HOJE MACAU QUINTA-FEIRA 24-3-2022
Nº 4976
MOP$10
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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Há quase um século, Macau recebia uma comissão da Sociedade das Nações que tinha como missão elaborar um relatório sobre o comércio de ópio na cidade. Apesar do cepticismo e desconfiança do Governador Tamagnini Barbosa, a investigação acabou por limpar a reputação de Macau. O episódio e o seu contexto são abordados num artigo da historiadora Célia Reis. GRANDE PLANO
HABITAÇÃO PÚBLICA
CRISE A CONTAR PÁGINA 4
TECNOLOGIA
VÍCIO ELECTRÓNICO PÁGINA 6
CRIME
CINEMATECA PAIXÃO
PÁGINA 7
EVENTOS
PRESA POR 50 PATACAS
CURTAS EUROPEIAS
2 grande plano
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HISTÓRIA
24.3.2022 quinta-feira
ARTIGO RECORDA VISITA DA SOCIEDADE DAS NAÇÕES A MACAU PARA ANALISAR O COMÉRCIO DE ÓPIO
Nos braços de
quinta-feira 24.3.2022
Morfeu
No final da década de 20 do século XX, Macau, então administrada por Tamagnini Barbosa, recebeu uma comissão da Sociedade das Nações que veio ao território fazer um inquérito ao comércio de ópio. A investigação, vista com desconfiança pelo Governador, concluiu que muitas das acusações imputadas a Macau não eram verdadeiras. O tema foi abordado num artigo da historiadora Célia Reis
M
ACAU, território que sempre teve comércio e consumo de ópio no imaginário colectivo, recebeu a visita de uma comissão de inquérito da Sociedade das Nações (SDN), entidade internacional saída da I Guerra Mundial e do Tratado de Versalhes, para inspeccionar o tráfico do poderoso narcótico. Tamagnini Barbosa, então Governador, olhou para essa visita com desconfiança, mas depois acabou por aceitar os resultados, que se revelaram benéficos para a imagem do território. Esta é uma das conclusões do artigo académico “Macau e o Tráfico do Ópio no Contexto da SDN (19251930)”, da autoria da historiadora Célia Reis, do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, que recentemente foi apresentado no ciclo de conferências da primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). À época, o jogo já era muito importante para a economia local, mas o ópio era fundamental. A título de exemplo, no ano de 1929, o seu comércio representava cerca de 22 por cento das receitas obtidas pela Administração. A comissão de inquérito da SDN não se cingiu a Macau e andou por todos os territórios a Oriente onde o comércio do ópio tinha expressão. “Os inspectores verificaram que a situação de Macau não estava num
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Governador Tamagnini Barbosa
mau caminho, pelo contrário”, começou por dizer ao HM Célia Reis. “O número de estabelecimentos da venda do ópio estava a diminuir e o facto de grande parte dos rendimentos de Macau serem ainda provenientes do ópio não era uma questão apenas do território, verificando-se sobretudo nos territórios mais pequenos.” Além disso, a comissão concluiu que, no território, “era extremamente difícil controlar todo o comércio, dada a ligação comercial que existia com a China, que fazia com que o tráfico ilícito fosse muito fácil”. Como prova da redução do peso do ópio na sociedade local, o artigo aponta que em 1927 existiam no território 65 estabelecimentos de venda, número que passou para 63 em 1929, ainda assim uma diminuição ligeira. Até à visita da comissão de inquérito da SDN, Macau era alvo de acusações por parte de outros
países relativamente ao ópio que “não correspondiam à realidade”, aponta a autora do artigo. “Havia interesse das outras nações, quando havia algum problema, em dizer que o ópio era proveniente de Macau. Era difícil ao Governo controlar esse tráfico antes de ele ser administrado pelas próprias autoridades, mas havia muitas acusações que eles consideravam infundadas. No final da década [de 20], mesmo com o acordo dos responsáveis internacionais, passou a ser dado um aditivo ao ópio de Macau, que não lhe alterava as qualidades, mas que dava para reconhecer se este era de Macau ou não. E isso foi uma grande vantagem para ver que, de facto, muitas acusações não eram verdade.” Em termos gerais, Tamagnini Barbosa “até ficou satisfeito com os resultados desta análise, pois não colocava Macau numa situação à parte em relação a outros territórios do Oriente”, disse Célia Reis.
Administração assume controlo
Outrora explorado por particulares e concessionado, o comércio do ópio e a sua gestão foram alvo de remodelação em finais da década de 20, o que levou à criação, em 1929, da Inspecção dos Serviços Económicos, que tinham à frente figuras conhecidas da comunidade macaense como Pedro José Lobo e Joel José Choi Anock, entre outros. Importa frisar que estas figuras já
antes estavam ligadas à inspecção e fiscalização deste tipo de comércio, embora inseridas noutro tipo de estrutura pública. A criação da Régie, como se chamava, ficou determinada após ter sido decidido, na Conferência de Genebra, que a gestão do comércio do ópio teria de passar dos particulares para o próprio Governo. Célia Reis adianta que Pedro José Lobo e Joel José Choi Anock eram, acima de tudo, pessoas próximas do Governador, que na altura “tinha graves problemas com algumas figuras da comunidade local, nomeadamente as que estavam mais ligadas ao poder do Leal Senado, com quem o Governador tinha um confronto aberto”. “Havia muitas acusações do antigo concessionário contra essas pessoas [Pedro José Lobo e Joel José Choi Anock] e o Governador disse mesmo que ele confiava muito nelas e que por isso é que estavam à frente dessas actividades.”
A posição da metrópole
O Governo chegava a obter uma taxa de lucro na ordem dos 35 por cento com o comércio do ópio, que vinha sobretudo da região da Pérsia, Índia Britânica e Hong Kong, até chegar a Macau. Nesta altura, as autoridades fizeram progressos no controlo contrabando e foi proibida a exportação de ópio através do território, tendo-se registado ainda um aumento da importação entre 1928 e 1929. Quanto à posição da então metrópole, resolver a questão do ópio revelava-se fundamental por uma questão de imagem internacional do país. “Para Portugal, estas questões ultrapassavam muito Macau, porque,
“O comércio do ópio ‘constituiu um elemento essencial no expansionismo no Oriente a partir dos séculos XVIII e XIX’.” “Havia interesse das outras nações, quando havia algum problema, em dizer que o ópio era proveniente de Macau.” CÉLIA REIS HISTORIADORA
O estupefaciente, consumido em Macau inclusivamente por algumas figuras proeminentes da sociedade, como o poeta Camilo Pessanha, era fundamental para a economia de muitas nações do sudeste asiático por um lado, sempre houve a pressão de que o que era proibido em Portugal poderia não ser proibido nas colónias. Aqui o jogo era regulamentado, mas não tinha nada a ver com o jogo em Macau, e o mesmo se passava com o ópio. Mas isso acontecia também com os outros países, Portugal não era uma excepção nesse aspecto. Mas, nesta fase, para as autoridades portuguesas, não são apenas as questões do consumo da SDN, mas também a imagem que o país oferece.” Célia Reis ressalva que “Portugal tinha grandes dificuldades, e havia sempre o receio de perder as suas colónias, era alvo de muitas críticas”. Desta forma, “resolver o problema do ópio era uma forma de não acrescentar mais dificuldades a este relacionamento” internacional. O artigo desta historiadora dá conta que o comércio do ópio “constituiu um elemento essencial no expansionismo no Oriente a partir dos séculos XVIII e XIX, quando, envolvendo as diversas fases, da produção à distribuição e consumo, se tornou fundamental para suprir o desequilíbrio das transacções ocidentais na China”. O estupefaciente, consumido em Macau inclusivamente por algumas figuras proeminentes da sociedade, como o poeta Camilo Pessanha, era fundamental para a economia de muitas nações do sudeste asiático. “Asua importância e os principais elementos sociais a que estava ligado permitia ultrapassar a visão do ‘vício’ que tinham os ocidentais”, descreve o documento. Se, inicialmente, o comércio era concessionado sob forma de monopólio a privados, depressa essa gestão passou para a hasta pública, criando-se as Régies. “A França foi pioneira dessa forma na Indochina, ainda no final do século XIX. Em 1914 aplicou-se em Hong Kong”, escreve a historiadora. Andreia Sofia Silva
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Infantários em risco
HABITAÇÃO PÚBLICA ELLA LEI PEDE AO GOVERNO QUE CONSIDERE IMPACTO DA CRISE
Uma mudança de cenário
H
O Ion Sang, deputado eleito pela via indirecta no sector da educação, avisa que a redução da natalidade pode deixar muitos jardins-de-infância numa posição delicada, com a sobrevivência em risco. Numa interpelação escrita divulgada ontem, o deputado dos Moradores receia que a tendência poderá afectar as escolas “em maior desvantagem”. “A reduzida taxa de natalidade leva à diminuição da procura dos serviços de infantários, e há jardins-de-infância que já têm dificuldades em encontrar alunos”, afirmou. “Existe uma falta de procura e cada vez mais estes espaços vão encontrar dificuldades para sobreviver. Já sentem muita pressão”, alertou. “Será que as autoridades responsáveis vão formular planos de educação abrangentes para responder ao desafio da redução da natalidade e do número de alunos, para que as escolas se preparem melhor?”, questionou. A baixa natalidade é um cenário demográfico que o deputado acredita irá perdurar durante muitos anos. Além disso, Ho considera que a crise económica relacionada com as medidas de controlo da pandemia contribui cada vez mais para que “os residentes não tenham vontade de ter filhos”.
