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Hoje Macau 25 FEV 2011 #2317

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Agência Comercial Pico • 28721006

hojemacau Mop$10

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Director carlos morais josé • sexta-feira 25 de fevereiro de 2011 • ANO X • Nº 2317

tempo com abertas min 15 max 22 humidade 60-90% • câmbios euro 11.13 baht 0.26 yuan 1.23

Aumentos | Chefe do Executivo e Secretários também ficam a ganhar

Bem vindo à sociedade da abundância China contém jasmins Uma alta autoridade chinesa disse ontem que a China não corre o risco de ver alastrar a “revolução de jasmim”, um émulo das movimentacões que têm agitado os países árabes. >Página 3

Quando chove é para todos. E quando a Função Pública é aumentada em Macau também. Assim, o Chefe do Executivo e os Secretários vão ver as suas contas bancárias substancialmente mais bem servidas todos os meses. São as especificidades da região mais rica do mundo. > Página 4

Habitação sobe 20% em 2011 Diz a Midland Holdings, a maior agência de imobiliários de HK. A culpa é dos casinos, proclamam. Mas a população da RAEM não vê o governo adoptar medidas que ajudem a equilibrar esta situação. >Página 6

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lima de freitas e portugal

Laura Nyögéri

Trabalhar com o outro é criativo • centrais

h


sextA-feira 25.2.2011 www.hojemacau.com.mo

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actual

N

um país onde a lei do planeamento familiar ou seja, a do filho único - ainda é ignorada nas regiões mais pobres, infanticídio é uma palavra pouco ouvida. No entanto, a jornalista e escritora Xinran ousa não só denunciar o crime - algo comum em regiões remotas - como dar os números das meninas que, por milagre, acabaram adoptadas por famílias ocidentais: 120 mil até o fim de 2007. A maior parte dos chineses, esclarece Xinran no seu novo livro, “Mensagem de Uma Mãe Chinesa Desconhecida”, acha inacreditáveis os números da adopção. Por que, afinal, a China tem tantas raparigas órfãs? Para a jornalista de 53 anos, actualmente a viver em Londres, os ocidentais tendem a acreditar que a culpa é da política do filho único, mas as explicações vão mais além. Xinran começou a recolher dados sobre o assunto quando era apresentadora do programa na rádio chinesa “Palavras na Brisa Nocturna”, em 1989. Nele, Xinran falava de pessoas comuns, mas não com a liberdade com a qual aborda hoje temas espinhosos como o assassinato de bebés do sexo feminino. Raparigas recém-nascidas são afogadas na própria água do alguidar usado para fazer o parto ou, se escapam com vida, deixadas nas portas dos orfanatos - que o Governo cria de forma improvisada nas grandes cidades invadidas pela massa de trabalhadores rurais atraídos pela ilusão de melhores salários.

No seu novo livro, Xinran fala do infanticídio nas aldeias chinesas

O fim anunciado de um sexo

Uma jornalista chinesa a viver em Londres põe o dedo na ferida na questão das milhares de raparigas mortas à nascença nas zonas rurais do país mais populoso do mundo. É já um hábito difícil de alterar. No livro “Mensagem de uma Mãe Chinesa Desconhecida”, Xinran mostra números e conta histórias de arrepiar Segundo Xinran, há três razões para uma mãe chinesa abandonar o seu bebé de sexo feminino: nas culturas rurais, onde isso acontece há séculos, o sistema de distribuição de terras favorece os homens pela vantagem física; a população cresceu de maneira assustadora (de 700 milhões em 1966 para 1,3 bilhão de habitantes); por fim, a política do filho único nunca foi implementada de facto, especialmente nas regiões pobres da China. Em 1989, a jornalista visitou uma vila miserável ao norte do Rio Amarelo e uma mulher de pouco mais de 30 anos perguntou à então repórter se ela já havia “resolvido” uma rapariga - ou seja, se havia se livrado de um recém-nascido do sexo feminino. Xinran, confusa, não entendeu a pergunta, mas foi obrigada a ouvir a resposta: a família do marido jamais a perdoaria se ela não soubesse “resolver” meninas. Seria espancada e a sua ração alimentar reduzida ao mínimo.

Isso não foi o pior que testemunhou em Yimeng, na província de Shandong. Ao entrar na casa de uma família camponesa, ouviu um gemido de dor vindo do

quarto, mas não o choro do bebé, que veio logo depois num balde de água suja com um pequeno pé a mostrar-se. O pézinho tremeu, Xinran aproximou-se do balde,

mas era tarde. Ao lado dela, dois polícias permaneceram inertes. “‘Resolver’ uma bebé não tem nada de mais por aqui”, explicou uma das moradoras da casa. “Meninas são sufocadas ou atiradas aos rios da China há séculos, particularmente por pessoas mais simples, que acreditam dever aos ancestrais um primogénito ou ainda ouvem as más previsões de adivinhos”, diz Xinran, para quem até mesmo os jovens chineses dos centros urbanos ignoram os mais elementares métodos anticoncepcionais pela educação moralista que recebem. Até Xinran sofreu na pele o preconceito quando adoptou - e teve de devolver - uma menina chinesa há 21 anos, que nunca mais viu. “Penso nela até hoje”, diz a escritora, que criou a instituição The Mother’s Bridge of Love para ajudar famílias estrangeiras que adoptam chinesas a saber mais sobre a sua família biológica.

Autoridades de Xangai impõem política de um só cão

Novo concorrente do Google na China chama-se Panguso

Só um filho e só um cão

Vamos “Pangusar”?

O

aumento do número de animais domésticos na metrópole de Xangai, que conta com pelo menos 20 milhões de habitantes, levou as autoridades da cidade a adoptar a política de um só cão. A nova lei, que entrará em vigor a 15 de Maio, impõe a cada casa um número máximo de um cão e os proprietários ficam também proibidos de oferecer uma cria a uma outra família que já possua um canídeo, precisou o jornal China Daily. As crias que possam nascer devem ser entregues a uma agência homologada pelo governo ou a uma família sem cães, antes dos animais atingirem os três meses de idade.As casas que já possuam dois cães devidamente registados têm direito de ficar com eles. Com o desenvolvimento da classe média chinesa, o melhor amigo do homem está a ganhar cada vez mais adeptos na

O

China. Xangai contará, segundo números oficiais, com 800 mil cães, dos quais apenas 25% estarão registados. Há 30 anos, a China comunista adoptou uma política draconiana de um só filho, ainda em vigor, apesar de ter sido suavizada. Sem esta medida, a população chinesa contaria hoje com mais 400 milhões de pessoas, segundo a comissão nacional do planeamento familiar.

Governo chinês, através da agência noticiosa pública Xinhua e da China Mobile, lançou um motor de busca oficial: o Panguso. A imprensa internacional avança que esta é mais uma ferramenta do regime comunista para controlar a Internet no país. Apesar de só agora ter sido colocado on-line, o Panguso já tinha sido anunciado no passado mês de Agosto, quando a Google tinha encerrado a versão chinesa do seu motor de busca. Em comunicado o presidente da Xinhua, Li Congjun, afirma que “gos-

taríamos de tirar o máximo partido do facto da Xinhua, como agência oficial, ter uma enorme colecção de notícias e informação, e da China Mobile em termos de tecnologia, princípios de operacionalidade avançados e infra-estrutura”. A AFP realça que este novo motor de busca é bastante mais rígido do que os sites chineses normais, no que toca à censura de resultados. A título de exemplo, pesquisas efectuadas no Panguso pelo nome de Liu Xiaobo, o activista chinês que recebeu no ano passado o Prémio Nobel da Paz, não

dão resultados. O mesmo se passa com as pesquisas sobre o Dalai Lama, que remetem para sites com informação turística do Tibete. Actualmente o país tem 475 milhões de utilizadores de Internet e mais de 75% destes acedem à Internet usando dispositivos móveis, marcado com mais de 590 milhões de adeptos. Concorrente directo do Baidu, o Panguso deve entrar em terceiro lugar no mercado dos motores de busca, depois do Google - que participa com 19,6% de share nas buscas - e do Baidu, que lidera isolado com 75,5%.


Como todos sabemos, os chineses de Macau são, no fundo, portugueses, quer o queiram, quer não. E também não me peçam para explicar. É, realmente, tão inexplicável como verdadeiro. Padecemos dos mesmos defeitos, enfermamos de iguais virtudes. Não sabemos distinguir, mas sabemos receber; escapa-nos a pragmática comunicação, mas enfronhamo-nos nas situações mais bizarras que nos colocam numa proximidade quase impossível. Carlos Morais José, P.14

Biliões para os ares A China tenciona investir mais de 1,5 biliões de yuans na aviação civil nos próximos cinco anos para responder ao aumento do transporte aéreo. Em 2015, o número de aeroportos comerciais da China deverá ultrapassar os 220 (mais 45 do que actualmente) e a frota subirá para cerca de 4500 aviões (mais 1900), indicou o director da Administração da Aviação Civil do país (CAAC), Li Jiaxiang. “A capacidade do sector da aviação civil para servir a economia nacional e o público será muito fortalecida”, afirmou o responsável. Os aviões transportaram 267 milhões de passageiros na China em 2010, um aumento de 15,8% em relação ao ano anterior. Segundo as previsões da CAAC, em 2015, aquele número deverá somar entre 450 a 500 milhões e em 2030 atingirá 1500 milhões.

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Pequim minimiza risco de “contágio” da onda de protestos

Nem jasmim nem outras flores

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China não será afectada pela onda de protestos que abala regimes autoritários do norte da África e Médio Oriente, disse uma importante autoridade, embora um surto de detenções e censura sugira nervosismo por parte de Pequim. As declarações de Zhao Qizheng, ex-chefe do departamento de informação do Governo, foram a principal reacção do regime comunista até agora às mensagens pela Internet em que activistas convocam protestos para dar início a uma “Revolução de Jasmim”. Até agora, os protestos na China têm sido pequenos e amplamente controlados pela polícia. “Não haverá nenhuma Revolução de Jasmim na China”, disse Zhao, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal Wen Wei Po, que é editado em

Hong Kong sob controle do regime de Pequim. “Revolução de Jasmim” foi o nome dado por alguns tunisinos à rebelião que derrubou o presidente Zine al Abidine Ben Ali em meados de Janeiro. A revolta rapidamente espalhou-se por outros países da região, e semanas depois levou à queda do líder egípcio Hosni Mubarak. “A ideia de que uma Revolução de Jasmim poderia acontecer na China é extremamente ridícula e irrealista”, disse Zhao. Relativamente poucos chineses vêem a convocação dos protestos pela Internet, já que a notícia circula principalmente em sites do estrangeiro, bloqueados na China continental. A palavra “jasmim” também está bloqueada nas buscas em sites chineses. pub

HK | Congressista condenado a 18 meses de prisão

Uma droga de vida

O

sexta-feira 25.2.2011

congressista filipino Ronald Singson, de uma das mais poderosas famílias do país, foi ontem condenado a 18 meses de cadeia em Hong Kong por contrabando de cocaína e outra droga. A sentença ao político e promotor musical foi aplicada pelo juiz Joseph Yau depois de no início do ano Ronald Singson, 42 anos, ter admitido que tinha na sua posse 6,67 gramas de cocaína pura e duas barras de Nitrazepam (um narcótico) quando chegou a Hong Kong a 11 de Julho de 2010. O magistrado disse na leitura da sentença que teve em consideração o assumir da culpa por parte de Singson, o seu carácter, o cadastro limpo e também o facto de não planear vender os estupefacientes em Hong Kong já que, segundo confessou, se tratava de drogas para consumo próprio. A lei de Hong Kong estipula que qualquer pessoa que entre com droga na cidade pode

ser condenado por tráfico. Singson, cujos interesses empresarias incluem o Canal V das Filipinas, enfrentava um máximo de prisão perpétua e uma multa de cinco milhões de dólares de Hong Kong. Anteriormente, Ronald Singson tinha explicado ao Tribunal que pretendia participar numa festa de droga e jogo depois de se ter zangado com a namorada num concerto em Manila e foi detido quando pretendia deslocar-se para Macau para um torneio de póquer. Especialistas em tratamentos de toxicodependentes discordaram que Singson tenha uma forte dependência de drogas, mas o seu advogado insistiu em Tribunal que o parlamentar está viciado e precisa de tratamento em vez de uma pena de prisão. Singson é o sétimo filho do governador de Ilocos Sur, no nordeste das Filipinas, Luis “Chavit” Singson, um dos políticos mais controversos do país.

