DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
HOJE MACAU
QUINTA-FEIRA 24 DE JANEIRO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4218
As letras macaenses ENTREVISTA
hojemacau
Emissão limitada
Pela primeira vez desde que teve início a emissão do Bilhete de Identidade de Residente (BIR), em 2002, o número de atribuição da residência de Macau a portugueses ficou abaixo de 100. Apesar do aumento contínuo
da comunidade lusitana portadora de BIR, (quase 7.000 em 2018) o ritmo de crescimento tem vindo a diminuir, fixando-se no ano passado em apenas 98 novos portadores do cartão de residente.
PÁGINA 7
CLAUDIO IANNONE
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ROGÉRIO MIGUEL PUGA
h LER E ESCREVER LUÍS CARMELO
ÉTICA E DIGNIDADE ANTÓNIO CABRITA
GOTA DE GLITTER GISELA CASIMIRO
ASSEMBLEIA
PRESENÇA DUVIDOSA PÁGINA 4
GAES
CARA NOVA PÁGINA 5
TURISMO
SOMA E SEGUE PÁGINA 9
2 ENTREVISTA
ROGÉRIO MIGUEL PUGA ACADÉMICO DA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
Entre o feminismo e a Desenvolveu o estudo sobre a “Identidade, Género e Auto-estereótipos: Temas da Literatura Macaense na Obra de Deolinda da Conceição e Henrique de Senna Fernandes”. Porquê estes dois autores? A única razão de ter estudado estes e não outros autores é por considerar que a literatura macaense é produzida por autores macaenses. No caso da Deolinda, temos esta antologia de contos em que ela fala, sobretudo, sobre a mulher chinesa e a sua condição. “A Cabaia” é uma metáfora para a condição feminina chinesa. Henrique de Senna Fernandes fala sobretudo da comunidade macaense, das questões de identidade, de religião. São dois autores macaenses a escrever sobre Macau e a comunidade macaense. Não é um português que chega a Macau e escreve sobre o macaense, são dois macaenses a escreverem sobre si próprios. É curioso ver que estereótipos os próprios macaenses utilizam para se definir, como a Igreja Católica ou as afirmações que eles próprios fazem sobre os chineses, às vezes negativas. É, sobretudo, esse interesse: o de uma visão interna da comunidade macaense que se representa textualmente a si própria, de uma forma realista. O estudo que elaborou procurou detalhes culturais nas obras dos dois autores. Quais são as grandes referências culturais que pode apontar? Na obra de Deolinda da Conceição é sobretudo a condição feminina. Ela foi uma mulher macaense com uma biografia muito interessante, pois ousou viver numa comunidade muito tradicional. Os romances de Senna Fernandes representam-na assim, como sendo uma sociedade muito conservadora. A protagonista de “Amor e Dedinhos de Pé” sofre esse peso da sociedade conservadora e, ao mesmo tempo, o livro carnavaliza essa sociedade, critica, para que o “vira pau osso”, a personagem, possa vencer no final. Ela vai contra essa sociedade. Aos olhos da sociedade macaense, altamente conservadora e religiosa, onde as mulheres são muito frustradas e castradas, é ela que, no fundo, vai dar a mão ao estroina que cai em miséria e que é renegado para as sombras do bairro chinês. Tudo isso se passa numa sociedade de bons costumes, e é este desnudar
HOJE MACAU
Na colectânea de contos “A Cabaia”, de Deolinda da Conceição, Rogério Miguel Puga encontrou a descrição da condição feminina da mulher chinesa. No romance “Amor e Dedinhos de Pé”, de Henrique de Senna Fernandes, descobriu uma caricatura da comunidade macaense. O académico da Universidade Nova de Lisboa apresentou ontem um estudo na Universidade de Macau sobre as referências culturais destas obras “intemporais” e defende que a literatura macaense deve ser mais estudada
de uma sociedade de fachada e hipocrisia que acho muito interessante, e é algo que o Henrique de Senna Fernandes faz com muita subtileza. Os romances e os contos são também interesses como memória. No caso da Deolinda
da Conceição, são contos que falam da condição feminina e do seu fardo. É um pouco a condição dela, foi uma mulher que ousou ser jornalista e ter uma vida pessoal.
Ousou amar. Isso faz de Deolinda da Conceição uma figura ímpar na comunidade macaense e até no universo cultural macaense. Sobretudo numa altura em que era difícil fazê-lo, hoje é mais fácil. Só por isso é uma figura por quem eu
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tolerância
e porque a qualidade literária é maior. São contos e romances com um cunho regional, no sentido em que descrevem o quotidiano de Macau no início do século XX. São também documentários, apesar de ficcionais. São narrativas literárias realistas, mas nunca os poderemos tomar como fontes primárias históricas. São repositórios de vivências. Macau, na altura, era um espaço de tolerância, sobretudo porque os portugueses não falavam chinês e a maioria dos chineses não falava português, havia a religião, várias barreiras. Prefiro olhar para Macau como um espaço de tolerância social e cultural. O que o surpreendeu mais neste processo de estudar obras de macaenses que escrevem sobre si próprios? É a construção e a desconstrução. No caso do Henrique de Senna Fernandes é algo inconsciente, pois há a construção de uma identidade local e depois há a desconstrução dessa identidade na mesma obra. É possível, sobretudo com a imagem do carnaval e o comportamento do Francisco, o protagonista. O facto de ele maldizer toda a gente, subverter a norma, há um processo de desconstrução dessa ordem que ele transforma em caos, e depois no fim a ordem é restabelecida fora do tecido urbano de Macau. Não é por acaso que [a personagem] se regenera fora da sociedade macaense cruel. Ele é o rei do carnaval que maltrata toda a gente e depois chega a páscoa, o tempo da mortificação, em que ele é destronado, e depois bate no fundo e tem de se reerguer. É um romance de formação também, pois acompanhamos a formação da personalidade de ambos os personagens, masculina e feminina.
tive sempre um grande carinho e que gosto sempre de reler, porque há uma enorme sensibilidade pela vida humana e, sobretudo, pela condição feminina da mulher chinesa, que sofria, trabalhava, cuidava dos filhos e muitas vezes era obrigada
a isso. Isso torna os contos da Deolinda muito interessantes. Há também os contos e poemas do Adé, ou da Maria Pacheco Borges, que tem uma colectânea de contos. Mas optei por estes autores porque os acho mais representativos
Este estudo é o ponto de partida para um trabalho mais aprofundado sobre a literatura macaense? Sim. Gostava de vir a estudar o corpus da literatura macaense, a forma e o conteúdo. Sobretudo em termos de estudos culturais, o que é que há na literatura macaense, o que ela tem de específico. Basta irmos ao índice de “A Cabaia” para vemos palavras como “calvário de ling fong”, “esmola”, “arroz e lágrimas”. Quer os substantivos, quer os adjectivos, são representativos de uma imagem da condição feminina que a Deolinda da Conceição também achou que representava a tal cabaia. Há termos simbólicos muito pesados, os diminutivos. Apesar de serem obras escritas em português, não os podemos considerar literatura portuguesa? Também são.
“As obras do Henrique de Senna Fernandes ensinam-nos muito sobre a tolerância a partir da intolerância, e a sua importância, pois perdemos cada vez mais a empatia social.” Podem enquadrar-se em algum movimento literário português? Designaria ambas como obras de cariz realista. São contos e romances realistas que representam muito próximo da realidade o que era a condição feminina e o quotidiano de Macau no início do século XX. No caso da Deolinda da Conceição, são usados termos muito específicos que revelam um jogo de espelhos, da mulher macaense que escreve sobre a mulher chinesa, algo que acho muito interessante. É um jogo de espelhos por considerar que a mulher macaense também tem um pouco de mulher chinesa? Sim. O narrador desta obra tem um ponto de vista muito ocidental. Este livro é escrito por uma mulher macaense para ser lido por portugueses. Há uma preocupação com o futuro leitor, que está implícito na obra. Estes autores acabam também por funcionar como tradutores culturais e linguísticos quando utilizam palavras específicas, por exemplo do patuá. Há um glossário. Outro estudo interessante são os elementos paratextuais, as capas, as várias edições, o que muda, as introduções que são ensinadas pelos editores. Há muitas obras dispersas que não estão contextualizadas em períodos históricos ou correntes literárias. Considera que faz falta um levantamento da literatura macaense? Penso que não, porque a literatura macaense surge, sobretudo, no século XX e tem poucos autores, a
“Gostava de vir a estudar o corpus da literatura macaense, a forma e o conteúdo. Sobretudo em termos de estudos culturais, o que é que há na literatura macaense, o que ela tem de específico.”
Deolinda, o Henrique, Adé, Maria Pacheco Borges, e pouco mais. O que há são autores portugueses, chineses e ingleses a escrever sobre Macau. Falta, sobretudo, divulgar a literatura produzida por macaenses, e estudá-la. Inseri-la na literatura mundo, dar-lhe alguma visibilidade. Poder-se-á publicar muita coisa que está perdida na imprensa do século XX de Macau, contos literários, crónicas. Seria interessante formar uma equipa multidisciplinar e publicar tudo de novo em formato de antologia. Isso foi feito com os textos de Luís Gonzaga Gomes, mas há outros autores. Nessas crónicas descreviam a realidade e depois ficcionavam-na nos seus romances, e o que me interessa muito é esta dimensão antropológica da literatura, porque [os livros] não são só figuras de estilo. É preciso estudar e questionar esta dimensão. Há várias leituras que se podem fazer do livro “Amor e Dedinhos de Pé”. Pode ser vista como uma obra realista da realidade macaense, mas também pode ser um artificio irónico de desconstrução da comunidade, de análise.
“A Cabaia recorda-nos que o feminismo continua a ser muito necessário.” O que é que este estudo e a leitura das obras lhe trouxe de novo? Sobretudo o conhecimento da comunidade chinesa e macaense, os hábitos e costumes. Tive de ir pesquisar sobre determinados rituais e costumes especificamente chineses. E foi esta sensibilização para a condição feminina intemporal e para a condição humana no fundo. A condição humana não muda, os nossos fantasmas não mudam. Continua a ser a cabaia. As mulheres já não vestem cabaias, mas elas constituem uma metáfora, continuam a existir. “A Cabaia” recorda-nos que o feminismo continua a ser muito necessário. Livros como “A Cabaia” recorda-nos isso e que a condição feminina não é assim tão livre quanto isso. As obras do Henrique de Senna Fernandes ensinam-nos muito sobre a tolerância a partir da intolerância, e a sua importância, pois perdemos cada vez mais a empatia social. São obras intemporais. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
4 política
24.1.2019 quinta-feira
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S deputados Sulu Sou, Zheng Anting e José Pereira Coutinho manifestaram-se ontem preocupados com a presença do adjunto do comissário do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), Lam Chi Long, na reunião de discussão na especialidade da proposta de lei sobre a habitação para alojamento temporário e de habitação para troca no âmbito da renovação urbana a cargo da 3ª Comissão Permanente.
DEPUTADOS QUESTIONAM PARTICIPAÇÃO DO CCAC NA PRODUÇÃO LEGISLATIVA
Um corpo estranho se alguma coisa no futuro correr mal com a aplicação da lei que está agora em processo legislativo. “O CCAC devia alhear-se nesta matéria e manter-se independente para poder intervir quer na provedoria de justiça quer no combate à corrupção”, apontou.
