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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
S E X TA - F E I R A 2 4 D E J A N E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 1 8
hojemacau ZHENG ANTING, DEPUTADO
“Nós, chineses, só temos vantagens em aprender português” ENTREVISTA PÁGINAS 2 E 3
Deputados ao lado do Governo no caso Taipa
FELICIDADE LIMITADA REPORTAGEM CENTRAIS
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Os templos dedicados a Lu Ban, mestre dos artífices PÁGINAS 14 E 15
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PATRIMÓNIO
Vários deputados nomeados, como Vong Hin Fai, Gabriel Tong e Tsui Wai Kwan, apressaram-se a defender o Governo e os seus colegas empresários, na questão levantada no dia anterior pela Associação Novo Macau. Jason Chao mostrara documentos que, alegadamente, revelam favorecimentos na venda de terrenos na Taipa. Para os deputados, tal não passa de uma “teoria da conspiração”, sem pernas para andar. Contudo, tais argumentos não convenceram Ng Kuok Cheong e Au Kam San que pediram a suspensão do projecto. PÁGINA 4
TRADIÇÕES DE MACAU
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HOJE MACAU
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ENTREVISTA
hoje macau sexta-feira 24.1.2014
Imigrante de Jiangmen desde os tempos da transição, Zheng Anting conseguiu fazer o seu caminho até à Assembleia Legislativa em dez anos. O deputado causou polémica num debate ao defender a ideia de autocarros só para residentes, mas assume que tudo não passou de um mal entendido. O número dois de Mak Soi Kun defende que a língua portuguesa deve manter-se como idioma oficial no futuro, pelas vantagens que pode trazer CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
Que diferenças surgiram na sua vida desde que assumiu o cargo de deputado? Passei a servir os membros da Associação dos Amigos de Jiangmen e todo o povo em Macau. Os meus apoiantes têm esperança em mim, e tenho responsabilidades porque fui eleito pela população. Já servi as associações durante dez anos, mas agora consigo contactar mais os residentes e ouvir diferentes opiniões. Quero lutar por uma vida melhor para eles. Ainda não foi criado um escritório conjunto com o seu parceiro político, Mak Soi Kun. Estão com dificuldades na procura de um espaço? Verdade. O antigo escritório do deputado Mak Soi Kun estava na avenida do Coronel Mesquita, mas o proprietário, não sei porquê, não quis continuar a arrendar a loja para ele. Negociámos muito mas não conseguimos convencê-lo. Mas já arranjámos dois escritórios para o atendimento aos cidadãos, um fica na zona da Areia Preta, outro na Taipa. A questão é que ainda não
entrevista 3
hoje macau sexta-feira 24.1.2014
ZHENG ANTING, DEPUTADO. O HOMEM DOS TRÊS AUTOCARROS
“O que se pode exigir de um adolescente de 14 anos?” conseguimos arranjar pessoas para tratar do arranjo do escritório, e durante as férias de Natal e Ano Novo não havia ninguém para nos ajudar. Mas temos sempre um centro de actividades de lazer na zona do Patane. É mais para idosos, mas de facto é para todos os residentes. De todos os pedidos feitos pelos cidadãos, quais são os mais urgentes para uma acção do Governo? A habitação, os transportes e os serviços de saúde são os assuntos com mais urgência para os residentes. Na cultura chinesa, uma pessoa precisa de ter uma casa, e, por isso, o plano de habitação do Governo precisa de ser bem feito. Na área dos transportes, como o Metro Ligeiro ainda precisa de uns anos para estar completo, o Governo precisa de pensar mais medidas para facilitar o trânsito e a vida dos residentes. Por exemplo, já referi várias vezes a criação de autocarros só para residentes. E aproveito para explicar melhor a minha ideia. Quando vamos para a zona norte, especialmente para as Portas do Cerco, podemos ver que muitos esperam pelo autocarro de manhã, e muitos são residentes que vão para o trabalho e para a escola, mas também há turistas e não residentes. Precisamos de pensar que o aumento dos turistas influencia a vida dos residentes. Acho que a existência de autocarros para residentes pode garantir os seus direitos.
Não acho que a ida de todos os idosos para o continente seja uma boa ideia Mas seria realista não deixar que os turistas apanhem um autocarro? Acho que a questão seria fácil de resolver. Por exemplo, temos três empresas de autocarros, uma podia servir só os residentes. Uma pode transportar os turistas, e uma outra para os não residentes, porque também fazem uma contribuição para a sociedade. Existem autocarros dos hotéis e casinos para o transporte de turistas, e esse tipo de serviço pode ajudar a Direcção dos Serviços de Turismo na recolha de dados estatísticos, sobre quantos turistas necessitam de andar de autocarro em Macau.
Como é que esta medida poderia ser executada? Teríamos de mostrar o BIR na hora de apanhar o autocarro, ou teríamos de comprar um passe especial para residentes? Esta questão só os residentes podem considerar. Mas acho que ter diferentes empresas de autocarros para serviços diferentes já tem um lado prático. Por exemplo, agora quando atravessamos a fronteira, vemos que já existem diferentes canais de passagem para turistas, trabalhadores não residentes e residentes locais.
IDA DE IDOSOS PARA A CHINA NÃO É BOM A Associação dos Amigos de Jiangmen presta vários apoios aos idosos. Quais são os principais problemas a resolver com a terceira idade. Não há lares suficientes, e muitos precisam de ir para um lar no continente? Macau é uma sociedade de integração. Mas como os preços da habitação não têm tendência para descer, é difícil arranjar terrenos e locais para a construção de lares da terceira idade. Mas os idosos não deverão ter todos vontade de ir para o continente. Mesmo os que nasceram lá acham que os serviços de saúde são mais completos em Macau. Não acho que a ida de todos os idosos para o continente seja uma boa ideia. Falou dos preços das casas. Que recomendações pode dar aos jovens que querem comprar a primeira habitação e não conseguem? Tanto os jovens e o Governo necessitam de ter um plano a longo prazo. Do lado do Governo, claro que é necessário construir mais habitações públicas, para ajudar aqueles que não têm capacidade para comprar a sua casa. Mas os jovens precisam de um plano para a vida. Não podem simplesmente candidatar-se a uma casa pública quando sentem que precisam, como, por exemplo, quando pensam em casar. É necessário algum planeamento e preparação. Como a oferta de habitação pública não é suficiente, quem não tem urgência em ter uma casa para si pode escolher ficar com os familiares primeiro, e deixar que os residentes com maiores necessidades fiquem à frente na lista de espera. Assim ficam com maiores possibilidades de adquirir uma casa. Não deve ser
Macau é uma cidade pequena, não se pode dizer que eu, por almoçar com alguém, já sou amigo dessa pessoa como está a acontecer agora, em que todos estão a candidatar-se a uma casa. A concorrência é grande.
“NÃO TENHO LIGAÇÃO AO SECTOR DO JOGO” Sendo a primeira vez que dá uma entrevista a um jornal de língua portuguesa, pode apresentar-se aos leitores? Sou imigrante desde os tempos que se seguirão à transição da RAEM. Muitos pensam que sou só empresário, mas não. Apenas fiz investimentos na área da restauração, mas estive ligado a várias indústrias. Trabalhei nas associações durante muito tempo, muito antes de ser deputado. Mas não tenho ligação ao sector do jogo. Mas durante as eleições alguns jornais de Hong Kong escreveram que o deputado e Mak Soi Kun têm parceiros no sector do jogo e que iam lutar pelos seus direitos na AL. Não podemos confiar em muitos dos conteúdos da imprensa de Hong Kong (risos). Quando Macau teve problemas de insegurança, com tiroteios, a imprensa de Hong Kong sempre publicou falsas notícias, com os nomes das pessoas errados. Macau é uma cidade pequena, não se pode dizer que eu, por almoçar com alguém, já sou amigo dessa pessoa.
O que achou de Macau quando chegou? Comparando com outras cidades do continente, achei que a segurança era maior. Acho que a situação da habitação é melhor face ao continente, porque lá não há tantas casas públicas. O Governo já disse que 80% dos residentes moram em casa própria. As pessoas de Macau também são simpáticas e nunca estive envolvido em nenhuma situação xenófoba. Mas parecem surgir cada vez mais. Sim, um pouco. Mas isso acontece devido ao rápido desenvolvimento económico. De repente os residentes tiveram de enfrentar a competição vinda de fora, mais veículos e habitantes. Mas acho que os residentes têm capacidade para enfrentar essa concorrência. O Governo está a planear formar mais talentos, e um dia vamos exportar os nossos talentos para outros países. A
Depois de assistir à última conferência ministerial do Fórum Macau mudei a minha ideia em relação à língua portuguesa
RAEM só surgiu há 14 anos. O que se pode exigir de um adolescente de 14 anos? Temos de ter paciência e precisamos de tempo para ver o efeito de determinadas políticas. Uma dessas políticas que tem gerado polémica é a do reconhecimento das cartas de condução de Guangdong. Como avalia isso? Muitos residentes não perceberam a política. Fazer o reconhecimento da carta de condução não significa que todos os veículos de Guangdong possam entrar em Macau. Em Hong Kong isso não acontece. Mas os residentes estão preocupados com os hábitos de condução dos condutores do continente, e isso pode causar mais acidentes. O Governo quer que Macau seja uma cidade internacional, mas deve fazer uma consulta para dissipar as dúvidas do povo. Sendo um deputado da província de Guangdong, como avalia a cooperação com a RAEM? Sou muito a favor disso. O Governo está a estabelecer um circuito de uma hora de ligação entre Guangdong, Hong Kong e Macau. Uma cooperação profunda pode ajudar a diversificar as indústrias, e acho que podemos exportar talentos para Guangdong, para trabalharem em diversas especialidades. Mostra-se optimista em relação à economia, mas fala-se que os jovens não querem trabalhar lá fora e escolhem os casinos e a Função Pública. Isso é uma questão do ambiente. Se todos os amigos dos jovens não estão a desenvolver qualquer actividade então não há incentivos a estudos ou a promoções no trabalho, estão satisfeitos. É por isso que o Governo necessita de promover o conhecimento dos residentes em relação a uma aprendizagem contínua ao longo da vida. Visitei muitos países, especialmente no Ocidente. Vi que muitos jovens gostam de aprender algo mais ou praticar desporto nos tempos livres. Em Macau querem ir para o karaoke, ou fazem os trabalhos de casa nos restaurantes do McDonalds. Isso é um fenómeno anormal. O Governo precisa de construir mais bibliotecas e espaços de leitura. Como avalia a existência da língua portuguesa enquanto idioma oficial? Muitos defendem que não será uma língua muito utilizada daqui a 50 anos. Depois de assistir à última conferência ministerial do Fórum Macau mudei a minha ideia em relação à língua portuguesa. Acho que não devemos perder esta língua. O facto de ser uma plataforma é uma vantagem para Macau, e para os chineses representam mais oportunidades, se souberem esta língua. Nós, chineses, só temos vantagens em aprender português. Além disso, Macau tem esta cultura, é o seu património e não deve ser perdido.
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POLÍTICA
hoje macau sexta-feira 24.1.2014
TAIPA DEPUTADOS A FAVOR DO PLANO DE ORDENAMENTO DEFENDEM GOVERNO E CRITICAM “OPOSIÇÃO”
Como taipar o sol com a peneira
Estão a favor de que o novo plano de ordenamento da Taipa vá para a frente e asseguram que as acusações de que está a ser alvo o Executivo são injustas. Cinco deputados falaram ontem na AL sobre o tema e dizem mesmo que a zona norte da Taipa está desactualizada face ao restante desenvolvimento e que o plano irá responder a necessidades da população JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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INCO deputados assumiram ontem estar a favor do plano de ordenamento para a zona norte da Taipa, recentemente apresentado pelo Governo e alvo de polémica. Lau Veng Seng, Vong Hin Fai, Gabriel Tong, Sio Chio Wai e Tsui Wai Kwan asseguram que este será o momento oportuno para que se avance com o projecto e defendem o Governo, que tem vindo a ser acusado de conluio com empresários e de querer levar o projecto avante para fugir da Lei do Planeamento Urbanístico, que entra em vigor a 1 de Março. “A zona norte sempre foi um obstáculo ao desenvolvimento urbanístico da Taipa. O Governo seguiu os procedimentos normais para a publicação da revisão do plano, precisamente para dar resposta às exigências da sociedade sobre a concretização de acções governativas transparentes. Esta é uma forma adequada, (...) o desenvolvimento integral da sociedade não deve ser atrasado pelo facto de ainda não terem entrado em vigor leis e regulamentos, porque assim só se complica a situação e prolonga-se a resolução do problema”, referiu Sio Chio Wai, acompanhado por Tsui Wai Kwan, que refere que a zona se mantém atrasada face ao desenvolvimento de Macau. A necessidade de habitações, zonas verdes e equipamentos sociais na zona norte da Taipa não é apenas o projecto apresentado pelo Executivo, mas é também uma das justificações mais evocadas pelos deputados que aprovam o plano de ordenamento e que se apoiam ainda no facto de este ter sido autorizado já em 1995, ainda na administração portuguesa.
CONSPIRAÇÕES HÁ MUITAS
Tsui Wai Kwan diz mesmo que as recentes críticas – maioritariamente levadas a cabo pela Associação Novo Macau e os deputados Ng Kuok Cheong e Au Kam San – são meras teorias da conspiração. “O Governo divulgou as informações sobre o plano de ordenamento. Trata-se de um aspecto que revela a transparência na governação, mas alguns indivíduos consideram que
existe lugar a suspeição da prática de conluio de interesses. [Esta é], em regra, uma reacção dos partidários da oposição. (...) Alguns indivíduos vêem as coisas sob uma teoria da conspiração.”
FUGA... MAS PARA A FRENTE
Se a Novo Macau assegura que o Governo só agora quer avançar com o plano de ordenamento da zona norte da Taipa para fugir às novas regras que entrarão em vigor com a Lei do Planeamento Urbanístico, Lei de Terras e do Planeamento Urbanístico, os deputados a favor contestam esta acusação. Lau Veng Seng, por exemplo, não tem dúvidas que esta é a melhor altura para dar a conhecer o planeamento da zona norte da Taipa, porque se o plano vier a ser concretizado pode “elevar a vida da população e transformar a Taipa numa cidade moderna”. Lau Veng Seng junta-se ainda aos advogados Gabriel Tong e Vong Hin Fai, que apresentam o facto de o plano poder vir a ajudar os proprietários dos terrenos do norte da Taipa – alguns destes são privados – a perceber o projecto
TAIPA O QUE ELES DIZEM “A planificação dos terrenos abrange fins não industriais, para equipamentos educativos, sociais, públicos, parques e espaços verdes, que os residentes muito desejam. Estes terrenos estarão ainda equipados com passeios e transportes públicos e tudo isto pode satisfazer as pretensões da população” TSUI WAI KWAN “A zona norte da Taipa mantém-se inalterada, está na situação em que se encontrava antes do estabelecimento da RAEM e não consegue coadunarse com o desenvolvimento registado nas outras zonas da Taipa” LAU VENG SENG “A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) publicou o plano para satisfazer o direito à informação do público, para que se possa discuti-lo, especialmente para se conseguir convencer os diversos proprietários dos 33 terrenos que vão ser afectados a aceitar o plano, caso contrário é bem possível que o mesmo só se consiga ser concretizado se se recorrer a expropriação e isso leva muito tempo” GABRIEL TONG E VONG HIN FAI
do Executivo. “A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) publicou o plano para satisfazer o direito à informação do público, para que se possa discuti-lo, especialmente para se conseguir convencer os diversos proprietários dos 33 terrenos que vão ser afectados a aceitar o plano, caso contrário é bem possível que o mesmo só se consiga ser concretizado se se recorrer a expropriação e isso leva muito tempo.” Recorde-se que o Governo apresentou o plano sem antes negociar com os proprietários de terrenos que são privados. Além disso, a Novo Macau acusa ainda dois deputados - Chan Meng Kam e Chui Sai Cheong, proprietários de terrenos na zona e que não se manifestaram na AL – de terem acesso a informação privilegiada sobre a mudança de finalidade dos terrenos, que passaram de rústicos para urbanização. Gabriel Tong e Vong Hin Fai discordam e apontam uma razão para isso. “Um terreno privado tinha uma área que foi reduzida em cerca de 44%. Se o empreendedor tivesse tido informações em primeira mão, deveria ter abandonado a transacção, em vez de adquirir os terrenos a preço de mercado.” Mas os dois deputados ainda vão mais longe: mesmo que o plano fosse aprovado depois da entrada em vigor da Lei do Planeamento Urbanístico, nada iria alterar as decisões do Governo. Isto, porque, de acordo com a nova lei, os terrenos que se encontram na zona norte da Taipa não estão abrangidos por planos de pormenor, o que faz com que apenas o Conselho de Planeamento Urbanístico seja o responsável pela emissão de pareceres face ao desenvolvimento da zona. Para Au Kam San e Ng Kuok Cheong, contudo, o problema mantém-se e os deputados, que voltaram a repetir as acusações que têm vindo a fazer à AL, querem que o governo suspenda o projecto. Tsui Wai Kwan diz que isto são meros ataques ao Governo, irreais e que enganam o público e Sio Chio Wai vai mesmo mais longe, dizendo que o Governo deve passar a divulgar os planos de forma mais moderada, de forma a que a população se adapte melhor e passe a aceitar esta forma de actuação.
política 5
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DEPUTADOS QUEREM EXPLICAÇÕES SOBRE SE CHEFE DO EXECUTIVO PODE APRESENTAR QUEIXAS
O Chefe do Executivo não responde a quaisquer processos judiciais enquanto estiver no activo. A questão é entendida e comummente aceite pelos deputados que estudam na especialidade o diploma de regime de garantias para os altos cargos e para o dirigente máximo da RAEM. Mas e se for vítima de agressão pode interpor uma acção? A resposta vai ser dada pelo Governo na próxima segunda-feira
RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
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M dia da primeira reunião sobre o “Regime de garantia dos titulares do cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos a aguardar posse, em efectividade e após cessação de funções”, os deputados empancaram em alguns artigos iniciais da proposta de lei, que dizem não estar claramente redigidos. Um dos quais prende-se com a aplicação do procedimento penal (artigo 4º). “Durante o mandato do Chefe do Executivo não é aplicada a responsabilidade penal. Queremos pedir esclarecimentos ao Governo se não só não é imputada essa responsabilidade como também se for vítima ou ofendido não pode acusar a pessoa que o ofendeu? Qual o objectivo deste artigo?”, frisou Chan Chak Mo, dirigente da 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que estuda a proposta de lei na especialidade.
