SEGURANÇA
Mistérios e carências
Canção Lâminas em da espada busca de coração
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hojemacau
HOJE MACAU
JOÃO PAULO COTRIM
Palácio das necessidades É preciso mais assessores jurídicos, mais tradutores e mais dinheiro. Uma quarta comissão permanente, dizem, seria também bem-vinda à Assembleia Legislativa.
GRANDE PLANO
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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QUERELLE, RAINER WERNER FASSBINDER
GCS
GUANG NIU
HONG KONG | RELATÓRIO
Imprensa cercada
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MOP$10
QUARTA-FEIRA 23 DE AGOSTO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3882
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
2 grande plano
AL
Apesar de a Assembleia Legislativa contar com mais de duas dezenas de juristas nos seus quadros de assessoria, a aproximação de prazos para entrega de diplomas, ou pareceres, pode levar a que se passem fins-de-semana a trabalhar a contra-relógio. A situação dos tradutores é também de sobrecarga “Na altura em que estamos a preparar os pareceres, passamos aqui os fins-de-semana fechados porque temos um prazo muito curto para elaborar e traduzir os documentos.” FONTE DA ASSESSORIA JURÍDICA
FALTAM ASSESSORES JURÍDICOS E INTÉRPRETES NO APOIO AOS TRABALHOS LEGISLATIVOS
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O princípio da Assembleia Legislativa (AL) nem havia assessores no auxílio dos trabalhos dos deputados. A coisa ia-se fazendo, em grande parte graças à composição do hemiciclo recheado de juristas de renome. “Quando entrei em 1984, e ao longo da primeira legislatura, não havia qualquer assessor jurídico ou da área da economia, nada”, recorda Leonel Alves. No entanto, o histórico deputado e advogado lembra que se trabalhava bem. “Tínhamos na AL um grande presidente, o Dr. Carlos Assumpção, jurista de primeira água, assim como outros deputados juristas, designadamente o Dr. Neto Valente. No fundo, tínhamos pessoal de primeira linha que dava conta do recado”, conclui. Muita coisa mudou nas últimas mais de três décadas. A RAEM nasceu, os cofres do Governo encheram-se e a composição do órgão legislativo alterou-se. Hoje em dia, a AL tem na sua composição 33 deputados e ao longo do processo legislativo os
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pareceres foram ganhando um peso de interpretação legal que antes não tinham. “Na altura em que estamos a preparar os pareceres, passamos aqui os fins-de-semana fechados porque temos um prazo muito curto para elaborar e traduzir os documentos”, conta uma fonte da assessoria jurídica ao HM. Segundo o relato do técnico, as noitadas e os fins-de-semana de intensa labuta são frequentes, principalmente quando se ultimam pareceres das comissões permanentes. Outra das circunstâncias que eleva o volume de trabalho é o curto espaço de tempo que os assessores têm para analisar as propostas de lei. “Temos de dar a nossa opinião na primeira reunião e nesse curto período recolhemos material e estudamos alguns assuntos com que, por vezes, não estamos familiarizados”, contextualiza a fonte da assessoria, que ainda assim encara com normalidade a forma como a AL funciona neste domínio. “Há quatro anos atrás, quando trabalhámos na lei das terras, na legislação de salvaguarda do pa-
trimónio e no processo penal isto foi uma loucura, foi mesmo até ao fim, todos os tradutores e juristas a trabalhar”, conta o assessor. Este ano a azáfama foi apenas para alguns colegas, apesar de “a pressão do fim da legislatura ser sempre um período complicado”.
EVOLUÇÃO DAS COISAS
Leonel Alves conhece, talvez como ninguém, a forma como a AL funciona, “onde o elo mais fraco é o dos juristas”. O apoio técnico é fundamental nas operações legislativas e de fiscalização do Executivo. “Quanto maior for essa complementaridade melhor ou mais profícuo será para os trabalhos da AL”, explica o ainda deputado. Se na primeira legislatura não havia assessoria, ao longo da segunda, assim que houve alguma folga em termos orçamentais, começou a pensar-se em contratar assessores jurídicos e da área económica. Um trabalho essencial no auxílio das funções dos deputados, especialmente daqueles sem formação jurídica.
Os anos foram passando e o quadro de pessoal de assessoria foi crescendo, numa primeira fase só com assessores portugueses e depois, por iniciativa de Leonel Alves enquanto secretário da Mesa da AL, foram admitidos juristas de matriz chinesa. Este apoio foi ganhando um importância crescente, principalmente no que diz respeito ao auxílio às comissões permanentes, passando os assessores a fazer os relatórios das comissões. Tendo em conta o contexto do dinheiro que o órgão legislativo tem à sua disposição, uma visão histórica demonstra que os orçamentos têm vindo a crescer mas, ainda assim, representam uma parcela pequena face aos gastos globais anuais do Governo de Macau. Ao longo da sessão legislativa de 2002, a AL funcionou com um orçamento de 57 milhões de patacas. Em 2008, cresceu para 76,14 milhões. No ano passado, o orçamento corrigido da AL foi de quase 189,5 milhões de patacas. Apesar do aumento considerável, esta quantia
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HOJE MACAU
quarta-feira 23.8.2017
“A lei de terras tem artigos que que já li cinquenta vezes e que não percebo. Estes problemas ocorrem, normalmente, quando nos grupos de trabalho não consta nenhum elemento de matriz portuguesa.” “Se não houver muito para apreciar, as três comissões podem dar vazão aos trabalhos, mas se houver um incremento grande de propostas e projectos de lei, creio que mais uma comissão permanente seria benéfico.” LEONEL ALVES DEPUTADO
representa apenas 0,22 por cento do orçamento revisto do total da despesa integrada do Governo, como se lê no relatório de actividades da AL da 3ª sessão legislativa da V legislatura. José Pereira Coutinho já se havia referido a esta questão, referindo que o dinheiro que a AL dispõe “é muito pouco comparando com qualquer outro serviço público”. O deputado contou que os assessores e intérpretes da assembleia “não têm mãos a medir para a quantidade de trabalho”, acrescentando que “se alguns deles saírem, a quebra é drástica”. Em termos orçamentais, também Leonel Alves acha que a AL deveria ter mais dinheiro, chegando a dizer, com humor, que “o orçamento até devia ser, entre aspas, ilimitado”.
PERDAS IRREPARÁVEIS
Neste momento, a AL funciona com sete grupos de trabalhos de assessoria jurídica, dois dos quais não têm nenhum jurista português. No final de 2015, uma jurista portuguesa abandonou a AL para
No ano passado, o orçamento corrigido da AL foi de quase 189,5 milhões de patacas. Apesar aumento considerável, esta quantia representa apenas 0,22 por cento do orçamento revisto do total da despesa integrada do Governo regressar a Portugal, sem ter sido substituída. Apesar de alguns assessores chineses ter estudado Direito em universidades portuguesas, as subtilezas e conceitos da linguagem técnico-jurídica é de difícil apreensão, mesmo para portugueses pouco versados em Direito. Este facto tem levado a redacções pobres de legislação. Leonel Alves destaca, neste capítulo, a lei das partes comuns dos edifícios em propriedade horizontal,
sendo que “a lei de protecção dos animais ainda foi pior, com artigos que são totalmente ilegíveis”. “A lei de terras tem artigos que já li cinquenta vezes e que continuo sem perceber. Estes problemas ocorrem, normalmente, quando nos grupos de trabalho não consta nenhum elemento de matriz portuguesa”, explica Leonel Alves. Apesar de há cerca de ano e meio a AL ter contratado quatro juristas novos que tiraram o curso em Portugal, de acordo com a fonte próxima da assessoria técnica, são pessoas ainda muito novas, obviamente sem a experiência dos assessores mais velhos. A formação faz-se a trabalhar. O assessor que falou com o HM revelou que o número de pessoal não é o problema, mas “se calhar, o que falta são pessoas com mais experiência”.
QUARTO ELEMENTO
Outro dos detalhes que poderia ajudar ao melhor fluxo dos trabalhos da AL seria a criação de uma quarta comissão permanente. De momento, os grupos de assessoria são sete, apenas para três comissões
permanentes. “Para não acumularem tanto as leis, talvez fosse melhor haver mais uma comissão permanente”, teoriza o técnico. Apesar do número de deputados ter aumentado, as comissões permanentes continuam a ser três. Durante a sessão legislativa do ano passado foram realizadas 154 reuniões das comissões permanentes da AL. Neste momento, uma comissão tem em média nove elementos. “Se não houver muito para apreciar, as três comissões podem dar vazão aos trabalhos, mas se houver um grande incremento de propostas e projectos de lei, creio que mais uma comissão permanente seria benéfico”, considera Leonel Alves. A questão do fluxo de trabalho agiganta-se na parte dos intérpretes. “Talvez a nível de tradutores o volume de tarefas seja ainda mais difícil, porque para além do trabalho legislativo têm as interpelações e intervenções antes da ordem do dia para traduzir”, conta a fonte ao HM. Importa aqui referir que ao longo da sessão legislativa do ano
transacto os tradutores da AL trabalharam em 264 intervenções antes da ordem do dia. No campo das interpelações, tiveram de traduzir 619 escritas e 61 orais, num ano em que foram aprovadas nove leis e uma resolução, num universo de 11 propostas de lei e quatro projectos. Em termos de iniciativa legislativa, as propostas suplantam os projectos, ou seja, o Governo propõe mais legislação do que a assembleia. Neste aspecto, Leonel Alves acha que “se cada uma das comissões ficasse incumbida de fazer um projecto de lei por legislatura já não era mau”. O deputado lembra ainda que é necessário que “não esqueçamos que a AL tem fundamentalmente uma missão legislativa”. Porém, legislar é um processo complexo que implica uma visão integrada de todo o ordenamento jurídico. “Legislar não é só carregar no botão do aprovar, abster-se ou votar contra. É preciso ter massa crítica, conhecer a realidade de Macau, conhecer o seu ordenamento jurídico. É todo um conjunto de tarefas importantes onde, a meu ver, a assessoria jurídica tem um papel fundamental”, considera o histórico deputado. João Luz
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S acções da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança não são satisfatórias. A ideia foi deixada pelo deputado Leong Veng Chai ao HM, em reacção ao caso dos dois agentes da Polícia de Segurança Pública detidos por corrupção. Na base da condenação esteve o auxílio à entrada ilegal de pessoas no território. Para Leong Veng Chai, a falta de eficácia da comissão deve-se à fraca adesão por parte dos cidadãos. A população, considera, ainda não sabe que pode recorrer a este organismo para apresentar as suas queixas. “Há ainda pouca informação relativamente à comissão que tem como função receber as queixas da população, sendo que a responsabilidade é do Governo”, disse ao HM. Para o deputado, a promoção da comissão por parte do Executivo é “insuficiente”. Leong Veng Chai aponta que a solução para o problema passaria pela representação, dentro do organismo, das várias faixas da sociedade.