GCS
Três deputados da 3ª Comissão Permanente onde está a ser discutida na especialidade a proposta de lei sobre a habitação para alojamento temporário e de habitação para troca no âmbito da renovação urbana, questionaram a presença do adjunto do comissário do CCAC, Lam Chi Long, na reunião de ontem. Para Pereira Coutinho, o CCAC, enquanto órgão independente, não deveria participar nos processos legislativos em curso
TRABALHO DE EQUIPA
José Pereira Coutinho, deputado “É muito estranho que estando presente a secretária para Administração e Justiça e o responsável pela Direcção dos Serviços de Justiça, tenha sido um adjunto do comissário do CCAC a fazer a apresentação do projecto em nome do Governo”
De acordo com Pereira Coutinho, trata-se de uma situação incomum. “É muito estranho que estando presente a secretária para Administração e Justiça e o responsável pela Direcção dos Serviços de Justiça, tenha sido um adjunto do comissário do CCAC a fazer a apresentação do projecto em nome do Governo” referiu ao HM. Em causa está o facto do CCAC ser um órgão independente, acres-
centou, explicando que a presença do comissário na reunião de ontem é mesmo incompatível com as suas funções. Para Pereira Coutinho, o facto da proposta em análise ser complexa e “mexer com muitos interesses dos construtores civis”, pode ser a razão para a presença do organismo de combate à corrupção. Por outro lado, a intervenção do CCAC nesta matéria pode ainda provocar a “desconfiança da população”
A preocupação de “alguns deputados” foi também referida pelo presidente da 3ª Comissão Permanente, Vong Hin Fai depois da reunião de ontem. “Trata-se de uma equipa de trabalho de leis do governo e [estes deputados] acham que o CCAC não pode ter competência para isso”, referiu Vong. Em resposta, o Governo esclareceu que se trata de “um trabalho de equipa que conta com a ajuda de um adjunto do comissário”, apontou o presidente da comissão. “O Governo disse ainda que já em outras reuniões, como no caso da análise da proposta da lei eleitoral, também se contou com representantes do CCAC porque esta entidade também compunha a equipa de trabalho nesse processo legislativo”, acrescentou Vong Hin Fai. Questionado acerca da frequência deste cenário em sede de comissão, Vong Hin Fai recordou que, além da presença de representantes do CCAC no processo legislativo sobre a lei eleitoral, já teve lugar uma situação “em 2005 na lei sobre a privacidade dos dados pessoais em que o CCAC participou e apresentou pareceres”. O presidente da 3ª comissão não afasta a participação futura do CCAC nos trabalhos legislativos de outras leis. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
ASSISTENTES SOCIAIS TRIBUNOS E GOVERNO QUEREM CRIAÇÃO DE CARREIRA ESPECIAL
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S deputados da 2ª Comissão Permanente e o Instituto de Acção Social (IAS) querem que a proposta de lei sobre a acreditação profissional e inscrição para assistente social contemple a criação de uma carreira especial na função pública. A informação foi revelada ontem pelo presidente da comissão, Chan Chak Mo, após mais uma reunião de discussão na especialidade do diploma. “Esperamos que seja uma profissão com apenas um regime, e que a situação de uma profissão com dois regimes dure apenas num período transitório”, apontou. Em causa está o facto do diploma prever que a
proposta em análise seja apenas aplicada ao sector privado enquanto os assistentes sociais que trabalham para a função pública continuam a ser regidos pelo regime da função pública. O mesmo se aplica ao código ético a definir pelo futuro Conselho Profissional dos Assistentes Sociais (CPAS) que, não existindo carreira especial, será apenas para ser cumprido pelos profissionais do sector privado. “Esperamos que a criação de uma carreira especial esteja definida na proposta de lei. Agora é uma profissão, dois regimes e o código de ética para as entidades privadas”, acrescentou Chan.
A presidente do IAS, Celeste Vong, presente na reunião de ontem, considera também que a criação de uma carreira especial para os assistentes sociais deve constar do regime que vai regular o sector, apontou o presidente da comissão. De acordo com Chan Chak Mo, Celeste Vong vai agora entrar em contacto com a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública para perceber o que pode ser feito neste sentido. Caso a iniciativa avance, o diploma vai ainda definir um período de transição de modo a uniformizar as carreiras dos assistentes sociais. S.M.M.
CFJJ Manuel Trigo mantém-se como director por mais dois anos
Manuel Trigo vai manter-se como director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ). Segundo um despacho do Chefe do Executivo, publicado ontem em Boletim Oficial, a nomeação para o exercício do cargo, em regime de acumulação, é renovada pelo período de dois anos. O despacho produz efeitos a 3 de Abril. Manuel Trigo exerce funções como director do CFJJ desde Abril de 2002, altura em que desempenhava também o cargo de director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. O CFJJ, criado em 2001, teve como primeiro director o então juiz do Tribunal de Segunda Instância Sebastião Póvoas.
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quinta-feira 24.1.2019
ENSINO SUPERIOR GAES VAI SER TRANSFORMADO EM DIRECÇÃO DE SERVIÇOS
Em metamorfose
O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior vai dar lugar à Direcção dos Serviços de Ensino Superior. A alteração surge devido ao aumento de competências e atribuições, e deve ser concretizada no próximo mês Teng, que deu ontem a conhecer os principais contornos do projecto de regulamento administrativo que fixa a organização e funcionamento da nova DSES. A DSES vai manter uma estrutura equivalente ao GAES,
QUATRO DEPARTAMENTOS
com o coordenador e os dois coordenadores-adjuntos, a transitarem para os cargos de director e subdirectores, mantendo as comissões de serviço até ao respectivo termo. O GAES tem desde 2011 Sou Chio Fai como
A nova direcção vai dividir-se em quatro departamentos: o de Coordenação das Instituições de Ensino Superior, o de Estudantes, o de Cooperação, Ciências e Tecnologia e, por fim, o de Assuntos Genéricos. Segundo Leong Heng Teng, tem entrada
em funcionamento prevista para o próximo mês, após a publicação do regulamento administrativo em Boletim Oficial. Em conferência de imprensa, foi ainda divulgada a extensa lista de 24 atribuições da nova direcção, com o actual coordenador do GAES e futuro director da DSES a destacar a “garantia da qualidade dos cursos”, que “segue a tendência mundial” com a tónica da apreciação a ser colocada na autoridade académica em detrimento da autoridade administrativa, bem como a “cooperação com o exterior”, outro aspecto “muito importante”. Criado no final da década de 1990, como equipa de projecto, o GAES passou depois a gabinete técnico. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
TIAGO ALCÂNTARA
O
aumento de competências e atribuições do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) na sequência da entrada em vigor do novo Regime do Ensino Superior, em Julho do ano passado, esteve na base da decisão do Governo de transformar o GAES numa direcção de serviços. A denominada de Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES) deve substituir o GAES no próximo mês.
coordenador. Sílvia Ho e Chang Kun Hong desempenham funções de coordenadores-adjuntos. O universo de pessoal manter-se-á também inalterado, em 65, assim como a carreira, categoria e escalão que os trabalhadores detêm, de acordo com o porta-voz do Conselho Executivo, mas o orçamento vai sofrer um aumento na ordem dos quatro milhões por ano devido ao aumento de cargos de chefia.
O coordenador do GAES, Sou Chio Fai, transita para liderança da nova direcção “Para implementar eficazmente as disposições do novo Regime do Ensino Superior e realizar os trabalhos relacionados, em articulação com a modernização, a internacionalização e a garantia da qualidade das instituições e cursos do ensino superior, bem como o apoio aos estudantes, é necessário fazer ajustamentos às atribuições, estrutura e quadro de pessoal”, justificou o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng
SERVIÇOS PÚBLICOS CONSELHOS SIMPLIFICADOS EM NOME DA EFICIÊNCIA
GRANDE BAÍA NOMEADOS MEMBROS DA RECÉM-CRIADA COMISSÃO DE TRABALHO
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E
Conselho Executivo deu luz verde a alterações ao funcionamento do Conselho para o Desenvolvimento Turístico e do Conselho para as Indústrias Culturais. As mexidas visam “elevar a qualidade e eficiência dos serviços públicos, cumprindo o objectivo principal da reforma da administração pública que consiste na racionalização de quadros e simplificação administrativa”, explicou Leong Heng Teng. Em síntese, em
ambos os casos, é revogado o secretariado, cujo pessoal transita para a dependência sob a qual funcionam os conselhos. Assim, os quatro trabalhadores do secretariado do Conselho para o Desenvolvimento Turístico transitam para a Direcção dos Serviços de Turismo, enquanto os oito do Conselho para as Indústrias Culturais mudar-se-ão para o Fundo das Indústrias Culturais. O apoio técnico-administrativo e logístico passa a ser
prestado também pela Direcção dos Serviços de Turismo e Fundo de Indústrias Culturais, respectivamente, para os quais vão ser transferidos igualmente o património, instalações e equipamentos, do Conselho para o Desenvolvimento Turístico e do Conselho para as Indústrias Culturais. Os dois projectos de regulamento administrativo não prevêem mexidas nas atribuições ou competências, indicou o porta-voz do Conselho Executivo. D.M.
STÃO nomeados os membros da Comissão de Trabalho para a Construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. São eles Lai U Meng (em representação do Gabinete do Chefe do Executivo), Cheong Sio Hong (em representação do Gabinete da secretária para a Administração e Justiça), Cheong Chok Man (em representação do Gabinete do secretário para a Economia e Finanças), Ku I Kan (em representação do
Gabinete do secretário para a Segurança), Leong Veng Hang (em representação do Gabinete do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura), Vong Man Kit (em representação do Gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas) e Lin Yuan (em representação da Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional). O mandato dos membros tem a duração de um ano, de acordo com um despacho
do Chefe do Executivo, publicado ontem em Boletim Oficial, que produz efeitos a partir de hoje. Criada em Novembro, a Comissão de Trabalho para a Construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, tal como o nome indica, tem como competência elaborar estratégias sobre o papel da RAEM no projecto que aspira tornar Macau, Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong
numa área metropolitana mundial. A comissão – que funciona na dependência do Chefe do Executivo, que a preside – é composta por 16 membros. Além dos sete agora nomeados conta com todos os cinco secretários, com o director-geral dos Serviços de Alfândega, a chefe do gabinete do Chefe do Executivo, o porta-voz do Governo e o director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional. D.M.
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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Estrada de D. João Paulino, n.ºs 18 e 18A, em Macau; - Rua de Afonso de Albuquerque, n.ºs 14 a 14I, Rua do General Rodrigues, n.ºs 2A a 2C e Rua da Esperança, n.º 1, em Macau, (Edifício Comandante Revés); - Rua de Sacadura Cabral, n.º 17 e Rua do General Rodrigues, n.º 2, em Macau, (Moradia da Obra Social da PSP); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 11 a 13 e Avenida Marginal do Patane, n.ºs 314 a 320, em Macau, (Edifício Kong Tat); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 39D a 43B e Travessa do Almirante Lacerda, n.ºs 1 a 7, em Macau, (Edifício Industrial Iao Sek); - Avenida Marginal do Patane, n.ºs 321 a 327 e Rua Marginal do Lam Mau, n.ºs 322 a 326, em Macau, (Edifício Iat Hou Fong); - Avenida da Longevidade, n.ºs 479 a 531, Praça das Portas do Cerco, n.ºs 274 a 376 e Rua dos Hortelãos, n.ºs 33 a 121, em Macau, (Edifício Jardins San Pou). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada.
Aos, 7 de Janeiro de 2019. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong
PRECISA-SE Colaborador/a com interesse pelas notícias de Macau e que domine as línguas portuguesa e cantonesa.
POR FAVOR CONTACTAR JORNAL HOJE MACAU
TEL: 2875 2401 • EMAIL: info@hojemacau.com.mo
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HONORIS CAUSA ALEXIS TAM VAI SER DISTINGUIDO PELA UNIVERSIDADE DE LISBOA
IMIGRAÇÃO NÚMERO DE PORTUGUESES TITULARES DE BIR EM ABRANDAMENTO
A conta-gotas
Desde a transferência do exercício de soberania, tem crescido o universo de portugueses titulares de BIR, alcançando em 2018 quase 7.000. No entanto, de ano para ano, o ritmo de aumento tem abrandado TIAGO ALCÂNTARA
ACAU contava, no final do ano passado, com 6.892 titulares de Bilhete de Identidade de Residente (BIR) de nacionalidade portuguesa, ou seja, apenas mais 98 do que os 6.794 contabilizados em 2017. Dados facultados ao HM indicam tratar-se do menor aumento anual desde 2002, ano em que a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) iniciou a emissão de BIR. Do total, 5.730 (ou 83,1 por cento) eram titulares de BIR permanente, atribuído aos naturais de Macau ou a residir no território há pelo menos sete anos, enquanto os restantes 1.162 eram detentores do BIR não permanente. A maior subida anual deu-se na viragem de 2003 para 2004, com o número de portugueses a quem foi emitido BIR a crescer de 788 para 1.904, traduzindo uma subida de 1.116. Atingido o ‘pico’ o aumento foi-se mantendo superior a 200 por ano (chegou a atingir 800) até 2016, ano a partir do qual o crescimento começou a ser inferior a essa fasquia. Agora, em 2018, pela primeira vez, o ritmo de aumento ficou abaixo de 100. Excluindo os cidadãos chineses, os portugueses lideram entre as nacionalidades portadoras de BIR, seguindo-se no ‘ranking’ a comunidade filipina, indicou a DSI. Até 31 de Dezembro, existiam 3.212 titulares de BIR da RAEM de nacionalidade filipina, dos quais 2.643 eram permanentes e 569 não permanentes, segundo os mesmos dados fornecidos ao HM. Já portugueses titulares de ‘blue card’ eram 96 no ano passado, ou seja, menos um do que em 2017, de acordo com dados facultados pela Polícia de Segurança Pública ao HM. Como trabalhadores não residentes têm apenas uma autorização de permanência (e não de residên-
Número de pedidos de autorização de residência efectuados por portugueses recuou de 126 em 2017 para 115 no ano passado
cia), cuja validade está ligada ao contrato de trabalho.
