Director carlos morais josé
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opinião Refugiado me confesso rui flores
O sexo dos chineses tânia dos santos
Lag
medalhas
Vozes contra não chegam ao céu
administração e justiça
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crise desaconselha reforma política
Jean Eustache
A gestão de Sónia
boi luxo
h
ccac | suicídio
A Secretária entende que não é o momento para reformas políticas por causa da situação económica, vulgo crise. Os deputados criticaram a falta de ideias concretas e de calendarização.
Viúva desconfia do relatório Página 5
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tráfico humano
O mistério dos casos sumidos
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hong kong
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Eleições Conselhos Distritais Grupos pró-Pequim mantêm larga maioria. Geração Occupy desaponta
As aventuras eleitorais de uma lesma Pouco mudou no panorama político de Hong Kong. As forças pró-Pequim conseguiram 70% dos lugares. Os representantes do Occupy Central ficaram-se por oito lugares
F
oram as primeiras eleições distritais pós-Umbrella Movement/Occupy no território vizinho e os resultados quase que não surpreendiam: os candidatos pró-Pequim, tradicionalmente os grandes vitoriosos das eleições da RAEHK, mantêm-se a maior força nos Conselhos Distritais com mais de metade do total dos lugares conseguidos. Mas uma reviravolta apelidada de “surpreendente” pela imprensa vizinha mostra pequenas mudanças – os “Umbrella Soldiers” conseguiram oito lugares e dois democratas veteranos saíram do posto que ocupavam há dezenas de anos.
50
foi o número de candidatos que participaram no Umbrella Movement. Oito deles conseguiram lugares e são conhecidos agora como “Umbrella Soldiers”
Candidatos da Liga Social Democrata e do Poder do Povo, dois dos grupos liberais estabelecidos mais radicais, reduziram a sua presença em nove lugares.
Recorde de participação
Teste ao Occupy
As eleições para os Conselhos Distritais têm origem na governação britânica e têm como missão melhorar a vida dos residentes, incluindo transportes, infra-estruturas e ambiente. São eles o elo entre os moradores e o governo da RAEHK, funcionando sob a supervisão dos Assuntos Internos de Hong Kong.
47%
de três milhões de eleitores registados votaram. Um recorde
No domingo, a população saiu à rua para votar numas eleições que, tradicionalmente, têm influência nas eleições para o LegCo. Estas, em especial, eram vistas como um teste à opinião pública, depois de ter acontecido o movimento pró-democracia em Hong Kong e de ter sido chumbada a reforma política. Os resultados mostram uma variação inferior a 5% relativamente ao escrutínio de 2011, no qual os partidos da ala pró-Pequim conquistaram três quartos dos assentos em disputa. Desta vez, conseguiram quase 70% dos 431 lugares nos 18 distritos em jogo nas eleições - a Aliança Democrática para a Melhoria e Progresso de Hong Kong (DAB, na sigla inglesa), o maior partido político da antiga colónia britânica, manteve o seu estatuto da força com maior peso, ao garantir 119 assentos após as eleições de domingo. Os grupos do campo pan-democrático – como se autoproclamam as forças opositores ao regime comunista chinês – obtiveram cerca de 30% dos assentos restantes,
independência política de Hong Kong relativamente a Pequim. Estas novas forças, que se apresentaram na corrida com um total de 50 candidatos, granjearam oito assentos, segundo dados preliminares.
contra os 25% que ostentavam há quatro anos. O Partido Democrata continua como a maior representação entre as forças liberais, com 43
lugares frente aos 47 conquistados nas eleições de 2011. Dos cinco assentos perdidos, três foram parar às forças emergentes
resultados eleitorais • Pró-Pequim DAB: 170 candidatos, 118 lugares New People’s Party: 42 candidatos, 26 lugares Federation of Trade Unions: 49 candidatos, 28 lugares Liberal Party: 20 candidatos, 9 lugares The Business and Professionals Alliance for HK: 14 candidatos, 9 lugares • Pan-democratas Democratic Party: 95 candidatos, 43 lugares Civic Party: 25 candidatos, 10 lugares Association for Democracy and People’s Livelihood: 26 candidatos, 18 lugares Neo Democrats: 16 candidates, 15 lugares Labour Party: 12 candidatos, 3 lugares People Power: 10 candidatos, 1 lugar The Neighbourhood and Worker’s Service Centre: 6 candidatos, 5 lugares League of Social Democrats: 5 candidatos, sem lugares
derivadas dos protestos democráticos, compostas maioritariamente por jovens que defendem posturas mais radicais a favor de uma maior
Quem perdeu o lugar? Albert Ho Pan-democrata, perde o lugar passados 16 anos Frederick Fung Pan-democrata, perde o lugar do distrito de Sham Shui Po, que representava Chung Shu-kun Do Democratic Alliance for the Betterment of Hong Kong, perde o lugar após 21 anos
As eleições de domingo registaram um recorde em termos de participação, com perto de um milhão e meio de votos, mais de 47%, contra 44% nas eleições municipais de 2003 que, tal como este ano, foram precedidas de meses de protestos nas ruas a favor de uma maior autonomia para a RAEHK. Além disso, a lista de candidatos aos distritos superou o recorde de participação, já que no total 867 candidatos disputaram 363 dos 431 assentos em jogo, dado que os 68 restantes foram automaticamente eleitos, por terem sido os únicos a apresentar-se no seu círculo, acabando por não se sujeitar a qualquer votação.
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queixas foram recebidas pelas autoridades responsáveis pelas eleições de domingo, sobretudo referentes ao transporte de idosos para incentivar ao voto
Pela primeira vez na história destas eleições deixou de haver conselheiros distritais nomeados e todos os candidatos passam a ser eleitos pelo voto de eleitores recenseados com mais de 18 anos. À luz dos resultados eleitorais divulgados esta madrugada, os candidatos dos grupos democratas já estabelecidos em Hong Kong foram os que mais foram penalizados, em favor das novas forças políticas liberais mais radicais surgidas da “Revolução dos Guarda-Chuvas”. O advogado Albert Ho foi um dos históricos democratas que perdeu o seu posto como conselheiro distrital, ao fim de 16 anos. J.F./LUSA
política
A Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, prometeu extinguir seis serviços públicos e garantiu que ninguém vai ser despedido no âmbito da reestruturação. Quanto aos órgãos municipais, só deverão ser criados em 2017
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gcs
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o primeiro dia do debate das Linhas de Acção Governativa (LAG) na área da Administração e Justiça, poucas medidas foram anunciadas por Sónia Chan ao nível da tão falada reforma administrativa ou jurídica. Perante as várias questões dos deputados sobre a matéria, a Secretária garantiu que seis serviços públicos vão ser extintos nos próximos anos. “Na primeira fase (de reforma administrativa), que incluem 15 serviços, vamos extinguir seis serviços públicos. O trabalho de reestruturação do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) vai ser realizado já em Janeiro de 2016”, disse a Secretária, que recusou ainda a proposta apresentada pelo deputado Si Ka Lon, quanto à fusão dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES). “Em relação à reestruturação do IACM, abrange oito regulamentos administrativos, enquanto que na fusão da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) e Serviços de Reforma Jurídica e de Direito Internacional (DSRJDI) estão em causa seis diplomas. No próximo ano temos planos para continuar com a reestruturação do IACM, e alguns serviços das obras públicas vão passar para outros serviços”, adiantou a Secretária. Sónia Chan garantiu que neste processo nenhum trabalhador vai ser despedido. “Se houver
Governo vai extinguir seis serviços públicos
A reforma mistério uma fusão de serviços e houver trabalhadores a mais, podem ser transferidos para outros serviços e achamos que não temos que despedir funcionários públicos. Podemos fazer uma mobilidade horizontal”, frisou.
Municipais só em 2017
Sónia Chan apresentou datas para o arranque de muitas consultas
Conselhos Consultivos um homem, sete cargos Sónia Chan garantiu ainda que os 46 conselhos consultivos vão ser todos reestruturados, sendo que cada membro não pode ultrapassar seis anos num cargo, nem acumular mais do que três cargos. Kou Peng Kuan, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), disse que há um membro que acumula sete cargos neste tipo de órgãos. “Temos 572 membros. Destes, 459 desempenham funções em apenas um organismo. Os que acumulam dois cargos são 81. Já vinte e duas pessoas acumulam três cargos, seis desempenham quatro cargos, há uma pessoa que desempenha cinco, duas pessoas que têm seis cargos, e ainda uma pessoa que tem funções em sete organismos consultivos”, adiantou.
públicas sobre alterações a muitos diplomas, mas poucas medidas concretas apresentou. Quanto à criação de órgãos municipais, me-
“Se houver uma fusão de serviços e houver trabalhadores a mais, podem ser transferidos para outros serviços e achamos que não temos que despedir funcionários” Sónia Chan Secretária para a Administração e Justiça
dida já anunciada nas LAG do ano passado, só deverá ser realidade daqui a dois anos. “Os trabalhos para a criação de órgãos municipais vão ser desenvolvidos em simultâneo (com a reforma administrativa). Não temos ainda uma solução definitiva, e só em finais de 2016 é que teremos uma solução preliminar. Só em 2017 é que poderemos criar esses órgãos”, adiantou ontem no hemiciclo. No debate foram vários os deputados que lembraram a Secretária de que há muito que ouvem promessas de mudanças nas actuais estruturas da Função Pública, sem resultados. “A reforma administrativa tem sido lançada há muitos anos sem sucessos evidentes. A sua execução depende dos serviços públicos, por isso há uma desadequação das normas”, referiu Chan Hong.
Nova lei dos táxis só para o ano A Secretária para a Administração e Justiça garantiu que o processo de revisão do regulamento dos táxis só ficará concluído para o próximo ano. “Faltam três propostas de lei para ser apresentadas, e quanto ao regulamento dos táxis, ainda não é possível apresentar à AL, uma vez que a vertente do investimento e a natureza das licenças ainda estão a ser estudados pelos serviços. Os restantes dois diplomas vamos apresentar à AL este ano.”
Já Ella Lei considerou “flagrante” a “desactualização de leis”. “Há muitos problemas que o Governo tem de enfrentar no domínio jurídico. O Governo definiu muito trabalho, mas o que consta no plano legislativo do passado ainda não está concretizado e isso preocupa a população. As exigências são cada vez maiores, em relação aos trabalhos administrativos”, rematou. Andreia Sofia Silva
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Terceira entidade a avaliar funcionários
A avaliação do funcionamento dos serviços públicos por uma terceira entidade independente deverá estar definido em finais deste ano. “O estudo está praticamente concluído e em finais deste ano todo o mecanismo venha a ser definido. Pretendemos aperfeiçoar o sistema com uma maior cientificidade, e quando estabelecermos esse mecanismo temos de ter em conta as diferentes naturezas dos serviços”, explicou a Secretária Sónia Chan.
Notários públicos Concurso em 2016
Secretária afasta aumento de deputados e reforma política
Este tempo não é composto de mudança
Angela Leong propôs a criação de mais lugares indirectos no hemiciclo para os sectores do Jogo e restauração. Levou uma nega. Sónia Chan fica-se nos 33 deputados e recusa, “por causa da economia”, falar de reforma política
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processo de revisão da lei eleitoral para a Assembleia Legislativa (AL) não vai contemplar um aumento dos deputados eleitos pela via indirecta. A garantia foi dada ontem pela Secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan. “Quanto ao sufrágio indirecto e ao número de assentos, não
“Quanto ao desenvolvimento democrático, acho que não vai trazer um desenvolvimento estável. Em 2012 introduzimos alterações, que são as básicas” Sónia Chan Secretária para a Administração e Justiça
iremos mudar os anexos I e II da Lei Básica. Não vamos introduzir qualquer alteração ao número de assentos do sufrágio indirecto”, disse a Secretária em resposta a uma proposta apresentada pela deputada Angela Leong. A também administradora da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) pediu mais assentos por esta via em representação dos sectores do Jogo e da restauração. “Sobre as eleições indirectas, podem ser aumentados assentos para os sectores da restauração e do Jogo?”, questionou. Sónia Chan prometeu o arranque da consulta pública sobre a revisão da lei eleitoral da AL e para a eleição do Chefe do Executivo no primeiro trimestre de 2016, mas Angela Leong disse temer que o processo não esteja concluído a tempo das eleições legislativas, em 2017. “Tenho receio quanto à existência de zonas cinzentas nas leis eleitorais e se o trabalho vai ser
feito a tempo. O Governo também tem de regulamentar as zonas cinzentas contidas na lei sobre a divulgação de informação através da internet”, defendeu.
Reforma política de lado
O deputado Au Kam San levou novamente a questão do sufrágio
Macau desenvolveuse economicamente mas o sistema político deve evoluir de acordo com a economia e surgiram vários problemas que já não se coadunam com o sistema político” Au Kam San Deputado
universal para o debate. “A Secretária fala que vai ser iniciado o processo de revisão das leis eleitorais, e sabemos que ninguém se opõe à democratização, que tem de ser feita de forma gradual. Quando propõe o estudo sobre a lei eleitoral, vai considerar a componente da democracia no processo? Há o voto por sufrágio universal e devemos caminhar nesse sentido. Em 2012, quando foi revista a lei, aumentaram-se apenas alguns assentos (100) na comissão eleitoral que elege o Chefe do Executivo”, lembrou. Contudo, Sónia Chan optou por silenciar a questão, referindo que esta não é uma boa altura para avançar para a reforma política, por a economia de Macau estar num mau momento. “Quanto ao desenvolvimento democrático, acho que não vai trazer um desenvolvimento estável. Em 2012 introduzimos alterações, que são as básicas”, referiu. O deputado pró-democrata rejeitou os argumentos da Secretária. “Na verdade o Governo Central falou sobre vários princípios, um deles em prol da estabilidade política e isso não vai afectar a estabilidade do território. Em 2012 foi feito um trabalho mas não houve nenhum aditamento em termos democráticos e em cada mandato deve-se registar avanços. Não é por causa da estabilidade que vamos deixar de lado o progresso. Macau desenvolveu-se economicamente mas o sistema político deve evoluir de acordo com a economia e surgiram vários problemas que já não se coadunam com o sistema político”, concluiu. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O Governo vai abrir no próximo ano um concurso público para a contratação de mais notários públicos. “No próximo ano vamos recrutar mais notários públicos, porque há mais de 10 anos que não fazemos nenhum concurso público e notamos falta de pessoal, por forma a resolver as necessidades”, disse a Secretária Sónia Chan.
