Regras da pintura
hyeonseo lee
jing hao
mif
s e g u n d a - f e i r a 2 6 d e o u t u b r o d e 2 0 1 5 • ANO X v • N º 3 4 4 0
opinião
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África à pesca na China página 7
Que fazer aos refugiados? Crime na joalharia rui flores
david chan
hojemacau poluição plano de emergência na areia preta
Ponte dos maus odores Hyeonseo Lee
Escritora, dissidente norte-coreana
a rapariga dos sete nomes entrevista
A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental deu início no sábado a uma série de projectos para tentar resolver o problema do mau cheiro sentido na zona da Areia Preta. Para atenuar a questão, causada em parte pelas
obras da Ponte Macau, Hong Kong, Zhuhai, está planeada a construção de um dique e de uma estação elevatória que afaste o lixo da população. O empreendimento deverá estar concluído dentro de três meses.
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páginas 17-19
Agência Comercial Pico • 28721006
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Director carlos morais josé
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entrevista
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
Hyeonseo Lee dissidente norte-coreana e escritora
“Somos vítimas de lavagens cerebrais Dissidente, imigrante ilegal, refugiada. Hyeonseo Lee passou por vários estatutos e já assumiu vários nomes para que nunca fosse descoberta. Uma norte-coreana que aos 17 anos quis saber se tudo o que o líder do seu país diz corresponde à verdade. A percorrer o mundo com a sua história, Lee quer fazer mais. Mais que isso, quer voltar, quando Kim Jong-Un cair Depois de várias voltas ao mundo em conferências onde partilha a sua história, lança agora um livro, “The Girl With Seven Names”, divido em três fases: infância, adolescência e depois de sair da Coreia de Norte. Fale-nos um pouco sobre este projecto. O meu maior objectivo [através de conferências e agora o livro] é chegar à comunidade internacional e sensibilizá-la para a situação vivida na Coreia do Norte e por todos os norte-coreanos. Para que assim a comunidade se possa envolver
directamente no assunto e na ajuda aos dissidentes, ajudando ainda na mudança no meu país. Daí a sua dedicação ao estudo da língua inglesa... Sim, esta é também uma das maiores razões que me fez dedicar-me tanto à aprendizagem do Inglês. Estudei intensa e arduamente para que me fosse possível chegar directamente à comunidade e às pessoas do mundo exterior, falando-lhes e transmitindo-lhes a situação ainda hoje vivida na Coreia do Norte. Uma partilha essencial? Sim. Estou a planear lançar uma organização que permita trazer mais norte-coreanos para estudar, envolvendo-se com a comunidade internacional de uma forma directa. Actualmente muitos norte-coreanos dissidentes vivem numa bolha que os protege do exterior e, por isso, não conseguem conhecer pessoas de todo o mundo. Se cada vez mais, estes dissidentes trouxerem a público as suas histórias, as suas experiências, e partilharem com a comunidade internacional, mais as pessoas perceberão a necessidade de se envolver. Assim todos nós teremos a oportunidade de promover a verdadeira mudança na Coreia do Norte. Por quê o título “The girl with seven names”? Vivi durante muito tempo com nomes diferente na China, pois como passei a fronteira de forma ilegal era considerada uma migrante ilegal e seria repatriada pelas autoridades chinesas caso fosse apanhada. Isso seria terrível, nestes casos os dissidentes enfrentam um horrendo destino. Como fui mudando tantas vezes de nome acabei por me tornar a rapariga com setes nomes, expressão que acabei por atribuir ao meu livro. Ao longo do livro vai relatando aspectos da vida quotidiana que, agora, longe daquela realidade são totalmente erradas. Sim, é verdade. Aprendíamos e ouvíamos histórias de torturas e
“Se cada vez mais, estes dissidentes trouxerem a público as suas histórias, as suas experiências, e partilharem com a comunidade internacional, mais as pessoas perceberão a necessidade de se envolver. Assim todos nós teremos a oportunidade de promover a verdadeira mudança na Coreia do Norte”
coisas horrendas que os americanos faziam aos norte-coreanos e ainda hoje [estas histórias] acontecem. Existe propaganda anti-americana e as próprias crianças são ensinadas a assumir actos contra, por exemplo, os soldados americanos. Estas crianças ainda hoje cantam músicas insultuosas sobre os americanos e em todas as escolas espalhadas pela Coreia do Norte existem imagens dos soldados norte-coreanos a esfaquear soldados americanos, japoneses e sul-coreanos. É de tal forma que, durante a crise alimentar nos anos 90, segundo o regime da propaganda, o povo da Coreia do Norte só estava a sofrer e a passar fome por causa dos americanos e das suas sanções. É por isto que o povo culpa a América e os americanos dessa crise e de outras coisas. Nunca pensaram em culpar o nosso próprio governador. Lembro-me muitas vezes da minha avó me dizer, de forma simples e curta: “até durante o período colonial por parte do Japão as pessoas sofriam menos, bem menos do que agora”. Como é que se sentiu quando percebeu que o mundo era bem diferente do que aquele que lhe mostraram durante anos? Toda a sua educação teve como base uma mentira... Até a crise alimentar dos anos 90 começar a minha vida era bastante normal. Nós, os norte-coreanos, somos vítimas de lavagens cerebrais e afastados do resto do mundo. Essa falta de conhecimento e lavagem cerebral faz-nos não queixar, não nos permite queixar do nosso país porque é a única realidade que conhecemos, portanto achamos que as coisas são assim e é assim que devem ser. Aprendíamos que os sul-coreanos eram vítimas dos imperialistas americanos, que eram os seus escravos, por isso sempre assumimos que tínhamos o dever de os libertar. Ao mesmo tempo, aprendíamos que o nosso país era o melhor do mundo. Por um longo período de tempo, eu pensei que o resto do mundo, todos os países, eram piores que a Coreia do Norte, portanto sentia-me
entrevista 3
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
“Cheguei a ser apanhada pela autoridades chinesas que me acusavam de ser uma fugitiva norte-coreana, mas como estudei de forma tão intensa, e me dediquei tanto à cultura chinesa e à língua para sobreviver, consegui convencê-los que de facto era chinesa” agradecida pelos nosso líderes nos oferecerem condições de um excelente país. Ainda hoje temos uma música de propaganda sobre isto que aprendemos logo em pequenos, chamada “Nothing to Envy”. Mas o seu olhar mudou com a crise alimentar... Sim, durante a crise e desde o momento que vivi junto à fronteira com China, comecei a perceber que o meu país não era de facto o melhor país do mundo, como pensava. As pessoas estavam a morrer à fome nas ruas, sofríamos constantemente de falhas de energia e, ao olhar do outro lado do rio, do lado da China conseguia ver que as coisas estavam bem melhores que no meu país. Quando é que decidiu que ia atravessar? Foi planeado? Não pensei em sair da Coreia do Norte até aos meus 17 anos, foi nessa altura que deixei o país. O meu irmão era contrabandista e estava de forma constante a passar entre a China e a Coreia do Norte, não achei que seria uma coisa muito grave se por uma vez fosse com ele e explorasse a China por algum tempo. Como toda a minha família vivia perto da fronteira com a China acabámos por desenvolver fortes relações com os guardas do posto fronteiriço. Foi assim que o meu irmão conseguiu manter o seu negócio. Também criei amizade com vários guardas. Foi então que um deles concordou em permitir que eu passasse a fronteira. Lembro-me que na altura menti à minha mãe. Ainda hoje me arrependo de lhe ter mentido. Disse-lhe que ia a casa de uma amiga, mas na realidade passei a fronteira sem que ela imaginasse. A minha mãe esperou-me durante horas, sem nunca lhe passar pela cabeça, nem a
fotos Hyeonseo lee
e afastados do resto do mundo” mim, que ficaríamos mais de uma década sem nos vermos. Foi muito doloroso, tanto para mim como para ela. Como foi a vida na China logo depois da passagem da fronteira? Estava tão assustada, tinha tanto medo quando vivia na China, medo de ser apanhada a qualquer momento. Por isso nunca me aproximei, nunca criei relações mais próximas com as pessoas, nunca disse a verdade sobre a minha identidade. Cheguei a ser apanhada pela autoridades chinesas que me acusavam de ser uma fugitiva norte-coreana, mas como estudei de forma tão intensa, e me dediquei tanto à cultura chinesa e à língua para sobreviver, consegui convencê-los que de facto era chinesa. Eles deixaram-me em liberdade. Foi um milagre. Falemos um pouco sobre Kim Jong-un: apesar ter estudado fora da Coreia não trouxe uma visão diferente dos seus familiares antecessores. Nos pontos principais ele de facto não é diferente do seu pai ou do avô. A Coreia do Norte continua a manter uma conduta de desrespeito pelos direitos humanos, de abuso, não existe liberdade de informação, de opinião, de associação ou sequer permissão para viajar, entre muitas outras coisas. Acredito que a grande maioria da população do meu país não sabe que o actual ditador estudou no estrangeiro. Foram muitos os estrangeiros que pensaram que esta formação no exterior pudesse trazer uma mudança positiva no actual líder, tornando-o, quem sabe, mais liberal. Mas a realidade é que na verdade não o fez ter uma mais mente aberta para o mundo exterior, nem para possíveis mudanças políticas na própria Coreia do Norte. Acredita que o cenário será diferente no futuro? Os fluxos de informação vindos do mundo exterior são, provavelmente, a forma mais eficaz de mudarmos a Coreia do Norte. Está a acontecer. A geração mais
nova já assumiu os mercados negros e as negociações, isto faz com que a ideia da propaganda norte-coreana seja menos eficaz, dizimando a ideia de um paraíso socialista em que os seus líderes tudo fazem pelo bem da sociedade. Actualmente a propaganda tem um maior foco em como é horrível a vida na Coreia do Sul, por exemplo. A entrada de filmes estrangeiros, no país, e que acabam por se expandir pelo território, permite que as pessoas percebam e vejam como é que é o mundo fora da Coreia do Norte. Muito diferente de tudo aquilo que foi ensinado. Quer voltar? Acredita que isso possa ser uma possibilidade? Sonho em voltar para o meu país. Odeio o nosso governo mas amo as pessoas da minha terra. Acredito, sim acredito, que voltar
“Em todas as escolas espalhadas pela Coreia do Norte existem imagens dos soldados nortecoreanos a esfaquear soldados americanos, japoneses e sul-coreanos” possa ser uma possibilidade, mas só depois da ditadura de Kim cair. A China é também vista como um mundo fechado e de censura. Como é que alguém que fugiu da Coreia do Norte vê o país? De facto existe censura e outras formas de opressão pelo regime comunista na China, mas não se compara ao que acontece na Coreia do Norte. Em exemplos práticos, a sociedade chinesa, apesar de censura, tem acesso à internet. Um chinês se quiser sair da China pode fazê-lo, um norte-coreano não. Para mim,
“Sonho em voltar para o meu país. Odeio o nosso governo mas amo as pessoas da minha terra. Acredito, sim acredito, que voltar possa ser uma possibilidade, mas só depois da ditadura de Kim cair”
quando olho para a Coreia do Norte e para a China penso que este último é um país livre. Neste momento tem estatuto de refugiada na Coreia do Sul. Esse procedimento foi fácil? A situação dos refugiados da Coreia do Norte é diferente daquela que está a acontecer agora na Europa com os refugiados da Síria. A Coreia do Sul recebe-nos e oferece-nos benefícios. Somos todos considerados pela constituição por isso temos direitos. Ainda assim tanto a Coreia do Norte como a China tentam impedir-nos de conseguir alcançar a liberdade e, por causa disto, às vezes é difícil chegarmos em segurança ao nosso destino. A verdade é que somos sempre perseguidos e muitos que tentam fugir são apanhados na China e mandados de volta para os campos prisão na Coreia do Norte. Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
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política
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
António Falcão
ATFPM pede aumentos salariais de 6% na Função Pública
Medidas pré-LAG O deputado José Pereira Coutinho pediu à Secretária Sónia Chan para anunciar aumentos de 6% nos salários dos funcionários públicos aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa, bem como melhorias na estrutura da Administração
“A
justar as remunerações por 6%”. É este o principal pedido do deputado directo e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), José Pereira Coutinho, feito à Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, no âmbito da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2016. Além disso, o deputado à Assembleia Legislativa (AL) pretende ainda que o Governo ajuste o subsídio de residência e “adicione um subsídio especial”, para além de “ajustar a pensão de sobrevivência de 50% para 80%”. Em comunicado, o deputado justifica os pedidos com o aumento da inflação. “Os preços de Macau são muito elevados, nomeadamente os das casas, seja para compra, seja para arrendamento. Em termos de preços correntes, mesmo a despesa da primeira fase duma fracção
Património Pedidas medidas contra chuvas ácidas
J
osé Pereira Coutinho escreveu uma interpelação ao Governo, onde coloca questões sobre o problema que as chuvas ácidas podem trazer ao património de Macau. O deputado utiliza dados da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos que mostram que as chuvas ácidas têm aumentado para apontar que estas estragam os monumentos, além de serem prejudiciais para os seres
humanos, devido à corrosão que provocam. “O impacto das chuvas ácidas é bastante visível no interior do continente os monumentos budistas como o Buda gigante de Leshan e as grutas de Longmen, que apresentam marcas claras dos efeitos de acidez sendo crucial prevenir e proteger o património da RAEM”, começa por apontar o deputado, para perguntar “que me-
didas vão ser implementadas para monitorizar de forma permanente [o assunto], nomeadamente por especialistas da área da Química, de forma a prevenir os perigos de erosão irreversíveis sobre o património”. Mais ainda, Pereira Coutinho quer saber se vão ser adoptadas soluções de protecção através de “camadas impermeáveis”, por exemplo, para proteger as estruturas.