UM CASO DE PESAR
Leonel Alves, presidente da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança, falou ao Jornal Ou Mun do desgosto que sentiu com os
FORÇAS DE SEGURANÇA COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO TEM DE SE DAR A CONHECER
E preciso dar a cara ´
A Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança já existe há 12 anos, no entanto o seu trabalho ainda é considerado desconhecido, afirma Leong Veng Chai. Já o presidente do organismo, Leonel Alves considera que há questões mais complexas para resolver, sendo que a falta de funcionários é uma delas casos de corrupção policial recentemente divulgados, sendo que ressalvou o papel da comissão no que respeita aos esforços postos no desenvolvimento das competências que lhes são associadas. O ainda deputado referiu ainda à mesma fonte que “leva tempo a atingir os objectivos”. De acordo com as declarações de Leonel Alves ao jornal Ou Mun, a detenção dos dois agentes da autori-
Para Leong Veng Chai, a falta de eficácia da comissão deve-se à fraca adesão por parte dos cidadãos
dade é “fruto de influência geral do ambiente económico e da sociedade”. No âmbito da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança, Leonel Alves contou que, ao longo do tempo, a comissão tem assumido os trabalhos de fiscalização e, além de receber queixas dos cidadãos sobre o pessoal das forças de segurança, tem apostado na divulgação dos relatórios e opiniões referentes à investigação disciplinar.
PARTICIPAR MAIS
O responsável disse ainda que a estrutura da comissão bem como as suas funções já estão em funcionamento há 12 anos, sendo que, apontou, tem mantido a comunicação com as entidades competen-
tes para alargar os poderes da comissão. O objectivo, disse, é garantir a participação nos processos de investigação. O presidente espera ainda que o organismo tenha o direito de estar presente nas audiências. Conseguir isto é, para Leonel Alves “um grande avanço”. O responsável admite, no entanto, que não será fácil, uma vez que a comissão tem um número muito reduzido de funcionários. Leonel Alves frisou ainda que há questões relativas a alterações à estrutura do organismo e à própria legislação. No entanto, e apesar dos diversos obstáculos, afirma que vai continuar a manter contacto com os serviços competentes. Quanto aos trabalhos de combate aos crimes cometi-
dos pelos agentes policiais, Leonel Alves sugere que sejam depositados mais esforços na área da educação e espera que a Comissão possa colaborar com a Escola Superior das Forças
De acordo com as declarações de Leonel Alves ao jornal Ou Mun, a detenção dos dois agentes da autoridade é “fruto de influência geral do ambiente económico e da sociedade”
de Segurança de Macau na realização de palestras. Foram detidos, no domingo, por suspeita de envolvimento num esquema de entrada e saída de imigrantes ilegais do território, dois agentes, do Departamento de Migração da Polícia de Segurança Pública (PSP). Os agentes, com 29 e 32 anos, terão alegadamente recebido subornos de, pelo menos, 300.000 dólares de Hong Kong, afirmou fonte da PJ. As detenções aconteceram no Posto Fronteiriço do Cotai na madrugada de domingo pela PJ, com a ajuda da PSP, tendo sido também detida uma residente de Macau, de 33 anos, num apartamento na Taipa, por alegado envolvimento no caso, indicou a mesma fonte. Segundo a investigação da PJ, que teve início em Junho, os dois agentes dos Serviços de Migração proporcionariam a entrada ou saída de imigrantes ilegais, de carro, através do Posto Fronteiriço do Cotai quando um deles se encontrasse de serviço. Tal sucedia na sequência de telefonemas de imigrantes ilegais para um dos agentes – apontado pela PJ como cérebro da operação – ou para a mulher suspeita de envolvimento na mesma rede. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo
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ALIBABA NG KUOK CHEONG INTERPELA GOVERNO DEVIDO A FALTA DE CONCURSO PÚBLICO
Nuvem pouco transparente
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OM uma influência crescente nas regiões especiais, nomeadamente em Hong Kong, o anúncio do acordo-quadro entre o grupo Alibaba e o Governo de Macau tem levantado algumas suspeitas no território. Em interpelação escrita, Ng Kuok Cheong questiona se a decisão de não se proceder a concurso público para a criação do centro de computação em nuvem e da plataforma de megadados foi uma decisão tomada directamente por Chui Sai On. O pró-democrata demonstrou ainda dúvidas se o processo não estará a extravasar os normais procedimentos administrativos.
aquisição de programas informáticos e serviços para a gestão das adjudicações. Este acordo-quadro, que foi assinado no passado dia 4, motivou um coro de críticas de vários quadrantes. Por exemplo, o presidente da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública de Macau, Cheang Chong Fai, mostrou-se insatisfeito com o método adoptado para a celebração do entendimento. Como o projecto envolve o dispêndio de dinheiros públicos, o dirigente associativo considerou que os cidadãos têm direito à informação de quanto e como será gasto.
HOJE MACAU
O deputado pró-democrata quer saber se a decisão de não se realizar concurso público no acordo que fixa o grupo chinês Alibaba em Macau foi do Chefe do Executivo. Ng Kuok Cheong pergunta ainda que medidas preventivas foram tomadas para evitar derrapagens orçamentais
Ng Kuok Cheong teme que a falta de transparência leve a consequências verificadas no passado, nomeadamente no que toca a derrapagens orçamentais e atrasos nas obras públicas O deputado teme que a falta de transparência leve a consequências verificadas no passado, nomeadamente no que toca a derrapagens orçamentais e atrasos nas obras públicas. Neste contexto, importa lembrar que na semana passada o Governo anunciou o investimento de 400 milhões de patacas, nos próximos dois anos, na construção do projecto da construção da cidade inteligente. Ng Kuok Cheong deu como exemplo, na interpelação que assinou, os problemas surgidos no
âmbito da criação do sistema de metro ligeiro, um caso onde lamenta que ainda não haja data concreta para a conclusão das obras. O deputado recorda ainda que os projectos que envolvem o gasto de dinheiros públicos contornando concursos públicos em aquisições adjudicatárias têm gerado grande apreensão entre os cidadãos.
POUCA TRANSPARÊNCIA
Em relação ao acordo-quadro celebrado entre o Governo e o
gigante chinês Alibaba, o deputado nota que as informações prestadas sobre a construção de um centro de computação em nuvem e a plataforma de megadados foram muito gerais. De forma a dissipar a falta de transparência do processo, Ng Kuok Cheong pede ao Executivo a divulgação da lista de serviços que vão ser adjudicados. O pró-democrata pede ainda os orçamentos para as respectivas despesas onde se incluem obras de construção civil,
HOJE MACAU
ELEIÇÕES EILO YU NÃO PREVÊ GRANDES MUDANÇAS NESTAS ELEIÇÕES
O
académico da Universidade de Macau (UM) não considera que as eleições do próximo dia 17 de Setembro tragam grandes novidades à composição da Assembleia Legislativa (AL). Eilo Yu não prevê que se registe uma grande diferença em relação ao acto eleitoral de 2013. O docente acrescentou ao Jornal Ou Mun, que não considera que os novos candidatos tenham capacidade suficiente para desafiar as posições já estabelecidas das candidaturas tradicionais.
Em relação à saída de alguns deputados com história na AL, o académico diz que estará atento à influência que estas mudanças de elenco no hemiciclo vão trazer à taxa de votação. Apesar do número recorde de comissões de candidatura, que chegaram às 25, com listas que concorrem este ano separadamente, Eilo Yu destaca que praticamente não há caras novas nos boletins de voto. No entanto, a multiplicidade de candidaturas merece a reflexão do académico que
considera que a separação das listas pode representar uma maior especialização dos candidatos por vários assuntos específicos. Na visão do docente da UM, esta realidade é também reflexo de uma sociedade cada vez mais detalhada e que escapa aos modelos de candidatura de antigos sufrágios. Eilo Yu é da opinião de que a tradição vale bastante nas eleições de Macau, mas que ainda assim vai haver uma grande concorrência para os últimos três assentos no hemiciclo.
