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Hoje Macau 25 MAI 2011 #2375

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUARTA-FEIRA 25 DE MAIO DE 2011 • ANO X • Nº 2375

TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 20 MAX 26 HUMIDADE 60-90% • CÂMBIOS EURO 11.3 BAHT 0.26 YUAN 1.2

Confusão à vista Nada corre bem ao Metro Ligeiro. O Comissariado da Auditoria divulgou ontem um relatório a apontar que o Gabinete para as Infra-estruturas e Transportes não sabe o que está a fazer com o novo meio de transporte. Falta planeamento e prevê-se que a brincadeira vai sair muito mais cara do que o esperado. >Página 5

IACM aperta fiscalização de alimentos chineses após casos insólitos

O perigo mora ao lado

Melancias que explodem, algas fatais, porcos que envenenam. A qualidade dos alimentos na China vai de mal a pior e Macau também pode pagar um alto preço pela saúde pública. Enquanto o Governo Central ordena mais fiscalização, por cá o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) garante que não é qualquer produto que passa a fronteira. Fala de burocracias, de comprovativos e de segurança para acalmar os ânimos. > PÁGINA 9

Pré-venda de casas

Investimento na saúde

CONSELHOS QUE VÊM DA CHINA E DE HONG KONG

DAR UMA VOLTA NO SISTEMA • PÁGINAS 10 E 11

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Homossexualidade

TORTURAR PARA CURAR • PÁGINA 2


QUARTA-FEIRA 25.5.2011 www.hojemacau.com.mo

2 TAIWAN HOMEM DROGA LOJISTA POR SEXO ORAL Um homem foi acusado em Taipé de ter drogado uma lojista de um centro comercial e forçá-la a ter sexo oral com ele. A 10 de Janeiro, Chen Gouhua, de 42 anos, na altura em liberdade condicional, terá abordado uma funcionária de um centro comercial – onde deixou uma das suas duas namoradas no cabeleireiro –, drogando-a e levando-a para um hotel inconsciente, forçando-a à prática de sexo oral assim que a vítima recuperou os sentidos. Depois do crime, Chen Gouhua terá mandado a lojista de táxi para o centro comercial e reencontrado a namorada para jantar, acabando por ser detido mais tarde pela polícia com base nas imagens captadas pelo sistema de videovigilância do hotel. Chen Gouhua já refutou a acusação de que é alvo, mas as análises à urina da vítima e à saliva, nos cigarros encontrados no carro, confirmaram o uso de sedativos. CHINA PENA DE MORTE SUSPENSA COM AJUDA DO FILHO Uma criança de dez anos evitou o cumprimento de uma sentença de morte do seu pai depois de durante dois anos ter enviado cartas ao Supremo Tribunal da província chinesa de Henan que acabaria por comutar a pena. De acordo com a imprensa local, a criança – Jin Jin – escreveu diversas cartas aos juízes para que estes determinassem a suspensão da execução da pena do seu pai, Wang Junbao, que tinha sido sentenciado depois de julgado pela morte da mulher durante uma luta familiar. O menor foi enviada para um centro de acolhimento de crianças com pais presos e enviou diversas cartas apelando à não execução da pena por ter receio de ficar órfã de ambos os progenitores. O Tribunal acabaria por ter em consideração o apelo da criança e a 14 de Maio comutou a sentença para pena de morte suspensa. OMS GALARDÃO PARA HONG KONG A Organização Mundial de Saúde (OMS) distinguiu o Secretário para a Saúde de Hong Kong, York Chow, pelos esforços que envidou na redução do tabagismo no território. A distinção por parte da OMS foi justificada pela “liderança e coragem política” que o governante demonstrou na hora de orientar programas de controlo ao tabaco, assim como pelo papel que teve na prossecução da legislação que incluiu a criação de espaços sem fumo, incluindo zonas públicas como praias, aeroportos, parques e escadas rolantes. A OMS realçou ainda que o compromisso de York Chow de apertar o cerco ao tabaco é um “forte exemplo” não só para os líderes políticos da China, mas também de outros países. O galardão será entregue ao Secretário para a Saúde de Hong Kong pelo director da OMS para a região do Pacífico Ocidental, Shin Young-soo, numa cerimónia que terá lugar este domingo na antiga colónia britânica e se insere nas comemorações do Dia Mundial Sem Tabaco.

ACTUAL Homossexualidade | Chineses usam tortura para tratar “doença”

Curas que matam

Faz mais de uma década que a China retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais. Mais ainda hoje há clínicas e hospitais um pouco por todo o país que prometer cortar o mal pela raiz. Os métodos aproximam-se da tortura Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

“A

RRISCA-SE a criar um ser assexuado em vez do tal heterossexual que procura.” A frase é de Zhang Beichuan, psicoterapeuta que há anos lida com a questão da discriminação de que são vítimas os homossexuais na China. O contexto é o documentário “Curas que matam”, uma produção chinesa financiada pela fundação Ford e apresentada em Pequim. Integrado na luta contra a homofobia, cujo dia internacional se assinala a 17 de Maio, o documentário foi filmado na China e com algumas das vítimas da discriminação que ainda existe. O 17 de Maio é simbólico por ser o dia em que há 20 anos a Organização Mundial de Saúde (OMS) tirou a homossexualidade da lista de doenças. Na China, apesar de ter passado uma década desde que saiu do conjunto das

doenças do foro mental, há muitas clínicas e hospitais onde, ao lado de tratamentos para o alcoolismo ou depressão, se oferecem curas para a homossexualidade. Durante os 50 minutos de filme, a associação de Gays, Lésbicas e Transexuais, telefona para uma destas clínicas a pedir informações. A taxa de sucesso apresentada é de quase 100%. Do outro lado da linha uma voz diz – “não falamos em 100% de sucesso porque ninguém acredita mas estamos perto disso”. Quando se fala nos métodos usados, a voz vacila. No fim, ao perceber que se trata de uma ONG a favor dos direitos dos homossexuais, o senhor diz “perguntem o que quiserem por e-mail”. Segue-se a informação – “depois deste telefonema o responsável nunca mais respondeu aos nossos pedidos”. Os preços oferecidos por sessão podem ultrapassar os 500 yuans por hora. “É uma máquina de fazer dinheiro”, acusam alguns.

A ARREFECER OS MOTORES

guma forma a excitação sexual do paciente, são algumas dos métodos falados no filme. Proibidos por lei, ninguém os publicita como forma de tratamento. Mas o que cada clínica faz, é desconhecido.

DERRUBAR O MITO

Com métodos perto da tortura, a cura esconde muito do que se passa. Zhang Beichuan, junto com outros sexólogos, dá uma resposta sensata aos pais que querem tratar os filhos. “Querer curá-lo é o mesmo que querer transformar um hetero em homossexual.” Choques eléctricos a acompanhar o visionamento de filmes pornográficos, administração de medicamentos que dão vómitos depois de se ter provocado de al-

A acções nas bolsas de Hong Kong e Xangai caíram consideravelmente ontem depois do HSBC ter sugerido que, com base em dados do sector industrial da China, a segunda maior economia do mundo pode estar a entrar num ciclo de baixa.

O professor Fang Gang, sexólogo, é outra das vozes que em dezenas de conferências no país explica que é urgente acabar com a ideia de que a homossexualidade pode ser tratada. “O nosso papel é lutar contra a discriminação e ensinar a quem nos procura que há mais formas de pensar e de viver a sexualidade”, disse o psicoterapeuta em Pequim. “Eu sou apenas eu próprio.” Sob um fundo com as cores do arco-íris a mensagem em chinês é simples e directa e espalha-se entre autocolantes, pequenos e grandes. Parte da campanha de uma das ONGs presente no lançamento do documentário é mais uma tentativa de dar espaço a outras vozes. Entre os entrevistados no filme, um jovem de Chongqing relembra a adolescência onde por uma escolha sexual não assumida, refugiou-se no álcool e os pais internaram-no. Muitos anos mais tarde conseguiu explicar aos pais que não tinha nenhuma doença. Realizado por Xiaogang Wei, o documentário “Curas que matam” teve o apoio do Centro para a Saúde Sexual, uma organização não governamental que tratou da apresentação em Pequim. AEmbaixada Francesa e Inglesa foram outros parceiros a apoiar o visionamento do filme no centro cultural francês. A sala foi pequena para o número de pessoas na primeira apresentação pública. Embora não tenha havido censura ao centro cultural francês, na tarde da apresentação um polícia à paisana foi enviado para filmar quem entrava no centro. Proibido de entrar em cinemas nacionais, por se tratar de uma produção independente e não aprovada pelo Governo Central, o documentário vai ficar disponível online na página fundada há uns anos pelo realizador Wei Xiaogang.


Perdoem-me a franqueza, mas usar este argumento da substituição do Chefe do Executivo como arma política revela, pelo menos, desconhecimento da Lei Básica e desprezo pelos valores e princípios que devem nortear a ação dos titulares dos principais cargos, senão mesmo má-fé. Correia Marques, P. 23

Vanessa Amaro, em Sichuan

vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

N

ÃO gosta de falar mandarim em público nem que lhe chamem de “chinês”. Mas os olhos rasgados não enganam. Justin, de 19 anos, nasceu na província de Sichuan e nunca tinha saído da sua cidade natal até, há ano e meio, mudar-se para os Estados Unidos. O pai, secretário do Partido Comunista da China, e a mãe, funcionária pública, acreditam que o futuro de Justin seria mais brilhante se estudasse numa universidade norte-americana. E agora não há um único dia em que Justin não agradece a “fantástica” ideia dos pais, que no início não lhe assentou assim tão bem. “Uau, estar nos Estados Unidos é uma coisa impressionante”, diz ao Hoje Macau quando questionado de como está a correr a experiência de mudar-se para um país tão distante do seu – e de certa forma “inimigo” do seu Governo. Nunca tinha visto ocidentais de perto e ficou surpreendido por ver pessoas das mais variadas cores e proveniências. “Oh ‘dude’, adoro os afro-americanos. Estou sempre a aprender novas expressões com eles e são os meus grandes companheiros no basquetebol.” Justin, que escolheu este nome tão americano na sua primeira semana em solo norte-americano, é um dos mais de 1,27 milhões de jovens chineses que no fim de 2010 estavam a estudar no estrangeiro. Segundo estatísticas do Ministério chinês da Educação, mais de um quinto desse número (285 mil) estavam no primeiro ano dos respectivos cursos, um aumento de 24% em relação a 2009, e a China passou a ser o país com mais estudantes no estrangeiro. Os Estados Unidos é o destino número um dos estudantes chineses, seguido de Austrália e do Japão. Cerca de 128 mil chineses estudavam o ano passado nos Estados Unidos, um aumento de 30% em relação ao ano lectivo 2008/09 e mais de

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Jovens querem sair da China, mudar de nacionalidade e não mais voltar

Era uma vez um chinês...

Mais de 128 mil chineses mudaram-se no ano passado para os Estados Unidos para tirar uma licenciatura. Justin, de 19 anos, natural da província de Sichuan, foi para a América há um ano e deslumbrou-se de tal forma com o mundo novo que até gostava de mudar de nacionalidade

o dobro de há apenas uma década. Os estudantes chineses tornaram-se mesmo a maior comunidade estrangeira das universidades norte-americanas, ultrapassando os indianos, cujo número cresceu apenas 2%. Economia e gestão, engenharia e ciências físicas e biológicas são as três áreas mais procuradas. E é exactamente uma dessas áreas – gestão – que Justin está a frequentar. Na verdade, o sonho do adolescente era ser jogador de basquetebol. Ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Richmond por ser atleta e disse aos pais que ambicionava vingar no desporto. “Eles

não aceitaram bem a ideia. Disseram-me que não estão a investir fortunas na minha formação para eu andar com a bola na mão. Contra a minha vontade, tive de escolher um curso que, na opinião da minha família, me daria um bom emprego quando eu regressar à China”, aponta, com olhar triste. Anualmente, um estudante chinês nos Estados Unidos gastará cerca 250.000 yuans, o dobro do que de um casal médio de Pequim ganha por ano. Justin sabe que teve sorte ao nascer em berço de ouro, mas reconhece que mesmo os bons empregos dos pais não chegam para fazer uma grande vida na

América. “É um grande esforço para eles. Têm de pagar propinas, livros, a renda do quarto, transporte, comida... Tantas coisas. Sei que estou a deixar os meus pais mais pobres.” Desde o início da política de “Reforma Económica e Abertura ao Exterior”, há 30 anos, cerca de 1,62 milhões de chineses foram estudar para o estrangeiro. O próprio Governo encorajou o movimento, para permitir ao país “adquirir os avançados métodos de gestão e as novas tecnologias dos países desenvolvidos”. Em 2010, quase dois terços (62,3%) já tinham regressado e, devido à crise nos Estados Unidos e

na Europa, estavam a regressar cada vez mais.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Na América, Justin descobriu o gin tónico – bebida que diz tê-lo viciado -, os cigarros e a “fast-food”. Ganhou uns bons quilos, “pelo menos dez”, e gosta de fazer uma vida exactamente igual a dos adolescentes norte-americanos. A Internet, especialmente o Facebook, é a sua perdição. “Passo horas a andar por todos os tipos de sites. Antes de sair de Sichuan, não fazia ideia do que eram as redes sociais, nem nunca me tinha apercebido que havia webpages bloqueadas no meu país. Até agora não consegui perceber

qual é o mal dos chineses terem acesso a certas páginas. Acho-as inofensivas.” Não gosta nada que lhe chamem “chinês”. “Por isso apliquei-me ao máximo em falar um inglês sem sotaques. Agora as pessoas acham que nasci nos Estados Unidos, mas que a minha família é de origem asiática. Eu não desminto”, conta a rir-se. Voltar à China quando acabar os estudos é uma ideia que, por agora, não agrada a Justin. “Sinto que seria um passo atrás. Depois de tanta liberdade, iam-me cortar as asas”. O jovem diz que, por ele, passaria o maior número de anos possíveis nos Estados Unidos e que seria sempre “um bom rapaz” para “tentar ganhar a nacionalidade americana”. “Sei que a minha família não iria gostar, mas o que eu queria mesmo era ser americano de passaporte.” Nessa ambição, Justin diz, sem receios, de que não gosta de se dar com outros estudantes chineses. “Andam todos juntos, cozinham pratos chineses, ouvem músicas chinesas... Não me revejo neles. Dou-me apenas com os chineses que vêem a vida como eu vejo. Eu quero ser uma pessoa diferente. Se fosse para dar-me com chineses, não tinha saído da China.” Quando regressa a Sichuan para as férias de Verão, como nesta situação em que falou com o Hoje Macau, anda a maior parte do tempo sozinho. Os amigos que cá ficaram começam a ficar fora do padrão de Justin. “Continuam a fazer o mesmo que fazíamos no liceu. Querem ir sempre aos mesmos lugares e quando eu lhes conto as coisas novas que vejo na América parecem não ter muito interesse em saber... Sou outra pessoa. Sinto-me completamente americano e já não quero ser chinês.”