comum custa milhões de patacas (...), o que é uma pressão enorme para a vida dos trabalhadores”, aponta a carta também assinada por Rita Santos, presidente da assembleia-geral da ATFPM.
Olhar pelo futuro
Exigindo ainda mais casas para os funcionários públicos, Pereira Coutinho afirma que o Executivo tem de implementar medidas de longo prazo. “Os funcionários públicos de Macau ainda enfrentam muitos problemas, principalmente relacionados com a economia, equidade e aposentação. Portanto, na actual situação económica, a vida dos funcionários públicos de base está em apuros, pelo que sugerimos um ajustamento dos subsídios de residência existente. No entanto, os preços de Macau subiram ano após ano, então é só uma medida paliativa atribuir subsídios, mas a longo prazo a única maneira de resolver o problema é construir habitação para os funcionários públicos.” Elogiando o Executivo pelas medidas sociais de apoio à Função Pública que já criou, Pereira Coutinho fala da desaceleração económica de que Macau tem sido alvo. “Entendemos que o sector do Jogo de Macau tem entrado no período de adaptação e houve um declínio nas receitas do imposto. Mas como o Governo diz, a equipa de funcionários públicos é o recurso mais importante do Governo da RAEM, e também o desenvolvimento estável da sociedade de Macau.” Na carta enviada a Sónia Chan, é ainda referida a necessidade de “rever e reformar amplamente o sistema de contratação dos funcionários públicos”, bem como “consolidar os vários contratos de trabalho”. Segundo a ATFPM, “entre os funcionários públicos, o problema dos salários desiguais para o mesmo cargo têm existido há muito tempo, e a sua origem é o regime de assala-
CCAC Secretária promete mudanças em regulamentos caducados
riamento eventual e uma variedade de formas de contratos de trabalho. O sistema de contratação confuso resulta em arranjos confusos de tratamento, juntamente com a divisão incerta das categorias dos cargos”.
“Os preços de Macau são muito elevados, nomeadamente os das casas, seja para compra, seja para arrendamento (...) o que é uma pressão enorme para a vida dos trabalhadores” Pereira Coutinho Deputado e presidente da ATFPM
Quanto ao período de aposentação dos trabalhadores da Função Pública, a ATFPM exige que o Governo uniformize o regime de aposentação, regime de pensão de sobrevivência e o regime de previdência “entre todos os funcionários públicos e os do poder judicial”. É ainda pedida a criação de um subsídio especial “a fim de incentivar os trabalhadores a frequentar cursos em línguas chinesa e portuguesa”. Para a Associação, “todos estes problemas são enfrentados pelos funcionários públicos e alguns deles já existem há muito tempo e têm-se agravado. Se não forem resolvidos a tempo vão afectar a qualidade dos serviços prestados pelos funcionários públicos e o prestígio e a imagem pública do Governo”. Chui Sai On e os Secretários vão à AL em Novembro apresentar as LAG para o próximo ano.
Uma mudança a curto prazo nos regulamentos desactualizados para a venda de produtos alimentares foi o que prometeu Sónia Chan, Secretária para a Administração e Justiça. “Concordamos com o ponto de vista do CCAC. Estamos a tratar do procedimento de alteração do regulamento. Acreditamos que será em breve porque só se trata de uma alteração de um regulamento administrativo”, garantiu a Secretária, em declarações à rádio Macau. Em causa estão normas no licenciamento dos estabelecimentos para venda a retalho de Carnes, Pescado, Aves e Vegetais. Actualmente, o regulamento dita que cada local só pode vender um tipo de produto. No entanto, já está desactualizado. O mesmo acontece com o Regulamento dos Mercados Municipais que inclui normas que já não são aplicáveis. O Comissariado contra a Corrupção considera ainda que faltam regimes de fiscalização e sanções eficazes nesta área.
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
política 5
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
Cooperação AICEP com novas delegações na Ásia
Uma nova casa aqui e acolá
A Governo promete melhorar instalações das escolas
O
Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, garantiu que vai implementar medidas para que as escolas do território tenham melhores instalações. “O espaço e o ambiente escolares em Macau são factores importantes para o crescimento dos jovens. Eu sinto essa importância durante as visitas a diversas escolas, ao longo destes últimos meses, a fim de conhecer de perto a sua realidade. Neste sentido, estamos a estudar medidas para o seu melhoramento, procurando criar condições, de forma a ajudar, faseadamente e de forma específica, as escolas na melhoria das instalações, de modo que
possa se articular com a exigência da sociedade no futuro”, disse o Secretário num discurso proferido no âmbito da celebração dos 95 anos da Associação de Educação de Macau. Alexis Tam defendeu ainda que “a formação de quadros qualificados é considerada de grande importância pelo Governo e mesmo perante o ajustamento da economia local, o desenvolvimento educativo será colocado sempre numa posição privilegiada, pelo que iremos melhorar o hardware e o software da educação mediante a orientação das políticas, investimento de recursos, produção legislativa e aprofundamento da reforma, entre outros”.
Conselho de Ciência e Tecnologia com dois vice-presidentes
O
Conselho Executivo já concluiu a análise da revisão do regulamento administrativo do Conselho de Ciência e Tecnologia, que visa a criação de dois lugares de vice-presidente no organismo. Segundo um comunicado, estes cargos serão ocupadas pelo Secretário para as Obras Públicas e Transportes e “por um membro designado de entre as personalidades de reconhecido mérito nas áreas da Ciência, Tecnologia e Inovação, mediante despacho do Chefe do Executivo”, que não vem identificado. A alteração
visa ainda que “nos casos de ausência, falta ou impedimento, o presidente seja substituído por um dos vice-presidentes, consoante a ordem ali determinada”. O Conselho de Ciência e Tecnologia é presidido pelo Chefe do Executivo, sendo este substituído pelo Secretário para as Obras Públicas, Raimundo do Rosário, “nos casos de ausência, falta ou impedimento”. Criado em 2001, o organismo “é um órgão de consulta que tem por finalidade assessorar o Governo na formulação das políticas de modernização e desenvolvimento científico e tecnológico”.
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) inaugura hoje a nova delegação da agência na capital da Coreia do Sul, Seul. Miguel Frasquilho, presidente da AICEP, fará as honras da inauguração. Em declarações à TDM, o presidente explicou que a agência quer apostar na abertura de novas delegações na Ásia, incluindo Cazaquistão e Cantão, mas este último só depois da abertura do Consulado português naquela zona. “Estão reunidas as condições para que possamos, numa fase posterior, ter mais uma delegação da AICEP a funcionar”, afirmou, sublinhando que a China é já o país “no mundo onde a AICEP tem mais escritórios”. A aposta não fica só pelas infra-estruturas. Miguel Frasquilho adiantou ainda que a AICEP pretende apostar em recursos humanos. “Estamos a reforçar também a nossa presença, reforçando as equipas ao nível das nossas delegações na China, Japão e Indonésia”, declarou, estando ainda em hipótese futuros acordos com a região vizinha, Hong Kong.
