ESCOLA PORTUGUESA
TNR
EXAMES CANCELADOS
OPINIÃO
DUPLO CASTIGO
ÚLTIMA
À CUSTA DA FOME
PÁGINA 7
JOÃO ROMÃO
HOJE MACAU Nº 5036
MOP$10
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
A fonte do mal PZAXE | DREAMSTIME.COM
A estirpe BA5.1 da Ómicron é a responsável pelo surto que afecta Macau. De onde veio? “Não podemos afastar qualquer possibilidade”, diz Alvis Lo, arriscando na hipótese de ter sido através dos congelados importados. Já o Chefe do Executivo, que veio finalmente a terreiro acalmar a população e anunciar o encerramento dos espaços de lazer e diversão, equaciona a possibilidade de o mal ter chegado a Macau vindo dos EUA ou da Europa. PÁGINAS 4-5-6
ANA JACINTO NUNES
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SEXTA-FEIRA 24-6-2022
QUE ANIMAL É ESTE?
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CARLOS MORAIS JOSÉ
COVID-19
DEIXEM-ME VOAR PÁGINAS 2-3
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RECEIO DE QUARENTENA OU ISOLAMENTO CAUSA DESESPERO A QUEM TEM VOOS MARCADOS
“Voava já hoje”
A possibilidade de, pela primeira vez em três anos, sair de Macau durante um surto comunitário tornouse para muitos portugueses um autêntico teste aos nervos. Alguns residentes com viagem marcada tentaram antecipar a partida, sem sucesso devido à lotação esgotada dos poucos voos disponíveis. A maioria teme o confinamento total das zonas de residência ou ser enviado para quarentena
A
S férias de Verão de muitos portugueses e daqueles que procuram sair de Macau neste período para ver a família ou tratar de assuntos urgentes parecem estar assombradas com a ocorrência do mais recente surto em Macau. O facto de as autoridades não permitirem a saída de quem reside em zonas vermelhas, mesmo com teste negativo à covid-19, está a causar desespero a muitos, que tentam antecipar viagens. No entanto, o HM sabe que, pelo menos até às primeiras semanas de Julho, os voos estão completamente cheios, o que faz com muitos residentes temam ficar retidos no território. “Por mim, voava já hoje”, disse uma residente, que não quis ser identificada. “Não sabemos o dia de amanhã e queremos sair o mais rapidamente possível porque são
viagens muito complicadas. Esta viagem não é um capricho, é uma coisa séria, falo de questões de saúde e familiares. Tenho tido uma vida recatada e sou praticamente risco zero. Se alguém ao lado fica infectado muda a nossa vida por completo, além de perdermos 20 mil patacas, só porque sim.” “Estão a ser cancelados voos de pessoas que vivem em zonas vermelhas e que tentam marcar as viagens noutras datas. Mas não temos sequer acesso aos voos que estão a ser cancelados para poder marcar os nossos. Estamos um pouco desesperados para sair daqui e não vamos contagiar ninguém, porque o mundo já vive com o covid-19”, declarou. A afirmação da residente é uma referência a uma declaração proferida por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM),
que, numa conferência de imprensa sobre o surto, declarou ser totalmente proibida a saída de pessoas de zonas vermelhas, por existir o risco de contágio de covid-19 fora do território.
A única constante
O HM contactou uma agência de viagens que confirmou a impossibilidade de antecipar partidas devido à falta de lugares. Porém, a fonte confirmou ter alterado datas de partida de “poucas pessoas” que ficaram confinadas em casa. “A situação muda a cada dia. Neste momento, temos lugares para o voo que parte no dia 11 de Julho, que é bastante dispendioso. Tivemos pedidos para alterar voos até ao final deste mês, início do próximo, mas não temos qualquer hipótese de concretizar esses pedidos”, contou a fonte que trabalha numa agência de viagem.
O empresário Gonçalo Martins tem a vida um pouco mais dificultada. Há muito que a possibilidade de umas férias de Verão no seu país é contada como um conto de fadas aos filhos pequenos. A mulher já saiu de Macau, mas a família teme não se poder encontrar como desejou. “Temos viagem marcada para dia 2 de Julho, começamos a ver toda esta situação a avançar e pensámos em alterar o voo. Mas não é possível antecipar. Há três anos que não vamos ao nosso país, estamos longe da nossa família e amigos, e tem sido desesperante. Andamos felizes e todos os dias conto histórias aos meus filhos, que vão conhecer a terra dos avós. De repente, acontece isto e é como se tudo desmoronasse.” O empresário português assume que tem vivido “dias de algum desespero e apreensão”. “Não sabemos o que vai acontecer. Podemos estar bem, e de repente alguém do prédio apanha covid-19 e ele transforma-se numa zona vermelha ou amarela. Isso iria estragar os nossos planos completamente”, acrescentou. Apesar de dizer que não pode fazer nada contra as decisões adoptadas pelas autoridades, Gonçalo Martins defende uma nova abordagem à pandemia que não passe pela política de casos zero. “Fico, de facto, aborrecido com tudo isto. Por um lado, compreendo certas situações, por outro penso que, passados três anos, parece que estamos a reagir ao vírus como se fosse uma coisa nova. Dever-se-ia fazer uma certa abordagem, mas é a China que decide. Não concordo com esta abordagem, mas a minha vida está aqui e posso demonstrar o meu desagrado no dia-a-dia, com conversas e redes sociais, estou de pés e mãos atadas. É desesperante.”
Nova situação
Outra residente, que também não quis ser identificada, viaja na próxima quarta-feira e faz figas para que não haja mais casos e definição de novas zonas vermelhas que a obriguem a mudar todos os planos. Desde 2020 que não vai a Portugal. “Finalmente, consegui negociar uma licença sem vencimento
“A minha questão premente, neste momento, é o [possível] isolamento do prédio onde estou a viver e as dificuldades para ir para Hong Kong.” ISABEL CARVALHO
CHARLIE RIEDEL / ASSOCIATED PRESS
SURTO
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para ir, e se as coisas morrerem na praia por causa disto…imagine a aflição. Tenho um colega de trabalho que viaja no sábado que tentou mudar a viagem e disseram-lhe que os voos estão completamente cheios.” A residente entende que a situação pandémica “está pior”, pois “há mais casos e as medidas de confinamento não se cingem à quarentena, mas o prédio fica em confinamento, mesmo sem muitos casos positivos”. Porém, a residente tem conhecimento de casos mais extremos. “Tenho amigos que vivem ao lado de um prédio confinado e não podem sequer utilizar a garagem comum. Depois não circunscrevem as zonas de uma só vez, o que cria esta angústia. A todo o momento
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encontram uma ligação a um caso positivo e levam toda a gente para confinamento.”
Ir de vez
Pedro Benjamim, radialista, viaja por Hong Kong daqui a uns dias e deixa o território de vez. Tentou antecipar a viagem para escapar à situação actual, mas percebeu que o estado das coisas seria sempre imprevisível. “Vou por Hong Kong, e não por Singapura, o que me traz um nível extra de dificuldade. Se essa ligação é cancelada, ou o sistema de isenção de quarentena é interrompido, ou há mudanças nos autocarros [dourados], deixo de poder ter a viagem e tenho de procurar alternativa por Singapura. Esta fase é muito complicada
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porque os voos estão cheios e não sei se haverá vagas.” O radialista teme que, “de repente, o prédio fique numa zona vermelha e seja praticamente
“Tento estar mais por casa, não passar por muitos sítios, para não correr o risco de ir para quarentena ou que o meu prédio passe a ficar na zona vermelha. Acredito que as coisas podem mudar de um dia para o outro.” PEDRO BENJAMIM RADIALISTA
impossível viajar”. “Mesmo ao meu lado tenho um prédio que está numa zona vermelha, moro nesta zona que foi delimitada como teste alvo, mas sinto que é tudo muito imprevisível. Tento estar mais por casa, não passar por muitos sítios, para não correr o risco de ir para quarentena ou que o meu prédio passe a ficar na zona vermelha. Acredito que as coisas podem mudar de um dia para o outro. Ao mesmo tempo, tenho algum optimismo que a ligação com Hong Kong não feche de repente.” Em relação à actuação das autoridades, Pedro Benjamim entende que as deveriam permitir os voos de pessoas que testem negativo à covid-19. No entanto, considera que “seja difícil criar excepções”.
