez mais desaparecido dos programas, para desgraça dos que desejem entender as infinitas e plásticas possibilidades desta língua tes de ambos os países estudariam Eça de Queirós e Machado de Assis, Drummond de Andrade e Fernando Pessoa - além de Camões e do Padre António Vieira, que anda cada vez mais desaparecido dos programas, para desgraça dos que desejem entender as infinitas e plásticas possibilidades desta língua. Urgente é também o reforço das cátedras de Literatura de Expressão Portuguesa nas grandes universidades do mundo. Os departamentos de espanhol e português das universidades estrangeiras parecem a batalha de Aljubarrota - sem a

padeira nem a técnica do quadrado, ou seja, sem milagres. O milagre da multiplicação da língua poderia começar por uma campanha que informasse os milhões de estudantes de espanhol que o português é uma língua muito acessível quando já se conhece o espanhol - e uma ferramenta de trabalho extra, num mundo cada vez mais competitivo. Alguns professores de espanhol estimulam a aprendizagem do português, a bem dos seus alunos - mas não podemos esperar que Espanha e os países de língua castelhana sejam a ONG da

como reagir à coreia do norte

PB

língua portuguesa. A criação de centros de língua nas áreas nobres das grandes cidades do planeta, com cursos atractivos e a baixo preço, acompanhados pela promoção das maravilhas naturais e culturais de Portugal e do Brasil, impulsionaria a economia dos dois países. O Brasil está em ascensão - mas esse progresso seria mais rápido e mais eficiente com a difusão da língua. O estudo realizado pelo Instituto Camões sobre o valor económico da língua concluiu não só que a língua e os serviços com ela relacionados representam 17 por cento do Produto Interno Bruto de Portugal mas também que o conhecimento da língua favorece e amplia os negócios multinacionais. As parcerias entre bienais, feiras e festivais dos países de expressão portuguesa aumentariam em muito a repercussão e os efeitos sociais desses eventos. Porque não criar um intercâmbio e uma ligação entre a Feira do Livro de Porto Alegre, cuja 56ª edição decorreu agora, entre 29 de Outubro e 15 de Novembro e as Feiras do Livro de Lisboa e Porto, por exemplo? Mesmo debaixo da chuva e do frio que assolaram Porto Alegre num dos últimos dias da Feira, ela esteve sempre cheia, na rua e nas salas de debate que a circundam. Nesta feira homenagearam-se as jornadas literárias de Passo Fundo, no extremo sul do Brasil - um acontecimento criado numa gigantesca tenda de circo, que comemorou agora 30 anos de existência, e que atrai mais de 30 mil pessoas. O Brasil tem uma arte especial para o trabalho em rede, para a angariação de mecenatos, a promoção da cultura - e essa forma de amor adulto que é a homenagem. A Feira do Livro de Porto Alegre elege sempre um patrono (Camões já foi um deles) e um país ou uma região do Brasil em destaque. Em Portugal a tradição da pequena inveja e do mísero protagonismozinho de bairro ainda é demasiado visível e entorpecente. “O que quer, o que pode esta língua?”, pergunta Caetano Veloso numa canção que é um ensaio lúcido sobre o talento e os complexos da língua de Sophia e Guimarães Rosa. A nossa língua já provou que pode transformar o mundo - mas, infelizmente, parece ter desistido de o querer. E, como o Brasil sabe gloriosamente, o desejo é tudo.