PEDIDOS EM QUEBRA
Segundo os mesmos dados disponibilizados pela PSP, o número de pedidos de autorização de residência efectuados por portugueses recuou de 126 em 2017 para 115 no ano passado. Em contrapartida, houve mais
pedidos aprovados (111 contra 93 em 2017) e menos rejeitados (cinco contra seis em 2017). Actualmente, encontram-se sob análise 64 pedidos. O mais recente relatório do Observatório das Migrações referente a 2017 dava conta de uma redução progressiva do número de portugueses que emigraram directamente de Portugal para
Macau, no período compreendido entre 2013 e 2016. Emigrantes e analistas contactados então pelo HM apontaram como razões a melhoria da situação económica no país, mas também a dificuldade de acesso ao bilhete de residente e ao visto de trabalho. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
JUSTIÇA FRANCISCO MANHÃO CONDENADO A PENA SUSPENSA POR BURLA EM CASO LIGADO A SUBSÍDIOS
O
presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados de Macau (APOMAC), Francisco Manhão, foi condenado a um ano e três meses de prisão, com pena suspensa, por um crime de burla, noticiou ontem a Rádio Macau. O caso, que remonta a 2011, está relacionado com o uso indevido de subsídios pedidos ao Governo para financiar actividades da APOMAC. Segundo a emissora pública, foi o que concluiu o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) na sequência da investigação que deu origem ao processo. O CCAC
considerou que os apoios foram obtidos de forma fraudulenta por terem sido pedidos a três entidades para o mesmo fim, isto sem que a APOMAC tenha reportado ao Governo mais do que um pedido de apoio. Em jogo estaria um subsídio de aproximadamente 300 mil patacas, atribuído pela Fundação Macau, de acordo com a Rádio Macau que deu conta de que a sentença do caso foi lida a 1 de Novembro. Em declarações à emissora pública, Francisco Manhão revelou que decidiu não recorrer da decisão do Tribunal Judicial
de Base, garantiu estar de “consciência tranquila” e assegurou que não houve desvio de dinheiro. “Houve um desentendimento em termos contabilísticos. Mas, depois de esclarecido, ficou sanado e a APOMAC continua a receber os subsídios até hoje. O tribunal entendeu de forma diferente (...) mas ficou demonstrado – e isso é que é importante para mim – que não me apropriei de nada e que não houve desfalque em proveito próprio, quer para mim, quer para outros”, afirmou o mesmo responsável.
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Universidade de Lisboa vai atribuir o título de Doutor Honoris Causa ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, pelo seu contributo para o desenvolvimento da Educação e ensino da língua e cultura portuguesas. A cerimónia de atribuição do título de Doutor Honoris Causa vai ter lugar a 11 de Março. Nascido em Julho de 1962, na Birmânia, estudou na China, em Portugal e na Escócia e “tem promovido políticas activas de incentivo ao ensino e aprendizagem da língua portuguesa em escolas públicas e privadas do ensino não superior onde o número de alunos e de professores de Português duplicou”, segundo um comunicado da Universidade de Lisboa. A mesma tendência tem sido seguida nos cursos superiores leccionados e ligados à língua portuguesa, em termos de alunos matriculados. Entre outras medidas, Alexis Tam criou em 2016 um programa de financiamento destinado à elaboração de materiais científicos e pedagógicos para apoio ao ensino da língua portuguesa. Ao abrigo deste programa foram publicadas mais de duas dezenas de obras e realizadas várias conferências internacionais. A sua acção no âmbito do ensino e aprendizagem da língua portuguesa ultrapassou o espaço de Macau, incrementando o apoio às instituições de ensino superior da China, Tailândia, Vietname, Coreia do Sul e Japão, nomeadamente através da formação de professores, da mobilidade de docentes de língua portuguesa e da difusão de materiais pedagógicos. Em 2014, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Alexis Tam foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique.
LECM José Maneiras nos órgãos estatutários
O arquitecto José Maneiras foi nomeado, em representação da RAEM, para os órgãos estatutários do Laboratório de Engenharia Civil de Macau (LECM) para o triénio 2019-2021, onde exerce actualmente o cargo de presidente da Mesa da Assembleia-Geral. Igualmente nomeado foi o presidente da direcção, Ao Peng Kong, indica o mesmo despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, publicado ontem em Boletim Oficial. Os efeitos do despacho retroagem a 1 de Janeiro. Já Tam Lap Mou foi nomeado vogal da direcção do LECM, em representação da RAEM, de acordo com outro despacho.
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Aeroporto Esperados 8,7 milhões de passageiros em 2019 A Companhia do Aeroporto de Macau (CAM) espera alcançar a meta de 8,7 milhões de passageiros em 2019, após ter atingido a marca recorde de 8,26 milhões no ano passado. Em comunicado, divulgado na terça-feira, a CAM traça objectivos em diferentes frentes, como ao nível do movimento de aeronaves (de mais de 65 mil para 69 mil em 2019) ou do transporte de carga (de 41.500 para
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À BEIRA DOS 40 MILHÕES
A DST explicou ontem que para este ano vai ter um orçamento de cerca de
Autocarros Actualizada aplicação móvel que permite localização em tempo real
A partir de sexta-feira, a aplicação móvel que permite a consulta da localização dos autocarros vai disponibilizar funções adicionais de visualização em tempo real e previsão do tráfego rodoviário, assim como um inquérito ao grau de satisfação dos passageiros. Em comunicado, divulgado ontem, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) indica ainda que vão ser optimizadas duas funções: a pesquisa de carreiras de autocarros ponto a ponto e a de estimativa do tempo de viagem.
VIAGENS SERVIÇOS DE TURISMO VÃO ORGANIZAR EVENTO DE GRANDE ESCALA EM LISBOA E PORTO
O ano de todas as festas
O Governo antecipa que quase 40 milhões de turistas vão visitar o território este ano e revela que os residentes mostram abertura para alojamento em residências particulares... desde que não seja na sua rua Em relação a este ano, a DST está a apontar para um crescimento do número de turistas entre os cinco e os seis por cento, ou seja, por volta dos 37,6 milhões e 37,9 milhões.
GONÇALO LOBO PINHEIRO
Executivo está a preparar um evento de grande dimensão em Lisboa e no Porto com o objectivo de promover o turismo da RAEM. A iniciativa foi abordada ontem pela directora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, a apresentada no quadro da celebração do 40.º aniversário do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a China. “Vamos ter uma acção de grande escala em Lisboa e no Porto, durante o mês de Março. Ainda estamos a decidir os elementos que vão estar presentes, mas alguns já estão identificados”, disse Maria Helena de Senna Fernandes. “Vai ser uma semana intensa para promover Macau em Portugal. O Instituto Cultural também vai estar presente e vai ser uma grande mostra de Macau num espaço público”, acrescentou. A responsável não quis avançar mais pormenores sobre o evento que vai decorrer na semana de 12 de Março, uma vez que ainda não estão ultimados todos os detalhes. No que diz respeito ao IC, vão igualmente haver actuações de artistas. Dado que na apresentação de ontem sobre o calendário dos eventos organizados pela DST para este ano foi referida a vontade de juntar a todos elementos gastronómicos, não é de excluir que haja neste evento a oportunidade de experimentar a gastronomia macaense.
42.750 toneladas). O Aeroporto Internacional de Macau (AIM) fechou 2018 com receitas de 5,49 milhões de patacas – mais 11 por cento do que em 2017. Ao longo do ano passado, seis companhias aéreas passaram a operar no AIM e dez novas rotas foram adicionadas, elevando para 27 o número de transportadoras aéreas e para 51 o total de ligações de e para Macau, indicou a CAM na mesma nota.
ALOJAMENTO PRIVADO
2,04 mil milhões de patacas para eventos e elementos de turismo local. Para este valor contam os fundos do orçamento do Governo, do programa PIDDA e do Fundo do Turismo.
Entre o destino dos fundos, que Maria Helena de Senna Fernandes anteviu que não vão ser gastos na totalidade, encontra-se o Museu do Grande Prémio. O Governo quer reabrir o
AUTOCARROS DIRECTOS
A
DST quer a implementação de um transporte directo entre o aeroporto de Hong Kong e Macau, de forma a evitar que as pessoas precisem de entrar na RAEHK e de tratar dos procedimentos fronteiriços. A sugestão já foi enviada aos Serviços para os Assuntos Tráfego (DSAT). Ontem, a directora da DST admitiu que um sistema semelhante ao ferry, em que as pessoas conseguem fazer check-in das malas em Macau, ainda depende de infra-estruturas em Hong Kong, algo que ainda não é possível.
espaço a tempo da celebração do Grande Prémio de Macau, que se realiza entre 14 e 19 de Novembro, e a tempo do 20.º Aniversário da RAEM. No evento organizado ontem na Torre de Macau ficou-se ainda a saber o número de turistas que visitaram o território ao longo do ano passado. No total foram 35,8 milhões os visitantes que vieram a Macau. Segundo a DST, só a abertura da nova ponte entre Hong Kong-Zhuhai-Macau foi responsável por um acréscimo de um milhão.
“Vai ser uma semana intensa para promover Macau em Portugal. O Instituto Cultural também vai estar presente e vai ser uma grande mostra de Macau num espaço público.” MARIA HELENA DE SENNA FERNANDES
Outro dos assuntos abordados foi as pensões ilegais e o conceito BNB, sigla que em inglês significa cama e pequeno-almoço em casas particulares. Neste aspecto, a directora da DST referiu que foi feito um estudo que revela a abertura dos residentes para esta opção. Porém, as pessoas que aceitam o fenómeno, não querem que este aconteça junto às suas casas, querem que sejam em outras partes da cidade. A directora falou também dos guias ilegais, um fenómeno que as associações do sector local dizem ter disparado com a abertura da nova ponte. Sobre este aspecto, Maria Helena de Senna Fernandes disse não ter havido qualquer multa aplicada e explicou que é muito difícil fazer prova deste tipo de infracções administrativas. João Santos Filipe
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10 eventos
24.1.2019 quinta-feira
Como anda de bicicleta CINEMATECA PAIXÃO PRIMEIRO FILME DE IVO FERREIRA EXIBIDO ESTE FIM-DE-SEMANA
M
AIS de duas dezenas de filmes portugueses integram a programação da 48.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, que começou ontem, na Holanda. O cartaz desta 48.ª edição tem em destaque cineastas portugueses, em particular a retrospectiva da carreira de Edgar Pêra, no âmbito da qual serão exibidos 21 filmes e um cine-concerto. A retrospectiva inclui três programas: “Early Work” (Primeiros Trabalhos, em português), onde serão
Pêra doce
Festival de Roterdão arranca com mais de 20 filmes portugueses
exibidas as primeiras 'curtas' do realizador, para se “descobrir a(s) declaração (ões) de missão por detrás do seu cinema”, “Where masses chant” (Onde as massas cantam), que “celebra todas as coisas que fazemos juntos – e os seus perigos”, e “Visions in concrete and stone” (Visões de cimento e pedra), “dedicado à arquitectura por-
tuguesa, explorando as ruínas do futuro, visões do passado e desastres actuais”. Na secção Bright Future serão exibidos “Anteu”, de João Vladimiro (em competição pelo prémio Amondo Tiger Short), “Alva”, de Ico Costa, “A volta ao mundo quando tinhas 30 anos”, de Aya Koretzky (nascida no
Japão, mas residente em Portugal desde criança), “Tragam-me a cabeça de Carmen M.”, que junta o brasileiro Felipe Bragança e a portuguesa Catarina Wallenstein, e a coprodução portuguesa “Terril”, de Bronte Stahl. A secção Voices Short integra “Casa de Vidro”, de Filipe Martins, e a Perspecti-
ves inclui “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidtt, e “KINOMARA – Cinema fora de órbita”, de Edgar Pêra. A lista de filmes inclui a estreia internacional do trabalho mais recente do realizador, “Caminhos Magnétykos”, inspirado na obra de Branquinho da Fonseca, “A Cidade de Cassiano”, sobre Cassiano Branco, “Manual de Evasão LX94”, rodado para a Lisboa Capital Europeia da Cultura 1994, e “Lisbon
Revisited”, com textos de Fernando Pessoa.