Quem também sai de vez do território, ao fim de 28 anos, é Isabel Carvalho. Viaja com animais, o que dificulta ainda mais o processo já de si difícil. “Tenho medo que passe a haver quarentenas em Hong Kong, o que torna tudo mais difícil. Acabo de trabalhar no dia 30 e depois tenho dez dias para me organizar. Tenho esperança que as coisas
“Finalmente, consegui negociar uma licença sem vencimento para ir, e se as coisas morrerem na praia por causa disto…imagine a aflição.” RESIDENTE
estabilizem até lá. Todos apanham covid-19 e para mim a política de zero casos é anacrónica.” Assumindo-se infeliz em Macau e sem conseguir estar longe da mãe idosa e das filhas, Isabel Carvalho já não tem esperanças de que o território se transforme “num sítio aberto”. “A minha questão premente, neste momento, é o [possível] isolamento do prédio onde estou a viver e as dificuldades para ir para Hong Kong. Viajo com três animais e já foi difícil arranjar um voo. Se tiver de mudar o dia vai ser complicado, porque em Hong Kong os animais só têm 24 horas para estar em trânsito. Se quiser mudar, já estará esgotado na semana seguinte, por exemplo”, rematou. Andreia Sofia Silva
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RÓMULO SANTOS
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SURTO ENCERRADOS ESPAÇOS DE LAZER. ESTIRPE BA5.1 NA ORIGEM DE TODOS OS CASOS
Ainda mais fechados
Por decreto do Governo, desde as 17h00 de ontem que todos os espaços de diversão e lazer estão encerrados ao público e os restaurantes só estão autorizados a servir refeições para fora. A totalidade dos 110 casos confirmados foram infectados com a estirpe da variante Ómicron BA5.1. Definição de zonas vermelhas só a partir da detecção de dois casos positivos. Novo teste em massa decidido após resultados da actual ronda
Congelados Suspensa importação de produtos aquáticos da Índia O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) decidiu suspender a importação de produtos aquáticos congelados de uma empresa oriunda da Índia. Segundo uma nota de imprensa, a medida surge depois de a Administração Geral das Alfândegas da China ter anunciado ontem que uma amostra de produtos importados da referida empresa testou
positivo à covid-19. O IAM exigiu ainda “aos comerciantes locais que selassem esses produtos”, tendo sido realizadas novos testes, sem detecção de anomalias. A mesma nota dá conta que, desde Julho de 2020, o IAM tem realizados vários testes às amostras recolhidas dos produtos aquáticos congelados importados da Índia e das
suas embalagens, quer interiores quer exteriores, “mas nunca havia detectado o novo tipo de coronavírus”. Nos últimos três meses, o IAM “tem procedido a desinfecção e a testes aleatórios em relação aos produtos provenientes do referido país, cuja entrada é apenas permitida após a aprovação nas respectivas inspecções”.
Chefe do Executivo decretou ontem, através de um despacho publicado em Boletim Oficial, o encerramento de todos os espaços de lazer, diversão e outros serviços e a imposição aos restaurantes de apenas servirem refeições para fora. A medida entrou em vigor às 17h00 de ontem. Assim, segundo o despacho, enquanto a actual situação epidémica vigorar, cinemas, teatros, parques de diversão, salões de jogos, cibercafés, salas de bilhar e bowling, saunas e locais de massagens, salões de beleza, ginásios, health clubs e karaokes, bares, discotecas, salas de dança, barbearias e piscinas estarão de portas fechadas. Quanto aos restaurantes, estão também desde ontem proibidos de servir refeições e vender outros produtos para consumo “no interior dos respectivos espaços, sem prejuízo da prestação dos serviços de takeaway”. Questionado sobre se as empresas privadas deveriam seguir o exemplo e também elas fechar portas, Ho Iat Seng respondeu afirmativamente e reiterou que, à luz do actual surto, é fundamental travar a transmissão da covid-19 em Macau, através da redução da circulação de pessoas, concentrações e saídas desnecessárias. “O Governo já suspendeu os serviços públicos e, por isso, as empresas do sector privado também podem seguir esse exemplo. Isto, com o objectivo de evitar aglomerações e saídas desnecessárias, como também aconteceu com as escolas. Não se trata de um problema de casos confirmados, mas o objectivo (…) é reduzir, tanto quanto possível, a transmissão”, disse o Chefe do Executivo durante uma conferência ao início da tarde de ontem (pág 6).
Estirpe mistério
Mais tarde, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long anunciou que o nú-
Encomendas Pacotes vindos do Interior mais caros Com o surto recente e os limites à circulação de pessoas entre Macau e Zhuhai, as encomendas vindas do Interior e entregues nas lojas locais estão mais caras. Segundo o Jornal Ou Mun, um responsável de uma loja explicou que o facto de todos os camiões transfronteiriços terem sido desviados e haver um aumento no preço dos combustíveis fez com os preços tivessem praticamente duplicado. Só nas encomendas mais
pequenas, o lojista afirmou que o aumento foi de 2 patacas por unidade, mas prometeu baixar para o normal, mal termine o surto. Outra pessoa ouvida, também responsável por um negócio semelhante, mostrou-se a favor dos aumentos e explicou a posição com a falta de condutores de camiões, além do custo da desinfecção dos produtos, que disse reflectir-se num aumento de 20 por cento sobre o preço final.
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RÓMULO SANTOS
mero de casos confirmados em Macau aumentou para 110 até às 15h00 e confirmou que todos os pacientes foram infectados com a estirpe da variante Ómicron BA5, que nunca antes tinha entrado em Macau. “De onde vem este surto epidémico? Não podemos afastar qualquer possibilidade. Pode ter sido através dos bens alimentares congelados que são importados do exterior para Macau.Agora, no Interior da China não existe a estirpe BA5. Uma vez que existe a possibilidade de contaminação através dos produtos, muitas vezes, não conseguimos encontrar a fonte, mas agora (…)
temos que saber como é que, a curto prazo, vamos controlar a situação. Em Macau, em mais de 200 dias nunca houve um caso confirmado com esta estirpe”, disse Alvis Lo. Sobre os infectados, o responsável detalhou que o seu estado de saúde é “estável” e que foram divididos em cinco grupos, envolvendo o Edifício Yim Lai (55 pessoas), Edifício Tat Cheong (38 pessoas), uma lavandaria (4 pessoas), um ginásio (3 pessoas) e o Centro Internacional de Macau (2 pessoas). Entre os infectados, foi ainda revelado, está pela primeira vez um profissional de saúde. Do
Casinos Encerramento volta a ser afastado Apesar de terem sido detectados casos positivos de covid-19 no seio dos trabalhadores dos casinos, afasta-se, para já, o encerramento dos espaços de jogo. A confirmação chegou ontem através de uma nota de imprensa, uma vez que “após a realização de uma investigação
epidemiológica, não se relacionou os itinerários dos trabalhadores em causa com os casinos onde trabalham”. Além disso, “de entre os referidos trabalhadores, dois encontram-se a gozar férias, pelo que se conclui que não há necessidade de proceder ao encerramento de tais casinos”.
total de pacientes, apenas 32 apresentam sintomas. Questionado sobre a possibilidade de o Governo avançar para uma terceira ronda de testagem em massa da população, Alvis Lo referiu que, primeiro, é necessário analisar os resultados da ronda que termina hoje e que, só depois, será decidida uma nova testagem nesses moldes ou através da utilização de testes rápidos. Sobre a utilização do hospital de campanha, o responsável referiu que as instalações podem ser activadas “em qualquer momento”. No entanto, dado que a maioria dos casos são assintomáticos e os pacientes com sintomas
têm manifestações leves, os casos detectados estão a ser colocados em hotéis. Nota ainda para o facto de o pavilhão C do Macau Dome estar disponível desde hoje como posto de testagem, no lugar do posto do Pac On. A medida foi justificada com a possibilidade de o novo espaço poder acolher mais pessoas.
Padrões alterados
Também ontem, foi anunciada a revisão dos critérios de classificação das zonas vermelhas e amarelas, com as primeiras a ser seladas, a partir do momento em que há dois casos confirmados. Nas situações em que é detectado
apenas um caso de covid-19, essa área será definida como zona amarela. Isso mesmo explicou a médica Leong Iek Hou, vincando que ao final de cinco dias as zonas vermelhas podem passar a amarelas, caso sejam cumpridos determinados critérios. “Quando, nos edifícios, surgirem mais de dois casos
“Em Macau, em mais de 200 dias nunca houve um caso confirmado com esta estirpe.” ALVIS LO SERVIÇOS DE SAÚDE
positivos, estes são considerados como zonas seladas e o código de saúde das pessoas que lá moram passa a vermelho. Esta zona vai ficar selada, pelo menos cinco dias e no 1º e 5º dias, vão ter que fazer teste de ácido nucleico e no 2º 3º e 4º dia têm de fazer testes antigénio”, começou por explicar Leong Iek Hou. “Se não houver mais transmissão, no quinto dia, após saírem os resultados do teste de ácido nucleico, essas zonas vão voltar a abrir, no 6.º e 7.º dia o código passa a amarelo e no 7.º dia essas pessoas têm de ser sujeitas a teste de ácido nucleico”, acrescentou. Pedro Arede
Ilha Verde Abrigo de Verão abre portas de novo O Instituto de Acção Social (IAS) anunciou ontem a abertura do Abrigo de Verão localizado na Ilha Verde. A decisão foi tomada no seguimento de a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) ter emitido alerta amarelo de temperaturas altas. Segundo uma nota divulgada ontem, o abrigo ficará de portas abertas “até que a temperatura volte a baixar” e os utilizadores que pretenderem aceder ao espaço terão de realizar, no local, um
teste rápido. De acordo com os SMG, as temperaturas para os próximos dias irão variar entre os 27 e os 33 graus Celsius. O pico das temperaturas deverá ser atingido entre as 12h00 e as 14h00. O IAS apela ainda à população para estar atenta “à situação física dos idosos em casa e dos que vivem sozinhos, doentes crónicos bem como dos indivíduos débeis” para evitar os efeitos provocados pelas altas temperaturas nos próximos dias.
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SURTO HO IAT SENG DESVALORIZA ORIGEM NO INTERIOR E APONTA AOS ESTADOS UNIDOS E REINO UNIDO
Passa a outro e não ao mesmo O Governo afirma que os indícios apontam para que o novo surto tenha origem em produtos importados ou em residentes que vieram do exterior. No entanto, Ho Iat Seng mostra-se confiante na resolução do problema, devido ao apoio de peritos e das cidades e províncias amigas do Interior 38 recém-descobertos, pelo que não se trata de uma doença grave em que as pessoas precisem de oxigénio, de serem ligadas ao ventilador ou de serem internadas nos cuidados intensivos”, argumentou o Chefe do Executivo. “A doença não se trata de uma questão fatal”, acrescentou. Sem grandes riscos para a saúde física, Ho Iat Seng admitiu estar preocupado com o componente mental dos residentes. Porém, não apresentou qualquer solução: “Nos últimos tempos estou muito preocupado com a saúde mental, não só por causa da economia, mas porque a população está sempre em Macau, fechada, e não consegue ir para fora”, reconheceu. “Nestas condições há sempre stress, depressões, mas também sabemos que se não vencermos este surto, a população não vai poder entrar em nenhum lugar do mundo”, declarou.
