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Hoje Macau 25 JAN 2013 #2780

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 25 DE JANEIRO DE 2013 • ANO XII • Nº 2780

MUITO NUBLADO MIN 14 MAX 20 HUM 60-90% • EURO 10.4 BAHT 0.2 YUAN 1.2

PLANEAMENTO URBANO

VENHAM MAIS CINCO (SÉCULOS)

FUNDO DE SEGURANÇA SOCIAL

Lei com aprovação agendada para o próximo mês

FRANCISCO MANHÃO DEFENDE CONTRIBUIÇÕES IGUAIS NO PÚBLICO E NO PRIVADO PÁGINA 3

PÁGINA 3

Irregularidades e queixas marcam o estado da Educação em Macau

INVESTIMENTO EM PORTUGAL

Consulado anuncia programa de residência PÁGINA 4

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• CHINA

LITERATURA E ESTÉTICA PUB

Aprender o quê?

Professores queixam-se de cursos extra “inúteis” apenas necessários para subir na carreira e a DSEJ suspeita de mais casos irregulares no Programa de Aperfeiçoamento Contínuo. O dia de ontem ficou marcado por um sentimento nebuloso na área da Educação. Numa altura que tanto se fala do novo campus da UMAC na Ilha da Montanha, das parcerias com Portugal e outros países, o Governo tem em mãos mais um problema para resolver. Como se não bastasse, o deputado Au Kam San denunciou aumentos obscenos nas propinas da MUST e pede fiscalização do GAES. PÁGINAS 2 E 5

ENTREVISTA AO EMBAIXADOR DA CHINA EM CABO VERDE

Su Jian fala de “momento de perfeito entendimento” CENTRAIS

ECONOMIA

AMCM prevê crescimento de um dígito para 2013 ÚLTIMA PUB


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política

Deputado Au Kam San pede fiscalização do GAES

Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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sexta-feira 25.1.2013

www.hojemacau.com.mo

aviso foi feito pela instituição esta terça-feira. Segundo o jornal Ou Mun, a Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST, na sigla inglesa) vai aumentar as propinas cobradas aos alunos de licenciatura, argumentando que os valores não sofrem uma actualização desde 2000. Desta forma, o custo de uma licenciatura pode passar das actuais 30 mil patacas para cerca de 60 mil já no próximo ano lectivo, em áreas como arte, design, biologia ou medicina chinesa. Já as propinas para os estudantes não residentes irão manter-se nas 30 mil patacas. Contudo, os alunos vão pagar apenas uma parte desse aumento, sendo o restante montante suportado com apoios da Fundação da MUST, que irá conceder cerca de 40 mil patacas para o efeito. Contudo, tal entidade recebe apoios da Fundação Macau (FM), o que já gerou criticas por parte do deputado Au Kam San. Ao diário de língua chinesa, os responsáveis pela instituição garantiram que o ajuste das propinas vai apenas render 20 milhões de patacas à universidade.AMUST afirma usar esta receita adicional para melhorar as instalações de ensino e criar mais laboratórios de investigação no futuro. Au Kam San voltou, assim, a questionar o financiamento dado pela FM dado à Fundação da MUST. Aos jornais Exmoo News e Cheng Pou, disse que em 2012 as ajudas da FM atingiram as 100 milhões de patacas, enquanto que em 2009 a universidade recebia apenas 50 mil patacas anuais. “O ajuste das propinas ultrapassa o valor da inflação,

Propinas da MUST para locais vão aumentar quase o dobro lucros obtidos e perdas para a universidade, frisando que o Governo tem que suportar os ajustes. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o director do GAES, Sou Chio Fai, afirmou que, segundo os regulamentos do ensino superior, o GAES “não tem poderes e funções para a intervenção nas universidades” no que diz respeito ao ajustamento

mas todo o dinheiro é do Governo. Já várias vezes falei deste assunto na Assembleia Legislativa (AL), sobre o facto da FM necessitar de financiar uma universidade privada, mas nunca obtive uma explicação racional.” O deputado pede que o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) faça uma fiscalização das contas, no que diz respeito aos

de propinas, mas prometeu “analisar a situação”.

MOTIVO? “PEDIR MAIS DINHEIRO”

Segundo o jornal Cheng Pou, tanto o Fundo da MUST como a FM partilham caras bem conhecidas na sua gestão. Liu Chak Wan, construtor, é um dos membros mais influentes da FM, sendo também mem-

bro do Conselho Executivo da RAEM. Já Chui Sai Cheong, irmão mais velho do Chefe do Executivo e deputado pela via indirecta, manterá uma boa posição no Fundo da MUST, bem como na FM. Como órgão político, a FM é gerida no seu conselho de administração por Wu Ziliang, mas cabe a Chui Sai On, presidente do Conselho de Curadores, a

tomada de todas as decisões. Para Au Kam San, a principal razão do ajuste das propinas é um motivo para pedir mais dinheiro à FM, acusando deste ser outro caso de “transferência de benefícios”. “O ajuste das propinas diz respeito à administração da universidade, mas se são envolvidos dinheiros públicos, tal deve ser supervisionado.”

Novo Macau entrega carta ao Gabinete de Ligação por discordar de discurso de censura

Não ensinar os média a fazer artigos

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Associação Novo Macau (ANM) entregou ontem uma carta ao Gabinete de Ligação Macau-China onde

contesta recentes declarações do vice-presidente do organismo, Li Gang. O responsável terá dito, na semana PUB

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passada, que pretendia que os directores dos órgãos de comunicação social chineses deveriam “separar as questões principais” das notícias que são dadas aos cidadãos, uma espécie de censura nos jornais. Num discurso feito num jantar onde apenas os meios de comunicação social chineses foram os convidados a estar presentes, o vice-presidente terá feito declarações que deixaram a ANM insatisfeita. Ontem, os funcionários do gabinete não receberam bem a presença dos membros da associação nem dos jornalistas, recusando-se mesmo a tirar uma fotografia de prova de recebimento da carta, acto comum em Macau. Um dos membros da ANM, Scott Chiang, con-

sidera que numa sociedade aberta e livre, o discurso do responsável do gabinete não foi o mais correcto. “Que tipo de ideia devem passar os média aos cidadãos não pode ser uma ordem dada pelo gabinete. Queremos que o senhor vice-presidente explique bem o seu discurso. Se não, vai deixar o público com dúvidas sobre se o Governo Central quer liderar as opiniões principais da sociedade de Macau. O Gabinete não tem direito a ensinar os média a como fazer artigos.” A ANM considera que os média têm que oferecer informações imparciais e justas, sendo que cabe aos cidadãos interpretarem e concordarem ou não com a notícia, mas assegura que alguns não fazem bem isso. Contudo, a associação considera que se os funcio-

nários do Governo Central instam os média a liderar a consciência e pensamento público, não está a separar a verdadeira função do gabinete e o trabalho dos média. “Cito o que foi dito em Hong Kong, que o gabinete só arranja amigos em Hong Kong e Macau mas não governa a região. Acho que o gabinete se preocupou demais face à questão dos jornais de Macau, até porque os média de Macau na língua chinesa já estão condicionados por si e poucas vezes embaraçaram o Governo da RAEM.” A carta foi assinada em nome do jornal Oi Mun, a publicação da ANM, que surge como uma sátira do jornal Ou Mun, que a associação considera sempre “silenciar” as notícias mais sensíveis. – C.L.


sexta-feira 25.1.2013

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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UMA altura em que a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) anda na rua a recolher assinaturas

Francisco Manhão apoia Operários na questão do FSS

Público e privado devem ter contribuições semelhantes contra o facto de patrões e trabalhadores poderem vir a contribuir de igual forma para o Fundo de Segurança Social (FSS), há uma voz que os apoia. Francisco Manhão, presidente da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Reformados de Macau (APOMAC), e já anunciado candidato a deputado, defende que as contribuições devem ser iguais ao sistema já praticado no sector público. “Concordo com os Operários, e não há exemplo maior do que na Função Pública. O Governo é o patrão, contribui com 20%, enquanto que o funcionário público é o trabalhador e contribui com 10%”, assume Manhão ao Hoje Macau, considerando que o sistema deveria ser semelhante para manter o equilíbrio do mercado laboral. “O Governo deveria actualizar as contribuições gradualmente, todos os anos

Manhão aponta ainda como solução uma actualização salarial no sector privado, de forma anual.

ANTÓNIO FALCÃO

Patrões a contribuir 20%, trabalhadores a contribuir 10%. Na opinião do presidente da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Reformados de Macau, é assim que deve ser feita a actualização das contribuições do privado para o Fundo de Segurança Social. Francisco Manhão nem quer ouvir falar em contribuições iguais

política

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SALÁRIO MÍNIMO IGUAL PARA TODOS

ou de dois em dois anos”, acrescenta, esperando que se chegue a um consenso nos próximos meses. Mas

deixa um aviso. “A força do patronato é muito poderosa em Macau, mas o patronato tem de contribuir com mais.”

Confrontando com o facto do Governo já estar a preparar uma proposta para avançar com o salário mínimo, Francisco Manhão diz que pode “servir de exemplo” para o debate sobre as contribuições para o FSS. E dá uma proposta. “Acho que o salário mínimo deveria rondar as 3 mil, 3500 patacas. Não pode divergir (entre residentes e não residentes), dada a carestia de vida, porque eles

Cheques deveriam ser entregues em Fevereiro O presidente da APOMAC não concorda que a ajuda pecuniária do Governo só chegue às contas bancárias da população em Abril. “Deveria pagar o montante em Fevereiro, para que todas as pessoas pudessem passar o Ano Novo Chinês um bocadinho melhor. A comunidade é, na sua maioria, chinesa, e o ano novo é uma época muito importante”, assumiu Manhão, que considera que, nos próximos anos, o processo deveria começar logo no inicio do ano.

Lei do Planeamento Urbanístico com apresentação e aprovação agendada para Fevereiro

Finalmente a caminho

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Lei de Planeamento Urbanístico tem aprovação na generalidade agendada para o dia 4 de Fevereiro, depois de ter sido ontem admitida naAssembleia Legislativa. Dentro de duas semanas, os deputados vão poder ter nas mãos uma das leis mais esperadas do território, para analisarem e discutirem o seu conteúdo. Recorde-se que a Lei do Planeamento Urbanístico foi tida como necessária em 2008, quando o Governo considerou ser preciso apresentar um projecto devido “à necessidade de um sistema de planeamento que se adequasse à realidade de Macau”. O Executivo encomendou ao Centro de Pesquisa de Desenvolvimento Urbano da Província de Guangdong a

realização de um estudo para o regime de planeamento urbano e a proposta de lei esteve em consulta pública no primeiro trimestre do ano passado – sem muitos dos pormenores que os deputados diziam ser necessários. Contudo, não sem antes ser alvo de avanços e recuos do Governo. Em Dezembro do ano passado, por exemplo, Lau Si Io afirmou que a lei

não poderia avançar sem se saber primeiro quais as transformações que vão ocorrer nos terrenos a desenvolver nos novos aterros. O secretário para as Obras Públicas e Transportes voltou atrás em Outubro e admitiu que a Lei poderia ser entregue à AL até ao final de 2012. Só agora entrou em processo legislativo, a par da Lei de Terras e da Lei de Salvaguarda do

Património, com as quais se articula. O conteúdo do documento proposto prevê que bens imóveis privados possam ser expropriados, se o plano urbanístico assim o exigir. Por exemplo, para a construção de praças, parques, jardins ou redes viárias, o Governo pode retirar as propriedades aos cidadãos e expropriá-los dos seus direitos sobre os imóveis, a troco de uma indemnização. O planeamento urbanístico do território vai estar assente em dois tipos de planos: o director – que assenta na estrutura geral – e os de pormenor, para zonas mais específicas, que definem regras para a altura dos edifícios e de aproveitamento de solos, assim como as políticas para a protecção do património cultural e do ambiente. Previstas na lei passam

a estar multas em caso de infracção, que podem ir das 25 mil aos dois milhões de patacas. Mas uma das maiores novidades no que ao planeamento urbano diz respeito é a participação da população. Os planos urbanísticos vão depender do aval da população, sendo que a lei prevê que todos os projectos têm de ser submetidos a consulta pública antes de serem aprovados pelo Chefe do Executivo. Caso o projecto seja muita alterado, será posto novamente a auscultação. Mas o Governo não está sozinho e além de querer os cidadãos a participar, conta ainda com a ajuda de um Conselho do Planeamento Urbanístico – um grupo constituído por cerca de 40 pessoas, entre arquitectos, especialistas e, pelo menos, quase duas dezenas de representantes do Governo.