A entidade sediada em Nova Iorque Direitos Humanos na China disse que 29 advogados e dissidentes foram detidos, confinados, interrogados ou sofreram buscas domiciliares desde 16 de Fevereiro, mas não está claro quantos deles foram alvo dessas acções por causa da

preocupação do Partido Comunista com os protestos. Um homem no sudoeste da China e uma mulher no nordeste foram detidos sob a acusação de “incitar à subversão do poder estatal”, segundo a mulher do homem e o Centro de Informações para os Direitos Humanos e a Democracia, de Hong Kong. Zhao actualmente chefia a comissão de assuntos exteriores da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, uma instância que assessora o governo sem ter poderes legislativos. Mesmo críticos ardorosos do regime comunista dizem que há actualmente poucas hipóteses de que a China seja alvo de uma rebelião como as do Médio Oriente. Em 1988, protestos por democracia concentrados na Praça da Paz Celestial foram duramente esmagados.


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Chui Sai On vai ganhar mais 10 mil patacas no fim do mês

Vanessa Amaro

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vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

Altos cargos de bolso cheio

Assim que o aumento de 5,08% para a função pública for aprovado na AL, o Chefe do Executivo vai ver o seu salário ficar mais gordo. Os cinco secretários vão também sofrer reajustes de mais de 7000 patacas mensais. Os deputados serão os menos beneficiados Gonçalo lobo pinheiro

aumento salarial de 5,08% para os trabalhadores da Administração Pública está prestes a sair do forno (ver texto abaixo) e não será apenas o peixe miúdo a ser beneficiado. Desde uma alteração jurídica em 2005, o vencimento do Chefe do Executivo e dos titulares dos principais cargos da RAEM é automaticamente actualizado, sem dependência de qualquer formalidade, em função e na proporção das alterações ao valor do índice 100 da tabela indiciária de vencimentos do funcionalismo público. Isso quer dizer que sempre que o Governo aumenta os funcionários públicos, está igualmente a “aumentar-se”. Actualmente, Fernando Chui Sai On aufere um salário base de 153 mil patacas, que somado a 35% de despesas de representação acaba de lhe conferir 206.700 patacas mensais. Com o reajuste proposto pelo Conselho Executivo - a subida de 59 para 62 no factor multiplicador dos índices da tabela – o líder do Governo vai ver o seu salário subir 10.500 patacas, alcançando as 217.200 patacas por mês. Os cinco secretários de

Chui – Florinda Chan, Francis Tam, Cheong U, Lau Si Io e Cheong Kuoc Va – também vão ganhar mais pataquinhas ao fim do mês – exactamente mais 7175. Contas feitas, cada secretário irá levar para casa 150.675 patacas. O presidente da Assembleia Legislativa (AL),

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

J

política

á tinha sido aprovada na totalidade na Assembleia Legislativa (AL) na semana passada e na próxima terça-feira pode já ser elaborado e assinado o parecer da proposta de “Actualização dos Vencimentos e Pensões dos Trabalhadores da Administração Pública”. A 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa debruçou-se ontem, mais uma vez, neste diploma mas, ao contrário do que era esperado pelos deputados, ainda surgiram questões que impediram a assinatura da proposta. “Gostaríamos de ter o parecer assinado hoje [ontem], mas uma hora depois vimos que ainda são precisos alguns esclarecimentos do Executivo”, salienta Cheang Chi Keong, presidente da 3.ª Comissão Permanente. Sem qualquer opinião contra, as dúvidas que se levantam são “questões meramente técni-

Lau Cheok Va, ganha actualmente 80% do salário do Chefe do Executivo, ou seja, 122.400 patacas, mais 36.720 para despesas de representação, casa e carros. Com a actualização dos índices da função pública, Lau vai ver uma injecção de 8083 patacas no seu vencimento mensal, o

Quem ganha o quê

Actual

Com reajuste

Chefe do Executivo Secretários Presidente da AL Deputado da AL

206.700 143.500 159.120 38.250

217.200 150.675 167.203 40.193

* Valores em patacas

Actualização salarial da função pública a um passo

Aumentos na recta final cas”, que passam por saber quais as considerações tidas em conta para decidir sobre o aumento de 5,08% - ou seja do índice 59 para o 62 -, se “foi pensada a inflação”, de onde provém o financiamento e qual é o impacto que estes aumentos vão originar no orçamento para 2011. O orçamento para este ano está previsto em mais de mil milhões de patacas e, de acordo com o presidente da 3ª Comissão Permanente, “vão ser precisos 500 a 700 milhões de patacas para satisfazer estes encargos”, apesar do responsável não considerar que estes números implicam perdas nas contas públicas. Cheang Chi Keong considera que a administração “tem dados suficientes” para responder a estas

questões e afirma que na próxima reunião a presença do Executivo servirá para esclarecimentos, resultando, assim, na assinatura do parecer.

“Se surgirem outras dúvidas [podemos não assinar], mas isso não vai acontecer”, considera o presidente. A actualização de 5,08% já tinha sido referida nas

que significa um bolo de 167.203 no fim do mês. Os deputados da AL serão os que terão o menor aumento – por ganharem também menos. Das actuais 38.250 patacas, cada um dos 27 membros do hemiciclo vai passar a receber 40.193, a que se somam 1004 patacas por cada reunião nas suas respectivas comissões. De acordo com dados dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), cerca de 35% dos 22.777 funcionários públicos com contrato além-quadro recebem o equivalente aos índices 200-299, ou seja, entre 11.800 e 17.641 patacas. Para estes, os aumentos não serão superiores a 897 patacas. No segundo escalão em termos de ordenados, estão 4674 trabalhadores que se situam entre 300-399 na tabela indiciária e terão um reajuste de até 1197 patacas.

LAG para 2011 pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, e foi apresentado na AL por Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça. Depois de aprovada, a actualização vai permitir aos trabalhadores dos serviços públicos passarem a receber salarialmente 6200 patacas no índice 100, quer se encontrem ou não no activo, ao invés das 5900 anteriormente definidas e tem efeitos retroactivos a 1 de Janeiro deste ano. Também os ordenados do Chefe do Executivo e dos funcionários dos altos cargos públicos vão ter este aumento (ver texto nesta página). Esta actualização é a quarta desde a transferência de Macau para Portugal e a primeira desde 2008, e surge num momento em que a inflação se acentuou na economia do território. O mês passado o aumento do índice de preços ao consumidor atingiu os 3,2%.


Chui promete assistência médica aos profissionais da comunicação O Chefe do Executivo aceitou ontem um pedido da União de Beneficência das Associações de Trabalhadores da Comunicação Social de Macau para realizar um estudo sobre a situação do acesso à saúde por parte desses profissionais. O organismo vai avançar para uma pesquisa, de forma a determinar novas regalias. Durante um encontro entre Chui Sai On e a União, o líder do Governo frisou mais uma vez que respeita a liberdade de imprensa e que pretende reforçar o apoio aos meios de comunicação, “no sentido de continuarem a contribuir em prol da sociedade”.

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

A

terceira versão do diploma do “Regime de prevenção e controlo do tabagismo” esteve uma vez mais em discussão na 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). Aparentemente, o consenso está mais perto do que se julga, apesar de algumas dúvidas ainda levantadas pelos deputados. “Muitos membros ainda se preocupam como vão ser fiscalizadas as áreas de fumo nos casinos. Para nós estas questões ainda têm de ser muito ponderadas pelo Governo”, realçou Chan Chak Mo, presidente da especialidade. É muito claro para todos a importância económica da indústria do jogo no território, pelo que este assunto tem de continuar a ser tratado com pinças. “Esta questão pub

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Tabaco | Consensos podem resolver lei nas próximas três semanas

Um problema chamado casino dos casinos é um problema. Neste aspecto a lei tem de ser muito mais favorável, apesar de acharmos que não devem haver muitas alternativas. Primeiramente vamos ver o que se irá passar nos próximos três anos.” Chan Chak Mo disse ainda que tudo dependerá da avaliação que se fizer ao relatório epidemiológico, conforme consta no artigo 32.º. “Toda a questão relacionada com o fumo nos casinos só pode ser realmente avaliada durante os próximos três anos e depois de estudado o relatório epidemiológico por parte dos Serviços de Saúde”, acrescentou o deputado. Trocando por miúdos, os casinos vão manter os cigarros acesos em pelo menos

50% do seu espaço depois de um ano da aprovação do diploma. Durante o período de metade-metade para fumadores e não fumadores, o Governo promete estudar as vantagens e desvantagens

do esquema. Até lá apenas os bares, salas de dança, estabelecimentos de sauna e massagens estão livres das proibições da proposta da nova lei tabagista. Para já o articulado vai

continuar a ir e vir entre a Comissão e o Executivo. O deputado garantiu que no parecer final vão ficar vincadas todas as posições de cada um dos seus membros. O resto caberá ao plenário.

“A proposta está a chegar a um consenso, mas há pequenas questões técnicas que carecem de discussão. Talvez mais duas ou três reuniões e a proposta de lei pode ser apresentada ao plenário”, esclareceu Chan. Questionado sobre a posição dos casinos que manifestaram, recentemente, “uma profunda preocupação” com as notícias “contraditórias” que têm surgido acerca da lei do tabaco, Chan garantiu que a Comissão não deverá reunir com as empresas até que a lei seja aprovada. “O Governo já sabe muito bem o que é que elas pensam”, afirmou. Os casinos continuam a pressionar e alertaram, entretanto, para o “drástico impacto” e as “sérias consequências” que a interdição de fumar pode trazer ao sector do jogo e reafirmam o desejo de ser realizada uma reunião conjunta para a discussão do diploma.


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6 Rodrigo de Matos

A

info@hojemacau.com.mo

indústria dos casinos pode ser responsável por um inusitado afluxo de capital ao território de Macau, mas de igual forma tem também contribuído para o aumento dos preços, sendo o mercado imobiliário o exemplo mais sintomático. Os preços das casas em Macau, que recuperaram para níveis anteriores à crise global do crédito, podem crescer 20% este ano, graças à situação económica da cidade, impulsionada por uma indústria do jogo em expansão. Os valores dos imóveis de habitação em Macau deverão subir 20% em 2011, de acordo com a Midland Holdings, a maior agência imobiliária de Hong Kong. A Jones Lang LaSalle, segunda maior corretora de propriedades comerciais do mundo, por sua vez, prevê aumentos de 10%; enquanto os aumentos de preços vaticinados pela Savills, de Londres, ficam-se pelos 15%. Seja como for, uma coisa é consensual: a tendência é para cima. Baixas taxas de juro, a falta de nova oferta e um aumento no poder de compra impulsionado por um salto de 58% nas receitas dos casinos estão

Vanessa Amaro

vanessa.amaro@hojemacau.com

F

oi com surpresa que a equipa do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHSJ) recebeu a notícia de que quatro colegas estão acusados de corrupção a envolver pacientes mortos e agências fúnebres. O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) informou ontem que encaminhou para o Ministério Público o caso de auxiliares do hospital público envolvidos em alegados crimes de corrupção passiva e activa. De acordo com um comunicado ontem divulgado, “os quatro funcionários agiram de forma continuada, organizada e sistemática”. Diz o CCAC que houve “conluio com os exploradores dos cemitérios e casas mortuárias”. O esquema basicamente é o seguinte: os auxiliares do hospital indicavam à família de um paciente que acabava de morrer uma agência que lhe tratasse dos trâmites do funeral e enterro, recebendo em

sociedade Preços das casas disparam 20% com crescimento dos casinos

A bênção que é uma maldição a provocar uma escalada nos preços do mercado imobiliário em Macau – aumentaram 15% em 2010, mesmo com o Governo a tentar implementar medidas para estancar a especulação. “O mercado imobiliário está a ser suportado pelos residentes locais, cujos rendimentos têm aumentado graças à explosão dos casinos, e também pela grande procura de arrendamentos por parte de trabalhadores estrangeiros que vêm para os novos casinos e outros projectos de infra-estruturas”, explica Gregory Ku, director-executivo da Jones Lang para Macau, citado no site da Bloomberg. As receitas dos casinos em Macau podem ainda subir 30% para 30 mil milhões de dólares (236 mil milhões de patacas) este ano, com os visitantes da China continental a aumentarem, referiu um relatório da CLSA no mês passado. A China contribuiu com mais de metade dos 25 milhões de turistas que chegaram a Macau no ano passado.