Também neste sentido, Ng Kuok Cheong interpelou o Governo para saber quanto do orçamento relativo à construção do projecto da cidade inteligente irá directamente para o grupo Alibaba. Além disso, o deputado questionou quais as medidas preventivas tomadas pelo Executivo de forma a evitar derrapagens orçamentais. Victor Ng (com J.L.) info@hojemacau.com.mo
AMCM Deborah Ng assume cargo na administração
Deborah Ng, actualmente directora do Gabinete de Informação Financeira (GIF), vai ocupar um cargo no conselho de administração da Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM), segundo noticiou ontem a Rádio Macau. Desde 2006 que Deborah Ng tem ocupado o cargo de chefia no GIF, sendo que Chu Un I, actualmente a desempenhar funções como coordenadora-adjunta vai ocupar o lugar deixado vago. A entrada de Deborah Ng na AMCM deve-se à saída de Anselmo Tang, até então presidente. A entidade passa a ser presidida por Benjamim Chan, que tem sido vogal da AMCM desde Agosto de 2015.
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Excerto do relatório de negócios de 2016 Em 2016, a tendência da economia de Macau ficou estável, de entre os negócios, o sector de Jogo demonstra sinais de recuperação. Mesmo assim, depois da conclusão das infra-estruturas enormes do passado, o crescimento do mercado geral de seguro de propriedade fica baixo com apenas um número dígito. O prémio bruto da nossa companhia no corrente ano é mais de duzentos
milhões a mais que treze milhões patacas, o aumento é leve com cerca de quatro milhões. A nossa companhia tem insistido um princípio eficaz de operação, concentrando-se na atracção de negócios qualificados, a fim de evitar o objecto com base do aumento demasiado da taxa de seguro. Além disso, sem acontecimento de desastres naturais no ano passado, o lucro líquido do corrente
ano é mais de quarenta e três milhões patacas, com aumento de 36%, o desempenho é melhor do que o ano passado. Para o ano de 2017, a nossa companhia acredita que, com a boa reputação, a força poderosa e o serviço excelente, podemos continuar a manter e desenvolver mais negócios qualificados, por isso, temos confiança para o futuro.
Relatório de Auditor Independente sobre Demonstrações Financeiras Resumidas Para os administradores da Asia Insurance Company, Limited (sociedade de responsabilidade limitada, registado em Hong Kong) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da Asia Insurance Company, Limited, Sucursal de Macau relativas ao ano de 2016, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 10 de Abril de 2017, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo.
As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2016, a demonstração de resultados, e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas.
Para a melhor compreensão da posição financeira da Asia Insurance Company, Limited, Sucursal de Macau e dos Resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria. Bao, King To Auditor de Contas Ernst & Young – Auditores Macau, 10 de Abril de 2017
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HONG KONG RELATÓRIO APONTA QUEBRA NA LIBERDADE DE IMPRENSA
Cerco ao sistema
O relatório da Associação de Jornalistas de Hong Kong alerta para uma redução da liberdade de expressão e de imprensa na região vizinha, com o surgimento de novos media online com mais independência. José Carlos Matias, da AIPIM, diz que Macau tem diferentes especificidades “tem especificidades advindas da situação política e social que não são exactamente as mesmas de Macau”. “Haverá alguns problemas que são semelhantes e outros que são diferentes relativamente aos obstáculos do trabalho do dia-a-dia”, apontou ainda José Carlos Matias, que defendeu que a dificuldade
de acesso às fontes seja um dos problemas mais sentidos. “Naturalmente que o acesso às fontes é um factor que condiciona tudo o que podia ser um exercício mais robusto do jornalismo e da liberdade de imprensa”, disse. O presidente da AIPIM referiu que “muito em breve” será tornado público o relatório sobre o inqué-
rito efectuado pela associação a cerca de 40 jornalistas e que poderá “tornar mais clara a situação” dos media locais.
BATALHAS ONLINE
O relatório da HKJA dá ainda conta do surgimento de vários meios de comunicação social nas plataformas online como forma de resposta
ao aumento dos constrangimentos nos media tradicionais. Estes “têm surgido como cogumelos” mas enfrentam “duas batalhas”: a “pressão financeira e a política do Governo”, uma vez que não têm o reconhecimento oficial que os outros media têm, nem têm o mesmo acesso à informação, denota o relatório. Também em Macau a situação é bem diferente, pois o surgimento de websites informativos está numa fase embrionária, notou José Carlos Matias. “Aqui ainda existe um modelo um pouco tradicional. Sei que em chinês estão a surgir alguns sites informativos online que começam a ter alguma expressão. Temos alguns meios de audiovisual ou imprensa escrita, e ainda não estamos ao nível de outros territórios e jurisdições. Não existe ainda um enquadramento formal para os meios que funcionam estritamente online”, concluiu.
“O aumento da pressão é reflexo da mudança da política de Pequim face a Hong Kong nos últimos anos e o facto das tensões entre os dois sistemas terem aumentado.”
GUANG NIU
HAMA-SE “Dois sistemas sob cerco – Pequim com maior controlo sobre os media de Hong Kong” e é o mais recente relatório da Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA, na sigla inglesa) relativo a este ano. As conclusões são demolidoras, com a associação a considerar que “nos últimos 20 anos tem-se registado uma regressão na liberdade de expressão em geral e na liberdade de imprensa mais em particular, apesar das tentativas dos trabalhadores dos meios de comunicação social de lutarem contra esta tendência”. Alertando que esta situação “tem sido exposta em diversos relatórios publicados por observatórios de media”. Na visão da HKJA, “não há dúvidas de que a pressão de Pequim é a principal razão para a erosão da liberdade de imprensa”. “O aumento da pressão é reflexo da mudança da política de Pequim face a Hong Kong nos últimos anos e o facto das tensões entre os dois sistemas terem aumentado”, lê-se ainda. Dados citados no relatório mostram que “oito dos 26 meios de comunicação social estão sob controlo da China ou têm accionistas chineses”. Além disso, “a situação de auto-censura tem vindo a piorar”. Um inquérito realizado pela HKJA, em parceria com a Universidade de Hong Kong, revela que 30 por cento dos jornalistas correspondentes fazem auto-censura. “Um nível semelhante foi revelado em 2006 com um questionário realizado também pela associação, mas é, contudo, uma tendência preocupante”, lê-se no documento. Outros dados mostram que “72 por cento dos jornalistas que responderam ao questionário afirmam que a liberdade de imprensa tem-se deteriorado no último ano, tendo apontado o caso do desaparecimento dos cinco livreiros, no final de 2015, como a maior preocupação”.
RELATÓRIO DA ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS DE HONG KONG
Para a HKJA, o Governo liderado por Carrie Lam deve reconhecer que “os meios de comunicação online fazem um trabalho jornalístico legítimo e que têm igual acesso às instalações governativas e à informação que é transmitida à imprensa”. Pede-se ainda que o Governo de Hong Kong adopte “uma forma mais aberta de lidar com os meios de comunicação social”, pois, nos últimos anos, “tem realizado poucas conferências de imprensa para anunciar grandes políticas”.
DIFERENÇAS DE CÁ
Contactado pelo HM, José Carlos Matias, presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês (AIPIM) lembrou que Hong Kong
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
FÓRUM MACAU NOVE PROPOSTAS PARA CONSTRUÇÃO DO NOVO COMPLEXO
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M total de nove propostas de orçamento foram ontem abertas nos serviços de Obras Públicas e Transportes referentes à construção do futuro complexo do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de
Língua (Fórum Macau) na zona do lago Nam Van, junto à Assembleia Legislativa. De acordo com a informação divulgada pelo canal de rádio da TDM, as propostas, com valores que variam entre 598 milhões e 1,06 mil milhões de patacas, serão
conhecidas até à manhã desta quarta-feira. Só após a análise da comissão técnica haverá a decisão sobre qual a empresa responsável pelo projecto, que deverá ser ainda iniciado este ano. O novo complexo será edificado em dois lotes de
terreno com 14 mil metros quadrados, terá uma altura variável entre os 14 e os 21 metros e dois pisos em cave para estacionamento. De acordo com o caderno de encargos, o novo edifício vai albergar todas as plataformas do Fórum Macau incluin-
do os centros de exposição de produtos dos países de língua portuguesa, de serviços para empresas, de formação e o pavilhão de exposições de relações económicas e da cultura lusófona. A obra deverá estar concluída ainda a tempo de receber a sexta conferên-
cia ministerial que deverá ter lugar no final do ano de 2019, quando se celebrarem os 20 anos da transferência da administração de Macau de Portugal para a China.
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quarta-feira 23.8.2017
O deputado Leong Veng Chai não está satisfeito com a construção do posto de abastecimento de gasolina à entrada da Taipa e pede que haja uma discussão no seio do Conselho do Planeamento Urbanístico
Há petróleo na Taipa de tratamento de águas residuais têm de ficar afastados de zonas residenciais”. Leong Veng Chai considera ainda que é importante tornar público o relatório de impacto ambiental relativo ao projecto de construção. Em Janeiro deste ano, foi notícia um aviso do Instituto para os Assuntos
construção de uma nova bomba de gasolina na estrada Almirante Marques Esparteiro, à entrada da Taipa, continua a não gerar consenso. Depois de vários protestos de residentes, o Governo decidiu mesmo dar o aval ao projecto, mas o deputado Leong Veng Chai considera que o projecto deveria ser alvo de debate por parte dos membros do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU). “O Governo vai ponderar a inclusão dos referidos projectos na lei do planeamento urbanístico e o estabelecimento de regras para que esses projectos possam ser discutidos no CPU e permitir uma maior participação da população?”, questionou em interpelação escrita. Na visão do deputado à Assembleia Legislativa, o debate sobre este assunto é importante porque “em Macau os terrenos são poucos e os habitantes são muitos”, sendo que alguns projectos, “como os postos de gasolina ou as estações
A
Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) realizou ontem um seminário presidido por Ella Lei, que se debruçou sobre a sustentabilidade do sistema de segurança social. O objectivo do seminário organizado pela FAOM foi dar a conhecer aos participantes o passado do sistema de benefícios sociais, assim como lançar uma perspectiva do seu futuro. Em primeiro lugar, Ella Lei destacou que é necessário que o Governo avance com
Cívicos e Municipais (IACM) quanto à aprovação das obras.