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Os conselhos

POLÍTICA

• Estimar, de forma completa, todos os recursos necessários ao empreendimento assegurar que as despesas totais do empreendimento não ultrapassem o limite máximo orçamentado • Executar as despesas de acordo com o princípio de economia • Elevar eficiência no seu trabalho sob princípios de eficácia e economia

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Metro | Governo pode tirar mais de 10% de verbas do erário público

Transporte de cálculos ligeiros Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Governo pode ter de vir a despender mais 16% de verbas para a primeira fase do Metro Ligeiro, o que equivale a uma saída de 1,188 mil milhões de patacas do erário público. Era suposto ficar-se pelo 7,5 mil milhões de patacas o investimento na primeira fase do novo meio de transporte, mas os custos alcançam já cerca de 260 milhões. A conclusão é do Comissariado de Auditoria (CA) que, depois de uma fiscalização aos planeamentos e trabalhos preparatórios do Sistema de Metro Ligeiro, verificou que o “investimento divulgado pelo Gabinete para as Infra-Estruturas e Transportes (GIT) respeita apenas à estimativa das obras de construção e aos sistemas de material circulante”. Ao que o comissariado apurou, estima-se que sejam necessários mais 8,688 mil milhões de patacas para cobrir o “material circulante e sistemas”, já adjudicado, e as “obras de construção civil”, que ainda só têm preço estimado. Este valor representa 1,188 mil milhões de patacas, cerca de 16% a mais sobre os 7,5 mil milhões de patacas estimados e divulgados pelo GIT. O relatório do CA foi divulgado ontem e aponta falhas ao GIT, a entidade responsável pelos trabalhos respeitantes ao Metro, ao nível da gestão financeira e do controlo de custos e qualidade. Uma vez que, aponta o CA, é desconhecido o investimento global do empreen-

O Comissariado da Auditoria divulgou ontem um relatório a dar um puxão de orelhas ao Gabinete para as Infra-Estruturas e Transportes pelas despesas exorbitantes com as obras do Metro Ligeiro. Falta planeamento, lança o organismo fiscalizador

dimento, o GIT não tem forma de controlar as despesas, de maneira a que estas se mantenham dentro do limite máximo. Por outro lado, fica também o Governo sem possibilidade de prever as necessidades financeiras e formular um planeamento de gastos. Na elaboração de orçamento anual, entre 2008 e 2010, os dados do planeamento de investimentos e despesas de desenvolvimento da administração (PIDDA) do GIT mostram que quase 90% das subacções não estavam dotadas no ano em que foram adjudicadas, pelo que o GIT, para resolver o problema, fez transferência de 35 verbas. Etiquetando as despesas do

orçamento com a denominação de “obras” e “equipamento”, as dotações para esses efeitos equivalem a 1,179 mil milhões de patacas, apesar de ter sido apenas utilizado 0,17%, o equivalente a 2,05 milhões de patacas. Para o comissariado, a entidade chega mesmo a infringir a lei devido a pretender uma adjudicação sem verbas suficientes. Os cerca de 260 milhões de patacas cobrem 31 trabalhos adjudicados entre 2008 e Junho de 2010, e incluem a “gestão de projecto e assistência técnica” para os trabalhos principais do empreendimento, estudos de impacto ambiental e sondagens geológicas”. As despesas de funcionamento do próprio

As acusações • 27 das 29 subacções (cerca de 90%) adjudicadas tinham zero patacas como orçamento inicial, obrigando à realização de 35 transferências de verbas

GIT não foram também incluídas nessa estimativa, mas somam já mais de 30 milhões de patacas.

O “ACOMPANHAMENTO DAS SUGESTÕES”

Anexado ao relatório do CA vinha a resposta e o “acompanhamento” do Gabinete. Devido a estar inicialmente estimado que os gastos seriam de 4,2 mil milhões, e posteriormente o valor ter sido alterado para 7,5 mil milhões, em 2009, o CA acusa o GIT de não “ter dado importância à conservação de dados essenciais para a transparência no planeamento e controlo financeiro” e denuncia ainda que a entidade está a subaproveitar fundos. Para o GIT, a explicação do aumento de cerca de 80% reside no facto de os preços das matérias-primas terem aumentado, a taxa de câmbio ter variado, as obras exigirem determinados cuidados ambientais, a exigência a que o transporte se adequasse ao desenvolvimento regional e ao facto da Ponte de Sai Van, lugar onde passará um dos troços do Metro, ter de receber obras de melhoramento. A resposta não satisfaz, contudo, o CA, que acusa a entidade de “não conseguir explicar nem apresentar documentos demonstrativos dos itens constituintes desse motivo, e respectivos aumentos”. O CA entende que esta “é a melhor prova de que a ausência do orçamento global do empreendimento”, servindo o qual como limite máximo para controlar os custos, “aumenta o risco de desequilíbrio financeiro do Governo”.

• O GIT solicitou em três anos um total de cerca de 1,179 mil milhões de patacas para obras e equipamentos de sistemas de transportes colectivos urbanos, mas só utilizou cerca de 2,05 milhões de patacas (0,17%), constituindo imobilização e subaproveitamento de vultuosos recursos públicos • Dos 31 projectos adjudicados, 27 (quase 90% do número total e representando 67 milhões de patacas) foram realizados por ajuste directo com apenas um fornecedor, portanto, sem consulta escrita a demais fornecedores, privando-se o Governo da oportunidade de conseguir o melhor projecto, o melhor prazo de execução e os custos mais baixos • Os documentos técnicos apresentados pelo adjudicatário dos serviços de “gestão de projecto e assistência técnica” para a construção do metro ligeiro, pelo preço de 176 milhões de patacas, eram, em regra, revistos várias vezes, o que na prática equivale à transferência da responsabilização pela qualidade dos documentos técnicos para o GIT, gastando-se no processo consideráveis recursos administrativos • O GIT só propôs recrutar uma empresa de consultadoria independente para verificar os documentos do concurso para o “material circulante e sistemas” depois da entrega dos mesmos pelo Consórcio, o que evidencia que o GIT não conhecia suficientemente as suas próprias capacidades técnicas para poder agir em antecipação e, em consequência, o concurso sofreu um atraso de 11 meses • O GIT não fiscaliza o suficiente sobre os serviços adjudicados e não fixou exigências nem definiu indicadores de desempenho para o consórcio

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Anúncio Concurso público

ANÚNCIO Faz-se saber que em relação ao concurso público para «Empreitada de Habitação Pública na Rua Central de Tói San», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 17 II Série, de 27 de Abril de 2011, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 19 de Maio de 2011. O Coordenador do Gabinete Chan Hon Kit

O Instituto do Desporto faz público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 1 de Maio de 2011, se encontra aberto o concurso público para a «Prestação de serviços de transporte (ida e volta) entre o Centro Desportivo Lin Fong e a Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau para as equipas estagiárias». O respectivo programa do concurso e o caderno de encargos encontram-se disponíveis para efeitos de consulta durante o horário de trabalho, no Expediente Geral, na sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, s/n, edifício Fórum de Macau, bloco I, a partir da data de publicação deste anúncio no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau. Os interessados também podem solicitar cópia do processo, sendo cobrado por cada cópia o preço de $500.00 (quinhentas patacas). As propostas serão entregues, dentro do horário de serviço, no Expediente Geral na Sede do Instituto do Desporto e o respectivo prazo de entrega termina às 17,00 horas do dia 14 de Junho de 2011.

Além da entrega dos documentos referidos no respectivo programa do concurso e no caderno de encargos, deve ser apresentado o documento comprovativo de ter sido efectuada a caução provisória no valor de $84,000,00 (oitenta e quatro mil patacas) à ordem do Fundo de Desenvolvimento Desportivo, no Banco Nacional Ultramarino, ou prestada na Divisão Administrativa e Financeira do Instituto do Desporto, em numerário ou cheque, podendo ainda ser efectuada mediante garantia bancária. A abertura das propostas realizar-se-á na sala de reuniões do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, s/n, edifício Fórum de Macau, bloco I, às 10,00 horas, no dia 15 de Junho de 2011. Instituto do Desporto, aos 19 de Maio de 2011. O Presidente, Vong Iao Lek


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QUARTA-FEIRA 25.5.2011

FRANCIS TAM VAI A TIMOR-LESTE EM JUNHO

Segundo informações avançadas ontem pela Rádio Macau, o secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, vai deslocar-se numa viagem oficial a Timor-Leste, numa comitiva que inclui empresários locais. A delegação viaja integrada na comitiva do vice-ministro do comércio da China, Chen Jian. No âmbito da política de aproximação dos empresários da China a Timor-Leste, está também prevista uma visita de Edmundo Ho àquele país.

Advogados da China e HK debatem legislação imobiliária de Macau

Pré-venda nos olhos Virginia Leung

de questões relacionadas com os acordos de pré-venda de imóveis.

virginia.leung@hojemacau.com.mo

C

OMPRAR casa ainda em fase de projecto por ser relativamente atractivo para o bolso, mas às vezes é uma fonte de problemas. Atrasos no calendário das obras, discrepâncias entre projecto e obra concluída e outros incumprimentos têm gerado muitas dores de cabeça às pessoas que optaram por comprar apartamentos com contrato de pré-venda. Para sugerir melhorias à moldura legal desses acordos, a Faculdade de Direito da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) e a Associação de Investigação do Sistema Jurídico de Macau (AISJM) trouxeram ao território advogados de Hong Kong e da China Continental, num simpósio realizado ontem. A experiência de Hong Kong em acordos de pré-venda foi considerada uma boa referência para Macau por Lung Siu Wing, advogado da Região Administrativa Especial vizinha. O controlo rigoroso do fluxo de fundos dos promotores é uma das chaves para evitar o risco recorrente de “embargo da obra”. Notando que os contratos de pré-venda pressupõem por si só um certo risco, Lung sublinhou a importância de que o Governo exerça uma regulação significativa para equilibrar os interesses tanto dos compradores como dos promotores. “É importante que o Governo defina na lei protecção suficiente para ambas as partes.”

AS BULHAS DA PRÉ-VENDA

A representação do ponto de vista chinês foi elogiada por Alex Chan Wa Keong, presidente da AISJM, que observou que na China Continental havia uma política de pré-venda muito abrangente e significativa, que podia ser muito útil

como referência para que Macau completasse o sistema jurídico da pré-venda. O responsável explicou que o objectivo do simpósio era recolher opiniões e referências para a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) a respeito

Quando o Governo instituir os modelos contratuais para a pré-venda, é melhor que tenha em conta a necessidade de evitar deixar espaço a situações controversas, alertou Lam Ho Wai, vice-presidente da AISJM. “Os montantes envolvidos na pré-venda são elevados e, se a taxa de hipoteca for demasiado alta, isso poderá criar grandes riscos para os bancos”, notou o responsável, sublinhando a necessidade de o Governo exercer algum controlo sobre as taxas hipotecárias. Entre as mais sérias disputas envolvendo acordos de pré-venda, estão as situações de “embargo da obra” por falta de capital do promotor ou outras razões, que impedem a conclusão da obra quando muitos compradores já tinham paga 30 a 40% dos valores das moradias. Além dessas, também as comissões de gestão têm estado na base de algumas disputas já que são os promotores a nomear a empresa de administração e a definir as comissões. Quanto às comissões, não haveria problemas se os promotores pudessem escolher a empresa de administração com taxas mais razoáveis, mas por outro lado, as queixas relativas a problemas de gestão aumentariam. Durante a pré-venda, os compradores não podem ter quaisquer expectativas em relação à qualidade da admi-

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POLÍTICA

nistração. Outro dos problemas é a transferência de propriedade em pré-venda, que pode ser bem complicada (para não dizer impossível) para os compradores quando os promotores não assinam o contrato, ficando os compradores completamente dependentes da boa vontade dos promotores. Também não há qualquer protecção para os compradores se os promotores não tiverem dinheiro suficiente para recuperar os empréstimos. O terreno é penhorado mesmo que os compradores já tenham pago as fracções. Além disso, a lei actualmente não contempla o conceito de “área utilizável” nem define medidas padronizadas para as habitações. Os compradores, por sua vez, não têm conhecimento acerca dos materiais de construção a serem utilizados. Mesmo tendo a consciência de que melhores materiais proporcionam um imóvel de maior qualidade, é normalmente difícil para eles obterem a informação desejada no processo de pré-venda. Os promotores também não incluem detalhes sobre prazos de conclusão nos contratos. Lam Ho Wai também apontou que não há regulamentação relevante para o limite superior das taxas de transferência. Os promotores cobram dos compradores taxas de transferência, recusando-se a assinar a declaração de transferência se as taxas não forem pagas. Falta haver um padrão para os cálculos das taxas e limites para o seu montante. A falta de informação pormenorizada do banco acerca das hipotecas é outra fonte de reclamações. Lam defende que os promotores sejam obrigados a fornecer informação detalhada sobre os planos de empréstimo de forma a permitir aos compradores fazerem um melhor planeamento.