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Memorando político a caminho O já anunciado candidato ao cargo de deputado pela via indirecta confessou ao Hoje Macau que está a trabalhar para esse projecto. “Já tenho um manifesto para todas as associações, clubes desportivos e centros culturais”, explicou Francisco Manhão, garantindo que ainda não tem uma data para a entrega do documento a possíveis apoiantes. “Tenho ainda de reunir com os meus colaboradores.”

(não residentes) trabalham aqui. Temos de ver o nível de inflação e de subsistência, contabilizar tudo e chegar a uma conclusão. Mas tudo depende da actividade.” Recentemente, diversos entendidos na matéria disseram ao diário Ponto Final que o salário mínimo deveria ter como valor base as 25 a 30 patacas por hora, valores semelhantes aos que se praticam em Hong Kong. Ao mesmo jornal, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) não soube avançar se o salário mínimo será ou não igual para residentes e não residentes. “A proposta não está concluída”, disse apenas.

Macau é a cidade mais difícil para comprar casa?

No seu blog, Ng Kuok Cheong mostrou ontem um gráfico sobre as cidades de todo o mundo em que é mais difícil comprar uma casa. O gráfico usa dados compilados até ao fim do terceiro trimestre de 2012 e faz a proporção entre os preços dos imóveis e a renda familiar. Hong Kong aparece como a cidade mais difícil para adquirir casa, seguido de Vancouver, no Canadá, e Sydney, na Austrália. Embora o gráfico não contenha Macau e mostre Hong Kong como o local onde é mais difícil comprar uma casa, Ng Kuok Cheong fez os seus cálculos próprios. De acordo com os dados do Governo em Novembro de 2012, o deputado concluiu que Macau é pior do que Hong Kong, ficando no primeiro local onde comprar casa é pior no mundo. - C.L.


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sociedade

sexta-feira 25.1.2013

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Consulado português apresentou programa de residência para investidores

Puxar os cordões à bolsa em Portugal tivemos um pedido”, rectificou depois. A nova delegada da AICEP, Maria João Bonifácio, por sua vez, revelou já “ vários pedidos de vistos” de chineses, remetendo o número exacto para os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) portugueses.

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

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M montante igual ou superior a um milhão de euros, a criação de 30 postos de trabalho ou aquisição de bens imóveis de valor igual ou superior a 500 mil euros são três dos critérios para qualquer investidor de um “Estado terceiro”, fora da União Europeia, poder adquirir a Autorização de Residência para a Actividade de Investimento (ARI). Ontem foi promovido este programa, que entrou em vigor em Outubro passado, num seminário realizado pelo Consulado de Portugal, com a ajuda da Agência para Investimento e Comércio Externo de Portugal - AICEP, que pretendeu atrair mais investidores estrangeiros desta feita junto de “alavancadores”, frisou o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. “Esta é a primeira ocasião que temos um seminário dedicado especificamente ao assunto, com operadores já no terreno já com propostas [Caixa Geral de Depósitos, BES, BCP] e que convidamos a que os investidores de Macau percebam a oportunidade que aqui têm, que dêem gás a este projecto (...) Estavam empresas de imobiliário, financeiras, advogados,

LEGISLAÇÃO DEVE SER TRADUZIDA

engenharia. A porta estava aberta e todos eram bem-vindos. E teve casa cheia”, anunciou Manuel Cansado de Carvalho, reconhecendo mais ainda a necessidade desta promoção depois de esta semana o South China Morning Post não ter incluído o ARI num artigo de fundo sobre programas do género noutros países. Questionado sobre se potenciais investidores chineses também foram alertados sobre a iniciativa, Cansado de Carvalho não hesitou. “Claro. E estavam.” Mas poucos, numa apresentação feita em inglês mas sem tradução simultânea para chinês ou português. Ainda assim,

o seminário calhou em boa hora, no dia depois de ser anunciado que a mais recente operação de venda de dívida pública teve grande procura estrangeira, representando o regresso de Portugal aos mercados e de se destacar mais uma descida de juros da dívida portuguesa. Porém, para já, esta porta aberta a chineses, sobretudo tendo em conta a vantagem de Macau como plataforma comercial entre Macau, a China e os países de língua portuguesa, ainda não teve real impacto, pelo menos a julgar pela resposta do cônsul de Portugal. “Não digo [quantos pedidos recebeu o Consulado]”, resguardou-se. “Sim, já

Ao Hoje Macau, Rita Santos, secretária-geral adjunta do Fórum Macau, avançou que duas dezenas de pessoas procuraram saber mais informações sobre o ARI - sobretudo agências imobiliárias de Macau -, representando as suas dúvidas questões que devem ser resolvidas. “A legislação portuguesa necessita de ser traduzida para chinês (...) Para pedir o primeiro visto para ir a Portugal para quem é de Zhuhai e Cantão, que são a maioria dos investidores chineses, precisam de ir a Pequim porque o Consulado só abarca Macau e Hong Kong”, indica. Chegada há duas semanas ao território, Maria João Bonifácio adianta que Portugal tem muitas outras áreas de interesse e o recrutamento de novos investidores não passa apenas pelo ARI. “Entendemos que pode ser muito útil para os chineses que querem ter acesso ao mercado da União Europeia, mas não só. Vimos também para captar outro tipo de investimentos

Habitação pública Residentes querem mecanismo fixo nos concursos

Candidaturas só para T1

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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S residentes de Macau preocupam-se com que seja criado “com prioridade” um mecanismo de admissão periódica das candidaturas a habitação social e a fixação de um prazo de espera. Esta é, pelo menos, uma das conclusão da ronda de auscultação pública levada a cabo pelo Instituto da Habitação (IH) de Maio a Julho do ano passado. Isto tem vindo a ser pedido já algum tempo, uma vez que o Governo não tem datas fixas para aberturas de concurso para a aquisição deste tipo de fracções. Depois de Lau Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes, ter avançado o ano passado que iriam ser abertos mais concursos deste tipo, o IH informou ontem que o

primeiro concurso será apenas para a distribuição de fracções de tipologia 1. “O concurso para habitação pública vai ser no primeiro trimestre deste ano”, referiu Tam Kuong Man, presidente do IH. “Vamos iniciar a distribuição das fracções T1 que sobram seguindo a lista dos candidatos em espera e, depois, vamos abrir um concurso para a atribuição também de fracções T1.” Segundo dados apresentados pelo organismo, ontem, a maioria da população inquirida sobre a Estratégia do Desenvolvimento para a Habitação Pública (2011-2020) – através de consultas públicas, internet, telefone, fax ou carta – quer ver resolvidos os problemas de aquisição de habitação da classe média e dos jovens e quer que o Governo reserve mais terrenos para a habita-

lugar de 3 de Maio a 1 de Julho de 2012 e foram recebidos 423 textos de opiniões de sectores sociais, com um total de 1048 artigos de opiniões.

MAIS CASAS

ção pública. A coordenação do desenvolvimento entre a habitação pública e o mercado imobiliário privado é outra das preocupações que quem respondeu às questões do Executivo apela a que seja tido em conta para as estratégias futuras no que à habitação diz respeito. A consulta pública teve

Em estudo, o IH, diz ter ainda a actualização dos limites máximos e mínimos dos rendimentos para a aquisição de habitação pública. Ao mesmo tempo, Tam Kuong Man garante que as 19 mil habitações – que deviam ter estado prontas no ano passado – estão praticamente concluídas e que as 6300 já anunciadas estarão prontas em 2015. Mas o Governo não fica por aqui: “De certeza que vão haver mais fracções além dos das 6300, nos novos aterros vamos ter mais terrenos. Só não sabemos quantos, temos de esperar pelo planeamento.”

que não seja apenas o ARI, que é obviamente um produto muito interessante, e dinamizar as nossas exportações, as trocas comerciais com a China, Macau e Hong Kong”, revela. E em que áreas poderá haver mais apostas? “Gostaríamos de ver investimento no sector automóvel, aeronáutica, (…) e há outros sectores muito apetecíveis. Máquinas, tecnologias, saúde”, enumerou.

MÁS CONDIÇÕES COMO ATRACTIVO

Na sua apresentação, exaltou o menor número de direitos e privilégios do novo Código de Trabalho português como um incentivo para os investidores. Questionada sobre esta particularidade no seu discurso preferiu falar de uma “lei laboral um pouco mais flexível” numa sociedade com “recursos humanos altamente qualificados”. “Nunca é bom quando os trabalhadores perdem benefícios mas temos de pensar que temos de tornar a economia portuguesa mais competitiva e tem de ser à força de medidas drásticas, tanto para os trabalhadores portugueses como para as empresas que também verão a sua carga fiscal aumentada (...) continuamos a ter custos competitivos na Europa, ou seja, não entendemos que queremos atrair investimento à custa de trabalhadores a custo zero, ou seja, com preços baixos”, justificou.

ROFF abre filial em Macau e anuncia contrato com multinacional suíça

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ROFF, que opera na implementação de soluções SAP, anunciou ontem a abertura de uma nova filial em Macau e a assinatura de um contrato com a multinacional suíça Givaudan, o maior produtor mundial de aromas e fragrâncias, que se assume como o maior cliente da empresa portuguesa. A ROFF estima que o investimento na nova filial asiática, anunciado pela empresa no evento da inauguração das suas novas instalações, em Lisboa, pelo ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, se traduza numa facturação na ordem dos 1,5 milhões de euros no primeiro ano de actividade no mercado chinês. A ROFF Macau dispõe actualmente de uma equipa fixa de dez consultores, sendo que o número de colaboradores da empresa no mercado chinês deve agora aumentar, quer através da deslocação de mais recursos europeus quer por via de contratação local. Quanto ao acordo firmado com a multinacional suíça, o maior contrato de sempre assinado pela ROFF, inclui a manutenção de um sistema integrado de gestão que permite à empresa optimizar os seus processos de negócio e sustentar o crescimento estratégico do grupo. O projecto irá prolongar-se por um período de 3 anos. - Lusa


sexta-feira 25.1.2013

sociedade

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Professores queixam-se de cursos extra “inúteis” necessários para subirem na carreira

Progressão a quanto obrigas Cecília Lin*

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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RÊS professores de uma instituição de ensino privada falaram ao Hoje Macau sobre a “inutilidade” de cursos que lhes são exigidos, a partir do novo Quadro Geral do Pessoal Docente das Escolas Particulares do Ensino Não Superior, de forma a poderem aumentar o valor da sua folha salarial. “Alguns professores não apresentam um certificado profissional - como uma licenciatura - e, por esse facto, são ‘obrigados’ a frequentar cursos extra caso queiram aumentar o seu rendimento”, explicou uma professora de mandarim do ensino primário que pediu o anonimato.

Cursos que, segundo refere, não aumentam a sua qualidade de ensino porque muitos nem estão relacionados com a sua área, complementa uma professora de desporto de ensino médio. Por outro lado, são exigidos num tempo extracurricular que deveria ser utilizado para preparação de aulas, adianta ainda. “Como professora de desporto sou obrigada a tirar aulas teóricas

sobre gestão de ensino, ou seja, reaprender como ensinar”, indica a docente, que também preferiu não dar a cara. “Não acredito que este tipo de cursos aumentem a qualidade das minhas aulas, por exemplo.” Também a professora de mandarim se viu “obrigada” a frequentar um curso cujo objectivo tem dúvidas que lhe seja útil nas aulas que leccionar: aprender a língua inglesa.