PROTESTOS IGNORADOS
Na sua interpelação escrita, o deputado lembra a contestação social que houve nos últimos anos sobre a construção de uma nova bomba de gasolina numa zona residencial.
“Em Junho de 2014 o Governo, sem qualquer consulta pública, autorizou a Caltex Oil Macau a construir um posto de abastecimento de gasolina num local de lazer (além de ser uma zona residencial, existe nas imediações um hotel e zonas pedonais).” Além disso, “o referido lote de terreno fica muito perto de uma
zona de queima de panchões, que é aberta durante o ano novo lunar”. Portanto, “se o fumo e as chamas chegarem ao posto, as consequências podem ser desastrosas”. A obra chegou a ser suspensa, tendo sido autorizada sem que tenha existido um anúncio oficial sobre o assunto.
“O Governo vai ponderar a inclusão dos referidos projectos na lei do planeamento urbanístico e o estabelecimento de regras para que esses projectos possam ser discutidos no CPU?”
HOJE MACAU
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CPU DEPUTADO QUER DISCUSSÃO SOBRE NOVO POSTO DE GASOLINA
LEONG VENG CHAI DEPUTADO
“Em Junho de 2014 as obras de construção do referido posto de gasolina pararam devido à grande oposição de alguns deputados e moradores da zona. Depois disso o local de lazer não voltou a ser aberto para a utilização dos moradores”, lembrou Leong Veng Chai. As obras decorrem agora a bom ritmo e, segundo anunciou o IACM em Janeiro, exigiram a queda de algumas árvores para a construção do edifício. A.S.S.
Segurança social segura
Ella Lei destaca importância da estabilidade nos mecanismos de benefícios
medidas eficazes para tornar a segurança social num mecanismo com estabilidade para se sustentar a longo prazo, de forma a assegurar e apoiar a vida dos residentes reformados de Macau. No que diz respeito ao desenvolvimento do regime de previdência central, a deputada entende que existe ainda um caminho que precisa ser trilhado.
No capítulo das insuficiências existentes no regime de segurança social, Ella Lei pegou no exemplo da reversão de direitos para passar a sua mensagem. “As pessoas são autorizadas a obter 30 por cento do fundo com três anos de trabalho e 40 por cento quando completarem quatro anos, mas para quem não tem um emprego estável, ou seja, os
trabalhadores que têm o período de trabalho muito curto têm dificuldades no acesso ao regime”, revelou a deputada.
PRODUTOS PERIGOSOS
Neste aspecto, Ella Lei entende que devem ser tomadas medidas que resolvam os problemas oriundos da precariedade laboral, dos trabalhadores que permanecem com um vínculo
instável. A representante dos FAOM deu o exemplo dos operários que trabalham nos sectores da construção civil e restauração, que devem ter condições de acesso aos benefícios da segurança social. Numa perspectiva de melhorar o sistema de Macau, a deputada entende que o Governo deve ter em consideração os exemplos das regiões vizinhas, tanto no bom como no mau sentido. Ella Lei mostrou em declarações ao HM alguma preocupação com o depósito do fundo de segurança
social uma vez que, no seu entender, os produtos de investimento podem trazer despesas elevadas na administração do fundo. As consequências deste aspecto financeiro podem fazer-se sentir na diminuição dos montantes finais atribuídos aos beneficiários. Para a deputada, este é um dos desafios que a segurança social pode enfrentar no futuro. Victor Ng (com J.L.) info@hojemacau.com.mo
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23.8.2017 quarta-feira
Filme de Pedro Pinho pré-seleccionado pela Academia Europeia
O
filme português “A fábrica de nada”, de Pedro Pinho, está entre os pré-seleccionados para os prémios da Academia Europeia de Cinema, anunciou ontem aquela entidade. “A Fábrica de Nada” é o único filme português na lista de 51 pré-seleccionados, de 31 países, divulgada na página oficial da Academia Europeia de Cinema na Internet. Nas próximas semanas, os cerca de três mil elementos da Academia Europeia de Cinema irão escolher os nomeados nas várias categorias, cujos vencedores serão decididos por um júri constituído por sete pessoas. As nomeações serão anunciadas a 4 de Novembro, no Festival de Cinema Europeu de Sevilha, em Espanha, e os vencedores serão revelados na 30.ª cerimónia dos prémios da Academia Europeia de Cinema a 09 de Dezembro, em Berlim. “A Fábrica de Nada”, que chega às salas portuguesas de cinema a 21 de Setembro, estreou em Maio no Festival de Cannes, onde venceu o Prémio Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, a que se seguiu o prémio CineVision, em Junho, em Munique, para melhor novo filme. O filme de Pedro Pinho, com três horas de duração, é interpretado por actores e não actores
e segue a vida de um grupo de operários que tentam segurar os postos de trabalho, através de uma solução de autogestão colectiva, e evitar, assim, o encerramento de uma fábrica. Pedro Pinho assina a realização, mas o filme de ficção foi construído em conjunto com Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, a partir de uma ideia de Jorge Silva Melo e da peça de teatro “A Fábrica de Nada”, de Judith Herzberg.
Rota de artistas EXPOSIÇÃO TRABALHOS LOCAIS INSPIRADOS NO CIRCUITO DA GUIA
CGPM
A fábrica prometida
SUCESSO EM CANNES
Em Cannes, o filme foi considerado também o melhor de todas as secções do festival, de acordo com a soma final dos críticos presentes no evento, sendo só superado pela série televisiva “Twin Peaks”, de David Lynch. “A Fábrica de Nada” teve estreia mundial na Quinzena dos Realizadores, secção paralela do Festival de Cannes. O director artístico da Quinzena dos Realizadores, Edouard Waintrop, destacou “a película pelo “uso de uma variedade incrível de géneros cinematográficos: é praticamente um ‘thriller’ no início, tornando-se íntimo, político, social, fazendo um breve desvio para a comédia musical.” Em Julho, o filme venceu o prémio CineVision do Festival de Cinema de Munique. “O prémio CineVision para melhor novo filme foi para ‘A Fábrica de Nada’, de Pedro Pinho. O júri considerou o filme ‘um drama comovente, um musical peculiar, um documentário preciso, um ensaio desafiador – compre quatro por um com este excelente filme em tempos de turbo capitalismo”, referiu na altura a organização do festival.
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HK CRYSTAL LIU MOSTRA TRABALHOS INÉDITOS
É
a primeira exposição individual da artista com ascendência de Hong Kong, Crystal Liu. A mostra “In Dreams” foi feita especialmente para o evento a ter lugar na Galerie du Monde na região vizinha. São 17 pinturas inéditas que retratam de forma abstracta o tema da paisagem e que vão estar em exibição de 14 de Setembro a 29 de Outubro. De acordo com a apresentação do evento, “In Dreams” é mais uma exploração levada a cabo pela artista, agora radicada no Canadá, da paisagem
enquanto “metáfora das forças intangíveis que dominam o ser humano”. Nas telas estão representados, de forma livre, os vários estados emocionais que acompanham Crystal Liu no processo criativo. “São narrativas de aprisionamento, de disputas, de desejo e optimismos frágeis que se reflectem em montanhas, estrelas, rios e rochas”, lê-se na apresentação da “In Dreams”. A intenção é retratar a complexidade muitas vezes paradoxal da existência, o caminho entre a esperança e a desilusão num
misto de paisagem e vida privada da própria artista. O guache e a aguarela são os materiais escolhidos para esta série e “In Dreams” foca-se no reflexo do céu na água, em ambientes nocturnos dentro de um contexto montanhoso. “O reflexo simboliza o espaço imaginário dos sonhos”, lê-se. A Galerie du Monde vai também levar o trabalho de Crystal Liu à China Continental com a participação na Art Shenzhen e na ART021 em Xangai. S.M.M.
eventos 11
São duas as exposições que marcam o primeiro aniversário da Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau. Os trabalhos são de artistas locais e pretendem sensibilizar a população para a importância do património PUB
É
O primeiro aniversário da Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau (APDCGM) e a data vai ser comemorada com a realização de duas exposições acerca de “O Circuito da Guia como Património Mundial da UNESCO”. “Faz este ano um ano que fundámos a associação e vamos fazer uma pequena celebração com a realização de várias actividades”, disse o presidente da associação, José Estorninho, ao HM. Para o efeito, a associação está a organizar duas exposições colectivas que contam com a participação de artistas locais. Para ter acesso às obras a organização fez o convite a várias entidades de modo a chegar ao maior número de possíveis interessados em expor no evento. As áreas artísticas estão “praticamente todas abrangidas”, diz José Estorninho. “Temos pintura, escultura, fotografia e joalharia, por exemplo”, ilustra o responsável. O objectivo é também “não deixar ninguém de fora e dar oportunidade ao
maior número de pessoas de expor o seu trabalho até porque nem todos têm a oportunidade de participar em exposições”, refere.
LUGAR ESPECIAL
Por outro lado, a associação pretende chamar a atenção para a questão do património, nomeadamente no Circuito da Guia. “A defesa do património local é fundamental e o Circuito da Guia do Grande Prémio é um local que precisa de atenção e preservação” completa José Estorninho. Com o envolvimento de artistas e da comunidade, a associação pretende ainda “apelar e sensibilizar as pessoas para esta causa”. José Estorninho está satisfeito com os trabalhos que têm chegado à associação. “Já recebemos 21 obras, o que podemos considerar um número alargado de artistas a participarem”, afirma. Para o responsável, as obras que vão ser exibidas já representam “uma colecção bastante abrangente e simbólica” que reflecte diferentes manifestações artísticas locais.
