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Hoje Macau 24 JAN 2018 #3979

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JORGE MOLDER

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

QUARTA-FEIRA 24 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3979

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A Baía de todas as atenções

AMÉLIA VIEIRA

CPPCC EM CANTÃO

h

Caminhos errados

PÁGINA 5

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

SOFIA MARGARIDA MOTA

hojemacau SEGUNDO SISTEMA ESTADO DO SÍTIO

DI WANG

‘‘

INVESTIGADOR

As seitas já não são o que eram ENTREVISTA

EVENTOS

OTTO DIX

A EXPLOSÃO DO VERBO

GONÇALO LOBO PINHEIRO

CARLOS ANDRÉ

Spleen punk

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JOÃO PAULO COTRIM

Felicidade natural PUB

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MOP$10

MIGUEL MARTINS

O perigo está entre nós

Que segundo sistema é este? Está aqui para durar? Quem são os seus inimigos? É que o ataque ao segundo sistema não vem de fora, não se mostra, nem tem face definida. A liberdade nunca foi fácil de gerir. PÁGINA 4


2 ENTREVISTA

DI WANG

“A China está num processo de substituição de uma cultura local para uma cultura nacional” Há 40 anos que se dedica ao estudo das sociedades secretas chinesas. A cultura, a comunicação, o papel que tiveram na sociedade e na política são áreas que, para o investigador Di Wang, são fundamentais para que se entenda a actualidade. Depois de mais de 20 anos nos Estados Unidos, Wang está desde 2015 na Universidade de Macau e já começou a recolher dados acerca da história das subculturas organizadas no território Como é que começou o seu interesse pelo estudo das sociedades secretas chinesas? Já há muito tempo. Na década de 1980 comecei a investigar este tema, o interesse foi crescendo e acabei por escrever um livro que reuniu a pesquisa de 30 anos. Era enorme com mais de 700 páginas. Mas tudo nasceu quando comecei a estar mais atento à sociedade chinesa, em especial durante a dinastia Qing. Foi quando as sociedades secretas começaram a aparecer e a ter força e desempenharam um grande papel no que respeitava ao controlo local. Por outro lado, são também entidades que têm uma grande riqueza cultural enquanto subcultura. Estes grupos de pessoas que começaram por existir em oposição ao governo Qing acabaram por ter uma dinâmica própria com características que até hoje perduram.

Qual era o objectivo destas sociedades quando apareceram? Estando em oposição à dinastia Qing, os grupos secretos da altura queriam restabelecer a dinastia Ming. Eram sociedades formadas dentro do próprio povo. Sendo grupos secretos e de forma a se protegerem, estas sociedades acabaram por criar códigos culturais próprios que incluíam rituais e formas de comunicação apenas entendíveis entre eles. Também me tenho debruçado na pesquisa destes códigos e foi muito interessante conseguir perceber como é que os membros das sociedades se identificavam quando se encontravam, ou como se descobriam, tinham diálogos autênticos e faziam planos com uma linguagem absolutamente simbólica. Pode referir exemplos? Uma das formas de comunicação mais comum era com chávenas de

chá. Havia um conjunto de formas de disposição das chávenas na mesa quando eram pousadas, que discretamente traduziam questões e respostas, que formavam diálogos silenciosos. Não precisavam de proferir uma única palavra para que tivessem uma conversação. Acredito que este tipo de rituais tinha uma ideologia política anti-governo. Tinham também os seus próprios poemas que reflectiam as suas ideologias, a história, a cultura enquanto serviam, ao mesmo tempo, de forma de comunicação. Existem várias sociedades secretas conhecidas. Estuda alguma em especial? Estudo uma sociedade da província de Sichuan, a Paoge. É uma fracção da conhecida Tiandihui que traduzido significa sociedade do céu e da terra. O que significa Paoge? Pao é referente ao traje que usavam, que seria uma espécie de grande túnica. Ge vem de irmão e remete para irmandade. É um nome metafórico pois não se vestiam assim, não tinham que usar este tipo de túnica mas era uma referência. Estamos a falar no passado. Estes grupos ainda existem? Acredito que as sociedade sociedades secretas, apesar de terem sido alvo de ataque pelo vários governos desde que apareceram e pela própria dinastia Qing, continuam, mesmo que sob outras formas, ou outros nomes, presentes. A Paoge é um bom exemplo e fala-se que foi exterminada a partir de 1949. Mas acredito que a sua cultura, a sua linguagem e rituais sobreviveram e que merecem ser preservados e conhecidos. Hoje em dia, na nossa linguagem diária há ainda palavras que eram usadas pelos Baoge e que são de uso diário. Por outro lado assistimos a uma espécie de retorno

destas sociedades alguns anos depois da revolução cultural. Emergem das suas origens e que podemos constatar em Sichuan, Guandong, Fujian e em muitas outras províncias. Agora poderão estar a surgir com nomes diferentes mas têm as mesmas raízes. São grupos culturalmente regulados pelos rituais e tradições que existiam antes. É por isso que se queremos entender a sociedade de hoje temos de olhar para trás e perceber o que vem de há muito tempo. Mas mesmo que algumas destas organização já não existam da mesma forma que existiram no passado, as suas actividades, os seus rituais, a sua comunicação e os seus negócios sobrevivem.

“Acredito que as sociedade sociedades secretas, apesar de terem sido alvo de ataque pelo vários governos desde que apareceram e pela própria dinastia Qing, continuam, mesmo que sob outras formas, ou outros nomes, presentes.” Consegue ter exemplos da actualidade? Se nos reportarmos a 2012 ao conhecido caso Bo Xilai. Um importante membro do Politburo que depois de um famoso discurso em Chongqin em que prometia acabar com as chamadas heise, sociedades negras, e também conhecidas por entidades de crime organizado, foi acusado de corrupção. Há vá-

rias teorias acerca do sucedido. É uma assunto muito complexo mas acredito que as sociedades secretas possam ter estado envolvidas na sua queda, as tais sociedades negras. Quando falamos das antigas sociedades secretas e das actuais entidades de crime organizado, estamos a falar da mesma coisa? Em Sichuan é quase de conhecimento comum a existência destas sociedades negras, e sim, são muitas vezes associados a criminosos. Hoje em dia são muito semelhantes. Todas elas têm diferentes princípios, uma história diferente mas a base é semelhante. Como é que estas grupos evoluíram, por exemplo, para as tríades? As tríades de Hong Kong tem na sua origem a antiga Tiandihui. Temos de perceber que estamos a falar pessoas ou de grupos marginais que eram alvo de combate por parte dos governos. Claro que tinham uma rede muito complexa de membros em que alguns tinham profissões legítimas e outros não. Por exemplo em Sichuan, os Paoge estavam divididos em duas categorias. Uma a que chamavam de água pura em que as pessoas que lhe pertenciam não estavam envolvidas em qualquer actividade criminosa. Tinham as suas profissões e podiam ser homens de negócios, senhorios, etc. e que se juntavam à irmandade à procura de protecção. A outra categoria chama-se água lamacenta. O próprio nome indica que é algo onde não se vê claramente. Este tipo de categoria da Paoge estava normalmente envolvida em actividades criminosas. Esta categorização apareceu depois do séc. XIX. Penso que a Paoge

SOFIA MARGARIDA MOTA

INVESTIGADOR


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foi transformada com o tempo em entidade criminosa e com isso deixou de proteger o povo ou de o representar, o que estaria na sua origem, para o suprimir. Mas é importante perceber a sua cultura de génese ainda sobrevive. Por exemplo, um jornalista de Wall Street Journal entrevistou-me porque estava em Sichuan a entrevistar pessoas e ouvia sempre referências à Paoge. Parece que a população tem sempre uma conexão a esta entidade. Que poder têm estas entidades? Na década de 1940, por exemplo, os Paoge acabaram por se tornar a sociedade mais poderosa daquela região. Faziam parte dela pelo menos metade dos homens adultos da província. A mim custava-me crer que fosse possível. Mas tenho feito muita pesquisa este ano e entre arquivos e investigações reiteraram que são dados reais.

Por outro lado, estes membros da Paoge conseguiram infiltrar-se em todo o lado. Entraram na política e mesmo no exército. Os membros do conselho de Qongqin eram, na sua maioria pertencentes à Paoge, até porque era a forma de serem eleitos. Acredito que em Sichuan há as chamadas sociedades negras e que estão muito presentes. Mas as entidades deste género acabam por

“Os Paoge estavam divididos em duas categorias. Uma a que chamavam de água pura em que as pessoas que lhe pertenciam não estavam envolvidas em qualquer actividade criminosa.”

estar em todo o lado e fazer parte das próprias mudanças históricas. Sun Yat Sen por exemplo seria membro de uma. Tem também feito alguma investigação na área da história das cidades. Como é que vê o desenvolvimento urbanístico na China e em Macau? As cidades chinesas estão a passar por mudanças dramáticas em que é destruído o passado. Em Macau constroem-se casinos mas não se elimina o centro histórico ou as comunidades mais antigas. No continente acaba-se com a história. Este aspecto está a transformar-se num grande problema no continente. Os bairros antigos, mesmo os de Pequim que são históricos, estão a ser destruídos, os conhecidos hutongs. As cidades na China estão a uniformizar-se e está-se a perder muito com isso. No passado, cada cidade tinha as sua características próprias, a sua cultura,

a sua identidade, o seu dialecto, estilo de vida e paisagem. Hoje está tudo a ficar igual. Trata-se de um fenómeno actual? De acordo com a pesquisa que fiz, defendo que este processo de uniformização urbana teve início nos primeiros anos do séc. XX e começou a tornar-se uma tendência tanto da dinastia Qing, dos republicanos da república popular que tem vindo a agravar-se. Todos tinham a mesma tendência. A China está num processo de substituição de uma cultura local para uma cultura nacional. Esta chamada cultura nacional é a cultura motivada pelo Governo Central. Mas o modelo é o mesmo do aplicado pelos últimos anos da dinastia Qing, só que agora elevado a um extremo. Se olharmos para as cidade europeias ou mesmo do Japão e Macau, vemos que as comunidades e construções antigas ainda permanecem lá. Mas se for-

mos agora ao continente, as cidades estão todas a ser reconstruídas. A diversidade na China é cada vez menos e o problema é tanto maior quando estamos a falar de culturas com pelo menos dois mil anos e que deveriam ser preservadas. Mas estamos num governo centralizado e ninguém se atreve a desafiar ou a tentar modificar estas políticas. Relativamente a Macau, tem alguma pesquisa acerca do território? Estou muito interessado em Macau. Estou na Universidade de Macau desde 2015 e estou a pensar estudar especialmente a vida cultural e do quotidiano. Mas já iniciei uma pesquisa acerca da história das sociedades secretas aqui. Sofia Margarida Mota

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TIAGO ALCÂNTARA

24.1.2018 quarta-feira

A política “um país, dois sistemas” é um dos pilares dos 18 anos de vida da RAEM. Após sucessivas polémicas, e algumas manifestações de patriotismo exacerbado, até que ponto o segundo sistema consegue manter a sua viabilidade?

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ESDE a ideia original de Deng Xiaoping, a política “um país, dois sistemas” foi o garante institucional de suavidade política na transferência de soberania das regiões administrativas especiais. Porém, após uma série de polémicas, na sociedade de Macau levantou-se a discussão de quão vigoroso é o segundo sistema. Éric Sautedé questiona se “será que o segundo sistema é viável e sustentável por si só?” No entender do académico, é apenas se cumprir os desígnios de providenciar à

ANÁLISE QUAL O VIGOR E A SAÚDE DO SEGUNDO SISTEMA PASSADOS 18 ANOS DE RAEM?