Os preços de alguns empreendimentos de luxo – tais como o One Central Residences, co-promovido pela Shun Tak Holdings, do magnata Stanley Ho, e pela Hongkong Land Holdings – subiram para seis mil e sete mil patacas por pé quadrado (de 64.500 a 75.300 patacas por metro quadrado) no final do ano passado, quando se ficavam pelas quatro mil patacas por pé quadrado (43 mil patacas por metro quadrado) no início de 2009, de acordo com a Jones Lang LaSalle. Cerca de 10% das pessoas que compraram imóveis no ano passado foram investidores estrangeiros, comparativamente a 35% entre 2007 e 2008, observa Ku. “A crise do crédito praticamente expulsou os fundos estrangeiros que buscavam lucros rápidos”, lembra. A construção de novos grandes empreendimentos como o Galaxy, a linha do metro ligeiro de superfície ou a ponte que irá ligar Hong Kong a Macau e

Zhuhai são emblemáticos da pujança financeira que grassa no território. “As pessoas estão a ganhar mais e isso está a criar uma grande procura de mudança para imóveis melhores”, explicou Franco Liu, director da filial da Savills em Macau. “Com uma oferta de terrenos limitada para os próximos anos, há uma enorme pressão para que os preços continuem a subir.” Cerca de 80% dos residentes de Macau são proprietários das suas próprias moradias, cujos valores continuam bem mais baixos comparativamente aos preços praticados em Hong Kong, onde as tarifas das casas subiram 60% nos últimos dois anos. “Essa distância irá encurtar”, prevê Tom Ashworth, gerente do Macau Property Opportunities Fund. “Não chegará à paridade, mas acreditamos que o actual desconto de 70% em relação a Hong Kong deverá seguramente baixar para talvez 50%.”

Auxiliares do São Januário acusados de corrupção e conluio com casas mortuárias

Corrupção chega aos mortos troca “comissões de cerca de 2500 patacas por cada cliente angariado”. Várias fontes do CHSJ consultadas ontem pelo Hoje Macau reagiram com surpresa à notícia – não do esquema em si ter sido descoberto, mas antes pelos actos serem considerado corrupção. “Não se percebe porque só agora é que isso vem ao de cimo. É uma prática comum há anos, com amplos conhecimentos em todos os lados do hospital”, apontou um auxiliar de saúde, que não se quis identificar. Outro profissional desdramatizou o caso, ao afirmar que “receber uma ‘gorjeta’ não é ilegal”. “Também recebemos ‘laissis’ dos pacientes. Somos corruptos?”, questionou. Outra fonte apontou ainda que

há cerca de dez anos o assunto já tinha sido investigado pelos Serviços de Saúde, “sem nenhuma conclusão”. “Soube-se que era uma prática comum o conluio entre profissionais do hospital e agentes

funerários. Abriu-se um inquérito interno, mas é claro que nunca mais se ouviu falar do tema.” O CCAC diz ter provas daquilo que diz. Recolheu “o respectivo livro de registo bem como outras

provas” e afiança que “vários outros auxiliares foram convidados a colaborar nesta investigação”. As ilegalidades, entretanto, não se ficam por aqui. O CCAC também refere que “foram detectados” profissionais do hospital que “tinham por prática entrar e jogar nos casinos, infringindo assim a lei”. Para as fontes consultadas pelo Hoje Macau, neste aspecto não há novidade. “Até já andarem rumores de que alguns profissionais trabalham de dia no hospital e de noite vestem a pele de ‘dealers’ nos casinos. Apanhá-los era apenas uma questão de vontade.” O CCAC não se mostrou disponível durante a tarde de ontem para prestar mais esclarecimentos acerca deste dois casos.


Turistas gastam 0,3% mais

As despesas per capita dos visitantes chegados a Macau no último trimestre de 2010 aumentou 0,3% para 1.812 patacas com as pessoas oriundas do continente chinês a revelarem-se os mais gastadores. Dados estatísticos oficiais indicam que entre Outubro e Dezembro de 2010, os visitantes oriundos do continente chinês gastavam 2.902 patacas, os do sudeste asiático a despenderem 1.864 patacas e os da Europa 1.650 patacas. No entanto, entre os visitantes, são os turistas do continente chinês os mais gastadores, com uma despesa de 5.593 patacas ou mais 11,6% comparativamente ao período homólogo anterior.

Kahon Chan

A

kahon.chan@hojemacau.com.mo

Fundação Macau voltou a esbanjar generosidade ao apresentar a sua lista de patrocínios para o quarto trimestre de 2010. O Jornal “Va Kio” recebeu mais de sete milhões de patacas para proceder à “digitalização” das suas edições publicadas entre 1937-1999, a associação que organizou o protesto do Dia do Trabalhador recebeu 20 mil patacas para um “banquete de caridade” e seis milhões foram atribuídos ao organizador do Festival de Gastronomia. A “Lista dos apoios concedidos no 4.º trimestre do ano de 2010” foi publicada em Boletim Oficial para especificar como é que os 145 milhões de patacas dos contribuintes chovem nos quintais de centenas de associações locais para realização de “projectos”. A título de exemplo, o jornal “Va Kio” recebeu 7.389.024 patacas a

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Imprensa chinesa recebe milhões para digitalizar arquivos

A bondade da Fundação Macau 5 de Julho de 2010 para um projecto intitulado “digitalização dos números de 19371999”. Não houve menção de um projecto de semelhante custo na imprensa da altura e o actual site do “Va Kio” na Internet não parece particularmente diferente do que era antes de Julho de 2010, com um arquivo que não permite a pesquisa de artigos mais antigos do que os publicados no ano passado. Outro dos contemplados com dinheiro fácil foi a Associação Poder de Subsistência dos Trabalhadores, mais conhecida pelo papel que teve na organização das manifestações do 1.º de Maio e pelo seu director-geral, Lee Sio Kuan. A associação

recebeu 20 mil patacas a 15 de Dezembro, como financiamento parcial para um banquete de caridade referido como uma reunião de membros patrióticos.

Lee disse ao Hoje Macau no ano passado que o banquete tinha sido organizado em Novembro também para comemorar o aniversário da associação.

A União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau também recebeu uma bela quantia – seis milhões de patacas – em Outubro para organizar as “Festas Gastronómicas de 2010” e um fórum da indústria. Outro patrocínio digno de nota foram os oito milhões atribuídos à Associação dos Trabalhadores da Indústria de Jogos de Fortuna e Azar de Macau para a organização de um curso de formação de “dealers”, mas o montante terá sido alegadamente reduzido para este ano, o que motivou um despedimento colectivo antes do Ano Novo Chinês. O deputado da Assembleia

Legislativa (AL) Au Kam San disse ao Hoje Macau que, perante a publicação de uma nota na sua página do Facebook, a associação apressou-se a admitir que havia sido um despedimento injustificado e procedeu às devidas indemnizações, mas Au considera que deveria pagar o dobro pela referência equivocada à lei. Mas o projecto mais caro de todos acabou por ser aquele que se reveste de maior significado: 40.071.900 patacas foram doadas ao condado de Yushu, na província chinesa de Qinghai, para o Projecto do Hospital Prefeitural dos Cuidados Materno-Infantis, através da Cruz Vermelha.

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Pela segurança do Governo Central na RAEM

Manifestar assim, não 中國 – 澳門汽車總會

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

O

Tribunal de Última Instância resolveu julgar improcedente o recurso apresentado por Hoi Weng Chong, presidente da Associação para a Defesa dos Direitos e Interesses dos Residentes de Macau, e Lam Meng, presidente da Associação das Forças do Povo, em relação ao direito de reunião e manifestação. Os dois indivíduos alegaram como fundamentos que “em relação à manifestação comunicada previamente a realizar legalmente em vários lugares para exprimir pedidos, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), com fundamento em afectar gravemente a normal circulação de pessoas e a ordem pública, restringiu e privou o direito de manifestação”. Segundo o comandante da PSP, “não podem haver lugar a pedidos genéricos, para manifestações em dias sucessivos e espaços diferentes, sem descrição exacta das horas de utilização dos espaços públicos pretendidos”. Os recorrentes comunicaram previamente ao presidente do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) que era sua intenção realizar as manifestações nos dias 17 a 28 de Fevereiro, nos locais do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Largo do Senado, Praça da Amizade, Jardim Triangular da Areia Preta, Portas do

Cerco e Jardim Iao Hon, mas o comandante da PSP, por despacho, decidiu ser inviável a realização da manifestação junto à sede do órgão de representação do Governo Popular Central na RAEM, por motivos de “interesse e segurança pública”, bem como nos restantes locais por estes serem espaços de “alta frequência turística”. “Os espaços não podem ficar reservados na pendência da decisão momentânea dos manifestantes. É inviável uma manifestação em frente às instalações do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, por se tratar de um local que exige protecção especial a todo o tempo”, respondeu o responsável da PSP. Hoi Weng Chong e Lam Meng pretendiam que durante esses dias as manifestações se realizassem entre as 9h e as 20h, mas a PSP defendeu que “a exemplo de acções anteriormente levadas a cabo pelos recorrentes, verifica-se uma utilização desproporcionada dos espaços, o que impede a circulação dos outros cidadãos”. O acórdão do Tribunal de Última Instância decidiu assim a favor do comandante da PSP, mantendo a proibição. O documento realça a “manifesta importância do edifício do Gabinete de Ligação” e deixou claro que “as autoridades policiais devem limitar o espaço público ocupado pelos objectos utilizados nas actividades de reunião ou manifestação”.

ASSOCIAÇÃO GERAL DE AUTOMÓVEL DE MACAU-CHINA Inscrição Curso de Formação para os Comissários Desportivos do AAMC para o ano 2011 A Associação Geral de Automóvel de Macau - China (AAMC) com o intuito fomentar o desenvolvimento do desporto automobilismo, comunica-se a todos os interessados que as inscrições do curso de formação para os comissários desportivos do AAMC para o ano 2011 estão abertas a partir do dia 28 de Fevereiro do corrente ano. Todos os interessados devem preencher uma ficha de inscrição fornecida pelo AAMC, juntando 1 fotocópia do Bilhete de Identidade de Residente Macau, incluindo 2 fotografias e 1 atestado médico apto para prestar o cargo acima referido e entregá-la até ao dia 11 de Março de 2011 na sede do Associação Geral de Automóvel de Macau - China (AAMC), sita na Avenida Amizade, Ed.do Grande Prémio, Torre Controle, R/C – Macau. Horário - de 2ª. Feira a 6ª. Feira: das 09H30 às 13H00 e das 14H30 às 18H30 Informação - Telefone: (853) 2872 6578 PROPINA PARA INSCRIÇÃO: Mop$100.00 por inscrição. (o montante será reembolsado após da frequência de todas as aulas do referido curso) Nota: Relativamente ao horário do curso de formação para os comissários desportivos, está afixado no placar e na página electrónica da Associação Geral de Automóvel de Macau – China, www. aamcauto.org.mo (Nota)


