Nº 4859 DAVID VEKSLER
QUINTA-FEIRA 23-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
JOE KASINSKAS
MOP$10
CÓDIGO DE SAÚDE
AS VOLTAS DO SISTEMA PÁGINA 5
DRONES
hoje macau
O fundo a seus pés www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau
PATACAS PELOS ARES PÁGINA 7
FRANK HAVERMANS
A MONTRA URBANA
ANABELA CANAS
EVENTOS
EM PROFUNDIDADE ANABELA CANAS
MATAR O TEMPO
NUNO MIGUEL GUEDES
O gigantesco grupo imobiliário Evergrande está à beira da falência. A empresa chinesa acumula dívidas que rondam os 300 mil milhões de dólares americanos, um número cinco vezes superior à dívida do Lehman Brothers, aquando do seu colapso. Analistas temem o impacto da queda na economia chinesa e mundial. GRANDE PLANO
2 grande plano
EVERGRANDE
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POTENCIAL FALÊNCIA PODE LEVAR A UMA NOVA CRISE SISTÉMICA
Com pés de barro O gigante chinês do sector imobiliário Evergrande Real Estate Group acumulou um passivo preocupante, com uma dívida cinco vezes superior à do banco de investimento Lehman Brothers em 2008, quando caiu. Economistas alertam para os muitos tentáculos do grupo empresarial na economia chinesa e para o potencial impacto a nível mundial e local
23.9.2021 quinta-feira
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Á 13 anos os mercados financeiros entravam em pânico com a crise do subprime nos EUA. A queda do banco Lehman Brothers acabaria por rebentar numa enorme crise económica com repercussões mundiais, mas desta vez a bolha parece estar a rebentar deste lado do mundo. Nos últimos tempos multiplicam-se as notícias do passivo estrondoso, e do consequente perigo de falência, do gigante imobiliário chinês Evergrande, que tem uma dívida na ordem dos 300 mil milhões de dólares americanos, cujos juros vencem esta semana, valor cinco vezes maior do que o Lehman Brothers devia em 2008. Esse montante é ainda sete vezes superior ao que os bancos de Macau ganharam no seu melhor ano em termos de receitas, 2013. Outro dos aspectos que têm vindo a lume são as dívidas a empreiteiros e fornecedores de um grupo que, nos últimos anos, se dedicou a outras áreas de actividade que não apenas o imobiliário, incluído
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produtos de investimento. E esse pode ter sido o seu principal erro. Com sede em Shenzhen e listado na bolsa de valores de Hong Kong há mais de uma década, o grupo Evergrande depara-se hoje com um enorme problema por resolver que pode causar um impacto em cadeia na economia chinesa. O portal chinês Caixin, na edição de segunda-feira, falava de uma crise parecida com a queda do Lehman Brothers e referiu que nos últimos dois meses centenas de pessoas têm reclamado o dinheiro a que têm direito no 43º andar do Zhuoyue Houai Center, em Shenzhen. Segundo o jornal The New York Times (NYT), as palavras de ordem são o espelho da revolta dos lesados. “Evergrande, devolvam o
iria abalar a campanha de disciplina financeira no sector imobiliário.”
Um risco “sistémico”
Ao HM, o economista Albano Martins declarou que a crise não surgiu com a pandemia, mas é “sistémica”. O grupo “cresceu, entrou para outros mercados e o seu negócio não produziu liquidez suficiente para pagar as dívidas a tempo. Tem vindo a recorrer à emissão de dívida pública, que nem tão pouco é garantida.”
“Desconfio que a bolha imobiliária na China não começa e acaba no grupo Evergrande. Só se fosse ingénuo.” ANTÓNIO FÉLIX PONTES ECONOMISTA
O seu “crescimento fortíssimo”, com aposta em várias áreas que nem sempre o grupo dominou, pode levar agora a uma crise “com um risco sistémico” na economia chinesa. “A China cresceu muito desde 1989 e a explosão da economia fez-se muito à base do investimento em imobiliário. Esta foi uma das grandes empresas que contribui para a explosão do PIB. O regulador [Banco Central Chinês] sabe que se houver incumprimento, e se gerar pânico, espalha-se a todo o sistema chinês e também lá fora”, acrescentou o economista. Apesar das comparações com a crise do subprime serem imediatas, a economia chinesa não tem o mesmo posicionamento que a economia norte-americana tinha em 2008. “A China vai ter de se habituar a viver à custa de uma economia que é de mercado”, comenta. O economista António Félix Pontes, que exerceu funções de direcção e administração na Autoridade Monetária e Cambial de
Macau, acredita que as autoridades chinesas não vão deixar que esta crise se transforme num caos financeiro e económico. “‘A Evergrande’ é dos casos que podemos tipificar como ‘Too big too fail’, mas, neste momento, todas as hipóteses estão em aberto. A intervenção das autoridades de supervisão chinesas tarda, o que está a criar sentimentos de pânico entre os clientes, investidores e demais credores, situação que se deveria conter.” Félix Pontes está, no entanto, “convencido” de que “ainda há tempo para reverter a situação com a reestruturação da dívida [do grupo], o que implicará a injecção de fundos colossais”. O grupo “terá, em contrapartida, de ceder terrenos, edifícios e outros activos relevantes”, aponta. “Só assim se salvará [a empresa] do desastre financeiro para que está destinada. No entanto, desconfio que a bolha imobiliária na China não começa e acaba no grupo Evergrande. Só se fosse ingénuo”, revela ainda o economista.
HK e Macau, que impacto?
Albano Martins não sabe até que ponto o risco de falência do gigante imobiliário pode ter repercussões em Macau. Desconhece-se a penetração dos bancos locais nesta rede e não existe uma bolsa de valores como em Hong Kong. No entanto, a situação “pode afectar os bancos que estejam em Macau”, já que, mesmo que não tomem os activos das empresas de outros sectores, podem emprestar dinheiro ou colocar as suas obrigações no mercado.
“A Evergrande’ é dos casos que podemos tipificar como ‘Too big too fail’, mas, neste momento, todas as hipóteses estão em aberto. A intervenção das autoridades de supervisão chinesas tarda, o que está a criar sentimentos de pânico.” ANTÓNIO FÉLIX PONTES ECONOMISTA
A queda do grupo, a concretizar-se, terá “efeitos nefastos nos mercados imobiliário e financeiro da China e de Hong Kong, e o fenómeno de contágio para outras economias, incluindo Macau, tem alto grau de ocorrer”, alertaAntónio Félix Pontes. A nível local “estamos a viver um período de grande instabilidade financeira com a elevada quebra na cotação das acções das operadoras de jogo, e agora com uma eventual crise imobiliário e financeira regional”, rematou.
SOFIA MARGARIDA MOTA
A Evergrande disse ontem ter chegado a acordo com os detentores de obrigações para evitar o incumprimento de uma das suas dívidas. Numa declaração à Bolsa de Shenzhen, o grupo afirmou que uma das suas filiais, Hengda Real Estate, tinha negociado um plano de pagamento de juros sobre uma obrigação com vencimento em 2025. Segundo a Bloomberg, Evergrande reembolsa hoje 232 milhões de yuan da dívida devida sobre a obrigação de 5,8 por cento, que se destina ao mercado obrigacionista doméstico. Mas o gigante imobiliário baseado em Shenzhen está longe de estar fora de perigo, dado o montante total da sua dívida. Outros reembolsos são devidos hoje e o grupo ainda não disse como planeia cumpri-los.
dinheiro que ganhei com sangue e suor!”, gritavam alguns dos presentes. A 14 de Setembro, o NYT noticiou que o grupo imobiliário admitiu enfrentar uma “tremenda” pressão financeira, tendo já contratado especialistas para “explorar todas as soluções possíveis” para resolver o quebra-cabeças. No domingo, o diário noticiou que têm sido discutidas soluções para que o grupo devolva dinheiro investido pelos seus próprios funcionários. Jin Cheng, de 28 anos, disse ao jornal que investiu 62 mil dólares na Evergrande Wealth, o ramo do grupo dedicado a produtos de investimento. “Não temos muito mais tempo”, apontou. O grupo está ainda a tentar desfazer-se de 1,6 milhões de casas que tem em seu nome. O grupo emprega hoje 200 mil trabalhadores directos e dá também trabalho, de forma indirecta, a 3,5 milhões de pessoas. Analistas ouvidos esta terça-feira pelo South China Morning Post garantem que o grupo pode começar a liquidar alguma da sua dívida a partir de hoje, apesar de ser “pouco provável” que isso aconteça. Matthew Chow e Christopher Yip, analistas da Standard and Poor’s Global Ratings, não acreditam na intervenção estatal. Pelo menos, para já. “Não esperamos acções governamentais para ajudar a Evergrande a não ser que haja risco sistémico de instabilidade. Um resgate por parte do Governo
GONÇALO LOBO PINHEIRO
PAGAR OBRIGAÇÕES
grande plano 3
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“A China cresceu muito desde 1989 e a explosão da economia fez-se muito à base do investimento em imobiliário. Esta foi uma das grandes empresas que contribui para a explosão do PIB.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA
Rose Lai, docente da Universidade de Macau e especialista na área do imobiliário, defende que o mercado “será ligeiramente afectado devido à venda das casas com grande desconto para que haja saída de dinheiro. Propriedades semelhantes poderão ser afectadas e, consequente, os preços podem baixar um pouco, mas provavelmente não muito”.