GONÇALO LOBO PINHEIRO
quarta-feira 23.8.2017
“A defesa do património local é fundamental e o Circuito da Guia do Grande Prémio é um local que precisa de atenção e preservação.” JOSÉ ESTORNINHO PRESIDENTE DA APDCGM
A primeira exposição tem data de inauguração marcada para o próximo sábado, pelas 18h15, na Galeria do Edifício RITZ, no Largo do Senado. Dadas as limi-
tações de espaço não estarão aqui expostos todos os trabalhos e a 16 do próximo mês é inaugurada a segunda exposição, agora sim, com todas as obras recebidas. O local é a Galeria de Acesso à Fortaleza do Monte. A escolha de dois espaços é também estratégica. Para José Estorninho “estas duas mostras vão dar a possibilidade aos visitantes de conhecer dois espaços diferentes além da própria exposição”. Depois das exposições está já agendada uma palestra no Ritz. O tema será “O Circuito da Guia e o seu Futuro”. “Vamos focar o tema tendo em conta o ponto de vista de profissionais em várias áreas úteis para a matéria”, explica o responsável. A palestra pode ainda dar origem a uma troca de opiniões, sendo que, afirma, “é a primeira palestra do género no território”. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
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23.8.2017 quarta-feira
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE “PRODUÇÃO DE REGISTO DE IMAGEM DE VÍDEO DAS OBRAS RELATIVAS AO SISTEMA DE METRO LIGEIRO DE MACAU (2018-2020)” 1. Entidade adjudicante: Secretário para os Transportes e Obras Públicas. 2. Entidade que põe a prestação de serviços a concurso: Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes. 3. Modalidade de concurso: concurso público. 4. Objecto de adjudicação: a produção de registo de imagem de vídeo das obras relativas ao Sistema de Metro Ligeiro de Macau. 5. Prazo de prestação de serviços: segundo o prazo descrito no caderno de encargos. 6. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa de concurso. 7. Caução provisória: é de $40 000,00 (quarenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro ou garantia bancária aprovada nos termos legais, de acordo com o disposto do número 9.3 e 9.4 do programa de concurso. 8. Caução definitiva: 4% (quatro por cento) do preço da adjudicação. 9. Preço base: não há. 10. Condições de admissão: Podem concorrer ao presente concurso as empresas que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis da Região Administrativa Especial de Macau e que exerçam actividades relacionadas com o objecto do concurso. 11. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: i. Local: sede do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Edf. Banco Luso Internacional, 26.º andar, Macau; ii. Dia e hora limite: dia 19 de Setembro de 2017, (Terça-feira), até às 17:00 horas. 12. Local, dia e hora do acto público: Local: sede do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Edf. Banco Luso Internacional, 11.º andar, Macau; Dia e hora: dia 20 de Setembro de 2017, (Quarta-feira), pelas 11:00 horas. 13. Adiamento: Em caso de encerramento dos serviços públicos da Região Administrativa Especial de Macau ao público em virtude de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas ou a data e a hora do acto público do concurso estabelecidas, serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, na mesma hora. 14. Nos termos do artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, e os respectivos efeitos previstos, os concorrentes ou os seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso; Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. 15. Local, dia e hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: sede do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Edf. Banco Luso Internacional, 26.º andar, Macau; Dia e Hora: horário de expediente desde a data da publicação do presente anúncio até à data do acto público do concurso; Preço: $100,00 (cem patacas). 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço 50% - Plano de trabalhos 25% - Experiências profissionais 25% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na sede do GIT, sita na Rua Dr. Pedro José Lobo n.º 1-3, Edf. Banco Luso Internacional, 26.º andar, GIT, Macau, a partir da data da publicação do presente anúncio, inclusive, e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, aos 15 de Agosto de 2017. O Coordenador Ho Cheong Kei
ANÚNCIO Prestação de serviços de limpeza no Complexo Comunitário de Seac Pai Van e Auto-Silo do Vale das Borboletas Concurso Público n° 7/SFI/2017 Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão, de 10 de Agosto de 2017, se acha aberto concurso público para a “Prestação de serviços de limpeza no Complexo Comunitário de Seac Pai Van e Auto-Silo do Vale das Borboletas”. O programa do concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 12:00 horas do dia 07 de Setembro de 2017. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP20.660,00 (vinte mil, seiscentas e sessenta patacas). A caução provisória pode ser entregue na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, nº 804, Edf. China Plaza 6º andar, pelas 10:00 horas do dia 8 de Setembro de 2017. Macau, aos 14 de Agosto de 2017. A Administradora do Conselho de Administração Isabel Jorge WWW. IACM.GOV.MO
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quarta-feira 23.8.2017
PYONGYANG SANÇÕES DE PEQUIM VÃO CUSTAR 1.500 MILHÕES DE DÓLARES
Pressão intensa
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REUTERS
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SPECIALISTAS consideraram que as sanções impostas pela China à Coreia do Norte vão custar a Pyongyang 1.500 milhões de dólares, mas não deverão travar a ambição nuclear do regime de Kim Jong-un. A suspensão das importações, anunciada este mês pela China em cumprimento do último pacote de sanções decidido pela ONU, vai prejudicar fortemente a economia norte-coreana, mas o regime vai adaptar-se, sublinharam os analistas citados pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. A China anunciou a suspensão das importações de carvão, ferro, chumbo e produtos do mar da Coreia do Norte, cumprindo o pacote de sanções adoptado pelo Conselho de Segurança da ONU. Em 2016, a China foi o destino de mais de 92% das exportações norte-coreanas. Aqueles produtos constituem quase 60% das vendas norte-coreanas para a China ou 1.500 milhões de dólares só no ano passado. Para Sun Xingjie, especialista em assuntos da Coreia do Norte na Universidade de Jilin, uma grande proporção das receitas procedentes das exportações era destinada a programas militares e famílias de elite do regime norte-coreano.
“Desta vez, a proibição da China fará com que Kim sinta pressão”, afirmou.
A PRAZO
Membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China votou a favor, no passado dia 6 de agosto, do sétimo pacote de sanções contra a Coreia do Norte, em resposta ao programa nuclear e ensaios com mísseis balísticos realizados por Pyongyang. Justin Hasting, professor de Relações Internacionais da Universidade
de Sydney (Austrália), que investiga o comércio entre a China e a Coreia do Norte, disse duvidar que a China aplique com rigor a proibição durante muito tempo.
“Desta vez, a proibição da China fará com que Kim sinta pressão.” SUN XINGJIE ESPECIALISTA EM COREIA DO NORTE
UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE REPÕE ARTIGOS CENSURADOS
“A China provavelmente vai cumprir a proibição a curto prazo”, mas é provável que “elimine a aplicação rigorosa passado algum tempo”, afirmou Hasting, citado pelo SCMP. A Coreia do Norte “provavelmente será prejudicada a curto prazo, mas a longo prazo, e a menos que a China mude completamente a postura em relação a Pyongyang, é provável que se possa adaptar”, afirmou.
Universidade britânica de Cambridge vai repor mais de 300 artigos politicamente sensíveis, removidos de uma das suas publicações na China a pedido das autoridades locais, anunciou na segunda-feira o editor daqueles conteúdos. Tim Pringle, editor do The China Quarterly, disse à agência noticiosa Associated Press (AP) que a publicação concordou em repor os artigos imediatamente. A decisão surgiu depois de vários académicos terem assinado uma petição para que a editora da universidade recuse compactuar com a censura imposta pelo Governo chinês. “Estou encantado com o apoio da comunidade académica internacional”, afirmou Pringle, citado pela AP. Na sexta-feira, a Cambridge University Press (CUP) afirmou ter cumprido um pedido para bloquear alguns artigos da versão electrónica da publicação The China Quarterly, na China. Os artigos censurados abordam assuntos sensíveis para o regime chinês, como o massacre na praça Tiananmen, em 1989, a Revolução Cultural (1966-76) e a questão do Tibete. “O acesso a material publicado da mais alta qualidade é uma componente essencial da pesquisa académica”, escreveu Pringle na rede de mensagens instantâneas Twitter. “Impedir esse acesso não é o papel de publicações respeitadas mundialmente, como a CUP”, acrescentou.
Académicos indicaram que as universidades têm também sido submetidas a um crescente controlo ideológico, incluindo acompanhamento frequente nas salas de aula. Christopher Balding, professor associado de economia na Peking University HSBC Business School, na cidade de Shenzhen, disse ter lançado o abaixo-assinado, para pressionar a CUP e universidades e académicos que interagem com a China, e para que as instituições se revoltem contra a censura oficial. À medida que as instituições de ensino superior chinesas contratam cada vez mais professores estrangeiros, o Governo está preocupado que as universidades percam “adesão ideológica”. A petição apela à CUP para que recuse acatar a censura do Governo chinês, afirmando que académicos e universidades têm o direito de boicotar a instituição e as suas publicações, caso cedam às exigências das autoridades. “O motivo fundamental é simplesmente exercer controlo, tentar impor o que eles pensam como a forma correta de pensar”, disse Balding. De acordo com o texto, que acompanha o abaixo-assinado, os académicos acreditam no intercâmbio livre e aberto de ideias e informação e que é “perturbador que a China esteja a tentar exportar a sua censura em assuntos que não se encaixam na sua narrativa preferida”.