O deputado frisou que a questão da imunidade não é algo que levante polémica, sendo que este pode responder a processos judiciais depois de cessadas funções, mas a comissão quer saber se no caso do dirigente máximo da RAEM vir a ser
vítima de alguma agressão durante o mandato poderá ir a tribunal. “Os máximos dirigentes de outros países ou regiões gozam desta imunidade, assim como os deputados da Assembleia Legislativa de Macau. Não é por causa
GONÇALO LOBO PINHEIRO
E se o Chefe leva tau-tau?
das suas intervenções que vai ser iniciado um procedimento penal. A nossa dúvida não é por causa da aplicação do procedimento penal. É que, com esta redacção, queremos saber com toda a certeza se, eventualmente, o Chefe do Exe-
cutivo for ofendido, poderá ou não ser o autor de uma acção contra a pessoa que o ofendeu”, esclareceu Chan Chak Mo, que fez saber que os deputados obterão respostas do Executivo na próxima segunda-feira, dia em que membros do Gover-
RENDAS HO ION SANG QUER LEI DO ARRENDAMENTO E ELIMINAR REGIME DO CÓDIGO CIVIL
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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O Ion Sang quer que o Governo retire o regime do arrendamento do Código Civil e crie uma Lei do Arrendamento. O pedido foi ontem feito pelo deputado, em mais um plenário da Assembleia Legislativa. O deputado pediu mesmo que o Executivo o faça com a maior brevidade possível. “Tem de se regular, especificamente, o mercado de arrendamento e, ainda, a adequada margem de aumento das rendas, tendo como objectivo o desenvolvimento saudável do mercado de arrendamento de imóveis, o apoio às PME e o aumento da qualidade de vida da população.”
NO TEMPO DOS PORTUGUESES...
Ho Ion Sang – que fez uso do período antes da ordem do dia para falar sobre as rendas das
TIAGO ALCÂNTARA
Antes “o poder público impunha-se”
casas – relembra que já existiu em Macau um Regime do Arrendamento Urbano que regulava que a actualização das rendas ou era acordada entre senhorio e arrendatário ou em função de coeficientes aprovados pelo então Governador. O regime foi revogado. “Podemos ver que, com vista a garantir que o aumento das rendas fosse justo para o arrendatário, o poder público impunha-se.”
O deputado fez uso de exemplos recentes de lojas que fecharam na zona do Leal Senado e da San Ma Lou, devido ao aumento das rendas, para justificar o pedido, acrescentando até que o Governo quer apostar nas indústrias criativas e culturais, mas permite que as lojas destas áreas fechem devido aos preços. “Se nem estas conseguem sobreviver no ‘mercado livre’, como podem as PME em geral conseguir, perante a pressão das rendas elevadas?” Mas, Ho Ion Sang não se fica por aqui nas críticas ao Governo e toca num outro ponto, também lema constante do Executivo: a diversificação económica. “Na Avenida Almeida Ribeiro e na Infante D. Henrique, a renovação das lojas é frequente. Ora farmácias, ora lojas de produtos de marca, sendo cada vez menos as lojas tradicionais antigas. A renda das lojas localizadas em zonas movimentas é elevadíssima, o
“Na Avenida Almeida Ribeiro e na Infante D. Henrique, a renovação das lojas é frequente. Ora farmácias, ora lojas de produtos de marca, sendo cada vez menos as lojas tradicionais antigas” que obriga as PME a mudar para as ruelas e, quando nem isso é possível, a fechar portas. Daqui se vê que o brusco aumento das rendas já está a travar o desenvolvimento económico diversificado de Macau.”
no se juntam à discussão do diploma. Outra das questões debatida pela comissão diz respeito à “subvenção em virtude de cessação de funções” (artigo 5º). Os tribunos querem saber se só ao final de cinco anos é que os antigos responsáveis podem receber uma subvenção mensal no valor de 70 por cento do ordenado que auferiam no activo. “Quando o Chefe do Executivo só exerce o cargo durante quatro anos, quer dizer que não tem direito a esta subvenção mensal? O artigo 15º [‘Perda de direitos’] também fala sobre este período de cinco anos, mas há muitas situações em que podem não ter exercido um período de cinco anos”, invocou o deputado. Os deputados e assessoria da AL dizem ainda querer saber se a aposentação dos titulares dos principais cargos, reunidos os requisitos reunidos no Estatuto de Trabalhadores da Administração Pública de Macau, é feita voluntariamente. E, por outro lado, os deputados querem apenas ver confirmado se não haverá acesso a dois regimes de aposentação, uma vez que funcionários de titulares de principais cargos e funcionários públicos têm regimes separados.
Deputados preocupados com Ano Novo Chinês
A chegada do Ano Novo Chinês foi ontem um dos temas principais antes da ordem do dia, na Assembleia Legislativa. Os deputados estão, sobretudo, preocupados com a vinda de turistas a Macau, mas Ella Lei focou-se num outro aspecto: o pagamento de salários triplos a quem tiver a trabalhar nestes feriados obrigatórios. A deputada quer que o Governo promova mais a Lei das Relações do Trabalho. “A lei permite que os trabalhadores tenham direito a gozar feriados obrigatórios, mas também que, consoante o funcionamento da empresa, os trabalhadores tenham de prestar serviço em dias de feriado e o designado salário triplo é precisamente a compensação para isto.” Ella Lei considera que é necessário que, tanto a parte laboral, como a patronal saiba bem dos direitos e deveres nas relações de trabalho, uma vez que, diz, “surgem muitas opiniões a defender que as lojas cobram custos adicionais devido à regra do salário triplo” em dias de ano novo chinês. “Isto é extremamente injusto para muitos trabalhadores”, realça a deputada, que acrescenta ainda que, além do salário a triplicar, os trabalhadores têm direito a um dia de feriado para compensar os dias. Mais medidas para evitar o caos à entrada das fronteiras nos dias de ano novo foi um dos pedidos que mais se ouviram ontem na AL. - J.F.
SOCIEDADE
São poucos os que prendem a atenção no autocarro do Centro de Transfusões de Sangue, que se deixa amovível no centro de Macau e da Taipa todas as terças de cada mês. Mas são sobretudo poucos os caucasianos dadores de sangue, raça a quem mais faz falta o tipo sanguíneo RH negativo em caso de necessidade de transfusão
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SANGUE OCIDENTAIS NÃO SE MOBILIZAM PARA DOAR
Vai mas é dar sangue... HOJE MACAU
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Para se ter uma ideia, do total de dadores em 2013 apenas 1,4% eram pessoas de raça caucasiana. A percentagem, de resto, difere pouco da do ano anterior (1,3%). Em termos absolutos, desde 2009 uma média de 19 ocidentais deram sangue, um número decrescente face aos 26 dadores em 2008. O panorama fica mais claro quando se encaram os números relativos às unidades de sangue. De um total de 14637, apenas 104 representam um sangue de tipo negativo. O número, de resto, tem rondado a casa das cem unidades nos últimos anos.
SEM VEIA SOLIDÁRIA
Ainda assim, o alvo não é totalmente dirigido. Até porque, no cômputo geral, “não há muita gente disposta a dar sangue neste momento”, sentencia Hui. A verdade é que, quem já o tenha feito, pode repetir o feito quatro vezes por ano se for homem, ou três vezes por ano se for mulher. Ou seja, o recomendado é que os primeiros possam ser dadores de três em três meses e os segundos a cada quatro meses, segundo as directivas europeias.
RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
COLHEITA
Q
UEM passa frequentemente pela Avenida Doutor Mário Soares (junto ao New Yaohan), em Macau, ou perto do empreendimento Flower City Garden, na Taipa, já notou decerto uma carrinha do Centro de Transfusões de Sangue (CTS). A carrinha em tons branco e vermelho garrido apela, todas as terças-feiras (a 1ª e a 3ª em Macau, e a 2ª e 4ª na Taipa), entre as 13 e as 18 horas, a qualquer transeunte que saiba uma de três línguas (chinês, português e inglês) a dar sangue. “Já doou sangue alguma vez?”, pergunta o departamento subordinado aos Serviços de Saúde no seu móbil. A questão podia ser dirigida sobretudo a caucasianos, uma vez que são estes que, em proporção, menos fazem doações. O resultado desta fraca iniciativa por parte dos ocidentais, residentes ou estrangeiros, é crítica. A razão é explicada, em conversa telefónica com o HM, pela directora do CTS, Crystal Hui. “Em cada 1000 chineses, há quatro que são de tipo RH negativo. Em cada 100 portugueses, existem 15 portugueses com este tipo sanguíneo. Se não doarem, é um problema para eles mesmos porque é o tipo de que mais precisam”, alerta.
APELO AO OCIDENTAL
Pessoas com este tipo sanguíneo são dadores universais, mas (preferencialmente) recebem apenas transfusões de outros RH negativo.
UNIDADES DE SANGUE 2013 14637und. 2012 14681und. DADORES 2013 12672 2012 12599
“Se o paciente é negativo, primeiro consideramos dar sangue do mesmo tipo, sobretudo, quando falamos de mulheres grávidas, em fase de amamentação, idosos e pessoas com dificuldades em criar anticorpos. Mas, claro, se a transfusão for
muito urgente garantimos o sangue disponível mais próximo do ideal e com menos risco de rejeição”, esclarece a médica. Por esta razão, a responsável do centro alerta para um problema a que não tem sido dada grande
atenção. Pelo menos, em 2009, Hui fez um apelo igual à comunicação social. “É curioso porque o CTS foi aberto por portugueses (em 1988) e o autocarro anda nas ruas desde 1999, mas são estes quem menos dão sangue.”
A colecta feita actualmente, ressalva Hui, é suficiente para atingir as necessidades dos hospitais locais. No entanto, no ano passado registou-se uma quebra na colecta de unidades de sangue em 44 unidades de sangue, em que cada uma pode representar (dependendo do peso da pessoa) entre 350 a 450 mililitros. Em todo o caso, é preciso notar que houve, de contrário, um aumento no número de dadores – de 12599 em 2012 para 12672 em 2013. No entanto, explica, este banco de sangue não se consegue às custas do autocarro, mas 81% através do centro de colheita, nos NAPE, até porque “as pessoas acreditam ser mais seguro”. No “centro móvel” foram recolhidas 500 unidades em 2013, sobretudo, de “donas-de-casa na Taipa” e “empresários e trabalhadores em Macau”, por isso, o autocarro funciona mais como “alerta de consciências” e para “lembrar as pessoas da importância de doar”, observa Hui.
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hoje macau sexta-feira 24.1.2014
RÁDIO TÁXI VANG IEK VAI ESTAR DEBAIXO DE OLHO POR UM PERÍODO DE NOVE MESES
Só quando o telefone toca RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
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ONG Wan confirmou ontem que o “acordo” com a empresa de rádio-táxi Vang Iek vai ser renovado a 7 de Fevereiro, mas com a condição de um período experimental de nove meses. Durante este tempo, há certas exigências que a frota amarela terá de cumprir, a mais relevante das quais prende-se com a exclusiva recolha de passageiros que contactarem a central via telefone. “Todos os táxis amarelos têm de prestar apenas os serviços pedidos por chamadas e no futuro não podem apanhar nas rodovias”, frisa o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), à margem de uma reunião de trabalho do Conselho Consultivo do Trânsito. “Caso a empresa não consiga cumprir [as exigências] será cessado o contrato. Nesse caso, o Governo realizará logo um novo concurso para a prestação de serviço rádio-táxi”, assegurou. No entanto, a Wong Wan faltou responder com clareza a muitas questões colocadas pelos jornalistas. Qual a exigência sobre o número de táxis
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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EGUNDO um estudo sobre o problema de jogo com que se debatem funcionários dos casinos, cerca de 60% dos trabalhadores fizeram apostas. O resultado da investigação feita durante o ano passado e apresentada ontem pela Associação dos Trabalhadores da Indústria de Jogos de Fortuna e Azar de Macau, identifica o Lotto, o póquer, o Mahjong e o Baccarat e explica que há mais de 5% de jogadores patológicos entre os 481 entrevistados. O estudo descobriu também que os funcionários do jogo têm mais aptidão para ser patológicos do que os cidadãos normais. A associação considera que os jogadores patológicos tem tendência de esconder o seu vício à família, sendo
que estarão a circular a partir desta data? Como se poderá ajudar a colmatar a escassez de motoristas? Wong Wan diz não saber quantos circulam actualmente nas ruas, nem ter mão sobre quantos virão a circular a partir de 7 de Fevereiro e, consequentemente, “diz não ser o momento” de desvendar quantos motoristas há em falta, depois de as associações de taxistas terem alertado para o facto de que a ausência de um aumento de tarifa ou taxa extra para os táxis amarelos levará a perda de taxistas pelo facto do rendimento ser baixo. “O limite máximo de autocarros que podem fornecer é de 100, mas a forma de disponibilizar o serviço parte da própria empresa. O Governo persiste em exigir que esta companhia preste serviços só por chamada, não podem apanhar os passageiros na rua. Espero que o público comece a aceitar o novo modelo”, evoca. A avaliação vai sendo feita periodicamente, segundo apontou o responsável, por meio de dados estatísticos e relatórios informáticos cedidos através do sistema de GPS instalado nos veículos.
Wong Wan não explica em que moldes será feito o novo “contrato” da frota amarela. O director da DSAT diz apenas que a empresa de rádio táxi Vang Iek vai estar a ser testada durante nove meses para verificar se cumpre a exigência prioritária de “prestar serviços só por chamada”. Caso não o faça, o contrato pode ser cessado a qualquer momento
ESTUDO 60% DOS FUNCIONÁRIOS DO JOGO APOSTAM NOS CASINOS
Patologicamente teu que o volume da aposta é cada vez mais elevado entre estes apostadores. Entre os pedidos feitos à associação, muitos deles mostram que o jogador tem dívidas contraídas, que podem atingir as várias centenas de milhares de patacas.