Sónia Chan promete estudar Juízo de arrendamento
O deputado Au Kam San propôs a criação de um Juízo de arrendamento no sistema judicial, à semelhança do que foi feito com os Juízos Laboral e de Família e Menores, no Tribunal Judicial de Base (TJB). “Em relação às partes comuns dos edifícios, é uma legislação que tem origem nos processos judiciais e nas demoras. No futuro, quando for revista a Lei de Bases da Organização Judiciária, será possível criar um Juízo especializado em conflitos de arrendamento? Quando ocorrerem conflitos em casos de arrendamento, com senhorios ou com os condomínios, estes podem ser tratados só num Juízo, porque não basta ter apenas uma legislação. Isso irá contribuir para facilitar a resolução desses conflitos”, disse o deputado. Sónia Chan prometeu estudar a medida.
política 5
Reacções Primeiro dia de Sónia Chan não convenceu
Tudo o que ela não disse T rês deputados do hemiciclo consideram que o primeiro dia de debate na área da Administração e Justiça ficou aquém do esperado. “Foi um debate que me surpreendeu, a começar por alguns depu-
tados, que mostraram não estar bem preparados. As respostas da Secretária foram vagas, sem ideias concretas sobre aquilo que deve fazer, e o mais importante é não sabermos o que ela pensa sobre o futuro da Administração pública. gonçalo lobo pinheiro
José Pereira Coutinho: Secretária vaga e sem ideias concretas gonçalo lobo pinheiro
Au Kam San: pouco debate e nenhuma ideia nova hoje macau
Si Ka Lon: como conseguir os objectivos traçados? tiago alcântara
Quase não se falou sobre como podemos elevar a qualidade dos serviços públicos”, disse ao HM o deputado José Pereira Coutinho. Já Au Kam San dá nota média ao debate, considerando que a Secretária Sónia Chan preparou bem as informações, mas não avançou nada de novo. Au Kam San mostrou-se insatisfeito com a ausência de explicações sobre a implementação do sufrágio universal. “É difícil para a Secretária responder abrangendo todos os aspectos das perguntas, porque os meus colegas só fizeram perguntas, não debateram. A Secretária não se concentrou em debater políticas”, frisou. Para Si Ka Lon, o limite de tempo de intervenção para cada deputado, o elevado número de questões e a repetição de temas fez com que as respostas não tenham sido mais trabalhadas. “Há muitas questões que os cidadãos querem saber, e tentei ajustar ao máximo o número de perguntas, se calhar a Secretária não conseguiu responder a tudo. Houve muitas respostas onde Sónia Chan apenas disse que ia estudar ou melhorar as políticas, mas faltou indicar ideias, calendários e quais os processos para atingir os objectivos”, explicou o número dois de Chan Meng Kam no hemiciclo. “As Linhas de Acção Governativa (LAG) abordam sempre as políticas de uma forma geral, sobretudo na área da Justiça. Se as propostas de lei não corresponderem à realidade, podemos não conseguir executá-las no futuro”, acrescentou Si Ka Lon. O deputado Ho Ion Sang lembrou que foram apresentados calendários para consultas públicas, mas o plano legislativo para 2016 só contempla oito diplomas, os quais não estão ligados à vida da população. “A Secretária podia fazer melhor e explicar de forma mais clara o mecanismo de coordenação centralizada de leis de forma concreta à AL.” Ho Ion Sang lembrou ainda a parte do debate sobre a formação dos funcionários públicos. “Foi discutida a questão dos regulamentos revogados que os serviços públicos continuaram a utilizar, e isso só mostra como é necessário consolidar os conhecimentos dos funcionários públicos. A Secretária falou em planos de formação, vamos ver se consegue fazer o que disse”, concluiu. Andreia Sofia Silva
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Ho Ion Sang: Sónia Chan podia ter dados melhores explicações
Flora Fong
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tiago alcântara
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Viúva de funcionário do CCAC entregou carta à AL
Mais um suicídio muito duvidoso A esposa do investigador superior do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) entregou uma carta a Ho Iat Seng onde diz duvidar do relatório sobre a morte do marido, que se suicidou no prédio onde trabalhava
“P
edido de investigação da veracidade, à procura de justiça”. É este o título da carta assinada pela esposa do investigador superior do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), entregue a Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa (AL), e que foi entregue aos deputados a pedido da própria. No documento, ao qual o HM teve acesso, podem ler-se as dúvidas da viúva em relação a todo o processo de investigação do suicídio do marido, que se atirou do prédio onde trabalhava, há cerca de um mês. As críticas começam no relatório elaborado pelo CCAC. “No relatório só foram investigadas as pessoas que tinham contacto com o meu marido falecido durante a última semana de vida. Só se referiu a dois dirigentes e o Comissário-adjunto Sr. Hui, que são as últimas três
“Falei com vários colegas dele e todos estão extremamente insatisfeitos com as práticas de gestão dos dirigentes. Descrevem o ambiente como se trabalhassem num terror branco.”
pessoas que tiveram contacto com o meu marido falecido. Por que não investigaram as outras pessoas e colegas?”, questionou. Aviúva, que não revela o nome, afirma que dias antes do suicídio o marido “sofreu grande pressão mental e estava em pânico”, sendo que na noite de 9 de Outubro este confessou que “de repente estava muito pressionado no trabalho”. A mulher, que confessa estar a passar por dificuldades financeiras, suspeita de que “alguém tenha ameaçado o meu falecido marido com palavras inapropriadas, que resultou no seu medo extremo e finalmente no suicídio”. Para além disso, “o relatório referiu sempre que os dirigentes disseram ao meu marido falecido que não o culpariam e ainda existe muito conteúdo de apaziguamento. Então suspeito que houve pessoas que esconderam os factos e que deram confissões falsas para manter o cargo oficial”. A carta dá ainda conta de grande pressão exercida no seio do CCAC. “Falei com vários colegas dele e todos estão extremamente insatisfeitos com as práticas de gestão dos dirigentes, e descrevem (o ambiente) como se trabalhassem num terror branco.” Tudo isso viola obviamente o Regime Disciplinar do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública”, pode ler-se. A viúva defende que o responsável “deve ser processado criminalmente”, pedindo a Ho Iat Seng que interceda para uma “investigação exaustiva”. A.S.S.
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Questionada atribuição de medalhas de honra pelo Chefe do Executivo
O exercício da questionável correcção F As críticas ao mau desempenho dos ex-Secretários Florinda Chan, Francis Tam e Cheong Kuok Vá ou o recente caso de corrupção eleitoral ligado a Chan Meng Kam poderão levantar dúvidas junto da população
lorinda Chan, Francis Tam e Cheong Kuok Vá. Todos eles foram Secretários no Governo durante 15 anos e deixaram as tutelas há pouco mais de um ano, com inúmeras críticas e manifestações para trás. No entanto, são eles os novos distinguidos com medalhas de honra pelo Chefe do Executivo. Figuras da política local contactadas pelo HM acreditam que essa atribuição pode levantar dúvidas junto da sociedade. “[Os ex-Secretários] deveriam ter feito um melhor trabalho, não completaram o seu trabalho e agora vão ganhar uma medalha. Não me parece que seja uma boa prática. Terminaram [recentemente] o seu mandato e o Chefe do Executivo vai atribuir uma medalha... diria que o Governo não deveria fazer isso”, considerou o politólogo Larry So.
Já Agnes Lam, docente da Universidade de Macau (UM), não encontra grandes problemas nesta atribuição, mas lembra que a sociedade pode questionar esta decisão de Chui Sai On. “Acho que não há problema em conceder as medalhas aos antigos Secretários, não pub
Horário da Desmontagem das barreiras metálicas do 62º Grande Prémio de Macau Foi iniciada após o fim das corridas a Comissão do Grande Prémio de Macau, durante as horas da madrugada, as obras de desmontagem das barreiras metálicas, e as primeiras obras foram concluídas na madrugada do dia seguinte das corridas, diminuindo os transtornos causados à população. Estima-se a terminação das obras de desmonstagem, no dia 3 de Dezembro. Data
Hora
Local
(1) Desmontagem dos portões metá23-26/11/2015
08:00 até 20:00
licos
(2) Desmontagem das barreiras metálicas junto aos portões metálicos
23-28/11/2015
08:00 até 20:00
Desmontagem das barreiras metálicas desde a Avenida da Amizade até à Curva do Reservatório
26/11 – 3/12/2015
08:00 até 20:00
Desmontagem das barreiras metálicas desde a Rua dos Pescadores até à Curva do Reservatório
28/11 – 3/12/2015
08:00 até 20:00
Desmontagem das barreiras metálicas na troço superior da Colina da Guia
A Comissão do Grande Prémio solicita a todos os condutores a melhor compreensão por eventuais transtornos causados, bem como o respeito pela sinalização provisória instalada e pelas instruções da Brigada de Trânsito.Para informações, é favor de ligar para o número de telefone: 28-728482.
é por terem sido Secretários que não devem receber as medalhas. Mas penso que as pessoas vão questionar sobre se deveriam ou não receber as medalhas. Isso pode ser discutível”, considerou a docente e ex-candidata às eleições legislativas. Miguel de Senna Fernandes, advogado, lembra que a decisão cabe sempre a Chui Sai On. “Na perspectiva do Chefe do Executivo foram Secretários que, apesar da chuva de críticas de que foram alvo, não se coibiram de fazer [da melhor maneira] possível o trabalho que lhes foi incumbido. Se calhar as políticas ou as orientações que seguiram podem ser criticáveis, mas a medalha em si é uma prerrogativa”, disse ao HM. “As consequências [da decisão], ele melhor saberá enfrentá-las. A doutora Florinda Chan, que esteve 15 anos à frente da pasta da Administração e Justiça, foi alvo de processos, de críticas, de tudo... Esteve numa área que era particularmente sensível, numa altura em que a RAEM se estava a consolidar e aí se calhar houve fissuras. Se ela fez bem ou mal, a história melhor o dirá. O certo é
que como julgo conhecer a doutora Florinda Chan, julgo que ela fez o melhor que pôde fazer. Eu fico muito contente, apesar de uma certa crítica da opinião pública em relação aos seus feitos”, referiu.
Não é a altura certa
Chan Meng Kam, membro do Conselho Executivo e deputado à Assembleia Legislativa (AL), foi outro dos distinguidos pelo Chefe do Executivo, isto apesar do seu nome ter estado envolvido num caso de corrupção eleitoral este ano, ainda que o deputado não tenha sido formalmente acusado. Para Larry So, esta não é a altura certa para atribuir a medalha. “Ele é membro do Conselho Executivo e tem feito contribuições para a comunidade. O seu nome esteve ligado ao caso de corrupção eleitoral, mas não chegou a ser formalmente acusado. Ele tem sido membro do hemiciclo e do Conselho Executivo, não deveríamos esperar até que termine o seu termo no Conselho Executivo? Aí seria uma boa altura para dar uma medalha”, defendeu. Agnes Lam considera que a sua distinção pode
levantar dúvidas no seio da sociedade. “Isso também é questionável, penso que não é a altura certa para atribuir uma medalha a Chan Meng Kam. Ele tem contribuído para a sociedade, tem uma associação que faz muitas coisas pela população. Mas o caso de corrupção eleitoral pode levantar questões. O Governo poderia pensar melhor sobre qual a altura certa para atribuir medalhas a uma pessoa em particular”, apontou. Larry So lança ainda as farpas à medalha atribuída à empresa Nam Kwong, ligada, entre muitas outras áreas, ao mercado abastecedor, em regime de monopólio. “A empresa Nam Kwong tem vários negócios e sabemos que a maior parte desses negócios são monopólios. Por exemplo, no mercado abastecedor os preços continuam a subir e a subir. Porque é que atribuímos a medalha? Pelo aumento dos preços? Acima de tudo, é uma empresa que está a fazer negócios há muito tempo e não vejo porque devem receber a medalha”, acusou. Apesar da decisão de atribuir medalhas depender apenas do Chefe do Executivo, Agnes Lam acredita que queria importante criar um mecanismo que permita uma melhor avaliação desta decisão política. “Seria bom se houvesse um mecanismo para o Governo analisar quais as pessoas a nomear para as medalhas e para terem acesso às opiniões do público. O Governo só precisa de avaliar de forma mais cuidadosa o sistema de atribuição de medalhas, porque isso pode gerar outras interpretações. O Governo tem de estar mais atento quanto a isso.” Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Miguel de Senna Fernandes congratul a macaenses Miguel de Senna Fernandes, também presidente da Associação dos Macaenses (ADM), dá os parabéns aos restantes macaenses medalhados, como Proença Branco, ex-comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, e Rita Santos, ex-coordenadora-adjunta do Fórum Macau. “Fiquei muito contente com a medalha atribuída ao Proença Branco, que foi uma pessoa que
soube sempre estar no sítio onde esteve, com a devida descrição. A área da Segurança também foi bastante sensível, na altura da afirmação da RAEM, mas Proença Branco fez aquilo que tinha de fazer. Sempre revelou capacidades de liderança. Já Rita Santos teve o seu papel importantíssimo na afirmação do Fórum Macau”, defendeu.
sociedade
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M
ais 11 parques de estacionamento do território emitiram passes mensais de forma ilegal a 436 veículos. A esmagadora maioria – 416 – destinava-se ao estacionamento de carros ligeiros e outros 20 a motociclos. Os números foram revelados ontem pelo director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San, depois de ter sido descoberto um caso semelhante com o parque do Jardim Comendador Ho Yin. A DSAT ordenou o pagamento de uma caução pelas empresas de gestão responsáveis, que pode ir das 20 mil às 250 mil patacas, mas o director adiantou que deverá “ser aplicada a multa mais elevada” como norma dissuasora. No processo estão envolvidas empresas locais, uma delas sendo a Companhia de Parques de Macau, detida por Frederico Ma e Ma Iao Lai. Familiares directos do falecido Ma Man Kei, o primeiro é presidente do Fundo de Ciência e Tecnologia; o segundo, é membro do Conselho Executivo. A investigação, afirmou o responsável, está a decorrer há já algum tempo, mas ainda não acabou. Embora tenha já sido anunciada a imposição de multas às empresas infractoras, o processo não vai arrancar este ano porque a DSAT está a “dar tempo às empresas para que notifiquem os proprietários”, esclareceu Lam Hin San. Os parques que se concluiu terem fornecido mais passes mensais do que o permitido por lei foram o auto-silo Pak Kong, o Pak Keng, o auto-silo Pak Vai, Pak Wai, Pak Lai, Pak Lek, Pak Lok, Pak Wau, o parque de estacionamento do Jardim do Iao Hon e, finalmente, o da ETAR.