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Anúncio Concurso Público «Serviços de segurança e de venda de bilhetes nas instalações desportivas afectas ao Instituto do Desporto» Faz-se saber que em relação ao concurso público para o «Serviços de segurança e de venda de bilhetes nas instalações desportivas afectas ao Instituto do Desporto», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 32, II Série, de 9 de Agosto de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do ponto 3.3 do programa do concurso, pela entidade que preside ao concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, na sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigus, n.o 818, em Macau. Instituto do Desporto, aos 23 de Agosto de 2017. O Presidente, Pun Weng Kun
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da primeira prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2017 nos temos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 31 de Agosto solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342 caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 15 de Agosto de 2017 O Presidente do Júri Iong Kong Leong
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23.8.2017 quarta-feira
Os degraus de jade cobrem-se de geada branca. O frio da noite trespassa as meias de seda.
A Poesia Completa de Li He
Canção da Espada do Compilador no Departamento da Primavera Na tua urna fulgem três pés de água, Ancião que certa vez1 Mergulhaste num lago em Wu Para decapitar um dragão.2 Um golpe de ofuscante luar inclinado, Polido, frio orvalho. Uma faixa de cetim branco, lisa e recta, Imperturbada por vento. O seu punho de antiga pele de pança de tubarão3 Eriçado de picos, Lâmina damascada, temperada com sebo de ave marinha, A cauda de um pavão branco. Ela é, numa palavra, um estilhaço Do coração de Jing Ke.4 Que possa nunca brilhar sobre os caracteres No Departamento da Primavera! Tiras espiraladas, novelos de ouro Suspensos do seu punho. Os seus raios mágicos podem cortar impecavelmente Um jade do Campo Azul.5 O Rei Branco do Ocidente fulminado de medo Quando foi desembainhada. A sua mãe demoníaca uivando selvaticamente Nos ermos de outono.6
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春坊正字劍子歌
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先輩匣中三尺水,曾入吳潭斬龍子。 隙月斜明刮露寒,練帶平鋪吹不起。
挼絲團金懸簏敕,神光欲截藍田玉。
蛟胎皮老蒺藜刺,鷿鵜淬花白鷳尾。
提出西方白帝驚,嗷嗷鬼母秋郊哭。
直是荊軻一片心,莫教照見春坊字。
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O décimo segundo primo mais velho de He ocupava o cargo de Compilador no Departamento (Secretariado) da Primavera da casa do Príncipe Herdeiro. “Ancião” era um termo usado pelos graduados de segundo grau para se dirigirem aos doutorados. Referência a Zhou Chu (Dinastia Jin), que mergulhou num lago para matar um dragão que assolava a sua região. Os punhos das melhores espadas eram em pele de tubarão. Jing Ke era o epítome do cavaleiro errante, um herói que tentou assassinar o odiado Primeiro Imperador dos Qin. O primo de He, Qin, nunca deveria levar a espada ao escritório do Príncipe Herdeiro por simbolizar o coração de um regicida. Lan-tian (Campo Azul), em Shanxi, era famoso pelo seu “jade”, que na verdade era um tipo de mármore esverdeado. Liu Bang, fundador da Dinastia Han, matou certa vez uma enorme serpente que lhe apareceu ao caminho. Nessa noite, surgiu-lhe em sonhos uma velha em altas lamentações, dizendo-lhe que a serpente era o filho do Rei Branco do Oeste.
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quarta-feira 23.8.2017
RAINER WERNER FASSBINDER, QUERELLE
Diário de um editor João Paulo Cotrim
Lâminas em busca de coração HORTA SECA, LISBOA, 31 JULHO Acontece com estranha frequência que uns dias se fazem buraco negro e sorvem o à volta. Julho baralhou-me os dias, os calendários, as agendas. De que servirá um diário, se os passos da escrita andarem à volta dos mesmos dias? Jeanne Moreau morreu, mas continuará a flâner, a deambular entre carros, no avesso das montras, à chuva, na pista de dança, de novo em cidade outra, nas teias de aranha do desejo, no cabaret fantasmagórico. Jeanne será mais da luz, doravante. Arrume-se isso no óbvio, aceitemos a graça de viver em tempos de fluxos ininterruptos e acessíveis. Revisitaremos as imagens sempre que houver necessidade de dar de beber à melancolia. Avancemos oceano dentro, o da voz. Jeanne dizia poesia, de Vinicius e de Genet. Jeanne cantava Duras e Norge, poeta du pays plat, que fará link inesperado a entrada mais adiante. E que bem cantava e dizia a morte, le vrai scandale. Os buracos negros absorvem de nós maturidades e deixam-nos na seca adolescência, indecisos apenas com vontade de ir, escusado será dizer que sem para onde ou por quê. Vai daí gravei cortante cassette com a playlist para riscos de ponta e mola no mapa. Acerte-se princípios, desde que difusos, com Le Blues Indolent, de Cyrus Bassiak, aqui sem o grão da voz, mas oferecendo sensualidades de allumeuse. «Je suis indolente, mes yeux sont vagues, vagues, vagues/ Et je balance mes hanches vaguement/ Mes lèvres remuent, fardées de mots si vagues, vagues/ Les passants hésitent en me croissant/ Le temps maudit toujours les presses/ Le vent si lent pour celle qui attend/ Le temps me berce de paresse/ Alors je chante sans fin ce vague chant». Os passeantes cruzam-na, apesar da hesitação. O tempo amaldiçoa os apressados. Para onde seguir se nos perdemos já, se so-
mos sem paisagem ou amor. Sigamos imóveis com India Song, de Marguerite Duras, hino dos sem rumo. «Chanson,/ Toi qui ne veux rien dire/ Toi qui me parles d’elle/ Et toi qui me dis tout/ Ô, toi,/ Que nous dansions ensemble/ Toi qui me parlais d’elle/ D’elle qui te chantait/ Toi qui me parlais/ d’elle/ De son nom oublié/ De son corps, de mon corps/ De cet amour là/ De cet amour mort.» A canção que nada quer dizer diz afinal tudo e na voz habitam já as profundezas. Anda por aqui desejo e morte. Hesito. Devia talvez ter saltado antes para a Chanson a tuer, de Norge, onde noto alegria infantil no jogo das facas que desemboca em frieza de estátua, aspirando a homicídios perfeitos. «Plante ce couteau, minette/ Mais droit au coeur s’il te plaît/ La besogne à moitié faite/ Et les meurtres incomplets/ Font horreur à l’âme honnête/ Qui n’aspire qu’au parfait/ Qui n’aspire qu’au parfait/ Parfait, parfait, parfait». A lâmina procura um coração ao ritmo de chansonnette o mesmo com a noite esquecerá o crime. É chegada a hora de Genet, em tom esgaçado e pesado, sem perder a clareza da folha da navalha: «Rocher de granit noir sur le tapis de laine/ Une main sur sa hanche, écoute-le marcher/ Marche vers le soleil de son corps sans péché/ Et t’allonge tranquille/ Au bord de sa Fontaine». Granito sobre lã, amor que fere. Espelho desse outro, que Jeanne sussurra em francês sincopado, e aqui espraio no original de Vinicius: «Oh, minha amada/ Que os olhos teus// São cais noturnos/ Cheios de adeus/ São docas mansas/ Trilhando luzes/ Que brilham longe/ Longe nos breus// Oh, minha amada/ Que olhos os teus// Quanto mistério/ Nos olhos teus/ Quantos saveiros/ Quantos navios/ Quantos naufrágios/ Nos olhos teus». Vai longa a caminhada, por décadas e sítios de nunca ficar. Não precisamos de final, sendo a
vida cabaré, outro número se fará súbito. Chamemos Oscar Wilde, mestre de conclusões, para anunciar o essencial em colorido arrastado e espesso, uma prece, um apelo. Uma pergunta ecoa (a imagem é de Querelle, o filme de Rainer Werner Fassbinder): onde vais? «Yet each man kills the thing he loves,/ By each let this be heard,/ Some do it with a bitter look,/ Some with a flattering word,/ The coward does it with a kiss,/ The brave man with a sword!/ Some kill their love when they are young,/ And some when they are old;/ Some strangle with the hands of Lust,/ Some with the hands of Gold:/ The kindest use a knife, because/ The dead so soon grow cold./ Some love too little, some too long,/ Some sell, and others buy;/ Some do the deed with many tears,/ And some without a sigh:/ For each man kills the thing he loves,/ Yet each man does not die.» HORTA SECA, LISBOA, 12 AGOSTO Vão surgindo reacções, pouco menos que entusiásticas, ao início da publicação das Obras Completas de Fernanda Botelho, que iniciámos com «Esta Noite Sonhei com Brueghel». Ansiávamos por este momento, que circunstâncias várias nos fizeram adiar muito para além do razoável. Isto apesar do apoio incondicional da família, sobretudo da Joana [Botelho], a neta que assumiu a tarefa de avivar memórias, organizar espólio, recuperar a casa da Vermelha, convocar novos leitores, enfim, um infindável número de tarefas que tornam exemplar o tratamento que vai dando à obra. Sabemos bem que as famílias se comportam muitas vezes como se estivessem em contos do Valério [Romão], algures entre a indiferença alarve e a cupidez olímpica. Também a Paula Morão, e o seu Centro de Estudos Comparatistas, se juntou a nós entusiasticamente no afã de trazer à tona uma voz oriunda
das profundezas, mas que não precisa de nelas ser enterrada. Muitas razões justificaram o começo por aqui, pois nada nos obrigava à cronologia habitual. O forte carácter autobiográfico, as correspondências com a imagem, no caso a pintura de Brueghel, a reflexão sobre a escrita, a lúdica complexidade da estrutura, o recorte a navalha dos protagonistas, as cidades (belgas) como personagens, o olhar teatral sobre o estranho mundo dos afectos, a gloriosa potência do desejo, o desenho do feminino, a luxúria da linguagem e um uso raro dos diálogos, enfim, o conjunto serve bem de introdução a uma obra cheia de recantos, tantas vezes obscuros e desafiantes. Retiro mais gozo desta leitura, confesso, por culpa do veneno. A Isabel Lucas, no Público, afinou pelo diapasão da ironia, que não deixa de ser um dos cimentos, mas creio que a Fernanda Botelho afia um pouco mais o olhar e a palavra. Vai um exemplo? «A gente de Brueghel ostenta com desfaçatez a sua vocação primária para o vício incorrupto, tanto quanto para um casto e regozijado amor à terra pródiga — mas que significa isto, afinal? Talvez signifique desperdício, muito simplesmente. Muito simplesmente desperdício! Mas onde viveu esta gente, em que galáxia, em que mundo? Confesso que aquele homem gordo de chapéu à banda, com pernas em forma de presuntos esticados e mangas enfoladas para arejar o suor, confesso que me perturba, a mim, que fossilizei as minhas aventuras mentais em tipos escorridos, apertados em blue-jeans e com barba mal despontada. Detesto aquele homem gordo, mas ele perturba-me. Não sei o que pense dele, certamente nada de lisonjeiro, porém profundamente marcante. Detesto-o (ou assim o julgo), mas ele excita-me, ou talvez seja apenas fascínio o que sinto, declaradamente ao nível mais baixo da minha vileza humana.»