BANDAS SONORAS
Além disso, será apresentado o cine-concerto 3D LoveCraftLand, com The Legendary Tigerman, estreado em Agosto numa sessão de ‘aquecimento’ do Motelx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. No cine-concerto, com música ao vivo de Randolph Carter (The Legendary Tigerman), intervenção de Iris
eventos 11
quinta-feira 24.1.2019
No próximo sábado e domingo, “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau”, o primeiro filme de Ivo Ferreira, volta ao ecrã da Cinemateca Paixão, 22 anos depois da estreia
ar a
Cayatte e Dominique Pinon e ‘live camera’, filmes e manipulação a cargo de Edgar Pêra, misturado ao vivo por Cláudio Vasques, são usados textos do escritor norte-americano H.P. Lovecraft. Na secção Deep Focus, que integra a retrospectiva Edgar Pêra, será ainda exibido o filme “Sombra Luminosa”, de Mariana Caló e Francisco Queimadela. O Festival Internacional de Cinema de Roterdão decorre até 3 de Fevereiro.
M
ACAU foi a primeira musa e o cenário que marcou o início da carreira de Ivo Ferreira. Em 1997, o realizador estreava o filme que lançaria a sua carreira, “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau”, que viria a vencer o Prémio do Público do VII Encontros Internacionais de Cinema Documental da Malaposta e o Prémio de Documentário Caminhos do Cinema Português. A obra cinematográfica será exibida na Cinemateca Paixão no sábado e domingo, depois de ter sido exibida também no fim-de-semana passado. As sessões estão marcadas para as 13h. O filme inaugural do realizador português é um ensaio sobre diversas formas de viver em Macau, formando um mosaico de diversas cenas e pequenas histórias que se interligam entre si de forma harmoniosa. A lente de Ivo Ferreira segue um idoso que para vender jornais tem de percorrer a cidade de bicicleta. Seguindo o quotidiano do protagonista, ao longo de 24 horas, a narrativa fica algures no limbo entre a ficção e o documentário, perfumada pelo exotismo oriental. O protagonista do filme é um vendedor de jornais e a sua vida mistura-se com a vida de Macau. Ao longo do dia, o quotidiano real do velhote cruza-se com cinco pequenas
cenas ficcionadas, com que se depara por acaso.
GENTE COMUM
Em comunicado que apresenta o filme de Ivo Ferreira, a Cinemateca Paixão refere que “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau” parte de uma “perspectiva e sensibilidade únicas de um estrangeiro” e da vida de “um homem de idade avançada percorrendo as ruas e ruelas de Macau” onde se cruza com gente comum como “vendedores de rua, vendedores de peixe nos mercados e prostitutas nas discotecas”.
“O Homem da Bicicleta, Diário de Macau” é uma forma de revisitação da paisagem urbana da Macau de há 20 anos Além da possibilidade de assistir ao filme de estreia de Ivo Ferreira, “O Homem da Bicicleta, Diário de Macau” é uma forma de revisitação da paisagem urbana da Macau de há 20 anos, algo que constitui uma extraordinária experiência visual. João Luz
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FRC Ofertas de papéis votivos “fai chun”
A Fundação Rui Cunha (FRC) realiza na próxima quinta-feira o evento de oferta de papéis votivos “fai chun” em celebração do novo Ano do Porco, numa colaboração com a Associação dos Amigos de Poesia do Jardim da Flora. Os interessados podem escolher, na galeria da FRC, um par de “fai chun” para colocar na porta de casa. No local, estarão presentes calígrafos que vão escrever os tradicionais dísticos (fai chun 揮春) do Ano Novo Chinês. O evento acontece dia 31 entre as 10h00 e 17h00.
VITROCERÂMICA FRC INAUGURA “SCENES OF MACAU”
É
hoje inaugurada na Fundação Rui Cunha (FRC), às 17h30 a exposição de vitrocerâmica “Scenes of Macau”, que nasce de uma parceria com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau. “Após o sucesso da primeira edição da exposição, em 2016, e no ano em que se comemora o vigésimo aniversário do estabelecimento da RAEM, a FRC decidiu realizar a segunda edição desta exposição”, explica a Fundação, em comunicado. Nesta mostra, “as obras resultam de uma união de técnicas”, uma vez que “as cores da
porcelana tradicional chinesa, aqui utilizadas em superfícies planas, após a aplicação do esmalte em distintas camadas e a sua exposição a diferentes temperaturas pela técnica da vitrocerâmica, ganham uma nova vida”.
Da junção de técnicas ocidentais e orientais “resultam as obras de cariz contemporâneo”. “Embora usem a mesma técnica para criar as suas obras, a inspiração dos dois artistas difere. Enquanto para Liu Shengli, a sua inspiração vem do cruzamento entre as duas culturas, Ocidental e Oriental, Gu Yue, por seu lado, tem por base na criação das suas obras, a história de Macau”, explica o mesmo comunicado. A exposição estará patente na galeria da FRC até ao dia 21 de Fevereiro.
DOLCE & GABBANA MODELO CHINESA PEDE DESCULPA POR TER PARTICIPADO EM CAMPANHA
A
modelo chinesa que surge nos anúncios da Dolce & Gabbana a tentar comer pizza ou cannoli com pauzinhos, pediu ontem desculpa pela participação na campanha da marca italiana, que recebeu fortes críticas na China. Zuo Ye escreveu na conta oficial na rede social Weibo, o Twitter chinês, que, como recém-formada, não teve tempo de considerar a implicação dos anúncios. "Eu crescerei com esta experiência e mostrarei melhor o carácter de um cidadão chinês", afirmou.
A campanha motivou um boicote à Dolce & Gabbana na China e o cancelamento de um desfile da marca italiana em Xangai, em Novembro passado. Internautas chineses e opiniões difundidas pela imprensa estatal classificaram os anúncios como racistas e baseados em estereótipos ultrapassados. À medida que vários retalhistas começaram a retirar os produtos das lojas, os co-fundadores da marca, Domenico Dolce e Stefano Gabbana, pediram publicamente desculpas ao povo chinês. O caso motivou ainda uma disputa com Stefano Gabbana. Imagens difundidas nas redes sociais chinesas mostraram Gabbana numa discussão 'online', na qual se referiu à China como um "país de porcaria", "mafioso, sujo e ignorante", e afirmou que os chineses comem cão. Entretanto, a marca emitiu um comunicado a pedir desculpa e afirmou que as suas contas na rede Instagram foram pirateadas. "Pedimos muita desculpa por qualquer ofensa devido a estas mensagens não autorizadas. Nós respeitamos a China e o povo chinês", afirmou a Dolce & Gabbana.
HK TRIBUTO A RAY CHARLES NO FIM DO MÊS
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O próximo dia 30 de Janeiro, Ray Charles será homenageado no Salon 10 em Central, Hong Kong. O evento, intitulado “Hit the Road Jack! Tribute Series – Ray Charles edition”, está marcado para as 21h. Os fãs que se deslocarem ao Salon 10 podem esperar uma noite animada pela voz de Awen, uma cantora e compositora franco-senegalesa que iniciou este ciclo de revisitações de repertórios de alguns dos mais aclamados músicos. Em palco, Awen terá a colaboração de duas outras vozes. Janaia Farrel, uma vocalista de Toronto dotada
de uma amplitude vocal de cinco oitavas. Janaia canta um pouco de tudo, da ópera ao soul, passando pelo rock. No masculino, sobe ao palco o cantor Phil D, um vocalista que se deu a conhecer ao mundo Ídolos da África de
Sul. Sediado em Hong Kong desde 2015, ano em que Phil D lançou o seu disco de estreia intitulado “Colors”. O trio de vocalistas será acompanhado por Roland Salcedo ao piano, Dani Lavelle na guitarra, Justin Siu no baixo, Devon Van Ruyen na bateria e Jonathan Rebbeck no saxofone. Nascido em 1930 nos Estados Unidos, Ray Charles foi um dos nomes incontornáveis do soul, blues, com interpretações históricas de temas como “I Got a Woman”, “Talkin about You”, “What I’d Say”, “Little girl of Mine” ou “Hit the Road Jack”.
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24.1.2019 quinta-feira
PEQUIM DESCONHECE DESAPARECIMENTO DE CIDADÃO AUSTRALIANO
O
Comunicado da McDonald’s “A agência de publicidade não fez verificações rigorosas sobre as cenas e isso causou um mal-entendido, que lamentamos profundamente.”
MCDONALD’S DESCULPAS POR IDENTIFICAR TAIWAN COMO PAÍS
Menú errado
A
cadeia de hambúrgueres norte-americana McDonald's pediu ontem desculpa pelo seu mais recente anúncio publicitário, criticado por internautas chineses por retratar Taiwan como um país, em mais uma disputa com uma multinacional devido ao estatuto da ilha. Num anúncio publicitário, exibido em Taiwan pela primeira vez em 6 de Janeiro, um clipe de dois segundos mostra um cartão de identificação de um estudante, no qual Taiwan é identificado como um país.
A imagem foi prontamente denunciada nas redes sociais chinesas, suscitando críticas pelos internautas. "A nacionalidade deveria ser China! O que é Taiwan? Uma província. Por favor, ponham-se no vosso lugar", lê-se num comentário no WeChat, o Whatsapp chinês. "O McDonald's difundiu isto claramente para 1,3 mil milhões de chineses verem. Qual é o significado? Apoiar a independência de Taiwan?", questionou outro internauta. Esta semana, a empresa divulgou um pedido de desculpas no Weibo, o Twitter
chinês, afirmando que o anúncio foi feito por uma agência taiwanesa e que foi já retirado. "A agência de publicidade não fez verificações rigorosas sobre as cenas e isso causou um mal-entendido, que lamentamos profundamente", lê-se. "Sempre apoiaremos a política de 'Uma só China', e continuaremos a defender a soberania territorial do país", acrescentou a multinacional norte-americana. O princípio 'Uma só China' é visto por Pequim como garantia de que TaiPUB
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da segunda prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2018 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 31 de Janeiro, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 15 de Janeiro de 2019. O Presidente do Júri, Iong Kong Leong
wan é parte do seu território, apesar de cada lado fazer a sua própria interpretação desse princípio. Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a "reunificação pacífica", mas ameaça "usar a força" caso a ilha declare independência. Já Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China. Pequim e Taipé concordam, no entanto, que existe uma só China.
A CEDER
No ano passado, dezenas de companhias áreas passaram a referir-se a Taiwan como parte da República Popular da China, cumprindo com as exigências de Pequim. British Airways, Lufthansa e Air Canada foram algumas das companhias que passaram a referir-se a Taiwan como parte da China. A adopção de "Taiwan, China" ou "Taiwan, República Popular da China" nos portais electrónicos e mapas das companhias aéreas representa outra vitória nos esforços do Partido Comunista Chinês em forçar empresas estrangeiras a aderir à sua visão geopolítica, mesmo em operações fora do país. Também a japonesa Muji ou a espanhola Zara foram alvo de críticas de Pequim por identificaram Taiwan como país nas suas etiquetas ou portais electrónicos.
Governo chinês disse ontem não ter conhecimento do desaparecimento de Yang Hengjun, cidadão australiano que as autoridades de Camberra dizem ter desaparecido após chegar à China, em 19 de Janeiro passado. "Não estou ciente dessa situação, tentarei obter informações junto das autoridades competentes", respondeu ontem aos jornalistas a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying. O Departamento dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Austrália confirmou ontem, em comunicado, que está a "procurar informações sobre um cidadão australiano dado como desaparecido na China". Trata-se do escritor e comentador Yang Hengjun, que serviu como diplomata da China, antes de se naturalizar cidadão australiano, e que é críti-
co do Partido Comunista Chinês. Yang estava actualmente a residir nos Estados Unidos, com a esposa e o filho, mas visitou a China, na semana passada. Já em 2011 surgiram preocupações sobre a segurança de Yang, quando ele desapareceu após telefonar a um amigo, a partir de um aeroporto chinês, alegando que estava a ser seguido por três homens. Mas mais tarde, Yang afirmou que se tinha tratado de um "mal-entendido". Desta vez, o desaparecimento ocorre um mês depois de as autoridades chinesas terem detido Michael Kovrig, antigo diplomata do Canadá, e Michael Spavor, empresário que organiza viagens turísticas e eventos desportivos na Coreia do Norte, numa aparente retaliação pela detenção, em Vancouver, da executiva da Huawei Meng Wanzhou, no Canadá.