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AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 14/P/2011 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 11 de Maio de 2011, se encontra aberto o Concurso Público para «Prestação de Serviços de Limpeza dos Vários Edifícios do C.H.C.S.J. e do Edifício da Clínica Psiquiátrica do C.H.C.S.J. na Taipa», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos encontram à disposição dos interessados desde o dia 25 de Maio de 2011, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato sita na Cave 1 do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento do custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na Sala “Museu” situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do CHCSJ no dia 30 de Maio de 2011 às 10,30 horas para uma reunião de esclarecimentos ou dúvidas referentes ao presente concurso público seguida duma visita aos

AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 15/P/2011

locais a que se destinam a respectiva prestação de serviços. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega das propostas termina às 17,45 horas do dia 21 de Junho de 2011. O acto público deste concurso terá lugar no dia 22 de Junho de 2011, pelas 10,00 horas, na sala do «Museu» situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $566 000,00 (quinhentas e sessenta e seis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Maio de 2011

O Director dos Serviços, Subst.º, Cheang Seng Ip

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 13 de Maio de 2011, se encontra aberto o Concurso Público para «Empreitada de Fornecimento, Concepção e Remodelação de Autoclave a Vapor à Secção de Esterilização dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos encontram à disposição dos interessados desde o dia 25 de Maio de 2011, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato sita na Cave 1 do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento do custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na Cave 1 da Divisão de Aprovisionamento e Economato situada no Centro Hospitalar Conde de São Januário no dia 31 de Maio de 2011 às 10:00 horas para visita às instalações a que se destina o objecto deste concurso.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega das propostas termina às 17,45 horas do dia 22 de Junho de 2011. O acto público deste concurso terá lugar no dia 23 de Junho de 2011, pelas 10,00 horas, na sala do «Auditório» situada no r/c do Edifício da Administração dos Serviços de Saúde junto do C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $ 60 000,00 (sessenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 20 de Maio de 2011

O Director dos Serviços, Lei Chin Ion


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Macau de olho na segurança dos produtos alimentares importados da China

Para que o barato não saia fatal Os alertas soam da China e Macau garante que está a apertar com a inspecção dos produtos alimentares importados. Segundo o IACM, nenhum alimento chega à mesa do consumidor sem ter passado por uma bateria de testes Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

A

reputação dos produtos alimentares importados da China Continental não é certamente das melhores, muito por culpa dos incidentes que se têm verificado nos últimos tempos: de leite tóxico a frango frito contendo nitritos e porcos injectados com drogas para controlar a quantidade de gordura da carne, os casos sucedem-se e deixam os consumidores em estado de alerta. Porque com a saúde não se brinca, as autoridades têm estado atentas e apertado o controle aos alimentos produzidos do lado de lá da fronteira. As autoridades chinesas anunciaram já ter resolvido só este ano mais de mil casos graves de segurança alimentar, depois de ter reforçado a fiscalização para combater uma série de escândalos. Num dos mais episódios mais recentes, alguns comerciantes ilegais de Cantão tentaram disfarçar um grande lote de algas de má qualidade misturando-lhes outras algas marinhas e pondo em risco a saúde dos consumidores. Em Macau, a preocupação é moderada, muito graças à obrigatoriedade reconhecida pelos comerciantes de que os produtos vindos da China passarem por uma série de testes de qualidade até receberem o certificado de inspecção de mercadorias antes de poderem ser vendidos no mercado. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) tem exercido um controlo rigoroso sobre a comida importada da China,

assegura Lei Kit Heng, supervisor da Associação dos Exportadores e Importadores de Macau, em declarações ao Hoje Macau, convencido de que a população não tem de se preocupar ao comprar artigos alimentares chineses colocados à venda em Macau. O responsável garante mesmo que “a inspecção alimentar de Macau é comparativamente mais rigorosa do que a dos países vizinhos” e acredita que “os problemas alimentares noticiados na China não vão ter grande impacte em Macau”, graças à política actual de inspeccionar os produtos antes de os colocar à venda. De forma mais pormenorizada, Lei Kit Heng explicou os passos por que tem de passar um negócio de importação de comida da China, como por exemplo carne fresca ou congelada. Antes de mais, o importador tem de contactar fornecedores na China com boa reputação na indústria, verificando a seguir

se esses fornecedores possuem o Certificado de Inspecção de Mercadorias aprovado pelo Governo Central. O importador tem então de apresentar todos os certificados e documentos relevantes ao IACM, que irá depois analisar a documentação e verificar os registos anteriores. Todos os artigos alimentares importados têm de passar por esses passos e provarem que cumprem as normas de segurança antes de aterrarem em Macau. As autoridades da RAEM assinaram anteontem um acordo com a Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspecção e Quarentena (AQSIQ) da República Popular da China. O apoio mútuo e cooperação entre as entidades deverá ter um importante significado na prevenção de uma qualquer invasão de espécies exóticas perigosas. O IACM pretende também reforçar a comunicação com o departamento de quarentena para

assegurar a segurança alimentar, incentivar a formação de pessoal e as evoluções necessárias no campo técnico. A AQSIQ revelou preocupação com a estabilidade e segurança dos alimentos exportados para Macau, mas garantiu que iria continuar a cooperar e a manter uma boa comunicação com o IACM para assegurar a segurança e qualidade no fornecimento de mercadorias.

MAIS INFORMAÇÃO

O IACM deveria divulgar mais informação relevante sobre a forma como os alimentos importados da China Continental são inspeccionados, defendeu o deputado da Assembleia Legislativa (AL) Au Kam San ao Hoje Maca,u a respeito da crise da segurança alimentar na China. O democrata considera que o que se passa na China é um problema muito sério e comentou o estado de alerta actual, tanto por

parte do Governo como da população. “Os cidadãos estão preocupados com a qualidade dos alimentos importados da China. No entanto, penso que os habitantes não se devem preocupar demasiado porque o IACM já tomou muitas e significativas medidas para assegurar a qualidade dos alimentos.” Embora a situação pareça sob controlo, Au Kam San considera que o IACM deveria fazer mais promoção sobre a forma como inspecciona os alimentos, com um reforço na comunicação para dar mais confiança à população. Sublinhando que o mercado em Macau está atulhado de produtos importados da China, o deputado afirmou que o IACM deveria implementar medidas significativas de controlo e, ao mesmo tempo, reforçar a confiança dos residentes na compra desses produtos.

O PAÍS DAS MELANCIAS EXPLOSIVAS

Se em Macau a preocupação é contida, mais difícil é acalmar a população na própria China Continental com a sucessão dos casos, alguns bem surreais. Pequim ordenou em Abril que fosse feita uma maior investigação a todos os casos que possam envolver a segurança alimentar. E os jornalistas receberam uma nota interna para terem a liberdade de investigar histórias que pudessem parecer suspeitas a nível local. Os escândalos, com aditivos químicos que colocam em risco a saúde dos consumidores, têm-se sucedido desde que, em 2008, o caso da melanina no leite mostrou a falta de credibilidade de marcas antes consideradas exemplares pelo Governo chinês. Depois de em Abril mais de 300 pessoas terem sido hospitalizadas devido à ingestão de carne de porco, este mês a notícia das melancias que explodiam encheu as televisões nacionais. O caso que começou há uns dias na província de Jiangsu parece dever-se a mais um químico usado para acelerar o crescimento da fruta. E a notícia transmitida pela CCTV mostrou melancias cujo interior é amarelo em vez de vermelho. O fenómeno ainda está longe de ser explicado, uma vez que produtores que dizem não ter utilizado fertilizantes também viram as melancias a explodir.


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CONSUMO DE ELECTRICIDADE DIMINUIU 12% NO PRIMEIRO TRIMESTRE

O volume de consumo de electricidade em Macau atingiu 736 milhões de kWh até ao final de Março, menos 12,1% face ao último trimestre de 2010. De acordo com dados divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos, o consumo de electricidade no sector comercial e industrial – no qual as empresas de jogo representaram 48% – caiu 13,1% face ao trimestre precedente, enquanto que o consumo de energia eléctrica nas unidades residenciais decresceu 4,9% para 128 milhões de kWh até Março.

Entrevista | Manson Fok, académico da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

T

ERMINOU ontem o primeiro Fórum Sino-Lusófono Internacional de “Gestão de emergência e treino em ambiente simulado”. Manson Fok, médico e presidente da Associação de Gestão e Promoção da Saúde da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) pretende melhorar as capacidades de resposta da comunidade médica local a situações de emergência. As novas instalações do Centro de Desenvolvimento Médico, recentemente aberto, oferecem salas equipadas com máquinas de alta tecnologia que simulam corpos humanos e interiores de blocos operatórios. O cirurgião de Hong Kong afirma que este é só o primeiro passo no desenvolvimento necessário na RAEM e mostrou ao Hoje Macau as primeiras máquinas de simulação do território. Porque escolheu este tópico para ser o primeiro do Fórum Internacional Sino-Lusófono de Medicina? Uma grande área deste centro de treino é para emergências reais e até tratamento no caso de grandes desastres. Quando surge uma emergência os primeiros minutos são cruciais. E a responsabilidade não é apenas dos médicos ou das enfermeiras. É um trabalho de equipa e até dos próprios sistemas, como da ambulância, do modo de transporte, da rapidez nos cuidados, na estabilização do paciente e da quantidade de equipamentos necessária. Tudo tem de ser planeado com tempo. Mas porquê este tema em Macau? Felizmente, Macau nunca passou por grandes desastres. Mas isso não impede que estejamos prontos para isso e bem equipados desde o início.

JOANA FREITAS

“A saúde tem de acompanhar o progresso

Manson Fok explica o procedimento de uma endoscopia através de simulação

Treinar os futuros ou os actuais médicos num ambiente de simulação da realidade, contar com peritos que viram ou lidaram com desastres no passado e deixá-los partilharem as suas experiências é o mais importante. Neste fórum quisemos estes dois tópicos – treino de simulação e gerência de desastres - não só pela sua área de grande interesse como pela sua importância. Que tipo de peritos estamos a falar? Nestes três dias vieram peritos de Hong Kong e um que esteve no terramoto de Sichuan. Um médico cirurgião do hospital militar que liderou uma equipa de resgate e assistência médica na zona do terramoto, explicou como é, por exemplo, carregar 25 quilos de equipamento e escalar montanhas para chegar às áreas mais remotas num

ambiente complicado para dar assistência médica. Partilhou também histórias de jovens que arriscaram ou perderam a vida para tentar ajudar os outros. Foi o MUST que tomou a decisão de organizar este fórum e trazer peritos? Ou tiveram apoio do Governo? Fomos nós, apesar de trabalharmos de perto com o Governo. Convidámos médicos a participar e a fazer parte das palestras e workshops. Também utilizamos as instalações do Governo para dar os cursos. O conhecimento deve ser partilhado. Se nós conseguimos trazer peritos de todo o mundo para que eles partilhem os seus conhecimentos com os médicos locais e comunidade, óptimo. E trabalhar com especialistas do Governo é muito importante devido ao tema ser referente a procedimentos em caso de

desastre. Quantos médicos do Governo participaram? Para as palestras foi casa cheia. A sala tinha capacidade para 160 pessoas e ainda tivemos que providenciar mais uma fila de cadeiras, cerca de mais 70 pessoas. Infelizmente tivemos que mandar embora outros que queriam assistir por falta de espaço. Os wokshops também estiveram cheios. São grupos mais pequenos, mas neste momento estão mais de duas dezenas de pessoas a ter aulas. Grande parte dos hospitais públicos. Têm médicos de fora a assistir? Não. Desta vez é apenas para a comunidade local. Porquê essa escolha? A ideia é trazer peritos de fora, que venham dar aulas certificadas internacionalmente. Mas para manter um programa de treino não

