ALVIS LO EM ENTREVISTA
É PRECISO ABRIR AS MENTES
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CORRUPÇÃO
Lei que pune funcionários públicos estrangeiros chega finalmente a Macau Mais vale tarde do que nunca. O regime assinado em 2006 vai ser implementado oito anos depois.
O presidente da Associação Nova Juventude Chinesa aponta o dedo ao comodismo entre os jovens e define prioridades para uma sociedade mais saudável. Mas em Macau tudo leva o seu tempo.
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TAILÂNDIA
Constituição suspensa, governo é demitido PÁGINA 11 PUB
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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hojemacau
VIOLÊNCIA VOLTA A XINJIANG E FAZ 31 MORTOS CHINA PÁGINA
MOP$10
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
ENTREVISTA
Alvis Lo considera que é uma questão de tempo até que residentes e não residentes estejam em pé de igualdade na obtenção de emprego, não por possuírem o BIR, mas pelas suas capacidades. O médico e presidente da associação diz que a sociedade “tem um problema”: os jovens não vão à luta e apenas desejam manter uma vida confortável
hoje macau sexta-feira 23.5.2014
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NOVA JUVENTUDE CHINESA PEDE MAIS CRITÉRIOS E MAIOR
“Macau precisa de ter HOJE MACAU
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ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Esta semana participou num debate sobre a qualidade do ar. Considera que o Governo deveria ter mais políticas nesta área? A nossa associação tem vindo a prestar atenção à protecção do ambiente. O Governo pode fazer muitas coisas, e já estão a promover acções educativas nas escolas. Penso que a essa consciencialização deve começar desde cedo. As próprias escolas deveriam fazer mais para promover estas questões. Mas não é fácil mudar os comportamentos. O Governo agora está a criar um saco especial para reduzir o uso dos sacos de plástico, mas outras acções deveriam ser feitas. Em Hong Kong é preciso pagar para ter um saco de plástico, e mesmo na China. Quando as pessoas começarem a pagar vão começar a utilizar menos os sacos plásticos. No que diz respeito à poluição do ar, a grande origem é o trânsito. Penso que o Governo deveria implementar um bom sistema de transportes. Talvez quando o Metro Ligeiro esteja em funcionamento a situação fique melhor, mas há mais coisas a fazer, como dar prioridade aos autocarros. Os autocarros têm problemas, demoram muito tempo entre os percursos, e isso pode ser alterado com uma melhor gestão urbana. Macau é uma cidade pequena e vai conseguir fazer isso com um plano detalhado e uma boa cooperação com as operadoras de autocarros. Os táxis são também outro problema. O Governo deveria regular melhor o funcionamento
dos táxis amarelos, porque depois de tantos anos deveria haver uma maior competição. Só há um operador actualmente. Se houver uma maior competição o serviço vai melhorar. Deveria ser uma prioridade para o Governo, tendo em conta os novos empreendimentos de jogo no Cotai? Sim. A área dos transportes deveria ser uma prioridade. Só temos três rotas a ligar a península de Macau à Taipa e o tráfego de turistas vai aumentar. A capacidade de Macau vai ser menor. Sobretudo temos de fazer com que as pessoas evitem utilizar os seus próprios veículos, deveríamos fazer algo para substituir o carro. Uma pessoa pode optar por não conduzir, mas se o
sistema de transportes públicos não funciona, o que podemos fazer? Penso que essa será a tendência para a protecção ambiental. Temos de criar novos regulamentos para a utilização de carros mais amigos do ambiente, segundo padrões internacionais. Os carros amigos do ambiente deveriam ser mais promovidos. O Metro Ligeiro poderá ser uma solução para excesso de trânsito? Isso dependerá sempre da ges-
tão urbana. Tenho esperança no Metro Ligeiro. Em Hong Kong houve muitas críticas aquando da sua construção, mas depois da conclusão da obra verificou-se que encurtava as distâncias, e em Macau pode acontecer o mesmo, mas tem de ter uma maior ligação com os percursos de autocarros e zonas para caminhar. Se não fizermos nada para controlar a utilização dos carros Macau vai ficar como Pequim ou Xangai. Mas se fizermos algo agora, vamos conseguir travar
Quando alguém se candidata a uma vaga de emprego, a maior preocupação deveria ser as capacidades do candidato. É a única forma de aumentar a competitividade
isso. Por isso é que precisamos de fazer uma consulta pública para saber se a população concorda com o controlo dos carros. Há muitas pessoas ricas que desejam comprar um carro, e o problema está a aumentar por causa disso. Que análise faz do trabalho dos departamentos públicos responsáveis por esta matéria, como é o caso dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA)? Estão a fazer o melhor que podem, porque têm vindo a promover diversas actividades para aumentar a consciência da sociedade. Muitas políticas estão fora do seu controlo, como por exemplo com o limite do número de carros. Não podem mudar tudo, mas penso que podem dar sugestões aos departamentos
entrevista 3
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CLAREZA NA ATRIBUIÇÃO DE RESIDÊNCIA
uma mente aberta” Macau ainda não tem um programa de reciclagem. É algo urgente? Sim, de certeza. Há áreas onde já se faz a separação de resíduos, mas Macau não tem ainda boas soluções para, de facto, fazer a reciclagem dos resíduos. Actualmente a habitação pública é uma prioridade e não há terrenos suficientes para construir uma central de tratamento de resíduos, mas poderia haver uma cooperação com a China ou mesmo com Hengqin.
Não temos de levar todo o sistema universitário para os rankings, algo que poderia ser perigoso, porque tudo iria focar-se na investigação, cuja utilidade prática é limitada
responsáveis. Não acredito que tenham o poder para regular tudo. Deveriam ter esse poder? Não sei, em matéria burocrática, se deveriam ter esse poder ou não. Do que tenho visto têm promovido alguns programas educacionais. Talvez façam algum trabalho interno longe da vista do público. Mas a protecção ambiental deveria ser feita com a cooperação de diversos departamentos, e até dos táxis. Por exemplo, deveríamos pagar mais pelos lugares de estacionamento, isso iria reduzir o uso de carros. Poderíamos fazer uma consulta pública. Se for implementado o pagamento de dez patacas por hora nos parques de estacionamento, tenho a certeza de que as pessoas vão utilizar menos o carro.
Tendo como base os discursos políticos locais, considera que o ambiente é uma prioridade para este Governo? Deveria ser uma prioridade. Isso porque sou médico e considero que a saúde é algo muito importante. Penso que o Governo tem muitas ideias, mas entre ter as ideias e implementá-las temos de ter muitas explicações e consultas públicas. O problema é que essas medidas levam tempo. O Governo pode fazer as coisas, mas a decisão não depende apenas dele.
UM E IPM NO CAMINHO DA INTERNACIONALIZAÇÃO Tem sido discutida a implementação do exame único de acesso ao ensino superior. É uma boa solução para os estudantes? Penso que sim. Se quiseres realmente estudar, tens muitas regiões para escolher, como a China, Taiwan ou Hong Kong. Temos cerca de dez universidades em Macau e há muitas opções. O maior medo dos estudantes no caso do exame único é, se falharem, perdem terreno e não conseguem entrar. Mas sabemos que em Macau isso não vai acontecer. Este exame não vai trazer grande pressão nos estudantes. Mas outras universida-
des, como na China, Hong Kong e Taiwan não vão aceitar os resultados destes exames. É uma questão de tempo, talvez daqui a dez anos ou vinte (venham a aceitar). Isso porque esses lugares têm os seus próprios padrões de acesso. Muitas universidades no estrangeiro não sabem bem a localização certa de Macau, então temos um longo caminho a percorrer. Considera que o ensino superior local deveria ser mais internacional e mais reconhecido nos rankings? Os rankings são influenciados por muitos factores, como o número de estudantes estrangeiros, o número de investigações. Se temos dez universidades, uma ou duas podem ir nessa direcção (da internacionalização), porque fazem investigação e contribuem para a sociedade. Quais, a Universidade de Macau (UM), o Instituto Politécnico (IPM)? Sim. Não temos de ter todas as universidades a fazer as mesmas coisas. Só temos 600 mil pessoas a viver cá, não podemos alocar todos os recursos para que as universidades tenham investigação. É importante, mas não é preciso ser feita por todas as instituições. Os restantes institutos podem focar-se em áreas como o turismo ou o jogo, ter programas académicos diferentes, mais práticos, para formar os locais. O Governo agora fala muito na formação de talentos para ocupar lugares de topo, e penso que as universidades devem
tal como Hong Kong, ter várias universidades nos rankings mundiais. Porque é que isso não está a acontecer? Penso que estamos a seguir esse caminho. Isso leva tempo, porque a Universidade de Hong Kong, por
Se não fizermos nada para controlar a utilização dos carros Macau vai ficar como Pequim ou Xangai exemplo, existe há cerca de 100 anos. Um bom exemplo também é a Universidade de Ciências e Tecnologia de Hong Kong, que existe há pouco tempo e está a desenvolver um bom trabalho. Seria um bom modelo para a UM seguir.
a juventude tem mais motivos para se manifestar. Temos de encorajar a juventude a ter mais preocupação face aquilo que está a acontecer, porque muitos jovens simplesmente não sabem. Se há uma consulta pública, não se preocupam.
Falou da política dos talentos. Até agora o Governo criou a comissão, mas não avançou mais pormenores de como vai implementar essa politica. O que deveria ser feito para formar os talentos locais? O Governo quer realmente fazer alguma coisa. Um ponto muito importante, e que não é fácil, tem a ver com a mentalidade. As pessoas não têm uma mentalidade tão agressiva, em termos de competitividade, como em Hong Kong por exemplo. Tenho muitos amigos com 30 anos que estão confortáveis com a sua situação no emprego, e não pensam em mudar. Então externamente não é fácil levá-los a melhorar e a aumentar
É um sinal de uma boa situação económica. Sim. Se as coisas correrem mal, a situação vai mudar. A sociedade tem um problema e todos sabem disso, mas não é fácil eliminar essa mentalidade com uma política. Francamente, muitas pessoas não estão preocupadas.
Penso que o Governo tem muitas ideias, mas entre ter as ideias e implementá-las temos de ter muitas explicações e consultas públicas. O problema é que essas medidas levam tempo trabalhar para isso, em vez de se focarem nos rankings. Os rankings são importantes, mas se a UM conseguir entrar no top 50 ou 100, já é suficiente. Não temos de levar todo o sistema universitário para os rankings, algo que poderia ser perigoso, porque tudo iria focar-se na investigação, cuja utilidade prática é limitada. Mas isso poderia contribuir para uma maior profissionalização do ensino superior, e poderíamos,
maior ocupação em cargos públicos. Os jovens interessam-se por política para ocupar essas posições no futuro? Não. Se olharmos para os resultados das eleições no passado, os jovens raramente votavam, mas nas eleições do ano passado vimos mais jovens e pessoas da classe média a votar. Podemos ver muitas associações de jovens, para além da nossa, que estão a começar a expressar as suas ideias. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer. É fácil encontrar um emprego, então há poucas coisas que fazem os jovens ir para a rua. Em Hong Kong o crescimento é mais lento, e
a sua competitividade. Muitos dos que fazem licenciaturas e mestrados não fazem investigação e só obtém o certificado. Isso é muito comum em Macau. Depois de conseguirem um bom emprego, estável, não têm uma postura de ir à luta, de querer melhorar. Mas se a economia piorar essa mentalidade também vai mudar, porque aí vão precisar de trabalhar mais para manter o emprego. A aposta nos talentos visa também, segundo o Governo, uma
Falou da facilidade de emprego para os locais. Considera que os portadores do BIR poderiam estar ao mesmo nível dos não residentes, na hora de procurar trabalho, e serem avaliados pela sua capacidade e não pela residência? A decisão é feita pelo patrão, mas concordo. Quando alguém se candidata a uma vaga de emprego, a maior preocupação deveria ser as capacidades do candidato. É a única forma de aumentar a competitividade. Com o passar do tempo, não esperamos que isso vá acontecer sempre. Macau está a tornar-se uma cidade internacional, e se não houver competitividade os talentos não virão trabalhar para cá. Mas deveria haver mais critérios para ter a residência e haver maior clareza. Se um estrangeiro trabalhar em Macau há 15 anos, não deveria ser-lhe rejeitada a residência, embora compreenda que os residentes tenham receio que os não residentes ocupem postos de trabalho. Mas deveríamos criar um mecanismo para explicitar os recursos humanos de que Macau precisa de ter uma mente aberta.
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POLÍTICA
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CORRUPÇÃO CRIADO REGIME PARA PUNIR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS ESTRANGEIROS
Oito anos depois, aí está
Está prevista na Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, a que Macau aderiu em 2006, mas só agora a RAEM decidiu criar uma lei para punir a corrupção no comércio externo. As sanções serão aplicadas com base no Código Penal e é o CCAC quem está no comando das investigações JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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Governo lançou uma nova proposta de lei que vai ajudar a combater a corrupção praticados por funcionários públicos estrangeiros e de organizações internacionais. O Regime de Prevenção e Repressão dos Actos de Corrupção no Comércio Externo tem como intenção criminalizar os actos de corrupção no comércio externo e internacional, conforme especifica a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, a que Macau aderiu em 2006. Passaram oito anos sem que Macau implementasse uma lei do género, após assinar a Convenção, mas Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo que ontem apresentou a proposta, escusou-se a tecer comentários sobre o assunto. A nova lei, que saiu do Conselho Executivo e será entregue em breve
“Queremos preencher a lacuna jurídica nesta matéria. A lei está escrita, mas temos de ter uma base sobre estes [crimes], de forma ainda mais abrangente, para podermos combater a corrupção eventualmente praticada por este tipo de funcionários” LEONG HENG TENG porta-voz do Conselho Executivo
à Assembleia Legislativa, prevê punições a actos de corrupção em comércios externos. Para o Governo, era um passo que faltava dar. “A RAEM está ciente da necessidade de estabelecer [este regime]”, começou por dizer Leong Heng Teng. “Queremos preencher a lacuna jurídica nesta matéria. A lei está escrita, mas temos de ter uma base sobre estes [crimes], de forma ainda mais abrangente, para podermos combater a corrupção eventualmente praticada por este tipo de funcionários.”
CCAC NO COMANDO
Actualmente, Macau tem previsto no Código Penal as punições em crime de corrupção activa, mas não estão incluídos funcionários de outras jurisdições. Com este regime, a RAEM vai passar a ter sanções para quem “der ou prometer” a um funcionário público de jurisdição exterior à RAEM ou de uma organização internacional pública vantagens, com fim de obter ou conservar um determinado negócio.