Auto-silos Mais parques de estacionamento atribuíram passes mensais ilegais
O jogo da cadeira estacionada Mais 11 parques de estacionamento infringiram a lei ao emitir passes mensais, entre elas a Companhia de Parques de Macau. Outros cinco estão a ser também investigados por outras irregularidades. As multas são elevadas, mas... este ano ninguém paga
As irregularidades vão ter que ser resolvidas até final deste ano, de acordo com afirmações da DSAT ontem. Contudo, a emissão excessiva de passes mensais não foi a única ilegalidade detectada. No total, foram 16 os parques de estacionamento que infringiram o regulamento e, ainda que 11 deles digam respeito ao referido passe mensal, entre as restantes infracções estão a falta de dístico indentificador de portador de passe, o estacionamento abusivo – por vários dias e até meses
Questionado pelos média sobre a entrada em funcionamento de um novo auto-silo no Fai Chi Kei, a DSAT disse esperar que este seja inaugurado “ainda em Dezembro”, cumprindo-se assim a promessa anteriormente feita pelo Governo de o abrir ao público durante o quatro trimestre de 2015. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Arquelogia O que esconde Coloane? eolítico, Idade do Bronze, dinastia Qing. Vestígios e respectivas escavações arqueológicas que o Governo vai continuar na Rua do Estaleiro, em Coloane, depois de ter sido aconselhado nesse sentido pelos “especialistas” da área. De acordo com um comunicado, é preciso estudar os materiais encontrados e o próprio local de forma mais aprofun-
consecutivos sem pagamento – e a não retirada da indicação de lugar reservado em espaço que são agora de acesso por bilhete normal. Questionado sobre o problema que é agora colocado aos arrendatários daqueles espaços de estacionamento, Lam Hin San respondeu apenas que “as empresas responsáveis terão que contactar os proprietários para os notificar e regularizar o assunto”. Desconhece-se assim se será criada outra alternativa para as pessoas que ficam agora sem um espaço para deixar o carro. Os lugares até agora ocupados de forma ilegal serão posteriormente entregues a residentes que já estão à procura. “A DSAT irá retomar os lugares reservados aos passes mensais para destiná-los aos lugares para bilhetes simples, para que haja lugar à desistência daqueles lugares”, confirmou o director. O mesmo responsável estima uma retoma, para já, de cerca de 180 lugares.
A DSAT ordenou o pagamento de uma caução que pode ir das 20 mil às 250 mil patacas, mas o director adiantou que deverá “ser aplicada a multa mais elevada” como norma dissuasora
Outras irregularidades
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dada. “Os especialistas consideraram que segundo os estudos prévios sobre a distribuição dos achados arqueológicos, se deve escolher uma área apropriada para se proceder a uma escavação mais detalhada, de forma a esclarecer a cronologia das camadas culturais”, pode ler-se num comunicado do Instituto Cultural (IC). Na Rua do Estaleiro foram encontrados, em 2014, vestígios e monumentos de quatro períodos diferentes: o final do Neolítico, final da idade do Bronze e da
segunda metade da Dinastia Qing. Foi nesse ano que o IC lançou o projecto arqueológico do local, tendo convidado especialistas em Arqueologia, Geologia e Ambiente de Hong Kong e do interior da China. Esta terceira fase das escavações vai acontecer “na parte noroeste do parque de estacionamento da zona e na área do campo de basquetebol”. Está prevista a sua conclusão no primeiro trimestre de 2016 e tem início marcado para hoje. O parque e o campo vão ser encerrados ao público.
Metro Dá cá mais 50 milhões
A assistência técnica para a primeira fase de “Programas de Emergência do Parque de Materiais e Oficinas do Metro Ligeiro” vai custar aos cofres do Governo um total de 54 milhões de patacas. Os serviços ficam a cargo da MTR Corporation Limited, que recebe o valor atribuído em duas fases, uma primeira este ano de quase dez milhões de patacas e a segunda em 2016 de 44,2 milhões. A autorização à celebração do contrato foi publicada ontem em Boletim Oficial, onde fica ainda a saber-se que a fiscalização da empreitada de construção da 1.ª Fase do Centro Modal de Transportes da Estrada Governador Albano de Oliveira da Taipa, a cargo da PAL Ásia Consultores, vai custar cerca de quatro milhões de patacas.
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Jogo Está melhor do que acções demonstram, diz Grant Bowie
A indubitável dúvida
O director-executivo da MGM desvaloriza a flutuação de acções na Bolsa de Valores e diz que, não só a operadora que dirige, mas todas são fortes
O
presidente da MGM China assegurou há dois dias que os casinos locais estão em melhor forma do que aparentam as acções. Os valores da empresa na Bolsa têm descido significativamente desde há 18 meses e a flutuação dos valores nas passadas semanas tem provocado uma onda de preocupação na classe dos analistas e correctores, que prevêem já um futuro menos risonho para a indústria do território, mas Bowie mostra-se tranquilo. “Se todos os nossos negócios [da MGM] valem mais do que actualmente as nossas acções? Sem dúvida”, disse, numa entrevista exclusiva à revista asiática World Gaming Group (WGG). O presidente do grupo acrescentou ainda que todas as empresas pertencentes à MGM “são extremamente fortes” e mostrou-se confiante na prosperidade da operadora. “As nossas acções cresceram de forma acelerada devido ao elevado nível de liquidez de especulação, mas o pêndulo anda de um lado para o outro e estamos também a sofrer com a outra face da moeda”, continuou. Esta descida generalizada na bolsa fez com que alguns accionistas vissem uma queda até 75% quando comparando com os recordes alcançados há dois anos.
A
mbrose So, director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), afirmou ontem que uma fiscalização mais apertada aos promotores do jogo vai fazer com que o sector se torne mais profissional. Apesar de prever que isso vai fazer com que os promotores VIP saiam de Macau para outros locais onde existem casinos, o responsável desacredita que haja um grande impacto no sector. Segundo o Jornal do Cidadão, Ambrose falava quando questionado sobre as Linhas de Acção
Na mesma entrevista, Bowie mostra-se confiante de que as acções voltem a ver valores elevados uma vez que o mercado do Jogo estabilize. “É óbvio que gostávamos de ver as nossas acções atingir os níveis de outros tempos, mas a dificuldade está no facto do valor do negócio não representar necessariamente o valor das acções. O último re-
presenta a percepção global de confiança e, para nós, o desafio tem sido ultrapassar o embate que a confiança levou. Isto porque não parece existir uma estrutura clara que dite se somos parte do futuro de Macau ou do seu passado”, concluiu Grant Bowie na conversa com a revista. O CEO deixa, contudo, uma mensagem clara: “A
minha opinião é que somos parte do futuro, sem qualquer sombra de dúvida”.
Uma piscina atulhada
De acordo com a WGG, Bowie acredita que as acções vão voltar ao normal depois dos mercados voltarem a confiar na indústria do Jogo e de quando “tiverem a noção daquilo que o futuro traz”. Houve ainda espaço para Bowie lançar algumas críticas à mentalidade local, afirmando que há demasiadas caras e ouvidos virados para uma percentagem diminuta de mercados. “Penso que recentemente foram 32 os analistas que se focaram apenas em seis bolsas de valores, o que mostra uma concentração brutal de analistas num mercado relativamente pequeno”, disse. O presidente da MGM defende que os comentários dos analistas não deviam focar-se apenas em Macau e diz acreditar que, embora a MGM seja ainda “uma história de sucesso”, o número de analistas tem aumentado devido à sede de diferentes perspectivas. “Somos a história de sucesso e vamos ser sempre, mas há agora uma sobre-análise porque toda a gente está a tentar criar a sua própria perspectiva”, criticou. Alguns, acrescenta, são mais “precisos” do que outros e os “mais temperamentais” são, diz, mais ponderados. Já os mais jovens são mais impulsivos e “dizem o que querem”. “Penso que chegará a vez de cada um de nós para ajudarmos a repor a confiança no mercado. Uma vez feito, as acções voltarão ao normal porque as operadoras em Macau são todas fundamentalmente fortes”, colmatou Bowie. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Ambrose So Apertadinhos é que é bom Governativa apresentadas por Chui Sai On. “De acordo com as LAG, a REAM vai aperfeiçoar os leis e diplomas do sector e vai fortalecer a fiscalização, especialmente no que toca aos promotores. O Governo quer que o mercado de Jogo se torne em algo mais profissional e rigoroso. Concordo que, se os promotores são parte do sector, então a fiscalização à sua actividade seja também uma parte do trabalho do Governo”, defendeu,
acrescentando que está optimista com a ideia, apesar dos recentes encerramentos de salas VIP. “Macau tem uma vantagem geográfica e a construção da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vai terminar. Macau tem o apoio da China para desenvolver a diversidade económica, incluindo o sector do Jogo. Vai precisar de um certo período para se adaptar aos novos regimes, claro, mas, se os promotores quiserem sair
de Macau, isso não vai afectar muito o sector. Tenho uma perspectiva positiva”, avançou, dizendo ainda acreditar que as receitas dos casinos venham a subir. T.C.
Canídromo Mais um ano de cãocessão
A concessão do Canídromo foi renovada por mais um ano. A decisão foi tornada pública ontem em Boletim Oficial, onde Chui Sai On, Chefe do Executivo, atribui a Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, os poderes para fazer a prorrogação do contrato até 31 de Dezembro do próximo ano. A Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen), S.A. mantém-se, assim, com a exploração exclusiva das corridas de galgos, depois da polémica levantada em torno do encerramento do espaço, que deveria ser este ano. Angela Leong, directora da empresa, afirmou no passado domingo no canal chinês da Rádio Macau ter vários planos – já apresentados ao Governo – para a dinamização do espaço. Em causa está o desenvolvimento de pequenas e médias empresas e indústrias culturais e criativas, onde é também sugerida a construção de uma “residência de jovens” ao lado do Canídromo para arrendar imóveis aos jovens de forma mais barata.
Uma manita de inflação
A taxa de inflação fixou-se em 4,91% nos 12 meses terminados em Outubro, segundo dados revelados ontem pelos serviços de estatística do território. Os preços que mais aumentaram, neste período, foram os das bebidas alcoólicas e do tabaco (11,04%) e os da habitação e combustíveis (9,29%). Nos 12 meses anteriores, terminados em Setembro, a inflação em Macau tinha atingido os 5,08%. Já o Índice de Preços no Consumidor (IPC) de Outubro subiu 4,16%, em relação ao mesmo mês de 2014, “impulsionado, principalmente” pelo aumento das rendas de casa e das “refeições adquiridas fora de casa”, segundo os serviços de estatística de Macau.
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Presos Jovens adultos em maioria
Tráfico humano Números de casos caiu em 2014
O ano em que nada aconteceu O número de casos de tráfico humano caiu, em 2014, de forma vertiginosa. De 35 casos no ano de 2013, foram registados quatro no ano passado. Menos formações, mais fiscalizações e apoios às vítimas é o que o Governo mostra à ONU
O
número de casos de tráfico humano registado em 2014 baixou vertiginosamente quando comparado com o período homólogo de 2013. Dados entregues pelo Governo à Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que durante o ano passado a autoridades policiais locais levaram a cabo cinco investigações mas apenas quatro foram classificados pelo Ministério Público (MP) como casos de tráfico humanos. Os mesmos dados indicam que, deste bolo, dois casos foram arquivados e os restantes dois estão pendentes. Durante o ano de 2013, tinham sido registados 35 casos de tráfico humano, dos quais 25 foram arquivados, sete estão pendentes e apenas três acusados. Dos quatro casos detectados, em 2014, todas as vítimas eram do sexo feminino e naturais da China continental. Três das vítimas tinham mais de 18 anos, enquanto uma era ainda menor.
apostado de forma contínua na formação e fiscalização, para prevenir os possíveis casos. Durante o ano passado decorreram 1388 formações, seminários e palestras, que contaram com a participação de pessoas ligadas à área, como polícias, juristas, pessoal médico e assistentes sociais. Macau diz-se preparado e equipado para fornecer o apoio necessário às vítimas. No documento, aAdministração indica que o Instituto de Acção Social (IAS) fornece acomodação em abrigos ou instituições, exames médicos, assistência financeira, entre outros apoios. É ainda atribuído à vítima, dependendo do seu caso, apoio em termos jurídicos e escolta policial no envio da vítima para o seu país de origem, garante o Executivo. Desde a entrada em vigor da Lei de Combate ao Crime de Tráfico Humano, em 2008, o Governo já atribuiu acomodação a 115 vítimas, sendo que 101 voltaram para os seus países.