podemos fiar-nos sempre nos estrangeiros porque é muito dispendioso. O ensino médico não é para ter lucros. Se podermos sustentar um programa é maravilhoso. Mas é importante começarmos a treinar trabalhadores locais para que também eles sejam futuros formadores. Houve algum tipo de custo para os médicos ou o MUST suportou todas as despesas? Não, pagamos tudo. Mas esperamos vir a ter algum apoio do Governo. Estiveram aqui peritos de Portugal, Hong Kong, EUA, Austrália, China. Qual desses países considera que é o mais desenvolvido neste tipo de áreas? Os países ocidentais têm tido grande desenvolvimento. Pelo que ouvimos de um professor de Harvard, nos EUA, por exemplo, esta

indústria é desenvolvida por causa das reclamações das seguradoras. Todas as complicações que surjam nas operações são muito dispendiosas. Eles pretendem ver isso reduzido. Com o ensino através das máquinas, os médicos podem aprender com treino e aprendizagem certificada e suficiente, de forma para que não seja questionada a sua capacidade. Se as complicações reduzirem, as litigações reduzem também. Este tipo de simulação pode trazer segurança para os pacientes e para os médicos. O que podemos tirar de melhor entre todas as experiências que por aqui passaram? Todos os médicos que cá estiveram se interessaram pelas máquinas e tecnologia. Mas o mais importante é a área da simulação de trauma e de urgência. Porque são criados cenários reais de emergência. Temos uma sala de cuidados intensivos onde o médico pode ter que responder a diferentes tipos de necessidades de tratamento. E na assistência pode surgir uma arritmia, dificuldades em respirar, convulsões, falha de sem pulso, falta de oxigénio. Os médicos e enfermeiras têm de ser capazes de tratar o doente apropriadamente. Ou ele morre. É um trabalho de equipa que se desenvolve ao mesmo tempo que eles aprendem como reagir. Eles podem reconhecer o que está errado e dar o diagnóstico certo. Isto forma um bom médico. Um ensino deste calibre é mais importante que ensinar apenas os médicos como fazer o procedimento. São os únicos a ter estas máquinas. Foi o MUST que comprou tudo? Estas simuladoras são provenientes da Fundação Henry Fok. E o


MAIS 38 TRABALHADORES ILEGAIS APANHADOS EM ABRIL

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) apanharam durante o mês de Abril 38 trabalhadores ilegais no território. De acordo com dados ontem divulgados, as duas unidades fiscalizaram, conjuntamente ou de forma isolada, mais de 440 locais, incluindo estaleiros de obras, residências e estabelecimentos comerciais.

do sector do jogo” propósito é desenvolver a comunidade médica local a lidar com este tipo de procedimentos. Eu pertenço à Fundação, que ajudou com as máquinas. Eu tenho trabalhado aqui desde há dez anos e trouxe peritos de Hong Kong para treinar trabalhadores locais. Tem tido muito sucesso mas eu quero fazê-lo a uma maior escala. A que escala? Não só no treino individual dos médicos, ou cirurgiões mas captar uma audiência maior e fazê-lo mais sistematicamente. Treinar mais médicos para que estejam preparados essencialmente agora que o Governo planeia ter um novo hospital daqui a cinco anos. Tem mesmo que se formar médicos e enfermeiras que sejam capazes juntar a qualidade à procura, de forma a que se possa dar à comunidade o serviços que ela merece. Em Macau não existem cursos de medicina ocidental. Acha importante que se possam aprender ambas as medicinas? Aqui no centro estamos a ensinar medicina ocidental, trabalhamos com os serviços médicos europeus e americanos de forma a termos os mesmo princípios básicos. Mas em Macau temos uma situação única. A medicina tradicional chinesa (MTC) é também muito bem aceite e praticada. Sente-se que há uma necessidade de integrar as duas, por exemplo para os problemas comuns, como dores no peito, formas da ferida sarar mais rápido após uma operação, alergias de pele, eczemas, doenças do fígado. Nisto a MTC ajuda muito. No tratamento do cancro, a quimioterapia é muito tóxica e faz o paciente fraco. A MTC pode ajudar a reforçar a imunidade do paciente . Portanto elas não

se substituem, mas completam-se? Se forem usadas apropriadamente, elas têm efeito sinérgico. Mas no futuro podemos desenvolver um serviço que possa escolher o melhor das duas para dar mais e melhor serviço. Formou-se em Hong Kong. Que tipo de especialidade tirou? Cirurgia invasiva. Também ensino muito este tipo de procedimentos. Viajo constantemente para a China para treinos intensivos médicos. Para mim fazer mais cem ou 200 operações pode satisfazer-

me a nível profissional mas mais importante é passar este tipo de conhecimentos e capacidades para a próxima geração de médicos cirurgiões. Este é também o sentimento entre muitos dos meus colegas. Por isso criamos este tipo de ambiente de ensino. Hong Kong está mais desenvolvido na área da saúde? Não se pode esquecer que Hong Kong tem sete milhões de pessoas no serviço de saúde. Temos duas universidades de medicina. Aqui só há meio milhão de pessoas, o número de pacientes para

estudos é limitado, não temos escolas médicas. Quase todos os médicos que vêm para cá formamse na China. E aprendem no trabalho. É muito complicado, talvez no futuro seja mais sistemático o ensino e tenhamos mais academias médicas. O Governo poderia fazer mais? O Governo tem feito muito para estimular os médicos e envia-os regularmente para treinos em Hong Kong. Mas essa é também uma parte do problema, porque não podemos deixar que um grande número de médicos ou enfermeiros fique longe do território por muito tempo. O que queremos fazer aqui é trazer os cursos para Macau, mesmo que muitos médicos não possam frequentar os cursos sem que isso afecte dramaticamente o seu horário de trabalho. O que falta no serviço geral de saúde em Macau para que ele possa ser melhor? O serviço tem melhorado nos últimos anos, mas há muitas áreas que podem ser melhores. Há muito trabalho a fazer para ganhar a confiança da população. Uma das maiores preocupações é que Macau está a expandir-se como cidade internacional. Isso chama muitos cidadãos de fora que querem saber se Macau pode oferecer o mesmo tipo de assistência médica que os países de onde vêm. Se os médicos têm a mesma qualificação, se conhecem os mesmos

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tipos de medicamentos, se podem oferecer o mesmo tipo de diagnóstico ou tratamento, o mesmo cuidado contínuo. É um pedido justo. Vemos tanto desenvolvimento no sector do jogo, a saúde tem de acompanhar esse tipo de progresso. Mas em que tipo de área é necessário melhorar? Não só a nível de infraestruturas como nos princípios básicos de tratamento. E em escolas especialistas. O Governo está a aumentar esses princípios, até já há ideia para um conselho médico, mas isso leva tempo. Uma parte que precisava de melhorias era o cuidado contínuo do paciente entre o sector privado e o público. Um médico que cuida de um paciente muitos anos conhece-o e sabe os seus problemas, mas se ele necessitar de algo específico que precise de ser transferido para o Kiang Wu ou o Conde de São Januário, o doente passa a ser visto por médicos completamente novos, que não sabem o historial do doente. Há falta de comunicação, o médico não sabe o tipo de tratamento que o doente teve. Porque falham essas áreas? Macau tem poucos pacientes para estudo. E os médicos estão ocupados, precisam de um bom incentivo para se porem a par do que é novo. Muitos deles trabalham até tarde e fazem um esforço para melhorar. Eles deparam-se

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com técnicas novas que têm de estar a par. É difícil, esta reunião foi organizada num domingo a tarde todo o dia, por exemplo. Este é tempo da família. Mas eles vêm na mesma, o que mostra que temos o programa e o propósito certo. Isso dá-me mais incentivos par organizar mais fóruns. E planeia mais para breve? Este foi o primeiro. E foi o ministro da saúde da China que pediu para organizar devido à grande importância das relações entre o continente e os países de língua portuguesa. É o primeiro de muitos para este ano académico e foi muito bem suportado pela comunidade portuguesa. Vieram representantes de Brasil, Portugal, Angola, Timor e Guiné. Estes últimos países estão desenvolver ainda os seus serviços de saúde, por isso queremos mais fóruns talvez mesmo com cursos em língua portuguesa, o que ajudaria muito. Agora vamos ver como foi este fórum e pedir aos participantes que dêem as suas opiniões. Eu quero um tema que a comunidade queira, eles dizem o que pretendem aprender e organiza-se. Mas os próximos podem ter em conta a questão da lusofonia. Podem vir mais peritos dos países das comunidades portuguesas e participarem os locais portugueses de Macau para partilha de experiências.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.º 215/AI/2011

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora 钱小英 que, na sequência do Auto de Notícia n.º 53/DI-AI/2010, de 08.09.2010, levantado pela DST, por prestação ilegal de alojamento da fracção autónoma situada na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Highfield Court, 4º andar D, bem como por despacho do signatário de 23.05.2011, exarado no Relatório n.º 240/DI/2011, de 17.05.2011, foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas), e ordenada a cessação imediata da prestação ilegal de alojamento no prédio ou da fracção autónoma em causa, nos termos do n.º 1 do artigo 10.º e n.º 1 do artigo 15.º, todos da Lei n.º 3/2010.----------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado na Divisão Administrativa e Financeira destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o n.º 1 do artigo 16.º dos Lei n.º 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.º 2 do artigo 16.º do mesmo diploma.------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo, a interpor no prazo de 60 dias, conforme estipulado na alínea b) do n.º 2 do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro e no artigo 20.º da Lei n.º 3/2010.------------------------------------------------------------------------------------------Haverá lugar à execução imediata de decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços.------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, em Macau, aos 23 de Maio de 2011. O Director dos Serviços, João Manuel Costa Antunes


vida

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D

E 1990 a 2000 perderam-se por dia na União Europeia 275 hectares de solos, o que representa mil quilómetros quadrados por ano. Metade desses solos está definitivamente impermeabilizada por edifícios, estradas e parques de estacionamento. Todos os anos, os solos europeus perdem para o betão e asfalto uma superfície correspondente ao tamanho da cidade de Berlim, uma tendência que a Comissão Europeia considera “insustentável”. A expansão das cidades e das estradas – que impermeabiliza os solos - “compromete o legado de solos férteis e de aquíferos subterrâneos a deixar às gerações vindouras”, alertou ontem a Comissão Europeia em comunicado. Apesar da tendência ter baixado para 252 hectares por dia nos últimos anos, a taxa de perda de solos continua a ser preocupante. Entre 2000 e 2006, o aumento médio das superfícies artificiais na União Europeia foi de três por cento, tendo atingido 14% na Irlanda e em Chipre e 15% em Espanha. Em Portugal, os autores do relatório sublinham que a expansão urbana massiva aconteceu, sobretudo a partir de 1990. O documento salienta a rede de estradas, “entre as mais densas da Europa, com o maior número de quilómetro por habitante e área”. As

REVISTA DOS 4

Apenas dois textos que contam que perpetua os 40 anos de ex trabalho percorre a diversidade são algumas das áreas do parq

Uma Berlim por ano em solos europeus

Ta ec n m m Ja

Florestas de cimento áreas mais afectadas pela impermeabilização ficam no litoral e nas regiões de Lisboa, Setúbal e Porto. NoAlgarve, o documento lembra que 30% das habitações são casas de férias. O relatório recomenda uma intervenção a três níveis: redução da impermeabilização do solo através de um melhor ordenamento, atenuação dos efeitos da impermeabilização – como por exemplo através da construção de coberturas verdes - e compensação da perda de solos de qualidade por acções noutras áreas. “Dependemos dos solos para alguns serviços ecossistémicos fundamentais, sem os quais a vida na Terra desapareceria. Não podemos continuar a perder solos pavimentando-os ou construindo sobre eles.

Sem tub

Animais e plantas dizem adeus à Europa AMÍFEROS, anfíbios, répteis, animais, pássaros, borboletas e plantas mais de um quarto do total de espécies nativas da Europa está ameaçado de extinção, segundo um alerta emitido recentemente pela própria União Europeia (UE). A crise é principalmente

provocada por perda de habitat, poluição, introdução de espécies de fora que ameaçam as nativas, mudança climática e pesca ilegal. O problema também se pode vir a reflectir na população humana, como decorrência da devastação económica e social, alerta o comissário

de Ambiente da UE, Janez Potocnik. As soluções apresentadas pela UE para o problema, entretanto, carecem de verbas, segundo algumas organizações ambientalistas. Entre as propostas da UE, estão a redução da perda de animais até 2020, que seria feita a

partir de planos de gestao em todas as florestas, de forma a que pelo menos 15% dos ecossistemas destruídos possam recuperar. Segundo Ana Neto, da União Internacional para a Conservação da Natureza, a perda da biodiversidade é maior na Europa do que

em outras partes do mundo porque o nível de desenvolvimento residencial e industrial é maior. Com uma média aproximada de 70 pessoas por quilómetro quadrado, a Europa é o continente com maior densidade populacional, ficando atrás apenas da Ásia.

p çõ n o ca -s p su d ta ex ti çã d m

PEIXES DO MEDITER

ESPÉCIES DE SERES DO CONTINENTE EUROPEU EM GRANDE RISCO DE EXTINÇÃO

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M estudo feito pela organiza suíça União Internacional p a Conservação da Natureza (IUC afirma que 40 espécies marinhas vivem no Mediterrâneo podem de parecer dentro de poucos anos. lista dos que correm risco de extinç devido à pesca irregular, poluiçã perda de habitat, estão o tubarão raia e mais 12 tipos de peixes, co atum-azul, o robalo, a pescada garoupa. “As populações do atum-azu Mediterrâneo e no Atlântico Le são uma preocupação em especi diz o coordenador da IUCN, K Carpenter. Segundo ele, a capacidade reprodução deste peixe diminuiu longo das últimas quatro décadas pesca intensiva por barcos japone O Japão responde por 80% consumo de peixes das duas r ões. O atum-azul, além de ser mu apreciado no preparo de sush comercializado por preços elevad Um com 342 quilos já foi negoci por 396 mil dólares americanos mercado de Tsukiji, no maior le de peixes do país.