GCS
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Chefe do Executivo desvalorizou a possibilidade de o novo surto local ter origem no Interior. Numa conferência de imprensa agendada para a manhã de ontem, e realizada à tarde, Ho Iat Seng afirmou que a estirpe activa no território é “mais vulgar” nos Estados Unidos e no Reino Unido, do que no Interior. “Em Macau a estirpe que está activa é a BA5.1. da Ómicron. Não é uma estirpe vulgar na China, mas mais vulgar nos Estados Unidos e no Reino Unido, pelo que é mais difícil detectar a fonte do surto”, declarou Ho Iat Seng, por sua iniciativa, sem que ainda tivesse sido questionado pelos jornalistas. “Não estamos de braços cruzados, estamos a tentar o mais rapidamente possível detectar a origem do surto. Equacionamos todos os indícios. Será que veio da cadeia do frio? Temos de ver... Mas, sabemos que não é muito provável que tenha vindo do Interior, porque não é uma estirpe comum”, frisou. O surto foi identificado em Macau a 18 de Junho, poucos dias depois de as autoridades permitirem a entrada de pessoas vindas do Interior com um teste de ácido nucleico com a validade de sete dias. Antes de 15 de Junho era exigido que quem circulasse entre Macau e o Interior apresentasse um teste com a validade de 48 horas. Ainda assim, Ho Iat Seng acredita que os indícios mais fortes apontam para que o vírus tenha vindo do exterior. “Não podemos deixar de investigar todas as hipóteses, todos os indícios que conduziram a este surto que estamos a enfrentar. Temos as cadeias de frio e entra carne congelada em Macau”, referiu. “Também temos muitos produtos a entrar e não podemos testar todas as embalagens importadas. Os testes são feitos com amostras, por isso, não podemos confirmar, nem afastar, que o surto tenha começado através de um produto importado”, destacou. Ho Iat Seng afirmou ainda que o surto pode ter origem nos residentes que foram ao exterior, que vieram da Europa e que trouxeram o vírus consigo, em bagagens mal desinfectadas, apesar de terem
Ligações determinantes
Ho Iat Seng, Chefe do Executivo “Temos de ver [a origem do vírus] ... Mas, sabemos que não é muito provável que tenha vindo do Interior.”
cumprido quarentenas de 14 ou 10 dias.
Obrigado Interior
A conferência de imprensa serviu também para Ho Iat Seng agradecer ao Interior, explicar que o controlo do surto tem sido “apoiado pelos peritos” e que o abastecimento de alimentos à cidade vai ser garantido pelas “províncias e cidades amigas” do outro lado da fronteira. “A população pode ficar descansada com a evolução do surto porque temos uma equipa montada, com muita experiência, que tem lidado com a covid-19 desde o primeiro dia até agora”, atirou. “E quero salientar que esta equipa não é composta apenas por pessoas de Macau, também temos os peritos das autoridades nacionais. Por isso, se conseguirmos adoptar as medidas de controlo, creio que este surto não vai durar muito tempo”, vincou.
Entre os peritos do Interior, Ho Iat Seng destacou o epidemiologista Zhong Nanshan, que disse poder fazer uma previsão muito precisa sobre o fim deste surto, assim que
JANTARES NO LISBOA PALACE Segundo Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, houve dois jantares no dia 18 de Junho no Hotel Grande Palace Lisboa, um dos quais contou com a participação de membros do Governo. Desde o início do surto que um dos jantares de casamento está envolto em polémica por haver suspeitas de ter tido mais de 400 participantes, as informações serem escassas, contar com a participação de membros do Governo e ter quatro casos de infectados. Contudo, ontem, Wong revelou que afinal houve dois jantares, e que os membros do Executivo só participaram no segundo jantar, que não tem casos. Apesar disso, o Grande Lisboa Palace foi classificado como zona vermelha.
for reunida mais informação sobre os infectados, nos próximos dias. Ainda segundo as indicações de Zhong, Ho apontou que as quarentenas para as áreas vermelhas e amarelas podem ser apenas de sete ou 10 dias, se não existirem mais casos confirmados nos edifícios bloqueados.
Apelo à calma
Apesar de ontem ter decretado o encerramento de todos os espaços de diversão em Macau, à excepção dos casinos (o que foi explicado pela importância económica), e de ter sido declarado o encerramento dos restaurantes, que apenas estão autorizados a vender comida para fora, Ho Iat Seng apelou à calma. O pedido foi justificado com o baixo risco de mortalidade. “Peço-vos que fiquem descansados. Entre os 110 infectados, apenas 24 apresentam sintomas e 47 estão assintomáticos. E houve
Ho confessou também que a política de zero casos não vai ser modificada, porque Macau está totalmente dependente do mercado do Interior. O Chefe do Executivo deu igualmente a entender que se a RAEM abandonar a política de zero casos, as portas com o Interior fecham-se. “Se não mantivermos a política de zero casos, não sei se vamos ter as fronteiras abertas”, disse Ho, após ser questionado sobre se acredita que a política tem o apoio da população. “Aliás, se fosse tudo tão simples, não precisava de ter esta conferência para vos explicar o que estamos a fazer”, desabafou. Contudo, o líder do Governo foi mais longe, e reconheceu que é uma escolha por razões económicas. “Se não tivermos a política de zero casos, não vamos ter as fronteiras abertas, não vamos ter os nossos turistas, não vamos ter a nossa economia”, argumentou. “E se abandonarmos o mercado chinês, qual é o mercado que podemos assegurar para que a economia se mantenha? Sem o mercado chinês não sei como vai ser o nosso futuro”, frisou. João Santos Filipe
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Administração Pública Lei Chan U apela à digitalização de serviços
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AIS de 200 trabalhadores não-residentes (TNR) de nacionalidade chinesa do sector da construção civil manifestaram-se na noite de quarta-feira perto do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, contra o pagamento da quarentena no regresso a casa, apontou um comunicado da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). O protesto aconteceu por volta das 22h, quando um grupo de trabalhadores de um estaleiro de obras no Cotai diz ter sido subitamente informado que os seus contratos de trabalho não seriam renovados. Além disso, segundo o jornal Ou Mun, à luz das novas exigências nas fronteiras, os funcionários ficaram também a saber que os custos da quarentena para voltar ao Interior da China não seriam suportados pelo empregador. Recorde-se que, no seguimento do novo surto de covid-19 que surgiu em Macau, as autoridades de Zhuhai impuseram novas restrições a quem chega do território, nomeadamente a realização, a expensas próprias, de uma quarentena de sete dias num hotel designado pelas autoridades e sete dias adicionais de quarentena domiciliária. Após terem sido dispensados, e enfurecidos pelo
pandemia, o deputado considera que o Governo deve “avançar com a modernização e digitalização” da Administração Pública. Além disso, o também vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) referiu que o acesso a serviços públicos online deve ser assegurado para a
toda a população, sendo particularmente importante para idosos ou portadores de deficiência. Lei Chan U alertou ainda para a “partilha desigual” de informações entre entidades públicas, facto que deve ser tido em conta no processo de digitalização da máquina administrativa.
UCM Concretização da plataforma Sino-Lusófona, insuficiente O Vice-Reitor da Universidade da Cidade de Macau (UCM), Ip Kuai Peng, considera que, apesar de o intercâmbio entre a China e os países de língua portuguesa ter aumentado nos últimos anos, a Plataforma Sino-Lusófona continua a ter “insuficiências” que devem ser colmatados pelo Governo. Segundo o Jornal do
Cidadão, por ocasião do lançamento do “Fórum de Celebridades” pela Universidade Liaoning e pelo Centro de Investigação para Desenvolvimento Social e Económico de Macau, o responsável considera que, através das vantagens oferecidas pelo Fórum Macau, o território dever ser capaz de “promover a transformação socioe-
conómica” e aumentar a “influência internacional de Macau”. Ip Kuai Peng desejou ainda que o Governo concretize a declaração conjunta que saiu da Reunião Extraordinária Ministerial do Fórum de Macau realizada este ano, para impulsionar o comércio entre a China, os países de língua portuguesa e Macau.
QUARENTENA MAIS DE 200 TNR DESPEDIDOS PROTESTAM CONTRA PAGAMENTO
ALLABOUTMACAU
Lei Chan U considera que os problemas de troca de informação entre os serviços públicos e o acesso a serviços online não estão totalmente resolvidos, apelando ao Executivo que reforce a digitalização da Administração Pública. De acordo com o jornal Ou Mun, impulsionado pelos constrangimentos colocados pela
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A vida vai torta
Após terem sido informados de que os seus contratos não seriam renovados, cerca de 200 trabalhadores não-residentes da China protestaram nas imediações do Gabinete de Ligação contra o pagamento da quarentena no regresso a casa. Perante o incidente e o novo surto de covid-19, a DSAL apelou aos trabalhadores para apresentarem reivindicações “de forma racional” e evitar aglomerações encargo extraordinário que terão de suportar para voltar a casa, mais de 200 trabalhadores atravessaram a pé a Ponte Governador Nobre de Carvalho e concentraram-se junto ao Arco Oriente e no Jardim do Comendador Ho Yin, ambos os locais situados nas imediações do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau. Durante a manifestação, a principal reivindicação apresentada pelos trabalhadores, que ainda no início da semana estavam a desempenhar funções no estaleiro, passou pela exigência do pagamento
dos custos de quarentena por parte do empregador.
