TERÇA-FEIRA 23 DE JULHO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4336
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
LAVANDARIA CASINOS PÁGINA 7
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ONU
SAÚDE
CHORADINHO PRIVADO PÁGINA 9
ERIC HO
ELOGIO DA VIOLÊNCIA
hojemacau
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RÓMULO SANTOS
ÚLTIMA
Sem rival HO IAT SENG É O ÚNICO CANDIDATO A CHEFE DO EXECUTIVO. SEM SURPRESA, A LARGA MAIORIA DOS MEMBROS DO COLÉGIO ELEITORAL, 378 DE UM TOTAL DE 400, APOIAM O EX-PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA NA SUCESSÃO A CHUI SAI ON. PARA HO IAT SENG, O FACTO DE NÃO TER CONCORRÊNCIA NÃO SIGNIFICA QUE ADOPTE UMA ATITUDE PASSIVA DURANTE A CAMPANHA.
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TANG KWOK KWONG
ENTREVISTA
Como começou o seu interesse pela área do confucionismo? Comecei ainda muito novo. Há cerca de 50 anos. Naquela altura, vivia em Hong Kong e sendo chinês não tinha qualquer estatuto social debaixo da soberania do Governo britânico. Era um tempo muito difícil para nós em Hong Kong. Nessa altura, qualquer jovem chinês acabava por ter de fazer serviço civil para o Governo colonial e eu não queria que a minha vida fosse aquilo. Achava que era humano, como os outros. Já defendia que as oportunidades devem ser iguais para todos. Achei também que era altura para lutar por isso: para que todos tivessem oportunidades iguais e ser um exemplo de que isso podia ser possível. O facto de todos terem direito a oportunidades não quer dizer que todos tenham os mesmos bem materiais ou o mesmo estatuto social, mas sim que tenham a opção de seguir a sua vontade, o seu curso na vida, as suas preferências profissionais e pessoais. Acabei por conseguir ir para a universidade e fui o único aluno a continuar os estudos académicos e a seguir para doutoramento na Universidade Chinesa de Hong Kong. Escolhi o estudo do confucionismo ao mesmo tempo que pesquisava o pensamento ocidental. Porquê essas duas vertentes? Acho que devemos ter mente aberta e pensamento activo se queremos ascender a uma abordagem que vá além do confronto. Depois devemos levar este tipo de abordagem aos outros. Acabei por vir para Macau dar aulas há 27 anos e através do ensino daquilo que aprendi e continuo a aprender, espero fazer chegar aos outros a ideia de que todos temos um lugar no mundo e igual acesso a oportunidades desde que as queiramos. De que forma o confucionismo vai de encontro a isso? A nível pessoal, por exemplo, estudar confucionismo é uma opção institucional para seguir uma carreira académica, e seguir esta carreira é uma forma de promover o benefício público, o que vai de encontro à própria teoria. Não podemos estagnar no campo da literatura académica. Devemos sim promover os nossos estudos e pesquisas de modo a que possam ser aplicadas à sociedade. Ou seja, é necessário dissolver apenas a busca do conhecimento académico e chegar à sociedade para que possam entender o que se faz e para o que serve e usar esse conhecimento. Se olharmos agora para Hong Kong, actualmente podemos questionar o que estaria a acontecer se o
SOFIA MARGARIDA MOTA
ACADÉMICO
“O Marxismo cria problemas” Natural de Hong Kong, Tang Kwok Kwong sempre defendeu igualdade de oportunidades para todas as pessoas. Foi este pensamento que o levou a enveredar pela carreira académica na especialidade de confucionismo. O professor da Universidade de Macau defende que a filosofia antiga chinesa pode servir de instrumento para mudar um mundo cada vez mais egoísta e alienado. O “caminho da humanidade” é a proposta que apresenta
Governo e as pessoas soubessem de facto o que estão a fazer. Se soubessem, ao longo dos últimos 20 anos, a situação não teria chegado a este ponto. Trata-se de uma situação muito delicada em que todos perderam a cabeça quando se considera a situação geral e um esforço comum para o futuro. No confucionismo há um conceito que se aplica a quem governa – 仁义王 位 (renyi wangwei) – que, apesar de complexo, significa que quem está a frente do Governo deve ser reconhecido por governar com benevolência ou por ter conquistado esse lugar dada a sua rectidão, humanidade e virtude, ou seja, que tem em consideração um todo e um esforço comum para o futuro. Também quer dizer que, de acordo com a minha condição de pessoa, faço o melhor possível. Este ano, a instabilidade social fez-me pensar na estagnação social. É preciso uma troca de conhecimentos mais inteligente com o campo académico. Nós podemos ajudar com os nossos conhecimentos Macau e Hong Kong para perceberem que é necessário dar mais atenção ao amor à população e ouvir os seus sentimentos. Não é só querer impor uma questão política, é preciso pensar na população com amor. Por isso, estudei o confucionismo, que não é apenas interpretar o que o autor disse. O que ele disse já foi muitas vezes dito por muitas pessoas. Precisamos de entender na nossa situação actual, real, em que é que se aplica. A isto chama-se filosofia. É uma forma de resolver os conflitos da religião. Trata-se de uma questão que ultrapassa a questão material. Os Governos deveriam ter mais em conta a filosofia? A Ásia está a viver um momento em que as pessoas apenas procuram o sucesso, principalmente financeiro. Isto não é em si um problema, precisamos de uma crença, de um pensamento comum que vá de encontro aos direitos humanos. Ou seja precisamos daquilo a que a filosofia chinesa chama de 人 道 (rendao), que se pode traduzir aqui pelo caminho do Homem, da humanidade. E é este caminho que tem que ser partilhado por Macau e Hong Kong. Se não conseguirmos encontrar esta via, de uma forma pacífica, de uma forma que possa acalmar os receios que se vivem actualmente podemos desenvolver uma sociedade muito perigosa, uma sociedade separada. Isto aplica-se a todos os países e sociedades. Se os EUA não perceberem isto, se a Ásia não perceber isto, se a Europa e os outros continentes não perceberem isto, vai aparecer um caos invisível em que cada
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país apenas luta pelo seu próprio benefício. Esta via humana seria uma forma de voltar a dar valor à própria vida humana em sociedade. É um pensamento muito humanista. Sim. É. Isto não representa a exclusão dos bens materiais, mas implica pensar neles de um ponto de vista comum. No pensamento de Confúcio, por exemplo, o líder de uma escola deve ter em conta que a escola não é ele, mas sim todos os que nela participam. O mesmo acontece com o Governo. Um líder de um país não deve dizer que o país é seu, porque um Governo só o é tendo em conta a população. Além desta relação com as pessoas, só resta a ganância e o interesse privado. Chamo de via humana no sentido o apaziguamento deste desejo egoísta de possuir as coisas. A democracia não existe se existirem donos de países. É apenas uma forma de ditadura invisível, se assim for. Esta via humana é mais alta até do que a própria democracia. A este nível de realização do humano, todos podem ter um papel na administração pública. Como é possível promover esse tipo de pensamento junto das pessoas? Temos que libertar lentamente o sentimento de posse das pessoas. Isso pode ser alcançado através de uma verdadeira educação que tenha em conta o ensino que contemple a consideração pelos outros e o respeito a si e aos outros. Hoje em dia, isso é possível? Actualmente, a sociedade caminha para um egoísmo crescente. De facto, tem razão e agora a tecnologia também tem um papel importante e tem desenvolvido ainda mais o sentimento de alienação das pessoas perante o mundo. Por exemplo, o telefone controla cada uma das pessoas e controla o todo também. As pessoas deixaram de olhar umas para as outras quanto tomam café, estão cada uma a olhar para o seu telefone. Este tipo de alienação, se não foi combatido através da educação, tudo tende a piorar. O que significa que o egoísmo se vai tornar também cada vez mais comum a todos. Combater esta tendência não será uma utopia? É difícil, mas há sempre a via da humanidade. A filosofia de Confúcio tem por base a própria vida. E deve ser por aí que a educação começa. Como aplicar este conceito – via do Homem - quando falamos de pesquisa para o nosso futuro? Podemos ter considerações mais sólidas nesta direcção e descobrir
“Se a nossa consciência se esforçar por desenvolver o lado mais positivo da nossa natureza é mais fácil criar uma sociedade melhor, aponta o Confucionismo.” uma forma de libertar o sentido de posse e de egoísmo. Temos de o fazer aos poucos, um passo de cada vez. Mas o egoísmo está na natureza humana. Pelo menos, nalgum lugar da natureza humana e o confucionismo é baseado também na natureza humana. Confúcio já tinha entendido os seus desafios. Mas, ainda assim, percebeu que a par do lado mais obscuro da natureza humana também está o seu melhor lado. Um pouco à semelhança do taoismo que reconhece o convívio de naturezas opostas e não só, que admite que é necessário este convívio e trabalhar no seu equilíbrio. Se a nossa consciência se esforçar por desenvolver o lado mais positivo da nossa natureza é mais fácil criar uma sociedade melhor, aponta o Confucionismo. É necessário, para isso, que cada um esteja atento a si mesmo. Isto dito é simples.
Tendo em conta este humanismo onde é que se encaixam as hierarquias sociais ou mesmo a vertente mais legalista do pensamento do autor? As castas sociais não são uma consideração essencial de Confúcio. Ele enfatiza sim, como é possível ultrapassar o sistema de classificação social fixo. Uma pessoa que acredite num sistema de castas sociais fixas está a demitir-se do seu conhecimento e do seu caminho, do caminho humano. Esta classificação social e o conceito de classe social é um conceito fundamental há mais de 700 anos. Mais tarde, Karl Marx formou uma teoria baseada no conflito de classes. Tudo isto é muito trágico para mim. Em primeiro lugar é uma forma de criar problemas. O Marxismo cria problemas por ser baseado no conflito e não ter em conta os aspectos mais positivos do ser humano. Mas para Confúcio este lado positivo existe, está em tudo e só precisa que exista auto-atenção por parte das pessoas para o perceberem ou para o atingirem. O Confucionismo elogia isso, enquanto o marxismo é oposto. Talvez por isso não tenha tido muito sucesso. Sim, agora todos podem ver que ninguém vai continuar a seguir
o marxismo, incluindo a China. Apesar de ser um slogan político, na prática não tem significado. Como é que a via humana pode ser aplicada a áreas como a economia? Há cerca de 100 anos, o primeiro chinês a fazer uma tese em economia na Columbia University defendeu o princípio da economia confuciana. Ele tentou pegar no confucionismo para resolver os problemas económicos e provou que seria mais efectivo do que as práticas adoptadas pelo ocidente, em que existe a mão invisível que controla tudo e a que se chama de mercado. No mercado, os preços são calculados pela oferta e pela procura em que as variáveis não são dadas a conhecer às pessoas. É o mercado, a mão invisível, que é o princípio básico das economias ocidentais. Mas este autor, tendo em conta o bem público defendido por Confúcio, enfatizou a neces-
‘‘Karl Marx formou uma teoria baseada no conflito de classes. Tudo isto é muito trágico para mim. Em primeiro lugar, é uma forma de criar problemas.’’
sidade de investimento público para garantir medidas que regulem os preços deste mercado. Neste sentido, o Governo deve interferir no mercado, para proteger a população. Se por exemplo, existir uma mudança súbita e as dificuldades que aparecem com ela implicarem o aumento muito alto dos preços em determinada área, o Governo deve intervir de modo a conseguir garantir o armazenamento de um bem, que possa estar em falta, em quantidade suficiente de forma a que os preços se equilibrem. Desta forma, o Governo aumenta a estabilidade e permite às pessoas que acreditem na satisfação das suas necessidades. Este é um princípio confucionista. Este autor percebeu isto por volta de 1920, altura em que a América viveu uma grande depressão económica. Este princípio acabou por ser aplicado e hoje em dia a economia já é, de facto, baseada no modelo de economia social confucionista. Há 100 anos não existia este conceito. Se Karl Marx tivesse vivido nesta altura teria percebido que há um ser humano mais alto. O confucionismo diz isso e a sua aplicação resolveria os problemas que vivemos actualmente. Sofia Margarida Mota
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23.7.2019 terça-feira
HOJE MACAU
À espera do relatório
Deputados aguardam dados sobre o Fundo de Pensões prometidos para Julho
A Ho Iat Seng, candidato a Chefe do Executivo “Já visitei mais de 70 associações nestes 15 dias e as que não visitei podem contactar na minha sede de candidatura. Nós não rejeitamos ninguém e se nos contactarem são bem-vindas.”