“Se um funcionário da China cometer um crime deste género em Macau, é punido com base neste regulamento” Ainda assim, as punições vão ter como base o que está já escrito no Capítulo da Corrupção Activa do Código Penal, sendo que a lei reverte para este código. Por isso mesmo, as sanções chegam até três anos de prisão ou multa. Conforme explicou Leong Heng Teng aos jornalistas, todos os funcionários de outras jurisdições estão incluídos. “Se um funcionário da China cometer um crime deste género em Macau, é punido com base neste regulamento.” Macau ratificou a Convenção quando a China também o fez. A nova lei confere especificamente poderes ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC) para investigações na matéria. Além das sanções mencionadas, a lei vem ainda ajudar a regular a responsabilidade das pessoas colectivas pelo cometimento de crimes e implementar que, caso sigam para tribunal acusados de corrupção, os arguidos não podem pedir dedução fiscal devido aos custos tidos na justiça.
política 5
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POLUIÇÃO NOVAS REGRAS PARA INDÚSTRIAS A PARTIR DE JUNHO
JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
Cimenteiras apertadas
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Já está concluído o Regulamento Administrativo que vai impor mais regras à cimenteira de Ká Hó. As sanções foram agravadas e as indústrias deste tipo vão ter prazos e obrigações a cumprir. Tudo em prol do ambiente GOOGLE STREET VIEW
partir de 1 de Junho, as indústrias do cimento, centrais térmicas e indústrias químicas e farmacêuticas vão ter mais regras a cumprir para que sejam reduzidas as emissões de poluentes. A ideia já tinha sido traçada pelo Executivo, quando a poluição em Ká Hó, em Coloane, começou a piorar: a cimenteira é tida como um dos principais problemas na vila e foi preciso criar um novo regime, que fixa limites de emissão de poluentes atmosféricos e regula a gestão das instalações deste tipo de indústrias. O Governo conclui-o esta semana. O porta-voz do Governo anunciou que o novo regime - Regulamento Administrativo dos Limites de Emissão de Poluentes Atmosféricos e Normas de Gestão das Instalações dos Estabelecimentos Industriais de Produção de Cimento – traz sanções mais pesadas. Leong Heng Teng indica, por exemplo, que, se ultrapassarem os limites de emissão de poluentes, as indústrias terão de pagar entre 100 mil a 400 mil patacas. Já no caso de infracções na gestão das instalações, as multas passam a ser entre as 10 mil e as 200 mil patacas. A fiscalização, essa, cabe à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental.
NORMAS DE UMA DÉCADA
“As actuais fontes fixas de poluição do ar mais graves são essencialmente as emissões dos estabelecimentos industriais de produção do cimento”, assegurou Leong Veng Chai. A cimenteira de Ká Hó já está, de acordo com o Governo, a fazer melhorias, mas há prazos a serem cumpridos por todos os que se incluem no âmbito deste regime. Até 30 de Junho, a cimenteira terá de obedecer aos limites fixados numa norma da China. O Governo não explicou especificamente que limites são estes, por serem “números científicos”, mas a norma está em vigor há uma década. Só a partir de 1 de Julho do próximo ano é que terão de seguir normas fixadas em 2013, também na China, e que o próprio Governo admite serem
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AI a votos na terça-feira o Regime de Garantias dos Titulares do Cargo de Chefe do Executivo e dos Principais Cargos, a proposta de lei apresentada pelo Governo que tem vindo a gerar críticas na sociedade. No próximo dia 27, os deputados voltam ao hemiciclo para analisar na especialidade o regime. Na agenda, também a discussão e votação na generalidade da Proposta de Lei da Garantia de Créditos Emergentes das Relações de Trabalho. Enquanto se marca o dia para a aprovação da lei – quase certa, uma vez que apenas quatro deputados, para já, se manifestaram contra o diploma -, há já
REGIME DE GARANTIAS VAI A VOTOS NA TERÇA-FEIRA. MANIFESTAÇÕES MARCADAS PARA HOJE E DOMINGO
Tentar o inevitável? marcações para manifestações contra a lei dias antes desta subir a plenário. Para domingo, está agenda uma manifestação
promovida pelo grupo Macau Consciência, contra a manutenção do diploma na AL. O grupo parte às 14h30 e marcha até aos lagos Nam
Van, onde deverá chegar às 16h30. José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai, os deputados da Nova Esperança, também vão participar na iniciativa, ainda que já tenham outra preparada: hoje, há uma outra manifestação dos deputados contra o mesmo diploma. A Associação Novo Macau, da qual faz parte o deputado Ng Kuok Cheong – que recusou assinar o parecer que levou a lei ao hemiciclo – já recolheu mais de duas mil assina-
mais “rigorosas”. Leong Veng Chai não explicou o porquê desta decisão, ainda que os jornalistas tenham questionado.
EXAMES SEMESTRAIS
As exigências do novo regime continuam: por exemplo, durante todo o processo de produção de cimento, o transporte de matérias primas, o fabrico e a embalagem têm de ser efectuados com coberturas e em locais fechados. Também é exigida a instalação de um sistema de aspersão de água, para que não haja dissipação de poeiras no ar. As fábricas vão ter entre um mês e um ano e meio para construir as instalações necessárias para terminar com a poluição, mas vão ter outros deveres. “Todos os estabelecimentos devem submeter semestralmente à DSPA um relatório de inspecção elaborado por uma instituição inspectiva reconhecido pela DSPA”, explicou Leong Heng Teng. Isso não impede, contudo, que o próprio organismo do Governo possa efectuar “por iniciativa própria e a qualquer momento” a fiscalização da emissão de poluentes dos estabelecimentos industriais. Em caso de reincidência, as indústrias serão punidas com multas agravadas. A Direcção dos Serviços de Economia será ainda informada do caso, para que se decida se as indústrias poderão continuar a receber autorização para operarem no território.
turas contra o diploma. Também Agnes Lam, do grupo Energia Cívica, já confirmou ao HM estar contra a lei, pedindo que caia. Na aprovação na generalidade, no ano passado, a lei passou com apenas três votos contra. Quem não concorda com o regime, assegura que é só uma forma de beneficiar os altos cargos do Governo, que passam a receber 30% do total do vencimento em caso de cessação de funções e se não receberem quaisquer pensões do Executivo. Agnes Lam disse ao HM que o regime abrange reformados desde a transição e Jason Chao, da Macau Consciência, explica que o regime também prevê a impunidade do Chefe do Executivo ao nível judicial. - J.F.
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O Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa vai receber, este ano, um fundo permanente. Um anúncio feito esta semana no Boletim Oficial, através de despacho assinado por Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças, indica que o montante é de pouco mais de 740 mil patacas. O fundo será gerido por uma comissão administrativa, da qual faz parte Rita Santos, coordenadora do gabinete e secretária-geral adjunta do Fórum Macau.
COUTINHO QUER SABER O DESTINO DE RECEITAS DE JOGO NÃO DECLARADAS
A maldição do sistema UnionPay O deputado José Pereira Coutinho entregou mais uma interpelação escrita ao Governo onde questiona a mais recente polémica com a utilização de cartões de forma ilegal através das máquinas do sistema UnionPay. Coutinho quer por isso saber qual será o destino das receitas de jogo que não foram declaradas. “Notícias recentes indicam que vão ser tomadas medidas nos casinos para controlar a utilização de cartões China Union Pay. As autoridades chinesas pretendem evitar a fuga de capitais da China através do uso de pagamentos ilegais pelos visitantes dos casinos e a China Union Pay proibiu a utilização destes cartões dentro dos casinos. Os analistas estimam que 90 mil milhões de dólares norte-americanos não tenham sido declarados. Isto significa que as receitas públicas provenientes do jogo deveriam ter sido o triplo das que foram efectivamente arrecadadas”, escreveu o deputado.
TIAGO ALCÂNTARA
Gabinete do Fórum Macau recebe fundo permanente
“Significa também que o imposto especial sobre o jogo, de 35%, não chegou o ano passado a constituir sequer 12% das receitas brutas de jogo. Como é que as receitas públicas provenientes do jogo que não foram declaradas vão ser recuperadas para os cofres públicos?”, questiona Coutinho. O também presidente da Associação dos Trabalhadores
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ELEIÇÕES EUROPEIAS A APOMAC vem por este meio apelar aos portugueses em geral e aos associados em particular, inscritos nos Cadernos Eleitorais, para exercerem o seu direito de Voto nas Eleições para o Parlamento Europeu, a terem lugar nos próximos dias 24 e 25 do corrente, no Consulado de Portugal na RAEM, das 8H00 as 19H00, cumprindo assim a sua obrigação de cidadania. Macau, aos 22 de Maio de 2014. A Direcção
da Função Pública (ATFPM) questiona o Executivo se “vai revogar a isenção do imposto profissional de rendimentos concedida às concessionárias de jogo, tendo em conta a perda significativa de receitas públicas provenientes do jogo”. Recorde-se que o jornal inglês de Hong Kong South China Morning Post avançou a notícia de que as máquinas
do sistema Union Pay teriam de ser retiradas dos casinos até ao dia 1 de Julho, com base em informações da Autoridade Monetária e Cambial (AMCM). Contudo, Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças, já veio refutar essa informação, garantindo que o Governo está atento ao caso e a tomar todas as acções de fiscalização necessárias. - A.S.S.
SOCIEDADE
O conselho do planeamento urbanístico reuniu ontem e avançou que já existem sete projectos que podem ser avaliados pela população, um deles na zona da Taipa Velha. Um projecto pode levar até 180 dias a ser analisado, algo que preocupa vozes do sector
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TIAGO ALCÂNTARA
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ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
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Governo já tem sete projectos urbanísticos prontos a receberem opinião da população, depois da entrada em vigor da nova lei do planeamento urbanístico. Tratam-se de planos, ou plantas de condições urbanísticas, para zonas onde não está prevista a criação de planos pormenor. Uma delas é a zona velha da Taipa, tendo a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) garantido ontem que não serão aí construídos prédios altos. “Há ruas em que não permitimos uma ocupação vertical, e na vila da Taipa não há uma ocupação vertical, por forma a manter as características”, garantiu ontem Lao Ion, chefe de departamento da DSSOPT, no âmbito de uma apresentação das novas regras a membros do sector, durante a tarde. Para além da zona da Taipa, os projectos à espera de opinião pública situam-se na travessa do mercado municipal, avenida de Almeida Ribeiro, um terreno junto à rua da pedra, travessa de Inácio Baptista e rua formosa. Para além dos sete já anunciados, o secretário-geral do CPU assegurou que, até ontem, “já mais quatro requerimentos que reuniram as condições necessárias para serem anunciados”, acrescentando que o anúncio poderá ser feito já na próxima semana. Lao Iong falou aos jornalistas à margem da reunião do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), que decorreu durante a manhã. À tarde, foi feita uma apresentação das novas regras aos profissionais do sector. Até ao dia 15 de Junho a população pode dar a sua opinião sobre
URBANISMO POPULAÇÃO TEM 15 DIAS PARA OPINAR
Taipa velha na horizontal estes sete projectos, tendo sido definido um prazo de 15 dias para a apresentação de opiniões públicas sobre os projectos. De acordo com Lao Iong, “a opinião dos residentes tem o mesmo peso” que a do CPU. Depois de ouvidas e recolhidas as opiniões da população, os projectos deverão ir até ao Conselho para apreciação e aprovação. Este processo pode repetir-se várias vezes – embora apenas em casos mais “complexos”. Lao Iong frisou que a opinião da população vai servir, em parte, “para saber se é preciso rever o projecto da CPU ou não”. A CPU tem depois 30 dias para analisar as opiniões e reunir, incluindo mais 45 dias para a discussão e elaboração
do relatório. No total, a DSSOPT estima que serão necessários 180 dias para concluir todo o processo, sendo que, em projectos mais simples, o prazo poderá ficar-se pelos 100 dias.
PRAZOS CRITICADOS
No encontro entre a DSSOPT e membros do sector, ouviram-se vozes a criticar os prazos propostos. “Já há um plano definido para a
zona da Taipa e andar a ouvir a população vai atrasar o processo. 180 dias parece-me um pouco moroso”, disse a arquitecta Maria José de Freitas. Também Lau Veng Seng, deputado e presidente da associação dos promotores imobiliários, disse que “seis meses é um período relativamente longo”. “Não estou a gostar muito dos 180 dias. Temos falta de recursos dos
“Já há um plano definido para a zona da Taipa e andar a ouvir a população vai atrasar o processo. 180 dias parece-me um pouco moroso” MARIA JOSÉ DE FREITAS Arquitecta
solos, um desenvolvimento rápido e a inflação exagerada do mercado imobiliário. Espero que a nível administrativo possa ser simplificado”, disse Lau Veng Seng. Outro arquitecto disse que “a inflação é rápida e a população tem de adquirir casas caras. Quanto mais cedo o processo se resolver melhor”. Lao Iong deixou uma garantia. “180 dias é o prazo previsto na lei, mas não é um prazo fixo. Se calhar a maioria dos projectos não atingem os 180 dias. A pouco e pouco a eficácia vai aumentando”, disse o responsável da DSSOPT. Haverá projectos que, a serem alvo de pareceres vinculativos, por exemplo do Instituto Cultural (IC), podem não passar pela análise do CPU, “por questões de eficácia”, disse o responsável da DSSOPT. Antes da entrada em vigor da lei, os projectos tinham o nome de plantas de alinhamento oficial e eram emitidas sem o proprietário do terreno, ou a população, se pronunciar.
8 sociedade
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RESTAURANTE QUERIA 21 PESSOAS, MAS GOVERNO SÓ AUTORIZOU UMA
Nega gigantesca O
Tribunal de Segunda Instância (TSI) negou o recurso colocado por uma empresa de restauração a uma decisão do Governo que não a autorizou a contratar 21 trabalhadores não residentes. O caso remonta a 2007, quando a empresa entregou o pedido de contratação, por transferência, junto do Gabinete de Recursos Humanos (GRH). A 11 de Fevereiro de 2008, o gabinete só autorizou a contratação de um trabalhador para o cargo de cozinheiro. A empresa terá então entregue uma reclamação, “indicando que o restaurante por si explorado era um estabelecimento luxuoso de comida, com capacidade para receber 235 clientes, mas só tinha na altura 19 empregados de mesa”, explica o acórdão do TSI. A empresa argumentou ainda que “cada um dos empregados
não devia servir mais do que três mesas ao mesmo tempo, daí serem necessários, pelo menos, 35 empregados de mesa”. Segundo o acórdão, a empresa terá referido, na altura, que não conseguia preencher essas vagas. A nega do GRH chegou depois de uma investigação, tendo este organismo público detectado que o restaurante já tinha contratado 31 trabalhadores não residentes, sendo que a empresa já atingia 62,7% de quota de não residentes. A mesma empresa decidiu então interpor um recurso hierárquico a esta decisão, sendo que um despacho do Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, também negou esse recurso. A empresa queria provar que a decisão do Governo “não tinha tido em consideração as necessidades do mercado ou a conjuntura económica,
designadamente o célere desenvolvimento que Macau tem sofrido nos últimos anos e a escassez de mão-de-obra verificada”. A gerência do restaurante considerou que o Executivo tinha tido uma “pouco razoável no exercício dos poderes discricionários”.