Não havia necessidade
Numa nota divulgada ao início da noite de ontem, a DSAL esclareceu que, de acordo com a lei, o pagamento dos custos de quarentena não é uma obrigação dos empregadores. “A DSAL está preocupada e enviou pessoal para o local, após tomar conhecimento do incidente. Entende-se que os trabalhadores exigem ao empregador o pagamento dos custos de quarentena na China continental”, lê-se
na nota citada pela agência Lusa. “De acordo com a lei da contratação de trabalhadores não-residentes, o acerto dos custos da quarentena não é uma obrigação dos empregadores”, acrescenta. Perante a actual situação epidémica que Macau atravessa, a DSAL apelou ainda aos trabalhadores para apresentarem as suas reivindicações de forma racional, evitando assim, a todo o custo, a concentração de pessoas. “A DSAL pede aos trabalhadores que expressem as suas exigências racional-
mente. Devido à situação epidémica actual, as pessoas devem evitar reuniões para prevenir a transmissão do vírus. Este organismo continuará a acompanhar o incidente e a manter comunicações próximas com empregadores e empregados para coordenar com eles uma resolução racional do problema e proteger os legítimos direitos laborais dos empregados”, pode ler-se no mesmo comunicado. Ainda num outro comunicado divulgado ao final da tarde de ontem, a DSAL revelou que, como
compensação pelo fim dos contratos, o empregador estendeu a remuneração até ao final do mês e que, através de uma negociação com as autoridades de Zhuhai já foi possível arranjar alojamento a preços acessíveis para os trabalhadores realizarem a quarentena. Como resultado, a maioria dos trabalhadores já concordou em voltar para o Interior da China. Os outros funcionários mostraram-se “insatisfeitos” com a solução e continuam em negociações.
Pedro Arede com Lusa
JOGO CONTRATOS COM CONCESSIONÁRIAS PROLONGADOS ATÉ AO FINAL DO ANO
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S contratos das concessionárias de jogo foram prolongados até ao final do ano, de acordo com declarações prestadas ontem pelo Chefe do Executivo e, mais tarde, por um comunicado do Gabinete de Comunicação Social.
“O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, em representação da RAEM, e os representantes da SJM Resorts, S.A., Wynn Resorts (Macau), S.A. e Galaxy Casino, S.A., respectivamente, outorgaram hoje (dia 23 de Junho) na Sede do Governo, os contratos
de alteração aos contratos de concessão para a exploração de jogos de fortuna ou azar em casino. Subsequentemente, em representação da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, as três concessionárias acima referidas outorgaram, com
os representantes da MGM Grand Paradise, S.A., Melco Resorts (Macau), S.A. e Venetian Macau, S.A., respectivamente, os contratos de alteração aos contratos de subconcessão para a exploração de jogos de fortuna ou azar em casino.” Como contrapartida, “as
concessionárias/subconcessionárias de jogo pagarão à RAEM um montante adicional de 47 milhões de patacas”, além da constituição de uma “garantia para o cumprimento de dívidas laborais, com vista a proporcionar garantias aos seus trabalhadores.”
8 eventos
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Páginas da Rev HISTÓRIA ALFREDO GOMES DIAS LANÇA LIVRO “MACAU ENTRE REPÚBLICAS”
O Centro Científico e Cultural de Macau acolhe, na próxima segunda-feira, a apresentação do novo livro do académico Alfredo Gomes Dias, que se dedica ao estudo da história de Macau. “Macau entre Repúblicas” será apresentado pela historiadora Célia Reis
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Câmara Municipal do Porto autorizou a trasladação do coração de D. Pedro para o Brasil, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência deste país, anunciou quarta-feira o presidente. Em conferência de imprensa, o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, referiu que a data da trasladação do coração deverá ainda ser acertada com o governo brasileiro. Além disso, o autarca salientou que a avaliação científica ao coração pedida ao Instituto de Medicina Legal
Viagem de risco
Câmara do Porto autoriza trasladação do coração de D. Pedro para o Brasil
do Porto, com o intuito de aferir o seu estado e se pode efectivamente ser trasladado para o Brasil em Setembro, ainda não está concluída havendo, contudo, já a indicação de que pode “fazer a viagem”. A 30 de Maio, o embaixador brasileiro George Prata, um dos coordenadores das comemorações do bicentenário da independência do Brasil, anunciou que o governo do
seu país tinha enviado um pedido oficial a Portugal para a trasladação do coração de D. Pedro. Disse também que, se a trasladação fosse possível, a ideia é que, “em primeiro, o coração vá para Brasília”, capital do país. O rei D. Pedro I do Brasil e D. Pedro IV para Portugal foi o monarca que conduziu o Brasil, antiga colónia portuguesa, à independência e cujo
corpo se encontra na cidade brasileira de São Paulo. Após o pedido oficial do governo brasileiro para a cedência do coração de D. Pedro IV, no âmbito das cerimónias do bicentenário da independência do Brasil, a Câmara Municipal do Porto solicitou ao Instituto de Medicina Legal do Porto uma avaliação científica ao coração, com o intuito de aferir o seu estado e se pode efectivamente ser translado para o Brasil em Setembro. O estudo ao coração de D. Pedro IV realizou-se ao longo do último mês e envolveu
LFREDO Gomes Dias, académico do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL) e autor de várias obras sobre a história de Macau, incluindo uma tese de doutoramento, está de regresso aos estudos sobre a história do território. “Macau entre Repúblicas” será lançado na próxima segunda-feira em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). A apresentação estará a cargo da historiadora Célia Reis, também autora de vários trabalhos sobre a história de Macau. Actualmente, Célia Reis é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. O livro aborda o período em que Macau viveu entre duas revoluções, em dois la-
dos do mundo: por um lado, a implementação da República em Portugal a 5 de Outubro de 1910, e a queda da Monarquia; e, por outro lado, o fim da China imperial e o início da República da China em 1911. Trata-se de um movimento onde se destacou a figura de Sun Yat-sen, que viveu em Macau. A obra conta com prefácio de Luís Cunha e a colaboração de Vincent Ho. Juntamente com Joana Barroso Hortas, Alfredo Gomes Dias fez um estudo sobre a forma como a imprensa portuguesa olhou para a implantação da República na China, através da análise dos jornais daquele período.
ainda um conjunto de investigadores da Universidade do Porto, nomeadamente da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).
Silva, historiador e mesário da Ordem da Lapa, alertando para a fragilidade do coração do “Rei Soldado”, que morreu em Queluz em Setembro de 1834 e chegou ao Porto em Fevereiro de 1835. “Não podemos vê-lo porque o coração é órgão frágil e este tem muitos anos. Receamos que possa estar em estado precário. As operações são muito complexas, tudo isso agita muito e temos receio de um mau resultado. Tentamos que se abra o menos possível”, observou o professor, em entrevista à Lusa.