acumular

Enquanto vivemos, podemos tesouros para o céu, mas não após a morte. Só levaremos o que tivermos acumulado na terra, não ouro nem prata, mas boas obras. Padre Manuel teixeira [1912-2003]

sexta-feira 26.11.2010 www.hojemacau.com.mo

23

u m gr i to n o des er to Paul Chan Wai Chi*

C

Sessão de debate à maneira de Macau

omeçou esta semana. A Assembleia Legislativa (AL) vai atravessar uma sessão de três semanas de debate sobre cinco diferentes áreas de orientações políticas elaboradas no discurso das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2011. Para cada área, haverá duas sessões de discussão na parte da tarde (das 15h às 20h), conduzidas segundo o mesmo método utilizado no ano passado, ou seja, com duas rondas de debates. Na teoria, cada deputado teria 30 minutos para expor as suas opiniões mas, na realidade, são permitidos apenas 15 minutos. Na primeira ronda, os legisladores registaramse e esperaram pela sua vez de falar durante 15 minutos. Depois de seis ou sete deputados terem discursado, o secretário da área administrativa respectiva lidera a sua equipa de altos funcionários dos departamentos e serviços do Governo competentes na resposta às questões e comentários feitos pelos parlamentares. Depois da primeira ronda de pergunta-e-resposta entre os deputados e funcionários, eram já 17h15, hora de fazer um intervalo de 30 minutos antes de avançar para a segunda ronda de debate. A sessão de discussão irá terminar às 20h e os restantes deputados que não tiverem tido hipótese de falar poderão fazê-lo durante a sessão de debate do dia seguinte.

Devido a essas regras e ao facto de muitos deputados estarem ansiosos por fazer ouvir as suas opiniões, costuma haver entre 25 e 27 deputados (incluindo os 12 eleitos directamente) a fazerem fila para intervir no debate. Uma vez que todos os deputados que têm a hipótese de falar irão normalmente usar os 15 minutos que têm à disposição, não há como o primeiro deputado que falou na primeira ronda conseguir voltar a falar na segunda ronda da sessão de debate. Para os que estão ainda às espera da sua vez de discursar, a possibilidade de eles exercerem o seu direito a falar realmente depende de quanto tempo resta. Sob tal arranjo na sessão de debate, verifica-se que os deputados e os funcionários do Governo falam por sua própria conta, seja a fazer as perguntas, seja a dar as respostas, e acaba por não haver um verdadeiro debate. Pelo contrário, muitos deputados eleitos por via indirecta ou por nomeação, no conteúdo dos seus discursos, a maior parte das vezes, criticam as opiniões expressas pelos deputados eleitos pela via directa. Parece que esses deputados (eleitos por via indirecta ou nomeação) estão a falar em nome dos funcionários do Governo. Devido às regras aplicadas nas sessões de debate, os deputados que falaram na primeira ronda dificilmente terão hipótese

Com Macau a debater-se para se tornar uma cidade harmoniosa, não admira que as sessões de debate sobre as políticas e orientações sejam realizadas de forma tão harmoniosa! de fazer o “follow-up” na segunda ronda, permanecendo como espectadores após terem falado. Mesmo que haja deputados da mesma equipa a dar seguimento aos assuntos na segunda ronda, os responsáveis do Governo respondem generalizando todas as questões levantadas pelos deputados na primeira e segunda rondas, evitando assim dar respostas directas em matérias controversas. Esta forma de debate faz com que tanto os deputados como os funcionários do Governo apenas declarem os seus pontos de vista e a atmosfera de debate criada no anúncio das LAG é de longe menos vigorosa do que nas interpelações orais. Pelo que sei, foi Susanna Chow, antiga presidente da AL, quem introduziu tais regras às sessões de debate. Foi ela quem

substituiu a prática anterior, que usava até 30 minutos de debate contínuo, pela permissão de 15 minutos de discurso. Os jogos são regidos por regras que determinam o quanto se pode sair do jogo. Pergunto-me o que é que os nossos leitores pensam depois de terem ficado com uma ideia do verdadeiro funcionamento da sessão de debate. Mas tanto quanto sei, o resultado de uma tal sessão de debate é que os deputados eleitos pela via da eleição directa tentam o seu melhor para conseguirem falar na primeira ronda, caso contrário, quase não têm hipótese de falar quando todos os outros usam até ao fim os seus 15 minutos para expor as suas opiniões e não sobra mais tempo. Além disso, os responsáveis do Governo normalmente respondem às questões levantadas e seguindo mais ou menos o mesmo padrão, e os deputados que estão escalados para falar no dia a seguir acabam por encontrar o conteúdo da discussão muito menos interessante, comparativamente ao primeiro dia da sessão de debate. Com Macau a debater-se para se tornar uma cidade harmoniosa, não admira que as sessões de debate sobre as políticas e orientações sejam realizadas de forma tão harmoniosa! *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; João Carlos Barradas; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte; Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges; Catarina Lau Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