CHEFE DO EXECUTIVO HO IAT SENG ANGARIA 378 ASSINATURAS DO COLÉGIO ELEITORAL
Ho, único candidato
378 dos 400 membros do colégio eleitoral apoiam a candidatura de Ho Iat Seng a Chefe do Executivo. Na prática, o apoio avassalador significa que não há lugar para mais ninguém na corrida ao mais alto cargo do Governo. Ho Iat Seng entregou ontem o boletim de candidatura nos Serviços de Administração e Função Pública
O
forte suporte ao candidato favorito a Chefe do Executivo já era expectável, mas a recolha de 378 assinaturas dos membros do colégio eleitoral por Ho Iat Seng afasta a possibilidade de haver adversários. Entre os 400 membros do colégio eleitoral, cerca de 95 por cento, expressaram o apoio ao ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL). Para formalizar a candidatura a Chefe do Executivo, cada candidato tinha de reunir, pelo menos, 66 assinaturas de membros do colégio eleitoral. Cada membro só pode apoiar um candidato. Desta forma, restam apenas 22 apoios, número insuficiente para que qualquer um dos outros 12 residentes que levantaram boletim de propositura, possa ser considerado. “Consegui 378 assinaturas de todos os sectores”, disse Ho Iat Seng ontem, ao início da tarde quando entregou o
boletim de propositura nos Serviços de Administração e Função Pública, na Rua do Campo. O prazo de entrega dos boletins termina hoje, mas o ex-presidente da AL não quis correr riscos “em caso de tufão”. O facto de não haver concorrentes não vai deixar Ho com “uma atitude passiva”, que pretende continuar a ouvir as preocupações da população, referiu. “Agora vou ouvir os residentes na rua”, disse.
VISITAS PARA TODOS
Nas declarações aos jornalistas, o candidato recordou que ao longo das últimas duas semanas tem feito os possíveis para auscultar as opiniões dos vários sectores da população local. Ho sublinha que os encontros que manteve não se restringiram a membros da comissão eleitoral, mas abrangeram associações ligadas a vários quadrantes da sociedade e que
não participam do núcleo que vai decidir o próximo Chefe do Executivo. Questionado sobre o facto de estas visitas terem incidido sobre o “sector mais tradicional”, o candidato apontou que “em Macau não há partes opostas na sociedade”. “Visitei diferentes sectores com pessoas diferentes. Não podemos etiquetar as diferentes faixas como opostas”, apontou na mesma ocasião. “Já visitei mais de 70 associações nestes 15 dias e as que não visitei podem contactar na minha sede de candidatura. Nós não rejeitamos ninguém e se nos contactarem são bem-vindas”, acrescentou. Agora segue-se a preparação do programa político que será apresentado à Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo no próximo dia 10 de Agosto, altura em que também arranca o período de campanha eleitoral.
Patriotismo Chui pede aos jovens para retirarem “lições da História” O Chefe do Executivo, Chui Sai On, esteve ontem presente em Hebei, na China, onde participou numa sessão de intercâmbio entre estudantes universitários e representantes de jovens de Macau e de Hebei. Citado por um comunicado oficial, Chui Sai On disse “esperar que as novas gerações dos dois territórios retirem conjuntamente lições da história, vivam o presente, enfrentem o futuro e aproveitem a sua juventude”. Também o director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Fu
Ziying, aconselhou os jovens a “não esquecerem a história e a transmitirem o espírito patriótico”, tendo destacado a importância de continuar a implementar o princípio “Um País, Dois Sistemas”. Os representantes dos jovens de Macau de Hebei afirmaram que “todos devem estudar com afinco, compreender e colocar em prática os seis desejos do Presidente Xi Jinping para a juventude chinesa na nova era, referidos na sessão comemorativa do 100º aniversário do Movimento Quatro de Maio”.
Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL) ainda aguarda as conclusões do relatório actuarial, que o Governo ficou de apresentar entre Junho e Julho de 2019, com projecções actualizadas dos activos do Fundo de Pensões, para poderem analisar a necessidade de injecções de verbas regulares e solicitar outras formas de capitalização. Na ordem do dia estão as preocupações dos funcionários públicos e aposentados, após as últimas previsões, que remontam a 2014, apontarem para a falta de cobertura para o pagamento de pensões e subsídios de sobrevivência face às receitas dos contribuintes em 2022, e para o esgotamento total dos activos em 2031. Na reunião de ontem, o presidente da Comissão, Mak Soi Kun, reafirmou que o Executivo garantiu a liquidez do Fundo para os compromissos assumidos com os aposentados e pensionistas, mas os deputados também estão à espera de respostas. “Esse relatório actuarial, segundo nos foi dito pelo Governo, estaria concluído no mês de Junho ou Julho, mas a comissão ainda não o recebeu. Esperamos que nos seja disponibilizado em breve, porque muitos trabalhadores da função pública também manifestaram a sua preocupação sobre a situação financeira do Fundo de Pensões. O Governo esclareceu que não vai haver problema, podem ficar descansados. No entanto, a Comissão está interessada em saber como é que será feita uma eventual injecção de capitais e quando, se for caso disso. Mas tudo dependerá do relatório actuarial”, comentou. O relatório, encomendado pelo Executivo a uma entidade terceira, de-
verá avaliar os activos do Fundo de acordo com os actuais valores de mercado, para se poder analisar a necessidade de injecções de verbas regulares e solicitar outras formas de capitalização, além da carteira de investimentos financeiros, obras de arte e propriedade imobiliária que já possui. Uma das sugestões apresentadas pela Comissão em anteriores reuniões foi a venda das obras de arte – nomeadamente, a valiosa colecção de pintura japonesa antiga – cuja valorização em três décadas foi quase nula e cujas despesas de armazenamento em segurança vão subir este ano, de mil para cinco mil patacas anuais.
SUGESTÕES DE FUTURO
Os deputados elaboraram também, no encontro de ontem, uma lista de opiniões e sugestões a entregar ao Executivo, onde solicitam que o relatório de contabilidade do Fundo de Pensões, que anualmente publica as demonstrações financeiras, “deve incluir também as respectivas anotações, para que os subscritores dos regimes de aposentação e de sobrevivência, bem como o público geral, possam conhecer a situação financeira real e concerta. Antes não vinha acompanhado de anotações e agora nós fizemos essa recomendação”, acrescentou Mak Soi Kun. O responsável pela Comissão pretende também que o Governo defina com exactidão planos viáveis para afectar verbas ao Fundo, que garantam a cobertura dos pagamentos e encargos. E pede que seja rapidamente anunciada uma calendarização para a injecção de capitais – que até aqui tem acontecido de forma irregular e consoante a necessidade – para tranquilizar os trabalhadores quanto ao futuro dos seus benefícios. R.M.
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GOVERNO COUTINHO PREOCUPADO COM POSSÍVEIS SECRETÁRIOS DE HO IAT SENG
Equipa sensível
As principais preocupações de Pereira Coutinho quanto ao próximo Governo são as escolhas de Ho Iat Seng para a equipa que vai compor o Executivo. A ideia foi deixada ontem após a visita do candidato à ATFPM SOFIA MARGARIDA MOTA
deputado José Pereira Coutinho teme as escolhas que Ho Iat Seng vai fazer para formar o Governo. “Estou mais preocupado com a equipa que ele vai reunir”, começou por dizer aos jornalistas na manhã de ontem após receber o candidato único ao mais alto cargo do Governo na Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau “Ho Iat Seng é uma pessoa honesta nas intenções, mas muitas vezes poderá não estar rodeado pelas melhores pessoas para encontrar soluções para problemas”, acrescentou. “Capacidade de boa governação, transparência e combate à corrupção têm que ver com a equipa que formar.” “Nos últimos 20 anos criaram-se muitas raízes e não é fácil desenraizar os problemas e os costumes que algumas pessoas do Executivo criaram ao estarem acostumados a sentar-se numa poltrona muitos anos”, apontou Pereira Coutinho referindo-se ao excesso de tempo que “alguns directores de serviço” estão em funções sem apresentarem resultados. “Cria-se algum mal-estar na sociedade porque eles não trabalham”, referiu o deputado. No entanto, este tipo de funcionamento poderá vir a mudar com o pró-
ximo Executivo, porque, para o deputado, Ho Iat Seng não é uma pessoa “que vá dar cobertura a este tipo de situações”. Entretanto, Pereira Coutinho defende alterações nos secretários. “Há secretários que não servem porque insistem nos erros, camuflam problemas e não têm coragem de assumir erros. Isto não é admissível”, justificou. Mas, para já, acredita que Raimundo do Rosário está para ficar. “O da Segurança, Wong Sio Chak também vai ficar”, acrescentou. “Já Sónia Chan está tremida, e o Alexis Tam também”, disse. Lionel Leong, o secretário para a Economia e Finanças está fora de jogo, considera o deputado. “O Lionel Leong vai embora, está farto disto e é um dos melhores secretários”, disse.
MOMENTO DE REDENÇÃO
Quanto às acções mais recentes em que Ho Iat Seng esteve no centro da polémica, Pereira Coutinho destacou a suspensão do deputado Sulu Sou da Assembleia Legislativa (AL) e o despedimento dos juristas portugueses Paulo Cardinal e Paulo Taipa. No entanto, para Pereira Coutinho, Ho Iat Seng “já deu a mão à palmatória com a contratação e mais juristas portugueses para a AL”. José Pereira Coutinho, deputado “Ho Iat Seng é uma pessoa honesta nas intenções, mas muitas vezes poderá não estar rodeado pelas melhores pessoas para encontrar soluções para problemas.”
Lei de Protecção dos Direitos e Interesses do Consumidor não vai ser aplicada a áreas como o jogo nos casinos, saúde, serviços jurídicos, contabilidade, auditoria e serviços de ensino. Ontem, o Executivo esteve na 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) a avançar as explicações para estas excepções. Segundo a justificação do Governo, estas áreas são tidas como especiais por teren entidades responsáveis pela fiscalização, pelo que foi considerado desnecessário aplicar a lei que vista garantir a qualidade e segurança dos serviços prestados. Neste capítulo, foi apontado aos deputados que no que diz respeito ao jogo já existe a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) para fiscalizar. Em relação à saúde a responsabilidade da supervisão está com os Serviços de Saúde de Macau (SSM) e no caso dos serviços jurídicos com a Associação dos Advogados de Macau (AAM).