EUA prontos a reagir
Na segunda-feira as bolsas registaram com quebras significativas, mas questionada sobre estas inquietações, a porta-voz do presidente dos EUA, Joe Biden, Jen Psaki, relativizou: “Trata-se de uma empresa chinesa, cujas actividades estão sobretudo concentradas na China”. Mas acrescentou: “Dito isto, acompanhamos sempre os mercados mundiais, incluindo a avaliação de todos os riscos para a economia dos EUA e estamos prontos a reagir de maneira apropriada, se necessária”. Para Karl Haeling, do LBBW, “o risco de contágio só existe se as autoridades chinesas deixarem a Evergrande cair totalmente na falência, mas isto não faz sentido para a China, dados os problemas internos e os cortes de emprego que isso ia causar”. Além do receio de um efeito dominó, outros factores enervaram os investidores, num panorama de instabilidade, avançou Gregori Volokhine, da Meeschaert Financial Services. “Não estou convencido de que a China, um país comunista, intervencionista, deixe cair a Evergrande. Para mim, os ventos contrários ao mercado vêm nitidamente de Washington", contrapôs o analista, citando o impasse sobre a subida do limite da dívida pública dos EUA, “que se tornou uma questão política”. Andreia Sofia Silva
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CAEAL AU KAM SAN ATACA JUSTIFICAÇÕES PARA A ABSTENÇÃO
Para a posteridade
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SOFIA MARGARIDA MOTA
Na óptica de Au Kam San, o facto de a CAEAL ter apontado a pandemia e o mau tempo como razões para a abstenção histórica nas últimas eleições é “ridiculamente ingénuo”. O ainda deputado refere também que os 200 mil potenciais eleitores que estão fora de Macau já existiam em 2017 ainda deputado Au Kam San considerou que a fraca participação da população nas últimas eleições legislativas se materializou num “resultado humilhante” para o Governo e que a explicação apresentada pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) é “ridícula”, perante o caso de exclusão de deputados. Numa publicação no Facebook, Au Kam San defendeu que o facto de o presidente da CAEAL, Tong Hio Fong, ter justificado a elevada taxa de abstenção com o mau tempo e a impossibilidade de eleitores de Taiwan e Hong Kong virem a Macau, teve como principal objectivo firmar um discurso oficial, que irá constar no relatório sobre as eleições e servir de referência para a posteridade. Sobre os eleitores além-fronteiras, o deputado é peremptório em dizer que, apesar de efectivamente existirem 200 mil residentes fora de Macau, esta é uma falsa questão. Sobretudo, tendo em conta que o número não se alterou desde as últimas eleições de 2017 e que a consciência cívica dos residentes nunca foi elevada. “É fácil aceitar a alegação de que quase 200 mil residentes não vivem em Macau. No entanto, será que isso justifica a
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“Caso estas pessoas [estudantes] não tenham regressado a Macau para votar devido à pandemia, o impacto seria apenas de alguns milhares, facto que não é proporcional às mais de 40 mil pessoas que não votaram desta vez”, apontou. Recorde-se que entre os 323.907 eleitores inscritos, apenas 137.281 foram às urnas, o que representou uma taxa de participação de 42,38 por cento e de abstenção de 57,62 por cento. Mesmo entre participantes, contaram-se 3.141 votos em branco e 2.082 nulos, que somados representaram 3,8 por cento de todos os votos. Relativamente ao facto de o calor extremo e de as tempestades sentidas durante a tarde do dia eleitoral terem sido apontados como outro dos factores para a fraca participação da população, Au Kam San lembra que as eleições para a Assembleia Legislativa “sempre aconteceram em Setembro”.
“Como juiz, Tong Hio Fong tem a responsabilidade de salvaguardar a dignidade e a credibilidade dos magistrados de Macau.” AU KAM SAN DEPUTADO
argumentação do juiz Tong de que muitos ficaram impedidos de voltar a Macau para votar devido à pandemia? Claro que não, porque desde há muitos anos que estes residentes não vivem permanentemente em Macau e a sua
consciência cívica não é tão forte assim”, pode ler-se na publicação.
Gatos pingados
Au Kam San aponta ainda que o universo em questão, incluindo residentes que estudam no Interior
da China ou em Taiwan, é “insignificante”, dado que está longe dos 40 mil votantes que houve a menos, comparativamente com o sufrágio de 2017. Até porque o número de eleitores inscritos cresceu desde essa altura.
“Será que em 2017, os cerca de 170 mil eleitores que foram às urnas não tiveram calor? Quanto à chuva que caiu durante alguns minutos a meio do dia, é ridiculamente ingénuo dizer que os eleitores não votaram devido ao mau tempo. Como juiz, Tong Hio Fong tem a responsabilidade de salvaguardar a dignidade e a credibilidade dos magistrados de Macau”, rematou. Pedro Arede
COOPERAÇÃO HO IAT SENG EM CHENGDU PARA DISCUTIR INTEGRAÇÃO
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Chefe do Executivo vai estar entre hoje e terça-feira na cidade de Chengdu, na Província de Sichuan, para participar na Reunião Conjunta das Lideranças Executivas no contexto da Cooperação Regional do Pan-Delta do Rio das Pérolas. Este ano, a reunião conjunta tem como tema: “aprofundar a abertura e cooperação da região do Pan-Delta do Rio das Pérolas e acelerar a integração na nova conjuntura do desenvolvimento”. Na mesma deslocação, Ho Iat Seng vai participar ainda na Reunião de Cooperação entre Sichuan e Macau, que segundo o Gabinete de Comunicação Social vai servir para “discutir assuntos de interesse comum”, que não foram detalhados. O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong vai acompanhar esta parte da visita do Chefe do Executivo. Depois de Sichuan, Ho segue para Xian, onde também vai ter encontros com representantes provinciais e das cidades locais. Um dos pontos altos da deslocação é a presença na cerimónia de encerramento dos 14º Jogos Nacionais, a 27 de Setembro. Na deslocação a Xian, Lei Wai Nong deixa a comitiva e é substituído por Elsie Ao Ieong U, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Durante a ausência do Chefe do Executivo, o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, exercerá, interinamente, as funções de líder do Governo. J. S. F.
Eleições Última Instância reconhece resultados
O Tribunal de Última Instância reconheceu na terça-feira os resultados das eleições de 14 deputados pela via directa e 12 pela via indirecta. A decisão foi tomada depois de não ter recebido qualquer recurso por parte dos participantes no acto eleitoral. A informação foi avançada na terça-feira, através de um comunicado do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância. Os resultados vão agora ser publicados no Boletim Oficial, o que deverá acontecer hoje.
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política 5
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CÓDIGO DE SAÚDE ALVIS LO ADMITE MÉTODO QUE RECORRE AO BILHETE DE IDENTIDADE
Um sistema unificado O Director dos Serviços de Saúde não descarta a introdução do sistema do Interior da China para gerar códigos de saúde através da leitura do bilhete de identidade. Segundo Alvis Lo, a regulamentação em termos de dados pessoais requer um estudo “mais aprofundado”
Onde há fumo
A
União Geral das Associações dos Moradores de Macau defendeu a promoção das medidas de segurança contra incêndio, após o fogo de terça-feira que afectou um restaurante no edifício San Mei On, no norte da península. A mensagem foi deixada por Chao I Sam, directora da Delegação da Zona Norte da associação tradicional, citada pelo jornal Cheng Pou. Na terça-feira um incêndio deflagrou num restaurante na zona norte da cidade, e apesar do fumo e da retirada de oito trabalhadores e 30 residentes do edifício, não houve registo de feridos. O Corpo de Bombeiros apontou como causa o sobreaquecimento do exaustor, que se terá incendiado. Além disso, acredita-se que contribuiu igualmente a falta de manutenção da chaminé, que teria acumulado gorduras e outras sujidades. Para Chao I Sam, o fogo de terça-feira mostrou que existe na comunidade uma falta de alerta para as questões da segurança contra incêndio, principalmente no sector da restauração e no que diz respeito a comportamentos de prevenção. Por outro lado, a responsável dos Kaifong apontou a falta de medidas de prevenção, aliada a negligência nas cozinhas dos restaurantes, por desconhecimento das práticas mais seguras. A responsável sublinhou que os dois factores podem ser uma ameaça não só para os trabalhadores e clientes dos restaurantes, mas também para toda a comunidade, principalmente quem vive em edifícios com estabelecimentos de restauração nos pisos térreos.
Mais campanhas
Para Chao I Sam, a principal causa de incêndios nos restaurantes de Macau é a negligência dos trabalhadores quando estão na cozinha e ainda a acumulação de gorduras nas condutas de exaustão de fumo. Sobre este último aspecto foi apontado que as gorduras e sujidade criam condições ideais para que os equipamentos comecem a arder durante a confecção de refeições. Neste cenário, Chao I Sam sugere que o Governo aumente as acções de promoção das medidas de segurança, com especial foco na indústria. Entre as informações consideradas essenciais, a directora da Delegação do Norte indicou a necessidade de ensinar as formas correctas de instalar e utilizar botijas de gás, medidas de prevenção de incêndios, conhecimentos de combate a incêndio, e ainda melhoria das práticas na cozinha. João Santos Filipe
HOJE MACAU
Kaifong apela à segurança após incêndio em restaurante
primeiro dia do plano de testagem em massa da população, Alvis Lo Iek Long explica que, na base do problema, está o facto de o sistema ter acolhido “diversas funções” além da sua função original. Para evitar falhas no futuro, o director dos SSM referiu que vai ser criado um sistema de backup para garantir o normal funcionamento do sistema. “Em comparação com a concepção inicial, o âmbito de aplicação está mais alargado e com maior volume de dados. Para evitar eventuais falhas no código de saúde vai ser criado no centro de dados da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública um sistema de backup do código de saúde, para manter o funcionamento normal do sistema”, partilhou. Sobre o caso, o Chefe do Executivo Ho Iat Seng apresentou, na altura do novo surto, “sinceras desculpas” pelas falhas, afirmando que a culpa foi da actualização do sistema para acolher a obrigatoriedade de apresentar um teste de ácido nucleico com a validade de 12 horas (em vez de 24 horas) para sair de Macau. Pedro Arede
PUB.