Governo também quer
Na sexta-feira passada, também Lionel Leong, Secretário para a Economia
“Estamos a reforçar também a nossa presença, reforçando as equipas ao nível das nossas delegações na China, Japão e Indonésia” Miguel Frasquilho Presidente da AICEP
miguel manso
A AICEP está a apostar em novas delegações e recursos humanos no continente asiático. Hoje é inaugurada a nova delegação em Seul e mais estão para vir. Também o Governo quer apostar na presença nos países lusófonos e já está pronto a começar a fase de testes
e Finanças, reiterou que o Governo está a estudar a possibilidade de estabelecer delegações em Portugal e no Brasil para “oferecer serviços de consultoria às empresas de Macau e da China interior interessadas em investir nos países lusófonos”. Depois do Instituto de Promoção do Investimento e Comércio (IPIM) pub
ter anunciado a intenção, durante a cerimónia de abertura do V Fórum de Negócios dos Países de Língua Portuguesa – Macau – Jiangsu, no âmbito da XX Feira Internacional de Macau, Lionel Leong revelou que as delegações vão começar a título experimental, com o objectivo de levar as empresas locais e da China interior a co-
nhecer in loco o ambiente de investimento. É nestes dois países que os investidores chineses mostram mais interesse, e por isso, adiantou o Secretário, o Governo “planeia começar, a título experimental, a trabalhar naqueles dois países no próximo ano”. Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
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sociedade
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
Moçambique, Angola, Cabo Verde e a GuinéBissau querem criar parcerias com investidores chineses para estabelecer linhas de montagem de pescado que possam ir do mar às prateleiras de supermercado. A China mostrou-se disponível
MIF 2015 PLP querem mais apoios da China no sector da pesca
Processem que é preciso
taxa de inflação em Macau atingiu os 5,08% nos 12 meses terminados em Setembro e em relação aos 12 meses imediatamente anteriores, indicam dados oficiais divulgados na sexta-feira. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), os maiores crescimentos verificaram-se nos índices de preços das secções de habitação e combustíveis (+9,91%), bebidas alcoólicas e tabaco (+8,33%), saúde (+5,62%) e produtos alimentares e bebidas não
Papel local
“A vantagem para a China é que se trata de um negócio totalmente novo e desde que haja a intenção de fazer esse investimento, saindo da China, poderá haver possibilidade de obter a exclusividade na indústria da pesca” Rita Santos Conselheira das Comunidades Portuguesas
Os embaixadores de PLP africanos referiram estar em carência destes mecanismos, que englobam o próprio acto da pesca, o congelamento, tratamento e transporte dos produtos e, finalmente, a exportação e colocação dos mesmos na prateleira. “Tanto Moçambique como Angola estão interessadas em atrair investimento na área da indústria de pesca. Não só in loco nos países, a pescar, mas também fazendo parte de toda a linha de montagem desde aí até à exportação”, disse Rita Santos, a ex-secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e
Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Em declarações ao HM, a também Conselheira das Comunidades Portuguesas afirma que Moçambique tem “mais interesse em atrair investimento de empresários chineses para a criação de uma linha de montagem completa”. A relação entre os PLP e a China tem vindo a crescer, principalmente na área da construção de infra-estruturas como habitação social, pontes, estradas e outras edificações.
Cabo Verde quer mais
Por outro lado, um dos responsáveis de Jangsu presente no painel referiu
precisar de criar parcerias que fizessem com que empresas chinesas conseguissem sair da Ásia “para conhecer novos mercados”. Outro dos assuntos focados foi a criação de um centro ou secretariado de Jangsu em Cabo Verde. Não ficou, no entanto, bem esclarecida qual a cidade cabo-verdiana que vai receber o referido centro, que serviria para facilitar as relações entre as duas regiões. O embaixador Júlio Freire de Morais garante que a indústria piscatória de Cabo Verde está a florescer, mas argumenta que ainda assim é preciso que os seus produtos atravessem o mundo. “[O comércio de Cabo Verde] não é significativo [face à
alcoólicas (+5,30%). Em Agosto, a taxa de inflação nos 12 meses anteriores, face ao período homólogo, havia-se fixado nos 5,21% devido ao aumento dos preços em secções como a “habitação e combustíveis”. O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de Setembro subiu 4,23% face ao mesmo mês de 2014, num aumento que ficou a dever-se principalmente à subida das rendas de casa e dos preços das refeições adquiridas fora de casa, segundo indica a DSEC em comunicado. Face
“Às vezes não se concluem parcerias por simples falta de informação adequada de ambas as partes”, acrescentou. Na perspectiva da ex-secretária do Fórum, Macau tem “um papel preponderante” no estabelecimento destas relações. Não só devido à sua localização geográfica, mas também à sua capacidade de formar quadros falantes de mandarim e português. Tal ajuda, na opinião de Rita Santos, às negociações. Questionada sobre as vantagens para a China destas trocas comerciais com os PLP na área da pesca, a responsável afirma que tudo tem que ver com a hipotética exclusividade da própria indústria. “A vantagem para a China é que se trata de um negócio totalmente novo e desde que haja a intenção de fazer esse investimento, saindo da China, poderá haver possibilidade de obter a exclusividade na indústria da pesca”, justificou.
ao terceiro trimestre do ano, a subida foi na ordem dos 4,54%, enquanto no cômputo dos primeiros nove meses do ano – comparativamente ao período homólogo de 2014 – o IPC cresceu 4,79%.
Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Assinados 26 protocolos entre Portugal e vários países
Economia Taxa de inflação em 5,08%
A
realidade chinesa], mas acredito que podemos duplicar e até mesmo triplicar o nosso comércio”, anunciou. O responsável garantiu mesmo existirem “potencialidades” para que o volume de negócios crescesse. A língua é, para Rita Santos, aquilo que muitas vezes impossibilita a conclusão de processos de negociação. E Macau, neste âmbito, ajuda.
O
s embaixadores de Moçambique, Angola, Cabo Verde e Guiné-Buissau presentes na sexta-feira na Feira Internacional de Macau (MIF) querem mais apoio da China no sector da pesca. Isso mesmo confirmaram durante as intervenções feitas numa conferência sobre actividade piscatória e parcerias. O Embaixador de Angola em Pequim, João Garcia Bires, sublinhou a necessidade “profunda” do país em ter linhas de processamento de pescado, desde o alto-mar até à venda nas prateleiras de supermercados. “Gostaríamos de ver fortalecida a comunicação nas áreas da tecnologia (...) sustentabilidade, intercomunicação de informação e formação de professores”, disse o embaixador. A ideia transmitida pelos representantes dos Países de Língua Portuguesa (PLP) é que a ajuda da China é essencial na criação de um sistema de exportação de pescado de África para o mundo. O processamento do peixe foi o que mais atenção valeu no fórum dedicado ao tema da pesca, que teve lugar na presente edição da MIF.
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Foram assinados 26 protocolos de cooperação entre câmaras de comércio de Portugal, Macau, China, Hong Kong e Japão durante o segundo dia da Feira Internacional de Macau (MIF), na passada sexta-feira. Estes acordos abrangem uma vasta gama de produtos que vão desde as áreas da saúde e bem-estar, cosmética, materiais de construção, artigos para bebés, produtos energéticos, produtos sanitários e soalhos, entre outros. Entre as empresas envolvidas nos memorandos e acordos estão a local Banny International Trading, a Mingdaohuishi de Tianjin, as nipónicas Norino e Euglena, a Techonovative Asia de Hong Kong ou a Torrão Vivo, de Portugal. Durante a cerimónia de abertura das bolsas de contactos para a criação de negócios PME, que teve lugar no mesmo dia, foram feitas 283 sessões de compra, que contaram com a participação de “compradores profissionais”.
8 sociedade
São Januário Recusa de autópsia por família leva hospital ao tribunal
A morte de uma paciente e consequente recusa de autópsia está a ser investigada pelas autoridades judiciais. A família da paciente - doente com cancro do esófago – recusou o pedido de autópsia do Centro Hospitalar Conde de São Januário, tendo o hospital seguido com o caso para tribunal. A mulher havia sido operada no passado dia 8, depois de, em Setembro, de acordo com um comunicado dos Serviços de Saúde (SS), se ter dirigido ao serviço de cirurgia para marcar uma operação, que acabou por ficar concluída no início deste mês. A doente foi então transferida para os Cuidados Intensivos por se encontrar em estado grave, mas de acordo com os SS, o seu estado “piorou subitamente” na semana passada. “Perante a situação, o pessoal médico procedeu a todas as manobras de socorro, sem sucesso. A doente acabou por falecer”, refere o documento. O hospital pediu então à família da doente que autorizasse a realização de uma autópsia para verificar as causas da morte, mas esta não aceitou, pelo que o hospital “declarou o caso junto do órgão judicial”. O caso está “a ser investigado e tratado pelo órgão judicial que irá averiguar aprofundadamente as causas da morte da doente”, referem os SS. Este é o terceiro caso de morte do São Januário que vai parar ao tribunal, depois de duas mortes que envolviam um bebé de cinco meses e uma mulher idosa.
Trabalhador ferido nas obras do EPM
Um trabalhador ficou ferido na passada sexta-feira enquanto trabalhava nas obras de pintura do Estabelecimento Prisional de Macau (EPM). Segundo um comunicado, o trabalhador, “no decorrer das obras, enquanto subiu o andaime, por descuido caiu ao chão e ficou ferido”. O trabalhador estaria a usar capacete e cinto de segurança, tendo sido encaminhado ao hospital de imediato. “O ferido manteve-se consciente durante o transporte”, aponta ainda o comunicado, que revela ainda a preocupação do EPM em manter as regras de segurança. “Suspeitase preliminarmente que alguém não tivesse cumprido os procedimentos de segurança de trabalho em altura. O EPM presta imensa atenção ao caso, já emitiu ofício ao empreiteiro em causa, avisando este a prestar maior atenção à segurança industrial, entretanto, reforçar a concretização da supervisão e da execução dos procedimentos de segurança dos operários.”
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
A DSPA começou sábado com uma série de projectos na Areia Preta que visam resolver o problema do mau cheiro sentido na zona. Entre eles está a construção de um dique e de uma estação elevatória que vai desembocar longe da população
DSPA implementa “plano de emergência” para Areia Preta
Vai cheirar tão bem
A
zona da Areia Preta está a ser sujeita, desde sábado, a um plano de emergência que visa a melhoria ambiental e deverá demorar três meses. O projecto, desenvolvido pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) e pela Direcção de Serviços dos Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA), visa a conclusão da instalação de tubos de águas residuais na Estrada Marginal da Areia Preta e a instalação de uma estação elevatória na ETAR da península com o alargamento das bocas de descarga para distanciar o lixo da população. Foi ainda aumentado o número de inspecções aos restaurantes. “Iniciaram-se em 24 de Outubro de 2015 as obras de emergência para diminuir a poluição encontrada na zona costeira da Areia Preta, em conformidade com um programa de emergência para a atenuação do problema”, escreve a DSPA em comunicado. As lamas depositadas ao longo da rota que vai do Centro de Actividades do Bairro da Areia Preta até frente à Avenida da Ponte da Amizade vão ser removidas na zona de águas baixas da costa. A iniciativa será levada a cabo por navios. Isto para, explica a mesma entidade, “reduzir o impacto causado pelos odores aos cidadãos”, um problema que tem vindo a tornar-se problemático para os habitantes da zona já há alguns anos.
Separar águas
“Além disso, será construído um dique de separação no leito de águas profundas, evitando assim que as lamas sejam levadas pelas correntes para as zonas costeiras de águas baixas, o que pode afectar o efeito das respectivas obras de emergência”, acrescentam.