RÓMULO SANTOS
A deputada dos Operários alertou o Executivo de Ho Iat Seng para a necessidade de encarar a realidade e perceber que a crise causada pela pandemia reduziu drasticamente os rendimentos das famílias
Ho Ion Sang diz que baixa natalidade pode ameaçar empregos de educadores
E
candidatar-se à habitação económica, desde que tivesse um rendimento de 23.870 patacas. Contudo, o valor foi revisto para 26.020 patacas. A deputada espera que as autoridades alterem os critérios, de forma a não prejudicar candidatos mais afectados pela crise: “Como vão as autoridades melhorar a fixação dos limites máximo e mínimo de rendimento e património para as habitações sociais e económicas, a fim de evitar que os critérios irrazoáveis impeçam que os residentes com necessidades se candidatem?”, perguntou.
Questão de critérios
A deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau espera também que o Governo disponibilize tão depressa
quanto possível “os requisitos de candidatura e preços da habitação económica, intermédia e residências para idosos”. Na mesma intervenção, Ella Lei mostrou-se também preocupada com a tipologia das habitações públicas em construção. A deputada alerta para a possível da repetição do cenário de 2011, em
“Muitas famílias com rendimentos reduzidos devido à epidemia vão perder a qualificação para se candidatarem à habitação económica.”
Entradas flexíveis
que foram construídas demasiadas unidades T1, para famílias numerosas, que acabaram sem escolha a não ser aceitar essas casas. Assim sendo, Ella Lei pergunta ao Executivo como calculou as necessidades em termos de tipologia da fracções e se teve em conta que a maioria dos agregados familiares é constituído por elementos com idades inferiores a 44 anos. Nesse sentido, a legisladora apontou a degradação das condições de acesso à habitação nos últimos anos, que se reflecte actualmente no aumento do preço das casas na ordem dos 352 por cento, quanto os rendimentos apenas duplicaram. João Santos Filipe
O deputado dos Moradores pede assim ao Governo que “adopte uma política de admissões flexíveis”, para garantir o funcionamento das instituições. “Será que as autoridades vão estudar uma política de admissão flexível nos jardins-de-infância e estudar uma revisão dos limites mínimos e máximos por turmas, de forma a que sejam definidos de acordo com o ambiente de cada altura?”, perguntou. Por último, e como consequência da redução de alunos e até do encerramento de algumas instituições, Ho Ion Sang avisou que vários educadores de infância vão ver os lugares ameaçados. E caso não sejam tomadas medidas pelo Governo, o desemprego pode aumentar. “Será que o Governo vai permitir que seja aumentado o número de educadores exigido por cada turma ou com a criação de rotação em que cada turma tem dois ou três professores?”, questionou. J.S.F.
ELLA LEI DEPUTADA
MTC Formado “vasto leque” de quadros qualificados O presidente do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica, Choi Peng Cheong, considera que as instituições de ensino superior de Macau têm “cultivado um vasto leque de quadros qualificados” na área da Medicina Tradicional Chinesa. A revelação foi feita em resposta a
interpelação do deputado Leong Sun Iok. Choi Peng Cheong menciona a formação local e ainda as oportunidades de emprego que vão surgiu na Ilha da Montanha, mas nunca refere qualquer dado concreto. Além da menção às 15 classes de profissionais de saúde e aos três projectos para Hengqin,
entre os quais um museu sobre medicina tradicional chinesa, não é avançado mais nenhum número ou estimativa. Sobre a pandemia, admite que houve “um certo impacto” na actividade económica e que por isso os grandes investimentos devem ser muito bem equacionados.
RÓMULO SANTOS
LLA Lei considera que o impacto económico da crise causada pandemia deve ser tido em conta nos concursos de atribuição de habitação pública. A opinião vai ser apresentada na Assembleia Legislativa, durante a próxima sessão de interpelações escritas, que ainda não tem data marcada. Uma das preocupações da deputada é o facto de a crise ter reduzido os rendimentos das famílias, devido à situação do desemprego e layoffs, que afectam as condições de candidatura dos residentes. O rendimento é um dos aspectos tidos em conta nos processos de candidatura. “Apesar da epidemia, as autoridades aumentaram o limite mínimo do rendimento mensal dos candidatos à habitação económica. Assim, muitas famílias com rendimentos reduzidos devido à epidemia vão perder a qualificação para se candidatarem à habitação económica”, avisou a deputada. “E, não só, também não podem candidatar-se à habitação social por possuírem algum, mas pouco, património”, acrescentou. Anteriormente, um agregado familiar com três elementos podia
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TIAGO ALCÂNTARA
Comissão de Apoio Judiciário Leong Pou Ieng mais três anos
política 5
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A administradora da Imprensa Oficial, Leong Pou Ieng, vai ficar mais três anos no cargo de presidente da Comissão de Apoio Judiciário, de acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial. Além da renovação do mandato de Leong, também o advogado Paulino Comandante, a presidente do Fundo de Pensões, Diana Maria Vital Costa, e Vu Ka Vai vão manter os cargos. Também no caso destes membros a renovação produz efeitos durante três anos. Por inerência do cargo, faz ainda parte da comissão a presidente do Instituto de Acção Social, Hon Wai.
Fórum Macau Secretário-geral visita Raimundo do Rosário
O secretário-geral do Fórum Macau, Ji Xianzheng, visitou, no passado dia 9, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. Segundo um comunicado do Fórum Macau, Ji Xianzheng apresentou os trabalhos do organismo que lidera para este ano e apelou ao contributo da secretaria liderada por Raimundo do Rosário para a “contínua melhoria do funcionamento da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Por sua vez, o secretário “manifestou disponibilidade para continuar a prestar apoio aos trabalhos do secretariado permanente” do Fórum Macau.
Desemprego Deputado Che Sai Wang quer mais formação
O deputado Che Sai Wang, ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), considera que o Governo deve permitir que os desempregados façam mais do que duas fases de formação subsidiada por ano. A opinião foi deixada ontem através de uma interpelação escrita. No mesmo texto, Che Sai Wang afirmou também que o período entre a primeira e segunda fase das formações subsidiadas tem de ser reduzido, devido às condições actuais de desemprego. Segundo as regras actuais do Governo, entre um curso subsidiado e o segundo, os candidatos têm de esperar dois meses. O deputado acha que o prazo é demasiado longo, dadas as condições reais.
Eddie Wong e Chui Sai Cheong no Conselho de Magistrados
Eddie Wong e Chui Sai Cheong vão permanecer mais cinco anos no Conselho de Magistrados do Ministério Público, enquanto “duas personalidades da sociedade, designadas pelo Chefe do Executivo”. A renovação da nomeação foi publicada ontem em Boletim Oficial, através de um despacho assinado por Ho Iat Seng. A nomeação resultou da proposta da Comissão Independente Para a Indigitação de Juízes. Pelo menos desde 2012, de acordo com a informação disponibilizada no Boletim Oficial, o arquitecto e o deputado desempenham estas funções. Fazem ainda parte deste órgão o Procurador da RAEM, Ip Son Sang, um representante dos procuradores-adjuntos e outro representante dos delegados do Procurador, Vong Vai Va e Lai U Hou, respectivamente.
Reserva Financeira Lucro de 14,7 mil milhões em 2021
A reserva financeira de Macau registou proveitos de 14,7 mil milhões de patacas no ano passado, o que significou uma rentabilidade de 2,3 por cento, de acordo com a informação publicada ontem em Boletim Oficial. A reserva atingiu assim um valor de 643 mil milhões de patacas 139 mil milhões de patacas de reserva básica e 504 mil milhões de patacas na reserva financeira. Apesar disso, os ganhos de 14,7 mil milhões contrastam com os 37 mil milhões de patacas da reserva que terão sido utilizados no ano passado para colmatar o défice orçamental. Em 2020, a reserva financeira tinha registado um resultado positivo de 31 mil milhões de patacas, o melhor resultado de sempre, desde 2012, altura em que a reserva foi criada.
Samuel Tong, defendeu que o pior período da crise económica já passou, embora Macau continue a depender excessivamente do sector do turismo
ECONOMIA AFASTADO CENÁRIO SIMULTÂNEO DE ESTAGNAÇÃO E INFLAÇÃO
À procura de soluções Especialistas em economia acreditam que o território não vai chegar a um cenário de estagflação. O vice-presidente da Associação Económica de Macau defende o alargamento dos canais de importação de produtos para baixar preços. Samuel Tong pede mais uma ronda de cartões de consumo ou subsídios para desempregados
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OM o território praticamente fechado ao mundo e em dificuldades para atingir os números de turistas do período pré-pandemia, Macau vê-se a braços com uma situação de crise económica. No entanto, especialistas ouvidos ontem no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, acreditam que um cenário económico de estagflação, ou seja, inflação e estagnação em simultâneo, está para já afastado. A posição foi defendida por Lei Chun Kwok, vice-presidente da Associação Económica
de Macau, que considerou que os níveis de inflação “não são graves” e que a perspectiva de estagflação está, por enquanto, afastada. A fim de travar a subida dos preços, Lei Chun Kwok sugeriu que o Governo alargue os canais de importação de produtos e bens alimentares, não só para travar os efeitos da pandemia, mas também atenuar o caos em que a guerra na Ucrânia mergulhou o comércio externo. O responsável lembrou que, com o uso do código de saúde por parte dos residentes, as autoridades não necessitam
confinar todo o território, como início da pandemia, caso ocorra algum surto.
Entre cartões
Também ouvido no mesmo programa, o presidente da Associação de Estudo da Economia Política de Macau, Samuel Tong, defendeu que o pior período da crise económica já passou, embora Macau continue a depender excessivamente do sector do turismo. Desta forma, o território continua a sofrer as consequências sempre que ocorre um surto nas regiões vizinhas. Samuel Tong aponta ainda, como solução para o actual
cenário de crise, a distribuição de mais uma ronda de cartões de consumo para incentivar a economia. Além disso, defende que as autoridades devem criar um mecanismo de subsídios sempre que ocorra um surto pandémico para apoiar os pequenos negócios e a população. Lei Chun Kwok discordou de Samuel Tong quanto à distribuição de mais uma ronda de cartões de consumo, argumentando que a medida não tem força suficiente para incentivar a economia, sugerindo a criação de subsídios para desempregados. Nunu Wu (com A.S.S.)