Alvis Lo Iek Long, director SSM “Tendo em consideração a regulamentação na área de interligação de dados pessoais, é necessário um estudo mais aprofundado”
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M resposta a interpelação escrita de Ella Lei, o director dos Serviços de Saúde (SSM), Alvis Lo Iek Long, não descartou introduzir em Macau um sistema usado no Interior da China a partir da leitura do bilhete de identidade dos residentes. Este sistema prescinde o uso do telemóvel para gerar códigos de saúde e outras informações pessoais relacionadas com a pandemia de covid-19. Contudo, apesar de afirmar que o território “dispõe das capacidades técnicas necessárias”, o responsável apontou que a regulamentação em termos de dados pessoais impõe um estudo mais aprofundado. “No que concerne a uma eventual imitação da metodologia usada no Interior da China, ou seja, através de leitura do bilhete de identidade, revelar informações relacionadas com a prevenção epidémica, embora Macau disponha das respectivas capacidades técnicas, tendo em consideração a regulamentação na área de interligação de dados pessoais, é necessário um estudo mais aprofundado”, pode ler-se na resposta assinada pelo director dos SSM.
Na interpelação, Ella Lei apontou como exemplo o sistema introduzido nas estações ferroviárias da China Railway Guangzhou Group, que prescinde da utilização do telemóvel e permite também a apresentação do passaporte, títulos de residência de Hong Kong, Macau e Taiwan e salvo-conduto. “Os passageiros não precisam de telemóvel, basta o scan do bilhete de identidade, e em dois segundos, o código verde de saúde, o resultado do teste de ácido nucleico realizado nas últimas 48 horas, as datas da vacinação e outras informações relacionadas com a epidemia aparecem no ecrã do computador”, partilhou a deputada. Recorde-se que no Interior da China o código de saúde pode ser gerado através de um miniprograma aberto por meio da aplicação móvel WeChat e que, além de preocupações generalizadas ao nível da protecção de dados pessoais, deixou de fora cidadãos sem telemóveis ou que não sabiam utilizá-los.
Mais garantias
Relativamente às falhas registadas no sistema de código de saúde de Macau no
Economia GIF fez workshop sobre activos virtuais O Gabinete de Informação Financeira (GIF) organizou um workshop com a participação do Ministério Público, Polícia Judiciária, Autoridade Monetária de Macau e Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos sobre o conceito de activos virtuais, quadro legal e avaliação de riscos.
O workshop contou com a participação, através de plataformas online, de peritos internacionais e, de acordo com o comunicado do GIF, foi considerado bem-sucedido, a nível da implementação dos padrões internacionais dos activos virtuais e desafios de supervisão.
AVISO N.º 137/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:-------------------------------------------------------- 1. Mandado de Notificação n.° 827/AI/2021: WU QINGMING, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° CA5023xxx e portador do Passaporte da RPC n.° EF4127xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 306/DI-AI/2019 levantado pela DST a 09.11.2019, e por despacho da signatária de 06.09.2021, exarado no Relatório n.° 898/DI/2021, de 24.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Beco da Perola n.° 110-B, Caesar Fortune, 3.° andar P onde se prestava alojamento ilegal.----------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 832/AI/2021: XUE HAIXIANG, portador do Passaporte da RPC n.° EG3421xxx e portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Taiwan n.° L15690xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 357/DI-AI/2019 levantado pela DST a 30.11.2019, e por despacho da signatária de 07.09.2021, exarado no Relatório n.° 904/DI/2021, de 25.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Roma n.° 96, Tong Nam A Fa Un (Tong Nam A Seong Ip Chong Sam) 4.° andar AI onde se prestava alojamento ilegal.---------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.--------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Setembro de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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TURISMO NÚMERO DE VISITANTES CAI QUASE PARA METADE EM AGOSTO
Na montanha russa
Devido ao surgimento do novo surto de covid-19 em Macau e consequente aumento de restrições, o número de visitantes no território em Agosto caiu 48,2 por cento em relação ao mês anterior. Ainda assim, em termos anuais, o número de visitantes cresceu 80,2 por cento
Segundo a DSEC, do total de 409.207 visitantes, a esmagadora maioria chegou do Interior da China (369.467). O número de visitantes oriundos das nove cidades da Grande Baía totalizou 226.453, dos quais 65 por cento eram originários de Zhuhai. Os números de visitantes de Hong Kong e de Taiwan corresponderam a 36.207 e 3.453, respectivamente. Quanto à via de entrada em Macau, 83,2 por cento entrou pelas Portas do Cerco. Por via aérea e por via marítima, chegaram 13.622 e 2.529 visitantes, respectivamente. Desde o início do ano, Macau registou pouco mais de cinco milhões de visitantes, quando em média entravam no território, cerca de três milhões por mês, no período pré-pandémico.
O território recebeu 409.207 visitantes no mês passado, contra os 789.407 de Julho PUB.
AVISO N.° 135/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:----------------------1. Mandado de Notificação n.° 771/AI/2021: LIANG HONGXIA, portadora do Passaporte da RPC n.° E99122xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 263.1/DI-AI/2019 levantado pela DST a 30.09.2019, e por despacho da signatária de 31.08.2021, exarado no Relatório n.° 835/DI/2021, de 02.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 341, Edf. Kam Yuen, 12.° andar C.------ 2. Mandado de Notificação n.° 812/AI/2021: LI KEYIN, portador do Passaporte da RPC n.° E61578xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 262/DI-AI/2019 levantado pela DST a 28.09.2019, e por despacho da signatária de 02.09.2021, exarado no Relatório n.° 881/DI/2021, de 17.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Praceta de Um de Outubro n.os 119-131-B, I Keng Kok, 5.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.---------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Setembro de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
AVISO N.° 136/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se as infractoras abaixo discriminados:----------1. Mandado de Notificação n.° 785/AI/2021: JIANG LINGQI, portadora do Passaporte da RPC n.° E37150xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 301/DI-AI/2019 levantado pela DST a 08.11.2019, e por despacho da signatária de 31.08.2021, exarado no Relatório n.° 851/DI/2021, de 09.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Kunming n.° 92, Phoenix Garden, 7.° andar H onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 828/AI/2021: SHI PEIHUA, portadora do Passaporte da RPC n.° E98696xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 325/DI-AI/2019 levantado pela DST a 14.11.2019, e por despacho da signatária de 06.09.2021, exarado no Relatório n.° 899/DI/2021, de 24.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Bruxelas n.os 168-170, Jardim Hang Kei, Bloco 4, 7.° andar T onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de dias, conforme disposto na alínea do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------Desta decisão pode as infractoras, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.-----------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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OMPARATIVAMENTE a Julho, o número de visitantes que entraram em Macau caiu quase para metade em Agosto, devido às restrições motivadas pela pandemia de covid-19, informou na terça-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Concretizando, a contar com o novo surto de covid-19 registado em Macau no dia 3 de Agosto, o território recebeu 409.207 visitantes no mês passado, contra os 789.407 de Julho, uma descida de 48,2 por cento. As autoridades justificaram a queda com o “reforço da inspecção exigida” nas fronteiras “na sequência dos casos confirmados locais” de covid-19, no início do mês passado. Recorde-se que os quatro novos casos detectados na sequência de uma estudante de Macau ter contraído a doença numa visita de estudo da Escola Hou Kong a Xi’an, resultaram na declaração do estado de prevenção imediata em Macau, na redução do prazo exigido dos testes de ácido nucleico para 12 horas ao cruzar a fronteira e no encerramento de espaços de diversão.
O cenário parece estar, contudo, a melhorar, dado que, aliado ao progressivo relaxamento das restrições, devido às festividades alusivas ao Bolo Lunar (Chong Chao), o CPSP anunciou que na terça-feira entraram em Macau mais de 49 mil visitantes. Há ainda expectativas elevadas para que os números atinjam novos patamares durante os feriados da semana dourada.
Subida anual
Apesar de o contexto não ser animador em termos mensais, num espectro mais alargado, o número de visitantes que vieram a Macau em Agosto de 2021 representa um aumento de 80,2 por cento relativamente a Agosto de 2020. Do total de visitantes de Agosto, o número de excursionistas (257.966) e turistas (151.241) cresceram, respectivamente, 64,9 por cento e 114,1 por cento. O período médio de permanência dos visitantes também cresceu, tendo-se situado em 1,6 dias, mais 0,7 dias, em termos anuais. Pedro Arede
Crime Detido por conduzir bêbedo
Um homem de 25 anos foi detido, depois de ter sido apanhado a conduzir sob o efeito do álcool. Segundo o Ou Mun, o condutor terá atingido com a sua viatura uma outra que estava parada num sinal vermelho, na Avenida Sun Yat Sen. Quando os dois condutores saíram das viaturas, o homem do veículo atingido por trás apercebeu-se que o outro condutor cheirava álcool e chamou as autoridades. No local, os agentes realizaram o teste do balão, que detectou uma taxa de álcool no sangue de 2,07 gramas por litro. Já antes disso, o condutor admitiu que tinha ingerido álcool antes de conduzir.
Conta Única App junta 28 cartões de 13 serviços
O Governo apresentou na terça-feira a Carteira Electrónica, uma função nova da aplicação para telemóveis da Conta Única de acesso a serviços públicos, que digitalizou 28 cartões de 13 serviços públicos “tão válidos como os cartões físicos”. De acordo com um comunicado da Administração, “os cidadãos não precisam de ter consigo diferentes cartões físicos, pois os electrónicos permitem o mesmo acesso aos respectivos serviços, sendo os menores de idade igualmente beneficiados”. Actualmente, estão inscritos na Conta Única 230 mil utentes, o que pode representar a digitalização de 1,5 milhões de cartões físicos. A Carteira Electrónica reúne documentos de utentes de bibliotecas públicas, cartão de utente dos Serviços de Saúde, dos cuidados de saúde dos trabalhadores da Função Pública e seus familiares, cartão de assistência médica para portadores de doenças especiais, cartão de benefícios para idosos, de acesso a instalações desportivas, cartão do Campus da Universidade de Macau, só para citar alguns exemplos.
