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Hoje Macau 25 OUT 2018 #4159

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MOP$10

hojemacau

SOFIA MARGARIDA MOTA

QUINTA-FEIRA 25 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4160

PONTE HZM

PRINCÍPIO DE VIDA GRANDE PLANO

FUNÇÃO PÚBLICA

DINHEIRO EM CAIXA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

PÁGINA 6

Os reis do asfalto

A SUBIR DE NÍVEL PÁGINA 7

SILVEIRA MACHADO h MANUEL DE ALMEIDA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

Os deputados sugeriram e o Governo aceitou. As multas, inicialmente fixadas na nova proposta de lei para regular o sector dos táxis nas 30 mil patacas, passam agora para 9 mil ou 6 mil, se pagas nos 15 dias subsequentes à infracção. Apenas duas vozes se opuseram à alteração: Pereira Coutinho e Sulu Sou. PÁGINA 5

UNIVERSIDADE DE MACAU

100 ANOS

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RÓMULO SANTOS

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

25.10.2018 quinta-feira

A ponte mais verde do mundo A S autoridades chinesas resolveram não convidar uma parte significativa da comunicação social de Macau para a inauguração da ponte HZM. Nomeadamente, a que se exprime em português e inglês. Esta atitude, que pode ter sido tomada por um funcionário mais papista que o Papa ou mais desconhecedor da realidade da RAEM que o presidente Trump, proporciona, no entanto, pano para mangas e com certeza que traz água em aguçado bico. Em primeiro lugar, os cidadãos podem desconfiar. Será que se pretendeu ocultar algo, na medida em que temos a reputação de sermos “jornalistas” dos que gostam de escarafunchar nos problemas? Será que as autoridades chinesas temiam um desastre, uma catástrofe, um balão cheio de ar, na cerimónia de inauguração e assim preveniram, impedindo a presença de “jornalistas difíceis de controlar”? A verdade é que este projecto tem sido, ao longo do seu tempo de concepção e execução, ferido de suspeições, decisões estranhas e irregularidades. Cimento de bárbara qualidade, ilhas artificiais a desfazerem-se com uma chuvada, entre outras armadilhas, cuja dimensão só conhecemos, e provavelmente mal, por ter sido divulgada do lado de Hong Kong, e cujos resultados ainda estarão longe de dar todos os seus temíveis frutos. Terá sido esta uma atitude “profiláctica”, motivada pelo terror da exposição, das perguntas inconvenientes, enfim, da prática de um jornalismo indefectivelmente ao lado dos interesses do povo e não dos capitalistas, que muito terão embolsado com esta aventura? Não sabemos, mas as perguntas andam por aí. Em segundo lugar, podemos ter pena. Num momento em que o país se lança, como nunca desde o século XV, num imparável processo de internacionalização, não se compreende como persistem estes tiques xenófobos, herdados de momentos menos brilhantes da história. É este tipo de atitude que leva alguns a pensar a China como uma civilização impenitentemente xenófoba, com asco ao estrangeiro e profunda desconfiança das suas ideias e costumes, induzindo a uma rejeição da presença sínica que não seja motivada pela extrema necessidade e assente unicamente em relações comerciais. Não será com estas desatenções, dentro da sua casa, que os chineses conseguirão cativar a confiança dos que não se exprimem na língua de Confúcio nem representam o mundo e o pensamento através de representação ideográfica. Em terceiro lugar, podemos ficar ofendidos. Nós somos parte integrante, indissociável da RAEM, ou assim reza a lei e os discursos. E, ao fim e ao cabo, feitas bem feitas as

continhas, quem tem defendido a imagem de Macau e o regime aqui vigente, em contexto internacional, como a comunicação social em línguas portuguesa e inglesa, da TDM ao Macau Times, passando pela Tribuna e pelo Ponto Final? Ninguém. Não nos conhecem? Façam o trabalho de casa. São 18 anos de RAEM, de interacção mútua, de criação de laços e confiança que deviam ter permitido às autoridades chinesas compreender que não somos “traidores”, nem colocamos acima de tudo os nossos desejos e interesses, à margem da região e da nação. A única coisa que nos podem apontar é o facto de praticarmos a nossa profissão e, nesse acto, amiúde confundido com missão, entendermos estar acima de tudo a defesa dos interesses da população de Macau e a procura da verdade. Ainda não perceberam que, sentados em diferentes lugares, estamos no mesmo barco e remamos na mesma direcção? Esta desconsideração não se coaduna com o tom amigo, conciliador e cúmplice que os discursos oficiais insistem em produzir e tal facto, indubitavelmente, questiona a integridade e a sinceridade dos oficiais que os emitem. Nós somos a RAEM, uma entidade multicultural e multilinguística, no seio da República Popular da China. Ou assim está escrito e assim foi prometido. Em quarto lugar, a ponte está verde. Como diria a raposa da fábula, quem quer estar presente numa cerimónia em que o presidente Xi solta uma frase, arruma os papéis e ala que se faz tarde? Quem quer passar uma ponte gigantesca, onde os ideólogos se “esqueceram” de colocar um comboio que, realmente, facilitaria a comunicação de pessoas e mercadorias e, pelo contrário, embarcaram por uma via “classista”, em que só alguns “aristoi” têm direito de pernada? E, aqui entre nós, quem quer ser o primeiro a arriscar uma travessia, depois das broncas com o betão e com as ilhas artificiais? Ná... A ponte está verde e nós ficamos muito bem aqui deste lado ou apanhamos o tradicional jet-foil. O melhor é esperar para ver onde é que quem se mete nesta obra vai parar. Se a Hong Kong e Zhuhai ou ao fundo da Grande Baía... A quem resolveu ignorar-nos, gostaríamos de dizer que, apesar da verdura da ponte, ainda assim, como o perigo faz parte da nossa profissão, enviaríamos um corajoso jornalista para uma mui arriscada travessia. Somos nós, caramba! E não será uma ponte mal amanhada que nos mete medo! Sejam mas é homenzinhos (man up!, em inglês para vos facilitar a tradução) e mandem daí um convite... Entretanto, enquanto o convite vai e volta, sem data certa de arribagem, já comprámos um bilhete de autocarro, passámos a dita ponte e contamos quase tudo nesta edição do Hoje Macau.

TRÂNSITO

A PRIMEIRA O PRIMEIRO DIA

• ENTRADAS E SAÍDAS DE PESSOAS DAS 9H ÀS 16H

8619

ABRIU ONTEM A CIRCULAÇÃO NA NOVA PONTE HZM

SOFIA MARGARIDA MOTA

editorial Carlos Morais José

• POR DESTINO 1249 – de e para Zhuhai 7165 – de e para Hong Kong 205 pessoas entraram pelos corredores para veículos • ENTRADAS E SAÍDAS DE VIATURAS ATÉ ÀS 15H 46 entradas 59 saídas • ENTRADAS E SAÍDAS DE AUTOCARROS ATÉ ÀS 15H

113

• ESTACIONAMENTO NO POSTO FRONTEIRIÇO 295 lugares de estacionamento ocupados 3 lugares com reserva prévia • TEMPO MÉDIO DE INSPECÇÃO FRONTEIRIÇA INTEGRAL POR PESSOA 20 segundos • TEMPO MEDIO DE PASSAGEM TRANSFRONTEIRIÇA POR VIATURA 10 a 15 segundos • BOMBEIROS DESTACADOS

75

• VIATURAS DE EMERGÊNCIA

12

• PEDIDOS DE SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA MÉDICA

3

• PEDIDOS DE SOCORRO

2

DE MACAU A HONG KONG

Para Central

A PARTIR DO POSTO FRONTEIRIÇO DE MACAU • Custo - Autocarro para HK - 65 patacas • Tempo de viagem - 40 mins DO POSTO FRONTEIRIÇO DE HONG KONG A CENTRAL • Custo - Autocarros de 20 em 20 mins - 40 patacas • Tempo de viagem - 45 mins TOTAL Custo - 105 patacas • Tempo aproximado - 105 minutos


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quinta-feira 25.10.2018

TRAVESSIA

O primeiro carro saiu de Macau às 9h da manhã em ponto com destino a Zhuhai. Pouco depois, entrava no sentido inverso o primeiro condutor que vinha de Hong Kong. Entretanto, os autocarros começavam o vai e vem entre as três regiões. Os curiosos, que representavam a maioria dos passageiros, foram os primeiros a atravessar a Ponte HZM

I

NICIOU ontem a circulação de veículos na ponte que liga Zhuhai, Hong Kong e Macau. O primeiro carro a entrar à hora certa, no posto fronteiriço da ilha artificial de Macau tinha Sun ao volante. Os ponteiros do relógio apontavam as 9 horas em ponto e não havia tempo a perder, uma vez que Sun estava a caminho de Zhuhai para uma reunião. Segundo o condutor, a ponte vai ser especialmente útil para se dirigir de automóvel ao Interior da China, onde tem reuniões com alguma frequência. “Esta ponte é uma estrutura que facilita muito o transporte entre as regiões, o que ajuda nas relações comerciais”, disse satisfeito.

“Se os barcos não baixarem os preços, penso que muita gente vai começar a vir pela ponte.” CHENG PASSAGEIRO

Para o Aeroporto de Hong Kong A PARTIR DO POSTO FRONTEIRIÇO DE MACAU • Custo - Autocarro para HK - 65 patacas • Tempo de viagem - 40 mins DO POSTO FRONTEIRIÇO DE HONG KONG AO AIHK • Custo - Shuttle 24h de 10 em 10 minutos - 6 HKD • Tempo com espera – 15 minutos TOTAL

Já no sentido inverso, e minutos depois entrava em Macau Chen, vindo de Hong Kong. Em declarações ao HM, mostrou-se especialmente satisfeito por ter demorado “apenas 30 minutos a chegar ao território”. Chen teve, contudo, um percalço: ficou retido na entrada, porque tinha marcado o lugar no parque de estacionamento fronteiriço, com lotação para 3000 veículos, para as dez da manhã. Mas a viagem foi mais curta que o esperado. Chen vem a Macau pelo menos uma vez por semana em trabalho. A partir de agora, vai optar pela maior ponte de travessia marítima do mundo, até porque “é muito fácil chegar a Macau desta maneira”.

CURIOSIDADE PÚBLICA

Na área reservada à compra de bilhetes para os autocarros que ligam Macau a Zhuhai e Hong Kong pessoas movidas pela curiosidade compravam o bilhete de autocarro para seguirem, maioritariamente para Hong Kong. Era o caso do casal Kuok, actualmente a residir

Custo - +/-71 patacas • Tempo aproximado - 55 minutos Continua na página seguinte


4 grande plano

SOFIA MARGARIDA MOTA

em França, e que aproveitou os dias de férias no território para experimentar uma das primeiras travessias entre Macau e Hong Kong. Havia também quem só quisesse ver como “estava o ambiente”, tal como afirmou Leong.

25.10.2018 quinta-feira

A CAMINHO

O HM juntou-se aos que seguiram para região administrativa especial vizinha. Sem filas na bilheteira e com ingresso comprado, 16 minutos depois o autocarro arrancava com destino ao posto fronteiriço de Hong Kong. No veículo, com lotação para 50 lugares e que cheirava a novo, seguiam 22 passageiros. Asher, estudante de Macau, foi uma das pioneiras a rodar no tabuleiro da ponte, acompanhada pelos pais. “Estou a aproveitar a folga da família e vamos ver como é que funciona a travessia para Hong Kong pela ponte”, referiu. Ainda a caminho, não conseguia dizer se seria uma opção melhor que o ferry, “mas, acima de tudo, é uma alternativa, o que é bom”. Asher não deixou de sublinhar o tempo reduzido da viagem, pouco mais do que 30 minutos, “sendo que o autocarro é muito confortável”. Já Cheng, que também ali estava para experimentar”, salientou a vista que a travessia proporciona. “É mais bonito, conseguimos apreciar melhor o mar e as ilhas à nossa volta”, referiu. Por outro lado, a ida por terra evita os enjoos de que padece nas viagens de barco quando se desloca a Hong Kong. “Até agora, a viagem é perfeita”, disse, mais ou menos a meio da travessia. Cheng salientou ainda que a travessia por autocarro pode vir a representar uma ameaça ao funcionamento dos ferrys. “Se os barcos não baixarem os preços, penso que muita gente vai começar a vir pela ponte”.