CONTRA-ARGUMENTO
Contudo, o TSI não concordou com o argumento da empresa e entendeu que “não havia provas que mostraram a Administração a não ter levado em conta os factores supramencionados”, sendo que não foi provado que “não havia em Macau trabalhadores residentes disponíveis para desempenhar as funções pretendidas”. Na altura da investigação, o GRH verificou ainda que estavam inscritos na Bolsa de Emprego 166 pessoas para a função de empregado de mesa, o que levou o gabinete a manter a sua recusa.
“Pese embora a recorrente tenha tentado encontrar trabalhadores residentes, foram por ela (empresa) exigidas aos candidatos locais o 12º ano, um ano de experiência profissional, idade superior a 23 anos e conhecimento de mandarim, cantonense e inglês quando, porém, foi oferecido aos candidatos apenas um salário mensal de 6500 patacas. Curiosamente, as mesmas qualificações não foram exigidas aquando da contratação de não residentes”, pode ler-se no acórdão. Com estes factos, o tribunal relatou que “resulta com clareza que a recorrente (empresa) elevou, deliberadamente, as exigências a satisfazer pelos candidatos locais, de modo a criar obstáculos para o sucesso da oferta de emprego. Por isso, o TSI considerou não existir erro sobre os pressupostos de facto na decisão tomada pela Administração”.
TAXA DE INFLAÇÃO SOBE PARA 5,78%
Rendas lideraram aumentos A
taxa de inflação em Macau nos 12 meses terminados em Abril e comparativamente aos 12 meses imediatamente anteriores, foi de 5,78%, indicam dados oficiais divulgados ontem. De acordo com os dados do Índice de Preços no Consumidor relativos ao mês de Abril, o aumento do custo de vida foi impulsionado pelas subidas verificadas nas secções «habitação e combustíveis» (mais 10,92%) e «produtos alimentares
e bebidas não alcoólicas» (mais 6,48%). Em sentido inverso, estava a secção «comunicações» com uma queda de 1,87%. Só no mês de Abril os preços em Macau subiram 6,36% face ao mesmo mês do ano passado numa subida
«impulsionada pela ascensão das rendas de casa e de preços das refeições adquiridas fora de casa, bem como pelo aumento de preços das excursões turísticas durante os feriados da Páscoa», sustentam os Serviços de Estatística e Censos.
5,78%
Face a Abril de 2013, verificaram-se «subidas notáveis» nas secções «habitação e combustíveis» (mais 11,93%), «recreação e cultura» (mais 8,57%), e «equipamento doméstico e materiais de utilização corrente» (mais 7,06%), aumentos sustentados pela subida das «rendas, de preços de excursões turísticas ao exterior e de preços dos serviços domésticos». Já em termos mensais - de Março para Abril deste ano -, o Índice de Preços no Consumidor aumentou 0,88%.
Sobe volume de vendas a retalho
O
volume de vendas dos estabelecimentos de comércio a retalho de Macau totalizou, no primeiro trimestre, 18.310 milhões de patacas, mais 15% comparativamente ao mesmo período de 2013, foi ontem anunciado. De acordo com os dados dos Serviços de Estatísticas e Censos, entre Janeiro e Março do corrente ano, os estabelecimentos de comércio a retalho facturaram, contudo, menos 29 milhões de patacas do que nos três meses terminados em dezembro de 2013. Entre os produtos mais vendidos destacam-se os “relógios e joalharia”, seguindo-se as “mercadorias de armazéns e quinquilharias”, “artigos de couro” e “vestuário para adultos” , “mercadorias de supermercado” e “automóveis”. Face ao primeiro trimestre de 2013, os Serviços de Estatística apuraram que os “aumentos mais significativos” nas vendas foram registados nos “electrodomésticos”, com mais 47%. Em termos anuais e eliminados os factores que influenciam os preços, o volume de vendas do comércio a retalho subiu 18%. - Lusa
sociedade 9
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COMPARTICIPAÇÃO PECUNIÁRIA CHEQUES CHEGAM EM JULHO
O momento mais esperado A
partir de Julho, começam a ser distribuídos os cheques de comparticipação pecuniária. Até Setembro, os residentes permanentes e não-permanentes terão direito a uma ajuda financeira do Governo: 5400 patacas para que não é permanente em Macau, 9000 para os outros. Segundo anúncio feito ontem pelo porta-voz do Governo, Leong Heng Teng, a medida – que vai continuar porque o Governo conseguiu “saldos bastante positivos” no ano passado – vai custar aos cofres da RAEM cerca de 5,7 milhões de patacas. No total, são 651 mil os beneficiários do plano. Destes, apenas 61 mil são residentes não-permanentes. A ideia, diz o Governo, é partilhar o desenvolvimento económico de Macau, “com quem trabalha em prol” desse desenvolvimento. No entanto, cerca de 200 mil pessoas que têm direito a este subsídio estarão fora de Macau, não trabalhando no território. Macau tem, actualmente, cerca de 140 mil trabalhadores não-
Colisão entre barco e ferry faz 38 feridos
Pelo menos 38 pessoas ficaram feridas numa colisão, na noite de quarta-feira, entre um ferry que fazia a ligação entre Hong Kong e Macau e um navio de carga do interior da China, informou a RTHK. Segundo a rádio e televisão pública de Hong Kong, a colisão ocorreu junto à ilha de Cheung Chau, na antiga colónia britânica. A embarcação transportava 162 passageiros e pertence à Shun Tak, a empresa de navegação fundada pelo magnata dos casinos, Stanley Ho. “Um ferry de Macau colidiu com um barco da China”, disse à AFP uma porta-voz do Governo. Após o acidente, o barco regressou ao terminal de Hong Kong com 158 pessoas - duas foram assistidas na ilha de Cheung Chau e estavam acompanhadas por outros dois passageiros -, incluindo 36 com ferimentos ligeiros. Entre os passageiros a bordo da embarcação, 102 eram turistas continentais chineses de visita às duas Regiões Administrativas Especiais, cinco eram estrangeiros e os restantes com residência em Hong Kong e Macau. Em Novembro do ano passado, um ferry que ligava Hong Kong a Macau entrou em colisão com “um objecto não identificado”, provocando 87 feridos.
Campainhas de luz para deficientes auditivos
A Companhia de Electricidade de Macau (CEM) juntou-se à Associação de Surdos de Macau para instalar campainhas luminosas em habitações dos membros da associação. A ideia é ajudar quem não consegue ouvir possa “usufruir de um ambiente mais seguro”, ao mesmo tempo que lhes é dada a oportunidade de ultrapassar dificuldades do diaa-dia, como o simples gesto de abrir a porta, quando alguém toca à campainha. “Desta forma, poderão desenvolver a sua auto-estima e independência”, frisa a CEM em comunicado. No total, 15 membros da associação tiveram direito a esta ajuda, uma iniciativa “piloto”.
Simulacro hoje na Ponte Sai Van
-residentes, que, por sua vez, não estão abrangidos pelo plano. Leong Veng Chai foi inquirido sobre o assunto pelos jornalistas, mas o porta-voz do Conselho Executivo descartou comentários, dizendo apenas que esta é uma política do
Governo. “Os critérios [de atribuição] são os adequados”, frisou Leong Heng Teng. A maioria dos beneficiários vai receber o dinheiro através de cheque na caixa do correio, enquanto o pessoal docente que recebe subsídios do Governo,
estudantes do ensino superior que recebam bolsas de estudo, indivíduos que recebam pensões de aposentação ou sobrevivência e funcionários públicos recebem por transferência bancária. Este é o sexto ano em que o plano é lançado. - J.F.
CALENDARIZAÇÃO DO PAGAMENTO 2 de Julho de 2014
Indivíduos que recebam apoio económico pelo Instituto de Acção Social, pessoal docente que receba subsídio directo ou subsídio para o desenvolvimento profissional, e alunos que recebam bolsas de estudo para o ensino superior concedidas pelo Fundo de Acção Social Escolar da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, e, funcionários aposentados que recebam pensão de aposentação e indivíduos que recebam pensão de sobrevivência (transferência automática)
3 de Julho de 2014
Indivíduos que recebam subsídio para idosos (transferência automática)
4 de Julho de 2014
Indivíduos que recebam subsídio de invalidez (transferância automática)
1ª semana
7 a 11 de Julho de 2014
Indivíduos nascidos em 1951 ou antes
2ª semana
14 a 18 de Julho de 2014
Indivíduos nascidos de 1952 a 1956
Julho de 2014
Trabalhadores da Administração Pública (transferência automática com o vencimento no mês de Julho)
3ª semana
21 a 25 de Julho de 2014
Indivíduos nascidos de 1957 a 1962
4ª semana
28 de Julho a 1 de Agosto de 2014
Indivíduos nascidos de 1963 a 1968
5ª semana
4 a 8 de Agosto de 2014
Indivíduos nascidos de 1969 a 1975
6ª semana
11 a 15 de Agosto de 2014
Indivíduos nascidos de 1976 a 1983
7ª semana
18 a 22 de Agosto de 2014
Indivíduos nascidos de 1984 a 1989
8ª semana
25 a 29 de Agosto de 2014
Indivíduos nascidos de 1990 a 1995
9ª semana
1 a 5 de Setembro de 2014
Indivíduos nascidos de 1996 a 2005
10ª semana
8 a 12 de Setembro de 2014
Indivíduos nascidos de 2006 a 2013
O Corpo de Bombeiros realiza hoje às 11h00 um simulacro de salvamento e incêndio em acidente de viação no tabuleiro inferior da Ponte de Sai Van. Durante o exercício, haverá medidas de controlo de trânsito provisórias e fumos na zona que abrange o tabuleiro superior e inferior da Ponte de Sai Van e às entradas das mesmas, quer de Macau quer da Taipa. O organismo pede aos condutores que prestem mais atenção à alteração do trânsito. PUB
ANÚNCIO HM-2ª vez - 23.05.14 Interdição
Nº
CV1-14-0015-CPE
1º Juízo Cível
-----REQUERENTE: O Ministério Público.----------------------------REQUERENDO: Lio Ka San, solteiro, sem profissão, nascido em 14/08/1991 em Macau, filho de Lio Iok Leong e Lei Sao I aliás Lee Sao Yng, titular do B.I.R.M. e residente em Macau, no Lar de Nossa Senhora de Penha, na Estrada de D. João Paulino, n.º 22.----------------------------------------------------------------------*** -----A MERITÍSSIMA JUIZ DO 1º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.---------------------------------------FAZ SABER QUE, foi distribuída neste Tribunal, em 14 de Abril de 2014, uma Acção Especial de Interdição, com o número acima indicado, que o Ministério Público move contra Lio Ka San, a fim de ser decretada a sua interdição por ser portador de Sindroma de Cornélia de Lange.------------------------------------------Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., aos 09 de Maio 2014.A Juiz
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CHINA
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XINJIANG ATAQUE FAZ 31 MORTOS. PEQUIM FALA DE UM “ACTO TERRORISTA CONTRA A CIVILIZAÇÃO”
O terror não tem fronteiras A violência voltou à região de maioria muçulmana, onde os uigures constituem 45% da população. O alvo desta vez foi um mercado ao ar livre frequentado maioritariamente por idosos
ao terrorismo e fará o melhor para assegurar a estabilidade social”, assegurou o presidente chinês. Um grupo de trabalho dirigido pelo ministro chinês da Segurança Publica, Guo Shengkun, seguiu para o Xinjiang, para “supervisionar a investigação e lidar com as consequências” do ataque de ontem de manhã, indicou a Xinhua.
“A violência, é mais uma indicação da natureza anti-humana, anti-sociedade e anti-civilização dos terroristas, e deve ser condenada pelo povo chinês e pela comunidade internacional”
A
China considerou o ataque de ontem num mercado do Xinjiang, noroeste do país, “um acto terrorista anti-civilização” que “deve ser condenado pela comunidade internacional” e assegurou que “os terroristas nunca alcançarão os seus propósitos”. O ataque, com explosivos, matou 31 pessoas e feriu 94 num mercado ar livre de Urumqi, capital do Xinjiang, uma região autónoma da China, de maioria muçulmana, que nos últimos anos tem sido palco de frequentes actos de violência atribuídos pelas autoridades a “separatistas ligados à Al-Qaeda” e a “extremistas religiosos”. O ataque com explosivos ocorreu cerca das 08:00 perto do centro de Urumqi. Testemunhas citadas pela Xinhua dizem ter visto dois veículos colidirem deliberadamente com as pessoas que se encontravam no mercado e, “antes de os veículos explodirem”, os seus ocupantes lançaram explosivos. Muitos dos feridos eram idosos que costumavam ir ao mercado de manhã cedo, disseram as testemunhas. Um comerciante disse à Xinhua ter ouvido uma dúzia de explosões.
HONG LEI Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês
31 94 mortos
feridos
“A violência é mais uma indicação da natureza anti-humana, anti-sociedade e anti-civilização dos terroristas, e deve ser condenada pelo povo chinês e pela comunidade internacional”, disse Hong Lei, porta-voz
do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Urumqi fica a mais de 2.000 quilómetros de Pequim.