A cinco chaves
O coração que D. Pedro IV doou ao Porto não está guardado a sete chaves, mas são precisas cinco, mais mil cuidados e uma complexa operação para o retirar do mausoléu da igreja da Lapa, como aconteceu em 2009. A descrição foi feita em 2013 à Lusa por Ribeiro da
Macaenses de Xangai
Alfredo Gomes Dias é, além de professor adjunto da Es-
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volução cola Superior de Educação do IPL, investigador do Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. Como académico, as suas áreas de interesse centram-se em migrações, história política, social e colonialismo. Em 2012, defendeu a tese de doutoramento intitulada “A Diáspora Macaense. Macau, Hong Kong, Xangai (18501952)”. Neste trabalho, analisou a emigração macaense entre os anos de 1840 e 1950, com destino a dois lugares principais: Hong Kong e Xangai. A I Guerra do Ópio, entre os anos de 1839 e 1842, “conduziu a profundas mudanças políticas, económicas e sociais em toda a Ásia Oriental e, em particular na China imperial”, tendo levado também a uma onda de emigração por parte da comunidade macaense. “A saída das principais casas de comércio teve um forte impacto social”, lê-se no resumo da tese. Xangai, uma cidade sofisticada e cosmopolita, acabou por se tornar no local de destino de muitos dos emigrantes macaenses que aí se vol-
O livro olha para o período em que Macau viveu entre duas revoluções, em dois lados do mundo: por um lado, a implementação da República em Portugal a 5 de Outubro de 1910, e, por outro o início da República da China em 1911
taram a estabelecer como comerciantes, mas não só. A investigação de Alfredo Gomes Dias, neste campo, analisa os “portugueses de Xangai”, ou seja, a comunidade que se formou com esse circuito migratório. Na cidade chinesa, acompanharam “o processo de formação, desenvolvimento e extinção das concessões estrangeiras, revelando estratégias que favoreceram a sua integração na sociedade que os acolheu, sem, todavia, perderem os laços com Macau, o seu território de origem”. O rumo da história mudaria novamente em 1949, com a implantação da República Popular da China, precedida por uma guerra civil, o que levou a comunidade a sair e a espalhar-se pelo mundo. Além deste trabalho, Alfredo Gomes Dias é também autor de obras como “Macau e a I Guerra do Ópio”, “Sob o signo da transição - Macau no século XIX” e ainda o livro que nasce da tese de doutoramento, “Diáspora Macaense: Macau, Hong Kong, Xangai (1850-1952)”. Andreia Sofia Silva
eventos 9
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Parietária Nome botânico: Parietaria officinalis L. Família: Urticaceae. Nomes populares: Alfavaca; Alfavaca-de-cobra; Erva-dasmuralhas; Erva-das-paredes; Ervados-muros; Erva-fura-paredes; Helxina; Urtiga-mansa. Planta de origem mediterrânica, atualmente muito disseminada por toda a Europa e regiões secas da América do Sul, a Parietária cresce nos muros e lugares pedregosos e sombrios, como o denunciam vários dos seus nomes populares. Pode atingir 40 cm de altura ou mais, apresenta caule avermelhado, e as folhas, verde-escuras, estão cobertas por uma penugem não urticante; as flores surgem de Junho a Outubro, são pequenas e de cor esverdeada. O seu aspeto singelo contrasta com as suas valiosas propriedades medicinais, conhecidas e reconhecidas ao longo da História, mas ainda não validadas pela ciência. Utilizada há mais de 2000 anos, a Parietária foi referida por vários autores idóneos desde a Antiguidade (Dioscórides, Plínio, Galeno, Laguna, etc.) que, curiosamente, a empregavam para as indicações atuais! Em fitoterapia usam-se as partes aéreas (a planta sem a raiz), colhidas na época da floração. Composição Sais minerais (cálcio, enxofre e abundância em potássio), flavonoides, mucilagens e taninos. Cheiro e sabor a ervas, suavemente salgado. Ação terapêutica A Parietária exerce uma ação regeneradora sobre os rins, fortalecendo a sua função e aumentando a produção de urina, suaviza e desinflama todos os órgãos urinários, dissolve cálculos e alivia as cólicas renais, sendo muito útil na prevenção e tratamento de litíase renal, cistites, nefrites, infeções urinárias, prostatites, situações em que haja retenção de urina (oligúria), albuminúria, sendo de eleição na diminuição dos valores da ureia no sangue. Como diurética é igualmente utilizada para aumentar a eliminação de líquidos em caso de edemas, hipertensão arterial e má circulação. Com propriedades depurativas, favorece a eliminação dos resíduos ácidos do metabolismo, sendo recomendada na presença de ácido úrico elevado, gota e reumatismo. Como depurativa tem indicação na obesidade e celulite. Com efeito suavizante sobre as mucosas do aparelho respiratório, a Pa-
rietária alivia a inflamação e acalma a tosse, sendo usada nas afeções peitorais como bronquite e asma; tradicionalmente é utilizada na tuberculose pulmonar. Outras propriedades Em uso externo, a Parietária auxilia na cura de feridas, desinflamando a pele, evitando que se infetem e melhorando a cicatrização dos tecidos, sendo recomendada nas feridas de difícil cicatrização, queimaduras, gretas na pele, lábios ou mamilos das mulheres que amamentam, fissuras anais, hemorroidas, abcessos e furúnculos; pode ainda ser útil nas amigdalites e faringites. Nas contusões, luxações, tendinites e no reumatismo, a sua aplicação reduz a inflamação e alivia a dor. Como tomar A Parietária pode ser utilizada fresca ou seca, mas é mais ativa quando fresca. Uso interno • Infusão das partes aéreas: 30 g por litro de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar 4 ou 5 chávenas por dia. • Suco da planta recente: Tomar meio copo, 3 vezes por dia. • Pó das folhas secas com mel (Mel de Parietária): Misturar em partes iguais. Tomar 1 colher de sobremesa de hora a hora. Nas afeções respiratórias. • Participa em fórmulas para os cálculos renais e biliares, afeções do fígado e vesícula, e hemorroidas. • As folhas, especialmente os brotos tenros, são comestíveis. Podem ser usados como verdura em sopas ou saladas. Uso externo • Infusão ou cozimento das partes aéreas: 60 gramas por litro de água. Em lavagens, banhos, compressas e gargarejos. • Catapasmas da planta fresca esmagada: Aplicar na zona afetada. Aplicada quente no baixo-ventre, esta cataplasma tem efeitos notáveis em situações de retenção de urina. Precauções A Parietária não deve ser administrada a pessoas com febre dos fenos ou outras alergias, uma vez que o seu pólen, muito ativo, é responsável por muitas das alergias respiratórias. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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XINHUA
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UCRÂNIA PRESIDENTE CHINÊS CRITICA ALARGAMENTO DE ALIANÇAS MILITARES
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Presidente da China, Xi Jinping, criticou quarta-feira o “alargamento de alianças militares”, o factor responsável, segundo defendeu o governante, pela actual crise na Ucrânia. O chefe de Estado chinês falava na cerimónia de abertura do Fórum Empresarial das grandes economias emergentes BRICS (ver texto principal). Este grupo de economias emergentes representa mais de 40 por cento da população mundial e quase um quarto da riqueza produzida no planeta, sendo que três dos seus membros - China, Índia e África do Sul – abstiveram-se de votar uma resolução da ONU a condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia. Pequim e Nova Deli têm laços militares estreitos com Moscovo e estão a comprar quantidades crescentes de petróleo. “A humanidade conheceu a devastação de duas guerras mundiais e a névoa escura do confronto da Guerra Fria”, disse Xi Jinping, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. “Essa dolorosa história mostrou que o confronto entre blocos hegemónicos (...) não traz paz nem segurança, mas apenas guerra e conflitos”, sublinhou, adiantando que “a crise na Ucrânia é mais um alerta para o mundo”. “A fé cega nas posições de força, o alargamento de alianças militares e a procura da própria segurança em detrimento da segurança de outros países conduzem inevitavelmente a um impasse de segurança”, defendeu Xi Jinping, numa aparente referência à NATO e aos Estados Unidos. Durante uma conversa telefónica realizada na semana passada, o Presidente chinês assegurou ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, que Pequim continuará a apoiar Moscovo em questões de “soberania e segurança”. A posição foi criticada pelos Estados Unidos, que pediram à China para evitar colocar-se “do lado errado da História”.
“Perante a turbulência e instabilidade no mundo, devemos ter firmemente em mente a aspiração original da Carta da ONU, bem como a nossa missão de promover a paz.”
BRICS USO DE SANÇÕES VAI ACABAR POR AFECTAR O MUNDO INTEIRO – XI JINPING
“Soou o alarme da O discurso de Xi Jinping, na abertura do Fórum Empresarial do BRICS, focou-se na promoção da paz e na união da humanidade para superar as crises económicas
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Presidente chinês assegurou quarta-feira, na cerimónia de abertura do Fórum Empresarial do bloco BRICS, que aqueles que se aproveitam da sua posição para “impor sanções” vão acabar por afectar “pessoas em todo o mundo”. Xi Jinping enfatizou que a guerra na Ucrânia “soou o alarme da humanidade”, e que está preocupado com os danos que os
restantes países podem sofrer, “à custa dos outros”. “Perante a turbulência e instabilidade no mundo, devemos ter firmemente em mente a aspiração original da Carta da ONU, bem como a nossa missão de promover a paz”, disse o governante chinês, pedindo esforços conjuntos para salvaguardar a paz. Xi Jinping reiterou que “confrontos entre blocos” vão contra a paz e trazem “guerras e conflitos”, numa altura em que os Estados
Unidos tentam construir alianças para contrapor a ascensão da China na região da Ásia–Pacífico. O chefe de Estado chinês também sustentou que o desenvolvimento global deve ser orientado para uma “nova era”, especificando que as “aspirações dos povos e os interesses da comunidade internacional” devem ser aqueles que orientam todos os países. Como em discursos anteriores, o líder chinês ressaltou a necessi-
dade de o mundo inteiro se unir perante as dificuldades e defender os “benefícios mútuos”.
Abaixo as barreiras
Perante as interrupções nas cadeias de fornecimento industrial, o aumento dos preços das matérias-primas e energia, Xi Jinping pediu a “remoção de todas as barreiras que impedem o desenvolvimento das forças produtivas, para promover o desenvolvimento sólido da globalização”. “Toda a gente teme que a economia mundial se afunde num pântano de crises”, disse o governante, acrescentando que, neste “momento crucial, somente unidos em solidariedade e cooperação, podemos superar as crises económicas”.
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Mais vale prevenir
Política monetária prudente evita inflação alta na China
O
primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, defendeu ontem que a política monetária “prudente” que o país adoptou vai prevenir uma situação de inflação elevada, como a registada nos Estados Unidos ou nos países europeus. Citado pelo jornal South China Morning Post, de Hong Kong, Li justificou assim a recusa de Pequim em adoptar políticas de flexibilização monetária em larga escala, apesar de a economia nacional, que já estava em desaceleração, ter sofrido impacto adicional, devido às restritivas medidas de prevenção epidémica, no âmbito da política de ‘zero casos’ de covid-19. “Implementamos uma política monetária prudente e não imprimimos quantias excessivas de dinheiro nos últimos anos. Um dos motivos mais importantes foi evitar a inflação e deixar espaço para enfrentar desafios futuros”, disse. Apesar do significativo aumento da inflação global nos últimos meses, o índice de preços ao consumidor (IPC) da China manteve-se em níveis notavelmente mais baixos, registando uma subida homóloga de 1,5 por cento, entre Janeiro e Maio, abaixo do limite oficial do governo para este ano, de “cerca de 3 por cento”. Os comentários de Li surgem depois de a Reserva Federal dos EUAter executado o maior aumento das taxas de juros dos últimos 28 anos, para combater a inflação.
humanidade” O Presidente da China exortou a que se façam “esforços” para melhorar a governação económica global, dando “voz e representação aos mercados emergentes e países em desenvolvimento”. O líder chinês apelou ao respeito pelas regras da Organização Mundial do Comércio e pediu que se defenda o sistema multilateral de comércio, em busca de uma economia mundial aberta.