Questão clara Governo abordou excepções a deputados na lei do consumo
Contudo, o presidente da 1.ª Comissão Permanente da AL, Ho Ion Sang, alertou que na área da saúde a parte estética é abrangida pela lei, apesar de apenas poder ser exercida por pessoas com as qualificações reconhecidas pelos SSM. Por outro lado, ficou claro para os deputados que o corrente diploma é subsidiário, ou seja, aplica-se como um complemento para as várias leis que já definem igualmente direitos dos consumidores.
E A INTERNET?
Ontem, a discussão focou o âmbito da aplicação da futura lei. Em causa está o facto de o diploma apenas se aplicar a entidades que estejam em Macau. Este aspecto é um desafio, uma vez que pode
deixar de fora várias compras feitas através da internet, como acontece com o Taobao. Segundo o presidente da comissão, para se aplicar a lei a uma entidade esta tem de ter sede, ou representação, em Macau. Porém, este não é o único critério, empresas com contas bancárias em Macau em patacas, IP local, ou seja o Protocolo da Internet, que é um número único para cada ligação, ou ainda domínio do servidor, ou com .mo no endereço electrónico, também são consideradas locais e estão sujeitas a esta lei. A lei em causa foi aprovada na generalidade em Março, mas apenas ontem reuniu pela segunda vez, após a primeira reunião em Abril. Sobre este aspecto, Ho Ion Sang explicou que os deputados tiveram de esperar respostas do Governo, que chegaram num documento de 40 páginas. O presidente da comissão defendeu ainda o Executivo e explicou que o diploma é muito complexo, pelo que precisa de uma análise muito cuidada. J.S.F.
Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Banco Chinês de Macau Governo autoriza sucursal em Cantão Foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) um despacho assinado pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, que conta autoriza a abertura de uma sucursal do Banco Chinês de Macau na cidade de Cantão, província de Guangdong. O Banco Chinês de Macau nasceu a partir do antigo Finibanco, estabelecido em Macau em 1995. Actualmente, tem como presidente do conselho de administração Ye Shaokun, que assinou, em Março, o relatório e contas relativo ao ano de 2018. No docu-
mento constam os planos que o Banco Chinês de Macau tem para este ano. Para a entidade bancária, 2019 “é um ano em que existem simultaneamente oportunidades e desafios”, uma vez que será aprofundada “a reforma”, além de se pretender “acelerar a reconversão e valorização, o investimento e exploração da tecnologia financeira do banco”, bem como “elevar geralmente a capacidade de serviço financeiro e suportar, como sempre, o desenvolvimento sustentável de todos os negócios locais”.
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Organização das Nações Unidas (ONU) considera que Macau é ainda um foco de lavagem de dinheiro. O aviso foi feito à Macau News Agency (MNA) por Jeremy Douglas, representante da Agência para os Assuntos de Droga e de Crime das Nações Unidas para a zona da Ásia-Pacífico (UNODC, na sigla inglesa). “Há muito que Macau tem sido lugar para actividades de branqueamento de capitais e crime organizado e, apesar dos tempos e dos métodos terem vindo a mudar, o território é ainda visto por muitos desta forma”, apontou. O responsável não ignorou o facto de Macau estar situado numa zona do globo onde o jogo tem expandido em países como o Camboja ou o Vietname, entre outros. “Os casinos tem vindo a expandir-se e a proliferar”, disse, enquanto que “os junkets, levemente regulados, tem vindo a financiar aqueles que fazem apostas elevadas”, sem esquecer que aqueles que são considerados os “correios de dinheiro” transportam “elevados montantes”. A semana passada, um relatório da UNODC deu conta da existência de várias organizações criminais em Hong Kong, Macau, Taiwan e Tailândia, bem como da falta de capacidade legislativa destes territórios para responder ao panorama do tráfico
“Há muito que Macau tem sido lugar para actividades de branqueamento de capitais e crime organizado e, apesar dos tempos e dos métodos terem vindo a mudar, o território é ainda visto por muitos desta forma.” JEREMY DOUGLAS UNODC
de droga na zona do sudeste asiático. O tráfico faz-se sobretudo com estupefacientes, produtos contrafeitos, medicamentos, espécies protegidas e pessoas. Os traficantes recorrem aos casinos, que a UNODC considera serem mal regulados, ou através dos
ONU CASINOS SÃO CENTROS DE LAVAGEM DE DINHEIRO
Velhos hábitos
Jeremy Douglas, representante da Agência para os Assuntos de Droga e de Crime das Nações Unidas para a zona da Ásia-Pacífico, disse à Macau News Agency que o sector do jogo em Macau ainda é um dos principais centros de branqueamento de capitais, com o grande contributo dos junkets sistemas bancários de Hong Kong e de Singapura.
DISCUSSÕES COM PEQUIM
À MNA, Jeremy Douglas disse ainda que a ONU tem vindo a “trabalhar de perto com as autoridades em Pequim, discutindo preocupações sobre os casinos e a indústria junket nesta região”. Apesar das críticas apontadas por Douglas, o Gover-
no de Macau tem mexido na legislação respeitante a estas matérias. Em 2017, foi feita uma revisão à lei que regula o branqueamento de capitais, tendo sido implementadas também mudanças na forma de registo dos operadores junket e na documentação a entregar junto da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Esta não é a primeira vez que
uma entidade relaciona a criminalidade organizada ao mundo do jogo. Em 2016, um estudo da Universidade Cidade de Hong Kong dava conta do domínio das tríades nas salas VIP dos casinos, algo que foi rejeitado pela DICJ. “Até ao momento, não verificámos qualquer ‘tríade seleccionada pelos casinos nem a trabalhar com junkets’”, foi referido. A.S.S.
Burla Idosa lesada em 1,99 milhões de patacas
Uma mulher de 62 anos de idade, residente de Macau, queixou-se por ser burlada mais de 1,99 milhões de patacas. Na investigação, a idosa declarou que durante os primeiros seis meses do ano conheceu três homens (os arguidos) através de uma plataforma online, que depois ser tornaram amigos e namorado. Segundo informação do jornal Ou Mun, o trio de arguidos utilizou diferentes motivos para pedir dinheiro à vítima, como que as prendas enviadas para ela foram apreendidas pelos Serviços de Alfândega ou que faltava de fundo para seu negócio. Após a mulher ter feito várias transferências para as contas bancárias indicadas, achou estranho e pediu auxílio à polícia.
Crime Mãe esfaqueada pelo próprio filho
Uma mãe terá sido esfaqueada pelo filho num apartamento de Seac Pai Van, de acordo com a informação do Corpo de Polícia de Segurança Pública, citada pelo canal chinês da Rádio Macau. O motivo do ataque não foi revelado, mas as autoridades limitaram-se a dizer que se ficou a dever a problemas familiares, mas que ainda iam tentar perceber o que se passou. Na altura em que a mulher foi transportada para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, a vítima estava consciente e tinha ferimentos no braço esquerdo e nas costas.
IAS Idosos e deficientes vão receber 1.500 patacas para comprar telemóveis
O Instituto de Acção Social (IAS) decidiu criar um novo apoio financeiro para idosos e portadores de deficiência de famílias beneficiárias de subsídio regular, no valor máximo de 1.500 patacas. O novo subsídio destina-se à aquisição de telemóveis “que estejam ou não integrados num plano especial de tarifários”. Os destinatários do referido plano são os beneficiários do subsídio regular do IAS que, no ano em que fazem o pedido, completem os 65 anos ou sejam portadores do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência válido e completem os 18 anos. As inscrições encontram-se abertas até ao dia 30 de Junho de 2020. Durante o prazo de requerimento do subsídio, os requerentes devem adiantar o pagamento para a aquisição de telemóveis e, no dia da compra de telemóveis, devem ser beneficiários do subsídio regular do IAS. Além disso, devem entregar os documentos necessários para o pedido na sede do IAS ou num dos centros de acção social ou no Centro de Avaliação Geral de Reabilitação.
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TIAGO ALCÂNTARA
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Macau News Agency (MNA) confirmou junto do Ministério Público (MP) que o caso relativo a alegados abusos sexuais cometidos por um funcionário a crianças do jardim de infância D. José da Costa Nunes está em fase de pré-julgamento, depois de concluída a investigação. O processo tinha sido arquivado em Fevereiro, mas foi reaberto, entretanto. Em declarações recentes, o procurador do MP, Ip Son Sang, deu a entender que as investigações PUB
Antes do início Terminou a fase de investigação do caso Costa Nunes, confirma MP
continuavam, mas não soube precisar em que fase estava o processo. “Terminámos a fase de inquérito e está na fase de instrução, mas não tenho a certeza. Temos de consultar o processo”, disse apenas. Miguel de Senna Fernandes, presidente daAssociação Promotora
da Instrução dos Macaenses, que gere o Costa Nunes, mostrou-se satisfeito com o andamento do caso na justiça. “É uma coisa boa porque demonstra que há um certo interesse para, pelo menos, pôr fim a este processo e para que se apure a verdade. É importante que não frustrem expectativas.”
Foi em Maio do ano passado que começou a investigação aos alegados abusos sexuais cometidos por um funcionário do jardim de infância. Um ano depois, e depois do arquivamento temporário do processo, o caso voltou a ser investigado pelo MP, uma
notícia que agradou sobretudo aos pais das alegadas vítimas, que nunca se conformaram com o desfecho inicial. “Tudo o que seja mais alguma coisa por parte da justiça para que se saiba o que aconteceu e para que os pais vejam este problema resolvido. Obviamente que se foi necessário recurso e se o processo reaberto é porque haverá razões para isso e esperamos que seja feita justiça, seja ela qual for, para que estes pais vejam esta situação resolvida”, disse, na altura, Rui Barbosa, presidente da Associação de Pais do Costa Nunes. Além da investigação judicial, o caso levou também à abertura de processos disciplinares no seio da instituição de ensino, que culminaram na saída da psicóloga clínica, que dava apoio a crianças com necessidades educativas especiais, e da educadora de infância, que estava responsável pela turma a que pertenciam as alegadas vítimas. Marisa Peixoto, directora do jardim de infância, apenas foi alvo de uma advertência, mas manteve-se no cargo. A.S.S.
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terça-feira 23.7.2019
Ambiente Agente causador da cólera detectado em Cheoc Van
As autoridades alertaram ontem a população para a presença do agente causador da cólera nas águas da praia de Cheoc Van, em Coloane, o que levou ao hastear da bandeira vermelha. “Os testes à água da praia de Cheoc Van deram positivo para a presença da bactéria da cólera”, informou, em comunicado, a Direção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, após notificação do laboratório do Instituto para os Assuntos Municipais. A cólera é provocada pela bactéria 'Vibrio cholerae', transmite-se pelo consumo de água e comida contaminadas, manifesta-se sob a forma de diarreia infecciosa e pode matar em apenas algumas horas. Segundo o comunicado, na praia de Cheoc Van “está içada a bandeira vermelha que indica a proibição de entrar no mar” e está igualmente “afixado um aviso para alertar o público sobre a situação”, acrescentou. Em Hac Sa não foi detetado qualquer problema, segundo as autoridades autoridades, que prometeram continuar a monitorizar a situação.
