CORRUPÇÃO EM ESTUDO
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CHINESES EM LONDRES EVENTOS
OPINIÃO
DEPUTADOS CALADOS JORGE MENEZES
Para onde vais, Europa? É a grande questão do fim-de-semana, em que cerca de 360 milhões de eleitores decidem o futuro do Velho Continente. Stan Verhoeven, especialista em Direito da UE, perspectiva uma mudança ideológica, com a ascensão do populismo em detrimento do centro esquerda, que pode abalar o projecto europeu. ESPECIAL EUROPEIAS
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LINGUAGEM I
ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO
AUTISMO VALÉRIO ROMÃO
DAMA DO CHÁ FERNANDO SOBRAL
hojemacau
SOFIA MARGARIDA MOTA
PÁGINA 7
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CCAC
RÓMULO SANTOS
SEXTA-FEIRA 24 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4295
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
CAMPANHA
JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE
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STEN VERHOEVEN ESPECIALISTA EM DIREITO DA UNIÃO EUROPEIA
Raiva contra o sistema
As eleições deste fim-de-semana podem marcar uma viragem ideológica no Parlamento Europeu e a derrota do centro esquerda, a favor dos representantes de partidos populistas. A ideia é defendida pelo académico da Universidade de Macau Sten Verhoeven. A mudança não vai acabar com o projecto europeu, mas pode atrasar os processos legislativos da UE
O que podemos esperar destas eleições europeias? Essa é a verdadeira questão. Pela primeira vez, parece que os partidos de centro esquerda não vão conseguir manter a maioria. Isto não significa que vão ficar isolados ou que não vão continuar a ter poder. Mas significa muito em termos legislativos. Estes grupos partidários eram a força motriz no que respeita à adopção de legislação. Sem a maioria no parlamento vai ficar muito mais difícil encontrar parceiros de modo a conseguir a maioria necessária para adoptar legislação. Esta vai ser uma situação nova e única. Nunca tivemos isto antes.
Claro que as eleições ainda não ocorreram, ainda há muita coisa a decidir, e a tendência ainda pode oscilar entre as duas partes, mas parece que esta ala não vai ter a maioria. Em vez disso, vai haver o crescimento da presença de mais partidos euro-cépticos e até mesmo hostis à própria Europa que vão tentar formar um grupo grande dentro do Parlamento Europeu. Claro que esse grupo pode, não digo bloquear, mas dificultar a produção legislativa e a definição de comissários. Basicamente, podem travar a máquina. Não vão atirar a Europa para um buraco, isso é impossível, mas vão definitivamente abrandar muito a máquina europeia. Vai ser com certeza, uma questão altamente problemática para a União Europeia (UE) que está agora à procura de um segundo fôlego depois do ressurgimento dos partidos populistas por todo o lado e quando se espera que responda a isso. Que União Europeia podemos esperar? Alguns destes partidos são pró Europa, mas talvez uma Europa diferente daquela que temos neste momento. Uma Europa que tenha em conta as considerações do povo, o que quer que isso queira dizer. Há esta ideia de criar um grupo parlamentar focado nos partidos populares. É uma perspectiva mais populista e menos subsidiária em que se admite a necessidade da UE, mas também se defende o respeito pelas divergências, pelas diferenças culturais e pelas peculiaridades dos diferentes estados membros em que assuntos como a emigração assumem um grande papel. Alguns destes partidos não são apoiantes da emigração. Aliás, há países que consideram que todos os problemas da Europa se devem à emigração, especialmente a Hungria e Polónia. Mas em outro domínios, por exemplo, no comércio, é natural que venham a ter uma outra postura, até mais pro-Europa. Mais uma vez, não há certezas.
A que se deve a subida dos partidos populistas? Para mim, é mais um sinal para as elites de que certas coisas não são mais aceitáveis. O que não é uma surpresa. As despesas sociais foram muito cortadas em vários estados
“Há países que consideram que todos os problemas da Europa se devem à emigração, especialmente a Hungria e Polónia.”
membros em altura de crise. Houve austeridade motivada por outros países membros muito poderosos, além da própria Alemanha. Claro que economicamente se pode debater se isso era necessário ou não. Mas por outro lado, estas políticas enfraqueceram a sociedade. Será uma surpresa ver que anos depois da economia ser retomada estes países vítimas da austeridade parecem não ver qualquer benefício disso? Ficam chateados. Encontramos maior apoio aos partidos populistas nas áreas rurais porque foram deixadas de lado. As pessoas estão zangadas e reagem através do voto. É um voto contra o sistema, seja qual for o sistema. Para mim isto é um alerta. Algumas destas preocupações são reais. Sim, o desenvolvimento da União Europeia nos últimos 20 anos tem sido óptimo. A livre circulação é uma excelente iniciativa e há muitos vencedores, mas também há perdedores. A Europa é um projecto que também tem que conseguir dar voz às pessoas que ficaram de fora. E os partidos populistas, na sua maioria de direita, capitalizam-se nisto. Têm um discurso em que dizem: vocês perderem as vossas oportunidades porque os emigrantes entraram. Eles não são anti-sistema por natureza, eles querem, claro, ser parte do sistema. Alimentam essa zanga e usam-na para conseguir entrar no Parlamento Europeu. Mas o facto é que se tratam de partidos que também não fazem grande coisa de facto. Olhemos o que aconteceu na Áustria. Teve um partido de direita, populista, que no fim acabou por sair devido à corrupção. Este partido preocupava-se realmente com o bem-estar da população? Sou muito céptico em relação a isso. Estes partidos são muito bons na sua narrativa e alimentam a zanga actual. E onde fica o centro-esquerda? A ala mais à esquerda não tem sido capaz, perante uma série de assuntos sociais, de se salientar e de se
focar para trazer estas pessoas para um movimento mais ao centro esquerda. Isso é talvez a parte mais chocante deste processo todo: Que os sociais democratas que historicamente deram voz digamos, aos não privilegiados, tivessem falhado completamente em chamar a eles esta maioria de pessoas.
Normalmente, as eleições europeias não tem muita adesão. Acha que pelos motivos que apresentou, este ano pode ser diferente? Penso que podem mobilizar as pessoas. Pelo menos já se fala das eleições europeias este ano. Estão nas capas de jornais. Não me lembro de ter sido assim anteriormente. Por outro lado, não espero uma grande diferença na adesão às urnas. Pode existir um aumento pequeno, na ordem dos cinco a seis por cento, mas não uma grande diferença. Se pensarmos num aumento significativo, acho que isso não vai acontecer. É uma pena porque o Parlamento Europeu é de facto o organismo legislador mais importante na Europa.
“Os sociais democratas que historicamente deram voz aos menos privilegiados, falharam completamente em chamar a eles esta maioria de pessoas.” Porquê este desinteresse das pessoas? Acho que tem que ver com a distância. As pessoas votam mais numas eleições municipais porque estão a falar de pessoa vizinhas. Eleições regionais já são menos os votantes. Mesmo a um nível nacional, muitas vezes as pessoas já não se mostram tão interessadas. A um nível europeu trata-se de votar em pessoas que vão estar em Bruxelas, que é muito longe. Por outro lado, o Parlamento Europeu lida com aspectos mais técnicos da legislação. Estas eleições ficam também muitas vezes na sombra de outros processos eleitorais nacionais ou regionais. O mesmo acontece no que respeita aos
partidos: as pessoas não sabem o que os partidos fazem a um nível europeu, não têm ideia. Se perguntarmos às pessoas qual é o seu representante no Parlamento Europeu, as pessoas provavelmente não sabem, o que é um problema. Por outro lado, os partidos a nível europeu, têm dentro de si, muitas divisões. Por exemplo um partido conservador de Espanha é diferente de um conservador da Holanda. Os socialistas franceses e os alemães podem não concordar em muitas coisas. O Reino Unido ainda participa nestas eleições, enquanto o Brexit é negociado. O que pensa desta situação? É uma novela. Ninguém sabe o que está a acontecer. Nestas eleições são os conservadores a votar no partido do Nigel Farage. Vamos ver uma polarização. Vamos ver as pessoas que realmente querem o Brexit, a votar no Farage e o resto vai ser distribuído por outros partidos. Mas por outro lado, isto mostra como as pessoas se relacionam com o Brexit depois de dois anos de negociações. Quantas pessoas querem mesmo o Brexit? Imagine que o partido do Farage tem 40 por cento dos votos, isso faz com que seja o partido mais votado, mas também significa que 60 por cento da sociedade não está interessada no Brexit. Penso que estes são também os últimos dias de Theresa May, ela lutou pela aprovação do mesmo acordo várias vezes e isto não vai durar para sempre. Quem a vai substituir? Boris Johnson é pró Brexit, mas enquanto figura política é forte o suficiente para desistir da saída se não encontrar um acordo. Como é que se resolve tudo isto? Para mim, cabe à UE tomar uma decisão, porque de outra forma pode ser uma decisão adiada indefinidamente. Não se pode deixar um país eternamente no limbo. Há a possibilidade de um segundo referendo? Um segundo referendo é o mesmo que dizer que há dois anos pediram a opinião das pessoas, mas agora mudaram de opinião e vão perguntar de novo. Politicamente falando, demora algum tempo para apresentar este tema de novo a referendo. Também não significa que o resultado de
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um segundo referendo venha a ser diferente. Mas, de novo, o referendo foi muito recente. Uma nova consulta é uma estratégia muito arriscada. E a China? Pode vir a sofrer consequências com estas mudanças na Europa? Os países mais à direita não são necessariamente contra a liberdade comercial. Talvez sejam partidos que defendem maior isolamento nacional, que querem limitar o comércio, mas também precisam dele. O Reino Unido é um bom exemplo. É muito euro-céptico, mas tem sido sempre muito favorável ao comércio global. Temos de ver como a situação vai evoluir e o que estes partidos vão realmente defender.
O problema da China com a Europa pode ser o mesmo que se levanta com os Estados Unidos. Há de facto algumas práticas na China, nomeadamente no que se refere a propriedade intelectual, que também são preocupações da Europa. Tanto os governos da UE como dos EUA têm posições semelhantes acerca da transferência obrigatória de propriedade intelectual dos investimentos na China. Mas as ferramentas usadas para negociar com a China são diferentes e claro que a implementação de tarifas não será a forma certa de combater estas situações. Por outro lado, se os EUA avançarem com o aumento das tarifas às exportações europeias, e que parece que vão fazer, pode-se pensar que o inimigo do
meu inimigo é meu amigo, e aí as negociações entre a China e a Europa, que já decorrem há algum tempo, podem ser mais rápidas. Mas também existem outros mercados a considerar: Singapura, Japão ou a Coreia do Sul são economias muito importantes com quem também temos acordos. A China pode mesmo acabar por ser beneficiada? A Europa e a China têm um bom ambiente de comércio. Isso significa que a China vai ser um parceiro da UE? Não, isso não vai acontecer. As relações económicas vão continuar, mas pensar que a China pode substituir os EUA enquanto parceiro da UE, não conto com isso. Claro que há uma diferença de estratégias entre as negocia-
ções que acontecem entre a China e a Europa. A Europa tem agora uma abordagem da China mais pragmática. O facto de a Europa não levantar a voz acerca de determinados assuntos publicamente não quer dizer que não os aborde, mas de uma forma mais privada. Quais os maiores desafios para a Europa nos próximos anos? Vão ser a forma de trazer de volta as pessoas que vão votar nos partidos populistas ou que são mais cépticos sobre o projecto europeu. Penso que há necessidade de os políticos se aproximarem das pessoas e das suas necessidades. Não é o mesmo que ouvir as pessoas e nada mudar. Por exemplo, em relação é emigração, um dos temas centrais, precisamos da
emigração, temos é de saber o que fazer com ela. Pode ser assustador muitas pessoas verem de repente entrar nos seus bairros uma quantidade muito grande de emigrantes que não falam a língua etc. Nestes casos há que investir mais na integração. Não se pode ser como o Japão que é muito vedado ao exterior. Mas é preciso saber as necessidades que se têm e perante elas, acolher os emigrantes. Não é dar subsídios apenas, mas dar ferramentas para fazer com que os emigrantes também se sintam úteis. Ninguém gosta de ser inútil. Sofia Margarida Mota
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ONDE VOTAR CONSULADO-GERAL DE PORTUGAL EM MACAU E HONG KONG
• Dias: 25 e 26 de Maio • Horário: Das 8h00 às 19h00
Os portugueses residentes em Macau e Hong Kong, desde que inscritos nos cadernos de recenseamento da Comissão Recenseadora. Os cadernos de recenseamento podem ser consultados no portal do Ministério da Administração Interna: https://www.recenseamento.mai.gov.pt/
Todos às urnas
PARLAMENTO EUROPEU ELEITORES JÁ COMEÇARAM A VOTAR, PORTUGUESES VOTAM DOMINGO
Aliança Candidato nascido em Macau
Paulo Sande, cabeça-de-lista do partido Aliança, fundado por Pedro Santana Lopes, tem ligações a Macau, local onde nasceu. No entanto, após seis meses, deixou o território com o pai com destino a Goa, onde estava durante a invasão das forças indianas. Licenciado em Direito e professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, era consultor político do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, mas demitiu-se para ser cabeça-de-lista do Partido Aliança.
O processo de eleição dos 751 deputados do Parlamento Europeu para a legislatura 2019-2024 arrancou ontem na Holanda e no Reino Unido, os dois primeiros países a votar num calendário que se estende até domingo
LISTAS CANDIDATAS ÀS EUROPEIAS DE 2019
Livre
PCTP/MRPP
Partido Democrático Republicado (PDR)
RUI TAVARES
LUÍS JÚDICE
MARINHO E PINTO
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ERCA de 360 milhões de cidadãos europeus votam até 26 de Maio para escolher os seus representantes no próximo Parlamento Europeu (PE), com Portugal a eleger 21 eurodeputados. A Holanda e o Reino Unido foram os primeiros dos Estados-membros a ir ontem a eleições. Até ao fecho da edição ainda não havia resultados apurados. Hoje é a vez dos irlandeses irem às urnas. Letónia, Malta e Eslováquia votam amanhã, enquanto na República Checa o voto prolonga-se por dois
dias, hoje e sábado. Todos os outros Estados-membros, incluindo Portugal, escolheram domingo para a ida às urnas. Além da abstenção, que tem crescido a cada nova eleição e nas últimas europeias (2014) foi de 57 por cento no conjunto dos Estados-membros, estas eleições estão marcadas pela expectativa de uma maior fragmentação do PE, com a ‘coligação’ maioritária entre conservadores e socialistas ameaçada pelo crescimento de liberais e nacionalistas. Outra das particularidades deste exercício eleitoral é a pro-
(CABEÇAS DE LISTA)
Pessoas Animais Natureza (PAN)
Partido Socialista (PS)
Aliança (A)
Partido Nacional Renovador (PNR)
Nós, Cidadãos (NC)
Partido Trabalhista Português (PTP)
FRANCISCO GUERREIRO
PEDRO MARQUES
PAULO SANDE
JOÃO PATROCÍNIO
PAULO DE MORAIS
GONÇALO MADALENO
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O novo normal Estudo revela avalanche de notícias falsas de promoção de extrema-direita
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vável alteração da composição do hemiciclo e, consequentemente, da correlação de forças no PE aquando da saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Até que o ‘Brexit’ se concretize, o Reino Unido elege os seus 73 eurodeputados e o PE mantém os 751 lugares actuais. A partir do momento que o país deixe de ser membro, o PE passa a ter 705 eurodeputados, com parte dos 73 lugares dos britânicos a serem redistribuídos por outros Estados-membros e parte a ficar numa ‘reserva’ para futuros alargamentos.