Contactada pelo Hoje Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) explicou que os professores podem deixar de leccionar, se a carga lectiva for excessiva, uma vez que “estão a fazer formação e reciclagem de conhecimentos”, sendo que os professores continuam a receber o seu rendimento mensal normal. No entanto, os professores consultados voltam

Mais de 14 mil professores frequentaram formações A DSEJ deu a saber ao Hoje Macau que no ano lectivo 2011/12, o Governo já organizou 25 tipos de formação, incluindo gestão de ensino, moral e cívica, o ensino do pensamento inovador, ensino de cooperação, promoção de leitura e cooperação entre escola e casa. 14,106 professores marcaram presença num total de 337 formações. A DSEJ disse que vai fortalecer o trabalho da promoção das actividades na profissão de docentes e, ao mesmo tempo, ouvir as opiniões e propostas para rever o efeito do programa e dar apoio ao desenvolvimento profissional dos professores.

a frisar que apenas beneficiam os professores que já trabalham na mesma escola há mais de sete anos, ou que trabalham em diferentes instituições de ensino há dez anos. Além disso, há ainda outra condição. “Quando acabado o programa de estudo, os professores precisam de trabalhar mais alguns anos na mesma escola onde leccionavam anteriormente, e que lhes manteve o pagamento durante a ‘licença sem vencimento’”, explica a professora de mandarim. “A ideia é manter os professores por mais tempo na escola, isto porque os professores acabam por tentar encontrar melhores condições noutras escolas ou até noutras áreas, como no Governo, por exemplo.” - * com Rita Marques Ramos

DSEJ suspeita de mais onze casos irregulares no Programa de Aperfeiçoamento Contínuo

Mais de 200 milhões em subsídios

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) está a investigar 11 casos “irregulares” no que diz respeito ao Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. Os casos continuam depois de, em Novembro, terem sido detectados rombos no valor de 22 milhões de patacas pelo Comissariado de Auditoria, por causa da DSEJ ter demonstrado “deficiências de vários níveis” na execução, gestão e fiscalização do programa. Ontem, o organismo revelou que os casos a ser investigados actualmente envolvem, principalmente, a integração de cursos, a utilização de formadores não qualificados e a entrega de informações incorrectas à DSEJ. Mas os problemas não se ficaram por aqui. “Para além disso, a DSEJ também encaminhou três casos suspeitos de burla ou falsificação de documentos para o Ministério Público”, pode ler-se num comunicado do organismo. Em Novembro, os cursos aprovados que mostraram, posteriormente, deficiências foram mais de 500. As principais lacunas apontadas

pelo comissariado à DSEJ diziam respeito à forma de apreciação dos pedidos das instituições para a autorização de cursos subsidiados. É que a DSEJ não teve em conta os critérios que deveriam ser seguidos para que fosse validada a autorização. A DSEJ foi ainda acusada de não ligar aos períodos de apresentação de pedidos estipulados por regulamento. Resultado: foram admitidos

pedidos para 402 cursos de 32 instituições fora do prazo e que não cumpriam sequer requisitos para tal. Depois da polémica em torno do programa que pretende estimular a aprendizagem entre os residentes – e que atribui cinco mil patacas por pessoa para tal -, a DSEJ vem a público afirmar que está a realizar “uma série de trabalhos de inspecção, bem como

revisão dos documentos, vistorias ‘in loco’, escolha de casos a inspeccionar, entrevistas e acompanhamento de queixas” e que, até agora, realizou um total de 3900 vistorias. “Os resultados da situação da maior parte das instituições é boa, correspondendo às regras do subsídio”, assegura. Desde o seu lançamento, que o Programa de Aperfeiçoamento e Desenvolvi-

mento Contínuo autorizou mais de 30 mil cursos e abriu 780 mil vagas. No total, já 270 milhões de patacas foram utilizados. Quanto ao subsídio para os cursos no exterior, o montante do subsídio utilizado atinge mais de 31 milhões de patacas. Os locais dos cursos do ensino superior autorizados no exterior são, principalmente, Taiwan e na China continental.

Comerciantes isentos de taxas este ano

Os proprietários de vendilhões e de diversas bancas de comércio de rua ficam isentos do pagamento de taxas para desenvolverem a sua actividade, pelo menos este ano. A decisão foi tomada pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, cujo despacho já está publicado em Boletim Oficial. Segundo o documento, “os vendilhões, artesãos e outros operadores na rua ficam isentos, durante o ano de 2013, ao pagamento de taxas previstas” na Tabela de Taxas, Tarifas e Preços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Segundo a mesma legislação, as taxas variam entre as mil e 1600 patacas, sendo que para os vendilhões que trabalham com estruturas fornecidas pelo IACM não têm de pagar taxas que podem variar entre as duas mil e as 2600 patacas, consoante a dimensão da estrutura. Os vendilhões e artesãos ambulantes não pagam as taxas que variam entre 250 e 600 patacas, enquanto as licenças especiais, nomeadamente para os vendilhões na praia de Hac Sá, também ficam abrangidas por esta decisão. Segundo o mesmo despacho, os arrendatários das bancas dos mercados também ficam isentos do pagamento de rendas e taxas, não sendo também cobradas as taxas de inspecção previstas na mesma tabela do IACM. - A.S.S.


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nacional

Maria João Belchior Em Pequim

A

possibilidade de um conflito sério entre a China e o Japão começa a ser levada mais a sério, tanto pelos dois países envolvidos, como pelos vizinhos e possíveis aliados. O cenário, cinco ilhas do mar da China oriental, é a razão que está a levar ao limite a paciência dos dois países, vizinhos que há muito têm esta disputa pendente. Para Pequim a culpa é japonesa. Diaoyu ou Senkaku, um nome diferente como a mais pequena das divergências nas duas visões sobre os pedaços de terra no mar da China oriental Para o governo central chinês Diaoyu é uma questão de soberania chinesa e dos sentimentos do povo chinês. Depois de em Setembro do ano passado, várias manifestações anti-Japão terem saído à rua em diferentes cidades do país, esta quinta-feira foi a vez de sete activistas de Hong Kong e Taiwan terem tentado aproximar-se de ilha numa embarcação que foi afastada pela guarda costeira japonesa. Num dos piores momentos das relações bilaterais entre os dois

Diaoyu é mais que uma desavença de vizinhos

Um equilíbrio precário países, a tensão tornou-se a regra. O anúncio do aumento do orçamento de defesa pelo Japão, o primeiro em dez anos, pode não chegar para preocupar a China mas começa a criar tensão com outros países.

CADA VEZ MAIS DRONES

Pouco depois de assumir o cargo, o novo primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou recentemente uma revisão do orçamento de defesa definido para 2011-2016. O objectivo é renovar o arsenal militar e aumentar o número de militares. Na água e no ar as patrulhas de vigilância são cada vez mais comuns. Shinzo Abe já disse que a posição japonesa nesta questão não está aberta a negociações. Do lado chinês também não há lugar para debates sobre quem tem direitos sobre as ilhas. No mês passado o governo central anunciou que em breve vai realizar testes aéreos com um drone

fabricado na China. O primeiro drone produzido nacionalmente pode ser, segundo alguns analistas, uma cópia de um modelo americano, o X-47B. Depois de algumas fotos terem sido publicadas num jornal chinês em Novembro passado, resta agora saber para quando os primeiros testes. Do lado japonês estas informações são vistas com cada vez mais apreensão. E o mesmo se aplica aos Estados Unidos que tem o

Chinês condenado num dos maiores casos de lavagem de dinheiro em Hong Kong

50 milhões de patacas por dia U

M indivíduo do interior da China foi hoje condenado por fraude no valor de mais de cerca de 10,25 mil milhões de patacas, no que é descrito como um dos maiores casos de lavagem de dinheiro da história de Hong Kong. Oriundo da província de Guangdong, Luo Juncheng, de 22 anos, foi condenado por um tribunal de Hong Kong a dez anos e meio de prisão, noticiou a AFP, com base na imprensa local e em declarações de um porta-voz judicial. Luo Juncheng foi responsável por operações de lavagem de dinheiro diárias no valor de cerca de 50 milhões de patacas entreAgosto de 2009 e Abril de 2010, de acordo com documentos apresentados em tribunal que citam depoimentos.

sexta-feira 25.1.2013

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Cerca de 13,1 mil milhões de patacas passaram por contas bancárias registadas em Hong Kong em nome de Luo Juncheng, entre Agosto de 2009 e Abril de 2010, período em que permaneceu na Região com um visto de duas entradas. De acordo com a AFP, não ficou clara a proveniência do dinheiro. O funcionário judicial não confirmou os detalhes do caso e o escritório de advocacia que representou o réu escusou-se a fazer comentários quando contactado pela agência de notícias francesa. Na leitura da sentença, a juíza Esther Toh observou que, apesar de Luo Juncheng ter agido sob instruções do interior da China, ele foi responsável pela gestão das

contas bancárias em Hong Kong e que, além de ter agido como agente de remessas, intermediou a gestão do dinheiro, indicou a rádio e televisão pública de Hong Kong (RTHK). Nesse sentido, a juíza instou as autoridades a prestarem mais atenção ao papel dos agentes de remessas em casos de lavagem de dinheiro. Em consequência do aumento do número de casos nos últimos anos, Esther Toh Toh disse que devia ser considerada a revisão da pena para os crimes de lavagem de dinheiro. O crime de lavagem de dinheiro é punido com uma pena de prisão máxima de 14 anos em Hong Kong.

Indústria chinesa registou em Janeiro o maior crescimento dos últimos dois anos

A indústria chinesa registou o maior crescimento dos últimos dois anos em Janeiro de 2013, confirmando a recuperação da segunda maior economia mundial, indicou ontem o Hong Kong Shanhgai Bank (HKSB). De acordo com o índice elaborado mensalmente por aquele banco britânico, a actividade industrial da China em Janeiro atingiu 51,9 pontos, mais do que 51,5 pontos do mês anterior. (Abaixo dos 50 pontos, como aconteceu durante um ano consecutivo, até Novembro passado, significa contracção). “Apesar de uma ainda tímida procura global”, o aumento do consumo interno deverá potenciar a “recuperação em curso na China”, disse um economista do HKSB citado pela France Press.

compromisso de proteger o Japão em caso de ataque. A turbulência nas águas do mar da China Oriental não parece estar para terminar em breve. A imprensa oficial chinesa anunciou no ano passado o objectivo de construir onze bases navais para drones até 2015. Para as forças militares chinesas, nenhum esforço será em vão para recuperar as ilhas Diaoyu. A disputa sobre o território está

também relacionada com a riqueza de recursos de gás natural na área. As patrulhas chinesas têm vindo a aproximar-se da zona exclusiva japonesa num passo que Tóquio considera uma provocação. A tensão que começou no final do Verão passado reflecte-se por enquanto principalmente nas relações económicas. Em breve a China terá um novo governo que vai herdar esta complicada situação de status quo entre os dois países. Em Março será anunciado o governo assim como o próximo orçamento militar. No primeiro discurso à Nação como primeiro-ministro Li Keqiang vai certamente anunciar uma posição pública do novo governo central. No Estados Unidos há já um investimento maior no treino técnico para operadores de drones do que em pilotos e é Washington é quem primeiro vende estes aviões não tripulados ao Japão. China e Japão estão em lados opostos. Numa região que parece cada vez mais atribulada com impasses sobre territórios e águas, resta saber quem fica do lado de quem numa situação em que os dois vizinhos dizem não haver mediação possível.

Economia chinesa deverá crescer 8,2% em 2013 e 8,5% em 2014, prevê FMI

Mais do dobro da média mundial

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economia chinesa deverá crescer 8,2% em 2013 e 8,5% no ano seguinte, segundo as previsões anunciadas na quarta-feira em Washington pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Trata-se de um valor que corresponde a mais de o dobro da média mundial de crescimento prevista pelo FMI para 2013 e 2014 (de 3,5% e 4,1%, respectivamente) e uma subida de 0,4 pontos percentuais em relação aos resultados económicos da China em 2012.