Economia Taxa de inflação fixa-se em 3% em Junho
A taxa de inflação em Macau foi de 3 por cento nos 12 meses terminados em Junho, em relação aos 12 meses imediatamente anteriores, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a subida do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) devido, sobretudo, aos preços da educação (+5,62 por cento) e dos transportes (+5,43 por cento). Em Junho, o IPC subiu 2,6 por cento em termos anuais, “impulsionado, principalmente, pelo aumento dos preços das refeições adquiridas fora de casa, dos automóveis, da gasolina, da fruta e da carne de porco fresca, bem como pela ascensão das rendas de casa”, indicou a DSEC, em comunicado. No segundo trimestre deste ano, o IPC cresceu 2,69 por cento, em relação ao trimestre homólogo do ano anterior. Este mês, Pequim anunciou que a inflação no gigante asiático cresceu 2,7 por cento em Junho, em termos homólogos, impulsionada pelo preço dos alimentos, em parte devido à peste suína que afeta o país.
Acidente Trabalhador ferido devido a queda de 5 metros
Um engenheiro que reparava a iluminação de um viaduto junto à paragem de autocarro do Terminal Marítimo da Taipa ficou ferido, após ter caído de uma altura de cerca de cinco metros. A informação foi relatada ontem pela Ou Mun Tin Toi. Segundo as autoridades, o homem de 38 anos terá batido, primeiro, na vedação da estrada e só depois no solo. O engenheiro é residente do Interior da China, é portador de cartão de trabalhador não-residente e foi internado com uma fractura no braço esquerdo e um inchaço no braço direito. Quando foi transportado para o hospital estava consciente.
SAÚDE EX-DEPUTADO ACUSA HOSPITAL PÚBLICO DE DESVIAR CLIENTES DOS PRIVADOS
Ao serviço do dinheiro
Ung Choi Kun acusa o Governo de oferecer condições demasiado boas a utentes e médicos e de “dificultar a vida” às clínicas privadas. Ex-deputado do campo de Chan Meng Kam defende preços mais elevados para “aliviar as contas públicas”
O
ex-deputado Ung Choi Kun atacou o Governo por desviar clientes e recursos de hospitais e clínicas privadas. As declarações do presidente da Associação de Incentivar Políticas da Humanidades de Sabedoria de Macau [ndr. os erros gramaticais fazem parte do nome oficialmente registado] foram prestadas durante uma palestra do Instituto de Enfermagem do Kiang Wu, no domingo, e foram citadas na edição de segunda-feira do Jornal do Cidadão. De acordo com Ung, o investimento público tem subido demasiado depressa, algo que os privados não conseguem acompanhar e que, como tal, “as autoridades devem equilibrar o desenvolvimento das instituições da área pública e privada”. Ao mesmo tempo, o ex-deputado ligado a Chan Meng Kam defende que o desenvolvimento da
assistência médica pública e privada não está totalmente equilibrado, em particular quando os hospitais públicos oferecem aos residentes serviços “gratuitos” ou com um preço mais acessível do que os hospitais privados. Segundo Ung, os preços praticados no público dificultam o desvio de pacientes das entidades públicas para as privadas. Por este motivo, Ung defendeu políticas públicas para apoiar o crescimento das instituições médi-
Ung defendeu políticas públicas para apoiar o crescimento das instituições médicas privadas e evitar “o excesso de encargos para o orçamento público”
cas privadas e evitar “o excesso de encargos para o orçamento público”. Na mesma palestra esteve presente Cheung Chun Wing, vice-director do Hospital Kiang Wu, que também deixou críticas às políticas de contratação do Executivo. Segundo Cheung, “devido aos diferentes benefícios dados aos funcionários entre as instituições de assistência médica pública e privada, os gerentes do sector privado precisam de enfrentar a perda contínua de pessoas”. O mesmo director do hospital privado defendeu ainda que Macau pode aproveitar os recursos médicos da Grande Baía e ajudar a reformar a saúde do Interior da China, dado o avanço face à realidade do outro lado da fronteira.
PROBLEMA DE FUNDO
Entre os presentes, apenas Hewick Yu, presidente da direcção da Macau Society of Clinical Internal
Medicine, referiu a necessidade de aumentar a confiança na população nos serviços médicos locais. Segundo Hewick, os investimentos públicos e privados podem ser mais equilibrados, porém, se a confiança dos residentes aumentar vai haver uma maior procura, o que permitirá desenvolver ainda mais o sector. O mesmo operador privado apontou também a necessidade de haver maior formação de médicos locais no exterior, onde podem ter contacto com operações e procedimentos médicos poucas vezes realizados no território, devido à dimensão da população residente. Também da Macau Society of Clinical Internal Medicine, a secretária-geral Kok Wan defendeu que a saúde pública deve existir para garantir a sobrevivência das instituições privadas. Juana Ng Cen (com J.S.F.)
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23.7.2019 terça-feira
A vida depois do CINEMA FILME NOMEADO PARA OS CÉSARES 2019 EM CARTAZ NA CINEMATECA PAIXÃO
O que leva as pessoas a resistir e a seguir em frente, perante a adversidade, é eterno e intemporal. “Amanda” é uma história de família sobre as mudanças que ocorrem após um violento ataque terrorista. Nomeado para os Césares 2019, o filme está em exibição até à próxima terça na Cinemateca Paixão
A
perda e a dor colectiva causada pelos ataques terroristas islâmicos em cidades europeias é o ponto de partida para este filme francês, realizado por Mikhaël Hers, que também assina o argumento a meias com MaudAmeline. “Amanda” (2018) é um drama contemporâneo sobre valores familiares, que está em exibição na Cinemateca Paixão até ao dia 30 de Julho. Trata-se de uma história normal sobre pessoas normais num país europeu normal. São os acontecimentos dolorosos que vão obrigar as personagens a amadurecer e a repensar na vida após a tragédia. Toda a gente é forçada a reagir, mas não é a raiva e a impotência que o
filme explora, é antes o processo de superação e a humanidade que se manifesta através dos compromissos inevitáveis que se estabelecem entre os protagonistas. AAmanda do título é uma menina de sete anos que vive em Paris e é criada pela mãe, Sandrine, solteira e professora, com a ajuda irregular do seu irmão mais novo, David, um jovem de 20 anos, que vai trabalhando aqui e ali, a tomar conta de apartamentos e fazer tarefas de manutenção. Quando é preciso, David faz de baby-sitter à sobrinha, vai buscá-la à escola e toma conta dela. A mãe ausente de David e Sandrine é inglesa e vive em Londres, sem grande relação com os filhos. David tem o sonho de ir assistir a um jogo
de ténis em Wimbledon, mas não quer saber sequer da progenitora. A vida de David muda quando a irmã é assassinada no meio de um ataque terrorista que acontece numa praça pública de Paris. A Amanda vai ter que ficar a seu cargo e ambos vão aprender a adaptar-se à nova situação. Segundo a crítica internacional, o filme é bem-intencionado, evita o cliché dos confrontos religiosos, não explora as questões políticas contra o islamismo, opta antes pela autenticidade das relações e pelo retrato honesto do quotidiano de quem tem que continuar a viver o dia-a-dia.
PASSAGEM PELO INDIE
O filme foi acolhido e reconhecido em diversos festivais internacionais, vencendo o prémio principal e o melhor argumento do Festival Internacional de Tóquio 2018, para Mikhaël Hers e Maud Ameline. “Amanda” foi igualmente nomeado para os Césares 2019, nas categorias de melhor actor, com Vincent Lacoste, e melhor música original,
O filme é bem-intencionado, evita o cliché dos confrontos religiosos, não explora questões políticas contra o islamismo, opta antes pela autenticidade das relações humanas
de Anton Sanko; nomeado para os Lumiere Awards 2019, como melhor filme e melhor actor; nomeado para os Laurier du Cinéma 2019 e para a
Selecção Orizzonti do 75º Festival de Cinema de Veneza. O filme esteve ainda presente na competição do IndieLisboa 2019,
O
Hasta siempre
poeta e ensaísta cubano Roberto Fernández Retamar, Prémio Nacional de Literatura e presidente da prestigiosa Casa das Américas, morreu este sábado em Havana, aos 89 anos. "Perdemos um dos maiores poetas e pensadores da nossa América e do mundo: Roberto Fernández Retamar. Deixa-nos um trabalho excepcional, focado na descolonização e anti-imperialismo", escreveu na rede social Twitter o ex-ministro da Cultura da ilha, Abel Prieto. Jornalista, poeta, ensaísta, professor universitário e diplomata, Fernández Retamar (1930-2019) começou a trabalhar muito cedo como jornalista na revista "Alba", para a qual entrevistou o vencedor
Roberto Fernández Retamar morre aos 89 anos
do Prémio Nobel da Literatura norte-americano Ernest Hemingway. Na década de 1950 colaborou com a revista emblemática "Origens" e envolveu-se na luta clandestina contra o regime de Fulgencio Batista. Após o triunfo da revolução liderada por Fidel Castro em 1959, ocupou vários cargos em instituições culturais,
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terça-feira 23.7.2019
o terror
As Barbarians”, de Radu Jude, e a “M.”, de Yolande Zauberman. Mikhael Hers é já um nome habitual no Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa, por onde passaram os seus três primeiros filmes: “Primrose Hill”, “Memory Lane” e “Ce Sentiment de L’Été”. Mikhaël Hers nasceu em França em 1975 e estudou produção cinematográfica em La Fémis, em Paris. Formou-se em 2004 e começou então a produzir e realizar os seus próprios filmes. Escreveu e dirigiu as médias-metragens “Charell” (2006), “Primrose Hill” (2007) e “Montparnasse” (2009), todas estreadas no Festival de Cinema de Cannes e, esta última, vencedora do Prémio Jean Vigo. “Memory Lane” (2010) é a sua primeira longa-metragem. A segunda, “Ce Sentiment de L’Été” (2015), venceu o Grande Prémio do Júri no Festival Internacional de Cinema de Bordéus, em França, e foi apresentado ainda no Festival de Roterdão, na Holanda. As sessões da Cinemateca Paixão acontecem entre hoje, dia 23, e terça-feira, de 30 de Julho, sempre às 19h30, excepto no sábado, em que a sessão é às 21h30. O filme é exibido na língua original, em francês, com legendas em chinês e inglês. A duração é de 106 minutos e os bilhetes estão disponíveis por 60 patacas na bilheteira ou na página web.
indigitado para o Prémio Silvestre como melhor filme, que viria a ser atribuído ex-aequo a “I Do Not Care If We Go Down In History
incluindo a Casa das Américas, onde dirigiu pela primeira vez a revista da instituição desde 1965 e assumiu a presidência de 1986 até hoje. Fernández Retamar também fundou e editou até 1964 a revista "Unión" juntamente com os renomados intelectuais Nicolás Guillén, Alejo Carpentier e José Rodríguez Feo. Foi membro da Academia Cubana da Língua, que dirigiu entre 2008 e 2012, e membro correspondente da Real Academia Espanhola.
ESCRITA RECONHECIDA
Autor de uma vasta obra em prosa e verso, os seus livros foram traduzidos para uma dúzia de idiomas e o seu ensaio "Caliban, notas sobre a cultura da Nossa América" (1971)
Raquel Moz
raquelmoz.hojemacau@gmail.com
é considerado um dos mais importantes da literatura latino-americana do século XX. Fernández Retamar era membro do Conselho Cubano de Estado - o órgão máximo do Governo no país e deputado na Assembleia Nacional entre 1998 e 2013. Em 1989 foi agraciado com o Prémio Nacional de Literatura, o mais importante do género na ilha, e depois o Prémio Nacional de Ciências Sociais em 2012 e o Prémio Internacional José Martí da Unesco em Janeiro passado, entre outras distinções. Os restos mortais de Roberto Fernández Retamar serão incinerados e, na próxima semana, uma homenagem será preparada como despedida na Casa das Américas.