BOM TEMPO
Um dos elementos que tem afastado os portugueses tradicionalmente das urnas, além do desapego às questões europeias, é o aproveitamento do fim-de-semana, nomeadamente para ir à praia. Neste aspecto, importa salientar que o dia das eleições europeias vai ser marcado por céu pouco nublado ou limpo e tempe-
raturas que vão oscilar entre os 26 e os 30 graus Celsius, disse à Lusa a meteorologista Madalena Rodrigues. “Hoje ainda vamos ter alguma nebulosidade alta e possibilidade de ocorrência de precipitação fraca no Minho até ao final da manhã. A partir de amanhã [sexta-feira] vai predominar o céu pouco nublado ou limpo e uma subida gradual das temperaturas até domingo”, indicou a especialista do Instituto
Estas eleições estão marcadas pela expectativa de uma maior fragmentação do PE, com a ‘coligação’ maioritária entre conservadores e socialistas ameaçada pelo crescimento de liberais e nacionalistas
Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De acordo com Madalena Rodrigues, no fim-de-semana e, em especial, no domingo dia das eleições europeias, as temperaturas vão rondar os 30 graus. “Estamos a falar de temperaturas em todo o território acima dos 26 graus, podendo atingir os 30 graus na região Sul e no Vale do Tejo”, disse. A subida, explicou a meteorologista, será gradual e de um a dois graus Celsius todos os dias a partir de sexta-feira. “Para domingo estamos a prever 25 graus de máxima para o Porto, 30 para Lisboa e 25 para Faro. As mínimas estarão à volta dos 09/11 graus no interior e entre os 13 e os 16 nas restantes regiões do continente”, disse. Apesar do bom tempo previsto para domingo, Madalena Rodrigues indicou que a previsão aponta para algum vento que pode ser por vezes forte com rajadas na ordem dos 60 quilómetros por hora no litoral e nas terras altas.
ERCA de 500 milhões de visualizações. O número redondo espelha o alcance das notícias falsas que disseminam ideias de extrema-direita durante a campanha das eleições Europeias de acordo com um estudo feito pela ONG Avaaz. A investigação, conduzida em seis países ao longo de três meses, concluiu que grupos de extrema-direita estão a inundar as redes sociais com conteúdos falsos. Na sequência da investigação foram reportados mais de 500 grupos e páginas de Facebook que reuniram cerca de 32 milhões de pessoas e geraram mais de 67 milhões de comentários, “gostos” e partilhas. Em declarações à Euronews, Christoph Schott, da Avaaz, descreveu a realidade mostrada pelo estudo como a evidência de que União Europeia se está a “afogar em falsidades”. Por exemplo, na Alemanha perfis falsos de apoio à Alternativa para a Alemanha (AfD), tem estado particularmente activos durante a campanha. Na Polónia, três redes de propagaram mensagens anti-imigração e anti-europeias em cerca de duas centenas de grupos e páginas. Nestas páginas são, inclusive, partilhadas cenas de filmes como se fossem segmentos de noticiários. Por exemplo, o partido de extrema-direita italiano, Lega Nord, partilhou um vídeo a mostrar, supostamente, imigrantes a destruir um carro da polícia. O vídeo, retirado de um filme, teve 10 milhões de visualizações. Numa página em polaco, um trecho também de um filme foi partilhado como se fosse verdadeiro, mostrando uma mulher a ser violada por um motorista de taxi estrangeiro.
Face a estas partilhas, o Facebook vincou o propósito de combater as notícias falsas. “Agradecemos à Avaaz por partilhar o seu estudo que iremos investigar. Estamos focados em proteger a integridade de eleições na Europa e no resto do mundo. Removemos contas falsas e duplicadas por violação das políticas de autenticidade e removemos páginas por espalharem conteúdo falso”, referiu um porta-voz da rede social à Euronews. O Facebook montou um centro de operações, com quarenta técnicos, para “proteger a integridade” das eleições europeias. Uma das tarefas principais do grupo é a remoção de novos perfis falsos. O Avaaz revelou que após a divulgação do estudo, o Facebook eliminou 77 páginas e grupos e cancelou 230 perfis. A ONG referiu ainda que estas páginas tinham quase três vezes mais seguidores do que os partidos políticos centristas. A investigação veio à luz do dia apenas duas semanas depois de uma companhia de cibersegurança norte-americana ter revelado que desinformação de origem russa chegou a 214 milhões de europeus através das redes sociais.
Partido Social Democrata (PSD)
Bloco de Esquerda (BE)
Iniciativa Liberal (IL)
Movimento Alternativa Socialistas (MAS)
Partido do Centro Democrático (CDS-PP)
Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP)
Coligação Basta!
Coligação Democrática Unitária (CDU)
PAULO RANGEL
MARISA MATIAS
RICARDO ARROJA
VASCO SANTOS
NUNO MELO
RUI MARTINS LOUREIRO
ANDRÉ VENTURA
JOÃO FERREIRA
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ESTACIONAMENTO WONG KIT CHENG CRITICA INEFICÁCIA DO GOVERNO E QUER SOLUÇÕES
O lugar mais apetecível A deputada da Associação Geral das Mulheres quer que o Executivo se chegue à frente e resolva o problema da falta de estacionamento. Wong Kit Cheng defende que o facto de, em 2018, das 870 mil infracções à lei do trânsito, 810 mil se deverem a estacionamento ilegal só mostra que há falta de lugares
CONTRA A ILEGALIDADE
“Quero deixar muito claro que não estou a defender o estacionamento ilegal. Mas tenho de olhar objectivamente para o que está a acontecer. Esta é uma consequência do facto de muitos residentes simplesmente não conseguirem encontrar lugares de estacionamentos legais”, explica.
“Quero deixar muito claro que não estou a defender o estacionamento ilegal. Mas tenho de olhar objectivamente para o que está a acontecer.” WONG KIT CHENG
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ALTA de estacionamento em algumas zonas, parques com baixa taxa de utilização em outras e mais de 810 mil multas por estacionamento ilegal. É este o cenário traçado pela deputada Wong Kit Cheng, ligada à Associação Geral das Mulheres, em relação ao estacionamento em Macau. Por esse motivo, a legisladora escreveu uma interpelação ao Executivo a exigir alterações e resolução dos problemas. “A falta de lugares de estacionamento já se faz sentir há muito tempo. Actualmente, há cerca de 240 mil veículos motorizados em Macau. No entanto, o número de
dos problemas que os condutores enfrentam.
lugares oferecidos em parques públicos e privados é ligeiramente superior a 162 mil. Além disso, existem cerca de 50 mil lugares de estacionamento nas ruas”, começa por apontar Wong Kit Cheng. A deputada critica também a política que o Governo tem seguido e que resultou no corte de
Sai Van Ella Lei pede esclarecimentos sobre percursos pedonais
Em Março deste ano o IAM anunciou planos para aumentar a plataforma de madeira e criar um trilho, também de madeira, ao longo do Lago Sai Van para responder à maior procura do espaço. No entanto, a deputada Ella Lei, deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), diz que há cidadãos preocupados com as alterações à paisagem e pede que ao Executivo que antes de começar as obras que revele o projecto em detalhe. “É necessário que a população tenha acesso ao conceito do projecto em grande detalhe para poder de forma objectiva expressar as suas opiniões e fazer recomendações concretas”, frisou a deputada. Ella Lei questiona assim em que fase do projecto se encontra o trilho de madeira em torno do lago e como é que o mesmo vai ser apresentado à população.
ainda mais lugares nos últimos anos: “Além da falta de lugares de estacionamento, a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) tem reduzido o número de lugares à beira das estradas por várias razões, como optimizar os passeios para peões e controlar o aumento dos veícu-
los”, indicou. Segundo Wong, o problema é mais preocupante na Península de Macau. Face a este cenário, a legisladora sustenta ainda que o facto de entre as 870 mil infracções à lei do trânsito, 810 mil estarem relacionadas com estacionamento ilegal apenas mostra a dimensão
Perante este cenário, em que a membro da Assembleia Legislativa ataca ainda o facto de haver parques de estacionamento com baixa ocupação, Wong questiona: “O que é que o Governo vai fazer para resolver o problema do estacionamento para os residentes e aumentar a taxa de ocupação dos parques de estacionamento pouco utilizados?”, interpela. No mesmo sentido, a deputada ligada à Associação Geral das Mulheres quer saber se vão haver descontos nos parques de estacionamentos menos utilizados, principalmente durante o horário da noite, e se o Governo vai inverter a tendência dos últimos e criar mais lugares à beira das estradas. Outra das soluções apresentadas pela deputada passa por aproveitar, mesmo que de forma temporária, os terrenos recuperados por não-aproveitamento nos últimos anos e convertê-los em parques de estacionamento. João Santos Filipe
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CONTABILISTAS PERÍODO DE IMPEDIMENTO REDUZIDO PARA UM ANO
A
S pessoas que tiverem auditado as contas de uma empresa ficam impedidas durante o período de um ano de serem contabilistas dessa mesma companhia. Esta é uma das alterações introduzidas pelo novo Regime de Registo e Exercício da Profissão de Contabilistas, que reduz o período de impedimento de três anos para um, e que esteve ontem a ser analisada na 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL).
De acordo com o deputado Vong Hin Fai, presidente da comissão, esta mudança é justificada pelo Governo pelas opiniões vigentes no sector, assim como a comparação com as jurisdições vizinhas. Além disso, afirmou Vong, neste ponto foi igualmente tido em
conta o regime para os titulares dos principais cargos políticos, cujos impedimentos são de um ano. “Com a redução, o prazo de impedimento passa para um ano. Actualmente é de três anos. A lei fica menos rigorosa”, afirmou o deputado. “O Governo explicou esta alteração com os regimes vigentes nas regiões vizinhas e com uma consulta realizada junto do sector”, acrescentou. Outra das questões relacionadas com o novo regime para
os contabilistas prendem-se com o facto de o diploma apenas prever infracções disciplinares e crimes. A existência de infracções administrativas não é contemplada. Devido a esta “falha”, os deputados sugeriram ao Governo que tenha como referência o Regime da Qualificação Profissional dos Assistentes Sociais. O Executivo ficou por dar uma resposta posteriormente aos membros da Assembleia Legislativa numa próxima reunião. J.S.F.
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O
Comissariado contra a Corrupção (CCAC), dirigido por André Cheong, vai analisar a melhor forma de aperfeiçoar os regimes vigentes no combate a esta prática, tanto no sector público como no privado. A informação foi avançada ontem em comunicado oficial. O CCAC “iniciou estudos de revisão relativamente ao regime jurídico penal e ao regime disciplinar dos trabalhadores da Função Pública, sendo que as conclusões desses estudos, com vista a apresentar sugestões para aperfeiçoamento dos regimes jurídicos, serão divulgadas em breve”, lê-se na nota. O organismo liderado por André Cheong procura com a avaliação satisfazer de “forma activa as exigências da sociedade quanto ao reforço da construção de uma sociedade íntegra na RAEM”, bem como “intensificar acções de combate aos crimes de corrupção”. Além disso, a intenção do CCAC, de acordo com o comunicado divulgado PUB
Estudos aplicados CCAC estuda possibilidade de rever de leis sobre combate à corrupção
André Cheong
ontem, é “aperfeiçoar o mecanismo de responsabilização dos trabalhadores da Função Pública, bem como articular com as propostas formuladas pelo grupo de especialistas das Nações Unidas no âmbito da avaliação de conformidade,
por parte da RAEM, da implementação da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção”. O organismo liderado por André Cheong decidiu avançar para esta medida depois de ter sido divulgada uma investigação comple-
mentar que deu conta da falta de transparência na forma como tem sido feitas as contratações no Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), uma vez que foram recrutados muitos familiares.
No seu relatório, o CCAC acusa a entidade dirigida por Shuen Ka Hung de “nepotismo”, uma vez que, atéAbril de 2017, dos 101 trabalhadores que existiam no CPTTM, “16 tinham relações familiares entre si, nomeadamente de pai-filho, pai-filha, cônjuge, irmãos e irmãs entre outras, sendo que três deles já se desvincularam do serviço”. Nesse sentido, o CPTTM não fez “a divulgação ao público de informações relativas a recrutamento”, além de ter sido “demasiado arbitrário nos processos de selecção”, além de existir uma “proporção demasiado alta dos trabalhadores com relações familiares entre si”.
num debate pedido pelos deputados Agnes Lam, Leong Sun Iok e José Pereira Coutinho sobre o combate a abusos dos trabalhadores da Função Pública.
SECRETÁRIA DESVALORIZOU
A secretária acrescentou que “nos últimos anos os crimes na Função Pública relacionados com as funções dos seus trabalhadores têm vindo a diminuir”, o que “reflecte o trabalho efectuado pelo CCAC”. Apesar dos números indicarem um aumento de casos, a secretária considerou que se trata de um crescimento “relativo”.
Ainda que o CCAC tenha decidido avançar para estes estudos, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, desvalorizou esta semana, na Assembleia Legislativa, o aumento dos casos de corrupção. “Não temos número suficiente de casos [de crimes que envolvam funcionários públicos] que apoiem o aumento das penas”, disse a secretária,
O CCAC “iniciou estudos de revisão relativamente ao regime jurídico penal e ao regime disciplinar dos trabalhadores da Função Pública.” COMUNICADO
Andreia Sofia Silva
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AMCM SECTOR DOS SEGUROS REPRESENTA 28 POR CENTO DO PIB DE MACAU
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OS últimos vinte anos, o sector segurador de Macau aumentou 42 vezes o total dos seus activos, correspondendo, actualmente, a 28 por cento do Produto Interno Bruto do território. A afirmação foi
TURISMO NÚMERO DE VISITANTES SOBE QUASE 16 POR CENTO EM ABRIL
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AIS de 3,4 milhões de visitantes entraram em Macau no passado mês de Abril, número que, de acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) representa um acréscimo de 15,9 por cento em termos anuais. Entre este universo, o número de turistas (1.624.285) subiu 5,4 por cento, em termos anuais e o número de excursionistas (1.807.902) cresceu 27,4 por cento. O período médio de permanência dos visitantes foi de 1,1 dias, menos 0,1 dias em termos anuais, devido à proporção dos excursionistas (52,7 por cento do total) ter subido 4,7 pontos percentuais. Quanto à proveniência dos visitantes, o Interior da China continua, sem surpresas, a ocupar o lugar cimeiro, com 2.339.868 visitantes, o correspondente a um aumento de 1,4 por cento. Deste universo, eram originários principalmente das províncias de Guangdong (868.313) e de Hunan (119.264), bem como da Região Autónoma Zhuang de Guangxi (103.502). Os números de visitantes da Coreia do Sul (61.573) e de Hong Kong (696.902) cresceram 0,8 e 30 por cento respectivamente, enquanto os visitantes provenientes de Taiwan diminuíram 2,9 por cento para 91.829. Quanto à via de entrada, em Abril chegaram por via terrestre 2.530.886 visitantes, o que representou um crescimento substancial de 45,4 por cento, em termos anuais. Pelas Portas do Cerco entraram 1.759.111 visitantes, mais 17,2 por cento e pela Ponte HKZM chegaram 558.637 visitantes. Quanto à via aérea, entraram 314.870 visitantes, mais 18,4 por cento, em termos anuais, enquanto que por via marítima, chegaram 586.431 visitantes, tendo-se verificado um decréscimo significativo de 38,6 por cento. J.L.
proferida por Chan Sau San, Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), durante a 14ª Reunião Anual do Fórum Asiático de Reguladores de Seguros.