Apoios e apostas
Sem acordo
No mesmo documento, o Governo explica que tem
Macau continua a não ter, contudo, acordos de coope-
ração com outros países, para além da Mongólia. Ainda assim, o Governo admite manter um contacto muito próximo com o Governo Central de troca de experiências e reforço de medidas de fiscalização de fronteiras. Relativamente ao turismo sexual infantil, o Governo garante que a polícia tem aumentando de forma gradual fiscalizações nas zonas de mais turismo e nas periferias dos casinos na zona do Cotai, incluindo o aumento do número de
Conselho do Património nas mãos de Alexis Tam
Uma batata quente É Alexis Tam quem passa a liderar o secretariado do Conselho do Património Cultural, criado para resolver assuntos ligados à conservação da herança histórica de Macau. O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura fica assim responsável por tomar decisões sobre aplicações financeiras, por nomear membros do colectivo que lidera a discussão de propostas de concurso e aprovar e assinar, em nome do Governo, a minuta do contrato a celebrar com empresas. O anúncio, publicado em Boletim Oficial, determina
ainda que Alexis Tam será responsável por aprovar os cadernos de encargos do Conselho. Nas suas mãos estarão quantias entre os nove e os 30 milhões de patacas, que o Secretário deverá mexer de acordo com a situação. Assim, “em matéria de gestão dos recursos financeiros e patrimoniais”, o Secretário tem até 30 milhões de patacas para despender na abertura de concursos para a realização de obras e adquirir bens e serviços. Outros 18 milhões ficam reservados para a colocação em prática dessas mesmas obras. Finalmente, o mesmo
despacho determina que nove milhões de patacas estão disponíveis para a aprovação de projectos de obras ou aquisição de bens ou serviços que não tenham de passar pelo processo de concurso público. O CPC foi criado para lidar com os trâmites que advieram da entrada em vigor da Lei de Salvaguarda do Património. Um dos assuntos mais discutido nas reuniões do Conselho deste ano foi a celebração do 10º aniversário do Centro Histórico de Macau como património internacional. L.S.M.
inspecções a pensões ilegais para que se possa diminuir a capacidade de acções fora da lei. Não foram detectados pub
casos, afirma peremptório o Executivo. Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
Do total dos 1232 presos do Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) cerca de 57% corresponde à faixa etária dos 21 aos 40 anos. Dados do Governo entregues à Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que actualmente existem 354 jovens, entre os 21 e os 30 anos de idade, presos, dos quais 294 são homens e 60 mulheres. Dentro deste grupo 385 foram condenados e 69 estão em prisão preventiva. No grupo dos 31 aos 40 anos, são 56 mulheres e 296 homens, dos quais 277 cumprem pena e 75 aguardam decisão. Muito próxima está também a percentagem de reclusos entre os 41 e 50 anos de idade, fixando-se nos 27,3%, dos quais 269 são do sexo masculino e 68 do feminino. A percentagem mais pequena reside na faixa etária entre os 71 e 80 anos com apenas um recluso do sexo masculino.
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Novo Macau Exibição de filmes sobre assuntos internacionais
Desobediências e outras histórias S eis curtas-metragens e um documentário vão poder ser vistos este fim-de-semana na sede da Associação Novo Macau (ANM), com temas sobre direitos humanos e movimentos civis contra a violência. Pela primeira vez, a ANM convoca os cidadãos a tomar atenção aos assuntos sociais de outra forma que não a convencional manifestação ou conferência de imprensa. O documentário que vai ser exibido, “Everyday Rebellion”, é rodado por dois irmãos do Irão, Arash e Armam Riahi, que durante três anos filmaram os grandes movimentos de todo o mundo, tais como o “Occupy Wall Street”, a “Primavera Árabe”, o “Spanish Indignants” e o “Ukranian nude feminist activitism”, entre outros, mostrando a ideia de que “as pessoas têm redefinido a desobediência civil”. “The Game Must Go On” é uma das curta-metragens escolhidas pela ANM, que conta como quatro menores jogam futebol na rua porque
C
hama-se “Um dia bonito” e é a terceira peça que integra a “Série Perceptiva” do grupo artístico e cultural local Comuna de Pedra. O grupo já foi fundado em 1996 e tem realizado teatros de multimédia tanto no interior, como ao ar livre. Desta vez, a directora e um dos actores do teatro, Jenny Mok, inspiraram-se por crianças autistas para esta peça. Começaram a investigar a noção da sua realidade, por paisagens perceptivas, em parceria com diferentes movimentos do corpo e criando esta série de trabalhos experimentais. Depois dos primeiros dois teatros da série onde usaram corpos, luzes, música e vozes para mostrar “um dia bonito”, este terceiro teatro quer mostrar outra viagem, numa realidade diferente.Apeça é levada a cabo por três actores locais.
não têm onde jogar mais, mas são repreendidos por vizinhas. Segue-se “Sprinkles 4-ever!”, um outro filme com temas sobre jovens. Nicky tem 12 anos e vive uma vida pobre, veste roupas em segunda mão e come diariamente do banco alimentar. Pode-se dizer que nunca é demais falar na guerra na Síria e isso é o que mostra a curta-metragem “The Lion and the Brave Mouse”. Uma criança de nove anos, Nora, passou quatro dias seguidos a fugir da sua casa, experimentando o horror da guerra. Gradualmente, conhece novos amigos em sítios desconhecidos, aprendendo a desenhar para mostrar as saudades que sente do seu país natal. As seis curta-metragens vão ser exibidas no dia 28 de Novembro, sábado, das 14h30 às 18h30 e o documentário vai ser exibido no dia 29, domingo, às 19h30. Duas sessões de discussão vão acontecer no final das exibições.
Mercearia Portuguesa Um brinde a “qu
O orgulho d
São enlatados, doces, brinquedos, jóias e tradições. A Mercearia Portuguesa fa
Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Teatro Autismo inspira peça no Antigo Tribunal
A beleza do dia “Cada dia é composto por várias viagens e nós próprios optamos por escolher o que experimentamos. No entanto, há também outra realidade que existe dentro do conflito entre corpo e mente. Alguém disse que o mundo dos cães é preto
e branco e que os olhos das libélulas têm mil sóis. O que nós podemos e não podemos ver é o nosso destino, é uma porta única para cada um”, lê-se no comunicado da organização. O teatro é em cantonês e terá lugar no Edifício do
À venda na Livraria Portuguesa O Grande Livro das Tradições Populares Portuguesas •João Viale Moutinho
Cada dia do ano é uma entrada onde se apresentam algumas das mais importantes tradições populares portuguesas. Um reencontro quotidiano com adivinhas, lengalengas, rimas, pensamentos, lendas, pequenas histórias e outras tradições escritas e orais que povoam o nosso universo desde a mais tenra idade.
Antigo Tribunal nos dias 19, 20, 22 e 23 de Dezembro, às 20h00, com duração de 60 minutos. O preço do bilhete é de 120 patacas e está à venda na Livraria Pinto e no Armazém do Boi. F.F.
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Mercearia Portuguesa faz quatro anos e Margarida Vila-Nova, gerente do espaço, não podia estar mais contente com o percurso e crescimento de um lugar em que até as paredes cheiram a Portugal. Para celebrar isso mesmo, a Mercearia organiza uma actividade este sábado. “Para mim, sobretudo, estes
quatro anos foram anos de aprendizagem, porque quase que conheci o meu país através da Mercearia Portuguesa”, partilha com o HM. Com cada embarque de mercadoria, cada viagem, cada chegada de novos produtos e conversas com fornecedores chegam novas histórias, marcas de uma cultura tão diversificada como
“Fiquei mais nacionalista desde que vim para Macau. A minha relação com Portugal cresceu e enriqueceu ao longo deste quatro anos” Margarida Vila-Nova Actriz e gerente de loja
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
O Seu Signo Astrológico Lunar•David Wells
É possível que você se tenha considerado um Escorpião a vida inteira; quão surpreendido ficaria se soubesse que, do ponto de vista emocional, o seu signo é Gémeos? Talvez vários amigos e familiares apontem o seu gosto pela ordem e organização, tão típicos do signo Virgem… mas agora você pode responder-lhes que, na verdade, você também possui a impetuosidade típica de um Aquário! Muitos de nós conhecem o seu signo solar, mas desconhecem que também têm um signo lunar. O Seu Signo Astrológico Lunar combina os seus signos lunar e solar para lhe apresentar um perfil único da sua personalidade, a partir da sua data e hora de nascimento. Um guia útil, acessível e prático que lhe permitirá encarar-se a si mesmo e às pessoas mais importantes da sua vida a partir de uma perspectiva completamente nova, de forma a viver relacionamentos mais autênticos e satisfatórios.
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uatro anos de aprendizagem”
de vender português
s e tantas coisas mais que contam a história de Portugal, das suas gentes az quatro anos e quer festejar com quem acompanhou o seu percurso aos mais assíduos. Estes projectos fazem-se sempre em conjunto”, convida. Em cima da mesa irão estar as novidades para o Natal, acabadas de chegar, nomeadamente as amêndoas caramelizadas. Está também, em parceria com a PALATIUM, organizada uma prova de vinhos portugueses. “Já tínhamos esta ideia mas fomos adiando. Será uma forma de assinalar o nosso aniversário, com um leque variado de vinhos, entre os brancos, tintos, da Madeira, do Porto”, rematou, deixando em aberto a possibilidade de dar início a uma nova etapa de negócio: a prova de vinhos. Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
pub
é a portuguesa. “Fiquei mais nacionalista desde que vim para Macau. A minha relação com Portugal cresceu e enriqueceu ao longo deste quatro anos. Estou em permanente contacto com os produtores de artesanato, desde a cestaria à filigrana, à olaria, também à parte de gastronomia. Tenho estado muito próxima das conservas”, relembrou.
Margarida Vila-Nova não esconde o orgulho de trabalhar com marcas portuguesas em Macau e diz que o saldo tem sido “muito positivo”.
Um brinde a nós
Para celebrar a data e não deixar passar o momento em branco, a Mercearia Portuguesa organiza, já este sábado, um encontro com todos aqueles
FRC O primeiro imperador e a música de fusão
A
Fundação Rui Cunha traz a palco um debate sobre a história de Qin Shi Huangdi, o primeiro Imperador da China. A conversa acontece às 18h30 do próximo dia 30 e conta com Frederico Rato e Shee Va como oradores. Tanto o jurista como o médico são amantes de música clássica e ópera, pelo que o debate deverá explorar a obra do compositor e maestro Tan Dun. O músico chinês é responsável pela criação de “O Primeiro Imperador”, melodia que conta a história deste líder. “Tan Dun conta em música a história da sua ascensão ao trono numa ópera ocidental de influência oriental, com características clássicas de raiz folclórica e modelos musicais antigos repletos de contemporaneidade”, esclarece a Fundação em comunicado. A ópera versa sobre amor, ódio e traição e será debatida na FRC com muita música pelo meio. A iniciativa está integrada no projecto “O Oriente na Ópera Ocidental”. A entrada é livre. L.S.M.
que de alguma forma passaram pelo percurso desta loja. Entre as 17h00 e as 19h00 do próximo dia 28, as portas estarão abertas a quem quiser brindar. “É uma forma de brindarmos com todos aqueles que nos acompanharam ao longo destes últimos quatro anos, dos mais cépticos aos mais fiéis, dos mais desconfiados
Michelin Grand Lisboa estrelado
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s restaurantes Robuchon au Dôme e The Eight do casino Grand Lisboa voltaram a receber três estrelas do Guia Michelin cada um, mas junta-se mais um à lista. Em 2016, também um terceiro restaurante do espaço vai ser integrado no guia gastronómico, com uma estrela. O Grand Lisboa tem assim três diferentes restaurantes classificados internacionalmente, perfazendo um total de sete estrelas. A nova edição do guia já inclui estes espaços de restauração, tendo sido
publicada no início deste mês. O Grand Lisboa é o único hotel em Hong Kong e Macau com restaurantes de três estrelas Michelin, sendo o The Eight dedicado à culinária chinesa e o Robuchon à francesa. Para Ambrose So, “é uma honra receber estes galardões de prestígio (...), o reconhecimento internacional que os nossos restaurantes atingiram reflecte a dedicação da SJM em fornecer experiências únicas de restauração de luxo aos visitantes de Macau”. L.S.M.
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Televisão estatal chinesa apaga Zhao Ziyang
O homem que nunca existiu A televisão estatal chinesa CCTV manipulou imagens de arquivo num documentário exibido no passado sábado, visando excluir Zhao Ziyang, o ex-secretário geral do Partido Comunista Chinês (PCC) condenado a prisão domiciliária após o massacre de Tiananmen. O documentário histórico serviu para homenagear o centenário do nascimento de Hu Yaobang, que foi secretário-geral do PCC entre 1982 e 1987, e depois substituído por Zhao, segundo avança o jornal South China Morning Post (SCMP). Em 1989, a morte de Hu, um reformista que viria a gerar inimizades entre a facção mais ortodoxa do partido, marcou o início dos protestos na praça de Tiananmen, que rapidamente passaram de uma homenagem àquele dirigente a manifestações de grande escala. No documentário difundido pela CCTV, uma fotografia original publicada em 1982 no jornal oficial Diário do Povo, onde aparecia Zhao Ziyang, foi manipulada para que sobressaísse um outro dirigente de menor estatuto.