Ataque de dentro comunidade os serviços que é suposto, assegurando a separação de poderes, independência da justiça e liberdade de expressão, entre outros princípios fundamentais previstos na Lei Básica. No entanto, como “as pessoas que são postas no poder são incapazes de resolver os problemas da população”. Com tal, o académico entende que “o maior perigo para o segundo sistema é a absoluta incompetência do Governo”. Pereira Coutinho considera que “o segundo sistema está debilitado, enfraquecido e com os pilares que o alicerçam numa situação extremamente frágeis”. Segundo a análise do deputado, desde o estabelecimento da RAEM que os riscos sobre o segundo sistema existem, mas “hoje em dia são mais visíveis”, porque nunca se chegou a colocar um travão aos sucessivos atropelos, ou seja, “a sociedade não reagiu”. “São como um vírus que se foi espalhando, que invadiu o corpo de uma tal maneira que já não há antibióticos suficientes para o tratar”, comenta. A própria proveniência da classe dirigente é algo que para Éric Sautedé tem uma ligação directa à forma como se governa a RAEM. “Macau é governado por pessoas de negócios, como agora

os Estados Unidos com Donald Trump, prevalecendo a ideia de que tudo se resolve com um bom negócio”, explica o académico. Prevalece entre o poder instituído o conceito de que tudo se centra em torno de interesses privados e de que esses interesses coincidem com os da comunidade. Esta mentalidade, de acordo com o analista, leva a que “estas pessoas não estejam convencidas dos valores que estão pode detrás do segundo sistema”.

MASSA CRÍTICA

“O segundo sistema está em causa porque se fazem leis com objec-

“A ideia de desafiar o poder ainda é muito nova, e claro que é preciso alguma coragem para argumentar com poderes instalados. É algo que também vai contra o conforto de parte da juventude local.” ÉRIC SAUTEDÉ ACADÉMICO

tivos determinados. O caso do deputado que viu as suas funções suspensas é a cereja em cima de um bolo podre criado pelas sucessivas governações em Macau”, considera Pereira Coutinho. Ainda no caso Sulu Sou, Éric Saudeté entende que “as palavras ditas por alguns advogados, como Neto Valente, levantam assuntos que são muito importantes”. Apesar de serem poucos, de acordo com o académico, são activos e têm uma intervenção social fundamental. O exercício da cidadania é algo que o analista vê como demonstração de vitalidade do segundo sistema que, por vezes esbarra numa questão cultural. “A ideia de desafiar o poder ainda é muito nova, e claro que é preciso alguma coragem para argumentar com poderes instalados. É algo que também vai contra o conforto de parte da juventude local”, comenta o académico. Um dos factores de risco para a garantia das liberdades civis prende-se com o acesso à informação. Neste aspecto, Éric Saudeté lamenta a falta de liberdade na imprensa chinesa, que não é colmatada pela órgãos de língua portuguesa e inglesa devido ao pouco impacto que têm na população. O

académico realça uma excepção neste contexto. “A Macau Concealers é seguida por mais de 100 mil pessoas no Facebook. Podem ter um impacto grande na sociedade, através das redes sociais, e mudar o panorama mas está a demorar imenso a ter efeito”, explica. Para Pereira Coutinho, a aprovação de legislação que viola o estipulado na Lei Básica é um dos factores de enfraquecimento do segundo sistema. O deputado realça a retroactividade da lei das aposentações, que “não é uma lei genérica e abstracta, mas destinada a um número de pessoas selectivamente escolhidas”, e a questão das diuturnidades dos trabalhadores da Função Pública. Como não existe em Macau um organismo que fiscalize a constitucionalidade das leis aprovadas na Assembleia Legislativa, Pereira Coutinho entende que “o sistema um país dois sistemas implica obrigações importantíssimas ao Governo Central, que tem de ver o que se passa na Assembleia Legislativa”. Para o deputado, “o segundo sistema está doente e são precisos antibióticos que só se compram em Pequim”. João Luz

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política 5

quarta-feira 24.1.2018

CPPCC GRANDE BAÍA DEVERÁ SER UM DOS PRINCIPAIS TÓPICOS DAS REUNIÕES EM CANTÃO

As linhas para nos cosermos

A primeira Sessão do 12.º Comité Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês começou ontem. Ao HM, o membro da comitiva de Macau Harry Lai explicou que vai propor a criação de um mecanismo integrado de prevenção das consequências de desastres naturais

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primeira Sessão do 12.º Comité Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CPPCC) de Cantão arrancou ontem com os discursos de Li Xi, secretário do Comité do Partido da Província de Guangdong, e Wang Rong, presidente do CPPCC. Entre os 35 representantes de Macau está Harry Lai, proprietário da empresa de construção Lai Si, que admitiu ao HM ir sugerir a implementação de medidas integradas de resposta a desastres naturais entre Guangdong, Hong Kong e Macau. “Uma das propostas que vou apresentar durante as reuniões de trabalho foca a necessidade de implementar medidas de prevenção para Guangdong, Hong Kong e Macau, no âmbito das infra-estruturas e desenvolvimento da Grande Baía”, afirmou o membro da comitiva de Macau. Esta é uma proposta que Harry Lai admite ter sido motiva pela passagem do tufão Hato e pela forma como o território foi auxiliado pelo Interior da China, sublinhando que era importante criar um sistema de auxílio entre as regiões para as catástrofes. Também a Grande Baía é um assunto que o representante da delegação de Macau prevê que esteja em destaque na agenda das reuniões: “Estou à espera que as sugestões foquem essencialmente o projecto da Grande Baía e a forma como Macau pode aproveitar as oportunidades que vão ser criadas”, apontou.

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União Europeia (UE) retirou ontem Macau e outras sete jurisdições da ‘lista negra’de paraísos fiscais, mas mantêm-nas sob vigilância na zona cinzenta. A classificação de Macau na lista negra europeia, no passado dia 5 de Dezembro, teve que ver com a “falta de cooperação no cumprimento dos critérios exigidos a nível de matéria fiscal”. O Governo já reagiu e saudou a decisão de ontem da UE, sendo que “vai continuar a cooperar com a

O empresário considerou igualmente que é importante que se discuta como o projecto pode resultar no desenvolvimento económico de Macau, na criação de melhores condições para o turismo e na ligação entre o território e as outras cidades envolvidas no projecto.

“Uma das propostas que vou apresentar durante as reuniões de trabalho foca a necessidade de implementar medidas de prevenção para Guangdong, Hong Kong e Macau, no âmbito das infra-estruturas e desenvolvimento da Grande Baía.” HARRY LAI REPRESENTANTE DE MACAU

Este ano marca igualmente o início do 12.º CPPCC, o que significa a entrada de novas caras para o órgão consultivo. Entre os membros de Macau, uma das novidades é a entrada do arquitecto Ben Leong. Estas são alterações que Harry Lay espera que produzam resultados positivos. “Anteriormente já fazia parte do CPPCC e por isso vou trabalhar

Paraísos cinzentos Macau sai da lista negra europeia

comunidade internacional, no sentido de combater, em conjunto, a fuga e evasão fiscal transfronteiriça, bem como promover, de forma activa, os trabalhos relativos ao melhoramento da transparência fiscal e da justiça tributária”, refere um comunicado oficial. Na nota enviada à comunicação social o Governo

reitera que o ingresso do território nos paraísos fiscais não terá sido justa tendo sido “uma decisão unilateral e parcial, e que tal não corresponde à situação real de Macau” No entanto, e contando com a colaboração do Governo Central, o Executivo sublinha já foi autorizada a extensão à RAEM da

aplicação da «Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Fiscal» que se encontra em fase final.

SAÍDA COLECTIVA

Além de Macau, foi também formalizada a saída da lista negra da UE o Panamá, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Mongólia, Tunísia, Granada e Barbados da ‘lista negra’ de paraísos fiscais, adoptada em 05 de Dezembro último, que passa assim a integrar apenas nove países.

com este órgão por mais cinco anos. O meu desejo é que todos os membros de Macau consigam contribuir de forma positiva para que o território seja bem representado e com melhores resultados, se possível”, desejou. Harry Lai é igualmente vice-presidente da Associação de Construtores de Macau e da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau.

SEGUIR AS POLÍTICA NACIONAIS

No discurso da cerimónia de abertura do evento, Li Xi, secretário do Comité do Partido da Província de Guangdong, sublinhou a necessidade de todos os membros se comprometerem com a implementação das medidas do Governo Central, liderado por Xi Jinping. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, as políticas nacionais devem ser utilizadas para reforçar o trabalho do comité. Por sua vez, o presidente do CPPCC, Wang Rong, apresentou o relatório dos trabalhos elaborados ao longo dos últimos cinco anos, pelo 11.º Comité Permanente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Wang Rong elogiou igualmente o papel dos membros do comité, cujo desempenho considerou uma importante forma para manter a prosperidade e estabilidade nas regiões de Hong Kong e Macau.

Na semana passada, os embaixadores dos Estados-membros junto da UE tinham já recomendado a redução da ‘lista negra’, tendo o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, referido que tal se deveu a “um processo construtivo” de cooperação fiscal. Estando agora na ‘lista cinzenta’, Macau e os outros países continuam “sob o radar da UE”, alertou Moscovici e se não cumprirem os compromissos

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

assumidos, regressam à ‘lista das jurisdições não cooperantes. Desde ontem, a ‘lista negra’ inclui apenas a Samoa Americana, Bahrein, Guão, Ilhas Marshall, Namíbia, Palau, Santa Lúcia, Samoa e Trindade e Tobago. A UE elaborou então uma lista ‘cinzenta’ passa a integrar 55 jurisdições que se comprometeram a cumprir os critérios exigidos em termos de legislação fiscal. Sofia Margarida Mota (com LUSA) info@hojemacau.com.mo


6 política

A

24.1.2018 quarta-feira

organização pró-democrata enviou uma carta ao Executivo a pedir que se clarifique a distribuição dos frutos do boom económico de Macau de forma clara e transparente. Um dos aspectos passa por estabelecer um mecanismo de ajuste monetário e indicadores da situação das finanças públicas, de forma a aumentar a transparência, o saudável desenvolvimento das finanças públicas e a dar à comunidade expectativas razoáveis quanto a ajustes futuros nesta matéria. O comunicado da Associação Novo Macau refere que desde que o Executivo implementou a política de cheques pecuniários, em 2008, ao qual chama “esquema de partilha de dinheiro”, tem votado todos os anos esta medida. Os pró-democratas entendem que esta política visa calar as insatisfações dos residentes face ao falhanço do Governo em partilhar os frutos do desenvolvimento económico. “As pessoas estão zangadas com a corrupção e a mistura entre Governo

Ópio do povo

Associação Novo Macau quer institucionalização dos cheques pecuniários

e interesses privados” e é precisamente neste panorama de crise que nascem os cheques pecuniários, elenca o comunicado. A Associação Novo Macau acrescenta que “todos os anos o Chefe do Executivo decide se deve dar dinheiro

e quanto deve dar, algo que representa o oposto da filosofia científica de governação que o Executivo gosta de mencionar”. Além disso, a associação realça que não se conhecem a natureza dos benefícios. Se são a mera partilha de fru-

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ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de onze viaturas ligeiras mistas de cabina dupla equipadas com caixa aberta”

Concurso Público n° 005/IACM/2017

Avisam-se todos os interessados que se encontra aberto o concurso público “Aquisição, pelo IACM, de onze viaturas ligeiras mistas de cabina dupla equipadas com caixa aberta” nos termos do despacho da Secretária para a Administração e Justiça, de 10 de Janeiro de 2018. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 28 de Fevereiro de 2018. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP120,000.00 (cento e vinte mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 1 de Março de 2018. Macau, aos 15 de Janeiro de 2018. O Administrador do Conselho de Administração Mak Kim Meng WWW. IACM.GOV.MO

tos económicos, benefícios sociais, ou uma espécie de indeminização para cobrir o desconforto dos residentes. O comunicado dos pró-democratas recorre a uma analogia farmacêutica quando enumera que o uso prolongado de analgésicos cria nas pessoas tolerância e reduz a eficiência dos efeitos, sendo necessário com o tempo o aumento das doses. Para a Associação Novo Macau passa-se o mesmo com a distribuição de cheques pecuniários, ao mesmo tempo que se reduz a diferença entre as receitas e gastos públicos, algo que de acordo com a associação tem impacto na saúde das finanças públicas. O comunicado dos pró-democratas realça que a comunidade gosta de receber dinheiro e que estes cheques podem ajudar a resolver necessidades imediatas de famílias carenciadas. Porém, a Novo Macau entende que não se deve ter receio de abalar o “status quo” e ignorar uma crise financeira que pode vir a caminho numa sociedade que depende exclusivamente de um sector económico. João Luz

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Alexis Tam Secretário foi a Singapura debater saúde e educação

A saúde e ensino foram os temas que dominaram o encontro do secretário para os assuntos sociais e cultura, Alexis Tam com governantes de Singapura. O secretário liderou as equipas de educação e de saúde do Governo da RAEM que se dirigiram àquela região no passado dia 22. O foco esteve nas políticas para o ensino bilingue e informática em que o objectivo é “aprender com as experiências de Singapura, reforçando a formação dos estudantes de Macau no âmbito da capacidade multilinguística e literacia informática”, refere o comunicado enviado à comunicação social. Alexis Tam manifestou ainda o seu agradecimento ao Ministério de Saúde de Singapura pelo apoio e assistência dada ao desenvolvimento do sistema de saúde de Macau. Desde a assinatura de memorando de cooperação em 2005, “as duas regiões têm intensificado a comunicação na área de saúde e desenvolvido uma boa cooperação a nível académico, de formação profissional e de prestação de apoio técnico”, lê-se na nota oficial.