Chan Sau San enquadrou o boom do sector, que considerou “encontrar-se no apogeu”, face ao desenvolvimento acelerado da economia da região e tendo em conta os desafios e oportunidades originados
pelas “alterações climáticas mundiais e pelo desenvolvimento de tecnologias inovadoras”. Como tal, Chau Sau San referiu “a flutuação financeira mundial e o aumento da ocorrência de fenómenos meteorológicos
extremos” como factores determinantes para o aumento da procura de seguros, “criando enormes oportunidades para o sector”. O dirigente da AMCM dirigiu-se a representantes de instituições de supervisão
FITCH MACAU DEVE APOSTAR NO TURISMO PARA DIVERSIFICAR ECONOMIA
A sério, Sherlock?! O analista da Fitch responsável pelo acompanhamento de Macau considera que a diversificação da economia só poderá acontecer de forma realista e eficaz se estiver relacionada com actividades de turismo
“M
ACAU é, por natureza, um centro de turismo, por isso pensar que pode diversificar a sua economia para alguma coisa não relacionada com o turismo é demasiado ambicioso e pode até nem ser uma coisa realista”, disse Andrew Fennell. Em entrevista à Lusa nos escritórios da Fitch Ratings, em Hong Kong, Fennell explicou que “os planos do Governo passam por diversificar a economia dentro das condições existentes, é a Meca do jogo, o maior centro de jogo do mundo, atraem muitos turistas, e os esforços que têm feito é para ficarem mais tempo, fazerem mais do que apenas jogar, são actividades relacionadas”. Os casinos, acrescentou, partilham a mesma visão, “e como parte deste esforço dedicam mais espaço a áreas não relacionadas com o jogo, por isso estamos a ver progressos, mas a realidade é que 50 por cento do PIB resulta do jogo, e o turismo é realmente a única aposta possível”. A tendência de redução da componente dos grandes jogadores para um aumento da proporção de receitas provenientes
de seguros da Ásia e Oceania para debater o tema “promoção do desenvolvimento sustentável do mercado de seguros através de um regime de supervisão eficaz”, no âmbito da reunião anual que terminou ontem. J.L.
das economias mais fortes entre as 118 que a Fitch analisa a nível global”, salienta o analista, sublinhando que este território “não tem dívida, o que é sempre um factor determinante para os ratings, e continua a acumular reservas para os cofres governamentais, com saldos orçamentais muito fortes”. Questionado sobre o impacto que as tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos da América podem ter na indústria do jogo de Macau, Fennell admite que, “do ponto de vista geopolítico a questão é muito interessante”, mas acrescenta que o impacto, a haver, é apenas indirecto. “Pode-se pensar em cenários com um impacto directo na actividade dos casinos, por serem norte-americanos e Macau ser parte da China, pode-se até pensar em cenários devastadores para a indústria, mas para nós o cenário é mais benigno, porque se a guerra comercial tiver impacto para a China será no abrandamento do crescimento económico, o que pode afectar muitas pessoas que pensavam ir de férias para Macau e já não vão, por isso, a haver impacto, será indirecto na receita do jogo em Macau”, explica o analista.
“[Macau]tem um excedente orçamental e é uma das economias mais fortes entre as 118 que a Fitch analisa a nível global.” ANDREW FENNELL ANALISTA DA FITCH RATINGS
dos jogadores com apostas mais baixas “é um dos pontos em que se pode dizer que a diversificação está a acontecer”, disse o analista, lembrando que “há dez anos o panorama era predominantemente dominados pelos jogadores VIP, mas agora há mais jogadores em massa, e o fluxo destes turistas tem sido muito forte, e isso faz parte da vontade de apostar mais no mercado de massas”. A importância de diversificar a economia é, ainda assim, desvalorizada por Andrew Fennell, que lembra o 'rating' muito positivo de Macau, no nível AA: “Macau
tem um 'rating' muito alto, e o facto de não ter uma economia diversificada não impediu que aumentássemos o 'rating' há um ano e meio; uma das coisas que pode fazer subir ainda mais a nossa opinião sobre a qualidade do crédito é diversificar, é um esforço que tem vindo a ser feito já há muito tempo, mas é muito difícil, tem havido passos incrementais, mas diversificar a economia é um processo difícil e muito longo”.
POR TABELA
A nível económico, Macau “tem um excedente orçamental e é uma
Sobre o prolongamento das licenças de jogo a alguns operadores e a harmonização do fim dos contratos para 2022, Andrew Fennell diz que foi uma boa decisão do Governo, porque acabou com a “incerteza que havia há seis meses sobre o fim das concessões”. A decisão do Governo, concluiu, “faz sentido no contexto em que assim os decisores políticos conseguem negociar com todos ao mesmo tempo em vez de ser separadamente e em momentos diferentes”.
sociedade 9
sexta-feira 24.5.2019
Tráfico Detido com 220 mil patacas de cocaína Um homem da Malásia foi detido em Macau pela alegada prática do crime de tráfico de droga. O homem foi detido na noite de quarta-feira e tinha na posse 91 sacos de cocaína com 66 gramas desta droga, o que segundo o jornal Ou Mun pode valer até 220 mil patacas no mercado negro. Após ter sido detido pelas
O
Hotelaria Mais de dez mil novos quartos durante os próximos anos Macau vai contar com mais de dez mil novos quartos de hotel nos próximos anos, tendo em conta os dados ontem divulgados pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) relativos à construção dos empreendimentos habitacionais e hoteleiros no primeiro trimestre deste ano. Actualmente, encontram-se em cons-
trução um total de 18 empreendimentos hoteleiros, que vão disponibilizar 6.810 quartos, encontrando-se em fase de projecto 26 empreendimentos hoteleiros, que vão contar com 4.807 quartos. No que diz respeito à habitação privada, cinco empreendimentos habitacionais privados obtiveram licença de utilização, o que corresponde a 35 fogos habitacio-
nais. Além disso, 80 empreendimentos habitacionais encontram-se em fase de construção (ainda não vistoriados) ou estão concluídos (em vistoria), o que representa 7.652 fogos habitacionais. Encontram-se em fase de projecto 193 empreendimentos habitacionais que correspondem a 14.572 fogos habitacionais, revela a DSSOPT.
TUI ADVOGADA CONDENADA A PENA SUSPENSA POR FALSO TESTEMUNHO
Adoptado e herdeiro Uma mulher, com a profissão de advogada e residente no interior da China, foi condenada a pena suspensa em Macau pelo crime de falso testemunho, uma vez que omitiu, num documento de habilitação de herdeiros, o filho adoptivo do seu irmão mais novo. A arguida terá de pagar ainda 20 mil patacas TIAGO ALCÂNTARA
Tribunal de Última Instância (TUI) condenou uma advogada do interior da China a dois anos de pensa suspensa pela prática do crime de declaração de falso testemunho “em autoria material, na forma consumada e com dolo eventual”, previsto no Código Penal. Além disso, a mulher terá de “pagar à RAEM uma contribuição de 20 mil patacas no prazo de um mês, contado a partir do trânsito em julgado do acórdão”, lê-se ainda. De acordo com o acórdão do TUI, ontem divulgado, a mulher omitiu o facto do irmão mais novo, já falecido, ter um filho adoptivo, não tendo colocado a respectiva informação no documento de declaração de herdeiros. Desta forma, afastou o filho adoptivo da herança de um imóvel situado em Macau. Este foi adoptado pelo falecido e mulher, sendo que ambos se divorciaram em 2001. O caso remonta a 2011, quando os pais da arguida lhe delegaram poderes “para tratar das formalidades de partilha da fracção autónoma, deixada pelo seu falecido irmão mais novo”. “A 10 de Outubro de 2011, a arguida dirigiu-se ao Cartório Notarial das Ilhas para proceder à 'escritura pública de habilitação notarial de herdeiros'. Bem sabendo que o falecido tinha um filho adoptado menor, e sendo advertida de que incorria numa pena, nos termos da lei, se prestasse declarações falsas, a arguida, ao proceder à habilitação de herdeiros, declarou que o falecido não tinha qualquer descendente,
autoridades, o homem confessou que trabalhava para uma rede de Hong Kong que lhe pagava um salário mensal de 40 mil patacas. Durante o interrogatório, o homem de 22 anos admitiu que decidiu aceitar a proposta da rede de Hong Kong para saldar as muitas dívidas que tem no país de origem.
que os seus pais eram os únicos herdeiros e que ninguém era titular do direito de preferência de herança ou co-herdeiros com os pais”, descreve o TUI.
INTERVENÇÃO ADOPTADA
A 22 de Junho do ano passado, o Tribunal de Judicial de Base (TJB) declarou que “não se provara que a arguida conhecia o facto de o referido filho adoptado ser descen-
dente do falecido e que prestara declarações falsas, dolosamente e em prejuízo do referido filho adoptado”, tendo julgado improcedente
“a acusação da prática de um crime de falsidade de declaração de parte”. Contudo, o filho adoptivo, já maior de idade,
recorreu junto do Tribunal de Segunda Instância (TSI) na qualidade de assistente do processo, tendo referido que, na sentença do
“Bem sabendo que o falecido tinha um filho adoptado menor, e sendo advertida de que incorria numa pena, nos termos da lei, se prestasse declarações falsas, a arguida, ao proceder à habilitação de herdeiros, declarou que o falecido não tinha qualquer descendente.” ACÓRDÃO DO TUI
TJB, existia “erro notório na apreciação da prova”. Na visão do assistente, a arguida “devia saber que os/as filhos/as adoptados/ as equivalem aos/às filhos/ as biológicos/as e que, 'os descendentes' incluem os/ as filhos/as adoptados/as”, além de que “não obstante haver esclarecido que não conhecia bem as leis de Macau, a arguida devia duvidar se o recorrente era ou não herdeiro, pelo que a arguida actuou com dolo eventual”. O acórdão do TUI dá ainda conta de que a sentença proferida na primeira instância “não conseguiu esclarecer também por que razão, ao tratar da sucessão da herança deixada pelo falecido, no interior da China, a arguida considerou o recorrente como herdeiro; porém, ao tratar da sucessão em Macau, a arguida entendeu que o recorrente não tinha a mesma posição jurídica”. O TSI conseguiu provar que “o recorrente fora adoptado quando era bebé de poucos meses e, desde então, convivera com o avô, a avó e a tia (arguida) aos fins de semana, férias e feriados, e que, ao fazer a habilitação de herdeiros, a arguida sabia perfeitamente da existência do recorrente e do facto de o recorrente ser filho de seu falecido irmão mais novo, já que com ele convivera muito intimamente após a adopção”. A advogada recorreu depois junto da última instância, mas o tribunal acabou por não lhe dar razão. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
10 publicidade
24.5.2019 sexta-feira
Notificação n.o 00037/NOEP/DJN/2019 Considerando que não se revela possível notificar os interessados, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, para o efeito do regime procedimental nos respectivos processos administrativos sancionatórios, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, e do artigo 68.º e n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, o signatário notifica, pela presente, ao abrigo do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, no uso das competências conferidas pelo Conselho de Administração para os Assuntos Municipais e constantes da Deliberação n.º 01/CA/2019, de 1 de Janeiro, publicada na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 2, de 9 de Janeiro de 2019, e ainda nos termos das competências definidas no n.o 4 do artigo 4.º e na alínea 6) do n.º 1 do artigo 5.º do Regulamento Administrativo n.o 25/2018, os infractores, constantes das tabelas desta notificação, do conteúdo das respectivas decisões sancionatórias: Nos termos do n.º 4 do artigo 36.º, n.º 1 do artigo 37.º, artigo 38.º e artigo 39.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2004, o Presidente do Conselho de Administração para os Asssuntos Municipais ou seus substitutos exararam despachos nas respectivas informações, tendo em consideração as infracções administrativas comprovadas e a existência de culpa confirmada. Assim: 1. Foram aplicadas aos infractores constantes das Tabelas I a V as multas previstas no n.º 2 do artigo 45.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e no artigo 2.º do Catálogo das Infracções, no valor de MOP 600,00 (cada infracção): Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 1 do artigo 13.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 7 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “nos espaços públicos, abandonar resíduos sólidos fora dos locais e recipientes especificamente destinados à sua deposição”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela I) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto no n.º 2 do artigo 9.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 12 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “não limpar de imediato o espaço público poluído com dejectos de animais de estimação que se está a acompanhar”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela II) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto no n.º 1 do artigo 4.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 23 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “colocar ou abandonar no espaço público quaisquer materiais ou objectos”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela III) Os factos ilícitos exarados nas acusações, provados testemunhalmente, constituem infracções administrativas ao disposto na alínea 1) do n.º 1 artigo 14.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previstos no n.º 6 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resultam da prática de actos de “não cumprir as recomendações técnicas para evitar a queda de pingos de água provenientes de aparelho de ar condicionado, após o decurso do prazo fixado pelo Instituto para o efeito de acordo com as circunstâncias do caso concreto”, tendo sido os infractores notificados do conteúdo das acusações. (cfr.: Tabela IV) O facto ilícito exarado na acusação, provado testemunhalmente, constitui infracção administrativa ao disposto na alínea 1) do n.