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24.3.2022 quinta-feira
TECNOLOGIA NGAN IEK HONG PREOCUPADO COM VÍCIO DOS MAIS NOVOS
São só mais 10 minutos O deputado dos Moradores admite que a pandemia tornou impossível viver sem telemóvel, mas quer medidas para combater um eventual aumento do vício entre os mais novos
Inquérito Idosos não vacinados receiam efeitos secundários
Um inquérito sobre a vacinação de idosos divulgado ontem pela Associação Geral das Mulheres de Macau revelou que os 30 por cento da amostra que não está vacinada diz respeito a pessoas com mais de 80 anos que têm medo dos efeitos secundários causados pela inoculação. De acordo com o estudo, que revelou que pelo menos 70 por cento dos idosos foram inoculados com uma dose da vacina, a faixa etária entre os 60 e os 80 anos revelou, por seu turno, ter mais vontade de receber a vacina. Outra das conclusões do estudo aponta para o facto de os idosos a partir dos 76 anos inoculados com a segunda dose, mostraram não ter vontade de receber a dose de reforço. Por isso, a associação sugeriu que o Governo aposte na sensibilização dos idosos para a toma de segundas e terceiras doses. O inquérito teve lugar no início de Março e foram consultados 571 idosos entre 60 e 102 anos.
Turismo Roteiros personalizados vistos como desafio positivo
Os roteiros personalizados do programa de excursões locais tem sido um desafio para o sector do turismo, afirmou a presidente da Associação de Guia Turístico de Macau, Wu Wai Fong. A dirigente elogia a ousadia da aposta, em comparação com os programas pré-definidos, e destacou que este tipo de roteiro permite testar os conhecimentos dos guias turísticos e desafiá-los a melhorarem. Ao contrário da edição anterior, quando eram necessárias 30 pessoas para formar um grupo de excursão, os roteiros personalizados podem ser usufruídos por grupos de quatro pessoas.
Saúde Detectada gripe colectiva em creche
Ngan Iek Hong, deputado “Será que vão fazer investigações regulares sobre o vício dos produtos electrónicos e Internet para adoptarem as políticas necessárias?”
O
deputado Ngan Iek Hong considera que o Governo deve promover acções de formação para crianças e encarregados de educação sobre a utilização da Internet e dispositivos electrónicos. O pedido para que o Executivo adopte uma postura pró-activa sobre o “problema” consta numa interpelação partilhada ontem pelo legislador ligado à União Geral das Associações dos Moradores de Macau. Ngan reconhece que devido às medidas implementadas pelo Governo para controlar a pandemia que “actualmente é impossível sair de casa sem um
telemóvel”, e que a tecnologia se tornou “uma parte indispensável da vida moderna”. No entanto, e apesar de reconhecer que a tecnologia traz grandes “conveniências” para o quotidiano, estudos e trabalho”, alerta para o perigo de vícios originados pela “riqueza de informação online”, “jogos electrónicos” e “recursos audiovisuais”. Ngan Iek Hong indica igualmente que o uso excessivo pode conduzir ao abrandamento do “desenvolvimento mental e físico”, fraca capacidade de autocontrolo, dificuldades de concentração nos estudos, problemas de vista e coluna.
Face a este panorama, o deputado quer saber como o Governo vai educar as crianças e encarregados de educação a lidar com o desafio: “Nos últimos anos, com a popularidade da Internet e dos produtos electrónicos, que se conjugam com o impacto da pandemia do novo coronavírus, as crianças e os jovens podem ficar mais dependentes da tecnologia. Como vai o Governo controlar este impacto?”, perguntou.
Estudar e formar
O deputado dos Moradores quer saber como os departamentos de educação de Macau estudam
este vício. “Será que vão fazer investigações regulares sobre o vício dos produtos electrónicos e Internet de forma regular para perceberem melhor a situação e adoptarem as políticas necessárias?”, questionou. No que diz respeito às escolas, pergunta se há indicações claras para professores e pais sobre o tempo diário máximo de utilização de ecrãs e ainda sobre a necessidade de fazer pausas. Por isso, sugere que o Executivo promova acções de formação para escolas e famílias, para encontrar um equilíbrio entre as novas tecnologias e a utilização saudável. João Santos Filipe
Os Serviços de Saúde (SSM) receberam ontem uma notificação sobre um caso de gripe numa turma da creche “Papa João XXIII” que afectou seis crianças, três meninos e três meninas, todos com um ano de idade. Os primeiros sintomas começaram a manifestar-se no dia 18, tal como febre, tosse ou corrimento nasal. Os SSM apontam que “todas as crianças doentes foram submetidas a diagnóstico e tratamento médico em instituições hospitalares”. “Três foram internadas no hospital para receber tratamento devido à permanência da febre alta e pneumonia brônquica, sendo o seu estado clínico considerado estável”. Neste momento o estado de saúde das outras crianças “é ligeiro, sem casos graves ou complicações”.
Covid-19 CTT levam 70 horas para desinfectar mercadorias
A Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT) adiantou ontem que são necessárias cerca de 70 horas para a desinfecção de mercadorias e cartas devido no âmbito do combate à pandemia. Durante uma visita destinada a jornalistas, foi explicado que a mercadoria é desinfectada logo à chegada às fronteiras, seguindo-se uma segunda desinfecção da embalagem exterior aquando da entrada nas instalações dos CTT. As embalagens ficam depois isoladas durante várias horas. Depois é ainda efectuada uma terceira desinfecção de todos os objectos postais depois da abertura da embalagem exterior, e só depois de concluído todo o procedimento se segue a distribuição postal. A par disso, os CTT dizem seguir as orientações das autoridades de saúde, exigindo testes de ácido nucleico semanais de aos funcionários e o cumprimento de medidas de protecção.
quinta-feira 24.3.2022
Segurança Secretário obrigado a reintegrar agentes O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, viu-se obrigado a reintegrar nos quadros do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e dos Serviços de Alfândega (SA) quatro agentes que tinham sido despedidos. A decisão foi ontem divulgada em despacho publicado no Boletim Oficial (BO), que descreve ainda que os quatro agentes ganharam um recurso apresentado nos tribunais relativo ao processo de despedimento. O caso no CPSP ocorreu em 2020, quando dois guardas de
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Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada segunda-feira um homem de 36 anos natural do Interior da China pela prática do crime de burla. Em causa, está o facto de o suspeito ter levado um residente de Macau a desembolsar 137 mil renminbis, em troca de dois vistos comerciais que a vítima queria vender a amigos. Do montante extorquido, fazem ainda parte cerca de 65 mil renminbis, que o residente concordou investir num alegado resort localizado em Sanya, na ilha de Hainão. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, tudo começou quando o residente de Macau conheceu o suspeito numa relojoaria do território, onde este costumava trabalhar. Numa conversa no interior da loja, a vítima revelou ter dois amigos interessados em vir a Macau, que não conseguiam obter vistos de entrada. O suspeito disse ser proprietário de uma empresa de construção civil sediada em Shenzhen e que, através dela, poderia requisitar duas quotas para pedir vistos comerciais. Em troca, o residente teria de pagar 36.000 renminbis por cada visto. Interessado no negócio, a vítima acedeu e pagou, desde logo, 70 por cento do valor final dos dois vistos (50.400 renminbis). Como se não bastasse, o suspeito sugeriu ainda ao residente que investisse num resort localizado em Sanya, na ilha de Hainão, cuja exploração estaria a cargo de um amigo. Sem hesitar, a vítima voltou a acreditar cegamente no suspeito e desembolsou mais 65.000 renminbis. Volvidos os 15 dias prometidos para que a documentação estivesse pronta, a vítima perguntou ao suspeito pelos vistos comerciais. A resposta foi positiva e acompanhada por uma fotografia que alegadamente seria o comprovativo do que tinha sido dito, pedindo à vítima o pagamento dos 30 por cento que faltavam. No entanto, nem os amigos da vítima viram os seus
sociedade 7
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primeira e um subchefe foram despedidos após serem alvo de um processo disciplinar devido à “ausência ilegítima durante cinco dias seguidos ou 10 interpolados, dentro do mesmo ano civil”. Relativamente aos SA, foi despedido um verificador alfandegário em Abril do ano passado, também em consequência de um processo disciplinar, colocado por, alegadamente, se ter ausentado de forma “ilegítima durante cinco dias seguidos ou 10 interpolados, dentro do mesmo ano civil”.
Iao Hon Demolida construção ilegal em terraço Um grupo de trabalho da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) demoliu uma estrutura ilegal situada no terraço de um prédio no bairro do Iao Hon. Segundo um comunicado, “encontrava-se no terraço uma construção ilegal composta por coberturas e portões metálicos, vedações, paredes de tijolo e janelas de vidro”. Chegou a ser emitida, pela DSSOPT, uma
ordem de embargo para o responsável, além de publicado um edital nos jornais para informação do mesmo. No entanto, o proprietário não demoliu a estrutura ilegal dentro do prazo exigido, o que obrigou à intervenção das autoridades. A DSSOPT alerta para o facto de “as obras ilegais, sobretudo em terraços, poderem afectar as acções da estrutura dos edifícios e provocar problemas de infiltração de águas”.
BURLA RESIDENTE PERDE 137 MIL RMB AO TENTAR COMPRAR VISTOS FALSOS
Vender gato por lebre
Um residente de Macau perdeu 137 mil renminbis após ter sido levado a comprar dois vistos comerciais. Além disso, a vítima foi ainda convencida a investir num resort em Hainão. Noutro caso, uma mulher de 51 anos foi detida por roubar a porta de ferro de uma loja de fogões, que vendeu no ferro-velho por 50 patacas
Sem hesitar, a vítima voltou a acreditar cegamente no suspeito e desembolsou mais 65.000 renminbis
vistos comerciais emitidos, nem o suspeito voltou a estar contactável. Após apresentar queixa às autoridades, a PJ pediu à Interpol para investigar se os respectivos vistos tinham sido emitidos e acabaria por interceptar o suspeito no dia 21 de Março, quando este tentou entrar em Macau pelas Portas do Cerco. Durante o interrogatório, o suspeito confessou a prática do
crime e que gastou a totalidade do montante no casino.