“Iniciaram-se em 24 de Outubro de 2015 as obras de emergência para diminuir a poluição encontrada na zona costeira da Areia Preta, em conformidade com um programa de emergência para a atenuação do problema” Comunicado da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental
O período de finalização deste projecto de emergência vai até final de Dezembro devido ao facto dos navios de apoio à obra não poderem navegar em águas pouco profundas, como acontece neste momento. A questão do mau odor naquela zona, em grande parte provocada pelas obras de construção da ponte de ligação entre Macau,
Hong Kong e Zhuhai, valeu mesmo a ida do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, à Assembleia Legislativa, para responder a perguntas dos deputados. “Por causa dos seus [pequenos] diâmetros, os esgotos facilmente se entopem. O maior problema tem a ver com a Ponte do Delta, é como se fosse um muro, que
tornou a Areia Preta num ponto sem fluxo. A acumulação da lama está no ponto a que assistimos hoje e com a construção desse muro parece que estamos num beco sem saída”, referiu Raimundo do Rosário, numa das suas idas ao hemiciclo, em Agosto passado. Contudo, as reclamações não vêm só dos deputados: também os moradores e associações daquela zona têm apresentado uma série de queixas devido ao mau cheiro sentido. O referido plano de emergência foi implementado através das conclusões de um estudo encomendado pela DSPA a uma instituição cujo nome não foi referido. O HM tentou saber mais sobre a pesquisa, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
sociedade 9
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
Depois do anúncio de que a Uber está já em operações em Macau, o Governo emite um comunicado onde refere que a actividade é ilegal. A empresa, no entanto, continua a servir os clientes do território
O
s serviços prestados pela Uber são ilegais. É o que diz o Governo, que assegura estar a investigar o caso, depois da empresa – que continua a operar – ter anunciado o início
Uber Governo diz que serviço é ilegal. Empresa não comenta
Em operação contínua
“Precisamos de recolher mais informação antes de percebermos se alguma agência de viagens utilizou serviços através da Uber. Há questões que temos de analisar para saber até que ponto a Uber violou as leis de Macau” Helena de Senna Fernandes Directora da Direcção dos Serviços de Turismo
da sua actividade na semana passada. De acordo com a imprensa em Chinês, tanto a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), como a PSP anunciaram num comunicado conjunto
que o serviço prestado pela Uber – de transporte privado de passageiros – é ilegal. O comunicado, emitido na quinta-feira à noite e sem tradução para Português até ao fecho desta edição, ontem, alega que os moto-
Ng Lap Seng Arguidos declaram-se inocentes
O empresário Ng Lap Seng e John Ashe, antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, disseram estar inocentes dos crimes de que são acusados. Ng Lap Seng responde neste processo por corrupção e branqueamento de capitais por ter, alegadamente, subornado John Ashe. O embaixador vai acusado de fraude fiscal, mas tem imunidade diplomática. A sessão em tribunal foi agendada depois de terem sido deduzidas novas acusações. Ng Lap Seng está em prisão domiciliário, em Manhattan, com pulseira electrónica.
ristas estão inclusive sujeitos a multas que podem atingir as 30 mil patacas. O HM também tinha questionado a DSAT sobre o assunto na quinta-feira, mas não recebeu qualquer resposta.
Turismo atento
O comunicado indica que para um veículo efectuar um serviço de transporte pago tem de estar registado junto do Governo, como
táxi. Segundo a página de notícias Macau News, que cita o comunicado, a PSP estará a investigar a actividade “de perto”, para perceber as ilegalidades cometidas pela empresa. O mesmo assegurou Helena de Senna Fernandes, directora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST). “Não há nenhuma agência de viagens registada como Uber”, começou por dizer a
responsável citada pela TDM, referindo-se ao outro serviço que pode cobrar por viagens de carro. “Não há nenhuma aplicação [registada cá] chamada Uber ou que pertença a qualquer agência de viagens. Precisamos de recolher mais informação antes de percebermos se alguma agência de viagens utilizou serviços através da Uber. Há questões que temos de analisar para saber até que ponto a Uber violou as leis de macau”, finalizou. Contactada pelo HM, a Uber diz não querer comentar. O contacto da empresa para com os média assegura que “não há comentários a tecer neste ponto” além do que foi escrito num comunicado na semana passada e que anunciava o início da actividade. O HM tentou perceber se a empresa pediu algum tipo de licença para entrar no mercado da RAEM junto do Governo, mas não foi possível obter resposta. O porta-voz assegurou, contudo, que a empresa continua em operação e a “servir os clientes de Macau”. Joana Freitas
Joana.freitas@hojemacau.com.mo
Protestos por causa de sala de fumo
OMS Medicamento para Hepatite C não tem de ser imediato
V
ários especialistas afirmaram na 66ª Sessão do Comité Regional para o Pacífico Ocidental da Organização Mundial de Saúde (OMS) que “não é necessário usar tratamento de forma imediata na maioria dos doentes infectados pelo vírus de Hepatite C”. Para além disso, “prevê-se que o preço dos novos medicamentos diminua substancialmente nos próximos anos, pelo que os departamentos de saúde governamentais não necessitam de adquirir imediatamente e de forma generalizada um novo medicamento”, apontou um comunicado. Estas declarações foram proferidas depois do director do hospital Conde de São Januário, Kuok Cheong U, ter feito uma apresentação “do plano de implementação dos trabalhos realizados em Macau no domínio de prevenção e controlo das hepatites virais”, sendo que “um dos temas que
suscitou atenção de todos os representantes de saúde foi a utilização do novo medicamento, com elevados custos, no tratamento da Hepatite C”. Recorde-se que em Julho deste ano os Serviços de Saúde (SS) emitiram um comunicado onde apontavam que o medicamento Sofosbuvir, com um preço elevado, não iria ser comparticipado para já, por se encontrar ainda em fase experimental. “Em conformidade com o relatório do estudo clínico, o novo medicamento de administração [Sofosbuvir] via oral produz efeito terapêutico. Contudo, o referido medicamento está ainda em fase de terapêutica experimental, sendo obrigatório proceder a uma avaliação rigorosa dos resultados de tratamento e efeitos secundários”, apontaram os SS na altura. A.S.S.
• Funcionários da Wynn manifestaram-se ontem no interior do casino, alegadamente porque uma sala de não fumadores do espaço de jogo foi transformada em sala para fumadores, como disse fonte próxima ao HM. O HM tentou chegar à fala com a Wynn, mas até ao fecho da edição não foi possível receber qualquer esclarecimento.
eventos
Novo seminário da Docomomo acontece amanhã
É já amanhã que o anfiteatro do Instituto de Formação Turística (IFT) acolhe o segundo seminário da Docomomo Macau, intitulado “Re-interpreting at XX century architecture through adaptuve reuse”. Ana Tostões, presidente da Docomomo International, é uma das convidadas, juntamente com Katty Law, do Central and Westeren Concern Group e Rui Leão, presidente da Docomomo Macau. O objectivo do seminário é não só discutir a arquitectura moderna como “a necessidade de políticas para enquadrar e implementar as melhores práticas na preservação do património”. A entrada é livre e o seminário tem início às 18h15.
Cerâmica Kristina Mar na Fundação Rui Cunha
Kristina Mar é uma artista portuguesa radicada no Japão e vem apresentar a sua colecção de obras de cerâmica à Fundação Rui Cunha, de 3 a 10 de Novembro. “Cerâmica para a Vida” inaugura às 18h30 do próximo dia 3, numa mostra que já esteve patente em galerias no Japão e alguns países da Europa. “As instalações apresentam um conjunto de objectos que podem ser usados no quotidiano, como vasos de flores, copos de chá etc., em que foram usadas várias cores e padrões resultantes numa clara mistura de design original com padrões de tecidos antigos”, explica a organização. Kristina Mar é natural de Coimbra e viveu no território entre 1989 e 1991, onde diz ter-se fascinado pelo Oriente. Mudou-se, depois, para o Japão.
Instituto Mateus Ricci Palestra sobre liderança “Liderança responsável e empreendedorismo: como resolver dilemas éticos” é o nome do fórum que irá decorrer no Instituto Mateus Ricci a 5 de Novembro. Com vários convidados, a organização está a cargo da Rothlin International Management Consulting Co. Ltd. As inscrições já estão abertas.
hoje macau segund
A residência consular MAP Atelier de arquitectura português cria peça interactiva na r – antigo Hotel Belavista – tem agora um espaço de sombra inteiramente feito de escadotes de madeira e atilhos plásticos. A ideia, pensada por Diogo Aguiar e João Jesus, foi montada por um colectivo de interessados em levar a arte mais longe. A organização cabe à BABEL
“É altura dos casinos hoje macau
10
S
obre o pôr do sol singular que só da residência consular é visível, o HM esteve à conversa com dois arquitectos da LIKEarchitects, um atelier português sediado no Porto. Os dois dedicam-se àquilo que chamam de “arquitectura convencional”, mas o talento recai sobre um projecto de matriz mais interactiva, que se insiram no espaço urbano das cidades. E para Diogo Aguiar, em Macau, “é altura dos casinos retribuírem à cidade” a oportunidade que lhes foi dada para crescer, numa perspectiva de criar mais actividades relacionadas com arte e cultura. Foi a pensar nisso que os dois arquitectos do atelier português prepararam, juntamente com os alunos do workshop que antecederam a inauguração da obra, uma peça interactiva feita de escadotes de madeira e atilhos plásticos. Empilhados de forma lateral, criam uma espécie de cúpula de sombra que permite aos visitantes entrar e sair por vários lados. O workshop durou cerca de uma semana e a exposição inaugura hoje, podendo todos os interessados ver o pôr-do-sol debaixo de um conjunto de escadotes bem montados. A mostra estará patente na residência
À venda na Livraria Portuguesa Histórias de Ver e Andar • Teolinda Gersão
“Histórias de Ver e Andar” foi o nome dado pelos árabes às narrativas de viagem, em épocas de descobrir mundos. Mas não é necessário ir longe para mudar de horizonte: o desconhecido mora ao lado, e também dentro da nossa porta. Reconhecê-lo – ou não – depende do modo de ver. E do modo de andar. «No fim de cada um destes contos descobriremos que a vida, a nossa própria vida, não estava exactamente no lugar que pensávamos. […] Teolinda sobe as escadas do banal quotidiano para alcançar a câmara escura do ser.» – Linda Santos Costa, Público.
“A própria cidade tornou-se refém desta proliferação de casinos e é o momento em que tem que reflectir e pensar no que é que pode pedir em troca às operadoras” Diogo Aguiar Arquitecto
consular até 1 de Novembro e tem entrada gratuita. Para chegar ao protótipo final, explica João Jesus, foi preciso um dia e meio. “Fizemos vários estudos da forma como poderíamos encaixar [os escadotes] com a premissa de não danificar o objecto e tentar criar espaços, explorámos vários tipos de encaixe de forma a alcançar o objectivo pretendido”, informou o arquitecto, em conversa com o HM. Este, acrescenta Diogo Aguiar, é
“um trabalho colectivo”, que não conta somente com a assinatura do atelier do Porto.