Trabalho ilegal 33 suspeitos em Agosto
As autoridades detectaram, no mês de Agosto, um total de 33 pessoas suspeitas de serem trabalhadores ilegais, tendo sido visitados 231 locais de trabalho como estaleiros ou espaços de comércio, entre outros. Os trabalhos de inspecção foram feitos pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) em parceria com o Corpo de Polícia de Segurança Pública.
quinta-feira 23.9.2021
Turismo Promoções em Chengdu até segunda-feira
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É inaugurada amanhã a iniciativa “Semana de Macau em Sichuan • Chengdu”, promovida pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), que termina na próxima segunda-feira. O evento acontece na praça Jiaozi, na Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia, em Chengdu, e prevê a realização de “várias acções promocionais” que visam “promover a imagem de Macau enquanto cidade saudável, segura e apropriada para visitar”. Com esta acção o Governo pretende também “atrair os visitantes do Interior da China a visitar e despender em Macau durante os feriados da semana dourada pelo Dia Nacional da República Popular da China, contribuindo para a recuperação da economia de turismo da cidade”.
sociedade 7
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tradição já não é o que era, máxima transversal que se aplica também às formas de celebração. Desde que as autoridades chinesas baniram os espectáculos de fogo de artifício em mais de 400 cidades, para reduzir o impacto ambiental e o número de incêndios, uma nova forma de iluminar o céu nocturno começou a ganhar forma: espectáculos de drones. O primeiro evento do género na RAEM está marcado para o próximo dia 1 de Outubro. De acordo com informação prestada ao HM pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), “o orçamento para a realização da ‘Gala de Drones Brilha sobre Macau’ é de aproximadamente 7,6 milhões de patacas”, valor que contrasta com as mais de 24 milhões de patacas do festival de fogo de artifício de 2019, em que participaram equipas de 12 países, com duas apresentações diárias, ao longo de seis noites. A indústria global de drones tem como epicentro
Chuva de patacas Gala de drones vai custar 7,6 milhões
Também a abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio foi abrilhantada por 1.825 drones, que pintaram o céu com imagens em 3D.
“O orçamento para a realização da ‘Gala de Drones Brilha sobre Macau’ é de aproximadamente 7,6 milhões de patacas.” DST
algumas cidades próximas de Macau. Para dar uma ideia da dimensão deste mercado na região, uma empresa de Shenzhen, a DJI, produz cerca de 70 por cento do mercado mundial de drones. A nível global, 80 por cento dos drones “domésticos”, sem fins militares, são construídos na China. No ano passado, esta indústria valia
no Interior cerca de 67 mil milhões de dólares, depois de um crescimento de 16 por cento em relação a 2019.
A grande invasão
Com a expansão do mercado e o interesse em novas tecnologias, não é de estranhar que este tipo de shows se tenha espalhado um pouco por todo o mundo, com
particular destaque para a Ásia. Nas últimas celebrações de fim de ano em Hong Kong, para tentar controlar a pandemia, o Governo de Carrie Lam apostou em celebrações online e transmitidas na televisão, além de um espectáculo de drones no Victoria Harbour, em vez do tradicional show de fogo de artifício.
Agora chegou a vez de Macau. Ao longo de cinco noites (1, 3, 9, 16 e 23 de Outubro), o céu por cima do Lago Nam Van vai iluminar-se com a luz de mais de três centenas de drones. Cada noite da “Gala de Drones Brilha sobre Macau” terá duas sessões, às 19h30 e às 21h30, e um espectáculo para cada noite do evento, a cargo de uma empresa diferente todas as noites. João Luz
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Governo da Região Administrativa Especial de Macau
Governo da Região Administrativa Especial de Macau
Aviso
Aviso
Faz-se público que, por despacho do Secretário para a Administração e Justiça, de 16 de Setembro de 2021, e nos termos do Regulamento Administrativo n.º 14/2016 «Recrutamento, selecção e formação para efeitos de acesso dos trabalhadores dos serviços públicos», republicado e renumerado pelo Regulamento Administrativo n.º 21/2021, da Lei n.º 14/2009 «Regime das carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos» e da Lei n.º 12/2015 «Regime do Contrato de Trabalho nos Serviços Públicos», com as alterações introduzidas pela Lei n.º 2/2021, se encontra aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, comum, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de um lugar vago de técnico superior principal, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de engenharia electrotécnica, em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública.
Faz-se público que, por despacho do Secretário para a Administração e Justiça, de 16 de Setembro de 2021, e nos termos do Regulamento Administrativo n.º 14/2016 «Recrutamento, selecção e formação para efeitos de acesso dos trabalhadores dos serviços públicos», republicado e renumerado pelo Regulamento Administrativo n.º 21/2021, da Lei n.º 14/2009 «Regime das carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos» e da Lei n.º 12/2015 «Regime do Contrato de Trabalho nos Serviços Públicos», com as alterações introduzidas pela Lei n.º 2/2021, se encontra aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, comum, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de um lugar vago de técnico superior principal, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de engenharia mecânica, em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública.
O respectivo aviso publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2021, será afixado para consulta, no rés-do-chão do Edifício Administração Pública, sito na Rua do Campo, n.º 162, Macau e disponibilizado na página electrónica dos SAFP http://www.safp.gov.mo/. O prazo para apresentação de candidatura decorre entre 24 de Setembro e de 7 de Outubro de 2021.
O respectivo aviso publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2021, será afixado para consulta, no rés-do-chão do Edifício Administração Pública, sito na Rua do Campo, n.º 162, Macau e disponibilizado na página electrónica dos SAFP http://www.safp.gov.mo/. O prazo para apresentação de candidatura decorre entre 24 de Setembro e de 7 de Outubro de 2021.
Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, aos 17 de Setembro de 2021 O Director Kou Peng Kuan
Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, aos 17 de Setembro de 2021 O Director Kou Peng Kuan
Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública
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23.9.2021 quinta-feira
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FRANK HAVERMANS
“Gosto de liga trabalho ao m Até ao dia 31 de Dezembro quem passar junto à montra do estúdio Improptu Projects, de João Ó e Rita Machado, poderá ver a instalação “Infra#Macau_Artificial Landscapes”, do artista holandês Frank Havermans, que traça um olhar sobre infra-estruturas urbanas e a sua ligação com as pessoas. Frank Havermans fala sobre este projecto e de como considera fundamentais, acima de tudo, os valores culturais de cada um PUB.
Quando começou este projecto e como surgiu a oportunidade de o desenvolver em parceria com o estúdio Improptu? Conheci o João [Ó] em Hong Kong, em 2012, quando participámos na mesma exposição. Também participei na Bienal de Arquitectura de Hong Kong nesse ano com uma grande instalação na zona de Wanchai. Quando o João e a Rita [Machado] se mudaram para o novo estúdio e arrancaram com este novo espaço de exposições, com a montra, perguntaram-me se queria ser o primeiro artista a expor lá. Claro que me senti honrado pela oportunidade. Apesar de o João e a Rita estarem mais ligados à arquitectura, o nosso trabalho pode coincidir, uma vez que eu também faço instalações de arquitectura. Como foi fazer este projecto à distância? Eu próprio faço este tipo de instalações e deixei o Improptu montar tudo segundo as minhas instruções. Esta foi a primeira vez que fiz algo do género. Diria que trabalharam muito bem. A Rita e o João têm a mesma compreensão da qualidade do espaço e sempre compreenderam como é que as coisas devem ser executadas. Esta instalação que traz a Macau fala da ligação entre infra-estruturas de cidades como Macau, Hong Kong e Shenzhen. Como começou a sua relação profissional com estes lugares? Tenho visitado esta região algumas vezes. A primeira vez foi em 2008, quando participei numa exposição do NAI - Netherlands Architecture Institute [Instituto de Arquitectura da Holanda]. Fiquei fascinado com a complexidade e o rápido desenvolvimento desta região. Em 2011 estive em Shenzhen durante três meses numa residência artística. Aprendi mais sobre a cidade e a região desse lado da fronteira. Também estive em Chongqin várias vezes, em Guangzhou
ARTISTA
e Xangai. Todas elas são cidades cujas infra-estruturas estão em rápido crescimento e desenvolvimento. Alguns destes elementos são tão grandes que apenas os posso comparar com catedrais. As largas estruturas construídas há mais de uma geração conectam-se com uma certa crença. Diria que a nossa é ter um livre transporte de pessoas e bens para que haja um vasto comércio a nível mundial. Estamos a construir uma rede mundial de estradas, linhas ferroviárias, portos e aeroportos, e com tudo isso surgem os edifícios. Na China, e neste caso no Delta do Rio das Pérolas, é claro ver qual é a direcção. E para mim, enquanto artista, isso é muito interessante.