Presa por 50 patacas
Durante a conferência de imprensa de ontem, o Corpo de Polícia de Segurança Público (CPSP) revelou ainda a detenção de uma mulher de 51 anos de nacionalidade estrangeira, pelo furto de uma porta de ferro pertencente a
um estabelecimento dedicado à venda de fogões. De acordo com o porta-voz do CPSP, o roubo aconteceu na manhã de domingo, logo após a abertura da loja e tendo o proprietário deixado a porta de metal do estabelecimento na rua. Desempregada e dedicada a recolher material reciclável, ao ver a porta de metal na rua, a
suspeita empilhou-a no carrinho que transportava. Ao final do dia, ao deparar-se com o desaparecimento da porta, a vítima apresentou queixa às autoridades, apontando que a porta furtada tinha custado 4.000 patacas. Através das câmaras de videovigilância, a suspeita viria a ser detida, admitindo ter roubado a porta para a vender no ferro-velho por 50 patacas. Pedro Arede
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24.3.2022 quinta-feira
CINEMATECA PAIXÃO FESTIVAL DE CURTAS EUROPEIAS EXIBIDO ATÉ 9 DE ABRIL
Contrastes da vel MARIONETAS LAGARTINHA MUITO COMILONA ENTRE 14 E 17 DE ABRIL
A
PÓS o adiamento forçado em 2021 devido à situação pandémica, o teatro de marionetas “A Lagartinha Muito Comilona” vai finalmente ser exibido no Centro Cultural de Macau (CCM) entre os dias 14 e 17 de Abril. De acordo com uma nota do Instituto Cultural (IC), o espectáculo dedicado às crianças e às famílias conta com mais de 70 marionetas, construídas a partir do imaginário do conhecido ilustrador americano Eric Carle. “O livro que lançou Carle vendeu mais de 50 milhões de cópias e foi criado com uma mistura de colagens em papel e desenhos, técnica que também utilizou para produzir êxitos de vendas como ‘Urso Castanho’, ‘Urso Castanho, o que vês aqui?’, ‘10 Patinhos de Borracha’ou ‘Um Pirilampo Muito Solitário’”, pode ler-se em comunicado. A passagem do papel para o palco ficou a cargo do conhecido produtor australiano/americano Jonathan Rockefeller. Os sete espectáculos agendados entre 14 e 17 de Abril no Pequeno Auditório do CCM serão apresentados em língua inglesa e dispõem legendas em chinês. Os bilhetes podem ser adquiridos a partir de hoje nas bilheteiras do CCM e nos balcões da Rede Bilheteira de Macau.
Até 9 de Abril, a Cinemateca Paixão apresenta um festival de curtas metragens europeias. Ao todo, serão exibidas 25 películas agrupadas em sete sessões, onde a escuridão, o amor e a mudança estão em foco. Além disso, até meados de Abril, outras cinco longas-metragens de Taiwan, Canadá, China, Finlândia e França/ Bélgica estarão em cartaz
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M colaboração com a European Film Academy, a Cinemateca Paixão exibe até ao próximo dia 9 de Abril, um total 25 curtas-metragens europeias englobadas num festival de cinema, cujo critério de escolha passou pela selecção de películas galardoadas, produzidas por jovens realizadores do velho continente. “Este festival proporciona aos fãs do cinema de Macau, uma janela artística que permite degustar diferentes culturas do continente europeu e experimentar tendências vanguardistas”, pode ler-se numa nota oficial. Agrupadas em sete sessões, as 25 curtas metragens multiplicam-se por temas que vão do amor, ao medo inerente à mudança, passando pelo racismo, preconceito, autismo, perseverança e distopia. Intitulado “Losing Head and Hands”, o primeiro bloco de curtas inclui o multi-galardoado “The Long Goodbye”, obra do Reino Unido realizada por Aneil Karia, que conta com o desempenho de Riz Ahmed para expor os efeitos nocivos do racismo e do discurso de ódio. O bloco que inclui ainda as obras “Flowers Blooming in our Throats”, “The Natural Death Of A Mouse” e “Push This Button If You Begin to Panic” pode ser visto na Travessa da Paixão nos dias 25 de Março e 3 de Abril.
Do bloco intitulado “All My Loving”, destaque para a curta de animação irlandesa “Fall of the Ibis King”. Nesta obra visualmente cativante, nomeada para o Festival de Cinema de Veneza, uma estranha ópera torna-se num palco, dentro do palco, para discorrer sobre a inquietude sentida pelo antagonista, quando confrontado com o inesperado regresso do actor principal ao espectáculo. A sessão inclui ainda as obras “The Martyr”, “Bella” e “Maalbeek” e será exibida no próximo dia 30 de Março.
“Este festival proporciona aos fãs do cinema de Macau, uma janela artística que permite degustar diferentes culturas do continente europeu e experimentar tendências vanguardistas.” CINEMATECA PAIXÃO
Do Kosovo do pós-guerra chega “Displaced”, uma obra que aborda as agruras e determinação de dois jogadores de ténis de mesa, que se veem obrigados a carregar consigo as mesas onde praticam a modali-
dade, enquanto vagueiam sem destino. “Displaced” pode ser visto juntamente com “Beyond is the Day”, “Hide” e “Dustin”, no próximo dia 1 de Abril. “Marlon Brando” (Holanda) e “Précieux” (França) fazem parte do bloco intitulado “Birds of a Feather”. Enquanto que o primeiro fala de amor adolescente, o segundo faz uso do stop-motion para abordar a temática do autismo
e levar a audiência a acompanhar a vida de Emile, enquanto esta se tenta a adaptar à escola. Ambas as curtas-metragens podem ser vistas juntamente com “Easter Eggs” (Bélgica e França) e “Armadila” (Sérvia) no dia 7 de Abril. Quanto às restantes sessões, “Country Bumpkin” poderá ser vista no dia 8 de Abril, “Who’s to Blame” pode ser vista nos dias 29 de Março e 9 de Abril
e “Off Camera” nos dias 26 de Março e 5 de Abril. Em cada uma destas sessões serão exibidas três curtas-metragens.
Mais por onde escolher
Além do festival de curtas europeias, o cartaz da Cinemateca Paixão para os próximos tempos terá mais cinco obras. Do Canadá chega “Botero”, um documentário que permite testemunhar a história
quinta-feira 24.3.2022
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lha Europa
de vida do famoso artista colombiano, sem descurar as provações com que se deparou, os seus traços de personalidade, as críticas e a sua capacidade de dar a volta ao texto. “Botero” pode ser visto no dia 27 de Março. Outro dos destaques do foro documental incluído nas selecções de Março e Abril da Cinemateca Paixão é “Chen Ue” (Taiwan), que aborda a
vida do famoso artista de banda desenhada com o mesmo nome, e a forma como é capaz de combinar estilos orientais e ocidentais nas suas criações. “Chen Ue” pode ser visto a 31 de Março e nos dias 5 e 10 de Abril na Travessa da Paixão. Por último, destaque para a performance do conhecido actor francês Omar Sy em “The Lost Prince”, num enredo que fala de fantasia e na
forma como um pai passa para “segundo plano”, quando os filhos chegam à adolescência. “The Lost Prince” pode ser visto nos dias 26 e 31 de Março e 6 de Abril. Em exibição na Cinemateca Paixão estão ainda “AAlto” (Finlândia) e “Are You Lonesome Tonight?” (China).
eventos 9
HOJE TERAPIA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Cálculos Biliares Diversas plantas medicinais podem ser úteis na presença de cálculos biliares (pedras na vesícula), sendo de destacar as plantas que favorecem o esvaziamento da bílis da vesícula biliar para o duodeno (acção designada por colagoga). Algumas destas plantas aumentam a secreção de bílis pelo fígado (coleréticas); outras produzem alterações na composição química e propriedades físicas da bílis, tornando-a mais fluida e menos litogénica (com menor tendência para a formação de cálculos); outras exercem ainda uma actividade antiespasmódica sobre a vesícula. As plantas colagogas mais activas devem ser usadas com muita prudência e sob vigilância, pois os cálculos podem ser expulsos da vesícula e provocar uma cólica biliar ou outras complicações. Vamos conhecer Hoje algumas destas plantas: Alcachofra, Cynara scolymus (sin. C. cardunculus), folhas: Inexistente no estado espontâneo, a Alcachofra é uma espécie cultivada nas regiões temperadas de todo o mundo, derivada da espécie Cynara cardunculus (Cardo-do-coalho) por selecção cultural. Apresenta grandes folhas, semelhantes às dos cardos, verde-acinzentadas na página superior, brancas e lanosas na inferior, e flores dispostas em capítulos muito grandes, de cor verde-purpúrea; pode atingir 1,5 metros de altura. Famoso alimento, conhecido pelo seu sabor suave e requintado, e valioso remédio, era já apreciada na Antiguidade, tendo sido recomendada por Dioscórides no século I d.C. Aumenta a secreção de bílis estimulando a desintoxicação, e melhora o funcionamento da vesícula ao favorecer a correcta evacuação da bílis; é igualmente um tónico amargo com efeitos benéficos sobre a digestão. Tomada na forma de suco da planta fresca, tintura, cápsulas e comprimidos, está indicada para o tratamento de afecções hepáticas, disquinesias biliares (vesícula preguiçosa e outras perturbações do seu funcionamento), prevenção de cálculos biliares, cólicas biliares e perturbações digestivas,
(PARTE I) particularmente as resultantes do mau funcionamento da vesícula. Boldo (Boldo-do-Chile), Peumus boldus, folhas: Nativo do Chile e do Peru, o Boldo cresce em estado selvagem nas encostas soalheiras e secas e em pastagens de montanha dos Andes, onde também é cultivado. Árvore ou arbusto sempre-verde, que pode alcançar 6 metros de altura, possui folhas coriáceas, ovais, com um aroma a Limão, e flores campanuladas, de cor branca ou amarela, agrupadas em cachos; os frutos são pequenas bagas amarelas, comestíveis. Constitui um remédio tradicional do povo araucano do Chile, sendo usado como tónico. Estimula a actividade do fígado, aumentando a secreção de bílis, e favorece o esvaziamento da vesícula; além disso, torna a bílis mais fluida, impedindo que se precipite e se formem novos cálculos ou aumentem de tamanho os já existentes; é ainda um digestivo e antiespasmódico. Recomendado para o tratamento de congestão hepática, disquinesias biliares, cólicas biliares, cálculos biliares e perturbações digestivas provocadas por estas afecções, pode ser tomado em tintura ou infusão, durante algumas semanas de cada vez. Tília, Tilia spp., flores e cascas: Árvore que pode atingir 30 metros de altura, a Tília tem casca cinzenta, lisa, folhas em forma de coração e flores aromáticas de cor amarelo-clara, com brácteas em forma de asa, agrupadas em cachos. Originária da Europa, onde cresce em estado selvagem, é muito plantada em jardins e ao longo das bermas das estradas. Com uma utilização medicinal muito antiga, foi várias vezes mencionada por Hipócrates, famoso médico grego do século V a.C. A planta aumenta a secreção de bílis pelo fígado e exerce uma acção antiespasmódica sobre a vesícula, facilitando a expulsão de pequenos cálculos (areias) e contribuindo para uma melhor digestão. Tomada em infusão (flores) ou decocção (cascas), é benéfica para o tratamento de disquinesias biliares, cálculos biliares e perturbações digestivas de origem biliar.