A maioria das pessoas tendem a emprestar dinheiro aos amigos para resolver as dificuldades financeiras, em vez de darem conhecimento aos familiares, explica ainda a associação. Existem casos até em que os amigos acor-
dam não dizer aos familiares desta prática, mas antes enganam-nos dizendo que fazem desporto ou estão em casa de amigos. “É um assunto tabu entre os funcionários do jogo. Não dizemos aos nossos pares que aposta-
mos. Não contamos que jogamos, mas os colegas também não querem saber se estamos a fazê-lo porque têm medo que lhes vamos pedir dinheiro”, dizem alguns entrevistados que têm costume de aposta, segundo a associação. Em termos percentuais, 4,38% entrevistados não dizem aos outros que têm este hábito. A associação considera que muitos jogadores patológicos começam em apostas sociais, ou seja, junto de amigos, mas depois começam a apostar sozinhos com medo que os outros saibam. “Inicialmente, a experiência de ganhar dinheiro vai facilmente levar à ideia de que se pode ganhar mais
no futuro. Por isso, quando se está a perder dinheiro, quer-se apostar mais para se ganhar o dinheiro que se perde, o que forma um círculo vicioso”, analisa o estudo. Os funcionários do jogo que participaram no inquérito são na maioria casados, 12,9% com nível de educação de escola primária ou inferior, 15,8% com estudos superiores. Em termos salariais, estes funcionários do jogo ganham entre 8000 a 20000 patacas por mês. Entre o dinheiro apostado, 63,8% entrevistados gastam menos de 500 patacas por mês, 29,1% dos entrevistados usam 500 a 1000 patacas para aposta, 11,2% usam mais de 2000 patacas e 4,2% usam mais de 4000 por mês. Aqueles que usam mais de 2000 patacas por mês em aposta têm maiores possibilidades de serem jogadores patológicos.
8 sociedade
TUI DÁ RAZÃO A FUNCIONÁRIO QUE NÃO APRESENTOU HABILITAÇÕES LITERÁRIAS VERDADEIRAS
TIAGO ALCÂNTARA
Trabalhador atingido por colector de esgoto na Rua da Encosta
hoje macau sexta-feira 24.1.2014
Secretário queria “deixar família na ruína” O
Ontem, um trabalhador da construção civil foi atingido por um collector de esgoto na obra na Rua da Encosta. O residente de Macau está internado no hospital com uma fractura no osso da perna esquerda porque, segundo explica um relatório preliminar do empreiteiro à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), uma escavadora estava a erguer um colector de esgoto que escorregou, provavelmente devido a má distribuição dos cabos de aço que o seguravam. A DSSOPT exigiu ao empreiteiro o relatório do incidente para amanhã e a inspecção das medidas de segurança no local. Os serviços para os assuntos laborais deslocaramse também ao local e ordenaram a revisão de execução da obra.
Tribunal de Última Instância decidiu deferir a providência cautelar pedida por um funcionário do Governo, depois de Francis Tam ter declarado a caducidade de autorização de residência temporária a si e à sua família. Isto porque, o homem apresentou falso documento comprovativo de habilitações literárias para fundamentar o pedido de autorização de residência. Desta forma, o secretário para a Economia e Finanças decidiu em Novembro do ano passado inviabilizar a permanência do funcionário. Este terá, posteriormente, pedido junto do Tribunal de Segunda Instância a suspensão da eficácia da decisão fundamentando-a com o facto de que “a decisão do Secretário para a Economia e Finanças causar-lhe-ia prejuízos de difícil reparação, isto é que perderá o trabalho e o rendimento, que não conseguirá permanecer em Macau a cuidar da filha (residente permanente de Macau) com mais de três anos de idade e que o filho abandonará os es-
Imposto a pôr em dia
O prazo para o pagamento do imposto de circulação do ano 2014 começa em 1 de Janeiro e termina em 31 de Março do corrente ano, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) alerta aos cidadãos para trazerem consigo o original do livrete do veículo para pagar o imposto. O pagamento do imposto fora de prazo implica a aplicação de multa. Os cidadãos podem fazer o pagamento no Centro de Serviços da RAEM, nas áreas de atendimento da DSAT e nas cinco estações postais.
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S idosos que necessitem de realizar a prova de vida para efeitos de subsídios e apoios sociais cedidos pelo Governo vão deixar de o fazer junto dos balcões provisórios da Santa Casa da Misericórdia (SCM), os quais vão ser encerrados a partir de hoje. Em comunicado, é explicado que todos os que necessitem de realizar a prova de vida poderão fazê-lo pessoalmente
Francis Tam
tudos, sem conseguir continuá-los”, revelou ontem o TUI, por meio de comunicado. O Tribunal de Segunda Instância dissera que “o primeiro prejuízo deduzido pelo requerente não é de difícil reparação, dado que se trata principalmente de prejuízo pecuniário, que será reparável através de esquema indemnizatório”, no entanto, “concordou com a opinião do requerente, entendendo que a execução do respectivo acto provocará aos seus filhos prejuízos de difícil reparação”. “Na verdade, mesmo que o requerente possa levá-los para o Interior da China para a prestação de cuidados e a continuidade de estudos, tendo em conta a diferença de conteúdos dos cursos e de metodologias entre Macau e o Interior da China e a dificuldade de procurar num curto-prazo vagas nas escolas, os filhos perderiam a oportunidade de acesso ao ensino se a eficácia do respectivo acto não seja suspensa, prejuízo esse que não é plenamente reparável por meio pecuniário”, escrevera o TSI. O TUI concordou.
67 MIL UTENTES JÁ FIZERAM O PROCEDIMENTO
Santa Casa deixa de receber prova de vida junto do Fundo de Segurança Social (FSS) ou em outros seis postos de atendimento, localizados em Coloane, Taipa, Ilha Verde, bairros de São Lázaro, São Lourenço, Sé e Nossa Senhora de Fátima, sem esquecer o Centro
de Serviços da RAEM na Areia Preta. Há ainda a possibilidade de fazer o registo junto dos quiosques automáticos colocados em 30 locais em Macau, tal como o edifício China Civil Plaza, no NAPE,
a sede do Instituto de Acção Social e cinco centros de acção social, instalações dos Serviços de Finanças, centros de actividades do IACM ou ainda no próprio hospital Conde de São Januário, entre outros locais.
CHINA
hoje macau sexta-feira 24.1.2014
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Governo chinês rejeitou ontem as críticas internacionais à prisão e julgamento de Xu Zhiyong, afirmando que o processo instaurado ao advogado e activista político “recai dentro da soberania judicial da China”. “Opomo-nos firmemente às acusações feitas por outros países em nome dos direitos humanos”, disse o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang. Xu Zhiyong, animador de um “movimento de novos cidadãos” defensor de uma “maior transparência do Governo”, nomeadamente através da declaração pública dos rendimentos dos seus funcionários, começou a ser julgado na quarta-feira em Pequim por “perturbação da ordem pública”, incorrendo numa pena que pode ir até cinco anos de prisão. O porta-voz do MNE chinês disse que Xu Zhiyong “é suspeito do crime de reunir uma multidão para perturbar a ordem em espaço pública”. “É um normal caso criminoso, que os departamentos judiciais competentes decidirão de acordo com a lei, de forma independente e justa. A China é um estado de direito. Todos são iguais perante a lei e ninguém está acima da lei”, acrescentou o porta-voz. Xu Zhiyong, 40 anos, doutorado em Direito pela Universidade de Pequim, foi preso em Julho passado, na sequência de pequenas concentrações de rua contra a corrupção e para reclamar que os funcionários do Governo divulguem a sua riqueza.
“Tentar intervir ou até ameaçar a China, “manchando a sua imagem internacional”, é uma história antiga”, diz o Global Times
CASO XU ZHIYONG CHINA REJEITA CRÍTICAS INTERNACIONAIS
Ouvidos de mercador “A China não deve exagerar a sua reacção à atenção dada pelo ocidente a este caso, nem deixar o ocidente ter uma palavra dominante a dizer sobre os seus assuntos internos”, argumenta o jornal num editorial intitulado
“a Lei não é uma ameaça ao movimento de cidadãos”. Considerado próximo da corrente neo-nacionalista do PCC, o jornal diz que Xu Zhiyong “não é muito conhecido do público” e que a influência do seu
Movimento dos Novos Cidadãos está confinada “aos meios académicos e a alguns activistas”.
JULGAMENTO SEM DESFECHO
O julgamento de Xu, pela acusação de alteração da
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ordem pública, prolongou-se durante seis horas e terminou sem veredicto, nem data para o seu anúncio, confirmou o advogado do fundador do movimento, Zhang Qinfang. Xu, que tinha sido preso em Julho do ano passado, renunciou à sua defesa como protesto, e considerou que o julgamento não foi imparcial. O tribunal rejeitou convocar as testemunhas que este tinha solicitado.
PRESSÕES INTERNACIONAIS
AUnião Europeia e os Estados Unidos da América manifestaram publicamente a sua “preocupação” acerca deste processo. Uma responsável da Amnistia Internacional, Roseann Ride, pediu a “libertação imediata e incondicional” de Xu Zhiyong, qualificando o activista chinês como “um preso de consciência”. Um dos raros jornais oficiais chineses que mencionou hoje o julgamento de Xu Zhiyong reconheceu que as ideias de Xu Zhiyong têm eco na sociedade chinesa, mas disse que o tribunal deve ignorar as pressões do ocidente”. “Tentar intervir ou até ameaçar a China, “manchando a sua imagem internacional”, é uma história antiga”, diz o Global Times, jornal do grupo Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista Chinês.
Segurança reforçada para segundo membro do “Novo Cidadão”
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M forte esquema de segurança foi mobilizado esta quinta-feira em torno do Tribunal de Primeira Instância de Haidian, no nordeste de Pequim, onde se realiza a audiência contra o activista Zhao Changqing, o segundo membro do movimento civil “Novo Cidadão” que comparece a julgamento em dois dias. Um cordão policial de agentes fardados e à paisana impedia o acesso ao tribunal e estendia-se pelas ruas mais próximas. O julgamento, em que Zhao é acusado de alterar a ordem pública,
será realizado à porta fechada, à semelhança do que ocorreu quarta-feira contra Xu Zhiyong, fundador do “Novo Cidadão”, um movimento civil que reivindica que os líderes chineses divulguem os seus bens, como medida de combate à corrupção. Vários diplomatas europeus e americanos, que tinham solicitado permissão para assistir ao julgamento, conseguiram entrar no edifício do tribunal, mas tiveram acesso negado à sala de audiências com o argumento de que não havia espaço suficiente.
Diversos activistas compareceram nas proximidades do tribunal para expressar o apoio a Zhao e expor as suas próprias queixas. Entre eles encontrava-se a activista dos direitos humanos Mao Hengfeng, que foi levada pelos agentes ao fim de alguns minutos, conforme constatou a Agência Efe. A audiência contra Zhao faz parte de uma série de julgamentos contra activistas do movimento “Novo Cidadão” que continuarão na próxima semana. Outro proeminente acusado, o
co-fundador do “Novo Cidadão” e milionário Wang Gongquan, foi libertado com o pagamento de uma fiança após admitir a acusação de alteração da ordem pública, segundo o Tribunal Intermediário Número 1, encarregue do caso, no seu perfil no microblog Weibo, semelhante ao Twitter. Em Dezembro, Wang, que foi detido em Outubro, gravou uma declaração na qual garantia que acabaria com a relação com Xu “se isso fosse a vontade das autoridades”.
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EMPREGADA INDONÉSIA FOI AGREDIDA POR ANTIGA PATROA COM TUBO DE ASPIRADOR
Violência doméstica A antiga patroa da empregada indonésia Erwiana Sulistyaningsih, trabalhadora em Hong Kong, agrediu-a com um tubo de aspirador, com uma esfregona, cabides e réguas, devido ao seu fraco desempenho no trabalho, referiu o tribunal. Law Wan-tung, 44 anos, também empurrou a empregada doméstica, nomeadamente com a cabeça contra uma parede e ameaçou matar os seus pais caso a funcionária não obedecesse
às suas ordens, assinalou a acusação. A Procuradora Catherine Ko Po-chui divulgou alguns detalhes da acusação que decorre no tribunal de Kwun Tong e que tem como magistrado principal Ernest Lin Kam-hung. Law Wan-tung, representada pelo advogado Patrick Wong Heung-yung, é acusada de agressão grave com intenção, danos corporais por agressão ocasional, agressão comum e tem ainda contra si quatro acusações de intimidação
contra três antigas empregadas domésticas. As alegadas vítimas são todas de nacionalidade indonésia. A Procuradora afirmou que Erwiana Sulistyaningsih sofreu múltiplos ferimentos que terão, alegadamente, sido perpetrados na residência da antiga patroa entre Julho de 2013 e Janeiro deste ano. Três outras acusações envolvem Law Wan-tung sobre uma segunda empregada doméstica, identificada como Tutik Lestari Ningish, a quem também
Síria Negociações precisam de avançar passo a passo
A resolução política da crise síria é um processo que leva tempo e deve ser levada a cabo passo a passo. A afirmação é do chanceler chinês, Wang Yi, representante de Beijing na Conferência de Genebra II, que está a decorrer em Montreux, na Suíça. Segundo o chanceler, o governo e a oposição da Síria devem colocar em cima da mesa de negociações todos os assuntos de interesse mútuo. A comunidade internacional, especialmente a ONU, deve criar um ambiente favorável à manutenção e desenvolvimento das negociações da Síria, disse Wang Yi, realçando que a China se opõe a uma solução forçada para Damasco. Uma vez que as negociações não sejam interrompidas e que esteja estabelecida a confiança entre as partes, será encontrada uma solução para a crise, concluiu o líder chinês.
O caso da funcionária indonésia chocou Hong Kong pela violência manifestada e está a agitar a região administrativa especial, nomeadamente pelos direitos das empregadas domésticas e pela forma como são tratadas em casa dos patrões foram cometidos maus tratos. Law Wan-tung foi libertada sob caução – cerca de meio milhão de patacas pagos em dinheiro e idêntica quantia paga sob fiança —, não pode deixar Hong Kong nem contactar com testemunhas de acusação e
está obrigada a apresentações diárias na esquadra de Tseung Kwan O. O magistrado principal Ernest Lin Kam-hung é citado pela imprensa de Hong Kong como tendo dito que o caso poderá ser transferido para um tribunal superior dada a sua complexidade e gravidade.
Tanto Law Wan-tung, que foi interceptada pelos serviços de Migração de Hong Kong na segunda-feira quando tentava abandonar Hong Kong para a Tailândia, como o marido não falaram aos jornalistas e abandonaram o tribunal de cara tapada. As autoridades de Hong Kong enviaram entretanto para a Indonésia uma equipa de investigação para investigar o caso, dado que as empregadas domésticas estão já naquele país asiático. O caso da funcionária indonésia chocou Hong Kong pela violência manifestada e está a agitar a região administrativa especial, nomeadamente pelos direitos das empregadas domésticas e pela forma como são tratadas em casa dos patrões.
Corrupção Político condenado à morte
Um funcionário municipal chinês foi condenado à morte, com um adiamento de dois anos, por aceitar mais de 1 milhão de dólares em subornos, informou a agência oficial de notícias Xinhua nesta quinta-feira, destacando os esforços do governo para reprimir a corrupção. Zhou Jianhua presidiu o Comité Permanente da Assembleia Popular da cidade de Xinyu, na província de Jiangxi, sul da China, de acordo com o Tribunal Superior Popular de Jiangxi, segundo a Xinhua. A agência disse que Zhou aceitou 10,2 milhões de yuan, dezenas de milhares de dólares norte-americanos e de Hong Kong, bem como três barras de ouro e objectos avaliados em 236 mil yuan. No momento, um tribunal de instância superior reexamina o caso, acrescentou a Xinhua. O presidente chinês, Xi Jinping, fez da luta contra a corrupção uma prioridade desde que tomou posse em Março passado, e alertou, como outros antes dele, que a corrupção ameaça a própria sobrevivência do Partido Comunista Chinês.