HUAWEI EUA GARANTEM PEDIDO DE EXTRADIÇÃO DE DIRIGENTE
O
S EUA confirmaram na terça-feira que pretendem apresentar um pedido de extradição da directora financeira do grupo de telecomunicações chinês Huawei, que está em liberdade condicional no Canadá, com o prazo a terminar em 30 de Janeiro. “Vamos continuar a pretender a extradição da senhora Meng Whenzhou e vamos cingir-nos aos prazos fixados pelo tratado de extradição entre os EUA e o Canadá”, declarou um porta-voz do Departamento de Justiça, Marc Raimondi. Segundo este acordo, os EUA têm 60 dias depois de uma detenção realizada a sua pedido para oficializarem o seu pedido de extradição. A filha do fundador da Huawei foi detida em 1 de Dezembro no aeroporto de Vancouver, a pedido
dos EUA. Libertada sob caução, está sob vigilância, nesta cidade. Os EUA suspeitam que tenha sido cúmplice em violação de sanções aplicadas ao Irão. Depois de ter recebido o pedido de extradição, o Ministério da Justiça canadiano tem 30 dias para divulgar “uma decisão introdutória de instância”, que corresponde oficialmente ao início do processo de extradição. Devido à possibilidade de apresentar vários recursos, o processo pode demorar meses, ou anos inclusive. A detenção da dirigente da Huawei criou uma crise diplomática entre Otava e Pequim. A China já deteve dois canadianos e condenou à morte um terceiro, garantindo que nenhum destes casos estava associado ao caso Huawei.
região 13
quinta-feira 24.1.2019
MARI ALKATIRI DIÁLOGO É ÚNICA FORMA DE ULTRAPASSAR CRISE EM TIMOR-LESTE
A falar nos entendemos ex-comandante da guerrilha, os fins justificam os meios”, disse.
RAZÃO DE SER
O
líder da oposição timorense, Mari Alkatiri, considerou ontem que o diálogo entre os principais líderes “é indispensável” para encontrar uma solução “global, integrada e transversal” e ultrapassar o impasse político e económico que o país atravessa desde 2017. “A solução é o diálogo. Tenho andado a apelar ao diálogo, os outros dizem que não precisam dialogar”, disse à Lusa o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), o partido com maior representação parlamentar, atualmente na oposição. Mari Alkatiri comentava assim a decisão do Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, de vetar o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2019, decisão, disse, que “abre campo para novas iniciativas” para re-
solver a situação do país. Entre elas, e mesmo antes de o assunto regressar ao debate parlamentar, Alkatiri defende um diálogo alargado dos principais líderes “com representação parlamentar” e de outras individualidades. “O diálogo tem que ser extraparlamentar primeiro”, disse, afirmando que era indispensável a participação, além de si próprio, de figuras como Xanana Gusmão (líder do CNRT, maior dos três partidos do Governo) e Taur Matan Ruak (primeiro-ministro e líder da segunda força da coligação do executivo, o PLP). “É indispensável os dois. Mas pode ser a quatro ou cinco ou seis, mas não muito mais. Seria um cenário que incluiria algumas figuras que não podemos ignorar”, afirmou. O responsável da Fretilin disse que o veto presidencial “não mata a lei, não mata outras iniciativas, abre
campo para novas negociações”. E, ao mesmo tempo, afirmou que o próprio CNRT, através do presidente da bancada “andava a pedir ao Presidente para vetar”. “Espero que fiquem satisfeitos. Porque o Presidente vetou. A intenção por detrás das suas posições não sou eu que vou adivinhar. As razões podem ser diferentes das do Presidente”, afirmou. “Mas na guerrilha, e estamos a ser comandados por um
“Se dialogarmos com seriedade, com honestidade e sentido de melhor servir este povo e este país tudo é viável.” MARI ALKATIRI LÍDER DA OPOSIÇÃO TIMORENSE
Alkatiri admitiu que quem fizer uma leitura do OGE percebe que “o Presidente tem as suas razões para questionar” o documento, explicando que é necessário mais diálogo para ultrapassar o veto. “Não sei se é viável ou não é viável (alterar o Orçamento). Se dialogarmos com seriedade, com honestidade e sentido de melhor servir este povo e este país tudo é viável”, afirmou. O Presidente da República timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, comunicou ontem ao parlamento nacional ter decidido vetar o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2019, questionando vários aspectos da proposta de lei. Na mensagem enviada ao parlamento, Lu-Olo pede uma “nova apreciação parlamentar que possa considerar uma utilização justa, equilibrada e sustentável e mais eficiente dos recursos financeiros de que o Estado e o povo de Timor-Leste dispõem para a satisfação das suas necessidades essenciais e o crescimento e desenvolvimento nacional”. Para justificar a sua decisão, Lu-olo questiona a “insustentabilidade agravada do OGE 2019” o facto de adoptar uma política económica e financeira assente numa “orientação contrária à Constituição e às leis estruturantes”, o “desequilíbrio orçamental acentuado” e a falta de políticas alternativas. A decisão de Lu-Olo foi comunicada aos jornalistas pelo chefe da Casa Civil que leu uma declaração à imprensa na Presidência da República.
TAILÂNDIA ELEIÇÕES MARCADAS PARA 24 DE MARÇO
A
Tailândia vai realizar eleições gerais em 24 de Março, as primeiras desde que os militares tomaram o poder num golpe de Estado em Maio de 2014, anunciou ontem a Comissão Eleitoral. "Um acordo foi alcançado para definir a data das eleições para o dia 24 de Março", indicou a Comissão Eleitoral numa conferência de imprensa. O director do órgão eleitoral, Ittiporn Boonpracong, referiu que os partidos têm entre 4 e 8 de Fevereiro para registar os seus candidatos às eleições. Na votação, serão eleitos 500 membros do futuro parlamento da Tailândia, que por sua vez vão eleger o próximo primeiro-ministro. O Governo militar sugeriu ontem à Comissão Eleitoral para não escolher uma data próxima da coroação do rei, marcada de 4 a 6 de Maio, "um evento histórico extraordinário". O anúncio das eleições acontece após a publicação do decreto, assinado pelo rei Vajiralongkorn e recolhido pelo Royal Gazette - o jornal oficial da Tailândia - que instou o órgão eleitoral a marcar uma data. O exército tailandês, liderado por Prayut Chan-ocha, actual primeiro-ministro, assumiu o poder em 22 de Maio de 2014 com a promessa de acabar com a corrupção, com a crise política no país e realizar eleições o mais rápido possível, uma promessa que foi adiada várias vezes.
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Faz-se saber que no concurso público n. 47/P/18 para o «Fornecimento e Instalação de Arquivos Deslizantes Modulares», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 52, II Série, de 27 de Dezembro de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www. ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 15 de Janeiro de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Faz-se saber que no concurso público n.o 48/P/18 para a « Substituição e Testes de onze (11) Unidades de Tratamento Primário do AR (P.A.U.) da Unidade de Internamento do Edifício da Clínica Médico-Cirúrgica », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 52, II Série, de 27 de Dezembro de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www. ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 15 de Janeiro de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion
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Retrovisor Luís Carmelo
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escrita e a leitura são episódios recentes. São invenções que conheceram os seus inícios em meados do quarto milénio a.C.. Ocupam menos de 2 por cento de toda a história do ‘Homo sapiens’ que conta já com cerca de 350 mil anos de vida. A neurocientista Maryanne Wolf escreveu sobre o tema e sublinhou, há uma década, que estas aquisições se ficaram a dever ao uso de potencialidades genéticas originalmente destinadas a processos de outra natureza. A história da escrita e da leitura é, portanto, também, a história do hábil aproveitamento de certas aptidões em benefício de práticas inesperadas. Ler e escrever ter-se-iam transformado, nesta linha de ideias, em dispositivos eminentemente artificiais que, ao contrário da visão, por exemplo, requerem aprendizagens e monitorizações individuais. Maryanne Wolf, directora do ‘Center for Reading and Language Research’ da Tufts University (Boston) tem trabalhado ao longo dos anos com leitores de todas as idades, especialmente com leitores disléxicos, condição que, segundo a autora (em obras de 2007 e de 2018*), comprova que os nossos cérebros nunca foram geneticamente preparados para o acto de ler. Para o conseguir com o sucesso que todos conhecemos, foi necessário fazer uso da extrema plasticidade da mente humana que é capaz de forjar ligações inopinadas, visando sempre novos desafios. Somos, pois, seres geneticamente permeáveis às rupturas e dispomos de uma capacidade ímpar de alterar o que nos é dado por natureza. Daí, também, talvez, termos alcançado o comprovado epíteto de maior predador do planeta. Há, no entanto, uma estranheza nesta descrição de M. Wolf que decorre do facto de uma transformação tão artificial ter acontecido em todo o globo em fracções temporais relativamente próximas. Bastará recordar que as mais distintas culturas e linguagens naturais geraram formas de escrita bem diversas, tendo cada uma delas mobilizado conexões neurais próprias (escritas verticais com vaivéns diferenciados ou escritas horizontais, movendo a atenção da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda). O alcance desta plasticidade foi assim levado aos limites em todo o mundo com uma eficácia estonteante como se existisse, de facto, uma aptidão universal que o justificasse. A questão não deixa de ser fascinante e entronca na discussão sobre os nomes que Platão pôs em marcha entre Crátilo e Hermógenes, o primeiro reivindicando uma origem natural para os nomes e o segundo reivindicando um legado puramente artificial. No caso da escrita e da leitura, as provas que M. Wolf sustenta para demonstrar um cariz artificial falam
24.1.2019 quinta-feira
Meus olhos andam cegos de te ver.
Ler e escrever foram invenções tramadas
por si, embora a sua aplicação universal nos faça pensar que a propensão genética para as incorporar não fosse, afinal, tão desconforme. A intimidade e a conaturalidade entre os humanos e a escrita foi tal
A redenção na nossa era passa pela invenção de capacidades genéticas (tendo o cyborg, para já, como meta) que se adaptem às novas escritas e não o contrário, tal como sucedeu há 5.500 anos
que, praticamente em todas as culturas humanas, ela veio substituir as mediações da transcendência que existiam até então. No mundo semítico, a escrita e a leitura proporcionaram aos deuses (ou a um deus único) um discurso próprio e atribuíram-lhe até o papel de emissor e de criador do “verbo”. A escrita e a leitura possibilitaram a normalização da imagem da transcendência e possibilitaram que a memória abandonasse o seu nomadismo no tempo (um ‘passa-palavra’ irregular) para se fixar ou sedentarizar com uma outra regularidade de tipo orgânico. Não deixa de ser curioso que, no mundo judaico, por exemplo, a fixação por escrito do grosso da tradição oral só tenha tido lugar, de maneira sistemática, após o exílio (538 a.C.), ou seja, depois de uma prova de nomadismo forçado. O nosso tempo está vertiginosamente a abandonar toda esta herança. A tecnologia tem-nos fornecido novas aproximações e
captações (no tempo e no espaço) e também novas escritas. Se a imagem móvel do século XX vivia da conjunção entre o princípio de persistência retiniana e a ideia de projecção, as imagens digitais, baseando-se em algoritmos e não em originais reduplicados, implicam uma plasticidade sem fim que se aproxima do modo como a mente processa as suas imagens. Esta virtualidade sacraliza a tecnologia, dilui a função clássica da memória orgânica (histórica) e faz do futuro um continente a ser vivido no agora-aqui (sem grande idealidade para os chamados fins últimos). A redenção na nossa era passa pela invenção de capacidades genéticas (tendo o cyborg, para já, como meta) que se adaptem às novas escritas e não o contrário, tal como sucedeu há 5.500 anos. Quando, em 1974, Barry Leiner e Vinton Cerf criaram o protocolo TCP/IP, pouca gente se apercebeu da dimensão histórica do facto. Como Cerf referiria mais tarde: “A única coisa que queríamos era que os bits fossem transportados através das redes, apenas isso”**. O alcance deste protocolo foi, e é ainda hoje, radical e os seus impactos podem ser resumidos em três grandes linhas: proeminência à mobilidade dos dados, garantindo liberdade aos conteúdos e às escritas; dissociação da rede (e das suas escritas) da ideia de propriedade e, por fim, adopção da rede enquanto espaço auto-organizado e vocacionado para o crescimento espontâneo, imprevisível e não-regulado. Estas três linhas persistiram nas transformações que o mundo foi conhecendo nas últimas décadas: a superação das dicotomias ideológicas nos anos oitenta, o optimismo tecnológico dos anos noventa, a 'quebra de vertigem' na primeira década do século XXI e a imersão definitiva dos ‘pós-millenials’ no aquário da rede já nesta segunda década. Daí que as futuras gerações vão, com toda a certeza, deixar de se baralhar com a diferença entre escritas naturais e artificiais e ‘lerão’ as investigações de Maryanne Wolf como um estimulante testemunho arqueológico. O que já não seria nada mau.