CHEGADOS AO DESTINO

A viagem foi realmente curta. Meia hora depois do arranque, avistava-se o Aeroporto Internacional de Hong Kong de um lado e o teleférico do outro. A saída do posto fronteiriço aconteceu sem percalços, nem filas, pelo menos às 12h13 de uma manhã tranquilo de quarta-feira. Em Hong Kong, a estrutura de acesso à ponte está equipada com vários estabelecimentos comerciais e postos de informação turística.

Acresce ainda um posto de check-in para as companhias Cathay Pacific, Cathay Dragon, Hong Kong Airlines e Hong Kong Express e que faz a ligação imediata ao aeroporto.

Também para o aeroporto, exist um shuttle disponível 24h por dia, de 8 em 8 minutos e que demora, contando com o tempo de espera, 15 minutos a chegar ao destino.

RAIMUNDO DO ROSÁRIO: TRÂNSITO HAVERÁ SEMPRE

A

ponte está a funcionar e as pessoas devem preparar-se porque haverá sempre trânsito. Foi esta a mensagem deixada por Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, quando questionado sobre o primeiro dia de funcionamento da ligação Hong Kong – Zhuhai - Macau. “Trânsito haverá sempre. No primeiro dia, as coisas podem não correr tão bem, mas, por enquanto, não há notícias de problemas”, afirmou sobre os engarrafamentos registados

ontem na zona da Areia Preta, que permite o acesso ao tabuleiro. O secretário abordou ainda o caso do autocarro que avariou na ponte. “Houve problemas com um autocarro. Fui informado logo de manhã, mas estas coisas acontecem e estão a ser resolvidas, o que significa que o sistema funciona”, afirmou. “Não devemos estar sempre à procura de problemas. Está a funcionar bem, houve uma viatura avariada, mas está tudo resolvido”, acrescentou.

No exterior, há uma extensa rede de autocarros que fazem as principais ligações às várias zonas do território. Na paragem do A11, que faz a ligação a Central, uma

funcionária de uma agência de viagens sita em Kowloon manifestou desagrado pelo tempo que se demora desde a sede da agência a Zhuhai, onde acompanhou uma excursão de turistas. A razão é a quantidade de transportes necessários para chegar à entrada da ponte na ilha de Lantau. Contudo, ressalvou, “é a melhor forma de ir para o aeroporto para quem vem de Macau ou Zhuhai, ou de regressar a estes territórios depois de uma viagem”. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.no


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quinta-feira 25.10.2018

TÁXIS DEPUTADOS E GOVERNO CHEGAM A ACORDO PARA BAIXAR MULTAS

Executivo faz marcha-atrás Estava previsto que as multas a aplicar aos taxistas fossem na ordem das 30 mil patacas, mas os deputados pediram para alterar o valor para 9 mil. O Governo aceitou. Segundo Pereira Coutinho, um dos membros da comissão que discute o diploma, só ele e Sulu Sou se opuseram à mudança

A

nova proposta de lei que vai regular o sector dos táxis previa que os detentores de licenças fossem punidos com multas de 30 mil patacas, valor que seria reduzido para 20 mil, quando paga nos primeiros 15 dias após a infracção. No entanto, os deputados pressionaram o Governo para baixar o valor para nove mil patacas, ou seis mil, quando pagas nos 15 dias após a infracção, e a secretaria de Raimundo do Rosário aceitou. A situação foi explicada, ontem, por Vong Hin Fai, presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que reuniu ontem. “Na versão inicial proposta da nova lei, as multas eram de 30

A

O contrário do que pretendiam alguns assistentes sociais, todos os dez vogais do futuro Conselho Profissional dos Assistentes Sociais (CPAS) vão ser nomeados pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Esta é a nova versão da proposta do Governo, que foi apresentada aos deputados da Segunda Comissão da Assembleia Legislativa. O CPAS vai ser o órgão responsável pela futura acreditação dos assistentes sociais quando a nova lei

mil patacas. É um valor bastante elevado. Por isso, a nova proposta prevê que o valor seja de 9 mil patacas”, disse Vong Hin Fai. “Houve muitas sugestões dos deputados para rever o valor das multas e o Executivo aceitou reduzir o montante”, acrescentou. Este tipo de multa envolve, principalmente, proprietários de licenças, ou seja os detentores das empresas. As penalizações em causa aplicam-se em situações, por exemplo, de manipulação do taxímetro, destruição dos sons captados pelo sistema de gravação, desrespeito das tarifas estipuladas pelo Executivo ou o não respeito pela circulação do número de táxis atribuído. “Actualmente, as multas são de uma centena de patacas, 1000 ou 3000 patacas. O aumento para 9 mil também já é elevado. Foi uma decisão que o Governo aceitou depois de ter sido ponderada”, revelou Vong. Também de acordo com o presidente da comissão, caso fossem aplicadas multas de 30 mil patacas, o montante poderia ser muito elevado porque “poderia haver reincidências”. Ainda de acordo com o deputado que preside à comissão, esta alteração teve o apoio da “maioria dos deputados”.

3.ª COMISSÃO • A FAVOR Vong Hin Fai José Chu Sai Peng Vítor Cheung Lup Kwan Angela Leong Zheng Anting Si Ka Lon Pang Chuan Lao Chi Ngai Lei Chan U

(I)* (I) (I) (D)* (D) (D) (N)* (N) (I)

• CONTRA José Pereira Coutinho Sulu Sou

(D) (D)

I – Eleito pela via indirecta D – Eleito pela via directa N – Nomeado pelo Chefe do Executivo

Vong não quis revelar os apoiantes da mudança. Porém, José Pereira Coutinho disse, ao HM, que dos 11 deputados, apenas ele e Sulu Sou se opuseram às alterações. “Eu fui contra as alterações... Mas eles quiseram mudar...”, começou por dizer. “À excepção de mim e de Sulu Sou, todos os outros foram

a favor de baixar o valor da multa. Todos eles”, vincou.

ROSÁRIO IGNOROU AUMENTOS

Antes de Vong ter revelado uma redução no valor das multas, Raimundo do Rosário falou aos jornalistas e não mencionou o assunto. Quando questionado sobre o que tinha sido discutido, o secretá-

SOL QUE NÃO BRILHAS

O

s deputados José Pereira Coutinho e Sulu Sou são a favor da abertura das comissões da AL ao público, para que se possa acompanhar a discussão das leis. Por esse motivo, o deputado ligado à ATFPM levou um cartaz para a reunião de ontem, onde se podia ler “Deixe o sol brilhar no comité”. “É uma questão de transparência nos trabalhos da comissões. Temos seis comissões, mas os órgãos de comunicação social não podem entrar e não sabem o que se discute. As comissões devem abrir as portas ao público”, afirmou José Pereira Coutinho.

Eles decidem tudo Membros do Conselho Profissional dos Assistentes Sociais escolhidos pelo Governo

for aprovada na especialidade e entrar em vigor. O organismo é constituído por 11 membros. Além do presidente do conselho, há ainda 10 vogais. Destes, cinco são nomeados pelo secretário da tutela e três têm obrigatoriamente de ser assistentes sociais. Os restantes cinco também são nomeados pelo Executivo,

NOTA: RESULTADOS APURADOS SEGUNDO JOSÉ PEREIRA COUTINHO

rio referiu a existência de uma nova versão da lei e comentou a possibilidade de haver recolha de imagens dentro dos táxis e a necessidade da transferência das quotas das empresas proprietárias das licenças de táxis precisarem da aprovação do Chefe do Executivo. Em ambos os casos, as medidas não constam na versão do diploma, nem há decisões finais. Sobre a possibilidade das alterações discutidas seguirem em frente, o secretário respondeu com um ditado popular: “Até à lavagem dos cestos... [é vindima]”, afirmou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

mas os nomes são propostos por instituições do ensino superior, serviços sociais e associações. “Se os agentes do sector propuserem 20 nomes para nomear os vogais, o Governo fará a escolha de cinco entre essas 20 pessoas. Mas, claro que a decisão vai continuar a ser do Governo e haverá sempre a hipótese de não aceitar nomes propostos”, explicou Chan Chak Mo, presidente da comissão, após mais uma reunião. Outra questão levantada pela comissão foi o facto

do Governo não definir a duração do mandato dos membros. A questão será definida posteriormente através regulamento, no entanto, os membros da comissão estão inclinados para que o assunto fique definida na lei. A segunda comissão esteve, ontem, a analisar a segunda versão da proposta do Governo, apresentada depois de ouvidas as opiniões dos deputados. Na prática, o número de artigos aumentou de 32 para mais de 40. “O Governo aceitou cerca de

85 por cento das alterações sugeridas pelos deputados. Agora queremos perceber qual o motivo de terem rejeitado as restantes”, frisou o presidente da comissão . Também o nome do diploma, que inicialmente era “Regime de Acreditação Profissional e Inscrição para Assistente Social”, foi alterado e passa a denominar-se “Regime de Qualificação Profissional para os Assistentes Sociais”. No entanto, o nome é visto como temporário e também pode ser alterado. J.S.F.


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25.10.2018 quinta-feira

LAG 2019 ASSOCIAÇÕES PEDEM AUMENTOS PARA A FUNÇÃO PÚBLICA GCS

Bolsos mais cheios Caritas Pedidos mais serviços de tratamento de demência O Chefe do Executivo, Chui Sai On, recebeu ontem o secretário-geral da Caritas, Paul Pun, no âmbito da recolha de opiniões sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano. Os serviços prestados a quem sofre de demência foi um dos pontos abordados por Paul Pun que sugeriu que, na concepção de novos asilos, se inclua uma

área especializada para as doenças deste foro e que os futuros lares passem a integrar um centro de cuidados de enfermagem. O secretário-geral da Caritas defendeu ainda a criação de um centro terapêutico para redução de dores, bem como um ajustamento dos serviços de apoio domiciliário à capacidade económica de cada família, entre outros.

LAG Chefe do Executivo apresenta políticas na AL a 15 de Novembro As Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano vão ser apresentadas no próximo dia 15 de Novembro. A apresentação, pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, está marcada para as 15h na Assembleia Legislativa (AL). Segue-se a habitual conferência de imprensa, pelas 17h, na sede do Governo. O líder do Executivo regressa ao hemiciclo no dia se-

guinte, desta feita, para responder às perguntas dos deputados sobre o relatório das LAG. A TDM e a Rádio Macau transmitem em directo os eventos dos dois dias. O portal do Governo e as páginas do Gabinete do Chefe do Executivo e da AL e do Gabinete de Comunicação Social também disponibilizam a transmissão em directo.

PUB

A

As s o c i a ç ã o dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), presidida pelo deputado José Pereira Coutinho, foi uma das entidades representativas do sector que ontem reuniu com Chui Sai On no âmbito da preparação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano. José Pereira Coutinho pediu aumentos salariais e acredita que o seu pedido será cumprido. “Estamos confiantes de que vai haver uma actualização salarial, é o último ano de governação do Chefe do Executivo e tudo aponta para que haja uma actualização, porque o Chefe do Executivo também nos disse que vai manter todos os subsídios.” Coutinho voltou a pedir um aumento do cheque de compensação pecuniária das actuais nove mil para 12 mil patacas, valor que é atribuído aos residentes permanentes. “Esperamos que haja aumentos dos vários subsídios, nomeadamente da compensação pecuniária para 12 mil patacas, foi o que pedimos o ano passado.” Além disso, o deputado sugeriu que se crie uma reserva de terrenos para construir casas para funcionários públicos.

GCS

O Chefe do Executivo reuniu ontem com duas associações que representam os trabalhadores da Função Pública, que pediram aumentos salariais e dos subsídios atribuídos à população. Pereira Coutinho sugere possibilidade de reforma depois de cumpridos 20 anos de serviço

De acordo com a Rádio Macau, o presidente da ATFPM também defendeu a possibilidade dos funcionários públicos poderem vir a reformar-se após 20 anos de serviço.