Para tudo e todos
Os conceitos aqui postos em prática destinam-se a um público mais geral, ao transeunte comum, nada de “arquitectura para arquitectos”, como se diz de tantos edifícios de conhecidos profissionais. “Temos reparado que há uma grande identificação por parte das pessoas
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
A Última Missão • José Manuel Barata-Feyo
Baseado em factos reais, esta é a história desconhecida do derradeiro herói do império português. O Serviço de Intervenção Rápida no Exterior (SIRE) nasceu durante a ditadura de Salazar para actuar clandestinamente em países que faziam fronteira com o império colonial português. De entre as missões especiais atribuídas aos seus “comandos”, uma delas foi levada a cabo pelo herói deste romance. Esta história nunca existiu, tal como o SIRE não existe. Oficialmente.
eventos 11
da-feira 26.10.2015
residência consular
retribuírem à cidade” instalações, palestras, cinema e outros eventos, a ideia é, assegura a fundadora da BABEL, Margarida Saraiva, trazer a arte para a rua e permitir que as pessoas interajam com esta. Enfim, fazer com que a cidade alicie a mais do que passar de carro.
Arquitectura inconvencional
Embora os LIKEarchitects sejam um atelier de arquitectura, não dão prioridade à criação de projectos como os conhecemos. Antes, como explica Diogo, fazem projectos “não convencionais”. E como se transporta este ideal para a materialização de uma estrutura? Através do emprego de objectos do dia-a-dia. Criam o abrigo de exposições, conferências e várias outras iniciativas. O repertório dos LIKEarchitects conta com poucas obras de arquitectura “convencial”, mas também com um prémio internacional na China atribuído a um destes projectos, no Idea Tops. “Geralmente, é o cliente quem define o programa e, quando estudamos isso, procuramos encontrar um objecto que melhor responda às premissas do cliente”, explicou Diogo. Por exemplo, em busca de algo para albergar uma exposição do artista Andy Wharhol – num centro comercial em Lisboa –, o colectivo
pub
quando percebem que as coisas são construídas a partir de materiais que reconhecem”, conta Diogo. Questionado sobre o facto de em Macau a construção ser um sector em constante crescimento, mas não haver uma aposta clara na arte e cultura, Diogo não tem dúvidas: o sector do Jogo tem que começar a retribuir à região pela oportunidade que lhes foi dada. “A própria cidade tornou-se refém desta proliferação de casinos e é o momento em que tem que reflectir e pensar no que é que pode pedir em troca às operadoras”, sugere Diogo. “Temos uns edifícios todos sumptuosos e depois ao lado uma massa cinzenta de edifícios de habitação por reabilitar e uma série de torres a nascer por trás. Foi um impacto de contraste”, confessa. Ambos os arquitectos consideram que existem, sim, intenções de fazer crescer estes ambientes na cidade, mas ainda “muito pontuais”. Para a BABEL, a série de projectos MAP vem suscitar o interesse da população para a arte e cultura contemporâneas. Através de um programa vasto que inclui workshops,
optou por usar latas de tinta para servir de paredes à mostra temporária. “Esta arquitectura mais experimental é resolvida através do protótipo, ou seja, parte da forma como o nosso trabalho começou”, disse Diogo. O trabalho destes jovens – na casa dos 30 – ganhou vida através da vontade comum de construir e fazer acontecer. Em Portugal, explica, “as coisas não têm a velocidade que têm em Macau” e é complicado um atelier tão recente pôr logo as mãos na massa de grandes projectos. “Dedicamo-nos a projectos mais pequenos, em que a arquitectura possa ser, em grande parte, controlada por nós, incluindo o orçamento, o transporte e outras coisas”, continua Diogo. São os “acontecimentos efémeros” que mais sentido fazem para estes jovens. Por quê? A razão é simples: “permite-nos experimentar muito mais, levar conceitos ao limite”, dizem. A ideia é tirar partido dos objectos e criar espaços completamente novos, que os próprios arquitectos desconheciam até verem feito. No entanto, é no curso de Arquitectura que está a base de tudo isto. “Trazemos da nossa formação muitos dos elementos e formas de pensar para o nosso trabalho”, explica João. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Orquestra Berezovsky estreia-se em Macau
O
pianista Boris Berezovsky chega a Macau em Dezembro para um concerto de estreia no território. Natural de Moscovo, e representante da Escola Russa de Piano, o músico junta-se à Orquestra de Macau para apresentar o concerto “O Grande Pianista: Boris Berezovsky e a Orquestra de Macau”. Aclamado como sendo “um artista excepcionalmente promissor e um intérprete de virtuosismo estonteante e um poder formidável”, Berezovsky sobe ao palco do auditório da Torre de Macau no dia 12 de Dezembro pelas 20h00. Boris Berezovsky é natural de Moscovo e venceu a Medalha de Ouro no Concurso Internacional Tchaikovsky de 1990, em Moscovo. “Boris Berezovsky tem vindo a consolidar uma grande reputa-
ção como o mais poderoso dos pianistas virtuosos e como um músico dotado de uma visão única e grande sensibilidade. Nesta ocasião, Berezovsky associa-se ao maestro alemão Andreas Delfs, o qual tem dirigido, há várias décadas, inúmeros concertos na Europa e nos Estados Unidos, na execução do impetuoso Concerto para Piano de Aram Khatchatourian. Na segunda parte do concerto, a Orquestra de Macau interpreta a Sinfonia N.º 6 em Ré Maior de Antonín Dvořák, resultando num programa com uma aura rica em exotismo, pelo qual valerá certamente a pena espera”, explica a organização. Os bilhetes para este concerto estão à venda e custam entre cem a 350 patacas. J.F.
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hoje macau segunda-feira 26.10.2015
china
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
E
m Angola, os empregados do grupo China International Fund “tinham os melhores salários entre os trabalhadores chineses” e “viajavam no avião particular do chefe” conta à Lusa uma funcionária de Pequim, que viveu dois anos em Luanda. O “chefe” é Sam Pa, um empresário que “era recebido no aeroporto de Luanda pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos”, mas cuja “origem do poder, ninguém sabia explicar”. Pa, cuja verdadeira identidade e funções permanecem ocultas por detrás de uma opaca teia de relações, foi detido, no início deste mês, num hotel na capital chinesa. Nascido na China continental e emigrado em Hong Kong, o empresário lidera um consórcio com sede na Queensway 88 - um endereço onde aparecem registadas centenas de sociedades de estrutura accionista difusa. “Durante a última década, Pa ergueu-se da obscuridade para conseguir negócios em cinco continentes no valor de dezenas de milhares de milhões de dólares”, escreveu o Financial Times em 2014, num artigo de investigação. O trabalho, assinado pelo jornalista Tom Burgis e autor do livro ‘A Pilhagem de África’, refere que o empresário “possibilitou a grandes grupos estatais chineses o acesso aos recursos naturais africanos”.
Destino de eleição
Na viragem do milénio, e sob a ordem do ex-presidente chinês Jiang Zemin, as empresas estatais foram incitadas a captar projectos além-fronteiras e a aceder
Ascensão e queda do intermediário chave entre a China e África
Império em declínio
Sam Pa
a recursos imprescindíveis ao rápido desenvolvimento da China. “África surgiu como o destino ideal, mas era ainda território desconhecido para os líderes em Pequim”, escreveu Burgis. Educado na União Soviética e com negócios em Angola que remontam à guerra civil, Sam Pa foi ágil a reagir ao apelo do Governo chinês: em 2003, viajou até Lisboa, para se reunir com o empresário Hélder Bataglia. Bataglia, 68 anos, é presidente da Escom, a empresa que assessorou o consórcio alemão vencedor da venda dos submarinos pelo Ministério da Defesa português, operação que ficou sob investigação. Os dois viajaram então para Pequim, onde Bataglia
se reuniu com representantes de grupos chineses, ávidos por alguém capaz de abrir portas além-fronteiras. “Vamos cooperar, porque a nós falta experiência neste ramo”, ouviu o empresário luso-angolano, segundo contou ao FT. “Os dois viraram-se então paraAngola”, recorda o jornal. Após uma prolongada guerra civil que arruinou grande parte das infra-estruturas do país, o apoio chinês chegou na altura certa, face à reticência das nações ocidentais em cooperarem com o Governo de José Eduardo dos Santos. “Os contratos entre a China e Angola foram anunciados como um acordo entre Estados, mas, nos bastidores, um negócio paralelo ganhou forma, unido o poder
BC Economia vai continuar a crescer entre 6% e 7%
A
economia chinesa tem condições para crescer a uma taxa anual de entre 6% e 7%, ao longo dos próximos três e cinco anos, disse este sábado um vice-director do Banco do Povo da China (PBOC). “No futuro, a economia continuará a crescer a um nível relativamente rápido. Cerca de 7%, ou seis e qualquer coisa ao ano. Este será o novo normal”, disse Yi Gang, vice governador do Banco Central do país. A instituição anunciou na sexta-feira um corte de 0,25 pontos percentuais na sua taxa de juro directora e uma diminuição nas reservas obrigatórias dos bancos. Foi a sexta descida das taxas em menos de um ano, que deverão permanecer num “nível razoável”, visando reduzir a dívida das empresas, indicou o responsável.
A economia chinesa registou no terceiro trimestre deste ano o mais baixo crescimento desde o pico da crise financeira internacional (6,9%), mas dentro da meta do Governo chinês para 2015, “cerca de 7%”. Entre Junho e Setembro, o Produto Interno Bruto chinês aumentou para 48,78 biliões de yuan. Trata-se de uma queda de 0,1%, face à taxa registada no trimestre anterior, e um decréscimo de 0,5 pontos percentuais, em termos homólogos. Sobre a volatilidade na bolsa de Xangai, que desde meados de Junho desvalorizou-se 35%, Yi referiu que se tratou de um ajustamento no mercado de capitais do país. Desde o início do século XXI, e até 2011, a economia chinesa cresceu sempre acima dos 8% ao ano e em 2007 atingiu os 13%.
político com interesses privados”, refere Burgis. Pa aproximou-se então de Manuel Vicente, ex-chefe da petrolífera angolana Sonangol e actual vice-Presidente de Angola, tendo ambos registado uma ‘joint-venture’ em Queensway que se apoderou dos direitos de um importante bloco de produção de petróleo do país. O bloco 18, cuja exploração pertencia à holandesa Shell, foi trespassado à Sinopec, mas sempre na condição de a petrolífera chinesa se associar ao grupo de Queensway. A seguir, o grupo replicou a mesma matriz em várias outras explorações de petróleo em Angola, assumindo parcerias com multinacionais de diversos países.