A China é a segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos, e no quarto trimestre de 2012 interrompeu o abrandamento dos últimos dois anos, crescendo 7,9%, mais 0,5 pontos percentuais do que do trimestre anterior. A outra grande economia emergente, a Índia, deverá crescer 5,9% em 2013 e 6,4% em 2014, prevê também o FMI. Quanto ao Brasil, as previsões apontam para um crescimento de 3,5% em 2013 e 4% em 2014. O FMI reviu em baixa as perspectivas económicas para a zona euro em 2013, de 0,2% para -0,2%, e salientou que os países europeus continuam a apresentar riscos para a conjuntura mundial em recuperação. Na actualização das perspectivas económicas mundiais (‘World Economic Outlook’, em inglês), a instituição dirigida por Christine Lagarde considerou que “a zona euro continua a constituir um grande risco para a conjuntura global” e que, os riscos de uma estagnação prolongada na região da moeda única vão crescer se o ritmo de reformas não for mantido.


sexta-feira 25.1.2013

Coreia do Norte planeia novo teste nuclear e ameaça EUA

A Coreia do Norte anunciou esta quintafeira que prepara um novo teste nuclear e que continuará com o seu programa de lançamento de satélites e mísseis de longo alcance – acções, afirmou o governo norte-coreano, dirigidas aos Estados Unidos, país classificado como inimigo. O regime de Pyongyang fez esta advertência através de um comunicado publicado pela agência estatal KCNA, apenas dois dias depois do Conselho de Segurança da ONU ter ampliado as sanções contra o país comunista devido ao seu recente lançamento de um foguete. “Não ocultamos o facto de que os satélites e mísseis de longo alcance que continuaremos a lançar e o teste nuclear que vamos realizar estarão dirigidos ao inimigo jurado do povo norte-coreano, os Estados Unidos”, diz o texto.

região

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Prisão de Lúcia Lobato mostra que sistema judicial de Timor-Leste está a crescer, diz Governo

Lição para ganhar credibilidade

PIB sul-coreano subiu 2% em 2012, o valor mais baixo dos últimos três anos

O Produto Interno Bruto da Coreia do Sul subiu 2% em 2012, o crescimento mais fraco em três anos devido à crise económica mundial, revelam dados preliminares divulgados ontem pelo Banco da Coreia. Os dados supõem uma contracção de quatro décimas face à última previsão do Banco da Coreia, que em Outubro tinha assegurado um crescimento económico de 2,4% para 2012 depois de duas revisões em baixa. O crescimento estimado de 2% também traduz uma queda acentuada face aos dados de 2011 quando o Produto Interno Bruto da Coreia do Sul aumentou 3,6%, bem como contra os dados de 2010 quando aquela que é a quarta economia asiática avançou 6,2%. Para 2013, o Banco da Coreia prevê, na última análise feita a 11 de Janeiro, um crescimento de 2,8% depois das primeiras previsões apontarem para uma expansão do Produto Interno Bruto de 3,2%.

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O

ministro da Justiça de Timor-Leste, Dionísio Babo, disse esta quarta-feira que a prisão da antiga responsável pela pasta Lúcia Lobato mostra que o sistema judicial timorense está a crescer e a ter mais credibilidade. “Eu lamento, porque é uma amiga e colega do

antigo Governo, mas, por outro lado, elogio o sistema judicial de Timor-Leste por ter a coragem de fiscalizar os actos do Governo”, afirmou Dionísio Babo. Segundo o ministro da Justiça, a prisão, na terça-feira, de Lúcia Lobato para cumprir cinco anos de prisão, a que foi

condenada por participação económica em negócios, mostra que o sistema judicial está a crescer e a ficar mais maduro na tomada de decisões em casos deste peso. “Com esta decisão, o sistema judicial passa a ter também mais credibilidade perante o povo”, sublinhou.

Para Dionísio Babo, a prisão de Lúcia Lobato serve também de lição aos membros do Governo, funcionários públicos e para outras pessoas que trabalhem em instituições do Estado, que, disse, precisam de ter mais cautela quando tomarem decisões relacionadas com despesas públicas. Lúcia Lobato vai cumprir cinco anos de prisão no Estabelecimento Prisional de Gleno, em Ermera, depois de o Tribunal Distrital de Díli a ter condenado por participação económica em negócios. O crime é relativo à aquisição de fardas para equipar guardas prisionais da Direcção Nacional dos Serviços Prisionais e de Reinserção Social. Na sentença proferida pelo tribunal, a ministra foi também condenada ao pagamento de cerca de 32 mil patacas. No âmbito deste processo, um funcionário do Ministério da Justiça timorense também foi condenado a cinco anos de prisão e ao pagamento de uma multa ao Estado superior a 370 mil patacas.

Timor-Leste ainda é porta de entrada de droga na Indonésia

Com escala em Singapura

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Comissão Nacional Antinarcóticos da Indonésia disse que Timor-Leste continua a ser considerado um país de trânsito para a entrada de drogas na Indonésia, noticiou quarta-feira a edição na Internet da revista indonésia Tempo. Segundo o chefe de divisão de relações públicas da Comissão Nacional Antinarcóticos da Indonésia (BNN), Sumirat Dwiyanto, Timor-Leste é frequentemente utilizado como destino de trânsito antes das drogas serem transportadas para a Indonésia. A guarda anti-drogas “tem recusado afrouxar o controlo da fronteira de Timor-Leste. Um guarda desprevenido pode ser uma janela de oportunidade para os traficantes de droga entrarem na Indonésia”, disse Sumirat Dwiyanto, citado na notícia da Tempo.

Segundo a revista, nos últimos quatro meses a Comissão Nacional Antinarcóticos intensificou a cooperação com a Polícia Nacional de Timor-Leste no âmbito da formação, troca de informação e na resolução

de casos. “As drogas são provenientes da Índia ou Singapura e têm como destino Kupang (em Timor Ocidental), Jacarta (capital da Indonésia) e Medan (ilha de Samatra)”, disse o responsável. A Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) tem feito várias apreensões de droga nos últimos meses. Em declarações aos jornalistas no passado mês de Outubro, o comandante da PNTL, comissário Longuinhos Monteiro, disse que a droga com destino à Indonésia é proveniente do Irão e depois transportada para o continente africano, seguindo para a Índia e o Nepal. O comissário Longuinhos Monteiro explicou também que a droga entra em Timor-Leste através de Singapura.


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entrevista A caminho dos 37 anos de relações diplomáticas, China e Cabo Verde, vivem cada vez mais momentos de perfeito entendimento. O apoio recebido da China é bem interpretado em várias frentes sociais, segundo o jornalista observou. São bastantes e importantes esses apoios. Estruturais, muitos deles, como é o exemplo das barragens. Colocado em finais de Novembro passado como representante diplomático em Cabo Verde, o embaixador Su Jian, figura muito simpática e pude verificar que estimada, já exerceu em Timor-Leste, nos anos 90 integrou o Grupo de Ligação Conjunto China-Portugal, faz-nos agora, no seu amplo gabinete na Praia, o ponto da situação e importância desses apoios, configurando outros

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Su Jian, embaixador da China em Cabo Verde

“Cabo Verde é um amigo fiel, po

Helder Fernando info@hojemacau.com.mo

O

grande objectivo da China em Cabo Verde, que o novo embaixador da República Popular da China (RPC), mencionou ao Hoje Macau, vai no sentido, do “reforço das relações entre os dois países, não somente no campo económico como também cultural e profissional”. Su Jian fez mesmo questão de pormenorizar: “estimular e incrementar, reforçando as relações bilaterais entre instituições culturais dos dois países, por exemplo, entre bibliotecas e bibliotecas, entre museus e museus, entre grupos de artistas de um e de outro lado. Muitos cabo-verdianos têm manifestado interesse em conhecer mais de perto diferentes aspectos da cultura chinesa, inclusivamente da cultura chinesa dos nossos dias. Como todos sabemos, vários filmes chineses têm recebido prémios internacionais. Pois há muita gente em Cabo Verde que deseja maior aproximação ao cinema chinês, às telenovelas chinesas, e a outros ramos culturais. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que

esses exemplos, e outros, sejam projectados aqui, que fiquem ao alcance dos cabo-verdianos que o desejarem.A nossa amizade e cooperação também passa por estes exemplos”. São cada vez mais frequentes as permutas de visitas de trabalhos entre diplomatas dos dois países. Naturalmente, que os grande empreendimentos apoiados substancialmente pela China neste país, são bem visíveis, havendo outros já projectados e que estão dando a Cabo Verde impulsos fortes e fundamentais como é fácil observar. Alguns desses empreendimentos: - Em 2013 será inaugurado na Ilha de Santiago o Estádio Nacional - “a maior obra erguida em Cabo Verde depois da Independência”, comenta o embaixador Su Jian. - O Palácio Presidencial cujas obras vão ter início em breve. - A Barragem do Poilão, na Ribeira Seca, Ilha de Santiago, a primeira grande obra hidráulica em toda a história de Cabo Verde, inaugurada há cerca de quatro anos. - O Complexo Educativo na Ilha do Sal.

“Uma paixão! Macau é uma cidade de culturas diferentes, como uma cidade de museus, a própria cidade é um museu guardando diferentes culturas. Ainda não voltei depois de 1994, ouvi falar do muito progresso, muitos casinos (risos). Mas espero que os artistas, os intelectuais tenham também o seu espaço digno, apesar dessas expansão dos casinos, porque a cultura deve ter o seu espaço próprio” - O Projecto de Governação Electrónica. - A 2.ª fase do Hospital Central na cidade da Praia, a capital, a iniciar muito em breve. Posteriormente à entrevista ao embaixador da China, Francisco Mendes, ligado ao Ministério das Relações Exteriores de Cabo Verde, profundo especialista nos assuntos chineses e ex-delegado, em Macau, junto do secretariado permanente do Fórum Macau, figura incontornável quando se fala da China com sentido culto e atento, além da sua tradicional e inexcedível disponibilidade, ouvido informalmente pelo Hoje Macau,

comentou a importância do funcionamento da Barragem do Poilão para a agricultura e para os mercados: “São um milhão e sete mil metros cúbicos de água. Notam-se os verdes que crescem nos locais, mas não é tudo, os mercados dizem o outro lado dos benefícios trazidos pela barragem. Por exemplo, a mandioca que antes custava cerca de cinco euros, agora o preço nem chega a um euro. Foi nítida a baixa de preços nos produtos hortícolas. Anteriormente havia grande dificuldade de acesso a água subterrânea para a agricultura e muitos diziam que as barragens não seriam possíveis pelo facto de o nosso país ser definido por ilhas que não suportariam


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entrevista

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por isso o forte apoio da China”

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e 94 pertenceu ao Grupo de Ligação Conjunto. À pergunta sobre que recordações de Macau respondeu afectuoso: “Uma paixão! Macau é uma cidade de culturas diferentes, como uma cidade de museus, a própria cidade é um museu guardando diferentes culturas. Ainda não voltei depois de 1994, ouvi falar do muito progresso, muitos casinos (risos). Mas espero que os artistas, os intelectuais tenham também o seu espaço digno, apesar dessas expansão dos casinos, porque a cultura deve ter o seu espaço próprio”.

[Cabo Verde] é “um bom modelo de estabilidade social e política, um grande exemplo para o continente africano, pois aqui nunca foi disparado um tiro depois da independência. Outra razão é a importância “geoestratégica de Cabo Verde, a sua localização e influência junto a África, e a dois passos da Europa e da América do Sul”

o peso das barragens, neste caso desta barragem. Então os chineses construíram e agora todo o mundo reconhece o grande benefício que esta barragem trouxe ao nosso País”. Sobre o complexo educativo na ilha do Sal, também fomos informados que será uma escola técnica com vocação para o Turismo. E quanto ao mencionado Projecto de Governação Electrónica, fomos complementarmente elucidados, ainda por Francisco Mendes, de que se trata de equipar modernamente o Governo com as denominadas TIC’s, que são as tecnologias de informação e comunicação, alicerçadas por redes de comunicação, computadores, câmaras, telefones, de modo, por exemplo, a existir um tratamento automático de informação, comunicação dessa informação através de hardware e software, com transmissão através de redes de computadores e outros meios de comunicação. “No fundo e em síntese, este Projecto de Governação Electrónica vai permitir completar a ligação total e eficiente entre todos os serviços do Estado em todas as ilhas, portanto tudo

em rede. A primeira fase destas ligações já está feita, agora é a fase de criação de um centro, uma base de dados com bastante dimensão, permitindo desenvolver um assinalável parque tecnológico. A ponto de ser possível a criação de empresas no sector das novas tecnologias de informação, baseadas aqui mesmo em Cabo Verde. Após este projecto estar terminado, notar-se-á o grande salto significativo nesta matéria. E existem negociações entre os dois países para novos projectos de grande dimensão que trarão a Cabo Verde, assinaláveis progressos, como é o caso da Cabnave, empresa cabo-verdiana de reparação naval, instalada na ilha de S. Vicente, que está negociando com empresas chinesas do ramo. Um projecto totalmente empresarial. Naturalmente que poderá haver capital vindo da China, mas sobretudo o know-how chinês”, resume Francisco Mendes.