FORMAR LÁ DENTRO

De acordo com um comunicado do gabinete do Chefe do Executivo, Tou Weng Keong, presidente da Associação dos Técnicos de Administração Pública de Macau (ATAPM), também pediu o “aperfeiçoamento das remunerações e das oportunidades de acesso para o pessoal da carreira especial”, bem como “o aumento salarial e do prémio de antiguidade dos funcionários públicos para o ano 2019”. Tou Weng Keong pediu ainda “a criação de uma entidade no seio da Ad-

ministração pública para acompanhar o desenvolvimento de Macau” e o “aperfeiçoamento do regime de nomeação do pessoal de direcção e chefia”. O presidente da ATAPM exigiu também “uma avaliação ao regime de aposentação para aperfeiçoar a equipa de funcionários públicos, um reforço da implementação do governo electrónico para elevar a eficiência administrativa, a aceleração dos trabalhos de melhoria de infra-estruturas de Macau para enfrentar os futuros desafios” e também “a aposta na criação de uma cidade inteligente para impulsionar o desenvolvimento”. Em resposta, o Chefe do Executivo não deu garantias se vai ou não aumentar os salários na Função Pública já no dia 1 de Janeiro. Chui Sai On revelou apenas que

“várias associações do sector também apresentaram opiniões sobre esta matéria”. Sugestões que prometeu analisar “para ponderar a viabilidade de virem a ser adoptadas”. Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, referiu que “o Governo irá realizar consultas públicas sobre os vários trabalhos relativos à reforma dos diplomas ligados à Função Pública”. No que diz respeito à implementação do governo electrónico, que foi alvo de um relatório do Comissariado de Auditoria, que revelou falhas e gastos do erário público sem resultados, a secretária prometeu mudanças. “Nos últimos anos, a tutela tem estado empenhada na implementação de reformas no sistema da Função Pública, em dar impulso ao governo electrónico e na construção de uma cidade inteligente”, disse Sónia Chan, citada pelo mesmo comunicado. Quanto à criação de uma entidade de formação, a secretária referiu que “o Governo necessita de mais tempo para analisar essa matéria”. Andreia Sofia Silva (com J.S.F.)

andreia.silva@hojemacau.com.mo

MINISTÉRIO PÚBLICO OFICIALIZADA DEMISSÃO DE HO CHIO MENG COMO PROCURADOR-ADJUNTO

F

OI publicado ontem, em Boletim Oficial, um extracto do despacho do Conselho dos Magistrados do Ministério Público que oficializa a demissão de Ho Chio Meng, mais de um ano depois de o ex-procurador da RAEM ter sido condenado a 21 anos de prisão. A pena de demissão foi aplicada na sequência do

processo disciplinar instaurado, em 2015, ou seja, antes de ser detido, o que sucedeu no final de Fevereiro do ano seguinte, segundo o despacho que diz que exercia funções de procurador-adjunto. Ora, o estatuto que Ho Chio Meng detinha marcou o arranque do processo. O ex-procurador alegou que não podia ser preso preventivamente aten-

dendo à sua condição de magistrado. No entanto, o Tribunal de Última Instância assim não o entendeu, apontando que a nomeação, em Fevereiro de 2015, para o cargo de coordenador da Comissão de Estudos do Sistema Jurídico-Criminal – cuja actividade se desconhece até hoje – suspendeu esse estatuto, tendo

ficado antes a desempenhar funções administrativas. Isto apesar de ter sido nomeado para essa função na qualidade de procurador-adjunto e de o seu nome constar da lista de antiguidade dos magistrados do Ministério Público “em exercício”, reportada a 31 de Dezembro de 2015, afixada em Janeiro do ano seguinte. D.M.


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quinta-feira 25.10.2018

GONÇALO LOBO PINHEIRO

TURISMO MACAU E PORTUGAL ACORDAM ESTÁGIOS EM HOTELARIA

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A posição deste ano da UM representa uma subida de 27 lugares em relação ao ano passado, quando ficou em 125º. No panorama global de ensino superior, a UM fica em 443º lugar

ENSINO UNIVERSIDADE DE MACAU ENTRE AS 100 MELHORES DA ÁSIA

Uma entre cem

A Universidade de Macau é uma das 100 melhores de toda a Ásia, de acordo com o ranking da QS - Quacquarelli Symonds, que todos os anos elabora a lista das 500 melhores instituições de ensino superior. A outra instituição local no ranking é a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, que ocupa o lugar 229

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Universidade de Macau (UM) é a 98ª melhor universidade da Ásia, de acordo com a edição de 2019 do ranking da QS - Quacquarelli Symonds, consultora britânica da área da educação. A posição deste ano da UM representa uma subida de 27 lugares em relação ao ano passado, quando ficou na 125ª posição. No panorama global de ensino superior, a UM fica em 443º lugar. Na lista, divulgada ontem, consta apenas outra instituição de

ensino superior local, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, que sobe ao 229º lugar, depois de em 2017 ter ficado na 300ª posição. No pódio das três melhores universidades figuram duas instituições de Singapura. A Universidade Nacional de Singapura ficou com o ouro nesta edição, enquanto a Universidade de Tecnologia de Nanyang conseguiu o bronze, depois de na edição anterior ter ficado em primeiro lugar. O segundo lugar foi para

a Universidade de Hong Kong, o que representa uma subida de três postos.

DOMÍNIO CHINÊS

A prestigiada Universidade de Tsinghua, que ocupa o primeiro lugar em termos de instituições de ensino superior da China, ficou em terceiro lugar, empatada, com a Universidade de Tecnologia de Nanyang, em Singapura. A Tsinghua, que no panorama global este ano é a 17ª melhor universidade do mundo, é uma

das 112 instituições chinesas a ocupar o ranking das 500 melhores universidades asiáticas, marcando o domínio quantitativo da China na lista da QS. Neste aspecto, importa salientar que entre as 100 melhor classificadas, 23 são chinesas. Virando o foco para a região vizinha, Hong Kong coloca sete universidades no ranking, seis delas entre as 100 melhores. Entre os países com mais universidades na lista da QS, o Japão é o segundo país com mais instituições no ranking da consultora britânica. De acordo com o comunicado emitido pela QS, para a elaboração do ranking global foram realizados 83.877 inquéritos a académicos e 42.862 inquéritos a recrutadores. Os indicadores analisados foram a reputação académica, reputação de empregadores, número de estudantes e doutorados, citações em papers académicos e participação em redes internacionais de pesquisas científica. João Luz

info@hojemacau.com.mo

ERCA de 200 alunos de Macau vão estagiar em Portugal no próximo ano, uma forma de capacitar a oferta hoteleira nacional perante a crescente procura do mercado chinês, disse ontem à Lusa a secretária de Estado do Turismo. “Vamos desenvolver acções de intercâmbio com o objetivo de levar cerca de 200 alunos para fazerem estágios em hotéis em Portugal” já em 2019, avançou à agência Lusa Ana Mendes Godinho, após um encontro com o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Alexis Tam. “Este ano tivemos 20 alunos de Macau” num projecto-piloto, num estágio nas escolas de turismo, mas agora “o objectivo é ampliar este número significativamente”, sublinhou a governante. Ana Mendes Godinho revelou ainda que Portugal e Macau acordaram avançar com a realização de “um grande evento” em 2019 ligado à gastronomia - uma iniciativa que vai decorrer no território administrado pela China. “Vamos desenvolver acções em torno da gastronomia”, nas quais se procura expressar as influências e a cultura de ambos os territórios”, adiantou. “Este é um exemplo prático de como pode haver interligação entre a Europa e a China”, a partir destes dois territórios, destacou a secretária de Estado, acrescentando que em Março está agendada uma visita a Portugal de Alexis Tam, durante a qual “serão desenvolvidas outras acções”. As declarações de Ana Mendes Godinho foram feitas à margem do Fórum de Economia de Turismo Global de Macau que terminou ontem e que reuniu mais de um milhar de participantes, autoridades e líderes de empresas privadas de vários países do mundo durante dois dias.

Advocacia Neto Valente recandidata-se à AAM

Jorge Neto Valente oficializou ontem a recandidatura à presidência da Associação dos Advogados de Macau (AAM), noticiou ontem a Rádio Macau. O causídico terá conseguido reunir 200 proponentes para a sua lista, que representa cerca de metade dos advogados com direito a voto. Os nomes da actual direcção da AAM deverão manter-se, com a presidência do conselho fiscal a ficar nas mãos de Rui Cunha e Philip Xavier à frente da assembleia-geral. Sérgio de Almeida Correia também deverá oficializar a sua candidatura. As eleições realizam-se em Dezembro.


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25.10.2018 quinta-feira

Propriedade intelectual Instituto de Estudos Europeus organiza novo curso

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EDUCAÇÃO ABANDONO ESCOLAR DE 0,08% EM 2016/2017 Trinta e nove alunos que frequentavam o ensino obrigatório desistiram dos estudos no ano abandono escolar por cento, com 39 alunos a ascendeu a 7,3 por cento, em Macau man- desistirem da escolaridade enquanto no complemenlectivo 2016/17, teve-se em níveis obrigatória, ou seja, mais tar foi de 3,5 por cento, mínimos no ano dois do que no ano lectivo exactamente as mesmas do mantendo a taxa lectivo 2016/2017, anterior. ano lectivo imediatamente de abandono período a que se reSegundo a DSEJ, existe precedente. portam os dados mais recen- uma série de “razões subjaescolar em tes facultados pela Direcção centes”, mas “é sobretudo o dos Serviços de Educação e desinteresse pelos estudos, o Macau em Juventude (DSEJ) ao HM. mau aproveitamento e o exvalores mínimos A taxa correspondeu a 0,08 cesso de faltas” que leva os

Nota positiva

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estudantes a dizerem adeus às salas de aula. Trata-se da mais baixa taxa de abandono escolar – a mesma alcançada em 2014/2015 – desde 2001/02, ano lectivo em que atingiu 0,66 por cento, o equivalente na altura a um universo de 509 estudantes. Desde então, o abandono escolar manteve-se estável, com ligeiros altos e baixos. A título de exemplo, em 2010/11 foi de 0,19 por cento, enquanto em 2013/14 atingiu 0,12 por cento, voltando a recuar para 0,09 por cento em 2015/16, segundo as estatísticas disponibilizadas pela DSEJ.

MAIS CHUMBOS NO SECUNDÁRIO

As taxas de retenção também mantiveram um ritmo estável em 2016/17. No ensino infantil foi de 0,1 por cento – tal como no ano lectivo imediatamente anterior. Já no ensino primário correspondeu a 1,8 por cento (contra 2,2% em 2015/16). No ensino secundário geral a taxa de retenção

7 ,3

Taxa de retenção no ensino secundário geral, em 2016/2017

“Após longos anos de esforço em vários domínios, registou-se uma melhoria notável da situação de retenção”, sublinha a DSEJ, na mesma resposta escrita, fazendo o paralelismo com 2001/02. Nesse ano lectivo, a percentagem de repetentes situou-se em 16,7 por cento no ensino secundário geral e em 8,1 no ensino secundário complementar. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM) vai organizar, entre os dias 29 de Outubro e 2 de Novembro, o 15º curso de Direito da Propriedade Intelectual, em colaboração com a Universidade de Maastricht. O programa divide-se em três componentes. De acordo com um comunicado do IEEM, o curso “continua a atrair estudantes de todo o mundo, é leccionado em regime intensivo, em língua inglesa, e visa proporcionar aos alunos uma introdução ao Direito da Propriedade Intelectual numa perspectiva prática e internacional, com especial ênfase na discussão de casos práticos”. As aulas são orientadas pelo Professor Anselm Kamperman Sanders, da Universidade de Maastricht, com a colaboração de outros especialistas. A inscrição está limitada a um número máximo de participantes, de forma a assegurar a qualidade pedagógica. Para a presente edição estão inscritos alunos oriundos da China, Coreia do Sul , Macau, Hong Kong e Europa, aponta o IEEM. Além do curso, o IEEM organiza também, nos dias 4 e 5 de Novembro, a 18ª edição do Seminário sobre Propriedade Intelectual, intitulado “A Propriedade Intelectual e a Quarta Revolução Industrial: A Economia da Informa-

ção”, que vai decorrer no Hotel Grand Lapa. Está agendada uma discussão sobre “os problemas jurídicos levantados pela inteligência artificial, pela realidade virtual e pela tecnologia blockchain”. “O IEEM convidou os seguintes oradores para fazerem apresentações no seminário: Manuel Desantes Real (Universidade de Alicante), Michael Mattioli (Faculdade de Direito da Universidade de Indiana), Michael Landau (Universidade da Georgia, EUA), Gonçalo Cabral (Administração de Macau), Anke Moerland (Universidade de Maastricht), Anselm Kamperman Sanders (Universidade de Maastricht), Andres Guadamuz (Universidade do Sussex), Marieangela Parra-Lancourt (Unidade de Análise Política e Estratégia do Desenvolvimento, ONU)”, aponta o mesmo comunicado, sendo que está prevista a publicação dos artigos científicos pela Kluwer Law International. No dia 7 de Novembro decorre ainda uma sessão de actualização profissional em Hong Kong, que terá lugar no Departamento de Propriedade Intelectual de Hong Kong (Wung Chu House, 25º andar, Queen’s Road East, nº 213, Wanchai). As inscrições podem ser feitas online no sítio do IEEM ou através do email e telefone.