Os velhos tiques tardam a passar. A CCTV emitiu um documentário em que elimina das imagens Zhao Ziyang, o primeiro-ministro que se atreveu a estar ao lado dos estudantes em Tiananmen
Segundo o SCMP, o Governo chinês está a tentar recuperar a figura popular de Hu, para melhor legitimar as reformas em curso e a actual campanha anticorrupção, enquanto a figura de Zhao continua censurada no país. Zhao Ziyang, que foi um aliado próximo de Deng Xiaoping, o dirigente chinês que abriu a economia e o país ao exterior, era um crítico das políticas conservadoras de Mao Zedong, o líder comunista que dirigiu a China ao longo de 27 anos. Durante os protestos estudantis de 1989, que culminou no massacre de Tiananmen, defendeu o diálogo, opondo-se à facção do partido que apoiava uma repressão directa, e inclusive fez um discurso naquela praça onde se mostrou compreensivo com os apelos dos manifestantes. No início de Junho, Deng acabaria por sucumbir aos apelos da facção mais conser-
vadora do partido e ordenar uma repressão militar, que resultou na morte de centenas de estudantes, e na purga de Zhao, que foi mantido em prisão domiciliária até à sua morte, em 2005. Durante esse período, o ex-líder realizou diversas gravações áudio onde detalhou a natureza palaciana do regime de Pequim e as disputas internas do PCC
durante os protestos de Tiananmen, expressando o seu apoio por um modelo politico inspirado na democracia parlamentar. Depois da sua morte, vários amigos de Zhao reuniram essas gravações, que viriam a ser transcritas e publicadas integralmente fora do país no livro “Prisioneiro de Estado”.
Taiwan Um dos perigos de ter um mer cado Taiwan vai “avaliar de forma rigorosa” o investimento em meios de comunicação da ilha por parte de empresas ligadas à China, ainda que estejam registadas noutro país, disse ontem a Comissão de Investimentos, em comunicado. Esta declaração surge depois de notícias divulgadas por meios de comunicação social dos EUA sobre os planos de investimento do presidente executivo da empresa norteamericana DMG, Dan Mints, na taiwanesa Eastern Broadcasting, a maior cadeia de televisão da ilha. “É um tema preocupante porque as conexões chinesas da DMG são claras e o poder de uma cadeia de televisão sobre
a opinião pública é enorme”, disse Chang Xiang-shi, professora de jornalismo na Universidade de Taiwan, à imprensa local. “Dadas as ligações com o Exército de Libertação Popular [chinês] de algumas pessoas ligadas à DMG, o seu pedido será revisto não apenas pela Comissão Nacional de Comunicações, mas também pelo Conselho de Segurança Nacional, Ministério da Defesa e outros”, disse hoje a Comissão de Investimentos em comunicado. Taiwan vai investigar “as fontes dos fundos e os investidores”, refere a mesma nota. A DMG Entertainment é uma empresa mundial com participação nos sectores do cinema, televisão, edição de livros, música
e jogos, ligada ao analista financeiro chinês Peter Xiao e à ginasta transformada em empresária Wu Bing. As operações chinesas da DMG figuram sob o nome da Yinji Entertainment and Media, que está cotada na bolsa de valores de Shenzhen, a segunda maior da China a seguir à de Xangai. O anúncio da transacção surge numa altura em que Taiwan se prepara para realizar eleições presidenciais e legislativas, marcadas para 16 de Janeiro, para as quais parte como favorito o Partido Democrata Progressista (PDP, oposição), mais crítico relativamente à China do que o nacionalista Kuomintang (KMT), no poder.
Terrorismo Jornal do PC critica “dupla moral do ocidente”
Dois pesos, duas medidas U m jornal oficial do Partido Comunista da China (PCC) acusou ontem “alguma” imprensa ocidental de “estar cega pelo radicalismo político, ao ousar desafiar a norma humana fundamental de que matar civis inocentes é um crime”. Em editorial, o Global Times considera um artigo publicado na revista francesa Le Nouvel Observateur, sobre as políticas do Governo chinês e o aumento do terrorismo na região do Xinjiang, como um “exemplo típico da dupla moral do ocidente”. “No seu ponto de vista, apenas os civis mortos no ocidente merecem compaixão, mas não os civis chineses que sofrem o mesmo destino”, refere o jornal, aludindo a uma crónica
assinada pela jornalista Ursula Gauthier. Em 2014, um total de 712 pessoas foram condenadas na China por terrorismo e actividades separatistas, segundo dados oficiais apresentados durante aAssembleia Nacional Popular chinesa, que se realiza todos os anos em Março. A maioria dos casos ocorreu no Xinjiang, região habitada pela minoria muçulmana uigur, no noroeste do país, mas houve também um atentado na Praça Tiananmen, em Pequim, e outro na estação ferroviária de Kunming, no sudoeste da China. “A autora não mostra qualquer simpatia pelas vítimas do terrorismo na China”, diz o Global Times, acusando Gauthier de mentir ao afirmar que “os nomes
muçulmanos estão proibidos no Xinjiang e que os funcionários uigures são obrigados a comer em público durante o Ramadão”. Na semana passada, a polícia do Xinjiang desmantelou um alegado grupo terrorista, abatendo 28 dos seus membros numa operação que durou 56 dias, segundo anunciaram as autoridades locais, citadas pela agência oficial Xinhua. A 18 de Setembro, um grupo armado atacou uma mina de carvão no condado de Baicheng, na prefeitura de Aksu, matando 11 civis, três polícias e outros dois membros desta força, além de ferir 18 pessoas, de acordo com um comunicado do departamento de propaganda de Xinjiang, citado pela Xinhua.
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China-Japão Primeiros-ministros mantêm “breve diálogo”
O Governo chinês confirmou ontem que os primeirosministros da China e do Japão, Li Keqiang e Shinzo Abe, respectivamente, mantiveram um “breve diálogo” em Kuala Lumpur, à margem da cimeira
da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Desde 2012 que uma disputa territorial pelas ilhas Diaoyu (Senkaku para o Japão), do Mar do Leste da China, levou ao aumento da tensão
pub
entre os dois países. Além do Japão e da China, também Taiwan reclama aquelas ilhas, desertas e alvo de disputa desde que foram conhecidas as suas reservas de petróleo e gás na década de 1970.
Pequim promete não militarizar Mar do Sul da China A China afirmou, durante o intervalo da cimeira da ASEAN neste domingo, que não tem nenhuma intenção de militarizar o Mar do Sul da China, mesmo que o país tenha aumentado as actividades na área disputada. O vice-ministro
de Relações Exteriores, Liu Zhenmin, pediu aos países vizinhos para “não criarem deliberadamente problemas” na região estratégica. Liu reiterou a posição da China de que a expansão das actividades do país no local foi projectada para
“fornecer serviços públicos” para a região, ao ajudar navios e pescadores, assim como esforços de ajuda humanitária. Tal inclui instalações militares para proteger as ilhas e recifes, que estão numa localização distante da China continental.
Burros Um negócio de milhões à brasileira Se a intenção manifestada pela China de importar 1 milhão de burros por ano do Brasil, conforme disse um empresário chinês, o negócio geraria ao Brasil uma receita de US$ 3 mil milhões, considerando o preço médio dos asnos exportados este ano. Os animais são usados na indústria alimentícia e na fabricação de cosméticos. O
Brasil já faz essa exportação, mas numa escala reduzida. Em 2015, foram vendidos 1,2 tonelada, o equivalente a US$ 15,4 mil. A China abate cerca de 1,5 milhão de burros por ano, uma parte produzida no próprio país e outra na Índia. As mensagens da ministra na rede social geraram comentários bem humorados e foram até
usadas em trocas de ofensas entre militantes de esquerda e de direita. Alguns internautas, defensores de animais, se queixaram da demanda chinesa e classificaram a venda como “crueldade”.
Standard & Poors reafirma rating AA- da China A agência de classificação de risco Standard & Poor’s reafirmou ontem os ratings AAe A-1+ da China, de longo e curto prazos, respectivamente, mantendo perspectiva estável para a nota de crédito de longo prazo. Segundo a S&P, os ratings reflectem a sua visão da agenda de reformas do governo chinês, além da perspectiva de crescimento
do país. “Ponderámos esses factores positivos em relação a certos factores de crédito que são mais fracos do que é típico de países com ratings semelhantes, como o rendimento médio menor da China, menor transparência e fluxo de informações mais restrito”, afirmou a agência. A S&P também comentou que Pequim está a tomar
Av i s o
Candidatura para Projectos de Investigação Científica Co-financiados pelos Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China e Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau para 2016 Conforme com o “Acordo entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau, relativo ao Co-financiamento de Projectos de Investigação realizados através da Cooperação entre o Interior da China e Macau”. O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau (FDCT)e o Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China (MOST) elaborar conjuntamente, o programa de co-financiamento de projectos de investigação para o ano de 2016.
(1.) Projectos prioritários A fim de atender às necessidades de desenvolvimento social e económico de Macau e de usufruir plenamente das vantagens dos recursos de investigação do Interior da China, serão prioritariamente apoiados projectos relacionados com a sociedade da China e de Macau, bem como projectos de cooperação com a indústria, sobretudo no âmbito da informática, biomedicina, conservação de energia e protecção do ambiente, novos materiais.
(2.) Método e requisitos de candidatura (i) A entidade candidata de Macau deve negociar com o parceiro do Interior da China os conteúdos, plano e divisão de tarefas da investigação, preenchendo o Plano de Candidatura, assinando o acordo ou memorando de cooperação e apresentando a candidatura ao FDCT no prazo indicado; (ii) O formulário de candidatura deverá apresentar o título “Projecto MOST-FDCT”; (iii)O valor máximo de apoio financeiro disponibilizado pelo FDCT é de 1,3 milhões de patacas, com o prazo máximo de 3 anos, sendo atribuído periodicamente. A entidade de Macau financiada deverá realizar o projecto de acordo com o disposto na Declaração de Aceitação do Financiamento assinada com o FDCT; (iv)O parceiro do Interior da China deverá simultaneamente entregar ao MOST, podendo as instruções relativas ao formato da mesma ser consultadas em detalhe do MOST; (v) Caso o projecto for apenas declarado ao FDCT e não for declarado ao MOST pelo seu parceiro, o FDCT notificará o candidato que o projecto candidato não será aceite como projecto co-financiado.
medidas para reforçar sua resistência económica e fiscal. Além disso, a campanha de combate à corrupção na China é um passo importante para aperfeiçoar a governação nas entidades e empresas estatais, destacou a agência. Para a S&P, o crescimento da China vai manter-se forte, em 6% ou mais anualmente, até pelo menos 2018.
(3.) Processo de avaliação (i) O FDCT e o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong, Macau e Taiwan do MOST procedem separadamente à avaliação dos projectos;
(ii) O processo de avaliação dos projectos colaborativos é igual ao actual processo de avaliação dos projectos de investigação científica do FDCT. No entanto, a responsabilidade do processo de avaliação cabe prioritariamente ao FDCT; (iii) Após a conclusão do processo de avaliação, o FDCT e o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong, Macau e Taiwan do MOST seleccionam conjuntamente, a partir dos projectos aprovados, os projectos co-financiados, sendo a lista dos mesmos publicada simultaneamente por ambas as entidades.
(4.) Data do requerimento
A partir de hoje até 30 de 12 de 2015.
(5.) Forma de preenchimento e Apresentação dos elementos
MH370 Milhões para não desistir das buscas A China contribuirá com 14,5 milhões de dólares para a busca do avião desaparecido da Malaysian Airlines, voo MH370, divulgou o governo, na mais recente expansão de uma das mais missões de busca mais cara na história da aviação. Li Keqiang fez o anúncio na
cimeira de líderes da ÁsiaPacífico no sábado, durante uma reunião com o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, disse o comunicado. “Ao tomar esTa aCção, o lado chinês está em linha com o maior respeito pelos seres humanos”, disse Li. “Esperamos que Malásia
e Austrália continuem o trabalho de busca e resgate e mantenham a comunicação produtiva com a China.” O voo MH370 da Malaysian Airlines desapareceu em março do ano passado em rota de Kuala Lumpur para Pequim com 239 passageiros e tripulantes a bordo.