40 ANOS DO PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS EM IMAGENS

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m a história do parque, e as restantes páginas ocupadas por imagens. É assim o novo livro do Parque Nacional da Peneda-Gerês, xistência do local com centenas de fotografias que ilustram a evolução, ao longo de décadas, do único parque nacional português. O e daquela área protegida: o planalto de Castro Laboreiro, a Peneda, o vale do Lima e serra Amarela ou o Gerês e o planalto do Barroso que em destaque nesta publicação.

Tal não significa parar o crescimento conómico ou deixar de melhorar as nossas infra-estruturas, mas exige maior sustentabilidade”, disse o comissário europeu para o Ambiente, anez Potočnik. Os resultados deste relatório serão ncorporados num documento técnico da Comissão no domínio da impermeabilização do solo, que está a ser laborado com a colaboração de perios nacionais. O documento facultará s autoridades nacionais, regionais e ocais orientações sobre boas práticas de redução da impermeabilização do olo e de atenuação dos seus efeitos, prevendo se que esteja concluído no nício de 2012. “A impermeabilização dos solos provoca a perda irreversível das funões biológicas do solo. Como a água não se pode infiltrar nem evaporar, originando por vezes inundações atastróficas. A paisagem fragmentase e os habitats tornam-se demasiado pequenos ou demasiado isolados para ustentar determinadas espécies.Além disso, o potencial de produção alimenar das terras é perdido para sempre”, xplica a Comissão. Segundo as estimaivas do Centro Comum de Investigaão da Comissão, a impermeabilização dos solos acarreta a perda anual de 4 milhões de toneladas de trigo.

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DÉFICE DE ENERGIA ELÉCTRICA PODERÁ ATINGIR NO VERÃO OS NÍVEIS DE HÁ SETE ANOS

O drama de 2004, parte II A

China vai ter dificuldades em garantir o abastecimento de energia eléctrica este verão, prevendo-se um défice idêntico ao registado em 2004, quando o país teve de racionar a energia, avançou hoje o diário “Shanghai Daily”. Shuai Junqing, vice-presidente executiva da companhia eléctrica estatal chinesa, já admitiu que as necessidades energéticas das 26 províncias e regiões do país podem chegar aos 30 gigawatts, o que obrigará as grandes cidades da China a comprarem mais energia de outras províncias do que nos anos anteriores. Este será o caso de Xangai, onde a humidade registada no verão obrigará à compra de 8,9 milhões de kilowatts a Anhui, Fujian, Sichuan, Hubei e Chongqing, de forma a garantir o abastecimento eléctrico. Segundo o Conselho de Electricidade da China, os 30 gigawatts necessários para assegurar o verão equivalem a três por cento da produção eléctrica total do país.

Este ano, os problemas de abastecimento eléctrico começaram em Março, muito antes da chegada das altas temperaturas e das necessidades massivas de refrigeração, devido ao aumento do custo do carvão (de cuja queima se obtém

quatro quintos da eletricidade na China) e insuficiente produção eléctrica. “Nenhum destes temas têm solução a curto prazo”, admitiu Shuai Junqing. Segundo a empresa estatal, pelo menos 10 regiões vão ser afectadas,

entre as quais Xangai e Pequim, não obstante o governo garantir o abastecimento dos hospitais, escolas e lares antes do das fábricas. Entre Janeiro e Abril, os cinco principais produtores eléctricos chineses acumularam perdas de mais de 10.000 milhões de yuans, tendo Pequim autorizado um aumento dos preços em várias províncias, de forma a fomentar uma maior produção. Em 2004, a China sofreu a maior crise eléctrica desde os anos 90, tendo racionado o abastecimento em 27 das suas 31 províncias, municípios e regiões autónomas. Desde então, a produção industrial tem sido afectada em cidades como Xangai, onde algumas fábricas operam em horários nocturnos de menor consumo. No caso de Xangai, com 20 milhões de habitantes, a procura deve superar os 28,5 milhões de kilowatts nos picos de maior consumo este verão, quando a sua capacidade máxima actual é de apenas 18,7 milhões, segundo a Companhia de Energia Eléctrica de Xangai.

RRÂNEO PODEM DESAPARECER DENTRO DE POUCOS ANOS

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Click ecológico

A pesca no Mediterrâneo é regulada por tratados das Nações Unidas, da União Europeia e leis individuais assinadas com 21 nações. Em Novembro de 2010, a Comissão Internacional de Conservação de Atum do Atlântico votou pela redução anual de 4% da pesca - de 13.500 toneladas métricas para 12.900. Os ambientalistas, contudo, afirmam que a medida não é suficiente e defendem a suspensão total da pesca.

Planeta em números

12,1%

É o valor referente à redução de energia de Macau nos primeiros três meses do ano. O sector do jogo foi o maior responsável pelo consumo, 48, %, apresentando, mesmo assim, uma queda de 13,1% relativamente ao quarto trimestre do ano passado. O volume de electricidade importada foi de menos 21,2% e a produção bruta local de electricidade aumentou 10,6%

PERSEGUIDOS • Os rinocerontes, como este fotografado no Zimbabué, são constantemente alvo de caçadores ilegais, devido às supostas capacidades medicinais e afrodisíacas dos seus chifres. Foto: Folha de São Paulo


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CULTURA

Obra-prima da arte chinesa separada há três séculos entre a China e Taiwan vai ser finalmente reunida e exposta no Museu do Palácio Nacional em Taipé

F

OI há cerca de um ano que o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse numa conferência, durante a Assembleia Nacional Popular chinesa, que esperava que a célebre “Moradia nas Montanhas de Fuchun”, de Huang Gongwang, pudesse voltar a ser unida, implicando o seu maior desejo para a reunificação de Taiwan e da China. Dito e feito. Um ano depois, e mais de três séculos após a separação das duas metades da obra do artista, “Moradia nas Montanhas de Fuchun” vai finalmente ser exposta na versão completa no Museu do Palácio Nacional de Taiwan. A exposição “A Paisagem Reunificada: Huang Gongwang e Moradia nas Montanhas Fuchun” vai ficar em exibição na capital da Formosa de 2 de Junho a 5 de Setembro.

APARTADAS PELO CONFLITO

As duas partes da célebre obra de Huang Gongwang (1269-1354) que retratam uma paisagem idealizada pelo artista nas montanhas Fuchun, a oeste de Hangzhou, foram separados durante a dinastia Qing, em 1746, e mantidas separadamente em Taiwan e na China desde a Guerra Civil chinesa. “Ao longo de 360 anos elas nunca mais foram exibi-

China coopera com Taiwan para expor obra rara

Unidos pela arte das juntas tal como foram criadas originalmente”, declararam responsáveis do museu num comunicado enviado à imprensa chinesa. A pintura da dinastia Yuan (1271-1368) havia sido parcialmente destruída em meados do século XVII quando o seu proprietário, um coleccionador rico, pediu que fosse queimada pouco antes de sua morte, provavelmente na esperança de levá-la consigo para a vida futura. Felizmente o filho do

coleccionador conseguiu salvar a maioria da pintura mas não antes que ela se partisse em duas. Desde então uma parte da obra - a maior, com cerca de seis metros de comprimento - ficou na posse do Palácio Nacional de Taiwan, levada pelas forças nacionalistas de Chiang Kai-Shek no final de 1940. A outra metade, “A Montanha Restante” (51,4 centímetros), ficou no Museu Provincial de Zhejiang e vai agora viajar até Taiwan juntamente com

JOÃO BOTELHO PREPARA NOVO FILME

Mais fado ao grande ecrã O

realizador João Botelho vai rodar no final do ano um filme sobre o fado. “Fecho os olhos, vejo a noite” será protagonizado sobretudo por fadistas e rodado em Lisboa, disse à Lusa o produtor Alexandre Oliveira. Há muito tempo que o realizador português queria rodar um musical sobre o fado e este contará com nomes conhecidos do público como Carminho, Camané, Ricardo Ribeiro e ainda a

actriz Catarina Wallenstein, que também irá cantar. Luísa Costa Gomes e o próprio João Botelho assinarão o argumento de “Fecho os olhos, vejo a noite”, título que vem do poema de Pedro Homem de Mello, com direcção de fotografia de João Ribeiro. A produção ficará por conta da Ar de Filmes, a mesma de “Filme do Desassossego”, e contará com um orçamento que rondará os 900 mil euros,

estando a aguardar o concurso de apoio financeiro do Instituto do Cinema e Audiovisual. A rodagem acontecerá em Lisboa em cenários naturais da Mouraria e Alfama, “casas por excelência do fado”, disse o produtor. O último filme de João Botelho, “Filme do Desassossego” teve 27.644 espectadores em sessões que decorreram como uma digressão com uma só cópia digital pelo país.

outras 11 obras emprestadas por outros museus da China. “Todas as obras foram cuidadosamente seleccionadas e têm uma estreita ligação artística quer com a ‘Moradia nas Montanhas de Fuchun’, quer com o seu criador”, disse à Xinhua o co-organizador da exposição e director do departamento de Exposições de Arte da China, Wang Jun.

FINALMENTE JUNTAS

O conjunto “A Montanha Restan-

te” e “Moradia nas Montanhas Fuchun” é um dos poucos exemplares sobreviventes da obra de Huang Gongwang. Concluiu a obra em 1350, tinha 82 anos. “Ao recriar a aparência original de ‘Moradia nas Montanhas Fuchun’, o público vai poder apreciar a panorâmica completa desta obra-prima tão importante na arte chinesa”, salientaram responsáveis do Museu do Palácio Nacional, que conta actualmente com mais de 655 mil artefactos, abrangendo 7000 anos do período neolítico até ao fim da dinastia Qing em 1911. As 12 obras emprestadas agora por museus do continente foram avaliadas em mais de mil milhões de yuans. Só a peça “Montanha Restante” foi avaliada em 150 milhões. Para garantir a segurança da pintura, a data exacta da entrega ao Museu do Palácio Nacional está a ser mantida em segredo, revelou Zhang Yake do departamento de Exposições de Arte da China. Para atrair o público mais jovem, o foi preparada uma apresentação especial que inclui um vídeo em 3D, que será mostrado ao lado da pintura. “Esta exposição maravilhosa não se teria tornado uma realidade sem a cooperação entre Taiwan e o continente”, frisou Fung Ming-chu, subdirector do Museu do Palácio Nacional de Taipé. “Esperamos que os amantes da arte de ambos os lados do Estreito beneficiem da exposição.” Para já não está prevista a exibição da obra na China.


SOCIEDADE HISTÓRICA CONDECORADA COM ORDEM SANTIAGO DA ESPADA

A Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP) foi ontem condecorada com a Ordem de Santiago da Espada, pelo Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva. A condecoração aconteceu durante a sessão solene comemorativa do 150.º aniversário da instituição cultural de natureza associativa. Representou o Chefe do Estado o General Vasco Rocha Vieira, na qualidade de Chanceler das Antigas Ordens Militares, que entregou a condecoração a Jorge Rangel, presidente da Direcção Central da SHIP. Na mesma sessão foi assinado um protocolo de cooperação da SHIP com a Sociedade de Geografia de Lisboa, e foi entregue o Prémio Aboim Sande Lemos - Identidade Portuguesa a Adriano Moreira, que apresentou uma comunicação sobre “Os Desafios de Portugal”.

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Deputado critica desenvolvimento das indústrias culturais e criativas

Muitas políticas, poucas acções

Filipa Queiroz

filipaqueiroz@hojemacau.com.mo

É

certo que no último relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) o Governo disse que ia intensificar o investimento de recursos no desenvolvimento de indústrias culturais e criativas, apoiando as criações culturais do território. Também é um facto que no seguimento das últimas LAG foi criado um Departamento de

Promoção das Indústrias Culturais e Criativas e um Conselho para as Indústrias Culturais. Mas o que é que aconteceu desde então? De acordo com José Pereira Coutinho pouco ou nada. Por isso, o deputado à Assembleia Legislativa interpelou o Governo sobre as prometidas medidas para promover o desenvolvimento do sector e evitar o domínio preponderante do sector do jogo no território. “Devido à expansão do sector do jogo, milhares de jovens têm sido atraídos pelo trabalho nos casinos, ainda antes de terem acabado o ensino secundário”, enunciou o deputado, preocupado com o baixo nível de formação das novas gerações. Actualmente das 318.300 pessoas empregadas no território, 21,8% possuem o ensino primário ou de nível inferior, 27,2% o ensino secundário geral e 28,4% completaram o ensino secundário complementar. Cerca de 22% possuem ha-

A

feira internacional de Hong Kong – Art HK – arranca amanhã em Hong Kong. Mais um entre os vários eventos artísticos que inundam a cidade até ao final do mês. Na feira vão constar peças de artistas que vão desde o mais do que consagrado Pablo Picasso aos contemporâneos Takashi Murakami e Damien Hirst. Cerca de 250 galerias de 38 países diferentes vão participar na Art HK, 22 delas locais. A informação detalhada sobre as mostras está disponível na página electrónica www.hongkongartfair.com.