A IMPORTÂNCIA GEOESTRATÉGICA DE CABO VERDE

Voltando à entrevista ao embaixador Su Jian, “a China oferecerá os seus

préstimos para novos projectos infra-estruturais em Cabo Verde de modo a dinamizar a economia deste país, ajudando definitivamente o seu desenvolvimento sustentável”. Por um conjunto de razões, este apoio forte a Cabo Verde por parte das autoridades da China. Em resumo, podemos considerar assim essas razões: a amizade e bom relacionamento de quase quatro décadas, e o facto de, na expressão usada pelo embaixador Su Jian, Cabo Verde ser “um bom modelo de estabilidade social e política, um grande exemplo para o continente africano, pois aqui

“A China oferecerá os seus préstimos para novos projectos infra-estruturais em Cabo Verde de modo a dinamizar a economia deste país, ajudando definitivamente o seu desenvolvimento sustentável”

nunca foi disparado um tiro depois da independência. Outra razão é a importância “geoestratégica de Cabo Verde, a sua localização e influência junto a África, e a dois passos da Europa e da América do Sul”. Este embaixador garante ao Hoje Macau que “a China tem o cuidado de estar sempre trabalhando para ajudar um amigo fiel que é Cabo Verde, apesar da crise financeira internacional. Desejamos, inclusivamente, aumentar a nossa assistência e os nossos investimentos neste país, fomentando o encontro e o negócio entre empresários de ambos os lados” Sobre que áreas estão interessados os empresários chineses, ficámos sabendo que “nas pescas, no turismo, na formação profissional, nas infra-estruturas, sempre com as empresais cabo-verdianas e o aval do Governo de Cabo Verde”. Mantendo um discurso onde as preocupações culturais também são evidentes, o experimentado diplomata Su Jian conheceu Macau de perto. Especialmente nos anos 90 do século passado, pois entre 1991

O Hoje Macau entrevistou o embaixador Su Jian, na véspera da chegada de uma delegação chinesa integrando elementos de Macau como o secretário para as Finanças Francis Tam e dirigentes do Fórum de Macau como Rita Santos. Comentário deste anfitrião: “ Eu considero muito importante este laço entre Macau-China e Cabo Verde, neste caso. Macau tem muitos pontos semelhantes com Cabo Verde. São dois territórios que dão importância à cultura, ao património cultural, ambos possuem muitos artistas em vários ramos da Arte” E a importância de Macau na dinâmica política da China? “Muito importante”, respondeu o embaixador, prosseguindo: “Para promover as relações chinesas com Cabo Verde temos três mecanismos: a Comissão Conjunta Económica, Comercial e Técnica. o Fórum de Cooperação Sino-Africano, e o Fórum de Macau”. Por fim, mas não no fim das importâncias, solicitado a endossar uma mensagem a Macau, região que ele conhece, antecipadamente o embaixador Su Jian sublinhou ser uma mensagem importante. Esta: “Espero que Macau possa ser realmente uma plataforma, um bom ponto de ligação entre a China e, neste caso Cabo Verde. Existem todas as facilidades: a língua, aspectos culturais, isso é muito importante. Fazerem coisas juntos, neste país, será muito importante e exemplar como colaboração trilateral”.


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vida

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Especialistas retomam investigação com vírus mutantes da gripe das aves

Entender a doença

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26 de Janeiro de 2012, um grupo internacional de especialistas de gripe das aves tinha decidido impor a si próprio a suspensão do estudo das mutações do vírus H5N1 da gripe das aves que o poderiam tornar transmissível pelos espirros entre seres humanos. Ontem, numa carta enviada às revistas Nature e Science, os mesmos 40 signatários declaram que tencionam retomá-las. A moratória fora decidida na sequência das críticas levantadas por uma parte da comunidade científica na altura da publicação, naquelas mesmas revistas, de dois artigos - respectivamente da autoria de Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus (Holanda), e de Yoshihiro Kawaoka, da Universidade do Wisconsin (EUA) - sobre as questões

de segurança ligadas ao facto de criar, em laboratório, vírus H5N1 mutantes adaptados ao contágio por via aérea entre mamíferos, tal como uma vulgar gripe sazonal. Na altura, a ênfase foi posta na ameaça bioterrorista, mas actualmente as preocupações estão mais

viradas para os riscos de eventuais “fugas” acidentais de tais vírus. Inicialmente prevista para durar dois meses, a moratória acabaria por se prolongar por um ano, para “explicar ao público os benefícios para a saúde destes trabalho, descrever as mediPUB

Notificação n°.001/DM/SIS/2013 Considerando que não se revela possível notificar o interessado, por ofício, telefone ou outra forma, para efeitos de prosseguimento do respectivo processo administrativo sancionatório, nos termos dos artigos 10°, 58° e n°. 1 do art° 72° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n°. 57/99/M, de 11 de Outubro. Ordeno, assim, por meu despacho de 15 de 01 de 2013 e nos termos do n° 2 do art° 72° e dos art°s 93° e 95° do “Código do Procedimento Administrativo”, o início do procedimento administrativo, com vista a rescisão do contrato de arrendamento, contra FU MOK FONG(傅木房), arrendatário da banca de Produtos Refrigerados n° 26, situada no 2° do Mercado do Iao Hon, por se haver verificado a interrupção da exploração da respectiva banca por um longo período de tempo, tendo, porém, o arrendatário o direito de apresentar as suas alegações no decurso do procedimento. O arrendatário acima mencionado deve, no prazo de 10 (dez) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação desta notificação, comparecer na Divisão de Mercados do IACM, sita na Avenida do Ouvidor Arriaga, n°. 70 A, Edf. Fortune Tower, 1° andar, para efeitos de audiência; caso contrário, expirado o prazo, prosseguirá o procedimento administrativo com vista à rescisão do contrato de arrendamento da referida banca. Nos termos do n° 3 do art° 95° do “Código do Procedimento Administrativo”, a falta de comparência do notificado não constitui motivo bastante para adiamento da audiência, mas, caso apresente uma justificação razoável até ao termo do prazo que lhe foi fixado, poderá ela ser adiada. Macau, aos 15 de 01 de 2013 O Vice-Presidente do Conselho de Administração Lei Wai Nong www. iacm.gov.mo

das que permitem minimizar os riscos e dar tempo aos países para rever as suas políticas”, nomeadamente de biossegurança, lê-se na carta agora publicada (acessível em http://www.sciencemag. org/site/special/h5n1/). Os defensores destas investigações têm argumentado que conhecer o número mínimo de mutações que tornariam o H5N1 numa nova praga humana global deverá permitir não só desenvolver vacinas, mas criar sistemas de alerta, caso essa combinação de mutações surja naturalmente. Os mesmos signatários de 2012 - Fouchier, Kawaoka e um elenco de estrelas

mundiais da gripe das aves - assinam, portanto, esta nova carta, considerando que essas metas foram atingidas. E que, na medida em que uma série de países já redefiniu as suas normas de biossegurança e aprovou as pesquisas nessas condições, é urgente retomá-las. Apesar de os EUA, o maior financiador mundial na área através dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), não ter ainda dado a sua resposta e não se saber quanto é que ela poderá ainda demorar. “Por que é que os outros países deveriam esperar pelos Estados Unidos?”, disse ontem Fouchier, durante uma conferência de imprensa telefónica internacional organizada pela Science, salientando, aliás, que combinações de duas mutações por eles identificadas antes da moratória já foram detectadas em H5N1 no Egipto.

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Interrogado pelo jornal Público sobre quais os países que já responderam afirmativamente - ou que estarão em vias de o fazer -, o investigador disse serem basicamente os países onde se localizam os laboratórios dos signatários: Alemanha,

Canadá, China, EUA, Holanda, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. “Não tenho uma lista dos países”, declarou, “mas a Holanda, Canadá e, em princípio, todos os países da União Europeia já deram a sua aprovação”. O Japão, salientou, pelo seu lado, Kawaoka, ainda não o fez. Todavia, reconheceram estes cientistas, os níveis de biossegurança exigidos aos laboratórios para evitar fugas ou a contaminação dos que neles trabalham não estão harmonizadas a nível mundial. Mas esperam que a Organização Mundial da Saúde venha a agir nesse sentido. O debate está, contudo, longe de estar encerrado. Muitos cientistas continuam a criticar a realização destas investigações - e subsistem dúvidas inclusivamente entre os signatários da nova carta. Ilaria Capua, do Instituto Zooprofiláctico Experimental de Pádua (Itália), admite na Nature os seus receios ao jornalista Declan Butler. Não com o punhado de laboratórios com altos padrões de segurança actualmente envolvidos, mas “com o risco de proliferação deste tipo de investigação a mais longo prazo”. Concretamente, onde é que as pesquisas poderão ser retomadas nas próximas semanas? Fora dos EUA e sem fundos dos NIH. O que por enquanto exclui totalmente a equipa de Kawaoka e parcialmente a de Fouchier.


sexta-feira 25.1.2013

José C.Mendes info@hojemacau.com.mo

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aclamada pianista francesa Hélène Grimaud está em Macau pela primeira vez para interpretar este sábado, no Grande Auditório do CCM, pelas 20h, obras de Mozart, Liszt, Berg e Bartók. Em conferência de imprensa ontem realizada nas instalações do CCM a pianista falou sobre o recital que a traz até Macau. Para além da sua paixão pela música, Grimaud é também uma pessoa que se assume comprometida com várias causas. Apoiante vocal da Amnistia Internacional, entre outras organizações de defesa dos Direitos Humanos, em 1999 fundou o Wolf Conservation Centre (WCC) em Nova Iorque, que é hoje uma das mais importantes instituições na luta pela preservação desta espécie. Descrita como uma intérprete emotiva e espiritual, a multifacetada pianista francesa tem uma abordagem única dos compositores clássicos. “Não é fácil sobre isso. Acho que não me compete a mim e não é fácil de definir por palavras a minha interpretação musical. Mas acho que o mais importante é ser honesto, ter respeito pela partitura e ter alguma vontade de correr riscos. Fazer com que num recital as pessoas sintam que a peça está

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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UTOR do blogue “Macau Antigo” e da obra “Macau, os anos da guerra:1939-1945”, João Botas está a preparar novos projectos, que deverão ver a luz do dia ainda este ano. Ao Hoje Macau, o autor confessou que está a preparar uma biografia sobre Manuel da Silva Mendes, que viveu no período compreendido entre 1867 e 1931, obra que deverá ser publicada em formato livro no final deste ano. Contudo, esperam-se mais iniciativas, como a “colocação de uma placa alusiva a Manuel da Silva Mendes na sua antiga casa, hoje sede de um instituto das Nações Unidas”, em Macau, bem como a edição da obra em formato e-book, depois de publicada a versão em papel. Para colaborar neste projecto, João Botas confirma que conta “com o apoio do professor António Aresta, um especialista na matéria”, tendo já enviado convites para António Conceição Júnior e o arquitecto Carlos Marreiros. Com uma viagem a Macau planeada para breve para obter mais apoios e realizar

cultura

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Recital de Hélène Grimaud com obras de Mozart, Liszt, Berg e Bartók no CCM

Viagem à Europa Central

a ser escrita nesse momento. Esse deve ser o objectivo principal de uma actuação ao vivo,” disse Hélène Grimaud. Questionada pelo Hoje Macau sobre o programa que vai apresentar em Macau, Grimaud revelou

que o alinhamento do recital do próximo sábado lhe é muito caro. “ Este é um programa que guardo no coração. Embora tenha gravado estas peças num disco há dois anos, nunca as tinha tocado antes e gosto de as levar a todo lado. O próximo

disco está a sair e isto representa o fim de um ciclo,” disse a pianista. Juntar compositores tão diversos num recital tem para Grimaud uma explicação. “Tive sempre um grande fascínio pelo império Austro-Húngaro. Pode olhar-se

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para o programa e dizer que histórica e geograficamente o programa vai muito para além do império Austro-Húngaro, mas apesar disso eu vejo-o como uma viagem pela Europa Central. Começando com Mozart que está antes do começo deste império, passando pelas Danças Populares romenas de Bartok, que dá uma cor triste e trágica ao programa. Remete-nos para todos os acontecimentos sem sentido que tiveram lugar, ignorando etnias e agrupando populações em constelações que não eram as delas. É algo que me diz muito. A escolha da sonata de Mozart não é inocente. Não podia ser outra, tinha de ser esta. É a mais dramática, a que fala mais na primeira pessoa. Está cheia de contrastes, é quase violenta. É uma partitura atípica e assombrada para Mozart, cheia de alternâncias entre andamentos ‘fortíssimo’ e ‘pianíssimo’ , disse a pianista francesa, acrescentando que é “quase uma antecipação do que estava para vir com Beethoven.” Segundo Grimaud, o programa está imbuído de uma dramaturgia forte que ganha dimensão quando se juntam peças musicais. “ Sempre achei fascinante juntar partituras. Todas elas ganham uma outra luz em conjunto e soam de forma diferente do que se estivessem a ser tocadas noutro contexto.”