ADVERTÊNCIAS: Este artigo tem como objectivo apenas a divulgação e não deve substituir a consulta de um profissional de saúde, nem promover a auto-prescrição. Além disso, algumas plantas têm contra-indicações, efeitos adversos ou interacções com medicamentos.
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24.3.2022 quinta-feira
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ACIDENTE ENCONTRADA UMA CAIXA–NEGRA DO AVIÃO QUE CAIU EM GUANGXI
Registo de uma tragédia Foi ontem encontrada uma das duas caixas-negras do avião da China Eastern Airlines que se despenhou numa montanha em Guangxi. A caixa-negra está bastante danificada e ontem ainda não havia informações se continha dados de voo ou gravações de voz na cabina
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S esforços para conhecer as razões pelas quais o Boeing 737-800 da China Eastern Airlines se despenhou perto da cidade de Wuzhou, na região autónoma de Guangxi, começaram ontem a dar frutos. Apesar das péssimas condições meteorológicas no terreno, com fortes chuvadas e perigo de derrocada, as equipas que passam
A recuperação daqueles aparelhos é considerada chave para descobrir o que causou o acidente. A busca por pistas foi suspensa ontem, quando a chuva cobriu o campo de destroços. As autoridades usaram veículos aéreos não tripulados ('drones'), ferramentas manuais e cães farejadores nas encostas densamente florestadas, em busca dos gravadores de voz da cabina e dados do voo.
Romaria fúnebre
Familiares de passageiros começaram a chegar ontem à vila nas proximidades da zona de embate, onde foram parados pelas autoridades, que usaram guarda-chuvas abertos para bloquear a visão do local
a pente fino a montanha onde a aeronave de despenhou conseguiram encontrar uma das duas caixas-negra do avião. Segundo as autoridades, a caixa-negra está tão danificada ao ponto de ontem ainda não se conhecer se se tratava da caixa que contém os dados do voo ou gravações de áudio do cockpit. De acordo com a televisão estatal chinesa CCTV, não foram
encontrados, até agora, quaisquer sobreviventes, entre os 123 passageiro e nove tripulantes no desastre aéreo mais mortal da China em décadas. Mao Yanfeng, director da divisão de investigação de acidentes da Autoridade de Aviação Civil da China, disse em conferência de imprensa que estão agora à procura da outra caixa–negra.
TAIWAN SISMO DE MAGNITUDE 6,7 DESTRÓI PONTE EM CONSTRUÇÃO
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M sismo de magnitude 6,7, registado ontem ao largo das costas de Taiwan causou um ferido e destruiu uma ponte em construção no leste da ilha, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). De acordo com o USGS, que estimou inicialmente a magnitude em 6,9, o hipocentro registou-se a uma profundidade de dez quilómetros e a cerca de 70 quilómetros a sul de Hualien, onde foi sentido em grande parte do território. O ferido foi levado para o hospital, indicou a agência de combate a incêndios de Taiwan, na página na rede social Facebook, dando conta do desmoronamento de uma ponte em construção em Hualien. Os serviços meteorológicos da ilha constataram
um primeiro abalo de magnitude 5,4 às 01h06, seguido à 01:41 por um sismo de magnitude 6,6. Dois minutos mais tarde, ocorreu uma réplica de magnitude 6,1. O Governo enviou alertas para os telemóveis dos habitantes da ilha, situada na junção de duas placas tectónicas. Sismos de magnitude 6 ou mais podem implicar um elevado número de vítimas mortais, mas os efeitos dependem da localização e da profundidade a que ocorrem. Em Janeiro, um sismo de magnitude 6,2 foi registado ao largo da ilha, sem causar vítimas ou danos materiais. Em 2018, um sismo de magnitude 6,4 causou 17 mortos e mais de 300 feridos em Hualien.
Familiares de passageiros começaram a chegar ontem à vila nas proximidades da zona de embate, onde, juntamente com os repórteres no local, foram parados pela polícia e autoridades, que usaram guarda-chuvas abertos para bloquear a visão do local. Os investigadores diziam ontem que era ainda muito cedo para especular sobre as causas do acidente. O avião entrou numa queda quase na vertical, uma hora após a partida. Um controlador de tráfego aéreo tentou entrar em contacto com os pilotos várias vezes, depois de ver a altitude do avião cair drasticamente, mas não obteve resposta, disse Zhu Tao, director do Escritório de Segurança da Aviação da Autoridade de Aviação Civil da China.
G20 PEQUIM CONTRA EXCLUSÃO DA RÚSSIA
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China manifestou-se ontem contra a exclusão da Rússia da próxima cimeira do G20, uma sugestão avançada pelos Estados Unidos e os países aliados após a invasão da Ucrânia. “A Rússia é um importante país membro [do G20]. Nenhum membro tem o direito de expulsar outro país”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Wang Wenbin, em conferência de imprensa. Pequim absteve-se de condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os países ocidentais estão a preparar novas sanções contra a Rússia. Hoje vão reunir-se em Bruxelas, no âmbito da NATO, do G7 e da União Europeia, um mês após a Ucrânia ter sido invadida pela Rússia. Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou sobre uma possível exclusão do Presidente Vladimir Putin do G20, cuja próxima cimeira está marcada para a Indonésia no final do ano. “Sobre a questão do G20, digo simplesmente o seguinte: acreditamos que a Rússia não pode agir como se nada tivesse acontecido nas instituições internacionais e na comunidade internacional”, disse Sullivan. “Mas sobre instituições específicas e decisões específicas, gostaríamos de consultar os nossos aliados e parceiros nessas instituições antes de decidir", acrescentou. O G20 ou Grupo dos 20 junta representantes das 19 maiores economias do mundo e da União Europeia.
XANGAI AUTORIDADES PEDEM A MORADORES PARA NÃO ENTRAREM EM PÂNICO
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ANGAI, a “capital” económica da China, pediu ontem calma aos moradores, face ao crescente “pânico” causado pelo aumento de casos de covid-19, que levou à conversão de estádios em centros de quarentena. Vários distritos da cidade já foram confinados, mas muitos moradores temem uma quarentena generalizada e começaram a armazenar alimentos. A China está a atravessar o seu surto de covid-19 mais grave desde o surto inicial na cidade de Wuhan, no primeiro trimestre de 2020. Nas 24 horas que terminaram ontem, a altamente
contagiosa variante Ómicron causou mais de 5.000 novos casos no país. Trata-se de um número pequeno, comparado com outras partes do mundo, mas considerável para a China, que segue oficialmente uma estratégia de tolerância zero à covid-19. Xangai foi responsável por um quinto do total dos novos casos, quase todos assintomáticos. O nervosismo dos habitantes aumentou após o anúncio da conversão de pelo menos dois estádios cobertos em centros de quarentena, suscitando receios de medidas mais restritivas, como a imposição de um con-
finamento geral na cidade, que tem 25 milhões de habitantes. “Esperamos que as pessoas não acreditem ou espalhem rumores, especialmente rumores que podem causar o pânico”, disse o chefe do departamento municipal de saúde, Wu Jinglei, em conferência de imprensa. As autoridades disseram que o abastecimento de bens alimentares está assegurado. Uma plataforma de comércio electrónico disse, no entanto, estar sobrecarregada. “As pessoas que costumavam comprar no supermercado estão agora a comprar ‘online’ e a procura explodiu”, disse uma porta-voz do grupo Dingdong Maicai.
quinta-feira 24.3.2022
Índia Incêndio causa 11 mortos e quatro feridos
Um grande incêndio num armazém de sucata causou ontem pelo menos 11 mortos e quatro feridos na cidade de Hyderabad, no sul da Índia, informaram as autoridades. A polícia disse que 15 trabalhadores estavam a dormir no local quando um incêndio causado por um curto-circuito deflagrou, aprisionando-os no interior. Os trabalhadores eram oriundos do estado de Bihar e tinham vindo para Hyderabad à procura de emprego. Kalvakuntla Chandrashekar Rao, o líder do estado de Telangana, do qual Hyderabad é a capital, expressou condolências e ordenou uma compensação monetária para as famílias. Os incêndios são comuns na Índia, onde as leis de construção e as normas de segurança são frequentemente desrespeitadas por construtores e residentes.
região 11
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DEFESA EUA E FILIPINAS LANÇAM MAIORES EXERCÍCIOS CONJUNTOS DE SEMPRE
A provocar o dragão
As Filipinas e os Estados Unidos vão realizar na próxima semana os maiores exercícios militares conjuntos de sempre no arquipélago, anunciaram ontem as autoridades norte-americanas, numa demonstração de força dos laços dos dois países na defesa totalidade desta zona marítima rica em recursos, onde outros países litorais também têm reivindicações de soberania, como as Filipinas, Malásia, Vietname e Brunei. Pequim ignorou uma decisão de 2016 do Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia, segundo a qual a sua reivindicação histórica é infundada, e construiu ilhas artificiais em alguns dos recifes disputados, instalando armamento. As tensões entre Manila e Pequim aumentaram na semana passada, quando as Filipinas convocaram o embaixador chinês por causa de um navio da marinha chinesa apanhado a “repousar” ilegalmente nas suas águas.