Outras réplicas
Mas a ambição do empresário não se limitou às
pub
“A queda de Pa deverá gerar ondas de choque entre os Estados e governos africanos onde durante anos este firmou pactos” Tom Burgis Jornalista e autor do livro ‘A Pilhagem de África’
fronteiras angolanas: “Após aprender a manobrar as suas alianças na China e África, Pa exportou o modelo, especialmente para Estados párias, onde poucos se atreviam a envolver”. Em 2014, o financiamento e venda de armas a vários regimes déspotas africanos, especialmente ao
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governo de Robert Mugabe, no Zimbabué, em troca de acesso às riquezas naturais, levaram os EUA a impor várias sanções a Sam Pa. Pequim vincou também o seu distanciamento quanto ao empresário: “O Governo chinês não tem nada a ver com as suas operações”, disse então um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mas, “apesar de desconfiarem de Pa, os donos do poder na China precisavam dele”, lê-se no FT. Agora, e num período em que a persistente campanha anti-corrupção em curso no país tem varrido o sector estatal, as regras poderão mudar. “Pequim tem deslocado a base das suas relações com África de laços pessoais para instituições mais formais, como bancos multilaterais de desenvolvimento”, escreve Tom Burgis. “A queda de Pa deverá gerar ondas de choque entre os Estados e governos africanos onde durante anos este firmou pactos”, conclui. João Pimenta Lusa
h
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artes, letras e ideias
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J
ing Hao “Bifa Ji”
Notas Sobre o Método do Pincel
«O espírito faz com que o coração (a inteligência) siga os movimentos do pincel e apreenda sem hesitações a forma das coisas. A harmonia consiste em estabelecer formas correctas e perfeitas que não sejam convencionais. O pensamento faz com que deduzas e destaques o essencial e te concentres nas formas das coisas. O panorama (é estabelecido) pela observação das leis das estações, ao olhar para o maravilhoso (ou misterioso) e encontrando a verdade. O trabalho do pincel significa seguir as regras mas ao mesmo tempo ser livre e flexível no movimento, para que tudo pareça flutuar e movimentar-se. As tonalidades da tinta (devem ser) alta e baixa, espessa e diluída, de acordo com a profundidade ou a falta de profundidade dos variados tipos de coisas; a coloração destas, tão óbvia que nem pareça ter sido colocada com o pincel.1» Ele disse ainda: «Existe o pintor divino (shen)2, o maravilhoso (ou misterioso: miao), o original (qi) e o hábil (qiao)3.
1 - A novidade da formulação de Jing Hao seria longamente celebrada:
que pode ser desenvolvida pelo esforço pessoal. Note-se que seguir o
das Seis Regras de Xie He apenas as duas primeiras diziam respeito à
Céu, no entendimento de Confúcio, é garantir o bom funcionamento do
filosofia estética e plástica, e as outras quatro a aspectos particulares
Dao, essa entidade impessoal que regula o funcionamento das coisas.
da técnica (semelhança, cor, composição, cópia); Jing Hao acentua as
Como disse o Mestre: «Foi o Céu que fez nascer em mim a força da
duas primeiras e coloca a pintura sob o ângulo da sua tripla essência:
Virtude.», (Conversações, Lunyu, VII, 22)
espiritual (o Sopro, qi, o Ritmo, yun e o Pensamento, si), natural (o
3 - A hierarquia de qualidades de Jing Hao de onde deriva uma
panorama ou cenário natural, jing) e plástica (o pincel, bi e a tinta,
teoria crítica sobre os defeitos na pintura que ele distingue em duas
mo). (Veja-se Pierre Ryckmans: Les Propos Sur la Peinture du Moine
espécies: os que relevam da forma, e da «beleza decorativa», que
Citrouille-Amère, Plon, France, 2007, p.220)
são relativos e susceptíveis de emenda; e uma categoria fundamental
2 - A palavra tem naturalmente um sentido diferente do que lhe é
e irremissível que releva da «verdade» da pintura e que afecta a
atribuído no Ocidente: trata-se de uma qualidade inata do espírito
essência mesma da concepção pictórica. (Ver Pierre Ryckmans, idem.)
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
artes, letras e ideias 15
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
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( F ) utilidades
tempo
muito
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nublado
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hum
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euro
8.79
baht
0.22
Cineteatro
O que fazer esta semana Exposição “Suspensão”, de Hoi Chong (até 31 outubro) Creative Macau Entrada livre
yuan
1.25
Cinema
Bridge of spies Sala 1
Goosebumps [b]
Filme de: Rob Letterman Com: Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush 14.30
Filme de: Steven Spielberg Com: Tom Hanks, Mark Rylance, Amy Ryan, Alan Alda 14.30, 16.45, 21.30 Sala 3
Our times [b]
Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 16.30, 19.15, 21.45 Sala 2
Bridge of spies [B]
crimson peak [C]
Filme de: Guillermo Toro Com:Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston 14.30, 21.30
Goosebumps [b]
Filme de: Rob Letterman Com: Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush 16.45, 19.30
World Press Photo Casa Garden Entrada livre
Aconteceu Hoje
26 de outubro
Proclamada República do Vietname Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre
U m d i sco hoj e “Almost Visible Orchestra [A.V.O]” (Noiserv A.K.A. David Santos) Exposição de Arte Contemporânea de Alex da Silva 11h00 às 19h00 (até 08/11) Galeria Ho Hin, Clube Militar Entrada gratuita Exposição “Tensão de Talento” (até 15/11) Museu de Arte de Macau Entrada livre Exposição “Aguadas da Cidade Proibida”, de Charles Chauderlot (até 07/2016) Museu de Arte de Macau Entrada a cinco patacas
Lançado em 2013, “Almost Visible Orchestra [A.V.O]” nunca perderá a actualidade. Há dez anos, David Santos criou noiserv, um projecto carregado de criatividade e qualidade. Destacando-se pela aposta na intimidade musical, noiserv voltou a brilhar no seu último álbum lançado. Um trabalho mais “denso e complexo que os anteriores mas nunca perdendo a identidade pela qual se deu a conhecer”, é assim que o artista o classifica “A.V.O.”. O pulo do preto e branco para as cores confirmou aquilo que se suspeitava: David Santos é dos artistas mais completos da sua geração. As influências são claras. “Se tivesse nascido música gostava de ter sido feito pelos Sigur Rós” e “a haver uma banda sonora, seria uma dos Radiohead ou do Yann Tiersen, uma qualquer do Eddie Vedder mais umas quantas dos Explosions In The Sky... Jeff Buckle...já seria um dia bem passado”, disse. Filipa Araújo
fonte da inveja
•A 22 de Outubro de 1955 é proclamada a República do Vietname do Sul. Permanece até 1975 como resultado da divisão do país na Conferência de Genebra. A República do Vietname do Sul foi proclamada um ano após a independência, neste dia, em Saigão por Ngo Dinh Diem, que depôs o imperador Bao Dai. Ngô Đình Diệm Jean Baptiste governou até 1963, quando foi deposto e executado. Os ancestrais da sua família foram convertidos ao catolicismo por missionários portugueses ainda no século XVII, o que lhe deu também o sobrenome católico de Jean Baptiste, e o seu pai tornou-se um mandarim e conselheiro do Imperador da Indochina durante a colonização francesa, dando um status à família que fazia Diem apregoar ser descendente e integrante de uma nobreza real de sangue-azul. A sua presidência, após a proclamação da República do Vietname, foi marcada por autoritarismo, perseguição religiosa, nepotismo e corrupção. Dois dos seus irmãos comandavam politicamente regiões no interior do país através de exércitos privados e polícias secretas, enquanto outro era designado embaixador do Vietname nos Estados Unidos e o mais velho empossado como Arcebispo de Hué. O seu irmão mais novo era conhecido por contrabandear arroz, explorar resultados de lotarias, extorquir dinheiro de homens de negócios e a mulher dele era oficialmente a primeira-dama – porque Diem era solteiro - e comandou os programas sociais, ideológicos e religiosos de Diem, a fim de reformar a sociedade de acordo com os valores estabelecidos pelo presidente. O seu governo notabilizou-se por torturar e matar suspeitos de simpatia pela doutrina, perfazendo um total aproximado de 50 mil mortos e 75 mil prisioneiros durante os seus oito anos no poder. Diem rapidamente se tornou um ditador, de tal modo que a corrupção levou os militares a depô-lo e finalmente a matá-lo em 1963. Os militares mudaram o sistema político para o parlamentarismo, mas não conseguiram estabilizar o país.
João Corvo
Existe o amor? — Surpreendentemente, sim.
opinião
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
Rui Flores
ruiflores.hojemacau@gmail.com
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dissonâncias
O
s números justificam a interrogação. Só no que diz respeito aos deslocados do conflito na Síria haverá neste momento mais de 10 milhões de pessoas longe das suas casas, 40 por cento dos quais no estrangeiro. Ao contrário da narrativa que alguma imprensa internacional tenta fazer passar e a ideia que a sucessão de cimeiras da União Europeia possa transmitir, a maior parte dos refugiados não está no interior das fronteiras da Europa. Segundo dados da Organização Internacional das Migrações (OIM), até Outubro terão chegado à Europa cerca de 650 mil pessoas, muitas oriundas da Síria e do Iraque, mas também da Eritreia, da Somália ou do Afeganistão. O país que mais refugiados acolheu até agora é a Turquia, onde se encontrarão à volta de 2 milhões de sírios. Este número explica a disponibilidade da União para custear parte da despesa de Ancara com os refugiados. A oferta de 2 mil milhões de euros teria um objectivo muito claro: garantir que os turcos mantivessem as fronteiras da Turquia com a Grécia fechadas a não europeus. Além da Turquia, onde estarão perto de 20 por cento de todas as pessoas que saíram da Síria desde o início da guerra civil, em 2011, só no Líbano, um Estado com pouco mais de 5 milhões de pessoas, haverá mais de 1 milhão de Sírios. Em termos globais, segundo dados do Alto do Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), ainda encabeçado por António Guterres, há por esta altura 60 milhões de deslocados em todo o mundo. Um número mais elevado do que em qualquer outro momento desde o fim da II Guerra Mundial, há 70 anos. A grande preocupação para muitos responsáveis políticos da União Europeia nos últimos meses tem sido a de travar a vaga tão grande de candidatos a asilo, mas também a emprego. Tem sido esse o sentido das decisões tomadas pelos 28 Estados-membros nas cimeiras, a começar pela mais recente, de “pagar” à Turquia para manter os refugiados fechados no seu território, ou a mais “antiga” de aceitar apenas 160 mil pessoas no interior da União nos próximos dois anos. Isto já para não mencionar as decisões individuais de países como a Hungria, que construiu vedações nas fronteiras com a Sérvia e com a Croácia. A União Europeia é naturalmente um destino atractivo, quer para refugiados, à procura de um local estável, desenvolvido, onde possam (re)encontrar a paz, quer para imigrantes económicos, a tentar uma nova vida, em países em que o trabalho é ainda bem pago e os apoios sociais existentes. A União corresponde à ideia idílica de paraíso na terra. A guerra está fora das suas fronteiras há 70 anos, o grau de integração política e económica fez da Europa um dos blocos mais poderosos do mundo.
John Hillcoat, the road
O que fazer com tantos refugiados?