º 1 do artigo 14.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos e previsto no n.º 3 do artigo 2.º do Catálogo das Infracções, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 106/2005, porquanto resulta da prática do acto de “despejar, derramar ou deixar correr líquidos poluentes, nomeadamente águas poluídas, tintas ou óleos em espaços públicos”, tendo sido o infractor notificado do conteúdo da acusação. (cfr.: Tabela V) 2. Além disso, os infractores podem ainda apresentar reclamação contra os actos sancionatórios para o autor do acto, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da notificação, nos termos dos artigos 145.º, 148.º e 149.º do Código do Procedimento Administrativo, sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 123.º do referido código. Para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 150.º do mesmo diploma, a reclamação não tem efeito suspensivo sobre o acto. 3. Quanto aos actos sancionatórios, os infractores podem apresentar recurso contencioso no prazo estipulado nos artigos 25.º e 26.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro, para o Tribunal Administrativo da Região Administrativa Especial de Macau. 4. Sem prejuízo da aplicação do disposto no artigo 75.º do Código do Procedimento Administrativo, para efeitos do disposto no n.º 4 do artigo 55.º do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, os infractores deverão efectuar o pagamento das multas aplicadas, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a partir da data da publicação da presente notificação, na Divisão Jurídica e de Notariado do IAM (Núcleo Operativo do IAM para a Execução do Regulamento Geral dos Espaços Públicos), sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edf. China Plaza, 5.º andar, Macau, ou efectuar a liquidação do valor total da multa através do acesso ao endereço electrónico https://app.iam.gov.mo/rgepwebpay. Caso contrário, o IAM submeterá os processos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças, para a cobrança coerciva, nos termos do artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M e do artigo 29.º do Decreto-Lei n.o 30/99/M. 5. Não é de atender a esta notificação, caso os infractores constantes das tabelas anexas tenham já saldado, aquando da presente publicação, as respectivas multas, resultantes da acusação. Para informações mais pormenorizadas, os interessados poderão ligar para o telefone n.º 8295 6868 ou dirigir-se pessoalmente ao referido Núcleo Operativo deste Instituto. Aos 10 de Maio de 2019 O Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais José Tavares
Tabela I N.º da acusação
Data da infracção
Data em que foi exarado o despacho de aplicação da multa
7442***(*)
2-000283TM/2018
2018-09-03
2018-11-08
(*1)
1643***(*)
2-000308TX/2018
2018-08-25
2018-11-05
M
(*1)
5172***(*)
2-000136UA/2018
2018-08-20
2018-11-05
M
(*1)
1307***(*)
2-000132UA/2018
2018-08-19
2018-10-10
M
(*1)
1249***(*)
A106051/2018
2018-08-19
2018-10-10
M
(*1)
5141***(*)
2-000167TE/2018
2018-08-15
2018-10-10
M
(*1)
1322***(*)
2-000347TU/2018
2018-08-13
2018-11-01
M
(*1)
1222***(*)
2-000345TU/2018
2018-08-10
2018-11-01
M
(*1)
1317***(*)
2-000293UC/2018
2018-08-06
2018-10-10
M
(*1)
1476***(*)
2-000560TV/2018
2018-08-03
2018-10-10
M
(*1)
1461***(*)
2-000138TE/2018
2018-07-30
2018-10-15
M
(*1)
5163***(*)
2-000448SK/2018
2018-07-25
2018-10-30
M
(*1)
5154***(*)
2-000650TP/2018
2018-07-25
2018-11-01
M
(*1)
5128***(*)
2-000371TD/2018
2018-07-23
2018-10-15
F
(*1)
1383***(*)
2-000363TQ/2018
2018-07-21
2018-10-15
M
(*1)
7441***(*)
2-000189UD/2018
2018-07-14
2018-09-18
M
(*1)
5158***(*)
2-000404SA/2018
2018-07-09
2018-09-18
F
(*1)
1227***(*)
2-000422SK/2018
2018-07-08
2018-09-28
M
(*1)
1304***(*)
2-000632TP/2018
2018-07-08
2018-09-18
M
(*1)
1366***(*)
2-000005UB/2018
2018-07-04
2018-09-18
M
(*1)
1383***(*)
2-000247TG/2018
2018-07-02
2018-08-14
M
(*1)
5166***(*)
2-000381SA/2018
2018-06-27
2018-08-14
F
(*1)
1505***(*)
2-000435TV/2018
2018-06-22
2018-08-14
M
(*1)
5100***(*)
2-000357TK/2018
2018-06-19
2018-08-14
M
(*1)
1249***(*)
2-000344SA/2018
2018-06-14
2018-08-06
M
(*1)
5130***(*)
2-000325TQ/2018
2018-06-13
2018-08-06
M
(*1)
5179***(*)
2-000080UD/2018
2018-04-22
2018-09-28
M
(*1)
1263***(*)
2-000119RY/2018
2018-03-03
2018-09-04
F
(*1)
7371***(*)
2-000100RY/2018
2018-02-23
2018-09-04
M
(*1)
5097***(*)
2-000124SU/2018
2018-02-07
2018-08-10
F
(*2)
97***
2-000540RY/2016
2016-11-08
2017-01-27
2018-08-18
2018-11-01
2018-10-10
Tipo e N.º do documento de identificação
Nome
Sexo
李海淘 LEI HOI TOU 趙才銀 CHIO CHOI NGAN 陳錦培 CHAN KAM PUI 練錦裕 LIN KAM U 何梓鏗 HO CHI HANG 黎君賀 LAI KUAN HO 葉潤華 YIP YUN WAH 張智傑 CHEONG CHI KIT 黃汶傑 WONG MAN KIT 葉世林 IP SAI LAM 錢家鋒 CHIN KA FONG 吳家謙 NG KA HIM 黃錦昌 WONG KAM CHEONG 尹志恆 WAN CHI HANG 趙丽好 CHIO LAI HOU 柯金光 O KAM KUONG 蕭潤江 SIO ION KONG 徐嘉欣 CHOI KA IAN 曹光有 CHOU KUONG IAO 崔炯堂 CUI, JIONGTANG 郭俊文 KUOK CHON MAN 梁俊文 LEONG CHON MAN 盛瑾 SENG KAN 林若瑟 LAM,JOSE 何梓鏗 HO, CHI HANG 梁添榮 LEONG TIM WENG 周麗濠 CHAO LAI HOU 容志峯 IONG CHI FONG 林冠芳 LAM KUN FONG 何家祺 HO KA KEI 麥潔玲 MAK KIT LENG
M
(*1)
M
Tabela II 袁耀強 UN IO KEONG
M
劉志遠 LAU CHI UN 鄺兆麟 許金華 HOI KAM WA
M
(*1)
1303***(*)
2-000287TG/2018
2018-08-06
F
(*1)
5043***(*)
2-000474SO/2016
2016-07-28
2016-11-18
F
(*2)
129***
A089975/2015
2015-12-17
2016-02-19
夏鈿勇 XIA DIANYONG 歐成效 OU CHENGXIAO 陳凱喬 CHAN HOI KIO
M
(*1)
1409***(*)
2-00914WB/2018
2018-06-15
2018-09-10
M
(*1)
1422***(*)
2-00908WB/2018
2018-06-15
2018-09-10
F
(*1)
5166***(*)
2-00766WB/2018
2018-05-20
2018-09-10
LEI SIN PUI
M
2018-05-07
2018-08-07
(*1)
7416***(*)
Tabela IV
Tabela V (*1)
7328***(*)
Nota: (*1) Bilhete de Identidade de Residente de Macau (*2) Carta de condução de Macau
www. iam.gov.mo
2-000128UA/2018 Tabela III
2-00691WB/2018
sexta-feira 24.5.2019
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MA
12 eventos
O
Sr. Ma viaja para Londres com o filho, após a morte do seu irmão, para assumir a gerência da loja de antiguidades por ele deixada. O pai torna-se num modesto comerciante e instala-se com o filho numa residencial britânica, onde várias peripécias acontecem, numa comédia de equívocos com lugar para o romance e a sátira entre hóspede e patroa, em contraponto com a adaptação mais fácil da geração mais nova. Os desafios vividos pelos dois chineses em terras europeias é o ponto de partida para a divertida peça, adaptada do romance homónimo do escritor e dramaturgo Lao She, inicialmente escrito em fascículos e publicado mensalmente num jornal literário de Xangai, em 1929. Além de dar continuidade às bem-humoradas subtilezas do trabalho original de Lao She, a produção adiciona elementos inovadores que homenageiam esta obra clássica com uma nova dimensão. A peça sobe ao palco do Centro Cultural de Macau
24.5.2019 sexta-feira
Chapéus há m FAM PEÇA DE LAO SHE NO CENTRO CULTURAL DE MACAU ESTE FIM-DE-SEMANA
“O Sr. Ma e o Filho” é a peça de teatro que o Festival de Artes de Macau apresenta este sábado e domingo. A comédia de costumes aborda o conflito entre Oriente e Ocidente, num confronto bem humorado ente as realidades de Pequim e Londres dos anos 20
(CCM) nos próximos dias 25 e 26 de Maio, sábado e domingo, às 20h, pela mão do encenador e actor Fang Xu, também ele dramaturgo e uma referência na divulgação teatral da obra de Lao She por toda a China. A escolha desta história, que reflecte o choque entre as culturas chinesa e ocidental na década de 20 do século XX, ainda hoje faz sentido. “Essa é a mensagem, o racismo europeu que existia contra os chineses, considerados pobres e sem os costumes daquela sociedade, mas que existe também hoje, em que os chineses ricos e bem sucedidos continuam a ser vistos
com algum preconceito”, revelou ontem Fang Xu, em conferência de imprensa. O encenador fez uma adaptação radical do texto para a peça, mantendo a ideia do original, uma preocupação sua para com a obra do Lao She, que tem sido dissipada pelos filhos do autor, entretanto bons amigos, e “que afirmam que confiam nas minhas adaptações”, acrescentou. O contacto forçado entre os valores tradicionais chineses e a ideologia ocidental, é aqui revelado através da sagacidade chinesa e do humor britânico, de uma forma leve e provocadora, num jogo onde cinco actores masculinos in-
eventos 13
sexta-feira 24.5.2019
Cinema Filme de animação “Os três ladrões” projectado esta tarde no Jardim Camões
“Os três ladrões” é o filme de animação projectado esta tarde, pelas 19h30 no Jardim Luís de Camões. Realizado por Hayo Freitag, “Os três ladrões” é uma adaptação da obra homónima de Tomi Ungerer, falecido em Fevereiro, conhecido como autor e ilustrador de livros infantis e que foi galardoado com o Prémio Hans Christian Andersen de Ilustração. Para chegar a todos, a projecção além de contar com legendas em inglês e chinês, é ainda acompanhada de áudio-descrição em cantonês, legendagem para surdos e interpretação em linguagem gestual. Quem precisar destes serviços, basta dirigir-se aos funcionários no local da projecção. De 2007, a película alemã integrou o cartaz do Festival Internacional de Cinema de Animação de 2008 de Annecy e venceu o Prémio do Júri do Festival Internacional de Cinema Infantil de Chicago de 2007.
Oficinas Navais Coreografia japonesa “Samurai de uma polegada” até domingo
Hoje, amanhã e domingo, as Oficinas Navais nº 2 vão ser palco do espectáculo de dança “O Samurai de uma polegada”, uma coreografia japonesa a cargo de Takafumi Kodama, Souhei Minowa e Akifumi Toyofuku. O espectáculo é uma adaptação de Issun Boushi – criança muito pequena - um conto clássico de fadas japonês. Issun Boushi é o nome do menino que não crescia, que um dia deixou a casa dos pais e “de uma tigela fez um barco, de um pauzinho um remo, de uma agulha espada e de um pedaço de palha a bainha”, aponta a apresentação do evento. O espectáculo, além da dança, conta ainda com o acompanhamento de projecções de vídeo e música ao vivo. Hoje, a coreografia é apresentada às 20h, amanhã está agendada para as 15h e 20h e no domingo tem uma sessão às 15h.
INSTITUTO CULTURAL CELEBRAR O DIA DO PATRIMÓNIO CULTURAL E NATURAL DA CHINA
terpretam nove personagens, masculinas e femininas, e se divertem juntamente com o público. “Este é um drama alegre, em que colocámos algumas expressões modernas no texto, piadas também mais actuais que não existiam no original, mas não fazemos piadas políticas, só brincadeiras e interacção com a plateia”, comentou Fang Xu. Sobre o teatro em Macau, o encenador pequinês não conhece muita coisa, mas acredita que “no território há mais liberdade e menos restrições para se poder ser criativo, o que é uma coisa boa”, afirmou, embora no continente chinês seja um
actor e encenador famoso e possa apresentar as peças que quer. A próxima já está a ser preparada, também com base numa obra de Lao She.
“Este é um drama alegre, em que colocámos algumas expressões modernas no texto e piadas mais actuais, que não existiam no original.” FANG XU ENCENADOR
E o que fazem tantos chapéus no cenário? “Foi a nossa ideia de representar a cidade de Londres”, com a formalidade inglesa dos costumes e dos acessórios, sobretudo na década de 20. “Achámos que alguns elementos, como os jornais e os chapéus, nos transportavam imediatamente para lá”, explicou.
LONDRES ANOS 20
A obra clássica de Lao She foi também ela influenciada pela experiência do autor, nascido em 1899 em Pequim, no seio de uma família Manchu, que foi viver para Londres como professor de chinês mandarim, em 1924. Aí traduziu
Raquel Moz
raquelmoz.hojemacau@gmail.com
Instituto Cultural (IC) vai assinalar o Dia do Património Cultural e Natural da China, a 8 de Junho, uma série de actividades com destaque para “Génese e Espírito - Mostra de Património Cultural Intangível de Zhejiang”. O evento multidisciplinar irá mostrar o diversificado património cultural intangível de Zhejiang através de concertos, exposições, workshops, bem como acesso livre ao Farol da Guia e à Sala de Obras Antigas e Raras Chinesas da Biblioteca Sir Robert Ho Tung. Este evento estende-se entre os dias 8 e 25 de Junho. Para 8 de Junho está agendado o “Workshop de miniaturas de pratos macaenses em plasticina” a ter lugar na Casa de Recepções das Casas da Taipa pelas 10h e pelas 14h30 horas, e
IC
muitos!
para inglês literatura clássica chinesa, mas também conheceu os grandes clássicos britânicos, como Charles Dickens, um dos preferidos, que o veio a inspirar na escrita do seu primeiro livro. Quando regressou à China, em 1931, percebeu que as suas obras eram famosas, pela comédia, o humor e a acção que continham. Mas a carreira como escritor foi afectada pela política, quando a guerra sino-japonesa eclodiu, em 1937, e o escritor se tornou patriótico e defensor de um estilo propagandístico que afectaria a qualidade do seu trabalho. Com a Revolução Cultural, em 1966, tornou-se num escritor proscrito e perseguido, vindo a falecer em resultado de agressões pelos Guardas Vermelhos, segundo consta na sua biografia. Os dois espectáculos do próximo fim-de-semana vão ser interpretados em mandarim, com legendas em chinês e inglês. Têm duas horas de duração, sem intervalo.
O
o workshop “Em Busca das Pinturas Rupestres das Montanhas Helan – Workshop de Decalque de Pinturas Rupestres das Montanhas Helan” que terá lugar no Centro Ecuménico Kun Iam, pelas 14h30. A exposição “Unicidade: Caligrafia pelo Professor Jao Tsung-I” está patente na Academia Jao Tsung-I, apresentando 15 conjuntos de obras de caligrafia do Professor Jao. No dia 29 de Junho, a Orquestra Chinesa de Macau apresenta no Teatro Dom Pedro V, pelas 20h, o concerto de música tradicional chinesa “Ganso Selvagem do Sul e Vento para Norte”, sob a direcção do maestro Zhang Lie. Os bilhetes para o concerto encontram-se à venda e custam entre 60 e 80 patacas.