Inspecções DSAL e PSP detectam mais de 60 trabalhadores ilegais

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), em parceria com o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) realizaram, durante o mês de Setembro, fiscalizações a um total de 298 locais, tendo sido detectados 64 trabalhadores ilegais. De acordo com uma nota de imprensa, “as operações de fiscalização incluíram terrenos de obras de construção civil, residências, ou estabelecimentos comerciais e industriais”.


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S T Á traçado o esboço do plano de reordenamento urbano da zona marginal de Coloane desde a Rua dos Navegantes até à Avenida de Cinco de Outubro. Dado a conhecer ontem aos membros do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), o estudo apresenta duas soluções distintas para elevar a capacidade de resposta às cheias nos próximos 200 anos. Não há, no entanto, um calendário para o início das obras, como reconheceu o director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), ao apontar que o plano figura ainda como “o primeiro passo”, até porque tem de ser escolhida a solução mais viável. “Ainda há muito trabalho para fazer”, afirmou Li Cafeng, dando conta de que, além de serem precisos “mais de dez estudos”, incluindo sobre “o impacto para o ecossistema”, ambas as propostas implicam negociações com as autoridades da China nomeadamente no tocante às condições técnicas da solução que for seleccionada, embora nenhuma ultrapasse a área marítima de Macau. O Governo incumbiu uma instituição académica da China de estudar soluções que integrem “harmoniosamente” intervenções de fundo para o problema das cheias e o planeamento urbanístico da zona. Desconhece-se, porém, qual e a que custo, com o director da DSSOPT a remeter essas informações para a página electrónica do CPU, as quais, até à hora de fecho da edição, ainda não estavam disponíveis. Do estudo saíram então duas propostas preliminares. A primeira denominada de “Margem” prevê um caminho marginal ajardinado desde a Rua dos Navegantes até à Avenida de Cinco de Outubro, mediante o aumento da largura do antigo dique em cerca de 30 metros e o alteamento do novo de modo a alinhar-se com o

COLOANE PROPOSTAS PARA TRAVAR INUNDAÇÕES NOS PRÓXIMOS 200 ANOS

À prova de água

Foi apresentado ontem no Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) um esboço do plano de reordenamento urbano da zona marginal de Coloane. Em cima da mesa figuram duas propostas com o mesmo objectivo: elevar a capacidade de resiliência a inundações nos próximos 200 anos

a altura mais elevada dos últimos anos. As duas propostas também contemplam a ampliação e melhoria da rede de drenagem, dado que um dos objectivos fundamentais do planeamento passa por garantir a capacidade de desaguamento num cenário de cheias para os próximos 50 anos.

LAGO AGRADA

A maioria dos membros do CPU mostrou-se a favor da segunda solução (a do lago), por contemplar “mais contacto com a água” e “mais espaços de lazer”, mas também por ter à primeira vista um “menor impacto” na paisagem e por parecer “mais eficaz” no âmbito da prevenção de cheias. Do ponto de vista técnico estão em jogo assim duas alternativas: a que prevê a requalificação do dique existente e a que sugere a construção de barragens de maré a norte e sul do Canal Shizimen. Numa análise comparativa, constante do mesmo estudo, é a solução do dique (a da “Margem”) que congrega mais argumentos a favor. Tem um menor impacto do desaguamento na área a jusante do canal, exige o aproveitamento de uma área mais reduzida de terreno para a execução da obra, a manutenção quotidiana é mais simples e o grau de dificuldade afigura-se menor.

Os moradores de Coloane vão ser ouvidos sobre as duas propostas de reordenamento urbano da zona marginal

existente. Do ponto de vista do tratamento paisagístico, além do alargamento do espaço marginal, sugere-se designadamente que seja criado um miradouro com traços característicos do espaço urbano.

Já a segunda solução prevê que a nova paisagem fique centrada no lago, formada, no seu limítrofe, pela ponte-cais de Coloane e pelas palafitas da Rua dos Navegantes, estendendo-se ao longo do Canal Shizi-

men até às colinas junto do Templo Tam Kong. Junto ao actual dique, cujo topo será destinado a acesso pedonal, prevê-se a construção de duas comportas para controlar o nível da água.

Em ambos os projectos, a cota até ao topo da costa será de 4,5 metros e a cota até ao murete de maré de 5,4 metros. A título de exemplo, aquando da passagem do tufão Hato, no ano passado, o nível da água ascendeu a 3,7 metros,

As propostas para o futuro plano de reordenamento urbano da zona marginal de Coloane não vão ser sujeitas a consulta pública. O director da DSSOPT garantiu, com efeito, que os moradores vão ser ouvidos a propósito do futuro plano. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


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25.10.2018 quinta-feira

Paredes anim ARTE URBANA RODRIGO DE MATOS DESENHA SONHOS NA RUA DOS ERVANÁRIOS

Ex-jornalista e cartoonista, Rodrigo de Matos abraçou a iniciativa “Finding Dreams in the Fall of Rua dos Ervanários” proposta pela galeria de arte Iao Hin. A ideia é pintar as históricas paredes com desenhos do artista que, pela primeira vez, se estreia na arte urbana

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seu trabalho tem uma elevada dose de ironia, sarcasmo e bom humor, e não tem passado despercebido quer aos leitores dos jornais onde publica os seus cartoons (Expresso, Macau Daily Times, Ponto Final) ou a quem vê as suas exposições. Rodrigo de Matos é o artista convidado da galeria Iao Hin para a iniciativa “Finding Dreams in the Fall of Rua dos Ervanários”, que pretende revitalizar as velhas paredes no centro histórico de Macau e criar uma interactividade com quem passa. Ao HM, Rodrigo de Matos explicou que, quando decidiu aceitar o convite, não tinha nenhuma ideia em mente daquilo que queria desenhar. “No início era uma coisa muito em aberto, não estava definido um tema que servisse de ligação entre trabalhos. Eles [galeria Iao Hin] interessaram-se por mim, mesmo sem eu ter uma experiência muito vasta em arte urbana.” O artista português, residente em Macau há vários anos, nunca fez grafittis. “Para mim está a ser um desafio interessante, que me tem permitido explorar novos materiais. Tenho usado tintas acrílicas para paredes, que são diferentes das que se usam nas telas”, exemplificou.

O que chamou a atenção da galeria Iao Hon, que se localiza perto da Rua dos Ervanários, foi a última exposição de pintura e ilustração protagonizada por Rodrigo de Matos, intitulada “Punacotheca”. “Viram a forma como eu brincava com os jogos entre as imagens e a linguagem”, frisou. O projecto “Finding Dreams in the Fall of Rua dos Ervanários” acontece durante três meses e teve inicio no passado dia 17. “É aqui que vou passar os meus próximos fins-de-semana, a pintar maluquices nas paredes. É gira esta interacção, que não

estou habituado a ter no meu trabalho como cartoonista, que é muito mais solitário.” O facto de Rodrigo de Matos pintar paredes à vista de todos não passa despercebido a miúdos e graúdos que por ali passeiam. “Tem sido divertido, estou na rua e oiço os turistas e os moradores a comentar, olho para eles e sorriem para mim, cumprimentam-me.”

“LIBERDADE INFINITA”

Rodrigo de Matos gostou quando os sonhos foram a temática escolhida para este trabalho, pois “serviu para

toda a arte surrealista, que dá uma liberdade infinita”. “Estou a jogar com conceitos e frases feitas, em inglês (decidiu-se que seria mais interessante usar a língua mais universal possível, que é aliás aquela que mais tem servido para a comunicação entre as comunidades portuguesa e chinesa). Não quer dizer que o resto será dentro desta linha, pois é possível que se derive um pouco para outras coisas. Tudo depende das ideias que forem surgindo.” O primeiro desenho de Rodrigo de Matos contém a frase “Follow your Dreams” (segue

os teus sonhos). “O que faço é esquartejar os conceitos, atribuir-lhes literalidade ou duplos sentidos. Neste caso, o "follow" (seguir), suscitou-me a ideia de um detective a seguir os sonhos de forma literal.” O outro desenho tem a frase “Dream High” (sonhar alto), tendo Rodrigo de Matos ido buscar inspiração ao “pé de feijão do célebre conto do João ("Jack and the Beanstalk", no conto de fadas original inglês)”. “Ocorreu-me a ideia de fazer o pé de feijão a brotar como se fosse o próprio sonho a

SALÃO DE OUTONO “NAVIO DOS LOUCOS” CHEGA À CASA GARDEN A 3 DE NOVEMBRO

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NTEGRADO no programa do Salão Outono e no Festival Internacional de Video de Macau VAFA, o espectáculo “Navio dos Loucos”, que junta música e poesia, vai ter lugar na Casa Garden no próximo dia 3 de Novembro, pelas 19:30. Em palco estará a poesia de JoséAn-

jos juntamente com as palavras de outros poetas portugueses e chineses, e a viola campaniça de João Morais (O Gajo). José Anjos é um escritor e músico português que escreve e diz poemas. Publicou dois livros pela editora Abysmo (Manual de Instruções para

Desaparecer, 2015, e Somos Contemporâneos do Impossível, 2017) e tem participado em vários projectos de poesia musicada e spokenword, indica o comunicado de imprensa da organização. Já João Morais, descobre a viola campaniça ao fim de

30 anos a tocar guitarras vindas de fora. Cria O Gajo em 2016 “com o intuito de ligar a sua música à terra que o viu nascer, Portugal.” Juntos, José Anjos e João Morais (O Gajo), criaram um espectáculo de música e poesia que explora a fusão


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madas sair da cabeça do sonhador e a levá-lo para as nuvens e tal”, adiantou.

QUEBRAR PRECONCEITOS

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Muirapuama Nome botânico: Ptychopetalum olacoides Benth. e Ptychopetalum uncinatum Anselmino Família: Olacaceae. Nomes populares: MARAPUAMA; MIRAPUAMA; MUIRA-PUAMA; PAU-HOMEM (Brasil); POTENCY WOOD (inglês). Originária das florestas tropicais da bacia amazónica, principalmente do Brasil e Guiana, a Muirapuama cresce de forma silvestre em solos húmidos e sombreados. Trata-se de uma árvore sempre-verde, que pode alcançar mais de 15 metros de altura, de tronco cinzento, e folhas oblongas e coriáceas, de bordo liso e cor castanho-escura; as flores são brancas, muito pequenas e emanam um aroma semelhante ao do Jasmim; os frutos são drupas elípticas alongadas, inicialmente verdes, tornando-se amarelos-alaranjados com a maturação. Designada por Muirapuama pelos povos indígenas da Amazónia, o termo alude a madeira (muira) e potente (puama). Porém, outros autores referem que deriva de muyra (colar) e puam (arredondado), uma vez que as mulheres índias usam os seus frutos esféricos para fazer colares. Além deste uso, a Muirapuama tem, na América do Sul, uma longa história enquanto planta medicinal, encontrando-se, as suas principais utilizações, já comprovadas por diversos estudos. Em fitoterapia são usadas as cascas das raízes e dos ramos e, por vezes, as raízes e a madeira.