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23.7.2019 terça-feira
O novo mercado para emissão de títulos de tecnológicas chinesas abriu ontem, em Xangai, a subir até 520 por cento, na sessão de estreia, com os investidores animados para comprar acções das primeiras 25 empresas listadas
ECONOMIA TÍTULOS DE ALTA TECNOLOGIA ESTREIAM A SUBIR 520%
Passos de gigante vendas curtas ("short selling"), prática que pretende tirar partido da queda do valor das acções: os investidores pedem acções emprestadas para as vender no mercado e, posteriormente, adquiri-las a um preço mais baixo. O valor das acções no novo mercado pode oscilar até 30 por cento, antes de os reguladores
imporem uma suspensão de 10 minutos. Nas principais praças financeiras chinesas, os títulos deixam de ser negociados durante o resto da sessão, caso subam ou desçam 10 por cento.
CAPITAL E SOCIAL
Empresas como a fabricante de módulos de células solares Anji
e a fabricante de chips Montage Technology subiram até 520 por cento e 285 por cento, respectivamente, beneficiando da ausência de limites na oscilação dos preços, durante os primeiros cinco dias de negociação. Durante a sessão da manhã, seis das 25 acções subiram mais de 200 por cento e todas as
acções avançaram mais de 100 por cento. A Star exige que as empresas listadas aloquem pelo menos metade das suas acções listadas para fundos mútuos, previdenciários ou de seguro, e limitam a negociação a investidores com um saldo de pelo menos 500.000 de yuan e dois anos de experiência a negociar em bolsa. As bolsas de valores da China, em Xangai e Shenzhen, foram criadas no início dos anos 90 para arrecadar dinheiro para a indústria estatal, e passaram mais tarde a incluir empresas privadas, mas continuam a ser dominadas por empresas sob tutela do Governo, como a PetroChina Ltd. e a China Mobile Ltd.
Mais de 140 empresas de tecnologia e ciência em toda a China inscreveram-se para negociar as suas acções no novo mercado, que é administrado pela Bolsa de Valores de Xangai
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NSPIRADO no norte-americano NASDAQ, o STAR Market reflecte o desejo do Partido Comunista Chinês de canalizar capital privado para os seus planos de desenvolvimento, dando aos pequenos investidores chineses uma oportunidade de comprar títulos em indústrias de tecnologia que até agora se voltaram para Wall Street. No arranque da sessão, as primeiras acções subiram até 520 por cento, face à cotação nas ofertas públicas iniciais. Mais de 140 empresas de tecnologia e ciência em toda a China inscreveram-se para negociar as suas acções no novo mercado, que é administrado pela Bolsa de Valores de Xangai, a principal praça financeira do continente chinês. As 25 empresas que começaram ontem a negociar já arrecadaram 37 mil milhões de yuan. O novo mercado é o único na China com incentivos para empresas de tecnologia, incluindo acções de duas classes, o que garante aos fundadores que mantêm controlo sobre as empresas. O novo índice é também o único na China continental que permite
A
China classificou ontem como "geralmente estável" a situação no Mar do Sul da China e pediu aos Estados Unidos que "parem de fazer comentários absurdos, que só prejudicam a paz e a estabilidade na região". "A China mantém o diálogo e consulta com os países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para resolver as diferenças de forma apropriada", disse o porta-voz do ministério
Privadas como os gigantes do comércio eletrónico Alibaba e JD.com, ou o motor de busca Baidu, emitiram milhares de milhões de dólares em títulos em Wall Street, numa operação inconveniente e cara para empresas mais pequenas. As empresas que ainda não registaram lucros podem negociar no novo mercado se gastarem pelo menos 15 por cento das suas receitas em pesquisa e desenvolvimento ou se tiverem drogas ou outras tecnologias num estágio avançado de desenvolvimento.
Águas quentes
Pequim pede aos EUA que parem com “comentários absurdos” sobre o Mar do Sul
chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, em resposta às declarações feitas no último sábado pela sua homóloga do Departamento de Estado, Morgan Ortagus. Num comunicado, Ortagus expressou a preocupação dos EUA "com relatos de interferência
pela China na exploração de petróleo e gás no Mar do Sul da China, incluindo a exploração e produção pelo Vietname". A porta-voz dos EUA pediu à China que pare de "assediar" as operações de exploração de petróleo e gás naquelas águas e alertou para as "acções provocativas" de
Pequim, que ameaçam a segurança energética regional. Ortagus citou ainda uma declaração feita no ano passado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, que disse que, ao bloquear as operações no referido mar, através de "meios coercitivos", a China impede que os membros da ASEAN "acedam a mais" de 2,5 biliões de dólares em recursos energéticos". "A China e os países da ASEAN estão efectivamente a implemen-
tar a Declaração de Conduta das Partes no Mar do Sul (...), mas há muito tempo os Estados Unidos e outras forças externas estão apenas a tentar criar problemas, com segundas intenções", acusou Geng. Segundo o porta-voz chinês, os comentários do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, citados por Ortagus, são "infundados" e só contribuem para "desestabilizar e minar a paz e a estabilidade". "Os países da região e os seus
povos não vão acreditar nessas palavras. Pedimos aos Estados Unidos que se abstenham de fazer tais comentários, respeitem os factos e valorizem os esforços dos países que trabalham pela paz e estabilidade na região", acrescentou Geng. A troca de declarações ocorre numa altura de tensões entre o país asiático e vários países vizinhos, por disputas sobre a soberania do Mar do Sul da China, reclamado quase na totalidade pela China.
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terça-feira 23.7.2019
Aviação Beijing Capital Airlines inaugura voo Lisboa-Xi'an-Pequim
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Beijing Capital Airlines inaugura no final de Agosto a ligação entre Lisboa-Xi'an-Pequim, uma rota aérea que, segundo o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, resultou do esforço diplomático entre os dois países. "A nova rota vai permitir que não só turistas, mas também empresários, investigadores, professores e estudantes universitários encontrem forma de ir de um território para o outro", disse o governante, durante a cerimónia oficial de inauguração da rota, que decorreu ontem em Lisboa. A nova rota, anunciada no mês passado por fonte da empresa à agência Lusa, arrancará com três frequências semanais a partir de dia 30 de Agosto e vai substituir a ligação directa entre Hangzhou, costa leste da China, e Lisboa, com paragem em Pequim, suspensa em Outubro do ano passado. Será operada por aviões Airbus A330, com capacidade máxima para 440 passageiros. Durante a cerimónia de ontem, o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, destacou igualmente a importância da parceria Portugal-China, lembrando que em 2019 se celebrará o 40.º aniversário do estabelecimento oficial de ligações diplomáticas entre os dois países. Recordou também que em 2018 Portugal recebeu mais de 315 mil turistas chineses, num crescimento médio anual nos últimos três anos de 25 por cento, o que motiva a manter uma relação "cada vez mais próxima" com a China e todos os parceiros. "A existência de boas ligações aéreas é fundamental para o crescimento do número de turistas que nos visita", defendeu.
HK ATAQUE AO GABINETE DE LIGAÇÃO CONSIDERADO INSULTO AO POVO CHINÊS
Afronta e injúria
O representante do Governo de Pequim em Hong Kong condenou ontem o ataque ao edifício do Gabinete de Ligação na região, no domingo, afirmando que os manifestantes insultaram “todo o povo chinês”
Os manifestantes que tentavam voltar para casa foram atacados dentro de uma estação de metro, por assaltantes que pareciam ter como alvo manifestantes pró-democracia.
“E
STAS (acções) prejudicaram gravemente o espírito de Estado de Direito ao qual Hong Kong está profundamente ligado (...) e ofenderam seriamente todo o povo chinês, incluindo os sete milhões de compatriotas de Hong Kong”, afirmou Wang Zhimin, chefe do Gabinete de Ligação de Pequim, aos jornalistas. Num comentário difundido na primeira página, e intitulado “O Governo Central não pode ser desafiado”, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, considerou as acções dos manifestantes “intoleráveis”.
Os manifestantes grafitaram e lançaram ovos contra a fachada do edifício do gabinete, no domingo, quando quase meio milhão de pessoas desfilou nas ruas de Hong Kong contra as emendas na lei da extradição e a exigir um inquérito independente sobre a actuação da polícia. O ataque danificou o emblema nacional da China, que está pendurado na frente do prédio, ao manchá-lo com tinta preta. O emblema foi substituído por um novo em poucas horas.
A SANGUE FRIO
Mais tarde, num novo desenvolvimento no movimento, os manifestantes
que tentavam voltar para casa foram atacados dentro de uma estação de metro, por assaltantes que pareciam ter como alvo manifestantes pró-democracia. Pelo menos 45 pessoas ficaram feridas e 22 permanecem hospitalizadas, incluindo um homem em estado grave. Vídeos dos ataques aos manifestantes mostram homens de camisa preta espancar manifestantes, com tubos de aço e bastões de madeira. Testemunhas acusam a polícia de não intervir para parar o ataque. Outras 14 pessoas ficaram feridas quando a polícia usou gás lacrimogéneo para expulsar os manifestantes no centro de Hong Kong. A polícia disse que os manifestantes atiraram tijolos e bombas de gasolina e atacaram a sede da polícia. A contestação nas ruas, que dura há sete semanas, foi iniciada contra um projecto de lei que permitiria extradição para o continente chinês. A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora o que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades”. Um grupo de parlamentares pró-China pediu na semana passada a suspensão da violência, afirmando que se trata de um golpe para a reputação de Hong Kong e está a afugentar turistas e investidores. E pediram que a polícia reforçasse a aplicação da lei contra os manifestantes, que rotulou como “rebeldes”. “O violento ataque ao Gabinete de Ligação ... é uma afronta direta à soberania do nosso país”, disse Regina Ip, ex-chefe de segurança.
Antiterrorismo Exército realiza exercícios perto de Hong Kong O exército chinês anunciou ontem que realizou exercícios antiterrorismo na província de Guangdong, que faz fronteira com Hong Kong, um dia após manifestantes terem atacado o edifício do Gabinete de Ligação do Governo central na região semiautónoma. A 74.ª Brigada do Exército de Libertação Popular não refere no comunicado os protestos em Hong Kong, mas o analista militar e oficial aposentado Yue Gang disse que os exercícios mostram que as tropas estão prontas para intervir no território. O Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, informou que o exercício, realizado na cidade de Zhanjiang, simulou uma resposta para uma onda de violência ou terrorismo.
Região JAPÃO SHINZO ABE SEM VOTOS SUFICIENTES PARA REFORMA CONSTITUCIONAL
A
coligação política do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, venceu as eleições parciais de domingo, mas sem conseguir os dois terços necessários na câmara alta do parlamento para levar avante uma reforma constitucional, foi ontem noticiado. Dos 124 lugares que foram a votos,
71 terão sido conquistados pelo conservador Partido Liberal Democrático, de Shinzo Abe, e pelo seu aliado
político, Komeito, de acordo com os resultados compilados e divulgados pelo canal público de televisão NHK. As eleições de domingo foram convocadas para eleger metade dos parlamentares que compõem o Senado, a câmara alta do parlamento (Dieta) nipónico.Arestante composição será eleita num escrutínio
agendado para 2022. Assim, e apesar de garantir a maioria naquele órgão legislativo (141 lugares num total de 245), Abe não alcançou o número de assentos necessários para poder pressionar uma revisão constitucional. O objectivo de Abe é emendar a Constituição, adoptada após a Segunda
Guerra Mundial, para alterar o carácter pacifista e também para que as forças militares, actualmente denominadas Forças deAutodefesa, tenham um papel mais activo. Esta alteração tem de ser aprovada por ambas as câmaras e submetida a referendo. Embora na câmara baixa, Abe e os aliados assegurem
dois terços dos lugares, o mesmo não acontecer na câmara alta, desde a votação deste domingo. "A eleição para a câmara alta não foi realizada para ganharmos dois terços dos assentos, foi para manter a estabilidade", relativizou Abe, em declarações a outra televisão nipónica.