“Considero sempre o meu trabalho como arquitectura e isso está sempre ligado ao contexto do espaço exterior.” Estas são cidades muito diferentes, mas este projecto tenta, de certa forma, conectá-las? De facto, são cidades e culturas muito diferentes. O país, as paisagens, o ambiente natural também é diferente. Como estamos cada vez mais ligados com as infra-estruturas a nível mundial necessitamos das mesmas tipologias. Então estamos a criar paisagens artificiais em todo o mundo que são suficientes para nós. Em qualquer aeroporto no mundo as pessoas podem compreender como estar lá, mesmo sem falarem a mesma língua. As tipologias ligam-se a diferentes culturas. Gosto de olhar para os mapas e, virtualmente, viajar por todo o mundo. Olhar de perto certas cidades e aí encontrar este tipo de paisagens artificiais, como os planos dos soalhos de portos. São claramente artificiais e só existem para servir o comércio humano. Isto deixa-
-me intrigado porque este tipo de ambientes afasta-nos da natureza, e é da natureza que nós vimos. É estranho que, em poucas gerações, estejamos a criar este tipo de ambientes monoculturais mas a uma escala global. Então sim, estas cidades podem ser diferentes, mas estão a mudar para uma tipologia mais geral. As paisagens na montra do Improptu enfatizam esta questão. Há também, com este projecto, uma ligação a Macau e a Portugal. É óbvia essa relação. A parte interessante é que, sobretudo com os aeroportos e portos marítimos, as ligações entre
quinta-feira 23.9.2021
ar o meu mundo lá fora”
HOJE TERAPIA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Bronquite e Asma Diversas plantas medicinais podem ser úteis para o tratamento das afecções do tracto respiratório inferior. Compreendendo uma vasta gama de propriedades, são de destacar as que actuam sobre as vias respiratórias, a tosse, o reforço das defesas e o combate aos agentes infeciosos. Vamos conhecer Hoje algumas destas plantas: Alteia, Althaea officinalis, folhas e raízes: Segundo Teofrasto, filósofo grego e botânico do século IV a.C., a raiz de Alteia tomada com vinho doce era usada para tratar vários tipos de tosse. Com efeito, a Alteia é muito rica em mucilagens, uma fibra vegetal que aumenta de volume com a água adquirindo uma consistência viscosa. Quando em contacto com as mucosas inflamadas, estes compostos acalmam e protegem os tecidos, diminuindo o desconforto e a inflamação. Além disso, a planta tem propriedades expectorantes, favorecendo a expulsão de mucosidades do aparelho respiratório. Muito recomendada na bronquite crónica, asma brônquica, pleurisia e para aliviar a tosse seca ou o catarro, pode ser tomada em infusão ou decoccção.
os países não são visíveis e não se materializam como as estradas. Qualquer porto ou aeroporto se pode interligar com outro no mundo. Nesta instalação não mostro apenas as ligações de comércio entre os nossos países mas também uso uma tipologia de
“Essas ligações globais e de comércio são importantes, mas não tanto como os nossos valores culturais.”
infra-estruturas que enfatiza as nossas relações enquanto seres humanos. Mas diria que essas ligações globais e de comércio são importantes, mas não tanto como os nossos valores culturais. O facto de expor este projecto numa montra faz com que seja diferente? Fiz muitas instalações com o tema do urbanismo, muitas vezes dentro de instituições culturais como galerias, espaços de arte ou museus. Quando me pedem para fazer uma instalação eu tento cada vez mais fazer uma ligação em torno das pessoas ao instalá-la num espaço público. Gosto de ligar o
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meu trabalho ao mundo lá fora, significa comunicar. Considero sempre o meu trabalho como arquitectura e isso está sempre ligado ao contexto do espaço exterior. Não espero que todos o compreendam, mas não me importo que se levantem questões. Esse é um dos focos do meu trabalho. Penso que a ideia do estúdio de criar uma montra como espaço de exposição tem o mesmo fim. Eles [João Ó e Rita Machado] querem ligar-se às pessoas à sua volta dar a conhecer a arte e a arquitectura. Para mim é um valor acrescentado! Andreia Sofia Silva
Énula-campana, Inula helenium, raízes: Cresce em regiões de clima temperado, sendo oriunda do Sudeste Europeu e Ásia Ocidental. Trata-se de uma planta vigorosa, que pode alcançar 3 metros de altura, com belas flores amarelo-douradas e raízes profundas. É rica em inulina, uma fibra vegetal que acalma e alivia a tosse seca. Exerce ainda um efeito expectorante, é antibacteriana desinfectando os pulmões e tornando o muco mais fluido, e induz a sudação e o arrefecimento. Todas estas propriedades tornam a Énula-campana um remédio muito útil para o tratamento tanto da tosse seca irritativa como da tosse catarral, tosse congestionada, bronquite crónica e asma brônquica, bem como para combater infecções, como a gripe e amigdalites. Com actividade tónica sobre o aparelho respiratório e digestivo, melhora o apetite, a digestão e a absorção de nutrientes, e restabelece a vitalidade após afecções debilitantes. Antes do desenvolvimento dos antibióticos de
(PARTE I)
síntese, era uma das principais plantas usadas no tratamento da tuberculose. Considerada segura, pode ser tomada por crianças e idosos, em tintura, decocção, xarope, comprimidos ou cápsulas. Eucalipto, Eucalyptus globulus, folhas e óleo essencial: Originário da Austrália, o Eucalipto foi introduzido no Ocidente no século XIX. Trata-se de uma árvore que pode alcançar 100 metros de altura, com tronco acinzentado e folhas aromáticas polimórficas. Remédio aborígene usado tradicionalmente para o tratamento de infecções e febre, a planta apresenta uma forte acção anti-séptica e a capacidade de dilatar os brônquios, devido ao óleo essencial que contém, sendo também um expectorante de eleição. Tomado em infusão, tintura, xarope ou cápsulas, é muito recomendado para o alívio da tosse e em caso de asma e infecções pulmonares, como a bronquite e pneumonia. Como anti-séptico, é ainda indicado para o tratamento de constipações, gripe e inflamação da garganta. Aplicado em fricções no peito, o óleo essencial diluído estimula o fluxo de sangue ao local, exercendo um efeito térmico e ligeiramente anestésico, e proporcionando alívio nas infecções respiratórias. O óleo essencial pode igualmente ser empregue em inalações. Tulsi (Basílico-sagrado, Manjericão-sagrado), Ocimum sanctum, partes aéreas: Cultivado em redor dos templos, fazendo jus ao seu nome comum, cresce na Índia e outras regiões tropicais da Ásia. Importante planta da medicina ayurvédica, é venerado na Índia, sendo consagrado à deusa Lakshmi, esposa de Vixnu, o deus que preserva a vida. Tulsi significa “incomparável”. Possui acção anti-inflamatória, analgésica, combate os espasmos, reduz a febre e favorece a expulsão de mucosidades do tracto respiratório; além disso, reforça a imunidade e é um tónico e revigorante, beneficiando a convalescença. É usado tradicionalmente para o tratamento das afecções respiratórias, como constipações, tosse, bronquite, asma e pleurisia. Pode ser tomado em decocção, xarope, cápsulas e pó.
ADVERTÊNCIAS: Este artigo tem como objectivo apenas a divulgação e não deve substituir a consulta de um profissional de saúde, nem promover a auto-prescrição. Além disso, algumas plantas têm contra-indicações, efeitos adversos ou interacções com medicamentos.
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23.9.2021 quinta-feira
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Nº: 43/2021
NOTIFICAÇÃO EDITAL (notificação de sanção) Chan Chon U, Subdirector da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Lei Sio Peng e Chan Weng Chi, Subdirectoras da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), substitutas, mandam que se proceda, nos termos dos artigos 14.º e 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – “Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho”, conjugados com n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, à notificação dos indivíduos abaixo mencionados para, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, procederem ao pagamento da multa aplicada nas respectivas notificações, devendo nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do prazo acima referido entregar nestes Serviços o documento comprovativo do pagamento da multa. 1.
Processo n.º 391/2021:
LEI WENG HONG (titular de Bilhete de Identidade de Residente de Macau), infractor da notificação n.º IA-430/2021/DIT, aplicada multa de $20 000,00 (vinte mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter aceitado a prestação de trabalho por um trabalhador não residente. 2.
Processo n.º 1760/2020:
WANG JIAN (titular do Passaporte da República Popular da China), infractor da notificação n.ºIA-405/2021/DIT, aplicada multa de $10 000,00 (dez mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter aceitado a prestação de trabalho por um trabalhador não residente. 3.
Processo n.º 1918/2020:
Companhia de Engenharia de Construção Deeply Cooperation (Macau), Limitada (Nº. DE REGISTO: SO 59292), infractora da notificação n.º IA-448/2021/DIT, aplicada multa de $50 000,00 (cinquenta mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter aceitado a prestação de trabalho por cinco trabalhadores não residentes. 4.
Processo n.º 729/2020:
Angels Internacional Engenharia e Consultoria LDA. (Nº. DE REGISTO: SO 78316), infractora da notificação n.ºIA-396/2021/DIT, aplicada multa de $10 000,00 (dez mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter aceitado a prestação de trabalho por um trabalhador não residente. 5.
Processo n.º 729/2020:
CHONG KIN WAI (titular de Título de Identificação de Trabalhador Não Residente), infractor da notificação n.º IA-395/2021/DIT, aplicada multa de $5 000,00 (cinco mil patacas), nos termos da alínea 2) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, tendo autorização para permanecer na RAEM na qualidade de trabalhador, por ter prestado actividade a empregador diferente daquele para o qual foi autorizado a trabalhar. 6.
Processo n.º 2319/2020:
ZHU YONGZHE (titular de Salvo Conduto para Hong Kong e Macau, da República Popular da China), infractora da notificação n.º IA-451/2021/DIT, aplicada multa de $5 000,00 (cinco mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter prestado trabalho na RAEM sem autorização para aqui permanecer na qualidade de trabalhador. 7.
Processo n.º 2009/2020:
WU WEIJIE (titular de Documento de Identificação de Hong Kong), infractor da notificação n.º IA-424/2021/DIT, aplicada multa de $5 000,00 (cinco mil patacas), nos termos da alínea 1) do
n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter prestado trabalho na RAEM sem autorização para aqui permanecer na qualidade de trabalhador. 8.