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entrevista

Laura Nyögéri, directora de artes performativas

“N

asci em Lisboa, mas sou natural de Grândola”. É assim que Laura Nyögéri se apresenta quando lhe pergunto de onde é. “Gosto de me assumir assim, tenho imenso orgulho em ser alentejana”. Elegantemente desconcertante. Suave firmeza que já lhe tinha observado quando a entrevistei na rádio. Lufada de inteligência que escorre, melodiosa, na voz e no gesto. O apelido Nyögéri vem do ascendente, avô materno húngaro. “Infelizmente, não cheguei a conhecê-lo, mas é o meu ídolo, tenho muitas referências dele”. Directora de artes performativas, Laura está no centro do grande estímulo e obra que, nesta área, a comunidade de língua portuguesa tem ao dispor. Em muitas das iniciativas de formação, de workshops que tem dirigido para crianças, jovens e adultos, já existem casos de participarem pais e filhos? Vai existir! E sei que isso está a ser encarado com entusiasmo. Estamos ansiosos por saber como vai resultar. Nota que há revelações, há gente potencialmente capacitada além das expectativas, com talento por lapidar? Não tenho dúvida de que sim. Infelizmente, em Macau não há uma base de audiovisual ou de cinema que tenha permitido a estes miúdos terem as oportunidades que merecem. Trabalhei em Portugal com muitas crianças e no meio audiovisual, cinema, publicidade e ficção, tenho a certeza absoluta que muitos que aqui estão em Macau vingavam nesse mundo. Sinto muitas vezes esta incapacidade de os poder levar mais longe, mas aqui é impossível, como se sabe. Há ocasiões em que penso o quanto eu gostaria de levar alguns a Portugal, onde as coisas, nestas áreas, acontecem e passam por todo este processo e sentem o que realmente é ser artista de cinema, de ficção, etc. Interessante as diferentes proveniências culturais dos seus alunos em Macau... Muito interessante esta grande mistura cultural! Trabalhar com crianças e jovens portugueses, chineses, filipinos e tailandeses incentiva a criatividade. É uma riqueza porque cada um deles acrescenta naturalmente mais qualquer coisa, o que resulta

António Falcão | bloomland.cn

“Trabalhar com portugueses, chineses, filipin

numa mistura excelente e muito produtiva. Muito diferente o trabalho em Macau, do que desenvolvia profissionalmente em Portugal? Posso dizer que sim, embora existam laços comuns, uma vez que lá também leccionava este tipo de aulas performativas. Uma grande facilidade em Macau é estar tudo mais há mão... Sim, claro, temos essa grande facilidade, além de que os alunos, em grande parte, já se conheciam antes, e até as famílias. Frequentam a mesma escola, com uma ou outra excepção. Enquanto grupo, no “Lebab” trabalham em língua portuguesa? Trabalhamos em língua portuguesa, pois todos conseguimos comunicar nesta língua, embora no produto final utilizemos algumas canções em língua inglesa mas também, e principalmente, o português. Nos nossos vários espectáculos, por exemplo aquele fixado nos anos 50, com grande sucesso e que foi o que levámos à Expo, utilizamos as músicas de língua inglesa dessa época, mas também o “Barco Negro”, inspirada na versão de Amália Rodrigues que é um ícone português. Todos eles tiveram de conhecer Amália, algo do que ela cantou, o que ela significa, exactamente para conseguirem interpretar melhor. Essa é também uma forma que eu utilizo para que eles consigam

integrar-se melhor no que estão a desenvolver artisticamente. E temos mais espectáculos para além dos “Anos 50”, como “Drops Macao Colors” ou “Around the World”, por exemplo.

“Sinto que cá existe alguma insegurança nos jovens em termos de perspectivas de futuro. Pelo que me chega, sinto que este meio muito pequeno que é Macau, não é suficientemente atractivo, muitos jovens, terminado o secundário saem ou pretendem sair além fronteiras” O trabalho seguinte será? Estamos, eu e meu irmão, a trabalhar numa peça teatral sobre a adolescência, de que somos autores e encenadores. Ainda não sabemos com precisão quando iremos aparentá-la ao público, pois somos, e neste caso felizmente, requisitados com frequência para espectáculos. Conciliar tudo isso com a escola não é fácil, a ponto de não termos podido aceitar dois convites feitos pelo Turismo, para actuarmos fora de Macau. Para essa peça que apresentarão haverá nova selecção de intérpretes

entre os alunos? Já agora, o nome da peça. O que realmente nós pretendemos é que todos participem, tentando buscar o melhor de cada um e inseri-los a todos. Será teatro e dança, basicamente, mas também terá vídeo. O nome da peça é que ainda não podemos adiantar. Locais onde essa peça ou outras realizações do “Lebab”, possam ser apresentadas? Para mim, o local ideal para este tipo de actuações é o teatro D. Pedro V, porque não é grande nem é pequeno, criando uma certa harmonia, pois é bastante acolhedor. Quando tudo começou nessa multifacetada actividade profissional? Ainda estava no último ano da faculdade, fui acompanhar uma colega minha a um “casting” para a série “Morangos com Açúcar”, aí por volta de 2002. Eles olharam para mim e perguntaram se não estaria interessada em participar como actriz. Eu respondi que não estava interessada, não gostava muito desse tipo de coisas, ou não ligava. Insistiram tanto que acabei por ficar mais ou menos convencida. Tiraram umas fotos e depois chamaram-me para uma participação com falas e tudo, como actriz. Tomei contacto com esse mundo, mas verdadeiramente o que me fascinou foi o mundo por detrás das câmaras. Tendo o “feedback” da faculdade, onde tínhamos feito

produção audiovisual, embora sem contacto com a realidade, comecei a interessar-me percebendo que era naquele meio que eu queria realizar trabalhos. Sempre da parte de trás das câmaras! Pelos vistos, o que não tinha previsto, pelo menos naquele momento, acabou por acontecer e não parece que tenha sido difícil. Resumindo, entreguei o meu currículo à “NBP”, que já não existe, agora é a “Plural”, começando a trabalhar na semana seguinte como assistente de realização. A entrada nesse mundo teve alguma dificuldade maior? A princípio achei aquele um mundo muito alternativo, cada pessoa é muito diferente da outra, todos os dias são diferentes e isso cativou-me muito. Todos os dias havia desafios e todos os dias existiam problemas que tínhamos de resolver. Apesar de contarmos histórias que não existiam, toda a criação daquele mundo, do guarda-roupa à maquilhagem, aos adereços, à preparação dos actores, tudo aquilo me fascinou imenso, começando a ver que aquilo não era assim tão fácil, não era assim tão básico, que exigia muito das pessoas, muita entrega. Pessoas que a marcaram profissionalmente? Várias que me fazem ter um orgulho enorme em ter trabalhado com elas. Por exemplo, a Simone de Oliveira,


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com Helder Fernando

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nos e tailandeses estimula a criatividade”

marcou-me a nível profissional e pessoalmente; muito carinhosa, muito humana, a dar corpo e alma ao seu trabalho, autêntica estrela, uma diva. Esses exemplos inspiramnos e motivam-nos, aprendi muito com esse tipo de pessoas. De uma

geração mais nova, o Albano Jerónimo, actor que também acompanhei profissionalmente na série “Liberdade 21”, na nova “Vila Faia” onde fez de Gudunha, ele é o lado enérgico de que precisamos todos os dias para trabalharmos bem aquelas horas todas. Sempre com enorme profissionalismo. Na parte técnica, do lado de trás das câmaras, várias referências importantes para mim, como o realizador Sérgio Graciano, também do “remake” da “Vila Faia” e de “Liberdade 21”, etc., muito exigente, mas paciente, que sabe ensinar, que sabe ir ao detalhe. Também, obviamente, Manuel Oliveira, o grande cineasta que conheci quando trabalhei, mais no backoff, no filme “Singularidades de Uma Rapariga Loira”. Sendo o cinema um mundo completamente diferente da televisão, percebi que a forma de estar de Manuel Oliveira é distinta de todos aqueles que conheci. Muito calmo e simpático muito minucioso, sempre presente, um grande senhor, o cinema português na sua essência. E como sucedeu a oportunidade de Macau?

Laura Nyogéri licenciou-se em Lisboa, na Escola Superior de Comunicação Social, em Publicidade e Marketing, pós graduação na mesma Faculdade em Comunicação, Criatividade e Imagem, vários wokshops e formações na área do Teatro, Expressão Corporal, Criatividade, tudo dentro dessas áreas. A Oficina de Expressões Criativas está a envolver crianças, jovens e adultos. Para os mais novos e jovens, dos 6 aos 16, já teve início há alguns dias; para adultos o início será a 2 de Março e decorrerá até 1 de Abril. A iniciativa é da Casa de Portugal e a direcção cabe a Laura Nyogéri, directora de artes performativas, já com assinalável experiência profissional além fronteiras, coadjuvada pelo monitor José Nyogéri, seu irmão. Funcionando até ao fim de Junho em dois grupos, a Oficina separa por idades os interessados: dos 6 aos 11 e dos 12 aos 16. De momento, para este grupo, há mais de duas dezenas, mas com tendência a aumentar, pois “vão aparecendo mais inscrições”. Local da aprendizagem, instalações do CAT, Centro de Actividades Turísticas. Laura dirige o grupo teatral “Lebab” nascido sob inspiração de Fernando Sales Lopes e com vários aplaudidos aparecimentos públicos no seu percurso. Ainda este mês terminou o “casting” onde foram testados 150 concorrentes, tendo sido seleccionados 45 que futuramente integrarão as acções de formação em representação, vídeo, imagem e televisão. Em jeito de balanço, a directora diz ao HOJE que “o primeiro ano foi um ano de formação em que tentámos conhecer melhor os alunos que passaram por um prtocesso de formação onde observámos quem é que pode fazer o quê, desenvolvendo neles, ainda mais, as capacidades artísticas de cada um. Verificámos que todos eles tinham aptidão para uma ou outra

Tinha cá um colega trabalhando na Casa de Portugal para uma série de documentários. Ele falou-me desse projecto, vim até cá, gostei dos projectos “Lebab” e “Doc-Olhar Macau”, aceitei e cá estou muito feliz.

de lá, com o apoio da Casa de Portugal, recebendo formação intensiva. É a procura por estarmos dentro do que se está a passar, bem como uma forma de divulgarmos o nosso trabalho naquela região, criando algumas ligações com vista

“Trabalhamos em língua portuguesa, pois todos conseguimos comunicar nesta língua, embora no produto final utilizemos algumas canções em língua inglesa mas também, e principalmente, o português” O desejo de preferir sempre o lado de cá das câmaras em desfavor do “plateau” é para continuar? Não haverá uma tentação...? Aí está, descobriu a magia! Todo este contacto com o género de mundo que abraço profissionalmente fez-me perceber que até gosto de estar à frente, mas mais a nível de teatro, artes performativas. Continuo sempre com formações nesta área. Em Março, com o meu irmão, estaremos quase um mês em Hong Kong, na Academia de Artes Performativas

a que possamos mostrar o nosso trabalho também em Hong Kong. Enfim, ao longo dessas formações descobri que gosto muito de actuar, gosto muito de artes performativas, aliás todos os formadores, na avaliação individual, me dizem para seguir em frente. Trabalha bastante com jovens em Macau. O que a inquieta na generalidade desta juventude? Sinto que cá existe alguma insegurança nos jovens em termos de perspectivas de futuro. Pelo que me chega, sinto que este meio

Formar artistas e pessoaS área; através de várias técnicas desenvolvemos essas aptidões e competências, criando outras tantas, isto no campo das artes performativas, as que englobam o teatro, a expressão corporal dança, o canto, portanto várias áreas dentro do mundo do espectáculo”. No segundo ano de formação, a que podemos chamar segunda fase, mais directamente a área do espectáculo, “fomos para a rua mostrar o nosso trabalho, conseguindo, no espaço de um ano criar um portfólio enorme que começou envolvendo as iniciativas ligadas à Casa de Portugal como a comemoração local do 25 de Abril, as festas do S. João, da Lusofonia, de Natal e outras. Sem esquecer o convite que nos fizeram para participarmos na Expo de Xangai, que nos deu um grande embalo, onde aprendemos muito e ganhámos uma grande estaleca que nos vai facilitar a aprendizagem de mais coisas, pois todos estes miúdos não tinham qualquer experiência no mundo do espectáculo e com dimensão tão grande”, afirma Laura Nyogéri com visível convicção, comentando mesmo que a passagem do grupo “Lebab” pela Expo de Xangai “nos fez crescer muito como grupo artístico e mesmo a nível pessoal”. Semelhante comentário da directora sobre a participação no “Fringe”, uma vez que o contacto com outros grupos fora de Macau “permite aumentar as nossas capacidades artísticas e a vontade de fazer mais e melhor , reforçando o gosto de mostrarmos o que somos capazes de fazer”. Estas e outras realizações criam a rotina útil de o grupo “Lebab” ser abordado frequentemente por crianças e por pais de alunos, sob as mais diferentes formas, do

email ao contacto pessoal. Confirmando esse facto, Laura Nyogéri interroga-se: “por que não criar oportunidade a outras crianças que não estiveram no “casting”? Então, ficou decidido criar outro grupo, começar nova área de formação com o objectivo da continuidade. Provavelmente, segundo a entrevistada, “juntar os melhores deste grupo aos do “Lebab” – “A ideia é criar espectáculos onde possamos ter o “Lebab” a actuar, mas também utilizar estes miúdos em pequenos espectáculos e participações até levá-los também para a rua em actuações, passando pela fase de caracterização da personagem, do figurino, tudo isso, mostrar bem o que eles são capazes de fazer, uma vez que existem muitos miúdos aqui em Macau com muitas capacidades, desconhecidas pelos

muito pequeno que é Macau, não é suficientemente atractivo, muitos jovens, terminado o secundário saem ou pretendem sair além fronteiras. Não sabem o que irão fazer, caminhos profissionais a escolher. A partir dos 16 anos muitos distraem-se com este tipo de “Las Vegas da Ásia”. Penso que seria bom algum apoio no sentido de encaminhá-los, ajudá-los a tomar decisões, porque muitos talvez escolham um curso que não será o mais indicado, muitas vezes optam para onde a maioria vai, não conseguem assumir aquilo de que realmente gostam. Muitos vêm até mim e confessam sentirem-se um pouco perdidos em termos de futuro, desconhecendo onde se podem aconselhar. O apoio e o bom convívio são muito importantes. O exemplo que tivémos com a ida do grupom à Expo de Xangái foi óptimo como estímulo para a troca aberta de conhecimentos. Claro que tudo tem a ver com a fase da adolescência, procura de identidade, integração, mas também do que vive em casa da sua própria formação.