A arte urbana ainda está longe de ser bem aceite por muitos em Macau e, com esta iniciativa da galeria Iao Hin, Rodrigo de Matos acredita que se podem quebrar ideias pré-feitas. “O graffiti e a arte mural são formas de expressão que têm tradicionalmente uma carga de marginalidade, muito ligada ao protesto e à luta política. Este projecto inverte um pouco isto. A mensagem dos desenhos procura ser algo positivo e construtivo. Se há algum tipo de protesto é contra a fealdade de alguns recantos da cidade (como essa última parede que pintei, que parecia de um qualquer subúrbio do terceiro mundo)”, defendeu o cartoonista. Só a esse nível o graffitti poderia “ser bem aplicado de uma forma mais contundente, atacando os responsáveis por deixarem a cidade nesse estado, com uma mensagem como ‘vejam só, que parede tão feia’. A nossa ideia aqui é combater o problema de uma forma mais construtiva, usando a arte para transformar o feio em belo”. Apesar deste impacto positivo, Rodrigo de Matos não pretende mudar a mentalidade existente relativamente à arte urbana. “Não é o objectivo aqui. Seria um pouco pedante da minha parte achar que é esse o nosso propósito. Mas

vejo isto de um outro prisma: Macau já me deu tanto que isto não deixa de ser a minha forma de retribuir e de dar algo novo que possa ajudar a embelezar a cidade.”

entre a palavra e a sonoridade singular e secular da Viola Campaniça, com poemas de José Anjos e Cláudia R. Sampaio (que também integra o projecto) e composições originais de João Morais, acrescenta o comunicado. O espectáculo, que conta ainda

com a presença da convidada especial Lang Sida, integra-se na inauguração do Salão de Outono 2018, que ocorre no mesmo dia às 17:30, onde será ainda revelado o vencedor do Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas.

“Macau já me deu tanto que isto não deixa de ser a minha forma de retribuir e de dar algo novo que possa ajudar a embelezar a cidade.” RODRIGO DE MATOS “Se servir para despertar a consciência das pessoas para a importância de cuidarmos do que é nosso, óptimo”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Composição Alcalóides (muirapuamina, estruturalmente semelhante à ioimbina, fitoquímico presente no Pau-de-Cabinda, Pausinystalia yohimbe), triterpenos, fitosteróis (beta-sitosterol, campesterol), resinas e óleo essencial (alfa-humuleno, alfa- e beta-pineno, beta-cariofileno, canfeno, cânfora); contém ainda flavonóides, taninos (sobretudo nas cascas), flobafenos e ácidos orgânicos. Acção terapêutica Tónico geral do organismo, a Muirapuama é uma reputada planta afrodisíaca, aumentando o desejo e performance sexual. Pode ser administrada, em uso interno ou externo, na prevenção ou tratamento das disfunções sexuais, como estimulante sexual em caso de transtornos da líbido, ou simplesmente como energizante e afrodisíaco, tanto em homens como em mulheres. É também usada como revitalizante em idosos, para provocar a menstruação quando atrasada e nas dores menstruais.

Com efeitos tónico-estimulantes sobre o sistema nervoso central, a Muirapuama fortalece o sistema nervoso, acalmando as pessoas agitadas, mas estimulando-as em situações de fadiga; apresenta ainda acção antidepressiva e anti-stress, sendo considerada por alguns autores como espécie adaptogénica. Tradicionalmente tem sido utilizada na depressão, paralisia, poliomielite, descoordenação motora e tremores. Esta planta demonstrou igualmente possuir actividade antioxidante e neuroprotectora, com benefícios na área cognitiva, posicionando-se como um novo e promissor recurso na abordagem da doença de Alzheimer e demais processos neurodegenerativos (em estudo). Outras propriedades Além de tonificante, a Muirapuama estimula as secreções digestivas, abrindo o apetite e favorecendo a digestão, constituindo uma opção útil na falta de apetite e anorexia, digestões difíceis, estados de convalescença, debilidade, astenia, cansaço e esgotamento físico. Pelas propriedades antidiarreicas, pode ainda ser benéfica na diarreia e disenteria. Externamente, a Muirapuama emprega-se nas amigdalites e faringites, por ser muito adstringente, e nas dores reumáticas e neuralgias, como analgésico; também é utilizada na queda do cabelo. Como tomar • Uso interno: Em ampolas, xarope, extracto líquido, tintura, cápsulas ou comprimidos, em simples ou fórmulas, como afrodisíaco/ tónico e revitalizante físico e sexual, para homens ou mulheres; integra igualmente fórmulas para desportistas e emagrecimento. • Uso externo: Decocção das cascas: 50 gramas por litro de água. Aplicar em gargarejos, compressas e banhos genitais. Queda de cabelo: aplicar topicamente a tintura. Também existe em champô e loção capilar antiqueda. Precauções A Muirapuama é bem tolerada nas doses terapêuticas. No entanto, a muirapuamina, um dos seus princípios activos, pode provocar elevação da pressão arterial em algumas pessoas. Por precaução, não deve ser administrada em caso de hipertensão arterial e hipotiroidismo. Por falta de dados que confirmem a sua segurança, não deve ser tomada durante a gravidez e lactação. A planta não é apropriada para crianças. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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Aviso Candidatura para Plano de Financiamento para Pesquisa e Desenvolvimento Inovadores de Empresa para o ano de 2018 I.

Objecto Colaborar com o fomento dos novos industriais e promover fortemente o desenvolvimento da inovação e do empreendedorismo, os conteúdos constantes nas Linhas de Acção Governativa da RAEM, incentiva as empresas a realizarem pesquisas inovadoras e transformação de resultados de pesquisa científica através da forma de cooperação entre as indústrias, universidades e pesquisas, bem como fornece apoio financeiro aos projectos P&D referidos, para alcançar o fortalecer a transformação dos produtos de pesquisa científica em indústria; estimular a cooperação entre as indústrias, universidades e pesquisas e promover as empresas locais a darem importância à inovação e realizarem pesquisa e desenvolvimento. II. Condições de candidatura Podem candidatar-se directamente ao FDCT todos os empresários comerciais e sociedades comerciais com actividade de investigação científica e que satisfaçam as seguintes condições: (i) Inscrito na Região Administrativa Especial de Macau; (ii) Não está em dívida por impostos à RAEM ou por contribuição para a segurança social. III. Candidatura e montante de apoio financeiro (i) A entidade candidata deve especificar detalhamente no Plano de Candidatura o orçamento do projecto, que consiste em duas partes, incluindo: o montante a requerer ao FDCT e o montante do capital próprio investido. (ii) O montante do requerimento ao FDCT não pode ser superior a 80% do orçamento do projecto, e o limite máximo do montante é de 2 milhões patacas; o montante do capital próprio investido da entidade candidatura não pode ser inferior a 20% do orçamento do projecto. (iii) Montante das despesas destinadas ao recrutamento do pessoal de P&D não pode ocupar mais de 70% do montante requerido ao FDCT. (iv) O montante de apoio financeiro aprovado pelo FDCT consiste em duas partes: 60% destinado às despesas de P&D (doravante designado simplesmente por subsídio anterior), e 40% para o investimento real (doravante designado facilmente por subsídio posterior). (v) O subsídio anterior será concedido durante a execução do projecto, e o subsídio posterior, somente concedido após a aprovação do FDCT para relatórios relevantes de benefício económico, de reinvestimento ou de investimento empreendedor. (vi) O FDCT deve garantir que a soma do subsídio anterior e do subsídio posterior atribuída não ultrapasse 80% das despesas reais do projecto. IV. Modalidades do apoio financeiro O apoio financeiro pode ser concedido, para a totalidade ou parte das despesas elegíveis do projecto, nas seguintes modalidades: 1) A fundo perdido; 2) Deve ser reembolsado e fornecido com garantias adequadas. V. Prazo de pesquisa e desenvolvimento de projecto O prazo máximo destinado à pesquisa e ao desenvolvimento de projecto deste tipo é de 2 anos. VI. Data do requeriment A partir de 25 de Outubro até 15 de Dezembro de 2018. VII. Método de candidatura Pode inscrever-se através do sistema de candidatura ao apoio financeiro online do FDCT. VIII. Método de apreciação O FDCT efectuará apreciação e autorização conforme o “Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro” aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 235/2018. O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 2018/10/25 Endereço: Av. do Infante D. Henrique, Nº 43-53A, Edf. “The Macau Square” 11º K Telefone: 28788777 Fax: 28722680 Correio electrónico: saf@fdct.gov.mo

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G20 XI JINPING E DONALD TRUMP REÚNEM-SE NA ARGENTINA

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VISITA SHINZO ABE QUER REFORÇAR LAÇOS DE COOPERAÇÃO E AMIZADE

Manual de intenções

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primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, prometeu ontem reforçar a cooperação e a amizade entre o Japão e a China durante um discurso político no Parlamento, antes de fazer a primeira viagem oficial em sete anos de um líder japonês a Pequim. Abe declarou que o Japão e a China são responsáveis pela paz e prosperidade da região, as quais espera manter ao impulsionar o intercâmbio entre os dois países. O primeiro-ministro japonês irá reunir-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, durante a sua visita de três dias à China. “Amanhã (hoje) irei visitar a China”, declarou Abe, sublinhando que durante a cimeira diplomática irá aprofundar “os intercâmbios entre os dois povos em todos os níveis de atividades, desde a cooperação entre empresas até o desporto”.

A visita de Abe à China acontece no momento em que os dois países celebram o 40.º aniversário do Tratado de Paz e Amizade Japão-China. Em Maio, o primeiro-ministro chinês efectuou também uma visita ao Japão.

TEMAS QUENTES

Shinzo Abe espera fazer progressos nas áreas da segurança marítima e no contencioso sobre as reservas de gás no Mar da China Oriental. Os líderes devem ainda discutir a questão da Coreia do Norte e as disputas comerciais entre Estados Unidos e China. O primeiro-ministro japonês abriu a

nova sessão parlamentar depois de ser reeleito no mês passado para a chefia do seu partido (Partido Liberal Democrata/PLD), que lidera o Governo japonês. Com 64 anos, Abe é o primeiro-ministro do Japão desde Dezembro de 2012 e está determinado a permanecer como líder do país por mais três anos. No seu discurso, Abe disse também que quer encerrar questões diplomáticas inacabadas da II Guerra Mundial, normalizar os laços com a Coreia do Norte, resolver disputas territoriais e assinar um tratado de paz com a Rússia. “Está na hora de o Japão abreviar a sua diplomacia do pós-guerra e construir a base da

Abe disse também que quer encerrar questões diplomáticas inacabadas da II Guerra Mundial, normalizar os laços com a Coreia do Norte, resolver disputas territoriais e assinar um tratado de paz com a Rússia

paz e da prosperidade da região da Ásia-Pacífico numa nova era”, disse. O primeiro-ministro sublinhou ainda a sua ambição de rever a constituição pacifista elaborada pelos Estados Unidos após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, embora os obstáculos para o fazer sejam bastante grandes. Abe também se comprometeu a aceitar mais trabalhadores estrangeiros para enfrentar uma grave escassez de mão-de-obra no país. O Governo japonês está a preparar uma nova legislação que abriria mais empregos para estrangeiros nas áreas da enfermagem, construção, turismo, limpeza, entre outras. É uma grande mudança para um país que há muito tempo tem resistido a ter mais residentes não-japoneses.

S líderes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, vão reunir-se durante a cimeira do G20, que se realiza entre 30 de Novembro e 1 de Dezembro em Buenos Aires, na Argentina, foi ontem confirmado. “Os dois Presidentes vão reunir-se um pouco em Buenos Aires, na Argentina, durante [a cimeira] do G20”, anunciou ontem o principal assessor económico de Trump, Larry Kudlow, em declarações aos jornalistas na Casa Branca. O encontro, sobre o qual se especula há semanas, ocorre durante um período de tensão entre as duas potências económicas, que enfrentam desde Julho uma guerra comercial que já se traduziu na imposição mútua de taxas alfandegárias de biliões de dólares. A reunião poderá, assim, permitir para atenuar a tensão existente e para reativar os laços comerciais entre os dois países. Nas declarações aos jornalistas, Larry Kudlow indicou que “as exigências” dos Estados Unidos da América estão “em cima da mesa”. “Gostava que [essas exigências] fossem acauteladas, o que ainda não aconteceu”, adiantou. A guerra comercial começou em Julho passado, quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs taxas alfandegárias adicionais de 25% sobre um conjunto de produtos chineses. Pequim retaliou com taxas alfandegárias sobre o mesmo valor de bens importados dos Estados Unidos, afectando sobretudo produtos agrícolas, de forma a atingir a América rural, onde estão concentrados muitos dos eleitores de Donald Trump. Mais recentemente, no final de Setembro, os Estados Unidos impuseram novas taxas alfandegárias de 10% em produtos chineses, que equivaleram a 200 mil milhões de dólares, com a China a responder com um agravamento nas tarifas de 60 mil milhões de dólares a produtos agrícolas norte-americanos.