PALAVRA DE PRESIDENTE
O presidente chinês, Xi Jinping, prometeu “punir severamente os terroristas”, horas depois do ataque. Num comunicado citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Xi Jinping revelou que a polícia “irá organizar patrulhas e efectuar
MNE Importação de gás natural russo aprofunda relações bilaterais O porta-voz da Chancelaria chinesa, Hong Lei, afirmou, esta quinta-feira, em Pequim, que a importação de gás natural russo pela rota leste da China é um dos resultados mais importantes do fortalecimento das relações de parceria no sector energético e do aprofundamento das relações de plena parceria estratégica entre os dois países. Isto demonstra o princípio de confiança mútua e benefício recíproco. Foram assinados dois documentos, o Contrato de Compra e Venda do Projecto da Rota Leste de Gás e um memorando, numa cerimónia assistida esta quarta-feira pelo presidente chinês, Xi Jinping, e o Presidente russo, Vladimir Putin.
controlos de segurança sobre possíveis alvos terroristas e impedir efeitos de propagação do acto”. Xi Jinping, que é também secretário-geral do Partido Comunista Chinês, pediu às autoridades locais para “resolver o caso depressa, tratar adequadamente os feridos e apresentar condolências às famílias das vítimas”. O governo chinês “continuará a trabalhar arduamente no combate
O Xinjiang é um território cerca de 17 vezes maior que Portugal e com apenas 23,5 milhões de habitantes, muito rico em recursos minerais, que confina com o Afeganistão, Paquistão e várias ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central. Os uigures, povo de religião muçulmana e cultura turcófona, constituem cerca de 45% da população, mas o número de han, a maior etnia da China, tem aumentado muito ao longo do último meio século, suscitando ressentimentos. Nos últimos dois anos, o Xinjiang tem sido palco de frequentes actos de violência, atribuídos pelo governo chinês a “terroristas ligados à Al-Qaeda e a extremistas religiosos que advogam a jihad (guerra santa)”.
CICA Cimeira de Xangai fixa novo marco
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que a quarta cimeira da Conferência sobre Interacção e Medidas de Construção de Confiança na Ásia (CICA, em inglês) fixou um novo marco na história da CICA, assim como no processo de segurança e cooperação da Ásia. O discurso feito na quarta-feira pelo presidente chinês, Xi Jinping, destacou que a China trabalhará com todas as partes para propor uma perspectiva comum, abrangente, cooperativa e sustentável da segurança asiática, afirmou esta quinta-feira o porta-voz Hong Lei, na conferência de imprensa. Xi sublinhou também que a China promoverá o estabelecimento de um novo quadro de segurança e cooperação regionais, com base na CICA, a fim de construir conjuntamente um caminho comum de ganho mútuo para a segurança da Ásia, segundo o porta-voz.
REGIÃO
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TAILÂNDIA EXÉRCITO ANUNCIA GOLPE DE ESTADO, SUSPENDE CONSTITUIÇÃO E DEMITE GOVERNO
Em nome da normalidade O
Os acontecimentos sucedem-se no antigo reino do Sião. Depois da Lei Marcial, chega um golpe de Estado anunciado pelo exército na televisão, a suspensão da Constituição de 2007, com excepção do capítulo da monarquia, e a demissão do governo. Só o Senado escapou
chefe do exército tailandês, general Prayut Chan-O-Cha, anunciou ontem na televisão um golpe de Estado “para que o país regresse à normalidade”, após sete meses de crise política. “Para que o país regresse à normalidade”, as forças armadas “tomam o poder a partir de 22 de Maio às 16:30, declarou. Na terça-feira, o general tinha anunciado a imposição da lei marcial, pela necessidade de manter a ordem no país, onde a violência causou 28 mortos desde o início da crise, no Outono. “Todos os tailandeses devem manter a calma e os funcionários [públicos] devem continuar a trabalhar como habitualmente”, acrescentou. O anúncio surge no final de uma segunda ronda de negociações, entre os principais actores da crise, para encontrar um compromisso. Líderes dos manifestantes dos dois campos - anti e pró-governamental (“camisas vermelhas”) - foram levados do local da reunião em
“A Constituição de 2007 foi suspensa, excepção feita ao capítulo sobre a monarquia”, (para) “dirigir o país com suavidade” PORTA-VOZ DO EXÉRCITO
MALÁSIA PM RELATIVIZA CONFLITOS COM PEQUIM
Globalidade ajuda O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, relativizou ontem os conflitos territoriais que opõem a China a diversos países da região, considerando que estes não comprometem a relação do seu país com Pequim. “Nós devemos ter uma visão de conjunto e não determinar as relações com a China em função de um único problema, é preciso analisar as relações a nível global, e reconhecer a importância estratégica da nossa relação bilateral com a China”, declarou Razak ao diário económico japonês Nikkei.
O dirigente da Malásia está actualmente em visita ao Japão. Diferendos territoriais opõem o Japão e Vietname à China. Além disso, as relações entre Pequim e Tóquio, as duas maiores
potências económicas asiáticas, deterioraram-se há cerca de ano e meio devido a disputas no Mar da China Oriental. No final de 2013, a Malásia mostrou apreensão face a manobras navais chinesas realizadas numa zona reivindicada por Pequim e Kuala Lumpur. A China é o maior parceiro comercial da Malásia. Na quarta-feira, após uma reunião com o seu homólogo japonês, Shinzo Abe, o primeiro-ministro da Malásia Najib Razak “reafirmou a importância de manter a paz e a estabilidade no Mar do Sul da China”.
Coreia do Norte dispara sobre navio patrulha sul-coreano A Coreia do Norte disparou ontem tiros de artilharia muito perto de um navio patrulha sul-coreano, ao sul da fronteira do Mar Amarelo, informou o ministério da defesa da Coreia do Sul. “Os projécteis caíram muito próximos da embarcação, que faz a patrulha regular no nosso território, mas não causou danos ao nosso navio”, referiu um porta-voz do ministério à agência francesa de notícias
AFP. A movimentação do lado norte-coreano começou às 06:00 horas locais, provocando uma resposta do navio sul-coreano, que disparou diversas vezes em direcção às águas territoriais norte-coreanas. O navio sul-coreano navegava próximo da ilha de Yeonpyeong, disse o porta-voz, acrescentando que os moradores da ilha foram avisados para se deslocaram para abrigos civis.
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veículos militares, imediatamente antes à transmissão do anúncio do golpe de Estado, disseram testemunhas.
CONSTITUIÇÃO SUSPENSA
Entretanto o exército suspendeu a Constituição e demitiu o governo, mas decidiu manter em funções o Senado. “A Constituição de 2007 foi suspensa, excepção feita ao ca-
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pítulo sobre a monarquia”, para “dirigir o país com suavidade”, declarou um porta-voz militar na televisão. “O Senado continua em funções”, apesar de o “governo ter sido suspenso”, acrescentou. O exército ordenou aos manifestantes dos movimentos pró e contra o governo para saírem das ruas, algumas horas depois do anúncio na televisão do golpe de Estado. “Para manter a paz e a ordem, todos os manifestantes de todos os grupos devem regressar a casa”, declarou um porta-voz do exército na televisão, explicando terem sido preparados autocarros para os transportar. A Tailândia conheceu 18 golpes de Estado ou tentativas fracassadas ao longo de 80 anos. O último, em 2006, contra o antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra (actualmente no exílio) desencadeou uma série de crises políticas que levou à rua, alternadamente, os inimigos e apoiantes do milionário, que continua a ser um factor de divisão do país. O episódio actual começou no Outono com manifestações a exigir a saída da irmã de Thaksin, primeira-ministra desde 2011. Yingluck foi destituída pelo Tribunal Constitucional no início do mês.
EVENTOS
Discussão sobre cinema em cantonês no Venetian
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já neste fim de semana que se realiza a Feira de Investimento na Produção Cinematográfica entre as três regiões de Guangdong, Macau e Hong Kong e que terá lugar no centro de convenções do casino Venetian. O evento, organizado pelo Instituto Cultural (IC), pelo conselho de desenvolvimento cinematográfico de Hong Kong e pelo departamento de imprensa e publicações da província de Guangdong, deverá compreender a troca de ideias entre cineastas, bem como a realização de um seminário sobre o tema. A palestra, intitulada “Tendências do mercado cinematográfico em língua
cantonesa” vai servir para promover a cooperação e integração de recursos cinematográficos para projectos de sétima arte nas regiões de Macau, Hong Kong e Guangdong. Esta deverá acontecer entre as 17.45 horas e 18.45 horas de domingo, no mesmo local da feira e vai compreender uma conversa informal entre três realizadores de cinema - Zhang Quanxin, Teddy Robin e Chu Chen-On, de Hong Kong. Embora a entrada na feira esteja sujeita à compra prévia de bilhetes, o seminário tem entrada gratuita e vai ser disponibilizado em português, inglês e cantonês.
hoje macau sexta
HOJE MACAU
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EXPOSIÇÃO “BIENAL DOS LEÕES” ENCERRA DIGRESSÃO MUNDIAL EM MACAU
Artistas & felinos juntos e ao A mostra percorreu vários continentes antes de chegar ao território onde vai contar com a participação de artistas locais e não só
Música Fundação Rui Cunha apresenta álbum de Forest Kam
É
já no próximo domingo, das 15.30 horas às 17 horas na Fundação Rui Cunha, que vai ser lançado o disco “Uma noite com piano”, produzido por Forest Kam, director geral da Associação para a Criatividade e Cultura Musical (ELITE). A cerimónia serve para promover o evento semanal “uma noite com piano”, que acontece no mesmo local do lançamento, todas as sextas-feiras, das 18 horas às 20 horas. O produtor do álbum irá tocar, ao piano, várias músicas clássicas conhecidas, como “Amor de Outono”, “Coração da lua” ou “My heart will go on”. O artista tem trabalhado como maestro em concertos de Hong Kong e entre 2000 e 2004, foi convidado pela empresa Universal Music para produzir duas séries de composições ao piano.
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
S
ÃO mais de 50 leões que vão andar espalhados pelas ruas de Macau, na galeria de arte e no espaço de entrada do casino MGM. Como forma
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VITÓRIA DE INGLATERRA , A RAINHA QUE AMOU E AMEAÇOU PORTUGAL • Isabel Machado Como se atrevem? O grito ecoou pelos corredores do palácio. Vitória de Inglaterra, a rainha que aos 18 anos subiu ao trono para recuperar a dignidade da monarquia britânica, não queria acreditar no que os seus olhos viam. Um mapa com uma grossa barra cor-de-rosa a dividir o continente africano em duas partes, ligando o oceano Atlântico ao Índico. Como era possível que um país aliado como Portugal ameaçasse o seu sonho de dominar o continente negro recheado de promessas de riqueza e glória?
de celebrar o 50º aniversário das relações entre China e França e integrada no festival LeFrench May, a digressão da “Bienal dos Leões” vai acabar em Macau, mas não sem antes preparar a exposição de cinco dezenas de esculturas leoninas decoradas por vários
artistas locais como Nathalie Decoster, Fortes Pakeong Sequeira, Alice Kok e António Conceição Junior. A mostra de felinos, que começou na cidade francesa de Lyon, já passou por Itália, Algéria e Canadá, conta com o patrocínio do Instituto Cultural de
Macau (ICM), do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), do Museu de Arte de Macau (MAM) e outras entidades. A decoração dos leões é totalmente livre e escolhida por cada um dos artistas convidados, apenas tendo como
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
A AMÉRICA DO NORTE • Alfredo de Mesquita Jornalista, escritor e diplomata, Alfredo de Mesquita tornou-se conhecido, pela pertinácia das suas observações e pela qualidade da sua es- crita, como o Tocqueville português. Enquanto diplomata em Nova Iorque na transição dos sé- culos XIX para o XX, foi observador privilegia- do da vida nos EUA. Neste livro-reportagem, originalmente publicado em 1916, o entusias- mo com o novo mundo e com as qualidades do povo multicultural e progressista dos EUA, tão contrastante com a realidade portuguesa desse início de século, vem ao de cima em todo o seu esplendor.
eventos 13
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ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR
vivo
“Conhecimento é aquilo que aprendemos e que fica connosco; informação é aquilo que ouvimos todos os dias” Ainda não começou a fazer o seu leão e confessa estar feliz com isso. Isto porque o artista acredita que “não se conta uma história sobre um livro, porque este já é uma história em si”. Aceitou, contudo, revelar parte do conceito que está por trás da sua futura peça. “Vou usar um certo número de clichés que existem em Macau e pô-los no leão, dedicando um lado à China e outro a França.” Cejunior – nome que usa frequentemente – está a pensar fazer algo com ironia, pois acredita que é através deste mecanismo que “se consegue mostrar o que é superficial e não é, explicando que “ao mostrar o negativo de um filme, já se está a mostrar a fotografia em si”. Ao mesmo tempo, pretende demonstrar que a arte conceptual deve ter uma mensagem subliminar, utilizando a ironia como base.
O artista macaense acredita que “a arte sempre teve um teor político e económico”, exemplificando com o facto de Mao Tse Tung e outros símbolos da Revolução Cultural na China se terem transformado em ícones da corrente artística, pop art. “A política passou a ser arte porque se tornou popular”, diz. Sobre o estado da arte no território, adianta que “uma das coisas mais importantes é que os mais novos [que queiram fazer arte] saiam e estudem fora”, interessando-se por matérias e assuntos diferentes. “Neste momento, acho que as escolas de Macau não estão prontas para acolher e formar os artistas locais. Julgo que um dos primeiros passos a dar [por parte do Governo] seria promover artistas de Macau, investindo na sua formação lá fora”.
HONG WAI
“O mundo da arte em Macau está a aperfeiçoar-se e os artistas locais têm cada vez mais oportunidades de mostrar os seus projectos” O leão da artista de Macau radicada em Paris, Hong Wai, encontra-se quase pronto e totalmente coberto de tecido de renda preto. A obra, que demorou cerca de uma semana a fazer, foi pensada para incorporar e exaltar, de certa forma, a sensualidade e beleza femininas. Hong vive há cerca de dez anos em França e afirma que o ambiente artístico e cultural do país tem inspirado o seu trabalho. Foi também o local onde aprendeu a “revelar os atributos de uma mulher”, comentando que a figura feminina deve “ser sempre elegante e bonita”. No fundo, trata-se de uma peça que representa e expressa o feminismo. O felino de Hong deverá servir para “as pessoas reflectirem”, mas também para “apreciarem”. Tem vindo várias vezes ao território
inspiração a relação entre os dois países. O HM fez uma visita até ao estúdio da associação artística de Macau, All For Artists (AFA), na qual foi possível antever algumas das obras que estarão em exibição um pouco por todo o território. Os locais são ainda desconhecidos, mas a praça do Tap Seac ou as Ruínas de São Paulo foram mencionados como possíveis localizações. Cada um dos artistas com quem o HM falou tem as suas próprias concepções de arte, de beleza e de como pensam decorar o seu leão, mas um dos pensamentos foi unânime: o panorama artístico de Macau está a florescer, potenciando cada vez mais o aparecimento de novos artistas locais.
para colaborar em projectos artísticos locais e na China. Este ano já veio a Macau várias vezes, principalmente para integrar projectos com a AFA. Para Hong, a parceria com o MGM é boa “para mostrar os diferentes tipos de arte e de artistas que existem em Macau não só aos locais, mas também aos turistas”. “O mundo da arte em Macau está a aperfeiçoar-se e os artistas locais têm cada vez mais oportunidades de mostrar os seus projectos. Agora muito mais do que antigamente”, diz a artista. Acrescenta ainda que se sente com “sorte” por trabalhar com associações como a AFA, que ajudam à colaboração com outros artistas. “É muito, muito importante e espero que isto [as parcerias] continue a acontecer”, finaliza.