Mundo multipolar
O bloco BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ganhou expressão, pela primeira vez, em 2001, quando o economista Jim O’Neill, da Goldman Sachs, publicou um estudo intitulado “Building Better
Global Economic BRICs”, sobre as grandes economias emergentes. O grupo reuniu-se pela primeira vez em 2009 e logo estabeleceu uma agenda focada na reforma da ordem internacional, visando maior protagonismo dos países emergentes em organizações como as Nações Unidas, o Banco
“Neste momento crucial, somente unidos em solidariedade e cooperação, podemos superar as crises económicas.” XIN JINPING PRESIDENTE DA CHINA
Mundial ou o Fundo Monetário Internacional. O bloco passou a incluir a África do Sul no ano seguinte. Segundo a visão de Pequim e Moscovo, a ascensão dos BRICS ilustra a emergência de “um mundo multipolar”, expressão que concentra a persistente oposição dos dois países ao “hegemonismo” ocidental, e em particular dos Estados Unidos. A invasão russa da Ucrânia, iniciada em 24 de Fevereiro, foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os sectores, da banca ao desporto.
Sem precedentes
O Banco Popular da China (banco central) optou por deixar as
suas taxas de referência intactas para evitar uma desvalorização da moeda chinesa, o yuan, segundo os analistas. O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano ultrapassou este ano, pela primeira vez desde 2010, os juros das obrigações do Estado chinês. Esta situação causou já uma liquidação de títulos da dívida chinesa sem precedentes por parte de fundos e investidores estrangeiros, no mercado de dívida soberana. A saída de capital ascendeu a 51,8 mil milhões de yuans, em Março, de acordo com um relatório compilado na terça-feira pela Western Securities, empresa de serviços financeiros com sede em Xi’an, centro da China. O primeiro-ministro chinês expressou ainda confiança numa “boa colheita” de cereais, como o trigo, que permitirá manter a inflação baixa, e pediu o aumento da produção de carvão, para evitar uma escassez de energia, como a que provocou políticas de racionamento em importantes centros industriais do país, no segundo semestre do ano passado.
SHENZHOU-13 ASTRONAUTAS DA MISSÃO CONDECORADOS
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RÊS astronautas da missão tripulada de Shenzhou-13 foram condecorados com medalhas por seus serviços aos esforços espaciais da China esta terça-feira, informa a agência Xinhua. Zhai Zhigang, o comandante da missão, e Wang Yaping, a primeira mulher na estação espacial da China, foram homenageados com medalhas de realizações aeroespaciais de segunda classe, enquanto Ye Guangfu recebeu uma medalha de terceira classe e o título honorário de “astronauta heroico”. Os prémios foram concedidos pelo Comitê Central do Partido Comunista da China, pelo Conselho de Estado e pela Comissão Militar Central. A Shenzhou-13 foi a segunda missão espacial para Zhai, que serviu como comandante pela
segunda vez. O astronauta realizou actividades extra-veículares (EVAs) em três ocasiões, o maior número até agora realizado por um astronauta chinês. O voo foi a segunda missão espacial de Wang e a primeira de Ye. Lançada em 16 de Outubro de 2021, a nave Shenzhou-13 enviou o trio para o módulo central Tianhe da estação espacial chinesa, onde viveram e trabalharam durante seis meses, a maior estadia no espaço de astronautas chineses numa única missão. Os astronautas realizaram EVAs duas vezes e deram duas aulas ao vivo a partir da estação espacial durante a sua estadia. A missão marca a conclusão da China da verificação das tecnologias-chave utilizadas na estação espacial.
12 desporto
Depois de dois anos e meio sem realizar corridas, os organizadores do Campeonato Open Asiático de Karting (AKOC na sigla inglesa) estavam entusiasmados com a possibilidade de os motores voltarem a rugir em meados de Julho em Macau. Contudo, a série de novos casos que assolam o território obrigaram ao cancelamento do evento
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UM comunicado colocado nas redes sociais, os organizadores do Campeonato Open Asiático de Karting anunciaram na passada quarta-feira o cancelamento do evento no território: “A ronda de Julho de 2022 em Macau está cancelada. Isto é devido ao recente ressurgimento de casos de covid e novas medidas de quarentena impostas”. No calendário internacional da CIK FIA, o órgão que regula o karting internacional, o Campeonato Open Asiático de Karting tinha agendado para o Kartódromo de Coloane uma prova no fim de semana de 16 e 17 de Julho, para as seguintes categorias: 125 Open Junior, 125 Open Master, 125 Open Senior, 125 Open Veteranos, MAX, MAX Junior, MAX Veteranos, MINI ROK, ROK-GP, X30 Junior e X30 Senior. Antes da pandemia, o Kartódromo de Coloane era um dos palcos
ASIÁTICO DE KARTING CANCELA PROVA DIAS DEPOIS DE SIMULACRO NO KARTÓDROMO
Ainda não vai ser desta
favoritos para acolher eventos do Campeonato Open Asiático de Karting. Inaugurada no dia 17 de Outubro de 1996, a infra-estrutura continua a ser uma das melhores equipadas no continente asiático. Para além das competições de Macau, o kartódromo recebia habitualmente duas provas do AKOC, a ronda de abertura e a de encerramento, sendo que esta última costumava coincidir com o Grande Prémio Internacional de Karting. Segundo o que apurou o HM, a organização do AKOC, que tem o seu quartel-general nas Filipinas, acreditava inicialmente que o evento iria ser realizado usando o sistema de bolha implementado com sucesso durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, mas até ao início desta semana aguardava ainda mais informações. A organização do AKOC, cujos campeonatos são maioritaria-
mente compostos por pilotos de vários países do sudeste asiático, vai aguardar por uma decisão da AAMC quanto a uma nova data para evento. Entretanto, as provas organizadas pela Associação Geral Automóvel de Macau - China (AAMC) no Kartódromo de Coloane marcadas para o fim
“A ronda de Julho de 2022 em Macau está cancelada. Isto é devido ao recente ressurgimento de casos de covid e novas medidas de quarentena impostas.” CAMPEONATO OPEN ASIÁTICO DE KARTING
de semana, foram também canceladas. Numa nota colocada na sua página electrónica, a AAMC esclareceu: “Tendo em conta a grave situação epidémica, em resposta à política anti-epidemia do Governo da RAEM, a AAMC vai continuar a suspender os serviços externos de 22 a 24 de Junho. Obrigado pela vossa compreensão.”
Simulacro no Kartódromo
No fim de semana passado, o Kartódromo de Coloane serviu para um simulacro com vista à preparação do 69.º Grande Prémio de Macau. Numa iniciativa gerida pelo Instituto do Desporto, com o intuito de explorar a viabilidade de convidar atletas estrangeiros para competir em Macau, foi testada a possibilidade de realizar o evento em “circuito fechado”, à imagem do que foi feito nos
Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim. Segundo o que foi noticiado pela imprensa local de língua chinesa, o conceito passa por dividir os intervenientes do evento em duas zonas: “zona verde” e “zona vermelha”. Todas as equipas participantes, o seu pessoal e mesmo alguns meios de comunicação social são colocados na zona vermelha em “circuito fechado”, onde autocarros farão o seu transporte entre o circuito e o hotel. O simulacro terá incluído operações de socorro, eliminação de lixo, cerimónia de entrega de prémios, entrevistas instantâneas em vídeo entre os meios de comunicação social e os pilotos, e até autocarros realizaram o transporte de pessoas em “circuito fechado”. Sérgio Fonseca
FIFA PORTUGAL CAI PARA NONO LUGAR NO RANKING ULTRAPASSADO PELOS PAÍSES BAIXOS
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selecção portuguesa de futebol foi ultrapassada pelos Países Baixos no ranking da FIFA, caindo para o nono lugar na lista divulgada ontem e que continua a ser liderada pelo Brasil. O desempenho nos quatro jogos da Liga das Nações, em que venceu Suíça (4-0) e República Checa (2-0), empatou com Espanha (1-1) e perdeu o segundo encontro
com os helvéticos (1-0), fez a equipa liderada pelo seleccionador Fernando Santos descer um lugar na hierarquia mundial. O Brasil manteve-se no topo da classificação, seguido da Bélgica, mas com um novo acompanhante no pódio, a rival Argentina, que ascendeu à terceira posição, relegando a França, campeã do mundo em título, para o quarto posto.
A Inglaterra permanece no quinto lugar, agora à frente da Espanha, cujo desempenho no grupo que integra também Portugal na Liga das Nações lhe permitiu ultrapassar a Itália, atual campeã europeia. Portugal também foi superado pelos Países Baixos, enquanto a Dinamarca foi a única entrada nova no ‘top 10’, depois de ter sido rele-
gada pelo México para a 11.ª posição no ranking anterior, devolvendo a ‘gentileza’ aos mexicanos, que eram nonos posicionados e foram igualmente ultrapassados pelos neerlandeses. Dos adversários de Portugal no Grupo H do Mundial2022, apenas a classificação da Coreia do Sul, orientada pelo treinador português Paulo Bento,
sofreu alterações, subindo um posto, para 28.º, ao passo que o Uruguai se manteve em 13.º e o Gana em 60.º. Entre as outras selecções lideradas por técnicos portugueses, a Nigéria, que confirmou recentemente José Peseiro como seleccionador, caiu para 31.ª, o Bahrain, treinado por Hélio Sousa, subiu para 85.º, e o
Togo, orientado por Paulo Duarte, desceu para 127.º. Em relação aos países africanos de língua oficial portuguesa, Cabo Verde continua a ser a única selecção no ‘top-100’, no 72.º lugar, seguida da Guiné-Bissau (115.ª), Moçambique (118.º), Angola (122.º) e São Tomé e Príncipe (187.º). Macau permanece em 182.º e Timor-Leste desceu para 199.º.