Os candidatos podem descarregar o “Formulário de Candidatura” e o “Plano de Candidatura” na página electrónica do FDCT (www.fdct.gov.mo), preenchendo os mesmos directamente, em conformidade com os devidos requisitos de formato e de número de palavras. Conforme disposto no artigo 6.º do Capítulo II do Despacho do Chefe do Executivo n.º 273/2004, os elementos relevantes devem ser apresentados ao Serviço de Apoio Financeiro do FDCT no prazo indicado. Endereço: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 411-417, edifício Dynasty Plaza, 9.º andar. Telefone: 28788777; Fax: 28722680 Correio electrónico: saf@fdct.gov.mo O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 23 de 11 de 2015
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hoje macau terça-feira 24.11.2015
artes, letras e ideias
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Ethos, Pathos, Logos Da monstruosidade
A
esta hora, em que tento pôr ordem nas palavras, noite já feita, inúmeras traças esvoaçam por aqui. Olho-as com o olhar desumanizado ou simplesmente alheado – e uma palmada rápida e seca seria suficiente - de quem encontra ali a pequena metáfora caseira, vinda ao encontro de outras perplexidades. Porque elas têm que se alimentar, as traças, não as preocupações. Mas eu não gosto. Mais esse olhar, do que o de qualquer respeito pela sua essência, até mesmo em termos cromossomáticos, tão próxima da minha. E tudo o que a natureza produz é natural. Já a razão é a coisa mais artificial que há. A ética, a moral, a estética, a filosofia, a religião, a costura, a geometria, a arte, a linguagem, o estado, a comunicação. Construções. É aí que se situa toda a monstruosidade e não ali. A natureza, à luz de muitas elaborações normativas, também produz monstros, aberrações, raridades ou anomalias. Mas também estas, fruto dos mesmos mecanismos, os do crescimento, da oxidação, da morte celular, da recombinação de genes, de sinapses que dão o impulso químico ou elétrico certo. Ou errado. Nem sempre se sabe qual seria o impulso certo. Em que se fazem ou desfazem pensamentos, registos da memória, funções, sensações. Do descontrole sei lá de que momento da pré-disposição genética. São fugas à norma, e essas expressões com que as designam, limitadas a critérios nada rigorosos, pouco além, por vezes, de uma dimensão estatística. Ou uma motivação vinda da clausura em padrões de segurança e normalidade, de que muitos necessitam na sua definição de si por oposição aos outros. Uma oposição bélica. Todas as fugas provocam instabilidade no outro porque abalam as suas frágeis seguranças. O que é diferente parece contestar aquilo de que é diferente. E aquilo de que é diferente, reage com agressividade fulminante da auto-preservação de normalidade, como se esta fosse minada. E é. Mas de dentro e não de fora. O espelho que muitas vezes não sabe que é. No corpo do que é natural, nascem disparates da natureza, ou lirismos ou violências em vários graus. Mesmo aí, onde, para lá de determinados limites se define o território da doença, há fronteiras por definir. Entra-se no domínio da construção, do que é normal e do que é tratável, do que a sociedade, o estado reconhece, e do que não. Mas, se também de corpo se trata, mais ainda do domínio equívoco das ideias, emoções, pulsões, da construção de si enquanto ser no mundo e ser para a morte. E para a vida. Entretanto. E aí, então se situa o pântano maior em que se afundam ou batalham as grandes dúvidas sobre as fronteiras. As da doença e da sanidade. As da diferença e da normalidade. Da legitimidade ou da criminalidade. Em que se debatem uns e outros, curiosamente. Onde a criminalidade se define a partir do mal causado ao outro. Tal como a doença é por definição o território do sofrimento em si. Em última análise sofre-se da existência total e sem tréguas, nas suas agressões e vazios. E a cura é radical para alguns. A
desistência desesperada ou lúcida, sem o céu como limite para o espírito. Mas as profundezas da terra, com os seus vermes a concluir a obra no corpo. E a identidade. O corpo como lugar da identidade, também. O ser como construção e os seus contornos de inevitabilidade. E os direitos do Homem. Voltando ao que é natural e ao que é desenhado. A questão maior, com redutos intransponíveis. Os do sentir. Mesmo esses pontualmente redesenháveis, mas não sempre. Os de ser. Para além de toda a vontade construída, de todas as estruturas tradicionais e sociais. O território do pensar, quantas vezes fora dos padrões e diabolizado mesmo que inócuo. O delito de pensar ou de acreditar, como crime a punir. O da liberdade de ter direitos. O delito de ser, só porque diferente. O corpo-delito. A alma a olhar o corpo. Poderia estar a pensar nas grandes questões dos direitos humanos, naqueles aspectos políticos que geram grandes tragédias. A guerra. Todas as guerras, todos os tipos de guerra, as violações de direitos, as grandes questões políticas. Bens e territórios. Mas é do espaço do privado que quero falar, o pequeno grande drama que é o desrespeito pela identidade. O monstruoso e arrogante violentar o direito básico à individualidade, à especificidade do ser. Sem crime. Sem ofensa ao outro. Usar critérios de gosto para qualificar a identidade. Usar a moral, a tradição. Arquitecturas com paredes de vidro. Por detrás está visível aquele que faz o juízo. A qualificar-se em cada valor que proclama. A maior das enormidades de mau gosto do universo é a sua própria natureza de fenómeno com princípio e a inevitabilidade de um fim. Assim, ainda maior o dramatismo de haver sido criada uma espécie cuja razão a confronta com a noção do seu próprio fim. Fim do indivíduo e eventualmente da própria espécie. E com a noção de que contribui ela própria para a possibilidade de extinção. Para a mente humana, talvez a maior fonte de consternação, essa. Muitas horas de existência dedicadas, embora com a marca de inevitabilidade, à tentativa de encontrar sentido ou fórmula de conforto. Ou então é essa paisagem que Rilke lhe viu. Em que, só assim, podemos apreciar no seu esplendor máximo a vida, e nela o amor. Ainda da noção de naturalidade, ou não. Tão natural um bicho-da-seda, macio, branco, com ou sem riscas desenhadas a negro, que laboriosamente constrói o casulo em que se esconde para um dia dele fugir, já com asas para voar, como um ser humano cuja identidade não se reconhece no corpo sexuado com que nasceu. E a transforma. E ao corpo. O exemplo da pérola. Um dos mais belos tumores da natureza, um acto de pânico de um ser vivo. Destituído de intenção estética. Age por medo. Dor. A sua produção de nácar é doméstica, é para tornar a sua casa confortável. Quando invadido na sua intimidade por organismos parasitas ou dejectos nocivos, isola o invasor agressivo com camadas desse nácar, a madrepérola. Quando produz uma esfera perfeita vêm os critérios humanos dizer da perfei-
ção geométrica, da beleza e do valor comercial. Hoje também os órgãos humanos, mesmo de humanos vivos, têm valor comercial e são objecto de venda, de oferta, de roubo. No último caso dizemos ser crime. E é. Hediondo como outros. À luz da ética que nós próprios criámos. Mas mesmo os moluscos têm sistema nervoso, e, mesmo sendo este muito simples, acontece terem estruturas sensoriais, visuais, tácteis, de equilíbrio. Outras. Na dor, também o ser humano, como a ostra, produz coisas belas. Ou não produz. Ou não são belas. Nada é belo simplesmente por inerência de um estatuto, de uma espécie, de uma raça, de um género. Ou pela naturalidade com que o é. Só por si. Podemos usar critérios que nos levam a achar que um tigre é um animal lindo, enquanto um crocodilo ou um pterodáctilo, não o é. Mas serão de outra natureza do gosto, ou do afecto. Pintainhos e filhotes de mamífero inspiram uma ternura intensa a muitos. Tantos outros bichos causam repugnâncias várias, culturais ou traumáticas. E o patinho feio, que afinal era um cisne. Estava fora do contexto naquele rancho de outros filhotes. Conchita Wurst, com os seus cabelos estonteantes, barba e vestido de lamé. Um modelo estético estranho. A pensar. Mas só isso. Estranho porque invulgar. Menos belo cada detalhe só porque num conjunto inesperado, ou não, é a questão que se me coloca. Mas por cima dessa, a de que não prejudica ninguém. E mais acima ainda, um valor que ligado ao anterior eu venero. A coragem. Eventualmente da solidão. Será menos bela, belo, do que Cronos comendo os seus filhos, o de Goya? Também me pergunto se este é um belo quadro. Ou terrífico. O que, para lá do sentido, não importa afinal. Como se uns fossem mais naturais do que outros. Os bichos. Os cânones. Como a natureza humana, a homossexualidade humana, a transexualidade humana. A partir de que grau de idoneidade ou legitimidade é que se está protegido pela ética - já que a moral é essa parente pobre, conceito adulterado da tradução do grego de ethos - da agressão do outro, é uma coisa que me faz pensar. Para muitos, do humano para cima. O humano como início da escala de valores a proteger, mas acima dele ainda Deus, que a muitos confunde ligeiramente na sua fórmula egocêntrica. Para outros a escala começa um pouco mais abaixo incluindo os animais domésticos, domesticados. Os animais amigos do homem. Para outros os mamíferos em geral, porque detêm um olhar quase humano. Alguns, e alguns mais do que alguns humanos. Para outros, o reino animal em geral, desprezando o mundo vegetal. Para outros ainda, os seres vivos em geral. Para estes é um dilema de vida, conviver no respeito absoluto e coerente com esse princípio, o mais respeitável de todos. É o que eu sinto. Não é o que pratico e mesmo assim o meu inferno é vasto. Culpada pela minha natureza de elemento privilegiado nesta cadeia alimentar. A cidadania, como valor de responsabilidade dá trabalho. E cadeias alimentares entre elementos da mesma espécie, a nossa. Quem engole quem. Quem mata, quem anula, quem destrói quem. Quem se defende de fantasmas, ferindo
pessoas. Quem cataloga pessoas. Quem, pela sobrevivência do seu ego e da sua identidade gera a ilusão de moinhos de vento e activamente lança as suas flechas mortíferas. Deixámos historicamente para trás tanto preconceito, tanta caça às bruxas, tanta ignorância, tanta descriminação, se pensamos no sítio do mundo onde temos a sorte de viver como novos- ricos. Deixámos? Tenho pensado tanto na questão da monstruosidade. Sobretudo aquela que se gera a partir da diabolização deslocada do verdadeiro foco. Porque ela existe. Que tantos dias me entra pelos olhos adentro. Mas quanto às grandes expressões desta, a minha impotência é enorme e sobra dela uma agonia indefinida de asco e revolta. Mas é também, e aí mais ao nível do meu pequeno mundo, a questão das pequeninas, ínfimas monstruosidades, que me perturba, porque estão, cotovelo com cotovelo, mesmo ali. E por vezes as pessoas mentem. É assim muitas vezes. Tem que ser. As pessoas encerram-se em quartos escuros em cantos remotos fora da féerie das luzes. Sobem ao sótão de si mesmas e escondem-se. Escondem-se, mas por vezes querem ser encontradas e deixam pistas laboriosas. Labirínticas. Pistas a dizer, não quero que me vejam, vem daí se tens verdadeiro interesse, mas que estão ali com um sinal. Talvez esteja certo assim. E ele, esse aluno menor ainda, pouco mais que criança, como tive outros, que se prepara para que ao longo da vida, muitos pensem e digam, e lhe digam de maneiras indirectas ou por lapso e desadequação de linguagem que a monstruosidade está do lado dele. Falo sobre isto porque não é secreto. É meio secreto. Ele já começou a luta. Mas ele, que mentiu no primeiro momento, apesar da coragem imensa que constitui dizer voluntariamente a uma desconhecida que não se identifica com nenhum género, e que intuí recobrir uma coragem maior que ainda não teve, anseia por ser entendido. Sobretudo aceite. Porque talvez pense por defeito, que nunca se há- de entender a sua questão. Já vi tantas vezes isto. Naquele cadinho em que mergulho todos os dias. E com um mau fim, tantas vezes. Injusto. Porque há um silêncio, uma reserva do lado de lá e do lado do outro. Uma ausência de caminhos que não envoltos em clandestinidade, sofrimento, marginalidade, sofrimento, ignorância. Dor. Dor de ser. E dor dos outros. Porque são esses que doem mais. E depois há as questões legais. Moral e direito são controlados socialmente e entregues a muito atraso inexplicável. Insensibilidade, ignorância. E dói-me ver-me envolvida nesse complexo vórtice, sério, importante, que é demasiado confuso da forma em que ele, ela o vê. De ética, moral, direito, direitos, e colocada num ponto muito definido que é o da discriminação. Porque uso um pronome e não outro e o olho nos olhos no acaso do meu olhar pela turma a quem me dirijo. Porque acho ridículo o nome que ele quer que use para lhe falar. Logo um nome de deus….Um deus que simboliza transformação, é certo…E porque me
artes, letras e ideias 15
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Anabela Canas
anabela canas
de tudo e de nada
rebelo de o ver incluir-me por defeito nos seus alvos de luta, quando o que lhe quero ensinar, é, para começar, que nenhum género é melhor ou pior. Que a identidade dele, em curso é íntima e deve ter um reflexo consistente legalmente. E é por isso que deve lutar. Não pela rejeição de uma fórmula para que não me dá alternativas por agora. Um discurso difícil. As pessoas têm o direito de se transformar, física e psiquicamente. Por efeito da vontade de verdade de identificação. De mudar. De mudar de nome. A inoculação de vírus na forma benéfica de vacinas, a reconstrução de uma perna esfacelada num acidente, a colocação de seios de silicone, um transplante, ou a mudança dos órgãos genitais não são vistos com a mesma forma de legitimidade. E nas causas, nas razões de ser está sempre a saúde. Queremos morrer saudáveis, belos, jovens para lá do possível. E da mente. Como tentativa de anulação do sofrimento. Implantar uns seios que são aquele paradigma de feminilidade que sempre se sonhou quando o corpo se definiu noutra direcção, recortar as pálpebras que descaem com a idade. Artificial…O que é que em nós não o é, para além dos sentimentos ou dos sentidos que compulsivamente nos transmitem sensações tão definidas por vezes? Quando mesmo esses enganam. Perseguir paradigmas quando a noção de liberdade se instala. Paradigmas de identificação. Somos únicos,
por mais que irrelevantes, na única possibilidade de existência que uma vida sem fervor metafísico, ou religioso, nos reserva. Porque não reelaborar o género nas suas especificidades estéticas, sexuais e existenciais. Mas nestas questões que têm também a ver com o amor ou com o desejo puro e simples, puro e duro, não se sabe sempre se a resolução do corpo é o ponto de partida ou o ponto de chegada. É quem se é, ou aquilo que se sente por alguém que é o outro, e ponto de chegada de um valor. Eu tenho uma noção estranhamente imprecisa da minha identidade de género. Sempre tive. Tenho a sorte de me sentir confortável na minha pele, no meu corpo específico e feminino e na tradição em que cresci. Mas sei que me sentiria muito parecida com o que sou, num corpo de homem. Parece-me. Talvez porque nunca se sobrepõe a tudo o resto que me define, essa, para mim pequena questão do género. Mas, noutro corpo eu seria gay. Disso não tenho dúvida. Mas só atendendo a tudo o que senti até hoje. Serei portanto, eventualmente um homem, gay, que nasceu num corpo de mulher mas não se importa com isso. Ou uma mulher, heterossexual, que poderia ter caído por acaso do destino, num corpo de homem. E se quisesse afinal ser vista pelo olhar de um homem, como mulher, sujeitar-me- ia àquelas duras terapias hormonais e psicológicas, e a complexas cirurgias para surgir, como um
cisne do patinho feio, mulher plena. Com um bilhete de identidade a dizer-me do sexo masculino. Há no entanto complicações maiores, outras recombinações e outras possibilidades de identidade entre um corpo e um intelecto. Onde toda esta realidade emperra é nos preceitos legais. Lentos, amórficos, alheados do muito que se sabe da natureza humana. Cruéis e ignorantes. Apoiados pela opinião pública, cada vez mais visível e opiniosa, a dedicar fel e vinagre a estes assuntos à falta de maiores preocupações humanas. Mas as questões de orientação sexual, que para mim são da natureza privada e um direito inalienável ao respeito, são também aquelas em que as pessoas tendem a defender, começando por se resguardar definindo-se de acordo com a norma. Tenho sorte, portanto. As questões que a ética deveria proteger da moral e das insuficiências do direito, camadas sucessivas de elaboração. São as questões da identidade. E do direito à identidade. Todos nós as temos. E das monstruosidades. Aí também posso dizer que todos nós as temos. Sei de que falo quando falo de mim. Também. E aprender os pequenos troços a percorrer de cada vez para conquistar a liberdade. Uma escola é um cadinho. Tantos e tão diferentes, por serem muitos ao longo dos anos é possível vê-los em perspectiva. Senão uns, outros. Não é assim tão diferente. Há um padrão.