a fechar sexta-feira 26.11.2010

Euro Fundo de apoio pode aumentar

www.hojemacau.com.mo

O presidente do banco central alemão, Axel Weber, disse que os governos europeus podem ampliar a dimensão do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) se isso se revelar necessário para restaurar a confiança no euro. As declarações surgem num momento em que estão a reforçar-se os receios de uma intervenção do FEEF e do FMI em Portugal e, possivelmente, também em Espanha, cujas taxas de juro da dívida pública começaram a disparar nos mercados secundários.

Brasil Violência no Rio provoca 27 mortes

Depois de mais uma noite de violência na quarta-feira, as autoridades do Rio de Janeiro fazem um balanço de 27 mortos e 45 veículos incendiados, nove deles apenas entre as 20h00 da noite de quarta-feira e o início da madrugada de quinta-feira. O reforço do policiamento durante o dia de quarta-feira e o facto de ter sido posta de prevenção a polícia militar não foi suficiente para conter a onda de violência e durante toda a noite registaram-se novos confrontos – principalmente na Vila Cruzeiro, no norte do Rio, onde a tropa de elite da polícia militar matou quatro pessoas.

Suíça Referendo para expulsar estrangeiros

O Partido Popular Suíço (SVP, direita) está a organizar um referendo para domingo, tendo em vista legalizar a expulsão de estrangeiros que tenham cometido uma qualquer infracção. Os “candidatos” à expulsão, na opinião da direita suíça, são todos os imigrantes - mesmo os da UE - que cometam infracções, tais como receber benefícios de forma fraudulenta, trabalhar para além do horário de trabalho e não pagar impostos sobre esse dinheiro. Mas há mais: há os que forem acusados de tráfico de droga, roubo, violação ou assassínio.

Insólito Adolescentes à deriva no Pacífico

Três adolescentes das ilhas Tokelau foram encontrados, ontem, ao largo da costa das ilhas Fiji, após terem estado 50 dias à deriva, no Oceano Pacífico. Os meninos, com idades compreendidas entre os 14 e 15 anos, estavam desaparecidos desde Outubro, após terem partido, num barco de alumínio, para uma viagem de pesca. As buscas foram suspensas e os três adolescentes haviam sido dados como mortos. Durante as sete semanas em que estiveram à deriva, os meninos terão comido apenas uma gaivota e quando foram encontrados, o seu estado era de profunda desidratação e apresentavam diversas queimaduras.

EUA Sarah Palin confunde Coreias

Sarah Palin, a principal representante do movimento ultraconservador Republicano, cometeu uma gaffe ao sugerir que os norte-coreanos, e não os sul-coreanos, são “aliados” dos EUA. “Obviamente, temos que ficar ao lado dos nossos aliados norte-coreanos”, afirmou a ex-candidata republicana à vice-presidência dos EUA, em resposta a uma pergunta sobre o conflito que estalou esta semana entre as duas Coreias, num programa de rádio. O apresentador corrigiu-a prontamente.