*Vale a pena recorrer às ciberlivrarias para encomendar os dois livros de Maryanne Wolf. O mais conhecido é Proust and The Squid. The Story and Science of The Reading Brain (Harper, New York, 2007) e o mais recente, escrito cerca de uma década depois, é: Reader, Come Home: The Reading Brain in a Digital World (Harper, New York, 2018). **V.G. Cerf and P.T. Kirstein: Issues in Packet Network Interconnection. IEEE Proceedings, Vol.66, No. 11, November 1978, pp. 13861408. /30/ L. Evenchick.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quinta-feira 24.1.2019
CLAUDIO IANNONE
diários de próspero António Cabrita
E
M 2012, em Navarra (Espanha), no final de uma corrida de corta-mato, o queniano Abel Mutai, que fora medalha de ouro nos três mil metros com obstáculos numa semana anterior, em Londres, estava a pouquíssima distância da meta mas, confuso com a sinalização, parou para posar para as fotos, pensando que já a havia cortado. Mesmo atrás vinha outro corredor, o espanhol Iván Fernández Anaya. E que fez este? Gritou para que o queniano reparasse na sua falta e, como este não entendesse que não havia ainda cruzado a meta, então, o espanhol empurrou-o em direcção à vitória. O fair-play do espanhol foi reconhecido; ninguém esperaria o que se passou depois. Um jornalista perguntou-lhe: “Por que é que o senhor fez isso?”. O espanhol não compreendeu: “Isso o quê?”. Ele não entendeu a pergunta, pois não imaginava que houvesse outra coisa a fazer além do que tinha feito. O jornalista insistiu: “Por que deixou que o queniano ganhasse?”. “Eu não o deixei ganhar. Ele ia ganhar”. O jornalista continuou: “Mas você podia ter ganho! Não estava fora das regras, ele distraiu-se...”. “Mas qual seria o mérito da minha vitória, qual seria a honra do meu título se eu deixasse que ele perdesse?”, continuando: “Se eu ganhasse desse jeito, o que ia dizer à minha mãe?” Quem nos reporta a este episódio maravilhoso é o pensador brasileiro Mário Sérgio Cortella, que lembra que a mãe, como matriz de vida, fonte de vida, talvez seja a última pessoa que se quer envergonhar, e pergunto-me se as mães, pedagogicamente, não poderiam ser recuperadas para a tarefa de esclarecer
Ética e dignidade que o foco obsessivo nos resultados pode não ser o mais correcto. O foro da discussão ética tem sido excessivamente deslocado para a escola, como um tema que esta tem de assumir, quando a ética, antes de tudo, é da alçada da família. Os exemplos nascem em casa – e o ideal é que um dia possamos almejar um tipo de vida comunitária em que a pergunta feita pelo jornalista ao corredor espanhol não seja mesmo entendida. Em tudo o que fazemos na vida quando a ânsia pelos resultados se sobrepõe ao prazer e à especificidade do processo há uma dimensão humana que se perde. Há um filme italiano de 2008, Si Puo fare/ Pode fazer-se, de Giulio Manfredonia, que é muito engraçado e fala deste problema em situação. O filme incide sobre as cooperativas sociais que se organizaram em Itália - em articulação com um novo entendimento para a reforma psiquiátrica - e que integravam doentes mentais. E conta-nos a história de um sindicalista, Nello Treddi, demasiado honesto e demasiado reflexivo que está sempre envolvido em sarilhos e a quem o Sindicato propõe, como última oportunidade, a gestão de uma Cooperativa, a 180, que tem sede num hospital psiquiátrico e cujos membro são todos esquizofrénicos. - "Mas que produz a cooperativa? – pergunta Nello ao director da instituição, o Dr. Del Vecchio.
- "O que é que você quer produzir? Para o município, eles colam selos. Para os supermercados, colocam os preços nas azeitonas.” As coisas mudarão com a direcção de Nello. Para Del Vecchio, o director, "a doença mental isola do mundo", Nello não concorda que os pacientes não sejam capazes de assumir as responsabilidades de um trabalho. A sua posição resume-se assim: "Eu não sou médico, eu não sou um director de hospital, eu estou aqui para executar um trabalho cooperativo, e dado que estou aqui vou tratá-los como trabalhadores." Nello acidentalmente descobriu que alguns pacientes têm uma capacidade especial para projectar figuras simétricas, e que essas figuras podem ser transformadas numa vantagem para o desenho dos pisos de parquet. Enquanto para o psiquiatra a produção dessas imagens tinha um valor mecânico e compensatório da desordem interna, Nello reconverte-as em desenhos artísticos exclusivos para vender. Tratando-os com dignidade, incitando-os a que tenham prazer no trabalho, Nello consegue transformar a cooperativa num caso de sucesso no ramo do “pavimento artístico”. Em dois anos a empresa dá lucro e resolvem arranjar uma outra sede e sair da tutela do centro psiquiátrico de Del Vecchio. Os membros são instalados numa nova sede, onde agora são os "inquilinos"
As pessoas – a singularidade de cada uma – devem estar primeiro e ser ponderadas e não abstraídas em função dos resultados, é a lição do filme
(e não internos) e outro psiquiatra controla a redução da medicação para 50%. E todos se comprometem em assembleia a viver exclusivamente para "satisfazer o mercado com o seu próprio trabalho, o seu próprio sacrifício e a sua própria capacidade". A meta da cooperativa é atender a demanda mas oferecendo as diferenças que as habilidades específicas dos “doentes” têm para oferecer ao consumidor e que rompem com os padrões normativos do mercado. A crise começa quando, movido pelo entusiasmo, Nello decide que a cooperativa deve crescer e concorrer a um grande concurso para uma nova estação de metro de Paris. E aí, começando a olhar mais para os resultados, o sucesso no trabalho, do que para as pessoas que os produzem induz a “normatividade” no comportamento do colectivo, com saídas programadas à noite. Do que advém o enamoramento de alguns membros da cooperativa por mulheres de fora daquela pequena comunidade e a breve trecho, o desajuste fatal e o suicídio de um deles. Nello na mira dos resultados, esquecera-se da especificidade de cada um e como não estavam preparados para enfrentar uma decepção. As pessoas – a singularidade de cada uma – devem estar primeiro e ser ponderadas e não abstraídas em função dos resultados, é a lição do filme. Contudo, a ética e a dignidade estão sempre no eixo do filme, que por isso contribui de algum modo para a reflexão sobre a relação entre a política e a subjectividade. Este filme pode ver-se inteiro no Youtube.
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estendais Gisela Casimiro
24.1.2019 quinta-feira
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Uma gota de glitter
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ENHO um trabalho de casa e queria que João Barrento o fizesse por mim. Estou a ler o seu conjunto de crónicas, Uma seta no coração do dia, cujo belíssimo título me recorda Huxley e o seu Brave new world: “Words can be like X-rays, if you use them properly – they’ll go through anything. You read and you’re pierced.” Gostaria de pensar que serei uma escritora melhor depois de ler Barrento, cujo A chama e as cinzas aguarda a sua vez na minha pilha de livros, recomendação do meu amigo Ricardo Falcão. Mas não venho falar de Barrento, nem de Huxley, e sim de Mariah Carey, que ouço muitas, muitas, mas mesmo muitas vezes enquanto leio ou faço outra coisa qualquer. Há alguns anos, imaginei uma Batalha dos Advérbios, Aldous Huxley vs Mariah Carey. Huxley: expressionlessly, startlingly, imploringly, inconspicuously, revoltingly, reassuringly, terrifyingly, despairingly, patronizingly, piercingly. Carey: abandonedly, painstakingly, consequently, incessantly, inadvertently, unendingly, threateningly, convincingly, subconsciously, consequently. A meu ver, Carey ganha. Mas talvez porque eu sou uma assumida freak de Mariah Carey, que o é, claramente, de vocabulário. Quem nunca acordou e se preparou energicamente para um novo dia ao som de Emotions ou rodopiou pela cozinha de braços estendidos desafinando melancolicamente I still believe? Quem nunca chorou ao som de Petals, I don’t wanna cry, Love takes time ou se sentiu melhor depois de ouvir Someday, Everything fades away, Obsessed ou Everytime you need a friend? O escritor islandês Sjón disse, numa entrevista: “We should not be afraid to work with the things that impressed us when we were at our most impressionable. (...) Very few of us grow up in a castle and have private tutors who teach us Greek before noon and Latin in the afternoon and then we take piano classes and learn about classical painting or something. All of us come to culture through trash. And there are so many people who are embarrassed about what excited them. If you came to storytelling through the Spice Girls, then this is how you got introduced to storytelling. Work with it.” Eu cresci a ouvir Spice Girls e Sade (The best of Sade é o álbum que ouvi mais vezes em toda a minha vida), mas também Tabanka Djaz, Os Tubarões e Bob Marley. Não sei tocar piano mas gostaria. Carey não cresceu num castelo mas tornou-se a moça pobre por quem um príncipe se apaixona e a leva para o seu reino onde vivem até ela sair da discográfica. E então a moça pode começar a ser feliz quase para sempre e, até, comprar
o piano do seu ícone, Marilyn Monroe, cujo nome inspiraria o da sua filha ou versos das suas canções mais recentes. Um dos meus temas preferidos de Carey é Make it happen, poderosamente autobiográfico e inspirador, e um pequeno mantra para todos os dias, os difíceis e os outros, relembrando que persistir é preciso, mas não sem uma fé que por acaso partilhamos, e nos mantém por cá quando tudo se desmorona. Para muitos, os que sabem ou não negam saber quem ela é, Mariah será uma diva pop louca, gasta, irrelevante e irritante, com decotes exagerados e uma obsessão por sapatos (compreensível, para quem conhece a sua história). Para muitos mais ainda, um ícone merecedor de um movimento como o recente #justiceforglitter, empenhados como estavam os seus fãs em fazer chegar ao primeiro lugar um álbum que, após ter sido um fracasso, tal como o filme de que era banda sonora, se tornou um objecto de culto, com a sua vibe