Gosto de lhes ensinar a solidão. A solidão mas não a clandestinidade, a fuga. O silêncio e a solidão. A terem a coragem de não se esconder. A falar de si a reflectir em si. Nos outros, mas não como elemento repressivo. A transportar a sua própria gaiola. E a sair dela sempre que for preciso. Diz Schopenhauer que quem não sabe apreciar a solidão, também não sabe apreciar a liberdade. Qualquer coisa como isto. E é aí que quero chegar. À alma desse meu aluno, aluna, ou o que quer que se encontre válido na língua portuguesa para me dirigir a ele. Estar só, se necessário. Contra o olhar dos outros. Contra os outros, só se necessário. Com a mesma falta de preconceitos de sempre, excepto o de que legalmente ele tem um nome e um género, e este último é uma referência de reconhecimento discutível e que o não obrigaria a vestir-se de acordo com este, o que tornaria inútil como elemento constante no documento de identificação. E que olhando para ele por agora, reconheço os paradigmas estéticos comuns ao género que ele repudia. Esta é uma história no seu início. Para mim – ainda temos muito a conversar. Para ele vem seguramente dos confins da infância em dor e sofrimento solitário. Com os seus monstros por companhia. Mas mais ainda com os monstros dos outros. A preparar-se estes para, nas suas, lhe apontar monstruosidades e outros mimos.
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luz de inverno
Boi Luxo
As longas metragens de Jean Eustache, La Maman et la Putain e Mes Petites Amoureuses
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a Maman et la Putain traz sobretudo a lembrança de uma era que passou, o início do nosso tempo, um em que as mulheres já se não deixam seduzir pelos soldados, um tempo em que o uniforme militar perdeu o seu charme para se ver substituído pelo prestígio do homem de sucesso, os seus carros e o seu emprego fixo. Quando o nosso herói, Alexandre, no início do filme, pede emprestado um carro a uma vizinha esta diz-lhe, aproximadamente, que o carro não tem o pisca do lado esquerdo e que, para contornar esta falha, inventou um pequeno truque – evitar virar à esquerda. É aí que o filme de Eustache nos convence. Um homem de sucesso não conduziria um carro sem indicador de mudança de direcção, acho eu. Alexandre não tem direcção e esse é o seu segredo e o seu charme. O que em La Maman et la Putain causa uma nostalgia paralisante é o modo como é usado o tempo. Como pode aquele que era o tempo do ócio e da largueza ter-se transformado, hoje, num tempo dedicado todo ele à utilidade? Este filme não precisava, além disso, de ter 3 horas para se explicar, mas, no fim, percebemos que a ele se poderiam generosamente juntar mais 3 horas e meia porque esta história, autorizada já longe dos primeiros entusiasmos da
nouvelle vague, faz parte de uma fase de confirmação, de uma fase em que se perdeu a necessidade de anunciar um cinema novo com estridência e em que se pode permitir uma auto satisfação. Os temas, longamente debatidos, são os do costume, o amor, o ciúme e a frequência da cidade, neste caso, como em tantos outros filmes da época, Paris, e, sobretudo, a necessidade imperiosa da liberdade. Aqui a liberdade é a do amor e a do usufruto do ócio. A imagem é a dos cafés, a dos cigarros constantes, da música e das referências ao cinema e, mais escassamente, ao sistema político. O que mais perturba é a incontornável instalação do tempo burguês, a instalação do tempo comercial e o tópico da pressão social em direcção ao conformismo – que levou à ditadura actual dos produtos gourmet, do design, da correcção política e do desporto. Por isso este filme teria de ser longo e extremamente palratório, para lembrar como a conversa e os cigarros são essenciais à felicidade. Num dos seus primeiros filmes curtos, Le Père Noël a les yeux bleus, um dos personagens fala de um outro referindo-se-lhe nestes termos: não me consigo lembrar dele senão com um cigarro na ponta dos lábios. Hoje ele serve para percebermos que nos roubaram o tempo. Não é, como se poderia esperar, mais um filme francês de conversa, mas
não é fácil de isolar de onde é que vem a sedução que o envolve. Jean Eustache realizou, para lá de várias curtas metragens, apenas duas longas, La Maman et la Putain e Mes Petites Amoureuses, respectivamente em 1973 e 1974. Não viveu muitos anos, escolheu suicidar-se com um tiro. Não conheço muitos cineastas que se tenham suicidado com um tiro. Talvez o cinema não seja uma actividade muito séria. O mes petites amoureuses, Que je vous hais! Plaquez de fouffes douloureuses Vos tétons laids! (Rimbaud) Mes Petites Amoureuses é menos urbano e menos cool. Não tem jovens de cachecol e o centro das atenções não é um jovem urbano, intelectual e irritante mas um pré-adolescente de cidade de província, acólito de igreja e de ideias fortes. Pode ser uma história autobiográfica de Eustache mas se não o for sê-lo-á de muitos outros jovens pré-adolescentes de cidade de província. Seja como for, uma infância na província, com os seus odores fortes e uma imobilidade húmida, marca mais que a juventude na grande cidade. É emblema da sua cruel intenção o início irónico do filme, uma canção: (. . .) douce France, cher pays de mon enfance (. . .) mon village (. . .) où les enfants de mon âge/on partagé mon bonheur/oui je t’aime . . . douce France. Será tudo
menos doce esta França estática, monótona e triste e é difícil, dado o título do filme, não pensar na infância difícil e cheia de peculiares agressividades do autor do poema que o informa, Rimbaud. Quando o pobre rapaz é obrigado a deixar a avó e a escola para ir viver com a mãe e um espanhol de semblante duro e sofredor com quem mantém uma relação ainda meio escondida da sociedade local, dá-se o começo do incómodo (a mãe distante) e do fascínio que algumas mulheres lhe causam. O crescimento de Daniel far-se-á de silêncios e de faltas de oportunidade, estas inevitáveis a partir da altura em que a mãe o retira da escola para o pôr a trabalhar. Se o protagonista de La Maman et la Putain praticamente não se cala durante todo o filme, em redor do jovem Daniel permanece um silêncio que o distingue dos que o rodeiam. A sentença a que não poderá fugir é declarada por um amigo (Maurice Pialat) do mecânico de motas para onde a mãe o envia para trabalhar: nunca serás mais que um pobre diabo como nós. Em Mes Petites Amoureuses (muito mais do que em La Maman et la Putain) há uma imensa capacidade de nos dar a ver os perigos que o futuro nos pode reservar, uma imensa capacidade de nos dar a ver como se instala em torno de um jovem talentoso, apodrecenta, uma inevitável desilusão.
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The Hunger Games: Mockinghay Part 2 [B]
Filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
The Hunger Games: Mockinghay Part 2 [3D][B]
Filme de: Francis Lawrence Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth 19.15 Sala 2
Return of the cuckoo [B] Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Patrick Kong
Com: Chi Lam Cheung, Charmaine Sheh, Joe Chen, Nancy Sit 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 3
Lost in Hong Kong [b]
Falado em Mandarin e Cantonense Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Zheng Xu Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 14.30, 16.45, 21.30
Our times [b]
Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Zheng Xu, Wei Zhao, Bei-Er Bao, Juan Du 19.00
Macau Food Festival Lagos Nam Van Entrada livre Apresentação do livro “Amores do Céu e da Terra, Contos de Macau” Livraria Portuguesa, 18h30 Entrada livre Festival “This is My City” - Conversas “Pechakucha” e visualização de filmes Albergue SCM, 18h00 Entrada livre
Aconteceu Hoje
Diariamente
Charles Darwin publica “A origem das espécies”
Exposição Casal Notável – artefactos de Sun Wan, segunda filha de Sun Yat Sen Museu de Macau Entrada livre Exposição de Zhou Chunya MAM Entrada livre Exposição “Refugiados de Xangai” Arquivo Histórico de Macau Entrada livre Exposição “A Jornada de Um Mestre” Albergue SCM Entrada livre Exposição “Salão de Outono”, obras de 29 artistas locais (até 28/11) Fundação Macau Entrada livre Exposição “Aguadas da Cidade Proibida” (até 07/2016) Museu de Arte de Macau (MAM) Entrada a cinco patacas
24 de novembro
h o j e h á f i l m e Mulan (Tony Bancroft, Barry Cook, 1998) Hoje a escolha é dedicada a crianças, mas também a adultos que ainda não perderam a alegria de ver desenhos animados extremamente bem feitos. Mulan é um filme da Disney que conta a história de uma corajosa jovem chinesa que se faz passar por um guerreiro para substituir o pai na luta contra os hunos. A história passa-se na era da Dinastia Han e fala de amor, honra e coragem, com muito humor à mistura. Joana Freitas
fonte da inveja
• A 24 de Novembro de 1859, Charles Darwin lança “A Origem das Espécies”, onde explica que as formas de vida tiveram origem no processo de selecção natural. Darwin foi um naturalista britânico que formulou a teoria que culminou no que é, agora, considerado o paradigma central para explicação de diversos fenómenos na biologia. Darwin começou a interessar-se por História Natural na universidade enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de cinco anos a bordo do brigue HMS Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. A suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Selecção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir ideias como aquela, Darwin fala apenas a amigos próximos e continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objecções. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma ideia similar forçou a publicação conjunta das suas teorias em 1858. Darwin ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, como “A descendência do Homem e Selecção em relação ao Sexo» e «A Expressão da Emoção em Homens e Animais”. Darwin foi laureado com a medalha Wollaston concedida pela Sociedade Geológica de Londres, em 1859, e em reconhecimento à importância do seu trabalho foi enterrado na Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton. Neste dia em 1700 Felipe V é proclamado rei da Espanha. A 24 de Novembro de 1991 morre um dos artistas mais respeitados do mundo: Freddi Mercury. Morreu devido a complicações pulmonares derivadas da SIDA.
João Corvo
Esquecimento: eis a palavra que convém esquecer.