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24.5.2019 sexta-feira
TAIWAN NAVIOS DOS EUA NO ESTREITO PODEM PROVOCAR INCIDENTE A entrada de dois navios de guerra norte-americanos no Estreito de Taiwan prometem vir a O exército taiwanês "vigia de peragitar ainda mais to todo o processo e movimentos no as já de si pouco espaço aéreo e nos mares vizinhos, de acordo com os protocolos destinados tranquilas relações a manter a paz e a estabilidade na região", referiu o Ministério. entre os dois A Marinha dos EUA conduz rotineiramente as chamadas operagigantes económicos ções de "liberdade de navegação" no estreito que separa a China contimundiais
Agitação marítima
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OIS navios de guerra dos Estados Unidos navegaram no Estreito de Taiwan, informou ontem o Ministério da Defesa de Taiwan, numa operação que poderá provocará indignação em Pequim, que reivindica a soberania sobre esse braço de mar. Os navios entraram na quarta-feira no estreito pela entrada sudoeste, de acordo com uma indicação do Ministério, que não especificou a identidade destes barcos. O Estreito de Taiwan fica localizado no Mar da China Meridional.
nental de Taiwan, o que tem causado respostas musculadas de Pequim. De acordo com os media de Taiwan, a passagem dos navios norte-americanos na quarta-feira é a quinta desde o começo do ano.
DA HISTÓRIA
Os Chineses consideram Taiwan como parte de seu território. No entanto, a ilha tem desde 1949 um Governo independente, que foi formado após a guerra civil e a implantação do comunismo na China. Taiwan tem a sua própria bandeira e moeda, mas não é reconhecida como um estado independente pela ONU.
A Marinha dos EUA conduz rotineiramente as chamadas operações de “liberdade de navegação” no estreito que separa a China continental de Taiwan, o que tem causado respostas musculadas de Pequim
Pequim ameaça recorrer à força em caso de proclamação de independência da ilha ou de uma intervenção externa. Neste contexto, Pequim considera a passagem de navios estrangeiros no estreito como uma violação da sua soberania. Os EUA e outros países, no entanto, vêem este braço do mar como parte de águas internacionais e, portanto, aberto a todos.
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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL
A entrada de uma fragata francesa no estreito, no início de Abril, deu origem a um incidente naval entre a França e a China, quando os navios chineses "ordenaram a partida do navio francês". Washington rompeu relações diplomáticas com Taipei em 1979 para reconhecer Pequim, mas continua a ser o aliado mais poderoso da ilha e o seu principal fornecedor de armas.
Região ÍNDIA OPOSIÇÃO NA ÍNDIA ASSUME DERROTA
1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 «Lei de Terras», de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida da Amizade, n.ºs 1067A a 109H e Rua de Xiamen, n.ºs 18K a 18N, em Macau, (Edifício Hotel Waldo); - Rua Central, n.ºs 77 a 85, em Macau, (Edifício Tak Tai – Fase I); - Estrada de Coelho do Amaral, n.ºs 161 a 163, em Macau, (Edifício Lin Seng); - Rua do Templo Lin-Fong, n.ºs 17 a 91, em Macau, (Edifício Lin Fung). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.
Aos, 3 de Maio de 2019. O Director dos Serviços de Finanças Iong Kong Leong
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líder do principal partido da oposição na Índia, Rahul Gandhi, assumiu ontem a sua derrota nas eleições legislativas, quando as primeiras informações da contagem de votos dão vantagem ao partido do primeiro-ministro Narenda Modi.
“Tinha dito durante a campanha que as pessoas são os verdadeiros líderes: mandaram e decidiram a favor do BJP [partido vencedor]. Felicito Modi e o BJP”, afirmou o presidente do Partido do Congresso (CNI), liderado por membros da dinastia Nehru-Gandhi e
que governou a Índia durante a maior parte de sua história, em conferência de imprensa ontem realizada em Nova Deli. Rahul Gandhi assumiu também que a família perdeu o seu bastião tradicional, Amethi, no Estado nortenho de Utar Pradesh, para a ministra do BJP Smriti Irani, mas rejeitou apontar o que falhou no partido para obter menos de meia centena de assentos no parlamento. Gandhi insistiu, no entanto, que o importante da jornada de hoje [ontem] é que “as pessoas da Índia decidiram que Modi será o primeiro-ministro”, sublinhando que, como indiano, irá respeitar a decisão. Com uma participação acima dos 65%, é estimado que mais de 600 milhões de indianos tenham votado durante as seis semanas que durou o escrutínio, entre Abril e Maio. As eleições tiveram início em 11 de Abril, e foram vistas como um referendo a Modi, cujas reformas económicas não tiveram grande êxito, mas que é muito popular no país.
HUAWEI PEQUIM ENVIA PROTESTO SOLENE A WASHINGTON
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China enviou um “protesto solene” a Washington a propósito do tratamento da Huawei, empresa de telemóveis colocada na lista negra nos Estados Unidos, anunciou ontem o ministério chinês do Comércio. O porta-voz do ministério do Comércio da China, Gao Feng, sublinhou o protesto de Pequim contra a medida e assegurou que a China tem os meios necessários para “defender os legítimos direitos e interesses das empresas chinesas”. "A melhor resposta das empresas chinesas à posição dos Estados Unidos é continuar a crescer", disse. Na sequência da posição assumida pelos Estados Unidos, a Google anunciou que ia deixar de vender o seu sistema operacional Android à Huawei, nomeadamente aos smartphones da Huawei, o que representa um golpe potencialmente muito duro para o grupo chinês. Entretanto, o gigante chinês de telecomunicações já assegurou que a sua cooperação com a Panasonic não foi afectada pelas restrições norte-americanas, rejeitando assim a suspensão de negócios noticiada ontem de manhã. "A Panasonic é um importante parceiro de cooperação para a Huawei e ambas as partes trabalham juntas em muitas áreas", declarou a empresa chinesa de tecnologia, num comunicado em que rejeita as declarações de um porta-voz da Panasonic citadas no jornal Nikkei.
Gao Feng, Ministério do Comércio
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sexta-feira 24.5.2019
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OPHIA Flörsch, a jovem piloto alemã que saiu miraculosamente ilesa após o aparatoso acidente na edição passada do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 – Taça do Mundo de F3 da FIA, promete voltar este ano ao Circuito da Guia. E apesar de não estar a participar no campeonato que acolhe os novos Fórmula 3, nada a impede de voltar à grelha de partida no mês de Novembro. Na passada quarta-feira a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM) confirmou publicamente a vontade de trazer em Novembro à RAEM a última geração dos monolugares de Fórmula 3. Estes trinta monolugares construídos em Itália pela Dallara estão exclusivamente alocados ao Campeonato FIA de Fórmula 3, competição que arrancou em Maio em Espanha e termina em Setembro na Rússia. Por ser uma Taça do Mundo da FIA, a prova do Circuito da Guia não contará para qualquer campeonato, e Chong Coc Veng, coordenador da Subcomissão Desportiva da COGPM, na conferência de imprensa de apresentação do evento, disse acreditar que “após a conclusão do campeonato na Europa, muitos destes carros e pilotos virão a Macau.” Durante o defeso, o súbito cancelamento do ex-Campeonato da Europa FIA
FÓRMULA 3 NOVO CARRO NÃO AFASTA VONTADE DE REGRESSAR A MACAU
A escolha de Sophia
“Eu adoraria voltar a Macau e a correr (no Circuito da Guia) novamente. É um evento fantástico e a pista é simplesmente incrível.” SOPHIA FLÖRSCH PILOTO
de Fórmula 3 obrigou a uma mudança de planos de última hora para Sophia Flörsch. A piloto natural de Munique está esta temporada a participar no ‘Formula Regional European Championship’, uma competição reconhecida pela FIA como “Fórmula 3 Regional” que usa carros diferentes e menos potentes que os monolugares que serão vistos nas ruas
de Macau no final do ano. Contudo, mesmo perante este cenário, Sophia Flörsch está decidida em regressar ao Oriente, pois “o meu plano é subir ao Campeonato FIA de Fórmula 3 no próximo ano, portanto Macau seria um bom treino para mim”, revelou esta semana ao HM. A Embaixadora da Boa Vontade do Turismo de Macau mantém-se hoje fiel
FÓRMULA E FÉLIX DA COSTA ESPERA VOLTAR AOS PÓDIOS JÁ EM BERLIM
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está em negociações com algumas das dez equipas que planeiam viajar até ao sul da China no final do ano para segurar um volante competitivo.
piloto português António Félix da Costa (BMW) espera regressar aos pódios na Fórmula E, competição para veículos eléctricos, já na prova deste fim de semana, em Berlim. Com nove das 13 provas do calendário já disputadas, o piloto de Cascais ocupa a quarta posição do campeonato, com 70 pontos, a 17 do líder, o francês Jean-Eric Vergne (DS). Esta é "uma corrida especial" para o piloto português, por se disputar na Alemanha, sede da BMW, mas Félix da Costa teme que o asfalto da pista de Berlim esteja demasiado degradado e que isso afecte o seu desempenho na qualificação. "O facto de corrermos num asfalto que não é utilizado, normalmente, no dia-a-dia, é
uma incógnita. Mas na BMW estamos todos motivados e com a cabeça bem levantada para entrarmos em pista com o objectivo bem definido de recuperar pontos aos adversários que seguem à nossa frente e lutar por um pódio", explicou o piloto português. Félix da Costa considerou que esta será a fase decisiva do campeonato, em que a pressão por bons resultados aumenta: "Estamos a chegar a uma altura do campeonato em que tudo tem de correr bem, se queremos ter uma palavra a dizer na luta pelo título", frisou. O circuito está desenhado no aeroporto de Tempelhof e perfaz um total de 2.375 quilómetros. A corrida está prevista para as 12:00 de sábado (hora de Lisboa).
ao discurso esclarecido que ouvimos momentos depois de ter recebido alta do Centro Hospitalar Conde São Januário. “Eu adoraria voltar a Macau e a correr (no Circuito da Guia) novamente. É um evento fantástico e a pista é simplesmente incrível”, afirma convictamente a piloto que esta semana esteve a participar no rali
histórico italiano ‘1000 Miglia’ com um Mercedes 300 SL e ao lado da compatriota Ellen Lohr que em 1992 fez parte da equipa oficial da Mercedes AMG na Corrida da Guia.
EM NEGOCIAÇÕES
Apesar de ainda estarmos a cinco meses do grande evento desportivo do território, Sophia Flörsch já
“Neste momento estou em contactos com equipas para ver se será possível participar em Macau e com quem. Claro, isto depende das equipas e dos meus patrocinadores, mas penso que todos ficarão felizes”, confirma a piloto de 18 anos, que não hesita em concluir, que qualquer que seja o desfecho destas negociações, que “se tiver a possibilidade de voltar a correr em Macau outra vez, definitivamente o farei!” O 66º Grande Prémio de Macau terá um programa constituído por seis corridas diferentes e será realizado de 14 a 17 de Novembro. Sérgio Fonseca
info@hojemacau.com.mo
LIGA DAS NAÇÕES RONALDO E JOÃO FÉLIX NOS ELEITOS
O
S avançados Cristiano Ronaldo, que falhou a fase de qualificação, e João Félix, sem qualquer internacionalização, integram os 23 convocados de Portugal para a ronda final da Liga das Nações de futebol, divulgados ontem pelo seleccionador Fernando Santos. Cristiano Ronaldo, de 34 anos, o jogador com maior número de jogos (156) e golos (85) pela selecção nacional, foi o grande ausente da fase inicial da competição, por decisão conjunta com Fernando Santos, na qual a equipa campeã europeia venceu o grupo 3 de qualificação, à frente da Itália e a da Polónia, com duas vitórias e dois empates.
João Félix, de 19 anos, que se assumiu como uma das principais referências do Benfica na segunda metade da época 2018/19, contribuindo decisivamente para a conquista do 37.º título nacional por parte da equipa lisboeta, já tinha sido chamado para o arranque da fase de apuramento para o Euro2020, frente à Ucrâ-
nia e Sérvia, mas não foi utilizado em nenhum dos encontros. Em relação à última convocatória, que era alargada a 25 jogadores, destacam-se as saídas do médio João Mário e do avançado André Silva, que ficam de fora da fase final da Liga das Nações, que Portugal vai organizar, entre 5 e 9 de Junho, no Porto e em Guimarães.
Portugal, campeão europeu em título, defronta a Suíça nas meias-finais da Liga das Nações, em 5 de Junho, no Estádio do Dragão, no Porto, em jogo com início às 19:45, um dia antes de a Inglaterra e a Holanda disputarem a outra meia-final, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, também às 19:45. Os vencedores disputam a final da primeira edição da Liga das Nações, em 9 de Junho, no Estádio do Dragão, em encontro com início às 19:45, enquanto os vencidos decidem no mesmo dia a atribuição dos terceiro e quarto lugares, no Estádio D. Afonso Henriques, a partir das 15:00.
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h
24.5.2019 sexta-feira
No fim de tudo dormir
A linguagem I
tonalidades António de Castro Caeiro
a expressar o que efectivamente acontece na realidade, no modo indicativo, seja passado, presente ou futuro. O que é, ontologicamente, não é apenas o que está disponível, se apresenta e é visto. O que não é, ontologicamente, não é o que não aparece não está visto, nunca aparece. O que aparentemente não aparece pode surtir um efeito anónimo. Pode ser uma reacção traumática a um acontecimento passado que é apagado da memória cognitiva mas que nos trabalha a partir do seu interior, nos faz ser quem fomos.
Noite de inverno Georg Trakl Quando a neve dá na janela Tocam, longamente, os sinos. A mesa está pronta para muitos, E a casa está bem arrumada. Alguns chegam à porta, Pelos caminhos sombrios da peregrinação. Dourada floresce a árvore das bênçãos, O suco fresco que vem da terra. Caminhantes entram em silêncio. O limiar petrifica a dor. Aí, num clarão puro, reluzem Pão e vinho sobre a mesa.
A
O comentar este poema de Trakl num ensaio, a Linguagem (Die Sprache), Heidegger faz a aproximação em várias frentes ao significado da linguagem poética de Trakl. A poesia usa a língua mas não para designar factos. Mesmo os factos têm sentido. Há uma diferença entre dizer que as temperaturas serão baixas e cairá neve numa noite de inverno, e o chamamento da noite de inverno. Há uma diferença entre o conteúdo de um boletim meteorológico e a vivência, a experiência que se faz da noite de inverno. A poesia chama à palavra. “Chamar traz o que é chamado por si a uma proximidade.” O chamamento convoca. Mas para onde? Pergunta H.? Para nos levar até ao longe
ou trazer o longínquo até nós. Este lugar, onde o que é chamado permanece ainda, existe, não enquanto presença, mas “na sua ausência.” O lugar do longe não é espacial. Não é uma casa particular, numa localidade de uma região. Não é também o lugar do tempo unilinear do passado. Pode até dar-se o caso de nunca termos vivido uma noite de Inverno debaixo de neve. Este aí é multidimensional e não tem necessariamente referente. As formulações de Heidegger, em “A linguagem (Die Sprache)”, não são nem fácil nem imediatamente inteligíveis. Não são óbvias. A linguagem não é uma mera expressão de factos reais e objectivos, mas é chamamento. A linguagem não é a actividade que sincroniza eventos, espectadores, relatores e ouvintes. Existe como condição de possibilidade de transformação da própria realidade. A realidade dos factos existe apenas, depois de se haver neutralizado todo o potencial de significados. O facto como facto ocorre sempre já num acontecimento de sentido. Há, por isso, significado. Não, factos. A referência é o que é em vista do sentido interpretativo. O horizonte da linguagem é a atmosfera universal do humano. Cada um de nós não é apenas uma biografia num tempo de esperança de vida. Somos cada um de nós à escala mundial. Melhor, existimos à escala universal implicados em todas as gerações passadas e futuras, que constituem cada humano. Este é o nosso “espaço lógico”. Por outro lado, a linguagem não se limita
A linguagem fala para além dos factos, refere sentidos. O seu elemento é a vida. O seu modo é o condicional, o irreal do que poderia ter sido e não foi e do que não poderia ter acontecido e foi mesmo o que aconteceu A linguagem fala a partir do horizonte do universal humano a constituir a sua abertura na tentativa de obter inteligibilidade e dar sentido ao que acontece. O modo da língua falar não é o de fazer a reportagem do indicativo, do que é representável, do que efectivamente acontece. Não é a expressão representativa da realidade interior daquilo para o que nos dá, das ideias que temos, dos sentimentos que vemos nascer em nós. Nem apenas da realidade exterior, quando a referimos meteorologicamente ou para saber a que dia da semana estamos. A linguagem fala para além dos factos, refere sentidos. O seu elemento é a vida. O seu modo é o condicional, o irreal do que poderia ter sido e não foi e do que não poderia ter acontecido e foi mesmo o que aconteceu. O nosso elemento transcende o indicativo e projecta-se para o futuro em que pode ser, quando acontecer o que gostaríamos que acontecesse, quando a vida será como gostaríamos que fosse. Ou então momento quando estivermos fora da existência. É também uma possibilidade projectada no futuro.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 17
sexta-feira 24.5.2019
JUSTIN JIN
Ofício dos ossos Valério Romão
O
meu filho Guilherme é autista. Autistas e autismos há muitos. É provavelmente a primeira coisa que me ocorre e digo quando falo com alguém acerca de autismo. Embora a compreensão social da condição seja francamente melhor do que há 20 anos, ainda estamos algo reféns do modelo Rain man caricatural do autismo. Mesmo os profissionais de saúde têm pontos de vista muito pouco esclarecidos sobre o que é o autismo e como este se manifesta, partilhando não raras vezes a opinião infundada de que a carência de certas capacidades deve corresponder, numa proporção inversa, uma espécie de maximização das restantes competências ou mesmo a existência de competências tão metafísicas como indetectáveis. Na realidade, o autismo é muito menos romântico do que aquilo que aparenta ser no imaginário social. Quase tudo se faz de modo diferente no autismo. No caso do Guilherme, diria que tudo, desde ter a preocupação de deixar um copo limpo perto da torneira da cozinha para que ele não beba de um copo sujo como tirar um dente. E é pelo dente que chegamos ao assunto desta crónica. O Guilherme tem um dente do siso ocluso com tendência para inflamar e infectar. Tem de ser extraído. O que implica uma anestesia geral
Miúdos especiais (não há como persuadir um autista não verbal de que a dor pela qual está a passar é na verdade inevitável e o melhor para ele; aliás, esqueçam: não há como convencê-lo a estar de boca aberta uma hora ou mais enquanto desconhecidos de bata lhe escarafuncham os dentes). Tivemos portanto uma consulta de anestesiologia pré-operatória na semana passada – com duas horas de atraso sobre a hora marcada, o que não deixa de confirmar aquilo que penso sobre o SNS: bom para urgências de vida ou morte e doenças muito graves, mau para quase tudo o resto – na qual a médica, para além de passar aborrecidamente os olhos pelas análises ao sangue do Guilherme – “excelente nível de plaquetas, por aqui não vamos ter problemas” – não se coibiu de tecer alguns comentários acerca do quanto desconhe-
cemos do autismo, não se refreando no entanto de ter imensas certezas acerca do quão especiais os autistas são. A modorra de parte a parte foi apenas interrompida pelo esgar de surpresa da médica ao olhar para a radiografia torácica do Guilherme: “você sabia que o seu filho tem dextrocardia?” Uma pessoa nunca sabe muito bem responder a uma pergunta de que desconhece os termos enunciados. Que não, respondi, que nem sequer sabia a que corresponde o termo dextrocardia. A senhora lá me explicou numa vagareza de quem se dirige a pessoas com algum atraso que o coração do Guilherme estava ao contrário, e eu tão surpreso como admirado perguntei-lhe se tal era comum, se causava alguma complicação, ou se pelo contrário era apenas uma anomalia anatómica sem grande
Na realidade, o autismo é muito menos romântico do que aquilo que aparenta ser no imaginário social. Quase tudo se faz de modo diferente no autismo. No caso do Guilherme, diria que tudo, desde ter a preocupação de deixar um copo limpo perto da torneira da cozinha para que ele não beba de um copo sujo como tirar um dente
relevância. Que era assaz raro, garantiu-me, que na carreira dela de trinta anos só tinha visto dois casos, sendo o meu filho o segundo, e que em princípio nada de preocupante adviria da situação, mas que tínhamos de fazer exames suplementares, sublinhava, até para termos a certeza de que não se tratava de um erro do técnico de radiologia. Eu fui para casa a pensar na dextrocardia, e consultando o Google percebi tratar-se de uma condição não tão inócua quanto me tinha sido descrita pela médica. Falei com a mãe do Guilherme, que entre reuniões recebeu a notícia como se de uma notificação de multa de estacionamento se tratasse. Mais tarde, quando conseguimos quinze minutos para falar com calma, ela entre perguntas e planos de usar o seguro de saúde dele para apressar exames e consultas, desfaz-se numa risada: “ele estava de frente quando tiraram a radiografia quando devia estar de costas, devia ter tirado de costas mas como ficava com a cara esborrachada contra a parede não aguentou e tiveram de tirar de frente…” Eu acompanhei-a na risada, claro, não sem me perguntar como era possível não existir uma anotação no exame em que se referisse esse facto. O meu filho, esse, mesmo sem dextrocardia continua a ser muito especial.
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Folhetim Fernando Sobral
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silêncio era total. Até os cães que guardavam a casa estavam deitados à porta a dormitar, indolentes. Conheciam Jin Shixin e, por isso, ela conseguiu aproximar-se silenciosamente do homem que estava sentado numa cadeira de bambu, virada para a praia de Cheoc Van. Este, sem se voltar, disse: - Podes aproximar-te, doce Jin. Vem sentar-te a meu lado. Esperava-a. Indicou uma cadeira vazia que estava ao lado de uma pequena mesa circular e virada também para o mar. Ela assim fez. Ele não olhou para ela. Continuou a fitar o mar através duns óculos escuros redondos. Vestia um fato de linho claro e, de vez em quando, abanava-se com um pequeno leque. Mas nem isso afugentava o calor. Sentado, Du Yuesheng, parecia ainda mais pequeno. A sua voz era um sussurro: - Houve uma noite como esta em que estava a olhar para o rio Huangpu, em Xangai, e as águas estavam tão calmas como agora. Pareciam antecipar uma tempestade, daquelas que surgem sem aviso. Foi então que senti vontade de saltar do junco e caminhar sobre as águas. Sabia que era possível. Que estava a viver um sonho real. O chinês olhou para Jin e sorriu. - Porque não o fiz? Não sei. Ainda hoje acredito que só um pirata consegue caminhar sobre as águas. A morte não nos inquieta. Apenas mostra que somos insignificantes. Somos uma gota neste rio que nunca para. Um dia evaporamo-nos. Desaparecemos debaixo das águas. Não devemos ter medo: esse é o nosso mundo sólido. Foi então que percebi que nunca poderei morrer em terra. Não me sinto seguro aqui. Jin acenou com a cabeça, complacente. Du olhou para o céu e continuou, no seu cantonês que Jin percebia, como se estivesse a falar sozinho: -Sabes, Jin, o medo é como uma corrente de água. Não há nada de errado nisso, enquanto deixarem a água correr. Pelo contrário o ódio é como a água estagnada. Causa doenças.
24.5.2019 sexta-feira
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A grande dama do chá A lua surgiu por detrás duma nuvem e reflectia-se agora no mar calmo. Apesar do ar continuar quente em Macau sabia-se que o prazer estava na sombra, na frescura, na solidão, na noite. O sol e o calor representavam a violência extrema. Du Yuesheng, outrora o homem que, com o seu Bando Verde, dominava Xangai, resignara-se à fuga, depois do confronto das tropas chinesas e japonesas na ponte Marco Polo, em Julho e das bombas que tinham rebentado junto à Nanjing Road em Agosto. Fora para Hong Kong, onde todos o julgavam agora. Mas, como alguém que conhecia como poucos o mundo das sombras e das traições, viera secretamente para Macau. Aqui estava em segurança, porque em Hong Kong os japoneses procuravam-no. Os seus olhos continuaram fixos no mar que o atraía. Lá, todos os homens tentam equilibrar-se. E sobreviver. As águas lavam o passado dos homens. E, em terra, este permanece sólido, incapaz de se dissolver. O mar cala os seus segredos. Em terra eles ecoam para sempre, como pesadelos. Só o nevoeiro une a terra e o mar, escondendo tudo, dissera-lhe T. V. Soong, o cunhado de Chiang Kai-shek. Agora acreditava nele. A lua nova estava no auge e a luminosidade era fraca. Nessas noites os peixes concentravam-se no fundo do mar. Por isso não se via um único barco de pesca daqueles que costumavam passar ao largo das areias da ilha de Coloane. Jin reparava, agora, no olhar cansado do chinês. Típico de quem não dormia há muito. - Que me contas, Jin? - Temos problemas.
- Disseram-me que tiveste uma noite atribulada. E que ficaste ferida. - De raspão. Nada de grave que o possa incomodar, senhor. - Nem a ti? - Nem a mim. - Excelente. Foram os japoneses? - Tenho a certeza, mestre Du. Eles estão por perto. Du Yuesheng agarrou no copo de limonada que estava na mesa e levou-o aos lábios. - Achas que está na altura de sair de Macau? Sabes qual é o meu destino final? -Não. - É melhor que não o saibas. Mas Jin sabia. O chinês tinha um destino: a ilha Formosa. Dois morcegos passaram defronte deles, em busca de comida. Du Yuesheng disse: - Vais ter sorte, Jin. É um sinal. - O senhor também a terá. Du deu uma pequena gargalhada: - Eu não tenho tempo para usar a sorte. A sua voz era como uma melodia triste. Durante minutos continuaram os dois muito calados a sentir a força da lua. - É verdade. Houve mesmo um momento em que acreditei que poderia caminhar sobre as águas. Deslizar nelas. Acabei por acreditar na minha própria lenda. O meu junco era uma fortaleza que nunca iria ao fundo. Voava sob as águas. A voz do chinês, de repente, tornou-se quase sombria. Como se toda a vida tivesse sido sugada dela. Era um Du Yuesheng diferente daquele que Jin conhecera em Xangai em clubes nocturnos como o Hengshe ou o Ciro’s, que fechavam às seis da manhã, e onde se cruzavam comerciantes, financeiros, pessoas dos cinemas, das discotecas e
A lua surgiu por detrás duma nuvem e reflectia-se agora no mar calmo. Apesar do ar continuar quente em Macau sabia-se que o prazer estava na sombra, na frescura, na solidão, na noite
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dos hotéis. E também polícias deferentes aos caprichos de Du. E onde as chinesas, com os seus vestidos de seda, e as russas, com os vestidos de noite muito decotados, e os seus olhos que pareciam violetas na Primavera, dançavam com os homens que procuravam o prazer desconhecido. Ali as raparigas bebiam cidra que aparecia como champanhe nas contas. E esses homens pagavam, sem protestar. A Nanking Road com os seus edifícios iluminados de 20 andares mostrava que Xangai não era um inferno. Era o céu no topo do céu, como alguém dissera. Du voltou a falar: - Confias no português que te tratou? Surpreendida pela pergunta, Jin teve de esperar alguns segundos antes de responder, algo que Du percebeu. - Não confio em muita gente. E nele, não. - É melhor assim. Mesmo que te tenha tratado. Mas pode ser-nos útil. Não está ao serviço dos japoneses. Du era pragmático. Dividia assim os seres humanos. Os que estavam do seu lado eram pessoas. Os outros eram úteis ou inúteis. - Não podemos permitir-nos gostar das pessoas. O coração é o traidor que temos mais próximo de nós. - Não tenho paixões, mestre Du. Vi homens com que dormi a morrer de forma natural. E outros com buracos de balas. Ou mortos com uma navalha. Nada me dói. Jin sentiu que Du Yuesheng estava cansado. Talvez fosse a última vez que o via. Ele disse: - O desejo de saber tem sido o fim de muitos homens. Talvez o seja para quem me procura. Olhou finalmente para Jin e não escondeu a tristeza: - Continuas encantadora como sempre, doce Jin. Sei que velarás pelos meus interesses. Guarda o que é valioso para o nosso futuro. Um dia mo entregarás. E lembra-te: não há piedade para os vencidos. Aqueles que foram nossos companheiros em velhas batalhas não a terão por nós se estiverem do outro lado das águas. Por isso, tem cuidado.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 19
sexta-feira 24.5.2019
Uma campanha triste PLANO DE CORTE José Navarro de Andrade
A
campanha eleitoral que hoje termina foi a pior de sempre. Nela se esparramaram as inanidades do costume, as manhas de sempre, o sacramental bacalhau a pataco, as picardias reles, o estafado espavento, tudo conforme ao figurino de propaganda em vigor desde o paleolítico da política portuguesa. Um cidadão que leia “Uma eleição perdida,” escrito em 1888 pelo Conde de Ficalho, estarrecerá com a atualidade da simpática e curial novela. Ora se os tempos vão mudando, se os problemas e as carências de hoje não são os de ontem, e se as iniciativas políticas vão ficando milimetricamente na mesma, isto quer dizer que estão cada vez piores. Ninguém se admire, portanto, que os cidadãos “votem com os pés”, ou seja, que se abstenham maciçamente. Mas quem terá convencido ou como se convenceram os directórios partidários que semelhante sortido de canastrões poderia sequer estimular o eleitor quanto mais imbuí-lo de um módico de confiança no seu voto? Sucede que a disposição do eleitor é de interesse nulo para tais directórios, meramente movidos por contas intestinas na escolha dos candidatos. Para as Europas é remetido quem faça algum estorvo aos negócios correntes da política nacional, usualmente por se ter conotado com os anteriores mandantes do aparelho partidário. As vantagens da sinecura tornam o exílio dourado. De tão formatadas e sonâmbulas as campanhas eleitorais converteram-se numa paródia da política. Havendo alguma vantagem nesse corso carnavalesco será o de dividir os candidatos entre os tontos que ainda acreditam naquilo e os sonsos que fingem acreditar. Outra ainda será a de tirar a justa medida do atraso da corporação política nacional em comparação com as práticas eleitorais das democracias mais avançadas. Nestas, por via de uma exaustiva e apurada recolha e análise
de dados os candidatos sabem perfeitamente a que portas hão-de bater e o que dizer em cada momento e lugar. Por cá a informação resume-se a sondagens mal-amanhadas e convenientes a de quem as encomendou. E depois fala-se de “progresso”, “inovação” e “futuro.” Mas uma campanha à portuguesa não tem como objectivo o contacto com a população, que é trazida à colação para a fazer de “povo”, ou seja, de figurante. As campanhas concebem-se como encenações fornecidas à chusma de jornalistas que “andam na estrada” na cauda dos candidatos, na esperança de que deles se destilem “apontamentos de reportagem”
Havendo alguma vantagem nesse corso carnavalesco será o de dividir os candidatos entre os tontos que ainda acreditam naquilo e os sonsos que fingem acreditar. Outra ainda será a de tirar a justa medida do atraso da corporação política nacional em comparação com as práticas eleitorais das democracias mais avançadas
capazes de atraírem a atenção do espectador, perdão eleitor. Como que embaraçados por participarem no embuste alguns jornalistas empenham-se em dignificar a sua serventia confundindo imparcialidade com cinismo. Perante o espectáculo que lhes é proporcionado, em vez relevarem alguma substância política que pudessem compilar, recolhem umas anedotas de preferência grotescas. Entram então em cena as vendedeiras desbocadas, os desdentados a resmungarem parvoíces, os queixumes das velhinhas, os rurais brutos e sem filtro portanto autênticos. E assim se fixa e constrói a imagem mediática de um suposto Portugal profundo, um país que visto de relance mostra-se pitoresco e espontâneo, contudo repugnante e inabitável pela burguesia urbana. Há nisto tudo um fundo de tragédia. Parte dos intervenientes têm consciência de quão decadente e degradante é a farsa em que se meteram e estão inteirados da desilusão e da repulsa que os cidadãos lhe devotam. Contudo a peça está montada para que não seja possível desempenhá-la de outra maneira. Tudo corre para um trágico desenlace.