Processo n.º 1678/2020:
NGUYEN DUC CHINH (clandestina), infractor da notificação n.º IA-406/2021/DIT, aplicada multa de $5 000,00 (cinco mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, por ter prestado trabalho na RAEM sem autorização para aqui permanecer na qualidade de trabalhador. 9.
Processo n.º 1831/2020:
GUAN ZHANLI (titular de Título de Identificação de Trabalhador Não Residente), infractor da notificação n.º IA-403/2021/DIT, aplicada multa de $20 000,00 (vinte mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – “Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal”, por violação à alínea 4) do artigo 2.º, conjugada com o n.º 1 do artigo 3.º do mesmo Regulamento Administrativo. 10. Processo n.º 1893/2020: PAT PING (titular Bilhete de Identidade de Residente de Hong Kong), infractora da notificação n.º IA-443/2021/DIT, aplicada multa de $20 000,00 (vinte mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – “Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal”, por violação à alínea 4) do artigo 2.º, conjugada com o n.º 1 do artigo 3.º do mesmo Regulamento Administrativo. 11. Processo n.º 1840/2020: WANG JINXUE (titular de Título de Identificação de Trabalhador Não Residente), infractor da notificação n.º IA-425/2021/DIT, aplicada multa de $20 000,00 (vinte mil patacas), nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – “Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal”, por violação à alínea 4) do artigo 2.º, conjugada com o n.º 1 do artigo 3.º do mesmo Regulamento Administrativo. Os infractores poderão, dentro das horas de expediente, levantar a cópia do respectivo despacho, a notificação e a guia de receita eventual para pagamento da multa no Departamento de Inspecção do Trabalho da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, podendo também, mediante requerimento por escrito, consultar os respectivos processos. Decorridos os prazos acima referidos, a falta de apresentação do documento comprovativo do pagamento da multa implica a remessa, nos termos legais, das cópias dos respectivos documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para ser efectuada a cobrança coerciva. Nos termos dos artigos 145.º, 149.º e 155.º do CPA, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, o infractor pode impugnar a referida decisão do Subdirector da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, pelos seguintes meios: a) No prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante reclamação para o Subdirector da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais; b) No prazo de 30 (trinta) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante recurso hierárquico necessário para o Director dos Serviços para os Assuntos Laborais. A decisão punitiva acima referida não é susceptível de recurso contencioso. Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 14 de Setembro de 2021. A Chefe do D.I.T., Lei Sio Peng
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Anúncio Concurso público n.º 01/DSAL/2021 Prestação de serviços de segurança à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, em representação da entidade adjudicante, faz público que, por Despacho do Secretário para a Economia e Finanças de 25 de Agosto de 2021 e nos termos do artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, se encontra aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de segurança à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais”. 1. Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças. 2. Serviço por onde corre o processo do concurso: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. 3. Duração da prestação de serviços: 1 de Dezembro de 2021 a 30 de Novembro de 2023, um período de 24 meses. 4. Condições gerais dos concorrentes: Podem participar no concurso, empresas que comprovem a satisfação do disposto sobre a titularidade do licenciamento válido para a exploração da actividade de segurança privada, nos termos da Lei n.º 4/2007 (Lei da actividade de segurança privada), bem como com o registo comercial efectuado na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e com comprovado cumprimento das suas obrigações fiscais. 5. Local, data e horário para consulta do processo do concurso e obtenção da cópia do processo: • Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2.º andar, Macau. • Data: a partir da data da publicação deste anúncio no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até à data e hora marcadas para o acto público do concurso. • Horário: Dias úteis (2.ª a 6.ª feira, das 09:00h às 13:00h; 2.ª a 5.ª feira das 14:30h às 17:45h; 6.ª feira das 14:30h às 17:30h). • Custo de aquisição de cópia do processo do concurso: MOP 500,00 (quinhentas patacas). • Os interessados no concurso também podem descarregar (download) gratuitamente o Programa do concurso e o Caderno de encargos na página electrónica da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (https://www.dsal.gov.mo). 6. Local, prazo e hora para a apresentação das propostas: • Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2.º andar, Macau. • Prazo e hora: 20 de Outubro de 2021 (4.ª feira), até às 17:30h (não serão aceites propostas entregues fora do prazo). 7. Caução provisória: MOP 160 000,00 (cento e sessenta mil patacas), que pode ser prestada por garantia bancária ou depósito em numerário em nome da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais da Região Administrativa Especial de Macau. 8. Local, data e hora do acto público do concurso: • Local: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2.º andar, sala de formação 2F11, Macau. • Data e hora: 21 de Outubro de 2021 (5.ª feira), pelas 10:00h. Nota: Os concorrentes ou os seus representantes presentes no acto público do concurso que pretendam reclamar e/ou esclarecer dúvidas eventualmente surgidas nos documentos apresentados, deverão mostrar documentos que atestem o seu estatuto. 9. Sessão de esclarecimento e visita às instalações: A sessão de esclarecimento destinada aos concorrentes terá lugar no dia 29 de Setembro de 2021 (4.ª feira), pelas 09:30h, no rés-dochão da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221-279, Edifício “Advance Plaza”, Macau. Após esta sessão será feita uma visita aos locais a que se destina a prestação de serviços deste concurso. Aos 16 de Setembro de 2021.
O Director, substituto, Chan Un Tong
Missão inclusiva Próxima viagem tripulada à estação espacial vai incluir uma mulher
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próxima missão espacial tripulada da China, programada para Outubro, e que visa prosseguir com a construção da estação espacial do país, vai incluir uma mulher, anunciou ontem a imprensa local. A nave espacial Shenzhou-13 vai transportar um grupo de astronautas para a estação espacial Tiangong (“Palácio Celestial”). Alguns órgãos de comunicação chineses indicaram que o Shenzou-13 vai partir em 3 de Outubro. O portal de ciências Quwei Tansuo, citado por diversos meios de comunicação, revelou que haverá uma astronauta entre a tripulação, e que será Wang Yaping, que já integrou a expedição Shenzhou-10, em
2013. Wang foi a segunda mulher chinesa a viajar para o espaço, depois de Liu Yang, a primeira a fazê-lo, em 2012. De acordo com Huang Weifen, coordenador sénior da agência chinesa dedicada às missões espaciais tripuladas, a próxima tripulação vai ter três objectivos: verificar a sustentabilidade de longas estadias, realizar caminhadas espaciais para testar fatos espaciais e braços robóticos, e a realização de experiên-
A tripulação vai passar seis meses no espaço, o dobro do tempo passado pela tripulação anterior
Covid-19 41 novos casos locais em Fujian e Heilongjiang
A China anunciou ontem ter identificado 41 novos casos de covid-19, dos quais 16 por contágio local, diagnosticados nas províncias de Fujian e Heilongjiang. Fujian detectou 13 casos, enquanto Heilongjiang somou três casos, todos na cidade de Harbin. As autoridades de Harbin anunciaram, entretanto, que funcionários da Comissão Nacional de Saúde foram já enviados para a cidade, visando lidar com o novo surto. Com 9,5 milhões de habitantes, Harbin detectou três novos casos de infeção, um dia depois de descobrir um primeiro caso de transmissão local. As autoridades lançaram uma campanha de testes em massa e encerraram escolas, salões de beleza, cinemas e ginásios. Os restantes 25 casos positivos foram diagnosticados em viajantes oriundos do exterior no município de Xangai (leste) e nas províncias de Yunnan (sul), Fujian, Guangdong (sudeste) e Sichuan (centro).
cias científicas em órbita. A tripulação vai passar seis meses no espaço, o dobro do tempo passado pela tripulação anterior.
Regresso a casa
Na semana passada, a nave espacial Shenzhou-12, que significa “nave divina”, voltou à Terra, com três astronautas a bordo: Nie Haisheng, Liu Boming e Tang Hongbo. Estes passaram 90 dias na estação espacial. Actualmente, os astronautas estão em quarentena e a ser submetidos a exames médicos, após a sua permanência fora da Terra. A estação espacial deverá estar operacional no próximo ano, para orbitar a Terra a uma altitude entre 340 e 450 quilómetros.
Economia Banco central mantém taxa para empréstimos em 3,85%
O Banco Popular da China (banco central) anunciou ontem que manteve a taxa base de juros para empréstimos a um ano em 3,85 por cento, pelo décimo sétimo mês consecutivo. De acordo com o último relatório do banco central, divulgado ontem, a taxa base quinquenal também não sofreu alterações, fixando-se nos 4,65 por cento. Esta
medida é calculada a partir das contribuições para os preços de uma série de bancos - incluindo pequenos credores que tendem a ter maiores custos de financiamento e maior exposição a empréstimos inadimplentes - e visa diminuir os custos de empréstimos e apoiar a “economia real”. Segundo o relatório do Governo chinês para 2021, divulgado no início de Março, Pequim vai tentar manter uma política monetária “prudente, flexível, precisa, adequada e moderada” para este ano.