NATHALIE DECOSTER
“Quis mantê-lo virgem” A única escultora francesa do primeiro grupo de artistas da exposição de Macau tem feito já várias exposições pela Ásia, principalmente na China. Afirma que gosta “muito de trabalhar com artistas chineses” porque é “divertido e inspirador”. É a primeira vez que trabalha com o reino animal. “Normalmente trato temas relativos à condição humana”, confessando que está mais habituada a representar pessoas. “Quis demonstrar, de uma maneira original, que as pessoas estão sempre a tentar ser o melhor que conseguem. Simultaneamente, precisamos de protecção, embora muitas vezes não admitamos que o ser humano é muito frágil. Nesta escultura, o leão está a cuidar, mental e fisicamente, do ser humano”. Tendo em conta que o trabalho da autora é tendencialmente minimalista, Decoster optou por não alterar qualquer parte do leão, pelo que vai permanecer
como chegou. “Quis mantê-lo virgem”, completa. Prefere trabalhar em experiências de arte colectivas, como é o caso da “Bienal dos Leões”, uma vez que se sente frequentemente “enclausurada” quando trabalha para galerias específicas, embora também o faça. Sobre a arte na RAEM, diz que não faz “distinção entre Macau e o resto da China”, considerando que “os chineses são muito criativos, sempre com novas técnicas”. “Tem sido uma óptima experiência trabalhar com outros artistas, partilhar emoção, simbologia e experiências. É realmente um prazer fazê-lo”. A obra de Decoster, que já estava pensada há algum tempo, demorou menos de uma hora a fazer, uma vez que se encontra decorado apenas com um colar munido do símbolo da artista francesa: pequenas figuras humanas feitas de bronze e que adornam o pescoço do leão branco.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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António Vasconcelos de Saldanha
COMEMORAR A CHINA NO GRANDE ENCONTRO DO OCIDENTE COM O ORIENTE
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ÊM os Estados, sobretudo aqueles com mais antigo assento no processo formativo e de fundação da presente comunidade internacional, o direito ou a prerrogativa soberana de comemorar as datas, os fastos e os eventos que consideram mais relevantes na sua história. Comemorar, no sentido próprio da palavra, ou seja, recordar, trazer à mente, com o propósito de vincar nos seus cidadãos e de ver reconhecido entre os seus pares na sociedade global aquilo que entendem, com toda a liberdade, como estruturante e afirmativo da sua identidade histórica de Estados e de Nações. Portugal comemora 500 anos de um encontro com a China. Um encontro que, na tradição historiográfica e cultural de encarecer o valor das datas, é reduzido à data simbólica de junho de 1513, o ano e mês, sem precisão de dia, em que Jorge Álvares, escrivão na viagem exploratória que os portugueses de Malaca cometeram às partes da China, terá arribado as vizinhanças de Cantão, erguendo, em Tamão, um padrão assinalando a presença inaugural do domínio estendido do Rei Venturoso às costas do Império. É pertinente recordar que se o evento ficou registado na memória portuguesa não há rasto que deixasse na memória da contraparte chinesa. Um símbolo de valor unilateral, pois. O que só salienta quão ocioso é atribuir uma importância desmesurada a uma data que se reporta a um mero evento, para mais praticamente desprovido de relevância numa relação política bilateral que de facto só mais tarde se concretiza. Efetivamente, uma atitude reducionista e perturbadora do sentido e entendimento da significativa comemoração de um encontro de Portugal com a China. Nessa perspetiva, mais valeria avançar no tempo e aceitar a mais patente relevância histórica do acordo celebrado em 1554 pelo fidalgo Leonel de Sousa com as autoridades imperiais chinesas de Cantão, no sentido de legitimar de vez as andanças marítimas dos Portugueses pela veniaga nos mares da costa Chinesa. Ou, por-
ventura com melhor expressão ainda, relembrar a data de 1502, em que, no planisfério português, dito de Cantino, o cartógrafo anónimo inseriu pela primeira vez uma alusão a «terra dos Chins», quebrando assim e definitivamente com as difusas e obsoletas imagens europeias da China legadas pela Idade Média e pela Renascença depois de bebidas no Cataio de Marco Polo. Sobretudo, não nos parece saudável apelar ao amparo da História para
construir comemorações de relações bilaterais que, ademais de mascararem um circunstancialismo e até um oportunismo ditado por alegadas diplomacias de negócio ou um ilusório protagonismo diplomático, carecem de sentido num contexto internacional – o da Ásia – onde os destinatários dificilmente podem reclamar integralmente o papel de herdeiros das entidades ou dos espaços que relevaram para a atuação de Portugal na Ásia.
As Coreias, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia, Myanmar, o Vietname ou a Índia são realidades políticas do pós-Segunda Guerra, que só na geografia política e humana dos nossos dias absorvem, simplificando, o mundo complexo, poliédrico, que foi a Ásia pré-colonial onde Portugal penetrou, ponta dianteira do que foi a grande empresa da Expansão Europeia no Oriente: o império Mogol, o grande reino Hindu de Vijayanagar, os sultanatos do
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Decão e o de Golconda, os principados pimenteiros do Malabar, os reinos do Arracão e do Pegu, os monarcas Cingaleses, os sultanatos Malaios e os sultanatos Samatrenses, os régulos das Molucas, os soberanos do Tonquim e da Cochinchina, etc. É certo que dessa constelação – descontinuada hoje na reconstrução do que ficou da desintegração dos maciços coloniais – persistem mais ou menos íntegros os velhos corpos políticos da China, do Japão e da Tailândia, noutros tempos chamada de Sião. Todavia, só o último caso se nos apresenta como uma relação verdadeiramente bilateral, seja pela sua antiguidade, seja pelas efetivamente ininterruptas relações comerciais, diplomáticas e humanas que a preencheram. Assim foram nacionalmente comemorados em 2011, com toda a justiça e em perfeita harmonia das duas partes, os 500 anos dessa exceção. Dos dois restantes, é difícil superar pela cosmética das palavras o efetivo apagamento de todas as relações em duzentos anos contados desde o édito de expulsão do Japão Tokugawa, ou, na China, assimilar a uma relação continuada e multifacetada, um solu-
CELEBRAR O ENCONTRO COM A CHINA NÃO SERÁ O MESMO QUE EXIGIR ENTENDIMENTOS BILATERAIS DE CIRCUNSTÂNCIA FUNDADOS EM FACTOS DE VALOR OU RELEVÂNCIA ENTENDIDA DE MODO DIVERSO DE PARTE A PARTE
tro maior encontro que foi o de Portugal com a Ásia. Comemorações, pois, essencialmente culturais e afirmativas do contributo de Portugal para um encontro das culturas do Ocidente e do Oriente, que, se nunca foi paritário, nem por isso foi menos relevante num contexto que transcende largamente a mera dimensão nacional. A Biblioteca Nacional de Portugal dá uma vez mais exemplo, e um grande exemplo, da leitura saudável do termo comemorar e do entendimento profícuo do conceito de comemoração cultural. Fá-lo através não só da realização da exposição que dedica ao relacionamento de Portugal com a China, mas também
de ir ao encontro dos múltiplos desafios que um processo expansivo de 500 anos na Ásia impuseram aos Portugueses em termos de acomodação à realidade humana, à realidade cultural, à realidade religiosa, à realidade social e à realidade politica. Mais do que seis dezenas de textos que nos levem à perda no labirinto de entendimentos que porventura nunca existiram, ou seis dezenas textos já perdidos na submissão apologética de contraponto ao modo como os outros nos viram e nos veem, estes textos são sobretudo exemplificativos ou ilustrativos da mera forma com que Portugal encontrou, interpretou e viveu a China
BLOG MACAU ANTIGO
çante, escasso e formal contacto diplomático arrastado por quatro séculos e a história sobressaltada de uma portuguesa presença, sempre mal entendida e sempre mal tolerada, numa nesga de terra no extremo final do delta do Rio das Pérolas. Assim, pese embora o comemorativismo oficial, celebrar o encontro com a China não será o mesmo que exigir entendimentos bilaterais de circunstância fundados em factos de valor ou relevância entendida de modo diverso de parte a parte. Entendimentos que possivelmente não se concretizarão tão cedo porque os fatores de potencial compreensão são ditados por leituras
Inauguração da estátua de Jorge Álvares em Macau no dia 16 de Setembro de 1954
diversas do significado da História, neste caso da História portuguesa, no contexto global da História cultural da humanidade. Como, pois, comemorar? Andaram bem alguns dos passados Governos de Portugal em promover e sustentar o que foram as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, um grande projeto cultural cuja concretização permitiu, numa aproximação global, afirmar urbi et orbi, ou seja, celebrar, sem perder de vista a contextualização europeia do grande encontro de culturas Ocidente e Oriente, o justo papel dos portugueses nesse processo, chamando também, através de um exercício de cidadania cultural, os portugueses de hoje à consciência da dimensão do exercício dos de antanho. Para montar tal empresa não foi preciso recorrer ao amparo de qualquer comemoração bilateral, salvo aquelas que saudavelmente surgiram de forma espontânea no contexto maior de uma celebração essencialmente cultural. Assim, em nosso entender, deve também agora Portugal comemorar o seu encontro com a China, no contexto dou-
através deste magnificamente concebido catálogo temático, que, em muito, irá transcender a volatilidade temporal e as naturais limitações pedagógicas da exposição. Sob o título singelo de China-Portugal: 500 anos, este livro, coleção de textos de grande qualidade científica, constitui-se como uma verdadeira suma do modo Português de estar no mundo, da forma plástica, rica, criativa
DEVE TAMBÉM AGORA PORTUGAL COMEMORAR O SEU ENCONTRO COM A CHINA, NO CONTEXTO DOUTRO MAIOR ENCONTRO QUE FOI O DE PORTUGAL COM A ÁSIA
no contexto da sua expansão e da sua exposição multissecular ao Oriente: da argúcia dos primeiros olhares de Mendes Pinto e Tomé Pires, ao entendimento técnico e à formalização cartográfica dos espaços. De perpetuar da palavra pelo escrito impresso à dimensão espiritual da motivação expansiva. Do sentido da diplomacia formal ao realismo da prática e utilidade das relações no campo. Da expressão artística e literária do encontro ao resultado humano e social do mesmo. Note-se, enfim, que grande parte dos autores escreve juntando ao mérito científico e académico o «saber de experiencia feito», e os seus escritos são, por si, sinal e manifesto não só da vitalidade do conhecimento da área, mas, e talvez mais importante, a prova provada de que apesar da consabida ausência de uma escola sinológica portuguesa, nem por isso faltou, ou falta, em Portugal, a competência para entender a China e para interpretar o significado do multissecular encontro. Prefácio do livro “Portugal-China: 500 anos”, Lisboa, Biblioteca Nacional, 2013
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José Simões Morais
TEXTO E FOTO
O ENCONTRO ENTRE LAO TZÉ E CONFÚCIO
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AO Zi e Kong Fu Zi viveram no final do Período Primavera e Outono, quando já se pressentiam grandes tensões e mudanças no social chinês. A dinastia Zhou tinha perdido o controlo efectivo do território a Oeste e por isso, o Rei Ping, em 770 a.n.E., mudou a capital para Luoyi (hoje Luoyang), iniciando-se assim a dinastia Zhou do Leste, que durou até 256 a.n.E.. Dentro dos anos de governação desta dinastia houve dois diferentes períodos, o da Primavera e Outono, que começou 49 anos depois do início da dinastia Zhou do Leste e terminou em 475 a.n.E. e daí até 221 a.n.E., conhecido como Período dos Reinos Combatentes. Se durante a antecedente dinastia, a dos Zhou do Oeste, sobre a sua jurisdição existiam mais de mil e oitocentos reinos, este número com os Zhou do Leste passou para aproximadamente cem, sendo significantes apenas uma dúzia. No Período dos Reinos Combatentes, o número foi ficando reduzido, até que chegou a sete importantes estados, havendo outros pequenos cujo poder era insignificante. Tal como o nome indica, o Período dos Reinos Combatentes foi um tempo de constantes guerras entre os poderosos reinos e muitos filósofos, já no período anterior, vinham alertando os governantes pressentindo a chegada dos grandes conflitos. Assim, antecipadamente, Lao Zi (Lao Tzé em cantonense, ou Láucio, como os primeiros jesuítas o chamaram) e Kong Fu Zi, conhecido pelo ocidente por Confúcio (551-479 a.n.E.), entre outros, sentindo essas grandes mudanças sociais, transcreveram os pilares dos conhecimentos antigos e registando-os, legaram-nos nas suas obras. Quiseram deixar-nos a ponte entre os tempos ancestrais, de dois mil e quinhentos anos antes deles e transmitiram-nos esses saberes, transportando-os até ao nosso actual mundo, colocando-nos na direcção dos ciclos e nos sentidos da História. Segundo o historiador Sima Qian (c.145-87 a.n.E.), no livro das Memórias Históricas, foi Lao Zi quem escreveu o Dao De Jing (道德经), onde se encontra explanada a ancestral Filosofia do Dao. Já Kong Fu Zi, a quem os jesuítas chamaram Confúcio, pressentindo o rápido esvaziamento na sociedade dos valores e princípios, percebeu que era preciso deixá-los registados para os vindouros. Assim, pela recolha no oral
e estudando os livros, “Lianshan Yi”, livro de sabedoria das linguagens do Universo da dinastia Xia, “Kun e Qian” que é o “Guizang” da dinastia Shang e o “Zhou Yi” da dinastia Zhou do Oeste, Confúcio entendeu a razão de ser dos ritos praticados em cada uma destas dinastias e as suas maneiras de viver. A partir dos ritos (li, 礼) dos Zhou, estruturou o pensamento humano pelos conceitos de virtude (ren, 仁), de justiça (yi, 义), de tolerância (kuan, 宽) de generosidade (hui, 惠). Sendo um reformador, tentou reorganizar a ordem da sociedade. Confúcio nunca exerceu um cargo de grande relevância e durante algum tempo procurou sem êxito encontrar um governante que se interessasse pela sua filosofia e escutasse os seus conselhos. Desiludido, dedicou-se a ensinar alguns discípulos e por último, já no fim da vida, a escrever. Rodeado de alunos, dá-lhes a conhecer o que foi aprendendo e estudando ao longo da sua vida. Seguindo conhecimentos provenientes do erudito Xie, encarregue da parte da Educação pelo Soberano Shun (2287-2208 a.n.e.), Confúcio divulgou as cinco máximas do comportamento humano: a relação entre soberano e povo, pais e filhos, marido e esposa, irmão mais velho e os mais novos e entre amigos. Kong Zi fez também uso de outra máxima desse período: os ensinamentos devem ser transmitidos oralmente e pela prática, e observados pelo exemplo. Proveniente de tempos ancestrais como “faz aos outros o que pretendes que te façam a ti” foi enunciado por Kong Zi cinco séculos antes de Jesus o ter referido. Como modo de vida, propunha aos estudantes o aperfeiçoar a moral e a ética pela rectidão, benevolência e virtudes e o respeito pelos antepassados. Como filosofia, o caminho da sabedoria prática que procura a harmonia na vida social, na educação e na política e por isso, atribuiu grande importância à Paz, Ordem e Harmonia, como princípio do bem governar. Os seus ensinamentos, apesar de no tempo terem passado à margem, perpetuaram-se na sociedade tradicional chinesa a partir da dinastia Han. Independentemente da condição social das pessoas, uma pessoa de bem é a que vive pela ética. Kong Zi, como grande educador, ao assistir à entrada do caos no quotidiano da sociedade onde vivia, tra-
balhou e editou os livros de História (Shu Jing) e o das Odes (Shi Jing). No Livro das Mutações (Yi Jing), Confúcio fez anotações ao longo dos 50 anos em que o estudou e acrescentou apêndices. Compilou os Anais do Período Primavera e Outono (Chunqiujing), sendo os livros dos Ritos (Li Ji) e da Música (Yue Ji) revistos por ele. Estavam assim criados os Seis Clássicos. O Livro da Música desapareceu para sempre durante a queima dos livros em 213 a.n.E., ficando os outros cinco como os Clássicos. Muitos desses livros que arderam na fogueira foram refeitos de memória. Confúcio considerava o comércio como um trabalho com um estatuto de baixo nível, mas no final dos Reinos Combatentes (475-221 a.n.e.), os mercadores tornaram-se ricos e poderosos. Emprestando dinheiro ao Estado para as grandes obras públicas e por financiarem as guerras, foram-lhes dados cargos políticos importantes, tornando-se mesmo conselheiros dos imperadores. Confúcio morreu um pouco antes de começar o Período dos Reinos Combatentes (475-221 a.n.e.), em que os reinos vão diminuindo de número até que o Estado Qin unifica a China em 221 a.n.e..