Livro deverá ser lançado em Outubro ou Novembro deste ano

João Botas está a preparar biografia de Manuel da Silva Mendes da filosofia taoísta e da arte chinesa, e em ambos os campos revelou-se um profundo conhecedor. A sua colecção particular serviu de base ao aparecimento do Museu

Luís de Camões e hoje é um dos mais importantes espólios do Museu de Arte de Macau.” “Não obstante a importância da sua vida e obra, sobre Manuel da Silva Mendes paira

um manto de silêncio não só injusto como inexplicável. É por tudo isto que se justifica o aparecimento desta biografia”, explica ainda o autor.

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mais pesquisas, o autor contou ainda que esta será uma obra de distribuição gratuita. “Em troca do apoio financeiro, cada patrocinador irá receber um determinado número de livros, de acordo com o montante do apoio.”

HOMEM DE LETRAS E DO DIREITO

Esta biografia é a terceira obra de João Botas, que

pretende homenagear uma figura que diz estar “esquecida”. “Serão apresentados documentos inéditos, desde artigos de sua autoria a fotografias. Vai abordar a vida e obra de Manuel da Silva Mendes, homem de espírito multifacetado: professor e reitor do Liceu, advogado, juiz, presidente do Leal Senado. Teve ainda tempo para se dedicar ao estudo

AVISO ISENÇÃO DE IMPOSTO DO SELO SOBRE TRANSMISSÕES DE BENS De acordo com o disposto no artigo 13.º do Orçamento da Região para o ano de 2013, aprovado pela Lei n.º 17/2012, os bens imóveis adquiridos com destino à habitação, até ao valor de $3 000 000,00 (três milhões de patacas) encontram-se isentos, no referido ano, de imposto do selo sobre transmissão de bens, pelo que se comunica o seguinte: I. Para beneficiar da isenção do referido imposto do selo, devem os contribuintes apresentar requerimento em conformidade, junto da Direcção dos Serviços de Finanças, desde que preencham os seguintes requisitos. 1. sejam residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau, maiores de idade, e, 2. não sejam proprietários, no ano de 2013, de qualquer bem imóvel (tais como: bens destinados a habitação, a comércio, a escritório, a indústria, a estacionamento de veículos motorizados, etc.) na Região Administrativa Especial de Macau, salvo casos em que se detenha apenas um imóvel destinado ao estacionamento de veículos motorizados.

II. Considera-se proprietária a pessoa singular que tenha adquirido bens imóveis por qualquer um dos documentos considerados como fonte de transmissão para efeitos fiscais, independentemente do registo de aquisição na Conservatória do Registo Predial. III. A transmissão de bens imóveis a terceiro que não seja por motivo de sucessão hereditária, no período de 3 anos contados da data da concessão da isenção, determina a caducidade da mesma, devendo o seu beneficiário, antes daquela ocorrer, proceder ao pagamento do imposto do selo que seria devido nos termos gerais. IV. Os contribuintes que obtiveram o benefício fiscal desta natureza em anos anteriores, não têm direito à isenção atrás mencionada. Aos 8 de Janeiro de 2013. A Directora da DSF Vitória da Conceição


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desporto

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Zou Shiming estreia-se como profissional em Macau

O amadorismo já era

Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

O

anúncio já era há muito aguardado, mas agora é mesmo oficial. A última grande referência do pugilismo amador rendeu-se aos encantos dos milhões movimentados pelos principais circuitos mundiais da modalidade e juntou-se na quarta-feira, em Pequim, ao grupo de atletas representados pelo promotor norte-americano Bob Arum. O chinês Zou Shiming, campeão olímpico em Pequim e em Londres, assinou um contrato com a empresa Top Rank para competir como profissional e o batismo de guerra do lutador nos grandes palcos do boxe internacional deve ocorrer em Macau. O bi-campeão olímpico deverá ser uma das figuras de proa da série de combates de que o resort Venetian Macau será palco no início da Primavera. Será no maior casino do mundo que se vai decidir a seis de Abril o título mundial da World Boxing Association na ca-

tegoria de pesos “mosca”, com o filipino Brian Viloria a colocar o título a concurso num combate em que deverá ter como adversário o mexicano Juan Francisco Estrada. O nome do primeiro adversário de Zou Shiming nas andanças do circuito profissional ainda não é conhecido e os responsáveis pela promotora Top Rank também não foram muito expansivos quanto às condições que norteiam o contrato anteontem assinado. Por esclarecer estão questões como o número de combates em que o campeão olímpico vai competir na sua época de estreia como profissional ou o retorno garantido ao mais conceituado lutador chinês da actualidade. Numa conferência de imprensa organizada em Pequim ao início da noite de quarta-feira, Bob Arum qualificou Zou Shiming como um dos maiores talentos do boxe mundial e garantiu que vai fazer o que está ao seu alcance para transformar o campeão olímpico numa

figura de proa da modalidade a nível mundial: “Zou possui um talento incrível e não é difícil perceber porque razão é tão popular na República Popular da China. Farei tudo o que me for possível para assegurar que Zou Shiming terá uma carreira espectacular como pugilista profissional”, assegura Arum. Zou Shiming, de 31 anos, era visto por muitos como o melhor lutador amador na categoria de peso “mosca” ligeiro. Medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, o atleta chinês renovou o título olímpico no último Verão, depois de já se ter sagrado campeão do mundo em 2005, 2007 e 2011. Tido como um dos desportistas mais populares da República Popular da China, Zou é conhecido dentro de portas pela sua extraordinária velocidade e pela ligeireza do seu jogo de pernas. São estas as armas com que o atleta chinês quer triunfar num circuito profissional da modalidade que tem em Macau a sua primeira paragem.


sexta-feira 25.1.2013

[ ] Cinema SALA 1

THE GRAND MASTER [B]

(FALADO EM CANTONÊS E MANDARIM LEGENDADO EM CHINÊS) Um filme de: Kar Wai Wong Com: Tony Leung Chiu Wai, Ziyi Zhang, Chen Chang 14.30

futilidades

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Cineteatro | PUB SALA 2

THE TOWER [C]

(FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) 14.30, 16.45, 19:15, 21:30 SALA 3

THE LAST STAND [C]

THE IMPOSSIBLE [C]

Um filme de: Issara Nadee, Patchanon Thumjira, Kirati Nakintanon Com: Apinya Sakuljaroensuk, Peter Knight, Ray Macdonald 16.45, 21:30

Um filme de: Kim Jee-Woon Com: Arnold Schwarzenegger, Zach Gilford, Forest Whitaker 14.15, 16.05, 17:55, 19.50

LES MISÉRABLES [B]

THE GRAND MASTER [B]

Um filme de: Tom Hooper Com: Hugh Jackman, Anne Hathaway, Russel Crowe, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Aaron Tveit, Samantha Barks, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen 18.45

(FALADO EM CANTONÊS E MANDARIM LEGENDADO EM CHINÊS) Um filme de: Kar Wai Wong Com: Tony Leung Chiu Wai, Ziyi Zhang, Chen Chang 21:45

VERTICAIS: 1-Irradiem. Rio que banha o distrito de Beja. 2-É engnado. Entregar, Debaixo de. 3-De outro modo. Ave fabulosa, única no seu género, a qual durava séculos e que, queimada, renascia das próprias cinzas (Mit.). Avenida (abrev.) 4-Espécie de resina perfumada que corre das incisões feitas no tronco do benjoeiro. 5-Tal como foi ditto. Verniz preto ou vermelho. 6-Dá pancada, bate. Vielas. 7-Porção de terra cercada de água por todos os lados. E não. 8-Agregareis. 9-Imprime. Luneta. Cobalto (s.q.). 10-Rio da Rússia. Ave corredora. Doutora (abrev.) 11-Porto abrigado. Declamador.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Toadas, boatos. Que mia muito. 2-Bruto. Malícia (Fig.). Protecção. 3-Vogais. Iguais. Vaso bojudo, de gargalo estreito, geralmente de barro. Idem (abrev.). 4-Encerrado. 5-Paraíso terreal. Eleve, erga. 6-Comida (Prov.). Instrumento que serve para determinar a direcção vertical. 7-Corrente de água. Segurar-se com as gavinhas. 8-Carboneto de hidrogénio proveniente da destilhação da hulha. 9-Carta de jogar. Importunes, enfades. Consoantes iguais. 10Faz doação. Combinação, mistura (Prep.). Jogo semelhante ao da paciência. 11-Evitas um mal. Zunir, zumbir.

Aqui há gato [Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:45 19:00 19:30 20:30 21:15 21:30 22:10 23:00 23:30 00:20 01:00

16:30 19:00 20:00 20:30 21:00 21:30 22:00 22:30 23:00 23:30

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi RTPi Directo TDM Talk Show (Repetição) Resistirei Telejornal Ler + Ler Melhor Regresso a Sizalinda Escrito nas Estrelas TDM News Portugueses Pelo Mundo Telejornal – Repetição RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Sexta às 9 15:10 Percursos 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Cuidado com a Língua 17:15 15º Aniversário da RTP África 18:00 Ler +, Ler Melhor 19:05 Depois do Adeus 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:10 Portugal no Coração 30 - ESPN 12:00 China National Table Tennis Champs 15:00 Southern Classic 2012 17:30 Premier League Darts 2012 19:00 The Football Review 2012-2013 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 2013 20:00 (LIVE) Asean Basketball League 2013 Chang Thailand Slammers vs. Singapore Slingers 22:00 Sportscenter Asia 2013 22:30 AFF Suzuki Cup 2012 Final, 2nd Leg Thailand vs. Singapore 31 - STAR Sports 12:00 (LIVE) Australian Open 2013 Women’s Doubles Final/ Mixed Doubles Semifinal

(LIVE) Australian Open 2013 Men’s Singles Semifinal Rolex FEI World Cup Jumping 2012/13 Ifmxf Freestyle Motocross World Championships 2012 500 Great Goals Game 2012 (LIVE) Score Tonight 2013 FINA Aquatics World 2013 Game 2012 Motorsports@petronas 2012 Score Tonight 2013

40 - FOX Movies 11:40 Glee: The Concert Movie 13:05 Spy Kids 14:35 Kung Fu Hustle (Mand) 16:15 Stand By Me 17:45 Perfect Catch 19:30 Cloudy With A Chance Of Meatballs 21:00 Shark Night 22:35 Fair Game 00:25 Spy Kids 41 - HBO 13:00 New Year’S Eve 15:00 Barbershop 2 16:50 Pay It Forward 19:00 The Adjustment Bureau 20:45 Harry Potter And The Deathly Hallows 23:00 Underworld: Awakening 00:30 Sleepy Hollow 42 - Cinemax 12:30 Star Trek Vi 14:20 Terminal Velocity 16:00 The Spy With A Cold Nose 17:30 Calendar Girl 19:00 Batman: Year One 20:05 Jaws Iii 21:45 Epad On Max 22:00 Profugos 23:45 My Soul To Take

HORIZONTAIS: 1-ECOS. MIADOR. 2-MAU. SAL. ABA. 3-II. BILHA. ID. 4-T. FECHADO. A. 5-EDEN. A. ICE. 6-MANJA. PRUMO. 7-RIO. B. ELAR. 8-S. XILENIO. A. 9-AS. MACES. DD. 10-DOA. COM. CRO. 11-OBVIAS. ZOAR. VERTICAIS: 1-EMITEM. SADO. 2-CAI. DAR. SOB. 3-OU. FENIX. AV. 4-S. BENJOIM. I. 5-SIC. A. LACA. 6-MALHA. BECOS. 7-ILHA. P. NEM. 8-A. ADIREIS. Z. 9-DA. OCULO. CO. 10-OBI. EMA. DRA. 11-RADA. ORADOR.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA LENDAS DO PORTO • Joel Cleto

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Uma viagem pela História e Património da região do Porto a pretexto de mais de duas dezenas de lendas. Através destas páginas o leitor é convidado a (re)visitar monumentos como a Sé do Porto, a Torre de Pedro Sem, a Casa de Ramalde, a capela do Senhor da Pedra ou a igreja de Matosinhos. Mas também a contactar com personalidades históricas como o rei Ramiro, Zé do Telhado, Camilo Castelo Branco, D. Pedro IV ou o Infante D. Henrique. Aqui encontrará igualmente as explicações lendárias para a origem dos “tripeiros”, da associação da concha da vieira aos Caminhos de Santiago, ou de topónimos como Miragaia, Matosinhos ou Valongo. Episódios fabulosos, transmitidos durante séculos através da oralidade, as lendas não deixam de encerrar pistas preciosas (por vezes as únicas que chegaram aos nossos dias) para a compreensão de muitos episódios históricos e para a génese de muitas localidades e seus monumentos.