Esta atracção é explicada também por uma prática que não se consegue apagar de um dia para o outro, apenas por que o número de candidatos a asilo aumentou exponencialmente. Ao contrário de outros países, destinos típicos de imigrantes, como os Estados Unidos, o Canadá ou a Austrália, em que prevalecem mecanismos de quotas ou de sorteio, a União tem tido uma política de portas abertas aos imigrantes. O número total de autorizações de residência atribuídas pelos 28 Estados-membros
Ao contrário de pagarem as tendas miseráveis em que os refugiados são mantidos e os mantimentos que lhes são distribuídos, os Estados de acolhimento construiriam bairros residenciais e zonas industriais, ajudando os refugiados a ajudarem-se
da União Europeia foi, só no ano de 2014, de 2,3 milhões. No ano passado, foram admitidos pela primeira vez na Europa, para trabalhar, estudar ou por razões familiares, quase três vezes mais pessoas do que o número de candidatos a asilo que já chegaram ao continente europeu desde o início do ano. Os números, divulgados na semana passada pelo Eurostat da União Europeia, representam uma diminuição de 2.2 por cento em relação ao ano de 2013. E de 9 por cento quando comparados com os de 2008. Quase um terço das autorizações de residência foi concedido no âmbito de reuniões familiares, cerca de 25 por cento foram autorizações de trabalho e 20 por cento no quadro de autorizações para prosseguir estudos. Ucranianos, norte-americanos e chineses estão entre as nacionalidades que mais procuraram a Europa para residir. Tendo em conta estes números e a incapacidade de os Estados lidarem, por si só, com uma vaga tão grande de refugiados, sobretudo os países em redor da Síria e do Iraque, dois investigadores da Universidade de Oxford, Alexander Betts (especialista em imigrações) e Paul Collier (um economista bem conhecido pelo seu livro “The Bottom Billion” e as armadilhas ao desenvolvimento que têm afectado os países mais pobres do mundo
onde vivem mil milhões de pessoas) acabam de propor nas páginas da Foreign Affairs a criação de zonas económicas especiais para refugiados, onde os deslocados poderiam desenvolver os seus negócios e contribuírem quer para o desenvolvimento dos países de acolhimento quer para a futura reconstrução dos seus países de origem. Ao contrário de pagarem as tendas miseráveis em que os refugiados são mantidos e os mantimentos que lhes são distribuídos, os Estados de acolhimento, com a ajuda das principais potências económicas, que já contribuem bastante para a manutenção das operações do ACNUR e de outras agências que trabalham com os refugiados, investiriam em bairros residenciais e em zonas industriais, ajudando os refugiados, nas palavras de Betts e Collier, a ajudarem-se a eles próprios. Não se julgue que isto é perpetuar uma situação que se quer provisória. Os estudos mostram que os refugiados (os tais que vivem nas tendas miseráveis) acabam por ficar, em média, 17 anos nos países de acolhimento. Todos os problemas podem ser vistos como situações, desafios ou oportunidades. O que parece é que muitos dirigentes políticos europeus ainda não passaram a fase de olhar para a vaga migratória como um problema.
18 opinião
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
José Pacheco Pereira
in Público
Declaração de guerra democracia e do voto. Ninguém melhor do que Mario Draghi lhes respondeu a semana passada, ao lembrar que se a “instabilidade” podia ser má para a economia, a democracia era mais importante. Até para a economia.
Charlie Chaplin, The Great Dictator
1. O que fez o Presidente da República na sua declaração foi dar uma chicotada nos portugueses – por singular coincidência, a maioria – de que ele considera não ser o Presidente. Não foi uma chicotada psicológica, mas uma chicotada real. Ao justificar a sua decisão de indigitar Passos Coelho primeiro-ministro – uma decisão em si acertada – com uma declaração de exclusão da vida pública do BE e do PCP e, por arrasto, do PS, abriu uma crise política e institucional cujas consequências estão longe de ser adivinhadas.
9. E nunca até agora uma poderosa máquina ideológica e comunicacional existiu para proteger estes interesses económicos e políticos. Desde os think tanks conservadores cada vez mais agressivos, em universidades e fundações, todos com considerável financiamento, até uma comunicação social que, da imprensa económica às televisões generalistas, se tornou quase unanimista no apoio ao Governo PSD-CDS.
2. Embora não o tenha dito explicitamente, disse com clareza suficiente que não dará posse a um Governo PS-BE-PCP, com maioria parlamentar, que ele entende ser maldito, sugerindo que, mesmo que o Governo PSD-CDS não passe na Assembleia poderá deixá-lo em gestão até que haja condições para haver novas eleições. O facto de apenas o ter subentendido pode indicar que possa recuar, mas o tom agressivo das suas considerações faz com que, se o fizer, isso equivalha a uma gigantesca manifestação de incoerência e impotência, em si mesma um factor de instabilidade. 3. Mais: significa que, ao indigitar Passos Coelho, não está apenas a proceder a um acto normal pelo facto de a coligação ter ganho as eleições, o que é em si mais que aceitável, está a fazê-lo para que este permaneça no seu lugar de governo, sem poderes e em conflito permanente com a maioria parlamentar, por longos meses. Cavaco Silva inaugura em Portugal uma prática que já tinha péssimos precedentes na Europa: a de que se fazem todas as eleições precisas até que o resultado seja satisfatório. Ou seja, até que ganhem aqueles que se consideram os detentores naturais do poder, até que o PSD-CDS ganhe com maioria absoluta. 4. Num só acto o Presidente garantiu longos meses de instabilidade política, um confronto permanente entre instituições, uma enorme radicalização da vida política, e tornou-se responsável pelas consequências económicas que daí advenham. A aceitarem este rumo, Cavaco Silva e Passos Coelho passam a ser os principais sujeitos dos efeitos negativos na economia e na sociedade, desta instabilidade, enquanto se poderia considerar que seriam António Costa e a maioria de esquerda os responsáveis, caso existissem esses mesmos efeitos como consequência de um seu Governo. 5. Cavaco Silva ajudou a inverter a vitimização de que o PSD-CDS precisava em termos eleitorais, e este é apenas um dos efeitos perversos da sua comunicação. Na verdade, o que é ainda mais grave é que se mostrou disposto a deteriorar a situação económica do país, e a sua posição face aos “mercados”, que até agora não reflectiram o catastrofismo do discurso interno do PSD-PS e externo do PPE, e que, se agora o começarem a fazer,
10. Outro dos efeitos perversos da comunicação presidencial foi condicionar a próxima eleição presidencial ao dilema da dissolução ou não da Assembleia. Só a importância deste dilema, que dominará essas eleições, revela o erro de cálculo do PS, que decidiu render-se, por fragilidades internas, nesse confronto e entregar de graça a Presidência ao candidato da direita e da comunicação social. Pagarão um preço caro por tal opção. é porque o Presidente abriu uma frente de guerra e de instabilidade que dificilmente se resolverá. 6. Outro dos efeitos perversos da comunicação presidencial foi dar uma enorme contribuição para que no PS, no BE e no PCP se perceba, com uma clareza meridiana, o que está em jogo e que estão sob um ataque sem tréguas destinado a eternizar a direita no poder, com todos os meios e recursos, de que esta dispõe e que hoje são muitos. A direita teve dois milhões de votos, menos do que a esquerda, mas mesmo assim reveladores de que existe a seu favor um importante movimento de opinião pública, a que se começa a apelar à mobilização, mesmo para o local onde até agora não existia, a rua. A agressividade desses apelos revela que compreendeu que a possibilidade de haver uma expressão política conjunta à esquerda que ultrapasse as divisões históricas que a separavam é um muito sério risco para uma hegemonia que consideravam garantida pela fusão dos votos do CDS e do PSD. 7. Nunca, desde o 25 de Abril, um Governo serviu a direita ideológica e dos interesses como o tandem troika-PSD/CDS. Nunca foi tão grande a troca mútua de serviços entre a “Europa” e a direita política. Comandada pelos partidos do PPE, a começar pelo ale-
Onde a mensagem do Presidente é mais grave é no confronto que faz à Assembleia da República
mão e os seus aliados, com destaque para o PP espanhol, que tem um directo interesse em impedir a contaminação da política do PS no PSOE e das suas alianças, a “Europa” é hoje um dos mais importantes factores de perda de democracia e de suporte a favor de uma ideologia autoritária, a do “não há alternativa”. Os partidos do PPE estão dispostos a tudo e farão tudo o que puderem, até porque receiam que se possa minar o apoio que até agora os partidos socialistas deram às diferentes variantes do “não há alternativa”. Começou na Grécia, por muito mal que tenha corrido, continuou no Labour, e chega agora à Península ibérica. 8. A aliança do PSD-CDS com os interesses económicos consolidou-se como nunca. Os passeios de Sócrates com os empresários, muitos que agora andam atrás de Passos, Portas e Pires de Lima, são uma brincadeira de meninos com o que se passa hoje. Sócrates distribuiu favores e benesses, Passos e Portas, apoiados na troika, mudaram as regras do jogo em áreas decisivas para o patronato que precisa de poder despedir sem grandes problemas, baixar salários e contar com uma enorme pool de trabalho precário, e de uma ecologia fiscal e social favorável aos “negócios”. Deram-lhes um incremento de legitimação ao propagandearem uma economia que era feita apenas de empresas, empresários e “empreendedorismo”, mas em que os trabalhadores são apenas uma maçada uma vez por mês para pagar salários. Ofereceram-lhes uma voz política como nunca tiveram, e uma voz em que a “economia” passou a significar governar como eles governaram, ou seja, a “economia” exige que se governe à direita, e em que os “mercados” passaram a estar acima da
11. Por último, o Presidente, com a sua declaração de guerra, terá a guerra que declarou. Ao apelar à desobediência dos deputados do PS, tornará muito difícil que eles desobedeçam, sob pena de se tornarem párias no seu próprio partido. Ajudou a consolidar a vontade do PS, BE e PCP de defrontarem em comum o PSD-CDS, e abriu espaço para a imediato anúncio, que ainda não tinha sido feito, de que o PS apresentaria uma moção de rejeição. Favoreceu que, entre PS, BE e PCP, haja mais capacidade de compromissos face a um adversário comum e uma maior consciência de que só um Governo PS que possa durar permite a todos, e não só ao PS, superarem a quebra de legitimidade política resultante de o PSD ser o maior partido e de não terem claramente antevisto esta solução antes de eleições. 12. Onde a mensagem do Presidente – sugerindo, mesmo que não o diga com clareza, que possa manter o Governo Passos Coelho em gestão até novas eleições – é mais grave é no confronto que faz à Assembleia da República. É que se o Governo pode estar em gestão, a Assembleia não o está. É detentora dos seus plenos poderes constitucionais. Pode não só impedir a legislação oriunda do Governo, como pode ela própria legislar e avocar muitos actos que o Governo venha a praticar. Ou seja, numa situação de conflito entre um Governo que recusou e os seus próprios poderes, a Assembleia pode “governar” sem limitações em muitas matérias. E que fará o Presidente? Veta de gaveta, devolve os diplomas, manda para o Tribunal Constitucional? Os precedentes que este conflito pode gerar mostram como a comunicação presidencial está, ela sim, no limite do abuso e da usurpação de poderes.