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grupo Lenovo, maior fabricante de PCs do mundo, fechou acordo para comprar a unidade de servidores da IBM num negócio esperado há muito tempo e avaliado em 2,3 mil milhões de dólares, a maior aquisição já feita por uma empresa de tecnologia chinesa. A Lenovo irá pagar 2,07 mil milhões de dólares em dinheiro e o restante em acções da fabricante de computadores com sede em Pequim, disse a empresa num comunicado à bolsa de Hong Kong nesta quinta-feira. O acordo ultrapassa a aquisição pela Baidu da 91 Wireless, anteriormente detida pela NetDragon Websoft, por 1,84 mil milhões de dólares no ano passado, segundo dados da Thomson Reuters, e destaca o crescimento das empresas de tecnologia do país conforme elas avaliam a expansão internacional. A aquisição irá permitir à Lenovo diversificar a sua receita além do segmento em dificuldades de PCs e remodelar-se como uma força crescente em dispositivos móveis e servidores de armazenamento de dados. A venda permite à IBM livrar-se do seu negócio que
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Lucros de empresas estatais atingem 1,9 biliões
TECNOLOGIA LENOVO ADQUIRE PARTE DA IBM
Um negócio, dois vencedores
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Comissão de Supervisão e Administração para activos estatais do Conselho de Estado da China publicou esta quarta-feira, um relatório sobre a situação geral das empresas estatais no ano passado. Segundo o documento, as empresas tiveram um lucro de cerca de 1,9 bilião de patacas, um aumento de 3,8% em comparação com o ano anterior. De acordo com os dados divulgados, as empresas estatais da China alcançaram rendimentos de cerca de 30 biliões de patacas, um crescimento de 8,4% em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando uma taxa de 2,5 biliões de patacas, um aumento de 5,2%. Segundo os analistas do sector, o crescimento do lucro destas empresas no ano passado foi impulsionado pelo bom desempenho em áreas como a energia eléctrica, a construção civil - no sector de Infra-estruturas - transportes, imóveis e fabrico de produtos electrónicos. As indústrias químicas e de carvão sofreram um grande declínio neste período.
Janeiro PMI industrial cai para 49,6
O vende servidores menos poderosos e mais lentos do que as ofertas de maior margem da empresa, e focar-se na mudança para software e serviços mais rentáveis. A aquisição pela Lenovo dos negócios ThinkPad PC
Governo chinês aprovou a criação de 12 novas zonas de comércio livre no seu território, depois do estabelecimento em Setembro da zona de Xangai, revelou ontem a imprensa oficial. Duas das novas zonas serão criadas em Tianjin, o porto mais próximo de Pequim, e em Cantão, no sudeste do país e uma das províncias motor da indústria chinesa que faz fronteira com as Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, acrescenta a Xinhua. Tianjin e Cantão já receberam luz verde do Executivo para criarem as suas zonas de comércio livre, depois de terem superado o processo de averiguações do Governo e irão definir agora os planos específicos de criação, um processo que poderá prolongar-se por um ano. Outras províncias como Shandong, Zhejiang ou Fujian, no este do país, Sichuan, no centro, Yunnan, sudoeste, e cidades como Suzhou ou Hefei, também no este, anunciaram já que entre as suas prioridades para 2014 está a apresentação da proposta de zona de comércio livre. “A China não fixa limites ao número de zonas de comércio livre, nem calendários para a sua criação desde que sejam cumpridos os requisitos para o seu estabelecimento”, declarou uma fonte conhecedora do processo citada pela agência Xinhua. A zona de comércio livre de Xangai entrou em funcionamento em Setembro de 2013 como uma área piloto para ensaiar políticas de abertura financeira que, em caso de êxito, Pequim quer ampliar paulatinamente ao resto do país.
da IBM em 2005 por 1,75 mil milhões de dólares tornou-se no trampolim para a empresa chegar ao topo do ranking mundial de fabricantes de PCs. O mercado aposta que a Lenovo terá um sucesso
similar com a sua nova aquisição, o que é parcialmente reflectido na valorização de 9,44 por cento nas suas acções neste ano.
índice de actividade do gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) do sector industrial da China, medido pelo banco HSBC, recuou para 49,6 em Janeiro, face as 50,5 de Dezembro. Abaixo de 50, a leitura indica uma contracção da actividade em relação ao mês anterior. Este foi o primeiro mês desde Julho que o PMI industrial chinês ficou abaixo de 50. “A contracção do PMI industrial da China foi determinada pelo arrefecimento das condições da procura interna. Isto implica a suavização do ritmo de crescimento dos sectores de manufactura”, comentou o economista do banco na China, Qu Hongbin.
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APROVADAS 12 NOVAS ZONAS DE COMÉRCIO LIVRE
Luz verde
Instruções a observar no transporte de flores para o Ano Novo Lunar na entrada da Fronteira 1. 2. 3. 4.
5.
Entre as políticas mais esperadas estão a liberalização do yuan, a divisa chinesa, e das taxas de juro. A actual zona de comércio livre de Xangai ocupa uma área de 28,78 quilómetros quadrados repartidos em instalações logísticas que já existiam no aeroporto internacional de Pudong e nos armazéns e terminais portuários de Waigaoqiao e Yangshan.
6. 7. 8. 9.
Os cidadãos poderão transportar, de 28 de Janeiro a 30 de Janeiro de 2014 (28° a 30° dias da 12ª lua do calendário chinês), flores para o Ano Novo Lunar, estando, contudo, sujeitas a inspecção na entrada da Fronteira; O Posto Provisório para a Inspecção Fitossanitária apenas estará disponível nas “Portas do Cerco”; O horário temporário de Inspecção Fitossanitária vigorará apenas no período atrás referido, entre as 09:00 e as 22:00 horas; As plantas importadas devem destinar-se somente ao uso pessoal e obedecer ao peso regulamentado: a) Cada pessoa poderá transportar, por dia, até 5 kg de plantas; b) Cada pessoa pode transportar, por dia, um vaso de plantas com raízes fixas; c) Ou vasos pequenos com peso total não superior a 5 kg; d) Ou flores com raízes cortadas com peso total não superior a 5 kg, mas cada espécie não pode ter um peso superior a 1 kg; Os cidadãos que transportem plantas através da fronteira devem apresentar a respectiva factura com carimbo e assinatura do vendedor e com informações relativas à designação do local de cultura/aquisição da planta, endereço e telefone de contacto do local, tipo e quantidade da espécie, com vista a facilitar a inspecção fitossanitária a realizar pelos agentes deste Instituto. Caso se trate de espécies controladas pela “Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção” (CITES), será exigido ainda o certificado de autorização prévia de importação, emitido pela Direcção dos Serviços de Economia da RAEM; havendo isenção de visto para transporte para pequenas quantidades de orquídeas artificialmente cultivadas, de acordo com o Aviso Nº2/2008/DGCE, da Direcção dos Serviços de Economia; Plantas sem raízes, e.g. flores de raízes cortadas, com peso total não superior a 1 kg, estão isentas de inspecção; As plantas aquáticas, como narcisos, jacintos, etc. são consideradas plantas sem raízes; Plantas, que não estejam de acordo com o atrás referido, serão apreendidas por este Instituto; Caso as pessoas pretendam reaver as plantas apreendidas, necessitam de tratar das formalidades oficiais de pedido de licença para importação. Aos 24 de Janeiro de 2014. Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais WWW. IACM.GOV.MO
RUA DA FELICIDADE
Numa altura em que o Governo se prepara para renovar as fachadas icónicas da Rua da Felicidade, permanecem outros problemas por resolver, como a insegurança, a falta de turistas, prédios antigos e lojas vazias. O Instituto Cultural promete tratar dos casos urgentes, mas terá de medir forças com a Associação Chap Seng Tong, proprietária da maioria dos espaços ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
CECÍLIA LIN
cecília.lin@hojemacau.com.mo
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NDE antes morava o prazer e o vício, mora hoje a decrepitude e alguma ruína. Para além das portas e janelas vermelhas renovadas que habitam hoje a Rua da Felicidade, pouco resta dos tempos áureos. Um dos lugares mais tradicionais
hoje macau sexta
MORADORES, LOJISTAS E ASSOCIAÇÕES DIZEM O QUE QUEREM PARA A ZONA
A felicidade não mora aqui HOJE MACAU
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lojas de marcas famosas. Há muitas lojas vazias, cerca de 40. Penso que deve ser pelo facto do Governo não facilitar o processo das licenças”, aponta Tam Wai Hou, de um restaurante chinês onde a barbatana de tubarão é a especialidade da casa. Lei U Heng trabalha numa loja de peixe seco e outros produtos de luxo, ao lado do restaurante. Quer a renovação das fachadas, para ter mais clientes. “Se calhar precisamos de ter mais eventos na rua, porque nos últimos anos ficou muito tranquila. Além dos restaurantes, se calhar as lojas de ouro podiam atrair mais turistas. Há muitos prédios antigos em risco de cair”, diz ao HM.
UM PROBLEMA DE PROPRIEDADE
de Macau vê-se hoje a braços com problemas trazidos com o passar dos anos sem manutenção do espaço público. Não só na rua, mas também no beco e no pátio, a felicidade não parece de facto morar nos prédios com fendas, nos caixotes com lixo espalhado e na tranquilidade que vem das poucas pessoas que por ali passam. O Instituto Cultural (IC) quer voltar a renovar as fachadas dos prédios na rua principal e está a consultar a população sobre o assunto. As paredes vão ficar pintadas
ou com tijolos? As portas mantém-se vermelhas, ou voltam ao antigo verde? As perguntas fizeram-se ontem numa sessão de consulta pública. Lojistas e moradores aplaudem a renovação das fachadas, mas pedem que se vá mais além. Sobretudo, pedem projectos feitos de forma faseada, para não prejudicar o negócio. Tou Mio Leng, presidente da Associação de Moradores do Bairro Fok Long, foi uma das presentes na sessão de consulta pública. Mas antes conversou com o HM sobre
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA TUDO SOBRE CACOFONIX • René Goscinny, Albert Uderzo
Senhor de uma voz mundialmente célebre (embora nem sempre apreciada...) e professor respeitado, o bardo Cacofonix é uma figura importante da Aldeia e um dos membros do Conselho. No entanto, se é verdade que todos o conhecem, isto deve-se ao facto de ser o eterno bode expiatório dos habitantes de uma aldeia da qual é o representante mais marginal, vivendo isolado numa cabana construída no cimo de uma árvore. Quanto à sua música, os comentários são unânimes: é um massacre para os tímpanos! O que não impede que seja considerado pelos seus amigos como um excelente companheiro, o qual libertam das garras dos leões do Circo Máximo ou vingam a sua exclusão do «Domínio dos Deuses». Embora não cante os feitos dos guerreiros da Aldeia, Cacofonix esteve na origem de muitos deles!
o que é preciso fazer na Rua da Felicidade. “O maior problema é o facto das estruturas dos prédios serem velhas e estarem a cair, e há muitas infiltrações. O melhor é o Governo coordenar com o maior proprietário para fazer a manutenção dos prédios com maior necessidade. Não deve ser uma manutenção de todos os prédios de uma só vez, mas só os que têm maior urgência.” “Outro problema é a segurança à noite. Há muitos moradores do sudeste asiático, e numa casa chegam a morar
mais de dez pessoas. Ficam bêbedos. Preocupamo-nos que aconteça um caso de homicídio como aconteceu há uns tempos, em que um comerciante foi agredido até à morte por um turista do continente que estava bêbedo. Já pedimos mais polícias, mas o problema mantém-se”, diz ainda. Quem faz negócio na rua de tons vermelhos e janelas trabalhadas pede mais visitantes. “O maior problema é a falta de promoção para este lugar, porque não há turistas. Poderia haver mais
Na sessão de consulta pública o IC não revelou as datas para a conclusão do trabalho com as fachadas. Também não disse se vai haver um plano global de renovação para a rua, porque estão em causa questões jurídicas, com a entrada em vigor da nova lei de salvaguarda do património. Segundo o diploma, o IC pouco mais pode fazer a não ser preservar o que está classificado. Mas a renovação da rua, pátio e do beco da Felicidade dependem ainda do acordo entre Governo e a proprietária da maioria dos espaços: a Associação Chap Seng Tong. Criada em 2002, segundo dados do Boletim Oficial, pouco ou nada se sabe sobre os seus membros. Tou Mio Leng acredita que, daqui para a frente, possam surgir mais acordos com o Executivo. Um dos espaços da Chap Seng Tong é a mercearia Veong Sang Vo. O prédio onde se insere ruiu há algum tempo, e desde então que não voltou a abrir. A Leong é o arrendatário, e, de mãos nos bolsos, conta como está sem ocupação desde o incidente. “O Governo não me deu
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
111 RECEITAS DE COZINHA CHINESA • A.M.S.
Com este “111 Receitas de cozinha chinesa” da EuropaAmérica, podemos agora confeccionar nós próprios os pratos orientais mais saborosos, saudáveis e fascinantes. São muitas as sugestões de sopas, pratos de peixe, vegetais, carnes, aves, arroz, massas e ainda sobremesas. Repletos de sabor e cor são certamente a sopa de rebentos de bambu, pimenta verde e gengibre, os camarões com ervilhas, a perna de carneiro com cebola e alho francês, as asas de galinha à Xangai ou a laranja mandarim.
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a-feira 24.1.2014
financiamento para renovar o prédio, isto há mais de seis meses desde que fiz o pedido (ao IC). Não estou optimista em relação ao futuro da rua, porque não vão haver muitos turistas. A maioria vai ficar no Leal Senado e nas Ruínas de São Paulo.” O mesmo não pensa a presidente da associação de moradores. “O ambiente de negócio não é bom. Esperemos que a Rua da Felicidade possa desempenhar o papel de desviar os turistas para outros percursos.”
O BECO AO ABANDONO
No lugar onde não há fachadas renovadas nem portas vermelhas nota-se o passar dos anos. No beco da Felicidade pouco mais resta do que ruas escuras, cadeiras vazias e roupa pendurada de improviso. O prédio renovado da Associação dos Empregados de Restauração e Padarias, com ligações à Federação das Associações dos Operários (FAOM), destoa do cenário. Lau On dormita uma sesta dentro da mercearia On On, mas rapidamente acorda para explicar o que está mal no seu bairro. A mercearia, arrendada pelo filho, também é propriedade da Associação Chap Seng Tong. Lau On mora na parte de cima.
CRONOLOGIA DE INTERVENÇÕES 1996 – Administração portuguesa faz a recuperação das fachadas em quatro espaços comerciais e obras de recuperação. Portas e janelas foram pintadas de vermelho
2006 – IC desmonta os toldos devido “às necessidades dos lojistas”
2007 – IC volta a montar os toldos 2009 – IC faz levantamento das construções e um estudo do projecto de restauro para a rua, beco e pátio
2011 – Restauro da varanda do hotel San Va, devido a solicitação do proprietário ao IC
2012 – Restauração da fachada do prédio da Associação de Empregados de Restauração e Padarias
“Gostava que o nosso prédio fosse reparado, como foi o prédio ao lado, que pertence a uma associação. Ficou sem infiltrações de água, que é um problema que outros prédios têm. O Governo deveria dar mais atenção aos prédios antigos, porque já há muitos noivos que vêm cá tirar fotos.”
Para este morador, a chegada de mais visitantes não será má, bem pelo contrário. “Espero que o Governo aproveite os seus recursos para melhorar esta rua.”
TEATRO COM LIXO
Uns passos mais à frente e continuamos a ter ruas es-
treitas de portas abertas. O silêncio impera. Mas o lixo que continua por limpar ao pé do antigo teatro Cheng Peng trava-nos a sensação de regresso ao passado. Os caixotes acumulam-se, e esse é um dos problemas que William Kuan quer ver resolvido. A sua empresa,
Companhia do Centro Cultural Cheng Peng, está neste momento a trabalhar com o Governo na renovação do teatro. “O IC já criou um grupo com especialistas do exterior para discutirmos a proposta do desenho do projecto, e acho que tudo estará terminado no final do ano. Queria construir um museu de ópera cantonense, um centro de jovens e uma zona cultural dentro do teatro. Fora do teatro, gostava de remover os caixotes do lixo para que se possa proporcionar um ambiente melhor. Espero que os responsáveis possam criar mais lugares de estacionamento, para que as pessoas possam trazer o seu carro até lá.”