pais”. Ou seja, desfazer a ideia de separação de grupos, criando um tronco cada vez mais firme e melhor – “os pais descobrirem facetas desconhecidas nos seus filhos. Por exemplo, na festa de Natal da Casa Portugal, alguns vieram ter comigo dizendo “Laura, eu não sabia que o meu filho sabia dançar, eu não conhecia esta faceta da minha filha. Para nós é extraordinário conseguirmos surpreendê-los tão positivamente. E os próprios miúdos ganham um espírito entre eles de cumplicidade, de entreajuda que é fantástico e reflecte-se em muitas coisas. Os pais assistirem a uma aula, estarem com eles nos espectáculos é um orgulho enorme para nós que fazemos tudo para os ver crescer artisticamente e como pessoas. Tal como nos campos de férias da Casa de Portugal, os miúdos chegam até nós duma maneira , e no fim têm comportamentos completamente diferentes, mais sociáveis os que não eram tanto, sobretudo muito mais seguros, muito mais confiantes, sem medos inúteis, com a criatividade desenvolvida, com assinalável crescimento individual. Sabemos que ficam melhor preparados no sentido dum melhor aproveitamento escolar”. Em relação à Casa de Portugal, Laura Nyogéri afirma ter “um orgulho grande em trabalhar nesta equipa, sob esta dinâmica. Nas alturas mais difíceis ou mais fáceis há sempre uma luta por fazer melhor, tentamos atravessar os obstáculos, participando no esforço enorme da Casa de Portugal em Macau no sentido de concretizar projectos numa criatividade e diversidade enormes, com vista a desenvolver e incentivar a comunidade com preocupação de continuidade. Fazer parte de uma equipa assim, multifacetada, multicultural, multicriativa é execelente. Só espero continuar a fazer parte dela por muito mais tempo. Identifico-me muito com os objecticos da Casa”. - H.F.


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cultura

Artista sul-coreana cria instalação artística inspirada por Macau

“Mind space“ será o resultado da residência artística da artista sul-coreana apresentado no dia 5 de Março no Armazém do Boi

filipa queiroz

A arte do espaço e dos passos de Kim

Filipa Queiroz

F

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

iníssimos fios de lã choverão desde o tecto até ao chão. Nas pontas, pedras suspensas como agulhas. “Quando as pessoas olharem para isto será como unir a natureza com o espectador. Vai parecer que as pedras estão a flutuar, as pessoas estão habituadas a vê-las no chão mas eu vou tirar-lhes o peso, vou libertá-las de uma vida inteira de peso.” Uma vida inteira de Macau. Kim Soonim recolheu 209 pedras do jardim das traseiras do Armazém do Boi, onde se encontra a participar numa residência artística, para expressar através da sua arte algumas impressões de Macau. À artista da Coreia do Sul interessam-lhe os espaços, as gentes que os habitam e a forma como têm imprimida em si as suas origens. “Como as pedras que recolhi, elas mostram este lugar, algumas ainda têm cimento, outras estão partidas, outras já foram prédios. Cada uma tem a sua história e eu descubro isso quando lhes toco e é isso que quero mostrar aqui”, explica a artista de 36 anos. Kim Soonim está em Macau a convite de Frank Lei, director artístico do Armazém do Boi, que conheceu em Seul durante uma residência há um ano. “Ele sugeriu que eu viesse e eu pensei imediatamente: ‘Uau!’ Estou muito feliz por ter vindo e fico contente por não estar aqui sem ser como

turista”, desabafa a artista que aterrou na RAEM no passado dia 7, com o seu estojo de agulhas e rolos de fio de lã. “Tenho a certeza de que Macau é muito diferente sem turistas, mas apesar do tempo limitado já tive oportunidade de conhecer muitos artistas fantásticos aqui”, comenta, e acrescenta: “Acho mesmo que vi algum sonho e esperança cá”.

E por falar em sonho...

“Há dois dias, acordei com a sensação de ter de filmar Macau, então, peguei na minha câmara e comecei a filmar desde a minha janela.

Gravei das 5h às 21h a vista da janela do quarto”, conta Kim Soonim. Um velho casino abandonado e muita gente a passar de um lado para o outro, “uma cidade que se move”, nas palavras da artista. O resultado vai ser exposto no dia 5, juntamente com a instalação principal e duas peças de vídeo: uma performance de Soonim na sua cidade natal, e uma instalação à beira-rio, também na Coreia, ambas relacionadas com o tema do espaço e a experiência no território. Mas há mais. A artista resolveu improvisar e aproveitar as pequenas árvores de tangerinas abandonadas

nas ruas depois de terem sido utilizadas no Ano Novo Chinês. “A galeria tem uma janela que dá para o telhado e é lá que eu vou colocar as árvores, vou criar uma pe-

entre outros trabalhos, no portal online da artista www. kimsoonim.com. Também “The Ethereal Space”, a instalação apresentada na Galeria Red Mill Gallery em Vermont, nos Estados Unidos, que lhe valeu um Prémio Freeman em 2007 e a escalada internacional. “Tive sorte, adoro viajar e fazer novos amigos e um dia pensei que talvez a Coreia não fosse suficiente para mostrar as minhas peças. Então saí e a fundação norte-americana convidou-me para expor”, diz a artista natural de Punggi, na montanha sul-coreana de Sobec. Apesar de hoje em dia viver numa cidade vizinha a Seul, Incheon, o ambiente rural no qual cresceu nunca deixou de influenciar o seu trabalho.

“Como as pedras que recolhi, elas mostram este lugar, algumas ainda têm cimento, outras estão partidas, outras já foram prédios. Cada uma tem a sua história e eu descubro isso quando lhes toco e é isso que quero mostrar aqui” quena floresta no telhado.” Algo semelhante a um dos projectos mais recentes da artista, ‘The Forest of Strayer’, que pode ser visto,

“Gosto de trazer certos elementos da natureza para a atenção das pessoas. Há muitas pedras e árvores na rua e nem são notados,

mas se eu as trouxer para a galeria as pessoas vão vê-las e reflectir sobre elas.” Multipremiada e com exposições no Japão, Estados Unidos, Polónia, Noruega, Argentina e China na bagagem, Kim Soonim seguirá de Macau para a Coreia do Sul, onde os alunos esperam as suas aulas de escultura na Universidade Ewha Woman’s, em Seul. Mas mente da artista há espaço, muito espaço, para mais. “Quero continuar o meu caminho, estou muito interessada em conhecer lugares novos”, frisa. “Mas por agora vou voltar às minhas aulas e, dentro desde mesmo projecto, expor lá na Coreia uma instalação inspirada na minha experiência em Macau.” O trabalho vai ser exibido no espaço OpenSpace Bae, em Busan. No entanto, e as pedras? ”As pedras estavam aqui, por isso ficam aqui. Há uma artista que está interessada em ficar com elas depois da exposição. Assim sendo, vou dar-lhas e assim começarão um novo ciclo.” A instalação “Mind Space” vai estar no Armazém do Boi de 5 de Março a 3 de Abril, aberto ao público todos os dias, excepto a terçafeira, das 12 às 17 horas.


Guitarrista português toca fados com Orquestra Chinesa “Ai, Mouraria”, “Havemos de ir a Viana”, “Lágrima” e “Segredos” são alguns dos fados clássicos que Paulo Valentim vai tocar no dia 12 de Março com a Orquestra Chinesa em Macau. O projecto chama-se “Violino no fado” e a orquestra será dirigida por Wang Huiran. Além de Paulo Valentim será também solista a violinista Natalia Jusk Wiesch. O português esteve em Macau no ano passado para acompanhar à guitarra um sarau dedicado à poesia portuguesa e também já tocou com a Orquestra Chinesa, entre outras vezes, quando acompanhou a fadista Katia Guerreiro. Durante a sua estada em Macau o músico também vai apresentar ainda um “workshop” de fado, no dia 15 de Março.

A Casa de Portugal inaugura amanhã a exposição de 72 fotografias tiradas pelos elementos do grupo de escuteiros lusófonos na expedição do grupo à Malásia Filipa Queiroz

filipa.queiroz@hojemacau.com.mo

O

mote é a partilha. O grupo de escuteiros lusófonos de Macau (GelMac) quis partilhar com família, amigos e curiosos a experiência de cinco dias na floresta tropical Taman Negara, na Malásia. Do dia 2 ao dia 6 de Fevereiro, os 21 elementos do grupo não tiraram o dedo do gatilho, que é como quem diz, a máquina fotográfica. O resultado pode ser visto a pub

Expedição dos escuteiros lusófonos de Macau dá exposição

Aventura em imagens partir de amanhã na Casa de Portugal e durante as três semanas seguintes. “Foram os jovens que fizeram a pré-selecção das próprias fotografias para depois serem escolhidas em conjunto por todo o grupo”, nota Nelson António, chefe do agrupamento. “O [fotógrafo] António Mil-Homens, que também nos acompanhou na expedição, acrescentou apenas três ou quatro para complementar”, acrescenta. As imagens reflectem a experiência dos jovens que passaram cinco dias em plena harmonia com a natureza e um ambiente exótico, que incluiu o contacto com animais selvagens e famílias nativas daquela área. “Os miúdos viam os animais e ficavam muito espantados. Também passaram um dos dias na casa de uma família local de onde retiram extraordinárias recordações”, conta Nelson.

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11 nhos, textos e colagens relacionados com a viagem”, explica. Da Casa de Portugal a exposição, “em princípio”, segue para a Escola Portuguesa.

Agenda de escuteiro

A floresta tropical Taman Negara é considerada a mais antiga do mundo, com mais de 130 milhões de anos, habitat dos últimos grupos de aborígenes da Ásia, cerca de 150 mil espécies de insectos, mais

de 100 mil espécies de plantas, 350 de pássaros, 100 de serpentes e 140 espécies de animais selvagens. A exposição incluirá trabalhos individuais de alguns elementos do grupo. “Serão pinturas, dese-

“O GelMac é a única associação para os jovens de expressão portuguesa em Macau”, diz Nelson António, que integrou o grupo pouco depois de chegar a Macau, há 14 anos, e nem sequer era escuteiro. “Fiz a promessa de caminheiro em 1998, na igreja, e passado três anos a de dirigente”, recorda. Nelson defende que este tipo de iniciativas, como a expedição à floresta tropical, sempre fizeram parte dos planos de actividades dos escuteiros, que já viajaram até à Tailândia e Hong Kong. Na agenda deste ano está um acampamento em Ka-Hó, no próximo Verão, e a participação no acampamento internacional “Jamboree”, na Suécia. E não faltarão celebrações. Em Maio, o GelMac comemora os 14 anos da sua fundação e o centenário do escutismo português em Macau.