opinião 19
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
David Chan* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
N
a passada Segunda-Feira, dia 19, um homem foi morto em Hong Kong. Miao Chunqi, um turista da China continental, foi atacado por quatro pessoas e acabou por morrer no Hospital Queen Elizabeth no dia seguinte. O ataque aconteceu numa joalharia em Hung Hom. Miao e uma companheira, Zhang Lixia, integravam um grupo de 19 turistas de Shenzhen, que tinham chegado a Hong Kong no domingo,dia 18. No dia seguinte, o grupo foi levado a uma joalharia, em Hung Hom, depois de ter visitado o templo Wong Tai Sin. Zhang não quis comprar nada na joalharia e teve uma discussão com a guia do grupo, Deng Haiyan, de 32 anos de idade. Miao tentou apaziguar a disputa entre Zhang e Deng, que alegadamente se tinham envolvido em confrontos físicos. Uma fonte policial afirmou: “A vítima tentou acalmar os ânimos, mas foi alegadamente atacada por um grupo de quatro homens. Investigações preliminares apuraram que foi arrastada para fora da loja e atacada de novo.” Os quatro atacantes fugiram antes da polícia chegar ao local, onde Miao foi encontrado inconsciente. Algumas horas depois dois homens foram presos - um natural de Hong Kong e o outro da China continental. Miao morreu menos de 24 horas depois de, alegadamente, ter sido espancado por quatro homens. Os dois detidos - com as idades de, respectivamente, 32 e 44 anos, compareceram ontem no Tribunal de Kowloon e foram acusados de homicídio. A Polícia também deteve as duas mulheres, Zhang e Deng, por terem lutado na via pública. Foram posteriormente libertadas sob fiança e estão sujeitas a posteriores investigações. O Director Executivo do Conselho da Indústria de Viagens, Joseph Tung Yao-chung, declarou que foi a primeira vez que um turista vindo do continente sofreu um ataque fatal e, demonstrou a sua preocupação por este caso poder demover outras pessoas de visitarem Hong Kong. Acrescentou ainda, “É sabido que muitos turistas continentais pagam algumas centenas de Hong Kong dólares para fazerem estas viagens. Sabe-se também que os guias recebem comissões das lojas para onde encaminham os grupos.” O Conselho da Indústria de Viagens, um organismo regulador da actividade, solicitou uma investigação à agência envolvida, Tian Ma International Travel, de Hong Kong. Este organismo tem recebido diversas queixas de turistas continentais que se sentiram pressionados a fazer compras.
Joseph H. Lewis, Tamra Davis, Gun Crazy
Homicídio numa joalharia
O responsável afirmou que os guias estão proibidos de coagir os turistas a comprar e que arriscam a licença profissional se forem apanhados a fazê-lo.” Em 2010, Chen You-ming de 65 anos, um antigo jogador da selecção nacional de ténis de mesa, oriundo da China continental, sofreu um colapso após uma discussão acesa com um guia que estava a pressionar os turistas a fazerem compras durante uma viagem a Hung Hom. Acabou por morrer devido a um ataque cardíaco. O artigo não revelava se a viagem era gratuita ou se era um viagem de baixo custo. Este é um dos pontos que estão sob a investigação do governo de Hong Kong. É evidente que se os turistas não pagam
nada pela viagem, fica por esclarecer onde é que os agentes de viagens e os guias vão buscar os seus honorários. Como é que sobrevivem? A resposta é óbvia. Através das percentagens que recebem das “compras forçadas”. Embora a China e Hong Kong estejam empenhados em impedir este procedimento, os casos ainda existem. E não são só as agências que oferecem viagens grátis, mas também aquelas que oferecem viagens de baixo custo que estão envolvidas. O lucro proveniente das compras forçadas é obviamente alto. As “compras forçadas” são proibidas, quer na China quer em Hong Kong, mas ainda se praticam. Ninguém quer assistir a este tipo de situações. A morte de Miao fez sofrer a sua
“O governo de Hong Kong deverá analisar este acontecimento detalhadamente. Pode originar mais uma crise, prejudicial ao relacionamento com a China. Como é que o governo vai lidar com a situação?”
família e os seus amigos, mas também fez sofrer Hong Kong. Os familiares e amigos de Miao estão de luto, Hong Kong também está. A reputação de Hong Kong sai prejudicada com este acontecimento. O website “Yahoo, Hong Kong” publicou um poema escrito por uma pessoa que não revelou a sua identidade. Numa parte do poema lia-se, “Hong Kong é um paraíso de consumo. Mas se não comprares, és enviado para o céu”. O poema revela uma má imagem do turismo em Hong Kong. Todos os suspeitos deste crime devem ser encontrados e acusados para proteger a reputação de Hong Kong. O governo de Hong Kong deverá analisar este acontecimento detalhadamente. Pode originar mais uma crise, prejudicial ao relacionamento com a China. Como é que o governo vai lidar com a situação? É tempo dos responsáveis demonstrarem a sua competência política. Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção do Jazz de Macau
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau segunda-feira 26.10.2015
cartoon por Stephff
A entrevista do ex-árbitro Marco Ferreira ao jornal desportivo espanhol AS, dando conta de uma alegada pressão exercida pelo presidente do Conselho de Arbitragem, Vítor Pereira, antes dos jogos do Benfica está a gerar enorme controvérsia. Nesse sentido, já no sábado, Marco Ferreira voltou a tecer declarações sobre o assunto. «O Benfica nunca me pediu nada. Portanto, o Vítor Pereira faz isto [n.d.r. chamadas para os árbitros antes dos jogos do Benfica] numa tentativa desesperada de agradar a quem domina o futebol português, que foi campeão nos últimos dois anos com mérito, para poder fazer, eventualmente, uma recandidatura às eleições do próximo ano», disse em declarações à CM TV.
Miguel Oliveira vence Grande Prémio da Malásia
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Miguel Oliveira, em KTM, venceu, ontem, a corrida de Moto 3 do Grande Prémio da Malásia. O piloto português, de 20 anos, impôsse no circuito de Sepang com o tempo de 40.33,277 minutos, à frente do sul-africano Brad Binder (KTM) e do espanhol Jorge Navarro (Honda), logrando a 5.ª vitória da época e a segunda consecutiva (venceu o GP da Austrália no passado fim de semana). Miguel Oliveira soma agora 229 pontos no segundo lugar do Mundial, atrás do britânico Danny Kent (253 pts). A última etapa, cuja vitória vale 25 pontos, está agendada para 8 de Novembro, em Valência (Espanha)
assad em moscovo
Marco Ferreira «Nunca disse que Vítor Pereira me pediu para beneficiar o Benfica»
Residentes de ex-colónias encontraram casa em Macau
Da água do Lilau M uitos são os residentes de Macau que viveram nas antigas colónias e as histórias repetem-se: no regresso, Portugal pareceu-lhes um lugar estranho e a vontade de partir nunca os deixou. Na ‘última jóia do império’, encontraram o “tropicalismo” da juventude. Em Macau há gente de todas as ex-colónias, nascidas ou que por lá viveram temporadas marcantes. Para quem tinha Portugal como referência, apesar de não ser o local onde vivia, as independências marcaram um processo irreversível: o de não mais sentirem que a sua terra natal era onde estavam em casa. Em 1979, quando chegou a Macau pela primeira vez, Ricardo Pinto encontrou na cidade “a ausência de formalismos excessivos” e “a vida despreocupada” que recordava de Moçambique. “Não se sentia o peso do dia-a-dia que se sentia em Portugal, onde a vida era difícil”, recorda. Ricardo Pinto nasceu em Moçambique, mas regressou a Portugal com quatro anos. Foi em 1974, dias antes do 25 de Abril, que
começou a sua relação consciente com o país, quando o padrasto foi convidado para dirigir a eléctrica moçambicana e a família se muda para Lourenço Marques. “A minha vida em Moçambique nesse segundo período foi maravilhosa, era muito ligada à natureza. A cidade era muito bonita e quando se saía de Lourenço Marques as praias eram maravilhosas. Tudo isso causou-me uma impressão muito grande e fiquei absolutamente apaixonado pelo país”, recorda. Aos 14 anos regressa a Portugal, uma mudança que lhe “custou horrores”. O Porto “era outro clima, outra maneira de viver”. “Passei uma fase de alguma depressão, sonhava acordado com Moçambique todos os dias”, comenta. Anos mais tarde, surgiu uma nova oportunidade de mudança, quando o padrasto volta a ser convidado para dirigir uma eléctrica, desta feita em Macau. Ainda voltaria a Portugal para frequentar a universidade, mas a vida acabou por se desenvolver na pequena vila chinesa: começou por ser jornalista da emissora pública
de Macau, trabalhou no jornal Ponto Final, que depois adquiriu, fundou uma revista bilingue, gere a Livraria Portuguesa e, há quatro anos, lançou o Festival Literário de Macau. Hoje a sua identidade surge como uma mescla sem hierarquias. “Sinto-me muito cidadão de Macau, mas continuo a sentir-me muito fruto das minhas raízes de Moçambique”, confessa.
Fonte de saudade
Também para Jorge Silva, depois de deixar Angola, em 1974, onde viveu até aos 14 anos e que recorda como o seu “primeiro sentimento de perda”, Portugal surgiu como um país “fechado, a preto e branco, na era pós-fascismo, pós-salazarismo”. Em Macau, onde chegou há 30 anos a convite de um amigo, quando ainda frequentava o curso universitário, encontrou um certo calor de casa: “Apesar da pequenez de Macau, havia algo de semelhante a Angola”. Não era só calor intenso. “Havia um certo tropicalismo que não sei definir”, lembra. Tal como em Angola, a presença da Língua Portuguesa e a arquitectura transmitiam-lhe a
ligação ao seu país, mesmo estando fora dele. O maestro Simão Barreto foge deste perfil: timorense, chegou a Macau ainda nos anos 1950, para uma de muitas estadias, até que, por fim, se decidiu a ficar de vez. Depois da independência em 1975, a que assistiu a partir de Portugal, onde estudava no conservatório, “esperava voltar para contribuir para o desenvolvimento do país”. “Essa ideia sempre ficou comigo e com muitos timorenses”, recorda, garantindo que as condições não eram satisfatórias. Entretanto, dá-se a invasão indonésia, “das piores coisas que aconteceram à sociedade timorense” e, finalmente, em 2002, a restauração da independência, mas nem por isso o regresso se tornou, aos olhos do maestro, mais fácil. Sempre que fala de Timor-Leste, Simão Barreto divide-se, expressando tanto carinho e saudades como ressentimento e desilusão. “Por comodidade, não quero estar lá nem um minuto. Mas a minha consciência diz-me que devia estar lá. Díli é das cidades mais caras do mundo, é vergonhoso um povo que vive na miséria”, lamenta. Em Macau, onde já vive “há mais tempo que em Timor e Portugal juntos”, apaziguou-se: “Costuma dizer-se ‘Quem bebe da água do Lilau, cedo ou tarde volta a Macau’. É bem verdade, quanto mais sei das outras sociedades, mais quero ficar em Macau”. LUSA/HM