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ANA JACINTO NUNES
antropofobias
CARLOS MORAIS JOSÉ Das encostas da inominada montanha onde proliferam os jurus, desce o intenso rio Yin que se espreguiça até ao mar. Nas suas águas, densas, lamacentas, vive um estranho animal com corpo de peixe e cauda de serpente. Dãolhe o nome de hujiao. Na realidade, é difícil definir o hujiao como sendo um peixe. Ele, com o seu corpo listado como um tigre, será talvez parente das baleias. O que, com certeza, não partilha com o nosso conhecido cetáceo é o seu tamanho, pois os hujiaos conhecidos não ultrapassam a dimensão de um gato. Nos arrabaldes do rio Yin, em aldeias de pescadores e camponeses, o hujiao é servido à mesa e a sua carne deveras apreciada. Segundo a tradição, a sua deglutição proporciona eliminar inchaços e hemorróidas, uma propriedade muito apreciada em regiões onde a gastronomia insiste particularmente nos ingredientes picantes. Mas o traço realmente espantoso do hujiao consiste no facto de, quando nasce, olhar num relance o mundo em seu redor e o mais rapidamente que pode tomar o caminho de volta ao ventre de sua mãe. Depois, só a custo de muito carinho e persuasão, esta o consegue convencer a dar os primeiros passos fora do ambiente protector do útero materno. Não se trata de um processo fácil, pois o recémnascido não apenas tem as suas razões como consegue delas elaborar argumentos nem sempre fáceis de rebater. Contudo, a mãe, com a paciência e sabedoria de todas as mães, independentemente da espécie, faz-lhe ver a futilidade da não-existência. Finalmente, o bebé hujiao lá acede a chafurdar nas águas lamacentas do rio Yin e aí levar a sua vida.
O hujiao Este comportamento pós-natal não deixou de espantar os homens e incendiar algumas imaginações. Seria o hujiao dotado de uma antiga sabedoria — imanente do tempo em que humanos e animais se entendiam e trocavam segredos sobre as respectivas naturezas — que o levaria a desprezar o estado actual do mundo, tal qual ele o encontrava à nascença? Não seria então essa recusa de existir um sinal de uma superior e bem elaborada teoria, ao invés de se tratar de um mero recuo horrorizado de um animal sem consciência perante a má formação do mundo? Não sabemos. Esta extraordinária característica do hujiao não deixou, como seria de esperar, de encontrar adeptos, homens desconcertados com o estado das coisas, incapazes de encontrar um fio condutor para a sua existência que realmente fosse do seu agrado e que, cansados do sabor a gesso na boca, entendem ser sábio o hujiao por se recusar existir. Não é do nosso conhecimento a erecção de templos em sua honra ou do seu exemplo, talvez porque essa nãoacção constitua a essência de quem considera não valer a pena viver. Menos radicais, outros pensadores consideram que o hujiao nunca recusou a vida, mas sim a existência tal qual ela lhe era apresentada. Assim, a sua atitude de regresso ao útero significará uma “declaração”, a saber: o mundo que me apresentais não presta, é urgente melhorá-lo. Estes reformistas vêem no hujiao o exemplo de um ser “natural”, cujo comportamento nos alerta para a desgraça que fizemos do mundo que habitamos. Mas onde, até ao momento da presentificação de outro, não temos outra opção que não seja nele viver.
O TRAÇO REALMENTE ESPANTOSO DO HUJIAO CONSISTE NO FACTO DE, QUANDO NASCE, OLHAR NUM RELANCE O MUNDO EM SEU REDOR E O MAIS RAPIDAMENTE QUE PODE TOMAR O CAMINHO DE VOLTA AO VENTRE DE SUA MÃE
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 55
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“Zero K”, editado quando Don DeLillo tinha 79 anos, é uma tese ficcionada sobre as fronteiras da mortalidade. Num ambiente futurista muito próximo da ficção científica, “Zero K” retrata a jornada de um bilionário em busca da imortalidade através de um luxuoso processo de criopreservação. Longe de estar ao nível dos clássicos de DeLillo, como “Underworld”, “White Noise” e “Libra”, “Zero K” é um rastilho para as grandes questões que definem a humanidade e os tempos que vivemos. João Luz
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C I N E M A
SALA 1
LIGHTYEAR [B]
PROBLEMA 56
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CINETEATRO DON DELILLO – ZERO K
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Angus MacLane 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
TOP GUN: MAVERICK [B] Um filme de: Joseph Kosinski Com: Tom Cruise, Jennifer Connely, Val Kilmer, Miles Teller 14.00, 19.15
JURASSIC WORLD: DOMINION [B] Um filme de: Colin Trevorrow
Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Laura Dern, Jeff Goldblum 16.30, 21.45
THE LOST CITY [B]
Um filme de: Adam Nee, Aaron Nee Com: Sandra Bullock, Channing Tatum, Daniel Radcliffe, Brad Pitt 14.30, 16.30, 21.45 SALA 3
EVERYTHING EVERYWHERE ALL AT ONCE [C]
Um filme de: Daniel Kwan, Daniel Scheinert Com: Michelle Yeoh, Stephanie Hsu, Ke Huy Quan, James Wong 19.00
1 0 8 9 5 3 9 5 3 0 6 4 4 6 5 7 8 2 8 3 7 6 0 1 LIGHTYEAR 0 2 6 3 4 8 5 4 1 2 7 9 7Propriedade 9 0 Fábrica 5 1de Notícias, 6 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 3Julie8Oyang; 2 Paulo 4 Maia 9 e5Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; 6Paul1Chan4Wai8Chi; Paula 2 7Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 2Morada 7 Pátio 9 da1 Sé,3n.º22,0Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo
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sexta-feira 24.6.2022
opinião 15
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confeitaria
João Romão
ENRIQUECER COM A FOME OU LUCRAR com a dor, como denuncia logo no título o relatório sobre desigualdades sociais globais recentemente publicado pela Oxfam, organização não governamental que se tem dedicado ao estudo – e alguma acção – nos campos vários das injustiças sociais que um pouco por todo o mundo assinalam a nossa contemporaneidade. Neste caso, o relatório descreve o impacto avassalador da pandemia de covid-19 sobre as desigualdades no planeta: nestes dois anos apareceram mais bilionários enquanto mais alguns milhões de pessoas foram empurradas para situação de pobreza. Estas são as consequências assimétricas da pandemia numa economia global que acolheu o vírus num contexto generalizado de liberalização de mercados, desregulação de movimentos e transações comerciais e financeiras, evasão fiscal generalizada entre a população mais rica do planeta, limitação crescente da acção dos estados, destruição sistemática dos mecanismos de protecção social e dos estados-providência, desarticulação das formas de organização de trabalhadores, enfim de isolamento sistemático das pessoas perante os mecanismos tenebrosos e implacáveis dos mercados – ou das decisões que em nome do livre funcionamento dos mercados um pequeno número de pessoas vai tomando na condução dos negócios globais contemporâneos. O relatório dá conta da emergência de novos bilionários durante a pandemia e da dimensão do seu poder económico, ao mesmo tempo que descreve processos económicos variados que condenam à fome e à miséria milhões de pessoas no planeta: na realidade, há mecanismos que provocam estes dois fenómenos ao mesmo tempo: a relativa escassez e o decorrente aumento de preços de bens alimentares ou de energia impõem a miséria de muitas famílias espalhadas pelo planeta, enquanto alimentam lucros que engordam ainda mais os accionistas das grandes empresas que controlam estes mercados globais. É desse duplo mecanismo que se faz o significativo aumento das desigualdades em período de pandemia. Os números revelam cruamente a brutalidade desta transferência massiva de riqueza dos mais pobres para os mais ricos que acompanhou a propagação do vírus: no seu conjunto, os bilionários (pessoas com riqueza superior a mil milhões de dólares) nos sectores da alimentação e da energia ganharam mais mil milhões de dólares a cada dois dias, enquanto os preços atingiam os níveis mais altos das últimas décadas; ao mesmo tempo, a doença e os aumentos de preços levaram 263 milhões de pessoas em todo o mundo para situações de pobreza extrema. Os cálculos da Oxfam assinalam aliás uma tenebrosa coincidência: o tempo que demorou a “criar” mais um bilionário durante dois anos de covid (apareceu um
O tempo que demorou a “criar” mais um bilionário durante dois anos de covid (apareceu um novo a cada 30 horas) foi quase o mesmo que demorou a condenar à pobreza extrema um milhão de pessoas (33 horas)
novo a cada 30 horas) foi quase o mesmo que demorou a condenar à pobreza extrema um milhão de pessoas (33 horas). Estas desigualdades ainda mais galopantes do que as que tínhamos vivido nas últimas décadas de hegemonia do pensamento e das políticas económicas neo-liberais traduzem-se em diferenças nos rendimentos, no acesso à saúde entre grupos étnicos ou entre países e zonas geográficas, beneficiando poderes políticos e económicos oligárquicos, sobretudo ligados aos sectores das tecnologias digitais, alimentação e, naturalmente, saúde. Mais uma vez, nem concorrência, nem justiça: assiste-se a uma concentração ainda maior de poder e riqueza, com apropriação privada de benefícios e lucros em actividades de que depende a sobrevivência humana (como a saúde e a alimentação) e cujo progresso nas últimas décadas se deveu em larga medida a subsídios públicos à investigação científica e tecnológica (saúde, alimentação e tecnologias digitais). Os exemplos de como a pandemia beneficiou as grandes empresas destes sectores são também inequívocos: no sector farma-
cêutico, 40 novos bilionários apareceram durante o período em que o covid matou 20 milhões de pessoas no planeta; no sector alimentar foram 62 os novos bilionários que acompanharam a difusão planetária do covid-19, em grande medida graças às subidas de preços alimentares (quase 34 por cento em 2021 e mais 23 por cento previstos para 2022, a maior subida jamais registada desde 1990, quando a ONU começou a contabilizar este indicador a nível global); o sector tecnológico, com a sua preponderância na distribuição global e local de produtos e serviços, também beneficiou largamente da pandemia, com os lucros das cinco maiores empresas (Apple, Microsoft, Tesla, Amazon e Alphabet) a duplicar em 2021 os lucros de 2019. Hoje, estas 5 empresas estão entre as 21 maiores entidades económicas do mundo, considerando o PIB dos países e a capitalização de mercado das empresas. O famigerado proprietário da Tesla viu a sua fortuna aumentar quase 700 por cento desde 2019 e continuaria entre as 0.0001 por cento pessoas mais ricas do mundo mesmo que perdesse 99 por cento da sua riqueza. Na realidade, no período desta pandemia apareceram 573 novos bilionários. Em conjunto, a sua riqueza aumentou 42 por cento. Os rendimentos deste restrito grupo da população mundial representam hoje quase 14% do PIB global, quando eram apenas 4.4 por cento em 2000. As 10 pessoas mais ricas têm a mesma riqueza do que as 40 por cento mais pobres a viver neste despropositado planeta. As condições com que se vive cada dia ou com que parte para enfrentar crises severas como as da pandemia impõem também desigualdades na “resiliência”, como se diz agora, de cada pessoa ou de cada grupo: há grupos mais vulneráveis que outros e com mais condições para recuperar das adversidades. Na realidade, há grupos que sofrem e há grupos que beneficiam destas crises. Este relatório também lembra, por exemplo, que quase 3 milhões e meio de pessoas negras norte-americanas estariam vivas se a sua esperança média de vida fosse igual á das brancas, ou que as mortes por covid de pessoas com origem no Bangladesh a viver no Reino Unido foi 5 vezes superior à das pessoas brancas britânicas. Também se lembra que as pessoas a viver em países menos desenvolvidos (ou nas camadas sociais mais pobres de quem vive em países desenvolvidos) gastam mais do dobro do seu rendimento em comida do que as pessoas mais ricas. Essa desproporção torna-as especialmente vulneráveis às consequências da brutal subida de preços de produtos alimentares a que assistimos. Em pleno século 21, a produção e distribuição de comida é ainda – e talvez cada vez mais – um elemento decisivo das desigualdades sociais e uma causa fundamental da miséria em que vive grande parte da população mundial.