Região FILIPINAS BORACAY REABRE AOS TURISTAS APÓS SEIS MESES DE ENCERRAMENTO

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S Filipinas vão reabrir aos turistas a ilha mais popular do arquipélago, Boracay, após seis meses de encerramento, vítima do turismo de massa, e que a tornou numa “fossa séptica”, segundo o Presidente filipino. Rodrigo

Duterte ordenou, no dia 26 de Abril, o encerramento durante seis meses da ilha de Boracay, um dos principais destinos turísticos do país, devido à poluição das águas e ao crescimento anárquico de hotéis. Boracay, uma ilha paradisíaca

com águas outrora cristalinas sofreu com a repercussão do desenvolvimento acelerado. Seis meses depois, Boracay terá menos hotéis e restaurantes, bem como uma cota de visitantes autorizados e novas regulamentações, como

a proibição de tabaco e álcool nas praias, a fim de trazer ordem para ao litoral. O objectivo agora é tornar sustentável uma ilha que acolheu nos últimos anos até dois milhões de turistas por ano. A ministra do Turismo das

Filipinas, Bernadette Romulo-Puyat, espera que este “novo” Boracay marque uma “cultura sustentável do turismo” nas Filipinas. “Trata-se de levar em conta o impacto das nossas acções sobre o estado actual e futuro do meio ambiente”, dis-

se.Aministra afirmou ainda ter enviado advertências escritas para outros lugares populares no arquipélago, como El Nido, no norte da ilha de Palawan e à ilha de Panglao, com o objectivo de se tornarem em destinos turísticos mais responsáveis.


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25.10.2018 quinta-feira

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 20/P/18 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 10 de Setembro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo Clínico para o Serviço de Cardiologia dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 24 de Outubro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 51,00 (cinquenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo).

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 26 de Novembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 27 de Novembro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Outubro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

CONVOCATÓRIA Rita Botelho dos Santos, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, vem, nos termos do n.º 2 do artigo 30.º dos estatutos desta Associação, convocar a Assembleia Geral para o próximo dia 22 de Novembro de 2018 (quinta-feira), pelas 18H00, na sede da A.T.F.P.M. que sita na Avenida da Amizade Nºs. 273-279 r/c, Macau, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Aprovação do orçamento e plano de actividades para o ano de 2019. 2. Outros assuntos.

Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, aos 23 de Outubro de 2018. A Presidente da Mesa da Assembleia Geral Comendadora Rita Botelho dos Santos

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 40/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 4 de Outubro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de um sequenciador de DNA aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 24 de Outubro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP40,00 (quarenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm. gov.mo ). Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 29 de Outubro de 2018, às 15,00 horas para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso.

As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 23 de Novembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 26 de Novembro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP46.000,00 (quarenta e seis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Outubro de 2018 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

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quinta-feira 25.10.2018

Inútil escapar. A presenca perdura. ´ Manuel de Almeida

A memória da cidade II “ A tempo entrei no tempo, Sem tempo dele sairei: Homem moderno, Antigo serei. Evito o inferno Contra tempo, eterno À paz que visei. Com mais tempo Terei tempo: No fim dos tempos serei Como quem te salva a tempo. E, entretanto, durei.”

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Vitorino Nemésio

ILHO das dificuldades, onde os dias nasciam carregados de deveres, José Silveira Machado veio ao mundo a 24 de Outubro de 1918, em Velas, S. Jorge, Açores, a freguesia das freguesias de sentido único, a partida. Direcção, Oriente, destino, Macau. Foi este o «caminho» de José Silveira Machado o «Professor». Aportou a Macau numa época difícil de transição e contradição – 1933 -, para estudar, “indisciplinado aluno” (?), no Seminário de S. José - «um exílio é um refúgio com uma biblioteca», na opinião de Zia Haider Rahmam -, entre a idílica adolescência e a indesejada vida adulta. A realização pessoal exige escolhas, sensibilidade e bom senso Concluído o curso do Seminário – um período de possibilidades ilimitadas -, optou pela vida civil , onde acontece viver -, em detrimento da vida eclesiástica. “Cresceu sem ver o Mundo mas com os olhos postos na vida.” Homem de pensamento rigoroso, honesto, dinâmico e crítico, criador e bondoso, olhar suave, rosto comprido e magro, boca tensa, era um romântico. Tinha sempre mais dúvidas que certezas, percebia a diferença entre a realidade dos factos e os factos alternativos. As suas palavras tinham polivalência, ganhavam autonomia, tinha o hábito de apelar em vez de exigir, explicar em vez de ditar. Não se fechava ao Mundo. Abria-se ao conhecimento. Era uma pessoa capaz de admirar a vanguarda, sem nunca esquecer as tradições. Era uma alma desocupada que não precisava de alinhar em conspirações de ordem estética – era consequente, corajoso -, não como o Dâmaso Salcede d´ “Os Maias”, «balofo e vazio que segue a maioria..., da mais recente tendência». Tinha um modo próprio de andar – calcorreava a «Cidade» de lés a lés, de maneira a fugir de fantasmas e a perseguir sombras. Fazia parte da sua geografia sentimental. A alegria de viver estava em descobrir, receber, transmitir, dar – ser autor e actor – e, espectador lúcido e atento.

A sua mundividência «crescia» de um aspecto crucial – pouco ou nada valorizado nos dias de hoje -, o diálogo, aberto, franco, sincero. Os Livros, a Amizade - «é um dos mistérios da vida», e a «Cidade» eram sempre tema para dois dedos de conversa. Na conjugação do exercício das palavras «mais os conceitos», na boémia nocturna das ideias, jorravam discussões, sempre retrabalhadas pela memória. Lutava ansiosamente contra o pessimismo colectivo, conjugado sempre com um optimismo subjectivo, apesar de alguns dissabores. A fragmentação da identidade de Macau, a perda do ideário da língua e cultura portuguesa e, no abandono que é dado aos seus cidadãos, aos pobres, fracos, exaustos e aos desprotegidos – uma sociedade que apesar de rica se torna pobre (de espírito).

Poesia, prosa e crónica, são marcos na obra de Silveira Machado. Há dois importantes livros – na opinião de simples leitor -, que são uma referência obrigatória na bibliografia macaense. São os casos de «Macau, Mitos & Lendas» (1998) e «O Outro lado da Vida» (2005). Na opinião de Luís Sá Cunha “Na sua obra, ele fez a síntese de dois universos, de duas vivências, das duas metades de Macau”. São livros em que encontramos experiências vividas, “soprava nele um irresistível vento de poesia”. «Macau, Mitos & Lendas», são as notas ao programa do Prelúdio da sua Oratória «Amor a Macau» -, para quando a reedição (?). O livro está esgotado há anos e faz falta nos escaparates das livrarias – e, «O Outro Lado da Vida», é o poslúdio da

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José Silveira Machado (1918/2018) sua obra – é o olhar crítico, contestatário de Silveira Machado, sobre a sociedade de consumo, de extravagâncias, de mercado de dissimulação, “aos que vivem do lado positivo da vida, os abastados, os ricos, os poderosos”. O autor mostra o seu lado generoso, tolerante, humanista, idealista, pensa que “a sua leitura seja motivo para o rebate de consciências e mudança de mentalidade e leve muitos ricos e poderosos a praticar a verdadeira e necessária solidariedade (...) para que, num futuro breve, não sejam tantas as crianças e jovens, tantos os homens e mulheres, a viver do «outro lado da vida» -, a pobreza e a marginalização como o maior défice social da sociedade”. Foi co-fundador e jornalista do semanário católico «O Clarim». Colaborou ainda na «Voz de Macau», na «Comunidade» - onde assinou vários artigos de grande valor, sobre as indústrias de Macau – e, no «Renascimento» (jornal e revista). Foi correspondente do «Diário da Manhã» e da revista de cinema «Plateia», outra grande paixão. Paixão que se viria a traduzir no guião que escreveu para o 1º filme realizado em Macau «Caminhos Longos» (1956). Quanto mais pobre teria sido a literatura macaense, e Macau mais triste e menos Macau, sem José Silveira Machado, um nome incontornável na história recente na «nossa» Cidade. A sua escrita celebra, relembra e revisita Macau «sonhos, desejos, êxitos».A maturidade ensina a aceitar a dor com menos sofrimento e a viver com mais tranquilidade. Finou-se, como sempre viveu – discretamente -, recolheu-se ao fim da tarde do dia 18 de Novembro de 2007. A melhor homenagem que se lhe poderia prestar – no meio de tantas outras que se prestaram, seria fastidioso estar a enumerar –, seria editar e reeditar, ler e reler, a sua obra (é preciso saber mostrar que sabemos preservar a memória e a identidade da «Cidade») –, o Homem parte a Obra fica...! Bibliografia: «Macau, Sentinela do Passado» (1956); «Rio das Pérolas» (1993); «Macau, Mitos & Lendas» (1998); «Duas Instituições Macaenses (1998) – em co-autoria com João Guedes -; «Macau na Memória do Tempo» (2002); « O Outro Lado da Vida» (2005). Coordenou ainda no âmbito da Fundação Macau, a reedição (1996) da obra completa de José dos Santos Ferreira, o «nosso» Adé. “Os bons vi sempre passar No mundo graves tormentos; E para mais me espantar Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos” Luís de Camões


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Diários de Próspero António Cabrita

Braco, a alegria do espargo

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OBRA quase um século sobre o que o poeta T. S. Eliot escreveu «Onde está a sabedoria,/ que se perdeu com o conhecimento?/ Onde está o conhecimento/ que se perdeu com a informação?» Vivemos sob a orbe de uma sociedade da informação cujos fluxos são disparados, com consentimento ou não, e quantas vezes basta conectarmo-nos à Internet para colher os frutos de um maravilhoso pomar de dados, embora tema que estejamos mais isolados e intolerantes. E talvez o mais vital não se situe na comunicação, mas no conhecimento. Que é? Temos demasiada pressa para o identificarmos enquanto nos lambuzamos nos novos hábitos de recolectores da informação. Radicará nesta falsa aurora, como um remix de fragmentos chegados de fora de nós, a facilidade para nos julgarmos com opinião sobre tudo, presumindo que agora a esfera pública está confinada às irrelevâncias que nos permitimos em privado? Morreu a esfera pública, ou emudeceu, como a crítica. Entretanto, enquanto o velório prossegue, faço meu um dito de Ezra Pound: «Quero dizer que há ideias, factos, noções, que podeis procurar numa lista telefónica ou numa biblioteca e outras que estão dentro de nós, como o estômago ou o fígado.» A comunicação é tudo que está exterior a nós, na horizontal, já o conhecimento atinge-nos como uma reminiscência, abrindo horizontes na vertical como se raiasse de dentro. O que só acontece pela duração e não na instantaneidade da comunicação porque o tempo é suado e denso e não superficial e rápido, como o mercado ou as redes sociais afirmam. E isto ocorre no rasto da mudança de paradigma na nossa relação com a palavra. A tendência niilista que se manifesta nesta reviravolta política para uma direita populista advém entre outros factores de uma desvalorização da palavra e de um descarrilamento na trivialização. Aparentemente estamos mais conectados, contudo ao ser-nos repetido que tudo se mercantiliza descremos do valor da palavra e caímos no cinismo. É sintomático que o actual guru de maior sucesso na Europa seja Braco, o Mudo. Braco o Contemplador, que cura as pessoas olhando-as por alguns minutos. Centenas afirmam que os seus padecimentos desapareceram por completo após terem fitado os seus olhos pacíficos. Parece que também funciona em animais, que provoca látegos de ternura nos frangos congelados e orgasmos nas ervilhas. O croata de 46 anos é popularíssimo na Europa e já é um fenómeno crescente nos EUA. Ele não fala em público nem dá entrevistas; só se ouve a sua voz “amorosa”

através de seu DVD. Consta que perderia os seus poderes especiais se falasse. Um jornal americano chamou-lhe «o guru de uma nova era sem nada para dizer». Explicitamente, o seu silêncio é uma inscrição oracular onde cada um vê, encontra, o que julga precisar. Ressalta daí que já não se busca nem se acredita numa experiência partilhável pela mediação da palavra, que seja comum, pública: estar a sós com a mudez do olhar de guru basta.