UM ENCONTRO REGISTADO NA PEDRA Lao Zi foi contemporâneo de Kong Zi, com quem se encontrou em 521 a.n.E., quando Lao Zi andava pelos 70 anos e Kong Zi na idade dos 30. Luís Gonzaga Gomes refere-se a esse encontro e data-o de 518 a.C., quando Confúcio tinha 34 anos e Láucio 60 anos. No regresso desse encontro, Confúcio disse aos seus discípulos: - “Sei que as aves podem voar, os peixes nadar e os quadrúpedes correr. Os que correm podem ser apanhados com as redes; os que nadam, com as linhas; e os que voam, com as setas. Porém, ao dragão que ascende, arrebatado pelas nuvens e pelos ventos, como é que é possível apanhá-lo? Avistei-me com Láucio e ele é como o dragão!” Quem também fez referência ao encontro entre Confúcio e Lao-Tze foi Manuel da Silva Mendes que, numa conferência sobre ‘Lao-Tze e a sua doutrina segundo o Tao-Te-King’ de 3 de Janeiro de 1909 e transcrita para o livro Sobre Filosofia, edição LSM, diz: “Lao-tze notando que Confúcio se entretinha a ler, perguntara-lhe que livro
lia: -<É o I-King (Yi Jing, em mandarim); os santos homens da antiguidade também o liam>. <Os santos homens - respondeu Lao-tze – podiam lê-lo; mas vós com que fim o ledes? Qual é o fundo d’ esse livro?>. <Resume-se – disse Confúcio – na humanidade e na justiça.> <A justiça e a humanidade – comentou Lao-tze – são hoje apenas nomes que servem para mascarar a crueldade e perturbar o coração dos homens; jamais a desordem foi maior. Todavia a pomba não se banha todos os dias para ser branca, nem o corvo se tinge todos os dias para ser negro. O céu é naturalmente elevado; a ter-
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ra é naturalmente sólida; o sol e a lua brilham naturalmente; os astros e as estrelas ocupam naturalmente as suas respectivas posições; as plantas e as árvores estão naturalmente classificadas segundo as suas espécies. Assim, pois, doutor, se vós cultivardes o Tao, se vós o procurardes com todo o ardor, vós o atingireis por vós mesmos. Para que serve a humanidade e a justiça? Vós pareceis um homem que andasse com um tambor a procurar uma ovelha extraviada.> Aos seus discípulos que o interrogaram sobre a doutrina de Lao-tze, Confúcio teria respondido: -Quando
vejo um homem servir-se do seu pensamento para se me escapar como a ave que voa, disponho o meu pensamento como flecha sobre o arco para o atingir, e jamais deixo de trespassá-lo; quando um homem se serve do seu pensamento para se me escapar como um veado ágil, disponho o meu pensamento como um lebreu para o perseguir, e sempre o apanho; quando um homem se serve do seu pensamento para se me escapar como o peixe no abismo, disponho o meu pensamento como anzol de pescador, e ele sempre é apanhado: pelo que respeita, porém, ao dragão, que se eleva sobre as nuvens e voga no éter,
confesso que não posso persegui-lo. Vi Lao-tze; é como o dragão!> Diálogo transmitido por Choang-tze (Zhuang Zi) e ampliado de uma passagem do livro Memórias Históricas (Shi Ji) de Sima Qian. “Quem se dobra permanecerá inteiro, quem se inclina será reerguido, quem está vazio será repleto, quem estiver gasto será renovado, quem pouco sabe terá o conhecimento seguro quem muito sabe ficará na dúvida. Assim o santo abraçando a unidade tornar-se-á o modelo do mundo.
Não se exibe, e brilhará Não se afirma, e impor-se-á Não se glorifica, e o seu mérito será reconhecido. Não se exalta a si próprio, e será o chefe. Como não rivaliza com ninguém, ninguém no mundo pode rivalizar com ele. O antigo ditado <quem se dobra permanecerá inteiro> será uma palavra vã? É desta maneira que se conserva a integridade.” (Cap. 22 do Tao Te King escrito por Lao Tse com tradução de António Melo, 5ª edição 1996, editorial Estampa)
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Thomas Lim*
FAZER UM FILME EM MACAU: DO GUIÃO ÀS FILMAGENS Capítulo IX: Festivais de Cinema
“Os filmes feitos em Macau são raros em festivais de cinema, mas isso pode fazer com que colham alguma atenção”
J
Á escrevemos, filmámos, editámos e temos um filme pronto. Depois de tudo isso estar pronto, incluindo a pós-produção, temos uma película pronta para se encontrar com a audiência, o público. Muitos realizadores dizem que encontrar uma audiência é a parte mais complicada no que diz respeito à produção cinematográfica. Eu concordo plenamente. O sucesso do seu filme vai depender disto, porque a película vai ser avaliada de forma severa a partir deste momento. De certa forma, a sua saúde mental também, porque passou pelo menos um ano a investir a sua vida no filme. Se a película não tiver muitas oportunidades de ser vista, vai, provavelmente, sentir-se deprimido e desencorajado. Mas, se grandes festivais de cinema ou cinemas o aceitarem, sente que o trabalho árduo valeu a pena e vai sentir-se nas nuvens. Os festivais de filme são as principais plataformas onde devemos tentar encontrar uma audiência – e eles, normalmente, surgem sempre antes da estreia nos cinemas. Os filmes feitos em Macau são raros em festivais, mas isso pode fazer com que colham alguma atenção. Envie o seu filme sempre para grandes festivais primeiro. Se um grande festival de cinema o aceitar, o segundo e terceiro festivais que se seguem vão, automaticamente, aproximar-se de si, para conseguir ter o seu filme em exibição. Cannes, Berlim e Veneza são comummente considerados os três principais festivais de cinema do mundo, com o Sundance (nos EUA) e o festival de Toronto a colocarem-se no top 5. Na Ásia, o festival de Pusan (na Coreia) é considerado o
maior festival, ainda que os de Xangai, Hong Kong, Tóquio e Singapura sejam considerados também bastante importantes. A importância de um festival de cinema geralmente depende do número de participantes, patrocinadores, apoio do Governo e dos média. Tenha isso em atenção. Festivais de cinema que acontecem na Ásia são mais propensos a apoiar um filme feito em Macau e um dos festivais mais importantes próximos de Macau é o Hong Kong International Film Festival. O Centro Cultural de Macau organiza também o seu próprio festival anual de Cinema Internacional e Vídeo, o que é uma boa plataforma para mostrar um filme de Macau. É importante perceber que muitos festivais gostam de ser os primeiros a mostrar um filme, pelo que devemos sempre vender/dar os nossos direitos de “World Premiere”
a um festival digno. Contudo, se mostrarmos o nosso filme num festival de Macau em primeiro lugar, a primeira vez que estrear no ecrã de um festival fora do território, será vista como uma “International Premiere”, algo que, obviamente, tem o seu valor também. O meu filme ‘Roulette City’ estreou primeiramente no Festival Internacional de Cinema de Singapura e, depois, no Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Macau. Na altura em que fiz o filme, sabia muito pouco sobre festivais e não me apresentei em muitos, algo que, agora, me arrependo. No entanto, os seguintes lançamentos do ‘Roulette City’ em cinemas comerciais, mais do que compensou a falta de projecções em festivais do filme... * Actor, guionista e director do filme “Roulette City”
FESTIVAIS DE CINEMA QUE ACONTECEM NA ÁSIA SÃO MAIS PROPENSOS A APOIAR UM FILME FEITO EM MACAU E UM DOS FESTIVAIS MAIS IMPORTANTES PRÓXIMOS DE MACAU É O HONG KONG INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
DESPORTO
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Mundial Luis Suarez em risco
O avançado da selecção do Uruguai Luis Suarez vai submeter-se esta quinta-feira a uma operação ao joelho, a 21 dias de começar o Campeonato do Mundo de futebol, informaram fontes da federação uruguaia, citadas pela EFE. O ponta de lança do Liverpool, melhor marcador da Premier League inglesa (com 31 golos), lesionou-se no joelho na quarta-feira, durante um treino da selecção e será submetido a uma artroscopia, depois de uma ressonância magnética ter detectado um problema no menisco. Os peritos estimam que uma operação deste tipo resulte em quatro a seis semanas de recuperação, mas a participação ou não de Suarez no Mundial vai depender do grau da lesão no joelho. O Uruguai vai disputar a primeira fase do Mundial no Grupo D, enfrentando a Costa Rica a 14 de Junho, a Inglaterra a 19 de Junho e a Itália cinco dias depois. Antes de começar o Mundial, o Uruguai disputa dois particulares de preparação: República da Irlanda a 30 de Maio e Eslovénia a 04 de Junho, ambos em Montevideu.
Selecção André Almeida: «Escorreram lágrimas no rosto dos meus pais»
André Almeida, lateral do Benfica e da Selecção Nacional, confessou esta quinta-feira que assistiu à convocatória de Paulo Bento ao lado dos pais, que não conseguiram esconder a emoção na hora em que ouviram o seu nome. “Estou neste grupo com muita alegria e felicidade. A minha família ficou muito feliz. Assisti ao anúncio ao lado dos meus pais e escorreram lágrimas pelos rostos no momento em que ouviram o meu nome”, afirmou em conferência de imprensa antes do treino de Portugal, no Estoril. O jogador de 23 anos garante estar disponível para ajudar a selecção em qualquer posição do terreno: “Para onde for chamado vou tentar corresponder. Eu trabalho todos os dias para ajudar o grupo. Cabe ao treinador decidir isso e se a minha polivalência é ou não uma vantagem.” Almeida confessou ainda que o grupo está preocupado com a situação de Cristiano Ronaldo. “Estamos preocupados com ele e com os outros jogadores. É Cristiano é muito importante para nós e queremos que esteja bem.”
SELECÇÃO DE HÓQUEI DE MACAU VOLTA AO CAMPEONATO ASIÁTICO EM SETEMBRO
Tentar a vitória, outra vez A
selecção de hóquei em patins de Macau volta aos ringues do Campeonato Asiático em Setembro para tentar revalidar o título regional que já conquistou por nove vezes, cinco das quais seguidas. Em declarações à agência Lusa, António Aguiar, presidente da Associação de Patinagem de Macau, revelou que a RAEM vai deslocar-se ao Campeonato Asiático de hóquei em patins, a disputar entre 24 e 28 de Setembro em Haining, na China, com quatro equipas - seniores masculinos, juniores masculinos, seniores
femininos e hóquei em patins em linha. As duas primeiras selecções pretendem revalidar os títulos de campeões. “Os seniores masculinos estarão na prova com o objectivo de revalidar o título, a mesma meta da equipa de juniores que vai disputar o segundo Asiático do escalão depois de uma vitória na prova em 1997”, explicou. Já as mulheres seguem para a China para “tentarem o pódio”, enquanto os atletas do hóquei do patins em linha procurarão “fazer o melhor possível”, disse. No leque de competições a disputar pela equipa de
hóquei em patins de Macau está também o Mundial B da modalidade que terá lugar em Novembro, novamente no Uruguai onde a “subida para o escalão principal era excelente, mas apenas com vontade de fazer melhor do que o sexto lugar de há dois anos”. “Claro que vamos procurar sempre a vitória e tentaremos sempre subir ao escalão principal da modalidade, mas fazer melhor do que há dois anos, quando também no Uruguai ficamos em sexto lugar, era uma boa prestação”, disse. Com todas as selecções em treinos de preparação, An-
MUNDIAL 2014 QUARESMA PUBLICA MENSAGEM DE APOIO À SELECÇÃO
Espanha Simão de saída
O Espanhol de Barcelona anunciou, esta quintafeira, que não vai renovar contrato com Simão Sabrosa, pelo que o internacional português está de saída do clube. Com 34 anos, e depois de dois anos ao serviço do clube da cidade condal, Simão fica agora livre para decidir o seu futuro, tal como, aliás, acontecerá com o lateral esquerdo Joan Capdevila. «Os responsáveis desportivos comunicaram a sua decisão a Capdevila e a Simão, que se despediram dos seus colegas e do corpo técnico na última sessão de treino», pode ler-se no anúncio feito pelo Espanhol, que não deixa de agradecer o profissionalismo de ambos os jogadores durante a sua trajectória no clube.