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na ordem do dia Julie O’yang
23.8.2017 quarta-feira
热风
O realizador chinês mais corajoso de sempre 1
Parte I Ferrugem
FERRUGEM (244 MINUTOS) A câmara capta os derradeiros trabalhadores da fundição que laboram no único forno que resta, durante as suas actividades diárias. A falência parece ser inevitável e, desde o interior da fábrica até aos espaços de convívio, Wang Bing traça um retrato fascinante destas vidas moribundas.
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CHAMA-SE WANG BING E POUCOS O CONHECEM Muitos dos realizadores de documentários começaram como fotógrafos, Wang não é excepção. Diplomado pelo Departamento de Fotografia da Academia de Belas Artes Lu Xun, trabalhou para produções televisivas até 1999, altura em que filmou o seu primeiro documentário Tiexi Qu, West of the Tracks. Tiexi é um imenso complexo industrial situado no Nordeste da China, na província de Shenyang. Construído durante a ocupação japonesa, foi restaurado com o apoio dos soviéticos após a 2ª`Guerra. Era o maior centro de manufactura do país. O período entre o pós-guerra e os anos 80 foi florescente, as fábricas no seu conjunto empregavam mais de um milhão de trabalhadores, mas, à semelhança de outras indústrias geridas pelo Estado, começou a colapsar a partir do início dos anos 90. O documentário de Wang Bing mostra-nos a inevitável morte lenta do obsoleto sistema de manufactura. Bing filmou detalhadamente, entre 1999 e 2001, as vidas dos últimos operários, uma classe a quem foi prometida a glória durante a revolução chinesa. Esmagados pelas mudanças económicas, estes operários surgem como heróis comoventes neste épico moderno, que tem a duração total de 551 minutos, mais de 9 horas! Reconhecido como “um dos melhores documentários chineses de sempre”, o filme é um retrato hipnotizante de uma sociedade chinesa em transição. Levou três anos para ser filmado. Devido à sua longa duração, está dividido em três partes.
OS REMANESCENTES (178 MINUTOS) Rainbow Row é uma favela construída em 1930, para albergar os trabalhadores do distrito de Tie Xi. Esta área era conhecida como a Cova das Criadas. Actualmente os seus residentes enfrentam o desemprego e salários em atraso. A câmara acompanha o dia a dia de algumas pessoas; um jovem que após uma extração da Lotaria, procura bilhetes eventualmente premiados que possam ter caído ao chão; lixo e neve empilhados nas ruas geladas; jovens no mercado Cisne Feliz a pensar em esquemas para arranjar dinheiro e namoradas; crianças a recolher latas enquanto uma idosa assa tofu; jogadores de mah-jong que no Verão se reúnem no exterior das suas casas … Entretanto ficamos a saber que o bairro vai ser demolido para dar lugar a um condomínio privado. Toda a gente vai ter de sair dentro de um mês. Gradualmente o bairro esvazia-se, à medida que a neve o vai cobrindo.
Os Remanescentes
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OS CARRIS (132 MINUTOS) Um sistema de carris proporciona a circulação de vagões que transportam matérias primas e bens de consumo de, e para, Shenyang. A neve que não pára de cair e o fumo eterno criam uma atmosfera opressiva. Os sinais de vida são escassos à medida que o comboio avança através deste labirinto de fábricas praticamente abandonadas. Os trabalhadores cumprem as suas funções de forma mecânica, matando o tempo com mexericos, cartas e cigarros. Uma das suas maiores preocupações é armazenar carvão para poderem aquecer as salas geladas. Toda a gente teme o futuro, embora a Primavera tenha trazido algum alívio depois do penoso Inverno. O Outono sucede ao Verão. Em breve estamos na noite de Fim do Ano. Um pequeno fogo preso é ateado junto à casa e, lá dentro, os amigos bebem e conversam sobre amor e casamento. E toda a gente ajuda a fazer uma tachada de dumplings. West of the Tracks deu início a uma nova era, a de um cinema lento e intimista. Quatro anos mais tarde, em 2005, Wang Bing filmou o documentário He Fengming. Mas esse fica para a próxima, ou seja, a Parte II desta crónica.
Os Carris
(f)utilidades 17
quarta-feira 23.8.2017
TEMPO
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TROVOADA
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
CINEMA | A TARTARUGA VERMELHA Cinemateca Paixão | 19h30
T3
MIN
25
MAX
30
HUM
80-98%
•
EURO
9.51
BAHT
CINEMA | CAVALOS DE MONTRA Cinemateca Paixão | 19h30
Sexta-feira
MÚSICA | UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | 18h00
Sábado
O CARTOON STEPH
Diariamente
EXPOSIÇÃO | “MY HANDS MOULD MY THOUGHTS” DE WU HIN LONG Macau Art Garden Até 27/8 EXPOSIÇÃO “A SIBÉRIA E O LAGO BAIKAL” DE ANDY LAO Find Art Macau EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9
EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11
Cineteatro
C I N E M A
HITMAN’S BODYGUARD SALA 1
DORAEMON THE MOVIE 2017: NOBITA’S GREAT ADVENTURE IN THE ANTARTIC KACHI KOCHI [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Atsushi Takahashi 14.30
GINTAMA [B] FALADO EM JAPONÊS Fime de: Fukuda Yuuichi Com: Oguri Shun, Tsuyoshi Domoto, Suda Masaki 16.30, 19.00, 21.30 SALA 2
HITMAN’S BODYGUARD [C] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Patrick Hughes
Com: Ryan Reynolds, Samuel L.JAckson, Gary Oldman 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 105
PROBLEMA 106
UM LIVRO HOJE
SUDOKU
DE
EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10
1.20
O VAZIO
Amanhã
LANÇAMENTO DO LIVRO “THE PRESENT”, DE CHERRY HO Fundação Rui Cunha | Das 15h00 às 17h00
YUAN
PÊLO DO CÃO
CINEMA | A FALSIFICAÇÃO Cinemateca Paixão | 21h30
LANÇAMENTO DO ÁLBUM DO DUO “FASLANE” Che Che Café | Das 19h30 às 22h00
0.24
Há dias em que é difícil escrever esta coluna, principalmente se não aproveitar a primeira vertigem matinal de cafeína e os restos dos sonhos da noite passada. À medida que os assuntos do quotidiano vão monopolizando o raciocínio, a abstracção vai-se desvanecendo, dando lugar a um vazio que só consegue ser preenchido pelas coisas mundanas. A escrita desta coluna a meio da tarde é como uma pausa meditativa, uma alienação de curta duração antes de voltar a pensar em leads, títulos e destaques. O pragmatismo fica suspenso no ar, perdido no vácuo e dá lugar uma espécie de férias psíquicas com 15 minutos de duração. Fica um gostinho na boca a frivolidade, uma vontade de largar tudo, pegar no Thomas Pynchon e ir beber uma cerveja num sítio com ar condicionado. Sinto uma compulsão a surgir, como uma revolução silenciosa, um burburinho a tornar-se algazarra que reclama destruição, que conjura tufões e todo um sortido de calamidades várias. Fica um apetite por coisas bizarras que não têm lugar no mundo da normalidade, uma vontade de extravagância incompatível com a produção laboral. Estas são as abstracções que surgem quando se tem de escrever sem se ter um objectivo claro em mente. E depois, volta-se a aterrar em solo pragmático, onde as frases são estruturadas e relativas a coisas materiais. João Luz
AS PORTAS DA PERCEPÇÃO | ALDOUS HUXLEY
O título deste livro foi a inspiração para o nome da banda The Doors. O clássico ensaio que descreve a experiência de Huxley com mescalina, um poderoso psicadélico, leva o leitor pelas reflexões do autor enquanto esteve sobre o efeito da droga. O autor perde-se em raciocínios sobre a forma como percepciona os significados da arte e da religião. O livro baseia-se no registo que um psiquiatra recolheu durante a experiência de Aldous Huxley, mas também sobre a forma como se relacionaram nesse dia.Ametáfora das portas da percepção surgiu enquanto o autor reflectia na obra de Vermeer. Esta obra de Aldous Huxley tornou-se um clássico da geração dos anos 1960 e uma referência na cultura psicadélica. Andreia Sofia Silva
SALA 3
THE EMOJI MOVIE [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Tony Leondis 14.30
THE BATTLESHIP ISLAND [C] FALADO EM COREANO E JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Ryoo Seung-Wan Com: Hwang Jung-Min So Ji-Sub Song Joong-Ki 16.30, 19.00, 21.30