Chui Sai On reitera que respeita a liberdade de imprensa

O Chefe do Executivo reuniu ontem com os responsáveis dos órgãos de comunicação social de língua chinesa de Macau a quem reafirmou o respeito do Governo pela liberdade de imprensa e publicação. Chui Sai On aproveitou a ocasião para elogiar o sector na defesa do sentimento de amor à pátria e a Macau, assim como o espírito de serviço público. O líder do governo observou que o desenvolvimento tecnológico impulsionou a disseminação dos “novos meios de comunicação social”. Tal facto, para o Chefe do Executivo, não só enriqueceu os serviços informativos prestados ao público, como trouxe novos desafios e oportunidades ao sector.


sociedade 7

Por uma centena de doentes atendidos nos Serviços de Saúde, 40 por cento detinham doenças respiratórias. Lei Chin Ion, director dos serviços, defende que é impossível estabelecer uma ligação directa entre a poluição e o número de casos, assegurando que Macau tem melhor qualidade do ar do que Pequim

O

S níveis elevados de poluição registados nos últimos dias, cinco vezes superiores ao que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, terão originado um maior fluxo de doentes no serviço público de saúde, mas não foi o único factor. Em conferência de imprensa promovida pelos Serviços de Saúde (SS), foi revelado que, de uma centena de doentes atendidos, cerca de 40 por cento tinham doenças respiratórias de todo o tipo. Contudo, os responsáveis apontaram que não é possível apontar uma ligação directa com a poluição registada nos últimos dias. “Não há uma grande probabilidade de apanhar doenças. Não podemos confirmar se a poluição vai ou não afectar o estado de saúde destas pessoas, porque não há uma relação directa. Não acho que a poluição cause uma doença imediata, mas apelamos às pessoas com doenças crónicas ou respiratórias para que evitem actividades ao ar livre”, explicou Lei Chin Ion. Os SS não têm qualquer sistema de medição da qualidade do ar ou medidas especiais para lidar com esta problemática, sendo que os Serviços Meteorológicos e Geofísicos apenas fazem uma média diária dos níveis de qualidade do ar. Lei Chin Ion considerou, contudo, que o ar em Macau é mais respirável do que em Pequim. “A qualidade do ar em Macau é melhor do que em Pequim. Em Pequim não fazem este tipo de estatísticas e não fazem estas conferências de imprensa. Temos vindo a contactar com os SMG”, revelou.

GETTYIMAGES

quarta-feira 24.1.2018

POLUIÇÃO DOENÇAS RESPIRATÓRIAS LEVARAM 40% AO HOSPITAL

A bruma dos dias Lam Chong, chefe do centro de prevenção e controlo das doenças, adiantou que “a poluição do ar pode, na verdade, levar a que haja mais pacientes, mas não é uma relação directa”. “Não conseguimos dizer quantos doentes vieram à consulta com doenças provocadas pela poluição do ar. São os SMG que fazem o alerta quanto à qualidade do ar”, acrescentou.

GRIPE SOB CONTROLO

O número de casos com doenças respiratórias está também associado ao facto do território estar a atravessar a fase sazonal de gripe, que tem gerado uma maior afluên-

cia aos hospitais. Ainda assim, Lei Chin Ion garantiu que a situação está controlada, com “um maior tempo de espera nas urgências e um aumento da taxa de ocupação de camas”. “Estamos numa situação aceitável e é suficiente [os recursos disponíveis]. Ainda temos camas de reserva que não foram utilizadas e temos uma reserva de medicamentos para três meses.” Lam Chong revelou que na terceira semana de Janeiro “houve um aumento do número de casos” face à segunda semana do mesmo mês. “Houve 65 casos por cada mil pessoas, e na pediatria houve 213 casos para cada mil, quando

CLÍNICA TAIVEXMALO PODERÁ TER NOVA LICENÇA O

s SS continuam a aguardar que a clínica TaivexMalo faça as devidas melhorias nos seus serviços para voltar a operar, depois de ter sido suspensa pelo período de 180 dias. Lei Chin Ion adiantou que a clínica poderá receber nova licença para operar caso melhore os serviços de medicina prestados. O Jornal Tribuna de Macau noticiou ontem que a TaivexMalo recebeu uma ordem de despejo do Venetian pelo tribunal a pedido do Banco Nacional Ultramarino, por alegadas dívidas.

na semana anterior tinha havido 181 casos.” Só nos últimos dois dias foram atendidas 1136 pessoas por dia, disse Lei Wai Seng, director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário. “Houve um aumento de 40 por cento comparando com os dias normais. Mais crianças com menos de três anos vieram à urgência. Temos vindo a destacar mais pessoal para atender os nossos utentes. A taxa de internamento tem sido de 90 por cento e registamos um ligeiro aumento, para 95 por cento”, frisou. No caso da pediatria têm sido atendidas 190 crianças, com sintomas leves, disse Jorge Sales Mar-

SS RECEBEM 35 CANDIDATURAS DE MÉDICOS PORTUGUESES L

ei Chin Ion adiantou ontem que os SS já receberam 35 candidaturas de médicos portugueses, no âmbito de um processo de recrutamento que ainda está em curso. Os currículos ainda estão a ser analisados e destinam-se a responder a 21 vagas existentes, 13 delas para áreas de especialidade. “Recebemos 35 pedidos: cinco não são da nossa especialidade, dois são de enfermagem. Estamos a avaliar 30: 11 são para áreas em que temos vagas”, disse o director substituto do hospital, Lei Wai Seng.

“Em Pequim não fazem este tipo de estatísticas e não fazem estas conferências de imprensa. Temos vindo a contactar com os SMG.” LEI CHIN ION DIRECTOR DOS SS

ques, director do serviço. Apesar de não terem sido registados casos de internamento ou falecimento, houve sete casos de gripe que acabaram por originar pneumonia. Contudo, seis dos sete pacientes não tinham tomado a vacina contra a gripe. Também em relação às vacinas a situação está controlada, garantiu o director dos SS. “Encomendamos 120 mil doses de vacinas e foram vacinadas 103.500 mil pessoas. Podemos criar uma barreira contra a gripe sazonal, cuja situação em Macau está melhor do que nas regiões vizinhas. Há mais dez mil doses de vacinas disponíveis.” Lei Chin Ion espera ainda que o elevado número de casos de gripe possa estar controlado. “A taxa de vacinação é bastante elevada, as crianças e os idosos tomaram as suas vacinas e achamos que não vai haver uma taxa de propagação muito grande.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


8 sociedade

Apesar de muitas vezes serem desvalorizadas as influências do hokkien e do cantonense no patuá são também estas que dão ao crioulo local características únicas e o separam, em parte, do kristang, de Malaca. A conclusão faz parte de um artigo do académico Giorgio Arcodia

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L GUMAS construções frásicas do patuá como a utilização do verbo “chomá”, que significar “chamar” em português, mostram que em certos aspectos o crioulo local está mais próximo do hokkien e cantonense do que do malaio-português, a grande base do patuá. A conclusão é do académico Giorgio Arcodia, num artigo publicado na revista Language Ecology com o título “Sobre as Influências Chinesas no Macaense”. Ao HM, o italiano, que é especialista no estudo do chinês, justificou o trabalho com o facto de se tratar de uma área do patuá pouco explorada e no futuro espera continuar a desenvolver mais artigos do género. “Acho que a influência do chinês tem sido, de certa forma, ignorada no estudo do patuá porque até ao artigo publicado por

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PATUÁ ESTUDO DESTACA INFLUÊNCIAS DO HOKKIEN E CANTONENSE NO CRIOULO LOCAL

Influências orientais

Umberto Ansaldo e Stephen Matthews [A origem da reduplicação no Macaense, de 2004] nenhum especialista em linguística chinesa tinha focado este crioulo. Isto fez com que facilmente tenham sido ignorados sinais subtis da influência chinesa”, começou por dizer Giorgio Arcodia, ao HM. “A maior parte dos trabalhos sobre o patuá assume que a língua era, na sua essência, extremamente próxima do kristang de Malaca. Isto é verdade, mas o próprio kristang também esteve sujeito a influências chinesas, através do hokkien, assim como também os falantes de patuá estiveram em contacto muito próximo com os falantes das outras línguas chinesas durante séculos”, apontou o professor da Universidade de Milão-

Funeral de Carlos Coelho realiza-se hoje

O funeral do macaense Carlos Coelho, um dos últimos falantes do dialecto do patuá e actor, realiza-se hoje por volta das 11h00, no Centro Diocesano, ao lado da Casa Mortuária do Kiang Wu, disse uma amiga de longa data de Carlos Coelho ao HM. O corpo será depois transportado para a China, onde será cremado.

IACM Serviços online suspensos para manutenção

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) irá proceder, no dia 27 de Janeiro, das 08:00 às 14:00 horas, a trabalhos de manutenção do sistema, sendo que, nesse período, alguns dos serviços disponíveis estarão suspensos. De acordo com um comunicado oficial, os serviços estarão operacionais após a conclusão dos trabalhos de manutenção do sistema.

-Biccoca, para explicar as influências no crioulo de Macau. O hokkien é um grupo de dialectos com origem no sul da província de Fujian, que a comunidade académica acreditar ser muito falado em Macau, quando os portugueses se estabeleceram no

“Só estive em Macau um vez, em 2011, para tentar saber mais sobre o patuá: fiquei surpreendido porque só ouvi falar inglês, cantonense e mandarim.”

território. Por sua vez, o cantonês é o principal meio de comunicação ainda hoje em Macau. Por estas razões, acredita Arcodia, dificilmente o patuá conseguiria evitar estas influencias.

APAIXONADO PELO PATUÁ

Nascido em Milão, Girogio Acordia estudou em Bolonha, Pavia, Pequim e Taipé na área da linguística. Especialista em Linguística Chinesa, a curiosidade e interesse pelo patuá surgiu em 2008, em Amesterdão, quando assistiu a uma aula com Umberto Ansaldo, também ele um académico abordou em alguns trabalhos o patuá. Foi devido esse interesse que em 2011 esteve em Macau, onde se apaixonou pela cultura macaense.

“Só estive em Macau um vez, em 2011, para tentar saber mais sobre o patuá: fiquei surpreendido porque só ouvi falar inglês, cantonense e mandarim. Nessa altura, ainda achava que o macaense era uma língua falada, ou pelo menos usada na escrita”, recorda. “Tive também a oportunidade de ir à biblioteca para recolher um amostra enorme do trabalho de José dos Santos Ferreira (Adé), e foi nessa altura ao ler as suas histórias, os registos sobre a gramática do patuá e os artigos existentes que comecei a aprender mais sobre a língua. Apaixonei-me literalmente pela língua e pela cultura macaense”, acrescentou. Durante a visita de 2011,Arcadio teve ainda um encontro com Mário Pinharanda Nunes, da Universidade de Macau, que partilhou parte dos seus registos com o italiano. Em relação ao futuro, o académico admite o regresso de Macau com o objectivo de entrevistar membros do grupo de teatro Dóci Papiaçam di Macau. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

LAMENTO POR CARLOS COELHO

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o HM, Giorgio Arcodia considerou que os próximos tempo vão ser um grande desafio para a recolha de material que permita no futuro estudar o patuá, pelo facto da língua estar cada vez menos presente. Nesse sentido, o italiano lamentou a morte do macaense Carlos Coelho: “Era uma das últimas pessoas que falava a língua desde a infância”, apontou.