JAPÃO APROVADO ORÇAMENTO RECORDE DE 805.500 ME
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Japão aprovou um orçamento recorde de 107,6 triliões de ienes (805,5 mil milhões de euros) para 2022, para financiar a resposta à covid-19 e o aumento dos custos da segurança social e da defesa. A câmara baixa do parlamento japonês aprovou o montante para o ano fiscal que terá início no Japão a 1 de Abril, após ter sido validado pela câmara alta em Fevereiro. Esta foi a terceira promulgação mais rápida do orçamento japonês no Japão do pós-guerra e o 10.º ano consecutivo em que aumentou. A maior rubrica orçamental destina-se à segurança social, um terço do total, para fazer face ao rápido envelhecimento da população e consequente impacto nos cuidados de saúde e nas pensões. As despesas com a defesa atingiram também um novo máximo histórico de 5,4 triliões de ienes (40,5 mil milhões de euros). O Japão procura financiar o desenvolvimento de novas tecnologias e aumentar os meios militares em resposta à crescente actividade da China no Indo-Pacífico, bem como para contrariar a ameaça dos programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, cujos testes de armamento aumentaram para novos máximos este ano. Em termos de resposta à pandemia de covid-19, o Governo japonês assegurou cinco triliões de ienes (37,5 mil milhões de euros) como fundos de reserva para medidas futuras, o mesmo montante dedicado no ano fiscal de 2021, e que pode gastar sem aprovação prévia da Dieta (parlamento). O potencial estímulo adicional para lidar com o aumento dos preços dos combustíveis e das mercadorias, na sequência da invasão russa da Ucrânia e a forma de o financiar continua a estar no centro das atenções. O Japão é considerado o país com a pior saúde fiscal entre as potências desenvolvidas, com uma dívida superior a 250 por cento do produto interno bruto (PIB).
De olho na Europa
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UASE 9.000 soldados filipinos e norte-americanos vão participar nos exercícios militares de 12 dias na ilha de Lução, a partir de 28 de Março. Segundo indicou a embaixada dos EUA em comunicado, os exercícios vão incluir segurança marítima, treino com fogo real, contraterrorismo, ajuda humanitária e socorro em caso de catástrofe. Soldados de ambos os países “vão treinar juntos para expandir e fazer avançar as suas tácticas, técnicas e procedimentos comuns, que melhoram a
capacidade de resposta e preparação para os desafios do mundo real”, afirmou o major-general Jay Bargeron, comandante da 3.ª Divisão Marinha dos EUA. Os dois países realizam geralmente exercícios conjuntos todos os anos, mas estes
tiveram de ser cancelados ou reduzidos durante a pandemia de covid-19. As manobras recentes entre os dois aliados de longa data centraram-se num potencial conflito no mar do Sul da China. A China reivindica quase toda a
As tensões entre Manila e Pequim aumentaram na semana passada, quando as Filipinas convocaram o embaixador chinês por causa de um navio da marinha chinesa apanhado a “repousar” ilegalmente nas suas águas
As próximas manobras EUA-Filipinas surgem com a invasão russa da Ucrânia como pano de fundo. Os EUA e os seus aliados, que estão a impor sanções económicas paralisantes a Moscovo, fornecem armas defensivas a Kiev. O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, manifestou na segunda-feira preocupação pelo facto de o seu país estar “implicado” no conflito devido à sua aliança de segurança com os EUA, que inclui um tratado de defesa mútua e autorização para que os norte-americanos armazenem provisões militares em várias bases filipinas.
TÓQUIO TRIBUNAL ARQUIVA QUEIXA DE DESERTORES CONTRA PYONGYANG
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M tribunal de Tóquio rejeitou ontem a acção judicial interposta por desertores norte-coreanos contra o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, no âmbito de um antigo programa de repatriação em que dizem terem sido enganados. Este caso - sem precedentes - e que começou em 2018, visava o regime de Pyongyang pela responsa-
bilidade num controverso programa que viu mais de 90 mil pessoas abandonar o Japão para a Coreia do Norte, entre 1954 e 1984. O antigo programa de repatriação visava sobretudo cidadãos norte-coreanos instalados no arquipélago japonês e os respectivos cônjuges atraídos pela "propaganda da Coreia do Norte que prometia o 'paraíso na terra'".
O tribunal de Tóquio rejeitou a queixa considerando ter falta de competência para se pronunciar sobre a "detenção" na Coreia do Norte dos visados pelo programa ou pelos familiares dos queixosos que ainda se encontram em território norte-coreano. Cinco cidadãos que participaram neste programa de repatriação, mas que fugiram da
Coreia do Norte, reivindicavam 762 mil euros, cada um, por danos sofridos. Os cidadãos norte-coreanos acusaram Pyongyang de ter "enganado os queixosos com propaganda enganosa para que fossem recolocados na Coreia do Norte" e de os ter "forçado a viver em condições onde os direitos humanos eram impossíveis". Um total
de 93.340 pessoas participaram do programa de repatriação financiado por Pyongyang e realizado por associações da Cruz Vermelha no Japão e na Coreia do Norte. O governo japonês também chegou a apoiar o plano que foi denunciado como uma forma de Tóquio reduzir o número de norte-coreanos estabelecidos no Japão.
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XUNZI
O Rei Xiaocheng e o Lorde Linwu exclamaram: “Bem-dito! Podemos então perguntar qual a via adequada para se ser general?” Xunzi disse: “Em termos de sabedoria, nada supera o abandono de todas as coisas dúbias. Em termos de conduta, nada supera ser livre de defeitos. Em termos de operações, nada supera não ter motivo para arrependimento. Basta que a operação não dê motivo para arrependimento, pois o sucesso nunca é garantido. Por sua vez, deve desejar-se que as instruções e ordens sejam severas, de modo a que inspirarem temor; e desejar que as recompensas e os castigos sejam certos, de modo que sejam fiáveis. É desejável que os acampamentos e provisões sejam bem planeados, de modo a que sejam seguros. É desejável que as acções e movimentos sejam executados com estabilidade, de modo a serem ponderosos; e é desejável que sejam lestos, de modo a serem expeditos. Ao examinar o inimigo e observar alterações nos seus movimentos, é desejável ver além da
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ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO
Um Debate Sobre Questões Militares superfície de modo a obter um conhecimento mais profundo; e é desejável comparar relatórios, de modo a verificá-los. Ao enfrentar o inimigo e decidir a batalha, deve seguir-se aquilo que já se sabe claramente e não aquilo que se considera dúbio. Estas são as seis técnicas. Não desejes tanto ser general que te seja insuportável ser despromovido. Não te apresses tanto a buscar a vitória que te esqueças das possibilidades de derrota. Não consideres os que estão do teu lado tão temíveis que possas vir a subestimar os que não estão. Não fixes tanto o olhar em potenciais ganhos que deixes de ver os potenciais danos. Deseja que todas as deliberações relativas a operações sejam exaustivas, e deseja que a alocação de recursos seja ampla. Estas são as cinco considerações. Existem três casos em que o general não aceitará as ordens do seu senhor1: quando o general estiver disposto a ser executado, mas
PARTE VII
não puder ser obrigado a ocupar uma posição frágil; quando o general estiver disposto a ser executado, mas não puder ser obrigado a atacar um inimigo inconquistável; e quando o general estiver disposto a ser executado, mas não puder ser obrigado a maltratar o povo comum. Estes são os três pontos de recusa. Cada vez que aceita uma ordem do seu senhor e põe em marcha os três exércitos, então, quando estes estiverem preparados, os cem oficiais tiverem recebido os seus postos apropriados e as provisões estiverem nos seus lugares correctos, então, o seu senhor não o pode tentar com prazeres, nem o inimigo provocá-lo com ira. A esse se chama o ministro insuperável.
1-A questão de estabelecer quando um general pode recusar ordens era um tema aparentemente popular nos antigos escritos militares chineses. Cf. Sunzi Bingfa (A Arte da Guerra), capítulo 8.
Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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APRESENTAÇÃO E TRADUÇÃO DE ASTIER BASÍLIO in revistapiparote.com.br Boris Borisovich Rýji nasceu em 1974, na então Sverdlovsk, como era chamada, na época da União Soviética, de Ecaterimburgo, cidade de operários do ramo metalúrgico. Filho de um geólogo e professor universitário, Rýji passou a infância no bairro de Vtorchemet, na periferia. Foi o poeta que melhor descreveu os escombros da queda do império soviético e cantou a tristeza e a desilusão de sua geração pela perda do prometido futuro glorioso. Começou a escrever poesia aos 14 anos, mesma idade em que se consagrou campeão local de boxe, mas abandonou a atividade esportiva por não concordar com o rigor da preparação sugerido por seu treinador, com vistas a uma participação futura em outra competição. Profissionalmente, seguiu a profissão do pai. Para não ser convocado para o exército, seguiu nos estudos, vindo a concluir doutorado em geologia, em 2000. No ano em que aconteceu o colapso da União Soviética, em 1991, Boris Rýji casou-se com Irina Knyazeva, colega de turma na época da escola. Em 1993, nasceu Artyem, único filho do casal. Em 1992, os poemas de Boris Rýji começaram a ser publicados na região dos Urais, onde morava. O poeta chegou, inclusive, a assinar uma coluna sobre poesia contemporânea. A consagração veio em 2000, quando Boris Rýji foi vencedor de um prêmio nacional, o Antibooker. Havia sido publicado em Moscou. O sucesso começava a bater na sua porta. Mas o poeta, que vinha enfrentando problemas de alcoolismo, suicidou-se. Tinha apenas 26 anos. Tombou como os “primeiros soldados da Perestroika”, conforme ele próprio descreveu em um dos seus mais conhecidos poemas. Com o fim do regime, a Rússia engolfouse numa avassaladora onda de violência e criminalidade. Sem perspectiva, a maioria dos amigos de infância de Boris entrou para o mundo do crime e morreu. Em outro famoso poema, Boris Rýji fala da “culpa por estar vivo”. No calor do momento, ao escrever sobre a morte do poeta, o crítico literário Aleksei Mashevski cunhou uma expressão que acompanha o Boris Rýji até hoje: a de último poeta soviético. Em 2008, foi lançado Boris Ryzhy (grafia em inglês), com direção de Aliona van der Horst. A película ganhou os prêmios de melhor documentário nos festivais internacionais de Edimburgo, na Alemanha, e em Montreal, no Canadá. No filme, vemos a tensa relação do filho adolescente Artyem com o legado do pai. Todavia, ao chegar à idade adulta, Artyem reconciliouse com a memória do pai. Infelizmente, o jovem também teve um destino trágico. Morreu de parada cardíaca, em 2020, em Israel, onde trabalhava como vendedor em um mercadinho. Ano passado, dois dos principais canais de televisão aberta da Rússia prepararam programas dedicados ao jubileu de 20 anos de morte do poeta. Rýji vem conquistando o público jovem. Poemas seus têm sido musicados por bandas de punk, declamados por rappers. E já está sendo rodado um filme de ficção sobre sua vida. A direção será de Semyon Serzin, encenador responsável por levar aos palcos “Como tão bem a gente viveu mal”, montagem baseada em poemas de Rýji, que cumpriu temporada em um dos mais importantes teatros de Moscou, o Gogol Center. Aliona van der Horst mantém ainda um site em homenagem a Rýji (www.borisryzhy.com), em que estão traduções de poemas em inglês, francês, italiano, holandês. Em 2018, foi publicado na Itália “E così via…”, traduzido por Laura Salmon. Ano passado, saiu na França: “La neige couvrira tout”, com tradução de Jean-Baptiste Para. As primeiras traduções em português de sua poesia são de nossa autoria.
Boris Rýji O ÚLTIMO POETA DO IMPÉRIO SOVIÉTICO • NO PRÉDIO VIVIAM EX-PRESOS… No prédio viviam ex-presos, uma fábrica os aceitava… Eu, bitucas poeirentas, com meus amigos catava. Tão carinhosa a amizade, com toda força a valer me batiam com vontade era eu bom em bater
“Obrigadu”. E sai, para trás não olhei. Dezessete anos passaram, e eu voltei – Nem luz e nem ar. Muito embora a pracinha há. Agora, cadê todo mundo? Eu, tendo a fábrica de carne no fundo, Ajusto o casaco, levantando a gola.
Nós ficávamos sentados à entrada do quinto andar. Sempre juntos, lado a lado, mas nos separamos já.
Nos anos oitenta, cheguei à conclusão Vocês viveram bem, houve palavrão Vinho e Iessiênin estimados foram. Tornaram-se em sombras, os que faleceram. Mas em minha alma vivem ainda Iessiênin, URSS, dominó e os escombros. 1997
Lá jogamos carteado, lá bebemos vinho e por nós eram desprezados carteira e filme infantil. Nós devíamos estar com doze anos, mais ou menos. não nos separar juramos, apuro algum não tememos. … mas apuros têm seus lados, bem poucos nós contornamos. E um vizinho assassinado, vão na escada carregando Olhava no rosto deles, havia medo em seus rostos … O assassino não sou eu, meu doce amigo, por pouco.
Fábrica de carne, a pracinha atrás, Lembro e não preciso lembrar disso mais. Daqui um mês escola, mas agora tudo É luz e é ar. O vento. O verão. “Compre um sorveti para você”. Na mão Está a moeda e no olhar, as nuvens.
1996
• ÀS NOITES POR LÁ, IESSIÊNIN SE LIA… Às noites por lá, Iessiênin se lia Dominó jogavam, de um Porto se enchiam. Da delegacia um polícia desce Retirando o quepe, sentou-se de lado E por não ser um verme bebeu um bocado. O ano é oitenta. URSS.
• FABULOSOS ANOS E NELES A GENTE… Fabulosos anos e neles a gente O ar por cerveja substituía E ela, como ar, desaparecia, Mas acontecia de ocorrer às vezes Por trás do mercado, quando anoitecia, Conversa tranquila, em pé, no local. E como tão bem a gente viveu mal, Com cigarro aceso em meio à ventania. E, sem ser privada de embelezamento, Muito embora tenha rude tessitura, A vida fez grades de uma forma burra, com filas de caixas que há em nós, por dentro. E tão somente o céu é quem, pode ser, Mirou de uma forma doce e atentamente Quem lidou de um jeito um tanto displicente Com a maravilha do verbo VIVER. 1997
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S U D O K U UM DOCUMENTÁRIO HOJE 4 8 3 6 1 7 8 1 3 4 7 5 0 9
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Pierre Cardin, o icónico estilista falecido em Dezembro do ano passado, revela-se neste documentário como nunca o fez e fala da sua enorme carreira. Pierre Cardin foi pioneiro na passagem da alta costura para o pronto-a-vestir, sempre com o seu design muito próprio, tendo apostado também em outras áreas, como o mobiliário ou decoração. Apaixonado pelo trabalho, que manteve quase até ao fim da vida, o estilista fala também de amigos, amores e amantes, e de um período fascinante do mundo da moda. Andreia Sofia Silva
PROBLEMA 56
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CINETEATRO
C I N E M A
SALA 1
SALA 3
Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Holland, Mark Wahlberg, 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Um filme de: Matt Reeves Com: Robert Pattinson, Andy Serkis, Jeffrey Wright, Zoe Kravitz 14.30, 20.45
UNCHARTED [B]
SALA 2
SCREAM [C]
Um filme de: Matt Bettinelli-Olpin, Tyler Gillett Com:Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Jack Quaid 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
THE BATMAN [C]
FREE! - THE FINAL STROKE - THE FIRST VOLUME [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Eisaku Kawanami 19.00
0 1 3 6 2 7 2 9 7 4 8 1 3 8 4 2 5 9 4 5 9 8 6 0 UNCHARTED 6 7 0 5 1 3 7 6 5 9 3 8 1Propriedade 2 6 Fábrica 0 4de Notícias, 5 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 9Julie3Oyang; 1 Paulo 7 Maia 0 e6Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; 8Paul0Chan2Wai3Chi; Paula 9 4Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 5Morada 4 Pátio 8 da 1 Sé,7n.º22,2Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo
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A CASA DE PIERRE CARDIN DAVID EBERSOLE E TODD HUGHES
quinta-feira 24.3.2022
opinião 15
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in esquerda.net
António Lima
SAUDOSISMO BOLORENTO O MAIS ANTIGO deputado regional do PSD Açores acusa o Bloco de não ter aprovado a ajuda financeira à Ucrânia no parlamento europeu. O que não diz é que essa “ajuda” iniciou-se em 2014 e votava-se novo prolongamento, condicionado ao cumprimento de um programa do FMI, com duras medidas de austeridade. O PSD, pela pena do seu mais antigo deputado regional, Joaquim Machado - que já governava nos tempos das últimas decadentes maiorias absolutas de Mota Amaral - disserta esta semana neste jornal sobre a esquerda, a quem acusa de ter “saudades” de regimes ditatoriais. Esse conjunto de linhas bordadas a ódio e desprezo vêm a propósito do que, diz o autor, ser a posição do Bloco de Esquerda acerca da invasão da Ucrânia pela Rússia. O articulista, com o objectivo de atacar o Bloco, dedica mais de metade do texto ao PCP, o que é sintomático da manifesta dificuldade em encontrar no Bloco amores ou saudades de regime pouco ou nada democráticos. O mesmo não se pode dizer do PSD, pois todos nos recordamos dos “bons” negócios que o último governo do PSD/CDS desenvolveu com Maduro e ainda está fresco na memória o acordo do PSD com o Chega, que teve a inovação de incluir uma cláusula de respeito pelos direitos humanos, não vá o diabo tecê-las. É o típico “tiro ao lado” de quem não tem argumentos: discorre, embrulha, e conclui, neste caso, que tudo o que está à esquerda do PS é anti-democrático. Mas vamos aos poucos argumentos do articulista no que respeita ao Bloco, pois parece que o debate promovido pelo PPM na semana passada sobre as “consequências políticas, sociais e económicas, nos Açores, da invasão russa da Ucrânia: medidas e respostas” não foi suficiente. Nesse debate, em que se esperavam propostas da parte do proponente, o que afinal tivemos foi um pretexto para atacar o Bloco, na tentativa de classificar como anti-democráticos todos os que não estão com a NATO. Como se as bombas da NATO na Sérvia ou na Líbia tivessem espalhado a democracia e não a destruição, como fazem todas as bombas, independentemente da proveniência. Joaquim Machado acusa o Bloco de não ter aprovado a ajuda financeira à Ucrânia no parlamento europeu. O que não se diz é que o Bloco se absteve e que essa “ajuda” iniciou-se em 2014 e votava-se novo prolongamento. Prolongamento esse condicionado ao cumprimento de um programa do FMI, com duras medidas de austeridade. E essa votação ocorreu antes da invasão. Bem sei que o PSD e Joaquim Machado são adeptos de programas do FMI, como se demonstrou com a convicção com que impuseram aos portugueses um violento programa de austeridade que espalhou desemprego, sofrimento e pobreza pelo país. Pelo contrário, o Bloco não deseja aos
“Não há, nem nunca houve qualquer tentativa de desculpabilização da invasão de Putin, ainda para mais numa altura em que esta ainda não tinha começado. A condenação do Bloco à agressão de Putin sempre foi clara e frontal.”