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23.7.2019 terça-feira
Por delicadeza perdi minha vida
Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis
Jacques Offenbach (1819-1880)
Primeiro retrato de Offenbach da vida parisiense contemporânea La vie parisienne
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SSINALAM-SE este ano 200 anos do nascimento do compositor e violoncelista romântico francês Jacques Offenbach, nascido Jakob Eberst em Colónia no dia 20 de Junho de 1819, um paladino da opereta e precursor do teatro musical moderno. A sua ópera bufa, ou opereta La vie parisienne, com libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy, é o primeiro retrato completo que Offenbach faz da vida parisiense contemporânea, contrastando com as suas obras de época anteriores, mais fantásticas e mitológicas, e tornou-se uma das operetas mais populares do compositor. No final dos anos 50 do séc. XIX, Paris começou a viver um período de frivolidade e a decadência do Segundo Império, o regime monárquico bonapartista implantado por Napoleão III de 1852 a 1870, entre os períodos históricos da Segunda e da Terceira República, na França. Durante esse período, Paris foi centro de exposições mundiais, para onde convergiam a divulgação do progresso cultural e industrial do mundo. A cidade, administrada pelo Barão Georges-Eugène Haussmann, passava por um moderno processo de urbanização, caracterizado pela abertura de novas e amplas avenidas, chamadas boulevards. Os espectáculos teatrais começaram a explorar humoristicamente o espírito, a inteligência e o divertimento característicos da vida parisiense. Foi, assim, durante o período do Segundo Império que estreou a primeira opereta de Offenbach, Orphée aux enfers (1858), um grande sucesso de bilheteira, que salvou Offenbach e a sua companhia de dificuldades financeiras. A fama e a popularidade de Offenbach subiram às alturas e, nas duas décadas que se seguiram, o compositor escreveu numerosas operetas, a maioria de grande sucesso, como La belle Hélène (1864), La vie parisienne (1866), La Grande-duchesse de Gérolstein (1867), e La Princesse de Trébizonde (1869), num total de mais de noventa! Em 1864, o Théâtre du Palais-Royal apresentou uma comédia-vaudeville em um acto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy intitulada Le photographe (O Fo-
tógrafo). Dois anos antes, uma comédia pelos mesmos autores, La clé de Métella (A Chave de Métella) tinha sido apresentada no Théâtre du Vaudeville. No ano seguinte, os mesmos tinham apresentado no Théâtre du Palais-Royal Le Brésilien, uma comédia em um acto.
O timing não poderia ter sido melhor para La vie parisienne, pois os visitantes internacionais da Exposição Universal de Paris de 1867 ficaram intrigados com a trama
Estas três peças pressagiam o libreto de La vie parisienne, datado do final de 1865. A opereta foi estreada no dia 31 de Outubro de 1866 no Théâtre du Palais-Royal em Paris com cinco actos, e foi uma sensação, ainda mais do que a opereta Barbe-bleu, também de Offenbach, levada à cena poucos meses antes, tendo tido, inclusive, como espectadores, entre outras, personalidades como o Príncipe de Gales, no início de Dezembro de 1866, e Napoleão III e a sua esposa que assistiram à sua 58ª representação no dia 28 de Dezembro de 1866. O Czar da Rússia e os seus dois filhos assistiram à 217ª representação no dia 5 de Junho de 1867 e a opereta manteve-se em cena até ao dia 24 de Julho de 1867, com 265 representações. É reposta no dia 9 de Março de 1868 e atinge as 293 representações no dia 5 de Abril de 1868 e depois, de 2 a 31 de Outubro de 1969, atinge as
323 representações. Seguidamente, foi montada em várias cidades de província, como Marseille, Rouen, Lille, Lyon e Nantes. No dia 30 de Março de 1872, ocorreu a sua estreia no Holborn Theatre, em Londres, numa versão do dramaturgo Francis Burnand. No dia 25 de Setembro de 1873, foi estreada a versão curta de quatro actos (sem o quarto acto original) no Théâtre des Variétés da capital francesa, versão reposta em 1875. A obra chegou ao Booth Theatre, em Nova Iorque, no dia 12 de Junho de 1876. O timing não poderia ter sido melhor para La vie parisienne, pois os visitantes internacionais da Exposição Universal de Paris de 1867 ficaram intrigados com a trama, que gira em torno das aventuras e desventuras amorosas de um Barão e Baronesa suecos, os Gondremarcks, no decorrer das suas férias em Paris. No primeiro ato, os barões e um brasileiro rico, Frick, enredam-se numa teia tecida por dois homens, Raoul de Gardefeu e Bobinet, desesperadamente apaixonados por uma “mulher da vida”, Métella, numa estação de comboios. Os próximos quatro actos incluem todos os elementos necessários para uma opereta bem-sucedida: criados que se apresentam como membros da classe alta, identidades ocultas, ligações frustradas, hedonismo e consumo de bebidas alcoólicas. La vie parisienne foi o primeiro empreendimento de grande sucesso de Offenbach no género opereta com um cenário contemporâneo, assuntos actuais e personagens com roupagens modernas. Semelhanças com Die Fledermaus (O Morcego) de Johann Strauss (1874) abundam. La vie parisienne é um trabalho alegre e cómico em louvor a Paris, mas não sem reservas. Quando os Gondremarcks são transportados e enganados, começam a perceber que Paris não é tão fascinante quanto foram levados a acreditar pela sua imaginação. É, no entanto, fascinante o suficiente e tem coisas novas para lhes oferecer, ou seja, amor, dança e bebida.
SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA
•Jacques Offenbach: La vie parisienne •Régine Crespin, Mady Mesplé, Luis Masson, Michel Sénéchal, Michel Trempont, et al, Orchestre du Capitole de Toulouse, Michel Plasson – EMI Classics, 2002
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
terça-feira 23.7.2019
contos para normais Paulo José Miranda
Canivete suíço para corações
C
ONHECI Marlene num bar da Vila Madalena, em São Paulo, entre amigos de amigos de amigos. Tinha o cabelo preto curto como um haiku , que contrastava claramente com o exagero da sua pele branca. A sua juventude via-se no modo despreocupado com que se entregava ao sorriso, dela e dos outros. Num tom provocador, diz, quase rente à boca de Julie, o amor não serve para nada . E riam-se, quase se beijando. Marly (Marlene) estava interessada em Julie, mas ainda mais interessada em Patty, que estava sentada ao meu lado e mais empenhada em convencer as pessoas acerca do que pensava do que nos corpos disponíveis, que poderia ter se quisesse. Quase todas aquelas jovens mulheres poderiam ser no corpo de outrem, por isso a displicência com que não atentavam nos sinais do desejo. Marly tocava-nos enquanto falava, sorria, olhava-nos nos olhos. Julie estava claramente interessada apenas em Marly e era um erro. Erro que se paga com a vida e tarde de mais se percebe. Patty falava que só há dois tipos de pessoas no
mundo: as que fazem a guerra e as que fazem a paz; o resto eram sub-divisões que tentavam ocultar a diferença máxima e que realmente importava para o mundo. Entregar-se à discussão, à maledicência era fazer a guerra, furtar-se ou evitá-las era procurar a paz. Continuava neste tom até alcançar os cumes gelados da religião, onde cristianismo, islamismo e judaísmo faziam parte do mesmo partido da guerra, contrariamente ao budismo, que era claramente uma procura da paz. Marly, que estava nesse momento levantada, dirige-se a Patty por trás, toca-lhe nos longos cabelos loiros, apanha-os com uma das mãos e sussurra-lhe ao ouvido algo que fez a rapariga da paz estremecer, enrubescer e soltar um som rouco, embaraçado. Mar-
ly deu-lhe um beijo no lado esquerdo do rosto, junto aos lábios, sentou-se no seu lugar e beijou demoradamente Julie, tendo desta vez toda a atenção do mundo a paz e a guerra por parte de Patty. Esperei um pouco, virei-me para a Patty e disse: Estava dizendo... Ela olhou-me como se acabasse de acordar. Ficou tão claro que não basta uma pessoa existir, fazer-se ver a outra, para lhe entrar dentro da pele, é preciso construir um cavalo de Tróia, é preciso um gesto, uma palavra, algo que faça com que a realidade desapareça e que o que é passe a parecer. Marly era um autêntico canivete suíço nos nossos corações. Agora, não havia naquela mesa, naquele bar, naquela cidade, um só coração que não batesse em uníssono com o coração de Marly. Tudo
Marly era um autêntico canivete suíço nos nossos corações. Agora, não havia naquela mesa, naquele bar, naquela cidade, um só coração que não batesse em uníssono com o coração de Marly
o que fazia era perfeito e transformava-nos a todos numa criança no primeiro dia em que estremece pela imagem de um outro corpo. Nem ela mesma sabia o que fazia. Tocar-nos os corações não era um conhecimento, era um destino. Ria-se com a alegria de quem vive no paraíso e não numa rua da cidade de São Paulo, no mundo, e repetia de quando em quando como um refrão o amor não serve para nada . A noite foi crescendo, tal como um filho, mais depressa que o esperado. Já à saída do bar, e com o dia a espreguiçar-se, perguntei-lhe: Marly, que disse ao ouvido da Patty? Ela riu alto, abraçou-me e rente ao ouvido, disse: Portuga, se lhe contar, vou ficar com a sua alma para sempre. Quer mesmo que isso aconteça? Por estranho que pareça, a sua resposta não me surpreendeu. Sorri e disse-lhe: Não, querida, deixe p ra lá, assim está de bom tamanho . Seria estultícia querer desafiar a natureza e o desconhecido. No céu, começava-se a ver as nuvens rarefeitas, deslizando no céu como se Deus fumasse.