TURISMO MAIS DE TRÊS MILHÕES DE VISITANTES

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ACAU recebeu, em Dezembro passado, mais de três milhões de visitantes, o número mensal mais elevado desde Agosto de 2014. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), estes 3,053 milhões de visitantes representam um aumento de 8,5 por cento em termos anuais e de 7,8 por cento no mês. No ano passado chegaram a Macau 32,61 milhões de visitantes, mais 5,4 por cento do que em 2016, indicou a DSEC, confirmando os dados preliminares avançados pela directora dos Serviços de Turismo, Helena Senna Fernandes, na quarta-feira passada. Em 2017, os visitantes da China continental (22,196 milhões) subiram 8,5 por cento, seguidos pelos da Coreia do Sul (874.253),

que aumentaram 32 por cento. Ao contrário, Hong Kong (6,165 milhões) e Taiwan (1,06) recuaram 4,0 por cento e 1,3 por cento, respectivamente. O número de visitantes dos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido também registou quedas anuais. O período médio de permanência dos visitantes situou-se em 1,2 dias, tal como em 2016. Mantiveram-se também os períodos médios de permanência dos turistas e dos excursionistas em 2,1 dias e 0,2 dias, respectivamente, indicou a DSEC. O visitante refere-se a qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um termo que se divide em turista (aquele que passa pelo menos uma noite) e excursionista (aquele que não pernoita). LUSA


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Foi mal despedido

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) anulou o despedimento promovido pelo Secretário para a Segurança de um verificador dos Serviços de Alfândega acusado da prática de exploração da prostituição. O colectivo de juízes, composto por Tong Hio Fong, Lai Kin Hong e Fong Man Chong, considerou que o despedimento foi feito sem que houvesse o cuidado de provar a culpa do funcionário envolvido. O verificador dos SA foi despedido em Novembro de 2016, após ter sido acusado de um crime da prática de exploração de prostituição. Enquanto o julgamento decorre na primeira instância dos tribunais, o Secretário para a Segurança tomou a decisão de avançar para o despedimento imediato, no âmbito de um processo disciplinar interno.

TIAGO ALCÂNTARA

Tribunal anula despedimento de funcionário dos Serviços de Alfândega

No entanto, segundo o TSI, não houve o cuidado de investigar internamente se o agente tinha realmente cometido o crime. Pode ler-se no acórdão revelado, ontem, que as provas para o despedimento se limi-

taram a um interrogatório ao funcionário – que optou por não responder à maioria das perguntas – à acusação do Ministério Público, que ainda decorre no Tribunal Judicial de Base, e a um recorte de jornal.

“Analisando o conteúdo do processo disciplinar instaurado contra o recorrente [funcionário demitido], somos a entender que efectivamente não foram realizadas diligências probatórias pertinentes para comprovar a responsabilidade disciplinar do mesmo”, consta no acórdão. “Em processo disciplinar, à semelhança do que sucede no processo penal, não cabe ao arguido provar a sua ‘inocência’, mas sim compete ao titular do poder disciplinar o ónus da prova dos factos constitutivos. Não logrando cumprir tal ónus, outra solução não resta senão julgar procedente o recurso contencioso”, é considerado. Ainda assim, o tribunal realça que a Administração pode avançar para o despedimento do funcionário em causa, se o julgamento ditar que é culpado, ou se internamente forem apuradas provas suficientes para tal. J.S.F.

JOGO LUCROS DA WYNN QUASE QUE TRIPLICARAM

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S lucros da Wynn Macau, referentes apenas às operações no território, quase que triplicaram no último trimestre do ano passado, atingido o valor de 179,2 milhões de dólares norte-americanos. O montante representa um crescimento de 284 por cento, face aos 46,6 milhões acumulados nos últimos três meses de 2016. Os números foram avançados pela Wynn Macau, ontem, num comunicado à Bolsa de Hong Kong. Em relação aos resultados do último trimestre do ano passado da empresa-mãe, a Wynn Resorts, o montante arrecadado foi de 491,7 milhões de dólares, o que representa um crescimento superior a 300 milhões, face ao valor de 113,8 milhões arrecadado nos três últimos meses de 2016. Foi por esta razão que Steve Wynn se mostrou muito optimista face ao futuro de Macau, durante a apresentação dos resultados: “Um dos

absurdos modernos deve-se ao facto das pessoas ficarem todos os meses à espera dos dados da DICJ [Direcção de Inspecção de Coordenação de Jogo] para depois começarem a jogar com as acções, como se estivessem no casino”, começou por explicar o magnata, aos analistas. “Se há algo de positivo que posso dizer às pessoas que querem investir nas acções dos casinos é que não, repito, que não, apostem contra Macau. É atirar dinheiro fora”, acrescentou. Por outro lado, Steve revelou que neste momento a companhia já está a trabalhar no projecto para o desenvolvimento da segunda fase do Wynn Cotai. O magnata confirmou que o projecto vai ter mesas de jogo, mas quer que o principal foco esteja no desenvolvimento de hotéis personalizados com um grande elemento de fantasia. Porém, não adiantou mais pormenores sobre o projecto.

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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE SOLOS, OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 3/P/18 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 17 de Novembro de 2017, se encontra aberto o Concurso Público para a «Prestação de Serviços de Lavagem e Engomagem Aos Serviços de Saúde», cujo programa do concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 24 de Janeiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar do n.º 5 da Estrada de S. Francisco onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 67,00 (sessenta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, no dia 30 de Janeiro de 2018, às 15,00 horas, para uma reunião de esclarecimentos a respeito deste concurso e às exigências da prestação dos serviços objecto deste concurso, seguida duma visita à Secção de Tratamento de Roupas e de Limpeza dos Serviços de Saúde.

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As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 26 de Fevereiro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 27 de Fevereiro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP1.852.000,00 (um milhão, oitocentas e cinquenta e duas mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Janeiro de 2018

Faz-se saber que em relação ao concurso público para a execução da “Obra de Remodelação das Instalações da DSE situadas no 24.º andar do Edifício Banco Luso Internacional”, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.° 2, II Série, de 10 de Janeiro de 2018, foi dada resposta, nos termos do artigo 2.° do programa do concurso, e foram prestados os necessários esclarecimentos complementares pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. A resposta e os esclarecimentos complementares encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente no Departamento de Edificações Públicas da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.° 33, 17.° andar, Macau. Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, aos 18 de Janeiro de 2018. O Director de Serviços, Subst.º Shin Chung Low Kam Hong

O Director dos Serviços Lei Chin Ion

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 4/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 5 de Janeiro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para « Prestação de Serviços de Reparação e Manutenção dos Equipamentos do Sistema Electromecânico do Bloco Operatório Central do Centro Hospitalar Conde de São Januário», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 24 de Janeiro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 45,00 (quarenta e cinco patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Para o conhecimento total dos requisitos para este concurso público e para os serviços a prestar, os concorrentes devem assistir à sessão de esclarecimentos a ter lugar no dia 30 de Janeiro de 2018, pelas 15,00 horas, na Sala de Reuniões do Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, e participar na visita às

instalações a que se destina o objecto deste concurso após a respectiva sessão. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 1 de Março de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 2 de Março de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 75.000,00 (setenta e cinco mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/ Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 18 de Janeiro de 2018. O Director dos Serviços Lei Chin Ion

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quarta-feira 24.1.2018

“Muitas destas palavras são explosões”

“O sol, logo em nascendo, vê primeiro” é o título do novo livro de poesia de Carlos André, com o qual finalmente se assume como poeta. Editado pela Livros do Oriente, a obra espelha aquilo que o autor sentiu e viu nas muitas viagens que já fez deste lado do mundo GONÇALO LOBO PINHEIRO

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poeta caminhou na estrada até Baalbek, no Líbano, imaginou as histórias que contam as seculares pedras de Angkor Wat, no Cambodja, e procurou no Vale de Beqaa, também no Líbano, por onde andam a luz ou o mel. Carlos André, o poeta, também coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau (IPM), escreveu o seu terceiro livro de poesia quase por acaso ou instinto, muito antes de perceber que os seus poemas se transformariam na obra “O sol, logo em nascendo, vê primeiro”, editado pela Livros do Oriente. Muito antes de vir para a China abraçar o projecto do IPM, Carlos André escreveu em Quioto, no Japão, e no Líbano. “No princípio não tinha sequer a intenção de fazer um livro”, contou ao HM. “A poesia acontece desta forma. Em determinado dou comigo a fazer um poema, nos poetas isso é normal. Quatro desses poemas foram escritos há muito tempo. A ideia de que poderia fazer um livro com estas impressões de viagem aconteceu na China, nas viagens que fui fazendo. A partir de certa altura começou mesmo a ser um projecto pessoal, e como gosto muito de fazer fotografia, juntei essa parte”, acrescentou. Ao editar o terceiro livro de poesia, Carlos André assume-se, finalmente, um poeta, além de ser um professor e académico, especialista em literatura clássica e também tradutor. “Apesar de já aceitar um pouco a designação de poeta, tenho por hábito dizer que o meu compromisso é com a minha profissão. Sou professor, tenho de escrever coisas científicas e académicas, e aí tenho muitos projectos em cima da mesa...o resto, se me acontecer, fico muito feliz.” “O sol, em nascendo, vê primeiro” é sobretudo o resultado de muitas imagens que o poeta viu de perto, e que se traduziram em palavras. “Muitas destas palavras são explosões. Acontecem de repente e

POESIA CARLOS ANDRÉ LANÇA NOVO LIVRO COM IMAGENS DO ORIENTE

no que diz respeito à forma como os poemas foram escritos. “A quase totalidade este livro é feito de formas clássicas e obviamente que a minha formação está aí. São textos em oitavas heróicas, são sonetos, quadras no sentido mais tradicional. São formas clássicas com rima, métrica. Foi o que deu, não sei dizer de outra forma.” Essa influência acabou por surgir de forma espontânea ou até inconsciente. “Como poetas somos filhos de tudo o que lemos, porque nos está atravessado no subconsciente. Há um conjunto de imagens que, ainda que não tenha consciência delas, elas estão lá”, disse.

A REFERÊNCIA A CAMÕES

O poeta pensou em vários títulos para o seu terceiro livro, até que resolveu utilizar o verso escrito por Luís de Camões, quando este, n’Os Lusíadas, se dirige ao rei D.Sebastião. “[O sol, logo em nascendo, vê primeiro] é a expressão que Camões utiliza para descrever os lados do então império português, para se referir às terras do sol nascente, ao Oriente. Poderia dizer, simplesmente, ‘Poemas do Oriente’, andei às voltas com muitos títulos e achei que seria muito interessante [utilizar este verso]. Aí vem a minha formação clássica”, frisou.

“Como poetas somos filhos de tudo o que lemos, porque nos está atravessado no subconsciente. Há um conjunto de imagens que, ainda que não tenha consciência delas, elas estão lá” – Carlos André, autor de “O sol, logo em nascendo, vê primeiro.”

depois precisam de se arrumar. Olho para uma determinada paisagem aquilo está à minha frente e isto tem de ser traduzido num poema. Mas não há duas circunstâncias iguais.” Carlos André assume que “transmitiu para o papel” à semelhança de quando um pintor transpõe um sentimento ou uma ideia para a tela, cheia de cores e formas.

“O poeta tem um conjunto de sensações perante uma determinada circunstância e perante uma imagem. No meu caso, na maior parte das situações, tratam-se de imagens, e traduzo essas emoções em palavras, com alguma carga estética, para o papel.” Quando percebeu que os seus escritos poderiam ser publicados,

“quis partilhar com as outras pessoas as minhas emoções”.

A INFLUÊNCIA DOS CLÁSSICOS

Especialista em Línguas e Literaturas Clássicas, Renascimento e Humanismo, Carlos André explicou que o seu terceiro livro de poesia revela algo diferente de todos os outros: essa ligação aos clássicos,

Carlos André assume que escreve como respira, mas quando traduz outros autores opta por não escrever os seus poemas, por “estar demasiado concentrado na tentativa de captação das emoções do outro”. Enquanto académico CarlosAndré tem um outro ritmo. “[Escrever poesia] tem a ver com aquele momento e todas as circunstâncias que o envolvem. O poeta tem essa sensação, é completamente diferente do que se passa com os meus escritos académicos. Chega-se a estes através de um trabalho atento, com muita leitura ou reflexão.Apoesia não é assim. As impressões traduzem-se em palavras na expectativa de que haja algo entre alguma coisa e outra”, concluiu. A apresentação da obra de Carlos André decorre na próxima terça-feira na Fundação Rui Cunha. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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“UMA FAIXA, UMA ROTA” PEQUIM CONVIDA AMÉRICA LATINA E CARIBE

Juntem-se à festa REUTERS

O ministro dos Negócios Estrangeiros estána América Latina para promover dezenas de iniciativas. Há um lugar vazio à espera da China no comércio multilateral

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EQUIM convidou a América Latina e o Caribe para fazer parte do seu bloco económico, a iniciativa chamada de “Uma Faixa, Uma Rota”. A oferta foi feita nesta segunda-feira (22) pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, durante reunião com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). Com a retracção da influência global dos Estados Unidos com a presidência de Donald Trump, Pequim procura ocupar os espaços deixados por Washington.