TESOURO DA COZINHA REGIONAL PORTUGUESA • Maria Odette Cortes Valente

Este livro leva-nos a visitar sabores, aromas e texturas que seriam de supor raros num país de tão pequenas dimensões, mas cuja riqueza Maria Odette Cortes Valente deixa bem patente ao longo destas centenas de páginas. Esperamos que se delicie com os milhares de receitas recolhidas pela autora, cuja missão tem sido sempre não se permitir que se percam os traços da culinária portuguesa, património de todos nós. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

ESTOU VICIADO! Queridos mulher e filhos, Estou viciado. Caso ainda não tenham dado conta de onde passo os meus dias e noite, consecutivos, venho aqui confessar-me. Se, até ao momento, o meu ar de zombie, o meu cheiro (a álcool, tabaco, perfume barato e a pitada de transpiração a nervoso miudinho), os meus ornamentos de ouro, as malas Chanel e Louis Vitton com que te brindei mulher e a ameaça - que tentei ocultar com desleixo alcoolizado - ainda não me denunciaram, quero ao fim de dois dias declará-lo. E, desde logo, caso se perguntem de que vício padeço, informo que são todos os que posso contrair no mundo dos casinos. Por essa razão, peço por favor interditemme a entrada nestes espaços de perdição. Apresentem a presente carta à Direcção de inspecção e Coordenação de Jogos, ouvi dizer que com a minha autorização legal os casinos põem-me na lista negra e batem-me com a porta na cara da próxima vez. P.S.: Penhorei casa, e tudo que estava dentro, o carro e, creio que, a certa altura da passada noite, arranjei-vos outro pai de família. Julgo que seja mais ou menos assim que os 30 jogadores, que preenchem uma alta franja de “vítimas” do jogo, se tenham automutilado nos dois últimos meses. Ai não? Talvez o senhor leitor saiba melhor. Eu cá gostava de perceber como é que funciona. Como é que jogadores patológicos lucidamente se excluem de uma acção que não controlam? E os casinos apresentam dois matulões à entrada - quais seguranças de discotecas - que verificam se estão na lista dos viciados? Ou é depois de terem perdido as suas “lecas” lá dentro que vem de lá a brigada de inspecção - com certeza, todos os dias a fazer o seu trabalho com elementos destacados para cada casino - que os põem de lá para fora? Eu, gato que sou, acho graça a isto. Portanto, avançar com uma lei que legaliza a lista de jogadores problemáticos e compulsivos, mas apenas com a autorização dos próprios. Ou muito me engano ou não se hão-de “auto-excluir” muito mais do que estas ligeiras 30 dezenas, quando - ainda que tenha baixo para 2% o número de viciados em Julho último, segundo dados oficiais - deve atingir um número largo de “investidores” nas ‘slot machines’, nas mesas da roleta ou no bacará. Aliás, a variar o número, deve descer, já que os próprios no minuto seguinte podem arrependerse, pedindo a revogação da interdição prevista. Interessante! Calculo que ainda se vá a tempo de incluir na legislação, aprovada em finais do ano passado, que os próprios não têm de concordar com a família que os acusa e denuncia pelo facto de serem patológicos. Mas a quem é que convinha isso? Deixa lá andar que o crescimento económico tem de continuar em altas.

Pu Yi


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opinião

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Arnaldo Gonçalves

crepúsculo dos ídolos

Política

A

política é o que é. Sem meias-tintas ou verniz que disfarcem, por muito tempo, as fraquezas de uns e a inconsistência de outros. Porque o voto é que decide, não a vontade dos agentes políticos ou os prognósticos dos fazedores de opinião. Está-se a encerrar um ciclo político em Portugal. Um ciclo que começou com a eleição de Pedro Passos Coelho nas eleições internas no PSD e a vitória dos social-democratas nas eleições legislativas de Junho de 2011. Um ciclo que se traduziu numa série de medidas impopulares destinadas a equilibrar as contas públicas, reduzir as despesas do Estado; medidas que foram tomadas em catadupa, sem particular sensibilidade social, à custa do empobrecimento dos portugueses. Não há remição para os pecados políticos em democracia. Normalmente paga-se nas urnas os erros de visão, os desacertos de calendário político, a falha de comunicação com o eleitor médio que na verdade decide tudo: a sorte de uns, a infelicidade de outros. Temos 39 anos de experiência democrática e não temos que ver estas coisas como tragédia mas apenas como etapas de um longo percurso. O que a democracia tem de notável e o que a faz o sistema que todos os outros procuram plagiar

cartoon por Steff

é esta capacidade de “despachar” o governo sem derramamento de sangue, nem golpe de Estado, dando a confiança a um outro partido ou bloco de partidos que se afirma alternativo do que está no poder. Na verdade, Portugal tem um calendário político, oficial, que decorre do mandato (constitucional) da Assembleia da República e tem tido um ciclo político muito mais curto de governo, com dois anos, em cada dois anos. Tivemos, assim eleições legislativas em 2002 e 2005 e mais recentemente em 2009 e 2011. Não cairá o mundo se tivermos eleições em 2014. Pelo sururu que vai nos bastidores, António Costa prepara-se para medir forças com António José Seguro para a liderança do Partido Socialista. Era previsível que o presidente da autarquia de Lisboa aproveitasse este interregno pós-Sócrates para retemperar forças e preparar-se para um regresso político, em força. Como aliás já se sabia, António José Seguro tem sido uma solução fraca de liderança do Partido Socialista. Nunca foi alternativa ao governo do PSD, nem um efectivo líder da oposição ao centro-direita. António Costa é um político de outra têmpera, de outra qualidade. Mais situado à esquerda, é um político popular, carismá-

Pensar que o regresso aos mercados ou a renegociação do pacote de ajuda financeira da troika irá resolver como que por milagre os nossos problemas é cair, outra vez, na ilusão das medidas desgarradas do país real e que o sector bancário que tem sido o único favorecido com a actual situação possa salvar o país. O capital é apátrida, não tem orgulho nacionalista, ou amor à Pátria, apenas procura a melhor retribuição para as suas aplicações e investimentos tico, de trato fácil, com enorme impacto no PS histórico e muitas simpatias no Partido Comunista e no Bloco de Esquerda. É um líder natural que sabe o que quer e que tem a memória do PS pelo seu lado. Faz a ponte entre as novas gerações dos jotas e os tra-

PREPARAR NOVO TESTE

dicionais republicanos laicos que rodearam António Guterres. Tudo se tratará agora de saber qual o melhor timing político para o avançar da sua candidatura a líder. Um congresso extraordinário parece ser a melhor solução não sendo previsível que António José Seguro se demita voluntariamente das suas responsabilidades de líder. Do lado dos socratistas foi dado o sinal por Pedro Silva Pereira de assentimento a esta necessidade de consultar os socialistas, sobre o momento interno. Também por coincidência (ou talvez não) Jorge Coelho está livre de responsabilidades como homem forte da Mota Engil… Que resposta encontrará este avanço do PS para o poder da parte do PSD? Existem suficientes sinais internos de que o actual rumo de penalização do eleitor, de atropelo da classe média, de adelgaçamento do Estado social não leva a lado nenhum, ou melhor levará, pelo decorrer do tempo, à derrota eleitoral. Também as últimas sondagens de opinião dão um manifesto desligamento dos eleitores das opções do governo. O presidente do partido teve já o tempo suficiente para analisar a situação e as suas várias coordenadas de saída. A determinação é importante, em política, mas quando se transforma em obstinação é sinal de falta de lucidez. O país já não suporta mais austeridade, nem queda das pensões e subsídios sociais, nem subida do desemprego, designadamente entre a população jovem e melhor qualificada. Ultrapassou-se o limiar da tolerância. A menos que Portugal se queira parecer à Albânia em vez das pequenas nações promissoras da Europa do Norte. Pensar que o regresso aos mercados ou a renegociação do pacote de ajuda financeira da troika irá resolver como que por milagre os nossos problemas é cair, outra vez, na ilusão das medidas desconchavadas do país real. Como que acreditar que o sector bancário que tem sido o único favorecido pela actual situação possa salvar o país da escassez de capital. O capital é apátrida, não tem orgulho nacionalista, ou amor à Pátria, apenas procura a melhor retribuição para as suas aplicações e investimentos. Esta não é uma conclusão ideológica, é uma conclusão realista. Uma visão liberal de governabilidade do país não dispensa o Estado social. Bem pelo contrário, todos os velhos liberais, começando por John Stuart Mill, Benjamin Constant ou Alexis de Tocqueville, visionaram a acção do Estado em socorro dos mais necessitados. O processo de integração europeia comprova que é possível combinar desenvolvimento e solidariedade, Mercado e Estado, equilíbrio orçamental e políticas públicas de crescimento. O pacto com a troika não é um colete-de-forças; é um quadro de acção política. Existem escolhas. Este é o momento de parar e pensar. E arrepiar caminho enquanto ainda há tempo.


sexta-feira 25.1.2013

opinião

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Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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contramão

Os cornos no destino

L

Á em casa não se falava de política ao jantar. Percebi mais tarde que devia ser do hábito, por força do silêncio imposto durante muitos anos de vida e de medo. Quando nasci, a liberdade era ainda uma coisa fresca, uma novidade, a democracia era um conceito solene, uma palavra a respeitar mais do que todas as outras. Embora não se falasse de política ao jantar, as eleições eram um momento tratado com religiosa reverência, mais religiosa ainda porque aconteciam sempre depois da missa do meio-dia, numa escola transformada numa urna gigante onde toda a cidade votava. Eu ia lá, solene como toda a gente, pela mão da minha mãe, vê-la dobrar o papelinho com que ajudava a escolher o futuro. Nos domingos eleitorais, a missa do meio-dia era ainda mais interminável, eu a contar pelos dedos a imensidão de dias que me faltavam para poder votar e poder conduzir, os meus dois grandes objectivos de vida aos seis ou sete anos. Nos domingos eleitorais podia ir mais tarde para a cama. Nessa época, os políticos eram todos presidentes de câmaras – eram os homens que, achava eu, escolhiam os músicos para os concertos de Verão no centro da cidade e mandavam noutras coisas tipo as bibliotecas e as escolas da autarquia. Nessa época, lembro-me bem, as campanhas eleitorais eram momentos animados, também com muita música, e em casa dos meus avós havia um avental com as cores de um partido, numa altura em que os partidos ainda se preocupavam, concluo eu agora, com o que os eleitores tinham no prato para comer. A essa altura do campeonato, já alguém me tinha explicado que nem sempre se tinha podido votar. Eram tempos muito cinzentos, com muita pobreza, e em que as meninas eram tratadas de forma diferente dos meninos, os ricos eram tratados de forma diferente dos pobres, os das aldeias eram esquecidos e as oportunidades só estavam nas cidades. Daí a importância da tal cruz no papelinho, a importância de se escolher quem ia mandar na cidade. Lembro-me perfeitamente da minha primeira desilusão política. Devia ter uns oito anos, a idade em que, por razões várias, passei a andar com a palavra injustiça na ponta da língua. Descobri que a escola da mulher do presidente da câmara tinha água quente e um chão novo. Em contraste, a da minha mãe, a escola onde a minha mãe dava aulas, tinha buracos no telhado. Chovia nas salas. A minha mãe dava aulas na escola