Hoje, morta a esfera pública, as convicções e crenças pessoais repudiam os factos. Um dia, em 2007, na universidade em Maputo, cheguei à aula e os meus planos foram furados por uma reportagem televisiva que urgia, diziam os alunos, ser debatida. Nos subúrbios, uma rapariga parira um bule e duas chávenas. Metade da turma rejeitava a hipótese, alguns hesitavam e outros defendiam a sua possi-

A confirmar-se a eleição de Bolsonaro a hecatombe não é só para a esquerda, a direita democrática fica sem legitimidade ou recuo moral

bilidade. Foi inútil explicar-lhes as leis da biologia e o que fosse o ADN. Contra convicções não há factos: faça-se silêncio sobre séculos de ciência. O olhar de Braco desautoriza Einstein. Igualmente, o inexplicável no fenómeno das fake news (que “industrializou” uma prática que se ocultava) é que face à sua motivação política tão descarada a sua implaubilidade concite afinal adesões tão maciças, sem que o crédulo interrogue os efeitos de se institucionalizar a mentira. O militante crê, afasta qualquer crivo de análise: basta-lhe o olhar bovino do candidato, daquele que prescindiu de debates, e tudo devém credível. É absurdo que no fito de exprimirmos a insatisfação contra um sistema estabelecido aceitemos um conservador autoritário que usa processos desonestos e nem cumpre as regras do jogo, alheando-nos de que ele nos está a avisar que não tem valores e o seu programa viverá da vantagem, do oportunismo e da violência; para ele o passado não é uma inscrição na memória mas narrativa morta, que qualquer alusão revisionista desmancha, reverte e desclassifica. As pessoas sérias da direita democrática não separam o trigo do joio? O ensaísta Bruno Carvalho, professor de Harvard, mete o dedo na ferida: «O facto de o eleitorado mais de direita optar por um radical, ao invés de outros candidatos da direita mais comprometidos com a democracia, indica uma necessidade urgente de autocrítica entre elites conservadoras e liberais». A confirmar-se a eleição de Bolsonaro a hecatombe não é só para a esquerda, a direita democrática fica sem legitimidade ou recuo moral. Reagia Bolsonaro às acusações sobre a Caixa 2: embora reconheça a ilegalidade do acto, no fundo é uma vítima da liberdade das pessoas que se organizam para divulgar mensagens em massa em seu benefício, sejam militantes ou empresários… pelo que é inocente. Há alguma coisa de que este homem se sinta responsável? É uma resposta tão cínica e destituída do factor humano como a reacção de Trump à queda das Twin Towers: «A Trump Tower voltou a ser a mais alta!» Por que é que se fica cego a estas evidências, achando que são apenas minudências de um orador desastrado, um mal menor? Porque na generalidade as pessoas vêm preferindo a trivialização da comunicação ao conhecimento, que exige outro comprometimento e a manutenção duma esfera pública: ou seja, de critérios fora de nós. Há décadas que Bauman preveniu que a paulatina primazia que se dá à segurança sobre a liberdade pode resultar na paranoia que anseia por liquidar o exterior, o espaço público. Que São Braco, Deus dos espargos, nos acuda!


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

quinta-feira 25.10.2018

Retrovisor Luís Carmelo

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S furacões não fazem sexo por amor, é verdade. Galgam fronteiras, assediam, penetram pelas calvas mais cândidas da natureza e nunca se aprestam a comer sushi para comemorar seja o que for. São maus como as cobras e transtornam os senhores que trabalham nas televisões. Perdoe-se-me a generalidade, já que a menção visa apenas aqueles vultos que as redacções colocam nas marginais a matutar rajadas e que depois se tornam em verdadeiras pás de moinho que chagam a franja aos nervos, de ponta a ponta. Cabelos hasteados pela ventania, as lentes dos óculos a imitar vigias de submarino, a roupa já a refogar e a voz, ah a voz, verdadeiramente em estado de pitonisa, a tremeluzir as cordas vocais e a esbravejar ao jeito dos grilos antes de serem esmagados por polegar de aço. Estes pobres repórteres, convocados para um acto tão nobre, acabam como que possuídos pela bernarda e não há interferência que lhes distraia a ‘palavra certa’ e o apetite abrasivo e vulcânico. Aristóteles bem avisou há 25 séculos que a voz é “todo e qualquer som” que “é produzido pelo choque”. O choque já mareava, como se vê, na cabeça dos clássicos. Mais, escrevia o filósofo: “A voz implica que o ar da artéria-traqueia seja, devido ao ar inspirado, agitado contra as paredes daquela. A prova do que afirmámos reside no facto de apenas ser possível emitir voz quando se retém a respiração, e nunca quando se inspira ou expira, já que unicamente podem os seus respectivos movimentos ser produzidos devido ao ar se encontrar retido desta maneira. Sendo assim, é evidente a razão pela qual são os peixes afónicos”(1). O que Aristóteles nunca pôde observar e analisar foi estas efígies a reportarem furacões, de frente para a crista das vagas, com a areia a chegar-lhes às brânquias e rapidamente a transmudarem-se em carpas e depois em tubarões tipo macilento, lívido, escaveirado. Qual afónicos, qual quê! Estes descendentes dos antigos locutores que abriram a caixinha das imagens no tempo de James Dean são hoje salamandras anfíbias que entram em transe nos directos. Com o microfone numa mão e a outra a fazer de quebra-mar, eles aprenderam nas universidades a procriar um tipo de excitação que resiste aos ansiolíticos mais fortes. Uma boa parte da formação teve e tem ainda como base a leitura de textos medievais em que as batalhas eram descritas com o justo exagero (os taxistas mais velhotes que detestam a uber chamam-lhe “hipérboles”). Alguns exemplos: “Haverá entre eles uma grande batalha, daí que o sangue chegará até à porta do moinho”, “...e farão uma grande batalha, de tal maneira que o cavalo branco não será reconhecido, devido ao sangue que se derramará entre eles...” ou ainda “E será tão grande e tanto o sangue que se derramará per-

Os furacões não fazem sexo por amor to da fonte do ferro, que chegará até às cinturas dos cavalos, o que será penoso de ver”(2). Nas pós-graduações, depois de longo estágio nas futeboladas, a excitação é treinada com descidas a pique pela Boca do Inferno em que o mestrando se agarra à albarda de um burro sem usar luvas, pois o mesmo fizeram Fer-

nando Pessoa e Aleister Crowley sem nada dizerem a ninguém. E o resultado, aliás brilhante, ficou para a história com H grande. Exemplos como este conduzem os futuros locutores (variante pás-de-moinho-em-tempo-de-tufão) a compreenderem quão mística é a aprendizagem de um conceito como o de “tempo real”.

“O que Aristóteles nunca pôde observar e analisar foi estas efígies a reportarem furacões, de frente para a crista das vagas, com a areia a chegar-lhes às brânquias e rapidamente a transmudarem-se em carpas e depois em tubarões tipo macilento, lívido, escaveirado. Qual afónicos, qual quê!”

Geralmente é já na dissertação final que esta divindade da comunicação contemporânea - o “tempo real” - é desvelada. ‘Chegados aos finalmentes’, logo a seguir às praxes, repetem em uníssono o juramento de Hermes que preconiza que o atrito espácio-temporal próprio da matéria abrirá um dia as portas à televiagem: a trasladação imaterial para qualquer sítio em tempo real. Ou seja: passar da velocidade da notícia à instantaneidade pura, questão obviamente adâmica para os nervos mais espevitados. Enquanto tal não acontece, os novos repórteres exercitam esse salto ainda improvável e, por isso, face a furacões como o Leslie, deixam a voz entrar em estado (aristotélico) de choque e permitem ao corpo que se desmembre num sururu instantâneo. Os espectadores adoram, as audiências disparam e a catarse entumesce os espíritos. Mais cedo ou mais tarde, aparecerão ao lado da irmã do Ronaldo a matutar rajadas numa dessas revistas celestiais que todos conhecemos. E o personal coach gritar-lhes-á na curva do antigo Mónaco: “flecte, insiste. Flecte, insiste. Flecte, insiste”. Mnemósine, filha do céu e da terra, guardiã da memória e mãe de todas as musas (que sabem, há muito, que os furacões não fazem sexo por amor), não teria feito melhor. 1 - Da Alma (De Anima), Org., introdução e tradução: Humberto Gomes, Carlos; Edições 70, Lisboa, 2001, p,76 2 - Sánchez Alvarez, Mercedes, El Manuscrito misceláneo 774 de la Biblioteca Nacional de París, Gredos, Madrid, 1982 (fólios citados: 284r/284v, 285r/285v e 300r).


18 (f)utilidades TEMPO

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã

MACAO COFFEE AND TEA FESTIVAL “A TASTE OF THE LATIN AMERICAN FLAVORS Torre de Macau | Das 14h00 às 18h30

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Um filme de: Donovan Marsh Com: Gerard Butler, Gary Oldman 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

Um filme de: David Gordon Green Com: Lee Curtis, Judy Greer, Will Patton, Nick Castle 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

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PROBLEMA 21

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4 9 3 7 1 6 Baseado 5 2num8romance 3 com 9 o4 mesmo nome, “The Haunting of7Hill6 House” 9 é1uma3série8 que estreou no Netflix no passado 2 8dia512 de4Outubro, 6 9 arrebatando os fãs da ficção de3 terror. 4O enredo 1 2é clássico 7 5 e assente numa premissa comum: uma família 9 7 6 8muda-se 2 3 para uma casa assombrada, abrindo 1 5portas 2 a 6um rol 4 de7 mistérios assustadores. Cor8 3sinistros, 4 9 5 1 redores maçanetas

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 20

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SALA 3

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Ayuko Tsukahara Com: Kasuni Arimura, Kentaro, Haru, Hiroko Yakushimaru 14.30, 19.15

Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 16.45, 21.30

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THE HAUNTING6 OF HILL HOUSE | MIKE FLANAGAN

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de portas que giram sozinhas e uma trama que se desenrola devagar, em tempos paralelos, deixando o espectador cada vez mais preso à série. Destaque para as interpretações de Henry Jackson Thomas Jr, Timothy Hutton e Carla Gugino. João Luz

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A 20 luta contra o avanço dos direitos civis é sempre reveladora dos valores de quem a trava. Ampliação de direitos civis não é uma ameaça a quem está numa situação de privilégio. Ler enormidades reaccionárias pela manhã é um exercício que mete o corpo a funcionar, em especial o aparelho gastrointestinal. A coisa avoluma-se quando se lê que o mundo está pior porque agora é censurável socialmente apalpar mulheres, sempre um gajo tiver essa vontade. Que raio de homens são estes? Que confundem oferecer flores a uma mulher com molestar sexualmente alguém? Não é de agora que os códigos penais dos países onde subsiste uma réstia de civilização criminalizam este comportamento. Todos ganhámos com a entrada da mulher no mundo de trabalho, com a sua emancipação e elevação social além do mero papel de propriedade do 22 Todos ganhámos com o alargahomem. mento de direitos, da mesma forma que todos ficamos a ganhar com o fim das perseguições, desigualdades, injustiças. Por isso, aproveito esta humilde coluna para me dirigir ao seio do conservadorismo, esteja ele onde estiver. Descansem, o homem heterossexual, branco, cristão não está em perigo, nunca estará em perigo. O mundo não vai ser governado por ciganas feministas convertidas ao Islão, prestes a impor a Sharia, a obrigar todos a serem vegans e a legalizar a castração. Olhem para a História e vejam a força imparável do progresso da moral das sociedades livres. Estão a travar uma guerra onde a derrota é apenas uma questão de tempo. E, sim, o #MeToo representa um dos últimos gritos por igualdade perante a lei e defesa de direitos civis elementares. João Luz

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“FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro

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AGUÇAR OS DENTES

EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12

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YUAN

VIDA DE CÃO

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opinião 19

quinta-feira 25.10.2018

RUI TAVARES in Publico

Fascismo de convicção e fascismo de ocasião

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MA das perguntas recorrentes sobre a política atual é: olha lá, mas achas que metade dos brasileiros (ou húngaros, ou filipinos, ou estadunidenses) são fascistas? E essa é uma pergunta que é impossível de responder sem perguntar de novo: vocês acham que os italianos dos anos 20 eram todos fascistas e os alemães dos anos 30 eram todos nazis? Basta ler as descrições da chegada de Mussolini ou Hitler ao poder para perceber que a resposta a essa pergunta não era evidente nem sequer na época em que não se pode negar que o fascismo fosse fascista. Um autor como Sebastian Haffner, que viveu a ascensão de Hitler ao poder e escreveu das análises mais clarividentes sobre o que se passou, não descreve a sociedade alemã dos anos 30, nem sequer o eleitorado do partido nazi, de forma homogénea. Entre os eleitores de Hitler, havia os que acreditavam em toda a parafernália ideológica do nazismo. Havia os que queriam mudança, mesmo que fosse para ver o circo pegar fogo, e que se escondiam por detrás do aspecto bufão de Hitler (como de Mussolini) para votar nele dizendo acreditar numas partes do que ele dizia e não levar a sério outras partes do que ele dizia. Todos tinham votado noutros partidos antes, como hoje acontece. E havia — como há sempre — os oportunistas, os ex-falhados da vida, os ambiciosos que não tinham conseguido subir as escadas do poder nas velhas estruturas republicanas e que se aproveitavam da convulsão política para se tornarem fascistas de ocasião. Muitos desses até poderiam ter sido indiferentes antes aos temas e lemas do fascismo e do nazismo. Mas se era o que estava a dar, alinhavam no jogo e já papagueavam anti-semitismo, violência e nacionalismo como se fossem o “abre-te sésamo” para o sucesso no novo regime — porque eram, como hoje há quem diga umas tretas sobre as elites, os globalistas, os imigrantes e o Soros e ache que a receita está feita. E mesmo assim Hitler não ganhou as eleições e ainda precisou da pusilanimidade das elites conservadores para chegar ao poder. A partir daí nunca mais houve eleições justas. Os ex-falhados, oportunistas e fascistas de ocasião são recorrentes entre as biografias dos anos 20 e 30. A começar pelo próprio Hitler, que falhou sistematicamente nas suas repetidas tentativas de chegar à fama como artista — até ao momento em que foi extremamente bem sucedido em levar a Europa à guerra e o seu país à ruína. Para os dois tipos de fascista, tanto o convicto como o de ocasião, as consequências não têm importância. O caos faz parte do plano

e sem ele, nada — nem o seu talento, nem a sua capacidade de trabalho, nem a sua trajetória ou a sua obra — justificaria que se lhe entregasse o poder. O fascista convicto e o fascista de ocasião são duas faces da mesma moeda, ontem como hoje. Bolsonaro é um militar expulso do Exército por incompetência e insubordinação que passou 30 anos como deputado

O que sei é que os fascistas de ocasião são tão ou mais perigosos quanto os fascistas de convicção, porque são eles que levam os outros ao poder, para poderem chegar ao poder agarrados a eles

cumprindo com todos os piores defeitos da política brasileira em triplicado (como se não bastasse, meteu dois filhos no Congresso Federal, incluindo aquele que agora ameaça fechar o Supremo Tribunal “com um cabo e um soldado”). Mas por cada Bolsonaro há vinte bolsonaristas de ocasião: como Wilson Witzel, o candidato a governador do Rio de Janeiro que era juiz e que agora sabe que só pode ganhar ao macaquear as posturas autoritárias e violentas do seu mentor (prometeu dar voz de prisão ao seu adversário em pleno debate). Ou como José Ivo Sartori, candidato a governador do Rio Grande do Sul pelo Movimento Democrático Brasileiro (!) que desce à indignidade de alterar o seu nome na propaganda eleitoral para pedir votos em “Sartonaro”, seguindo aliás uma moda comum de agregar o nome de Bolsonaro ao nome de candidatos sem espinha, sem vergonha e sem escrúpulos

que querem chegar ao poder no meio da confusão. O Brasil está hoje cheio de bolsonarinhos, como os EUA estão cheios de trumpinhos. Serão eles fascistas convictos? Quem sabe? É impossível ler-lhes a alma. O que sei é que os fascistas de ocasião são tão ou mais perigosos quanto os fascistas de convicção, porque são eles — e a cobardia das velhas elites — que levam os outros ao poder, para poderem chegar ao poder agarrados a eles. E sei também outra coisa: na Itália andariam de camisa verde e seriam separatistas há uns anos e nacionalistas agora, na Polónia dir-se-iam católicos mas detestariam o Papa, no Reino Unido defenderiam o Brexit mais extremista possível. E, sim: na Venezuela andariam de camisa vermelha e proclamar-se-iam bolivarianos. Muda a estética do movimento mas há um certo tipo de oportunista que é sempre igual e aparece sempre nestas ocasiões.


O desejo e a felicidade não podem viver juntos. Epicteto

PALAVRA DO DIA

quinta-feira 25.10.2018

CRIADA ASSOCIAÇÃO SOBRE XI COM MORADA EM CENTRO DE ENSINO QUE NEGA QUALQUER LIGAÇÃO

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ACAU tem desde ontem uma associação que estuda e divulga a doutrina de Xi Jinping, mas a morada oficial apresentada fica num centro de ensino, que nega qualquer ligação à recém-criada instituição. A informação foi publicada ontem em Boletim Oficial, com o nome Associação de Pesquisa do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para Uma Nova Era em Macau. O objectivo passa por promover e estudar o pensamento de Xi e a morada divulgada para a sede fica no 4.º andar, apartamento O do Centro Comercial Cheng Feng, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção. No entanto, no apartamento indicado, funciona o centro de formação “Elite Institute”, onde se pode frequentar cursos de inglês,

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GOOGLE MAPS

O mistério de Xi Jinping

maquilhagem, ter aulas de ioga ou de box. O HM contactou o centro, que negou ter qualquer ligação à associação divulgada ontem.

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governo japonês confirmou ontem que um homem libertado pelas forças de segurança turcas é o jornalista Jumpei Yasuda, sequestrado há mais de três anos na Síria. “Confirmamos que Jumpei Yasuda, sequestrado na Síria desde 2015, está são e salvo”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês Taro Kono, em declarações à imprensa. “Aparentemente encontra-se em bom estado de saúde. Estamos muito contentes que ele se encontre em segurança”, acrescentou, depois de informar que alguns responsáveis da embaixada japonesa na Turquia se encontraram com ele no centro de imigração Antakya, na província turca de Hatay, fronteiriça com a Síria. Jumpei Yasuda, que foi visto “em boa forma” em imagens do canal de televisão japonês NHK, segundo a agência francesa AFP, deverá ser repatriado depois de efectuar exames médicos. A mulher do jornalista, Myu, agradeceu a todos os que participa-

“Nunca ouvi falar dessa associação. Isto é um centro de ensino. Temos estudos de inglês e outros cursos que qualquer pessoas pode

Três anos de terror

Japão confirma identidade do jornalista libertado na Síria

frequentar. Tenho a certeza que nunca criei essa associação”, disse, ao HM, Roby Kwok, presidente do Grupo AES, que tem o centro de ensino. “Não temos qualquer ligação com essa associação”, acrescentou. Roby Kwok admitiu que o espaço em que o centro de ensino opera é arrendado, mas que não teve qualquer indicação do senhorio que seria utilizado como morada para a associação. Kwok avançou ainda com a possibilidade de contactar os advogados para seguir com o caso para tribunal. Segundo a informação publicada no BO, a associação Research Association of Xi Jinping Thought on Socialism with Chinese Characteristics for A New Era of Macao, que não tem nome em português, define como primeiro objectivo: “Analisar, estudar, promover e analisar a nova Era do socialismo com carac-

ram na libertação do marido, “por terem rezado por ele e por se terem mobilizado”, disse em directo ao canal japonês NHK. “Quero vê-lo em forma, o mais rápido possível, é tudo o que quero”, confiou o seu pai. “Quero dizer-lhe que foi forte durante três anos e que nunca baixou os braços”, acrescentou.

FILMES NEGROS

Na passada terça-feira, um comunicado do gabinete do governador de Hatay anunciava que tinha sido libertada uma pessoa que declarava “ser de nacionalidade japonesa”, mas que não dispunha de identificação. O texto acrescentava ainda que se esperava que as autoridades japonesas confirmassem “se se trata ou não do repórter japonês Yasuda/Jumpei Yamamoto, sequestrado em 2015”. O jornalista independente, de 44 anos, apareceu num vídeo publicado por um grupo jihadista, no mês de Agosto, vestido com um fato cor de laranja e ameaçado por homens armados.

CNN Instalações evacuadas devido a pacote suspeito

“Nunca ouvi falar dessa associação. Isto é um centro de ensino. Temos estudos de inglês e outros cursos que qualquer pessoa pode frequentar. Tenho a certeza que nunca criei essa associação.” ROBY KWOK PRESIDENTE DO GRUPO AES

terísticas chinesas”. Ainda no que diz respeito aos propósitos, constam o apoio à Lei Básica de Macau, a promoção do princípio Um País, Dois Sistemas, o Amor à Pátria e contribuição para o desenvolvimento sustentável de Macau. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Em 2016, a imprensa japonesa anunciava que Jumpei Yasuda tinha sido capturado pelo antigo braço da Al-Qaida na Síria (Frente al-Nosra). No entanto, na passada terça-feira, o grupo Hayat Tahrir al-Cham (HTS), ao serviço da Frente al-Nosra, negou, num comunicado, qualquer implicação. “Negamos todas as acusações em ligação com o jornalista japonêsYasuda. Ficámos a saber da sua libertação pela imprensa”, reagiu o grupo. Em 2015, dois militantes do grupo Estado islâmico (EI) decapitaram dois japoneses, o correspondente de guerra Kenji Goto e o seu amigo Haruna Yukawa. A Síria tem sido um dos países mais perigosos do mundo para os jornalistas, desde que o conflito começou em Março de 2011. Vários jornalistas continuam desaparecidos no país, e dezenas já foram sequestrados ou assassinados.

A estação de televisão norteamericana CNN evacuou ontem as suas instalações em Nova Iorque, devido à existência de um pacote suspeito. A informação foi dada pela própria CNN e refere-se à sede da empresa, segundo a agência de notícias Associated Press. A polícia confirmou que foi chamada ao local, no edifício Time Warner, em Manhattan. A evacuação das instalações da CNN em Nova Iorque ocorreu praticamente ao mesmo tempo que foi anunciada pelos serviços secretos norte-americanas da descoberta de um “engenho explosivo funcional”, ontem de manhã, na casa de Hillary e Bill Clinton em Chappaqua, Nova Iorque, indicaram os serviços secretos norte-americanos. Segundo os serviços secretos, um “potencial engenho explosivo” foi também ontem enviado para a residência do exPresidente Barack Obama em Washington. Os investigadores pensam que estes casos estão relacionados com o explosivo descoberto na segundafeira na caixa de correio do multimilionário e filantropo George Soros, em Bedford, nos arredores de Nova Iorque.

Ténis João Sousa cai à primeira em Basileia

O tenista português João Sousa foi ontem eliminado na primeira ronda do torneio de Basileia, na Suíça, ao perder com o espanhol Roberto Bautista-Agut em dois ‘sets’, por 6-4 e 6-3. Sousa, 48.º do ‘ranking’ ATP, perdeu com o espanhol, 26.º tenista do mundo, ao fim de uma hora e 30 minutos de encontro, num duelo em que houve equilíbrio no primeiro parcial até o português ceder ao quinto jogo de serviço. Bautista-Agut teve maior ascendente na parte final, depois de ‘breaks’ dos dois lados - num total de 12 em todo o encontro -, ao vencer de novo no serviço do vimaranense, não permitindo, depois, a resposta a Sousa, fechando a partida no primeiro ‘match point’ de que dispôs.


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Hoje Macau 25 OUT 2018 #4159 by Jornal Hoje Macau - Issuu