CONTRA O PROTECCIONISMO

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, que já criticou publicamente Trump, afirmou que o acordo marcou uma nova era “histórica” de diálogo entre a região e a China. “A China disse algo que é muito

CONTRA O HIP-HOP, CORTAR, CORTAR

HONG KONG LIVREIRO VOLTA A SER DETIDO

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China iniciou uma luta contra o hip-hop, um género musical que é ainda uma novidade no país, e contra actores com tatuagens. Depois de ter retirado alguns rappers de programas de televisão, o regulador chinês para a comunicação social veio nesta segunda-feira “aconselhar” os canais a não darem visibilidade a este tipo de artistas. Um dos primeiros alvos de Pequim foi, como lembra a Reuters, um popular programa de televisão chamado Rap da China. Os artistas Wang Hao, conhecido como “PG One”, e Zhou Yan, conhecido como “GAI” – e que foram os dois vencedores do programa de talentos – foram avisados e sancionados por mau comportamento e por apresentarem conteúdos que entram em confronto com os valores do Partido Comunista chinês. “GAI”, que ficou na terceira posição de um outro programa de talentos chamado The Singer, transmitido pela Hunan TV, foi expulso sem serem avançadas explicações para a decisão. Por sua vez, “PG One” foi obrigado a pedir desculpa pelas suas letras, que foram criticadas por

“A China estará sempre comprometida com o caminho do desenvolvimento pacífico e com a estratégia de benefício comum de abertura e está pronta para compartilhar dividendos de desenvolvimento com todos os países”, disse Wang em reunião com os 33 países da CELAC. O bloco latino e a China assinaram uma espécie de acordo de princípios que rejeita o “unilateralismo” e fala sobre a importância de combater a mudança climática. A Nova Rota da Seda foi proposta pelo presidente chinês Xi Jinping em 2013 e busca fortalecer os laços económicos entre Ásia, África e Europa com investimento de bilhões de dólares em infra-estruturas. O MNE chinês discursou sobre a importância de melhorar a conectividade entra mar e terra e citou a necessidade de construir conjuntamente “logística, electricidade e percursos de informação”.

insultarem as mulheres e por encorajar a utilização de drogas. A agência noticiosa chinesa Xinhua escreveu que “PG One” “não merece o palco” e que todos deveriam “dizer ‘não’ a qualquer coisa que sirva de plataforma para conteúdo de mau gosto”. Também o rapper “Vava” sofreu as consequências desta política ao ser cortado do programa de variedades Happy Camp. Mas nesta segunda-feira o director da Administração do Estado para a Imprensa, Publicações, Rádio, Filmes e Televisão da China, Gao Changli, apresentou propostas de regras que as televisões deveriam respeitar. Citado pela agência Sina, o responsável sugeriu quatro regras concretas para os convidados dos programas televisivos: “Não utilizar actores cujo coração e moral não estejam alinhados com o partido e cuja moral não é nobre”; “não usar actores de mau gosto, vulgares e obscenos”; “não usar actores cujo nível ideológico é diminuído e que não têm classe”; “não usar actores com manchas, escândalos e integridade moral problemática”. De acordo com a Sina, estas regras incluem artistas com tatuagens e do hip-hop.

filha do dono de uma livraria de Hong Kong, que vendia obras críticas do regime de Pequim, afirmou que o pai foi novamente levado pelas autoridades chinesa, depois de ter sido secretamente detido em 2015.Angela Gui disse à emissora sueca em língua inglesa Rádio Sweden que o pai, Gui Minhai, seguia num comboio com dois diplomatas suecos quando foi detido por polícias chineses. Gui, que tem dupla nacionalidade, chinesa e sueca, desapareceu no final de 2015, quando passava férias na Tailândia. Era então o dono da “Mighty Current”, editora de Hong Kong conhecida por publicar livros críticos dos líderes chineses.

O livreiro apareceu mais tarde na televisão estatal chinesa CCTV a confessar que se tinha entregado às autoridades pelo atropelamento e morte de uma jovem em 2004. Quatro funcionários na livraria de Gui foram também detidos nos meses seguintes, mas acabaram por ser libertados passado pouco tempo, enquanto Gui permaneceu preso até Outubro passado. Gui foi depois colocado num apartamento na cidade de Ningbo, na costa leste da China, e mantido sob vigilância da polícia, afirmou a filha. Gui deslocou-se de comboio até Pequim para um encontro na embaixada da Suécia, mas foi detido

por agentes da polícia à chegada à capital, contou Angela Gui. “É evidente que ele voltou a ser raptado e que se encontra detido num lugar secreto”, disse à agência noticiosa Associated Press (AP). A ministra dos Negócios Estrangeiros sueca, Margot Wallstrom, disse já que o país vai convocar o embaixador chinês para discutir a detenção de Gui. “O Governo sueco tem um conhecimento aprofundado sobre o que se passou e está a trabalhar 24 horas por dia nesta questão”, disse Wallstrom, que mais tarde confirmou que o embaixador chinês fora chamado para discutir a detenção de Gui.

CORRUPÇÃO ACUSADO MAIS UM VICE-DIRECTOR

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vice-director da agência chinesa encarregue da política energética foi demitido e acusado de receber subornos, anunciou hoje o órgão anticorrupção do Partido Comunista (PCC), parte de uma campanha que atingiu já centenas de responsáveis do regime. A Comissão de Inspecção e Disciplina do PCC informou que Wang Xiaolin, que durante muitos anos trabalhou no sector estatal do carvão, é suspeito de “graves violações da disciplina”, utilizando a terminologia que descreve habitualmente os casos de corrupção. O caso transitou, entretanto, para as instâncias judiciais, detalhou. Wang entrou para a Administração Nacional de Energia em 2015, depois de ter trabalhado muitos anos no grupo Shenhua Group, um dos maiores

produtores de carvão do mundo. Após ascender ao poder, o Presidente chinês, Xi Jinping, lançou uma campanha anticorrupção, hoje considerada a mais persistente e ampla na história da China comunista, e que resultou já na punição de mais de um milhão de membros do PCC. Centenas de altos quadros do regime, incluindo o antigo chefe da segurança da China ou altas patentes do exército chinês, foram condenados à prisão perpétua por corrupção. Críticos apontam que a campanha anticorrupção de Xi serviu para afastar rivais políticos, promovidos por outras cliques internas do PCC, argumentando que esta é gerida por um órgão interno do partido e não uma entidade independente.


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importante, que quer ser nosso parceiro confiável na América Latina e no Caribe e valorizamos isso”, afirmou Muñoz. “Este encontro representa um repúdio categórico ao proteccionismo e ao unilateralismo”. A China já é o principal parceiro comercial do Brasil, Argentina e Chile. O ministro chinês, entretanto, nega que esteja em curso uma competição por influência. “Não tem nada a ver com concorrência geopolítica. Segue o princípio de alcançar o crescimento compartilhado através da discussão e colaboração”, disse Wang. Pequim busca ampliar seu leque comercial com a região e deixar de comprar apenas matérias-primas para também movimentar sectores como o comércio digital e o comércio de veículos. “As nossas relações com a China são amplas. Isto [reuinão entre CELAC e China] é mais uma ferramenta para o Brasil trabalhar com a China. Juntos, identificámos novas áreas de cooperação”, afirmou o vice-ministro do Brasil, Marcos Galvão.

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S acções de várias subsidiárias do grupo chinês HNA, accionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul, sofreram na segunda-feira fortes perdas, enquanto seis firmas suspenderam as negociações em bolsa. No conjunto, quinze subsidiárias do HNA perderam um total de 6,3 mil milhões de yuan em bolsa, segundo estimativas do portal chinês de informação económica Yicai.com. O valor de mercado somado daquelas firmas ascende a 224 mil milhões de yuan, detalhou a mesma fonte. O jornal de Hong Kong South China Morning Post avança que, no mesmo dia, seis subsidiárias do grupo HNA suspenderam as negociações em diferentes praças financeiras da China. Em comunicados separados, as empresas informaram que a empresa matriz, o grupo HNA, está a preparar “acções importantes”, que podem consistir numa reestruturação

Desce, balão, desce Accionista da TAP com perdas na bolsa

dos activos das respectivas empresas. O HNA, que nos últimos anos investiu um total de 33 mil milhões de euros além-fronteiras, é um dos principais visados das advertências das autoridades chinesas para investimentos “irracionais” no estrangeiro, que podem acarretar riscos para o sistema financeiro chinês.

JOSHUA WONG LIBERTADO SOB FIANÇA

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activista Joshua Wong foi libertado ontem sob fiança seis dias após um tribunal o ter condenado a três meses de prisão pela participação nas históricas manifestações pró-democracia realizadas em Hong Kong em 2014. Joshua Wong, o líder mais jovem do que ficou conhecido por “Revolução dos Guarda-Chuvas” e cuja imagem ficou como “bandeira” do movimento pró-democracia” em Hong Kong, obteve a libertação sob fiança depois de apresentar um recurso à sentença, aplicada por “obstrução à justiça”. Wong tem vários outros processos pendentes em

tribunal relacionados com a participação nos protestos. O Tribunal de Recurso tem em conta o argumento apresentado pela defesa do activista, que assegurava que o juiz que o condenou não teve em consideração a idade do jovem, que tinha 18 anos na altura das manifestações. Joshua Wong e outro activista, Raphael Wong, que também liderou as marchas de protesto, declararam-se culpados por terem desobedecido a uma ordem judicial que os obrigava a abandonar uma das zonas da cidade tomadas pelos manifestantes, situada no bairro de Mong Kok, em Novembro de 2014,

tendo sido condenados a penas de prisão de três e quatro meses e meio, respectivamente. A Rapahel Wong não foi concedida liberdade sob fiança. Joshua Wong e outros activistas que lideraram as manifestações de 2014 continuam a aguardar que o Supremo Tribunal de Hong Kong se pronuncie sobre outro caso, relacionado também com os protestos. Todos foram condenados a trabalhos comunitários por terem liderado os confrontos entre os manifestantes e a polícia diante dos edifícios que albergam o Palácio do Governo e o parlamento, com o que desencadearam o “Movimento dos Guarda-chuvas”.

Em Novembro passado, a agência de ‘rating’ Standard & Poor’s avisou o grupo de que “estruturas agressivas de financiamento” estão a danificar a sua solidez financeira. A agência colocou a dívida do HNA em nível “lixo”. Segundo a S&P, o grupo somava na altura uma dívida de longo prazo de cerca de 49 mil milhões de

euros - equivalente a uma dívida líquida de 6,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. A empresa detém indirectamente cerca de 20% do capital da TAP, através de uma participação de 13% na Azul (companhia do brasileiro David Neelman que integra a Atlantic Gateway) e uma participação de 7% na Atlantic Gateway, e tem ainda importantes participações em firmas como Hilton Hotels, Swissport ou Deutsche Bank. Uma das suas subsidiárias, a Capital Airlines, inaugurou este ano o primeiro voo directo entre a China e Portugal. O grupo tem também estado na mira de reguladores estrangeiros, face à dificuldade em entender quem são os seus acionistas, ocultados por detrás de múltiplas empresas

fictícias, subsidiárias e afiliados. Na semana passada, as autoridades norte-americanas afirmaram que não vão aprovar mais investimentos do HNA, até que o grupo forneça informação precisa sobre os seus accionistas. Em Dezembro passado, os reguladores da Nova Zelândia encarregues do investimento externo bloquearam a aquisição de uma sociedade financeira pelo HNA, apontando que a informação fornecida sobre a estrutura accionista do grupo “era insuficiente”. Em Julho passado, os reguladores suíços disseram também que o grupo forneceu informação “incompleta ou falsa” sobre a sua estrutura accionista, aquando da aquisição da Gategroup, líder no catering para o sector da aviação. A HNA foi fundada em 1993 e tem sede em Haikou, capital da província de Hainan.