AO VIRAR DA ESQUINA

O “The Wall Street Journal” listou algumas das mais importantes mostras de arte a decorrer em Hong Kong até ao fim do mês. Logo em primeiro lugar na lista está a mostra de 20 trabalhos de Luis Chan, na Hanart TZ Gallery. Uma oportunidade única para conhecer os universos fantásticos e coloridos do artista falecido em 1995. Logo a seguir está Zhang

grupos empresariais, como a Samsung, LG e Hyundai, assim como indústrias cinematográficas e televisivas sul-coreanas, conseguiram conquistar uma fatia do mercado internacional”, referiu, apontando ainda os exemplos do Reino Unido e da Áustria. Coutinho frisou que “Macau também deve começar a descobrir o rumo para a sua própria indústria cultural e criativa” e que para isso precisa de apoios governamentais que não se podem limitar a políticas.

ANTÓNIO FALCÃO | BLOOMLAND.CN

Pereira Coutinho interpelou o Governo sobre as medidas prometidas nas últimas LAG e apelou ao reforço de bases educativas no sector

“BOM” NÃO CHEGA

bilitações de nível superior. “Macau está a confrontar-se com uma crise resultante da ruptura na oferta de quadros qualificados a par de outros factores de instabilidade social relacionados com os jogadores problemáticos”, afirmou Coutinho, susten-

tando que as indústrias criativas e culturais são o “segmento industrial ‘emergente’ a nível internacional”. E deu exemplos. “Na sequência da crise financeira a Coreia do Sul apostou na inovação e em resultado dessa estratégia, os

Desde o Fundo para as Indústrias Culturais ainda “em estudo” até ao espaço dedicado às indústrias culturais e criativas na Ilha da Montanha, passando pelo “stand de exposição” de produtos e obras criativas recentemente inaugurado, o deputado defende que pouco tem sido feito para cumprir os objectivos definidos nas LAG. A começar pela formação. “O Governo espera

ART HK ARRANCA AMANHÃ E VAI ATÉ AO DIA 29 DE MAIO

Arte a rodos em Hong Kong Huan. A partir de amanhã e até 30 de Junho quem passar pela entrada do complexo comercial 1881 Heritage, em Tsim Sha Tsui,

não será indiferente à gigantesca obra do artista intitulada “Três Cabeças, Seis Braços”. A escultura de bronze, com 15 toneladas de

peso, dez metros de altura e 15 de comprimento, foi inspirada em estatuetas budistas que o artista comprou em mercados chineses e exibida pela primeira vez em São Francisco (EUA) no ano passado. Reflecte as realidades de mudança do povo chinês actualmente, a atitude que a humanidade conquistou à natureza, a vontade e a esperança. Uma das cabeças é feita à imagem do artista, célebre pelo seu trabalho como ‘performer’ de rua que, entre outras intervenções artísticas, manchou o corpo com óleo de peixe e mel para atrair moscas e reuniu um grupo de artistas deitados nus numa montanha uns por cima dos outros (“To Add One Meter to an Unknown Mountain”, 1995). Na lista do “The Wall Street Journal” consta ainda “Game Theory” de Halley Cheng, trabalhos

que os operadores deste sector, a população em geral e os organismos educativos apresentem projectos de desenvolvimento, no entanto uma boa parte dos operadores deste sector possui apenas um nível médio de especialidade”, frisou Coutinho, que acredita que as indústrias culturais e criativas não passam de “uma expressão conhecida” para a população em geral. Na óptica do deputado, a Administração tem de olhar para os exemplos de países como o Reino Unido (“onde todas as crianças a partir dos 12 anos têm de frequentar disciplinas obrigatórias relacionadas com a aprendizagem do design”), os Estados Unidos (onde “a Gestão de Cultura é hoje uma disciplina de especialidade e existem 30 instituições universitárias onde esta é leccionada a par da Gestão de Artes”) e mesmo a China Continental, que já acerta passo. Coutinho defendeu que o Governo deve considerar o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas como “um investimento com possibilidade de obtenção de lucros e objectivos definidos, e não como uma aposta sem limite do capital investido”.

que misturam pintura chinesa antiga com histórias de videojogos em exposição na galeria Grotto Fine Arts até sábado. Também “Memories of King Kowloon” de Tsang Tsou-choi, na Artistree (Quarry Bay), e “Love The Future”, a exposição organizada por Kacey Wong no espaço Art East Island (Chai Wan), que inclui obras do artista dissidente Ai Weiwei. A Christie’s de Hong Kong apresenta uma mostra retrospectiva da obra de Zeng Fanzhi, autor de “Mask Series 1996 No.6”, que bateu recentemente o recorde do preço mais elevado de sempre pago por um trabalho de arte contemporânea chinesa. Destaque ainda para “Génesis”, exposição de Sebastião Salgado inaugurada ontem na Sundaram Tagore Gallery (Hollywood Road). A mostra exibe imagens das viagens do fotógrafo brasileiro e activista ambiental que já percorreu mais de uma centena de países e retratou a América Latina e África como poucos, sempre a preto e branco. – F.Q.


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DESPORTO

ANDRÉ COUTO TERMINA SEM QUALQUER PONTO Okayama não vai ficar na memória do piloto de Macau. André Couto e o seu companheiro Juichi Wakisaka não conseguiram qualquer ponto na primeira ronda do Super GT japonês. A equipa terminou na 14.ª posição e viu-se envolvida em problemas ao nível do sistema de abastecimento de combustível do seu Lexus. “Após a qualificação tínhamos a máquina bem apetrechada mas, infelizmente, um problema ao nível do abastecimento aquando da paragem foinos prejudicial”, explicou André Couto que no entanto garante que a máquina está a começar a ficar bem afinada. “Está a melhorar gradualmente e por isso já estamos ansiosos pela segunda ronda. Falta os tempos melhorarem.” Apesar da presença do fã Hirotaka Teraoka, doente oncológico – sofre de leucemia mielóide -, os pilotos da equipa Kraft não tiveram sorte. O fã assumido de Wakisaka e Couto deslocou-se de Hiroshima até Okayama para a apoiar a dupla e para participar na campanha de angariação de dadores de medula óssea que a organização do Super GT tem vindo a promover.

Ginásio no centro da cidade abre hoje

Preparem as toalhas GONÇALO LOBO PINHEIRO

MAIS DE 3000 REMAM NOS BARCOS-DRAGÃO Macau vai acolher entre 4 e 6 de Junho as regatas internacionais de barcos dragão, uma competição que vai envolver 139 equipas e mais de 3000 atletas. No evento desportivo – um dos maiores do calendário local –, os remadores dos barcosdragão vão competir no lago Sai Van em distâncias de 500 e 2000 metros em provas de pequenas e grandes embarcações. Ao salientar a importância da competição, o Instituto do Desporto destacou a “forte adesão” ao nível das inscrições para as diferentes provas. Quanto às regatas internacionais de barcos-dragão por convite em grandes embarcações, além das melhores equipas locais e das melhores classificadas na prova de regatas de barcos-dragão (categoria open), é esperada a participação de remadores da China (Jiujiang, Tianjin e Sichuan), Hong Kong, Inglaterra, Malásia, Filipinas, Estados Unidos e Singapura.

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

A

BRE hoje para quem queira fazer a pré-inscrição numa das modalidades à escolha. Mas malhar a sério só a partir de Junho. Macao Fitness é um conceito inovador na Ásia. Quem o diz é Norika Chio, proprietária do local que ocupa o 4.º andar da AIA Tower num espaço com cerca de mil metros quadrados. “Na Ásia não devem haver muitos ginásios com a qualidade deste. Eu apenas trabalho com a qualidade, tanto em equipamentos ou nos suplementos alimentares que represento – Power Nutrition Macau -, como também nas pessoas que trabalham comigo. São as melhores”, explicou Norika ao Hoje Macau.

O espaço amplo foi remodelado de raiz e nele foi investido muito dinheiro. “Tudo foi feito com muito esforço. Criámos tudo do zero e já investi mais de dez milhões de patacas. Gosto do que estou a criar e é a pensar no cliente que me dedico a isto.” Mas que clientes podem experimentar o ginásio? “Todos! Queremos que venham aqui os estrangeiros que tanto na Europa como nos EUA já conhecem este conceito, mas também os asiáticos que estão muito pouco habituados ao culto do corpo”, afirmou a dona do espaço. Norika proporciona equipamentos de alto gabarito internacional como as marcas Star Trac, em máquinas, Everlast, em material

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de luta e artes marciais ou Mega Sun para o solário e para a inovadora máquina de colagénio, que é a pérola do negócio. “É um equipamento inovador que não deve existir em mais alguma parte da Ásia. É muito bom para ser usado no pós-treino. A equipa de futebol do Manchester United usa-o e nós somos os representantes do equipamento em Macau e Hong Kong.” Numa primeira fase as inscrições no Macao Fitness são apenas presenciais, podendo no médio prazo fazer-se sempre uma ligação através da página na Internet (www.macao-fitness.com). De qualquer forma, para Norika é muito importante que os interessados vejam o local e sintam as “boas sensações”. “O nosso intuito é manter um ambiente acolhedor, estilo europeu, para que os nossos clientes se sintam bem e para isso têm de ir visitar o local antes

de decidirem o que querem para eles”, explicou. O Macao Fitness conta ainda com aulas de bodypump, kickboxing, TRX, spinning e classes de dança, bem como um terapeuta desportivo no local, um bar, uma máquina que avalia a condição física dos clientes, dando a massa muscular e a massa gorda, e ainda Internet gratuita em todo o ginásio. Brevemente poderá até ter uma aula com o famoso culturista Bobby Khan, que virá a Macau durante seis meses numa parceria que Norika quer manter com outros atletas. “É muito bom para o ginásio e para Macau poder contar com a experiência do Bobby e de outros atletas que eu já ando a convidar.” Podem ser adquiridos vários tipos de passes desde diários até dois anos. Os preços esses ficam para serem divulgados durante uma visita ao local.


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DESPORTO DE MACAU NUNCA ESQUECE EDMUND HO

O vice-presidente da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês (CPCPC), Edmund Ho, vai tomar hoje posse como presidente honorário do Comité Olímpico e Desportivo de Macau (CODM). A cerimónia terá lugar na Torre de Macau pelas 13h. A nomeação do exChefe do Executivo da RAEM é o reconhecimento pelo apoio constante de Edmund Ho ao desporto em geral e ao CODM em particular. Ho sempre esteve ligado ao desporto, tendo sido presidente da comissão executiva do CODM, bem como geriu os destinos de diversas associações locais nas modalidades de artes marciais, golfe ou tiro.

Ferrari investe pesado no desporto na China

Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo

S

ETE anos depois de ter chegado oficialmente à República Popular da China, a Ferrari vai apostar forte este ano no desporto automóvel chinês. O famoso construtor de automóveis de Maranello vai lançar em 2011 o Ferrari Challenge Asiático e introduzir a sua academia de pilotos - a Ferrari Drivers Academy na sigla inglesa - no país da grande muralha. O programa para jovens pilotos da Scuderia Ferrari, criado em 2009, irá expandir-se para a China através da Fórmula Abarth, campeonato que na China será designado “Fórmula Pilota China”. A Ferrari espera com esta nova competição, que terá cinco provas no continente chinês e uma na Malásia, promover jovens talentos da região e quiçá lançar o primeiro piloto chinês no “Grande Circo”. O novo campeonato de monolugares que deverá ocupar o lugar da Fórmula Renault e da Fórmula BMW no cenário desportivo da região, vai contar com a presença das melhores equipas da especialidade, incluindo a equipa macaense Asia Racing Team, uma das primeiras estruturas a anunciar a sua participação. Além de se lançar na procura na próxima estrela chinesa nos desportos motorizados, a marca do “Cavallino Rampante” também promove pela primeira vez no continente asiático, com duas corridas na China e duas no Japão, o seu troféu monomarca “Ferrari Challenge”.

A agarrar todas as rodas Aproveitando o lançamento do modelo de competição 458 Challenge, a marca saída um dia das oficinas da Alfa Romeo vai tentar atrair para as pistas alguns dos seus melhores clientes nesta região do globo, num campeonato destinado a “Gentleman Drivers” que custará cerca de quatro milhões de Patacas por temporada e terá o apoio técnico da Italian Motors, o distribuidor

exclusivo da marca para Macau e Hong Kong desde 1983. As vendas em 2010 no mercado chinês, que é um dos cinco principais da marca, foram muito boas para a Ferrari, tendo o construtor italiano de viaturas de luxo superado as trezentas unidades comercializadas, um aumento de 50% em relação ao ano anterior. A Ferrari entregou a unidade 999 da

China no passado mês de Janeiro. O fabricante acredita que a China vai ser o segundo maior mercado para a Ferrari nos próximos dois anos, apenas atrás dos Estados Unidos da América. Não foi por acaso que a Ferrari escolheu Pequim para a estreia do 599 GTO, no ano passado, e apresentou o protótipo do HY-KERS no Salão Mundial Xangai este ano.