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cartografias
ANABELA CANAS
Do fundo para a superfície. Ao contrário do que se esperaria. Nadar é tão natural para muitos animais terrestres, que mesmo recém-nascidos o fazem. Mas não me aconteceu, durante anos. O medo, como em tantas outras coisas naturais, pode sobrepor-se, construindo uma barreira de ruído entre nós e a coisa em si. Um dia, naquelas longas e parecendo sem princípio nem fim, férias de verão, na praia, com sol intenso, mar, família e amigos, um primo explicou-me em três palavras como mergulhar e aproveitar a circunstância mágica de ficar a fruir debaixo de água. O movimento preciso do corpo, apontado, como se houvesse um ponto exacto na pele da água, por onde entrar. Por onde ir até lá abaixo e num golpe de rins, ficar. Como um peixe a varejar o fundo das águas. Com aquelas manchas luminosas tremeluzentes. Nadar. Encontrar esse caminho, ultrapassada a barreira sedosa da superfície, subitamente o corpo livre e liberto a evoluir na água sem o pânico de ficar sem respiração. No meio límpido
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Em profundidade e no saber claro de que essa era para reter. No fundo e em profundidade real, substituir o medo de afogamento pela intenção de submergir. Que, antes, me fazia um bicho a deslocar-se dentro de água como uma espécie de lagarto com duas mãos a caminhar no chão de areia a arrastar o corpo e a cabeça firmemente fora da água. Um peso incontornável a puxar para o fundo, quando queria nadar. Estranho peso a mais para a superfície das águas.
ENTENDER A PROFUNDIDADE, AJUDA POR INERÊNCIA A NADAR À SUPERFÍCIE. QUE FOI O QUE ACONTECEU. E DEPOIS EMERGI E NADEI NO ÊXTASE DE FINALMENTE O PODER FAZER RESPIRANDO O AR QUE É O ÚNICO ELEMENTO QUE POSSO RESPIRAR
Autoconsciência ou boiar à superfície. O que se aprende primeiro, talvez. Depois, vontade e domínio. Naquele momento mágico que define a fronteira entre não saber nadar e vencer a primeira barreira entre um corpo que não sabe de si e um corpo que aprende a viver com a água e a navegar. Sem nave, desnecessária mediação, nessa harmonia entre o mar e o corpo. Eu queria tanto isso. Eu e a água do mar das praias de infância e um dia ele, mais velho, ensinou-me a mergulhar e, debaixo de água assumindo a ausência da possibilidade da respiração, não como um défice mas como uma condição natural e voluntária, nadar. E, depois entendi como deixar de novo o corpo ser leve e subir para a pele da água, boiar a olhar para o fundo. Mais tarde. Explicou-me sem explicar, como afinal nadar na profundeza das águas serenas e límpidas era o que era necessário saber, para nadar à superfície. Que seria sempre, depois, muito mais fácil, porque podendo respirar. Ar. Somente aquele truque de como mergulhar para debaixo da manta de água, que sem o necessário saber
e calma oferecia resistência a mergulhar mas não ao afogamento num momento qualquer de pânico, um desequilíbrio subterrâneo nos pés a fazer faltar o fundo, quando se pretendia subsistir à tona. E somente tão mais tarde entendi a extensão deste ensinamento de primo. Entender a profundidade, ajuda por inerência a nadar à superfície. Que foi o que aconteceu. E depois emergi e nadei no êxtase de finalmente o poder fazer respirando o ar que é o único elemento que posso respirar. Com os pulmões. Portanto eu não aprendi a boiar, nem a nadar, antes. Mas sim esse pequeno detalhe de mergulhar em profundidade e somente assim - para entender nos pequenos nós dos dias, o que amedronta não saber gerir de outro modo, à superfície. Nadar debaixo do peso e da existência da água. Talvez continue desde então a mergulhar sem medo em meios em que continuo a não nadar bem na camada superficial. Foi o que, sem o saber, me ensinou naquele momento de corte entre o antes e o maravilhosamente depois de saber nadar. Duas coisas preciosas. Tenho que lhe dizer um dia destes.
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divina comédia
NUNO MIGUEL GUEDES
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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O homem que quis matar o tempo
Pouco haverá a fazer: vivemos todos, sem excepção, sob o domínio de Cronos, o Deus-Tempo. O velho Cronos é o mais igualitário dos deuses. Não é esquisito e exerce a sua autoridade, mais ou menos rigorosa, sem olhar a origem social ou geográfica, bens materiais ou qualidades morais. Nada nem ninguém lhe escapa e o que podemos fazer é conservar o que amamos e nos faz a vida melhor e passá-lo a outros para que o perpetuem como possam – a única ilusão que ainda o mistifica. Tudo se torna ainda mais irónico porque Cronos é uma invenção nossa. Criámo-lo para dar nomes aos dias, para sabermos identificar saídas ou grades. E assim o fazemos, reconhecendo angústias, alegrias e dificuldades. A nossa reacção ao fim que nos é comum também dele deriva: quando alguém parte ainda jovem surpreendemo-nos e choramos mais a perda. “Foi antes do tempo”, lamentamos. Mas que tempo é este? Qual o tempo ideal para se ser, para viver? Ninguém o sabe nem nunca o saberá porque Cronos é flexível, veste cada um de nós de forma diferente e oferece-nos a nossa sentença irreversível de modo desigual e personalizado. Por esta e outras razões não consigo imaginar nada tão poético e ao mesmo tempo tão utópico como querer matar o tempo, literalmente. A expressão que utilizamos é falsa porque considera o tempo associado a uma actividade; “mataríamos” o tempo pela negação dessa actividade por outra. Há pouco tempo – cá está - contaram-me a história de Martial Bourdin, um anarquista francês do século XIX. Até aqui, nada de extraordinário, nem mesmo o seu fim trágico, comum a outros como ele por toda a Europa: terá morrido quando os químicos explosivos que transportava para um atentado explodiram prematuramente. Morreu 30 minutos depois da detonação, sem nunca ter revelado o objectivo do atentado. Mas sabemos que Bourdin se dirigia para o Real Observatório de Greenwich, em Londres – lugar onde, desde
1852, se encontra o relógio que determina o chamado Greenwich Mean Time (GMT). A ideia de que este relógio tenha sido o verdadeiro alvo de Bordin é demasiado boa para ser descartada. E é possível: em 1880 o governo britânico declarou que a hora oficial do país seria determinada a partir do GMT – o que, na óptica de um anarquista libertário, seria mais uma prova inaceitável do controlo do governo sobre os cidadãos. Fazer o relógio ir pelos ares seria assim um acto com um fortíssimo simbolismo. O grande escritor Joseph Conrad aproveitou de resto a história de Bourdin para a incluir num dos seus últimos romances, The Secret Agent (1907).
QUAL O TEMPO IDEAL PARA SE SER, PARA VIVER? NINGUÉM O SABE NEM NUNCA O SABERÁ PORQUE CRONOS É FLEXÍVEL, VESTE CADA UM DE NÓS DE FORMA DIFERENTE E OFERECE-NOS A NOSSA SENTENÇA IRREVERSÍVEL DE MODO DESIGUAL E PERSONALIZADO Esta história fascinoume. Deploro o uso de violência como forma de luta e legitimação política e ideológica, sem excepção; prefiro ficar assim com a ideia de que Bourdin quis matar o tempo, numa tentativa desesperada mas urgente, e dar vida àquelas palavras do Henry IV, de Shakespeare e que já várias vezes por aqui apareceram: “: “But thoughts the slave of life, and life, Time’s fool, /And Time, that takes survey of all the world,/Must have a stop.” Escravos de Cronos, sabemos que estamos condenados. Mas como Bourdin façamos com que isso seja uma injustiça.
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Percorrendo constantemente as memórias de um passado de arrependimentos e a realidade de um presente solitário, Pin-Jui faz contas à vida e ao que o levou a deixar o grande amor da sua vida para rumar aos Estados Unidos da América em busca de uma vida melhor. Tantos anos depois, vendo-se num casamento sem empatia que chega naturalmente ao fim, Pin-Jui tenta criar laços com a sua filha levando-a ao lugar onde nasceu em Huwei (Taiwan).Ao mesmo tempo, volta a contactar a mulher de quem desistiu, por ter acreditado que esta nunca aceitaria casar, por ter nascido numa família pobre. Pedro Arede
YUAN
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C I N E M A
SALA 1
Mark Fattibene 16.30
Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
SALA 3
SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]
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TIGERTAIL | ALAN YANG | 2020
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DUNE [B]
Um filme de: Denis Villeneuve Com: Timotheé Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac 14.30, 18.30, 21.15
MY LITTLE PONY: A NEW GENERATION [A]
Um filme de: Rober Cullen, José L, Ucha,
ZERO TO HERO [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan Com: Sandra Ng, Louis Cheung, Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 19.30
THE CURSED: DEAD MAN’S PREY [C] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-wan Com: Uhm Ji-won, Jung Ji-so, Jung Moon-sung, Oh Yoon-ah 14.30, 21.30
MY LITTLE PONY: A NEW GENERATION
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opinião 15
Mariana Mortágua
O INCRÍVEL CASO DO ROUBO DAS VACINAS
Escândalo repetido, a Comissão Europeia cede aos piores lobbies económicos e financeiros mundiais, em prejuízo de todos os povos. Sabendo disto, o que vai fazer o Governo português?
APÓS A RENEGOCIAÇÃO dos contratos com a União Europeia, no Verão, as vacinas da Pfizer passaram a custar mais 25 por cento e as da Moderna mais 13 por cento. Depois de uma avalancha de lucros gigantescos, estas empresas continuam a ganhar poder negocial. Os governos pagam e aceitam a decisão da UE de não levantar as patentes das vacinas para permitir o aumento da produção e a redução do custo de cada dose. A esta autêntica renda somam-se ainda lucros bolsistas astronómicos. As ações da Moderna, por exemplo, aumentaram, com a pandemia, de 21 dólares em março de 2020 para 430 dólares, registados ainda ontem. E tudo isto sem que se saiba quanto foi gasto na criação das vacinas que agora são compradas em todo o Mundo. Segundo os dados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, a Moderna recebeu 4.100
milhões de dólares de financiamento público. A farmacêutica nunca revelou quanto gastou no desenvolvimento da patente, mas contas feitas pela organização holandesa SOMO registam que o apoio estatal é o dobro do capital injetado pelos próprios acionistas na empresa ao longo de onze anos. A mesma organização, em conjunto com a Corporate Watch, calcula que, por cada dólar de vendas, apenas 20 cêntimos correspondem aos custos da produção e comercialização das vacinas. No total, apontam para 8.000 milhões de lucros. Como se não bastasse, acaba de vir a público que um dos contratos secretos assinados entre a Comissão Europeia e a Moderna prevê que o pagamento das vacinas seja feito através de uma tal Moderna Switzerland GmbH, empresa instalada no cantão suíço de Basileia. Ora, esta subsidiária da Moderna foi criada em 2020, já depois do desenvolvimento da
vacina, quando esta já estava em testes clínicos. Por outro lado, a produção da vacina na Europa foi subcontratada à empresa Lonza. Ou seja, não há qualquer razão válida para que os lucros europeus da Moderna sejam taxados em Basileia, em vez de distribuídos pelas unidades e países que estiveram de facto envolvidos na criação e produção da vacina, com muitos milhões dos contribuintes. A explicação é a seguinte: a Suíça é o terceiro maior paraíso financeiro do Mundo, onde a opacidade e a falta de cooperação internacional são serviços vendidos às empresas que aí se instalam. O cantão de Basileia, por sua vez, é o quinto lugar no Mundo onde as empresas mais recebem ajuda para não pagar impostos, de acordo com a Tax Justice Network. Ao mudar-se para Basileia, a Moderna foge à fiscalização pública sobre a baixíssima taxa de
imposto que pagará sobre os lucros astronómicos do negócio das vacinas. E isto sem contar com o acordo fiscal que - muito provavelmente - negociou com o Governo helvético. É o costume de muitas grandes empresas, não só na Suíça mas também em países como o Luxemburgo, que promoveu estes esquemas sob o Governo de Jean-Claude Juncker, que apesar deste currículo chegou depois a presidente da Comissão Europeia. Escândalo repetido, a Comissão Europeia cede aos piores lobbies económicos e financeiros mundiais, em prejuízo de todos os povos. Sabendo disto, o que vai fazer o Governo português? Vai pedir explicações à Comissão pelo contrato lesivo que assinou? Ou alinhará de novo com o negócio sujo das farmacêuticas, depois de já ter apoiado a Comissão na manutenção das patentes, mesmo sabendo do elevado custo em vidas, sobretudo nos países mais pobres?
“O sábio faz o seu trabalho sem reivindicar prémios.” PALAVRA DO DIA
Tau-te-King, 81
quinta-feira
23.9.2021 episódio 78
O Jogo das Escondidas
Covid-19 Quarentena de 14 dias para quem passou por Harbin
O
Desde as 16h de ontem, quem entrar em Macau depois de ter passado pelo distrito de Nangang em Harbin (província de Heilongjiang) fica sujeito a quarentena de 14 dias, a contar da data em que saiu da região em questão, não podendo o período de observação médica ser inferior a sete dias. A notícia, avançada ontem pelo centro de coordenação de contingência, adianta que quem entrou em Macau antes de ter sido decretada a quarentena obrigatória fica com o código de saúde amarelo e deve submeter-se a “autogestão da saúde, por um período de 14 dias a contar da data de saída do local referido”. Durante esse período deve fazer cinco testes de ácido nucleico.
Inflação Crescimento de 0,4% em Agosto
O Índice dos Preços no Consumidor (IPC) aumentou 0,4 por cento em Agosto, quando comparado com o período homólogo. O número foi revelado na terça-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Segundo o comunicado, a subida dos preços foi impulsionada “pela ascensão dos preços da gasolina, do gás de petróleo liquefeito, da electricidade e das refeições adquiridas fora de casa, bem como pelo aumento dos salários dos empregados domésticos”. Ao nível dos transportes e serviços domésticos, os aumentos em termos anuais foram mesmo de 4,43 por cento e 3,68 por cento. No polo contrário, os preços das comunicações, do vestuário e calçado, bem como da recreação e cultura desceram 3,75 por cento, 2,99 por cento e 2,93 por cento, respectivamente.
China País vai deixar de construir centrais de carvão no estrangeiro
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A China vai deixar de construir centrais a carvão no estrangeiro para lutar contra o aquecimento global, anunciou o Presidente chinês, Xi Jinping, ao discursar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). “A China vai reforçar o seu apoio aos outros países em desenvolvimento, para favorecer as energias verdes, e vai deixar de construir centrais de carvão no estrangeiro”, disse, durante um discurso por vídeo gravado. Xi reafirmou os compromissos chineses: neutralidade carbónica “antes de 2060” e atingir um máximo de emissões “antes de 2030”.
CLIMA NÍVEL DO MAR CONTINUA A SUBIR A RITMO ALARMANTE
Sem precedentes O nível dos oceanos continua a subir, a um ritmo alarmante de 3,1 milímetros por ano, devido ao aquecimento global e ao derretimento do gelo na Terra, revelou ontem o Serviço de Monitorização do Meio Marinho do programa Copernicus. A extensão do gelo marinho do Ártico tem vindo constantemente a diminuir. Entre 1979 e 2020 perdeu o equivalente a seis vezes o tamanho da Alemanha, de acordo com o relatório de peritos ontem divulgado. A extremada variação entre períodos de frio e ondas de calor no Mar do Norte está relacionada com mudanças na captura de linguado, lagosta europeia, robalo, salmonete e caranguejos. A poluição causada pelas actividades em terra, como a agricultura e a indústria, está a ter impacto nos ecossistemas marinhos, reforçaram os especialistas na quinta edição do relatório sobre o estado dos oceanos. O aquecimento dos oceanos e o aumento de salinidade intensificaram-se no Mediterrâneo, na última década.
“Estima-se que o aquecimento do oceano Ártico contribua com quase 4 por cento para o aquecimento global dos oceanos”, lê-se no relatório. Mais de 150 cientistas, de cerca de 30 instituições europeias, colaboraram no trabalho. De acordo com as conclusões, o oceano está a passar por “mudanças sem precedentes”, o que terá “um enorme impacto” no bem-estar humano e nos ambientes marinhos. “As temperaturas da superfície e subsuperfície do mar estão a aumentar em todo o mundo e os níveis do mar continuam a subir a taxas alarmantes: 2,5 mm por ano no Mediterrâneo e até 3,1 mm por ano globalmente”, escreveram os peritos. O documento é apresentado como uma referência para a comunidade científica, decisores e público, em geral.
Alto risco
A combinação destes factores pode causar “eventos extremos” em áreas mais vulneráveis, como Veneza, onde em 2019 uma subida do nível das águas fora do comum, uma forte maré e condições climatéricas extremas na re-
gião provocaram a chamada “Acqua Alta” - quando o nível da água subiu para um máximo de 1,89 metros. “Este foi o nível de água mais alto registado desde 1966 e mais de 50 por cento da cidade foi inundada”, recordaram os autores do documento. Os cientistas explicaram também que a poluição por nutrientes, oriundos de actividades terrestres, como agricultura e a indústria, tem “um efeito devastador na qualidade da água” do oceano. Através da eutrofização, o aumento do crescimento das plantas pode levar à redução dos níveis de oxigénio na água do mar e até mesmo bloquear a luz natural, “com efeitos potencialmente graves” nos ambientes costeiros e na biodiversidade marinha. Segundo o relatório, o gelo marinho do Ártico continua muito abaixo da média e diminui “a um ritmo alarmante”. A perda contínua do gelo marinho do Ártico pode contribuir para o aquecimento regional, a erosão das costas árticas e as mudanças nos padrões climáticos globais.
um folhetim por Fernando
Sobral
governador olhou para o horizonte. Talvez estivesse a pensar em algo que não era para ser partilhado. - Sabe tenente, tenho a certeza que o futuro é como o xadrez quando é mal jogado. O xadrez não é um jogo de intuição. Tem a ver com a memória. Mas não deixa de ser curioso que todos o disfrutemos mais se for intuitivo, porque só assim acontecem coisas novas. Uma vez tive o prazer de conhecer um mestre xadrezista que esteve em Lisboa, um russo, e perguntei-lhe se era possível antecipar dez ou vinte movimentos. Ele espantou-se e disse que não fazia isso, apesar de todos nós pensarmos que é isso que fazem os profissionais. Ele disse-me que cada jogada era fruto do momento. Acho que é assim que também se constrói um país ou uma cidade: movendo algo ao sabor de uma intuição, de um momento. Preocupando-nos com o presente. Amoroso acenou com a cabeça. Parecia-lhe uma meditação sensata. - Vamos ter de estar com os olhos e os ouvidos atentos, tenente. E, nesse especial aspecto, conto consigo. Há muitos desafios que se nos colocam nos próximos tempos. Sabe, está a terminar o acordo que nos permite importar ópio da Índia. Sabe a dependência que temos das receitas de produção de ópio em Macau. Elas são muito importantes para a nossa saúde financeira. O certo é que têm vindo a decrescer nos últimos anos, até porque há muito contrabando. Algum vindo das colónias francesas. Como é evidente estamos de mãos atadas: por um lado precisamos do ópio e das suas receitas, por outro o ópio cria dependência, transformando muitas vezes os homens em vegetais. É uma questão moral. Assim, o que pesa mais na nossa balança? O seu olhar era vivo e dirigiu-o na direcção de Amoroso. Também este tinha um dilema entre mãos. Era consumidor, embora de forma moderada. Por outro lado, uma das grandes fontes de rendimentos de Ding Ling era proveniente da venda do ópio, a maioria importado clandestinamente da Indochina francesa. O governador continuou: - O certo é que, segundo as informações que tenho, as críticas na Sociedade das Nações à nossa posição é de crítica moral. Mesmo vinda de nações que, nas sombras, lucram com o negócio do ópio. (continua)