TRUMP IMPÕE TARIFAS COMERCIAIS CONTRA A CHINA

O

governo do presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira a imposição de tarifas comerciais contra painéis solares e máquinas de lavar, importados especialmente da China, num movimento que marca o endurecimento das relações comerciais dos Estados Unidos com o país asiático. O objectivo da medida é proteger a indústria americana da concorrência internacional, uma das principais promessas de campanha de Trump.

A decisão foi tomada após uma investigação conduzida pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA, agência federal que atua na protecção comercial do país. A comissão concluiu que a importação massiva dos produtos estava “a prejudicar seriamente a indústria nacional ”. “As acções do presidente [ao tarifar as importações] deixam claro, mais uma vez, que o governo Trump sempre irá defender os trabalhadores americanos”, afirmou Robert

Lighthizer, representante comercial dos Estados Unidos. As tarifas comerciais serão impostas durante até quatro anos. No caso das máquinas de lavar, as tarifas valem por três anos, começam em 20% e variam até 50%. Já os painéis solares serão tarifados durante quatro anos As medidas adoptadas pelo governo dos EUA são chamadas de salvaguardas, uma acção de defesa comercial baseada na comprovação de danos à indústria local -e mais rara do que as acções antidumping. “Isto confirma a tendência proteccionista do governo Trump e a sua intenção de usar o maior número de mecanismos de defesa comercial possível”, afirmouAntónio Josino Meirelles, director-executivo da BIC (Brazil Industries Coalition), organização que representa a indústria brasileira nos Estados Unidos.


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24.1.2018 quarta-feira

A música p’ra mim tem seducões de oceano! ´ Diário de um editor João Paulo Cotrim

Spleen punk

BARRACA, LISBOA, 13 JANEIRO Estranho que o novo da Inês [Fonseca Santos], «Suite Sem Vista», dada a nossa comum atracção pelo treze a perturbe com mais um. As coincidências sussurram-me que o absurdo nos governa e, estranhamente, encontro nisso conforto. Juro-vos ser coincidência que o meu preferido, nesta viagem aos vários centros de uma rapariga emparedada em si, resulta ser o XIII: «No espelho da suite sem vista,/ o hálito da rapariga embacia// o tempo.//A rapariga fita a parede/ para lá do espelho:// demasiado contraplacado armado/ em paisagem.// Bebe de novo o tédio do lado rachado do copo./ E da boca da rapariga sai// a palavra/ sangue.» Um hálito que embacia o tempo, um olhar que vê a paisagem contraplacada, um tédio no copo rachado e a palavra sangue, este malabarismo entre imagem e ideia e verbo faz-me parar. E perguntar: onde estou? Durante o lançamento, que descambará não tarda em festa, tenho a companhia da Rita [Taborda Duarte] e do António [de Castro Caeiro], além da autora e da sua leitora íntima, a Filipa [Leal],

o primeiro volume com a sua assinatura (calhando ser a edição número sessenta e nove). Para as capas, procurámos o olhar de artistas plásticos, como o Francisco Vidal, que definiu um rosto a partir de cores e traços sanguíneos (algures nesta página), transformado depois pela Luísa [Barreto], em peculiar objecto, jogando com o dentro e o fora, o miolo e a capa.

EDGAR DEGAS, MELANCOLIA, 1874

POSSOLO, LISBOA, 13 JANEIRO O António [de Castro Caeiro] tomou por tema de trabalho a melancolia. Escolheu-a, sou testemunha, antes de começar dieta e desconfio que não a largará tão cedo. Ele pratica a filosofia como arte marcial, com treino e disciplina. Leitura, tradução e interpretação espelham-se no aquecimento, na dança saltitante e nos sucessivos golpes com que abre palavras, desvela conceitos, irradia perspectivas. A escola do Luís [Carmelo] está cheia e bebe cada palavra, que parte dos fluidos e humores de Aristóteles, pseudo ou não, passa pela acédia de S. Tomás de Aquino, para desembocar em Nietzsche e Heidegger. Apesar de ter trocado a cabeça por uma única nuvem negra e cerrada disfruto com prazer do fluxo de ideias. Fixo-me nesta «abulia espiritual quanto ao exercício das virtudes, especialmente no que respeita a culto e à comunicação com Deus». (Que bem me sabe este regresso aos dicionários, no caso o Houaiss, e tenho que me controlar para não correr a visitar outros.) Este enfraquecimento da vontade que atacava os monges a meio da manhã, que lhes oferecia o tédio como tentação, na vez de gozosos corpos ou luxuriosas riquezas, desemboca no punk: e se nada tiver sentido? O cultivo da palavra – amanho de terra, cravar da semente – continuou para descobrir na melancolia um desalinhamento, um desfoque entre o que somos e o que fazemos, entre suprema potência e acanhada preguiça. Tarde com vista para o super-homem, horizonte definido sem superpoderes.

no deserto do palco. Não me salvam dos gaguejos e brancas, mas oferecem-me o conforto das suas interpretações incisivas e de rasgo, que nos levam ao espaço arquitetónico desta rapariga que constrói cidades no peito e define os lugares com o corpo. Esta poesia devia ser enviada ao cuidado dos arquitectos, se eles ainda construíssem com atenção, na vez de concreto. O António falou da «personificação dos objectos», nas «peças de mobi-

liário da nossa existência». A Rita avisou este livro tem que ser sitiado, devassado por um voyeur. Esta «Suite» dá-nos acesso, permite-nos ver os vários centros, geodésicos e outros, de uma mulher. E dá-nos, pela palavra, a sua activação. De novo, a coincidência. Na abysmo, a poesia começou com «As Coisas», da Inês. Esta colecção «abysmo mão dita», que se pretende laboratório de geometria variável, desde que mais portátil e veloz, tem

O cultivo da palavra – amanho de terra, cravar da semente – continuou para descobrir na melancolia um desalinhamento, um desfoque entre o que somos e o que fazemos, entre suprema potência e acanhada preguiça

HORTA SECA, 17 JANEIRO 2018 A sério? Coincidência? Tenho nas mãos o volume II das Obras Clássicas, ou seja, dos «Sonetos Completos» do Antero de Quental, que assina o logo. Sim, ele escreveu abysmo por tê-lo conhecido como ninguém, não tanto por ser hábito da época. O Miguel Macedo viu como voyeur, com prazer. Vamos ler com as mãos, se pudéssemos. Sem querer, mas fazendo do y antena para o advir, como quem lia cada detalhe, acima ou submundo, lendo o carácter que nos podia levar onde nunca fomos, de nunca fomos capazes de vir, a dar choque. Repousa como gato e a cor do tijolo, brincando com a característica de ambos. Muitos irão elogiar o aspecto, sem cuidar na imensidade de trabalho que fixa o texto, aquele que não pára de mexer. Antero tem que ser lido na fugida de todos os cânones. Hoje sou homem e na sombra enorme, achando, eu no diálogo com ele, Antero, que podemos ambos crescer além do spleen punk (com ou sem vírgula). Talvez pudéssemos, ao ler, recomeçar revoluções. Muito de súbito, derrama, ó leitor, o essencial disto que se parte a teus pés, teatro mínimo: «Que trazes ao mundo em cada aurora?» Pergunta íntima, descuidada, roupa interior: levanta-te e diz. Faz-te e anda. Ergue-te e fica. Acreditei, por instantes, mais logo lerei, cicatriz desenhada pela vontade na pele: «Mais que amor tenho crença: essa existência/ Pede-me um culto por que dera a vida,/ Por que dou esta dor, que aqui se encerra.» LORETO, 19 JANEIRO 2018 Estou doente, mas compro «Le un», a sinopse de bolso mais brutal e explosiva dos tempos sobre os quais no sentamos, dias de rabo, vistos daqui, folha dobrada e ilustrada a celebrar com luxúria o fim do papel (voltarei ao assunto). Ah, sim e o tema: «Est-il urgent de ralentir?», como quem diz: «É urgente parar?» Nomes depois de nomes dizem, pedem, exigem, imploram, lambem a paragem, quietude, o pranta-te quedo da minha infância. Logo eu com eles, mas penso, não tanto no tema, mas no modelo-papel. Há-de tudo e lembrei-me de Barthes. Não parou de chover. Continuo a lentidar, recordar com lentidão, que belo soa daqui o ~ que vejo voando quieto ~


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quarta-feira 24.1.2018

Aluvião Miguel Martins

N

ÃO me parece descabido dizer que fazer uma pessoa culta é caro. Implica leituras, claro, mas também a exposição a uma variedade de experiências — edificantes ou não — tão vasta quanto possível, mesmo as que, à primeira vista, podem parecer distantes de um conceito simplista de cultura. Implica mundo. Muito mundo. Implica viver de modo acelerado, pois o nosso tempo de vida é demasiado curto para quanto importa aprender. Implica não perder tempo com aquilo que nada nos pode ensinar. Ser culto deve poder ser o único objectivo de uma pessoa culta. É caro. Mais caro, ainda, é fazer uma pessoa sensível. Isso, regra geral, não se consegue numa só geração. Vai-se instalando e sendo passado, de pais para filhos, desde pequeninos. A arrepio da vida bruta das massas. Contra o materialismo. Contra os egoísmos. É caro, repito. E pressupõe o contributo dos incultos. Contudo, para uns e outros, muito mais caro é não investir nisso. Condena-os a ambos. Uns à diminuição do brilho, outros a navegarem sob um céu sem estrelas. A disciplina militar prestante/ Não se aprende, senhor, na fantasia,/ Sonhando, imaginando ou estudando,/ Senão vendo, tratando e pelejando. – Camões. R., poeta, foi, até à sua morte, director do instituto responsável pela divulgação da cultura do Estado Espanhol em Lisboa. C., um conhecido comum, galego como ele, importador e exportador de peixe, proprietário de um bar no Bairro Alto e intelectual de esquerda, tendo R. afirmado que estava escrevendo a sua autobiografia, arremessou: — Ouve lá: tu já estiveste preso? — Não, respondeu o bardo. — Já mataste alguém?, volveu o primeiro. — Não. — Então, concluiu C., não tens biografia. Dito isto, é preciso não perder de vista o seguinte: a cultura, embora, muitas vezes, construa entraves a isso ou com eles se depare, deve ser, em última análise, um contributo para a felicidade, colectiva e individual. E, concluí há tempos, não há melhor aferidor do grau de felicidade de cada um do que a quantidade de vezes que se canta ou assobia. Cantar ou assobiar — no banho, na rua, de manhã ou à noite, sozinho ou acompanhado — é muito bom sinal. Denota que a cabeça não está tolhida por constrangimentos que não lhe permitam os voos mais leves, mais inconscientes, mais naturais, mais saudáveis.

OTTO DIX, RETRATO DE SILVIA

Felicidade naturalmente

E aqui, embora o Canon de Johann Pachelbel ou a Primavera de Vivaldi possam servir muito bem, a música popular assume a sua função mais nobre. Foi no Domingo passado que passei À casa onde vivia a Mariquinhas ou Penny Lane there is a barber showing photographs Of every head he´s had the pleasure to have known.