[f]utilidades sexta-feira 25.2.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

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Sala 1

space battleship yamato [B]

Preço: Mop50.00 (Falado em japonês, legendado em chinês) Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Takuya Kimura, Meisa Kuroki, Toshiro Yanagiba 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

Black Swan [b]

Preço: Mop50.00 Um filme de: Darren Aronofsky Com: Natalie Portman, Vincent Cassel, Winona Ryder 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-TOESA. FLACO. 2-ILIINGUINAL. 3-RIMOSO. SANA. 4-AGANADO. TER. 5-PORI. ERVA. E. 6-EC. SOMEIRO. 7-RAMPEAR. NB. 8-NAGOA. DIADE. 9-ECU. DEALVAR. 10-FIADOR. HOCO. 11-RARA. ABALAS. VERTICAIS: 1-TIRAPE. NEFR. 2-OLIGOCRACIA. 3-EIMAR. AGUAR. 4-SIONISMO. DA. 5-ANSA. OPADO. 6-GODEME. ERA. 7-FU. OREADA. B. 8-LIS. VIRILHA. 9-ANATAR. AVOL. 10-CANE. ONDACA. 11-OLARE. BEROS.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Medida francesa de seis pés Franco, no Brasil. 2-Diz-se do vaso nervoso que se liga ao músculo oblíquo ascendente do abdome. 3-Que tem fendas. Ave brasileira, espécie de saracura pequena. 4-Cansado. Segurar nas mãos ou entre as mãos. 5-48 pulegadas. Hortaliça. Do tratamento de Excelência e Eminência. 6-Abrev. de Era Cristã. Espécie de caixa, a que está ligado o fole dos órgãos. 7-Cortar em rampa ou declive. Símbolo de nióbio. 8-Diz-se de uma célebre malta de capoeiras, que houve no Rio de Janeiro. Grupo de dois. 9-Unidade monetária que foi substituída. Dealbar. 10-Pedaço de amarra, que dá volta à abita e se prende ao anilho. Mutum. 11-Diferente, fem. Sacodes. VERTICAIS: 1-Correia de firmar. Elemento de origem grega. Que significa rim. 2-Aristocracia pouco numerosa. 3-Inflamar. Encherse de água. 4-Estudo de coisas relativas a Jerusalém. Oferece. 5-Pequeno golpe. Inchado. 6-Habitant ou natural da Inglaterra. Início de uma nova ordem de coisas. 7-Exclamação designativa de nojo ou desprezo. Oreade. Letra que ocupa o segundo lugar no alfabeto português. 8-Florde-... Ponto de junção da coxa com o ventre. 9-Cobrir de nata. Mau. 10-Pavimento de habitação, na China. Julgamento. 11-Designativa de afirmação e satisfação. Maus.

[ ] Cinema Sala 3

Little fockers [c]

Preço: Mop50.00 Um filme de: Paul Weitz Com: Robert De Niro, Ben Stiller, Owen Wilson, Blythe Danner 14.30, 16.30, 21.30 SALA 3

I love hong kong [B]

Preço: Mop50.00 (Falado em cantonense) Um filme de: Chung Shu Kai, Eric Tsang Com: Tony Leung, Sandra Ng, Eric Tsang 19.30

[Tele]visão www.macaucabletv.com

TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 17:35 Liga Europa VFB Stuttgart vs SL Benfica (Repetição) 19:00 Ásia Global (Repetição) 19:30 Ganância 20:25 Acontecimentos Históricos 20:35 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:00 A Muralha 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 Invincible (Invencível) 01:10 Telejornal (Repetição) 01:40 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 A+ Portugal 15:00 Magazine Venezuela Contacto 15:30 Com Ciência 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Prémio Autores 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Magazine Venezuela Contacto 22:30 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Taking Stocks 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Word World 16:30 ZingZillas 17:00 Olivia 17:30 Ben 10 Ultimate Alien 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 FIBA World Basketball 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Rhodes Across Italy 21:30 And The Oscar Goes to: Babel 22:30 Marketplace 22:35 And The Oscar Goes to: Babel 00:30 World Market Update 00:35 News Roundup 00:50 Earth Live 00:55 Dolce Vita 01:20 And The Oscar Goes to: Ray 04:00 The Pulse 04:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 Big 12 Conference Basketball Baylor vs. Missouri 15:00 2011 US Figure Skating Championships Skating Spectacular 17:00 Isps Handa Women’s Australian Open H/ls 18:00 Total Rugby 2011 18:30 Castrol Football Crazy 19:00 ABL game

19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 Planet Speed 2010/11 20:30 Total Rugby 2011 21:00 Isps Handa Women’s Australian Open H/ls 22:00 Sportscenter Asia 22:30 ABL game2game 23:00 Total Rugby 2011 23:30 Sportscenter Asia STAR SPORTS 31 13:00 US Open 9-Ball C’ship 2010 Final 16:00 F1 Classics - 1989 Hungarian Grand Prix 17:00 F1 Classics - 1989 Japanese Grand Prix 18:00 Goal! - FA Cup 2010/11 18:30 Ace 2011 19:00 FA Cup 2010/11 Leyton Orient vs. Arsenal 21:00 Football Asia 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 The FA Cup 2010/11 Highlights 22:30 2011 Gp2 Asia Series STAR MOVIES 40 12:05 The Princess And The Frog 13:50 Law Abiding Citizen 15:45 Precious 17:45 George Of The Jungle 19:25 The Accidental Husband 21:00 12 Rounds 23:00 The Silence Of The Lambs HBO 41 13:00 Appaloosa 15:10 Almost Heroes 16:40 Hbo Central 17:10 Seven Pounds 19:20 Hachiko 21:00 Funny People 23:15 Couples Retreat CINEMAX 42 12:00 Darkman 13:35 Romeo Is Bleeding 15:25 Ride Or Die 16:50 Weird Science 18:20 Witchblade 20:00 Wild Bill 21:45 Epad On Max 99

22:00 King Solomon’S Mines 23:40 Allan Quatermain And The Lost City Of Gold MGM CHANNEL 43 12:45 Goodbye Supermom 14:15 A Star for Two 16:00 The Alamo 18:45 The Russia House 21:00 Babette’s Feast 23:00 Cool Blue 00:30 Wolf at the Door DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - More Myths Reopened 14:00 Raw Nature 15:00 Enigmatic Malaysia 16:00 Ghost Lab 17:00 Dirty Jobs - Mud Mineral Excavator 18:00 Factory Made 19:00 Construction Intervention 20:00 Is It Possible? 21:00 Inside 22:00 I Almost Got Away With It 23:00 Most Evil - Spree Killers 00:00 Ghost Lab NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 ABOUT ASIA - Malaysia 14:00 Churchill’s German Army 15:00 Lockdown - Sex Offenders 16:00 The Known Universe 17:00 Nazi Death Squads 18:00 History’s Secrets 19:00 True Stories - The Running Man 20:00 ABOUT ASIA - Malaysia 21:00 Nazi Death Squads 22:00 History’s Secrets 23:00 Nat Geo Amazing! 00:00 Nazi Death Squads ANIMAL PLANET 52 13:00 Corwin’s Quest- The Alligator’s Bellow 14:00 Predators: Fighting To Survive 15:00 Animal Planet Reveals Asia 16:00 Growing Up...Giraffe 17:00 Animal Cops Phoenix - A Tale Of Three Tails 18:00 K9 Cops - Teamwork 19:00 Groomer Has It - House Calls 20:00 Corwin’s Quest - The Camel’s Hump 21:00 Growing Up...Orangutan 22:00 Growing Up...Walrus 23:00 Animal Cops Phoenix - Hog-Tie Horror 00:00 Corwin’s Quest - The Camel’s Hump HISTORY CHANNEL 54 13:00 Evolve - Venom 14:00 Food Tech - Mexican 15:00 Monster Quest 16:00 Mysteryquest 17:00 Pawn Stars 18:00 Shockwave 19:00 Mega Disasters 20:00 Heroes Under Fire 21:00 Inside The Firestorm 23:00 The Rise Of Ecology 00:00 UFO Hunters - Military Vs. UFOs STAR WORLD 63 13:00 American Idol 13:50 Junior MasterChef Australia 14:45 Gary Unmarried 15:00 How I Met Your Mother 15:35 Royal Pains 16:25 Grey’s Anatomy 17:00 Bachelorette 18:00 American Idol 21:50 True Beauty 22:45 America’s Next Top Model 23:40 American Idol

(MCTV 40) Star Movies 19:25 The Accidental Husband

Informação Macau Cable TV


perfil

sexta-feira 25.2.2011 www.hojemacau.com.mo

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Catarina Bettencourt com a amiga Ana

Catarina Bettencourt | arquitecta paisagista

Macau nunca será um lugar pequeno Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O lugar é comum. Um café no Leal Senado, informal, para que este vasculhar saia em tom de conversa. Como em todas as sextas-feiras, no Hoje Macau, são as escolhas que se distinguem. No sabor do café e na pessoa. Catarina Bettencourt tem 27 anos, feitos há menos de uma semana. Conhece tão bem Macau quanto possível para alguém que pisou o território há exactamente 42 dias pela primeira vez. Pelo que nos conta, o truque é vaguear pelas ruas da cidade. “Eu gosto de me perder em Macau.” Confessa-nos que é “desorientada” e que sem mapa na carteira é mais fácil ficar sem saber onde está. “Mas eu gosto, divirto-me”, diz, acrescentando que encontra sempre alguma coisa nova e que “toda a gente” lhe diz que o território é pequeno, apesar de ela achar que “nunca [vai] achar isto pequeno”. (Nós sabemos que daqui a uns meses ela vai ler este artigo e rir-se deste pormenor) Exactamente como se riu ao ler “no outro dia” os primeiros e-mails que enviou aos amigos. “Já acho aquilo surreal!”, brinca. Os amigos da Catarina são de Portugal. Foi de lá que ela partiu antes de apanhar o ferry em Hong Kong. Nasceu no calor do Alentejo, em Beja, onde vivem os pais. Mas desde há oito anos que se mudou para a capital. Em Lisboa, tirou Arquitectura Paisagística. O curso de Agronomia, onde se insere o da Catarina, provoca uma confusão que ela faz questão de explicar. Então, explica-nos lá o que fazes com o teu curso, disparamos nós. “Com o meu cur-

so? Bem, vou buscar a definição.” E vai. “É tudo o que seja exterior ao edifício em termos de planeamento urbano, não são só jardins, mas também praças.” Em Portugal, Catarina trabalhou em dois ateliers “pequenos” mas a “falta de diferentes perspectivas e as condições precárias” juntaram-se à vontade de partir à descoberta. “Eu queria uma aventura sozinha, sentia falta disso”, conta-nos, ao mesmo tempo que relembra os “pais galinha” que ficaram em Beja, e os tempos de estudante. Não fez Erasmus, ao contrário da Ana, uma das duas amigas que chegaram com ela ao café. A Catarina inscreveu-se no INOV Contacto. Para quem não sabe como funciona este programa de estágios internacionais, imaginem-se de olhos vendados a tirar um papel dobrado de um saco preto. Agora tirem a venda e leiamno. Surpresa! O local escrito no vosso papel é onde vão passar seis meses da vossa vida a trabalhar. À Catarina “saiu a China”. O grande gigante asiático. “Não sabes onde vais parar”, diz-nos, “temos formação de três dias e só no fim é que sabes onde queres ir. Foi às escuras”. Por curiosidade, procurou referências. Por estimativa, pensou na “Argélia, Líbia e Roménia”. Também a Europa, onde foram colocados anteriores formandos com o mesmo curso, “era um local para o qual se sentia preparada”. A China foi surpreendente, mas a Catarina “soube na hora que era Macau e não China continental, porque pegou no telemóvel – que não

podia ser usado dentro da sala - e pediu a alguém para pesquisar onde era o Atelier de Arquitectura CC”, local que sublinhava a palavra China. Ficava em Macau. “Foi um alivio”, para ela e para os “pais galinha”. Na viagem de barco de Hong Kong para Macau a sensação da Catarina era de “medo”. “Ia ter com alguém que nunca tinha visto. A Filipa, à espera na outra margem, era amiga de uma amiga de uma amiga. “Era tudo novo, não era só aterrar num país estranho, era ir para casa de uma pessoa estranha”, relembra. Nessa noite, só viu o caminho do táxi para casa. Mas lembra-se do “Uaaauuu” que soltou quando a tal amiga de uma amiga de uma amiga começou a “falar tão bem chinês”. “Será que eu também vou conseguir?” Foi a pergunta lhe veio a cabeça. Afinal, já sabe. Até porque o “uábáo” que a Filipa disse ao taxista “era o nome do edifício onde ela morava e agora toda a gente sabe dizer o sítio onde vive”, conta Catarina entre risos. Em Macau, o dia começa...A Catarina pára para pensar como descrever o dia dela. A Ana dá uma ajuda. “O café de manhã”... “o café”, continua a nossa entrevistada. “Depois...trabalhar nos projectos, almoçar sempre juntos - os portugueses do escritório -, depois volta o café, e mais trabalho, e aparece sempre mais alguma coisa que faz com que o dia se prolongue inesperadamente.” A Catarina diz-nos que há coisas que lhe roubam horas de sono. “Compras. Vamos ao Leal Senado, à Rua do Campo, à