de anos oitenta, talvez pensado à frente do seu tempo. Só o amor dos fãs para destronar o álbum mais recente de número um por outro mais antigo. Mariah a vencer Mariah, ou será Bianca, o seu alter ego que encontramos nos vídeos de Heartbreaker com Jay Z e do seu remix com Snoop Dogg no papel de noivo e Da Brat e Missy Elliott como madrinhas? Heartbreaker que, originalmente, foi pensado para ser parte de Glitter, mas cuja inclusão no álbum anterior, Rainbow, se tornou uma benesse na época mais sombria da carreira da cantora, compositora, produtora, actriz e, agora também, mãe. Crescer com Mariah Carey é conhecer Mariah Carey e conhecê-la é, sem dúvida aceitá-la e amá-la até ao fim dos nossos dias, perdoando todas as falhas e celebrando todos os intermináveis sucessos. Num mundo em que já não restam muitas das lendas originais, tendo perdido Aretha Franklin (uma das suas principais influências) ainda tão recen-
Crescer com Mariah Carey é conhecer Mariah Carey e conhecê-la é, sem dúvida aceitá-la e amá-la até ao fim dos nossos dias, perdoando todas as falhas e celebrando todos os intermináveis sucessos
temente, e com as demais figuras míticas tão perto da terceira idade, Carey, que viu partir tantos dos seus talentosos amigos da velha escola, com quem colaborou ao longos de décadas, estará, talvez, aos quarenta e oito anos, a meio caminho de algum lugar (ainda mais) importante. Nomeada, com outra das suas amigas próximas, Missy Elliott, e inspirações, Chrissie Hynde, para o Songwriters Hall of Fame, lutou sempre para ser vista como a escritora de canções que é, sendo que escreveu todos os seus temas, excepto as covers e o dueto com Trey Lorenz, I’ll be there, e When you believe, dueto com Whitney. Temos outras grandes cantoras também autoras de muitos dos seus sucessos (pessoalmente, destaco Tori Amos, Kate Bush, Alanis Morissette e Fiona Apple, esta última creditada por Diddy como uma das que mais o influenciou), mas só Mariah ultrapassou Elvis enquanto artista solo com o maior número de canções a chegar ao primeiro lugar. À sua maneira, lutou para que houvesse esse reconhecimento e multidimensionalidade, a par com o que era dado tão facilmente a outros, bastando que fossem homens ou, sendo mulheres, tocassem regularmente algum instrumento. Ora, Mariah assume tocar mal o piano e poucas vezes a vemos dançar, em palco ou num videoclip. Mas esta é a mulher que uniu o pop com o hip hop e o rap e será, ainda, quem melhor continua a fazê-lo. Num mundo de artistas como Ariana Grande (também capaz de fazer o whistle de Minnie Riperton, que começou a carreira com covers de Carey no Youtube até ser descoberta, assídua colaboradora de Minaj e, infelizmente, também com um atentado terrorista a marcar a sua carreira), não podemos esquecer que foi Carey a primeira grande artista a colaborar com uma ainda pouco conhecida Nicki e a incluí-la no vídeo, antes mesmo de Minaj ter lançado o seu álbum de estreia, e ainda longe do estatuto que depois se lhe atribuiu de rainha do rap, discussões no American Idol à parte. Não podemos esquecer que Mariah teve um mega hit com o título Shake it Off dois anos antes de Taylor Swift, e que só não chegou ao primeiro lugar porque, bem, Mariah já lá estava com a canção que seria a sua segunda a ser considerada canção da década. Nem tão pouco podemos esquecer que Glitter foi lançado no pior dia possível, o dia do atentado contra as torres gémeas, que mudaria o mundo para sempre, e que também Carey lida com doença mental e insónia desde tenra idade, tendo demorado muito para assumir e, consequentemente, tratar a sua bipolaridade. (continua)
desporto 17
quinta-feira 24.1.2019
A piloto alemã admite que ficou “chocada” quando viu as imagens do acidente em Macau e quer regressar à competição em Março. Vencer na Fórmula 1 continua a ser uma ambição futura
S
OPHIA Flörsch, a piloto de 18 anos, que sofreu um aparatoso acidente na edição do ano passado do Grande Prémio de Macau, acredita que vai voltar a competir já no próximo mês. Em entrevista a estação britânica ITV, a alemã admitiu ter ficado “chocada” quando viu as imagens do acidente. “Estou tcompletamente bem. A nível físico sinto-me igual ao que sentia antes do acidente. Ao nível da confiança, sinto que até estou mais confiante. A verdade é que sinto que quero mesmo voltar à competição, até porque não me lembro de estar tanto tempo afastada da competição”, disse Flörsch. Quando questionada sobre o regresso ao volante de um carro de competição não teve dúvidas: “Vai ser no início de Março”, apontou. Sophia recusou também a ideia de ter qualquer medo de regressar e
DESPORTO SOPHIA FLÖRSCH APONTA INÍCIO DE MARÇO PARA VOLTAR AO VOLANTE
Pronta para as curvas justificou que é viciada no que faz: “Os pilotos adoram este desporto, para nós é como se fosse uma droga que amamos e que não conseguimos parar de consumir”, apontou. A jovem frisou que tem tudo para chegar à Fórmula 1 e que o objectivo da carreira passa mesmo por ganhar nesta categoria, onde Lewis Hamilton é o seu ídolo. “Não vejo qualquer razão para não poder vencer na Fórmula 1. Acredito mesmo que vamos ver brevemente uma mulher a correr na Fórmula 1”, afirmou. À pergunta sobre quem seria essa mulher, a piloto foi assertiva “Vou ser eu. Acredito que sou a mulher mais rápida no desporto motorizado nesta altura”, declarou, em tom divertido.
CHOQUE VISUAL
Na mesma ocasião, a piloto admitiu ainda que ficou “chocada” com as imagens, mas que o sentimento por dentro foi muito diferente. “Já vi o filme várias vezes, não me faz impressão. Mas quando vejo as imagens não sinto que sou eu quem vai a conduzir. Até porque as imagens não reflectem bem o que eu senti no carro. Também fiquei chocada quando vi as imagens pela primeira vez. Nunca pensei parecesse tão horrível”, confessou. “Para mim o sentimento foi muito diferente, mesmo quando estava no ar, como foi tudo muito rápido, não senti que
Sophia Flörsch “Estou completamente bem. A nível físico sinto-me igual ao que sentia antes do acidente. Ao nível da confiança, até estou mais confiante.”
houvesse uma grande diferença de perder o controlo dentro dos limites da pista”, explicou. Sophia deixou ainda elogios à segurança dos carros, uma vez que acredita que o acidente mostra a evolução que houve na modalidade.
Também não perdeu a oportunidade de elogiar o trabalho realizado pela equipa médica em Macau e o trabalho dos comissários de pista. Sophia Flörsch sofreu um acidente a cerca de 270 km/h, na zona da curva do Lisboa e acabou catapultada
contra a rede de lateral e para a zona para os fotógrafos. Na altura, a piloto teve de ser operada a uma fractura da coluna, numa intervenção que durou mais de 11 horas. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
ACIDENTE CARDIFF OFERECEU VOO MAS SALA PREFERIU “OS SEUS PRÓPRIOS MEIOS”
OPEN DA AUSTRÁLIA DJOKOVIC SEGUE PARA AS ‘MEIAS’ E SERENA FICA PELOS QUARTOS-DE-FINAL
O
O
presidente do Cardiff, Mehmet Dalman, revelou ontem que o clube se colocou à disposição de Emiliano Sala para tratar da viagem para o País de Gales, mas que o futebolista optou por utilizar “os seus próprios meios”. Na segunda-feira, o avião privado que transportava desde a cidade francesa de Nantes o avançado, de 28 anos, desapareceu dos radares durante a travessia do Canal da Mancha e ainda não foi encontrado. “Falámos com o jogador e perguntámos se ele queria que tratássemos do voo, que, para ser honesto, seria no avião comercial”, indicou Mehmet Dalman, citado pelo site WalesOnline. O dirigente adiantou que Emiliano Sala optou por viajar pelos seus meios, mas disse desconhecer quem organizou o voo, embora saiba que não foi o Cardiff. Dalman disse todos continuam em oração e que o clube galês participará
na investigação: “Não desistimos enquanto não soubermos todos os factos”. Sala, que estava no Nantes desde 2015 e que esta época marcou 13 golos em 21 jogos pela equipa francesa, tinha acabado de assinar contrato com o Cardiff, equipa da Primeira Liga inglesa. Na sua carreira, o jogador passou pelo clube português do FC Crato, dos campeonatos distritais, antes de seguir para França, onde representou o Bordéus, o Orléans, Chamois Niortais, Caen e Nantes.
tenista sérvio Novak Djokovic marcou ontem encontro com o francês Lucas Pouille nas meias-finais do Open da Austrália, num dia em que Serena Williams, principal candidata à conquista do título em Melbourne, foi eliminada por Karolina Pliskova. O número um mundial não precisou de despender muita energia para garantir a qualificação para a fase seguinte, uma vez que o japonês Kei Nishikori, após ter pedido assistência em ‘court’, acabou por desistir, depois de ter sido assistido à coxa direita, quando o marcador registava 6-4 e 4-1, no segundo ‘set’. Consumada a vitória e a presença nas meias-finais, 11 anos depois de ter conquista-
do o primeiro dos seus seis títulos no Open da Austrália, Djokovic vai defrontar agora o francês Lucas Pouille, responsável pela eliminação de Milos Raonic. O gaulês (31.º ATP), que nunca havia ganho um encontro em Melbourne Park, precisou de três horas na Rod Laver Arena para bater o canadiano e 16.º cabeça de série, pelos parciais de 7-6 (7-4), 6-3, 6-7 (2-7) e 6-4, e garantir uma vaga no grupo dos quatro finalistas de um torneio do Grand Slam, pela primeira vez na carreira. A grande surpresa da jornada feminina, por sua vez, foi protagonizada por Serena Williams que acabou derrotada pela checa Karolina Pliskova, em três ‘sets’, pelos parciais
de 6-4, 4-6 e 7-5, depois desta ter estado a perder no terceiro ‘set’, por 5-1 e 40-30 no serviço da norte-americana e 16.ª do ‘ranking’ WTA. A próxima adversária de Pliskova, número oito da hierarquia mundial, é a japonesa Naomi Osaka (quarta WTA), que eliminou a ucraniana Elina Svitolina, por 6-4 e 6-1, para se estrear entre as quatro finalistas do primeiro ‘major’ da temporada. Na competição de pares, o finlandês Henri Kontinen e o australiano John Peers levaram a melhor diante o britânico Jamie Murray e o brasileiro Bruno Soares, por 6-3 e 6-4, e marcaram encontro com o português João Sousa e o argentino Leonardo Mayer.