Nessa aldeia hoje desabitada é possível comer da natureza

A propósito de felicidade, um sítio com que tenho uma relação feliz, a um tempo paraíso perdido e terra prometida. Uma pequeníssima aldeia da Beira Litoral, praticamente uma só rua, muito inclinada, de casas de xisto, que desemboca num rio límpido e lindíssimo, que, ali, ante uma pequena represa, forma uma piscina de claridade e reflexos, num vale de brumas e sonho (é mesmo assim, não sou eu a alinhar palavras bonitas!). Back to nature é a sensação que aí busco. E, de facto, nessa aldeia hoje desabitada é possível comer da natureza – nalguns pontos do rio as trutas ocupam mais espaço do que a água, sob as árvores acumulam-se frutos variados,

nas silvas há amoras e framboesas, se soubesse e quisesse disparar uma arma os montes ao redor oferecer-me-iam grande variedade cinegética. Dá que pensar. Gostaria que um dia me fosse possível alternar os meus dias entre essa aldeia e Lisboa, entre essa represa e os 360º de vista sobre a cidade e o Tejo que o topo do Mosteiro de São Vicente de Fora nos oferece. É a mais bela vista da cidade. O olhar reganha um alcance que a vida entre prédios lhe roubara. Ao encanto dessa aldeia, acrescenta a sua relativa inacessibilidade, que me dá uma espécie de conforto, de pertença inviolada. Algumas pessoas queixar-se-iam da falta de investimento do Estado ou das autarquias, contribuindo para isolar povoações. Compreendo. Mas, por mim, não me queixo – até agradeço. Certa vez, em Ceuta, quase não vendo muçulmanos nas ruas da cidade, pedi a um taxista que me mostrasse onde viviam. Após uma longa viagem, em que o taxista não parou de ofender aquela comunidade, lá chegámos a um bairro isolado, bastante mais pobre do que a cidade, no meio de uma zona arborizada. Estranhamente, e sem prejuízo das opiniões que formei acerca da situação, achei o local confortável. Senti que, ao menos ali, aquelas pessoas se podiam sentir em casa. E, por isso, também eu me senti um pouco assim. O mesmo aconteceu com uma instalação da Colecção Berardo que vi em tempos e cujo autor, infelizmente, não recordo. Entrava-se por um corredor de pano preto, em completa obscuridade, e desembocava-se numa sala idêntica. Só que, nesta, se olhássemos para cima, veríamos a projecção da água de uma piscina, filmada a partir do fundo, e nela pessoas nadando. Silêncio. Paz. Útero. No âmbito das instalações têm sido criadas algumas das peças mais interessantes das artes visuais das últimas décadas. Muitas carecem de “instruções”, o que faz comichões a muita gente, que acha que a obra deve bastar(-se). E, contudo, se adquirirmos um lápis, de facto, não traz qualquer instrução, mas se se tratar de uma caneta de tinta permanente muitas vezes já vem acompanhada por um papelinho que nos ensina a enchê-la, limpá-la, etc. Caso compremos uma máquina de escrever, as instruções aumentam de tamanho. E se for um computador, preencherão, mesmo, um livro algo volumoso. Por que não poderia acontecer o mesmo com as obras de arte?


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24.1.2018 quarta-feira

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Amélia Vieira

Caminhos Errados

“O pior é que chegou o Janeiro e escancarou-se neste bicho todo o seu impossível ser. A três quartos do Inverno os gatos pressentem na orla de claridade, mais cheia, que vem do Nascente, a quadra do Renovamento. As noites de grande luar prateado, como praias de embarque para Citera, convidam-nos ao amor. Ao seu gosto de recato e de silêncio, mesmo à sua algidez de maneiras, agrada a incomparável serenidade que o céu reveste por estas alturas.... Os gatos, de certo... Assim se combina a poesia das noites de Janeiro, amplas e religiosas como catedrais.” Sete é o tal número que abrange muita coisa e até há a interessantíssima

“A Meni- meni nunca mais voltou a casa. Encontrei-a tempos depois à porta duma taverna a pentear-se ao sol, na companhia dum carocho lazarento como ela. Fingiu que me não conhecia.”

JORGE-MOLDER, PROSIMETRON, AUTO-RETRATO(S)

É

este o título de um livro de Aquilino Ribeiro, livro esse de novelas, tendo incluído para teor aquele que aqui nos traz « Menos sete». Este autor devia ser de leitura obrigatória pois que em tudo exerce o dom maior da contemplação da língua que não perde o fôlego na sua vasta produção. Nós, que parecemos ter ficado em atrofia face a estas gerações que nos precederam pois que nos basta verificar as gentes da Primeira República, onde e quiçá, ainda estão os nossos avós, para verificarmos que eram mais altos, mais bem parecidos, mais civilizados. Só a geração que se lhes seguiu pareceu estranhamente ter mirrado, havendo sem dúvida uma atrofia notória em todas as suas dimensões. Tudo isto existiu sem que fosse muito nítido um subtil “crepúsculo dos deuses”, pois que entre estas gerações há efectivamente um hiato que nos faz aludir à estrutura do pensamento como arquitecto da forma. O corpo pode ser também esse veículo mecânico e desmontável com as próteses em rosca que desagua na nossa geração de «Crash» do Cronemberg e os implantes podem ser a forma encontrada para diminuirmos o que em nós há de massa modificável, pois que já vem feita, é precisa e mantem-se inalterável. Mesmo com ideias medonhas de sedução e excitação sexual, a tecnologia exacerba aspectos outrora desconhecidos, ou conhecidos, mas não aperfeiçoados. Janeiro é o teor da novela de Aquilino e isto, por causa dos gatos, das noites e do escrever para as Academias, recorda-nos como tal momento nos instiga a sacrifícios, a transformações interiores e a uma saudade na lonjura que sentimos face à Primavera e nos dói só de pensar que a não saudamos uma vez mais. - É o mês dos gatos – sim - do luar, do frio, do cio... de toda a semente fechada. A descrição do magistral Aquilo começa por se manifestar assim:

obra de Trindade Coelho «O Senhor Sete» que são histórias tradicionais portuguesas, um levantamento etnográfico que ele foi escutando em regiões diversas do país, coisas maravilhosas que foram estrategicamente esquecidas para dar início ao Halloween, bem como a outras adaptações culturalizantes do país “moderno”. Tenho sete gatos, agora que se vão dois, ficarei com cinco «Menos dois» e não encontro nas bermas deste ciclo nada que se pareça com a majestosa dádiva deste conto que acaba mal, mas começa bem. Sabemos da impetuosa virtude que tinha Aquilino, a de extinguir o que

considerava ser o adversário, mas isso todos os homens orgulhosos de si o fazem com mais hábil ou inábil manifestação. Só agora é que temos este adormecido sistema de aceitação programada que nos faz engolir delirantes sapos vivos que vertem para os sistemas fechados do corpo os cancros que a todos abrasa e, delinquentemente, vão gerando a pestilência mórbida do desaire pensante. Mas ele sabia da soberba (não menos orgulhosa do que a sua) deste ser que o fez refém no seu mais poético conto: depois de ter corrido com todos do Jardim ele recorda ainda este episódio:

Há dilemas gigantescos nos corações dos escritores e atitudes menos prudentes quando a razão lhes pede coragem, como se a vida se confundisse já com uma página das suas obsessivas transmissões

Há dilemas gigantescos nos corações dos escritores e atitudes menos prudentes quando a razão lhes pede coragem, como se a vida se confundisse já com uma página das suas obsessivas transmissões, depois de muito contemplarem podem ter súbitos desvios e mudanças repentinas de humor, perigosas para todos, sim, mas especialmente para eles. Mas é dessa caldeira de lava transbordante que lhes advém a beleza de nos contemplarem. Por isso, não há método que os subjugue numa norteada vertente de si mesmos. Estão vedados aos bens multiculturais da estultícia dos étnicos e aos insubordinados curiosos da espécie, dado que podem não ter uma consciência nítida a que espécie pertencem. A travessia de um mês ou a relação com uma outra espécie não os centra de forma razoável na tão distante natureza humana e, por isso, saúdam os que somos todos nós com uma inédita maneira de se expressar. Os gatos, nem sempre sabem que o são, também é certo, e pensaram-nos até de forma opulenta nas suas características que ora divinizaram ora ostracizaram, não havendo aqui a razoável medida que os contemple como seres normais, e vamos encontrar então estas duas espécies em grande confronto e osmose, de forma a refletirmos, todos, nas suas intransigentes e espectaculares características. Não duvido que Aquilino tenha ido propositadamente averiguar onde andavam os que foram expulsos do Jardim e todos tenham sentido um orgulho arquejante às suas passagens a quando das avistações, que não se tivessem socorrido do arrependimento e os outros do perdão, afinal, faz parte do seus incontornáveis encantos. No fundo, não mais se esquecerão uns dos outros, mas cada um silenciou para sempre o seu amor. Que o amor deste silêncio certamente pertencerá apenas a criaturas divinas. “Remontar de quando em quando o rio de Cronos, poder fechar na cara dos patifes as cancelas que em boa fé deixámos abertas para a nossa intimidade, libar segunda vez a dulcidão de certas taças, quem não mataria o mandarim, quanto mais um gato maltês.” Se isto se diz!


opinião 17

quarta-feira 24.1.2018

sexanálise

TÂNIA DOS SANTOS

Desejo masculino e testosterona THE INTERVENTION OF THE SABINE WOMEN, JACQUES-LOUIS DAVID

N

ADA é consensual, nem a natureza do desejo sexual. Até rimei. As ciências baseiam-se nas várias formas de como olhar o mundo para interpretar fenómenos humanos. Como se entende o desejo sexual (e os problemas e vantagens a eles associados) vão variar de acordo com as nossas orientações epistemológicas. A mais utilizada para perceber o desejo sexual, que até está presente no nosso senso comum, é a do modelo biológico. Mais concretamente, que as nossas queridas hormonas contribuem para os sinais mais óbvios do desejo e da performance. Mas será a biologia capaz de explicar tudo? Há quem diga sim, há quem diga que não. Parece que os estudos que suportam a tese biológica poderão ser re-interpretados

à luz de um entendimento mais dialógico, i.e., tendo em consideração os corpos e as mentes da parelha do desejo e do sexo. A evidência mais clara de que o desejo não depende totalmente de existência de testosterona em força, é a dos eunucos. Os eunucos que, no caso da corte chinesa, trabalhavam para servir as concubinas do imperador, eram castrados para não haver risco algum de se envolverem com as meninas, muito menos engravidá-las – para não correr o risco das concubinas produzirem possíveis herdeiros infiéis à linhagem do imperador. O que certas descrições da época parecem informar é que lá pelos homens terem perdido os tomatinhos (de forma bastante traumática, suponho), não era por isso que não iriam brincar ao sexo com as raparigas (ou rapazes) que quisessem. Aliás, isto é tão verdade que até poderá ter havido a prática de remoção do pénis, para além dos testículos, só para não se correr risco absolutamente nenhum. Mas nada indica que os eunucos não pudessem, ainda assim, não gozar o prazer sexual, usando as mãos ou a boca, por exemplo. Vou tentar explicar o porquê da persistência do desejo, da melhor forma que puder. Imaginem um homem com problemas

em ter uma erecção: como é um tanto ou quanto estigmatizante para a sexualidade masculina acontecer tal coisa, é normal que o desejo se agarre à vergonha – para assim se proteger de situações desconfortáveis. Por isso, é bastante comum ver a disfunção eréctil associada à falta de desejo, mas e se não for a biologia a causar a inibição do desejo sexual? E se a causa for o estigma da não-erecção? Quer dizer que a natureza do desejo vai muito além das hormonas (não descartando que elas são parte importante, claro). No caso dos eunucos, eles sabiam que tinham como trunfo sexual a infertilidade – as mulheres sentiam-se atraídas por isso. Não é fantástico poder sentir o prazer do toque e do orgasmo sem se ter que preocupar com uma gravidez indesejada, quando a pílula estava longe de ser comum?

O desejo sexual parece alimentar-se da atração pelo outro, mas também da forma como nós achamos que o outro pode sentir-se atraído por nós

Alguns relatos da época parecem apontar para esta explicação – e não me parece descabida de todo – o desejo sexual será, por isso, o resultado de relações de atração. Portanto, trocando isto por miúdos: o desejo sexual parece alimentar-se da atração pelo outro, mas também da forma como nós achamos que o outro pode sentir-se atraído por nós, e das nossas condições de prazer. Daí eu ter descrito o desejo como dialógico, porque parece depender de uma conversa de atrações, do que eu acho do outro, e do que eu acho que o outro acha de mim. Claro que o que nós julgamos atraente é construído socialmente, e o perigo sempre foi associar o prazer e a performance masculinas à erecção e à ejaculação, sem nunca dar espaço suficiente a outras formas de amor e de prazer. A lógica biológica, e melhor disseminada socialmente, parece atrapalhar as formas de desejo sexual que poderiam ser exploradas, justificadas e concretizadas fora da testosterona. Se os eunucos, privados de níveis normais de testosterona, continuavam a sentir desejo e fantasia, e que ainda iam para a cama com as miúdas com quem era suposto não irem, o sexo tem de estar algures entre as nossas cabeças, a nossa magia sensorial e os nossos genitais.