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23.7.2019 terça-feira
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JP WITKINS, LA GIOVANISSIMA MEXICO, 2007
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Amélia Vieira
.... Não te aconselhes com loucos porque não sabem guardar segredo BEN-SIRA- versículo 17- capítulo 8
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ERÁ certamente um erro grosseiro o elo permanente com a narrativa alheia devido a tanto ditirambo, razões soltas (ao invés de um conjunto de factos que permita a justa visão) delírios interpretativos, e ainda a mordaça que desestabiliza a forma de olhar correctamente para as coisas, criando a dessacralização do que deve ficar entre pares. Ter direito aos segredos é um exercício de empatia que configura saúde e satisfação para as partes intervenientes que assim recriam uma brecha de paraíso inexpugnável. Evoquemos as naturezas obreiras que se satisfazem nos labores e se dão bem no seu secreto sigilo sem que para tanto necessitem do que de fora vem como justificação para sê-lo, quando isso corre bem, o mundo anda melhor, e quando os grupos sigilosos são grandes perde-se tal eficácia: os loucos o que são, afinal? Os que escusam a interpretação, os devoradores das realidades alheias que no vazio de uma vida insana são arautos de todas as formas de comunicação desregulada e fazem assim realidade a partir de dispositivos falaciosos e surpreendentemente alterados. A confiança é a base da Obra, onde ela não estiver pode haver retrocessos que são nocivos para todos, pois que muitos padecem do confiar como medida de eleição para fazer, e sempre que se deixa entrar essa cicatriz reducionista perdem os seres o vínculo de uma eleição. Não somos feitos de transparências, não nos inoculamos nas fímbrias
Evocação de uma consciência maior, que é o ter deixado esta mesma consciência onde nada acontece de inovador a não ser a circunstância que a produz, que não sendo também ela inovadora, apenas nos parece nova pela diferença de contexto. Não somos ainda o rio de Heraclito, e destas águas se faz o hábito de se continuar louco. Os seres intermediários nem sempre se encontram junto a nós, e as nossas virtudes não chegam para amparo nas ondulosas vagas da caminhada, por isso, o dom da evocação deve saber estar presente quando queremos dar livre curso a essa arbitrariedade de que somos possuidores; talvez um mantra, uma oração, uma chamada, aligeire a nociva tendência para o naufrágio em série. Que toda a palavra é feita para criar um campo vibratório que se transforma em realidade, por isso, ela deve ser, não só a factualidade encontrada, como o comando imperativo da nossa vontade. Se o mundo fosse telepático, a linguagem não sonora retrataria ainda assim uma outra, que se faria entender num glossário alfabético de maior fascinação, impedindo a cadeia do desastre e repondo níveis de desordem com mais celeridade. Mas as Vozes estão sempre presentes na ressonância das ondas cerebrais de cada
O sacrifício dos mais nobres é fonte a que sempre, em nossa incompletude, retornaremos
um. Do Deus manifestado ao audível vai uma marcha tão grande que se suspeita até nem ser o mesmo, do criado ao não gerado vai um abismo... A procura da energia da Criação não será a nossa barca de Caronte que só admitia nela quem lhe pagasse a passagem, nem se deseja ir ali com aqueles órfãos todos em modelo sombra - se na outra margem ainda os mandarem embora... - Por isso, evoquemos os mantras da libertação. Parece não haver mesmo nada de novo nas águas... e debaixo do céu também não. Lá navegam os que fogem e se metem de Inferno para Inferno em condições que fazem as trevas chorar. Levantam-se outras, que dizem: não passarão! As portas dos "paraísos" estão guardadas com seus anéis de fogo, e neste deambular as medidas tardam e nada se esclarece de muito mais a não ser o sabermos que os mitos têm razão e sabem falar de nós como se fôramos um programa tal, que nos abismamos. O impulso ficcionista por vezes impede a objetividade, e se não for tudo isto ficcional, então como chamar a uma armadilha que anda à solta fazendo-se passar por dinâmica tentativa de criar soluções? - Repete uma palavra cem vezes-! Depois, espera pela resposta que escutarás como um chamamento em forma de código, segreda-o a quem amas e não a discutas mais. Os segredos são grandes fórmulas sagradas e sem eles ficamos frágeis, mas nada em ti te impeça de agir, dizendo aquilo que a falta de coragem dos que apenas falam não consegue pronunciar. No meio disto saberemos que o sacrifício dos mais nobres é fonte a que sempre, em nossa incompletude, retornaremos.
internacional 17
terça-feira 23.7.2019
UE MINISTRO ALEMÃO PEDE MECANISMO PARA DISTRIBUIR MIGRANTES
Por outras aldeias O ministro alemão dos Assuntos Exteriores, Heiko Maas, apelou ao consenso rápido sobre um “mecanismo estável” para a distribuição de migrantes resgatados no Mediterrâneo, antes da reunião realizada em Paris
“A
GORA necessitamos rapidamente de um mecanismo estável que regule o desembarque e a distribuição das pessoas resgatadas no alto mar”, assegurou o político social democrata num comunicado prévio à reunião dos ministros da administração interna da União Europeia. A Alemanha está empenhada em trabalhar com outros países uma “coligação com os dispostos a ajudar” e “também para fazer a sua parte de forma fiável no futuro”. Na sua opinião, a Europa pode encontrar uma “solução rápida e pragmática” para o problema concreto dos resgates no Mediterrâneo, afirmou Maas. Os números oficiais de pessoas que precisam de ajuda no mar são “manejáveis”, afirmou o ministro. Outra questão, reconheceu o ministro, são as diferenças em
outros assuntos da problemática migratória, que não se podem resolver “da noite para o dia”. “Não devemos abandonar (a causa) até chegarmos a um acordo. É a obrigação humanitária da Europa”, disse Maas, que sublinhou que a União Europeia não pode
“A França e Alemanha propõem um mecanismo de resposta até que haja uma solução definitiva. Uma resposta transitória para os barcos que têm surgido no mediterrâneo no último ano.”
Secretário de Estado demite-se perante incompatibilidade com Boris Johnson
O
EM BUSCA DE SOLUÇÃO
A reunião de ontem em Paris juntou ministros do Interior e dos Negócios Estrangeiros de todos os países disponíveis para participar numa solução proposta pela França e Alemanha de criação de um mecanismo de resposta ao resgaste de migrantes no Mediterrâneo. Na semana passada, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, considerou positiva a proposta. “A França e Alemanha propõem um mecanismo de resposta até que haja uma solução definitiva. Uma resposta transitória para os barcos que têm surgido no mediterrâneo no último ano. São mais de uma dezena de barcos que o Governo italiano deixou de aceitar nos seus portos, que são normalmente os mais próximos e seguros”, disse à agência Lusa, por telefone, o ministro da Administração Interna, após participar em Helsínquia numa reunião informal de ministros de Justiça e Assuntos Internos, a primeira organizada pela presidência Finlandesa.
EDUARDO CABRITA MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA
A nuvem negra secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Alan Duncan, apresentou ontem a demissão de funções, invocando incompatibilidade com Boris Johnson enquanto potencial sucessor da primeira-ministra, Theresa May. "O Reino Unido faz tantas coisas boas no mundo. É trágico que justamente quando poderíamos ter sido a força intelectual e política dominante em toda a Europa e mais além, tenhamos tido de passar todos os dias a trabalhar sob a nuvem negra do ‘Brexit’", lamentou, na carta de demissão publicada na rede social Twitter. Apesar de ter trabalhado com Boris Johnson quando este foi ministro dos Negócios Estrangeiros, Duncan tornou-se um crítico feroz do colega
ignorar esta “catástrofe ao largo nas nossas costas”.
conservador, nomeadamente quando este recusou defender o antigo embaixador britânico nos EUA Kim Darroch após a publicação de um telegrama confidencial em que o diplomata criticava a administração do presidente Donald Trump. "A falta de consideração por Sir Kim e a recusa em apoiá-lo foi bastante desprezível e também não teve em conta os melhores interesses do país que ele está a tentar liderar", afirmou na altura. Duncan é o primeiro a demitir-se de vários membros do Governo que já deram a conhecer a indisponibilidade para servir sob Boris Johnson, nomeadamente o ministro das Finanças britânico, e o ministro da Justiça, David Gauke. Na semana passada, Margot James deixou as funções de
secretária de Estado da Cultura após ter contrariado a orientação do voto do governo e apoiado uma monção no parlamento para dificultar a suspensão do parlamento em Outubro, uma hipótese que Johnson não descartou como via para forçar um 'Brexit' sem acordo. O The Sun noticiou na semana passada que mais de 12 de membros do Governo poderão demitir-se se Boris Johnson ganhar a eleição interna para a liderança do partido Conservador, na qual é considerado o favorito, contra o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt. Os cerca de 160 mil militantes do partido têm até às 23h de Macau para fazer chegar o voto postal, após o que será iniciado o processo de contagem dos boletins. O nome do vencedor será anunciado esta manhã, mas só deverá assumir as funções de primeiro-ministro após a demissão formal de Theresa May, na tarde de amanhã.
FRANÇA SUBMARINO ENCONTRADO MEIO SÉCULO APÓS O SEU DESAPARECIMENTO
O
submarino francês "La Minerve", que desapareceu em 1968 com 52 homens a bordo, foi ontem encontrado ao largo de Toulon, 50 anos depois do seu naufrágio, anunciou a ministra das Forças Armadas francesa, Florence Parly. "Acabamos de encontrar o [submarino] Minerve. É um sucesso, um alívio e um feito técnico. Penso nas famílias que esperavam por este momento há tanto tempo", escreveu Florence Parly na sua conta da rede social Twitter. Os destroços do submarino naufragado foram localizados no Mediterrâneo, a 45 quilómetros de Toulon, a 2.370 metros de profundidade, pelo navio americano Seabed Constructor, que chegou na passada terça-feira para participar nas buscas e forneceu uma confirmação visual da localização do Minerve, indicou um responsável
da Marinha nacional à agência de notícias France-Presse. Em 27 de Janeiro de 1968, o submarino militar, em exercício a cerca de 30 quilómetros de Toulon, afundou-se em apenas quatro minutos. Apesar das operações de socorro imediatamente realizadas, os destroços nunca tinham sido localizados. Em Outubro passado, familiares dos desaparecidos lançaram um apelo para que as buscas fossem retomadas. Desde o anúncio de Florence Parly, no início do ano, da retoma das operações, especialistas propuseram-se a redefinir a área onde era mais provável que os destroços estivessem localizados. Muitas causas foram mencionadas para explicar o acidente: uma avaria, uma colisão com um barco, a explosão de um míssil, um torpedo ou um acidente do tubo de ventilação.
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO 43 | ”CORES DA ÁSIA” Casas Museu da Taipa | Até 22/09
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MGM Theatre | Até 4 de Agosto
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Numa altura em que o túnel pedo5Oriental 2 0mete4água, 1 nal3da 8 Pérola nada melhor do que recordar um 1 9 7 3 6 2 5 clássico do cinema. Em Pânico no 0 1um grupo 8 4de 9 7 fica 6 Túnel, pessoas preso numa infra-estrutura, após 9 6 0 1 7 5 8 um acidente. Devido aos danos 5as equipas 2 9 de8salvamento 3 0 no4túnel, ficam incapacitada 7 3 6 0 de4 intervir 1 9e apenas um homem pode salvar os 8 2 3 Sylverster 5 1 Stallone, 6 4 sobreviventes: que interpreta o papel de Kit Latura. Uma película emocionante que nos leva a questionar, se houver alguma tragédia do género em Macau, quem será o Stallone da Areia Preta? João Santos Filipe
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PROBLEMA 47
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Y6U A5N3 18 . 1 7 9 7
Em 2014, o movimento Occupy Central 46 surpreendeu tudo e todos pela dimensão e pelo ponto de viragem que 8 as2autoridades 9 representou.3Na altura, policiais viram-se confrontadas com 0 5 2 6 7 uma nova realidade e foram alvo de 6 acusações, 3 algumas correctas, 8 muitas outras infundadas. po7 6 Mas desta vez a 2 lícia de Hong Kong não tem desculpa 4 1 para o que aconteceu. Num território 0 ainda 6 vigora um certo Estado onde de Direito 9 não 1 podem haver ataques 4 infundados por parte de um grupo de 3 1 0 pessoas que não se identificam sem 3 intervenha. 2 9 Não 1 6 que a polícia se compreende como é que numa estação 0 5 9 7de metro, pessoas vestidas com camisolas brancas batem em outras usando bastões 48 de bambu sem que nada seja feito. Em 2014, a polícia lamentou8 2 explicações. 0 3 -se. Ontem deu algumas 4 Carrie Lam, a Chefe do Há2semanas, Executivo, Mas 0 chorou na5televisão. 8 agora qualquer pedido de desculpas 8 5justificações 2 1 con6 ou 3 quaisquer numa ferência de imprensa 7 6parecem 2 não0ter qualquer credibilidade. A população de Hong Kong tem recorrido a um 9 6básico e não há direito de direito pessoas 4 inocentes 9 serem 8 3 agredidas 0 desta forma sem terem a protecção 4 1 Hong da 7 polícia. Não há desculpas. Kong vive,3sem 5 dúvida nenhuma, 4 9 tempos difíceis. Andreia Sofia Silva
ROB COHEN | PÂNICO NO TÚNEL (1996)
TOY STORY 4 SALA 1
TOY STORY 4 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Josh Cooley 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
THE WHITE STORM 2 DRUG LORDS [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Herman Yau Com: Andy Lau, Louis Koo, Michael Miu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
SALA 3
CRAYON SCHINCHAN 2019 [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Herman Yau Com: Masakazu Hashimoto 14.30, 19.15
SPIDER-MAN: FAR FROM HOME [B] Um filme de: Jon Watts Com: Tom Holland, Samuel L. Jackson, Jake Gyllenhaal, Zandaya 16.30, 21.15
www. hojemacau. com.mo
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Um homem, em Mação, observa o fogo com uma mangueira na mão enquanto o incêndio se aproximava da sua habitação.