Eu e outros como eu somos de uma Europa mergulhada na apatia política de anos e chegamos a uma certa Ásia onde a política era, até pouco mais de uma década, um ser estranho e distante. Eu e outros como eu chegamos aqui e dizemnos que somos estrangeiros, numa terra onde curiosamente todos são como nós. A menina não fale, a menina não resmungue, a menina perceba onde está mais pobre da cidade, com os meninos mais pobres da cidade, na zona mais pobre da cidade. Ainda assim, indignada e de lágrimas nos olhos, a minha mãe acreditava no voto, na cruzinha. Eu só podia fazer o mesmo. Não sei onde é que nos perdemos na política, onde é que a política nos perdeu. Cresci e as pessoas políticas que fui conhecendo eram de duas espécies: os amigos mais velhos que eram jovens adultos por altura do 25 de Abril, inconformados com a evolução do país, parados algures; e os jotinhas da minha idade, de cores diferentes, de partidos diferentes, todos demasiado iguais à excepção dos cortes de cabelo, mais franja menos melena, camisola dobrada à direita ou à esquerda. Nem uns, nem outros me interessavam por aí além. Não sei onde é que nos perdemos na política e também não sei por que é que ninguém nos explica nas escolas que a política

é importante, que a política é cidadania. Que a política se faz todos os dias e que é coisa que pertence a todos, em todos os momentos. Só sei que os da minha geração – e perdoem-me os que sentem o contrário – estão longe da política como o diabo quer estar da cruz. Como se a política e os políticos fossem todos presidentes de câmaras que deixam as escolas dos meninos pobres com buracos no telhado enquanto instalam esquentadores nas escolas das mulheres que, neste caso, se chamam esposas. Às tantas são – e desculpem-me os que fazem o contrário. Não sei onde é que nos perdemos na política, qual foi o momento exacto em que as desilusões de uma geração – será que as houve? – se juntaram à falta de noção de que os países são nossos, as cidades são nossas, as escolas são nossas e só nós as podemos acarinhar. Eu e outros como eu somos de uma Europa mergulhada na apatia política de anos e chegamos a uma certa Ásia onde a política era, até há pouco mais de uma década, um ser estranho e distante. Eu e outros como eu chegamos aqui e dizem-nos que somos estrangeiros, numa terra onde curiosamente todos são como nós – se não de primeira, estrangeiros de segunda ou terceira geração. A menina não fale, a menina não resmungue, a menina perceba onde está. À nossa apatia europeia misturamos, devagarinho, o alheamento asiático. Nada dos interessa, nada nos comove, nada nos move. Eu e outros como eu somos de uma democracia que já permite discussões de política ao jantar, mas onde não caem bem discussões de política no emprego. Ou reivindicações laborais na pausa para o almoço, com o chefe presente. Ainda não crescemos o suficiente para encaixarmos a diferença de opiniões na gaveta certa, sem que a divergência de ideias seja entendida como afronta a quem manda. A menina não fale, a menina não se indigne, a menina veja lá onde está, a menina veja lá o favor que lhe fazem em estar aqui. Deviam dar-nos o animal que espeta os cornos no destino (obrigada Natália), um animal que não tem pátria nem continente. Se não nos é dado, devíamos ir à procura dele. Para acreditarmos que a cidadania faz sentido, que os políticos fazem sentido, que um avião e um jornal não nos bastam (obrigada Natália). Queria poder viver o tempo em que a política nos emociona. E se discute à hora do jantar, no emprego, e até nas cidades onde só nos querem estrangeiros.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


sexta-feira 25.1.2013

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Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

D

“

EPOIS de dez trimestres consecutivos com um crescimento anual de dois dígitos, a economia de Macau parece ter conhecido um abrandamento.” É desta forma que a Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) começa a analisar o panorama económico do território na mais recente edição do relatório “Análise da Estabilidade Monetária e Financeira”. Para 2013, a AMCM prevê que o abrandamento continue, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a um dígito. “A procura externa vai continuar a registar um abrandamento, enquanto a procura interna, equivalente a 40% do valor da procura externa, vai continuar a crescer a um ritmo acelerado”, aponta o relatório, que defende que a região “vai continuar a ter perspectivas positivas”. Em 2012, a economia de Macau terá crescido cerca de 9%. No que diz respeito à área laboral, “vai continuar a manter-se favo-

Número de não-residentes vai crescer “de forma progressiva”

Economia de Macau vai crescer a um dígito, diz AMCM

rável, marcada por uma forte procura ao nível do sector dos serviços e da construção”. Quanto aos não-residentes, vão continuar a crescer “de forma progressiva”, dada a procura do mercado ao nível dos recursos humanos.

Face à taxa de desemprego, deverá continuar a manter-se nos 2% em 2013. “Vai continuar a manter-se um baixo número de pessoas desempregadas, que atingiu os valores mais baixos desde os últimos 15 anos”, refere o relatório da AMCM.

Já a inflação deverá ser “moderada”, graças ao abrandamento interno e ao controlo da inflação no resto do mundo.

APOSTAS VIP ESTÁVEIS

Como principal sector económico, o turismo sofreu

também um abrandamento, diz a AMCM, que deverá continuar a registar-se este ano. “Como resultado dos riscos dos mercados mundiais, as divisas gastas pelos turistas vão continuar a estar expostas aos riscos externos das economias regionais,

com um abrandamento das apostas VIP”. Outra área da economia que deverá registar um bom momento é a da construção. “Os investimentos em larga escala no sector público, como os desenvolvimentos da Ilha da Montanha e a ponte Zhuhai-Hong Kong-Macau, deverão impulsionar em grande parte os investimentos feitos em 2013. Em paralelo, um conjunto de projectos de construção ligados ao turismo no Cotai deverão fomentar os investimentos feitos no sector privado.” O relatório deixa ainda uma análise de “perspectivas favoráveis” para o consumo doméstico, que “tem vindo a registar um elevado nível de estabilidade nos anos recentes”.

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A

Responsável pelo Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Dr.a Ieong Kin Mui, apontou que a importação para Macau de leite em pó para bebé é sujeita à monitorização de qualidade, bem como, a composição dos seus ingredientes principais é quase igual e corresponde às normas internacionais, entretanto, é possível que uma parte das marcas de leite em pó sublinhe a função da composição adicional de uma fórmula especial, porém, este adicional não é a composição principal e necessária de leite em pó, quer dizer, a substituição por outra qualquer marca de leite em pó não afecta a saúde do bebé, por isso, não é necessário consumir insistentemente o leite em pó de uma marca determinada. Os pais podem alterar a marca de leite em pó para bebé, sob a orientação de um profissional de saúde, assim como observar o aparecimento da mudança de hábitos alimentares do bebé durante o período de substituição do leite em pó, sendo possível que o bebé possa, em período curto, diminuir a quantidade

Um médico afirma que os bebés não necessitam que lhes seja administrado leite em pó de uma marca fixa Substituição por outra marca de leite em pó não afecta a saúde do bebé

Ieong Kin Mui

de administração, contudo, os pais não precisam de se inquietar com isso. Alguns pais preocupam-se que a alteração de marca do leite em pó pode provocar prisão de ventre no bebé ou diminuição do seu apetite. No entanto, a médica especialista retorquiu que quando se recorre à consulta médica, a prisão de

É similar o valor nutritivo do leite em pó das diversas marcas existentes no mercado

E

xistem no mercado várias marcas de leite em pó e parte delas indicam que incluem ingredientes nutritivos especiais. A técnica superior do Serviço de Alimentação e Dietética do Centro Hospitalar Conde de São Januário (área de nutrição), Dra. Chao Sok I, afirmou que os leites em pó existentes à venda no mercado de Macau satisfazem a norma de composição do leite em pó para bébés estipulada pela Comissão de Codex Alimentarius, incluindo proteínas, gorduras, vitaminas, sais minerais, entre outros. A Dra. Chao Sok I complementou que, de um modo geral, o leite em pó para bébés é composto essencialmente de leite de vaca ou leite de soja e outros aditivos, ao qual se adicionam vitaminas, sais minerais e outros suplementos. Os Chao Sok I

ventre do bebé é um problema frequente, sendo possível ter relação com o método de preparação do leite em pó, e só uma pequena percentagem dos casos é um problema patológico. O método correcto de preparação do leite em pó é: em primeiro, coloca-se no biberão uma quantidade adequada de água potável, a seguir, de acordo com a proporção de leite em pó indicada pela marca consumida, coloca-se o leite em pó na quantidade adequada no biberão e agita-se bem, permitindo que a solução não fique demasiado concentrada. Antes de alimentar o bebé, deve ser invertido o biberão para testar a temperatura do leite e a fluidez de saída do leite, através da colocação de leite na parte de trás da mão, com vista a evitar a temperatura excessiva de leite e a maior ou menor fluidez, que podem afectar a

ingredientes essenciais de leite em pó são similares nas diversas marcas. Parte das marcas de leite em pó para bébés tem aditado outros ingredientes que não se encontram indicados nos “ingredientes necessários” estipulados pela Comissão de Codex Alimentarius. A Dra. Chao Sok I afirmou que o leite materno é um óptimo alimento para a criança com idade igual ou inferior a seis meses. Relativamente aos leites em pó p[ara bébés que indicam que podem levar os bebés a ficar mais inteligentes, que facilitam a eliminação das fezes, esta indica que ainda carece de suporte por vários estudos a comprovação desses efeitos. De uma maneira geral, os pais apenas seguem as orientações e o número de vezes para a alimentação quanto à preparação de leite fornecido pelo fabricante para alimentar os bebés, de tal maneira que os bebés possam obter suficiente nutrição.

sucção e o apetite do bebé. O bebé de 4 a 5 meses pode começar gradualmente a consumir alimentos sólidos, os quais podem beneficiar a defecação. Em caso dos pais verificarem problemas no bebé, tais como, prisão de ventre, fezes anormais, podem recorrer ao organismo de saúde para compreender a situação existente. A mesma especialista pediátrica acrescentou que o alimento de bebé mais adequado é o leite materno, uma vez que é um alimento digerível e com anticorpos, e contém nele toda a nutrição necessária para o desenvolvimento do bebé, razão pela qual recomenda que a mãe deve recorrer à amamentação. O bebé de 5 a 6 meses não só deve consumir leite em pó, como também alimentos sólidos para obter a nutrição suficiente ao seu desenvolvimento.

Várias vantagens da amamentação A AMAMENTAÇÃO CONSTITUI A FORMA MAIS ADEQUADA DE ALIMENTAÇÃO PARA A SAÚDE, O CRESCIMENTO E O DESENVOLVIMENTO DOS BEBÉS

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e acordo com as informações dos Serviços de Saúde, registou-se um crescimento na taxa de amamentação nos últimos dez anos em Macau, tendo passado de 47% em 2000 para 81% em 2010. A enfermeira-chefe do Centro de Saúde de Tap Seac, enfermeira Lei Ca Pou, afirmou que o leite materno proporciona várias vantagens para a mãe e o bebé, nomeadamente para o bebé essas vantagens incluem: fornece suficiente nutrição, é rico em anticorpos, aumenta a capacidade imunitária, reduz a oportunidade do bebé ficar com alergia, é fresco e saudável, possui temperatura adequada, dá sentimento de segurança e satisfação para o bebé, assim como ajuda o desenvolvimento do cérebro e da inteligência. Quanto à mãe, as vantagens são: ajuda a contracção do útero, a recuperação pós-parto é mais rápida, promove a relação entre mãe-filho, reduz a probalidade de padecer de cancro da mama e poupa dinheiro e tempo, entre outras. A enfermeira Lei Ca Pou salientou que a amamentação constitui a forma mais adequada de alimentação para os bebés quanto à saúde, crescimento e desenvolvimento, e exerce ainda uma forte influência positiva na saúde das mulheres.


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Hoje Macau 25 JAN 2013 #2780 by Jornal Hoje Macau - Issuu