18 (f)utilidades MUITO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA

MIN

1

Diariamente

EXPOSIÇÃO “TWENTY HOURS – AN EXHIBITION OF ABSTRACT 3 PAINTING BY DENIS MURRELL AND HIS STUDENTS” Café IFT – espaço Anim’Arte Nam Van | Até 2/03

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/03

20

HUM

6 4 7 56 5 42 3 1 4

5 1 4 3 27 2 6

72 3 6 4 1 5 7

1 7 2 5 6 4 3

6 4 3 1 5 7 2

4 5 7 6 2 3 1

DE

5 54 7 73 6 1 2

7 2 1 4 3 6 45

3 6 42 1 25 4 7

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 3

4 5 6 7 1 2 3

2 1 3 6 7 5 4

1 7 4 5 2 3 6

5

5

Cineteatro

SALA 1

THE COMMUTER [C] Filme de: Jaume Collet-Serra Com: Liam Neeson, Vera Farmiga 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

PITCH PERFECT 3 [B] Filme de: Trish Sie Com: Anna Kendrick, Rebel Wilson, Hailee Steinfeld 14.30, 16.15, 18.00, 21.45

INSIDIOUS: CHAPTER 4 [C] Filme de: Adam Robitel Com: Lin Shaye,

UM FILME 7 1 3 2HOJE 6 4 5

2 3 6 C I N E M A 74 5 13 2 1 3 5 1 7 5 THE COMMUTER

70-95%

2

3O CARTOON STEPH

36 3 3 1 5 2 3 12 4 1 6 7 1

EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02

MAX

•

EURO

9.85

BAHT

0.25

YUAN

1.25

PÊLO DO CÃO

5 1 PALESTRA - “COMO EVITAR O EFEITO YO-YO DAS DIETAS 2 1 TRADICIONAIS – O SEGREDO PARA PERDER E MANTER UM PESO SAUDÁVEL” POR CATARINA RODRIGUES 63 Fundação Rui Cunha | 18h45 2 Sábado RAW VIDA X FITNESS & RAW FOOD WELLNESS WEEKEND 1 4 3 One Oasis | 10h00 57 Domingo RAW VIDA X FITNESS & RAW FOOD WELLNESS WEEKEND 4 74 One Oasis | 10h00 6 FESTA DE ABERTURA DA THE MACAU BARBERSHOP Rua de S. Miguel – Macau | 14h00 às 18h00 5 Quinta-feira

16

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6 4 5 2 37 11

7 1 46 4 5 3

Neste filme David Lynch vai buscar elementos de outros filmes que realizou, sempre com uma boa dose de surrealismo à mistura. Uma actriz consegue o papel num filme que nunca foi concluído devido a uma história trágica e depressa a ficção se mistura com a sua própria realidade. Ao bom estilo de Lynch o filme confunde-nos mas prende-nos ao mesmo tempo, para, no fim, terminar em beleza: uma dança de prostitutas ao som de “Sinnerman”, de Nina Simone. Andreia

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PROBLEMA 4

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2 6 3 5 6 5 17 4 7 1

1 4

3 1 2 3 6 7 4 5 5 43 6 7 2 4 21 7 5 1 3 2 56 4 2

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SOMOS OS MAIORES! 2 5 6 67 73 1 4 4 1 72 3 6 5 7 5 4 3 2 1 77 56

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24.1.2018 quarta-feira

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Tanto jeitinho e que dom incrível impossível de captar usando o básico uso da palavra. Que prodígio, apenas transmissível pela mais angélica das árias espremida de sumo concentrado de musa. A acompanhar a maior densidade populacional do mundo, Macau tem também a maior densidade de engenho e pura genialidade que este planeta já viu. Viram-se páginas conceptuais nesta terra com a frequência com que o sol se levanta, correntes e movimentos seculares são demolidos pela extrema erudição que brota deste aglomerado de génios. QIs rebentam escalas em direcção à transcendência, rumo a Olimpos de intelecto, em todas as áreas do fazer e do pensar e, provavelmente, do coçar da micose também, em lado nenhum se faz nenhum como aqui. Pontas de corno que não se produzem e que suplantam tudo o que não existe. Aliás, presumo que Donald Trump seja um filho de A-Má. Em todos os ramos das artes, Macau tem Mozarts e Michelangelos a dar com um pau. Mesmo nas profissões mais técnicas, despidas de centelha criativa, como o jornalismo, ui, magos, deidades de mestria perdidas no anonimato de uma língua moribunda num país que não usa alfabeto. Somos todos muita bons, sublinho muita, diria mesmo os maiores, super-seres dotados de uma perspicácia e sagacidade que suspeito que esteja um salto evolutivo à frente de todo o mundo. Sem qualquer intenção de dieta, egos morbidamente obesos devoram travessas de elogios, com 0% autocrítica, das Portas do Cerco a Coloane. João Luz

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INLAND EMPIRE | DAVID LYNCH 2006

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Sofia Silva

Angus Sampson, Leigh Whannell 19.45 SALA 3

NAMIYA [B] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Han Jie Com: K.Wang, Dilraba, Dong Zijian, Lee Hong Chi 14.30, 16.30, 21.30

COCO [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 19.15

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


ócios/negócios 19

quarta-feira 24.1.2018

WORDPLUS TRANSLATION, EMPRESA DE TRADUÇÃO SUSANA DINIZ, FUNDADORA

“O mais difícil é não saber chinês” A WordPlus Translation funciona há apenas seis meses e realiza trabalhos de tradução para o sector público e privado. Susana Diniz, licenciada em tradução e interpretação de inglês-alemão, quer expandir a empresa nos próximos meses através da contratação de pessoas que dominem o chinês

A

expressão “Lost in Translation” quase que poderia aplicar-se ao trabalho diário que Susana Diniz faz. Licenciada em tradução e interpretação de inglês-alemão, a portuguesa decidiu abrir, há seis meses, uma empresa que presta serviços de tradução, a WordPlus Translation, sem que, no entanto, domine a língua chinesa, também oficial no território. Susana Diniz trabalhava na Função Pública como tradutora, depois de ter tido uma breve experiência como jornalista. Hoje dedica-se a fazer aquilo que fazia na Administração, mas através de contratações externas dos serviços públicos. Apesar das traduções para o Governo constituírem a maior parte dos trabalhos da WordPlus Translation, Susana Diniz também tem dois clientes do sector privado. Contudo, Susana Diniz não pretende ficar por aqui. “Neste momento tenho alguns contractos com organismos governamentais activos, e sou só eu a fazer este trabalho de tradução. A ideia disto é criar uma agência de tradução em que consiga ter tradutores de várias línguas e

trabalhar para vários países, com o máximo de idiomas possível. Neste momento estou sozinha, mas a ideia é essa.” A fundadora da WordPlus Translation tem um sócio e alguns colaboradores em regime de freelancer, mas confessa que lhe falta um parceiro chinês a tempo inteiro, que esteja sentado ao lado dela na hora de traduzir. “Ainda não estou a trabalhar muito com traduções técnicas porque preciso de ter alguém especialista a trabalhar comigo. Esse é o meu objectivo para os próximos dois a três meses: arranjar alguém que escreva bem chinês e que consiga traduzir para português e para inglês documentos com termos mais técnicos”, confessou.

A OFERTA QUE COMPLEMENTA

A contratação externa de serviços de tradução por parte dos serviços públicos é algo comum. Na visão de Susana Diniz este tipo de serviços funcionam como um completo ao trabalho que já é desenvolvido pelas equipas de tradutores que trabalham no seio da Administração.

“A oferta não é assim tão pouca quanto isso. Já há várias empresas de tradução estabelecidas há vários anos e que trabalham sobretudo para o Governo. Pelo que tenho visto é assim. A tradução que é feita pelas empresas privadas oferecem um serviço complementar às traduções feitas no Governo.” Susana Diniz aventurou-se recentemente num curso de aprendizagem do chinês, mas assume que ainda lhe falta percorrer um longo caminho até dominar a língua chinesa como gostaria.

“Esse é o meu objectivo para os próximos dois a três meses: arranjar alguém que escreva bem chinês e que consiga traduzir para português e para inglês documentos com termos mais técnicos.”

WWW.WORDPLUS.COM

“Conheço os meandros da tradução e para mim o mais difícil é não saber chinês. Estou a tirar um curso de chinês mas estou muito no início, não tenho sequer ambições de conseguir ler como os chineses lêem. A minha empresa não pode funcionar sozinha, neste momento tenho dois tradutores que trabalham a regime de freelancer, mas precisava de uma pessoa aqui ao meu lado.” Criar a empresa foi fácil, adiantou Susana Diniz, pois o processo esteve longe de ser burocrático. A WordPlus não tem ainda uma morada própria, pois Susana trabalha a partir de casa. As traduções acontecem para o português, língua oficial, e também para o inglês que, apesar de não constar na Lei Básica como idioma oficial, é também bastante utilizado em Macau. Os documentos e a informação que lhe passa pelas mãos varia. A fundadora da empresa traduz muitas coisas confidenciais, das mais técnicas às mais simples. “Tudo depende do departamento para onde estou a trabalhar”, frisou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende. Artur Schopenauer PARIS GULBENKIAN FAZ EXPOSIÇÃO CONJUNTA DE GIACOMETTI E RUI CHAFES

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delegação em França da Fundação Calouste Gulbenkian vai fazer uma exposição com obras dos escultores Rui Chafes e Alberto Giacometti, de 3 de Outubro a 16 de Dezembro deste ano. A exposição partiu do “desafio” de Helena de Freitas, curadora na Fundação Calouste Gulbenkian, e pretende “proporcionar um encontro” entre o artista suíço, que morreu em 1966, e o artista português, que nasceu em 1966. “Achei que havia muitos pontos de encontro, sobretudo imateriais, entre a obra de Giacometti e de Rui Chafes. É uma ideia não de um diálogo mas, sobretudo, proporcionar um encontro”, disse à agência Lusa Helena de Freitas, que está a comissariar o projecto. A exposição vai contar com PUB

ALBERTO GIACOMETTI, CÃO

Esse ano de 1966

11 esculturas e quatro desenhos de Alberto Giacometti, e todas as esculturas de Rui Chafes estão a ser concebidas especificamente para este projecto e para o espaço da fundação em Paris. “É um dos projectos mais excitantes que tenho feito em toda a minha vida profissional, porque entra no território do

desafio e do novo, da construção. É qualquer coisa que estou a ver acontecer, que parte de uma verdade extraordinária que é, de facto, o encontro entre os dois artistas e que tem um território muito fértil para se desenvolver”, afirmou a curadora. O projecto desenvolveu-se a partir de uma pesquisa

sobre o léxico comum aos artistas, como a intemporalidade, a desmaterialização e o vazio que são conceitos “que eles desenvolvem de uma forma material muito diferente em tempos diferentes”, o que pode transformar o projecto em algo “luminoso”, continuou Helena de Freitas. No seu livro “O Silêncio de?”

PALAVRA DO DIA

(1998), Rui Chafes escreveu que, “juntamente com Joseph Beuys, A. Giacometti é talvez o grande escultor do pós-guerra” que tomou “o caminho da negação, da redução, da austeridade e ascetismo” e que criou “um espaço calcinado”, abrindo caminho para a “moderna escultura: a escultura da consciência”. Nascido em Lisboa, Rui Chafes fez o curso de Escultura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, entre 1984 e 1989, e estudou na Kunstakademie Düsseldorf, de 1990 a 1992, com Gerhard Merz, tendo sido galardoado com o Prémio Pessoa, em 2015, e com o Prémio de Escultura Robert-Jacobsen, na Alemanha, em 2004. Em 1995, Rui Chafes representou Portugal, juntamente com José Pedro Croft e Pedro Cabrita Reis, na 46.ª Bienal de Arte de Veneza, e, em 2004, participou na 26.ª Bienal de S. Paulo, com um projeto conjunto com Vera Mantero, tendo, ainda, em 2013, sido um dos artistas internacionais convidados para expor no Pavilhão da República de Cuba, na 55.ª Bienal de Veneza.

quarta-feira 24.1.2018

Fumador condenado por agredir inspector

Um fumador que em Junho de 2016, num estabelecimento de comida no Bairro de Tamagnini Barbosa, recusou mostrar o documento de identificação e empurrou um agente de fiscalização dos Serviços de Saúde, após ter sido apanhado a fumar, foi condenado pela prática do crime de desobediência e crime de ofensas qualificadas à integridade física. O agressor vai igualmente ter de pagar 16 mil patacas ao agente em causa, devido às despesas médicas. A informação foi divulgada ontem, em comunicado, pelos próprios Serviços de Saúde, que alertam para a entrada em vigor das novas restrições ao tabagismo.


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Hoje Macau 24 JAN 2018 #3979 by Jornal Hoje Macau - Issuu