LIGA DOS CAMPEÕES | GUARDIOLA DESCARTA ESPERANÇAS EM ALTA

“Super-Messi” não chega para ser favorito O

técnico do Barcelona negou que os catalães sejam favoritos na final da Liga dos Campeões, frente ao Manchester United, e alertou que, mesmo com um “super Messi”, vai ser muito difícil vencer. “Só com o Leo não vamos conseguir. Ele está muito motivado, mas mesmo com um super Messi não vai ser suficiente. Vai ser muito difícil ganhar”, afirmou Josep Guardiola em conferência de imprensa, no ‘open day’ determinado pela UEFA antes da final do próximo sábado. O técnico espanhol realçou que o Barcelona vai jogar “em Londres contra uma equipa inglesa que joga a terceira final da Champions nos últimos quatro anos”. “Se pensarmos que somos favoritos não vamos a lado nenhum. Com esse pensamento, os meus jogadores entrariam em campo com a mentalidade errada e o Chicharito punha-nos logo no lugar em cinco minutos”, disse Guardiola, referindo-se ‘veia’ goleadora do mexicano Javier Hernández, avançado dos ‘red devils’.

Em comparação com a final da Champions de há duas épocas, em que os catalães venceram o Manchester United por 2-0, o técnico da equipa ‘blaugrana’ considerou que os ingleses mantiveram o “mesmo bloco” e que não ficaram mais fracos com a saída de Cristiano Ronaldo. “Não estão menos fortes, são o mesmo bloco de há duas épocas. Vai ser muito difícil ganhar, tenho um respeito enorme por esta equipa”, referiu. Pep Guardiola mostrou-se ainda preocupado com a nova erupção de um vulcão na Islândia, que pode impossibilitar a viagem de avião para Londres devido à existência de cinzas no espaço aéreo britânico. “Seguiremos o que os especialistas disserem, de preferência com a maior antecedência possível”, disse. Também presente na conferência de imprensa no Nou Camp, o argentino Lionel Messi defendeu que a final de Londres vai ser “completamente diferente” do jogo de há dois anos, em Roma, e

que os ‘red devils’ continuam a ser uma equipa “muito forte”, mesmo sem Ronaldo. “A boa recordação de Roma faz parte do passado. Agora vai ser completamente diferente. Vamos defrontar uma grande equipa, que tem excelentes jogadores. O Manchester United não está mais fraco do que em 2009. Ganhou o campeonato inglês e está na final da Liga dos Campeões, por isso, não pode estar fraco”, afirmou o avançado argentino. “Vou jogar a final como sempre, como se fosse o último. É um jogo especial”, reforçou. Leo Messi abordou ainda os 40 alcançados por Cristiano Ronaldo na Liga espanhola, que representam um recorde numa só temporada em Espanha. “Importam-me mais os títulos colectivos, mas gostava de ter ganho o ‘Pichichi’. Nos últimos jogos, o Cristiano Ronaldo fez muitos golos e só tenho que felicitá-lo pelo recorde”, concluiu. Afinal da “Champions” está agendada para sábado, às 19h45 (hora local), no Estádio de Wembley.

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DESPORTO

PINTO DA COSTA ADMITE ORÇAMENTO ACIMA DOS 90 MILHÕES DE EUROS O presidente portista admitiu que para a época 2011/12 nem precisa de vender jogadores nem o treinador. Sobre Villas-Boas fala em paixão que este tem pelo clube. “Não precisamos fazer compras. Renegociámos direitos da televisão e com a PT, temos ainda outros contratos que espero poder anunciar em breve e que estão em bom andamento. O encaixe da Liga dos Campeões é razoável. As receitas e os ‘cachets’ aumentam...”, explicou, em entrevista à RTP em pleno estádio do Dragão. Lembrando que o clube “tem contas auditadas por revisores oficiais”, acrescentou: “Tenho o orçamento equilibrado sem precisar de vender. Nas contas do ano passado, em que apresentámos lucro, não entrou a venda do Bruno Alves (22 milhões de euros)”. Com o triunfo na Liga Europa, o FC Porto reforçou a ambição de brilhar na Liga dos Campeões, mas Pinto da Costa garante que o treinador André Villas-Boas não precisa de grandes mexidas no plantel. “Há dois dias disse-me que se não sair ninguém, também não precisa de ninguém”, revelou Pinto da Costa, que defende que “não há muitos jogadores que tenham espaço para fazer parte sequer do plantel do FC Porto”. Renovado o contrato com Hulk até 2016, com a cláusula de rescisão mantida nos 100 milhões de euros, agora a prioridade é segurar Falcao, preso por ‘apenas’ 30 milhões. “Isso está a ser tratado. Ele já mostrou vontade de o fazer (renovar). Tem mais dois anos de contrato, não estou preocupado”, vincou. Pinto da Costa revelou a intenção de manter o núcleo duro e garantiu novamente que os futebolistas imprescindíveis só sairão “caso alguém pague a cláusula de rescisão”. O assédio não se limita aos futebolistas, uma vez que o treinador André VillasBoas também tem sido apontado a grandes clubes da Europa. “É inegociável. Primeiro, porque não quer sair. Se André Villas-Boas não tivesse a mesma paixão que tenho pelo FC Porto, o que me levou a dizer que está na sua cadeira de sonho, estou convencido que era capaz de sair. Tem uma cláusula de rescisão de 15 milhões, o que para determinados clubes não é significativo. Mas tenho a certeza que se vierem cá com essa cláusula, ele não quer sair. É a tal vantagem (de ser portista)”, esclareceu. Em termos de finanças, Pinto da Costa esclareceu ainda que o passivo bancário do clube ronda os 70 milhões de euros e não os 250 como recordou ter sido recentemente referido.


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Sucursal de Macau

(Publicações ao abrigo do artigo 76º do R.J.S.F., aprovado pelo Decreto-Lei n.º 32/93/M, de 5 de Julho)

Hang Seng Bank Limited – Sucursal de Macau

Síntese do Parecer dos Auditores Externos

(Anúncio previsto no artigo 76º do Regime Jurídico do Sistema Financeiro, aprovado pelo Decreto-Lei nº 32/93/M, de 5 de Julho)

Para o gerente-geral do Hang Seng Bank Limited - Sucursal de Macau (Sucursal de um banco comercial de responsabilidade limitada, incorporado em Hong Kong)

Extracto do resultado do exercício No ano de 2010, fizemos investimentos com recursos adicionais, promovendo a liquidação de operações externas em renmimbi e desenvolvendo todos os tipos de actividades bancárias, prestando aos nossos clientes serviços de boa qualidade.

Agradecemos aos Serviços Públicos da Administração de Macau, clientes, colegas e funcionários do Banco e seus familiares, o apoio que nos prestaram.

Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras do Hang Seng Bank Limited - Sucursal de Macau relativas ao ano de 2010, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 12 de Maio de 2011, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2010, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações nas reservas e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas e dos livros e registos da sucursal. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e os livros e registos da sucursal. Para a melhor compreensão da posição financeira da Hang Seng Bank Limited - Sucursal de Macau e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria.

Hang Seng Bank Limited – Sucursal de Macau O Director da Sucursal Fong Chi Cheng

Lei Iun Mei, Auditor de Contas KPMG Macau, aos 12 de Maio de 2011

As actividades principais exercidas pelo Banco, no ano de 2010, no âmbito dos serviços bancários prestados aos empresários e clientes individuais, consistiram na prestação de todos os tipos de serviços relacionados com operações de comércio e de financiamento, empréstimos para comércio, empréstimos garantidos por hipoteca sobre imóveis, contas bancárias para depósito de divisas estrangeiras, transferências e operações cambiais, custódia de títulos, serviços bancários electrónicos, aparelhos de serviço automático e agenciamento de seguros, entre outros. No dia do encerramento do exercício anual, registamos como depósitos e empréstimos, respectivamente, mil quinhentos e quarenta e nove milhões de patacas, e três mil trezentos e um milhões de patacas, sendo o lucro, deduzido do imposto anual, dezoito milhões de patacas. Relativamente a 2011, esperamos aperfeiçoar os serviços de liquidação de operações externas em renmimbi, bem como, à semelhança dos anos anteriores, continuaremos a desenvolver e promover os diversos tipos de produtos bancários, tendo como objectivo fortalecer a expansão das nossas actividades e diversificação dos serviços prestados.


[f]utilidades Cineteatro | PUB

[ ] Cinema

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SALA 2

FAST & FURIOUS 5 [C] Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Paul Walker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA 1

PIRATES OF THE CARIBBEAN ON STRANGER TIDES [B]

SALA 3

Um filme de: Rob Marshall Com: Johnny Depp, Penelope Cruz, Geoffrey Rush 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Um filme de: Duncan Jones Com: Jake Gyllenhaal, Vera Farmiga 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SOURCE CODE [B]

VERTICAIS: 1-Relativo a dois. Mulher de Cuba. 2-Medronheiro. Sânie. 3-Nome de muitas plantas brasileiras. Peixe africano. Térbio. 4-Apófise que termina a espinha da omoplata. Que ressai sem transição suave. 5-Tecido de pêlo de animal. Tribo de plantas crucíferas, no sistema de De-Candolle. 6-Em numeração romana, significa um Deslindar. Abrev. de tensão e temperatura. 7-Planta rosácea. Namorada. 8-Aí. Nuvem. Matricula de Israel. 9-Forma internacional de ampério. Elemento de origem grega que significa pegada, esboço. 10-Desloca-se. Estar a proa metida na água mais fundamente que a ré. 11-Traseiro. Terra própria para fabrico de loiça.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-DESALINAAVO. 2-URUCA. EIMAR. 3-AVERNAL. PIO. 4-LO OSCINE. P. 5-DUM. LAUREA. 6-CONIZA. VEM. 7-U. DOIRAR. PB. 8-BIO. LAMEIRA. 9-AC. CERA. COR. 10-NOTRA. DINAR. 11-ARBUSTAL. RO. VERTICAIS: 1-DUAL. CUBANA. 2-ERVODO. ICOR. 3-SUE. UNDO. TB. 4-ACROMIO. CRU. 5-LANS. ZILEAS. 6-I. ACLARAR. T. 7-NELIA. AMADA. 8-AI. NUVRE. IL. 9-AMPERE. ICN. 10-VAI. EMPROAR. 11-OROPA. BARRO.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Desalinho. 2-Urucubaca. Inflamar. 3-Infernal. Som imitativo do grito de algumas aves. 4-Parte em que se amuram as velas do navio. Ave, por cujo canto os áugures regulavam as suas predições. Símbolo químico de fósforo. 5-Contração da preposição de com o artigo indefinido um. Coroa de loiros. 6-Planta hermafrodita de que há duas espécies. Anda. 7-Urânio. Tornar brilhante, formoso, feliz. Chumbo. 8-Prego de pau. Casta de uva transmontana. 9-Símbolo químico de actínio. Humor untuoso que se forma nos ouvidos. Matéria colorante, que se aplica em tintas. 10-Árvore proteácea da América do Sul. Peso árabe, que valia dracma e meia. 11-Arbustivo. Nome de uma letra do alfabeto grego.

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:01 13:30 14:30 19:00 19:30 20:25 20:30 21:00 22:10 22:55 23:00 23:30 01:00 01:30 RTPi 82 14:00 14:30 15:00 15:30 16:00 17:00 17:45 18:30 20:00 21:15 22:00 22:30 23:00

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Montra do Lilau (Repetição) Ganância Acontecimentos Históricos Telejornal Jornal da Tarde da RTPi Viver a Vida Acontecimentos Históricos TDM News Cinco Dias, Cinco Noites Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

22:30 23:30

INFORMAÇÃO TDM

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TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 ZingZillas 16:30 I.N.K. Invisible Network of Kids 17:00 The Penguins of Madagascar 17:30 Let’s Get Inventin’ 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Foot Brazil 19:00 Pilot Globe Guides 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Nigel Slater’s Simple Suppers 20:30 Bones 21:25 Portraits of Self-portraits 21:30 Popular Science’s Future of… 22:30 Marketplace 22:35 Fringe 23:30 The CEO Connection 23:35 World Market Update 23:40 News Roundup 23:55 Earth Live 00:00 Survivors 00:55 Money Magazine 01:20 Global Football 01:50 European Art At The MET 02:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 15:00 15:30 18:30 19:30 20:00 20:30 21:30 22:00

KIA X Games Asia 2011 Day 2 Stihl Timbersports Series MLB Regular Season 2011 Toronto Blue Jays vs. New York Yankees (Delay) Baseball Tonight International 2011 (LIVE) Sportscenter Asia Chang World Of Football Mundialito De Clubes - Beach Soccer Barcelona vs. Sporting Portugal The Immortals Sportscenter Asia

Baseball Tonight International 2011 Chang World Of Football

STAR SPORTS 31 13:00 KIA X Games Asia 2011 Day 2 15:00 Stihl Timbersports Series 15:30 MLB Regular Season 2011 Toronto Blue Jays vs. New York Yankees 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2011 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Chang World Of Football 20:30 Mundialito De Clubes - Beach Soccer Barcelona vs. Sporting Portugal 21:30 The Immortals 22:00 Sportscenter Asia 22:30 Baseball Tonight International 2011 23:30 Chang World Of Football STAR MOVIES 40 11:55 Half Past Dead 2 13:30 Bewitched 15:20 Peter Pan 17:15 Knowing 19:20 500 Days Of Summer 21:00 Remember Me 22:55 Wrong Turn 3: Left For Dead 00:35 Christmas With The Kranks HBO 41 13:00 14:45 16:35 19:00 21:00 23:20