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 46
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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macau visto de hong kong
DAVID CHAN
última cimeira do G20 aprovou a implementação do imposto digital, para ser aplicado a empresas que fornecem serviços digitais (as DPC sigla em inglês). Das empresas deste ramo destacam-se o Facebook, o Google, a Apple e a Amazon, conhecidas em todo o mundo. No universo online, onde vivemos actualmente, as DPC vendem e-books, publicidade e colocam os seus motores de busca ao nosso dispor, para nos permitir procurar todo o tipo de informação. Os consumidores pagam estes serviços. Estes pagamentos geram os lucros das DPC. Sem um imposto digital não há forma de taxar as DPC e, ao contrário das empresas tradicionais, as DPC pagam impostos baixos. Quando na cimeira do G20 foi estabelecida a necessidade de cobrar o imposto digital, foram avançados dois princípios. O primeiro consistiu na regulação das taxas. Debateu-se se os impostos deveriam ser cobrados nos países onde os serviços são prestados ou nos locais onde as empresas estão sediadas. Mas, como as DPC não são empresas físicas, nem estão registadas num determinado país, estabeleceu-se que as taxas seriam cobradas pelos países onde os serviços são prestados. Serão, pois, os Governos dos países consumidores destes serviços a cobrar o imposto. Nestas questões a justiça fiscal é importante. Se os países não tiverem implementado o imposto digital, por mais dinheiro que as DPC ganhem, os governos não o podem cobrar. Para a economia desses países também é injusto que empresas que facturam milhões não contribuam com uma parte dos seus lucros. Em segundo lugar, a cimeira decidiu que se estabeleceria uma taxa mínima para esta contribuição fiscal. Este princípio é bom, mas encerra alguns problemas. A Irlanda e o Luxemburgo já têm imposto digital, cobrado a uma percentagem relativamente baixa. Para evitar pagar mais, as DPC têm-se estabelecido nos países que cobram taxas baixas. Nos países que cobram imposto mais alto, as DPC só têm fornecido os seus serviços. Se for criada uma percentagem global para o imposto digital, as vantagens que os países como a Irlanda e o Luxemburgo oferecem vão ser significativamente reduzidas; por isso estes países têm-se oposto à percentagem global. Se esta questão não for resolvida, vai ser difícil o G20 estabelecer uma regulamentação global até 2020. Singapura já tinha anunciado a implementação do registo de fornecedores estrangeiros para 2020. Neste regime DPCs com uma
TWO TAX COLLECTORS, REYMERSWAELE
A
Imposto digital
receita anual superior a 1 milhão de dólares, e uma facturação local superior a 100.000 dólares, deverá pagar este imposto. O Japão reviu os impostos ao consumo em 2015 e expandiu a taxação a empresas estrangeiras que vendam produtos digitais em solo japonês. Desde que a transacção ocorra no Japão, o fornecedor tem de pagar imposto ao Governo nipónico. A definição do local da transacção foi alterada de “localização do fornecedor do serviço” para “morada do consumidor do serviço”. Estamos, pois, perante a eclosão de um novo imposto global. De que forma deverão
Hong Kong e Macau lidar com esta situação? Se Hong Kong continuar a manter o seu sistema fiscal, ou seja, omitindo o imposto digital, pode vir a atrair para o seu território muitas DPCs. Mas se isto se verificar, o Governo de Hong Kong vai perder uma fonte de rendimento fiscal. Actualmente, a maior parte dos dividendos do Governo de Hong Kong são obtidos através da venda de terras. É uma receita instável. Para além disso, existem poucos impostos em Hong Kong. Do ponto de vista dos cofres da cidade, seria uma boa decisão a implementação do imposto digital
Para já, em Macau o imposto digital não parece ser uma prioridade. Outra vantagem possível da não implementação deste imposto é o encorajamento ao crescimento do comércio online na cidade.
Saliente-se ainda que a comunidade internacional defende a criação deste imposto num futuro próximo e, para se manter alinhado com o resto do mundo, Hong Kong também o deveria implementar. A receita do Governo de Macau provém sobretudo dos casinos. Após a reunificação da China, os casinos são fonte de enormes lucros e a receita do Governo também tem vindo a subir. Para já, em Macau o imposto digital não parece ser uma prioridade. Outra vantagem possível da não implementação deste imposto é o encorajamento ao crescimento do comércio online na cidade. Pode vir a atrair DPCs estrangeiras para aqui se estabelecerem. De qualquer forma, continuemos a acompanhar os desenvolvimentos da implementação do imposto digital e depois tiraremos mais conclusões.
Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
“Ninguém é suficientemente pequeno ou pobre para ser ignorado.” Henry Miller
Contágio da violência Sobrinho de Edmund Ho deseja que “amor de Yuen Long” se espalhe
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RIC Ho, empresário e sobrinho de Edmund Ho, apelou a que a violência perpetuada pelos ‘camisas brancas’ contra os manifestantes e transeuntes que circulavam no metro de Hong Kong, na noite de domingo, se espalhasse pela cidade. Segundo o também presidente da empresa We Solutions, é preciso que o “amor” se espalhe
e que seja ensinada uma lição aos camisas pretas, ou seja, aos manifestantes contra a lei de extradição. “Espero que o amor mostrado em Yuen Long se espalhe pelas outras partes de Hong Kong. É preciso ensinar às pessoas com camisas pretas uma lição”, escreveu o sobrinho do ex-Chefe do Executivo de Macau na rede social Facebook, de acordo com o jornal Apple Daily.
Eric Ho é um empresário pró-Governo e em 2009, de acordo com um artigo da revista EastWeek integrava mesmo o Comité Municipal de Pequim da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.
VIOLÊNCIA NO METRO
No domingo, por volta das 23h um grupo de pessoas vestidas de branco, que têm sido ligado às tríades pela
TURISMO MAIS DE 20 MILHÕES DE VISITANTES ENTRARAM EM MACAU NO PRIMEIRO SEMESTRE
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AIS de 20 milhões de pessoas visitaram Macau no primeiro semestre, um aumento de 20,6 por cento face a igual período do ano passado, indicam dados oficiais divulgados ontem. Entre Janeiro e Junho, o número de excursionistas (10.798.806) e de turistas (9.485.827) aumentou 34,2 por cento e 8,2 por cento, respectivamente, em termos anuais, totalizando 20.284.633 de visitantes, segundo a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC). Por visitante entende-se qualquer pessoa que tenha viajado para Macau por um período inferior a um ano, um
termo que se divide em turista (aquele que passa pelo menos uma noite) e excursionista (aquele que não pernoita). Nos meses em análise, os visitantes permaneceram em Macau por um período médio de 1,1 dias, menos 0,1 dias, em termos homólogos. A maioria dos visitantes que entraram em Macau, no primeiro semestre, vieram do interior da China (14.314.457), mais 22,3 por cento face à primeira metade do ano passado. Já os visitantes da Coreia do Sul (450.140), de Hong Kong (3.694.910) e de Taiwan (535.597) cresceram 6,2, 23,2 e 2 por cento, respectivamente.
Segundo a DSEC, os visitantes dos EUA (106.790), da Austrália (48.447), do Canadá (39.723) e do Reino Unido (30.693) também cresceram, comparando com o primeiro semestre de 2018. Só no mês de Junho, visitaram Macau mais de três milhões de pessoas, um aumento de 18,9 por cento em relação ao período homólogo do ano passado. No último mês, o número de turistas (1.528.419) e o de excursionistas (1.567.434) aumentou 5,7 por cento e 35,4 por cento, respectivamente, em termos anuais, totalizando 3.095.853 visitantes em Macau, de acordo com a DSEC.
imprensa de Hong Kong, atacou os manifestantes contra a lei de extradição, que vestiam de preto, transeuntes e jornalistas. O ataque aconteceu na estação de metro de Yuen Long, já na área dos Novos Territórios. O acto do grupo de branco levou a várias críticas à polícia, que só apareceu depois de os atacantes terem fugido do local. Vários relatos e vídeos a circular online mostram alguns polícias a abandonar o local momentos antes do ataque. Por sua vez, o chefe da polícia de Hong Kong, Stephen Lo, recusou haver qualquer tipo de tolerância para a violência pró-polícia e responsabilizou os manifestantes contra a lei de extradição pela falta de policiamento. Segundo Lo, não havia polícia no metro porque estava concentrada na zona de central, onde foi a manifestação. Lo disse ainda que as autoridades policiais fecharam as portas e recusaram as queixas dos cidadãos. As razões para encerrar a estação foram justificadas com “motivos de segurança”. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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PALAVRA DO DIA
terça-feira 23.7.2019
JERUSALÉM ORIENTAL CASAS PALESTINIANAS DEMOLIDAS
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ORÇAS israelitas começaram ontem a demolir dezenas de casas palestinianas num bairro localizado em Jerusalém Oriental, noticiaram agências de notícias internacionais. Estas demolições põem fim a uma batalha legal de vários anos sobre aqueles edifícios residenciais, que abrangem a cidade e a Cisjordânia. Para Israel, os edifícios em causa foram construídos ilegalmente, muito perto da barreira de separação da Cisjordânia. Por seu lado, moradores palestinianos alegaram não terem espaços para construção e que é impossível obter licenças para construir casas legalmente. As demolições, que começaram rapidamente, já destruíram vários dos mais de 20 apartamentos loca-
lizados naqueles edifícios, segundo a agência Associated Press (AP). “Quero morrer aqui”, gritou um homem cuja casa estava a ser demolida, citado pelaAgência France-Presse (AFP). A 18 de Junho, as autoridades israelitas informaram alguns residentes do bairro de Sur Baher que iam demolir as residências, dando-lhes então 30 dias para se deixarem o local. De acordo com a agência da ONU para Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), esta decisão abrangeu dez edifícios, a maioria dos quais ainda em construção. Cerca de 350 residentes e proprietários serão afectados, de acordo com a OCHA. A 16 de Julho, cerca de 20 diplomatas, representando 20 países predominantemente europeus, visitaram a zona de Jerusalém, onde funcionários palestinianos lhes pediram que impedissem Israel de demolir estas residências.