“A RUA DEVE SER O QUE JÁ É”
O deputado Ho Ion Sang, ligado à União Geral das Associações de Moradores (UGAM), pede urgência na preservação da zona e defende a cor verde para portas e janelas, por ser um elemento com ligação à cultura do Feng Shui. Mas para mudar o panorama actual, o deputado prevê dificuldades no diálogo entre Governo e proprietários. “A maioria dos espaços são propriedade privada, e por isso é difícil comunicar para fazer os trabalhos de comunicação. As áreas exteriores dos edifícios não estão bonitos, as paredes têm fendas e há prédios em risco de caírem. Os cidadãos esperam que seja tudo preservado. Lamento que leve tanto tempo. Ainda bem que temos a nova lei
do património que entra em vigor em Março, e já teremos apoio jurídico para proteger os prédios. O que precisamos agora é uma consulta clara e detalhada, porque os prédios são quase todos detidos por vários proprietários. Temos que ter uma cooperação com as lojas e com os moradores.” “A rua está demasiado tranquila e um terço das lojas estão fechadas. Não há ambiente de negócios e temos poucos turistas. Há riscos de segurança na zona dos prédios antigos e são necessários polícias para patrulhar a zona”, diz ainda ao HM. Na perspectiva dos arquitectos, o futuro da Rua da Felicidade passa pela cultura e gestão dos espaços. “Recuperaram-se as estruturas que estavam danificadas, as fachadas. Isso é uma questão da intervenção inicial, que foi bem feito. Agora há outra parte que não tem sido bem sucedida, que tem sido o problema da gestão do espaço. Falta fazer as coisas e é necessária uma manutenção. Mas esse é um dos grandes problemas de Macau, não apenas da Rua da Felicidade”, aponta Francisco Vizeu Pinheiro. Já Nuno Roque Jorge diz que serão necessários mais espaços culturais, como livrarias, cafés. “A Rua da Felicidade tem de ser aquilo que é, um lugar de comércio tradicional. Não vamos esquecer que a população vai aumentar, e o que é suficiente hoje não será daqui a cinco anos. Estamos a tempo de fazer essas coisas.”
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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José Simões Morais
(TEXTO E FOTOS)
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O dia 20 de Janeiro realizaram-se festividades em honra de Lu Ban, conhecido em cantonense por Lou Pan. Lu Ban nasceu no dia 13 da sexta Lua do ano de 507 a.n.E. com o apelido Gong Shu. Ban era o seu primeiro nome e viveu no reino de Lu, no local onde hoje é Tengzhou, província de Shandong. Ainda criança aprendeu o ofício com o pai, Gong Shu Xian, tendo a mãe o apelido Wu. Casou-se e a sua esposa era da família Yun. Foi um grande inventor e um hábil artesão, cujo seu mestre de ofício, Bao Lao Dong, ficando muito agradado com o empenho de Lu Ban e o seu trabalho minucioso e cuidado, lhe ensinou desenho e pintura, escultura e a construir edifícios, carros e barcos. Assim rapidamente se tornou um exímio artesão, ultrapassando em qualidade o mestre, inventando instrumentos para trabalhar a madeira, como o planador, a espátula, o serrote, o furador (sovela), a verruma, o esquadro e muitos outros utensílios que ainda hoje se usam na marcenaria. Também lhe foi atribuída a criação da mó, do papagaio de madeira que conseguia voar, das escadas para subir muralhas e de diques, sendo o que construiu anterior em 200 anos ao de Dujiangyan, na província de Sichuan. Prendado pelos deuses, com um trabalho tão louvável e perfeito, ganhou a consideração de todos os que o conheceram. A partir daí, os artesãos colocaram-no como protector e quando começavam qualquer obra, iam ter com ele a pedir conselhos, isto é, a bênção para resolver os problemas que pudessem surgir durante o trabalho e para conseguirem produzir excelentes obras. Lu Ban finou no dia 20 da décima segunda Lua do ano 440 a.n.E. e como Grande Mestre, logo os profissionais do ramo lhe ergueram templos, sendo a sua imagem colocada nos altares. É por isso que, em Macau, no dia 20 de Janeiro, se realizaram em sua honra as festividades da sua passagem por esta vida. Ao procurar pelos templos de Lou Pan em Macau, percebemos que apenas se escreveu sobre o existente na Rua da Cal, referindo o padre Manuel Teixeira ter ouvido falar num outro na Rua da Pedra mas, quando aí foi à procura, nada encontrou.
AS ASSOCIAÇÕES LIGADAS AOS TEMPLOS Aproveitando as celebrações, fomos visitar os templos existentes em Macau dedicados ao deus Lou Pan. Assim, começamos por nos deslocar à Rua da Cal, na zona da Horta da Mitra, onde se encontra o Templo Lou Pan Si Fu, de culto budista. Várias ve-
As cerimónias estavam marcadas para o meio-dia, tendo os cinco avantajados leitões chegado meia hora antes e colocados na mesa de oferendas, ficaram à espera de serem cortados pelos membros da Associação. Enquanto aguardávamos pelo início das festividades, dedicamo-nos a observar o que no templo havia e a falar com a senhora Kwok. Com receio do terreno vir a ser adquirido para aí ser construído um prédio, os homens de negócios compraram-no nos anos 90 do século XX, ficando protegido o edifício histórico e assim, passou a estar listado como lugar patrimonial a ser preservado. Após subirmos dois degraus e transposta a entrada feita em cantaria, logo à direita aparece um nicho com o deus Men Guan (em cantonense Mun Kun), que é o guarda da porta. Em ambas as paredes laterais encontram-se placas de madeira muito antigas que contam parte da História do templo e ao fundo, no altar, a estátua do deus Lou Pan (Lu Ban em mandarim) ladeado por dois Oficiais, o Civil, no lado direito e o Militar, à esquerda. Após fotografar os membros da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau, resolvemos ir ao Templo de Lou Pan da Rua Camilo Pessanha, para ver como aí se realizavam as cerimónias.
LOCAL DE ENCONTRO SEONG KA HONG
MACAU OS TEMPLOS DE LU BAN
zes tínhamos tentado visitar o templo, mas encontrávamos sempre as portas encerradas. Apenas por uma única vez fomos bafejados pela sorte de o ver aberto e assim, fotografamo-lo, apesar de não termos encontrado ninguém para falar. Desta vez, a sorte sorriu-nos. Lou Pan Si Fu Miu, conhecido também pelo Templo do Mestre, ou “Repartição Cívica Ian Tak Tong” (em mandarim Ren De Tang), foi construído pelo menos no ano de 1859, como se encontra numa placa de madeira que refere o nono ano do governo do imperador Xianfeng (1851-1861) da di-
nastia Qing. Também o lintel da porta de entrada do templo apresenta esse nome, conforme os caracteres que se podem ler “仁德堂公所". Este templo foi ampliado em 1883 pela 广义堂, Associação Kuong U Tong de Macau, Hong Kong e Guangzhou, já que Lou Pan é o seu deus. Após os acontecimentos conhecidos por 1,2,3, isto é, 3 de Dezembro de 1966, a Associação dos Operários de Caiação e Pedreiros de Macau deixou de ter aqui a sua sede, ficando esta a ser o lugar de reunião da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau.
Apesar de estar referenciado como Lou Pan Si Fu Miu, de culto budista, é o local onde se reúne a Associação Seong Ká Mok Ngai de Macau (União dos Carpinteiros de Macau). No lintel da porta de entrada encontram-se gravados os caracteres 上架行会馆 (Seong Ka Hong Wui Kwun, em mandarim Shang Jia Hang Hui Guan). Seong Ka Hong era a associação que aqui foi estabelecida em 1840 e que viu a sua sede ser destruída em Dezembro de 1855 por um grande incêndio, sendo reconstruída entre 1856 até 1858, edifício que hoje se pode ver. No entanto, ao investigar a data do incêndio, verificamos uma imprecisão já que, não consta no mapa dos grandes incêndios de Macau o ano de 1855, mas sim o do dia 4 de Janeiro de 1856, que Luís Gonzaga Gomes descreve: “Um horrível incêndio, como nunca se viu em Macau, teve princípio à 1.45, numa das boticas chinas do Bazar. Ajudado pelo vento norte, o fogo espalhou-se com grande rapidez. O vento, mudando, às 5.00 horas, para leste, fez avançar o incêndio sobre as boticas do Matapau. Às 6.30 horas, voltando, outra vez, para o norte, fez com que a terrível conflagração seguisse pela Travessa de S. Domingos, Rua do
artes, letras e ideias 15
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OS ARTESÃOS COLOCARAM-NO COMO PROTECTOR E QUANDO COMEÇAVAM QUALQUER OBRA, IAM TER COM ELE A PEDIR CONSELHOS
Quintal e Travessa do Tronco, escapando, por pouco, o antigo Convento de S. Domingos. O incêndio durou toda a noite, destruindo 420 boticas (lojas) e 400 residências de famílias chinesas, subindo a mais de meio milhão de patacas o valor de propriedades destruídas. Os cidadãos de Macau auxiliaram, por toda a forma possível, a combater o incêndio, tendo prestado valiosos socorros as guarnições das fragatas francesas Virginie e Constantine.” A Associação Seong Ka Hong, em tempos antigos, era chamada Três Hong, por ser composta pelos Grémios, dos Carpinteiros, pelos que trabalhavam na armação dos andaimes de bambu e pelos que tinham como ofício reduzir a pedra a cascalho mas, como não havia muita gente nesse ofício, juntaram-se com os pintores e por isso ficaram integrados no Grémio dos Pintores. Depois, como os ofícios se foram especializando, cada um organizou-se numa associação independente e em Março de 1946, esta Associação Seong Ka Hong, passou a representar apenas a Associação Seong Ka Mok Ngai, ligada aos carpinteiros. Ao falar com o Senhor Wong, director desta Associação, ficamos a saber que devido à escassez de carpinteiros em Macau e para preservação dos conhecimentos das ferramentas, madeiras e técnicas de como trabalhar este material, com a ajuda do Instituto Cultural ficou decidido fazer neste templo uma sala de exposição com fins didácticos. Espera-se que as obras comecem já este ano e por isso, vai o edifício ficar fechado, pretendendo-se que estas terminem ainda em 2014 e nele fique instalado um museu explicativo do processo de trabalhar a madeira. Será interessante, para quem estiver
à frente da parte museológica, visitar o Museu de Lu Ban em Tengzhou, na província de Shandong, que para além dos inúmeras ferramentas e outros trabalhos expostos, conta com explicações e legendas em chinês, inglês e japonês, esperando que aqui não se esqueçam da língua portuguesa.
OUTROS LOCAIS DE CULTO A LU BAN Ao contrário do que o padre Manuel Teixeira dizia, existe uma sala com um altar em honra de Lou Pan na Rua da Pedra. A entrada faz-se pelo prédio com o número 18 e segundo o que se encontra escrito no dintel da porta 造船 子弟学校, é a escola para os filhos dos trabalhadores dos estaleiros de barcos. No a������������������������������������ lto do edifício, uma estrela de cinco pontas e por baixo, a data de 1968, encontrando-se no topo, dois mastros,
um com a bandeira de Macau e o outro, com a da República Popular da China. Ao lado deste edifício e com as portas sempre fechadas, está a sede da Associação dos Operários dos Estaleiro de Macau, 工羡行会馆 (Kong Sin Hang Wui Kwun, em mandarim Gong Xian Hang Hui Guan). Para aí chegar, entra-se pela escola que dá acesso à sala onde se encontra o altar com as estátuas de Lou Pan e os seus dois ministros, o de Letras e o das Armas. Fora em tempos um templo, conhecido por Lou Pan Si Fu Miu, de culto budista e daoista. Aí nada se passava, entregando-se os associados a jogar mahjong, já que apenas se fazem celebrações no dia 13 da sexta Lua, aniversário do nascimento de Lu Ban. Ao lado, a porta com o número 14, também sempre encerrada, dá acesso ao recreio da escola, que parece já não funcionar ali há muito tempo.
Vamos, por fim, à procura de um edifício que nos lembrávamos ter por várias vezes passado na zona de San Kiu. Após muitas voltas, por fim, encontramos o prédio na Rua da Alegria onde se lia no dintel 坭水行会馆 (Nai Soi Hong Wui Kwun, em mandarim Ni Shui Hang Hui Guan). Este local de encontro, passou a ser a sede do grémio e por isso agora, na varanda do primeiro andar, encontram-se os caracteres 坭水工会 (Nai Soi Kong Wui, em mandarim Ni Shui Gong Hui). Dependurado ao lado, um reclame em português indica Associação dos Operários de Caiação e Pedreiros de Macau. Por uma das placas, colocadas também no exterior, sabemos que no edifício está instalado um jardim infantil. Ao entrar, ao fundo da sala o altar com a estátua de Lou Pan e nas paredes laterais algumas antigas placas de madeira com caracteres. Fora um templo de culto budista e agora é a sede da Associação dos Operários de Caiação e Pedreiros de Macau. Como nos contou o Sr. Cheng Chi Seng, da direcção da Associação, ainda criança vinha para aqui brincar, quando o lugar era templo. Nos finais dos anos 60 do século XX o templo ruiu e foi então construído o actual edifício. Esta associação pertencera ao grupo Kuong U Tong, cuja sede era no templo de Lou Pan na Rua da Cal mas, após o 1,2,3, separou-se da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau e por isso, passaram para aqui a sua sede. O Sr. Cheng chama-nos para ler uma das placas de madeira onde mostra que, o templo aqui existira pelo menos desde o ano quinto do governo do imperador Xianfeng (1851-1861) da dinastia Qing. Logo este antecedera em cinco anos o Templo de Lou Pan da Rua da Cal.
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José Goulão
O LABORATÓRIO
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Á coisas em que a tradição ainda é o que era. Durante muitas décadas, desde o pós-guerra, a Itália foi considerada como uma espécie de laboratório de manobras políticas tendentes a manipular a verdadeira vontade dos eleitores. Uma espécie de tubo de ensaio para receitas que, respeitando formalmente a democracia serviam (e servem) para a deturpar, prejudicando maiorias e beneficiando os interesses de elites. Fica apenas um exemplo para encurtar conversa: os Estados Unidos da América, através da CIA, impuseram que o Partido Comunista Italiano (PCI) jamais entrasse no governo de Roma, mesmo que fosse maioritário, como chegou a acontecer. A única vez em que os comunistas asseguraram uma maioria governamental, mesmo sem entrar no executivo, isso custou a vida ao primeiro ministro, o democrata cristão Aldo Moro. A tradição renova-se. Em Itália já não existe Partido Comunista, nem o Partido Socialista, ambos e outros foram amalgamados no chamado Partido Democrático como quando poderosas máquinas se ocupam dos destroços para que tudo fique compactado numa lixeira. Quando nasceu, gerado nas cambalhotas com que foram acompanhadas a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, o Partido Democrático olhou-se ao espelho e pretendeu ver o seu homónimo norte-americano. E de facto logo alinhou no colaboracionismo neoliberal, que como uma epidemia varreu todos os partidos socialistas, sociais democratas e aparentados, ditos “a esquerda” oficial. Por isso está hoje coligado com a direita para aplicar as receitas de Bruxelas e da Srª Merkel. Ao que parece, porém, isso não chega. É preciso regressar ao laboratório. A nova vedeta da política italiana, a par do palhaço Grilo, é Matteo Renzi, presidente da Câmara de Florença, que há mês e meio tomou conta do Partido Democrático com um programa em que avultam o saneamento de dirigentes que ainda vinham do passado e a reforma do país. Mal aqueceu o lugar, Renzi chamou o expoente da extrema direita Silvio Berlusconi, recém-transformado em cadáver político graças à expulsão do Senado por burlar o Estado, e ressuscitou-o. Na sede do Partido
QUANDO E ONDE O “ARCO DA GOVERNAÇÃO” NEOLIBERAL CORRER RISCOS AMANHA-SE A LEI ELEITORAL PARA QUE OS RISCOS DESAPAREÇAM Democrático, ambos cozinharam uma nova lei eleitoral que tresanda a golpe de Estado contra a democracia através da institucionalização do bipartidarismo para que a Itália não fique “sujeita à chantagem dos pequenos partidos”. Registemos que a iniciativa partiu do Partido Democrático e não de Berlusconi, ao contrário do que incautos poderiam pensar. Através da projectada nova lei eleitoral, o Partido Democrático de Renzi e a Forza Italia de Berlusconi preparam-se para tomar o poder, partilhando-o em alternância ditatorial. A semelhança com o partido único, porque prevalece o sistema de economia neoliberal, é absoluta. A artimanha da lei é escabrosa: o partido que tiver 35 por cento transforma automaticamente esse pecúlio em
53 a 55 por cento, o necessário para governar com maioria absoluta. Se nenhum chegar aos 35 por cento haverá segunda volta, a disputar apenas pelos dois maiores ou por duas coligações que venham a formar. Claro que o eleitor terá direito a escolher no meio de uma nuvem de partidos, mas se quiser que o seu voto tenha utilidade só optando por um dos dois. Sabemos que em França, Reino Unido, Alemanha, Espanha, as coisas já são assim, pratica-se, de facto, o bipartidarismo. Mas em Itália ensaia-se o caminho para o tornar regime institucionalizado. Isto é, doravante quando e onde o “arco da governação” neoliberal correr riscos amanha-se a lei eleitoral para que os riscos desapareçam. E dar-se-á como exemplo a mui democrática “estabilidade italiana”.