A torcer por fora A
USÊNCIA mais polémica da lista final de 23 convocados de Paulo Bento, extremo portista reagiu pela primeira vez. “Esteja eu onde estiver nunca deixarei de apoiar Portugal e torcer por vocês companheiros”, escreveu no Facebook Três dias depois de ter ficado de fora da lista de convocados de Portugal para o Mundial do Brasil, anunciada na passada segunda-feira, Ricardo Quaresma manifestou-se pela primeira vez publicamente sobre a selecção. E fê-lo para pedir apoio à equipa, através de uma mensagem publicada na sua página oficial no Facebook: “Amigos, quero agradecer as milhares de mensagens de carinho e apoio que
nos últimos dias me fizeram chegar, a todos o meu muito obrigado. É um alento sentir que estão ao meu lado e me apoiam em todos os momentos, é esse mesmo apoio, essa vossa força que vos peço que entreguem de coração à nossa selecção. Desejo aos meus colegas e a toda a equipa técnica as maiores felicidades no campeonato do mundo de futebol, esteja eu onde estiver nunca deixarei de apoiar Portugal e torcer por vocês companheiros. O Futebol tem a magia de dar alegria a um povo, o nosso povo tem a magia de fazer os jogadores acreditarem que podemos ganhar o mundial. Todos juntos somos uma grande equipa.
tónio Aguiar volta a lamentar as limitações de espaços de preparação daquelas que são as mais “medalhadas» representações internacionais de Macau. «O hóquei em patins é a modalidade que mais títulos dá a Macau e o único espaço de treino que temos - o colégio Dom Bosco - não possui neste momento os balneários a funcionar e os atletas equipam-se nas bancadas. É recorrente esta falta de espaço e não podemos deixar de vincar alguma falta de apoio para com quem muito tem dado a Macau e que só continua por amor à camisola e à modalidade», concluiu.
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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 26 MAX 30 HUM 80-95% • EURO 10.9 BAHT 0.2 YUAN 1.3
Cineteatro
LÍNGUA DE gATO
CINEMA GODZILLA [3D] [B]
SALA 1
X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [B]
Um filme de: Gareth Edwards Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen 19.15
Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 14.30, 16.45, 21.30
SALA 3
THE AMAZING SPIDER-MAN 2 [B]
X-MEN: DAYS OF FUTURE PAST [3D] [B]
Um filme de: Marc Webb Com: A. Garfield, E. Stone, J. Foxx, D. DeHaan 14.15, 19.15
Um filme de: Bryan Singer Com: Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James McAvoy 19.15
THE ETERNAL ZERO [C]
SALA 2
Pu Yi
Um filme de: Gareth Edwards Com: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen 14.30, 16.45, 21.30
Bipolaridade disfarçada Hoje sinto-me num daqueles dias em que os meus colegas chamam de “dia não”. Tudo me parece estar mal em Macau. Ou pelo menos, muita coisa. Queremos apanhar um táxi e é impossível. A grande maioria já passa sem exibir a luzinha encarnada e, os que passam, não param. É um dos grandes problemas que enfrento diariamente, quando ando de rua em rua na minha caixinha, desesperado por ir para casa. Depois temos outro problema: queremos ir da Taipa para uma qualquer zona menos central de Macau e não há autocarro que nos valha. Passam três 33 de uma vez (olhem, rima!), e o resto das pessoas que espere. Contudo acho que a questão dos fins de semana caóticos são, para mim, o maior dos problemas, dos que me deixam mais ansioso e aborrecido. Durante a semana cá ando na redacção para ajudar os meus colegas e, claro, a escrever esta coluna, mas ao sábado e domingo gosto de passear um pouco por Macau, olhar para cidade de uma forma que é quase impossível de segunda a sexta-feira. No fim de semana passado quis ir até ao Leal Senado, mas revelou-se uma tarefa um tanto ou quanto hercúlea, tendo em conta a quantidade de gente e o volume de caos que se fazia sentir por aquelas zonas. Dei três passos até aos Correios, virei lombo e fui para casa. Aquilo não é vida para mim, ficar enlatado no meio de um sem número de turistas do continente, até finalmente conseguir chegar onde quero. Bem sei que não sou assim tão velho e experiente, mas em tempos, estas quatro patas já palmilharam um Macau completamente diferente. Hoje em dia, tudo são pessoas, barcos, autocarros, táxis e motas a encherem as ruas e o rio, o maravilhoso Rio das Pérolas. Bem, se calhar é só este tempo inconstante e chuvoso que me faz estar de neura. Se calhar tudo não passa de tristes pensamentos de um gato quando anda à chuva. Sempre ouvi dizer que quem anda à chuva, molhase. Comigo, é caso para dizer: Quem anda à chuva, aborrece-se.
(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Junichi Okada, Haruma Miura, Mao Inoue 16.45, 21.45
GODZILLA [B]
ACONTECEU HOJE
23 DE MAIO
Nasce Eduardo Lourenço, o grande pensador português
H O J E H Á F I L M E THE WRESTLER DARREN ARONOFSKY (2008) Mickey Rourke como nunca o vimos. ‘The Wrestler’ retrata a história de um lutador que tem pela frente mais combates do que os que acontecem dentro do ringue. Dirigido por Darren Aronofsky e escrito por Robert Siegel, ‘The Wrestler’ traz também ao grande ecrã Marisa Tomei. Robin Ramzisnki (Rourke) é um veterano do wrestling que tenta recuperar os dias de glória dos anos 1980, mas a vida prega-lhe algumas partidas. Uma má relação com a filha, uma paixão por uma stripper e um ataque cardíaco tentam interromper a capacidade de continuar a lutar. Um filme que fez Rourke sair vencedor merecido de um Globo de Ouro e ser nomeado para um Óscar de Melhor Actor, ‘The Wrestler’ mostra a fragilidade humana de uma forma bem familiar. E Rourke interpreta na perfeição o sofrimento de uma vida. - Joana Freitas
João Corvo
• A 23 de Maio, homenageia-se o ensaísta português Eduardo Lourenço, multi-premiado pensador, que nasceu neste dia. É um dos mais relevantes nomes da sociedade contemporânea, um poço sem fundo de inquietante conhecimento. Nasceu numa pequena aldeia da Beira Interior e tornou-se senhor do mundo, marcando o pensamento ao longo de mais de 50 anos, sobretudo no pós-25 de Abril. Assinala-se hoje mais um aniversário de Eduardo Lourenço, pelo que é dia de recordar um cidadão que derrubou fronteiras. Começou a distinguir-se em Coimbra, aquando da sua licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, concluída em 1946. Na cidade do conhecimento, encontra um ambiente aberto a reflexão. Prossegue a sua formação académica com um estágio na Universidade de Bordéus, em 1949, e torna-se embaixador da cultura portuguesa nas universidades de Hamburgo e Heidelberg (entre 1953 e 1955) e na Universidade de Montpellier (de 1956 a 1958). É docente durante um ano na Universidade Federal da Bahia, como professor convidado de Filosofia, e passa a viver em França, em 1960. Fixou residência em Vence, cinco anos mais tarde, e foi reitor na Universidade de Grenoble, de 1960 a 1965. Tornou-se professor jubilado em Nice, em 1988, um ano antes se tornar conselheiro cultural junto da Embaixada Portuguesa em Roma, até 1991. Desde 1999, ocupa o cargo de administrador não executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Influenciado por nomes como Husserl, Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger, Sartre, Dostoievski, Franz Kafka ou Albert Camus, Eduardo Lourenço desenvolveu pensamentos sobre o existencialismo, sem nunca se deixar levar por correntes teóricas e ideologias. Ao longo da sua vida, que perdura, Eduardo Lourenço publicou livros, ensaios e pensamentos. Eduardo Lourenço é um dos maiores nomes portugueses e merece ser homenageado em vida. Por isso, hoje é dia de lembrar o pensador.
fonte da inveja
Voar não chega. Não te esqueças de rastejar.
OPINIÃO
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PAUL CHAN WAI CHI*
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um grito no deserto
Um Chefe do Executivo para 400 pessoas
A
S pessoas têm a liberdade de escolher não responder às perguntas dos jornalistas em ocasiões públicas? Sim, têm. As figuras públicas têm a liberdade de escolher não responder às perguntas dos jornalistas em ocasiões públicas? Podem ter. Os políticos têm a liberdade de escolher não responder às perguntas dos jornalistas em ocasiões públicas? Poderiam ter, mas não podem recusar entrevistas porque estão envolvidos nos assuntos públicos que têm a ver com o quotidiano da população. A população tem o direito de saber e os jornalistas têm o direito de recolher informações que ajudam a população a controlar a actuação do governo de forma mais efectiva. Mas se uma figura política apenas serve 400 pessoas, então, ele ou ela, pode recusar dar entrevistas. O Chefe do Executivo recusou recentemente responder a perguntas de alguns jornalistas. No entanto, de certeza que não recusa responder às perguntas dos 400 membros da Comissão Eleitoral. Infelizmente, estes jornalistas não são membros da Comissão Eleitoral e lamentavelmente os profissionais da área que são membros da Comissão Eleitoral nunca levantam questões nem fazem entrevistas no local. Desde a Transferência de Soberania que o governo da RAEM envia comunicados de imprensa e fotografias através do Gabinete de
Comunicação Social. Em inúmeras ocasiões os jornalistas só sabem de certos eventos depois de estes terem acontecido. Uma das características do sistema é ter um porta-voz oficial que comunica as declarações do governo, raramente dando oportunidade aos jornalistas de levantarem questões sobre as informações comunicadas. Mesmo nas sessões da AL de Pergunta&Resposta, as questões dos jornalistas para os deputados têm de ser enviadas antecipadamente. Quanto mais tempo o Chefe do Executivo tiver para ler os seus papéis, menores são as suas hipóteses de falar livremente. E se a maioria das questões forem inócuas em vez de criticas, a sessão de P&R torna-se numa exposição do Relatório das Linhas de Acção Governativa. O itinerário do Chefe do
Para se ser um Chefe do Executivo amplamente representativo, devese ter uma governação orientada para a população e estar preparado para responder às perguntas dos jornalistas em acontecimentos públicos
Executivo aquando da visita a vários bairros de Macau foi classificado como de altamente confidencial. Durante a visita o Chefe do Executivo esteve sempre acompanhado de algumas caras bem conhecidas de certas associações. E como estava sempre rodeado de seguranças, era tão difícil aproximarmo-nos dele como do Presidente de Portugal. O supracitado é o que sinto acerca de “ Macau governado pela sua gente e gozando de plena autonomia”. A lealdade ao bloco governativo e aos seus lobbies é basicamente o único critério de julgamento de patriotismo e amor em relação a Macau. O comportamento recente dos jornalistas exortando o Chefe do Executivo a responder às perguntas pode ser visto como um atentado à harmonia. Em Macau, estes jornalistas são empurrados e arrastados. Se fosse na China, podiam ser acusados de provocadores que queriam arranjar problemas e podiam acabar por perder os empregos. Para se ser um Chefe do Executivo amplamente representativo, deve-se ter uma governação orientada para a população e estar preparado para responder às perguntas dos jornalistas em acontecimentos públicos. Os jornalistas mais experientes e agressivos não enviam questões com dias de antecedência, como fazem os deputados da AL, nem seguem as instruções do chefe de gabinete do Chefe do Executivo quando este recebe os jornalistas na Sede do Governo da RAEM. Ainda assim, o Chefe do Executivo devia ter
a coragem de enfrentar as questões. Não pode pensar que as figuras públicas da política podem desfrutar o direito de recusarem ser entrevistadas, a não ser que queira continuar a ser eternamente o Chefe do Executivo de 400 pessoas. A actual candidatura para a eleição do Chefe do Executivo de Macau é uma tarefa muito mais descontraída do que em Hong Kong, porque nas últimas três eleições, exceptuando a primeira em que houve alguma contestação, as outras duas foram ganhas incontestavelmente. A eleição do Chefe do Executivo nunca causou qualquer emoção. No entanto, não culpemos a população por manifestar indiferença perante o acontecimento deste ano porque a maioria dos votantes de Macau não goza do direito de eleger o seu representante máximo pelo sistema de “uma pessoa, um voto”. Ainda é cedo para sabermos se isso poderá acontecer em 2019. Mas o 4º Chefe do Executivo a ser eleito por 400 pessoas não está disposto a dar entrevistas. Isto de certa forma é verdade. Mas para se avançar para o sistema de “uma pessoa, um voto” a questão não é de saber se o Chefe do Executivo dá, ou não, entrevistas, mas de saber se pode, ou não, representar o povo de Macau. Devemos lutar pelo sufrágio universal apara as eleições do Chefe do Executivo em 2019. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático
GONÇALO LOBO PINHEIRO
22 opinião
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ISABEL CASTRO
isabelcorreiadecastro@gmail.com
contramão
O
tempo tem cada vez menos tempo e, assim sendo, passa depressa. Como o tempo passa depressa parece que já foi tudo há muito tempo. Não fossem as imagens que circulam ainda nos facebooks das pessoas e um ou outro anúncio em tamanho gigante nos jornais, e até pareceria que a visita de Cavaco Silva foi noutro tempo que não este que acabou de acontecer. Da passagem do Presidente da República Portuguesa por Macau ficam boas intenções, acordos firmados, protocolos reforçados, mais de uma mão cheia de medalhas e uma declaração que – espero eu – pode ser relevante para a comunidade portuguesa: a declaração acerca das dificuldades de fixação de residência. A Cavaco Silva foi pedida uma análise sobre as dificuldades na obtenção de residência em Macau com que se deparam os novos portugueses do território, aqueles que deixaram Portugal em plena crise. Como político que é – e porque a política tem dias que não parece ser feita para o povo –, a resposta de Cavaco Silva foi dada na condicional, como se de uma hipótese se tratasse, e o assunto foi abordado com uma clara manifestação de surpresa em torno da situação. Houve quem tivesse achado que não estaria a par do assunto mas, para quem lá esteve, não foi essa a ideia que passou: a poucas horas de deixarem Macau, mal estariam os assessores se o Presidente não
cartoon por Stephff
RUBEN ALVES, A GAIOLA DOURADA
O que faz falta
estivesse a par da questão que, nos últimos anos, mais tem atrapalhado a comunidade. Acontece que em assuntos sensíveis a política faz-se assim: a realidade é uma encenação. Mas, para quem tem dúvidas, aqui fica a ideia com que eu, que lá estive, fiquei: a resposta foi demasiado estruturada e dada com demasiada rapidez para ser um cavaquiano improviso.