Horta e Costa e depois jantar na Taipa. Há sempre qualquer coisa para fazer antes de ir para casa.” Por agora, a arquitecta ainda “acha piada a tentar perceber as diferenças e tradições”, e diz que adora o “choque cultural”. Não se lembra de sentir falta de, por exemplo, um produto de supermercado português. Mas a Ana ri, levanta as sobrancelhas e diz baixinho: “o queijinho”. E aqui a costela alentejana da Catarina acorda. “Sim, talvez o queijo. Eu sou alentejana, não é? Enchidos e queijo.” Mas, pelo que nos conta, “para a semana o namorado vai trazer”. No entanto revela que “adora toda a comida chinesa”. Em Julho, quando acabar o estágio, a arquitecta não precisa de voltar para Portugal. Nós sabemos que ainda é cedo, mas queremos saber se a Catarina quer ficar cá a trabalhar. “Não sei. Eu acho que em Macau a arquitectura paisagística não é assim tão fácil para uma posição fixa.” A hipótese de Hong Kong fica no ar. Mas ainda quer “experimentar mais sítios”. Brasil, Chile, Peru e Alemanha fazem parte da lista. Enquanto está a faltar à aula de cantonês - onde já aprendeu a dizer “bom dia ou pequeno-almoço”, não sabe bem - continua a contar-nos como gostou do Camboja, aquela que diz ter sido “a primeira (e única) grande viagem da [sua] vida” antes de se aventurar até Macau. Estamos quatro sentadas no café do Leal Senado. O cappuccino que resta da Catarina já está frio. Mas os planos para o futuro dela ainda estão a aquecer.


Sexta-feira 25.2.2011 www.hojemacau.com.mo

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opinião ed i t or i a l Carlos Morais José

“Não sei. Falta-me um sentido...” F

oi Fernando Pessoa que escreveu o verso com que titulo este artigo. Isso não é importante: foi somente o que arranjei para descrever um estado de espírito, uma sensação, que quase se transmuta em intuição, de que nesta pequena região, à beira do Rio das Pérolas plantada, existe uma deficiência de sentido, um manquejar de estratégia, uma ausência de missão. Como todos sabemos, os chineses de Macau são, no fundo, portugueses, quer o queiram, quer não. E também não me peçam para explicar. É, realmente, tão inexplicável como verdadeiro. Padecemos dos mesmos defeitos, enfermamos de iguais virtudes. Não sabemos distinguir, mas sabemos receber; escapa-nos a pragmática comunicação, mas enfronhamo-nos nas situações mais bizarras que nos colocam numa proximidade quase impossível: a que num momento galga variadíssimos degraus, numa ascese para o Outro; a que permite a alegria indescritível. Macau, a dita RAEM, tem condições económicas quase obscenas no mundo em

ca r t o o n por Steff

que vivemos. Qual paraíso dourado, alheio a crises, convulsões ou tormentas, a nau macaense parece capaz de atravessar qualquer mar, percorrer não importa qual crise, sempre com a ufana ostentação do crescimento, sempre com a orgulhosa bandeira da auto-sustentação. Seria vão explicar ou desfiar interpretações das condições históricas que possibilitaram este estado do sítio. Seria esteticamente incorrecto. Melhor olhar agora e detectar qualquer oscilação, acreditar que esta cidade-utopia o pode ser simplesmente porque é melhor e, de tão simples a razão, não estremece o coração. Há um Macau por realizar. Por objectalizar, sem temores nem preconceitos. A cidade da missão, não do tostão. A colónia que detinha tantos defeitos que nunca o chegava a ser. Antes morrer, que esquecer o direito à liberdade, à cidade, ao anfião oriental. Há um Macau ainda por viver, nos sonhos das jovens portuguesas que agora nos habitam. Mas não sei: “Falta-me um sentido...”.

Há um Macau por realizar. Por objectalizar, sem temores nem preconceitos. A cidade da missão, não do tostão. A colónia que detinha tantos defeitos que nunca o chegava a ser. Antes morrer, que esquecer o direito à liberdade, à cidade, ao anfião oriental. Há um Macau ainda por viver, nos sonhos das jovens portuguesas que agora nos habitam. Assim parecem as coisas deslizar, temorar, esperar pela demora, só mais uma hora, um minuto de silêncio por nós mesmos, que nos raiamos de medo, sem procurar as sendas ou as senhas. “Falta-me um sentido...”. Não basta pois o dinheiro, o celeiro, cheio destas e doutras marias. Nada chega sem sentido,

nada, não chega... a grandeza do umbigo. “Não sei”, eis a confissão. Pensem bem: eu não saber, é normal. Já outros...etc. e tal... Macau está com fuso: roda, roda, sem parar, nem ter tempo de perceber porquê, para onde e como é que roda, sendo que a senda se faz quando se caminha – desculpa de velha serpente. Só ferra dente: eis a suprema satisfação. Mais milhão, menos milhão, escapa-nos a missão, o desiderato, a escatologia. Seja, mas que seja sociedade da harmonia. Ou que seja, que o povo, esse, está farto. Não há acto, padrão ou insígnia que nos garanta a consciência do futuro. Este governo só está maduro, mas porque espera? Que o vento venha e o faça cair da árvore? O que há assim de tão grave, de tenebroso, no horizonte, que não nos deixe ir à fonte? É fazer, senhores! É fazer, doutores! Os escolhidos arcam com a responsabilidade: assim saibam honrar quem sempre, sempre, os contempla. Venha de onde vier o olhar. Mas oiço ainda murmurar: “Não sei. Falta-me um sentido...”. Está frio...

novo cachimbo de água


paciência é necessária

Lembra-te que a a todos e que ela é útil para tudo. Padre Manuel teixeira [1912-2003]

sexta-feira 25.2.2011 www.hojemacau.com.mo

15 p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão

Quatro dimensões do espaço-tempo “The Greenland Ice Sheet is the second largest ice sheet on Earth and is considered to be especially vulnerable to global warming. There are two reasons for this: first it spans a range of latitudes from 60 to 83 N; and second it is surrounded by ocean waters, which unlike Antarctica do not possess ocean currents that isolate the ice sheet from mid-latitude heat transfer. Geological studies show that the ice sheet has experienced record amounts of surface melting in recent years.” Glacial Geology -Ice Sheets and Landforms Ma tthew R. Bennet and Neil F. Glasser

S

e pedirem ao simples cidadão menos dedicado a questões culturais, para que indiquem um sítio de interesse geológico, é provável que diga “Stonehenge” (um megálito formado por círculos concêntricos de pedras localizado no Sul da Inglaterra). Se lhe for perguntado como é que o combustível do seu automóvel foi descoberto, provavelmente descreverá um poço de petróleo. Trata-se de dois simples exemplos da ignorância generalizada da geologia, enquanto ciência da Terra. A geologia é uma ciência que investiga a composição do subsolo, a arquitectura e os métodos de decifrar a história da Terra, a partir do registo das rochas, e que aplica esses conhecimentos para descobrir e gerir os recursos subterrâneos. O fosso de comunicação entre a geologia e a sociedade processa-se nos dois sentidos. Se a consciência que o cidadão em geral tem da geologia é fraca, também o nível de preocupação dos geólogos com o contexto em geral, em que a ciência se desenvolve é baixo. Interroguese a maioria dos geólogos, sobre o risco de aquecimento global resultante da queima de combustíveis fósseis que se empenham em descobrir. Responderão quiçá, que lhes compete descobrir a matéria-prima, e que a sociedade saberá como utilizá-la. Que o envolvimento em questões políticas é considerado não científico, e que ameaça a objectividade da sua pesquisa geológica. A incompreensão mútua entre a geologia e a sociedade está a tornar-se mais visível, devido à consciencialização crescente para as questões ambientais, que se tem verificado nas últimas três décadas. Tome-se como exemplo o depósito de resíduos tóxicos. Muitos casos de escoamento rápido para aquíferos de abastecimento de água, ou para solos agrícolas revelam, até que ponto é arriscado não se conhecer bem o ambiente geológico do subsolo local. Fale-se do agravamento das alterações

climáticas a nível global. Os governantes interrogam-se sobre se tal situação aconteceu no passado. Se houve clima severo devido ao aquecimento global, à subida do nível dos mares ou à fusão das camadas de gelo. Os geólogos que dão a resposta afirmativa, são o mesmo grupo de cientistas que considera que os combustíveis são os principais responsáveis por todos estes fenómenos. Algo de profundamente errado existe, quer numa sociedade que aspira à consciência científica, quer numa profissão que exige chamar a si a ciência da Terra. A definição de geologia como disciplina científica difere da geociência, ou da ciência da Terra, ou mesmo da ciência do sistema da Terra. O simples cidadão deve sentir-se confuso, quando uma ciência muda de nome de dez em dez anos. A geologia é uma ciência da Terra, mas muitas ciências o são. A física, química, biologia e as disciplinas associadas versam sobre os componentes da Terra, em funcionamento. O que distingue a geologia é, em primeiro lugar, o seu interesse por todos os processos naturais que deixam um registo nas rochas, e, em segundo lugar, o seu objectivo de reunir as interacções locais e globais desses processos ao longo de 4,5 mil milhões de anos de história da Terra. A geologia é uma ciência essencialmente holística, feita nas quatro dimensões do espaço e do tempo. Observe-se os geólogos quando examinam um pedaço de rocha calcária. O tamanho, a forma e a disposição das partículas minerais, indicar-lhe-ão a força e a variabilidade das correntes de maré ou de vaga que depositaram o sedimento original. O tipo de fósseis incrustados na rocha, revelará a sua idade geológica. Os fósseis e os tubos biogénicos, ou os trilhos deixados por seres fossilizados permitirão aos geólogos reconstituir a antiga comunidade biológica. Em seguida, podem estimar as condições ambientais, como a profundidade da água, salinidade, temperatura e teor de oxigénio. Ao microscópio o cimento mineral, que une os grãos de rocha, pode registar a transformação da composição da água, que passou através da rocha quando esta se encontrava enterrada. O estado físico de quaisquer fragmentos vegetais existentes na rocha, regista a profundidade máxima deste enterramento. A análise laboratorial dos diferentes isótopos de estrôncio nas conchas fossilizadas, indica a composição química da antiga água do mar. Indirectamente, esta pode revelar o ritmo a que

O fosso de comunicação entre a geologia e a sociedade processa-se nos dois sentidos. Se a consciência que o cidadão em geral tem da geologia é fraca, também o nível de preocupação dos geólogos com o contexto em geral, em que a ciência se desenvolve é baixo o sedimento se cava do continente, e a quantidade de vulcanismo existente sob os oceanos do passado. A análise do isótopo oxigénio indica a temperatura da água do mar. E assim sucessivamente, nenhum aspecto do calcário é irrelevante para o problema da sua origem.Amelhor hipótese é aquela que se ajusta às diversas provas na sua totalidade. O estudo do calcário, é um exemplo em pequena escala de uma parte do tempo geológico. Mas essas provas locais podem ser integradas no espaço, até atingirem uma escala global, e no tempo, através de períodos geológicos sucessivos. É sempre a perspectiva holística que distingue a ciência geológica. Pode fazer-se paleobiologia de boa qualidade com os fósseis, sedimentologia com o formato dos grãos, ou paleoceanografia com os isótopos químicos. A geologia fornece os elos sistemáticos entre estas disciplinas. A afirmação do geólogo inglês, Charles Lyell, de que o presente é a chave para o passado, funcionou quer como estratégia científica unificadora para os geólogos ao longo dos últimos sessenta anos, quer como força dispersora, que os remeteu para subdisciplinas especializadas.