“O tempo passa e o homem não percebe.” PALAVRA DO DIA
sexta-feira
24.6.2022
TIAGO ALCÂNTARA
Dante
CASO ALVIN CHAU RAEM PERDEU 8,2 MIL MILHÕES EM IMPOSTOS, DIZ ACUSAÇÃO
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Filipe Regêncio Figueiredo, Associação de Pais da EPM “Hoje [ontem], com esta confusão toda, os directores de turma começaram a enviar mensagens aos pais, a seguir à hora de almoço, com a informação de que os exames seriam cancelados.”
EPM EXAMES NACIONAIS CANCELADOS. PAIS PEDEM REGIME ESPECIAL
Caldo entornado
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Escola Portuguesa de Macau (EPM) cancelou ontem à tarde a realização dos exames nacionais para o acesso ao ensino superior em Portugal após ser divulgado um despacho da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) sobre a suspensão dos exames em todas as escolas. Em causa, está também a suspensão das provas de aferição do terceiro ciclo. Recorde-se que os exames vinham sendo realizados esta semana dentro da normalidade, bastando a apresentação de testes rápidos com resultado negativo. A informação foi confirmada ao HM por Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da EPM. “Sei que os exames estavam a ser feitos e decorreram até ontem [quarta-feira] com alguma normalidade. Hoje [ontem], com esta confusão toda, os directores de turma começaram a enviar mensagens aos pais, a seguir à hora de almoço, com a informação de que os exames seriam cancelados.” O presidente da associação de pais já contactou com Manuel Machado, presidente da direcção da EPM, com quem não foi
possível estabelecer contacto até ao fecho desta edição, que terá assegurado que nenhum aluno irá ficar prejudicado. O Ministério da Educação português autorizou a que a segunda fase de exames seja equivalente à primeira, tal como ocorreu em 2020, no pico da pandemia. Para já, a proposta que está em cima da mesa é que os exames se possam realizar entre os dias 27 de Junho e 5 de Julho, nas disciplinas de Física e Química, Filosofia, Matemática e Desenho.
Pais protestam
Os encarregados de educação dos alunos finalistas não estão, contudo, satisfeitos com esta proposta. Cristina Ferreira é uma das signatárias de uma carta enviada à DSEDJ, através da associação de pais, e com o conhecimento do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e da direcção da EPM, a exigir um regime especial para que os alunos abrangidos por esta decisão, que não são mais de 20, possam fazer os exames. “A situação dos alunos do 12.º ano deverá merecer um tratamento especial. Sem prejuízo
das medidas de segurança de saúde e de higiene que devem ser asseguradas, a realização dos exames nacionais deve ser mantida por forma a não prejudicar o futuro destes alunos”, lê-se na carta a que o HM teve acesso e que é assinada em conjunto com Rita Rebelo. Cristina Ferreira explicou ainda que “a direcção da EPM deve negociar com a DSEDJ e não apenas com o Ministério da Educação. Há miúdos que já têm viagens marcadas para Portugal [nas datas propostas para os exames] e nada nos garante que a situação pandémica não vá piorar. Se cancelarem a nova fase de exames, os miúdos ficam impedidos de concorrer [à universidade]. Além disso, ficam sem possibilidade de fazer melhoria de nota”, disse ao HM. A ideia é que possa ser garantido “um regime excepcional” por estar em causa um pequeno grupo de alunos, que podem fazer os exames em maiores instalações para assegurar as regras de saúde pública e segurança, adiantou Cristina Ferreira. Até ao fecho desta edição, a direcção da EPM não tinha reagido a esta carta. Andreia Sofia Silva
S alegadas acções criminosas de Alvin Chau e do grupo que liderava terão levado a uma perda, para a RAEM, de 8,2 mil milhões de dólares de Hong Kong em impostos sobre o jogo. Segundo a acusação do Ministério Público, a que a Macau News Agency (MNA) teve acesso, em causa está uma rede de jogo ilegal e de lavagem de dinheiro, ligada ao grupo Suncity, que operava nas salas de jogo VIP do território e que mantinha ligações com o mundo do jogo do Vietname, Cambodja e Filipinas. Além de Alvin Chau, CEO do grupo, a rede continha nomes ligados à gestão da empresa, como é o caso de Lou Seak Fong, Si Tou Chi Hou, Ellute Cheung Yat Ping, Ali Celestino, Chau Chun Hee, Cheong Chi Kin, Philip Wong Pak Ling, Leong Su Weng, Ho Cheng I, Vincent Loi e Cheung Ling Ling. As apostas ilegais terão gerado um total de 823.7 mil milhões de dólares de Hong Kong, num período entre 2013 e Março de 2021. Terão sido transferidos cerca de 3.6 mil milhões de dólares de Hong Kong em apostas ilícitas feitas por telefone e online. O dinheiro estará associado a acções de lavagem de dinheiro de empresas e bancos clandestinos a operar na China e terá ficado misturado com os ganhos do grupo Suncity. As acções ilegais do grupo Suncity envolvem as salas VIP das seis concessionárias de jogo. A acusação aponta ainda que as marcas “Suncity Group” e “Suncity VIP Rooms” eram usadas pelo grupo como forma de esconder as apostas e ganhos ilícitos do grupo.
O HM ERROU
TANZÂNIA MASSAI PEDEM QUE NÃO OS EXPULSEM PARA CRIAR UMA RESERVA
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PUB PUB.
EPRESENTANTES das comunidades Massai do norte da Tanzânia exigiram ontem, junto à sede da ONU em Nairobi, que não sejam expulsos das suas terras, após a Tanzânia ter anunciado a criação de uma nova reserva de vida selvagem. “Exigimos ser ouvidos”, sublinharam as comunidades Massai
afectadas, durante a quarta e última ronda de negociações sobre o projecto de Quadro Global de Biodiversidade, que se realiza esta semana na capital queniana e que reuniu centenas de representantes de países de todo o mundo. “As nossas terras em Loliondo [norte da Tanzânia] estão a ser-nos retiradas sem consulta
e sem o nosso consentimento”, reclamaram. No início deste mês, as autoridades tanzanianas anunciaram a sua intenção de criar uma nova reserva de vida selvagem na divisão Loliondo do distrito de Ngorongoro (norte), o que resultaria na deslocação forçada de mais de 70.000 Massai. As comunidades Massai organi-
zaram protestos em massa e as forças de segurança dispararam gás lacrimogéneo e munições para os dispersar, ferindo dezenas de pessoas, disse um advogado de direitos humanos, Joseph Oleshangay, à agência de notícias Efe. Pelo menos duas pessoas um polícia e um manifestante - foram mortas.
Na notícia sobre as actividades de celebração dos 400 anos do 24 de Junho, publicada na última página do HM esta quarta-feira, lê-se que os eventos foram cancelados, quando na verdade foram apenas adiados, não existindo, para já, uma nova data confirmada para a sua realização. Aos visados e leitores, as nossas desculpas.