EVENTOS
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“BANG ON A CAN” MÚSICA DE NOVA IORQUE NO CCM EM MARÇO
Estrela de vanguarda O
DEFININDO A NOVA MÚSICA DO SÉCULO XXI
Elogiado pela revista New Yorker como a “estrela mais brilhante da cena musical vanguardista da Big Apple”, a estreia da banda em Macau inclui obras-primas de David Lang, Michael Gordon, do compositor
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REZE galerias portuguesas vão participar na 33.ª edição da Feira Internacional de Arte Contemporânea - ARCO Madrid, onze no programa geral e duas numa secção paralela, que decorrerá de 19 a 23 de Fevereiro na capital espanhola. Este ano, a mais importante montra da arte contemporânea que se realiza na Península Ibérica vai ter a Finlândia como país convidado.
A Escola Portuguesa de Macau apresenta hoje um novo manual de português direccionado para os alunos que desconhecem por completo a língua de Camões. “O Panda fala português” é um projecto trabalhado durante cerca de um ano pelas docentes Elsa Alves, Carla Lobo e Sabrina Monteiro, dirigido aos alunos do ano preparatório, com idades compreendidas entre os 6 e os 11 anos. O novo manual, com 215 páginas, está dividido por temas como o corpo humano, a família, ou a alimentação e apresenta várias imagens do território, como o Mercado Vermelho, numa tentativa de fornecer o máximo de referências locais para ajudar os estudantes na aprendizagem do português, através de elementos que lhes são familiares. O novo manual agora criado pela Escola Portuguesa é subsidiado pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude ao abrigo do Fundo de Desenvolvimento Educativo.
KATHERINE C. COHENW
Centro Cultural de Macau apresenta no próximo dia 25 de Março um concerto pelos Bang on a Can, um ensemble de câmara eléctrico sediado em Brooklyn que junta algumas das mentes musicais mais arrojadas do mundo, informa o comunicado de imprensa da organização. “Esta não é uma banda ROCK, um grupo de JAZZ ou um ensemble de Câmara, mas sim uma versão inovadora dos três”. Com um longo percurso na criação de música contemporânea e uma combinação que vai da música Jazz e da electrónica à pop indie e às artes visuais, há mais de 20 anos que os All-Stars actuam em estúdio e em palco. O grupo colaborou com alguns dos mais importantes e inspiradores músicos dos nossos tempos, incluindo Steve Reich, Ornette Coleman, Tan Dun, DJ Spooky e muitos outros. Os projectos dos All-Stars incluem as incontornáveis gravações do clássico de Brian Eno Music for Airports e In C de Terry Riley, bem como concertos ao vivo com Philip Glass e Meredith Monk, para mencionar apenas alguns. O grupo marcou presença em festivais internacionais de renome como o Festival de Artes de Edimburgo e o Festival Internacional de Música de Pequim e também actuou em salas de espectáculo como o Carnegie Hall de Nova Iorque, acrescenta a nota de imprensa.
Escola Portuguesa apresenta hoje novo manual de português
Arpão com 35 mil anos descoberto em Timor
e violinista Todd Reynolds e do pensador musical Steve Reich; o grande destaque do concerto é o projecto multimédia Field Recordings, onde abordam um século de sons e imagens gravadas, como ruídos industriais, a voz de uma soprano ou bandas sonoras de filmes de Hollywood, introduzidos em novas composições especialmente encomendadas. Paralelamente ao concerto, o CCM organiza uma tertúlia pré-espectáculo moderada por Anthony Cheng. O compositor e produtor musical vai falar sobre a nova música do século
XXI com uma introdução a Field Recordings, o projecto em destaque no alinhamento dos Bang on a Can em Macau. A sessão de entrada livre apresentada em cantonense terá lugar na sala de conferências do CCM, uma hora antes do espectáculo. Bang on a Can é um concerto de música nova vinda de Nova Iorque apresentado pelo CCM para celebrar o 15º Aniversário do Centro, no Pequeno Auditório a 25 de Março. Os bilhetes estarão disponíveis a partir de 26 de Janeiro e custam 200 patacas.
Uma equipa de arqueólogos liderada pela australiana Sue O’Connor encontrou em Timor um arpão com 35 mil anos, noticiou a edição de Janeiro do Jornal da Evolução Humana. “O artefacto, talhado a partir de um osso, é notável pelo seu ‘design’, a sua complexidade sugere que os humanos na região faziam armas sofisticadas mais cedo do que o que se acreditava”, refere a notícia, acrescentando que aqueles arpões serviam para se pescar peixes grandes em barcos. Segundo a notícia, a “noção de que os nossos antecessores estavam equipados para fazer refeições de animais marinhos há 35 mil anos não é surpreendente”. Em 2011, uma outra equipa também liderada pela arqueóloga australiana Sue O’Connor descobriu em TimorLeste um abrigo marítimo e espécies de peixes com 42 mil anos, deixando evidências que os primeiros humanos modernos da região praticavam pesca em águas profundas. O arpão talhado em osso é pontiagudo e de lado tem ranhuras. Segundo a equipa, o punho devia ser feito de madeira e agarrado com corda. O artigo não especifica se o arpão foi encontrado em Timor-Leste ou em Timor indonésio.
CONCERTOS EM LOCAIS PATRIMÓNIO MUNDIAL
Ai que vem aí jazz e pop A
Orquestra de Macau (OM), apresenta dois concertos integrados no ciclo “Viagem Musical aos Sítios do Património Cultural”, nomeadamente um “Concerto de Jazz” e um “Concerto de Música Pop”, celebrando, com o público a chegada do Ano do Cavalo. A entrada é livre para ambos os concertos, informa o comunicado de imprensa da organização. O “Concerto de Jazz”, a ter lugar no dia 25 de Janeiro, pelas 16:00 horas, no átrio principal da Casa do Mandarim, será executado por um quinteto de madeiras que acompanhará com várias melodias os passos dos visitantes que percorrem a casa histórica, acrescenta a nota de imprensa. O Teatro Dom Pedro V receberá o “Concerto de Música Pop” no dia 8 de Fevereiro, pelas 16:00 horas. Os músicos da OM irão interpretar conhecidos temas da música pop como Good Vibrations, dos Beach Boys, Eleanor Rigby, dos Beatles, entre muitos outros. O “Concerto de Cordas de Beethoven Série IV – Ares Austro-Alemães”, inicialmente programado para o dia 7 de Junho, foi alterado para o dia 6 de Junho, tendo lugar no Teatro Dom Pedro V, pelas 20:00 horas, finaliza a nota.
TREZE GALERIAS PORTUGUESAS NA ARCO, FEIRA INTERNACIONAL DE MADRID
Montra de arte contemporânea Globalmente, Portugal vai estar representado com 13 galerias, onze no programa geral e duas na secção Opening, sendo que nove galerias são de Lisboa, duas do Porto, uma de Braga e uma de Ponta Delgada, nos Açores.
Aorganização, da responsabilidade da Feira de Madrid (IFEMA), estabeleceu uma parceria com a Fundação Frame e a embaixada finlandesa na capital espanhola, para mostrar ao público uma visão ampla da arte contemporânea da Finlândia.
Na totalidade vão estar presentes cerca de 160 galerias de 25 países, desde os Estados Unidos, Reino Unido, França, Holanda, Itália, Dinamarca, Brasil, Argentina, Alemanha e Áustria, entre outros. De Portugal estarão pre-
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sentes, no programa geral, as galerias Baginski, Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Cristina Guerra, Filomena Soares, Graça Brandão, Pedro Cera e Vera Cortés, de Lisboa, Quadrado Azul e Galeria Múrias Centeno, do Porto,
Mário Sequeira, de Braga, e Fonseca Macedo Arte Contemporânea, de Ponta Delgada. Na secção Opening, destinada a galerias com menos de sete anos, vão estar a 3+1 Arte Contemporânea e a Belo-Galsterer, ambas de Lisboa. Segundo a organização, este ano foram ainda convidados cerca de 150 directores de museus e curadores de arte de todo o mundo.
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JOGOS
DA
LUSOFONIA
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FOTOS GONÇALO LOBO PINHEIRO
BASQUETEBOL CABO VERDE VENCE SELECÇÃO DO LÓTUS POR 94-46
Macau sem argumentos GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo
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EM no basquetebol. A selecção da RAEM teve, ontem, muitos furos abaixo do que seria esperado perante a congénere de Cabo Verde, tendo perdido por 94-46, em jogo disputado do pavilhão do complexo universitário da Universidade de Goa. Com o português Nuno Gomes no cinco inicial, as cores do território começaram da pior maneira e no primeiro período apenas marcaram três pontos contra 28 dos africanos. De facto, a equipa entrou nervosa e sem aparentes soluções para desbloquear a entrada para o cesto e quando isso acontecia, só o jogador português conseguiu meter a bola no cesto. No segundo período a toada foi a mesma mas com Macau a fazer 13 pontos, o que era insuficiente para uma aproximação aos pontos marcados pelos Tubarões. Macau
ficava completamente arredado da luta pela vitória quando as equipas foram para intervalo. Depois do descanso, e já no terceiro período, os jogadores de Macau voltaram a claudicar e a equipa acabou por fazer apenas nove pontos, com os cabo-verdianos a manterem a média acima dos 20 pontos por período. O quarto e último período foi o mais profícuo, com Macau a fazer 21 pontos – mais um que a selecção de Cabo Verde -, mas o esforço veio tarde demais e isso não chegou para vencer o jogo. No final, aos jornalistas, Nuno Gomes mostrou resignação pela grande diferença no marcador. O jogador luso fala mesmo em questões de imaturidade. “Todos eles [os adversários] estão a um nível completamente diferente do nosso, foi complicado desde o início. O nossos jogadores mais altos nem 20 anos têm. Precisam de amadurecer e mais competições destas.”
MARCHA DO MARCADOR PAÍS Cabo Verde
1.º PERÍODO
2.º PERÍODO
3.º PERÍODO
4.º PERÍODO
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Macau 3 13 9 21
TÉNIS DE MESA LUSOS TERMINAM COM SETE MEDALHAS
O esplendor de Portugal P ORTUGAL conquistou ontem quatro medalhas, duas de prata e duas de bronze, no ténis de mesa, elevando para sete o número de presenças no pódio nos Jogos da Lusofonia, que decorrem em Goa, até ao próximo dia 29. Marta Santos e Joana Mota, em pares femininos, Diogo Silva e Joana Mota, em pares mistos, conquistaram as medalhas de prata, e Raquel Andrade e Patrícia Maciel, em pares femininos, e André Silva, em singulares masculinos, asseguraram medalhas de bronze. Marta Santos e Joana Mota perderam na final de
pares femininos frente às indianas Shamini Shamini Kumaresan e Madhurika Patkar, por 3-0 (11-5, 11-6 e 11-6), enquanto Raquel Andrade e Patrícia Maciel subiram ao terceiro lugar do pódio na competição, ao vencerem o par formado por Ishara Madurangi e Nuwani G. Vithanage, do Sri Lanka, por 3-2 (11-4, 9-11, 11-6, 8-11 e 11-6). Em pares mistos, Joana Mota voltou a conquistar uma medalha de prata, juntamente com Diogo Silva, após perderem por 3-0 (811, 6-11 e 9-11) frente aos indianos Soumyajit Ghosh e Ankita Das na final. O ter-
ceiro lugar foi ocupado por Harmeet Desai e Shamini Kumaresan, que bateram os lusos André Silva e Patrícia Maciel, por 3-0 (11-6, 11-6 e 10-12). Na competição de singulares masculinos, André Silva e Diogo Silva disputaram a medalha de bronze, depois de ambos terem “caído” diante de atletas indianos por 4-0 nas meias-finais, com o primeiro - vencedor da categoria nos segundos Jogos da Lusofonia em Lisboa - a levar a melhor na disputa pelo terceiro lugar, ao ganhar também por 4-0 (11-7, 11-6, 11-7 e 12-10). Harmeet Desai sagrou-se
campeão ao derrotar na final o compatriota Soumyajit Ghosh. Nos pares masculinos, as medalhas foram entregues na quarta-feira, tendo Portugal arrecadado o ouro e a prata. Em singulares femininos, também concluída na quarta-feira, as medalhas ficaram todas em “casa”, enquanto, na prova de equipas, a selecção masculina garantiu a medalha de prata, a primeira da comitiva lusa nos Jogos da Lusofonia de 2014. “Não foi mau, mas penso que, se calhar, poderíamos ter feito um pouco melhor, mas o balanço é positivo”, afirmou o treinador Alexandre Gomes, numa avaliação ao desempenho na modalidade. A atleta Joana Mota, de 17 anos, partilhou a opinião do técnico, considerando ter
tido um “bom desempenho” na terceira edição dos Jogos da Lusofonia, os primeiros em que participou e em que subiu a dois dos sete pódios com as cores de Portugal.
Com as medalhas de ontem, Portugal mantém-se no segundo lugar do “medalheiro” mas longe da Índia que já superou a barreira das 20 medalhas.
DESPORTO
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SPORTING CLUBE DE MACAU REFORÇA APROXIMAÇÃO À CASA-MÃE
Protocolo na forja MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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Sporting Clube de Portugal e a filial da formação leonina na Região Administrativa Especial de Macau estão a preparar a assinatura de um protocolo de cooperação que prevê, entre outras acções, o envio de atletas locais para a Academia de Alcochete. A garantia foi dada ao início da noite de ontem por António Conceição Júnior durante a sessão de apresentação do plantel do Sporting Clube de Macau que vai disputar a edição de 2014 da Liga de Elite. O presidente dos leões do território afiança que a visita de Bruno de Carvalho a Macau, no início de Dezembro, abriu novas perspectivas de cooperação entre Alvalade e a filial dos leões
Todos eles [os adversários] estão a um nível completamente diferente do nosso, foi complicado desde o início. O nossos jogadores mais altos nem 20 anos têm. Precisam de amadurecer e mais competições destas Quem também falou aos jornalistas foi Humberto Évora que está a acompanhar as equipas de Cabo Verde. O médico, radicado em Macau, referiu a mesma queixa que outros em relação às falhas na
organização mas falou numa boa competição. “Quanto ao aspecto competitivo, acho excelente, embora com algumas falhas obviamente, o que é natural. Quanto ao resto, a experiência tem sido boa.”
VOLEIBOL DE PRAIA DUPLA FEMININA PORTUGUESA É CANDIDATA AO OURO
Descontrair antes dos grande embates A
NA Freches e Juliana Antunes são favoritas à conquista da medalha de ouro e provaram-no no primeiro, esta quarta-feira, depois do jogo fácil - vitória de 2-0 com os parciais 21-14 e 21-14 - perante a congénere do Sri Lanka na praia do Miramar, em Goa (Índia). Se o primeiro jogo pode servir de indicador para o resto da competição, as jogadoras lusas vão, com toda a certeza, ultrapassar cada obstáculo que lhes aparecer pela frente até ao ouro. “Para ser sincera, nó não conhecemos muito bem os nossos opositores. Chegámos a ver os jogos de Moçambique e da Índia [que competiram horas antes das portuguesas] e não temos qualquer ideia do que podemos encontrar a seguir. Cada jogo será uma incógnita”, referiu Ana Freches aos jornalistas. O par português é desde sempre considerado como o grande candidato à conquista do primeiro lugar. Ana Freches já lá esteve perto quando venceu a medalha de prata em 2009, nos Jogos da Lusofonia de Lisboa, em Portugal. Na altura as grandes vencedoras foram, como seria de
esperar, as brasileiras. “Estou completamente surpreendida pelo facto de não haver equipas brasileiras de voleibol de praia. Na verdade, esperávamos mesmo vir a jogar contra elas, pois seria uma boa forma de vingar a derrota de 2009 e manter o nível da competição em alta”, referiu, desiludida, Ana Freches. Em grande forma, a dupla portuguesa acabou por não dar quaisquer hipóteses à dupla do Sri Lanka no primeiro jogo de ambas as selecções. Seja como for, e apesar de demonstrarem ser superiores às restantes duplas, Juliana Antunes não assume, à partida, qualquer tipo de favoritismo. “Não acho que haja algum tipo de pressão para que vençamos.” Nos outros embates portugueses, a dupla masculina Pedro Rosas/José Pedrosa também se estreou com um triunfo, ao bater o par angolano número um Edson Herlander e Dario Santos, por 2-0 (21-13, 25-23). Já Raquel Lacerda e Joana Vasconcelos perderam com o par número um de Angola Sara Lemos/ Janete Isabella, por 1-2 (21-16, 22-24 e 14-16). – G.L.P.