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“SCENES OF MACAU”, DE GU YUE E LIU SHENGLI 3 6Rui 5 9 2 7 8 0 Fundação Cunha1| 17h30
4 8 7 0 2 3 1 6 9 Amanhã 6 7 DO 9 LIVRO 5 1 0 3 4 LANÇAMENTO “BOI, CABEÇA, CAVALO, CARA”, DE SHEE VA 0 4 8 2 3 9 5 7 Galeria da Livraria Portuguesa | 18h30
2 1 1 3 6 4 5 7 0 2 8 Diariamente 7 9 2 8 0 6 4 3 5 FRINGE | MÚSICA URBANA INTERACTIVA 9 Jorge 2 Álvares 1 3| Até627/015 8 0 4 Praça 8 5 0 7 4 1 6 9 3 EXPOSIÇÃO | “A STATE OF BLISS” DE ZHAO QIAN 5 0Rui 4Cunha9| Até721/018 2 1 6 Fundação 2 1 3 6 8 4 9 5 7 EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE
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Museu de Arte de Macau | Até 10/02
6 9 5 4 8 7 2 0 8 7 1 3 M I8N 2 142 3 5 0 1 6 2 5 3 9 0 7 6 9 4 1
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O CARTOON STEPH 48
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9 6 9 6 | “REENCARNAÇÃO” 3 5 2 8DE ALLEN 0 4 EXPOSIÇÃO WONG1 Creative Macau 4 9 1 0 6 7 8 3 5 7 5 | OBRAS 2 3PRIMAS 8 DE1ARTE6RUSSA0 9 EXPOSIÇÃO MAM 1| Até722/45 8 9 0 2 6 4 2 3 0 6 4 9 7 5 8 3 8 6 9 5 4 1 2 7 Cineteatro 0 2 4 1 7 6 5 8 3 6 0 9 7 3 5 4 1 2 5 4 8 2 1 3 9 7 0
5 7 2 4 3 1 0 9 8 6
C I N E M A
SECOND ACT Um filme de: M.Night Shyamalan Com: Bruce Willis, James McAvoy, Samuel L.Jackson 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
SECOND ACT [B] Um filme de: Peter Segal Com: Jennifer Lopez, Vanessa Hudgens, Leah Remini, Milo Ventimiglia 14.30, 19.30, 21.30
MORE THAN BLUE [B] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS
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EURO
9.20
BAHT
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9 6 4 3 2 0 1 7 5 8
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3 7 0 5 4 8 6 2 9 1
2 1 8 6 5 9 0 4 7 3
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 48
6 3 1 2 7 5 9 0 8 4
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Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 16.30 SALA 3
O cronista está de regresso ao jornal Público para analisar, em formato de telegrama, os acontecimentos mais marcantes da vida política portuguesa. Com o tom mordaz que lhe é conhecido, e sem grandes medos de ferir susceptibilidades, Vasco Pulido Valente é uma das pessoas mais competentes a analisar com algum nível de racionalidade os acontecimentos em Portugal. João Santos Filipe
TAKE POINT [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Kim- Byung-Woo Com: Ha Jung-Woo, Lee Sun-Kyun 14.30, 16.45, 21.30
MORE THAN BLUE [B] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 19.30
www. hojemacau. com.mo
0.25
YUAN
1.19
VIDA DE CÃO
300 PATACAS
6 5 8 4 3 9 2 7 0 1
UM CRONISTA HOJE
GLASS [C]
50-85%
DE
EXPOSIÇÃO | JARDIM BRILHANTE Museu | Até 24/02 8 de1Arte7de Macau 4 0 2 3
SALA 1
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PROBLEMA 49
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S U D O K U
Hoje INAUGURAÇÃO 45 DA EXPOSIÇÃO
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Foram 300 patacas. O dia foi 9 de Janeiro, por volta das 13h10, junto à sede do já Instituto para o Assuntos Municipais. O taxista do MU-X3-X6 tinha acabado de transportar quatro pessoas e foi abordado por duas senhoras. Não percebi para onde queriam ir. Insistiram duas vezes e o taxista recusou sempre. Até aqui nada de novo. O sector tem as costas largas. Mas no meio da rua, movimentada, com duas grandes malas, as senhoras não se ficaram. Uma levantou três dedos e disparou a oferta, em cantonês: 300 patacas. Qual palavra mágica, as portas abriram-se e afinal o motorista que estava muito ocupado ficou disponível. Claro que à boa maneira da educação e do talento local, às mulheres não houve qualquer tipo de ajuda para carregarem as malas no porta-bagagens. Este caso aconteceu no centro da cidade, à hora de 50 e à frente de todas a gente. À boa ponta moda local, ninguém fez nada... Verdade 3 as4coisas mudaseja dita, desde esse dia ram um pouco 8 (?), 7 o5Governo 9 3que6não queria câmaras dentro dos táxis, afinal 9 medida suficiente? 1 4 cedeu.3Será esta Não sei, mas foi um passo na direcção 2 0 4 9 8 3 certa. Mas o maior desafio é o que fazer 0 as4imagens e gravação de som. As7 com autoridades vão ter um desafio de fogo. 7 5 6 Até hoje existe uma certa imagem que a polícia 0 protege 5 6os taxistas. Será 7 que 1 é8 desta que vão conseguir acabar com essa 8 e impor2finalmente respeito 4 ao0 percepção sector? ... Tenho dúvidas 4 5 0 e8não me 2 parece 3 ver vontade para enfrentar os amigos, 1 das 7 cerimónias até pelas companhias oficiais... João Santos Filipe
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7VASCO PULIDO 1 VALENTE 5 2 |9 PÚBLICO 9 3 2 8 4 8 2 6 7 1 4 2 6 3 2 4 5 1 5 6 8 7 0 1
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opinião 19
quinta-feira 24.1.2019
ANTÓNIO LIMA in Esquerda net
Os Bolsonaros que por aí andam
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OLSONARO é a extrema-direita que as condições existentes no Brasil permitiram: um país a braços com escândalos de corrupção, com níveis de violência extrema, um congresso onde se fazem negócios e não leis, um governo incapaz de responder aos problemas do país e ao aprofundando das desigualdades. O resto, as suas diferenças - que existem - em relação a outros líderes que pela Europa fora ganham governos e lugares nos parlamentos, acabam por ser de forma. Bolsonaro, pela sua violência verbal, como as ameaças de fuzilamento dos militantes do PT, ultrapassa tudo aquilo que parecia possível surgir no Brasil há apenas alguns anos. Mas a violência verbal de Bolsonaro não é gratuita, tem uma agenda. Quando alguém diz que quer “libertar o país da submissão ideológica” e “tornar o Brasil um país livre das amarras ideológicas”, o que pretende realmente é erradicar as ideologias contrárias
às suas e impor o seu programa ideológico que para ele é o único admissível. A isto junta-se o discurso de regresso a um passado glorioso, que tem paralelo com o “Make america great again” de Trump, que para Bolsonaro é o tempo da ditadura militar. Este saudosismo da ditadura faz temer pela democracia e pela segurança de quem resiste. Mas mesmo sem colocar em causa a democracia, Bolsonaro pode fazer a sociedade brasileira regredir décadas. Os primeiros dias da sua governação confirmam o que será a sua presidência: Por exemplo, reduziu o aumento do salário mínimo para apenas R$ 998,00, quando estava previsto o aumento para R$ 1006,00 - agradecendo dessa forma aos patrões que o apoiaram - saiu do Pacto Global para a Migração e paralisou a reforma agrária. Na Europa, outros Bolsonaros se passeiam. Com outras vestes, com uma linguagem menos violenta, crua e ameaçadora.
A eleição de Bolsonaro é (mais) um sintoma inequívoco de que a extrema-direita alastra perigosamente por vários continentes e latitudes
Chamam-se Orban, Le Pen, Salvini. A Europa que castigou os povos com a austeridade abriu caminho e aceitou a sua ascensão. Perante o avanço da extrema-direita e as alianças que se desenham na Europa, entre os dois lados do Atlântico e os dois hemisférios, o que faz a UE? Afirma a solidariedade entre os povos? Investe nos serviços públicos? Desenha políticas para reduzir as desigualdades, à recepção e integração dos imigrantes e refugiados? Não! A prioridade dos líderes europeus é a criação de um exército europeu! Macron e Merkel mal podem esperar a hora para ver desfilar em Paris e em Berlim um exército com o símbolo da UE bordado na farda. É o legado que Merkel quer deixar, antes de abandonar a política, e Trump é o pretexto perfeito. Em vez de encontrar respostas para os enormes problemas que vive a Europa, a solução da UE é esbanjar milhares de milhões para criar um exército, dando poder militar ao poder económico existente. É para o exército europeu e para os seus alicerces que vai o dinheiro que deveria financiar políticas de coesão, os fundos estruturais, o combate às alterações climáticas, a criação de emprego e o combate à precariedade. Esta Europa, com a casa a arder, só se lembra de atirar mais achas para a fogueira. Ignorar assim, ostensivamente, os problemas das pessoas é o que cria Bolsonaros, Orbans e afins.
O sorriso que ofereceres, a ti voltará outra vez. Guerra Junqueiro
O Instituto Cultural (IC) adiantou ontem que está aberto ao processo de classificação da antiga Fábrica de Panchões Iec Long, depois de ter sido feita a limpeza do terreno já revertido para a Administração. “A Fábrica de Panchões Iec Long possui valor histórico e cultural. Se existirem condições, o IC irá desenvolver, nos termos da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, o trabalho de abertura do procedimento de classificação de bens imóveis”, aponta um comunicado. Além disso, se “os serviços relevantes tiverem algum plano ou direcção de revitalização para este lote no futuro, o IC irá também acompanhar activamente e cooperar de acordo com as suas próprias competências e funções”.
Presidente corta-fogo Sulu Sou suspeita que Ho Iat Seng está a ajudar Governo ao adiar debate
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deputado Sulu Sou acredita que o presidente da Assembleia Legislativa (AL) está a tentar proteger o Governo, por não ter agendado para esta tarde a sua proposta de debate sobre a substituição das 269 portas corta-fogo, que custaram 40 milhões de patacas. A proposta tinha sido entregue no dia 4 de Janeiro à AL, e distribuída aos deputados a partir do dia seguinte. Com os prazos legais exigíveis cumpridos, o pró-democrata esperava debater o assunto hoje. Ho Iat Seng decidiu que não seria assim. “Ele devia ter colocado a proposta de debate em votação amanhã [hoje], nas não o fez. Questiono-me sobre esta decisão. Será que o presidente da AL quer ajudar o Governo, ao adiar a discussão deste tema controverso para uma altura em que as pessoas estejam menos alertadas?”, perguntou, em declarações ao HM. “Com esta decisão, o debate já só vai acontecer depois do Ano Novo Chinês. E eu acredito que havia espaço na agenda para ser feito agora”, frisou. Sulu Sou enviou uma carta ao presidente Ho Iat Seng, na manhã de ontem e a resposta surgiu de modo urgente, logo às 17h35, também por carta: “Ele justifica-se com o facto de considerar que a agenda já estava muito carregada”, relatou o deputado ligado à Associação Novo Macau. “Mas eu acho que havia tempo suficiente, nem que a reunião se prolongasse para sexta-feira”, apontou.
OUTRAS CONVERSAS
A discussão de hoje envolve votações à lei do ruído, estatuto das escolas particulares do ensino não-superior,
RÓMULO SANTOS
Panchões IC aberto à classificação da antiga fábrica
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ELO menos 12 militantes e activistas envolvidos na defesa dos direitos dos trabalhadores, incluindo estudantes, foram presos recentemente na China, de acordo com os dados de diversas ONG ontem recolhidas pela agência noticiosa AFP. Nos últimos anos reforçou-se um novo fenómeno
de militância no país, em que os estudantes se juntam aos sindicatos, apesar das pressões da universidade e da polícia. O “Grupo de solidariedade dos trabalhadores da empresa Jasic”, uma organização de defesa dos assalariados e que inclui estudantes, revelou que pelo menos sete estudantes ou diplo-
PAPA MEDO DOS MIGRANTES ESTÁ A DEIXAR O MUNDO LOUCO
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Sulu Sou, deputado “Ele devia ter colocado a proposta de debate em votação amanhã [hoje], nas não o fez. Questiono-me sobre esta decisão. Será que o presidente da AL quer ajudar o Governo, ao adiar a discussão deste tema controverso para uma altura em que as pessoas estejam menos alertadas?”
lei do hino, lei dos benefícios fiscais para reconstrução de edifícios e apreciação sobre a execução orçamental de 2017. A sessão inicia-se às 15h00 com intervenções dos deputados. No caso da sessão atingir as 20h sem estar terminada, os deputados votam para continuar além dessa hora, ou continuam no dia seguinte. Para Sulu Sou este é um exemplo que mostra que a AL não é capaz de analisar os assuntos que interessam à população dentro de um prazo razoável. “O tema surgiu em Dezembro e
não vai ser discutido até Fevereiro. Vai acontecer fora de tempo, o que também mostra que a AL não consegue assumir a responsabilidade de supervisionar o Governo”, opinou. O Executivo recebeu várias críticas após ter substituído 269 portas corta-fogo, a um preço de 150 mil patacas, num edifício de habitações económicas na Ilha Verde. O Governo é criticado pelo preço e por ter assumido os encargos, que muitos entendem que deviam ter sido arcados pelo empreiteiro. J.S.F.
CHINA DETIDOS PELO MENOS 12 ACTIVISTAS ENVOLVIDOS EM QUESTÕES LABORAIS
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quinta-feira 24.1.2019
PALAVRA DO DIA
mados de duas universidades de Pequim foram “levados” pela polícia na segunda-feira. Foram detidos após terem publicado comunicados acusando as forças da ordem de terem filmado “confissões” de estudantes já detidos pela sua actividade militante. Por sua vez, cinco militantes defensores dos
direitos dos trabalhadores foram presos no domingo pela polícia de Shenzhen, devido ao seu activismo sindical, assinalou o China Labour Bulletin, uma associação de defesa dos trabalhadores com sede em Hong Kong. Dois dos presos são acusados de “perturbação da ordem pública”, disse a mesma fonte. A AFP não obteve
a confirmação imediata das informações destas duas organizações, nem a eventual ligação entre estas duas acções policiais. As universidades e a polícia das cidades referidas também não comentaram no imediato estas informações.
papa Francisco advertiu ontem que o medo sentido em relação às migrações está a deixar o mundo louco, numa referência directa à insistência do Presidente norte-americano em construir um muro fronteiriço para travar a entrada de migrantes. O pontífice falava aos jornalistas na viagem para o Panamá, onde irá presidir às Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), e quando questionado sobre a proposta de Donald Trump para construir um muro entre os Estados Unidos e o México respondeu: “É o medo que nos torna loucos”. Francisco, o primeiro papa oriundo da América Latina e filho de imigrantes italianos, tem colocado as questões relacionadas com os migrantes e com os refugiados entre os temas centrais do seu pontificado e por diversas ocasiões tem apelado à construção “de pontes e não de muros”. Nesta deslocação ao Panamá, país da América Central que faz ligação com a América do Sul, é expectável que o papa dirija palavras de encorajamento aos jovens centro-americanos, nomeadamente para criarem as suas próprias oportunidades de vida, mas que também peça aos governos da região para tomarem acções concretas. Citado pelas agências internacionais, o arcebispo do Panamá, José Domingo Ulloa, afirmou que a mensagem de Francisco deve ter repercussões junto dos jovens centro-americanos que actualmente só percepcionam um futuro livre de violência e de pobreza nos Estados Unidos e não nos respectivos países. “Os jovens que muitas vezes caem nas mãos de narcotraficantes e que enfrentam tantas outras realidades”, referiu o arcebispo.