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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CAMILO PESSANHA PARTICIPANTES Amélia Vieira Ana Jacinto Nunes Anabela Canas António Cabrita António Conceição Júnior António de Castro Caeiro Antønio Falcão Bibito [Henrique S.] Bruno Gaspar Carlos Marreiros Carlos Morais José Graça Jorge João Paulo Cotrim Joaquim Franco José Drummond Luís Sá Cunha Paulo José Miranda Paulo Reis Pedro Barreiros Rui Cascais Rui Rasquinho Sílvia Patrício Valério Romão Victor Marreiros Yao Feng Concepção e Produção hojemacau Co-organizadores Albergue SCM • IPOR • APIM • APOMAC • TDM • Babel • Lines Lab • Confraria da Gastronomia Macaense Apoio Institucional Instituto Cultural do Governo da RAEM • Consulado-Geral de Portugal em Macau Apoio logístico Casa de Portugal em Macau
23.8.2017 quarta-feira
Poesia • Conferências Livros • Exposições
1-7 SETEMBRO 2017 Antigo Tribunal
150
ANOS
ócios/negócios 19
quarta-feira 23.8.2017
IN PORTUGUESE FOOD, RESTAURANTE HERLÂNDER FERNANDES, CHEFE
Mostrar as origens Aberto há quatro anos, o restaurante In Portuguese Food mudou a oferta de pratos e contratou, há um ano, um novo chefe de cozinha. Herlânder Fernandes garante que quem janta e almoça no restaurante pode agora experimentar pratos portugueses ainda mais tradicionais
“O restaurante chama-se ‘In Portuguese’ e, como tal, deve ser comida tradicional. Não tem lógica servir comida portuguesa que fuja às suas raízes.” Herlânder Fernandes garantiu que não há uma intenção de desenvolver novos projectos nos próximos meses. “Para já não temos intenção de inovar pois mudámos o menu recentemente, há cerca de quatro ou cinco meses. Estamos a tentar manter o que estamos a construir”, apontou. Com pratos bem conhecidos do público, o “In Portuguese Food” tem apenas uma receita de bacalhau de assinatura que, no entanto, vai buscar influência ao que já se faz em Portugal. “Trabalhamos com um pouco de tudo. Temos o polvo à lagareiro, o arroz de marisco, temos também os pasteis de bacalhau, que são feitos aqui, tal como as queijadas de leite ou as amêijoas à bulhão pato”, explicou. Herlânder Fernandes garante que os clientes têm mostrado o seu agrado, não só pessoalmente como também nas redes sociais. “Temos tido um feedback positivo, as pessoas têm gostado de tudo. Tem sido muito bom.”
DESAFIOS DA MUDANÇA
O
pão que é servido à mesa não é congelado e sai directamente do forno do restaurante. As sobremesas são feitas por quem ali trabalha e o objectivo diário é servir pratos que se poderiam comer em Portugal, sem que se notem os muitos quilómetros que separam o país de Macau. É esta a promessa do In Portuguese Food, um restaurante de comida portuguesa localizado na Taipa que mudou de chefe de cozinha há um ano. Ao HM, Herlânder Fernandes explicou como se processou esta mudança, visível até no próprio menu. “Há cerca de um ano vim trabalhar para aqui e mudámos um pouco o restaurante. Neste momento estamos a fazer a verdadeira comida portuguesa, mais tradicional”, apontou o chefe de cozinha, que lembrou mesmo a importância do nome do espaço.
Num território onde existem vários restaurantes portugueses, com mais ou menos anos de existência, há ainda espaço para a abertura de novos espaços. “Há condições para continuar, porque apesar de haver muita oferta não deixa de existir muita procura”, defendeu Herlânder Fernandes, que antes de passar pelo “In Portuguese Food” esteve ainda num outro restaurante português. Habituado a cozinhar com colegas portugueses, Herlânder Fernandes teve de passar por um processo de adaptação, pois muitos dos seus colegas são filipinos. “No inicio não foi fácil e tem de se ensinar tudo, mas a partir do momento em que aprendem...temos de perder algum tempo e ser persistente.” No “In Portuguese Food” o desafio foi “encontrar os produtos adequados a estes pratos”. “Tive de adaptar o sal para não
Estamos fora do nosso país. Com a comida portuguesa podemos fazer coisas diferentes, mas nós aqui temos de mostrar a essência da comida portuguesa
deixa a comida demasiado salgada para o gosto asiático. A partir do momento em que as coisas ganham um padrão é fácil trabalhar.” Apesar dos desafios, o chefe de cozinha garante que o trabalho no território tem sido enriquecedor. “Estou em Macau há dois anos e a experiência tem sido enriquecedora. É bom estar a mostrar a nossa comida a pessoas que não estão habituadas a comê-la e ter de adaptar a comida ao paladar de quem está a comer. Os chineses não têm tanta tolerância ao açúcar e sal.”
NÃO À INOVAÇÃO
Herlânder Fernandes tem uma visão mais tradicional daquilo que deve ser a oferta de gastronomia portuguesa em Macau. Esta deve ser o mais fiel possível às origens,
Rua Correia da Silva, nº 86 • Taipa, Ilhas, Macau
porque “não estamos num sítio onde se possa inovar muito”. “Estamos fora do nosso país. Com a comida portuguesa podemos fazer coisas diferentes, mas nós aqui temos de mostrar a essência da comida portuguesa. Se inovarmos não estamos a mostrar isso, estamos a fazer uma desconstrução e a dar o nosso toque. E não é isso que nos compete.” Para o chefe de cozinha, “não tem lógica ter um restaurante português que vá servir comida diferente. O português vem aqui comer e procura recordações, procura um bacalhau como comia em casa. É isso que faz um restaurante ter sucesso”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
“
Na cadeia os bandidos presos!/ O seu ar de contemplativos!/ Que é das flores de olhos acesos?!/ Pobres dos seus olhos cativos.’’ Camilo Pessanha
SMG
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Feitos num “Hato” Sinal de tufão número oito poderá ser içado esta manhã
O
S Serviços de Metereologia e Geofísicos (SMG) garantem que “há possibilidades” do sinal 8 vir a ser içado na manhã de hoje, sendo que à hora do fecho desta edição o sinal 1 de tufão ainda se mantinha. Segundo Vera Varela, porta-voz dos SMG, “com a aproximação do ‘Hato’ na foz do Rio das Pérolas”, o clima deteriorou-se na última noite, estando previstos “aguaceiros fortes” durante esta manhã. Há ainda a previsão “da ocorrência de inundações nas áreas baixas, devido à maré alta astronómica que ocorrerá esta manhã”. Os SMG içaram já o sinal vermelho de “Storm Surge” na noite passada, sendo que o nível de água “deverá subir ao nível do pavimento na zona do Porto Interior” a partir das oito horas da manhã. Vera Varela deixou ainda a sugestão de que a população deve “tomar todas as medidas de precaução necessárias contra ventos fortes e inundações o mais
cedo possível”. Ontem, por volta das 20h00, o tufão “Hato” estava já localizado a 420 quilómetros de Macau, a uma velocidade de 25 quilómetros por hora. Hoje o ponto mais próximo do “Hato” em relação ao território deverá ser de 100 quilómetros. A chegada do tufão “Hato” levou ontem ao registo de elevadas temperaturas, na ordem dos 38ºC, um calor que não se fazia sentir desde 1930. Segundo declarações de Vera Varela à Rádio Macau, ontem foi mesmo o dia mais quente de Macau desde o dia 18 de Agosto de 1930, quando as temperaturas atingiram os 38,5ºC. A terça-feira foi também um dos dias mais poluídos devido à passagem do “Hato”, com elevados níveis de ozono. “Sempre que há menos vento, que é o caso da aproximação de um tufão, e mais sol, é fácil surgir um efeito de estufa, em que se sente muito mais o ozono”, disse a porta-voz dos SMG à Rádio Macau.
EMPREGO MAIS DE 900 VAGAS NAS LOTARIAS E JOGOS DE APOSTA
N
O final de Junho, havia 923 postos vagos no sector das lotarias e outros jogos de aposta, mais 336 face ao fim do segundo trimestre de 2016, segundo a informação oficial ontem divulgada pelos Serviços de Estatística e Censos. No final de Junho, o sector empregava 55.726 trabalhadores, valor semelhante ao registado no mesmo período do ano passado. De acordo com os dados divulgados pelo canal de rádio da TDM, o sector empregava 23.930 croupiers, o que representa uma queda anual de 1,3 por cento. A remuneração média situou-se em 23.080 patacas, corres-
pondendo a um acréscimo de 4,6 por cento, em termos anuais. Já remuneração média dos croupiers aumentou cerca de 5,1 por cento para 19.930 patacas. Em relação aos requisitos de recrutamento, apenas 30,9 por cento das vagas requeriam experiência profissional, 73,1 por cento exigiam habilitações académicas inferiores ou iguais ao ensino secundário complementar, 65,7 por cento requeriam o domínio do mandarim e 35,1 por cento exigiam o do inglês. Durante o segundo trimestre foram recrutados 1.035 trabalhadores, os quais corresponderam a um aumento anual 56,8 por cento .
quarta-feira 23.8.2017