8 Mile Georgia O’Keeffe Robin Hood: Prince Of Thieves The Quick And The Dead The Lovely Bones Tears Of The Sun

CINEMAX 42 12:55 14:00 15:30 17:00 18:30 20:00 22:00 00:05

The Pacific The Funhouse The Blob Weird Science 20 Million Miles To Earth The Pacific The Delta Force America 3000

MGM 43 13:00 15:00 17:45 19:30 21:00 22:45 00:15

At Close Range A Passage to India Sonny Boy Spellcaster True Blood Leather Jackets Double Trouble

DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Walking On Water 14:00 Raw Nature - What’s In Your Stomach? 15:00 River Monsters - Short Tailed Ray 16:00 Destroyed In Seconds 16:30 Worst Case Scenario 17:00 Dirty Jobs - Billboard Installer 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 Swamp Loggers 20:00 Surviving The Cut - Ranger School 21:00 How The Universe Works - Galaxies 22:00 Medical Anomalies - My Brand New Face 23:00 Raging Planet 00:00 How The Universe Works - Galaxies

(MCTV 54) History Channel 17:00 THREE YEARS AND EIGHT MONTHS IN HONG KONG

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 12:30 ABOUT ASIA - Engineering Connections 13:25 Aftermath: World Without Oil 14:20 2210: The Collapse? 15:15 Bioterror Alert 16:10 Rescue Emergency: Brighton Bombing 17:05 Air Crash Investigation 18:00 Mummy Road Show - Luck Of The Mummies 19:00 Seconds From Disaster 20:00 ABOUT ASIA - Japan’s Secret Weapon 21:00 Shark Men: Surf’s Up 22:00 Dog Whisperer: Animal Killer 23:00 Dog Whisperer: Attack of The Jindo... 00:00 Shark Men: Surf’s Up ANIMAL PLANET 52 13:00 Austin Stevens Adventures 14:00 Great Ocean Adventures 15:00 Insects Uncovered: Predation! 16:00 Extinctions - Polar Bear 17:00 The Web Of Life 18:00 Cell Dogs - Lexington 19:00 Chasing Nature - Chameleon 20:00 Austin Stevens Adventures 21:00 Insects Uncovered: Ants! 22:00 Secrets Of The American Jungle 23:00 The Web Of Life: 00:00 Austin Stevens Adventures HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Secrets Of Body Language 16:00 Battleplan 17:00 Three Years And Eight Months In Hong Kong 18:00 Shockwave 19:00 Modern Marvels 21:00 Extreme Marksmen 23:00 Monumental Challenge 00:00 Hidden Cities BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Intervention 14:00 Build A New Life In The Country 15:00 Celebrity Ghost Stories 16:00 Dustin Hoffman 17:00 Shatner’s Raw Nerve 17:30 Kirstie Alley’s Big Life 18:00 Intervention 19:00 Sell This House 19:30 The Locator 20:00 Gene Simmons: Family Jewels 21:00 Gandhi 22:00 Private Chefs Of Beverly Hills 23:00 Intervention 00:00 Vladimir Putin AXN 62 12:20 13:10 14:00 14:55 15:45 16:35 17:30 18:20 19:15 20:10 21:05 22:00 22:55 23:50 00:45

Csi: Crime Scene Investigation 24 The Amazing Race: Unfinished Business Leverage Csi: Crime Scene Investigation Hawaii Five-O Csi: Ny House Csi: Crime Scene Investigation Hawaii Five-0 Csi: Ny Csi: Crime Scene Investigation House Csi: Crime Scene Investigation House

STAR WORLD 63 12:35 Glee 13:50 American Idol 15:10 DC Cupcakes 15:40 Masterchef Australia 17:10 America’s Next Top Model 18:00 American Idol 19:00 Glee 20:00 American Idol 21:00 Got To Dance UK 21:50 Castle 22:45 Masterchef Australia 23:10 Lee DeWyze Way to Idol 23:40 American Idol 00:35 Got To Dance UK

Informação Macau Cable TV


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OPINIÃO

Portugal e a Indonésia:

em busca do tempo perdido Paulo Gorjão* In i

O

eixo Ásia/Pacífico tem vindo a afirmar-se progressivamente como o centro de gravidade da economia mundial, pondo deste modo em causa a preponderância das relações transatlânticas entre a América do Norte e a Europa. Os indicadores de que dispomos indicam que nos próximos anos, salvo uma alteração estrutural de natureza imprevisível, o eixo Ásia/Pacífico continuará a reforçar a sua relevância internacional. Quais as implicações desta evolução para Portugal? As relações políticas e económicas de Portugal com os países da Ásia são frágeis. Portugal tem poucas embaixadas no continente asiático e as suas trocas comerciais, salvo uma ou duas excepções, têm pouca importância. Impõe-se, portanto, não só reforçar a nossa representação diplomática, claramente subdimensionada, mas também apostar na vertente económica da política externa portuguesa. A Indonésia é um bom exemplo de um

cartoon por Steff

país asiático com o qual mantemos relações diplomáticas, mas em que há ainda muito espaço para que o relacionamento bilateral político, económico e cultural adquira maior dimensão. Tendo restabelecido relações diplomáticas em Dezembro de 1999, nos meses seguintes o relacionamento bilateral progrediu rapidamente. A presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2000, foi decisiva para esse efeito, uma vez que permitiu manter contactos ao mais alto nível com as autoridades indonésias. Nos anos seguintes, Timor-Leste deixou de ser um tema de divergência, passando a ser um elo em comum entre Lisboa e Jacarta. O mais importante é que o relacionamento bilateral ganhou maior espessura e independência em relação a Timor-Leste. Com o intuito de dar maior substância e visibilidade política ao relacionamento bilateral, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, visitou a Indonésia e o seu homólogo, Hassan Wirajuda, retribuiu mais tarde com uma visita a Lisboa, em 2003. A relação bilateral, todavia, estagnou nos anos seguintes, num sinal claro, embora incompreensível,

Numa altura em que Portugal faz um esforço acrescido para diversificar as suas relações para além dos três pilares tradicionais, e em que o foco na diplomacia económica assume um destaque sem igual no passado, o aprofundamento das relações bilaterais com a Indonésia terá de ser uma prioridade para o próximo governo de desinteresse. De certo modo, apesar do início fulgurante, pode dizer-se que a década passada foi uma oportunidade perdida no âmbito do aprofundamento do relacionamento bilateral. Portugal parece querer agora recuperar algum do tempo perdido. No ano passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, esteve em Jacarta para dar um novo impulso ao relacionamento bilateral,

e é possível que este ano haja um encontro ao nível presidencial entre os dois países. A Indonésia é um país estável política e economicamente. É o primus inter pares no Sudeste Asiático, beneficiando de uma localização estratégica que lhe confere uma relevância indiscutível. Os seus 237 milhões de habitantes ilustram bem a sua dimensão e as oportunidades à espera das empresas portuguesas. Todavia, a Indonésia é o país do G-20 para o qual Portugal exporta menos, ocupando Jacarta em 2010 um modesto 84.º lugar no ranking das exportações portuguesas. Numa altura em que Portugal faz um esforço acrescido para diversificar as suas relações para além dos três pilares tradicionais, e em que o foco na diplomacia económica assume um destaque sem igual no passado, o aprofundamento das relações bilaterais com a Indonésia terá de ser uma prioridade para o próximo governo. *Director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS)

SABER A POUCO


É que é mais forte e mais herói o que se vence a do que o que vence cidades.

si mesmo

Padre Manuel Teixeira [1912-2003]

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23 a p a l i ça d a Correia Marques

Preso por ter cão,

preso por não ter cão Tu, que tanto prometeste enquanto nada podias, hoje que podes- esqueceste tudo o que prometias... António Aleixo, «Este livro que vos deixo».

O

título deste artigo é um bem conhecido provérbio português usado quando alguém é acusado ou criticado, de qualquer modo, haja o que houver, faça ele ou deixe de fazer alguma coisa. Um exemplo: critica-se o Governo por distribuir cheques à população e critica-se na mesma – e os mesmos - por ele diminuir o seu valor. Ou seja, na melhor compreensão que conheço do provérbio, de origem brasileira, na inesgotável criatividade da língua portuguesa falada naquele país irmão: «Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come». E, tudo isto me ocorre da leitura deste jornal do passado dia 19 de maio, a qual para quem a não tenha lido, transcrevo como consta da primeira página: «Desde que foi nomeado Chefe do Executivo, Chui Sai On não tem estado assim tanto tempo fora de Macau como tem sido referido. Feitas as contas, conclui-se que esteve 80% do tempo ao leme do Governo da RAEM. Políticos e académicos, confrontados pelo Hoje Macau, dizem que, afinal, o problema está em quem o substitui». Uma primeira questão que se poderia colocar era de saber quantos desses dias passados no exterior da RAEM pelo Chefe do Executivo são dias úteis e quantos ocorreram

em fins de semana; mas isso é marginal e irrelevante para a questão que nos importa abordar. Questão essa que reside no facto de (conhecida a notícia, a qual coloca em causa anteriores exageros verbais de alguns políticos e politólogos) logo os mesmos políticos e comentadores terem vindo tentar emendar a mão e dizer que afinal até nem discordam de todo das viagens, mas que o que os «assusta» são as pessoas que o Chefe do Executivo deixa a substituí-lo. Isto porque, quando o substituem, os secretários atrasam os trabalhos. Aí está, gato escondido com rabo de fora. Mais uma vez o alvo era o mesmo do costume. As viagens do Chefe do Executivo apenas o pretexto, a arma de arremesso. Perdoem-me a franqueza, mas usar este argumento da substituição do Chefe do Executivo como arma política revela, pelo menos, desconhecimento da Lei Básica e desprezo pelos valores e princípios que devem nortear a ação dos titulares dos principais cargos, senão mesmo má-fé. Isto porque, nos termos do artigo 62.º da Lei Básica o dirigente máximo da RAEM é o Chefe do Executivo, competindo-lhe, nos termos do artigo 2.º da Lei n.º 2/1999, dirigir o Governo, designadamente definindo as políticas consubstanciadas nas «Linhas de Acção Governativa». Ora, não consigo entender como poderiam os secretários que o substituem, nas suas ausências e impedimentos, sob pena de deslealdade e consequente perda de confiança política, alterar as políticas

definidas pelo Chefe do Executivo. E, no que toca à gestão corrente dos assuntos da RAEM, própria do regime de substituição, que se saiba, nada de grave ou de anormal aconteceu durante as ausências do Chefe do Executivo, independentemente de quem o ficou a substituir, nem a Administração paralisou nas suas tarefas diárias.

Mais uma vez o alvo era o mesmo do costume. As viagens do Chefe do Executivo apenas o pretexto, a arma de arremesso Que não se concorde com as políticas definidas e adotadas e se critiquem as mesmas, ou a forma como elas são executadas, é salutar numa Região Administrativa Especial onde existe e é respeitada a liberdade de expressão e de imprensa. Aliás, sou em crer que a notícia de ontem neste jornal sobre o Executivo ir abrir espaço na sua página da internet para cidadãos, mesmo anónimos, deixarem críticas e sugestões sobre os assuntos da Cidade, reconhece isso mesmo. Mas fazer críticas sem fundamento e com reserva mental, apelando a sentimentos populistas e realçando sempre o acessório sem discutir o essencial que é a melhoria de condições de vida da população, não ajuda ao desenvolvimento da democracia. Porque em democracia os fins não justifi-

cam os meios, não vale tudo, não se deve utilizar o método de quanto pior melhor, do tudo está sempre mal. Nem o recurso a ataques pessoais não fundamentados que, em vez de criar na população o desejo de mais democracia acaba por, mais cedo ou mais tarde, descredibilizar os políticos que os fazem e o próprio regime democrático. Embora no imediato possa proporcionar a angariação de votos. Veja-se o triste exemplo de Portugal na campanha eleitoral em curso em que nem perante a crise grave se discutem as questões fundamentais e só assistimos a tricas sobre trocas e baldrocas, com ataques pessoais que só servem para anestesiar e distrair o povo das questões essenciais, as quais não interessa ao poder que sejam discutidas. A terminar, e para que conste, ninguém me encomendou o sermão. Escrevo de forma livre e alodial. Sem pedantismo, já agora! Apenas porque penso que, até para a asneira, deve haver limites. Faço-o por imperativo de consciência, a bem de Macau. E porque penso que só com a elevação da consciência cívica das pessoas e da decência e da responsabilidade no confronto de ideias e na intervenção política se pode, verdadeiramente, legitimar a exigência dum aprofundamento democrático do segundo sistema consagrado na Declaração Conjunta do Governo da República Portuguesa e do Governo da República Popular da China sobre a Questão de Macau e, na sequência desta, vertido na Lei Básica, designadamente no seu artigo 5.º.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Hoje Macau 25 MAI 2011 #2375 by Jornal Hoje Macau - Issuu