FOTOS GONÇALO LOBO PINHEIRO
NUNO GOMES Atleta de Macau
Sou presidente do Sporting desde 2009 e conheci três presidentes do SCP desde que assumi a liderança deste projecto. A todos foram colocadas estas propostas. Felizmente agora foram ouvidas” ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR Presidente do Sporting de Macau
no terriório: “Estes assuntos são assuntos que já foram aflorados em diversas presidências. Sou presidente do Sporting desde 2009 e conheci três presidentes do Sporting Clube de Portugal desde que assumi a liderança deste projecto. A todos foram colocadas estas propostas. Felizmente agora foram ouvidas”, congratula-se António Conceição Júnior. O dirigente deixa claro que a cooperação e o intercâmbio que agora começam a ganhar forma deverão funcionar nos dois sentidos. O presidente do Sporting Clube de Macau revela que no futuro o emblema a que preside deverá vir a receber apoio técnico do casa-mãe leonina ou mesmo jogadores formados na academia do Sporting Clube de Portugal. Conceição Júnior esclarece que as premissas da cooperação ainda não estão institucionalizadas, mas a assinatura de um acordo entre os dois emblemas – garante – é o passo que se segue: “Estamos a preparar um protocolo, porque aquilo que foi discutido precisa de ter um protocolo, precisa de ser protocolado. Estamos a trabalhar nessa perspectiva”, garante o presidente dos leões de Macau. Mesmo sem um protocolo formal, parte da preparação do Sporting Clube de Macau para a nova temporada já passou por Portugal e pela academia leonina. Três dos novos reforços dos leões do território para a época que agora arranca – Jardel, Bruno Brito e Edgar Silva – treinaram durante algum tempo com a equipa B do Sporting Clube de Portugal nas instalações de Alcochete. Depois de se ter sagrado na última temporada vencedor do Campeonato de Futebol da II Divisão, o Sporting Clube de Macau estreia-se em Fevereiro no convívio dos grandes do futebol da RAEM. Orientada por João Maria Pegado – o jovem treinador terá como adjuntos Mandinho e Rodrigo de Matos – a versão neoprimodivisionária dos leões do território foi ontem apresentado no hotel-casino MGM (a operadora norte-americana volta a ser o principal patrocinador da equipa) e conta com um total de nove reforços para o assalto à edição de 2014 da Liga de Elite. Para além de Jardel (ex-Benfica de Macau), de Bruno Brito (ex-Frenaros, Chipre) e de Edgar Silva (ex-Barretos, Brasil), o Sporting Clube de Macau contratou ainda Timba, Juninho, Ieong Ka Hang, Alexandre Matos, Nuno Capela e Gaspard Laplaine, atleta francês que já vestiu a camisola da Casa de Portugal em Macau.
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FUTILIDADES
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HUM
60-90%
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EURO
POR MIM FALO
10.8
BAHT
Cineteatro
0.2
YUAN
1.3
CINEMA
Pu Yi
SAVING MR. BANKS [B]
SALA 1
CONTROL [C]
(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Kenneth Bi Com: Daniel Wu, Yao Chen, Simon Yam, Leon Dai 14.30, 16.15, 18.00
FROM VEGAS TO MACAU [C] (FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Wong Jing Com: Chow Yun-Fat, Nicholas Tse, Chapman To, Benz Hui 19.45, 21.30 SALA 2
HOURS [B]
Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 16.30, 21.30
Um filme de: John Lee Hancock Com: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrell, Paul Giamatti 19.15 SALA 3
THE STARVING GAMES [C]
Um filme de: Jason Friedberg, Aaron Seltzer Com: Maiara Walsh 14.30, 16.15, 17.45, 19.30
SAVING MR. BANKS [B] Um filme de: John Lee Hancock Com: Tom Hanks, Emma Thompson, Colin Farrell, Paul Giamatti 21.15
Os representantes Portugal é um país cheio de sorte. Que o digam os felizardos dos portugueses, que aposto que adoram estar sempre a ser representados por pessoas geniais, cheios de inteligência, savoir faire, sabem caros leitores? Eu sou um gatito, mas eu bem vejo... São super protectores da língua portuguesa! Por exemplo! É vê-los, a chegar a países longínquos, como a Índia, e a defender a língua portuguesa - aquela que os idiotas dos jornalistas indianos não sabiam falar! Pffff... Ora, como é que se pode não falar português na Índia? Depois, são muito estilosos! Os representantes portugueses têm aquele estilo de “porreiro, pá”. Eu bem vi, quando chegaram aqui a Macau, a sair do barco com os óculos ao peito, pólo da Tommy... Que orgulho. E depois sempre há aqueles que fazem discursos em língua portuguesa, mas falam sem qualquer sotaque português, até parece que falam outra língua! Um mimo. Os representantes portugueses são o orgulho da diáspora. Não há como ser representado por gente desta, bem parecida, bem vestida e bem falante. O pior é quando se atenta no conteúdo (?) dos discursos: geralmente, pensam que estão em Marte ou em Almada. Raramente percebem com quem e onde estão a falar. É certo que dizem coisas acertadas, do género “os peixes têm espinhas” e “a vaca é um animal muito útil”, subordinadas ao tema geral “Asneirando espalharei por toda a parte”. É por tudo isto que gosto muito de os ver por aqui. Sobretudo aquela parte em que se lhes vêm as costas.
Duas crianças mortas por estarem “possuídas” • Duas crianças, de um e dois anos, foram mortas pela mãe e por uma amiga desta, em Maryland, nos EUA, durante actos de exorcismo. As duas mulheres acreditavam que os bebés estavam “possuídos” pelo diabo. Ainda foram encontradas mais duas crianças, de cinco e oito anos, irmãs das vítimas, mas que apenas apresentavam alguns ferimentos. Os vizinhos das duas mulheres já tinham alertado as autoridades depois de terem visto uma das crianças a andar sozinha na rua. A polícia deslocou-se ao local, mas acabou por não encontrar qualquer vestígio de crime. No dia seguinte, as autoridades acabaram por ser chamadas novamente, alertadas novamente pelos vizinhos, que viram um rasto de sangue e uma faca junto à porta da casa das mulheres, deparando depois com um cenário de crime macabro.
Quentin Tarantino traído
RICARDO BALDIN É brasileiro e vive em Nova Iorque, mas as raízes (percebe-se bem) são italianas por parte do “nonno”. Este jovem modelo de 26 anos tem deslumbrado nas passarelas e, sobretudo, em diversas publicações americanas. Contratado aos 16 anos pela agência Elite Model Look a vida deste jovem tem sido à feita à frente das objectivas, mas diz-se também viciado em várias modalidades desportivas. “Não aceito derrotas”, afirmou em entrevista. Percebemos que tem potencial pelo menos para fazer placagens de sonho...
fonte da inveja
O caminho todo feito leva ao palácio da ignorância.
• De ‘Kill Bill’ ao mais recente ‘Django’, Quentin Tarantino habituou os fãs a grandes êxitos de bilheteira. Mas depois de tantos sucessos, o próximo terá de esperar. O realizador norte-americano decidiu cancelar toda a produção do seu próximo filme, depois de o roteiro ter sido revelado sem o seu consentimento nos bastidores de Hollywood. O filme até já tinha nome. ‘The Hateful Eight’ (em tradução livre, ‘Os Oito Odiados’) foi o título escolhido para a película, que não chegará, para já, à grande tela. Segundo Tarantino, apenas os atores Tim Roth, Bruce Dern e Michael Madsen tinham autorização do realizador para ler o roteiro. Perante as suspeitas, Tarantino diz sentir-se “traído e muito triste” com a divulgação de toda a história do seu próximo projecto. Em alternativa, o realizador vai publicar um livro com a história que serviria de base ao filme sobre o Faroeste. Quentin Tarantino abandona, assim, o projecto cinematográfico de ‘The Hateful Eight’, não fosse o segredo “a alma do negócio”...
João Corvo
OPINIÃO
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um grito no deserto
KUROSAWA, DREAMS
PAUL CHAN WAI CHI*
T
ODOS sabemos que o PIB de Macau tem tido um crescimento significativo ao longo dos últimos anos, ao ponto de registar a maior taxa de crescimento da Ásia. E quanto ao FIB ( Felicidade Interna Bruta)? Alguns especialistas definem o FIB em termos de um nascimento bem sucedido, uma vida feliz e uma morte tranquila. Em Macau não existem “Bebés Âncora”, como em Hong Kong, (bebés nascidos de pais vindos do continente, sem residência local) , e a população local não enfrenta problemas de maior no que diz respeito ao período pré-natal. Mas na vida do quotidiano os locais têm de lidar com problemas como o aluguer das casas, para já não falar das dificuldades para quem quer comprar apartamento. Embora o governo subsidie as despesas com os transportes, não é fácil apanhar um autocarro nas horas de ponta. Mesmo que se consiga entrar no autocarro o ambiente no interior é insuportável. Os preços estão continuamente a subir. Nos restaurantes, o preço da comida aumenta todos os meses. O custo de vida actualmente em Macau é maior do que em Hong Kong, embora a qualidade dos serviços seja cada vez menor. Os funcionários públicos superiores que possuem regalias como casa e subsídios de renda, ou carro fornecido pelo governo, não imaginam o stress diário que o cidadão comum tem de enfrentar. Para mais, a indústria funerária tornou-se num monopólio em que a cremação é feita fora de Macau. Os preços dos diferentes serviços são determinados pelas respectivas indústrias. A fixação dos
PIB e FIB preços não é feita individualmente, mas sim pelo mercado. Será que temos a escolha de dizer não ao aumento injusto dos preços de serviços e bens?
O custo de vida actualmente em Macau é maior do que em Hong Kong, embora a qualidade dos serviços seja cada vez menor A indiferença não é parte da felicidade. O PIB dos residentes de Macau era em média de 530,221 patacas, em 2012. A média do rendimento mensal dos residentes no terceiro trimestre de 2013 era de 15,000 patacas. Segundo os dados da DSEC, os lucros dos investidores não locais são maiores do que os dos locais. Com base nestes dados parece haver um grande fosso entre os ricos e pobres em Macau. Os funcionários sénior da indústria do jogo e os funcionários públicos superiores ganham altos salários. E o resto da população? Uma sociedade não é feliz nem harmoniosa se apenas um pequeno grupo goza de privilégios especiais. No passado, Macau era uma pequena e pacífica cidade. Hoje em dia, continua a ser
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uma pequena cidade, mas as ondas de mais de 30 milhões de turistas anuais afastam qualquer hipótese de uma vida pacífica. Macau costuma ser um local onde era fácil viver, com cerca de 300 mil habitantes. Actualmente, os trabalhadores não residentes ascendem a 135,886 e a população é de quase 600 pessoas. É uma cidade inabitável com rendas proibitivas e com altíssimos preços para se comprar casa. Dantes era fácil andar na cidade e a qualidade do ar costumava ser boa. Segundo os dados divulgados em Novembro de 2013, o número de veículos é de 226,874, dos quais mais de 11 são motorizadas, causando poluição e engarrafamentos. Antigamente existiam uma série de pequenas lojas típicas que vendiam delícias locais que deixavam memórias felizes no cidadão comum. Actualmente a cidade foi invadida por grandes marcas mundiais que cativam as preferências dos turistas. O crescimento do PIB de Macau deve-se à indústria do jogo. Quando o jogo desaparecer, Macau vai sofrer outro impacto significativo. Apenas uma pequena parte da população goza de felicidade enquanto a grande maioria está longe de saber o que é isso. O Ano da Serpente está de partida, mas será que a malícia também se vai embora com os novos mandatos do governo? Será que o Ano do Cavalo vai trazer mais felicidade e qualidade de vida à população de Macau? Para não perder a esperança, o melhor é cada um lutar pela sua própria felicidade!
*Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático
22 opinião
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JORGE RODRIGUES SIMÃO
perspectivas
As cidades ecológicas “Sustainable development and sustainable urban forms need to pervade the whole environment, and not simply be exemplars that are separated from every day, messy reality.” Dimensions of the Sustainable City (Future City) Mike Jenks and Colin Jones
O
S especialistas em demografia estabeleceram como momento histórico em que a urbanização a nível mundial atingiu o seu ponto de não retorno, o dia 23 de Maio de 2007, o que significa que mais pessoas vivem em áreas urbanas em detrimento das áreas rurais. As previsões apontam para que em 2015, 70 por cento da população mundial viverá em cidades, ou seja mais de cinco mil milhões de pessoas. O mundo terá nesse altura, trinta megacidades, com população superior a dez milhões de habitantes. Existem actualmente vinte e seis megacidades, como Londres, Cidade do México e Cairo. A urbanização faz crescer as megacidades conjuntamente com as periferias suburbanas para formar mega regiões de alta densidade populacional e superiores a quinze milhões de habitantes. Os megas corredores de transporte ligam as megacidades e as megas regiões para formar agrupamentos massivos de pessoas. A urbanização atinge as pequenas e médias cidades com populações de um a dez milhões de pessoas, que estão a sofrer um vertiginoso aumento de população. O “IBM Institute for Business Value” no seu último estudo afirma que o desempenho dos sistemas centrais das cidades actuais é fundamental não apenas para o seu progresso social e económico, mas igualmente tem efeitos a nível mundial. Tais sistemas ao fazer face a importantes desafios podem ser melhorados com o recurso à aplicação de soluções inteligentes. O “IBM” mostra como podem as cidades avaliar e fiscalizar o progresso da optimização dos seus sistemas usando como referência um conjunto de parâmetros, que serve igualmente de ajuda à elaboração de um estudo comparativo com outras cidades. As cidades são redes complexas de componentes, como pessoas, empresas, transportes, comunicações, água, energia, serviços e outros sistemas. As pessoas e as empresas dependem dos sistemas de infra-estruturas para o desempenho das suas actividades e bem-estar. As melhorias ou rupturas nos sistemas de transportes, comunicações e serviços públicos têm enorme impacto nas actividades diárias dos residentes das cidades e nas empresas. Os serviços das cidades integram e coordenam as actividades que têm lugar nos outros componentes. Tal entendimento permite às cidades uma nova perspectiva sobre a sua evolução, de forma a atingir os objectivos que tem como meta. Têm a pos-
sibilidade de apressar a sua marcha tendo em vista o progresso sustentável usando soluções práticas de gestão inteligentes. A combinação desses factores permite reunir dados de maior qualidade e rapidez, como por exemplo, os medidores de serviço e sensores que monitorizam a capacidade da rede de distribuição de energia eléctrica que podem ser usados para reunir ininterruptamente dados sobre oferta e procura de electricidade. Os instrumentos para medição de gás, água e electricidade são actualmente mais divulgados e económicos que anteriormente e permitem além de medir, efectuar um controlo exacto dos bens fornecidos. Se forem agregados à interconexão com etiquetas de identificação de radiofrequência (Radio Frequency Identification - RFID), (mais de trinta e três milhões de etiquetas RFID estiveram activas em 2010, ou seja, cinco por cada habitante do planeta) os sensores e medidores podem incorporar-se aos sistemas urbanos como uma primeira etapa para solucionar os desafios das cidades. A interligação cria laços entre dados, sistemas e pessoas de forma antes impensável. O mundo num futuro próximo será povoado por milhões de objectos inteligentes, como os veículos automóveis, electrodomésticos, câmaras, vias rodoviárias e que no conjunto criarão a “Internet das coisas”. Estas interligações permitem a comunicação e coordenação entre objectos, pessoas e sistemas por toda a estrutura da cidade, abrindo novas formas de reunião e partilha de informação. A inteligência, entendida como novas formas de modelos computadorizados e algoritmos, possibilita às cidades criar modelos previstos de forma a tomar decisões informadas e actuar em tempo útil, e conjuntamente com a análise avançada, armazenamento e poder computacional cada vez maiores, esses novos modelos podem converter os gigantescos volumes de dados em inteligência para criar modelos de acção. Nasce assim uma nova geração de soluções que aproveitam os instrumentos, a interligação e as capacidades inteligentes e que pode ser aplicada a quase todos os sistemas centrais da cidade, e têm a capacidade de lançar luz sobre as interacções entre os diferentes sistemas, e dar aos governantes um melhor entendimento do que está a acontecer nas cidades, de forma a que actuem com mais eficiência e apresentem melhores resultados. A aproximação mais inteligente para que uma grande cidade planeie uma melhoria contínua dos seus sistemas e qualidade de vida dos seus residentes começa pelo desenho de um roteiro que engloba o desenvolvimento de uma estratégia de longo prazo e metas de curto prazo; priorizar e investir em alguns sistemas escolhidos que terão maior impacto; integrar os sistemas para melhorar a experiência dos residentes e a eficiência; optimizar serviços e operações; descobrir novas oportunidades de crescimento e optimização.