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TEMPO
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TROVOADA
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
FESTIVAL DE ARTES DE MACAU | KARL VALENTIN KABARETT 20h| CCM
Amanhã
FESTIVAL DE ARTES DE MACAU | MOTION 20h | CCM FESTIVAL DE ARTES DE MACAU | MR. MA AND SON 20h | CCM
Domingo
FESTIVAL DE ARTES DE MACAU | MR. MA AND SON 20h | CCM
Diariamente
EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM EXPOSIÇÃO | “100TH ANNIVERSARY OF THE MAY FOURTH MOVEMENT IN CHINA” IFT EXPOSIÇÃO | “PHOTO-METRAGENS” DE JOÃO MIGUEL BARROS Oficinas Navais nº1 | Até 02/06 EXPOSIÇÃO | DESENHOS DA RENASCENÇA MAM | Até 30/06
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ABRAM ALAS 5AO MODI
C I N E M A
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8 8 9 7 6 6 4 0 0 70 7 2 3 53 5 8 8 0 9 8 2% 2•30 5 4 4 98 6 7 17 1 3 5 25 2 1 1 1 6 9 9 9 3 4 4
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6 0 4 7 8 3 1 5 39 9 1 46 489 1.40 21 72 07 0 5 6 82 3 9 07 4 3 8 0 2 5
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(f)utilidades 8 3 9 2 5 4 21 1 7
72 7 05 0 4 1 7 0 6 23 2 0 5 1 3 7 84 8 6 8 4 9 2 B A H T 0 . 2 59 5 25 9 Y8U A4N1 61 6 7 0 5 6 3 38 3 3 6 2 8 0 VIDA DE CÃO 10 1 1 7 0 5 9 97 9 5 4 3 7 8 IDEIAS QUE 46 4 9 2 6 1 4
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PROBLEMA 6
2 36 0 1 4 7 53 8 9 5
71 93 7 02 89 26 5 4 10 48
7 9 5 50 08 2 6 3 61 24
3 8 4 35 70 1 9 7 86 12
94 72 6 83 27 35 0 9 58 61
9 57 1 8 2 3 24 0 5 6
80 05 9 64 51 8 72 6 3 97
8 2 3 9 6 4 5 3 1 1 0 . 176 6 2 4 8 1 9 5 3 8 2 6 0 9 7 5 0
MARCAM (OU NÃO!)
contagem de votos nas legislativas do país. Às 10:05, o Partido Bharatiya Janata (BJP, ou Partido do Povo Indiano, no poder) liderava a contagem em 277 círculos eleitorais, enquanto o seu principal rival, o Congresso Nacional Indiano, dominava em 55, de acordo com o ‘site’ da comissão eleitoral indiana
UM FILME HOJE
LONG SHOT
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64 6 23 2 5 18 1 97 9 0 6 1 47 53 7 3 9 8 9 2 0 2 03 2 34 9 4 1 5 1 6 7 6 8 0 0 9 1 84 68 6 2 5 73 7 8 80 91 0 14 2 4 3 6 5 3 5 7 75 7 9 0 1 3 4 28 2 6 6 7 6 5 8 3 029 2 1 4 8 72 7 36 03 0 19 1 4 5 2 27 8 79 61 9 1 4 3 0 5 3 5 1 31 3 95 29 42 64 6 70 87 8 3 4 3 4 15 075 762 6 98 9 6 46 4 78 07 50 35 3 19 21 2 96 0 6 2 1 8 5 74 7 3 2 40 4 75 17 1 38 3 6 9 7 58 7 8 6 4 6 39 13 1 20 2 87 8 6 3 9 2 5 04 0 1 3 1 3 7 9 7 28 2 50 45 4 6 9 9 1 2 48 74 7 0 6 35 3 4 2 5 2 0 3 6 0 6 7 O8primeiro-ministro 9 1 indiano, Narendra 0 partido 1 nacionalista 6 79 hindu 7 8lideravam 2 8 ontem 4 a 53Modi,5e o1seu
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Cineteatro
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S U D O K U
sexta-feira 24.5.2019
6 1 2 7 3 9 8 5 4 0
9 sobre política em Macau é Escrever diferente 1 do5que2escrever 9 3sobre 4 polí6 8 tica noutros países ou regiões. Desde 0 3 faltam 4 6os partidos 8 7 que 5 9 logo porque apimentam 6 7a coisa 5 e4fazem 1 alimentar 2 3 0 certas tricas entre líderes, como é 9 2 Não 6 que 1 isso 4 3 o caso8em 0Portugal. torne a2política mais interessante, 1 3 7 0 5 9 4 porque não torna, mas dá mais sumo 7 8 Em 0 Macau, 5 9 escrever 6 2 1 para escrever. sobre política ser tão 9 4 pode 8 1 7 divertido 3 0 2 como aborrecido. Mas quando dá 7 0Veja-se 4 a8última 1 6 para rir,5dá 2 mesmo. intervenção 3 6do1deputado 8 2 Mak 9 7Soi 5 Kun, o vencedor das últimas eleições 4 9 6 Legislativa. 3 5 0 “Há 8 7 para a Assembleia cada vez mais cães em Coloane, e as pessoas que vão passear queixam-se 11 na rua, ou assustam-se.” das fezes Como é7que0ninguém 4 2 tinha 6 pensado 1 8 3 nisto antes? Que ideia brilhante para 8 4Mais 7 brilhante 9 0 2 levar a5 um 6 plenário? foi apresentá-la à secretária 3 1 2 5 9 7 para 6 0 a Administração e Justiça, Sónia 5 acumula 4 2 7 Chan, 9 que8na 3sua 1pasta assuntos sérios como tribunais 1 9 6 0 2 5 4ou 8 Função Pública, mas também assun0de3câmara 7 municipal, 9 8 6 como 5 1 tos ditos licenças de restaurantes, esgotos 8 4 1 3 0 2 9 5 ou...animais, neste caso as fezes dos 2que5pretende 0 6 Mak 4 Soi 3 Kun 7 9 ditos. O fazer com esta 9intervenção? 6 7 8 3 0Que 1a4 secretária delegue uma comissão 2 5 7ver 1a situação? 8 3 6 para ir4a Coloane Haja paciência. Andreia Sofia Silva
PILLOW TALK | MICHAEL GORDON (1959)
“Pillow Talk” é a perfeita comédia romântica de fim-de-semana, para relembrar a recém-desaparecida actriz Doris Day, numa cândida luta de almofadas com o galã de cinema Rock Hudson. Na Manhatten de 1959, as duas personagens centrais partilham uma linha telefónica do prédio, o que dá lugar a atritos vários. São essas sequências de split-screen, com a tela dividida entre os apartamentos da bem comportada Doris (Jan) e do devasso sedutor Rock (Brad), que fazem a originalidade do filme, onde a paixão acaba no final por superar a embirração, naturalmente. “Conversa de travesseiro”, como foi traduzido em Portugal, conseguiu ser nomeado para 3 Golden Globes e 5 Óscares, tendo vencido o de Melhor Argumento Original. Raquel Moz
SALA 1
POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B]
SALA 2
FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 14.30, 16.30
LONG SHOT [C] Um filme de: Jonathan Levine Com: Charlize Theron, Seth Rogen, Alexander Skarsgard, Andy Serkis 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
MAYDAY LIFE [3D] [B]
SALA 3
FALADO EM INGLÊS PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Muh Chen Com: Monster, Stone, Masa, Guan You, Ashim 19.30, 21.30
FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Guy Ritchie Com: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Cott, Marwan Kenzari 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
ALADDIN [A]
www. hojemacau. com.mo
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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22 opinião
24.5.2019 sexta-feira
um grito no deserto
Os dois barcos da Grande Baía
N
ESTA vida, as coisas não acontecem à medida dos nossos desejos. Quando algumas pessoas tentam manipular os acontecimentos à luz dos dos seus interesses, sem consideração pelas reacções e pelos sentimentos dos outros, os conflitos acontecem. Se a lei não for respeitada, as normas e o civismo forem ignorados e só os poderosos tiverem capacidade de decisão, gera-se uma sociedade opressora e os confrontos tornam-se inevitáveis. Infelizmente, Hong Kong enfrenta outra grande dissensão interna. Nas “Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, Guangzhou, Shenzhen, Hong Kong e Macau são considerados os quatro “motores principais”, para impulsionar a construção e o desenvolvimento da Grande Baía. Segundo os últimos dados, o poder económico e as potencialidades de Guangzhou e de Shenzhen já ultrapassaram os de Hong Kong e Macau. As duas regiões administrativas especiais deveriam assumir o papel de indutores de reformas no desenvolvimento da Grande Baía e de criadores de oportunidades para o futuro da China. Mas infelizmente o barco Hong Kong está à beira do desmantelamento, ao passo que o barco Macau ainda não levantou âncora. No planeamento para o desenvolvimento da Grande Baía, prevê-se que Hong Kong venha a ser um centro de inovação na área das altas tecnologias, um núcleo financeiro, que se assuma como centro para a resolução de conflitos legais internacionais, dentro da região Ásia-Pacífico, e que se torne uma metrópole internacional altamente competitiva. No entanto, se a revisão da lei “de extradição de condenados em fuga” se vier a impôr, todos estes
objectivos cairão por terra. O Dr. Derek Mi-chang Yuen, um prestigiado docente do Departamento de Administração Pública da Universidade de Hong, publicou recentenmente um artigo intitulado “Os sinos tocam em King’s Landing, anunciando a rendição da cidade”: a escalada da controvérsia em torno da revisão da lei e a tensão sino-americana”. Yuen usa metaforicamente o cenário da série “Game of Thrones” para alertar Hong Kong para a possiblidade de se vir a tornar uma “cidade queimada”. E tudo isto porque o Governo de Hong Kong decidiu ignorar os procedimentos legislativos (debate no Comité Legislativo) para forçar a aprovação da lei de extradição dos condenados em fuga, enviando directamente a proposta para, a 12 de Junho, ser feita uma segunda apresentação no plenário. Se isto se vier a confirmar, abre-se um perigoso precedente que vai reduzir a pó o pouco que sobra dos valores fundamentais de Hong Kong. Baseado no conhecimento profissional e nos seus antecedentes especiais, o artigo de Yuen põe o dedo na ferida e reclama a atenção de todos os que estão envolvidos nesta controvérsia. O Movimento dos Chapéus de Chuva desgastou Hong Kong em larga escala e, se o Conselho Legislativo for despojado das suas funções legislativas e da sua capacidade de monitorizar a acção do Governo, vai ser impossível preservar os alicerces morais e ideológicos da cidade. Os slogans “Um País, Dois Sistemas”,
O próximo Chefe do Executivo de Macau tem a responsabilidade de tornar a cidade competitiva durante o seu mandato, caso contrário o barco “Macau” ficará encalhado nas águas estagnadas do prazer e acabará por afundar no mar da corrupção
“Hong Kong governado pelas suas gentes” e “um elevado grau de autonomia” não irão passar de cortinas de fumo. Quanto à revisão da lei “de extradição dos condenados em fuga”, o campo Pan-democracia propôs que se aprovasse em primeiro lugar a extradição de Chan Tong-kai, o suspeito de ter assassinado a namorada em Taiwan, e que posteriormente se realizasse uma sessão de consulta pública para reunir as opiniões dos diversos sectores sobre esta matéria. Esta abordagem teria a vantagem de evitar conflitos e daria margem para a negociação entre as partes. Mas é uma pena que aqueles que estão no topo das muralhas não se queiram dar ao trabalho de escutar as sugestões do povo que por elas está cercado. Quando as muralhas caírem, o povo não tem por onde fugir. Mas depois da queda, quem é que vai lidar com a situação? Desde a transferência de soberania, Hong Kong fez duas más escolhas para Chefe do Executivo. Uma delas foi Leung Chun-ying, um homem de espírito aguerrido, a outra Carrie Lam Cheng Yuet-ngor, que não lhe fica atrás. Numa sociedade diversificada, a harmonia é preferível ao conflito. Se Henry Tang Ying-yen tivessse sido eleito em vez de Leung Chun-ying e John Tsang Chun-wah ocupasse o lugar de Carrie Lam, os assuntos teriam sido tratados de outra forma. E em Macau, o que se está a passar? Macau é um local em que nada muda e o poder governativo é muitíssimo estável. A eleição do Chefe do Executivo é basicamente um “one-man show” e as receitas provenientes das taxas do jogo e do turismo chegam para sustentar toda a população do território. Segundo as estatísticas, um total de 84.000 pessoas estão dependentes da indústria do jogo que emprega o maior número de pessoas, distribuídas por diversas profissões. Mas, à semelhança da construção do metro ligeiro, o progresso da diversificação industrial de Macau anda a passo de caracol. Macau, enquanto barco da Grande Baía, é um casino flutuante que não tem nada de construtivo para oferecer, para além de jogo, entretenimento, consumismo e lazer. A plataforma para a cooperação sino-portuguesa não passa de um simulacro da idea de criação de uma base de intercâmbio e cooperação em Macau tendo como foco principal a cultura chinesa e a coexistência da multiculturalidade. O próximo Chefe do Executivo de Macau tem a responsabilidade de tornar a cidade competitiva durante o seu mandato, caso contrário o barco “Macau” ficará encalhado nas águas estagnadas do prazer e acabará por afundar no mar da corrupção. Pôr de parte as disputas e suspender a revisão da lei “de extradição dos condenados em fuga” será a única forma de evitar que Hong Kong se despedace contra os rochedos. Quanto ao fututo de Macau, tudo vai depender da capacidade das pessoas procurarem avançar, sem deixarem de desfrutar do seu conforto.
Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático
PAUL CHAN WAI CHI
opinião 23
sexta-feira 24.5.2019
JORGE MENEZES *
N
ÃO foi preciso a casa ter sido ‘roubada’ para a Assembleia Legislativa (AL) pôr trancas nas portas. O Regimento da AL determina que as reuniões das comissões “decorrem à porta fechada”, salvo deliberação em contrário. E assim tem sido: as portas têm estado trancadas e não há notícia de deliberações em contrário. Por este motivo, o deputado Sou Ka Hou (de quem fui advogado) foi acusado, quer por deputados, quer pelo presidente da direcção da Associação dos Advogados, de ter infringido a lei ao partilhar o que ali se discutira. Violara o que este último apelidou de “regras do jogo”: “defraudou e traiu a confiança que as pessoas podiam depositar nele”, quando “tinha de estar calado” (JTM, 05/12/2017). Porém, nem ‘jogo’ parece uma boa metáfora, nem o deputado violou a lei. E não tinha de estar calado. Os acusadores confundem ‘porta fechada’ com sigilo ou confidencia-lidade. Politicamente, é criticável que as reuniões decorram nos bastidores da vida política. A AL representa os cidadãos, que deveriam poder assistir, através da comunicação social, ao que os seus representantes defendem sobre a vida da comunidade, o modo como o fazem, os conhecimentos e ignorâncias que revelam, os preconceitos que exibem e por aí fora. Nem é possível representação autêntica sem transparência política. Porta fechada deveria ser a excepção, não a regra, numa terra já caracterizada por uma obscura cultura de governação. E assim é noutras paragens. Em Portugal, as reuniões das comissões “são públicas”, podendo, “excepcionalmente, reunir à porta fechada, quando o carácter reservado das matérias a tratar o justifique”. Em Hong Kong a lei é mais detalhada, mas similar. Juridicamente, se é certo que podem decorrer à porta fechada, é falso que seja proibido divulgar as posições assumidas por deputados em reunião de comissão. Nem há qualquer sanção para quem o faça. ‘Porta fechada’ significa que não se pode assistir. ‘Sigilo’, que não se pode revelar o que se lá passou. São conceitos distintos, de uso comum, na lei e no discurso político, que não escapariam a um legislador desatento (e que, veremos adiante, não escaparam). Ao determinar que as reuniões “decorrem” à porta fechada, proibiu-se a assistência da comunicação social ou do público. Nada mais. É como aulas de universidade, conferências ou assembleias gerais: não pode assistir quem quer, mas não é vedado debater cá fora o que foi ensinado ou discutido lá dentro.
RÓMULO SANTOS
AL: portas fechadas e deputados calados
Só é confidencial o que a lei, expressamente, diz sê-lo. A Lei Básica prescreve que os direitos fundamentais só podem ser restringidos nos casos previstos na lei. E só o pode fazer dentro dos limites fixados no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP). Constar expressamente de lei é condição necessária, mas não suficiente. O PIDCP determina que a liberdade de expressão e de expandir informações só pode ser submetida a restrições que, para além de “expressamente fixadas na lei”, sejam necessárias ao respeito dos direitos ou da reputação de outrem, ou à salvaguarda da segurança nacional, ordem pública, saúde e moralidade públicas. O mesmo princípio consta da lei de imprensa. A confidencialidade das reuniões teria, pois, de ter sido expressamente fixada no Regimento. Mas não foi. Pelo contrário, deve ser feita acta das reuniões, a qual não é secreta. Só é imposto sigilo quando são convocados terceiros para prestar depoimentos ou apresentar provas, o que confirma que o legislador não andava distraído. Não tendo sido ordenado sigilo em nenhuma outra situação, o teor das reuniões de comissão pode ser partilhado e discutido. E o Regimento só poderia impor sigilo, sem violar a Lei Básica, se tal fosse necessário às finalidades referidas no PIDCP, o que nunca poderia suceder indiscriminada-mente quanto a todas as reuniões de todas as comissões. Afirmar o contrário seria caricato. Ou seja, nem a lei impõe, nem poderia impor, a apregoada confidencialidade (com
a qual erradamente confundem o conceito de ‘porta fechada’). Imagine-se, aliás, o contra-senso que seria se o órgão de propensão democrática e representativa fosse gizado para actuar sob confidencialidade. Seria porta fechada e luz apagada. A própria AL revela-nos que os acusadores estão errados, pois é comum no final das reuniões um deputado narrar à comunicação social uma parte, por si cuidadosamente seleccionada, do que lá se passou. Costuma ser o presidente da comissão. Se divulgar fosse infracção, estava encontrado o infractor. Será diferente por presidir à comissão? Não. Em parecer recente, a Comissão de Regimentos e Mandatos revelou a máxima em que deve assentar a aplicação do Regimento: “onde o legislador não distingue, não deve o intérprete distinguir”, o que é correcto quando está em causa, como aqui, a restrição de um direito fundamental. O Regimento não distingue deputados-presidentes de deputados-não-presidentes quanto ao que podem ou não podem dizer. Nem nada diz sobre fechos de portas ou relatos de eventos. Logo, ou nenhum pode nada, ou todos podem o mesmo. Foi a Comissão quem nos ensinou. Aliás, o Estatuto dos Deputados determina que “todos” os deputados “têm o mesmo estatuto e são iguais em direitos, poderes e deveres”. A ideia de um eventual ‘uso parlamentar’ seria outro nado-morto. Para justificar que uns possam falar não é preciso invocar um uso: a prática de alguns falarem no final das
Como todos os deputados são iguais e não há proibições ou obrigação de sigilo, qualquer deputado pode partilhar com os cidadãos o que os seus representantes pensam, em comissão ou fora dela. É o reflexo da velha sentença em que se traduz o princípio da liberdade: o que não é proibido, é permitido
reuniões não existe por virtude de um uso, mas por permissão da lei (extensível a todos os deputados). Nem ninguém contesta que os presidentes de comissão o possam fazer. Acresce que a prática de uns falarem não constitui um uso de outros serem proibidos de falar. Não falar, tal como não agir, não constitui existência, mas antes ausência de um uso. Não há contradição, mas concordância, entre o hábito de uns falarem e o direito de outros também falarem. Nem o silêncio constitui uso, nem existe uma prática ‘ancestral’ reiterada proibindo os deputados de falar. Aliás, nunca nenhum deputado foi proibido de o fazer. Mas se existisse tal uso, seria ilegal. É de lei que os usos só “são juridicamente atendíveis quando a lei o determine”, e o Regimento não o determina. E não são admissíveis usos que restrinjam direitos fundamentais. Nem que infrinjam a igualdade dos deputados, tornando uns ‘mais iguais’ do que outros. Uma prática ilegal não se tornaria legal por ser muitas vezes repetida. Não nos esqueçamos, aplicada aqui, da máxima que a Comissão nos ensinou: onde a lei não distingue, não devem os usos distinguir. Como todos os deputados são iguais e não há proibições ou obrigação de sigilo, qualquer deputado pode partilhar com os cidadãos o que os seus representantes pensam, em comissão ou fora dela. É o reflexo da velha sentença em que se traduz o princípio da liberdade: o que não é proibido, é permitido. Quem os acusar por divulgarem debates políticos, está a acusar duas mãos cheias de deputados de violar reiteradamente a lei. Todos erradamente acusados. Como aprendemos em criança, o que não é segredo, pode ser contado. Em política, deve ser contado. O que não é devido é querer mandar calar deputados. * Advogado
Saber ler é acender uma luz no espírito.
Pearl Buck
G2E DICJ diz que reforçou medidas de fiscalização
Trabalho ilegal Detectados 71 casos em Abril
A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) emitiu ontem um comunicado a afirmar que tinha reforçado as medidas de fiscalização na feira do jogo G2E, depois da existência de “queixas [...] apresentadas por determinadas associações e pelo público, que indiciavam a existência de suspeitas da promoção de jogo online, alegadamente ilegal, por alguns expositores”. Segundo a DICJ, cujo director Paulo Martins Chan boicotou o evento, as inspecções diárias visaram a “divulgação de jogos ilegais na internet, a construção de websites de jogos em nome de Macau, da RAEM ou dos casinos de Macau, bem como a prática de outras actividades relacionadas com jogo ilegal”. Os casos de ilegalidades detectados foram reencaminhados para a Polícia Judiciária, que se encontra a proceder às investigações necessárias.
Dados do trabalho ilegal no território, relativos ao mês de Abril, revelam que foram detectadas 71 pessoas nestas condições por parte da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e outros serviços públicos. No total, e de acordo com um comunicado ontem divulgado, foi feita a fiscalização a 412 locais, tais como terrenos de obras de construção civil, residências e estabelecimentos comerciais e industriais, entre outros.
Espanha Português detido por tentativa de homicídio e 38 assaltos
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SAI VAN PONTE VAI SER CONDICIONADA
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partir de amanhã o trânsito nos troços de acesso da Ponte de Sai Van (em direcção a Macau e à Taipa) e na Avenida dos Jogos da Ásia Oriental estará condicionado. O acesso da Ponte de Sai Van na Barra passa a ter uma faixa de rodagem e o corredor exclusivo para motociclos será deslocado temporariamente 100 metros em direcção à Taipa, durante um período de 3 semanas. O condicionamento tem como causa a construção da Estação da Barra do Metro Ligeiro. Já a primeira fase da empreitada de reparação dos esgotos da Avenida dos Jogos da Ásia Oriental foi concluída e o troço será reaberto ao uso do público amanhã, dia em que também vai ter início a segunda fase de obras que durará até 13 de Agosto. Durante a execução da obra, o troço de lugares de estacionamento da ciclovia na Avenida dos Jogos da Ásia Oriental, junto da Rotunda dos Jogos da Ásia Oriental e em direcção à Ponte de Sai Van, passa a ser uma via para a circulação de veículos e os respectivos lugares de estacionamento ficarão suspensos. O reordenamento da rede viária da Rotunda da Piscina Olímpica vai durar até Maio de 2021 e vai fazer com que a faixa de rodagem junto do Jockey Club em direcção à rotunda esteja fechada, invertendo o sentido do trânsito para a outra faixa.
sexta-feira 24.5.2019
PALAVRA DO DIA
O Instituto vai oferecer sessões de cinema, exposições, feiras do livro, cursos de culinária, caligrafia, dança e artes marciais
A China aqui tão perto Universidade do Porto inaugura esta sexta-feira Instituto Confúcio
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Universidade do Porto (UP) vai inaugurar na sexta-feira o Instituto Confúcio do Porto com o objectivo de “aproximar os estudantes e a cidade à língua e à cultura chinesas”, revelou ontem um dos directores da nova instituição. Em declarações à agência Lusa, João Veloso, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e um dos directores desta nova instituição, explicou que, ao estar inserido na “estratégia de internacionalização” da Universidade, o Instituto Confúcio do Porto pretende “alargar os horizontes culturais dos estudantes”. “Queremos alargar a oferta educativa dos estudantes através da possibilidade de frequentarem cursos de língua diferentes daquelas que já existem e, no
caso, o chinês é uma língua com uma projecção global e com uma importância estratégica e económica”, apontou. O Instituto Confúcio do Porto, que nasce de uma parceria com a Universidade Guangzhou, na China, é o quinto a funcionar em território nacional e, além de cursos de língua direcionados aos estudantes, vai também oferecer à comunidade “actividades regulares”, como sessões de cinema, exposições de arte, feiras do livro, cursos de culinária, de caligrafia, de dança e até de artes marciais.
MAIS CULTURA
Segundo João Veloso, as actividades do instituto vão ser leccionadas por dois professores chineses e estão previstas iniciar entre Setembro e Outubro. “Os primeiros cursos a abrir serão de nível básico de
língua chinesa e só depois é que vamos ter mais novidades, mas a ideia é oferecer cursos não só de língua, por exemplo, aproveitando os sábados para oferecer cursos gratuitos em temas específicos da cultura chinesa”, esclareceu. À Lusa, o professor da FLUP adiantou que um dos objectivos da instituição passa também por “aproximar” a comunidade falante chinesa residente na região norte do país que, apesar de ser “muito numerosa, não está tão integrada nos circuitos culturais portugueses como a sua dimensão poderia levar a supor”. A inauguração do Instituto Confúcio do Porto, que vai ficar instalado no edifício da antiga Livraria Leitura, conta com a presença do embaixador da China em Portugal e dos representantes das Universidades envolvidas.
Guardia Civil espanhola anunciou ontem que deteve em Espanha um português por tentativa de homicídio de um militar da GNR e por 38 assaltos a carros nas províncias de Sevilha e Huelva. Segundo a Guardia Civil, o português de 39 anos estava desaparecido há 10 anos e era alvo de um mandado de detenção e de extradição emitido pelas autoridades portuguesas pela tentativa de homicídio de um militar da GNR. Em comunicado, a Guardia Civil precisa que o português foi detido na casa onde vivia em Sevilha, juntamente com um cidadão espanhol, e tinha na sua posse um carro de gama alta que tinha sido roubado. Aquela força de segurança espanhola adianta que o português aguarda agora a extradição para Portugal. A operação que levou à detenção foi classificada como complexa e perigosa, tendo a Guardia Civil mobilizado as unidades especiais e utilizado helicópteros. A Guardia Civil indica que o português e o espanhol detidos nesta operação foram responsáveis por vários assaltos a carros em diferentes localidades das províncias de Sevilha e Huelva entre Julho e Setembro de 2018. A agência Lusa contactou a GNR para obter informações sobre o caso, mas até ao momento ainda não obteve resposta.