Portugal | País ficou isolado com cancelamento de viagens e 85% de adesão

A maior greve de sempre Sindicatos falam em adesão de 85%, Governo diz que administração só registou 29%. CGD meia fechada e 25 tribunais a 100%

A “maior greve de sempre” isolou Portugal, na quarta-feira, encerrando praticamente o espaço aéreo, deixando todos os portos sem operação, o metro de Lisboa parado e comboios apenas com serviços mínimos, nem sempre cumpridos. Independentemente de ter envolvido os “inflacionados”, três milhões de “trabalhadores” apontados pela CGTP ou a versão “minimalista” dos 120.300 funcionários (29%) - excluindo autarquias, regiões e empresas públicas - a paralisação fez-se sentir de norte a sul. Mas, tal como se previa - até pelo receio de despedimentos -, o impacto foi incomparavelmente superior na esfera do sector público, com um impacto diminuto nas empresas privadas. Os cálculos da CGTP apontam para uma taxa de adesão global em torno dos 85%. Um copo talvez demasiado cheio para uns, a contrastar com um meio vazio para outros. A participação grevista supera, assim, os 85% estimados na última greve geral de 1988, que terá envolvido cerca de 1,7 milhões de trabalhadores. A variação na taxa de adesão resulta do facto de lá para cá a população activa empregada ter crescido em cerca de 800 mil. As estimativas da Intersindical foram veemente rejeitadas pela ministra do Trabalho ao fim do dia. Dizendo que “não é importante entrar numa guerra de números”, Helena André frisou que, tendo em atenção

que a população activa empregada ronda os 4,9 milhões de pessoas, uma adesão à greve de 3 milhões significaria que o país teria estado parado, “o que não aconteceu”, garantiu. A ministra utilizou, aliás, o critério do consumo de energia, “que não baixou ao longo do dia”, para confirmar que a paralisação teve uma expressão muito diminuta no sector privado. Esta leitura é corroborada pelas associações empresariais. A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) estimou ontem que a adesão no sector não foi pub

além dos 4%, exceptuando os trabalhadores dos portos, que expressaram maciçamente o seu protesto. Do conjunto dos sectores industriais, a participação mais elevada foi registada nas empresas químicas, de 3,8%, segundo a CIP. Já ao nível do sector terciário, as taxas de adesão terão sido ainda bem menores, com a Confederação do Comércio e Serviços, responsável por cerca de 750 mil postos de trabalho, a dizer que não teve qualquer registo de adesão à greve. O comércio é dos sectores que

regista os mais elevados níveis de precariedade laboral, com uma percentagem significativa da mão-de-obra com contratos a prazo e emprego ilegal. Seja como for, esta paralisação teve um duplo carácter excepcional: foi a primeira em 22 anos do sector público e privado convocada pelas duas centrais sindicais e, por outro lado, registou níveis elevados de participação em sectores não tradicionais. Um exemplo paradigmático é o da banca. A Caixa Geral de Depósitos teve de encerrar 45% das suas agências no país, sendo que só em Lisboa essa percentagem foi de 25. A este fenómeno não é alheio o facto de os cortes salariais impostos no pacote de austeridade do Governo serem supostamente extensíveis aos trabalhadores de empresas detidas pelo Estado, como é o caso. Também o Tribunal de Contas registou uma adesão em torno dos 80%, segundo os valores apontados pelos sindicatos. Mais de 25 tribunais registaram uma adesão à greve de 100% dos funcionários judiciais, com este sindicato a estimar uma adesão média entre os 85% e os 90%, contrastando com os 50% apontados pelo Governo. Tal como vem sendo tradicional, é nos sectores dos transportes, educação e saúde que se registam as adesões mais elevadas em termos absolutos. O secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos, disse que na Saúde a adesão dos trabalhadores foi de 38,5%, na Justiça estiveram fechadas 240 estruturas das 920 existentes, sendo que nas Finanças, 137 estruturas estiveram encerradas, com uma adesão de 43%. A luta dos trabalhadores deverá ser secundada por um protesto conjunto dos sindicatos europeus a 15 de Dezembro.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau • 2010.11.26 #2259 by Jornal Hoje Macau - Issuu