ucranianos o que rejeita que seja aplicado ao povo português. Omite, no entanto, o articulista, o voto favorável do Bloco na resolução de condenação da invasão pela Rússia e de apoio à Ucrânia, apoio esse não condicionado a um programa de austeridade, aprovado no Parlamento Europeu a 1 de março. Joaquim Machado diz ainda que o apoio do Bloco ao povo ucraniano e a condenação sem reservas da invasão da Ucrânia pela
Rússia que subscrevemos em conjunto com o PSD e outros partidos não passa de “hipocrisia política”. Parece ser necessário expor o ridículo do argumento: se o Bloco não condenasse a invasão nos termos em que o fizemos, certamente seria classificado de “putinista” pela pena do articulista. Como a condenação por parte do Bloco é clara e inequívoca, então não passa de “hipocrisia política”. Se Joaquim Machado pensa assim, então porque subscreveu o mesmo texto? Finalmente, e mais importante, Joaquim Machado cita palavras de dirigentes do Bloco (proferidas antes da invasão, embora isso não seja relevante para o caso) que procuravam contextualizar a crise que se agudizava à data e as diferentes posições dos intervenientes - no caso frases de Mariana Mortágua - para acusar o Bloco de desculpabilização da invasão. Para além da visão maniqueísta e quase infantil de que, em qualquer conflito, só há “bons e maus”, não há, nem nunca houve qualquer tentativa de desculpabilização da invasão de Putin, ainda para mais numa altura em que esta ainda não tinha começado. A condenação do Bloco à agressão de Putin sempre foi clara e frontal. Mas a argumentação de Joaquim Machado coloca a nu a ideia perigosa e pouco democrática de que não é aceitável sequer a análise e o debate público sobre os motivos, argumentos e perspectivas dos atos dos outros, principalmente daqueles com quem discordamos. Esta ideia perigosa deixa transparecer as indisfarçáveis saudades de Joaquim Machado por um tipo de regime muito pouco livre e democrático. O que diz muito do PSD e dos seus deputados.
“Não existe o esquecimento total. As pegadas impressas na alma são indestrutíveis.” PALAVRA DO DIA
COVID-19 NÚMERO DE MORTES SEMELHANTE A MARÇO DE 2020
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número de mortes atribuídas à covid-19 diminuiu 23 por cento na semana passada, com 32.959 óbitos declarados, o número mais baixo desde Março de 2020, afirmou ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS). No continente americano morreram 8.800 pessoas que testaram positivo para o SARS-CoV-2, menos 42 por cento do que na semana anterior, na Europa, África e sul da Ásia a descida rondou os 20 por cento, com 14.000 mortes entre as três regiões, no Médio Oriente morreram mil pessoas (menos 38 por cento) e só na Ásia oriental houve uma subida de 5 por cento, com quase 7.000 mortes. Os países onde morreram mais pessoas com covid-19 entre 14 e 20 de Março foram a Rússia e os Estados Unidos, com cerca de 3.600 mortes, seguidos do Brasil (2.200), Coreia do Sul (2.000) e China (1.900). Quanto ao número de infecções por SARS-CoV-2 diagnosticadas, subiu pela segunda semana consecutiva, mas a OMS admite que o número real de contágios possa ser muito maior, já que muitos países deixaram de fazer tantos testes por causa da quantidade de casos ligeiros e assintomáticos. O aumento do número de casos confirmados estará ligado à disseminação da variante Ómicron na Ásia Oriental e na região do Pacífico, com um aumento de 21 por cento e mais de seis milhões novas infecções, enquanto na Europa se verificaram 5,2 milhões de casos, praticamente o mesmo número da semana anterior. Desde o início da pandemia houve pelo menos 470 milhões de casos de infecção e morreram mais de seis milhões de pessoas com o SARS-CoV-2.
Thomas de Quincey
Um mar de gente Número de refugiados provenientes da Ucrânia ultrapassa os 3,6 milhões – ONU
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AIS de 3,6 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde a invasão russa, anunciou ontem a ONU, acrescentando que, entre os que saíram do país e os deslocados internos, o número ascende a 10 milhões de pessoas. Segundo a contabilização das Nações Unidas, o número de pessoas que fugiu das suas casas para outras regiões do país atinge quase 6,5 milhões. No total, cerca de um quarto da população foi forçada a deixar a sua casa devido à guerra. Deste total, cerca de 90 por cento são mulheres e crianças, sendo que a Unicef precisou haver mais de 1,5 milhão de crianças entre os que fugiram. Na terça-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) dava conta da existência de 3,53 milhões de refugiados ucranianos e referia que cerca de 60 por cento (2,1 milhões) estavam na vizinha Polónia. Porém, a agência da ONU listava ontem exactamente 3.626.546 refugiados ucranianos na sua página oficial às 12h TMG (hora de Lisboa), ou seja, mais 69.301 pessoas do que a contabilização anterior.
Destinos preferenciais
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) defendeu ontem que “as necessidades dos
deslocados internos e dos afectados pelas hostilidades na própria Ucrânia devem ser a principal prioridade”, lembrando que “vários outros milhões de pessoas vão ver as suas vidas viradas de cabeça para baixo se a guerra continuar”. Cerca de seis em cada 10 refugiados ucranianos foram para a Polónia, tendo os guardas de fronteira polacos indicado que o número de chegadas é de 2.175.000 pessoas. “Dois terços desses refugiados querem ficar na Polónia”, disse a representante da Organização Mundial da Saúde na Ucrânia, Paloma Cuchi, numa conferência de imprensa realizada em
Genebra. Antes da crise, a Polónia já albergava cerca de 1,5 milhões de ucranianos que iam, na sua maioria, trabalhar naquele país membro da União Europeia. Segundo a agência de refugiados da ONU, 555.021 pessoas foram para a Roménia e 371.104 para Moldova, enquanto a Hungria recebeu 324.397 ucranianos. A Eslováquia recebeu, de acordo com o ACNUR, 256.838 ucranianos, a Rússia tornou-se refúgio de quase 271.254 pessoas e a Bielorrússia recebeu 4.938 refugiados.
ARMAS QUÍMICAS BIDEN DIZ QUE USO É “AMEAÇA REAL”
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Presidente dos EUA, Joe Biden, disse ontem que existe uma “ameaça real” de a Rússia usar armas químicas na Ucrânia, numa declaração feita antes de descolar com destino a Bruxelas, onde participará em reuniões com aliados. “Acho que há uma ameaça real”, disse Biden, referindo-se ao cenário de Moscovo ordenar o uso de armas químicas na guerra na Ucrânia.
Nos últimos dias, a Casa Branca insistiu no risco de Moscovo vir a usar armas químicas como parte de uma “operação de bandeira falsa”, referindo-se a uma táctica de guerra na qual uma parte em conflito comete um acto e faz parecer que foi a outra parte que o realizou. Biden estava de partida de Washington para Bruxelas, onde participará de reuniões de emergência da NATO, do G7 e do Conselho
Europeu. Em Bruxelas, os Estados Unidos e os aliados europeus anunciarão hoje novas sanções contra a Rússia, de acordo com o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan. De seguida, o Presidente norte-americano viajará amanhã e no sábado para a Polónia, país que recebeu o maior número de refugiados ucranianos em fuga dos bombardeamentos russos.
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PORTUGAL VESTUÁRIO DE AMÁLIA EM MOSTRA INÉDITA
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Estes números representam, segundo a ONU, a maior e mais rápida crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial. Antes deste conflito, a Ucrânia era povoada por mais de 37 milhões de pessoas nos territórios controlados por Kiev, que não incluem a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, nem as áreas do Leste sob controlo dos separatistas pró-russos.
quinta-feira
S museus do Calçado e da Chapelaria, em São João da Madeira, têm patente até Agosto uma mostra inédita sobre o vestuário da fadista Amália Rodrigues (1920-1999), incluindo vestidos, joias e pares da sua colecção de 219 sapatos. Resultando de uma parceria com a Fundação Amália Rodrigues e com curadoria de Joana Galhano, Sara Paiva e Tânia Reis, a exposição reúne cerca de uma centena de peças da colecção privada da artista que, consciente da sua feminilidade, a explorou com um particular sentido de moda e “inventou a figura da fadista vestida de negro, posicionada à frente dos guitarristas e actuando com as mãos juntas, em oração”. A mostra “Amália Mulher” combina assim peças de vestuário e acessórios de moda com fotografias, notas biográficas, citações, poemas e letras de canções, dando a conhecer o que Joana Galhano considera os contrastes da cantora. Das cerca de 100 peças dispostas pelos dois museus, destacam-se alguns dos 17 pares de sapatos que Amália adquiriu especificamente para aumentar a sua figura em palco, já que a artista media apenas 1,58 de altura e procurava disfarçar esse aspecto. “Criados especialmente para ela pela marca Mabel, esses sapatos teriam entre 15 e 17 cm de altura, pelo que quem a via em palco tinha sempre a ideia, graças ao seu ‘calçado-plataforma’, de que era uma mulher alta”, explica Joana Galhano. Nos eventos formais, a cantora usava marcas de alta-costura como Prada, Versace, Salvatore Ferragamo e Yves Saint Laurent; em contexto mais informal, adoptava o estilo de mulher independente, com o qual se distinguiu sobretudo nos anos de 1950.