Os processos da antiga Terra não podem ser estudados directamente. Só as consequências materiais, permanecem no registo das rochas. Estes indícios, devem ser lidos em consonância com os processos activos actuais; o crescimento de um recife de coral, o fluxo e o refluxo das marés, as inundações provocadas por um rio. Esta importância dos processos actuais criou laços entre os geólogos e outros cientistas da Terra, como biólogos marinhos, oceanógrafos e hidrologistas. Mas a influência amplificadora desta colaboração, foi contrariada por uma fragmentação da geologia em grupos de especialistas. Cada grupo concentrou-se num conjunto específico de processos da Terra, dissecando os mecanismos que o compõem. Esta perspectiva reducionista da ciência, gerou avanços rápidos e pormenorizados na compreensão, mas à custa da perspectiva holística que caracterizava a antiga geologia. Esta fragmentação da geologia afectou mesmo o estudo dos processos terrestres profundos. A convecção do centro da Terra, a fusão das rochas no manto ou crosta, a produção de sismos; estes processos não podem ser observados directamente como os que se verificam à superfície da Terra. Foi criada uma sequência de técnicas químicas e físicas para decifrar as profundezas da Terra. O carácter especializado da geoquímica e da geofísica também começou a afastar estas disciplinas da geologia original. Os geofísicos, em especial, não se sentiam bem com o rótulo de geólogos. Os rótulos de ciência geológica e ciência da terra nasceram de tentativas para reagrupar as disciplinas que a geologia criara. Mas, os rótulos têm menos poder que as ideias. Ironicamente, há cerca de quase cinquenta anos, foram os geofísicos que criaram o conceito unificador destinado a virar a maré científica. A tectónica de placas forneceu um modelo de trabalho coerente da parte exterior da Terra sólida. O mais importante é que esse modelo podia ser testado com dados provenientes de quase todas as outras disciplinas da ciência da Terra. Os paleontólogos recomeçaram a atacar os vulcanólogos, os sedimentologistas, os geoquímicos e os pretólogos a falar contra os geofísicos. Esta especialização dentro de cada disciplina contínua, mas com uma estrutura fornecida pela tectónica de placas que todos os cientistas da Terra podem entender. A ciência da Terra holística é pelo menos possível, mesmo quando não é sempre praticada.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Anda aí muita carteira recheada. Nova Zelândia Sobe o número de mortos O último balanço oficial do sismo na Nova Zelândia aponta para 98 mortos e 226 desaparecidos. Nas últimas horas as equipas de salvamento retiraram dos escombros 48 pessoas que ficaram soterradas após o sismo de 6.3 na escala de Richter que atingiu a cidade de Christchurch. Um terramoto que deu ainda origem a que vários icebergs estejam agora espalhados num lago e cuja queda na altura levantou ondas de 4 metros de altura. A polícia neozelandesa tentar espalhar pela cidade e pelos seus subúrbios numerosas patrulhas, de forma a fazer respeitar a ordem, uma acção de vigilância em que estão a ser ajudados pelos soldados neozelandeses. Tecnologia tablets desafiam o iPad Na semana passada em Barcelona foram várias as marcas que aproveitaram o palco do Mobile World Congress para mostrar as suas propostas na área de tablets, procurando conquistar créditos para ultrapassar o iPad da Apple, que já conta com um ano de mercado e que poderá ser renovado muito em breve, pelo que antecipam os rumores que apontam a data de 2 de Março como o “dia da revelação”. De entre as muitas propostas seleccionámos cinco com mais potencial para serem concorrentes do iPad. O Galaxy Tab de 10 polegadas foi um dos tablets que dominou o interesse na feira. Com um ecrã maior do que o seu antecessor e o sistema operativo Android 3.0 (Honeycomb) tem certamente pontos a seu favor na conquista de uma fatia significativa do mercado. Crime Brasil é sexto em homicídio de jovens O Brasil é o sexto país no ranking de homicídios entre jovens. De acordo com o estudo Mapa da Violência 2011, divulgado ontem pelo Ministério da Justiça, a taxa de homicídio entre jovens de 15 a 24 anos subiu de 30 mortes por 100 mil habitantes, em 1998, para 52,9, em 2008. Nesse período, o número total de homicídios registados no país cresceu 17,8%, ao passar de 41,9 mil para 50,1 mil. De acordo com o autor da pesquisa, Julio Jacobo, os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes de jovens no Brasil. O estudo aponta que as taxas mais elevadas, acima de 60 homicídios em cada grupo de 100 mil jovens, estão na faixa dos 19 aos 23 anos de idade.

Os lucros do jogo têm de ser divididos...

...

justamente

!!!

Metro Ligeiro | TSI chumba recurso da Bombardier

Bomba de curto alcance Vanessa Amaro

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vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

final, a ordem é para arrancar já. O Tribunal de Segunda Instância (TSI) indeferiu ontem a providência cautelar da Bombardier que determinava a suspensão da eficácia do concurso do Metro Ligeiro, o que significa que o Executivo pode avançar já para a assinatura do contrato com a Mitsubishi. O Gabinete para as Infraestruturas de Transportes (GIT) informou ontem que já foi notificado da decisão e que o Governo decidiu avançar com os trabalhos da primeira fase do metro. Além disso, o organismo garante que “irá lançar diligentemente os trabalhos de construção civil e proceder ao seu rigoroso planeamento, objectivando a implementação atempada do sistema de Metro Ligeiro”. A Bombardier não reagiu ontem à decisão. A empresa canadiana pode ainda ir ao Tribunal de Última Instância para tentar travar o comboio e o processo pode conhecer mais uma interrupção. No final do mês de Dezembro, o Governo anunciou que a Mitsubishi era a grande vencedora do concurso público para o ambicioso projecto do Metro Ligeiro. A Bombardier, que apresentou

a proposta mais baixa entre as três concorrentes, não gostou do resultado e decidiu esclarecer o caso no tribunal, a 28 de Janeiro, três dias antes da data prevista para a assinatura do contrato entre o Governo e a Mitsubishi. Todos os passos ficaram assim paralisados, mas o Executivo não ficou de braços cruzados. Dentro do prazo estipulado por lei, escreveu à Segunda Instância a invocar grandes danos ao interesse público e graves prejuízos com o atraso do transporte.

Estações em Março

Até ao final do próximo mês, o GIT garante que irá apresentar os projectos para as estações do traçado do metro no centro da Taipa.

Os outros virão mais tarde. Nesta fase, o Governo está a preparar os trabalhos de construção civil do projecto e espera iniciar, durante o Verão, a construção dos primeiros segmentos. O metro chega já com um grande atraso – mais de três anos depois da primeira data anunciada para o início das obras. A construção ia começar em 2008, mas ficou adiada devido à alta complexidade da infra-estrutura. A primeira fase do concurso acabou por ser lançada apenas no final de 2009, tendo Março como limite para a entrega de propostas. Houve, entretanto, um prolongamento do período de candidaturas até Abril, devido a dúvidas se a ponte Sai Van teria capacidade para aguentar o comboio. O vencedor da primeira fase foi conhecido no dia 30 de Dezembro. Apesar da Bombardier ter apresentado a proposta mais baixa – 4,57 mil milhões de patacas contra 4,69 mil milhões da Mitsubishi e 6,28 mil milhões da Siemens -, acabou por ser excluída. O GIT justificou a decisão com o facto da companhia japonesa ter oferecido os preços mais baixos para os trabalhos opcionais e serviços de manutenção para os próximos dez anos – 793 milhões, apenas metade da segunda oferta mais baixa da Bombardier.

Futebol | Benfica atraza-se na corrida pela subida Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

O encontro não era ainda de tudo ou nada, mas o onze da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau pode ter complicado as contas na corrida por um lugar entre os grandes do território, ao empatar a uma bola no desafio que pautou o arranque da sexta jornada do Campeonato de Futebol da II Divisão. A formação orientada por Rui Cardoso defrontou ontem o Kuan Tai no relvado do Campo da Universidade de Ciência e Tecnologia, não conseguindo melhor do que um empate a um golo frente ao conjunto orientado por João Rosa. O Kuan Tai, que regressou esta temporada à segunda divisão depois de ter competido na última temporada no primeiro escalão, entrou melhor na partida e inaugurou o marcador na recta inicial do encontro. O Benfica respondeu na mesma medida à ousadia da formação adversária, repondo a igualdade no marcador à passagem da meia hora, num lance com a chancela do dianteiro Fernando Silva. O equilíbrio foi a nota dominante num desafio disputado taco-a-taco e com oportunidades divididas para ambas as equipas. Com mais de quarenta e cinco minutos para procurar

dar um desfecho diferente à partida, tanto o Benfica como o Kuan Tai tentaram ultrapassar o impasse no marcador, mas o placard não voltaria a sofrer quaisquer alterações. Apesar do percalço, o Benfica mantém vivas as aspirações de conseguir reivindicar para si um lugar entre as dez formações que vão disputar na próxima época o principal escalão do desportorei do território. Das nove equipas que este ano disputam o Campeonato de Futebol da II Divisão, as duas primeiras classificadas conquistam um lugar entre os grandes do território e o Sport Lisboa e Benfica de Macau, diz o avançado Rui Cid, ainda está na corrida pela mais reputada prova do futebol do território. “Empatámos a uma bola, mas nada está perdido. Ainda temos dois jogos pela frente, provavelmente teremos de fazer contas, mas a primeira divisão ainda está ao nosso alcance”, reitera, confiante, o avançado. A formação encarnada alcançou na semana passada o Chang Wai na liderança do segundo escalão, mercê da vitória por três bolas a uma frente ao Chao Pak Kei e ao deslize do até então líder isolado na prova no embate frente à Autoridade Monetária e Cambial de Macau. O onze da AMCM derrotou o Chang Wai por quatro bolas a duas, relançando a luta pelo título, ainda que eventualmente apenas por uma semana.

sexta-feira 25.2.2011 www.hojemacau.com.mo

Música vídeo de Kanye West pode ser banido Os directores de uma Organização de Epilepsia estão a pedir que o mais recente vídeo de Kanye West seja banido da Internet, por temerem que cause ataques a quem sofre da doença. O vídeo de “All Of The Lights” usa tantas imagens em flash, que foi considerado impróprio para passar na televisão britânica. Especialistas da Universidade de Cambridge afirmam que o vídeo contem flashes que podem despoletar ataques de epilepsia em que sofra de Epilepsia fotossensível. Como não existem regulamentos que proíbam a transmissão de imagens em flash para as transmissões online, os representantes da Associação de Epilepsia pedem que o vídeo seja retirado do Youtube, embora já tenha chegado às quase 5 milhões de visualizações desde que estreou no fim-de-semana

Líbia Kadhafi culpa Bin Laden O presidente líbio falou, ontem, ao país num discurso via telefónica emitido pela televisão estatal e acusou o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden de ser responsável pela situação de instabilidade que se está a viver na Líbia. “Bin Laden, este é o inimigo que está a manipular as pessoas. Não se deixe influenciar por Bin Laden”, afirmou. “É agora óbvio que isto está a ser executado pela Al-Qaeda”. Segundo Muammar Kadhafi, os jovens líbios estão a ser drogados para tomarem partido na “destruição e sabotagem” do regime no país, cita a BBC. O chefe de Estado aconselhou ainda os pais a “saírem de casa e irem falar com os filhos”. Na televisão estatal líbia apenas se vê a imagem do apresentador do “talk-show” a ouvir as palavras de Kadhafi, via telefone. Aparece, ainda, uma legenda no fundo do ecrã que atesta que o presidente está em Zauia, cidade que tinha sido dada como tomada pelos manifestantes, mas onde já se ouviram hoje tiros, supostamente de militares. Ainda segundo o líder líbio, a revolta que está a acontecer é “uma farsa” e ressalva: “A rainha Isabel II de Inglaterra governa há mais tempo que eu e ainda não foi derrubada”.


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Hoje Macau 25 FEV 2011 #2317 by Jornal Hoje Macau - Issuu