Apesar de ser uma resposta dada para uma mera hipótese, Cavaco Silva não deixa de mencionar uma contradição entre o discurso efectivo que ouviu e esses hipotéticos entraves à fixação de residência. Tem hipoteticamente razão o Presidente: não faz qualquer sentido juntar na mesma frase discursos do tipo 10 de Junho e os números da Polícia de Segurança Pública sobre os pedidos
Quero acreditar que a declaração de Cavaco Silva chegou ao Palácio do Governo. Quero acreditar ainda mais que, nos encontros à porta fechada, entre elogios mútuos e duas chávenas de chá, se falou amigavelmente do assunto. Quero acreditar que o problema se vai resolver, que o tema vai deixar de ser notícia e que tudo vai voltar ao que era
NEGÓCIOS
para fixação de residência que continuam pendurados. Ainda a jogar no campo das possibilidades, a retórica de Cavaco Silva apontou para uma possível solução para este possível problema: o acordo firmado entre Lisboa e Macau no passado fim-de-semana. Sabemos que estes acordos valem o que valem – o tempo tem às vezes cada vez mais tempo e, assim sendo, passa muito devagar. Também sabemos qual é o peso de Portugal, da portugalidade, do passado português e do presente português por estas bandas. E sabemos ainda do valor das palavras políticas, das mensagens políticas, do peso que a política – esta política e as outras – têm. Muito pouco, quase sempre. Ainda assim – e porque é importante irmos acreditando em qualquer coisa – quero acreditar que a declaração de Cavaco Silva chegou ao Palácio do Governo. Quero acreditar ainda mais que, nos encontros à porta fechada, entre elogios mútuos e duas chávenas de chá, se falou amigavelmente do assunto. Quero acreditar que o problema se vai resolver, que o tema vai deixar de ser notícia e que tudo vai voltar ao que era. E quero acreditar por várias razões. Para começar, faz falta a Macau ter cá portugueses, como faz falta a Macau ter cá gente de muitos lados. Macau construiu-se assim e sem estas pessoas, que trazem de fora o que faz falta cá dentro, Macau vai destruir-se lentamente. Vai destruir-se ainda mais do que já se destruiu. Numa perspectiva de expatriada que nunca deixarei de ser, faz-me falta gente a chegar para que nunca me esqueça de que não me posso sentar em cima do que não sei. Numa perspectiva de emigrante que nunca deixarei de ser, faz-me falta que a minha comunidade (ou as minhas comunidades) não morram. Preciso de saber que os órgãos de comunicação social em língua portuguesa – e o exemplo é escolhido por ser a área que conheço melhor – não vão definhar por falta de pessoas qualificadas para lá trabalharem. Macau não tem escolas de jornalismo em português. Preciso de saber que a língua portuguesa não vai desaparecer por não haver quem a ensine, na versão original. Faz-me falta a língua portuguesa, faz-me falta o respeito pela língua portuguesa, porque foi também por isso que para cá vim. Quero acreditar que o problema se vai resolver porque sei que não foi para isto que se andou a trabalhar, a discutir, a acordar. Por respeito aos outros que chegaram antes de mim, que partiram antes de mim, num tempo que tem cada vez menos tempo, que é cada vez mais passado, um substantivo morto. Sem eles eu não estaria cá.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Joana Freitas (Coordenadora); Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; José C. Mendes; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com. mo Sítio www.hojemacau.com.mo
PERFIL
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MAX BESSMERTNYI, REALIZADOR
“MACAU INSPIRA-ME TODOS OS DIAS” JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
C
HEGOU a Macau bem antes da transferência, ainda o português era comum nas ruas. Estávamos em 1993 e Maxim Bessmertnyi – Max, como gosta de ser tratado – tinha cinco anos. “Viemos uns meses depois do meu pai, que veio para Macau fazer uma exibição”, conta-nos. “Quando chegámos, ele decidiu... uau... ‘Macau é Monte Carlo’ e queria ficar cá. Ficamos.” Max é filho de Konstantin Bessmertnyi, um artista de renome em Macau. Mas, se há algo em que se possa dizer que Max sai ao pai, não é, com certeza, nas escolhas de carreira. Em Macau, frequentou a Escola Portuguesa. É fluente na língua de Camões e tem passaporte português, ainda que seja russo. Tão fluente, que nos confunde. Porquê a EPM? “Os meus pais tinham amigos portugueses e o início da nossa vida em Macau foi à portuguesa... ainda é. Às vezes eu próprio me sinto confuso. De onde sou? Sou russo? Português? De Macau? O sangue nas minhas veias é russo. Mas..” Mas, não foi por cá, nem em terras lusas, que Max seguiu a vida de estudante. Na Tailândia frequentou o liceu durante quatro anos. A razão por que saiu de Macau faz o
nosso entrevistado sorrir, com ar malandro. “Andava a meter-me em sarilhos. Não eram coisas más, mas o meu pai queria uma coisa...” e ele queria outra. O pai idealizou uma carreira na área de negócios para Max. Mas, a arte, ainda que numa expressão diferente da do pai, era a sua paixão. Max fala “um bocadinho de tailandês”, diz-nos, enquanto nos atira com algumas palavras. O inglês, em que conversamos, também é fácil para o nosso entrevistado. Não tivesse ele frequentado três anos de universidade em Leeds, no Reino Unido. Foi em terras de sua majestade que Max Bessmertnyi descobriu – ou se apercebeu – realmente da sua vocação. “Estava a estudar algo que não era o que gostava mesmo, ‘business’ e filosofia.” A parte da filosofia, Max nem se importou muito. Foi daqui que abriu os braços à literatura. “Comecei muito tarde a ler, tinha para aí 18. Nunca tinha lido nada de jeito, nunca tinha lido ‘Crime e Castigo’, por exemplo.” Para Max, Inglaterra foi fantástico. “Ajudou-me a perceber quem eu era e o que queria realmente”, conta-nos. Trabalhar numa empresa e esperar receber um salário não é coisa que lhe agrade. A indústria cinematográfica, isso, já outra história. Max voltou a Macau e trabalhou por cá
dois anos. No Wynn, era o responsável pela produção de vídeos da empresa, algo que lhe serviu de base ao que, hoje, faz realmente. “Foi aí que começou a minha habilidade de fazer filmes.” ‘Trycicle Thief’ é o seu mais recente. Com Macau como pano de fundo, a história mostra a vida de um homem pobre num território onde o dinheiro abunda. “Queria algo interessante, algo que expresse a situação actual e os problemas sociais”, explica-nos Max, com os olhos brilhantes. “Mas o cora-
“Os meus pais tinham amigos portugueses e o início da nossa vida em Macau foi à portuguesa... ainda é. Às vezes eu próprio me sinto confuso. De onde sou? Sou russo? Português? De Macau? O sangue nas minhas veias é russo. Mas...”
ção da história é o ladrão de um riquexó, a ironia da vida em ter um homem a viver cá que é pobre, mas que continua diariamente a tentar o que quer... é saber o que acontece quando ele não consegue.” Por agora, Max tem em mãos a edição desta curta-metragem e também a escrita do guião de outras duas e de uma longa-metragem. Macau não só é a sua casa, desde que regressou da Tisch, Escola de Artes da Universidade de Nova Iorque em Singapura, mas é também a sua inspiração diária. “É a minha única inspiração, neste momento. Há muito que pode acontecer em Macau”, diz-nos. Confessa que ainda não se pode auto-intitular de realizador, porque não fez o suficiente. Mas é isso que quer fazer da vida. E Macau é Macau. “Está no centro de tudo o que faço. Todas as histórias são à volta de Macau.” Para Max, o território ainda é bonito, como era antigamente. Por agora, este “perfeccionista” ainda está a terminar o ‘Trycicle Thief’. Algo que poderá demorar até dois meses. Mas, afinal, “a arte nunca está terminada”. Para já, uma coisa é certa. “Não consigo imaginar-me a fazer algo que não filmes.” Por isso mesmo, podemos esperar Maxim Bessmertnyi brevemente, num cinema perto de nós.
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Eleições europeias Sondagem dá ligeira vantagem ao Partido Socialista
A sondagem feita pela Universidade Católica para o DN, JN, RTP e Antena Um revela uma vitória do PS muito ligeira, por apenas mais quatro pontos percentuais do que a coligação PSD/ CDS. Os resultados da sondagem dão 34% ao PS (entre oito e dez eleitos) contra 30% da coligação PSD/CDS (entre sete e nove). A diferença entre as duas formações encontra-se dentro da margem de erro. Mas, de acordo com esta amostra, também 52% garantem que votam de certeza - sendo que nas Europeias de 2009 a abstenção foi superior a 60%. Para a CDU, o estudo aponta 12% (podendo os eleitos ir dos atuais dois a quatro) e para o Bloco de Esquerda 5% (com um eleito garantindo). Marinho Pinto, cabeça de lista do MPT, poderá ser eleito. Rui Tavares, que lidera a lista do Livre, ficará garantidamente de fora do Parlamento Europeu, segundo esta sondagem.
Final Portela bate recorde esperam-se 120 mil espanhóis em Lisboa
Além dos 60 mil adeptos espanhóis com bilhete para assistirem no sábado à final da Liga dos Campeões no Estádio da Luz, a PSP admite que venham “outros tantos” apenas para viverem a “festa do futebol” nas ruas de Lisboa. Muitos chegarão à capital em autocarros fretados pelos clubes, “centenas” de carro, alguns de comboio e outros optam pelo avião, levando o aeroporto da Portela a bater recordes de tráfego durante o fim-de-semana. Só no sábado, haverá 740 aterragens e descolagens no aeroporto de Lisboa, quase o dobro do movimento habitual, segundo um comunicado da NAV Portugal. Na sexta-feira e no domingo estão previstos cerca de 650 movimentos diários. O tráfego aéreo durante o fim-de-semana vai superar os máximos registados em eventos como a Expo 98, o Euro 2004 (que detinha o recorde, com 570 movimentos) ou a Cimeira da Nato em 2010.
Belenenses SAD reduz 19% da dívida ao Fisco
“Em 10 meses, a dívida do Belenenses às Finanças baixou 19 por cento. Nestes 10 meses, gastámos 400.000 euros, valor este que foi retirado ao orçamento desta época”, revelou Rui Pedro Soares. Em Junho do ano passado, a dívida da SAD às Finanças situava-se nos 1,676 milhões de euros (ME), sendo que em Abril deste ano baixou para 1,359 ME, o que corresponde a um decréscimo de 317.000 euros, em 10 meses. Além destes 317 mil euros, a sociedade pagou igualmente 80 mil euros de juros de dívida anterior à entrada da Codecity Sports Management (CSM) na SAD do Restelo. O presidente da sociedade, Rui Pedro Soares congratulou-se pela “estratégia que tem sido implementada” na SAD e que “está a ter resultados”
Anonymous Detidos dois membros por ataques na Austrália e Indonésia
Dois membros da secção australiana da organização Anonymous foram detidos vão ser presentes a tribunal por ataques informáticos na Austrália e Indonésia a sítios da internet do Governo e empresas privadas, noticia a EFE, citando meios australianos. Um australiano de 40 anos foi acusado ontem em Perth, na costa oeste do país, de se infiltrar em portais informáticos da Indonésia e de uma empresa de computadores sediada em Brisbane, capital do Estado de Queensland, no leste da Austrália. Está previsto que outro australiano, de 18 anos, compareça nas instâncias judiciais de Sydney por atacar um provedor de internet e uma agência estatal de Camberra, capital do país. “Estes actos causaram sérios transtornos aos serviços governamentais e empresariais, que podem resultar em consequências catastróficas para as pessoas que confiam nestes serviços para gerir os seus negócios e administrar as suas finanças”, disse o director de operações cibernéticas da polícia federal australiana, Tim Morris, em comunicado.
SÍRIA CHINA E RÚSSIA VETAM PROPOSTA PARA JULGAR CRIMES DE GUERRA NO TPI
Braço de ferro A
China e a Rússia vetaram ontem uma proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU que visava a apresentação da Síria perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), para ser julgada por crimes de guerra. As potências ocidentais pressionaram para que a proposta de resolução fosse aprovada, com base em ataques que ocorreram na Síria com recurso a armas químicas, torturas e bombas feitas a partir de barris, bem como recusa a ajuda humanitária. A proposta visava apresentar perante o TPI as várias facções presentes no conflito, mas a Síria não é signatária do Tribunal Penal Internacional, pelo que apenas o Conselho de Segurança da ONU pode fazer com que crimes de guerra ou crimes humanitários sejam levados ao TPI. Foi a quarta vez que a China e a Rússia bloquearam propostas vindas dos países ocidentais, o que tem paralisado esforços para terminar uma guerra que se estima tenha já causado mais de 160 mil mortos. Os restantes 13 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas votaram a favor, e as potências ocidentais culparam a China e a Rússia de não só protegerem o regime sírio de Bashar Al-Assad, mas também “grupos terroristas” da oposição. A guerra civil na Síria arrasta-se desde o início da primavera árabe, em 2011, e opõe o regime de Bashar Al-Assad a vários grupos opositores, entre os quais alguns apoiados pela Al-Qaeda. A Rússia e a China têm sido os principais aliados internacionais do regime de Assad. “As vítimas da indústria de morte do regime de Assad, bem como as vítimas de ataques terroristas, merecem mais do que ter de contar mais mortos”, disse a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power. “É uma vergonha que tenham vetado novamente o esforço do Conselho de Segurança para tomar uma
posição no que toca a direitos humanos na Síria”, acrescentou o embaixador britânico Mark Lyall Grant. Em resposta, a China e a Rússia argumentaram que levar os dois lados ao TPI complicaria os esforços PUB
para encontrar uma solução política para o conflito. O embaixador russo Vitaly Churkin criticou a França, redactora original do documento, e acusou o Reino Unido e os Estados Unidos de hipocrisia, por não quererem
os crimes da guerra no Iraque julgados no TPI. Por outro lado, na quarta-feira, o embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, já tinha garantido que a Rússia ia votar contra a proposta. “Consideramos que o facto de esta resolução ser submetida a votação é um golpe publicitário”, disse Churkin na quarta-feira. O embaixador chinês Liu Jieyi disse ontem que levar a situação síria ao TPI não contribuía “nem para a construção de confiança entre as partes nem para retomar as negociações em Genebra”, referindo-se às tentativas de resolução do conflito, suspensas em Fevereiro. Também a Amnistia Internacional (AI) criticou a posição sino-russa. Citada pela France-Presse, a AI diz que foi perdida uma “oportunidade crucial” para se fazer justiça, e que “a Rússia e a China abandonaram o povo sírio em prol de salvaguardar alianças política.