O desenvolvimento de uma estratégia urbana é o passo mais difícil e de primordial importância para que uma cidade possa vir a ser considerada de inteligente. A estratégia ajudará a decidir onde e quando investir, articulará os pilares fundamentais e o retorno sobre o investimento e auxiliará a definir o calendário para a integração de todos os sistemas. Existe a necessidade de uma avaliação prévia dos sistemas que devem ser adaptados tendo em consideração a visão da cidade e o impacto de factores externos; holística e compreensão de todos os sistemas; amplitude para entender como mudaria o desempenho ao introduzir soluções inteligentes e comparativas com respeito a outras cidades. A avaliação deverá adaptar-se à visão da cidade e ao impacto de factores externos. Deve ainda considerar que as cidades têm diferentes visões e prioridades para atingirem os seus objectivos. A forma de cumprir com esse requisito passa pela existência de uma metodologia onde os diferentes critérios tenham valores de acordo com as prioridades.
Se a preocupação imediata é converter a cidade em local global para a inovação, as indústrias de alta tecnologia e as criativas darão a maior importância aos factores relacionados com aptidões e ambiente empresarial Se uma cidade, por exemplo, quiser reduzir a sua pegada de carbono terá que atribuir maior importância aos factores que tem efeito imediato sobre as emissões de dióxido de carbono, bem como o tipo e qualidade da energia, a infra-estrutura e o uso energético do sistema de transportes. Se a preocupação imediata é converter a cidade em local global para a inovação, as indústrias de alta tecnologia e as criativas darão a maior importância aos factores relacionados com aptidões e ambiente empresarial. A avaliação deveria ademais adoptar uma visão totalizadora da cidade. Os sistemas urbanos interactuam entre si, afectando-se mutuamente, pelo que as alterações num sistema invariavelmente afectarão outros. A avaliação deve assim, considerar a totalidade da estrutura da cidade. A avaliação deveria ser abrangente e medir o progresso
de todos os sistemas. Por definição, uma avaliação de cidade inteligente deveria ter como ambição entender como os sistemas individuais poderiam transformar-se quando se aplicam soluções inteligentes. É possível especificando os critérios e variáveis relevantes para os requisitos de cada sistema, sua gestão, uso de soluções e os resultados que se esperam. A avaliação, por último, deveria ser comparativa, tendo as outras cidades como pontos de referência. Eleger cidades adequadas como pontos de referência, cidades que compartilham características, desafios e prioridades pode trazer conhecimentos valiosos extraídos das experiências de outros servidores públicos e das suas comunidades. As cidades continuam a desenvolver-se e a aperfeiçoar as suas metas económicas e sociais e as estratégias para as atingir. Afim de aproveitar estes métodos inteligentes que ajudam a levar por diante essas estratégias, as autoridades urbanas e toda a comunidade devem entender qual é o funcionamento da cidade, onde se realizam progressos ao introduzir inteligência nos seus sistemas. A capital do estado brasileiro de Paraná é considerada um modelo de sustentabilidade, progresso ambiental e qualidade de vida. As inovações da cidade nestas áreas foram realizadas ao abrigo do “Plano Director de Curitiba”, adoptado em 1968 e que teve controlos rigorosos em termos de expansão urbana, redução de trânsito no centro da cidade e preservação da sua zona histórica. As inovações em transportes públicos incluem uma “Rede Integrada de Transportes”, com autocarros articulados e biarticulados que circulam em faixas ou corredores exclusivos com alta-frequência. O sistema foi copiado por cidades como a Guatemala, Los Angeles e Kuala Lampur. Curitiba tem 1,5 milhões de carros em circulação, mas mais de 70 por cento da população escolhe a rede integrada de autocarros colectivos, único sistema de transportes públicos que tem uma frota de 2,6 mil autocarros, cuja prioridade são os autocarros biarticulados. Estes autocarros com uma capacidade que pode ir até aos 290 passageiros circulam a uma velocidade média de 70 km/h em faixas ou corredores exclusivos desenhados para permitir uma frequência adequada à procura dos utentes. Curitiba é considerada a capital ecológica do Brasil, tendo como prioridade a preservação dos seus espaços verdes. Os residentes plantaram 1,7 milhões de árvores nas ruas. A cidade adoptou soluções criativas para os problemas das inundações que a atormentavam, canalizando as águas pluviais para novos lagos e parques. A cidade brasileira é considerada um dos melhores exemplos de planeamento urbano do mundo tendo a UNESCO recomendado como modelo para a reconstrução das cidades afegãs destruídas depois da invasão americana em 2001, cada vez mais arruinadas.
opinião 23
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ISABEL CASTRO
isabelcorreiadecastro@gmail.com
contramão
INGMAR BERMAN, A FONTE DA VIRGEM
Os bárbaros
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ÓS bem queríamos, alguns de nós até lutam muito para que isso aconteça, mas não somos todos iguais. A partir do momento em que nos cortam o cordão umbilical e nos deixam sozinhos, deixamos de ser iguais uns aos outros, até que a morte nos volta a unir, na solidão que a morte representa. Pelo meio, estamos longe de ser todos iguais. Bem queríamos que assim fosse, mas o mundo não se dá bem com igualdades – encanta-se com as boas diferenças e alimenta-se das más, das que suga, das que não fazem falta. O caso ainda vai dar muito que escrever e, até prova em contrário, não há culpados, que só aos tribunais compete determinar quem pecou. Mas vamos imaginar que Erwiana Sulistyaningsih está a contar a história dela timtim por timtim, tal qual ela se passou. Vamos imaginar que Erwiana – a miúda indonésia de 23 anos que diz ter sido espancada durante meses pela patroa
O senhor que quer autocarros só para residentes e a menina que se queixa do espaço que os não-residentes ocupam na via pública são boas achas para as fogueiras privadas onde lentamente ardem as Erwianas. Não me digam que exagero, porque não, não é um exagero em Hong Kong – é um caso abstracto, um exemplo daqueles que a Amnistia Internacional usou para denunciar, há um par de meses, situações de escravatura na região aqui ao lado da nossa. Erwiana saiu da Indonésia no ano passado, para ser empregada doméstica numa cidade que não dá liberdade às empregadas domésticas não-residentes para poderem dormir onde bem entendem – são obrigadas a viver em casa de quem lhes dá trabalho. Não sei se Erwiana tinha família ou amigos em Hong Kong. Não sei do grau de honestidade da agência que lhe arranjou o emprego em Hong Kong. Só sei que Erwiana chegou a
Hong Kong com a mesma expectativa de todos os emigrantes: a de ter uma vida melhor. Erwiana voltou para casa com o sonho desfeito. E com o corpo também. Erwiana não é igual a outras empregadas com melhor sorte. E não é igual à patroa, a doméstica detida pela polícia quando se preparava para ir até à Tailândia, onde o tempo é mais ameno por estes dias. Erwiana não tem um milhão de dólares de Hong Kong. A Amnistia Internacional diz que há muitas Erwianas aqui ao lado. Sobre Macau a Amnistia Internacional não disse nada, mas acredito que haja algumas. Apesar de, por cá, as empregadas domésticas não serem
obrigadas a dividir tecto com os patrões – o que, em situações de abuso, lhes dará, à partida, mais acesso a informação sobre os seus direitos e sobretudo menos solidão –, todos nós sabemos que há quem maltrate quem lhe trata dos filhos. E quem lhes passeia os cães. Somos todos diferentes mas há pessoas mais iguais em todos os lados. E todos nós sabemos que a tortura veste muitas roupas, as agressões têm muitos formatos, os maus-tratos têm muitas maneiras de ser. Aqui, em Hong Kong, em Kuala Lumpur, em Doha e em todos os outros sítios que dependem fortemente de mão-de-obra importada não qualificada, mão-de-obra oriunda de países onde a miséria é muita, ao serviço de uma elite que nunca lavou um prato. De Hong Kong chegam promessas de justiça e o Governo de lá até já veio dizer que os direitos das empregadas domésticas são para fazer valer. Que o caso de Erwiana não é para ser repetido – como se só houvesse uma Erwiana, como se Erwiana fosse sinónimo de uma realidade até agora totalmente desconhecida. Ninguém parece acreditar nas promessas do Governo de lá, atolado com os problemas de lá para resolver – Erwiana será apenas Erwiana, a miúda de 23 anos que saltou para as notícias para originar uma detenção, um certo desconforto diplomático e a uma manifestação de milhares de empregadas domésticas que lutam por justiça para as Erwianas que elas também são. Todas diferentes. Por cá, ouvem-se cada vez mais discursos perigosos para as Erwianas deste mundo – que o caso sirva para pensar. O senhor que quer autocarros só para residentes e a menina que se queixa do espaço que os não-residentes ocupam na via pública são boas achas para as fogueiras privadas onde lentamente ardem as Erwianas. Não me digam que exagero, porque não, não é um exagero – é com este tipo de atitudes que começa a diferença má com que o mundo se alimenta. É a história – aquela que é cíclica e que não se ensina nas escolas de Macau – que nos explica como é que se constroem os universos onde somos todos infelizmente muito diferentes uns dos outros. É a história que nos diz que as estrelas não são todas iguais – não são todas sinónimo de fama nem de very-very-important-person. Um dia destes, esquecemo-nos todos de Erwiana – até os jornais nos informarem, daqui a um ano ou dois, que a patroa de Erwiana foi condenada a dez, 15 ou 20 anos de prisão. Depois, esperamos mais um par de anos para que surja outra Erwiana. Pelo meio, outros bárbaros vão propor outras barbaridades para que quem já é diferente o seja ainda mais. Não, não somos todos iguais.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau sexta-feira 24.1.2014
Eduardo Lourenço defende Constituição
O pensador Eduardo Lourenço defendeu que só o respeito pela Constituição é consentâneo com a indignação dos portugueses que estão a sofrer, recusando «movimentos descontrolados» ou uma «nova revolução». O pensador disse compreender «perfeitamente» as «reacções de indignação, de sofrimento, ao que se está passar, sobretudo, sofrimento pessoal de uma parte da população mais afectada». «Penso que só o respeito dessa mesma Constituição e do seu espírito é que é consentâneo com essa indignação», afirmou aos jornalistas. «Não penso que seja esperado movimentos incontrolados, nova revolução, s desse género, neste momento, porque a Europa não está vivendo nesta perspectiva. E mais, já é uma coisa extraordinária que Portugal possa manter o essencial das conquistas de Abril, que é ideia de democracia e aquilo a que ela obriga», sublinhou. «Os custos dessas aventuras são sangrentos, difíceis», afirmou, referindo que não é possível antecipar «como acabam».
Justiça nega ‘habeas corpus’ a general angolano
A Justiça brasileira negou um pedido de cancelamento de mandado de prisão preventiva para o general angolano Bento dos Santos “Kangamba”, solicitado em 17 de janeiro, informou a assessoria do Tribunal responsável. Bento dos Santos responde num processo por crime de associação criminosa, favorecimento da prostituição, tráfico internacional de pessoas e cárcere privado. O general foi considerado o principal financiador de uma rede de tráfico de mulheres brasileiras levadas para Angola. O pedido de ‘habeas corpus’, na prática, pede que seja cancelado o pedido de prisão preventiva contra o general angolano, expedido pela Polícia Federal brasileira e incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. A investigação aponta que os suspeitos movimentaram cerca de 45 milhões de dólares em seis anos de actividade ilegal.
Islamitas de todo o mundo, uni-vos
O líder da Al-Qaida, Ayman alZawahiri, pediu o fim dos combates entre islamitas para derrubar o regime sírio, numa mensagem de áudio divulgada esta noite na Internet. Dirigindo-se a «todos os grupos jihadistas e a todo o homem livre que procura derrubar o regime de Assad», o chefe da Al-Qaida exortou-os a «parar imediatamente os combates entre irmãos», na mensagem divulgada no YouTube.
cartoon
GUERRA DE CORRUPÇÃO NA CHINA
por Stephff
XI XINPING NOMEIA GRUPO PARA REFORMAR
Próximos, muito próximos O Presidente chinês, Xi Jinping, nomeou o primeiro-ministro e outros dois membros do maior órgão de poder do governo para integrar o grupo encarregado de realizar as reformas económicas e sociais anunciadas em Novembro. A decisão, anunciada ontem pela imprensa oficial chinesa, é um sinal da importância e da urgência que o governo outorga às reformas ao integrar no grupo
os mais altos representantes do Executivo chinês. Além do primeiro-ministro, Li Keqiang, estão no grupo para as reformas Liu Yunshan, líder com um perfil mais reformista do comité permanente, e Zhang Gaoli, especialista em economia e na vizinha Coreia do Norte. Xi Jinping designou também subgrupos para se centrarem em seis categorias da reforma: económicas e ecológicas, culturais, democráticas, sociais, reforço
do partido e de disciplina de formação. Entre as reformas acordadas pelos líderes do Partido Comunista Chinês, em novembro, estão a abolição dos campos de reeducação, a política do filho único e a decisão de eliminar os monopólios em áreas tão importantes como a energia e caminhos de ferro. Além disso, pretende-se permitir a entrada de mais capital privado e aumentar a criação de bancos comerciais de pequeno e médio porte que não sejam estatais. A urgência nas reformas tornou-se evidente após segunda-feira, quando foi anunciado que o PIB da China cresceu 7,7% em 2013, a taxa mais baixa em 14 anos, o que levou o governo a tomar medidas para transformar o modelo económico baseado nas exportações para outro orientado ao consumo interno.
ÍNDIA CONSELHO LOCAL ORDENA VIOLAÇÃO COLECTIVA
Doze indomáveis patifes U MA indiana de 20 anos foi vítima de uma violação colectiva levada a cabo por 12 homens sob a ordem de um conselho de uma localidade no leste da Índia para punir uma relação amorosa, informou ontem a polícia. O conselho local ordenou a punição na noite de terça-feira, durante uma reunião de emergência em Subalpur, localidade de Bengala ocidental, a 240 quilómetros a oeste de Calcutá, depois de a jovem ter
sido descoberta, na segunda-feira, com um homem de outra comunidade e de os seus pais terem-se declarado incapazes de pagar a multa imposta. A jovem e o amante foram amarrados a duas árvores durante a reunião na praça da localidade. A polícia deteve 12 pessoas pela agressão, disse o responsável pela polícia dessa região, C. Sudhakar, citado pela agência AFP. A jovem foi hospitalizada.
Grávida caminha nove dias sob -35°C
Uma mulher grávida de Ladakh, no norte da Índia, teve de caminhar 72 quilómetros junto com a sua família para poder dar à luz ao seu segundo filho. A travessia durou nove dias no total e a família teve de suportar um frio extremo de até -35°C. Durante a aventura, tiveram de atravessar o rio Chadar, que fica a mais de 3.000 metros de altitude e estava congelado. Para dormir, o grupo procurava cavernas nas montanhas durante a noite para suportar o frio. Toda a aventura teve de ser repetida depois de a mulher ter o seu filho num hospital na cidade de Lingshed, já que a família precisou de voltar para Ladakh pelo mesmo caminho. Parte da travessia da família de oito pessoas foi registada pelo fotógrafo islandês Tim Vollmer, que estava na região. «Para mim, é incrível como é fácil e quanta ajuda conseguimos no mundo ocidental para dar à luz em comparação com o que acontece aqui», afirmou.
Kate Perry pediu a Deus seios grandes...
A cantora revelou que, quando era ainda uma menina, pedia a Deus que lhe desse seios grandes. «Aos 11 anos, Ele respondeu às minhas preces», disse. «Uma noite estava deitada de costas e olhei para os meus pés e rezei a Deus. Disse «Deus, por favor dá-me seios tão grandes que eu não consiga ver os meus pés quando estiver deitada». Aos 11 anos, Deus respondeu às minhas preces», contou. A voluptuosa cantora garante que nunca fez qualquer cirurgia plástica. «Nada. Nem ao nariz, nem ao queixo, nem às maçãs do rosto, nem ao peito». Na entrevista, Katy Perry contou ainda que perdeu a virgindade aos 16 anos, num automóvel, ao som de «Grace», de Jeff Buckley.