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opinião
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Rui Flores
ruiflores.hojemacau@gmail.com
dissonâncias
Michael Curtiz, Casablanca
Refugiado me confesso
O
sentimento antimuçulmano está a crescer na Europa. Essa é uma das consequências imediatas dos atentados de 13 de Novembro, em Paris. Outra é a de que os refugiados não são mais bem-vindos na Europa. Esta tornou-se bem visível algumas horas depois dos acontecimentos que ceifaram a vida a 130 pessoas na capital francesa, quando o novo governo polaco anunciou que iria suspender de imediato a sua quota-parte de acolhimento de refugiados. A narrativa que está a ser construída é a de que pelo menos um dos autores dos atentados de Paris terá passado pela Grécia integrado no fluxo de refugiados que estão em marcha desde a Síria até à Europa. É difícil fugir à tentação de escrever que a narrativa procura criar as condições para que o silogismo ponha termo à entrada de mais refugiados no continente europeu:
todos os refugiados são terroristas, logo não mais refugiados na Europa. A vida é injusta. Todos o sabemos. Mas esta generalização, como tantas outras generalizações, tem em si um mal enorme. As percepções têm um poder imenso. Formamo-las ao longo dos anos em relação a todos os outros que fogem à norma. Uma norma à qual nos fomos habituando e transmitindo aos nossos filhos, que nos marca de uma forma indelével, e que está por detrás de todos os comentários que fazemos e que determina o que somos e como vimos os outros. Mesmo que nos esforcemos por ignorar as percepções, elas estão sempre presentes no nosso dia-a-dia. O candidato a refugiado não é uma pessoa que está em condições de escolher o quer que seja. O refugiado é alguém que perdeu todas as possibilidades de ser. Esgotaram-se-lhe as hipóteses. Deixou de ter opções. É alguém que está confrontado com apenas uma saída: morrer ou fugir. Quando o caminho se afunila desta ma-
neira ninguém pode ser acusado de estar a tomar más decisões. Para muitos, para uma imensa maioria, esta é a sua verdade. A sua história. É evidente que os custos que acarreta a longa viagem da Síria ou do Afeganistão até à Europa não podem ser suportados por todas as famílias. São famílias remediadas as que se metem à aventura até ao continente
O refugiado não é uma pessoa que está em condições de escolher o quer que seja. O refugiado é alguém que perdeu todas as possibilidades de ser. Esgotaram-se-lhe as hipóteses
europeu e que conseguem pagar todos os subornos e as tarifas de transporte, de barco, de comboio, de carros, aos contrabandistas de gente. Os que se aproveitam da miséria humana hão-de subsistir sempre, tanto mais que o negócio é rentável e sem qualquer tipo de onerosidade associada a prémios de seguro nem a reclamações em caso de má prestação do serviço. Até porque nos casos das viagens pelo Mediterrâneo, não poucas vezes o que tem acontecido é a “mercadoria” acabar no fundo do mar, sem possibilidade de ser intentada qualquer tipo de acção judicial. O silogismo é perigoso porque nos faz esquecer o que efectivamente sofrem estas pessoas. É claro que haverá radicais islâmicos entre os refugiados que chegam à Europa. A probabilidade é grande que, entre as mais de 800 mil pessoas que já se meteram a caminho do continente europeu desde o início deste ano, haja vários potenciais terroristas à espera de um sinal para atacarem. Mas a argumentação de que se deve ter muito medo pois os candidatos a refugiados que chegam à Europa são acima de tudo homens jovens já não colhe. Na verdade, segundo os números mais recentes daqueles que já foram registados – os outros não poderão, naturalmente, ser contabilizados –, 73 por cento dos refugiados e migrantes são do sexo masculino e 81 por cento têm menos do que 35 anos. Os seus países de origem têm uma pirâmide etária bastante jovem. E culturalmente não há abertura para que as mulheres de vinte e poucos anos saiam de casa dos pais nem tão pouco para que as mais novas viajem sozinhas. Essa é uma dimensão da igualdade de género que está por alcançar. Em muitos casos, as mulheres ficam para trás. O homem vai à frente, desbravando caminho, na esperança de um dia poder construir as condições para que o resto da família se lhe junte, em segurança. É por isso que são sobretudo homens aqueles que chegam à Europa originários, na sua grande maioria, de países de fé muçulmana. A realidade é demasiadas vezes muito difícil de retratar. E de ser credível. Quando as estórias que ouvimos nos são tão distantes, custa-nos muito acreditar nelas. Como se escutássemos um conto fantástico. A União Europeia tomou a decisão no final da semana passada de reforçar os controlos das fronteiras externas da Europa, obrigando os europeus ao mesmo tipo de escrutínio a que têm estado sujeitos os cidadãos de países terceiros. Até ao final do ano vai ser estabelecida uma lista de passageiros de viagens aéreas no interior da Europa à qual terão acesso todos os Estados-membros, de forma a que se possa controlar com mais eficácia os movimentos de eventuais suspeitos de redes terroristas. Ainda bem. É preciso que continuemos a estar ao lado da política de abertura aos refugiados por todos os que, justificadamente, merecem ser acolhidos na Europa, no final da mais longa viagem da sua vida, fugindo de uma morte certa.
opinião 19
hoje macau terça-feira 24.11.2015
Tânia dos Santos
taniarsdossantos@gmail.com
sexanálise
Tao-Confúcio: a sexualidade na China
As relações sexuais eram vistas com maior liberalismo e naturalidade porque as descrições de vidas amorosas, casamentos, divórcios, e tipos de relacionamentos heterossexuais e homossexuais não mostravam desaprovação nem condenação A verdade é que acreditava-se que o sémen continha altos teores de jing (精) e que a sua perda teria consequências para a sua saúde. Por isso: sexo sim, mas sem ejaculação. As práticas desenvolvidas trouxeram, por isso, dicas úteis para não perder o seu sémen e jing (精) em sexo que era necessário, mas não o pacote total. As mulheres eram vistas como um receptáculo sexual, um ‘caldeirão’ necessário para o desenvolvimento fetal e por isso até certo ponto
actual. Certas crenças ainda se perpetuam sobre como não é saudável desperdiçar o suco sexual, insistida pela medicina tradicional chinesa. Afectando, por exemplo, a forma como a masturbação é vivida na China. Se é herança dos neo-confucionistas ou não, também se denota a ditadura do silêncio sobre as coisas do sexo e alguma relutância em retirá-las da privacidade do quarto. Como em muitos outros contextos é simplesmente pouco falada. Mas e a globalização, o socialismo de características chinesas ou a agora política do filho ‘duplo’?
Wong Kar-wai, in the mood for love
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ecentemente tenho ciberneticamente explorado sobre a sexologia taoísta que levou a uma pertinente preocupação das influências para o sexo que se faz na China. Se no mundo ocidental temos a igreja e as revistas cor-de-rosa a insistir em certos entendimentos sexuais, muitos deles que se caracterizam pela sua castração e repressão; da China histórica, encontramos muito provavelmente as influências do Taoismo e do Confucionismo (e por enquando ficar-me-ei por estas duas correntes, mas mais reflexões sobre a sexualidade oriental/ chinesa estará por vir). Taoismo: Além das referências ao yin e o yang (阴阳), a importancia do qi (气) e ainda do jing (精), o taoísmo sexual, não surpreendentemente, foi descrito muito centrado na perspectiva masculina. Sexo em si era uma prática de potencial espiritual onde ‘se une a energia’ (合气) com vantagens grandiosíssimas para o homem, que se acreditava desenvolver muito boa saúde pela prática e, com muita dedicação, atingir a imortalidade. Acreditava-se que o sexo estabelecia o tão desejado equilíbrio que se procurava na natureza e que o yin e o yang ilustrava, sugerindo uma possível abordagem naturalista que nunca se popularizou.
eram respeitadas e deveriam ser estimuladas e agradadas porque só assim é que a energia gerada seria benéfica para o homem e para o seu desejo de imortalidade. Contudo, apesar de se sentir como uma obrigação médica agradar o yin (o lado feminino) para a sua energia ser terapeuticamente aproveitada, as mulheres continuavam a ser usadas como objectos. Confucionismo: Provavelmente a corrente filosófica mais influente na China, pouco ou nada disse sobre sexo. Confúcio não se debruçou por aí além pelo tema e tudo indicava que usaria pessoalmente a actividade sexual heterossexual de forma muito prática, desde que, contudo, não interferisse na sua vida social. O pior veio depois, quando Neo-Confucionistas, a partir da dinastia Sung, trouxeram uma reinterpretação dos ensinamentos do sábio e sugeriram uma teoria repressiva do sexo, que teóricos acreditam ser a base para o entendimento sexual na China dos últimos 1000 anos. Antes da intervenção dos neo-confucionistas, historiadores acreditam que as relações sexuais eram vistas com maior liberalismo e naturalidade porque as descrições de vidas amorosas, casamentos, divórcios, e tipos de relacionamentos heterossexuais e homossexuais não mostravam desaprovação nem condenação. Se esta visão continuou na base da vida privada chinesa, temos pouca certeza, porque os discursos pós-Sung mostram uma contínua repressão que poderiam ter mais forma em certas classes sociais e/ou nos documentos históricos a que temos acesso hoje. O que vale são as descrições literárias, as representações artísticas que ainda mostravam alguma criatividade sexual e que nos fica no imaginário de tantas taradices que julgamos chinesas. As descrições da antiga sexualidade chinesa, especialmente a Taoista, têm sido alvo de bastante análise pelos grupos que desejam elevar a sua sexualidade a uma experiência espiritual (tal como era descrita, na união das energias) e por isso tem aumentado de popularidade em círculos ocidentais interessados em Tantra. A filosofia sexual chinesa tem sido por isso reinterpretada à
luz de uma maior igualdade de géneros e na possibilidade de estender a actividade sexual ao máximo, com tantos exercícios de controlo ejaculatório que existem. Consigo imaginar que não é da mesma forma que se influencia a sexualidade chinesa
Notas: 1.Usei caracteres simplificados para ilustrar variados conceitos porque foi assim que aprendi, teria escolhido os tradicionais pela minha ligação a Macau, mas não seria fiel ao meu conhecimento da língua chinesa. 2.Muitas das informações aqui apresentadas basearam-se em Ng, M. L. & Lau, M. P. (1990) Sexual Attitudes in the Chinese. Archives of Sexual Behavior, 19 (4), 373-388 que oferece uma maior reflexão das práticas e das suas influências e que será do interesse de quem deseja aprofundar o tema.
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hoje macau terça-feira 24.11.2015
Documentário conta história das ruínas de São Paulo
Um católico chamado Wu Li A Convenções e Exposições podem ganhar lugar de destaque
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secretário-geral da Associação de Convenções e Exposições de Macau, Alan Ho, defendeu que este sector tem potencial para crescer no território. Alan Ho acredita que mais seminários internacionais, organizados com o apoio do Governo, podem atrair mais investimentos. Segundo o Jornal Ou Mun, o secretário-geral afirmou que “no relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) o Governo mostra querer cultivar novos focos de crescimento económico, que inclui o sector de convenções e exposições, sendo esta notícia um grande encorajamento para o sector”. Alan Ho considera que o apoio do Governo é importantíssimo e um trabalho conjunto entre Governo e empresas é indispensável. “O sector [com apoio] pode manter a tendência de desenvolvimento, até porque Macau irá receber três convenções internacionais”, notou, sublinhando os momentos como fases de crescimento do sector. O secretário-geral apontou ainda que os transportes dentro de Macau e a ligação entre Hong Kong – Zhuhai – Macau poderão ser pontos a favor. Alan Ho acredita que o futuro dependerá do trabalho realizado agora, nas reuniões regionais e internacional. “Uma convenção internacional envolve pelo menos dez mil participantes. Macau tem equipamentos e locais possíveis para organizar isto, se mais pessoas conhecidas participarem nas convenções isto será uma grande ajuda para o desenvolvimento do sector”, rematou. Tomás Chio
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história das Ruínas de São Paulo, símbolo de Macau, deu origem a um documentário que estreia esta semana na Região Administrativa Especial chinesa e cujas filmagens passaram por Portugal. O filme “As crónicas de Wu Li no Colégio de São Paulo”, de James Jacinto (realizador e produtor) e Silvie Lai (produtora), conta a história da Igreja e do Colégio de São Paulo, “hoje mais conhecido por Ruínas de São Paulo”, como explica a promoção do documentário, num comunicado divulgado ontem. Para contar esta história, o documentário usa a viagem a Macau do pintor e poeta chinês Wu Li, em finais do século XVII, e retrata ainda outras figuras históricas da mesma época, como os jesuítas Alessandro Valignano, Matteo Ricci e Phillipe Couplet, e o oficial e académico chinês Xu Guangqi. Para as filmagens, foram feitas reconstituições históricas de espaços e ambientes de Macau e de outras regiões da China durante as dinastias Ming e Qing (séculos XVI e XVII). Entre as cenas reconstituídas no documentário está a cerimónia de inauguração da Igreja de Madre de Deus, assim como as aulas no Colégio de São Paulo. Mais de uma centena de actores e figurantes participam no documentário, “trajados à época, recriando o ambiente multicultural da Macau em 1600 e 1700”, ainda segundo a mesma informação divulgada ontem. Para além de Macau, as filmagens do documentário passaram por Pequim, Hong Kong e Portugal. Segundo o ‘trailer’ do documentário, o filme pretende explicar os motivos da esco-
lha de Macau para a instalação da primeira universidade de tipo ocidental na China e dar a conhecer o “período pioneiro do intercâmbio cultural” entre a China e o ocidente. “Os profissionais envolvidos, desde a equipa de filmagem e produção, aos atores, passando por grande parte dos ‘designers’ e costureiros do guarda-roupa, compositores e intérpretes das músicas, são residentes em
Macau”, ainda segundo os produtores. O filme tem versões narradas em português, inglês, mandarim e cantonense e após a estreia no cinema, esta semana, será transmitido nos canais da televisão pública de Macau (TDM). Foi financiado pelo Governo de Macau, Fundação Macau, TDM e o Galaxy Entertainment Group, uma das operadoras de jogo de Macau.
Terrenos Chan Meng Kam quer saber planos para terra já recuperada
Antes que seja de novo ocupada O deputado Chan Meng Kam quer que o Governo faça saber os seus planos sobre o que está a pensar fazer com os terrenos até agora recuperados. Isto porque o deputado teme que os mesmos voltem a ser ocupados de forma ilegal, como já aconteceu. Numa interpelação escrita, Chan Meng Kam frisou que desde 2009 que existe um mecanismo de acção composto por oito serviços públicos – entre os quais a PSP, os Bombeiros
e a Direcção dos Serviços para Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) – para tratar da ocupação ilegal de terrenos. Chan Meng Kam recorda ainda: até Maio deste ano, 57 lotes que pertencem ao Governo já foram recuperados, perfazendo uma área total de 235 mil metros quadrados. Mas, mesmo que os espaços tenham sido recuperados há já vários meses, ainda não foi publicada qualquer novidade sobre o destino a dar-lhes,
excluindo serem para construção de habitação, estradas e jardins. “O Governo afirmou no ano passado que os terrenos desocupados vão ser aproveitados de forma apropriada ou ficarão em modo de reserva. Mas será que o Executivo pode publicar mais detalhes sobre o destino dos lotes com uma área de 235 mil metros quadrados?”, questionou. Chan Meng Kam espera que o Executivo priorize a cria-
ção de mais habitação pública caso se verifiquem condições favoráveis para o efeito em terrenos recuperados. Além disso, o deputado mostra-se preocupado com a eventualidade dos lotes recuperados virem a ser ocupados de forma ilegal novamente. Assim, questionou o Governo sobre se o modelo de fiscalização existente consegue evitar isso mesmo. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo